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RELATO DA EXPERIÊNCIA

PROJETO CORAL “VOZES DA LIBERDADE”

Professor Ivandro Batista de Queiroz.

Escola: EEEFM ÁLVARO Machado Município: Areia Estado: Paraíba

A Escola Álvaro Machado localiza-se na área central de Areia-PB, mas atende sobretudo
alunos de comunidades carentes nos morros próximos chamadas Jussara e Padre Maia. São
alunos e alunas pobres e que vivenciam em seu cotidiano violências contra as mulheres e cenas
de uso de drogas (sobretudo o álcool). Em meio a essa situação a escola é ainda uma instituição
de socialização e apoio mútuo para esses alunos. São cerca de 400 alunos nos turnos da manhã,
tarde e noite com turmas desde a primeira série fundamental até turmas do ensino médio e EJA
à noite. A escola tem uma boa estrutura de pátio, com 7 salas de aula, um auditório, uma
biblioteca e uma sala de internet. Mas a estrutura é um pouco antiga e não passou por uma
reforma, apenas pinturas. A biblioteca não funciona como espaço de sociabilidade mas apenas
um depósito de livros e outros utensílios da escola.

Quando comecei a trabalhar na escola houve uma pintura da frente da escola (2018).
Comecei a observar como o espaço escolar refletia as ações pedagógicas da escola. Um espaço
que não era cuidado refletia em parte o abandono e apatia diante dos problemas e situações
vivenciados na escola. Faltava a criatividade e a participação dos alunos refletidos no espaço. Na
maioria das vezes eram cartazes com atividades criadas pelos professores e direcionadas. Outros
professores perceberam que havia muito espaço ocioso na escola, e na lateral da escola onde
havia um gramado começaram a plantar árvores e essas árvores passaram a “pertencer” a
algumas turmas que deveriam cuidar delas. Muito importante esse trabalho de desenvolver o
“pertencimento” e tal propósito se faz apenas pela via coletiva.

Assim a partir de agosto pensei em iniciar uma proposta para democratizar e humanizar
as relações com os alunos, usando a música e o canto coral. Antes, pensei em trabalhar com o
teatro, pois queria incentivar os alunos a acessar o espaço do Teatro Minerval (1859) o mais
antigo da Paraíba. Não consegui dar continuidade a essa proposta pois o professor com o qual
faria parceria saiu da escola. Como segunda proposta tentei simplificar a ideia e reuni um grupo
de alunas do 7, 8 e 9 anos do fundamental para começarmos os ensaios, todas as quartas à tarde
no Teatro Minerva. Meus principais problemas foram: fidelizar as alunas que frequentavam,
algumas falhas de comunicação (melhor falar pessoalmente na escola que pelo whatss app), os
alunos meninos não quiseram participar. Após uma lista de 25 alunos e alunas inscritos,
formamos um grupo fixo de apenas 10 alunas que frequentaram os ensaios. A despeito das
dificuldades, nos divertimos muito e o grupo serviu ao propósito de ser um espaço de expressão
das emoções e confraternização.

Uma ideia que tinha era fazer uma apresentação com o coral em alguma instituição da
cidade (ex: abrigo, outra escola, etc), mas não tive tempo pois saiu minha licença para o
mestrado. Como resultado creio que conseguimos despertar nessas alunas um maior interesse
pela diversidade musical, por outros gêneros musicais, pela poesia e expressão artística e
mostrar que o Teatro Minerva é um espaço público que todos podem acessar. Infelizmente
existe na sociedade local um certo elitismo que cultiva a admiração por algumas família ditas
ilustres e outros “populares” sentem-se inibidos para acessar espaços como o teatro. É como se
aqueles espaço não lhes pertencesse. Nosso projeto foi também com o intuito de mostrar que
a cultura não é apenas para a elite, mas que o povo pode e deve apoderar-se das linguagens
artísticas para expressar suas aspirações e desejos.

Após sair da escola decidi que iria divulgar o programa Missão Pedagógica e participei
da 1ª Feira Literária de Areia com uma roda de debate sobre a educação e os princípios
democráticos. A ideia da democracia continua sempre e é uma paixão, em que lutaremos por
um país melhor e mais justo socialmente para todos os cidadãos e cidadãs, sejam nossos filhos,
sobrinhos, mulheres, negros, pessoas com deficiência, LGBT´s, etc. No próximo dia 13 de
novembro participarei de uma ação de extensão com os professores da UFPB em Areia, onde
faremos um encontro com os professores para debater a importância das Ciências Humanas
(Sociologia, Filosofia e História) no contexto de uma escola democrática.

Não existe caminho pronto, o caminho se faz no caminhar. As lições são muitas e posso
dizer que às vezes queremos fazer projetos de grandes proporções, mas que ações singelas
podem iniciar processos de renovação. Acredito que as diversas expressões artísticas podem
oxigenar o ambiente escolar, melhorar a socialização nas escolas e despertar a criatividade dos
alunos e professores. Os modelos das escolas Montessori e Waldorf podem nos servir de
inspiração para uma educação que pretende dar protagonismo aos indivíduos através das artes
de fazer.

“O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo...”

“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas
de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993). - 24.
ANEXO- FOTOS

Alunas participantes do projeto, em dia de ensaio no Teatro Minerva.

Aula de Sociologia, com alunos do 3º ano.


Palco do Teatro Minerva
Detalhes externos do Teatro Minerva(1859)
Lista dos alunos do 7, 8 e 9 ano inscritos
Participação na 1ª Feira Literária de Areia, com a roda de debate Educação e os princípios
democráticos.

Outro evento programado para os próximos dias: