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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ

8ª CÂMARA CÍVEL - PROJUDI


RUA MAUÁ, 920 - ALTO DA GLORIA - Curitiba/PR - CEP: 80.030-901

Autos nº. 0030927-03.2015.8.16.0001

APELAÇÕES CÍVEISNº 0025561-80.2015.8.16.0001 E


0030927-03.2015.8.16.0001, DA COMARCA DA REGIÃO
METROPOLITANA DE CURITIBA – FORO CENTRAL DE CURITIBA –
4ª VARA CÍVEL.

APELANTE: BRUNO TRAMUJAS KAFKA.

APELADOS (1): ALEXANDRE DUPAS PEREIRA e OUTROS.

APELADO (2): PIERRE ALEXANDRE BOULOS.

RELATOR: JUIZ SUBSTITUTO EM 2º GRAU ADEMIR RIBEIRO


RICHTER (em substituição ao Des. Clayton de Albuquerque
Maranhão).

8ª CÂMARA CÍVEL.

APELAÇÕES CÍVEISNº 0025561-80.2015.8.16.0001 E Nº


0030927-03.2015.8.16.0001 – DIREITO CIVIL E DIREITO PROCESSUAL
CIVIL – PROCESSOS REUNIDOS POR CONEXÃO – PRETENSÕES
RELATIVAS ÀS VÍTIMAS DO FATO – RESPONSABILIDADE CIVIL –
RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO – INTERESSE DE AGIR E
LEGITIMIDADE ATIVA DEMONSTRADOS – MÉRITO – VIOLAÇÃO À
PRIVACIDADE DOS AUTORES PELO RÉU – REPRODUÇÃO, SEM
CONSENTIMENTO, DE CONVERSAS PROFERIDAS EM AMBIENTE
PRIVADO – AMPLA PUBLICIDADE DO TEOR DAS CONVERSAS –
CONFRONTO ENTRE O INTERESSE PÚBLICO E O DIREITO À
PRIVACIDADE – GRUPO PRIVADO SEM FINALIDADE INFORMATIVA
– VIOLAÇÃO AOS DIREITOS DE PERSONALIDADE DOS AUTORES
DEMONSTRADA – DANO MORAL IN RE IPSA – VALOR
REPARATÓRIO ADEQUADO COM AS CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO –
HONORÁRIOS RECURSAIS FIXADOS.
RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL Nº 0025561-80.2015,
PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.

RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL Nº 0030927-03.2015 CONHECIDO E


NÃO PROVIDO.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelações Cíveis sob n o


0025561-80.2015.8.16.0001e nº 0030927-03.2015.8.16.0001, da 4ª Vara Civil do Foro
Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, em que é apelante em ambos
os feitos Bruno Tramujas Kafka e são apelados 01 Alexandre Dupas Pereira, André Luiz
Macias, Arthur Orlando Klas Neto, Carlos Adriano Rattmann, Carlos Eduardo Vianna de
Souza Santos, Christian Sant'ana Gaziri e Marcelo Rodrigo Molinari e apelado 02 Pierre
Alexandre Boulos.

1. Alexandre Dupas Pereira, André Luiz Macias, Arthur Orlando Klas


Neto, Carlos Adriano Rattmann, Carlos Eduardo Vianna de Souza Santos, Christian
Sant'ana Gaziri e Marcelo Rodrigo Molinari (autos nº 0025561-80.2015.8.16.0001) e Pierre
Alexandre Boulos (autos nº 0030927-03.2015.8.16.0001), ajuizaram, perante a 4ª Vara Cível
do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, Ação de Indenização em
face de Bruno Tramujas Kafka, na qual pleiteiam, em razão da divulgação pelo réu de trechos
de conversas privadas de um grupo formado em aplicativo de conversas, indenização por dano
moral. Em suma, aduzem que o grupo era formado principalmente por integrantes da diretoria
do Clube Coritiba e que travavam conversas informais entre amigos, embora comentassem
também de assuntos ligados à gestão do clube. Narram que o requerido, na intenção de
ascender sua posição, após sair do grupo, ilicitamente deu publicidade às conversas, com o
intuito de macular a imagem dos requerentes frente à coletividade. Alegaram ainda que
algumas mensagens divulgadas foram previamente adulteradas, o que demonstraria o intuito
de deslegitimar a postura dos autores, difamando as suas reputações. Pedem a condenação do
réu ao pagamento de reparação extrapatrimonial no importe a ser fixado pelo juízo. Nos autos
de nº 0025561-80.2015, pugnaram liminarmente que o réu retire as postagens feitas na rede
social e abstenha-se de praticar as condutas ilícitas que fundam esta pretensão, mediante a
imposição de multa em caso de descumprimento.
Nos autos de nº 0025561-80.2015.8.16.0001 a liminar pleiteada foi concedida (mov. 48.1).

Ultimado o feito, o ilustre juiz da causa, considerando a conexão, julgou ambas as


pretensões procedentes (mov. 240.1, autos nº 0025561-80.2015 e mov. 127.1, autos nº
0030927-03.2015) para condenar o requerido ao pagamento de indenização por danos morais
no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para cada autor, com correção monetária pelo INPC a
partir da sentença e juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, desde a data de da primeira
notícia divulgada. Ante a sucumbência, condenou o requerido ao pagamento às despesas
processuais, fixando honorários advocatícios em R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) nos
termos do artigo 85, § 8º, do CPC.

Os embargos de declaraçãoopostos nos autos de nº 0030927-03.2015 não foram acolhidos


(mov. 141.1), enquanto que nos autos de nº 0025561-80.2015, foram parcialmente acolhidos
para constar na sentença a confirmação da liminar de natureza cautelar e a análise das duas
preliminares aventadas pelo réu (mov. 281.1).

Irresignado, o réu apelou em ambos os processos (mov. 298.1, autos


nº 0025561-80.2015 e mov. 174.1, autos nº 0030927-03.2015). Sustenta inicialmente que deve
ser reformada a sentença para acolher as preliminares de ilegitimidade ativa e ausência de
interesse de agir do autor Alexandre Dupas Pereira uma vez que não aparece nos diálogos
propagados. Quanto ao mérito, defende que não participou da criação do grupo e não veiculou
na impressa os prints, muito menos publicou as matérias jornalísticas. Aduz que sequer
publicou nas suas redes. Muito menos as manipulou. Ainda, defende que o conteúdo das
mensagens é verídico de modo que a sua conduta está albergada pela liberdade de expressão,
e interessam à coletividade. Relata ainda inexistir dever de confidencialidade. Aduz que os
apelantes Arthur Orlando Klas Neto, Carlos Eduardo Vianna de Souza Santos, Marcelo Rodrigo
Molinari e Alexandre Dupas Pereira sequer sofreram consequências concretas, razão pela qual
não demonstraram o prejuízo moral. Pede subsidiariamente a redução dos danos morais
fixados.

Foram apresentadas contrarrazõesao recurso de apelação pelos autores (mov. 321.1, autos
nº 0025561-80.2015 e mov. 151.1, autos nº 0030927-03.2015), por meio das quais alegam a
inovação recursal do argumento relativo à falta de dano moral para os autores Arthur Orlando
Klas Neto, Carlos Eduardo Vianna de Souza Santos e Marcelo Rodrigo Molinari e o não
provimento do recurso.

Após, vieram os autos conclusos para deliberação.

É o relatório.

Apresto-me a fundamentar o voto.


2. Quanto aos pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso de
apelação do réu nos autos de nº 0030927-03.2015 e conheço em parte do recurso do réu
nos autos nº 0025561-80.2015, exceto quanto à alegação de que os autores Arthur Orlando
Klas Neto, Carlos Eduardo Vianna de Souza Santos e Marcelo Rodrigo Molinari não sofreram
prejuízos concretos, uma vez que se caracteriza como inovação recursal, já que não foi
alegada em sede de contestação.

Passo a analisar as demais alegações recursais em ambos os feitos.

I. Interesse de agir e ilegitimidade ativa.

O réu sustenta de início que o autor Alexandre Dupas Pereira não possuiria interesse de agir e
também seria parte ilegítima, uma vez que não é mencionado nos trechos das conversas,
tampouco pelos portais de mídia.

O interesse processual tem lugar quando a movimentação do Poder Judiciário é necessária


para a obtenção do resultado, bem como quando a demanda é adequada à solução da
controvérsia.

Por sua vez a doutrina conceitua a legitimidade ad causam como a coincidência da posição
processual com a situação legitimadora:

“A legitimidade para agir (ad causam petendi ou agendum) é requisito


de admissibilidade que se precisa investigar no elemento subjetivo da
demanda: os sujeitos. Não basta que se preencham os ‘pressupostos
processuais’ subjetivos para que a parte possa atuar regularmente em
juízo. É necessário, ainda, que os sujeitos da demanda estejam em
determinada situação jurídica que lhes autorize a conduzir o processo
em que se discuta aquela relação jurídica de direito material deduzida
em juízo.

É a ‘pertinência subjetiva da ação’, segundo célebre definição


doutrinária.

A esse poder, conferido pela lei, dá-se o nome de legitimidade ad


causam ou capacidade de conduzir o processo. Parte legítima é
aquela que se encontra em posição processual (autor ou réu)
coincidente com a situação legitimadora, ‘decorrente de certa
previsão legal, relativamente àquela pessoa e perante o respectivo
objeto litigioso” (DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil:
introdução ao direito processual civil, parte geral e processo de
conhecimento, vol. 1. 17.ed. Salvador: Juspodivm, 2015, p. 343).

Referidos elementos devem ser averiguados em abstrato, de acordo com a teoria da


asserção. Isso porque a análise concreta do direito sustentado pela parte autora só pode
dar-se após instruído o processo e possibilitado o contraditório, dizendo respeito ao mérito da
causa.

Sobre o tema, é o entendimento doutrinário:

"(...) o interesse de agir, que também não se confunde com o interesse


substancial, ou primário, para cuja proteção se intenta a mesma ação. O
interesse de agir, que é instrumental e secundário, surge da necessidade de
obter através do processo a proteção ao interesse substancial. Entende-se,
dessa maneira, que há interesse processual "se a parte sofre um prejuízo,
não propondo a demanda, e daí resulta que, para evitar esse prejuízo,
necessita exatamente da intervenção dos órgãos jurisdicionais."
(THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil - Teoria geral
do direito processual civil e processo de conhecimento. 1º vol. 55ª ed. RJ:
Forense, 2014. p. 341)

Também já decidiu o STJ:

"DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE


DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO SUCESSÓRIO. AÇÃO
REIVINDICATÓRIA. BEM INTEGRANTE DE QUINHÃO HEREDITÁRIO CEDIDO
A TERCEIRO. LEGITIMIDADE ATIVA. TEORIA DA ASSERÇÃO. 1. Tem
prevalecido na jurisprudência desta Corte o entendimento de que as condições da
ação, aí incluída a legitimidade para a causa, devem ser aferidas com base na
teoria da asserção, isto é, à luz das afirmações deduzidas na petição inicial. (...) 5.
Agravo regimental a que se nega provimento." (STJ, 4ª T, AgRg nos EDcl no REsp
1035860/MS, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, j. 25/11/2014).

"PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA E AÇÃO


REVISIONAL DE CONTRATO DE CARTÃO DE CRÉDITO. CONEXÃO.
INTERESSE PROCESSUAL E POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO.
CARÊNCIA AFASTADA. (...) 2. Conforme entendimento desta Corte, as condições
da ação, dentre as quais se insere a possibilidade jurídica do pedido e o interesse
processual, devem ser verificadas pelo juiz à luz das alegações feitas pelo autor
na inicial. Trata-se da aplicação da teoria da asserção. 3. Pedido juridicamente
impossível é somente aquele vedado pelo ordenamento jurídico e, diante da
alegação de inadimplemento contratual, verifica-se que há, em abstrato, interesse
processual do recorrente em promover ação de cobrança em face do recorrido.
(...) 6. Recurso especial parcialmente provido." (STJ, 3ª T, REsp 1052680/RS, Rel.
Min. Nancy Andrighi, j. 27/09/2011).

Com efeito, na exordial extrai-se como fundamentos da causa de pedir que o autor Alexandre
Dupas Pereira participava do grupo cujas conversas foram divulgadas. Nesse contexto,
com a incontroversa publicidade, todas as manchetes passaram a indicar o supracitado grupo
composto por seus oito integrantes, o que demonstra a legitimidade e interesse do requerente
em se ver reparado pela violação à sua privacidade, tal como defende. Ainda é possível
verificar que num dos “print screen” reproduzido pelo réu sem a permissão do autor a menção
ao nome do mesmo, sendo que, ademais, constou quem compunha o referido grupo na
reportagem do Globo Esporte:
Portanto, o requerente demonstrou seu interesse na pretensão inicial, razão pela qual
deve ser afastada a alegação do réu.

II. Responsabilidade civil.

A controvérsia recursal nesse ponto está adstrita à responsabilidade do requerido pelos


eventos alegados à inicial.

Os autores sustentaram que criaram um grupo por meio do aplicativo “WhatsApp” denominado
“Indomáááááável F.C.” uma vez que mantinham relações com o Coritiba Foot Ball Club, sendo
apaixonados pelo time. Segundo narraram, o grupo era voltado a conversas descontraídas
sobre diversos temas, sendo que eventualmente conversavam sobre assuntos relacionados à
gestão do clube.

Sustentaram que o réu, no entanto, após sair do grupo, passou a divulgar reproduções das
telas das conversas do grupo no intuito de derrubar a direção e se auto promover.
No noticiário “Veja as conversas no WhatsApp que minaram a cúpula do Coritiba” da Gazeta do
Povo, foram divulgados os seguintes teores:
O conteúdo das mensagens também foi objeto dos seguintes noticiários anexados aos autos
(mov. 1.10 a 1.14, autos 0025561-80.2015.8.16.0001): Esporte.bandab.com.br - (a) "
Queríamos fazer um Coritiba melhor', afirma Boulos, que se licencia do Coritiba junto com
André Macias", (b) "Ricardo Guerra fala sobre conversas vazadas, desmente André Macias e
explica saída do Coritiba", (c) "Série de conversas divulgadas resulta em demissões no Coritiba
"; Parana-online.com.br - (d) "Crise na divulgação de mensagens derruba dois vices no Coxa",
(e) "Confira as mensagens de WhatsApp que resultaram na crise do Coritiba", (f) "Dirigentes do
Coritiba pedem afastamento após polêmica no WhatsApp", (g) "Os indomáveis";
Bemparana.com.br - (h) "Não há espaço para os 8 indomáveis no Coritiba ";
Globoesporte.globo.com - (i) "Rapidinhas", (j) "Bruno Kafka explica para Nadja Mauad do GE,
mais sobre 'os indomáveis", (l) "Não existe meio termo e nem perdão", (m) "A parábola do 'a
casa caiu", (n) "A parábola do 'O Indomáááááável F.C.".

Destaque-se ser incontroverso pelo réu a autoria das imagens, conforme confessado pelo
mesmo em contestação (mov. 116.1, autos nº 0025561-80.2015, e mov. 65.1, autos nº
0030927-03.2015):

“Os diálogos copiados pelo Réu não trazem qualquer informação inverídica. Até
porque os Autores nunca contestaram o conteúdo das conversas. Destaque-se
que o Réu, apesar de assumir a autoria das fotos das conversas, nunca
assumiu a responsabilidade pela divulgação junto à imprensa.”

O requerido inicialmente nega que teria repassado o conteúdo à impressa. Ocorre que ao
afirmar que as imagens que circularam na mídia são de sua autoria, não apresentou
justificativa plausível para que justamente essas mesmas imagens fossem parar nos
diversos jornais do estado.

Há, ademais, um dever de responsabilização daquele que indevidamente reproduz conteúdos


privados diante dos riscos de sua eventual propagação. E isso porque o vazamento das
imagens só aconteceu pela iniciativa do réu de reproduzi-las por seu aparelho celular, sendo
ele, na relação causal, o propiciador inicial de toda a publicidade. Se retirou as imagens do seu
próprio aparelho, tinha a obrigação de manter a confidencialidade, uma vez que não
possuía o consentimento dos demais, tampouco as retirou de um meio público.

Fato a se considerar ainda é que em boa parte dos veículos de mídia trazidos ao processo o
réu é ressaltado como sendo o propagador da notícia. Vale destacar que não questiona o
requerido, especificadamente, a entrevista que concedeu à Nadja Mauad, do blog do
Globo Esporte, na qual afirma que vazou as imagens com o intuito de dar publicidade
aos fatos (mov. 1.12, autos 0025561-80.2015):
Deveras, a alegação do réu, neste aspecto deve ser rechaçada.

Sustenta o requerido, então, que a publicidade das conversas seria de interesse público,
enquanto que os autores alegam que o grupo possuía caráter privado e, portanto, o réu
violou as suas privacidades.

Contrapõem-se, portanto, duas ordens de direitos fundamentais constitucionalmente


protegidos, de um lado, o direito dos autores à inviolabilidade “a intimidade, a vida privada, a
honra e a imagem das pessoas” e, de outro lado, o direito do requerido à liberdade de
manifestação de pensamento e informação.

Vislumbra-se, portanto, um conflito teórico entre o “bloco dos direitos que dão conteúdo à
liberdade de manifestação do pensamento” e o “bloco dos direitos à imagem, honra, intimidade
e vida privada”.

Isto porque a Constituição Federal assegura a “plena liberdade de informação jornalística em


qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII, e XIV ”
(artigo 220, §1º, da Constituição Federal).

As normas constitucionais apontadas pelo dispositivo, por sua vez, tratam: da livre
manifestação do pensamento e vedação ao anonimato; do direito de resposta e da indenização
pelo dano material, moral ou à imagem; da inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da
honra, da imagem das pessoas e da indenização pelos danos decorrentes de sua violação; da
liberdade profissional; e do direito de acesso à informação.

Pois bem. A colisão aparente entre os princípios e diretrizes constitucionais impõe que, sob a
experiência do caso concreto, se observe o critério da proporcionalidade, assegurando a
máxima eficácia ao conjunto normativo da Constituição e maior proteção aos direitos humanos.

Destarte, no plano normativo, não há conflito entre as normas que garantem o direito à
liberdade de manifestação do pensamento e o direito à inviolabilidade da intimidade, da vida
privada, da honra ou da imagem das pessoas. Porém, no plano fático, pode haver uma colisão
real entre esses direitos constitucionais.

A resolução desses conflitos é possível porque os direitos e garantias individuais não têm
caráter absoluto, podendo, em razão disso, sofrer restrições, com o objetivo de
compatibilizá-los com o exercício de outros direitos e garantias.

A propósito:

“[...] Não há, no sistema constitucional brasileiro, direitos ou garantias que se


revistam de caráter absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse público ou
exigências derivadas do princípio de convivência das liberdades legitimam, ainda que
excepcionalmente, a adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas restritivas das
prerrogativas individuais ou coletivas, desde que respeitados os termos estabelecidos
pela própria Constituição. O estatuto constitucional das liberdades públicas, ao
delinear o regime jurídico a que estas estão sujeitas - e considerado o substrato ético
que as informa - permite que sobre elas incidam limitações de ordem jurídica,
destinadas, de um lado, a proteger a integridade do interesse social e, de outro, a
assegurar a coexistência harmoniosa das liberdades, pois nenhum direito ou garantia
pode ser exercido em detrimento da ordem pública ou com desrespeito aos direitos e
garantias de terceiros. [...]” (MS 23452, Relator: Min. CELSO DE MELLO, Tribunal
Pleno, julgado em 16/09/1999, DJ 12-05-2000 PP-00020 EMENT VOL-01990-01
PP-00086).

Sobre o tema, Celso Ribeiro Bastos pontua que:

“Dois princípios aparentemente contraditórios podem harmonizar-se desde que


abdiquem da pretensão de serem interpretados de forma absoluta. Prevalecerão,
afinal, apenas até o ponto em que deverão renunciar à sua pretensão normativa em
favor de um princípio que lhe é antagônico ou divergente” (in Curso de direito
constitucional. 17ª ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 99).

Assim, se não existem direitos fundamentais absolutos, surgindo uma situação na qual se
apresentem em posições antagônicas, impõe-se proceder à compatibilização entre os mesmos,
mediante o emprego da proporcionalidade, a qual permitirá, por meio de juízos comparativos de
ponderação dos interesses envolvidos no caso concreto, harmonizá-los.

Em resumo, isso significa que, quando se afiguram em posições opostas dois direitos
fundamentais, cabe ao intérprete, à vista do caso concreto, ponderar os interesses envolvidos,
moldando-os de forma a viabilizar a harmonização entre esses direitos, isoladamente
considerados, e entre estes e a Constituição como um todo.

Outro não é o posicionamento da jurisprudência:

“APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS.VIOLAÇÃO DE IMAGEM.


EXIBIÇÃO DE PROGRAMA DE TELEVISÃO COM TEMÁTICA DIVERSA DO ACORDADO
COM O AUTOR. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. FORMAL INCONFORMISMO. REQUISITOS
AUTORIZADORES DA RESPONSABILIDADE CIVIL EVIDENCIADOS.AUSÊNCIA DE
INFORMAÇÃO CORRETA A RESPEITO DA TEMÁTICA ENVOLVIDA NO
PROGRAMA.CONFRONTO ENTRE LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO
E INVIOLABILIDADE DA REPUTAÇÃO, DA HONRA E DA IMAGEM. DANO MORAL.
REDUÇÃO. CABIMENTO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.AGRAVO RETIDO.
NOMEAÇÃO À AUTORIA.INADEQUABILIDADE. RECURSO NÃO PROVIDO. Quando há
um conflito aparente entre os direitos constitucionais à liberdade de expressão e à defesa da
reputação, da honra e da imagem, deve ser realizada uma ponderação, verificando em qual
deles houve uma maior ofensa. Quando o direito à liberdade de expressão é exercido de
maneira abusiva, deve ele ceder frente ao direito à reputação, à honra e à imagem” (TJPR -
8ª C. Cível - AC - 1142624-3 - Curitiba - Rel.: Desembargador Guimarães da Costa -
Unânime - J. 21.08.2014).

In casu, como já mencionado, os direitos fundamentais contrapostos são aqueles previstos no


artigo 5º, incisos IV e X, da Constituição Federal.

A Constituição Federal garante a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da


imagem das pessoas, e assegura o direito à indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação (artigo 5º, inciso X).

Por outro lado, cediço que a liberdade de expressão de pensamento é, historicamente, um dos
mais antigos direitos assegurados aos homens, encontrando proteção normativa já na
Declaração de Direitos do Homem de 1789, in verbis:

“Art. 11º. A livre comunicação das ideias e das opiniões é um dos mais preciosos
direitos do homem. Todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente,
respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei.”

Essa liberdade envolve “o pensamento, a exposição de fatos atuais ou históricos e a crítica”


(HC 83125, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 16/09/2003, DJ
07-11-2003 PP-00093 EMENT VOL-02131-03 PP-00552) e é o “núcleo de que se irradiam os
direitos de crítica, de protesto, de discordância e de livre circulação de ideias” ( ADPF 187,
Relator: Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 15/06/2011, ACÓRDÃO
ELETRÔNICO DJe- 102 DIVULG 28-05-2014 PUBLIC 29-05-2014).

Assim, a liberdade de manifestação de pensamento reveste-se de conteúdo abrangente, por


compreender, dentre outros: (a) o direito de informar, (b) o direito de buscar a informação, (c) o
direito de opinar e (d) o direito de criticar.
Portanto, essa proteção constitucional vai além de possibilitar que se tenha a opinião que
quiser, mas busca possibilitar a efetiva manifestação/expressão destas opiniões. Em outras
palavras, o que se protege não é o conteúdo em si do pensamento, mas sim a sua expressão.

A propósito:

“O homem não se contenta como o mero fato de poder ter as opiniões que quiser, [...].
É da sua natureza, no entanto o ir mais longe: o procurar convencer os outros, o fazer
proselitismo. Ele é escravo de um certo princípio de coerência. Se crê em certas ideias
é levado a desejar o seu implemento, a conformar o mundo segundo sua visão,
necessitando destarte da liberdade para exprimir suas crenças e opiniões. A liberdade
de pensamento nesta seara já necessita da proteção jurídica. Não se trata mais de
possuir convicções intimas, o que pode ser atingido independentemente do direito.
Agora não. Para que possa exercitar a liberdade de expressão do seu pensamento, o
homem, como visto, depende do direito. É preciso, pois, que a ordem jurídica lhe
assegure esta prerrogativa e, mais ainda, que regule os meios para que se viabilize
esta transmissão. ” (BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de direito constitucional. 17ª ed.
São Paulo: Saraiva, 1996, p. 174).

Claro é que a liberdade de manifestação de pensamento, como todo e qualquer direito


fundamental, também não é absoluta, tendo em vista a diversidade de opiniões, assim:

“O direito à livre expressão não pode abrigar, em sua abrangência, manifestações de


conteúdo imoral que implicam ilicitude penal. [...] As liberdades públicas não são
incondicionais, por isso devem ser exercidas de maneira harmônica, observados os
limites definidos na própria Constituição Federal (CF, artigo 5º, § 2º, primeira parte) ”
(HC 82424, Relator: Min. MOREIRA ALVES, Relator p/ Acórdão: Min. MAURÍCIO
CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em 17/09/2003, DJ 19-03- 2004 PP-00017 EMENT
VOL-02144-03 PP-00524).

Portanto, essa garantia constitucional encontra no direito à inviolabilidade da intimidade,


da vida privada, da honra e da imagem um de seus limites, de tal forma que, quando
exercida de maneira a ultrapassar essas barreiras, resultará na obrigação de reparar o dano
causado ao que se julgar prejudicado.

A propósito:
“A garantia constitucional de liberdade de manifestação do pensamento (art. 5.º, IV)
deve respeitar, entre outros direitos e garantias fundamentais protegidos, a honra das
pessoas, sob pena de indenização pelo dano moral provocado, como decorre dos
termos do art. 5.º, V e X, da CF. Não se deve confundir, por consequência, liberdade de
expressão com irresponsabilidade de afirmação. Recurso especial provido” (REsp
801.249/SC, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em
09/08/2007, DJ 17/09/2007, p. 257).

Na hipótese dos autos é incontroverso que o grupo era privado, sendo restrito a outras
pessoas, tanto que, num contexto permitido de 100 (cem) integrantes, apenas 9 (nove)
estavam nele, incluindo o réu à época das conversas (antes da divulgação, uma vez que ao
sair do grupo, manteve o histórico de conversas em seu aparelho quando ainda participava):

Além disso, todos os integrantes tinham, de alguma forma, uma relação de proximidade com a
direção do grupo, de modo que por esse contexto poderia eventualmente surgir algum assunto
com feições que interessassem a coletividade. Não prova o réu, no entanto, que o grupo se
destinava a esse propósito informativo.
O que descurou o requerido nisso tudo é que, ao passo que os autores possuíam uma relação
com a direção do time, o que poderia eventualmente interessar à coletividade, não há provas
nos autos de que as opiniões lá proferidas eram oficiais, sobretudo por não se tratar de
um veículo oficial do clube. Isto é, estavam sendo livremente expostas num grupo restrito de
conhecidos, formado por esse aspecto em comum, não destinado a qualquer finalidade
informativa.

Sem ingressar no acerto ou não das opiniões lá proferidas é certo que ao permitir a divulgação
do contexto integral daquilo que estava sendo livremente comentado num grupo restrito – o
que é incontroverso –, o réu violou a privacidade dos seus integrantes porquanto permitiu
a divulgação de conteúdos privados, isto é, juízos de valor (positivos ou negativos),
imagens pessoais, insatisfações enquanto torcedor que não possuíam correlação com o
interesse público das posições que representavam, sem o consentimento dos seus
integrantes.

Vale ressaltar que acaso o réu se sentisse lesado por alguma das opiniões lá proferidas no
grupo poderia ingressar em juízo com os mecanismos judiciais disponíveis, e não agir por
autotutela, em evidente violação às garantias constitucionais reconhecidas a todos.

Atuando, portanto, de forma notoriamente desproporcional, violou os direitos das partes, em


especial, a privacidade de cada um dos integrantes do grupo privado, razão pela qual devem
ser afastadas as suas alegações, inclusive quanto à tutela inibitória, diante da sua
responsabilidade pelos conteúdos reproduzidos e divulgados ilicitamente.

III. Dano moral.

Na hipótese dos autos é incontroverso o dano moral para os autores André Luiz Macias,
Arthur Orlando Klas Neto, Carlos Adriano Rattmann, Carlos Eduardo Vianna de Souza Santos,
Christian Sant'ana Gaziri, Marcelo Rodrigo Molinari e Pierre Alexandre Boulos, sendo
controvertido o dano para o autor Alexandre Dupas Pereira.

Em que pese o requerido alegar que a referida parte não sofreu danos, é incontroverso que não
apenas fez parte do grupo, o qual foi mencionado nas matérias divulgadas, como também é
citado num dos “print screen” reproduzidos pelo réu sem o seu consentimento (mov. 1.12),
sendo possível compreender a grande interferência dos fatos na vida privada dos autores,
diante da larga repercussão dos eventos na mídia, em especial, num ambiente de grandes
tensões que é o meio esportivo.

O abalo moral em casos dessa natureza é presumível da própria situação (in re ipsa). Aliás, o
Superior Tribunal de Justiça já reconheceu que a violação aos direitos de personalidade,
como é o caso, é capaz, per si, de ensejar a reparação extrapatrimonial, mutatis mutandis: “
Tendo em vista, é razoável estender a mesma interpretação a todas as violações dessa
natureza, considerando que a ofensa a qualquer direito de personalidade provoque um dano
moral in re ipsa.” (STJ, REsp 955.031/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA
TURMA, julgado em 20/03/2012).

Deveras, deve ser afastada a alegação do requerido nesse tocante.

Assim, resta demonstrado o abalo moral, cumprindo aferir se o valor fixado em R$ 5.000,00
(cinco mil reais) para cada autor mereceria alteração.

Considerando-se que não há parâmetros legais para a fixação da verba indenizatória


extrapatrimonial, a doutrina e jurisprudência são uníssonas no sentido de que, para tanto, o
magistrado deverá, com base nos critérios de razoabilidade e proporcionalidade, analisar as
peculiaridades do caso concreto e as funções pedagógica e inibitória da reprimenda, de modo a
coibir seja a conduta reprovável praticada novamente pelo réu.

Acresça-se a tal fato o caráter compensatório pela aflição e intranquilidade causadas pelo ato
ilícito cometido, a gravidade e a duração da lesão, a possibilidade de quem deve reparar o
dano e as condições econômicas e sociais do ofendido, levando-se em conta que a reparação
não deve gerar o enriquecimento sem causa, circunstâncias que, igualmente, merecem ser
sopesadas no arbitramento do montante devido a título de danos morais.

No caso dos autos, nota-se que o abalo moral consistiu nos transtornos decorrentes da
publicização de conteúdos privados de mensagens perante a coletividade.

Para o fim de reduzir o valor fixado o requerido justifica que não possui condições
financeiras de arcar com as referidas parcelas, uma vez que beneficiário das benesses
da gratuidade judicial.

De fato, as condições pessoais do ofensor também se prestam como critério balizador do valor
reparatório a ser fixado. No entanto, observa-se que a reparação é individual e somente se
maximizou por conta da pluralidade das vítimas.

Sobre a questão, para efeitos do artigo 926 do CPC/15, embora sejam bastante peculiares as
situações envolvendo reparações por violação a direitos de personalidade, como são a honra, a
privacidade, e a imagem, este Tribunal de Justiça já fixou indenizações da seguinte forma
individualizada:

“[...]. Ademais, o valor da compensação pelo dano moral deve ser


proporcional ao gravame e não pode ser tão elevado de modo a
causar o enriquecimento indevido de quem recebe, mas também não
pode ser tão ínfimo a ponto de não cumprir com a finalidade de inibir a
reiteração da conduta ilícita e reparar o dano sofrido.

Neste contexto, inobstante o caráter punitivo suficiente para


desestimular a reiteração do ato por aquele que realizou a conduta
reprovável, não se pode perder de vista que o valor deve garantir à
parte lesada uma reparação que lhe compense o abalo sofrido, sem,
contudo, gerar o enriquecimento indevido da parte autora.

No caso em tela, consoante decantado no tópico anterior deste


julgamento, sobressai dos autos que a parte ré abusou do direito de
criticar, veiculando conteúdo contendo informações inverídicas e
distorcidas, associada a uma imagem depreciativa. Naturalmente, a
gravidade da conduta da ré avulta desse cenário, porquanto a parte
autora foi agredida em sua honra e em sua imagem.

É de se ter em conta, igualmente, que, sendo uma rede social, a


publicação alcança grande número de pessoas, potencializando,
conforme o caso, a lesão aos atributos inerentes à personalidade, tais
como a honra, a imagem e a vida privada, valores enraizados na
Constituição Federal.

Além disso, ambas as partes são pessoas físicas, sendo o recorrente


promotor de justiça e o recorrido jornalista (mov.1.1 - p.01),
percebendo remuneração bruta em torno de R$ 2.100,00 - fonte:
Imposto de Renda do Exercício 2014 - (mov.26.6).

Neste panorama, considerando o ato ilícito e a respectiva extensão do


dano moral decorrente da publicação, bem como as condições
econômicas das partes, reputa-se que a indenização por danos morais
deve ser fixada em R$ 10.000,00 (dez mil reais), que deve ser corrigido
monetariamente a partir da prolação deste acórdão, na forma da
Súmula nº 362 do STJ, e juros de mora desde o evento danoso, no
importe de 1% ao mês, a teor da Súmula nº 54 também do STJ” (TJPR,
9ª C. Cível, AC 1533916-5, Rel.: Coimbra de Moura, unânime, j.
15.09.2016). Destacou-se.

“In casu, evidente que o agir da demandada, representado pelas


postagens e comentários proferidos na rede social Facebook,
configuraram atos atentatórios à dignidade e à honra do autor, que é
médico residente na cidade em que ocorreram os fatos, e que atendeu
a mãe da autora no Hospital Santa Maria onde esta permaneceu por 18
horas, posteriormente foi transferida para Umuarama, submetida à
cirurgia e falecido três dias depois.

Como bem observou a eminente Juíza, "inexistem provas ou indícios


de falha no atendimento (diagnóstico errado) ou demora para o
encaminhamento da paciente a um especialista em cirurgia, pelo Dr.
Eduardo M. Otani.

A mão da ré faleceu três dias depois da cirurgia, em Umuarama.

Não há prova de que a morte esteja relacionada com eventual


diagnóstico errado pelo autor" (fls. 73).

A publicação veiculada no Facebook pela ré, foi a seguinte:


"população de Goioerê, hoje faleceu uma jovem de bandeirantes do
oeste 24 anos foi internada Hospital Santa Maria, Dr. Eduardo
tratamento de gazes, a família levou para outro centro hospitalar,
apêndice saturada, minha mãe foi internada no mesmo hospital
mesmo médico Dr. Eduardo tratamento infecção, Umuarama
diverticulite nenhuma das suas saiu com vida, aqui um diagnóstico
totalmente errado quando a família chega em outro hospital já é tarde,
clínica do coração paciente sopro, vai Maringá apenas um estresse, e
ai onde isto vai parar, preste atenção está morrendo pessoas por
diagnóstico errado....o que vamos fazer, pense. Antes de levar seu
familiar no hospital de Goierê",
A mensagem proferida na comunidade virtual representou ofensa
direta ao demandante, extrapolando os limites da livre manifestação
do pensamento, e em nítida violação a direitos de personalidade.

A Apelada insinuou publicamente que o Apelante diagnosticou errado


sua mãe e outra paciente, por isso elas teriam falecido quando
encaminhadas a outro Hospital, em outra cidade.

Tal comentário, sem dúvida, atingiu a honra do autor, médico


conceituado, que ficou exposto ao ridículo em cidade do interior, onde
trabalha e reside.

Nesse sentido, impositiva a manutenção da sentença de primeiro grau


que, reconhecendo o agir ilícito, condenou a ré ao pagamento de
indenização, a título de danos morais. [...].

Posto isso, observa-se que a sentença não sopesou adequadamente


as condições da vítima e do ofensor, o grau de dolo ou culpa presente
na espécie, bem como os prejuízos morais sofridos por aquela, tendo
em conta a dupla finalidade da condenação, qual seja: a) advertir o
causador do dano, de forma a desestimulá-lo à prática futura de atos
semelhantes; e b) compensar a parte inocente pelo sofrimento que lhe
foi imposto, evitando, sempre, que o ressarcimento se transforme
numa fonte de enriquecimento injustificado ou que seja inexpressivo a
ponto de não retribuir o mal causado pela ofensa.

Desse modo, tem-se que a quantia fixada em R$ 5.000,00 (cinco mil


reais) se mostra insuficiente ao caso concreto, pelo que se torna
imperiosa a majoração do valor da reparação moral para R$ 15.000,00
(quinze mil reais). Tal montante se apresenta eficaz para compensar
pecuniariamente a dor causada ao requerente, bem como para coibir
novas práticas nocivas pela ré, além de obedecer aos parâmetros
desta Câmara julgadora” (TJPR, 9ª C. Cível, AC 1528049-6, Rel.:
Domingos José Perfetto, unânime, j. 19.05.2016). Destacou-se.

“APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO


POR DANOS MORAIS. SENTENÇA QUE JULGOU PROCEDENTES OS
PEDIDOS INICIAIS. 1. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973.
APLICABILIDADE. 2. PUBLICAÇÃO DE TEXTOS EM SITE DO SINDICATO
DOS DELEGADOS DE POLÍCIA DO PARANÁ - SIDEPOL, REPRODUZIDOS
EM PÁGINA DO FACEBOOK. DIREITO À LIBERDADE DE EXPRESSÃO
VERSUS DIREITO À HONRA. VIOLAÇÃO DA HONRA E DA IMAGEM DO
AUTOR. EXCESSO NO EXERCÍCIO DO DIREITO À LIBERDADE DE
EXPRESSÃO. ATO ILÍCITO CONFIGURADO. 3. DANOS MORAIS. QUANTUM
INDENIZATÓRIO MAJORADO PARA R$ 30.000,00 (TRINTA MIL REAIS).
OBSERVÂNCIA DOS PARÂMETROS DE PROPORCIONALIDADE E DE
RAZOABILIDADE, E DA TRÍPLICE FUNÇÃO DA INDENIZAÇÃO. 4. JUROS
DE MORA INCIDENTES A PARTIR DO EVENTO DANOSO.
RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL (SÚMULA N° 54, STJ). 5.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS MINORADOS PARA 10%
DO VALOR DA CONDENAÇÃO. PATAMAR QUE SE MOSTRA RAZOÁVEL E
PROPORCIONAL ÀS PECULIARIDADES DA LIDE. RECURSO DE
APELAÇÃO CÍVEL INTERPOSTO PELO AUTOR CONHECIDO E PROVIDO, E
RECURSO DE APELAÇÃO CÍVEL INTERPOSTO PELO RÉU CONHECIDO E
PARCIALMENTE PROVIDO”(TJPR, 8ª C. Cível, AC 1620675-6, Rel.: Luis
Sérgio Swiech, unânime, j. 23.03.2017). Destacou-se.

Nesse contexto, observa-se que em razão da reprodução dos conteúdos privados, os autores
foram expostos em diversos veículos de mídia, sem qualquer abreviação, tendo as suas
opiniões particulares amplamente divulgadas num espaço de grandes tensões e posições
conflitantes que é o ambiente esportivo.

Assim, sopesando tanto a condição pessoal do réu, bem assim as consequências do ato,
entendo que a reparação, fixada em R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para cada autor não
comporta redução e, portanto, merece ser mantida.

Ante o não provimento dos recursos, majoro os honorários advocatícios de sucumbência de


R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para R$ 3.000,00 (três mil reais) em cada feito na
forma do artigo 85, §11º, do CPC/15, ressalvada a gratuidade concedida na origem.

À vista do exposto, voto por: a) nos autos nº 0025561-80.2015, conhecer em parte, e nessa
extensão, negar provimento ao recurso de apelação; b) nos autos nº 0030927-03.2015,
conhecer e negar provimento ao recurso de apelação.
3. Nessa conformidade:

ACORDAM, os Magistrados integrantes da Oitava Câmara Cível do Tribunal de Justiça do


Estado do Paraná, por unanimidade de votos, em conhecer em parte e negar provimento
aos recursos, nos termos da fundamentação.

O julgamento foi presidido pelo (a) Desembargador Hélio Henrique Lopes Fernandes Lima, sem
voto, e dele participaram Juiz Subst. 2ºgrau Ademir Ribeiro Richter (relator), Juiz Subst. 2ºgrau
Alexandre Barbosa Fabiani e Desembargador Marco Antonio Antoniassi.

Curitiba, 20 de fevereiro de 2020.

ADEMIR RIBEIRO RICHTER


JUIZ RELATOR.

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