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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

MATHEUS MAZUR PARISOTTO

MEDIÇÃO DO TEMPO DE REVERBERAÇÃO CLÁSSICO - PELO MÉTODO


INTERROMPIDO, MODELAGEM, SIMULAÇÃO E MEDIÇÃO ACÚSTICA DE SALAS
DE AULA

CURITIBA
2019
2

MATHEUS MAZUR PARISOTTO

MEDIÇÃO DO TEMPO DE REVERBERAÇÃO CLÁSSICO - PELO MÉTODO


INTERROMPIDO, MODELAGEM, SIMULAÇÃO E MEDIÇÃO ACÚSTICA DE SALAS
DE AULA

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao


curso de Engenharia Mecânica, Setor de
Tecnologia, Universidade Federal do Paraná, como
requisito parcial à obtenção do título de Bacharel
em Engenharia Mecânica

Orientador: Prof. Dr. Paulo Henrique Trombetta


Zannin

CURITIBA
2019
3
4

TERMO DE APROVAÇÃO

MATHEUS MAZUR PARISOTTO

MEDIÇÃO DO TEMPO DE REVERBERAÇÃO CLÁSSICO - PELO MÉTODO


INTERROMPIDO, MODELAGEM, SIMULAÇÃO E MEDIÇÃO ACÚSTICA DE SALAS
DE AULA

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Graduação em


Engenharia Mecânica, Setor de Tecnologia, Universidade Federal do Paraná, como
requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Engenharia Mecânica.

______________________________________
Prof. Dr. Paulo Henrique Trombetta Zannin
Orientador – Departamento de Engenharia Mecânica, UFPR

______________________________________
Prof. João Morais Silva Neto
Departamento de Engenharia Mecânica, UFPR

______________________________________
Prof. David Queiroz Santana
Departamento Arquitetura e Urbanismo, PUC Paraná

Curitiba, 16 de dezembro de 2019.


5

Dedico este trabalho aos meus pais. Sem eles nada seria possível.
6

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a meus pais, por todo apoio que me deram nessa
jornada.
Ao meu orientador e amigo, Prof. Dr. Paulo Zannin, por ter me aberto as portas
do LAAICA em 2016 para realização de IC, me acompanhando desde então com muita
dedicação, paciência, sempre disposto a partilhar seus conhecimentos e experiências
contribuindo enormemente com minha formação acadêmica e pessoal.
Aos colegas de LAAICA, por toda ajuda dada no desenvolvimento deste
trabalho, pela amizade e bons momentos que proporcionaram.
A minha namorada Ana Paula Bueno por todo apoio e compreensão.
Agradeço а todos оs professores pоr mе proporcionar о conhecimento nãо
apenas racional, mаs а manifestação dо caráter е afetividade dа educação nо
processo dе formação profissional. А palavra mestre, nunca fará justiça
аоs professores dedicados аоs quais sеm nominar terão оs meus eternos
agradecimentos.
7

Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.


William Shakespeare, 1632
8

RESUMO

As principais atividades exercidas em universidades são baseadas na


comunicação verbal. Dessa forma, o desempenho acústico das salas de aula deve
ser considerado, tendo em vista, que este espaço é destinado à tarefas que exigem
alto nível de concentração. Os principais descritores acústicos que avaliam a
qualidade acústica em salas de aula são o Tempo de Reverberação (TR) e o Índice
de Inteligibilidade da Fala, mais conhecido com Speech Transmission Index (STI).
Este trabalho tem como objetivo avaliar diferentes métodos para a determinação do
TR do STI, em salas de aula da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e avaliar
sua qualidade acústica destas, verificando sua conformidade segundo a NBR 12179,
ISO 3382-1, Organização Mundial da Saúde (OMS) e as normas da Alemanha,
Estados Unidos da América, França, Japão e Portugal. Ao todo foram estudadas oito
salas de aula, cinco localizadas no bloco de exatas do campus Centro Politécnico da
UFPR. As salas foram avaliadas tanto em sua configuração original, quanto em sua
configuração anterior à reforma que substituiu o forro de placas acústicas por um
revestimento de PVC, as três demais salas foram avaliadas apenas em sua
configuração atual. Os métodos utilizados para determinação do TR foram medição
pelo método interrompido; simulações utilizando o software ODEON 11.0 e cálculo
analítico do TR pelas fórmulas de Sabine, Eyring e Arau-Puchades. O STI foi
determinado através de medições pelo método da resposta impulsiva, conforme a IEC
602068-16 e por simulações computacionais no ODEON 11.0. Os diferentes métodos
de cálculo do TR foram analisados e comparados estatisticamente a fim de verificar
sua similaridade. Os resultados obtidos demonstram que as salas com forro de PVC
foram consideradas inadequadas pelas normas analisadas. As salas com forro
acústico bem como as salas simuladas em sua configuração antiga, atenderiam
parcialmente as normas. O método computacional produziu resultados precisos em
comparação com as medições, obtendo erros inferiores a 10%, tanto para o TR quanto
para o STI. A modelagem analítica que mais se aproximou dos resultados medidos
para o TR foi a de Eyring.

Palavras-chave: Tempo de Reverberação; Índice de Inteligibilidade da Fala; Salas


Renovadas; Eyring; Sabine; Arau-Puchades; Fitzroy.
9

ABSTRACT

The main activities performed at universities are based on verbal


communication. Thus, the acoustic performance of classrooms should be considered,
considering that this space is intended for tasks that require a high level of
concentration. The main acoustic descriptors that assess acoustic quality in
classrooms are the Reverberation Time (TR) and the Speech Intelligibility Index, better
known as the Speech Transmission Index (STI). The objective of this work is to
evaluate different methods for the determination of the STI RT, in classrooms of the
Federal University of Paraná (UFPR), and to evaluate their acoustic quality, verifying
their conformity according to NBR 12179, ISO 3382-1, Organization World Health
Organization (WHO) and the standards of Germany, the United States of America,
France, Japan and Portugal. In all, eight classrooms were studied, five located in the
exact block of the UFPR Polytechnic Center campus. The rooms were evaluated both
in their original configuration and in their configuration prior to the renovation that
replaced the acoustic board ceiling with a PVC coating, the other three rooms were
evaluated only in their current configuration. The methods used to determine the TR
were measured by the interrupted method; simulations using ODEON 11.0 software
and analytical calculation of TR by the formulas of Sabine, Eyring and Arau-Puchades.
The STI was determined by impulsive response method measurements according to
IEC 602068-16 and by computer simulations in ODEON 11.0. The different RT
calculation methods were analyzed and statistically compared to verify their similarity.
The results show that the rooms with PVC ceiling were considered inadequate by the
analyzed standards. Acoustic-lined rooms as well as simulated rooms in their old
configuration would partially meet the standards. The computational method produced
accurate results compared to the measurements, obtaining errors of less than 10% for
both TR and STI. The analytical modeling that most closely approximated the
measured results for the TR was that of Eyring.

Palavras-chave: Reverberation time; Speech Intelligibility Index; Renovated Rooms;


Eyring; Sabine; Arau-Puchades; Fitzroy.
10

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 - REPRESENTAÇÃO DA ONDA ACÚSTICA PROPAGANDO-SE NO


AR ......................................................................................................... 20
FIGURA 2 - REPRESENTAÇÃO DA REFLEXÃO SONORA .................................... 21
FIGURA 3 - INTERAÇÃO DA ONDA SONORA COM UMA SUPERFÍCIE ............... 21
FIGURA 4 - DEFINIÇÃO DO TEMPO DE REVERBERAÇÃO .................................. 28
FIGURA 5 – MODELO ACÚSTICO DE UM RECINTO GERADO PELO .................. 32
FIGURA 6 - AS QUATRO CONFIGURAÇÕES ACÚSTICAS UTILIZADAS POR
KERÄNEN ET AL (2004) ...................................................................... 37
FIGURA 7 – TEMPO DE REVERBERAÇÃO IDEAL EM FUNÇÃO DO USO E
VOLUME DO RECINTO, SEGUNDO A NBR12179.............................. 38
FIGURA 8 - FONTE SONORA OMNIDIRECIONAL E INTEFACE DE ÁUDIO
FIREFACE 800 ..................................................................................... 41
FIGURA 9 - ANALISADOR SONORO POSICIONADO PARA REALIZAÇÃO DE
MEDIÇÕES ........................................................................................... 42
FIGURA 10 - BOCA ARTIFICIAL BK 4227 ............................................................... 43
FIGURA 11 -EXEMPLO DE UMA DISPERSÃO COM CORRESPONDÊNCIA
PERFEITA ENTRE OS VALORES MEDIDOS E CALCULADOS ......... 47
FIGURA 12 - STI MEDIDO NA SALA PG03.............................................................. 54
FIGURA 13 – STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG 03 COM FORRO DE PVC ..... 55
FIGURA 14 - STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG 03 COM FORRO ACÚSTICO . 55
FIGURA 15 - STI MEDIDO NA SALA PG04.............................................................. 58
FIGURA 16 - FIGURA 12 – STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG04 COM
FORRO DE PVC ................................................................................... 59
FIGURA 17 - STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG04 COM FORRO ACÚSTICO .. 59
FIGURA 18 - STI MEDIDO NA SALA PG07.............................................................. 62
FIGURA 19 – STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG07 COM FORRO DE PVC ...... 62
FIGURA 20 - STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG07 COM FORRO ACÚSTICO .. 63
FIGURA 21 - STI MEDIDO NA SALA PG15.............................................................. 65
FIGURA 22 – STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG15 COM FORRO DE PVC ...... 66
FIGURA 23 - STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG15 COM FORRO ACÚSTICO .. 66
FIGURA 24 - BOXPLOT DOS VALORES DE TR NA PG03 ..................................... 69
FIGURA 25 - BOXPLOT DOS VALORES DE TR NA PG04 ..................................... 70
FIGURA 26 - FIGURA 25 - BOXPLOT DOS VALORES DE TR NA PG07 ................ 72
FIGURA 27 - FIGURA 25 - BOXPLOT DOS VALORES DE TR NA PG15 ................ 73
FIGURA 28 - DISPERSÃO DOS VALORES DE TR NA PG03 ................................. 74
FIGURA 29 - DISPERSÃO DOS VALORES DE TR NA PG04 ................................. 75
FIGURA 30 - DISPERSÃO DOS VALORES DE TR NA PG07 ................................. 75
FIGURA 31 - DISPERSÃO DOS VALORES DE TR NA PG15 ................................. 76
FIGURA 32 - BOXPLOT DOS VALORES DE STI NA PG03..................................... 80
11

FIGURA 33 - BOXPLOT DOS VALORES DE STI NA PG04..................................... 81


FIGURA 34 - BOXPLOT DOS VALORES DE STI NA PG07..................................... 83
FIGURA 35 - BOXPLOT DOS VALORES DE STI NA PG15..................................... 84
FIGURA 36 – TEMPO DE REVERBERAÇÃO IDEAL EM FUNÇÃO DO USO E
VOLUME DO RECINTO, SEGUNDO A NBR12179.............................. 85
12

LISTA DE TABELAS

TABELA 1 - COEFICIENTE M EM FUNÇÃO DA HUMIDADE E FREQUÊNCIA ...... 24


TABELA 2 - RELAÇÃO ENTRE O STI E A QUANTIDADE DE INFORMAÇÃO
COMPREENDIDA ................................................................................. 30
TABELA 3 - TEMPOS DE REVERBERAÇÃO IDEAL DE ACORDO COM AS
NORMAS NACIONAIS .......................................................................... 40
TABELA 4 - VALORES DE DB(A) E NC SEGUNDO A NBR10152 .......................... 43
TABELA 5 - DIMENSÕES DAS SALAS DE AULA .................................................... 49
TABELA 6 - ÁREAS DE ABSORÇÃO PARA AS SALAS ESTUDADAS ................... 50
TABELA 7 - VALORES DE ABSORÇÃO DOS FORROS ANTIGO (CELOTEX M1)
E NOVO (PVC) ..................................................................................... 51
TABELA 8 - PG03 VAZIA E FORRO DE PVC .......................................................... 52
TABELA 9 - PG03 VAZIA E FORRO DE PLACAS ACÚSTICAS .............................. 52
TABELA 10 - DIFERENÇA ENTRE OS RESULTADOS MEDIDOS E
CALCULADOS NA PG03 ...................................................................... 53
TABELA 11 – PG03 COMPARAÇÃO DOS VALORES COM FORRO DE PVC E
ACÚSTICO ........................................................................................... 53
TABELA 12- PG04 VAZIA E FORRO DE PVC ......................................................... 56
TABELA 13 - PG04 VAZIA E FORRO DE PLACAS ACÚSTICAS ............................ 56
TABELA 14 - DIFERENÇA ENTRE OS RESULTADOS MEDIDOS E
CALCULADOS NA PG04 ...................................................................... 57
TABELA 15 – PG04 COMPARAÇÃO DOS VALORES COM FORRO DE PVC E
ACÚSTICO ........................................................................................... 57
TABELA 16 - PG07 VAZIA E FORRO DE PVC ........................................................ 60
TABELA 17 - PG07 VAZIA E FORRO DE PLACAS ACÚSTICAS ............................ 61
TABELA 18 - DIFERENÇA ENTRE OS RESULTADOS MEDIDOS E
CALCULADOS NA PG07 ...................................................................... 61
TABELA 19 – PG07 COMPARAÇÃO DOS VALORES COM FORRO DE PVC E
ACÚSTICO ........................................................................................... 61
TABELA 20 - PG015 VAZIA E FORRO DE PVC ...................................................... 64
TABELA 21 - PG015 VAZIA E FORRO DE PLACAS ACÚSTICAS .......................... 64
TABELA 22 - DIFERENÇA ENTRE OS RESULTADOS MEDIDOS E
CALCULADOS NA PG015 .................................................................... 65
TABELA 23 – PG015 COMPARAÇÃO DOS VALORES COM FORRO DE PVC E
ACÚSTICO ........................................................................................... 65
TABELA 24 - ERRO MÉDIO DE CADA MÉTODO EM RELAÇÃO AOS VALORES
MEDIDOS ............................................................................................. 67
TABELA 25 – ESTATÍSTICAS PARA OS VALORES MEDIDOS DE TR NA PG03 .. 68
TABELA 26 - ESTATÍSTICAS E TESTE DE HIPÓTESES PARA OS VALORES
DE TR CALCULADOS NA PG03 .......................................................... 68
TABELA 27 - ESTATÍSTICAS PARA OS VALORES MEDIDOS DE TR NA PG04 ... 69
13

TABELA 28 - ESTATÍSTICAS E TESTE DE HIPÓTESES PARA OS VALORES


DE TR CALCULADOS NA PG04 .......................................................... 70
TABELA 29 - ESTATÍSTICAS PARA OS VALORES MEDIDOS DE TR NA PG07 ... 71
TABELA 30 - ESTATÍSTICAS E TESTE DE HIPÓTESES PARA OS VALORES
DE TR CALCULADOS NA PG07 .......................................................... 71
TABELA 31 - ESTATÍSTICAS PARA OS VALORES MEDIDOS DE TR NA PG15 ... 72
TABELA 32 - ESTATÍSTICAS E TESTE DE HIPÓTESES PARA OS VALORES
DE TR CALCULADOS NA PG15 .......................................................... 73
TABELA 33 - PROPRIEDADES DA REGRESSÃO LINEAR DOS VALORES DE
TR CALCULADOS ................................................................................ 76
TABELA 34 - ANÁLISE QUALITATIVA DOS VALORES DE R² ................................ 77
TABELA 35 - VALORES DE Χ² E TESTE DE HIPÓTESES PARA CADA
MÉTODO E SADA ................................................................................ 78
TABELA 36 - ERRO MÉDIO ENTRE O VALOR MEDIDO E O OBTIDO NAS
SIMULAÇÕES DO ODEON 11.0 .......................................................... 79
TABELA 37 - RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO TESTE T NOS VALORES DE
STI NA PG03 ........................................................................................ 79
TABELA 38 - RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO TESTE T NOS VALORES DE
STI NA PG04 ........................................................................................ 81
TABELA 39 - RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO TESTE T NOS VALORES DE
STI NA PG07 ........................................................................................ 82
TABELA 40 - RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO TESTE T NOS VALORES DE
STI NA PG015 ...................................................................................... 83
TABELA 41 - RESULTADO DO TESTE Χ² EM CADA UMA DAS SALAS ................ 84
TABELA 42 - TEMPOS DE REVERBERAÇÃO IDEAL DE ACORDO COM AS
NORMAS NACIONAIS .......................................................................... 87
TABELA 43 - ADEQUAÇÃO DAS SALAS ESTUDADAS NAS NORMAS PARA TR 87
TABELA 44 - VALORES DE STI RELACIONADOS A INTELIGIBILIDADE DE
FALA ..................................................................................................... 88
TABELA 45 - ADEQUAÇÃO DOS VALORES DE STI NAS DIFERENTES
NORMAS ANALISADAS ....................................................................... 89
TABELA 46 - ADEQUAÇÃO DAS SALAS CONSIDERANDO O FORRO
ACÚSTICO ORIGINAL ......................................................................... 90
14

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 16
1.1 OBJETIVOS ..................................................................................................... 17
1.1.1 Objetivo Geral ............................................................................................... 18
1.1.2 Objetivos específicos .................................................................................... 18
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................................... 19
2.1 CONCEITOS DE ACÚSTICA ........................................................................... 19
2.1.1 Som e Ruído ................................................................................................. 19
2.1.2 Ondas ............................................................................................................ 19
2.1.3 Nível de Pressão Sonora............................................................................... 20
2.1.4 Reflexão Sonora ............................................................................................ 20
2.1.5 Absorção Sonora e Coeficiente de Absorção ................................................ 21
2.1.6 Difusão .......................................................................................................... 22
2.1.7 Ruído de Fundo ............................................................................................. 23
2.2 TEMPO DE REVERBERAÇÃO – TEORIA CLÁSSICA .................................... 23
2.3 INTELIGIBILIDADE E STI – SPEECH TRANSMISSION INDEX ..................... 28
2.4 SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL DE PARAMETROS ACÚSTICOS .............. 31
3 REVISÃO DA LITERATURA .............................................................................. 32
3.1 ESTUDO ACÚSTICOS DE SALAS DE AULA .................................................. 32
3.2 TEMPO DE REVERBERAÇÃO: NORMAS BRASILEIRAS E
INTERNACIONAIS ........................................................................................... 38
4 MATERIÁIS E MÉTODOS .................................................................................. 40
4.1 MEDIÇÕES DO TR .......................................................................................... 41
4.2 MEDIÇÕES DO STI ......................................................................................... 42
4.3 MEDIÇÕES DO RUÍDO DE FUNDO ................................................................ 43
4.4 LEVANTAMENTO DOS COEFICIENTES DE ABSORÇÃO SONORA ............ 44
4.5 MODELAGEM E ANÁLISE NO SOFTEARE ODEON 11.0 COMBINED .......... 44
4.6 CÁLCULO ANALÍTICO..................................................................................... 46
4.7 ANÁLISE ESTATÍSTICA .................................................................................. 46
4.8 SALAS DE AULA ANALISADAS ...................................................................... 49
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES ........................................................................ 50
5.1 CALIBRAGEM DO MODELO COMPUTACIONAL ........................................... 50
5.2 SALAS DE AULA DO BLOCO DE ENGENHARIA MECÂNICA ....................... 51
15

5.2.1 Sala PG03 ..................................................................................................... 51


5.2.2 Sala PG04 ..................................................................................................... 55
5.2.3 PG07 ............................................................................................................. 60
5.2.4 Sala PG15 ..................................................................................................... 63
5.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS ........................................................................ 67
5.3.1 Tempo de Reverberação ............................................................................... 67
5.3.2 STI ................................................................................................................. 79
5.3.3 Adequações Normativas ............................................................................... 85
6 CONCLUSÃO ..................................................................................................... 91
7 BIBLIOGRAFIA................................................................................................... 92
APÊNDICE A – VALORES DE TR MEDIDOS E CALCULADOS ............................ 97
APÊNDICE B – VALORES DE TR CALCULADO PARA O FORRO ACÚSTICO ... 98
APÊNDICE C – TABELAS CONTENDO OS VALORES DE MEDIÇÃO,
SIMULAÇÃO DO STI E SEUS RESPECTIVOS ERROS RELATIVOS .............. 99
APÊNDICE D – LOCALIZAÇÃO DOS PONTOS PARA MEDIÇÃO DO STI.......... 103
APÊNDICE F – RUÍDO DE FUNDO MEDIDO NAS SALAS E UTILIZADO NAS
SIMULAÇÕES .................................................................................................. 107
16

1 INTRODUÇÃO

A preocupação com a qualidade de ambientes é de extrema importância. Para


garantir um melhor entendimento do que está sendo transmitido oralmente, ou da
execução de um equipamento acústico – piano, violão – faz-se necessário que o
ambiente tenha uma “boa acústica”. Esta “boa acústica” é pautada por descritores
acústicos, como por exemplo o tempo de reverberação TR, a inteligibilidade da fala
STI (speech transmission index), pela definição D50 (Definition) ou ainda pela
claridade C80 (Clarity). No entanto, estes descritores são repetidas vezes
negligenciados Fasold e Veres (2003).
Com o desenvolvimento da indústria e com o significativo aumento das
emissões sonoras oriundas de diversas novas fontes, como automóveis,
eletrodomésticos ou equipamentos industriais, a questão acústica tem se tornado
cada vez mais importante. Hoje é de conhecimento da ciência, que sons elevados
podem não só comprometer o entendimento da palavra falada, podem comprometer
a audição de trabalhadores do setor industrial, e podem ter um grande efeito deletério
na saúde da população em geral (FIEDLER e WILHELM, 2011).
Nesse contexto as salas de aula são locais críticos no que diz respeito à
qualidade acústica de ambientes. O ambiente escolar, destinado à produção cultural
e formação do cidadão pode tornar-se um ambiente ruidoso durante a atividade de
alunos e professores. Uma vez que o ambiente escolar foi desenvolvido para
maximizar as potencialidades humanas, é imprescindível que este esteja adequado à
finalidade a que se destina (MINICHILLI, et al., 2018).
A habilidade de aprendizado é influenciada pela capacidade de ouvir e
compreender a fala do professor ou palestrante. Para assegurar um processo de
aprendizado eficiente, aspectos acústicos tais como o tempo de reverberação e o
índice de transmissibilidade da fala devem estar dentro de uma faixa adequada,
segundo normas técnicas específicas. Assim uma boa qualidade acústica irá contribuir
com uma melhor comunicação entre professores e alunos (BRADLEY, 1986).
Segundo Hagen et al. (2002), citado por Zannin et al. (2011) elevados níveis
de pressão sonora em salas de aula causam cansaço prematuro nos estudantes,
consumindo suas habilidades cognitivas que deveriam ser empregadas no
17

entendimento das aulas. Maxwell e Evan (2000) mostram que salas de aula projetadas
para possuírem alta performance acústica, melhoram o desempenho dos estudantes.
Zannin et al. (2002) relaciona os efeitos negativos e danosos do ruído:
- Dano de longo prazo à saúde
- Redução de produtividade
- Distúrbios na comunicação
- Distúrbios no aprendizado e na comunicação
- Distúrbios no sono.
A exposição ao ruído intenso também está associada ao risco de doenças
cardiovasculares e diabetes. A redução dos níveis de ruído no local de trabalho é
fundamental não apenas para a prevenção da perda de audição, mas também para
evitar problemas graves de saúde (KERNS, MASTERSON, et al., 2018).
Minichilli et al., (2018), avaliaram o ruído em 28 salas de aula, de 8 escolas e
em 4 cidades italianas com diferentes comportamentos ambientais. O público alvo
também foi diferente de outros estudos que abordaram, mostraram e confirmaram o
problema do ruído sobre crianças. Neste estudo foram entrevistados cerca de 521
estudantes, com idades entre 11 e 18 anos. Os resultados mostraram que “quanto
melhor a qualidade acústica das salas de aula, menor o ruído e a irritação percebidos”.
Os resultados mostraram ainda que: “A percepção do ruído e a conseqüente
perturbação estão extremamente correlacionados com a acústica da sala de aula, e
confirmam que o aborrecimento representa a resposta subjetiva mais difundida ao
ruído”.

1.1 OBJETIVOS

Verificar a qualidade acústica de salas de aula por meio do tempo de


reverberação (TR) e do índice de inteligibilidade da fala (STI – Speech Transmission
Index). O objetivo geral e os específicos são propostos conforme apresentados a
seguir:
18

1.1.1 Objetivo Geral

O objetivo geral deste trabalho é avaliar as condições acústicas das salas de


quatro salas de aula do bloco de engenharia mecânica da Universidade Federal do
Paraná. Para a avaliação foram usados dois descritores acústicos, o tempo de
reverberação, e o índice de transmissão da fala.
As medições foram realizadas de acordo com o método proposto pela IEC
60268-16:2011 e pela ISO 3382:1-2009. As simulação e cálculos dos dois parâmetros
foram realizadas através do software Odeon 11.0.

1.1.2 Objetivos específicos

Com a finalidade de alcançar o objetivo geral, os seguintes objetivos


específicos são definidos:
a) Caracterização das salas de aula;
b) Medição do STI e TR nas salas usando o método impulsivo conforme a
IEC 60268-16:2011 e a ISO 3382:1-2009;
c) Cálculo dos parâmetros acústicos utilizando formulas analíticas e métodos
computacionais;
d) Cálculo dos parâmetros acústicos considerando a substituição do forro de
PVC, por placas acústicas;
e) Tabulação e análise dos resultados obtidos;
f) Avaliação e classificação das salas de aula estudadas;
g) Avaliação dos efeitos da troca do atual forro por um com absorção
semelhante ao forro origina (substituído pelo atual em 2007).
19

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 CONCEITOS DE ACÚSTICA

2.1.1 Som e Ruído

Som pode ser descrito como a passagem de flutuações de pressão através


de um meio elástico, resultante de um impulso vibracional transmitido àquele meio
(REICHEL, 2000).
Som é qualquer fenômeno no qual ocorram 20 a 20 mil oscilações por
segundo, que são perceptíveis ao ouvido humano dentro dessa faixa (GERGES,
1992).
O intervalo de frequências perceptíveis ao ouvido humano é bastante grande.
A razão entre as intensidades de um som que atinge o limiar da dor no ouvido e o
mínimo perceptível é da ordem de 1012 (ROSSING, 2007)
O ruído pode ser definido como um som indesejável, normalmente decorrente
de atividades humanas. Dessa forma, som e ruído constituem o mesmo fenômeno
físico, sendo distinguido pela percepção subjetiva (GOEZLER, HANSEN e SEHRNDT,
2001).

2.1.2 Ondas

Fisicamente uma onda é um pulso energético que se propaga através do


espaço ou através de um meio (líquido, sólido ou gasoso). Uma onda é uma
perturbação oscilante de alguma grandeza física no espaço e periódica no tempo
(KINSLER, FREY, et al., 1982).
A propagação do som ocorre quando uma partícula de ar é deslocada, as
forças elásticas tendem a recoloca-la em sua posição original. Por causa da inércia
da partícula, esta ultrapassa sua posição de repouso, gerando forças elásticas na
direção oposta e assim em diante (KINSLER, FREY, et al., 1982).
20

FIGURA 1 - REPRESENTAÇÃO DA ONDA ACÚSTICA PROPAGANDO-SE NO AR

FONTE: adaptado de (EVEREST, 1996)

2.1.3 Nível de Pressão Sonora

Devido ao grande intervalo de pressão sonora perceptível pelo ouvido


humano, a qual pode variar de 20 µPa limiar da audição, até 108 µPa , no limiar da dor.
O fato da percepção humana à pressão sonora não variar linearmente, é conveniente
o uso de uma escala logarítmica para a representação do nível de pressão sonora.
Com essa finalidade foi desenvolvida a unidade decibel [dB] como medida da pressão
sonora (ROSSING, 2007):

𝑃𝑒 (1)
𝐿𝑝 = 20𝑙𝑜𝑔 [𝑑𝑏]
𝑃0

Onde 𝐿𝑝 é o nível de pressão sonora em decibéis, 𝑃𝑒 é a pressão efetiva e 𝑃0

é a pressão de referência 20 µPa.

2.1.4 Reflexão Sonora

Ocorre quando a energia acústica proveniente de uma onda sonora retorna


ao meio de origem, total ou parcialmente, após incidir em uma superfície. O ângulo de
retorno é igual ao de incidência para o caso de uma superfície perfeitamente lisa,
21

podendo conter parcelas mais ou menos difusas em função de rugosidades e


irregularidades na superfície incidente. A parcela não refletida pode ser transmitida ou
absorvida (LONG, 2014).

FIGURA 2 - REPRESENTAÇÃO DA REFLEXÃO SONORA

FONTE: (ROSSING, 2007)

2.1.5 Absorção Sonora e Coeficiente de Absorção

Quando ondas sonoras interagem com um material a energia contida nessa


onda pode ser absorvida, refletida ou transmitida (LONG, 2014).

FIGURA 3 - INTERAÇÃO DA ONDA SONORA COM UMA SUPERFÍCIE

FONTE: Adaptado de (LONG, 2014)


22

O coeficiente de absorção (representado pela letra grega 𝛼) é a razão entre a


energia sonora incidente e a refletida pela superfície. A análise da absorção é
normalmente realizada envolvendo superfícies de fronteira, portanto a parcela do som
refletida é considerada para o cálculo do coeficiente (LONG, 2014):

𝐸𝑟
𝛼= (2)
𝐸𝑖

Diversos autores bem como a norma NBR 12179 apresentam valores do


coeficiente de absorção para materiais e superfícies normalmente presente em
construções.
Christensen (2003) observa que valores imprecisos ou errados para os
coeficientes de absorção são, provavelmente, a principal causa de erros em modelos
acústicos. Segundo o mesmo autor, valores tabelados não correspondem
precisamente aos valores reais, sendo necessário levar realizar ajustes para que o
modelo acústico corresponda ao real.

2.1.6 Difusão

Difusão é quando o som ao encontrar uma superfície, o mesmo é refletido e


redirecionado para um melhor espalhamento sonoro no ambiente. Este fenômeno não
altera o tempo de reverberação do ambiente, mas tem função fundamental na
qualidade sonora. Associado a este fenômeno estão o coeficiente de difusão (d) e o
coeficiente de espalhamento (s). Enquanto o primeiro contém informações da
capacidade da superfície em espalhar o som para todas as direções, o coeficiente de
espalhamento não inclui nenhuma informação quanto a direção do som refletido,
mostrando apenas seu potencial em refletir uma onda de maneira difusa, ou seja, não
especular, não necessariamente conseguindo dispersão. Ambos os índices variam de
0 a 1, sendo zero uma superfície totalmente especular e 1 uma totalmente difusa
(BISTAFA, 2006).
23

2.1.7 Ruído de Fundo

Ruído de fundo é a quantidade de som existente em uma sala vazia sem


nenhuma fonte sonora intencionalmente utilizada como tal. Esse ruído proveniente de
fontes sonoras externas à sala ou de fontes de ruído internas com computadores e
aparelhos de ar condicionado (HUEBER, 2002).

2.2 TEMPO DE REVERBERAÇÃO – TEORIA CLÁSSICA

O tempo de reverberação (doravante referido como TR), é o tempo que


transcorre, a partir do momento da emissão da onda sonora pela fonte até ela perder
60 dB de seu nível sonoro. Segundo Fasold e Veres (2003), a reverberação de um
recinto é sua característica acústica mais evidente da avaliação acústica de ambientes
fechados.
A reverberação ocorre devido a repetida reflexão das ondas sonoras nas
superfícies de um ambiente, podendo aumentar o nível sonoro de um ambiente em
até 15 dB (ROSSING, 2007, p. 394). De maneira geral, quanto maior a quantidade de
informações sendo transmitidas, menor é o tempo ideal de reverberação. Para salas
de aula e pequenos auditórios são preferíveis TRs de tempo igual ou menor que um
segundo. Tempos longos de reverberação são desejáveis para recintos destinados à
música, o tempo de reverberação ideia depende do tamanho do recinto e do tipo de
música a ser executado (LONG, 2014, p. 643).
O TR é parâmetro acústico mais importante e comumente utilizado na
caracterização, tendo um papel fundamental em todos os aspectos acústicos de um
recinto. É, portanto, importante a realização de uma correta predição de seu valor no
projeto acústico de um ambiente (KUTTRUFF, 2000).
Para o desenvolvimento da teoria clássica do cálculo de TR, o som é descrito
como partículas sonoras, as quais carregam uma pequena carga de energia e viajam
a uma velocidade constante c ao longo de linhas retas, exceto quando refletidas por
uma superfície, e devem estar presentes em grande quantidade. Quando uma dessas
partículas colide com uma superfície cujo coeficiente de absorção é 𝛼, apenas a
fração (1 − 𝛼) é refletida. Portanto, o coeficiente 𝛼 pode ser interpretado como uma
“probabilidade de absorção”. Ressalte-se que o conceito de partícula sonora é
24

puramente hipotético, não tendo relação com a verdadeira natureza física do som.
Devido a consideração de que as partículas sonoras percorrem linhas retas, o
fenômeno da difusão é negligenciado. As sobreposições de ondas sonoras são
avaliadas de forma simplificada como densidade energética (KUTTRUFF, 2000).
O cálculo do tempo de reverberação por meio da equação de Sabine foi a
primeira tentativa de se obter um valor teórico para o TR sendo até hoje a mais
comumente usada. Passados mais de um século de seu desenvolvimento, várias
outras fórmulas foram propostas com o mesmo objetivo (por Eyring, Fitzroy, Mallerton
e Sette, Metha e Muhlland, Kuttruff e outros), todas com o objetivo de corrigir alguma
limitação do método de Sabine (ROSSING, 2007, p. 316).
A fórmula clássica fornecida por Sabine é dada por:

𝑉 (3)
𝑇𝑅 = 0,161 ,
𝑆𝛼̅ + 4𝑚𝑉

Onde: V refere-se ao volume total do recinto, S é a área total das superfícies, 𝛼


̅éa
área ponderada média dos coeficientes de absorção de todas as superfícies.

1 (4)
𝛼̅ = ∑ 𝑆𝑖 𝛼𝑖
𝑆
𝑖

O fator m corresponde à parcela de absorção pelo ar ambiente, a qual é função da


umidade relativa e da frequência. Rossing (2007) relaciona os valores do coeficiente
m e da umidade relativa do ar à temperatura de 20°C para diferentes frequências
conforme apresentado na TABELA 1.

TABELA 1 - COEFICIENTE M EM FUNÇÃO DA HUMIDADE E FREQUÊNCIA


25

Humidade relativa [%] 0,5 kHz 1 kHz 2 kHz 4 kHz 8 kHz Absorção do ar
40 0,4 1,1 2,6 7,2 23,7 10−3 𝑚−1
50 0,4 1,0 2,4 6,1 19,2 10−3 𝑚−1
60 0,4 0,9 2,3 5,6 16,2 10−3 𝑚−1
70 0,4 0,9 2,1 5,3 14,3 10−3 𝑚−1
80 0,3 0,8 2,0 5,1 13,3 10−3 𝑚−1
FONTE: (ROSSING, 2007)

Zannin et al. (2005), denomina a equação (1) de equação de Sabine


diferenciada quando a absorção do ar e absorção de objetos internos é levada em
consideração.
A equação de Sabine pressupõem que a absorção está uniformemente
distribuída sobre todas as superfícies e que o campo sonoro é difuso, significando que
em cada ponto do recinto:
a) A densidade de energia é a mesma;
b) Há uma probabilidade igual de o som se propagar para qualquer direção;
Em contraste à teoria de Sabine, Eyring considera que o campo sonoro é
composto de ondas planas, as quais perdem uma fração de sua energia proporcional
ao coeficiente de absorção de uma superfície, cada vez que a onda colide com essa
superfície. Logo, após “n” reflexões a energia em todas as frentes de onda e a
densidade média de energia no recinto foi reduzida a (1 − 𝛼̅)𝑛 vezes o valor original.
A distância média de propagação durante esse processo é 𝑙𝑚 = 𝑐𝑡 , onde 𝑙𝑚 é o
caminho livre médio, representando a distância média percorrida pela onda entre duas
reflexões e t é o tempo decorrido desde o inicio da propagação. De acordo com
Rossing (2007, p. 317 apud Kosten, 1960) foi comprovado que 𝑙𝑚 = 4𝑉/𝑆
independentemente do formato do recinto, se a probabilidade de propagação do som
for igual em todas as direções. A partir dessa consideração chega-se a fórmula de
Eyring, na qual o 𝛼̅ da equação (1) é substituído por:

1 (5)
𝛼̅ = 𝛼𝑒 = ln ( )
1 − 𝛼̅

Para baixos valores de 𝛼̅, 𝛼̅ e 𝛼𝑒 são praticamente idênticos,


consequentemente as fórmulas de Sabine e Eyring resultam em valores praticamente
26

idênticos. As diferenças tornam-se, porém, perceptíveis quando 𝛼̅ é superior a 0,3


(ROSSING, 2007). De forma geral 𝛼𝑒 será sempre superior a 𝛼̅, resultando em
𝑇𝑆𝑎𝑏𝑖𝑛𝑒 > 𝑇𝐸𝑦𝑟𝑖𝑛𝑔 . No caso extremo se a absorção, 𝛼̅, do recinto convergir para 100%,
𝛼𝑒 tende ao infinito e a reverberação calculada pela fórmula de Eyring converge para
zero, como é o esperado para um recinto com superfícies totalmente absorvente. Pela
fórmula de Sabine, entretanto, o tempo de reverberação convergirá para 0,16𝑉/𝑆,
oque é, segundo Rossing (2007), irrealista pois, segundo o autor, o TR em tal situação
tende a zero.
Rossing (2007) explica que ambas as fórmulas, de Sabine e de Eyring, sofrem
de ao menos dois problemas, nenhuma delas considera a distribuição dos “caminhos
livres” (distância percorrida pelo som até encontrar uma superfície), a qual é muito
dependente do formato do recinto, e nem consideram uma distribuição uniforme da
absorção no ambiente. Situações típicas de ambientes em que essas limitações estão
presentes: uma sala com paredes de alvenaria - pouco absorventes - e forro acústico
- muito absorvente -; um auditório onde a maior parte da absorção está no público,
enquanto as demais superfícies são pouco absorventes. Em ambos os casos não
temos uma distribuição uniforme da densidade de energia, premissa básica de
Sabine.
Segundo Bistafa e Bradley (2000), Fitzroy (1959) verificou experimentalmente,
em salas onde a absorção não é uniformemente distribuída, que as fórmulas de
Sabine e Eyring fornecem tempos de reverberação que “variam largamente” dos
previstos, especialmente em recintos em que a absorção se concentra em superfícies
horizontais. Esse é o caso de ambientes com forro acústico, tipicamente encontrado
em salas de aula, ou com grande absorção por parte de uma plateia, como em
auditórios. Fitzroy (1959), propôs uma fórmula de reverberação, na qual o coeficiente
de absorção é calculado por meio de uma média aritmética ponderada em relação à
área de absorção de Eyring em três direções ortogonais:

−1
𝑆𝑥 𝑆𝑦 𝑆𝑧 (6)
𝛼𝐹𝑖𝑡𝑧𝑟𝑜𝑦 = −𝑆 [ + + ]
ln(1 − 𝛼̅𝑥 ) ln(1 − 𝛼̅𝑦 ) ln(1 − 𝛼̅𝑧 )
27

Na Equação (4), 𝑆𝑥 representa as áreas do forro e do piso. 𝑆𝑦 é a área das duas


paredes laterais, enquanto 𝑆𝑧 é a área das duas outras paredes. 𝛼̅𝑥 , 𝛼̅𝑦 e 𝛼̅𝑧 são os
coeficientes de absorção médios das áreas 𝑆𝑥 , 𝑆𝑦 e 𝑆𝑧 , respectivamente, calculados
de pela Equação (2).
Arau-Puchades (1988), baseado no estudo de Fitzroy, propôs uma fórmula
para o TR, na qual o coeficiente de absorção é dado pela ponderação do coeficiente
de Eyring em cada uma das direções da seguinte maneira:

𝑆𝑥⁄ 𝑆𝑦

1 𝑆 1 𝑆
𝛼𝐴.−𝑃𝑢𝑐ℎ𝑎𝑑𝑒𝑠 = [ln ( )] ∙ [ln ( )]
1 − 𝛼̅𝑥 1 − 𝛼̅𝑦
𝑆𝑧⁄ (7)
1 𝑆
∙ [ln ( )] .
1 − 𝛼̅𝑧

Arau-Puchades confirmou experimentalmente a precisão do seu coeficiente de


absorção em auditórios, teatros e estúdios de TV (BISTAFA e BRADLEY, 2000).
Rossing (2007) argumenta que apesar de haver fórmulas com maior precisão,
é mais prudente utilizar as fórmulas de Sabine ou Eyring, compreendendo suas
limitações. Para necessidade de maior precisão, ele recomenda o uso de simulações
computacionais. Beranek (2006) sugere que para a utilização da fórmula de Sabine
em auditórios, deve-se usar um fator de correção para os coeficientes de absorção
em função da geometria do recinto.
Para medições do TR, devido aos efeitos como mascaramento, é avaliado o
tempo para que haja um decaimento menor, normalmente de 30dB (chamado de
TR30), e então esse valor é extrapolado para verificar o tempo para uma redução de
60dB, conforme ilustrado na FIGURA 4. Quando a avaliação é feita com uma
amplitude de 10dB, o TR resultante é denominado “tempo de decaimento inicial”,
abreviado de sua nomenclatura em inglês como EDT.
28

FIGURA 4 - DEFINIÇÃO DO TEMPO DE REVERBERAÇÃO

Fonte: adaptado de (ROSSING, 2007)

2.3 INTELIGIBILIDADE E STI – SPEECH TRANSMISSION INDEX

A inteligibilidade da fala é descrita por Long (2006) como um método de


medição direta do entendimento da fração de palavras ou frases por um ouvinte. O
método mais direto de medir a inteligibilidade é através de frases que contenham
palavras individuais ou sílabas sem sentido, as quais os ouvintes devem escutar e
identificá-las por meio de um questionário. Para Long (2006), embora essa
metodologia seja a base da maioria de nossos sistemas para prever a inteligibilidade,
é desejado fazer uso de um método eletrônico para medir diretamente este descritor
acústico.
A norma IEC 60268-16 (INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL
COMMISSION, 2003) define a inteligibilidade como a “quantia física que representa a
29

qualidade de transmissão do discurso em relação à inteligibilidade”, sendo avaliada a


partir de um a partir de um coeficiente denominado STI (do inglês speech transmission
index – coeficiente de transmissão da fala). A mesma norma caracteriza o STI como
uma medida objetiva, baseada no peso da contribuição de um número de bandas de
frequência dentro da faixa de frequência dos sinais da fala, sendo que essas
considerações são ajustadas pela relação sinal-ruído efetiva.
Rossing (2007) descreve que o STI pode ser calculado através dos níveis
sonoros do ruído de fundo e do som a ser transmitido. O cálculo é realizado utilizando
um fator de redução de modulação (modulation reduction fator, no original),

1 1 (8)
𝑚(𝐹) = ∙
2
1 + 10−𝐿𝑆𝑁⁄10
√1 + [2𝜋𝐹 𝑇10 ]
13,8

Onde 𝑇10 é o tempo de decaimento inicial, o qual, segundo Keränen (2004), pode ser
substituído pelo TR em ambientes de pequeno volume, 𝐿𝑆𝑁 é a diferença entre
potência sonora do ruído de fundo e do som transmitido, as frequências de modulação
𝐹 são 0,63; 0,80; 1,00; 1,25; 1,60; 2,00; 3,15; 5,00; 6,30; 8,00; 10,00 e 12,50. O fator
de redução de modulação é calculado para cada uma das bandas de oitava, de 125Hz
a 8000Hz.
Os fatores m são convertidos em uma razão som-ruído aparente:

𝑚 (9)
(𝑆⁄𝑁) = 10𝑙𝑜𝑔 𝑑𝐵
𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 1−𝑚

os valores da razão sinal-ruído acima de +15 dB, são substituídos por +15 dB, e os
menores que -15 dB, são computados como -15 dB. Em seguida é realizado o cálculo
da média aritmética da (𝑆⁄𝑁) para cada faixa de frequência,
𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒

14 (10)
1
(𝑆⁄𝑁) = ∑(𝑆⁄𝑁)
𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒,𝑘 14 𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒,𝑖
𝑖=1
30

o índice k representa cada uma das bandas de oitava. O passo seguinte é o cálculo
de uma média ponderada da razão sinal-ruído aparente:

7 (11)
̅̅̅̅̅̅̅̅
(𝑆⁄𝑁) = ∑ 𝑤𝑘 ∙ (𝑆⁄𝑁)
𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒,𝑘
𝑖=1

𝑤𝑘 é o fator de ponderação para cada uma das frequências, tendo valores de 0,13;
0,14; 0,11; 0,12; 0,19; 0,17; 0,14, para cada uma das banda de oitava de 125 a 8000
Hz, respectivamente.
Finalmente o STI é determinado pela equação a seguir:

̅̅̅̅̅̅̅̅
(𝑆⁄𝑁) + 15 (12)
𝑎𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒
𝑆𝑇𝐼 =
30

Barnett e Knight (1995) propõem uma escala geral de inteligibilidade (sigla em


inglês CIS), a qual mede a probabilidade de as sílabas serem compreendidas em
função do valor do STI, supondo que o ouvinte seja falante nativo do idioma sendo
transmitido e sem deficiências auditivas. Os valores obtidos pelo autor estão
sumarizados na TABELA 2.

TABELA 2 - RELAÇÃO ENTRE O STI E A QUANTIDADE DE INFORMAÇÃO COMPREENDIDA


Valor do STI Qualidade de Inteligibilidade Inteligibilidade Inteligibilidade
acordo com a das silabas em % das palavras em das
IEC 60268-16 % frases em %
0 – 0,3 Ruim 0 – 34 0 – 67 0 – 89
0,3 – 0,45 Pobre 34 – 48 67 – 78 89 – 92
0,45 – 0,6 Razoável 48 – 67 78 – 87 92 – 95
0,6 – 0,75 Bom 67 – 90 87 – 94 95 – 96
0,74 – 1 Excelente 90 - 96 94 - 96 96 - 100
Fonte: (BARNETT e KNIGHT, 1995)

Segundo Lazarus et al. (2007) o STI é comprovadamente um bom método


para predição da qualidade de inteligibilidade da fala, levando em consideração todas
as perturbações decorrentes de ruídos ambientes, tempo de reverberação,
31

atenuações em frequências, entre outros fatores, estão incluídos em seus cálculos.


Com isso pode-se afirmar, ainda segundo Lazarus et al. (2007), que o STI se
sobressai perante os demais índices de avaliação de inteligibilidade da fala (AI –
Articulation Index, SIL – Speech Interference Level, SNR – Signal to Noise Ratio), os
quais não serão abordados nesse trabalho.

2.4 SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL DE PARAMETROS ACÚSTICOS

Simulações computacionais levam em conta a geometria e distribuição dos


coeficientes de absorção dentro do recinto, bem como a posição dos receptores e da
fonte sonora. Os métodos computacionais são comumente usados em projetos de
auditórios, casas de shows, teatros, dentre outros. Gade et al., (2010) utilizou o
software Odeon, para realização de simulações acústicas arqueológicas, com o
objetivo de reconstruir virtualmente um antigo teatro romano.
Segundo Rossing (2007) as primeiras simulações computacionais de
parâmetros acústicos surgiram na década de 1960 e hoje existem vários softwares
comerciais, os quais são regularmente utilizados por projetistas e pesquisadores.
Nos modelos computacionais a geometria do recinto é representada por um
modelo tridimensional através de um modelo CAD. As eventuais superfícies curvas
devem ser representadas por uma série de elementos planos. Pequenos detalhes
devem ser simplificados (ROSSING, 2007).
Quando a geometria estiver concluída, os valores de absorção para cada faixa
de frequência (normalmente subdivididas em bandas de oitava), devem ser definidos
para cada superfície. Ainda, devem ser definidos os receptores e as fontes sonoras,
suas respectivas direções, potência e demais características relevantes.
No cálculo da propagação do som, a maioria dos modelos, desconsidera as
propriedades de fase utilizando uma aproximação com base na densidade de energia.
A propagação do som é representada através de raios, os quais são emitidos pela
fonte sonora e refletido pelas superfícies, perdendo energia a cada reflexão. Os raios
são acompanhados até sua energia ser reduzida abaixo de um valor de interesse. As
direções de reflexão são definidas de maneira que o ângulo de reflexão seja igual ao
de incidência, com um fator de aleatoriedade definido por um coeficiente de
rugosidade. Recentemente vem sendo estudados modelos baseados em elementos
32

finitos vem sendo testados, nos quais é possível representar fenômenos ondulatórios,
fase e difração (SAKAMOTO, YOKOTA e TACHIBANA, 2004).
A maioria dos softwares podem gerar uma malha de receptores e representar
os resultados numéricos através de uma escala de cores, facilitando a visualização e
avaliação dos parâmetros acústicos em diferentes posições em um recinto, como
mostrado na FIGURA 5.

FIGURA 5 – MODELO ACÚSTICO DE UM RECINTO GERADO PELO


SOFTWARE ODEON

FONTE: (ROSSING, 2007)

3 REVISÃO DA LITERATURA

3.1 ESTUDO ACÚSTICOS DE SALAS DE AULA

Conforme Loro (2003), que realizou uma avaliação em salas de aula Padrão-
023 da rede pública do estado do Paraná, o tempo de reverberação elevado facilita a
transmissão sonora para ambientes adjacentes, pois as diversas reflexões mantem o
nível de energia elevado. Analisando o tempo de reverberação, o nível de conforto
acústico segundo a NBR 10152 e os resultados de questionários aplicados a alunos
e professores observou-se que as salas avaliadas estavam em desacordo com os
padrões de conforto acústico. Tal fato decorreu do fato de a maioria das superfícies
serem constituídas de matérias com baixos coeficientes de absorção sonora,
acarretando um alto tempo de reverberação. Além disso, foi também observado que
corredores adjacentes possuíam um grande valor de TR, comparado a valores
encontrado em catedrais. Outro fator degradante da qualidade acústica foram altos
33

níveis de ruído de fundo nas salas de aula, em sua maioria proveniente de tráfego de
veículos nas proximidades, estando muito acima do recomendado pela NBR 10152.
A análise qualitativa, por meio de questionários aplicados a alunos e servidores da
unidade educacional, demostrou grande insatisfação dos usuários da sala de aula. Foi
ainda observado pelo o autor a negligência com os aspectos acústicos na escolha do
projeto arquitetônico da referida unidade educacional.
Dalvite et al. (2007) fizeram um estudo em três escolas da rede pública de
ensino da cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, avaliando o conforto térmico,
acústico e luminoso de vários ambientes. Constatou-se que o planejamento dos
edifícios era inadequado, propiciando problemas acústicos pelo indevido
posicionamento de áreas com grande ruído, como quadras esportivas adjuntas a
ambientes que necessitam de silencio, como salas de aula. Com medições do nível
sonoro de ruído de fundo, considerando o funcionamento, ou não, do ventilador, foi
registrado que as salas estão acima dos padrões estabelecidos pela norma NBR
10152. Os tempos de reverberação também estavam acima dos padrões da norma,
sendo que ficou evidente que isso decorria da característica dos materiais de
acabamento do ambiente.
Zannin et al. (2005), realizaram uma comparação entre os tempos de
reverberação calculados e medidos. Calculando o tempo de reverberação de forma
teórica, através da equação de Sabine e da equação de Sabine modificada, a qual
além dos elementos construtivos da sala também são consideradas as áreas de
absorção sonora dos elementos relativos à funcionalidade do ambiente (mesas,
cadeiras, pranchetas, pessoas, etc.), bem como a atenuação sonora do ar. O
pesquisador ressalta a importância de uma correta determinação dos coeficientes de
absorção para os materiais presentes no recinto. Concluíram que para os ambientes
analisados a equação de Sabine modificada (ou seja, considerado as áreas de
absorção sonora dos elementos relativos à funcionalidade do ambiente) apresenta
resultados satisfatório e mais próximo dos valores medidos que a equação de Sabine,
que considera apenas os elementos construtivos. Foi observado que a absorção do
ar pode ser negligenciada, por se tratar de um ambiente com pequeno volume (inferior
a 1000m²).
Oiticia e Gomes (2004) analisaram duas escolas na cidade de Maceió, sendo
uma da rede pública e outra da rede particular, para explorar a influência da qualidade
34

acústica no estresse sentido pelos professores. É constatado que a atual realidade


das escolas não oferece condições suficientes para as práticas educacionais exigidas
em termos de materiais didáticos, recursos audiovisuais e sobretudo de ambiente
físico das salas de aula. Regiões que outrora possuíam boas condições acústicas para
a prática educacional, hoje, devido ao desenvolvimento urbano e o decorrente
aumento do tráfego de veículos, não são adequadas às atividades escolares.
Diversos estudos comprovam que a exposição prolongada ao excesso de ruído
ambiente acarreta problemas de saúde.
Pereira et al. (2004) avaliaram uma sala de aula com volume de 254 m³
equipadas com três aparelhos de ar condicionado. Foram aferidos os níveis de ruído
de fundo no ambiente, a inteligibilidade, está por meio de um ditado lido por um
professor, o tempo de reverberação e a relação sinal/ruído. Os resultados apontam
para uma contradição entre os questionários aplicados aos alunos e a relação
sinal/ruído, sendo que o primeiro demonstrou boa inteligibilidade e o segundo apontou
para um valor inferior à 10 dB, caracterizando o ambiente como inadequado. Ficou
evidenciada a menor inteligibilidade nos locais próximos aos ar-condicionados. Os
autores concluem que o ambiente não é satisfatório em termos de qualidade acústica,
necessitando de intervenções construtivas.
Ferreira et al. (2006) realizaram um estudo comparando salas de aula
construídas em décadas diferentes. Foram medidos os tempos de reverberação e os
índices de transmissão da fala (STI). Através de simulações computacionais foram
definidas as mudanças necessárias para o recinto atingir um TR ideal. Observaram
que as salas de aula mais antigas tendiam a ter um desempenho acústico superior às
mais recentes. Porém mesmo as salas mais antigas, com melhor qualidade acústica,
possuíam valores de STI e TR em desacordo com os padrões internacionais. Através
do software Odeon, foram obtidas mudanças significativas por meio da adição de
materiais com altos coeficientes de absorção sonora nos tetos e paredes dos
ambientes; passando esses a serem classificados como adequados em termos da
reverberação e inteligibilidade da fala.
Seep et al. (2002 apud Ferreira (2006)) indica que uma sala de aula pode ter
sua qualidade acústica melhorada com um revestimento na região central do forro, de
forma a refletir a voz do palestrante e ao mesmo tempo agir como absorvedor sonoro.
35

A pesquisa de Milulski e Radosz (2011), em 110 salas na Polônia, encontrou


uma grande diversidade de propriedades acústicas entre as sals de aula. Esta
diversidade foi relacionada à diferenças construtivas e de materiais empregados nos
recintos, da mesma maneira que foi encontrado na UFPR.
Na Finlândia, 16 das 40 salas estudadas por Sala e Rantala, em 2016, o STI
estava abaixo de 0,75, enquanto no presente estudo 9 das 10 salas analisadas
obtiveram esse valor. Em relação aos valores de TR, 30 das 40 salas ficaram com
valores abaixo de 0,6 segundos.
Hodgson et al. (2008), realizou através dos softwares CATT-Acoustic e
ODEON, dois sistemas de softwares utilizados em simulações acústicas, a simulação
do STI de uma série de salas de aulas e comparou os resultados obtidos com
medições in loco. Para o estudo foram escolhidas salas de aula com baixo e com alto
tempo de reverberação e com baixo e elevado ruído de fundo. Foram obtidas uma boa
concordância entre os STI das salas reais e das virtuais, especialmente na condição
de baixo ruído de fundo. Nas salas com grande tempo de reverberação os resultados
das simulações ficaram bastante próximos dos medidos, porém para as salas com
baixo tempo de reverberação o STI obtido através das simulações foi
significativamente inferior aos medidos, especialmente naquelas em que o ruído de
fundo consistia em trafego de veículos. Os resultados sugerem que modelos
computacionais podem gerar resultados pouco precisos para ambientes com elevado
ruído de fundo e baixa reverberação.
Abdullah et al. (2018) investigou a performance acústica das salas de aula da
Faculdade de Engenharia Elétrica de Terengganu, na Malásia e propôs tratamentos
acústicos com a finalidade de melhorar a qualidade acústica. Foram avaliados o tempo
de reverberação e o STI através do software ODEON. Os resultados mostraram que
o STI na maior parte da sala de aula é considerado pobre (entre 0,30 e 0,45), atingindo
a qualidade de razoável e bom apenas em alguns poucos pontos próximos à fonte
sonora. Em relação ao TR, os resultados obtidos demonstram que as salas de aula
estudadas não atendem às normas acústicas daquele país. Os tratamentos acústicos
propostos elevaram os valores de STI em 0,01 a 0,02, insuficiente para uma melhora
significativa da inteligibilidade.
Field (2005) comparou os valores de STI e TR do auditório de uma igreja
obtidos através dos softwares ODEON e CATT, com os medidos no local. As
36

superfícies da igreja eram em sua maioria de pouca absorção sonora e necessitavam


de tratamento acústico para sua utilização em eventos diversos. Ambos os softwares
obtiveram valores próximos aos medidos. O autor ressalta, porém, a importância de
utilizar corretamente as entradas dos softwares, em especial o número de raios que
deve ser compatível com o tamanho e geometria do recinto.
Kärenen et al. (2004) compararam o resultado do STI obtido através de
simulações no ODEON, com o STI calculado analiticamente. Para o estudo foi
utilizado um recinto de pequena dimensão (6,15m x 6,45m x 3,0m) e quatro diferentes
configurações acústicas, em cada configuração variava-se a localização dos materiais
absorventes nas superfícies, sem, no entanto, alterar a absorção total do recinto,
conforme mostrado na FIGURA 6, onde a cor cinza representa um material de elevada
absorção sonora. Foram posicionadas duas fontes sonoras localizadas no forro da
sala, simulando a posição de alto-falantes. Os resultados demonstram que os valores
obtidos por ambos os métodos ficaram bastante próximos, sendo que pelo método
analítico os resultados foram levemente inferiores (3% em média) aos obtidos por
meio do ODEON. Os autores concluem que em salas de pequena dimensões e
geometria simples o STI pode ser adequadamente calculado através do método
analítico, no entanto em ambientes de maiores dimensões e geometria mais complexa
é necessária a utilização de métodos computacionais.
37

FIGURA 6 - AS QUATRO CONFIGURAÇÕES ACÚSTICAS UTILIZADAS POR


KERÄNEN ET AL (2004)

FONTE: (KERÄNEN, LARM E HONGISTO, 2004)

Ianacce et al. (2013) estudou a qualidade acústica de seis salas de aula em


um prédio histórico da Universidade de Nápoles, na Itália. Após a avaliação foi
utilizado o software ODEON, para encontrar a melhor localização para a instalação de
painéis absorventes, para diminuição do tempo de reverberação e melhoria do STI,
sem alterar as características históricas e arquitetônicas da sala. A avaliação
demonstrou a inadequação acústica dos ambientes, tanto referente ao TR quanto ao
STI. Através de simulações os pesquisadores conseguiram determinar para cada uma
das salas os locais onde a instalação dos painéis absorventes deveria ocorrer para
otimizar a qualidade acústica. Cada uma das seis salas possuía geometria e
características únicas, assim para cada uma delas o posicionamento encontrado foi
único.
Oakley (2008) realizou uma tese de mestrado na qual fez o estudo acústico
de uma série de salas de aula e auditórios da Universidade Técnica da Dinamarca, no
estudo foram medidos e simulados no ODEON os valores de STI, obtendo-se valores
praticamente idênticos para ambos. O auto ressalta, porém, que os coeficientes de
absorção das superfícies eram todos perfeitamente conhecidos, através de estudos
anteriores, e que o próprio software ODEON utilizou algumas das salas da supracitada
38

universidade para calibração de seu algoritmo quando estava em fase de


desenvolvimento. O autor afirma que em condições menos ideais, onde nem sempre
os coeficientes de absorção encontrados em tabelas correspondem ao coeficiente real
dos materiais de um dado recinto, os resultados das simulações podem divergir
significativamente dos valores reais.

3.2 TEMPO DE REVERBERAÇÃO: NORMAS BRASILEIRAS E INTERNACIONAIS

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) utiliza os valores de


tempos de reverberação ótimos da NBR 12179, determinados experimentalmente, por
Bolt Beranek e Newman em função do volume do ambiente e do seu uso. A figura a
seguir considera o tempo de reverberação para a frequência de 500 Hz.

FIGURA 7 – TEMPO DE REVERBERAÇÃO IDEAL EM FUNÇÃO DO USO E


VOLUME DO RECINTO, SEGUNDO A NBR12179

FONTE: NBR12179
39

Países como Japão, Alemanha, Estados Unidos da América, Portugal e


França, possuem normas técnicas específicas para a avaliação do tempo de
reverberação em salas de aula. Os parâmetros dessas normas são descritos por
Zannin et al. (2010) e resumidos a seguir.
No Japão o TR deve ser medido em duas bandas de oitava, 500 Hz e 1000
Hz, com as salas de aula desocupadas e mobiliadas. Nos Estado Unidos o RT
utilizado é especificado pelo valor máximo entre as frequências de 500 Hz, 1000 Hz e
2000 Hz, medidos com a sala de aula desocupada e mobiliada. Na Alemanha a DIN
18041 (2004) estabelece que o TR representa o valor médio das bandas de oitava de
500 Hz e 1000 Hz, a ser medido com a sala de aula desocupada e mobiliada. Na
França o TR deve ser calculado a partir de uma média aritmética dos valores
encontrados para as frequências de 500 Hz, 1000 Hz e 2000 Hz, a ser obtido com as
salas de aula desocupadas e mobiliadas. Em Portugal é estabelecido um TR alvo para
duas faixas de frequência diferentes: 1) 125 Hz ≤ f ≤ 250 Hz e 2) 500 Hz ≤ f ≤ 4000
Hz.
Na Malásia, o tempo de reverberação em salas de aula deve estar entre 0,6
e 0,7 segundo em todas as faixas de frequência (ABDULLAH, ISMAIL, et al., 2018).
A Organização Mundial de Saúde (OMS), por sua vez, recomenda que o TR
médio deve ser igual a 0,6 (ZANNIN, PASSERO, et al., 2010, p. 133-161).
40

TABELA 3 - TEMPOS DE REVERBERAÇÃO IDEAL DE ACORDO COM AS NORMAS


NACIONAIS
País Tempo de Reverberação, RT [s] Volume, V [m³]
França 0,4 < TR ≤ 0,8 V ≤ 250
0,6 < TR ≤ 1,2 V > 250
Alemanha TR = 0,5 V = 125
TR = 0,6 V = 250
TR = 0,7 V = 500
TR = 0,8 V = 750
Japão TR = 0,6 V ~ 200
TR = 0,7 V ~ 300
Portugal TR ≤ 1,0 – para 125 Hz ≤ f ≤ 250 Hz -
0,6 ≤ TR ≤ 0,8 – 500 Hz ≤ f ≤ 4000 Hz -
EUA TR = 0,6 V ≤ 283
TR = 0,7 283 ≤ V ≤ 566
Malásia 0,6 < TR ≤ 0,7 -
OMS TR = 0,6 -
FONTE: (ZANNIN, PASSERO, et al., 2010), (ABDULLAH, ISMAIL, ET AL., 2018)

4 MATERIÁIS E MÉTODOS

O presente trabalho apresenta as seguintes etapas, primeiramente no


levantamento de dados através de medições acústicas nos recintos, seguindo no
levantamento da geometria do recinto e determinação dos coeficientes de absorção
sonora dos materiais que compõem o ambiente. Após o levantamento dos dados foi
realizado o cálculo analítico do tempo de reverberação utilizando os métodos de
Sabine, Eyring e Arau-Puchades, os quais estão descritos no capítulo anterior. A
modelagem computacional foi realizada através do software ODEON 11.00
Combined.
O levantamento de dados e a modelagem computacional dos recintos foram
realizadas em conjunto pelo autor desse trabalho, alunos de mestrado em acústica
ambiental, alunos de iniciação científica e pelo professor orientador Paulo Zannin.
41

Os dados obtidos nas medições e os calculados foram comparados usando


métodos estatísticos afim de verificar se os resultados podem ser considerados
válidos.

4.1 MEDIÇÕES DO TR

As medidas do tempo de reverberação de cada recinto foram realizadas


segundo o método de resposta ao impulso como recomendado pela norma ISO 3382-
2:2009. Elas foram realizadas usando-se os seguintes equipamentos: fonte sonora
omnidirecional Brüel & Kjaer 4296, medidor de nível de pressão sonora Brüel & Kjaer
2238, software DIRAC 3.1 e a interface de áudio Fireface 800, além de um notebook
contendo o software DIRAC 3.1 e conectado a placa de áudio. As medições foram
efetuadas com a fonte sonora localizada em frente às carteiras, posição normalmente
ocupada pelo professor.

FIGURA 8 - FONTE SONORA OMNIDIRECIONAL E INTEFACE DE ÁUDIO


FIREFACE 800

FONTE: O autor (2019)

O software DIRAC 3.1 da Brüel & Kjaer foi utilizado para medir e calcular os
valores de TR. O software gera o sinal sonoro emitido pela fonte e analisa as
informações coletadas pelo analisador sonoro.
42

4.2 MEDIÇÕES DO STI

Para a medição do STI a foram usados os mesmos equipamentos,


substituindo a fonte sonora omnidirecional por uma caixa de som direcional (boca
artificial) e adicionado um equalizador sonoro. Foram seguidas as especificações da
norma IEC 60268-16:2011 (INTERNATIINAL ELETROTECHNICAL COMISSION,
2011).

FIGURA 9 - ANALISADOR SONORO POSICIONADO PARA REALIZAÇÃO DE


MEDIÇÕES

FONTE: O autor (2019)

A fonte sonora direcional foi posicionada sempre na mesma posição,


simulando um professor em pé lecionando em frente ao quadro negro a uma altura de
1,50 m. O analisador sonoro foi posicionado em diversos pontos da sala simulando a
posição dos alunos no ambiente.
Para análise acústica foi utilizado o DIRAC 3.1. O software emite um sinal
impulsivo através de uma boca artificial. A resposta é captada por um microfone que
transfere o sinal novamente para o software. Esta resposta é trabalhada pelo software
instalado em um laptop. Da resposta podem-se obter vários descritores acústicos,
dentre eles o tempo de reverberação TR, como citado anteriormente, e o índice de
transmissão da fala STI. Os parâmetros acústicos são medidos segundo a norma ISO
3382 e IEC 60268-16.
43

FIGURA 10 - BOCA ARTIFICIAL BK 4227

FONTE: O autor (2019)

4.3 MEDIÇÕES DO RUÍDO DE FUNDO

O ruído de fundo dos recintos deve ser levantado para a posterior simulação
computacional do STI, o qual leva em seu cálculo uma parcela referente a esse
parâmetro. O nível de ruído também é um importante fator na avaliação do bem-estar
acústico em um ruído, sendo definido pela NBR 10152 (2017) a faixa de valores
compatível com o conforto acústico do ambiente. Para o caso de salas de aula e
laboratórios os níveis recomendados são os seguintes:

TABELA 4 - VALORES DE DB(A) E NC SEGUNDO A NBR10152


Locais RLAeq (dB) RLASmax (dB) RLNC
Educacionais
Salas de aula 35 40 30
FONTE: (NBR 10152, 2017)

O equipamento utilizado para as medições foi um analisador sonoro classe 1


modelo Brüel & Kjaer 2260. As medições foram efetuadas com as salas de aulas
vazias, com a presença somente dos operadores. As portas e janelas das salas foram
mantidas fechadas, com exceção das PG03 e PG04 nas quais havia impossibilidade
de fechamento das janelas. O ruído foi medido em seis pontos diferentes da sala
durante cinco minutos em cada ponto. Para cada ponto foi obtida a pressão sonora
equivalente para cada uma das oito bandas de oitava analisadas. Foi considerado que
44

o ruído médio em cada sala como sendo a média aritmética das medições obtidas em
cada um dos seis pontos.
Foi notado que os principais ruídos presentes nas salas eram provenientes de
pássaros, o trafego de veículos nas proximidades, aviões e de pessoas circulando nos
corredores de acesso.

4.4 LEVANTAMENTO DOS COEFICIENTES DE ABSORÇÃO SONORA

Foram tiradas as medidas das salas de aula analisadas, registrando a


geometria da sala, as dimensões de cada superfície e o material que a compunha, a
dimensão e posicionamento de móveis, portas, quadro negro e demais itens
presentes. Não foram, no entanto, considerados os objetos e superfícies com
dimensões muito pequenas, tais quais lâmpadas e rodapés.
Após as medições foram levantados os coeficientes de absorção sonora para
cada um dos materiais presentes nos recintos, os valores foram retirados de
bibliografias diversas e discriminados por faixas de frequência.
Para que a simulação seja corretamente realizada é necessária uma boa
precisão na definição dos materiais e seus parâmetros, coeficientes de absorção e
espalhamento. No processo de simulação foram testados diferentes coeficientes de
espalhamento e testados diferentes tipos de materiais, quando havia dúvida quanto a
definição exata deste, visando obter o menor erro relativo possível.

4.5 MODELAGEM E ANÁLISE NO SOFTEARE ODEON 11.0 COMBINED

Todas as salas de aula foram construídas em um ambiente virtual através do


software Sketchup, em sua versão gratuita. Na modelagem foram definidas camadas
para cada grupo de superfície do modelo (forro, piso, paredes laterais, janelas, etc).
Após montadas as salas foram exportadas para o Odeon 11.0.
No software Odeon foram definidos os materiais e coeficientes de absorção
acústica para cada superfície. O próprio software possui uma vasta biblioteca de
materiais e seus respectivos coeficientes, todos referenciados. Portanto
primeiramente procurou-se encontrar na biblioteca do software os materiais cuja
descrição melhor se encaixassem nos materiais dos recintos. Na ausência de um
45

material na biblioteca, foram consultadas bibliografias adicionais para a obtenção dos


coeficientes.
A modelagem das superfícies seguiu as orientações contidas no manual do
software:
 As geometrias foram simplificadas o máximo possível, por exemplo,
ao invés de desenhar várias mesas individualmente, foi feita apenas
uma única mesa e definido um coeficiente de transparência
equivalente a área vazia entre as mesas.
 Superfícies que continham vários materiais em sua composição, foram
definidas com uma única superfície e seu coeficiente de absorção
como sendo uma média ponderada dos coeficientes de absorção de
cada um dos materiais presentes.
 Os alunos presentes nas salas de aula foram simulados como sendo
blocos agrupados em linha, e definido um coeficiente de transparência
equivalente ao espaço vazio entre os mesmos. Tal recomendação foi
adaptada das recomendações utilizadas para simulação de plateias
em teatros.
 As janelas entreabertas foram simuladas como uma média ponderada
(em relação a área) do coeficiente de absorção de uma janela de vidro
simples, com o de uma superfície com 100% de absorção
representando a área aberta da janela.
Após a modelagem e definição dos materiais foi definida a posição das fontes
sonoras e dos receptores nas mesmas posições utilizadas nas medições. Foi também
inserido o valor do ruído de fundo medido em cada uma das salas, sem ponderação,
já que o próprio Odeon realiza a ponderação dos valores de ruído de fundo para o
cálculo do STI.
As salas em ambiente virtual foram simuladas em sua configuração atual e
nas salas de aula cujo o forro consiste em lâminas de PVC, foram feitas simulações
adicionais considerando uma hipotética substituição do PVC por placas acústicas
disponíveis comercialmente, com a finalidade de avaliar as mudanças
proporcionadas.
46

4.6 CÁLCULO ANALÍTICO

Os valores do STI foram calculados analiticamente utilizando os métodos de


Sabine, Eyring e Arau-Puchades, os quais foram descritos no capítulo anterior. Para
esses cálculos foram utilizados os mesmos coeficientes de absorção sonora utilizados
nas simulações computacionais bem como as mesmas áreas de superfície. Os
cálculos foram realizados por meio do software Odeon 11.0, o qual possui uma função
interna que permite obter o TR por esses métodos. Dessa forma todas as geometrias
e coeficientes de absorção são exatamente iguais para todos os métodos utilizados.

4.7 ANÁLISE ESTATÍSTICA

O objetivo da análise estatística foi de verificar quão bem os modelos


estudados para o cálculo do TR e STI, predizem os valores obtidos
experimentalmente.
Primeiramente foram analisadas as médias dos valores obtidos em cada
método e calculado o erro de cada valor calculado tendo como referência o valor
medido e verificado se o valor se encontra dentro das recomendações da literatura.
Para cada sala e método foi realizado o teste t de Student para comparação
das médias dos valores obtidos verificando a hipótese de que as médias obtidas são
iguais. A análise foi feita tanto para o TR quanto para o STI.
Após o primeiro estudo foi verificada dispersão dos resultados calculados e
medidos para o TR. Em uma correspondência perfeita é esperado que a dispersão
seja completamente linear e o coeficiente de inclinação da reta igual a um, isto é, que
cada para cada valor calculado obtenha-se exatamente o mesmo valor de TR medido
na mesma frequência, ou seja que f(x)=x.
47

FIGURA 11 -EXEMPLO DE UMA DISPERSÃO COM CORRESPONDÊNCIA


PERFEITA ENTRE OS VALORES MEDIDOS E CALCULADOS

FONTE: O autor (2019)

Considerando a dispersão dos resultados um modelo probabilístico linear, que


o valor esperado de Y (valor calculado) é uma função linear de X (valor medido), mas
que para um X fixo a variável Y difere de seu valor esperado de uma quantidade
aleatória, a equação da regressão linear pode ser determinada pelo método dos
mínimos múltiplos quadrados, (DEVORE, 2006).
Segundo Devore (2006), a estimativa dos mínimos quadrados do coeficiente
angular 𝑏1 da reta de regressão é:

∑(𝑥𝑖 − 𝑥̅ )(𝑦𝑖 − 𝑦̅)


𝑏1 = (6)
∑(𝑥𝑖 − 𝑥̅ )²

A estimativa dos mínimos múltiplos quadrados do termo constante da reta de


regressão, segundo o mesmo autor, é:

∑ 𝑦𝑖 − 𝑏1 ∑ 𝑥𝑖
𝑏0 = (7)
𝑛
48

A regressão linear encontrada para cada método de cálculo em cada sala foi
avaliada qualitativamente pelo coeficiente de correlação, representado por r² e dado
por:
𝑆𝑄𝐸
𝑟2 = 1 − (8)
𝑆𝑄𝑇

Onde:

𝑆𝑄𝑇 = ∑(𝑦𝑖 − 𝑦̅)2 (9)

SQE é a soma dos quadrados dos erros, e dado por:

𝑆𝑄𝐸 = ∑ 𝑦𝑖2 − 𝑏𝑜 ∑ 𝑦𝑖 − 𝑏1 ∑ 𝑥𝑖 𝑦𝑖 (10)

Segundo Devore (2006) o coeficiente r² é interpretado como a proporção da


variação de y observada que pode ser explicada pelo modelo de regressão linear
simples. Assim quanto mais alto for o valor de r², mais o modelo de regressão linear
simples consegue explicar a variação de y. Um r² de 0,97, por exemplo, significa que
97% das variações de y podem ser explicadas pelo modelo de regressão linear
aplicado.
Ainda segundo o mesmo autor, o r² pode ser avaliado qualitativamente da
seguinte maneira: se 0 ≤ 𝑟² ≤ 0,25 a correlação pode ser considerada fraca, se 0,64 ≤
𝑟² ≤ 1, a correlação é considerada forte e moderada caso contrário.
Para avaliar se os resultados obtidos podem ser considerados
estatisticamente iguais aos dados obtidos nas medições foi utilizado o teste este qui-
quadrado (𝜒²) de Pearson, o qual determina se um grupo de dados provem de uma
determinada distribuição de probabilidade de que qualquer observação particular
pertença a uma categoria i. O teste estatístico será uma medida da discrepância entre
os números observados nas categorias e os números esperados quando H 0 é
verdadeiro. Como a decisão será tomada pela comparação do valor calculado do teste
estatístico com o valor crítico da distribuição qui-quadrado, o procedimento é chamado
teste de aderência qui-quadrado (Devore, 2006).
49

O parâmetro 𝜒² tem aproximadamente uma distribuição qui-quadrado com 𝑘 −


1 graus de liberdade e é dado por:

(𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑜𝑏𝑠𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜 − 𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜)²


𝜒2 = (11)
𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜

Para o teste:
Hipótese nula: os valores observados e os esperados são iguais
Hipótese alternativa: ao menos um dos valores observados é diferente do
esperado
2
Região de rejeição: 𝜒 2 ≥ 𝜒𝛼,𝑘−1 .

4.8 SALAS DE AULA ANALISADAS

Foram estudadas um total de quatro salas de aula, ver Tabela 5, do campus


Centro Politécnico da UFPR.
As quatro salas estão localizadas no bloco de engenharia mecânica do centro
politécnico da UFPR. São elas as PG03, PG04, PG07 e PG15.

TABELA 5 - DIMENSÕES DAS SALAS DE AULA


SALA LARGURA (M) PROFUNDIDADE PÉ DIREITO (M) VOLUME
(M) APROX.(M3)
PG 03 7,45 11,3 4,07 322
PG 04 7,5 11,46 3,44 286
PG 07 10,12 11,24 3,16 - 4,10 396
PG 15 7,47 10,82 2,85 - 4,40 285
FONTE: O autor (2019)

A quantidade de absorção média em cada sala de aula para cada faixa de


frequência considerada está disposta na TABELA 6.
50

TABELA 6 - ÁREAS DE ABSORÇÃO PARA AS SALAS ESTUDADAS


125 Hz 250 Hz 1000 Hz 2000 Hz 4000 Hz 8000 Hz
Sala Área de absorção em m²
PG03 80,7 54,5 36,4 34,8 34,0 31,6
PG04 31,7 30,2 30,2 31,5 33,7 34,7
PG07 41,3 37,8 37,1 35,3 37,7 40,0
PG15 40,2 31,8 28,0 28,2 29,2 29,8
FONTE: O autor (2019)

5 RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1 CALIBRAGEM DO MODELO COMPUTACIONAL

Para a validação e calibração dos modelos computacionais foram utilizadas


as medições do tempo de reverberação realizadas nas salas de aulas PG03, PG04.
O objetivo da calibração foi o de definir os materiais que compunham a sala de aula e
seus coeficientes de absorção, estudar a melhor maneira de representar geometrias
complexas, a distribuição de mesas e cadeiras e janelas parcialmente abertas. Nessa
etapa foram testadas diferentes maneiras de representar as salas de aulas no
ambiente virtual procurando-se obter o valor mais próximo possível dos valores reais.
Para as PG03 e PG04 nenhum coeficiente de absorção foi modificado, foram
utilizados os valores contidos na biblioteca interna do software e na bibliografia
pesquisada.
Para que o resultado obtido fosse considerado válido para fins de engenharia,
o erro relativo entre as duas medidas deveria ser de até 10%, sendo uma diferença
de até 5% considerada ideal (Hodgson, 2001; Bistafa e Bradley, 1999; Astolfi et al.
2008). Nessas condições os resultados encontrados foram dentro do esperado, sendo
na média considerados ideais.
As considerações utilizadas nos modelos de calibração para representação
de geometrias, objetos e considerações acerca dos materiais foram consideradas nas
demais salas desse estudo.
51

5.2 SALAS DE AULA DO BLOCO DE ENGENHARIA MECÂNICA

As salas de aula PG03, PG04, PG07 e PG15 estão localizadas no bloco da


Engenharia Mecânica no Centro Politécnico da UFPR. Todas possuem forro composto
por placas laminadas de PVC, o qual substituiu o forro original das salas, composto
por placas acústicas perfuradas (Celotex M1). Abaixo os coeficientes de absorção de
ambos os materiais:

TABELA 7 - VALORES DE ABSORÇÃO DOS FORROS ANTIGO (CELOTEX M1) E


NOVO (PVC)
MATERIAL 125 HZ 250 HZ 500 HZ 1000 HZ 2000 HZ 4000 HZ 8000 HZ
Celotex M1 0,12 0,48 0,50 0,79 0,93 0,82 0,48
PVC 0,03 0,03 0,04 0,05 0,05 0,06 0,06
FONTE: Knudsen (1978) e Silva (2009)

A seguir os resultados das medições e simulações realizadas nesse bloco.

5.2.1 Sala PG03

A sala PG03 tem um volume de 294 m³, projetada no formato de anfiteatro,


possui capacidade para 50 alunos, possui desde 2008 forro de piso de parquets de
madeira, janelas de vidro e localiza-se no andar térreo do bloco de engenharia
mecânica.

5.2.1.1 PG03 – Tempo de reverberação

Os valores obtidos para o tempo de reverberação com a sala de aula para


cada um dos métodos nessa sala foram os seguintes:
52

TABELA 8 - PG03 VAZIA E FORRO DE PVC


TR [s]
Frequência [Hz] 125 250 500 1000 2000 4000 Média
Medido 0,84 0,92 1,03 1,23 1,19 1,07 1,05
Odeon 11.0 0,61 0,81 1,18 1,21 1,19 1,16 1,03
Sabine 0,65 0,96 1,43 1,47 1,43 1,36 1,22
Eyring 0,59 0,91 1,37 1,42 1,38 1,33 1,17
Arau-Puchades 0,61 0,93 1,41 1,46 1,41 1,36 1,20
FONTE: O Autor (2019)

Quando realizamos os cálculos substituindo o material do forro atual por


placas acústicas, os resultados são os que seguem:

TABELA 9 - PG03 VAZIA E FORRO DE PLACAS ACÚSTICAS


TR [s]
Frequência [Hz] 125 250 500 1000 2000 4000 Média
Odeon 11.0 0,41 0,46 0,59 0,55 0,56 0,53 0,52
Sabine 0,37 0,41 0,55 0,47 0,48 0,47 0,46
Eyring 0,31 0,35 0,49 0,42 0,43 0,42 0,40
Arau-Puchades 0,35 0,44 0,68 0,63 0,69 0,69 0,58
FONTE: O Autor (2019)

Quando comparados com os valores medidos com os calculados, o método


que obteve a melhor convergência foi a simulação computacional no software Odeon
com uma diferença média absoluta de 11%. Dentre os métodos analíticos Eyring
obteve uma diferença média de 20%, enquanto Sabine e Arau-Puchades obtiveram,
ambos, uma diferença de 22%.
53

TABELA 10 - DIFERENÇA ENTRE OS RESULTADOS MEDIDOS E CALCULADOS


NA PG03
Média
125 Hz 250 Hz 500 Hz 1000 Hz 2000 Hz 4000 Hz Média
absoluta
Odeon 11.0 27% 12% -15% 2% 0% -8% 3% 11%
Sabine 23% -4% -39% -20% -20% -27% -15% 22%
Eyring 30% 1% -33% -15% -16% -24% -10% 20%
Arau-
27% -1% -37% -19% -18% -27% -12% 22%
Puchades
FONTE: O Autor (2019)

O tempo de reverberação apresentou uma significativa melhora ao realizar a


substituição do forro atual pelo de placas acústicas. Comparando os valores medidos,
com os obtidos na simulação computacional com forro acústico, a redução média no
TR foi de 50%.

TABELA 11 – PG03 COMPARAÇÃO DOS VALORES COM FORRO DE PVC E


ACÚSTICO
Frequência [Hz] 125 250 500 1000 2000 4000 Média
Medição (forro PVC) 0,84 0,92 1,03 1,23 1,19 1,07 1,05
Simulação (Forro acústico) 0,41 0,46 0,59 0,55 0,56 0,53 0,52
Diferença 51% 50% 43% 55% 53% 50% 50%
FONTE: O Autor (2019)

5.2.1.2 PG03 - STI

O STI da sala de aula foi medido sem ocupação, exceto pela presença do
professor orientador e quatro alunos. Os resultados obtidos nas medições em seus
respectivos pontos são apresentados no croqui abaixo:
54

FIGURA 12 - STI MEDIDO NA SALA PG03

FONTE: O autor (2019)

Os valores do STI medido diminuem a medida que a distância para a fonte


sonora aumenta, variando de 0,64 a 0,53.
A sala de aula foi simulada no Odeon para o cálculo do STI. A diferença
relativa média entre os valores simulados e os medidos foi de 3,7%. A simulação do
STI com o teto acústico mostrou grande melhora dos valores do STI, os valores
obtidos nas posições ocupadas pelos estudantes variaram de um máximo de 0,75 a
um mínimo de 0,64. Nota-se que o valor mínimo na simulação com o forro acústico é
igual ao valor máximo obtido na medição com a configuração atual da sala.
As imagens abaixo ilustram a distribuição dos valores de STI obtidos nos dois
casos:
55

FIGURA 13 – STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG 03 COM FORRO DE PVC

FONTE: O autor (2019)

FIGURA 14 - STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG 03 COM FORRO ACÚSTICO

FONTE: O autor (2019)

5.2.2 Sala PG04

A sala PG04 localiza-se no andar térreo do bloco de engenharia mecânica do


Centro Politécnico da UFPR, possui 286 m³ de volume e capacidade para 60 alunos.
Seu forro atual é de placas de PVC, possui janelas em uma das paredes laterais,
paredes de alvenaria e piso de parquet.
56

5.2.2.1 PG04 – Tempo de Reverberação

Os valores obtidos para o tempo de reverberação com a sala de aula, na


medição e nos diferentes métodos teóricos foram os que seguem:

TABELA 12- PG04 VAZIA E FORRO DE PVC


TR [s]
Frequência [Hz] 125 250 500 1000 2000 4000 Média
Medido 1,27 1,27 1,50 1,50 1,46 1,38 1,40
Odeon 11.0 1,24 1,36 1,49 1,44 1,31 1,17 1,34
Sabine 1,46 1,53 1,53 1,44 1,29 1,14 1,40
Eyring 1,40 1,47 1,47 1,38 1,24 1,10 1,34
Arau-Puchades 1,72 1,78 1,76 1,60 1,40 1,23 1,58
FONTE: O Autor (2019)

A modelagem computacional da sala de aula PG04 considerando o forro


acústico obteve os seguintes resultados:

TABELA 13 - PG04 VAZIA E FORRO DE PLACAS ACÚSTICAS


TR [s]
Frequência [Hz] 125 250 500 1000 2000 4000 Média
Odeon 11.0 0,98 0,66 0,70 0,58 0,53 0,52 0,98
Sabine 1,17 0,68 0,67 0,49 0,43 0,45 1,17
Eyring 1,10 0,62 0,61 0,43 0,36 0,39 1,10
Arau-Puchades 1,24 0,72 0,74 0,54 0,44 0,46 1,24
FONTE: O Autor (2019)

Dentre os métodos analisados, aquele cujo resultado melhor descreveu os


valores obtidos através da medição foi o do Odeon 11.0, com um erro médio absoluto
de 7%. Dentre os métodos analíticos Sabine e Eyring obtiveram ambos um erro médio
absoluto de 12%, enquanto Arau-Puchades obteve 19%. Analisando o valor médio do
tempo de reverberação, o método de Sabine obteve precisamente o mesmo valor,
enquanto por Eyring o valor foi de 0,06 s menor que o medido.
57

TABELA 14 - DIFERENÇA ENTRE OS RESULTADOS MEDIDOS E CALCULADOS


NA PG04
Média
125 Hz 250 Hz 500 Hz 1000 Hz 2000 Hz 4000 Hz Média
absoluta
Odeon 11.0 2% -7% 1% 4% 10% 15% 4% 7%
Sabine -15% -20% -2% 4% 12% 17% 0% 12%
Eyring -10% -16% 2% 8% 15% 20% 4% 12%
Arau-
-35% -40% -17% -7% 4% 11% -13% 19%
Puchades
FONTE: O Autor (2019)

Quando realizamos os cálculos substituindo o material do forro atual por


placas acústicas a diminuição do TR é bastante significativa, em média 30%. As
maiores diferenças ocorrem nas faixas de frequência entre 1000Hz e 4000Hz, onde a
redução do TR é superior a 60%.

TABELA 15 – PG04 COMPARAÇÃO DOS VALORES COM FORRO DE PVC E


ACÚSTICO
Frequência [Hz] 125 250 500 1000 2000 4000 Média
Medição (forro PVC) 1,27 1,27 1,5 1,5 1,46 1,38 1,4
Simulação (Forro acústico) 0,98 0,66 0,7 0,58 0,53 0,52 0,98
Diferença 23% 48% 53% 61% 64% 62% 30%
FONTE: O Autor (2019)

5.2.2.2 PG04 - STI

O STI da sala de aula foi medido sem ocupação, exceto pela presença do
professor orientador e quatro alunos. Os resultados obtidos nas medições em seus
respectivos pontos são apresentados no croqui abaixo:
58

FIGURA 15 - STI MEDIDO NA SALA PG04

FONTE: O autor (2019)

O STI medido variou de 0,62 até 0, 47, ficando longe dos valores considerados
ideais, assim a sala não pode ser considerada como boa. A média da sala ficou em
0,55, sendo considerado como razoável pela ISO 9921:2003.
Em modelagem no Odeon foi comparado os valores de STI considerando a
configuração atual da sala e a configuração com o teto acústico. Os resultados obtidos
são ilustrados nas figuras a seguir:
59

FIGURA 16 - FIGURA 12 – STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG04 COM FORRO


DE PVC

FONTE: O autor (2019)

FIGURA 17 - STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG04 COM FORRO ACÚSTICO

FONTE: O autor (2019)

Nas simulações o STI médio para a configuração atual foi de 0,53, enquanto
para a configuração com teto acústico foi de 0,63, sendo nesse caso classificado com
60

bom segundo a norma supracitada. Pode-se concluir que a mudança de teto foi
prejudicial à sala.

5.2.3 PG07

A sala PG07 localiza-se no piso térreo do bloco de exatas do centro


politécnico. Com capacidade para 60 alunos possui como característica marcante a
presença de colunas e de janelas em ambas as laterais, seus métodos construtivos
incluem paredes de alvenaria, pisos de parquets de madeira, carteiras e cadeiras de
fornica, forro de PVC.

5.2.3.1 PG07 – Tempo de Reverberação

As medições realizadas e os resultados encontrados através de diferentes


métodos, para o TR, estão sumarizados na tabela abaixo:

TABELA 16 - PG07 VAZIA E FORRO DE PVC


TR [s]
Frequência [Hz] 125 250 500 1000 2000 4000 Média
Medido 1,35 1,45 1,76 1,82 1,61 1,45 1,57
Odeon 11.0 1,41 1,63 1,75 1,79 1,61 1,35 1,59
Sabine 1,55 1,69 1,72 1,77 1,57 1,33 1,61
Eyring 1,48 1,62 1,65 1,70 1,51 1,28 1,54
Arau-Puchades 1,94 2,05 2,03 1,97 1,66 1,38 1,84
FONTE: O Autor (2019)

Quando realizamos os cálculos substituindo o material do forro atual por


placas acústicas, os resultados são os que seguem:
61

TABELA 17 - PG07 VAZIA E FORRO DE PLACAS ACÚSTICAS


TR [s]
Frequência [Hz] 125 250 500 1000 2000 4000 Média
Odeon 11.0 1,18 0,88 0,92 0,78 0,68 0,68 0,85
Sabine 1,31 0,89 0,88 0,69 0,60 0,60 0,83
Eyring 1,24 0,81 0,81 0,62 0,53 0,55 0,76
Arau-Puchades 1,51 0,98 1,02 0,78 0,64 0,64 0,93
FONTE: O Autor (2019)

O método cujos resultados mais aproximaram-se dos encontrados foi a


simulação no Odeon 11.0, com uma diferença média absoluta de 4%. Dentre os
métodos analíticos Sabine obteve uma diferença média de 8%, seguido de Eyring com
9% de diferença. Arau-Puchades teve uma divergência média de 19%.

TABELA 18 - DIFERENÇA ENTRE OS RESULTADOS MEDIDOS E CALCULADOS


NA PG07
Média
125 Hz 250 Hz 500 Hz 1000 Hz 2000 Hz 4000 Hz Média
absoluta
Odeon 11.0 -4% -12% 1% 2% 0% 7% -1% 4%
Sabine -15% -17% 2% 3% 2% 8% -2% 8%
Eyring -10% -12% 6% 7% 6% 12% 2% 9%
Arau-
-44% -41% -15% -8% -3% 5% -17%
Puchades 19%
FONTE: O Autor (2019)

A substituição do forro por placas acústicas semelhantes ás originais teria um


impacto significativo do TR, segundo as simulações. A redução média seria de 46%,
chegando a 58% para frequências na faixa de 2000Hz.

TABELA 19 – PG07 COMPARAÇÃO DOS VALORES COM FORRO DE PVC E


ACÚSTICO
Frequência [Hz] 125 250 500 1000 2000 4000 Média
Medição (forro PVC) 1,35 1,45 1,76 1,82 1,61 1,45 1,57
Simulação (Forro acústico) 1,18 0,88 0,92 0,78 0,68 0,68 0,85
Diferença 13% 39% 48% 57% 58% 53% 46%
FONTE: O Autor (2019)
62

FIGURA 18 - STI MEDIDO NA SALA PG07

FONTE: O autor (2019)

FIGURA 19 – STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG07 COM FORRO DE PVC

FONTE: O autor (2019)


63

FIGURA 20 - STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG07 COM FORRO ACÚSTICO

FONTE: O autor (2019)

5.2.4 Sala PG15

A sala PG15 é dentre as analisadas a única que se situa no primeiro andar do


bloco PG do centro politécnico. A sala possui um forro inclinado, onde o pé direito
menor, junto às janelas, é de 2,85 metros e o maior é de 4,40 metros. O volume total
da sala é de 285 m³.

5.2.4.1 PG15 – Tempo de Reverberação

Os valores de TR obtidos nessa sala de aula são apresentados nas tabelas


abaixo.
64

TABELA 20 - PG015 VAZIA E FORRO DE PVC


TR [s]
Frequência [Hz] 125 250 500 1000 2000 4000 Média
Medido 1,04 1,26 1,40 1,66 1,60 1,39 1,39
Odeon 11.0 1,02 1,35 1,52 1,68 1,58 1,39 1,42
Sabine 1,15 1,45 1,64 1,60 1,47 1,29 1,43
Eyring 1,09 1,40 1,59 1,55 1,43 1,25 1,39
Arau-Puchades 1,32 1,67 1,84 1,76 1,59 1,37 1,59
FONTE: O Autor (2019)

Quando realizamos os cálculos substituindo o material do forro atual por


placas acústicas, os resultados são os que seguem:

TABELA 21 - PG015 VAZIA E FORRO DE PLACAS ACÚSTICAS


TR [s]
Frequência [Hz] 125 250 500 1000 2000 4000 Média
Odeon 11.0 0,89 0,78 0,87 0,70 0,62 0,63 0,75
Sabine 1,08 0,70 0,72 0,52 0,45 0,47 0,66
Eyring 1,14 0,72 0,78 0,55 0,46 0,49 0,69
Arau-Puchades 0,89 0,78 0,87 0,70 0,62 0,63 0,75
FONTE: O Autor (2019)

O modelo que melhor descreveu os resultados das medições foi o da


simulação computacional pelo software Odeon. Dentre os analíticos Eyring obteve os
melhores resultados, com uma diferença média de 9%, seguido de perto por Sabine
que obteve uma diferença média de 10%. Arau-Puchades obteve um erro médio
absoluto de 16%.
65

TABELA 22 - DIFERENÇA ENTRE OS RESULTADOS MEDIDOS E CALCULADOS


NA PG015
Média
125 Hz 250 Hz 500 Hz 1000 Hz 2000 Hz 4000 Hz Média
absoluta
Odeon 11.0 2% -7% -9% -1% 1% 0% -2% 3%
Sabine -11% -15% -17% 4% 8% 7% -3% 10%
Eyring -5% -11% -14% 7% 11% 10% 0% 9%
Arau-
-27% -33% -31% -6% 1% 1% -14%
Puchades 16%
FONTE: O Autor (2019)

TABELA 23 – PG015 COMPARAÇÃO DOS VALORES COM FORRO DE PVC E


ACÚSTICO
Frequência [Hz] 125 250 500 1000 2000 4000 Média
Medição (forro PVC) 1,04 1,26 1,4 1,66 1,6 1,39 1,39
Simulação (Forro acústico) 0,89 0,78 0,87 0,7 0,62 0,63 0,75
Diferença 14% 38% 38% 58% 61% 55% 46%
FONTE: O Autor (2019)

FIGURA 21 - STI MEDIDO NA SALA PG15

FONTE: O autor (2019)


66

FIGURA 22 – STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG15 COM FORRO DE PVC

FONTE: O autor (2019)

FIGURA 23 - STI OBTIDOS NO ODEON PARA PG15 COM FORRO ACÚSTICO

FONTE: O autor (2019)


67

5.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS

5.3.1 Tempo de Reverberação

Após comparação dos resultados obtidos através das medições do TR com


aquele calculado pelos modelos teóricos, podemos resumir o erro médio absoluto (a
média do valor absoluto do erro em cara faixa de frequência) de cada um dos métodos
na TABELA 24:

TABELA 24 - ERRO MÉDIO DE CADA MÉTODO EM RELAÇÃO AOS VALORES


MEDIDOS
PG03 PG04 PG07 PG15 Média
Odeon 11% 7% 4% 3% 6,3%
Sabine 22% 12% 8% 10% 13,0%
Eyring 20% 12% 9% 9% 12,5%
Arau-Puchades 22% 19% 19% 16% 19,0%
FONTE: O autor (2019)

Bistafa e Bredlay (2000), bem como Hodgson (1996) classificaram que um


erro relativo para valores de TR a nível de engenharia seria de até 10%. Nesse
contexto a sala PG03 obteve valor médio de erro superior ao recomendado, nos
resultados obtidos no Odeon 11.0. Destaca-se, porém, que no caso da PG03 o valor
médio do erro foi de apenas 1% acima dessa recomendação. Dentre os métodos
analíticos, nenhum dos métodos obteve erro inferior a 10%, e não poderiam ser,
portanto, adequados a avaliações para fins de engenharia, segundo os mesmos
autores.
Dentre os métodos analíticos, Eyring foi ligeiramente superior a Sabine,
enquanto Arau-Puchades teve erro médio de 19%. Caso eliminemos a PG03 da
análise, Sabine e Eyring teriam ambos erros médios de 10%.
68

5.3.1.1 Análise da média

Para verificar se os valores médios obtidos pelos diferentes métodos e os


valores medidos possuem o mesmo valor médio de TR, realizamos o teste T de
Student com significância de 95%, considerando as seguintes hipóteses:

 H₀: μ₁ - µ₂ = 0
 H₁: μ₁ - µ₂ ≠ 0

Os cálculos foram realizados através do software estatístico Minitab 19.0.

5.3.1.1.1 PG03

A seguir os valores relativos ao teste T para duas frequências na PG03.

TABELA 25 – ESTATÍSTICAS PARA OS VALORES MEDIDOS DE TR NA PG03


Estatísticas descritivas – Valores medidos
Média Desvio padrão Amostras
1,047 0,151 6
FONTE: O autor (2019)

TABELA 26 - ESTATÍSTICAS E TESTE DE HIPÓTESES PARA OS VALORES DE TR


CALCULADOS NA PG03
Estimativa da diferença em
Estatísticas descritivas
relação aos valores medidos
Desvio Diferença IC de 95% para Hipótese
Método Média Amostras
Padrão das médias a diferença aceita
Odeon 1,027 0,254 6 0,020 (-0,258; 0,298) H₀: μ₁ - µ₂ = 0

Sabine 1,217 0,335 6 -0,170 (-0,537; 0,197) H₀: μ₁ - µ₂ = 0

Eyring 1,167 0,339 6 -0,120 (-0,491; 0,251) H₀: μ₁ - µ₂ = 0


Arau-
1,197 0,347 6 -0,150 (-0,528; 0,228) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Puchades
FONTE: O autor (2019)
69

FIGURA 24 - BOXPLOT DOS VALORES DE TR NA PG03

FONTE: O autor (2019)

Verificamos que segundo o teste T, nenhum dos métodos obteve média


significativamente diferente da média dos valores medidos.

5.3.1.1.2 PG04

Para a PG04 temos os seguintes resultados:

TABELA 27 - ESTATÍSTICAS PARA OS VALORES MEDIDOS DE TR NA PG04


Estatísticas descritivas
Média Desvio padrão Amostras
1,397 0,107 6
FONTE: O autor(2019)
70

TABELA 28 - ESTATÍSTICAS E TESTE DE HIPÓTESES PARA OS VALORES DE TR


CALCULADOS NA PG04
Estimativa da diferença em
Estatísticas descritivas
relação aos valores medidos
Desvio Diferença IC de 95% para Hipótese
Método Média Amostras
Padrão das médias a diferença aceita
Odeon 1,335 0,120 6 0,062 (-0,087; 0,211) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Sabine 1,398 0,154 6 -0,002 (-0,178; 0,175) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Eyring 1,343 0,146 6 0,053 (-0,114; 0,221) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Arau-
1,582 0,222 6 -0,185 (-0,423; 0,053) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Puchades
FONTE: O autor(2019)

FIGURA 25 - BOXPLOT DOS VALORES DE TR NA PG04

FONTE: O autor (2019)

Através do teste estatístico pode-se concluir que nenhuma das médias


calculadas para a PG04 possui valor significativamente diferente daquele obtido
através de medições. No entanto, é possível observar através do diagrama boxplot
71

que o método de Arau-Puchades foi o que obteve valores com maior divergência para
os medidos.

5.3.1.1.3 PG07

O teste T para a PG07 resultou nos seguintes valores:

TABELA 29 - ESTATÍSTICAS PARA OS VALORES MEDIDOS DE TR NA PG07


Estatísticas descritivas
Média Desvio padrão Amostras
1,573 0,188 6
FONTE: O autor (2019)

TABELA 30 - ESTATÍSTICAS E TESTE DE HIPÓTESES PARA OS VALORES DE TR


CALCULADOS NA PG07
Estimativa da diferença em
Estatísticas descritivas
relação aos valores medidos
Desvio Diferença IC de 95% para Hipótese
Método Média Amostras
Padrão das médias a diferença aceita
Odeon 1,590 0,178 6 -0,017 (-0,256; 0,222) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Sabine 1,605 0,160 6 -0,032 (-0,260; 0,196) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Eyring 1,540 0,152 6 0,033 (-0,190; 0,257) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Arau-
1,838 0,265 6 -0,265 (-0,565; 0,035) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Puchades
FONTE: O autor (2019)
72

FIGURA 26 - FIGURA 25 - BOXPLOT DOS VALORES DE TR NA PG07

FONTE: O autor (2019)

Para PG07, nenhum método apresentou média significativamente diferente


dos valores medidos. O Odeon foi o método que obteve menor diferença entre médias,
enquanto Arau-Puchades foi o que obteve a maior diferença.

5.3.1.1.4 PG15

Na PG15 os resultados obtidos estão apresentados nas tabelas que seguem.

TABELA 31 - ESTATÍSTICAS PARA OS VALORES MEDIDOS DE TR NA PG15


Estatísticas descritivas
Média Desvio padrão Amostras
1,392 0,226 6
FONTE: O autor (2019)
73

TABELA 32 - ESTATÍSTICAS E TESTE DE HIPÓTESES PARA OS VALORES DE TR


CALCULADOS NA PG15
Estimativa da diferença em
Estatísticas descritivas
relação aos valores medidos
Desvio Diferença IC de 95% para Hipótese
Método Média Amostras
Padrão das médias a diferença aceita
Odeon 1,423 0,232 6 -0,032 (-0,331; 0,268) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Sabine 1,433 0,186 6 -0,042 (-0,312; 0,229) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Eyring 1,385 0,188 6 0,007 (-0,265; 0,279) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Arau-
1,592 0,209 6 -0,200 (-0,485; 0,085) H₀: μ₁ - µ₂ = 0
Puchades
FONTE: O autor (2019)

FIGURA 27 - FIGURA 25 - BOXPLOT DOS VALORES DE TR NA PG15

FONTE: O autor (2019)

Assim como nas demais salas, na PG15 não foi possível concluir que existe
diferença significativa na média dos valores calculados para os valores medidos.
Assim como nas demais salas os valores obtidos pelas simulações numéricas no
Odeon foram os que obtiveram as médias mais próximas das médias medidas, já
Arau-Puchades foi o que obteve maior diferença da média.
74

5.3.1.1.5 Correlação

Para avaliar o ajustamento dos modelos teóricos em relação aos valores


medidos utilizamos o coeficiente de determinação (R²), para isso plotamos um
diagrama de dispersão onde o eixo x corresponde aos valores medidos e o eixo y para
os valores calculados, realizamos em seguida a regressão linear para cada um dos
modelos e o cálculo de R².
Os gráficos de dispersão e regressão linear para cada uma das salas são
apresentados nas figuras abaixo.

FIGURA 28 - DISPERSÃO DOS VALORES DE TR NA PG03

FONTE: O autor (2019)


75

FIGURA 29 - DISPERSÃO DOS VALORES DE TR NA PG04

FONTE: O autor (2019)

FIGURA 30 - DISPERSÃO DOS VALORES DE TR NA PG07

FONTE: O autor (2019)


76

FIGURA 31 - DISPERSÃO DOS VALORES DE TR NA PG15

FONTE: O autor (2019)

As propriedades das retas encontradas em cada um dos gráficos de dispersão


são sumarizadas na TABELA 33.

TABELA 33 - PROPRIEDADES DA REGRESSÃO LINEAR DOS VALORES DE TR


CALCULADOS
Odeon Sabine Eyring Arau Puchades
PG03 Inclinação da reta 0,53 0,40 0,40 0,39
r² 0,80 0,80 0,80 0,80
PG04 Inclinação da reta 0,51 -0,08 -0,08 -0,11
r² 0,33 0,01 0,01 0,05
PG07 Inclinação da reta 0,92 0,76 0,81 0,20
r² 0,75 0,41 0,43 0,08
PG15 Inclinação da reta 0,94 0,88 0,89 0,60
r² 0,93 0,52 0,55 0,31
FONTE: O autor (2019)

Qualitativamente podemos avaliar o coeficiente r² seguindo os parâmetros


sugeridos por Devore (2006), segundo o autor o r² pode ser considerado da seguinte
77

maneira: se 0 ≤ 𝑟² ≤ 0,25 a correlação pode ser considerada fraca, se 0,64 ≤ 𝑟² ≤ 1,


a correlação é considerada forte e moderada caso contrário.

TABELA 34 - ANÁLISE QUALITATIVA DOS VALORES DE R²


Odeon Sabine Eyring Arau-Puchades
PG03 Forte Forte Forte Forte
PG04 Moderado Fraco Fraco Fraco
PG07 Forte Moderado Moderado Fraco
PG15 Forte Moderado Moderado Fraco
FONTE: O autor (2019)

Tanto para o r² quanto para a inclinação da reta, quando mais próximo de 1


melhor é o modelo estatístico, um r² igual a 1 significa que 100% dos resultados
previstos podem ser explicados pela regressão linear, enquanto uma inclinação igual
a 1 significa que os valores da regressão coincidem perfeitamente com os valores de
referência.
De maneira geral tanto em termos de inclinação quanto em termos de R² os
valores calculados pelo Odeon 11.0 mostraram-se os mais precisos em todas as
salas, com exceção da PG03, onde r² foi idêntico para todos os métodos. Dentre os
métodos analíticos o de Eyring mostrou-se ligeiramente superior ao de Sabine para a
PG07 e PG15, sendo que nas demais salas obteve resultados idênticos. O método de
Arau-Puchades foi inferior aos demais métodos em todas as salas analisadas em
ambos os parâmetros.

5.3.1.1.6 Teste χ²

Com a finalidade de verificar se existe diferença significativa entre os valores


calculados e os medidos (previstos) realizamos o teste χ² de Person o qual avalia a
probabilidade de qualquer diferença entre valores previstos e observados aconteça
ao acaso.
Os testes foram realizados considerando um nível de significância de 95%,
tendo as seguintes hipóteses em teste:
 H0: Os valores calculados são iguais aos medidos
 H1: Pelo menos um valor calculado difere do medido
78

Os resultados obtidos estão sumarizados na TABELA 35.

TABELA 35 - VALORES DE Χ² E TESTE DE HIPÓTESES PARA CADA MÉTODO E


SADA
Sala Valores comparados Estatística χ² χ²0,05:5 Conclusão
Medido x Odeon 0,10
Medido x Sabine 0,37
PG03
Medido x Eyring 0,30
Medido x Arau-P. 0,30
Medido x Odeon 0,05
Medido x Sabine 0,14
PG04
Medido x Eyring 0,14
Medido x Arau-P. 0,43 11,1 Aceita-se
Medido x Odeon 0,03 H0
Medido x Sabine 0,08
PG07
Medido x Eyring 0,07
Medido x Arau-P. 0,56
Medido x Odeon 0,02
Medido x Sabine 0,10
PG15
Medido x Eyring 0,08
Medido x Arau-P. 0,35
FONTE: O autor (2019)

O teste de hipótese demonstra que ao nível de significância de 95% não é


possível concluir que os valores calculados sejam diferentes daqueles obtidos em
medições.
Em uma análise nos valores calculados de χ² é possível verificar o Odeon
obteve valores visivelmente bastante inferiores aos demais métodos, indicando
melhor ajuste aos valores previstos que os demais métodos. Tal verificação corrobora
com os resultados observados nas demais estatísticas analisadas anteriormente.
79

5.3.2 STI

Para os valores de STI o modelo computacional mostrou-se extremamente


preciso, segundo a avaliação do erro médio de cada medição.

TABELA 36 - ERRO MÉDIO ENTRE O VALOR MEDIDO E O OBTIDO NAS


SIMULAÇÕES DO ODEON 11.0
PG03 PG04 PG07 PG15 Média
Erro médio
4% 3% 2% 1% 3%
do STI
FONTE: O autor (2019)

Em todos os casos o erro obtido foi inferior a 5%, atestando a eficiência e


acurácia do modelo.

5.3.2.1 Análise da média

Para análise da média analisamos os valores de STI calculados para para


ponto e os valores medidos para os respectivos pontos. Através do teste T de Student
para duas amostras, testamos as seguintes hipóteses, com 95% de confiança:

 H₀: μ₁ - µ₂ = 0
 H₁: μ₁ - µ₂ ≠ 0

5.3.2.1.1 PG03

Para a PG03 o teste T sobre os valores calculados e os medidos de STI


obtiveram os seguintes resultados:

TABELA 37 - RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO TESTE T NOS VALORES DE STI


NA PG03
Descritores estatísticos
Amostra Observações Média Desvio Padrão
STI medido 14 0,58 0,032
STI simulado 14 0,56 0,023
Estimativa da diferença
Diferença IC de 95% para a diferença
80

0,0214 (-0,0005; 0,0433)


Teste
Valor-T GL Valor-p
2,02 23 0,055
Conclusão: Aceita-se a hipótese nula, H0
FONTE: O autor (2019)

Para a PG03, portanto pode-se concluir que a média dos valores medidos e
simulados é a mesma para um grau de significância de 95%.

FIGURA 32 - BOXPLOT DOS VALORES DE STI NA PG03

FONTE: O autor (2019)

5.3.2.1.2 PG04

A aplicação do teste T nos valores de STI da PG04 obteve os valores


tabelados na TABELA38.
81

TABELA 38 - RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO TESTE T NOS VALORES DE STI


NA PG04
Descritores estatísticos
Amostra Observações Média Desvio Padrão
STI medido 17 0,5547 0,0394
STI simulado 17 0,5341 0,0328
Estimativa da diferença
Diferença IC de 95% para a diferença
0,0206 (-0,0048; 0,0460)
Teste
Valor-T GL Valor-p
1,66 30 0,108
Conclusão: Aceita-se a hipótese nula, H0
FONTE: O autor (2019)

Dessa forma é possível afirmar com um índice de confiança de 95% que não
há diferença significativa entre os valores médios de STI calculados e medidos.

FIGURA 33 - BOXPLOT DOS VALORES DE STI NA PG04

FONTE: O autor (2019)


82

5.3.2.1.3 PG07

Os valores da TABELA 39 sumarizam os resultados do teste de hipótese


aplicado à PG07.

TABELA 39 - RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO TESTE T NOS VALORES DE STI


NA PG07
Descritores estatísticos
Amostra Observações Média Desvio Padrão
STI medido 16 0,4294 0,015
STI simulado 16 0,4387 0,012
Estimativa da diferença
Diferença IC de 95% para a diferença
-0,009 (-0,049; 0,030)
Teste
Valor-T GL Valor-p
-0,49 28 0,631
Conclusão: aceita-se a hipótese nula, H0
FONTE: O autor (2019)

Podemos afirmar que a média dos valores simulados são estatisticamente


iguais a média dos valores de STI medidos na PG04.
83

FIGURA 34 - BOXPLOT DOS VALORES DE STI NA PG07

FONTE: O autor (2019)

TABELA 40 - RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO TESTE T NOS VALORES DE STI


NA PG015
Descritores estatísticos
Amostra Observações Média Desvio Padrão
STI medido 20 0,480 0,0051
STI simulado 20 0,473 0,0033
Estimativa da diferença
Diferença IC de 95% para a diferença
0,007 (-0,0053; 0,0193)
Teste
Valor-T GL Valor-p
1,16 32 0,254
Conclusão: aceita-se a hipótese nula, H0
FONTE: O autor (2019)

Os resultados demonstram que, assim como para as demais salas, não existe
diferença significativa entre as médias dos valores medidos e os obtidos em simulação
numérica.
84

FIGURA 35 - BOXPLOT DOS VALORES DE STI NA PG15

FONTE: O autor (2019)

5.3.2.2 Teste χ²

Para avaliar se cada valor simulado pode ser considerado igual a seu valor
correspondente medido, realizamos o teste χ² considerando um nível de significância
de 95% e as seguintes hipóteses:
 H0: Os valores calculados são iguais aos medidos
 H1: Pelo menos um valor calculado difere do medido

TABELA 41 - RESULTADO DO TESTE Χ² EM CADA UMA DAS SALAS


Sala G.L Estatística χ² χ²0,05,gl Hipótese aceita
PG03 14 0,033 23,7 H0
PG04 17 0,047 27,6 H0
PG07 16 0,023 26,3 H0
PG15 20 0,010 31,4 H0
FONTE: O autor (2019)
85

Pode-se concluir que em para todas as salas não existe divergência entre os
valores medidos e os simulados. Os valores de χ² são para todos s casos
extremamente baixos quando comparados com o valor crítico, indicando uma
excelente correspondência do modelo computacional com os valores reais de STI.

5.3.3 Adequações Normativas

A seguir analisaremos as normas técnicas brasileiras e internacionais que


regem as recomendações para o TR e STI em ambientes de ensino.

5.3.3.1 Tempo de reverberação

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) utiliza os valores de


tempos de reverberação ótimos da NBR 12179, determinados experimentalmente, por
Beranek e Newman em função do volume do ambiente e do seu uso. A figura a seguir
considera o tempo de reverberação para a frequência de 500 Hz.

FIGURA 36 – TEMPO DE REVERBERAÇÃO IDEAL EM FUNÇÃO DO USO E


VOLUME DO RECINTO, SEGUNDO A NBR12179

FONTE: NBR12179
86

Países como Japão, Alemanha, Estados Unidos da América, Portugal e


França, possuem normas técnicas específicas para a avaliação do tempo de
reverberação em salas de aula. Os parâmetros dessas normas são descritos por
Zannin et al. (2010) e resumidos a seguir.
 No Japão o TR deve ser medido em duas bandas de oitava, 500 Hz e
1000 Hz, com as salas de aula desocupadas e mobiliadas.
 Nos Estado Unidos o RT utilizado é especificado pelo valor máximo
entre as frequências de 500 Hz, 1000 Hz e 2000 Hz, medidos com a
sala de aula desocupada e mobiliada.
 Na Alemanha a DIN 18041 (2004) estabelece que o TR representa o
valor médio das bandas de oitava de 500 Hz e 1000 Hz, a ser medido
com a sala de aula desocupada e mobiliada.
 Na França o TR deve ser calculado a partir de uma média aritmética
dos valores encontrados para as frequências de 500 Hz, 1000 Hz e
2000 Hz, a ser obtido com as salas de aula desocupadas e mobiliadas.
 Em Portugal é estabelecido um TR alvo para duas faixas de frequência
diferentes: 1) 125 Hz ≤ f ≤ 250 Hz e 2) 500 Hz ≤ f ≤ 4000 Hz.
 Na Malásia, o tempo de reverberação em salas de aula deve estar entre
0,6 e 0,7 segundo em todas as faixas de frequência (ABDULLAH,
ISMAIL, et al., 2018).
 A Organização Mundial de Saúde (OMS), por sua vez, recomenda que
o TR médio deve ser igual a 0,6 (ZANNIN, PASSERO, et al., 2010, p.
133-161).
87

TABELA 42 - TEMPOS DE REVERBERAÇÃO IDEAL DE ACORDO COM AS


NORMAS NACIONAIS
País Tempo de Reverberação, RT [s] Volume, V [m³]
França 0,4 < TR ≤ 0,8 V ≤ 250
0,6 < TR ≤ 1,2 V > 250
Alemanha TR = 0,5 V = 125
TR = 0,6 V = 250
TR = 0,7 V = 500
TR = 0,8 V = 750
Japão TR = 0,6 V ~ 200
TR = 0,7 V ~ 300
Portugal TR ≤ 1,0 – para 125 Hz ≤ f ≤ 250 Hz -
0,6 ≤ TR ≤ 0,8 – 500 Hz ≤ f ≤ 4000 Hz -
EUA TR = 0,6 V ≤ 283
TR = 0,7 283 ≤ V ≤ 566
Malásia 0,6 < TR ≤ 0,7 -
OMS TR = 0,6 -
FONTE: (ZANNIN, PASSERO, et al., 2010), (ABDULLAH, ISMAIL, ET AL., 2018)

TABELA 43 - ADEQUAÇÃO DAS SALAS ESTUDADAS NAS NORMAS PARA TR


PG03 PG04 PG07 PG15
Brasil Não atende Não atende Não atende Não atende
França Não atende Não atende Não atende Não atende
Alemanha Não atende Não atende Não atende Não atende
Japão Não atende Não atende Não atende Não atende
Portugal Não atende Não atende Não atende Não atende
EUA Não atende Não atende Não atende Não atende
Malásia Não atende Não atende Não atende Não atende
OMS Não atende Não atende Não atende Não atende
FONTE: O autor (2019)

Nos casos das normas alemã, japonesa, americana e das recomendações da


OMS, as quase definem um valor exato para o TR, foi considerado uma tolerância de
0,1s para mais ou para menos em relação ao valor estabelecido.
88

Para o caso da substituição do forro atual pelo forro de placas acústicas


semelhantes aos originais das salas de aula, tomamos o valo encontrado pelo ODEON
como referência, temos os seguintes resultados:

TABELA 44 - TABELA 43 - ADEQUAÇÃO DAS SALAS ESTUDADAS NAS NORMAS


PARA TR - SALAS COM FORRO ACÚSTICO
PG03 PG04 PG07 PG15
Brasil Atende Atende Não atende Não atende
França Não atende* Atende Atende Atende
Alemanha Não atende* Atende Não atende Atende
Japão Não atende* Atende Atende Atende
Portugal Atende Atende Atende Atende
EUA Atende Atende Atende Atende
Malásia Atende Atende Não atende Atende
OMS Atende Atende Não atende Não atende
* abaixo do valor recomendado
FONTE: O autor (2019)

Vemos que com o forro original as salas passariam na maioria dos casos a
satisfazer as normas estudadas. A PG04 atenderia a todas as normas, enquanto a
PG03 deixaria de atender três das normas por possuir uma reverberação muito baixa.
Nos casos da PG07 e PG15 as normas seriam parcialmente atendidas.

5.3.3.2 STI

As normas ISO 3382, define a qualidade da inteligibilidade da fala explicitando


uma avaliação subjetiva correspondente a uma faixa de valores medidos, a qual pode
variar de ruim a excelente.

TABELA 45 - VALORES DE STI RELACIONADOS A INTELIGIBILIDADE DE FALA


STI (VALOR AFERIDO) INTELIGIBILIDADE
0,00 a 0,30 Ruim
0,30 a 0,45 Pobre
0,45 a 0,60 Razoável
0,60 a 0,75 Bom
0,75 a 1,00 Excelente
FONTE: ISO 9921 (2003)
89

De acordo com a classificação da ISO 9921:2003, as salas de aula avaliadas


são “razoáveis”.
Em referência à norma inglesa BB93 de fevereiro de 2015, que estabelece
padrões de desempenho acústico em escolas, as salas de aula não são adequadas.
O valor mínimo de STI de acordo com essa norma, para as atividades de ensino, é de
0,60.
A norma utilizada para realizar a medição, a IEC 60268-16:2011, sugere que
seu anexo G que o valor de STI para salas de aula deve ser acima de 0,62. Dessa
forma nenhuma das salas pode ser considerada adequada.
A norma finlandesa SFS 5907 (2004), estabelece que o valor mínimo
adequado para o bom desempenho das atividades de ensino é de 0,80. Também
nesse caso nenhuma dos ambientes estudados é considerado adequado.
A tabela abaixo compara as normas apresentadas com os valores medidos
em cada uma das salas de aula.

TABELA 46 - ADEQUAÇÃO DOS VALORES DE STI NAS DIFERENTES NORMAS


ANALISADAS
IEC 60268-
Sala STI Medido ISO 9921:2003 BB93/2015 SFS 5907/2004
16:2011
PG03 0,58 Razoável Não atende Não atende Não atende
PG04 0,55 Razoável Não atende Não atende Não atende
PG07 0,43 Pobre Não atende Não atende Não atende
PG015 0,48 Razoável Não atende Não atende Não atende
FONTE: O autor

Para o caso da simulação das salas de aula considerando uma eventual


substituição do forro de PVC pelo de placas acústicas, descritas anteriormente, as
salas de aula, com exceção da PG07, passariam atender a maioria das normas
analisadas, exceto pela norma finlandesa SFS 5907, segundo a qual as salas seriam
consideradas não conformes.
90

TABELA 47 - ADEQUAÇÃO DAS SALAS CONSIDERANDO O FORRO ACÚSTICO


ORIGINAL
STI IEC 60268- SFS
Sala ISO 9921:2003 BB93/2015
Medido 16:2011 5907/2004
PG03 0,68 Bom Atende Atende Não atende
PG04 0,63 Bom Atende Atende Não atende
PG07 0,59 Razoável Não atende Não atende Não atende
PG015 0,64 Bom Atende Atende Não atende
FONTE: O autor

A pesquisa de Milulski e Radosz (2011), em 110 salas na Polônia, encontrou


uma grande diversidade de propriedades acústicas entre as sals de aula. Esta
diversidade foi relacionada à diferenças construtivas e de materiais empregados nos
recintos, da mesma maneira que foi encontrado na UFPR.
Na Finlândia, 16 das 40 salas estudadas por Sala e Rantala, em 2016, o STI
estava abaixo de 0,75, enquanto no presente estudo 9 das 10 salas analisadas
obtiveram esse valor. Em relação aos valores de TR, 30 das 40 salas ficaram com
valores abaixo de 0,6 segundos.
91

6 CONCLUSÃO

A realização desse trabalho demonstrou a boa precisão dos resultados


obtidos tanto por métodos analíticos quanto por simulações computacionais para o
tempo de reverberação e STI. No caso do STI todos os métodos obtiveram valores
considerados estatisticamente bons descritores quando comparados com os valores
reais obtidos em medições.
Dentre os métodos analíticos para o cálculo do TR, Sabine e Eyring obtiveram
resultados numericamente similares em todas as salas, sendo que o último leva ligeira
vantagem em analises qualitativas quanto sua acurácia. Por sua vez os resultados
obtidos em simulações mostraram ser superiores a todas as demais em todos os
descritores estatísticos analisados.
Para o cálculo de STI a modelagem computacional obteve resultados
excelentes e estatisticamente idênticos aos valores reais de STI, comprovando a alta
eficiência do Odeon 11.0.
As medições tanto de TR quanto de STI demostraram que as salas de aula
estudadas possuem baixa qualidade acústica e são consideradas inadequadas
segundo todas as normas analisadas para ambos os parâmetros (TR e STI). Tais
resultados sugerem que a acústica das salas de aula é negligenciada pelo
Departamento de Manutenção da UFPR.
Nas simulações realizadas considerando o forro antigo das salas (composto
de placas acústicas, os quais foram substituídos em 2007 por lâminas de PVC), ficou
demonstrado que houve uma grande piora na qualidade acústica das salas devido a
substituição dos materiais do forro. No entanto, mesmo com o antigo forro as salas de
aula seriam consideradas inadequadas para a grande maioria das normas, tanto no
que tange o TR quanto o STI.
Por fim sugere-se a elaboração ode uma norma NBR que especifique
parâmetros mínimos para construção de salas de aula, tendo com o foco a qualidade
do processo de aprendizagem ali desenvolvido.
92

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97

APÊNDICE A – VALORES DE TR MEDIDOS E CALCULADOS

Valor medido Odeon Sabine Eyring Arau-Puchades


125 0,84 0,61 0,65 0,59 0,61
250 0,92 0,81 0,96 0,91 0,93
500 1,03 1,18 1,43 1,37 1,41
PG03

1000 1,23 1,21 1,47 1,42 1,46


2000 1,19 1,19 1,43 1,38 1,41
4000 1,07 1,16 1,36 1,33 1,36
125 1,27 1,24 1,46 1,4 1,72
250 1,27 1,36 1,53 1,47 1,78
500 1,5 1,49 1,53 1,47 1,76
PG04

1000 1,5 1,44 1,44 1,38 1,6


2000 1,46 1,31 1,29 1,24 1,4
4000 1,38 1,17 1,14 1,1 1,23
125 1,35 1,41 1,55 1,48 1,94
250 1,45 1,63 1,69 1,62 2,05
500 1,76 1,75 1,72 1,65 2,03
PG07

1000 1,82 1,79 1,77 1,7 1,97


2000 1,61 1,61 1,57 1,51 1,66
4000 1,45 1,35 1,33 1,28 1,38
125 1,04 1,02 1,15 1,09 1,32
250 1,26 1,35 1,45 1,4 1,67
500 1,4 1,52 1,64 1,59 1,84
PG15

1000 1,66 1,68 1,6 1,55 1,76


2000 1,6 1,58 1,47 1,43 1,59
4000 1,39 1,39 1,29 1,25 1,37
98

APÊNDICE B – VALORES DE TR CALCULADO PARA O FORRO


ACÚSTICO

Odeon Sabine Eyring Arau-Puchades


125 0,41 0,37 0,31 0,35
250 0,46 0,41 0,35 0,44
500 0,59 0,55 0,49 0,68
PG03

1000 0,55 0,47 0,42 0,63


2000 0,56 0,48 0,43 0,69
4000 0,53 0,57 0,42 0,58
125 0,98 1,17 1,10 1,24
250 0,66 0,68 0,62 0,72
500 0,70 0,67 0,61 0,74
PG04

1000 0,58 0,49 0,43 0,54


2000 0,53 0,43 0,36 0,44
4000 0,52 0,45 0,39 0,46
125 1,18 1,31 1,24 1,51
250 0,88 0,89 0,81 0,98
500 0,92 0,88 0,81 1.02
PG07

1000 0,78 0,69 0,62 0,78


2000 0,68 0,60 0,53 0,64
4000 0,68 0,60 0,55 0,64
125 0,89 1,08 1,14 0,89
250 0,78 0,70 0,72 0,78
500 0,87 0,72 0,78 0,87
PG15

1000 0,70 0,52 0,55 0,70


2000 0,62 0,45 0,46 0,62
4000 0,63 0,47 0,49 0,63
99

APÊNDICE C – TABELAS CONTENDO OS VALORES DE MEDIÇÃO,


SIMULAÇÃO DO STI E SEUS RESPECTIVOS ERROS RELATIVOS

PG03
PONTO STI MEDIDO STI SIMULADO ERRO RELATIVO
P02 0,62 0,60 3,2%
P03 0,64 0,59 7,8%
P04 0,61 0,58 4,9%
P05 0,62 0,59 4,8%
P06 0,61 0,52 14,8%
P07 0,59 0,54 8,5%
P08 0,56 0,55 1,8%
P09 0,58 0,55 5,2%
P10 0,58 0,54 6,9%
P11 0,57 0,56 1,8%
P12 0,56 0,55 1,8%
P13 0,57 0,58 1,8%
P14 0,54 0,57 5,6%
P15 0,53 0,56 5,7%
Média 0,58 0,56 5,7%
100

PG04
PONTO STI MEDIDO STI SIMULADO ERRO RELATIVO
P01 0,62 0,55 11,3%
P02 0,58 0,62 6,9%
P03 0,54 0,58 7,4%
P04 0,60 0,53 11,7%
P05 0,57 0,55 3,5%
P06 0,58 0,55 5,2%
P07 0,61 0,56 8,2%
P08 0,58 0,55 5,2%
P09 0,56 0,52 7,1%
P10 0,55 0,52 5,5%
P11 0,56 0,52 7,1%
P12 0,52 0,51 1,9%
P13 0,52 0,50 3,8%
P14 0,52 0,50 3,8%
P15 0,54 0,50 7,4%
P16 0,51 0,50 2,0%
P17 0,47 0,52 10,6%
P18 0,51 0,50 2,0%
P19 0,52 0,50 3,8%
P20 0,50 0,52 4,0%
Média 0,55 0,53 3,0%
101

PG07
PONTO STI MEDIDO STI SIMULADO ERRO RELATIVO
P01 0,40 0,42 5,0%
P02 0,47 0,45 4,3%
P03 0,62 0,61 1,6%
P04 0,48 0,46 4,2%
P05 0,40 0,41 2,5%
P06 0,42 0,43 2,4%
P07 0,47 0,44 6,4%
P08 0,44 0,45 2,3%
P09 0,40 0,41 2,5%
P10 0,41 0,42 2,4%
P11 0,40 0,40 0,0%
P12 0,41 0,41 0,0%
P13 0,37 0,42 13,5%
P14 0,39 0,43 10,3%
P15 0,40 0,43 7,5%
P16 0,39 0,43 10,3%
Média 0,43 0,44 2,0%
102

PG15
PONTO STI MEDIDO STI SIMULADO ERRO RELATIVO
P01 0,48 0,47 2%
P02 0,55 0,50 9%
P03 0,53 0,51 4%
P04 0,48 0,49 2%
P05 0,47 0,45 4%
P06 0,49 0,47 4%
P07 0,48 0,46 4%
P08 0,46 0,45 2%
P09 0,46 0,46 0%
P10 0,48 0,47 2%
P11 0,48 0,47 2%
P12 0,47 0,47 0%
P13 0,47 0,47 0%
P14 0,49 0,47 4%
P15 0,47 0,48 2%
P16 0,46 0,47 2%
P17 0,47 0,47 0%
P18 0,47 0,47 0%
P19 0,48 0,48 0%
P20 0,46 0,48 4%
Média 0,48 0,47 1%
103

APÊNDICE D – LOCALIZAÇÃO DOS PONTOS PARA MEDIÇÃO DO STI

PG03
DISTÂNCIA DA PAREDE DO DISTÂNCIA DA PAREDE
PONTO ALTURA
QUADRO NEGRO LATERAL DIREITA
BOCA 0,5 4,2 1,5
P02 1,9 4,2 1,5
P03 3,6 5,9 1,2
P04 3,6 2,2 1,2
P05 4,7 5,8 1,4
P06 4,7 2,2 1,4
P07 5,7 5,9 1,6
P08 5,7 2,2 2,6
P09 6,7 5,9 1,8
P10 6,7 2,2 1,8
P11 7,7 5,9 2,0
P12 7,7 2,2 2,0
P13 8,7 5,9 2,2
P14 8,7 2,2 2,2
P15 9,7 5,9 1,4
104

PG04
DISTÂNCIA DA PAREDE DO DISTÂNCIA DA PAREDE
PONTO ALTURA
QUADRO NEGRO LATERAL DIREITA
BOCA 0,6 3,7 1,6
P01 2,7 6,6 1,2
P02 2,7 3,7 1,2
P03 2,7 2,1 1,2
P04 2,7 0,8 1,2
P05 3,9 5,9 1,2
P06 3,9 4,5 1,2
P07 3,9 3,0 1,2
P08 3,9 1,5 1,2
P09 5,8 5,9 1,2
P10 5,8 4,5 1,2
P11 5,8 3,0 1,2
P12 5,8 1,5 1,2
P13 8,3 5,9 1,2
P14 8,3 4,5 1,2
P15 8,3 3,0 1,2
P16 8,3 1,5 1,2
P17 10,8 5,9 1,2
P18 10,8 4,5 1,2
P19 10,8 3,0 1,2
P20 10,8 1,5 1,2
105

PG07
DISTÂNCIA DA PAREDE DISTÂNCIA DA PAREDE LATERAL
PONTO ALTURA
DO QUADRO NEGRO DIREITA
BOCA 0,9 3,7 1,5
P01 2,0 9,0 1,2
P02 2,0 6,4 1,2
P03 2,0 3,8 1,2
P04 2,0 1,1 1,2
P05 4,8 9,0 1,2
P06 4,8 6,4 1,2
P07 4,8 3,8 1,2
P08 4,8 1,1 1,2
P09 7,6 9,0 1,2
P10 7,6 6,4 1,2
P11 7,6 3,8 1,2
P12 7,6 1,1 1,2
P13 9,2 9,0 1,2
P14 9,2 6,4 1,2
P15 9,2 3,8 1,2
P16 9,2 1,1 1,2
106

PG15
DISTÂNCIA DA PAREDE DISTÂNCIA DA PAREDE LATERAL
PONTO ALTURA
DO QUADRO NEGRO DIREITA
BOCA 0,75 3,5 1,5
P01 3,0 6,7 1,2
P02 3,0 4,9 1,2
P03 3,0 3,1 1,2
P04 3,0 1,1 1,2
P05 4,9 6,7 1,2
P06 4,9 4,9 1,2
P07 4,9 3,1 1,2
P08 4,9 1,1 1,2
P09 6,8 6,7 1,2
P10 6,8 4,9 1,2
P11 6,8 3,1 1,2
P12 6,8 1,1 1,2
P13 8,6 6,7 1,2
P14 8,6 4,9 1,2
P15 8,6 3,1 1,2
P16 8,6 1,1 1,2
P17 9,8 6,7 1,2
P18 9,8 4,9 1,2
P19 9,8 3,1 1,2
P20 9,8 1,1 1,2
107

APÊNDICE F – RUÍDO DE FUNDO MEDIDO NAS SALAS E UTILIZADO


NAS SIMULAÇÕES

RUÍDO DE FUNDO EM DECIBÉIS


FREQUÊNCIA EM HERZ
SALA
63 125 250 500 1000 2000 4000 8000
PG03 19,2 20,6 25,6 28,8 27,6 24,4 24,2 13,5
PG04 13,0 17,8 29,6 37,5 30,0 28,8 25,7 16,5
PG07 24,2 23,7 25,4 34,1 31,5 28,5 25,1 14,1
PG15 19,2 21,0 25,6 28,9 27,6 25,4 24,2 13,5