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Buracos Negros

1. Definição Geral
Quando um corpo não possui mais pressão suficiente para produzir uma força para fora que contrabalance o peso de
suas camadas externas (Fig.1), o corpo colapsa matematicamente a um ponto! Este ponto é chamado de singularidade,
onde a densidade tende ao infinito. (Uma "colherada" de tal matéria conteria a massa de centenas de sóis!). O campo
gravitacional é tão forte que nem mesmo a luz é capaz de escapar e por isso tal corpo é chamado de Buraco Negro.

Fig.1 - Forças internas se equilibrando


(em uma estrela).

2. Noções de Gravitação Aplicadas aos Buracos Negros


Para que um corpo de massa m1 escape ao campo gravitacional de um corpo de massa m2 a uma distância R do centro
deste corpo, a sua energia cinética deve ser igual à sua energia potencial, portanto:

Eq. 1

onde Ve é a velocidade de escape e G é a constante gravitacional. Daí podemos tirar alguns resultados para corpos
conhecidos:

 Para a superfície da Terra Ve = 11,2 km/s


 Para o Sol Ve = 618 km/s
 Para uma estrela de nêutrons Ve = 0,5c onde c = 300.000 km/s (a velocidade da luz).

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3. O Efeito dos Buracos Negros Sobre a Radiação

3.1 O Raio de Schwarzschild e o Horizonte de Eventos


Partindo da equação 1 podemos substituir Ve por c (velocidade da luz) e isolar o raio R. Dessa forma encontraremos a
distância ao corpo de massa m2em que a velocidade de escape é igual à velocidade da luz. Esta distância é denominada
de Raio de Schwarzschild:

Eq. 2
Obs: Embora a dedução correta para o Raio de Schwarzschild deva utilizar a teoria da relatividade, a dedução
simplificada acima a partir da Eq. 1 fornece o mesmo resultado.
Este raio delimita uma fronteira que é chamada de Horizonte de Eventos, porque nenhuma informação sai de dentro
dela. Qualquer corpo que assumir um tamanho menor do que o do seu horizonte de eventos irá colapsar a um ponto. O
raio do horizonte de eventos determina ainda o raio da Esfera de Fótons (ver abaixo).
Na Eq. 2, observamos que o raio de Schwarzschild é proporcional à massa do corpo colapsado. Podemos então calcular
seu valor para diferentes massas de forma muito simples. Assim:

Se para um corpo com a massa do Sol (M ) RSch= 3 km, então para um corpo com 2 M , RSch= 6 km. Para a Terra,
RSch= 8.9 mm!
Esta simulação ilustra o que acontece ao horizonte de eventos quando ocorre uma colisão entre dois buracos negros
iguais. (159 k).
O telescópio Hubble pode, pela primeira vez, ter fornecido uma evidência direta da existência dos buracos negros,
através da observação de como a matéria desaparece quando ela atravessa o horizonte de eventos. A observação do
enfraquecimento de pulsos de luz ultravioleta, provenientes de um aglomerado de gás espiralando em torno de um
objeto massivo e compacto chamado Cygnus XR-1, sugere que o gás foi atraído por um buraco negro. Para mais
informações, visite este link.

3.2 A Esfera de Fótons


Vimos acima que a radiação eletromagnética que se encontra nas imediações de um corpo massivo sofre um desvio
devido ao do campo gravitacional, de forma que a trajetória que a radiação toma é curvada na direção da estrela. Em
relatividade geral podemos dizer que o espaço se curva nas imediações de um corpo massivo.

Vamos supor agora que pudéssemos nos posicionar a uma certa distância de um buraco negro com uma fonte luminosa
que projete um feixe que possa ser direcionado para onde desejarmos. Vamos então nos posicionar a uma distância
suficientemente próxima, porém maior do que 1.5 RSch, para que possamos notar melhor os efeitos de curvatura sobre a
luz e ver o que acontece com o nosso feixe luminoso.
Primeiro vamos projetar o feixe na direção radial ao buraco negro. Observaremos que o
feixe continua a propagar-se na mesma direção. Vejamos o que acontece ao feixe luminoso
ao desviá-lo de um ângulo da direção radial: ele se curva devido ao efeito do campo
gravitacional do buraco negro. E se inclinarmos mais ainda vamos chegar a um
determinado ângulo maior que 90o no qual o feixe não escapa do campo gravitacional do
buraco negro e entra em órbita. Se inclinarmos além desse ângulo , o feixe cairá no
buraco negro.
Aproximando-nos ainda mais do buraco negro vamos observar que haverá uma certa
distância em que a luz entra em órbita ao redor da estrela ao direcionarmos o feixe a 90o
com a vertical. Neste momento estaremos sobre a chamada "Esfera de Fótons", que tem
raio de 1.5 RSch. Se inclinarmos o feixe de luz além desse ângulo ele cairá no buraco negro.
Se nos aproximarmos mais ao buraco negro teremos ângulos sucessivamente menores do
que 90o com a vertical para os quais o feixe entrará em órbita e a partir dos quais o feixe

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cairá. O ângulo limite para o qual o feixe entra em órbita delimita o cone de saída.
A esfera de fótons recebe este nome porque é nessa "esfera" que os fótons orbitam o buraco
negro. Dessa forma se estivéssemos sobre a esfera de fótons olhando em uma direção
qualquer perpendicular à vertical, veríamos sempre a nossa nuca!

4. Distorção do Espaço
Fig. 2: A esfera de fótons Nas proximidades de um campo gravitacional forte, o espaço-tempo sofre uma distorção
é a externa, e o horizonte que provoca um aumento das distâncias à medida que nos aproximamos da massa central.
de eventos, a interna. Para campos gravitacionais fracos esta distorção é desprezível. Portanto seu estudo e
Acima, o cone de saída. aplicação restringe-se a objetos com campo gravitacional muito forte, como é o caso de
estrelas compactas (anãs brancas, estrelas de nêutrons), buracos negros ou galáxias
massivas. A distorção acontece ao longo da direção radial, de forma que podemos determinar o comprimento de uma
circunferência ao redor do buraco negro e calcular a área da esfera à qual ela pertence mas não podemos determinar
com o mesmo tipo de geometria (Euclidiana), o raio da circunferência.

Por exemplo: Você está a bordo de um foguete orbitando (circulando) um buraco negro com RSch=3 km e dessa forma
você mede a circunferência da órbita e então calcula (usando a geometria euclidiana) a distância (o raio da
circunferência) até o buraco negro como sendo 30 km (distância suficiente para negligenciar a distorção do espaço).
Então você anda 21,92 km em direção ao buraco negro e mede o raio da órbita. Você determina, dessa forma, que sua
distância ao buraco negro é de 10 km e não 8,08 km (30 - 21,92) como a geometria Euclidiana prevê. Agora vá em
direção ao buraco negro 28,52 km a partir da posição original. Pode parecer que você ultrapassará o horizonte de
eventos (3 km) mas isso não acontece. Então você determina o raio novamente e verifica que você ainda está a 5 km do
buraco negro e não 1,68 km (30 - 28,52) como a geometria Euclidiana prevê. Conclui-se claramente que o forte campo
gravitacional distorceu o espaço.
A figura abaixo ilustra a distorção do espaço. O fenômeno ilustrado é chamado de lente gravitacional.

Fig.3: Uma fonte emissora S que esteja localizada na direção de um corpo supermassivo porém mais distante do que
ele, terá sua radiação desviada de um ângulo e parecerá estar posicionada em S'.

5. Tipos de Buracos Negros


Os Buraco Negros são considerados entidades físicas relativamente simples pelo fato de podermos descrevê-los e
classificá-los conhecendo somente três características suas: massa, momentum angular (medida da sua rotação) e carga
elétrica. De acordo com a massa, podemos classificar os buracos negros em dois tipos principais:

 Buracos Negros Estelares: originados a partir da evolução de estrelas massivas e portanto com massa da ordem
das massas estelares.
 Buracos negros Supermassivos: encontrados nos centros das galáxias, com massas de milhões a um bilhão de
vezes a massa solar, provavelmente formados quando o Universo era bem mais jovem a partir do colapso de
gigantescas nuvens de gás ou de aglomerados com milhões de estrelas.

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6. Como se Formam os Buracos Negros Estelares


As estrelas nascem, evoluem e morrem. A fase final da evolução estelar vai depender da massa inicial das estrelas e se
elas evoluem isoladas ou em um sistema binário fechado (em que as estrelas estão bem próximas entre si). Três finais
possíveis são os seguintes:

Se a massa inicial é < 3 M , durante e depois da fase de gigante vermelha a estrela perde massa e forma uma
Anã Branca, com M < 1.4 M . Neste caso ocorre a degenerescência eletrônica (os átomos perdem seus elétrons);
 Se a massa inicial é M > 3 M , a estrela, após a fase de gigante vermelha, explode como supernova, podendo ou
não restar um "caroço" no centro. Se a massa deste caroço é M < 2 M ele se transforma em uma Estrela de
Nêutrons, onde teremos degenerescência nuclear (elétrons e prótons se fundem em nêutrons);
 Se a massa do caroço após a explosão de supernova tem massa M > 2 M , este colapsa a um buraco negro.

Fig.4: Resultado da explosão da supernova


1987A na Grande Nuvem de Magalhães, que
possivelmente formou uma estrela de
nêutrons no centro.

Obs.: Podem ser criados Buracos Negros ou Estrelas de Nêutrons com massas menores do que as acima nas explosões
de supernovas. A explosão fornece energia suficiente para o "caroço" vencer a barreira de potencial que impediria o
colapso. É como um grande impulso para dentro que fornece uma força suficiente para iniciar o processo de colapso
até um Buraco Negro ou uma Estrela de Nêutrons.
Se a estrela evolui num sistema binário fechado, há transferência de matéria entre as estrelas de forma que muitas
vezes uma delas acumula uma grande massa que provoca sua explosão como supernova. O resultado mais provável é a
formação de uma estrela de nêutrons a partir do caroço que sobra da explosão, mas existem sistemas duplos, como
Cygnus X-1 em que a componente compacta parece ser um buraco negro.

7. Como encontrar um Buraco Negro


Não é possível observar um buraco negro diretamente porque ele não emite radiação. Entretanto, um buraco negro
exerce força gravitacional sobre os corpos ao seu redor e graças a isso podemos detectá-lo. Um modo de detectar um
candidato a buraco negro é procurá-lo em sistemas binários (duas estrelas que orbitam uma ao redor da outra) onde uma
das componentes do sistema parece ser invisível e tenha massa maior do que 3-6 M .

Através do estudo da deflexão da órbita da estrela visível

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do sistema duplo pode-se descobrir a massa do objeto


invisível e assim confrontar o resultado encontrado com o
limite mínimo de massa para a existência de um buraco
negro.
Outro indício de que o sistema possa conter um buraco
negro é a presença de um disco de acresção. Este se
forma porque o buraco negro captura matéria da
companheira através de um disco no qual a matéria pode
perder o excesso de momentum angular via um processo
de fricção que aquece a matéria capturada a 107 K. Este
aquecimento provoca uma forte emissão de raios-X.
As emissões fortes de raios-X podem vir de outras fontes.
Assim devem existir evidências mais específicas de que
esta radiação seja mesmo originada em um disco de
acresção. Para que um candidato seja realmente um disco
de acresção ele deve ter dimensões pequenas (da ordem
de milisegundos-luz para os estelares e dias-luz para os
Fig. 5: Disco de acresção orbitando um Buraco Negro. supermassivos no centro das galáxias) para que seja
coerente com o modelo proposto. Deste modo deve-se
procurar fontes de raios-X com período de variação da emissão da ordem de segundos ou dias-luz (como está explicado
na figura 6).

Fig. 6: Diagrama de espaço e tempo da variação da luz no núcleo de uma


galáxia. A luz (linhas tracejadas) viaja a 45o em relação aos eixos do espaço e
tempo. Suponha que uma região x (estacionária em relação ao observador
por simplicidade) varia a sua emissão de radiação. Imagine que a variação
acontece primeiro no centro do intervalo x no instante t = 0. A informação
desta variação atinge primeiro o observador no instante t1. Enquanto isso, a
causa da variação se propaga para os pontos extremos A e B com velocidades
menores ou iguais a da luz (a propagação é indicada pelas linhas sólidas).
Quando a causa da variação atinge os pontos A e B, estes também começam a
variar sua emissão de radiação. A informação destas variações atinge o
observador nos instantes t2 e t3. Já que a luz nesse diagrama se propaga a 45o,
o intervalo c(t3-t2) é igual a x. O tamanho da região que está variando ( x)
é, entretanto, menor do que c(t3-t1) = c t, onde t é o intervalo de tempo
total no qual as variações são vistas pelo observador. Assim sabemos que

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variações percebidas num intervalo t só podem ter se originado numa


região de dimensões x menores do que c t.

Outro indício da presença de discos de acresção é sua "assinatura" cinemática. Embora as pequenas dimensões do disco
não permitam que eles sejam resolvidos espacialmente, o efeito Doppler na luz, descrito a seguir, permita que se
resolva as velocidades do gás no disco. Se o disco estiver inclinado em relação ao observador, este verá um lado do
disco se "aproximar" com uma certa velocidade (que é muito alta, da ordem de milhares de km/s para um disco de
acresção orbitando um buraco negro) e verá o outro lado do disco se afastar com a mesma velocidade.

Devido ao efeito Doppler, a radiação (luz) que é emitida por um objeto movendo-se com velocidade v sofre um
desvio no seu comprimento de onda (ou freqüência). Se o objeto se aproxima do observador, a radiação é observada
com comprimento de onda menor (as cristas das ondas se aproximam); se o objeto se afasta, a radiação é observada
com comprimento de onda maior (as cristas das ondas se afastam). Pode-se quantificar este efeito como demonstrado a
seguir. Se o objeto emite radiação de um certo comprimento de onda o, este é observado como , e a partir das
equações 5 ou 6 abaixo podemos determinar a velocidade do objeto emissor da radiação e o sentido do seu movimento.

Eq. 5
Assim:

 Se o corpo se afasta: v > 0, logo > o. Ocorre redshift: desvio para o vermelho.
 Se o corpo se aproxima: v < 0, logo < o. Ocorre blueshift: desvio para o azul.

Obs.: A eq. 5 somente é valida para velocidades muito pequenas. Quando a velocidade da fonte é próxima à da luz
temos que recorrer à equação 6.

Eq. 6
Voltando ao caso do disco de acresção, se o mesmo emitir radiação num comprimento de onda o conhecido, a partir
do observado, pode-se recuperar as velocidades do gás emissor do disco. Como explicado acima, observaremos
velocidades negativas provenientes do lado do disco que se aproxima, e positivas do lado do disco que se afasta. Uma
linha espectral proveniente de um disco em rotação inclinado fica então alargada e apresenta um perfil característico de
duplo pico. Usando a Eq. 5 (ou 6) podemos transformar o espectro de duplo pico diretamente num gráfico da
velocidade de rotação do material ao redor do buraco negro como ilustrado na figura abaixo.

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Fig.8: Perfil de velocidades obtido a partir de um perfil espectral de duplo pico.

Para um disco em movimento Kepleriano, se conhecermos a velocidade de rotação e tivermos uma estimativa do raio
(por exemplo, através da variabilidade observada), podemos obter uma estimativa da massa do buraco negro central
isolando m2 na Eq. 2.

8. Buracos Negros em Núcleos de Galáxias Ativas


Existe uma classe de galáxias chamadas de ativas com características que demonstram uma atividade de emissão de
energia incomum no seu núcleo, que não pode ser explicada somente pela presença de estrelas. Estes objetos são
classificados em tipos distintos:

Seyferts. Galáxias espirais com um núcleo muito luminoso. Sua radiação nuclear mostra linhas de emissão e contínuo
de origem não-térmica (ou seja, que não é característico do produzido em estrelas) desde altas freqüências (raios
Gama e X) até as freqüências baixas de rádio.

Um exemplo de galáxia Seyfert é a NGC 5728, cujas imagens são mostradas abaixo. À esquerda, uma imagem de
toda galáxia, obtida da Terra. À direita, uma imagem obtida com o Telescópio Espacial isolando a emissão do gás
ionizado pela fonte central, que acredita-se ser um buraco negro circundado por um disco de acresção e por um toro
de poeira que colima a radiação na forma de um cone, e por isto o gás ionizado têm forma aproximadamente cônica.

Outro exemplo de galáxia Seyfert é a Circinus, que aparece na imagem abaixo.

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Este link mostra imagens feitas pelo STIS mostrando jatos de gás saindo do núcleo da galáxia Seyfert NGC 4151, na
qual se acredita existir um buraco negro central.
Objetos BL Lacertae. Galáxias elípticas com núcleo muito luminoso. A luz nuclear tem um contínuo sem linhas de
absorção (que são características da emissão estelar) e raras linhas de emissão. Luz nuclear tem polarização muito
forte e variável.
Rádio galáxias. Geralmente gigantes e supergigantes elípticas que exibem uma rádio-estrutura de dois lobos opostos
(associados a jatos). Ocasionalmente fontes são do tipo core-halo, com uma fonte nuclear compacta cuja rádio-
emissão pode variar numa escala de tempo de anos. Rádio-jatos podem mostrar movimentos superluminais.

A figura abaixo mostra imagens da rádio-galáxia 3C31. O mapa rádio (na cor vermelha), obtido com o VLA (Very
Large Array, arranjo de antenas rádio que permite alta resolução angular, no caso 1.4 segundos de arco) é mostrado
juntamente com uma imagem na banda V (visual, na cor branca), mostrando que os lobos se estendem por centenas de
kiloparsecs, muito além da imagem ótica. (Gentileza de Alan Bridle, do National Radio Astronomy Observatories).

Quasares ou Quasi-stelar rádio sources. (Rádio-fontes quase estelares). Algumas apresentam rádio-estruturas
estendidas semelhantes aos lobos duplos das rádio-galáxias. O espectro ótico é parecido com o das Seyferts.
Geralmente emitem intensamente raios-X e infravermelho. No grupo dos quasares podemos agrupar ainda os QSOs
ou Quasi-stelar objects (Objetos quase estelares) que são muito semelhantes aos quasares à exceção de que os QSOs
não tem forte emissão de rádio. Quasares e QSOs possuem grandes redshifts (o que significa que estão muito longe de
nós).

As figuras abaixo mostram imagens de quasares obtidas com o Telescópio Espacial Hubble. Devido à excelente
qualidade de imagem do Hubble, pode-se observar a nebulosidade em torno de um núcleo brilhante que evidencia que
os quasares são na realidade núcleos de galáxias emitindo enormes quantidades de energia. Imagens anteriores (da
Terra) mostravam somente o núcleo brilhante, e por isto se pensou inicialmente que os quasares eram objetos
estelares.

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LINERs. Sua atividade é bem fraca. São galáxias quase normais nas quais se acredita existir um buraco negro
quiescente (em baixa atividade). Pesquisas atuais mostram sinais de atividade nuclear semelhante à encontrada nas
Seyferts.(ver seção 8.1)

Nas rádio galáxias e nos quasares a energia liberada para os lobos (ou jatos) é da ordem de 1061 ergs, o que é
equivalente a energia liberada na explosão de 1010 supernovas! Para que essa energia seja gerada a partir das formas
convencionais de produção de energia estelar, necessitaríamos então que quase todas as estrelas de uma galáxia
tivessem explodido em supernovas. Isto é devido ao fato de que a geração de energia devido às reações nucleares tem
um rendimento relativamente baixo: somente 0,7% da massa das estrelas é transformada em energia (E = mc2). Como
observamos a galáxia ainda "inteira" apesar da energia depositada nos lobos rádio, temos que pensar, então, numa outra
fonte que possa dar origem a toda a energia presente nos lobos das rádio-galáxias e quasares.

A idéia de que a fonte de energia seria a energia gravitacional liberada por matéria sendo acretada por um buraco negro
central foi inicialmente proposta pelos astrônomos Edwin Salpeter e Donald Lynden-Bell. A conversão de matéria em
energia através de um buraco negro tem uma eficiência muito maior do que as reações nucleares nas estrelas, chegando
a 10%, ou seja, 10% da massa que está sendo "engolida" é convertida em energia (contra 0.7% nas reações nucleares).
Uma outra característica das galáxias com núcleo ativo que reforça a hipótese de um buraco negro central é a rápida
variabilidade da radiação que chega destas galáxias. Esta variabilidade indica um tamanho muito pequeno para a fonte
emissora o que leva ao modelo no qual existe um buraco negro central, liberando energia através da captura de matéria
dentro de uma região de pequenas dimensões (dias a semanas-luz).
Em resumo temos um "modelo" em que um buraco negro está convertendo massa em energia de forma muito eficiente
num volume extremamente pequeno, no núcleo das galáxias ativas.
Mas como se dá a acresção de matéria pelo buraco negro? O modelo mais aceito atualmente propõe a formação de um
disco de acresção ao redor do buraco negro, para conservação do momentum angular. O centro do disco é quente,
devido à fricção da matéria dentro dele. À medida que a distância ao centro aumenta centro, ele vai ficando mais
espesso e sua temperatura decresce. A matéria que está em volta do disco tem aparentemente a forma um toro que
colima a radiação emitida pela região central do disco. Assim, em grandes escalas, a luz é emitida anisotropicamente.
Nas rádio galáxias, observa-se também a presença de jatos rádio, muitas vezes altamente colimados. Neste caso a
colimação é atribuída a campos magnéticos intensos associados ao disco. Acredita-se que o processo de formação dos
jatos seja análogo ao observado no microquasar descrito acima: enquanto parte da matéria do disco de acresção cai para
dentro do buraco, uma outra parte da matéria é ejetada dando origem à emissão rádio. É um assunto de fronteira na
pesquisa dos núcleos ativos de galáxias (também conhecidos como AGN) desvendar porque alguns núcleos ativos
apresentam jatos rádio e outros não.
Excetuando-se a rádio-emissão, acredita-se que os diferentes tipos de galáxias ativas descritas acima, são na verdade
manifestações de um mesmo fenômeno, que parece diferente devido a dois fatores:

1. À orientação da fonte central em relação ao observador: os objetos BL Lacertae, por exemplo, seriam rádio
galáxias observadas ao longo do eixo de emissão rádio, enquanto que estas últimas seriam observadas de direções
fora do cone de emissão (mais "de lado");
2. A taxa de acresção e massa do buraco negro central: os LINERs são AGNs que acretam matéria a uma taxa muito
baixa, e por isto são pouco luminosos, enquanto que os Quasares são mais luminosos devido a uma maior taxa de

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acresção, enquanto que as galáxias Seyfert seriam casos intermediários entre estes dois extremos A massa do
buraco negro central também é maior quanto maior for a luminosidade do AGN.

A simulação a seguir ilustra o cenário proposto (em particular para a rádio galáxia Centaurus A).

 Jatos e disco de acresção no núcleo de Centaurus A. (4882 k).

Galáxias Ativas nas


quais se acredita existir
buracos negros no
núcleo

9 - NGC 1097
A NGC 1097 é uma galáxia espiral barrada com núcleo LINER e tipo SBbc.
Esta galáxia foi estudada por Thaisa Storchi Bergmann com o objetivo de investigar a cinemática do gás emissor na
região central. Para isto, foram obtidos espectros em torno da linha Hα (esta é uma linha de emissão do hidrogênio e é
gerada quando um elétron passa do terceiro para o segundo nível de energia deste átomo, correspondendo a um
comprimento de onda de 6563 Ångstrons).
O espectro nuclear obtido mostrou um perfil da linha Hα com duplo pico e largura ~ 20 000 km/s. Analogamente aos
casos anteriormente discutidos, esta observação foi interpretada como sendo devida a gás girando a alta velocidade (10
000 km/s ) em um disco de acresção.
A figura abaixo mostra uma imagem da galáxia juntamente com o perfil espectral da linha Hα no espaço de
velocidades (ou seja, o comprimento de onda da radiação já foi transformado em velocidade do gás). Um modelo
simplificado para explicar o perfil é também apresentado: um disco de gás girando em torno do buraco negro central.

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Imagem da galáxia NGC 1097, perfil nuclear da linha


Hα (abaixo à esquerda), indicando a presença de um
disco de gás (representado por um esquema acima à
esquerda) girando com velocidades entre 5 000 e 10000
km/s em torno de um buraco negro central supermassivo
(106 M ).

Para se avaliar o significado das velocidades observadas, podemos fazer uma comparação: as máximas velocidades
registradas para gás em rotação no disco de uma galáxia, devido ao potencial gravitacional da sua região central são da
ordem de 250 a 300 km/s. Velocidades de rotação de milhares de km por segundo só podem ser produzidas por
concentrações centrais de milhões a bilhões de massas solares dentro de regiões muito pequenas (de dias a meses-luz).
Em princípio, a partir da velocidade média do gás no disco, poder-se-ia utilizar a Eq. 2 para estimar o valor da massa
do buraco negro central:

Eq. 7
Entretanto, não conhecemos o raio do disco, já que o mesmo não é resolvido espacialmente.
No caso da NGC 1097 foi utilizada a variação na forma do perfil da linha Hα para estimar a massa do BN central.
Pode-se verificar na figura acima que o perfil da linha não é simétrico. Através de um modelamento detalhado verifica-
se que ele provém na verdade de um anel de gás elíptico (ao invés de um disco circular, como nos modelos mais
simples). É fácil entender como tal anel poderia ter sido formado: uma estrela teria passado a uma distância do BN
menor do que seu raio de maré. A enorme força de maré do BN sobre a estrela destrói esta última, e parte da matéria da
estrela entra em órbita em torno do BN, formando um anel de gás elíptico. Um esquema da captura de uma estrela por
um buraco negro central é apresentado na figura abaixo (a partir de Rees 1997). O raio de maré é rt.

Desde da descoberta do perfil transiente no núcleo da NGC1097, o mesmo tem sido monitorado por Storchi-Bergmann
e colaboradores. Foram observadas variações na forma do perfil de duplo pico, interpretadas como sendo devido à
precessão relativística do anel. A partir de modelos para o perfil, concluiu-se que em um intervalo de tempo to = 2.25
anos, o anel precessionou de um ângulo o
o =16 . Podemos então extrapolar para obter o período de uma volta
completa do anel:

Eq. 8
E a partir deste período podemos calcular a massa do BN mais precisamente pois:

Eq. 9

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onde 103 é um parâmetro de ajuste do modelo igual à razão entre o raio menor do disco e o raio de Schwarszchild em
unidades de 103:

Eq. 10
A massa encontrada resulta da ordem de 106 M .

10. Buraco Negro no Centro da Via Láctea


O centro da nossa galáxia, a Via-Láctea, é identificado com uma fonte de rádio compacta chamada Sagitarius A. Até há
poucos anos, o centro da Via Láctea só era acessível em rádio, devido à grande quantidade de poeira no plano da nossa
galáxia que impede a observação ótica das estrelas. De uns 15 anos para cá, aperfeiçoaram-se detectores na faixa
infravermelha do espectro, que permitem observar através da poeira. Tornou-se possível, então, medir velocidades de
estrelas individuais no centro da Via Láctea através de imagens (os chamados movimentos próprios) e espectroscopia
(velocidades radiais). Os astrônomos alemães Eckart & Genzel (1996, 1997) vêm acumulando medidas das velocidades
das estrelas no centro da galáxia e recentemente publicaram o resultado obtido ao juntar os dados de cerca de 200
estrelas observadas: eles concluíram que as velocidades das estrelas crescem em direção ao núcleo da Via-Láctea de
acordo com a Lei de Kepler (para o movimento de partículas em torno de uma massa central), até a mínima distância ao
centro possível de ser resolvida (cerca de uma semana-luz). As velocidades observadas indicam uma densidade central
maior do que 2x1012 massas solares por parsec cúbico, que é muito mais alta do que a que permite a existência de um
aglomerado estelar estável. A única conclusão possível é que existe no centro da Via Lácta um BN de massa 2.6x106 M
.

Somente na nossa galáxia é possível observar o movimento individual das estrelas. Todas as demais galáxias estão
muito distantes para isto ser possível. Nas outras galáxias observamos evidências de certa forma indiretas da presença
de um BN supermassivo central. O movimento individual das estrelas é considerado uma evidência mais direta da
presença de um objeto compacto massivo no centro, e por isto o resultado acima para o centro da Via Láctea é
considerado a evidência mais forte no Universo da presença de um BN supermassivo.

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11. Buracos Negros no Centro de Outras Galáxias


O movimento das estrelas é considerado uma evidência mais direta da presença de um BN central do que o movimento
do gás (porque este pode sofrer efeitos de outras forças que não a gravitacional, como a de campos magnéticos, por
exemplo). Entretando, não é possível resolver estrelas individuais no centro de outras galáxias, e só podemos então
observar o movimento coletivo das estrelas. Em particular, no centro das galáxias observamos a dispersão de
velocidades das estrelas, a partir do alargamento observado das linhas espectrais da galáxia (que é devido ao conjunto
das diferentes velocidades das estrelas). É preciso medir a dispersão de velocidades das estrelas em função da distância
ao centro da galáxia com excelente resolução espacial, pois, mesmo para as galáxias mais próximos, o efeito de um BN
central só pode ser observado dentro de uma distância de 2 segundos de arco! Tais observações devem ser feitas com o
telescópio espacial, que permite uma resolução angular melhor do que 0.1 segundo de arco ou com observatórios na
Terra que utilizem ótica adaptativa.
Rees (1997) lista 8 galáxias para as quais considera que há forte evidência da presença de um BN central supermassivo
a partir dos seus valores de dispersão de velocidades: M31 (Andrômeda), M32 (galáxia elíptica satélite de Andrômeda),
M87, NGC3115, NGC4486B, NGC4594 (Sombrero), NGC3377 e NGC3379.

12. Buracos Negros Supermassivos no centro de todas as galáxias?

Como se detecta a presença de um Buraco Negro Supermassivo (BNS) no centro das galáxias ? Através do estudo do
movimento orbital das estrelas em torno do BNS. Assim como o movimento dos planetas permite o cálculo da massa
do Sol, podemos determinar a massa existente no núcleo das galáxias a partir da velocidade orbital das estrelas desde
que as possamos observar bem próximas ao núcleo. Como descrito acima, isto era possível a partir de observações
com telescópios na Terra para um pequeno número de galáxias próximas, listadas acima. Com o Telescópio Espacial
Hubble foi possível estender este estudo a um número maior de galáxias. Os astrônomos então verificaram

que a velocidade das estrelas não para de crescer à medida que nos aproximamos do centro da galáxia e modelos
dinâmicos demonstram a necessidade de duas componentes para compor o campo gravitacional observado: uma
componente estelar que chamamos bojo mais uma componente compacta que seria o BNS. (O bojo é a componente
esférica que é característica das galáxias elípticas, que têm somente esta componente, e é a componente mais interna
das galáxias espirais, as quais têm também uma outra componente, o disco).

Este método de determinar massas já era anteriormente usado para determinar a massa do bojo das galáxias, uma vez
que para isto não é necessário ter a resolução espacial do Hubble, ou seja, pode-se observar o movimento integrado das
estrelas do bojo, sem precisar medir suas velocidades em função da distância ao núcleo.

Um resultado muito interessante foi obtido quando os astrônomos compararam as massas obtidas como o Hubble para
os BNS com as massas determinadas para os seus bojos: elas eram proporcionais! Ou seja, parece que a formação do
buraco Negro central está vinculada à formação do bojo, de forma que bojos mais massivos têm no seu centro BNS
mais massivos. Uma extrapolação deste resultado é que todas as galáxias que têm bojo têm um BNS no seu centro, cuja
massa pode ser determinada pela relação de proporcionalidade entre os dois. Esta relação, extraída do trabalho de
Gebhardt et al. (2000) é ilustrada na figura abaixo.

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A figura acima mostra, no painel esquerdo, a relação entre a massa do buraco negro central (eixo vertical) e a
luminosidade do bojo em unidades de luminosidades solares (eixo horizontal). No painel direito, os autores mostram
que a relação é muito melhor definida quando eles usam a dispersão de velocidades do bojo no eixo horizontal. Como
esta última é facilmente obtida para as galáxias, pode ser usada para determinar a massa do buraco negro central. Esta
correlação é ilustrada através da figura abaixo.

Correlação entre a massa do BNS (eixo vertical) e do bojo (eixo horizontal):

O caso da NGC1097, discutida na seção 9 e cuja imagem mostramos abaixo, corresponde ao ponto médio nesta reta, já
que o BNS no seu centro tem um minlhão de massas solares.

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13. Como se formam os buracos negros supermassivos no centro das galáxias?

A figura abaixo ilustra tres possibilidades:

(1) Bem cedo na história do Universo, antes das galáxias se formarem, já existiam pequenos buracos negros, que
atrairíam gás primordial que colapsaria em torno deste buraco negro. Estas nuvens alimentariam o buraco negro
fazendo-o crescer, ao mesmo tempo que o gás em torno dele começa a formar estrelas, e a galáxia se forma então ao
mesmo tempo que o buraco negro cresce. A massa do buraco negro fica proporcional a matéria acretada, assim como a
massa da galáxia, o que leva com que as duas, a massa do buraco negro central, e a da galáxia sejam proporcionais,
como observado. Esta possibilidade é ilustrada nos tres painéis superiores da figura abaixo.

(2) Um buraco negro massivo, no centro de uma galáxia elíptica, pode se formar a partir da colisão de duas galáxias
espirais que tinham buracos negros menores em seu centro. Na colisão os seus bojos se misturam, e os buracos negros
se "fundem" num só maior. A fusão das duas galáxias dá origem a uma galáxia elíptica gigante, cujo buraco negro
central é agora maior do que os presentes nas duas galáxias espirais e de novo proporcional à massa da galáxia elíptica.
Esta possibilidade está ilustrada nos painéis do meio da figura abaixo.

(3) O buraco negro central em uma galáxia pode também crescer junto com o bojo ao longo da vida da galáxia. A
massa para alimentar o buraco negro e para fazer o bojo crescer pode vir das partes externas de uma galáxia espiral.
Dinâmicamente isto pode acontecer através de uma barra, que transfere matéria das partes externas à região central de
uma galáxia, como ilustrado nos painéis inferiores da figura abaixo.

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14. Discos de Acreção

Como se dá a acreção de matéria quando ela chega próxima ao horizonte de eventos? Como a matéria tem em geral
momentum angular bastante alto, esta matéria ao ser capturada pelo campo gravitacional do buraco negro (BN) central
acaba formando um disco que gira em torno do BN, para conservar o momentum angular. Este disco convenciona-se
chamar disco de acreção, uma vez que o futuro da matéria no disco é ser capturada pelo buraco negro central.

A matéria na maior parte do disco é um gás ionizado ou plasma, formado principalmente por núcleos de hidrogênio e
elétrons. A viscosidade deste gás permite que o momentum angular seja transferido para fora e que a matéria no disco
vá aos poucos se movendo em direção ao centro. A presença deste disco é necessária também para colimar os jatos
rádio, e o cenário mais aceito para o processo de acreção é que, ao mesmo tempo que parte da matéria é capturada pelo
BN, outra parte é ejetada formando os jatos observados nas rádio-galáxias, como nas imagens mostradas na Introdução

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deste texto.

Como estes discos são muito compactos, não é possível observá-los diretamente, embora existam várias concepções
artísticas dos mesmos como as mostradas abaixo.

A figura abaixo ilustra um disco de acreção em que as partes externas são mais frias, e, à medida que se aproxima do
centro, via ficando mais quente, até chegar à região mais interna, próxima ao horizonte de eventos em que, pela
pressão de radiação, o gás forma uma estrutura elevada na forma de um toróide que colima o jato rádio.

Outras ilustrações podem ser apreciadas abaixo.

A figura abaixo (crédito CXC/M. Weiss) ilustra, através das cores, a variação da temperatura ao longo do disco, mais
fria na parte externa e mais quente na interna. O disco está girando, sendo que o lado direito do se aproxima,
eunquanto que o lado esquerdo se afasta de nós. Por isto, na região interna, o lado direito aparece branco e o
esquerdo avermelhado, Na região bem interna, ilustrada também ampliada, a o disco aparece todo avermelhado, para
ilustrar a presença do "redshift" gravitacional, um efeito relativístico que avermelha a radiação nas proximidades do
buraco negro.

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A figura abaixo ilustra o surgimento de um vento na região interna do disco: à medida que o gás esquenta ao se
aproximar do buraco negro central, parte do disco sofre um processo semelhante a uma evaporação, criando um vento
de plasma que pode ser acelerad, pela pressão da radiação das regiões centrais, a velocidades muito altas, que podem
chegar a um décimo da velocidade da luz.

11. Bibliografia
 Shu, Frank, 1982, The Physical Universe: An Introduction to Astronomy, University Science Books, Mill Valley,

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California
 Pasachoff, Jay M., 1978, Astronomy Now, W. B. Saunders, Philadelphia
 Maffei, P. 1977, Monsters in the Sky, MIT, Cambridge, Massachusetts
 Ford, Holland and Tsvetanov, Zlatan I., 1997, Massive Black Holes in the hearts of galaxies, Sky and Telescope,
Vol. 91, Issue 6, pg. 28-33
 Susskind, Leonard, Black Hole and the information paradox, Scientific American, Vol. 276, Issue 4, pg. 40-45
 Rees, M. J., 1998, Nature, Vol. 333, 523
 Storchi-Bergmann, T., Eracleous, M., Ruiz, M. T., Livio, M., Wilson, A. S. & Filippenko, A. V. 1997, Evidence
for a Precessing Accretion Disk in the Nucleus of NGC 1097, Astrophysical Journal, Vol. 489, 87
 Storchi-Bergmann, T., Eracleous, M., Livio, M., Wilson, A. S., Filippenko, A. V. & Halpern, J. P. 1995:The
Variability of the Double-Peaked Balmer Lines of NGC1097, Astrophysical Journal, Vol. 443, 617
 Eracleous, M., Livio, M. Halpern, J. & Storchi-Bergmann, T. 1995:Elliptical Accretion Disks in Active Galactic
Nuclei, Astrophysical Journal, Vol. 438, 409
 Storchi-Bergmann, T., Eracleous, M. & Ruiz, M. T. 1998: Transient Double-Peaked Line Emission as Signature
of Accretion Events Around Supermassive Black Holes, Adv. Space Res. Vol. 21, No. 1/2, pp.47-56, Elsevier.

Esta página foi extraída integralmente do site: http://www.if.ufrgs.br/~thaisa/bn/index.htm não tendo caráter nenhum de
exploração comercial ou qualquer outra modalidade, a não ser o repasse de conhecimento, pesquisa e informação.

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