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fcsha. Ciência. FPRI 4º Ano, 2019-2020. TFdaSI.

Epistemologia da Segurança: Sobre


a Segurança Interna e/ou Externa.

“Primeiro aprende o significado do que dizes, depois diz”. Epictetus (55-135


d.C.), filósofo estóico.

“No mundo saído da Paz de Westphalia em 1648, o conceito tradicional de soberania repousava sobre os
fundamentos geográficos de fronteiras, que por sua vez determinava o que é “interno” e o distinguiam com
nitidez do que é “externo”. Nos novos enquadramentos fornecidos pelo que Robert Keohane e Joseph Neγ
famosamente apelidaram de “interdependência complexa” em que os Estados se veem crescentemente
envolvidos, essa dicotomia torna-se menos clara, e as contradistinções “clássicas” que a subtendiam mais
problemáticas (...)

Repare-se: numa parcela crescente das conjunturas contemporâneas, a ideia de que a “segurança externa”
de uma entidade (estatal ou outra; ou seja, a generalizada “segurança internacional”, seja ela regional ou
global, sempre no sentido em que transborda o nosso quadro matricial de referência) é tão só uma fracção
da “segurança nacional”, aquela que diz respeito a arenas “exteriores” aos Estados, e à relação destas
com outras “interiores”. O dualismo interior/exterior em larga medida esbateu-se, e hoje apenas tem
conteúdo útil se encararmos a dicotomia em sentido figurativo, dada a proeminência que cada vez mais vão
tendo actores não estatais de diversos tipos – muitos deles infra-estaduais, mas outros também supra-
estatais. Para isso dar boa conta, não chega tomar como ponto de partida que se trata da re-emergência de
“povos”, “culturas” ou “nações”.

... A noção de “segurança” hoje em dia recobre uma enorme variedade de preocupações e temas
interligados (...) inclui qquestões que advém da complexidade da interdependência dos cada vez mais
numerosos actores internacionais que tanto marca as conjunturas actuais – que envolvem Estados e os seus
conflitos e guerras, mas também tensões e litígios mais atípicos como conflitos económicos, financeiros, e
comerciais, o acesso a recursos energéticos ou hídricos, passando por degradação ambiental, eventuais
mudanças climáticas de fundo, e atividades de actores não-estatais, o que abarca terrorismo, pirataria,
crime organizado, imigração ilegal, tráfico de pessoas, tráfico de droga e armamentos, etc. Sobre todos
estes tópicos versa o que se convencionou apelidar-se de “segurança externa” – uma expressão no
essencial descritiva que em boa verdade coincide amplamente com segurança em espaços que apelidanos
de “internacionais” desde o último quartel do séc. XVIII, altura em que a palavra foi composta por Jeremy
Bentham.

De facto, se nos colocarmos num qualquer enquadramento científico-disciplinar específico, depressa


apuramos haver, hoje, um amplo consenso de que a “segurança” e a sua governação não podem ser
capazmente pensadas se as virmos como desligadas uma da outra. Constatamos também que, dados os
enredamentos recíprocos de muitos dos Estados contemporâneos, os analistas estão cada vez mais
predispostos a reconhecer uma multiplicidade de fontes para o domínio cada vez mais heterogêneo e
multidimensional que se vai desvendando. Como pensar hoje, então, a segurança (externa e/ou interna),
tendo isto em linha de conta? A segurança como que se transmutou de um “objecto” numa propriedade –
de uma entidade substantiva passou a uma condição adjectiva (...) Aquilo que o termo “segurança” alude
mudou. Por um lado, perdeu a sua dimensão quase exclusivamente pública, nacional, e policial e/ ou
militar. No sistema internacional em que hoje em dia vivemos, o conceito de “segurança” abarca agora a
atuação e o empenhamento de instituições públicas, mas e também de privadas, da sociedade local e da
sociedade civil num sentido mais amplo – bem como de instituições e organizações internacionais, sejam
elas as de Estado vizinhos, as de entidades intergovernamentais ou as de outras, supranacioanis. Não
esquecendo as nacionais, evidentemente.

GUEDES, Armando Marques, “Segurança Externa” in GOUVEIA, J. B. E SANTOS, S.


(2015). Enciclopédia de Direito e de Segurança. Coumbra: Almedina, pp. 411-418l.