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HERMENÊUTICA E EXEGESE: DEFINIÇÕES E METODOLOGIA

D. F.Izidro

INTRODUÇÃO
Termos oriundos da Teologia Exegética, campo da teologia que trata dos processos de interpretação
bíblica, a Hermenêutica e a Exegese têm muitas vezes gerado alguma confusão ou mesmo variação
quanto aos seus significados e métodos. Queremos demonstrar, portanto, através deste texto que, embora
inter-relacionadas, a Hermenêutica e a Exegese têm definições e papeis diferentes no campo da
interpretação bíblica, pelo menos na concepção de muitos autores. Queremos também indicar a natureza
e os métodos utilizados nestas duas áreas da teologia exegética.

1. A HERMENÊUTICA
1.1. Definição
O que significa Hermenêutica? E a que está relacionada? A palavra Hermenêutica vem do grego
ermeneutike, que por sua vez procede dos verbos ermeneuein e ermeneuo, e significa simplesmente
interpretar, explicar, traduzir. Esse vocábulo grego é muitas vezes usado em o Novo Testamento, em
passagens como Lc. 24.27; Jo.1.38,42; ICo.12.10; 14.26.

Conforme os anais da história, Platão, o famoso filósofo da Grécia antiga, foi o primeiro a empregar a
palavra “hermeneutica” como um termo técnico. Desde aí, a palavra sugere a arte de interpretar escritos
antigos e atuais, sejam de ordem espiritual ou das ciências e do direito.[1]

A Hermenêutica está relacionada à interpretação de textos antigos, atuais e/ou Sagrados, portanto. Mas,
no caso específico da Teologia, está relacionada à interpretação das Escrituras Sagradas. Ao
departamento da Teologia responsável pelo trabalho de interpretação das Escrituras chamamos Teologia
Exegética, ou seja, a que trata da reta interpretação das Escrituras Sagradas.

A Hermenêutica, então, é a ciência que ensina os princípios, as leis e as regras necessárias à interpretação
da Bíblia. Vejamos algumas definições de Hermenêutica por alguns de seus mais importantes
expositores:

“Hermenêutica é a ciência que nos ensina os princípios, as leis e os métodos de interpretação” – Louis
Berkhoff[2]

“Hermenêutica bíblica ou Sagrada é o estudo metódico dos princípios e regras de interpretação das
Sagradas Escrituras” – Antonio Almeida[3]

“O termo Hermeneutica é empregado quase sempre para designar princípios da interpretação da


Escritura” – E.P.Barrows, Th.D.[4]

“Hermenêutica é a teoria das operações da compreensão em sua relação com a interpretação dos textos”
– P. Ricouer
“Hermenêutica é a ciência e arte de interpretar os textos bíblicos” – Henry Virkler
Alguns autores, todavia, têm dado uma definição mais peculiar e menos tradicional a esta disciplina.
Segundo Gordon Fee e Douglas Stuart, por exemplo, “embora a palavra hermenêutica ordinariamente
abranja o campo inteiro da interpretação, inclusive a exegese, também é usada no sentido mais estreito
de procurar a relevância contemporânea dos textos antigos”.[5] Para Fee e Stuart, a hermenêutica diz
respeito ao “aqui e agora” da interpretação. O Estudioso alemão do Novo Testamento Klaus Berger
define Hermenêutica nos seguintes termos: “Hermenêutica é a tentativa de descrever os dois modos de
acesso ao texto (Exegese e Aplicação) cada um para si e em sua relação mútua e de classificá-los na
perspectiva da teoria da ciência.”[6]

Fica claro que o uso desta palavra tem tomado direções variáveis no mundo acadêmico. A proposta deste
estudo é definir Hermenêutica nos termos alistados pelos estudiosos acima mencionados, isto é, como a
Teoria da Interpretação Bíblica, complementada como veremos pela Prática Exegética.

1.2. Princípios da Hermenêutica


A Hermenêutica trabalha com princípios e regras de interpretação aplicados a três categorias distintas de
abordagem: a interpretação Gramatical do texto bíblico, a interpretação histórica do texto bíblico e a
interpretação teológica do texto bíblico.[7] Para cada uma destas abordagens a Hermenêutica tradicional
alista uma serie de regras e princípios de interpretação. Tais princípios de interpretação são resumidos a
seguir.

REGRA I:
“A Escritura é a única Autoridade Suprema em questão de Religião, Fé e Doutrina.”
REGRA II:
“A Escritura Interpreta a Escritura…..(…)”
REGRA III:
“A Experiência Pessoal deve ser Interpretada à Luz da Escritura, e não a Escritura à Luz da Experiência
Pessoal.”

REGRA IV:
“Os Exemplos Bíblicos só têm Autoridade Prática quando amparados por uma Ordem que os faça
Mandamento Universal.
REGRA V:
“O Principal Propósito da Escritura é Mudar nossas Vidas e não
Multiplicar nossos Conhecimentos.”
REGRA VI:
“Todo Cristão tem o Direito e a Responsabilidade de Interpretar Pessoalmente a Escritura, Seguindo
Princípios Hermenêuticos universalmente aceitos pela Ortodoxia Bíblica.”

REGRA VII:
“Não Obstante ser Importante e Útil, a História da Igreja, Concomitante à Teologia Patrística, não é
Decisiva , ou Condicional, à Fiel e Exata Interpretação da Escritura.”
REGRA VIII:
“A Escritura tem somente um Sentido, e Deve ser Tomada Literalmente.”
REGRA IX:

“As palavras do texto Escriturístico devem ser Interpretadas no Sentido que tinham no Tempo do seu
Autor.”
REGRA X:
“As palavras do texto Escriturístico devem ser Interpretadas emm relação à sua Sentença própria e ao
seu Contexto.”
REGRA XI:
“Quando um Objeto Inanimado é usado para descrever um ser vivo, a proposição pode ser considerada
figurada.”
REGRA XII:

“Somente certas partes e figuras de uma parábola, e não cada detalhe da mesma, de modo alegórico,
representam certas realidades de caráter moral ou espiritual.”
REGRA XIII:

“Uma vez que a Escritura se originou de modo histórico, e sua historicidade é indubitavelmente patente
e notória, Ela deve ser Interpretada à luz da História.”
REGRA XIV:

“Os fatos ou acontecimentos Históricos se tornam símbolos de verdades espirituais, somente se a


Escritura assim os designarem.”
REGRA XV:

“A Escritura deve ser Interpretada gramatica e literariamente, antes de ser Interpretada


Teologicamente.”
REGRA XVI:

“Uma doutrina não pode ser considerada Escriturística, a menos que resuma e inclua tudo o que a
Escritura diz sobre ela.”
REGRA XVII:

“Quando parecer que duas Doutrinas ensinadas na Escritura são contraditórias, deve-se aceitar ambas
como Escriturísticas, crendo confiantemente que elas se Explicarão dentro duma unidade mais
elevada.”
2. A EXEGESE
2.2. Definição
Do grego exhghsiV (ekségesis [sacar para fora]), Exegese significa interpretação ou explicação de textos.
No caso específico da Bíblia, a Exegese diz respeito à interpretação e explicação de textos bíblicos
através de critérios metodológicos de cunho científico. A Exegese, portanto, lida com a prática da
interpretação e comentários do texto Sagrado.

Em antônimo a Exegese (levar para fora) temos a Eisegese (do grego eishghsiV,eiségesis, [introduzir,
levar para dentro]), isto é, a prática de acrescentar ou introduzir ao texto bíblico concepções não
pertinentes ao seu significado original ou intenção autoral.

A Exegese Bíblica, portanto, está mais relacionada à prática metodológica da interpretação do que à sua
teoria e princípios, sejam eles confessionais ou técnicos. Segundo Uwe Wegner,ainda,“a Exegese é a
interpretação científica de textos bíblicos”.[8]

2.3. Metodologia Exegética


A Exegese Bíblica trabalha com uma metodologia de interpretação prática, dinâmica e desdobrada em
Etapas e/ou Passos. Estes passos giram em torno de considerações importantes sobre a História e a
Lingüística do texto bíblico.

As Etapas e o modo de descrevê-las na Exegese vão variar de acordo com a linha ou método de
interpretação adotado. Os principais métodos de Exegese são o Histórico-gramatical e o Histórico-crítico,
o primeiro mais tradicional, confessional e ortodoxo, e o segundo mais liberal em seus pressupostos e
crítico. Todavia, ambos têm importantes contribuições à formação do método exegético a ser adotado.[9]

Segue um esboço de etapas exegéticas, dentre muitas outras propostas hoje, para o estudo e interpretação
científica de passagens da Escritura Sagrada.
Metodologia de Exegese Bíblica
1. Descobrindo os Limites do Texto (Delimitação da Perícope)
2. Determinando o Texto (Crítica Textual)
3.Traduzindo o Texto (Tradução e Análise Tradutiva)
4. Descobrindo o Gênero Literário (Crítica da Forma ou Formgeschichte)
5. Descobrindo o Significado das Palavras no Texto (Lexicologia)
6. Analisando a Gramática do Texto (Sintaxe)
7.Analisando a Redação do Texto (Crítica da Redação ou Redaktionsgeschichte)
8. Descobrindo o Contexto Canônico (Análise Teológica)
9. Aplicando o Texto em Nós (Contextualização da Mensagem)
3. A HERMENÊUTICA E A EXEGESE
A Hermenêutica e a Exegese estão intimamente relacionadas, pois ambas referem-se ao processo de
interpretação bíblica. No entanto, é importante não confundirmos a Hermenêutica com a Exegese, pois
uma é diferente da outra. A primeira é abrangente e genérica enquanto que a segunda é específica. Vamos
começar por compreender a abrangência da Hermenêutica.

A Hermenêutica estuda as regras e os princípios que devem ser considerados numa interpretação bíblica,
estando assim mais relacionada com à Teoria da interpretação do que , necessariamente, com a Prática
da interpretação em si.
A Exegese, por outro lado, refere-se ao próprio trabalho de interpretação, fazendo uso dos princípios
estabelecidos pela Hermenêutica Sagrada. A Hermenêutica traz a Teoria, e a Exegese a Prática da
Interpretação. A Hermenêutica, portanto, ensinará os princípios que devem ser considerados na Exegese
do texto bíblico.

É como se estivéssemos preparando um bolo. Nesse caso a Hermenêutica seria a lista dos ingredientes,
enquanto que a Exegese seria o modo de preparar esse bolo. Vale ressaltar que a concretização do bolo
depende de ambos os elementos. Assim também, a Interpretação bíblica vai depender tanto do
conhecimento das regras de interpretação, quanto da utilização dessas regras. Nessa definição,
Hermenêutica e Exegese são interdependentes e indispensáveis.

Alistamos a seguir algumas considerações sobre a relação entre Hermenêutica e Exegese, segundo alguns
autores:

“Hermenêutica é, propriamente, a arte de Hermeneuein (interpretar), mas, no caso, designa a teoria (grifo
meu) desta arte.” – Louis Berkhof[10]

“Hermenêutica é, pois, a ciência de interpretação; exegese é a aplicação desta ciência à palavra de Deus.
Quem escreve sobre a hermenêutica expõe os princípios gerais de interpretação, e o escritor exegético
aplica estes princípios à interpretação da Escritura.” – E.P.Barrows, Th.D.[11]

“..a Hermenêutica se distingue da Exegese em que esta é a aplicação dos princípios e regras estabelecidos
por aquela.” – Antonio Almeida[12]

“A Exegese, por outro lado, é a aplicação dos princípios e regras estabelecidos pela Hermenêutica” –
Antonieto Grangeiro Sobrinho[13]

“…a exegese relaciona-se à real interpretação de um texto, enquanto a hermenêutica diz respeito à
natureza do processo interpretativo. A exegese termina dizendo: “esta passagem significa isto e aquilo”;
a hermenêutica conclui assim: “este processo interpretativo constitui-se das seguintes técnicas e
pressuposições”. Obviamente, as duas estão relacionadas. Mas embora a hermenêutica seja uma
disciplina importante por seus méritos, idealmente nunca é um fim em si mesma: ela serve à exegese.”
(os grifos são meus)
D.A.Carson, Ph.D. [14]
[1] Como estudar e interpretar a Bíblia, Raimundo F. de Oliveira, CPAD,p.13.
[2] Princípios de interpretação bíblica, Louis Berkhof, Casa Publicadora Batista, p.11
[3] Manual de Hermenêutica Sagrada, Casa Editora Presbiteriana, Antonio Almeida,p.11.
[4] Princípios de interpretação da Bíblia, E.P.Barrows, Centro Cristão de Literatura,p.13.
[5] Entendes o que lês?, Gordon Fee & Douglas Stuart, Vida Nova, p.25.
[6] Hermenêutica do Novo Testamento, Klaus Berger, Sinodal, p.91.
[7] Essa abordagem tríplice de princípios hermenêuticos diz respeito ao método histórico-gramatical de
interpretação bíblica. Outras linhas de interpretação bíblica não levam em conta esta mesma forma de
abordagem.
[8] Exegese do Novo Testamento, Uwe Wegner, Sinodal.
[9] Não obstante, a tendência contemporânea é por uma metodologia exegética cada vez mais multi e
interdisciplinar,somando ao labor exegético a contribuição de disciplinas científicas como a
sociologia,antropologia,lingüística,crítica literária,etc.
[10] Berkhof, op.cit.,p.11.
[11] E.P.Barrows, op.cit.,p.13.
[12] Antonio Almeida, op.cit.,p.11.
[13] Hermenêutica bíblica, Antonieto Grangeiro Sobrinho,CPAD,p.10.
[14] Os perigos da interpretação bíblica, D.A.Carson,Vida Nova, p.23.