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3ª Edição - 2011

Engº José Roberto Pereira


APRESENTAÇÃO

Este trabalho é o resultado de muitos dias (e noites) de pesquisa, estudo,


planejamento, organização, redação, desenho, compilação, cálculos, etc., e foi
elaborado sem finalidade comercial ou sequer para obtenção de qualquer espécie
de remuneração ou lucro financeiro.
Seu objetivo é, unicamente, divulgar e propagar o seu conteúdo entre o maior
número possível de pessoas, de modo a fomentar o saber e estimular o
conhecimento. Espero assim que, de alguma forma, ele seja uma forma de
contribuição para o aprimoramento e a elevação do espírito humano, e da evolução
da nossa espécie.
Por esta razão, o seu conteúdo não está protegido por qualquer tipo de patente ou
“copyright”, sendo a sua cópia, distribuição e divulgação não apenas permitida,
mas também (e principalmente) estimulada, no todo ou em parte, em qualquer tipo
de mídia, seja ela física, eletrônica ou qualquer outra que, futuramente, possa
surgir, desde que não seja vendida ou comercializada de qualquer forma e que a
fonte seja devidamente citada.
Acredito que, com este pequeno legado, estarei contribuindo, mesmo que
humildemente, para fazer deste nosso mundo um lugar melhor para se viver.
Serão muito bem-vindas quaisquer colaborações apontando eventuais erros ou
sugerindo melhorias para este trabalho, que poderão ser enviadas para o e-mail do
autor, indicado no rodapé.

Rio de Janeiro, março de 2011.

José Roberto Pereira

“A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas
novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que
sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar
mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a
elas se propõe.”
(Jean Piaget)

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SUMÁRIO

CAPÍTULO 1 – Transformadores 2

CAPÍTULO 2 – Máquinas de C.C. 7

CAPÍTULO 3 – Máquinas de C.A. 16

CAPÍTULO 4 – Proteção dos Circuitos Elétricos 30

CAPÍTULO 5 – Subestações Abaixadoras M.T. / A.T. 41

BIBLIOGRAFIA 46

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CAPÍTULO 1
TRANSFORMADORES

Generalidades
No capítulo 10 da Apostila de Eletricidade I vimos que quando um condutor (ou uma bobina)
é atravessado(a) por uma corrente elétrica variável é produzido um campo magnético também
variável que, caso suas linhas de força atravessem um outro condutor ou bobina, aparece
neste(a) uma f.e.m. induzida. A este fenômeno, dá-se o nome de Indutância Mútua.
Transformadores são máquinas elétricas muitíssimo importantes, que podem ser usadas para
transformar valores de tensões ou correntes variáveis, para casar impedâncias e para isolar
partes de um circuito elétrico.
Em Eletrotécnica os transformadores são projetados para operar com tensões e correntes
senoidais relativamente grandes; em Eletrônica, os transformadores lidam com formas de onda
complexas de freqüências diversas, geralmente em potências baixas.
Os transformadores são máquinas de grande eficiência, e os de grandes potências apresentam
comumente 99% de rendimento.
Seu funcionamento é baseado no fenômeno da indução mútua. Um transformador é constituído
no mínimo por duas bobinas, dispostas de tal modo que uma delas fica submetida a qualquer
campo magnético produzido pela outra. Estas bobinas geralmente estão enroladas em um
mesmo núcleo de ferro, que é o NÚCLEO DO TRANSFORMADOR. As duas bobinas
constituem os enrolamentos PRIMÁRIO e SECUNDÁRIO do transformador; o enrolamento
primário é aquele no qual é produzido um campo magnético variável, para que apareça uma
força eletromotriz induzida na outra bobina, ou enrolamento secundário.
Na figura abaixo, temos o esquema básico de um transformador monofásico:

O Transformador Ideal
De acordo com o que já estudamos, um transformador apresenta perdas resultantes da
resistência oferecida pelos condutores de cobre (PERDAS NO COBRE ou PERDAS POR
EFEITO JOULE) e também em virtude das Correntes de Foucault e da Histerese (PERDAS NO
NÚCLEO ou PERDAS NO FERRO).
Além disto, deve ser considerado num transformador o fato de que nem todo o fluxo produzido
no primário é aproveitado pelo secundário.
Entretanto, para facilitar a compreensão do funcionamento e do cálculo de um transformador,
consideraremos um TRANSFORMADOR IDEAL, ou seja, um transformador sem perdas e com
coeficiente de acoplamento de 100%.
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Pela Lei de Faraday, temos para o primário:

EP = - NP . ∆φP / ∆t
donde
EP / NP = - ∆φP / ∆t

Similarmente, temos a mesma lei aplicada ao secundário:


ES = - NS . ∆φS / ∆t
donde
ES / NS = - ∆φS / ∆t

Como estamos considerando um transformador ideal, em que todo o fluxo magnético produzido
no primário é aproveitado pelo secundário, temos

∆φP = ∆φS

Assim podemos igualar as equações, obtendo:

EP ES EP NP
NP = NS ou =
ES NS

Estas razões são chamadas RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO ( α ).


Pelas expressões acima, podemos deduzir que, dependendo dessa relação, é possível fazer
TRANSFORMADORES REDUTORES DE TENSÃO e TRANSFORMADORES ELEVADORES
DE TENSÃO. Tudo depende da relação entre o número de espiras do primário e o número de
espiras do secundário.
Um transformador monofásico de baixa potência típico tem a aparência da figura abaixo:

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Exercícios:
1 – Um transformador ideal possui 500 espiras no primário e 100 espiras no secundário. Qual
será sua tensão secundária, se alimentarmos seu primário com uma tensão de 220V? R: 44 V

2 – Que número de espiras deverá ter o secundário de um transformador cujo primário tem 300
espiras, se quisermos elevar uma tensão de 220V para 380V? R: 518 espiras

Transformadores Trifásicos
Os transformadores trifásicos são constituídos pelo agrupamento de três transformadores
monofásicos sobre o mesmo núcleo de três colunas, conforme a figura abaixo:

Enquanto a carga secundária for equilibrada e simétrica, o funcionamento do transformador


trifásico pode ser estudado observando-se uma só fase, qualquer que seja o esquema das
conexões das fases primárias e secundárias (estrela ou triângulo). No caso de cargas
desbalanceadas o seu comportamento dependerá do tipo de agrupamento das fases primárias
e secundárias.
Estudaremos a seguir, o caso mais comum de agrupamento de um transformador abaixador,
com o primário ligado em triângulo e o secundário ligado em estrela com neutro, como na figura
abaixo:

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Observando-se a figura, vê-se que esta conexão presta-se otimamente para suportar uma
carga desequilibrada, como por exemplo, uma carga monofásica.
A carga monofásica em questão é alimentada por uma fase secundária e o neutro, e não altera
as tensões das demais fases.
A corrente secundária I2 provoca a absorção da corrente primária I1, a qual circula através dos
fios 1’ e 2’ sem interferir nas outras duas fases primárias.
Cada coluna do transformador funciona como um transformador monofásico independente e
por esta razão este tipo de conexão é o indicado para transformadores redutores que
alimentam redes de distribuição de baixa tensão com quatro fios.
Um transformador abaixador trifásico típico para este tipo de aplicação têm a aparência da
figura abaixo:

Exercício:
1 – Um transformador abaixador trifásico tem 9.000 espiras em cada enrolamento do seu
primário, que está conectado em triângulo a uma rede de 13.800V. Qual deverá ser o número
de espiras de cada enrolamento secundário, ligado em estrela, para que a tensão de linha seja
de 220V?
Solução:
Como um transformador trifásico se comporta como três transformadores monofásicos, basta
calcularmos para uma fase e as outras duas serão iguais.
Para que no secundário a tensão de linha seja de 220V, a tensão de fase deverá ser igual a
220 / √ 3 = 127V. Esta será a tensão do secundário de cada transformador monofásico.
Fazendo a regra de três, temos: N2 = N1.V2 / V1 = 9.000 x 127 / 13.800
N2 = 82,8 espiras

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Autotransformadores
Os autotransformadores possuem estrutura magnética idêntica à dos transformadores normais,
mas diferem destes na parte elétrica: os dois enrolamentos A.T. e B.T. não formam dois
complexos de espiras distintas, mas são, pelo contrário, agrupados num único enrolamento.
Nestas condições, o enrolamento B.T. é constituído por uma parte das espiras que forma o
enrolamento A.T.
Sua principal vantagem é a economia de cobre, uma vez que parte das espiras do enrolamento
A.T. são substituídas pelo enrolamento B.T. Além disso, também economiza-se na seção dos
condutores do enrolamento B.T. pelo fato de parte da corrente neste enrolamento ser suprido
pela corrente do enrolamento A.T. Esta economia, porém, é tanto menor quanto maior for a
diferença entre as tensões nos enrolamentos A.T. e B.T. Na prática o autotransformador não é
utilizado quando a relação entre a alta e a baixa tensão é maior do que 3.
Além disso, o autotransformador apresenta menor queda de tensão e maior rendimento em
virtude da parcial compensação das correntes no enrolamento B.T.
Da mesma forma que os transformadores normais, os autotransformadores podem ser
monofásicos ou trifásicos, sendo que neste último caso praticamente só é utilizado o
agrupamento em estrela. As correntes no enrolamento B.T., tanto nos monofásicos como nos
trifásicos em estrela, estão em fase com as correntes no enrolamento A.T.
O autotransformador também tem a característica de ser reversível, isto é, pode funcionar tanto
como redutor como elevador de tensão.
Deve-se ficar atento quando da utilização de autotransformadores, ao fato de neste caso não
existir isolação galvânica entre os dois enrolamentos, sendo o condutor neutro (centro da
estrela) ser comum a ambos os circuitos, primário e secundário.
O diagrama esquemático do autotransformador pode ser visualizado nas figuras abaixo:

Autotransformador Autotransformador
Monofásico Trifásico (estrela)

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CAPÍTULO 2
MÁQUINAS DE C.C.

O Gerador de C.C.
Vimos no capítulo 1 da Apostila de Eletricidade II como uma espira girando em um campo
magnético produz uma f.e.m. alternada e senoidal, como nas figuras abaixo que, recordando,
demonstram o funcionamento de um gerador elementar:

A conversão de C.A. em C.C.


Vimos como o gerador elementar gera C.A. Entretanto, desejamos obter uma C.C. em sua
saída e é possível executar a conversão de C.A. em C.C. utilizando-nos de uma chave
inversora na saída do gerador, como passamos a descrever.
A tensão induzida na espira do gerador elementar inverte a sua polaridade cada vez que a
espira passa pelas posições de zero ou 180 graus.
Nestes pontos, os condutores da espira invertem a direção de seu movimento no campo
magnético. Sabemos que a polaridade da f.e.m. induzida depende da direção do movimento do
condutor no campo magnético. Se esta direção é invertida, a polaridade da f.e.m. induzida
também se inverte. Como a espira continua a girar no campo, os seus condutores sempre
estão gerando uma f.e.m. induzida alternada. Assim, a única maneira de se obter C.C. do
gerador é converter em C.C. a C.A. produzida. Uma das maneiras de se conseguir isto é por
meio de uma chave inversora ligada à saída do gerador. Esta chave pode ser ligada de uma
maneira tal que possa inverter a polaridade da tensão de saída toda vez que esta tensão for
invertida dentro do gerador.

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A chave está mostrada no diagrama abaixo e deve ser invertida manualmente quando a
polaridade da tensão muda. Quando isto é feito, a tensão aplicada à carga tem sempre a
mesma polaridade e a corrente passa sempre na mesma direção pelo resistor, embora seu
valor aumente e diminua, conforme a posição da espira.

Observemos a ação da chave para converter a C.A. gerada em C.C. variável, no resistor. A
primeira figura mostra o resistor de carga, a chave, as escovas do gerador e os fios de ligação.
A tensão nos terminais do gerador é mostrada no primeiro semiciclo, de zero a 180 graus,
quando a tensão é positiva e, portanto, acima da linha de referência zero. Esta tensão aparece
nas escovas e é aplicada à chave, com a polaridade mostrada. A tensão causa o fluxo de uma
corrente que parte da escova negativa, passa pela chave, pelo resistor de carga e retorna à
escova positiva. A forma de onda da tensão nos terminais do resistor de carga está mostrada.
Observe que é exatamente a mesma que a tensão nos terminais do gerador, já que o resistor
está ligado diretamente às escovas.

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Quando a rotação da armadura ultrapassa a posição de 180 graus, a polaridade da tensão no
gerador é invertida. Neste instante, a chave é colocada manualmente em outra posição,
ligando o ponto A do resistor de carga na escova de baixo, que agora está positiva. Embora a
polaridade da tensão nas escovas tenha sido invertida, a polaridade da tensão nos terminais do
resistor de carga ainda é a mesma. O efeito da chave, portanto, é o de inverter a polaridade da
tensão de saída toda vez que ela se inverte no gerador. Desta maneira, a C.A. produzida pelo
gerador é convertida em uma C.C. variável no circuito externo.

Para converter a tensão C.A. gerada em uma tensão C.C. variável, a chave deve ser invertida
duas vezes em cada ciclo. Se o gerador tem uma saída de 60 ciclos de C.A. em cada segundo,
a chave deve ser invertida 120 vezes por segundo, para converter C.A. em C.C. É impossível
manusear a chave com esta alta velocidade. Também não seria prático o projeto de um
dispositivo mecânico que funcionasse com a chave. Embora ela possa, teoricamente, fazer o
seu serviço, tem de ser substituída por algo que consiga trabalhar em alta velocidade.
Os anéis coletores do gerador elementar podem ser alterados de maneira a produzir o mesmo
efeito da chave mecânica. Para tal fim, eliminamos um dos anéis e cortamos o outro
longitudinalmente. Cada uma das extremidades da espira e ligada a um dos segmentos do
anel. Estes segmentos são isolados eletricamente entre si, assim como do eixo ou qualquer
outra parte da armadura. O anel cortado é chamado de "comutador" e seu efeito de converter
C.A. em C.C. é chamado de comutação.
As escovas são agora colocadas em posições opostas, com relação ao comutador. Os
segmentos do anel são dispostos de tal maneira, que são colocados em curto circuito pelas
escovas quando a espira passa nas posições onde a sua tensão é zero.
Quando a espira do induzido gira, o comutador liga automaticamente cada uma das
extremidades da espira de uma escova para a outra, cada vez que a espira completa meia
rotação. Isto tem exatamente o mesmo efeito que a chave inversora.

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Melhorando a saída de C.C.
Antes de estudar os geradores, estávamos familiarizados com as tensões de C.C. invariáveis e
planas, produzidas, por exemplo, por uma bateria. Agora descobrimos que a saída de C.C. de
um gerador elementar de C.C. é bastante irregular - uma tensão de C.C. pulsante, que varia,
periodicamente, de zero até um máximo. Embora esta tensão pulsante seja de C.C., seu valor
não é suficientemente constante para alimentar os equipamentos e aparelhos de C.C. Portanto,
o gerador elementar de CC deve ser modificado até que produza uma forma regular de C.C.
Isto é conseguido pela adição de mais espiras ao induzido.
A figura abaixo mostra um gerador cujo induzido tem duas bobinas, colocadas em ângulo reto.

O comutador tem agora quatro segmentos, chamados "lâminas do comutador". As lâminas


opostas são ligadas aos terminais de uma mesma espira. Na posição mostrada, as escovas
estão ligadas à espira branca, onde uma tensão máxima está sendo gerada, porque ela está se
movendo perpendicularmente ao campo. Quando o induzido gira no sentido do movimento dos
ponteiros do relógio, a saída da espira branca começa a decrescer. Depois de um oitavo de
rotação (45 graus) as escovas passam para as lâminas pretas do comutador, cuja espira está
começando a cortar as linhas do campo. A tensão de saída começa a crescer novamente,
atinge um máximo a 90 graus e, então, volta a diminuir, quando a espira preta passa a cortar
um número menor de linhas de força. A 135 graus, há uma nova comutação e as Escovas são
outra vez ligadas à espira branca. A forma de onda da tensão de saída está mostrada abaixo
durante toda uma rotação, superposta à tensão de uma única espira. Observe que a saída
nunca é menor do que o valor Y. A variação da tensão fica limitada entre Y e o máximo e não
entre zero e o máximo. Esta variação da tensão de saída do gerador de CC é chamada de
"ondulação". Obviamente, a tensão produzida pelo induzido com duas espiras está muito mais
próxima da C.C. constante que a tensão produzida pelo induzido com uma única espira.

Embora a saída do gerador com duas espiras seja muito mais próxima de C.C. constante do
que a saída do gerador de uma só espira, ainda há ondulação demais para aplicação nos
equipamentos elétricos. Para tornar a saída verdadeiramente constante, constrói-se o induzido
com um grande número de espiras e o comutador é dividido em um grande número de lâminas.

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As espiras estão dispostas em redor do induzido de modo que sempre haja algumas delas
cortando as linhas de força do campo magnético em ângulo reto. Como resultado, a saída do
gerador contém uma ondulação muito pequena e, para todas as finalidades práticas, pode ser
considerada constante ou uma C.C. "pura".
A tensão induzida em uma bobina de uma só espira não é muito grande. Para produzir uma
tensão alta de saída, cada bobina do induzido de um gerador de tipo comercial consiste de
várias espiras de fio, ligadas em série. Como resultado, a tensão de saída é muito maior do
que a gerada em uma bobina de uma só espira. O resultado final está mostrado na figura
abaixo:

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O Motor C.C.
O motor elementar de C.C. é construído de maneira semelhante ao gerador elementar de C.C.
Ele consiste de uma espira de fio, que gira entre os pólos de um ímã. As extremidades da
espira são ligadas às lâminas do comutador, que por sua vez fazem contato com as escovas.
As escovas têm fios de ligação que vão ter a uma fonte de tensão de C.C.
Com a espira na posição 1, a corrente que passa através dela torna a sua parte superior um
pólo norte e a sua parte inferior um pólo sul, de acordo com a regra da mão esquerda. Os pólos
magnéticos da espira serão atraídos pelos pólos de nomes opostos do campo. Como
resultado, a espira gira no sentido do movimento dos ponteiros do relógio, aproximando os
pólos de nomes opostos. Quando a espira girar de 90 graus, até a posição 2, haverá uma
comutação e a corrente na espira muda de direção. Como resultado, o campo magnético por
ela gerado também se inverte. Agora, pólos de nomes iguais estão próximos e, portanto, se
repelindo. A espira continua a girar, tentando aproximar novamente os pólos de nomes
contrários. 180 graus depois da posição 2, a espira chega à posição 3. Agora a situação é a
mesma que na posição 2. Dá-se uma nova comutação e a espira continua a girar. Esta é a
ação fundamental do motor de C.C.

Da mesma forma que no gerador, a espira única do motor elementar é substituída por um
conjunto de várias bobinas, com várias espiras cada uma. O comutador também tem o seu
número de lâminas aumentado na mesma proporção. O campo magnético do estator ( parte
fixa ) normalmente é fornecido por bobinas chamadas “bobinas de campo” (BC). A parte
giratória, ou rotor, é chamada de “induzido”.
Sendo assim, existem diversas maneiras para se ligar um motor C.C. à linha de alimentação,
sendo as principais a associação em série e a associação em paralelo.

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Motores Paralelos
Em um motor paralelo o campo é ligado diretamente aos terminais da linha e é, portanto,
independente das variações da carga e da corrente no induzido. O conjugado desenvolvido
varia com a corrente no induzido. Quando a carga do motor aumenta, sua velocidade diminui.
A f.c.e.m., que tanto depende da velocidade como da intensidade de campo, é assim reduzida.
A redução na f.c.e.m.. permite um acréscimo na corrente do induzido. Este acréscimo tem
como efeito um aumento do conjugado, necessário para movimentar a carga maior. Quando a
carga do motor diminui, este aumenta sua velocidade. A f.c.e.m. aumenta, diminuindo a
corrente no induzido e o conjugado desenvolvido pelo motor. Qualquer variação da carga
acarreta uma variação na velocidade até que haja novo equilíbrio elétrico no motor. A variação
da velocidade, em um motor paralelo, desde a condição sem carga até a condição de plena
carga é apenas de cerca de 10% da velocidade na condição sem carga. Por esta razão, os
motores paralelos são considerados como motores de velocidade constante.
Na partida dos motores paralelos, deve ser ligada uma resistência de partida em série com o
induzido, ou qualquer outro dispositivo a fim de limitar a corrente até que a velocidade seja
suficiente para gerar a f.c.e.m. necessária. Como a corrente de partida é pequena, devido à
resistência de partida, o conjugado de partida também é pequeno. Os motores paralelos são
usados, em geral, quando se deseja uma velocidade constante para uma carga variável e
também quando é possível dar partida ao motor com uma carga muito leve ou sem carga.

Motor C.C. Paralelo

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Motor Série
O motor série tem o seu campo ligado em série com o induzido e a linha de alimentação, como
mostra a figura abaixo. A bobina de campo consiste de umas poucas espiras de fio grosso,
porque a corrente do induzido passa por ela. Se a carga aumenta, a velocidade diminui, assim
como a f.c.e.m. Isto faz com que a corrente aumente, permitindo um conjugado maior,
necessário para movimentar o acréscimo da carga. O motor série gira lentamente com cargas
pesadas e muito rapidamente com cargas leves.
Também pode-se ver que os motores série são motores de velocidade variável, isto é, sua
velocidade varia bastante com a variação de carga. Por esta razão, os motores série são
raramente usados quando é necessária uma velocidade constante de funcionamento
O conjugado - a força de giro - desenvolvido por qualquer motor de C.C. depende da corrente
do induzido e da intensidade do campo. Em um motor série, a própria intensidade do campo
depende da corrente no induzido. Portanto, o valor do conjugado desenvolvido depende dupla-
mente da intensidade da corrente no induzido. Quando a velocidade do motor é baixa, a
f.c.e.m. é conseqüentemente baixa e a corrente no induzido é intensa. Isto significa que o
conjugado será muito grande quando a velocidade do motor é pequena ou zero, como na
partida. Diz-se, então, que o motor série tem um alto conjugado de partida.

Motor C.C. Série

Inversão de rotação
Como a direção de rotação depende da direção do campo magnético e esta, por sua vez,
depende do sentido da corrente elétrica, para invertermos a rotação de um motor C.C. basta
invertermos a ligação de um de seus enrolamentos (campo ou induzido).
Caso sejam invertidas as polaridades de ambos os enrolamentos, a direção da rotação não se
altera. Por esta razão, o motor C.C. série funciona também em C.A. e é chamado também de
Motor Universal. Este tipo motor é muito utilizado em ferramentas portáteis (furadeiras,
esmerilhadeiras, etc.) e eletrodomésticos (liquidificadores, batedeiras, etc.).

18 Eletricidade III – Engº. José Roberto Pereira - 3ª Edição - 2011 18


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Variação da Velocidade
A velocidade de um motor C.C. depende da intensidade do campo magnético e do valor da
tensão aplicada. Se a intensidade do campo diminui, o motor se acelera tentando manter o
valor correto da f.c.e.m. Se o circuito de campo se abrisse, restaria apenas o magnetismo
residual e a velocidade do motor aumentaria perigosamente, chegando em alguns casos a se
despedaçar.
A velocidade de um motor pode ser regulada pelo controle da intensidade do campo, variando-
se sua tensão de alimentação, ou pelo controle da tensão aplicada no induzido.
No caso do motor série, o controle de velocidade é conseguido variando-se a tensão total
aplicada ao motor.

19 Eletricidade III – Engº. José Roberto Pereira - 3ª Edição - 2011 19


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CAPÍTULO 3
MÁQUINAS DE C.A.

O Gerador de C.A.
O princípio de funcionamento do gerador C.A. foi visto no capítulo 1 da Apostila de
Eletricidade II, quando estudamos o comportamento de uma espira girando em um campo
magnético, e no capítulo 2 desta apostila, ao estudarmos o funcionamento do Gerador de C.C.
O gerador de C.A. funciona exatamente como o gerador de C.C., porém sem o sistema de
comutação. O seu campo é gerado através de “Bobinas de Campo”, por meio das quais é
possível regular a tensão de saída, variando-se a tensão a elas aplicada.
Também como nos outros casos, a bobina simples do gerador elementar é substituída por um
conjunto de várias bobinas, assim como o seu número de pólos pode variar. A fórmula para se
calcular a freqüência da C.A. gerada em função do número de pólos e da rotação do gerador
encontra-se abaixo:

f = n . p / 120

f = freqüência da C.A. gerada em Hertz (Hz)


n = velocidade de rotação do gerador em R.P.M.
p = número de pólos do gerador

20 Eletricidade III – Engº. José Roberto Pereira - 3ª Edição - 2011 20


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Motores de C.A.
Muitos tipos de motores de C.A. são projetados e usados, pois a maior parte da energia elétrica
produzida é C.A. Os motores de C.A., de um modo geral, têm características de funcionamento
semelhantes às dos motores de C.C.; a operação, contudo, é mais fácil. Isto porque os motores
de C.C. possuem comutadores, com as dificuldades das escovas, porta-escovas, etc. Muitos
tipos de motores de C.A. funcionam sem anéis coletores. Podemos esperar, portanto, um
funcionamento sem avarias durante períodos bastante longos.
Os motores de C.A. têm características excelentes para o funcionamento a velocidades
constantes, porque a velocidade é determinada pela freqüência da fonte de alimentação.
Os motores de C.A. podem ser monofásicos ou trifásicos. O princípio de funcionamento é o
mesmo, em todos os casos. O princípio básico é o de um campo magnético rotativo que causa
a rotação do rotor do motor.
Dividimos os motores de C.A. em duas classes principais:
1) – motores síncronos;
2) – motores de indução.

O motor síncrono é um alternador funcionando como motor; aplicamos C.A. ao estator e C.C.
ao rotor. O motor de indução difere do síncrono por não ter o seu rotor ligado a qualquer fonte
de alimentação. O motor de indução é muito mais usado que o motor síncrono.

Campo Rotativo
Antes de aprender como um campo magnético rotativo obriga o rotor a girar, quando
alimentado, torna-se necessário que se aprenda como se pode produzir um campo magnético
rotativo. O esquema abaixo mostra um motor trifásico, alimentado por uma fonte de C.A.
trifásica. Os enrolamentos estão ligados em triângulo, como se vê na figura. As duas bobinas
de cada fase estão enroladas na mesma direção. O campo magnético gerado por uma bobina
depende da corrente que por ela circula no momento. Se a corrente for nula, não há campo
magnético. Se a corrente for máxima, o campo será, também, máximo. Como as correntes nos
três enrolamentos estão defasadas de 120°, os campos magnéticos terão a mesma
defasagem. Os três campos individuais combinam-se em um único, para agir sobre o rotor, e
cuja posição varia com o tempo. Ao fim de um ciclo de C.A., o campo magnético terá girado de
360°, ou uma rotação completa.

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Motor trifásico ligado em triângulo

As figuras a seguir mostram as formas de onda das três correntes aplicadas ao estator. As
correntes estão defasadas de 120o entre si. As formas de onda podem representar tanto as
correntes como os campos gerados por estas correntes. Na figura dá-se às formas de onda
a mesma letra que as fases correspondentes. As formas de onda são usadas para
combinar os campos magnéticos gerados, em cada 1/6 de ciclo, para determinar a direção
do campo magnético resultante.
No ponto 1, a onda C é positiva e a onda B é negativa. Isto significa que a corrente flui em
direções opostas nas fases B e C. É, desse modo, fixada a polaridade dos respectivos
campos magnéticos. Observe que B1 é um pólo norte e B um pólo sul; C é um pólo norte e
C1 é um pólo sul. A fase A não tem campo magnético, por ser nula a sua corrente. Os
campos magnéticos dos pólos B1 e C dirigem-se aos pólos sul mais próximos,
respectivamente C1 e B. Os campos magnéticos de B e C são da mesma amplitude e o
campo resultante terá a direção da seta na figura, entre as dos campos componentes.
No ponto 2, 60o após, as correntes aplicadas variam, sendo iguais e opostas para as fases
A e B, e nula para a fase C. Pode-se verificar que o campo magnético girou de 60o.
No ponto 3 a onda B tem o valor zero, e o campo tornou a girar de mais 60o. Dos pontos 1
a 7 (correspondendo a um ciclo de C.A.), pode-se verificar que o campo magnético gira de
360o, uma rotação completa.
A conclusão é que quando se alimentam os três enrolamentos simetricamente dispostos no
estator, com CA trifásica, produzimos um campo magnético rotativo.

Campo Magnético Rotativo


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Motores Síncronos
A construção dos motores síncronos é essencialmente a mesma dos alternadores de pólos
salientes. Para compreender o funcionamento do motor síncrono suponhamos que a aplicação
de energia trifásica de C.A. ao estator produza um campo magnético rotativo. O rotor,
alimentado com C.C., age como um ímã. Um ímã, suspenso num campo magnético, gira até
ficar paralelo ao campo. Se o campo magnético gira, o ímã gira com ele. Se o campo rotativo
for intenso, a força sobre o ímã será grande.
A principal característica do motor síncrono é a de girar na mesma velocidade do campo
rotativo, velocidade esta que depende somente do número de pólos do motor e da freqüência
da rede, independente da carga aplicada. Por este motivo são utilizados em aplicações onde
se necessita velocidade constante desde à condição sem carga até a de plena carga.
A figura abaixo mostra o funcionamento de um motor síncrono:

Motor Síncrono

Motores de Indução
O motor de indução é o motor de C.A. de uso mais comum por causa de sua simplicidade,
construção robusta e baixo custo de fabricação. Estas vantagens provêm do fato de ser o rotor
isolado uma unidade auto-suficiente que não necessita de conexões externas. O nome de
motor de indução é derivado do fato de serem induzidas correntes de C.A., no circuito do rotor,
pelo campo magnético rotativo do estator.
A construção do estator é praticamente igual, tanto para os motores síncronos como para os
motores de indução; os rotores, porém, são completamente diferentes. O rotor dos motores de
indução é feito com um cilindro laminado, com ranhuras na superfície. Os enrolamentos
colocados nessas ranhuras podem ser de dois tipos.
O tipo mais comum é o de "gaiola de esquilo". O enrolamento consiste de barras, normalmente
de alumínio, de seção avantajada, unidas em cada extremidade por um anel também de
alumínio. Não há necessidade de isolamento entre o núcleo e as barras de cobre, pois as
tensões geradas nas barras do rotor são muito baixas.

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O outro tipo usa enrolamentos nas ranhuras do rotor. Este tipo de rotor é "rotor com
enrolamento" ou “rotor bobinado”.
Independentemente do tipo de rotor usado, o princípio básico de funcionamento é o mesmo,
para todos os motores. O campo magnético rotativo, gerado no estator, induz uma força
magnética no rotor. Os dois campos exercem ação combinada, obrigando o rotor a girar.

Funcionamento dos motores de indução


Quando se aplica C.A. aos enrolamentos do estator, produz-se um campo magnético rotativo.
Este campo rotativo corta os condutores do rotor, neles induzindo correntes. Esta corrente
induzida gera um campo magnético cuja tendência é de se alinhar com o campo do estator.
Como o campo do estator é rotativo, o campo do rotor não consegue se alinhar; o rotor,
portanto, segue, atrasado, o campo do estator.
Como se sabe pela lei de Lenz, as correntes induzidas tendem a se opor às variações do
campo original. Esta variação, no caso dos motores de indução, é a rotação do campo do
estator. A força exercida pelas correntes induzidas e o campo no rotor é tal que tende a
cancelar a rotação do campo do estator. Esta é a razão pela qual o rotor acompanha o campo
do estator, tão próximo quanto o permitam o seu peso e a carga.

Motores de indução – Deslizamento ou Escorregamento


O rotor dos motores tipo gaiola de esquilo não pode girar com a mesma velocidade do campo
magnético. Se a velocidade fosse a mesma, não haveria um movimento relativo e em
conseqüência não haveria f.e.m. induzida no rotor. Sem f.e.m. induzida não há conjugado
agindo sobre o rotor. A velocidade do rotor deve ser inferior à do campo magnético, para ser
possível um movimento relativo entre os dois. A diferença de rotações entre o rotor e o campo,
expressa em percentagem, constitui o "deslizamento". Quanto menor for o deslizamento, mais
próximas estarão as velocidades do rotor e do campo.

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A velocidade do rotor é função do conjugado necessário à carga. Quanto maior for a carga,
maior tem que ser o conjugado. Podemos aumentar o conjugado unicamente pela elevação da
f.e.m. induzida no rotor; só conseguimos esse aumento pela elevação da velocidade relativa. A
velocidade relativa aumenta quando o rotor gira mais devagar. A velocidade do motor de
indução cai, portanto, para cargas pesadas. Entretanto, apenas pequenas variações de
velocidade são necessárias para produzir a variação de corrente necessária para atender a
alteração da carga. A razão disto é a baixa resistência dos enrolamentos do rotor. Os motores
de indução são, portanto, considerados como "motores de velocidade constante".

Velocidade de um motor de C.A.


A velocidade de um motor de C.A. depende da velocidade do campo rotativo, também
chamada de “Velocidade Síncrona”, e que por sua vez depende da freqüência da rede, e do
número de pólos do motor. Quanto maior o número de pólos menor a rotação. A velocidade
síncrona de um motor de indução pode ser calculada pela expressão abaixo:

120 . f
N=
p

N = velocidade síncrona em R.P.M.


f = freqüência da rede
p = número de pólos

A velocidade do rotor é dada descontando-se o deslizamento da velocidade síncrona.

Exemplo:
Calcular a velocidade de um motor de 4 pólos alimentado por uma rede de 60Hz e que possui
um escorregamento de 2%:
A velocidade síncrona será:
n = 120 . 60 / 4 ⇒ n = 1.800 R.P.M.

Como o deslizamento é de 2%, a velocidade do rotor será (100% - 2%) 98% da velocidade
síncrona:
N = 1.800 . 98 / 100 ⇒ N = 1.764 R.P.M.

Variação da Velocidade
Em um motor de indução do tipo “rotor bobinado”, a variação da velocidade é possível
inserindo-se resistências no seu circuito do rotor, que limitam sua corrente e,
conseqüentemente, o conjugado. Em um motor do tipo “gaiola”, isso somente pode ser
conseguido mudando-se o número de pólos (existem motores de duas velocidades), ou
variando-se a freqüência de alimentação. Com o desenvolvimento da eletrônica, a utilização
dos chamados “Inversores de Freqüência”, que são dispositivos que permitem um controle e
ajuste contínuo da velocidade de um motor “gaiola”, tornou-se cada vez mais popular, simples
e de baixo custo.
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Sentido de Rotação de um Motor de C.A.
Como o rotor acompanha o campo do estator, o seu sentido de rotação é o mesmo do estator.
Este, por sua vez, depende da seqüência das fases de alimentação. Assim, para se inverter a
rotação de um motor de indução C.A., basta inverter qualquer par de conexões entre o motor e
a rede, para que isso aconteça. Um motor de indução trifásico trabalhará em qualquer sentido.

Vemos abaixo, as partes que compõe um motor de indução trifásico do tipo “gaiola” típico:

(1) – Carcaça
(2) – Núcleo laminado do estator, composto de chapas de aço magnético
(3) – Núcleo do rotor – chapas com as mesmas características das chapas do estator
(4) – Tampa
(5) – Ventilador
(6) – Tampa defletora
(7) – Eixo
(8) – Enrolamento trifásico
(9) – Caixa de ligação
(10) – Terminais
(11) – Rolamentos
(12) – Barras e anéis de curto-circuito

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Formas de Ligação de um Motor Trifásico
Como todo sistema trifásico, os enrolamentos de um motor também podem ser associados em
estrela ou em triângulo. Deve-se levar em conta, entretanto, que cada tipo de associação irá
demandar uma tensão de alimentação diferente, de forma a garantir a mesma intensidade do
campo magnético. Caso o motor seja sub-excitado, ocorrerá perda significativa de potência e
em caso de super-excitação poderá ocorrer a queima do enrolamento por excesso de corrente
e conseqüente sobre-aquecimento. Por outro lado, isso permite que um mesmo motor seja
conectado a diferentes tensões de alimentação, aumentando sua versatilidade.
De uma forma geral, os motores trifásicos são fornecidos com os terminais do enrolamento
religáveis, de modo a poderem funcionar em redes de pelo menos duas tensões diferentes. Os
mais comuns são construídos para funcionarem em 220 / 380V, como mostra a figura abaixo:

Este tipo de ligação exige seis terminais no motor (motor de 6 pontas) e serve para quaisquer
tensões nominais duplas, desde que a segunda seja a primeira multiplicada por √ 3 .
Exemplos: 220 / 380V - 380 / 660V - 440 / 760V

Nos exemplos 380 / 660V e 440 / 760V, a tensão maior declarada só serve para indicar que o
motor pode ser acionado através de uma chave de partida estrela-triângulo. Motores que
possuem tensão nominal acima de 660V deverão possuir um sistema de isolação especial apto
a esta condição.
Uma outra forma de associação característica de qualquer sistema elétrico é a ligação em série
ou em paralelo. Neste caso, a tensão maior é sempre o dobro da tensão menor, como por
exemplo: 220 / 440V.
Podemos ainda combinar os dois casos anteriores: neste caso o enrolamento de cada fase é
dividido em duas metades para ligação série-paralelo. Além disso, todos os terminais (12) são
acessíveis para podermos ligar as três fases em estrela ou triângulo. Deste modo, temos
quatro combinações de tensão nominal:

1) Ligação triângulo paralelo


2) Ligação estrela paralela, sendo a tensão igual a √ 3 vezes a primeira
3) Ligação triângulo série, com a tensão valendo o dobro da primeira
4) Ligação estrela série, com a tensão valendo √ 3 vezes a terceira

Obs: Como a tensão no caso 4 seria maior que 660V, é indicada apenas como referência para
partida em estrela-triângulo.

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Na figura abaixo, temos um exemplo típico de ligação de um motor de indução trifásico de 12
pontas em 220 / 380 / 440 (760) V:

Limitação da Corrente de Partida em Motores Trifásicos


A partida de um motor trifásico de gaiola, deverá ser direta, por meio de contatores.
Nos casos em que a corrente de partida do motor é elevada, podem ocorrer as seguintes
conseqüências prejudiciais:

a) Elevada queda de tensão no sistema de alimentação da rede. Em função disto, provoca a


interferência em equipamentos instalados no sistema;
b) O sistema de proteção (cabos, contatores) deverá ser superdimensionado, ocasionando um
custo elevado;
c) A imposição das concessionárias de energia elétrica que limitam a queda de tensão da rede.

Caso a partida direta não seja possível, devido aos problemas citados acima, pode-se usar um
sistema de partida indireta para reduzir a corrente de partida:
- chave estrela-triângulo
- chave compensadora
- chave série-paralelo
- partida eletrônica (soft-starter)

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Partida com chave estrela-triângulo ( Y - ∆ )

É fundamental para a partida que o motor tenha a possibilidade de ligação em dupla tensão, ou
seja, em 220/380V, em 380/660V ou 440/760V. Os motores deverão ter no mínimo seis bornes
de ligação. A partida estrela-triângulo poderá ser usada quando a curva de conjugado do motor
é suficientemente elevada para poder garantir a aceleração da máquina com a corrente
reduzida. Na ligação estrela, a corrente fica reduzida para 25 a 33% da corrente de partida na
ligação triângulo. O conjugado resistente da carga não poderá ultrapassar o conjugado de
partida do motor (figura 2.9), nem a corrente no instante da mudança para triângulo poderá ser
de valor inaceitável. Existem casos onde este sistema de partida não pode ser usado.
A chave estrela-triângulo em geral só pode ser empregada em partidas da máquina em vazio,
isto é, sem carga. Somente depois de ter atingido pelo menos 90% da rotação nominal, a carga
poderá ser aplicada.
O instante da comutação de estrela para triângulo deve ser criteriosamente determinado, para
que este método de partida possa efetivamente ser vantajoso nos casos em que a partida
direta não é possível.
Na figura abaixo, é mostrado o diagrama de uma chave estrela-triângulo.

Ao ser dada a partida, C1 e C3 operam, alimentando o motor em estrela. Após o tempo


necessário para o motor atingir 90% de sua rotação nominal, C3 é desenergizada e C2
acionada, fechando então o triângulo.

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Partida com chave compensadora (autotransformador)
A chave compensadora pode ser usada para a partida de motores sob carga. Ela reduz a
corrente de partida, evitando uma sobrecarga no circuito, deixando, porém, o motor com um
conjugado suficiente para a partida e aceleração. A tensão na chave compensadora é reduzida
através de autotransformador que possui normalmente taps de 50, 65 e 80% da tensão
nominal.

Na partida, C3 opera fechando a estrela do autotransformador, e também C2, alimentando o


motor com tensão reduzida. Após o tempo necessário para que a rotação do motor atinja um
valor próximo da nominal, C3 é desenergizado abrindo a estrela e o motor fica energizado com
a tensão ainda reduzida por algumas espiras do autotransformador. Logo após, C1 opera e C2
é desligado, sendo então o motor alimentado com a sua tensão nominal.

Comparação entre Chaves Estrela-Triângulo e Compensadoras

1) Estrela triângulo
Vantagens
a) A chave estrela-triângulo é muito utilizada por seu custo reduzido.
b) Não tem limite quanto ao seu número de manobras.
c) Os componentes ocupam pouco espaço.
d) A corrente de partida fica reduzida para aproximadamente 1/3.
Desvantagens
a) A chave só pode ser aplicada a motores cujos seis bornes ou terminais sejam acessíveis.
b) A tensão da rede deve coincidir com a tensão em triângulo do motor.

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c) Com a corrente de partida reduzida para aproximadamente 1/3 da corrente nominal, reduz-
se também o momento de partida para 1/3.

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d) Caso o motor não atinja pelo menos 90% de sua velocidade nominal, o pico de corrente na
comutação de estrela para triângulo será quase como se fosse uma partida direta, o que se
torna prejudicial aos contatos dos contatores e não traz nenhuma vantagem para a rede
elétrica.

2) Chave compensadora
Vantagens
a) No tap de 65% a corrente de linha é aproximadamente igual à da chave estrela-triângulo,
entretanto, na passagem da tensão reduzida para a tensão da rede, o motor não é desligado e
o segundo pico é bem reduzido, visto que o auto-transformador por curto tempo se torna uma
reatância em série com o motor.
b) É possível a variação do tap de 65 para 80% ou até para 90% da tensão da rede, a fim de
que o motor possa partir satisfatoriamente com cargas maiores.
Desvantagens
a) A grande desvantagem é a limitação de sua freqüência de manobras. Na chave
compensadora automática é sempre necessário saber a sua freqüência de manobra para
determinar o auto-transformador conveniente.
b) A chave compensadora é bem mais cara do que a chave estrela-triângulo, devido ao auto-
transformador.
c) Devido ao tamanho do auto-transformador, a construção se torna volumosa, necessitando
quadros maiores, o que torna o seu preço elevado.

3) Partida Eletrônica (soft-starter)


O avanço da eletrônica permitiu a criação da chave de partida a estado sólido, a qual consiste
de um conjunto de pares de tiristores (SCR), ou combinações de tiristores/diodos, um em cada
borne de potência do motor.
O ângulo de disparo de cada par de tiristores é controlado eletronicamente, para aplicar uma
tensão variável aos terminais do motor durante a aceleração.
No final do período de partida, ajustável tipicamente entre 2 e 30 segundos, a tensão atinge
seu valor pleno após uma aceleração suave ou uma rampa ascendente, ao invés de ser
submetido a incrementos ou saltos repentinos.
Com isso, consegue-se manter a corrente de partida (na linha) próxima da nominal e com
suave variação.
Além da vantagem do controle da tensão (corrente) durante a partida, a chave eletrônica
apresenta, também, a vantagem de não possuir partes móveis ou que gerem arco, como nas
chaves mecânicas. Este é um dos pontos fortes das chaves eletrônicas, pois sua vida útil torna-
se mais longa.
Os “soft-starters” mais modernos possuem a função “quick start”, que gera um pulso maior de
corrente no momento da partida, permitindo que esta seja feita sob carga, uma vez que esse
aumento de corrente proporciona um aumento também do conjugado de partida.

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O Motor Monofásico
Os motores de indução monofásicos possuem um único enrolamento no estator. Este
enrolamento gera um campo que se alterna na direção do eixo do enrolamento, não sendo,
portanto, rotativo. Se o rotor estiver parado, o campo ao se expandir e contrair, induz correntes
no rotor.
O campo gerado no rotor será de polaridade oposta ao do estator. A oposição dos campos
exerce um conjugado sobre a parte superior e a parte inferior do rotor, tendendo a girá-Io 180o
de sua posição. O conjugado é igual em ambas as direções, pois as forças se exercem pelo
centro do rotor. O resultado é que o rotor continua parado (figura abaixo).

Se, porém, o rotor estiver girando, ele continuará girando na direção inicial, pois o
conjugado será ajudado pela inércia do rotor.
Não é conveniente, porém, partir o motor girando-o manualmente.
É necessário, portanto, introduzir no estator um dispositivo elétrico que dê origem a um campo
rotativo, por ocasião da partida. Assim que o motor estiver girando, o dispositivo pode ser
eliminado do circuito, pois o rotor e o estator juntos produzirão o campo rotativo necessário ao
funcionamento do motor.
Um dos tipos que possui dispositivo para a partida é o "motor de indução de fase dividida". Os
motores deste tipo usam combinações de indutância, capacitância e resistência para produzir
um campo rotativo.
O tipo de motor de fase dividida, que estudaremos aqui, é o tipo de partida por capacitor, que é
o mais utilizado. A figura a seguir mostra o diagrama esquemático de um motor típico com
partida por capacitor. O estator possui um enrolamento principal e um enrolamento de partida.
Este é ligado em paralelo e perpendicularmente ao principal. A defasagem de 90o elétricos,
entre os dois enrolamentos, é obtida com o uso de um capacitor em série com o enrolamento
de partida e um interruptor, geralmente centrífugo, de partida.
Para a partida, o interruptor é ligado e o capacitor fica em série com o enrolamento auxiliar. O
valor do capacitor é tal que nós temos, em realidade, um circuito RC, no qual a corrente está
avançada de cerca de 45o sobre a tensão. O enrolamento principal tem resistência suficiente
para que a corrente fique atrasada de quase 45o em relação à tensão da linha.
As duas correntes e, portanto, os campos magnéticos por elas gerados, estão defasados de
90o. O efeito resultante é um campo rotativo, necessário à partida do motor.

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Quando o motor tiver atingido uma velocidade próxima da nominal, o interruptor de partida
interrompe a alimentação do enrolamento auxiliar e o motor funciona como um motor de
indução normal.

Motor Monofásico com Partida a Capacitor

Dados de Placa de um Motor

Tensões de Alimentação
Normalmente, todo motor elétrico é fabricado para diversas tensões de alimentação, que são
informadas na placa do motor. Suas formas de ligação foram descritas nas páginas 23 e 24.

Categoria
Conforme as suas características de conjugado em relação à velocidade e corrente de partida,
os motores são classificados em categorias, cada uma adequada a um tipo de carga. Estas
categorias são definidas em norma, e são as seguintes:
Categoria A - Conjugado de partida normal; corrente de partida alta; baixo escorregamento
(cerca de 5%). Motores usados onde não há problemas de partidas nem limitações de corrente.
Categoria B - Conjugado de partida normal; corrente de partida normal; baixo escorregamento.
Constituem a maioria dos motores encontrados no mercado e prestam-se ao acionamento de
cargas normais, como bombas, máquinas operatrizes, etc.
Categoria C - Conjugado de partida alto; corrente de partida normal; baixo escorregamento.
Usados para cargas que exigem maior conjugado na partida, como peneiras, transportadores
carregados, cargas de alta inércia, etc.
Categoria D - Conjugado de partida alto; corrente de partida normal; alto escorregamento
(mais de 5%). Usados em prensas excêntricas e máquinas semelhantes, onde a carga
apresenta picos periódicos. Usados também em elevadores e cargas que necessitam de
conjugados muito altos e corrente de partida limitada.
Categoria F - Conjugado de partida baixo; corrente de partida baixo; baixo escorregamento.
Pouco usados, destinam-se a cargas com partidas frequentes, porém sem necessidade de
altos conjugados e onde é importante limitar a corrente de partida.

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Fator de serviço
O fator de serviço, é um fator que aplicado à potência nominal, indica a carga permissível que
pode ser aplicada ao motor. Esse fator refere-se a uma capacidade de sobrecarga contínua, ou
seja, uma reserva de potência que dá ao motor uma capacidade de suportar melhor o
funcionamento em condições desfavoráveis. Por exemplo, um FS = 1,15 significa que o motor
pode suportar uma potência 15% superior à nominal. Assim, um motor de 30 CV seria capaz de
suportar 30 x 1,15 = 34,5 CV continuamente.

Classe de isolamento
A classe de isolamento, indicada por uma letra normalizada, identifica o tipo de materiais
isolantes empregados no isolamento do motor. As classes de isolamento são definidas pelo
respectivo limite de temperatura; são as seguintes, de acordo com a ABNT:
Classe A = 105ºC
Classe E = 120ºC
Classe B = 130ºC
Classe F = 155ºC
Classe H = 180ºC
As classes B e F são as comumente usadas em motores normais.

Regime
O regime é o grau de regularidade da carga a que o motor é submetido. Os motores normais
são projetados para regime contínuo, isto é, um funcionamento com carga constante, por
tempo indefinido, desenvolvendo potência nominal. São previstos, por norma, vários tipos de
regimes de funcionamento.

Corrente de Partida
Os motores elétricos são construídos obedecendo normas, segundo o uso a que se destinam,
que os padronizam conforme definições da NEMA ou da ABNT. (Deverá constar na plaqueta
de identificação a letra correspondente ao seu padrão construtivo).
Para a ABNT, 5 códigos são definidos, conforme a tabela seguinte:
IP - Corrente de partida direta
Letra Código
(Motores com enrolamento tipo gaiola)
A ALTA Acima de 6 x IN
B NORMAL 3,80 a 6,00 x IN
C NORMAL 3,80 a 6,00 x IN
D NORMAL 3,80 a 6,00 x IN
F BAIXA Até 4 x IN

IN = Corrente Nominal do motor.


IP = Corrente de Partida do motor.
É comum encontrarmos motores com corrente de partida igual a 7 ou 8 vezes a corrente
nominal.
Porém, para os motores de produção seriada, normalmente encontrados no mercado, a
corrente de partida situa-se entre 5,5 e 7,00 vezes a corrente nominal. (5,5 x IN < IP < 7,00 x IN).

36 Eletricidade III – Engº. José Roberto Pereira - 3ª Edição - 2011 36


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Grau de Proteção
O grau de proteção é um código padronizado, formados pelas letras “IP” seguidas de um
número de dois algarismos, que define o tipo de proteção do motor contra a entrada de objetos
estranhos ou de água, conforme mostrado no quadro abaixo. Esses graus são definidos pela
norma NBR-6146.

1º ALGARISMO: Indica o grau de proteção contra penetração de corpos sólidos estranhos e


contato acidental.
1º Algarismo
Algarismo Indicação
0 Sem proteção
1 Corpos estranhos de dimensões acima de 50mm
2 Corpos estranhos de dimensões acima de 12mm
3 Corpos estranhos de dimensões acima de 2,5mm
4 Corpos estranhos de dimensões acima de 1mm
5 Proteção contra acúmulo de poeiras prejudiciais ao motor
6 Totalmente protegido contra a poeira

2º ALGARISMO: Indica o grau de proteção contra penetração de água no interior do motor.


2º Algarismo
Algarismo Indicação
0 Sem proteção
1 Pingos de água na vertical
2 Pingos de água até a inclinação de 15º com a vertical
3 Água de chuva até a inclinação de 60º com a vertical
4 Respingos de todas as direções
5 Jatos d'água de todas as direções
6 Água de vagalhões
7 Imersão temporária
8 Imersão permanente

Obs.: A letra “W”, colocada entre as letras “IP” e os algarismos indicativos do grau de proteção,
indica que o motor é protegido contra intempéries.

Exemplo:
IPW55 significa motor com grau de proteção IP55 quanto a penetração de poeiras e água,
sendo, além disso, protegido contra intempéries (chuva, maresia, etc.).
Os motores com grau IPW são também chamados motores de uso naval.

37 Eletricidade III – Engº. José Roberto Pereira - 3ª Edição - 2011 37


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CAPÍTULO 4
PROTEÇÃO DOS CIRCUITOS ELÉTRICOS

Introdução
A elaboração de um esquema completo de proteção para uma instalação elétrica industrial
envolve várias etapas, desde o estabelecimento de uma estratégia de proteção, selecionando
os respectivos dispositivos de atuação, até a determinação dos valores adequados para a
calibração destes dispositivos.
Para que um sistema de proteção atinja a finalidade a que se propõe, deve responder aos
seguintes requisitos básicos:

a) Seletividade
É a capacidade que possui o sistema de proteção de selecionar a parte danificada da rede e
retirá-Ia de serviço sem afetar os circuitos sãos.
b) Exatidão e segurança de operação
Garante ao sistema.uma alta confiabilidade operativa.
c) Sensibilidade
Representa a faixa de operação e não operação do dispositivo de proteção.

Todo projeto de proteção de uma instalação industrial deve ser feito globalmente e não
setorialmente. Projetos setoriais Implicam numa descoordenação do sistema de proteção,
trazendo, como conseqüência, interrupções desnecessárias de setores de produção, cuja rede
nada depende da parte afetada do sistema.
Basicamente, um projeto de proteção é feito com dois dispositivos: fusível e relé. E para que os
mesmos sejam selecionados adequadamente é necessário se proceder à determinação das
correntes de curto-circuito nos vários pontos do sistema elétrico.
Os dispositivos de proteção contra correntes de curto-circuito devem ser sensibilizados pelo
valor mínimo desta corrente.
A proteção é considerada ideal, quando reproduz a imagem fiel das condições do circuito para
o qual foi projetada, isto é, atua dentro das limitações de corrente, tensão e tempo para as
quais foram dimensionados os equipamentos e materiais da instalação.
A capacidade de um determinado circuito ou equipamento deve ficar limitada ao valor do seu
dispositivo de proteção, mesmo que isto represente a sub-utilização da capacidade dos
condutores ou da potência nominal do equipamento. .
Os dispositivos de proteção devem ser localizados e ligados adequadamente aos circuitos,
segundo regras gerais estabelecidas por normas e a seguir resumidamente abordadas:

a) Os dispositivos devem ser ligados em cada condutor não aterrado do circuito a ser
protegido.
b) Nos circuitos em que há derivação de ramal com seção inferior ao circuito principal,
protegido por um dispositivo de corrente nominal adequado aos condutores de menor
seção, não há necessidade de se aplicar nenhuma proteção adicional no ponto de
derivação.

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c) Os dispositivos de proteção devem ser localizados em pontos de fácil acesso.
d) Os dispositivos de proteção de um circuito de carga motriz devem proteger os
condutores, o dispositivo de comando e o próprio motor contra curto-circuito trifásico ou
fase-terra.
e) Os motores acima de 1 cv devem possuir proteção de sobrecorrente desde que
funcionem em regime contínuo.
f) Todos os motores trifásicos devem possuir proteção de sobrecarga e de curto-circuito.

PROTEÇÃO DE SISTEMAS DE BAIXA TENSÃO


Dispositivos de proteção
Os condutores e equipamentos, de uma maneira geral, componentes de um sistema industrial
de baixa tensão, são, freqüentemente, solicitados por correntes e tensões acima dos valores
previstos para operação em regime para os quais foram projetados. Estas solicitações,
normalmente, vêm em forma de sobrecarga, corrente de curto-circuito, sobretensões e
subtensões. Todas estas grandezas anormais devem ser limitadas no tempo de duração e
módulo. . .
Portanto, dispositivos de proteção encontrados nas instalações elétricas industriais devem
permitir o desligamento do circuito, quando este está submetido às condições adversas
anteriormente previstas.
Na prática, os principais dispositivos utilizados são os fusíveis, tipos Diazed e NH, os
disjuntores e os relés térmicos.

Fusíveis
São dispositivos destinados à proteção dos circuitos elétricos e que se fundem quando são
percorridos por uma corrente de valor superior àquele para a qual foram projetados.
Os fusíveis operam dentro de suas características próprias de tempo x corrente, conforme pode
ser observado pela figura abaixo, para fusíveis NH:

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Os fusíveis NH apresentam características de limitação de corrente, isto é, o elo se funde
durante a ascensão da onda de impulso, conforme pode ser observado na figura abaixo.

Quando instalados em circuitos onde existem motores instalados, deve-se garantir que o
fusível não atue com a corrente de partida do motor.

Fusível tipo NH Fusível tipo Diazed

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Disjuntores de Baixa Tensão
São dispositivos destinados à proteção de circuitos elétricos, os quais devem atuar, quando
percorridos por uma corrente de valor superior ao estabelecido para funcionamento normal.

As principais características nominais dos disjuntores são:


a) Corrente nominal
É aquela que pode circular permanentemente pelo disjuntor.
Os disjuntores ditos tropicalizados, são constituídos de um bimetal duplo que permite manter a
sua corrente nominal até a uma temperatura, em geral, de 50°C, sem que o mecanismo de
atuação opere. Ao contrário, os disjuntores providos de somente um bimetal são ajustados
para atuarem a uma temperatura de 25°C.
Considerando a utilização de disjuntores tropicalizados em quadros de distribuição industriais,
onde a temperatura pode ser elevada, superior a 50°C, deve-se corrigir a sua corrente nominal
aplicando-lhe um fator de 0,80. Para temperaturas iguais ou inferiores a 50°C, pode-se utilizar
toda a capacidade de corrente nominal do disjuntor, sem necessidade de aplicar nenhum fator
de correção.
Entretanto, para os disjuntores calibrados para 25oC, recomenda-se utilizar somente 70% da
sua corrente nominal, já que na prática, as temperaturas internas dos quadros de distribuição
são geralmente superiores a este valor.
b) Tensão nominal
É aquela à qual estão referidas a capacidade de interrupção e as demais características
nominais.
c) Capacidade nominal de interrupção de curto-circuito
É a máxima corrente presumida de interrupção, valor eficaz, que o disjuntor pode interromper,
operando dentro de suas características nominais de tensão e freqüência, e para um fator de
potência determinado.

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Os disjuntores termomagnéticos operam de acordo com as suas curvas de características
térmicas (curva T) e magnéticas (curva M), conforme pode ser observado na figura abaixo:

Disjuntor Termomagnético em Caixa Moldada

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Relés bimetálicos de sobrecarga para contatores
São dispositivos dotados de um par de lâminas construídas com metais de diferentes
coeficientes de dilatação linear e que, quando atravessados por uma corrente de intensidade
ajustada, aquecendo o bimetal, provoca, sob o efeito da dilatação térmica de suas lâminas, a
operação de um contato móvel.
Os relés bimetálicos de sobrecarga são constituídos de tal modo a permitir ajustes da corrente
nominal dentro de determinadas faixas que podem ser escolhidas, conforme o valor da
corrente e natureza da carga.
Quanto maior for o valor da corrente de sobrecarga, menor será o tempo decorrido para a
atuação do relé térmico.
Normalmente, os relés de sobrecarga são acoplados a contatores, de largo emprego no
acionamento de motores elétricos (figura abaixo).

Relé de Sobrecarga e Contator

Em geral, são tropicalizados, isto é, podem operar em ambientes cuja temperatura esteja
compreendida numa faixa de - 25°C a + 55°C (característica dos relés térmicos, tipo 3UA, de
fabricação SIEMENS). Para outros fabricantes, deve ser consultado o catálogo
correspondente.
Os relés de sobrecarga, quando aquecidos à temperatura de serviço, têm, nas suas curvas
características de disparo, os tempos reduzidos, em geral, a 25% ou a 50% dos tempos
indicados.
Os relés de sobrecarga devem ser protegidos contra as elevadas correntes de curto-circuito.
Normalmente, os fabricantes fornecem a capacidade máxima dos fusíveis que devem ser
empregados no circuito para garantir a integridade do relé e que em nenhuma hipótese deve
ser superada.

Dimensionamento dos Dispositivos de Proteção


Conhecidos os dispositivos de proteção e suas características básicas de funcionamento,
podem agora ser determinados os seus valores nominais quando indicados para atuarem num
esquema de proteção.
Inicialmente, os dispositivos de proteção serão dimensionados em função das características
elétricas do sistema, quais sejam:
a) Corrente nominal;
b) Corrente de curto-circuito;

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c) Corrente de partida dos motores.

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Posteriormente, deverão ser aplicados sobre o esquema de proteção os conceitos de
seletividade. Cabe advertir que os ajustes necessários ao esquema de proteção, impostos
pelos requisitos da seletividade, não devem comprometer a segurança da instalação.

Curto-Circuito
Como vimos, ao dimensionarmos dispositivos de proteção, um dos parâmetros decisivos para
sua correta escolha é sua capacidade de interrupção de corrente. É de suma importância que
esta seja maior que a máxima corrente de curto-circuito calculada para o trecho a ser protegido
pelo dispositivo, sob pena do dispositivo não cumprir corretamente sua função.
Por esta razão, a determinação das correntes de curto-circuito nas instalações elétricas é
fundamental para elaboração do projeto de proteção e coordenação dos seus diversos
elementos.
Os valores destas correntes são baseados no conhecimento das impedâncias, desde o ponto
de defeito até a fonte geradora.
As correntes de curto-circuito adquirem valores de grande intensidade, porém, com duração
geralmente limitada a frações de segundo. São provocadas, mais comumente, pela perda de
isolamento de algum elemento energizado do sistema elétrico. Os danos provocados na
instalação ficam condicionados à intervenção correta dos elementos de proteção. Os valores
de pico estão, normalmente, compreendidos entre 10 e 100 vezes a corrente nominal do ponto
de defeito da instalação e dependem da localização deste.
Além das avarias provocadas pela queima de componentes da instalação, as correntes de
curto-circuito geram solicitações de natureza mecânica, atuando, principalmente, sobre os
barramentos, chaves e condutores, ocasionando o rompimento dos apoios e deformação na
estrutura dos quadros de distribuição, caso o dimensionamento destes não seja adequado.

Tipos de Curto-Circuito
Os defeitos nas instalações elétricas podem ocorrer em uma das seguintes formas:

a) Curto-circuito trifásico
Quando as tensões nas três fases se anulam no ponto de defeito. Na maioria das instalações
industriais, o máximo valor da corrente de curto-circuito é obtido durante a ocorrência de uma
falha trifásica. É utilizado na seleção dos dispositivos de proteção e manobra e no
dimensionamento dos barramentos.
b) Curto-circuito bifásico
Este defeito pode ocorrer em duas situações distintas, ou seja: na primeira, há o contato
somente entre dois condutores de fases diferentes e na segunda, além do contato direto entre
os citados condutores, há a participação do elemento terra.
c) Curto-circuito fase-terra
À semelhança do anterior, o defeito monopolar pode ocorrer em duas situações diversas: na
primeira, há somente o contato entre um condutor fase e a terra e na segunda, há o contato
simultâneo entre dois condutores fase e a terra.

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É interessante reduzir-se a intensidade das correntes de curto-circuito, de uma maneira geral.
Algumas prescrições de projeto podem ser adotadas, ou seja:
a) Dimensionar os transformadores de força com impedância percentual elevada;
b) Dividir a carga da instalação em circuitos parciais alimentados por vários transformadores;
c) inserir uma impedância no neutro do transformador, quando se deseja limitar a corrente
monopolar.

A base de qualquer sistema de proteção está calcada no conhecimento dos valores das
correntes de curto-circuito da instalação. Deste modo são dimensionados os fusíveis e
disjuntores, e determinados os valores nominais dos dispositivos e equipamentos a serem
utilizados, em função dos limites da corrente de curto-circuito indicados pelos fabricantes dos
mesmos.

Cálculo de uma Corrente de Curto-Circuito


No cálculo das correntes de curto-circuito, utiliza-se uma forma de expressão das grandezas
envolvidas chamada “Per Unit” ou em Português, “Por Unidade” (PU).
O valor de uma grandeza em “pu” é definido como sendo a relação entre esta grandeza e o
valor adotado arbitrariamente como sua base, sendo expresso em um número decimal. O valor
em “pu” pode ser também expresso em percentagem, que corresponde a 100 vezes aquele
valor decimal.
Os valores de tensão, corrente, potência e impedância de um circuito são, muitas vezes,
expressos desta forma.
Usando a impedância em (%), a corrente de curto-circuito trifásica é calculada pela fórmula:

100 . In
IK3 =
Z%

IK3 = corrente de curto-circuito trifásica


In = corrente nominal
Z% = impedância em (%)

Exemplo:
Calcular a corrente de curto-circuito na saída de um transformador com as seguintes
características:
Potência = 1.000 kVA
Tensão primária = 25 kV
Tensão secundária = 380 V
Impedância = 4,63%

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Em primeiro lugar calculamos a corrente nominal; sabemos que S = V . I . √ 3 .
Logo,
I=S/V.√3

In = 1.000.000 / 380 . 1,732 = 1.519 A

IK3 = 100 . 1.519 / 4,63

IK3 = 32.815 A

Isso significa que o dispositivo de proteção instalado imediatamente na saída do transformador


(disjuntor ou fusível), deve ter uma capacidade de interrupção superior a essa corrente,
operando na tensão de 380V.

Aterramento
Toda instalação elétrica de alta e baixa tensão, para funcionar com desempenho satisfatório e
ser suficientemente segura contra risco de acidentes vitais, deve possuir um sistema de
aterramento dimensionado adequadamente para as condições particulares de cada projeto.
Um sistema de aterramento visa:
a) Segurança de atuação da proteção;
b) Proteção das instalações contra descargas atmosféricas;
c) Proteção do indivíduo contra contatos em partes metálicas da instalação energizadas
acidentalmente;
d) Uniformização do potencial em toda área do projeto, prevenindo contra tensões
perigosas que possam surgir durante um curto fase-terra.

As normas brasileiras NBR-5410 (Instalações Elétricas de Baixa Tensão), NBR-5419 (Proteção


de Estruturas contra Descargas Atmosféricas), NBR-14039 (Instalações Elétricas de Média
tensão de 1,0 kV a 36,2 kV) e NR-10 (Segurança em Instalações e Serviços de Eletricidade)
abordam e regulamentam as instalações elétricas, incluindo o aterramento.

Perigos da Corrente Elétrica


Os acidentes mais comuns a que estão submetidas as pessoas, principalmente aquelas que
trabalham em processos industriais ou desempenham tarefas de manutenção e operação de
processos industriais, é o toque acidental em partes metálicas energizadas, ficando o corpo
ligado eletricamente sob tensão entre fase e terra.
O limite de corrente suportado pelo indivíduo é de 25mA, em média, para uma freqüência de
60Hz, apesar do sofrimento físico do acidentado. Para corrente contínua esse valor sobe a
50mA.
Foi comprovado também, que, entre um eletrodo seguro com a mão e o solo úmido, uma
pessoa vestindo calça molhada, calçada com sapatos, apresenta uma resistência elétrica entre
1.000 e 2.000 Ω. Nestas condições, o limite de tensão suportável é de 25V para corrente
alternada e de 50V para corrente contínua. Estes valores máximos de tensão são os tolerados
pela CEI (Comissão Eletrotécnica Internacional).
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Para a proteção de indivíduos contra desgargas elétricas em instalações de Baixa Tensão,
devem ser empregados os dijuntores do tipo “DR” (Diferencial residual), que detectam fugas de
corrente para a terra.

Elementos da Malha de Terra


Os principais elementos de uma malha de terra são:
a) Eletrodos de terra – geralmente em cobre ou aço cobreado;
b) Condutor de aterramento – interliga os terminais de aterramento à malha de terra;
c) Condutor de proteção – interliga as carcaças dos equipamentos aos terminais de
aterramento.

À malha de terra, devem ser ligadas as seguintes partes do sistema elétrico:


a) Neutro do transformador de potência;
b) Pára-raios de distribuição;
c) Carcaças metálicas dos equipamentos elétricos: transformadores de potência e
medição, disjuntores, capacitores, motores, etc.;
d) Suportes metálicos das chaves fusíveis e seccionadoras, isoladores de apoio,
transformadores de medição, chapas de passagem, telas de proteção, etc.;
e) Estruturas dos quadros de distribuição de luz e força;
f) Estruturas metálicas em geral.

Resistência de Terra
Para um perfeito funcionamento de um sistema de aterramento, sua resistência de terra deverá
estar dentro de certos limites, que são estabelecidos por normas específicas. De uma maneira
geral, considera-se como resistência de terra o efeito de três resistências, a saber:
a) A resistência relativa às conexões existentes entre os eletrodos de terra (hastes e
cabos);
b) A resistência relativa ao contato entre os eletrodos de terra e a superfície do terreno em
torno dos mesmos;
c) A resistência relativa ao terreno nas imediações dos eletrodos de terra, denominada
também, de “resistência de dispersão”.

O primeiro componente é de valor desprezível perante os demais e, por isso, não é


considerado no dimensionamento do sistema de aterramento. Na prática, a resistência de terra
pode ser geralmente identificada como sendo as resistências especificadas em “b” e “c”.

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CAPÍTULO 5
SUBESTAÇÕES ABAIXADORAS – MÉDIA / ALTA TENSÃO

Generalidades
Normalmente as concessionárias de serviço público de eletricidade, estabelecem limites de
carga para o fornecimento de energia elétrica aos consumidores em tensão secundária, ou
baixa tensão. A partir desses limites, há necessidade de instalação de uma subestação
abaixadora a qual deve obedecer aos padrões estabelecidos pela concessionária, para que
possa ser aprovada. A entrada será em média tensão em 13,8 kV, 25kV ou mesmo em alta
tensão, como 138kV.
Por se tratar de uma instalação de alta tensão, devem ser tomadas todas as medidas exigidas
pelas normas específicas. Além disso, todos devem estar cientes de que se trata de uma
instalação perigosa, exigindo medidas e procedimentos de segurança.
Veremos a seguir, de uma forma sucinta, os componentes básicos de uma subestação
abaixadora, de forma a permitir que tenhamos uma visão global do assunto.

12

13 13
Barramento de A.T.

15
14 14

Barramento de B.T.

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(1) – Pára-raios de distribuição
Destinado à proteção de sobretensão provocada por descargas atmosféricas ou por
chaveamento na rede.

(2) – Chave fusível


Equipamento destinado à proteção de sobrecorrente da rede.

(3) – Mufla terminal primária ou terminação


Dispositivo destinado a restabelecer as condições de isolação da extremidade de um
condutor isolado, quando este for conectado a um condutor nu.

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(4) – Cabo de energia

(5) – Transformador de corrente para medição de energia (TC)


Equipamento capaz de reduzir a corrente que circula no seu primário para um valor
inferior, no secundário, compatível com o instrumento registrador de medição
(medidores).

(6) – Transformador de potencial (TP)


É um equipamento capaz de reduzir a tensão do circuito para níveis compatíveis com a
máxima suportável pelos aparelhos de medida.

(7) – Medidores de energia

(8) – Chave seccionadora primária


É um equipamento destinado a interromper, de modo visível, a continuidade elétrica de
um determinado circuito. Devido à sua capacidade de interrupção de corrente ser
praticamente nula, as chaves seccionadoras somente devem ser operadas com o
circuito a vazio (sem carga). Existem também, chaves seccionadoras interruptoras, que
são capazes de desconectarem um circuito operando a plena carga.

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(9) – Relé secundário de sobrecorrente
Destinado a proteger o circuito contra sobrecorrentes. O desenho abaixo mostra um relé
tradicional, eletromecânico, que ainda é encontrado em subestações antigas. Hoje existem
relés eletrônicos que desempenham funções múltiplas.

(10) – Disjuntor de potência


É um equipamento destinado à manobra e proteção de circuitos primários, capaz de
interromper grandes potências de curto-circuito durante a ocorrência de um defeito.
Pode ser a óleo, a vácuo ou a gás SF6 (hexafluoreto de enxofre). Este gás deve ser
manuseado somente por pessoas habilitadas por se tratar de um gás causador de efeito
estufa.

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(11) – Transformador de potência
Equipamento para reduzir a tensão. Estudado no capítulo 1.

(12) – Relé de Sobretensão


Destinado a proteger o circuito contra sobretensões. Existem relés eletrônicos que
executam esta função juntamente com a proteção de sobrecorrente.

(13) – Relé Diferencial


Funciona comparando a corrente do primário com a do secundário e desliga se houver
alguma diferença entre elas (corrigidas, obviamente, as diferenças inerentes à relação de
transformação). É normalmente usado apenas em transformadores de 138kV ou mais.

(14) – Disjuntor de B.T.

(15) – Banco de Capacitores


Usado para corrigir o fator de potência. Pode ser manual ou automático. Devido à sua
natureza, os capacitores podem acumular carga mesmo depois de desligados. Alguns modelos
incorporam, interna ou externamente, resistores de descarga, mas existe um tempo para que
ela se efetue, e que pode chegar até 5 minutos. Sempre que for manusear ou executar algum
trabalho que envolva capacitores, verificar, antes, se estão descarregados.

Aterramento
Devido à presença de altas tensões, é importante garantir que todos os pontos que possam ser
tocados estejam devidamente aterrados a fim de proteger os indivíduos que estiverem na
subestação. Para reduzir a “Tensão de Toque” e a “Tensão de Contato”, todas as partes
metálicas da subestação devem estar aterradas, incluindo estruturas, equipamentos, painéis,
etc. Para reduzir a “Tensão de Passo”, uma malha de aterramento deve ser instalada no piso
da subestação.
Mais detalhes sobre aterramento e outras proteções podem ser encontrados no capítulo 5 da
norma NBR 14039 – Instalações Elétricas de Média Tensão (de 1 kV a 36,2 kV).

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Procedimentos básicos de segurança em uma subestação e em eletricidade em geral

Uma vez que estamos lidando com níveis de tensão e corrente elevados e que apresentam
riscos para a vida humana, são necessários diversos cuidados e procedimentos de segurança
ao executarmos serviços em subestações ou em eletricidade em geral. Lembraremos aqui
alguns desses procedimentos básicos, porém fundamentais:

1 – Utilizar sempre ferramentas, instrumentos e EPI’s (incluindo a vestimenta de trabalho)


apropriados e certificados pela NR-10;
2 – Jamais executar serviços ou entrar sozinho em uma subestação, sem que haja um outro
profissional observando, da entrada da subestação, a execução do serviço;
3 – Nunca abrir um circuito energizado através de um dispositivo que não seja apropriado para
operação sob carga;
4 – No caso de existirem capacitores para correção do Fator de Potência, verificar se os
mesmos já se encontram descarregados;
5 – Em qualquer caso, mas em particular se existir gerador de emergência ou alguma outra
fonte possível de alimentação, seja ela em AT ou em BT, verificar se o trecho que será alvo do
serviço está completamente isolado à montante e à jusante, a fim de evitar retornos;
6 – Sempre efetuar o aterramento temporário em uma linha de AT, utilizando a vara de
manobra, antes de executar qualquer serviço nela ou mesmo dela se aproximar.
7 – Verificar, com o Detetor de Tensão, operando-o com a vara de manobra, a presença de
tensão na linha, antes de fazer o seu aterramento temporário;
8 – Ao fazer o aterramento temporário, conectar, em primeiro lugar, a extremidade do lado da
“Terra”. Só então conectar a outra extremidade à linha.
9 – Utilizar bloqueios (cadeados, etc.) e colocar avisos de “NÃO LIGAR” nos disjuntores,
chaves seccionadoras, fusíveis, etc., para evitar que a subestação ou o trecho alvo seja
energizado acidentalmente durante a execução do serviço;
10 – Utilizar um documento do tipo “Permissão de Trabalho” para liberação da área onde o
trabalho será executado. Essa permissão deverá ser assinada pelo encarregado ou
responsável da área elétrica e também pelo técnico de segurança da empresa;
11 – Em geral, a seqüência simplificada de operação para se desenergizar uma subestação
antes de nela executar qualquer serviço, é a seguinte:

1 – Desligar o disjuntor de AT;


2 – Abrir a chave seccionadora;
3 – Verificar a presença de tensão utilizando o Detetor de Tensão;
4 – Fazer o aterramento temporário;
5 – Emitir a “Permissão de Trabalho” após a verificação das condições de
segurança do local;
6 – De posse da “Permissão de Trabalho” assinada, executar o trabalho, porém
não sem antes verificar pessoalmente se as condições de segurança são
adequadas.

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Bibliografia:

- A COURSE IN ELECTRICAL ENGINEERING – Chester L. Dawes (6 vol.)


- ELECTRIC CIRCUITS – Joseph A. Edminister
- TEORIA DA ELETROTÉCNICA – Alfonso Martignoni
- TRANSFORMADORES – Alfonso Martignoni
- MÁQUINAS DE CORRENTE ALTERNADA – Alfonso Martignoni
- MÁQUINAS DE CORRENTE CONTÍNUA – Alfonso Martignoni
- BASIC ELECTRICITY – Van Valkenburgh, Nooger & Neville, Inc. (5 vol.)
- FUNDAMENTOS DE ELETROTÉCNICA – P. J. Mendes Cavalcanti
- CÁLCULO DE ENROLAMENTOS DE MÁQUINAS ELÉTRICAS – Nardo T. Muñoz
- INSTALAÇÕES ELÉTRICAS INDUSTRIAIS – João Mamede Filho
- INSTALAÇÕES ELÉTRICAS – Hélio Creder
- NOÇÕES DE ELETROTÉCNICA – Senai
- CATÁLOGO GERAL DE MOTORES - WEG

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