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Polícia Militar de Alagoas

Diretoria de Ensino
Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças
Curso de Formação de Praças - 2010

Disciplina: Introdução ao Estudo do Direito


Instrutor: Wagner Soares de Lima – 1º Ten PM
Atividade 02 - Individual

Vamos refletir sobre...


Fontes do Direito. Papel social dos recursos jurídicos. Princípio da Estrita Legalidade. Lei Omissa.
Função de Guardião da Constituição exercido pelo STF. Hierarquia das leis. Relação político-social e
a elaboração das leis. Princípio da individualização da pena, da razoabilidade e da inafastabilidade
de apreciação pelo Judiciário.

Sumário:
I. STF causa polêmica ao decidir que juiz pode aplicar pena alternativa a traficante, divergentemente do
que discorria a Lei das Drogas.
II. Tribunal de Justiça de São Paulo reconhece a profissão policial como pertencente do rol de carreiras
com direito a aposentadoria especial de 25 anos.

Não obstante, no Brasil, reinar uma tradição de interpretação literal, ou seja, uma vinculação
mais acentuada à lei escrita (conhecido como o princípio da estrita legalidade), cada vez mais seus
Tribunais Superiores passam legislar de forma secundária. Preenchendo lacunas da lei e fazendo releituras
dos diplomas legais pela óptica dos novos anseios sociais. Há críticos que vociferam contra certo império do
Judiciário, que passa a intervir em todos os aspectos das relações jurídicas e sociais.

No decorrer desta reflexão, gostaríamos de lhe apresentar alguns casos e lhe propor alguns
questionamentos.

I. STF causa polêmica ao decidir que juiz pode aplicar pena alternativa a traficante,
divergentemente do que discorria a Lei das Drogas.

Condições da formulação e envio da atividade

Tempo estimado para a leitura dos textos: 1 hora e 30 min.


Tempo estimado para a formulação das respostas: 45 min.
Questionamentos propostos: 03
Atividade individual
Prazo de entrega: 06 de novembro de 2010, Sábado, às 20h00min
Enviar para: wagnersoaresdelima@yahoo.com.br

Antes de passarmos para os textos técnicos, leia esta matéria jornalística, extraída de
importante veículo gaúcho (visualizada em 01Nov10, no sítio -
http://blogdainseguranca.blogspot.com/2010/09/impunidade-e-complacencia-penas.html):

DECISÃO POLÊMICA. Juiz pode aplicar pena alternativa a traficante.


Autoridades divergem sobre deliberação do STF, que analisou caso gaúcho - ZERO
HORA, 02/08/2010

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem, por seis votos a


quatro, que é inconstitucional a parte da nova Lei de Drogas, de 2006, que proíbe a
aplicação de penas alternativas a traficantes de drogas. Os ministros entenderam
que cabe ao juiz, na análise de casos concretos, decidir se condena à prisão ou
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aplica a chamada “pena restritiva de direito” a quem foi acusado por tráfico. A
decisão criou controvérsia entre autoridades.
Trata-se principalmente da discussão sobre punições a pequenos
traficantes. Os ministros chegaram a dizer durante o julgamento que muitas dos
presos com pequenas quantidades de drogas se tornam perigosos após o
cumprimento de suas penas pelo convívio com criminosos na cadeia.
O tribunal analisou o caso específico do gaúcho Alexandre Mariano
da Silva. Ele foi condenado a menos de dois anos de prisão por ter sido encontrado
com 13,4 gramas de cocaína. Ele entrou com um habeas corpus no Supremo
pedindo para recorrer em liberdade. Silva também requisitou que os ministros
convertessem sua punição em alguma pena alternativa, ao argumentar que a Lei de
Drogas (11.343 de 2006) fere o princípio da individualização da pena, ou seja, não
permite que cada caso seja analisado isoladamente, levando-se em conta suas
características peculiares.
O caso quase foi definido na semana passada, quando cinco dos 11
ministros votaram por sua liberdade e pela inconstitucionalidade da legislação.
Decidiram assim o relator Carlos Ayres Britto e os colegas José Antonio Dias Toffoli,
Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Cezar Peluso. Já os ministros Joaquim
Barbosa, Cármen Lúcia, Ellen Gracie e Marco Aurélio Mello entendiam que o tráfico
de drogas deve receber tratamento diferenciado. Afirmam que a lei em questão
não fere qualquer princípio constitucional.

Conversão de pena de gaúcho será feita por juiz

Naquele momento, o tribunal decidiu conceder o pedido de


liberdade até que todos os recursos sejam julgados. Antes de declarar a
inconstitucionalidade da lei, porém, o julgamento foi interrompido. Para que o STF
tomasse tal decisão, seria preciso que a maioria absoluta do plenário – ao menos
seis ministros – tivesse a mesma opinião. Como ainda faltava o voto do ministro
Celso de Mello, o tribunal decidiu esperar por sua volta. Ontem, Mello concordou
com os argumentos da maioria que já estava formada e também afirmou que é
inconstitucional parte dos artigos 33 e 44 da Nova Lei de Drogas. Os ministros não
chegaram a converter a pena de Silva. A decisão será tomada pelo juiz que o
condenou.

Neste ponto você já deve ter sua opinião sobre o tema. Mas para ampliar sua capacidade
crítica vamos ler opiniões pró e contra a decisão do Supremo:

OPINIÕES FAVORÁVEIS OPINIÕES CONTRÁRIAS

“Infelizmente, o Supremo demorou quatro anos para “Acho que a legislação deveria avançar e ser ainda mais
decidir pelo óbvio: é o juiz quem tem de decidir de acordo com restritiva porque acaba sendo benevolente com o usuário.
o caso concreto. É uma visão constitucional do direito penal. Todo o usuário é um traficante em potencial. A primeira vez
Um sujeito com 13 gramas de cocaína, mesmo que seja que as pessoas usam droga, normalmente adquirem de um
considerado um traficante, é um traficante de pequena amigo, que também é usuário. Dificilmente ele adquire pela
monta.” primeira vez numa boca de fumo.”
Alexandre Wunderlich, advogado e coordenador do Luis Fernando Martins Oliveira, delegado e diretor da Divisão
Departamento de Direito Penal e Processual Penal da PUCRS de Investigação do Narcotráfico do Denarc

“Sou favorável à pena alternativa, conforme a decisão “O Legislativo fez uma lei mais severa para impedir a
do STF, em situações bem específicas. Em alguns casos, liberdade de pessoas ligadas a um crime que assola a nação. É
usuários são rotulados traficantes, mas utilizam a droga para o crime hediondo, a lei prevê uma série de sanções mais severas
consumo pessoal. São situações excepcionais. Não são todos os para os crimes hediondos. Não acho inconstitucional. Furtos,
traficantes que podem ter esse benefício." roubos, homicídios giram em torno da droga, que está
Gilberto Thums, procurador da 6ª Câmara Criminal do TJ disseminada em toda a sociedade."
Mauro Rockenbach, promotor da Promotoria Especializada
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Criminal

O diploma legal em questão é a Lei Federal de n.º 11.343, de 23 de agosto de 2006, que
instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas – Sisnad e prescreve medidas para
prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece
normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas e define crimes. Uma
iniciativa do legislador em tornar mais severa as sanções contra aqueles que se envolvem com o tráfico de
entorpecentes e passar a diferenciar o traficante, criminoso do usuário, paciente carente do sistema de
saúde e assistência social. O dispositivo questionado é o do artigo 44, que impedia aos juízes de prolatar
sentenças mais favoráveis a casos concretos de comprovada menor proporcionalidade de prática delituosa.

LEI Nº 11.343, DE 23 DE AGOSTO DE 2006.


Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 a 37
desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça, indulto,
anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas penas
em restritivas de direitos.

Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender,
expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar,
prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que
gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:

Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a


1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.

§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem:

I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda,


oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que
gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de
drogas;

II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com


determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima
para a preparação de drogas;

III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse,
administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda
que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas.

Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, entregar
a qualquer título, possuir, guardar ou fornecer, ainda que gratuitamente, maquinário,
aparelho, instrumento ou qualquer objeto destinado à fabricação, preparação,
produção ou transformação de drogas, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 1.200 (mil e duzentos)


a 2.000 (dois mil) dias-multa.

Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização ou associação


destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34
desta Lei:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e pagamento de 300 (trezentos) a 700


(setecentos) dias-multa.

Antes de iniciarmos os questionamentos, ainda é preciso mais um elemento de subsídio para


nossa reflexão, o texto do Acórdão resultante do julgamento do Habeas Corpus n.º 101.205 originado do
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. O TJRS decidiu diminuir a pena até o limite da culminação penal,
notificando que razoável seria esperar decisão superior antes da execução da pena e o STJ decidiu indeferir
a liminar (HC), não aceitando a possibilidade de substituição da pena restritiva de liberdade por restritiva
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de direitos, ou seja, pena alternativa. A decisão final ficou, a cargo do STF, que assim pode ser vista
resumida:

O relator deste HC foi o Ministro Marco Aurélio, que relembrou sua posição quanto a um
julgado anterior recente, o HC 97.256/RS, no qual o relator foi o Ministro Carlos Ayres Britto e que Marco
Aurélio teve voto vencido. Desta vez não podendo contrariar decisão anterior passa advertir sobre alguns
pontos, entre eles a opinião contrária do Ministério Público:

Antes de continuarmos é prudente que você tenha acesso direto aos princípios constitucionais
que estão sendo avocados neste caso polêmico, em seguida compare com um trecho do relato sobre a
petição da Defensoria Pública:

Constituição Federal
Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou


ameaça a direito;

XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça


ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e
drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos,
por eles respondendo os mandantes, os executores e os que,
podendo evitá-los, se omitirem;
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XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre


outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;

LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o


devido processo legal;

Agora leia com atenção os pontos destacados do voto do Ministro Marco Aurélio:
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Questionamentos propostos

1. Em 2006, quando o Congresso votou a Lei n.º 11.343, estava transportando para o arcabouço
jurídico um anseio social. Agora em 2010, o STF altera a compreensão sobre a execução penal
no tocante aos crimes tipificados nesta lei. Qual é sua opinião sobre o tema?

“Tuma também frisa que o projeto mantém o rito dos


juizados especiais na avaliação dos casos de consumo
indevido de drogas. De acordo com Tuma, o
encaminhamento do usuário ao juizado especial criminal
segue a linha de não-estigmatização e da eficiente
resolução dos conflitos de menor potencial ofensivo. A
prisão, de acordo com o relator, não é o lugar apropriado
para o usuário de drogas, que deve ser alvo de medidas
de caráter educativo, e não do encarceramento.”
Agência Senado, 12Jun06
(Declarações do hoje falecido senador
Romeu Tuma, relator do Projeto de Lei no Senado)

2. Alguns juízes dizem que o artigo 44 da citada lei era um impeditivo incômodo, pois existiam
situações que exigiam um tratamento diferenciado. Leia o artigo deste link:
http://www.senado.gov.br/noticias/verNoticia.aspx?codNoticia=57476&codAplicativo=2 e
comente sobre o verdadeiro espírito da lei. A lei pretendeu fazer diferença entre o usuário e o
verdadeiro traficante, você acredita que o “vapozeiro”, o “fogueteiro” e o “aviãozinho” devem
ser tratados com o rigor que faz jus ao traficante ou com a benevolência que se dá ao usuário,
são criminosos por opção vantajosa ou vítimas do desarranjo social?

3. Sobre essa faculdade que tem o Supremo de considerar uma lei ou um dispositivo dela
inconstitucional, responda:

a) Por que o desejo do deputado da Assembléia Constituinte de 1988 é posto em maior


valia do que a pretensão dos senadores e deputados do Congresso em 2006, que assim
ensejaram elaborar uma nova lei sobre a política de combate às drogas?

b) Quando o legislador infra-constitucional redigiu a Lei n.º 11.343, ele não estava tão
simplesmente aprofundando o desejo do constituinte de acordo com o inciso XLIII do
art. 5º da CF: “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia
[...] o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, [...] por eles respondendo os
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem”?
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Ministro Marco Aurélio, STF

c) Por que o princípio da individualização da pena estaria em mais alta posição que o
clamor por uma efetiva ação contra esse mal do tráfico que assola o país?

“Clóvis de Souza Lodi explica que isso não significa que as pessoas vão
ficar impunes, os processos estão em andamento. Ele fez questão de
enfatizar que esta foi uma decisão própria e que cada juiz tem uma forma
de analisar a lei. Com relação aos questionamentos das policias, o juiz
explicou que não há motivos para se criar uma polêmica e que cada
instituição tem o seu papel dentro da constituição e cabe aos policiais
fazer o seu trabalho de investigação e prisão como já fazem e o Juiz em
dar a resposta necessária”

4. Sobre as conseqüências para a ordem pública, que decisões judiciais reconhecendo garantias e
liberdades constitucionais individuais podem causar a coletividade, leia a matéria do link
(Decisões de Juiz causam polêmica em Cruzeiro do Sul -
http://blogdainseguranca.blogspot.com/2010/09/impunidade-e-complacencia-penas.html) e
responda. Você concorda com a última afirmação do juiz?

Sugestão de filme

Meu Nome Não É Johnny é um filme brasileiro de 2008, do


gênero drama, dirigido por Mauro Lima, contando a história verídica de
João Guilherme Estrella um traficante da Zona Sul do Rio. Foi baseado
em um livro homônimo de Guilherme Fiuza.

João Guilherme Estrella é um jovem de classe média alta da


cidade de Rio de Janeiro. Adorado por seus pais e amigos, viveu a vida
intensamente, passou por todas as loucuras permitidas e não
permitidas, e nos anos 80 se aventurou no mundo do tráfico e tornou-
se um rei. Investigado pela polícia e preso, tem seu nome e seu rosto exposto em jornais e revistas. Ao
invés de festas, ele passa a freqüentar o banco dos réus, onde conta a sua história e as tramas da
juventude. Baseado em fatos reais, o final do filme levanta a discussão sobre a possibilidade de
ressocialização daquele que se envolveu no mundo do crime e a reabilitação do dependente químico. Foi
necessário que um agente do Estado, uma juíza de Direito, acreditasse nele, mesmo contrariando a
conduta padrão para este tipo de caso.

Leia mais sobre o filme em: http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL212938-7086,00.html


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II. Tribunal de Justiça de São Paulo reconhece a profissão policial como pertencente do rol de
carreiras com direito a aposentadoria especial de 25 anos.

Condições da formulação e envio da atividade

Tempo estimado para a leitura dos textos: 2 horas


Tempo estimado para a formulação das respostas: 1 hora
Questionamentos propostos: 05
Atividade individual
Prazo de entrega: 13 de novembro de 2010, às 21h00min
Enviar para: wagnersoaresdelima@yahoo.com.br

Para uma compreensão geral sobre o caso leia o texto do blog do Advogado Jeferson Camilo,
extraído de http://jefersoncamillo.com.br/2010/?p=893, visualizado em 01Nov10:

“Poder Judiciário reconhece que os Policiais Civis e Militares tem


DIREITO à Aposentadoria Especial por Periculosidade!”

Todos os policiais civis e militares conquistaram o Direito de se


aposentarem, com proventos integrais, aos 25 anos de serviços prestados à Polícia
do Estado Paulista.

Esse é o novo entendimento do Supremo Tribunal Federal e do


Tribunal de Justiça de São Paulo, uma vez que, esses julgados foram emitidos
em sede de Mandado de Injunção, que é uma ação movida quando não existe
uma Lei que regulamente e/ou trate adequadamente de algum Direito
Constitucional.

De fato, a Aposentadoria Especial por periculosidade está prevista no


Artigo 40, § 4º da Constituição Federal de 1988 e até o presente momento, o
Governo do Estado de São Paulo nada fez para editar Lei que regulamente referido
Direito.

Destarte, os Desembargadores reconheceram que a atividade dos


Policiais Civis e Militares é de fato de alta periculosidade, e por essa razão,
determinaram que a Lei aplicável ao Regime Geral de Previdência – Lei nº 8213 –
seja agora aplicável aos Policiais Civis e Militares, em face da demora do legislador
paulista. E, em função desse entendimento, os Tribunais estão demonstram cada
vez mais, uma NOVA visão, no sentido de que cabe ao Poder Judiciário legislar
positivamente, em face da demora do Poder Legislativo, considerando o interesse
público.

Em nossa opinião, entendemos que o melhor de tudo isso é que o


Poder Judiciário reconheceu que tais decisões são “erga omnes”, ou seja, se
aplicam a todos os demais integrantes da carreira Policial – policiais civis ou
policiais militares -, e tal aposentadoria DEVE SER requerida via administrativa ao
órgão competente de sua corporação, requerimento esse que não pode e/ou não
deve ser negado, pois, do contrário, haverá flagrante desobediência à ordem judicial
– via mandamental – já transitada em julgado.
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O instituto do Mandado de Injunção, como remédio jurídico apropriado a garantir direitos


constitucionais, mesmo na inércia do legislador infra-constitucional em regulamentá-los, está prescrito no
Art. 5º da Constituição Federal:

LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma


regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais
e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;

Como textos de subsídio da nossa reflexão sobre o tema estão em anexo a este, os Acórdãos n.º
03.175.394 e 03.175.395 do TJ/SP como conclusão do julgamento de dois Mandados de Injunção
impetrados por policiais contra o Governador do Estado de São Paulo. Além do Mandado de Injunção n.º
721-7/DF julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Leia-os, com calma, de forma seletiva escolhendo os
trechos mais relevantes, dos quais destacamos os seguintes trechos:

Questionamentos propostos

1. Por que se fala em vitória de classe, se os Mandados de Injunção impetrados pelos policiais
foram considerados prejudicados?

2. Se o estabelecimento da aposentadoria especial está contido no Regulamento da Previdência


Social e se refere ao funcionalismo público federal civil, mediante que tipo de conduta
jurisdicional o Desembargador Artur Marques pode decidir o caso do militar estadual baseado
na mesma instrução normativa? Trata-se de uma das fontes do Direito alternativas à lei? Qual
seria essa fonte?
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[...]

3. Quando o Desembargador deixa de expressar ativamente julgamento sobre o teor da questão


relacionada não ao reconhecimento abrangência do direito aos policiais, mas sim ao
reconhecimento da inexistência da regulamentação apropriada, fazendo referência imediata a
casos anteriormente julgados pelo próprio Tribunal e ainda quando se refere ao julgamento de
um Mandado de Injunção, pelo STF no caso de uma funcionária federal civil da área da saúde;
esse tipo de vinculação a decisão anterior é um tipo de fonte do Direito. Como ela é
denominada? Você acharia plausível que o Tribunal de Justiça pudesse decidir contrariamente
há algo já julgado antes pelo próprio colegiado ou por Tribunal Superior?

Lei Estadual nº 5346, de 26 de maio de 1992

DISPÕE SOBRE O ESTATUTO DOS POLICIAIS MILITARES


DO ESTADO DE ALAGOAS E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E PRERROGATIVAS
Art. 30. Os direitos e prerrogativas dos militares são constituídos pelas
honras, dignidade e distinção devida aos graus hierárquicos e cargos
exercidos.

§ 1º São direitos e prerrogativas dos militares:

XI - transferência voluntária para a reserva remunerada aos trinta (30)


anos de serviço, se do sexo masculino e vinte e cinco (25) anos, se do
sexo feminino;

4. Em Alagoas, o Estatuto dos Policiais Militares está em vigor mediante uma lei estadual, na qual
especifica o tempo de 30 anos para a transferência voluntária para a reserva remunerada. Por
que a decisão do STF, sobre aposentadorias especiais teria aplicação aos policiais militares,
contrariando o Estatuto? Sobre a hierarquia das leis, comente a ordem de primazia.

5. Sobre o nível de interferência que o Poder Judiciário pode alcançar mediante suas decisões leia
o posicionamento do Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo (extraído de
http://adeilton9599.blogspot.com/2010/10/comando-geral-da-pmsp-se-posiciona.html,
visualizado em 01Nov10):
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Policial Militar,

Recente decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, com


fundamento em julgado do Supremo Tribunal Federal, entendeu
cabível a todo servidor, civil ou militar, estadual, que prestem
serviços em condições especiais (periculosidade ou insalubridade) o
direito à aposentadoria especial aos 25 (vinte e cinco) anos de
serviço, nos termos das regras gerais do Regime Geral de
Previdência Social; bastando para tanto apresentar pedido junto ao
órgão responsável.

Diante da maciça divulgação dessa decisão muitos policiais


militares têm protocolado pedidos de inatividade junto à DP.

Como se trata de decisão que, no entendimento judicial,


visa suprir omissão do Legislativo ao não editar lei assegurando a
contagem de tempo especial do servidor público prevista no § 4º,
do artigo 126 da Constituição Estadual; bem como, por alcançar
todos os integrantes da Pasta e de outras Secretarias do Estado; o
Comando Geral já fez gestões junto ao Titular da Segurança Pública
solicitando posicionamento oficial do Poder Executivo para saber da
efetiva aplicabilidade dessa decisão judicial aos militares estaduais.

Por enquanto, não há definição a respeito e não há


necessidade de se protocolar nenhum requerimento.

Toda e qualquer novidade será divulgada na intranet, o seu


canal oficial de informações.

Contem sempre com o Comando!

ALVARO BATISTA CAMILO


Cel PM Comandante Geral

Faça o comparativo necessário com este trecho do julgado do TJ/SP de Mando de Injunção:

a) Coloque-se na posição do gestor de pessoal da Corporação, que tipos de conseqüências


uma decisão como esta pode resultar?
b) O servidor deve arcar com a omissão do legislador e com a falta de planejamento dos
órgãos públicos?
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c) Na sua opinião, se outros servidores estaduais, já haviam ganho o direito de se


aposentar e assim já tinham feito, porque o Estado, não havia tomado a atitude
coerente com as decisões anteriores por iniciativa própria?
d) O comandante pede para não se protocolar mais requerimentos administrativos, o
desembargador diz que não é necessário importunar o Judiciário com coisa já julgada, o
que gera esse tipo de contradição?