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FACULDADE TEOLÓGICA BATISTA DE SÃO

PAULO

DEPTO. DE PÓS-GRADUAÇÃO - CURSO DE MESTRADO EM TEOLOGIA

TERCEIRO ENCONTRO DE 1994 - 7 A 11/11/94

ALUNO: JOSÉ ILDO SWARTELE DE MELLO

QUESTÕES ATUAIS DA DOUTRINA DA SALVAÇÃO

DR. MILLARD J. ERICKSON

RESENHA CRÍTICA

1. Brown, Harold O. J. Will the lost suffer forever? in: Criswell, 4:2 (Spring, 1990),

páginas 261-278.

Brown analisa as questões envolvendo o destino dos que recusaram o caminho da


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salvação. Concorda que a doutrina do inferno não é a mais atrativa das doutrinas cristãs e que

existe um impulso natural em não se dar ênfase aos ensinos bíblicos sobre o sofrimento eterno.

Afirma que quando se desconsidera um ensinamento bíblico, acabamos enfraquecendo nossa

confiança em outras doutrinas.

Brown observa que o "aniquilacionismo" não parece se encaixar com os ensinos

bíblicos que descrevem o inferno como um lugar onde "o fogo nunca se apaga", "o verme não

morre", "trevas exteriores, onde há choro e ranger de dentes", e "lago de fogo".

O autor reconhece a complexidade da questão e que algumas passagens do Novo

Testamento como, por exemplo, aquelas que falam da condenação dos perdidos em termos de

"segunda morte" podem ser entendidas como significando "aniquilamento". O debate é

acirrado e tem como defensores do aniquilacionismo homens como Justino e Stott. No entanto,

diz o autor, quando nós examinamos a Bíblia, não podemos deixar de encarar as diversas

passagens de advertência que ensinam a respeito do sofrimento eterno, especialmente nos

ensinos de Jesus.

Brown faz um exame histórico e conclui dizendo que a compreensão comum entre

os judeus e os cristãos, nos primeiros séculos da era cristã, era de que havia realmente um

inferno de castigo eterno para os perdidos. Diz também que tal ensinamento acabou, com o

tempo, sendo "suavizado" pelos pais da igreja como Justino que sugeriu a possibilidade de

aniquilamento e de Origines que encarou o sofrimento do inferno em termos mais de

disciplina, ou seja, visando corrigir mais que punir. Isto seria o que conhecemos como

"segunda chance", ensino que não encontra sustentação nas Escrituras e que parece estar mais

de acordo com os princípios dos que advogam a doutrina da reencarnação.

O autor conclui dizendo que a questão não deve ser "se é duro", mas "se é verdade"

o ensinamento sobre inferno.


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2. Erickson, Millard J. The evangelical mind and heart. Grand Rapids : Baker, 1993.

páginas 107-172.

Erickson começa tratando do debate que existe em torno do papel do senhorio de

Cristo. De um lado temos a corrente que acredita não ser necessário se submeter ao senhorio

de Cristo para ser salvo, bastando apenas exercer fé nEle, conhecida como "graça livre".

representada principalmente por Hodges, e, do outro lado, temos os que defendem ser

necessário se submeter ao senhorio de Cristo, tendo como principal representante John

MacArthur. Enquanto os que enfatizam pura graça entendem que os que estão do outro lado

defendem uma posição que mistura fé com obras pervertendo a graça pura do Evangelho, os

que enfatizam o senhorio de Cristo culpam os defensores da "graça livre" por baratearem o

Evangelho, dizendo que o que eles chamam de "graça livre" não passa, na verdade, de "graça

barata".

Erickson analise com detalhes cada posição:

"FRE GRACE" - Fé é a única condição requerida para se receber a vida eterna.

Não é necessário arrependimento e nem submissão ao senhorio de Cristo. Hodges cita vários

textos que tratam da salvação sem mencionar nenhum dos outros elementos a não ser a fé (ex.

Jo 5.24; At 16.31 e I Jo 5.1). Afirma haver distinção entre Jesus como Salvador e Jesus como

Senhor, bem como, uma distinção entre salvação e discipulado. Assim um homem poderia

aceitar Jesus como Salvador, mas não tê-lo como Senhor; ter a salvação, mas não ser

discípulo. Dizem que o termo "Senhor" usado frequentemente em relação a pessoa de Cristo,

pode ser entendido como "Deus" (At 3.22), "dono" (Lc 19.33), etc. Hodges defende que é

impossível perder a salvação. Dizem que se boas obras devem acompanhar a fé, mesmo que

como resultado da fé, então não haveria meios de se ter certeza da salvação. Para eles as obras
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teriam dois propósitos básicos: manter comunhão com Deus e serem os meios através dos

quais a realidade da nossa salvação é vista pelos outros.

"LORDSHIP SALVATION" - Salvação e discipulado são idênticos. Responder ao

chamado de Cristo é tornar-se Seu discípulo. Qualquer distinção entre discípulo e crente é

artificial (At 5.14; 6.1). Necessidade de arrependimento para a salvação. É indispensável.

Envolve mudança de mente e de direção. Manifesta a intenção genuína de abandonar o

pecado, de crer de maneira correta e de obedecer e crer de maneira correta. Evangelismo que

omite a mensagem de arrependimento não merece ser chamado de Evangelho. Fé e obediência

são inseparáveis. Cita muitas passagens defendendo esta posição, inclusive Tt 1.16, onde

Paulo escreveu a Tito a respeito daqueles que professam conhecer a Deus, mas que por sua

desobediência provam sua falta de fé. Para ser salvo a pessoa precisa confessar o senhorio de

Cristo (Mt 7.21-23; Lc 6.46-49). Hodges diz que Senhor e sinônimo de Deus, mas se ele

estivesse certo, Tomé estaria sendo redundante em Jo. 20.28. Jesus não pode ser Salvador sem

Ser Senhor. Ele é Senhor, e aqueles que o rejeitam como Senhor não podem usá-lo como

Salvador. Outro argumento apresentado por MacArthur é a dificuldade para a salvação, "o

caminho estreito", "poucos" (Lc 13.23-30). Segurança da Salvação: não é errado questionar

nossa experiência (II Co 13.15); João escreveu seu livro para levar certeza para os salvos,

afirmando que existem frutos como evidência para a salvação (amor); "fé sem obras é morta";

crentes sem frutos não encontram base para segurança da sua salvação. Temos que entender

que a natureza da salvação não se resume a justificação, mas também inclui regeneração,

santificação e, por fim, glorificação.

Erickson faz uma avaliação das duas posições, chamando atenção, primeiramente

para as similaridades das duas posições: salvação pela graça, crença na Bíblia, ambos

acreditam que discipulado seja importante, se preocupam com a questão envolvendo a

segurança pessoal da salvação, etc. Quando Erickson analisa as diferenças entre os dois pontos
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de vista ele encontra mais dificuldades com a posição de Hodges, já em relação a MacArthur,

observa que existe ambigüidade quando trata do relacionamento entre obediência e fé:

algumas vezes ele diz que obediência faz parte da fé, outras vezes diz que é sinônimo, e em

outro lugar diz ser um inevitável acompanhamento da fé. E, semelhantemente, ele parece

ensinar que arrependimento é parte da fé e, em outro lugar, que é companheiro da fé, o que

também traz confusão. Mas tirando estas observações, Erickson se posiciona ao lado dos que

acreditam ser necessário não apenas crer mas se arrepender. Ensina que a fórmula correta para

a salvação seria fé + arrependimento. Explica que as passagens conflitantes dizendo que, as

vezes, um só elemento é citado porque o outro já está implícito (ex. caso do centurião em At.

16); já em outros casos foi necessário deixar explícito o arrependimento pois a fé estava

implícita. Para Erickson o debate é saudável pois nos leva a estudar com mais cuidado as

Escrituras, contribuindo positivamente para a vida da Igreja.

Particularmente, concordo com MacArthur sobre a necessidade de arrependimento e

de se entregar ao senhorio de Cristo para ser salvo. Não vejo como se possa separar o Salvador

do Senhor, e nem o crente do discípulo. Tal tentativa me parece truncada e artificial. Para mim

obras são uma consequência natural na vida dos que nasceram de novo. "Fé sem obras é

morta". "Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou

figos dos abrolhos? Assim toda árvore boa produz bons frutos... não pode a árvore boa

produzir frutos maus." (Mt 7.16-18). Salvação envolve tanto justificação quanto regeneração.

Não se pode ter um sem o outro (Tt 3.5-7). Salvação é pela graça, mediante a fé (Ef 2.8), mas

não podemos nos esquecer do v. 10, que diz: "Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus

para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas."
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A seguir, Erickson trata das questões envolvendo exclusivismo, inclusivismo,

pluralismo e universalismo. Combate categoricamente o pluralismo e o universalismo. Mas

trata com mais simpatia o inclusivismo, embora faça muitas ressalvas, parece estar aberto a

possibilidade de que alguém se salve através de outros veículos que não a fé explícita na

pessoa de Jesus Cristo, mas não está certo disto e muito menos convicto a respeito do número

dos que serão salvos desta forma. Analisa John Hick, Pluralista; Sanders e Pinnock,

inclusivistas. Após trata da questão se haverá ou não possibilidade de salvação após a morte, e

combate os argumentos de Pinnock em favor desta possibilidade. Fala também do

Aniquilacionismo, citando principalmente Pinnock e Sttot, rebatendo suas argumentações. E,

por fim, faz uma analise e uma avaliação do novo movimento conhecido como "Sinais e

Maravilhas" que defende a evangelização com poder, envolvendo manifestação de curas e

dons espirituais, como, por exemplo, o dom da palavra de conhecimento, uma espécie de

revelação especial. Erickson faz uma avaliação muito apropriada deste movimento que dá

ênfase na experiência humana. O que é muito subjetivo e relativo e ficamos sem parâmetros

para discernir. Nossas experiências subjetivas devem ser julgadas pela Palavra objetiva de

Deus e não o contrário. O mesmo se dá em relação a "palavra de conhecimento". Devemos

tomar muito cuidado com qualquer coisa que queira ocupar o lugar da Bíblia. Dizem que

devemos exercer o mesmo ministério de poder exercido por Jesus, mas na prática não é isto

que vemos acontecer, nem na qualidade e nem na quantidade. Por exemplo, não se houve de

pessoas que ressuscitaram, nem de cegos e coxos de nascença que tenham sido realmente

curados, nem de água transformada em vinho, nem de pães e peixes se multiplicando. Mas o

tipo de milagres que eles praticam são praticados também em quase todas as religiões. Esta

ênfase no transcendental, no sobrenatural não permite que eles enxerguem os atos de Deus no

cotidiano, em tudo na vida. O mesmo se dá em relação a ação maligna, pois quando se enfatiza

as possessões demoníacas acaba-se ignorando suas formas de ação mais perigosas em meio a
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sociedade, que são através da sutileza.

3. Hick, John. God has many names. Philadelphia : Westminster, 1982. páginas 13-59.

John Hick começa dizendo que existem dois tipos de teologias: a dogmática e a

problemática. Ele procura trabalhar mais na área da teologia problemática. Conta sua

experiência dizendo que aceitou a fé com alegria e o pacote inteiro de crenças, sem

questionamento. Ele afirma que as pessoas que se converteram em uma igreja conservadora

acabam se deparando com questões de ordem moral e racional e podem mudar muitas vezes

suas concepções tradicionais, embora a essência acabe permanecendo a mesma. Fala a respeito

do relativismo cultural: onde a pessoa nasce acaba determinando, em grande medida, qual seja

a sua religião.

Hick propõe que entendamos a encarnação de Cristo de maneira metafórica e não

metafísica, pois para ele não faz sentido duas naturezas numa mesma pessoa, além do mais, se

Cristo é Deus encarnado, então todas as demais religiões devem se converter ao cristianismo.

Como ele é pluralista, defende que se entenda a encarnação como sendo o "amor de Deus

encarnado na pessoa de Cristo".

Hick defende o ecumenismo, o diálogo, a troca, uma teologia global. Critica a

postura tradicional cristã que ensina a salvação somente em Cristo, o que ele chama de

ignorância. Pois se for correta, implica que a grande maioria das pessoas tem caminhado para

o inferno, a maioria deles sem sequer ter tido a oportunidade de ouvir sobre Cristo, e isto não

parece corresponder a crença de que Deus é amor. Para ele, esta visão cristocêntrica é tão

errada quanto a de Ptolomeu, que acreditava que o sol girava em torno da terra. Precisamos
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aprender com Copérnico e colocar Deus no centro de todas as coisas e deixar que todas as

demais religiões, inclusive o cristianismo girem em torno de Deus. Hick diz que Deus ama a

todos, sem favoritos, portanto não viria a um povo em particular, de um modo especial e

deixaria os outros em trevas. Ele acredita que O Eterno tem se revelado a todos os povos, e

cada povo o tem percebido a sua maneira, cada tem tido preciosos e distintos contatos com O

Eterno. Devemos aprender com as outras religiões, dialogar, trocar.

Hick não trata com cuidado a natureza de Cristo. Pois, usando o seu próprio

raciocínio, e se Jesus, de fato, for a encarnação de Deus e se Ele, verdadeiramente,

ressuscitou? Então devo concluir que todos precisam se curvar diante dEle, pois Ele não seria

mais uma revelação, mas "A" revelação, não mais um caminho, mas "O" caminho, não mais

uma religião, mas "A" religião. Então, a pessoa de Cristo precisa receber uma atenção mais

cuidadosa.

4. Hodges, Zane. Absolutely free. Grand Rapids : Zondervan, 1989. páginas 15.33 e 143-

163.

Hodges inicia comentando a parábola do filho pródigo, onde, com maestria,

introduz seu tema de salvação unicamente pela fé, sem barganhas, graça pura. Apela para o

amor e para a aceitação incondicional de Deus, representado na parábola pelo pai. Enfatiza o

relacionamento pai e filho: filho, não servo. Hodges aponta para a simplicidade do caminho da

salvação: fé. Argumenta que o Evangelho de João é o único escrito declaradamente com o

propósito de evangelizar, mas que não contém nenhuma referência ao arrependimento ou a

necessidade de submissão ao senhorio de Cristo como condição para a salvação. No entanto,

se encontra a palavra fé, muitas e muitas vezes, como por exemplo em Jo. 20.30-31.

Hodges afirma que termos simples como fé, crente e incrédulo, estão sendo
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substituídos ou explicados por complicadas elaborações, e que a solução é retornar para o

pleno significado do texto bíblico.

Hodges refuta os que o acusam de baratear o evangelho, dizendo que Deus pagou

um enorme preço, e que não podemos dizer que está graça é barata pelo simples fato de Cristo

oferecê-la gratuitamente (Ap 22.17). Abraão foi justificado pela simples fé.

Em relação ao arrependimento, Hodges ensina que no Novo testamento não está

confinado aos não salvos ou ao momento da conversão, mas que toma parte em toda a

experiência cristã. Apela para a grande expressão dos reformadores: "sola fide", dizendo ser

esta á única condição para a salvação. Não arrependimento e fé, mas fé somente. E que ensinar

o arrependimento como condição para a salvação é o mesmo que retornar ao dogma católico

romano. Trata da questão do arrependimento em João, em Lucas (especialmente a parábola do

filho pródigo), e em Atos (ex. At 11.2-3, 18; At 10.48). Hodges ensina que o papel do

arrependimento é o de conduzir as pessoas para a fé. Diz que Deus usa métodos variados.

Deus pode usar o arrependimento, mas pode também usar a gratidão, o medo, a insatisfação,

ou qualquer outro incentivo, pois Deus é soberano. Mas só existe uma condição para a

salvação: fé.

Para mim arrependimento e fé são condições para a salvação (At 2.37). O apelo de

Jesus incluía arrependimento (Mt 4.17). Passagens onde o arrependimento não está explícito

como condição para a salvação, está pelo menos implícito. Como Hodges explica textos como

Mt 5.20 e 6.14-15). Salvação envolve tanto justificação quanto regeneração. Não se pode ter

um sem o outro (Tt 3.5-7). Salvação é pela graça, mediante a fé (Ef 2.8), mas não podemos

nos esquecer do v. 10, que diz: "Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas

obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas."

"... agora, porém, notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam;

porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça..." (At 17.30-31).
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5. Kraft, Charles. Christianity with power. Ann Arbor : Vine, 1989. páginas 1-49.

Kraft faz uma defesa do movimento "sinais e maravilhas". Inicia contando de suas

experiências pessoais, dos seus preconceitos no passado e da transformação que ocorreu,

provocando fortes mudanças em sua maneira de encarar o mundo. Kraft usa como argumento

a questão da cosmovisão, dizendo que a cosmovisão ocidental é fortemente afetada pelo

iluminismo, humanismo, racionalismo, materialismo e naturalismo que determinam nossa

compreensão das Escrituras. Tal movimento tem como ensinamentos: Ênfase na demonstração

de poder, curas, exorcismos, dons espetaculares como o que eles chamam de "palavra de

conhecimento", uma espécie de revelação especial. Kraft pergunta: "Por que estas coisas

deveriam pertencer exclusivamente aos pentecostais e carismáticos?" Ele afirma que devemos

exercer o mesmo tipo de ministério miraculoso e poderoso exercido por Jesus. Diz que

devemos também superar os bloqueios ocasionados por nossa visão de mundo ocidental

evangélica. Cita a conhecida estória dos cegos e do elefante, atacando o dogmatismo. Procura

demonstrar a influência do iluminismo, naturalismo e racionalismo como obstáculos a nossa

compreensão e aceitação das manifestações de poder.

Vejo alguns problemas nos ensinos deste movimento: 1) Ênfase na experiência

humana. O que é muito subjetivo e relativo e ficamos sem parâmetros para discernir. Nossas

experiências subjetivas devem ser julgadas pela Palavra objetiva de Deus e não o contrário. O

mesmo se dá em relação a "palavra de conhecimento". Devemos tomar muito cuidado com

qualquer coisa que queira ocupar o lugar da Bíblia. Dizem que devemos exercer o mesmo

ministério de poder exercido por Jesus, mas na prática não é isto que vemos acontecer, nem na

qualidade e nem na quantidade, por exemplo, não se houve de pessoas que ressuscitaram, nem
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de cegos e coxos de nascença

que tenham sido realmente curados, nem de água transformada em vinho, nem de pães e

peixes se multiplicando. Mas o tipo de milagres que eles praticam são praticados também em

quase todas as religiões. Esta ênfase no transcendental, no sobrenatural não permite que eles

enxerguem os atos de Deus no cotidiano, em tudo na vida. O mesmo se dá em relação a ação

maligna, pois quando se enfatiza as possessões demoníacas acaba-se ignorando suas formas de

ação mais perigosas em meio a sociedade, que são através da sutileza.

6. Pinnock, Clark. The destruction of the finally impenitent. in : Criswell Review, 4:2

(Spring, 1990), páginas 243-259.

Pinnock inicia lembrando que a escatologia ainda é uma área da teologia que está

em desenvolvimento, portanto, devemos ser menos dogmáticos, mais abertos e cuidadosos ao

examinarmos cada ponto. Pinnock diz que foi Agostinho quem estruturou a doutrina do

inferno como lugar de tormento eterno. Ele se admira como é que tal ensinamento pode ser

reconciliado com o caráter de Deus revelado nas Escrituras e, em especial, na pessoa de

Cristo. A questão fica ainda piora quando se defende a doutrina da predestinação, como é o

caso do próprio Agostinho. Aí teria que se acreditar que Deus criou pessoas destinadas para o

tormento eterno.

Pinnock cita o famoso sermão de J. Edwards, "Pecadores nas mãos de um Deus

irado". E fica indignado como é que os cristãos podem conceber a divindade tão cruel e

vingativa, capaz de colocar seus inimigos numa situação de tormento eterno. Ele é muito forte

quando diz que um deus assim, capaz de tal brutalidade, estaria mais perto de Satanás do que

de Deus. Será que aquele que nos ensinou a amar os inimigos irá condenar ao tormento eterno

os seus próprios oponentes? Esta ira e desejo de vingança é de fato tão implacável e
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insaciável?

Pinnock faz uma exegese bíblica sobre o assunto. Defende que a Bíblia repetidas

vezes usa a linguagem da morte, destruição, ruína, perdição, etc, quando trata do destino dos

perversos. E que as figuras do fogo e destruição fortemente sugerem aniquilação. Diz que o

Antigo Testamento claramente ensina a destruição dos perversos (Sl 37 e Ml 4.1). E que Jesus

não foi teologicamente sistemático, mas apenas pregou, muito mais preocupado com a

importância da decisão da pessoa aqui e agora do que com especulações a respeito das

mobílias no céu ou da temperatura do inferno. Cita Mt 10.28, 3.10, 12, 5.30, 2 Ts 1.9, entre

outros textos, para sustentar sua posição. Afirma que a doutrina da imortalidade da alma é de

influência platônica e que tem sido um forte argumento para sustentar a crença num inferno de

sofrimento eterno.

Pinnock diz que várias tentativas tem sido feitas para amenizar o quadro: Alguns

pós-milenistas querem trazer consolo dizendo que no final poucos é que serão condenados ao

inferno; já C. S. Lewis parece pintar um quadro do inferno menos drástico e inconveniente, em

seu livro "O Grande Abismo". Mas, para Pinnock, o fato é que as advertências bíblicas falam

de uma terrível destruição para os impenitentes, e se o inferno é eterno, então não existe outro

jeito a não ser aceitar o fato de um lugar de tormento eterno. Não existe paliativos.

Pinnock usa também como argumento a justiça de Deus. Ele vê parâmetros no

Antigo Testamento, quando se lê sobre "olho por olho e dente por dente", portanto não vê

como pecados finitos possam receber infinita punição de tortura. Ele não compreende está

tremenda desproporção. Outro argumento é como entender I Co 15.28 e Ap 21.5? E por fim

ele trata dos textos mais difíceis que tratam mais claramente a respeito do tormento eterno. Ele

diz que o mais forte argumento em prol do inferno como lugar de tormento eterno é a longa

tradição e que há muito pouco suporte bíblico para defesa desta posição.

Realmente é um tema polêmico. Eu prefiro não ser dogmático a respeito. Alguns


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trechos das Escrituras parecem apontar numa direção, outros já apontam para outra. Ambos

apresentam fortes argumentos. É melhor me manter neutro enquanto estudo mais

profundamente a questão. Gostaria de levantar uma questão que ainda não foi tratada: O que

Jesus e o apóstolo Paulo estariam querendo dizer com as seguintes frases: "Ai de vós, escribas

e fariseus, hipócritas! porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas

orações; por isso sofrereis juízo muito mais severo" (Mt 23.14); "Em verdade vos digo que

menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no dia do juízo, do que para aquela cidade" (Mt

10.15) e "Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente acumulas contra ti mesmo ira para

o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu

procedimento"? Será possível concluir destes textos que haverá graus diferentes de

condenação, ou seja, sentenças diferentes? Se este for o caso, então os aniquilacionistas teriam

que rever sua posição, pois que defendem uma mesma sentença para todos os condenados: o

aniquilamento. Não seria possível que o aniquilamento fosse a sentença para alguns, enquanto

que para outros a sentença seria mais severa, cada um conforme as suas obras, chegando ao

ponto de condenação em sofrimento eterno para os piores, incluindo Satanás e os demônios?

Assim como há galardões nos céus, haveria distintos níveis de sentenças no inferno,

envolvendo o tempo e também a intensidade. Sou bem simpático a esta hipótese, gostaria de,

posteriormente, conversar a respeito.

7. Pinnock, Clark. A wideness in God's mercy. Grand Rapids : Zondervan, 1992.

Pinnock diz que os avanços tecnológicos tem levado o mundo a se tornar uma

"aldeia global". A humanidade estaria se tornando uma de novo. Esta situação tem forçado as

religiões assumirem novas posturas diante uma das outras, pois já não estão mais isoladas e

não podem mais ignorar as demais. O diálogo entre as religiões se faz necessário até para a
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sobrevivência e paz do mundo. Por isto precisamos nos tornar mais globais na nossa forma de

pensar. Pinnock critica o relativismo e cita como exemplo o que está acontecendo no Canadá,

onde o relativismo está destruindo o consenso moral e ético, tirando da sociedade os

instrumentos de avaliação do comportamento da vida social. Pinnock se preocupa com a

tendência da teologia contemporânea de se guiar não mais pela Bíblia, mas pela prática,

questões éticas progressistas levantadas pelo pluralismo, feminismo, homossexualismo,

ecologia, liberdade individual, etc.

Pinnock critica o que ele chama de os dois extremos: exclusivismo de um lado e

pluralismo e universalismo do outro. Ele defende um inclusivismo bem otimista, acreditando

na salvação da maioria das pessoas. Baseia seu otimismo no amor de Deus por toda a

humanidade e que Deus julgará as pessoas tendo como base a luz que elas receberam dentro

do seu próprio contexto. Para ele é muito importante levantarmos a questão: "Que é Deus e o

que Ele pretende em relação a humanidade?" As respostas à estas questões determinaram

nossa compreensão a respeito do alcance da salvação. Pinnock cita William G. T. Shedd,

dizendo para evitarmos estes dois erros: "Primeiro, que todos os homens serão salvos;

segundo, que apenas poucos homens serão salvos".

Textos preferidos para defender sua posição: 2 Pe 3.9, 1 Tm 2.4 e Rm 11.32. Em

seguida, começa a discorrer sobre toda a Bíblia desde Gênesis, demonstrando o cuidado e o

interesse de Deus por toda a raça humana. Trata das alianças com toda a humanidade, e,

mesmo a feita com Abraão, tem um escopo universal. Cita vários personagens e episódios

bíblicos como exemplos do relacionamento de Deus com pessoas de diversos povos,

proporcionando-lhes salvação através da revelação geral ou de outros veículos que não o

conhecimento da obra expiatória de Cristo, tanto no Antigo, quanto no Novo Testamento.

A seguir, Pinnock passa a fazer uma análise histórica do desenvolvimento teológico

tradicional. Faz duras criticas a doutrina da predestinação. Critica Calvino e Lutero por terem
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seguido Agostinho. Para ele, eleição não diz respeito a graça salvadora, mas sim ao ministério,

ou seja, ao serviço a ser prestado no mundo. Critica também Jonh Hick afirmando que Hick,

com sua revolução coperniana, está supondo que Deus nos une, portanto deve estar no centro,

enquanto Jesus nos divide, portanto deve estar entre as demais religiões, na periferia.

Pinnock conclui dizendo que sua posição nos concede uma profunda esperança em

relação da humanidade, pois assegura que Deus está atraíndo o mundo para Si mesmo. Nos

concede a visão de que o plano de salvação de Deus não é restrito, mas abrangente, pois Deus

enviou Jesus para ser o Salvador do mundo e não apenas de alguns poucos eleitos.

Os argumentos de Pinnock são bem fortes, mas não vejo nas Escrituras margem

para tanto otimismo. Creio que a realidade parece contrariar o seu ponto de vista. Creio na

possibilidade de salvação de infantes e de pessoas que não tiveram conhecimento de Jesus, em

bases em que só Deus é capaz de julgar, mas sou céptico em relação a "muitos". Não encontro

na Bíblia argumentos que realmente me convençam de que muitos (multidões) se salvarão

através da revelação geral ou de qualquer luz que tenham recebido. Jesus ensinou que a porta

da salvação é "estreita" e o caminho é "apertado", são "poucos" os que encontram salvação

(Mt 7.13 e 14). Em relação ao número de perdidos que entram pela porta larga, pode ser dito

que são "poucos" os que encontram a salvação.

8. Sanders, John. No other name. Grand Rapids : Eerdmans, 1992. páginas 215-280.

Sanders faz uma análise dos diversos pontos de vista a respeito do destino dos não-

evangelizados, defendendo a posição inclusivista. Acredita em Jesus como o único Salvador,

mas é aberto no sentido de não achar necessário conhecê-lo para se beneficiar de sua obra

salvífica. Menciona que o primeiro concerto mencionado na Bíblia é um feito entre Deus e a
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raça humana e não entre Deus e Israel (Gn 1.26-28; 3.15); e o concerto feito na época de Noé,

foi feito com "toda carne" (Gn 9.8-19). Quando Deus escolheu a Abrão, Ele pensava em

abençoar todas as famílias da terra (Gn 12.3). E o que dizer do relacionamento de Deus com os

seguintes gentios: Abel, Enoque, Ló, Jó, Balaão, rainha de Sabá, Rute, Melquisedeque, Jetro,

Raabe e Naamã? E a fé demonstrada pelos marinheiros pagãos da história de Noé? E o

arrependimento de Nínive? Em Rm 3.29, Paulo diz que Deus é Deus dos gentios e não

somente dos judeus. No Novo Testamento temos ainda o caso da mulher cananéia (Mt 15.21-

28), do centurião romano (Mt 8.10) e de Cornélios (At 10). Isto demonstra que Deus sempre

lidou com os gentios (em termos de salvação), mesmo antes da igreja surgir.

Os inclusivista não defendem que as pessoas possam ser salvas por suas boas ações,

moral, etc. Mas acreditam que pessoas como Cornélio são salvas pelo "hábito da fé", que

envolve penitência. Não é salvo porque entende a obra expiatória, mas é salvo porque teme a

Deus e responde, com sua fé, positivamente a Ele.

Cinco argumentos básicos em favor do inclusivismo:

1. Distinção entre crentes e cristãos. Todos os cristãos são crentes, mas nem todos os crentes

são cristãos. Quanto conhecimento é necessário para a fé salvífica? Em que base foram salvos

os personagens do Antigo Testamento? Ambos, crentes e cristãos são salvos pelo nome de

Jesus, mas apenas os últimos são informados a respeito do nome. Se muitos acreditam que as

crianças são salvas independente do seu conhecimento de Cristo, por que seria impossível que

os não-evangelizados possam ser salvos?

2. O papel da revelação geral. Deus usa a revelação geral para mediar sua graça salvífica. (At.

14.17; Rm 1.20; Sl 19.1; Rm 10.18);

3. O trabalho de Deus em efetivar salvação. O papel de cada pessoa da trindade. O papel do

Espírito Santo de convencer o pecador é um trabalho de amor. Seu trabalho é universal.

Embora a Igreja seja o recipiente do Espírito Santo e salvação, não significa que o Espírito
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deva estar restrito à Igreja. "O Espírito sopra onde quer" (Jo 3.8). Crer na providência e

soberania de Deus ajudará a compreender a dimensão da ação do Espírito Santo sobre a face

da terra, bem além das fronteiras da igreja visível.

4. A obra cósmica de Jesus Cristo. Uma elevada visão da preexistência e pós-existência de

Cristo evitará os problemas da estreita visão de alguns teólogos missionários que só enxergam

a revelação de Cristo nos anos que esteve na terra.

5. As implicações da presença de outras religiões. Embora Deus deseje que o Evangelho de

Cristo alcance todos os povos, Ele não hesitou em iniciar seu trabalho redentivo antes da

chegada dos missionários.

Depois, cita três expressivos cristãos que adotaram a posição inclusivista

apresentando os seus argumentos: John Wesley, C. S. Lewis, Clark Pinnock. Faz uma

avaliação final, procurando refutar a principal crítica que diz que os inclusivistas negam que

Jesus deva ser o objeto da fé salvífica. Ele responde a esta crítica afirmando ser Cristo o

sujeito, a causa final da salvação. A salvação só é possível através da Sua obra redentora (o

conhecimento de Jesus é ontologicamente, mas não epistemologicamente necessário para a

salvação). Por fim, Sanders apresenta uma interessante e respeitável bibliografia histórica que

vai desde a época do Novo Testamento até os dias atuais.

Gostei do trabalho de John Sanders, pois analisa meticulosamente a questão.

Ótimo trabalho de pesquisa! Sou um inclusivista cauteloso, pois temo a possibilidade de

se desembocar no universalismo. Sou um inclusivista ao menos no que diz respeito a

possibilidade. Deus é soberano e justo, e eu entrego a Ele as coisas que para mim ainda

não são muito claras e procuro me preocupar com Sua vontade revelada.

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