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JOÃO JOSÉ SARAIVA DA FONSECA

NOVAS TECNOLOGIAS

EM EDUCAÇÃO

1ª EDIÇÃO
EGUS 2014
INTA - Instituto Superior de Teologia Aplicada
PRODIPE - Pró-Diretoria de Inovação Pedagógica
Diretor-Presidente Multimídia Impressa e Audiovisual
Oscar Rodrigues Júnior Cícero Romário Lima Rodrigues
Francisco Sidney Souza de Almeida
Pró-Diretor de Inovação Pedagógica Juliardy Rodrigues de Sousa
João José Saraiva da Fonseca

Coordenadora Pedagógica e de Avaliação Manutenção e Suporte do Ambiente Virtual de


Sonia Maria Henrique Pereira da Fonseca Aprendizagem
Rhomélio Anderson Sousa Albuquerque
Assessor de Gestão Administrativo
Éder Jacques Porfírio Farias

Equipe de Transposição Didática e Modelagem Produção e Desenvolvimento de Softwares para


Pedagógica Aprendizagem em EaD
Anaisa Alves de Moura Anderson Barbosa Rodrigues
Evaneide Dourado Martins André Alves Bezerra
Sonia Maria Henrique Pereira da Fonseca Luís Neylor da Silva Oliveira
Sumário
Palavras do Professor-Autor...........................................................................11
Ambientação à Disciplina.................................................................................14
Trocando ideias com os autores...................................................................18
Problematizando...............................................................................20

1 Tecnologia e a Sociedade Contemporânea. 24

2 O computador na Educação
A utilização do computador como ferramenta de aprendizagem........................ 35
A utilização do computador como veiculador de tutoriais e a proposta
pedagógica associada à sua utilização................................................................................ 36
A utilização do computador para programas de exercício e prática e a
proposta pedagógica associada à sua utilização............................................................ 37
O uso do computador para jogos educativos e simuladores e a proposta
pedagógica associada à sua utilização................................................................................ 37
O computador enquanto ferramenta a ser ensinado pelo estudante................. 38
A utilização das linguagens e programação e propostas pedagógicas
associadas à sua utilização......................................................................................................... 39
A utilização de pacotes de aplicativos e a proposta pedagógica associada à
sua utilização...................................................................................................................................... 39

3 Internet, o aprendizado socialmente


distribuído.
47

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 7


4 Educação a distância: princípios e
características fundamentais.

Educação a distância: conceitos e características........................................... 55


A EAD: Quebrando paradigmas.............................................................................. 57
Qual a contribuição da educação a distância na formação dos
profissionais do século XXI?....................................................................................... 59
• Quais as principais vantagens da utilização da educação a
distância na formação de profissionais?................................................. 61
• Será que a educação a distância só tem vantagens?...................... 61
Quem é o Tutor?............................................................................................................... 69
• O ambiente em EAD.......................................................................................... 69
• Interação e tutoria: o que tem a ver?........................................................ 70
• Tutor: “os olhos, ouvidos e a boca” do Sistema EaD......................... 71
• O tutor e a prática da tutoria........................................................................ 72
• Alguns desafios a enfrentar............................................................................ 75
• O tutor e o encontro presencial.................................................................... 78

Leitura Obrigatória................................................................ 80
Saiba mais............................................................................... 82
Revisando................................................................................ 84
Autoavaliação......................................................................... 88
Bibliografia............................................................................. 96
Bibliografia da Web............................................................... 100

8 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 9
Palavra do Professor-Autor

Olá estudantes,
A Sociedade do Conhecimento tem como finalidade o domínio do conhecimento
necessário para processar a informação, suporte da organização econômica, política
e social, apresenta-se como uma sociedade da aprendizagem, chamada também
de uma sociedade cognitiva. Nela o conceito de educação formal limitada a um
período de tempo deu lugar ao conceito de aprendizagem ao longo de toda a vida,
em que a autoformação e a educação a distância se apresentam com um crescente
potencial.
Diante disso, um novo paradigma está surgindo na educação, portanto frente às
novas tecnologias o papel do professor será outro. Com as novas tecnologias pode-
se desenvolver um conjunto de atividades com interesse didático-pedagógico.
Ao conceituar a sociedade contemporânea percebe-se que cada vez mais ela está
alicerçada nas novas tecnologias da informação e da comunicação. Neste sentido,
determina uma tomada de consciência de incluir nos currículos dos cursos de ensino
superior as habilidades e competências para lidar com as novas tecnologias. A
influência das novas tecnologias faz-se sentir em todos os aspectos da vida privada
e pública, modificando o modo de viver, de trabalhar, de organizar de representar a
realidade e de educar.
A utilização das novas tecnologias da informação e comunicação tem
potencializado as propostas pedagógicas oferecidas pelos cursos a distância,
disponibilizando recursos instrucionais de elevada qualidade e criando as condições
para a criação de comunidades virtuais de aprendizagem permanente.
Os professores precisam estar profissionalmente qualificados na atualidade,
isso implica na assimilação das tecnologias. Um curso de Licenciatura, por exemplo,
sendo responsável pela preparação de profissionais para a docência, deve oferecer
essa formação, aliando a teoria à prática reflexiva.

João José Saraiva da Fonseca

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 11


Biografia dos Autores

João José Saraiva da Fonseca

É Pós-Doutor em Educação pela Universidade de Aveiro em


Portugal, Doutor em Educação pela Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (2008), Mestre em Ciências da Educação
pela Universidade Católica Portuguesa - Lisboa (1999) (validado
no Brasil pela Universidade Federal do Ceará), Especialista em
Educação Multicultural pela Universidade Católica Portuguesa
- Lisboa (1994).
Graduou-se em Ensino de Matemática e Ciências pela Escola Superior de Educação
de Lisboa (validado no Brasil pela Universidade Estadual do Ceará). É pesquisador na
área da produção de conteúdo para educação a distância. Atualmente desempenha
a função de Pró-Diretor de Inovação Pedagógica das Faculdades INTA - Sobral CE.

12 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


AMBIENTAÇÃO À
DISCIPLINA
Este ícone indica que você deverá ler o texto para ter
uma visão panorâmica sobre o conteúdo da disciplina.
Afinal o que é tecnologia da informação e comunicação e
para que serve?

Quando falamos em tecnologia pensamos em equipamentos eletrônicos,


quando pensamos em informação estamos falando de dado que é decodificado
e transformado em informação. Portanto, Tecnologia da Informação (TI) utiliza o
computador para transmitir informações, e Tecnologias da Informação e Comunicação
(TIC’s) é um conjunto de recursos tecnológicos para facilitar a comunicação com
objetivo de transmitir a informação e são utilizadas em diversas áreas, como: na
indústria, no comércio, no meio publicitário e na educação.

Elas servem para processar e armazenar informação com o objetivo de


disponibilizá-la com rapidez na sociedade. As Tecnologias da informação é uma
nova forma de linguagem, estão em todo lugar e influenciam de forma direta e
indiretamente a vida social. Portanto, as escolas são convocadas a acatar de modo
aceitável as mudanças e exigências da modernidade.

O objetivo desta disciplina é mostrar como as rápidas e permanentes


transformações nas concepções de ciência, associadas ao desenvolvimento e
utilização das tecnologias, resultam em novos e difíceis desafios à educação e a
seus profissionais, revelando a necessidade de sua formação continuada ao longo
da vida.

O estudante, enquanto sujeito ativo da aprendizagem deve aprender a levantar


ideias, experimentar, aplicar conhecimentos. O educador deverá possibilitar situações
que motivem os estudantes a interagir entre si, trabalhar em grupo, com projetos,
buscar informações, dialogar com especialistas e produzir novos conhecimentos, de
maneira que desperte no estudante a curiosidade e o desejo pelo aprender.

Estas ideias estão expressas na obra Integração das


Tecnologias na Educação, publicada pelo Ministério da
Educação, cuja leitura se recomenda, nos primeiros três capítulos.
Considerando os autores da obra, é fundamental que o professor
compreenda as potencialidades, as implicações e as exigências
do desenvolvimento de projetos em sala de aula, utilizando os
recursos proporcionados pelas novas tecnologias da informação
e comunicação, nos quais os estudantes se constituam enquanto
sujeitos ativos da aprendizagem.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 15


ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini.; MORAN, José
Manuel. (orgs.). Integração das Tecnologias da Educação/
Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da
Educação, Seed, 2005.

16 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 17
TROCANDO IDEIAS
COM OS AUTORES
A intenção é que seja feita a leitura de obras indicadas
pelo professor-autor numa perspectiva de dialogar com
os autores de relevo nacional e/ou mundial.
Prezado estudante,
Você é convidado a realizar a leitura de duas obras que lhe darão um embasamento
sobre as Novas Tecnologias da Educação. A sociedade torna-se cada vez mais
complexa e isso exige sujeitos competentes, éticos, abertos, criativos, inovadores
e confiáveis. Quanto mais acesso, mais informações, visões, novidades e maior é a
necessidade de mediação.
O autor José Manuel Moran, em sua obra cuja leitura se
recomenda, reforça a ideia de que a educação deve proporcionar
as condições para se constituir enquanto espaço privilegiado
para experimentar situações desafiadoras, do presente e do
futuro, reais, imaginário e aplicável. Promover o desenvolvimento
integral do estudante na escola envolve a união do conteúdo
escolar com a vivência em variados espaços de aprendizagem,
para além da instituição escolar. A educação precisa encantar,
entusiasmar o estudante permanentemente. Esse é um processo
gradual, pois é difícil mudar padrões adquiridos na escola e na sociedade.
MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos Tarciso; BEHRENS, Marilda Aparecida.
Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. São Paulo: Papirus, 2012.
Sugerimos que leiam a obra Educação e Novas Tecnologias:
esperança ou incerteza?, O autor focaliza as novas tecnologias
da informação e da comunicação na América Latina. Ele começa
com uma visão de muita competência sobre as tecnologias em
relação as questões dos riscos, oportunidades e consequências
das transformações tecnológicas que podem ocorrer. O desafio
é usar com criatividade a tecnologia para possibilitar que se
transforme num espaço colaborativo e que respeita as diferenças.
TEDESCO, Juan Carlos. Educação e Novas Tecnologias: esperança ou incerteza?
Editora: Cortez, 2004.

Após a leitura das obras faça uma resenha crítica elencando


diferenças e semelhanças entre as ideias dos respectivos
autores.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 19


PROBLEMATIZANDO
É apresentada uma situação problema onde será feito
um texto expondo uma solução para o problema
abordado, articulando a teoria e a prática profissional.
Sabemos que, na atualidade, as novas tecnologias da informação e comunicação
estão intimamente associadas com a realidade educacional, articulando o
conhecimento teórico e a realidade prática, e que o indivíduo precisa aprender a
aprender ao longo da vida em um mundo de inesgotáveis informações, reconhecendo
a influência da tecnologia nas formas de desenvolvimento das aprendizagens e
no potencial da sua capacidade de intervenção como cidadão na sociedade do
conhecimento.
Nesse contexto dinâmico, as novas tecnologias da informação e da comunicação
vêm atuando na mediação do homem com o mundo e no âmbito da educação,
também motivando mudanças significativas nas relações entre docentes e discentes,
bem como nas maneiras de ensinar e aprender. As relações entre docentes e discentes
estão se modificando, na medida em que a separação entre o ensinar e o aprender
torna-se crescentemente mais tênue.
Agora, aponte como o professor pode transformar a tecnologia em um
instrumento facilitador no processo de ensino e aprendizagem, formando sujeitos
críticos para o uso ético dos recursos tecnológicos. Será que saber utilizar a tecnologia
é o mesmo que saber ensinar com ela? Quais procedimentos são esperados do
professor? Como transformar informações em conhecimento? O que diferencia
uma nova ou velha tecnologia? Como fazer da tecnologia digital uma ferramenta
de mudança comportamental? Como atrair os estudantes para o espaço da escola
diante da versatilidade do universo digital? O professor está preparado para lidar
com estes recursos?

Após a leitura do texto reflita sobre os questionamentos e


faça seus comentários.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 21


APRENDENDO A PENSAR
O estudante deverá analisar o tema da disciplina em
estudo a partir das ideias organizadas pelo professor-
autor do material didático.
1
A TECNOLOGIA

E A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

Conhecimentos
Compreender os conceitos básicos que articulam
as potencialidades das tecnologias da informação e da comunicação que geram
possibilidades de novas práticas sociais.

Habilidades
Identificar cotidianamente as tecnologias digitais da informação
e da comunicação numa perspectiva de recepção crítica e de
produção de conteúdos.

Atitude
Interpretar o uso das tecnologias digitais da informação
e da comunicação como elementos estruturantes dos processos sociais e
educacionais.
A Tecnologia e a sociedade
contemporânea.
A revolução tecnológica é acompanhada de uma crescente convergência e
integração de tecnologias. Na sociedade do conhecimento o homem convive com
uma nova economia (informacional e global) e uma nova cultura (virtualidade
real). A informação é a matéria-prima da sociedade do conhecimento e o seu
processamento sustenta o sistema econômico. Será que o homem é obrigado a
conviver na sociedade do conhecimento?
O homem foi obrigado a adaptar-se a essas novidades e passou a viver na
sociedade do conhecimento, uma nova era em que a informação transita em alta
velocidade e em grandes quantidades, assumindo valores sociais e econômicos
fundamentais.
Assistir televisão, falar ao telefone, movimentar a conta no terminal bancário pela
Internet, verificar multas de trânsito, comprar discos, trocar mensagens com pessoas
de outro lado do planeta, pesquisar e estudar são hoje atividades cotidianas, no
mundo inteiro e no Brasil (TAKAHASHI, 2000).

Você poderia pensar o mundo hoje sem essa tecnologia?


E você que viveu na época em que não havia toda essa
tecnologia, imaginaria que um dia tudo isso seria no nosso
cotidiano?

Este conjunto de ações independentes motivou um processo de lenta


transformação que conduziu a passagem da Sociedade Industrial para a Sociedade
do Conhecimento.
Essas transformações que estão acontecendo trazem consequências para
as pessoas, para as organizações e para a sociedade como um todo. Visando
compreender a forma como a revolução tecnológica vem acontecendo e suas
consequências, propomos uma viagem à década de 70.
Durante a década de 70 aconteceram três processos independentes de mudança
que, pela sua coincidência histórica, motivaram profundas alterações no mundo:
a revolução da tecnologia da informação e comunicação; a crise do capitalismo
acentuada pela crise do petróleo e o aparecimento de movimentos sociais e culturais
que recusaram a transmissão autoritária de códigos e valores estabelecidos.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 25


Na sequência da crise do petróleo, os anos setenta viveram uma crise na
economia mundial. O capitalismo encontrava dificuldade em administrar a relação
entre os lucros, a luta dos trabalhadores pela manutenção do poder de compra,
dos seus salários e a pressão da concorrência para a redução dos preços. O Estado
foi obrigado a reduzir os gastos sociais, o que balançou a paz social e lançou na
exclusão setores amplos da população (BURBULES E TORRES, 2004).
Vamos observar a reestruturação econômica ocorrida na década de setenta na
qual refletiu uma tendência mundial caracterizada pelos seguintes elementos:
• A globalização da economia no contexto de uma nova divisão internacional
do trabalho e a integração econômica de economias nacionais (como os
mercados comuns emergentes e os acordos comerciais);
• O surgimento de novas relações e acordos comerciais entre nações e entre
classes e setores sociais dentro de cada país, e o aparecimento de novas
áreas, especialmente em países desenvolvidos, onde a informação e os
serviços têm-se tornado mais importantes que o setor industrial;
• A crescente internacionalização do comércio, refletida na crescente
capacidade de conectar mercados de forma imediata e transferir capital
através de fronteiras nacionais;
• A reestruturação do mercado de trabalho, com o salário fixo sendo substituído
em muitos cenários por remuneração por trabalhos realizados, e o poder dos
sindicatos enfraquecido pelo relaxamento ou pela falta de cumprimento da
legislação trabalhista;
• A redução de conflitos entre capital e trabalho, principalmente devido a fatores
como o aumento do número de trabalhadores excedentes (desempregados
ou subempregados), a intensificação da competição; a redução da margem
de lucro, menos contratos de trabalho com proteção da legislação trabalhista
e a institucionalização de estratégias segundo o “conceito de equipe”, no qual
se define como um grupo que é comprometido, capacitado e coordenado
para obter os mesmos objetivos;
• A mudança de um modelo de produção fordista, sistema de produção em
massa com grande avanço tecnológico rígido, para um modelo baseado na
flexibilidade maior, no uso da força de trabalho, na prescrição do trabalho,
nos processos de trabalho e mercado de trabalho, na redução de custos e na
maior velocidade em transferência de produtos e informações de um local
do globo para outro;
• A ascensão de novas forças de produção, com a indústria mudando de um
modelo industrial mecânico para um modelo governado pelo microchip,

26 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


pela robótica, e por máquinas automáticas, o que, levou ao surgimento de
uma sociedade do conhecimento baseada no computador;
• A crescente importância da produção intensiva de capital, que resulta no
desemprego de grandes setores da força de trabalho, situação esta que
leva a um mercado de trabalho polarizado, por um lado composto por um
pequeno setor altamente especializado e bem remunerado, por outro lado
um grande setor pouco especializado e mal remunerado;
• O aumento da proporção de empregados avulsos do sexo feminino, sendo
que muitos dos quais trabalhavam em seus lares;
• O aumento no tamanho e importância do setor de serviços à custa dos
setores primário e secundário;
• O crescente abismo financeiro, tecnológico e cultural entre os países mais
desenvolvidos e os menos desenvolvidos (BURBULES E TORRES, 2004).
Esses elementos de reestruturação econômica têm ocorrido de forma simultânea
com a tendência para a globalização e arriscam propor algumas das características
cruciais, como:
• Em termos econômicos, transição de formas fordistas a pós-fordistas de
organização do local de trabalho; um aumento na publicidade nos padrões
de consumo internacionalizados; uma redução de barreiras no fluxo livre
de mercadorias, trabalhadores e investimentos entre fronteiras nacionais
e, consequentemente, novas pressões sobre os papéis do trabalhador e do
consumidor na sociedade;
• Em termos políticos, perda da soberania do Estado-Nação ou, pelo menos,
o desgaste da autonomia nacional e, consequentemente, o enfraquecimento
da noção de “cidadão” como um conceito unificado e unificante, um conceito
que possa ser caracterizado por papéis, direitos, obrigações e status precisos;
• Em termos culturais, uma tensão entre as maneiras como a globalização
produz mais padronização e homogeneidade cultural, enquanto também
produz mais fragmentação com a ascensão de movimentos locais. Contudo,
uma terceira alternativa teórica identifica uma situação mais conflituosa e
dialética, com a homogeneidade e a heterogeneidade culturais aparecendo
de maneira simultânea no cenário da cultura (BURBULES E TORRES, 2004).
Devido ao processo de globalização econômica, as desigualdades não se
configuram em uma simples estrutura de um centro e de uma periferia, mas como
múltiplos centros e diversas periferias, tanto no âmbito mundial como local.
Em escala mundial, fala-se na separação norte-sul no sentido usualmente
utilizado, aumentando a diferença do crescimento econômico, a capacidade

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 27


tecnológica e as condições sociais entre zonas do mundo. O desenvolvimento da
economia globalizada permitiu, em pequena escala, o surgimento de organizações
mais democráticas e trouxe como consequência, uma forte exclusão do mercado e
da produção de grandes setores da população.
As consequências dessa revolução tecnológica, as organizações e o conjunto
da sociedade transformaram as condições materiais de nossa existência. A primeira
transformação que podemos mencionar é o salto das atuais tecnologias da
informação para as tecnologias de rede ou de conectividade, com a integração em
um único sistema interativo dos diversos meios de comunicação, como: Internet, TV,
vídeo, áudio, computador e celular.
A segunda, o salto tecnológico que ocorrerá com a aceleração da engenharia
genética: a revolução da biologia será a revolução do século XXI. Também vemos
indícios do salto maior: a convergência entre as duas revoluções - tecnologia
da comunicação e biologia – numa interação plena entre cérebros humanos e
computadores (FLECHA E TORTAJADA, 2000).
Você conhece quais os novos desafios que são colocados ao homem pela a
sociedade do conhecimento? Vejamos:
• Exuberância - A enorme e diversa quantidade de dados;
• Onipresença - A invasão do espaço público, privado e íntimo, pelos meios
de comunicação ou pelo seu conteúdo;
• Irradiação - O derrube das barreiras geográficas, a relativização das distâncias;
• Velocidade - A comunicação tornou-se instantânea;
• Multilateralidade - A possibilidade de receber informação de todas as
partes do mundo;
• Interatividade - A possibilidade de difundir e receber mensagens pelos
meios de comunicação;
• Desigualdade - A desigualdade dos que não têm acesso às potencialidades
educacionais e comunicacionais, entre outras, oferecidas pelos meios de
comunicação;
• Heterogeneidade - O relacionamento com a multiplicidade de atitudes,
opiniões, pensamentos e circunstâncias presentes nos meios de comunicação;
• Desorientação - O desafio de analisar, selecionar e interpretar a enorme
quantidade de informação disponível;
• Posicionamento cidadão - O posicionamento crítico face à abundância e
dispersão de mensagens e às propostas por elas veiculadas.

28 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


As pessoas, que não possuem as competências e habilidades que a sociedade
do conhecimento prioriza, ficam excluídas. Habilidades como a seleção e o
processamento da informação, a autonomia, a capacidade para tomar decisões, o
trabalho em grupo, a polivalência, a flexibilidade, dentre outros, são imprescindíveis
nos diferentes contextos sociais, como mercado de trabalho, atividades culturais e
vida social em geral.

A sociedade do início do século XXI, conhecida como Sociedade do Conhecimento,


não pode dispensar a educação formal que se sistematiza na instituição escolar. As
informações, originárias de múltiplas fontes, bombardeiam o homem na atualidade,
se tornam desatualizadas de forma muito rápida. É importante que a escola se
constitua como espaço onde se aprenda a compreender que, para se transformar
em conhecimento válido, as informações necessitam ser selecionadas, avaliadas,
compiladas e processadas.

No momento, a Sociedade do Conhecimento exige da educação um pacto


em que o componente tecnológico não pode ser ignorado. As novas tecnologias
e o aumento da informação ordenam a compreensão de uma nova organização
de trabalho, em que se faz necessária, a urgência de especificação dos saberes
transdisciplinar e interdisciplinar; o simplificado acesso à informação e a ciência do
conhecimento como um valor precioso, de vantagem na vida econômica.

A educação, além de facilitar o acesso à formação baseada na aquisição de


conhecimentos, deve permitir o desenvolvimento das habilidades necessárias na
sociedade do conhecimento.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 29


2
O COMPUTADOR NA EDUCAÇÃO

Conhecimentos
Compreender os impactos do uso das tecnologias da informação e comunicação
nas formas de ler, pensar e socializar;
Conhecer como as tecnologias da informação e comunicação
estão mudando os paradigmas da educação.

Habilidades
Reconhecer e avaliar as tecnologias da informação e comunicação
em seu uso pedagógico;
Identificar pensar e planejar propostas didáticas de uso das tecnologias da
informação e comunicação para potencializar o ensino.

Atitude
Interpretar os efeitos sociais do uso das tecnologias da informação e comunicação.
O computador na Educação
Abordar o uso das tecnologias na educação implica no conhecimento
da conceituação de tecnologia na educação e informática na educação. Você
compreenderá que a tecnologia refere-se a tudo aquilo que o ser humano inventou,
tanto em termos de artefatos como de métodos e técnicas, para estender a sua
capacidade física, sensorial, motora ou mental, facilitando e simplificando o seu
trabalho, enriquecendo suas relações interpessoais, ou dando-lhe prazer.

A expressão Tecnologia na Educação é mais abrangente, incluindo a Informática na


Educação, mas não se restringindo a ela. Inclui, também, o uso da televisão, do vídeo,
do rádio e do cinema na promoção da educação. Ela privilegia, tradicionalmente, o
uso de computadores na sala de aula e,z mais recentemente, o uso de computadores
em rede para conectar a sala de aula à Internet.

As novas tecnologias da informação e comunicação permitem a se desenvolver


um conjunto de atividades com interesse didático e pedagógico, como: intercâmbio
de informações científicas e culturais de diversa natureza, o desenvolvimento de
ambientes de aprendizagem centrados nas atividades de ensino e aprendizagem,
o valor da interação social e no desenvolvimento de atitudes de colaboração e de
autonomia nos estudantes.

A introdução do computador na educação tem motivado uma reflexão sobre


a concepção e sobre o papel de todos os envolvidos no processo de ensino e
aprendizagem. A escola tem que preparar cidadãos suficientemente familiarizados
com os desenvolvimentos tecnológicos, de forma que estes possam participar do
processo de geração e incorporação da tecnologia. A informática está no centro de
toda essa tecnologia.

As novas tendências da utilização das tecnologias na educação apontam para


que não sejam ferramentas de reforço do ensinar, mas aliadas na promoção de
condições de aprendizagem. Isto significa que o professor tem de abandonar
o papel de repassador de informação e se transformar no criador de ambientes
de aprendizagem, no facilitador do processo de desenvolvimento intelectual do
estudante (VALENTE, 1995).

O contato orientado da criança com o computador pode e deve ser utilizado como
a excelente ferramenta de aprendizagem e ajudar no desenvolvimento intelectual,
contribuindo para o aceleramento do desenvolvimento cognitivo e intelectual, em

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 33


especial, no que diz respeito ao raciocínio lógico e formal, à capacidade de pensar
com rigor e sistematicidade, à habilidade de inventar ou encontrar soluções para
problemas.

O potencial pedagógico do computador é vasto e poderá tornar-se um excelente


recurso pedagógico, desde que utilizado com sabedoria. Não basta o professor ter
os recursos disponíveis e saber manipulá-Ios. O sucesso da utilização dependerá da
sua concepção de educação e do modo de como irá utilizá-los na consecução dos
objetivos educacionais.

A abordagem pedagógica do ensino através do computador é variada,


oscilando entre dois grandes polos. As propostas de utilização do computador na
educação “simulam”, no próprio computador, o que se passa na sala de aula, como
se eles fossem simples “máquinas de ensinar”. As propostas apontam para o uso
do computador não como “máquina de ensinar”, mas ferramenta educacional de
complementação, de aperfeiçoamento e de possível mudança na qualidade do
ensino (VALENTE, 2001).

O autor Valente defende que deve ser atribuída particular ênfase na possibilidade
de um contato aberto, não restritivo, multidimensional com o computador.

Esta visão da função do computador na educação propõe-se enfrentar a tendência


para associar computador à memorização da “máquina de ensinar” e apresentá-lo
como o desencadeador de condições para o exercício de competências de procura
e seleção de informação, resolução de problemas e de aprendizagem autônoma e
colaborativa.

Vamos observar como a aprendizagem com a tecnologia envolve algumas


preocupações:

• Aprender a partir da tecnologia, apresentando o conhecimento ao estudante


como se ele fosse apresentado pelo professor;

• Aprender, por intermédio da tecnologia, o estudante aprende ensinando


o computador, como exemplo podemos mencionar o trabalho com a
linguagem LOGO;

• Aprender com a tecnologia, o que funciona como ferramenta cognitiva


apoiando o estudante no processo de reflexão e construção do conhecimento.

34 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


A utilização do computador como ferramenta
de aprendizagem

Esta abordagem pedagógica defende que a retenção do conhecimento se dá


como consequência da frequência com que ele é transmitido. O computador é
utilizado para transmitir informação para o estudante. O conhecimento é compilado,
classificado, hierarquizado de acordo com o grau de dificuldade e ministrado ao
estudante, do nível mais fácil ao mais difícil. No final de cada nível, os estudantes
precisam responder as questões. Se responder corretamente, pode transitar para o
próximo nível. Se a resposta estiver errada, é convidado a rever o módulo e repetir
a avaliação.

Estas propostas de utilização do computador na educação baseiam-se no


conceito de instrução programada e no behaviorismo de Skinner, onde o professor
é o detentor do conhecimento e o estudante é um ser passivo que recebe as
informações. O conhecimento é encarado como se fosse constituído por tijolos
que devem ser colocados numa parede. O computador facilita a construção dessa
“parede”. No fundo, esta proposta pedagógica pode ser vista como a informatização
dos métodos tradicionais de ensino.

Visto que, nesta abordagem pedagógica, o professor se torna um simples


espectador da exploração que o estudante faz do software, é possível que o
computador desempenhe com sucesso o papel do professor, pois tem mais facilidade
para armazenar e transmitir a informação e registrar e acompanhar os erros mais
frequentes dos estudantes, de maneira sistemática, meticulosa e completa, para
além de apresentarem recursos de multimídia, cores, animação e som com os quais
será difícil competir (VALENTE, 2001).

Do ponto de vista do software, os programas tutoriais, de exercício e prática,


os jogos educativos e os simuladores, apresentam frequentemente a proposta
pedagógica que se propõem a ensinar.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 35


A utilização do computador como veiculador
de tutoriais e a proposta pedagógica
associada à sua utilização

Os programas tutoriais caracterizam-se por apresentarem a informação de


modo organizado, à semelhança de um livro animado, um vídeo interativo ou até
mesmo de um professor eletrônico. A interação entre o estudante e o computador
limita-se à leitura da tela ou escuta da informação fornecida e a resposta a uma
questão de múltipla escolha, ao navegar pelo material, uma sequência determinada
não exigindo nenhuma ação.

Nessa situação, o software tem o controle da situação de ensino e do que pode


ser apresentado ao estudante que apenas pode mudar de tópicos apertando a tecla
Enter, o tutorial pode também alterar a sequência de acordo com as respostas dadas
pelo estudante.

Existem outros tutoriais em que o estudante tem o controle e pode escolher


o que deseja ver, apresentando vários hipertextos por onde ele pode navegar. O
professor, ao trabalhar com tutoriais, não consegue acompanhar o processo de
construção do conhecimento, analisando somente o produto final. A vantagem dos
tutoriais reside na animação, som e na manutenção do controle do desempenho do
estudante, facilitando o processo de administração das lições e possíveis programas
de remediação.

Os programas tutoriais permitem a introdução do computador na escola sem


provocar muita mudança, pois a proposta pedagógica não exige grande esforço
para a mudança, quer pelo professor, quer pelos estudantes e requer do professor
treino elementar para o seu uso.

36 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


A utilização do computador para programas
de exercício e prática e a proposta pedagógica
associada à sua utilização

Os programas de exercício e prática destinam-se normalmente a revisar os


assuntos abordados na aula, que envolvam memorização e repetição. O professor
pode optar entre uma infinidade de exercícios e selecioná-los de acordo com o grau
de conhecimento e interesse do estudante.
Estes programas dão resposta imediata às respostas do estudante e em alguns
casos registram as respostas, permitindo analisar o desempenho do estudante.
Contudo, o professor não poderá esquecer que para ter uma visão clara do que está
acontecendo com o processo de aprendizagem dos discentes, terá de aprofundar a
análise do desempenho deles. Os programas de exercício e prática podem aproveitar
as potencialidades gráficas e sonoras do computador e apresentar-se sob a forma
de jogos.

O uso do computador para jogos educativos


e simuladores e a proposta pedagógica
associada à sua utilização.

Os jogos educativos e os simuladores, apesar de manterem a visão de que o


computador ensina o estudante, abandonam a proposta da “instrução explícita e
direta”. Os jogos educacionais possibilitam ao estudante, de forma autodirigida, ter
a liberdade para explorar por ele próprio o jogo ou simulador.
O jogo associa o lado recreativo à aprendizagem de conteúdos, por vezes,
difíceis de visualizar ou com reduzida aplicabilidade prática. O simulador reproduz
modelos de fenômenos do mundo real. Estes modelos permitem a abordagem de
situações fictícias, envolvendo risco, como manipulação de substância química ou
objeto perigoso; a visualização de experimentos que são muito complicados, caros
ou que levam muito tempo para se realizarem, como crescimento de plantas; e
de situações indesejáveis, como um desastre ecológico. A simulação oferece ao
estudante a possibilidade de desenvolver hipóteses, testá-las, analisar os resultados
e redefinir estratégias e conceitos (VALENTE, 2001).
Contudo, o professor deve ter o cuidado de evitar que a competição consiga

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 37


desviar a atenção do objetivo de aprendizagem envolvido no jogo. Além disso, não
deve esquecer-se de promover uma constante análise dos resultados e motivar a
apresentação de situações alternativas que possam dificultar essas situações. Pelo
fato do desenvolvimento de boas simulações ser demorado e caro, as simulações
existentes no mercado são, por vezes, simples e triviais. Isso pode conduzir o
estudante a uma visão distorcida da realidade. O professor deve ter o cuidado de
reforçar a comparação entre a simulação e a realidade.

O computador enquanto ferramenta a ser


ensinada pelo estudante

Esta abordagem pedagógica defende que o computador seja uma ferramenta


de transformação da educação e não um simples modo de informatizar o processo
educativo. O estudante assume o controle do processo de ensino e aprendizagem,
utilizando o software para ensinar o computador a resolver problemas ou a executar
ações que produzam os resultados ou efeitos definidos previamente.

O computador transforma-se numa ferramenta controlada pelo estudante


que o ensina a “fazer”. Este tem a liberdade para explorar, errar e aprender com o
erro. O professor promove um ambiente de aprendizagem que desafie e motive o
estudante para a exploração, a reflexão, a depuração de ideias e a descoberta de
novos conceitos.

Do ponto de vista do software, as linguagens de programação, calculadoras


numéricas e mesmo os pacotes de aplicativos genéricos, como processadores de
texto, planilhas, banco de dados, construção de gráficos são exemplos em que existe
a preocupação do estudante ensinar o computador (VALENTE, 2001).

38 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


A utilização das linguagens de programação
e propostas pedagógicas associadas à sua
utilização

Quando se fala na utilização das linguagens de programação na educação, o


objetivo não é ensinar ao estudante a programação de computadores. A ideia é
que o estudante a utilize como ferramenta na resolução de problemas. Desse fato,
constitui exemplo a linguagem de programação LOGO, que tem sido muito utilizada
com estudantes de diferentes níveis de ensino. A linguagem LOGO propõe uma
aprendizagem significativa, através da exploração, investigação e descoberta.
A LOGO é apresentada através da tartaruga, que simula o cursor e se move na
tela como resposta às ordens do estudante. Por exemplo, se o estudante desejar
construir um quadrado, ele terá de dar à tartaruga a ordem correspondente. Se a
tartaruga não desenhar o quadrado, o estudante deverá analisar identificar e discutir
a origem do erro.

A utilização de pacotes de aplicativos e


a proposta pedagógica associada à sua
utilização

Os pacotes de aplicativos possuem um importante significado pedagógico. A


partir destes, o computador é ensinado pelo estudante, que os utiliza para resolver
problemas ou realizar tarefas como desenhar, escrever, comunicar-se, entre outros.
O uso do processador de texto, por exemplo, torna o ato de escrever bem mais
motivador, possibilitando ao estudante condições para se concentrar na tarefa de
encontrar algo a dizer e de forma interessante e coerente, liberando-o da constante
preocupação com aspectos exteriores ao ato de escrever, tais como caligrafia, rasuras
e com a apresentação do texto (VALENTE, 2001).
Propõe-se agora uma reflexão sobre as diferenças entre a proposta pedagógica
em que a escola utiliza o computador enquanto ferramenta a ser ensinada pelo
estudante e a que se propõe utilizar o computador enquanto ferramenta para
ensinar o estudante.
Na escola, a presença da tecnologia não promove alterações, se não forem
assumidas pelas pessoas que as encarem como ferramentas para alcançar objetivos
de mudança. O professor registra a existência de divergências sobre a melhor

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 39


maneira de usar o computador na escola, relacionada, com diferentes propostas
para o papel da educação escolar.

O que você acha, será que há quem defende a utilização do


computador no ensino?

Existem os que defendem a utilização do computador como um instrumento


de ensino, que deve ser utilizado de uma maneira que substitui, reforça ou torna
mais eficientes os métodos pedagógicos tradicionais, sem que, em decorrência da
utilização do computador, seja profundamente alterado o processo de aprendizagem.
A introdução do computador na escola é possível sem que haja uma transformação
profunda nos objetivos educacionais e nos métodos de ensino tradicionalmente
adotados.
Do outro lado, estão os que partilham a ideia de que o papel principal da escola
é criar um ambiente que favoreça a aprendizagem do estudante e para o qual o
computador é encarado como uma tecnologia que pode facilitar; o computador
possibilita “que se ampliem os seus horizontes cognitivos e aumentem as suas
possibilidades de interação com o meio – especialmente no que diz respeito a
contatos com pessoas de interesses afins e acesso a informações relevantes aos
seus interesses” (CHAVES, 2005).
No quadro abaixo vamos ver a diferença do computador enquanto ferramenta
para ensinar o estudante e enquanto a ser ensinada pelo estudante:
Computador enquanto Computador enquanto
Contexto ferramenta para ensinar ferramenta a ser
o estudante ensinada pelo estudante
Suporte pedagógico Instrução Construção
Atividades em sala de Centrada no Centrada no Professor
aula estudante – expositiva – interativo
Papel do professor Sempre o especialista Às vezes o aprendiz
Papel do estudante Sempre o aprendiz Às vezes o especialista
Relações – indagação
Ênfase educacional Fatos - memorização
- intervenção
Visão de Transformação de
Acúmulo de fatos
conhecimento fatos
Demonstração de Quantidade / Qualidade /
êxito memorização Compreensão
Comunicação,
Uso da tecnologia Repetição e prática colaboração, crítica da
informação e expressão

40 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


Vejamos as mudanças entre os modelos antigos e novos de aprendizagem, com
suas implicações para os estudantes.

Implicações para o
Modelo antigo Modelo atual
estudante
São investidos do poder
Centrado no professor Centrado no estudante
de aprendizes ativos
A motivação do estudante
Absorção passiva Participação do estudante
é aprimorada
A equipe constrói
habilidades que
são desenvolvidas;
Trabalho individual Equipe de aprendizagem
o aprendizado é
aprimorado pelo
compartilhamento.
A estrutura de
O professor como aprendizagem é mais
O professor como guia
especialista adaptável às rápidas
mudanças no mundo.
Os recursos de
aprendizagem (livros-
textos, base de
conhecimento existente)
são substituídos por
Estático Dinâmico
link online no mundo
real. Os recursos podem
ser adaptados às
necessidades imediatas
da aprendizagem.
Desenvolvimento de
Aprendizado
Aprender a aprender habilidades para a era da
predeterminado
informação.

(HEIDE e STILBORNE, 2000)

A utilização do computador pela escola pode ser


apresentada em forma de classificação. O que você
percebeu com o modelo atual, será que ele traz implicações
para o estudante da atualidade?

Agora você poderá ver como funciona a iniciação e utilização do computador


em um ambiente escolar:

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 41


• A informática aplicada à educação se caracteriza pelo uso de aplicativos da
informática em tarefas de controle administrativo ou acadêmico tais como
emitir relatórios, escrever textos, confeccionar tabelas, manipular banco
de dados e controlar fluxo de pagamento. A informática é usada para o
gerenciamento de uma escola, no sentido mais amplo de organização;
• A informática na educação se caracteriza pela utilização do computador
através de softwares desenvolvidos para propiciar suporte à educação, como
os tutoriais ou outros aplicativos que, em geral, apresentam características
lineares de aprendizagem. O estudante utiliza o computador para tirar suas
dúvidas, em aulas de reforço, usando tutoriais ou “livros multimídias”, ou
mesmo consultando a Internet;
• O uso do computador é caracterizado como ferramenta para a resolução
de problemas. A proposta de trabalho associada a esta visão de utilização
do computador pela escola, é o desenvolvimento de projetos. Os projetos
são atividades em que grupos de estudantes são orientados a desenvolver
determinado tema, com o acompanhamento do professor. Estes podem
utilizar como recursos os bancos de dados, Internet, interação em bate-
papos, troca de e-mails e participação em listas de discussões (NETO, 2005).
Veja a utilização da Pedagogia de Projetos, que deve se orientar pelos seguintes
princípios:
• A educação e a aprendizagem são os principais mecanismos pelo qual o ser
humano projeta e constrói a sua própria vida, como algo que lhe é natural
e intrinsecamente motivador. O estudante não pode ser encarado como
“um ser essencialmente imune à aprendizagem”, que precisa, ser obrigado a
aprender através de mecanismos artificiais de recompensas e punições que
agem como motivadores externos;
• O estudante deve ser incentivado a explorar e a investigar seus interesses, sua
imaginação e sua criatividade, o professor deve procurar maneiras de tornar
as atividades úteis no desenvolvimento das competências e habilidades
básicas necessárias para que ele seja capaz de “sonhar e transformá-los em
realidade”;
• A aprendizagem deve abrir espaço para o envolvimento ativo do estudante,
não só na concepção e na elaboração dos seus projetos de aprendizagem,
mas também na sua implementação e avaliação. Essa participação não
só a motiva (por estar relacionada com seus interesses) como torna a sua
aprendizagem ativa e significativa;
• Os projetos escolares partem de questões relacionadas à vida do estudante e

42 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


à sua experiência (sobre os quais manifestam interesse para aprender). Desse
modo a escola estabelece um vínculo estreito entre a aprendizagem que
acontece na escola e a vida e a experiência do estudante, “reconstituindo o
vínculo entre seus processos cognitivos e seus processos vitais”;
• O estudante não pode aprender sobre os mesmos assuntos, pelos mesmos
métodos, nos mesmos ritmos e nos mesmos momentos;
• Ao final do processo de educação escolar, devem ser valorizados os interesses,
as aptidões e os dons naturais do estudante;
• O aprendizado se realiza à medida que o estudante desenvolve as
competências e habilidades que o tornam capaz de adquirir autonomia.
A aprendizagem deve ser um processo natural, agradável e contínuo, começar
muito antes de ingressar na escola e continuar ao longo de toda a vida. O tempo
de permanência na escola encarado como um momento privilegiado em que o
estudante pode dedicar-se, exclusivamente, à tarefa de projetar o restante de sua
vida e de se capacitar para construí-la.
O professor, no contexto da metodologia de projetos de aprendizagem, deve
acompanhar a elaboração, a prática e a avaliação dos projetos de aprendizagem dos
estudantes, procurando garantir, nesse processo, que os estudantes:
• Consigam aprender e fazer aquilo que se propõe em seus projetos;
• Encontrem as informações necessárias para o desenvolvimento de seus
projetos;
• Desenvolvam, em cada projeto, competências e habilidades básicas
importantes para o seu desenvolvimento como ser humano.
A Informática Educativa se “caracteriza pelo uso da informática como suporte
ao professor, como um instrumento a mais em sala de aula” (CHAVES, 2005).
Existem, diferenças entre “ensino por projetos” e “aprendizagem por projetos”.
Quando se fala, na educação presencial, em “ensino por projetos”, pode-se estar
falando do plano da escola, do projeto da escola, dos professores, como se o
professor pudesse dispor de um conhecimento único para ser transmitido ao
estudante e só a ele coubesse decidir o que, como, e com que qualidade deverá ser
aprendido. Quando falamos em “aprendizagem por projetos”, estamos nos referindo
à formulação de questões pelo estudante enquanto autor do projeto e sujeito que
vai construir conhecimento.
Partimos do princípio de que o estudante tem conhecimentos prévios e é a
partir desse patamar que vai se movimentar, interagir com o desconhecido, ou com

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 43


novas situações, para se apropriar do conhecimento específico em qualquer área do
conhecimento (FAGUNDES, 1999).
A presença das tecnologias nos mais diversos setores da sociedade
contemporânea é inevitável e irreversível. É urgente orientar os docentes para o uso
das novas tecnologias da informação e da comunicação em projetos pedagógicos,
pois, ao usá-las, é importante que estes não coloquem resistência à utilização dessas
novas tecnologias por insegurança ou falta de capacidade. Esse processo deve não
apenas preparar os indivíduos para utilizá-las, mas também para que se assumam
enquanto leitores críticos e escritores conscientes das mídias que servem de suporte
a essas tecnologias.
Veja no quadro abaixo a diferença entre Ensino por projetos e Aprendizagem
por projetos:

Aprendizagem por
Ensino por projetos
projetos
Autoria Alunos e professores
Professores, individualmente e, ao
Quem escolhe o coordenação pedagógica mesmo tempo, em
tema? cooperação
Arbitrado por critérios Realidade de vida do
Contextos
externos e formais estudante
Arbítrio da sequência Curiosidade, desejo,
A quem satisfaz?
de conteúdos do currículo vontade do aprendiz
Decisões Hierárquicas Hierárquicas
Imposto pelo sistema Elaboradas pelo
Definições de regras,
cumpre determinações grupo, consenso entre
direções e atividades
sem optar estudantes e professores
Transmissão do Construção do
Paradigmas
conhecimento conhecimento
Estimulador /
Papel do professor Agente
orientador
Papel do estudante Receptivo Agente

Muitos docentes conhecem o projeto de ensino, pois é fácil de ser executado,


pode ser realizado individual ou em grupo, as atividades são conduzidas pelo
professor de forma esperada. O projeto de aprendizagem é de forma construtivista,
conhecimento colaborativo, por meio de investigação, enfoques baseados em
educação.

44 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


3
INTERNET - O APRENDIZADO
SOCIALMENTE DISTRIBUÍDO
Conhecimentos

Compreender as novas formas de ensinar e aprender, o papel da escola e a


importância da postura do professor para a transformação do ambiente escolar na
sociedade do Conhecimento e da Aprendizagem;
Conhecer as concepções de currículo e sua redefinição diante das possibilidades
de integração da escola com diferentes espaços de produção de conhecimento.

Habilidades

Identificar as implicações pedagógicas envolvidas no uso das diferentes


tecnologias;
Reconhecer as formas de ensinar com a utilização das novas tecnologias.

Atitude

Utilizar as tecnologias digitais da informação e comunicação como elementos


estruturantes dos processos sociais e educacionais.
Internet – O aprendizado socialmente
distribuído.
Você sabe quando a Internet “nasceu”? Foi no dia 12 de janeiro de 1983. Contudo,
os estudos que conduziram o seu surgimento remontam ao início dos anos sessenta,
quando começaram a organizar redes para a difusão de informação. O primeiro
visionário da Internet foi o físico, matemático e psicólogo norte americano Joseph
Licklider.
A partir de 1962, ele começou a divulgar em memorandos a ideia de que
uma rede universalizada de computadores criaria interações sociais complexas e
melhoraria o trabalho humano (XEXEO, 2003). Nessa época, por causa da Guerra
Fria, os Estados Unidos procurava descobrir como manter uma rede de comunicação
e um comando que resistisse a um ataque nuclear. Foi esse o impulso necessário
para o desenvolvimento da rede mundial de comunicação que depois se chamaria
Internet.
Com a queda do muro de Berlim, em 1989, e o fim da Guerra Fria, a Internet,
até então, mantida sob domínio militar, foi liberada para o uso civil e rapidamente
tornou-se num poderoso veículo de comunicação e relacionamento entre pessoas
e organizações.
A Internet é uma rede mundial que interliga milhões de computadores. É uma
rede de comunicação e de processamento de dados e informações, cujo suporte
material é redes de conexões digitais entre diversos computadores espalhados pelo
mundo inteiro (PRETTO, 2003).
Atualmente esta grandiosa invenção cativa milhões de seres humanos desejosos
de conhecimento, diversão ou de interação, independentemente das fronteiras e
nacionalidades ou da cultura, condição socioeconômica, raça ou religião.
Esse meio de comunicação abriu oportunidades diretamente associadas ao
conjunto de transformações no modo de pensar e conviver da humanidade,
possibilitando a cada sujeito poder navegar livremente de forma não sequencial,
estabelecendo o caminho entre as distintas possibilidades existentes.
Cada pessoa assume o risco de selecionar seus próprios percursos nessa aventura
de navegar pelo desconhecido e de descobrir-se perdido ou defrontar-se com novas
descobertas. Além de ter oportunizado a libertação da distribuição unidirecional e
homogênea das informações, abrindo portas para a coprodução do conhecimento
e a sua difusão de modo nunca antes tentado (PRETTO, 2003). Possibilitando, dessa

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 47


forma, um infinito espaço destinado a:
• Troca de informações;
• Atualização sobre temas de interesse;
• Formação educacional;
• Repositórios de informação;
• Interação.
Você pode concluir a partir do supracitado que a Internet apresenta um enorme
potencial para a educação. Estudantes e professores caminham rumo à produção
compartilhada do conhecimento. O professor assume o papel daquele que navega
junto com os seus estudantes, apontando a exploração de novos caminhos sem
a preocupação de ter passado por eles alguma vez. Motivando, dessa forma, a
resolução dos problemas ou o desenvolvimento de projetos que mobilizem suas
expectativas, desejos e interesses.
Mais do que ensinar, o professor concentra-se no “aprender fazendo”, na
criação, gestão e regulação das situações de aprendizagem significativas ao grupo
de cada estudante. Professor e estudantes são encarados como colaboradores do
crescimento individual e coletivo. Eles selecionam as informações que lhes são mais
pertinentes, as internalizam, as transformam e devolvem ao grupo, colaborando
para o crescimento individual e coletivo.
O desenvolvimento da Internet como ferramenta potencial na área da educação
envolve quatro momentos:
• Difusão de informação
O uso de portais facilita o acesso à informação e aumenta o acesso a materiais
educativos atuais e de melhor qualidade e oferece a vantagem econômica de
entregar informação completa de forma oportuna.
• Interação
Os portais permitem interações simples (como correio eletrônico, conferências,
etc.) que possibilitam a construção e o desenvolvimento de comunidades
educacionais, tanto locais como regionais verticais ou horizontais. Essas interações
criam as bases de uma plataforma de colaboração que conectam todos os atores
além das fronteiras físicas e incorpora uma dimensão pedagógica nova, capaz de
gerar dinâmicas importantes de socialização e aprendizagem.
• Transação
Enfatiza a capacidade de comprar, vender, intercambiar direitos, vincular-se com
o Sistema Financeiro e realizar milhares de transações diárias, exigidas pelo Sistema

48 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


Educacional. Essas transações se vinculam, com outros sistemas em rede, como é o
caso do bancário. As transações potenciam os benefícios de, por exemplo, famílias
poderem comprar materiais por meio de catálogos eletrônicos e se beneficiarem
da redução de preços da compra de grandes volumes agregados de muitos
estabelecimentos. Esse sistema permite o intercâmbio de conteúdos e serviços entre
estabelecimentos, ou grupo de estabelecimentos, com o fim de obter benefícios
econômicos.
• Colaboração
Agrega dimensões como a gestão colaborativa de projetos, aplicações e
funcionalidades para a planificação e a pesquisa, possibilitando a estudantes e
professores poderem trabalhar em rede, conjuntamente, sobre um tema comum
(RADA, 2004). Contudo, a utilização da Internet na sala de aula implica alguns
cuidados.
A Internet é um ambiente propício à obtenção e troca de informação. Você
poderá ver algumas características que justificam essa assertiva:
• Oferece um número ilimitado de recursos informacionais;
• Não apresenta uma organização precisa da informação;
• Motiva o esforço de pesquisa;
• Cada usuário determina o material que deseja apresentar;
• O formato eletrônico dos dados possibilita a sua fácil disponibilização e
obtenção;
• Contêm informações atualizadas;
• Obriga à seleção da informação supérflua.
• Não tem por objetivo fundamental atender a necessidades individuais.
O trabalho do professor em sala de aula pode ser beneficiado pela utilização da
Internet, que pode trazer ganhos pedagógicos como:
• Acessibilidade a fontes diversas de assuntos para pesquisas;
• Páginas educacionais específicas para a pesquisa escolar;
• Páginas para busca de softwares;
• Comunicação e interação com outras escolas;

• Estímulo para pesquisar a partir de temas previamente definidos ou a partir


da curiosidade dos próprios estudantes;

• Desenvolvimento de uma nova forma de comunicação e socialização;

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 49


• Estímulo à leitura e à escrita;

• Estímulo à curiosidade;

• Estímulo ao raciocínio lógico;

• Desenvolvimento da autonomia;

• Aprendizado individualizado;

• Troca de experiências entre professores, entre estudantes e entre professores


e estudantes (TAJRA, 2000).

E quanto a você, quais os benefícios que a Internet pode


trazer para o seu aprendizado?

Outros aspectos positivos da utilização da Internet na sala de aula podem ser


destacados da seguinte forma:

• Os estudantes podem chegar a resultados semelhantes de aprendizado


percorrendo diferentes caminhos de aprendizagem;

• Os participantes do processo educacional podem comunicar-se facilmente


entre si;

• Os participantes do processo educacional podem ver seus trabalhos


publicados;

• A comunidade pode conhecer as atividades realizadas pela escola e interagir


com ela (KALINKE, 2003).

A Internet em ambientes educacionais tem se tornado destaque, pois é um


recurso ágil, dinâmico e atrativo. Possibilita os estudantes adentrarem a uma nova
realidade tecnológica e social, permitindo uma interação com outras culturas.

50 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


Que recomendações os estudantes deverão
compreender ao navegar na Internet?

A Internet, além das potencialidades, também apresenta pelo menos dois desafios
básicos: O primeiro, passa exatamente pelo que parece ser uma das suas grandes
vantagens: o excesso de informações. O professor deve estar atento, pois muitas
dessas informações é “lixo” e repetida para além do marketing e da informação
ofensiva da moral. Segundo, o professor deve estar atento ao fato de muitos
estudantes retirarem informação da Internet, sem avaliar o que estão pesquisando.
É necessário que o professor discuta com seus estudantes que apesar da Internet
constituir uma ferramenta privilegiada para a atualização de conhecimentos, não
existe um controle de qualidade da informação divulgada.
Por outro lado, é importante que os estudantes compreendam a necessidade de
respeitar os direitos autorais do material disponível na Internet, prestando a atenção
ao plágio e as normas de etiqueta elementares, tais como:
• Não dizer para alguém, nada que você não diria pessoalmente, face a face ou
em auditório, perante o público;
• Não divulgar quaisquer informações ou dados pessoais;
• Não escrever, em mensagens, com todas as letras maiúsculas. Pois significará
que está gritando;
• Ser breve e conciso nas mensagens;
• Evitar erros gramaticais;
• Certificar-se de que o conteúdo é de fácil leitura e compreensão para o
receptor;
• Evite reenviar mensagens que recebeu por e-mail;
• Confirme o endereço do receptor da mensagem;
• Se desejar que a sua mensagem não seja de domínio público, seja explícito
na referência ao fato de ela estar sujeita a copyright;
• Não utilize ideias alheias como sendo suas, mesmo que o autor tenha liberado
os direitos autorais;
• Não divulgue propaganda pela rede, seja com fins particulares ou comerciais,
pode acontecer que possa ser expulso da comunidade a que pertence;
• Respeite a privacidade dos outros usuários da Internet.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 51


A Internet pode contribuir também para promover a interação entre a escola
e o meio, possibilitando à escola quebrar o seu isolamento e oportunizando à sua
integração no mundo que a rodeia, aproximando-a da vida.
Através desse meio de comunicação são disponibilizados inúmeros recursos
que combinam publicações (páginas web, blog, webquest, twitter, redes sociais) e de
interação (conferências entre duas ou mais pessoas localizadas em qualquer local
do globo, que poderão não apenas ver, como também trocar arquivos; listas de
discussões entre pessoas com interesses em determinada área do conhecimento;
correio eletrônico em formato de texto, áudio e vídeo).
No entanto, a partir desse conjunto de rede mundial a escola está em
condições não só de recolher e disseminar informação, mas também de trabalhar
colaborativamente com parceiros de todo o mundo e divulgar pesquisas e
experiências feitas por professores e estudantes (KALINKE, 2003).

52 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA:
4
PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS
FUNDAMENTAIS
Conhecimentos

Compreender o processo de evolução da Educação a Distância,


interação, autonomia e cooperação enquanto princípios da proposta pedagógica da EaD.
Entender diferentes modos de utilizar a internet na educação e na educação a distância.

Habilidades

Reconhecer as características da EaD em comparação com o ensino presencial;


Identificar o papel do tutor e as dificuldades dos estudantes durante o curso de EaD.

Atitude

Assumir a postura necessária para o estudante de Educação a Distância utilizando


estratégias de gestão de tempo e de informação para o estudo;
Atuar em sala virtual de acordo os princípios subjacentes ao projeto pedagógico;
Ajustar o horário do estudo à distância em função das necessidades do curso.
Educação a Distância: princípios e
características fundamentais.
A educação à distância dispõe hoje de diversificados suportes de transmissão
de informação, que tornam possível a concretização das duas ideias básicas que
lhe estão subjacentes: possibilitar um acesso igualitário à educação e promover aos
estudantes condições próximas às oferecidas na educação presencial.
Tendo em atenção acompanhar as constantes transformações tecnológicas e
didático/metodológicas a evolução da terminologia foi acompanhada por um
continuo ajuste do conceito de educação a distância.
O conceito atual de educação a distância visa expressar a riqueza de instrumentos
de mediação, que possibilitam uma aproximação crescente entre as condições
oferecidas ao estudante no estudo a distância e no presencial.
Neste momento propomos que estudem as bases conceituais e as abordagens
teóricas da EaD, por um lado, de uma relação com a evolução tecnológica e por outro
de um posicionamento face à evolução das propostas de ensino e aprendizagem.

Educação a distância: conceitos

Neste tópico vamos abordar as bases conceituais e abordagens teóricas da


EaD. Com ele procuramos que ao final do estudo compreendam a evolução da
Educação a Distância, bem como a proposta pedagógica específica para a educação
a distância. Propõe-se também que relacionem a evolução do processo social e das
tecnologias e da educação a distancia ao processo histórico da EaD. Qual o conceito
de Educação a Distância?
Os teóricos tentam há décadas encontrar um conceito para a Educação a Distância.
Esta tarefa não se tem revelado fácil e ainda hoje se discutem várias possibilidades.
Ao falarmos de Educação a Distância, não podemos esquecer que, na sua essência,
ela não deixa de ser uma modalidade de educação e tem o compromisso de
proporcionar a transmissão, construção e reconstrução do conhecimento, com vista
à formação de cidadãos competentes e conscientes de seu papel na sociedade,
capazes de atuarem produtivamente e de forma comprometida em seus ambientes
sociais e em suas atividades profissionais.
A Educação a Distância, analisada de um ponto de vista elementar, pode ser
definida como: modalidade de educação em que estudantes e professores estão

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 55


separados pela distância e algumas vezes pelo tempo (MOORE AND KEARSLEY,
1996).
Em 1980, Keegan apresentou alguns elementos básicos que sustentariam uma
definição de Educação a Distância:
• Separação física entre professor e estudante, que a distingue do ensino
presencial;
• Separação do estudante de um grupo de aprendizado;
• Utilização de várias tecnologias e mídias para distribuir o conteúdo do curso,
unir o professor ao estudante e transmitir os conteúdos educativos;
• Previsão de uma comunicação de “mão dupla”, em que o estudante se
beneficia do diálogo e da possibilidade de iniciativas bilaterais; Possibilidade
de encontros ocasionais com propósitos didáticos e de socialização.
A evolução do conceito de Educação a Distância seguiu em nível internacional
uma tendência de focalizar a atenção mais no processo de ensino e aprendizagem
do que na tecnologia. Essa preocupação pode ser encontrada na legislação brasileira.
De acordo com o Decreto nº. 2.494, de 10/02/1998, a Educação a Distância
é “uma forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem, com a mediação
de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes
suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados e veiculados pelos
diversos meios de comunicação” (BRASIL, 1998).
O Decreto nº. 5.622, de 20/12/05, que atualmente regulamenta a Educação a
Distância no Brasil, caracteriza-a “como modalidade educacional na qual a mediação
didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a
utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e
professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos”
(BRASIL, 2005).
Como tivemos a oportunidade de verificar, é grande a diversidade de conceitos
que ao longo do tempo foram usados para a Educação a Distância.
Apresentam-se algumas características comuns, num estudo de Landim (1997):
• Separação professor-estudante;
• Utilização de diferentes mídias (vídeo, material impresso, DVD e outros);
• Preparação de materiais a serem disponibilizados aos estudantes;

56 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


• Estímulo à construção pelo estudante do conhecimento a partir de suas
práticas e reflexões;
• Utilização de recursos técnicos de comunicação professor/estudante e
estudante/estudante por meio de E-mail, rádio, TV, telefone, Internet e outros;
• Saber o que é a Educação a Distância possibilita a você mais um elemento
para ter sucesso no seu curso.

A EaD: quebrando paradigmas

A sociedade em que vivemos, foi designada como sendo do conhecimento,


caracteriza-se pelo dinamismo da informação, que transita a velocidades e
quantidades crescentes em redes de comunicações globais.
A utilização da informação e da comunicação foi acompanhada por inovações
organizacionais, comerciais, sociais e jurídicas que alteraram o nosso modo de vida.
Esse processo foi estimulado pelo desenvolvimento das novas tecnologias
da informação e comunicação que invadem o nosso cotidiano socializando e
difundindo novas concepções de mundo, novas ideias, crenças, valores e modelos
de comportamento.
Perante esse processo, é urgente acelerar novas posturas individuais e coletivas
que possibilitem a todos o acesso às condições mínimas para exercício consciente
da cidadania.
Qualquer profissional deve constantemente procurar atualizar suas competências
técnicas, tecnológicas, sociais e culturais, em respeito aos princípios éticos que
regem a sua conduta.

Será o estudo a distância ajustado ao ensinar e aprender


na sociedade do conhecimento? Quais as características da
Sociedade do Conhecimento? Por que um profissional deve
ter a preocupação da formação ao longo de toda a vida?

A atualização deverá na Sociedade do Conhecimento constituir uma


preocupação permanente. O volume de informação publicado nas diversas áreas do
conhecimento está aumentando rapidamente. Por exemplo: da informação recebida
pelos estudantes durante a sua escolarização, grande parte já está obsoleta no final.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 57


Por outro lado assiste-se a outros desafios, envolvendo:
• O aparecimento de novas descobertas cientificas;
• O incremento do desenvolvimento e utilização generalizada de novas
tecnologias;
• A generalização da ideia de conhecimento enquanto base para o
desenvolvimento econômico;
• O incremento da globalização;
• O aumento do nível acadêmico e informacional da população;
• A mudança do conceito de trabalho basEaDo na força manual para o trabalho
basEaDo no conhecimento.

Quais os domínios da sua formação, a que um profissional


deverá atribuir mais atenção?

O exercício de um profissional na Sociedade da Informação exige das


instituições de formação inicial e permanente um esforço de atualização dos
conteúdos científicos e da prática docente, de modo que os seus egressos estejam
em condições de prestar os melhores cuidados de saúde à população.
A formação dos profissionais deverá atender às seguintes preocupações:

• Centrar o atendimento no cliente,


• Trabalhar em equipes interdisciplinares;
• Fomentar a aplicação das melhores práticas;
• Fomentar a utilização das tecnologias da informação e comunicação;
• Trabalhar com incidência na resolução de problemas;
• Promover atitudes proativas;
• Promover o conhecimento da comunidade do ponto de vista social,
econômico, psicológico, cultural e do meio em que vive;
• Conhecer as novas tecnologias na perspectiva do utilizador e no quadro de
uma ampla reflexão sobre as suas consequências individuais e sociais;
• Alertar para a procura permanente de formação, especialmente utilizando as
tecnologias da informação e comunicação e incluindo a educação a distância;
• Promover o trabalho cooperativo e em equipe.

58 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


Qual a contribuição da educação a distância
na formação dos profissionais do século XXI?

O avanço das tecnologias da informação e da comunicação vem modificando


profundamente o nosso modo de vida, alterando as nossas formas de conviver
e trabalhar, além de introduzir novos valores, hábitos e tipos de interação social,
incluindo o aparecimento de novas formas de ensinar e aprender.
A educação a distância destaca-se como uma modalidade com potencial no
atendimento às crescentes necessidades de formação inicial e ao longo de toda
a vida, impostas pelas permanentes mudanças sociais e tecnológicas. Além disto,
ela possibilita atender a públicos alvos que pelas suas especificidades dificilmente
teriam possibilidade de ser atendidos pela educação presencial.
No início foi encarada como forma de superação de lacunas educacionais na
qualificação profissional e aperfeiçoamento ou atualização de conhecimentos.
Tem reconhecimento nas sociedades como uma forma de acesso à educação, se
apresentado hoje como uma modalidade que potencia a formação flexível e ajustada
às necessidades pessoais e profissionais, contribuindo para atender aos desafios
colocados aos indivíduos.
Hoje, porém, ela está sendo utilizada como complemento da educação presencial
e é vista por muitos, como uma modalidade de ensino alternativo que pode substituir
parte do sistema do ensino presencial, possibilitando que, independentemente da
presença física dos participantes no mesmo espaço geográfico, qualquer pessoa
adquira o conhecimento sobre o assunto de seu interesse.

Que papel terá a educação a distância na promoção da


universalização de uma educação de qualidade? Que
mudanças deverão ocorrer na educação para que se
promova a construção de “novos” cidadãos?

Para atingir estes objetivos, as instituições de ensino tendem a abandonar uma


postura que aprimora aptidões já definidas em cada indivíduo, passando a atribuir
particular relevo aos fatores ambientais e sociais presentes e envolventes da educação.
Os indivíduos assumem um papel central enquanto parceiros das instituições de
ensino na construção de uma aprendizagem que promova o crescimento integral da
sua pessoa, o desenvolvimento do seu papel crítico, exigente e consciente.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 59


A Declaração Universal do Homem ao consagrar em 1948 o direito à educação
aponta para a necessidade de garantir o desenvolvimento pleno dos indivíduos,
através da igualdade de oportunidades no acesso à educação.
Perante as alterações socioculturais e tecnológicas crescentes, se torna mais
relevante a intervenção da educação na formação do indivíduo e do cidadão.
Entretanto os sistemas de ensino encontram dificuldades para corresponderem às
exigências de universalização da educação não só ao nível da formação inicial, mas
crescentemente ao longo de toda a vida e com a vida, essencial para enfrentar a
obsolescência acelerada da tecnologia e do conhecimento.
A educação deve garantir ao indivíduo os instrumentos para a sua inserção
participativa e transformadora na sociedade em que vive e possibilita as condições
de intervenção social crítica, dentro dos princípios de convivência democrática.
Para passar de um paradigma centrado no ensino, para um paradigma centrado
na aprendizagem, temos que refletir sobre a mudança da instrução para o auxílio ao
aprendizado.
Em vez da instrução do professor ao estudante, temos de estimular a descoberta
e a construção do conhecimento. Temos de ofertar ricos ambientes de aprendizagem
onde o estudante livremente possa navegar e aprofundar seu conhecimento de
acordo com o seu desejo e da utilidade que atribui ao conhecimento. Ele deverá
também abandonar o ensino basEaDo no livro, para ser orientado para modelos de
trabalho basEaDos na pesquisa, ou seja, busca orientada do conhecimento.
O estudante de um curso a distância não só tem acesso à informação e à
possibilidade de construir o conhecimento onde e quando desejar, como adquire
competências de trabalho autônomo e colaborativo que possibilitarão a sua
integração social e profissional.

Qual a contribuição das instituições de ensino nesse


processo de renovação da educação?

A educação a distância tem ao longo dos tempos, tentado corresponder às


exigências educacionais decorrentes das mudanças de ordem econômica e social.
Tem ampliado a possibilidade de acesso à educação em condições igualitárias,
representando uma oportunidade para todos os que encontram barreiras à educação
formal ou profissional no ensino presencial,seja pela impossibilidade de se deslocar,
pela distância geográfica ou pelas limitações financeiras ou temporais.

60 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


Quais as principais vantagens da utilização da educação a
distância na formação de profissionais?

Abertura - Eliminação ou redução das barreiras de acesso aos cursos ou nível de


estudos; diversificação e ampliação da oferta de cursos; oportunidade de formação
adaptada às exigências atuais, às pessoas que não puderam frequentar a educação
tradicional.
Flexibilidade - Ausência de rigidez quanto aos requisitos de espaço (onde
estudar?), assistência às aulas e tempo (quando estudar?) e ritmo (em que velocidade
aprender?); eficaz combinação de estudo e trabalho; permanência do estudante em
seu ambiente profissional, cultural e familiar; formação fora do contexto da sala de
aula.
Economia - Redução de custos em relação aos sistemas presenciais de ensino,
ao eliminar pequenos grupos, ao evitar gastos de locomoção de estudantes, ao
evitar o abandono do local de trabalho para o tempo extra de formação, ao permitir
a economia em escala.
Eficácia - O estudante, centro do processo de aprendizagem e sujeito ativo
de sua formação percebe o respeito ao seu ritmo de aprender; formação teórico-
prática, relacionada à experiência do estudante, em contato imediato com a
atividade profissional, que se deseja melhorar; conteúdos instrucionais elaborados
por especialistas e a utilização de recursos multimídia; comunicação bidirecional
frequente, garantindo uma aprendizagem dinâmica e inovadora.
Formação permanente e pessoal - Atendimento às demandas e às aspirações
dos diversos grupos, por intermédio de atividades formativas ou não; estudante ativo:
desenvolvimento da iniciativa, de atitudes, interesses, valores e hábitos educativos;
capacitação para o trabalho e superação do nível cultural de cada estudante.

Será que a educação a distância só tem vantagens?

A educação a distância, apesar das forças que possui, apresenta também


vulnerabilidades muitas vezes resultado de experiências de qualidade duvidosa
e outras, fruto da nossa tendência natural em resistir a quebrar o paradigma da
presencialidade de professores e estudantes. Ela necessita de um trabalho continuado
de sensibilização, de divulgação e de credibilidade.
Por outro lado, a aplicação das novas tecnologias da informação e comunicação
levanta a questão do acesso à tecnologia e de sua utilização enquanto facilitadora
do conhecimento. Ligada a este aspecto encontra-se a necessidade de um elevado

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 61


investimento prévio ao lançamento de um curso a distância, ampliado quando se
utilizam instrumentos tecnológicos de ponta, em constante evolução.
A proposta do material didático dos cursos é de mediação, interação, promoção
de diálogo, mas se não incluírem esses instrumentos a educação a distância corre o
risco de reforçar a exclusão linguística, social, cultural e tecnológica de uma parte da
população já tradicionalmente afastada da educação de qualidade.
A educação a distância enfrenta desafios aos quais urge dar resposta. Contudo,
o maior desafio cabe ao estudante em aceitar participar de um curso a distância e
passar pela experiência.
Apresentamos a seguir algumas das vulnerabilidades comumente apontadas à
educação a distância.
• Falta de motivação dos estudantes;
• Altos índices de evasão dos cursos;
• Custo elevado de implantação;
• Dificuldade na interação estudante/estudante, estudante/instituição que
promove o curso e vice-versa;
• Dependência exagerada da tecnologia;
• Carência de pessoal especializado;
• Resistências da estrutura tradicional do ensino;
• Custos específicos da tecnologia;
• Necessidade de conhecimento tecnológico por parte dos estudantes;
• Resistência cultural de adaptação às novas propostas comunicacionais e
educacionais;
• Escassez de pesquisas para desenvolvimento de pedagogia específica;
• Falta de segurança, sobretudo nas avaliações de aprendizagem.

Mas afinal qual a diferença entre educação a distância e


educação presencial?

Imagine que você está numa sala de aula presencial. À sua volta estão os seus
colegas. Na sua frente encontra-se o professor. Você escuta o professor e por vezes
interage com os seus colegas. Quando sai da sala de aula vai para casa e tem que
estudar sozinho.

62 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


Quando se fala em educação a distância, afirma-se normalmente que não tem
presentes ao seu lado os seus colegas e o professor. Contudo, essa visão não é
completamente verdadeira. Você pode estar em sua casa e ter o seu professor em
frente à tela do seu computador, bem como os seus colegas.
Pode falar com eles, vê-los e trocar documentos. Mas mesmo que não tenha
computador, você continua a ter na sua frente o professor dialogando com você
através do material didático.
Existem cursos de educação a distância que têm na sua proposta pedagógica
a possibilidade de realização de momentos presenciais, onde você pode estar
com os seus colegas. A participação do estudante nesses momentos presenciais
é fundamental para a construção da sua aprendizagem e para o sucesso do curso.
Os encontros presenciais cumprem várias finalidades: introdução e sistematização
das unidades, socialização do trabalho realizado, debate e troca de experiências,
esclarecimento de dúvidas, apresentação de sugestões e avaliação. O estudante
deverá preparar a sua participação nos encontros presenciais cuidadosamente.
Levar sempre os materiais do curso. Registrar previamente as dúvidas, dificuldades e
sugestões que desejar apresentar. Respeitar cuidadosamente o cronograma previsto
e participar ativamente.
Durante o estudo deverá ter a possibilidade de contato permanente com
um tutor/facilitador de aprendizagem que esclarecerá as suas dúvidas de caráter
administrativo e de conteúdo. O tutor também terá o cuidado de estar atento ao
acompanhamento que o estudante está fazendo do curso. Intervirá se o estudante
não estivar em dia com as atividades. Tentará conhecer os eventuais problemas que
ele tenha para frequentar o curso e intervirá de modo a ultrapassá-los sempre que
possível.
Os Referenciais de Qualidade para a modalidade de educação superior a distância
no Brasil, afirmam que:
“Não há um modelo único de educação a distância! Os programas podem
apresentar diferentes desenhos e múltiplas combinações de linguagens e recursos
educacionais e tecnológicos. A natureza do curso e as reais condições do cotidiano
e necessidades dos estudantes são os elementos que irão definir a melhor tecnologia
e metodologia a ser utilizada, bem como a definição dos momentos presenciais
necessários e obrigatórios, previstos em lei, estágios supervisionados, práticas em
laboratórios de ensino, trabalhos de conclusão de curso, quando for o caso, tutorias
presenciais nos polos descentralizados de apoio presencial e outras estratégias. Apesar
da possibilidade de diferentes modos de organização, um ponto deve ser comum a todos
aqueles que desenvolvem projetos nessa estratégia de educação: é a compreensão de
EDUCAÇÃO como fundamento primeiro, antes de se pensar no modo de organização:
A DISTÂNCIA” (BRASIL, 2007, p.7).

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 63


Na sala de aula presencial podemos dizer que você pode estar acompanhado
fisicamente. Agora se pergunte: Quantas vezes você está na sala de aula e na
realidade não está?

Quantas vezes você deseja intervir e apresentar as suas opiniões e não consegue,
porque o professor não permite e porque a sua timidez o impede? Quantas vezes o
apresentar apressado dos conteúdos, para atender a um programa longo trabalhado
em tempo curto, impede que você tenha a possibilidade de intervir, apresentar e
debater as suas experiências e sensibilidades?

Nesta modalidade de ensino, você, enquanto estudante, define o seu tempo.


Intervém quando e quantas vezes desejar. Pode apresentar as suas dúvidas
e as experiências da realidade em que vive sem a limitação do tempo e sem
condicionamentos de personalidade. Esta possibilidade aumenta, com a utilização
das tecnologias da informação e da comunicação. Formam-se comunidades de
aprendizagem ligadas através da rede, em que cada um é emissor e receptor da
informação e constrói na interação com esses dados o seu conhecimento.

A possibilidade de interação permanente na sala de aula presencial nem sempre


corresponde à qualidade das propostas pedagógicas e da educação. Se essa
possibilidade não se torna efetiva, não traz benefícios acrescidos ao estudante. Na
educação a distância acontece o mesmo.

As instituições que promovem cursos a distância, têm hoje ferramentas


tecnológicas e reflexão teórica suficientes para estruturem cursos em que a interação
constitua elemento fundamental para a aprendizagem do estudante. Contudo, não
podemos esquecer que a utilização dessas ferramentas está condicionada pelo
próprio estudante, a ser disponíveis, a saber, operar e delas retirar uso produtivo em
termos educacionais.

De acordo com o que temos vindo a afirmar, as diferenças entre educação


presencial e educação a distância situam-se no fato de a educação presencial
obrigar a um contato direto entre educador e educando em um local estabelecido.
A partir desse encontro ocorre o processo de ensino aprendizagem. O professor é o
mediador num processo partilhado de construção do conhecimento, organizando
os conteúdos, as estratégias de ensino e o ambiente favorável à aprendizagem.

Na educação a distância, o contato entre o professor e estudante ocorre de modo


indireto, através dos meios tecnológicos. A organização didática e pedagógica terá
de ser planejada de modo que os estudantes assumam a construção autônoma do
seu processo de aprendizagem sem a presença física do professor.

64 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


Fazer um curso a distância tem várias peculiaridades, quando comparado com a
presencialidade. A partir das diferentes realidades, há também mitos e preconceitos
relativos à Educação a Distância que é preciso superar. E há potencialidades e
vantagens ainda pouco exploradas na maior parte dos cursos oferecidos.

Você sabe qual a relação entre o desenvolvimento


tecnológico e a evolução da educação a distância?

Para explicar essa relação vamos falar sobre às origens da educação a distância. A
educação a distância embora hoje seja por vezes considerada como “descoberta” da
era da Internet, isso não é bem assim. Embora a Internet seja uma ferramenta muito
importante para a educação a distância nos nossos dias, existe todo um trabalho ao
longo de pelo menos um século em termos de educação a distância.
Mas podemos encontrar referências à educação a distância na Antiguidade. São
Paulo, quando escrevia as suas epístolas, e Platão, as suas cartas, estavam utilizando
os princípios do método de ensino que hoje chamamos de educação a distância.
Dando um pulo no tempo e não tendo por pretensão colocar algo muito
sistemático e rígido podemos dizer que a educação a distância surge no século XIX
na Inglaterra, Alemanha e Suécia, usando a correspondência. Estes projetos de EaD
estavam associados à necessidade de enquadrar as pessoas na sociedade industrial
que estava se intensificando no caso da Inglaterra e da Alemanha e de ultrapassar
distâncias geográficas e condições climáticas adversas na Suécia, país do norte da
Europa sujeito a condições climáticas adversas.
No dia 20 de março de 1728, foi publicado no jornal Gazeta de Boston (EUA),
pelo professor de taquigrafia Caleb Phillips, o seguinte anúncio:
“Qualquer pessoa que queira estudar taquigrafia pode ter várias lições enviadas
à sua casa semanalmente, e estará sendo tão bem instruída quanto uma pessoa que
mora em Boston”.
Este anúncio de jornal marcou o início do estudo a distância com as características
básicas ainda hoje utilizadas. No caso do curso de taquigrafia do senhor Caleb,
ele propunha utilizar como canal de comunicação o correio, para veicular o curso
através de material didático impresso.
Já no século XX, com o aparecimento do rádio, os projetos de educação a distância
utilizando material impresso (designados de cursos de ensino por correspondência),
tiveram a oportunidade de alargar o seu público alvo e de potencializar a sua
dinâmica didática e pedagógica com os recursos que esse meio de comunicação
possibilitou.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 65


O rádio possibilitou que, pela primeira vez, estudantes dispersos por uma ampla
área geográfica debatessem as temáticas do curso com colegas e esclarecessem as
suas dúvidas ao vivo com os professores.
A generalização do uso do telefone e a crescente eficácia dos serviços postais
permitiram uma maior interação entre a instituição que promove o curso e seus
estudantes.
Entretanto, o provérbio “mais vale uma imagem que mil palavras” torna-se
referência quando a educação a distância tem acesso à veiculação de cursos através
da televisão. A magia da imagem e a presença visual dos intervenientes no processo
de ensino e aprendizagem dão à educação a distância a possibilidade de utilizar
práticas didáticas e estratégias motivacionais que disponibilizam ao estudante
condições únicas para construir o seu aprendizado.
A partir dos anos 90, o aparecimento das tecnologias basEaDas na digitalização
da informação (CD-rom, computador, Internet), possibilitaram o aparecimento de
novas linguagens e a criação de novas formas de diálogo e cooperação.
As tecnologias de informação e de comunicação motivam novos hábitos de
pensamento. Simultaneamente oportunizam novas perspectivas para o ensino e
a pesquisa, bem como para a promoção e a divulgação do saber. Elas rompem
os conceitos tradicionais de tempo, de espaço e cultura quando compartilham
informações, experiências e sentimentos com estudantes e professores de outras
instituições de ensino em tempo real ou não.
As novas tecnologias de informação e comunicação conduzem ao
desenvolvimento de diferentes formas de ler, de interpretar e de se relacionar com o
mundo. Estudantes e professores encaram o desafio de organizar novos esquemas
de ação e de representação, desenvolver novas competências, atitudes e habilidades,
pesquisar e experimentar novos processos de produzir conhecimento e de aprender.
Neste contexto os modelos anteriores de educação a distância com os seus
limitados recursos informativos e fracas possibilidades de interação, são colocados
perante novos desafios e possibilidades.
A educação a distância vai constituir um amplo campo de pesquisa de novas
práticas pedagógicas específicas para ensinar e aprender em ambientes mediados
pela tecnologia e para a produção de conteúdos específicos que facilitem esse
processo.

Nesse sentido a interculturalidade terá grande relevância.


Mas o que se entende por interculturalidade?

66 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


A vida do homem na terra sempre foi marcada pela interculturalidade, no
entanto, a relação do homem face à interculturalidade tem mudado ao longo dos
séculos. Exemplos de posturas diferenciadas do homem face à interculturalidade
encontramos ao longo da expansão da Europa na África América e Oceania, no
regime nazista e nos nossos dias no conflito israelense-árabe.
A sociedade cognitiva atual transforma-se numa Paideia global que transforma
qualquer espaço e tempo em oportunidade para permanente criar e aprender
cooperativamente com o outro. Numa dicotomia constante entre o global e o local,
o homem tem de construir um referencial cultural complexo e permanentemente
ajustável, que lhe permita relacionar-se simultaneamente com o próximo e o
longínquo, seja ele humano, informacional, cultural, etc.. A construção de uma visão
integrada do posicionamento do sujeito face ao global e ao local, só será possível
tendo como suporte os princípios democráticos da interação, diálogo e respeito
mútuo.
A educação do novo milênio busca esforços para enraizar os seres humanos
numa visão holística do mundo, integrando o global e o local, o individual e o
coletivo, a identidade e a diferença na persecução de um cidadão planetário capaz
de traçar e redefinir permanentemente um projeto de vida e utopia.
A utopia educativa na sociedade do conhecimento passa obrigatoriamente pelo
protagonismo do combate às formas de injustiça não apenas socioeconômicas, mas
também culturais ou simbólicas, num processo de coeducação coletiva e dialógica,
visando uma postura reivindicativa de uma cultura de respeito e valorização da
diferença e de uma política social de igualdade, numa sociedade de pessoas e não
do mercado.
Quando falamos em educação a distância a questão intercultural aflora com
particular pertinência. A educação a distância propõe-se ajustar a todos condições
de acesso a uma educação de qualidade e simultaneamente terá de corresponder às
expectativas de não excluir do processo de construção do conhecimento ninguém
por questões interculturais.
A educação a distância será o arauto de uma nova polis onde os cidadãos
terão as habilidades, atitudes e conhecimentos necessários para atuar e interagir
no âmbito de diferentes culturas, promotor da ecologia profunda, da unidade do
gênero humano e da paz universal. Ela pode ser o vértice de um projeto educativo
focalizado nas preocupações de quem é vitima de preconceitos e discriminações
multiculturais e no respeito pelo ser humano, e fundado nos princípios expressos na
Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos Direitos e Garantias Fundamentais
da Constituição Federal Brasileira.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 67


A utilização da educação a distância enquanto prática alternativa de educação,
tem sido pressionada por exigências crescentes no domínio socioeconômico de
mão de obra qualificada para o mercado de trabalho, às quais corresponderam
políticas educacionais visando a universalização do ensino, especialmente em áreas
do conhecimento e em áreas geográficas onde a educação presencial não atende às
necessidades prementes da Sociedade da Informação.
Essa modalidade de ensino é o processo de ensino-aprendizagem, mediado
por tecnologias, no qual professores e estudantes estão separados espacial e/ou
temporalmente. Apesar de não estarem juntos, de maneira presencial, eles podem
estar interligados por tecnologias, tais como o livro, o rádio, a televisão, o vídeo, o
CD-ROM, o telefone, o fax, a Internet e eventualmente outras tecnologias.
A tecnologia tem constituído elemento estimulador e transformador das
estratégias de educar a distância, aumentando as possibilidades de interação e
contato entre os estudantes e entre a instituição que promove o curso e vice-versa
e permitindo simultaneamente, desenvolver projetos cada vez mais adaptados
às formas individuais de aprendizagem, nos quais se atribuiu mais progressiva
autonomia ao estudante, colocando ao seu dispor um número crescente de recursos
para a aprendizagem.
Essas mudanças serão forçadas em parte por novas tecnologias, em parte pelas
exigências de uma sociedade basEaDa no conhecimento na qual o aprendizado
organizado precisa se tornar um processo vitalício e em parte por novas teorias a
respeito de como aprendem os seres humanos.
Não podemos esquecer as palavras de dois teóricos conhecidos: McLuham nos
anos sessenta afirmou que:
Haverá um dia e este já pode ser uma realidade, em que todos aprenderão
muito mais e muito mais rapidamente em contato com o mundo exterior do que no
recinto das instituições de ensino.
E por outro lado Peter Singer afirmou em 1995 que:
A educação irá mudar de forma muito mais drástica do que tem mudado desde
que assumiu sua presente forma há mais de 300 anos quando se reorganizaram em
torno do livro impresso.

Estamos terminando nossa intervenção, deixando uma


recomendação:
“Trabalhe com entusiasmo. Nunca desanime. Acredite no
seu sucesso. Fortaleça redes de cooperação com os seus
companheiros de curso e orientadores de aprendizagem”.

68 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


Quem é o Tutor?

O objetivo deste tópico é que você possa identificar a formação necessária


do tutor e caracterizar o papel pedagógico e discutir as atribuições dos tutores a
distância e presencial. Você já parou para pensar o que faz o tutor?

O ambiente em EaD

Na EaD, estudante e professor estão fisicamente distantes; portanto, é preciso criar


uma infraestrutura que permita a máxima interação possível entre os personagens
do processo educativo.
Ensinar a distância é muito diferente de ensinar presencialmente, mesmo para
professores com larga experiência em ensino. O educador precisa desenvolver
diferentes habilidades a fim de lidar com estratégias para ensinar a distância e ajudar
o estudante a construir o seu conhecimento.
Assim, entra em cena o professor-tutor – ou orientador pedagógico, orientador
acadêmico, facilitador. Walcott (1995) nos diz que o professor-tutor que se propuser
a ensinar pela EaD precisa pensar em alguns aspectos fundamentais:
• O contexto de ensino – O ambiente de aprendizagem adota nova
configuração por causa da mediatização da tecnologia e da separação
física entre os participantes. O tutor deve reconhecer que essas mudanças
influenciam o contexto do ensino;
• Os estudantes – Têm uma perspectiva diferente e vivenciam a aprendizagem
de maneira diferente dos estudantes da modalidade presencial. Os
responsáveis, principalmente o tutor, precisam estar atentos às dificuldades
sociais, psicológicas e técnicas que o estudante de EaD enfrenta;
• Os métodos – Os profissionais precisam reconhecer que os métodos
tradicionais do ensino presencial não podem simplesmente ser adotados no
contexto da EaD. Por isso, devem ter cuidado para não reproduzi-los.

Para Maggio (2001, p. 106), “o tutor pode mudar o sentido da proposta


pedagógica pela qual foi concebido um projeto (...). É necessário reconhecer que
sua intervenção pode melhorar a proposta”.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 69


Interação e tutoria: o que tem a ver?

As tecnologias da informação e da comunicação trouxeram a discussão sobre o


que significa interação.
Por falar nessa discussão, trazemos o exemplo de Belloni (1999, p. 58):

“... o conceito sociológico de interação – ação recíproca entre dois ou


mais atores onde ocorre intersubjetividade, isto é, encontro de dois
sujeitos (...) e a interatividade (...) com dois significados diferentes
(...): de um lado a potencialidade técnica oferecida por determinado
meio (...), e, de outro, a atividade humana, do usuário, de agir sobre a
máquina, e de receber em troca uma ‘retroação’ da máquina sobre ele”.

Primo (2000) propõe interação como as relações e influências mútuas entre dois
ou mais fatores entes, de modo que cada um altera o outro e a si próprio, bem como
a relação existente entre eles.
Em educação a distância é possível encontrar interações diversas: interação
estudante/conteúdo, professor/estudante, estudante/estudante e estudante/
instituição. Vamos conversar um pouco sobre cada uma delas.
Interação Estudante/Conteúdo - Ao lermos algum texto, interagimos com
ele, refletimos, e reestruturamos ainda que mentalmente, as explicações dadas
sobre determinados temas. Trata-se de uma forma crítica de realizar leituras, de
dialogar com o texto. E isso é mais necessário ainda se o texto se presta a promover
aprendizagens específicas. Do contrário, o estudante será apenas um receptador de
conteúdos.
Cada estudante precisa elaborar seu próprio conhecimento. Uma das maneiras
de isso acontecer é pela inserção pessoal do estudante nas informações. Percebeu
que estamos falando de uma troca entre estudante e conteúdo? Falamos, então,
da interação estudante/conteúdo. Esse tipo de interação possibilita alterações da
compreensão do aprendiz, internalizações de aspectos que ele considera importantes,
e, talvez, até mesmo, mudanças de perspectiva. E qual o papel do tutor? É o de
facilitar a interação do estudante com a matéria apresentada para estudo.
Interação Tutor/Estudante - A aprendizagem em EaD se caracteriza pela
interação tutor/estudante onde ambos aprendem entre si, num clima de liberdade
e pró-ação. É dado ao estudante total liberdade de tempo pela assincronicidade
do curso. Nesta ótica, o estudante é responsável também por seu aprendizado
decorrente de seu comprometimento. Cabe ao tutor atitudes de cobrança, uma
vez que o estudante apesar de agente de sua aprendizagem, deverá atender aos
compromissos assumidos em relação ao cronograma do curso.

70 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


Interação Estudante/Estudante - Existe a relação de um estudante com os
demais estudantes da turma, de pequenos grupos (quando há atividades grupais).
As discussões entre eles são valiosas, pois se sentem mais à vontade para expressar
suas ideias, podem trazer ricos relatos de suas vivências.
Interação Instituição/Estudante - A instituição deve dar apoio ao estudante.
Informações a serem dadas pela secretaria, ou pela área tecnológica, ou por
responsáveis pelo atendimento em polos, entre outros, devem ser encaminhadas,
ao estudante, de forma clara e com brevidade.

Tutor: “os olhos, ouvidos e a boca” do Sistema EaD

O perfil do público norteia o projeto pedagógico, a elaboração dos conteúdos,


e a atuação dos tutores. O que significa dizer que o tutor é os “olhos, ouvidos e a
boca” do Sistema EaD? É que o tutor tem a função essencial de apoio ao estudante,
que se desdobra num atendimento dentro de várias situações.
Apesar de instituições que lidam com EaD designarem áreas para responderem
sobre questões diversas (administrativas, tecnológicas, entre outras), na prática, os
estudantes procuram, primeiramente, o tutor.
Perguntam sobre notas de outros tutores; querem saber o que houve com a
plataforma que estava “fora do ar”; solicitam informações de como fazer a carteira
de estudante e muito mais. Por ter esse contato direto com o estudante, receberá
observações e comentários em relação a várias dimensões do curso.
Para dar esse tipo de apoio ao estudante, o tutor precisa conhecer como funciona
toda a estrutura de atendimento do curso, e poderá responder à solicitação ou
encaminhá-lo aos profissionais responsáveis por esse acolhimento.
As questões que não tenham diretamente a ver com a área de atuação do
tutor deverão ser remetidas às esferas responsáveis para que venham a passar ,
imediatamente, a informação ao estudante. Esse procedimento irá liberar o tutor
para realizar as ações mais pertinentes à tutoria.
Kearsley e Moore (2007) também falam que perceber as dificuldades que o
estudante possa estar enfrentando, no decorrer da disciplina ou do curso, é outra
forma de apoio. Eles dão um exemplo:
“O tutor tem percebido que o estudante Jorge sempre entrega os trabalhos
no “apagar das luzes”. Ao consultar as tarefas enviadas, constata, outra vez, que o
estudante ainda não mandou a atividade.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 71


Será que o aluno não sabe lidar com a tecnologia? Não
consegue gerenciar o tempo? Está muito angustiado com o
desempenho?

Em situações como essa, o tutor precisa ter sensibilidade aguçada para reconhecer
os “sintomas” e buscar superar os obstáculos junto ao estudante.
Perceba que o tutor tomará conhecimento de muitas coisas que acontecem no
decorrer do curso, entre elas:
Certamente, por exercer a atividade de tutor, passará muitas críticas e sugestões
de melhorias. Então, veja que ele se torna uma fonte de informações preciosa. É por
isso que o tutor pode ser considerado “os olhos e os ouvidos” do Sistema EaD.
E sobre ser “a boca”? Bem, as informações que estão em suas mãos precisam
ter uma destinação e, mais do que isso, uma consequência. Todo esse levantamento
precisa ser apresentado aos responsáveis, conforme combinações prévias.

O tutor e a prática da tutoria

A atuação do tutor depende do tipo de sistema de tutoria elaborada pela


instituição. Não há um modelo universal, mas já é ponto pacífico que a tutoria é uma
necessidade dos sistemas de EaD, porque o contato humano faz parte do processo
ensino-aprendizagem. Quais as atribuições de um tutor? A maioria dos estudos
indica que ser mediador pedagógico entre o estudante e sua aprendizagem é a
principal função do tutor.
São características da mediação pedagógica: dialogar permanentemente de
acordo com o que acontece no momento; trocar experiências; debater dúvidas,
questões ou problemas; apresentar perguntas orientadoras; orientar nas carências
e dificuldades técnicas ou de conhecimento quando o aprendiz não consegue
encaminhá-las sozinhos; propor situações-problema e desafios; desencadear e
incentivar reflexões (...); colaborar para estabelecer conexões entre o conhecimento
adquirido e os novos conceitos; colocar o aprendiz frente a frente com questões
éticas, sociais, profissionais (...); colaborar para desenvolver crítica com relação à
quantidade e à validade das informações obtidas; cooperar para que o aprendiz use
e comande as novas tecnologias... (MASETTO, 2000, p. 144-145).

Contudo ele também precisa ser o animador, o facilitador desse processo.


Quando pensamos no tutor como um mediador pedagógico, que estabelece uma
relação empática com os estudantes, percebemos que ele os ajuda a construir

72 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


significados de mundo.
Isso significa que esse mediador deverá apresentar base teórica consistente
sobre concepções de aprendizagem; profundo conhecimento do conteúdo – como
é o caso da Licenciatura em Educação Física a Distância; clareza da metodologia a
ser utilizada e do sistema de avaliação a ser aplicado.
O tutor é necessário, porque a distância entre o estudante e o educador provoca
no estudante a sensação de solidão. Portanto, o tutor precisa estar atento aos
obstáculos psicológicos, sociais e técnicos que os estudantes poderão enfrentar.
As funções do tutor não são simples, não é mesmo? Então, vamos tentar
sistematizar essa complexidade das principais atribuições da tutoria na descrição a
seguir:

• Promover um ambiente social amigável, essencial em processos de ensino-


aprendizagem a distância;
• Favorecer o intercâmbio entre os estudantes (interação estudante/estudante);
• Estar sempre “presente”; não “sumir” do ambiente virtual de aprendizagem
é um compromisso sério e deve ser cumprido. Os estudantes se ressentem
quando não encontram o seu tutor. Diante disso, geralmente, chamam a
atenção do tutor, quando ficam extremamente desestimulados (interação
tutor/estudante);
• Dar dicas de como o estudante poderá organizar seu tempo de estudo
(planejamento de ações); estimular os estudantes a elaborarem um plano de
estudo e de administração do tempo (interação tutor/estudante);
• Auxiliar na resolução de dúvidas (interação estudante/conteúdo);
• Dar suporte ao aluno via e-mail / fórum, ou pessoalmente e por telefone, no
caso do tutor presencial (interação tutor/estudante);
• Enviar, rapidamente, feedback / respostas ao estudante. Uma das grandes
reclamações dos estudantes é quanto à demora de obter resposta às suas
mensagens. Com isso, acabam por considerar essa atitude como falta de
interesse do tutor (interação tutor/estudante);
• Vincular os conteúdos e as atividades às práticas de vida dos estudantes de
sua turma;
• Encaminhar as dúvidas dos estudantes aos supervisores das disciplinas,
quando for o caso;
• Controlar o recebimento e a entrega de trabalhos;
• Responsabilizar-se pela correção dos trabalhos dos estudantes;
• Aplicar as avaliações e corrigi-las;

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 73


• Interagir com os tutores presenciais, mediante orientações definidas;
• Participar do fórum dos tutores.

Perceba que, diante do papel que o tutor irá desempenhar, precisa desenvolver
as seguintes competências, entre outras:

• Apropriar-se de conhecimento teórico de sua prática;


• Conhecer as bases da andragogia (aprendizagem de adultos);
• Apresentar habilidades na escrita, pois o mundo da EaD se vale muito dessa
forma de comunicação. Diante da falta de pistas visuais, é preciso saber
empregar expressões para não gerar ruído na comunicação e consequentes
conflitos. Isso também vale para as comunicações a distância, não escritas,
como o atendimento por telefone, por exemplo;
• Conhecer detalhadamente o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)
do curso, porque receberá pedidos de socorro de estudantes quanto à
“navegação” correta na plataforma Moodle;
• Ter segurança do que diz e do que faz, certamente, os estudantes ficam
bem mais confiantes quando sentem segurança em seu tutor. Essa segurança
decorre do domínio que o tutor tem do conteúdo, da capacidade de promover
condições para o estudante aprender e da experiência em atuar como tutor.
A água divisória dos papéis da tutoria a distância e presencial: é certo que
os tutores precisam atuar de modo integrado. Porém, para que não exista uma
sobreposição de papéis, e sim uma interseção, é necessário compreender o que
cada um faz.
Delimitar as ações do tutor a distância e do tutor presencial é tarefa que exige
“quebrar a cabeça”, pois o estudante precisará ter muito claro, no seu dia a dia, a
quem recorrer, a quem solicitar determinadas dificuldades ou dúvidas.
O estudante pode desconhecer as ferramentas tecnológicas, ter dificuldades
em lidar com as ferramentas do AVA e, até mesmo, com o próprio equipamento de
informática. Outros, talvez não possuam os conhecimentos e as habilidades básicas
para lidar com elaboração e envio de arquivos.
Existem também aqueles que apresentam uma verdadeira “tecnofobia” (aversão
das tecnologias). Por rejeitar os equipamentos tecnológicos e manter a proposta de
lidar com essa resistência, sentem que vão “naufragar” nas “navegações”.

74 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


Alguns desafios a enfrentar

Ensinar a distância, com qualidade, utilizando mídias integradas, como no caso


do Curso de Educação Física a Distância, é um processo complexo que exige muito
do educador que atua nesse novo meio.

Estamos aprendendo a “fazer” EaD, “fazendo”, enquanto a descobrimos e lidamos


com ela. Diante disso, nos deparamos com alguns desafios, que veremos agora:

• Os estudantes silenciosos.

Os estudantes silenciosos são mais comuns do que você possa imaginar, ficam
somente observando as discussões, sem participar dos fóruns. É o estudante
silencioso, que pode estar sem se comunicar por vários motivos, entre eles:

• Temor de se expor;

• Ainda não está adaptado às ferramentas, ou não consegue tirar o melhor


proveito delas;

• Alguma dinâmica no processo do debate o está intimidando;

• Não se sente pertencente ao grupo;

• Está desmotivado;

• Não está compreendendo o assunto em foco;

• Encontra dificuldade para se expressar através da escrita;

• Falta de comprometimento com a participação;

• Passa por um momento da vida que o trabalho exige mais dele;

• Enfrenta problemas na vida pessoal.

Diante disso, o que o tutor pensa em fazer? Bem, como agente educador, deverá
verificar, com muito tato, os motivos que estão por trás da baixa ou nenhuma
participação.

Após conhecer os motivos do estudante, busque incentivá-lo a compartilhar seu


conhecimento, suas opiniões, participando efetivamente das discussões. Pense em
alternativas que envolvam o estudante e o incluam na comunidade. Ele precisa se
sentir confortável e seguro para fazer parte do seu grupo.

Precisamos perceber estes estudantes silenciosos, “ausentes”, e nos preocuparmos


com eles, pois são os principais candidatos a abandonar o curso. Vamos a outro
perfil.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 75


• Os estudantes que participam “em excesso”.

Bem, agora enfrentamos uma situação totalmente oposta à anterior: temos


alguns estudantes que intervêm em excesso. Quando a contribuição é efetiva, fica
até difícil pedir que participem menos para não monopolizar os diálogos, não é
mesmo?

E não se assuste se descobrir que essas participações, embora promovam a


reflexão e o aprendizado, têm o poder de intimidar outros estudantes, e deixá-los
inibidos. E quando as mensagens pouco ou nada contribuem com o crescimento
pessoal e dos demais colegas?

Bem, o que fazer? Você poderá propor um “contrato” conjunto – um contrato


pedagógico – com orientações sobre a maneira de se comunicar e com explicações
do que é uma participação relevante. Mas esse contrato precisa ser aceito por todos;
do contrário, poderá não haver um comprometimento com o que foi acordado.

Porém, o tutor precisa levar em conta os estilos e ritmos de aprendizagem dos


estudantes, tanto dos que apresentam interatividade, em “excesso”, quanto os
silenciosos.

• Os estudantes ausentes desde o começo do curso.

Imagine a situação: o curso já começou há três semanas, mas Patrícia, Fernando,


Elvira e Glauber ainda não se apresentaram, não transitaram pela plataforma e nem
procuraram pelo tutor da turma. Esses estudantes “desapareceram” antes mesmo de
terem aparecido. Não acessaram o curso desde o começo.

Afinal, o que houve com eles?

É outra situação que merece muito zelo. O tutor precisa, urgentemente, entrar
em contato com eles. Envia e-mail e... as mensagens voltam. Pede ao tutor presencial
que entre em contato com o estudante. O tutor presencial liga, insistentemente,
e descobre, depois de muito tentar, que o número está incorreto. Então, envia
correspondência, pelo correio, e constata, quando a carta volta, que o endereço da
residência ou do trabalho mudou.

O tutor não deve desanimar, deverá pedir ajuda para outros estudantes da turma
que possam ter algum vínculo com aqueles estudantes ausentes.

76 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


No decorrer do curso, nos momentos de debates pode ocorrer esvaziamento,
parece que tudo já foi dito. Isso pode ser um sinal de algumas ocorrências, tais
como:
• A discussão, realmente, se esgotou;
• Aqueles que participam ativamente se cansaram da responsabilidade de
sempre alimentarem o debate ou não puderam contribuir mais, naquele
momento;
• A moderação do tutor não é instigadora;
• Os estudantes estão sobrecarregados de tarefas, de diferentes disciplinas,
com prazos de entrega coincidentes;
• Acúmulo de atividades pessoais e profissionais que concorrem com os
estudos.
É claro que as discussões podem ser esvaziadas por vários outros motivos;
porém, esses são os mais comuns. Novamente, o papel do tutor é fundamental:
trabalhar com perguntas provocadoras e inteligentes.
O tutor também pode “devolver a vida” às discussões: apresentar posicionamentos
divergentes, que gerem polêmica. Mas, muito cuidado: este tipo de estratégia exige
que tenha muito tato e sensibilidade para lidar com possíveis situações de conflito.
E esteja pronto para esclarecer essa estratégia ao estudante, porque poderá receber
opiniões contrárias e até, talvez, expressas de modo meio exaltado.

• Estratégias Motivacionais - talvez você já tenha ouvido a frase: “ninguém


motiva ninguém!”.

Esse é um entendimento que gera muitas controvérsias, mas não falaremos


delas. O nosso intuito é de esclarecer que, mesmo que este pensamento seja correto
– e muitos acham que não –, existem estratégias que podem incentivar e animar o
estudante a estudar.
Inicialmente, é preciso que o tutor identifique os motivos de desânimo de alguns
estudantes e o que pode “acender” ainda mais outros estudantes. Depois, poderá
implementar algumas estratégias de incentivo à aprendizagem estudantes, como:
• Valorizar as iniciativas dos estudantes;
• Responder, rapidamente, às solicitações;
• Indicar filmes, sites, leituras complementares;
• O senso de humor não está proibido na EaD. Quando conveniente, e articulado
a aspectos da aprendizagem, pitadas de bom humor são estimulantes;
• Auxilie os estudantes a interpretarem conteúdos;

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 77


• Use uma linguagem dialógica, clara e coerente, para se aproximar dos
estudantes;
• Adote ações que estimulem os estudantes a procurarem uns pelos outros;
• Conforme a possibilidade, apresente questões existenciais;
• Vincule assuntos estudados a fatos recentes;
• Conte histórias, lendas, para quebrar a velha sistemática de o estudante
só lidar com textos “áridos”. Para incentivá-los a trabalhar com textos mais
densos, lembre-se de usar esses recursos educativos, durante as conversas.

O tutor e o encontro presencial

Os cursos de EaD, em nível de graduação, por força de lei, utilizam encontros


presenciais. São momentos em que os estudantes se encontram e participam de
atividades comuns, fundamentais para desenvolver o senso de pertencimento a
um grupo ou instituição, sistematizar os conhecimentos desenvolvidos e trocar
experiências.

Podem envolver trabalhos práticos em grupo, aulas expositivas, palestras,


avaliações, plantão tira-dúvidas, entre outras atividades. Assim, fica evidente que os
encontros presenciais exigem um planejamento prévio.

Geralmente, cabe ao tutor presencial:

• Dominar as ferramentas do Moodle;

• Acessar, frequentemente, o curso e as disciplinas, no Moodle;

• Acompanhar o cronograma das disciplinas e do curso;

• Interagir com o tutor a distância;

• Contactar os estudantes indicados pelo tutor a distância;

• Participar dos fóruns de tutores nas disciplinas, no ambiente Moodle;

• Planejar os encontros;

• Providenciar ou solicitar à pessoa designada os materiais que serão usados;

• Coordenar a realização dos encontros;

• Dirimir dúvidas de conteúdo;

• Estimular a permanência do estudante no curso;

78 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


• Aplicar avaliações de aprendizagem;

• Checar o comparecimento dos estudantes;

• Repassar à área administrativa de seu polo:

• As orientações dadas pelo Coordenador de Curso em caso de o estudante


comparecer a encontro presencial em outro polo;

• A lista de presença dos estudantes;

• Relatório de atividades que exerceu se solicitado pelo Coordenador.

A educação a distância aparece cada vez mais, no contexto das sociedades


contemporâneas, como uma modalidade de educação adequada para atender às
demandas educacionais decorrentes das mudanças na nova ordem econômica
mundial. Ela é cada vez mais um elemento necessário dos sistemas educativos, não
apenas para atender as demandas e/ou grupos específicos, mas com funções de
crescente importância, especialmente no ensino superior regular.

Contudo a expansão da educação a distância na última década representa o


impacto das forças de mercado e da situação de recessão econômica e consequentes
políticas governamentais de restrição de recursos aplicados a educação. Observa-
se na década de 90, em vários países industrializados, uma rápida expansão do
ensino superior, não acompanhado de uma expansão proporcional de recursos de
ensino. Nesse quadro de crise do ensino superior, a educação a distância tem sido
percebida por vezes como uma solução e em outros momentos como uma ameaça.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 79


LEITURA OBRIGATÓRIA
Este ícone apresenta uma obra indicada pelo professor-
autor que será indispensável para a formação
profissional do estudante
Caro estudante, hoje percebemos a influência das Tecnologias de Informação e
Comunicação nas pessoas, e nas instituições sociais. Para complementar os conteúdos
estudados nos itens anteriores, sugerimos a leitura da obra Novas linguagens e
novas tecnologias: educação e sociabilidade.
Nesta obra, os autores retratam que apesar das novas linguagens e
das novas tecnologias os professores e estudantes continuam sendo os
melhores recursos para a concretização da aprendizagem e a construção
do conhecimento.

COSTA, José Wilson da (org); OLIVEIRA, Mª Auxiliadora Monteiro (org). Novas


linguagens e novas Tecnologias: educação e sociabilidade, 2004.

Após a leitura da obra, sugerimos que faça uma resenha


crítica sobre o assunto abordado.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 81


SAIBA MAIS
Neste ícone será encontrado sugestões de
aprofundamento da disciplina em outro espaço.
Pesquisas divulgadas, em formato de entrevistas, com o
próprio autor da investigação
Saiba mais

A apropriação das tecnologias da educação envolve diversos momentos,


que envolvem vários aspectos em relação ao professor. Ele pode se apropriar
dessa tecnologia para fazer provas, um gráfico; pode desenvolver trabalhos
com os estudantes integrando sua disciplina a outras, executando um trabalho
transdisciplinar.
Sugerimos que leia a entrevista Cultura digital e escola
com José Armando Valente, pois eles comentam que estamos
mais ou menos no estágio três e se conseguirmos atingir
o estágio quatro, ocorrerá uma mudança significativa na
abordagem tecnológica.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 83


REVISANDO
É uma síntese dos temas abordados com a intenção
de possibilitar uma oportunidade para rever os pontos
fundamentais da disciplina e avaliar a aprendizagem
Vimos que viver num mundo digital implica não apenas em ter o acesso, é
preciso oportunizar as condições para uma educação de qualidade a fim de que os
estudantes possam atribuir significado às informações e utilizem as tecnologias para
resolver problemas de sua vida e do meio onde estão inseridos.
Os estudantes, normalmente, dominam melhor os recursos tecnológicos
disponíveis na escola do que seus professores. Dessa forma, as relações usualmente
estabelecidas na escola entre o professor que está na posse do conhecimento e o
estudante que veio para aprender, estão na atualidade colocadas em causa. É sentida
a necessidade da existência de alterações, mas não se sabe bem como e o que fazer.
Uma escola equipada com recursos tecnológicos modernos e em número
suficiente em relação ao número de estudantes não constitui garantia de sucesso
e inovação pedagógica. A formação continuada dos professores é fundamental.
Trabalhar com projetos auxilia a integração das diferentes mídias, desde que se
tenham claros os objetivos, as características das tecnologias e mídias empregadas,
os conceitos que serão mobilizados no projeto para produzir novos conhecimentos.
O grande desafio que se apresenta é inovar as práticas educativas cotidianas, que
possibilitem a formação humana e a inclusão social. Não se poderá utilizar o recurso
tecnológico como simples forma de reprodução.
A educação não pode se colocar à margem dos recursos disponíveis para
levar adiante as reformas e inovações impostas no contexto da Sociedade do
Conhecimento. Nesse processo, a educação exige uma abordagem inovadora em
que a competência para lidar com as novas tecnologias não pode ser ignorada.
Com as novas tecnologias podem-se desenvolver múltiplas atividades com interesse
didático e pedagógico.
Contudo, instituições educacionais enfrentam o desafio não apenas de incorporar
as novas tecnologias como conteúdos do ensino, mas também reconhecer e
partir das concepções que as crianças têm sobre estas tecnologias para elaborar,
desenvolver e avaliar práticas pedagógicas que promovam o desenvolvimento de
uma disposição reflexiva sobre os conhecimentos e os usos tecnológicos.
Frente à situação supracitada, o professor precisa orientar o estudante sobre
onde conseguir a informação, como tratá-la e como utilizá-la, fomentando desse
modo uma aprendizagem ao longo de toda a vida. Para que este possa desenvolver
a capacidade de inovar, criar a partir do conhecido, adaptar-se, além de aprimorar a
criatividade, autonomia e comunicação.
Construir, criar, inventar, experimentar, comunicar, cooperar, ajudar, aprender,
essas são as palavras de ordem da mudança da escola para integrar a cultura digital.
O primeiro passo da escola para adotar as novas tecnologias da informação e
comunicação e a Internet na sua prática de ensino, passa pela reestruturação do
espaço e tempo escolares.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 85


No entanto, devem ser oportunizadas as condições para que os estudantes,
independentemente das idades e vivências, se agrupem livremente em lugares
próximos ou distantes, mas com interesses e desejos semelhantes. Deverão ser
livres para escolher o que desejam estudar. Essa liberdade os responsabilizará pelas
próprias escolhas. Lembrando que a produção pode ser publicada na Internet,
trocada e avaliada em simultâneo por professores e estudantes em diferentes áreas.
A Educação a Distância tem como desafio permanente promover a autonomia
do estudante, encarada, aqui, como forma de lhe proporcionar competências para
poder decidir o seu modo de aprender a aprender e de construir o seu próprio
percurso de aprendizagem.
Por outro lado o estudante é obrigado permanentemente a conciliar as suas
possibilidades e anseios de autonomia, com as expectativas que a instituição
promotora do curso tem em relação a ele, enquanto estudante e cidadão.
Nesse processo a interação é condição para a construção de um conhecimento
significativo. Nós aprendemos na interação com o outro e com a realidade que nos
rodeia.
O isolamento do estudante é, por vezes, apontado como a principal lacuna dos
cursos de Educação a Distância, face à educação presencial. Esse é um dos motivos
pelos quais o conceito de Educação a Distância não é consensual. Desde que o
ensino por correspondência cedeu lugar à Educação a Distância que se procura um
conceito que possa enquadrar as características do ensinar e aprender a distância e
a evolução das tecnologias.
O desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação possibilitou
à Educação a Distância melhorar a interação entre os estudantes e a instituição
que promove o curso e entre os próprios estudantes, visando a promoção de
ambientes de aprendizagem individual e colaborativa, promotores de aprendizagem
significativa e de qualidade.
O tutor é o profissional que provê o necessário apoio pedagógico, para ajudar o
estudante a explorar a disciplina e alcançar um aprendizado significativo. A maioria
das instituições assume que o papel da tutoria na educação a distância é colocar-se
à disposição do estudante para auxiliá-lo na construção do próprio caminho.
A função primordial do tutor é a mediação pedagógica, orientar e reorientar
caminhos para a aprendizagem, esclarecer dúvidas dos estudantes e identificar suas
dificuldades, sugerir novas leituras, etc..

86 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 87
AUTOAVALIAÇÃO
Momento de parar e fazer uma análise sobre o que o
estudante aprendeu durante a disciplina.
Autoavaliação

1. Com a popularização da Internet, novos conceitos estão sendo criados para


designar os novos fenômenos. Esse é o caso do Letramento Digital, que se refere a:
a) Aprender a ler e escrever com o auxílio do computador;
b) Leitura na Internet;
c) Salas de bate-papo;
d) A utilização, com autonomia, de ferramentas de busca, de comunicação e
publicação;
e) A habilidade de jogar videogame.

2. São características da Comunicação Digital:


a) Propiciar diálogos a distância;
b) Ser menos burocrática do que as formas tradicionais de comunicação;
c) A informação se desloca e não, necessariamente, as pessoas;
d) O virtual no lugar do real;
e) Todas as alternativas são verdadeiras.

3. O uso dos recursos das diferentes mídias na escola pode contribuir para o
indivíduo desenvolver suas compreensões sobre o mundo e sobre a cultura em que
vive. Nesse contexto são recomendáveis:
a) Muitos jogos, de todos os tipos, pois só se aprende brincando;
b) Pesquisas na Internet, pois as informações estão organizadas e os estudantes as
realizam sem dificuldades;
c) Atividades onde o professor é o EMISSOR e os estudantes são os RECEPTORES da
informação;
d) A elaboração e o desenvolvimento de atividades de autoria e coautoria, onde há
uma parceria entre professores e estudantes;
e) Todas as alternativas são verdadeiras.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 89


4. A educação é o elemento fundamental na construção de uma sociedade baseada
na informação, no conhecimento e no aprendizado. Educar em uma Sociedade do
Conhecimento significa muito mais que treinar as pessoas para o uso das tecnologias
de informação e comunicação. Trata-se de investir na criação de competências
suficientemente amplas que Ihes possibilitem assumir uma atuação concreta na
produção de bens e serviços. Tomar decisões fundamentadas no conhecimento,
operar com fluência os novos meios e ferramentas em seu trabalho, bem como
aplicar criativamente às novas tecnologias da informação e comunicação, seja em
usos simples e rotineiros ou em aplicações mais sofisticadas. Trata-se também de
educar os sujeitos para “aprender a aprender”, de modo a serem capazes de trabalhar
de maneira adequada com a contínua e acelerada transformação das tecnologias.
Fonte: Capitulo 4 do Livro Verde Sociedade da Informação no Brasil, publicado
em 2000 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
A partir da leitura do texto anterior, propõe-se o preenchimento da tabela, indicando
as principais alterações na vida dos sujeitos e suas consequências na educação, fruto
da Sociedade da Educação.

Sociedade do
Sujeito Educação
Conhecimento

Globalização

Tecnologia Digital

Difusão da Informação

Novas Profissões

Novas Exclusões

Novas Competências

5. A Internet é uma mídia informativa recente e suas repercussões e aplicações na


sociedade atual ainda não foram devidamente dimensionadas (LEVY, 2007). Diante
do exposto, é correto afirmar que:
a) A abertura e a liberdade da Internet só trazem contribuições à sala de aula.
b) “O mar de informações” que se pode encontrar na Internet torna a navegação
muito prejudicial aos estudantes.
c) Há um paradoxo na cibercultura, pois a facilidade de se encontrar e publicar
informações convive com a falta de controle e possibilidade de se inserir notícias e
conteúdos falsos.
d) A visão fragmentada dos conteúdos impossibilita qualquer estudo mais sério.
e) Os estudantes aprendem espontaneamente, sem necessidade de intervenções.

90 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


6. Marque as opções que devem ser contempladas nas propostas de Educação a
Distância na atualidade:

a) Separação física e espacial entre estudante e professor.

b) Predomínio de atividades expositivas.

c) Atendimento individualizado por professor em sala de aula presencial em horários


fixos.

d) Ritmo de aprendizado determinado pelo estudante.

e) Processo de ensino-aprendizagem centrado no professor.

f) Processo de ensino-aprendizagem centrado no estudante.

Quais as opções abaixo estão corretas

a) as opções A e F estão corretas

b) as opções B e E estão incorretas

c) as opções D e E estão incorretas

d) apenas uma opção está

7. Considerando as definições de Educação a Distância de acordo com diferentes


autores, qual das afirmações abaixo pode ser considerada incorreta?

a) É o processo de ensino-aprendizagem quando professores e estudantes não


estão normalmente juntos fisicamente, mas podem estar conectados, interligados
por tecnologias.

b) A Educação a Distância reconhece a capacidade do estudante para construir seu


conhecimento e ser ator e autor de suas práticas e reflexões.

c) Educação a Distância é uma forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem,


com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados e apresentados
em diferentes suportes de informação. São utilizados isoladamente ou combinados
e veiculados pelos diferentes meios de comunicação.

d) Em Educação a Distância os estudantes não estão fisicamente no mesmo lugar,


mas devem, necessariamente, participar todos ao mesmo tempo das atividades.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 91


8. Estarão os elementos básicos da questão acima contemplados na atual
regulamentação da Educação a Distância do Brasil?

9. O maior desafio da Educação a Distância envolve necessariamente:

a) O estudante;

b) A tecnologia;

c) Os professores;

d) O descrédito da sociedade

10. Acerca da interação promovida pela Educação a Distância, podemos afirmar:

I) Resume-se ao relacionamento com o tutor;

II) Promove a criação de comunidades de aprendizagem,de discurso e de prática,


nas quais os estudantes produzem significativamente e agem criticamente;

III) Não é decisiva para a aprendizagem dos estudantes;

IV) É ocasional e restrita a algumas atividades específicas.

a) I, IV falsas, II e III verdadeiras;

b) I verdadeira, II, III, IV falsas;

c) II verdadeira, I, III, IV falsas;

d) I, II, III, IV verdadeiras.

11. Os dois primeiros motivos pelos quais se comprova a importância da Educação


a Distância no Brasil são:

a) O caráter técnico e as necessidades do país no campo da educação.

b) A realidade geográfica e as necessidades do país no campo da educação.

c) A ordem individual e particular do cidadão que tem acesso à educação e a


realidade geográfica.

d) A realidade geográfica e o caráter técnico.

92 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


12– A Educação a Distância tem especificidades que não são comparáveis com as
da educação presencial. Na Educação a Distância, o contato entre o professor e
estudante ocorre de modo indireto, através dos meios tecnológicos.
A organização didática e pedagógica terá de ser planejada de modo que os
estudantes assumam a construção autônoma do seu processo de aprendizagem
sem a presença física do professor.
Contudo o Relatório do VIII Encontro Nacional da TV Escola realizado em Curitiba
- Paraná em julho de 2002 afirmava que a “distinção que se faz hoje em dia entre a
Educação a Distância e a presencial não tem cabimento.
“Os cursos à distância estão cada vez mais presenciais e os cursos presenciais estão
incluindo momentos de estudo à distância”. Comente a afirmação justificando as
suas opiniões.

13 - A modalidade de Educação a Distância não propõe a substituição nem a


desvalorização da educação presencial. O que significa esta afirmativa? Escreva
um texto de no mínimo 15 linhas sobre o assunto. Não se esqueça de sustentar
teoricamente as suas afirmações.

14. Dentre as potencialidades da EAD podemos afirmar que a flexibilidade do estudo


à distância:
a) Está subordinada a nenhuma legislação educacional, nem depende de autorização
para funcionar no Brasil.
b) Está associada ao fato de não se limitar às condições especiais e temporais de
sala de aula.
c) Está associada ao fato de não ultrapassar fronteiras geográficas e culturais.
d) Está vinculada a uma realidade virtual cujo potencial criativo do estudante fica
limitado aos novos desafios da sociedade.

15. O material impresso para Educação a Distância não se presta apenas ao repasse
de conhecimentos, possibilita também aos estudantes a aquisição de habilidades
e/ou mudança de atitudes. O material impresso pode ser utilizado como recurso
complementar de outros instrumentos de mediação, tais como o rádio, televisão,
possibilitando a fixação e complementação de conteúdos.
Que características deverão ter o material impresso para Educação a Distância?

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 93


16 - Que vantagens os instrumentos de mediação analógicos possibilitam à Educação
a Distância?

17 - Segundo o texto estudado, o perfil da sociedade de nossos dias aponta para


uma “escola sem paredes”. Qual o significado dessa assertiva? De que modo a
evolução tecnológica possibilita a construção dessa nova escola?

18 - A avaliação dos cursos de EAD no Brasil obedece aos indicadores de qualidade


definidos:
a) Pelos Conselhos Estaduais de Educação.
b) Pelas Secretarias Estaduais de Educação.
c) Pelo MEC.
d) Pela Capes.

19 - No Brasil a legislação da Educação a Distância focaliza sua atenção, sobretudo:


a) Na tutoria como centro do conhecimento.
b) Nas estruturas das localidades.
c) No processo de ensino e aprendizagem.
d) Na uniformidade cultural.

20 - A Educação a Distância configura uma mudança de paradigma no ato de ensinar


e aprender, em razão:
a) Da disseminação da Internet.
b) De ser mecanismo complementar, substitutivo ou integrante do ensino presencial.
c) Dos anseios de universalização do ensino.
d) Da queda dos índices de aprovação no ensino presencial.
As opções verdadeiras são:
a) a, b, c, d
b) a, c, d
c) a, b, c
d) b, c, d

94 Novas Tecnologias na Educação INTA EAD


21 - As instituições que promovem cursos à distância têm que obedecer a rigorosos
critérios de certificação definidos legalmente e controlados pelo MEC.
A partir da legislação legal sobre Educação a Distância, defina uma lista de, no mínimo,
15 itens, dos critérios que, para você, devem integrar uma relação de aspectos a
serem observados por uma instituição que deseje certificar-se para promover curso
à distância independente do grau de ensino que deseja atingir.

22 - Identifique pelo menos três cursos de Educação a Distância promovida por


instituições educacionais brasileiras. Apresente as características desses cursos sob
o ponto de vista do material didático, da interação e avaliação.

INTA EAD Novas Tecnologias na Educação 95


BIBLIOGRAFIA
Indicação de livros e sites que foram usados para a
constituição do material didático da disciplina
Bibliografia

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BORGES NETO, H. ; OLIVEIRA, Sílvia Sales. Experiências de Formação de
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