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FRANKLIN LOPES KLOCK

O DISCURSO LACANIANO NA HISTÓRIA DO PENSAMENTO

Texto apresentado ao Programa de Pós-


Graduação da Universidade Positivo, Setor
de Ciências da Saúde, como parte das
exigências para aprovação no módulo “O
Discurso Lacaniano na História do
Pensamento”.

Professor: Prof. Dr. Claudio Eduardo Rubin.

CURITIBA
2020
1

1 - Desenvolvimento da Obra de Lacan

Desenvolvimento da Obra de Lacan (segundo MILNER, J. C. “A obra clara: Lacan, a ciência, a filosofia”. Editora Zahar,
1996.)

Antifilosofia
Antilinguística
Antimatemática
Antipolítica

2 - Os Três Registros

Em 08/07/1953, no seminário intitulado “O simbólico, o imaginário, o real” (1), Lacan introduz a tríade conhecida como os três
registros, segundo o próprio “...são bem os três registros da realidade humana”, os quais restariam presentes ao longo de
toda sua obra e se propuseram a descrever a constituição subjetiva da experiência humana.
No decorrer dos anos, a ordem e a importância com as quais Lacan trataria cada uma destas instâncias nunca foi aleatória,
sendo sua articulação jamais estabelecida ao acaso, conforme Soller (2).
A título de exemplo, em meados da década de 50, o Simbólico estava em plena expansão, era como uma instância
preponderante, tinha papel substancial na produção dos demais registros, os dominando e ordenando. Porém, na década de
70, ainda parafraseando Soller (2), o Simbólico mostrou-se insuficiente para dar conta do que era da ordem do real. Nesta
mesma orientação, o esquema L particular, e posteriormente, os esquemas R e I, são demonstrações da submissão do
Imaginário e do Real pelo Simbólico.
Cronologicamente, conforme afirma o Prof. Rubin (3), no início das elaborações lacanianas, de 45 em diante há uma
predominância do Imaginário sobre o Simbólico e o Real. Num segundo momento, na década de 50, há certa predominância
do Simbólico sobre o Imaginário e o Real, havendo, ulteriormente, uma máxima expansão do Simbólico perante os demais
registros. A partir de 1959/60 (anos do seminário 7, onde se vislumbra um ponto de inflexão), há progressivamente uma
predominância do Real sobre o Simbólico e o Imaginário. E, por fim, nos momentos já derradeiros da obra de Lacan, de
1974/75 em diante, não há relação de predominância, mas estabelecida uma hierarquia autônoma de cada um dos registros.
Ainda citando Rubin (3), pode-se notar que a maneira com a qual Lacan organizou a relação entre as três instâncias no
decurso de sua obra dá, em verdade, certa indicação da organização da própria clínica, não consistindo uma mera
configuração dos pensamentos teóricos.

O Imaginário

As influências de Lacan para teorização e formulação do conceito de Imaginário vêm, de acordo com Prof. Rubin (3), de
alguns pensadores e intelectuais de áreas distintas, dentre os quais Henri Wallon, Maurice-Merleau Ponty, Jean-Paul Sartre,
bem como obviamente Sigmund Freud.
De Freud, Lacan vale-se, mais especificamente, dos conceitos de “Eu, Libido e Narcisismo”, na medida em que o corpo é
matéria, substrato, parte das funções do Eu - pois se apresenta libidinizado, bem como o que é considerado interior e exterior
na formação da imagem do corpo.
Em Wallon, Lacan elabora sobre a “imagem especular", isto é, o fato da criança se deparar com sua própria imagem diante do
espelho e as consequências desse ato. Para Wallon, o ato de ver a si mesma no espelho faz a criança partir de uma
consciência egocêntrica para outra social, suscetível à representações do outro e de relações de reciprocidade. Se em Wallon
se instaura consciência social, Lacan propõe que se institui em verdade tensão imaginária, que não se resolve
adequadamente nunca. Assim, essa representação do outro, essa reciprocidade, seriam sempre conflitivas.
Para Lacan, o Eu seria uma precipitação no sentido de processo inesperado, que carrega algo de improviso, de abrupto, certa
inadequação do indivíduo à sua própria imagem, um desajuste (conforme Jalley (4), Lacan vai além e integra no mito de
Narciso a tendência de morte, de aniquilamento de si; a predileção por si como espetáculo; e o componente de solidão que o
narcisismo implica).
De Sartre, Lacan dispõe das elaborações que a imagem é um conteúdo psíquico independente. Entre 1936/40 Sartre faz um
movimento da Imaginação ao Imaginário, sendo que o Imaginário encontra constituição própria na filosofia, o que também
contribuiu com a obra lacaniana.
Segundo o Vocabulário da Psicanálise (5), pode-se qualificar o Imaginário da perspectiva intra-subjetiva: relação narcísica do
sujeito com seu ego; da perspectiva intersubjetiva: relação apoiada na imagem de um semelhante; do ponto de vista
ambiental: importância de determinadas Gestalt (percepção do outro de mesma espécie como um todo unificado, termo
inspirado nas elaborações de Kohler) na relação de gatillho entre os comportamentos; e em relação às significações: existe
certa aglutinação entre significante e o significado, devido à semelhança e homeomorfismo.

O Simbólico

As influências para enunciação do Simbólico, da mesma forma que ocorreu com o Imaginário, vieram de diferentes vertentes
2

do pensamento. Segundo Prof. Rubin (3) dentre elas constam: as elaborações de Ferdinand de Saussurre, de onde vieram os
influentes elementos da Linguística Estrutural; a Poesia, de onde Lacan trouxe influências do Movimento Surrealista e André
Breton; vieram da Antropologia Estrutural as elaborações de Claude Levi-Strauss; veio da Cibernética, sobretudo na análise
do conto de Edgar Allan Poe, a contribuição que a lógica binária dá à relação entre antípodas; dentre outras fontes.
Por fim, mas não menos importante, em Sigmund Freud Lacan se baseou nos, denominados por ele, textos fundacionais da
Psicanálise, obras nas quais têm destaque conceitos do Incosciente e do Simbólico: “O Chiste e Sua Relação com o
Inconsciente”, “A Interpretação dos Sonhos” e “Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiana”.
O que foi fecundo para Lacan da Antropologia, da Linguística e da Filosofia, o qual colaborou para o posicionamento do
Simbólico em sua obra é o que foi denominado como Estruturalismo, isto é, as elaborações lacanianas a respeito do
Simbólico se valeram do Paradigma Estruturalista (visto que não foi um movimento) de sua época, e mais, transformaram-no
criando uma forma particular para a composição das concepções dentro da Psicanálise. Ou seja, tais elaborações não
poderiam dar conta doutros fenômenos, senão aqueles que se propuseram a explicar. Como exemplo, o Esquema L (década
de 50) de Lacan é baseado no que os estruturalistas chamam de Grupo de Klein, onde quatro elementos são dispostos em
vértices e suas relações e resultants são estabelecidas por setas.
A afirmação de Lacan “o inconsciente está estruturado como uma linguagem” (6) é considerada pelos comentadores de sua
obra como a síntese de suas composições em torno do Simbólico;
Consoante Vocabulário da Psicanálise (5), o registro Simbólico é utilizado por Lacan em dois movimentos diferentes que se
complementam: para definir uma estrutura onde os elementos não possuem valor per se, exceto quando fazem parte da
grade e funcionam como significantes; e para constituir a regra que compõe e institui esta ordem (ordem simbólica).

O significante e o Sujeito

Saussure propõe que a linguagem seria constituída por signos (o sinal de tudo o que pode ser conhecido pela experiência
humana), e estes fundados pela articulação (sempre imprevista, arbitária) de duas entidades: significado e significante.
Significado apareceria como conceito e ideia associada, e significante como imagem acústica, “parcela material do signo
linguístico” (7).
Lacan subverte esta ordem (denotado no Algoritmo), pois afirma que a linguagem seria formada não por signos, mas por
significantes, e que estes fariam morada no Outro (tesouro dos significantes) (8), esboçando prevalência do significante sobre
o significado. Diferentemente de Saussure, Lacan afirma que o significado seria etéreo, “evanescente, como um fluido que
desliza ao longo da cadeia de significantes” (9). O significante não significa nada em si mesmo, retomando o conceito de
Simbólico.
Como Lacan postulou no Seminário XXI, “...o significante é o que constitui signo para outro signo, e por isso é o significante.
Isto não tem nada a ver com a comunicação a um outro, isto determina um sujeito…” (10).
O significante tem definição escapadiça porque “...há sempre uma perda cada vez que a linguagem tenta, num discurso, dar
conta de si mesma...” (11), nas palavras do próprio Lacan.
Em relação à letra, como o significante só tem sentido enquanto diferença, a letra é identica em si mesma, num determinado
discurso (possui positividade). O significante é indestrutível, a letra perecível. O significante é passível somente de
representação, intransmissível, mas a letra pode ser propagada (3).
Desta forma um sujeito para Lacan seria o que um significante representa para outro significante, dentro do circuito de trocas,
noutra dimensão, de modo que o sujeito não seria mais senão o resto, o decantado, da passagem de um significante para
outro, segundo Prof. Rubin (3).
Lacan, então, à medida que sua obra avança, transfaz o conceito de sujeito, definindo-o mais tardiamente, em meados de
1973, como aquilo a ser decifrado do inconsciente, inconsciente este como saber, todavia não acessível deliberadamente pelo
indivíduo deste inconsciente.

O Real

O Real Lacaniano se aproxima das formulações empreendidas por Kant, quando teceu em 1781 em seu livro Crítica da
Razão Pura, que o conhecimento humano tinha de ser examinado e possuía limites. Kant entendeu que a experiência
humana não poderia acessar a coisa em si, o objeto de estudo tal como ele é (númeno), sendo a capacidade de conhecer
limitada à subjetividade e ao alcance dos sentidos, à maneira como se manifesta e é representada enquanto fenômeno,
deixando escapar o que seria de fato da ordem do real. Daí viria a impossibilidade do real, o que haveria de inexequível no
ato de ser conhecido.
Portanto, desde do lançamento do conceito de Real, Lacan já o classifica como algo que escapa, para posteriormente, em
1959, a partir do seminário 7, afirmar que o Real é dissemelhante da realidade. (12)
Neste mesmo seminário, em oposição ao que poderia ser capturado e pensado, Lacan nomeia esse algo que escapa de Das
ding, e vai além, afirmando que tal coisa permite inclusive o psiquismo, “o que retorna sempre ao mesmo lugar”. (12)
Em suas últimas exposições, Lacan vai emergir o sintoma como aquilo que amarra, que cria conjunção entres os três
registros, aproximando o Real do Isso freudiano (13).
3

3 – Referências Bibliográficas

(1) LACAN, Jacques. “O simbólico, o imaginário e o real”. In: Nomes-do-Pai. Editora Zahar, 2005.
(2) SOLER, Colette. “A querela dos diagnósticos”. Editora Blücher, 2018.
(3) RUBIN, Claudio E. “O discurso lacaniano na história do pensamento”. 19 de jun de 2020 a 03 de jul de 2020. Notas
de Aula.
(4) JALLEY, Émille. “A criança no espelho”. Companhia de Freud, 2011.
(5) LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand L. “Vocabulário da Psicanálise”. Editora Martins-Fontes, 2016.
(6) LACAN, Jacques. “O seminário, livro 20. Mais, ainda”. Editora Zahar, 1985.
(7) SAUSSURE, Ferdinand de. “Curso de Linguística Geral”. Editora Cultrix, 2012.
(8) LACAN, Jacques. “O seminário, livro 3. As psicoses”. Editora Zahar, 1985.
(9) LACAN, Jacques. “Escritos”. Editora Zahar, 1998.
(10) LACAN, Jacques. “Os não-tolos erram / Os nomes do pai: seminário entre 1973-1974”. Editora Fi, 2018.
(11) LACAN, Jacques. “Les problèmes cruciaux pour la psychanalyse: séminaire 1964-1965”.
(12) LACAN, Jacques. “O seminário, livro 7. A ética da psicanálise”. Editora Zahar, 1988.
(13) DENEZ, F.; VOLACO, Gustavo C. “Lacan in North Armorica”. Editora Fi, 2018.