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Aula 10

Direito Administrativo p/ PC-PR


(Delegado) Com Videoaulas - Pós-Edital

Autor:
Wagner Damazio
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12 de Maio de 2020
Wagner Damazio
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Sumário
Introdução .................................................................................................................................................... 4

1. Considerações Iniciais ............................................................................................................................... 5

2. Tipos e Formas de Controle ....................................................................................................................... 9

2.1. Aspectos históricos ............................................................................................................................. 9

2.2. Controle enquanto princípio fundamental ........................................................................................ 10

2.3. Aspectos Gerais ................................................................................................................................ 13

2.4 Definições doutrinárias de Controle da Administração Pública .......................................................... 14

2.5 Classificações e Espécies de Controle da Administração Pública ........................................................ 15

3. Controle interno e externo ...................................................................................................................... 19

4. Controle Social ........................................................................................................................................ 32

5. Controle preventivo, concomitante e sucessivo ...................................................................................... 35

6. Controle de mérito e de legalidade ......................................................................................................... 37

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7. Recursos como medida de controle ........................................................................................................ 39

8. Controle do Poder Judiciário ................................................................................................................... 46

8.1. Mandado de segurança individual e coletivo .................................................................................... 47

8.2. Mandado de injunção....................................................................................................................... 51

8.3. Ação Popular .................................................................................................................................... 52

8.4. Habeas Data .................................................................................................................................... 53

8.5. Habeas Corpus ................................................................................................................................. 54

8.6. Ação Civil Pública ............................................................................................................................. 55

9. Controle do Poder Legislativo: controle político e controle financeiro..................................................... 56

9.1 Controle político ................................................................................................................................ 56

9.2 Controle financeiro ............................................................................................................................ 57

10. Questões de Concursos Anteriores........................................................................................................ 64

10.1 Lista de Questões sem Comentários ................................................................................................ 64

10.2 – Gabarito ....................................................................................................................................... 86

10.3-Questões Resolvidas e Comentadas................................................................................................. 87

11. Resumo ............................................................................................................................................... 165

12. Considerações Finais ........................................................................................................................... 188

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INTRODUÇÃO

Caríssimo(a)! Vamos dar continuidade, aqui no Estratégia Concursos, ao Curso de Direito


Administrativo com teoria e exercícios resolvidos e comentados para o concurso de ingresso à
carreira de Delegado da Polícia Civil do Paraná.
Veremos nesta aula os principais aspectos do Controle da Administração Pública.

Havendo dificuldade na compreensão da teoria ou na resolução dos exercícios expostos nesta


aula ou em qualquer outra, não deixe de entrar em contato comigo pelo fórum de dúvidas!
Repito que estou sempre atento ao fórum de dúvidas para, de forma célere, buscar uma
maneira de reescrever o conteúdo ou aclarar a explicação anteriormente oferecida para
que você alcance a sua meta de aprendizagem.
Frise-se que o nosso objetivo precípuo é a sua aprovação e para isso me dedicarei ao máximo
para atendê-lo e auxiliá-lo nessa caminhada.
Além disso, para ficar por dentro das notícias do mundo dos concursos públicos, recomendo que
você siga o perfil do Estratégia Carreira Jurídica e do Estratégia Concursos nas mídias sociais!
Você também poderá seguir meu perfil no Instagram. Por meio dele eu busco não só transmitir
notícias de eventos do Estratégia e de fatos relativos aos concursos em geral, mas também
compartilhar questões comentadas de concursos específicos que o ajudará em sua preparação!

Que Deus o ilumine nos estudos!

Sem mais delongas, vamos ao trabalho!

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1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Como de costume, introduzo esta nossa aula com as seguintes provocações:

PROVOCAÇÕES INTRODUTÓRIAS PARA A AULA DE HOJE:


1) Qual é a finalidade do controle no âmbito da Administração Pública?

2) Defina Controle da Administração Pública segundo os doutrinadores renomados do Direito


Administrativo.

3) Classifique o controle quanto à natureza do órgão controlador.

4) Classifique o controle quanto à localização do órgão que o realiza.

5) Classifique o controle quanto ao momento em que se realiza.

6) Classifique o controle quanto à sua natureza.

7) Classifique o controle quanto à iniciativa.

8) Diferencie controle interno do externo, segundo Hely Lopes Meirelles.

9) A quem pertence a titularidade do controle externo no Brasil no âmbito da União?

10) Quem está sujeito à fiscalização do controle externo no Brasil?

11) Qual tipo de eficácia terão as decisões do Tribunal de Contas de que resulte imputação de débito ou
multa?

12) Qual o tipo de responsabilidade a que estão sujeitos os responsáveis pelo controle interno que, ao
tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, não derem ciência ao Tribunal de
Contas da União?

13) Quais as finalidades ou atribuições do Controle Interno, segundo a CRFB/1988?

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14) Quais os requisitos para nomeação dos Ministros do TCU, segundo a CRFB/1988?

15) Quais as finalidades ou atribuições do TCU, segundo a CRFB/1988?

16) Cite as duas formas básicas de se efetivar o controle social.

17) Exemplifique situações do dia a dia da Administração Pública associando ao momento em que é
exercido o controle (preventivo, concomitante (repressivo) e posterior).

18) O que são recursos administrativos? Quais os tipos de efeitos que eles podem ter?

19) Segundo Hely Lopes Meirelles, quais as consequências fundamentais que o recurso administrativo com
efeito suspensivo produz de imediato?

20) Quais as modalidades de recursos administrativos dentro do direito de petição?

21) Diferencie recurso hierárquico próprio de impróprio.

22) O que é coisa julgada administrativa?

23) Qual o limite da atuação do Poder Judiciário para examinar os atos da Administração Pública?

24) Os atos interna corporis (Regimentos dos atos colegiados) são apreciados pelo Poder Judiciário? Por
quê?

25) Como o Poder Judiciário vem interferindo na formulação das políticas públicas?

26) Faça um resumo dos aspectos mais relevantes no contexto do controle judicial das políticas públicas.

27) A Administração Pública, quando é parte em ação judicial, submete-se a regime jurídico diverso, sob
alguns aspectos, daquele previsto para os particulares. Cite algumas prerrogativas e privilégios
próprios do regime jurídico administrativo, que desigualam a Administração Pública na situação das
partes nas relações processuais, sem que ocorra infringência ao princípio da isonomia, tendo em vista
a natureza pública dos interesses que tutela.

28) Cite exemplos de hipóteses de controle político expressas na CFRB/1988.

29) Cite exemplos de hipóteses de controle financeiro expressas no Art. 70 da CRFB/1988.

30) Cite as funções do controle externo expressas no Art. 71 da CRFB/1988.

31) Como é feito o controle no âmbito dos Municípios, segundo a CRFB/1988?

32) Em linhas gerais, como é a atuação judicial e extrajudicial do controle realizado pelo Ministério Público?

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33) O que é Reclamação ao STF?

34) Quais as hipóteses de cabimento da Reclamação?

35) O que é Intervenção prevista na CRFB/1988?

36) Quais as condições para haver a intervenção?

37) Quais os efeitos da Intervenção?

38) O que são Remédios Constitucionais? Dê exemplo.

39) O Poder Judiciário pode controlar os atos internos e exclusivos do Poder Legislativo, também chamados
de interna corporis, quando contiverem vícios de ilegalidade ou de constitucionalidade, ou vulnerarem
direitos individuais? Justifique.

40) A legitimidade do Poder Judiciário para a realização do controle judicial de políticas públicas decorre
de este ser o único poder da República constituído exclusivamente por agentes selecionados mediante
concurso de provas e títulos, o que assegura a sua neutralidade e imparcialidade? Justifique.

41) À luz da jurisprudência dos tribunais superiores, a fiscalização contábil e conclusão de procedimento
junto ao tribunal de contas, com formação de título executivo extrajudicial, impedirão a propositura de
ação de improbidade administrativa? Justifique.

42) Conforme jurisprudência dos tribunais superiores, a ação popular que tenha por fundamento
improbidade administrativa do presidente da República será de competência originária do STF?
Justifique.

43) À luz da jurisprudência dos tribunais superiores, tanto o título executivo judicial quanto o extrajudicial
formado no âmbito do tribunal de contas são instrumentos hábeis para o ressarcimento ao erário,
podendo os dois coexistir? Justifique.

44) Segundo entendimento do STJ, o Tribunal de Contas do Estado deve ter livre acesso às operações
financeiras realizadas pelas entidades de direito privado da Administração Indireta submetidas ao seu
controle financeiro, porquanto são operacionalizadas mediante o emprego de recursos de origem
pública, não podendo haver oposição com base no sigilo constitucional de dados? Justifique.

45) Em relação ao controle e fiscalização da administração municipal, é vedada a criação de Tribunais,


Conselhos ou órgãos de Contas Municipais? Justifique.

46) O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que, em regra, não compete ao Poder Judiciário apreciar
critérios de formulação e correção de provas de concursos. Com efeito, em respeito ao princípio da

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separação de poderes consagrado na Constituição Federal, é da banca examinadora desses certames


a responsabilidade pelo seu exame? Justifique.

47) As ações judiciais de controle dos atos da administração pública não podem ser manejadas se a lesão
a interesse particular for apenas potencial e não efetiva? Justifique.

48) O Tribunal de Contas da União deve sustar o ato eivado de vício de legalidade, constatado durante a
realização da fiscalização de contrato firmado entre a autarquia federal responsável pelas obras
rodoviárias e a empresa vencedora da concorrência? Justifique.

49) Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores
de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público?
Justifique.

50) O controle administrativo, como a prerrogativa reconhecida à administração pública para fiscalizar e
corrigir a sua própria atuação, restringe-se à avaliação da conveniência e oportunidade relativas à
edição do ato administrativo discricionário (controle de mérito)?

Se você não tem certeza de uma ou algumas das respostas a esses questionamentos, fique atento que esses
temas estarão ao longo da aula de hoje!

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2. TIPOS E FORMAS DE CONTROLE

Neste tópico, nós vamos introduzir os estudos do Controle da Administração Pública avaliando seus
principais aspectos históricos e atuais.

2.1. ASPECTOS HISTÓRICOS

A história mostra que o controle da atuação estatal é um anseio antigo das sociedades. A própria existência
dos movimentos constitucionalistas, notadamente a partir do século XVIII, tinha em sua essência limitar o
poder estatal, obrigando o Estado a atuar dentro de certos parâmetros. Esse aspecto, por si só, já demonstra
a existência de um controle, porquanto a atuação estatal deveria observar os limites postos pelos
representantes da sociedade.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 26 de agosto de 1789, pode ser considerada um
grande marco na imposição de limites e controle para a atuação estatal. Não obstante a existência de
iniciativas anteriores de limitação do Poder estatal (a exemplo da Carta de Coroação do Rei Henrique I, no
ano 1100, e da Magna Carta imposta ao Rei João Sem Terra, em 1215, ambos na Inglaterra), foi a partir da
Declaração francesa que efetivamente podemos visualizar o controle pela óptica hoje adotada em nosso
ordenamento jurídico.

Para o nosso estudo, destacamos os artigos 14 e 15 da citada Declaração francesa 1:

Art. 14º. Todos os cidadãos têm direito de verificar, por si ou pelos seus representantes, da
necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de
lhe fixar a repartição, a coleta, a cobrança e a duração.

Art. 15º. A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.

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Repare que o art. 15 da Declaração impõe a obrigação de prestar contas ao agente público quando houver
solicitação por parte da sociedade. Ao prestar contas, o agente estatal abre ao público os recursos
empregados em suas ações e decisões, possibilitando que os interessados conheçam e apreciem o que foi
feito. Essa abertura viabiliza a existência de controle, pois a atuação do agente público será comparada a um
parâmetro: as regras postas pela sociedade (a lei, em sua acepção ampla).

O art. 14 possibilita o controle da real necessidade da imposição de um novo tributo à sociedade. Repara-se
que os cidadãos (ou seus representantes) têm também o direito de consentir, observar o emprego dos
recursos e fixar outras regras.

Sempre é bom rememorar que, na época da Revolução Francesa, nem todas as pessoas tinham condições
de ter voz ativa nas opções relevantes aos rumos daquela sociedade, eis que se tratou de um movimento
predominantemente burguês. Porém, a essência do instituto do controle pode ser extraída de todo esse
contexto que ganhou enorme importância a partir da Revolução Francesa.

Controlar, portanto, é a imposição de um parâmetro para que as ações estatais possam ser a ele comparadas.
Além disso, devem-se fornecer meios de limitar a atuação do Estado, sempre em observância às regras
postas pela sociedade. Em um Estado de Direito, a lei é o parâmetro e a referência paradigmática para a
atuação do Estado, sendo ela responsável por sintetizar a vontade e as escolhas da sociedade. O controle
proporciona a verificação e a correção das atividades da Administração Pública.

2.2. CONTROLE ENQUANTO PRINCÍPIO FUNDAMENTAL

O Controle da Administração Pública não está disposto somente em um diploma legal específico. O tema
tem fundamento no direito positivo, em especial na Constituição Federal e nas diversas leis
infraconstitucionais que visam a garantir que o Estado não atuará livremente e sem controle, mas não se
limita a isso.

Desde já, frise-se que são diversos os tipos, as formas, os instrumentos e os órgãos de controle. Portanto,
esse estudo se estende à doutrina, à jurisprudência e ao ordenamento jurídico como um todo.

Em linhas gerais, o controle propicia que o Estado-administrador atue conforme a lei e que esteja em sintonia
com os princípios extraídos do ordenamento jurídico

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Na Constituição Federal, o controle é evidenciado já no art. 5º. Diante disso, há quem entenda ser o controle
um direito fundamental. Jorge Ulysses Jacoby Fernandes 2, por exemplo, reconhece isso graças às previsões
dos incisos XXXIII, XXXIV e LXXIII do art. 5º:

XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular,
ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e
do Estado;

XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:

a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso
de poder;

b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de


situações de interesse pessoal;

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,
isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;

O citado autor, portanto, conclui que o exercício do controle da Administração é um direito fundamental dos
indivíduos em função:

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Na legislação infraconstitucional, é importante destacar a redação do art. 6º do Decreto-Lei nº 200/67, que


dispõe sobre a organização da Administração Federal. Nesse dispositivo, são elencados os princípios
fundamentais da Administração, dentre os quais aparece o controle:

Art. 6º As atividades da Administração Federal obedecerão aos seguintes princípios


fundamentais:

I - Planejamento.

II - Coordenação.

III - Descentralização.

IV - Delegação de Competência.

V - Controle.

Esse mesmo diploma normativo informa que o controle deve ser exercido em todos os níveis e em todos os
órgãos, conforme se verificar em seu art. 13:

Art. 13 O controle das atividades da Administração Federal deverá exercer-se em todos os níveis
e em todos os órgãos, compreendendo, particularmente:

a) o controle, pela chefia competente, da execução dos programas e da observância das normas
que governam a atividade específica do órgão controlado;

b) o controle, pelos órgãos próprios de cada sistema, da observância das normas gerais que
regulam o exercício das atividades auxiliares;

c) o controle da aplicação dos dinheiros públicos e da guarda dos bens da União pelos órgãos
próprios do sistema de contabilidade e auditoria.

Portanto, é possível notar que o controle da Administração assume um papel fundamental no nosso atual
ordenamento jurídico, sendo reconhecidamente um princípio fundamental. É algo de suma importância para
o adequado funcionamento das instituições dentro da nossa atual realidade normativa.

Antes de passar ao próximo tópico, vale lembrar também que a Lei Federal nº 4.320/64 contém artigos
destinados ao controle da execução orçamentária, bem como em relação aos controles interno e externo.
Vejamos, por ora, seu art. 75:

Art. 75. O controle da execução orçamentária compreenderá:


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I - a legalidade dos atos de que resultem a arrecadação da receita ou a realização da despesa, o


nascimento ou a extinção de direitos e obrigações;

II - a fidelidade funcional dos agentes da administração, responsáveis por bens e valores públicos;

III - o cumprimento do programa de trabalho expresso em termos monetários e em termos de


realização de obras e prestação de serviços.

2.3. ASPECTOS GERAIS

Como se viu, a possibilidade de controlar os atos praticados pelo Estado é essencial em nosso atual quadro
normativo. Diz-se que o controle proporciona a sindicabilidade dos atos.

Sindicar nada mais é do que investigar, extrair informações. Daí a origem das palavras “sindicância” e
“sindicato”, por exemplo. Nesse mesmo raciocínio, a sindicabilidade dos atos da Administração é uma
característica marcante dentro de um Estado Democrático de Direito, em que aqueles atos estão sempre
sujeitos a controle.

É importante ressaltar que o controle não deve ser visto apenas como uma atividade ligada à existência de
hierarquia. O controle é mais abrangente do que uma mera supervisão, por exemplo, na qual um organismo
de maior prevalência hierárquica fiscaliza o desempenho de órgão subordinado. Há órgãos de envergadura
constitucional, independentes e autônomos que realizam o controle da atividade administrativa em outros
órgãos e Poderes. A atuação dos Tribunais de Contas, do Ministério Público e do Poder Judiciário
exemplificam que não é necessário haver hierarquia para o exercício de atividade controladora.

Frise-se também que, em uma sistemática de jurisdição una, à qual o Brasil se filia, a função jurisdicional
estatal é exercida com exclusividade pelo Poder Judiciário. Este último é quem confere definitividade (res
iudicata) às soluções dadas em face de demandas ajuizadas. Logo, todo e qualquer atuação desempenhada
pela função administrativa do Estado, seja de iniciativa do Poder Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério
Público ou Tribunais de Contas, está sujeita a controle e apreciação pelos órgãos titulares de função
jurisdicional, caso estes sejam provocados.

Como se verá adiante, o Poder Judiciário exerce controle externo e judicial das atividades administrativas.
Contudo, não são as únicas modalidades de controle existentes.

Quanto à finalidade do controle, Maria Sylvia Zanella Di Pietro3, afirma que ele assegura que a Administração
irá atuar em consonância com os princípios que lhe são impostos pelo ordenamento jurídico, como os da

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legalidade, moralidade, finalidade pública, publicidade, motivação, impessoalidade. Além disso, a mesma
autora afirma que, em determinadas circunstâncias, abrange também o controle chamado de mérito e que
diz respeito aos aspectos discricionários da atuação administrativa.

Há várias conceituações possíveis para o controle da Administração Pública. A seguir, seguem os conceitos
apresentados por alguns dos juristas mais lembrados em provas de concursos públicos.

2.4 DEFINIÇÕES DOUTRINÁRIAS DE CONTROLE DA


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Vejamos algumas definições doutrinárias para o Controle da Administração Pública:

CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA...

...é o conjunto de mecanismos jurídicos e administrativos por


4
José dos Santos Carvalho Filho meio dos quais se exerce o poder de fiscalização e de revisão
da atividade administrativa em qualquer das esferas de Poder.

... é o poder de fiscalização e correção que a Administração


Pública (em sentido amplo) exerce sobre sua própria atuação,
Maria Sylvia Zanella Di Pietro5
sob os aspectos de legalidade e mérito, por iniciativa própria
ou mediante provocação.

... é a faculdade de vigilância, orientação e correção que um


Hely Lopes Meirelles6 Poder, órgão ou autoridade exerce sobre a conduta funcional
de outro.

... assujeita-se a múltiplos controles, no afã de impedir-se que


Celso Antônio Bandeira de desgarre de seus objetivos, que desatenda as balizas legais e
Mello7 ofenda interesses públicos ou dos particulares. Assim, são
concebidos diversos mecanismos para mantê-la dentro das

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trilhas a que está assujeitada. Tanto são impostos controles


que ela própria deve exercitar, em sua intimidade, para obstar
ou corrigir comportamentos indevidos praticados nos diversos
escalões administrativos de seu corpo orgânico central, como
controles que este mesmo corpo orgânico exercita em relação
às pessoas jurídicas auxiliares do Estado (autarquias,
empresas públicas, sociedades mistas e fundações
governamentais). Tais controles envolvem quer aspectos de
conveniência e oportunidade quer aspectos de legitimidade.

... é a atribuição de vigilância, orientação e correção de certo


órgão ou agente público sobre a atuação de outro ou de sua
própria atuação, visando confirmá-la ou desfazê-la, conforme
Diógenes Gasparini8 seja ou não legal, conveniente, oportuna e eficiente. No
primeiro caso tem-se o heterocontrole; no segundo,
autocontrole, ou, respectivamente, controle externo e controle
interno.

2.5 CLASSIFICAÇÕES E ESPÉCIES DE CONTROLE DA


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Existem vários critérios para a classificação das modalidades de controle da Administração Pública.
Segue a compilação dos principais critérios:

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3. CONTROLE INTERNO E EXTERNO


Segundo Hely Lopes Meirelles9, controle interno é todo aquele realizado pela entidade ou órgão
responsável pela atividade controlada, no âmbito da própria Administração.
Assim, qualquer controle efetivado pelo Executivo sobre seus serviços ou agentes é considerado
interno, como interno será também o controle do Legislativo ou do Judiciário, por seus órgãos de
administração, sobre seu pessoal e os atos administrativos que pratique.
A Lei Federal nº 4.320/64, que estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e
controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal,
traz previsões específicas sobre controle interno e externo. Vamos transcrever primeiramente
aqueles artigos que tratam sobre controle interno:

Do Controle Interno

Art. 76. O Poder Executivo exercerá os três tipos de controle a que se refere o artigo 75, sem
prejuízo das atribuições do Tribunal de Contas ou órgão equivalente.

Art. 77. A verificação da legalidade dos atos de execução orçamentária será prévia, concomitante
e subsequente.

Art. 78. Além da prestação ou tomada de contas anual, quando instituída em lei, ou por fim de
gestão, poderá haver, a qualquer tempo, levantamento, prestação ou tomada de contas de todos
os responsáveis por bens ou valores públicos.

Art. 79. Ao órgão incumbido da elaboração da proposta orçamentária ou a outro indicado na


legislação, caberá o controle estabelecido no inciso III do artigo 75.

Parágrafo único. Esse controle far-se-á, quando for o caso, em termos de unidades de medida,
previamente estabelecidos para cada atividade.

Art. 80. Compete aos serviços de contabilidade ou órgãos equivalentes verificar a exata
observância dos limites das cotas trimestrais atribuídas a cada unidade orçamentária, dentro do
sistema que for instituído para esse fim.

O controle interno pode, atualmente, ser visualizado por dois pontos de vista: o Controle Interno do
Gestor e o Sistema de Controle Interno. Vamos entender a diferença entre ambos.
O Controle Interno do Gestor decorre do Poder Hierárquico e é aquele exercido dentro do próprio
organismo que está desempenhando a ação a ser controlada. Por exemplo, quando o chefe de uma
determinada repartição pública revê os atos praticados por um subordinado, a fim de verificar se se
trata de uma atuação ética, econômica, aderente ao ordenamento jurídico, conveniente e oportuna,

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estamos no âmbito do controle interno do gestor. É o típico exercício da autotutela administrativa,


feita no âmbito hierárquico, extraída das previsões do art. 53 da Lei nº 9.784/99 e do entendimento
jurisprudencial do STF, consolidado sobretudo em sua Súmula nº 473.
Veja o art. 53 da Lei nº 9.784/99:

Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade,
e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos.

E agora a Súmula nº 473 do STF:

Súmula 473:
A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os
tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revoga-los, por motivo de
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em
todos os casos, a apreciação judicial.

O controle interno de gestão é de responsabilidade de cada órgão e entidade da Administração


Pública, conforme previsão do art. 13 do Decreto-Lei nº 200/67.
Já que foi mencionado o exercício de poder hierárquico como uma das possibilidades do controle
interno, é importante pontuar que a relação de subordinação existente entre os diversos órgãos
públicos permite que o superior hierárquico fiscalize, oriente e reveja atuação de órgãos de menor
grau hierárquico. Como tal fenômeno ocorre dentro de uma mesma pessoa jurídica, é feita alusão
ao controle interno.
Por outro lado, o Sistema de Controle Interno é aquele previsto no art. 74 da Constituição Federal,
abaixo transcrito:

Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno com a finalidade de:

I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de
governo e dos orçamentos da União;

II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão


orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem
como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado;
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III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e
haveres da União;

IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.

§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer


irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de
responsabilidade solidária.

§ 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma
da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.

Há órgãos específicos e vocacionados para integrarem o Sistema de Controle Interno. Esses


organismos têm atribuições delineadas pela própria Constituição, sendo estas mais abrangentes
do que as tarefas desempenhadas pelo Controle Interno de Gestão. No âmbito da União, por
exemplo, o organismo central do Sistema de Controle Interno é a Controladoria-Geral da União. No
âmbito dos estados e municípios, muitos também possuem Controladorias-Gerais.
As controladorias devem, via de regra, avaliar o cumprimento das metas do PPA, a execução dos
demais programas de governo e dos orçamentos e a gestão dos administradores públicos,
utilizando técnicas de auditoria e fiscalização para o desempenho dessas tarefas. Portanto, os
órgãos do Sistema de Controle Interno não se confundem com os controles internos de gestão.
De todo modo, as Controladorias integram o Poder Executivo e por isso diz-se que são organismos
de controle interno. Elas não fiscalizam as atividades administrativas dos outros Poderes
(Legislativo e Judiciário, por exemplo), restringindo suas atividades à gestão do Poder Executivo
propriamente. Cabe aos Poderes Legislativo e Judiciário criarem seus próprios mecanismos, de
modo a também possuírem órgãos vocacionados a desempenharem as tarefas do art. 74 da CRFB.

A Controladoria-Geral da União (CGU) pode fiscalizar a aplicação de verbas federais


onde quer que elas estejam sendo aplicadas, mesmo que em outro ente federado
às quais foram destinadas. A fiscalização exercida pela CGU é interna, pois feita
exclusivamente sobre verbas provenientes do orçamento do Executivo (RMS 25.943,
rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 24-11-2010, P, DJE de 2-3-2011).

Ademais, conforme o caput do art. 70 da CRFB, o Sistema de Controle Interno de cada Poder
também deve desempenhar, ao lado do Poder Legislativo, a fiscalização contábil, financeira,
orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta.
Além de ser órgão central do sistema de controle interno, as controladorias também podem ter
outras atribuições funcionais a elas outorgadas por meio de leis, tais como as funções de correição,
de defesa do patrimônio público, de prevenção e combate à corrupção, de ouvidoria, de promoção
da ética e integridade no serviço público e de fomento à transparência na gestão pública.
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Destaca-se a previsão do § 1º do art. 74, em que os responsáveis pelo controle interno devem
comunicar irregularidades ao Tribunal de Contas (controle externo). Não se trata de subordinar o
controle interno ao controle externo, mas, como se verá, o controle externo pode determinar a
sustação de atos e aplicar sanções previstas em lei, ações não previstas para o controle interno.
Logo, fala-se em sinergia entre controle interno e externo, e não subordinação.
Sobre isso, interessante destacar uma súmula do Tribunal de Contas da União que, visando
assegurar eficácia ao trabalho do controle externo, exige alguns procedimentos por parte do
controle interno. Ainda assim, não há que se falar em hierarquia ou subordinação entre ambos os
controles.

SÚMULA TCU 111: Aos órgãos próprios do Controle Interno cabe baixar Instruções e
Recomendações para o regular funcionamento do Sistema de Administração
Financeira, Contabilidade e Auditoria, de modo que se criem condições indispensáveis
para assegurar eficácia ao Controle Externo.

Sobre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o STF entende que se trata de um órgão integrante
da estrutura do Poder Judiciário brasileiro (vide o art. 92, I-A, da CRFB) incumbido de exercer
controle interno quanto aos aspectos administrativo, financeiro e disciplinar, conforme o art. 103-
B, § 4º, da CRFB.

O Conselho Nacional de Justiça, embora integrando a estrutura constitucional do


Poder Judiciário como órgão interno de controle administrativo, financeiro e
disciplinar da magistratura - excluídos, no entanto, do alcance de referida
competência, o próprio Supremo Tribunal Federal e seus Ministros (ADI 3.367/DF) -,
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qualifica-se como instituição de caráter eminentemente administrativo, não dispondo de


atribuições funcionais que lhe permitam, quer colegialmente, quer mediante atuação monocrática
de seus Conselheiros ou, ainda, do Corregedor Nacional de Justiça, fiscalizar, reexaminar e
suspender os efeitos decorrentes de atos de conteúdo jurisdicional emanados de magistrados e
Tribunais em geral, razão pela qual mostra-se arbitrária e destituída de legitimidade jurídico-
constitucional a deliberação do Corregedor Nacional de Justiça que, agindo “ultra vires”, paralise
a eficácia de decisão que tenha concedido mandado de segurança. (MS 28.598-MC-AgR/DF, Rel.
Min. Celso de Mello, Pleno, v.g.).

Por outro lado, controle externo é o que se realiza por um Poder ou órgão constitucional sobre a
atividade administrativa de outro Poder, como ocorre com:

 a apreciação das contas do Executivo e do Judiciário pelo Legislativo;


 a auditoria do Tribunal de Contas sobre a efetivação de determinada despesa do Executivo;
 a anulação de um ato do Executivo por decisão do Judiciário;
 a sustação de ato normativo do Executivo pelo Legislativo (art. 49, V, da CRFB);
 a instauração de inquérito civil pelo Ministério Público sobre determinado ato ou contrato
administrativo;
 a recomendação feita pelo Ministério Público "visando à melhoria dos serviços públicos",
fixando "prazo razoável para a adoção das providências cabíveis" (art. 6º, XX, da Lei
Complementar 75/1993).

O controle externo deve manter a harmonia entre os Poderes, nos dizeres do art. 2º da CRFB. Dito
de outro modo, o controle externo é um dos instrumentos existentes para a identificação do
equilíbrio entre os Poderes ou funções estatais (checks and balances), uma vez que coíbe a
hipertrofia de um Poder em relação aos outros.
À luz da Lei Federal nº 4.320/64, existem as seguintes disposições legais acerca do controle
externo:

Do Controle Externo

Art. 81. O controle da execução orçamentária, pelo Poder Legislativo, terá por objetivo verificar
a probidade da administração, a guarda e legal emprego dos dinheiros públicos e o cumprimento
da Lei de Orçamento.

Art. 82. O Poder Executivo, anualmente, prestará contas ao Poder Legislativo, no prazo
estabelecido nas Constituições ou nas Leis Orgânicas dos Municípios.

§ 1º As contas do Poder Executivo serão submetidas ao Poder Legislativo, com Parecer prévio do
Tribunal de Contas ou órgão equivalente.

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§ 2º Quando, no Município não houver Tribunal de Contas ou órgão equivalente, a Câmara de


Vereadores poderá designar peritos contadores para verificarem as contas do prefeito e sobre
elas emitirem parecer.

Sabe-se que é função típica do Poder Legislativo o exercício da fiscalização dos atos do Poder
Executivo, a par da tarefa de inovar o ordenamento jurídico. Conforme se verá mais adiante, o
Poder Legislativo realiza controle político e controle técnico-financeiro.
Quanto a este último, o art. 70 da CRFB estipula que o Congresso Nacional é o titular do controle
externo para exercer a fiscalização nos âmbitos contábil, financeiro, orçamentário, operacional e
patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta. O Parlamento desempenha
tal tarefa por meio do auxílio do TCU.
Veja a redação do art. 70 da CF/88:

Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e


das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade,
economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso
Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.

Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que
utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais
a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária.

Observações importantes em torno do caput do art. 70:

 o controle externo técnico-financeiro se faz em 5 áreas: contábil, financeira, orçamentária,


operacional e patrimonial;
 os aspectos fiscalizados são: legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das
subvenções e renúncia de receitas;
 a fiscalização se faz sobre a Administração Direta e Indireta;
 o titular dessa modalidade de controle externo é o CONGRESSO NACIONAL, e não o
Tribunal de Contas da União;
 o Sistema de Controle Interno (Controladoria-Geral da União, por exemplo) TAMBÉM
EXERCE a fiscalização dentro das 5 áreas anteriormente mencionadas.

Atenção também para o parágrafo único do art. 70. Trata-se de um princípio republicano de suma
importância: a obrigação de prestar contas. Aquele que de alguma maneira tem algum tipo de
contato com recursos que não lhe pertencem (exemplo: utiliza, arrecada, guarda, gerencia ou
administra), mas que pertencem à coletividade, deve prestar contas sobre o que fez com tais
recursos. Nota-se que é uma regra bastante semelhante àquela que consta no art. 15 da
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789.

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É relevante notar que, diferentemente da Declaração de 1789, o dispositivo constitucional não faz
qualquer referência subjetiva. Ou seja, é indiferente se a pessoa que lida com os recursos da
coletividade é agente público ou agente privado. Contanto que tenha utilizado, arrecadado,
administrado ou guardado recursos públicos, deve haver a prestação de contas. Essa é a razão
principal de, por exemplo, existir obrigação de prestar contas para as entidades do terceiro setor
que recebem recursos orçamentários para a execução de alguma atividade de interesse público.
A título de informação, vale apontar que a omissão no dever de prestar contas enseja o
procedimento de Tomadas de Contas Especial, nos termos do art. 8º da Lei Orgânica do TCU (Lei
Federal nº 8.443/92):

Art. 8º Diante da omissão no dever de prestar contas, da não comprovação da aplicação dos
recursos repassados pela União, na forma prevista no inciso VII do art. 5 ° desta Lei, da
ocorrência de desfalque ou desvio de dinheiros, bens ou valores públicos, ou, ainda, da prática
de qualquer ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico de que resulte dano ao Erário, a autoridade
administrativa competente, sob pena de responsabilidade solidária, deverá imediatamente
adotar providências com vistas à instauração da tomada de contas especial para apuração dos
fatos, identificação dos responsáveis e quantificação do dano.

§ 1º Não atendido o disposto no caput deste artigo, o Tribunal determinará a instauração da


tomada de contas especial, fixando prazo para cumprimento dessa decisão.

§ 2º A tomada de contas especial prevista no caput deste artigo e em seu § 1º será, desde logo,
encaminhada ao Tribunal de Contas da União para julgamento, se o dano causado ao Erário for
de valor igual ou superior à quantia para esse efeito fixada pelo Tribunal em cada ano civil, na
forma estabelecida no seu Regimento Interno.

§ 3º Se o dano for de valor inferior à quantia referida no parágrafo anterior, a tomada de contas
especial será anexada ao processo da respectiva tomada ou prestação de contas anual do
administrador ou ordenador de despesa, para julgamento em conjunto.

O TCU, conforme se depreende do art. 71, é órgão de auxílio do Poder Legislativo para o
desempenho do controle externo técnico-financeiro. Contudo, não obstante seja um órgão de
auxílio, o TCU tem competências delineadas pela própria CRFB nos incisos do art. 71. Tal fato
confere ao TCU independência e autonomia para sua atuação. Em tópico adiante abordaremos
melhor as atribuições do TCU. Por ora, é relevante transcrever o art. 71 da CF/88, que contém as
competências da Corte de Contas federal:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

Quanto ao processo de escolha dos ministros do TCU, atente-se para o fato de que, dos 9
ministros, 6 são escolhidos pelo Congresso Nacional e 3, pelo Presidente da República:

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Art. 73. O Tribunal de Contas da União, integrado por nove Ministros, tem sede no Distrito
Federal, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território nacional, exercendo, no que
couber, as atribuições previstas no art. 96.

§ 1º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão nomeados dentre brasileiros que


satisfaçam os seguintes requisitos:

I - mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade;

II - idoneidade moral e reputação ilibada;

III - notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração


pública;

IV - mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os
conhecimentos mencionados no inciso anterior.

§ 2º Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão escolhidos:

I - um terço pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, sendo dois
alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal, indicados
em lista tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antigüidade e merecimento;

II - dois terços pelo Congresso Nacional.

§ 3° Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, prerrogativas,


impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça,
aplicando-se-lhes, quanto à aposentadoria e pensão, as normas constantes do art. 40.

§ 4º O auditor, quando em substituição a Ministro, terá as mesmas garantias e impedimentos do


titular e, quando no exercício das demais atribuições da judicatura, as de juiz de Tribunal Regional
Federal.

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A CRFB não impõe condição específica àqueles que serão escolhidos pelo Parlamento além dos
requisitos do art. 73, § 1º (diagrama anterior). Porém, para os 3 indicados pelo Presidente, apenas
um segue essa mesma lógica. Os outros dois devem ser, alternadamente, membros do Ministério
Público que funciona junto ao TCU e auditores ministros-substitutos. Logo, duas das vagas
destinadas a escolha por parte do Presidente tem um número restrito de indivíduos que podem ser
selecionadas para serem ministros.
Quanto às garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens, os Ministros do TCU
são equiparados aos ministros do Superior Tribunal de Justiça. O auditor (ministro-substituto), se
estiver substituindo um ministro, tem as mesmas garantias e impedimentos do ministro titular. Em
suas atribuições normais, o auditor terá as mesmas garantias e impedimentos de Juiz de Tribunal
Regional Federal (desembargador federal).
Os artigos 70 a 75 da CRFB, por sua importância quanto ao tema controle, são bastante explorados
pelas bancas de concursos.
Assim, segue um resumo dos pontos mais importantes:

Tópicos recorrentes em provas de concursos sobre Controle Interno e Externo:

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Titularidade do controle externo no âmbito da União: Congresso Nacional, com o auxílio do


Tribunal de Contas da União.

A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das


entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade,
aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional,
mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.

Sujeitos sob jurisdição do controle externo: prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica,
pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores
públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de
natureza pecuniária.

As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título
executivo.

O Tribunal de Contas da União é integrado por 9 Ministros.

Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou


ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade
solidária.

#ficadica

Os Tribunais de Contas dos Estados são integrados por 7 Conselheiros, nos termos
do art. 75 da CRFB. Pelo entendimento do STF (Súmula nº 653), dos 7 conselheiros,
4 são escolhidos pela Assembleia Legislativa e 3 são escolhidos pelo Governador
(sendo 1 dentre auditores e 1 dentre membros do Ministério Público de Contas).

ADI 4.190:
Os tribunais de contas ostentam posição eminente na estrutura constitucional
brasileira, não se achando subordinados, por qualquer vínculo de ordem
hierárquica, ao Poder Legislativo, de que não são órgãos delegatários nem
organismos de mero assessoramento técnico. A competência institucional dos tribunais de
contas não deriva, por isso mesmo, de delegação dos órgãos do Poder Legislativo, mas traduz
emanação que resulta, primariamente, da própria Constituição da República.

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A Lei Complementar 142/2011 do Estado do Rio de Janeiro, de origem parlamentar, ao


alterar diversos dispositivos da Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do Rio
de Janeiro, contrariou o disposto nos artigos 73, 75 e 96, II, d, da Constituição Federal,
por dispor sobre forma de atuação, competências, garantias, deveres e organização
do Tribunal de Contas estadual, matéria de iniciativa legislativa privativa daquela Corte. As
Cortes de Contas do país, conforme reconhecido pela Constituição de 1988 e por esta
Suprema Corte, gozam das prerrogativas da autonomia e do autogoverno, o que inclui,
essencialmente, a iniciativa privativa para instaurar processo legislativo que pretenda
alterar sua organização e funcionamento, como resulta da interpretação lógico-sistemática
dos artigos 73, 75 e 96, II, d, da Constituição Federal. (...) O ultraje à prerrogativa de instaurar
o processo legislativo privativo traduz vício jurídico de gravidade inquestionável, cuja ocorrência
indubitavelmente reflete hipótese de inconstitucionalidade formal, apta a infirmar, de modo
irremissível, a própria integridade do ato legislativo eventualmente concretizado. (ADI 4.643, rel.
min. Luiz Fux, j. 15-5-2019, P, DJE de 3-6-2019.)

O art. 75, caput, da Constituição da República contempla comando expresso de


espelhamento obrigatório, nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios, do
modelo nela estabelecido de controle externo da higidez contábil, financeira e
orçamentária dos atos administrativos, sendo materialmente inconstitucional a
norma de regência da organização ou funcionamento de Tribunal de Contas estadual
divorciada do modelo federal de controle externo das contas públicas. (ADI 5.323, rel. min.
Rosa Weber, j. 11-4-2019, P, DJE de 6-5-2019.)

Os conselheiros do tribunal de contas do Estado-membro dispõem dos mesmos


predicamentos que protegem os magistrados, notadamente a prerrogativa jurídica da
vitaliciedade (CF, art. 75 c/c art. 73, § 3º), que representa garantia constitucional
destinada a impedir a perda do cargo, exceto por sentença judicial transitada em
julgado. (...) A assembleia legislativa do Estado-membro não tem poder para decretar, ex
propria auctoritate, a perda do cargo de conselheiro do tribunal de contas local, ainda que
a pretexto de exercer, sobre referido agente público, uma (inexistente) jurisdição política. (ADI
4.190 MC-REF, rel. min. Celso de Mello, j. 10-3-2010, P, DJE de 11-6-2010.)

Diferentemente do que ocorre em relação ao Conselho Nacional de Justiça, o STF entende que o
Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) é órgão de controle externo do Ministério
Público. Apesar disso, referido conselho exerce apenas função administrativa, tal qual é o caso do
CNJ em relação ao Poder Judiciário:

O constituinte, ao erigir o CNMP como órgão de controle externo do Ministério


Público, atribuiu-lhe, expressamente, competência revisional ampla, de sorte que não
há vinculação à aplicação da penalidade ou à gradação da sanção imputada pelo órgão
correcional local (CRFB/1988, art. 130-A, § 2 º, IV). (MS 34.712 AgR, rel. min. Luiz Fux,
j. 6-10-2017, 1ª T, DJE de 25-10-2017).

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O CNMP não ostenta competência para efetuar controle de constitucionalidade de lei,


posto consabido tratar-se de órgão de natureza administrativa, cuja atribuição
adstringe-se ao controle da legitimidade dos atos administrativos praticados por
membros ou órgãos do Ministério Público federal e estadual (...). (MS 27.744, rel.
min. Luiz Fux, j. 6-5-2014, 1ª T, DJE de 8-6-2015).

#ficadica

O Ministério Público, conforme o art. 129, inciso VII, da CRFB, exerce o controle
externo da atividade policial. Não se trata de controle externo contábil, financeiro,
orçamentário, operacional ou patrimonial, tarefas a cargo dos Tribunais de Contas,
mas sim do controle das atividades finalísticas das corporações policiais.

Para finalizar este tópico, destacamos que existe uma celeuma doutrinária em torno da classificação
que do controle que a Administração Direta exerce sobre as entidades da Administração Indireta.
Em nossa aula sobre Organização da Administração Pública, citamos os ensinamentos da Profª
Maria Sylvia Zanella Di Pietro em torno desse controle, por ela nomeado como tutela
administrativa. Do ponto de vista do direito positivo, esse controle é denominado de supervisão
ministerial pelo Decreto-Lei nº 200/67, notadamente em seu art. 26:

Art. 26. No que se refere à Administração Indireta, a supervisão ministerial visará a assegurar,
essencialmente:

I - A realização dos objetivos fixados nos atos de constituição da entidade.

II - A harmonia com a política e a programação do Governo no setor de atuação da entidade.

III - A eficiência administrativa.

IV - A autonomia administrativa, operacional e financeira da entidade.

Fala-se também em controle finalístico para esse controle da Administração Direta sobre a
Indireta.
Pois bem, o Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello diz que se trata de um controle interno exterior.
O autor justifica dizendo que é interno porque é realizado dentro de um mesmo Poder, mas ao
mesmo tempo diz que é exterior porque teremos um órgão administrativo fiscalizando outras
pessoas jurídicas.
Já a Profª Di Pietro e o Prof. José dos Santos Carvalho Filho preferem classificar como controle
externo, com base na ideia de que a entidade controlada e o controlador não pertencem à mesma
estrutura hierárquica.
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De todo modo, independentemente da nomenclatura adotada pelos autores citados, fato é que há
um controle de vinculação. Não se pode aludir à existência de controle por subordinação entre a
Administração Direta e as entidades da Administração Indireta, já que não há hierarquia entre elas.
O controle que se exerce é o da tutela administrativa, supervisão ministerial ou controle finalístico.

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4. CONTROLE SOCIAL

Em tópico anterior, reproduzimos lição de Jorge Ulysses Jacoby Fernandes no sentido de o controle
ser um direito fundamental. Naquela ocasião, expusemos e mencionamos os incisos XXXIII, XXXIV
e LXXIII do art. 5º da CF/88. Esses dispositivos conferem a todos o direito a informações de
interesse particular ou público, o direito de petição e de obtenção de certidões e o direito de os
cidadãos ajuizarem ações populares.
Pois bem, esses incisos possuem em comum a valorização dos administrados perante a
Administração Pública, fornecendo instrumentos para que os interessados possam exercer o
controle das ações estatais. Além de ser uma expressão de que o povo é o titular do Poder estatal
(art. 1º, parágrafo único, da CRFB), trata-se também de um princípio republicano e inerente ao
Estado Democrático de Direito.
Não há como conceber hodiernamente um regime democrático sem que haja participação popular
nas opções adotadas pelo Poder Público, na formulação de políticas públicas e no exercício do
controle das ações estatais.
José dos Santos Carvalho Filho10, de maneira bastante didática, discorre sobre a importância do
controle exercido pela sociedade:

Cuida-se, sem dúvida, de poderoso instrumento democrático, permitindo a efetiva participação


dos cidadãos em geral no processo de exercício do poder. É bem de ver, no entanto, que,
conquanto semelhante modalidade de controle se venha revelando apenas incipiente, já se
vislumbra a existência de mecanismos jurídicos que, gradativamente, vão inserindo a vontade
social como fator de avaliação para a criação, o desempenho e as metas a serem alcançadas no
âmbito de algumas políticas públicas.

Como se nota a partir do excerto citado, tem havido um processo de amadurecimento social, em
que os mecanismos de participação popular estão cada vez mais presentes em nossa realidade.
Partindo da Constituição, há diversos outros dispositivos que evidenciam a presença de controle
social em nosso ordenamento jurídico. De início, destacamos o art. 74, § 2º:

Art. 74, § 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na
forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.

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Veja que a capacidade de apresentar denúncias perante o Tribunal de Contas é bem abrangente,
alcançando cidadãos e diversas instituições sociais. Trata-se de um poderoso instrumento de
controle social, além de revestir os tribunais de contas de uma notável responsabilidade de bem
participar da gestão da coisa pública e de estar de portas abertas à sociedade, apto a receber as
denúncias e representações vindas dos diversos atores sociais.
O art. 113 da Lei nº 8.666/93 pode ser compreendido como um complemento a essa disposição
constitucional. Vejamos o artigo, com grifos nossos:

Art. 113. O controle das despesas decorrentes dos contratos e demais instrumentos regidos por
esta Lei será feito pelo Tribunal de Contas competente, na forma da legislação pertinente,
ficando os órgãos interessados da Administração responsáveis pela demonstração da legalidade
e regularidade da despesa e execução, nos termos da Constituição e sem prejuízo do sistema de
controle interno nela previsto.

§ 1º Qualquer licitante, contratado ou pessoa física ou jurídica poderá representar ao Tribunal


de Contas ou aos órgãos integrantes do sistema de controle interno contra irregularidades na
aplicação desta Lei, para os fins do disposto neste artigo.

§ 2º Os Tribunais de Contas e os órgãos integrantes do sistema de controle interno poderão


solicitar para exame, até o dia útil imediatamente anterior à data de recebimento das propostas,
cópia de edital de licitação já publicado, obrigando-se os órgãos ou entidades da Administração
interessada à adoção de medidas corretivas pertinentes que, em função desse exame, lhes forem
determinadas.

É bom lembrar que a atuação do Tribunal de Contas se dá no âmbito administrativo. Embora a


instituição tenha o vocábulo “tribunal” no nome, não se trata de função jurisdicional. Ademais, como
já abordado anteriormente, a Corte de Contas não é órgão do Poder Judiciário, mas sim órgão de
auxílio do Poder Legislativo. A ação popular, já mencionada no art. 5º, inciso LXXIII, da CF/88 e
que possui objeto semelhante àquilo que possa ser denunciado nos tribunais de contas, é
processada no âmbito do Poder Judiciário. Maiores comentários sobre ela serão feitos no tópico
sobre o Controle Externo exercido pelo Poder Judiciário.
Outro dispositivo constitucional que merece destaque é o art. 37, § 3º. Vejamos:

§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e


indireta, regulando especialmente:

I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a


manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna,
da qualidade dos serviços;

II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo,


observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII;

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III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego


ou função na administração pública.

Note que as expressões acima destacadas denotam um fortalecimento do controle social, já que
se fala em participação do usuário da Administração Pública Direta e Indireta, reclamações acerca
da prestação de serviços públicos, representação contra exercício negligente ou abusivo de agente
público e, notadamente, sobre o acesso dos usuários a registros administrativos e informações
sobre atos de governo. Essa última capacidade conferida aos integrantes da sociedade foi
regulamentada pela Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/11).
Essa última lei, destaca-se, menciona que o preceito geral é a publicidade, sendo o sigilo algo
excepcional. Ademais, a lei visa a fomentar a transparência nas instituições públicas, impondo a
necessidade de haver divulgação ativa de informações de interesse público. Com maior clareza e
facilidade de acesso às informações, tem-se um nítido fortalecimento do controle social da
Administração Pública. Nesse sentido, vale a pena reproduzir o art. 3º da Lei de Acesso à
informação, com grifos nossos:

Art. 3º Os procedimentos previstos nesta Lei destinam-se a assegurar o direito fundamental de


acesso à informação e devem ser executados em conformidade com os princípios básicos da
administração pública e com as seguintes diretrizes:

I - observância da publicidade como preceito geral e do sigilo como exceção;

II - divulgação de informações de interesse público, independentemente de solicitações;

III - utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da informação;

IV - fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na administração pública;

V - desenvolvimento do controle social da administração pública.

Há diversos outros mecanismos de controle social que poderiam ser citados a partir da legislação
infraconstitucional. Apenas com o intuito de ilustrar, citamos a Lei nº 9.784/99, na qual há previsões
para a realização de consultas e audiências públicas; a Lei Complementar nº 101/00 (Lei de
Responsabilidade Fiscal), em que as audiências públicas das leis orçamentárias são como
instrumentos de transparência e participação; e a Lei nº 10.257/01 (Estatuto das Cidades), que
correlaciona a gestão democrática com a participação da comunidade na formulação dos planos de
desenvolvimento urbano.

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5. CONTROLE PREVENTIVO, CONCOMITANTE E SUCESSIVO


No que se refere ao momento ou oportunidade em que é exercido, o controle pode ser preventivo
(prévio ou a priori), concomitante ou posterior (sucessivo ou subsequente).
Na legislação, esse critério de classificação pode ser textualmente retirado da Lei 4.320/64, cujo art.
77 tem a seguinte redação:

Art. 77. A verificação da legalidade dos atos de execução orçamentária será prévia, concomitante
e subsequente.

Embora a lei citada faça menção apenas a atos de execução orçamentária, sabe-se que o controle
prévio, concomitante ou subsequente é mais abrangente, não se restringindo apenas a questões
orçamentárias.
O controle preventivo (ou a priori) é o exercido antes de se consumar a conduta administrativa ou
a formação do ato. Por exemplo, se determinada ação administrativa de engenharia depender de
aprovação do órgão técnico superior para ser executada, haverá aí controle administrativo prévio.
Trata-se de um exemplo bem didático trazido pelo Prof. José dos Santos Carvalho Filho 11.
No texto constitucional há também casos de controle prévio. Algumas das competências do Senado
Federal ilustram essa modalidade de controle. Por exemplo, a sabatina que ele realiza para a
escolha de magistrados (art. 52, III) e a necessidade de autorizar operações de crédito externas a
serem realizadas pelos entes federados, prevista no art. 52, V, são exemplos de controle preventivo
daquela Casa do Poder Legislativo.

Já o controle concomitante é aquele que ocorre em paralelo à conduta administrativa. Por exemplo,
quando os tribunais de contas acompanham a execução orçamentária dos entes federados, ou a
realização de licitações; quando há acompanhamento de obras de engenharia; ou quando agentes
fiscalizatórios do Estado fiscalizam a prestação dos serviços públicos por órgãos ou entidades
públicas. Todos esses casos ilustram controles concomitantes, pois os agentes controladores
acompanham a atuação administrativa no momento em que ela é desempenhada.

O Tribunal de Contas pode realizar examinar e acompanhar concomitantemente editais


de licitações JÁ PUBLICADOS, conforme o art. 113, § 2º da Lei 8.666/93:

§ 2º Os Tribunais de Contas e os órgãos integrantes do sistema de controle interno poderão


solicitar para exame, até o dia útil imediatamente anterior à data de recebimento das propostas,
cópia de edital de licitação já publicado, obrigando-se os órgãos ou entidades da

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Administração interessada à adoção de medidas corretivas pertinentes que, em função desse


exame, lhes forem determinadas.

Não cabe aos tribunais de contas, portanto realizar exame prévio de editais de licitação, ou seja,
ANTES de sua publicação.

O STF já declarou inconstitucionais atos normativos que continham essa exigência de exame
prévio de Tribunal de Contas (vide RE 547.063/RJ).

Por fim, o controle posterior (a posteriori, sucessivo ou subsequente) é o mais presente em nosso
ordenamento jurídico e o mais comumente encontrado. Trata-se de procedimentos de revisão,
corretivos ou de confirmação de atos já praticados.
Como exemplo, podemos citar as ações judiciais repressivas, que podem anular atos
administrativos praticados em contrariedade ao ordenamento jurídico. Outro exemplo ilustrativo
está entre as competências do Tribunal de Contas da União, quando a ele compete, nos dizeres do
inciso III do art. 71 da CRFB, realizar o registro de atos de admissão de pessoal no serviço público
(excluídos os provimentos de cargos em comissão) e de aposentação de servidores públicos.
Quando se fala em condutas como homologação, convalidação, ratificação e aprovação, também
se está diante de controle posterior de ato já praticado.

Nos termos do art. 75 da Constituição, as normas relativas à organização e fiscalização


do TCU se aplicam aos demais tribunais de contas. O art. 71 da Constituição não
insere na competência do TCU a aptidão para examinar, previamente, a validade
de contratos administrativos celebrados pelo poder público. Atividade que se
insere no acervo de competência da função executiva. É inconstitucional norma local que
estabeleça a competência do tribunal de contas para realizar exame prévio de validade de
contratos firmados com o poder público. (ADI 916, rel. min. Joaquim Barbosa, j. 2-2-2009, P, DJE
de 6-3-2009.)

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6. CONTROLE DE MÉRITO E DE LEGALIDADE


Esse critério classificatório leva em conta o conteúdo do ato a ser controlado.
O controle é dito de legalidade quando há o cotejamento do ato com as normas do ordenamento
jurídico. Por normas, devemos entender que deve haver a comparação do ato com as normas-regra
(ordenamento positivo, tais como as leis e atos infralegais) e com as normas-princípio (princípios
expressos e implícitos no ordenamento jurídico).
Quando o Poder Judiciário é provocado para apreciar o conteúdo de um ato administrativo, ao juiz
cabe a realização desse trabalho, qual seja, o de comparar o ato com o ordenamento jurídico, a fim
de verificar sua juridicidade. Caso haja contrariedade, deve o magistrado proceder à anulação
desse ato.
Contudo, não cabe ao magistrado se imiscuir no mérito do ato administrativo. Diz-se que o mérito
é insidicável pelo Poder Judiciário. Ou seja, o órgão jurisdicional não deve substituir a vontade do
administrador público a ponto de avaliar a oportunidade a conveniência da ação questionada.
Na aula de Atos Administrativos, foi estudado que os elementos discricionários do ato administrativo
são o motivo e o objeto. Os outros três elementos (competência, forma e finalidade) são vinculados,
como regra geral. Pois bem, aqueles dois primeiros formam o mérito do ato administrativo. Como
regra geral, não cabe ao Judiciário apreciar esses elementos, a não ser que haja contrariedade
a princípios, tais como a eficiência e a moralidade.
Além do Poder Judiciário, a própria Administração Pública pode e deve realizar controle de
legalidade dos seus atos. É uma das maneiras de exercício da autotutela, já mencionada
anteriormente e consagrada no art. 53 a Lei nº 9.784/99 e nas seguintes súmulas do STF:

Súmula nº 473 - STF:


A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os
tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em
todos os casos, a apreciação judicial.

Súmula nº 346 - STF:


A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.

Como se viu, a própria Administração Pública, de ofício ou por provocação, deve anular seus
próprios atos, quando ilegais, e pode anular atos inconvenientes ou inoportunos. Logo, quanto ao
alcance ou extensão, o controle de legalidade pode se dar por meio de controle interno.

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Quando desempenhado pelo Poder Judiciário, ou pelo Tribunal de Contas (exemplo do art. 71, III,
da CRFB), fala-se em controle de legalidade exercido por meio de controle externo.
Quanto ao controle de mérito, tem-se que, como regra geral, apenas a própria administração pode
desempenhá-lo. Ou seja, somente o mesmo Poder que gerou o ato poderia reapreciá-lo a fim de
realizar seu controle. Isso se dá porque, como já abordado anteriormente, o mérito se situa nos
elementos de motivo e objeto do ato administrativo a ser controlado.
Quando discorremos acerca do controle interno, mencionamos o Controle Interno da Gestão e
exemplificamos a sua ocorrência no caso de um chefe rever os atos praticados por seus
subordinados. Nesse caso, pode-se falar em controle de mérito, já que se situa dentro do mesmo
Poder.
Com base no princípio fundamental da Separação dos Poderes, não cabe a um Poder adentrar no
mérito das opções adotadas por outro Poder ou instituição estatal, salvo no caso de contrariedade
a princípios estruturantes do nosso ordenamento jurídico (caso de atuação do Poder Judiciário
quando provocado, por exemplo).
Excepcionalmente, com base em previsões existentes diretamente no texto constitucional, tem-se
que é possível o Poder Legislativo adentrar no mérito de atos exercidos pelo Poder Executivo. O
exercício do controle político, que será visto mais à frente nesta aula, é um caso de controle de
mérito exercido pelo Poder Legislativo.

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7. RECURSOS COMO MEDIDA DE CONTROLE

Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro12, “recursos administrativos são todos os meios que podem
utilizar os administrados para provocar o reexame do ato pela Administração Pública.” Algum
interessado, inconformado com o ato praticado, requer à Administração, por meio do direito
constitucional de petição (art. 5º, XXXIV, da CRFB), sua revisão pela própria via administrativa.
A existência de um recurso administrativo, seja ele de qual espécie for, cria para a Administração a
obrigação de apreciá-lo e decidi-lo. Primeiro porque, pelo princípio da oficialidade e do impulso
oficial, o processo administrativo iniciado deve chegar a um fim; segundo, é de interesse da
Administração verificar as razões trazidas pelo recorrente, a fim de cotejar o ato praticado com o
ordenamento jurídico e fazer uso do princípio da autotutela, que pode culminar com a anulação ou
revogação da ação estatal atacada.
Os recursos administrativos têm previsão na Lei nº 9.784/99, notadamente entre os artigos 56 e 65.
Lembrem-se que se trata da norma geral do processo administrativo, havendo muitas outras leis
que abordam a disciplina de apresentação de recursos em searas específicas.
Vejamos o art. 56 da Lei do Processo Administrativo:

Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito.

§ 1º O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no
prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior.

§ 2º Salvo exigência legal, a interposição de recurso administrativo independe de caução.

§ 3º Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula


vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar,
explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou
inaplicabilidade da súmula, conforme o caso.

Repare que, pelo § 1º, há um aspecto hierárquico envolvido na disciplina da apreciação dos
recursos. A peça recursal deve ser dirigida ao agente público responsável pela decisão
questionada, que terá a obrigação de rever sua própria conduta. Caso ele não reconsidere o ato
praticado e decida por mantê-lo, o recurso é encaminhado à autoridade superior e competente para
a apreciá-lo.
Quanto ao aspecto hierárquico, os recursos podem ser considerados como próprios ou
impróprios. Os recursos próprios são justamente aqueles em que há aspecto hierárquico

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envolvido, ou seja, tramitam no âmbito da mesma pessoa jurídica ou entidade. São a regra geral,
portanto.
No entanto, há casos em que a legislação autoriza a apresentação de recursos a uma autoridade
que não possui relacionamento hierárquico com a autoridade que exarou o ato recorrido. Isso
ocorre, por exemplo, quando a lei permite a apresentação de um recurso a um ministério em face
de ato praticado por uma agência reguladora (autarquia especial) vinculada àquele ministério.
Trata-se de caso de recurso impróprio. Essa modalidade é excepcional e depende de expressa
previsão legal.
Nunca é demais rememorar que a decisão de recursos administrativos é uma conduta
administrativa INDELEGÁVEL, conforme o art. 13 da Lei nº 9.784/99:

Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:

I - a edição de atos de caráter normativo;

II - a decisão de recursos administrativos;

III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.

Voltando ao art. 56, seu § 2º estabelece como norma geral a gratuidade do processo administrativo,
especialmente quanto à apresentação de recursos. Essa temática já foi enfrentada pelas Cortes
Superiores em algumas oportunidades, das quais podemos citar importantes entendimentos
sumulados:

SÚMULA Nº 373 - STJ:


"É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso
administrativo.”

SÚMULA VINCULANTE Nº 21 - STF:


"É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiros ou bens
para admissibilidade de recurso administrativo."

Já o § 3º do art. 56 estabelece um procedimento especial para a Administração quando o recorrente


alega que o ato recorrido contraria súmula vinculante.

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Só para relembrar, as súmulas vinculantes têm previsão constitucional no art. 103-A da CRFB, são
editadas pelo STF e devem ser obrigatoriamente seguidas pelos órgãos do Poder Executivo e do
Poder Judiciário em âmbito nacional. Daí o nome vinculante, pois deve ser seguida por todos os
agentes públicos desses poderes.
Pois bem, o dispositivo da Lei nº 9.784/99 cria para a autoridade recorrida a obrigação de evidenciar
o porquê de a súmula vinculante se aplicar ou não ao caso concreto. No § 1º do art. 56 não há essa
previsão; ou seja, não há necessidade de se indicar o porquê de manter ou não a sua decisão,
antes de encaminhar o recurso à autoridade superior. Vejamos, portanto, que o procedimento muda
quando o questionamento envolver súmula vinculante, uma vez que essas exigem fundamentação
por parte da autoridade recorrida.
Vale lembrar que, caso o recorrente queira judicializar esse desrespeito a uma súmula vinculante,
há alguns aspectos a serem observados. Primeiramente, esse questionamento judicial se faz por
meio de uma ação denominada Reclamação, ajuizada diretamente no STF, com fundamento no
art. 103-A, § 3º, da CF/88. Em segundo lugar, é necessário o esgotamento da via administrativa
para que se possa apresentar essa Reclamação. É o que se conhece como instância
administrativa de curso forçado. Ou seja, a admissibilidade da ação judicial depende da
existência de um processo administrativo previamente ao seu ajuizamento.
Veja a redação do art. 7º, da Lei Federal nº 11.417/06:

Art. 7o Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula


vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo
Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação.

§ 1o Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido


após esgotamento das vias administrativas.

§ 2o Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato


administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida
com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso.

Já que mencionamos a instância administrativa de curso forçado, é importante visualizarmos as


hipóteses em que a legislação determina a necessidade de haver uma apreciação administrativa
antes da existência de processo judicial que questione o ato:

 reclamações ao STF por descumprimento, pela Administração Pública, de enunciado de


súmula vinculante;
 processos referentes à Justiça Desportiva, por força do art. 217, § 1º, da CRFB, que possui
a seguinte redação: O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às
competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva,
regulada em lei;
 mandado de segurança, pois a existência de previsão legal de recurso administrativo com
efeito suspensivo inviabiliza o interesse de agir da parte, não havendo prejuízo. Trata-se de
hipótese prevista no art. 5º, I, da Lei 12.016/09, assim redigido: Art. 5º Não se concederá
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mandado de segurança quando se tratar: I – de ato do qual caiba recurso administrativo


com efeito suspensivo, independentemente de caução;
 habeas data, pois o art. 8º, parágrafo único, da Lei nº 9.507/97 exige que a petição inicial
venha instruída com prova de recusa tácita ou expressa de acesso às informações do
impetrante que constem em banco de dados;
 crimes contra a ordem tributária, pois só se poderá considerar infração penal após haver o
exaurimento dos procedimentos administrativos de lançamento, conforme a Súmula
Vinculante nº 24, assim redigida: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária,
previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137/1990, antes do lançamento definitivo do
tributo.

Só para complementar o quadro anterior, também é cabível Reclamação para preservar a


competência e autoridade das decisões do STJ (art. 105, I, f) e do TST (art. 111-A, § 3º, da CRFB).
Uma temática também sempre muito lembrada em prova, quando se pensa em apreciação de
recursos, diz respeito à Coisa Julgada Administrativa.
Sobre isso, vejamos a redação do art. 57 da Lei nº 9.784/99:

Art. 57. O recurso administrativo tramitará no máximo por três instâncias administrativas, salvo
disposição legal diversa.

Note que a legislação ordinária estabeleceu um número máximo de instâncias decisórias para o
processo administrativo federal. Há de se pensar que, após a apreciação pela terceira instância,

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não haverá mais como a decisão ser modificada pela Administração, levando-nos a concluir pela
existência de uma espécie de coisa julgada que se opera no âmbito administrativo.
Contudo, algumas ressalvas precisam ser feitas sobre esse assunto.
Primeiramente, devemos diferenciar a coisa julgada formal da coisa julgada material:

Como se sabe, apenas o Poder Judiciário tem a capacidade de trazer definitividade às questões,
revestindo-as com o atributo da coisa julgada. Trata-se de função estatal típica daquele Poder.
Já abordamos anteriormente que umas das características do Controle da Administração Pública é
o fato de ele poder ser revisto pelo Estado-juiz, quando este for provocado a se pronunciar.
Portanto, é importante reforçar que todos os atos administrativos, ou seja, aqueles praticados
no uso da função administrativa, podem ser revistos, seja pelo Poder Judiciário, seja pela
própria Administração.
A chamada Coisa Julgada Administrativa impede que a questão seja reapreciada no âmbito da
própria Administração Pública. Ela NÃO IMPEDE que o Poder Judiciário, usando de sua função
típica, faça a apreciação do ato.

#ficadica

Coisa julgada administrativa: a denominada coisa julgada administrativa, que, na


verdade, é apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa
julgada judicial, porque o ato jurisdicional da Administração não deixa de ser
um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato
jurisdicional do Poder Judiciário. [Hely Lopes Meirelles]

Outra disciplina de estudo relevante diz respeito ao efeito provocado pela existência dos recursos.
Conforme se depreende do art. 61 da Lei 9.784/99, o recurso tem efeito devolutivo:

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Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo.

Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da
execução, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou a pedido, dar
efeito suspensivo ao recurso.

Efeito devolutivo, como o próprio nome diz, quer dizer que a questão apenas será reapreciada pela
Administração. Até sua decisão, o recurso não apresente consequências práticas, mantendo o ato
recorrido os seus efeitos e a sua eficácia. Vale lembrar que o efeito devolutivo é a regra geral na
disciplina dos recursos administrativo.
Porém, se lhe for dado efeito suspensivo, seja por meio de lei, seja por decisão de autoridade
administrativa, esta última prevista no parágrafo único do art. 61, o ato administrativo recorrido terá
seus efeitos suspensos.
A título de exemplo, vale lembrar do efeito suspensivo de alguns dos recursos previstos no art. 109
da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações). Os recursos em face de habilitação ou inabilitação de licitante
e do julgamento das propostas apresentam efeito suspensivo. Os demais recursos existentes
naquele artigo têm apenas efeito devolutivo.
Quanto às espécies ou modalidades de recursos administrativos existentes e admissíveis no
ordenamento jurídico, o quadro a seguir elenca os principais e mais conhecidos, no entendimento
da Profª Maria Sylvia Zanella DiPietro:

Modalidades de recursos administrativos, conforme Maria Sylvia Zanella DiPietro:

Representação: “é a denúncia de irregularidades feita perante a própria Administração Pública


ou a entes de controle, como o Ministério Público, o Tribunal de Contas ou outros órgãos que
funcionem como ouvidoria”.
Destaca-se que o representante pode ser qualquer pessoa, independentemente de ser afetado
ou não pelo ato questionado. São os casos ilustrados pelo art. 74, § 2º da CF/88.

Reclamação administrativa: “é o ato pelo qual o administrado, seja particular ou servidor público,
deduz uma pretensão perante a Administração Pública, visando obter o reconhecimento de um
direito ou a correção de um ato que lhe cause lesão ou ameaça de lesão”.
Para esta espécie, trata-se de um pedido pessoal, pois o postulante solicita a revisão de um ato
que prejudica interesse seu. Ele demonstra OPOSIÇÃO a um ato praticado pela Administração.
Destacamos que NÃO SE TRATA da mesma reclamação que se faz ao STF em face de
descumprimento de Súmula Vinculante, pois essa tem caráter jurisdicional.

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A reclamação administrativa tem previsão no Decreto nº 20.910/32, especialmente em seu art.


6º, que possui a seguinte redação: O direito à reclamação administrativa, que não tiver prazo
fixado em disposição de lei para ser formulada, prescreve em um ano a contar da data do ato ou
fato do qual a mesma se originar.

Pedido de reconsideração: “o interessado requer o reexame do ato à própria autoridade que o


emitiu. Está previsto no art. 106 da Lei nº 8.112/90. O prazo para decisão é de 30 dias, não
podendo ser renovado; só é cabível se contiver novos argumentos; caso contrário caberá recurso
à autoridade superior”.
Não há uma disciplina legal uniforme para esta modalidade recursal. O Prof. Carvalho Filho
afirma, diferentemente da Profª Di Pietro, que o pedido de reconsideração não deixa de ser uma
reclamação.

Recurso hierárquico: “é o pedido de reexame do ato dirigido à autoridade superior à que proferiu
o ato. Pode ser próprio ou impróprio. O recurso hierárquico próprio é dirigido à autoridade
imediatamente superior, dentro do mesmo órgão em que o ato foi praticado. Ele é uma
decorrência da hierarquia e, por isso mesmo, independe de previsão legal. O recurso hierárquico
impróprio é dirigido a autoridade de outro órgão não integrado na mesma hierarquia daquele que
proferiu o ato. Precisamente por isso é chamado impróprio. Não decorrendo da hierarquia, ele só
é cabível se previsto expressamente em lei. A hipótese mais comum é a de recurso contra ato
praticado por dirigente de autarquia, interposto perante o Ministério a que a mesma se acha
vinculada ou perante o Chefe do Poder Executivo, dependendo do que estabeleça a lei. É o caso
também de recursos interpostos perante tribunais administrativos, como o Tribunal de Impostos
e Taxas ou o Conselho de Contribuintes.”

Revisão: “é o recurso de que se utiliza o servidor público, punido pela Administração, para
reexame da decisão, em caso de surgirem fatos novos suscetíveis de demonstrar a sua
inocência.”
Especificamente para os servidores públicos, esse recurso está previsto nos artigos 174 a 182
da Lei nº 8.112/90.
Frise-se que é necessária a existência de FATOS NOVOS capazes de conduzir a autoridade
competente a tomar outra decisão.
Trata-se de um NOVO processo administrativo.

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8. CONTROLE DO PODER JUDICIÁRIO

O Poder Judiciário, quando provocado, pode exercer o controle externo dos atos estatais praticados no
exercício da função administrativa.

Dessa maneira, o Judiciário pode apreciar os atos administrativos praticados pelo Poder Executivo, Poder
Legislativo, Poder Judiciário (sim, o Judiciário, em sua função típica, pode controlar os atos administrativos
praticados pelo próprio Judiciário), Ministério Público e Tribunais de Contas.

Hely Lopes Meirelles 13 leciona que os meios de controle pela via judicial “são as vias processuais de
procedimento ordinário, sumaríssimo ou especial de que dispõe o titular do direito lesado ou ameaçado de
lesão para obter a anulação do ilegal em ação contra a Administração Pública”.

Várias são as ações possíveis de serem ajuizadas a fim de exercer o controle da Administração Pública pela
via judicial. Contudo, vamos ater nosso estudo àquelas mais comumente referenciadas como instrumentos
de controle pela doutrina.

Antes disso, nunca é demais rememorar que, pelo art. 5º, XXXV, da CRFB, sabe-se que lei alguma poderá
excluir a possibilidade de o Poder Judiciário apreciar lesão ou ameaça a direito. Dessa maneira, ainda que o
responsável pela lesão ou ameaça seja o próprio Poder Público, há possibilidade de se valer do Estado-juiz a
fim de debelar a situação contrária ao ordenamento jurídico.

Convém lembrar também que não é tarefa do Judiciário imiscuir-se no mérito do ato administrativo, medida
que é privativa da autoridade administrativa. Cabe aos órgãos incumbidos da função jurisdicional
procederem a uma análise de legalidade e legitimidade, cotejando o ato praticado com o ordenamento
jurídico brasileiro.

Ao se provocar a atuação do Judiciário para exercer o controle sobre os atos praticados pela Administração
Pública, é possível a concessão de medidas cautelares, tal qual pode ocorrer com vários outros tipos de
ações. Contudo, vale observar a existência de uma lei específica para regrar a concessão de cautelares em
face do Poder Público. Trata-se da Lei Federal nº 8.437/92. Logo, além de obediência às regras gerais do
Código de Processo Civil, há que se privilegiar as disposições daquela lei específica para o regramento das
cautelares.

Traçadas as noções gerais em torno do controle judiciário, passemos ao estudo das principais ações judiciais
existentes para o exercício do controle da Administração Pública.

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Frise-se que as ações a seguir estudadas não são as únicas maneiras de controlar os atos praticados pelo
Poder Público. Ações de improbidade administrativa, ADIs e ADPFs também podem, por exemplo, ser
utilizadas como meios de controle.

8.1. MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL E COLETIVO


O mandado de segurança é uma ação movida por uma pessoa (física ou jurídica) que teve direito líquido e
certo seu desrespeitado por autoridade pública ou por agente em exercício de atribuições do Poder Público.
Trata-se de um remédio constitucional, previsto no art. 5º, inciso LXIX,da CF/88:

LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado
por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for
autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;

O mandado de segurança tem disciplina especificada na Lei nº 12.016/09, cujo estudo é imprescindível para
a correta e completa compreensão desse instrumento constitucional.

Vê-se que, pela definição constitucional, o Mandado de Segurança envolve direito líquido e certo. Portanto,
trata-se de uma ação em que não haverá dilação probatória, que é uma etapa da instrução processual na
qual o juiz determina a produção de provas para a formação do seu convencimento.

Já que se trata de um direito líquido e certo, na petição inicial o impetrante deve demonstrar essa
característica do seu direito.

Outra característica extraída da CF/88 é que o MS é uma ação residual. Ou seja, não sendo o caso de habeas
data ou habeas corpus, desde que se trate de um direito líquido e certo, é cabível o MS.

É importante destacar os casos em que NÃO É cabível o Mandado de Segurança. São os casos previstos no
art. 5 da Lei nº 12.016/09:

Art. 5º Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:

I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de


caução;

II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;

III - de decisão judicial transitada em julgado.

Outra hipótese de não cabimento também prevista na lei está em art. 1º:
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Art. 1º, § 2º Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos
administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de
serviço público.

ATENÇÃO para não confundir as hipóteses de não cabimento do MS com os casos em que
a LIMINAR não poderá ser concebida.

Os casos em que a liminar NÃO PODERÁ SER CONCEDIDA estão no art. 7º, §2º, da Lei
12.016/09:

- compensação de créditos tributários

- entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior

- reclassificação ou equiparação de servidores públicos

- concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza.

Quanto ao prazo para sua impetração, tem-se que o MS tem o prazo DECADENCIAL de 120 dias para ser
ajuizado. Tal é a redação do art. 23 da Lei nº 12.016/09:

Art. 23. O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 120 (cento e
vinte) dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado.

O mandado de segurança coletivo está também previsto constitucionalmente, no art. 5º, LXX, da CF/88:

LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:

a) partido político com representação no Congresso Nacional;

b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em


funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados

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Veja que, ao falar do MS coletivo, a CF/88 se restringiu a mencionar aqueles que podem ser seus autores.
Portanto, o fundamento para apresentá-lo permanece sendo o mesmo do MS individual (inciso LXIX).

Pelo art. 21 da Lei nº 12.016/09, o MS coletivo se volta a defender os interesses de uma categoria ou classe:

Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com
representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus
integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou
associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa
de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na
forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto,
autorização especial.

Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser:

I - coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de natureza indivisível,
de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por
uma relação jurídica básica;

II - individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem
comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou
membros do impetrante.

Nota-se também que, para a disciplina do direito processual coletivo, esse tipo de mandado de segurança é
relevante para a defesa de alguns interesses transindividuais (coletivos e individuais homogêneos).

A jurisprudência do STF é farta quanto aos entendimentos sumulados em relação ao remédio do Mandado
de Segurança:

SÚMULA Nº 101 - STF:


O mandado de segurança não substitui a ação popular.

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SÚMULA Nº 266 - STF:


Não cabe mandado de segurança contra lei em tese.

SÚMULA Nº 267 - STF:


Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição.

SÚMULA Nº 268 - STF:


Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado.

SÚMULA Nº 269 - STF:


O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança.

SÚMULA Nº 271 - STF:


Concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação a
período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via
judicial própria.
SÚMULA Nº 272 - STF:
Não se admite como ordinário recurso extraordinário de decisão denegatória de
mandado de segurança.

SÚMULA Nº 304 - STF:


Decisão denegatória de mandado de segurança, não fazendo coisa julgada contra o
impetrante, não impede o uso da ação própria.

SÚMULA Nº 330 - STF:


O Supremo Tribunal Federal não é competente para conhecer de mandado de
segurança contra atos dos Tribunais de Justiça dos Estados.

SÚMULA Nº 429 - STF:


A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do
mandado de segurança contra omissão da autoridade.

SÚMULA Nº 430 - STF:


Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o
mandado de segurança.

SÚMULA Nº 510 - STF:


Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe
o mandado de segurança ou a medida judicial.

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SÚMULA Nº 512 - STF:


Não cabe condenação em honorários de advogado na ação de mandado de segurança.

SÚMULA Nº 597 - STF:


Não cabem embargos infringentes de acórdão que, em mandado de segurança
decidiu, por maioria de votos, a apelação.

SÚMULA Nº 624 - STF:


Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer originariamente de mandado de
segurança contra atos de outros tribunais.

SÚMULA Nº 625 - STF:


Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de
segurança.

SÚMULA Nº 629 - STF:


A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos
associados independe da autorização destes.

SÚMULA Nº 630 - STF:


A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a
pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.

SÚMULA Nº 631 - STF:


Extingue-se o processo de mandado de segurança se o impetrante não promove, no
prazo assinado, a citação do litisconsorte passivo necessário.

SÚMULA Nº 632 - STF:


É constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a impetração de mandado de
segurança.

8.2. MANDADO DE INJUNÇÃO


Esse remédio constitucional tem previsão no art. 5º, LXXI, da CRFB:

LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne
inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à
nacionalidade, à soberania e à cidadania;
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É o instrumento processual adequado quando normas constitucionais de eficácia limitada não tiveram a
devida regulamentação, a ponto de esse vácuo normativo inviabilizar o exercício de direitos e liberdades
constitucionais, além de prerrogativas de nacionalidade, soberania e cidadania.

O mandado de injunção tem disciplina prevista na Lei nº 13.300/16.

Essa lei assegura a autoria do MI a qualquer pessoa, física ou jurídica, que tenha o exercício daqueles direitos
prejudicado pela ausência de lei regulamentadora. Ademais, esse mandado pode ser individual ou coletivo,
possuindo, nesse tocante, uma disciplina similar ao que ocorre com o Mandado de Segurança. Aliás, assim
como acontece em relação ao MS, o Mandado de Injunção é uma ação de caráter mandamental, e não
meramente declaratória.

Frise-se também que o Mandado de Injunção não é uma ação gratuita e requer, para seu ajuizamento, a
capacidade postulatória de advogado.

Caso já exista norma regulamentadora do direito previsto na Constituição, não cabe o Mandado de Injunção.
Contudo, caso a norma existente seja deficiente para viabilizar o exercício de direitos e liberdades
constitucionais mencionadas pelo art. 5º da CRFB, admite-se o MI parcial.

Também não cabe MI para a regulamentação de direitos previstos em normas infraconstitucionais. Pelo art.
5º, LXXI, da CRFB/88, o remédio constitucional deve abranger direitos e liberdades constitucionais. Esse
entendimento abrange medidas provisórias, que também são atos infraconstitucionais.

No polo passivo da ação, deve figurar o Poder, órgão ou autoridade com atribuição de editar a norma
regulamentadora inexistente.

Trata-se de um remédio constitucional que não se confunde com a Ação Direta de Inconstitucionalidade por
Omissão (ADI por omissão).

De início, o art. 103 da CF/88 delimita as pessoas legitimadas ao ajuizamento de ADIs. Para ajuizar MI,
qualquer pessoa física ou jurídica titular do direito tem legitimidade. Ademais, a ADI por omissão envolve
um controle abstrato, de uma circunstância em tese. Já o MI requer do Judiciário uma solução para um
determinado caso concreto. Por fim, o MI se circunscreve a direitos e liberdades constitucionais, além de
prerrogativas de cidadania, soberania e nacionalidade. Essa regra não vale para a ADI por omissão, que pode
ter um objeto de questionamento mais abrangente do que esse mencionado para o Mandado de Injunção.

8.3. AÇÃO POPULAR


A ação popular é um remédio constitucional previsto no art. 5º, LXXIII:

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa,
ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-
fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
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Nota-se que é um instrumento de controle social poderoso, em que os cidadãos (aqueles titulares de direitos
políticos, portadores de título eleitoral) recorrem ao Poder Judiciário contra atos atentatórios ao:

 patrimônio público – em sua acepção ampla, e não somente relacionado ao erário ou a finanças
públicas;
 moralidade administrativa – casos em que há atentado ao princípio constitucional da moralidade,
expresso no caput do art. 37 da CF/88;
 meio ambiente – a defesa e preservação do meio ambiente é garantida no art. 225 da CRFB;
 patrimônio histórico e cultural – outro aspecto que cabe à coletividade e ao Poder Público zelar.

A disciplina infraconstitucional da Ação Popular está na Lei nº 4.717/65 que, embora pré-constitucional, foi
recepcionada pela CF/88 e está em vigência.

Cabe ressaltar que a ação poderá ter isenção de custas e do ônus da sucumbência se o autor a tiver ajuizado
de boa-fé. Em havendo comprovação de má-fé por parte do autor, haverá a cobrança daquelas verbas por
parte do Poder Judiciário.

Conforme a Lei nº 4.717/65, o Ministério Público, embora não possa ser autor da ação, tem a obrigação
institucional de acompanhar todo o processo enquanto fiscal da ordem jurídica (custos legis). Contudo, caso
o autor desista ou abandone a ação, o parquet pode dar prosseguimento a ela.

8.4. HABEAS DATA


O habeas data possui previsão no art. 5º, LXXII:

LXXII - conceder-se-á habeas data:

a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes


de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;

b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou
administrativo;

No campo infraconstitucional, esse remédio constitucional é regulamentado pela Lei nº 9.507/97.

Perceba que é um instrumento voltado para que o impetrante possa ter conhecimento de informações suas
que existam em um banco de dados da Administração Pública. Logo, deve a informação deve existir em um
banco de dados. Ademais, trata-se de instrumento também idôneo para retificar dados da pessoa
impetrante.

O habeas data, portanto, não é meio adequado para assegurar acesso a autos de processo administrativo,
por exemplo. Ele se restringe a acesso ou retificação de informações do impetrante que constem em banco
de dados da Administração Pública.

Conforme já visto em tópico anterior desta aula, o ajuizamento do habeas data depende de tentativa de
acesso à informação pela via administrativa. O art. 8º, parágrafo único, da Lei nº 9.507/97 estipula que a
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petição inicial deve ser instruída com prova de recusa, tácita ou expressa, de acesso às informações ou da
retificação.

O habeas data, ao lado do habeas corpus, integram o rol de ações GRATUITAS, conforme o art. 5º, LXXVII.

LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos
necessários ao exercício da cidadania.

8.5. HABEAS CORPUS


O habeas corpus é um dos mais antigos remédios constitucionais de que se tem notícia. Trata-se de um
procedimento apto a assegurar o direito de ir e vir, a liberdade de locomoção dos indivíduos.

Na CRFB, sua previsão está no art. 5º, LXVIII, da CRFB:

LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

Logo, ameaça ou efetiva coação na liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder, ensejam a
utilização do habeas corpus.

ATENÇÃO!!!
O habeas corpus é o único remédio constitucional que corre na esfera judicial que PRESCINDE de
advogado. Ou seja, não há necessidade de advogado para a impetração de Habeas Corpus. Para todas as
outras ações judiciais aqui estudadas, há necessidade de advogado.

Além de não precisar de advogado, o habeas corpus pode ser apresentado não apenas pelo próprio paciente
(aquele que sofre a ameaça ou a coação em sua liberdade), mas por qualquer pessoa em defesa do paciente.

Embora não exista uma lei específica que trate sobre habeas corpus, o Código de Processo Penal possui
alguns artigos voltados à sua disciplina (arts. 647 a 667).

O habeas corpus, ao lado do habeas data, é também uma ação gratuita, conforme o art. 5º, LXXVII, da CRFB.

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8.6. AÇÃO CIVIL PÚBLICA


A Ação Civil Pública é mencionada no art. 129 da CF/88, quando o legislador constituinte discorre sobre as
funções institucionais do Ministério Público.

A disciplina dessa ação está prevista na Lei nº 7.347/85. Como característica principal está a tutela e defesa
de direitos transindividuais, tais como meio ambiente, consumidor, bens e direitos de valor histórico,
estético, histórico, turístico e paisagístico, infrações à ordem econômica, honra e dignidade de grupos raciais,
étnicos ou religiosos e quaisquer outros direitos difusos e coletivos.

Cabe ressaltar que o rol de legitimados a proporem a Ação Civil Pública é restrito. Esses legitimados estão
elencados no art. 5º da Lei nº 7.347/85:

 Ministério Público;
 Defensoria Pública;
 Entes federados;
 Entidades da Administração Indireta;
 Associações que estejam constituídas há pelo menos 1 ano e inclua, entre suas finalidades
institucionais, a proteção do patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à
ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao
patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.

O Ministério Público, caso não seja o autor da demanda, atuará obrigatoriamente como custos legis (fiscal
da ordem jurídica).

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9. CONTROLE DO PODER LEGISLATIVO: CONTROLE POLÍTICO


E CONTROLE FINANCEIRO

É função típica do Poder Legislativo inovar o ordenamento jurídico e exercer a fiscalização. Esta
última, por sua vez, pode se dar sob dois enfoques: controle político e controle técnico-financeiro,
para o qual o Parlamento conta com um órgão de auxílio (Tribunais de Contas).

9.1 CONTROLE POLÍTICO


Como o próprio nome dá a entender, essa modalidade de controle por parte do Poder Legislativo
não envolve características técnicas. Ou seja, não há uma vinculação a alguma norma em
específico para a realização do controle político. Há um elevado grau de discricionariedade
envolvido.
Esse controle só ocorre com expresso permissivo constitucional. Isso se justifica porque, em muitos
casos, o Poder Legislativo realiza um verdadeiro controle de mérito das ações e opções adotadas
pelo Poder Executivo. Não fosse a existência de previsão constitucional, poder-se-ia cogitar em
infringência ao princípio fundamental da separação de Poderes. Contudo, com expressa previsão
constitucional, é sim possível e admissível essa modalidade de controle.
A título de exemplo, evidenciamos no quadro a seguir os exemplos trazidos pela Profª Maria Sylvia
Zanella Di Pietro quanto ao controle político realizado pelo Poder Legislativo.

Hipóteses de controle político expressas na CFRB/1988, segundo Maria Sylvia Di Pietro:

A competência exclusiva do Congresso Nacional e do Senado para apreciar a priori ou a


posteriori os atos do Poder Executivo (arts. 49, incisos I, II, III, IV, XII, XIV, XVI, XVII, e 52, incisos
III, IV, V e XI).

A convocação de Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados


à Presidência da República, pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado, bem como por
qualquer de suas comissões, para prestar, pessoalmente, informações sobre assunto

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previamente determinado, importando crime de responsabilidade a ausência, sem justificação


adequada (art. 50, alterado pela Emenda Constitucional de Revisão nº2/94)

O encaminhamento de pedidos escritos de informação, pelas Mesas da Câmara dos Deputados


e do Senado, dirigidos aos Ministros de Estado ou a quaisquer titulares de órgãos diretamente
subordinados à Presidência da República, que deverão responder no prazo de trinta dias, sob
pena de crime de responsabilidade (art. 50, § 2º, alterado pela Emenda Constitucional de Revisão
nº 2/94).

A apuração de irregularidades pelas Comissões Parlamentares de Inquérito, as quais têm


poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos
Regimentos das Casas do Congresso; as suas conclusões, se for o caso, serão encaminhadas
ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores (art.
58, § 3º)

A competência do Senado Federal para processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da


República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes
da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;
a competência para processar e julgar os Ministros do STF, os membros do Conselho Nacional
de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o
Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade (art. 52, incisos I e II).

A competência do Senado para fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais
para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios; para dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e
interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais
entidades controladas pelo Poder Público Federal; para dispor sobre limites e condições para a
concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno (art. 52, incisos VI,
VII e VIII);

A competência do Congresso Nacional para sustar os atos normativos do Poder Executivo que
exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; essa atribuição, prevista
no artigo 49, inciso V, constitui inovação da Constituição de 1988, da maior relevância, porque
permitirá ao Poder Legislativo controlar, mediante provocação ou por iniciativa própria, a
legalidade dos atos normativos do Poder Executivo, sustando os seus efeitos independentemente
de prévia manifestação do Poder Judiciário.

9.2 CONTROLE FINANCEIRO

O controle técnico-financeiro é aquele do qual o Poder Legislativo é titular, mas que é exercido,
predominantemente, pelo Tribunal de Contas, órgão de auxílio do Parlamento e que possui um
quadro técnico de servidores.
Diferentemente do controle político, no controle técnico-financeiro há parâmetros normativos a
serem observados pelo órgão controlador. Conforme se depreende do art. 70 da CF/88, o controle
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externo se dá com base nas técnicas contábeis, orçamentárias, patrimoniais, financeiras e


operacionais. Ademais, quanto aos aspectos envolvidos, o órgão controlador utiliza como
parâmetro de controle os aspectos de legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação de
subvenções e renúncia de receitas.
Nesse sentido, é possível identificar que o constituinte separou os papeis de controle do Poder
Legislativo e do Tribunal de Contas. O STF, inclusive, já teve a oportunidade de apreciar o assunto
em sede de repercussão geral, ocasião em que destacou que as decisões técnicas tomadas pelo
Tribunal de Contas não estão sujeitas a revisão por parte do Poder Legislativo. É mais um
argumento que vai ao encontro do entendimento de que os Tribunais de Contas, tal qual o Ministério
Público, são instituições independentes e autônomas, que não se subordinam a nenhum dos
Poderes da República:
RE 576.920 (Tema 47 da Repercussão Geral):
A competência técnica do Tribunal de Contas do Estado, ao negar registro de admissão
de pessoal, não se subordina à revisão pelo Poder Legislativo respectivo.

As competências dos tribunais de contas são extraídas do art. 71 da CF/88:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

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Além do art. 71 da CRFB, que aborda as competências do Tribunal de Contas da União, o art. 72 também
possui previsões acerca do exercício do controle financeiro por parte do Poder Legislativo. Trata-se de
iniciativas de controle feitas por meio da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional:

Art. 72. A Comissão mista permanente a que se refere o art. 166, §1º, diante de indícios de
despesas não autorizadas, ainda que sob a forma de investimentos não programados ou de
subsídios não aprovados, poderá solicitar à autoridade governamental responsável que, no
prazo de cinco dias, preste os esclarecimentos necessários.

§ 1º Não prestados os esclarecimentos, ou considerados estes insuficientes, a Comissão solicitará


ao Tribunal pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de trinta dias.

§ 2º Entendendo o Tribunal irregular a despesa, a Comissão, se julgar que o gasto possa causar
dano irreparável ou grave lesão à economia pública, proporá ao Congresso Nacional sua
sustação.

Note que a Comissão Mista deflagra a ação controladora e pode, posteriormente, solicitar o apoio do
Tribunal de Contas acerca da matéria.

Por força do paralelismo ou simetria federativa, as normas que se aplicam ao TCU também se aplicam aos
tribunais de contas estaduais e tribunais de contas dos municípios. Tal aspecto está previsto no art. 75 da
CRFB:

Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização,
composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como
dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios.

Parágrafo único. As Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos,


que serão integrados por sete Conselheiros.

#ficadica

Não compete ao Tribunal de Contas da União realizar o julgamento das contas do


Presidente da República. Por expressa opção constitucional, tal julgamento insere-se
dentro do controle político exercido pelo Poder Legislativo, nos termos do art. 49,
inciso IX, da CRFB/88. Ao TCU cabe a elaboração de uma opinião sobre as contas
do Governo Federal na forma de um parecer prévio (art. 71, inciso I).

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Como se viu, ao TCU compete julgar as contas de gestão dos administradores públicos e demais responsáveis
por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades
instituídas e mantidas pelo Poder Público federal. Compete à Corte de Contas Federal também julgar as
contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário,
independentemente se possuem ou não vínculo com o Poder Público.

A essa altura, vale diferenciar o seguinte: o Tribunal de Contas não tem competência para julgar as Contas
de Governo, que são aquelas apresentadas anualmente pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo,
em até 60 dias após a abertura da sessão legislativa (vide o art. 84, XXIV, CRFB). Em relação aos demais
administradores públicos (ordenadores de despesa em geral) e àqueles que causaram prejuízo ao erário, o
Tribunal de Contas tem competência para julgar tais contas, conhecidas como Contas de Gestão.

#ficadica

Em situações excepcionais, que normalmente acontecem em municípios menores,


pode ocorrer de o chefe do Poder Executivo também ser responsável por contas de
gestão, além das já conhecidas contas de governo. Vimos que o Tribunal de Contas
julga contas de gestão... mas e quando tais contas têm como ordenador de despesa
o chefe do Poder Executivo, cujas contas de governo estão sujeitas a julgamento por
parte da Casa Legislativa?
Em repercussão geral, o STF afirmou que, nestes casos, a competência fica com o Poder
Legislativo, preterindo a competência técnica do Tribunal de Contas quando o sujeito em
julgamento for chefe do Poder Executivo.

RE 848.826:
Para os fins do art. 1º, inciso I, alínea "g", da Lei Complementar 64, de 18 de maio de
1990, alterado pela Lei Complementar 135, de 4 de junho de 2010, a apreciação das
contas de prefeitos, tanto as de governo quanto as de gestão, será exercida pelas
Câmaras Municipais, com o auxílio dos Tribunais de Contas competentes, cujo parecer
prévio somente deixará de prevalecer por decisão de 2/3 dos vereadores (Tema 835 da
Repercussão Geral).

Ao apreciar contas submetidas a seu julgamento, o Tribunal de Contas pode aplicar sanções previstas em lei,
pode fixar prazo para a supressão da irregularidade constatada e pode sustar o ato eivado de ilegalidade.
Além disso, pode-se também determinar o ressarcimento ao erário. Ressalta-se que ao Tribunal de Contas
não cabe, originalmente, a competência para sustar contratos, nos termos do art. 71, § 1º, da CRFB.

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Diante de tais possibilidades, sempre se discutiu sobre a incidência ou não de prazo prescricional para a
atuação dos Tribunais de Contas. Alguns defendiam o ponto de vista de que, em função do art. 37, § 5º, da
CRFB:

Art. 37, § 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer
agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de
ressarcimento.

Contudo, o STF fixou o entendimento de que as ações de ressarcimento imprescritíveis são aquelas que se
relacionam ao cometimento de atos dolosos de improbidade (Tema 897 da Repercussão Geral). Com base
nisso, ao julgar o RE 636.886 (Tema 899 da Repercussão Geral), o STF se pronunciou no sentido de que os
ressarcimentos ao erário fundados com base em decisões de Tribunais de Contas são sim prescritíveis.
Vejamos a seguir as duas teses para cada um dos temas de repercussão geral:

Tema de Repercussão Geral nº 897 (RE 852.475):


Tese: São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de
ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa
Tema de Repercussão Geral nº 899 (RE 636.886):
Tese: É prescritível a pretensão de ressarcimento ao erário fundada em decisão de Tribunal de
Contas.

Uma competência relevante exercida pelos Tribunais de Contas diz respeito ao registro de atos de admissão
de pessoal, à exceção do provimento de cargos em comissão, e dos atos de aposentadoria de servidores
públicos (art. 71, inciso III, CRFB).

Como vimos na aula de Atos Administrativos, a aposentadoria de servidores públicos ocupantes de cargo
efetivo é um ato administrativo complexo, cujo ciclo de formação só estará completo após a manifestação
do Tribunal de Contas (registro). Além disso, trata-se de um ato que tem o chamado efeito reflexo ou
prodrômico, em que se faz necessária a manifestação do órgão de controle externo acerca da legalidade do
ato de aposentação praticado inicialmente pelo órgão de origem do servidor que se aposenta.

Sobre o assunto, existe a Súmula Vinculante nº 3, cujo teor é o seguinte:

Súmula Vinculante nº 3:
Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e
a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do
ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.

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Pelo teor da súmula vinculante, todo ato do Tribunal de Contas capaz de afetar direito deve estar sujeito a
contraditório e ampla defesa do interessado. Contudo, o registro do ato de aposentadoria era excepcionado
pela súmula. Na prática, caso o órgão de origem do servidor deferisse sua aposentadoria, mas o Tribunal de
Contas discordava do ato por não preencher requisitos legais, por exemplo, o servidor não estaria
aposentado em definitivo.

No entanto, a fim de propiciar segurança jurídica, existia no STF o entendimento de que, passados 5 anos do
ato de concessão inicial de aposentadoria pelo órgão de origem do servidor, era necessário assegurar
contraditório e ampla defesa ao servidor na hipótese de o Tribunal de Contas negar o registro do ato de
aposentação. Tratava-se de uma exceção à regra da Súmula Vinculante nº 3.

Todavia, ao apreciar o mérito do RE 636.553 (Tema 445 da Repercussão Geral), o STF fixou um prazo para a
atuação do Tribunal de Contas sobre os atos de aposentação de servidores públicos. Vejamos a tese fixada:

Tema de Repercussão Geral nº 445 (RE 636.553):


Tese: Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os
Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de 5 anos para o julgamento da legalidade
do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada
do processo à respectiva Corte de Contas.

Portanto, agora não há que se falar em exceção à Súmula Vinculante nº 3. O prazo para os Tribunais de
Contas procederem ao registro das aposentadorias de servidores públicos é de 5 anos. Caso tal prazo não
seja respeitado, considera-se que a aposentadoria está tacitamente registrada pela Corte de Contas.

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10. QUESTÕES DE CONCURSOS ANTERIORES

10.1 LISTA DE QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS

1. (2018/FUMARC/PC-MG/Delegado de Polícia) Sobre o controle administrativo da Administração


Pública, NÃO é correto afirmar:
(A) É um controle de legalidade e de mérito.
(B) Pode ocorrer por iniciativa da própria administração, mas não pode ser deflagrado mediante provocação
dos administrados.
(C) Quanto à natureza do órgão controlador, se divide em legislativo, judicial e administrativo.
(D) Tem por finalidade confirmar, alterar ou corrigir condutas internas, segundo aspectos de legalidade ou
de conveniência para a Administração.
2. (2013/COPS-UEL/PC-PR/Delegado) A administração pública direta e indireta recebe o controle
externo, relacionado à fiscalização contábil, financeira, orçamentária e patrimonial. Assinale a
alternativa que apresenta, corretamente, o órgão que exerce esse controle.
a) Poder Executivo com o auxílio do Poder Judiciário.
b) Poder Legislativo com o auxílio do Tribunal de Contas.
c) Poder Legislativo com o auxílio do Poder Judiciário.
d) Poder Judiciário com o auxílio do Tribunal de Justiça.
e) Poder Judiciário com o auxílio do Tribunal de Contas.
3. (2019/VUNESP/Prefeitura São José do Rio Preto - SP/Procurador do Município) Acerca do controle
externo da Administração Pública, é correto afirmar:
a) dentre outras atribuições, o Tribunal de Contas da União poderá, se verificar ilegalidade, assinar prazo
para que o órgão ou entidade fiscalizada adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei;
não atendido o referido prazo, poderá desde logo sustar contrato impugnado, comunicando a decisão à
Câmara dos Deputados e ao Senado Federal.
b) dentre outras atribuições, compete ao Tribunal de Contas da União aplicar aos responsáveis, em caso de
ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre
outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário, a ser ratificada no Poder Judiciário, após
assegurados, às partes assim apenadas, a ampla defesa e o direito ao contraditório.

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c) o controle externo da União e das entidades da Administração direta e indireta, quanto à legalidade,
legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercido pelo Tribunal
de Contas da União e supletivamente pelo Congresso Nacional.
d) dentre outras atribuições, compete ao Tribunal de Contas da União, em auxílio ao controle externo a cargo
do Congresso Nacional, apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente, julgar as contas dos
administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da Administração direta e
indireta, e realizar inspeções e auditorias de diversas naturezas nas unidades administrativas de quaisquer
dos poderes da União.
e) a organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal serão
estabelecidas pelas Constituições estaduais, podendo ou não, conforme opção do constituinte estadual,
orientar-se pelas normas aplicáveis ao Tribunal de Contas da União.

4. (2019/CESPE/MPE-PI/Promotor de Justiça Substituto) Julgue os seguintes itens, acerca de ação civil


pública, ação popular, habeas corpus e mandado de injunção.
I O STJ firmou entendimento de que, em ação civil pública promovida pelo Ministério Público, o
adiantamento dos honorários periciais ficará a cargo da Fazenda Pública a qual está vinculado o parquet.
II O Ministério Público poderá interpor recurso contra sentença proferida que julgou improcedente o pedido
do autor da ação popular.
III O STJ fixou entendimento de que a ausência de parecer escrito do parquet em sede de habeas corpus gera
automática nulidade do julgamento.
IV O mandado de injunção pode ser individual ou coletivo, podendo, nesse último caso, ser promovido pelo
Ministério Público.
Estão certos apenas os itens
a) I e II.
b) I e III.
c) III e IV.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.

5. (2019/VUNESP/Pref. Francisco Morato/Procurador) No que concerne ao controle da administração, é


correto afirmar que o Supremo Tribunal Federal publicou súmula com o seguinte teor:
a) o Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar somente a constitucionalidade dos
atos administrativos do Poder Público.
b) as Câmaras Municipais, no exercício de suas atribuições, poderão apreciar a constitucionalidade das leis e
dos atos do Poder Público.
c) o Tribunal de Contas e o Poder Legislativo, no exercício de suas atribuições, poderão apreciar a
constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público.

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d) as Câmaras Municipais, no exercício de suas atribuições, não poderão apreciar a constitucionalidade dos
atos administrativos do Poder Executivo.
e) o Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos
atos do Poder Público.

6. (2019/CEBRASPE/TJ-SC/Juiz Substituto) Segundo entendimento do STJ, para a aplicação da teoria da


encampação em mandado de segurança, é suficiente que se demonstrem nos autos, cumulativamente,
a) a existência das informações prestadas pelo órgão de representação judicial, a manifestação a respeito do
mérito nas informações prestadas e a ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição
Federal.
b) o vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou as informações e a que ordenou a prática do ato
impugnado, a manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas e a ausência de modificação de
competência estabelecida na Constituição Federal.
c) a manifestação do órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada e as informações
prestadas pela autoridade indicada como coautora.
d) o vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato
impugnado e a não configuração de qualquer das hipóteses de incompetência absoluta estabelecidas na
Constituição Federal.
e) a manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas nos autos e a não configuração de
qualquer das hipóteses de incompetência absoluta estabelecidas na Constituição Federal.

7. (2019/Vunesp/TJ-AC/Juiz Substituto) A “Associação ABC”, constituída há seis meses, cuja finalidade


institucional é a proteção ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor e à ordem
econômica, ajuizou ação civil pública com o objetivo de restituir tributos pagos indevidamente pelos seus
associados.
Considerando essa situação hipotética, nos termos da Lei da Ação Civil Pública (Lei n° 7.347/1985), é correto
afirmar que a referida ação
a) está em desconformidade com a Lei, tendo em vista que, embora o objeto da ação seja legalmente
admitido, a associação, para ter legitimidade ativa, deveria estar constituída há pelo menos um ano e este
requisito não pode, em tese, ser dispensado.
b) está em desacordo com a Lei, uma vez que, embora o requisito da pré-constituição possa, em tese, ser
dispensado pelo juiz em certos casos, o objeto da demanda não pode ser veiculado por meio de ação civil
pública.
c) pode ser legalmente conhecida e processada pelo Poder Judiciário, tendo em vista que o requisito da pré-
constituição está dentro das exigências legais e o objeto da ação é previsto na Lei.
d) pode ser legalmente conhecida e processada pelo Poder Judiciário, considerando que, nesse caso, o
requisito da pré-constituição pode ser dispensado pelo juiz e o objeto da ação não é vedado pela Lei.

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8. (2019/MP-SP/MP-SP/Promotor de Justiça) Com relação à participação popular no controle da


administração pública, assinale a alternativa INCORRETA.
a) É forma de participação democrática nos assuntos estatais a propositura de ação popular por qualquer
cidadão para anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada
má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.
b) Como uma das formas de participação popular no processo administrativo, a Lei Federal prevê que quem
comparecer à consulta pública passará a figurar na condição de interessado no processo, podendo examinar
os autos, participar de debates e oferecer alegações escritas.
c) A política urbana tem como diretriz, a ser observada na consecução de seus objetivos, a gestão demo-
crática por meio de participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da
comunidade na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de
desenvolvimento urbano.
d) O acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o
disposto no art. 5º, X e XXXIII, da Constituição Federal, traduz uma das formas de participação do usuário na
administração pública direta e indireta.
e) Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato pode, na forma da lei, denunciar irregulari-
dades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas.
9. (2018/CONSULPLAN/TJ-MG/Juiz de Direito) A Constituição prevê ações específicas de controle da
Administração Pública, às quais a doutrina se refere com a denominação de remédios constitucionais.
Quais seriam os remédios constitucionais passíveis de serem utilizados, individualmente, por qualquer
pessoa física?
a) Habeas corpus e querela nullitatis.
b) Ação rescisória e mandado de injunção.
c) Mandado de segurança individual e habeas data.
d) Ação popular e mandado de segurança individual.

10. (2018/CONSULPLAN/TJ-MG/Juiz de Direito) Em se tratando de mandado de segurança coletivo, é correto


afirmar que
a) o mandado de segurança coletivo induz litispendência para as ações individuais.
b) a impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados depende
da autorização destes.
c) a entidade de classe não tem legitimação para o mandado de segurança coletivo quando a pretensão
veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.
d) configura particularidade procedimental do mandado de segurança coletivo, a necessidade de oitiva
prévia da pessoa jurídica de direito público para o deferimento da medida liminar.

11. (2018/VUNESP/PREFEITURA DE SOROCABA-SP/Procurador) Assinale a alternativa que corretamente


discorre sobre o controle da Administração Pública.
a) O controle da legitimidade enseja a verificação, pelo órgão controlador, da existência, ou não, dos
princípios da adequação e da compatibilidade, referentes às despesas públicas.
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b) O controle financeiro é aquele exercido pelo Poder Executivo sobre o Legislativo e o próprio Executivo,
sobre sua própria administração no que se refere à receita, à despesa e à gestão dos recursos públicos.
c) Compete ao Tribunal de Contas da União fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela
União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal
ou a Município.
d) O controle judicial incide especificamente sobre a atividade administrativa do Estado, seja onde for que
esteja sendo desempenhada, alcançados os atos administrativos do Executivo, sem, contudo, examinar os
atos do Legislativo.
e) O Poder Judiciário pode controlar os atos internos e exclusivos do Poder Legislativo, também chamados
de interna corporis, quando contiverem vícios de ilegalidade ou de constitucionalidade, ou vulnerarem
direitos individuais.

12. (2018/VUNESP/TJ-RJ/Juiz Leigo) O chamado “ativismo judicial” sofre críticas de diversas origens baseadas
principalmente na ideia de que comprometeria a separação de poderes, representando uma interferência
indevida do Poder Judiciário sobre o mérito administrativo e sobre a ação política. A esse respeito, assinale
a afirmativa correta.
a) A legitimidade do Poder Judiciário para a realização do controle judicial de políticas públicas decorre de
ser o único poder da República constituído exclusivamente por agentes selecionados mediante concurso de
provas e títulos, o que assegura a sua neutralidade e imparcialidade.
b) Caso o Poder Executivo aja de modo irrazoável ou proceda com a clara intenção de neutralizar a eficácia
dos direitos sociais, econômicos e culturais, justifica-se a possibilidade de intervenção do Poder Judiciário
sobre a ação administrativa.
c) A Constituição Federal de 1988 não admite a interferência do Poder Judiciário no mérito administrativo,
de maneira que não merece prosperar ação judicial que pretende invalidar ato administrativo sob o
argumento de não ser razoável a escolha do Administrador.
d) Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, motivo pelo qual não podem ser objeto de
controle judicial, salvo em caso de flagrante ilegalidade.
e) A impossibilidade, definida pela Constituição Federal de 1988, de controle judicial de atos administrativos
é decorrência da máxima “the king can do no wrong”, introduzida no direito brasileiro por meio do
pensamento positivista de Benjamin Constant.

13. (2018/VUNESP/FAPESP/Procurador) O controle administrativo


a) é exercido por todos os Poderes sobre suas próprias atividades tanto sob o aspecto de legalidade quanto
em relação ao mérito.
b) deriva do poder-dever de polícia que a Administração Pública tem sobre os seus agentes.
c) permite que a Administração Pública anule os atos ineficientes ou inoportunos, revogue os atos ilegais ou
altere os seus próprios atos, mas não permite a aplicação de penalidades administrativas aos seus agentes.
d) é eminentemente político e é exercido pelos órgãos legislativos ou por comissões parlamentares sobre
atos do Poder Executivo.

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e) é exercido pelo Tribunal de Contas e se refere fundamentalmente à prestação de contas de todo aquele
que administra bens, valores ou dinheiros públicos.

14. (2018/FCC/DPE-AM/Defensor Público) O controle legislativo da Administração pública, exercido com o


auxílio dos Tribunais de Contas, autoriza
a) a anulação de contratos que envolvam despesas de custeio e investimentos, quando atingido o limite
máximo de comprometimento fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
b) a aplicação de sanções a agentes públicos que incorrerem em atos de improbidade, incluindo o
afastamento de suas funções.
c) a decretação de inidoneidade de Municípios que tenham praticado atos tendentes a fraudar procedimento
licitatório, impedindo abertura de novos certames.
d) o exame prévio de editais, com a suspensão do certame até que sejam sanadas eventuais irregularidades
identificadas.
e) o controle dos provimentos de cargos e funções em comissão, impedindo novas nomeações quando
extrapolada a proporção de 30% em relação aos cargos efetivos.

15. (2017/CESPE/DPE-AL/Defensor Público) À luz da jurisprudência dos tribunais superiores, assinale a opção
correta acerca das formas de ressarcimento do erário.
a) Fiscalização contábil e conclusão de procedimento junto ao tribunal de contas, com formação de título
executivo extrajudicial, impedirão a propositura de ação de improbidade administrativa.
b) O ressarcimento ao erário não depende da formação de título executivo de nenhuma natureza.
c) O ressarcimento do erário dá-se somente com a formação de um título executivo judicial, por intermédio
de ações coletivas.
d) Tanto o título executivo judicial quanto o extrajudicial formado no âmbito do tribunal de contas são
instrumentos hábeis para o ressarcimento ao erário, podendo os dois coexistir.
e) A fiscalização do tribunal de contas será obstada caso se ajuíze ação de improbidade administrativa com
o intuito de formar título executivo judicial para o ressarcimento do erário.

16. (2017/QUADRIX/CFO-DF/Procurador Jurídico) No que se refere ao controle da Administração Pública e à


improbidade administrativa, julgue o item a seguir.
De acordo com a CF, compete ao Tribunal de Contas da União sustar diretamente os contratos
administrativos que possam ter alguma irregularidade.
( ) Certo ( ) Errado

17. (2017/CESPE/MP-RR/Promotor) Com referência ao controle exercido pela administração pública, julgue
os seguintes itens.

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I - Segundo o STJ, o acesso do MP a informações inseridas em procedimentos disciplinares em tramitação


conduzidos pela OAB depende de prévia autorização judicial.
II - Segundo o STJ, o controle externo da atividade policial exercido pelo MP não lhe garante o acesso
irrestrito a todos os relatórios de inteligência produzidos pela polícia, mas somente àqueles de natureza
persecutório-penal relacionados com a atividade de investigação criminal.
III - Diante de razões de legalidade e de mérito, cabe recurso de decisões administrativas, o qual deverá ser
dirigido à autoridade superior àquela que tiver proferido a decisão.
IV - Em se tratando de ação popular, o MP deverá acompanhar a ação, sendo-lhe facultado assumir a defesa
de ato que eventualmente seja impugnado.
Estão certos apenas os itens
I e II.
I e IV.
II e III.
III e IV.
18. (2016/CESPE/PGE-AM/Procurador do Estado) Acerca do controle administrativo interno e externo, julgue
o item a seguir.
A CF atribui ao TCU a competência para a apreciação dos atos de concessão e renovação de concessão de
emissoras de rádio e televisão.

( ) Certo ( ) Errado

19. (2016/CESPE/PGE-AM/Procurador do Estado) Acerca do controle administrativo interno e externo, julgue


o item a seguir.
O controle administrativo interno é cabível apenas em relação a atividades de natureza administrativa,
mesmo quando exercido no âmbito dos Poderes Legislativo e Judiciário.

( ) Certo ( ) Errado

20. (2016/CESPE/PGE-AM/Procurador do Estado) Acerca do controle administrativo interno e externo, julgue


o item a seguir.
O CNJ é órgão externo de controle administrativo, financeiro e disciplinar do Poder Judiciário.
( ) Certo ( ) Errado

21. (2016/VUNESP/PREFEITURA DE ALUMÍNIO-SP/Procurador Jurídico) Com relação aos atos discricionários,


pode-se afirmar corretamente que o controle judicial
a) é possível, mas terá que respeitar a discricionariedade administrativa.
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b) é possível somente nas hipóteses em que se verifica um excesso de poder.


c) é possível, não existindo qualquer restrição ao Poder Judiciário.
d) não é possível, pois se alicerçam na oportunidade e conveniência da Administração.
e) é possível somente nas hipóteses em que se verifica um desvio de poder.

22. (2016/FCC/PGE-MT/Procurador) O Tribunal de Contas do Estado exerce relevante atividade visando à


observância dos princípios administrativos na condução dos negócios e na gestão do patrimônio público.
No exercício de suas funções, o Tribunal de Contas do Estado.
a) pode determinar o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras dos acusados
nos processos de tomada de contas.
b) produz atos administrativos com força de título executivo.
c) não possui jurisdição sobre os municípios, que estão sob controle externo dos Tribunais de Contas
municipais.
d) julga as contas do Governador do Estado, sendo sua decisão sujeita ao referendo pela Assembleia
Legislativa.
e) tem o poder de sustar imediatamente atos ou contratos considerados ilegais, caso o órgão ou entidade,
previamente notificados, não providenciem sua correção.

23. (2016/MPE-SC/MPE-SC /Promotor de Justiça) Qualquer cidadão será parte legítima para resguardar
judicialmente os bens necessários ao desempenho das funções públicas ou aqueles merecedores de
proteção especial em razão de seu valor à coletividade, podendo para tanto utilizar a ação popular sem
ter que, em qualquer caso, arcar com as custas judiciais e os ônus de sucumbência.
( ) Certo ( ) Errado

24. (2016/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) A fiscalização da administração pública quanto à legalidade,


legitimidade e economicidade de seus atos será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle
externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Há dever funcional dos responsáveis pelo
controle interno em comunicar qualquer irregularidade ao Tribunal de Contas do respectivo ente político,
sob pena de responsabilidade subsidiária.
( ) Certo ( ) Errado

25. (2016/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) Compete aos Tribunais de Contas julgar as contas dos
administradores públicos. No exercício desta competência, ele pode apreciar a constitucionalidade tanto
das leis quanto dos atos do poder público.
( ) Certo ( ) Errado

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26. (2016/FCC/PREFEITURA DE CAMPINAS-SP/Procurador) Os contratos celebrados pela Administração


pública municipal estão sujeitos a controle, não só interno, mas também externo. Dentre as possibilidades
deste controle destaca-se o controle exercido
a) pelos Tribunais de Contas, que podem ingressar no mérito dos atos e contratos, como medida de exame
de economicidade, bem como exercer competências sancionatórias e corretivas, desta sendo exemplo a
sustação de ato impugnado, ainda que seja necessária posterior comunicação ao Legislativo.
b) pelos Tribunais de Contas, desde que caracterizada a natureza de contrato administrativo nos quais a
Administração pública exerça prerrogativas típicas das cláusulas exorbitantes, para que se evidencie eventual
desatendimento aos princípios da economicidade, legalidade e isonomia.
c) pelo Poder Judiciário, na qualidade de verificação superior dos critérios de legalidade e economicidade ou
como instância revisora das decisões proferidas pelas Cortes de contas.
d) pelo Poder Legislativo, com auxílio dos Tribunais de Contas, aos quais compete a sustação da execução de
atos e contratos cuja irregularidade ou ilegalidade não tenha sido sanada pela Administração pública.
e) pela Administração pública central em relação aos contratos celebrados pelos entes integrantes da
Administração indireta, podendo, nos casos de ilegalidade não sanada pelo ente, determinar a sustação da
execução do ajuste.

27. (2016/IOBV/PREFEITURA DE CHAPECÓ-SC/Procurador Municipal) Assinale a alternativa incorreta:


a) As decisões administrativas do Tribunal de Contas que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia
de título executivo.
b) O Tribunal de Contas do Estado deve ter livre acesso às operações financeiras realizadas pelas entidades
de direito privado da Administração Indireta submetidas ao seu controle financeiro, porquanto são
operacionalizadas mediante o emprego de recursos de origem pública, não podendo haver oposição com
base no sigilo constitucional de dados.
c) Os responsáveis pelo controle interno de um Município, ao tomarem ciência de qualquer irregularidade
ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas do Estado, sob pena de responsabilidade solidária.
d) O Tribunal de Contas em tomada de contas especial pode decretar a quebra de sigilo bancário e
empresarial de particulares, uma vez que tal medida é feita com base na supremacia do interesse público
sobre o privado na fiscalização do interesse financeiro do Erário.

28. (2016/IOBV/PREFEITURA DE CHAPECÓ-SC/Procurador Municipal) Os Tribunais de Contas possuem


competência constitucional para, a exceção:
a) julgar as contas de quaisquer administradores, enquanto ordenadores de despesas de recursos públicos.
b) julgar as contas do Poder Legislativo.
c) julgar as contas do chefe do poder executivo.
d) julgar as contas do Poder Judiciário.

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29. (2016/TRF-4ª REGIÃO/TRF-4ª REGIÃO/Juiz Federal) Dadas as assertivas abaixo, assinale a alternativa
correta.
I. Ofende os princípios da antiguidade e da proporcionalidade a vedação de que, antes de completado
período mínimo de três anos, servidor federal dispute remoção para localidades que serão oferecidas a
novos concursados.
II. O Tribunal de Contas da União não dispõe, constitucionalmente, de poder para rever decisão judicial
transitada em julgado, nem para determinar a suspensão de benefícios garantidos por sentença transitada
em julgado, ainda que o direito reconhecido pelo Poder Judiciário não tenha o beneplácito da jurisprudência
prevalente no âmbito do Supremo Tribunal Federal.
III. O prazo decadencial para que a Administração anule ou revogue os próprios atos, previsto na Lei nº
9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, não se consuma
no período compreendido entre a concessão de aposentadoria ou pensão e o posterior julgamento de sua
legalidade e registro pelo Tribunal de Contas da União.
a) Estão corretas apenas as assertivas I e II.
b) Estão corretas apenas as assertivas I e III.
c) Estão corretas apenas as assertivas II e III.
d) Estão corretas todas as assertivas.
e) Nenhuma assertiva está correta.

30. (2016/FAURGS/TJ-RS/Juiz de Direito) Acerca do controle externo e interno da Administração Pública,


assinale a alternativa correta.
a) O controle externo dos Municípios onde não houver Tribunal de Contas ou Conselhos ou Tribunais de
Contas dos Municípios será exercido pelo respectivo Tribunal de Contas do Estado de cujas decisões cabe
recurso à Câmara Municipal.
b) As agências reguladoras integram o sistema de controle externo da administração pública direta e indireta
como auxiliares do Tribunal de Contas.
c) A Constituição Estadual, em função da autonomia dos Estados-membros, fixará o número de Conselheiros
do Tribunal de Contas do Estado.
d) O Tribunal de Contas, como auxiliar do controle externo, a cargo do Poder Legislativo e dele integrante,
será organizado segundo o modelo constitucional das corporações legislativas respectivas.
e) Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno,
com a finalidade de, entre outras, apoiar o controle externo no exercício da sua missão institucional.

31. (2016/VUNESP/PREFEITURA DE SERTÃOZINHO-SP/Procurador)Julgar as contas dos administradores e


demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da Administração direta e indireta, incluídas
as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, e as contas daqueles que derem
causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público é competência
constitucionalmente atribuída ao
a) Poder Judiciário de âmbito Estadual, aos juízes vinculados ao Tribunal de Justiça do respectivo Estado.
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b) Poder Judiciário de âmbito Federal, aos juízes vinculados ao Tribunal Regional Federal daquela Região.
c) Tribunal de Contas que atue no âmbito daquele ente federativo.
d) sistema de controle interno de cada Poder.
e) controle externo a cargo do Poder Legislativo, que será exercido com o auxílio do Ministério Público.

32. (2016/CESPE/TJ-AM/Juiz de Direito) Acerca do controle da administração pública, assinale a opção correta:
a) Não cabe mandado de segurança contra ato de gestão comercial praticado por administrador de empresa
pública, de sociedade de economia mista ou de concessionária de serviço público.
b) É exemplo de controle constitucional interno a determinação de que as contas dos municípios fiquem à
disposição dos contribuintes, para exame e apreciação, durante sessenta dias a cada ano, podendo o
contribuinte questionar-lhes a legitimidade.
c) A CF não prevê expressamente que o Poder Legislativo possa fiscalizar e controlar diretamente os atos da
administração indireta.
d) A recusa da administração em corrigir dados incorretos, por solicitação da pessoa interessada, natural ou
jurídica, é condição de procedibilidade para o ajuizamento de habeas data.
e) Qualquer pessoa física ou jurídica é parte legítima para propor ação popular que vise anular ato lesivo ao
patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.

33. (2016/VUNESP/PREFEITURA DE ROSANA-SP/Procurador Municipal) O controle externo da Administração


Pública do Município de Rosana, a cargo da Câmara Municipal, será exercido com o auxílio do Tribunal de
Contas do Estado de São Paulo, ao qual compete:
a) julgar as contas do Prefeito Municipal, dos administradores e dos demais responsáveis por dinheiros, bens
e valores públicos da administração direta e indireta municipal.
b) fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União, mediante convênio, acordo, ajuste ou
outros instrumentos congêneres, para a Municipalidade de Rosana.
c) constatada ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas no âmbito Municipal, aplicar as sanções
previstas em lei, entre elas, a multa proporcional ao dano causado ao erário e a inelegibilidade pelo prazo
de quatro (4) a oito (8) anos.
d) assinar prazo para que a Municipalidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei,
se verificada ilegalidade, sustando, se não atendido, os atos ou contratos eivados de ilegalidade.
e) apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na
administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público Municipal,
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão.

34. (2016/UECE-CEV/DER-CE/Procurador) Assinale a opção que apresenta uma espécie de controle da


Administração Pública.
a) Tribunal de Contas.

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b) Corregedoria.
c) Congresso Nacional.
d) Assembleia Legislativa.

35. (2016/FAU/PREFEITURA DE CHOPINZINHO-PR/Procurador) O controle administrativo pode ser entendido


como uma a faculdade de vigilância, orientação e correção que um Poder, órgão ou autoridade exerce
sobre a conduta funcional de outro. No que concerne ao tema em epígrafe, é CORRETO afirmar que:
a) De acordo com a Constituição Federal, os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento
de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de
ser reconhecida sua responsabilidade subsidiária.
b) O controle de legalidade e legitimidade somente verifica a compatibilidade entre o ato e o disposto na
norma legal positivada, sem contudo apreciar os aspectos relativos à observância obrigatória dos princípios
administrativo.
c) Os atos administrativos podem ser anulados e revogados mediante o exercício do controle judicial.
d) O controle externo ocorre quando um Poder exerce controle sobre os atos administrativos praticados por
outro Poder, podendo citar como exemplo a apreciação das contas do Executivo e do Judiciário pelo
Legislativo.
e) O controle que as chefias exercem nos atos de seus subordinados dentro de um órgão público é
considerado um controle externo.

36. (2016/VUNESP/PREFEITURA DE VÁRZEA PAULISTA-SP/Procurador Jurídico) No que concerne ao controle


judicial dos atos administrativos, é correto afirmar que o Brasil adota o Sistema
a) do Contencioso Administrativo, podendo ser preventivo ou corretivo e decorrente de ações
constitucionais: habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação popular e
ação civil pública.
b) do Contencioso Administrativo, podendo ser unicamente corretivo e decorrente de ações constitucionais:
habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação popular e ação civil pública.
c) misto (Contencioso Administrativo e Unidade de Jurisdição), podendo ser preventivo ou corretivo e
decorrente de ações constitucionais: habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de
injunção, ação popular e ação civil pública.
d) da Unidade de Jurisdição, podendo ser preventivo ou corretivo e decorrente de ações constitucionais:
habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação popular e ação civil pública.
e) da Unidade de Jurisdição, podendo ser unicamente corretivo e decorrente de ações constitucionais:
habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação popular e ação civil pública.

37. (2016/MPE-RS/MPE-RS/Promotor de Justiça) Em relação ao controle e fiscalização da administração


municipal, assinale a alternativa correta .
a) É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.
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b) A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e
pelos sistemas de controle interno do Poder Legislativo Municipal, na forma da lei.
c) O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar,
só deixará de prevalecer por decisão da maioria absoluta dos membros da Câmara Municipal.
d) Na apreciação das contas de gestão do Prefeito Municipal é vedada a imposição de multa ou a
determinação de ressarcimento ao erário, o que dependerá de sentença judicial transitada em julgado.
e) Ao flagrar falhas relacionadas a ato de admissão de pessoal no âmbito do Município, o Tribunal de Contas
exonerará imediatamente o servidor indevidamente nomeado.

38. (2015/CESPE/DPE-RN/Defensor Público) Tendo em vista que, relativamente aos mecanismos de controle
da administração pública, a própria CF dispõe que os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão,
integradamente, sistemas de controle interno em suas respectivas esferas, assinale a opção que apresenta
exemplo de meio de controle interno da administração pública .
a) Fiscalização realizada por órgão de controladoria da União sobre a execução de determinado programa
de governo no âmbito da administração pública federal.
b) Controle do Poder Judiciário sobre os atos do Poder Executivo em ações judiciais.
c) Sustação, pelo Congresso Nacional, de atos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar.
d) Julgamento das contas dos administradores e dos demais responsáveis por dinheiro, bens e valores
públicos da administração direta e indireta realizado pelos TCs.
e) Ação popular proposta por cidadão visando à anulação de determinado ato praticado pelo Poder Executivo
municipal, considerado lesivo ao patrimônio público.

39. (2015/ESAF/PGFN/Procurador da Fazenda Nacional) O Prefeito do Município X decidiu construir, defronte


à sede da Prefeitura, um monumento em homenagem a seu avô, fundador da universidade local. A obra
teria 20 metros e seria esculpida em mármore e aço. A associação de pais de crianças portadoras de
necessidades especiais ajuizou ação civil pública para impedir a construção do monumento, sob a alegação
de que os recursos envolvidos na aludida homenagem seriam suficientes para a reforma e adaptação de
acessibilidade das escolas municipais, de forma a proporcionar o pleno acesso de pessoas com deficiência.
Os procuradores do município argumentaram que a construção do monumento visa a preservar a memória
da cidade, bem como que a alocação de recursos seria ato discricionário do Prefeito. Diante do relatado e
com base na jurisprudência atual sobre o controle jurisdicional da administração pública, assinale a opção
correta.
a) O ato do Prefeito, embora discricionário, é passível de controle pelo Poder Judiciário, a fim de que este
avalie a conformidade desse ato com os mandamentos constitucionais.
b) O Poder Judiciário, se entender pela violação a princípio da administração pública, poderá revogar o ato
administrativo expedido pelo Prefeito.
c) O ato discricionário não é sindicável pelo Poder Judiciário.
d) Neste caso, o Poder Judiciário poderá decidir pela alteração do projeto e do material a ser utilizado no
monumento, de forma a diminuir os custos da obra.

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e) A associação de pais de crianças portadoras de necessidades especiais não tem legitimidade para ajuizar
ação civil pública.

40. (2015/TRT-16ª REGIÃO/TRT-16ª REGIÃO (MA)/Juiz do Trabalho) Considerando as afirmações abaixo,


assinale a alternativa CORRETA:
I. Como regra, no tocante ao exercício da competência discricionária, a revisão dos atos administrativos pelo
Poder Judiciário está adstrita a seus elementos vinculados. Havendo litígio sobre a correta subsunção do caso
concreto a um suposto conceito jurídico indeterminado, caberá ao Judiciário tão somente conferir se a
Administração se manteve no espectro significativo de sua aplicação.
II. O âmbito do controle judicial dos atos administrativos, antigamente reconduzido à verificação de
legalidade desses atos, executável, predominantemente, por meio do método silogístico, usado em função
da estrutura da regra jurídica, amplia-se para o controle da constitucionalidade dos atos administrativos, que
se operacionaliza também por intermédio de outros métodos impostos pela adoção da fonte atualmente
hegemônica do Direito – os princípios, estruturalmente distintos das regras. Cabe ao Poder Judiciário, além
da aferição da legalidade dos atos administrativos – de sua conformidade com as regras jurídicas -, o controle
de juridicidade, isto é, a verificação de sua compatibilidade com os demais princípios da Administração
Pública que se encontram positivados na Lei Fundamental.
III. Em razão da necessidade de se prestigiar a segurança jurídica, a anulação do ato administrativo opera,
em regra, sob efeitos ex nunc.
IV. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que, em regra, não compete ao Poder Judiciário apreciar
critérios de formulação e correção de provas de concursos. Com efeito, em respeito ao princípio da
separação de poderes consagrado na Constituição Federal, é da banca examinadora desses certames a
responsabilidade pelo seu exame.
a) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
b) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
c) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas.
d) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.

41. (2015/CESPE/TJ-PB/Juiz de Direito) A respeito de atos administrativos e institutos correlatos, assinale a


opção correta à luz da legislação e da jurisprudência dos tribunais superiores.
a) Situação hipotética: Durante a fase de avaliação psicológica de um concurso público, determinado
candidato foi considerado inapto sem que lhe fosse apresentada uma justificativa e, sentindo-se injustiçado,
ele ajuizou ação contra a decisão que o reprovou. Assertiva: Nessa situação, o magistrado deverá reconhecer
a legitimidade do ato da administração pública porque, segundo a jurisprudência do STF, a avaliação
psicológica pode estar pautada em critérios subjetivos que não precisam constar de laudo motivado.
b) Em uma ação judicial, caso considere legítimo ato da administração pública que tenha anulado a
revogação de outro ato administrativo, o juiz deverá reconhecer que a anulação do ato administrativo de
revogação produz efeitos ex tunc.

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c) Embora o ato administrativo complexo dependa, para a sua formação, da conjugação de vontades de mais
de um órgão da administração pública, sua revogação ocorre mediante a vontade de apenas um dos órgãos
envolvidos.
d) Situação hipotética: A administração pública promoveu, em ato próprio, servidor público estadual na
carreira. Após um ano, a própria administração reviu a decisão, reconhecendo a ilegalidade do ato e
determinando a restituição dos valores indevidamente recebidos. O servidor, por sua vez, ajuizou ação para
evitar a devolução das quantias recebidas, de boa-fé, por ele. Assertiva: Nessa situação, o juiz deverá
reconhecer a legitimidade do ato praticado pela administração pública, que pode rever seus atos quando
eivados de ilegalidade e tem o direito de reaver os valores pagos ao servidor em decorrência da promoção.
e) Situação hipotética: Em um estado da Federação, alguns indivíduos, sem vínculo com a administração
pública, foram nomeados pelo governador para o exercício de funções de confiança. O MP estadual ajuizou
ACP requerendo a anulação das nomeações sob o fundamento de que apenas servidores de carreira
poderiam ser nomeados. Assertiva: Nessa situação, o juiz deverá reconhecer a regularidade da atuação da
administração pública, já que as funções de confiança não são exercidas exclusivamente por servidores
ocupantes de cargos efetivos.

42. (2015/CESPE/TJ-PB/Juiz de Direito - Adaptada) Acerca do controle jurisdicional dos atos administrativos,
assinale a opção correta.
a) As ações judiciais de controle dos atos da administração pública não podem ser manejadas se a lesão a
interesse particular for apenas potencial e não efetiva.
b) Caso um particular a quem a administração pública tenha negado pedido de acesso a informação de
interesse coletivo impetre habeas data para pedir que a justiça lhe garanta essa informação, o juiz que
receber a causa deverá admitir a ação e decidir em favor do autor.
c) Para ser admitida pelo juiz, é dispensável que a ação popular comprove a ilegalidade e a lesividade do ato
administrativo que constitua seu objeto.
d) Deve ser considerada inadmissível uma ACP ajuizada por sociedade de economia mista contra ato
administrativo supostamente lesivo ao meio ambiente, uma vez que essa espécie de sociedade carece de
legitimidade para a propositura desse tipo de ação.
e) Situação hipotética: Leandro participou de concurso público em que concorreu a vaga destinada a pessoa
com deficiência, mas foi eliminado por laudo pericial da administração pública que alegava ausência de
deficiência. Inconformado, ele impetrou mandado de segurança contra a decisão, juntando aos autos laudo
pericial particular que contradizia o laudo da administração. Assertiva: Nessa situação, foi adequada a
impetração do mandado de segurança, e o juiz deverá designar perito para a realização de avaliação judicial
definitiva.

43. (2015/NC-UFPR/PREFEITURA DE CURITIBA-PR/Procurador) Sobre o controle da Administração Pública,


assinale a alternativa correta.
a) Entre os vários instrumentos de controle administrativo da Administração Pública, são admitidos a
representação, a reclamação e o mandado de segurança.
b) Os Tribunais de Contas têm por dever constitucional apreciar as contas do Poder Legislativo, emitindo
parecer prévio no prazo de 60 dias a contar do seu recebimento.
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c) Os Tribunais de Contas, no exercício de suas competências constitucionais, está expressamente proibido


de sustar a execução de atos impugnados, pois essa competência é privativa do Poder Legislativo.
d) Estão eximidas de prestar contas as entidades privadas que, mesmo sendo beneficiárias de recursos
públicos, aplique-os em finalidade pública.
e) A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial das pessoas jurídicas de direito
público interno e de suas administrações direta e indireta é feita pelo Poder Legislativo, pois, entre outras,
cabe-lhe a atribuição do controle externo.

44. (2015/FCC/TCM-RJ/Procurador) O Tribunal de Contas da União, em regular análise, constatou que um


contrato firmado entre a autarquia federal responsável pelas obras rodoviárias e a empresa vencedora da
concorrência realizada para duplicação de uma rodovia interestadual possuía graves e patentes
incompatibilidades entres os cronogramas físico e financeiro. A autarquia prestou esclarecimentos, todos,
contudo, insatisfatórios. Não encontrando outra solução além do término do contrato, o Tribunal
a) pode anular o contrato por decisão do Pleno do Tribunal e determinar ao ente público, autarquia, a
ratificação da anulação e comunicação à empresa, sem prejuízo de regular apuração de responsabilidades.
b) deve determinar a anulação do contrato, por vício de legalidade, comunicando a autarquia para que o
faça e, na inércia, representar ao Ministério Público para as providências judiciais para aquela finalidade,
sem prejuízo de apuração de responsabilidade dos envolvidos.
c) deve sustar o ato eivado de vício de legalidade e comunicar a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado
Federal, sem prejuízo de notificar a autarquia e a empresa envolvida.
d) pode determinar o aditamento do contrato para correção das ilegalidades apuradas, independentemente
do que constou como anexo do edital da concorrência, tendo em vista que podem ser equiparadas a erro
material.
e) deve representar ao Ministério Público do Tribunal de Contas para que adote as providências cabíveis para
anulação judicial do contrato e responsabilização dos envolvidos.

45. (2015/FMP-CONCURSOS/TJ-MT/Juiz de Direito) Em face da formação histórica do Direito Administrativo


e do modelo de Estado vigente, é correto afirmar que:
a) a noção de coisa julgada nas esferas administrativa e judicial tem a mesma dimensão e conteúdo.
b) as decisões proferidas por órgãos públicos de natureza superior não podem ser revistas pelo Poder
Judiciário.
c) o processo administrativo somente pode ser instaurado mediante provocação do interessado, por
representação escrita endereçada ao agente competente para a solução da controvérsia.
d) o regime jurídico juspublicista, no todo ou em parte, somente pode ser aplicado às pessoas jurídicas de
direito público.
e) tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a Administração
Pública, a atividade não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins,
de natureza pública.

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46. (2015/INTEGRI/PREFEITURA DE SALESÓPOLIS-SP/Procurador) Com relação ao mandado de segurança,


analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta:
I - Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de
empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público.
II - Em caso de urgência, é permitido, observados os requisitos legais, impetrar mandado de segurança por
telegrama, radiograma, fax ou outro meio eletrônico de autenticidade comprovada, devendo o texto original
da petição ser apresentado em até 7 (sete) dias úteis.
III - Não se concederá mandado de segurança quando se tratar: (i) de ato do qual caiba recurso administrativo
com efeito suspensivo, independentemente de caução; (ii) de decisão judicial da qual caiba recurso com
efeito suspensivo; (iii) de decisão judicial transitada em julgado.
IV - Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, qualquer delas poderá requerer o
mandado de segurança.
a) Todas as afirmativas estão corretas.
b) Somente a afirmativa II está incorreta.
c) Somente a afirmativa I está incorreta.
d) Somente a afirmativa IV está incorreta.

47. (2015/VUNESP /PREFEITURA DE CAIEIRAS-SP/Procurador) Unidade da Prefeitura Municipal de Caieiras


realiza licitação e contrata empresa privada para a prestação de determinado serviço. Auditoria do
Tribunal de Contas do Estado de São Paulo verifica que o pagamento realizado à empresa contratada foi
40% (quarenta por cento) maior do que o devido, considerando a despesa ilegal. Como consequência de
tal constatação em controle externo, poderá o Tribunal de Contas
a) determinar ao Prefeito Municipal que afaste, de imediato, os responsáveis de suas funções, enquanto o
Tribunal de Contas realiza o processo disciplinar.
b) aplicar aos responsáveis as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa
proporcional ao dano causado ao erário.
c) informar a Câmara Municipal, para que delibere a respeito, juntamente com as informações anuais
prestadas sobre a fiscalização orçamentária, contábil e financeira.
d) encaminhar as informações, em forma de denúncia, para que a Câmara Municipal apure a
responsabilidade dos servidores municipais que deram causa à irregularidade.
e) rejeitar as contas do Prefeito Municipal, encaminhando as informações ao Ministério Público Estadual,
para propositura de ação de improbidade contra o Prefeito Municipal.

48. (2015/CESPE/DPE-PE/Defensor Público) No que se refere ao controle da administração pública, julgue o


seguinte item. Por ser um órgão constitucional autônomo, a DP não está sujeita a controle interno de suas
funções administrativas.
( ) Certo ( ) Errado

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49. (2015/CESPE/TRF-1ª REGIÃO/Juiz Federal) Considerando o controle administrativo, a ação popular e a


improbidade administrativa, assinale a opção correta .
a) Os atos de improbidade administrativa que causam prejuízo ao erário relacionam-se à ação ou omissão
que acarreta perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres
da administração pública por meio de conduta dolosa, não admitindo a forma culposa.
b) O controle administrativo, como a prerrogativa reconhecida à administração pública para fiscalizar e
corrigir a sua própria atuação, restringe-se à avaliação da conveniência e oportunidade relativas à edição do
ato administrativo discricionário (controle de mérito).
c) O TCU, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade dos atos administrativos do
poder público, mas não a constitucionalidade das leis.
d) Os casos de controle legislativo sobre o Poder Executivo devem constar expressamente da CF, pois
consagram exceções ao princípio da separação de poderes, não se admitindo, assim, a sua ampliação por
meio da legislação infraconstitucional.
e) O cidadão possui legitimidade ativa e capacidade postulatória para a propositura de ação popular,
independentemente da assistência de advogado.

50. (2014/CESPE/TJ-DFT/Juiz de Direito) Conforme entendimento jurisprudencial do STF e do STJ, assinale a


opção correta considerando os temas improbidade administrativa e as formas de controle da
administração pública.
a) Qualquer pessoa, física ou jurídica, detém legitimidade para a propositura de ação popular.
b) Caso haja apenas indícios de cometimento de atos de improbidade administrativa, a petição inicial da
respectiva ação não deve ser recebida pelo Poder Judiciário, em decorrência da aplicação do princípio
constitucional da presunção de inocência.
c) É possível a demissão de servidor por improbidade administrativa por meio de PAD, independentemente
de ação judicial, caso existam elementos comprobatórios da prática de ato de improbidade.
d) O MP não tem legitimidade para ajuizar ACP referente a ato de improbidade administrativa que envolva
questões tributárias em sua causa de pedir.
e) Ação popular que tenha por fundamento improbidade administrativa do presidente da República será de
competência originária do STF.

51. (2014/FGV/PGM-NITERÓI/Procurador Municipal) Sobre sistemas de controle interno e externo, assinale V


para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.
( ) O controle orçamentário destina-se a fiscalizar e a corrigir as infrações às leis de meios, ao orçamento
plurianual, às diretrizes orçamentárias e ao orçamento anual, zelando pela legalidade e pela legitimidade da
disposição do dinheiro público.
( ) Com relação aos Municípios, a fiscalização é exercida pelo Poder Executivo Municipal na forma da lei, e o
controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio do Tribunal dos Estados.
( ) A prestação de contas dos Tribunais de Contas dos Municípios, que são órgãos estaduais (Art. 31, § 1º da
CF), há de se fazer perante a Assembleia Legislativa do Estado- membro.
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As afirmativas são, respectivamente,


a) F, V e V.
b) V, F e F.
c) F, V e F.
d) V, V e F.
e) F, F e V.

52. (2014/FCC/TRT-1ª REGIÃO (RJ)/Juiz do Trabalho) A União decidiu implementar um amplo programa de
privatizações de empresas estatais. Ocorre que determinada parcela da população mostrou-se
inconformada com essa diretriz política, vislumbrando potencial lesividade ao patrimônio público.
Considerando os meios de controle jurisdicional dos atos administrativos e seus limites, afigura-se
juridicamente viável
a) discussão do mérito do programa por qualquer cidadão, em Mandado de Segurança, quando configurada
lesão ou ameaça de lesão a interesses difusos ou coletivos.
b) pedido de suspensão do programa, em sede de Mandado de Injunção, quando vislumbrada ausência de
autorização legal específica para sua implementação.
c) pedido de anulação, por um único cidadão no uso de seus direitos políticos, mediante Ação Popular, em
relação a atos concretos praticados pela União para implementação do programa, quando identificada
ilegalidade e lesividade do ato.
d) a impetração de mandado de segurança coletivo, contra ato da autoridade federal passível de configurar
abuso de poder, com competência exclusiva de partido político, em face de matéria discutida que envolve
programa de governo.
e) aforamento por cidadãos, representando pelo menos 1% dos eleitores, de Ação Popular objetivando a
anulação da decisão lesiva, por ilegalidade ou afronta à moralidade.

53. (2014/CEC/PREFEITURA DE PIRAQUARA-PR/Procurador Municipal) O Vice-prefeito do Município de Pipoca


do Oeste contratou seu cunhado para o cargo de assessor de gabinete, seu sogro para o cargo de motorista
e seu irmão para o cargo de assistente administrativo. Considere que esses três cargos sejam
comissionados e vinculados à Administração municipal de Pipoca do Oeste. Considerando que a Súmula
Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal dispõe que: “a nomeação de cônjuge, companheiro ou
parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante
ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o
exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública
direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal”, assinale a
alternativa correta.
a) Súmulas vinculantes devem ser observadas pelo Poder Executivo; assim, contra a conduta do Vice-prefeito
cabe reclamação ao Supremo Tribunal Federal, que poderá anular as três contratações.
b) O caso em questão não viola súmula vinculante, pois as contratações se deram em âmbito municipal.

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c) Súmulas vinculantes devem ser observadas pelo Poder Executivo; assim, contra a conduta do Vice-prefeito
cabe recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal, que poderá anular as três contratações.
d) Referidas súmulas vinculam apenas o Poder Judiciário e o Poder Legislativo, não produzindo efeitos em
face do Poder Executivo.
e) Em respeito ao princípio constitucional da separação dos Poderes, súmulas vinculantes, por serem
editadas pelo Supremo Tribunal Federal, não podem atingir os Poderes Executivo e Legislativo.

54. (2014/VUNESP/TJ-SP/Juiz de Direito) O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo funciona como órgão
auxiliar
a) da Câmara Municipal da Capital do Estado de São Paulo, ou seja, do Poder Legislativo do Município da
Capital.
b) do Governo do Estado de São Paulo, ou seja, do Poder Executivo.
c) da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, ou seja, do Poder Legislativo estadual.
d) do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ou seja, do Poder Judiciário.

55. (2014/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) Analise o enunciado da Questão abaixo e assinale se ele é


Certo ou Errado.
Manejando a ação popular, o cidadão eleitor faz-se parte legítima para pleitear a anulação ou a declaração
de nulidade de atos lesivos ao patrimônio público, assim como a declaração de inconstitucionalidade de lei
em tese.
( ) Certo ( ) Errado

56. (2014/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) O Tribunal de Contas é órgão provido de autonomia


constitucional, exerce função auxiliar do Poder Legislativo e sua atuação fiscalizatória integra o chamado
controle externo da Administração Pública.
( ) Certo ( ) Errado

57. (2014/VUNESP/SAAE-SP/Procurador Jurídico) O controle externo da Administração Pública pode ser exer-
cido, em alguns casos, diretamente pelo Congresso Nacional, sendo uma hipótese de controle exercido
exclusivamente pelo Senado Federal
a) a sustação de atos e contratos.
b) a convocação de Ministro para prestar informações.
c) o julgamento das contas do Presidente da República.
d) a autorização para realização de operação externa de natureza financeira pela União.
e) a emissão de parecer prévio sobre as contas do Presidente da República.

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58. (2014/VUNESP/PREFEITURA DE POÁ-SP/Procurador Jurídico) Assinale a alternativa que contempla um dos


meios de controle externo popular da Administração Pública.
a) Hierarquia no serviço público.
b) Mandado de segurança.
c) Ação penal pública.
d) Veto do Chefe do Poder Executivo.
e) Auditoria do Tribunal de Contas.

59. (2014/VUNESP/PGM-SP/Procurador Municipal) Após a emissão de parecer prévio e do julgamento das


contas do Município, o Tribunal de Contas do Município
a) pode, a pedido da Câmara dos Vereadores, reexaminar as contas municipais para apurar irregularidades
constatadas posteriormente.
b) pode reexaminar as contas, desde que haja representação de 2/3 dos eleitores do município.
c) pode, a pedido de novo prefeito, reexaminar as contas municipais para apurar fatos novos.
d) não pode reexaminar as contas já aprovadas, em razão da coisa julgada.
e) não pode reexaminar as contas já aprovadas, pelo fim de sua jurisdição.

60. (2014/CESPE/TCE-PB/Procurador) No exercício do controle político da administração pública, compete;


a) às CPIs apurar irregularidades e determinar sanções.
b) ao Congresso Nacional sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder
regulamentar, sustando, se for o caso, seus efeitos independentemente de prévia manifestação do Poder
Judiciário.
c) ao Senado Federal ou à Câmara dos Deputados — excetuadas suas comissões — convocar titulares de
órgãos diretamente subordinados à Presidência da República.
d) privativamente ao Congresso Nacional e ao Senado Federal apreciar, a priori, os atos do Poder Executivo.
e) ao Senado Federal dispor, por proposta do presidente da República, sobre limites globais e condições para
a operação de créditos externo e interno da União, dos estados, dos municípios e do DF, exceto das
autarquias.

61. (2014/FMP CONCURSOS/PGE-AC/Procurador do Estado) Sobre o controle da Administração, assinale a


afirmativa CORRETA.
a) As multas atribuídas pelo TCE, em razão de irregularidade na prestação de contas de um secretário de
Estado, podem ser cobradas pela PGE.
b) As indenizações derivadas de ato de improbidade praticado por um prefeito, com a consequente
condenação pelo TCE, podem ser cobradas pela PGE.
c) As decisões do TCE não geram título hábil para o processo executivo.
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d) As multas atribuídas pelo TCE, em razão de irregularidade na prestação de contas de um prefeito, podem
ser objeto de revisão judicial.
.

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10.2 – GABARITO

1. B 22. B 43. E
2. B 23. ERRADO 44. B
3. D 24. ERRADO 45. E
4. D 25. CERTO 46. B
5. E 26. A 47. B
6. B 27. D 48. ERRADO
7. B 28. C 49. D
8. B 29. D 50. C
9. C 30. E 51. B
10. D 31. C 52. C
11. C 32. ANULADA 53. A
12. B 33. E 54. C
13. A 34. B 55. ERRADO
14. D 35. D 56. CERTO
15. D 36. D 57. D
16. ERRADO 37. A 58. B
17. A 38. A 59. A
18. ERRADO 39. A 60. B
19. CERTO 40. B 61. A
20. ERRADO 41. B
21. A 42. C

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10.3-QUESTÕES RESOLVIDAS E COMENTADAS

1. (2018/FUMARC/PC-MG/Delegado de Polícia) Sobre o controle administrativo da Administração


Pública, NÃO é correto afirmar:
(A) É um controle de legalidade e de mérito.
(B) Pode ocorrer por iniciativa da própria administração, mas não pode ser deflagrado mediante provocação
dos administrados.
(C) Quanto à natureza do órgão controlador, se divide em legislativo, judicial e administrativo.
(D) Tem por finalidade confirmar, alterar ou corrigir condutas internas, segundo aspectos de legalidade ou
de conveniência para a Administração.

Comentários

Correta a alternativa “a” porque o controle administrativo da Administração Pública, cabe dizer, aquele
exercido internamente pelo Poder Executivo ou internamente por órgãos administrativos dos Poderes
Legislativo e Judiciário, tem competência para avaliar a legalidade e a conveniência e oportunidade (mérito)
do ato. Nessa linha, reitera-se a súmula 473 do STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando
eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a
apreciação judicial.

Incorreta a alternativa “b” porque, tendo sido noticiado por qualquer administrado, com base no direito de
petição (art. 5º, inciso XXXIV, da CRFB), eventual irregularidade ou inconveniência de ato praticado pela
Administração Pública ou seus agentes, podem ser iniciadas internamente pelos órgãos de controle ações
para apuração da ilegalidade ou para avaliação da conveniência e oportunidade de manutenção do ato. Das
apurações poderão advir a confirmação do ato, a sua alteração ou medidas de correção.

Correta a alternativa “c”. Nas palavras do professor José dos Santos Carvalho Filho: “Na classificação dos
controles quanto à natureza do órgão controlador, dividimos o controle em legislativo, judicial e
administrativo” (Manual de Direito Administrativo, 31ª edição, página 1007).

Correta a alternativa “d”. Novamente nas palavras do professor José dos Santos Carvalho Filho: “São três os
objetivos do controle administrativo. O primeiro deles é o de confirmação (...). O segundo é o de correção
(...). Finalmente o de alteração (...)” (Manual de Direito Administrativo, 31ª edição, página 1008). Além disso,
compete ao controle administrativo avaliar a legalidade e a conveniência e oportunidade (mérito) do ato.

Gabarito “b”
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2. (2013/COPS-UEL/PC-PR/Delegado) A administração pública direta e indireta recebe o controle


externo, relacionado à fiscalização contábil, financeira, orçamentária e patrimonial. Assinale a
alternativa que apresenta, corretamente, o órgão que exerce esse controle.
a) Poder Executivo com o auxílio do Poder Judiciário.
b) Poder Legislativo com o auxílio do Tribunal de Contas.
c) Poder Legislativo com o auxílio do Poder Judiciário.
d) Poder Judiciário com o auxílio do Tribunal de Justiça.
e) Poder Judiciário com o auxílio do Tribunal de Contas.

Comentários

A questão demanda conhecimento literal do caput dos artigos 70 e 71 da Constituição:

Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e


das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade,
economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso
Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.

[...]

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União [...].

Percebe-se que o art. 70 atribui ao Congresso Nacional (Poder Legislativo, portanto) a titularidade do
controle externo contábil, financeiro, orçamentário, operacional e patrimonial. Já o art. 71 estipula que tal
tarefa será exercida com o auxílio do Tribunal de Contas da União.

Diante disso, apenas a alternativa “b” se adequa à previsão constitucional.

Resposta: alternativa “b”.

3. (2019/VUNESP/Prefeitura São José do Rio Preto - SP/Procurador do Município) Acerca do controle


externo da Administração Pública, é correto afirmar:
a) dentre outras atribuições, o Tribunal de Contas da União poderá, se verificar ilegalidade, assinar prazo
para que o órgão ou entidade fiscalizada adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei;
não atendido o referido prazo, poderá desde logo sustar contrato impugnado, comunicando a decisão à
Câmara dos Deputados e ao Senado Federal.
b) dentre outras atribuições, compete ao Tribunal de Contas da União aplicar aos responsáveis, em caso de
ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre
outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário, a ser ratificada no Poder Judiciário, após
assegurados, às partes assim apenadas, a ampla defesa e o direito ao contraditório.

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c) o controle externo da União e das entidades da Administração direta e indireta, quanto à legalidade,
legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercido pelo Tribunal
de Contas da União e supletivamente pelo Congresso Nacional.
d) dentre outras atribuições, compete ao Tribunal de Contas da União, em auxílio ao controle externo a cargo
do Congresso Nacional, apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente, julgar as contas dos
administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da Administração direta e
indireta, e realizar inspeções e auditorias de diversas naturezas nas unidades administrativas de quaisquer
dos poderes da União.
e) a organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal serão
estabelecidas pelas Constituições estaduais, podendo ou não, conforme opção do constituinte estadual,
orientar-se pelas normas aplicáveis ao Tribunal de Contas da União.

Comentários

Incorreta a alternativa “a”. De acordo com a CRFB (art. 71, IX) é dever do Tribunal de Contas assinar prazo
para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada
ilegalidade. Porém, de acordo com art. 71, X, o Tribunal de Contas da União poderá desde logo sustar a
execução do ato (e não contrato) administrativo. Os contratos administrativos serão sustados por ato
diretamente pelo Congresso Nacional, o qual solicita ao Poder Executivo as medidas cabíveis, conforme §1º
do mesmo artigo.

Incorreta a alternativa “b”. Não há previsão constitucional sobre ratificação pelo Poder Judiciário a respeito
dos atos do Tribunal de Contas da União. Conforme o art. 71, VIII, compete ao Tribunal de Contas “aplicar
aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em
lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário.”

Incorreta a alternativa “c”. O controle externo é responsabilidade do Congresso Nacional, porém ele é
exercido com auxílio do Tribunal de Contas da União, conforme art. 71 da CRFB.

Correta a alternativa “d”. Consoante art. 71, I, II e IV da CRFB: “O controle externo, a cargo do Congresso
Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete: (I) apreciar as contas
prestadas anualmente pelo Presidente da República, (...); (II) julgar as contas dos administradores e demais
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta (...) e (IV) realizar (...)
inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas
unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no
inciso II.”

Incorreta a alternativa “e”. De acordo com o art. 75 da CRFB, não há opção de escolha: “as normas
estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização, composição e fiscalização dos Tribunais
de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios”.

Resposta: alternativa “d”.

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4. (2019/CESPE/MPE-PI/Promotor de Justiça Substituto) Julgue os seguintes itens, acerca de ação civil


pública, ação popular, habeas corpus e mandado de injunção.
I O STJ firmou entendimento de que, em ação civil pública promovida pelo Ministério Público, o
adiantamento dos honorários periciais ficará a cargo da Fazenda Pública a qual está vinculado o parquet.
II O Ministério Público poderá interpor recurso contra sentença proferida que julgou improcedente o pedido
do autor da ação popular.
III O STJ fixou entendimento de que a ausência de parecer escrito do parquet em sede de habeas corpus gera
automática nulidade do julgamento.
IV O mandado de injunção pode ser individual ou coletivo, podendo, nesse último caso, ser promovido pelo
Ministério Público.
Estão certos apenas os itens
a) I e II.
b) I e III.
c) III e IV.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.

Comentários

Correto o item “I”. A assertiva está de acordo com o entendimento exarado no julgamento do AREsp
981949/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 24/02/2010, DJe 15/08/2011: “Não
é possível se exigir do Ministério Público o adiantamento de honorários periciais em ações civis públicas.
Ocorre que a referida isenção conferida ao Ministério Público em relação ao adiantamento dos honorários
periciais não pode obrigar que o perito exerça seu ofício gratuitamente, tampouco transferir ao réu o
encargo de financiar ações contra ele movidas. Dessa forma, considera-se aplicável, por analogia, a Súmula
n. 232 desta Corte Superior ("A Fazenda Pública, quando parte no processo, fica sujeita à exigência do
depósito prévio dos honorários do perito"), a determinar que a Fazenda Pública ao qual se acha vinculado
o Parquet arque com tais despesas.”

Correto o item “II”. Conforme art. 19, §2º, da Lei Federal nº 4.717/65, que regula a Ação Popular: “das
sentenças e decisões proferidas contra o autor da ação e suscetíveis de recurso, poderá recorrer qualquer
cidadão e também o Ministério Público”.

Incorreto o item “III”. De acordo com o HC nº 335.562/SP, 6ª Turma, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
DJe 11/12/2015, a ausência de parecer escrito do parquet em sede de habeas corpus não gera a automática
nulidade do julgamento, cabendo ao interessado, ao contrário, comprovar o efetivo prejuízo, notadamente
porque a manifestação ministerial tem caráter opinativo e sua abordagem temática não gera necessário
exame do colegiado"

Correto o item “IV”. Conforme Lei Federal nº 13.300/16, art. 12, I: “o mandado de injunção coletivo pode ser
promovido pelo Ministério Público, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a defesa da
ordem jurídica, do regime democrático ou dos interesses sociais ou individuais indisponíveis”.

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Resposta: alternativa “d”.

5. (2019/VUNESP/Pref. Francisco Morato/Procurador) No que concerne ao controle da


administração, é correto afirmar que o Supremo Tribunal Federal publicou súmula com o seguinte
teor:
a) o Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar somente a constitucionalidade dos
atos administrativos do Poder Público.
b) as Câmaras Municipais, no exercício de suas atribuições, poderão apreciar a constitucionalidade das leis e
dos atos do Poder Público.
c) o Tribunal de Contas e o Poder Legislativo, no exercício de suas atribuições, poderão apreciar a
constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público.
d) as Câmaras Municipais, no exercício de suas atribuições, não poderão apreciar a constitucionalidade dos
atos administrativos do Poder Executivo.
e) o Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos
atos do Poder Público.

Comentários

A questão está a exigir dos candidatos conhecimento em torno do conhecimento da Súmula nº 347, do STF,
cujo teor é o seguinte: “O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a
constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público”.

Incorreta a alternativa “a”. A súmula indica que o Tribunal de Contas, no exercício de suas funções, pode
apreciar a constitucionalidade de leis e atos do Poder Público, não se restringindo aos atos, conforme
indicado pela alternativa.

Incorreta a alternativa “b”. A Câmara Municipal faz juízo de controle de constitucionalidade apenas na fase
da tramitação dos projetos de lei, não sendo seu papel apreciar a constitucionalidade posterior das leis e
atos.

Incorreta a alternativa “c”. Como comentado na alternativa “b”, não é tarefa do Poder Legislativo fazer juízo
de constitucionalidade de leis e atos do Poder Público a posteriori.

Incorreta a alternativa “d”. Vale o comentário feito para as alternativas anteriores, de que não é função de
Câmara Municipal realizar tal controle de constitucionalidade. A Câmara pode realizar controle político dos
atos praticados pelo Executivo, podendo inclusive sustar atos do Prefeito que exorbite o poder regulamentar.
Contudo, tal hipótese não coincide com a ideia de controle de constitucionalidade.

Correta a alternativa “e”. A alternativa vai ao encontro da Súmula nº 347 do Supremo Tribunal Federal.

Gabarito: Letra “e”.

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6. (2019/CEBRASPE/TJ-SC/Juiz Substituto) Segundo entendimento do STJ, para a aplicação da teoria


da encampação em mandado de segurança, é suficiente que se demonstrem nos autos,
cumulativamente,
a) a existência das informações prestadas pelo órgão de representação judicial, a manifestação a respeito do
mérito nas informações prestadas e a ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição
Federal.
b) o vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou as informações e a que ordenou a prática do ato
impugnado, a manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas e a ausência de modificação de
competência estabelecida na Constituição Federal.
c) a manifestação do órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada e as informações
prestadas pela autoridade indicada como coautora.
d) o vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato
impugnado e a não configuração de qualquer das hipóteses de incompetência absoluta estabelecidas na
Constituição Federal.
e) a manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas nos autos e a não configuração de
qualquer das hipóteses de incompetência absoluta estabelecidas na Constituição Federal.

Incorreta a alternativa “a”. Faltou o quesito “existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que
prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado”, conforme item a) da Súmula nº 628 do
STJ.

Correta a alternativa “b”. Conforme Súmula nº 628 do STJ: “A teoria da encampação é aplicada no mandado
de segurança quando presentes, cumulativamente, os seguintes requisitos: a) existência de vínculo
hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; b)
manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas; e c) ausência de modificação de competência
estabelecida na Constituição Federal”.

Incorreta a alternativa “c”. O correto seria a “manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas”
e está faltando outros dois requisitos: existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou
informações e a que ordenou a prática do ato impugnado e a ausência de modificação de competência
estabelecida na Constituição Federal, tudo conforme a Súmula nº 628 do STJ

Incorreta a alternativa “d”. Conforme Súmula nº 628, do STJ, o correto é ausência de modificação de
competência estabelecida na Constituição Federal. Além disso, também faltou o quesito “manifestação a
respeito do mérito nas informações prestadas”.

Incorreta a alternativa “e”. Não se trata de incompetência absoluta, mas se trata de ausência de modificação
de competência estabelecida na Constituição Federal. Faltou também a existência de vínculo hierárquico
entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado, conforme Súmula
nº 628 do STJ.

Resposta: alternativa “b”.

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7. (2019/Vunesp/TJ-AC/Juiz Substituto) A “Associação ABC”, constituída há seis meses, cuja


finalidade institucional é a proteção ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao
consumidor e à ordem econômica, ajuizou ação civil pública com o objetivo de restituir tributos
pagos indevidamente pelos seus associados.
Considerando essa situação hipotética, nos termos da Lei da Ação Civil Pública (Lei n° 7.347/1985), é correto
afirmar que a referida ação
a) está em desconformidade com a Lei, tendo em vista que, embora o objeto da ação seja legalmente
admitido, a associação, para ter legitimidade ativa, deveria estar constituída há pelo menos um ano e este
requisito não pode, em tese, ser dispensado.
b) está em desacordo com a Lei, uma vez que, embora o requisito da pré-constituição possa, em tese, ser
dispensado pelo juiz em certos casos, o objeto da demanda não pode ser veiculado por meio de ação civil
pública.
c) pode ser legalmente conhecida e processada pelo Poder Judiciário, tendo em vista que o requisito da pré-
constituição está dentro das exigências legais e o objeto da ação é previsto na Lei.
d) pode ser legalmente conhecida e processada pelo Poder Judiciário, considerando que, nesse caso, o
requisito da pré-constituição pode ser dispensado pelo juiz e o objeto da ação não é vedado pela Lei.

Comentários

Incorreta a alternativa “a”. De acordo com o art. 5º, V, da Lei Federal nº 7.347/85, para ter legitimidade para
propor ação civil pública a associação deve estar constituída pelo menos há 1 ano, porém o requisito da pré-
constituição pode ser dispensado pelo juiz, quando haja manifesto interesse social evidenciado pela
dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido, conforme o §4° do
art. 5º.

Correta a alternativa “b”. Conforme parágrafo único do art. 1º, não é cabível ação civil pública para veicular
pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
- FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem ser individualmente
determinados.

Incorreta a alternativa “c”. O objeto da ação é a restituição de tributos, sendo que a Lei da Ação Civil Pública
veda pretensões que envolvam tributos e as contribuições previdenciárias, conforme o parágrafo único do
art. 1º.

Incorreta a alternativa “d”. Embora o requisito da pré-constituição possa ser dispensado pelo juiz (art. 5º,
§4º) nos casos de manifesto interesse social, é vedado à associação pleitear ações que envolvam tributos,
conforme parágrafo único do art. 1º.

Resposta: alternativa “b”.

8. (2019/MP-SP/MP-SP/Promotor de Justiça) Com relação à participação popular no controle da


administração pública, assinale a alternativa INCORRETA.

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a) É forma de participação democrática nos assuntos estatais a propositura de ação popular por qualquer
cidadão para anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada
má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.
b) Como uma das formas de participação popular no processo administrativo, a Lei Federal prevê que quem
comparecer à consulta pública passará a figurar na condição de interessado no processo, podendo examinar
os autos, participar de debates e oferecer alegações escritas.
c) A política urbana tem como diretriz, a ser observada na consecução de seus objetivos, a gestão demo-
crática por meio de participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da
comunidade na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de
desenvolvimento urbano.
d) O acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o
disposto no art. 5º, X e XXXIII, da Constituição Federal, traduz uma das formas de participação do usuário na
administração pública direta e indireta.
e) Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato pode, na forma da lei, denunciar irregulari-
dades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas.

Comentários:

Correta a alternativa “a” que está em linha com o inciso LXXIII do art. 5º da CRFB.

Incorreta a alternativa “b” porque, de acordo com o §2º do art. 31 da Lei nº 9.784, de 1999, tem-se
que o comparecimento à consulta pública não confere, por si, a condição de interessado do
processo, mas confere o direito de obter da Administração resposta fundamentada, que poderá ser
comum a todas as alegações substancialmente iguais.

Correta a alternativa “c” que está em linha com o inciso II do art. 2º do Estatuto das Cidades (Lei nº
10.257, de 2001).

Correta a alternativa “d” que está em linha com o inciso II do §3º do art. 37 da CRFB.

Correta a alternativa “e” que está em linha com o §2º do art. 74 da CRFB.

Gabarito: B.

9. (2018/CONSULPLAN/TJ-MG/Juiz de Direito) A Constituição prevê ações específicas de controle da


Administração Pública, às quais a doutrina se refere com a denominação de remédios
constitucionais. Quais seriam os remédios constitucionais passíveis de serem utilizados,
individualmente, por qualquer pessoa física?
a) Habeas corpus e querela nullitatis.
b) Ação rescisória e mandado de injunção.
c) Mandado de segurança individual e habeas data.
d) Ação popular e mandado de segurança individual.

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Incorreta a alternativa “a”. O habeas corpus, previsto no art. 5º, LXVIII, da CRFB, pode de fato ser impetrado
por qualquer pessoa e se enquadra dentro do que a doutrina conhece como remédios constitucionais.
Contudo, a querela nullitatis não tem previsão expressa em nossa Constituição, não se enquadrando dentro
do conceito de remédios constitucionais. Ela serve, de maneira geral, para casos de pretensão anulatória de
uma decisão judicial eivada de ilegalidade.

Incorreta a alternativa “b”. Ação rescisória também não é um remédio constitucional consagrado. Ela
encontra previsão no Código de Processo Civil, mas não expressamente na CRFB.

Correta a alternativa “c”. O mandado de segurança, previsto nos incisos LXIX e LXX do art. 5º da CRFB, assim
como o habeas data, previsto no inciso LXXII, são reconhecidos como remédios constitucionais que podem
ser utilizados por qualquer pessoa natural.

Incorreta a alternativa “d”. A ação popular, conquanto seja remédio constitucional, não pode ser utilizada
por qualquer pessoa física, mas apenas por cidadãos, conforme o art. 5º, LXXIII, da CRFB.

Gabarito: Letra “c”.

10. (2018/CONSULPLAN/TJ-MG/Juiz de Direito) Em se tratando de mandado de segurança coletivo, é


correto afirmar que
a) o mandado de segurança coletivo induz litispendência para as ações individuais.
b) a impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados depende
da autorização destes.
c) a entidade de classe não tem legitimação para o mandado de segurança coletivo quando a pretensão
veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.
d) configura particularidade procedimental do mandado de segurança coletivo, a necessidade de oitiva
prévia da pessoa jurídica de direito público para o deferimento da medida liminar.

Comentários:

Incorreta a alternativa “a”. Conforme o art. 22, § 1º, da Lei Federal nº 12.019/09, “o mandado de segurança
coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão
o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30
(trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva”.

Incorreta a alternativa “b”. A alternativa contraria o verbete sumulado de nº 629 do STF. Tal súmula possui
a seguinte redação: “A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos
associados independe da autorização destes”.

Incorreta a alternativa “c”. Ainda dentro da jurisprudência do STF, a Súmula nº 630 afirma que “a entidade
de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse
apenas a uma parte da respectiva categoria”. Portanto, a alternativa contraria o entendimento sumulado do
STF.

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Correta a alternativa “d”. Segundo o art. 22, § 2º da Lei Federal nº 12.016/09, tem-se que a liminar só poderá
ser concedida após a audiência do representante judicial da pessoa jurídica de direito público, que deverá se
pronunciar no prazo de 72 (setenta e duas) horas. Portanto, trata-se de particularidade do mandado de
segurança coletivo, tendo em vista que no rito do mandado de segurança individual não há previsão de oitiva
da autoridade pública para a concessão da medida liminar.

Gabarito: Letra “d”.

11. (2018/VUNESP/PREFEITURA DE SOROCABA-SP/Procurador) Assinale a alternativa que


corretamente discorre sobre o controle da Administração Pública.
a) O controle da legitimidade enseja a verificação, pelo órgão controlador, da existência, ou não, dos
princípios da adequação e da compatibilidade, referentes às despesas públicas.
b) O controle financeiro é aquele exercido pelo Poder Executivo sobre o Legislativo e o próprio Executivo,
sobre sua própria administração no que se refere à receita, à despesa e à gestão dos recursos públicos.
c) Compete ao Tribunal de Contas da União fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela
União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal
ou a Município.
d) O controle judicial incide especificamente sobre a atividade administrativa do Estado, seja onde for que
esteja sendo desempenhada, alcançados os atos administrativos do Executivo, sem, contudo, examinar os
atos do Legislativo.
e) O Poder Judiciário pode controlar os atos internos e exclusivos do Poder Legislativo, também chamados
de interna corporis, quando contiverem vícios de ilegalidade ou de constitucionalidade, ou vulnerarem
direitos individuais.

Comentários

a)incorreto. O controle da legitimidade ou legalidade tem como objetivo averiguar se o ato realizado possui
adequação ao ordenamento jurídico nacional, ou seja, se foram observados os ditames da legislação. Além
disso, devem ser observados os princípios constitucionais da administração pública.

Já o controle que verifica a adequação e a compatibilidade com as despesas públicas é o controle


orçamentário.

b)incorreto. O controle financeiro é aquele exercido em prol do controle dos dispêndios financeiros, como
pagamentos, recebimentos, etc.

O controle que se refere à receita, à despesa e à gestão dos recursos públicos é denominado de controle
orçamentário.

c)correto. A assertiva está em consonância com o disposto no inciso VI do art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
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(...)

VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio,


acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a
Município; (grifos não constantes do original)

d)incorreto. O controle judicial também engloba o controle sobre os atos administrativos emitidos pelo
Poder Legislativo.

e)incorreto. Em regra, a Jurisprudência do STF vem decidindo pela impossibilidade de controle judicial sobre
os atos interna corporis das Casas Legislativas, salvo violação de direitos constitucionais.

EMENTA Agravo regimental. Mandado de segurança. Questão interna corporis. Atos do Poder
Legislativo. Controle judicial. Precedente da Suprema Corte. 1. A sistemática interna dos
procedimentos da Presidência da Câmara dos Deputados para processar os recursos dirigidos
ao Plenário daquela Casa não é passível de questionamento perante o Poder Judiciário,
inexistente qualquer violação da disciplina constitucional. 2. Agravo regimental desprovido.

(STF - MS: 25588 DF, Relator: MENEZES DIREITO, Data de Julgamento: 02/04/2009, Tribunal
Pleno, Data de Publicação: DJe-084 DIVULG 07-05-2009 PUBLIC 08-05-2009 EMENT VOL-02359-
02 PP-00350) (grifos não constantes do original)

Importante observar que os doutrinadores vêm se posicionando de modo contrário, admitindo o controle
judicial sobre os atos internos das Casas Legislativas sob a ótica da legalidade, ou seja, no campo das
formalidades, sem adentrar no mérito. Para Hely Lopes Meirelles (p.853, 2016)

Nesta ordem de ideias, conclui-se que é lícito ao Judiciário perquirir da competência das Câmaras
e verificar se há inconstitucionalidades, ilegalidades e infringências regimentais nos seus
alegados Interna corporis, detendo-se, entretanto, no vestíbulo das formalidades, sem adentrar
o conteúdo de tais atos, em relação aos quais a corporação legislativa é, ao mesmo tempo,
destinatária e juiz supremo de sua prática.

Portanto, dependendo de como vem o enunciado da questão, a assertiva pode ser considerada como
correta, se fundamentada com base na doutrina.

Gabarito: Letra C.

12. (2018/VUNESP/TJ-RJ/Juiz Leigo) O chamado “ativismo judicial” sofre críticas de diversas origens
baseadas principalmente na ideia de que comprometeria a separação de poderes, representando
uma interferência indevida do Poder Judiciário sobre o mérito administrativo e sobre a ação
política. A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

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a) A legitimidade do Poder Judiciário para a realização do controle judicial de políticas públicas decorre de
ser o único poder da República constituído exclusivamente por agentes selecionados mediante concurso de
provas e títulos, o que assegura a sua neutralidade e imparcialidade.
b) Caso o Poder Executivo aja de modo irrazoável ou proceda com a clara intenção de neutralizar a eficácia
dos direitos sociais, econômicos e culturais, justifica-se a possibilidade de intervenção do Poder Judiciário
sobre a ação administrativa.
c) A Constituição Federal de 1988 não admite a interferência do Poder Judiciário no mérito administrativo,
de maneira que não merece prosperar ação judicial que pretende invalidar ato administrativo sob o
argumento de não ser razoável a escolha do Administrador.
d) Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, motivo pelo qual não podem ser objeto de
controle judicial, salvo em caso de flagrante ilegalidade.
e) A impossibilidade, definida pela Constituição Federal de 1988, de controle judicial de atos administrativos
é decorrência da máxima “the king can do no wrong”, introduzida no direito brasileiro por meio do
pensamento positivista de Benjamin Constant.
Comentários
a)incorreto. O controle judicial engloba a atuação sobre os atos do Poder Executivo e sobre os atos praticados
pelos outros Poderes no exercício da função administrativa. No caso da implementação das Políticas
Públicas, o STF vem decidindo favoravelmente pela possibilidade de controle judicial, conforme veremos
abaixo:

EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DEFENSORIA PÚBLICA. AMPLIAÇÃO


DA ATUAÇÃO. OMISSÃO DO ESTADO QUE FRUSTA DIREITOS FUNDAMENTAIS. IMPLEMENTAÇÃO
DE POLÍTICAS PÚBLICAS. CONTROLE JURISDICIONAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO
DOS PODERES. OFENSA NÃO CONFIGURADA. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 22.10.2007.
Emerge do acórdão que ensejou o manejo do recurso extraordinário que o Tribunal a quo
manteve a sentença que condenou o Estado a designar um defensor público para prestar serviços
de assistência jurídica gratuita aos hipossuficientes da Comarca de Demerval Lobão consoante
os arts. 5º, LXXIV, 127, 129, III e IX e 134 da Constituição Federal. No caso de descumprimento da
obrigação, fixou multa diária. O acórdão recorrido não divergiu da jurisprudência da Suprema
Corte no sentido de que é lícito ao Poder Judiciário, em face do princípio da supremacia da
Constituição, em situações excepcionais, determinar que a Administração Pública adote medidas
assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais, sem que isso
configure violação do princípio da separação dos Poderes. Precedentes. O exame da legalidade
dos atos administrativos pelo Poder Judiciário não ofende o princípio da separação dos Poderes.
Precedentes. Agravo regimental conhecido e não provido.

(STF - AI: 739151 PI, Relator: Min. ROSA WEBER, Data de Julgamento: 27/05/2014, Primeira
Turma, Data de Publicação: ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-112 DIVULG 10-06-2014 PUBLIC 11-06-
2014)

b)correto. O controle judicial pode atuar sobre os atos administrativos praticados pelo Poder Executivo sob
o aspecto da legalidade e legitimidade.

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c)incorreto. O controle judicial pode atuar tanto nos atos vinculados quanto nos atos discricionários. Em
relação aos atos discricionários, o Poder Judiciário sob a ótica da legalidade e legitimidade poderá analisar
as questões que envolvam os elementos da competência, forma e finalidade, uma vez que estes elementos
vinculantes devem estar em todos os atos administrativos. Já os elementos motivo e objeto estão no campo
do mérito administrativo, não podendo ter a interferência do judiciário.

d)incorreto. O fato de os atos administrativos terem presunção de legitimidade não impede de se


submeterem ao controle judicial em relação aos aspectos de legalidade sobre os elementos competência,
forma e finalidade.

e)incorreto. A CF 88 em seu inciso XXXV do art. 5º estipula que “a lei não excluirá da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Dessa forma, caso ocorra alguma violação de direito, a pessoa física ou
jurídica poderá requerer a atuação do Poder Judiciário.

Gabarito: Letra B.

13. (2018/VUNESP/FAPESP/Procurador) O controle administrativo


a) é exercido por todos os Poderes sobre suas próprias atividades tanto sob o aspecto de legalidade quanto
em relação ao mérito.
b) deriva do poder-dever de polícia que a Administração Pública tem sobre os seus agentes.
c) permite que a Administração Pública anule os atos ineficientes ou inoportunos, revogue os atos ilegais ou
altere os seus próprios atos, mas não permite a aplicação de penalidades administrativas aos seus agentes.
d) é eminentemente político e é exercido pelos órgãos legislativos ou por comissões parlamentares sobre
atos do Poder Executivo.
e) é exercido pelo Tribunal de Contas e se refere fundamentalmente à prestação de contas de todo aquele
que administra bens, valores ou dinheiros públicos.

Comentários

a)correto. A assertiva está em consonância com o entendimento doutrinário de Hely Lopes Meirelles (p.801,
2016),

Controle administrativo é todo aquele que o Executivo e os órgãos de administração dos


demais Poderes exercem sobre suas próprias atividades, visando a mantê-las dentro da lei,
segundo as necessidades do serviço e as exigências técnicas e econômicas de sua realização, pelo
quê é um controle de legalidade e de mérito. Sob ambos esses aspectos pode e deve operar-
se o controle administrativo para que a atividade pública em geral se realize com legitimidade
e eficiência, atingindo sua finalidade plena, que é a satisfação das necessidades coletivas e
atendimento dos direitos individuais dos administrados. (grifos não constantes do original)

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b)incorreto. O controle administrativo deriva do poder-dever de autotutela, e não do poder de polícia. Para
Hely Lopes Meirelles (p.802, 2016),

O controle administrativo deriva do poder-dever de autotutela que a Administração tem sobre


seus próprios atos e agentes. Esse controle é normalmente exercido pelos órgãos superiores
sobre os inferiores(controle hierárquico próprio das chefias e corregedorias), com auxílio de
órgãos incumbidos do julgamento de recursos (controle hierárquico impróprio) ou, ainda, de
órgãos especializados em determinadas verificações (controle técnico de auditorias etc.), mas
integrantes da mesma Administração, pelo que se caracteriza como controle interno, pois que o
externo é sempre atribuído a órgão estranho ao Executivo. (grifos não constantes do original)

c)incorreto. Por meio do controle administrativo a Administração pode anular e revogar seus próprios atos,
além de aplicar penalidades aos seus administrados. Para Hely Lopes Meirelles (p.802, 2016),

Através do controle administrativo a Administração pode anular, revogar ou alterar seus próprios
atos e punir seus agentes com as penalidades estatutárias. A Administração só anula o ato ilegal
e revoga ou· altera o ato legal mas ineficiente, inoportuno ou inconveniente, se ainda passível de
supressão ou modificação (...)

d)incorreto. O Controle Administrativo ou Executivo é exercido pelo Poder Executivo e pelos órgãos
administrativos dos demais Poderes. Já o controle Legislativo ou Parlamentar é exercido pelo Poder
Legislativo em matérias de sua competência.

Para Hely Lopes Meirelles (p.837, 2016),

Controle legislativo ou parlamentar é o exercido pelos órgãos legislativos (Congresso Nacional,


Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores) ou por comissões parlamentares sobre
determinados atos do Executivo na dupla linha da legalidade e da conveniência pública, pelo quê
caracteriza-se como um controle eminentemente político, indiferente aos direitos individuais dos
administrados, mas objetivando os superiores interesses do Estado e da comunidade. (grifos não
constantes do original)

e)incorreto. O controle Administrativo é exercido pelo Executivo e demais órgãos quando do exercício da
função administrativa. Já o exercido pelos Tribunais de Contas é o Controle externo, auxiliando o Poder
Legislativo na sua missão constitucional, conforme arts. 70 e 71 da CF/88, in verbis:

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Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e


das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade,
economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso
Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.

Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que
utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais
a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:[...]

Gabarito: Letra A.

14. (2018/FCC/DPE-AM/Defensor Público) O controle legislativo da Administração pública, exercido


com o auxílio dos Tribunais de Contas, autoriza
a) a anulação de contratos que envolvam despesas de custeio e investimentos, quando atingido o limite
máximo de comprometimento fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
b) a aplicação de sanções a agentes públicos que incorrerem em atos de improbidade, incluindo o
afastamento de suas funções.
c) a decretação de inidoneidade de Municípios que tenham praticado atos tendentes a fraudar procedimento
licitatório, impedindo abertura de novos certames.
d) o exame prévio de editais, com a suspensão do certame até que sejam sanadas eventuais irregularidades
identificadas.
e) o controle dos provimentos de cargos e funções em comissão, impedindo novas nomeações quando
extrapolada a proporção de 30% em relação aos cargos efetivos.

Comentários

a)incorreto. O Tribunal de Contas não pode anular os contratos administrativos quando do exercício do
controle externo. Primeiramente, depois de verificada a irregularidade nos contratos, o Tribunal de Contas
concede um prazo para que sejam adotadas as providências necessárias ao exato cumprimento da lei. Caso
não seja resolvido, comunicará ao Poder Legislativo sobre tal situação, conforme disposição nos incisos IX, X
e XI c/c §§ 1º e 2º, todos do art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

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IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos
Deputados e ao Senado Federal;

XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional,
que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as


medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito. (grifos não constantes
do original)

b)incorreto. O Tribunal de Contas pode aplicar sanções previstas em lei, como a multa proporcional ao dano
causado, nos termos do inciso VIII do art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as


sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano
causado ao erário;

A questão menciona que a sanção aplicada é em decorrência de atos que caracterizam improbidade
administrativa. Porém, o Tribunal de Contas não aplica as penalidades específicas da Lei de Improbidade
Administrativa, cabendo estas ao Poder Judiciário.

Além disso, não cabe ao TC afastar os agentes públicos que incorrerem em atos de improbidade. Em regra,
tal medida cabe ao órgão de origem. O Tribunal de Contas pode determinar, mas nunca afastar diretamente.

c)incorreto. A aplicação da sanção de idoneidade é para os particulares que contratam com a administração
pública.

d)correto. Os Tribunais de Contas podem fazer o controle prévio dos editais de licitações, determinando sua
regularização, no caso de constatadas irregularidades, nos termos do inciso IX do art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

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IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, se verificada ilegalidade; (grifos não constantes do original)

e)incorreto. Os Tribunais de Contas não apreciam a legalidade dos atos de admissão de pessoal de cargos
comissionados e nem estipulam limites dessas contratações, nos termos do inciso III, art. 71 da CF/88, in
verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer
título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo
Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a
das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores
que não alterem o fundamento legal do ato concessório; (grifos não constantes do original)

Gabarito: Letra D.

15. (2017/CESPE/DPE-AL/Defensor Público) À luz da jurisprudência dos tribunais superiores, assinale a


opção correta acerca das formas de ressarcimento do erário.
a) Fiscalização contábil e conclusão de procedimento junto ao tribunal de contas, com formação de título
executivo extrajudicial, impedirão a propositura de ação de improbidade administrativa.
b) O ressarcimento ao erário não depende da formação de título executivo de nenhuma natureza.
c) O ressarcimento do erário dá-se somente com a formação de um título executivo judicial, por intermédio
de ações coletivas.
d) Tanto o título executivo judicial quanto o extrajudicial formado no âmbito do tribunal de contas são
instrumentos hábeis para o ressarcimento ao erário, podendo os dois coexistir.
e) A fiscalização do tribunal de contas será obstada caso se ajuíze ação de improbidade administrativa com
o intuito de formar título executivo judicial para o ressarcimento do erário.
Comentários
a)incorreto. A condenação junto ao Tribunal de Contas em multa para ressarcimento ao erário, gerando
título executivo extrajudicial, não impede a propositura de ação de improbidade administrativa pelos
legitimados e que resulte em condenação pelo mesmo fato e pelo ressarcimento ao erário, formando título
executivo judicial, nos termos do julgado abaixo:

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA –


CONDENAÇÃO AO RESSARCIMENTO DO DANO – EXISTÊNCIA DE TÍTULO EXECUTIVO
EXTRAJUDICIAL PROVENIENTE DE DECISÃO DO TRIBUNAL DE CONTAS – CO-EXISTÊNCIA DOS
TÍTULOS EXECUTIVOS – POSSIBILIDADE – NÃO-OCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. 1. O fato de existir
um título executivo extrajudicial, decorrente de condenação proferida pelo Tribunal de Contas
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da União, não impede que os legitimados ingressem com ação de improbidade administrativa
requerendo a condenação da recorrida nas penas constantes no art. 12, II da Lei n. 8429/92,
inclusive a de ressarcimento integral do prejuízo. 2. A formação do título executivo judicial, em
razão da restrição às matérias de defesa que poderão ser alegadas na fase executória, poderá se
mostrar mais útil ao credor e mais benéfica ao devedor que, durante o processo de
conhecimento, terá maiores oportunidades para se defender. 3. Ademais, não se há falar em bis
in idem. A proibição da dupla penalização se restringe ao abalo patrimonial que o executado
poderá sofrer. O princípio não pode ser interpretado de maneira ampla, de modo a impedir a
formação de um título executivo judicial, em razão do simples fato de já existir um outro título
de natureza extrajudicial. 4. Na mesma linha de raciocínio, qual seja, a de que o bis in idem se
restringe apenas ao pagamento da dívida, e não à possibilidade de coexistirem mais de um título
executivo relativo ao mesmo débito, encontra-se a súmula 27 desta Corte Superior. Recurso
especial provido.

(STJ - REsp: 1135858 TO 2009/0072651-0, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de


Julgamento: 22/09/2009, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: --> DJe 05/10/2009)
(grifos não constantes do original)

b)incorreto. O ressarcimento ao erário depende da formação de títulos executivos judiciais ou extrajudiciais,


ou seja, são necessárias condenações ou na esfera administrativa ou judicial para que os valores devidos
sejam quantificados e resguardados juridicamente, nos termos do §3º do art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de


título executivo. (grifos não constantes do original)

c)incorreto. O Ressarcimento ao Erário pode ser assegurado em virtude de formação de título executivo
judicial (ajuizamento de ações judiciais) ou extrajudicial (condenação no Tribunal de Contas).

d)correto. O Ressarcimento ao Erário pode ser assegurado em virtude de formação de título executivo
judicial (ajuizamento de ações judiciais) ou extrajudicial (condenação no Tribunal de Contas), podendo os
dois coexistirem, segundo o entendimento do STJ a seguir:

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA –


CONDENAÇÃO AO RESSARCIMENTO DO DANO – EXISTÊNCIA DE TÍTULO EXECUTIVO
EXTRAJUDICIAL PROVENIENTE DE DECISÃO DO TRIBUNAL DE CONTAS – CO-EXISTÊNCIA DOS
TÍTULOS EXECUTIVOS – POSSIBILIDADE – NÃO-OCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. 1. O fato de existir
um título executivo extrajudicial, decorrente de condenação proferida pelo Tribunal de Contas
da União, não impede que os legitimados ingressem com ação de improbidade administrativa
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requerendo a condenação da recorrida nas penas constantes no art. 12, II da Lei n. 8429/92,
inclusive a de ressarcimento integral do prejuízo. 2. A formação do título executivo judicial, em
razão da restrição às matérias de defesa que poderão ser alegadas na fase executória, poderá se
mostrar mais útil ao credor e mais benéfica ao devedor que, durante o processo de
conhecimento, terá maiores oportunidades para se defender. 3. Ademais, não se há falar em bis
in idem. A proibição da dupla penalização se restringe ao abalo patrimonial que o executado
poderá sofrer. O princípio não pode ser interpretado de maneira ampla, de modo a impedir a
formação de um título executivo judicial, em razão do simples fato de já existir um outro título
de natureza extrajudicial. 4. Na mesma linha de raciocínio, qual seja, a de que o bis in idem se
restringe apenas ao pagamento da dívida, e não à possibilidade de coexistirem mais de um título
executivo relativo ao mesmo débito, encontra-se a súmula 27 desta Corte Superior. Recurso
especial provido.

(STJ - REsp: 1135858 TO 2009/0072651-0, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de


Julgamento: 22/09/2009, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: --> DJe 05/10/2009)
(grifos não constantes do original)

e)incorreto. No âmbito do controle da Administração Pública, as esferas administrativa e judicial não se


comunicam. Dessa forma, a propositura de Ação de Improbidade Administrativa não tem o condão de
obstruir o prosseguimento de fiscalização do Tribunal de Contas.

Gabarito: Letra D.

16. (2017/QUADRIX/CFO-DF/Procurador Jurídico) No que se refere ao controle da Administração


Pública e à improbidade administrativa, julgue o item a seguir.
De acordo com a CF, compete ao Tribunal de Contas da União sustar diretamente os contratos
administrativos que possam ter alguma irregularidade.
( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Incorreto. Os Tribunais de Contas não sustam diretamente os contratos. Sustam apenas os atos
administrativos. Primeiramente, depois de verificada a irregularidade nos contratos, o Tribunal de Contas
concede um prazo para a regularização. Caso não seja resolvido, comunicará ao Poder Legislativo sobre tal
situação.

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

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IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos
Deputados e ao Senado Federal;

XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional,
que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as


medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito. (grifos não constantes do
original)

Gabarito: Errado.

17. (2017/CESPE/MP-RR/Promotor) Com referência ao controle exercido pela administração pública,


julgue os seguintes itens.
I - Segundo o STJ, o acesso do MP a informações inseridas em procedimentos disciplinares em tramitação
conduzidos pela OAB depende de prévia autorização judicial.
II - Segundo o STJ, o controle externo da atividade policial exercido pelo MP não lhe garante o acesso
irrestrito a todos os relatórios de inteligência produzidos pela polícia, mas somente àqueles de natureza
persecutório-penal relacionados com a atividade de investigação criminal.
III - Diante de razões de legalidade e de mérito, cabe recurso de decisões administrativas, o qual deverá ser
dirigido à autoridade superior àquela que tiver proferido a decisão.
IV - Em se tratando de ação popular, o MP deverá acompanhar a ação, sendo-lhe facultado assumir a defesa
de ato que eventualmente seja impugnado.
Estão certos apenas os itens
I e II.
I e IV.
II e III.
III e IV.

Comentários

O item I está correto. Trata-se de um entendimento do STJ expresso no julgamento do REsp 1.217.271-PR,
cujo trecho reproduzimos abaixo:

“3. O § 2º do art. 72 da Lei 8.906/94 estabeleceu que a obtenção de cópia dos processos ético-
disciplinares é matéria submetida à reserva de jurisdição, de modo que somente mediante
autorização judicial poderá ser dado acesso a terceiros.

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4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já definiu que o art. 8º da Lei Complementar


73/1995 não exime o Ministério Público de requerer a autorização judicial prévia para que haja
o acesso a documentos protegidos por sigilo legalmente estatuído.[...]

5. O Supremo Tribunal Federal também já consignou que, para haver o acesso aos documentos
protegidos legalmente sob sigilo, faz-se necessária a autorização judicial. Precedentes: RE
535.478 Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 28/10/2008; RE 318.136 AgR, Relator
Min. CEZAR PELUSO, Segunda Turma, julgado em 12/09/2006.”

O item II também está correto. Da mesma maneira que no item anterior, o STJ possui entendimento de que
o acesso do Ministério Público a relatórios de inteligência produzidos pela polícia não é irrestrito. Vejamos
trecho de acórdão prolatado no REsp 1.439.193-RJ:

“8. O controle externo da atividade policial exercido pelo Parquet deve circunscrever-se à
atividade de polícia judiciária, conforme a dicção do art. 9º, da LC n. 75/1993, cabendo-lhe, por
essa razão, o acesso aos relatórios de inteligência policial de natureza persecutório-penal, ou
seja, relacionados com a atividade de investigação criminal.

9. O poder fiscalizador atribuído ao Ministério Público não lhe confere o acesso irrestrito a "todos
os relatórios de inteligência" produzidos pelo Departamento de Polícia Federal, incluindo aqueles
não destinados a aparelhar procedimentos investigatórios criminais formalizados.

10. O exercício de atividade de inteligência estranha às atribuições conferidas pela Constituição


Federal à Polícia Federal (polícia judiciária) demanda exame de eventual contrariedade a
preceitos constitucionais, o que não é possível na via do recurso especial.”

O item III está incorreto. Trata-se de inteligência direta do art. 56, § 1º, da Lei do Processo Administrativo
(Lei 9.784/99): “O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no
prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior”. Como se vê, o recurso não é endereçado à
autoridade superior, mas sim à autoridade que proferiu a decisão. Esta, por sua vez, encaminha à autoridade
superior se não reconsiderar seu ato.

O item IV também está incorreto. Da mesma maneira que o item III, decorre diretamente de previsão da Lei
da Ação Popular (Lei 4.717/64). Seu art. 6, § 4º, diz o seguinte: “O Ministério Público acompanhará a ação,
cabendo-lhe apressar a produção de provas e promover a responsabilidade, civil ou criminal, dos que nela
incidirem sendo-lhe vedado, em qualquer hipótese, assumir a defesa do ato impugnado ou dos seus
autores”. A legislação deixa evidente que não faculta ao MP assumir a defesa do ato impugnado.

Resposta: alternativa “a”.

18. (2016/CESPE/PGE-AM/Procurador do Estado) Acerca do controle administrativo interno e externo,


julgue o item a seguir.
A CF atribui ao TCU a competência para a apreciação dos atos de concessão e renovação de concessão de
emissoras de rádio e televisão.

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( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Incorreto. Quem tem essa competência é o Congresso Nacional, nos termos do art. 49, XII, da CF/88, in verbis:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

(...)

XII - apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão;

Gabarito: Errado.

19. (2016/CESPE/PGE-AM/Procurador do Estado) Acerca do controle administrativo interno e externo,


julgue o item a seguir.
O controle administrativo interno é cabível apenas em relação a atividades de natureza administrativa,
mesmo quando exercido no âmbito dos Poderes Legislativo e Judiciário.

( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Correto. A assertiva está em consonância com o entendimento doutrinário de Hely Lopes Meirelles (p.801,
2016),

Controle administrativo é todo aquele que o Executivo e os órgãos de administração dos


demais Poderes exercem sobre suas próprias atividades, visando a mantê-las dentro da lei,
segundo as necessidades do serviço e as exigências técnicas e econômicas de sua realização, pelo
quê é um controle de legalidade e de mérito. Sob ambos esses aspectos pode e deve operar-
se o controle administrativo para que a atividade pública em geral se realize com legitimidade
e eficiência, atingindo sua finalidade plena, que é a satisfação das necessidades coletivas e
atendimento dos direitos individuais dos administrados. (grifos não constantes do original)

Gabarito: Certo.

20. (2016/CESPE/PGE-AM/Procurador do Estado) Acerca do controle administrativo interno e externo,


julgue o item a seguir.
O CNJ é órgão externo de controle administrativo, financeiro e disciplinar do Poder Judiciário.
( ) Certo ( ) Errado
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Comentários

Errado. O tema foi objeto de ADI 3.367-1, nos termos seguintes:

EMENTAS: 1. AÇÃO. Condição. Interesse processual, ou de agir. Caracterização. Ação direta de


inconstitucionalidade. Propositura antes da publicação oficial da Emenda Constitucional nº
45/2004. Publicação superveniente, antes do julgamento da causa. Suficiência. Carência da ação
não configurada. Preliminar repelida. Inteligência do art. 267, VI, do CPC. Devendo as condições
da ação coexistir à data da sentença, considera-se presente o interesse processual, ou de agir,
em ação direta de inconstitucionalidade de Emenda Constitucional que só foi publicada,
oficialmente, no curso do processo, mas antes da sentença. 2. INCONSTITUCIONALIDADE. Ação
direta. Emenda Constitucional nº 45/2004. Poder Judiciário. Conselho Nacional de Justiça.
Instituição e disciplina. Natureza meramente administrativa. Órgão interno de controle
administrativo, financeiro e disciplinar da magistratura. Constitucionalidade reconhecida.

(...)

4. PODER JUDICIÁRIO. Conselho Nacional de Justiça. Órgão de natureza exclusivamente


administrativa. Atribuições de controle da atividade administrativa, financeira e disciplinar da
magistratura. Competência relativa apenas aos órgãos e juízes situados, hierarquicamente,
abaixo do Supremo Tribunal Federal. Preeminência deste, como órgão máximo do Poder
Judiciário, sobre o Conselho, cujos atos e decisões estão sujeitos a seu controle jurisdicional.
Inteligência dos art. 102, caput, inc. I, letra r, e § 4º, da CF. O Conselho Nacional de Justiça não
tem nenhuma competência sobre o Supremo Tribunal Federal e seus ministros, sendo esse o
órgão máximo do Poder Judiciário nacional, a que aquele está sujeito.

(...)

(STF - ADI: 3367 DF, Relator: CEZAR PELUSO, Data de Julgamento: 13/04/2005, Tribunal Pleno,
Data de Publicação: DJ 17-03-2006 PP-00004 EMENT VOL-02225-01 PP-00182 REPUBLICAÇÃO:
DJ 22-09-2006 PP-00029) (grifos não constantes do original)

Gabarito: Errado.

21. (2016/VUNESP/PREFEITURA DE ALUMÍNIO-SP/Procurador Jurídico) Com relação aos atos


discricionários, pode-se afirmar corretamente que o controle judicial
a) é possível, mas terá que respeitar a discricionariedade administrativa.
b) é possível somente nas hipóteses em que se verifica um excesso de poder.
c) é possível, não existindo qualquer restrição ao Poder Judiciário.
d) não é possível, pois se alicerçam na oportunidade e conveniência da Administração.
e) é possível somente nas hipóteses em que se verifica um desvio de poder.

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a)correto. Poderá ocorrer o controle judicial sobre os atos discricionários para verificar se eles foram
emitidos dentro dos limites da lei.

Para Hely Lopes Meirelles (p.847, 2016),

Nem mesmo os atos discricionários refogem do controle judicial, porque, quanto à


competência, constituem matéria de legalidade, tão sujeita ao confronto da Justiça como
qualquer outro elemento do ato vinculado. Já acentuamos que a discricionariedade não se
confunde com a arbitrariedade: o ato discricionário, quando permitido e emitido nos limites
legais, é lícito e válido;o ato arbitrário é sempre ilícito e inválido. Daí por que o Judiciário terá que
examinar o ato arguido de discricionário, primeiro, para verificar se realmente o é; segundo, para
apurar se a discrição não desbordou para o arbítrio. (grifos não constantes do original)

b)Incorreto. Pode ocorrer o controle judicial sobre os elementos vinculados do ato administrativo:
competência, forma e finalidade.

c)Incorreto. O Poder Judiciário somente pode adentrar nos aspectos de legalidade, sendo proibido emitir
juízo de mérito do ato, ou seja, analisar a conveniência e oportunidade do ato.

d)incorreto. É possível sim o controle judicial sobre os atos discricionários, mas desde que seja sob o aspecto
da legalidade.

e)incorreto. Pode ocorrer o controle judicial sobre os elementos vinculados do ato administrativo:
competência, forma e finalidade.

Gabarito: Letra A.

22. (2016/FCC/PGE-MT/Procurador) O Tribunal de Contas do Estado exerce relevante atividade


visando à observância dos princípios administrativos na condução dos negócios e na gestão do
patrimônio público. No exercício de suas funções, o Tribunal de Contas do Estado.
a) pode determinar o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras dos acusados
nos processos de tomada de contas.
b) produz atos administrativos com força de título executivo.
c) não possui jurisdição sobre os municípios, que estão sob controle externo dos Tribunais de Contas
municipais.
d) julga as contas do Governador do Estado, sendo sua decisão sujeita ao referendo pela Assembleia
Legislativa.
e) tem o poder de sustar imediatamente atos ou contratos considerados ilegais, caso o órgão ou entidade,
previamente notificados, não providenciem sua correção.

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a)incorreto. O § 2º do art. 44 da Lei 8443/1992 (Lei Orgânica do TCU) definiu que pode o TCU decretar a
indisponibilidade de bens do responsável para garantir o ressarcimento dos danos sob investigação:

Art. 44. No início ou no curso de qualquer apuração, o Tribunal, de ofício ou a requerimento do


Ministério Público, determinará, cautelarmente, o afastamento temporário do responsável, se
existirem indícios suficientes de que, prosseguindo no exercício de suas funções, possa retardar
ou dificultar a realização de auditoria ou inspeção, causar novos danos ao Erário ou inviabilizar o
seu ressarcimento.

§ 1° Estará solidariamente responsável a autoridade superior competente que, no prazo


determinado pelo Tribunal, deixar de atender à determinação prevista no caput deste artigo.

§ 2° Nas mesmas circunstâncias do caput deste artigo e do parágrafo anterior, poderá o Tribunal,
sem prejuízo das medidas previstas nos arts. 60 e 61 desta Lei, decretar, por prazo não superior
a um ano, a indisponibilidade de bens do responsável, tantos quantos considerados bastantes
para garantir o ressarcimento dos danos em apuração. (grifos não constantes do original)

Porém, em relação às contas e aplicações financeiras dos acusados, o TCU não recebeu poderes para tanto.
Diferentemente é a previsão constante do parágrafo 2º do art. 16 da Lei 8429/1992, in verbis:

Art. 16. Havendo fundados indícios de responsabilidade, a comissão representará ao Ministério


Público ou à procuradoria do órgão para que requeira ao juízo competente a decretação do
seqüestro dos bens do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano
ao patrimônio público.

§ 1º O pedido de seqüestro será processado de acordo com o disposto nos arts. 822 e 825 do
Código de Processo Civil.

§ 2° Quando for o caso, o pedido incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas
bancárias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos
tratados internacionais. (grifos não constantes do original)

Assim, nos procedimentos que visem à apuração de responsabilidade por danos ao erário, o Ministério
Público e a Procuradoria do ente lesado poderão fazer uso dos institutos jurídicos mencionados no §2º do
art. 16 da Lei de Improbidade Administrativa.

b)correto. As decisões dos Tribunais de Contas que imputem débitos ou multa terão eficácia de título
executivo, nos termos do §3º do art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de


título executivo. (grifos não constantes do original)

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c)incorreto. Em regra, os Tribunais de Contas Estaduais possuem jurisdição também sobre os órgãos
municipais, salvo nos casos dos Estados de Goiás, Pará e Bahia, que possuem os Tribunais de Contas dos
Municípios.

d)incorreto. Os Tribunais de Contas Estaduais não julgam as contas de Governador de Estado, uma vez que
cabe ao Legislativo Estadual tal incumbência. O que as Cortes de Contas fazem é emitir Parecer Prévio sobre
as contas do Chefe do Executivo. Este Parecer é enviado para a Assembleia Legislativa fazer o julgamento de
fato.

e)incorreto. Os Tribunais de Contas não sustam diretamente os contratos. Sustam apenas os atos
administrativos. Em relação aos contratos, depois de verificada a irregularidade, o Tribunal de Contas
concede um prazo para a regularização. Caso não seja resolvido, comunicará ao Poder Legislativo sobre tal
situação, conforme dispositivos abaixo:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos
Deputados e ao Senado Federal;

XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional,
que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as


medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito. (grifos não constantes
do original)

Gabarito: Letra B.

23. (2016/MPE-SC/MPE-SC /Promotor de Justiça) Qualquer cidadão será parte legítima para
resguardar judicialmente os bens necessários ao desempenho das funções públicas ou aqueles
merecedores de proteção especial em razão de seu valor à coletividade, podendo para tanto utilizar
a ação popular sem ter que, em qualquer caso, arcar com as custas judiciais e os ônus de
sucumbência.
( ) Certo ( ) Errado

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Comentários

Incorreto. Para pleitear a proteção do patrimônio público contra ato lesivo qualquer cidadão pode se utilizar
da Ação Popular. Em relação às custas, somente será obrigado a custear em caso de má fé, nos termos do
inciso LXXIII do art. 5º da CF/88, in verbis:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...)

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,
isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;

Gabarito: Errado.

24. (2016/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) A fiscalização da administração pública quanto à


legalidade, legitimidade e economicidade de seus atos será exercida pelo Congresso Nacional,
mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Há dever funcional
dos responsáveis pelo controle interno em comunicar qualquer irregularidade ao Tribunal de
Contas do respectivo ente político, sob pena de responsabilidade subsidiária.
( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Incorreto. De fato, o controle da administração pública relativo aos aspectos de legalidade, legitimidade,
economicidade caberá ao Congresso Nacional e aos Sistemas de Controles Internos de cada Poder, nos
termos do art. 70 da CF/88, in verbis:

Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e


das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade,
economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso
Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.

Porém, o dever funcional dos responsáveis pelo Controle Interno é de responsabilidade solidária, nos termos
do §1º, art. 74 da CF/88, in verbis:

Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno com a finalidade de:

(...)

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§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer


irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de
responsabilidade solidária. (grifos não constantes do original)

Gabarito: Errado.

25. (2016/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) Compete aos Tribunais de Contas julgar as contas dos
administradores públicos. No exercício desta competência, ele pode apreciar a constitucionalidade
tanto das leis quanto dos atos do poder público.
( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Correto. Nos termos da Súmula 347 do STF, “O Tribunal de Contas, no exercício de suas
atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público”.

Assim, a apreciação de constitucionalidade somente pode ocorrer no controle difuso, cujos efeitos ficam
restritos às partes.

Obs: A doutrina e Jurisprudência ainda divergem sobre esta possibilidade dos Tribunais de Contas.

Gabarito: Certo.

26. (2016/FCC/PREFEITURA DE CAMPINAS-SP/Procurador) Os contratos celebrados pela


Administração pública municipal estão sujeitos a controle, não só interno, mas também externo.
Dentre as possibilidades deste controle destaca-se o controle exercido
a) pelos Tribunais de Contas, que podem ingressar no mérito dos atos e contratos, como medida de exame
de economicidade, bem como exercer competências sancionatórias e corretivas, desta sendo exemplo a
sustação de ato impugnado, ainda que seja necessária posterior comunicação ao Legislativo.
b) pelos Tribunais de Contas, desde que caracterizada a natureza de contrato administrativo nos quais a
Administração pública exerça prerrogativas típicas das cláusulas exorbitantes, para que se evidencie eventual
desatendimento aos princípios da economicidade, legalidade e isonomia.
c) pelo Poder Judiciário, na qualidade de verificação superior dos critérios de legalidade e economicidade ou
como instância revisora das decisões proferidas pelas Cortes de contas.
d) pelo Poder Legislativo, com auxílio dos Tribunais de Contas, aos quais compete a sustação da execução de
atos e contratos cuja irregularidade ou ilegalidade não tenha sido sanada pela Administração pública.
e) pela Administração pública central em relação aos contratos celebrados pelos entes integrantes da
Administração indireta, podendo, nos casos de ilegalidade não sanada pelo ente, determinar a sustação da
execução do ajuste.

Comentários
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a)correto. Os Tribunais de Contas, órgãos auxiliares no exercício do controle externo, possuem competência
para a fiscalização orçamentária, financeira, patrimonial, operacional e contábil sob o aspecto da legalidade,
economicidade, legitimidade, etc. Além disso, podem sustar os atos administrativos que impliquem no uso
de recursos públicos, devendo fazer a comunicação ao Poder Legislativo.

b)incorreto. Os Tribunais de Contas não sustam diretamente os contratos. Sustam apenas os atos
administrativos. Em relação aos contratos, depois de verificada a irregularidade, o Tribunal de Contas
concede um prazo para a regularização. Caso não seja resolvido, comunicará ao Poder Legislativo sobre tal
situação, conforme dispositivos abaixo:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos
Deputados e ao Senado Federal;

XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional,
que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as


medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito. (grifos não constantes
do original)

c)incorreto. Haverá o controle judicial dos atos administrativos tão somente sob o aspecto da legalidade.
Além disso, Os Tribunais de Contas possuem competências para julgar e executar suas decisões.

d)incorreto. Os Tribunais de Contas não sustam diretamente os contratos administrativos, cabendo ao Poder
Legislativo tal competência.

e)incorreto. Os Tribunais de Contas não sustam os contratos, tal competência pertence ao Poder Legislativo.

Gabarito: Letra A.

27. (2016/IOBV/PREFEITURA DE CHAPECÓ-SC/Procurador Municipal) Assinale a alternativa incorreta:


a) As decisões administrativas do Tribunal de Contas que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia
de título executivo.
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b) O Tribunal de Contas do Estado deve ter livre acesso às operações financeiras realizadas pelas entidades
de direito privado da Administração Indireta submetidas ao seu controle financeiro, porquanto são
operacionalizadas mediante o emprego de recursos de origem pública, não podendo haver oposição com
base no sigilo constitucional de dados.
c) Os responsáveis pelo controle interno de um Município, ao tomarem ciência de qualquer irregularidade
ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas do Estado, sob pena de responsabilidade solidária.
d) O Tribunal de Contas em tomada de contas especial pode decretar a quebra de sigilo bancário e
empresarial de particulares, uma vez que tal medida é feita com base na supremacia do interesse público
sobre o privado na fiscalização do interesse financeiro do Erário.

Comentários

a)correto. As decisões dos Tribunais de Contas que imputem débitos ou multa terão eficácia de título
executivo, nos termos do §3º do art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

§ 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de


título executivo. (grifos não constantes do original)

b)correto. O tema foi objeto de julgado pelo STJ em Mandando de Segurança nº 33.340(816), conforme a
seguir:

EMENTA: DIREITO ADMINISTRATIVO. CONTROLE LEGISLATIVO FINANCEIRO. CONTROLE


EXTERNO. REQUISICAO PELO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIAO DE INFORMACOES ALUSIVAS A
OPERACOES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS IMPETRANTES. RECUSA INJUSTIFICADA. DADOS
NAO ACOBERTADOS PELO SIGILO BANCARIO E EMPRESARIAL.

(...)

4. Operações financeiras que envolvam recursos públicos não estão abrangidas pelo sigilo
bancário a que alude a Lei Complementar nº 105/2001, visto que as operações dessa espécie
estão submetidas aos princípios da administração pública insculpidos no
art. 37 da Constituição Federal. Em tais situações, é prerrogativa constitucional do Tribunal
[TCU] o acesso a informações relacionadas a operações financiadas com recursos públicos.

(...)

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7. O Tribunal de Contas da União não está autorizado a, manu militari, decretar a quebra de
sigilo bancário e empresarial de terceiros, medida cautelar condicionada à prévia anuência do
Poder Judiciário, ou, em situações pontuais, do Poder Legislativo. Precedente: MS 22.801,
Tribunal Pleno, Rel. Min. Menezes Direito, DJe 14.3.2008. (grifos não constantes do original)

c)correto. O dever funcional dos responsáveis pelo Controle Interno é de responsabilidade solidária, nos
termos do §1º, art. 74 da CF/88, in verbis:

Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno com a finalidade de:

(...)

§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer


irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de
responsabilidade solidária. (grifos não constantes do original)

d)incorreto. O Tribunal de Contas não está autorizado a decretar a quebra do sigilo bancário e empresarial
de terceiros, uma vez que tal competência pertence ao Poder Judiciário, como se pode ver no comentário
da alternativa “B”.

Gabarito: Letra D.

28. (2016/IOBV/PREFEITURA DE CHAPECÓ-SC/Procurador Municipal) Os Tribunais de Contas possuem


competência constitucional para, a exceção:
a) julgar as contas de quaisquer administradores, enquanto ordenadores de despesas de recursos públicos.
b) julgar as contas do Poder Legislativo.
c) julgar as contas do chefe do poder executivo.
d) julgar as contas do Poder Judiciário.

Comentários

O regramento constitucional relativo a fiscalização orçamentária e financeira funciona da seguinte forma:

Os Tribunais de Contas apreciam as contas do Presidente da República, Governadores e Prefeitos Municipais:


emitem parecer prévio e encaminham para estes serem julgados pelo Poder Legislativo de cada ente;

Os Tribunais de Contas julgam as contas dos demais administradores (Poder Judiciário, Poder Legislativo,
Ministério Público, Defensoria Pública, etc).

Dessa forma, os Tribunais de Contas não julgam as contas dos Chefes do Poder Executivo, apenas emitem
Parecer Prévio. Com base neste, o Poder Legislativo de cada ente irá fazer o julgamento.
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Tais disposições constam nos artigos seguintes extraídos da CF/88:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer


prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;

II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores
públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e
mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou
outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;

(...)

Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização,
composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como
dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios. (grifos não constantes do original)

Dessa forma, a única alternativa incorreta é a constante na letra “C”, uma vez que os Tribunais de Contas
não julgam as contas dos Chefes do Poder Executivo, apenas emitem Parecer Prévio.

Gabarito: Letra C.

29. (2016/TRF-4ª REGIÃO/TRF-4ª REGIÃO/Juiz Federal) Dadas as assertivas abaixo, assinale a


alternativa correta.
I. Ofende os princípios da antiguidade e da proporcionalidade a vedação de que, antes de completado
período mínimo de três anos, servidor federal dispute remoção para localidades que serão oferecidas a
novos concursados.
II. O Tribunal de Contas da União não dispõe, constitucionalmente, de poder para rever decisão judicial
transitada em julgado, nem para determinar a suspensão de benefícios garantidos por sentença transitada
em julgado, ainda que o direito reconhecido pelo Poder Judiciário não tenha o beneplácito da jurisprudência
prevalente no âmbito do Supremo Tribunal Federal.
III. O prazo decadencial para que a Administração anule ou revogue os próprios atos, previsto na Lei nº
9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, não se consuma
no período compreendido entre a concessão de aposentadoria ou pensão e o posterior julgamento de sua
legalidade e registro pelo Tribunal de Contas da União.
a) Estão corretas apenas as assertivas I e II.
b) Estão corretas apenas as assertivas I e III.
c) Estão corretas apenas as assertivas II e III.
d) Estão corretas todas as assertivas.
e) Nenhuma assertiva está correta.
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Comentários

I)correto. O tema foi objeto de debates no STF, conforme a decisão em Recurso Extraordinário a seguir:

Supremo Tribunal Federal STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO : ARE 5037017-
51.2015.4.04.7100 RS - RIO GRANDE DO SUL 5037017-51.2015.4.04.7100

Decisão: Vistos. Trata-se de agravo contra decisão que inadmitiu recurso extraordinário
interposto contra acórdão da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim
ementado: “ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO CIVIL. CONCURSO DE REMOÇÃO. EXIGÊNCIA
MÍNIMA DE TRÊS ANOS DE EXERCÍCIO PARA PARTICIPAÇÃO. PREFERÊNCIA EM RELAÇÃO AOS
APROVADOS NO CERTAME PARA PROVIMENTO INICIAL DE CARGOS. PRINCÍPIO DA
PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. 1. Ainda que o artigo 28 da Lei 11.415/06 disponha que
'o servidor cuja lotação for determinada em provimento inicial de cargo da carreira deverá
permanecer na unidade administrativa ou ramo em que foi lotado pelo prazo mínimo de 3 (três)
anos, só podendo ser removido nesse período no interesse da administração', a interpretação a
lhe ser emprestada deve levar em conta o princípio da proporcionalidade, notadamente no que
tange à proporcionalidade estrita (razoabilidade). 2. Aquele que possui expectativa de ingresso
nos quadros públicos funcionais da instituição como servidor não pode preterir aquele que já
é servidor do quadro e, portanto, com maior tempo de permanência neste, revelando-se como
critério de preferência na escolha, em favor deste, sua antiguidade, não sendo possível
alcançar-se àquele a prioridade na escolha de vaga criada por lei ou deixada por outro servidor
em cidades mais visadas. 3. Possibilitar ao servidor mais antigo, mas que ainda não tenha
completado três anos no cargo, a relotação nas vagas remanescentes, além de privilegiar o
critério da antiguidade, não fere o interesse público - ao contrário, atende-o em igual ou até
mesmo em maior medida, uma vez que a vaga não deixará de ser preenchida. (grifos não
constantes do original)

II- correto. O tema foi objeto de debate no MS nº 28150 - DF a seguir exposto:

EMENTA: DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INTEGRAL OPONIBILIDADE DESSE ATO


ESTATAL AO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. CONSEQÜENTE IMPOSSIBILIDADE DE
DESCONSTITUIÇÃO, NA VIA ADMINISTRATIVA, DA AUTORIDADE DA COISA JULGADA. EXISTÊNCIA,
AINDA, NO CASO, DE OUTRO FUNDAMENTO CONSTITUCIONALMENTE RELEVANTE: O PRINCÍPIO
DA SEGURANÇA JURÍDICA. A BOA-FÉ E A PROTEÇÃO DA CONFIANÇA COMO PROJEÇÕES
ESPECÍFICAS DO POSTULADO DA SEGURANÇA JURÍDICA. MAGISTÉRIO DA DOUTRINA. SITUAÇÃO
DE FATO ' JÁ CONSOLIDADA NO PASSADO ' QUE DEVE SER MANTIDA EM RESPEITO À BOA-FÉ E À
CONFIANÇA DO ADMINISTRADO, INCLUSIVE DO SERVIDOR PÚBLICO. NECESSIDADE DE
PRESERVAÇÃO, EM TAL CONTEXTO, DAS SITUAÇÕES CONSTITUÍDAS NO ÂMBITO DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PRECEDENTES. DELIBERAÇÃO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO
QUE IMPLICA SUPRESSÃO DE PARCELA DOS PROVENTOS DO SERVIDOR PÚBLICO. CARÁTER
ESSENCIALMENTE ALIMENTAR DO ESTIPÊNDIO FUNCIONAL. PRECEDENTES. MEDIDA CAUTELAR
DEFERIDA. - O Tribunal de Contas da União não dispõe, constitucionalmente, de poder para
rever decisão judicial transitada em julgado (RTJ 193/556-557) nem para determinar a
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suspensão de benefícios garantidos por sentença revestida da autoridade da coisa julgada (RTJ
194/594), ainda que o direito reconhecido pelo Poder Judiciário não tenha o beneplácito da
jurisprudência prevalecente no âmbito do Supremo Tribunal Federal, pois a 'res judicata' em
matéria civil só pode ser legitimamente desconstituída mediante ação rescisória. (grifos não
constantes do original)

III-correto. O tema foi objeto de debates no Mandado de Segurança nº 24.781 no STF, conforme a seguir:

Negativa de registro de aposentadoria julgada ilegal pelo TCU. Decisão proferida após mais de 5
(cinco) anos da chegada do processo administrativo ao TCU e após mais de 10 (dez) anos da
concessão da aposentadoria pelo órgão de origem. Princípio da segurança jurídica (confiança
legítima). Garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Exigência. 5. Concessão
parcial da segurança. I — Nos termos dos precedentes firmados pelo Plenário desta Corte, não
se opera a decadência prevista no art. 54 da Lei 9.784/1999 no período compreendido entre o
ato administrativo concessivo de aposentadoria ou pensão e o posterior julgamento de sua
legalidade e registro pelo Tribunal de Contas da União — que consubstancia o exercício da
competência constitucional de controle externo (art. 71, III, CF/1988). II — A recente
jurisprudência consolidada do STF passou a se manifestar no sentido de exigir que o TCU assegure
a ampla defesa e o contraditório nos casos em que o controle externo de legalidade exercido
pela Corte de Contas, para registro de aposentadorias e pensões, ultrapassar o prazo de cinco
anos, sob pena de ofensa ao princípio da confiança — face subjetiva do princípio da segurança
jurídica. Precedentes. III — Nesses casos, conforme o entendimento fixado no presente julgado,
o prazo de 5 (cinco) anos deve ser contado a partir da data de chegada ao TCU do processo
administrativo de aposentadoria ou pensão encaminhado pelo órgão de origem para julgamento
da legalidade do ato concessivo de aposentadoria ou pensão e posterior registro pela Corte de
Contas. IV — Concessão parcial da segurança para anular o acórdão impugnado e determinar ao
TCU que assegure ao impetrante o direito ao contraditório e à ampla defesa no processo
administrativo de julgamento da legalidade e registro de sua aposentadoria, assim como para
determinar a não devolução das quantias já recebidas. V — Vencidas (i) a tese que concedia
integralmente a segurança (por reconhecer a decadência) e (ii) a tese que concedia parcialmente
a segurança apenas para dispensar a devolução das importâncias pretéritas recebidas, na forma
do que dispõe a Súmula 106 do TCU.
[MS 24.781, rel. min. Ellen Gracie, red. p/ o ac. min. Gilmar Mendes, P, j. 2-3-2011, DJE 110 de 9-6-
2011.](grifos não constantes do original)

Gabarito: Letra D.

30. (2016/FAURGS/TJ-RS/Juiz de Direito) Acerca do controle externo e interno da Administração


Pública, assinale a alternativa correta.
a) O controle externo dos Municípios onde não houver Tribunal de Contas ou Conselhos ou Tribunais de
Contas dos Municípios será exercido pelo respectivo Tribunal de Contas do Estado de cujas decisões cabe
recurso à Câmara Municipal.

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b) As agências reguladoras integram o sistema de controle externo da administração pública direta e indireta
como auxiliares do Tribunal de Contas.
c) A Constituição Estadual, em função da autonomia dos Estados-membros, fixará o número de Conselheiros
do Tribunal de Contas do Estado.
d) O Tribunal de Contas, como auxiliar do controle externo, a cargo do Poder Legislativo e dele integrante,
será organizado segundo o modelo constitucional das corporações legislativas respectivas.
e) Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno,
com a finalidade de, entre outras, apoiar o controle externo no exercício da sua missão institucional.

Comentários

a)incorreto. O controle externo dos Municípios cabe à Câmara Municipal com o auxílio do Tribunal de Contas
do Estado ou dos Municípios, onde houver. O Parecer Prévio emitido pelo Tribunal de Contas somente
deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara Municipal.

Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante
controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma
da lei.

1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de Contas
dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde
houver.

§ 2º O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve
anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara
Municipal.

§ 3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente, à disposição de


qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade,
nos termos da lei.

§ 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.

Não existe recurso enviado para a Câmara Municipal. O que existe é que o Parecer Prévio emitido pelo
Tribunal de Contas é encaminhado para julgamento pela Câmara Municipal, podendo deixar de prevalecer
por decisão de dois terços dos seus membros.

b)incorreto. As agências reguladoras são pessoas jurídicas pertencentes a Administração Indireta. Assim
como todos os órgãos, possuem seus sistemas de controle interno, que apoiarão o controle externo no
exercício de sua missão institucional, como se depreende do inciso IV e §1º do art. 74 da CF/88, in verbis:

Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno com a finalidade de:

121

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(...)

IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.

§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer


irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de
responsabilidade solidária. (grifos não constantes do original)

c)Incorreto. O número de Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais é fixado pela CF/88, nos termos
seguintes:

Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização,
composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como
dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios.

Parágrafo único. As Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos,


que serão integrados por sete Conselheiros. (grifos não constantes do original)

Dessa forma, a CF limita em 7 Conselheiros.

d)incorreto. O Tribunal de Contas auxilia o Legislativo no controle externo. Porém, as Cortes de Contas não
são órgãos integrantes do Legislativo, sendo órgãos independentes.

e)correto. A assertiva está em consonância com o disposto no inciso IV do art. 74 da CF/88, in verbis:

Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno com a finalidade de:

(...)

IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.

§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer


irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de
responsabilidade solidária. (grifos não constantes do original)

Gabarito: Letra E.

31. (2016/VUNESP/PREFEITURA DE SERTÃOZINHO-SP/Procurador)Julgar as contas dos


administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da Administração
direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, e
as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte
prejuízo ao erário público é competência constitucionalmente atribuída ao
a) Poder Judiciário de âmbito Estadual, aos juízes vinculados ao Tribunal de Justiça do respectivo Estado.
b) Poder Judiciário de âmbito Federal, aos juízes vinculados ao Tribunal Regional Federal daquela Região.
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c) Tribunal de Contas que atue no âmbito daquele ente federativo.


d) sistema de controle interno de cada Poder.
e) controle externo a cargo do Poder Legislativo, que será exercido com o auxílio do Ministério Público.

Comentários

A questão trata de uma das competências constitucionais dos Tribunais de Contas constante no inciso II do
art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores
públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e
mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio
ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;

(...)

Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização,
composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como
dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios.

Parágrafo único. As Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos,


que serão integrados por sete Conselheiros. (grifos não constantes do original)

Dessa forma, o gabarito é a letra “c”, uma vez que, embora o dispositivo trate das competências do TCU, as
Cortes de Contas Estaduais seguem essas mesmas regras (caput art. 75 da CF).

Gabarito: Letra C.

32. (2016/CESPE/TJ-AM/Juiz de Direito) Acerca do controle da administração pública, assinale a opção


correta:
a) Não cabe mandado de segurança contra ato de gestão comercial praticado por administrador de empresa
pública, de sociedade de economia mista ou de concessionária de serviço público.
b) É exemplo de controle constitucional interno a determinação de que as contas dos municípios fiquem à
disposição dos contribuintes, para exame e apreciação, durante sessenta dias a cada ano, podendo o
contribuinte questionar-lhes a legitimidade.
c) A CF não prevê expressamente que o Poder Legislativo possa fiscalizar e controlar diretamente os atos da
administração indireta.

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d) A recusa da administração em corrigir dados incorretos, por solicitação da pessoa interessada, natural ou
jurídica, é condição de procedibilidade para o ajuizamento de habeas data.
e) Qualquer pessoa física ou jurídica é parte legítima para propor ação popular que vise anular ato lesivo ao
patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.

Comentários

a)correto. Tal determinação consta no §2º do art. 1º da Lei 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança),
nos seguintes termos:

Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder,
qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de
autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.

(...)

§ 2o Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos
administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias
de serviço público. (grifos não constantes do original)

b)incorreto. A fiscalização dos atos de gestão pelos cidadãos caracteriza exercício do controle externo,
exercido por meio de ação popular, por exemplo.

c)incorreto. A CF prevê a fiscalização dos órgãos da administração direta de forma exclusiva pelo Congresso
Nacional, nos termos do inciso X, art. 49, in verbis:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

(...)

X - fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder


Executivo, incluídos os da administração indireta;(grifos não constantes do original)

d)correto. Para Hely Lopes Meirelles (p. 862, 2016),

Habeas data é o meio constitucional posto à disposição de pessoa física ou jurídica para lhe
assegurar o conhecimento de registros concernentes ao postulante e constantes de repartições
públicas ou particulares acessíveis ao público, ou para retificação de seus dados pessoais (CF, art.
52 , LXXII, "a" e "b").

Tal previsão também consta no enunciado da súmula do STJ nº 2 nos termos seguintes: “NÃO CABE O
HABEAS DATA (CF, ART. 5., LXXII, LETRA “A”) SE NÃO HOUVE RECUSA DE INFORMAÇÕES POR PARTE DA
AUTORIDADE ADMINISTRATIVA”.
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A banca inicialmente tinha considerado como incorreto, mas após as análises dos recursos mudou o gabarito
para correto, ocasionando na anulação da questão, uma vez que a alternativa “A” também está correta.

e)incorreto. Apenas os cidadãos são competentes para ajuizar a ação popular, nos termos do inciso LXXIII do
art. 5° da CF/88, in verbis:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...)

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,
isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;(grifos não constantes do original)

Gabarito: Anulado.

33. (2016/VUNESP/PREFEITURA DE ROSANA-SP/Procurador Municipal) O controle externo da


Administração Pública do Município de Rosana, a cargo da Câmara Municipal, será exercido com o
auxílio do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, ao qual compete:
a) julgar as contas do Prefeito Municipal, dos administradores e dos demais responsáveis por dinheiros, bens
e valores públicos da administração direta e indireta municipal.
b) fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União, mediante convênio, acordo, ajuste ou
outros instrumentos congêneres, para a Municipalidade de Rosana.
c) constatada ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas no âmbito Municipal, aplicar as sanções
previstas em lei, entre elas, a multa proporcional ao dano causado ao erário e a inelegibilidade pelo prazo
de quatro (4) a oito (8) anos.
d) assinar prazo para que a Municipalidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei,
se verificada ilegalidade, sustando, se não atendido, os atos ou contratos eivados de ilegalidade.
e) apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na
administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público Municipal,
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão.

Comentários

a)incorreto. Não cabe ao Tribunal de Contas julgar as contas do Prefeito Municipal, mas tão somente emitir
Parecer Prévio. O julgamento das contas neste caso é de incumbência da Câmara Municipal. Já as contas dos
demais administradores e demais responsáveis por dinheiro, bens e valores públicos municipais é de
competência do Tribunal de Contas. Tais regras constam nos incisos I e II do art. 71 da CF/88, in verbis:

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Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer


prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;

II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores
públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e
mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio
ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público; (grifos não constantes do
original)

b)incorreto. Não cabe aos Tribunais de Contas Estaduais fiscalizar os recursos oriundos de convênios da
União. Tal competência é do TCU, nos termos do inciso IV do art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante


convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito
Federal ou a Município;(grifos não constantes do original)

c)incorreto. A inelegibilidade ocorrerá pelo período de 05 a 08 anos nos atos que causem prejuízo ao erário,
conforme inciso VIII do art. 71 da CF/88 c/c inciso II do art. 12 da Lei 8.429/92, in verbis:

CRFB/88

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de
Contas da União, ao qual compete:

(...)

VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções
previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao
erário; (grifos não constantes do original)

Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8429/92)

Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação
específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que
podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do
fato: (Redação dada pela Lei nº 12.120, de 2009).

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(...)

II - na hipótese do art. 10, ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou valores acrescidos
ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância, perda da função pública, suspensão
dos direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de multa civil de até duas vezes o valor
do dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais
ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja
sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos; (grifos não constantes do original)

d)incorreto. Os Tribunais de Contas não sustam diretamente os contratos. Sustam apenas os atos
administrativos. Em relação aos contratos, depois de verificada a irregularidade, o Tribunal de Contas
concede um prazo para a regularização. Caso não seja resolvido, comunicará ao Poder Legislativo sobre tal
situação, conforme dispositivos abaixo:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos
Deputados e ao Senado Federal;

XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional,
que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as


medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito. (grifos não constantes
do original)

e)correto. A assertiva está em consonância com o disposto no inciso III do art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer
título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo
Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a
das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores
que não alterem o fundamento legal do ato concessório; (grifos não constantes do original)

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Gabarito: Letra E.

34. (2016/UECE-CEV/DER-CE/Procurador) Assinale a opção que apresenta uma espécie de controle da


Administração Pública.
a) Tribunal de Contas.
b) Corregedoria.
c) Congresso Nacional.
d) Assembleia Legislativa.

Comentários

A questão quer saber qual dentre as opções exerce a atividade de controle interno.

Dentre as quatro alternativas, três delas exercem a atividade de controle externo sobre o Poder Executivo,
com exceção das Corregedorias, que também podem ser vinculadas ao Executivo.

Para Hely Lopes Meirelles (p.802, 2016),

O controle administrativo deriva do poder-dever de autotutela que a Administração tem sobre


seus próprios atos e agentes. Esse controle é normalmente exercido pelos órgãos superiores
sobre os inferiores(controle hierárquico próprio das chefias e corregedorias), com auxílio de
órgãos incumbidos do julgamento de recursos (controle hierárquico impróprio) ou, ainda, de
órgãos especializados em determinadas verificações (controle técnico de auditorias etc.), mas
integrantes da mesma Administração, pelo quê se caracteriza como controle interno, pois que
o externo é sempre atribuído a órgão estranho ao Executivo. (grifos não constantes do original)

Gabarito: Letra B.

35. (2016/FAU/PREFEITURA DE CHOPINZINHO-PR/Procurador) O controle administrativo pode ser


entendido como uma a faculdade de vigilância, orientação e correção que um Poder, órgão ou
autoridade exerce sobre a conduta funcional de outro. No que concerne ao tema em epígrafe, é
CORRETO afirmar que:
a) De acordo com a Constituição Federal, os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento
de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de
ser reconhecida sua responsabilidade subsidiária.
b) O controle de legalidade e legitimidade somente verifica a compatibilidade entre o ato e o disposto na
norma legal positivada, sem contudo apreciar os aspectos relativos à observância obrigatória dos princípios
administrativo.
c) Os atos administrativos podem ser anulados e revogados mediante o exercício do controle judicial.

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d) O controle externo ocorre quando um Poder exerce controle sobre os atos administrativos praticados por
outro Poder, podendo citar como exemplo a apreciação das contas do Executivo e do Judiciário pelo
Legislativo.
e) O controle que as chefias exercem nos atos de seus subordinados dentro de um órgão público é
considerado um controle externo.

Comentários

a)incorreto. A responsabilidade dos dirigentes do Controle Interno será solidária, nos termos do 1º do art.
74 da CF/88, in verbis:

Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno com a finalidade de:

(...)

§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer


irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de
responsabilidade solidária. (grifos não constantes do original)

b)incorreto. O controle da legalidade e legitimidade também analisa outros aspectos, inclusive dos princípios
administrativos. Para Hely Lopes Meirelles (p. 799, 2016),

Controle de legalidade ou legitimidade - É o que objetiva verificar unicamente a conformação


do ato ou do procedimento administrativo com as normas legais que o regem. Mas por
legalidade ou legitimidade deve-se entender não só o atendimento de normas legisladas como,
também, dos preceitos da Administração pertinentes ao ato controlado. Assim, para fins deste
controle, consideram-se normas legais desde as disposições constitucionais aplicáveis até as
instruções normativas do órgão emissor do ato ou os editais compatíveis com as leis e
regulamentos superiores. (grifos não constantes do original)

c)incorreto. Os atos judiciais não podem revogar os atos administrativos, podendo apenas anulá-los.

d)correto. O conceito de Controle Externo se caracteriza quando um Poder exerce fiscalização sobre os atos
de outro Poder ou, então, quando o que faz a fiscalização não pertence à estrutura organizacional do
fiscalizado.

e)incorreto. O caso em análise se caracteriza como exercício do controle interno, pois o que fiscaliza e aquele
que é fiscalizado pertencem à mesma estrutura organizacional (mesmo Poder).

Gabarito: Letra D.

36. (2016/VUNESP/PREFEITURA DE VÁRZEA PAULISTA-SP/Procurador Jurídico) No que concerne ao


controle judicial dos atos administrativos, é correto afirmar que o Brasil adota o Sistema

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a) do Contencioso Administrativo, podendo ser preventivo ou corretivo e decorrente de ações


constitucionais: habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação popular e
ação civil pública.
b) do Contencioso Administrativo, podendo ser unicamente corretivo e decorrente de ações constitucionais:
habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação popular e ação civil pública.
c) misto (Contencioso Administrativo e Unidade de Jurisdição), podendo ser preventivo ou corretivo e
decorrente de ações constitucionais: habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de
injunção, ação popular e ação civil pública.
d) da Unidade de Jurisdição, podendo ser preventivo ou corretivo e decorrente de ações constitucionais:
habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação popular e ação civil pública.
e) da Unidade de Jurisdição, podendo ser unicamente corretivo e decorrente de ações constitucionais:
habeas corpus, habeas data, mandado de segurança, mandado de injunção, ação popular e ação civil pública.

Comentários

O sistema jurídico nacional adotou o sistema de jurisdição única, pelo qual a coisa julgada somente ocorrerá
mediante controle judicial dos atos. Dessa forma, no âmbito administrativo, mesmo que as demandas sejam
julgadas por todas as instâncias no âmbito administrativo, ainda assim serão possíveis os debates no âmbito
judicial.

O controle judicial dos atos pode ser corretivo ou preventivo. Tais controles são exercidos por intermédio
das ações constitucionais.

Dessa forma, o gabarito é a letra “D”. Os demais itens estão incorretos.

Gabarito: Letra D.

37. (2016/MPE-RS/MPE-RS/Promotor de Justiça) Em relação ao controle e fiscalização da


administração municipal, assinale a alternativa correta .
a) É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.
b) A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e
pelos sistemas de controle interno do Poder Legislativo Municipal, na forma da lei.
c) O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar,
só deixará de prevalecer por decisão da maioria absoluta dos membros da Câmara Municipal.
d) Na apreciação das contas de gestão do Prefeito Municipal é vedada a imposição de multa ou a
determinação de ressarcimento ao erário, o que dependerá de sentença judicial transitada em julgado.
e) Ao flagrar falhas relacionadas a ato de admissão de pessoal no âmbito do Município, o Tribunal de Contas
exonerará imediatamente o servidor indevidamente nomeado.

Comentários

130

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a)correto. Nos termos do §4º do art. 31 da CF/88, “é vedado a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de
Contas Municipais”. Porém, por meio de ADI, o STF veio esclarecer que a proibição recai nos casos em que
os municípios estejam pleiteando a criação de seus próprios Tribunais, Conselhos ou órgãos municipais de
contas, nos termos seguintes:

A Constituição da República impede que os Municípios criem os seus próprios tribunais,


conselhos ou órgãos de contas municipais (CF, art. 31, § 4º), mas permite que os Estados-
membros, mediante autônoma deliberação, instituam órgão estadual denominado Conselho
ou Tribunal de Contas dos Municípios (RTJ 135/457, rel. min. Octavio Gallotti – ADI 445/DF, rel.
min. Néri da Silveira), incumbido de auxiliar as câmaras municipais no exercício de seu poder de
controle externo (CF, art. 31, § 1º). Esses conselhos ou tribunais de contas dos Municípios –
embora qualificados como órgãos estaduais (CF, art. 31, § 1º) – atuam, onde tenham sido
instituídos, como órgãos auxiliares e de cooperação técnica das câmaras de vereadores. A
prestação de contas desses tribunais de contas dos Municípios, que são órgãos estaduais (CF, art.
31, § 1º), há de se fazer, por isso mesmo, perante o tribunal de contas do próprio Estado, e não
perante a assembleia legislativa do Estado-membro. Prevalência, na espécie, da competência
genérica do tribunal de contas do Estado (CF, art. 71, II, c/c art. 75).[ ADI 687, rel. min. Celso de
Mello, j. 2-2-1995, P, DJ de 10-2-2006.] (grifos não constantes do original)

Diferentemente é o caso de serem criados Tribunais, Conselhos ou órgãos municipais de contas, sob a
competência estadual.

Atualmente, existem os Tribunais de Contas dos Municípios de Goiás, do Pará e da Bahia. Embora sejam para
fiscalizar as contas dos gestores públicos municipais, esses órgãos são estaduais. Por fim, a nível municipal
temos dois Tribunais de Contas: o do município de São Paulo e o do município do Rio de Janeiro. Estas duas
situações hoje não são permitidas pela CF/88.

b)incorreto. O enunciado errou ao mencionar que a fiscalização do Município poderá ser exercida pelo
controle interno da Câmara Municipal, quando o correto é controle interno do Executivo Municipal, nos
termos seguintes:

Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante
controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma
da lei.

c)incorreto. O Parecer Prévio emitido pelos Tribunais de Contas na análise das contas dos Chefes do Poder
Executivo Municipal poderá deixar de prevalecer pelo voto de dois terços dos Membros da Câmara
Municipal, nos termos do § 2º do art. 31 da CF/88, in verbis: ”O parecer prévio, emitido pelo órgão
competente sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por
decisão de dois terços dos membros da Câmara Municipal.”

d)incorreto. O Tribunal de Contas pode aplicar multa aos gestores e também decidir pelo ressarcimento ao
erário, nos termos do inciso VIII do art. 71 da CF/88, in verbis:

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Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas,


as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao
dano causado ao erário; (grifos não constantes do original)

e)incorreto. O Tribunal de Contas apenas aprecia os atos de legalidade na admissão de pessoal, nos termos
do inciso III do art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título,
na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder
Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das
concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que
não alterem o fundamento legal do ato concessório; (grifos não constantes do original)

Gabarito: Letra A.

38. (2015/CESPE/DPE-RN/Defensor Público) Tendo em vista que, relativamente aos mecanismos de


controle da administração pública, a própria CF dispõe que os Poderes Legislativo, Executivo e
Judiciário manterão, integradamente, sistemas de controle interno em suas respectivas esferas,
assinale a opção que apresenta exemplo de meio de controle interno da administração pública .
a) Fiscalização realizada por órgão de controladoria da União sobre a execução de determinado programa
de governo no âmbito da administração pública federal.
b) Controle do Poder Judiciário sobre os atos do Poder Executivo em ações judiciais.
c) Sustação, pelo Congresso Nacional, de atos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar.
d) Julgamento das contas dos administradores e dos demais responsáveis por dinheiro, bens e valores
públicos da administração direta e indireta realizado pelos TCs.
e) Ação popular proposta por cidadão visando à anulação de determinado ato praticado pelo Poder Executivo
municipal, considerado lesivo ao patrimônio público.

Comentários

a)correto. A Controladoria Geral da União é órgão integrante da Administração Direta do Poder Executivo
Federal com incumbência de exercer a atividade de controle interno no Poder Executivo Federal.

132

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b)incorreto. Trata-se do Poder Judiciário exercendo controle externo dos atos do Poder Executivo.

c)incorreto. A sustação pelo Congresso Nacional de atos do Poder Executivo é característica de controle
externo, pois um Poder está fazendo controle sobre o outro.

d)incorreto. Julgamento das contas de administradores públicos pelos Tribunais de Contas caracteriza
exercício de controle externo, pois um Poder está fazendo controle sobre o outro.

e)incorreto. A ação popular proposta por cidadão contra ato lesivo do patrimônio público é um controle
social, não caracterizado como controle interno.

Gabarito: Letra A.

39. (2015/ESAF/PGFN/Procurador da Fazenda Nacional) O Prefeito do Município X decidiu construir,


defronte à sede da Prefeitura, um monumento em homenagem a seu avô, fundador da
universidade local. A obra teria 20 metros e seria esculpida em mármore e aço. A associação de
pais de crianças portadoras de necessidades especiais ajuizou ação civil pública para impedir a
construção do monumento, sob a alegação de que os recursos envolvidos na aludida homenagem
seriam suficientes para a reforma e adaptação de acessibilidade das escolas municipais, de forma
a proporcionar o pleno acesso de pessoas com deficiência. Os procuradores do município
argumentaram que a construção do monumento visa a preservar a memória da cidade, bem como
que a alocação de recursos seria ato discricionário do Prefeito. Diante do relatado e com base na
jurisprudência atual sobre o controle jurisdicional da administração pública, assinale a opção
correta.
a) O ato do Prefeito, embora discricionário, é passível de controle pelo Poder Judiciário, a fim de que este
avalie a conformidade desse ato com os mandamentos constitucionais.
b) O Poder Judiciário, se entender pela violação a princípio da administração pública, poderá revogar o ato
administrativo expedido pelo Prefeito.
c) O ato discricionário não é sindicável pelo Poder Judiciário.
d) Neste caso, o Poder Judiciário poderá decidir pela alteração do projeto e do material a ser utilizado no
monumento, de forma a diminuir os custos da obra.
e) A associação de pais de crianças portadoras de necessidades especiais não tem legitimidade para ajuizar
ação civil pública.

Comentários

a)correto. Os atos discricionários podem ser objeto de análise pelo Poder Judiciário sob o aspecto da
legalidade, uma vez que os atos administrativos possuem elementos vinculados como a competência, forma
e finalidade.

b)incorreto. O Poder Judiciário não adentra no mérito administrativo, ou seja, não entra na análise da
oportunidade e conveniência (motivo e objeto) do ato administrativo, atuando apenas sob o aspecto da
legalidade em relação aos elementos competência, forma e finalidade.
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c)incorreto. O ato discricionário pode ser objeto de análise do Poder Judiciário sob o aspecto da legalidade
nos elementos vinculados do ato administrativo: competência, forma e finalidade.

d)incorreto. O Poder Judiciário não pode adentrar no mérito do ato administrativo, ou seja, não pode decidir
por mudar o motivo e objeto do ato administrativo (conveniência e oportunidade). Cabe apenas o controle
sob o aspecto da legalidade em relação aos elementos da competência, forma e finalidade.

e)incorreto. A associação de pais possui competência para interpor ação civil Pública, nos termos do art. 5°,
inciso V, alínea “a” da Lei 7347/1985(Lei da Ação Civil Pública), in verbis:

Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar:

(...)

V - a associação que, concomitantemente:

a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; (grifos não constantes
do original)

Gabarito: Letra A.

40. (2015/TRT-16ª REGIÃO/TRT-16ª REGIÃO (MA)/Juiz do Trabalho) Considerando as afirmações


abaixo, assinale a alternativa CORRETA:
I. Como regra, no tocante ao exercício da competência discricionária, a revisão dos atos administrativos pelo
Poder Judiciário está adstrita a seus elementos vinculados. Havendo litígio sobre a correta subsunção do caso
concreto a um suposto conceito jurídico indeterminado, caberá ao Judiciário tão somente conferir se a
Administração se manteve no espectro significativo de sua aplicação.
II. O âmbito do controle judicial dos atos administrativos, antigamente reconduzido à verificação de
legalidade desses atos, executável, predominantemente, por meio do método silogístico, usado em função
da estrutura da regra jurídica, amplia-se para o controle da constitucionalidade dos atos administrativos, que
se operacionaliza também por intermédio de outros métodos impostos pela adoção da fonte atualmente
hegemônica do Direito – os princípios, estruturalmente distintos das regras. Cabe ao Poder Judiciário, além
da aferição da legalidade dos atos administrativos – de sua conformidade com as regras jurídicas -, o controle
de juridicidade, isto é, a verificação de sua compatibilidade com os demais princípios da Administração
Pública que se encontram positivados na Lei Fundamental.
III. Em razão da necessidade de se prestigiar a segurança jurídica, a anulação do ato administrativo opera,
em regra, sob efeitos ex nunc.
IV. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que, em regra, não compete ao Poder Judiciário apreciar
critérios de formulação e correção de provas de concursos. Com efeito, em respeito ao princípio da
separação de poderes consagrado na Constituição Federal, é da banca examinadora desses certames a
responsabilidade pelo seu exame.
a) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
b) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
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c) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas.


d) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.

Comentários

I-correto. O controle judicial pode atuar tanto nos atos vinculados quanto nos atos discricionários. Em relação
aos atos discricionários, o Poder Judiciário sob a ótica da legalidade e legitimidade poderá analisar as
questões que envolvam os elementos da competência, forma e finalidade, uma vez que estes elementos
vinculantes devem estar em todos os atos administrativos. Já os elementos motivo e objeto estão no campo
do mérito administrativo, não podendo ter a interferência do judiciário.

II- correto. O controle da legalidade e legitimidade também analisa outros aspectos, inclusive dos princípios
administrativos. Para Hely Lopes Meirelles (p. 799, 2016),

Controle de legalidade ou legitimidade - É o que objetiva verificar unicamente a conformação


do ato ou do procedimento administrativo com as normas legais que o regem. Mas por
legalidade ou legitimidade deve-se entender não só o atendimento de normas legisladas como,
também, dos preceitos da Administração pertinentes ao ato controlado. Assim, para fins deste
controle, consideram-se normas legais desde as disposições constitucionais aplicáveis até as
instruções normativas do órgão emissor do ato ou os editais compatíveis com as leis e
regulamentos superiores. (grifos não constantes do original)

III-incorreto. A anulação de ato administrativo opera sob o efeito ex tunc, retroagindo os efeitos da anulação
à data da ocorrência do fato jurídico.

IV-correto. O tema foi objeto de análise pelo STF em Repercussão Geral, cuja decisão consta no Informativo
STF 782 a seguir mencionado:

Informativo STF 782

Questões de concurso público e controle jurisdicional

Os critérios adotados por banca examinadora de concurso público não podem ser revistos pelo
Poder Judiciário. Essa a conclusão do Plenário que, por maioria, proveu recurso extraordinário
em que discutida a possibilidade de realização de controle jurisdicional sobre o ato
administrativo que corrige questões de concurso público. No caso, candidatas de concurso para
provimento de cargo do Executivo estadual pretendiam fosse declarada a nulidade de dez
questões do certame, ao fundamento de que não teria havido resposta ao indeferimento de
recursos administrativos. Ademais, defendiam que as questões impugnadas possuiriam mais de
uma assertiva correta, uma vez que o gabarito divulgado contrariaria leis federais, conceitos
oficiais, manuais técnicos e a própria doutrina recomendada pelo edital do concurso. O Colegiado
afirmou ser antiga a jurisprudência do STF no sentido de não competir ao Poder Judiciário
substituir a banca examinadora para reexaminar o conteúdo das questões e os critérios de
correção utilizados, salvo ocorrência de ilegalidade e inconstitucionalidade. Nesse sentido, seria
exigível apenas que a banca examinadora desse tratamento igual a todos os candidatos, ou seja,
135

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que aplicasse a eles, indistintamente, a mesma orientação. Na espécie, o acórdão recorrido


divergira desse entendimento ao entrar no mérito do ato administrativo e substituir a banca
examinadora para renovar a correção de questões de concurso público, a violar o princípio da
separação de Poderes e a reserva de Administração. Desse modo, estaria em desacordo com
orientação no sentido da admissibilidade de controle jurisdicional de concurso público quando
não se cuidasse de aferir a correção dos critérios da banca examinadora, a formulação das
questões ou a avaliação das respostas, mas apenas de verificar se as questões formuladas
estariam no programa do certame, dado que o edital seria a lei do concurso. Vencido o Ministro
Marco Aurélio, que, preliminarmente, não conhecia do recurso, por falta de prequestionamento
e, no mérito, o desprovia, por entender que a banca examinadora entrara em contradição ao
adotar certa linha doutrinária no edital, mas não o fazê-lo quanto à solução das questões
impugnadas.RE 632853/CE, rel. Min. Gilmar Mendes, 23.4.2015. (RE-632853) (grifos não
constantes do original)

Gabarito: Letra B.

41. (2015/CESPE/TJ-PB/Juiz de Direito) A respeito de atos administrativos e institutos correlatos,


assinale a opção correta à luz da legislação e da jurisprudência dos tribunais superiores.
a) Situação hipotética: Durante a fase de avaliação psicológica de um concurso público, determinado
candidato foi considerado inapto sem que lhe fosse apresentada uma justificativa e, sentindo-se injustiçado,
ele ajuizou ação contra a decisão que o reprovou. Assertiva: Nessa situação, o magistrado deverá reconhecer
a legitimidade do ato da administração pública porque, segundo a jurisprudência do STF, a avaliação
psicológica pode estar pautada em critérios subjetivos que não precisam constar de laudo motivado.
b) Em uma ação judicial, caso considere legítimo ato da administração pública que tenha anulado a
revogação de outro ato administrativo, o juiz deverá reconhecer que a anulação do ato administrativo de
revogação produz efeitos ex tunc.
c) Embora o ato administrativo complexo dependa, para a sua formação, da conjugação de vontades de mais
de um órgão da administração pública, sua revogação ocorre mediante a vontade de apenas um dos órgãos
envolvidos.
d) Situação hipotética: A administração pública promoveu, em ato próprio, servidor público estadual na
carreira. Após um ano, a própria administração reviu a decisão, reconhecendo a ilegalidade do ato e
determinando a restituição dos valores indevidamente recebidos. O servidor, por sua vez, ajuizou ação para
evitar a devolução das quantias recebidas, de boa-fé, por ele. Assertiva: Nessa situação, o juiz deverá
reconhecer a legitimidade do ato praticado pela administração pública, que pode rever seus atos quando
eivados de ilegalidade e tem o direito de reaver os valores pagos ao servidor em decorrência da promoção.
e) Situação hipotética: Em um estado da Federação, alguns indivíduos, sem vínculo com a administração
pública, foram nomeados pelo governador para o exercício de funções de confiança. O MP estadual ajuizou
ACP requerendo a anulação das nomeações sob o fundamento de que apenas servidores de carreira
poderiam ser nomeados. Assertiva: Nessa situação, o juiz deverá reconhecer a regularidade da atuação da
administração pública, já que as funções de confiança não são exercidas exclusivamente por servidores
ocupantes de cargos efetivos.

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a)incorreta. A avaliação psicológica em concursos deve estar pautada em critérios objetivos, conforme
jurisprudência do STF nos termos seguintes:

Trata-se de agravo contra decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário interposto
em face de acórdão assim ementado: “EMBARGOS INFRINGENTES. APELAÇÃO CÍVEL. CONCURSO
PÚBLICO. CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO DISTRITO FEDERAL. AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA.
PREVISÃO LEGAL. EDITAL. CRITÉRIOS OBJETIVOS PRESENTES. 1. De acordo com a jurisprudência
do c. STJ, a legalidade da avaliação psicológica está condicionada à observância de três
pressupostos necessários: previsão legal; cientificidade e objetividade dos critérios adotados; e
possibilidade de revisão do resultado obtido pelo candidato. Nesse sentido é o enunciado da
Súmula nº 20 deste e. TJDFT. 2. O teste psicológico aplicado fundou-se nos critérios de
objetividade, motivação, cientificidade, recorribilidade e igualdade de condições com os demais
candidatos. 3. Constatada a legalidade do exame, tenho que ao Poder Judiciário é vedada a
incursão no mérito do ato administrativo, sob pena de malferir o princípio da separação dos
poderes.

(...)

(STF - ARE: 1114943 DF - DISTRITO FEDERAL 0060433-44.2013.8.07.0001, Relator: Min. RICARDO


LEWANDOWSKI, Data de Julgamento: 24/04/2018, Data de Publicação: DJe-083 30/04/2018)
(grifos não constantes do original)

b)correto. Em regra, a anulação de atos administrativos possui efeito ex-tunc, ou seja, retroage ao momento
da ocorrência. Já nos atos administrativos que são revogados, os efeitos ocorrem ex nunc, ou seja, daquele
momento para frente.

c) incorreto. Se a formação do ato depende da vontade de mais de um órgão, então para a sua revogação
também será necessária a vontade desses mesmos órgãos.

d)incorreto. Não ocorreu má-fé do servidor público, então não se pode penalizá-lo, sob risco de prejudicar a
garantia da segurança jurídica.

e)incorreto. As funções de confiança são exercidas apenas por servidores efetivos, nos termos da
jurisprudência do STF a seguir:

DOIS AGRAVOS REGIMENTAIS NO SEGUNDO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO


EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. FUNÇÕES GRATIFICADAS OU DE
CONFIANÇA. NOMEAÇÃO DE SERVIDORES SEM VÍNCULO COM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PARA
O EXERCÍCIO DA FUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DA CORTE. AGRAVOS REGIMENTAIS
NÃO PROVIDOS. 1. Funções públicas ou de confiança são plexos unitários de atribuições,
criados por lei, correspondentes a encargos de direção, chefia ou assessoramento, a ser serem
exercidas por titular de cargo efetivo, da confiança da autoridade que as preenche. Ditas
limitações ao preenchimento de cargos e funções na Administração Pública visam conferir
efetividade aos princípios constitucionais da moralidade, da impessoalidade e da eficiência
administrativa. 2. A Constituição Federal , no inciso V do artigo 37 , preceitua as funções de
confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em

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comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais
mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e
assessoramento, sendo inconcebível que a exigência constitucional do concurso público não
possa ser contornada pela criação arbitrária de cargos em comissão para o exercício de funções
que não pressuponham o vínculo de confiança que explica o regime de livre nomeação e
exoneração que os caracteriza, bem assim que, a título de preenchimento provisório de vaga ou
substituição do titular do cargo – que deve ser de provimento efetivo, mediante concurso público
-, se proceda à livre designação de servidores ou ao credenciamento de estranhos ao serviço
público. (grifos não constantes do original)

Gabarito: Letra B.

42. (2015/CESPE/TJ-PB/Juiz de Direito - Adaptada) Acerca do controle jurisdicional dos atos


administrativos, assinale a opção correta.
a) As ações judiciais de controle dos atos da administração pública não podem ser manejadas se a lesão a
interesse particular for apenas potencial e não efetiva.
b) Caso um particular a quem a administração pública tenha negado pedido de acesso a informação de
interesse coletivo impetre habeas data para pedir que a justiça lhe garanta essa informação, o juiz que
receber a causa deverá admitir a ação e decidir em favor do autor.
c) Para ser admitida pelo juiz, é dispensável que a ação popular comprove a ilegalidade e a lesividade do ato
administrativo que constitua seu objeto.
d) Deve ser considerada inadmissível uma ACP ajuizada por sociedade de economia mista contra ato
administrativo supostamente lesivo ao meio ambiente, uma vez que essa espécie de sociedade carece de
legitimidade para a propositura desse tipo de ação.
e) Situação hipotética: Leandro participou de concurso público em que concorreu a vaga destinada a pessoa
com deficiência, mas foi eliminado por laudo pericial da administração pública que alegava ausência de
deficiência. Inconformado, ele impetrou mandado de segurança contra a decisão, juntando aos autos laudo
pericial particular que contradizia o laudo da administração. Assertiva: Nessa situação, foi adequada a
impetração do mandado de segurança, e o juiz deverá designar perito para a realização de avaliação judicial
definitiva.

Comentários

a)incorreto. É permitido o ingresso de ação judicial para proteger direito mesmo que não esteja efetivamente
caracterizado o dano ao particular. É o que ocorre com as ações de Mandado de Segurança preventivo,
visando evitar que algum abuso de alguma autoridade administrativa aconteça. É o que temos no art. 1º da
Lei 12.016/2009, in verbis:

Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder,
qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de
autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. (grifos não
constantes do original)
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b)incorreto. Para a propositura de Habeas Data é necessário que a recusa de prestar informações se dê em
virtude de solicitação para tratar de interesses da pessoa do impetrante, nos termos do art. 7º da Lei
9507/97, in verbis:

Art. 7° Conceder-se-á habeas data:

I - para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes


de registro ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público;

II - para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou
administrativo;

III - para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado
verdadeiro mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável. (grifos não
constantes do original)

c)correto. O STF, no ARE 824781 com repercussão geral, fixou o entendimento de que não se pode exigir a
menção na exordial nem a prova de prejuízo material aos cofres públicos na Ação Popular. Veja a ementa:

Direito Constitucional e Processual Civil. Ação popular. Condições da ação. Ajuizamento para
combater ato lesivo à moralidade administrativa. Possibilidade. Acórdão que manteve sentença
que julgou extinto o processo, sem resolução do mérito, por entender que é condição da ação
popular a demonstração de concomitante lesão ao patrimônio público material. Desnecessidade.
Conteúdo do art. 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal. Reafirmação de jurisprudência.
Repercussão geral reconhecida. 1. O entendimento sufragado no acórdão recorrido de que,
para o cabimento de ação popular, é exigível a menção na exordial e a prova de prejuízo
material aos cofres públicos, diverge do entendimento sufragado pelo Supremo Tribunal
Federal. 2. A decisão objurgada ofende o art. 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal, que tem
como objetos a serem defendidos pelo cidadão, separadamente, qualquer ato lesivo ao
patrimônio material público ou de entidade de que o Estado participe, ao patrimônio moral, ao
cultural e ao histórico. 3. Agravo e recurso extraordinário providos. 4. Repercussão geral
reconhecida com reafirmação da jurisprudência. (grifos não constantes do original)

Cabe ainda dizer que apenas os cidadãos são competentes para ajuizar a ação popular, nos termos do inciso
LXXIII do art. 5° da CF/88, in verbis:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...)

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,
isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; (grifos não constantes do original)

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Assim, a CF/88 define que, salvo comprovada má-fé, o requerente ficará isento de custas judiciais e do ônus
de sucumbência. Então, infere-se que não existem os requisitos de admissibilidade de “comprovar a
ilegalidade e a lesividade do ato administrativo que constitua seu objeto”, pois se assim fosse não seria
possível que ao final da lide o requerente pudesse ser penalizado por má-fé, pois caso fosse constatado
algum indício, a ação não prosperaria desde a análise da admissibilidade.

d)incorreto. A sociedade de economia mista em questão possui legitimidade para ajuizar Ação Civil Pública,
nos termos do inciso IV do art. 5° da Lei 7347/1985 (Lei da Ação Civil Pública), in verbis:

Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar:

(...)

IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; (grifos não


constantes do original)

e)incorreto. No Mandado de Segurança, não é permitida a produção de provas. Todas as provas devem ser
apresentadas de forma documental.

Gabarito: Letra C.

43. (2015/NC-UFPR/PREFEITURA DE CURITIBA-PR/Procurador) Sobre o controle da Administração


Pública, assinale a alternativa correta.
a) Entre os vários instrumentos de controle administrativo da Administração Pública, são admitidos a
representação, a reclamação e o mandado de segurança.
b) Os Tribunais de Contas têm por dever constitucional apreciar as contas do Poder Legislativo, emitindo
parecer prévio no prazo de 60 dias a contar do seu recebimento.
c) Os Tribunais de Contas, no exercício de suas competências constitucionais, está expressamente proibido
de sustar a execução de atos impugnados, pois essa competência é privativa do Poder Legislativo.
d) Estão eximidas de prestar contas as entidades privadas que, mesmo sendo beneficiárias de recursos
públicos, aplique-os em finalidade pública.
e) A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial das pessoas jurídicas de direito
público interno e de suas administrações direta e indireta é feita pelo Poder Legislativo, pois, entre outras,
cabe-lhe a atribuição do controle externo.

Comentários

a)incorreto. O Mandado de Segurança é uma ação judicial de natureza constitucional. Os demais são
instrumentos de controle administrativo.

b)incorreto. Os Tribunais de Contas emitem Parecer Prévio sobre as contas do Chefe do Poder Executivo.
Depois, esse Parecer Prévio é encaminhado ao Poder Legislativo para que sejam julgadas as contas do Chefe
do Executivo. Nas contas do Poder Legislativo não é emitido Parecer Prévio, uma vez que a competência para
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julgamento das contas é do próprio Tribunal de Contas. A seguir, os dispositivos constitucionais que tratam
do assunto.

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer


prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento; (grifos não
constantes do original)

c)Incorreto. Os Tribunais de Contas podem sustar a execução de atos impugnados. A proibição ocorre para
os contratos. A seguir, os dispositivos constitucionais que tratam do assunto.

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara


dos Deputados e ao Senado Federal;

XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional,
que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as


medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito. (grifos não constantes
do original)

d)incorreto. Todos aqueles que são beneficiários de recursos públicos são obrigados a prestar contas da
utilização, nos termos do parágrafo único do artigo 70 da CF/88: ”Prestará contas qualquer pessoa física ou
jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores
públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza
pecuniária.”

e)correto. O Poder Legislativo, com o auxílio do Tribunal de Contas, exerce o controle externo da
fiscalização contábil, operacional, financeira, orçamentária e patrimonial, nos termos do art. 71 da CF/88:
”O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da
União, ao qual compete:”

Gabarito: Letra E.

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44. (2015/FCC/TCM-RJ/Procurador) O Tribunal de Contas da União, em regular análise, constatou que


um contrato firmado entre a autarquia federal responsável pelas obras rodoviárias e a empresa
vencedora da concorrência realizada para duplicação de uma rodovia interestadual possuía graves
e patentes incompatibilidades entres os cronogramas físico e financeiro. A autarquia prestou
esclarecimentos, todos, contudo, insatisfatórios. Não encontrando outra solução além do término
do contrato, o Tribunal
a) pode anular o contrato por decisão do Pleno do Tribunal e determinar ao ente público, autarquia, a
ratificação da anulação e comunicação à empresa, sem prejuízo de regular apuração de responsabilidades.
b) deve determinar a anulação do contrato, por vício de legalidade, comunicando a autarquia para que o
faça e, na inércia, representar ao Ministério Público para as providências judiciais para aquela finalidade,
sem prejuízo de apuração de responsabilidade dos envolvidos.
c) deve sustar o ato eivado de vício de legalidade e comunicar a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado
Federal, sem prejuízo de notificar a autarquia e a empresa envolvida.
d) pode determinar o aditamento do contrato para correção das ilegalidades apuradas, independentemente
do que constou como anexo do edital da concorrência, tendo em vista que podem ser equiparadas a erro
material.
e) deve representar ao Ministério Público do Tribunal de Contas para que adote as providências cabíveis para
anulação judicial do contrato e responsabilização dos envolvidos.

Comentários

a)incorreto. O TCU não pode anular contrato administrativo. O papel constitucional da Corte de Contas é
conceder prazo para a correção das irregularidades. Caso não seja atendido, deve comunicar ao Poder
Legislativo para que promova a sustação dos contratos, nos termos do art. 71, incisos IX, XI, §1º e 2º da
CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

(...)

XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional,
que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

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§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as


medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito. (grifos não constantes
do original)

b)correto. O TCU pode determinar que a Autarquia promova a anulação do contrato. Sendo assim, não será
a Corte de Contas que estará anulando o contrato, e sim a pessoa jurídica ou órgão responsável pela Licitação
ou Contrato. A seguir, decisão do MS 26.000- SC que trata do tema:

MANDADO DE SEGURANÇA 26.000 SANTA CATARINA

EMENTA Mandado de segurança. Ato do Tribunal de Contas da União. Competência prevista no


art. 71, IX, da Constituição Federal. Termo de sub-rogação e rerratificação derivado de contrato
de concessão anulado. Nulidade. Não configuração de violação dos princípios do contraditório e
da ampla defesa. Segurança denegada. 1. De acordo com a jurisprudência do STF, "o Tribunal
de Contas da União, embora não tenha poder para anular ou sustar contratos administrativos,
tem competência, conforme o art. 71, IX, para determinar à autoridade administrativa que
promova a anulação do contrato e, se for o caso, da licitação de que se originou" (MS 23.550,
redator do acórdão o Ministro Sepúlveda Pertence, Plenário, DJ de 31/10/01). Assim,
perfeitamente legal a atuação da Corte de Contas ao assinar prazo ao Ministério dos
Transportes para garantir o exato cumprimento da lei. 2. Contrato de concessão anulado em
decorrência de vícios insanáveis praticados no procedimento licitatório. Atos que não podem ser
convalidados pela Administração Federal. Não pode subsistir sub-rogação se o contrato do qual
derivou é inexistente. 3. Não ocorrência de violação dos princípios do contraditório e da ampla
defesa. A teor do art. 250, V, do RITCU, participaram do processo tanto a entidade solicitante do
exame de legalidade, neste caso a ANTT, órgão competente para tanto, como a empresa
interessada, a impetrante (Ecovale S.A.). 4. Segurança denegada.

(STF - MS: 26000 SC, Relator: Min. DIAS TOFFOLI, Data de Julgamento: 16/10/2012, Primeira
Turma, Data de Publicação: ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-224 DIVULG 13-11-2012 PUBLIC 14-11-
2012) (grifos não constantes do original)

c)incorreto. O TCU não pode sustar contrato administrativo. Tem o dever constitucional de conceder prazo
para as providências necessárias ao cumprimento da lei, nos termos do art. 71, incisos IX, XI, §1º e 2º da
CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato
cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

(...)

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XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional,
que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as


medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito. (grifos não constantes
do original)

d)incorreto. O TCU não pode fazer aditamento e nem anular contrato administrativo. Dentro de sua
competência constitucional, pode determinar que o órgão competente proceda com a anulação do contrato.

e)incorreto. O Ministério Público de Contas também não é o competente para proceder com a anulação dos
contratos. Competentes são o órgão responsável pela execução do contrato e o Poder Judiciário.

Gabarito: Letra B.

45. (2015/FMP-CONCURSOS/TJ-MT/Juiz de Direito) Em face da formação histórica do Direito


Administrativo e do modelo de Estado vigente, é correto afirmar que:
a) a noção de coisa julgada nas esferas administrativa e judicial tem a mesma dimensão e conteúdo.
b) as decisões proferidas por órgãos públicos de natureza superior não podem ser revistas pelo Poder
Judiciário.
c) o processo administrativo somente pode ser instaurado mediante provocação do interessado, por
representação escrita endereçada ao agente competente para a solução da controvérsia.
d) o regime jurídico juspublicista, no todo ou em parte, somente pode ser aplicado às pessoas jurídicas de
direito público.
e) tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a Administração
Pública, a atividade não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins,
de natureza pública.

Comentários

a)incorreto. A coisa julgada administrativa encerra as discussões no âmbito administrativo, podendo a


demanda ser judicializada. Já a coisa julgada judicial põe fim às discussões sobre determinada demanda, não
podendo mais ser proposta.

b)incorreto. Qualquer lesão ou ameaça a direito pode ser objeto de uma demanda judicial, nos termos do
inciso XXXV do art. 5º da CF/88: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito”.

c)incorreto. O processo administrativo também pode ser instaurado de ofício, nos termos do art. 5º da Lei
nº 9784/99: “O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a pedido de interessado.”

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d)incorreto. O regime jurídico administrativo também é aplicado às Pessoas Jurídicas de Direito Privado,
como por exemplo em uma outorga de concessão de serviços públicos, em que o particular terá que observar
as normas relativas ao regime jurídico administrativo.

e)correto. A assertiva traz o conceito correto de Direito Administrativo.

Gabarito: Letra E.

46. (2015/INTEGRI/PREFEITURA DE SALESÓPOLIS-SP/Procurador) Com relação ao mandado de


segurança, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta:
I - Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos administradores de
empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público.
II - Em caso de urgência, é permitido, observados os requisitos legais, impetrar mandado de segurança por
telegrama, radiograma, fax ou outro meio eletrônico de autenticidade comprovada, devendo o texto original
da petição ser apresentado em até 7 (sete) dias úteis.
III - Não se concederá mandado de segurança quando se tratar: (i) de ato do qual caiba recurso administrativo
com efeito suspensivo, independentemente de caução; (ii) de decisão judicial da qual caiba recurso com
efeito suspensivo; (iii) de decisão judicial transitada em julgado.
IV - Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, qualquer delas poderá requerer o
mandado de segurança.
a) Todas as afirmativas estão corretas.
b) Somente a afirmativa II está incorreta.
c) Somente a afirmativa I está incorreta.
d) Somente a afirmativa IV está incorreta.

Comentários

I)correto. A assertiva está em consonância com o disposto no §2º do art. 1º da Lei 12.016/2009, in verbis:

Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder,
qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de
autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.

(...)

§ 2o Não cabe mandado de segurança contra os atos de gestão comercial praticados pelos
administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista e de concessionárias de
serviço público.

II- Incorreto. O prazo para ser apresentado o texto original é de 5 dias úteis, e não 7 dias como mencionado
na alternativa, nos termos seguintes da Lei do Mandado de Segurança (Lei 12.016/2009):
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Art. 4o Em caso de urgência, é permitido, observados os requisitos legais, impetrar mandado de


segurança por telegrama, radiograma, fax ou outro meio eletrônico de autenticidade
comprovada.

(...)

§ 2o O texto original da petição deverá ser apresentado nos 5 (cinco) dias úteis
seguintes. (grifos não constantes do original)

III-correto. A assertiva está de acordo com o disposto no art. 5º, incisos I, II e III da Lei 12.016/2009, in verbis:

Art. 5o Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:

I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de


caução;

II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;

III - de decisão judicial transitada em julgado.

IV-correto. A assertiva está de acordo com o disposto no art. 1º, §3º da Lei 12.016/2009, in verbis:

Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder,
qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de
autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.

(...)

§ 3o Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, qualquer delas poderá
requerer o mandado de segurança. (grifos não constantes do original)

Gabarito: Letra B.

47. (2015/VUNESP /PREFEITURA DE CAIEIRAS-SP/Procurador) Unidade da Prefeitura Municipal de


Caieiras realiza licitação e contrata empresa privada para a prestação de determinado serviço.
Auditoria do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo verifica que o pagamento realizado à
empresa contratada foi 40% (quarenta por cento) maior do que o devido, considerando a despesa
ilegal. Como consequência de tal constatação em controle externo, poderá o Tribunal de Contas
a) determinar ao Prefeito Municipal que afaste, de imediato, os responsáveis de suas funções, enquanto o
Tribunal de Contas realiza o processo disciplinar.

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b) aplicar aos responsáveis as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa
proporcional ao dano causado ao erário.
c) informar a Câmara Municipal, para que delibere a respeito, juntamente com as informações anuais
prestadas sobre a fiscalização orçamentária, contábil e financeira.
d) encaminhar as informações, em forma de denúncia, para que a Câmara Municipal apure a
responsabilidade dos servidores municipais que deram causa à irregularidade.
e) rejeitar as contas do Prefeito Municipal, encaminhando as informações ao Ministério Público Estadual,
para propositura de ação de improbidade contra o Prefeito Municipal.

Comentários

a)incorreto. O caput do art. 44 da Lei 8443/1992 (Lei Orgânica do TCU) definiu que pode o TCU determinar,
cautelarmente, o afastamento temporário do responsável se existirem indícios suficientes de qualquer tipo
de interferência que prejudique os trabalhos de auditoria, nos termos seguintes:

Art. 44. No início ou no curso de qualquer apuração, o Tribunal, de ofício ou a requerimento do


Ministério Público, determinará, cautelarmente, o afastamento temporário do responsável, se
existirem indícios suficientes de que, prosseguindo no exercício de suas funções, possa retardar
ou dificultar a realização de auditoria ou inspeção, causar novos danos ao Erário ou inviabilizar
o seu ressarcimento. (grifos não constantes do original)

A alternativa está incorreta por conta de a questão não ter fornecido informações que levassem ao
enquadramento do disposto no caput do art. 44 da Lei Orgânica do TCU.

Obs: embora a questão se refira à prefeitura de município, as determinações do TCU são aproveitadas pelos
Tribunais de Contas Estaduais.

b)correto. É o que prevê o inciso VIII do art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as


sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano
causado ao erário;

c)incorreto. Não existe tal previsão de envio de informações dos Tribunais de Contas de ofício tão logo
apliquem as sanções cabíveis ao caso concreto. O que pode ocorrer é de o Poder Legislativo solicitar
informações sobre as inspeções e auditorias realizadas.

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d)incorreto. As apurações visando responsabilizar os servidores envolvidos são realizadas pelo órgão de
lotação dos respectivos servidores, em regra.

e)incorreto. Os Tribunais de Contas não julgam as contas dos Chefes do Executivo, seja da União, Estados ou
Municípios. A competência é apenas para emitir um Parecer Prévio sobre os aspectos contábil, operacional
orçamentário, patrimonial e financeiro. Em seguida, é encaminhado ao Poder Legislativo das respectivas
esferas para que seja realizado o julgamento das contas.

Gabarito: Letra B

48. (2015/CESPE/DPE-PE/Defensor Público) No que se refere ao controle da administração pública,


julgue o seguinte item. Por ser um órgão constitucional autônomo, a DP não está sujeita a controle
interno de suas funções administrativas.
( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Incorreto. Todos os órgãos públicos devem possuir um sistema de controle interno, seja a Defensoria Pública,
Ministério Público, Procuradoria, etc., nos termos do art. 74 da CF/88, in verbis:

Art. 74. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de
controle interno com a finalidade de:

I - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de
governo e dos orçamentos da União;

II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão


orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem
como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado;

III - exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e
haveres da União;

IV - apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.

§ 1º Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer


irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de
responsabilidade solidária.

§ 2º Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma
da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União.

Gabarito: Errado.

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49. (2015/CESPE/TRF-1ª REGIÃO/Juiz Federal) Considerando o controle administrativo, a ação popular


e a improbidade administrativa, assinale a opção correta .
a) Os atos de improbidade administrativa que causam prejuízo ao erário relacionam-se à ação ou omissão
que acarreta perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres
da administração pública por meio de conduta dolosa, não admitindo a forma culposa.
b) O controle administrativo, como a prerrogativa reconhecida à administração pública para fiscalizar e
corrigir a sua própria atuação, restringe-se à avaliação da conveniência e oportunidade relativas à edição do
ato administrativo discricionário (controle de mérito).
c) O TCU, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade dos atos administrativos do
poder público, mas não a constitucionalidade das leis.
d) Os casos de controle legislativo sobre o Poder Executivo devem constar expressamente da CF, pois
consagram exceções ao princípio da separação de poderes, não se admitindo, assim, a sua ampliação por
meio da legislação infraconstitucional.
e) O cidadão possui legitimidade ativa e capacidade postulatória para a propositura de ação popular,
independentemente da assistência de advogado.

Comentários

a)incorreto. A conduta culposa também é capaz de provocar a responsabilização por improbidade


administrativa que causa prejuízo ao erário, nos termos do art. 10 da Lei 8.429/1992, in verbis:

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou
omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento
ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
(grifos não constantes do original)

b)incorreto. A administração pode revogar ou anular seus próprios atos, nos termos da súmula 473 do STF,
in verbis:

“A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais,
porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial”.

c)incorreto. O Tribunal de Contas também pode apreciar a constitucionalidade de leis, nos termos da súmula
do STF nº 347: ”O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade
das leis e dos atos do Poder Público.”

d)correto. Observando os limites da separação de poderes, um Poder somente pode interferir no outro
mediante previsão na Constituição Federal 88.

e)incorreto. O cidadão tem capacidade ativa para propositura da Ação Popular, ou seja, pode figurar como
autor. Já a capacidade postulatória pertence ao advogado. Ou seja, para propositura de Ação Popular,
somente por intermédio de Advogado ou Defensor Público.
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Gabarito: Letra D.

50. (2014/CESPE/TJ-DFT/Juiz de Direito) Conforme entendimento jurisprudencial do STF e do STJ,


assinale a opção correta considerando os temas improbidade administrativa e as formas de
controle da administração pública.
a) Qualquer pessoa, física ou jurídica, detém legitimidade para a propositura de ação popular.
b) Caso haja apenas indícios de cometimento de atos de improbidade administrativa, a petição inicial da
respectiva ação não deve ser recebida pelo Poder Judiciário, em decorrência da aplicação do princípio
constitucional da presunção de inocência.
c) É possível a demissão de servidor por improbidade administrativa por meio de PAD, independentemente
de ação judicial, caso existam elementos comprobatórios da prática de ato de improbidade.
d) O MP não tem legitimidade para ajuizar ACP referente a ato de improbidade administrativa que envolva
questões tributárias em sua causa de pedir.
e) Ação popular que tenha por fundamento improbidade administrativa do presidente da República será de
competência originária do STF.

Comentários

a)incorreto. Apenas os cidadãos são competentes para ajuizar a ação popular, nos termos do inciso LXXIII do
art. 5° da CF/88, in verbis:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...)

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa,
ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-
fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;(grifos não constantes do original)

Além disso, a súmula 365 do STF definiu que “pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação
popular”.

b)incorreto. Mesmo que haja apenas indícios de cometimento de atos de improbidade administrativa, é
cabível sim o recebimento da petição inicial pelo Poder Judiciário. Caso a demanda seja julgada
improcedente, mesmo assim o autor fica isento de custas judiciais e ônus de sucumbência, salvo comprovada
má-fé.

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c)correto. O servidor público pode ser demitido em virtude de decisão proferida em Processo Administrativo
Disciplinar, nos termos do §3º do art. 167 da Lei 8112/90, in verbis:

Art. 167. No prazo de 20 (vinte) dias, contados do recebimento do processo, a autoridade


julgadora proferirá a sua decisão.

(...)

§ 3o Se a penalidade prevista for a demissão ou cassação de aposentadoria ou disponibilidade,


o julgamento caberá às autoridades de que trata o inciso I do art. 141.(grifos não constantes
do original)

d)incorreto. Em regra, o Ministério Público não possui legitimidade para propor Ação Civil Pública em matéria
tributária. Porém, existe uma exceção, ocorrendo nos casos em que as questões tributárias figurem como
causa de pedir. Se for pedido principal, o MP não possui tal legitimidade. Vejamos a seguir o referido julgado:

ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE. ART. 1º,


PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI N. 7.347/85. ATO DE IMPROBIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE. MATÉRIA TRIBUTÁRIA COMO CAUSA DE PEDIR. LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO
PÚBLICO. AUSÊNCIA DE LEGITIMAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO AUTORA. EXCLUSÃO DO FEITO. 1.
Hipótese de ação civil pública que se encontra fora do alcance da vedação prevista no parágrafo
único do art. 1º da Lei n. 7.347/85, porquanto a matéria tributária figura como causa de pedir,
e não como pedido principal, sendo sua análise indispensável para que se constate eventual
ofensa ao princípio da legalidade imputado na inicial ao agente político tido como ímprobo.

(...)

(STJ - REsp: 1387960 SP 2013/0167126-1, Relator: Ministro OG FERNANDES, Data de Julgamento:


22/05/2014, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 13/06/2014) (grifos não constantes
do original)

e)incorreto. Nos casos de propositura de Ação Popular contra o Presidente da República, a competência é
da Justiça de Primeiro Grau. Tal entendimento foi materializado no seguinte julgado do STF:

AÇÃO ORIGINÁRIA. QUESTÃO DE ORDEM. AÇÃO POPULAR. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO


SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: NÃO-OCORRÊNCIA. PRECEDENTES. 1. A competência para julgar
ação popular contra ato de qualquer autoridade, até mesmo do Presidente da República, é, via
de regra, do juízo competente de primeiro grau. Precedentes. 2. Julgado o feito na primeira
instância, se ficar configurado o impedimento de mais da metade dos desembargadores para
apreciar o recurso voluntário ou a remessa obrigatória, ocorrerá a competência do Supremo
Tribunal Federal, com base na letra n do inciso I, segunda parte, do artigo 102 da Constituição
Federal. 3. Resolvida a Questão de Ordem para estabelecer a competência de um dos juízes de
primeiro grau da Justiça do Estado do Amapá. (STF - AO: 859 AP, Relator: Min. ELLEN GRACIE,
Data de Julgamento: 11/10/2001, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJ 01-08-2003 PP-00102
EMENT VOL-02117-16 PP-03213) (grifos não constantes do original)

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Gabarito: Letra C.

51. (2014/FGV/PGM-NITERÓI/Procurador Municipal) Sobre sistemas de controle interno e externo,


assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.
( ) O controle orçamentário destina-se a fiscalizar e a corrigir as infrações às leis de meios, ao orçamento
plurianual, às diretrizes orçamentárias e ao orçamento anual, zelando pela legalidade e pela legitimidade da
disposição do dinheiro público.
( ) Com relação aos Municípios, a fiscalização é exercida pelo Poder Executivo Municipal na forma da lei, e o
controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio do Tribunal dos Estados.
( ) A prestação de contas dos Tribunais de Contas dos Municípios, que são órgãos estaduais (Art. 31, § 1º da
CF), há de se fazer perante a Assembleia Legislativa do Estado- membro.
As afirmativas são, respectivamente,
a) F, V e V.
b) V, F e F.
c) F, V e F.
d) V, V e F.
e) F, F e V.

Comentários

I)Correto. O controle orçamentário visa verificar o acompanhamento da execução orçamentária e financeira,


buscando atingir a efetividade do uso dos recursos públicos.

II- Incorreto. O controle externo dos Municípios cabe à Câmara Municipal com o auxílio do Tribunal de Contas
do Estado ou dos Municípios, onde houver, nos termos do §1º e caput do art. 31 da CF/88, in verbis:

Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante
controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma
da lei.

1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de Contas
dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde
houver. (grifos não constantes do original)

III-incorreto. A prestação de Contas dos Tribunais de Contas Municipais é de competência das Cortes de
Contas Estaduais, segundo jurisprudência do STF a seguir exposta:

A Constituição da República impede que os Municípios criem os seus próprios tribunais,


conselhos ou órgãos de contas municipais (CF, art. 31, § 4º), mas permite que os Estados-
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membros, mediante autônoma deliberação, instituam órgão estadual denominado Conselho ou


Tribunal de Contas dos Municípios (RTJ 135/457, rel. min. Octavio Gallotti – ADI 445/DF, rel. min.
Néri da Silveira), incumbido de auxiliar as câmaras municipais no exercício de seu poder de
controle externo (CF, art. 31, § 1º). Esses conselhos ou tribunais de contas dos Municípios –
embora qualificados como órgãos estaduais (CF, art. 31, § 1º) – atuam, onde tenham sido
instituídos, como órgãos auxiliares e de cooperação técnica das câmaras de vereadores. A
prestação de contas desses tribunais de contas dos Municípios, que são órgãos estaduais (CF,
art. 31, § 1º), há de se fazer, por isso mesmo, perante o tribunal de contas do próprio Estado,
e não perante a assembleia legislativa do Estado-membro. Prevalência, na espécie, da
competência genérica do tribunal de contas do Estado (CF, art. 71, II, c/c art. 75). ADI 687, rel. min.
Celso de Mello, j. 2-2-1995, P, DJ de 10-2-2006.] (grifos não constantes do original)

Gabarito: Letra B.

52. (2014/FCC/TRT-1ª REGIÃO (RJ)/Juiz do Trabalho) A União decidiu implementar um amplo programa
de privatizações de empresas estatais. Ocorre que determinada parcela da população mostrou-se
inconformada com essa diretriz política, vislumbrando potencial lesividade ao patrimônio público.
Considerando os meios de controle jurisdicional dos atos administrativos e seus limites, afigura-se
juridicamente viável
a) discussão do mérito do programa por qualquer cidadão, em Mandado de Segurança, quando configurada
lesão ou ameaça de lesão a interesses difusos ou coletivos.
b) pedido de suspensão do programa, em sede de Mandado de Injunção, quando vislumbrada ausência de
autorização legal específica para sua implementação.
c) pedido de anulação, por um único cidadão no uso de seus direitos políticos, mediante Ação Popular, em
relação a atos concretos praticados pela União para implementação do programa, quando identificada
ilegalidade e lesividade do ato.
d) a impetração de mandado de segurança coletivo, contra ato da autoridade federal passível de configurar
abuso de poder, com competência exclusiva de partido político, em face de matéria discutida que envolve
programa de governo.
e) aforamento por cidadãos, representando pelo menos 1% dos eleitores, de Ação Popular objetivando a
anulação da decisão lesiva, por ilegalidade ou afronta à moralidade.

Comentários

a)incorreto. A impetração de MS pode ser realizada tanto por pessoa física quanto jurídica para proteger
direito líquido e certo. Não é objeto do MS a proteção de direitos difusos e coletivos. A seguir, o dispositivo
de apresentação do MS pelo art. 1º da Lei 12.016/2009, in verbis:

Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder,
qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de
autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.

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b)incorreto. O Mandado de Injunção não é ação cabível para demonstrar inconformismo com determinada
política pública que foi implementada e que tenha indícios de irregularidades que possam causar lesividade
ao patrimônio público. A seguir, o conceito de Mandado de Injunção constante no art. 2º da Lei 13.300/2016,
in verbis:

Art. 2o Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta total ou parcial de norma
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.

c)correto. A Ação Popular é a ação constitucional cabível que visa a anular atos lesivos ao patrimônio público,
nos termos do inciso LXXIII, art. 5º da CF/88, in verbis:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...)

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,
isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;

d)incorreto. Para o caso em análise, o Mandado de Segurança Coletivo não é o indicado, tendo em vista que,
impetrado por partido político, o objeto deverá ser a defesa de seus interesses legítimos relativos a seus
integrantes ou à finalidade partidária, ou seja, não se enquadrando no escopo mencionado no enunciado da
questão que trata, na verdade, sobre o inconformismo de uma política pública que foi implementada e que
pode causar lesividade ao patrimônio público. A seguir, os requisitos para propositura do MS Coletivo, nos
termos do art. 21 da Lei 12.016/2009, in verbis:

Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com
representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus
integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou
associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa
de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na
forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto,
autorização especial.

Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser:

I - coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de natureza indivisível,
de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por
uma relação jurídica básica;

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II - individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem
comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou
membros do impetrante. (grifos não constantes do original)

e)incorreto. A Ação Popular, para prosperar, pode ser ajuizada por um único cidadão, não existindo
percentual mínimo de eleitores para que ela possa ser apresentada.

Gabarito: Letra C.

53. (2014/CEC/PREFEITURA DE PIRAQUARA-PR/Procurador Municipal) O Vice-prefeito do Município


de Pipoca do Oeste contratou seu cunhado para o cargo de assessor de gabinete, seu sogro para o
cargo de motorista e seu irmão para o cargo de assistente administrativo. Considere que esses três
cargos sejam comissionados e vinculados à Administração municipal de Pipoca do Oeste.
Considerando que a Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal dispõe que: “a
nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o
terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido
em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de
confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer
dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste
mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal”, assinale a alternativa correta.
a) Súmulas vinculantes devem ser observadas pelo Poder Executivo; assim, contra a conduta do Vice-prefeito
cabe reclamação ao Supremo Tribunal Federal, que poderá anular as três contratações.
b) O caso em questão não viola súmula vinculante, pois as contratações se deram em âmbito municipal.
c) Súmulas vinculantes devem ser observadas pelo Poder Executivo; assim, contra a conduta do Vice-prefeito
cabe recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal, que poderá anular as três contratações.
d) Referidas súmulas vinculam apenas o Poder Judiciário e o Poder Legislativo, não produzindo efeitos em
face do Poder Executivo.
e) Em respeito ao princípio constitucional da separação dos Poderes, súmulas vinculantes, por serem
editadas pelo Supremo Tribunal Federal, não podem atingir os Poderes Executivo e Legislativo.

Comentários

a)correto. A assertiva está em consonância com o disposto no art. 103-A da CF 88, nos seguintes termos:

Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão
de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar
súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação
aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma
estabelecida em lei.

(...)

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§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que


indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a
procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e
determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso.
(grifos não constantes do original)

b)incorreto. O caso em questão viola o enunciado da súmula vinculante, tendo em vista que os municípios
também devem observar seu conteúdo.

c)incorreto. Contra a conduta do Vice-Prefeito cabe a Reclamação ao STF, nos termos do §3º do art. 103-A
da CF/88, in verbis:

Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão
de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar
súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação
aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma
estabelecida em lei.

(...)

§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que


indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a
procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e
determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso.
(grifos não constantes do original)

d)incorreto. As súmulas vinculantes também englobam os atos do Poder Executivo, conforme caput do art.
103- A da CF/88, in verbis:

Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão
de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar
súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação
aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma
estabelecida em lei. (grifos não constantes do original)

e)incorreto. São aplicadas aos demais órgãos da Administração Direta e Indireta e em todas as esferas.

Gabarito: Letra A

54. (2014/VUNESP/TJ-SP/Juiz de Direito) O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo funciona como
órgão auxiliar

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a) da Câmara Municipal da Capital do Estado de São Paulo, ou seja, do Poder Legislativo do Município da
Capital.
b) do Governo do Estado de São Paulo, ou seja, do Poder Executivo.
c) da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, ou seja, do Poder Legislativo estadual.
d) do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ou seja, do Poder Judiciário.

Comentários

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo funciona como órgão auxiliar de Controle Externo da
Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, observando a simetria com o determinado na CF/88 relativo
ao Tribunal de Contas da União sendo auxiliar do Congresso Nacional no exercício do controle externo.

Gabarito: Letra C.

55. (2014/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) Analise o enunciado da Questão abaixo e assinale se


ele é Certo ou Errado.
Manejando a ação popular, o cidadão eleitor faz-se parte legítima para pleitear a anulação ou a declaração
de nulidade de atos lesivos ao patrimônio público, assim como a declaração de inconstitucionalidade de lei
em tese.
( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Incorreto. O cidadão é a parte legitima para ajuizar a Ação Popular, nos termos do inciso LXXIII, art. 5º da
CF/88, in verbis:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...)

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo
ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,
isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;

Porém, o cidadão não figura dentre os legitimados a ajuizar a Ação Direta de Inconstitucionalidade, como
consta no art. 103 da CF/88, in verbis:

Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de


constitucionalidade:

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I - o Presidente da República;

II - a Mesa do Senado Federal;

III - a Mesa da Câmara dos Deputados;

IV- a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;

V- o Governador de Estado ou do Distrito Federal;

VI - o Procurador-Geral da República;

VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;

VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;

IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

§ 1º O Procurador-Geral da República deverá ser previamente ouvido nas ações de


inconstitucionalidade e em todos os processos de competência do Supremo Tribunal Federal.

§ 2º Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma


constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências
necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias.

Gabarito: Errado.

56. (2014/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) O Tribunal de Contas é órgão provido de autonomia


constitucional, exerce função auxiliar do Poder Legislativo e sua atuação fiscalizatória integra o
chamado controle externo da Administração Pública.
( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Correto. Os Tribunais de Contas são órgãos auxiliares do Poder Legislativo no exercício do controle externo,
nos termos do caput do art. 71 da CF/88: “O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido
com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:”

Gabarito: Certo.

57. (2014/VUNESP/SAAE-SP/Procurador Jurídico) O controle externo da Administração Pública pode


ser exercido, em alguns casos, diretamente pelo Congresso Nacional, sendo uma hipótese de
controle exercido exclusivamente pelo Senado Federal

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a) a sustação de atos e contratos.


b) a convocação de Ministro para prestar informações.
c) o julgamento das contas do Presidente da República.
d) a autorização para realização de operação externa de natureza financeira pela União.
e) a emissão de parecer prévio sobre as contas do Presidente da República.

Comentários

a)incorreto. A sustação de atos e contratos é de competência do Congresso Nacional, nos termos do inciso
X, §1º do art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

(...)

X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à


Câmara dos Deputados e ao Senado Federal;

(...)

§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional,
que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as


medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito. (grifos não constantes
do original)

b)incorreto. A convocação de Ministro para prestar informações é de competência da Câmara dos Deputados
e do Senado, nos termos do art. 50 da CF/88:

Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, poderão
convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à
Presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto
previamente determinado, importando crime de responsabilidade a ausência sem justificação
adequada.

c)incorreto. Julgar anualmente as contas do Presidente da República é matéria da competência exclusiva do


Congresso Nacional, nos seguintes termos:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

(...)

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IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios


sobre a execução dos planos de governo;(grifos não constantes do original)

d)correto. A autorização das operações externas de natureza financeira é de competência privativa do


Senado Federal, nos termos do inciso V do art. 52 da CF/88, in verbis:

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:

(...)

V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do


Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios;

e)incorreto. A emissão de Parecer Prévio é de competência do Tribunal de Contas, nos termos do inciso I do
art. 71 da CF/88, in verbis:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer


prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento; (grifos não
constantes do original)

Gabarito: Letra D.

58. (2014/VUNESP/PREFEITURA DE POÁ-SP/Procurador Jurídico) Assinale a alternativa que contempla


um dos meios de controle externo popular da Administração Pública.
a) Hierarquia no serviço público.
b) Mandado de segurança.
c) Ação penal pública.
d) Veto do Chefe do Poder Executivo.
e) Auditoria do Tribunal de Contas.

Comentários

a)incorreto. Caracteriza-se como controle interno da administração pública.

b)correto. A impetração de MS pode ser realizada tanto por pessoa física quanto jurídica para proteger
direito líquido e certo. A seguir, o dispositivo de apresentação do MS pelo art. 1º da Lei 12.016/2009, in
verbis:

160

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Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder,
qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de
autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.

Dessa forma, o MS age como exercício do controle externo realizado pela população em geral.

c)incorreto. Caracteriza-se como atuação do Ministério Público como titular da ação.

d)incorreto. Caracteriza-se como controle político.

e)incorreto. Caracteriza-se como exercício do controle externo, porém não tem participação popular.

Gabarito: Letra B.

59. (2014/VUNESP/PGM-SP/Procurador Municipal) Após a emissão de parecer prévio e do julgamento


das contas do Município, o Tribunal de Contas do Município
a) pode, a pedido da Câmara dos Vereadores, reexaminar as contas municipais para apurar irregularidades
constatadas posteriormente.
b) pode reexaminar as contas, desde que haja representação de 2/3 dos eleitores do município.
c) pode, a pedido de novo prefeito, reexaminar as contas municipais para apurar fatos novos.
d) não pode reexaminar as contas já aprovadas, em razão da coisa julgada.
e) não pode reexaminar as contas já aprovadas, pelo fim de sua jurisdição.

Comentários

A questão quer saber se pode o Tribunal de Contas reanalisar a Prestação de Contas de Município mesmo
após emitir Parecer Prévio e ter ocorrido o Julgamento das Contas do Prefeito pela Câmara Municipal de
Vereadores.

O tema foi objeto de julgamento pelo STJ nos seguintes termos:

ADMINISTRATIVO - TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO - COMPETÊNCIA - REEXAME DE


CONTAS DO EXECUTIVO MUNICIPAL. Mesmo após a emissão de parecer prévio e do julgamento
das contas do Município, pode o Tribunal de Contas do Município, a pedido da Câmara dos
Vereadores, reexaminar as contas municipais para apurar irregularidades constatadas
posteriormente. Recurso improvido.

(STJ - RMS: 11785 GO 2000/0027856-4, Relator: Ministro GARCIA VIEIRA, Data de Julgamento:
07/02/2002, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 25.03.2002 p. 178 LEXSTJ vol. 155 p.
94) (grifos não constantes do original)

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Dessa forma, a Corte de Contas pode fazer o reexame das contas do Prefeito a pedido da Câmara dos
Vereadores caso surjam irregularidades constatadas futuramente.

Com isso, o gabarito é a letra A.

Gabarito: Letra A.

60. (2014/CESPE/TCE-PB/Procurador) No exercício do controle político da administração pública,


compete;
a) às CPIs apurar irregularidades e determinar sanções.
b) ao Congresso Nacional sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder
regulamentar, sustando, se for o caso, seus efeitos independentemente de prévia manifestação do Poder
Judiciário.
c) ao Senado Federal ou à Câmara dos Deputados — excetuadas suas comissões — convocar titulares de
órgãos diretamente subordinados à Presidência da República.
d) privativamente ao Congresso Nacional e ao Senado Federal apreciar, a priori, os atos do Poder Executivo.
e) ao Senado Federal dispor, por proposta do presidente da República, sobre limites globais e condições para
a operação de créditos externo e interno da União, dos estados, dos municípios e do DF, exceto das
autarquias.

Comentários

a)incorreto. As CPIs não aplicam sanções. Após a finalização dos trabalhos, as informações são encaminhadas
ao Ministério Público, nos termos do §3º, art. 58 da CF/88, in verbis:

Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias,
constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que
resultar sua criação.

(...)

§ 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das


autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão
criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente,
mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e
por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para
que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.(grifos não constantes do
original)

b)correto. Nos termos do inciso V do art. 49 da CF/88, in verbis:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

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V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos
limites de delegação legislativa;

Pelo fato de a competência ser exclusiva do Congresso Nacional, o ato não se sujeita ao controle de nenhum
outro Poder.

c)incorreto. As Comissões tanto da Câmara dos Deputados quanto do Senado também podem convocar
Ministros de Estado para prestar informações nos termos do art. 50 da CF/88, in verbis:

Art. 50. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões, poderão
convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à
Presidência da República para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto
previamente determinado, importando crime de responsabilidade a ausência sem justificação
adequada. (grifos não constantes do original)

d)incorreto. Cabe ao Congresso Nacional, no uso de sua competência exclusiva, analisar os atos do Executivo
a posteriori, nos termos seguintes:

Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos
limites de delegação legislativa;

e)incorreto. As autarquias também são englobadas pela competência do Senado relativa ao inciso VII do art.
52 da CF/88, in verbis:

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:

(...)

VII - dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades
controladas pelo Poder Público federal; (grifos não constantes do original)

Gabarito: Letra B.

61. (2014/FMP CONCURSOS/PGE-AC/Procurador do Estado) Sobre o controle da Administração,


assinale a afirmatia CORRETA.
a) As multas atribuídas pelo TCE, em razão de irregularidade na prestação de contas de um secretário de
Estado, podem ser cobradas pela PGE.
b) As indenizações derivadas de ato de improbidade praticado por um prefeito, com a consequente
condenação pelo TCE, podem ser cobradas pela PGE.
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c) As decisões do TCE não geram título hábil para o processo executivo.


d) As multas atribuídas pelo TCE, em razão de irregularidade na prestação de contas de um prefeito, podem
ser objeto de revisão judicial.

Comentários

a)correto. As multas aplicadas pelos Tribunais de Contas terão eficácia de título executivo extrajudicial, nos
termos do §3º do art. 71 da CF/88: “As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa
terão eficácia de título executivo.”

Caso o débito não seja quitado, poderá ser encaminhado para a Procuradoria do Estado para que esta
promova o ajuizamento da ação executória.

b)incorreto. As ações de improbidade administrativa possuem como legitimados o Ministério Público e/ou a
pessoa jurídica interessada, nos termos do art. 17 da Lei 8429/1992, in verbis:

Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo Ministério Público ou
pela pessoa jurídica interessada, dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar.

§ 1º É vedada a transação, acordo ou conciliação nas ações de que trata o caput.

§ 2º A Fazenda Pública, quando for o caso, promoverá as ações necessárias à complementação


do ressarcimento do patrimônio público. (grifos não constantes do original)

Quando o condenado em ação de improbidade administrativa for um prefeito de município, a Procuradoria


Municipal poderá impulsionar o processo visando o ressarcimento dos prejuízos. O erro da alternativa foi
informar que a Procuradoria do Estado poderia atuar visando a garantir o ressarcimento dos prejuízos, sendo
que o ente público lesado teria sido a Prefeitura Municipal.

c)incorreto. As decisões dos Tribunais de Contas se revertem de título executivo extrajudicial, ou seja, estão
aptas a instruir as ações de execução fiscal para serem garantidos os pagamentos dos débitos devidos.

d)incorreto. O controle judicial das decisões do TCE pode ser realizado desde que seja sobre os aspectos da
legalidade, não podendo adentrar o mérito. Como a hipótese de revisão foi genérica, entende-se que a
assertiva esteja errada.

Gabarito: Letra A.

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11. RESUMO

1. O tema tem origem na Constituição Federal e é regulamentado por diversas leis


infraconstitucionais que visam a garantir que o Estado não atuará livremente e sem controle.

2. No exercício de suas funções, a Administração Pública sujeita-se a controle por parte dos
Poderes Legislativo e Judiciário, além de exercer, ela mesma, o controle sobre os próprios atos.
Este controle inteiro abrange a Administração Pública em sentido amplo.

3. A finalidade do controle é a de assegurar que a Administração atue em consonância com os


princípios que lhe são impostos pelo ordenamento jurídico, como os da legalidade, moralidade,
finalidade pública, publicidade, motivação, impessoalidade;
4.

CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA...

...é o conjunto de mecanismos jurídicos e administrativos por


meio dos quais se exerce o poder de fiscalização e de
José dos Santos Carvalho Filho
revisão da atividade administrativa em qualquer das
esferas de Poder.

... é o poder d e fiscalização e correção que a Administração


Pública (em sentido amplo) exerce sobre sua própria
Maria Sylvia Zanella Di Pietro
atuação, sob os aspectos de legalidade e mérito, por
iniciativa própria ou mediante provocação.

... é a faculdade de vigilância, orientação e correção que um


Hely Lopes Meirelles Poder, órgão ou autoridade exerce sobre a conduta
funcional de outro.

... assujeita-se a múltiplos controles, no afã de impedir-se que


desgarre de seus objetivos, que desatenda as balizas
legais e ofenda interesses públicos ou dos particulares.
Assim, são concebidos diversos mecanismos para mantê-
Celso Antônio Bandeira de Mello la dentro das trilhas a que está assujeitada. Tanto são
impostos controles que ela própria deve exercitar, em sua
intimidade, para obstar ou corrigir comportamentos
indevidos praticados nos diversos escalões
administrativos de seu corpo orgânico central, como
controles que este mesmo corpo orgânico exercita em
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relação às pessoas jurídicas auxiliares do Estado


(autarquias, empresas públicas, sociedades mistas e
fundações governamentais). Tais controles envolvem quer
aspectos de conveniência e oportunidade quer aspectos
de legitimidade.

5.

6.

7.

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8.

9.

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10. Controle interno: todo aquele realizado pela entidade ou órgão responsável pela atividade
controlada, no âmbito da própria Administração.

11. A Constituição Federal determina que os três Poderes de Estado mantenham sistema de
controle interno de forma integrada.

12. Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade,


dela deverão dar ciência ao Tribunal de Contas, sob pena de responsabilidade solidária. (art.
74 e §12).

13. Controle externo: se realiza por um Poder ou órgão constitucional independente


funcionalmente sobre a atividade administrativa de outro Poder estranho à Administração
responsável pelo ato controlado.

14.

Tópicos recorrentes em provas de concursos sobre Controle Interno e Externo:

Titularidade do controle externo no âmbito da União: Congresso Nacional, com o auxílio do


Tribunal de Contas da União.

A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das


entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade,
economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo
Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada
Poder.

Sujeitos à jurisdição do controle externo: prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica,
pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e
valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma
obrigações de natureza pecuniária.

As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título
executivo.

O Tribunal de Contas da União é integrado por nove Ministros.

Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou


ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de
responsabilidade solidária.

15.

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16.

17.

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18. Controle Social: controle do Poder Público, em qualquer de suas funções, por segmentos
oriundos da sociedade. Trata-se de uma forma de controle exógeno do Poder Público nascido
das diversas demandas dos grupos sociais.
19.

20. Urge que o Poder Público reduza cada vez mais sua postura de imposição vertical, admitindo a
cogestão comunitária das atividades de interesse coletivo, e que a sociedade também se
organize para realçar a expressão de sua vontade e a indicação de suas demandas, fazendo-
se ouvir e respeitar no âmbito dos poderes estatais.

21. Portal da Transparência: ferramenta que permite ao cidadão conhecer, questionar e atuar,
também, como fiscal da aplicação de recursos públicos.

22. Sistema Eletrônico de Informação ao Cidadão (e-SIC): permite a solicitação de informações


ao Governo Federal, nos termos da Lei de Acesso a Informação (Lei 12.527). Por meio dele é
possível complementar os achados do Portal da Transparência ou obter documentos ou dados
produzidos pelos diferentes órgãos do Poder Executivo Federal.

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23. Portal Brasileiro de Dados Abertos: um catálogo com as bases de dados disponíveis em
formato aberto. Os dados abertos podem ser usados, cruzados e processados para a geração
de estudos, aplicativos e outras soluções.

24.

25. Controle de legalidade: é aquele em que o órgão controlador faz o confronto entre a conduta
administrativa e uma norma jurídica vigente e eficaz, que pode estar na Constituição, na lei ou
em ato administrativo impositivo de ação ou de omissão. Pode ser interno ou externo.

 Resultado desse controle pode ser, de um lado, a confirmação do ato ou, de outro, a sua
invalidação. São atos de confirmação a homologação, a aprovação, o visto e outros atos
eventualmente inominados. A invalidação é costumeiramente denominada de anulação,
termo que serve tanto para o Judiciário, em ações judiciais, como para a Administração.

26. Controle de mérito: o controle que se consuma pela verificação da conveniência e da


oportunidade da conduta administrativa. Nesse controle, nada se questiona sobre a legalidade
da conduta; afere-se apenas se uma conduta anterior merece prosseguir ou se deve ser revista.

 O controle de mérito é privativo da Administração Pública e, logicamente, não se submete


à sindicabilidade no Poder Judiciário. A razão é simples. Se esse controle tem por objeto a
avaliação de condutas administrativas, há de traduzir certa discricionariedade atribuída aos
órgãos administrativos.
 Ao Judiciário somente é cabível o controle de legalidade, vez que constitui sua função
decidir sobre os confrontos entre as condutas administrativas e as normas jurídicas, como
vimos acima.
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 É ultimado através de atos de confirmação de conduta (aprovação, confirmação etc.),


quando esta não precisa ser revista.
 Revogação: o meio de que se socorre a Administração para desfazer situações
administrativas anteriores, tendo em vista critérios de cunho exclusivamente administrativo.

27. Recursos Administrativos: todos os meios que podem utilizar os administrados para provocar
o reexame do ato pela Administração Pública.
28.

29. A Constituição assegura o direito de petição independentemente do pagamento de taxas.


30.

Modalidades de recursos administrativos:

Representação: é a denúncia de irregularidades feita perante a própria Administração


Pública ou a entes de controle, como o Ministério Público, o Tribunal de Contas ou
outros órgãos que funcionem como ouvidoria.

Reclamação administrativa: é o ato pelo qual o administrado, seja particular ou servidor


público, deduz uma pretensão perante a Administração Pública, visando obter o
reconhecimento de um direito ou a correção de um ato que lhe cause lesão ou ameaça
de lesão.

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Pedido de reconsideração: o interessado requer o reexame do ato à própria autoridade


que o emitiu. O prazo para decisão é de 30 dias, não podendo ser renovado; só é
cabível se contiver novos argumentos; caso contrário caberá recurso à autoridade
superior.

Recurso hierárquico: é o pedido de reexame do ato dirigido à autoridade superior à que


proferiu o ato. Pode ser próprio ou impróprio. O recurso hierárquico próprio é dirigido
à autoridade imediatamente superior, dentro do mesmo órgão em que o ato foi
praticado. Ele é uma decorrência da hierarquia e, por isso mesmo, independe de
previsão legal. O recurso hierárquico impróprio é dirigido a autoridade de outro órgão
não integrado na mesma hierarquia daquele que proferiu o ato. Precisamente por isso
é chamado impróprio. Não decorrendo da hierarquia, ele só é cabível se previsto
expressamente em lei. A hipótese mais comum é a de recurso contra ato praticado
por dirigente de autarquia, interposto perante o Ministério a que a mesma se acha
vinculada ou perante o Chefe do Poder Executivo, dependendo do que estabeleça a
lei. É o caso também de recursos interpostos perante tribunais administrativos, como
o Tribunal de Impostos e Taxas ou o Conselho de Contribuintes.

Revisão: é o recurso de que se utiliza o servidor público, punido pela Administração, para
reexame da decisão, em caso de surgirem fatos novos suscetíveis de demonstrar a
sua inocência.

31. As expressões coisa julgada administrativa e prescrição administrativa foram


transpostas para o direito administrativo por influência de doutrinadores que não veem
diferença de fundo, mas apenas de forma, entre a administração ativa e a jurisdição.

 No entanto, são muito diversas as funções jurisdicional e administrativa:

o Na função jurisdicional, o Poder Judiciário atua como terceiro estranho à lide; a relação é
trilateral, porque compreende autor, réu e juiz, não sendo este parte na relação que vai decidir.
A relação é imparcial
o Na função administrativa, a Administração Pública é parte na relação que aprecia; por isso
mesmo se diz que a função é parcial e, partindo do princípio de que ninguém é juiz e parte ao
mesmo tempo, a decisão não se torna definitiva, podendo sempre ser apreciada pelo Poder
Judiciário, se causar lesão ou ameaça de lesão.

 No processo administrativo, só existe a coisa julgada formal; não existe coisa julgada
material, porque a decisão proferida na esfera administrativa é passível de apreciação pelo
Poder Judiciário.
 No Direito Administrativo, a expressão “Coisa Julgada” significa apenas que a decisão
se tornou irretratável pela própria Administração.

32. O direito brasileiro adotou o sistema da jurisdição uma: o Poder Judiciário tem o monopólio
da função jurisdicional, ou seja, do poder de apreciar, com força de coisa julgada, a lesão ou
ameaça de lesão a direitos individuais e coletivos. O fundamento Constitucional do sistema da

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unidade de jurisdição é o artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal, que proíbe a lei de
excluir da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.

33. O Poder Judiciário pode examinar os atos da Administração Pública, de qualquer


natureza, mas sempre sob o aspecto da legalidade e, agora, pela Constituição, também sob o
aspecto da moralidade.

 Atos discricionários: sujeitam-se à apreciação judicial, desde que não se invadam os


aspectos reservados à apreciação subjetiva da Administração Pública, conhecidos sob a
denominação de mérito (oportunidade e conveniência).

34. A Reclamação Administrativa contra decisão que contrarie ou aplique indevidamente


uma súmula vinculante editada pelo Supremo Tribunal Federal é um novo instrumento de
controle do Poder Judiciário sobre os atos da Administração Pública.
 Com relação aos atos políticos, é possível também a sua apreciação pelo Poder Judiciário,
desde que causem lesão a direitos individuais ou coletivos.
 Quanto aos atos interna corporis (Regimentos dos atos colegiados), em regra, não são
apreciados pelo Poder Judiciário, porque se limitam a estabelecer normas sobre o
funcionamento interno dos órgãos; no entanto, se exorbitarem em seu conteúdo, ferindo
direitos individuais e coletivos, poderão também ser apreciados pelo Poder Judiciário.

35.

Aspectos mais relevantes no contexto do controle judicial das políticas públicas:

Políticas públicas são metas e instrumentos de ação que o Poder Público define para a
consecução de interesses públicos que lhe incumbe proteger.

As políticas públicas são definidas pelo legislador e executadas pelo Executivo. No


entanto, o Judiciário vem, direta ou indiretamente, interferindo nas políticas públicas
definidas pelos poderes competentes.

“Conflito”: o modelo do Estado Social é pródigo na proteção dos direitos fundamentais e


na previsão de inúmeros serviços sociais como deveres do Estado, a consequência
inevitável é a de que acabam por se colocar em confronto, de um lado, o dever
constitucional de atender às imposições constitucionais, que correspondem a direitos
do cidadão (essenciais para garantir a dignidade da pessoa humana), e, de outro lado,
a escassez dos recursos públicos para atender a todos esses direitos.

O Judiciário vem interferindo, direta ou indiretamente, na formulação de políticas públicas.


É a chamada judicialização das políticas públicas. Existem diferentes fatores que vêm
contribuindo para isso. De um lado, a inércia do Poder Público, a sua ineficiência, a
ausência ou deficiência no planejamento, a corrupção, os desvios de finalidade na
definição de prioridades, os interesses subalternos protegidos, em detrimento de
outros, especialmente relevantes para a garantia dos direitos fundamentais; de outro
lado, a atuação do Ministério Público, que não mais se conforma com o seu papel de
controlador da legalidade da atuação administrativa, mas quer participar das decisões
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de governo, utilizando, para esse fim, os termos de ajustamento de conduta e as


ações civis públicas para substituir as decisões dos poderes competentes na definição
das prioridades e dos meios de atuação.

O Judiciário está garantindo o núcleo essencial dos direitos fundamentais ou o mínimo


existencial indispensável para a dignidade da pessoa humana. Tratando-se de mínimo
existencial, ele não estaria analisando aspectos de discricionariedade, mas fazendo
cumprir a Constituição, uma vez que não se limita a decretar a invalidade de um ato
da Administração Pública ou a inconstitucionalidade de uma lei ou de uma omissão,
mas vai além, impondo prestações positivas, diante da inércia do Legislativo ou do
Executivo.

No caso das ações individuais, não há interferência direta nas políticas públicas, porque
o que se objetiva é a garantia de um direito subjetivo individual. É o caso das ações
em que se pleiteiam medicamentos, exames ou tratamentos médicos, vagas em
creches ou escolas. O mesmo ocorre no caso das ações coletivas que tenham
também o objetivo de obter prestações positivas, por exemplo, medicamentos a todos
os portadores de determinada doença ou prestação do serviço de saneamento em
determinado município.

36.

Peculiaridades da Administração Pública em juízo, segundo Maria Sylvia Di Pietro:

Juízo privativo: na esfera federal, é a Justiça Federal, compreendendo os Tribunais


Regionais Federais e os Juízes Federais (arts. 1 06, 1 08, inciso II, e 1 09, inciso 1,
da Constituição). No âmbito estadual, a matéria é disciplinada pelas Constituições e
leis de organização judiciária. Nos Municípios onde não há Varas dessa natureza
correm perante a Justiça comum a ação popular, o mandado de segurança, a
execução fiscal, a desapropriação, as ações de discriminação de terras devolutas e
outras relativas a bens imóveis. Na segunda instância, inexiste juízo privativo na
esfera estadual.

Prazos dilatados: pelo artigo 188 do CPC, a Fazenda Pública e o Ministério Público têm
prazo em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer. A Lei nº 9.469, de 10-7-
97, no artigo 10, estendeu igual benefício às autarquias e fundações públicas.

Duplo grau de jurisdição: o artigo 475, incisos I e II, do Código de Processo Civil, determina
que está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeitos senão depois de
confirmada pelo tribunal, a sentença proferida contra a União, o Estado, o Distrito
Federal, o Município e as respectivas autarquias e fundações de direito público, bem
como a que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução de
dívida ativa da Fazenda Pública.

Processo especial de execução: o artigo 100 da Constituição prevê processo especial de


execução contra a Fazenda Federal. Estadual e Municipal, e que abrange todas as
entidades de direito público, como decorre do § 5º do mesmo dispositivo. Esse
processo de execução diz respeito aos pagamentos devidos pelas entidades de direito
público, em virtude de sentença judicial, os quais deverão ser efetuados
exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos
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créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações


orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para esse fim.

Prescrição quinquenal: nos termos do artigo 1º do Decreto nº 20.910, de 6-1-32, "as


dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer
direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua
natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se
originaram".

Pagamento das despesas judiciais: nos termos do artigo 27 do CPC, as despesas dos
atos processuais efetuados a requerimento do Ministério Público ou da Fazenda serão
pagas a final pelo vencido.

Restrições à concessão de liminar e à tutela antecipada: a Lei nº 8.43 7, de 30-6-92,


impede a concessão de medida liminar contra atos do Poder Público, no procedimento
cautelar ou em quaisquer outras ações de natureza cautelar ou preventiva, toda vez
que providência semelhante não puder ser concedida em mandado de segurança, em
virtude de vedação legal. Isto significa que a restrição existe nas hipóteses referidas
na Lei nº 12.016, de 7-8-09, que disciplina o mandado de segurança individual e
coletivo, cujo artigo 7º, § 2º, determina que "não será concedida medida liminar que
tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e
bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores
públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de
qualquer natureza".

Restrições à execução provisória: em matéria de mandado de segurança, o artigo 14, §


3º, da Lei nº 12.016/09 veda a execução provisória nos casos em que for vedada a
concessão da medida liminar, a saber, nas hipóteses previstas no artigo 7º, § 2º, já
referidas no item anterior. Vale dizer que não é possível a execução provisória na
pendência de recurso, mesmo este tendo efeito apenas devolutivo.

37.

Hipóteses de controle político expressas na CFRB/1988, segundo Maria Sylvia Di


Pietro:

A competência exclusiva do Congresso Nacional e do Senado para apreciar a priori ou a


posteriori os atos do Poder Executivo (arts. 49, incisos I, II, III, IV, XII, XIV, XVI, XVII, e 52,
incisos III, IV, V e XI).

A convocação de Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos diretamente


subordinados à Presidência da República, pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado,
bem como por qualquer de suas comissões, para prestar, pessoalmente, informações
sobre assunto previamente determinado, importando crime de responsabilidade a
ausência, sem justificação adequada (art. 50, alterado pela Emenda Constitucional de
Revisão nº2/94)

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O encaminhamento de pedidos escritos de informação, pelas Mesas da Câmara dos


Deputados e do Senado, dirigidos aos Ministros de Estado ou a quaisquer titulares de
órgãos diretamente subordinados à Presidência da República, que deverão responder no
prazo de trinta dias, sob pena de crime de responsabilidade (art. 50, § 2º, alterado pela
Emenda Constitucional de Revisão nº 2/94).

A apuração de irregularidades pelas Comissões Parlamentares de Inquérito, as quais têm


poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos
Regimentos das Casas do Congresso; as suas conclusões, se for o caso, serão
encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou
criminal dos infratores (art. 58, § 3º)

A competência do Senado Federal para processar e julgar o Presidente e o Vice-


Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de
Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, nos crimes da
mesma natureza conexos com aqueles; a competência para processar e julgar os
Ministros do STF, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional
do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos
crimes de responsabilidade (art. 52, incisos I e II).

A competência do Senado para fixar, por proposta do Presidente da República, limites


globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios; para dispor sobre limites globais e condições para as operações de
crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de
suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público Federal; para dispor
sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito
externo e interno (art. 52, incisos VI, VII e VIII);

A competência do Congresso Nacional para sustar os atos normativos do Poder Executivo


que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; essa
atribuição, prevista no artigo 49, inciso V, constitui inovação da Constituição de 1988, da
maior relevância, porque permitirá ao Poder Legislativo controlar, mediante provocação
ou por iniciativa própria, a legalidade dos atos normativos do Poder Executivo, sustando
os seus efeitos independentemente de prévia manifestação do Poder Judiciário.

38.

Hipóteses de controle financeiro expressas no Art. 70 da CRFB/1988, segundo


Maria Sylvia Di Pietro:

Quanto à atividade controlada, a fiscalização abrange a contábil, a financeira, a


orçamentária, a operacional e a patrimonial; isto permite a verificação da
contabilidade, das receitas e despesas, da execução do orçamento, dos resultados e
dos acréscimos e diminuições patrimoniais;

Quanto aos aspectos controlados, compreende:


“I - controle de legalidade dos atos de que resultem a arrecadação da receita ou a
realização da despesa, o nascimento ou a extinção de direitos e obrigações;

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II - controle de legitimidade, que a Constituição tem como diverso da legalidade, de sorte


que parece assim admitir exame de mérito a fim de verificar se determinada despesa,
embora não ilegal, fora legítima, tal como atender a ordem de prioridade, estabelecida
no plano plurianual;
III - controle de economicidade, que envolve também questão de mérito, para verificar se
o órgão procedeu, na aplicação da despesa pública, de modo mais econômico,
atendendo, por exemplo, uma adequada relação custo-benefício;
IV - controle de fidelidade funcional dos agentes da administração responsáveis por bens
e valores públicos;
V - controle de resultados de cumprimento de programas de trabalho e de metas, expresso
em termos monetários e em termos de realização de obras e prestação de serviços"
(cf. José Afonso da Silva, 2003: 727).

Quanto às pessoas controladas, abrange União, Estados, Municípios, Distrito Federal e


entidades da Administração Direta e Indireta, bem como qualquer pessoa física ou
entidade pública, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens
e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma
obrigações de natureza pecuniária;

A fiscalização compreende os sistemas de controle externo, que compete ao Poder


Legislativo, com auxílio do Tribunal de Contas, e de controle interno exercido por cada
um dos Poderes.

39.

Funções do controle externo expressas no Art. 71 da CRFB/1988, segundo Maria


Sylvia Di Pietro:

Fiscalização financeira propriamente dita, quando faz ou recusa o registro de atos de


admissão de pessoal e excetuadas as nomeações para cargo em comissão) ou de
concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão; quando faz inquéritos,
inspeções e auditorias; quando fiscaliza a aplicação de quaisquer recursos
repassados pela União, mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos
congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;

De consulta, quando emite parecer prévio sobre as contas prestadas


anualmente pelo Presidente da República;

De informação, quando as presta ao Congresso Nacional, a qualquer de suas Casas, ou


a qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira,
orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções
realizadas

De julgamento, quando "julga" as contas dos administradores e demais responsáveis por


dinheiros, bens e valores públicos e as contas daqueles que derem causa à perda,
extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao Erário Público; embora o
dispositivo fale em "julgar" (inciso II do art. 71), não se trata de função jurisdicional,
porque o Tribunal apenas examina as contas, tecnicamente, e não aprecia a
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responsabilidade do agente público, que é de competência exclusiva do Poder


Judiciário; por isso se diz que o julgamento das contas é uma questão prévia,
preliminar, de competência do Tribunal de Contas, que antecede o julgamento do
responsável pelo Poder Judiciário;

Sancionatórias, quando aplica aos responsáveis, nos casos de ilegalidade de despesa ou


irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras
cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário;

Corretivas, quando assina prazo para que o órgão ou entidade adote


as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade; e
quando susta, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a
decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal; nos termos do § 1 º do artigo
71 , no caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso
Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo, as medidas cabíveis; pelo
§ 2º, se o Congresso ou o Poder Executivo, no prazo de 90 dias, não efetivar as
medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito; isto constitui
inovação da Constituição de 1988, já que, na anterior, a decisão final, de natureza
puramente política, ficava com o Congresso Nacional;

40. Nos âmbitos estadual e municipal, as normas sobre fiscalização contábil, financeira e
orçamentária aplicam-se aos respectivos Tribunais e Conselhos de Contas.

41. Com relação aos Municípios, o artigo 31 da Constituição prevê o controle externo da Câmara
Municipal, com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do Município ou dos
Conselhos ou Tribunais de Contas, onde houver. Pelo §2º, o parecer prévio emitido pelo
órgão competente sobre as contas anuais do Prefeito só deixará de prevalecer por decisão de
2/3 dos membros da Câmara Municipal.

42. O Procurador Geral de Justiça possui legitimidade para propor ADI, ADC e ADO (controle
concentrado de constitucionalidade).

43. “custos legis”: Os membros do MP podem, no curso dos processos em que oficiarem, arguir,
incidentalmente, a inconstitucionalidade de leis Municipais em face da Constituição da
República, bem como em face da Constituição Estadual (controle difuso de
constitucionalidade). Além disso, é perfeitamente possível arguir a inconstitucionalidade de leis
municipais incidentalmente nas ações civis públicas, conforme atual entendimento do Supremo
Tribunal Federal.

44. É obrigatória a atuação do Ministério Público nos incidentes de inconstitucionalidade.


45. Atuação extrajudicial do Ministério Público: poderá se valer de instrumentos para a
consecução da retirada das leis municipais inconstitucionais do ordenamento jurídico, por meio
de expedição de recomendação para modificar e/ou revogar as leis municipais
inconstitucionais, bem como através de termo de ajustamento de conduta.

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46. O Conselho Nacional de Justiça - CNJ e o Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP
constituem mecanismos do controle externo da administração da justiça.

47.

48. O art. 70 da Constituição determina que ao Congresso Nacional compete realizar controle
externo da Administração direta e indireta, exercendo fiscalização contábil, financeira,
orçamentária, patrimonial e operacional, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade,
aplicação das subvenções e renúncias de receitas, para o quê contará com o auxílio do
Tribunal de Contas da União.
49.

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50. Dinheiros públicos: aqueles que integram o acervo das pessoas de direito público (entes
federativos, autarquias e fundações de direito público). Da mesma natureza deve ser
considerado o montante derivado do pagamento de contribuições ou pagamentos compulsórios
efetuados por administrados, ainda que os destinatários sejam pessoas de direito privado,
integrantes da Administração ou não.
51. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu que o Tribunal de Contas, no exercício de suas
atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público.
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52. Art. 71, § 3º, da CF: “As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão
eficácia de título executivo.”

53. O Tribunal de Contas, em sua atividade de controle de contas e de administradores públicos,


poderia ter sido autorizado a impor, em situações especiais, a quebra de sigilo bancário de
dados constantes do Banco Central. Todavia, a LC nº 105/2001 conferiu esse poder
exclusivamente ao Judiciário, ao Legislativo e às Comissões Parlamentares de Inquérito, após
aprovação do plenário do Senado, da Câmara ou das respectivas comissões.

54. Controladoria: é órgão interno de controle dos entes federativos que não têm função
consultiva, mas sim de efetiva fiscalização, orientação e revisão de atos praticados dentro
da estrutura do Poder Executivo.
 A Controladoria-Geral da União tem a competência para assistir direta e imediatamente ao
Presidente da República no desempenho de suas atribuições quanto aos assuntos e
providências que, no âmbito do Poder Executivo, sejam atinentes à defesa do patrimônio
público, ao controle interno, à auditoria pública, à correição, à prevenção e ao combate à
corrupção, às atividades de ouvidoria e ao incremento da transparência da gestão no âmbito
da administração pública federal, devendo, no exercício de sua competência, dar o devido
andamento às representações ou denúncias fundamentadas que receber, relativas a lesão
ou ameaça de lesão ao patrimônio público, velando por seu integral deslinde.

55. Reclamação: é um instrumento jurídico com status constitucional que visa preservar a
competência do Supremo Tribunal Federal (STF) e garantir a autoridade de suas decisões.

56.

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57. Intervenção: procedimento pelo qual a União intervém nos Estados ou no Distrito Federal, e
os Estados nos Municípios, com o fim de garantir a observância dos princípios federativos. Ela
consiste no afastamento total ou parcial das prerrogativas próprias da autonomia do Estado,
Distrito Federal ou do Município, prevalecendo a vontade do ente interventor.
58.

59.

60. Remédios Constitucionais: ações específicas de controle da Administração Pública. O


administrado pode utilizar dos vários tipos de ações previstos na legislação ordinária, para
impugnar os atos da Administração; pode propor ações de indenização, possessórias,
reivindicatórias, de consignação em pagamento, cautelar etc.

61.

Remédios constitucionais:

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Habeas corpus: pode ser impetrado por qualquer pessoa, nacional ou estrangeira, em
benefício próprio ou de terceiro. Os pressupostos para sua propositura são:
1. ilegalidade ou abuso de poder, seja por parte de autoridade pública, seja por parte de
particular;
2. violência, coação o u ameaça à liberdade de locomoção.

Habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante,
constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de
caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial
ou administrativo.
Sujeito ativo do habeas data é a pessoa, brasileira ou estrangeira, a que se refere a
informação.
Sujeito passivo é a entidade governamental ou de caráter público que tenha registro ou
banco de dados sobre a pessoa.
Objeto pode ser a simples informação ou, se o impetrante já a conhecer, pode ser sua
retificação; e, agora, pelo artigo 7º da Lei nº 9. 507/97, o objeto pode ser também a
anotação de esclarecimentos ou justificativas no registro de dados. Nada impede que,
no mesmo processo, se pleiteie primeiro a informação e, sendo esta falsa, se pleiteie,
a seguir, a retificação; ou, ainda, a anotação de esclarecimentos ou justificativas.

Mandato de injunção: sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o


exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à
nacionalidade, à soberania e à cidadania". De todos os remédios constitucionais
introduzidos pela Constituição de 1988, esse é, provavelmente, o que mais tem
suscitado controvérsias e que mais vem encontrando dificuldades na sua utilização.
As controvérsias começam quanto à origem do instituto.

Mandado de segurança: é a ação civil de rito sumaríssimo pela qual qualquer pessoa
física ou jurídica pode provocar o controle jurisdicional quando sofrer lesão ou ameaça
de lesão a direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus nem habeas data,
em decorrência de ato de autoridade, praticado com ilegalidade ou abuso de poder.
Além dos pressupostos processuais e das condições da ação exigíveis em qualquer
procedimento, são pressupostos específicos do mandado de segurança:
1. ato de autoridade;
2. ilegalidade ou abuso d e poder;
3. lesão ou ameaça d e lesão;
4. direito líquido e certo não amparado por habeas corpus ou habeas data.
Restrições: para assegurar a liberdade de locomoção; para assegurar a liberdade de
locomoção; para corrigir lesão decorrente de lei em tese; contra ato do qual caiba
recurso administrativo com efeito suspensivo, independente de caução; contra

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decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo e contra decisão judicial
transitada em julgado.

Mandado de segurança coletivo: pode ser impetrado por:


a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em
funcionamento há pelo menos 1 (um) ano, em defesa dos interesses de seus
membros ou associados.

Ação popular: é a ação civil pela qual qualquer cidadão pode pleitear a invalidação de atos
praticados pelo poder público ou entidades de que participe, lesivos ao patrimônio
público, ao meio ambiente, à moralidade administrativa ou ao patrimônio histórico e
cultural, bem como a condenação por perdas e danos dos responsáveis pela lesão.
Além das condições da ação em geral - interesse de agir, possibilidade jurídica e
legitimação para agir -, são pressupostos da ação popular:
1. qualidade de cidadão n o sujeito ativo;
2. ilegalidade o u imoralidade praticada pelo Poder Público ou entidade
de que ele participe;
3. lesão a o patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio
ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.
Cidadão é o brasileiro, nato ou naturalizado, que está no gozo dos direitos políticos, ou
seja, dos direitos de votar e ser votado.

Ação civil pública: não constitui, a rigor, meio específico de controle da Administração
Pública, razão pela qual pode causar estranheza a sua inclusão neste capítulo.
Contudo, como ela tem como legitimado passivo todo aquele que causar dano a algum
interesse difuso, poderá eventualmente ser proposta contra o próprio Poder Público
quando ele for o responsável pelo dano. Constitui pressuposto da ação civil pública o
dano ou a ameaça de dano a interesse difuso ou coletivo, abrangidos por essa
expressão o dano ao patrimônio público e social, entendida a expressão no seu
sentido mais amplo, de modo a abranger o dano material e o dano moral.

Ação direta de inconstitucionalidade: a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato


normativo federal ou estadual está prevista na Constituição da República (art. 102, I,
"a") como competência originária do STF. A Lei 9.868, de 10.11.99, dispõe sobre o
seu processo e julgamento, sendo complementada pelo RISTF (arts. 169 a 178). Por
essa ação, que pode ser ajuizada a qualquer tempo (STF, Súmula 360) pelo
Procurador-Geral da República ou por qualquer das autoridades, das entidades ou
dos órgãos que a própria Constituição enumera (art. 103), ataca-se a lei em tese (STF,
ADI 3. 709-9, DJU 15.5 .2006), ou qualquer outro ato normativo, antes mesmo de
produzir efeitos concretos, e a decisão declaratória da inconstitucionalidade inclusive
a interpretação conforme a Constituição, "tem eficácia contra todos e efeitos
vinculantes em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública".
Logo, perante o STF o controle direto de constitucionalidade não alcança leis ou atos
normativos municipais, que só ficam sujeitos ao sistema difuso, com eficácia inter
partes. Quanto às leis e atos normativos estaduais e municipais que ofendam a
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Constituição Estadual, caberá ao Tribunal de Justiça decidir sobre essa


inconstitucionalidade (CF, art. 125, § 22). Com essa ação direta de
inconstitucionalidade, as leis em tese e atos normativos violadores das Constituições
sujeitam-se ao controle judicial preventivo antes mesmo que gerem ou propiciem
qualquer atividade concreta e específica de administração.

Ação de inconstitucionalidade por omissão: a ação de inconstitucionalidade por omissão,


prevista no art. 103, § 22 , da CF, segue as regras da Lei 9.868/99, na redação dada
pela Lei 12.063/2009, que dispõe sobre seu processo e julgamento. Os legitimados
são os mesmos da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de
constitucionalidade. Nos termos do art. 12-F dessa lei, é possível a concessão de
medida cautelar, a qual "poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do ato
normativo questionado, no caso de omissão parcial, bem como na suspensão de
processos judiciais ou de procedimentos administrativos, ou ainda em outra
providência a ser fixada pelo Tribunal" (§ 12 do art. 12-F). Declarada a
inconstitucionalidade por omissão, será dada ciência ao Poder competente para a
adoção das providências necessárias determinadas pela Suprema Corte; e, se a
omissão for imputável a órgão administrativo, este deverá adotá-las no prazo de. trinta
dias ou em prazo razoável a ser estipulado excepcionalmente pelo Tribunal, tendo em
vista as circunstâncias específicas do caso e o interesse público envolvido.

Ação declaratória de constitucionalidade: a ação declaratória de constitucionalidade de lei


ou ato normativo federal, também prevista no art. 102, I, "a", dá CF, foi introduzida em
nosso sistema jurídico pela EC 3, de 17.3.93, e será apreciada pelo STF. Têm
legitimidade para propô-la o Presidente da República, 128 a Mesa do Senado, a Mesa
da Câmara e o Procurador-Geral da República. A referida Lei 9.868/99 dispõe sobre
o seu processo e julgamento. Os efeitos da declaração de constitucionalidade são os
mesmos da ação direta de inconstitucionalidade, acima apontados, por força do
parágrafo único do art. 28 dessa lei. Esta lei também prevê medida cautelar na ação
declaratória, "consistente na determinação de que os juízes suspendam o julgamento
dos processos que envolvam a aplicação da lei ou ato normativo objeto da ação até
seu julgamento definitivo" (art. 21).

Arguição de descumprimento de preceito fundamental: este instrumento, previsto no § 12


do art. 102 da CF, é ação destinada a arguir o descumprimento de preceito
fundamental, quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre
lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, inclusive os anteriores à
Constituição, como prevê a Lei 9.882, de 3.12.99, que dispõe sobre o processo e
julgamento dessa arguição. A arguição será proposta perante o STF e pode ter por
objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do Poder
Público (art. 12). Ainda de acordo com essa lei, podem propor a arguição os
legitimados para a ação direta de inconstitucionalidade (art. 22, I).

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12. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Caríssimo(a), finalizamos aqui essa nossa aula de hoje.


Assim, recomendo revisitar este tema sempre que possível.

Qualquer dúvida, seja na teoria ou na resolução dos exercícios, entre em contato comigo por meio
do Fórum de Dúvidas.
Estou à sua disposição para aclarar ou aprofundar qualquer tema.
Deixe lá também suas sugestões, críticas e comentários.
Conte comigo como um parceiro em sua caminhada.
Além disso, para ficar por dentro das notícias do mundo dos concursos públicos, recomendo que
você siga o perfil do Estratégia Carreira Jurídica e do Estratégia Concursos nas mídias sociais!
Você também poderá seguir meu perfil no Instagram. Por meio dele eu busco não só transmitir
notícias de eventos do Estratégia e de fatos relativos aos concursos em geral, mas também
compartilhar questões comentadas de concursos específicos que o ajudará em sua preparação!

Que DEUS o ilumine abundantemente para que você consiga focar nos estudos e, em breve,
alcançar a sua vaga!!!!!

Cordial abraço

Wagner Damazio

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