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INTRODUÇÃO À

EDUCAÇÃO A
DISTÂNCIA - EaD
Mariana Pícaro Cerigatto
A evolução tecnológica
e a educação a
distância no Brasil
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

 Identificar as gerações da EaD que acompanham a evolução


tecnológica.
 Reconhecer os principais marcos da EaD no Brasil.
 Analisar o sentido de distância e presença na EaD.

Introdução
Ao longo dos anos, diferentes tecnologias e linguagens sustentaram
modelos de sociedade diversos. A educação a distância (EaD), modalidade
marcada por processos de ensino e aprendizagem realizados por meio das
tecnologias de informação e comunicação (TICs), tem evoluído conforme
progridem as tecnologias vigentes. Atualmente, têm sido priorizadas as
tecnologias digitais, em rede e colaborativas.
Neste capítulo, você vai ver como cada fase da educação a distância se
constituiu conforme as tecnologias “dominantes” de cada época. Também
vai ver como cada tecnologia influenciou o modo de ensinar e aprender.
Além disso, você vai conhecer os principais marcos da consolidação da
EaD no Brasil. Por fim, vai acompanhar uma discussão sobre os sentidos
de distância e presença, verificando como as tecnologias usadas para
mediar o conhecimento podem reforçar alguns desses sentidos.

Gerações da educação a distância


A educação a distância é uma modalidade cada vez mais utilizada por várias
instituições, públicas e privadas, em vários níveis de ensino, especialmente no
2 A evolução tecnológica e a educação a distância no Brasil

ensino superior. A EaD passou por fases diferentes, de acordo com as tecno-
logias vigentes em cada época. Além disso, evoluiu conforme as necessidades
de atender a determinado perfil de estudante e as habilidades necessárias para
o ambiente digital, para o ambiente de trabalho, etc.
Hoje, os ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs) utilizados nos sistemas
EaD voltam-se cada vez mais para desencadear a autonomia dos estudantes
no processo de ensino e aprendizagem. A ideia é que os AVAs contribuam
para desenvolver competências voltadas para o atual mercado de trabalho.
Como você sabe, o mercado preza, cada vez mais, por um trabalhador mais
informado, que saiba atuar de forma autônoma, tenha competências múltiplas,
saiba trabalhar em equipe e consiga adaptar-se facilmente a situações novas
(BELLONI, 1999). Com as mudanças socioeconômicas e tecnológicas a todo
vapor, o estudante tende a valorizar uma educação voltada para a sua formação
contínua, tendo a EaD como grande aliada.
Assim, a evolução da EaD resulta de mudanças significativas na própria
concepção da educação e no entendimento de como ela pode e deve ser (re)
organizada. Uma característica fundamental da EaD contemporânea, que
marca seu atual estágio de evolução, é a inclusão cada vez maior de um rol de
mídias, conteúdos e dispositivos em seus processos de ensino e aprendizagem:
games educativos, dispositivos móveis, televisão digital, etc. Tais dispositivos
atribuem novos valores ao ensino e ao aprendizado. Um aspecto importante
desse cenário é que os ambientes virtuais de aprendizagem estão cada vez mais
acessíveis e portáteis, reforçando a importância da EaD para a aprendizagem
contínua ao longo da vida.
É importante você notar que, apesar de essa modalidade estar em bastante
evidência nos dias de hoje, a educação a distância já é uma forma de ensino
e aprendizagem bastante antiga, mas que foi adquirindo características dife-
rentes ao longo do tempo. Belloni (1999) apresenta três gerações de modelos
diferentes de EaD, que você vai ver a seguir.

Primeira geração
Refere-se à educação a distância por correspondência, muito comum no final
do século XIX. Essa modalidade ganhou força com o desenvolvimento dos
serviços postais e a massificação dos suportes impressos. O aluno trocava
material impresso com o docente por meio do correio tradicional. Nessa
fase pioneira, a interação entre o professor e o aluno era lenta e limitada, e
o processo de educação era individual. Você pode tomar como exemplo os
primeiros cursos a distância realizados pelo Instituto Universal Brasileiro por
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meio dos Correios. O Instituto Universal Brasileiro atua nessa modalidade


desde 1941. Inicialmente, os anúncios dos cursos, nas mais diversas áreas,
eram veiculados especialmente em revistas impressas (Figura 1).

Figura 1. Anúncio do Instituto Universal Brasileiro em uma revista


impressa.
Fonte: Bandeira (2013).

Segunda geração
Nos anos 1960, junto à expansão dos meios de comunicação audiovisuais,
surge a modalidade EaD que recorre a multimeios a distância. Essa modalidade
integra o uso do impresso aos meios de comunicação audiovisuais (antena
ou cassete) e, em certa medida, aos computadores. Belloni (1999) indica que
esse modelo se baseou em percepções behavioristas e industrialistas típicas
da época, produzindo um esquema de comunicação ainda unidirecional, com
pouca interatividade — limitada à troca de documentos escritos ou a chamadas
telefônicas. O processo de aprendizagem era ainda bastante individual.
A concepção da segunda fase se delimita por “pacotes” de conteúdos
instrucionais e público de massa, integrados às inovações tecnológicas de
comunicação e informação da época. As universidades, a partir da década de
1970, começaram a oferecer seus cursos em materiais impressos, combinando-
-os com meios audiovisuais de massa, como rádio e TV, ou conteúdos gravados
(fitas cassetes de áudio ou vídeo) como materiais de apoio (BELLONI, 1999).
4 A evolução tecnológica e a educação a distância no Brasil

O Telecurso 2000, programa televisivo lançado em 1995, foi um dos pro-


gramas da rede Telecurso, sistema educacional de educação a distância man-
tido pela Fundação Roberto Marinho e pelo sistema FIESP (Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo) (Figura 2). Foi um marco importante da
segunda fase da EaD, em que se destacaram os meios audiovisuais massivos,
como a televisão, para a transmissão de teleaulas.

Figura 2. Programa televisivo Telecurso 2000.


Fonte: Escola de Tratamento Térmico (2017).

Nessa fase da EaD, marcada por tecnologias como rádio, televisão e fitas
cassetes, os alunos ainda eram vistos como uma grande “massa”. Os conteúdos
eram produzidos de forma massiva e a comunicação era “de cima para baixo”,
com pouca interatividade e escassa participação dos estudantes. Por outro
lado, como você pode imaginar, o ensino ganhou mais dinamicidade com a
linguagem audiovisual. Além disso, os conteúdos se tornaram mais atrativos.
Contudo, a produção ainda era detida por grandes indústrias de informação e
comunicação. Assim, o professor não contribuía na elaboração dos conteúdos.

Terceira geração
Com a disseminação das tecnologias digitais, a EaD ganhou bastante im-
pulso a partir de 1985. A partir daí, aluno e docente pasaram a se conectar
especialmente por uma rede de computadores com acesso à internet. Assim,
se inicia a utilização de sistemas de comunicação bidirecionais, síncronos e
assíncronos. Nessa fase, a EaD começa a utilizar a multimídia interativa, além
de algumas ferramentas como correio eletrônico, fórum e chat. O processo de
aprendizagem ganha uma dimensão mais social.
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A terceira geração se caracteriza pela diminuição do uso de materiais di-


dáticos veiculados por meios de comunicação de massa. No lugar deles, são
utilizados programas interativos informatizados (que tendem a substituir as
unidades de curso impressas), bancos de dados, e-mails, listas de discussão,
sites e CD-ROMs didáticos (de divulgação científica, cultura geral, de “info-
entretenimento”, etc.). Essa geração é marcada por uma nova concepção dos
modos de ensinar e aprender — o que implica a preparação de um enorme
contingente de educadores.
A terceira geração é marcada por tecnologias que funcionam em rede, mas
ainda são remotas as oportunidades de criação e interação com os conteúdos.
Trata-se da primeira fase da internet, em que o usuário consome as informações
com uma postura muito próxima à de telespectador. O aluno ainda tem pouca
chance de interagir e participar.
Alguns autores, como Moore e Kearsley (2007), dividem essa geração em
terceira e quarta fases da EaD, destacando ainda o intenso uso da televisão,
mesmo com o acesso à internet. Fala-se ainda de uma quinta fase, que se pode
chamar de estágio atual da EaD.

Apesar de os dispositivos móveis serem as “vedetes” do momento na educação


a distância, é importante você perceber que cada tecnologia, mais ou menos
utilizada em cada período histórico, tem sua parcela de contribuição no processo
de ensino e aprendizagem. Cada mídia tem suas particularidades e contribui
de maneira específica para o processo. Assim, as “velhas” tecnologias têm seu
valor na educação e sobrevivem na era digital, possibilitando uma aprendizagem
colaborativa e interativa.
O computador, por exemplo, não substitui os livros didáticos nem assume suas
funções, embora transforme profundamente seu uso. Os materiais impressos já
não são a principal referência, mas não devem deixar de ser consultados. As novas
tecnologias criam situações de aprendizagem totalmente novas, que envolvem
interações mais intensas e estimuladoras, mas é preciso combiná-las com outras
plataformas. A televisão, com a sua atual qualidade de imagem e som e com a
sua versatilidade — que inclui conexão com a internet —, pode ser utilizada para
diversas atividades. É possível, por exemplo, organizar um cineclube, em que se
assiste a filmes e documentários e depois há um debate entre os participantes.
A linguagem do rádio pode estar presente em podcasts — programas de rádio
sob demanda, obtidos em ambientes digitais, que podem ser ouvidos a qualquer
momento, on-line ou off-line. Assim como o antigo rádio, o podcast tem uma
linguagem simples e atrativa e pode “acompanhar” o aluno de um curso on-line em
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vários momentos — enquanto faz uma refeição, se exercita, anda de carro ou de


ônibus, etc. —, sendo um grande aliado da educação a distância. O aluno pode fazer
essas atividades cotidianas e ao mesmo tempo ouvir um podcast para se informar
sobre algum assunto, complementar aspectos de um conceito estudado no curso
on-line, ouvir uma entrevista ou episódios da história de um livro, por exemplo. O
podcast estimula a imaginação e a criatividade, diferentemente dos vídeos, que
já trazem a informação “pronta”, sem abertura para o exercício da imaginação.

Fase atual
A fase atual — ou a quinta geração, conforme indicam Moore e Kearsley
(2007) — começa nos anos 2000. Nesse período, o uso da internet ganha
cada vez mais relevância na EaD, assim como as atividades em rede. Moore
e Kearsley (2007) destacam ainda a realização das videoconferências.
Os programas e suportes que geram os AVAs se aperfeiçoam e se mul-
tiplicam, assim como as ferramentas e as redes de computadores. Essa
fase se guia por uma perspectiva colaborativista, interativa, que valoriza a
participação dos alunos. Os estudantes constroem de forma colaborativa o
conhecimento, sendo o professor o mediador do processo. Há ainda forte
tendência à utilização dos dispositivos móveis, cada vez mais agregados às
propostas de EaD.
Com as tecnologias da web 2.0, a EaD propõe um ensino mais construtivista,
focado na participação do aluno e na construção conjunta do conhecimento.
Esse pensamento é reforçado pelas tecnologias de rede. Ferramentas como
wikis, fóruns e redes sociais ganham cada vez mais força, influenciando essa
perspectiva e incentivando o trabalho em grupo, bem como a participação
do aluno nos cursos com uma postura ativa, de coautoria. O cenário é muito
diferente se comparado com o da primeira geração da EaD. Como você viu,
as tecnologias dominantes na época permitiam um processo de aprendizagem
muito mais restrito e individual.
O professor, com as tecnologias digitais, ganha mais autonomia para
elaborar seus conteúdos e usar as ferramentas que mais favorecem suas
aulas. A rapidez com que se desenvolvem as tecnologias da era digital
contribui para o aperfeiçoamento de AVAs mais personalizados e que
atendam às necessidades dos alunos e docentes. No entanto, essa veloci-
dade cria também demandas de formação de docentes nas universidades.
Afinal, os professores precisam saber utilizar as novas tecnologias para o
ensino e a aprendizagem.
A evolução tecnológica e a educação a distância no Brasil 7

Você deve notar que, apesar de cada estágio da EaD ter suas tecnologias dominantes,
a tendência é que hoje haja a convergência de várias mídias no ensino, como ilustra
a figura a seguir.

Fonte: Elenabsl/Shutterstock.com.

A leitura em materiais impressos pode ser complementada por tecnologias mais


modernas, como os smartphones. A tendência é que a EaD esteja cada vez mais presente
em dispositivos móveis, ainda mais com as necessidades de educação ao longo da
vida. Hoje, aprender é uma demanda que extrapola os ambientes escolares formais. As
tecnologias móveis atendem à necessidade de aprendizagem em qualquer lugar e a
qualquer momento. Além disso, a personalização da EaD é uma tendência da web 3.0.
Apesar de diversas plataformas e recursos estarem disponíveis a qualquer momento,
a inovação na educação não depende só disso: ela parte muito mais das metodologias
e estratégias de ensino do que do uso puro e simples de aparelhos eletrônicos. O
processo individualizado só passa para um processo colaborativo e participativo em
rede conforme se renovam também as práticas pedagógicas e a formação docente.
Sem professores capacitados para lidar com as novas tecnologias da fase atual da EaD
e alunos com as habilidades exigidas pelo ambiente digital, haverá pouca mudança
significativa nos processos de ensino e aprendizagem.

Os principais marcos da EaD no Brasil


Após esse breve percurso histórico, agora você vai se aprofundar em alguns
momentos fundamentais da história da EaD no Brasil. Os números elevados
de alunos matriculados em cursos EaD no País mostram que essa modalidade
tem sido bem aceita por aqui. Apesar de ter se tornado mais conhecida entre
os estudantes atualmente, como você viu, a EaD é ofertada no Brasil há
mais de um século.
8 A evolução tecnológica e a educação a distância no Brasil

O registro brasileiro mais remoto do oferecimento de curso a distância é um


anúncio de um curso profissionalizante de datilografia datado da década de
1900. Segundo Alves (2007), o anúncio era feito por uma professora particular
nos jornais do Rio de Janeiro. No entanto, a EaD no Brasil ganhou verdadeiro
impulso com a instalação das Escolas Internacionais, em 1904. As Escolas
Internacionais eram franquias de outros países e ofereciam cursos por corres-
pondência destinados a quem procurava uma colocação no comércio ou no setor
de serviços. Ainda na década de 1900, surgiu, em São Paulo, o primeiro instituto
brasileiro, que seria, mais tarde, intitulado Instituto Monitor. Essa instituição
ofertava cursos profissionalizantes, também via Correios. O Instituto Universal
Brasileiro, com o mesmo caráter, foi inaugurado em 1941. Portanto, a EaD surgiu
no País, primeiramente, com o propósito de oferecer qualificação profissional.
De acordo com Alves (2007), após a fase das correspondências, a EaD ganha
novo impulso, mediado principalmente pelos meios de comunicação de massa,
como você viu. No Brasil, o rádio teve um papel fundamental nesse processo.
Em 1923, o professor, antropólogo, médico e também considerado “pai do rádio”
Edgar Roquette-Pinto esteve à frente da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Ele
defendia o uso do rádio como instrumento educativo, tendo a crença de que “[...]
a rádio era a escola de quem não tinha escola” (DUARTE, 2008, p. 12). Roquette-
-Pinto, também principal idealizador da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro,
priorizava uma programação que abordava a educação e a cultura brasileiras.
O educador ainda acreditava que o rádio seria um instrumento importante para
levar conscientização política a todos os cantos do Brasil.
Em 1936, a mesma rádio é doada ao Governo Federal e passa a se chamar
Rádio Ministério da Educação (ALVES, 2007). A partir daí, a EaD mediada
pelo rádio ganha força, com o surgimento de iniciativas tais como a Escola
Rádio-Postal, A Voz da Profecia e a Universidade do Ar, criada pelo Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
Outro marco da EaD mediada pelo rádio foi o projeto Minerva, criado no
ano de 1971, em plena ditadura militar. Esse foi o projeto de maior repercussão
da radiodifusão brasileira para a EaD. O programa Minerva teve sua veicu-
lação a “[...] partir de um decreto presidencial e uma portaria interministerial
de nº 408/70, que determinava a transmissão de programação educativa em
caráter obrigatório, por todas as emissoras de rádio do país. A obrigatoriedade
é fundamentada na Lei 5.692/71” (BERNARDI, 2014, p. 6).
O Governo Federal ainda usou a EaD e o rádio para combater o analfabetismo
de jovens e adultos: criou o projeto de educação chamado Mobral (Movimento
Brasileiro de Alfabetização). Então, nessa fase a EaD ganha outros contornos no
Brasil, muito além do viés restrito de educação profissional que tinha no início.
A evolução tecnológica e a educação a distância no Brasil 9

As rádios educativas, no entanto, foram perdendo força por conta da expansão


das emissoras comerciais. Foi aí que a EaD deixou a “era do rádio” para saltar
para a “era da televisão”, que ganha força especialmente nas décadas de 1970,
1980 e 1990. Porém, assim como o rádio, as emissoras de TV, a partir dos anos
1990, não eram mais obrigadas a veicular conteúdos de ensino e aprendizagem
(ALVES, 2007). Foi então que as emissoras brasileiras de TV reagiram às
pressões comerciais, deixando programas educativos de lado.
Contudo, foi a EaD mediada pela televisão, especialmente com os telecursos,
que incentivou e contribuiu para o desenvolvimento da modalidade no País. Os
telecursos foram levados ao ar até o final de 2014 pela Rede Globo. Ao todo,
foram 36 anos de trajetória, com o alcance de 7 milhões de estudantes, 40 mil
professores, 32 mil salas de aula e mais de 1,5 mil instituições parceiras em todo
o Brasil. Atualmente, o telecurso ainda é produzido por meio de plataformas
da web, mas não é mais exibido pela Rede Globo (CASTRO, 2015).
Alves (2007) observa que hoje as redes de televisão fechadas têm investido em
conteúdos educativos no País. É o caso das TVs universitárias, do Canal Futura,
da TV Cultura, entre outras, que têm algumas de suas produções veiculadas por
canais abertos. Ainda se destaca a programação da TV Escola, criada pelo Go-
verno Federal com o propósito principal de qualificar a formação de professores.

EaD: do sofá de casa às universidades


Foi com a chegada da internet que, de fato, a EaD se consolidou no Brasil, se
expandindo e se tornando mais popular nos processos de ensino e aprendiza-
gem. Com a internet, a modalidade se tornou mais forte dentro das próprias
universidades. O barateamento de computadores com acesso à internet foi
determinante para a ampliação da EaD no País, mediada agora especialmente
pelos institutos de educação e as universidades (ALVES, 2007).
Durante esse processo, em que os computadores e a internet se po-
pularizavam, algumas instituições trabalhavam para organizar a EaD.
Alves (2007) chama a atenção para três delas: a Associação Brasileira de
Tecnologia Educacional, o Instituto de Pesquisas Avançadas em Educa-
ção e a Associação Brasileira de Educação a Distância. O mesmo autor
também menciona duas universidades que foram pioneiras na modalidade
a distância: a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMG), que foi a
primeira, efetivamente, a implantar cursos de graduação a distância, e a
Universidade Federal do Pará (UFPA), que foi a instituição que recebeu
o primeiro parecer oficial de credenciamento pelo Conselho Nacional de
Educação, em 1998. Ainda merece destaque a criação da Universidade
10 A evolução tecnológica e a educação a distância no Brasil

Aberta do Brasil (UAB), em 2005, que ampliou a modalidade em vários


estados e regiões do País.
Um órgão importante que “cuidou” da EaD no Brasil foi a Secretaria de Edu-
cação a Distância. Extinta em 2011, mas substituída pela Secretaria de Regulação
e Supervisão da Educação Superior (Seres), ela era a unidade do Ministério
da Educação responsável por regulamentar e supervisionar as instituições de
educação superior, assim como os cursos superiores presenciais ou a distância.
Com o progresso da modalidade em todo o País, surge uma legislação
referente à EaD no Brasil, que é reconhecida legalmente a partir de 1996,
com a Lei nº. 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) (BRASIL,
1996). Entre os vários decretos, portarias e normativas referentes à EaD, se
destaca o decreto nº. 9.057, publicado em 26 de maio de 2017, que atualiza a
legislação que regulamenta a educação a distância no País (BRASIL, 2017).
Além disso, existe uma portaria ministerial de 2004 que define a metodo-
logia a ser utilizada nacionalmente na EaD. Há ainda uma medida que estipula
que os cursos presenciais de ensino superior devidamente reconhecidos podem
dedicar até 20% de sua carga horária total para a modalidade semipresencial.
Outras normativas e portarias também definem critérios de avaliação, regras
de atividades presenciais, etc.
Como você viu, com a expansão da modalidade a distância, surge a
preocupação com a qualidade dos cursos, que passam também a ser ofertados
por diversas instituições privadas. Em torno disso, órgãos do Governo tentam
delimitar as características dos cursos, a metodologia, etc.
Durante sua expansão, a EaD dividiu muitas opiniões e gerou muitas dúvidas,
sendo, por vezes, tratada como uma modalidade “inferior” à presencial. Hoje, ela
tende a ser vista como uma importante modalidade democrática da educação,
que engloba vários níveis de ensino e aprendizagem contínuos. Além disso, está
cada vez mais acessível por meio das tecnologias de informação e comunicação.

No link a seguir, você pode assistir a um documentário sobre Edgar Roquette-Pinto


produzido pela série Educadores, da TV Escola. Além de pioneiro na radiodifusão
brasileira, Roquette-Pinto foi um dos principais educadores a apostar na educação a
distância para as camadas mais pobres do País.

https://goo.gl/aiGH1d
A evolução tecnológica e a educação a distância no Brasil 11

Distância e presença na EaD


A modalidade de educação a distância vem se expandindo e se popularizando
atualmente, como você viu. Essa forma de ensinar e aprender traz novas
perspectivas às relações entre professor e aluno, entre os próprios alunos,
entre o aluno e o conteúdo, etc. Por sua vez, essas novas perspectivas remetem
às noções de distância e presença, totalmente reformuladas a partir da EaD.
As tecnologias de comunicação e informação digitais estimulam posturas cada
vez mais ativas, cooperativas e interativas. Além disso, facilitam a construção do
conhecimento em grupo. Assim, caem por terra os argumentos de que o aluno de
um curso EaD não interage e de que os cursos dessa modalidade geram isolamento.
A discussão entre presença e ausência na EaD, inclusive, faz parte do
percurso histórico dessa modalidade de ensino. Mesmo estando hoje bem
consolidada, a modalidade a distância sempre gerou dúvidas e receios por
supostamente “romper” com a presencialidade das aulas tradicionais, modelo
secular enraizado em vários sistemas escolares.
Conforme estabelecem Santos e Sabbatini (2013), na EaD, tanto o ensino
quanto a aprendizagem são mediados pelas tecnologias de comunicação e
informação. Os professores e alunos se relacionam e interagem por meio de
ambintes virtuais de aprendizagem, redes sociais, sites, etc. Essas ferramentas
de comunicação, em tempo real ou não, são capazes de substituir a comunicação
realizada numa sala de aula presencial.
Essa mudança, no entanto, não é tão simples. Alunos e professores da nova
modalidade têm de se desfazer de algumas crenças antigas. Além disso, para
se adaptarem a essa nova forma de ensino e aprendizagem, precisam romper
com alguns paradigmas e desenvolver competências diferentes das necessárias
na sala de aula tradicional. O professor da EaD tem de assumir um novo papel
nesse processo. Nesse sentido, destaca-se o professor de licenciaturas — que
tem responsabilidade ainda maior, já que vai formar novos professores. Afinal,
sua prática educativa vai influenciar a prática dos alunos.
A EaD gera controvérsias também devido à expressão “a distância”, que
carrega a conotação de ausência, separação e afastamento. No entanto, a EaD
pode ser pensada de outra maneira: dependendo da forma como é colocado
em prática, qualquer curso EaD pode estabelecer interações significativas,
de forma a não existir distância entre os envolvidos. As tecnologias digitais
vigentes favorecem um ambiente interativo e cooperativo, com ferramentas
de comunicação instantânea, redes sociais, wikis, fóruns, blogs, chats, etc.
Apesar da ausência física de duas ou mais pessoas no mesmo espaço-tempo,
o aluno dessa modalidade está presente virtualmente e utiliza as ferramentas
12 A evolução tecnológica e a educação a distância no Brasil

disponíveis on-line para se fazer perceber, para se expressar. Esse processo


pode ser muito mais consciente do que aquele que mantém o aluno na sala
de aula presencial, pois ele pode estar fisicamente próximo dos colegas e
professores, porém ausente no processo de ensino e aprendizagem, sem se
envolver de forma efetiva nas atividades e sem interagir.
Assim, a discussão entre o que é estar presente ganha novos contornos com
a educação a distância, em face da possibilidade de imersão no ciberespaço.
Hoje, as tecnologias digitais fornecem possibilidades interativas que exigem
a total atenção, bem como a ação e a participação dos alunos, que podem se
tornar mais “presentes” e ativos, mesmo que virtualmente. Claro que isso não
acontece automaticamente — para haver, de fato, a interatividade, deve existir
incentivo, bom planejamento, seleção de tecnologias e AVAs, boa metodologia,
atuação e mediação do professor, habilidades de fluência digital, etc.

Presença virtual
Conforme Godoy (2009), a presença “virtual” é uma alternativa a outros
modos de presença e de relações entre humanos. Lévy (1999, p. 50) diz que
“[...] ainda que não possamos fixá-lo em nenhuma coordenada espaço-temporal,
o virtual é real. Uma palavra existe de fato. O virtual existe sem estar presente”.
Mesmo com a reformulação de conceitos de presença e distância na modalidade
da EaD, a legislação brasileira exige momentos presenciais (presença física em
sala de aula) nos cursos on-line. O Decreto nº. 5.622 (BRASIL, 2005), pontua a
necessidade de alguns momentos presenciais nos cursos a distância. As avaliações,
por exemplo, são realizadas nos polos presenciais dos cursos. Os estágios obriga-
tórios, as defesas de trabalhos de conclusão de curso e as atividades relacionadas
a laboratórios também devem ser realizadas presencialmente, quando for o caso.
Portanto, mesmo se valendo de ideais construtivistas, a EaD ainda se pauta
pela exigência da presença do aluno. Para Santos e Sabbatini (2013, p. 4), essas
exigências são “[...] resquícios do ensino tecnicista, behaviorista que visavam
ter controle do aluno. A EaD traz certa liberdade, na qual os professores não
sabem como o aluno está estudando, se é ele mesmo que está do outro lado”.
Sobre isso, Godoy (2009, p. 93) também faz suas considerações:

A busca por uma educação a distância de qualidade gira ainda muito em torno
da ausência (não há mais o velho professor, aquele tipo de aluno, aquela sala
de aula) e não em torno do que possa ser sua efetiva presença, uma presença-
-ação, cujos elementos para sua existência são a liberdade, o agir em conjunto
e o pertencimento. Isso sim seria um pressuposto muito mais importante para
enfrentar os inúmeros desafios que se desenvolvem hoje na educação brasileira.
A evolução tecnológica e a educação a distância no Brasil 13

Ainda que exista certa discussão que coloca “em competição” situações
de distância e presença na EaD, Lévy (1999) diz que esse debate está sendo
superado aos poucos e que a diferença entre ensino presencial e a distância não
terá mais tanta importância nos próximos anos. Para Tori (2009), a procura por
cursos a distância tende a aumentar cada vez mais, tendo resultados positivos e
já comprovados. Ainda para o mesmo autor, tanto a educação presencial como
a educação a distância estão se descobrindo complementares — formando os
cursos de caráter híbrido. O sistema blended learning explora tanto o ambiente
virtual quanto o presencial. Ele considera a aplicação de recursos para gerencia-
mento de conteúdos e processos de ensino-aprendizagem na EaD, combinando
essa aplicação com o uso de tecnologias na educação presencial, na perspectiva
de agregar valor às atividades de ensino e aprendizagem tradicionais.

Godoy (2009) faz considerações sobre a concepção da autora Hannah Arent (1987) a
respeito da liberdade, do agir em conjunto e do pertencimento, três aspectos principais
que caracterizam o modo de presença-ação do sujeito na EaD. A liberdade se refere ao
fato de o aluno não desenvolver um comportamento estereotipado e já esperado; ele é
livre para criar o novo. O agir em conjunto se refere a agir e ter uma ação em um grupo;
e o pertencimento se refere ao fato de sentir-se parte de um grupo. Estar em rede — no
caso, no ciberespaço — produz um sentimento de pertencimento a um grupo.
A autora ainda fala da presença social nas aulas on-line, que se dá mediante a parti-
cipação do tutor ou mediador, que transmite um feedback para os alunos sobre o que
aprenderam, por exemplo. Enquanto a presença-ação está relacionada diretamente à
ação dos sujeitos no ambiente virtual, a presença social é voltada para a comunicação,
a troca e a interação entre os membros desse ambiente.

ALVES, J. R. M. A história da educação a distância no Brasil. Carta Mensal, v. 16, n. 82,


jun. 2007. Disponível em: <http://www.ipae.com.br/pub/pt/cme/cme_82/index.htm>.
Acesso em: 2 set. 2017.
BANDEIRA, M. Os desafios do ensino do violão à distância. 2013. Disponível em:
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html#ixzz5PweBLmZV>. Acesso em: 2 set. 2018.
BELLONI, M. L. Educação a distância. Campinas: Autores Associados, 1999.
14 A evolução tecnológica e a educação a distância no Brasil

BERNARDI, J. R. Ditadura militar, projeto minerva e educação a distância. 2014. Dispo-


nível em: <http://www.uel.br/eventos/semanacsoc/pages/arquivos/GT3-%202014/
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