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PERÍCIA E ARBITRAGEM

CONTÁBIL
AULA 1

Profª Tassiani Aparecida dos Santos


CONVERSA INICIAL

Olá! O objetivo desta nossa primeira aula é introduzi-lo no mundo da


perícia contábil. No geral, esse ramo da contabilidade é uma atividade
profissional com a qual o aluno tem pouco contato em termos de prática.
Contudo, como veremos a seguir, a perícia contábil é uma função que deve ser
ocupada por contadores, e é de grande importância nos ambientes corporativo
e social, visto que subsidia juízes em decisões judiciais que envolvam o objeto
da perícia contábil. Portanto, a compreensão dessa disciplina é fundamental
para a formação do contador e para o auxílio da sociedade como um todo.
Nesta aula, trataremos de tópicos introdutórios da perícia contábil no
contexto brasileiro. Iniciaremos por seus aspectos conceituais, discorrendo
sobre os conceitos primordiais, o caráter da perícia, a identificação do objeto e o
alcance da perícia contábil. O Tema 2 versa sobre os tipos de perícia contábil e
o histórico dessa disciplina no Brasil. Em seguida, nos temas 3, 4 e 5, trataremos
das normas relativas à profissão de perito judicial, especificamente das
características desejáveis e dos compromissos com a justiça, com a
responsabilidade e a recusa da nomeação, além de impedimentos ou suspeição
e substituição.
Muitos assuntos, não é? Então, mãos à obra!

CONTEXTUALIZANDO

A expressão “perícia” advém do latim perita, e significa “conhecimento


adquirido pela experiência”. Quando precisamos de uma opinião válida e
competente, ou quando procuramos um entendedor de um determinado assunto,
buscamos um perito (Sá, 2010, p. 3).
A perícia, em uma ótica mais ampla, pode ser entendida como qualquer
trabalho de natureza específica e de notória especialização cujo rigor na
execução seja profundo. A perícia tem como intuito obter prova ou opinião para
orientar uma autoridade formal no julgamento de um fato. Portanto, existem
trabalhos periciais em qualquer área do conhecimento (Magalhães et al., 2001).
Nesta disciplina, como dissemos, abordaremos a perícia contábil.
Esta é a nossa primeira aula. De antemão, informamos que a perícia é
uma atividade de notória honra e muito relevante para a sociedade. Reveste-se,
portanto, de muita responsabilidade e dedicação profissional, mas também de

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muitas regras e normatizações, com penalidades previstas em diversas esferas,
como a jurídica e a profissional.
Diante disso, sugerimos que você, caro aluno, reflita sobre os seguintes
pontos: O que é perícia contábil? Qual é o objeto de análise do perito-contador,
ou seja, o que ele examina? Qual é o papel do perito e quais são suas principais
responsabilidades? Como ele deve se comportar para garantir a excelência de
sua prática profissional?

Saiba mais
São muitos questionamentos, mas essa reflexão inicial o auxiliará no
andamento desta primeira aula. Para tanto, sugerimos que você leia o artigo
“Características do perito-contador: perspectiva segundo juízes da Justiça
Federal, advogados da União e peritos-contadores no contexto goiano”, de
Gonçalves et al. (2014), disponível em: <http://dx.doi.org/10.5007/2175-
8069.2014v11n22p119>.

TEMA 1 – ASPECTOS CONCEITUAIS DE PERÍCIA CONTÁBIL: CONCEITO,


CARÁTER E OBJETO

1.1 Conceito

Iniciaremos nosso estudo sobre perícia contábil pela compreensão do que


ela vem a ser e pelo entendimento de seu caráter, visto que é uma atividade que
se reveste de muita importância para a sociedade como um todo. Ainda,
identificaremos o objeto da perícia contábil e, ao fazer isso, delimitaremos o
escopo de atuação do perito. Vamos lá!
A perícia contábil é um tipo de prova pericial utilizada por pessoas do meio
jurídico para esclarecer fatos ou questões contábeis controversas. Portanto, ela
age como uma prova judicial (Ornelas, 2000). É solicitada por autoridade judicial
como meio de prova ou opinião para um fato que exige conhecimento técnico da
área contábil, com o objetivo de auxiliar em um processo jurídico. Essa prova ou
opinião que se deseja esclarecer só pode ser emitida por especialistas com
conhecimentos científicos e técnicos em contabilidade, ou seja, pelo perito
contábil (Magalhães et al., 2001).

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O conceito de perito é definido pela Norma de Perícia Judicial 1 (NPPJ-1)
como “profissional habilitado e nomeado pelo juiz para opinar sobre questões
técnicas de sua especialidade” (Magalhães et al., 2001).
Com base na Norma Brasileira de Contabilidade 13 (NBC-13), podemos
conceituar perícia como um conjunto de procedimentos técnicos que tem por
objetivo a emissão de laudos sobre questões contábeis, mediante exame,
vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação ou certificação, sendo
de competência exclusiva do contador.
Desse modo, resumiremos o aspecto inicial desta nossa conversa: como
conceituaremos a perícia contábil a partir de agora?
Bem, a perícia contábil pode ser conceituada como um exercício atribuído
ao contador com o intuito de prover um trabalho de notória especialização e com
rigor profundo na execução. O objetivo da perícia é fornecer provas ou emitir
opiniões para auxiliar em um processo jurídico.

1.2 Caráter

Sá (2010) discorre sobre o caráter da perícia contábil da seguinte maneira:

O caráter fundamental é a especificidade, ou seja, possuir um objeto


determinado, requerido, para que possa gerar uma opinião abalizada
em matéria contábil. Por exemplo, se desejarmos saber se uma pessoa
teve em sua conta bancária somas de valores monetários que
ultrapassaram a sua renda ou que não possuem origem comprovada e
sadia, só uma perícia específica da conta vai permitir-nos a opinião.
Ainda, se desejarmos saber se um funcionário utilizou corretamente o
dinheiro que lhe foi entregue em determinado período para realizar
determinados gastos – só uma perícia pode determinar.

Portanto, qual é o caráter fundamental da perícia?


Podemos afirmar, com base nos conhecimentos adquiridos até o
momento, que o caráter fundamental da perícia é a especificidade de exame e
de opinião (Sá, 2010).
Ainda, a perícia pode ser integral ou parcial em relação aos fatos
patrimoniais examinados, e serve para detectar realidades, existências, valores,
forças de provas ou configurações de situações de riqueza (Sá, 2010).
Os objetos da contabilidade são os elementos patrimoniais, mas estes
não são instrumentos estáticos e, desse modo, interagem entre si. Portanto, a
perícia contábil pode ser visualizada como integral, pois diversos elementos
patrimoniais são examinados para obtenção de prova ou opinião. Mesmo nos

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exames de perícia parcial, as provas não são isoladas e nem tampouco
absolutas, visto que os instrumentos contábeis são dinâmicos (Sá, 2010).
Por exemplo, imagine uma suspeita de crime envolvendo lavagem de
dinheiro. Ao examinarmos uma conta bancária, podemos extrair provas de
interesse judicial, mas, em algumas situações, talvez não haja provas de má
conduta. Ainda assim, podemos suspeitar de fatos colaterais de interesse e que
podem estar estritamente relacionados com outras contas contábeis. Como
assim? Porque existem efeitos colaterais de interesse em uma conta bancária?
Como debatemos e descrevemos até o momento, a perícia contábil é um
trabalho extremamente especializado que requer um profundo conhecimento
técnico e científico. Assim, utilizaremos um conceito primordial da contabilidade
para compreender esse exemplo: partidas dobradas. Como para cada débito
ou crédito há uma contrapartida de valor igual em outra(s) conta(s) credora(s)
e/ou devedora(s), respectivamente, pode-se encontrar o fato suspeito em
qualquer outra conta do balanço. Desse modo, evidencia-se que a atividade
profissional de perícia contábil não é estática, inclusive em casos de perícia
parcial.
Dessa maneira, uma perícia também pode ensejar outra perícia se o
interesse de opinião abranger um objetivo que requeira amplo conhecimento de
uma questão postulada. É caráter da perícia a abrangência para atingir a
especificidade ou o propósito para os quais ela foi requerida. Assim, devemos
compreender a perícia como o objetivo de alcançar ou perseguir a realidade.
(Sá, 2010).
Tudo que for pertinente à opinião a ser emitida deve ser objeto de exame
da perícia. Contudo, deve-se observar que a matéria da perícia deve ater-se ao
objeto requerido (Sá, 2010). Portanto, de forma sintética, podemos afirmar que,
além do caráter de especificidade e abrangência, a perícia deve ser confiável, já
que se propõe a buscar a verdade sobre a opinião pericial.
Lembre-se: o caráter primordial da perícia é a especificidade e a
abrangência com o objetivo de buscar a verdade sobre fato ou opinião pericial.
Assim, é importante delimitarmos o objeto da perícia contábil para que seu
caráter seja sempre mantido no decorrer do trabalho do perito contábil.

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1.3 Objeto

Os fatos ou questões contábeis, objetos da perícia contábil, sempre se


referirão ao também objeto da contabilidade, o patrimônio das entidades
(pessoas físicas e pessoas jurídicas) ou, pelo menos, uma parcela deste
(Ornelas, 2000).
Ornelas (2000, p. 35) estabelece que

[...] a perícia contábil tem por objeto central os fatos ou questões


contábeis relacionados com os aspectos patrimoniais, os quais devem
ser verificados, e, por isso, são submetidos à apreciação técnica do
perito, que deve considerar, nessa apreciação, certos limites
essenciais, ou ‘caracteres essenciais’.

Agora, já podemos identificar o objeto da perícia contábil. Mas isso é o


suficiente para definirmos o escopo de análise pericial efetuada pelo profissional
contábil?
Bem, segundo Ornelas (2000, p. 36), os limites da matéria submetida à
análise pericial são delimitados pelo próprio objeto sub judice ou pelo
magistrado. Portanto, o perito terá conhecimento do escopo de seu trabalho, ou
seja, dos fatos ou questões de natureza contábil sobre os quais ele deverá se
debruçar para emitir uma opinião verdadeira nos autos emitidos pelo magistrado.
Desse modo, define-se que a extensão do trabalho pericial fica,
normalmente, sempre nos contornos da ação proposta. Isto é, embora tenhamos
definido anteriormente o objeto e o escopo do perito contábil, a ação judicial será
o direcionador do trabalho deste.
Ornelas (2000, p. 36), contudo, ressalva que:

Às vezes, é necessário romper esses limites, buscando outros


elementos correlatos oriundos das exigências técnicas provocadas
pela matéria fática. Entretanto, deve-se sempre manter a regra básica
de que matéria técnica alheia aos fatos é impertinente e, em hipótese
alguma, deve alterar ou desvirtuar os objetivos centrais perseguidos
pela perícia contábil.

Portanto, podemos assumir que o objeto da perícia contábil deve ser


limitado àquilo que foi solicitado pelo magistrado nos termos exatos de sua
propositura, visto que o magistrado julgará o caso e, por isso, precisa de prova
ou opinião verdadeira sobre um fato específico proposto anteriormente ao perito.
A atividade pericial deve adotar procedimentos rigorosos para o exame
das questões contábeis solicitadas pelo magistrado; ainda, deve identificar “as
fontes informativas ou reveladoras dos elementos” que pesquisou, pois isso

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permitirá à perícia contábil oferecer respostas ou raciocínios técnicos
fundamentados e circunstanciados. E, por fim, o laudo ou o parecer pericial deve
refletir uma posição de imparcialidade absoluta (Ornelas, 2000).

TEMA 2 – A PERÍCIA CONTÁBIL NO BRASIL E A CLASSIFICAÇÃO DAS


PERÍCIAS

2.1 A perícia contábil no Brasil

A figura do perito nomeado pelo juiz, no Brasil, passou a existir de fato a


partir de 1882, com o regulamento das sociedades anônimas (Decreto n.
8.821/1882, art. 104). Contudo, os primeiros registros de que temos notícia no
país tratam da inclusão dessa temática para debate no I Congresso Brasileiro de
Contabilidade de 1924. Nesse congresso, os participantes chegaram a alguns
pontos de discussão importantes para a perícia contábil, como a necessidade de
se dividir as funções profissionais entre contador, guarda-livros e perito. Ainda,
discutiu-se sobre a relevância de oficialização da perícia judicial, ou seja,
sobre os conselhos de classe, como o conselho de contabilidade, terem que
fiscalizar esse tipo de trabalho do perito. Também, nesse mesmo evento, foi
decidido como deveria ser calculada a remuneração do perito em relação às
horas de trabalho despendidas (Sá, 2010).
Em 1924, mesmo ano do mesmo congresso supracitado, a contabilidade
passou por uma crise pericial. Essa crise foi denominada de indústria da
falência, o que significava que havia uma “intensa maquinação para mascarar
situação nos balanços e com a manobra falaciosa produzir quebras de
empresas” (Sá, 2010, p. 1).
Nesse contexto, segundo Sá (2010, p. 1), o juiz paulista Deocleciano
Rodrigues Seixas teria declarado que “a profissão de perito judicial está alvitrada
pelos que só veem a vida pelo prisma da materialidade, iludindo a justiça,
confundindo a consciência dos juízes, facilitando as quebras fraudulentas, as
concordatas”. Portanto, o I Congresso Brasileiro de Contabilidade foi um espaço
muito importante de discussão sobre os problemas vivenciados na prática
profissional pelos peritos (Sá, 2010).
Sucedeu-se a isso a publicação, em 1928, do primeiro livro sobre perícia
contábil, intitulado Perícia em contabilidade comercial, de João Luiz Santos. Em
1929, foi aprovado o Decreto n. 5.746/1929, que regulou de forma objetiva a
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exigência de se atribuir apenas ao contador a tarefa pericial. A partir desse
período, começou-se a fomentar questões relacionadas à perícia contábil; nas
décadas que se seguiram, surgiram diversos livros sobre o tema e, na década
de 1940, foi regulamentada a profissão de contador, e se fez privativo do
contador o exercício da perícia contábil (Sá, 2010). Mas foi em 1973, com o
segundo Código de Processo Civil (CPC) (Lei n. 5.869/1973), que as perícias
judiciais foram premiadas com uma legislação ampla, clara e aplicável.
Segundo o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a partir de 2018, o
contador só poderá ingressar no Cadastro Nacional de Peritos Contábeis
(CNPC) mediante aprovação prévia em exame de qualificação técnica (EQT)
para perito contábil, regulamento pela NBC PP 02, que tem por objetivo aferir o
nível de conhecimento e a competência técnico-profissional necessários ao
contador que pretenda atuar na atividade de perícia contábil.

2.2 Classificação das perícias

Agora que conhecemos um pouco da história da perícia contábil no Brasil,


e sua evolução e desenvolvimento no contexto legislativo brasileiro,
subdividiremos a perícia em três grupos gerais: judiciais, administrativas e
especiais.
A perícia judicial é feita por determinação do juiz, visando esclarecer
fatos ou produzir provas sobre a questão investigada. Por exemplo, deve ser
realizada a perícia judicial de uma empresa para que o juiz possa decidir se
homologa a concordata que ela pediu. Outro exemplo é quando o juiz solicita ao
perito contábil o cálculo da apuração de haveres de sócio excluído em sociedade
limitada, em demanda pleiteada pelos demais sócios.
A perícia administrativa é realizada a pedido de uma ou mais partes
interessadas, visando produzir as constatações necessárias. Um exemplo de
sua utilização é a verificação contábil para apurar corrupção. Ou, ainda, quando
um sócio solicita ao perito que levante o fundo de comércio da empresa para
basear uma proposta de aquisição de quotas de capital de outro sócio.
A perícia especial ou arbitral é feita a pedido do árbitro ou da parte
interessada, visando subsidiar elementos para a arbitragem. Pode ser utilizada
em casos de fusão de sociedades, por exemplo. Ou, ainda, quando duas
empresas solicitam ao árbitro nomeado de comum acordo entre as partes a

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determinação de haveres em uma rescisão de contrato cuja cláusula previa
arbitragem com base na Lei n. 9.307/1996.
Segundo Sá (2010), há uma grande pressão para que se classifiquem as
perícias administrativas e especiais como atividades de auditoria; contudo, para
o autor, os fatos relativos aos tipos de perícia citados não devem ser confundidos
com auditoria, pois a perícia serve a um questionamento ou a uma necessidade,
é uma atividade requerida, que se destina a produzir uma prova técnica com
objetivo determinado. A auditoria tem objetivos mais amplos, de forma a
evidenciar (ou não) a adequação de procedimentos técnicos e operacionais de
determinada entidade.

TEMA 3 – NORMAS RELATIVAS À PROFISSÃO DE PERITO JUDICIAL:


CARACTERÍSTICAS DESEJÁVEIS E COMPROMISSO COM A JUSTIÇA

Abordaremos, com base neste tema – e até o final desta aula – as normas
relativas à profissão de perito judicial. Neste tema, buscaremos responder à
seguinte pergunta: Quais são as características desejáveis em um perito? E
quais são os compromissos com a justiça esperados desse profissional?
Hoog (2010, p. 71-72) nos ajuda a refletir sobre essas questões iniciais:

Perito judicial contábil é o profissional, com independência e autonomia


em relação às partes e o juiz, e que detém, no mínimo, o nível superior,
e está devidamente registrado no Conselho Nacional de Perícia
Contábil (CNPC), com inegável capacidade científica e tecnológica,
devendo ser possuidor de uma pública e notória especialização ou
capacidade científica necessária à revelação da verdade real sobre os
atos e fatos entranhados nas riquezas das células sociais. Por
conseguinte, tem o dever ético de iluminar os leigos e tem a honra de
ser nomeado pelo juiz. Dessa forma, podemos concluir que o perito é
o olho tecnológico-científico do magistrado, a mão longa da justiça,
enfim, o apoio científico ao ilustre condutor judicial.

Portanto, como veremos a seguir, o perito deve ter algumas


características específicas e manter o compromisso com a justiça para cumprir
sua função profissional como perito contábil.

3.1 Características desejáveis

Para responder à primeira pergunta que fizemos – “Quais são as


características desejáveis em um perito?” – listaremos diversas questões
importantes na carreira desse profissional. Leia atentamente a lista a seguir e

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reflita sobre essas características desejáveis em perito contábil, visto que são
aspectos importantes na formação profissional de um perito-contador.
De acordo com Hoog (2010), as características desejáveis em um perito
contábil são as seguintes:

 Domina as normas e os procedimentos fisco-contábeis, empresariais e os


procedimentos evolutivos ocorridos no assunto a ser examinado;
 É um autodidata, mantém-se sempre atualizado, participando ou
ministrando cursos (a reciclagem continuada é obrigatória, vital);
 Demonstra calma e sensatez; o profissional fica exposto a várias
pressões, fato que reforça a necessidade de uma conduta equilibrada e
de altos valores morais;
 Tem a dignidade de declarar-se impedido ou suspeito, em sintonia à ética
e aos artigos 134, 135 e 138 do Código de Processo Civil (CPC) (Lei n.
5.869/1973);
 É independente para expressar suas opiniões, as quais, seguramente,
serão baseadas em exames realizados sem influências de fatores
estranhos. Ou seja, sua equidade é livre de preconceitos, fatores
materiais ou afetivos que pressupõem perda de sua independência. Pode
utilizar a sua independência e liberdade para escolher o horário de
trabalho e o tipo de exame a ser realizado;
 Digno e humilde para recusar a tarefa quando a matéria da lide não for
sua especialidade (CPC, art. 423);
 Rigoroso e preciso em todas as etapas de investigações e conclusões;
 Sabe quando deve consultar um colega, não hesita; faça, mas não cometa
erros;
 Procura corrigir um erro cometido imediatamente;
 Sempre lavra o termo de diligência quando pede documentos, livros ou
informações, pois sabe que o protocolo de recebimento do termo de
diligência é importante e mostra a intenção do perito de cumprir o seu
ofício, principalmente o de responder aos quesitos;
 Convida assistentes a acompanhar o seu trabalho e aceita críticas.
Considera o trabalho dos assistentes, no mínimo, escutando-os. Havendo
acordo de opiniões, podem lavrar o laudo em conjunto, sendo que o laudo
será escrito pelo perito e assinado por ele e pelos assistentes técnicos;

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 Sua conduta com relação aos colegas é pautada nos princípios da
consideração, do apreço e da solidariedade, o que está em consonância
com os postulados de harmonia da classe. Seu espírito de solidariedade
não induz nem justifica a conivência com o erro ou com os atos
infringentes das normas éticas ou legais que regem o exercício da
profissão;
 Declara-se impedido para executar a perícia no prazo de cinco dias a
contar da intimação (CPC, artigos 146 e 423) quando:
 Tiver, com alguma das partes ou seus procuradores, vínculos
conjugados ou de parentesco consanguíneo em linha reta, sem limites
de grau; em linha colateral até o terceiro grau, ou por afinidade até o
segundo grau;
 Tiver mantido, nos últimos cinco anos, ou mantenha com alguma das
partes ou seus procuradores, relação de trabalho como empregado,
administrador ou colaborador assalariado;
 Tiver mantido ou mantenha, com quaisquer das partes ou seus
procuradores, relação de negócio constituída de participação direta ou
indireta como acionista ou sócio;
 For amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer uma das partes;
 Tiver interesse, direto ou indireto, imediato ou mediato, no resultado do
trabalho pericial;
 Tiver interesse direto, por si ou por qualquer de seus parentes,
consanguíneos ou afins, em transação em que haja intervindo, ou
esteja para intervir, alguma das partes;
 Exercer função ou cargo incompatíveis com a atividade de perito
contábil;
 Existir interesse financeiro direto ou indireto.

Em suma, existem algumas características desejáveis em um perito-


contador que exerça a profissão. Dentre elas estão conhecimento das normas,
constante busca por aprendizado, inteligência emocional para lidar com as
pressões enfrentadas ao longo do exercício da profissão, valores morais e éticos
bem cristalizados, rigor nos procedimentos periciais e neutralidade e
independência para expressar opiniões. Assim, o trabalho pericial cumpre com
seu objetivo de investigar fatos ou emitir opiniões de forma verdadeira e
fidedigna.

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3.2 Compromisso com a justiça

Outro fator importante relativo à profissão de perito judicial é o


compromisso com a justiça. Assim, responderemos a segunda questão
introduzida neste tema: Quais são os compromissos com a justiça esperados
desse profissional?
Bem, o perito-contador deve ser compromissado com a justiça e, portanto,
tem a obrigação de revelar a verdade real, ainda que em detrimento da verdade
formal e processual (Hoog, 2010, p. 72-73).
A justiça, exercida pela figura do juiz, dita quais são os direitos e as
obrigações que cabe a cada uma das partes. É papel da justiça fornecer o que
é de direito das partes. Para tanto, o magistrado utilizará o trabalho pericial como
auxílio na sentença a ser emitida para as partes constantes do processo (Hoog,
2010, p. 72-73).

TEMA 4 – NORMAS RELATIVAS À PROFISSÃO DE PERITO JUDICIAL:


RESPONSABILIDADES

4.1 Responsabilidades

Neste tema, discorreremos sobre as responsabilidades do perito-


contador. A responsabilidade do perito-contador ou do contador pode ser
visualizada, no mínimo, sob seis ângulos, conforme segue (Hoog, 2010).

4.1.1 Responsabilidade moral

A responsabilidade moral do perito e do contador é de cunho pessoal e


subjetivo, trata de uma determinação pessoal do que é certo e do que é incorreto,
e, sob tal pressuposto, deve-se estabelecer uma noção própria do que é bem e
mal (Hoog, 2010). Hoog (2010, p. 63) assevera que

Essa responsabilidade moral, em que o profissional cumpre com total


ânimo o seu encargo, deve ser pautada pelo dever de lealdade, de
prestar todos os esclarecimentos tantas vezes quantas forem
necessárias, abstendo-se de dar sua convicção pessoal, apreciando
com imparcialidade os fatos, além de, se for o caso, recusar a
nomeação quando não estiver devidamente capacitado para o bom
desempenho do encargo.

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4.1.2 Responsabilidade social

A responsabilidade social do perito e do contador tem uma estreita relação


com a responsabilidade moral e está relacionada à preocupação com o impacto
das informações geradas e divulgadas em relação à distribuição de empregos,
riquezas, educação e ciência, visto que a contabilidade é uma ciência social, e
como tal, deve se preocupar com aspectos sociais envolvidos em suas
atividades profissionais (Hoog, 2010).

4.1.3 Responsabilidade ética

A responsabilidade ética do perito-contador é estabelecida pelo Código


de Ética do Contabilista, conforme a Resolução CFC n. 803/1996. O objetivo é
fixar a forma pela qual se devem conduzir os trabalhos e o relacionamento
profissional do perito contador. Como é um conjunto de regras aceitas
socialmente, seu não cumprimento está sujeito a penalidades. Nesse caso, a
penalidade para contadores pode ser desde censura reservada até proibição do
exercício da profissão (Hoog, 2010, p. 64).

4.1.4 Reponsabilidade civil subjetiva ou objetiva

O Código Civil de 1916 (Lei n. 3.071/1916), em seu art. 159, determina


que “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência,
violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano.
A responsabilidade civil subjetiva do perito-contador é relativa a um dano
causado diretamente pelo profissional, em função de ato doloso ou culposo, com
as seguintes características:

 A ação praticada deve estar comprovada, ou a sua omissão provada; por


exemplo, deixar de entregar o laudo no prazo, sem motivo, ou laudo
errado induzindo a uma sentença errada;
 O dano deve estar provado, mensurado e fundamentado de forma causal,
ou seja, deve-se provar que a ação ou omissão gerou tal dano;
 O dolo, ou a culpa, deve estar presente.

Já na responsabilidade civil objetiva do perito-contador não há ação


dolosa ou culposa, uma vez que o dano é decorrente dos riscos da atividade
pericial (Hoog, 2010. p. 65).

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4.1.5 Responsabilidade penal-criminal

A responsabilidade penal-criminal do perito-contador gera no agente uma


penalização a ser cumprida, como a prisão. Em especial, destacamos os artigos
342 e 343 do Código Penal (Decreto-lei n. 2.848/1040), que estabelecem
sanções para as seguintes práticas:

Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como


testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo
judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral [...]
[...]
Art. 343. Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra
vantagem a testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete, para
fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento,
perícia, cálculos, tradução ou interpretação [...]
[...]

Portanto, a responsabilidade penal-criminal visa manter a ordem pública


e preservar o bem-estar da comunidade via penalização do profissional que
infringir a lei (Hoog, 2010).

4.1.6 Responsabilidade filosófica

Segundo estabelece Hoog (2010, p. 70),

[...] o perito judicial é o profissional que se pressupõe que tenha


conhecimento científico e tecnológico, motivo pelo qual ilumina os
magistrados nas questões de ciência e tecnologia. Deve também
exalar sabedoria pelo seu faro pericial, isto é condição primária para
ser merecedor da mais alta honraria de auxiliar a justiça, este é o cerne
da questão filosófica.

Assim, notem que a responsabilidade filosófica se refere não só aos


conhecimentos adquiridos pelos peritos ao longo de toda a sua formação
acadêmica, mas, em especial, à maneira sábia com a qual o profissional aplica
esses conhecimentos. Por exemplo: um perito-contador precisa calcular o fundo
de comércio de uma empresa X, mas existem mais de 14 métodos acadêmicos
para se calcular o fundo de comércio. Assim, é de responsabilidade do perito-
contador o uso da sabedoria para determinar o melhor método científico que leve
a uma verdade de fato ou opinião pericial (Hoog, 2010, p. 71).
Concluímos assim que a atividade pericial requer muita responsabilidade
profissional, em diversos âmbitos legais, sociais e científicos. Finalizando as seis
responsabilidades que o perito-contador deve aplicar, salientamos que esse
profissional está sujeito aos códigos Civil (Lei n. 10.406/2002) e Penal (Decreto-

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lei n. 2.848/1940), e, em âmbito contábil, ao Código de Ética (Resolução CFC n.
803/1996) e também às penalidades impostas pelo Conselho Federal de
Contabilidade (CFC).

TEMA 5 – NORMAS RELATIVAS À PROFISSÃO DE PERITO JUDICIAL: RECUSA


DA NOMEAÇÃO, IMPEDIMENTOS OU SUSPEIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO

Chegamos ao último tema de nossa primeira aula. Este tema também


trata de normas relativas à profissão do perito judicial e, mais especificamente,
à recusa de nomeação, impedimentos ou suspeição e substituição, todos
relativos à atividade profissional do perito.
A Resolução do CFC n. 1.244/2009 indica os conflitos de interesse
motivadores dos impedimentos ou suspeições do perito, e o profissional está
sujeito à legislação do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e seu Código
de Ética Profissional (Resolução CFC n. 803/1996).
Com relação à intimação do perito, ou à sua recusa por impedimento,
suspeição e pedido de substituição, destacamos uma grande evolução na
Justiça Federal: a petição eletrônica. Assim, sempre que houver fato que
caracterize motivo para recusa de nomeação, impedimentos ou suspeição e
substituição do perito, a petição deve ser feita eletronicamente (Hoog, 2010, p.
85).

5.1 Recusa da nomeação

A prestação de serviço para a justiça é considerada uma grande honra,


um privilégio ímpar. Assim, a nomeação de um contador para a função de perito
judicial é uma forma de reconhecimento e valorização profissional: ser o auxiliar
da mais elevada das prestações de serviços, a Justiça. Porém, existem fatores
de recusa do honroso encargo (Hoog, 2010, p. 85).
Nesse caso, deve o perito formalizar a sua recusa sob a forma de petição,
no prazo máximo de cinco dias de sua intimação, requerendo que o magistrado
venha a desobrigá-lo da honrosa incumbência, bem como demonstrar as razões
de sua recusa, que podem envolver:

 Estado de saúde;
 Indisponibilidade de tempo;
 Falta de recursos humanos ou materiais para assumir o encargo;
15
 Falta de domínio da matéria objeto da perícia.

Há, ainda, a hipótese de que um profissional de formação acadêmica


diversa deveria ter sido nomeado, como um engenheiro, um químico, um físico
ou um médico.
Os motivos de recusa não preveem a parte responsável pelo adiamento
dos honorários ser beneficiária da Justiça Gratuita. Assim, fica o perito sujeito às
sanções, das quais a mais severa é a de ordem moral, pela sua não indicação
para prestar serviços em outros processos. O art. 339 do Código de Processo
Civil (CPC) (Lei n. 5.869/1973) prevê que ninguém se exime do dever de
colaborar com o poder judiciário para o descobrimento da verdade (Hoog, 2010,
p. 85).
A experiência mostra que os juízes normalmente dividem esses trabalhos
entre os profissionais que prestam serviços à Justiça, buscando não
sobrecarregar um ou outro profissional com trabalhos sem remuneração. Esse
encargo é rateado entre os profissionais de confiança do Juízo. Como dissemos,
trata-se de uma grande honra, e, além disso, é um dever patriótico, uma
oportunidade ímpar de possibilitar a todos a Justiça (Hoog, 2010, p. 85).

5.2 Impedimentos ou suspeição

A recusa da nomeação, tratada no item anterior, é fruto de motivos mais


amplos e pessoais. Em relação ao impedimento ou suspeição, estes dependem
de fatores externos e de terceiros. Como assim?
Sá (2010) assevera que o impedimento está relacionado à incapacidade
do exercício da imparcialidade. Assim, o perito denunciar impedimento para
examine do fato revela um ato de dignidade, pois cumpre a lei (Código de
Processo Civil, CPC, Lei n. 5.869/1973, arts. 146 e 423) ao declarar impedimento
para um trabalho pericial em que a imparcialidade em sua execução profissional
está afetada.
Deve o profissional notificar imediatamente o juiz, ou a parte interessada
poderá denunciar o impedimento ou suspeição, conforme art. 138, inciso III, do
CPC. Essa denúncia deverá ser feita por petição devidamente fundamentada.
Os motivos de suspeição e impedimentos são os mesmos aplicados ao juiz,
conforme estabelecem os arts. 134 e 135 do CPC (Hoog, 2010, p. 87-88).
As principais causas de impedimento são:

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 Manter uma relação profissional com qualquer uma das partes,
atualmente ou nos últimos cinco anos;
 Ser amigo ou inimigo dos litigantes;
 Ter interesse direto ou indireto no julgamento da causa;
 Ter parentesco próximo com uma das partes;
 Ser parte no processo;
 Ter prestado depoimento como testemunha;
 Ter sido postulado como advogado de uma das partes, de seu cônjuge ou
de parentes deste, ou de qualquer parente seu, consanguíneo ou afim,
em linha reta, ou na linha colateral até o segundo grau;
 Ser ele ou seu cônjuge credor ou devedor de alguma das partes.

Em suma, o impedimento ou a suspeição são declarados pelo perito ou


pelas partes do processo quando fatores externos ou relativos a terceiros
comprometem a imparcialidade do processo judicial.

5.3 Substituição

A substituição do perito-contador indicado para auxiliar o magistrado no


exame de um fato ou na emissão de uma opinião verídica pode ocorrer nos
seguintes casos, segundo Hoog (2010, p.88):

 Por pedido do próprio perito-contador, conforme casos de recusa da


nomeação e de impedimento ou suspeição;
 Por pedido das partes integrantes do processo, alegando suspeição ou
impedimento;
 A pedido das partes integrantes do processo, quando alegam que o perito
não dispõe de conhecimento técnico/científico;
 Em casos de falecimento do perito;
 Quando, sem motivo legítimo, o perito deixa de cumprir o encargo no
prazo que lhe foi assinado, de acordo com o Código de Processo Civil
(CPC) (Lei n. 5.869/1973), em seu artigo 424, inciso II. Nessa situação,
resta ao perito acatar a determinação do juízo.

Cabe salientar que, dentre os motivos para a substituição, há casos em


que não é permitida a possibilidade de substituição do perito-contador. Em
especial, citamos dois casos relacionados a honorários periciais: primeiro,

17
quando a parte responsável pelo adiantamento dos honorários discordar do valor
destes. Lembrando que os honorários são estimados pelo perito, e, portanto, não
cabe às partes atribuir valor ao serviço do profissional designado pelo
magistrado; segundo, a comparação dos honorários periciais com casos
semelhantes. Vale ressaltar que os honorários periciais variam de acordo com
as qualificações dos peritos e suas formas de desenvolvimento do trabalho
pericial e, assim, seus preços são distintos (Hoog, 2010).

TROCANDO IDEIAS

Caro aluno, chegamos ao final de nossa primeira aula! Vamos agora


trocar ideias com os colegas sobre os principais aspectos tratados aqui?
Para consolidar os conhecimentos adquiridos nesta aula introdutória,
realizaremos uma atividade de fórum. Você deverá articular os conceitos
aprendidos nesta aula introdutória sobre o que é perícia contábil e qual é o seu
objeto, os tipos de perícia que existem e as características necessárias a um
perito judicial. Para tanto, elabore uma opinião, em um texto de uma página,
expondo esses principais conceitos supracitados. Esta atividade o auxiliará a
fixar os conteúdos estudados.

NA PRÁTICA

A atividade de cunho prático serve para que vocês possam desenvolver


determinadas habilidades durante o curso. Contudo, essa aula introdutória é
conceitual e, portanto, de difícil aplicação em um caso prático. Reúna o
conhecimento adquirido e faça o seguinte exercício de abstração:
Descreva um caso hipotético envolvendo um profissional perito-contador.
Imagine que você conhece esse profissional e está contando para outras
pessoas sobre o honroso trabalho desempenhado por ele. Agora, descreva o
que ele faz (relacionando suas tarefas com o conceito de perícia e citando o
objeto da perícia contábil) e quais são as suas muitas responsabilidades
profissionais – as quais vimos durante esta aula. Mãos à obra!

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FINALIZANDO

Esta aula introdutória nos auxiliou a adentrar no mundo da perícia contábil


e compreender como ele é complexo, dinâmico e extremamente normatizado e
legalizado, o que implica muitas responsabilidades por parte do perito-contador.
Nos dois primeiros temas, apresentamos os principais conceitos da
perícia, especialmente em relação ao que é perícia e o que é perícia contábil, e
quais são o objeto e a demarcação da perícia, além de um breve histórico da
perícia contábil no Brasil.
Nos outros três temas da aula, demos enfoque ao profissional perito-
contábil, e às normas relativas à profissão de perito judicial. No Tema 3,
abordamos as características desejáveis do perito-contador; em seguida, no
Tema 4, discorremos sobre as seis responsabilidades do perito: moral, social,
ética, cível, penal e filosófica; por fim, no último tema, tratamos dos
procedimentos de recusa da nomeação do perito, impedimento ou suspensão e
substituição.

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REFERÊNCIAS

BRASIL. Decreto n. 8.821, de 30 de dezembro de 1882. Coleção de Leis do


Império do Brasil, Poder Executivo, Rio de Janeiro, 1882. Disponível em:
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Acesso em: 30 jul. 2018.

_____. Decreto n. 5.746, de 9 de dezembro de 1929. Diário Oficial da União,


Poder Legislativo, Rio de Janeiro, 11 dez. 1929. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1910-1929/D5746-1929.htm>.
Acesso em: 30 jul. 2018.

_____. Decreto-lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário


Oficial da União, Poder Executivo, Rio de Janeiro, 31 dez. 1940. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848compilado.htm>.
Acesso em: 31 jul. 2018.

_____. Lei n. 3.071, de 1º de janeiro de 1916. Diário Oficial da União, Poder


Legislativo, Rio de Janeiro, 5 jan. 1916. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/leis/L3071.htm>. Acesso em: 31 jul. 2018.

_____. Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Diário Oficial da União, Poder


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<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L5869.htm>. Acesso em: 30 jul. 2018.

_____. Lei n. 9.307, de 23 de setembro de 1996. Diário Oficial da União, Poder


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_____. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Diário Oficial da


União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/l10406.htm>. Acesso em: 31 jul.
2018.

CFC – Conselho Federal de Contabilidade. Resolução CFC n. 803, de 10 de


outubro de 1996. Código de Ética Profissional do Contador (CEPC). Diário
Oficial da União, Brasília, DF, 21 out. 1996. Disponível em:
<http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/res803.htm>. Acesso em: 31 jul.
2018.

20
_____. Resolução CFC n. 1.244, de 10 de dezembro de 2009. Diário Oficial da
União, Brasília, DF, 18 dez. 2009. Disponível em:
<http://www.normaslegais.com.br/legislacao/resolucaocfc1244_2009.htm>.
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_____. NBC PP 02, de 21 de outubro de 2016. Diário Oficial da União, Brasília,


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GONÇALVES, P. C. et al. Características do perito-contador: perspectiva


segundo juízes da Justiça Federal, advogados da União e peritos-contadores no
contexto goiano. Revista Contemporânea de Contabilidade, Florianópolis, v.
11, n. 22, 2014. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.5007/2175-
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HOOG, W. A. Z. Prova pericial contábil: teoria e prática. 8. ed. Curitiba: Juruá,


2010.

MAGALHÃES, A. D. F. et al. Perícia contábil: uma abordagem teórica, ética,


legal, processual e operacional. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2001.

ORNELAS, M. M. G. Perícia contábil. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

SÁ, A. L. Perícia contábil. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

21
PERÍCIA E ARBITRAGEM
CONTÁBIL
AULA 2

Prof. Tassiani Aparecida dos Santos


CONVERSA INICIAL

Olá alunos, vamos iniciar a nossa segunda aula do curso Perícia e


Arbitragem Contábil! O objetivo desta aula é introduzi-los nos aspectos
normativos da perícia contábil, em especial em relação a atividades e
procedimentos do perito-contador e do assistente técnico. Como veremos
adiante, há muitas normas e regras que devem ser seguidas pelo profissional
perito, em especial no que tange ao trato com a justiça, ou seja, em sua função
judicial. Portanto, esta segunda aula do curso oferecerá subsídios para que os
nossos alunos compreendam quais aspectos normativos devem ser atentados
pelo perito na execução em sua atividade.
Iniciaremos nossa aula abordando os aspectos interpessoais,
interprofissionais e transdisciplinares do profissional perito, e trataremos da
fiscalização do prazo que o profissional está sujeito a cumprir. O Tema 2 versa
sobre a alçada do perito, suas atribuições e limitações. Em seguida, o Tema 3
trata das normas relativas à indicação do assistente técnico, bem como suas
funções e diferenciações para o profissional perito indicado pelo magistrado. O
Tema 4 explicita a problemática dos honorários periciais, diferenciando entre
perito-contador e assistente técnico nas funções judiciais e extrajudiciais. E por
fim, o Tema 5 aborda a função e o ônus da prova pericial. Ufa! Muito assunto,
não? Então, mãos à obra!

CONTEXTUALIZANDO

A nossa segunda aula do curso de Perícia e Arbitragem Contábil versará


sobre aspectos normativos da profissão. Na prática de sua atividade profissional,
o perito se vê cercado de normas, regras e diretrizes que deve seguir no decorrer
de seu cotidiano profissional. Essas normatizações advêm de diversas esferas
e órgãos, como do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e das diversas
legislações, como o Código de Processo Civil (CPC).
Como o profissional perito-contador ou assistente técnico deve conduzir
o tratamento de suas atividades no âmbito judicial? E no âmbito extrajudicial?
Como o profissional se comunica com a justiça? Quais são seus deveres e
direitos, em relação a prazos, alçadas e no exame da prova pericial? E em
relação aos honorários, como é feita a determinação?

2
Essas e outras questões devem ser refletidas de antemão; a partir de
agora, iremos explorar esses questionamentos. Bora lá!

TEMA 1 – PERÍCIA INTERPESSOAL OU INTERPROFISSIONAL,


TRANSDISCIPLINARIDADE E FISCALIZAÇÃO DOS PRAZOS
Queridos alunos, estamos iniciando a nossa segunda aula do curso de
perícia contábil. Trataremos neste tema da perícia interpessoal ou
interprofissional, da transdisciplinaridade da perícia e da fiscalização dos prazos.
A realização de uma perícia, ou seja, o exame de um fato ou a emissão
de opinião verdadeira, muitas vezes requer do perito visão interdisciplinar e
transdisciplinar, para que se obtenha um adequado laudo pericial. A natureza da
prova pericial contábil já pressupõe a interdisciplinaridade da contabilidade, pois
traz consigo diversos aspectos do direito processual civil, em especial a perícia
contábil (Ornelas, 2000).
A transdisciplinaridade, na perícia judicial ou extrajudicial, é a união do
conhecimento pericial de duas ou mais áreas do conhecimento humano para que
se possa chegar ao conhecimento do fato examinado e a uma opinião
verdadeira. Isso pode acontecer com a sinergia de áreas diversas, como a
contabilidade e a medicina, a contabilidade e a engenharia, a contabilidade e a
economia, a contabilidade e a administração, entre outras (Hoog, 2010, p. 88).
Assim, nos casos em que a legislação permite a perícia interprofissional,
temos os laudos de especialistas de outras áreas, além do laudo do perito-
contador, para auxiliar a decisão do magistrado. Por exemplo, um laudo de um
engenheiro sobre a avaliação de um edifício, em uma ação de apuração de
haveres ou de resolução de sociedade. Nesse caso, o valor contábil histórico é
substituído pelo valor da reavaliação, conforme laudo de outro perito especialista
em engenharia de avaliações. Assim, o laudo final do perito-contador depende
do laudo de outro perito para que possa ser feito com confiabilidade e
fidedignidade (Hoog, 2010, p. 89).
Hoog (2010, p. 89) ainda afirmar que

O perito-contador pode requerer ao juiz a indicação de especialistas de


outras áreas que se fizerem necessários para a execução de trabalhos
específicos. Entendemos que o perito não só pode, mas também deve
requerer que o juiz indique perito especialista de outras áreas, por ser
isso atribuição do juiz. Esse fato está regulado no CPC, art. 431-B.
Normalmente esse pedido é feito quando da elaboração da proposta
de honorários, quando se analisa profundamente a extensão da perícia
e o teor dos quesitos.

3
Portanto, o perito-contador tem o dever de solicitar indicação de um perito
especialista em outra área do conhecimento para a entrega do laudo pericial,
quando necessário. Essa atitude revela grande profissionalismo do perito-
contador e responsabilidade com as seis esferas estudadas na aula anterior
(moral, ética, social, cível, criminal e filosófica).

TEMA 2 – ALÇADA DO PERITO, ATRIBUIÇÃO E LIMITAÇÕES

Caros alunos, o Tema 2 versará sobre a alçada do perito-contador, suas


atribuições e limitações. Esse é um tópico fundamental para o entendimento da
prática profissional pericial, visto que trataremos de como o perito deve proceder
em seu exame de prova pericial.
No trabalho pericial, o profissional precisa apreender algumas
informações fundamentais quanto ao instituto da prova para realizar sua função
com maestria. Dentre essas informações, é importante que o perito-contador
identifique qual a função da prova, a quem compete o ônus da prova, os meios
das provsa contábeis disponíveis e os tipos de prova que o perito irá examinar
durante o processo judicial (Ornelas, 2000).
Ainda, Hoog (2010, p. 89) aponta que o perito é, por essência, um
cientista, que auxilia o magistrado em suas decisões, quando o objeto da prova
requer conhecimento específico. Por ser um profissional de confiança do juiz,
tem a sua alçada ilimitada, no que tange à busca de subsídios para fundamentar
suas convicções tecnológico-científicas. Contudo, não é dever do perito produzir
ou juntar provas para os autos do processo, cabendo a esse profissional
inspecionar as provas produzidas pelas partes.
Portanto, neste tema, tratamos das atribuições e limitações do perito em
relação à prova pericial. Conforme comentamos no parágrafo anterior, o perito
tem como alçada acesso ilimitado a provas periciais, que devem ser fornecidas
pelas partes do processo; ainda, não é dever desse profissional produzir ou
juntar provas.
Em relação ao acesso do perito às provas periciais, é dever das partes,
por força de lei, a apresentação de documentos, papéis, livros, demonstrativos
e qualquer outro tipo de prova, ao perito nomeado nos autos. Caso uma das
partes se recuse a apresentar as provas ao perito nomeado pelo juiz, poderá a
parte prejudicada declarar litigância de má-fé (Hoog, 2010, p. 32):

4
O perito, quando se sentir cerceado em sua alçada, ou seja, não obtiver
as informações necessárias, como embaraço à perícia, deve denunciar
o fato em juízo antes da conclusão de seu trabalho, para que sejam
tomadas as medidas cabíveis, entre elas: busca e apreensão de
documentos, proteção pessoal do perito, ajuda do oficial de justiça, ou
também a intimação pessoal da parte que não colaborou com os
trabalhos para que ela venha colaborar. Tal afirmativa se faz pela
interpretação no disposto no art. 1.191 do CC/2002.

Caros alunos, isso significa que a alçada do perito é ilimitada no exame


da prova pericial e que as partes não devem atrapalhar o trabalho do perito-
contador no exercício de sua profissão. Contudo, se houver embaraço,
denuncia-se o fato em juízo, e a perícia deve ser refeita, ou seja, deve-se marcar
nova diligência. Se houver nova visita ao estabelecimento onde deveria estar a
documentação, deve a parte responsável pela repetição da diligência arcar com
a despesa conforme previsto no CPC, art. 29 (Hoog, 2010).
O procedimento requerido para tal caso é o seguinte: o perito-contador
deve solicitar ao juiz a repetição da diligência e o recebimento das despesas
associadas à nova diligência. Desse modo, ao ser agendada nova diligência,
pede-se novo prazo e horário; além disso, as horas agendadas inicialmente
devem ser pagas pela parte que pediu o adiamento (Hoog, 2010).
Em relação às limitações de acesso a prova pericial, Hoog (2010) afirma
que existem ressalvas relativas ao acesso de provas que possuem sigilo
industrial, tributário, bancário e outras, que dependem de determinação expressa
da justiça, mediante emissão de ofício. Outra limitação apontada pelo autor se
refere a pesquisas de documentos e livros, que devem ser examinados no local
e na presença dos responsáveis pela documentação – portanto, não podem ser
transportados.
Por fim, caros leitores, mencionamos que o perito é um cargo de servidor
público, e assim sendo deve observar os princípios da Administração Pública,
tais como (Hoog, 2010):

 Princípio da publicidade: Os atos e fatos praticados no processo devem


ser de acesso público, ressalva apenas para as exceções legais.
 Princípio da impessoalidade: O perito deve seguir condutas obrigatórias
e está proibido de agir com quaisquer formas de favoritismo; portanto,
deve agir de forma correta (equidade) ao interpretar as normas e
legislações.

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 Princípio da eficiência: O perito deve realizar suas atividades de forma
excelente para obter o resultado desejado, mas sempre priorizando o
menor dispêndio de recursos possível. Ainda, o formalismo e a burocracia
devem ceder espaço para a eficiência e a realização da justiça.
 Princípio da moralidade: Este princípio determina e privilegia o decoro e
a confiança na boa-fé, na honradez e na probidade. E, assim, veda
condutas inaceitáveis e transgressoras da ética e bom senso, não
permitindo qualquer tipo de condescendência.
 Princípio da legalidade: Todos os atos e fatos devem se desenvolver na
forma e limites da lei.

TEMA 3 – NORMAS RELATIVAS A INDICAÇÃO DE ASSISTENTE TÉCNICO

Caros alunos, este tema da nossa segunda aula tratará dos atributos,
funções e responsabilidade do assistente técnico. Ainda, identificaremos as
especificidades da profissão de assistente técnico e as diferenças para os
profissionais peritos.
Os assistentes técnicos são peritos indicados pelas partes interessadas
no processo judicial para garantir a veracidade dos fatos apurados –
diferentemente do perito-contador, que é indicado pelo magistrado. Alunos, é
importante salientar que os assistentes devem preservar a sua independência e
autonomia em relação aos seus clientes, ou seja, a parte que contratou o
profissional, em função da ética do sigilo profissional e da verdade (Hoog, 2010).
Mas então o que diferencia um perito de um assistente técnico?
Bom, vejamos, independentemente se foi nomeado pelo magistrado ou
contratado por uma das partes, o profissional tem o dever de seguir os preceitos
éticos e buscar a verdade formal. Mas existem algumas pequenas diferenças,
pois o perito é profissional de confiança do juiz, enquanto que o assistente
técnico é profissional de confiança da parte que o indica livremente, razão pela
qual a parte que o indicou arca com os honorários e adiantamento das despesas,
valores que ao final do processo vão compor as custas judiciais (Hoog, 2010).
Em relação aos procedimentos, a Resolução CFC n. 1.243/09 declara que
os procedimentos adotados por ambos os profissionais são iguais, pois a perícia
contábil visa fundamentar questões que abrangem, total ou parcialmente, o
objeto da perícia contábil, em seu exame, vistoria, indagação, investigação,
arbitramento, mensuração, avaliação e certificação (Hoog, 2010).
6
Ainda, na execução de suas atividades, o perito-contador assistente e o
perito-contador trabalham de forma colaborativa:

O perito-contador assistente pode, tão logo tenha conhecimento da


perícia, manter contato com o perito-contador, pondo-se à disposição
para o planejamento, para o fornecimento de documentos em poder da
parte que o contratou e ainda para a execução conjunta da perícia.
Uma vez recusada a participação, o perito-contador pode permitir ao
assistente técnico acesso aos autos e aos elementos de prova
arrecadados durante a perícia, indicando local e hora para exame pelo
assistente técnico (CFC, 2009).

Adicionalmente, comentamos que é importante que o perito assistente


informe ao juiz que concorda com a indicação de uma das partes, procure o
perito-contador e informe por escrito o interesse de acompanhar o trabalho
pericial do profissional nomeado pelo juiz. Nesse cenário, pode o perito-contador
trabalhar sem o acompanhamento e sem discussão técnica com o perito
assistente, ficando a seu encargo essa decisão (Hoog, 2010).
Aqui, faremos dois adendos, o primeiro relacionado ao assistente técnico
e o segundo relativo ao perito-contador. Vejamos. Primeiramente, cabe
mencionar que, em relação ao assistente técnico, há o dever de acompanhar
passo a passo o andamento do processo, pois fica firmado compromisso
profissional ético com a parte que o contratou. Assim, ele deve acompanhar o
início dos trabalhos, a coleta dos dados, a intimação das partes via termo de
diligência e a conclusão dos trabalhos do perito-contador, além de apresentar,
em um prazo de 10 dias, o seu parecer divergente, se for o caso (Hoog, 2010).
O outro ponto versa sobre o perito-contador. Esse profissional é
inteiramente responsável pela perícia nomeada nos autos pelo magistrado,
independentemente de delegar tarefas a auxiliares ou outros profissionais
especialistas (Sá, 2010).
Em suma, caros leitores, podemos afirmar que o perito-contador e o
assistente técnico trazem procedimentos técnicos similares; o que os diferencia
de fato é a sua nomeação. O primeiro foi nomeado pelo juiz, o segundo por uma
das partes do processo. Portanto, ambos os profissionais estão sujeitos às
mesmas normas e sanções previstas ao profissional perito (Hoog, 2010).

TEMA 4 – HONORÁRIOS

Caros alunos, o Tema 4 fornecerá orientações e explicações quanto ao


tratamento dos honorários do perito-contador e do assistente técnico. Aceita a

7
perícia, como requerer os honorários periciais? E, em caso de aumento da carga
horária, como proceder? A proposta de honorários deve ser aceita pelo
magistrado? O que deve conter nessa proposta, em especial para que o
magistrado compreenda e aceite a proposta de honorários? E o assistente
técnico, como ele precifica os trabalhos prestados? Segue regra e procedimento
similares ao do perito-contador?
Bem, essas e outras perguntas relativas ao tratamento dos honorários
periciais serão respondidas daqui em diante. Apertem os cintos que a leitura já
vai começar!
Para fins didáticos, adotaremos a divisão proposta por Ornelas (2000), em
que a remuneração do trabalho pericial contábil pode ser abordada sob duas
dimensões: a primeira, relativa ao perito, quando na função judicial; e a segunda,
quando em função extrajudicial, incluindo-se a arbitral.
Vejamos agora o tratamento dos honorários em relação ao trabalho do
perito-contador e do assistente técnico nas funções judiciais e, em seguida, nas
funções extrajudiciais.

4.1 Função Judicial

Trataremos agora dos honorários cobrados pelo perito judicial, ou seja, o


denominado perito-contador, que é indicado pelo magistrado para a realização
de exame da prova pericial, ou o denominado assistente técnico, que é indicado
pelas partes para emitir opinião sobre um fato investigado em processo judicial
(Ornelas, 2000).

4.1.1. Honorários do perito judicial

Bom, caros leitores, inicialmente o magistrado nomeia um perito para o


trabalho pericial (ou uma das partes indica um assistente técnico para o trabalho
pericial). Aceita a perícia, o profissional deve requerer seus honorários, que
fazem parte das custas do processo; portanto, quem pede a perícia é quem deve
fazer o depósito (Sá, 2010).
Vale salientar que o arbitramento (autorização do valor dos honorários
periciais) é feito pelo magistrado. Portanto, a etapa que será descrita a seguir é
de fundamental importância para o perito judicial, pois irá subsidiar a decisão de
arbitramento dos honorários. Então, vamos lá!

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De início, o perito apresenta ao magistrado orçamento ou estimativa de
sua remuneração, antes do início do trabalho pericial. O valor dos honorários
deve ser respaldado nos custos do trabalho pericial; portanto, por meio de
petição, o perito apresenta as horas técnicas empregadas em cada fase do
trabalho pericial e os respectivos custos, considerando como base as
orientações do CFC (Ornelas, 2000).
Sá (2010) expõe qual a tratativa dos honorários para os casos de aumento
da carga horária de trabalho do perito:

Em caso de aumento da carga horária de trabalho do perito, mesmo


ele tendo fixado previamente seus honorários, se teve a cautela de
precaver-se contra aumento de tal carga, pode pedir reajuste. Tal
fixação prévia pode, todavia, ser reajustada se o prazo da perícia assim
o exigir e nos casos de inflação (habitual em nosso país).

Portanto, a proposta de honorários deve ser bem-feita, pois será


analisada pelo magistrado. E ainda, seguindo os preceitos éticos, deve visar não
cometer erros contra si, nem contra as partes. Bom, de maneira geral, os
honorários podem ser contestados, mas o juiz e o perito, em comunhão,
estabelecem acordos que vigoram quase em sua totalidade (Sá, 2010).
Desse modo, após o pronunciamento das partes, ou em seu silêncio, os
autos do processo são concluídos e levados ao juiz, que fixará os honorários
periciais (Ornelas, 2000).
Após esse procedimento inicial da arbitração dos honorários do perito
judicial, citaremos alguns aspectos que são importantes, em especial com
relação ao pagamento dos honorários periciais:

Independentemente de concordância, de impugnação, ou de agravo, a


quantia fixada deve ser depositada à ordem do magistrado em
instituição bancária autorizada a receber depósitos judiciais no prazo
por esse determinado (Ornelas, 2000).

Não é permitido que o perito, em função judicial, receba diretamente das


partes os honorários periciais. Esse é um ato financeiro que precisa estar
comprovado nos autos do processo. Primeiramente, porque a parte responsável
pelo pagamento precisa provar que cumpriu a determinação do magistrado, sob
pena de desobediência ou de extinção do processo. Depois, os valores da
remuneração pericial precisam constar como prova nos autos, em casos de
eventual ressarcimento dessa despesa processual (Ornelas, 2000).
Caros leitores, por fim questionamos: quem é o responsável pelo
pagamento do perito?

9
O CPC dispõe que a responsabilidade financeira pelos honorários
periciais é da parte que requereu a prova pericial. Se ambas as partes solicitam
exame de prova, o responsável pelo pagamento é o autor do processo judicial.
Contudo, é importante esclarecer que o pagamento da remuneração do perito é
um adiantamento de despesa processual, e isso implica que a parte que perdeu
o processo judicial será responsável pelo pagamento ou ressarcimento à parte
que adiantou os honorários periciais (Ornelas, 2000).
Agora, vamos tratar do levantamento dos honorários periciais, isso é, do
recebimento efetivo por parte do perito-contador da remuneração a qual tem
direito. Concomitantemente com a entrega do laudo pericial contábil, o
profissional perito deve oferecer também uma petição requerendo o arbitramento
de sua remuneração, se ainda não foi realizada no momento da proposta
anteriormente apresentada ao magistrado. Nessa mesma petição, o perito
solicita o levantamento da quantia depositada judicialmente pelas partes, fato
que permite a retirada desse valor por parte do perito (Ornelas, 2000).
Desse modo, diante da petição apresentada, o juiz autoriza a
movimentação financeira dos valores depositados judicialmente, por meio de
documento de levantamento. Então, em posse do documento deferindo o
levantamento do depósito, o perito se direciona a um cartório, que autorizará a
movimentação ao emitir documento denominado mandado de levantamento
judicial ou alvará de levantamento (Ornelas, 2000).
Portanto, de forma resumida, segundo Sá (2010), tem-se o seguinte
procedimento pericial para recebimento dos honorários:

1. Elabora-se e apresenta-se ao magistrado uma proposta de honorários, e


solicita-se depósito prévio em conta judicial;
2. Executa-se a perícia e produz-se o laudo pericial contábil;
3. Entrega-se o laudo e faz-se a petição para a liberação do depósito feito
em conta e que ficou à disposição da Justiça.

Bom, caros leitores, salienta-se que tal sequência pode ser alterada, nos
casos em que for autorizada a antecipação dos honorários, ou seja, antes de o
profissional concluir o exame de prova. Em geral, esse valor de adiantamento
gira em torno dos 50% (Sá, 2010).
Para ter acesso a modelos de petição, sugerimos que consultem Ornelas
(2000). Em seu livro, há sete modelos de petição para orientar na formulação de

10
cada uma das etapas que envolvem a comunicação do perito com a justiça, no
que tange aos aspectos de remuneração.

4.1.2 Honorários do assistente técnico

No caso dos assistentes, quase sempre os honorários se ajustam sem


dificuldade entre a parte e o perito. O perito, na função de assistente técnico,
deve, preliminarmente, oferecer proposta de prestação de serviços profissionais,
ajustando com a parte seus honorários e a forma de pagamento, e orientando-
se nos procedimentos recomendados para a perícia contábil, aprovados pelos
Conselhos Regionais de Contabilidade (Ornelas, 2000).
Caros alunos, é importante compreender que, embora a negociação seja
particular, ou seja, entre a parte e o assistente técnico, os honorários são
considerados despesas do processo judicial, e devem, portanto, constar nos
autos do processo (Ornelas, 2000).
Assim, o assistente técnico deve apresentar uma petição ao magistrado
requerendo o arbitramento de sua remuneração. Contudo, esses honorários são
fixados, em geral, em dois terços da quantia fixada para o perito nomeado pelo
magistrado. Isso significa dizer que, na petição preparada pelo assistente
técnico, não é requerida a apresentação de uma proposta de orçamento; como
no caso do perito-contador, apenas solicita-se o arbitramento (Ornelas, 2000).
Notem que essa fixação não se relaciona com aquela livremente ajustada
pelo assistente técnico e a parte que o indicou, mesmo porque o magistrado não
tem poderes para interferir na negociação particular. O magistrado fixa a
remuneração do assistente técnico nos autos para conhecer-se o valor dessa
despesa processual no caso de ressarcimento à parte vencedora (Ornelas,
2000).

4.2 Função Extrajudicial

Após analisarmos o tratamento despendido pelo perito em sua função


judicial, veremos que, na função extrajudicial, não há burocracias
procedimentais, visto que não existe comunicação direta com a justiça. Nessa
função, o perito é contratado de forma particular para atender a uma demanda
de um cliente na forma extrajudicial; nesse caso, o profissional negocia
livremente seus honorários e a forma de pagamento (Ornelas, 2000).

11
Nessa relação que se estabelece extrajudicialmente, recomenda-se que
o perito elabore um contrato de prestação de serviço, estabelecendo o escopo
dos serviços a serem realizados, o valor dos honorários, a forma de pagamento,
o prazo de execução, e outros elementos relevantes para a relação profissional
estabelecida entre as partes (perito e cliente). Vale observar que o profissional
deve seguir as normas éticas e os procedimentais previstas pelo CFC na
execução da atividade pericial (Ornelas, 2000).

TEMA 5 – PROVA PERICIAL: FUNÇÃO E ÔNUS DA PROVA

Caros alunos, o último tema da nossa segunda aula trata da prova pericial,
em especial da função e do ônus da prova. Iremos discorrer sobre a função da
prova pericial e, em seguida, versaremos sobre o ônus da prova pericial.

5.1 Função da prova pericial

Para Ornelas (2000), a função da prova pericial considera o conceito de


verdade formal, ou seja, a função da prova pericial consiste em transformar fatos
em verdade formal. Ora, vejamos bem, é importante entender dois conceitos:
fatos e verdade formal.
O fato é o que constitui a prova. Isso é, a prova é a soma de todos os fatos
que estão sendo apurados em um processo judicial – embora, obviamente, nem
todos os fatos possam ser submetidos a prova (Ornelas, 2000).
Os fatos são classificados em controversos e incontroversos. Fatos
controversos são aqueles que necessitam de exame de prova pericial. Os fatos
incontroversos não são submetidos a prova; trata-se dos denominados fatos
notórios. Esses fatos fazem parte da cultura de uma sociedade e são, assim,
afirmados por uma parte e dados por verdadeiro por outra parte (Ornelas, 2000).
O conceito de verdade formal é aquele assentado nas provas, ou seja,
relaciona-se ao que pode ser apreendido da prova examinada pelo perito em seu
processo tecnológico-científico. Assim, Ornelas (2000) assevera que o estudo
da perícia se interessa pelo conceito de verdade formal, ou seja, pela utilização
da inteligência (do perito) para se obter a verdade (formal). Por conseguinte, a
busca pela verdade formal dos fatos é objetivo do perito, já que a ele é submetida
a responsabilidade pela veracidade dos fatos nos autos do processo.

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Portanto, a função da prova pode ser entendida como a função de provar
a existência de um fato da vida que se ajusta a norma ou a princípio de direito,
na forma jurídica – ou seja, a verdade formal (Ornelas, 2000). Assim, neste ponto
da aula, deve ficar claro para os estudantes que o perito, em seus trabalhos, não
deve externar sua opinião pessoal sobre os fatos do processo. O relato do perito-
contador deve estar em conformidade com os princípios de contabilidade e sua
boa técnica, e, assim, retratar a verdade formal dos fatos (Ornelas, 2000).

5.2 Ônus da prova pericial

No âmbito judicial, o ônus da prova é entendido como o dever de provar


o que se alega. A parte que afirma ou nega determinado fato é que tem o ônus,
o interesse de oferecer ou produzir as provas necessárias que entende possam
vir a corroborar as alegações oferecidas. É de se notar que ninguém está
obrigado a produzir provas; todavia, não o fazendo, arcará com consequências
negativas no processo judicial, pois quem busca a proteção da justiça depara-se
com a necessidade de produzir suas provas. No processo judicial, a parte que
oferecer as provas mais convincentes fatalmente obterá sucesso (Ornelas,
2000).

Na produção da prova pericial contábil, é, portanto, indispensável o


perito debruçar-se sobre a matéria fática objeto da causa, à luz da
classificação contida no dispositivo legal, estudando-a detidamente
sob essa ótica, o que lhe vai possibilitar traçar os caminhos técnicos a
serem por ele percorridos mesmo porque é inerente a sua função
colaborar para o descobrimento da verdade.

Caros alunos, o perito-contador, na execução de seu trabalho, irá


examinar os fatos relativos à prova contábil objetivando o descobrimento da
verdade. Nessa área do conhecimento, os fatos, que são de origem
administrativa, financeira e patrimonial, são captados pelos sistemas de
informações contábeis e pelo exame de documentos físicos e digitais (Ornelas,
2000). Eles podem ser classificados como construtivos, extintivos, impeditivos
ou modificativos (Ornelas, 2000):

 Fatos construtivos: são aqueles que têm a eficácia jurídica de dar vida,
de fazer nascer, de constituir a relação jurídica;
 Fatos extintivos: são os fatos que tem a eficácia de fazer cessar a
relação jurídica;

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 Fatos impeditivos: são os fatos que impedem o efeito que lhe é normal,
ou próprio, e que constitui a sua razão de ser;
 Fatos modificativos: são os fatos que, sem excluir ou impedir a relação
jurídica, à qual são posteriores, têm a eficácia de modificá-la.

TROCANDO IDEIAS

Caros alunos, nesta segunda aula do nosso curso sobre perícia contábil
aprendemos que a vida profissional do perito é composta por regras, normas,
diretrizes e orientações. Em um mundo tão normatizado, é normal se esperar
que o profissional tenha de estar sempre atualizado para que não cometa
nenhum deslize.
Nesta atividade de fórum, você deverá refletir e expor a sua opinião sobre
a seguinte questão: um profissional perito assistente finalizou seu laudo pericial
contábil; contudo, ao solicitar o recebimento dos honorários de seu cliente, parte
em processo judicial, foi informado que esqueceu de realizar a petição para
arbitramento. Qual o impacto desse fato, para o cliente e para o processo
judicial? Como a falta de conhecimento das normas periciais prejudicam a
validade da perícia efetuada?

NA PRÁTICA

Vamos agora para uma atividade prática! Alunos, utilizem os conceitos


aprendidos nessa aula como base para a resolução de um problema pericial.
Nessa atividade, você deverá refletir e aplicar o conceito de fatos constitutivos.
Vamos lá: determinado comerciante propõe ação contra um de seus
devedores que não honrou o pagamento de uma duplicata de venda mercantil.
Sabe-se que uma transação de venda mercantil provoca a emissão de nota fiscal
e respectiva duplicata, gerando alguns lançamentos contábeis nos livros
mercantis e fiscais das partes:

 No vendedor, lançamentos nas contas: (a) pela venda: duplicatas a


receber e receitas; (b) pela saída das mercadorias: custo das vendas e
estoques; (c) registro da venda no livro Registro de Saídas;
 No comprador, lançamentos nas contas: (a) pela compra: estoques,
impostos e duplicatas a pagar; (b) escrituração da compra no livro de
Registro de Entradas.
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A entrega da mercadoria pode ser efetuada por transportadora, ou
mediante frota própria do comerciante, e ainda ser retirada pelo comprador. No
primeiro caso, temos ainda duas possibilidades: frete pago ou a pagar.
Independentemente do meio utilizado, o vendedor deve exigir do comprador o
recebido de entrega do produto, mediante assinatura do denominado canhoto da
nota fiscal.
A duplicata mercantil poderá ser colocada em cobrança bancária e
protestada por falta de pagamento.
Pode ter sido uma transação originária de um pedido remetido pelo
comprador ao vendedor; pode referir-se a pedido emitido por vendedor
pertencente ao quadro de vendedores ou de representante comercial do
vendedor; ou, então, ter origem em um pedido extraído pela administração da
vendedora, provocado por telefone do comprador.
Com base no caso acima, determine os quatro fatos constitutivos da
matéria fática disponível, de fonte própria, em favor do direito reclamado pelo
comerciante.

FINALIZANDO

Olá alunos, agora sim estamos finalizando nossa segunda aula do curso
de perícia contábil. Essa aula de conceitos normativos nos auxiliou a adentrar no
mundo da perícia contábil e compreender como é complexo, dinâmico e
extremamente normatizado e legalizado, o que implica em muitas
responsabilidades por parte do perito-contador e do assistente técnico.
Os dois primeiros temas dessa aula normativa introduziram
características essenciais ao profissional pericial, seja ele perito-contador ou
assistente técnico. O primeiro tema tratou dos aspectos interpessoal ou
interprofissional, da transdisciplinaridade e das fiscalizações dos prazos do
profissional perito. Já o segundo tema dessa aula abordou a alçada do
profissional pericial, bem como as suas atribuições e limitações.
Em seguida, apresentamos as normas relativas à indicação do assistente
técnico, no terceiro tema dessa aula. Ainda, tratamos dos aspectos gerais dos
honorários periciais, como os procedimentos processuais para a solicitação e
aprovação dos honorários, a precificação dos honorários e pormenores técnicos.
E, por fim, discorremos sobre a função e o ônus da prova pericial.

15
Esperamos que você tenha compreendido, por meio de textos, vídeos e
exemplos, os principais procedimentos normativos que são exigidos do
profissional pericial para finalizar suas atividades.

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REFERÊNCIAS

CFC – Conselho Federal de Contabilidade. Resolução n. 1.243, de 10 de


dezembro de 2009. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 18
dez. 2009.

HOOG, W. A. Z. Prova Pericial Contábil: Teoria e Prática. 8. ed. Curitiba: Juruá,


2010.

ORNELAS, M. M. G. Perícia Contábil. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

SÁ, A. L. Perícia Contábil. 9.ed. São Paulo: Atlas, 2010.

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PERÍCIA E ARBITRAGEM
CONTÁBIL
AULA 3

Profª Tassiani Aparecida dos Santos


CONVERSA INICIAL

Olá! Vamos iniciar a nossa terceira aula do curso de Perícia e


Arbitragem Contábil, cujo objetivo é introduzi-los às técnicas empregadas na
atividade pericial, de modo a compreendermos tanto a prova pericial – que é o
primeiro aspecto a ser analisado pelo perito – quanto o parecer técnico, que é o
documento elaborado pelo assistente técnico, após a conclusão dos trabalhos
periciais.
Como veremos adiante, há um conjunto de técnicas empregado na
atividade pericial. Tais técnicas têm como finalidade o auxílio ao perito na
execução do seu trabalho, que, se segui-las, obterá um resultado pericial
válido.
Portanto, ressalta-se: esta aula oferecerá subsídios para que
compreendamos quais aspectos procedimentais devem ser atentados pelo
perito na execução de sua atividade.
Iniciaremos nosso encontro analisando os aspectos da prova pericial:
meios e modalidades; depois, no Tema 2, abordaremos os erros, as fraudes e
a corrupção. O terceiro bloco, por sua vez, versará sobre os aspectos
primordiais do laudo pericial. Em seguida, estudaremos a forma de elaboração
do parecer técnico, diferenciando-o do laudo pericial. E, por fim, abordaremos
as metodologias e os procedimentos tecnológicos utilizados pelo profissional
durante todo o processo da perícia contábil.
Ufa! Muito assunto, não? Então, mãos à obra!

CONTEXTUALIZANDO

Conforme vimos, nossa terceira aula do curso de Perícia e Arbitragem


Contábil versará sobre as metodologias e os procedimentos adotados pelos
peritos no decorrer da elaboração de suas atividades.
No cotidiano da prática profissional, o perito se defronta com uma gama
de aspectos que deve ser observada tanto para manter a neutralidade e a
imparcialidade durante o processo pericial quanto para não haver dúvidas e
suspeitas no que diz respeito à boa e à honesta atuação profissional.
Além disso, tais procedimentos ajudarão o perito a evitar erros e
rechaçar fraudes e corrupção – elementos que aprenderemos durante esta
aula.

2
Ademais, o perito deve se cercar de metodologias e de arcabouços
tecnológicos para a etapa das diligências, para a elaboração do laudo pericial e
para o parecer técnico, o que propiciará a entrega de uma prova pericial válida,
legítima e relevante.
Quais os aspectos primordiais que os profissionais perito-contador e
assistente técnico devem empreender durante a execução dos trabalhos
periciais? Quais os principais métodos, os procedimentos e as tecnologias
utilizadas? No que consiste a prova pericial? Como o perito elabora essa prova
de forma adequada e, assim, apta a consubstanciar a decisão judicial do
magistrado?
Bem, essas e outras questões devem ser refletidas de antemão.
Contudo, a partir de agora, iremos explorar esses questionamentos. Vamos lá!

TEMA 1 – PROVA PERICIAL: MEIOS E MODALIDADES

1.1 Meios de prova

Alunos, iremos tratar neste primeiro tópico dos meios de provas. Mas
para isso, vamos relembrar, em um sentido mais amplo, em que ela consiste,
pois o conceito aqui tratado inclui todas, não apenas a pericial.
Remo Dalla Zanna (2007, p. 57) assevera que “a prova tem como
objetivo formar juízo a respeito de algum fato”. Nesse sentido, a prova é o
elemento que convencerá o magistrado sobre a certeza de um fato ou da
qualidade de algo e, portanto, auxiliará em seu processo de julgamento.
Segundo Martinho Ornelas (2000), as provas são meios utilizados em
um processo judicial para o convencimento do magistrado quanto ao fato
investigado. No direito, o Código de Processo Civil (CPC) estabelece os
possíveis meios de prova: “Todos os meios legais, bem como os moralmente
legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a
verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa”.
De acordo com Ornelas (2000), o art. 136 do Código Civil estabelece os
seguintes meios de prova:

 Confissão;
 Atos processados em juízo;
 Documentos públicos e particulares, tais como certidões, escrituras
públicas, escritos particulares, atestados, correspondências (cartas, e-
3
mails, bilhetes etc.), livros contábeis e fiscais, folha de pagamento, notas
fiscais etc.;
 Testemunhas;
 Presunções;
 Exames e vistorias;
 Arbitramento.

Mas o que são os meios de prova? E onde está situada a perícia


contábil dentro desse aspecto?
Como estabelecido pela legislação brasileira, os meios de prova são
todos os legais e moralmente legítimos que possam comprovar a verdade do
fato investigado.
A perícia contábil, portanto, é um meio de prova, uma vez que o trabalho
executado pelo perito permite ao magistrado o esclarecimento de um fato
controverso com o objetivo de encontrar a verdade.
Como apontado por Zanna (2007), o CPC ainda estabelece em seu art.
421 que quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou
científico, o juiz será assistido por perito.
Dessa maneira, de acordo com o exposto pela lei processual, temos a
perícia contábil como um meio de prova válido juridicamente, haja vista o perito
contábil ser o único profissional apto técnica e cientificamente para tratar de
objetos patrimoniais.
Complementarmente, Zanna (2007, p. 60) afirma que “as provas
periciais como um todo, para serem merecedoras de credibilidade e ter seu
valor probante reconhecido pelo magistrado, devem ser elaboradas por
profissional efetivamente preparado técnica, psicológica e moralmente para o
cumprimento do cargo”.
Por fim, em relação ao meio de prova pericial, consoante Ornelas
(2000), os arts. 420 a 439 dão os devidos direcionamentos a respeito.
Ademais, salientamos que, conforme assertiva de Antônio Lopes de Sá
(2010), a perícia é prova e deve se alimentar de evidências essenciais,
efetivas, inequívocas e formalmente sustentáveis.

4
1.2 Modalidades da prova pericial

Bom, agora que compreendemos o conceito de prova lato sensu,


perguntamos: e em relação às modalidades da prova pericial?
Alunos, as provas produzidas com a interveniência de um profissional
perito são conhecidas como provas periciais, de acordo com o Código de
Processo Civil (CPC). Elas podem ser de quatro tipos: (a) exame; (b) vistoria;
(c) arbitramento; (d) avaliação.
Veremos agora a especificidade de cada uma dessas modalidades, haja
vista a necessidade de sabermos quais são os diferentes tipos de provas na
qual o perito contábil irá se debruçar.

a. Exame: envolve a inspeção de pessoas ou de coisa com o objetivo de


verificar determinados fatos relacionados com o objeto da lide. Como
exemplos, podemos citar os livros contábeis e fiscais, documentos,
contratos, a verificação de cálculos e os demais atos praticados por
pessoa jurídica ou física envolvidas no processo, de acordo com Ornelas
(2000) e Zanna (2007).
b. Vistoria: diz respeito ao desenvolvimento de um trabalho in loco para
constatar o estado ou a situação de um determinado objeto. Na área
contábil, podemos citar a vistoria em imóveis, em máquinas, em
equipamentos, bem como em estoques de mercadoria, conforme as
lições de Ornelas (2000) e de Zanna (2007).
c. Arbitramento: é a fixação de valor em moeda para as coisas, os direitos
e as obrigações, havendo ausência de contabilidade idônea. Essa
fixação é feita com base em critérios não contábeis. Por exemplo, uma
pesquisa de preços, considerando os aspectos qualitativos e
quantitativos do objeto analisado, mais uma vez de acordo com a
hermenêutica de Ornelas (2000) e de Zanna (2007).
d. Avaliação: prática cuja finalidade é a fixação de valor. Normalmente é
definida desse modo quando feita em inventário, em partilhas ou em
processos administrativos, bem como nas execuções para estimação de
valores a partilhar ou em penhora, como bem lembrado por Ornelas
(2000) e por Zanna (2007).

Alunos, vale informá-los que o tipo de prova pericial contábil mais


comum é o exame, uma vez que a área contábil é permeada por diversos
5
documentos comprobatórios de suas escriturações. Em relação à vistoria,
raramente é solicitada a um contador, sendo mais comum a indicação a um
engenheiro ou a solicitação de uma perícia interprofissional, como vimos nas
aulas anteriores. Em relação ao arbitramento e à avaliação, o perito deve estar
atento aos critérios escolhidos para fixar valor, que deve ser apontado de
maneira imparcial e fundamentado de maneira adequada.

TEMA 2 – ERROS, FRAUDE E CORRUPÇÃO

Estudaremos neste segundo tema a diferença entre erros, fraudes e


corrupção. Além das diferenças, é fundamental compreendermos como tais
elementos afetam a atividade pericial. Portanto, caros alunos, muita atenção!

2.1 Erros

O erro é um elemento muito comum e de fácil identificação. Deve,


portanto, ser diferenciado da fraude, normalmente intencional e difícil de ser
encontrada, conforme aponta Wilson Zappa Hoog (2010).
Sá (2010) assevera que o erro na área contábil é um vício involuntário,
tanto de escrituração quanto de demonstrações contábeis. Por exemplo,
existem erros de inversões de números, de repetição de registros, de
transposição de saldos de contas, de classificação de contas, de somas, de
omissão de registros etc.
Sá (2010) afirma que, detectado o erro, é preciso compreender a sua
origem. Segundo Hoog (2010), o erro nasce por meio dos seguintes elementos:

 Negligência: quando não é aplicado um procedimento prescrito na lei


ou inobservada uma ordem superior. Por exemplo, quando um
funcionário responsável pela escrituração contábil não cumpre a ordem
de escriturar uma máquina adquirida como ativo imobilizado.
 Imperícia: é a incapacidade para o desempenho da tarefa. Nesse caso,
pode acontecer quando um determinado funcionário é alocado para a
função de elaboração e de divulgação das demonstrações contábeis. No
entanto, ele nunca esteve em tal função e, também, não obteve
treinamento adequado.
 Imprudência: é a ausência de cautela ou de precaução. Ela pode ser
observada quando um funcionário da área fiscal não cumpre um

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procedimento cotidiano: João, por exemplo, deve receber as
mercadorias na área de expedição e conferir as quantidades, os valores
e as alíquotas presentes na nota fiscal. Em um determinado momento,
João acredita que as alíquotas sempre estão corretas, já que nunca
encontrou erros nesse sentido. A partir de então, passa a não olhar mais
para as de impostos destacadas nas notas fiscais. Assim, haverá
imprudência, além de erros contábeis que consequentemente poderão
surgir do fato em tela.
 Desídia: preguiça, indolência e inércia. Vejamos um exemplo: quando
um profissional da área contábil não efetua conferências, conciliações de
contas contábeis, bem como outros procedimentos correlatos por
acreditar que demanda muito tempo ou que é uma atividade “chata”. A
desídia é considerada um tipo de erro e sujeita a sanções disciplinares.

Assim, ao detectar o erro, o perito deve relatar e advertir sobre as suas


consequências. Segunda Sá (2010), caso os erros não sejam relevantes para a
formação de sua opinião, o perito poderá omiti-los.

2.2 Fraudes

Estudantes, em relação à fraude, podemos afirmar que ela é


inteiramente proposital, ou seja, é premeditada e visa o proveito em causa
própria ou de terceiros. Um crime doloso, portanto.
Nesses casos, conforme Hoog (2010), o criminoso tentará esconder a
fraude, fato que gera mais trabalho, astúcia, faro e, principalmente, total
domínio da matéria por parte do perito para identificá-la.
Sá (2010) assevera que muitas perícias são solicitadas para a
localização e a identificação de fraudes. Nesses casos, o perito deve ter muita
cautela para detectá-la. Por qual razão?
Ora, é muito comum que os fraudadores tentem ludibriar o perito e
maquiar os fatos investigados com o intuito de encobrir o ato praticado. Esses
sujeitos de má-fé comumente estão dentro das organizações, e, não
raramente, o perito muitas vezes está em contato direto com eles.
Leitores, explicitaremos agora alguns casos de fraude com quais o perito
pode se defrontar. Por exemplo, uma falência pode ser preparada por meio de

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simulações, em que há o desvio de ativos e o proposital aumento dos passivos,
com claro desiderato de prejudicar credores e herdeiros.
Outro exemplo: para cobrir saldos de caixa que foram retirados pelo
fraudador, este pode emitir um cheque pré-datado de terceiro (falso) ou mesmo
alegar que o numerário foi entregue a funcionário para que fizesse o
pagamento.
Ademais, o acúmulo de cargos e de funções com autoridade (isto é, de
chefia, gerência etc.) é uma situação que facilita tal prática dolosa. Existe ainda
o conluio, ou seja, pessoas de setores diferentes que se envolvem para
cometer esse tipo penal.
As fraudes mais frequentes são encontradas no ativo circulante, como
caixa, banco, estoques e recebíveis.
Por fim, caros alunos, é importante mais uma vez ressaltar: o criminoso
sempre procurará esconder a fraude, que — ao contrário do erro — é de difícil
identificação, razão pela qual requer muito preparo e astúcia do profissional
para reconhecê-la.

2.3 Corrupção

Corrupção, como o próprio nome sugere, é o ato ou o efeito de


corromper. Toda forma de aliciamento para atos dolosos — como é o caso do
conluio, que, em momento oportuno, tratamos no aspecto da fraude — é
considerado um ato de corrupção.
Sá (2010) nos ensina que a fraude é o veículo da corrupção, ou seja, é o
meio pelo qual o corrupto irá agir em benefício próprio ou de terceiros.
Segundo Hoog (2010), na corrupção há duas figuras:

1. A figura do corruptor, que é aquele que corrompe, que suborna ou que


pleiteia;
2. A figura do corrupto, que é aquele que se deixa corromper, ou seja, que
sofreu corrupção.

Caro aluno, vale lembrar que não existe corrupção sem a presença do
corruptor e do corrupto. A corrupção, portanto, é um ato que sempre envolve
mais de um sujeito.
Uma forma bastante conhecida dessa infeliz prática é a realizada por
funcionário público com o intuito de facilitar contrabando. Outro caso deveras

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comum é o tráfico de influências, no qual um indivíduo usa seu poder para
exigir, cobrar ou obter, para si ou para outros, vantagem ou promessa de
vantagem. No âmbito empresarial é comum a corrupção de um preposto do
concorrente, como é o caso da violação de segredo de fábrica ou de negócio,
ou o crime de concorrência desleal, tipificado no art. 195 da Lei n. 9.279, de 14
de maio de 1996.

TEMA 3 – LAUDO PERICIAL

Discorreremos agora sobre o instrumento elaborado pelo perito que


concebe, que erige a prova pericial: o laudo pericial. É ele que esclarecerá o
fato controverso, investigado pelo perito, de interesse do magistrado. Assim, é
de fundamental importância que os nossos alunos aprendam os aspectos
primordiais, os procedimentos para elaboração, os prazos para entrega do
laudo pericial e os tipos de laudos com os quais podemos nos defrontar. Mãos
à obra!

3.1 Aspectos iniciais

Alunos, podemos definir o laudo pericial, com base em Hoog (2010),


como uma peça escrita objetiva, clara, precisa e concisa. Esse documento,
elaborado pelo perito contador, é entregue ao juiz como meio de prova pericial.
O laudo pericial deve conter a observação, o julgamento e a conclusão
sobre os fatos patrimoniais, devidamente circunstanciados, como bem
explanado por Sá (2010). Segundo Zanna (2007), a missão de tal instrumento
é dirimir os pontos de discórdia que são o objeto da ação judicial ou do
impasse extrajudicial.
Sá (2010) define o laudo como um pronunciamento ou uma
manifestação de um especialista, tendo como base os conhecimentos do
profissional perito sobre o fato patrimonial. Ou seja: o que o perito entende
sobre questões submetidas à sua apreciação técnica.
O laudo pericial contábil prova algo a respeito de pontos controversos
relativos ao comércio, à indústria e à prestação de serviços. Zanna (2007)
acrescenta outras questões elucidadas pelo laudo: matérias tributárias, fiscais,
previdenciárias e trabalhistas – sempre quando relacionadas a divergências

9
sobre finanças e economia empresarial, tais como avaliações patrimoniais e
prestação de contas.
Caros alunos, vejamos um exemplo apresentado por Sá (2010, p. 42):

Em um processo judicial, um advogado precisa argumentar sobre o


valor de quotas da sociedade da qual seu cliente saiu; o sócio
egresso entende que foi prejudicado e, inconformado, entrou na
Justiça para discutir. O advogado sabe que pela lei o sócio tem direito
a receber o valor de suas quotas na forma que o contrato estabelecia,
mas não tem conhecimento contábeis suficientes para atestar isto; o
Juiz, por sua vez, sendo também advogado, não dispõe de
conhecimento especializado para julgar. Requer-se, então, a um
perito contador sua opinião.

Portanto, notamos que o laudo pericial irá apresentar a prova necessária


para que o magistrado fundamente a sua decisão sobre o fato controverso na
lide. Iremos aprender na próxima seção os requisitos necessários para que
esse documento tenha legitimidade e que suas informações sejam fidedignas
perante o órgão judicial.

3.2 Requisitos

Caros leitores, quais são as qualidades de um bom laudo?


Segundo Sá (2010), devemos considerar seis aspectos primordiais: a
objetividade; o rigor tecnológico; a concisão; a argumentação; a exatidão; a
clareza.
Amparados por Sá (2010), falaremos de forma sucinta sobre cada um
desses elementos.

1. A objetividade: é a exclusão do julgamento em bases “pessoais”, ou


seja, de forma subjetiva. Isso significa que o perito deve responder às
questões levantadas no processo judicial com “realidade” e dentro dos
parâmetros da contabilidade. Não deve emitir opiniões vagas e
imprecisas sobre a matéria objeto da perícia.
2. Rigor tecnológico: o laudo deve limitar-se ao que é científico dentro do
campo de sua especialidade. Assim, deve o perito se basear nas
doutrinas, nas normas e nos procedimentos contábeis para emitir sua
opinião sobre o fato da lide.
3. Concisão: deve evitar ser prolixo, isto é, fugir da utilização de palavras e
de argumentos que não tenham contribuição para a matéria discutida no

10
processo. A escrita do perito deve se ater ao assunto de forma objetiva,
de modo que o laudo oriente o magistrado sobre os fatos analisados.
4. Argumentação: a opinião do perito sobre os fatos controversos deve se
basear em um raciocínio lógico e/ou em documentos comprobatórios.
Assim, deve estar claro para o magistrado o motivo pelo qual o
profissional concluiu o que está no laudo. O argumento é o elemento
responsável para dar validade e legitimidade ao que é afirmado no
documento técnico.
5. Exatidão: condição essencial de um laudo. A exatidão é o elemento que
garante a veracidade do que está apresentado na prova pericial. Assim,
o perito não deve “supor”, mas só afirmar se tiver absoluta certeza sobre
o que opina.
6. Clareza: o laudo é um documento elaborado para a leitura de terceiros
que não são especialistas em matéria contábil e que não possuem,
portanto, a obrigação de compreender os termos técnicos. A clareza
envolve também aspectos da escrita da língua portuguesa, devendo não
usar frases duvidosas e de sentido ambíguo, conforme leciona Sá
(2010).

3.3 Procedimentos

Alunos, os procedimentos relativos à elaboração do laudo pericial são de


exclusiva reponsabilidade do perito contador. Esse profissional deve expor o
mencionado instrumento de acordo com os requisitos estudados no tópico
anterior. Vejamos os aspectos que devem ser expostos pelo profissional perito
contador:

 A síntese do objeto da perícia;


 Os critérios por ele adotados;
 Suas conclusões;
 Se houver quesitos, devem ser respondidos. Primeiro, os elaborados
pelo magistrado; depois, elucidam-se os quesitos levantados pelas
partes.

Dessa maneira, o laudo pericial conterá duas partes: a primeira é neutra


e imparcial, visa dar um panorama geral sobre o processo judicial, sobre o
objeto a ser investigado pelo perito e sobre outros aspectos importantes para

11
compreender o processo. A segunda parte é a conclusiva. Deve conter a
opinião do perito em relação ao objeto analisado de forma clara, para que o
magistrado possa utilizar essa prova pericial para o seu convencimento.

3.4 Prazo

O prazo para a entrega do laudo pericial geralmente é fixado pelo juiz,


de acordo com a complexidade da matéria presente na lide. O magistrado
informará o prazo assim que nomear um perito para a função.
Se o magistrado não o fixar, deverá o perito informar – no momento da
proposta de honorários – o prazo estimado para finalizar os trabalhos. Caberá
ao juiz aceitar ou não.
Importante: o perito tem a obrigação de cumprir o prazo estipulado,
segundo art. 140 do CPC, como bem lembra e adverte Hoog (2010).

3.5 Estrutura formal do laudo pericial

Neste último tópico sobre o laudo pericial, estudaremos sua estrutura


formal, de modo a complementar os procedimentos para a elaboração do
referido instrumento.
Zanna (2007) propõe uma estrutura formal para exames, vistorias,
indagações e investigações contábeis, dividida em quatro partes:

1. Das considerações preliminares:


a. Aspectos gerais dos autos;
b. Diligências;
c. Procedimentos técnicos adotados;
d. Responsabilidade profissional.
2. Dos quesitos:
a. Do magistrado;
b. Do autor;
c. Do réu.
3. Das considerações finais;
4. Do encerramento:
a. Anexos;
b. Documentos.

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Caros alunos, para consulta e mais detalhamentos sobre a estrutura
formal do laudo pericial, vocês podem consultar os seguintes modelos: Hoog
(2010, p. 222) e Zanna (2007, p. 222).

TEMA 4 – PARECER TÉCNICO

Estudantes, estudaremos agora a peça denominada parecer técnico ou


parecer pericial.
Segundo Hoog (2010), o parecer técnico é o documento elaborado pelo
assistente técnico, cujo escopo é dar opinião sobre o laudo feito pelo perito
nomeado anteriormente pelo magistrado.
Atenção, alunos: não confundam. O perito é escolhido pelo juiz para
elaborar um laudo pericial, o assistente técnico é facultativamente contratado
pelas partes para que acompanhe e avalie a atividade do perito, bem como o
laudo pericial.
Assim, cabe ao perito elaborar o laudo pericial. Já ao assistente pericial,
o parecer técnico (também chamado de parecer pericial).
As regras para a elaboração do parecer técnico se assemelham às
técnicas do laudo pericial. Assim, é nesse documento que o assistente técnico
contratado pelas partes irá revelar os resultados de seu trabalho pericial.
O parecer técnico serve como um instrumento para a parte que o
contratou. Contudo, alunos, vamos sempre ter em mente que o documento
pericial é uma opinião técnica-científica. Nele estão incluídos apenas aspectos
técnicos contábeis relativos à matéria da lide – o que significa dizer que a
defesa da parte fica sob responsabilidade do advogado.
Portanto, como já vimos nas aulas anteriores, é fundamental que o
trabalho do assistente técnico seja pautado pela liberdade, imparcialidade e
independência em relação à parte que o contratou, segundo Hoog (2010).
A estrutura formal do parecer técnico pode conter as seguintes etapas,
conforme proposto por Ornelas (2000):

1. Das Considerações Preliminares


2. Dos Comentários Técnicos ao Laudo Pericial Contábil
3. Do Parecer Pericial Contábil
4. Do Encerramento
5. Anexos

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6. Documentos

A primeira parte, denominada Considerações Preliminares, contém o


resumo do laudo pericial. Assim, visa apresentar, de forma sintética, toda a
matéria técnica existente no laudo oferecido pelo perito contador nomeado pelo
magistrado. Dessa maneira, trará os aspectos primordiais referentes à prova
pericial do processo jurídico envolvido.
A segunda versa sobre o trabalho do assistente técnico e é denominada
Comentários Técnicos ao Laudo Pericial Contábil. Nesse bloco, o perito
assistente (assistente técnico) irá desenvolver toda a sua criatividade técnica
no sentido de realçar os aspectos do laudo oficial favoráveis às razões técnicas
do seu cliente. Buscará também destacar eventuais interpretações errôneas ou
distorcidas contidas no laudo pericial contábil.
A terceira parte, de acordo com Ornelas (2000), é composta pelo
Parecer Pericial Contábil, na qual o assistente técnico oferece sua opinião
técnica favorável, desfavorável ou parcialmente favorável a respeito do laudo
pericial contábil submetido às suas análises. E, por fim, o parecer conterá
Encerramento, Anexos e Documentos.
Caro aluno, estamos encerrando o quarto tópico da nossa terceira aula.
Vamos recapitular: o laudo pericial é a prova pericial que constará no processo
judicial e, portanto, auxiliará a decisão do magistrado.
O parecer técnico, por sua vez, é a peça construída pelo assistente
técnico, na qual este visa dar uma opinião sobre a prova pericial produzida.
Além disso, objetiva realçar os aspectos técnicos importantes para a parte que
o contratou, bem como apontar os possíveis erros presentes no laudo pericial.

TEMA 5 – METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS TECNOLÓGICOS

Caros alunos, estamos adentrando o último tema da nossa terceira aula.


Após estudarmos a prova pericial, os erros, as fraudes, a corrupção, bem como
as peças técnicas produzidas pelos profissionais (laudo pericial, pelo perito, e
parecer técnico, pelo assistente), falaremos agora sobre os meios operantes
para a sustentação das peças técnicas, em especial o laudo pericial.
Hoog (2010) propõe as seguintes etapas que irão culminar no laudo
pericial:

1. Nomeação do perito pelo magistrado;

14
2. Informação do perito quanto à existência de impedimentos ou à
concordância em realizar a perícia;
3. Proposta dos honorários e do prazo de execução das atividades,
elaborado pelo perito, caso o juiz não estabeleça data para conclusão;
4. Após apreciação do juiz, depósito dos honorários;
5. Comunicação do início dos trabalhos periciais aos assistentes e às
partes envolvidas no processo;
6. Início das diligências;
7. Elaboração da prova pericial (laudo pericial).

Caros alunos, no decorrer deste curso discorreremos sobre os aspectos


relacionados ao planejamento da atividade pericial e ao processo das
diligências. Assim, nesse contexto, o objetivo é que vocês compreendam o
processo pericial como um todo, da nomeação do perito à elaboração da prova
pericial.
Para finalizarmos esta etapa de metodologias e de procedimentos
tecnológicos, veremos algumas dicas importantes para a prática pericial.
Primeiramente, é fundamental que não esqueçamos que o registro
contábil não constitui elemento comprobatório por si só. Alunos, é fundamental
que o contador se apoie em documentos contábeis que comprovem o fato ou o
ato contábil em que teve origem a escrituração contábil. Podem ser utilizados
como documentos: relatórios internos para cálculo de equivalência patrimonial,
provisão para férias e décimo terceiro, recibos, notas fiscais, conhecimento de
fretes, contratos, entre outros.
Com base nas lições de Hoog (2010), observaremos oito importantes
pontos:

1. Na falta de elementos contábeis de comprovação, opta-se por pesquisa


extracontábil. Estudantes, as normas internacionais de contabilidade
indicam que a essência deve se sobrepor à forma. Dessa maneira, a
ausência de documentos contábeis adequados para a escrituração deve
ser complementada por aspectos extracontábeis que expliquem o evento
econômico que se pretende registrar. Exemplos: fluxo interno de
informações, registro de imóveis, cartórios e repartições públicas.
2. Importância da verificação física: sempre que for possível, aconselha-se
o profissional perito a vistoriar a matéria da lide. Como exemplos, a

15
contagem de estoques e a verificação das condições de máquinas e
equipamentos;
3. Técnica da circularização: é comumente utilizada na área de auditoria,
pois consiste na prática de confirmação de saldos e de registros
contábeis com terceiros. Alunos, vocês, na função de peritos, poderão
tanto confirmar diretamente com os devedores um registro de contas a
receber quanto diretamente com os credores um registro de contas a
pagar.
4. A prova obtida externamente tem maior validade que a prova obtida
internamente. Assim, informações obtidas fora das organizações objeto
da perícia tendem a ser mais fidedignas, razão pela qual vislumbramos a
importância da técnica de circularização, comentada no tópico anterior;
5. As provas obtidas internamente podem ser utilizadas como documento
que embasará a opinião do perito. Contudo, devem ser coletadas e
analisadas com extremo rigor para que seja confiável a conclusão
pericial.
6. Revisão do sistema contábil: é dever do perito ter certeza em relação à
veracidade dos dados que ele utilizará, que serão provenientes dos
sistemas contábeis da empresa objeto do processo judicial.
7. O perito deve ser cuidadoso, zeloso e imparcial na elaboração do laudo
pericial.
8. E, por fim, sempre que possível o perito deve usar métodos aceitos e
consagrados para a investigação pericial. Por exemplo: o método
comparativo, o método dedutivo, o método dialético, o método indutivo
axiomático, o método do raciocínio contábil, o método sistêmico, o
método da contabilidade comparada, entre outros.

TROCANDO IDEIAS

Caros alunos, nesta terceira aula do nosso curso sobre perícia contábil
aprendemos os principais procedimentos e métodos do profissional perito tanto
para a produção do laudo pericial quanto para o parecer técnico. Para isso,
investigamos os conceitos de prova pericial, bem como os erros, as fraudes e
as práticas de corrupções.
A seguir, na atividade de fórum, você deverá refletir e expor a sua
opinião sobre a seguinte questão: um profissional perito finalizou seu laudo
16
pericial contábil. Os procedimentos adotados foram os seguintes: verificação
dos sistemas contábeis, de modo que o perito considerou verossímeis os
registros contábeis efetuados, sem questionar a validade do que constava no
sistema e, tampouco, sem verificar os documentos comprobatórios. Além disso,
o profissional utilizou-se da técnica de circularização e do método indutivo para
as análises periciais.
Dentro desse cenário, quais pontos de fragilidade o perito assistente
deve indicar em seu parecer técnico?

NA PRÁTICA

Vamos agora para uma atividade prática. Alunos, coloquem os conceitos


aprendidos nesta aula como base para resolução de um problema pericial.
Nesta atividade você deverá refletir e aplicar os conhecimentos adquiridos
sobre os erros, as fraudes e as corrupções. O objetivo da atividade é analisar
cada uma das assertivas e classificá-las como erro (E) ou fraude (F).

( ) Compras com notas frias (existe a nota, porém não a mercadoria ou


serviço).
( ) Guias de tributos falsificadas (documentos com autenticação irregular e
simulação de pagamento de impostos).
( ) Pagamentos a funcionários não existentes;
( ) Compras com notas calçadas (o preço constante da nota fiscal – primeira
via entregue na empresa – é superior ao efetivamente pago, isto é,
superior às demais guias do bloco de nota fiscal do fornecedor).
( ) Pagamento em duplicidade da mesma nota fiscal.
( ) Descontos hipoteticamente concedidos ao cliente (o cliente paga o valor
total da duplicata, mas o caixa registra um desconto fictício).
( ) Juros, correções monetárias ou multa por simulação de pagamento
atrasado.
( ) Registro de saída de caixa sem documentação formal.
( ) Omissão de receitas (vendas sem nota fiscal).
( ) Baixa de bens do ativo imobilizado como sucata (quando foram vendidas
por valor de mercado).

17
FINALIZANDO

Queridos alunos, agora sim estamos finalizando nossa terceira aula do


curso de perícia contábil. Este encontro nos ajudou a compreender como é a
operacionalização da atividade de perícia contábil, ou seja, como o profissional
perito trabalha em seu dia a dia, e quais são os procedimentos utilizados para a
elaboração da prova pericial (laudo pericial), principal produto da prática
pericial.
Os dois primeiros temas desta aula nos introduziram a dois aspectos
relevantes quando falamos do laudo pericial: a compreensão dos meios e das
modalidades de prova, bem como os erros, as fraudes e as corrupções
presentes no universo contábil. O primeiro tema definiu o que são os meios de
prova e, em especial, tratou-se do meio de prova pericial. Já o segundo
abordou as diferenças entre os erros, as fraudes e a corrupção no ambiente
empresarial, definindo, comentando e exemplificando tais termos na área
contábil.
Em seguida foram apresentadas, no terceiro e no quarto tema, as peças
periciais: laudo pericial e parecer técnico. Discorremos sobre todos os atributos
do laudo pericial e sobre as responsabilidades do perito contador nomeado
pelo juiz. Além disso, foi exposto o parecer técnico, documento elaborado pelo
perito assistente com o intuito de confirmar (ou não) a veracidade do laudo
técnico. E, por fim, no último tema desta aula discorremos sobre as
metodologias e os procedimentos técnicos utilizados durante o processo
pericial.
Esperamos que vocês tenham compreendido – por meio dos textos,
vídeos e exemplos – os principais procedimentos exigidos ao profissional
pericial para elaboração das peças ora estudadas.

18
REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei n. 9.279, de 14 de maio de 1996. Diário Oficial da União, Poder


Legislativo, Brasília, DF, 14 mai. 1996.

HOOG, W. A. Z. Prova pericial contábil: teoria e prática. 8. ed. Curitiba:


Juruá, 2010.

ORNELAS, M. M. G. Perícia contábil. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

SÁ, A. L. Perícia contábil. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

ZANNA, R. D. Prática de perícia contábil. 2. ed. São Paulo: IOB Thomson,


2007.

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PERÍCIA E ARBITRAGEM
CONTÁBIL
AULA 4

Profa Tassiani Aparecida dos Santos


CONVERSA INICIAL

Olá! Vamos iniciar a nossa quarta aula da disciplina de Perícia e


Arbitragem Contábil, cujo objetivo é introduzi-lo aos aspectos principais do
planejamento do trabalho pericial. Como vimos nas aulas anteriores, há muitas
normas e regras que devem ser seguidas pelo profissional perito, portanto o
planejamento dos trabalhos periciais é de suma importância e nenhum aspecto
deve ser esquecido.
Outro ponto que torna o planejamento ainda mais relevante: os prazos a
que o perito deve se atentar ao exercer a sua função. Esta quarta aula do curso
oferecerá justamente subsídios para que vocês compreendam quais elementos
devem ser observados na execução do planejamento pericial.
Inicialmente, compreenderemos o que são os quesitos e qual a sua
função na atividade pericial. Em seguida, versaremos sobre os riscos presentes
na atividade pericial e, consequentemente, a importância de considerar tais
elementos na etapa de planejamento. Após, discorreremos sobre a segunda
perícia e a inspeção judicial, especificando quando esses casos podem ocorrer
e quais são os motivos associados. Explicitaremos também o plano de trabalho
em perícia contábil. Por fim, abordaremos as diligências. São muitos assuntos,
então, mãos à obra!

CONTEXTUALIZANDO

Esta quarta aula versará sobre o planejamento da atividade pericial. Na


prática de sua atividade profissional, o perito se vê cercado de normas, regras
e diretrizes que devem ser seguidas no decorrer de seu cotidiano profissional.
Esses procedimentos requerem muito planejamento para que todas as
demandas técnicas e legais sejam atendidas no prazo estabelecido.
Como o profissional perito-contador ou assistente técnico deve efetuar o
planejamento de suas atividades? Quais são os principais elementos que
deverão ser considerados? Existem riscos que devem ser observados
atentamente durante o processo de planejamento? E como o trabalho de
campo deve ser efetuado para que todos aspectos do fato controverso sejam
analisados na formulação da prova?
Bem, essas e outras questões devem ser refletidas de antemão,
contudo, a partir de agora, iremos explorar esses questionamentos. Vamos lá!

2
TEMA 1 – QUESITOS

Neste tema, trataremos dos quesitos. Mas o que são eles? Por que são
tão importantes?
Os quesitos são as perguntas ou questionamentos de natureza técnica-
científica formulados pelo magistrado e/ou pelas partes para orientar a
investigação pericial. Devem ser formulados antes das diligências, etapa na
qual o perito inicia seus trabalhos de campo, como bem leciona Martinho
Ornelas (2000).
Para Wilson Zappa Hoog (2010), a questão e a profundidade das
perguntas podem ficar limitadas ao ponto controvertido fixado em audiência
pelo juiz. Porém, serão ilimitadas caso o magistrado não restringir o objeto
probante.
Assim, caros alunos, podemos ver a importância dos quesitos, uma vez
que eles irão direcionar os esforços do trabalho pericial.
Ao serem elaborados, os quesitos devem ser apreciados pelo
magistrado para que sejam evitadas questões impertinentes, fora do âmbito da
lide proposta, assim como questionamentos que apontem para diligências
desnecessárias ou procrastinatórias. Nesse sentido, segundo Ornelas (2000),
podemos ter dois tipos de quesitos: os pertinentes e os impertinentes.
Os quesitos pertinentes têm por objetivo esclarecer as questões
originárias das bases técnico-científicas na área contábil. Por outro lado, de
acordo com Ornelas (2000), os quesitos impertinentes são indagações de
aspectos não relacionados ao objeto da lide proposta, além das que buscam
opinião fora da competência legal do profissional.
Caros leitores, os quesitos são elaborados pelo magistrado e pelas
partes. No que concerne às partes, é salutar considerar que elas são figuras
parciais no processo, pois defendem sua causa, razão pela qual é natural que
levantem quesitos no sentido de ver produzida prova contábil que dê suporte
aos fatos por elas relatados. Portanto, consoante Ornelas (2000), os
advogados das partes, que formularão os quesitos, não raramente elaboram
questões que denominamos anteriormente de impertinentes.
Além disso, outros pontos devem ser observados pelos peritos em
relação aos quesitos: tomar cuidado com questões cujo conteúdo envolva
matéria de direito, bem como oferecer resposta adequada e correta. Em

3
relação ao primeiro aspecto, nem sempre é tão fácil compreender o que está
sendo indagado, pois o advogado pode redigir texto com a intenção de torná-lo
dúbio. Em relação ao segundo ponto, o perito deve observar o que é
formulado, de modo a atender às questões técnicas propostas, como bem
pontuou Ornelas (2000).
Independentemente do tipo de quesito proposto ao perito, todos deverão
ser respondidos. Isso significa dizer que os impertinentes ou que os visam
atrapalhar o trabalho pericial deverão ser respondidos? Sim.
Embora a resposta seja formal, em caso de quesitos impertinentes não
teremos diligências para respondê-los.
De acordo com Hoog (2010), vamos verificar qual a maneira mais
adequada para que o perito inclua no laudo pericial a resposta aos quesitos
impertinentes:

 Quesito 1: A taxa de juros legal no Brasil é de 12% ao ano?


Resposta: Quesito impertinente à questão do serventuário. Declino a
resposta por ser uma questão de mérito.
 Quesito 2: A saúde mental do réu é boa? Ou ele é tido como louco?
Resposta: Quesito estranho à matéria contábil, deve ser respondido por
um perito da área médica.
 Quesito 3: A autora praticou todos os atos de forma legal? Obedeceu a
todos os procedimentos definidos em lei quando executou o
embargante?
Resposta: A matéria é alheia à função do perito, que considera tal
quesito uma questão de mérito e não de matéria tecnológico-científica.
Portanto, deixa de responder, pois, se o fizer estará interferindo na
função ilustre do condutor judicial.

De maneira geral, os quesitos principais são apresentados e deferidos


pelo magistrado antes da proposta de honorários, pois o valor determinará a
extensão do trabalho pericial. Contudo, após esse processo inicial, podem
surgir os quesitos suplementares e, ainda, os pedidos de esclarecimento em
audiência.
Os quesitos suplementares podem surgir durante a fase de diligências
decorrentes de fatos desconhecidos ou não tratados durante o processo
judicial. Nesse sentido, é fundamental o acompanhamento do assistente

4
técnico, profissional indicado pelas partes para o acompanhamento das
diligências, pois ele indicará ao seu cliente a presença de fato relevante para o
processo judicial e, assim, deverá ser investigado. Portanto, os advogados
poderão elaborar quesitos suplementares no intuito de produzir prova contábil
favorável.
Conforme lições de Ornelas (2000) e de Hoog (2010), existe também os
pedidos de esclarecimento em audiência. Bom, alunos, essa fase do processo
pericial ocorre após o encerramento do período de diligências e de entrega do
laudo pericial contábil, quando o perito poderá ser chamado para esclarecer
questões referentes ao referido instrumento.
Por fim, amparados pela doutrina de Hoog (2010), discorreremos sobre
as fontes do direito contábil, ou seja, sobre os aspectos nos quais a
contabilidade funda sua disciplina:

 A filosofia: estudo profundo e de amplo aspecto que visa a


compreensão da realidade pela busca da sabedoria pura.
 A doutrina: é a opinião respeitada sobre o objeto científico. É útil quanto
a resolução de conflitos, situações em que haja lacuna nas normas
jurídicas positivadas ou quando apresentam antinomia (contradição
entre leis).
 Os axiomas: são verdades absolutas; na área contábil, são as
premissas imediatamente evidenciadas ou admitidas como
universalmente verdadeiras, sem questionamentos.
 As teorias: conjunto de princípios da ciência contábil que tem por objeto
o conhecimento científico, com intuito de explicar os fatos contábeis.
 O teorema: preposição dialética que, para ser admitida ou se tornar
evidente, necessita de demonstração científica.
 Os conceitos: são a representação do sentido e do alcance de um
vocábulo, por meio de suas características gerais, tais como: a ideia e a
significação.

TEMA 2 – RISCOS NA PERÍCIA

Este tema tratará sobre os riscos na perícia. É um tópico fundamental


para o planejamento e para a execução das atividades periciais, visto que o

5
profissional deve se precaver, tentar evitar os riscos que permeiam sua função.
Portanto, conhecer quais são os principais é um primeiro passo para mitigá-los.
Antônio Lopes de Sá (2010, p. 18) assevera que “na perícia, o risco tem
muito mais significado, pois pode levar a uma opinião errônea, produzindo uma
falsa prova, com lesão ao direito de terceiros”. Além disso, o Sá (2010, p.18)
acrescenta que “o perito não pode errar”. Nesse sentido, é fundamental a
compreensão dos principais riscos para planejar o trabalho pericial da melhor
forma, com o escopo de não cometer erros que possam levar a uma falsa
prova pericial contábil.
Assim, de acordo com Sá (2010), temos oito tipos de riscos que devem
ser analisados cuidadosamente pelo profissional perito: tempo atribuído; plano
de trabalho; desempenho exigente; apoio exigente; resguardo de informes;
provas emprestadas; declarações; preço.
Explicaremos um por um, de acordo com as lições de Sá (2010).

1. Tempo atribuído: a tarefa pericial deve ser dimensionada em tempo


hábil para que o perito possa desempenhá-la com rigor e zelo. No
entanto, caso o tempo atribuído seja incompatível com a necessidade de
dedicação à execução, o profissional deverá solicitar um prazo maior,
adequado ao objeto presente na lide. Caso a extensão de prazo
solicitada seja negada, sugere-se recusar a incumbência.
2. Plano de trabalho: o plano de trabalho é uma etapa fundamental para
diminuir os riscos associados à atividade pericial. Para Sá (2010, p. 18),
“o perito deve elaborar um plano amplo e competente para a execução
da perícia e escolher os melhores critérios de desempenho do mesmo”.
3. Desempenho exigente: o desempenho exigente se refere à capacidade
do perito de colocar em prática o plano de trabalho. Isto é, o profissional
deve utilizar sua autoridade para que todos os materiais necessários
para a elaboração da prova pericial lhe sejam oferecidos a tempo.
4. Apoio exigente: o perito deve ter apoio técnico especializado de alto
nível sempre que necessário. Por exemplo, se deparar-se com sistemas
informatizados com muitas entradas sem documentação, o perito
precisará de apoio qualificado para verificar todo o material disponível.
5. Resguardo de informes: as informações recebidas em forma de
depoimentos e de testemunhos devem ser escritas e assinadas pelos

6
responsáveis, como uma forma de resguardo do perito quanto à
informação utilizada.
6. Provas emprestadas: o perito deve, sempre que puder, obter
informações de empresas ou de pessoas externas à entidade objeto de
estudo. Como exemplo, pedidos de confirmação de saldos a
fornecedores e clientes.
7. Declarações: o perito pode solicitar à administração da empresa
documento que declare que os elementos exibidos eram os existentes e
os únicos referentes àquela matéria estudada. Tal atitude também
protege o profissional no que diz respeito a possíveis questionamentos.
8. Preço: refere-se à compatibilidade com a qualidade e a quantidade do
trabalho a ser executado pelo perito.

TEMA 3 – SEGUNDA PERÍCIA E INSPEÇÃO JUDICIAL

Discorreremos agora sobre a segunda perícia. Do que se trata? Em


quais situações ela acontece?
Bom, a segunda perícia é uma repetição da perícia inicial, situação que
pode acontecer graças à anulação da primeira ou, independentemente disso,
tanto por requerimento de uma das partes quanto por iniciativa do magistrado.
A segunda perícia não invalida a primeira e, em muitos casos, valoriza a
equidade do processo pericial, a ampla defesa e o contraditório.
Segundo Hoog (2010), ela pode ser realizada pelo mesmo perito ou por
outro indicado pelo juiz e busca corrigir eventual falha na primeira.
Destaca-se que a impugnação do laudo pericial costuma ser a causa de
uma segunda perícia. Podemos citar alguns fatores relacionados a esta
impugnação: não observação da necessidade de uma equipe de peritos
multidisciplinares; quando a matéria objeto da perícia não for suficientemente
esclarecida; a falta de análise em documentos ou livros contábeis; proibição de
funcionar como perito em decorrência do disposto no art. 279, do Código
Penal; resposta do perito a quesito que envolva mérito; resposta com fórmulas
incorretas; não observação de ditames legais, como, por exemplo, a data para
o início e a ciência das partes; quebra de sigilo; respostas sem fundamentação
tecnológica e científica; quando é omissa a conclusão técnica, entre outros
fatores, conforme lições de Hoog (2010).

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Assim sendo, pode ser que a segunda perícia seja uma decorrência da
anulação da primeira perícia? Claro que sim. Vejamos, segundo Hoog (2010),
em quais situações isso ocorre:

 Quando for comprovado que o perito não tem conhecimento técnico ou


científico sobre o assunto;
 Quando o perito não cumprir o prazo;
 Quando for comprovado que o perito apresentou dados falsos;
 Quando for comprovado que o perito tenha induzido o juízo a erro;
 Quando for comprovado que o perito usou de falsidade ideológica;
 Quando for comprovado que o perito esteja impedido ou suspenso.

Por fim, ainda de acordo com o referido autor (Hoog, 2010), informação
relevante se refere às despesas da segunda perícia.
Quem será o responsável por tais encargos? Alunos, as despesas da
segunda perícia ficarão às expensas das partes, do serventuário ou do
Ministério Público ou do juiz. Enfim, de quem, sem justo motivo, tiver a
solicitado. Porém, em casos que se fizer necessária uma segunda perícia, sem
que ninguém tenha dado causa, ela será inclusa nas custas do processo
judicial (Hoog, 2010).
Em relação à inspeção judicial, é importante apontar o seguinte aspecto:
ela acontece quando o magistrado decide efetuar uma inspeção (arbitramento,
exame, vistoria ou avaliação), acompanhado do perito nomeado para o
processo judicial ou de outro perito, para confirmar atos, fatos ou coisas. Esse
procedimento, assim como a segunda perícia, não está relacionado com a
ineficiência da perícia inicial, sendo recorrentemente um processo de
confirmação, e não de anulação da primeira perícia.

TEMA 4 – PLANO DE TRABALHO EM PERÍCIA CONTÁBIL

Neste tema veremos orientações e explicações sobre elementos


fundamentais do plano de trabalho pericial na área contábil. Em que momento
do processo pericial devo me preocupar com o plano de trabalho? Como
montar um planejamento adequado? Quais etapas deverão ser seguidas?
Antes de respondermos a essas perguntas, vamos entender o que é um
plano de trabalho em perícia contábil. Para Sá (2010, p. 32), o “plano de
trabalho em perícia contábil é a previsão, racionalmente organizada, para a

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execução das tarefas, no sentido de garantir a qualidade dos serviços, pela
redução dos riscos sobre a opinião ou resposta”.
Durante esta aula já vimos quais são os riscos associados à execução
do trabalho pericial. Portanto, considerando esses riscos, deve o perito se
planejar de forma racional e organizada para concluir suas atividades com êxito
e qualidade.
Consoante Sá (2010), esse planejamento das atividades é baseado nos
quesitos propostos. Assim, para montar um planejamento adequado, tão logo o
perito tenha conhecimento do trabalho a ser executado, com base nos quesitos
propostos deverá traçar com antecedência, e de maneira clara, a forma que irá
executar as tarefas, considerando os pontos que deverá tangenciar.
Para o planejamento do trabalho pericial, o profissional deve observar,
de acordo com Sá (2010), o pleno conhecimento da questão (se for judicial,
conhecimento do processo); a compreensão de todos os fatos que motivam a
tarefa; os levantamentos prévios dos recursos disponíveis para exame; o prazo
para a execução das tarefas e da entrega do laudo ou do parecer; a
acessibilidade aos dados (se dependerá do acesso de muitos locais, se haverá
deslocamentos, quais são as burocracias envolvidas etc.) e considerável
conhecimento dos sistemas contábeis adotados. Além disso, o perito deverá
considerar a confiabilidade dos documentos acessados, bem como a natureza
dos apoios, caso necessários.
De acordo com os ensinamentos de Sá (2010), explicaremos cada um
dos pontos levantados.

 Pleno conhecimento da questão: o plano de trabalho será direcionado


pela razão essencial do assunto, ou seja, o motivo pelo qual se faz a
perícia. O perito precisa, necessariamente, conhecer o fato controverso
de natureza contábil discutido. Além disso, precisa dominar as
contradições e os pontos de vista dos dois polos processuais: os
argumentos utilizados pelos advogados, os fatos, os documentos, as
provas etc.
 Pleno conhecimento dos fatos: quando tratamos dos fatos é
importante, já de início, compreendermos a diferença entre eles e as
razões que motivaram a ação (intenção). Os fatos são ocorrências que
não se confundem com as razões que motivaram a perícia. Contudo, é
importante conhecer ambos para planejar. Por exemplo: um sócio entra

9
na justiça contra o outro, reclamando que o ora réu é gerente na
sociedade empresarial, mas não cumpre o contrato social. O sócio autor
da ação acredita que a razão que motivou a ação é o interesse do
gerente em obter maior distribuição de lucro. Porém, os fatos que
circundam a questão podem denunciar que houve um acordo de
quotistas em que o sócio de capital (réu) concordou que as distribuições
só ocorreriam quando o lucro fosse superior a determinado percentual
do patrimônio líquido, corrigido até a época da distribuição.
Assim, notamos que nem sempre as razões são apoiadas pelos fatos. A
questão que motivou a perícia pode ter contra ela eventos que estão
ocorrendo ou ainda não se anexaram ao processo, razão pela qual o
perito deve procurar conhecê-los. Além disso, não raramente os
motivadores da perícia não têm conhecimento sobre toda a extensão
dos fatos que estão em litígio. Portanto, não basta o perito conhecer o
processo, as razões e os fatos reportados. É necessário que se
aprofunde nas eventualidades e nas especificidades que permeiam o
processo judicial.
 Levantamentos prévios dos recursos disponíveis para exame: os
elementos principais que o perito deve examinar são os fatos relativos
aos quesitos. Assim, para se efetuar a perícia é preciso conhecer os
recursos disponíveis, tais como os materiais e os humanos. Todavia,
nem sempre os elementos se encontram à disposição para exame
pericial. Vejamos duas situações hipotéticas: a parte solicita um exame
de custos, mas a empresa não tem escritura contábil nesse sentido: o
que fazer? Se houver requisições que exijam determinados controles, e
a empresa a ser examinada não dispõe deles: como proceder?
Alunos, por essas e por outras é importante sabermos quais os
elementos possíveis de exames. Somente assim o profissional pode se
planejar para o trabalho pericial, considerando fatos ou documentos
disponíveis para exame, bem como recursos necessários.
 Prazo para a execução das tarefas e para a entrega do laudo ou do
parecer: a atividade pericial é delimitada por prazos estipulados pelos
juízes, pelos administradores ou pelas partes relacionadas. No caso de
perícias judiciais, os prazos são fixados por lei, razão pela qual é
fundamental conhecer os quesitos a serem respondidos, os fatos a

10
serem examinados e os recursos disponíveis. Assim, poderá ser
elaborado um cronograma para estimativa do tempo previsto para
realização da perícia. Nos casos em que o tempo estipulado não é
suficiente para os trabalhos periciais, sugere-se solicitar prorrogação ou,
se não for possível, desistir do trabalho pericial.
 Acessibilidade aos dados: para planejar o trabalho pericial é
necessário conhecer a facilidade ou a dificuldade que se pode ter para
chegar até os dados que são objeto de exames, assim como a qualidade
para a leitura e o manuseio dos elementos neles inseridos. Alguns casos
que podem prejudicar o acesso são: localidade distinta e distante do
perito; dados em mau estado de conservação ou em posse de terceiros
que tendem a procrastinar o fornecimento; empresa que possui muitas
filiais e um sistema falho de gestão das informações etc.
 Pleno conhecimento dos sistemas contábeis adotados e
confiabilidade da documentação: em relação aos sistemas contábeis,
é essencial o conhecimento de informática por parte do perito, visto que
atualmente os sistemas contábeis são informatizados. Além disso, é
fundamental que o profissional teste a confiabilidade dos sistemas. Não
sendo confiáveis os sistemas contábeis, é preciso encontrar outras
fontes de dados ou, então, declarar a impossibilidade de obtenção de
elementos que produzam uma opinião verdadeira.
 Natureza de apoios, se necessários: o perito deve dimensionar a
natureza (humana ou material) do apoio de que necessita,
especialmente nos casos em que o trabalho pericial demanda muita
matéria a ser examinada, razão pela qual o perito precisará de apoio de
auxiliares especialistas na matéria examinada.

TEMA 5 – DILIGÊNCIAS

O último tema deste nosso encontro se refere às diligências. Vamos


compreender melhor esse conceito que perpassa toda a atividade pericial.
Zanna (2007, p. 135) assevera que as diligências são “todo e qualquer
ato executado pelo perito oficial e pelos assistentes técnicos, com a finalidade
de juntar provas e argumentos para confeccionar o laudo pericial requerido,
incluindo as atividades que se seguem à confecção do laudo”.

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Complementarmente, Ornelas (2000) diz que as diligências são uma
fase do trabalho pericial, em especial, do trabalho de campo. Nesse trabalho, o
profissional busca os elementos fáticos que permitirão solucionar as questões
contábeis submetidas à sua apreciação técnica.
As diligências podem ser verificadas em três etapas distintas do trabalho
pericial. De acordo com as lições e os exemplos de Zanna (2007): (1) antes da
elaboração do laudo pericial, por exemplo, planejamento do trabalho pericial,
arrecadação de livros de documentos que serão examinados, bem como a
coleta dos demais elementos de prova documental; (2) durante a confecção do
laudo, por exemplo, os cálculos e a elaboração de planilhas, que configurarão o
laudo pericial, obtenção e redação de cópia de documentos originais,
elaboração e revisão do laudo pericial; (3) após a entrega do laudo, por
exemplo, a devolução dos autos do processo para obter a baixa no livro de
cargas de perito, entrega do laudo pericial, entrega de petição requerendo os
honorários periciais, atendimento a eventuais pedidos de esclarecimento e
outras eventuais diligências relacionadas a esse processo judicial.
Dentro desse cenário, apontaremos seis pontos importantes das
diligências no trabalho pericial, conforme Zanna (2007):

1. Para conhecimento dos autos, aceitação dos encargos e


apresentação das estimativas de honorários: primeiramente, essa
diligência acontece no cartório da vara em que o profissional foi
nomeado; depois, em seu escritório, o perito redige uma peça que
externa seu aceite ou sua recusa quanto ao trabalho pericial.
2. Para informar o início dos trabalhos às partes: o perito fará uma carta
indicando onde os trabalhos acontecerão, bem como o dia e a hora em
que serão iniciados.
3. Para obtenção de informações, livros, documentos, dados e tudo o
mais que necessita para responder aos quesitos e preparar o laudo:
requer a confecção do termo de diligência, documento que será
estudado nas próximas aulas. Tal diligência é feita no local em que as
provas estão localizadas.
4. Para conclusão, ou seja, para o “fechamento” dos trabalhos de
investigação e elaboração do laudo: acontece no escritório do perito e
pode ser complementada por documentos solicitados por telefone, fax
ou e-mail.

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5. Para prestar esclarecimentos após o laudo pericial ter sido
protocolado: o perito poderá ser intimado para prestar esclarecimentos.
Nesse caso, retirará os autos do cartório, procederá aos esclarecimentos
de forma escrita e devolverá os trabalhos ao cartório de forma
protocolada.
6. Para receber os honorários periciais arbitrados e já depositados
nos autos: o perito elaborará petição requerendo levantamento dos
honorários e, em seguida, irá ao banco para recebimento de quantia
depositada em seu favor, acrescida de juros e de atualização monetária.

TROCANDO IDEIAS

Nesta aula aprendemos sobre a importância do planejamento da


atividade pericial, em todos os seus aspectos. Em um mundo tão normatizado,
é fundamental que o perito planeje suas atividades com o intuito de eliminar ou
mitigar os riscos de erros, que possivelmente invalidarão a prova pericial.
Na atividade de fórum, você deverá refletir e expor a sua opinião sobre a
seguinte questão: um profissional perito foi nomeado para elaboração de duas
provas periciais contábeis: em um processo judicial da vara da família,
referente à pensão alimentícia, e outro que tramita na vara do trabalho,
referente à controvérsia trabalhista entre patrão e empregado. Ambos os
trabalhos foram devidamente planejados e encontram-se em dia quanto ao
prazo processual imposto ao profissional. Um juiz da esfera fiscal nomeou esse
mesmo perito para um trabalho extenso de investigação contábil referente a
possíveis fraudes fiscais. Para tanto, quais devem ser as preocupações do
perito nomeado? Dica: considere os riscos associados com a atividade pericial
contábil discutidos no segundo tema desta aula.

NA PRÁTICA

Vamos agora para uma atividade prática! Coloque os conceitos


aprendidos nesta aula como base para resolução de um problema pericial.
Nesta atividade você deverá refletir e aplicar o conceito de quesitos em um
caso de processo judicial de alimentos. Vejamos:

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As ações alimentícias buscam a apuração de haveres do cônjuge —
independentemente se homem ou mulher — ou de pessoa responsável pela
manutenção dos dependentes do casal.
O autor da ação (quem pleiteia o pagamento da quantia para si ou para
seu representado) busca provar a condição econômica e financeira do
responsável pela manutenção dos dependentes. Normalmente, os quesitos
apresentados objetivam a mensuração física e monetária do patrimônio para a
atribuição de uma pensão alimentícia.
A apresentação de quesitos imprime o comando de apurar a renda real
do réu, que pode ser por meio de uma empresa em que ele é sócio. Assim,
examinam-se os saques, os salários indiretos e as retiradas por conta de lucro.
Nesses casos, os quesitos podem buscar a mensuração de eventual caixa
dois, caso haja sinais exteriores de riqueza, padrão social de vida incompatível
com a remuneração formalmente contabilizada, além de possíveis
transferências de bens para terceiros antes ou durante o processo de
separação.
O perito-contador assistente, astuto, pode auxiliar o advogado quanto à
obtenção de provas, sejam elas por meio de quebra de sigilo bancário
(autorizada pela justiça, claro) ou de documentação referente à compra de
veículos, a uso de cartão de crédito, a alterações contratuais, bem como
mostra de sinais exteriores de riqueza.
Quando emitirem seus respectivos termos de diligências e planejarem a
execução da tarefa, o perito-contador e os peritos-contadores assistentes
devem prever, no mínimo, a análise de:

1. Declaração de Imposto de Renda das pessoas envolvidas na


demanda, como o pai e a mãe do menor, por exemplo;
2. Extratos das contas bancárias das pessoas envolvidas;
3. Cópias dos contratos sociais das sociedades em que as partes são
sócias;
4. Documentos contábeis relativos à retirada de pró-labore, lucro ou
dividendos;
5. Registros contábeis dos salários indiretos, benefícios tais como:
automóvel, empregados domésticos, residência, alimentação;
6. Comprovantes de pagamentos efetuados com educação escolar,
alimentação, assistência médica, aluguel, lazer;

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7. Livro de registro de transferência de quotas e de ações;
8. Demonstrações contábeis/financeiras completas;
9. Para efeito de mensuração de haveres na sociedade, devem ser
tomados todos os cuidados relativos à ação de apuração desses
valores;
10. Incluir nas diligências a verificação do padrão de vida que ostentam os
litigantes, especificamente dos sinais exteriores de riqueza. Se não
forem compatíveis com a fonte de renda, é possível que os peritos-
contadores assistentes alertem seus colaboradores, advogados, para
que requeiram ao juiz a emissão de ofício dirigido ao Banco Central
e/ou a outras entidades financeiras, de modo a quebrar sigilo bancário.
A decisão judicial pode alcançar empresas de cartões de créditos,
agências de viagens etc.

Com base no caso acima, determinem, no mínimo, duas sugestões de


quesitos que podem ser elaborados pela autora do processo judicial e,
também, pelo réu.

FINALIZANDO

Este encontro nos auxiliou a compreensão dos principais elementos que


influenciam a atividade pericial, bem como os atributos necessários a um bom
planejamento. Além disso, vimos como executar na prática, isto é, aprendemos
as metodologias, o passo a passo que nos fornece subsídios para a
implementação desta etapa tão importante: o planejamento pericial.
O primeiro tema discorreu sobre os quesitos. Estudamos a sua definição
e o seu planejamento, etapa fundamental para direcionar o trabalho de campo
do perito.
Aprendemos a elaboração do laudo e do parecer pericial. O segundo
tema desta aula explicitou os riscos associados à atividade pericial contábil.
Em seguida, foram apresentados os conceitos de segunda perícia e de
inspeção judicial. Evidenciamos a possível não associação deles com a perícia
inicial e demonstramos as diferenças entre si.
Tratamos também do plano de trabalho em perícia contábil. Estudamos
os principais passos para elaboração de tal planejamento.

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E, por fim, discorremos sobre as diligências e os seis tipos mais
importantes para a atividade pericial contábil.
Esperamos que você tenha compreendido – por meio dos textos, vídeos
e exemplos – os principais procedimentos para o planejamento da atividade
pericial exigidos do profissional para a finalização de suas atividades.

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REFERÊNCIAS

BRASIL. Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Diário Oficial da


União, Poder Legislativo, Rio de Janeiro, 7 dez. 1940.

HOOG, W. A. Z. Prova pericial contábil: teoria e prática. 8. ed. Curitiba:


Juruá, 2010.

ORNELAS, M. M. G. Perícia contábil. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

SÁ, A. L. Perícia contábil. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

ZANNA, R. D. Prática de perícia contábil. 2. ed. São Paulo: IOB Thomson,


2007.

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PERÍCIA E ARBITRAGEM
CONTÁBIL
AULA 5

Profª Tassiani Aparecida dos Santos


CONVERSA INICIAL

Olá! Vamos iniciar a nossa quinta aula da disciplina de Perícia e


Arbitragem Contábil. O objetivo desta aula é introduzi-los nos aspectos de
execução da perícia contábil, em especial em relação às atividades e aos
procedimentos do perito-contador e do assistente técnico.
Temos discutido em todas as aulas como a profissão pericial é normatizada
e regulada e os seus impactos nos procedimentos desses profissionais. Por ser
demasiadamente regulada, a atividade do perito-contador se apresenta muito
procedimental e detalhada. Assim, esta quinta aula do curso oferecerá subsídios
para que vocês compreendam quais são os procedimentos e as atividades
executados pelo perito em seu cotidiano profissional.
Iniciaremos nossa aula abordando os principais termos de trabalho
pericial, como o termo de responsabilidade técnica, o termo de diligência e o
termo de ouvida da parte sobre a diligência. O tema 2 deste material versa sobre
os tipos de perícia nas Varas Criminal, do Trabalho e Cível Estadual. Em
seguida, no tema 3, trataremos dos tipos de perícia nas Varas de Execuções
Fiscais e de Família e na Justiça Federal. O tema 4 explicita as perícias do
universo de combinações de negócios, tais como fusão, cisão e incorporação. E,
por fim, o tema 5 aborda as perícias no âmbito das medidas administrativas, das
reavaliações do ativo não circulante e das reavaliações do patrimônio líquido.

CONTEXTUALIZANDO

A nossa quinta aula do curso de Perícia e Arbitragem Contábil versará


sobre os aspectos da execução da profissão pericial. Na prática de sua atividade
profissional, o perito-contador e o assistente técnico podem atuar em diferentes
funções judiciais e extrajudiciais. Na esfera judicial, auxiliam o magistrado
(perito-contador) e as partes (assistente técnico) em decisões criminais, do
trabalho, cíveis, fiscais, familiares, entre outras. Enquanto na esfera extrajudicial,
os profissionais atuam, principalmente, em medidas administrativas,
reavaliações de ativos não circulante e do patrimônio das entidades, além de
combinações de negócios.
Bem, alunos, como já aprendemos muitas coisas a essa altura do curso,
esta quinta aula tem como premissa tratar da execução do trabalho pericial no

2
campo em atividades comuns ao perito-contador. Assim, vamos explorar esses
aspectos durante esta aula.

TEMA 1 — TERMO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA DO CONTADOR COM


ANUÊNCIA DO ADMINISTRADOR, TERMO DE OUVIDA DA PARTE SOBRE OS
DOCUMENTOS SOLICITADOS NA DILIGÊNCIA E TERMO DE DILIGÊNCIA

Trataremos, no tema 1, dos principais documentos de trabalho elaborados


pelo perito e que auxiliam esse profissional na formalização das etapas do
processo de execução do seu trabalho. Em especial, trataremos de três
documentos importantes: termo de responsabilidade técnica do contador com
anuência do administrador, termo de ouvida da parte sobre os documentos
solicitados na diligência e o termo de diligência.

1.1 Termo de responsabilidade técnica do contador com anuência do


administrador

Esse termo é elaborado para reafirmar a responsabilidade técnica do


contador perante o perito. Isto quer dizer que, o profissional contábil da entidade
a ser examinada se compromete a fornecer informações verdadeiras ao perito
contábil (Hoog, 2010).
Contudo, salienta-se que, naturalmente, o perito-contador deve se
assegurar das informações recebidas pelo contador, posto que sua
responsabilidade no exame e análise dos fatos não diminui com o termo de
responsabilidade técnica do contador com anuência do administrador. Esse
documento é apenas mais uma evidência da atitude da entidade perante o
processo judicial (Hoog, 2010).
Assim, esse documento se constitui como evidência para construir a prova
pericial, conforme art. 429 do Código de Processo Civil (CPC). Ainda, outras
legislações versam sobre a utilização de termos dessa natureza, caso do art.
219 do Código Civil (CC), que prevê a utilização de declarações em documentos.
Em relação ao profissional contábil da entidade, este está exposto ao Código
Penal quanto ao testemunho falso, art. 342, e, ainda, em relação à indução do
perito ao erro, art. 347. O art. 339 do CPC também versa sobre o dever do
contador em colaborar com o Poder Judiciário (HooG, 2010).

3
A Lei n. 10.258 de 28 de agosto de 2001 é a base para a elaboração desse
termo e considera os seguintes elementos como fundamentais para constar no
documento elaborado: a responsabilidade do contador pelas demonstrações
contábeis, crimes contra a ordem econômica e tributária, crime contra as
relações de consumo, crime por omissão, desídia e improbidade; atos e fatos da
gestão do administrador; obtenção de evidências por depoimento; fundamentar
a extensão e profundidade da análise; possibilitar esclarecimentos sobre pontos
não constantes das demonstrações contábeis, tais como subjetividade do
contador; e, dar garantia ao perito sobre a responsabilidade do exame pericial
(Hoog, 2010).
Sugerimos que vocês consultem os modelos desse tipo de termo em Hoog
(2010) entre as páginas 164 e 168. Por fim, vamos enumerar o que deverá
constar no termo de responsabilidade técnica do contador com a anuência do
administrador (Hoog, 2010):

a. Data da diligência;
b. Ser dirigida ao perito nomeado ou assistente técnico indicado;
c. Fazer referência ao objeto da perícia;
d. Mencionar o responsável técnico pelo registro e pelo sistema contábil,
bem como por todo o sistema administrativo financeiro;
e. Confirmar as estimativas contábeis;
f. Revelar se há, ou não, contingências fiscais, trabalhistas, previdenciárias,
ambientais, comerciais e legais que possam afetar a situação econômica
ou financeira;
g. Revelar se tem conhecimento de fatos que possam impedir ou alterar o
caminho da prosperidade aziendal;
h. Revelar eventos subsequentes que possam afetar o patrimônio;
i. Confirmar se livros e registros comprobatórios foram colocados à
disposição do perito, relacionando os não exibidos ou não existentes;
j. Confirmar a contabilização de todos os atos e fatos, evidenciando os
saldos e as transações com o meio, evidenciando prejuízos de compra e
venda, acordos para recompras;
k. Revelar todos os ativos dados em garantia e as garantias dos produtos e
serviços, bem como as responsabilidades civil e criminal por danos ao
consumidor e ao meio ambiente;

4
l. Revelar a existência de planos que possam afetar o valor ou a
classificação de ativos ou passivos;
m. Confirmar que não existem irregularidades envolvendo a administração
ou os empregados, que possam ter efeitos sobre a empresa, inclusive
crimes falimentares, práticas de cartel, concorrência desleal,
superfaturamento ou subfaturamento;
n. O termo deve ser assinado pelos administradores que têm poder para tal
e pelo profissional responsável pelas demonstrações contábeis. A recusa
de fornecer o presente termo constitui uma limitação ao exame pericial,
pelo fato do olho clínico, tecnológico/científico do juiz, “do perito”; todos
devem colaborar com a justiça, de acordo com o art. 339 do CPC.

1.2 Termo de ouvida da parte sobre os documentos solicitados na


diligência

O perito-contador pode utilizar-se do prescrito no art. 429 do CPC para


elaborar um termo de ouvida da parte sobre os documentos solicitados na
diligência. Esse documento visa respaldar o perito em relação a informações
coletadas das partes em matéria contábil (Hoog, 2010).
O profissional perito pode, independentemente de ouvir o contador
responsável pela empresa, coletar informações novas, controversas ou
confirmatórias das partes em relação ao contador e à contabilidade da entidade.
Sabemos que o perito tem fé pública, portanto sua palavra é suficiente. Contudo,
para garantir que não haja dúvidas em relação a isso, o perito pode utilizar desse
termo para lavrar as declarações coletadas das partes e, pode, inclusive, servir
de prova material para a elaboração do laudo pericial (Hoog, 2010).
O objetivo desse termo é gerar maior transparência dos atos praticados
pelo perito, minimizar os riscos da atividade pericial no processo judicial, como
injúrias e calúnias das partes (Hoog, 2010).
Para conhecer com mais detalhes como organizar um termo de ouvida
das partes sobre os documentos solicitados na diligência, recomendamos a
consulta ao modelo proposto por Hoog (2010, p. 169).

5
1.3 Termo de diligência

Por fim, trataremos do termo de diligência, que já foi abordado de maneira


contextual quando falamos das diligências nas aulas anteriores. O objetivo desse
termo formal é relacionar os documentos e as informações que estão de posse
das partes para serem examinados no processo pericial. Assim, o perito-
contador e o perito assistente devem comunicar, de maneira formal, pelo termo
de diligência, quais documentos precisam ser acessados para o profissional
elaborar sua opinião sobre o objeto da perícia (Hoog, 2010).
Zanna (2007) traça a estrutura sugerida para o termo de diligência, que
deve conter os seguintes elementos:

a. Identificação do processo (comarca, vara, número do processo, tipo de


causa e nome das partes);
b. Identificação do perito judicial;
c. Local, data e hora das diligências;
d. Escopo da diligência;
e. Livros e documentos requisitados, mencionando o período a que se
referem;
f. Identificação dos assistentes técnicos e das demais pessoas que
participaram do trabalho, mesmo que apenas na condição de
observadores, tais como, chefe e auxiliares do Departamento de
Contabilidade da empresa visitada, advogados das partes e outros
interessados;
g. Assinaturas de todos os presentes à diligência. No caso de algum
assistente técnico ou outra pessoa negar-se à assinatura do termo de
diligência, esse fato deve ser autuado no rodapé do próprio termo.

Para consultar alguns modelos desses termos, sugerimos verificar Hoog


(2010, p. 171). Nas páginas 146 a 160 do livro do prof. Remo Dalla Zanna, o
assunto aparece de forma mais completa e detalhada.

TEMA 2 – TIPOS DE PERÍCIA CONTÁBIL NA ESFERA JUDICIAL: VARAS


CRIMINAIS, DO TRABALHO, CÍVEIS ESTADUAIS

Discorreremos agora sobre os tipos de perícia contábil na esfera judicial,


que é composta por varas. As varas são a jurisdição da Justiça, o local no qual

6
o juiz exerce seu poder jurisdicional (Hoog, 2010). Nesse sentido, trataremos no
segundo tema dessa aula sobre as Varas Criminais, do Trabalho e Cíveis
Estaduais.
A Vara Criminal acomoda as fraudes e os vícios contábeis, as
adulterações de lançamentos e registros, desfalques e alcances, apropriações
indébitas, inquérito judicial para efeitos penais, crimes contra a ordem econômica
e tributária dentre outras, como atos e fatos que devem ser julgados na Vara
Criminal (Hoog, 2010, p. 239).
A Justiça do Trabalho prevê o julgamento e o trabalho pericial em
indenizações de diversas modalidades, litígios entre empregadores e
empregados de diversas espécies (Hoog, 2010). Sá (2010) advoga que as
reclamações no âmbito trabalhista giram em torno de registro de empregados,
de salários e de direitos inerentes às relações de trabalho, não sendo, de forma
geral, perícias complexas.
Para ilustrar, tomaremos como exemplo o caso de um litígio entre o
comissionado e uma empresa, apresentado em Sá (2010, p. 199). O empregado,
inicialmente, presta serviço como pessoa jurídica e posteriormente reclama
direitos de trabalho como se fosse empregado. Os seguintes quesitos foram
expostos para o trabalho pericial:

a. Em que período o reclamante prestou serviços à empresa?


b. Os recebidos de comissão, nesse período, assinados pelo reclamante
referiam-se à sua pessoa jurídica?
c. Em que páginas do Diário estão registrados tais fatos?
d. Qual foi o lançamento? Queria o Sr. Perito reproduzi-lo?
e. Queria o Sr. Perito reproduzir um quadro de comissões desse período, tal
quadro era de conhecimento do reclamante? Ele o visou?
f. Tal quadro coincide com os registros de Diário? Tal quadro é o que se
acha às fls... dos autos?
g. O reclamado pagou o valor que consta do quadro ao reclamante?
h. Houve alteração no percentual de comissões pagas ao reclamante?
Quando? Ou nunca houve?
i. A comissão paga é a que consta do contrato de comissões com o
reclamante, apenso aos autos fls...?

Nesse caso apresentado, a empresa defende-se da acusação e contra as


reivindicações de um vendedor. Por isso, os quesitos são da reclamada (no caso,
7
ré). Dessa forma, o advogado, ao formular os quesitos, tenta provar que o
vendedor agiu de má-fé. Cabe ao profissional perito agir de maneira imparcial
para averiguar os fatos expostos nos quesitos e apresentar a prova pericial (Sá,
2010).
Por fim, trataremos das perícias contábeis atreladas à esfera das varas
cíveis estaduais. Estas podem ser, segundo Hoog (2010, p. 239), ordinária,
apuração de haveres, avaliação de patrimônio incorporado, busca e apreensão,
consignação em pagamento, comissão de pena pecuniária, cambiais,
compensação de créditos, consignação e depósito para pagamento,
desapropriação de bens, dissolução de sociedade, exclusão de sócio, embargos
de impedimento de consumação de alienação, estimativa de bens penhorados,
exibição de livros e documentos, extravio e dissipação de bens, falta de entrega
de mercadoria, fundo de comércio, indenização por danos, inventários na
sucessão hereditária, liquidação de empresas, lucros cessantes, medidas
cautelares, possessória, prestação de contas, rescisória, revisão de contratos
bancários.
Diversos casos podem ser consultados nos livros de Sá (2010) e Hoog
(2010). Exemplificaremos um caso de apuração de haveres, contudo
salientamos que se trata de um tipo de perícia complexa e, portanto, para
maiores detalhes, sugerimos que vocês se aprofundem nos detalhes expostos
no livro Sá (2010) dentre as páginas 95 a 101.
A apuração de haveres acontece quando se torna necessário apurar os
“direitos” de alguém em uma massa patrimonial. Isso se dá em razão de morte
de sócio, morte de cônjuge de sócio, dissolução de sociedade ou, também, em
casos em que um sócio se retira ou é expulso da sociedade. Assim, em um caso
de apuração de haveres, o perito-contador, em linhas gerais, deve determinar:

a. Os créditos do sócio, em conta, devidamente atualizados;


b. Os débitos do sócio, em conta, devidamente atualizados;
c. O valor de patrimônio líquido real;
d. As expectativas de lucros da sociedade, quando ela vai continuar em
funcionamento;
e. As expectativas de realização do ativo, quando a sociedade vai ser
liquidada.

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TEMA 3 – TIPOS DE PERÍCIA CONTÁBIL NA ESFERA JUDICIAL: EXECUÇÕES
FISCAIS, DE FAMÍLIA E NA JUSTIÇA FEDERAL

Neste tópico, falaremos sobre as atividades periciais contábeis nas varas


de execuções fiscais, de família e na Justiça Federal.
As varas de execuções fiscais analisam casos envolvendo tributos de uma
forma geral, tais como ICMS, ISS, IPTU. Já na Justiça Federal, discutem-se
execução fiscal (INSS, FGTS, tributos federais e contribuições sociais no geral),
revisão do SFH quando envolve a CEF, ações que envolvem a União (ex.
Desapropriação de terra por parte da União), etc. (Hoog, 2010).
Para exemplificar, discorreremos sobre a impugnação de créditos fiscais
de competência da União, que, portanto, será julgado na vara da Justiça Federal.
Alunos, e se fosse um caso de impugnação de créditos fiscais do ICMS? Qual
seria a vara a julgar esse caso? Bom... aí o caso seria julgado na Vara de
Execuções Fiscais. Pois bem, vamos voltar ao nosso caso de competência da
União.
A integralização de capital em dinheiro sem que o contribuinte prove a
disponibilidade do numerário no ato é prova de “omissão de receita”, supõe o
fisco, decorrente de uma sonegação de imposto. Na área judiciária, todavia,
requerida a perícia, o contribuinte logra provar que houve registro do dinheiro em
caixa, conforme lançamento do Diário; como os livros comerciais possuem fé
pública, provando a favor do empresário, a pretensão fiscal tem sido derrotada
nos tribunais.
Assim, de acordo com Sá (2010), a perícia prova que:

a. A escrita da empresa obedece às formalidades intrínsecas e extrínsecas;


b. O aumento de capital em dinheiro foi registrado, movimentando as contas
usuais e adequadas;
c. O histórico do lançamento se refere a documento de valor também
público, testemunhado e registrado na Junta Comercial tempestivamente;
d. O dinheiro que entrou no caixa supriu pagamentos tais ou quais,
devidamente documentados e válidos.

Nas Varas de Família, o perito contábil pode atuar na avaliação de


pensões alimentícias, avaliações patrimoniais, entre outras (Hoog, 2010). O caso
de alimentos requer a apuração de haveres de cônjuge ou responsável pela
manutenção de dependentes e busca-se, ainda, a averiguação sobre o poder
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econômico. Assim, os quesitos apresentados para o perito direcionam-se no
sentido de identificação da posse material ou patrimonial dos responsáveis pelos
dependentes. Exemplos, ainda de acordo com Sá (2010):

a. Qual a retirada pro labore do Sr. X nas empresas de sua administração?


b. Qual a participação social do Sr. X no capital das sociedades 1, 2 e 3?
c. Tem remuneração indiretas por seu cargo de direção? Quais? Em quanto
montaram tais remunerações nos períodos dos últimos 24 meses,
estabelecido para a avaliação o regime de moeda constante?
d. A participação percentual no capital das sociedades 1, 2 e 3 do réu Sr. X
alterou-se nos últimos três anos? Em quanto?
e. Foram operadas transferências de capital do réu nos últimos três anos?
Em que montante percentual? Para quem?
f. Pela declaração de bens do réu, tem ele outras fontes de rendimentos?
Quais? Em quanto montaram nesses últimos três anos, considerados os
valores em moeda constante?
g. O réu tem contas bancárias próprias? Em que bancos? Os depósitos
feitos em suas contas coincidem com os rendimentos declarados? Ou,
ainda, os depósitos são compatíveis com as fontes de rendimentos
apuradas por retiradas pro labore e de lucros?

Em suma, podemos dizer que na Vara de Família, e em casos similares


ao apresentado, as investigações devem ser feitas no sentido de apuração da
renda do réu para que o magistrado possa atribuir pensão alimentícia aos
dependentes. Os quesitos têm, ainda, a características de identificar indícios de
atitudes tomadas pelo réu para omitir rendas que sempre teve, com o intuito de
reduzir o ônus da pensão alimentícia (Sá, 2010).

TEMA 4 – TIPOS DE PERÍCIA CONTÁBIL NA ESFERA EXTRAJUDICIAL: FUSÃO,


CISÃO E INCORPORAÇÃO

Neste tópico da nossa quinta aula versaremos sobre as perícias contábeis


na esfera extrajudicial, em especial, nos casos de combinações de negócios:
fusão, cisão e incorporação. Mas o que são esses tipos de combinação de
negócio?
A fusão, segundo Hoog (2010, p. 240), é uma operação entre duas ou
mais sociedades na qual elas se unem para formar uma nova sociedade, que

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lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Os procedimentos legalmente
previstos para os casos de fusão de entidades empresariais podem ser
consultados nos arts. 223 e 224 da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976.
Já a cisão “é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu
patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já
existentes, extinguindo-se a companhia cindida se houver versão de todo o seu
patrimônio, ou dividindo-se o seu capital se parcial a versão” (Hoog, 2010, p.
240). Essa combinação de negócio está exposta no art. 229 da Lei n. 6.404/1976.
Por fim, a “incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades
são absorvidas por outras, que as sucede em todos os direitos e obrigações”
(Hoog, 2010, p. 240), diferenciando-se, então, da fusão. Na incorporação, as
sociedades incorporadas deixam de existir, conquanto a entidade incorporadora
permanece com sua vida normal. Na fusão, ambas as entidades deixam de
existir, para a constituição de uma sociedade “totalmente” nova.
Por que, então, o trabalho pericial perpassa níveis fundamentais em todos
os tipos de combinação de negócio? Bom, o que está por trás de ambas as
operações é a questão da avaliação do valor das entidades. Assim, em
reestruturações societárias é comum a utilização de laudos contábeis de
avaliação.
Esse tipo de laudo é extrajudicial, contudo, o profissional perito-contador
é o mais habilitado técnico-cientificamente para emitir tal afirmativa quanto ao
valor econômico das entidades. Além disso, o Código Civil e a Lei das
Sociedades por Ações (Lei n. 6.404/1976), bem como a Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) estabelecem a obrigatoriedade do profissional perito para tais
reestruturações societárias.

TEMA 5 – TIPOS DE PERÍCIA CONTÁBIL NA ESFERA EXTRAJUDICIAL:


MEDIDAS ADMINISTRATIVAS E DE REAVALIAÇÃO DO ATIVO NÃO
CIRCULANTE E DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Nesse último tópico, abordaremos as medidas administrativas e a


reavaliação de elementos do ativo não circulante e do patrimônio líquido.
As medidas administrativas são definidas por Hoog (2010, p. 241) como:

Os procedimentos para embasar decisões administrativas, demissões


por justa causa, responsabilidade de gerentes/diretores quando da
administração e retorno do capital, apuração da eficiência, ou não, da

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gestão de estoques. E também de impugnação de autos de infrações,
como exemplo temos: as perícias na esfera administrativa da
Secretaria da Receita Federal, onde encontramos a figura do perito e
do assistente técnico indicado pelo contribuinte.

Assim, podemos sumarizar que essa esfera visa apurar diversos fatos
controversos nas entidades, de maneira interna, ou seja, visando responder
questões de interesses internos dessas entidades para tomada de decisões
administrativas.
Em relação às reavaliações do ativo não circulante, Hoog (2010) assevera
que devem ser efetuadas por três peritos diferentes ou por empresa
especializada, com apresentação de laudo pericial que indique os critérios de
avaliação e dos elementos de comparação adotados e instruídos com os
documentos relativos aos bens avaliados. Aqui, vale a pena relembrar que os
peritos devem observar os aspectos fiscais e contábeis. Além disso, é preciso
em conta a possibilidade de recuperação desse ativo mediante o uso e basear o
valor de mercado com a indicação da vida útil remanescente.
Por fim, as reavaliações do patrimônio líquido são, geralmente, solicitadas
nos casos de venda parcial ou total de uma empresa, ingresso de novos sócios
ou retirada de sócios. As reservas de reavaliação do patrimônio líquido devem
ser efetuadas por um perito contábil, fundamentadas em laudo pericial que leva
em conta os seguintes atributos:

a. O corpo de funcionários (especialização técnica, treinamento, capital


intelectual, etc.);
b. A freguesia, carteira de fregueses e o seu potencial de rentabilidade para
os próximos meses (mensurados pela taxa de retorno de investimento e
a lucratividade em relação a receita);
c. A localização da empresa (se for uma empresa tipicamente comercial,
comércio varejista);
d. O reflexo da reavaliação dos bens do ativo não circulante;
e. A marca e o logotipo (tais itens costumam ter registro no INPI);
f. Goodwill;
g. Além dos demais itens contábeis, tais como: capital social e sua correção
monetária (reservas de capital, de lucro, de contingências, estatutárias,
lucros e prejuízos acumulados, etc.).

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TROCANDO IDEIAS

Nessa quinta aula do nosso curso sobre perícia contábil, aprendemos


sobre as principais execuções periciais contábeis em seus ambientes jurídicos.
Em um mundo tão normatizado e complexo, é comum o perito-contador e o
assistente técnico transitarem por diferentes ambientes jurídicos, como as Varas
Criminais, de Família, Trabalhistas, Cível Estadual, entre outras.
Nessa atividade de fórum, você deverá refletir e expor a sua opinião sobre
a seguinte questão: um profissional perito-contador foi nomeado pelo juiz da
Vara Criminal para prestar auxílio técnico-científico em matéria contábil.
Considerando os principais tipos de perícia, nessa vara que o profissional perito
é chamado a trabalhar, quais podem ser os fatos a serem examinados?
Cite um caso, especificando qual o caso jurídico e quais os fatos que o
perito irá examinar.

NA PRÁTICA

Vamos agora para uma atividade prática! Nela, os conceitos aprendidos


nessa aula serão a base para resolução de um problema pericial. Nesta
atividade, você deverá refletir e aplicar o conceito de perícia em avaliação
econômica de marca.
A marca pode envolver negócios, como uma franquia, que é a maneira
pela qual uma pessoa detentora de uma marca registrada, processo patenteado
de produção ou direitos similares, concede a outras pessoas uma licença de
utilização desses bens de propriedade industrial, sob certas condições. O que
dá a visibilidade inicial à marca são os instrumentos de marketing, a internet e o
ponto comercial.
Como marca, entendemos ser um nome ou identificação, emblema,
logotipo, uma forma ou desenho, que auxilia na identificação de um produto, de
uma organização ou entidade e seu objeto social. Normalmente, pode sugerir
benefícios como (tira-tosse, mata-piolho, etc.); é de fácil leitura, memorização e
pronúncia como (fofo, garoto); tem a possibilidade de ser registrada no INPI e
ser adaptável a qualquer mídia (TV, rádio, jornal, internet). Em tese, representa
uma garantia de origem e satisfação ao freguês, como uma forma institucional
de garantia e segurança.

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As marcas representam bens de valor econômico e, por isso, devem ser
avaliadas. A avaliação de uma marca visa, por meio de tecnologia e amostras,
chegar a um “preço justo” do ativo intangível avaliado. O perito-contador envolve-
se na avaliação da marca, quando solicitado por magistrado ou por partes, em
processo judicial e/ou extrajudicial, posto que detém conhecimento técnico-
científico para determinar o valor econômico desse ativo.
Nesse cenário, você deve especificar quais os aspectos importantes no
exame pericial no que concerne à avaliação de uma marca.

FINALIZANDO

Agora estamos finalizando nossa quinta aula do curso de Perícia Contábil.


Essa aula sobre a execução do trabalho pericial contábil nos auxiliou a
compreender e aplicar todos os conceitos e aspectos relativos à perícia
discutidos nas aulas anteriores. Assim, vocês puderam compreender os
principais casos e fatos analisados nas principais varas judiciais e, também, no
âmbito extrajudicial, pelo profissional perito.
O primeiro tema dessa aula abordou os principais documentos utilizados
durante a execução das atividades periciais, em especial o termo de
responsabilidade técnica do contador com anuência do administrador, termo de
ouvida da parte sobre os documentos solicitados na diligência e o termo de
diligência.
Em seguida, foram apresentadas as atividades desenvolvidas pelo
profissional perito-contador nas esferas judiciais. No tema 2 dessa aula,
discorremos sobre as Varas Criminais, do Trabalho e Cíveis Estaduais. E no
terceiro tema, tratamos das Varas da Família, de Execuções Fiscais e Justiça
Federal.
Por fim, os últimos dois tópicos dessa aula focaram no desenvolvimento
do trabalho pericial no âmbito extrajudicial. O quarto tema versou sobre a
atividade pericial em combinações de negócios: fusão, cisão e incorporação.
Enquanto o último tema apresentou aspectos das medidas administrativas, da
reavaliação de ativos não circulante e da reavaliação do patrimônio líquido das
entidades.

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REFERÊNCIAS

HOOG, W. A. Z. Prova pericial contábil: teoria e prática. 8. ed. Curitiba: Juruá,


2010.

SÁ, A. L. Perícia contábil. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

ZANNA, R. D. Prática de perícia contábil. 2. ed. São Paulo: IOB, 2007.

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PERÍCIA E ARBITRAGEM
CONTÁBIL
AULA 6

Profª Tassiani Aparecida dos Santos


CONVERSA INICIAL

Olá! Vamos iniciar a nossa sexta aula da disciplina de Perícia e Arbitragem


Contábil. O objetivo desta aula é discorrer sobre os aspectos relativos à
arbitragem contábil. Como veremos adiante, a arbitragem é uma alternativa de
resolução de conflitos fora da esfera judicial. Portanto, essa última aula do curso
oferecerá subsídios para que os nossos alunos compreendam quais aspectos
são importantes na arbitragem contábil e o papel do perito nesse ambiente de
atuação.
Iniciaremos nossa última aula abordando as noções gerais sobre perícia
na esfera arbitral, indicando o que é a arbitragem e o papel do perito. O Tema 2
desse material versa sobre a arbitragem no Direito Empresarial e como solução
de conflitos internacionais, assim, contextualizaremos historicamente a
arbitragem e as vantagens da utilização dessa esfera. Em seguida, o Tema 3
trata dos princípios de arbitragem: da autonomia privada, da boa-fé, da
autonomia da cláusula da convenção de arbitragem em relação ao contrato, da
competência-competência, da força vinculante e obrigatoriedade da cláusula
arbitral, do princípio da temporariedade e das garantias processuais. O Tema 4
explicita a problemática das atribuições usuais do órgão arbitral. E, por fim, o
Tema 5 aborda os requisitos da sentença arbitral. Muito assunto, não? Então,
mãos à obra!

CONTEXTUALIZANDO

A nossa última aula do curso de Perícia e Arbitragem Contábil versará


sobre aspectos gerais da arbitragem contábil. Na prática de sua atividade
profissional, o perito se vê cercado de possibilidades de atuação, a arbitragem é
a esfera que permite ao profissional mediar um conflito, normalmente amigável,
que ocorre fora da esfera judicial. As regras e diretrizes também existem,
contudo, serão definidas pelo órgão arbitral ou pelo próprio perito. Assim,
veremos que o ambiente na arbitragem, embora ainda normatizado, é mais
flexível e ágil quando comparado à esfera judicial.
Mas qual a diferença da esfera arbitral para a esfera judicial? As decisões
da esfera arbitral têm validade jurídica? Se sim, quais são as normas e regras
desse ambiente? E como o profissional perito-contador ou assistente técnico
deve atuar?

2
Bem, essas e outras questões devem ser refletidas de antemão, contudo,
a partir de agora, vamos explorar esses questionamentos.

TEMA 1 – NOÇÕES GERAIS SOBRE PERÍCIA NA ESFERA ARBITRAL

Estamos iniciando a nossa última aula do curso de Perícia e Arbitragem


Contábil. Trataremos, nesse primeiro tema, das noções gerais sobre perícia na
esfera arbitral, especificamente os conceitos e as definições, além do papel do
perito nessa esfera. Mas, no final das contas, o que é arbitragem?
A arbitragem é o procedimento extrajudicial de resolução de conflitos.
Esse processo foi normatizado pela Lei n. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e
atualizado pela Lei n. 13.129, de 26 de maio de 2015, a qual ficou conhecida
como Lei da Arbitragem. Segundo Campolina (2008, p. 26), a arbitragem é o
meio eficaz, seguro, sigiloso e técnico de solução definitiva de litígios referentes
a direitos patrimoniais disponíveis, no qual as partes elegem um árbitro, por meio
de documento assinado, para proferir laudo arbitral.
Dessa maneira, podemos definir a arbitragem como uma alternativa à
esfera judicial para a resolução de conflitos por meio da intervenção de um
terceiro (árbitro). Os poderes desse terceiro são de uma convenção privada, ou
seja, assume a eficácia de uma sentença judicial (Carmona, 1998).
Complementarmente, Vilela (2004, p. 32) assevera que o conceito de
arbitragem perpassa os seguintes elementos: a arbitragem como instituição, a
necessária existência de um litígio a ser pacificado, a intervenção indispensável
e decisiva de um terceiro não vinculado e que não represente a jurisdição estatal,
a manifestação obrigatória de vontades das partes (caráter facultativo) para a
formalização do juízo arbitral, a inexistência de vedação legal de submissão do
litígio a um juízo não estatal, e ainda, a obrigatoriedade da decisão prolatada.
Sumariamente, podemos citar Rabay (2012) em relação aos cinco pontos
principais que caracterizam a esfera arbitral, sendo eles:

1. Configura-se como meio alternativo à esfera judicial para a resolução de


conflitos;
2. Tem como objeto o direito patrimonial disponível, ou seja, todo direito que
pode ser transacionado (venda, compra, doação, etc.) pelas partes sem
intervenção do estado;

3
3. É instituída pela autonomia privada, ou seja, por vontade/consenso entre
as partes;
4. A livre escolha do árbitro que decidirá a controvérsia;
5. As partes envolvidas se comprometem a aceitar e acatar a decisão
arbitral, não cabendo recurso.

Neste momento, é necessário fazer um adendo, com o objetivo de tornar


muito clara a questão da validade jurídica da esfera arbitral: a lei arbitral
estabelece a cláusula compromissória. Isso significa dizer que a convenção
arbitral é um negócio jurídico resultante do acordo entre as partes. Assim, esse
acordo tem poder coercitivo e, assim, não se admite que uma das partes desista
unilateralmente e recorra ao Judiciário; caso esse fato ocorra, o magistrado deve
dar supremacia à esfera arbitral (Campolina, 2008).
Bom, mas qual é o papel do perito na esfera arbitral? Por que tratamos da
esfera arbitral em contabilidade?
Aqui, dois aspectos devem ser observados: primeiro, o objeto da esfera
arbitral; segundo, as características do árbitro. Vamos à análise.
O objeto da arbitragem é definido por lei como o direito disponível. O
conceito de direito disponível é todo aquele bem ou direito que as partes podem
transacionar, ou seja, vender, comprar, doar, de livre e espontânea vontade, sem
que o Estado tenha que intervir na relação jurídica. São exemplos a compra de
um carro, a doação de um imóvel, etc. É relevante atentar ao Código Civil, artigo
1035, que estabelece que “o direito material só admite a transação quanto a
direitos patrimoniais de caráter privado”. Resumindo, é passível de arbitragem
todo direito material de caráter privado, atrelado a questões patrimoniais, na
existência de contrato, verbal ou não (Campolina, 2008).
O árbitro é a pessoa escolhida em comum acordo entre as partes da
esfera arbitral. Nesse sentido, é premissa do processo de arbitragem que ambas
as partes tenham plena confiança no árbitro escolhido. Adicionalmente, esse
profissional deve possuir alguns atributos para exercer a função, tais como:

 Alta qualificação;
 Boa reputação e atendimento aos requisitos éticos;
 Imparcialidade;
 Conhecimento técnico-científico sobre a matéria a ser resolvida.

4
Dessa maneira, o árbitro tem o papel de substituir o magistrado, contudo,
deve ser extremamente técnico e qualificado para exercer tal função, assim
como o perito na esfera judicial (Campolina, 2008).
Quando discorremos sobre o objeto da arbitragem, vimos que se trata de
questão patrimonial, envolvimento de bens e direitos e normalmente o perito-
contador é o profissional mais habilitado para emitir opinião econômica e
financeira sobre o bem ou o patrimônio objeto da discussão arbitral.
Paralelamente, o árbitro precisa atender a características muito similares às do
perito, tal como a imparcialidade e a extrema capacidade técnico-científica na
matéria da lide arbitral.
Assim, nesse cenário, podemos apreender que o perito-contador é
comumente solicitado para a esfera arbitral e, portanto, é muito importante
conhecer os mecanismos dessa esfera e como o perito-contador, na função de
árbitro, irá desenvolver suas atividades. Vamos analisar esses pontos nos temas
seguintes dessa aula.

TEMA 2 – ARBITRAGEM NO DIREITO EMPRESARIAL E COMO SOLUÇÃO DE


CONFLITOS INTERNACIONAIS

Como aspecto introdutório desse tema, abordaremos brevemente o


histórico do Direito Empresarial e o surgimento da esfera arbitral.
O Direito Comercial surgiu com o intuito de solucionar conflitos existentes
na esfera mercantil. Há vestígios muito antigos do Direito Comercial, como no
Código de Hammurabi, na Grécia Antiga, e na Lex Rhodia de Lactu, dos
romanos. A expansão da complexidade das operações mercantis acarretou em
uma expansão do Direito Comercial e a sua posterior denominação de Direito
Empresarial (Campolina, 2008).
O Direito Empresarial não é voltado estritamente para o comércio, mas
engloba todas as relações que envolvem a atividade mercantil, a prestação de
serviços e a circulação de mercadorias, conforme o artigo 997 do Código Civil.
Enquanto o Direito Comercial passa a contemplar o comerciante, a atividade
empresária, o cliente consumidor, o Estado e toda matéria que está direta ou
indiretamente ligada ao comércio, à indústria e à empresa (Campolina, 2008).
Mas, e o Direito Arbitral? Ele surgiu em qual contexto? Qual foi seu
objetivo? Campolina (2008) afirma que o Direito Arbitral surgiu a partir do século
XVIII com o intuito de resolver conflitos comerciais internacionais.
5
Faz-se necessário, também, nessa fase dos nossos estudos,
compreender porque a arbitragem surge como uma alternativa à esfera judicial.
As organizações empresariais, assim como as pessoas físicas, precisam
de saúde e paz de espírito para desenvolverem suas relações com todos os
stakeholders, tais como a cadeia de valores (clientes e fornecedores), os
funcionários e a comunidade, englobando todos os aspectos sociais e
ambientais envolvidos.
Assim, quando surge um impasse nesse ambiente, as organizações
podem resolver esse conflito na esfera arbitral. Essa decisão auxiliará na
manutenção do bom relacionamento futuro com os stakeholders da empresa,
visto que a esfera arbitral é uma alternativa mais amigável em relação ao
processo judicial, que é sempre desgastante. A arbitragem leva em consideração
a conservação das relações existentes, objetivando resolver o impasse de forma
célere, discreta e com critérios e valores aceitos pelas partes envolvidas
(Campolina, 2008).
Portanto, podemos apontar, de maneira sucinta, três aspectos que são
considerados por Campolina (2008) como as principais vantagens da esfera
arbitral em detrimento da esfera judicial: a celeridade processual, a informalidade
e a economia financeira.
A celeridade processual é a rapidez com que o processo arbitral se inicia
e conclui-se. Segundo Campolina (2008), o que geralmente leva três anos para
ser resolvido em primeira instância da esfera judicial, pode ser resolvido, em
média, com seis meses de arbitragem.
A informalidade é comum às esferas extrajudiciais, aplicando-se, também,
à esfera arbitral. Exemplos de informalidade: as partes podem se comunicar
diretamente com o árbitro (fato que não ocorre na esfera judicial), e as partes
podem expor suas razões sem se preocupar com aspectos formais de
comunicação, tais como as petições (Campolina, 2008).
E, por último, temos a economia financeira. De cara, poderíamos citar a
economia de tempo (relativo à celeridade processual) como uma conversão em
economia financeira. Contudo, além desse aspecto, que também é válido, temos
que o procedimento arbitral é mais econômico do que as custas e taxas pagas
para a máquina do Judiciário (Campolina, 2008).

6
TEMA 3 – PRINCÍPIOS DE ARBITRAGEM

Antes de discorrermos sobre cada um dos sete princípios da arbitragem,


faremos uma breve explanação sobre o conceito de princípios jurídicos e suas
funções e o papel dos princípios na esfera arbitral.
De forma sintética e superficial, podemos dizer que os princípios, no
Direito, cumprem um papel de fundamentos, normas elementares ou requisitos
primordiais. Nesse sentido, são os axiomas ou verdades universais de um
sistema jurídico. As funções dos princípios, segundo Rabay (2012), podem ser
sintetizadas em estrutural, interpretativa, axiológica e social. A função estrutural
mantém a coerência e harmonia do sistema jurídico. A função interpretativa tem
os princípios como direções seguras, ou seja, eles auxiliam e contribuem para a
interpretação das normas jurídicas. A função axiológica é a utilização dos
princípios para a solução de divergências concretas. E, por fim, a função social
prescreve que o magistrado deverá atender a fins sociais e ao alcance do bem
comum, ao aplicar a legislação para resolução de um impasse.
Assim sendo, podemos abordar os princípios da arbitragem transpondo a
conceituação dos princípios e de suas funções do ambiente judicial para o
arbitral. Para tanto, os seguintes princípios devem ser considerados ao tratarmos
da esfera arbitral (Rabay, 2012):

a. Princípio da autonomia privada: esse princípio confere às partes o


poder de autorregulamentação e autodeterminação de seus interesses,
em esfera arbitral, desde que não sejam contrários à ordem pública, aos
bons costumes e às normas vigentes.
b. Princípio da boa-fé: inspirado no Código Civil, o princípio da boa-fé foi
transportado também para a esfera arbitral. Ele veda o abuso de direito,
o comportamento contraditório, o ato emulativo e/ou eivado de boa-fé,
bem como alegação em juízo, por qualquer das partes que
voluntariamente elegeram a esfera arbitral para resolução de conflito.
c. Princípio da autonomia da cláusula da convenção de arbitragem em
relação ao contrato: no direito contratual temos o princípio da
conservação dos contratos, que é subdividido em preservação, conversão
e aproveitamento e está presente no Código Civil. Contudo, na esfera
arbitral, temos o princípio da autonomia da cláusula da convenção de
arbitragem sobre o contrato. Isto significa dizer que, independentemente

7
da nulidade do contrato, a cláusula da convenção arbitral é soberana.
Portanto, a nulidade do contrato não implica nulidade da cláusula arbitral.
d. Princípio da competência-competência: esse princípio versa sobre a
soberania da decisão arbitral. Assim, cabe aos próprios árbitros a decisão
sobre a invalidade da cláusula arbitral e do contrato. O árbitro tem a
capacidade para julgar sua própria competência, ou seja, ele mesmo
decide com imparcialidade nesse processo arbitral. Importante salientar
que não há como admitir a interferência do Poder Judicial na esfera
arbitral. Outrossim, a esfera arbitral perderia sua efetividade.
e. Princípio da força vinculante e obrigatoriedade da cláusula arbitral:
esse princípio é correlacionado ao princípio da força obrigatória das
convenções, no qual as partes devem cumprir com os acordos
estipulados entre si e lavrados por meio das convenções. Nesse sentido,
a cláusula arbitral assume um caráter de convenção e,
consequentemente, as partes são obrigadas a submeterem-se à esfera
arbitral para a resolução dos problemas, excluindo-se a possiblidade de
jurisdição estatal.
f. Princípio da temporariedade: em contraponto ao princípio da força
vinculante e obrigatoriedade da cláusula arbitral, o princípio da
temporariedade apresenta-se como um elemento que visa limitar a
validade da cláusula arbitral a fim de não a tornar vitalícia, configurando-
se como sujeição eterna. Assim sendo, após o período estabelecido no
arbitramento ou decorrido um prazo de seis meses, se não houver
menção na sentença arbitral, existe a possibilidade de ação judicial para
resolução do conflito.
g. Princípio das garantias processuais: esse princípio versa sobre os
procedimentos necessários para garantir validade ao processo arbitral.
Nesse sentido, garantias mínimas processuais devem ser atendidas, tais
como o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório, a
igualdade entre as partes, a imparcialidade e o livre convencimento do
árbitro, a decisão fundamentada, entre outros aspectos. Caso o princípio
das garantias processuais não seja cumprido, torna-se de difícil a
aceitação, tanto juridicamente quanto socialmente, a legitimidade e a
credibilidade da sentença arbitral.

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TEMA 4 – ATRIBUIÇÕES USUAIS DO ÓRGÃO ARBITRAL

Neste tema veremos orientações e explicações quanto às atribuições


usuais do órgão arbitral.
Depois de as partes, de livre acordo, terem concebido a esfera arbitral
para a resolução de conflitos, como se dá a formação e a escolha do árbitro? O
que é esse órgão arbitral?
Na esfera arbitral, cabe às partes disciplinar os procedimentos, em
comum acordo e respeitando os sete princípios arbitrais que estudamos no tema
anterior, ou adotar as regras de um órgão arbitral institucional ou de uma
entidade especializada para tal fim. Nesse sentido, o órgão arbitral é formado
por pessoas especializadas, com regras e procedimentos próprios. A escolha de
um órgão arbitral e/ou a formação de um tribunal de árbitros responsáveis pelo
processo deve estar formalizada na cláusula compromissória. Segundo
Campolina (2008), é comum que cada parte indique o seu árbitro, os dois árbitros
indiquem um terceiro e, de comum acordo, os três árbitros indiquem o presidente
do órgão arbitral; caso não haja consenso, elege-se o mais idoso.
As partes podem escolher livremente como querem solucionar o litígio,
conforme o art. 10º da Lei de Arbitragem. Ainda, o princípio da autonomia permite
que as partes escolham como será resolvido o conflito, em qual prazo e por quais
árbitros. Essa escolha perpassa o órgão arbitral e podem ser fundamentadas
nas regras do Direito, na equidade ou, ainda, nos usos e costumes do comércio
internacional. Na ausência de regras, os árbitros disciplinarão os procedimentos
(Campolina, 2008).
Por fim, discorreremos sobre o procedimento arbitral, que é composto por
audiências, sem formalidades ou solenidades. O objetivo da arbitragem é propor
uma conciliação entre as partes, visto que a esfera arbitral tem como
pressuposto a manutenção das relações comerciais existentes entre as
organizações litigantes. Se houver acordo, será proferida a sentença arbitral.
E caso não haja acordo? Como é o procedimento? Novamente,
salientamos que a esfera arbitral pressupõe, diferentemente da esfera judicial,
uma boa vontade no sentido de resolução dos problemas de forma amigável
entre as partes. Caso não haja um acordo inicial, as partes devem apresentar
seus questionamentos e suas assertivas e indicar as provas que pretendem

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produzir para embasamento dos pontos levantados em audiência. Essas provas
podem ser documentais, testemunhais ou periciais.
Em seguida, outra audiência será agendada com o intuito de resolver os
fatos contraditórios apresentados. Assim, as provas são apresentadas, quando
houver, e julgadas. Por fim, dentro de prazo estabelecido pelas partes, fica o
árbitro encarregado de proferir uma sentença arbitral.

TEMA 5 – REQUISITOS DA SENTENÇA ARBITRAL

Neste tema, após termos aprendido sobre o que é arbitragem, o papel do


perito-contador, os princípios norteadores e os procedimentos arbitrais,
explicitaremos o aspecto final, o xeque-mate do nosso processo arbitral: a
sentença arbitral.
A sentença arbitral deve ser proferida dentro do prazo estabelecido no
termo de compromisso arbitral, ou, se nada tiver sido acordado, dentro do prazo
de seis meses. As partes podem, de comum acordo, optar pela prorrogação do
prazo, devendo expressar essa vontade de forma escrita. Todavia, em casos em
que o prazo não tenha sido prorrogado e tampouco respeitado pelos árbitros, as
partes deverão entregar uma notificação por escrito decretando um prazo final
para a sentença arbitral (Campolina, 2008).
Um aspecto fundamental e que torna a esfera arbitral ainda mais legítima
é a força executória de sentença transitada em julgado que possui o laudo
arbitral e que, portanto, produz os mesmos efeitos da esfera judicial. Podemos
citar os seguintes efeitos idênticos nas duas esferas, decorrentes da sentença
arbitral (Campolina, 2008):

 Tornar certa a relação (ou situação) jurídica incerta;


 Pôr fim à atividade jurisdicional arbitral;
 Constituir título executivo, se condenatória;
 Sujeitar o devedor à execução;
 Produzir hipoteca judiciária.

Não objetivamos, aqui, nos aprofundar nesses aspectos supracitados,


contudo, queremos enfatizar a o efeito produzido pela sentença arbitral.
Ratificamos com a seguinte assertiva de Campolina (2008, p. 64):

Assim, o laudo ou a sentença arbitral possui a mesma natureza da


decisão emanada pelo Judiciário, decidindo questões de fato e de

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direito, podendo ser executada em caso de descumprimento. Se
condenatória, constituirá título executivo judicial. A sentença arbitral
terá definitividade, não cabendo recurso, salvo quanto a erro formal,
como por exemplo, se desrespeitado algum princípio do juízo arbitral.
A nulidade deverá ser requerida na justiça comum.

Nesse sentido, só cabe recurso à sentença arbitral, caso seja cometido


algum erro formal. E este deve ser requerido na justiça comum. Como exemplo,
podemos citar algum tipo de vício em relação à sentença arbitral: o árbitro era
suspeito e apenas uma das partes detinha o conhecimento prévio no decorrer
do arbitramento. Assim, tomada ciência do fato, a parte que se sentir lesada
poderá solicitar, na justiça comum, ação de nulidade da sentença arbitral
proferida, de acordo com os arts. 32 e 33 da Lei da Arbitragem (Campolina,
2008).

TROCANDO IDEIAS

Nessa última aula do nosso curso sobre Perícia e Arbitragem Contábil,


aprendemos como funciona o processo de arbitragem, em seus detalhes, e a
importância para a área contábil e para o profissional perito-contador. Em um
mundo tão complexo e dinâmico, as organizações empresariais buscam
direcionar seus esforços para o core business (seu negócio principal) e, portanto,
quando surge um impasse com seus parceiros de negócios e stakeholders, no
geral, essas empresas podem optar pela arbitragem como solução dos conflitos
existentes e manutenção do bom relacionamento com os parceiros de negócios,
visto que todas as empresas visam à continuidade.
Nesta atividade de fórum, você deverá pesquisar, refletir e expor a sua
opinião sobre a seguinte questão:
A arbitragem é um processo que visa à resolução de conflitos de forma
rápida, informal e com a diminuição dos custos processuais. Dessa maneira,
vimos que existem muitas vantagens em relação à utilização da arbitragem em
detrimento da esfera judicial. Contudo, questiona-se: qual a efetividade da
arbitragem no cenário brasileiro? Existe confiança entre os parceiros de
negócios? A cultura do brasileiro é mais propensa ao processo judicial ou ao
arbitral? E, por fim, a possível ineficiência da máquina judicial brasileira
impulsiona para a arbitragem?

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Saiba mais
Dica: leia sobre a seguinte caso de disputa bilionária de ações da
Odebrecht com possível solução arbitral. Disponível em: <https://stj.jusbrasil.co
m.br/noticias/269208448/contrato-disputa-bilionaria-de-acoes-da-odebrecht-
sera-resolvida-por-arbitragem>. Acesso em: 4 out. 2018.

NA PRÁTICA

Vamos agora para uma atividade prática. Coloque os conceitos


aprendidos nessa aula como base para resolução de um problema pericial.
Nesta atividade, você deverá refletir e aplicar o conceito de tribunal arbitral:
A empresa X e a empresa Y são sócias da empresa MAX. A empresa
MAX possui seu capital social segmentado da seguinte maneira: 9.000 ações,
sendo 3.000 ações da empresa X e 5.000 ações da empresa Y, as demais ações
pertencem a acionistas minoritários, sem direito a decisão.
Para organizar as relações entre os sócios, em dezembro de 2009, os
grupos de acionistas, representados pelas empresas X e Y, celebraram um
acordo entre acionistas na empresa MAX. Nesse acordo, previam uma série de
questões, tais como exercício de voto, controle, questões de governança
corporativa, política de comunicação com o mercado, venda de ações, entre
outras. O acordo previa a resolução de problemas pela esfera arbitral.
Em maio de 2011, a empresa Y, até então controladora da empresa MAX
e com grandes influências no acordo celebrado em 2009, se viu obrigada a
vender 40% de suas ações da empresa MAX. Nessa ocasião, objetivando
adquirir controle na empresa MAX, a empresa X comprou as 2.000 ações que
pertenciam à empresa Y.
A estrutura acionária, a partir de maio de 2011, ficou da seguinte maneira:
empresa X com 5.000 ações, a empresa Y com 3.000 ações e outros acionistas
minoritários com 1.000 ações da companhia MAX.
Em janeiro de 2012, as empresas X e Y enfrentaram um impasse
relacionado à política de comunicação de informações estratégicas ao mercado
acionário. Acionando o acordo, a empresa Y solicitou um tribunal arbitral para
resolução do problema. Contudo, o grupo de acionistas que representavam a
empresa X, atual controladora da companhia MAX, não achou legítima a esfera
arbitral e decidiu entrar com um processo judicial para resolver tal empecilho.

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Com base no caso relatado, questiona-se: o que ocorre se o grupo de
acionistas que não aderiu ao procedimento arbitral (empresa X) tiver a solução
diferente, na esfera judicial, em relação ao grupo de acionistas que aderiu ao
procedimento arbitral (empresa Y)?

FINALIZANDO

Estamos finalizando a disciplina de Perícia e Arbitragem Contábil. Foi um


curso extenso e denso no que tange à quantidade de detalhes e informações
normativas e procedimentais das esferas pericial e arbitral.
A primeira aula discorreu sobre aspectos conceituais, tais como a
definição da prática pericial, seu objeto, conceito, aspectos históricos, além das
normas relativas à profissão de perito.
A segunda aula do curso tratou dos aspectos normativos da profissão
pericial, dentre eles, as obrigações normativas da profissão, incluindo as
limitações e alcance, além do tratamento sobre os honorários e aspectos
periciais da prova.
A terceira aula do curso se preocupou em apresentar as técnicas
empregadas e as principais metodologias de trabalho relativas a erros, fraudes,
laudo pericial e parecer técnico.
A nossa quarta aula desse curso focou no planejamento dos trabalhos
periciais, indicando caminhos para que o profissional diminua riscos inerentes à
profissão e possa cumprir seu planejamento inicial.
A quinta aula, e última sobre perícia contábil, versou sobre a execução
dos trabalhos, mostrando exemplos de tipos de perícia aplicada à Contabilidade
em diversas esferas judiciais, tais como criminal, cível estadual, da família,
justiça federal, do trabalho, entre outras. E, por fim, a última aula do curso de
Perícia e Arbitragem Contábil se concentrou no processo de arbitragem.
Os dois primeiros temas dessa aula sobre arbitragem introduziram esses
atributos para o mundo dos nossos alunos. Assim, no Tema 1, abordamos as
noções gerais sobre perícia na esfera arbitral, especificamente os conceitos e as
definições, além do papel do perito nessa esfera. Já o segundo tema dessa aula
destacou a arbitragem no Direito Empresarial e como solução de conflitos
internacionais, perpassando os aspectos históricos da arbitragem no Direito e a
relevância e vantagens da resolução de conflitos na esfera arbitral.

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Em seguida, foram apresentados os princípios norteadores do processo
arbitral e os procedimentos relativos à resolução de conflitos nesse ambiente.
Assim, o Tema 3 apresentou e explicou os sete princípios direcionadores do
tribunal arbitral, os quais devem ser seguidos sempre, pois são verdades
universais. O Tema 4 versou sobre as atribuições usuais do órgão arbitral,
especificamente a formação desse órgão e os procedimentos adotadas para que
exista uma legitimidade processual. E, por fim, discorremos sobre a sentença
arbitral, detalhando os procedimentos em possíveis desfechos de uma primeira
audiência conciliatória. Esperamos que você tenha aproveitado muito esse curso
por meio dos textos, vídeos e exemplos aplicados em cada aula. A partir de
agora você está apto para compreender o mundo pericial e arbitral, e pode se
inserir e participar desse universo. Agradecemos a sua companhia durante
essas seis aulas!

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REFERÊNCIAS

CARMONA, C. A. Arbitragem e processo: um comentário à Lei 9.307/96. São


Paulo: Malheiros, 1998.

CAMPOLINA, I. M. C. Arbitragem no direito empresarial: perspectivas dos


sócios e da sociedade. Belo Horizonte: Faculdade de Direito Milton Campos,
2008.

VILELA, M. D. G. Arbitragem no direito societário. Belo Horizonte:


Mandamentos, 2004.

RABAY, A. Princípios da arbitragem. São Paulo: Malheiros, 2012.

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