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ATLAS

DAS UNIDADES DE
CONSERVAÇÃO DO
MUNICÍPIO DE NITERÓI
ATLAS
DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
DO MUNICÍPIO DE NITERÓI

Edição
Pedro Bittencourt
2018
Figura 1 - Vista do Forte do Pico (Área de Proteção Ambiental - APA - do Morro do Morcego, da Fortaleza de Santa Cruz e dos Fortes Pico e Rio Branco) para a
Montanha da Viração (Parque Natural Municipal de Niterói - PARNIT - Setor Montanha da Viração).

Por Rodrigo Silva Campanario.


Ficha Catalográfica elaborada pela Secretaria Municipal de Urbanismo e
Mobilidade / CEDOC-UDU
Ilustração 1 - Grumixama (Eugenia brasiliensis).
P923a

Prefeitura Municipal de Niterói


Atlas das Unidades de Conservação do Município de Niterói
[Documento digital] / Prefeitura Municipal de Niterói; Coordenadora
Técnica Geógrafa e Subsecretária Amanda Jevaux da S. de Sousa;
Capa(frente)Rodrigo Silva Campanário; Contra-Capa Camila Ennes; Capa
(verso) Larissa Carvalho [Et ... al] ._ Niterói,RJ : Edição Pedro Bittencourt,
2018.
101p.
Bibliografia f.99-101

1.Unidades de Conservação 2.Niterói 3.Mata Atlântica 4.Gestão da


Biodiversidade

CDD 574.5
CDU 502.7(811)

Por Camila Ennes.


CRÉDITOS SUMÁRIO

PREFEITURA MUNICIPAL DE NITERÓI COLABORAÇÃO ESPECIAL 21º Grupo de Artilharia de Campanha


Prefeito Rodrigo Neves Grupo Monte Bastione ›› Apresentação 1
Vice-prefeito Comte Bittencourt Secretaria Municipal de Defesa Civil
Allan Wilis Pereira Sturms Sub-chefe Parque Estadual da Serra da Tiririca
›› Prefácio 2
Jhonatan Ferrarez de Barros ›› Introdução 4
SECRETARIA EXECUTIVA Chefe da Reserva Extrativista Marinha de Itaipu
Secretário Axel Schmidt Grael Carlos Henrique Martins Gomes Secretaria Municipal de Cultura ›› Metodologia 6
Engenheiro Florestal/M.Sc em Manejo de Recursos
Leonardo Caldeira ›› Ecossistemas do Município de Niterói 7
SECRETARIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE, Naturais/PhD em Geografia/Professor Associado do Coordenadoria de Comunicação Digital/ Prefeitura Muni- ›› Ecossistemas Terrestres 7
RECURSOS HÍDRICOS E SUSTENTABILIDADE Departamento de Geografia/Instituto de Geociências cipal de Niterói
Secretário Eurico Toledo Universidade Federal Fluminense Lincoln Neto ›› Ecossistemas Localizados em Terrenos Antigos 10
EQUIPE - SETOR DE ÁREAS VERDES
Claudio Belmonte de Athayde Bohrer
Conselho Comunitário da Região Oceânica de Niterói
›› Floresta Ombrófila Densa 10
Coordenador de Pesquisa e Manejo de Ecossistemas Nelson José Monteiro ›› A Fauna Florestal 14
Coordenação técnica Parque Estadual da Serra da Tiririca
Geógrafa/Subsecretária Felipe Silva Lima de Queiroz Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade ›› Vegetação Rupestre 16
Amanda Jevaux da S. de Sousa
Engenheira Agrônoma/M.Sc. em Geociências - Geoquí-
Priscila Freitas Araujo ›› Ecossistemas Localizados em Ambientes em Formação 16
CORPO TÉCNICO mica Ambiental, D.Sc. em Geografia Guarda parque Resex/PESET ›› Restingas 17
Lisia Vanacôr Barroso Rafael Lourenço Nepomucemo
Geógrafo ›› Campos Inundáveis 19
Alex Faria de Figueiredo Biólogo/Dr. em Geografia/Professor Titular do Departa-
mento e Programa de Pós-Graduação em Geografia da
Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídri-
cos e Sustentabilidade
›› Manguezais 20
Graduanda em Geografia/Estagiária Universidade Federal Fluminense Raquel Azevedo da Cruz ›› Ecossistemas Aquáticos - O Sistema Lagunar Piratininga - Itaipu 22
Bruna Rayani Guedes de Oliveira Luiz Renato Vallejo
Secretaria Municipal de Cultura ›› Serviços Ecossistêmicos 27
Engenheiro Florestal Geógrafa/M.Sc. em Geoquímica Ambiental, Doutoranda Roberta Martins
Bruno Torres Braga da Silva em Geografia/PPG-Geografia/Instituto de Geociência
Universidade Federal Fluminense Secretaria Municipal de Defesa Civil ›› Áreas Ambientalmente Protegidas Estabelecidas no Município 29
Biólogo Patrícia Moreira Mendonça e Silva Tenente Coronel BM Walace Medeiros de Barbosa
Cristiano Ricardo de Almeida Montenaro ›› Áreas Naturais Tombadas 31
Graduanda em Engenharia Ambiental/Estagiária COLABORADORES GESTORES DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO ESTA-
›› Contextualização Histórica das Unidades de Conservação e seus Instrumentos de Gestão 33
Dayane Andrade da Silva DUAIS ›› Unidades de Conservação no Brasil 35
Liderança comunitária do Morro do Holofote
Graduando em Ciências Biológicas/Estagiário Adriano Montezzano Parque Estadual da Serra da Tiririca ›› Corredores Ecológicos ou de Biodiversidade 37
Diego Teixeira Pinto Mendonça
Coordenadoria de Comunicação Digital / Prefeitura Mu-
Alexandre Rodrigues Ignacio ›› As Unidades de Conservação e a participação social 37
Bióloga nicipal de Niterói Reserva Extrativista Marinha de Itaipu ›› Planos de Manejo das Unidades de Conservação 37
Fabiana Abreu de Barros Ana Paula P. Moraes Mattos Carlos Henrique Martins Gomes

Engenheira Florestal
Lislaine Sperandio Mendes
Fazendeiros Urbanos
André Carlos de Souza GESTOR DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO MUNICI-
›› Unidades de Conservação de Niterói 43
PAIS ›› Unidades de Conservação de Uso Sustentável 43
Graduanda em Engenharia Agrícola e Ambiental/Esta- Artilharia Divisionária da Primeira Divisão de Exército Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sus-
giária AD/ 1 tentabilidade - SMARHS ›› Área de Proteção Ambiental das Lagunas e Florestas de Niterói 43
Maria Carolina Fernandes de Campos Artilharia Cordeiro de Farias ›› Área de Proteção Ambiental do Morro do Gragoatá 48
Graduando em Engenharia Ambiental e Sanitária/Esta- Coordenadoria de Comunicação Digital/ Prefeitura Muni- FOTOGRAFIAS ›› Área de Proteção Ambiental da Água Escondida 51
giário cipal de Niterói
Marcos Antônio Louzada Serrão Cássio Mendes Bastos Clarissa Sanglard Hisse ›› Área de Proteção Ambiental do Morro do Morcego, da Fortaleza de Santa Cruz e dos Fortes Pico e Rio Branco 54
Graduando em Engenharia de Recursos Hídricos Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade Gabriela Gomes Simões
›› Sistema Municipal de Áreas de Proteção Ambiental (SIMAPA) 61
e Meio Ambiente/Estagiário Daniel de Assis Reis barros ›› Reserva Extrativista Marinha de Itaipu (RESEX) 65
Pedro Octávio Bittencourt de Rezende Gilson Freitas
Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade
Graduando em Ciências Biológicas/Estagiário
Pedro Phillipe Couto Alves
Eduardo Barreto Teixeira Rodrigo Silva Campanario - CAPA (FRENTE) ›› Unidades de Conservação de Proteção Integral 69
Secretaria Municipal de Cultura ›› Reserva Ecológica Darcy Ribeiro 69
Graduando em Engenharia de Recursos Hídricos Fernanda Couto ILUSTRAÇÕES
e Meio Ambiente/Estagiário ›› Parque Natural Municipal de Niterói (PARNIT) 73
Rodrigo da Cruz Bedran Coordenadoria de Comunicação Digital/ Prefeitura Muni-
cipal de Niterói
Camila Ennes - CONTRA-CAPA ›› Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET) 85
Geógrafo Fernando Farias Stern Isadora Bahiense Lutterbach Riker
Thiago dos Santos Leal
Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídri- Larissa Carvalho - CAPA (VERSO) ›› Mosaico Fotográfico das Unidades de Conservação de Niterói 93
Bióloga
Vanessa Gomes de Onofre
cos e Sustentabilidade/Subsecretário
Gabriel Pacheco Mello Cunha PUBLICAÇÃO
›› Referências Bibliográficas 99
BANCO DE DESENVOLVIMENTO
DA AMÉRICA LATINA
1 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI
Figura 2 -Cavernas sob o Museu de Arte Contemporânea - MAC (PARNIT - Setor Guanabara). 2

APRESENTAÇÃO PREFÁCIO

O termo atlas tem vários sentidos,


significados e contextos diferenciados;
é um livro selecionado de mapas
Um legado para as gerações
futuras

O
geográficos, entre outros aspectos. Atlas que apresentamos para vocês
O atlas é também um termo da mitologia representa o conjunto de ações e
grega. Atlas era um titã (os titãs são esforços constantes pelo meio ambiente e
divindades) que foi castigado por Zeus, pela sustentabilidade que a Prefeitura de
de maneira que teve que suportar o peso Niterói vem empreendendo desde o início
da Terra sobre seus ombros. Este sentido de nossa gestão, em 2013. Acreditamos
mitológico é o que posteriormente serviu que uma cidade moderna, amigável e
à Geografia para mencionar o conjunto capaz de proporcionar qualidade de vida
de mapas. Este relato passou pela para seus habitantes deve ser sustentável,
história como o mito de Atlas. Sua figura organizada, limpa, bem cuidada e
é representada de maneira peculiar valorizar as belezas que a natureza nos
por aguentar o peso do mundo, mas ao presenteou. E Niterói foi abençoada com
mesmo tempo por estar suspenso no ar. sua geografia peculiar que reúne lindas
Segundo os analistas, o mito de Atlas praias, lagoas, montanhas e florestas.
está baseado na etimologia da palavra, já É nosso dever garantir a manutenção
que atlas em grego significa aquilo que de todo esse patrimônio natural para as
não se derrota. futuras gerações.
Este Atlas tem como objetivo apoio à Nesse sentido, temos implantado
aprendizagem e realização de pesquisas. ações fundamentais como: implantação
Outrossim, ter à mão este Atlas é possuir do Programa Niterói Mais Verde;
informações sobre as unidades de criação do Parque Natural Municipal
conservação do nosso Município. de Niterói (PARNIT); implantação do
Portanto, este Atlas tem sua utilidade Programa Pró-Sustentável da Região
na medida em que oferece uma síntese Oceânica; incremento da nossa malha
completa e eficiente da realidade cicloviária; replantio de árvores em toda
das áreas protegidas, em seus vários a cidade;  idealização e desenvolvimento
aspectos. Torna-se desse modo um do Projeto de Desenvolvimento Urbano
compêndio de conhecimentos sobre o e Inclusão Social de Niterói (Produis);
nosso Município de Niterói nele abordado. recuperação de parques e praças,
combate às ligações irregulares de esgoto
Aproveitem! permitindo a melhoria das condições de
nossas praias e diversas outras ações
Eurico Toledo que garantem a Niterói uma posição de
Secretário de Meio Ambiente, Recursos vanguarda na questão ambiental.
Hídricos e Sustentabilidade Hoje, nossa cidade tem 56% de seu
território composto de áreas verdes
preservadas, a maior proporção entre as
Por Gilson Freitas. cidades da Região Metropolitana do estado
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3 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 4

florestas são um grande diferencial. Edmonton (100 m²).


do Rio de Janeiro. Criamos, inclusive, concedido pelo Iclei (Governos Locais pauta de todos os governantes. Como INTRODUÇÃO Apesar do descontrole urbano ao longo Niterói não quer parar por aí. A
um órgão, o Grupo Executivo para o pela Sustentabilidade), uma associação dito acima, nosso maior legado para as de décadas, a Região Metropolitana do administração municipal estruturou a
Crescimento Ordenado de Preservação mundial que reúne mais de 50 governos gerações futuras é um planeta limpo, Rio de Janeiro ainda mantém 36,27% de sua ação em três vertentes principais:
das Áreas Verdes (Gecopav), que atua em todo o mundo comprometidos com o sustentável, capaz de oferecer a todos os seu território com áreas verdes, sendo proteção, controle e recuperação de
para impedir a invasão e o crescimento desenvolvimento sustentável. seus habitantes qualidade de vida. que 16,47% (1.110 km²) são espaços áreas verdes.
desordenado nessas áreas. É importante frisar que todas as iniciativas Parques para uma Niterói
Sustentável protegidos como parques, reservas e PROTEÇÃO: O planejamento estratégico
Todas essas ações vêm obtendo devem ser contínuas, independentemente Rodrigo Neves
estações ecológicas. de Niterói (Niterói que Queremos 2013-
reconhecimento nacional e internacional. de governos e orientações político- Prefeito de Niterói

A s cidades já concentram mais de Niterói é ainda mais privilegiada e tem 2033) estabeleceu a meta de chegar a
No ano de 2017 recebemos o selo de partidárias. O compromisso com o envidado esforços para potencializar 50% do território da cidade protegido.
elaboração do inventário das emissões meio ambiente e a preocupação com as metade da população mundial e este
processo é irreversível. Até 2050, o índice essa vantagem. Além de sua orla extensa Porém, acreditamos que apenas “criar”
de gases de efeito estufa (GEE), mudanças climáticas precisam estar na e maravilhosa, incluindo lagoas e outros parques não é suficiente. É preciso
deve chegar a 66% e a proporção tende
a aumentar com o tempo. Portanto, as espaços naturais, ainda conta com um implantá-los efetivamente e integrá-los
Figura 3 - Morro Alto Mourão visto do Costão de Itacoatiara, Parque Estadual Serra da Tiririca (PESET). largo percentual do seu território coberto às demais políticas públicas e estratégias
áreas urbanas são o futuro para a grande
parte da população mundial e precisamos por florestas. de desenvolvimento da cidade. Nesse
torná-las cada vez mais saudáveis, Em 2014, o prefeito Rodrigo Neves sentido, Niterói também está se dedicando
aprazíveis e sustentáveis. O caminho assinou o Decreto 11.744, que instituiu a cumprir sua obrigação.
para alcançar este nível de qualidade é o Programa Niterói Mais Verde, criando Com tal objetivo, a Prefeitura de Niterói
que as cidades mantenham o máximo de o Parque Natural Municipal de Niterói estruturou o Programa Região Oceânica
harmonia com a natureza. - PARNIT (cerca de 9,2 milhões de m2, Sustentável (PRO-Sustentável), com
As florestas urbanas têm um papel incluindo o Morro da Viração, Parque recursos captados junto ao Banco de
fundamental neste contexto, pois ajudam Orla de Piratininga e Praia do Sossego) Desenvolvimento da América Latina
a reduzir a poluição, amenizam o clima e o Mosaico Norte de áreas protegidas (CAF), que inclui investimento para a
– prevenindo ilhas de calor – evitam a (cerca de 5,1 milhões de m², incluindo implantação do PARNIT. O primeiro passo
erosão de encostas e riscos geotécnicos, áreas dos bairros do Fonseca e Barreto). foi o desenvolvimento do Plano de Manejo
regulam aquíferos, estimulam esportes ao Posteriormente, ao aprovar o Plano para nortear os investimentos e algumas
ar livre, oferecem oportunidades de lazer Urbanístico Regional (PUR) de Pendotiba, ações já começaram a ser implantadas,
e recreação, harmonizam a paisagem, mais áreas foram estabelecidas para como é o caso da Travessia Tupinambá,
favorecem a economia e a geração de fins de proteção, somando-se às áreas localizada na Montanha da Viração.
empregos a partir de atividades turísticas protegidas pelo Parque Estadual da O PRO-Sustentável também prevê a
e outras vantagens. Serra da Tiririca. Dessa forma, Niterói, recuperação e gestão do sistema lagunar
Também merece destaque a relação entre alcança a expressiva marca de 33% do de Piratininga e Itaipu, a renaturalização
áreas verdes e a saúde da população. Um seu território protegido por unidades de do Rio Jacaré e a implantação de uma
estudo divulgado pela Universidade de conservação, ou seja, 89 m²/habitante. malha cicloviária que integrará também
São Paulo (USP)revela que a presença de A Sociedade Brasileira de Arborização o Parque Orla de Piratininga, o Setor
áreas verdes e outros espaços públicos Urbana – SBAU (“Carta a Londrina e Lagunar do Parque Estadual da Serra da
(praças, ciclovias, calçadões etc.) a uma Ibiporã”) recomenda um índice mínimo Tiririca (entorno da Lagoa de Itaipu) e as
distância máxima de 500 metros da de 15 m²/habitante. Portanto, o índice de praias da região.
residência das pessoas ajuda a combater Niterói já é quase 7 vezes maior do que o CONTROLE: Ainda como parte do esforço
o sedentarismo, mal que afeta 45,9% indicado. Poucas cidades, principalmente de proteção aos ecossistemas naturais
dos brasileiros, ou seja, 95 milhões de do porte de Niterói (cerca de 500 mil da cidade, a Prefeitura de Niterói realizou
pessoas. habitantes) e num contexto metropolitano, um concurso público para a Secretaria
O Rio de Janeiro, com quase 13 milhões contam com uma realidade tão favorável. Municipal de Meio Ambiente, Recursos
de habitantes, é a 17ª maior região É o que vemos ao comparar o índice de Hídricos e Sustentabilidade (SMARHS),
metropolitana do mundo e segunda área verde por hectare de Niterói ao de estruturou o Programa Niterói Contra
do Brasil. A sua condição litorânea, a outras cidades: Curitiba (64,5 m²), Goiânia Queimadas, coordenado pela Defesa Civil
presença da Baía de Guanabara no seu (94 m²), São Paulo (14,02 m²), Vitória (91 municipal e o Grupo Executivo para o
coração, além de expressivas áreas de m²), Recife (0,7 m²), Nova York (23,10 m²), Crescimento Ordenado de Preservação
Por Frederico Gordo Dantas.

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5 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 6

das Áreas Verdes (GECOPAV), para atuar Hídricos e Sustentabilidade-SMARHS) Paisagem, dentre outros. parceiros que, com sensibilidade, gravuras da paisagem, flora e fauna da
na fiscalização e nas duas principais e Niterói EcoSocial (coordenado pela O presente Atlas tem por objetivo METODOLOGIA retrataram as diversas paisagens do cidade.
causas de perda florestal: queimadas e Secretaria Executiva). estimular que moradores e visitantes nosso município através de fotografias e
ocupação irregular, principalmente nas A Prefeitura de Niterói pretende consolidar conheçam e reconheçam o valor das O Atlas das Unidades de Conservação de
encostas da cidade. todo o esforço da cidade em defesa dos áreas protegidas da cidade e que estas Figura 5 - Vista do Morro das Andorinhas (PESET) para a Praia de Itacoatiara.
Niterói surgiu do interesse em revelar as
RESTAURAÇÃO: Outra dimensão do seus ecossistemas nos instrumentos do sejam, definitivamente, incorporadas no belezas existentes na cidade de Niterói
trabalho realizado é a recuperação de Plano Diretor, em debate em 2017. Dentre cotidiano de Niterói. que, apesar de possuir 09 (nove) unidades
áreas verdes. Para isso, a Prefeitura os conceitos e instrumentos inovadores de conservação (UCs), poucas delas são
realiza atividades de reflorestamento a propostos estão: criação do Sistema de Axel Schmidt Grael conhecidas pelo público em geral. Desta
partir de mecanismos de compensações Áreas Protegidas, Áreas Verdes e Espaços Secretário Executivo de Niterói forma, a 1ª edição do Atlas de Unidades
ambientais e estruturou duas ações: Livres; definição de Parques Urbanos e de Conservação de Niterói explora, por
Projeto de Restauração Ecológica de de Áreas Verdes; controle e prevenção de meio de imagens, mapas e textos, sítios e
Niterói (coordenado pela Secretaria Ilhas de Calor; Pagamento por Prestação recantos representativos de cada unidade
Municipal de Meio Ambiente, Recursos de Serviço Ambiental; Ordenamento da de conservação, cada um com sua beleza
e relevância própria.
Figura 4 - Pedra de Itapuca (PARNIT - Setor Guanabara) , localizada na Praia de Icaraí.
A obra foi organizada pelo corpo técnico
da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos
Hídricos e Sustentabilidade (SMARHS)
que elaborou os textos referentes às
áreas ambientalmente protegidas e às
UCs, assim como foi responsável pela
compilação da base cartográfica para
confecção dos mapas.
Um dos pontos mais interessantes da
publicação foi a participação popular
por meio da realização do Concurso
Fotográfico que obteve a adesão de 64
participantes, com encaminhamento
de mais de 400 fotografias de alto
nível técnico e artístico. As fotografias
vencedoras foram contempladas com
publicação em destaque que podem ser
observadas ao longo desta edição.
O corpo docente da Universidade Federal
Fluminense, através da participação de
professores com notório conhecimento
sobre a temática ambiental municipal, fez-
se presente nos textos “Ecossistemas do
município de Niterói” e “Contextualização
histórica das unidades de conservação e
seus instrumentos de gestão”. Por fim, a
publicação foi financiada pela Corporação
Andina de Fomento (CAF) no âmbito
da cooperação técnica entre a CAF e
a Prefeitura Municipal de Niterói e do
Programa Região Oceânica Sustentável -
PRO-Sustentável. A construção do Atlas
contou ainda com o apoio de diversos
Por Gilson Freitas. Foto Original por Gilson Freitas.

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7 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI Figura 6 - Tiê-sangue (Ramphocelus bresilius). Figura 7 -Ilha do Pontal (PARNIT - Setor Costeiro-Lagunar).

ECOSSISTEMAS DO
MUNICÍPIO DE NITERÓI

Claudio Belmonte de Athayde Bohrer


Eng. Florestal, M.Sc em Manejo de Recursos Naturais, PhD
em Geografia, Professor Associado do Departamento de
Geografia, Instituto de Geociências, Universidade Federal
Fluminense, Niterói, RJ

Lisia Vanacôr Barroso


Eng. Agrônoma, M.Sc. em Geociências/Geoquímica
Ambiental, D.Sc. em Geografia, Niterói, RJ

Patrícia Moreira Mendonça e Silva


Geógrafa, M.Sc. em Ciência Ambiental, Doutoranda em
Geografia, PPG-Geografia, Instituto de Geociências,
Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ

Por Felipe Lima Queiroz.

O s ecossistemas terrestres e aquáticos


continentais que ocorrem no município
de Niterói estão diretamente relacionados
em suas estruturas e composições
florísticas conforme as condições de
solos, relevos e características climáticas
extinção.
No estado do Rio de Janeiro, predominam
diversas tipologias florestais (formações)
com os principais fatores físicos do dominantes em cada região, tendo como das regiões ecológicas das Florestas
ambiente, que exercem uma influência elemento comum a influência da umidade Ombrófila Densa e da Floresta Estacional
marcante nas suas características, proveniente do Oceano Atlântico. Semidecidual, conforme a classificação
propriedades e peculiaridades, e na sua A Mata Atlântica recobria originalmente da vegetação brasileira desenvolvida
distribuição espacial original. Como a maior parte da região costeira leste pelo IBGE, a partir dos levantamentos
consequência do processo histórico de do Brasil (cerca de 12% do território e mapeamentos feitos pelo Projeto
ocupação e utilização das terras pelo nacional). Aproximadamente 70% da RADAMBRASIL (Quadro 1). A Floresta
homem e de sua interação com esses população brasileira ocupam a porção Densa recobre as planícies e encostas
fatores, esses ecossistemas foram do território situada no domínio da Mata do litoral sul e central e das Serras do
bastante impactados pela ação humana Atlântica e, como consequência, apenas Mar e da Mantiqueira, enquanto que a
ao longo dos séculos. O resultado dessa uma pequena parte da sua área (11-20%, Floresta Semidecidual ocupa o norte-
interação de fatores exerceu e continua segundo diferentes fontes) permanece nordeste fluminense e o médio-baixo
a exercer uma influência marcante na com a cobertura original, representada Vale do Rio Paraíba do Sul, atingindo o
sua distribuição espacial, estrutura e por fragmentos florestais de diferentes litoral leste até a região de Cabo Frio.
composição de espécies da flora e da tamanhos, a maior parte pequenos (área Seus remanescentes englobam um
fauna. inferior a 1000 ha). Considerada como diversificado conjunto de ecossistemas
uma das áreas de floresta tropical mais florestais, com estrutura e composição
Ecossistemas Terrestres ameaçadas do mundo, sendo por isso florística diferenciadas, além dos
reconhecida como um “Hotspot” (alta denominados ecossistemas associados,
O estado do Rio de Janeiro está biodiversidade combinada com o alto como as restingas, campos inundáveis,
totalmente compreendido dentro do grau de ameaça), a Mata Atlântica abriga rupestres ou de altitude, e manguezais.
domínio do Bioma Mata Atlântica, que é muitas espécies endêmicas (exclusivas O município de Niterói abrigava
constituído por um diversificado mosaico do bioma) e boa parte das espécies da originalmente pelo menos cinco tipos
de ecossistemas florestais, diferenciados fauna e flora brasileira ameaçadas de principais de ecossistemas terrestres.
Por Gilson Freitas.

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9 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 10

Seu território se situa dentro da região formados há milhões de anos (rochas em alguns terrenos sedimentares mais Ecossistemas Localizados em contra a seca nas gemas foliares, e que vegetativo contínuo de alta umidade e
ecológica da Floresta Ombrófila Densa, cristalinas datadas do período Pré- recentes, (de idade Pleistocênica) nas Terrenos Antigos formam um dossel (conjunto formado calor, com crescimento vegetal constante
que recobre terrenos muito antigos, Cambriano), podendo ocorrer também áreas mais baixas. Alguns trechos pelas copas das árvores) contínuo, e a ocorrência de diversos tipos de
expostos (afloramentos rochosos ou Floresta Ombrófila Densa espesso e estratificado, dominado por adaptações para aproveitar a variação da
inselbergs) encontram-se recobertos por espécies arbóreas de médio e grande radiação solar nos diferentes estratos,
Quadro 1 - Equivalência das classes de vegetação do IBGE que ocorrem no município de Niterói com
tipos de ecossistemas ou outras classificações da vegetação. Vegetação Rupestre. A ocorrência de Floresta Ombrófila Densa porte, que atingem 25-30 m de altura, como folhas largas, a arquitetura das
Outros tipos de ecossistemas que está diretamente associada ao clima podendo ocorrer indivíduos emergentes copas e abundância de lianas (trepadeiras
Classificação IBGE Ecossistema 1 Ecossistema 2 ocorrem em Niterói correspondem à tropical, com elevada temperatura média ainda mais altos em alguns trechos. e cipós), de samambaias arbóreas
classe Formações Pioneiras, ou seja, aos e alta precipitação, relativamente bem O porte e a densidade da vegetação (pteridófitas) e epífitas vasculares, como
Floresta Ombrófila Densa Floresta Pluvial Tropical Floresta Hidrófila
tipos de vegetação que ocupam terrenos distribuída durante o ano, determinando florestal - caracterizada pelo tamanho bromélias, orquídeas e aráceas. É comum
Floresta Densa Aluvial Floresta Ripária Mata Ciliar baixos e planos, de idade relativamente um clima praticamente sem período das árvores e de seus órgãos vegetativos, a ocorrência de caulifloria (quando flores e
recente (Pleistocênicos e Holocênicos), e biologicamente seco, ou seja, sem pela rapidez de desenvolvimento e pelo frutos brotam diretamente dos caules, ex.
Floresta Densa das Terras Baixas Floresta de Baixada Mata de Baixada que se encontram ainda em processo de grande número de espécies vegetais (jabuticabeira, Plinia sp.), principalmente
ocorrência de déficit hídrico significativo
Floresta Densa Submontana Floresta Baixo-Montana Floresta de Encostas evolução física dos solos (pedogênese) para as plantas, mesmo durante os meses (a riqueza de espécies sendo um nos estratos inferiores mais sombreados,
e ecológica (sucessão vegetal primária). mais secos de inverno. Predominam indicador de biodiversidade) - podem ser e a presença de liquens nos caules das
Formação Pioneira
Brejo Campo Inundável Entre esses estão: as restingas, planícies espécies arbóreas perenes sem proteção explicados pela ocorrência de um período árvores.
de Influência Aluvial/Fluvial
Formação Pioneira arenosas de origem marinha, incluindo
Figura 9 - Figueira (Ficus sp.) localizada no Córrego dos Colibris (PESET).
Restinga praias, terraços, e campos de dunas, com
de Influência Marinha
Formação de Influência cobertura vegetal variando de herbácea a
Restinga Arbórea Floresta Paludosa arbustiva e arbórea; os brejos e campos de
Marinha Arbórea
Formação de Influência várzea, depressões e várzeas em terrenos
Restinga Arbustiva
Marinha Arbustiva das planícies aluviais de inundação dos
Formação de Influência rios e margens de lagoas cobertas por
Restinga Herbácea
Marinha Herbácea vegetação com fisionomia arbustiva e
Formação Pioneira de Influência herbácea, podendo atingir porte florestal
Campo Inundável Brejo
Fluviomarinha em terrenos um pouco mais antigos e
Formação de Influência mal drenados; e os manguezais, planícies
Manguezal Arbóreo
Fluviomarinha Arbórea argilosas fluviomarinhas, localizadas em
Formação de Influência embocaduras de rios nas margens da
Apicum
Fluviomarinha Herbácea Baía da Guanabara e das lagoas costeiras.
Vegetação Rupestre Costão Rochoso

Vegetação Secundária Floresta Secundária Capoeira


Fonte: Elaborado pelo autor.

Figura 8 - Formações pioneiras no entorno da Laguna de Itaipu (PESET).

Por Felipe Campos Machado. Foto Original por Gilson Freitas.

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11 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 12

Apesar da aparência de estabilidade, os Ilustração 2 - Paineira (Ceiba speciosa). (Erythrina), Pseudopiptadenia, Swartzia, Ilustração 3 - Maracujá-amarelo (Passiflora Figura 10 - Floração de bromélia (Billbergia pyramidalis) no PESET.
ecossistemas florestais possuem uma Pterocarpus e Machaerium. alata).
natureza dinâmica de mudanças, com Já no estrato inferior ocorrem espécies
uma contínua substituição das árvores de baixo a médio porte das famílias
mortas por doenças ou envelhecimento Rubiaceae, como o jenipapo (Genipa
por indivíduos mais jovens, num americana) e outras (Psychotria, Rudgea,
processo influenciado também pela Bathysa, Posoqueria), Myrtaceae
ocorrência eventual de deslizamentos (Eugenia, Myrcia, Caliptranthes, Myrciaria,
nas encostas, vendavais e por quebras Plinia), Annonnaceae (Guatteria),
de grandes galhos cobertos por diversas Melastomataceae (a quaresmeira
epífitas quando da ocorrência de chuvas Tibouchina, o jacatirão Miconia),
intensas, especialmente nos meses de Monimiaceae (Mollinedia), Clusiaceae
verão. Geralmente apresentam uma (Clusia, Garcinia, Tovomita) e Cactaceae
grande variação na cor e forma das (Brasilopuntia brasiliensis). É comum a
copas das árvores, resultante da alta ocorrência do palmito juçara (Euterpe
diversidade de espécies, bem como das edulis) e de outras palmeiras (Attalea,
diferenças de idade e nas características Astrocaryum, Bactris, Geonoma, fam
ambientais locais, que contribuem para Arecaceae), e nas bordas e áreas mais
a sua diferenciação, mesmo em áreas abertas, da embaúba (Cecropia, fam.
relativamente próximas. Nas áreas Moraceae), além de samambaias arbóreas
bem conservadas sua estrutura pode (Cyathea), sendo comum também a
comportar até três estratos (superior, presença de epífitas como Rhipsalis
Por Felipe Lima Queiroz.
intermediário e inferior) de plantas (fam. Cactaceae), Tillandsia e Vriesea
arbóreas; um estrato arbustivo, formado (Bromeliaceae) e de diversas espécies de ameaça de extinção, especialmente de mapeamentos recentes estimam
principalmente de plantas lenhosas das famílias Orchidaceae e Araceae, e nas áreas menos impactadas pela ação que 13% da área total do município são
arbustivas e herbáceas de grande porte; de lianas das famílias Bignoniaceae, Por Camila Ennes. humana. Alguns estudos recentes têm constituídos por florestas maduras
e o estrato terrestre, com espécies Por Isadora Riker. Sapindaceae, Leguminosae, resultado no registro da ocorrência de (primárias ou secundárias antigas), com
herbáceas e plântulas (mudas jovens) de Malpighiaceae, Passifloraceae, Ilustração 4 - Maracujá (Passiflora edulis).
espécies novas, ainda não descritas pela as florestas secundárias em estágio
regeneração natural das espécies dos Polygalaceae e Convolvulaceae. ciência botânica, ou “redescobrindo” inicial a médio de regeneração cobrindo
(Handroanthus), caroba (Jacaranda) e espécies não registradas há várias outros 10%, somando assim um total de
estratos arbóreos. Os poucos levantamentos e estudos
ipê-cinco-folhas (Sparattosperma, fam. décadas e consideradas como aproximadamente 23% do seu território
O estrato superior e o médio são dominados florísticos e fitossociológicos já
Bignoniaceae), Guapira (Nyctaginaceae), provavelmente extintas, com destaque ainda coberto por florestas.
por árvores de grande porte, com realizados no município, ou em outras
paineira (Ceiba), Bombacopsis e para a guarajuba (Terminalia acuminata, As formações Floresta Aluvial e das
algumas emergentes, com dominância de áreas próximas do estado com ambientes
Pseudobombax (Malvaceae), camboatá Combretaceae), árvore endêmica do Terras Baixas foram as mais afetadas
espécies arbóreas secundárias tardias ou semelhantes, possibilitam termos uma
(Matayba guianensis, Cupania, fam. estado e cujo último registro datava de pelo processo de ocupação humana,
clímax, cujo crescimento relativamente visão aproximada da variação estrutural e
Sapindaceae), Cordia (Boraginaceae), 1932. Este fato ressalta a importância geralmente concentrado nas áreas mais
lento necessita, nas suas fases iniciais, da composição das formações florestais
Shefllera e Dendropanax (Araliaceae), dessas florestas para a conservação planas e de menor altitude ou próximas
de um ambiente mais sombreado e originais. Foram identificadas algumas
Alchornea glandulosa e Joannesia princeps da biodiversidade e a necessidade da aos cursos d’água, facilitando o uso
protegido. São caracterizados pela características comuns entre as diferentes
(Euphorbiaceae), aroeira-preta ou intensificação das pesquisas científicas para cultivos, pecuária e assentamentos
ocorrência de gêneros e espécies como áreas, com uma elevada riqueza florística
urundeúva (Myracrodruon urundeuva), nessas áreas remanescentes. urbanos. Atualmente restam apenas
jequitibá (Cariniana legalis), sapucaia (até 150-200 ou mais espécies arbóreas
pau-pombo (Tapirira guianensis) e A vegetação florestal do município é alguns fragmentos pequenos de
(Lecythis pisonis) e Eschweilera (família por hectare) e índices de diversidade,
Astronium (Anacardiaceae), e inúmeras constituída por diferentes tipologias da florestas secundárias (capoeiras) em
Lecythidaceae), canelas (Ocotea, valores altos de área basal1 (20-50 m2/ha),
espécies de Leguminosas, como pau- Floresta Ombrófila Densa, relacionadas variáveis estágios de regeneração, com
Nectandra e Cryptocarya, fam. Lauraceae), e a presença de inúmeras espécies raras,
brasil (Paubrasilia echinata), pau-ferro ao ambiente local e à altitude, em função composição florística, estrutura e fauna
pau-d’alho (Gallesia, fam. Phytolaccaceae), algumas consideradas em grau variável
(Libidibia ferrea) e sibipiruna (C. pluviosa da variação de temperatura: floresta relativamente distintas das florestas
figueiras (Ficus, fam. Moraceae), guapeba
var. peltophoroides), pau d’óleo (Copaifera), Aluvial (depressões e terraços aluviais originais, com menor riqueza de espécies
(Pouteria, fam. Sapotaceae), cangerana 1  A área basal, estimada pela soma das áreas de todos
tento (Ormosia), pau-jacaré (Piptadenia), os indivíduos arbóreos a partir do diâmetro medido na ao longo dos rios), das Terras Baixas (até e predominância de espécies pioneiras e
(Cabralea canjerana), cedro (Cedrella),
angico (Anadenanthera), canafístula base do caule ou a 1,30 m de altura (DAP - diâmetro à
50 m) e Submontana (50-500 m). Dados secundárias, adaptadas à maior incidência
Trichilia e Guarea (fam. Meliaceae), ipês altura do peito), é um importante indicador da estrutura
(Senna), ingá (Inga), sanandi ou mulungu e biomassa florestal. Por Isadora Riker.

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13 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 14

de radiação solar e a perturbações de dessas áreas vem sendo restauradas tardias (Alchornea, Casearia, Cupania, peixe (Vernonia), Baccharis, sangue- naturalistas do século XIX, como Weid- Figura 12 - Saíra-galega(Hemithraupis flavicollis).
origem natural ou antrópica. naturalmente pelo processo de sucessão Erytroxylum, Guapira, Mimosa, Piptadenia, de-drago (Croton), embaúba (Cecropia), Neuwied. Recentemente surgiu nas
Nas encostas com maior declividade, secundária, com a regeneração das Pseudopiptadenia, Pterocarpus, Senna, araçá (Myrtaceae), maricá (Mimosa florestas localizadas entre as regiões
a combinação de fatores - como a plantas a partir das rebrotas de tocos Solanum, Trema, Trichilia) com espécies bimucronata), bico-de-pato (Machaerium), de Pendotiba e Oceânica uma população
baixa fertilidade dos solos (na maioria e da “chuva de sementes” (dispersas características das florestas maduras, aroeira (Schinus terebinthifolius), crindiúva do mico-leão-de-cara-dourada (L.
argissolos e cambissolos distróficos), pelo vento e animais) provenientes das podendo apresentar ainda árvores e (Trema micrantha) e quaresmeira chrysomelas), espécie natural do Sul
a presença de matacões (grandes áreas mais preservadas, possibilitando arbustos exóticos remanescentes do uso (Tibouchina, Miconia), além das invasoras da Bahia, provavelmente introduzida
fragmentos superficiais de rochas), maior o retorno gradual das características agrícola, como mangueira (Mangifera), mamona (Ricinus sp.), leucena (Leucaena acidentalmente e que apresentou uma
suscetibilidade a processos erosivos e originais da floresta. jaqueira (Artocarpus), abacateiro (Persea), leucocephala), cambará (Lantana camara), boa adaptação ao ambiente local, com
a dificuldade de acesso e mecanização As florestas maduras, com baixo jambo (Eugenia), bananeira (Musa), café sapê (Imperata brasiliensis), capim- rápido crescimento e expansão para
- dificultaram parcialmente a ocupação grau de alteração em relação à sua (Coffea), diversas espécies de bambu colonião (Panicum maximum), capim- outras áreas do município. Tendo em vista
humana, o que, com a proximidade de estrutura e composição florística (Bambusa, Dendrocalamus, Guadua), sabiá navalha (Panicum sp.) e tiririca (Cyperus), o seu estreito parentesco com o mico-
áreas com florestas remanescentes original, encontram-se distribuídas (Mimosa) e Hibiscus, entre outros. entre outras. leão-dourado, que possui populações
(fontes de propágulos), tornam possível principalmente nas encostas de maior Embora apresentem ainda uma remanescentes em municípios próximos,
um processo mais intenso de regeneração declividade e/ou altitude, na Serra diversidade vegetal e animal inferior A Fauna Florestal e a necessidade de evitar o contato físico
Por Felipe Lima Queiroz.
natural. Com o abandono da agricultura da Tiririca e nos morros da Viração e em relação às florestas primárias ou e a possibilidade de hibridação entre as
e da extração de madeira para uso Cantagalo, entre outros. Já as florestas maduras, as florestas secundárias As florestas são o habitat original de um duas espécies, esforços foram envidados penicillata), também invasor, além de
energético (lenha, carvão vegetal) e secundárias em estágio médio podem cumprem um papel importante, servindo grande número de espécies da fauna para a captura de toda essa população e competir e impactar outras espécies de
outros (cercas, material de construção), ocorrer em áreas mais baixas contíguas a de abrigo a um número considerável de nativa, abrigando inúmeras espécies em a sua transferência para áreas protegidas mamíferos e aves, possui um alto risco de
aliado ao surgimento de uma maior essas áreas, ou em pequenos fragmentos espécies animais e vegetais, algumas das grau variável de ameaça de extinção. localizadas na zona de ocorrência original transmissão de doenças e de hibridação
preocupação ambiental por parte da isolados, distribuídos em diversos quais ameaçadas de extinção. Como se Entre os mamíferos destacam-se da espécie. Esse episódio aponta para a com a espécie nativa do mesmo gênero,
população, maior rigor na fiscalização morros e encostas do município. A sua encontram em plena fase de crescimento felinos como o gato-do-mato-pequeno possibilidade de uma futura reintrodução hoje extinta do município. O seu controle
da legislação ambiental e a implantação composição florística é bastante variável, e desenvolvimento, fixam e armazenam (Leopardus tigrinus), a preguiça (Bradypus do mico-leão-dourado nas florestas é mais difícil, tanto pela facilidade de
de novas áreas protegidas, parte com uma mistura de espécies pioneiras um estoque considerável de carbono na sp.), cachorro-do-mato (Cerdocyon protegidas do município, contribuindo reprodução e dispersão como pela
sua biomassa. Protegem ainda os solos thous), irara (Eira barbara), quati (Nasua assim para a ampliação da sua área dificuldade de obtenção de apoio da
das encostas e margens de rios contra a nasua) e tamanduá-de-colete (Tamandua atual de ocorrência e o enriquecimento e opinião pública nessas ações.
Figura 11 - Morro da Peça (PESET).
erosão e auxiliam na regulação do fluxo tetradactyla), além de diversos marsupiais valorização da biodiversidade local. As florestas abrigam também uma
hidrológico das bacias hidrográficas. e roedores como o rato-de-espinho O mico-estrela (Callithrix jachus e C. alta diversidade de espécies de aves,
As áreas abandonadas há menos tempo (Trinomys iheringi) e a paca (Cuniculus
ou que ainda se encontram sujeitas a paca). Possuem também uma alta Ilustração 5 - Tiê-galo (Lanio cristatus).
perturbações periódicas como queimadas, diversidade de morcegos (Chiroptera),
extração de madeira e pastoreio por espécies com funções importantes,
animais domésticos, são classificadas como polinização de espécies arbóreas e
como floresta secundária em estágio controle populacional de invertebrados.
inicial de regeneração, caracterizadas A remoção e a degradação do habitat
por uma vegetação arbustiva ou arbórea florestal bem como a caça intensiva,
de pequeno porte, com dossel mais aberto provocaram um impacto considerável na
e grande penetração de luz, configurando fauna nativa, ocasionando a extinção local
um ambiente mais suscetível à ocorrência de diversas espécies, principalmente as
de extremos de temperatura e ventos. localizadas no topo da cadeia alimentar
Estas florestas encontram-se dispersas e que necessitam de um amplo território,
por todo o município, incluindo áreas ou de alto valor (comércio de peles ou
aluviais e ripárias, planícies, encostas e espécies ornamentais) ou alimentício
topos de morros, entremeadas a áreas (consumo de carne). As florestas do
urbanas. Algumas espécies pioneiras município compõem o habitat natural
arbóreas, arbustivas e herbáceas comuns do mico-leão-dourado (Leontopithecus
nessas florestas são as vassouras (Sida), rosalia), espécie ameaçada e localmente
Actinostemon (Euphorbiaceae), assa- extinta, e que foi registrada por
Por Allan Wilis Sturms. Por Larissa Carvalho.

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15 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 16
Figura 13 - Cobra-verde (Philodryas olfersii).
grupo que inclui espécies migratórias e à ocorrência de acidentes envolvendo de gramíneas, arbustos e da palmeira
residentes. Entre estas, algumas podem pessoas, geralmente desprotegidas e com jerivá (Syagrus romanzoffiana), nas áreas
ser bastante sensíveis ao processo de desconhecimento do seu comportamento. onde o terreno com menor declividade
fragmentação de habitats, uma vez que Outras espécies não venenosas, incluindo possibilitou a formação de um solo
têm ocorrência restrita a ambientes a jibóia (Boa constrictor), também são litólico superficial. Devido à dificuldade
sombreados exclusivos do interior de comuns, mesmo em pequenos fragmentos de acesso e ocupação, estas áreas
florestas bem desenvolvidas. Além do seu florestais localizados no interior ou na apresentam-se relativamente bem
valor intrínseco, as aves possuem também periferia das áreas urbanas. preservadas, podendo sofrer, no entanto,
um papel importante na polinização impactos por queimadas e extração de
de flores e dispersão de sementes Vegetação Rupestre plantas de valor ornamental, e mais
das espécies nativas das florestas. recentemente, pelo pisoteio ocasionado
Contribuem no controle populacional A vegetação rupestre recobre áreas pelo excesso de lotação das trilhas
de diversas espécies, especialmente restritas, também conhecidas como existentes, prejudicando a vegetação
insetos e outros invertebrados, mas inselbergs, localizadas em encostas de nativa e favorecendo a sua substituição
também de mamíferos, como roedores e alta declividade e de altitude variável, por espécies invasoras como o sapê, e
pequenos primatas, e repteis. Diversas com ausência de solos, podendo ocorrer os capins gordura (Melinis minutiflora) e
espécies com distintos graus de apenas uma estreita camada superficial colonião, além da pita (Furcraea gigantea,
ameaça de extinção foram registradas formada por detritos de rocha e matéria fam. Agavaceae).
no município, que está localizado na orgânica. Devido à dificuldade de fixação
região considerada como a de maior das raízes e de obtenção de nutrientes, são Ecossistemas Localizados em
concentração de espécies ameaçadas da cobertos por uma vegetação herbácea ou Ambientes em Formação
ordem Passeriforme da América Latina, o arbustiva rarefeita, formada por espécies
que reforça a importância da preservação altamente adaptadas, que conseguem se As áreas das Formações Pioneiras
e restauração das poucas áreas de fixar nas rochas e absorvem os nutrientes correspondem aos ecossistemas
florestas remanescentes, especialmente trazidos da atmosfera pela precipitação localizados em terrenos sedimentares
nas planícies e encostas baixas. ou pelo escoamento das águas ao longo relativamente recentes (Quaternário),
As florestas úmidas abrigam também das encostas. diferentes da vegetação clímax (Floresta
Por Thaylan Pinheiro Alves Salles. uma alta diversidade de anfíbios, como Áreas com vegetação rupestre podem Ombrófila Densa) que ocorre em
sapos, rãs e pererecas, alguns dos ocorrer desde os costões rochosos equilíbrio com o clima atual da região.
Figura 14 - Espécie de anuro encontrado no Córrego dos Colibris (PESET). Figura 15 -Jararacuçu (Bothrops jararacussu).
quais são considerados indicadores da nas áreas costeiras mais baixas, e São ecossistemas ainda em evolução, cuja
qualidade do habitat. Diversas espécies em diversos locais da cidade, como dinâmica é fortemente influenciada pelos
ameaçadas ou que se encontram em nas encostas com alta declividade processos geomorfológicos de deposição
declínio populacional foram registradas (afloramentos rochosos) nos topos de sedimentar, que por sua vez controlam
nas florestas e costões do município. Este morros (ex. Morro do Morcego, Costão de o processo de sucessão primária,
grupo é conhecido também pelos níveis Itacoatiara, Pedra do Cantagalo). Essas caracterizado pela ocupação inicial por
de endemismo, com a ocorrência de pelo encostas são recobertas parcialmente espécies pioneiras altamente adaptadas,
menos uma espécie (Scinax littoreus) com por uma vegetação xerófila (plantas com com substituição lenta e gradual por
área de ocorrência bastante restrita. adaptações fisiológicas ou morfológicas a outras espécies (sere) à medida que o
Entre os répteis, é alta também a ambientes secos) especializada, composta ambiente evolui, com a acumulação e
riqueza de espécies que ocorrem nas por espécies rupícolas (de habitats consolidação de sedimentos e matéria
florestas, afloramentos e costões. Deve- rupestres) das famílias Bromeliaceae (a orgânica e a formação de horizontes
se destacar a ocorrência de espécies de endêmica Alcantarea glazioua, Aechmeae, dos solos (pedogênese). Esse processo
cobras venenosas do gênero Micrurus Noeregelia, Pitcairnia, Tillandsia, Vriesea), é denominado, no caso das áreas mais
(coral verdadeira) e Bothrops (jararaca). Araceae (Anthurium, Philodendron), úmidas (brejos, várzeas e manguezais),
Apesar do seu importante papel na cadeia Cactaceae (Coleocephalocereus, Pereskia, de hidrosere, e nas áreas mais secas
alimentar, controlando a população de Pilosocereus, Rhipsalis), Orchidaceae (cordões arenosos), de xerosere.
pequenos vertebrados, as cobras são (Oceoclades macuata) e Velloziaceae
comumente objeto de preconceito devido (Barbacenia, Vellozia), com ocorrência
Por Gilson Freitas. Por: Thaylan Pinheiro Alves Salles.

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17 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 18

Restingas densas de porte arbustivo a arbóreo, e aráceas. Muitas plantas possuem animais e a água do lençol freático. A saída vegetação contínua e densa de maior solar, juntamente com a diversidade de
que recobrem dunas mais antigas ou sistemas radiculares superficiais e dos nutrientes do ecossistema ocorre porte nas cristas, vertentes e nos baixios espécies vegetais e o ambiente físico.
A restinga é o ecossistema característico áreas periódica ou permanentemente extensos, com presença de fungos principalmente através da lixiviação, entre dunas. Espécies dessa formação As bromélias em particular influenciam
das planícies arenosas costeiras. O termo inundáveis, em função da flutuação do simbióticos (micorrizas), aumentando sendo lavados da superfície das plantas incluem diversas Cactaceae (Cereus, diretamente na abundância de espécies de
restinga se refere igualmente ao ambiente nível do lençol freático ao longo do ano. assim a superfície e a eficiência da e do solo para o lençol freático, e daí Pilosocereus, Rhipsalis) e Bromeliaceae répteis e anfíbios. Quanto à diversidade,
físico e à vegetação sobre os depósitos A restinga pode ser considerada como absorção de água e nutrientes, o que para os ecossistemas adjacentes, como (Aechmea, Bromelia, Neoregelia, Tillandsia, as restingas de Niterói abrigam uma
arenosos costeiros, de diferentes idades e um ecossistema oligotrófico (com baixos auxilia também na fixação do substrato estuários de rios e lagoas costeiras. Vriesea), além de Arrabidea conjugata amostra empobrecida da fauna das
feições geomorfológicas. A vegetação de níveis de nutrientes químicos) e o seu de areia móvel das dunas. A deposição A vegetação esparsa das praias na área (Bignoniaceae), Arystolochia macroura, restingas. Predominam espécies de
restinga se apresenta como um gradiente funcionamento depende da entrada de contínua de matéria orgânica morta livre da ação das ondas (pós-praia ou Byrsonima sericea, Cuphea flava, Dalbergia vertebrados de pequeno porte como
fisionômico estreitamente associado nutrientes absorvidos por uma vegetação (serapilheira) pela vegetação aumenta supra-litoral) é formada por poucas ecastophyla e Machaerium secundiflorum os lagartos Ameiva ameiva, Tropidurus
ao ambiente físico, variando desde altamente adaptada às difíceis condições gradualmente a capacidade de retenção espécies herbáceas como a salsa-da- (Leguminosae), Eugenia nitida e E. torquatus e o lagartinho-da-praia
formações herbáceas, características ambientais locais: solos de baixa de água e nutrientes do solo, enquanto praia (Canavalia rosea, Leguminosae) rotundifolia (Myrtaceae), Gaylussassica (Lyolemus lutzae), espécie endêmica do
das comunidades vegetais localizadas fertilidade, alta salinidade, ocorrência que o processo de decomposição lenta Ipomea imperati, I. pes-caprae e I. litoralis brasiliensis (Ericacea), Ouratea cuspidata, estado e ameaçada de extinção, podendo
próximas às praias e em depressões de ventos fortes, e altos níveis de enfatiza a importância da fauna de (Convolvulaceae). Sporolobus virginicus e maracujá-mirim (Passiflora mucronata, ocorrer ocasionalmente espécies comuns
entre cordões arenosos, passando insolação e temperatura. A atmosfera é a invertebrados e dos microrganismos Panicum racemosum (Poaceae), e Remirea Passifloraceae), Paullinia coriacea, e de ambientes de floresta, como a jiboia.
por formações arbustivas contínuas principal fonte de nutrientes, através das na ciclagem interna desses elementos maritma (Cyperaceae). Dirigindo-se em Streptocalyx foribundos. As restingas de Niterói foram fortemente
ou organizadas em ilhas de vegetação precipitações seca (salsugem) e úmida, químicos. Os principais reservatórios no direção ao continente, a vegetação se A restinga arbórea é uma vegetação afetadas pela expansão urbana sobre as
(moitas) de tamanho variável nas planícies sendo absorvidos em boa parte por plantas ecossistema são as plantas, a matéria torna cada vez mais densa e diversificada, arbórea de porte florestal, localizada áreas costeiras, que vem ocorrendo desde
e dunas, até às formações contínuas e epífitas, como bromélias, orquídeas orgânica e a fração mineral do solo, os podendo ocorrer indivíduos de pequeno sobre terrenos arenosos secos, o período colonial, intensificando-se a
porte de espécies arbóreas como pitanga sazonalmente ou permanentemente partir do século XX. Partes das áreas mais
Figura 16 - Restinga da Praia do Sossego (PARNIT - Setor Costeiro-Lagunar). (Eugenia uniflora, Myrtaceae) e aroeira inundados, com indivíduos de até 12- valorizadas da cidade, como os bairros da
(S. terebinthifolius, Anacardiaceae), e 15 m de altura. Apresenta uma alta Zona Sul (orla da Baía de Guanabara), eram
de arbustivas e herbáceas como guriri densidade de árvores e arbustos, além originalmente formadas por ambientes
(Allagoptera arenaria, Arecaceae), Cereus de trepadeiras, epífitas e bromélias de restinga, porém não apresentam
fernambucensis e Melocactus melocactoides terrestres, sendo comum a ocorrência mais trechos de vegetação nativa. A
(Cactaceae), Althernanthera littoralis e de caules perfilhados (múltiplos), devido orla da região Oceânica (Piratininga,
A. marítima (Amaranthaceae), Mariscus à capacidade de rebrota de diversas Camboinhas, Itaipu e Itacoatiara) vem
pedunculatus, Philoxerus portulacoides, e espécies. A composição florística reflete sendo objeto de um processo mais recente
Sophora tomentosa (Leguminosae). a natureza transicional desta formação, de ocupação e adensamento urbano,
As planícies interiores e os campos de evidenciada pela mistura de espécies restando poucas áreas com vegetação
dunas fixas são geralmente recobertos típicas de restingas com espécies remanescente, como por exemplo a praia
pela restinga arbustiva, vegetação comuns à floresta ombrófila, com de Itacoatiara e em trechos de Itaipu,
lenhosa arbóreo-arbustiva, espinhosa, Adenocalyma trifolium, Capparis flexuosa Camboinhas e Piratininga. O resultado é
esclerófila (adaptadas a solos pobres (Brassicaceae), pau-d’alho (Gallesia o desaparecimento de inúmeras espécies
e ambientes secos), de espécies integrifolia, Phytolacaeae), maria-mole vegetais, e consequentemente da fauna
originadas predominantemente da Mata (Guapira nítida e G. pernambucensis, associada, nessas áreas. Mesmo nas
Atlântica, sendo comum a ocorrência Nyctaginaceae), Maytenus obtusifolia áreas verdes e jardins urbanos, é dada
de propagação vegetativa (assexuada). (Celastraceae), Ocotea notata (Lauraceae), preferência a espécies exóticas frutíferas
A fisionomia é bastante heterogênea, Pachistroma ilicifolium (Euphorbiaceae), ou ornamentais, como coqueiro (Cocus
incluindo áreas de vegetação aberta, Pouteria grandiflora, P. marginata, P. nucifera), amendoeira (Terminalia
com moitas de diversos tamanhos venosa (Sapotaceae), Protium brasiliense, catappa), Casuarina equisetifolia, Yucca,
intercaladas com áreas com vegetação Imbiruçu (Pseudobombax grandiflorum, Agave, Furcrea e Opuntia, algumas das
esparsa ou solo nu; áreas com vegetação Malvaceae) e Noratea brasiliensis quais com alto potencial invasor, alterando
de maior porte nas cristas das dunas, (Marcgravaceae). a fisionomia e composição florística da
com depressões entre dunas inundáveis Os principais fatores que afetam a vegetação das áreas remanescentes.
na estação úmida, recobertas por distribuição das espécies da fauna de Apesar de protegidas pela legislação
vegetação herbácea com predominância restinga são a densidade da vegetação, que ambiental, essas áreas continuam a
de espécies halófitas; e áreas de controla diretamente os níveis de radiação sofrer uma pressão constante para
Por Gabriela Simões.

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19 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 20

serem liberadas para a implantação em formação, estreitamente ligados aos Cyperaceae (Cyperus), a taboa (Typha Ilustração 6 - Colhereiro (Platalea ajaja). renovação das águas e da fauna aquática,
de empreendimentos imobiliários e processos de inundação e sedimentação, dominguensis), diversas gramíneas como o desconhecimento de sua importância
de infraestrutura turística. Felizmente são ecossistemas bastante dinâmicos e Panicum aquaticum, P. racemosum e ecológica e o preconceito, devido a serem
nos últimos anos essa pressão vem frágeis, altamente suscetíveis a impactos Sporolobus virginicus, pteridófitas como a considerados como focos de doenças, são
sendo contraposta por iniciativas de ocasionados pela ação humana, direta samambaia-grande (Acrostichum aureum) fatores importantes na destruição desses
revegetação com plantas nativas em ou indireta, como a abertura de canais, e a samambaia-pequena-do-brejo (A. habitats.
algumas praias urbanas, num processo dragagem, e processos erosivos em áreas daneafolium), e a quaresmeira-do-brejo
que pode apresentar bons resultados a localizadas a montante. (Tibouchina sp., fam. Melastomataceae), Manguezais
médio-longo prazo, contribuindo assim Esses campos possuem uma composição entre outras.
para a melhoria ambiental dessas áreas florística variável, de acordo com a Os campos inundáveis tropicais Os manguezais são ecossistemas
costeiras. intensidade e duração da inundação, são considerados como alguns dos inundáveis estabelecidos nas planícies
que influencia o grau de oxigenação, a ecossistemas mais produtivos, devido fluviomarinhas, ambientes halófilos
Campos Inundáveis salinidade (pH) e a textura dos solos, o à abundância de radiação, nutrientes e (com elevados teores de sais e alto pH)
que por sua vez controla e seleciona as água, e formam um importante habitat localizados na desembocadura dos
Os campos inundáveis ou brejos espécies adaptadas às condições locais. para espécies da fauna de vertebrados, cursos d’água no mar e margens de
(Formação Pioneira Aluvial, wetlands) Pequenas variações na combinação como a capivara (Hydrochoerus lagoas costeiras. Estão sujeitos à variação
são ecossistemas característicos dos desses parâmetros podem resultar hydrochaeris) e o jacaré-do-papo-amarelo do nível das marés e podem apresentar
Por Camila Ennes.
terrenos sedimentares quaternários, em mudanças consideráveis na (Caiman latirostris), e diversas aves fisionomia arbórea ou herbácea.
Figura 18 - Marreca-toicinho (Anas bahamensis).
localizados ao longo das planícies composição do ecossistema, geralmente residentes e migratórias, como garças São caracterizados por uma flora
aluviais ou em depressões, periódica ou dominado por poucas espécies com alta branca (Casmerodius albus) e pequena especializada, dominada pelas espécies
permanentemente inundáveis, cobertos abundância local. Entre as espécies (Egretta thula), garça azul (Florida arbóreas Rhyzophora mangle (mangue
por vegetação hidrófila. Tendo em vista características desses ambientes caerulea), colhereiro (Platalea ajaja), vermelho, mais comum nas áreas com
estarem localizados em ambientes ainda incluem-se representantes da família guará (Eudocimus ruber), socó (Tigrisoma maior influência da salinidade), Avicennia
Figura 17 - Paisagem dos campos inundáveis na Laguna de Itaipu (PESET) com o rio João Mendes ao fundo.
schauerianna (mangue preto ou siriúba) e
Laguncularia racemosa (mangue branco),
podendo ocorrer também em algumas
áreas espécies do gênero Conocarpus,
com presença de espécies herbáceas
halófitas (características de locais úmidos
com influência salina), com destaque
para a gramínea Spartina alterniflora
e Salicornia gaudichaudiana nas áreas
mais abertas (apicum e lavado). Ocorre
Por Felipe Lima Queiroz.
ainda o algodoeiro-da-praia (Hibiscus
lineatum), frango d’água (Gallinula importantes funções, como a retenção
pernambucensis), geralmente no limite
chloropus), jaçanã (Jacana jaçana), de água e sedimentos e a regulação do
entre o manguezal e outros tipos de
saracura (Porzan albicollis), marreca e pato nível do lençol freático, auxiliando assim
vegetação (brejo, restinga, floresta).
selvagem (Cairina moschata, Sarkidiornis no controle de inundações e da poluição
Os manguezais constituem um importante
melanotus), e diversos anfíbios (Hyla, dos ecossistemas aquáticos adjacentes,
habitat para a fauna marinha de regiões
Bufo). Podem ocorrer casos importantes e funcionando como verdadeiros
costeiras, servindo de abrigo e área de
de endemismos, como o de peixes do “filtros biológicos”. No entanto, esses
reprodução para inúmeras espécies
gênero Cynolebias (fam. Rivulidae). ecossistemas vêm sendo modificados
de peixes como o robalo (Centropomus
Invertebrados como insetos, crustáceos e eliminados desde o período colonial,
undecimalis) e o peixe-rei (Atherinella
e moluscos também encontram abrigo através de obras de canalização e
brasiliensis), e crustáceos, com destaque
nesses ambientes, formando parte drenagem, aterros e deposição de lixo.
para caranguejos como chama-maré
importante da cadeia alimentar local. Embora parte dessas obras tivesse como
(Uca), aratu (Aratus pisonii), maria-
Além de sua riqueza e importância como finalidade drenar os solos para o controle
mulata (Goniopsis cruentata), caranguejo-
habitat de inúmeras espécies da fauna e de enchentes e abertura da barra
uça (Ucides cordatus), guanhamum
Por Allan Wilis Sturms. flora nativa, os campos inundáveis exercem das lagoas para o mar, favorecendo a
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21 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 22

(Cardisoma guanhumi), Pachygrapsus Apesar de sua importância como e filtragem de sedimentos e nutrientes Ecossistemas Aquáticos - O Pleistoceno. Nesse trecho do litoral são florestais, atravessando posteriormente
gracilis e Panopeus austrobesus. Essas e habitat para a fauna aquática, incluindo provenientes das áreas a montante, além Sistema Lagunar Piratininga- encontradas sequências sedimentares baixadas planas, até a desembocadura
outras espécies servem de alimento para a avifauna, comum à dos campos de proporcionar uma fonte de alimentos Itaipu relacionadas às variações do nível do destes rios no espelho d’água.
algumas espécies visitantes de aves e inundáveis, para a proteção das margens e renda para comunidades locais, através mar. As Lagoas de Piratininga e Itaipu A Lagoa de Piratininga, palavra que na
mamíferos. de lagoas e estuários e na consolidação da exploração da pesca e de crustáceos, A costa brasileira é contemplada são exemplos típicos do fechamento de língua tupi-guarani significa peixe seco
Figura 19 - Caranguejo Chama-Maré (Minuca sp.) - Canal do Camboatá (PESET).
os manguezais de Niterói vêm sofrendo pela presença de importantes lagoas antigas enseadas, onde as restingas (devido à ocorrência de mortalidades de
uma redução contínua desde o período costeiras, estando no litoral fluminense retificaram o antigo litoral recortado por peixes), tem o formato de uma cabaça e
colonial, com aterros destinados à a segunda maior ocorrência do país, com profundas reentrâncias e com sucessivos abrange uma área de cerca de 3 Km2. A
crescente urbanização, o que ocasionou mais de cinquenta entre a Ilha Grande e espigões rochosos penetrando no oceano. profundidade média é de 0,6 m, atingindo
praticamente a sua extinção na orla da a Baixada Campista. As lagoas costeiras Durante a última transgressão marinha em poucos trechos 1,5 m. Já a Lagoa
Baía, processo compensado em parte pelo (também referidas como lagunas) estão (entre 5000-7000 anos atrás), o nível do de Itaipu, nome que na língua indígena
crescimento dos manguezais na orla da entre os ecossistemas mais produtivos da mar esteve entre 2,0- 4,0 m mais alto do significa pedra que soa, possui forma
Lagoa de Itaipu após a abertura da barra. biosfera e podem ter o seu equilíbrio muito que no presente. À medida em que o nível arredondada, com uma área aproximada
A proteção através da criação de unidades facilmente perturbado, muitas vezes de começou a baixar e a linha da costa recuar de 1 Km2 e uma grande planície alagadiça
de conservação é fundamental para forma irreversível, ocasionando quase (regressão), evidenciou-se a formação associada, com uma área em torno de 2
garantir a permanência e recuperação sempre grandes prejuízos econômicos e dos cordões arenosos, que represaram Km2. Sua profundidade média é inferior
das poucas áreas remanescentes. Outra ambientais. Esta região sempre foi alvo as águas das enseadas, conformando a 1,0 m e as profundidades máximas
iniciativa importante, e que vem sendo do interesse de cientistas, que em seus assim o atual sistema lagunar. As lagoas alcançam 2,0 m.
implantada há vários anos de modo estudos destacaram a importância desse recebem a contribuição do escoamento Os principais contribuintes das duas bacias
voluntário e com sucesso no entorno patrimônio natural. das águas dos rios de suas respectivas lagunares são os rios Cafubá, Arrozal,
da Lagoa de Itaipu, é a sua restauração As lagoas costeiras do leste-fluminense bacias hidrográficas, desde as suas Jacaré, João Mendes, da Vala, Canal de
através do plantio de mudas de espécies (entre o Rio de Janeiro e Cabo Frio) cabeceiras localizadas nas encostas Santo Antônio e Valão de Itacoatiara (ou
arbóreas. foram formadas pela evolução dos adjacentes, com afloramentos rochosos Rio Itacoatiara). A área da bacia da Lagoa
cordões arenosos (restingas) durante o íngremes entremeados a remanescentes de Piratininga é de 23 Km2, sendo o Rio
Por Gabriela Simões.
Figura 21 - Complexo Lagunar Piratininga-Itaipu (PARNIT e PESET).
Figura 20 - Manguezal da Laguna de Itaipu (PESET).

Por Bruno Torres B. da Silva. Por Allan Wilis Sturms.

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23 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 24

Figura 22 - Canal do Camboatá desaguando na Laguna de Itaipu (PESET). água, ocorria a abertura da barra, mais a abertura da barra, a ciclagem das a funcionar principalmente como via
frequentemente em Piratininga, na Praia massas d’água passou a ser controlada de entrada e saída de peixes marinhos,
da Barra (Prainha), pequena enseada de pelas marés em Itaipu, sendo necessário enquanto que a Lagoa de Piratininga serve
águas protegidas por uma pequena ilha, apenas cinco dias para troca de metade como criadouro, devido à proliferação de
principalmente em períodos de grandes das suas águas. Em Piratininga, por ser algas. O elevado grau de eutrofização
precipitações, quando a lâmina d’água esta renovação controlada pela maior está relacionado ao aporte alóctone
atingia níveis muito altos, provocando entrada de águas doces, que podem trazer (externo) de nutrientes, principalmente
inundações nas áreas periféricas. Além consigo cargas elevadas de efluentes nitrogênio (N) e fósforo (P), provenientes
de funcionar como sangradouro, a domésticos (esgoto), essa renovação dos efluentes, assim como pelo elevado
abertura da barra proporciona diversas possui uma maior variabilidade, podendo tempo de residência das massas d’água
trocas entre o mar e a lagoa, permitindo levar até dois meses para a troca da e a baixa profundidade. A proliferação
a entrada de muitas espécies da fauna metade das suas águas. de plantas aquáticas representa uma
e flora marinhas e contribuindo para Em razão do intenso processo de estocagem, na forma de biomassa,
uma alta produtividade pesqueira. degradação ambiental ocorrido no dos nutrientes contidos nos efluentes
O fenômeno, apesar de natural, era sistema lagunar nas últimas décadas, domésticos.
auxiliado pelos próprios pescadores, resultante da acelerada urbanização, O aporte desses agentes eutrofizantes
que faziam manualmente a abertura do a Lagoa de Piratininga chegou a ser para a Lagoa de Piratininga teve como
canal, que inicialmente apresentava uma considerada como aquela em estado resposta o crescimento de três grupos de
forte correnteza devido à diferença de mais avançado de eutrofização, com seu plantas aquáticas (produção primária):
nível (de até aproximadamente 1,20 m) espelho d’água colonizado por bancos fitoplâncton, macroalgas e macrófitas. A
entre a lagoa e o mar. Após o escoamento de plantas aquáticas. Apesar de receber macroalga Chara hornemanii, a espécie
dessas massas d’água, durante um curto uma carga de efluentes superior, a Lagoa mais abundante, forma extensos bancos
espaço de tempo as lagoas passavam a se de Itaipu apresenta um estágio inferior, nas profundidades de 0,3 a 1,0 m, que
submeter ao regime das marés, até que a por suas águas se renovarem mais chegaram a ocupar cerca de 60% da
barra fosse novamente fechada através rapidamente. A Lagoa de Itaipu passou área da lagoa. Nas regiões próximas aos
da deposição de sedimentos arenosos
marinhos pela ação das ondas do mar.
Por Allan Wilis Sturms. Figura 23 - Laguna de Piratininga, vista da Ilha do Ponta lPARNIT - Setor Costeiro-Lagunar).
Com a abertura permanente da barra
Jacaré o seu principal tributário. A bacia pelos ambientes costeiros e lagunares. partir da inauguração da Ponte Rio- franca na Lagoa de Itaipu, o volume d’água
da Lagoa de Itaipu tem uma superfície de Os primeiros aglomerados populacionais Niterói (1974), e pela implantação de um acumulado na Lagoa de Piratininga
22,5 Km2, tendo o Rio João Mendes como após a colonização desenvolveram- plano imobiliário em Itaipu, quando foi deixou de ser suficiente para provocar a
principal contribuinte, drenando uma se junto a antigas capelas situadas executada a abertura da barra para o mar abertura natural da barra. Levantamento
área de 14,30 Km². O Canal de Camboatá, no entorno das lagoas, A Igreja de N. (1979), provocando grandes modificações sobre o nível da Lagoa de Itaipu realizado
que faz a ligação entre as duas lagoas, foi Sra. de Bonsucesso em Piratininga foi ambientais no sistema lagunar. A perda pouco antes da execução da obra de
construído em 1946 visando o controle da construída entre 1670 e 1701, e a Igreja de parte do espelho d’água abriu espaço enrocamento (fixação da barra com
malária, como resultado, ambas as bacias de São Sebastião de Itaipu foi erigida para a ocupação dos terrenos marginais, blocos de rocha) constatou que o espelho
passaram a constituir um único sistema em 1711 e elevada a matriz em 1755, caracterizados pela ocorrência de solos d’água se situava a 90 cm acima do nível
lagunar. Outros rios de menor vazão graças ao desenvolvimento econômico com espessos horizontes orgânicos, médio do mar, e o seu fundo a apenas 20
desapareceram em meio à urbanização, de quatro engenhos na região. Durante considerados impróprios para a cm. Esse resultado mostrou o avançado
devido a aterros, assoreamento e um bom período predominou na região urbanização. estágio de colmatação (sedimentação
lançamento de esgotos. o uso agrícola e a pesca artesanal. Originalmente nas lagoas de Niterói do fundo) da lagoa, indicando que uma
A presença do sítio arqueológico da Duna No século XX foram aprovados os ocorriam naturalmente aberturas abertura do cordão arenoso poderia
Grande em Itaipu é um indicador da primeiros loteamentos em Itaipu (1945) periódicas da barra para o mar, de ocasionar um esvaziamento da lagoa e,
antiga ocupação da Região Oceânica de e Piratininga (1949), contendo alguns acordo com o ciclo hidrológico. Durante consequentemente, também na lagoa de
Niterói por populações pré-históricas, e lotes “submersos” (localizados dentro a maior parte do ano, predominavam as Piratininga.
posteriormente pelos indígenas Tupis, da área de espelho d’água), devido à não águas mesohalinas (salobras), até que a O tempo necessário para a renovação
que se aproveitavam da abundante oferta consideração do perímetro de máxima contribuição das chuvas causava nestas de 50% do volume d’água nas lagoas
de recursos naturais proporcionada cheia. A urbanização foi acelerada a uma diluição e, pela elevação do nível da está sujeito a grande variabilidade. Após
Por Gilson Freitas.

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25 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 26

contribuintes de água doce, com teores profundas, enquanto que em Piratininga não-disponíveis para a incorporação pela da população. Foram identificados distintos tipos de a existência de diversas espécies de
de nutrientes mais elevados e variáveis, se estende por toda a coluna d’água. biota. Em Itaipu, a mistura com a água Um dos principais indicadores da habitats de peixes na Lagoa de Itaipu. peixes, crustáceos e moluscos nas
ocorrem proliferações dispersas das As concentrações totais de metais do mar estimula a biodisponibilidade dos qualidade ambiental de uma lagoa é a O de maior área contínua é constituído capturas efetuadas. Em ambas as lagoas,
macroalgas Cladophora vagabunda e nos sedimentos, particularmente Pb metais, resultando em maiores teores abundância e diversidade de recursos pelas áreas abertas de substrato não- foi constatada a presença de peixes como
Enteromorpha, além da macrófita Ruppia, e (chumbo), Zn (zinco), Co (cobalto) e Mn destes nas macrófitas aquáticas. pesqueiros, que contribuem para regular consolidado, sendo o que mais se tainhas e paratis (Mugil), carapebas
na região central, de maior profundidade, (manganês), são maiores em Piratininga, O processo de eutrofização vem sendo o seu metabolismo. As lagoas têm um beneficia com a periódica reciclagem da (Diapterus), carapicu (Eucinostomus),
ocorrem vazios predominados por onde o estágio de eutrofização extremo gradualmente revertido desde a entrada grande potencial de recursos naturais, água induzida pelo fluxo das marés. O robalo-flecha (Centropomus undecimalis),
populações fitoplanctônicas. favorece a precipitação e imobilização em operação das ETEs (Estação de diretamente relacionados à importância mais relevante, porém, é o das áreas de corvina (Micropogonias furnieri), linguado
O ecossistema lagunar também é alvo destes na forma de sulfetos e outros Tratamento de Efluentes) localizadas regional da pesca. A despeito da situação manguezal que, apesar de descontínuas (Citharichhys), bagre (Genidens genidens),
de contaminação por metais pesados em compostos orgânicos refratários. Em nos bairros de Camboinhas e Itaipu, e de degradação ambiental, a pesca ainda e esparsas, abrigam a maior diversidade savelha (Brevoortia aurea) e ubarana (Elops
sedimentos de fundo e plantas aquáticas. Itaipu, a periódica mistura com águas da consequente ligação das edificações é uma atividade socioeconômica presente biológica. Nas áreas alagadas no interior saarus). Quanto aos crustáceos, podem
São ambientes muito instáveis e que oceânicas bem oxigenadas favorece residenciais e comerciais à rede de coleta no sistema lagunar, executada em canoas do manguezal, que abrigam espécies ocorrer sete espécies de caranguejos,
podem sofrer drásticas modificações nas a dissolução de complexos metálicos de esgotos. Como resultado, espera-se movidas a remo ou por paleamento (vara de interesse e onde são encontrados além de siris (Callinectes), camarão-rosa
variáveis físicas e químicas da água, que instáveis, resultando na remobilização uma alteração nos indicadores biológicos longa). As artes de pesca mais utilizadas juvenis, a pesca artesanal é praticada (Farfantepenaeus brasiliensis) e camarão-
afetam a distribuição e disponibilidade dos metais pesados depositados nos e químicos da qualidade de suas águas são a tarrafa, puçás e as redes de espera e ininterruptamente durante as horas do branco (Litopenaeus schmitti). Na Lagoa
destes metais e influenciam a sua sedimentos. As concentrações nas e consequentemente na saúde do cerco, o que permite a captura de espécies dia, ainda que por um reduzido número de Piratininga ocorrem ainda espécies
acumulação pela biota. Na Lagoa de plantas em Piratininga são muito ecossistema, com reflexos positivos para de pescado de elevado valor econômico e de pescadores. de água doce, como o acará (Geophagus
Itaipu, a anoxia (ausência de oxigênio menores, sugerindo a forte ligação dos a flora e fauna local e para as atividades respalda a existência de uma comunidade Estudos científicos e levantamentos brasiliensis) e o barrigudinho (Poecilia).
dissolvido) está restrita às águas mais metais aos sedimentos, ficando assim pesqueiras, de lazer e qualidade de vida tradicional de pescadores. realizados junto aos pescadores mostram Em ambas foi registrada a ocorrência

Figura 24 - Laguna de Itaipu (PESET). Figura 25 - Barcos utilizados na pesca artesanal pela comunidade tradicional de pescadores na laguna de Itaipu (PESET).

Por Gilson Freitas. Por Gilson Freitas.

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27 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 28

de espécies exóticas, como a tilápia purificação do ar, controle de erosão); suspensão e da transpiração e retorno Figura 26 - Pesca artesanal na laguna de Piratininga (PARNIT - Setor Costeiro-Lagunar).
(Oreochromis niloticus) e o guppy (Poecilia serviços culturais (espiritualidade, lazer, de umidade à atmosfera, como ao nível
reticulata). inspiração, educação, simbolismos) do planeta, através da fixação de carbono
A ocorrência de indivíduos da mesma e serviços de suporte (formação de pela fotossíntese.
espécie de diferentes classes de solos, produção primária, ciclagem de O manguezal, atualmente restrito a
tamanho indica a presença de sucessivas nutrientes, processos ecológicos). trechos do entorno da Lagoa de Itaipu,
gerações no ecossistema, garantindo A prestação desses serviços no município constitui um importante habitat e
a renovação dos estoques pesqueiros. de Niterói está diretamente relacionada área de reprodução da fauna aquática,
Outras espécies frequentam as lagoas à existência dos ecossistemas naturais. especialmente crustáceos e peixes.
por períodos mais longos, utilizando O Sistema Lagunar Piratininga-Itaipu é Atua na proteção da linha marginal pela
como área de alimentação. Há ainda um habitat importante para a fauna de ação das raízes das plantas arbóreas,
as espécies que utilizam a lagoa como peixes, crustáceos, anfíbios e répteis constituindo assim uma barreira contra a
berçário e/ou refúgio, permanecendo como o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman ação erosiva das ondas, marés e ventos.
em locais abrigados até atingirem latirostris), e de diversas espécies de Auxilia na retenção de sedimentos
tamanho seguro para migração. Foram aves residentes e migratórias. É também carreados pelos rios, onde as partículas
registradas ainda espécies marinhas que uma importante fonte de alimentos ricos se precipitam e são assimiladas pelo
não ocorrem normalmente em lagoas, em proteína para as comunidades locais substrato lodoso, controlando a erosão
apenas penetram acidentalmente nesses de pescadores e coletores. E por fim, das margens e o assoreamento lagunar.
ambientes, sem estabelecer populações funciona como receptáculo de efluentes Funciona ainda na filtragem biológica
reprodutivas. de origem humana, provenientes da rede das águas através da ação de bactérias
de coleta de esgoto e das ETEs. aeróbias e anaeróbias, que decompõem a
Serviços Ecossistêmicos Os ecossistemas terrestres florestais, matéria orgânica, promovendo a fixação,
rupestres e das planícies sedimentares neutralização e ciclagem de nutrientes e
Existem determinadas condições e e dos costões rochosos, proporcionam a de elementos contaminantes.
processos contínuos pelos quais os oferta de habitats, abrigo e alimentação Os ecossistemas de brejos e campos
ecossistemas sustentam a vida humana. para espécies da flora e da fauna local e inundáveis atuam como área de
As funções ecossistêmicas podem ser migratória. A retenção de sedimentos e acumulação, reserva e exportação de
definidas como as constantes interações nutrientes carreados através da ação das matéria orgânica, nutrientes, biomassa
existentes entre os elementos estruturais águas nas encostas e canais de drenagem, e recursos genéticos, proporcionando
de um ecossistema. Estas funções se a erosão das encostas e terraços, o habitats para a alimentação, reprodução e Por Gilson Freitas.
traduzem em serviços ecossistêmicos assoreamento lagunar e a eutrofização crescimento de espécies residentes e de cênica e a oferta de espaços para por parte da sociedade, existe ainda como a sociedade urbana, para quem
ou ambientais, entendidos como os dos cursos d’água através do sistema ambientes vizinhos, especialmente das contemplação, observação e estudo da uma grande dificuldade na valoração detenha a posse e que garanta a provisão
benefícios indiretos ou diretos gerados radicular das plantas, é um serviço lagoas, e de outros mais distantes, como natureza. A oferta de áreas naturais desses serviços ecossistêmicos. Diversas desses serviços. O ICMS Ecológico é um
às populações humanas pelos recursos relacionado diretamente à estrutura da no caso de aves migratórias. Funcionam nas cidades auxilia a amenizar o stress abordagens vêm sendo desenvolvidas exemplo, onde os municípios que possuem
naturais ou pelas propriedades vegetação. Nos eventos de ocorrência como depuradores das águas, filtrando da vida moderna, principalmente nas e testadas no intuito de atribuir valor uma proporção maior de seu território
ecossistêmicas resultante das inter- de elevados volumes de chuvas, a sedimentos, nutrientes e poluentes regiões metropolitanas, contribuindo aos ecossistemas e suas funções, protegido têm direito a uma parcela
relações entre os recursos da natureza, floresta exerce um importante papel no carreados pelos rios através da diluição, comprovadamente para a melhoria da tradicionalmente ignorados pela correspondente maior do imposto.
como a produção e disponibilidade de controle e mitigação de deslizamentos neutralização e absorção pelas plantas. saúde e bem-estar físico e mental da ciência econômica tradicional. Algumas A oferta de serviços ecossistêmicos na
água potável, o controle do clima, a e movimentos de massa, que possuem Desempenham a função de regulador população. Essas áreas proporcionam técnicas desenvolvidas possuem o sua plenitude pressupõe o equilíbrio e
biodiversidade e a paisagem. um alto potencial de ocasionar elevados do escoamento superficial (runoff) por também espaços diversificados e de intuito de estimar o custo financeiro a conservação de recursos naturais e
Segundo a Avaliação Ecossistêmica danos materiais e humanos. Nas restingas ocasião das chuvas e, portanto, do alto valor para inúmeras atividades ao que a degradação do ecossistema gera, ecossistemas. Portanto, é a partir da
do Milênio, os principais serviços a vegetação nativa auxilia na fixação das volume de água das lagoas, contribuindo ar livre, esportes náuticos e diversas bem como o custo de restaurar a sua manutenção das características naturais
ecossistêmicos são: serviços de provisão areias das dunas, como na Duna Grande. para abrandar a velocidade das águas, práticas ligadas ao ecoturismo. Todos estrutura e funcionamento originais, de desses ambientes - especialmente no
(alimentos, água, lenha, fibras, princípios Finalmente a floresta, e em menor favorecendo a deposição de nutrientes e esses serviços contribuem assim modo a incentivar a sua conservação. espaço das cidades - que se torna possível
ativos, recursos genéticos); serviços de grau os outros ecossistemas, exercem o enriquecimento do solo, retardando o para a melhoria da qualidade de vida Uma das abordagens propostas baseia- a promoção dos benefícios de natureza
regulação (regulação do clima, controle um importante papel na regulação do assoreamento e a erosão das margens. da população do município e de seus se no conceito de Pagamento por Serviços ecossistêmica aos seres humanos.
de doenças, controle de enchentes e clima, tanto na escala local (microclima), Os serviços relacionados ao bem- visitantes. Ambientais (PSA), ou seja, a transferência
desastres naturais, purificação da água, através da absorção de partículas em estar humanos incluem a paisagem Apesar de reconhecimento crescente de valores de quem utiliza os serviços,

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29 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 30

unidades de conservação, as áreas regulam o uso da propriedade urbana em provisória nº 2.166-67, de 24 de agosto físicas que exigem parâmetros especiais Recuperação);
ÁREAS AMBIENTALMENTE ambientalmente protegidas pelas leis prol do bem coletivo, da segurança e do de 2001, decreto federal nº 4.297/2002, para a ocupação urbana, considerando-se VIII - Zona de Produção Mineral-ZPM:
PROTEGIDAS ESTABELECIDAS de zoneamento municipais sustentam bem-estar dos cidadãos, bem como do Lei de Parcelamento do Solo Urbano características geológicas, paisagísticas, áreas que por suas características
NO MUNICÍPIO. um grande número de serviços equilíbrio ambiental. Lei 6.766/79, alterada pela Lei 9.785/99, topográficas, de cobertura vegetal e geológicas de ocorrência de jazidas
Lei Municipal nº 2571/2008. entre outras normas no âmbito estadual de importância para preservação de minerais são destinadas prioritariamente
ecossistêmicos que contribuem para a Quanto ao equilíbrio ambiental, cabe
qualidade da vida humana e ambiental do ao Plano Diretor Municipal considerar para instituir o zoneamento ambiental espécies nativas da flora e da fauna; a atividades de extração mineral;

O município de Niterói possui município. principalmente as leis nº 12.651/2012 municipal. II - Zonas de Conservação da Vida IX - Área de Especial Interesse Ambiental
aproximadamente 56% de seu A execução da política urbana nos termos (lei ordinária) 25/05/2012 dispõe sobre a Em 1992, o Plano Diretor de Niterói Silvestre - ZCVS: áreas públicas ou - AEIA: área destinada à criação de
território composto por unidades de dos arts. 182 e 183 da Constituição proteção da vegetação nativa; altera as estabeleceu cinco regiões administrativas particulares, com parâmetros restritivos unidades municipais de Conservação
conservação e áreas ambientalmente Federal estabelece o Plano Diretor leis nº s 6.938, de 31 de agosto de 1981, - Região das Praias da Baía, Região Norte, de uso e ocupação do solo estabelecidos Ambiental ou para delimitação de áreas
protegidas, proporcionando uma Municipal, instrumento básico previsto 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, Região de Pendotiba, Região Oceânica e por lei, com vistas à manutenção dos de preservação permanente.
paisagem onde os fragmentos florestais também no Estatuto da Cidade (Lei de 22 de dezembro de 2006; revoga as leis Região Leste - com base em critérios de ecossistemas naturais; Destaca-se que o Plano Urbanístico da
entremeiam-se ao tecido urbano. 10.257/01), como conjunto de normas nºs 4.771, de 15 de setembro de 1965, e homogeneidade em relação à paisagem, III - Zona de Amortecimento - ZA: o Região de Pendotiba introduziu uma
Ainda que não categorizados como de ordem pública e interesse social que 7.754, de 14 de abril de 1989, e a medida ao uso das edificações e ao parcelamento entorno de uma unidade de conservação, nova categoria de zoneamento -   Zonas
do solo, considerados, ainda, aspectos onde as atividades humanas estão sujeitas de Preservação e Desenvolvimento
socioeconômicos e físicos, em especial às normas e restrições específicas, com Sustentável (ZPDS) - não contemplada
Figura 27 - Zona de Amortecimento do PESET.
as bacias hidrográficas. o propósito de minimizar os impactos no Código Ambiental em que se
Com o intuito de planejar o território negativos sobre a unidade; pretendeu a promoção de atividades
considerando as vocações e restrições IV - Zona de Preservação da Vida econômicas sustentáveis conjugadas
de cada unidade, os Planos Urbanísticos Silvestre - ZPVS / Áreas de Preservação com a preservação ambiental. As ZPDS
Regionais (PUR) consolidaram diretrizes Permanente – APP: áreas de domínio são definidas como porções do território
indicadas pelo Plano Diretor para a público ou particular, consideradas de destinadas à conservação da paisagem e
ordenação do uso e da ocupação do solo preservação permanente, onde não à implantação de atividades econômicas
nas regiões estabelecidas. são permitidas quaisquer atividades compatíveis com a manutenção e
Atualmente, o município possui quatro que importem na alteração do meio recuperação dos serviços ambientais
Planos Urbanísticos Regionais (Região ambiente assim como: novas edificações, por elas prestados, em especial os
Praias da Baía - Lei nº 1967/2002; Região parcelamento do solo, abertura de vias, relacionados às cadeias produtivas da
Oceânica – Lei nº 1968/2002; Região Norte aterros e cortes de terrenos, corte de agricultura e do turismo, de densidades
– Lei nº 2233/2005 e Região Pendotiba – vegetação nativa, extração mineral ou demográfica e construtiva baixas.
Lei n° 3195/2016), que definem espaços quaisquer tipos de exploração de recursos Neste sentido, ao reconhecer a relevância
territoriais especialmente protegidos, naturais; e a necessidade de conservação de áreas
sujeitos a regime jurídico especial. V - Zona de Uso Especial - ZUE: unidades inseridas no contexto urbano, acredita-
Por sua vez, O Código Ambiental de ambientais sob regulamento de diversas se que podem ser mantidos, a prestação
Niterói (Lei 2602/2008) instituiu o categorias de manejo (unidade de de funções ambientais para além do
zoneamento ambiental do município, conservação) e que possuem objetivos e interior das unidades de conservação e
visando regular atividades, bem como parâmetros definidos por lei própria; proporcionar um mosaico de áreas com
indicar ações para a proteção e melhoria VI - Zona de Proteção Ambiental-ZPA: atributos próximos aos naturais em meio
da qualidade do ambiente, considerando áreas protegidas por instrumentos urbano.
as características ou atributos das áreas.   legais diversos devido à existência
Como consequência, tem-se diferentes de suscetibilidade do meio a riscos
categorias de zoneamentos ambientais, relevantes (Áreas de Risco);
definidos por parâmetros e diretrizes que VII - Zonas de Recuperação Ambiental-
atendam às necessidades ambientais ZRA: áreas em estágio significativo de
particulares de cada unidade de degradação, onde é exercida a proteção
planejamento.   Nesse contexto, tem-se temporária e desenvolvidas ações visando
como zonas ambientais: à recuperação induzida ou natural do
I - Zonas de Restrição à Ocupação ambiente, com o objetivo de integrá-lo
Urbana-ZROU: áreas com condições às zonas de proteção (Áreas de Risco em
Por Gilson Freitas.

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31 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 32

ÁREAS correspondente à encosta dos morros O tombamento da Serra do Mar abrange construção da história social local desde com o município de São Gonçalo, que
do Morcego e Pau-Ferro. De formação o bioma Mata Atlântica em todo o estado a colonização. apresentam ampla diversidade de flora
Pedra do Índio, Pedra de Itapuca semicircular, apresenta uma extensão do Rio de Janeiro, no qual se pretendeu No município de Niterói são integrantes a e fauna e integram o sistema orográfico
e Ilha dos Cardos – ao largo das de aproximadamente 250 metros. Esta reconhecer e proteger valores de caráter Serra da Tiririca, divisa com o município de vários municípios do Estado do Rio de
Praias das Flechas e de Icaraí praia, juntamente com a de Eva, é um cultural e ambiental, valorizando a de Maricá, e a Serra do Calaboca, divisa Janeiro.
dos poucos remanescentes de praias
Tombamento estadual. Processo nº da baía sem ocupação. Até a construção Figura 28 - Praia do Sossego (PARNIT - Setor Costeiro-Lagunar).
ÁREAS E-03/33.538/83. Tombamento provisório: da estrada Eurico Gaspar Dutra, que
NATURAIS 19/06/1985. interligou a Praia de Jurujuba à Fortaleza
TOMBADAS São três formações rochosas que afloram de Santa Cruz, a ocupação da região
do mar ao largo das praias da Boa Viagem restringia-se à colônia de pescadores.
e das Flexas e se constituem em marcos
Praia do Sossego e sua ambiência
A
naturais e simbólicos da paisagem da
s áreas naturais que possuem eco paisagística
cidade de Niterói.
relevante valor paisagístico, histórico,
A Pedra do Índio é uma formação rochosa
artístico, arqueológico, cultural ou Tombamento municipal. Decreto n°
que aflora do mar a poucos metros da
científico podem ser tombadas através de 6101/91.
faixa de areia da praia, e está rodeada
instrumento legislativo. A praia, localizada entre as praias
por outras rochas de formatos variados,
O tombamento é um instituto jurídico, de Piratininga e de Camboinhas, é
facilmente visíveis na maré baixa. Sua
instituído pela União, através do Decreto- protegida por uma cadeia de montanhas,
denominação é atribuída ao imaginário
Lei nº 25/ 1937, que visa a proteção e o constituindo um pequeno anfiteatro
popular, que vê grande semelhança entre
reconhecimento do valor cultural e natural verde, ocultado pelos costões rochosos
a pedra e uma figura indígena de perfil,
de determinada localidade e define que a abrigam. Este recanto guarda
e os arbustos no seu topo lembram um
parâmetros de uso, não necessitando também os últimos remanescentes da
cocar.
ser expropriada, permanecendo sob o flora da restinga do município, além de
A Pedra de Itapuca, atualmente isolada
domínio de seu titular. abrigar bancos de mexilhões e possuir
da costa, forma com a Pedra do Índio e
O uso do bem tombado pode implicar diversificação significativa de espécies
a Ilha dos Cardos uma forte referência
em restrições por parte do proprietário vegetais.
de identidade cultural na paisagem da
para garantia de boa utilização e não
orla de Niterói, voltada para a baía de
descaracterização, ficando a execução de Canto Sul da Praia de Itaipu e Ilhas
Guanabara.
qualquer intervenção sujeita à autorização da Menina, da Mãe e do Pai
do órgão responsável pela tutela.
Ilha da Boa Viagem Por Gabriela Simões.
A proteção do bem poderá ser efetivada Tombamento estadual. Processo nº Figura 29 - Ilha do Pai (PESET). Figura 30 - Ilha da Mãe (PESET).
em esfera federal, estadual ou municipal, E-18/300.459/85. Tombamento definitivo:
Tombamento federal em 30 de maio de
desde que o ente possua instrumentos 11/05/1987.
1938. Processo nº 101-T-38 e 164-T-38.
legais próprios. A área protegida denominada Canto Sul
A Ilha da Boa Viagem, marco natural e
Em 25 de junho de 1990, foi criada a da Praia de Itaipu corresponde a um
histórico de Niterói, está situada na costa
Lei Municipal nº 827 com o objetivo pequeno trecho do litoral do município de
leste da Baía de Guanabara, ligando-se ao
de preservar o Patrimônio Cultural do Niterói, formada pelo Pontal do Morro das
continente por uma ponte. Com uma área
Município de Niterói. Conhecida como Andorinhas, as Ilhas da Menina, do Pai e
de 25.270 m², o complexo arquitetônico é
Lei do Patrimônio, institui o instrumento da Mãe, o aldeamento de pescadores e o
composto por uma capela originária do
de tombamento municipal, como histórico Recolhimento de Santa Teresa.
século XVII e pelas ruínas de um fortim.
também cria os órgãos de proteção ao
patrimônio: o Conselho Municipal de Serra do Mar – Serra da Tiririca e
Praias de Adão e Eva
Proteção do Patrimônio Cultural - CMPC Serra do Calaboca
e o Departamento de Preservação do
Tombamento municipal. Processo nº
Patrimônio Cultural - DePAC (antigo Tombamento provisório estadual em
110/0023/91 - Lei: n° 1.338/94
DDDBC). 06/03/1991. Processo E-18/000.172/91.
A praia de Adão localiza-se no trecho
Por Gabriela Simões. Por Gabriela Simões.

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33 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 34

providências para realização de levanta- gidas sendo algumas delas mais restri- Figura 31 - Entorno da laguna de Itaipu (PESET).
CONTEXTUALIZAÇÃO mentos científicos, cujos resultados ser- tivas aos usos pelas sociedades (Reserva
HISTÓRICA DAS UNIDADES viram de base para a criação da primei- Natural Estrita, Parque Nacional e Monu-
DE CONSERVAÇÃO E SEUS ra área com status de Parque Nacional mento Natural) e outras menos restriti-
INSTRUMENTOS DE GESTÃOW do mundo, o de Yellowstone. A região de vas (Área de Manejo de Habitat ou de Es-
Yellowstone passou então a ser reserva- pécies, Paisagem Protegida Marinha ou
da e proibida de ser colonizada, ocupada Terrestre e Área Protegida com Recursos
ou vendida. Segundo as leis americanas, Manejados).
Luiz Renato Vallejo toda pessoa que se estabelecesse ou Os propósitos a serem alcançados pela
Biólogo, Dr. em Geografia, Professor Titular do ocupasse o parque ou qualquer de suas política mundial de criação de áreas pro-
Departamento e Programa de Pós Graduação em Geografia partes seria considerada infratora e, por- tegidas, nas diferentes categorias de ma-
da Universidade Federal Fluminense (UFF/Niterói)
Coordenador do Núcleo de Pesquisas de Áreas Protegidas tanto, desalojada. nejo, envolvem desde a pesquisa científica
(NUPAP) do Departamento de Geografia
Com o Parque Nacional de Yellowstone para proteção da vida selvagem e manu-
foi inaugurada uma nova fase de criação tenção de serviços ambientais (conserva-
de áreas protegidas pelo mundo. Além ção da água, do clima, do relevo, etc), até

A delimitação de áreas para proteção


de seus atributos naturais é uma
prática cultural antiga com registros
da preservação das belezas cênicas, le-
vava-se em consideração a perpetuação
as atividades de uso público (recreação e
turismo) e o uso sustentável de recursos
de direitos das gerações futuras de usu- de ecossistemas, juntamente com a ma-
nas primeiras sociedades humanas e fruírem daquele local. A socialização do nutenção de atributos culturais tradicio-
que evoluiu ao longo da história. O uso usufruto das belezas cênicas por toda a nais (indígenas, quilombolas, etc).
imediato e futuro dos recursos da fauna e população foi o pressuposto inicial des- No Brasil, o primeiro parque nacional foi
flora, da água pura e de outras matérias ses parques nacionais. A partir do mode- criado em 1937, nos moldes do modelo
primas era o que justificava a manutenção lo americano, foram criados outros par- americano adotado em Yellowstone, EUA.
desses sítios, além de se constituírem ques em diversos países como o Parque Trata-se do Parque Nacional de Itatiaia
em espaços de preservação de mitos Nacional Banff (Canadá - 1885), o Parque que fica situado na Serra da Mantiquei-
e ocorrências históricas. Mecanismos Nacional da Nova Zelândia (1894), o Par- ra, abrangendo municípios dos Estados
sociais comunitários funcionavam - e que Nacional Real Australiano e o Parque do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Sua
ainda funcionam hoje em dia - como Nacional Kruger na África do Sul (ambos criação resultou da promulgação do pri-
reguladores do acesso e uso desses em 1898). meiro Código Florestal brasileiro em 1934
espaços especiais. Outras áreas naturais protegidas passa- (Decreto 23.793 de 23/01/1934), base le-
Muitos reis e imperadores no passado ram a servir também como laboratórios gal para o estabelecimento dos primeiros
mantiveram áreas reservadas para fins para a pesquisa básica em ciências bio- Parques e Florestas Protetoras no Brasil.
de recreação, caça e pesca exclusiva, lógicas, como ocorreu nos primeiros par- Atualmente, a principal referência le- Por Mauro Tadeu Lucas.
estabelecendo regras rígidas para todos ques nacionais da Suíça, Suécia e Rússia. gal no Brasil é a Lei 9.985 (18/07/2000),
aqueles que as violassem. Diversos par- Na América do Sul, entre os anos de 1922 também conhecida como a Lei do Siste-
ques nacionais existentes hoje no Nepal, a 1937, vários países tiveram a mesma • as faixas marginais de qualquer curso • os manguezais, em toda a sua exten- necessariamente, unidades de conserva-
ma Nacional de Unidades de Conserva-
Índia, Japão, Bali, entre outros, foram iniciativa como Argentina, Chile, Equador, d’água natural (perene ou intermiten- são; ção (UCs), ao passo que toda unidade de
ção (SNUC) e que regulamentou o Artigo
originariamente criados como reservas Venezuela e no Brasil. te); • as bordas dos tabuleiros ou chapadas; conservação é uma área protegida legal-
225, § 1º, incisos I, II, III e VII da Cons-
de caça. Atualmente o estabelecimento de áreas • as áreas no entorno dos lagos e lago- • no topo de morros, montes, monta- mente.
tituição Federal. Ela substituiu inúmeras
Na idade média, classes dominantes no protegidas no mundo segue a orientação as naturais; nhas e serras, com altura mínima de
normas até então dispersas no conjunto
Ocidente destinavam áreas para seu uso geral da União Internacional de Conser- • as áreas no entorno dos reservatórios 100 (cem) metros e inclinação média
de leis brasileiras sobre o tema. Existem
exclusivo e alguns reis separavam peque- vação da Natureza (UICN), fundada em d’água artificiais; maior que 25°;
também outros instrumentos legais que
nas áreas para proteção de determinadas 1948, e agregando mais de 1.250 organi- • as áreas no entorno das nascentes e • as áreas em altitude superior a 1.800
protegem a vegetação nativa, indepen-
espécies, como na Lituânia (1423), Suíça zações (84 governos nacionais, 112 agên- dos olhos d’água; metros, qualquer que seja a vegeta-
dentemente de serem ou não unidades de
(1569), França e Inglaterra (os Parques e cias de governo e um grande número de • as encostas ou partes destas com de- ção;
conservação, públicas ou privadas. São,
Reservas reais do século XIX). organizações não-governamentais nacio- clividade superior a 45°; • as veredas.
por exemplo, as Áreas de Preservação
A criação de parques nacionais públicos nais e internacionais). Segundo a UICN, • as restingas, como fixadoras de dunas É importante esclarecer que as APPs são
Permanente (APP), assim consideradas:
começou efetivamente em 1872, depois existem seis categorias de áreas prote- ou estabilizadoras de mangues; protegidas pela legislação, mas não são,
que o congresso norte-americano tomou
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35 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 36

Figura 32 - Restinga da praia de Itacoatiara. 8. recuperar ou restaurar ecossistemas Quadro 2 – Relação das categorias de UCs previstas no SNUC, com os respectivos domínios (público ou privado) e objetivos (Lei do SNUC - Capítulo III, Art. 7º)
Unidades de Conservação do Município de Niterói.
degradados;
9. proporcionar meios e incentivos para Unidades de proteção integral
atividades de pesquisa científica, es-
tudos e monitoramento ambiental; Estações Ecológicas
Público
10. valorizar econômica e socialmente a (ESEC) Preservação da natureza e pesquisas científicas. Só é permitida a visitação para
diversidade biológica; Reservas Biológicas pesquisadores e para fins educacionais.
11. favorecer condições e promover a Público
(REBIO)
educação e interpretação ambiental, a
recreação em contato com a natureza
Parques Nacionais Preservação dos ecossistemas, realização de pesquisas científicas, atividades
e o turismo ecológico; Público
(PARNA) educativas e de interpretação ambiental, recreação e turismo ecológico.
12. proteger os recursos naturais neces-
sários à subsistência de populações
Monumentos Naturais
tradicionais, respeitando e valorizan- Público ou particular Preservação de sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica.
(MONAT)
do seu conhecimento e sua cultura e
promovendo-as social e economica- Proteção de ambientes naturais, assegurando-se as condições de existência
Refúgios de Vida
mente. Particular ou reprodução de espécies, comunidades da flora local e da fauna residente ou
Silvestre (RVS)
As UCs integrantes do SNUC são dividi- migratória.
das em dois grupos: Proteção Integral e
Uso Sustentável (Capítulo III, Artigo 7º). O Unidades de uso sustentável
Por Felipe Lima Queiroz. primeiro grupo tem 5 categorias e o ob- Público
jetivo básico é a preservação da natureza Áreas de Proteção Áreas, em geral extensas, com certo grau de ocupação humana visando a proteção da
e/ou particular
sendo admitido apenas o uso indireto dos Ambiental (APA) diversidade biológica e disciplinamento e sustentabilidade da ocupação.
Unidades de Conservação no Brasil
seus recursos naturais, com exceção dos
casos previstos na Lei. No segundo, com Áreas de Relevante Público Áreas, em geral pequenas, com pouca ou nenhuma ocupação humana, visando manter
As Unidades de Conservação (UCs), com dos os seguintes objetivos para estabele-
7 categorias, a meta principal é compati- Interesse Ecológico e/ou particular os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível
base nos termos da Lei do SNUC (9.985 cimento das UCs:
bilizar a conservação da natureza com o (ARIE) dessas áreas.
de 18/07/2000) são definidas da seguinte 1. contribuir para a manutenção da di-
uso sustentável de parcela dos recursos Áreas florestais de espécies predominantemente nativas com usos múltiplos
forma: versidade biológica e dos recursos Florestas Nacionais
naturais da área. A presença das popu- Público sustentáveis dos recursos florestais e para a pesquisa científica, com ênfase em
"espaços territoriais e seus recursos genéticos no território nacional e nas (FLONA)
lações tradicionais está prevista apenas métodos para exploração sustentável de florestas nativas.
ambientais, incluindo as águas jurisdicio- águas jurisdicionais;
nas Reservas Extrativistas e nas Reser-
nais, com características naturais rele- 2. proteger as espécies ameaçadas de
vas de Desenvolvimento Sustentável. De Público, com uso Áreas utilizadas por populações tradicionais (extrativismo, agricultura e criações
vantes, legalmente instituídos pelo Poder extinção no âmbito regional e nacio- Reservas Extrativistas
todas essas categorias, cinco são de pos- concedido às animais de subsistência) visando proteger os meios de vida e a cultura assegurando o
Público, com objetivos de conservação e nal; (RESEX)
se e domínio públicos: Estações Ecológi- populações uso sustentável dos recursos naturais da unidade.
limites definidos, sob regime especial de 3. contribuir para a preservação e a res-
cas, Parques Nacionais, Reservas Bioló-
administração, ao qual se aplicam garan- tauração da diversidade de ecossiste-
gicas, Florestas Nacionais e Reservas de Áreas naturais com populações animais de espécies nativas, terrestres ou aquáticas,
tias adequadas de proteção da lei" (Art. mas naturais; Reservas de Fauna
Fauna; duas são de domínio público, po- Público residentes ou migratórias, adequadas para estudos técnico-científicos sobre o manejo
1º, I). 4. promover o desenvolvimento susten- (RF)
rém existe a concessão de uso: Reservas econômico sustentável de recursos faunísticos.
A criação de uma UC visa, primordial- tável a partir dos recursos naturais;
Extrativistas e Reservas de Desenvolvi-
mente, a proteção de espécies da fauna 5. promover a utilização dos princípios e Reservas de Áreas naturais com populações tradicionais, baseadas em sistemas sustentáveis
mento Sustentável; quatro são particula-
e flora em determinadas porções territo- práticas de conservação da natureza Desenvolvimento de exploração dos recursos, desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às
res: Monumento Natural, Refúgio da Vida Público
riais e em condições ecologicamente viá- no processo de desenvolvimento; Sustentável condições ecológicas locais e que desempenham um papel fundamental na proteção
Silvestre, Áreas de Proteção Ambiental e
veis. Além disso, tem-se a perspectiva de 6. proteger paisagens naturais e pouco (RDS) da natureza e na manutenção da diversidade biológica.
Reserva Particular do Patrimônio Natu-
contribuir para restauração e melhoria alteradas de notável beleza cênica;
ral; e uma de domínio público ou privado:
das condições ecológicas das espécies 7. proteger as características relevantes Reserva Particular do Área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade
Áreas de Relevante Interesse Ecológico.
biológicas e das populações humanas de natureza geológica, geomorfológi- Patrimônio Natural Particular biológica. São previstas atividades de pesquisa científica, a visitação com objetivos
O Quadro 2 resume as características ge-
tradicionalmente residentes e dos usuá- ca, espeleológica, arqueológica, pale- (RPPN) turísticos, recreativos e educacionais.
rais das categorias de UCs definidas pelo
rios indiretos dos territórios protegidos. ontológica e cultural; proteger e recu-
SNUC.
No Capítulo II, Artigo 4º, foram detalha- perar recursos hídricos e edáficos; Fonte: Lei 9.985/2000 (Art. 7º a 21º) Organizado por Vallejo, L.R.
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37 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 38

O Artigo 3º da Lei do SNUC prevê que as zona de amortecimento e, quando conve- as ações voluntárias contribuem efeti- limitações nas diversas zonas da unida- Figura 34 - Ponto de acesso à Ilha do Pontal (PARNIT - Setor Costeiro-Lagunar).
UCs podem ser estabelecidas nas esfe- niente, corredores ecológicos" (Art. 25). O vamente de várias maneiras: atividades de. Objetiva organizar espacialmente as
ras de competência federal, estadual ou decreto nº 4.340 (22/08/2002) indica que educativas, projetos especiais de manu- atividades e intervenções setoriais sob
municipal, caracterizando a possibilidade os corredores ecológicos serão reconhe- tenção, projetos especiais de constru- diferentes graus de proteção e regras de
de descentralização das iniciativas dos cidos em ato do Ministério do Meio Am- ção, pesquisas especiais, monitoramen- uso. Também inclui as medidas de pro-
governos. O conjunto dessas UCs deve biente e passam a integrar os mosaicos to, busca e salvamento e hospedagem moção da integração da UC à vida econô-
agregar amostras significativas e ecolo- de unidades de conservação para fins de voluntária. O Decreto Federal nº 4.340 mica e social das comunidades vizinhas,
gicamente viáveis das diferentes popula- sua gestão. (22/08/2002), regulamentou estas parce- elemento essencial para a eficiência da
ções biológicas, habitats e ecossistemas rias como estratégia de gestão territorial implementação da UC. Este documento
do território nacional e das águas jurisdi- As Unidades de Conservação e a compartilhada e a Instrução Normati- também define as regras para visitação e
cionais (Artigo 5º, I). Em geral, as unida- participação social va nº 03 (10/05/2016) do Instituto Chico demais usos da área.
des federais e estaduais apresentam di- Mendes de Conservação da Biodiversi- Os Planos de Manejo não devem ser con-
mensões maiores e mais representativas A participação popular na criação e ges- dade (ICMBIO), dispõe sobre diretrizes, siderados como “camisas de força”, isen-
dos biomas brasileiros, enquanto as uni- tão das UCs está assegurada pela lei do normas e procedimentos para criação do tos de continuidade, possibilidade de evo-
dades municipais ocupam porções ter- SNUC. No processo inicial de criação, são Programa de Voluntariado em UCs fede- lução, flexibilidade e participação. Por Vanessa Onofre.
ritoriais bem menores e mais fragmen- previstos estudos técnicos e de consul- rais. Trata-se de uma oportunidade para A continuidade e a evolução do planeja- Figura 35 - Trabalho voluntário no PARNIT - Setor Montanha da Viração.
tadas. Isso não reduz a importância das ta pública para definição da localização, que os cidadãos deem sua contribuição mento envolvem a busca constante de no-
iniciativas municipais, pois permite man- da dimensão e dos limites mais adequa- para a qualidade de vida local, atuando vos conhecimentos sobre a área preser-
ter um grau de aproximação mais intenso dos para a unidade (Art. 2º, § 2). Nelas o juntamente com os gestores das UCs. vada e seu entorno, fornecendo subsídios
entre as áreas legalmente protegidas e Poder Público é obrigado a fornecer in- a atualização das propostas iniciais. Des-
as populações residentes dos municípios. formações adequadas e inteligíveis à po- Planos de Manejo das Unidades de sa maneira evita-se o distanciamento en-
pulação local e às outras partes interes- Conservação tre as ações pretendidas e as realidades
Corredores Ecológicos ou de sadas. São necessários esclarecimentos locais e regionais. É sugerido que a cada
Biodiversidade sobre a categoria, os objetivos, as possi- O principal instrumento de orientação cinco anos sejam revisados e atualizados.
bilidades, as limitações e os benefícios da para gestão de uma UC é o seu Plano de No território do município de Niterói exis-
As expressões Corredores Ecológicos ou UC em relação às populações residentes Manejo, que deve ser elaborado em um tem 09 Unidades de Conservação, sendo
Corredores de Biodiversidade são utiliza- e/ou vizinhas. Estas consultas não estão prazo máximo de cinco anos, após a sua sete municipais e duas estaduais. O Qua-
dos para as áreas que promovem a união previstas apenas nos casos das Estações criação. Ele deve ser estruturado em fun- dro 3 sintetiza as informações sobre es-
de fragmentos florestais, com ou sem UCs e Reservas Biológicas. ção dos objetivos gerais pelos quais a tas UCs.
consolidadas, e que foram separadas por Para efetivar a gestão das UCs, está pre- unidade foi criada. Trata-se de um docu- Figura 33 - Placa informativa na Ilha do Pontal
interferências humanas, tais como estra- vista a formação de Conselhos Consulti- mento produzido a partir de diversos es- (PARNIT- Setor Costeiro-Lagunar).
Por Alex Figueiredo.
das, atividades agrícolas, exploração de vos (UCs de proteção integral) e Conse- tudos, incluindo os diagnósticos do meio
Figura 36 - Oficina de Planejamento Participativo para elaboração do Plano de Manejo
madeireira, etc. A finalidade principal dos lhos Gestores (UCs de uso sustentável) físico, biológico e social. Ele estabelece do PARNIT.
corredores é facilitar o livre deslocamen- incentivando as populações locais e as as normas, restrições de uso, ações a
to de animais e a dispersão de sementes organizações privadas a participarem da serem desenvolvidas e o manejo dos re-
para reconstituição da cobertura vegetal. administração das UCs. Além disso, as cursos naturais incluindo seu entorno e,
Com o passar dos anos, os fragmentos organizações não-governamentais, pri- quando for o caso, os corredores ecoló-
florestais vão se interligando a partir do vadas e as pessoas físicas podem envol- gicos a ela associados. Também consi-
fluxo gênico entre os organismos das vá- ver-se diretamente no desenvolvimento dera a implantação de estruturas físicas
rias espécies da fauna e flora. A recoloni- de estudos, pesquisas científicas, práti- dentro da UC (estruturas administrativas,
zação biológica atenua a degradação das cas de educação ambiental, atividades de centro de visitantes, áreas de recreação,
terras e ajuda na reconstituição dos pro- lazer e de turismo ecológico, monitora- estacionamentos, etc), visando minimizar
cessos ecológicos essenciais. mento, manutenção e outras atividades os impactos negativos sobre os ecossis-
Na atualidade, o tema é tratado na Lei do de gestão das UCs (Art. 5º, IV). temas e garantindo a manutenção dos
SNUC quando determina que "as unida- Estas participações têm sido da maior processos ecológicos.
des de conservação, exceto Área de Pro- relevância e, particularmente, nos casos O zoneamento é uma das ferramentas
teção Ambiental e Reserva Particular do dos movimentos voluntários indepen- mais importantes de um Plano de Ma-
Patrimônio Natural, devem possuir uma dentes. Em muitos parques pelo mundo, nejo, buscando definir possibilidades e
Por Vanessa Onofre. Por Vanessa Onofre.

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39 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 40
Quadro 3 – Unidades de Conservação do Município de Niterói, com suas respectivas categorias, grupo, área, ano de criação, tipologia e região administrativa
municipal onde é localizada.

Região Administra- Reconheci-


Unidade de Conservação Categoria Grupo Área (ha) Ano Tipologia Bairro Atos legais de constituição Instrumento de Gestão
tiva mento
Lei de criação: Lei Municipal Nº Conselho Consultivo de
Reserva Ecológica Darcy Oceânica/Leste/ Serra Grande, Maravista, Santo Antônio, Jacaré, Cafubá, 1566 de 1997 e Plano Urbanístico da Meio Ambiente – Decreto
Reserva Ecológica* Proteção Integral 1.229 1997 Floresta Municipal
Ribeiro Pendotiba Cantagalo, Vila Progresso, Muriqui, Rio do Ouro Região Oceânica: Lei Municipal Nº Federal N° 4.340 de 2002
1968 de 2002 Artigo17; § 6o
Boa Viagem, São Francisco, Maceió, Cantagalo, Cafubá,
Conselho Consultivo de
Praias da Baía/Pen- Piratininga, Camboinhas, Jardim Imbuí, Charitas, Ilha dos
Parque Natural Municipal Mangue/Floresta/ Decreto Municipal de criação Nº Meio Ambiente - Decreto
Parque Proteção Integral 918 2014 dotiba/ Cardos, Pedra do Índio, Pedra de Itapuca, Ilha da Boa Via- Municipal
de Niterói Brejo/Restinga 11744 de 2014 Federal N° 4.340 de 2002
Oceânica gem, Ilha das Duas Irmãs, Ilha dos |Amores, Ilha do Veado,
Artigo17; § 6o
Ilha do Modesto, Ilha do Pontal
Lei Estadual de criação n° 1901 de Conselho Consultivo - Por-
Itacoatiara, Itaipu, Camboinhas, Piratininga, Santo Antô-
1991 - Lei Estadual de perímetro taria Inea/Dibap Nº 18 de
Parque Estadual da Serra Mangue/Floresta Oceânica/Leste/ nio, Maravista, Engenho do Mato, Serra Grande, Jacaré,
Parque Proteção Integral 3.493 1991 Estadual definitivo N° 5079/1997 e amplia- 2011 e Plano de Manejo
da Tiririca /Brejo/Restinga Pendotiba Cafubá, Cantagalo, Vila Progresso, Muriqui, Rio do Ouro,
do pelos Decretos Estaduais N° Resolução INEA N° 107 de
Várzea das Moças
41266/2008 e N°43913/2012 2015
Jardim Imbuí, Piratininga, Camboinhas, Itaipu, Itacoatiara,
Conselho Consultivo de
Área de Proteção Ambiental Maravista, Santo Antônio, Jacaré, Cafubá, Maceió, Largo
Área de Proteção Mangue/Floresta/ Oceânica/Leste/ Plano Diretor Municipal Lei N°115 Meio Ambiente - Decreto
das Lagunas e Florestas de Uso Sustentável 8.632 1992 da Batalha, Cantagalo, Serra Grande, Engenho do Mato, Municipal
Ambiental Brejo/Restinga Pendotiba de 1992 Federal N° 4.340 de 2002
Niterói Badu, Vila Progresso, Sapê, Matapaca, Maria Paula, Muri-
Artigo17; § 6o
qui, Rio do Ouro, Várzea das Moças
Conselho Consultivo de
Área de Proteção Ambien-
Meio Ambiente - Decreto
tal do Morro do Morcego, Lei Municipal do Plano Urbanístico
Área de Proteção Federal Nº 4.340 de 2002
da Fortaleza de Santa Cruz Uso Sustentável 141 2002 Floresta/Restinga Praias da Baía Jurujuba Municipal da Região Praias da Baía N° 1967 de
Ambiental Artigo17; § 6o
e os Fortes do Pico e do Rio 2002
Plano de Manejo Decreto
Branco
Municipal N° 10912 de 2011
Conselho Consultivo de
Área de Proteção Ambien- Área de Proteção Meio Ambiente - Decreto
Uso Sustentável 9 2003 Floresta Praias da Baía Gragoatá e São Domingos Municipal Lei Municipal N° 2099 de 2003
tal do Morro do Gragoatá Ambiental Federal Nº 4.340 de 2002
Artigo17; § 6o
Conselho Consultivo de
Área de Proteção Ambien- Área de Proteção Bairro de Fátima, Pé Pequeno, Cubango Fonseca e São Meio Ambiente - Decreto
Uso Sustentável 54 2008 Floresta Praias da Baía/Norte Municipal Lei Municipal Nº 2621 de 2008
tal da Água Escondida Ambiental Lourenço Federal Nº 4.340 de 2002
Artigo17; § 6o
Conselho Consultivo de
São Lourenço, Santa Bárbara, Tenente Jardim, Baldeador,
Sistema Municipal de Áreas Área de Proteção Meio Ambiente - Decreto
Uso Sustentável 598 2014 Floresta Norte Viçoso Jardim, Barreto, Fonseca, Caramujo, Cubango, Municipal Decreto Municipal Nº 11744 de 2014
de Proteção Ambiental Ambiental Federal Nº 4.340 de 2002
Santana Engenhoca e a Ilha Manoel João
Artigo17; § 6o
Conselho Deliberativo
Reserva Extrativista Mari-
Reserva Extrativista Uso Sustentável 3.943 2013 Marinho/Lagunar Oceânica - Estadual Decreto Estadual Nº 44417 de 2013 Portaria INEA/DIBAP Nº 42
nha de Itaipu
de 2014
*Categoria não contemplada no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Reserva Ecológica, Decreto Federal Nº 89.336 de 1984
Fonte: Prefeitura de Niterói – SMARHS, 2017.

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43 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 44

Figura 37 - Colhereiro (Platalea ajaja) na laguna de Itaipu (PESET). Niterói, criados posteriormente à criação Figura 38 - Aratu (Aratu pisonii) no canal do Camboatá (PESET).
da APA. Tais fragmentos situam-se
Unidades de principalmente nas porções mais altas
Conservação de Niterói do relevo, formando um dossel contínuo,
onde sobressaem alguns elementos
arbóreos bastante comuns como as
embaúbas (Cecropia spp), quaresmeiras
Unidades de Conservação de
(Tibouchina granulosa), diversas espécies
Uso Sustentável
de figueiras (Ficus spp), jacatirão
(Miconia fairchildiana), sapucaia (Lecithys
Área de Proteção Ambiental das
pisonis), pau d’alho (Gallesia integrifolia)e
Lagunas e Florestas de Niterói
angicos de diversas espécies(Piptadenia

A
gonoacantha, Parapiptadenia sp e
s Áreas de Proteção Ambiental (APAs)
Anadenanthera colubrina).
se enquadram no grupo das unidades
Já nas áreas mais baixas a composição
de conservação de uso sustentável,
florística é representada principalmente
contemplando terras públicas ou
por espécies nativas em estágio inicial de
privadas. De acordo com o Sistema
sucessão, espécies ruderais e exóticas
Nacional de Unidades de Conservação Por Felipe Lima Queiroz.
introduzidas pelo homem, sendo muito
(SNUC), permitem certo grau de
frequente a presença de árvores frutíferas (Boa  constrictor), cobra-coral (Micrurus florestais existentes nas Regiões
ocupação humana e têm como objetivos
em pomares domésticos. lemniscatus), jararaca (Bothrops jararaca), Oceânica, Pendotiba e Leste até que os
básicos proteger a diversidade biológica,
Por Felipe Lima Queiroz. O sistema lagunar possui diferentes jararacuçu (Bothrops jararacuçu). Nas Planos Urbanísticos Regionais (PURs)
disciplinar o processo de ocupação e
tipos de vegetação, contendo florestas lagunas destaca-se a presença do jacaré- definissem as diretrizes específicas de
assegurar a sustentabilidade do uso dos destacar as bacias do Rio Alcântara e do no bairro de Itaipu; 4) parte do Parque ombrófilas densas, em especial nas do-papo-amarelo (Caiman latirostris) e uso e ocupação do solo.
recursos naturais. Rio Aldeia, localizadas ao norte, cujas Estadual da Serra da Tiririca (PESET) – áreas de morros, áreas de manguezal e aves diversas como o mergulhão-pequeno Atualmente, as Regiões Oceânica e
A Área de Proteção Ambiental das águas seguem em direção ao município porção localizada no município de Niterói; vegetação de restinga. (Tachybaptus dominicus), colhereiro Pendotiba já possuem este instrumento
Lagunas e Florestas de Niterói foi criada de São Gonçalo.  Ao sul, encontram- 5) parte do Parque Natural Municipal de Apesar da pressão antrópica, os (Platalea ajaja), biguá (Phalarocorax com zoneamento característico de
pela Lei Municipal nº 1.157/1992, no se as lagunas de Piratininga e Itaipu, Niterói (PARNIT) – Setor Costeiro Lagunar manguezais estabelecidos nas margens brasiianus), garça-branca-grande unidade de conservação, apresentando
escopo do Plano Diretor, a fim de proteger que contemplam as bacias dos rios e porção do Setor Montanha da Viração; 6) das lagunas cumprem sua função (Egretta alba), marreca-irerê (Dendrocigna Zona de Conservação da Vida Silvestre
e melhorar a qualidade ambiental dos Jacaré e João Mendes como principais áreas insulares: Ilha Duas Irmãs, Ilha do ecológica e possuem representação viduata), piru-piru (Haematopus palliatus) (ZCVS), Zona de Uso Especial (ZUE) e Zona
sistemas naturais e proporcionar um contribuintes de seus corpos d’água e Veado e as Ilhas do Pai, da Mãe e Menina; das três espécies características dos e maçarico-de-pena-amarela (Tringa de Preservação da Vida Silvestre (ZPVS).
adequado desenvolvimento urbano da servem, de maneira natural, para atenuar 7) Áreas de Especial Interesse Ambiental manguezais brasileiros: Avicennia flavipes). Já no mangue há espécies
cidade. os efeitos das cheias das marés na região (AEIAs) localizadas na Região Leste; 8) shaueriana(mangue preto), Laguncularia variadas de caranguejo, como caranguejo-
Contabilizando uma área de 8.687 costeira da APA. Além de contribuir para o a Reserva Extrativista Marinha de Itaipu racemosa (mangue branco) e Rhizophora aratu (Aratus pisonii), caranguejo-uçá
hectares e configurando a maior unidade equilíbrio ambiental, as lagunas também (RESEX Itaipu) e 9) zona costeira (Região mangle (mangue vermelho). A (Ucides cordatus) e o chama-maré (Uca
de conservação de Niterói, a APA implicam no desenvolvimento equilibrado Oceânica de Niterói), corroborando a vegetação de restinga está basicamente rapax).
abrange três regiões administrativas do da fauna e da flora local. grande importância para a conservação representada por ipomeas (Ipomoea pes- Devido à presença de áreas de
município, a saber: Região de Pendotiba, A importância ambiental desta APA no ambiental. caprae), feijão- da-praia (Canavalia rosea), urbanização consolidadas na APA das
Região Leste e Região Oceânica e áreas município se deve por englobar diversos Embora sua cobertura vegetal tenha grama-da-praia (Sporobolus virginicus), Lagunas e Florestas de Niterói, muitas
Você sabia?
insulares. ecossistemas de Mata Atlântica como sido muito alterada ao longo dos anos, a herbácea Blutaparon portulacoidese, das atividades em seu interior são
Apresenta, ao norte, relevo montanhoso, manguezais, lagunas, restingas e matas abriga remanescentes de Mata Atlântica A Área de Proteção
clúsias (Clusia sp.), aroeira (Schinus conflitantes, das quais se destacam
alinhamentos serranos, morros elevados, de encosta. Nela se encontram inseridas de grande relevância sob o ponto de terebinthifolius) e palmeiras diversas. a expansão urbana desordenada, a Ambiental das Lagunas e
morros baixos e colinas dissecadas. diversas áreas protegidas, com destaque vista geoecossistêmico, em especial Em relação à fauna, nas áreas disposição inadequada de resíduos Florestas de Niterói abrange
Já ao sul predominam as planícies para: 1) as Lagunas de Itaipu e Piratininga os fragmentos florestais inseridos nas florestadas é comum encontrar bichos- sólidos próximo aos ecossistemas mais aproximadamente 65% do
de inundação e as áreas costeiras e – Áreas de Preservação Permanente unidades de conservação sobrepostas preguiça (Bradypus sp.), ouriço-cacheiro frágeis e a caça predatória, em especial território do município de
insulares. Na geologia destacam-se os (APPs); 2) Zonas de Preservação da à APA em questão: Reserva Ecológica
ortognaisses, granitos e os depósitos
(Coendou prehensilis), tamanduá-mirim da avifauna. Niterói.
Vida Silvestre (ZPVSs) localizadas nas Darcy Ribeiro, Parque Estadual da Serra (Tamandua tetradactyla), além de répteis Importante ressaltar que a APA foi criada
colúvio-aluvionares. Regiões Oceânica e Pendotiba; 3) o Sítio da Tiririca, Reserva Extrativista Marinha como teiú  (Salvator merianae),jiboia com o intuito de preservar os fragmentos
No que tange à rede hidrográfica, cabe Arqueológico da Duna Grande, localizado de Itaipu e Parque Natural Municipal de
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47 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 48

Figura 39 - Vista para Morro das Andorinhas e Complexo lagunar Piratininga - Itaipu (PARNIT - PESET). Área de Proteção Ambiental do pitanga (Eugenia uniflora), cássia (Cassia Milvago chimachima (gavião-carrapateiro)
Morro do Gragoatá fistula), sapucaia (Lecytis pisonis), ingá e diversas espécies de Passeriformes.
(Inga sp.), pau-pombo (Tapirira guianesis),
Criada em 14 de outubro de 2003 e vinhático (Plathymenia foliosa), angicos
oficializada através da Lei Municipal nº (Anadenanthera sp.), canela (Cinnamomum
2.099/2003, a Área de Proteção Ambiental verum), jenipapo (Genipa americana), pau-
(APA) do Morro do Gragoatá possui 09 viola (Cyntharexyllum myrianthum) e pau-
(nove) hectares e localiza-se no Campus ferro (Caesalpinia ferrea).
da Universidade Federal Fluminense, A APA do Morro do Gragoatá possui dois
com fundos para a Baía de Guanabara, no mirantes nos quais é possível contemplar
Bairro Gragoatá. a Baía de Guanabara, a ponte Rio-Niterói
Inicialmente a área foi estabelecida como e boa parte da paisagem carioca, como Você sabia?
Área de Especial Interesse Ambiental o Pão de Açúcar, Cristo Redentor e a
(AEIA) através do Plano Diretor de Enseada de Botafogo. Seus acessos se A Área de Proteção Ambiental
1992 (Lei Municipal nº 1.157/1992) e dão por trilhas que partem dos fundos do do Morro do Gragoatá é a
posteriormente mantida como tal no LAHVI e apresentam fácil acesso e baixo menor unidade de conservação
Plano Urbanístico da Região Praias da grau de dificuldade. do município de Niterói.
Baía (Lei Municipal nº 1.967/2002) a fim A fauna do Morro do Gragoatá é composta
de deter processos de degradação, sendo por animais comumente encontrados em
categorizada como APA posteriormente. áreas próximas a locais urbanizados. São
Por estar inserida em local de grande vistos com frequência lagartos da espécie
pressão antrópica, sua história é Tropidurus torquatus, pica-paus das
marcada por conflitos entre a floresta e a espécies Celeus flavescens (pica-pau-de-
cidade como, por exemplo, a diminuição cabeça-amarela) e Colaptes campestres
do Morro para a construção de parte do (pica-pau-do-campo), gaviões como o
Campus Praia Vermelha da Universidade Rupornis magnirostris (gavião-carijó) e o
Federal Fluminense (UFF) e criação da Figura 42 - Vista da APA do Morro do Gragoatá para a Baía de Guanabara.
Orla do Gragoatá/Boa Viagem nos anos
1970 e 1980.
O nome Morro do Gragoatá está
Por Thayllan Sales. relacionado à espécie vegetal Bromelia
Figura 40 - Jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) na laguna de Itaipu (PESET). Figura 41 - Teiú (Salvator merianae). pinguin, popularmente conhecida como
gravatá, abundante na região. A vegetação
predominante na APA consiste em
espécies herbáceas, arbustos ruderais e
leucena (Leucaena leucocephala).
Por localizar-se no interior de um centro
de pesquisa e ensino, o Morro do Gragoatá
é utilizado para diversas atividades
científicas, das quais se destacam os
projetos desenvolvidos pelo Laboratório
Horto-Viveiro (LAHVI), vinculado ao
Instituto de Biologia da UFF que realiza,
desde 1995, plantios de reflorestamento
na área. Dessa forma, tal ação promove a
substituição da flora da APA - composta
por muitas espécies exóticas - por
espécies nativas de Mata Atlântica como
Por Felipe Lima Queiroz. Por Thayllan Sales. Por Gilson Freitas.

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49 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI

Figura 43 - Herbáceas e arbustos ruderais da APA do Morro do Gragoatá.

Por Gilson Freitas.

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51 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 52

Área de Proteção Ambiental da atrás dos lotes e residências da Rua Figura 44 - Primeiro aqueduto de Niterói, CLIN.
Água Escondida Andrade Pinto, encontram-se as ruínas localizado na APA da Água Escondida.
A maioria das espécies da fauna Você sabia?
do antigo aqueduto que levava água até o presentes na APA da Água Escondida
Que no século XIX o aqueduto do Morro Boa Vista transportava as águas dos
A Área de Proteção Ambiental (APA) reservatório localizado no sopé do Morro está relacionada a áreas antropizadas.
mananciais da Chácara do Vintém para um chafariz no Largo Municipal, atual
da Água Escondida foi criada pela Lei Boa Vista, próximo à Avenida Marquês Entre os mamíferos encontrados estão
Praça D. Pedro II ou Jardim de São João, no Centro de Niterói.
Municipal n° 2.621, de 19 de dezembro de de Paraná. Existem ainda construções os micos-estrela (Callithrix sp.), espécie
2008 e abrange o Morro do Abílio e Boa antigas em forma de pequenas cúpulas de exótica, o gambá (Didelphis aurita), o Figura 46 - Primeiro aqueduto de Niterói, localizado na APA da Água Escondida.
Vista em suas partes correspondentes alvenaria, que protegem os mananciais. ouriço-cacheiro (Coendou prehensilis)
aos bairros de Fátima, São Lourenço, A vegetação da APA da Água Escondida é e diversas espécies de morcegos.
Fonseca, Cubango e Pé Pequeno. majoritariamente composta por campos A avifauna está representada por
A criação desta unidade de conservação abertos degradados com predomínio de espécies como o gavião-carijó (Rupornis
teve como finalidade a recuperação gramíneas invasoras da família Poaceae magnirostris), a corujinha-do-mato
de áreas degradadas, a preservação (Gramineae), existindo alguns trechos (Megascops choliba), o bacurau-da-
ambiental com foco no controle da com vegetação nativa em estágio inicial telha (Hydropsalis longirostris), o gavião-
expansão das ocupações irregulares e médio de regeneração. Nestas áreas carrapateiro (Milvago chimachima), o
do entorno, a manutenção de recursos há predomínio de espécies pioneiras gavião-de-rabo-branco (Geranoaetus
hídricos e das construções históricas. e secundárias iniciais como cambará albicaudatus), a saí-azul (Dacnis cayana), o
A APA da Água Escondida possui (Gochnatia polymorpha), crindíuva gaturamo (Euphonia violacea), o pica-pau-
uma área de 54 (cinquenta e quatro) (Trema micrantha), ipê-verde (Cybistax de-cabeça-amarela (Celeus flavescens) e
hectares, sendo composta por diversos antisyphilitica), leiteira (Tabernaemontana algumas espécies de sabiá.
zoneamentos restritivos instituídos laeta), borrachudo (Macherium hirtum), Esta unidade de conservação de uso
pelos Planos Urbanísticos Regionais das açoita-cavalo (Luehea speciosa), araçá sustentável não possui plano de manejo
Regiões Norte e Praias da Baía. (Psidium sp.) e a exótica espontânea Por Gilson Freitas.
ou sede própria, outrossim o documento
Esta unidade de conservação sofre albízia (Albizia lebbeck). Estratégia para Desenvolvimento das Áreas
interferência antrópica proveniente da Na fração oeste da APA, localizada entre pelo trabalho desenvolvido pela Diretoria Protegidas da Região Norte, elaborado
pressão urbana existente no seu entorno. o bairro de Fátima e São Lourenço, de Educação Ambiental, respectivamente, pela Prefeitura de Niterói indicou
Dentre os principais problemas podem ações de reflorestamento são realizadas atuam na recuperação de mais de seis a recategorização da APA da Água
ser citados, o descarte e queima de lixo, visando à recomposição da vegetação hectares (60.000m²). Grande parte das Escondida para posterior criação de um
a presença de animais de pastoreio e as nativa. A Secretaria de Meio Ambiente, mudas utilizadas na execução de projetos Parque Natural Municipal, unidade de
frequentes ocorrências de incêndios na Recursos Hídricos e Sustentabilidade e a de reflorestamento e na manutenção da conservação de proteção integral.
vegetação. Companhia de Limpeza de Niterói (CLIN), arborização urbana são produzidas no
Nesta APA predomina um relevo por meio de medidas compensatórias e viveiro florestal localizado na sede da
movimentado com vertentes de Figura 45 - Reflorestamento no Morro Boa Vista (APA da Água Escondida).
gradientes médios a elevados e topos de
morro arredondados a aguçados. Os solos
são rasos nas áreas mais acidentadas
e nas áreas com baixa declividade
são moderadamente desenvolvidos e
profundos. Na litologia predominam
os ortognaisses, granitos e depósitos
colúvio-aluvionares.
No fundo do vale formado entre o Morro
do Abílio e Morro Boa Vista encontra-
se o manancial de água potável da
Chácara do Vintém que, em meados
do século XIX, era a principal fonte de
abastecimento da cidade de Niterói. No
terreno da antiga Chácara do Vintém,
Por Allan Wilis Sturms. Por Gilson Freitas.

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54

Área de Proteção Ambiental do do Macaco, do Pico e do Ourives, as Praias de preservar e recuperar amostras
Morro do Morcego, Fortaleza de do Adão, da Eva, da Várzea, do Canal, de significativas do ecossistema de Mata
Santa Cruz e dos Fortes Pico e Rio Jurujuba e de Fora, os Fortes do Barão Atlântica e promover o desenvolvimento
Branco Rio Branco e São Luiz, a Fortaleza de da riqueza da flora e da fauna originais
Santa Cruz e as Igrejas de Nossa Senhora da unidade. Ele também estabelece para
A Área de Proteção Ambiental (APA) do da Conceição e de São Pedro. Apresenta- a APA as Zonas de Preservação da Vida
Morro do Morcego, Fortaleza de Santa se também como um relevante conjunto Silvestre – ZPVS, de Conservação da Vida
Cruz e dos Fortes Pico e Rio Branco foi paisagístico no que tange aos atributos Silvestre – ZCVS, Zona Histórico – Cultural
criada em 04 de abril de 2002 através naturais (costão rochoso, cordão arenoso, – ZHC, Área de Especial Interesse Turístico
da Lei Municipal nº 1.967/2002, com vegetação de Mata Atlântica), agregando – AEIT e Zona de Urbana – ZU e versa
uma área de 141 (cento e quarenta elementos que ajudam a preservar a sobre parâmetros de uso e ocupação da
e um) hectares, sendo composta por história de ocupação de Niterói. Zona de Urbana: uso residencial para fins
importantes referências históricas Seu plano de manejo foi aprovado e moradia e alojamento militar, construção
e culturais. Localizada no bairro de instituído em 23 de março de 2011 (Decreto de apoio à atividade militar, restringidos o
Jurujuba, abriga os Morros do Morcego, Municipal nº 10.912/2011) com o objetivo armazenamento de produtos inflamáveis

Figura 47 - Fortaleza de Santa Cruz.

Por Mauro Tadeu Lucas.

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55 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 56

e de material bélico. do Forte do Pico, avista-se, de um lado, a torres históricas. De acordo com Niterói preservada. Figura 51 - Ruínas do Forte São Luiz.
A Ponta de Jurujuba é uma formação Fortaleza de Santa Cruz, o Morro da Urca Empresa de Lazer e Turismo – Neltur, Em relação à vegetação, observam-
rochosa resistente e estável e o Pão-de-Açúcar; e, de outro, o Forte do os Fortes são ligados por uma pequena se variantes de campos rupestres
estruturalmente e funciona como uma Imbuhy e o mar. Os Fortes Barão do Rio estrada cercada de árvores e praias, entremeados por floresta secundária em
barreira natural que protege a enseada Branco e Imbuhy possuem construções compondo, com o Forte do Pico, um estágio inicial e campo aberto no Morro
de Jurujuba das ondas de tempestades fortificadas, canhões alemães Krup e conjunto de 3.200.000m² de Mata Atlântica do Morcego. Esta vegetação também é
vindas do quadrante sul e sudoeste que observada mais rarefeita no topo do Morro
Figura 49 - Fortaleza de Santa Cruz.
ao incidirem neste promontório refratam onde se destaca o afloramento rochoso.
(mudança da trajetória da onda) e difratam Em alguns pontos observa-se vegetação
(perda de energia) antes de atingirem as florestal secundária em estágio médio
praias da enseada. de regeneração entremeada por áreas
Os Fortes que compõem a APA são de campo. A vegetação das encostas
utilizados por militares para base e voltadas para o mar é caracterizada
treinamento, estando a Fortaleza de como secundária em estágio inicial com
Santa Cruz, Fortes Pico e Barão do Rio presença de árvores frutíferas em alguns
Branco abertos à visitação para o público trechos; as áreas planas encontram-se
geral. A Fortaleza de Santa Cruz, com totalmente modificadas por ação humana;
seu complexo arquitetônico imponente nestas áreas também é possível encontrar
e grandioso, possui em estado original gramíneas e vegetação arbórea exótica,
as construções históricas e a Capela de como amendoeiras. Nas áreas de costões
Santa Bárbara em estilo colonial que e onde não existe intervenção humana
podem ser visitadas em passeios guiados. a vegetação encontra-se preservada; Por Gilson Freitas.
O Forte do Pico e Forte São Luiz observa-se espécies de mata secundária
atualmente preservam guaritas e muros em vários estágios de regeneração, Figura 52 - Forte São Luiz.
de pedra já cobertos de vegetação, grande diversidade de espécies, estratos
portões de acesso, corredores, galerias, indefinidos e ambientes úmidos (típicos
túneis, largos e pátios rochosos. Do alto de Mata Atlântica).
Por Vanessa Onofre. Grande parte desta unidade de
Figura 48 - Fortaleza de Santa Cruz. Figura 50 - Capela de Santa Bárbara localizada na Fortaleza de Santa Cruz. conservação está inserida no complexo
dos Fortes, onde a vegetação encontra-
se preservada; nos locais mais íngremes
a floresta encontra-se em estágio
médio de regeneração, o que associa-
se à dificuldade de acesso e pouca
interferência antrópica.
A APA compõe um corredor ecológico de
ligação com o Morro da Viração (Parque
Natural Municipal de Niterói – PARNIT/
Setor Montanha da Viração), um dos
pontos com maior cobertura vegetal do
município.
Em relação à fauna, são encontrados
exemplares de todos os grupos de
vertebrados, como lagartos (Teiu -
Tupinambis teguixin), serpentes (Jararaca
Por Gilson Freitas.
- Bothrops jararaca; falsa-coral -
Erythrolamprus aesculapii), mamíferos
(ouriços - Coendu sp.; rato-de-espinho
Por Vanessa Onofre. Por Clarissa Sanglard Hisse.

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Figura 53 - Praia Adão e Eva (APA do Morcego, da Fortaleza de Santa
Cruz e dos Fortes Pico e do Rio Branco).

Por Wagner Oliveira.


59 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI

Figura 54 - Corujas-buraqueiras (Athene cunicularia) no Forte Barão do Rio Branco. - Proechimys gujanensis), aves (Gavião-
pega-macaco - Spizaetus tyrannus;
corujinha-do-mato - Megascops choliba;
anu-branco - Guira guira e diversas
espécies de passeriformes) e uma grande
variedade de anfíbios, que são comuns
em épocas chuvosas.
Cabe mencionar que em julho de 2012, a
UNESCO proclamou parte dos municípios
do Rio de Janeiro e de Niterói como Sítio
do Patrimônio Cultural da Humanidade
- Paisagem Carioca entre a Montanha e
o mar. A parcela de Niterói é composta,
além da extremidade oeste da Montanha
da Viração e do Morro do Imbuí, ambas no
PARNIT, as pontas Tabaipa e de Fora e as
Fortalezas de Santa Cruz, Pico e São Luiz;
as Praias de Adão, Eva, Forte e Imbuhy; e
o Morro do Morcego.

Por Pedro Simões Oliveira. Você sabia?


Figura 55 - Anu-branco (Guira guira) na APA do Morcego, da Fortaleza de Santa Cruz e dos Fortes Pico e
do Rio Branco. O famoso ditado popular
“um olho no padre e outro
na missa” remete à curiosa
situação bastante comum no
período colonial, nas capelas
localizadas dentro dos fortes
e fortalezas da marinha ou
exército, como a Capela de
Santa Bárbara na Fortaleza de
Santa Cruz. Ao mesmo tempo
em que o padre celebrava
a missa, também vigiava o
mar ou o rio através de uma
pequena janela na lateral
do altar. Ao menor sinal de
aproximação inimiga ou navio
suspeito dava um sinal aos
soldados, que retornavam aos
seus postos.

Por Felipe Lima Queiroz.

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61 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 62

Figura 57 - Horto-viveiro da Companhia de Limpeza de Niterói (CLIN) e reflorestamento no Morro Boa Vista (SIMAPA).
Quadro 4 – Espaços e componentes do Sistema Municipal de Áreas de Proteção Ambiental.
Sistema Municipal de Áreas de
Proteção Ambiental Espaços da APA SIMAPA

O Sistema Municipal de Áreas de Proteção Espaços Componentes


Ambiental (SIMAPA) é uma unidade de I – Área de Especial
conservação de uso sustentável (Área Interesse Ambiental Morro do Castro.
de Proteção Ambiental - APA) criada (AEIA)
pelo Decreto Municipal nº 11.744, de
II – Zona de Vale da Boa Esperança 1; Vale da Boa Esperança 2; Morro Teixeira de Freitas –
23 de outubro de 2014, no âmbito do Recuperação Ambiental ladeira do Castro; rua Artur Pereira da Mota; Morro do Querosene 1; Morro do
Programa Niterói Mais Verde. Com 598 (ZRA) Querosene 2; Morro São Feliciano; Morro do Saraiva; Morro do Céu; Morro do
(quinhentos e noventa e oito) hectares, Holofote; Morro Boa Vista; Florália e av. 22 de Novembro.
situa-se integralmente na Região Norte Vila Maria; Vale Boa Esperança; rua Artur Pereira da Mota 1;
e compreende os bairros São Lourenço, rua Artur Pereira da Mota 2; Morro do Querosene; Morro do Céu 1; Morro
III- Zona de Restrição
Santa Bárbara, Tenente Jardim, Baldeador, do Céu 2; Morro do Castro; Morro da Rádio Relógio Federal 1; Morro da
à Ocupação Urbana
Viçoso Jardim, Barreto, Fonseca, Rádio Relógio Federal 2; Morro da Antena da Embratel 1; Morro da Antena da
(ZROU)
Embratel 2; Morro da Antena da Embratel 3; Morro da Antena da Embratel
Caramujo, Cubango, Santana, Engenhoca
4; ladeira do Castro; estrada Bento Pestana; rua 5 de Março; e rua Teixeira de
e a Ilha Manoel João. É composta Freitas.
por áreas de 04 (quatro) categorias
IV – Área de
estabelecidas no zoneamento ambiental Preservação
Morro da Antena da Embratel/Vila Maria; Morro do Céu; Morro da Rádio Relógio
do Plano Urbanístico da Região Norte (Lei Federal; Morro do Querosene e Ilha Manoel João.
Permanente (APP)
Municipal nº 2.233/2005), a saber: Áreas Adaptado do Decreto Municipal nº 11.744/2014

Figura 56 - Morro do Castro.

Por Allan Wilis Sturms.

de Especial Interesse Ambiental, Zonas Rádio Relógio Federal, Morro da Antena graus, avistando-se a Ponte Rio-Niterói,
de Recuperação Ambiental, Zonas de da Embratel, Teixeira de Freitas, Florália a Baía de Guanabara e as cidades do
Restrição à Ocupação Urbana e Áreas de e a Ilha Manoel João. Rio de Janeiro e São Gonçalo. Nesta
Preservação Permanente. Os principais fragmentos florestais desta área são realizadas ações de plantio na
As áreas localizadas na APA SIMAPA APA encontram-se no Morro do Castro, o base do Morro, idealizadas em projeto
encontram-se em regiões que qual estende-se por 1,56 km no sentido agroflorestal para implantação de trilhas,
apresentam histórico de eventos de leste-oeste e 750 m no sentido norte-sul. bem como plantio de espécies de mata
susceptibilidade geomorfológica e, deste O ponto culminante é um pequeno platô ciliar com o objetivo de revitalizar as
modo, vêm sendo tratadas a partir de uma a 280 m. nascentes do Morro.
abordagem sistêmica de recuperação de O Morro do Holofote é uma elevação O Morro da Rádio Relógio Federal
áreas atingidas por desastres, no que isolada, cercada por áreas urbanas, e situa-se 4,8 km a leste da Estação das
tange à adoção de medidas preventivas e situa-se a 2,8 km a nordeste da Estação Barcas e 160 m ao sul da Alameda São
mitigadoras de situação de risco. das Barcas e 1,6 km ao sul da divisa Boaventura. O ponto culminante atinge
Dentre as áreas que compõem a APA com São Gonçalo. Abrange parcelas dos pouco mais de 145 m. A parte sul, voltada
SIMAPA, destacam-se o Morro do Castro, bairros Santana, Engenhoca e Fonseca. para a Rua Jerônimo Afonso, tem suas
Morro do Querosene, Morro do Saraiva, O topo do Morro do Holofote é muito vertentes florestadas e em bom estado
Morro do Holofote, Morro São Feliciano, utilizado para atividades religiosas, além de conservação.
Morro do Céu, Morro Boa Vista, Morro da de proporcionar vista panorâmica de 360 O Morro Boa Vista abrange parcelas
Por Allan Wilis Sturms.

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63 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI

dos bairros de São Lourenço, Cubango, estado de conservação, sendo um dos localizada no interior do Horto do Fonseca
Fonseca, Fátima e Pé-Pequeno, mas melhores fragmentos florestais da região (ou Horto Botânico de Niterói). Além
apenas as vertentes voltadas para São Norte. A área a leste abriga florestas da sede, o Horto abriga diversas áreas
Lourenço, Cubango e Fonseca situam-se em estágios distintos de regeneração, destinadas aos visitantes como parquinho
na APA SIMAPA. O Morro situa-se em um que se adensam no pequeno vale que infantil, pista de skate, parcão e a sede da
sítio de importância histórica para Niterói secciona o morro e se conectam com guarda ambiental.
pois, no sopé norte, Araribóia fundou a fragmentos do Bairro de Maria Paula, Em 2016, foi contratado o Plano
Aldeia de São Lourenço dos Índios e onde na Região de Pendotiba. Por sua vez, Estratégico para Desenvolvimento das
se encontra a Igreja de São Lourenço dos a área a oeste é revestida por florestas Áreas Protegidas da Região Norte,
Índios, datada do século XVI. A parcela mais preservadas, em melhor estado de instrumento no qual a Prefeitura de Niterói
da APA SIMAPA no Morro Boa Vista conservação. Este complexo caracteriza- estabelece um conjunto de premissas,
ainda está sobreposta à parte da Área de se como importante fragmento da região, diretrizes e ações para orientar a gestão
Proteção Ambiental da Água Escondida. visto que se interligam com as Zonas das áreas protegidas da Região Norte,
Em diversas áreas do Morro Boa de Preservação da Vida Silvestre da conjugada com o Plano Diretor Municipal,
Vista são realizadas ações plantio e Região de Pendotiba, classificadas como o Plano Urbanístico Regional e outros
reflorestamentos, executados pela prioritárias em recente estudo elaborado instrumentos.
Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) pela Prefeitura de Niterói.
e pela Secretaria de Meio Ambiente, A Ilha Manoel João situa-se a 2,5 km da
Recursos Hídricos e Sustentabilidade. foz do rio Bomba e a 450 m ao norte da Ilha
No extremo oeste do Morro Boa Vista, de Santa Cruz, acessada exclusivamente
no bairro São Lourenço, está localizado por barco. A ilha é relativamente plana,
o viveiro de mudas da Clin, que produz e não atingindo 3 metros acima do nível
recebe mudas para os reflorestamentos do mar, com 0,7 hectares de superfície.
e plantios de arborização realizados pela Em relação à cobertura vegetal, destaca-
Prefeitura de Niterói. se a presença de plantas como aroeiras
O Morro da Antena da Embratel/Vila (Schinus terebinthifolius) e mangues-
Maria apresenta, em termos gerais, brancos (Laguncularia racemosa).
remanescentes florestais em bom A sede da APA SIMAPA encontra-se
Figura 58 - Ilha Manoel João (SIMAPA).

Você sabia?

O nome do Morro do Holofote


deriva dos refletores instalados
em seu topo pelo Exército, na
época da Segunda Guerra Mundial.
Posteriormente os holofotes foram
utilizados para, à noite, iluminar a
construção da Ponte Rio-Niterói.

Por Prefeitura Municipal de Niterói.

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65 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 66

Reserva Extrativista Marinha de da Tiririca, a RESEX ocupa hoje um alinhamento da Ilha do Pai, Mãe e Menina, Figura 60 - Garça-branca-grande (Ardea alba) na laguna de Itaipu (RESEX Marinha de Itaipu).
Itaipu (RESEX) espelho d’água de aproximadamente apresentando profundidade máxima de
3.943 ha. 0 principal objetivo consiste em 30 m.
A Reserva Extrativista (RESEX) Marinha proteger os meios de vida da população Os recifes rochosos associados às ilhas
de Itaipu foi criada pelo Decreto Estadual de pescadores artesanais tradicionais da são também habitats importantes na
n° 44.417, de 30 de setembro de 2013. região e garantir a exploração sustentável agregação de biodiversidade e biomassa
Trata-se de uma área protegida quase e a conservação dos recursos naturais. local, incluindo a biota bentônica e peixes
exclusivamente marinha, incluindo A enseada de Itaipu ocupa área de cerca recifais. Já o complexo lagunar Itaipu-
também a Lagoa de Itaipu. Localiza-se de 62 km², com linha de costa de 6,5 km Piratininga, conectado constantemente
em Itaipu, região oceânica de Niterói, de extensão, de formação semicircular no à enseada por um canal, representa um
próxima à entrada da Baía de Guanabara, sentido leste oeste. Na porção mediana habitat específico, propício à reprodução e
sendo contínua às praias de Itacoatiara, divide-se pelo canal da Lagoa de Itaipu, ao crescimento de espécies marinhas ou
Itaipu, Camboinhas e Piratininga, com sendo limitada a leste pelo Morro das estuarino-dependentes, muitas delas de
limites definidos pela linha de costa. Andorinhas e a oeste pela Ponta da interesse econômico. Além disso, parte
Contígua ao Parque Estadual da Serra Galheta. A enseada é abrigada pelo significativa do entorno continental está

Figura 59 - Espelho d´água da Laguna de Itaipu (RESEX Marinha de Itaipu).

Por Gilson Freitas.

protegida pelo Parque Estadual da Serra diária de grande variedade de espécies Inea/Dibap n° 62, de 11 de novembro de
da Tiririca, caracterizando, portanto, a de peixes que procuram águas rasas e 2013. A gestão é integrada com a APA
região costeira de Itaipu como importante abrigadas. de Maricá, e a sede funciona de forma
área de agregação, produção e constante Na Praia de Itaipu existe uma comunidade compartilhada com o Parque Estadual da
troca de recursos biológicos. de pescadores que sobrevivem da pesca Serra da Tiririca, em Itaipuaçu, Maricá.
A região é peculiar na costa do Estado artesanal há várias gerações, resistindo
por concentrar diferentes habitats e a mudanças sociais e ameaças,
receber continuamente contribuições principalmente pelo fato de estar em Texto retirado na íntegra do Atlas das
de águas oceânicas e continentais. O área de concentração urbana. A atividade Unidades de Conservação do Estado do
conjunto de ilhas costeiras protege pesqueira na localidade segue uma Rio de Janeiro (pag. 110)
parcialmente a enseada do batimento tradição que remonta a séculos, sendo
das ondas, influenciando a sedimentação desenvolvida desde a época da ocupação
e a morfologia do fundo, o que favorece a pelos indígenas, conforme constatado por
prática da pesca artesanal. Esta atividade diversos estudos antropológicos. A RESEX
é importante na região como fonte de Marinha de Itaipu teve o Conselho Gestor
emprego e renda, promovendo a captura Deliberativo instituído pela Portaria
Por Andre Miranda.

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67 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI

Figura 61 - Baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) (RESEX Marinha de Itaipu).

Por Felipe Lima Queiroz.

Figura 62 -Baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) (RESEX Marinha de Itaipu).

Você Sabia?
A função de uma Reserva Extrativista vai além da
conservação da biodiversidade e do uso sustentável;
envolve também o reconhecimento das comunidades
tradicionais, sua cultura e demandas locais.

Por Felipe Lima Queiroz.

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69 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 70

Unidades de Conservação de Figura 63 - Gavião-carijó (Rupornis magnirostris). Figura 64 - Filhote de catita (Marmosops incanus) na Reserva Ecológica Darcy Ribeiro. uso recreativo.
Proteção Integral A composição florística é rica e variada,
com a presença de alguns elementos
Reserva Ecológica Darcy Ribeiro bastante comuns, como o tapiá (Alchornea
iricurana - Euphorbiaceae); as embaúbas
A Reserva Ecológica Darcy Ribeiro foi (Cecropia sp. - Moraceae) e quaresmeiras
criada na interseção das Regiões Leste, (Tibouchina granulosa - Melastomataceae);
Pendotiba e Oceânica pela Lei Municipal as figueiras (Ficus sp. – Moraceae); a
nº1.566/1997 em 21 de março de 1997. Na carrapeta (Guarea guidonia - Meliaceae);
Região Leste, abrange os bairros Muriqui o açoita-cavalo (Luehea grandiflora -
e Rio do Ouro; Vila Progresso e Cantagalo Tiliaceae) e a pindaíba (Xylopia brasiliensis
na região de Pendotiba; e, por fim, na - Annonaceae).
Região Oceânica abrange os bairros Serra A Reserva conta com uma fauna
Grande, Maravista, Santo Antônio, Jacaré bastante diversificada, com inúmeros
e Cafubá. Possui uma área aproximada representantes de diversos gêneros e
de 1.229 hectares. famílias como, por exemplo, preguiças
O Plano Diretor do município de Niterói (Bradypus variegatus), catitas (Marmosops
(Lei Municipal nº 1.157/1992) indicou incanus), tamanduá-mirim (Tamandua
as localidades Morro do Jacaré, Serra tetradactyla), urutau (Nyctidromus
Grande, Serra do Malheiro e Morro albicollis), gato-do-mato (Leopardus sp.),
do Cantagalo como Áreas de Especial gavião-carijó (Rupornis magnirostris),
Interesse Ambiental (AEIA), sendo as Por Wilfred Rogers. Por Gilson Freitas. falcão-de-coleira (Falco femoralis) . Conta
mesmas legalmente instituídas por recategorização da mesma no sentido Muriqui, Sapê e Pendotiba. Essa grande também ser encontradas nas regiões altura, conferindo características de também com espécies introduzidas
meio da Lei Municipal nº 1.254/1993 de adequar-se aos preceitos do SNUC e quantidade de rios e córregos é resultado mais baixas, como em trechos planos ou áreas em processo de amadurecimento. como o mico-estrela (Callithrix sp.), e
com o objetivo de subsidiar estudos compatibilizar a categoria de unidade de da interação de diversos condicionantes de baixa encosta ou, ainda, em margens Nas áreas de borda ou em partes baixas com a espécie Amadonastur lacernulatus
para delimitação do Parque Municipal da conservação com a aptidão ambiental e geoambientais como cobertura vegetal, de cursos d’água. Como consequência da das encostas encontram-se as formações (gavião-pombo-pequeno), endêmica da
Pedra de Cantagalo. Em 1997, a Reserva perfil da região. relevo, tipo de solo, microclima, entre regeneração natural devido ao fim ou à campestres, que possuem como uso Mata Atlântica e considerada ameaçada
foi criada praticamente sobre os mesmos Recentemente, através do outros. A Reserva também é dividida redução dos impactos mais significativos predominante a criação de animais ou de extinção (nível vulnerável) tanto
limites da AEIA, apresentando também Decreto Estadual nº 43.913/2012, em duas macrobracias: a dos rios sobre a Mata Atlântica, grande parte Figura 65 - Falcão-de-coleira (Falco femoralis).
uma superposição com a Área de Proteção aproximadamente 88% da Reserva foi Colubandê/Alcântara, tendo como cursos das formações florestais é constituída
Ambiental das Lagunas e Florestas de anexada ao território do Parque Estadual principais os rios Sapê, Pendotiba, por florestas secundárias. As florestas
Niterói. da Serra da Tiririca - PESET promovendo, Muriqui e o Córrego do Malheiro. Esta existentes na Reserva são resultado
A Reserva Ecológica Darcy Ribeiro não desta forma, a sobreposição de uma macrobacia forma os rios que cortam de processos de regeneração natural
se enquadra nas categorias previstas unidade de conservação estadual e os municípios de São Gonçalo, Itaboraí recentes, entre 25 e 50 anos de evolução.
na lei do Sistema Nacional de Unidades unidade de conservação municipal. e Guapimirim, com seu deságue na Área Os locais onde ocorrem remanescentes
de Conservação - SNUC (Lei Federal nº Importante mencionar que a Reserva de Proteção Ambiental de Guapimirim; e de floresta secundária em estágio médio
9.985/2000) e também não dispõe de um sofre constantemente com a pressão a macrobacia da Região Oceânica, que se são os Morros do Jacaré e do Cantagalo,
plano de manejo que instrumentalize a da ocupação antrópica em sua zona caracteriza como uma região geográfica sempre nas vertentes voltadas para Norte,
sua gestão. O termo “Reserva Ecológica” periférica. As 03 (três) regiões onde a bem demarcada cujos principais rios, e na maior parte da Serra do Malheiro,
possui caráter de proteção integral UC está inserida são as que apresentam Jacaré, João Mendes, Arrozal e Córrego em ambas as vertentes. Há, ainda, áreas
definido por meio da Resolução CONAMA maior crescimento demográfico nas Santo Antônio drenam para o Sistema nas quais são encontrados maiores graus
n º 04, de 18/09/1985, que considera últimas décadas. Lagunar Piratininga/Itaipu. de alteração da vegetação quanto aos
todas as áreas contempladas no artigo 18 A Reserva Ecológica Darcy Ribeiro A região apresenta cobertura vegetal do seus aspectos florísticos e estruturais
da Lei Federal nº 6.938/1981. apresenta uma grande disponibilidade tipo Floresta Ombrófila Densa, sendo devido ao acesso facilitado por estradas,
Buscando promover a efetiva hídrica. Ali encontram-se as nascentes de classificada como Mata Atlântica Baixo- trilhas ou outros caminhos. O porte dos
implementação da unidade de alguns dos principais rios do município: Montana ou Submontana. As formações remanescentes é variável, embora se
conservação, a Prefeitura Municipal Jacaré, João Mendes, Arrozal, Córrego florestais situam-se principalmente nas estime que determinados elementos
de Niterói iniciou estudos visando à Santo Antônio, Córrego do Malheiro, porções mais altas do relevo mas podem cheguem a atingir 20 a 25 metros de
Por Wilfred Rogers.

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71 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI

pela  IUCN (União Internacional para Figura 66 - Preguiça-comum (Bradypus variegatus).


Conservação da Natureza), quanto
pelo  ICMBio (Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade).
Dentre os atrativos encontrados
na Reserva, destaca-se a Pedra do
Cantagalo, elevação rochosa de 395
metros que, a partir da vista de 360 graus
de seu cume, é possível identificar ao
longe a Pedra de Inoã, o Alto Mourão, o
Costão de Itacoatiara, o Pão de Açúcar,
a Pedra da Gávea e o Pico da Tijuca,
além das lagunas de Itaipu e Piratininga.
Outra atração de fácil acesso é a Trilha
das Esmeraldas, caminhada que permite
ao visitante total imersão em trechos
bastante preservados de Mata Atlântica
dentro da área urbana.

Você Sabia?
Darcy Ribeiro nasceu em
1922, em Minas Gerais.
Formou-se em antropologia
em São Paulo e dedicou
seus primeiros anos de
vida profissional ao estudo
dos índios do Pantanal,
do Brasil Central e da
Amazônia. Neste período
fundou o Museu do Índio
e criou o Parque Indígena
do Xingu. Escreveu uma
vasta obra etnográfica e de
defesa da causa indígena.

Por Felipe Lima Queiroz.

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73 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 74

Figura 68 - Vista para a Baía de Guanabara da sede do PARNIT - Setor Montanha da Viração.
Parque Natural Municipal de
Niterói

O Programa Niterói Mais Verde foi Figura 67 - Morro do Santo Inácio (PARNIT).
instituído a partir da publicação do Decreto
Municipal nº 11.744 em 23 de outubro
de 2014 com o objetivo de delimitar um
mosaico de áreas de interesse ambiental
destinado ao manejo integrado de ações. O
Programa definiu a criação de um Parque
Natural Municipal e uma Área de Proteção
Ambiental incorporando unidades de
conservação e demais zoneamentos
ambientais restritivos já existentes no
município de Niterói, delimitando 22,5
milhões de metros quadrados de áreas
protegidas na cidade.
O Parque Natural Municipal de Niterói
(PARNIT) é uma unidade de conservação
de proteção integral com área de 918
hectares. Situa-se no bioma Mata
Atlântica e é dividido em três setores:
Montanha da Viração, Guanabara e
Costeiro-Lagunar, abrangendo 13 áreas
de grande relevância natural, histórico-
cultural e turística. Por Gilson Freitas.
O Setor Montanha da Viração compreende
a Ilha dos Amores, o Morro da Viração, a
Pedra do Santo Inácio, o Mirante da Cidade parapente e asa-delta. Por Gilson Freitas.
formato arredondado, sendo dividida na
O Setor Montanha da Viração possui três Figura 69 - Ruínas do posto Atalaia português do sec. XVI (PARNIT - Setor Figura 70 - Vista para a Laguna de Piratininga (PARNIT - Setor Costeiro-
(antigo Parque da Cidade) e os Morros do parte inferior por uma pequena praia que Montanha da Viração). Lagunar).
Cantagalo e Imbuí, que figuram entre as trilhas principais, as quais se iniciam conecta as duas partes rochosas. Dista
principais elevações de Niterói, ao lado pelo bairro de São Francisco. A trilha do 210 m da praia de Charitas, situando-se a
da Serra da Tiririca e do Maciço Central Santo Inácio alcança o ponto mais alto noroeste da Estação Hidroviária. A Ilha é
de Niterói. do PARNIT, nesta há mirantes com vista desfrutada por banhistas que chegam ao
O Complexo da Viração abrange terras panorâmica de Niterói, além de ser um local de barco, caiaques e stand up paddle,
dos bairros de Charitas, São Francisco, local com grande atratividade para a em especial nos fins de semana.
Maceió, Cafubá, Piratininga e Jardim prática de birdwatching (observação de O Setor Guanabara compreende as Pedras
Imbuí. É formado por um conjunto de aves). Outra trilha é a do Bosque dos de Itapuca e dos Índios, as cavernas
morros alinhados na direção noroeste, Eucaliptos, que faz parte do Caminho costeiras situadas nas encostas, sob o
conhecidos por: Ourives (altitude máxima Tupinambá. Esta passa por um bosque de Museu de Arte Contemporânea – MAC,
de 135 m); Preventório (325 m); Viração eucaliptos com interessantes pontos para além das Ilhas da Boa Viagem e dos
(265 m); Sapezal (150 m); Boqueirão (65 observação da paisagem e realização Cardos, na Baía de Guanabara.
m) e a Pedra do Santo Inácio (345 m), ponto de piqueniques. A terceira, Trilha dos A Ilha da Boa Viagem é conectada à orla
culminante desta cadeia de elevações. Platôs, possui dois mirantes com vista por uma ponte de pedestres e por uma
A área de maior visitação do Setor para região Oceânica sendo um deles a faixa de areia, que fica submersa na maré
compreende o antigo Parque da Cidade, antiga rampa de voo livre, atualmente alta. Abrigando a Igreja da Nossa Senhora
utilizado para a prática de caminhadas, desativada.
corridas de aventura, mountain bike, A Ilha dos Amores (ou do Careca) tem
Por Gilson Freitas. Por Gilson Freitas.

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75 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 76

Figura 71 - Ilha da Boa Viagem (PARNIT - Setor Guanabara). da Boa Viagem, datada do século XVII, são monumentos naturais tombados pelo Figura 74 - Ilha dos Cardos (PARNIT - Setor Guanabara).
a ilha permaneceu por mais de 20 anos Instituto Estadual do Patrimônio Cultural.
fechada e no ano de 2016 foi reaberta A Pedra de Itapuca, em especial, possui
para visitação guiada. uma maior relevância para o município de
A região das cavernas costeiras Niterói por estar representada no brasão
compreende uma faixa de encosta com do município.
240 m de comprimento entre a avenida O Setor Costeiro-Lagunar abrange a orla
litorânea e a orla, contornando a ponta no entorno da laguna de Piratininga,
que sustenta o MAC e totalizando uma incluindo a ciclovia, as ilhas lagunares
superfície de 0,62 hectares. Na área do Pontal e Modesto, Ilhas Duas Irmãs,
existem quatro pequenas cavernas, Ilha do Veado, a Praia do Sossego, com
todas esculpidas pelo mar em rochas seu anfiteatro de morros à retaguarda e
gnáissicas. Tais cavernas foram a Ponta da Galheta com a vizinha Pedra
incorporadas ao PARNIT para preservação da Baleia.
da geodiversidade local e relevância A orla e as ilhas lagunares de Piratininga
paisagística, constituindo um importante compreendem uma faixa de largura
patrimônio geológico do município. variável no entorno da laguna com uma
Localizadas na costa, entre as Praias superfície de aproximadamente 78
de Icaraí e das Flechas, as Pedras de hectares. A Ilha do Pontal situa-se na
Itapuca e do Índio e a Ilha dos Cardos parte norte da laguna, distando 85 m

Por Lara Lumbreiras. Por Gabriela Simões.


Figura 73 - Cavernas do MAC (PARNIT - Setor
Figura 72 - Cavernas do MAC (PARNIT - Setor Guanabara). Guanabara). Figura 75 - Pedra do Índio (PARNIT - Setor Guanabara).

Por Pedro Armando. Por Gabriela Simões. Por Gilson Freitas.

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77 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 78

Figura 76 - Pedra de Itapuca (PARNIT - Setor Guanabara). Figura 77 - Praia do Sossego (PARNIT - Setor Costeiro-Lagunar).

Por André Miranda. Por Mauro Tadeu Lucas.

da orla; esta possui formação rochosa, 412 m da Prainha de Piratininga e possui do Imbuí (Morro do Imbuí), dela afastadas do litoral niteroiense. A Praia do Sossego Ombrófila Densa, predominando a As áreas florestadas do PARNIT
sendo presente ao sul um pontal uma superfície de 6 hectares. O litoral é por um canal com 100 m de largura. Têm representa um importante remanescente fitofisionomia Floresta Ombrófila Densa encontram-se, majoritariamente, no
arenoargiloso com 313 m, em formato rochoso, sem praia, com pequenas fendas formato arredondado e são levemente de restinga no município, com a presença Sub-Montana (40 a 500 m de altitude), Morro da Viração e nos Morros do
de anzol, construído pela movimentação e alguns matacões na parte oeste. onduladas, possuem superfície lisa sem de diversas espécies que caracterizam com menor representação da Floresta Cantagalo e Imbuí; pequenas frações
de sedimentos impelida pelas correntes A Ponta da Galheta e a Pedra da Baleia matacões, eventualmente varridas pelas esta vegetação. Ombrófila Densa de Terras Baixas aparecem nas encostas do anfiteatro
internas. Possui uma vegetação compreendem a parte emersa do ondas. Parte do PARNIT formada pela Montanha (de 0 a 40 m). As florestas do Parque rochoso que cerca a Praia do Sossego e
predominantemente de mirtáceas, sendo rochedo situado entre a Prainha e a Praia A Praia do Sossego é protegida pela da Viração e pelos Morros do Cantagalo são todas secundárias e apresentam nas Ilhas da Boa Viagem, Imbuí, Pontal
considerada um refúgio para a vida de Piratininga, com superfície total de 2 cadeia montanhosa entre os rochedos e Imbuí integra a Reserva da Biosfera distintas alturas, diâmetros de troncos, e Modesto. O Parque protege um dos
silvestre. hectares. A ponta da Galheta é constituída das Pontas da Furna do Mero e Pé-de-boi, da Mata Atlântica, declarada em 1992 espaçamentos e densidade de árvores e maiores fragmentos de Mata Atlântica
A Ilha do Modesto situa-se na parte leste por um corpo rochoso principal e blocos que formam um pequeno anfiteatro verde, pela Organização das Nações Unidas arbustos e presença de epífitas e lianas. de Niterói, bem como vegetação em
da laguna, sua superfície é de 4 hectares ao seu redor, em especial nas partes isolado e oculto pelos costões rochosos para a Educação, a Ciência e a Cultura - Esta variedade é reflexo de um conjunto ecossistemas associados como restinga,
e dista 75 m da orla. O local possui um norte e leste, com destaque para a Pedra que a abrigam. Possui comprimento de UNESCO. de fatores, tais como: altitude, espessura manguezal e brejo.
dique construído com material dragado, da Baleia, a qual é muito utilizada por 125 m, superfície de 0,60 hectares e no Segundo a classificação oficial da e fertilidade do solo, proximidade do Esta UC também possui ampla
que termina em uma comporta de ruínas, banhistas para a realização de saltos e seu canto oeste uma pequena gruta pode vegetação brasileira estabelecida pelo mar, orientação e declividade da encosta, diversidade de fauna, sendo possível
o qual vem sendo colonizado por plantas mergulhos. ser encontrada. A distância entre o mar e Instituto Brasileiro de Geografia e insolação, ventos e precipitação e, encontrar exemplares de diversas
de manguezal. As Ilhas Duas Irmãs são, na verdade, a encosta é pequena, não havendo assim Estatística (IBGE), as florestas do PARNIT sobretudo, as perturbações ocorrentes ordens de invertebrados e vertebrados,
A Ilha do Veado ou Ilha do Imbuí dista duas ilhotas situadas em frente à Ponta uma ampla planície, como ocorre ao longo pertencem ao domínio da Floresta no passado e no presente. como os cachorros-do-mato, preguiças,

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79 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 80

Figura 78 - Ilha do Pontal (PARNIT - Setor Costeiro-Lagunar). Figura 80 - Ilha do Pontal (PARNIT - Setor Costeiro-Lagunar).

Por Allan Wilis Sturms. Por Gilson Freitas.


Figura 79 - Gavião-carijó (Rupornis magnirostris). Figura 81 - Ilha do Pontal (PARNIT - Setor Costeiro-Lagunar). Figura 82 - Ilha do Pontal (PARNIT - Setor Costeiro-Lagunar).
tamanduás-de-colete, gambás, quatis
e mãos-peladas (mamíferos), jiboias,
caninanas, teiús (répteis), urubus-de-
cabeça-vermelha e amarela, gavião-
carijó, gavião-caboclo, falcão-mateiro,
gavião-de-cauda-branca, diversas
espécies de corujas e Passeriformes
(aves) e uma grande variedade de anfíbios
em épocas chuvosas. Os insetos também
são muito abundantes no Parque, sendo a
maior parte das espécies pertencente ao
grupo dos besouros (Coleoptera).

Por Felipe Lima Queiroz. Por Gilson Freitas. Por Gilson Freitas.

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81 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI

Figura 83 - Ilha do Pontal (PARNIT - Setor Costeiro-Lagunar).

Por Gilson Freitas.


Figura 84 - Pesca Artesanal na laguna de Piratininga (PARNIT - Setor Costeiro-Lagunar).

Você sabia?

Pedra de Itapuca significa “pedra furada”


ou “pedra que ri”, em tupi guarani. Esta
abriga a lenda da índia Jurema e do
guerreiro Cauby. Diz a história que, depois
que Cauby e Jurema foram mortos por
viver um romance proibido pela tribo dela,
Jacy (a lua) pediu a Tupã que transportasse
o casal para o interior da pedra, de forma
que os apaixonados ficassem eternamente
juntos.

Por Gilson Freitas.

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85 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 86

Parque Estadual da Serra da Figura 85 - Serra da Tiririca (PESET). é constituído por afloramentos rochosos Figura 87 - Canal do Camboatá (PESET).
Tiririca (com horizonte incipiente), podzólicos
vermelho-amarelo álicos e glei húmico
O Parque Estadual da Serra da Tiririca distrófico nas planícies do entorno.
(PESET) é uma unidade de conservação Ocorrem também cambissolos e solos
estadual de proteção integral litólicos.
administrada pelo Instituto Estadual O PESET contempla uma vegetação
do Ambiente (INEA). Inserido na região secundária de floresta ombrófila densa
litorânea do Estado do Rio de Janeiro, submontana, também conhecida como
abrange os municípios de Niterói e Maricá mata de encosta. As florestas ombrófilas
e é composto por grande diversidade têm como característica chuvas intensas
marinha e terrestre, totalizando uma e constantes, consolidando um clima
área de 3.493 hectares. úmido. Destaca-se também a presença de
Por Allan Wilis Sturms.
O Parque foi criado em 1991 pela Lei costões rochosos com vegetação rupícola
Estadual n° 1.901, de 29/11/1991, com e ecossistemas associados à Mata
Figura 88 - Duna Grande de Itaipu.
o intuito de preservar a biodiversidade Atlântica, como restingas e mangues.
e os recursos naturais e estimular a A parte biótica do Parque abriga flora
sustentabilidade. Possui ainda como com espécies raras, endêmicas, nativas
objetivos preservar e conservar o sistema e em perigo de extinção, como pau-
hidrográfico, contribuir com a amenização brasil (Paubrasilia echinata), pau-copaíba
climática e com o desenvolvimento Por Fabio da Cunha Gonçalves. (Copaiba langsdorffi), caiapiá (Dorstenia
integrado da região através de educação pelo Decreto Estadual nº 41.266 foram Pai, da Mãe e Menina, totalizando 1.241 arifolia) e cipó-escada-de-macaco
ambiental e principalmente em proteger inseridos em sua área todo o entorno da hectares acrescidos. (Bauhinia smilacina).
suas espécies vegetais e animais, seus laguna de Itaipu e os sítios arqueológicos A Prefeitura de Niterói, por meio do Plano Sua fauna inclui espécies silvestres típicas
ecossistemas, paisagens, monumentos de Duna Grande, Duna Pequena e Urbanístico da Região Oceânica (Lei da Mata Atlântica; mais de 360 espécies de
naturais e sítios arqueológicos. Sambaqui Camboinhas. No ano de 2012, Municipal nº 1.968/02) instituiu a Área de vertebrados, algumas endêmicas, foram
O PESET não possuía limites definidos através do Decreto Estadual nº 43.913 Especial Interesse Ambiental (AEIA) do registradas nas porções continental e
quando foi criado; isso só aconteceu em de 29/10/12, foram anexados ao PESET Bosque Lagunar de Itaipu e publicou seu marítima do PESET. Um dos exemplos é
2007, através da Lei Estadual nº 5.079, parte da Reserva Ecológica Darcy Ribeiro, Plano de Manejo no ano seguinte (Decreto o animal símbolo do Parque, a perereca-
de 03 de setembro de 2007. Em 2008, o Morro da Peça e as ilhas costeiras do Municipal nº 9.060/03), apresentando o do-litoral (Scinax littoralis). Também são
zoneamento ambiental específico para encontradas espécies ameaçadas de
Figura 86 - Morro das Andorinhas (PESET). Por Allan Wilis Sturms.
a área em questão. A AEIA do Bosque extinção, como o gato-do-mato-pequeno
Lagunar tem seu limite parcialmente (Leopardus guttulus)e, pelo menos, 14 Figura 89 - Enseada do Bananal.
sobreposto ao limite do Setor Lagunar do espécies exóticas. São exemplos da
PESET, o que confere maior segurança fauna do PESET o tatu-galinha (Dasypus
jurídica às áreas mais sensíveis deste novemcinctus), cutia (Dasyprocta aguti),
setor do Parque. paca (Cuniculus paca), tamanduá-
O PESET é composto por um grande mirim (Tamandua tetradactyla), preguiça
complexo rochoso que, contracenando (Bradypus sp.), jibóia (Boa constrictor),
com o meio urbano no seu entorno, jararaca (Bothrops jararaca), jararacuçu
forma paisagens singulares. Seu (Bothrops jararacussu), coral (Micrurus
clima predominante é o subtropical, sp.), rãzinha piadeira (Leptodactylus
caracterizado por verões quentes e fuscus), sapo-cururu (Rhinella marina),
chuvosos. A precipitação média anual araponga (Procnias nudicollis), dentre
da área abrangida pelo Parque é de outras. Em sua biodiversidade marinha,
aproximadamente 1.172 mm, sua pode-se avistar na Enseada do Bananal,
temperatura média anual 23,7º C e durante seus períodos migratórios as
umidade relativa média de 79,1%. O solo espécies de baleias falsa- orca (Pseudorca
Por Allan Wilis Sturms. Por Lina Costa.

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87 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 88

Figura 90 - Costão de Itacoatiara (PESET). Figura 91 - Vista do Costão de Itacoatiara para o Morro das Andorinhas (PESET).

Por Lara Lumbreras. Por Rodrigo Silva Campanario.


crassidens), orca (Orcinus orca) e baleia- entrada desta trilha situa-se a subsede Destacam-se ainda as trilhas das para esta atividade; “Montanha para Figura 92 - Saíra-sapucaia (Tangara peruviana).
jubarte (Megaptera novaeangliae). Além do PESET, onde é realizada a recepção e Esmeraldas, da Ilha da Mãe, e do Córrego Todos”, projeto de acessibilidade que
disso, as áreas de mangue no entorno controle de visitantes. dos Colibris. promove o acesso de pessoas com
da laguna de Itaipu são um berço da Outra trilha é o Morro das Andorinhas, Dentre os atrativos do Parque o mais mobilidade reduzida às trilhas do PESET
biodiversidade local, assim como as ilhas que divide as praias de Itacoatiara e Itaipu, visitado é o Monte das Orações, que em parceria com o Clube Niteroiense
do Pai, da Mãe e Menina, utilizadas como proporcionando vista privilegiada para as recebe cerca de 15 mil visitantes por mês de Montanhismo - CNM; “Projeto Cães
sítios de pouso, abrigo, nidificação e praias da região oceânica, o Corcovado, o e localiza-se no bairro de Várzea das e Gatos da Serra da Tiririca”, que tem
descanso por aves migratórias. Pão de Açúcar, a Pedra da Gávea. Moças. A principal finalidade das visitas como objetivo a esterilização dos animais
A presença de diversas trilhas ecológicas Por sua vez, a trilha da Pedra do Elefante a este atrativo consiste em atividades domésticos (cães e gatos) que vivem
com variados níveis de dificuldade torna possui vista para o Costão de Itacoatiara. religiosas. no Parque, controlando assim suas
o PESET um concorrido espaço de lazer. De lá observa-se também as Ilhas do Pai, O PESET apoia diversos projetos como populações nesta UC.
Dentre estas trilhas, a mais famosa é da Mãe e Menina. o “Vem passarinhar RJ”, programa O PESET também estimula a educação
o Morro do Tucum, conhecido como Outro exemplo é a trilha do Caminho desenvolvido pelo Instituto Estadual do ambiental em escolas e a criação de
Costão de Itacoatiara, que é contemplado Darwin, que possui importância científica Ambiente (INEA) que visa estimular a trilhas interpretativas.
com paisagens deslumbrantes, de onde e histórica por refazer os passos do observação de aves nas unidades de
observa-se a praia de Itacoatiara, a naturalista Charles Darwin durante sua conservação estaduais através de um
Pedra do Elefante e a laguna de Itaipu. Na visita ao Brasil. calendário anual com saídas direcionadas
Por Wilfred Rogers.

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Figura 93 - Formigas-cortadeiras no Costão de Itacoatiara (PESET). Figura 94 - Saíra-amarela (Tangara cayana).

Por Felipe Lima Queiroz.

Figura 95 - Sanhaçu-do-coqueiro (Tangara palmarum).

Por Francine Moreira Bossan. Por Felipe Lima Queiroz.

Figura 96 - Teque-teque (Todirostrum poliocephalum). Figura 97 - Maçarico-de-perna-amarela (Tringa flavipes). Figura 98 - Fim-fim (Euphonia chlorotica).

Por Felipe Lima Queiroz.

Figura 99 - Tucano-de-bico-preto (Ramphastos


vitellinus).

Por Miguel Relvas. Por Wilfred Rogers.

Você sabia?
O PESET tem esse nome devido a passagem de tropas de burros
para o comércio pelo caminho das tiriricas, erva daninha do
gênero  Cyperus  da família Cyperaceae, muito abundante na
região. 

Por Felipe Lima Queiroz.


93 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 2 3 13 14 15

Mosaico Fotográfico das


Unidades de Conservação de Niterói

4 5 6 16 17 18

7 8 9 19 20 21

10 11 12 22 23 24
25 26 27 36 37 38

28 29 30 39 40 41

31 32 42 43

33 34 35 44 45 46
47 48

98
98

CRÉDITOS MOSAICO 19 Praia de Piratininga (APA das Lagunas e 38 Forte do Pico (APA do Morro do Morcego,
Florestas) Fortaleza de Santa Cruz e dos Fortes Pico e Rio
1 Irerê (Dendrocygna viduata) (PESET) Rosa Helena de Seta Branco)
Felipe Lima Queiroz 20 Vista para o PARNIT - Setor Guanabara Rafael Silva de Araujo
Gabriela Simões 39 Vista da Fortaleza de Santa Cruz (APA do Morro
2 Ilha do Pontal (PARNIT) do Morcego, Fortaleza de Santa Cruz e dos Fortes
Gabriela Simões 21 Praia do Sossego (PARNIT) Pico e Rio Branco)
Isabela Barbosa Reinaldo Lopes Moreira
3 Costão de Itacoatiara (PESET)
Gilson Freitas 22 Ilha do Veado (PARNIT) 40 Bosque dos Eucaliptos (PARNIT)
Isabela Barbosa Nathalia Nunes Lovati Barbosa
4 Forte São Luiz (APA do Morro do Morcego,
Fortaleza de Santa Cruz e dos Fortes Pico e Rio 23 Pedra da Tartaruga (PESET) 41 Costão de Itacoatiara (PESET)
Branco) Lina Costa Rodrigo Silva Campanario
49 50 Rosy Freitas
24 Borboleta da praia (Parides ascanius) (PESET) 42 Ilha do Veado (PARNIT)
5 Caranguejo Uçá (Ucides cordatus) (PESET) Lara Lumbreras Rodrigo Silva Campanario
Gilson Freitas
25 Ilha do Pontal (PARNIT) 43 Pedra de Itapuca (PARNIT)
6 Costão de Itacoatiara (PESET) Jonatas Pereira dos Santos Tamires Amaral Dias
Maria Inez Rebello Caldas
26 Ilha dos Cardos (PARNIT) 44 Ilha dos Cardos (PARNIT)
7 Morro da Peça (PESET) Julio Antonio Oliveira Ribeiro Tatiana Santos Moreira Guimarães
Allan Wilis Sturms
27 Costão de Itacoatiara (PESET) 45 Vista da Sede do PARNIT
8 Montanha da Viração (PARNIT) Lara Lumbreras Vitor Duarte Borges
Gabriela Simões
28 Borboleta capitão-do-mato (Morpho achilles) 46 Falcão de coleira (Falco femoralis) (APA das
9 Praia de Itaipu (RESEX) (PESET) Lagunas e Florestas)
Andre Miranda Lara Lumbreras Wilfred Rogers

10 Cavernas do MAC (PARNIT) 29 Subida da Sede do PARNIT 47 Ilha da Boa Viagem (PARNIT)
Ana Ribeiro Leonardo Medeiros Renan Vicente Branco
51 52

11 Praia de Piratininga (APA das Lagunas e 30 Vista da APA do Morro do Morcego, Fortaleza 48 Ilha da Boa Viagem (PARNIT)
Florestas) de Santa Cruz e dos Fortes Pico e Rio Branco) Celia Fortes de Avila
Andre Miranda Mauro Tadeu Lucas
49 Ilha da Boa Viagem (PARNIT)
12 Forte São Luiz (APA do Morro do Morcego, 31 Canal do Camboatá (PESET) Leticia Duarte
Fortaleza de Santa Cruz e dos Fortes Pico e Rio Miguel Relvas Ugalde
Branco)
Bernardo Rodrigues Rangel 50 Laguna de Piratininga (PARNIT)
32 Gaivota (Larus dominicanus) (APA das Lagunas
e Florestas) Gilson Freitas
13 Praia de Itaipu (RESEX) Wilfred Rogers
Camille do Espírito Santo Santos
51 Morro das Andorinhas (PESET)
33 Costão de Itacoatiara (PESET)
14 Aranha caranguejeira (Lasiodora klugi) (PESET) Michelle Mayumi Tizuka Felipe Lima Queiroz
Thaylan Pinheiro Alves Salles
34 Vista da Sede do Parnit 52 Vista para o Rio de Janeiro (APA do Morro do
15 Sede do PARNIT Lara Lumbreras
Élida Colaço Gragoatá)
53
35 Laguna de Itaipu (PESET) Gilson Freitas
16 Vista do Forte do Pico (APA do Morro do Miguel Relvas Ugalde
Morcego, Fortaleza de Santa Cruz e dos Fortes
Pico e Rio Branco) 36 Vista do Costão de Itacoatiara (PESET) 53 Formações pioneiras na Região Oceânica
Etyenne Porto de Araújo Mirela Calvi Nespoli (PESET)

17 Morro das Andorinhas (PESET) Felipe Lima Queiroz


37 Praia de Adão e Eva (APA do Morro do Morcego,
Etyenne Porto de Araújo Fortaleza de Santa Cruz e dos Fortes Pico e Rio
Branco)
18 Vista da Sede do PARNIT Nyvia Cordovil
Francine Moreira Bossan

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99 ATLAS DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NITERÓI 100
100

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BANCO DE DESENVOLVIMENTO
DA AMÉRICA LATINA