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FACULDADE SATC

MARCELO PESSÔA GAIDZINSKI

ESTUDO DE CASO: ANÁLISE DE FALHAS DOS TRANSFORMADORES DE


POTENCIAL CAPACITIVO 500 KV DA USINA HIDRELÉTRICA DE ESTREITO

Criciúma
Dezembro – 2016
MARCELO PESSÔA GAIDZINSKI

ESTUDO DE CASO: ANÁLISE DE FALHAS DOS TRANSFORMADORES DE


POTENCIAL CAPACITIVO 500 KV DA USINA HIDRELÉTRICA DE ESTREITO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso


de Graduação em Engenharia Elétrica da Faculdade
SATC, como requisito parcial à obtenção do título de
Engenheiro Eletricista.

Orientador: Prof. Dr. Vilson Luiz Coelho.


Coordenador do Curso: Prof. Me. André Abelardo Tavares.

Criciúma
Dezembro – 2016
MARCELO PESSÔA GAIDZINSKI

ESTUDO DE CASO: ANÁLISE DE FALHAS DOS TRANSFORMADORES DE


POTENCIAL CAPACITIVO 550KV DA USINA HIDRELÉTRICA DE ESTREITO

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado


adequado à obtenção do título de bacharel em Engenharia
Elétrica e aprovado em sua forma final pelo Curso de
Graduação em Engenharia Elétrica da Faculdade SATC.

Criciúma, (dia) de (mês) de (ano da defesa).

______________________________________________________
Vilson Luiz Coelho, Dr.
Faculdade SATC

______________________________________________________
Prof. Nome do Professor, Título.
Faculdade SATC

______________________________________________________
Prof. Nome do Professor, Título.
Faculdade SATC
Texto das dedicatórias. Texto das dedicatórias.
Texto das dedicatórias. Texto das dedicatórias.
Texto das dedicatórias. Texto das dedicatórias.
Texto das dedicatórias.
AGRADECIMENTOS

Texto de agradecimentos. Texto de agradecimentos. Texto de agradecimentos.


Texto de agradecimentos. Texto de agradecimentos. Texto de agradecimentos.
Texto de agradecimentos. Texto de agradecimentos. Texto de agradecimentos.
Texto de agradecimentos. Texto de agradecimentos. Texto de agradecimentos.
Texto de agradecimentos. Texto de agradecimentos. Texto de agradecimentos.
Texto de agradecimentos. Texto de agradecimentos. Texto de agradecimentos.
“Texto da epígrafe. Texto da epígrafe. Texto da epígrafe. Texto da epígrafe. Texto
da epígrafe. Texto da epígrafe. Texto da epígrafe. Texto da epígrafe.” (Autor, ano, p.)
RESUMO

Os Transformadores de Potencial Capacitivo (TPC) têm por função reduzir os valores de tensão
para níveis economicamente viáveis e seguros a fim de fornecer informações para relés de
proteção, sistemas de controle e medição do sistema elétrico. Trata-se de equipamentos de vital
importância, uma vez que sua falha ou defeito significa o comprometimento das condições
operacionais ou até mesmo a interrupção imediata do fornecimento de energia.
A Usina Hidrelétrica de Estreito (UHET) está localizada no município de Estreito/MA e faz o
aproveitamento dos recursos hídricos do Rio Tocantins. Possui potência total instalada de 1.087
MW procedente de oito unidades geradoras. Está conectada à Rede Básica dos Sistemas
Elétricos Interligados na subestação de Imperatriz (Eletronorte) por meio de uma linha de
transmissão de circuito simples com nível de tensão de 500 kV e extensão de 140 km.
A UHET possui 20 TPC instalados distribuídos da seguinte maneira: 12 nos bays das unidades
geradoras, dois nas barras principal e transferência e seis na linha de transmissão. Os
equipamentos foram instalados em 2010 e entraram em operação entre 2011 e 2012. Até o
presente momento, dos 20 equipamentos instalados, sete já foram substituídos devido a
alterações no valor do sinal de tensão do enrolamento secundário (erro de relação de
transformação) e um deles explodiu sem causa aparente.
O objetivo deste trabalho é determinar os agentes causadores das falhas e dos defeitos ocorridos
nos TPC instalados na subestação da UHET, avaliar os projetos e propor melhorias para os
pontos falhos de modo a evitar desligamentos não programados. Os principais causadores de
falhas em TPC são:

 Degradação do dielétrico da coluna capacitiva por umidade;


 Degradação dos elementos capacitivos por ação de componentes
harmônicos;
 Ferrorressonância causada pela interação de capacitâncias com indutâncias
não lineares durante fenômenos transitórios; e
 Sobretensão.

Para atingir o objetivo proposto, serão executadas as seguintes etapas: a) estudo bibliográfico,
contendo conceitos básicos sobre TPC, seus aspectos construtivos e os principais aspectos
referentes a falhas de TPC; b) coleta de amostras de óleo isolante para realização de análise
laboratorial; c) desmontagem completa de um equipamento para inspeção e teste nos elementos
capacitivos e componentes da unidade eletromagnética; d) levantamento dos parâmetros
elétricos para modelagem e simulação computacional para verificar o comportamento do TPC
quando submetido a fenômenos transitórios.

Palavras-chave: Transformador de Potencial Capacitivo; Ferrorressonância; Linha de


Transmissão; Transitório; Sobretensão.
LISTA DE FIGURAS

Fig. 1 – Custo do transformador de potencial em função da tensão nominal [1] ..................... 16


Fig. 2 – Detalhes do TPI [2] .................................................................................................... 17
Fig. 3 – Detalhes do TPC [2] .................................................................................................... 17
Fig. 4 – Diagrama elétrico do TPC ........................................................................................... 18
Fig. 5 – Detalhes da coluna capacitiva [4]................................................................................ 19
Fig. 6 – Representação do capacitor só-filme........................................................................... 20
Fig. 7 – Detalhe do transformador de potencial indutivo [9] ................................................... 22
Fig. 8 – CSF ativo ..................................................................................................................... 23
Fig. 9 – Exemplos de CSF passivo ........................................................................................... 24
Fig. 10 – Impedância característica do CSF passivo em relação a frequência [11] ................. 24
Fig. 11 – Impedância característica do CSF passivo em relação à tensão [11] ........................ 24
Fig. 12 – Circuito onda Portadora ............................................................................................ 25
Fig. 13 - Circuito da BB ........................................................................................................... 26
Fig. 14 – BB sistema de 500 kV ............................................................................................... 26
Fig. 15 – Paralelogramo de exatidão do TPC NBR 6855 [14]. ................................................ 29
Fig. 16 – Ferrorressonância devido a curto-circuito no secundário do TPC [3] ...................... 32
Fig. 17 – Circuito RLC ............................................................................................................. 33
Fig. 18 – Corrente no circuito RLC série com a variação da Xc .............................................. 33
Fig. 19 – Solução circuito linear [16] ....................................................................................... 34
Fig. 20 – Circuito ferrorressonante série [17]........................................................................... 34
Fig. 21 – Solução gráfica para um circuito não-linear [16] ...................................................... 36
Fig. 22 – Ferrorressonância modo fundamental [4] ................................................................. 37
Fig. 23 – Ferrorressonância modo sub-harmônico [4] ............................................................. 37
Fig. 24 – Ferrorressonância modo quase-periódico [4] ............................................................ 38
Fig. 25 – Ferrorressonância modo caótico [4] .......................................................................... 38
Fig. 26 – Ganho X frequência [18] ........................................................................................... 40
Fig. 27 – Ângulo de fase X frequência [18] ............................................................................. 40
Fig. 28 – Modelo geral do TPC ................................................................................................ 41
Fig. 29 – Modelo proposto por Kezunovic (1992) [19] ........................................................... 42
LISTA DE TABELAS

Tab. 1 – Tipo de transformador de potencial [1] ...................................................................... 16


Tab. 2 – Propriedades elétricas do PP [7] ................................................................................. 20
Tab. 3 – Propriedades do SAS-60E [8] .................................................................................... 21
Tab. 4 – Níveis de isolamento para Umax ≥ 362 kV NBR 6855 [14]...................................... 27
Tab. 5 – Classe de exatidão ANSI [12] .................................................................................... 28
Tab. 6 – Designações TPC ....................................................................................................... 30
Tab. 7 – Carga nominal ANSI [12] ......................................................................................... 30
Tab. 8 – Requisitos para ferrorressonância IEC [14] ............................................................... 32
LISTA DE ABREVIAÇÕES

SIGLAS

ANSI ___ American National Standards Institute


ATP ___ Alternative Transients Program
BB ___ Bobina de Bloqueio
CA ___ Corrente Alternada
CSF ___ Circuito Supressor de Ferrorressonância
EMTP ___ Electromagnetic Transients Program
FCR ___ Fator de Correção de Relação
FFT ___ Transformada Rápida de Fourier
IEC ___ International Electrotechnical Commission
LT ___ Linha de Transmissão
NBI ___ Nível Básico de Impulso
NBR ___ Norma Brasileira
NIM ___ Nível de Impulso de Manobra
PLC ___ Power Line Carrier
PP ___ Polipropileno
SATC ___ Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina
SEP ___ Sistema Elétrico de Potência
SIN ___ Sistema Interligado Nacional
TRIAC ___ Triode for Alternating Current
THD ___ Total Harmonic Distortion
TP ___ Transformador de Potencial
TPC ___ Transformador de Potencial Capacitivo
TPI ___ Transformador de Potencial Indutivo
UHET ___ Usina Hidrelétrica de Estreito
XC ___ Reatância Capacitiva
XL ___ Reatância Indutiva
SÍMBOLOS

γ [º] ângulo de fase


A [A] Ampères
°C [º] Graus Celsius
kV [V] Quilovolts
V [V] Volts
f [Hz] Frequência
T [ns] Período de Oscilação
º [Graus] Ângulo de fase
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 13
1.1 JUSTIFICATIVA E CONTRIBUIÇÕES ........................................................................ 13
1.2 OBJETIVO GERAL ........................................................................................................ 14
1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS........................................................................................... 14
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................... 15
2.1 TRANSFORMADOR DE POTENCIAL CAPACITIVO ............................................... 15
Elementos dos Transformadores de Potencial Capacitivo .................................... 17
Divisor de Tensão Capacitivo .................................................................................... 18
Reator de Compensação ............................................................................................. 21
Transformador de Potencial Indutivo ......................................................................... 21
Circuito Supressor de Ferrorressonância .................................................................... 22
2.1.2.4.1 Circuito Supressor de Ferrorressonância Ativo...................................................... 23
2.1.2.4.2 Circuito Supressor de Ferrorressonância Passivo.................................................. 23
Componentes de Onda Portadora - CAR.................................................................... 25
2.2 ESPECIFICAÇÃO DO TPC............................................................................................ 26
Nível de Isolamento ................................................................................................. 27
Classe de Exatidão .................................................................................................. 28
Carga Nominal ........................................................................................................ 29
Potência Térmica .................................................................................................... 30
2.3 FERRORRESSONÂNCIA .............................................................................................. 31
Análise do Fenômeno .............................................................................................. 32
Tipos de Ferrorressonância .................................................................................... 36
Modo Fundamental ..................................................................................................... 36
Modo Sub-Harmônico ................................................................................................ 37
Modo Quase-Periódico ............................................................................................... 38
Modo Caótico ............................................................................................................. 38
2.4 RESPOSTA EM FREQUÊNCIA .................................................................................... 39
2.5 MODELAGEM DOS TRANSFORMADORES DE POTENCIAL CAPACITIVO ...... 40
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS (MANTENHA O NOME)..................... 43
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS (MANTENHA O NOME) ............ 43
5 CONCLUSÕES (MANTENHA O NOME) ................................................................. 43
13

1 INTRODUÇÃO

O setor de 500 kV da subestação da UHET possui um arranjo de disjuntor e meio,


com duas barras, quatro transformadores elevadores 13,8/13,8/525 kV, 311 MVA, uma linha
de transmissão de circuito simples com 140 km de extensão que conecta a usina ao Sistema
Interligado Nacional (SIN) através da subestação de Imperatriz, seis reatores monofásicos de
linha distribuídos nas extremidades da LT, 30 transformadores de corrente e 20
Transformadores de Potencial Capacitivo instalados.
No período de janeiro a junho de 2015, três anos após o início da operação
comercial da usina, dois TPC apresentaram erro de relação de transformação e foram
substituídos por unidades sobressalentes. Nos 12 meses seguintes, mais sete equipamentos
apresentaram a mesma anormalidade e uma peça explodiu sem causa aparente. Os ensaios
preliminares realizados em campo mostraram variação nos valores de capacitância das colunas.
Além do erro de relação de transformação, foram registradas atuações indevidas do
sistema de proteção do setor de 500 kV, com o desligamento de unidades geradoras e da única
linha de transmissão que escoa a produção da usina. Essas atuações, com graves repercussões
no sistema interligado, levantaram suspeitas sobre o desempenho dos TPC.
Considerando a grande importância dos TPC no sistema de proteção e controle e
que as consequências de falhas envolvem não apenas os prejuízos com a indisponibilidade das
unidades geradoras e reparos, mas também causam transtornos operacionais e, sobretudo,
acabam pondo em risco a saúde e vidas humanas, neste trabalho serão apresentadas as etapas
referentes à pesquisa para determinação dos agentes causadores das falhas e também será
proposto melhorias para os pontos críticos.

1.1 JUSTIFICATIVA E CONTRIBUIÇÕES

Os TPC, além de desempenharem um papel fundamental para o sistema elétrico de


potência (SEP), também representam uma parte significativa dos investimentos pertencentes à
implantação desse sistema. Além disso, a falha desses equipamentos compromete os sistemas
de medição, controle e proteção dos sistemas envolvidos e em alguns casos traz prejuízo
14

financeiro com a indisponibilidade das unidades geradoras e riscos para as pessoas e


instalações.
As alterações indevidas do valor de tensão no secundário dos TPC podem ocorrer
devido a falhas internas ao equipamento ou influência do SEP que, durante manobras, geram
oscilações de frequência e tensão. A variação da frequência pode ocasionar ferrorressonância
devido a existência de indutâncias não lineares e capacitâncias presentes na configuração do
TPC, podendo ocasionar sobretensões acima dos valores para o qual o equipamento foi
projetado. Falhas em TPC também podem ser causadas por contaminação do dielétrico por
umidade.
Nesse sentido, o objetivo desta pesquisa é realizar um estudo sobre as falhas e os
defeitos ocorridos em TPC e ao mesmo tempo colocar em discussão um assunto pouco debatido
entre os alunos do curso de Engenharia Elétrica.
Como forma de contribuição, o autor entende que esse trabalho servirá como ponto
de partida para acadêmicos e recém-formados em Engenharia Elétrica interessados em se iniciar
no estudo de falha de equipamentos do sistema elétrico de potência, mais especificamente de
Transformadores de Potencial Capacitivo em extra-alta tensão.

1.2 OBJETIVO GERAL

Este trabalho tem como objetivo identificar possíveis agentes causadores das falhas
e dos defeitos ocorridos nos TPC instalados na subestação da Usina Hidrelétrica de Estreito,
analisar projetos e determinar ações visando eliminar ou mitigar os possíveis problemas.

1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Abordar os aspectos construtivos dos TPC descrevendo os conceitos e


finalidades de cada componente;
 Apresentar os requisitos básicos para especificação de TPC;
 Descrever o comportamento do TPC quando submetido a transitórios;
 Apresentar um modelo elétrico geral de TPC utilizado no estudo de transitórios;
15

 Realizar um estudo de caso para determinação da origem das falhas através de


análise laboratorial, inspeção visual, ensaios elétricos e simulação computacional.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Existem dois tipos de transformadores de potencial utilizado no SEP: o indutivo e


o capacitivo. A principal diferença entre esses equipamentos é o modo como a redução de
tensão é realizada. Enquanto o indutivo utiliza apenas um TP, o capacitivo possui, além do TP,
capacitores conectados em série que formam um divisor de tensão. Neste capítulo serão
descritos os conceitos fundamentais e aspectos construtivos dos TPC. Também serão abordados
os principais requisitos para especificação e o comportamento do TPC quando submetido a
transitórios.

2.1 TRANSFORMADOR DE POTENCIAL CAPACITIVO

O Transformador de Potencial Capacitivo (TPC) tem a finalidade de reduzir os


sinais de tensão para níveis seguros e economicamente viáveis constituindo uma ligação entre
os equipamentos de medição, proteção e controle com o sistema elétrico. É conectado em
paralelo com o circuito a ser monitorado e fornece baixa potência no circuito secundário,
devendo, portanto, ser conectado a equipamentos com alta impedância de entrada.
O TPC foi desenvolvido na década de 1920 como capacitor de acoplamento para
possibilitar a comunicação através das linhas de transmissão [9]. A partir da década de 1950,
com o aumento dos níveis de tensão no sistema de transmissão de energia elétrica e diante do
alto custo de produção e da fragilidade dos transformadores de potencial indutivo (TPI)
convencionais, os TPC passaram por mudanças para atender as necessidades do mercado.
Dentre as alterações incluem-se, além do aumento do número de capacitores para atender aos
novos níveis de tensão, a instalação de reator de compensação e elementos supressores de
ferrorressonância.
Normalmente o TPC é utilizado em sistemas com tensão superior a 138 kV devido
ao elevado custo para fabricação dos TPI e a necessidade de utilização do sistema de
16

comunicação carrier também conhecido como OPLAT (Onda Portadora Sobre Linhas de Alta
Tensão). Para equipamentos que operam com tensões entre 69 kV e 138 kV, o fator
determinante para aplicação do TPC é a necessidade ou não da utilização do sistema carrier.
Caso esse sistema não seja aplicado, o TPI é economicamente viável, conforme apresentado na
Fig. 1. O principal motivo para o alto custo dos TPI para tensões acima de 138 kV é devido
grande quantidade de material utilizado na fabricação do enrolamento primário. As figuras 2 e
3 ilustram os detalhes construtivos do TPI e TPC, respectivamente.

Tab. 1 – Tipo de transformador de potencial [1]


Tensão Tipo de Transformador de Potencial
600 V até 69 kV Predominantemente são utilizados os TPI
69 kV até 138 kV TPI ou TPC*
Acima de 138 kV São utilizados os TPC
*É necessário o uso do TPC nos sistemas que utilizam Carrier.

Fig. 1 – Custo do transformador de potencial em função da tensão nominal [1]

O transformador de potencial capacitivo é composto basicamente por um divisor de


tensão capacitivo formado por células capacitivas conectadas em série de tal maneira que
possibilite a instalação do conjunto no interior do invólucro de porcelana [9].
17

O divisor capacitivo é conectado entre fase e terra, sendo que uma derivação
intermediária alimenta a unidade eletromagnética de média tensão que compreende, em tese,
os seguintes elementos:

 Transformador de potencial indutivo conectado na derivação capacitiva


intermediária fornecendo as tensões secundárias desejadas;
 Reator de compensação ajustável para controlar a defasagem angular provocada
pelo divisor capacitivo na frequência nominal, independentemente da carga utilizada no
secundário, porém nos limites definidos pela classe de exatidão considerada;
 Dispositivo de amortecimento de ferrorressonância.

Fig. 2 – Detalhes do TPI [2] Fig. 3 – Detalhes do TPC [2]

Elementos dos Transformadores de Potencial Capacitivo

O diagrama elétrico simplificado de um TPC pode ser visualizado na Fig. 4. Neste


circuito estão os seguintes componentes:
18

 C1: Capacitância superior do divisor de tensão capacitivo;


 C2: Capacitância inferior do divisor de tensão capacitivo;
 Bc: Reator de compensação;
 Bd: Bobina de drenagem;
 CSF: Circuito supressor de Ferrorressonância;
 TPI: Transformador de potencial indutivo;
 Car: saída para o sinal de onda portadora ou carrier;
 Ch: Chave de aterramento da Bd;
 P: Dispositivo de proteção do TPI e do capacitor C2;
 G: Dispositivo de proteção da Bd.

Fig. 4 – Diagrama elétrico do TPC

Divisor de Tensão Capacitivo

A função do divisor de tensão capacitivo é reduzir a tensão do sistema para uma


tensão de derivação (𝑉𝑖𝑛𝑡 ) entre C1 e C2 a um nível adequado que permita instalação de um
TPI de dimensões reduzidas, fornecendo um ponto de conexão com tensão na faixa de 5 a 20
kV [3]. A tensão no ponto de derivação pode ser alcançada pela Eq. (1). Além disso, essas
capacitâncias também realizam a função de acopladores da comunicação via carrier ao sistema
de potência.
19

𝑉𝑝 𝑥 𝐶1
𝑉𝑖𝑛𝑡 = (𝑉) (1)
𝐶1 + 𝐶2

As capacitâncias C1 e C2 são constituídas por elementos capacitivos onde o número de


unidades capacitivas depende do nível de tensão primária. Os capacitores empregados são do
tipo “só-filme”, consistindo por folhas de alumínio como eletrodos e camadas de filme
polipropileno como dielétrico. Esses elementos são conectados em série e empilhados no
interior de um invólucro cerâmico, o qual é posteriormente preenchido com fluído isolante.
Essa configuração forma a coluna capacitiva. A Fig. 5 traz detalhadamente os elementos da
coluna capacitiva.

1. Terminal de Alta Tensão


2. Câmara de expansão
3. Mola de Compressão
4. Óleo Isolante
5. Placa de Compressão
6. Elementos Capacitivos
7. Invólucro de porcelana ou polimérico

Fig. 5 – Detalhes da coluna capacitiva [4]

Os capacitores de potência aplicados em sistemas de alta tensão são do tipo “só-


filme”. Tais componentes consistem de várias camadas finas de filme de polipropileno (PP)
biaxialmente orientadas atuando como dielétrico e finas lâminas de alumínio funcionando como
eletrodos. Os elementos formadores dos capacitores são enrolados com folga para garantir a
20

boa impregnação do líquido isolante. O óleo isolante é impregnado a vácuo nos elementos
capacitivos, fazendo parte efetiva do dielétrico, estando presente em todos os pontos internos
do capacitor e não somente nas superfícies externas dos elementos, conferindo grandes
propriedades de dissipação de calor e excelente rigidez para o dielétrico [5]. A figura 6 ilustra
a composição básica de um capacitor “só-filme”.
Em virtude das condições adversas decorrentes da característica do sistema, tais
como transitórios, surtos de tensão, harmônicos, sobretensões, etc., a principal característica
dos filmes dielétricos utilizados nos projetos de capacitores de potência de alta tensão é a alta
suportabilidade à disrupção dielétrica [6]. O PP, além dessa característica, apresenta baixo fator
de perdas, alta resistividade, baixo encolhimento sob alta temperatura, resistência mecânica
(tração), estabilidade à temperatura e pureza química. Ainda a título de informação, a Tab. 2
apresenta as propriedades elétricas do PP.

Tab. 2 – Propriedades elétricas do PP [7]


Propriedade Valor Unidade
Constante dielétrica 2,25 ---
Fator de perdas ≤ 2.10−4 ---
Resistividade ≤ 1015 Ohm*m
Número de pontos fracos ≤2 1/m²

Fig. 6 – Representação do capacitor só-filme


21

Atualmente, a grande maioria dos capacitores de potência utiliza como fluído


dielétrico de impregnação o SAS-60E. Esse óleo é um hidrocarboneto aromático sintético que
apresenta alta tensão de disrupção, baixas perdas dielétricas, alta resistividade por volume, boa
compatibilidade com o polipropileno utilizado como elemento dielétrico e baixa viscosidade,
mesmo em baixas temperaturas, como se observa na Tab. 3.

Tab. 3 – Propriedades do SAS-60E [8]


Propriedade Valor Unidade
Conteúdo de água Máx. 100 ppm
Rigidez dielétrica Min 55 kV
Fator de dissipação Máx. 0,08 100°C, %
Ponto de ignição Min 130 ºC

Reator de Compensação

O reator de compensação Bc é uma reatância XL variável, que tem como finalidade


manter a tensão secundária em fase com a tensão primária. O Bc é um reator com núcleo
ferromagnético com derivações disponíveis para calibração.
O valor de reatância de XL deve satisfazer a igualdade da Eq. 2.

1
𝑋𝐿 = (2)
(𝐶1 + 𝐶2) 𝑥 (2𝜋𝑓)²

Transformador de Potencial Indutivo

O transformador de potencial indutivo (TPI) reduz a tensão de derivação para níveis


de tensão padronizados de 115-115/√3 V para as normas ASA e ABNT e 110-110/√3 V para a
22

norma IEC. Esses valores de tensão podem ser alterados de acordo com as características do
sistema onde o equipamento será utilizado. O TPI possui derivações no enrolamento primário
para possibilitar ajustes na amplitude de tensão [9]. A Fig. 7 ilustra as derivações no
enrolamento primário.

Fig. 7 – Detalhe do transformador de potencial indutivo [9]

Circuito Supressor de Ferrorressonância

A composição do TPC constitui um circuito ressonante sintonizado à frequência


fundamental, onde o reator de compensação e o transformador indutivo estão em série com a
capacitância do divisor de tensão capacitivo. Quando submetido a distúrbios de rede, esse
sistema pode entrar em ferrorressonância com a saturação dos componentes que possuem
núcleo ferromagnético em que a corrente de excitação atinge níveis críticos para o equipamento.
Para evitar ou minimizar esses inconvenientes, é instalado no secundário do TPC,
de maneira permanente, um circuito supressor de ferrorressonância (CSF), podendo ser passivo
ou ativo, o qual amortece quaisquer oscilações de ressonância, afetando a resposta transitória
devido à energia armazenada em seus elementos capacitivos e indutivos. Resumidamente, os
propósitos do CSF são: a) limitar sobretensões nos componentes do TPC; b) evitar
ferrorressonância sustentada e; c) melhorar o desempenho da resposta transitória do TPC.
23

2.1.2.4.1 Circuito Supressor de Ferrorressonância Ativo

Um circuito é ativo quando possui na sua estrutura componentes semicondutores e


tem atuação dependente de manipulação do sinal. Durante a ferrorressonância ou condição
transitória, o triac é chaveado e o resistor R3 é inserido no circuito como elemento amortecedor,
como se exemplifica na Fig. 8.

Fig. 8 – CSF ativo

2.1.2.4.2 Circuito Supressor de Ferrorressonância Passivo

Os CSF são denominados passivos quando formados por resistores (R), capacitores
(C) e indutores (L). Nas figuras 9(a) e 9(b) o capacitor e o indutor estão sintonizados à
frequência fundamental, atuando como um filtro passa-faixa. Quando ocorre um transitório,
esse filtro apresenta uma baixa impedância amortecendo os sinais indesejáveis através da
resistência conectada em série [10]. Na figura 9(c) um resistor é conectado permanentemente
em paralelo ao reator de núcleo de ferro projetado para saturar antes do TPI, em torno de 150%
da tensão nominal. Quando saturado, é inserido o resistor conectado em série para amortecer a
ferrorressonância sustentada. As figuras 10 e 11 delimitam o comportamento da impedância
quando o circuito CSF sintonizado em 50 Hz é submetido à variação de frequência e tensão,
respectivamente.
24

(a) (b) (c)


Fig. 9 – Exemplos de CSF passivo

Fig. 10 – Impedância característica do CSF passivo em relação a frequência [11]

Fig. 11 – Impedância característica do CSF passivo em relação à tensão [11]


25

Componentes de Onda Portadora - CAR

A transmissão de sinais para telefonia, teleproteção, telecontrole, etc., também é


realizada através dos cabos de tensão das linhas de transmissão utilizando um sistema chamado
de onda portadora ou sistema carrier.
O divisor de tensão capacitivo apresenta um caminho de baixa impedância para a
faixa de frequência da portadora, de 40 kHz a 500 kHz, e de alta impedância para a frequência
de 60 Hz [2]. Para impedir que o sinal da onda portadora seja perdido à terra, é necessário o uso
de uma bobina de drenagem Bd, com indutância da ordem de 10 a 45 mH como apresentado na
Fig. 12.

Fig. 12 – Circuito onda Portadora

Nas extremidades da linha de transmissão são instaladas Bobinas de Bloqueio (BB).


As BB são conectadas em série com a linha de transmissão e constituídas basicamente por um
circuito LC paralelo conforme ilustrado no diagrama da Fig. 13. Esse circuito apresenta uma
elevada impedância à frequência da onda portadora, impedindo que o sinal chegue aos
equipamentos de subestação. A Fig. 14 representa uma BB instalada em uma linha de
transmissão de 500 kV.
26

Fig. 13 - Circuito da BB Fig. 14 – BB sistema de 500 kV

2.2 ESPECIFICAÇÃO DO TPC

Os TPC conectados à rede básica devem atender às necessidades dos sistemas de


proteção, medição de faturamento e de medição indicativa para controle da operação, conforme
descrito no item 7.7 do Submódulo 2.3 dos Procedimentos de Rede do setor elétrico brasileiro
[9].
Como no Brasil não há norma técnica destinada para TPC, utiliza-se para fins de
especificação e métodos de ensaios os requisitos descritos nas normas ANSI C93.1/99 [12] e
IEC 61869-5 [13], com consulta na ABNT NBR 6855 [14] nos pontos omissos. As normas
ANSI C93.1/99 e IEC 61869-5 são aplicadas exclusivamente para TPC com ligação fase-terra
(grupo 2), tensão maior que 72,5 kV e frequência de operação entre 15 Hz a 100 Hz, enquanto
a NBR 6855 abrange somente TPI. Os parâmetros elétricos mínimos para especificação são:

 Tensão Primária nominal;


 Tensão secundária nominal;
 Nível de isolamento;
 Carga nominal;
27

 Quantidade de enrolamentos secundários;


 Classe de exatidão de cada enrolamento;
 Potência térmica;

Nível de Isolamento

Os TPC possuem níveis de isolamento padronizados e determinados pela tensão


nominal de operação. A Tab. 4 aborda os níveis de tensão suportáveis pelos TPC em que o nível
básico de isolamento (NBI) determina a suportabilidade do equipamento quando submetido a
sobretensões de origem externa e o nível de impulso de manobra (NIM) para sobretensões de
origem interna.

Tab. 4 – Níveis de isolamento para Umax ≥ 362 kV NBR 6855 [14]


Tensão máxima Tensão suportável Tensão suportável Tensão suportável
do equipamento nominal à frequência nominal de impulso nominal de impulso
Umax industrial durante 1 min de manobra atmosférico
(kV) (kV) (kV crista) (kV crista)
950
850
362 450 1050
950
1175
460 620 1050 1425
1425
650 1050
550 1550
740 1175
1675
870 1425 1950
800
960 1550 2100
28

Classe de Exatidão

A tensão reproduzida no secundário do TPC apresenta dois tipos de erros: erro de


relação de transformação e erro de ângulo de fase entre as tensões do primário e secundário.
Esses fatores definem a classe de exatidão do TPC e determinam a função a que o equipamento
será submetido.
O erro de relação de transformação ocorre quando a tensão secundária não
representa exatamente a tensão primária do sistema, podendo ser obtido através da Eq. (3). O
ângulo de fase γ é a diferença vetorial entre as tensões primária e secundária do TCP [3]. A
defasagem pode ser calculada com a equação Eq. (4).

(𝑅𝑇𝑃𝑥𝑉𝑆 ) − 𝑉𝑃 (3)
𝜀𝑃 = 𝑥 100%
𝑉𝑆

γ = 26𝑥(𝐹𝐶𝑇 − 𝐹𝐶𝑅) (4)


Onde:
FCT = Fator de correção de transformação
FCR = Erro de relação de transformação

Um TPC está dentro da classe de exatidão para a qual foi projetado quando os
pontos gerados pelos ângulos de fase γ e pelos fatores de correção de relação (FCR) da tab. 5
estiverem dentro do paralelogramo de exatidão. De acordo com a norma ANSI, os TPC são
enquadrados em uma ou mais das seguintes classes de precisão: 0,3; 0,6; e 1,2. Normalmente,
utiliza-se a classe 0,3 para aplicações de medição de faturamento e classes 0,6 e 1,2 para
proteção e medição operacional ou indicativa.

Tab. 5 – Classe de exatidão ANSI [12]


Classe Relação de Tensão (%) Ângulo de fase (minutos)
0,3 ± 0,3 ± 16
0,6 ± 0,6 ± 32
1,2 ± 1,2 ± 63
29

Na Fig.15 abaixo são apresentadas as classes de exatidão definidas pela NBR 6855,
onde no eixo vertical é apresentado o fator de correção de relação, o qual pode ser convertido
em erro de relação; já no eixo horizontal, vê-se o erro angular [9].

Fig. 15 – Paralelogramo de exatidão do TPC NBR 6855 [14].

Carga Nominal

Carga, ou carga secundária nominal de um instrumento, são as impedâncias ligadas


aos seus terminais, cujo valor corresponde à potência para exatidão garantida [15].
Consideramos como carga todos os instrumentos ligados aos terminais do transformador de
potencial, bem como os cabos que interligam o TP e os instrumentos, em caso de grandes
distâncias. As cargas nominais estabelecidas pela ABNT são as mesmas da norma ANSI
representadas na Tab. 6 e Tab. 7. As designações, entretanto, são formadas pela letra ‘P’,
seguida da potência em VA correspondente às tensões de 120 a 69,3V.
30

Tab. 6 – Designações TPC


Designação ABNT Designação ANSI
P 12,5 W
P 25 X
P 75 Y
P 200 Z
P 400 ZZ

Tab. 7 – Carga nominal ANSI [12]


Características das Características na Características na
Cargas Tabeladas Base de 120V Base de 69.3V
Designação VA FP R (Ω) L (H) Z (Ω) R (Ω) L (H) Z (Ω)
W 12.5 0.10 115.2 3.04 1152 38.4 1.01 384
X 25 0.70 403.2 1.09 576 134.4 0.364 192
Y 75 0.85 163.2 0.268 1192 54.4 0.0894 64
Z 200 0.85 61.2 0.101 72 20.4 0.0335 24
ZZ 400 0.85 30.6 0.0503 36 10.2 0.0168 12
M 35 0.20 82.3 1.07 411 27.4 0.356 137

Potência Térmica

A potência térmica nominal é a maior potência aparente que um TPC pode fornecer
em regime permanente, sob tensão e frequência nominais, sem exceder os limites de elevação
de temperatura especificados [15].
A NBR6855 define que a potência térmica nominal pode ser obtida pelo produto
do fator de sobretensão contínuo ao quadrado pela maior carga especificada ou carga
simultânea. Para o caso de carga simultânea com dois ou mais enrolamentos secundários, a
potência térmica nominal e distribuída aos diversos secundários proporcionalmente a maior
carga nominal de cada um deles.
31

2.3 FERRORRESSONÂNCIA

O termo ferrorressonância foi criado em 1920 por Boucherot para descrever um


fenômeno oscilatório em circuitos elétricos que contenham pelo menos um capacitor, uma
indutância não-linear saturável e com núcleo ferromagnético, tendo uma fonte de tensão e
baixas perdas [9]. Uma capacitância pode ser originada por um TPC, banco de capacitores
conectados em série ou shunt, disjuntor provido de coluna capacitiva, linha de transmissão e
transformador de potência. A indutância suturável pode ser constituída por transformador de
potência, transformadores de potencial indutivo e reatores shunt.
O sistema elétrico de potência é composto por vários capacitores e indutâncias
saturáveis e, consequentemente, a combinação desses componentes o deixa sujeito à
ferrorressonância. Sobretensões geradas por descargas atmosféricas, energização ou
desenergização de transformadores ou linhas de transmissão e manobras em chaves
seccionadoras podem desencadear esse fenômeno.
A ferrorressonância é extremamente prejudicial aos equipamentos e à operação do
sistema. Podem ocorrer desligamentos indevidos por erro na informação de tensão,
envelhecimento prematuro de transformadores ou até mesmo explosão de equipamentos. A Fig.
16 ilustra um exemplo de ferrorressonância provocado por um curto-circuito nos terminas
secundários do TPC. A IEC 61869-5 define a ferrorressonância através da Eq. (5) e estabelece
os limites máximos de duração e erro de tensão para caracterização da ferrorressonância estão
descritos na Tab. 8.

𝐾𝑅 𝑥 𝑈𝑆 𝑥 𝑇𝐹 − √2 𝑥 𝑈𝑃
𝜀𝐹 = (5)
√2 𝑥 𝑈𝑃
Onde:
𝜀𝐹 − Erro máximo instantâneo após a 𝑇𝐹
𝑈𝑆 − Tensão secundária (pico)
𝑈𝑃 − Tensão primária (r. m. s)
𝑇𝐹 − Duração da ferrorressonância
𝐾𝑅 − Relação de transformação
32

Tab. 8 – Requisitos para ferrorressonância IEC [14]


Duração Oscilação Erro 𝜀𝐹
Tensão Primária 𝑈𝑃
Ferrorressonância 𝑇𝐹 Após 𝑇𝐹
(r.m.s)
S %
0,8 . 𝑈𝑃 ≤ 0,5 ≤ 10
1,0 . 𝑈𝑃 ≤ 0,5 ≤ 10
1,2 . 𝑈𝑃 ≤ 0,5 ≤ 10
1,5 . 𝑈𝑃 ≤2 ≤ 10

Fig. 16 – Ferrorressonância devido a curto-circuito no secundário do TPC [3]

Análise do Fenômeno

Para entender o fenômeno de ferrorressonância, é importante primeiro entender a


ressonância linear. A ressonância ocorre em circuitos formados por elementos considerados
lineares. Um sistema é ressonante quando os valores das reatâncias capacitiva e indutiva se
33

igualam numa determinada frequência, chamada frequência ressonante (𝐹𝑅 ), descrito na Eq.
(6).
1
𝐹𝑅 = 𝐻𝑧 (6)
2𝜋√𝐿 ∗ 𝐶

No circuito da Fig. 17 a ressonância série acontece em um circuito RLC. Nesse


circuito as reatâncias indutiva (XL) e capacitiva (XC) são lineares e muito maiores que a
resistência (R). No instante em que |XL| = |XC| a corrente elétrica fica limitada apenas pela
parte resistiva do circuito como mostrado no gráfico da Fig. 18. Grandes valores de corrente
podem gerar sobretensões nos elementos que constituem o circuito, podendo inclusive exceder
o valor da fonte (V). A possibilidade de XC ser exatamente igual a XL é remota, já que os
componentes são lineares.

Fig. 17 – Circuito RLC


Fig. 18 – Corrente no circuito RLC série com a
variação da Xc

A Fig. 19 apresenta a solução para um circuito linear onde a reta VL é a tensão no


indutor, enquanto as demais mostram o comportamento das capacitâncias. Os pontos de
operação (1) e (2) podem ser modificados variando-se ω ou o valor da capacitância [16]. À
medida que o valor da capacitância aumenta, o ângulo de inclinação da reta diminui.
Consequentemente, o ponto de operação se deslocará ao longo da reta VL.
34

Fig. 19 – Solução circuito linear [16]

A ferrorressonância ocorre na presença de componentes não-lineares presentes no


circuito, como o núcleo de um transformador ou o núcleo de um reator. Diferentemente da
ressonância, a ferrorressonância pode ocorrer numa faixa ampla de frequência devido à
alteração do valor de indutância saturável.
A indutância de uma bobina depende diretamente do número de espiras e do
material ferromagnético empregado na construção do núcleo. O uso de entreferro aumenta de
maneira significativa o valor da impedância e permite que o equipamento opere com valores
maiores de corrente. No entanto, chaveamentos no sistema de transmissão podem gerar
sobretensões causando a saturação do reator, reduzindo o valor da indutância. Quando a
indutância do núcleo saturado corresponde à capacitância do circuito, tem-se um sistema
ressonante em série conhecido como ferrorressonância. O resultado é o aparecimento de
sobretensões e sobrecorrente no circuito.

Fig. 20 – Circuito ferrorressonante série [17]


35

No circuito LC da Fig. 20, a tensão no indutor depende da frequência angular (ω) e


da corrente descrita por uma função denominada de f(I), podendo ser representada pela Eq. (7).

𝑉𝐿 = 𝜔𝑓(𝐼) (7)

A tensão no capacitor é dada pela Eq. (8). O sinal negativo indica que está em anti-
fase à tensão no indutor e à corrente defasada de 90°. A tensão sobre o indutor é dada pela Eq.
(9).
𝐼
𝑉𝐶 = − (8)
𝜔𝐶

𝐼
𝑉𝐿 = 𝑉𝑆 + (9)
𝜔𝐶

A tensão sobre o indutor é formada por uma componente fixa e uma componente
variável, está sendo dependente da corrente e da frequência angular. No entanto, como o valor
de XL varia devido à presença do núcleo ferromagnético do indutor, a possibilidade de XL se
igualar a XC aumenta significativamente.
O gráfico da Fig. 21 apresenta a solução para um circuito não-linear. Nele são
elencados três pontos de intersecção entre as retas das reatâncias capacitivas e indutivas,
identificados pelos números (1), (2) e (3), lembrando que as variações das reatâncias podem
reproduzir múltiplas intersecções. O ponto de intersecção (2) é caracterizado por ser instável,
ou seja, qualquer alteração da corrente causará mudanças nas tensões da indutância e na
capacitância. As intersecções (1) e (3) são pontos de operação estáveis. Para o ponto (3), é
possível verificar que o valor de tensão na indutância e na capacitância é negativo e ultrapassa
os valores do ponto (1). Ainda com relação ao ponto (3), a tensão VC > VL, enquanto VC <
VL para o ponto (1). Para a intersecção (1), que constitui basicamente um circuito indutivo com
atraso da corrente em relação à tensão, a tensão sobre o indutor é a mesma da fonte. Caso a
tensão aumente, a reta XC se desloca para cima eliminando a intersecção (1). Isso fará com que
a tensão oscile entre os pontos (1) e (3), fazendo com que a tensão e a corrente apareçam
variando de forma aleatória e imprevisível, caracterizando um circuito ferrorressonante [17].
36

Fig. 21 – Solução gráfica para um circuito não-linear [16]

Tipos de Ferrorressonância

Existem várias respostas de estado para um determinado circuito devido à não-


linearidade do circuito. Com base em simulações numéricas, experiências e formas de onda
obtidas no sistema elétrico, a ferrorressonância pode ser classificada em quatro tipos: modo
fundamental, modo sub-harmônico, o modo quase periódico e o modo caótico.

Modo Fundamental

No modo fundamental, como representado na Fig. 22, os sinais de tensão e corrente


têm forma de onda distorcida e o mesmo período T do sistema. O espectro do sinal é
descontínuo e formado pela frequência fundamental 𝑓0 e suas harmônicas (3𝑓0 , 4𝑓0 ,....,𝑛𝑓0 ) [4].
37

Fig. 22 – Ferrorressonância modo fundamental [4]

Modo Sub-Harmônico

No modo sub-harmônico, os sinais são periódicos com período nT múltiplo da


fonte. Esse modo é conhecido como sub-harmônico ou harmônica 1/n. O espectro apresentado
contém a fundamental 𝑓0 /n, e as suas harmônicas, principalmente de ordens ímpares, onde
normalmente acontece a ferrorressonância [4]. O modo sub-harmônico é exemplificado na Fig.
23.

Fig. 23 – Ferrorressonância modo sub-harmônico [4]


38

Modo Quase-Periódico

No modo quase-periódico mostrado na Fig. 24, também conhecido como pseudo-


periódico, os sinais não são periódicos e apresentam um espectro de frequência descontínua,
cujas frequências são expressas sob a forma: 𝑛𝑓1 + 𝑚𝑓2 , onde m e n são números inteiros e
𝑓1 /𝑓2 é um número irracional.

Fig. 24 – Ferrorressonância modo quase-periódico [4]

Modo Caótico

No modo caótico, os sinais mostram um comportamento irregular e aleatório. Esse


modo tem um espectro contínuo, isto é, os sinais não são cancelados por frequência alguma [4].
O modo caótico é mostrado na Fig. 25.

Fig. 25 – Ferrorressonância modo caótico [4]


39

2.4 RESPOSTA EM FREQUÊNCIA

Como explanado anteriormente, os TPC devem reproduzir em seus terminais


secundários uma tensão reduzida e substancialmente proporcional à tensão aplicada no terminal
primário e com erro de fase próximo a zero. Porém, quando submetido a transitórios, a tensão
nos terminais secundários não é exatamente uma réplica da tensão primária devido aos
elementos armazenadores de energia que constituem o equipamento.
Para descrever o comportamento do TPC quando submetido à variação de
frequência, é realizado o ensaio de resposta em frequência ou simplesmente FRA (Frequency
Response Analyses). O Ensaio consiste na aplicação de um sinal de tensão senoidal em uma
ampla faixa de frequência conhecida no terminal de entrada 𝑈𝑝 , obtendo uma resposta no
terminal secundário 𝑈𝑠 .
O resultado do ensaio de FRA é interpretado através do ganho (Eq. 10), em decibel
(dB), e ângulo de fase, em radianos ou graus, relacionados contra a frequência aplicada. Para
um sistema ideal, espera-se um ganho unitário, que corresponde a zero dB, e deslocamento de
ângulo de fase igual a zero. Para um TPC, a resposta em frequência é contínua na frequência
para a qual foi projetado, ou seja, sob a condição de estado estacionário [18]. No entanto,
quando submetido a transientes de comutação que ocorrem no sistema, a resposta do TPC tende
a desviar do ganho de unidade e o sinal de saída não é mais uma réplica do sinal de entrada.

𝑈𝑝
𝐺𝑑𝐵 = 20 𝑥 𝑙𝑜𝑔10 ( ) (10)
𝑈𝑠

As figuras. 26 e 27 expõem os resultados do ensaio de FRA quanto ao ganho e


ângulo, respectivamente, típico de um TPC.
40

Fig. 26 – Ganho X frequência [18] Fig. 27 – Ângulo de fase X frequência [18]

2.5 MODELAGEM DOS TRANSFORMADORES DE POTENCIAL CAPACITIVO

Vários modelos de TPC têm sido propostos na literatura. Esses modelos são
aplicados na simulação de transitórios eletromagnéticos em programas para simulação. Através
da simulação computacional é possível verificar o que pode ocorrer com o TPC em regime
permanente, com modificação de suas características e também quando submetido a distúrbios
transitórios. O ATP (Alternative Transients Program) e o EMTP (Electromagnetic Transients
Program) são programas bastante utilizados para simulação digital de fenômenos transitórios
de natureza eletromagnética em sistemas elétricos de potência.
Existem duas condições importantes no sistema de potência que podem causar erros
na resposta transitória dos transformadores de potencial capacitivo: A primeira é quanto à
interrupção de tensão nos terminais do TPC provocada por faltas próximas ao equipamento.
Para essa condição a saída secundária pode não responder instantaneamente devido aos
elementos de armazenamento de energia que formam o equipamento gerando transitórios de
baixa frequência com característica não periódica. Quanto maior a capacitância do divisor
capacitivo, maior será o tempo de resposta transitória [9]. Na segunda condição, o rápido
aumento de tensão nos terminais de alta tensão do TPC pode causar saturação do núcleo
41

magnético do TPI. Como resultado, para essa condição podem ocorrer danos irreversíveis por
defeitos térmicos ou informações inconsistentes nos terminais secundários do TPC.
No desenvolvimento das expressões analíticas para a estimação de parâmetros do
modelo do TPC, o TP indutivo é representado apenas por elementos lineares, pois nas medições
de resposta em frequência, o núcleo de ferro não satura. No entanto, esses parâmetros precisam
ser levados em consideração, pois o efeito da não linearidade do núcleo é incluído nas
simulações no domínio do tempo.
Um modelo geral de TPC é mostrado na Fig. 28. Esse modelo consiste nos seguintes
elementos: reator de compensação (Rc, Lc, Cc), divisor de tensão capacitivo (C1 e C2),
transformador indutivo (Rp, Lp, Cp, Cps, Rs, Ls, Cs, Lm, Rm), circuito supressor de
ferrorressonância (Rf, Lf, Cf), circuito de proteção (gaps e dispositivos não lineares) e bobinas
de drenagem (Ld1, Ld2). Esses elementos podem influenciar consideravelmente no sinal de
saída do TPC e também em sua resposta transitória [3].

Fig. 28 – Modelo geral do TPC

Um dos modelos gerais simplificados capaz de prever o comportamento do TPC


para uma ampla faixa de frequência, de 10 Hz a 10 kHz, foi desenvolvido por Kezunovic (1992)
é mostrado na Fig. 29. A partir de experiências em laboratório, foi possível verificar a influência
dos diversos componentes que formam o equipamento na resposta transitória, permitindo a
criação de um modelo geral simplificado de TPC. Tal modelo pode ser aplicado em simulações
no domínio do tempo e frequência.
O estudo baseado na curva de resposta em frequência mostrou que os parâmetros
Cps, Rs, Ls e Cs podem ser removidos sem comprometer os resultados para frequências de 10
42

Hz a 10 kHz. Os parâmetros que compõem as capacitâncias parasitas do enrolamento primário


(Cp) e do reator de compensação influenciam nos resultados para frequências acima de 1 kHz,
enquanto as capacitâncias do divisor de tensão (C1 e C2) têm influência em frequências
menores.

Fig. 29 – Modelo proposto por Kezunovic (1992) [19]

Os parâmetros de cada componente são descritos abaixo:


Elementos da coluna capacitiva:
 Capacitâncias do divisor de tensão (C1 e C2).

Elementos do transformador de potencial indutivo:


 Capacitância parasita do enrolamento primário (Cp);
 Resistência do enrolamento primário (Rp);
 Indutância do enrolamento primário (Lp);
 Indutância e resistência do ramo de magnetização (Lm, Rm);

Elementos do reator de compensação:


 Resistência e indutância do reator de compensação (Rc, Lc);
 Capacitância parasita do reator de compensação (Cc).
43

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS (MANTENHA O NOME)

4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS (MANTENHA O NOME)

5 CONCLUSÕES (MANTENHA O NOME)

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