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UNIVERSIDADE JOAQUIM CHISSANO

CURSO DE LICENCIATURA EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE LICENCIATURA

Contributo dos Sites Oficiais do Governo como Mecanismo de Promoção do Acesso a


Informação e Boa Governação: Caso do Ministério da Saúde (2017-2019)

Docente: Dra. Bernadete Gomana

Discentes: Luisa Macamo

Maputo, Junho de 2020


Lista de Siglas e Abreviaturas

CRM – Constituição da Republica de Moçambique

TICs – Tecnologias de Informação e Comunicação

PI – Politica de Informática

FMI – Fundo Monetário Internacional

i
Lista de Gráficos e Tabelas

Lista de Gráficos

Gráfico 1. Frequência de acesso ao Site do MISAU ........................................................................... 15

Gráfico 2. Contributo dos Sites Oficiais do Governo como mecanismo de acesso a informação
e Boa Governação ............................................................................................................................... 16

Lista de Tabelas

Tabela 1: Perfil da amostra de acordo com o sexo, idade e Distrito Municipal .................................. 13

Tabela 2. Avaliação do estado de acesso à informação no período entre 2017 a 2019 ...................... 14

ii
Índice
Lista de Siglas e Abreviaturas ........................................................................................................i
Lista de Gráficos e Tabelas .......................................................................................................... ii
Lista de Tabelas ............................................................................................................................ ii
CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO ................................................................................................. 1
1.1. Delimitação Espácio-Temporal .......................................................................................... 1
1.2. Contexto.............................................................................................................................. 1
1.3. Problematização.................................................................................................................. 2
1.4. Objectivos da Pesquisa ....................................................................................................... 3
1.4.1. Objectivo Geral................................................................................................................ 3
1.4.2. Objectivos Específicos .................................................................................................... 3
1.5. Questões de Pesquisas ........................................................................................................ 3
1.6. Hipóteses ............................................................................................................................ 3
1.7. Metodologia do Trabalho ................................................................................................... 3
1.7.1. Caracterização da Pesquisa .......................................................................................... 4
1.7.2. Técnica de Colecta de Dados ....................................................................................... 5
1.7.3. Processo de Amostragem ............................................................................................. 6
1.8. Estrutura do Trabalho ......................................................................................................... 6
CAPÍTULO 2: REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................ 7
2.1. Abordagem histórica do Direito à Informação em Moçambique ....................................... 7
2.1.1. Categoria de informação regulada pela Lei ................................................................. 8
2.2. Abordagem do Governo Electrónico e dos Portais Electrónicos do Governo ................... 9
2.2.1. Boa Governação e o E-Governance ........................................................................... 10
CAPÍTULO 3: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS
RESULTADOS DA PESQUISA NO CAMPO ....................................................................... 13
4.1. Descrição do Ministério da Saúde .................................................................................... 13
4.2. Características da Amostra ............................................................................................... 13
4.3. Apresentação e Interpretação dos Resultados .................................................................. 14
4.3.1. Resultados da Entrevista e dos inquéritos .................................................................. 14
Conclusão .................................................................................................................................... 17
Recomendações ........................................................................................................................... 17
Referencia Bibliográficas ............................................................................................................ 18
APÊNDICES E ANEXOS ....................................................................................................... 20

iii
CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO

1.1. Delimitação Espácio-Temporal

O horizonte temporal definido para a pesquisa compreende o período que vai de 2017-2019 e teve
como espaço de estudo o Ministério da Saúde (MISAU).

A escolha do MISAU deveu-se a diferentes factores, onde se pode destacar a conveniência


geográfica e financeira, pois aos pesquisadores residem na Cidade de Maputo, assim o seu
deslocamento para o local de estudo esteve facilitado, bem como, permitiu racionalizar recursos
financeiros para deslocar-se ao local do estudo. Por outro lado, observa-se no mundo inteiro o
fenómeno da pandemia do COVID-19, um vírus que já fez milhões de óbitos e o MISAU sendo um
expoente na aplicação da Politica de Saúde nos domínios públicos e privados, cabe a este órgão
garantir a plena divulgação e ou informação da evolução da pandemia no nosso país, para tal os
portais electrónicos e a mídia em geral assumem um papel chave.

E a escolha do intervalo compreendido entre 2017 e 2019, considera-se viável por se enquadrar no
período de vigência do Programa Quinquenal do Governo (2015 – 2019). O Programa constitui o
compromisso do Governo em focalizar a sua acção na busca de soluções aos desafios e obstáculos
que entravam o desenvolvimento económico e social do País e para garantir o alcance dos objectivos
central e estratégicos do presente Programa do Governo, as intervenções em cada prioridade são
alicerçadas nos resultados da acção de três pilares de suporte, sendo o primeiro e principal para a
abordagem do presente trabalho, o de consolidar o Estado de Direito Democrático, Boa Governação
e Descentralização.

1.2. Contexto

O mundo moderno está profundamente dominado pelas Tecnologias de Informação e Comunicação


(TICs), uma sociedade de conhecimento em que os Governos procuram maximizar a prestação de
serviços públicos de qualidade utilizando as tecnologias de informação e comunicação para
responder à demanda dos cidadãos e atingir os seus objectivos de boa governação (Júlio, 2016).

Por outro lado, os Governos procuram disponibilizar, através dos Portais Electrónicos, informação
relevante dos serviços públicos. Nota-se a importância que as tecnologias de informação e
comunicação representam hoje para os indivíduos, organizações, instituições, negócios, sobretudo
para o desenvolvimento, rumo à satisfação dos objectivos do Milénio. Moçambique está integrado
nessa sociedade Global de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), na qual o
conhecimento circula com uma rapidez jamais vista na história da humanidade, afectando todos os
aspectos da vida dos moçambicanos, das actividades política, económica e sociocultural. Para que as
TICs desempenhem a sua função catalisadora, no quadro dos esforços nacionais, com o objectivo de

1
erradicar a pobreza absoluta e de melhoria das condições de vida dos moçambicanos formulou-se
instrumentos reguladores que servissem de orientadores para migração de uma cultura analógica para
a digital.

Neste contexto, o Governo de Moçambique aprovou, através da Resolução nº 28/2000, de 12 de


Dezembro, a Política de Informática (PI), com o objectivo de incluir Moçambique no mundo das
tecnologias de informação e comunicação, que têm na Internet o seu expoente mais alto.

Posteriormente, em Novembro de 2014 a Assembleia da República (AR) aprovou por consenso a Lei
do Direito à Informação, (LEDI) (Lei nº 34/2014, de 31 de Dezembro) com objectivo de tornar os
processos decisórios e os arquivos de informação de interesse público, colectada e processada pela
Administração Pública e outras entidades relevantes, incluindo de direito privado mais acessível aos
cidadãos, como forma de permitir-lhes plena participação no debate democrático sobre assuntos
públicos.

Em suma, o presente trabalho de pesquisa tem como enquadramento contextual a aprovação da


Politica de Informática e a Lei do Direito a Informação em um ambiente em que se observa o
desenvolvimento das TICs no mundo inteiro.

1.3. Problematização

“As TICs sobretudo da Internet, são hoje parte essencial das estratégias de modernização da
Administração pública” (Carapeto e Fonseca, 2009:52). Não obstante a governação electrónica (e-
gov) não seja um modelo de administração pública (AP) per si, é tido como um importante motor
que impulsiona as diferentes iniciativas de modernização, porquanto se considera que tem um
potencial elevado para transformar as relações “cidadão-Governo”, “Governo-Governo” e “Governo-
sector privado”, tornando-as mais fáceis, mais rápidas e mais baratas (Pollitt e Bouckaert, 2011:7)1.

No caso de Moçambique, a implementação da Estratégia do Governo Electrónico visou melhorar a


eficiência e eficácia na prestação de serviços públicos e Gestão de Finanças Públicas, assegurar a
transparência e prestação de contas (responsabilidade) por parte do Governo e dar acesso a
informação para facilitar as actividades do sector privado e simplificar a vida do cidadão. Esta acção
veio flexibilizar a execução dos serviços, dando uma resposta ao cidadão em menos tempo que antes
da sua implementação. Observa-se também a disponibilização de informação em online nos portais
ou sites do Governo.

Deste modo, perante o exposto a questão que se coloca é: Até que ponto os Sites Oficiais do
Governo contribuem para a promoção do Direito à Informação e Boa Governação?

1
Pollitt, Christopher e Bouckaert, Geert (2011), Public Management Reform: A comparative analysis-New Public
Management, governance, and the Neo-Weberian state, Oxford University Press Quatrebarbes,
2
1.4. Objectivos da Pesquisa
1.4.1. Objectivo Geral
Analisar o contributo dos sites oficiais do Governo como mecanismo de promoção do acesso à
informação e da Boa Governação.

1.4.2. Objectivos Específicos


 Identificar as plataformas tecnológicas existentes para melhoria da gestão de informação a
nível do MISAU;
 Identificar a estado de funcionalidade do Sites Oficiais do Governo moçambicano;
 Avaliar o contributo dos Sites Oficiais para o acesso a informação ao nível do MISAU;

1.5. Questões de Pesquisas


 Será que as plataformas tecnológicas existentes no MISAU permitem a melhoria da gestão de
informação?
 Em que estado de funcionalidade se encontram os Sites Oficiais do Governo moçambicano?
 Qual será o contributo dos Sites Oficiais para o acesso a informação ao nível do MISAU?

1.6. Hipóteses
Trujillo (1974)2 citado por Lakatos e Marconi (2009:136), define hipótese como sendo “uma
proposição antecipada à comprovação de uma realidade existencial. É uma espécie de pressuposição
que antecede a constatação dos factos”. Deste modo avançou-se as seguintes hipóteses:

 Os Sites Oficiais do Governo denotam uma importante ferramenta da evolução das TICS,
pois permitem a divulgação de informação e promoção da Boa Governação como resultado
do exercício de transparência e prestação de contas.

 Os Sites Oficiais do Governo não denotam um instrumento adequado a realidade do nosso


país devido a elevada iliteracia digital existente em grande parte da população moçambicana,
faco que não contribui para o acesso a informação e promoção a Boa Governação.

1.7. Metodologia do Trabalho

Demo (1985)3 citado por Guambe (2011:23), considera que a metodologia trata das formas de se
fazer ciência; Cuida dos procedimentos, das ferramentas e de caminhos para se atingir a realidade
teórica e prática, pois essa é a finalidade da ciência. Para materialização da presente pesquisa,
cumpriu-se os seguintes caminhos metodológicos:

2
Trujillo, Ferrari Afonso (1974) Metodologia da Ciência, 2 e 3ª ed., Kennedy, Rio de Janeiro;
3
Demo, P. (1985), Introdução a metodologia da ciência, 2ª Edição, Atlas: São Paulo.
3
1.7.1. Caracterização da Pesquisa

Os caminhos metodológicos definidos para a materialização da presente pesquisa têm as seguintes


características:

Quanto à natureza, a pesquisa é básica. Segundo Meneses e Silva (2001:32) a Pesquisa Básica
objectiva gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista.
Envolve verdades e interesses universais.

Quanto aos objectivos, a pesquisa teve um enfoque descritivo, pois pretendeu apresentar as
características demográficas dos residentes da cidade de Maputo distribuídos em diferentes distritos
municipais. Na perspectiva de Gil (1999:43), ela visa descrever as características de determinada
população ou fenómeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis, envolve o uso de técnicas
padronizadas de colecta de dados: questionário e observação sistemática. Assume, em geral a forma
de levantamento bibliográfico.

Por outro lado, teve um enfoque explicativo que, segundo Gil, (1991), este tipo de pesquisa visa
identificar os factores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenómenos. Aprofunda o
conhecimento da realidade porque explica a razão, o “porquê” das coisas. Este tipo de pesquisa
mostrou-se útil na medida em que facultou o entendimento e posterior explicação do contributo dos
Sites Oficiais do Governo como instrumento de maximização do acesso a informação e promoção da
Boa Governação.

A abordagem do tema teve um carácter qualitativo que, para Malhotra (2001)4 citado por Guambe
(2011:73) é uma metodologia não-estruturada, de carácter exploratório, que se baseia em pequenas
amostras e permite melhor compreensão do contexto do problema. De forma geral, ela representa
uma tentativa de conhecer com maior profundidade um problema ou fenómeno, buscando descrever-
lhe as características e definindo-o melhor perante os olhos do pesquisador.

Quanto aos métodos de procedimento a pesquisa optou-se pelo monográfico e hipotético- dedutivo.

Segundo Marconi e Lakatos (2000:92), o método monográfico consiste no estudo de determinados


indivíduos, profissões, instituições, grupos ou comunidades, com finalidade de obter generalizações.
Segundo os autores o método monográfico parte do princípio de que qualquer caso que se estude em
profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros ou até de todos os casos
semelhantes. Assim, para melhor entendimento do objecto em estudo a pesquisadora deslocou-se ao
MISAU para poder colher opiniões e poder confrontar as hipóteses previamente definidas para
entendimento da questão de partida.

4
Malhotra, N. K. (2001). Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. 3. ed. Porto Alegre: Bookman.
4
E o método Hipotético-dedutivo, segundo Marconi e Lakatos (2007: 106), é aquele que se inicia pela
percepção de uma lacuna no conhecimento a cerca da qual se formula hipóteses. A partir do
problema identificado, foram formuladas respostas hipotéticas e posteriormente testadas
empiricamente por meio da dedução. Para testar as hipóteses tornou-se imprescindível fazer um
estudo profundo sobre o objecto em análise. Assim, para presente pesquisa a aplicação deste método
permitiu avançar hipóteses ou seja, respostas antecipadas para o problema levantado e
posteriormente valida-las ou refutá-las.

1.7.2. Técnica de Colecta de Dados

Os procedimentos técnicos para a colecta de dados no presente estudo são:

a) Pesquisa bibliográfica

Segundo Chizzotti (2006:32) “A pesquisa bibliográfica é feita a partir do levantamento de referências


teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e electrónicos, como livros, artigos científicos
e de material disponibilizado na Internet”. Para este autor qualquer trabalho científico inicia-se com
uma pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador conhecer o que já se estudou sobre o assunto.
Assim, a adopção da técnica bibliográfica permitiu obter informações em do nosso objecto de estudo.

b) Pesquisa Documental

Segundo Gil (1991:67) a pesquisa documental trilha os mesmos caminhos da pesquisa bibliográfica,
não sendo fácil por vezes distingui-las. A pesquisa bibliográfica utiliza fontes constituídas por
material já elaborado, constituído basicamente por livros e artigos científicos localizados em
bibliotecas. Assim, com a aplicação da pesquisa documental foi possível obter informações dos
planos, estratégias definidas e publicadas através de leis e decretos relativos a motivação, avaliação e
promoção de Recursos Humanos no Estado.

c) Questionário

De acordo com Vieira (2009:99), o questionário constitui um instrumento de colecta de dados,


especificamente elaborados com o objectivo de obter respostas para questões que são importantes
para o desenvolvimento das pesquisas. Esta técnica foi útil para o estudo na medida em que
possibilitou conhecimento da opinião dos residentes dos da Cidade de Maputo em torno da
relevância dos Sites Oficiais do Governo para a Boa Governação e acesso a informação.

d) Entrevista

A entrevista é uma forma de diálogo, em que uma das partes busca colectar dados e a outra se
apresenta como fonte de informação (Gil, 2008:109). A entrevista permitiu a colecta de informações
importantes por parte dos funcionários do MISAU. Contudo, para melhor liberdade do diálogo a

5
entrevista caracterizou-se por ser semi-estruturada, neste caso, os pesquisadores prepararam uma lista
padronizada de perguntas, mas acrescentou, em cada pergunta colocada, perguntas adicionais que
porventura permutaram maior alcance dos objectivos, de acordo com os comentários e as respostas
dos entrevistados, dando maior liberdade e flexibilidade para a pesquisadora (May, 2004).

1.7.3. Processo de Amostragem

Segundo Meneses e Silva (2001:32) população (ou universo da pesquisa) “é a totalidade de


indivíduos que possuem as mesmas características definidas para um determinado estudo”. Assim, a
população do presente estudo foi constituída por dois grupos: O primeiro de 1490 funcionários
afectos ao MISAU e 1 120 8675 cidadãos residentes da Cidade de Maputo.

E a Amostra representa um segmento da população em estudo, recolhida com os objectivos de se


estimarem certas características da população em estudo (Gil, 1995:92). Diante disso, a amostra
obtida foi de 45 cidadãos, sendo de destacar que foi abordado telefonicamente 1 funcionário do
MISAU e 44 por meio do inquérito distribuído entre as redes sociais (Whastupp e FaceBook).

O critério de amostragem usado foi por acessibilidade, pois, este critério é o menos rigoroso de todos
os tipos de amostragem. Por isso mesmo, é destituído de qualquer rigor estatístico. Deste modo, os
pesquisadores seleccionaram os elementos a que tem acesso, admitindo que em função da posição ou
que possuem merecem, de alguma forma, representar o universo (Severino, 2000)

1.8. Estrutura do Trabalho


No primeiro capítulo apresenta-se a delimitação temporal e espacial, a contextualização,
problematização, os objectivos, as questões de pesquisa, as hipóteses, a metodologia e a estrutura do
trabalho.

O segundo capítulo é especialmente dedicado à revisão da literatura ou bibliográfica, centrada na


abordagem de diferentes autores que abordam sobre o Governo Electrónico, Boa Governação e
Direito à Informação.

Por último, encontra-se o capítulo 3, relativo à apresentação, análise e interpretação dos dados. Este
compreende, especificamente, a caracterização do objecto de estudo e a apresentação, análise e
interpretação dos dados empíricos obtidos no “trabalho de campo e a verificação das hipóteses do
trabalho”. De referir que este capítulo antecede a conclusão do trabalho, as recomendações,
referências bibliográficas e apêndices.

5
Dados obtidos do Censo Populacional 2017 (http://www.ine.gov.mz/iv-rgph-2017/mocambique/censo-2017-brochura-
dos-resultados-definitivos-do-iv-rgph-nacional.pdf/view. Consultado em 14 de Maio de 2020).
6
CAPÍTULO 2: REVISÃO DA LITERATURA

A revisão da literatura é parte essencial num trabalho científico, pois é a partir dela, ou seja, da
confrontação de vários pontos de vista dos autores que escreveram sobre a área em que o pesquisador
esteja a analisar, que se obtêm uma ideia sobre o tema que se pretende estudar para melhor se
posicionar. Assim, este capítulo vai rever algumas obras, enquadrando as variáveis, Sites Oficiais do
Governo, Governo Electrónico, Tecnologias de Informação e Comunicação, Direito a Informação e
Boa Governação.

2.1. Abordagem histórica do Direito à Informação em Moçambique


A primeira Constituição de Moçambique entrou em vigor em simultâneo com a proclamação da
independência nacional em 25 de Junho de 1975. Nesta altura, a competência para proceder a revisão
constitucional fora atribuída ao Comité Central da Frelimo até a criação da Assembleia com poderes
constituintes, que ocorreu em 1978 (Sal & Caldeira, Lda (S.d).

A constituição de 19756, tendo como um dos objectivos fundamentais “a eliminação das estruturas de
opressão e exploração coloniais... e a luta contínua contra o colonialismo e o imperialismo” 2 , foi
instalado na República Popular de Moçambique (RPM) o regime político socialista. Esta
Constituição sofreu seis alterações pontuais, designadamente: em 19767, em 19778, em 19789, em
198210, em 198411e em 198612. Destas, merece algum realce a alteração de 1978 que incidiu
maioritariamente sobre os órgãos do Estado (sua organização, competências, entre outros) (Ibid.).

Porém, nestas revisões não se faziam destaque a relevância dos direitos e garantias fundamentais dos
cidadãos, tal que, a revisão constitucional ocorrida em 1990 trouxe alterações muito profundas em
praticamente todos os campos da vida do País. No que refere aos direitos e garantias individuais estes
foram reforçados, aumentando o seu âmbito e mecanismos de responsabilização.

Assim, no capítulo II dos “direitos, deveres e liberdades”, encontramos o artigo 48 que aborda sobre
as “liberdades de expressão e informação”. Não só, o Direito à Informação é aprovado pela Lei n.º
34/2014, de 31 de Dezembro e regulamentado pelo Decreto n.º/2015, de 31 de Dezembro. E
reforçado pelo artigo 48 da Lei n.º 1/2018, de 12 de Junho que aprova a Revisão Pontual da
Constituição da República de Moçambique.

6
Publicada no BR n.º1, I Série, Quarta-feira, 25.06.1975.
7
8ª Reunião do Comité Central da Frelimo, publicada no BR n.º42, I Série, Sábado, 10.04.1976.
8
2ª Sessão do Comité Central da Frelimo, publicada no BR n.º100, I Série, Terça-feira, 30.08.1977.
9
Lei n.º11/78 de 15 de Agosto, publicada no BR n.º97, I Série, Terça-feira, 15.08.1978.
10
Resolução n.º11/82 de 01 de Setembro, publicada no BR n.º34, I Série, Suplemento de Quarta-feira, 01.09.1982.
11
Lei n.º1/84 de 27 de Abril, publicada no BR n.º17, I Série, Suplemento de Sexta-feira, 27.04.1984.
12
Lei n.º4/86 de 25 de Julho, publicada no BR n.º30, I Série, 2ºSuplemento, Sábado, 26.07.1986.
7
De acordo com Mário (S.d) a expressão “Direito à Informação” refere-se ao direito do público, de
aceder à informação colectada, processada e arquivada por entidades públicas ou entidades privadas
cuja actividade produz impacto na vida da sociedade. O direito à informação corresponde a uma
norma internacional de direitos humanos, preconizada em instrumentos relevantes, como a
Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e a
Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos.

O conceito de direito à informação integra duas vertentes intrinsecamente ligadas: por um lado, ele
refere-se a um conjunto de garantias legais, consagradas em lei específica, (distinta de uma Lei de
imprensa); e, por outro, um conjunto de garantias institucionais, que o Estado deve assegurar aos
seus cidadãos. Significa, na primeira vertente, a obrigação do Estado, de reconhecer uma
prerrogativa dos cidadãos e, na segunda, a obrigação de provimento, por parte das entidades a que a
Lei vincula, de meios e condições para a plena efectivação desse acesso (Ibid.).

Em geral, não basta a existência de uma Lei proclamando a faculdade dos cidadãos procurarem e
receberem informação oficial; é imperioso que o Estado e as entidades privadas vinculadas pela Lei
garantam as necessárias condições institucionais - organizativas, técnicas, financeiras e humanas -
tais que permitam que os pedidos de informação dos cidadãos sejam acolhidos e satisfeitos, em
tempo útil e a custos comportáveis para a capacidade financeira do cidadão comum. É este, na
doutrina, o conteúdo real da expressão “direito à informação”.

2.1.1. Categoria de informação regulada pela Lei

De acordo com Mario (S.d), a informação regulada pela Lei do Direito à Informação é aquela
revestida de interesse público, isto é, ela deve ser relevante para a vida colectiva de um modo geral,
ou necessária para que o cidadão requerente possa exercer ou proteger algum direito legítimo,
incluindo o direito ao mero conhecimento de um facto ou acontecimento¹. O direito à informação não
cobre, por conseguinte, assuntos sem qualquer relevância para a vida pública, isto é, assuntos ou
factos de domínio particular ou privado, como iremos ver, mais adiante.

Contudo, existem ainda outras categorias de informação não abrangidas pela Lei, como o segredo de
estado, o segredo de justiça, etc., na parte do glossário, a Lei clarifica o seguinte:

Informação designa conhecimento, estatística, relatórios e várias formas e modos de expressão que são
registados ou codificados, incluindo livros, fitas magnéticas, videogramas e digitação electrónica; inclui
todos os registos mantidos por um organismo público ou privado definido na presente Lei,
independentemente da forma como ela é arquivada em documentos, fita, gravação electrónica e outras
formas legalmente permitidas, da sua fonte pública ou privada, e a data da sua publicação (Lei n.º
34/2014, de 31 de Dezembro).

8
2.2. Abordagem do Governo Electrónico e dos Portais Electrónicos do Governo

As TICs têm-se expandido pelo sector governamental por meio do que se chama e-gov ou Governo
Electrónico, representado pela informatização de suas actividades internas e pela comunicação com o
público externo: cidadãos, fornecedores, empresas, ou outros sectores do Governo e da sociedade.
Uma forma central dessa informatização tem sido a construção de portais governamentais, por
intermédio dos quais os Governos mostram sua identidade, seus propósitos, suas realizações,
possibilitam a concentração e disponibilização de serviços e informações, o que facilita a realização
de negócios e o acesso à identificação das necessidades dos cidadãos (Pinho, 2008).

Não se esgotam nesses elementos, no entanto, os objectivos dos Governos electrónicos, também
incluindo outros referentes ao aumento da transparência e participação da sociedade nas acções
governamentais. Esse corpo de objectivos está fundamentado nas características intrínsecas que as
novas TICs possuem, que permitem e aceleram a comunicação e a interacção entre sociedade e
Governo. Isso é o que a tecnologia promete e pode cumprir (Ibid.).

O Programa da Reforma do Sector público fase II (2006-2011)13 define o Governo Electrónico, como
sendo a contínua optimização da prestação de serviços públicos, da participação dos cidadãos na
governação através da transformação das relações internas e externas com recurso à tecnologia,
Internet e novos media.

Mateus (2008) comenta que, as TIC’s podem ajudar a Administração Pública a superar diversos
desafios, embora, a ênfase não deva ser dada a estas, mas antes, à sua utilização combinada com
mudanças organizacionais e à aquisição de novas competências, que melhorem os serviços públicos,
os processos democráticos e as políticas públicas.

Segundo o autor, a implementação do Governo Electrónico é, assim, vista como uma medida
importante para promover a cidadania, impulsionar a mudança das organizações públicas, disseminar
a tecnologia (para que esta contribua para o desenvolvimento do país), fomentar a integração de
sistemas e processos e promover a inclusão digital.

Por sua vez, Awortwi (2006) citando Awortwi e Sitoe (2006)14 discute o conceito do Governo
Electrónico que, no seu entender envolve todas as actividades que têm a ver com o uso das
Tecnologias de Informação e Comunicação no sector público, cuja inovação chave é a rede de
computadores. O conceito de Governo Electrónico é também trazido pelo Relatório das Nações

13
A Estratégia Global da Reforma do Sector Público (EGRSP) foi oficialmente lançada pelo Governo a 25 de Junho de
2001, como corolário das reformas políticas, económicas e sociais iniciadas em 1975, com a criação do Estado
Moçambicano, tendo duas fases: A primeira de 2001-2004 e a segunda de 2004-2011 (CIRESP, 2001).
14
Awortwi, Nicholas e Sitoe, Eduardo (2006). African perspectives on new public management: Implications for human
resource training. Maastricht: Shaker Publishing.

9
Unidas (2003) sobre o Sector Público e coloca o "e" antes da palavra "Governo" em reconhecimento
de que, uma administração pública está no processo de transformação das suas relações internas e
externas com o uso de modernas tecnologias de informação e comunicação.

Contudo, a definição que coloca Governo Electrónico como sendo a contínua optimização da
prestação de serviços públicos, da participação dos cidadãos na governação através da transformação
das relações internas e externas com recurso à tecnologia, Internet e novos média é a que melhor se
identifica com o objecto em análise e será levada em consideração.

Dado o avanço da tecnologia, entendemos que o Governo electrónico não deve ser visto apenas por
meio da disponibilização de serviços online mas, também, pela vasta gama de possibilidades de
interacção e participação entre Governo e sociedade e pelo compromisso de transparência por parte
dos Governos. Em outras palavras, as TICs contêm um enorme potencial democrático, desde que
haja definição política no sentido da participação popular e da transparência, pois o Governo pode
deixar de oferecer o que não quer mostrar, para nem mencionar o que quer esconder.

2.2.1. Boa Governação e o E-Governance

O Governo é, por natureza, uma organização de informação intensiva e, informação é poder mas a
sua gestão pode ser uma questão política. O uso das TICs através de Internet e do comércio
electrónico, está redefinindo as relações entre os vários intervenientes no processo de governação. A
governação electrónica é uma tendência emergente de “reinventar” a forma como o Governo
funciona. O seu foco continua sendo a melhoria dos mecanismos de prestação de serviços, aumento
da eficiência da produção e ênfase sobre o acesso mais amplo de informações (Seifert, 200315 citado
por Júlio, 2016).

Embora o termo “e-Governance” tenha ganho maior aceitação nos últimos anos, não há uma
definição padrão atribuída, mas diferentes Governos e organizações definem-no para servir aos seus
próprios fins e objectivos. Existe também casos em que o termo “e-government” é usado no lugar de
“e-Governance” para significar a mesma coisa. No contexto de conceitos apresentamos a seguir,
algumas definições dadas ao termo e-governance por vários autores e/ou instituições:

Segundo a UNESCO (2007):


O E-Governance pode ser entendido como o desempenho da governação através do meio electrónico, a
fim de facilitar um processo eficiente, célere e transparente de divulgação de informações ao público, e
de outras agências, e para a realização de actividades de administração do Governo.

15
Seifert, Jeffrey. (2003). A primer on e-Government: sectors, stages, opportunities,and challenger of online
governance. Report for Congress, New York.
10
Na perspectiva do Banco Mundial (2012):

E-Governance refere-se à utilização por órgãos governamentais de Tecnologias de Informação (como


Wide Area Networks, a Internet, e computação móvel), que têm a capacidade de transformar as
relações com os cidadãos, empresas e outros ramos do Governo. Essas tecnologias podem servir uma
variedade de diferentes fins: uma melhor prestação de serviços do Governo para cidadãos, melhores
interacções com empresas e indústrias, empoderamento dos cidadãos por meio do acesso à informação,
ou a gestão do Governo mais eficiente. Os benefícios resultantes podem ser menos corrupção, maior
transparência, maior comodidade, o crescimento da receita, e/ou redução de custos.
Esta e as outras abordagens são aplicáveis a qualquer instituição, tendo em conta que todas
instituições têm um serviço para prestar, algo a vender e é do seu interesse melhorar a forma como
esses serviços são prestados permitindo melhores interacções com os seus clientes e todos os outros
stakeholders16, criando condições de empoderamento dos cidadãos/estudantes por meio do acesso à
informação e serviços mais eficientes. Obviamente que esta interacção resulta de vários benefícios
mútuos.

Com a crescente sensibilização dos cidadãos sobre os seus direitos e consequente aumento das
expectativas do Governo para executar e entregar, todo o paradigma de Governo muda no sentido de
uma maior transparência nas suas relações, responsabilidade pelas suas actividades e rapidez nas
suas respostas. Isso faz com que o uso das TICs seja um imperativo em qualquer agenda traçada no
sentido de alcançar uma boa governação (Júlio, 2016).

Nisto, os termos Governação e Boa Governação têm sido cada vez mais citados na literatura sobre o
desenvolvimento. A Governação descreve o processo de tomada de decisões e o processo através do
qual as decisões são ou não implementadas. Nestes termos, as instituições públicas conduzem os
assuntos públicos, gerem os recursos públicos, e garantem a realização dos direitos humanos. A Boa
Governação materializa esse fim de uma forma essencialmente livre do abuso de poder e da
corrupção, obedecendo devidamente as normas de direito estabelecidas (CIP, 2008).

Portanto, a Boa Governação define um ideal difícil de ser alcançado na sua totalidade. Todavia, para
assegurar o desenvolvimento humano sustentável, devem ser realizadas acções em prol de tal ideal.
A maioria dos doadores e instituições financeiras internacionais, tais como o Fundo Monetário
Internacional (FMI) ou o Banco Mundial (WB), tem estado cada vez mais a basear o seu apoio e
Créditos sob a condição de serem implementadas reformas com vista a Boa Governação.

O FMI (1996) citado por Macuane (2006) declarou que a promoção da boa governação em todos os
seus aspectos, inclusive assegurando o Estado de Direito, melhorando a eficiência e prestação de
contas do sector público, e combate à corrupção, são elementos essenciais para a prosperidade das

16
O stakeholder é qualquer indivíduo ou organização que, de alguma forma, é impactado pelas acções de uma
determinada empresa. Em uma tradução livre para o português, o termo significa parte interessada
(https://rockcontent.com/blog/stakeholder/ consultado em 13 de Maio de 2020).
11
economias e que a corrupção dentro das economias é causada pela governação ineficaz da economia,
que se manifesta numa demasiada ou pouca regulamentação.

Os grandes elementos da Boa Governação são portanto, a responsabilidade, a transparência, a


eficiência, a participação a previsibilidade, e os direitos humanos, que incluem o direito de acesso a
informação em qualquer formato. A Boa governação implica:

 Processos de decisão claros a nível das autoridades públicas;


 Instituições transparentes, responsabilizáveis, eficazes e democráticas;
 Primado do Direito na gestão e na distribuição dos recursos;
 Diálogo aberto com os intervenientes sociais e económicos e outras organizações da
sociedade civil;
 Elaboração e aplicação de medidas para combater a corrupção, promover a segurança do
Estado e das pessoas assim como o comprimento dos direitos humanos;
 Colaboração efectiva entre os sectores públicos e privados.

Em termos de importância do Governo Electrónico, ele pode transformar o atendimento ao cidadão,


proporcionar o acesso rápido à informação para capacitar os cidadãos, permitir a sua participação no
Governo e melhorar oportunidades económicas e sociais dos cidadãos, de modo que eles possam ter
uma vida melhor, para si e para as gerações vindouras.

12
CAPÍTULO 3: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
DA PESQUISA NO CAMPO

Este capítulo é reservado a uma breve descrição do local do estudo, apresentação, análise e
interpretação dos dados obtidos durante a pesquisa realizada na Direcção Nacional de Saúde Pública
do Ministério da Saúde e teve como base os objectivos específicos definidos no presente trabalho.

4.1. Descrição do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde (MISAU), está localizada no município de Maputo, no Distrito de


KaMpfumu, entre as avenidas Eduardo Mondlane e Salvador Allende nº 1008, e foi instituído pelo
Decreto n.º 1/75, de 27 de Julho com o objectivo de organizar um Sistema Nacional de Saúde que
beneficie a todos os cidadãos nacionais, papel principal do Estado Moçambicano.

Foram determinados os objectivos, atribuições e competências do MISAU através do Diploma


Presidencial n.º 11/95, de 29 de Dezembro. Esta lei estabelece que este Ministério é o órgão central
do Aparelho do Estado que, de acordo com os princípios, objectivos e tarefas definidas pelo Governo
e responsável pela aplicação da Politica de Saúde nos domínios públicos e privados (Portal do
MISAU, 202017).

De referir que no âmbito da implementação das Reformas da Administração Pública em curso no


país, o MISAU também não constitui uma excepção, estando a decorrer o processo da revisão do seu
Estatuto Orgânico desde o ano de 2007. Assim, por Despacho Ministerial foi extinta a Direcção
Nacional de Saúde, e repartida em duas Direcções Nacionais: sendo a Direcção Nacional de Saúde
Pública e a Direcção Nacional de Assistência Médica (Ibid.).

4.2. Características da Amostra

A população amostral integrante do presente estudo foi composto por 45 elementos sendo 1
funcionário do MISAU e 44 cidadãos residentes na Cidade de Maputo correspondendo ao perfil
demográfico abaixo descrito:

Tabela 1: Perfil da amostra de acordo com o sexo, idade e Distrito Municipal


Sexo Idade Distrito Municipal
Masculino Feminino De 18-25De 26-35 De 36-45 De 46-55 KaMpfumo KaMubukwa
anos anos anos anos na
29 16 13 20 6 6 26 19
Total: 45 Total: 45 Total: 45
Fonte: Dados da Pesquisa realizada na Direcção de Saúde Pública do MISAU (2020)

17
Portal do MISAU (2020). Disponível em: www.misau.gov.mz. Consultado em 14 de Maio de 2020.
13
Deste modo, a partir da tabela 1 pode-se constatar que o estudo foi composto maioritariamente por
homens e grande parte deles são jovens idades compreendidas entre os 18 aos 35 anos de idade,
residentes no distrito municipal de Kampfumo.

4.3. Apresentação e Interpretação dos Resultados

Nesta fase, são apresentados e interpretados os resultados obtidos com o estudo realizado a nível do
MISAU, com a intenção de perceber até que ponto os sites oficiais do Governo constituem um
mecanismo de promoção do acesso a informação e boa governação.

4.3.1. Resultados da Entrevista e dos inquéritos

Apresentamos, a seguir, a tabela que ilustra, em termos percentuais, as opiniões dos nossos
inquiridos relativamente à avaliação do estado de acesso à informação no período entre 2017 a 2019
(ver apêndice 1).

Tabela 2. Avaliação do estado de acesso à informação no período entre 2017 a 2019


Frequência Frequência Frequência Acomulda
Variável
Absoluta Relativa (%) (%)
Bom 31 70,5 70,5
Razoável 13 29,5 100,0
Total 44 100,0
Fonte: Dados da Pesquisa (2020)

Como se pode observar da tabela 1, a maioria equivalente a 70,5% dos residentes da Cidade de
Maputo, afirma que o estado de acesso à informação no período entre 2017 a 2019 é “Bom”. Pelo
que, pode-se perceber que o acesso à informação já não constitui privilégio de uma minoria, sendo
assim, um indicador de Boa Governação conforme discutido na revisão da literatura concretamente
no subtítulo referente a “Boa Governação e E-Governance.

Por sua vez, o Sr. A (2020)18 referiu que o sector o acesso a informação é crucial para todas esferas
da sociedade e constitui um desafio para os Governos dos países em via de desenvolvimento. Facto
que fez com que o Governo abraçasse às soluções tecnológicas para permitir a maximização do
acesso a informação por meio da Internet. Porém, nos países em desenvolvimento, a falta de uma
infra-estrutura de telecomunicação continua a ser um factor crítico de fracasso no processo para
minimizar a exclusão digital, apesar do crescimento do uso das TICs.

A esse propósito, Aun (2001) enfatiza que o acesso à informação através do e-Gov dependeria de
dois factores importantes:

18
Sr. A (2020). Técnico de Comunicação afecto a Direcção Nacional de Saúde Pública. Entrevistado telefonicamente
em: 20 de Maio de 2020.
14
O primeiro é a exigência de infra-estrutura de tecnologia de redes informacionais e de avanços na área
de telecomunicações. O segundo, o mais complicado, é o de acesso aos conteúdos informacionais
exigindo nova formação educacional, onde além da capacidade de domínio técnico, os cidadãos
precisam transformar informação em conhecimento para utilizá-lo de forma precisa e rápida. Exige
como decorrência, saber seleccionar, filtrar, reprocessar dados e informações, nem sempre de forma
automática, mas de forma individualizada e dependente de contextos possibilitadores desse complexo
processo (AUN, 2001: 14).

No que refere ao sector da saúde em Moçambique, o Sr. A (2020) referiu que o acesso a informação
é um aspecto salvaguardado desde a base (Hospitais) ao topo (Ministérios e Direcções de Saúde). A
este propósito o MISAU e seus parceiros têm estado a desenvolver um projecto denominado SIS-MA
(Sistema de Informação para Saúde de Monitoria e Avaliação) que tem como principal objectivo
suportar a recolha, análise, interpretação e disseminação contínua e sistemática dos dados de saúde
que são utilizados para definição e monitorização das políticas de saúde pública a partir de todos os
distritos de Moçambique para a capital do país através das províncias de acordo com a organização
hierárquica da estrutura orgânica do Ministério da Saúde de Moçambique.

Ainda na perspectiva do acesso a informação, procurou-se perceber o estado de funcionalidade do


site do MISAU, para tal usamos o motor de pesquisa (Google) o qual nos direccionou ao website do
MISAU nomeadamente: http://www.misau.gov.mz. Em que foi possível perceber que o mesmo
encontrava-se activo e com informação actualizada (Ver Anexo 1). Bem como outros Links úteis do
sector como por exemplo: Instituto Nacional de Saúde, Instituto Nacional de Estatística, Biblioteca
Virtual de Saúde, OMS – Moçambique e outros.

Quanto a nível do acesso dos residentes da Cidade de Maputo ao site do MISAU, verificou-se que
70% dos utentes tem a frequência de visitar o site da instituição para obter informações sobre a saúde
pública, conforme indica o Gráfico 1 abaixo:

Gráfico 1. Frequência de acesso ao Site do MISAU

Fonte: Dado da Pesquisa (2020)


15
E no quadro da Boa Governação foram inquiridos os residentes da Cidade de Maputo para perceber a
percepção dos mesmos em torno do contributo dos Sites Oficiais do Governo conforme ilustra o
gráfico 2 abaixo:

Gráfico 2. Contributo dos Sites Oficiais do Governo como mecanismo de acesso a informação e Boa
Governação

Fonte: Dado da Pesquisa (2020)

Como se pode observar, todos inquiridos equivalente a 100%, afirmam que os Sites Oficiais do
Governo constituem mecanismo de promoção do acesso à informação e da Boa Governação em
Moçambique. Deste modo, percebe-se que os Sites Oficias do Governo denotam uma importante
ferramenta da evolução das TICS, pois permitem a divulgação de informação e promoção da Boa
Governação como resultado do exercício de transparência e prestação de contas confirmando-se
válida a primeira hipótese da presente pesquisa e inválida a segunda.

16
Conclusão

Para o presente trabalho de pesquisa traçamos como objectivo geral analisar o contributo dos sites
oficiais do Governo como mecanismo de promoção do acesso à informação e da Boa Governação,
para esse efeito, enquadramos as variáveis, Sites Oficiais do Governo, Governo Electrónico,
Tecnologias de Informação e Comunicação, Direito a Informação e Boa Governação.

Como resultado da pesquisa percebeu-se que através do uso intensivo de ferramentas tecnológicas,
os atuais Governos buscam, através de programas e/ou políticas de informação, o controlo, fluxos e
usos de toda uma cadeia de produção da informação para a exercitação do poder, quer no contexto
nacional, como no internacional. Dentre esses programas destaca-se o Governo Electrónico (e-Gov)
como um dos principais instrumentos de aplicação.

A presença efectiva e interactiva das instituições governamentais na Internet é um elemento que


coloca a vontade de massificação das TICs em Moçambique numa situação em que as TICs (Rádio,
Televisão, Internet) tendem a ganhar segmentação em todas as regiões do país.

Contudo, apesar do acesso a internet a todos moçambicanos constituir um desafio estrutural e


permanente na agenda do Governo, observa-se uma evolução gradual justificada pela amostra da
presente pesquisa que considera que os Sites Oficiais do Governo constituem mecanismo de
promoção do acesso à informação e da Boa Governação em Moçambique

Recomendações

Como resultado das constatações da pesquisa, entendemos e recomendamos que a implementação do


Governo Electrónico deve ser acompanhado de um estudo sobre as questões sócio-culturais e solução
dos problemas de acessibilidade, nomeadamente, a questão da alfabetização e literacia digital que,
juntamente com a inclusão digital, possibilitariam a aquisição de uma cultura de informação
dinâmica, com vista ao acesso e manuseamento eficaz dos conteúdos informacionais para, a partir
daí, munir o cidadão de competências informacionais e inseri-lo na vida social como um todo, num
processo que envolve vários atores e sectores.

17
Referencia Bibliográficas

a) Livros e Artigos Científicos

 Awortwi, Nicholas (2006). “Managing Public Sector Reform: politics, capacity building and
NPM in Mozambique 2001-05. Versão em Português.

 Carapeto, Carlos e Fátima Fonseca (2009), Governação, Inovação e Tecnologias. Edições


Sílabo: Lisboa.

 Centro de Integridade Pública – CIP (2008), Análise da Proposta de Orçamento de Estado


e Plano Económico e Social 2009, do ponto de vista do Sector da Boa Governação conforme
definido no PARPA II. Maputo.

 Gil, António C. (1991) Como elaborar projectos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1991.

 Gil, António C. (1999) Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5ª Edição, Atlas: São Paulo.

 Gil, António C. (2008) Métodos e técnicas de pesquisas sociais. 6ª ed. Atlas editora. São
Paulo.

 Guambe, Alsone (2011) Metodologia de Pesquisa. 1ª Edição. Instituto Superior de Relações


Internacionais. Maputo.

 Lakatos, E. M. & Marconi, M. de A. (1992) Metodologia do trabalho científico. 4.ed. São


Paulo: Atlas.

 Lakatos, E. M. & Marconi, M. de A. (2009) Metodologia do Trabalho Científico. Atlas:


Editora, 7ª Edição: São Paulo.

 Macuane, José Jaime (2006). A Gestão da Reforma do Sector Público: Política, Capacitação
e Nova Gestão Pública em Moçambique, 2001-5. In AWORTWI, (2006). Perspectivas
Africanas Sobre a Nova Gestão Pública: Implicações para a Formação de Recursos Humano.
Maastricht: Shaker Publishing.

 Mário, Tomás Vieira (s.d). Lei do Direito À Informação – Manual de Formação. Sekelekani.
Maputo.
 Mateus, João Carlos (2008). O Governo Electrónico, a sua aposta em Portugal e a
importância das Tecnologias de Comunicação para a sua estratégia. Revista de Estudos
Politécnicos, Vol. VI, nº. 9.

 May, T. (2004) Pesquisa social: questões, métodos e processos. 3. ed. Artmed: Porto Alegre.

18
 Minayo, Maria C. et al. (1993) Pesquisa Social: Teoria, Métodos e Criatividade. 21ª Ed.,
Vozes, Petrópolis;
 Severino, António Joaquim (2000). Metodologia do trabalho científico. Cortez: São Paulo.

 Silva, E. L. E Menezes, E. M. (2001), Metodologia da Pesquisa e Elaboração de


Dissertação, 3ª Edição revisada e actualizada, Laboratório de Ensino a Distância da UFSC:
Florianópolis.

 Tavares, Marcelo (2007) Estatística Aplicada à Administração. São-Paulo.

 Vieira, José Guilherme Silva (2009). Metodologia de pesquisa científica na prática.


Curitiba: Editora Fael.
b) Páginas da Internet

 United Nations educational, scientific and cultural organization – UNESCO (2007). E-


Governance Capacity Building. Disponível em: http://portal.unesco.org/ci/en/ev. Tradução
nossa. Consultado em: 13 de Maio de 2020.
 Fernando, Júlio (2016). Os Desafios e Resultados das Formações nos Centros Provinciais
de Recursos Digitais (CPRD) no âmbito do GovNet em Moçambique: O Caso do
INTIC/CPRD-Nampula. Dissertação apresentada em cumprimento parcial dos requisitos
exigidos para obtenção do grau de Mestre Governação e Administração Pública no Dep.
Ciência Politica e Ciências Sociais. UEM. Maputo.
 Pinho, José António Gomes de (2008). Estados no Brasil: muita tecnologia, pouca
democracia. Rev. Adm. Pública vol.42 no.3 Rio de Janeiro: Brasil. Disponível em:
https://doi.org/10.1590/S0034-76122008000300003. Consultado em: 13 de Maio de 2020.

c) Publicações Oficiais

 Comissão Interministerial da Reforma do Sector Público - CIRESP. (2001), Estratégia


Global da Reforma do Sector Público 2001-2011. Imprensa Nacional de Moçambique.
Maputo.
 Boletim da República (2009), Lei nº 14/2009, de 17 de Março. Que aprova o Estatuto dos
Funcionários e Agentes do Estado, I Série, Número 10, Publicação Oficial da República de
Moçambique: Maputo.
 Boletim da República (2014), Lei nº 34/2014, de 31 de Dezembro. Que aprova Lei do
direito à informação, I Série, Número 9, Publicação Oficial da República de Moçambique:
Maputo.
 Boletim da República (2018), Lei n.º 1/2018, 12 de Junho. Que aprova a Lei da Revisão
Pontual da Constituição da República de Moçambique. I Série, Número 115, Publicação
Oficial da República de Moçambique: Maputo.

19
APÊNDICES E ANEXOS

20
Apêndice 1. Inquérito direccionado a Residentes da Cidade de Maputo

UNIVERSIDADE JOAQUIM CHISSANO


Curso de Licenciatura em Administração Pública
Inquérito direccionado a Residentes da Cidade de Maputo

O presente guião de entrevista faz parte de uma pesquisa em curso no âmbito da cadeira de Politicas Públicas
ministrado pela Universidade Joaquim Chissano, sob o tema: “Contributo dos Sites Oficiais do Governo como
Mecanismo de Promoção do Acesso a Informação e Boa Governação: Caso do Ministério da Saúde (2015-
2019) ”. A sua colaboração nos fornecendo respostas às questões abaixo, será de grande importância ao estudo e
garantimos absoluto sigilo. O participante da pesquisa pode responder ou marcar com X as questões que se seguem,
não devendo registar a sua identidade.

Desde já agradecemos a sua colaboração!

PERFIL

1. Género

1. Feminino ( )
2. Masculino ( )

2. Idade

1. De 18 a 25 anos ( )
2. De 26 a 35 anos ( )
3. De 36 a 45 anos ( )
4. De 46 a 50 anos ( )
5. De 51 a 60 anos ( )
6. Mais de 60 anos ( )

3. Bairro Municipal

1. Ka Mavota ( )
2. Ka Pfumo ( )
3. Nlhamakulu ( )
4. KaMaxakeni ( )
5. KaMubukwana ( )
6. KaTembe ( )
7. KaNyaka ( )

21
Questionário
1. Como avalia o Direito à Informação em Moçambique no período entre 2017 a 2019?
a. Bom ( )
b. Razoável ( )
c. Mau ( )
d. Péssimo ( )

1.1. O porquê da avaliação que faz?


_____________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________
_________________________________

2. Possui um dispositivo com acesso a internet?


a. Sim ( )
b. Não ( )

3. Com que frequência acede aos portais ou Sites Oficiais do Governo?


a. Sempre ( ) = Todas Semanas.
b. Com frequência ( ) = 2 a 3 vezes por Semana.
c. Nunca ( ) Jamais Entrou.

4. Com que frequência acede ao site do MISAU?


a. Sempre ( ) = Todas Semanas.
b. Com frequência ( ) = 2 a 3 vezes por Semana.
c. Nunca ( ) Jamais Entrou.

5. Será que os Sites Oficias do Governo constituem um mecanismo de promoção de informação e


promove a boa Governação?
a. Sim ( )
b. Não ( )

6. O que é Boa Governação na sua perspectiva?


a. É mais prestação de contas ( )
b. É Transparência nas acções do Governo ( )
c. É mais interacção com o Povo ( )
d. Todas Opções ( )

22
Apêndice 2. Guião de Entrevista direccionado ao MISAU

UNIVERSIDADE JOAQUIM CHISSANO


Curso de Licenciatura em Administração Pública
Guião de Entrevista direccionado ao MISAU

O presente guião de entrevista faz parte de uma pesquisa em curso no âmbito da cadeira de
Politicas Públicas ministrado pela Universidade Joaquim Chissano, sob o tema: “Contributo
dos Sites Oficiais do Governo como Mecanismo de Promoção do Acesso a Informação e
Boa Governação: Caso do Ministério da Saúde (2015-2019) ”. A sua colaboração nos
fornecendo respostas às questões abaixo, será de grande importância ao estudo e garantimos
absoluto sigilo.

Desde já agradecemos a sua colaboração!

Questões
1. Como avalia o Direito a Informação em Moçambique?
2. Será que as plataformas tecnológicas existentes no MISAU permitem a melhoria da
gestão de informação?
3. Em que estado de funcionalidade se encontram os Sites Oficiais do Governo
moçambicano?
4. Qual será o contributo dos Sites Oficiais para o acesso a informação ao nível do MISAU?

23
Anexo 1. Portal do MISAU

Anexo 2. Lista dos Ministérios legalmente constituídos na Republica de Moçambique

Nº Ministérios Website
1. Ministério dos Negócios Estrangeiros e
Website: www.minec.gov.mz
Cooperação
2. Ministério da Defesa Nacional Website: www.mdn.gov.mz
3. Ministério do Interior Website: www.mint.gov.mz
4. Ministério da Economia e Finanças Website: www.mef.gov.mz
5. Ministério dos Transportes e
Website: www.mtc.gov.mz
Comunicações
6. Ministério da Educação e
Website: www.mined.gov.mz
Desenvolvimento Humano
7. Ministério da Cultura e Turismo Website: www.micultur.gov.mz
8. Ministério da Agricultura
Website: www.agricultura.gov.mz
e Desenvolvimento Rural
9. Ministério do Trabalho, Emprego e
website: www.mitess.gov.mz
Segurança Social
10. Ministério da Saúde website: www.misau.gov.mz
11. Ministério do Género, Criança e Acção
website: www.mgcas.gov.mz
Social

24
12. Ministério da Terra e Ambiente website: www.mitader.gov.mz
13. Ministério da Administração Estatal e
website: www.maefp.gov.mz
Função Pública
14. Ministério do Mar, Águas Interiores e
Website: www.mozpesca.gov.mz
Pescas
15. Ministério dos Recursos Minerais e
Website: www.mireme.gov.mz
Energia
16. Ministério das Obras Públicas, Habitação
Website: www.mophrh.gov.mz
e Recursos Hídricos
17. Ministério da Indústria e Comércio Website: www.mic.gov.mz
18. Ministério da Justiça e Assuntos
Website: www.mjcr.gov.mz
Constitucionais e Religiosos
19. Ministério da Ciência e Tecnologia,
Website: www.mctestp.gov.mz
Ensino Superior e Técnico Profissional
20. Ministério dos Combatentes Website: www.mico.gov.mz
Fonte: Portal do Governo (https://www.portaldogoverno.gov.mz/por/Governo/Ministerios)

25

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