Вы находитесь на странице: 1из 10

A FORMAÇÃO DO LEITOR NA EDUCAÇÃO INFANTIL (0 A 5 ANOS):

ALGUMAS REFLEXÕES
LOPES, Carolina da Silva – PREFEITURA MUNICIPAL DE PRESIDENTE PRUDENTE
carolzinh4@yahoo.com.br

GARMS, Gilza Maria Zauhy- FCT UNESP


gmzauhy@hotmail.com

Eixo Temático: Educação da Infância


Agência Financiadora: não contou com financiamento

Resumo

O presente trabalho se constitui no resultado de uma parceria entre a professora da Rede


Municipal de Ensino de Presidente Prudente e também pesquisadora do Grupo de Pesquisa
“Formação de Professores em Educação Infantil” – FOPREI, com a linha de pesquisa
“Infância e Educação” do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de
Ciências e Tecnologia, da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”, que
objetivou iniciar uma discussão sobre a Leitura na Educação Infantil, a visão de alguns
teóricos, os níveis de leitura na formação do leitor, a possibilidade da utilização das
estratégias de leitura para a primeira infância, como meio de sistematização do aprendizado, a
função da avaliação neste processo buscando a melhoria da qualidade, e o papel do professor
como mediador entre a criança e o texto. Como base teórica, buscou-se Solé e Goulart, que
trazem grandes contribuições sobre o processo de construção da leitura e a formação do leitor
no período infantil. Para esta investigação adotou-se a abordagem da pesquisa qualitativa,
utilizando como instrumento metodológico a análise bibliográfica parcial sobre o tema.
Considerando que esta temática é bastante polemica, portanto, não definida na área da
educação infantil, pretende-se por meio dos estudos selecionados tecer algumas
considerações que contribua com a construção do currículo neste nível da educação básica.
Os resultados demonstraram que a leitura já está presente na educação infantil, de 0 a 5 anos,
e contribuem para a construção da biblioteca de vida das crianças, rica em experiências e
aprendizados. Além disso, que mesmo sem o domínio do código escrito é possível ver as
crianças dando seus primeiros passos como pré-leitores, e as estratégias de leitura vêm
possibilitar uma sistematização do aprendizado, o afinar do processo, pela própria criança.

Palavras-chave: Leitura. Estratégias de Leitura. Educação Infantil.


12990

Introdução

Por meio de estudos bibliográficos baseados em Aguiar (2004), Britto (2005), Goulart
(2005), Meirelles (2010), Solé (1998), Souza (2010), Menin (2010), entre outros, que trazem
grandes contribuições sobre o processo de construção da leitura e a formação do leitor no
período infantil, propomos iniciar uma discussão sobre a leitura na Educação Infantil, os
níveis de leitura na formação do leitor, a possibilidade da utilização das estratégias de leitura
para a primeira infância, como meio de sistematização do aprendizado, a função da avaliação
neste processo buscando a melhoria da qualidade, e o papel do professor como mediador entre
a criança e o texto, no intuito de verificar se a criança é ou não leitora na Educação Infantil.
Diante dos estudos realizados, nota-se que o ensino da leitura tem sido considerado
pelas sociedades ocidentais um trabalho próprio da instrução formal e institucionalizada da
escola, realizada principalmente no ciclo inicial, no momento em que a criança começa a se
apropriar do código linguístico, ou seja, a se alfabetizar.
No entanto, o relacionamento com esse universo da leitura efetivamente se dá a partir
do nascimento, assim que a criança inicia sua interação com o meio social familiar e com sua
inserção na instituição de educação infantil.
Segundo Goulart (2005), as crianças chegam às instituições de educação infantil com
suas experiências de vida, desejos, expectativas, medos etc., enfim com suas histórias,
motivações e necessidades. Novas relações serão estabelecidas, tanto afetivas quanto
cognitivas. Espaço de encontro de antigos e novos objetos culturais trabalhados geralmente de
maneiras diferentes daquelas as quais estavam habituadas.
No meio dos objetos culturais, destaca-se a escrita, objeto em geral já inserido no
universo da criança pequena, através de cartazes espalhados pelas ruas, da TV, dizeres
contidos nos invólucros de alimentos, de brinquedos, dentre tantas outras possibilidades. A
escrita ao exercer um papel de destaque em nossa sociedade passa a exigir de todos nós um
interesse no intento de compreender sua função e seu significado.
Olhar e ver as crianças como leitoras e produtoras de textos desde pequenas é
condição necessária para aceitarmos que já possuem esta capacidade e do potencial para
avançar na apropriação não apenas desse objeto do conhecimento, mas também de outras
maneiras de representação/expressão do pensamento, como a pintura, a arte, a música, a dança
etc.
12991

O objetivo de Goulart (2005) ao falar sobre o que as crianças trazem para os espaços
escolares tem o propósito de refletir sobre o que elas já são aptas a fazer e os textos que são
capazes de criar. No entanto, todas essas leituras e produções das crianças são realizadas com
o auxílio de um mediador, no caso o professor, capaz de fazer as transposições de
“subjetividade”, baseada na simbologia e imaginação, para “objetividade”, ou seja, para a
escrita, decodificação e compreensão do código.
No Brasil, a escola tem um papel fundamental assegurando às crianças desde a
pequena infância, o contato com livros, podendo manuseá-los, se encantar com suas
ilustrações, desvendar de forma prazerosa o universo das letras. Meirelles (2010), afirma que
para inserir a criança pequena no universo da leitura é preciso que o educador garanta o
acesso a várias obras, gêneros e livros literários para promover a aprendizagem e o
desenvolvimento de atitudes e habilidades necessárias para a formação do leitor, e
principalmente, que permita às crianças se envolver pelas histórias sem a preocupação de
“ensinar literatura”.
A literatura é uma atividade de socialização que permite à criança entrar em contato
com o código e suas estruturas. Seu contato deve surgir antes mesmo de se aprender a
decodificação do código. Pela observação do adulto, ao ouvir uma história, ao perceber as
rimas, as crianças passam a se interessar pelo universo das palavras e iniciam o percurso para
tornarem-se leitores literários.
Segundo Britto (2005, p. 18-19)

Na educação infantil, ler com os ouvidos e escrever com a boca (situação em que a
educadora se põe na função de enunciadora ou de escriba) é mais fundamental do
que ler com os olhos e escrever com as próprias mãos. Ao ler com os ouvidos, a
criança [...] aprende a voz escrita, aprende a sintaxe escrita, aprende as palavras
escritas. Somente assim podemos considerar que a alfabetização (ou o letramento) é
uma condição fundamental da educação infantil

No Brasil, o termo alfabetização sempre esteve relacionado ao aprendizado inicial do


código linguístico, e muitos trabalhos consideravam esse processo contínuo. Paulo Freire, no
entanto, “insistia que a leitura de mundo precede a leitura das palavras, sugerindo com isso
que a aprendizagem da escrita só faria sentido se vivenciada pelo sujeito e se tivesse
significado para ele” (FREIRE apud BRITTO, 2005, p. 8).
12992

A partir do momento em que só o termo alfabetização não respondia às necessidades,


adotou-se no Brasil um novo conceito, tanto no cenário acadêmico como escolar, referente ao
estudo das formas e dos usos da escrita, abrangendo sua relação com a modalidade oral – em
português – letramento.
Com a inserção do conceito de letramento na educação, a ideia de alfabetização foi
retomada como simples sistema do código, aquisição de uma tecnologia, como se fosse
possível não relacionar esse processo a um aprendizado simultâneo de objetos culturais e
comportamentos cognitivos que se associam a essa aprendizagem.
Um dos termos mais utilizados hoje é cultura escrita, que busca distinguir um modo de
organização social em que a base é a escrita. Cultura escrita sugere valores, conhecimentos,
modos de comportamento não limitados ao uso objetivo do escrito.
Quando a criança vai se apropriando da notação da escrita, ou seja, se alfabetizando, a
escrita inicia um processo de aquisição. Com a leitura não é diferente, no entanto, para alguns
teóricos este processo se inicia antes mesmo do domínio do escrito.
Segundo Aguiar (2004), as crianças correspondentes à primeira infância (0 a 5 anos)
iniciam o processo realizando pré-leituras, por ainda não serem alfabetizadas. É nesta fase
pré-escolar que a criança desenvolve as habilidades e as capacidades que a tornarão aptas para
o aprendizado da leitura, por meio da construção de símbolos, desenvolvimento da linguagem
oral e percepção, a criança conseguirá estabelecer relações entre as imagens e as palavras.
Ainda segundo a autora (2004, p. 25) para esse nível,

Os interesses voltam-se, nesta fase, para histórias curtas e rimas, em livros com
muitas gravuras e pouco texto escrito, que permitem a descoberta do sentido muito
mais através da linguagem visual do que da verbal. Paralelamente, estão presentes as
histórias mais longas, que falam das situações do cotidiano infantil e são lidas ou
contadas pelo adulto.

Os níveis seguintes são o da leitura compreensiva, abarcando as crianças em plena


alfabetização (1ª e 2ª séries), o da leitura interpretativa, abrangendo crianças de 3ª a 5ª série,
o da iniciação à leitura crítica, envolvendo jovens por volta da 6ª e 7ª série, e, o da leitura
crítica, compreendendo alunos da 8ª série e Ensino Médio.
12993

Concretizando

Para esta investigação adotou-se a abordagem da pesquisa qualitativa, utilizando como


instrumento metodológico a análise bibliográfica parcial sobre o tema. A pesquisa
bibliográfica se refere ao levantamento da “bibliografia que tenha relação com o tema em
estudo. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com [...] aquilo que foi
escrito sobre determinado assunto” (LAKATOS, 1986, p. 166-167).
Ainda é possível afirmar que a bibliografia relacionada “oferece meios para definir,
resolver, não somente problemas já conhecidos, como também explorar novas áreas, onde os
problemas ainda não se cristalizaram suficientemente” (MANZO apud LAKATOS, 1986, p.
167).
Considerando que esta temática é bastante polemica, portanto, não definida na área da
educação infantil, pretende-se por meio dos estudos selecionados tecer algumas
considerações que contribua com a construção do currículo neste nível da educação básica.
Apesar da criança já apresentar suas leituras, é fundamental que ela consiga o afinar
desse processo, utilizando-se de estratégias que possibilitem uma sistematização desse
aprendizado.
Antes de dizer quais são essas estratégias, cabe definir o que se entende por
estratégias. Para melhor compreende-la, a autora baseia-se no conceito de que:

[...] a estratégia tem em comum com todos os demais procedimentos sua utilidade
para regular a atividade das pessoas, à medida que sua aplicação permite selecionar,
avaliar, persistir ou abandonar determinadas ações para conseguir a meta a que nos
propomos (VALLS, 1990 apud SOLÉ, 1998, p. 69).

Assim, as estratégias podem ser entendidas como procedimentos que envolvem os


objetivos a serem aplicados, o planejamento das atitudes que serão necessárias para atingi-los,
bem como sua avaliação e possíveis alterações.
O ensino das estratégias deve ser entendido como um auxílio proporcionado à criança
para que ela seja capaz de construir seu próprio aprendizado. É considerado um auxílio
porque ninguém pode realizar essa tarefa por ela, e ao mesmo tempo, se torna insubstituível,
pois poderiam não conseguir dominar os conteúdos nem atingir seus objetivos sozinhos.
Além disso, existem três ideias ligadas à concepção construtivista que contribuem
neste processo de ensino das estratégias. Na primeira o processo de construção ocorre de
12994

maneira conjunta entre professor e aluno, na segunda o professor desempenha um papel de


guia, e na terceira, momento de participação guiada, os auxílios do docente vão sendo
retirados à medida que o aluno vai se apoderando da sua própria aprendizagem.
As estratégias de compreensão do texto são: conhecimentos prévios, conexão,
inferência, visualização, sumarização e síntese. Apesar de serem desenvolvidas para o
ensino da leitura já nos ciclos iniciais do Ensino Fundamental, estas estratégias segundo Solé
(1998) podem também ser utilizadas para a Educação Infantil.
Por uma questão de organização, geralmente as estratégias são divididas em três
etapas: antes, durante e após a leitura. Entretanto, essa separação é artificial por muitas vezes
se submeterem a trocas, e principalmente, por fazerem parte de toda proposta. No uso de
estratégias para a Educação Infantil, é imprescindível a intervenção do professor durante essas
etapas, por ajudar as crianças na sistematização das experiências.
Existem duas finalidades para o uso das estratégias antes da leitura se realizar, uma é
gerar na criança a necessidade de ler, proporcionando ao leitor a descoberta das mais diversas
utilidades da leitura, e a outra é transformá-lo constantemente num leitor ativo, que sabe por
que lê e que admite sua responsabilidade mediante a leitura.
Com o objetivo delineado, é fundamental que se ative os conhecimentos prévios a
respeito do tema abordado, ou seja, a biblioteca vivida construída a partir de suas
experiências, interesses, expectativas, pois serão esses conhecimentos o suporte necessário
para a busca de referências que auxiliarão na compreensão do texto lido.
Ainda sobre esse assunto, “o conhecimento prévio que as crianças trazem para a
leitura sustenta todos os aspectos de aprendizagem e entendimento. Se os leitores não têm
nada para articularem à nova informação, é bem difícil que construam significados.”
(SOUZA, 2010, p. 66-67)
Outra estratégia é a conexão, no qual se utiliza os conhecimentos já adquiridos e
armazenados na sua biblioteca de vida para compreender o que se lê. A conexão pode ser
realizada de três formas: texto-texto, em que o leitor, ao realizar a leitura de um texto o
relaciona com um outro texto já lido por ele, ou no caso da criança pequena, com uma outra
história já lida pelo adulto; texto-leitor, em que o leitor estabelece relações com fatos de sua
própria vida; e texto-mundo, estabelecida quando o leitor remete o texto a uma situação mais
global, relacionado ao mundo em que vivemos.
12995

Dentre as estratégias a inferência, nos instiga a ler nas entrelinhas, ou seja, utilizar os
conhecimentos prévios, fazendo relações com as dicas que são encontradas no texto, para
chegar a conclusão ou um resultado. Quando o autor não responder as questões realizadas
pelo leitor, ele deve inferir. Por meio das inferências que inicialmente o adulto vai
realizando com a criança, é possível perceber a situação em se encontram diante do texto e
realizar os ajustes na sua intervenção.
Uma outra estratégia é a visualização, usada muitas vezes sem perceber, tal como a
inferência. Souza (2010, p. 85), afirma que:

Visualizar é, sobretudo, inferir significados [...] Quando os leitores visualizam, estão


elaborando significados ao criar imagens mentais, isso porque criam cenários e
figuras em suas mentes enquanto lêem, fazendo com que eleve o nível de interesse e,
assim, a atenção seja mantida

Na Educação Infantil, essa visualização pode ser melhor explorada com o auxílio das
artes, com a criação de desenhos, personagens, cenários etc, principalmente, por tornar real
aquilo que está escondido em seu imaginário.
A quinta estratégia abordada é a sumarização, responsável pela seleção dos aspectos
mais e menos importantes, pela busca da essência do texto. As ideias importantes são aquelas
que o leitor quer se recordar por conta de sua utilidade e de seu objetivo.
De acordo com Souza (2010, p. 95), “a habilidade de aprender a encontrar a ideia
principal do texto elimina a necessidade das crianças lerem tudo, quando procuram por uma
informação específica”. Além disso, levar o leitor a refletir o que é importante e o que é
interessante, e fazer uma síntese comumente, auxilia a criança a aprender e a construir o
significado do texto.
Sumarizar é uma estratégia que prepara o leitor para a síntese. Assim, a última
estratégia a ser abordada é a síntese, que dentre as atividades é considerada a mais complexa,
por ser o resultado da busca da consonância entre o leitor e o texto. Para Souza (2010, p. 103),
“sintetizar é mais do que resumir. [...] resumir é recontar informação e parafraseá-la. [...]
quando sintetizam, as crianças alcançam um entendimento mais completo do texto”.
Com as crianças pequenas, a síntese também é possível, quando a criança é estimulada
a explicar ou recapitular a história, inicialmente ainda com o auxílio do adulto, mas depois
12996

sozinha, quando lhe é perguntado o que faria numa situação semelhante, ou mesmo ao pensar
num final diferente para o texto.
Sendo assim, a sumarização e a síntese podem ser considerados como o resultado do
processo de sistematização da leitura, e neste momento a criança compreende.

Para reflexão...

Ao se trabalhar com as estratégias de leitura como sugestão para a formação do leitor,


é imprescindível que se aborde a avaliação, por provocar uma desconstrução e reconstrução
de conceitos, além de gerar um diálogo maior com o aluno, possibilitando um
aprofundamento no texto.
Faz-se indispensável que a criança tenha claro os critérios definidos pelo professor por
lhes proporcionar “um conhecimento prévio sobre: em que, como e por que ele será avaliado”
(MENIN, 2010, p. 125). Esses critérios possibilitam direcionar o foco da atividade avaliativa,
pois não é tudo que caberá se avaliar, mas o que precisa de um direcionamento maior do
professor.
Todas as atividades realizadas no âmbito escolar precisam ser avaliadas, ainda mais,
quando os resultados auxiliam o aluno a superar suas deficiências leitoras.
Ainda de acordo com a autora,

[...] avaliar atividades leitoras exige do professor, primeiramente, saber o que é


avaliar, o que deverá ser avaliado e como avaliar. O professor precisa estar sempre
por perto, atento, observando as reações de seus alunos e de que forma constroem
seu pensamento, como articulam suas idéias, que tipo de descobertas fazem e quais
conexões estabelecem após estas descobertas, por fim e não menos importante, que
uso fazem destas novas informações em benefício próprio garantindo uma
aprendizagem significativa (MENIN, 2010, p. 123).

Enfim, as atividades de avaliação das propostas de leitura devem sempre condizer com
os critérios e objetivos propostos pelo professor. O resultado que se espera alcançar é de
acordo com Menin (2010), “a qualidade procurada. Avaliar é ir ao encontro da qualidade” (p.
121).
12997

O papel do professor neste processo:

Cabe aos professores promover a mediação entre o aluno e o texto, bem como, o
grande desafio de tornar apaixonante o que para muitas pessoas é um caminho difícil e cheio
de obstáculos – a leitura, principalmente por meio do exemplo, de se colocar como um
modelo, apresentando “à criança as técnicas, os “segredos” utilizados [por ele] quando lê e
escreve, de modo que ela possa se apropriar progressivamente dos mesmos” (SOLÉ, 1998, p.
63).
É imprescindível explorar os conhecimentos já adquiridos pelas crianças sobre o texto;
planejar suas práticas considerando essa experiência diversificada para que elas [crianças]
sejam capazes de prosperar, utilizando as estratégias necessárias para alcançar seus objetivos;
fazer presentes durante todos os momentos de exploração e construção da criança,
observando, intervindo, avaliando; tornar-se um dos referenciais de apoio quando surgir
obstáculos; possibilitar à criança desenvolver sua autonomia como um ser leitor.

Considerações finais...

Diante das reflexões estabelecidas, cabe ressaltar não só a presença dessa leitura já na
primeira infância (0 a 5 anos), como principalmente, a importância que ela se apresenta para
essa faixa etária, por contribuir para a construção de sua biblioteca de vida, rica em
experiências e aprendizados, tão útil no começo das séries iniciais.
Afirmar que “as crianças já são leitoras e produtoras de texto”, como afirmou Goulart
(2005), é dizer que as crianças são aptas a interpretar e produzir, por meio da fantasia, do jogo
simbólico.
Ao mesmo tempo, ao se remeter à leitura como técnica de decodificação e
compreensão do texto, pelo domínio ou apropriação do código linguístico, é possível ver
aquelas mesmas crianças, dando seus primeiros passos como pré-leitores, num processo longo
que se inicia. Importante se faz o incentivo à prática de leitura, além do despertar do prazer no
ato de ler. A literatura é um grande aliado neste processo.
As estratégias de leitura vêm mostrar os meios que possibilitam uma sistematização do
aprendizado, o afinar do processo, pela própria criança, ou mesmo pelo auxílio do professor.
Por meio das estratégias realizadas antes, durante e após a leitura, a criança busca aprender a
utilizar os mecanismos que a possibilitarão alcançar a compreensão do texto.
12998

A avaliação, fundamental em qualquer processo educativo, nos remete a uma


desconstrução e reconstrução de conceitos, a uma reflexão do próprio professor em sua
atuação, aos métodos utilizados, critérios e resultados alcançados, em busca da qualidade.
Enfim, quanto ao papel do professor, podemos afirmar que será ele a ferramenta capaz
de articular todos os mecanismos apresentados na busca da formação do leitor.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

AGUIAR, V. T. A Formação do Leitor. In: CECCANTINI, J.L.C.T., PEREIRA, R.F. &


ZANQUETA JR., J. (orgs.) Pedagogia Cidadã: cadernos de formação: Língua Portuguesa.
São Paulo: UNESP, Pró-Reitoria de Graduação, 2004. Vol 2.

BRITTO, L.P.L. Letramento e Alfabetização: implicações para a educação infantil. In:


FARIA, A.L.G & MELLO, S.A. (orgs.) O Mundo da Escrita no Universo da Pequena
Infância. Campinas, SP: Autores Associados, 2005. – (Coleção polêmicas do nosso tempo,
93)

GOULART, C. Educação Infantil: “nós já somos leitores e produtores de textos”. Presença


Pedagógica. v.11, n. 63, p. 16-21, Mai./Jun. 2005.

LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica / LAKATOS, E. M e MARCONI,


M. A. (orgs.) São Paulo, 2ª tir. Atlas, 1986.

MEIRELLES, E. Literatura, muito prazer. In: Revista Nova Escola. São Paulo. Agosto,
2010.

SOLÉ, I. Estratégias de Leitura. Porto Alegre, 6ª ed. ArtMed, 1998.

SOUZA, R. J. (Org.), ARENA, D. B., GIROTTO, C. G. G. S., MENIN, A. M. C. S. Ler e


Compreender: estratégias de leitura. Campinas – SP: Mercado de Letras, 2010.