Вы находитесь на странице: 1из 266

Anatomia Humana

Resumo de
Anatomia
PRIMEIRA EDIÇÃO (2010)

Fernando Álison M. D. Felix


Aluno de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba (FCM/PB) - Turma 2009.1.
Monitor de Anatomia Humana do curso de Medicina da FCM/PB do período 2010.2 ao 2011.1.

João Pessoa - PB
Resumo de Anatomia Humana

2
FELIX, Fernando Álison M. D.

Oração ao Cadáver Desconhecido

"Ao curvar-te com a lâmina rija de teu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembra-
te que este corpo nasceu do amor de duas almas; cresceu embalado pela fé e esperança
daquela que em seu seio o agasalhou, sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e
dos jovens; por certo amou e foi amado e sentiu saudades dos outros que partiram,
acalentou um amanhã feliz e agora jaz na fria lousa, sem que por ele tivesse derramado
uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece. Seu nome só Deus o sabe; mas o
destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir a humanidade que por ele
passou indiferente."

Karl Rokitansky (1876)


Ao cadáver, respeito e agradecimento.

3
Resumo de Anatomia Humana

4
FELIX, Fernando Álison M. D.

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO À ANATOMIA HUMANA ......................................... 9


Enfoques da Anatomia ............................................................................................... 9
Normal e Variação Anatômica ................................................................................. 10
Nomenclatura Anatômica ........................................................................................ 11
Posição Anatômica ................................................................................................... 12
Divisão do Corpo Humano ....................................................................................... 12
Planos de Delimitação e Secção do Corpo Humano ................................................ 12
Termos Anatômicos ................................................................................................. 13
Organização Geral do Corpo Humano ..................................................................... 16
Princípios de Construção do Corpo Humano ........................................................... 16
2. SISTEMAS REPRODUTORES ..................................................... 17
Introdução à Pelve e ao Períneo .............................................................................. 17
Cíngulo do Membro Inferior (Quadril) ..................................................................... 17
Cavidade Pélvica (Pelve menor ou verdadeira) ....................................................... 20
Principais Estruturas Neurovasculares .................................................................... 21
Sistema Genital Masculino ...................................................................................... 22
Sistema Genital Feminino ........................................................................................ 29
3. SISTEMA ENDÓCRINO ............................................................ 34
Definição de Glândulas Endócrinas ......................................................................... 34
Atividade Hormonal ................................................................................................. 34
Mecanismos de Ação Hormonal .............................................................................. 35
Controle da Secreção Hormonal .............................................................................. 35
Hipotálamo e Glândula Hipófise (Pituitária) ............................................................ 36
Glândula Pineal (Epífise) .......................................................................................... 38
Glândula Tireóide ..................................................................................................... 38
Glândulas Paratireóides ........................................................................................... 39
Glândula Timo .......................................................................................................... 40
Glândulas Suprarrenais ............................................................................................ 40
Pâncreas ................................................................................................................... 42
Ovários e Testículos ................................................................................................. 42
4. SISTEMA NERVOSO ............................................................... 43
Medula Espinal ........................................................................................... 44
Forma e Estrutura da Medula Espinal...................................................................... 44
Conexões com os Nervos Espinais ........................................................................... 46
Topografia da Medula .............................................................................................. 46
Envoltório da Medula .............................................................................................. 47
Tronco Encefálico ....................................................................................... 49
Generalidades .......................................................................................................... 49
Bulbo (Medula Oblonga) .......................................................................................... 49
Ponte ........................................................................................................................ 50
IV Ventrículo............................................................................................................. 51
Mesencéfalo............................................................................................................. 53
Cerebelo..................................................................................................... 55

5
Resumo de Anatomia Humana

Generalidades .......................................................................................................... 55
Alguns Aspectos Anatômicos ................................................................................... 55
Lobos Cerebelares.................................................................................................... 55
Verme e Lóbulos Cerebelares .................................................................................. 56
Fissuras Cerebelares ................................................................................................ 56
Divisão Ontogenética e Filogenética do Cerebelo ................................................... 57
Diencéfalo .................................................................................................. 59
Generalidades .......................................................................................................... 59
III Ventrículo ............................................................................................................. 59
Tálamo...................................................................................................................... 60
Hipotálamo............................................................................................................... 61
Epitálamo ................................................................................................................. 62
Subtálamo ................................................................................................................ 63
Telencéfalo ................................................................................................. 64
Generalidades .......................................................................................................... 64
Sulcos e Giros. Divisão em Lobos ............................................................................. 64
Morfologia das Faces dos Hemisférios Cerebrais .................................................... 65
Morfologia dos Ventrículos Laterais ........................................................................ 75
Organização Interna dos Hemisférios Cerebrais ..................................................... 76
Considerações sobre áreas importantes ................................................................. 79
Vascularização do SNC ................................................................................ 81
Importância .............................................................................................................. 81
Vascularização do Encéfalo ...................................................................................... 81
Vascularização da Medula Espinal ........................................................................... 85
Nervos Cranianos ....................................................................................... 86
Generalidades .......................................................................................................... 86
Estudo Sumário dos Nervos Cranianos .................................................................... 87
Meninges e Líquor ...................................................................................... 91
Meninges.................................................................................................................. 91
Líquor (Líquido Cerebrospinal – LCE) ....................................................................... 96
5. SISTEMA LOCOMOTOR ........................................................... 98
Sistema Articular ........................................................................................ 99
Articulações Fibrosas (Sinartroses) .......................................................................... 99
Articulações Cartilagíneas (Anfiartroses) ............................................................... 99
Articulações Sinoviais (Diartroses) ....................................................................... 100
Sistemas Esquelético e Muscular .............................................................. 103
Sistema Esquelético ............................................................................................... 103
Sistema Muscular ................................................................................................... 104
Membros Superiores ................................................................................ 106
Ossos dos Membros Superiores ............................................................................ 106
Articulações dos Membros Superiores .................................................................. 109
Músculos dos Membros Superiores ...................................................................... 112
Vascularização dos Membros Superiores .............................................................. 119
Inervação dos Membros Superiores ...................................................................... 123
Membros Inferiores .................................................................................. 128
Ossos dos Membros Inferiores .............................................................................. 128

6
FELIX, Fernando Álison M. D.

Articulações dos Membros Inferiores.................................................................... 131


Músculos dos Membros Inferiores ........................................................................ 136
Vascularização dos Membros Inferiores................................................................ 144
Inervação dos Membros Inferiores........................................................................ 146
Cabeça ..................................................................................................... 152
Ossos da Cabeça .................................................................................................... 152
Articulações da Cabeça .......................................................................................... 159
Músculos da Cabeça .............................................................................................. 159
Vascularização da Face .......................................................................................... 160
Observações ........................................................................................................... 161
Pescoço .................................................................................................... 164
Ossos do Pescoço ................................................................................................... 164
Fáscias do Pescoço ................................................................................................. 165
Músculos do Pescoço ............................................................................................. 166
Trígonos do Pescoço .............................................................................................. 169
Vasos Sanguíneos no Pescoço ............................................................................... 173
Nervos no Pescoço ................................................................................................. 173
Caixa Torácica .......................................................................................... 175
Ossos do Tórax ....................................................................................................... 175
Músculos do Tórax ................................................................................................. 176
Nervos da Parede Torácica .................................................................................... 178
Artérias da Parede Torácica ................................................................................... 180
Veias da Parede Torácica ....................................................................................... 181
Parede Abdominal .................................................................................... 182
Regiões da Parede Abdominal ............................................................................... 182
Parede Ântero-Lateral do Abdome ........................................................................ 183
Região Inguinal ....................................................................................................... 185
Pregas Umbilicais e Fossas Vesicais ....................................................................... 187
Nervos da Parede Abdominal ................................................................................ 187
Vascularização da Parede Abdominal .................................................................... 188
Correlação Clínica: Hérnias Inguinais..................................................................... 188
Dorso ....................................................................................................... 189
Ossos do Dorso – A Coluna Vertebral .................................................................... 189
Articulações da Coluna Vertebral .......................................................................... 193
Correlações Clínicas ............................................................................................... 196
Músculos do Dorso ................................................................................................ 197
Vascularização do Dorso ........................................................................................ 199
6. SISTEMA RESPIRATÓRIO ....................................................... 200
Nariz ....................................................................................................................... 200
Faringe ................................................................................................................... 203
Laringe.................................................................................................................... 204
Traquéia ................................................................................................................. 208
Brônquios Principais .............................................................................................. 209
Pleura e Cavidade Pleural ...................................................................................... 209
Pulmões.................................................................................................................. 210
7. SISTEMA CARDIOVASCULAR .................................................. 214

7
Resumo de Anatomia Humana

Mediastino ............................................................................................................. 215


Coração e Pericárdio .............................................................................................. 215
8. SISTEMA DIGESTÓRIO .......................................................... 225
Funções .................................................................................................................. 225
Boca e Cavidade Oral ............................................................................................. 226
Faringe ................................................................................................................... 231
Esôfago ................................................................................................................... 233
Estômago ............................................................................................................... 235
Intestino Delgado ................................................................................................... 237
Intestino Grosso ..................................................................................................... 240
Órgãos Anexos à Digestão ..................................................................................... 244
Baço ........................................................................................................................ 251
Vascularização Geral das Vísceras Abdominais ..................................................... 252
Peritônio e Cavidade Peritoneal ............................................................................ 255
9. SISTEMA URINÁRIO ............................................................. 259
Rins ......................................................................................................................... 260
Ureteres ................................................................................................................. 263
Bexiga ..................................................................................................................... 263
Uretra ..................................................................................................................... 264
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................. 266

8
FELIX, Fernando Álison M. D.

Introdução à Anatomia Humana

A
palavra Anatomia é derivada do grego anatome (ana = em partes; tome =
corte). Dissecação deriva do latim (dis = separar; secare = cortar) e é
equivalente etimologicamente a anatomia. Contudo, atualmente,
Anatomia é a ciência, enquanto dissecar é um dos métodos desta ciência. Logo,
anatomia é a ciência que estuda a estrutura do corpo, visando a compreensão e estudo
das partes que compõem o corpo humano. A fisiologia (physis + lógos + ia) lida com as
funções das partes do corpo, isto é, como elas trabalham.
A função nunca pode ser separada completamente da estrutura, por isso você
aprenderá sobre o corpo humano estudando a anatomia e a fisiologia em conjunto.
Você verá como cada estrutura do corpo está designada para desempenhar uma função
específica, e como a estrutura de uma parte, muitas vezes, determina sua função.
Assim, a Anatomia é a ciência que estuda a forma, a estrutura e organização dos
seres vivos, tanto externa quanto internamente. E a Fisiologia é a ciência que estuda o
funcionamento da matéria viva, investiga as funções orgânicas, processos ou atividades
vitais. Embora o interesse primordial da anatomia seja a estrutura, a estrutura e a
função devem ser consideradas simultaneamente. Para fixar, a Anatomia é a ciência
que estuda, macro e microscopicamente, a constituição e o desenvolvimento dos seres
organizados.

ENFOQUES DA ANATOMIA
A Anatomia macroscópica humana estuda o corpo humano e conforme o enfoque
recebe varias denominações:
ANATOMIA SISTEMÁTICA OU DESCRITIVA: estuda de modo analítico (separação de
um todo em seus elementos ou partes componentes) e separadamente as várias
estruturas dos sistemas que constituem o corpo, o esquelético, o muscular, o
circulatório, etc.
ANATOMIA TOPOGRÁFICA OU REGIONAL: estuda de uma maneira sintética
(método, processo ou operação que consiste em reunir elementos diferentes e fundi-los
num todo), as relações entre as estruturas de regiões delimitadas do corpo;
ANATOMIA DE SUPERFÍCIE OU DO VIVO: estuda a projeção de órgãos e estruturas
profundas na superfície do corpo, é de grande importância para a compreensão da
semiologia clínica (estudo e interpretação do conjunto de sinais e sintomas observados
no exame de um paciente);
ANATOMIA FUNCIONAL: estuda segmentos funcionais do corpo, estabelecendo
relações recíprocas e funcionais das várias estruturas dos diferentes sistemas;

9
Resumo de Anatomia Humana

ANATOMIA APLICADA: salienta a importância dos conhecimentos anatômicos para


as atividades médicas, clínica ou cirúrgica e mesmo para as artísticas;
ANATOMIA RADIOLÓGICA: estuda o corpo usando as propriedades dos raios X e
constitui, com a Anatomia de Superfície, a base morfológica das técnicas de exploração
clínica;
ANATOMIA COMPARADA: estuda a Anatomia de diferentes espécies animais com
particular enfoque ao desenvolvimento ontogenético (desenvolvimento de um indivíduo
desde a concepção até a idade adulta) e filogenético (história evolutiva de uma espécie
ou qualquer outro grupo taxonômico) dos diferentes órgãos.

Métodos de Estudo
1. Inspeção: analisando através da visão. A análise pode ser de órgãos externos
(ectoscopia) ou internos (endoscopia);
2. Palpação: analisando através do tato é possível verificar a pulsação, os tendões
musculares e as saliências ósseas, dentre outras coisas;
3. Percussão: através de batimentos digitais na superfície corporal podemos produzir
sons audíveis, que ajudam a determinar a composição de órgãos ou estruturas (gases,
líquidos ou sólidos);
4. Ausculta: ouvindo determinados órgãos em funcionamento (Ex.: coração, pulmão,
intestino);
5. Mensuração: permite a avaliação da simetria corporal e de eventuais megalias;
6. Dissecação: consiste na separação minuciosa dos diferentes órgãos para uma melhor
visualização;
7. Estudo por imagem: inclui o raio-X, ecografia, ressonância nuclear magnética e
tomografia computadorizada.

NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICA


Normal, para o anatomista, é o estatisticamente mais comum, ou seja, o que é
encontrado na maioria dos casos. Variação anatômica é qualquer fuga do padrão sem
prejuízo da função. Quando ocorre prejuízo funcional trata-se de uma anomalia e não
de uma variação. Se a anomalia for tão acentuada que deforme profundamente a
construção do corpo, sendo, em geral, incompatível com a vida, é uma monstruosidade.
Existem algumas circunstâncias que determinam variações anatômicas normais e
que devem ser descritas:
Idade: os testículos no feto estão situados na cavidade abdominal, migrando para a
bolsa escrotal e nela se localizando durante a vida adulta;
Sexo: no homem a gordura subcutânea se deposita principalmente na região
tricipital, enquanto na mulher o depósito se dá preferencialmente na região abdominal;
Raça: nos brancos a medula espinhal termina entre a primeira e segunda vértebra
lombar, enquanto que nos negros ela termina um pouco mais abaixo, entre a segunda e
a terceira vértebra lombar;
Tipo morfológico constitucional (Biótipo): é o principal fator das diferenças
morfológicas. Os principais tipos são:

10
FELIX, Fernando Álison M. D.

a- longilíneo (ectomorfo): indivíduo alto e esguio, com pescoço, tórax e membros


longos. Nessas pessoas o estômago geralmente é mais alongado e as vísceras dispostas
mais verticalmente;
b- brevilíneo (endomorfo): indivíduo baixo com pescoço, tórax e membros curtos.
Aqui as vísceras costumam estar dispostas mais horizontalmente;
c- normolíneo (mesomorfo): características intermediárias.
A identificação do tipo morfológico é importante devido às diferentes técnicas de
abordagem semiológica, avaliação das variações da normalidade e até mesmo maior
incidência de doenças, como por exemplo, a hipertensão, que é sabidamente mais
comum em brevilíneos.

Figura 1: Biótipos

NOMENCLATURA ANATÔMICA
É a linguagem própria da anatomia, ou seja, conjunto de termos empregados para
designar e descrever o organismo ou suas partes. Com o acúmulo de conhecimentos no
final do século passado, graças aos trabalhos de importantes “escolas anatômicas”
(sobretudo na Itália, França, Inglaterra e Alemanha), as mesmas estruturas do corpo
humano recebiam denominações diferentes nestes centros de estudos e pesquisas. Em
razão desta falta de metodologia e de inevitáveis arbitrariedades, mais de 20 000 termos
anatômicos chegaram a ser consignados (hoje reduzidos a poucos mais de 5 000). A
primeira tentativa de uniformizar e criar uma nomenclatura anatômica internacional
ocorreu em 1895. Em sucessivos congressos de Anatomia em 1933, 1936 e 1950 foram
feitas revisões e finalmente em 1955, em Paris, foi aprovada oficialmente a
Nomenclatura Anatômica, conhecida sob a sigla de P.N.A. (Paris Nomina Anatomica).
Revisões subsequentes foram feitas em 1960, 1965 e 1970, visto que a nomenclatura
anatômica tem caráter dinâmico, podendo ser sempre criticada e modificada, desde que
haja razões suficientes para as modificações e que estas sejam aprovadas em
Congressos Internacionais de Anatomia. A língua oficialmente adotada é o latim (por ser
“língua morta”), porém cada país pode traduzi-la para seu próprio vernáculo. Ao
designar uma estrutura do organismo, a nomenclatura procura utilizar termos que não
sejam apenas sinais para a memória, mas tragam também alguma informação ou
descrição sobre a referida estrutura. Dentro deste princípio, foram abolidos os
epônimos (nome de pessoas para designar coisas) e os termos indicam: a forma

11
Resumo de Anatomia Humana

(músculo trapézio); a sua posição ou situação (nervo mediano); o seu trajeto (artéria
circunflexa da escápula); as suas conexões ou inter-relações (ligamento sacroilíaco); a
sua relação com o esqueleto (artéria radial); sua função (m. levantador da escápula);
critério misto (m. flexor superficial dos dedos – função e situação). Entretanto, há nomes
impróprios ou não muito lógicos que foram conservados, porque estão consagrados
pelo uso.

POSIÇÃO ANATÔMICA
Para evitar o uso de termos diferentes nas descrições anatômicas, considerando-se
que a posição pode ser variável, optou-se por uma posição padrão, denominada posição
de descrição anatômica (posição anatômica). Deste modo, os anatomistas, quando
escrevem seus textos, referem-se ao objeto de descrição considerando o indivíduo como
se estivesse sempre na posição padronizada.
Nela o indivíduo está em posição ereta (em pé, posição ortostática ou bípede), com a
face voltada para frente, o olhar dirigido para o horizonte, membros superiores
estendidos, aplicados ao tronco e com as palmas voltadas para frente, membros
inferiores unidos, com as pontas dos pés dirigidas para frente.

DIVISÃO DO CORPO HUMANO


O corpo humano divide-se em cabeça, pescoço, tronco e membros. A cabeça
corresponde à extremidade superior do corpo estando unida ao tronco por uma porção
estreitada, o pescoço. O tronco compreende o tórax e o abdome com as respectivas
cavidades torácica e abdominal; a cavidade abdominal prolonga-se inferiormente na
cavidade pélvica. Dos membros, dois são superiores ou torácicos e dois inferiores ou
pélvicos. Cada membro apresenta uma raiz, pela qual está ligada ao tronco, e uma parte
livre.

PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO


Na posição anatômica o corpo humano pode ser delimitado por planos
tangentes a sua superfície (planos de delimitação), pois delimitam o corpo
humano por planos tangentes à sua superfície, os quais, com suas
intersecções, determinam a formação de um sólido geométrico, um
paralelepípedo. Logo, através dos planos anatômicos podemos dividir o
corpo humano em 3 dimensões e assim podemos localizar e posicionar
todas estruturas.
Têm-se assim, para as faces desse sólido, os seguintes planos
correspondentes:
o ventral ou anterior => plano vertical tangente ao ventre
o dorsal ou posterior => plano vertical tangente ao dorso
o lateral direito => plano vertical tangente ao lado direito do
corpo
Figura 2: Planos de
Delimitação

12
FELIX, Fernando Álison M. D.

o lateral esquerdo => plano vertical tangente ao lado esquerdo do corpo


o cranial ou superior => plano horizontal tangente à cabeça
o podal ou inferior => plano horizontal tangente à planta dos pés
Os planos descritos são de delimitação. É possível traçar também planos de secção,
os quais serão abordados a seguir.
Plano Sagital: É o plano que corta o corpo no sentido ântero-
posterior, possui esse nome porque passa exatamente na sutura
sagital do crânio; quando passa bem no meio do corpo, sobre a
linha sagital mediana, é chamado de sagital mediano e quando o
corte é feito lateralmente a essa linha, chamamos parassagital.
Determina uma porção direita e outra esquerda. Também nos
permite dizer se uma estrutura é lateral ou medial. Dizemos que é
lateral quando a estrutura se afasta da linha mediana e dizemos
que é medial quando ela se aproxima da linha mediana. Por
exemplo: observe na figura abaixo, podemos dizer que o mamilo
é medial e que o ombro é lateral.
Plano Coronal: É o plano que corta o corpo lateralmente, de
uma orelha a outra. Possui esse nome porque passa exatamente
na sutura coronal do crânio. Também pode ser chamado de plano
frontal. Ele determina se uma estrutura é anterior ou posterior. Figura 3: Plano Sagital
Observe na figura 3. Podemos dizer, tendo esse plano como Mediano
referência, que o nariz é anterior e que o ângulo da mandíbula é posterior.
Plano Transversal: É o plano que corta o corpo transversalmente, também é
chamado de plano axial. Através desse plano podemos dizer se uma estrutura é
superior ou inferior.

Figura 4: Plano Coronal Figura 5: Plano Transversal.

TERMOS ANATÔMICOS
A situação e a posição das estruturas anatômicas são indicadas em função dos
planos de delimitação e secções.

13
Resumo de Anatomia Humana

POSIÇÃO: Os termos de posição indicam proximidade aos planos de inscrição ou ao


plano de secção mediano. São termos comparativos e indicam que uma estrutura é, por
exemplo, mais cranial que outra. Nenhum órgão ou estrutura é simplesmente cranial ou
ventral pois estes planos são tangentes e portanto estão fora do corpo e surgem apenas
como referência. Termos de posição:
o Inferior ou caudal: mais próximo dos pés;
o Superior ou cranial: mais próximo da cabeça;
o Anterior ou ventral: mais próximo do ventre;
o Posterior ou dorsal: mais próximo do dorso;
o Medial: mais próximo do plano sagital mediano;
o Lateral: mais afastado do plano sagital mediano;
DIREÇÃO: Acompanham os eixos ortogonais. Termos de direção:
o Longitudinal ou crânio-caudal;
o Ântero-posterior ou dorso-ventral;
o Látero-lateral: de um lado a outro;
SITUAÇÃO:
o Mediano: situada exatamente ao longo do plano de secção mediano;
o Médio¹: quando as estruturas estão alinhadas na direção craniocaudal ou ântero-
dorsal.
o Intermédio¹: quando as estruturas estão em alinhamento látero-lateral]
COMPARAÇÃO:
o Proximal²: mais próximo do ponto de origem;
o Distal²: mais afastado do ponto de origem;
o Palmar ou volar: face anterior da mão. A face posterior das mãos é chamada
dorsal;
o Plantar: face inferior do pé. A face superior dos pés é chamada dorsal;
o Oral e aboral são termos restritos ao tubo digestivo e indicam estruturas mais
próximas ou distantes da boca, respectivamente.
o Aferente³ significa que impulsos nervosos ou o sangue são conduzidos da
periferia para o centro, e eferente³ se refere à condução do centro para a
periferia. Ex.: A raiz dorsal do nervo espinhal é aferente por conduzir impulsos
nervosos da periferia para a medula espinhal, já a raiz ventral é eferente.
4
o Superficial : estrutura contida no tegumento (epiderme + derme + tecido
subcutâneo);
4
o Profundo : estrutura abaixo do tegumento;
o Homolateral ou ipsilateral: do mesmo lado do corpo;
o Contra-lateral: do lado oposto do corpo;
o Holotopia: localização geral de um órgão no organismo. Ex.: o fígado está
localizado no abdômen;
o Sintopia: relação de vizinhança. Ex.: o estômago está abaixo do diafragma, a
direita do baço e a esquerda do fígado;
o Esqueletopia: relação com esqueleto. Ex.: coração atrás do esterno e da terceira,
quarta e quinta costelas;
o Idiotopia: relação entre as partes de um mesmo órgão. Ex.: ventrículo esquerdo
adiante e abaixo do átrio esquerdo.
MOVIMENTAÇÃO:
o Flexão: curvatura ou diminuição do ângulo entre os ossos ou partes do corpo;

14
FELIX, Fernando Álison M. D.

o Extensão: endireitar ou aumentar o ângulo entre os ossos ou partes do corpo;


o Adução: movimento na direção do plano mediano em um plano coronal;
o Abdução: afastar-se do plano mediano no plano coronal;
o Rotação Medial: traz a face anterior de um membro para mais perto do plano
mediano;
o Rotação Lateral: leva a face anterior para longe do plano mediano;
o Retrusão: movimento de retração (para trás) como ocorre na retrusão da
mandíbula e no ombro;
o Protrusão: movimento dianteiro (para frente) como ocorre na protrusão da
mandíbula e no ombro;
o Oclusão: movimento em que ocorre o contato da arcada dentário superior com a
arcada dentária inferior;
o Abertura: movimento em que ocorre o afastamento dos dentes no sentido
súpero-inferior;
o Elevação: elevar ou mover uma parte para cima, como elevar os ombros;
o Abaixamento: abaixar ou mover uma parte para baixo, como baixar os ombros;
o Retroversão: posição da pelve na qual o plano vertical através das espinhas
ântero-superiores é posterior ao plano vertical através da sínfise púbica;
o Anteroversão: posição da pelve na qual o plano vertical através das espinhas
ântero-superiores é anterior ao plano vertical através da sínfise púbica;
o Pronação: movimento do antebraço e mão que gira o rádio medialmente em
torno de seu eixo longitudinal de modo que a palma da mão olha
posteriormente;
o Supinação: movimento do antebraço e mão que gira o rádio lateralmente em
torno de seu eixo longitudinal de modo que a palma da mão olha anteriormente;
o Inversão: movimento da sola do pé em direção ao plano mediano. Quando o pé
está totalmente invertido, ele também está plantifletido;
o Eversão: movimento da sola do pé para longe do plano mediano. Quando o pé
está totalmente evertido, ele também está dorsifletido;
o Dorsiflexão (flexão dorsal): movimento de flexão na articulação do tornozelo,
como acontece quando se caminha morro acima ou se levantam os dedos do
solo;
o Plantiflexão (flexão plantar): dobra o pé ou dedos em direção à face plantar,
quando se fica em pé na ponta dos dedos.

¹ Médio e Intermédio são termos que indicam situação de uma estrutura entre
outras duas.
² Proximal e Distal são usados para comparar a distância de pelo menos duas
estruturas em relação (1) a raiz do membro, (2) ao coração e (3) ao encéfalo e medula
espinhal.
³ Aferente e eferente indicam direção e são usados em anatomia para vasos e
nervos.
4
Os termos superficial e profundo indicam as distâncias relativas entre as estruturas
e a superfície do corpo. São também termos de situação que indicam estar contido nos
planos superficiais ou nos planos profundos. Nesse caso, o limite entre superficial e
profundo é a fáscia muscular. Lesões limitadas ao tegumento são superficiais, e lesões
que atingem a fáscia muscular já são consideradas profundas.

15
Resumo de Anatomia Humana

ORGANIZAÇÃO GERAL DO CORPO HUMANO


O corpo humano consiste de vários níveis de organização estrutural que estão
associados entre si. O nível químico inclui todas as substâncias químicas necessárias para
manter a vida.
As células constituem o segundo nível de organização e são as unidades estruturais e
funcionais básicas de um organismo.
O terceiro nível de organização é o nível tecidual. Os tecidos são grupos de células
semelhantes que, juntas, realizam uma função particular. Os quatro tipos básicos de
tecido são tecido epitelial, tecido conjuntivo, tecido muscular e tecido nervoso.
Quando diferentes tipos de tecidos estão unidos, eles formam o próximo nível de
organização: o nível orgânico. Os Órgãos são compostos de dois ou mais tecidos
diferentes, têm funções específicas e geralmente apresentam uma forma reconhecível.
O quinto nível de organização é o nível sistêmico. Um sistema consiste de órgãos
relacionados que desempenham uma função comum.
O mais alto nível de organização é o nível de organismo. Todos os sistemas do corpo
funcionando como um todo compõem o organismo – um indivíduo vivo.

PRINCÍPIOS DE CONSTRUÇÃO DO CORPO HUMANO


ANTIMERIA: O corpo está dividido em duas metades homólogas (aparentemente
simétricas) através do plano mediano, uma direita e outra esquerda, chamadas de
antímeros.
METAMERIA: O corpo está dividido em segmentos superpostos como uma pilha de
moedas, através de planos transversos sucessivos no sentido crânio-caudal, chamados
de metâmeros.
PAQUIMERIA: O corpo está dividido em duas metades heterólogas (assimétricas)
através do plano frontal ou coronal, uma anterior ou ventral (tubo esplâncnico) e outra
posterior ou dorsal (tubo neural), chamadas de paquímeros.
ESTRATIFICAÇÃO: O corpo possui estruturas dispostas em estratos ou camadas.

16
FELIX, Fernando Álison M. D.

Sistemas Reprodutores

INTRODUÇÃO À PELVE E AO PERÍNEO


A pelve é subdividida em pelves maior e menor. A pelve maior, superior à abertura
superior da pelve, protege as vísceras abdominais inferiores (íleo e colo sigmóide). A
pelve menor oferece a estrutura óssea para os compartimentos da cavidade pélvica e do
períneo, separados pelo diafragma da pelve. O períneo refere-se à região que inclui o
ânus e os órgãos genitais externos, se estendendo do cóccix até o púbis e abaixo do
diafragma pélvico.

CÍNGULO DO MEMBRO INFERIOR (QUADRIL)


O quadril une a coluna aos 2 fêmures.
Funções primárias:
o Sustenta o peso do corpo nas posições sentadas e de pé;
o Oferece fixação para os fortes músculos da locomoção e postura;
Funções secundárias:
o Conter e proteger as vísceras pélvicas e as vísceras abdominais inferiores;
o Proporcionar sustentação para as vísceras abdomino-pélvicas e para o útero
grávido;
o Proporcionar fixação para uma série de estruturas como corpos eréteis,
músculos, membranas, etc.

Ossos e Características do Cíngulo do Membro Inferior


O cíngulo do membro inferior é formado por 3 ossos: (1) Ossos do quadril direito e
(2) esquerdo, cada um desenvolvendo-se a partir da fusão de 3 ossos: ílio, ísquio e púbis;
(3) sacro, constituído pela fusão das 5 vértebras sacrais.
Após a puberdade o ílio, o
ísquio e o púbis fundem-se para
formar o osso do quadril. Os 2
ossos do quadril são unidos
anteriormente na sínfise púbica e
articula-se posteriormente com o
sacro nas articulações
sacroilíacas.

Figura 4: Pelve. Forma da abertura superior da pelve; vista superior. 17


Resumo de Anatomia Humana

o Ílio;
o Ísquio;
o Púbis.
O acetábulo é o local onde as 3 partes do osso do quadril se encontram.
A pelve é dividida em pelves maior (falsa) e menor (verdadeira) pelo plano oblíquo
da abertura superior da pelve.
A margem da pelve circunda e define a abertura superior da pelve:
o Promontório e asa do sacro;
o Linhas arqueadas direita e esquerda;
o Linhas pectíneas esquerda e direita do púbis;
o Cristas púbicas esquerda e direita.
O arco púbico é formado pelos ramos isquiopúbicos dos 2 lados. Suas margens
inferiores definem o ângulo subpúbico.
A abertura inferior da pelve é limitada por:
o Arco púbico anteriormente;
o Túberes isquiáticos lateralmente;
o Margem inferior do lig. sacrotuberal póstero-lateralmente.
o Extremidade do cóccix posteriormente.
Os limites da abertura inferior da pelve também são os limites profundos do períneo.
A face inferior côncava do diafragma pélvico forma o assoalho da cavidade pélvica
menor. A face inferior convexa, forma o teto do períneo.
As pelves masculina e feminina diferem em vários aspectos:

PELVE ÓSSEA MASCULINA FEMININA


Estrutura geral Espessa e pesada Fina e leve
Pelve maior Profunda Superficial
Larga, superficial,
Pelve menor Estreita, profunda, afunilada
cilíndrica
Em forma de coração;
Abertura superior da pelve Oval e arredondada; larga
estreita
Comparativamente
Abertura inferior da pelve Comparativamente pequena
grande
Arco púbico (Ângulo
Estreito (Â < 70°) Largo (Â > 80°)
subpúbico)
Forame obturado Grande e arredondado Quase triangular; oval
Acetábulo Grande Pequeno
Incisura isquiática maior Estreita ( 7̴ 0°); V invertido Quase 90°
Tabela 1: Diferenças entre a pelve masculina e a feminina.

Tipos de pelve:
- Andróide: afunilada, comum em homens (e mulheres brancas); quando em
mulheres, este tipo de pelve pode apresentar riscos para o parto bem sucedido de um
feto.
- Ginecóide: abertura superior possui caracteristicamente um formato oval
arredondado e um diâmetro transversal largo; tipo feminino mais comum.
- Antropóide: comuns em homens e em mulheres negras.
- Platipelóide: raro em ambos os sexos.

18
FELIX, Fernando Álison M. D.

Figura 5: Os quatro tipos de pelves.

Diâmetros pélvicos:
- Conjugado verdadeiro (obstétrico): menor distância entre a sínfise púbica e o
promontório sacral (≥ 11 cm).
- Conjugado diagonal: ̴13 cm.
- Distância interespinal: parte mais estreita do canal pélvico.
- Transverso: entre as linhas arqueadas ( ̴13 cm).
- Oblíquo: da articulação sacroilíaca de um lado à espinha isquiática do outro lado (~
12,5 cm)

Articulações e Ligamentos Importantes


Articulações primárias: articulações sacroilíacas e a sínfise púbica.

Articulações Sacroilíacas
Articulação sinovial anterior (entre as faces auriculares do sacro e do ílio) e uma
sindesmose posterior (entre as tuberosidades dos mesmos ossos).
Ligamentos:
o Ligg. sacroilíacos anteriores – parte da cápsula fibrosa da parte sinovial da
articulação;
o Ligg. sacroilíacos interósseos
o Ligg. sacroilíacos posteriores
Principais
o Ligg. sacrotuberais – forma o forame isquiático;
o Ligg. sacroespinais – divide o forame isquiático em forames isquiáticos maior
e menor.

Sínfise Púbica
Esta articulação consiste em um disco interpúbico fibrocartilaginoso e ligamentos
adjacentes unindo os corpos dos ossos do púbis no plano mediano.
Ligamentos:
o Lig. púbico superior;
o Lig. púbico inferior (arqueado).

19
Resumo de Anatomia Humana

Articulações Lombossacrais
As vértebras L5 e S1 articulam-se na sínfise intervertebral, anterior, formado pelo
disco intervertebral entre seus corpos e nas duas articulações dos processos articulares,
posteriores, entre os processos articulares dessas vértebras.
Ligamentos:
o Ligg. iliolombares.

Articulações Sacrococcígeas
É uma articulação cartilaginosa secundária com um disco intervertebral; une o ápice
do sacro à base do cóccix.
Ligamentos:
o Lig. sacrococcígeo anterior;
o Lig. sacrococcígeo posterior;
o Ligg. sacrococcígeos laterais.

CAVIDADE PÉLVICA (PELVE MENOR OU VERDADEIRA)


Limites:
o Inferior: diafragma pélvico;
o Posterior: cóccix + parte inferior do sacro;
o Teto: parte superior do sacro;
o Parede ântero-inferior: corpos dos púbis + sinfise púbica.

Paredes e Assoalhos da Cavidade Pélvica


Parede ântero-inferior da pelve
Formada principalmente pelo corpo e pelos ramos do púbis e pela sínfise púbica.

Paredes laterais da pelve


Formadas pelos ossos do quadril esquerdo e direito, cada qual incluindo um forame
obturado fechado por uma membrana obturatória, e pelos músculos obturadores
internos e pelas fáscies obturatórias que revestem as faces mediais desses músculos.

Parede posterior (parede póstero-lateral e teto)


Formada pela parede e pelo teto ósseos na linha mediana (sacro + cóccix) e pelas
paredes póstero-laterais músculo-ligamentares (ligamentos das articulações sacroilíacas
e mm. piriformes); nervos do plexo sacral.

Assoalho pélvico
Formado pelo diafragma pélvico, composto pelos seguintes músculos:
o Mm. coccígeos;
o M. levantador do ânus:
- m. puborretal
- m. pubococcígeo¹
- m. iliococcígeo

20
FELIX, Fernando Álison M. D.

Funções do m. levantador do ânus:


o Formam uma alça muscular para sustentar as vísceras abdominais;
o Resiste ao aumento da pressão interna;
o Ajuda a manter as vísceras pélvicas em posição.

¹ A lesão do m. levantador do ânus, principalmente no m. pubococcígeo, pode causar


incontinências urinária por esforço.

PRINCIPAIS ESTRUTURAS NEUROVASCULARES


Nervos Pélvicos
Tronco lombossacral: parte descendente do nervo L4 + ramo anterior do nervo L5.
Plexo Sacral: a maioria dos ramos do plexo sacral sai da pelve através do forame
isquiático maior:
o N. isquiático: maior nervo do corpo, formado pelos ramos anteriores dos
nervos espinais L4 à S3.
o N. pudendo: principal nervo do períneo e o principal nervo sensorial dos
órgãos genitais externos; é derivado dos ramos anteriores dos nervos
espinais S2 à S4.
o N. glúteo superior: origina-se nos ramos anteriores dos nervos espinais L4 à
S1; inerva os mm. glúteos médio e mínimo e o m. tensor da fáscia lata.
o N. glúteo inferior: origina-se nos ramos anteriores dos nervos espinais L5 à
S2; inerva o m. glúteo máximo.

Artérias Pélvicas
Principal: a. ilíaca interna.
Ramos da a. ilíaca interna:
Divisão (ou tronco) anterior:
- a. umbilical, que se transforma na a. vesical superior;
- a. obturatória;
- a. vesical inferior (em homens) / a. vaginal (em mulheres);
- a. retal média;
- a. uterina;
- a. pudenda interna;
- a. glútea inferior.
Divisão posterior:
- a. glútea superior;
- a. iliolombar;
- aa. sacrais laterais;
- a. ovárica;
- a. sacral mediana;
- a. retal superior.

21
Resumo de Anatomia Humana

Veias Pélvicas
Os plexos venosos pélvicos são formados pelas veias que se anastomosam
circundando as vísceras pélvicas. Os vários plexos na pelve menor se unem e são
drenados principalmente pelas vv. ilíacas internas.

SISTEMA GENITAL MASCULINO


Órgãos: testículos, sistemas de ductos, glândulas sexuais acessórias, escroto e pênis.

Escroto
Bolsa que consiste em pele frouxa e fáscia superficial e serve de suporte para os
testículos.
Rafe do escroto: linha (crista) mediana na pele do escroto;
Septo do escroto: fáscia superficial que divide o escroto em 2 bolsas, cada uma
contendo um só testículo.
Músculo dartos: fascículos de fibras musculares lisas encontrado no tecido
subcutâneo do escroto; quando se contrai, provoca o enrugamento da pele escrotal.
Estratificação – da camada mais superficial à mais profunda:
o Pele (cútis);
o Túnica dartos (m. dartos);
o Tecido celular subcutâneo;
o Fáscia espermática externa (derivada do m. oblíquo externo do abdome);
o Fáscia cremastérica (m. cremáster – músculo estriado esquelético; derivado
do m. oblíquo interno do abdome);
o Fáscia espermática interna (derivada do m. transverso do abdome);
o Lâmina parietal da túnica vaginal¹;
o Lâmina visceral da túnica vaginal;
o Túnica albugínea.

¹ Quando os testículos descem para o escroto, eles arrastam consigo parte do


peritônio parietal, originando o processo vaginal do peritônio. A parte superior desse
processo oblitera-se e a parte inferior irá formar a túnica vaginal de paredes duplas
(lâminas visceral e parietal).

?
Descreva a função do escroto na proteção dos testículos contra as
flutuações de temperatura.
A própria localização do escroto e a contração de suas fibras musculares
regulam a temperatura dos testículos. A temperatura de aproximadamente 2 a 3 °C
abaixo da temperatura central, requerida para a produção normal de esperma, é
mantida no escroto porque este está fora da cavidade pélvica. O músculo cremáster
eleva os testículos durante exposição ao frio. Essa ação move os testículos para mais
perto da cavidade pélvica, onde podem absorver calor do corpo. A exposição ao calor
reverte o processo. O músculo dartos também se contrai em resposta ao frio, e relaxa,
em resposta ao calor.

22
FELIX, Fernando Álison M. D.

Testículos
São as gônodas masculinas – glândulas ovais pares, medindo cerca de 5 cm de
comprimento e 2,5 cm de diâmetro. Cada testículo pesa entre 10 e 15 gramas.
Os testículos estão suspensos no escroto pelo funículo espermático, e o testículo
esquerdo geralmente localiza-se em posição mais baixa que o direito.
Produzem as células germinativas masculinas (espermatozóides) e hormônios
masculinos, principalmente a testosterona.
Configuração externa:
o Pólo superior – onde situa-se a cabeça do epidídimo;
o Pólo inferior;
o Face lateral – livre;
o Face medial – voltado para o septo do escroto;
o Margem anterior;
o Margem posterior – onde situa-se o corpo do epidídimo.
Os testículos possuem uma superfície externa fibrosa e resistente, a túnica
albugínea, que se espessa em uma crista sobre sua face interna, posterior, como o
mediastino do testículo.
Configuração interna:
o Túnica albugínea;
o Lóbulos do testículo;
o Mediastino do testículo;
o Túbulos seminíferos contorcidos;
o Túbulos seminíferos retos;
o Rede testicular;
o Ductos eferentes dos testículos.
Descida dos testículos: os testículos são formados na cavidade abdominal e durante
o desenvolvimento fetal descem na direção do escroto, passando pelos canais inguinais,
para ocupá-lo definitivamente, o que ocorre em geral até o 8º mês de vida intra-uterina.

Criptorquidia
Condição na qual os testículos não descem para o escroto. Ocorre em 3%
dos recém-nascidos a termo e em 30% dos recém-nascidos prematuros.
A criptorquidia bilateral não tratada resulta em esterilidade, porque as células da
linhagem espermatogênica são destruídas pela temperatura mais elevada da cavidade
pélvica.
A chance de desenvolver câncer de testículo é 30 a 50 vezes maior no testículo
criptorquídico.
A condição pode ser corrigida cirurgicamente, de modo ideal antes dos 18 meses de
idade, para manter a fertilidade do indivíduo.

O espermatozóide
Consiste em cabeça, peça intermediária e cauda.
A cabeça contém o DNA e um acrossomo (vesícula repleta de enzimas que auxiliam
na penetração do espermatozóide no ovócito II).
A peça intermediária possui numerosas mitocôndrias que realizam o metabolismo e
produzem ATP para a locomoção.
A cauda, um típico flagelo, impulsiona o espermatozóide ao logo de seu trajeto.

23
Resumo de Anatomia Humana

Epidídimo
Órgão em forma de vírgula, medindo aproximadamente 4 cm de comprimento
(sinuoso – 4 a 6 m de comprimento desenrolado), que se situa ao longo da margem
posterior de cada testículo.
Cada epidídimo consiste, principalmente, em ducto do epidídimo fortemente
espiralados.
Partes do epidídimo:
o Cabeça – região onde desembocam os ductos eferentes;
o Corpo;
o Cauda.
O ducto do epidídimo é o local onde a motilidade do espermatozóide aumenta.
Também armazena espermatozóides (por um mês ou mais) e ajuda a impeli-los para o
ducto deferente.
Curva formada pela cauda do epidídimo e início do ducto deferente: armazena os
espermatozóides até o ato sexual – amadurecimento.

Figura 6: Testículo, epididímo e ducto deferente.

Ducto Deferente
Na cauda do epidídimo, o ducto do epidídimo fica menos contorcido e seu diâmetro
aumenta; agora chamando-se ducto deferente, que mede cerca de 45 cm de
comprimento.
Passa através do canal inguinal. A parte terminal dilatada do ducto deferente é
conhecida com ampola do ducto deferente, que desemboca no ducto ejaculatório.

24
FELIX, Fernando Álison M. D.

O ducto deferente conduz espermatozóides do epidídimo para a uretra por meio de


contrações peristálticas da túnica muscular.

Deferentectomia (vasectomia)
Método comum de esterilização masculina;
Durante esse procedimento, parte do ducto deferente é ligada e excisada
por uma incisão na parte superior do escroto.
A inversão de uma vasectomia é bem sucedida em situações favoráveis (pacientes
com menos de 30 anos de idade e que a cirurgia tenha ocorrido há menos de 7 anos) na
maioria dos casos.

Funículo Espermático
Contém estruturas que entram e saem do testículo e suspende o testículo no
escroto. O funículo espermático começa no anel inguinal superficial e termina no
escroto, na margem posterior do testículo.
O revestimento do funículo inclui:
o Fáscia espermática interna;
o Fáscia cremastérica (com o m. cremáster);
o Fáscia espermática externa.
Os constituintes do funículo espermático são:
o Ducto deferente;
o A. testicular – origina-se da aorta e irriga testículo e epidídimo;
o A. do ducto deferente – origina-se da a. vesical inferior;
o A. cremastérica – origem da a. epigástrica inferior;
o Plexo venoso pampiniforme² – rede formada por até 12 veias que convergem
superiormente como as veias testiculares esquerda e direita;
o Ramo genital do n. genitofemoral – supre o m. cremáster;
o Vasos linfáticos – segue para os linfonodos lombares;
o Vestígio do processo vaginal – pode não ser detectável.

² O plexo pampiniforme proporciona uma grande superfície de contato e um sistema


de trocas térmicas contracorrentes entre artéria e veia. Acredita-se que trocas de calor
ocorram neste local, entre o sangue arterial quente com o sangue venoso frio,
auxiliando manter a temperatura testicular menor que a corporal. Esta troca de calor
depende muito da diferença de temperatura entre artéria e veia, ou seja, da
temperatura corporal e do testículo, respectivamente.

?
Enumere as estruturas contidas no funículo espermático masculino e
feminino.
As estruturas contidas no funículo espermático masculino foram descritas
acima. Como não é homólogo ao funículo espermático (masculino), o ligamento
redondo do útero (feminino) não contém estruturas comparáveis. Inclui apenas vestígios
da parte inferior do gubernáculo ovariano e do processo vaginal.

25
Resumo de Anatomia Humana

Ductos Ejaculatórios
Cada ducto ejaculatório mede cerca de 2 cm e é formado pela união do ducto da
glândula seminal e da ampola do ducto deferente.
São tubos delgados (de calibre reduzido).
Os ductos ejaculatórios se formam logo acima da base (parte superior) da próstata, e
seguem juntos ântero-inferiormente, atravessando a parte posterior da próstata.
Os ductos ejaculatórios convergem para se abrir no colículo seminal por meio de
pequenas aberturas semelhantes a fendas sob a abertura do utrículo prostático, os
óstios dos ductos ejaculatórios.
Embora os ductos ejaculatórios atravessem a próstata glandular, as secreções
prostáticas se unem ao liquido seminal somente na parte prostática da uretra após o fim
dos ductos ejaculatórios.

Figura 7: Bexiga, próstata, ducto deferente, glândula seminal; Corte oblíquo para expor a desembocadura do ducto
ejaculatório esquerdo na uretra.

Uretra (masculina)
Serve como passagem tanto para o sêmen quanto para a urina.
Esse tubo muscular mede de 18 a 22 cm de comprimento e possui dois óstios: o
óstio interno da uretra, na bexiga, e o óstio externo da uretra, na glande do pênis.
Saindo da bexiga (parte intramural), passa através da próstata (parte prostática), do
diafragma urogenital (parte membranácea) e do corpo esponjoso pênis (parte
esponjosa). A partir deste trajeto a uretra se subdivide em 4 partes:
o Parte intramural da uretra – 0,5 a 1,5 cm / circundada pelo esfíncter interno
da uretra;
o Parte prostática da uretra – 3 a 4 cm / contém o colículo seminal / os tratos
urinário e reprodutivo se fundem nesse ponto;
o Parte membranácea da uretra – 1 a 1,5 cm / circundada pelo esfíncter
externo da uretra;
o Parte esponjosa da uretra – ̴15 cm / possui duas dilatações (proximalmente:
fossa intrabulbar; distalmente: fossa navicular).

26
FELIX, Fernando Álison M. D.

Pênis
É o órgão masculino da cópula e, conduzindo a uretra, oferece a saída comum para a
urina e o sêmen.
Tem formato cilíndrico e consiste em corpo, raiz e glande do pênis.
O corpo do pênis é composto por três massas cilíndricas de tecido erétil (permeado
por seios sanguíneos), cada uma envolvida por tecido fibroso, chamado de túnica
albugínea. Superficialmente ao revestimento externo está a fáscia do pênis (fáscia de
Buck), que forma um revestimento membranáceo forte para as três massas, unindo-as.
As massas dorsolaterais pareadas são chamadas de corpos cavernosos do pênis; a
massa ventral média menor, o corpo esponjoso do pênis, contém a parte esponjosa da
uretra.
A raiz do pênis é a parte fixa (parte proximal) e consiste no bulbo do pênis, a parte
expandida da base do corpo esponjoso do pênis, e o ramo do pênis, as duas partes
separadas e cônicas dos corpos cavernosos do pênis.
O bulbo do pênis está fixado à face inferior do diafragma urogenital e é envolvido
pelo m. bulboesponjoso. Cada ramo do pênis está fixado aos ramos ísquio-púbicos,
sendo envolvido pelo m. ísquiocavernoso. A contração desses músculos esqueléticos
auxilia a ejaculação.
Distalmente, o corpo esponjoso se expande para formar a glande do pênis; sua
margem é a coroa da glande. O colo da glande é uma constricção em sulco oblíqua que
separa a glande do corpo do pênis.
A abertura em fenda da parte esponjosa da uretra, o óstio externo da uretra, está
perto da extremidade da glande.
No colo da glande, a pele e a fáscia do pênis são prolongadas como uma dupla
camada de pele, o prepúcio, que em homens não-circundados cobre a glande em
extensão variável.
O frênulo do prepúcio é uma prega mediana que vai da camada profunda do
prepúcio até a face uretral da glande.
Dois ligamentos sustentam o pênis:
o Lig. suspensor do pênis, que se origina da sínfise púbica;
o Lig. fundiforme, que se origina da parte inferior da linha alba – superficial
(anterior) ao lig. suspensor do pênis.

Fimose
Prepúcio que envolve a glande afunila-se.
Correção cirúrgica: remoção do prepúcio (circuncisão).

Circuncisão
É o procedimento cirúrgico no qual se remove parte ou todo o prepúcio.
Vantagens: facilita higienização, protege contra o câncer de pênis, menor
risco para infecções no trato urinário e menor risco para DST’s.

Suprimento arterial do pênis


Ramos das aa. pudendas internas:
o Aa. dorsais do pênis;
o Aa. profundas do pênis;
o Aa. do bulbo do pênis.

27
Resumo de Anatomia Humana

Drenagem venosa do pênis


o V. dorsal profunda do pênis;
o V. dorsal superficial do pênis.

Glândulas Anexas
Glândulas Seminais
São glândulas obliquamente posicionadas superiores à próstata e que não
armazenam espermatozóides. São estruturas pares contorcidas semelhantes a bolsas,
medindo cerca de 5 cm de comprimento.
Secretam um líquido viscoso alcalino, que neutraliza ácidos, fornece frutose para a
produção de ATP pelos espermatozóides, contribui para a viabilidade e motilidade dos
espermatozóides e ajuda na coagulação do sêmen.
Responsáveis pela produção de aproximadamente 60% do volume do sêmen.

Próstata
É uma glândula simples, em forma de anel, que se situa abaixo da bexiga urinária e
envolve a parte prostática da uretra.
Dimensões aproximadas: 3 cm de comprimento, 4 cm de largura e 2 cm em
profundidade ântero-posterior.
As secreções da próstata entram na parte prostática da uretra por meio de muitos
ductos prostáticos (nos seios prostáticos).
Secretam um líquido ligeiramente ácido – confere odor característico ao sêmen –
ajuda a coagular o sêmen após a ejaculação e consequentemente decompõe o coágulo.
A próstata produz cerca de 25% do volume do sêmen.
Configuração externa:
o 2 faces anterior – parte muscular, forma o rabdoesfíncter;
posterior – relacionada à ampola do reto;
o Base – relacionada com a bexiga;
o Ápice – em contato com o diafragma urogenital.
Ocorre aumento do tamanho prostático em homens mais velhos:
o Nascimento – puberdade: cresce lentamente;
o Puberdade – 30 anos: cresce rapidamente;
o 30 anos – 45 anos: tamanho estável;
o 45 anos – ‘n’anos: pode ocorrer novo aumento.
Toque retal: exame realizado para verificar se há aumento no tamanho da próstata,
característico de câncer de próstata. Dosagem de PSA no sangue deve ser realizada para
confirmação do diagnóstico.

Glândulas Bulbouretrais (de Cowper)


São duas glândulas com formato de ervilhas situadas póstero-lateralmente à parte
membranácea da uretra.
Seus ductos abrem-se na parte esponjosa da uretra (fossa intrabulbar).
Secretam um líquido mucoso alcalino, que neutraliza a acidez vaginal e lubrifica o
revestimento da uretra e pênis durante a excitação sexual. Dessa forma, reduz-se a
quantidade de espermatozóides danificados durante a ejaculação.

28
FELIX, Fernando Álison M. D.

Sêmen ou Esperma
É uma mistura de espermatozóides e de líquido seminal, proveniente das secreções
dos túbulos seminíferos, gll. seminais, próstata e gll. bulbouretrais.
Funções: fonte nutritiva para os espermatozóides, fornecendo meio de transporte e
neutraliza o meio hostil da uretra masculina e vagina.
Volume: ejaculação típica elimina aproximadamente 2,5 a 5 ml, com contagem de
espermatozóides de 50 a 150 milhões por ml. Se essa contagem cai abaixo de 20
milhões/ml, o homem provavelmente é infértil.
Composição: prostaglandinas, frutose, colina, ácido cítrico, lipídios, creatinina,
hialuronidase, seminalplasmina (ação antibiótica).

?
Descreva a trajetória dos espermatozóides pelo sistema de ductos desde o
testículo até o meio externo.
Os espermatozóides são fabricados nos túbulos seminíferos contorcidos
do testículo. Daí, eles atravessam os túbulos retos, chegando à rede testicular. A partir
da rede testicular, os espermatozóides se movem por uma série de ductos eferentes que
desembocam em um só tubo (ducto do epidídimo). Os espermatozóides, produzidos no
testículo, serão armazenados no epidídimo até o momento da ejaculação. Chegado este
momento, os espermatozóides percorrem todo o epidídimo (cabeça, corpo e cauda)
chegando ao ducto deferente. Por meio de contrações de sua espessa túnica muscular, o
ducto deferente encaminha os espermatozóides até sua porção terminal (ampola do
ducto deferente). Os espermatozóides saem da ampola e adentram no ducto
ejaculatório, pela parte posterior da próstata, juntamente com as secreções da gl.
seminal. O sêmen atravessa o ducto ejaculatório e sai pelo óstio do ducto ejaculatório
(localizado no colículo seminal, interior da parte prostática da uretra). Nesse ponto o
sêmen recebe as secreções prostáticas e continuam o percurso ao longo da uretra. Deixa
a porção prostática, atravessa a porção membranácea e, finalmente, chega na porção
esponjosa da uretra, onde recebe mais secreções, agora advindas das gll. bulbouretrais.
O sêmen, agora completamente formado, segue seu rumo ao longo da parte esponjosa
da uretra até o meio externo, ao atravessar o óstio externo da uretra.

SISTEMA GENITAL FEMININO


Fazem parte: 2 ovários, 2 tubas uterinas, útero, vagina e o pudendo. As glândulas
mamárias também são consideradas partes do sistema genital feminino.

Ovários
Glândulas pares com 3 a 4 cm de comprimento cada; são homólogas aos testículos.
Configuração externa:
o Margem mesovárica – fixa ao lig. largo pelo mesovário;
o Extremidade tubárica – possui o lig. suspensor do ovário e essa extremidade
está voltada para a tuba uterina;
o Extremidade uterina – possui o lig. útero-ovárico e está voltada para o útero;
o Face lateral – voltada para a fossa ovárica;
o Face medial – voltada para a cavidade pélvica e o lig. largo.

29
Resumo de Anatomia Humana

Cada ovário situa-se de encontro à face posterior do lig. largo e alojado com a face
lateral na fossa ovárica.
Ligamentos que mantêm os ovários na posição:
o Lig. largo do útero por meio de uma prega, o mesovário;
o Ligg. útero-ováricos – ancoram os ovários ao útero;
o Ligg. suspensores dos ovários – envolve os vasos ováricos e fixam os ovários a
parede da pelve.
Cada ovário contém um hilo, pelo qual passam vasos sanguíneos e nervos, e ao longo
do qual o mesovário está fixado.

Tubas Uterinas
Estendem-se lateralmente a partir do útero, situando-se na margem superior do lig.
largo do útero.
Aproximadamente 10 cm de extensão com diâmetro variando ao seu longo.
Transportam ovócitos II e óvulos fertilizados ou não, a partir dos ovários para o
útero.
Configuração externa (do lateral para o medial):
o Infundíbulo – parte funiliforme da tuba, próximo ao ovário / possui as
fímbrias (e a fímbria ovárica);
o Ampola – parte mais larga, longa e tortuosa da tuba;
o Ístmo – parte curta da tuba que chega ao útero;
o Parte intramural da tuba – que passa pela parede do útero.
A fertilização geralmente ocorre na ampola da tuba uterina.
A parte do lig. largo que une a tuba a este ligamento se denomina mesossalpinge (no
interior contém restos embrionários, o epoóforo).

Útero
É o local da menstruação, implantação do óvulo fertilizado, desenvolvimento do feto
durante a gravidez e parto.
Situado entre a bexiga urinária e o reto, com tamanho e formato de uma pêra
invertida.
Em mulheres que nunca ficaram grávidas, possui: 7,5 cm de comprimento, 5 cm de
largura e 2,5 cm de espessura; é maior nas mulheres que ficaram grávidas recentemente
e menor (atrofiado) na menopausa (diminuição dos hormônios).
Subdivisões anatômicas do útero:
o Fundo – porção acima dos óstios uterinos das tubas;
o Corpo – abaixo do fundo e acima do istmo, possui duas faces: anterior
(relacionado com a bexiga) e posterior (relacionado com o reto);
o Istmo – abaixo do corpo, segmento estreito com cerca de 1 cm de
comprimento;
o Colo – parte final do útero com cerca de 2,5 cm de comprimento, possui duas
porções: supravaginal (acima da vagina) e vaginal (que se salienta para a
vagina).
A porção vaginal do colo do útero circunda o óstio do útero e, por sua vez, é
circundada pelo fórnice da vagina.
O interior do corpo do útero é chamado de cavidade uterina e o interior do colo, de
canal do colo uterino.

30
FELIX, Fernando Álison M. D.

O canal do colo do útero se abre na cavidade uterina, no óstio interno, e na vagina,


no óstio externo.
Normalmente o útero fica deitado sobre a bexiga (antevertido e antefletido).
O canal do colo forma rugosidades: pregas palmadas.
A porção vaginal do colo que situa-se anteriormente ao óstio é chamado de lábio
anterior do colo, e a porção posterior, de lábio posterior do colo.
A parede do fundo e corpo do útero é formada por três camadas:
o Perimétrio: revestimento seroso externo;
o Miométrio: camada muscular lisa espessa;
o Endométrio: camada mucosa interna, relacionado com a menstruação e a
nidação (implantação do embrião).
O colo não possui endométrio e o miométrio é delgado.
O endométrio é dividido em duas camadas:
o Camada funcional: parte que descama durante a mesntruação;
o Camada basal: parte que origina a camada funcional após a menstruação.
As células secretoras da túnica mucosa do colo produzem o muco cervical que forma
um tampão no colo.
Ligamentos do útero:
o Lig. largo: pregas duplas de peritônio que fixam o útero em ambos os lados
da cavidade pélvica;
o Ligg. uterossacrais: extensões peritoneais que ligam o útero ao sacro;
o Ligg. cardinais: estendem-se para baixo até a base do lig. largo, da parede
lateral da cavidade pélvica ao colo do útero (conduz os vasos uterinos);
o Ligg. redondos: estendem-se do útero até os lábios maiores;
o Ligg. útero-ováricos.
A inclinação do útero para trás é chamada de retroflexão.
Por dentro dos dois folhetos do lig. largo passam: lig. redondo do útero, vasos
uterinos e o ureter.

Histerectomia
Remoção cirúrgica do útero, podendo ser parcial ou subtotal (corpo do
útero é removido, mas o colo é deixado no lugar), total (remove corpo e colo do
útero) e radical (remove completamente útero, tubas uterinas, ovários, parte superior
da vagina, linfonodos pélvicos e ligamentos).
A histerectomia pode ser indicada em condições como: endometriose, doença
inflamatória da pelve, cistos ováricos recorrentes, sangramento uterino excessivo e
câncer do colo, útero ou ovários.

Vagina
Órgão fibromuscular medindo de 7 a 10 cm de comprimento, revestido por túnica
mucosa.
Situada entre a bexiga urinária (anterior) e o reto (posterior).
Estende-se desde o fórnice da vagina ao vestíbulo (no períneo).
Uretra, vagina e reto atravessam o diafragma pélvico.
O seu epitélio apresenta espesso enrugamento transversal (rugas vaginais) e
apresenta por diante uma elevação provocado pela uretra, chamada carina uretral da
vagina.

31
Resumo de Anatomia Humana

A parede da vagina é constituída por três camadas:


o Túnica mucosa: reveste internamente a vagina; epitélio pavimentoso
estratificado não queratinizado + tecido conjuntivo areolar;
o Túnica muscular: camada circular externa e longitudinal interna de músculo
liso;
o Túnica adventícia: camada superficial; ancora a vagina aos órgãos adjacentes;
tecido conjuntivo areolar.
No óstio da vagina pode haver fina prega de túnica mucosa vascularizada, chamada
hímen, que forma uma borda em torno do óstio, fechando-o parcialmente.
Com o rompimento do hímen, formam-se as carúnculas himenais.
A vagina serve de passagem para fluxo menstrual, parto, e para o sêmen
proveniente do pênis durante a relação sexual (coito).

Vulva ou Pudendo
Monte púbico: elevação de tecido adiposo recoberto por pele e pêlos grossos;
anterior aos óstios da vagina e da uretra.
Lábios maiores: duas pregas longitudinais de pele, homólogas ao escroto. A fusão
anterior desses lábios maiores forma a comissura labial anterior, e a fusão posterior, a
comissura labial posterior.
Lábios menores: duas pregas menores de pele medial aos lábios maiores, formam o
vestíbulo e rima do vestíbulo.
Clitóris: pequena massa cilíndrica de tecido erétil e nervos, localizado na junção
anterior dos lábios menores; homólogo à glande do pênis; o corpo do clitóris é
recoberto pelo prepúcio, formado no ponto onde os lábios menores se unem; a parte
exposta do clitóris é a glande.
Vestíbulo: região delimitada pelos lábios menores; aí estão: o hímen (quando
presente), o óstio da vagina, o óstio externo da uretra e as aberturas dos ductos de
diversas glândulas.
Em ambos os lados do próprio ostio da vagina, encontram-se as gll. vestibulares
maiores (gll. de Bartholin – homólogas às gll. bulbouretrais no homem). Diversas
glândulas vestibulares menores também se abrem no vestíbulo.
Bulbo do vestíbulo: duas massas alongadas de tecido erétil imediatamente abaixo
dos lábios em ambos os lados os óstio da vagina; homólogo ao corpo esponjoso e ao
bulbo do pênis.

Períneo
Diafragma genital (de fora para dentro):
o M. transverso superficial do períneo;
o Membrana inferior (ou membrana superficial do períneo);
o M. transverso profundo do períneo;
o Membrana superior (ou membrana profunda do períneo).
O períneo é a área em forma de losango que contém os órgãos genitais externos e o
ânus. Limites:
o Anterior: sínfise púbica;
o Laterais: túberes isquiáticos;
o Posterior: cóccix.

32
FELIX, Fernando Álison M. D.

Uma linha transversal, traçada entre os túberes isquiáticos, divide o períneo no


trígono urogenital anterior (contém os órgãos genitais externos) e no trígono anal
posterior (contém o ânus).
O m. transverso superficial do períneo se estende desde o túber isquiático ao centro
tendíneo do períneo.
A membrana superficial do períneo (inferior) encobre mais dois músculos: o m.
ísquio-cavernoso e o m.bulbo-esponjoso. O primeiro segue o ramo ísquio-púbico do
quadril. O segundo se estende desde o centro tendíneo do períneo à sínfise púbica,
contornando as seguintes estruturas (sentido póstero-anterior): óstio da vagina, óstio
externo da uretra e clitóris. Por sua vez, o m. bulbo-esponjoso encobre o bulbo do
vestíbulo e a gl. vestibular maior. O m. ísquio-cavernoso encobre o ramo do clitóris.
Vascularização: de uma forma geral, essas estruturas do sistema genital feminino
interno e externo são irrigados por três artérias:
o A. ovárica: origina-se da a. aorta, vai ao ovário por dentro do lig. suspensor
do ovário;
o A. uterina: origina-se da a. ilíaca interna, penetra no lig. largo e irriga o útero
e adjacências;
o A. pudenda interna: se origina da a. ilíaca interna, vai ao períneo.

33
Resumo de Anatomia Humana

Sistema Endócrino

E
m conjunto, os sistemas nervoso e endócrino coordenam todos os sistemas
corporais. O sistema nervoso controla as atividades corporais por meio de
impulsos nervosos conduzidos ao longo dos axônios dos neurônios através
da liberação de neurotransmissores. O sistema endócrino atua por meio da liberação de
moléculas mediadoras no sangue: os hormônios.

CARACTERÍSTICA SISTEMA NERVOSO SISTEMA ENDÓCRINO


Hormônios levados até os
Moléculas Neurotransmissores liberados
tecidos, em todo o corpo, pelo
mediadoras por impulsos nervosos
sangue
Céls. musculares e glandulares, Virtualmente, todas as céls. do
Células afetadas
outros neurônios corpo
Tempo para início Tipicamente, dentro de
Segundos a horas ou dias
da ação milissegundos
Duração da ação Geralmente, breve Geralmente, mais longa
Tabela 2: Comparação entre os Sistemas Nervoso e Endócrino.

DEFINIÇÃO DE GLÂNDULAS ENDÓCRINAS


Glândulas Exócrinas: secretam seus produtos para ductos que levam as secreções
para as cavidades corporais, para o lúmen de um órgão, ou para a superfície externa do
corpo. Ex.: gll. sudoríparas, sebáceas, mucosas e digestivas.
Glândulas Endócrinas: secretam seus produtos (hormônios) para o líquido
intersticial, em torno das céls. secretoras, e não para ductos. A secreção, então, difunde-
se para os capilares e é levada pelo sangue. Ex.:
o Hipófise, tireóide, paratireóides, suprarrenais e pineal – foram o sistema
endocrine.
Há órgãos e tecidos que não atuam exclusivamente como glândulas endócrinas, mas
contém céls. que secretam hormônios: hipotálamo, timo, pâncreas, ovários, testículos,
rins, estômago, fígado, intestino delgado, pele, coração, tecido adiposo e placenta.

ATIVIDADE HORMONAL
Os hormônios só afetam células-alvo específicas, que contenham receptores para
reconhecer (fixar) determinado hormônio.

34
FELIX, Fernando Álison M. D.

O número de receptores em uma célula-alvo pode: diminuir caso o hormônio esteja


presente em quantidade excessiva (down-regulation – regulação para baixo), ou
aumentar quando a concentração do hormônio for deficiente (up-regulation – regulação
para cima).
O bloqueio dos receptores hormonais é um método clínico-medicamentoso para
inibir a ação e o efeito de alguns hormônios.
Tipos de hormônios:
o Endócrinos – entram no sangue e atuam sobre células-alvo distantes;
o Parácrinos – atuam sobre as células vizinhas;
o Autócrino – atuam sobre as mesmas células que os secretaram.
Os hormônios endócrinos são inativados pelo fígado e excretados pelos rins.
Quimicamente, os hormônios são lipossolúveis (esteróides, hormônios tireoidianos e
óxido nítrico) ou hidrossolúveis (aminas, peptídeos, proteínas e glicoproteínas e
eicosanóides).
Os hormônios hidrossolúveis circulam na forma “livre” no sangue; os hormônios
esteróides e tireoidianos se prendem a proteínas transportadoras específicas,
sintetizadas pelo fígado.
Os hormônios regulam o meio ambiente interno, o metabolismo e o balanço
energético; participam da regulação das contrações musculares, das secreções
glandulares e de determinadas respostas imunes; afetam o crescimento, o
desenvolvimento e a reprodução.

MECANISMOS DE AÇÃO HORMONAL


Os hormônios esteróides e tireoidianos, lipossolúveis, afetam o funcionamento
celular por alterarem a expressão gênica.
Os hormônios hidrossolúveis alteram o funcionamento celular pela ativação de
receptores da membrana plasmática, que inicia uma cascata de eventos, no interior da
célula.
Interações hormonais:
o Efeito permissivo: quando um hormônio potencializa o efeito de um segundo
hormônio;
o Efeito sinérgico: quando os efeitos de dois hormônios, atuando em conjunto,
são maiores, ou mais extensos, que a soma dos efeitos dos dois hormônios
agindo isoladamente. Ex.: estrógeno + FSH = maturação dos folículos;
o Efeito antagônico: quando um hormônio se opõe às ações de outro
hormônio. Ex.: insulina e glucagon = síntese e degradação de glicogênios,
respectivamente.

CONTROLE DA SECREÇÃO HORMONAL


A regulação da secreção se dá para impedir a secreção excessiva ou deficiente dos
hormônios.
A secreção hormonal é controlada por sinais no sistema nervoso, pelas alterações
químicas do sangue ou por outros hormônios.

35
Resumo de Anatomia Humana

Controle inadequado da secreção, receptores modificados ou número inadequado


de receptores podem resultar em distúrbios do sistema endócrino (hipossecreção ou
hipersecreção de hormônio).
Com grande frequência, sistemas de feedback negativo regulam a secreção
hormonal. Ocasionalmente, um sistema de feedback positivo contribui para a regulação
da secreção hormonal.

HIPOTÁLAMO E GLÂNDULA HIPÓFISE (PITUITÁRIA)


O hipotálamo é o principal elo integrador entre os sistemas nervoso e endócrino,
pois ele regula a atividade hipofisária por meio de conexões neurais e hormônios de
liberação.
O hipotálamo controla o sistema nervoso autônomo e regula a temperatura
corporal, a sede, a fome, o comportamento sexual e as reações de defesa, como as de
medo e de raiva.
Células, no hipotálamo, sintetizam pelo menos 9 hormônios diferentes e a hipófise
mais 7.
Hipófise:
o Forma de ervilha;
o Mede cerca de 1 a 1,5 cm de diâmetro;
o Pesa em torno de 0,5 g;
o Situada na sela túrcica do osso esfenóide (fossa hipofisal), fixando-se ao
hipotálamo por uma haste, o infundíbulo da hipófise;
o Duas partes anatômica e funcionalmente distintas: lobo anterior e lobo
posterior, ou adeno-hipófise e neuro-hipófise, respectivamente.
o Diafragma da sela: expansão da dura-máter que protege a hipófise; fixado
aos processos clinóides anteriores e posteriores do osso esfenóide; [Em
cirurgias, esse diafragma pode atrapalhar o processo cirúrgico.]
o Uma 3ª região, chamada parte intermédia, atrofia-se durante o
desenvolvimento fetal, cessando de existir como lobo distinto nos adultos.

Glândula Hipófise Anterior (Adeno-hipófise)


Responsável por cerca de 75% de todo o peso da glândula.
A liberação dos hormônios da adeno-hipófise é estimulada por hormônios de
liberação e suprimida pelos hormônios de inibição, ambos do hipotálamo.
Os hormônios hipotalâmicos chegam à adeno-hipófise por meio de um sistema porta
(que leva sangue entre 2 redes capilares sem passar pelo coração): o sistema porta
hipofisário.
Os 7 hormônios principais, secretados pelos 5 tipos celulares da adeno-hipófise são:
o GH: hormônio do crescimento humano ou somatotropina – secretado por
céls. chamadas somatotrofos. O hGH, por sua vez, estimula diversos tecidos a
secretarem fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF’s), que são
hormônios estimulantes do crescimento geral do corpo e reguladores de
aspectos do metabolismo;
o TSH: hormônio tireoestimulante ou tireotropina – secretado pelos tireotrofos.
Controla as secreções e outras atividades da glândula tireóide;

36
FELIX, Fernando Álison M. D.

o FSH e LH: hormônio folículo-estimulante e hormônio luteinizante – secretados


por gonadotropos. Atuam sobre as gônadas: (♂) estimulam a secreção de
testosterona e a produção de espermatozóides; (♀) estimulam a secreção de
estrógenos e progesterona e a maturação dos ovócitos;
o PRL: prolactina – secretada pelos lactotrofos. Inicia a produção de leite pela
glândula mamária;
o ACTH e MSH: hormônio adrenocorticotrópico ou corticotropina, e hormônio
estimulante dos melanócitos – secretados pelos corticotrofos. O ACTH
estimula o córtex adrenal a secretar glicocorticóides.

Glândula Hipófise Posterior (Neuro-hipófise)


Contém axônios e terminais axônicos de mais de 10.000 neurônios, cujos corpos
celulares estão situados nos núcleos supra-óptico e paraventricular do hipotálamo. Os
terminais axônicos na neuro-hipófise estão associados à neuróglia especializada,
chamada pituitócitos.
Não sintetiza hormônios; na verdade armazena e libera 2 hormônios produzidos nas
céls. neurossecretoras do hipotálamo: ocitocina e ADH:
o Ocitocina: durante o parto, aumenta a contração das céls. musculares lisas na
parede uterina; após o parto, estimula a ejeção do leite pelas glândulas
mamárias.
o ADH: diminui a produção de urina (faz com que o rim retorne mais água para
o sangue, diminuindo, desse modo, a volume urinário) e a água perdida pela
sudorese (causa constricção das arteríolas, o que aumenta a pressão). O
etanol inibe a produção de ADH, logo sua ação é diurética.
Os axônios das céls. neurossecretoras hipotalâmicas formam o trato hipotálamo-
hipofisário.

Correlação Clínica
Gigantismo: enfermidade hormonal causada pela excessiva secreção de
GH durante a idade (fase) de crescimento. Principal sintoma: crescimento
longitudinal acelerado. Acromegalia: síndrome causada pelo aumento da secreção de
GH durante a idade adulta. Por ocorrer na fase adulta, o crescimento se dá nas partes
moles e crescimento horizontal (largura/espessura).
Nanismo hipofisário: deficiência de GH na infância. Principal sintoma: baixa estatura
acentuada.

Figura 8: Face medial do cérebro; diencéfalo e tronco do encéfalo.

37
Resumo de Anatomia Humana

GLÂNDULA PINEAL (EPÍFISE)


Pequena glândula endócrina presa ao teto do diencéfalo na extremidade posterior
do III ventrículo do encéfalo, na linha média. É parte do epitálamo, posicionada entre os
dois colículos superiores.
A glândula pineal é uma estrutura cinza-avermelhada do tamanho aproximado de
uma ervilha (diâmetro: 8 mm em humanos), pesando cerca de 0,1 a 0,2 g.
Recoberta por cápsula formada pela pia-máter. Essa pia-máter envia septos para o
interior da glândula, dividindo-a em lóbulos.
Histogicamente é composta pela neuróglia + pinealócitos (céls. secretoras).
Melatonina: secretada por melatócitos. Contribui para o ajuste do relógio biológico
do corpo; durante o sono, os níveis de melatonina aumentam até 10x na corrente
sanguínea (em um ambiente escuro e calmo, os níveis de melatonina do organismo
aumentam, causando o sono / na claridade, os níveis de melatonina diminuem); a
melatonina também é potente antioxidante que pode fornecer alguma proteção contra
os lesivos radicais livres do oxigênio.

Correlação Clínica
Germinoma pineal: (tumor na gl. pineal) impossibilita a visão vertical, pois
pressiona os colículos superiores.

GLÂNDULA TIREÓIDE
A tireóide é uma glândula, com 15 a 30 g,
localizada no pescoço anterior ao nível das
vértebras C5 até T1, em frente à traquéia, e é
imediatamente inferior à laringe (e à
proeminência da cartilagem tireóide). Ela está
recoberta por músculos do pescoço e pelas
suas fáscias. Tem cor escura vermelha.
Configuração externa: em forma de
borboleta ou “H”:
o Dois lobos laterais (esquerdo e
direito) ficam cada um, em um dos
lados da traquéia;
o Um istmo, situado à frente da
traquéia, conectando os dois lobos
laterais; Figura 9: Esquema mostrando laringe, traquéia e
o Raramente apresenta um lobo glândula tireóide. (Vista anterior)
piramidal que se estende para cima, a partir do istmo, fixando-se ao osso
hióide por meio de tecido fibroso ou muscular (m. levantador da gl. tireóide).
Dimensões: 5 cm de comprimento.
Possui rico suprimento sanguíneo: 80 a 120 ml de sangue/minuto.
Unidades estruturais e funcionais:
o Folículos tireoidianos: sacos esféricos microscópicos, revestidos por uma
camada de céls. foliculares (cubóides a colunares) ativamente secretoras.

38
FELIX, Fernando Álison M. D.

Produzem a tiroxina (T4 = tetraiodotironina) e a triiodotironina (T3). Esses


hormonios, conhecidos também como hormonios tireoidianos, são
produzidos sob estímulo do TSH.
o Células parafoliculares (ou céls. C) podem existir nos folículos ou entre eles.
Elas produzem o hormônio calcitonina (participa da homeostasia do cálcio,
inibindo a ação dos osteoclastos).

Correlação Clínica
Hipotireoidismo: hipossecreção dos hormônios tireoidianos. Durante a
fase fetal ou infância: cretinismo – nanismo, retardo mental grave. Durante a
idade adulta: mixedema – edema facial, diminuição da frequência cardíaca, redução da
temperatura corporal, aumento da sensibilidade ao frio, pele e cabelos secos, fadiga,
letargia generalizada, tendência a ganhar peso com facilidade e apatia. Não ocorre
retardo mental.
Hipertireoidismo: hiperssecreção dos hormônios tireoidianos. A forma mais comum
é a Doença de Graves (distúrbio auto-imune – a pessoa produz anticorpos que
mimetizam a ação do TSH), na qual a gl. tireóide é continuamente estimulada a crescer e
a produzir hormônios tireoidianos. Característica marcante: exoftalmia, dificuldade de
respirar e rouquidão.
Bócio: gl. tireóide com tamanho aumentado e pode ser associado ao hiper, ao hipo
ou ao eutireoidismo. O bócio pode aparecer pela ingestão dietética inadequada de iodo.
[↓ iodo > ↓ hormônios Dreoidianos > ↑ TSH > ↑ tamanho da gl. Dreóide]

GLÂNDULAS PARATIREÓIDES
As glândulas paratireóides são dois pares de glândulas
endócrinas que se situam atrás ou embebidas à superfície
posterior dos lobos laterais da glândula tiróide. Mais
frequentemente existem quatro glândulas paratireóides, mas
algumas pessoas tem seis ou até mesmo oito.
Forma arredondada (diâmetro: 6 mm) com 4 mg cada uma.
Possuem dois tipos celulares:
o Células principais: produzem o hormônio
paratireoidiano (PTH) ou paratormônio (participa
da homeostasia do cálcio, estimulando a ação dos
osteoclastos / promove a formação do hormônio
calcitriol, forma ativa da vitamina D, nos rins);
o Células oxifílicas: bem menos numerosas que as
céls. principais e sua função ainda é desconhecida.

A calcitonina e o paratormônio na regulação da


calcemia
Figura 10: Acima se vê a tireóide O paratormônio atua aumentando a concentração de
em seu local anatômico (visão cálcio no sangue, ao passo que a calcitonina atua diminuindo
anterior). Abaixo vemos a
a concentração de cálcio.
tireóide isoladamente numa
visão posterior com destaque
para as glândulas paratireóides
(em amarelo).

39
Resumo de Anatomia Humana

O paratormônio estimula a atividade osteolítica (destruidora do cristal do osso) dos


osteoclastos; aumenta a absorção renal de cálcio; aumenta a absorção de vitamina D e
absorção intestinal de cálcio, o que se traduz num incremento rápido e sustentado da
quantidade de cálcio no sangue. A calcitonina age como um antagonista fisiológico do
PTH, impedindo que o cálcio se eleve acima dos níveis fisiológicos. Atua principalmente
no osso, causando uma diminuição da reabsorção óssea através da inibição da atividade
osteoclástica.

GLÂNDULA TIMO
É uma glândula ímpar com dois lobos alongados, e localiza-se no mediastino, atrás
do esterno e diante dos vasos da base do coração, e entre os dois pulmões.
Uma lâmina envolvente de tecido conjuntivo prende os dois lobos do timo,
intimamente justapostos, mas uma cápsula de tecido conjuntivo envolve cada lobo
separadamente. Essa cápsula fibrosa divide cada lobo em lóbulos.
O timo atinge seu auge de desenvolvimento por volta dos 2 anos de idade, e a partir
daí ocorre uma involução gradual e progressiva, ao passo que vai sendo substituído por
tecido adiposo.
Hormônios: timosina, fator humoral tímico (THF), fator tímico (FT) e timopoietina –
promovem a proliferação e a maturação das células T.

Figura 11: Timo em seu local anatômico. (Vista anterior)

GLÂNDULAS SUPRARRENAIS
São glândulas pares (2), uma situada no pólo superior de cada rim, posterior ao
peritônio parietal.
Recobrindo cada glândula, existe uma cápsula de tecido conjuntivo.
Ricamente vascularizadas.

40
FELIX, Fernando Álison M. D.

Peso: 3,5 a 5,0 g (em adultos). Dimensões: 3 a 5 cm de comprimento, 2 a 3 cm de


largura e aproximadamente 1 cm de espessura.
A gl. suprarrenal direita tem forma piramidal. A gl. suprarrenal esquerda tem forma
semi-lunar.
Configuração externa:
• Gl. suprarrenal esquerda:
o Face anterior: relacionada lateralmente com o baço e medialmente
com o estômago;
o Face posterior: relacionada com o diafragma.
o Base: relacionada com o pólo superior do rim esquerdo.
• Gl. suprarrenal direita:
o Face ântero-lateral: relacionada com o fígado;
o Face ântero-medial: relacionada com a v. cava inferior;
o Face posterior: relacionada com o diafragma;
o Base: relacionada com o pólo superior do rim direito;
o Crista: proeminência formada entre as faces ântero-lateral e ântero-
medial.
Configuração interna:
• Córtex – maior porção (80 a 90% do peso total), secreta hormônios essenciais
à vida:
o Zona glomerulosa: produz mineralocorticóides (ex.: aldosterona);
o Zona fasciculada: produz glicocorticóides (ex.: cortisol);
o Zona reticulada: produz pequenas quantidades de andrógenos (ex.:
testosterona).
• Medula – seus hormônios não são essenciais para a vida:
o Células cromafins: produzem os hormônios epinefrina e
norepinefrina (ou adrenalina e naradrenalina, respectivamente), que
são simpaticomiméticos.

Figura 12: Esquema que mostra a relação das


glândulas suprarrenais com os rins. A figura aponta
a gl. suprarrenal direita. (Vista anterior)

41
Resumo de Anatomia Humana

PÂNCREAS
O pâncreas é uma glândula mista: é, ao mesmo tempo, glândula exócrina e glândula
endócrina.
É um órgão achatado, medindo cerca de 12,5 a 15,0 cm de comprimento e pesando
entre 80 e 90 g.
Fica situado, retroperitonealmente, posterior e ligeiramente inferior ao estômago,
entre o duodeno e o hilo do baço, e anterior à v. cava inferior.
Configuração externa:
o Cabeça – “abraçada” pela concavidade do duodeno e inferiormente origina o
processo uncinado;
o Colo;
o Corpo;
o Cauda – sua extremidade está voltada para o hilo esplênico.
Secreções:
• Exócrina: suco pancreático pelos ácinos pancreáticos (99% do pâncreas);
• Endócrina: hormônios pelas ilhotas pancreáticas (1% do pâncreas):
o Células alfa: responsáveis por 20% das secreções endócrinas –
secretam glucagon, o qual é um hiperglicemiante;
o Células beta: responsáveis por 70% das secreções endócrinas –
secretam insulina, a qual é um hipoglicemiante;
o Células delta: responsáveis por 8% das secreções endócrinas –
secretam somatostatina, que inibe a liberação da insulina e do
glucagon. A somatostatina é idêntico ao GHIH (hormônio de inibição
do GH).
o Células PP: secretam o polipeptídeo pancreático, que inibe secreção
de somatostatina, estimula contração da vesícula biliar, suprime a
secreção exócrina pancreática e estimula a secreção gástrica. E regula
o apetite entre as refeições.

OVÁRIOS E TESTÍCULOS
Ver no capítulo 2: Sistemas Reprodutores.

42
FELIX, Fernando Álison M. D.

Sistema Nervoso

O
sistema nervoso, juntamente com o sistema endócrino, capacita o
organismo a perceber as variações do meio (interno e externo), a difundir
as modificações que essas variações produzem e a executar as respostas
adequadas para que seja mantido o equilíbrio interno do corpo (homeostase).
O SNC (Sistema Nervoso Central) recebe, analisa e integra informações. É o local
onde ocorre a tomada de decisões e o envio de ordens. O SNP (Sistema Nervoso
Periférico) carrega informações dos órgãos sensoriais para o sistema nervoso central e
do sistema nervoso central para os órgãos efetores (músculos e glândulas).

Figura 13: Divisões e Subdivisões do Sistema Nervoso.

No SNC, existem as chamadas substâncias cinzenta e branca. A substância cinzenta é


formada pelos corpos dos neurônios e a branca, por seus prolongamentos. Com exceção
do bulbo e da medula, a substância cinzenta ocorre mais externamente e a substância
branca, mais internamente.
Os órgãos do SNC são protegidos por estruturas esqueléticas (caixa craniana,
protegendo o encéfalo; e coluna vertebral, protegendo a medula) e por membranas
denominadas meninges, situadas sob a proteção esquelética: dura-máter (a externa),
aracnóide (a do meio) e pia-máter (a interna). Entre as meninges aracnóide e pia-máter
há um espaço preenchido por um líquido denominado líquido cerebrospinal (LCE) ou
simplesmente líquor.

43
Resumo de Anatomia Humana

MEDULA ESPINAL

Medula significa miolo e indica o que está dentro. Assim temos a medula espinal
dentro dos ossos, mais precisamente dentro do canal vertebral. A medula espinal é uma
massa cilindróide de tecido nervoso situada dentro do canal vertebral sem entretanto
ocupá-lo completamente. No homem adulto ela mede aproximadamente 45 cm sendo
um pouco menor na mulher. Cranialmente a medula limita-se com o bulbo,
aproximadamente ao nível do forame magno do osso occipital. O limite caudal da
medula tem importância clinica e no adulto situa-se geralmente em L2. A medula
termina afinando-se para formar um cone, o cone medular, que continua com um
delgado filamento meníngeo, o filamento terminal.

FORMA E ESTRUTURA DA MEDULA ESPINAL


A medula apresenta forma aproximada de um cilindro, achatada no sentido ântero-
posterior. Seu calibre não é uniforme, pois ela apresenta duas dilatações denominadas
de intumescência cervical e intumescência lombar.
Estas intumescências medulares correspondem às áreas em que fazem conexão com
as grossas raízes nervosas que formam o plexo braquial e lombossacral, destinados à
inervação dos membros superiores e inferiores respectivamente. A formação destas
intumescências se deve pela maior quantidade de neurônios e, portanto, de fibras
nervosas que entram ou saem destas áreas. A intumescência cervical estende-se dos
segmentos C4 até T1 da medula espinhal e a intumescência lombar (lombossacral)
estende-se dos segmentos de T11 até L1 da medula espinhal.

Figura 14: Secções transversais da medula espinal em todas as suas regiões.

44
FELIX, Fernando Álison M. D.

A superfície da medula apresenta os seguintes sulcos longitudinais, que percorrem


em toda a sua extensão: o sulco mediano posterior, fissura mediana anterior, sulco
ântero-lateral e o sulco póstero-lateral. Na medula cervical existe ainda o sulco
intermédio posterior que se situa entre o sulco mediano posterior e o sulco póstero-
lateral e que se continua em um septo intermédio posterior no interior do funículo
posterior. Nos sulcos ântero-lateral e póstero-lateral fazem conexão, respectivamente as
raízes ventrais e dorsais dos nervos espinhais.
Na medula, a substância cinzenta localiza-se por dentro da branca e apresenta a
forma de uma borboleta, ou de um "H". Nela distinguimos de cada lado, três colunas
que aparecem nos cortes como cornos e que são as colunas anterior, posterior e lateral.
A coluna lateral só aparece na medula torácica e parte da medula lombar. No centro da
substância cinzenta localiza-se o canal central da medula.
A substância branca é formada por fibras, a maioria delas mielínicas, que sobem e
descem na medula e que podem ser agrupadas de cada lado em três funículos ou
cordões:
o Funículo anterior: situado entre a fissura mediana anterior e o sulco ântero-
lateral.
o Funículo lateral: situado entre os sulcos ântero-lateral e o póstero-lateral.
o Funículo posterior: situado entre o sulco póstero-lateral e o sulco mediano
posterior, este último ligado a substância cinzenta pelo septo mediano
posterior. Na parte cervical da medula o funículo posterior é dividido pelo
sulco intermédio posterior em fascículo grácil e fascículo cuneiforme.

Figura 15: Medula espinal; corte transversal na parte cervical; coloração para as bainhas de mielina.

45
Resumo de Anatomia Humana

Figura 16: Relação das raízes nervosas com as vértebras.

CONEXÕES COM OS NERVOS ESPINAIS


Os sulcos ântero-lateral e póstero-lateral fazem conexão com pequenos filamentos
nervosos denominados de filamentos radiculares, que se unem para formar,
respectivamente, as raízes ventrais e dorsais dos nervos espinais. As duas raízes se unem
para formação dos nervos espinais, ocorrendo à união em um ponto situado distalmente
ao gânglio espinal que existe na raiz dorsal.
Existem 31 pares de nervos espinais aos quais correspondem 31 segmentos
medulares assim distribuídos: 8 cervicais, 12 torácicos, 5 lombares, 5 sacrais e 1
coccígeo. Encontramos 8 pares de nervos cervicais e apenas 7 vértebras cervicais porque
o primeiro par de nervos espinais sai entre o occipital e C1.

TOPOGRAFIA DA MEDULA
A um nível abaixo de L2 encontramos apenas as meninges e as raízes nervosas dos
últimos nervos espinais, que dispostas em torno do cone medular e filamento terminal,
constituem, em conjunto, a chamada cauda eqüina. Como as raízes nervosas mantém
suas relações com os respectivos forames intervertebrais, há um alongamento das raízes
e uma diminuição do ângulo que elas fazem com a medula. Estes fenômenos são mais
pronunciados na parte caudal da medula, levando a formação da cauda eqüina.
Ainda como consequência da diferença de ritmos de crescimento entre a coluna e a
medula, temos o afastamento dos segmentos medulares das vértebras

46
FELIX, Fernando Álison M. D.

correspondentes. Assim, no adulto, as vértebras T11 e T12 correspondem aos


segmentos lombares. Para sabermos qual o nível da medula cada vértebra corresponde,
temos a seguinte regra: entre os níveis C2 e T10, adicionamos o número dois ao
processo espinhoso da vértebra e se tem o segmento medular subjacente. Aos
processos espinhosos de T11 e T12 correspondem os cinco segmentos lombares,
enquanto ao processo espinhoso de L1 corresponde aos cinco segmentos sacrais.

ENVOLTÓRIO DA MEDULA
A medula é envolvida por membranas fibrosas denominadas meninges, que são:
dura-máter, pia-máter e aracnóide. A dura-máter é a mais espessa e envolve toda a
medula, como se fosse uma luva, o saco dural. Cranialmente ela se continua na dura-
máter craniana, caudalmente ela se termina em um fundo-de-saco ao nível da vértebra
S2. Prolongamentos laterais da dura-máter embainham as raízes dos nervos espinais,
constituído um tecido conjuntivo (epineuro), que envolve os nervos.
A aracnóide espinal se dispõe entre a dura-máter e a pia-máter. Compreende um
folheto justaposto à dura-máter e um emaranhado de trabéculas aracnóideas, que
unem este folheto à pia-máter.

Figura 17: A medula espinal e seus envoltórios meníngeos.

A pia-máter é a membrana mais delicada e mais interna. Ela adere intimamente o


tecido superficial da medula e penetra na fissura mediana anterior. Quando a medula
termina no cone medular, a pia-máter continua caudalmente, formando um filamento
esbranquiçado denominado filamento terminal. Este filamento perfura o fundo-de-saco
dural e continua até o hiato sacral. Ao atravessar o saco dural, o filamento terminal

47
Resumo de Anatomia Humana

recebe vários prolongamentos da dura-máter e o conjunto passa a ser chamado de


filamento da dura-máter. Este, ao se inserir no periósteo da superfície dorsal do cóccix,
constitui o ligamento coccígeo. A pia-máter forma, de cada lado da medula, uma prega
longitudinal denominada ligamento denticulado, que se dispõe em um plano frontal ao
longo de toda a extensão da medula. A margem medial de cada ligamento continua com
a pia-máter da face lateral da medula ao longo de uma linha contínua que se dispõe
entre as raízes dorsais e ventrais. A margem lateral apresenta cerca de 21 processos
triangulares que se inserem firmemente na aracnóide e na dura-máter em um ponto
que se alternam com a emergência dos nervos espinais. Os dois ligamentos denticulados
são elementos de fixação da medula e importantes pontos de referência em cirurgias
deste órgão.
Entre as meninges existem espaços que são importantes para a parte clínica médica
devido às patologias que podem estar envolvidas com essas estruturas, tais como:
hematoma extradural, meningites etc. O espaço epidural, ou extradural, situa-se entre a
dura-máter e o periósteo do canal vertebral. Contém tecido adiposo e um grande
número de veias que constituem o plexo venoso vertebral interno. O espaço subdural,
situado entre a dura-máter e a aracnóide, é uma fenda estreita contendo uma pequena
quantidade de líquido. O espaço subaracnóideo contém uma quantidade razoavelmente
grande de líquido cerebrospinal ou líquor. Alguns autores ainda consideram um outro
espaço denominado subpial, localizado entre a pia-máter e o tecido nervoso.

48
FELIX, Fernando Álison M. D.

TRONCO ENCEFÁLICO

Figura 18: Esquema que delimita as subdivisões do sistema nervoso central. (Vistal medial)

GENERALIDADES
Está entre a medula espinal e o diencéfalo, ventralmente ao cerebelo.
Constituição:
o Núcleos: grupos de corpos de neurônios;
o Tratos, fascículos ou lemniscos: feixes de fibras nervosas.
Dos 12 pares de nervos cranianos (NC), 10 fazem conexão com o tronco encefálico.
Divisão: bulbo, ponte e mesencéfalo.

BULBO (MEDULA OBLONGA)


Origem embrionária: mielencéfalo (derivado do rombencéfalo).
O bulbo é o centro cardiovascular e respiratório e é responsável pelo reflexo do
vômito e soluço.
Formato: tronco de cone, cuja extremidade menor continua caudalmente com a
medula espinhal.
Limites:
o Inferior: está em um plano horizontal ao nível do forame magno do osso
occipital – o bulbo repousa sobre o clivo do osso occipital;
o Superior: sulco bulbo-pontino (sulco horizontal visível no contorno ventral do
órgão).
A superfície do bulbo é percorrida longitudinalmente por sulcos paralelos, que
continuam com os sulcos da medula. Estes sulcos delimitam as áreas anterior (ventral),
lateral e posterior (dorsal) do bulbo – continuação dos funículos da medula.
A fissura mediana anterior termina cranialmente no forame cego do bulbo.

49
Resumo de Anatomia Humana

A pirâmide (feixe compacto de fibras nervosas descendentes – trato piramidal) é


visualizada a cada lado da fissura mediana anterior como uma eminência alongada.
Na parte caudal do bulbo, fibras deste trato cruzam em “X” o plano mediano,
obliterando a fissura mediana anterior – decussação das pirâmides.
A oliva é uma eminência oval situada na face lateral do bulbo (entre os sulcos
ântero-lateral e póstero-lateral). Formada por uma grande massa de substância
cinzenta, o núcleo olivar inferior.
Emergem do sulco ântero-lateral os filamentos radiculares do nervo hipoglosso (NC
XII).
Emergem do sulco póstero-lateral os filamentos radiculares, que se unem para
formar os nervos glossofaríngeo (NC IX) e vago (NC X), além dos filamentos que
constituem a raiz craniana ou bulbar no nervo acessório (NC XI), a qual se une com a raiz
espinhal.
A porção fechada do bulbo é percorrida por um estreito canal (continuação direta do
canal central da medula) que se abre para formar o IV ventrículo (parte do assoalho do
IV ventrículo é formada pela porção aberta).
Entre o sulco mediano posterior e o sulco póstero-lateral está situada a face
posterior do bulbo, continuação do funículo posterior da medula (fascículo grácil e
fascículo cuneiforme, divididos pelo sulco intermédio posterior). Estes fascículos
terminam em duas massas de substância cinzenta, os núcleos grácil e cuneiforme,
determinando o aparecimento de duas eminências, o tubérculo grácil (medialmente) e o
tubérculo cuneiforme (lateralmente).
Pedúnculo cerebelar inferior: formado por um grosso feixe de fibras, que são
continuações dos tubérculos grácil e cuneiforme.
Os fascículos grácil e cuneiforme são responsáveis pela sensibilidade tátil e
vibratória.

PONTE
Origem embrionária: metencéfalo (derivado do rombencéfalo).
A ponte regula o padrão e a frequência respiratória.
A ponte localiza-se entre o bulbo e o mesencéfalo.
Situação: ventralmente ao cerebelo, repousando sobre a parte basilar do osso
occipital e o dorso da sela túrcica do osso esfenóide.
Formato: cúbico (6 faces: superior e inferior são virtuais; anterior; posterior;
laterais).
A base (face anterior) apresenta estriação transversal: numerosos feixes de fibras
transversais convergem para cada lado – pedúnculo cerebelar médio, que penetra no
hemisfério cerebelar correspondente.
A emergência do nervo trigêmio (NC V) divide a ponte do pedúnculo cerebelar
médio. O NC V possui duas raízes: raiz sensitiva (maior) e raiz motora (menor).
Sulco basilar: sulco mediano na superfície ventral da ponte; aloja a a. basilar.
A parte ventral da ponte é separada do bulbo pelo sulco bulbo-pontino, de onde
emerge de cada lado, a partir da linha mediana, o VI, o VII e o VIII par de nervos
cranianos.

50
FELIX, Fernando Álison M. D.

O NC VI, o nervo abducente, emerge entre a ponte e a pirâmide do bulbo. O NC VIII,


o nervo vestíbulo-coclear, emerge lateralmente próximo a um pequeno lobo cerebelar
denominado flóculo. O NC VII, o nervo facial, emerge lateralmente com o NC VIII, o n.
vestíbulo-coclear, com o qual mantém relações íntimas. Entre os dois, emerge o nervo
intermédio, que é a raiz sensitiva do VII par craniano.
A parte dorsal da ponte juntamente com a parte dorsal da porção aberta do bulbo
constituem o assoalho do IV ventrículo.

Figura 19: Tronco Encefálico. (Vista ântero-inferior)

IV VENTRÍCULO
Situação e Comunicações
Cavidade do rombencéfalo, forma losângica, situado entre o bulbo e a ponte
ventralmente, e o cerebelo, dorsalmente. Continua caudalmente com o canal central do
bulbo e cranialmente com o aqueduto do mesencéfalo (de Sylvius), através do qual o IV
ventrículo se comunica com o III ventrículo.
Aberturas laterais do IV ventrículo (forames de Luschka): aberturas dos recessos
laterais, situados na superfície dorsal do pedúnculo cerebelar inferior.
Abertura mediana do IV ventrículo (forame de Magendie): abertura no meio do teto
do IV ventrículo.
Por meio destas cavidades, o líquido cerebrospinal (LCE) passa para o espaço
subaracnóideo.

51
Resumo de Anatomia Humana

Assoalho do IV ventrículo (Fossa rombóide)


Forma losângica: parte dorsal da ponte + parte dorsal da porção aberta do bulbo.
Limites:
o Ínfero-laterais: pedúnculos cerebelares inferiores + tubérculos grácil e
cuneiforme;
o Súpero-laterais: pedúnculos cerebelares superiores (compactos feixes de
fibras nervosas que, saindo de cada hemisfério cerebelar, fletem-se
cranialmente e convergem para penetrar no mesencéfalo).
Percorrido em toda extensão pelo sulco mediano.
Eminência medial: eminência em cada lado do sulco mediano, limitada lateralmente
pelo sulco militante.
Fóvea superior e fóvea inferior: duas depressões formadas pelo alargamento cranial
e caudal do sulco limitante.
Colículo facial: elevação arredondada da eminência medial (de cada lado)
medialmente à fóvea superior.

Figura 20: Fossa rombóide; Visão do assoalho do IV ventrículo após o corte dos pedúnculos cerebelares; vista
póstero-superior.

52
FELIX, Fernando Álison M. D.

Trígono do nervo hipoglosso: pequena área triangular lateral de vértice inferior na


parte caudal da eminência medial – corresponde ao núcleo do n. hipoglosso (NC XII).
Trígono do nervo vago: pequena área triangular lateral ao trígono do n. hipoglosso,
caudalmente à fóvea inferior – corresponde ao núcleo dorsal do n. vago (NC X).
Área vestibular: grande área triangular lateral ao sulco limitante e estendendo-se de
cada lado em direção aos recessos laterais – correspondem aos núcleos vestibulares do
n. vestíbulo-coclear (NC VIII).
Estrias medulares do IV ventrículo: finais cordas de fibras nervosas que cruzam
transversalmente a área vestibular.
Locus ceruleus: região que se estende da fóvea superior em direção ao aqueduto do
mesencéfalo. Função relacionada com o mecanismo do sono.

Teto do IV ventrículo
Metade cranial do teto: véu medular superior (fina lâmina de substância branca, que
se estende entre os dois pedúnculos cerebelares superiores).
Metade caudal do teto:
o Nódulo do cerebelo: apenas pequena parte da substância branca;
o Véu medular inferior: fina lâmina branca presa medialmente às margens
laterais do nódulo do cerebelo;
o Tela corióide do IV ventrículo: constituído de epitélio ependimário + pia-
máter, une as duas formações anteriores às margens da metade caudal do
assoalho do IV ventrículo.
Plexo corióide do IV ventrículo: projeções irregulares da tela corióide (forma de “T”),
muito vascularizada, que se invaginam na cavidade ventricular.
Os plexos corióides produzem o líquido cerebrospinal (LCE).

MESENCÉFALO
Limites e Divisão do Mesencéfalo
Interposto entre a ponte e o cerebelo.
Atravessado pelo aqueduto do mesencéfalo (de Sylvius) – une o III ao IV ventrículo.
Teto do mesencéfalo: parte do mesencéfalo dorsal ao aqueduto. Ventralmente
temos os dois pedúnculos cerebrais, os quais são divididos pela substância negra em
base (ventralmente) e tegmento (dorsalmente).
Substância negra: formada por neurônios que contêm melanina; separa a base do
pedúnculo do tegmento; contribuem na regulação da atividade motora subconsciente.
Relacionado à Doença de Parkinson.

Teto do Mesencéfalo
O teto é a região posterior do mesencéfalo, segundo figuras 17 e 18.
Corpos quadrigêmeos: (2) colículos superiores + (2) colículos inferiores. São quatro
eminências arredondadas, separadas por sulcos perpendiculares em forma de cruz.
Os colículos inferiores estão relacionados com o reflexo de Moro.
Inferiormente a cada colículo inferior emerge o IV par de nervo craniano: n. troclear
(NC IV) – único dos pares que emerge dorsalmente.

53
Resumo de Anatomia Humana

O colículo inferior se liga ao corpo geniculado medial pelo braço do colículo inferior,
e o colículo superior se liga ao corpo geniculado lateral pelo braço do colículo superior.
Os corpos geniculados são pequenas eminências ovais do diencéfalo.

Pedúnculos Cerebrais
São dois grandes feixes de fibras que surgem na borda superior da ponte e divergem
cranialmente para penetrar profundamente no cérebro.
Fossa interpeduncular: profunda depressão triangular delimitado pelos pedúnculos
cerebrais, limitada anteriormente pelos corpos mamilares (diencéfalo).
Substância perfurada posterior: fundo da fossa interpeduncular com pequenos
orifícios para passagem de vasos.
O NC III (n. oculomotor) emerge da fossa interpeduncular, mais precisamente um em
cada sulco medial do pedúnculo cerebral.
Núcleo rubro: duas regiões situadas, cada, imediatamente dorsal à substância negra
no tegmento do pedúnculo cerebral; formado por axônios provenientes do cerebelo e
do córtex cerebral; atuam com o cerebelo para coordenar movimentos musculares.

Figura 21: Esquema didático do mesencéfalo. (Corte transversal)

Figura 22: Mesencéfalo; Corte transversal ao nível dos colículos superiores; vista inferior.

54
FELIX, Fernando Álison M. D.

CEREBELO

GENERALIDADES
O cerebelo constitui o sistema nervoso suprassegmentar. Deriva da parte posterior
do metencéfalo e fica situado posteriormente ao bulbo e à ponte, contribuindo para a
formação do teto do IV ventrículo.
Situação: encontra-se repousando sobre a fossa cerebelar do osso occipital e está
separado do lobo occipital do cérebro por uma prega de dura-máter, o tentório do
cerebelo.
Possui formato praticamente ovalado, porém constringido mediamente e achatado
na porção inferior, tendo seu maior diâmetro no sentido látero-lateral. Sua superfície
não é convoluta como a do cérebro, porém cruzada por numerosos sulcos, que variam
de profundidade dependendo da localização. Seu peso médio no homem é de
aproximadamente 150 g. Consiste em dois hemisférios laterais unidos por uma parte
mediana estreita, o verme.
Liga-se à medula espinal e ao bulbo pelo pedúnculo cerebelar inferior; à ponte pelo
pedúnculo cerebelar médio; ao mesencéfalo pelo pedúnculo cerebelar superior.
Funções: relacionado com o equilíbrio e a coordenação dos movimentos.

ALGUNS ASPECTOS ANATÔMICOS


Divisão anatômica do cerebelo: verme + hemisférios cerebelares.
Os sulcos do cerebelo, de direção predominantemente transversal, delimitam
lâminas finas denominadas folhas do cerebelo. Existem também sulcos mais profundos,
as fissuras do cerebelo, que delimitam lóbulos, cada um deles podendo conter várias
folhas. Constituição interna:
o Centro de substância branca: corpo medular do cerebelo;
o Camada externa de substância cinzenta: córtex cerebelar;
o O corpo medular do cerebelo com suas lâminas brancas, quando vista em
cortes sagitais, recebem o nome de "árvore da vida";
o No interior do corpo medular existem quatro pares de núcleos de substância
cinzenta, que são os núcleos centrais do cerebelo: denteado, emboliforme,
globoso e fastígio.

LOBOS CEREBELARES
O cerebelo subdivide-se em três lobos:
(1) Lobo flóculo-nodular: está envolvido na manutenção do equilíbrio dado que as
suas projeções aferentes provêm dos núcleos vestibulares;
(2) Lobo anterior: consiste essencialmente na parte anterior do verme e do córtex
paravermiano. Tendo em conta que as suas projeções provêm dos músculos e tendões

55
Resumo de Anatomia Humana

dos membros, este lobo está mais relacionado com a postura, tônus muscular e controle
da coordenação dos membros inferiores, principalmente na marcha;
(3) Lobo posterior: composto pela parte média do verme e pelas suas extensões
laterais que formam em grande parte os hemisférios cerebelares. Este lobo está
envolvido na coordenação dos movimentos finos iniciados pelo córtex cerebral.

VERME E LÓBULOS CEREBELARES


Vermis (verme): porção ímpar e mediana, ligado aos dois hemisférios cerebelares.
Regiões (lóbulos) do verme:
o Língula – está quase sempre aderida ao véu medular superior;
o Lóbulo central;
o Cúlmen;
o Declive;
o Folium – consiste em apenas uma folha do verme;
o Túber;
o Pirâmide;
o Úvula (corresponde à tonsila do hemisfério);
o Nódulo;
Lóbulos: a divisão do cerebelo em lóbulos não tem nenhum significado funcional e
sua importância é apenas topográfica. Os lóbulos recebem denominações diferentes no
verme e nos hemisférios. Cada lóbulo do verme corresponde a dois hemisférios
simétricos e homônimos. Os lóbulos nos hemisférios são: asa do lóbulo central,
quadrangular anterior, quadrangular posterior, semilunar superior, semilunar inferior,
biventre, tonsila e flóculo. [Analise a Tabela 3 e a Figura 16].
Um lóbulo importante é o flóculo, situado logo abaixo do ponto em que o pedúnculo
cerebelar médio penetra no cerebelo, próximo ao nervo vestíbulo-coclear. Liga-se ao
nódulo, lóbulo do verme, pelo pedúnculo do flóculo.
As tonsilas são bem evidentes na parte inferior do cerebelo, projetando-se
medialmente sobre a face dorsal do bulbo. [Um aumento da pressão intracraniana faz
com que as tonsilas comprimam o bulbo o que pode provocar uma parada
cardiorespiratória.]

FISSURAS CEREBELARES
Fissuras:
o Depois da língula temos a fissura pré-central.
o Depois do lóbulo central temos a fissura pré-culminar.
o Depois do cúlmen temos a fissura primária.
o Depois do declive temos a fissura pós-clival.
o Depois do folium temos a fissura horizontal.
o Depois do túber temos a fissura pré-piramidal.
o Depois da pirâmide temos a fissura pós-piramidal.
o Depois da úvula temos a fissura póstero-lateral.

56
FELIX, Fernando Álison M. D.

FISSURAS VERME HEMISFÉRIO


Língula –
Pré-central
Central Asa do lóbulo central
Pré-culminar
Cúlmen Quadrangular anterior
Primária
Declive Quadrangular posterior
Pós-clival
Folium Semilunar superior
Horizontal
Túber Semilunar inferior
Pré-piramidal
Pirâmide Biventre
Pós-piramidal
Úvula Tonsila
Póstero-lateral
Nódulo Flóculo
Tabela 3: Nomenclatura dos lóbulos cerebelares segundo a região (verme
ou hemisfério), separados pelas fissuras correspondentes.

Figura 23: Cerebelo; esquematização didática demonstrando fissuras, lobos, lóbulos


e divisão filogenética. (Vista panorâmica)

DIVISÃO ONTOGENÉTICA E FILOGENÉTICA DO CEREBELO


Divisão Ontogenética
A primeira fissura a aparecer durante o desenvolvimento foi a fissura póstero-lateral
que divide o cerebelo em duas partes desiguais: lobo flóculo-nodular e corpo do
cerebelo. A seguir, aparece a fissura primária que divide o corpo do cerebelo em lobo
anterior e lobo posterior.

57
Resumo de Anatomia Humana

CORPO DO CEREBELO LOBO ANTERIOR


CEREBELO LOBO POSTERIOR
LOBO FLÓCULO-NODULAR

Divisão Filogenética
Constituído por 3 fases (esta divisão relaciona-se com as síndromes):
Arquicerebelo (cerebelo vestibular)
o Surgiu em vertebrados aquáticos primitivos de forma cilíndrica (ciclóstomos,
p. ex. lampréia), que necessitavam do equilíbrio (canais semicirculares) onde
o cerebelo dava a posição do animal para a coordenação muscular.
o É formado pelo lobo flóculo-nodular.
o Funções de equilíbrio (faz conexões com o vestíbulo).
o Lesão: perda do equilíbrio.
Paleocerebelo (cerebelo espinal)
o Surgiu nos peixes, onde as nadadeiras representam indício de membros, os
quais possuem fusos neuromusculares (grau de estiramento muscular,
velocidade do movimento, posição do membro e ângulo das articulações) e o
órgão neurotendíneo de Golgi que informa sobre o grau de contração
muscular – propriocepção (recebe informações proprioceptivas da medula
espinal).
o É formado pelo lobo anterior mais o segmento pirâmide e úvula do verme.
o Relaciona-se com o tônus, marcha e postura do animal.
o Lesão: ataxia cerebelar.
Neocerebelo (cerebelo cortical)
o Aparece nos mamíferos que começaram a utilizar os membros para execução
de movimentos delicados e assimétricos.
o É formado pelo lobo posterior menos o segmento pirâmide e úvula do verme.
o Envolvido no controle de movimentos finos (coordenação motora – tem
amplas conexões com o córtex cerebral).
o Lesão: Síndrome Cerebelar Pura.

Figura 24: Cerebelo. (Vista inferior)

58
FELIX, Fernando Álison M. D.

DIENCÉFALO

GENERALIDADES
Diencéfalo + telencéfalo = cérebro (originado do prosencéfalo), o qual ocupa 80% da
cavidade craniana.
O desenvolvimento lateral e posterior do telencéfalo encobre o diencéfalo
colocando-o numa situação ímpar e mediana na face inferior do cérebro.
Divide-se em:
o Tálamo;
o Hipotálamo;
o Epitálamo;
o Subtálamo.
Estão em relação com o III ventrículo.

Figura 25: Face medial do diencéfalo e tronco encefálico. (Vista esquerda)

III VENTRÍCULO
A cavidade do diencéfalo, que corresponde ao III ventrículo, é uma fenda ímpar e
mediana que se comunica com o IV ventrículo pelo aqueduto do mesencéfalo e com os
ventrículos laterais pelos respectivos forames interventriculares (de Monro).

59
Resumo de Anatomia Humana

Quando o cérebro é seccionado no plano sagital mediano, as paredes laterais do III


ventrículo são expostas amplamente; verifica-se então a existência de uma depressão, o
sulco hipotalâmico, que se estende do aqueduto do mesencéfalo até o forame
interventricular. As porções da parede lateral do III ventrículo situadas acima deste sulco
pertencem ao tálamo; e as situadas abaixo, ao hipotálamo.
Unindo os dois tálamos observa-se frequentemente uma estrutura formada por
substância cinzenta, a aderência intertalâmica, que aparece apenas seccionada.
No assoalho do III ventrículo encontram-se, de anterior para posterior, as seguintes
formações: quiasma óptico, infundíbulo, túber cinéreo e corpos mamilares, pertencentes
ao hipotálamo. [Identifique essas estruturas na Figura 21 – elas não foram marcadas.]
A parede posterior do III ventrículo, muito pequena, é formada pelo epitálamo, que
se localiza acima do sulco hipotalâmico. Saindo de cada lado do epitálamo e
percorrendo a parte mais alta das paredes laterais, há um feixe de fibras nervosas, as
estrias medulares do tálamo, onde se insere a tela corióide, que forma o teto do III
ventrículo. A partir da tela corióide, invaginam-se na luz ventricular, os plexos corióides
do III ventrículo, que se dispõem em duas linhas paralelas e são contínuos, através dos
respectivos forames interventriculares, com os plexos corióides dos ventrículos laterais.
O subtálamo não se relaciona com a luz do III ventrículo.
A parede anterior do III ventrículo é formada pela lâmina terminal, fina lâmina de
tecido nervoso, que une os dois hemisférios e dispõem-se entre o quiasma óptico e a
comissura anterior. A comissura anterior, a lâmina terminal e as partes adjacentes das
paredes laterais do III ventrículo pertencem ao telencéfalo. A luz do III ventrículo se
evagina para formar quatro recessos:
o Recesso óptico, acima do quiasma óptico;
o Recesso infundibular, no infundíbulo da hipófise;
o Recesso pineal, na haste da glândula pineal;
o Recesso suprapineal, acima da glândula pineal.

TÁLAMO
O tálamo, com comprimento de cerca de 3 cm,
compondo 80% do diencéfalo, consiste em duas massas
ovais pareadas de substância cinzenta, dispostas na
porção látero-dorsal do diencéfalo. O tálamo está
organizado em núcleos, com tratos de substância Figura 26: Tálamo. (Vista medial)
branca em seu interior.
Em geral, uma conexão de substância cinzenta, chamada massa intermédia
(aderência intertalâmica), une as partes direita e esquerda do tálamo.
A extremidade anterior de cada tálamo apresenta uma eminência, o tubérculo
anterior do tálamo, que participa da delimitação do forame interventricular.
A extremidade posterior, consideravelmente maior que a anterior, apresenta uma
grande eminência, o pulvinar do tálamo, que se projeta sobre os corpos geniculados
lateral e medial.
O corpo geniculado medial faz parte da via auditiva, e o corpo geniculado lateral da
via óptica, e ambos são considerados por alguns autores como uma divisão do
diencéfalo denominada de metatálamo.

60
FELIX, Fernando Álison M. D.

A porção lateral da face superior do tálamo faz parte do assoalho do ventrículo


lateral, sendo revestido por epitélio ependinário (epitélio que reveste esta parte do
tálamo e é denominada lâmina fixa).
A face medial do tálamo forma a maior parte das paredes laterais do III ventrículo,
cujo teto é constituído pelo fórnice e pelo corpo caloso (formações telencefálicas).
A face lateral do tálamo é separada do telencéfalo pela cápsula interna, compacto
feixe de fibras que ligam o córtex cerebral a centros nervosos subcorticais.
A face inferior do tálamo continua com o hipotálamo e o subtálamo.
Alguns núcleos transmitem impulsos para as áreas sensoriais do cérebro:
o Corpo (núcleo) Geniculado Medial – transmite impulsos auditivos;
o Corpo (núcleo) Geniculado Lateral – transmite impulsos visuais;
o Corpo (núcleo) Ventral Posterior – transmite impulsos para o paladar e para
as sensações somáticas, como as de tato, pressão, vibração, calor, frio e dor.
Os núcleos talâmicos podem ser divididos em cinco grupos:
o Grupo Anterior;
o Grupo Posterior;
o Grupo Lateral;
o Grupo Mediano;
o Grupo medial.
O tálamo serve como uma estação intermediária para a maioria das fibras que vão
da porção inferior do encéfalo e medula espinhal para as áreas sensitivas do cérebro. O
tálamo classifica a informação, dando-nos uma idéia da sensação que estamos
experimentando, e as direciona para as áreas específicas do cérebro para que haja uma
interpretação mais precisa.
Funções do Tálamo:
o Sensibilidade: todos os impulsos sensitivos passam pelo tálamo, com exceção
do olfatório, onde integra, modifica e retransmite ao córtex, porém não é
discriminativo (estereognosia);
o Comportamento emocional: através do sistema límbico e de conexões com a
área pré-frontal;
o Motricidade: exerce o controle da motricidade, coordenação da musculatura
agonista e antagonista, em circuitos pálido-corticais e cerebelo-corticais;
o Ativação Cortical: através das conexões com o sistema ativador ascendente,
SARA, mantém o indivíduo em vigília.

HIPOTÁLAMO
É uma área relativamente pequena do diencéfalo,
situada abaixo do tálamo, com funções importantes
principalmente relacionadas à atividade visceral. Tem
forma losangular.
Limitado na frente pelo quiasma óptico, posterior
pelos corpos mamilares e lateralmente pelos tratos Figura 27: Hipotálamo. (Vista medial)
ópticos. Entre o quiasma e os corpos mamilares estão o túber cinéreo e o infundíbulo.
Essas formações anatômicas são visíveis na face inferior do cérebro e constituem o
assoalho do III ventrículo.

61
Resumo de Anatomia Humana

O hipotálamo é parte do diencéfalo e se dispõe nas paredes do III ventrículo, abaixo


do sulco hipotalâmico, que separa o tálamo. Trata-se de uma área muito pequena (4 g),
mas apesar disso, o hipotálamo, por suas inúmeras e variadas funções, é uma das áreas
mais importantes do sistema nervoso.
Corpos mamilares: são duas eminências arredondadas de substância cinzenta
evidentes na parte anterior da fossa interpeduncular – núcleos para olfato.
Quiasma óptico: localiza-se na parte anterior do assoalho ventricular. Recebe fibras
mielínicas do nervo óptico, que ai cruzam em parte e continuam nos tratos ópticos que
se dirigem aos corpos geniculados laterais, depois de contornar os pedúnculos cerebrais.
Túber cinéreo: é uma área ligeiramente cinzenta, mediana, situada atrás do quiasma
e dos tratos ópticos, entre estes e os corpos mamilares. No túber cinéreo prende-se a
hipófise por meio do infundíbulo.
Infundíbulo: é uma formação nervosa em forma de um funil que se prende ao túber
cinéreo, contendo pequenos prolongamentos da cavidade ventricular, o recesso do
infundíbulo. A extremidade superior do infundíbulo dilata-se para constituir a eminência
mediana do túber cinéreo, enquanto a extremidade inferior continua com um processo
infundibular, ou neuro-hipófise.
O hipotálamo é constituído fundamentalmente de substância cinzenta que se agrupa
em núcleos. Percorrendo o hipotálamo existem, ainda, sistemas variados de fibras,
como o fórnice (fórnix). Este percorre de cima para baixo cada metade do hipotálamo,
terminando no respectivo corpo mamilar. Impulsos de neurônios cujos dendritos e
corpos celulares situam-se no hipotálamo são conduzidos por seus axônios até
neurônios localizados na medula espinhal, e em seguida muitos desses impulsos são
então transferidos para músculos e glândulas por todo o corpo.
Funções do Hipotálamo:
o Controle do sistema nervoso autônomo;
o Regulação da temperatura corporal;
o Regulação do comportamento emocional;
o Regulação do sono e da vigília;
o Regulação da ingestão de alimentos;
o Regulação da ingestão de água;
o Regulação da diurese;
o Regulação do sistema endócrino;
o Geração e regulação de ritmos circadianos.

EPITÁLAMO
Limita posteriormente o III ventrículo, acima do
sulco hipotalâmico, já na transição com o mesencéfalo.
Seu elemento mais evidente é a glândula pineal:
glândula endócrina de forma piriforme, ímpar e
mediana (entre os colículos superiores), que repousa
sobre o teto mesencefálico. A base do corpo pineal se Figura 28: Epitálamo. (Vista medial)
prende anteriormente a dois feixes transversais de fibras que cruzam um plano
mediano, a comissura posterior e a comissura das habênulas, entre as quais penetra na
glândula pineal um pequeno prolongamento da cavidade ventricular, o recesso pineal.

62
FELIX, Fernando Álison M. D.

A comissura posterior ou epitalâmica situa-se na junção do aqueduto do


mesencéfalo com o III ventrículo, anterior e superiormente ao colículo superior. Marca o
limite entre o mesencéfalo e diencéfalo.
A comissura das habênulas interpõe-se entre duas pequenas eminências
triangulares, os trígonos da habênula. Esses estão situados entre a glândula pineal e o
tálamo e continuam anteriormente, de cada lado, com as estrias medulares do tálamo. A
tela corióide do III ventrículo insere-se, lateralmente, nas estrias medulares do tálamo e,
posteriormente, na comissura das habênulas, fechando assim o III ventrículo.
Com exceção da comissura posterior, todas as formações não-endócrinas do
epitálamo pertencem ao sistema límbico, estando assim relacionados com a regulação
do comportamento emocional.

SUBTÁLAMO
Compreende a zona de transição entre o diencéfalo e o tegmento do mesencéfalo.
Sua visualização é melhor em cortes frontais do cérebro. Verifica-se que ele se localiza
abaixo do tálamo, sendo limitado lateralmente pela cápsula interna e medialmente pelo
hipotálamo. O subtálamo apresenta formações de substância branca e cinzenta, sendo a
mais importante o núcleo subtalâmico. Lesões no núcleo subtalâmico provocam uma
síndrome conhecida como hemibalismo, caracterizada por movimentos anormais das
extremidades. Não se relaciona com o III ventrículo.

PS.: As estruturas que não foram apontadas na Figura 25, o foram na Figura 29. Porém
outras estruturas não são visíveis nessas imagens, sendo indispensável o
acompanhamento com um Atlas de Anatomia.

63
Resumo de Anatomia Humana

TELENCÉFALO

Figura 29: Face medial do cérebro; diencéfalo e tronco encefálico. (Corte mediano; vista esquerda)

GENERALIDADES
O telencéfalo compreende os dois hemisférios cerebrais, direito e esquerdo, e uma
pequena linha mediana situada na porção anterior do III ventrículo.
Os dois hemisférios cerebrais são incompletamente separados pela fissura
longitudinal do cérebro, cujo o assoalho é formado por uma larga faixa de fibras
comissurais, denominada corpo caloso, principal meio de união entre os dois
hemisférios. Os hemisférios possuem cavidades, os ventrículos laterais direito e
esquerdo, que se comunicam com o III ventrículo pelos forames interventriculares.
Cada hemisfério possui três pólos: frontal, occipital e temporal; e três faces: súpero-
lateral (convexa); medial (plana); e inferior ou base do cérebro (irregular), repousando
anteriormente nos andares anterior e médio da base do crânio e posteriormente no
tentório do cerebelo.

SULCOS E GIROS. DIVISÃO EM LOBOS


A superfície do cérebro do homem e de vários animais apresenta depressões
denominadas sulcos, que delimitam os giros ou circunvoluções cerebrais. A existência

64
FELIX, Fernando Álison M. D.

dos sulcos permite considerável aumento da superfície cerebral sem aumento do


volume cerebral.
Em qualquer hemisfério, os dois sulcos mais importantes são o sulco lateral e o sulco
central.
o Sulco lateral (de Sylvius): é subdividido em ascendente e anterior, que
penetram no lobo frontal, e posterior, mais longo que separa o lobo temporal
(abaixo) dos lobos frontal e parietal (acima);
o Sulco central (de Rolando): separa o lobo frontal (anterior) do parietal
(posterior). O sulco central é ladeado por dois giros paralelos, um anterior,
giro pré-central, e outro posterior, giro pós-central. As áreas situadas adiante
do sulco central relacionam-se com a MOTRICIDADE, enquanto as situadas
atrás deste sulco relacionam-se com a SENSIBILIDADE.
Outro sulco importante situado no telencéfalo, na face medial, é o sulco parieto-
occipital, que separa o lobo parietal do occipital.
Os lobos cerebrais recebem o nome de acordo com a sua localização em relação aos
ossos do crânio. Portanto, temos cinco lobos:
o Frontal – relacionado com a motricidade, personalidade, fala e o intelecto;
o Temporal – relacionado com a audição;
o Parietal;
o Occipital – relacionado com a visão;
o Ínsula, que é o único que não se relaciona com nenhum osso do crânio, pois
está situado profundamente no sulco lateral.

Lobo Frontal Lobo Temporal Lobo Parietal Lobo Occipital Lobo da Ínsula
Figura 30: Lobos cerebrais. (Vista esquerda)

MORFOLOGIA DAS FACES DOS HEMISFÉRIOS CEREBRAIS


Face Súpero-Lateral
Lobo Frontal
Três sulcos principais:
o Sulco pré-central: mais ou menos paralelo ao sulco central;
o Sulco frontal superior: inicia-se na porção superior do sulco pré-central e
dirigi-se anteriormente no lobo frontal. É perpendicular a ele;
o Sulco Frontal Inferior: partindo da porção inferior do sulco pré-central, dirige-
se para frente e para baixo.

65
Resumo de Anatomia Humana

Figura 31: Sulcos do lobo frontal. (Face súpero-lateral)

Giros:
o Giro pré-central: localiza-se entre o sulco central e o sulco pré-central. Neste
giro se localiza a área motora principal do cérebro (córtex motor);
o Giro frontal superior: localiza-se acima do sulco frontal superior, continuando
na face medial do cérebro;
o Giro frontal médio: localiza-se entre os sulcos frontal superior e frontal
inferior;
o Giro frontal inferior: localiza-se abaixo do sulco frontal inferior, e é
subdividido pelos ramos anterior e ascendente do sulco lateral em três
partes: orbital, triangular e opercular. O giro frontal inferior do hemisfério
esquerdo é o centro cortical da palavra falada (Área de Broca).

Figura 32: Giros do lobo frontal. (Face súpero-lateral)

Lobo Temporal
Dois sulcos principais:
o Sulco temporal superior: inicia-se próximo ao pólo temporal e dirige-se para
trás paralelamente ao ramo posterior do sulco lateral, terminando no lobo
parietal;
o Sulco temporal inferior: paralelo ao sulco temporal superior é geralmente
formado por duas ou mais partes descontínuas.

66
FELIX, Fernando Álison M. D.

Figura 33: Sulcos do lobo temporal. (Face súpero-lateral)

Giros:
o Giro temporal superior: localiza-se entre o sulco lateral e o sulco temporal
superior;
o Giro temporal médio: localiza-se entre os sulcos temporal superior e o
temporal inferior;
o Giro temporal inferior: localiza-se abaixo do sulco temporal inferior e se
limita com o sulco occípito-temporal.
Afastando-se os lábios do sulco lateral, aparece o seu assoalho, que é parte do giro
temporal superior. A porção superior deste assoalho é atravessada por pequenos giros
transversais, os giros temporais transversos, dos quais o mais evidente é o giro temporal
transverso anterior. Esse é importante pois se localiza o centro cortical da audição.

Figura 34: Giros do lobo temporal. (Face súpero-lateral)

Lobo Parietal
Dois sulcos principais:
o Sulco pós-central: localiza-se posteriormente ao giro pós-central. É paralelo
ao sulco central;
o Sulco intraparietal: geralmente localiza-se perpendicular ao sulco pós-central
(com o qual pode estar unido) e estende-se para trás para terminar no lobo
occipital.

67
Resumo de Anatomia Humana

Figura 35: Sulcos do lobo parietal. (Face súpero-lateral)

Diferentemente dos outros lobos, o lobo parietal apresenta um giro e dois lóbulos:
o Giro pós-central: localiza-se entre o sulco central e o sulco pós-central. É no
giro pós-central que se localiza uma das mais importantes áreas sensitivas do
córtex, a área somestésica primária.
o Lóbulo parietal superior: localiza-se superiormente (mais medial) ao sulco
intraparietal.
o Lóbulo parietal inferior: localiza-se inferiormente (mais lateral) ao sulco
intraparietal. Neste, descrevem-se dois giros: o giro supramarginal, curvando
em torno da extremidade do ramo posterior do sulco lateral, e o giro angular,
curvando em torno da porção terminal e ascendente do sulco temporal
superior.

Figura 36: Giros e lóbulos do lobo parietal. (Face súpero-lateral)

Lobo Occipital
O lobo occipital ocupa uma porção relativamente pequena da face súpero-lateral do
cérebro, onde apresenta pequenos sulcos e giros irregulares e inconstantes. Os
principais sulcos e giros desse lobo são visualizados na face medial do cérebro.

68
FELIX, Fernando Álison M. D.

Lobo da Ínsula
O lobo da ínsula é visualizado afastando-se os lábios do sulco lateral. A ínsula tem
forma cônica e seu ápice, voltado para baixo e para frente, é denominado de límen da
ínsula.
A ínsula é um lobo cerebral que cresce menos que os demais. Apresenta alguns
sucos e giros:
o Sulco circular da ínsula: circunda a ínsula na sua borda superior;
o Sulco central da ínsula: parte do sulco circular, na porção superior da ínsula, e
dirige-se no sentido ântero-inferior. Divide a ínsula em duas partes: giros
longos e giros curtos.

Figura 37: Sulcos do lobo da ínsula.

o Giros longos da ínsula: estão localizados posteriormente ao sulco central da


ínsula;
o Giros curtos da ínsula: estão localizados anteriormente ao sulco central da
ínsula.

Figura 38: Giros do lobo da ínsula.

69
Resumo de Anatomia Humana

Face Medial
Corpo Caloso, Fórnice e Septo Pelúcido
Corpo Caloso
É a maior das comissuras inter-hemisféricas. É formado por um grande número de
fibras mielínicas que cruzam o plano sagital mediano e penetram de cada lado no centro
branco medular do cérebro, unindo áreas simétricas do córtex de cada hemisfério.
Em corte sagital do cérebro, podemos identificar as divisões do corpo caloso: uma
lâmina branca arqueada dorsalmente, o tronco do corpo caloso, que se dilata
posteriormente no esplênio do corpo caloso e se flete anteriormente em direção da
base do cérebro para constituir o joelho do corpo caloso. Este se afina para formar o
rostro do corpo caloso, que se continua em uma fina lâmina, a lâmina rostral até a
comissura anterior.
Entre a comissura anterior e o quiasma óptico encontra-se a lâmina terminal,
delgada lâmina de substância branca que também une os hemisférios e constitui o limite
anterior do III ventrículo.
Fórnice
Emergindo abaixo do esplênio do corpo caloso e arqueando-se em direção à
comissura anterior, está o fórnice (fórnix), feixe complexo de fibras que, entretanto, não
pode ser visto em toda a sua extensão em um corte sagital do cérebro.
É constituído por duas metades laterais e simétricas afastadas nas extremidades e
unidas entre si no trajeto do corpo caloso. A porção intermédia em que as duas metades
se unem constitui o corpo do fórnice e as extremidades que se afastam são,
respectivamente, as colunas do fórnice (anteriores) e os pilares do fórnice (posteriores).
As colunas do fórnice terminam no corpo mamilar correspondente cruzando a
parede lateral do III ventrículo. Os ramos do fórnice divergem e penetram de cada lado
no corno inferior do ventrículo lateral, onde se ligam ao hipocampo. No ponto em que
os pilares do fórnice se separam, algumas fibras passam de um lado para o outro,
formando a comissura do fórnice.
Septo Pelúcido
Entre o corpo caloso e o fórnice estende-se o septo pelúcido, constituído por duas
delgadas lâminas de tecido nervoso que delimitam uma cavidade muito estreita, a
cavidade do septo pelúcido. O septo pelúcido separa os dois ventrículos laterais.

Lobo Frontal e Parietal


Na parte medial do cérebro, existem dois sulcos que passam do lobo frontal para o
lobo parietal:
o Sulco do corpo caloso: começa abaixo do rostro do corpo caloso, contorna o
tronco e o esplênio do corpo caloso, onde se continua já no lobo temporal,
com o sulco do hipocampo.
o Sulco do cíngulo: tem seu curso paralelo ao sulco do corpo caloso, do qual é
separado pelo giro do cíngulo. Termina posteriormente em dois sulcos: ramo
marginal do giro do cíngulo, porção final do sulco do giro do cíngulo que
cruza a margem superior do hemisfério, e o sulco subparietal, que continua
posteriormente em direção ao sulco parieto-ocipital.

70
FELIX, Fernando Álison M. D.

Sulco Paracentral: Destaca-se do sulco do cíngulo em direção á margem superior do


hemisfério, que delimita, com o sulco do cíngulo e o sulco marginal, o lóbulo
paracentral.

Figura 39: Sulcos do lobo frontal e parietal. (Face medial)

Giro do Cíngulo: contorna o corpo caloso, ligando-se ao giro para-hipocampal pelo


istmo do giro do cíngulo. É percorrido por um feixe de fibras, o fascículo do cíngulo.
Lóbulo Paracentral: localiza-se entre o sulco marginal e o sulco paracentral. Na parte
anterior e posterior deste lóbulo localizam-se as áreas motoras e sensitivas relacionadas
com a perna e o pé.
Pré-cúneos: está localizado superiormente ao sulco parieto-occipital, no lobo
parietal.
Giro Frontal Superior: já foi descrito acima, no estudo da face lateral do cérebro.

Figura 40: Giros do lobo frontal e parietal. (Face medial)

71
Resumo de Anatomia Humana

Lobo Occipital
Dois sulcos importantes:
o Sulco calcarino: inicia-se abaixo do esplênio do corpo caloso e tem um trajeto
arqueado em direção ao pólo occipital. Nos lábios do sulco calcarino localiza-
se o centro cortical da visão.
o Sulco parieto-occipital: é o sulco que separa o lobo occipital do lobo parietal.

Figura 41: Sulcos do lobo occipital. (Face medial)

Cúneos: localiza-se entre o sulco parieto-occipital e o sulco calcarino. É um giro


complexo de forma triangular. Adiante do cúneos, no lobo parietal, temos o pré-cúneos.
Giro occípito-temporal medial: localiza-se abaixo do sulco calcarino. Esse giro
continua anteriormente com o giro para-hipocampal, do lobo temporal.

Figura 42: Giros do lobo occipital. (Face medial)

72
FELIX, Fernando Álison M. D.

Face Inferior
Lobo Temporal
Três sulcos principais:
o Sulco occípito-temporal: localiza-se entre os giros occipito-temporal lateral e
occipito-temporal medial;
o Sulco colateral: inicia-se próximo ao pólo occipital e se dirige para frente. O
sulco colateral pode ser contínuo com o sulco rinal, que separa a parte mais
anterior do giro para-hipocampal do resto do lobo temporal;
o Sulco do hipocampo: origina-se na região do esplênio do corpo caloso, onde
continua com o sulco do corpo caloso e se dirige para o pólo temporal, onde
termina separando o giro parahipocampal do úncus.
Sulco calcarino: é melhor visualizado na face medial do cérebro. Na face inferior,
separa a porção posterior do giro para-hipocampal do istmo do giro do cíngulo.

Figura 43: Sulcos do lobo temporal. (Face inferior)

Giro temporal inferior: localizado entre o sulco temporal inferior e o sulco occípito-
temporal. Visualizado também na face súpero-lateral do cérebro.
Giro occípito-temporal lateral: está localizado na região lateral da face inferior do
cérebro, entre o sulco occípito-temporal e o sulco colateral, circundando o giro occípito-
temporal medial e o giro para-hipocampal.
Giro occípito-temporal medial: é visualizado também na face medial do cérebro,
porém ocupa uma área significativa na face inferior. Delimitado pelo sulco colateral com
o sulco calcarino, entre o giro occípito-temporal lateral, giro para-hipocampal e o istmo
do cíngulo.
Giro para-hipocampal: delimitado pelo sulco colateral com o sulco do hipocampo e
se liga posteriormente ao giro do cíngulo através de um giro estreito, o istmo do giro do
cíngulo. Assim o úncus, o giro para-hipocampal, o istmo do giro do cíngulo e o giro do
cíngulo constituem o lobo límbico, parte importante do sistema límbico, relacionado

73
Resumo de Anatomia Humana

com o comportamento emocional e o controle do sistema nervoso autônomo. A porção


anterior do giro para-hipocampal se curva em torno do sulco do hipocampo para formar
o úncus.

Figura 44: Giros do lobo temporal. (Face inferior)

Lobo Frontal
A face inferior do lobo frontal apresenta as seguintes estruturas: o sulco olfatório,
profundo e de direção ântero-posterior; o giro reto, que localiza-se medialmente ao
sulco olfatório e continua dorsalmente como giro frontal superior. O resto da face
inferior do lobo frontal é ocupada por sulcos e giros muito irregulares, os sulcos e giros
orbitários.

Figura 45: Sulcos e giros do lobo frontal. (Face inferior)

74
FELIX, Fernando Álison M. D.

Rinencéfalo
O bulbo olfatório é uma dilatação ovóide e achatada de substância cinzenta que
continua posteriormente com o trato olfatório, ambos alojados no sulco olfatório. O
bulbo olfatório recebe filamentos que constituem o nervo olfatório (NC I).
Posteriormente, o trato olfatório se bifurca formando as estrias olfatórias lateral e
medial, que delimitam uma área triangular, o trígono olfatório. Atrás do trígono
olfatório e adiante do trato óptico localiza-se uma área contendo uma série de
pequenos orifícios para passagem de vasos, a substância perfurada do anterior.

MORFOLOGIA DOS VENTRÍCULOS LATERAIS


Os hemisférios cerebrais possuem cavidades revestidas de epêndima e contendo
líquido cerebrospinal (LCE), os ventrículos laterais esquerdo e direito, que se comunicam
com o III ventrículo pelo respectivo forame interventricular (de Monro). Exceto pelo
forame, cada ventrículo é uma cavidade fechada que apresenta uma parte central e três
cornos que correspondem aos três pólos do hemisfério cerebral. As partes que se
projetam para o pólo frontal, occipital e temporal são, respectivamente, o corno
anterior, posterior e inferior. Com exceção do corno inferior, todas as partes dos
ventrículos laterais têm o teto formado pelo corpo caloso.

Figura 46: Morfologia dos ventrículos laterais (em transparência).

Morfologia das Paredes Ventriculares


Corno Anterior (ou frontal)
Adiante do forame interventricular. Configuração:
o Parede medial: septo pelúcido;
o Assoalho + parede lateral: cabeça do núcleo caudado;

75
Resumo de Anatomia Humana

o Teto + limite anterior: corpo caloso.

Parte Central (ou corpo)


Do forame interventricular até o trígono colateral (é a região do ventrículo lateral
onde a cavidade se bifurca em cornos inferior e posterior). Configuração:
o Teto: corpo caloso;
o Parede medial: septo pelúcido;
o Assoalho + parede lateral: fórnice, plexo corióide, parte lateral da face dorsal
do tálamo, estria terminal e núcleo caudado.

Corno Posterior (ou occipital)


Posteriormente ao trígono colateral. Configuração: as paredes são, em quase toda
extensão, formadas por fibras do corpo caloso.

Corno Inferior (ou temporal)


Inferiormente ao trígono colateral. Configuração:
o Teto: substância branca do hemisfério; na margem medial apresenta a cauda
do núcleo caudado; na extremidade da cauda do núcleo caudado, observa-se
uma discreta eminência arredondada, o corpo amigdalóide;
o Assoalho: eminência colateral e hipocampo.

Plexos Corióides dos Ventrículos Laterais


Constituição: pia-máter + epêndima.
Presente na parte central e corno inferior do ventrículo lateral, e ausente nos cornos
anterior e posterior.

ORGANIZAÇÃO INTERNA DOS HEMISFÉRIOS CEREBRAIS


Cada hemisfério possui uma camada superficial de substância cinzenta, o córtex
cerebral, que reveste um centro de substância branca, o centro branco medular do
cérebro, ou centro semioval. No interior dessa substância branca existem massas de
substâncias cinzenta, os núcleos da base do cérebro.

Centro Branco Medular


É formado por fibras mielínicas. Distinguem-se dois grupos de fibras: de projeção e
de associação. As fibras de projeção ligam o córtex cerebral a centros subcorticais; as
fibras de associação unem áreas corticais situadas em pontos diferentes do cérebro.
As fibras de projeção se dispõem em dois feixes: o fórnice e a cápsula interna.
O fórnice une o córtex do hipocampo ao corpo mamilar e contribui um pouco para a
formação do centro branco medular. Já foi melhor descrito anteriormente.
A cápsula interna contém a grande maioria das fibras que saem ou entram no córtex
cerebral. Estas fibras formam um feixe compacto que separa o núcleo lentiforme,
situado lateralmente, do núcleo caudado e tálamo, situados medialmente. Acima do
nível destes núcleos, as fibras da cápsula interna passam a constituir a coroa radiada.
Distingue-se na cápsula interna um ramo anterior, situada entre a cabeça do núcleo
caudado e o núcleo lentiforme, e um ramo posterior, bem maior, situada entre o núcleo

76
FELIX, Fernando Álison M. D.

lentiforme e o tálamo. Estas duas porções da cápsula interna encontram-se formando


um ângulo que constitui o joelho da cápsula interna.
As fibras de associação são divididas em fibras de associação intra-hemisféricas e
inter-hemisféricas.
Dentre as fibras de associação intra-hemisféricas, citarei os quatro fascículos mais
importantes:
o Fascículo do Cíngulo - Une o lobo frontal e o temporal.
o Fascículo Longitudinal Superior - Une os lobos frontal, parietal e occipital.
Também pode ser chamado de fascículo arqueado.
o Fascículo Longitudinal Inferior - Une o lobo occipital e temporal.
o Fascículo Unciforme - Une o lobo frontal e o temporal.
Dentre as fibras de associação inter-hemisféricas, ou seja, aquelas que atravessam o
plano mediano para unir áreas simétricas dos dois hemisférios, encontramos três
comissuras telencefálicas: corpo caloso, comissura do fórnice e comissura anterior, já
descritas.

Núcleos da Base
Núcleo Caudado
É uma massa alongada e bastante volumosa de substância cinzenta, relacionada em
toda a sua extensão com os ventrículos laterais.
Sua extremidade anterior é muito dilatada, constitui a cabeça do núcleo caudado,
que proemina do assoalho do corno anterior do ventrículo lateral. Ela continua
gradualmente com o corpo do núcleo caudado, situado no assoalho da parte central do
ventrículo lateral. Este se afina pouco a pouco para formar a cauda do núcleo caudado,
que é longa e fortemente arqueada, estendendo-se até a extremidade anterior do corno
inferior do ventrículo lateral. Em razão de sua forma fortemente arqueada, o núcleo
caudado aparece seccionado duas vezes em determinados cortes horizontais e frontais
do cérebro.
A cabeça do núcleo caudado funde-se com a parte anterior do núcleo lentiforme
(putame).

Núcleo Lentiforme
Tem a forma e o tamanho aproximado de uma castanha-do-pará. Não aparece na
superfície ventricular, situando-se profundamente no interior do hemisfério.
Medialmente relaciona-se com a cápsula interna, que o se separa do núcleo caudado e
do tálamo; lateralmente relaciona-se com o córtex da ínsula, do qual é separado por
substância branca e pelo claustro.
O núcleo lentiforme é divido em putame e globo pálido por uma fina lâmina de
substância branca, a lâmina medular lateral.
O putame situa-se lateralmente e é maior que o globo pálido, que se dispõem
medialmente.
Em secções transversais do cérebro, o globo pálido tem uma coloração mais clara
que o putame em virtude da presença de fibras mielínicas que o atravessam.
O globo pálido é subdividido por uma lâmina de substância branca, a lâmina medular
medial, em partes lateral e medial.

77
Resumo de Anatomia Humana

Figura 47: Esquema didático para mostrar Núcleo Caudado, Núcleo Lentiforme e Corpo Amigdalóide.

Claustro
É uma delgada calota de substância cinzenta situada entre o córtex da ínsula e o
núcleo lentiforme. Separa-se do córtex da ínsula por uma fina lâmina branca, a cápsula
extrema. Entre o claustro e o núcleo lentiforme existe uma outra lâmina branca, a
cápsula externa.

PS.: Todas as estruturas que se dispõem no interior de cada hemisfério cerebral


vistas em um corte transversal, passando pelo corpo estriado (núcleo caudado + núcleo
lentiforme) (da face lateral até a parede ventricular – ver Figura 44):
o Córtex da insula;
o Cápsula extrema;
o Claustro;
o Cápsula externa;
o Putame (antigamente: putame);
o Lâmina medular lateral;
o Globo pálido lateral;
o Lâmina medular medial;
o Globo pálido medial;
o Cápsula interna;
o Tálamo;
o III ventrículo.

Corpo Amigdalóide
É uma massa esferóide de substância cinzenta de cerca de 2 cm de diâmetro situada
na ponta da cauda do núcleo caudado (no pólo temporal do hemisfério cerebral). Faz
uma discreta saliência no teto da parte terminal do corno inferior do ventrículo lateral.

78
FELIX, Fernando Álison M. D.

O corpo amigdalóide faz parte do sistema límbico e é um importante regulador do


comportamento sexual e da agressividade.

Figura 48: Núcleos da Base; secção transversal do cérebro.

Núcleo Accumbens
Massa de substância cinzenta situada na zona de união entre o putame e a cabeça
do núcleo caudado. Essa área é chamada por alguns autores de corpo estriado ventral, e
está relacionado com a motricidade.

Núcleo Basal de Meynert


De difícil visualização macroscópica. Situa-se na base do cérebro, entre a substância
perfurada anterior e o globo pálido, região conhecida como substância inominata.
Contem neurônios grandes ricos em acetilcolina.
A destruição da substância inominata resulta no surgimento da Doença (ou mal) de
Alzheimer.

CONSIDERAÇÕES SOBRE ÁREAS IMPORTANTES


Ao fim desse conteúdo, gostaria de ilustrar ainda uma imagem com algumas áreas
importantes considerando o telencéfalo como um todo. Como dito anteriormente, a
divisão por lobos e sulcos é apenas didática, pois o cérebro funciona como um todo
independente dos lobos, porém algumas áreas são específicas e bem localizadas, tais
como as indicadas na Figura 45.

79
Resumo de Anatomia Humana

Figura 49: Esquema didático delimitando algumas áreas importantes e de funcionamento bem determinado.

Correlação clínica
Uma lesão na área motora da fala (área de Broca) produz uma afasia motora
na vítima, ou seja, ela compreende o que escuta mas não consegue verbalizar
nada.
Já uma lesão na área sensitiva da fala (área de Wernicke) produz uma afasia
sensitiva, na qual o indivíduo nem compreende o que escuta nem consegue verbalizar.

80
FELIX, Fernando Álison M. D.

VASCULARIZAÇÃO DO SNC

IMPORTÂNCIA
O sistema nervoso é formado por estruturas nobres e altamente especializadas, que
exigem para o seu metabolismo um suprimento permanente e elevado de glicose e
oxigênio, visto que a única forma de obtenção de energia pelo cérebro é por meio da
glicólise aeróbica.
O consumo de oxigênio e glicose pelo encéfalo é muito elevado, o que requer um
fluxo sanguíneo muito intenso. Quedas na concentração de glicose e oxigênio no sangue
circulante ou, por outro lado, a suspensão do fluxo sanguíneo ao encéfalo não são
toleradas por um período muito curto. Após cerca de cinco minutos começam aparecer
lesões que são irreversíveis, pois, como se sabe, as células nervosas não se regeneram.
O fluxo sanguíneo cerebral é muito elevado, sendo superado apenas pelo do rim e
do coração.

VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO
Fluxo Sanguíneo Cerebral
O fluxo sanguíneo cerebral (FSC) é diretamente proporcional à pressão arterial (PA) e
inversamente proporcional à resistência cerebrovascular (RCV), logo FSC = PA/RCV.
A resistência cerebrovascular depende dos seguintes fatores:
o Pressão intracraniana – seu aumento eleva a RCV;
o Condição da parede vascular – arteriosclerose promove aumento da RCV;
o Viscosidade do sangue;
o Calibre dos vasos cerebrais.

Vascularização Arterial do Encéfalo


Peculiaridades da vascularização arterial do encéfalo
O encéfalo é vascularizado através de dois sistemas: vértebro-basilar (artérias
vertebrais) e carotídeo (artérias carótidas internas). Na base do crânio estas artérias
formam um polígono anastomótico, o Polígono de Willis (atualmente denominado
círculo arterial de cérebro), de onde saem as principais artérias para vascularização
cerebral.
As artérias cerebrais têm paredes finas, comparáveis às paredes de veias de mesmo
calibre situadas em outras áreas do organismo, logo são mais propensas a hemorragias.

Artéria Carótida Interna


Clinicamente, as artérias carótidas internas e seus ramos são frequentemente
referidos como a circulação anterior do encéfalo.
Ramo de bifurcação da a. carótida comum, a a. carótida interna, após um trajeto
mais ou menos longo pelo pescoço, penetra na cavidade craniana pelo canal carotídeo

81
Resumo de Anatomia Humana

na porção petrosa do osso temporal. Atravessa o seio cavernoso, descrevendo uma


dupla curva formando um “S”, o sifão carotídeo. A seguir, perfura a dura-máter e a
aracnóide e, no início do sulco lateral, dividi-se em seus dois ramos terminais:
o A. cerebral média
 Percorre o sulco lateral em todo sua extensão;
 Ramo principal e irriga maior parte da face súpero-lateral de cada
hemisfério;
 Irriga área motora e somestésica, e centro da palavra falada.
o A. cerebral anterior
 Percorre a fissura longitudinal do cérebro;
 Irriga a face medial e parte mais alta da face súpero-lateral.
Além de seus dois ramos terminais, a a. carótida interna dá os seguintes ramos mais
importantes:
o A. oftálmica
 Irriga globo ocular e formações anexas.
o A. comunicante posterior
 Anastomosa-se com a a. cerebral posterior;
 Irriga o trato óptico, pedúnculo cerebral, cápsula interna e tálamo.
o A. corióidea anterior
 Irriga plexo corióide no corno inferior do ventrículo lateral.

Artérias Vertebral e Basilar


O sistema vértebro-basilar e seus ramos são frequentemente referidos clinicamente
como a circulação posterior do encéfalo.
As artérias vertebrais seguem em sentido superior, em direção ao encéfalo, a partir
das artérias subclávias próximas à parte posterior do pescoço. Passam através dos
forames transversos das primeiras seis vértebras cervicais, perfuram a membrana
atlanto-occipital, a dura-máter e a aracnóide, penetrando no crânio pelo forame magno.
Percorrem a seguir a face ventral do bulbo e, aproximadamente ao nível do sulco bulbo-
pontino, fundem-se para constituir um tronco único, a artéria basilar.
As aa. vertebrais originam:
o As duas aa. espinais posteriores;
o A a. espinal anterior;
o As duas aa. cerebelares inferiores posteriores
 Irrigam a porção inferior e posterior do cerebelo.
A a. basilar percorre o sulco basilar da ponte e termina anteriormente, bifurcando-se
para formar as aa. cerebrais posteriores direita e esquerda, que contornam o pedúnculo
cerebral e percorrem a face inferior do lobo temporal, e irrigando a face inferior do
cérebroo e o lobo occipital (área visual).
Neste trajeto, a a. basilar emite os seguintes ramos mais importantes:
o A. cerebelar superior
 Irriga o mesencéfalo e parte superior do cerebelo.
o A. cerebelar inferior anterior
 Irriga parte anterior da face inferior do cerebelo.
o A. labiríntica
 Irriga estruturas da orelha interna.

82
FELIX, Fernando Álison M. D.

O Círculo Arterial do Cérebro (Polígono de Willis)


Situado na base do cérebro, onde circunda o quiasma óptico e o túber cinéreo,
relacionando-se ainda com a fossa interpeduncular e a substância perfurada anterior.
Formação sequencial no sentido AP:
o A. comunicante anterior – adiante do quiasma óptico, anastomosa-se com as
duas aa. cerebrais anteriores;
o Aa. cerebrais anteriores;
o Aa. carótidas internas;
o Aa. comunicantes posteriores – unem as aa. carótidas internas com as
cerebrais posteriores;
o Aa. cerebrais posteriores.

Figura 50: Esquema - Círculo Arterial Cerebral (Polígono de Willis).

Não há passagem significativa de sangue do sistema vertebral para o carotídeo


interno ou vice-versa. Do mesmo modo, praticamente não existe troca de sangue entre
as metades esquerda e direita do círculo arterial.
As aa. cerebrais anterior, média e posterior emitem:
o Ramos corticais
 Irriga córtex e substancia branca subjacente;
o Ramos centrais
 Irriga diencéfalo, núcleos da base e cápsula interna. [São esses os
vasos que atravessam a substância perfurada anterior e a posterior.]

83
Resumo de Anatomia Humana

Figura 51: Artérias do encéfalo. (Vista inferior)

Figura 52: Esquema das artérias cerebrais na face medial.

Vascularização Venosa do Encéfalo


Generalidades
As veias do encéfalo, de um modo geral, não acompanham as artérias, sendo
maiores e mais calibrosas do que elas. Drenam para os seios da dura-máter, de onde o
sangue converge para as veias jugulares internas, que recebem praticamente todo o
sangue venoso encefálico.

84
FELIX, Fernando Álison M. D.

As veias jugulares externa e interna são as duas principais veias que drenam o
sangue da cabeça e do pescoço. As veias jugulares externas são mais superficiais e
drenam, para as veias subclávias, o sangue da região posterior do pescoço e da cabeça.
As veias jugulares internas profundas drenam a porção anterior da cabeça, face e
pescoço. Elas são responsáveis pela drenagem de maior parte do sangue dos vários seios
venosos do crânio. As veias jugulares internas de cada lado do pescoço juntam-se com
as veias subclávias para formar as veias braquiocefálicas, que transportam o sangue para
a veia cava superior.

Veias do Cérebro
As veias do cérebro dispõem-se em dois sistemas: sistema venoso superficial e
sistema venoso profundo. Embora anatomicamente distintos, os dois sistemas são
unidos por numerosas anastomoses.
Sistema venoso superficial – Drenam o córtex e a substância branca subjacente.
Formado por veias cerebrais superficiais (superiores e inferiores) que desembocam nos
seios da dura-máter.
Sistema venoso profundo – Drenam o sangue de regiões situadas mais
profundamente no cérebro, tais como: corpo estriado, cápsula interna, diencéfalo e
grande parte do centro branco medular do cérebro. A veia mais importante deste
sistema é a veia cerebral magna (de Galeno), para a qual converge todo o sangue do
sistema venoso profundo do cérebro.

VASCULARIZAÇÃO DA MEDULA ESPINAL


Irrigação Arterial
A irrigação arterial é feita por ramos da aorta descendente e das aa. vertebrais.
A medula espinal é irrigada pelas a. espinal anterior, e aa. espinais posteriores
(direita e esquerda), ramos da a. vertebral, e pelas aa. radiculares, que penetram na
medula com as raízes dos nervos espinais.
A artéria espinhal anterior forma-se a partir da união de dois ramos recorrentes que
saem das artérias vertebrais. Ela segue pela fissura mediana anterior da medula e vai até
o cone medular.
As artérias espinhais posteriores percorrem a parte dorsal da medula, medialmente
às raizes dorsais dos nervos espinhais. As artérias radiculares irrigam as raízes dos
nervos espinhais.
As aa. espinais anterior e posteriores enviam ramos para os segmentos da medula,
que são denominadas de a. medular segmentar anterior e posterior, respectivamente.

Drenagem Venosa
Plexo vertebral interno – no espaço epidural, dentro do canal vertebral da coluna;
Plexo vertebral externo – em torno da coluna vertebral;
Sistema Ázigos – drena para veia cava superior.

85
Resumo de Anatomia Humana

NERVOS CRANIANOS

GENERALIDADES
Os nervos cranianos, juntamente com os nervos espinais fazem parte do sistema
nervoso periférico.
A maioria liga-se ao tronco encefálico, exceto os nervos olfatório e óptico, que se
ligam, respectivamente ao telencéfalo e diencéfalo.
Os núcleos que dão origem a dez dos doze pares de nervos cranianos situam-se em
colunas verticais no tronco do encéfalo e correspondem à substância cinzenta da
medula espinal.
De acordo com o componente funcional, os nervos cranianos podem ser
classificados em motores, sensitivos e mistos.
Os motores (puros) são os que movimentam o olho, a língua e acessoriamente os
músculos látero-posteriores do pescoço. São eles:
III - Nervo Oculomotor
IV - Nervo Troclear
VI - Nervo Abducente
XI - Nervo Acessório
XII - Nervo Hipoglosso
Os sensitivos (puros) destinam-se aos órgãos dos sentidos e por isso são chamados
sensoriais e não apenas sensitivos, que não se referem à sensibilidade geral (dor,
temperatura e tato). Os sensoriais são:
I - Nervo Olfatório
II - Nervo Óptico
VIII - Nervo Vestibulococlear
Os mistos (motores e sensitivos) são em número de quatro:
V - Trigêmeo
VII - Nervo Facial
IX - Nervo Glossofaríngeo
X - Nervo Vago
A sequência crânio-caudal dos nervos cranianos é como se segue:
I. Olfatório
II. Óptico
III. Oculomotor
IV. Troclear
V. Trigêmeo
VI. Abducente
VII. Facial
VIII. Vestíbulococlear
IX. Glossofaríngeo
X. Vago
XI. Acessório
XII. Hipoglosso
> Identifique-os na imagem!

86
FELIX, Fernando Álison M. D.

Par Origem aparente no encéfalo Origem aparente no crânio


Craniano
I bulbo olfatório lâmina cribriforme do osso etmóide
II quiasma óptico canal óptico
III sulco medial do pedúnculo cerebral fissura orbital superior
IV véu medular superior fissura orbital superior
V entre a ponte e o pedúnculo cerebelar fissura orbital superior (oftálmico);
médio forame redondo (maxilar) e forame
oval (mandibular)
VI sulco bulbo-pontino fissura orbital superior
VII sulco bulbo-pontino (lateralmente ao forame estilomastóideo
VI)
VIII sulco bulbo-pontino (lateralmente ao penetra no osso temporal pelo meato
VII) acústico interno, mas não sai do crânio
IX sulco póstero-lateral do bulbo forame jugular
X sulco póstero-lateral do bulbo forame jugular
(inferiormente ao IX)
XI sulco póstero-lateral do bulbo (raiz forame jugular
craniana) e medula (raiz espinal)
XII sulco ântero-lateral do bulbo (adiante canal do hipoglosso
da oliva)
Tabela 4: Origem aparente dos nervos cranianos.

ESTUDO SUMÁRIO DOS NERVOS CRANIANOS


Nervo Olfatório (NC I)
As fibras do nervo olfatório distribuem-se por uma área especial da mucosa nasal
que recebe o nome de mucosa olfatória. Em virtude da existência de grande quantidade
de fascículos individualizados que atravessam separadamente o crivo etmoidal, é que se
costuma chamar de nervos olfatórios, e não simplesmente de nervo olfatório (direito e
esquerdo). Saindo da região olfatória de cada fossa nasal, eles atravessam a lâmina
cribriforme do osso etmóide e terminam no bulbo olfatório.
É um nervo exclusivamente sensitivo, cujas fibras conduzem impulsos olfatórios,
sendo classificados como aferentes viscerais especiais. Mais informações sobre o nervo
olfatório podem ser encontradas em Telencéfalo (Rinencéfalo).

Nervo Óptico (NC II)


É constituído por um grosso feixe de fibras nervosas que se originam na retina,
emergem próximo ao pólo posterior de cada bulbo ocular, penetrando no crânio pelo
canal óptico. Cada nervo óptico une-se com o do lado oposto, formando o quiasma
óptico, onde há cruzamento parcial de suas fibras, as quais continuam no trato óptico
até o corpo geniculado lateral.
O nervo óptico é um nervo exclusivamente sensitivo, cujas fibras conduzem impulsos
visuais, classificando-se como aferentes somáticas especiais.

87
Resumo de Anatomia Humana

Nervo Oculomotor (NC III), Nervo Troclear (NC IV) e Nervo Abducente
(NC VI)
São nervos motores que penetram na órbita pela fissura orbital superior,
distribuindo-se aos músculos extrínsecos do bulbo ocular, que são os seguintes:
elevador da pálpebra superior, reto superior, reto inferior, reto medial, reto lateral,
oblíquo superior, oblíquo inferior. Todos estes músculos são inervados pelo oculomotor,
com exceção do reto lateral e do oblíquo superior, inervados respectivamente, pelos
nervos abducente e troclear. As fibras que inervam os músculos extrínsecos do olho são
todas exclusivamente motoras e são classificadas como eferentes somáticas.
O nervo oculomotor nasce no sulco medial do pedúnculo cerebral; o nervo troclear
logo abaixo do colículo inferior; e o nervo abducente no sulco bulbo-pontino, entre a
pirâmide bulbar e a ponte.
Os três nervos em apreço se aproximam, ainda no interior do crânio, para atravessar
a fissura orbital superior e atingir a cavidade orbital, indo se distribuir aos músculos
extrínsecos do olho.
O nervo oculomotor conduz ainda fibras vegetativas, que vão à musculatura
intrínseca do olho (m. ciliar e m. esfíncter da pupila), a qual movimenta a íris e a lente.

Nervo Trigêmeo (NC V)


O nervo trigêmeo é um nervo misto, sendo o componente sensitivo
consideravelmente maior.
Possui uma raiz sensitiva e uma motora, que emergem ambas da face lateral da
ponte.
A raiz sensitiva é formada pelos prolongamentos centrais dos neurônios sensitivos,
situados no gânglio trigemial, que se localiza no cavo trigeminal, sobre a parte petrosa
do osso temporal. Os prolongamentos periféricos dos neurônios sensitivos do gânglio
trigeminal formam, distalmente ao gânglio, os três ramos do nervo trigêmeo: nervo
oftálmico, nervo maxilar e nervo mandibular, responsáveis pela sensibilidade somática
geral de grande parte da cabeça, através de fibras que se classificam como aferentes
somáticas gerais.
o N. oftálmico (V1): atravessa a fissura orbital superior e depois a incisura
supraorbital;
o N. maxilar (V2): atravessa o forame redondo e depois o forame infraorbital;
o N. mandibular (V3): atravessa o forame oval e depois o forame mentual.
A raiz motora do trigêmeo é constituída de fibras que acompanham o nervo
mandibular, distribuindo-se aos músculos da mastigação (m. temporal, m. masseter, m.
pterigóideo medial e m. pterigóideo lateral), e sendo classificadas como eferentes
viscerais especiais.
O problema médico mais frequentemente observado em relação ao trigêmeo é a
nevralgia, que se manifesta por crises dolorosas muito intensas no território de um dos
ramos do nervo.

Nervo Facial (NC VII)


É também um nervo misto, apresentando uma raiz motora e outra sensorial
gustatória. Ele emerge do sulco bulbo-pontino através de uma raiz motora, o nervo
facial propriamente dito, e uma raiz sensitiva e visceral, o nervo intermédio.

88
FELIX, Fernando Álison M. D.

O nervo fácil percorre a fossa posterior do crânio, atravessa o meato acústico


interno e o canal facial, e sai do crânio pelo forame estilomastóideo. Em seguida,
atravessa a glândula parótida, no interior da qual ele se divide em vários ramos (plexo
intraparotídeo) que dão inervação motora aos músculos da expressão facial.

Nervo vestíbulo-coclear (NV VIII)


Costituído por dois grupos de fibras perfeitamente individualizadas que formam,
respectivamente, os nervos vestibular e coclear. É um nervo exclusivamente sensitivo,
que, saindo do vestíbulo e da cóclea e atravessando o meato acústico interno, penetra
na ponte na porção lateral do sulco bulbo-pontino, entre a emergência do VII par e o
flóculo do cerebelo. Ocupa juntamente com os nervos facial e intermédio, o meato
acústico interno, na porção petrosa do osso temporal.
A parte vestibular é formada por fibras que se originam dos neurônios sensitivos do
gânglio vestibular, que conduzem impulsos nervosos relacionados ao equilíbrio.
A parte coclear é constituída de fibras que se originam dos neurônios sensitivos do
gânglio espiral, de onde os impulsos nervosos seguem pela ponte, depois colículo
inferior e seu braço, e corpo geniculado medial até que estes impulsos nervosos
relacionados com a audição, cheguem aos giros temporais transversos do córtex
cerebral.
As fibras do nervo vestíbulo-coclear classificam-se como aferentes somáticas
especiais.

Nervo Glossofaríngeo (NC IX)


É um nervo misto que emerge do sulco póstero-lateral do bulbo, sob a forma de
filamentos radiculares, que se dispõem em linha vertical. Estes filamentos reúnem-se
para formar o tronco do nervo glossofaríngeo, que sai do crânio pelo forame jugular. Ao
sair do crânio, o nervo glossofaríngeo tem trajeto descendente, ramificando-se na raiz
da língua e na faringe.
Desses, o mais importante é o representado pelas fibras aferentes viscerais gerais,
responsáveis pela sensibilidade geral do terço posterior da língua, faringe, úvula, tonsila,
tuba auditiva, além do seio e corpo carotídeos.
Merecem destaque também as fibras eferentes viscerais gerais pertencentes à
divisão parassimpática do sistema nervoso autônomo e que terminam no gânglio óptico.
Desse gânglio, saem fibras nervosas do nervo aurículo-temporal que vão inervar a
glândula parótida.

Nervo Vago (NC X)


O nervo vago é misto e essencialmente visceral. Emerge do sulco póstero-lateral do
bulbo sob a forma de filamentos radiculares que se reúnem para formar o nervo vago.
Este emerge do crânio pelo forame jugular, percorre o pescoço e o tórax, terminando no
abdome.
Fibras aferentes viscerais gerais: conduzem impulsos aferentes originados na
faringe, laringe, traquéia, esôfago, vísceras do tórax e abdome.
Fibras eferentes viscerais gerais: são responsáveis pela inervação parassimpática das
vísceras torácicas e abdominais.
Fibras eferentes viscerais especiais: inervam os músculos da faringe e da laringe.

89
Resumo de Anatomia Humana

As fibras eferentes do vago se originam em núcleos situados no bulbo, e as fibras


sensitivas nos gânglios superior e inferior (gânglios sensitivos do n. vago).

Nervo Acessório (NC XI)


Formado por uma raiz craniana (ou bulbar) e uma espinal. A raiz espinal é formada
por filamentos que emergem da face lateral dos cinco ou seis primeiros segmentos
cervicais da medula, constituindo um tronco que penetra no crânio pelo forame magno.
A este tronco unem-se filamentos da raiz craniana que emergem do sulco póstero-
lateral do bulbo.
O tronco atravessa o forame jugular e divide-se em um ramo interno e um externo.
O interno une-se ao vago e distribui-se com ele, e o externo inerva os músculos trapézio
e esternocleidomastóideo.
As fibras oriundas da raiz craniana que se unem ao vago são: fibras eferentes
viscerais especiais, que inervam os músculos da laringe; fibras eferentes viscerais gerais,
que inervam vísceras torácicas.

Nervo Hipoglosso (NC XII)


Nervo essencialmente motor. Emerge do sulco ântero-lateral do bulbo sob a forma
de filamentos radiculares que se unem para formar o tronco do nervo. Este emerge do
crânio pelo canal do hipoglosso, e dirige-se aos músculos intrínsecos e extrínsecos da
língua (está relacionado com a motricidade da mesma). Suas fibras são consideradas
eferentes somáticas.

Figura 53: Resumo dos nervos cranianos.

90
FELIX, Fernando Álison M. D.

MENINGES E LÍQUOR

O tecido do SNC é muito delicado. Por esse motivo, apresenta um elaborado sistema
de proteção que consiste de quatro estruturas: crânio, meninges, líquido cerebrospinal
(líquor) e barreira hematoencefálica.

MENINGES
O sistema nervoso é envolto por membranas conjuntivas denominadas meninges
que são classificadas como três: dura-máter, aracnóide e pia-máter. A aracnóide e a pia-
máter, que no embrião constituem um só folheto, são às vezes consideradas como uma
só formação conhecida como a leptomeninge; e a dura-máter que é mais espessa é
conhecida como paquimeninge.

Dura-Máter
É a meninge mais superficial, espessa e resistente, formada por tecido conjuntivo
muito rico em fibras colágenas, contendo nervos e vasos.
A dura-máter do encéfalo difere da dura-máter espinal por ser formada por dois
folhetos: um externo e um interno, dos quais apenas o interno continua com a dura-
máter espinal. O folheto externo adere intimamente aos ossos do crânio e se comporta
como um periósteo destes ossos, mas sem capacidade osteogênica (nas fraturas
cranianas dificulta a formação de um calo ósseo, entretanto isto é uma vantagem, pois a
formação de um calo ósseo na superfície interna do crânio pode constituir grave fator de
irritação ao tecido nervoso). Em virtude da aderência da dura-máter aos ossos do crânio,
não existe, no crânio, um espaço epidural como na medula. No encéfalo, a principal
artéria que irriga a dura-máter é a artéria meníngea média, ramo da artéria maxilar.
A dura-máter, ao contrário das outras meninges, é ricamente inervada. Como o
encéfalo não possui terminações nervosas sensitivas, toda ou qualquer sensibilidade
intracraniana se localiza na dura-máter, que é responsável pela maioria das dores de
cabeça.

Pregas da dura-máter no encéfalo


Em algumas áreas o folheto interno da dura-máter destaca-se do externo para
formar pregas que dividem a cavidade craniana em compartimentos que se comunicam
amplamente. As principais pregas são:
o Foice do cérebro: é um septo vertical mediano em forma de foice que ocupa
a fissura longitudinal do cérebro, separando os dois hemisférios.
o Tentório do cerebelo: projeta-se para diante como um septo transversal
entre os lobos occipitais e o cerebelo. O tentório do cerebelo separa a fossa
posterior da fossa média do crânio, dividindo a cavidade craniana em um
compartimento superior, ou supratentorial, e outro inferior, ou infratentorial.
A margem anterior livre do tentório do cerebelo, denominada incisura da
tenda, ajusta-se ao mesencéfalo, podendo, em certas circunstâncias, lesar o
mesencéfalo e os nervos troclear e oculomotor.

91
Resumo de Anatomia Humana

o Foice do cerebelo: pequeno septo vertical mediano, situado abaixo do


tentório do cerebelo entre os dois hemisférios cerebelares.
o Diafragma da sela: pequena lâmina horizontal que fecha superiormente a
sela túrcica, deixando apenas um orifício de passagem para o infundíbulo da
hipófise.

Figura 54: Pregas e seios da dura-máter no encéfalo.

Cavidades da dura-máter
Em determinada área, os dois folhetos da dura-máter do encéfalo separam-se
delimitando cavidades. Uma delas é o cavo trigeminal, que contém o gânglio trigeminal.
Outras cavidades são revestidas de endotélio e contém sangue, constituído os seios da
dura-máter, que se dispõem principalmente ao longo da inserção das pregas da dura-
máter.

Seios da dura-máter
São verdadeiros túneis escavados na membrana dura-máter, que recebem o sangue
proveniente das veias do encéfalo e do globo ocular. Os seios recebem também o
sangue das veias do couro cabeludo através das veias emissárias, que atravessam
forames nos ossos do crânio. Ao fim, os seios drenam para as veias jugulares internas.
Seios da calvária (abóbada) craniana:
Seio sagital superior: ímpar e mediano, percorre a margem de inserção da foice do
cérebro em toda sua extensão. Desemboca na confluência dos seios, formada pela
confluência dos seios sagital superior, reto, occipital e transversos direito e esquerdo.
Seio sagital inferior: percorre a margem livre da foice do cérebro. Desemboca no seio
reto.

92
FELIX, Fernando Álison M. D.

Seio reto: situado na junção da foice do cérebro com o tentório do cerebelo.


Anteriormente recebe o seio sagital inferior e a veia magna do cérebro (que é formada
pelas veias internas do cérebro) e posteriormente desemboca na confluência dos seios.
Seio transverso: é par, origina-se na confluência dos seios e dispõe-se de cada lado
ao longo da inserção do tentório do cerebelo (sulco transverso do osso occipital). Ao
chegar à parte petrosa do osso temporal, recebe o seio petroso superior e se continua
com o seio sigmóide.
Seio sigmóide: ocupa o sulco de mesmo nome, o qual faz um verdadeiro "S" na
margem posterior da parte petrosa do osso temporal, indo terminar no bulbo superior
da veia jugular interna, após atravessar o forame jugular. Drena a quase totalidade do
sangue venoso da cavidade craniana.
Seio occipital: pequeno e irregular, origina-se perto do forame magno e dispõe-se ao
longo da margem de inserção da foice do cerebelo. Drena para a confluência dos seios.

Figura 55: Seios venosos da dura-máter na base do crânio. (Vista superior)

Seios da base do crânio:


Seio cavernoso: grande e irregular, situa-se a cada lado do corpo do osso esfenóide e
da sela túrcica. Comunica-se com o seio cavernoso do lado oposto através do seio
intercavernoso. Recebe anteriormente a veia oftálmica, a veia média profunda do
cérebro e o seio esfenoparietal e, posteriormente, se continua com os seios petrosos
superior e inferior.
Seios intercavenosos: liga transversalmente os dois seios cavernosos. Situado na
parte superior da sela túrcica, circundando a hipófise.
Seio esfenoparietal: percorre a margem posterior da asa menor do osso esfenóide.
Desemboca no seio cavernoso.

93
Resumo de Anatomia Humana

Seio petroso superior: estende-se do seio cavernoso até o seio transverso, situando-
se sobre o sulco do seio petroso superior na porção petrosa do osso temporal.
Seio petroso inferior: origina-se na extremidade posterior do seio cavernoso, recebe
parte do plexo basilar, percorre o sulco petroso inferior, indo terminar no bulbo superior
da veia jugular interna. A veia jugular interna faz continuação ao seio sigmóide, sendo
que o seio petroso inferior atravessa o forame jugular para ir desembocar naquela veia.
Plexo basilar: é um plexo ímpar de canais venosos que se situa no clivo do osso
occipital. Este plexo une os seios petrosos inferiores (direito e esquerdo).

Veias Cerebrais Superiores

SEIO SAGITAL SUPERIOR SEIO SAGITAL INFERIOR

SEIO RETO Veia Cerebral Magna

CONFLUÊNCIA DOS SEIOS SEIO OCCIPITAL

SEIO TRANSVERSO

SEIO SIGMÓIDE

VEIA JUGULAR INTERNA

SEIO INTERCAVERNOSO

SEIO PETROSO SUPERIOR SEIO CAVERNOSO SEIO PETROSO INFERIOR

SEIO ESFENOPARIETAL PLEXO BASILAR

Figura 56: Esquema mapeando as desembocaduras dos seios venosos da dura-máter.

94
FELIX, Fernando Álison M. D.

Aracnóide
É uma membrana muito delgada, justaposta à dura-máter, da qual se separa por um
espaço virtual, o espaço subdural, contendo uma pequena quantidade de líquido
necessário á lubrificação das superfícies de contato das membranas.
A aracnóide separa-se da pia-máter pelo espaço subaracnóideo que contem líquor,
havendo grande comunicação entre os espaços subaracnóideos do encéfalo e da
medula.
Considera-se também como pertencendo à aracnóide, as delicadas trabéculas que
atravessam o espaço para ligar à pia-máter, e que são denominados de trabéculas
aracnóideas. Estas trabéculas lembram um aspecto de teias de aranha donde vem o
nome aracnóide.

Cisternas subaracnóideas
São dilatações do espaço subaracnóideo, que contêm uma grande quantidade de
líquor. As cisternas mais importantes são as seguintes:

Figura 57: Cisternas subaracnóideas e circulação do líquor.

o Cisterna magna (ou cerebelomedular): ocupa o espaço entre a face inferior


do cerebelo e a face dorsal do bulbo e do teto do III ventrículo. Continua
caudalmente com o espaço subaracnóideo da medula e liga-se ao IV
ventrículo através de sua abertura mediana (forame de Magendie). A cisterna
magna é a maior e mais importante, sendo às vezes utilizada para obtenção
de líquor através de punções – punção cervical suboccipital;
o Cisterna pontina: situada ventralmente a ponte;
o Cisterna interpeduncular: localizada na fossa interpeduncular;

95
Resumo de Anatomia Humana

o Cisterna quiasmática: situada anterior ao quiasma óptico;


o Cisterna superior: situada dorsalmente ao teto mesencefálico, entre o
cerebelo e o esplênio do corpo caloso. A cisterna superior corresponde, pelo
menos em parte, à cisterna ambiens, termo usado pelos clínicos;
o Cisterna da fossa lateral do cérebro: corresponde à depressão formada pelo
sulco lateral de cada hemisfério.

Granulações aracnóideas
Em alguns pontos da aracnóide, formam-se pequenos tufos que penetram no
interior dos seios da dura-máter, constituindo as granulações aracnóideas (ou corpos de
Pacchioni), mais abundantes no seio sagital superior. As granulações aracnóideas levam
pequenos prolongamentos do espaço subaracnóideo, verdadeiros divertículos deste
espaço, nos quais o líquor está separado do sangue apenas pelo endotélio do seio e uma
delgada camada de aracnóide. São estruturas admiravelmente adaptadas à absorção do
líquor, que neste ponto, vai para o sangue.
PS.: Fovéolas granulares: são depressões decorrentes de granulações aracnóideas
que causaram erosão do osso. Geralmente são observadas na vizinhança dos seios
sagital superior, transverso e alguns outros seios venoso da dura-máter.

Pia-Máter
É a mais interna das meninges, aderindo intimamente à superfície do encéfalo e da
medula, cujos relevos e depressões acompanham até o fundo dos sulcos cerebrais. A
pia-máter dá resistência aos órgãos nervosos, pois o tecido nervoso é de consistência
muito mole. A pia-máter acompanha os vasos que penetram no tecido nervoso a partir
do espaço subaracnóideo, formando a parede externa dos espaços perivasculares. Neste
espaço existem prolongamentos do espaço subaracnóideo, contendo líquor, que forma
um manguito protetor em torno dos vasos, muito importante para amortecer o efeito
da pulsação das artérias sobre o tecido circunvizinho. Verificou-se que os espaços
perivasculares acompanham os vasos mais calibrosos até uma pequena distância e
terminam por fusão da pia com a adventícia do vaso. As pequenas arteríolas são
envolvidas até o nível capilar por pré-vasculares dos astrócitos do tecido nervoso.

LÍQUOR (LÍQUIDO CEREBROSPINAL – LCE)


É um fluido aquoso e incolor que ocupa o espaço subaracnóideo e as cavidades
ventriculares. A sua função primordial é proteção mecânica do sistema nervoso central.
Em virtude da disposição do espaço subaracnóideo, que envolve todo o SNC, este
fica totalmente submerso em líquido. Logo, de acordo com o princípio de Pascal,
qualquer pressão ou choque que se exerça em um ponto deste coxim líquido, distribuir-
se-á igualmente a todos os pontos, constituindo um eficiente mecanismo amortecedor
de choques. Também segundo o princípio de Arquimedes, este coxim líquido torna o
SNC mais leve, o que reduz o risco de traumatismos do encéfalo.
O volume total do líquor é de 100 a 150 cm³, renovando-se completamente a cada 8
horas.

96
FELIX, Fernando Álison M. D.

Formação, Absorção e Circulação do Líquor


Sabe-se hoje em dia que o líquor é produzido nos plexos corióides dos ventrículos e
também que uma pequena porção é produzida a partir do epêndima das paredes
ventriculares e dos vasos da leptomeninge. Os ventrículos laterais contribuem com o
maior contingente liquórico, que passa ao III ventrículo através dos forames
interventriculares e daí para o IV ventrículo através do aqueduto do mesencéfalo.
Através das aberturas medianas e laterais do IV ventrículo, o líquor passa para o
espaço subaracnóideo, sendo reabsorvido principalmente pelas granulações aracnóideas
que se projetam para o interior da dura-máter. No espaço subaracnóideo da medula, o
líquor desce em direção caudal, mas apenas uma parte volta, pois há reabsorção
liquórica que ocorre nas pequenas granulações aracnóideas existentes nos
prolongamentos da dura-máter que acompanham as raízes dos nervos espinhais.
Assim, temos o seguinte trajeto do líquor, desde sua produção à sua absorção:
o Produção: principalmente nos ventrículos laterais;
o Forame interventricular;
o III ventrículo;
o Aqueduto do mesencéfalo;
o IV ventrículo;
o Forames laterais (ou de Luschka) e mediano (ou de Magendie) do IV
ventrículo;
o Espaço subaracnóideo do encéfalo e da medula;
o Absorção: granulações aracnóideas.

97
Resumo de Anatomia Humana

Sistema Locomotor

O
sistema locomotor é feito pelas funções do movimento, locomoção e
deslocamento dos seres vivos. O conjunto de ossos, músculos e elementos
das articulações compreende a locomoção na espécie humana.
O sistema esquelético sustenta, protege os órgãos internos, armazena minerais e
íons e produz células sanguíneas. O crânio é a estrutura mais complexa do esqueleto,
compreendendo o neurocrânio, que protege o encéfalo, e o esplancnocrânio, que forma
a face. A coluna vertebral sustenta o corpo, é constituída por 33 vértebras que se
alternam com discos intervertebrais permitindo flexibilidade ao tronco.
Um osso pode ligar-se a outro osso ou a outros ossos através das articulações.
Os músculos, tendões e ossos produzem diversos tipos de movimentos através do
trabalho que realizam em conjunto nos pontos onde existem articulações. Os músculos
são constituídos pelas fibras musculares, células alongadas ricas em miofibrilas de
proteínas, responsáveis pela contração muscular. Ao se contrair, o músculo ocasiona o
movimento do corpo ou de órgãos internos.

Figura 58: Corpo Humano - músculos e ossos.

98
FELIX, Fernando Álison M. D.

SISTEMA ARTICULAR

Articulações ou junturas são as uniões funcionais entre os diferentes ossos do


esqueleto. São divididas nos seguintes grupos, de acordo com sua estrutura e
mobilidade:
o Articulações Fibrosas (Sinartroses) ou imóveis;
o Articulações Cartilagíneas (Anfiartroses) ou com movimentos limitados;
o Articulações Sinoviais (Diartroses) ou articulações de movimentos amplos.

ARTICULAÇÕES FIBROSAS (SINARTROSES)


As articulações fibrosas incluem todas as articulações onde as superfícies dos ossos
estão quase em contato direto, como nas articulações entre os ossos do crânio (exceto a
ATM). Há três tipos principais de articulações fibrosas:
o Suturas;
o Sindesmoses;
o Gonfoses.

Suturas
Nas suturas as extremidades dos ossos têm interdigitações ou sulcos, que os
mantêm íntima e firmemente unidos. Consequentemente, as fibras de conexão são
muito curtas preenchendo uma pequena fenda entre os ossos. Este tipo de articulação é
encontrado somente entre os ossos planos do crânio.
Na maturidade, as fibras da sutura começam a ser calcificadas completamente,
tornando os ossos de ambos os lados da sutura firmemente unidos/fundidos. Esta
condição é chamada de sinostose, e ocorre, por exemplo, no sacro.

Sindesmoses
Nestas suturas o tecido interposto é também o conjuntivo fibroso, mas não ocorre
nos ossos do crânio. Na verdade, a Nomenclatura Anatômica só registra dois exemplos:
sindesmose tíbio-fibular e sindesmose radio-ulnar.

Gonfoses
Também chamada de articulação em cavilha, é uma articulação fibrosa especializada
à fixação dos dentes nas cavidades alveolares na mandíbula e maxilas. O colágeno do
periodonto une o cemento dentário com o osso alveolar.

ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS (ANFIARTROSES)


Nas articulações cartilaginosas, os ossos são unidos por cartilagem pelo fato de
pequenos movimentos serem possíveis nestas articulações, elas também são chamadas
de anfiartroses. Existem dois tipos de articulações cartilagíneas:
o Sincondroses; o Sínfises.

99
Resumo de Anatomia Humana

Sincondroses
Os ossos de uma articulação do tipo sincondrose estão unidos por uma cartilagem
hialina. Muitas sincondroses são articulações temporárias, com a cartilagem sendo
substituída por osso com o passar do tempo (isso ocorre em ossos longos e entre alguns
ossos do crânio). As articulações entre as dez primeiras costelas e as cartilagens costais
são sincondroses permanentes.
Sincondroses Cranianas:
o Esfeno-etmoidal;
o Esfeno-petrosa;
o Intra-occipital anterior;
o Intra-occipital posterior.
Sincondroses Pós-cranianas:
o Epifisiodiafisárias;
o Epifisiocorporal;
o Intra-epifisária;
o Esternais;
o Manúbrio-esternal;
o Xifoesternal;
o Sacrais.

Sínfises
As superfícies articulares dos ossos unidos por sínfises estão cobertas por uma
camada de cartilagem hialina. Entre os ossos da articulação, há um disco
fibrocartilaginoso, sendo essa a característica distintiva da sínfise. Esses discos por
serem compressíveis permitem que a sínfise absorva impactos. A articulação entre os
ossos púbicos e a articulação entre os corpos vertebrais são exemplos de sínfises.
Durante o desenvolvimento, as duas metades da mandíbula estão unidas por uma
sínfise mediana, mas essa articulação torna-se completamente ossificada na idade
adulta.
Sínfises:
o Manúbrio-esternal;
o Intervertebrais;
o Sacrais;
o Púbica;
o Mentoniana.

ARTICULAÇÕES SINOVIAIS (DIARTROSES)


As articulações sinoviais incluem a maioria das articulações do corpo. As superfícies
ósseas são recobertas por cartilagem articular e unidas por ligamentos revestidos por
membrana sinovial. A articulação pode ser dividida completamente ou
incompletamente por um disco ou menisco articular cuja periferia se continua com a
cápsula fibrosa, enquanto que suas faces livres são recobertas por membrana sinovial.

100
FELIX, Fernando Álison M. D.

Classificação Funcional das Articulações


O movimento das articulações depende, essencialmente, da forma das superfícies
que entram em contato e dos meios de união que podem limitá-lo. Na dependência
destes fatores as articulações podem realizar movimentos de um, dois ou três eixos.
Este é o critério adotado para classificá-las funcionalmente.

Articulação Monoaxial
Quando uma articulação realiza movimentos apenas em torno de um eixo (1 grau de
liberdade). As articulações que só permitem a flexão e extensão, como a do cotovelo,
são monoaxiais. Há duas variedades nas quais o movimento é uniaxial: gínglimo ou
articulação em dobradiça e trocóide ou articulação em pivô.
Gínglimo (Articulação em Dobradiça): as superfícies articulares permitem
movimento em um só plano. As articulações são mantidas por fortes ligamentos
colaterais. Exemplos: articulações interfalangeanas e articulação úmero-ulnar.
Trocóide (Articulação em Pivô): quando o movimento é exclusivamente de rotação.
A articulação é formada por um processo em forma de pivô rodando dentro de um anel
ou um anel sobre um pivô. Exemplos: articulação rádio-ulnar proximal e atlanto-axial.

Articulação Biaxial
Quando uma articulação realiza movimentos em torno de dois eixos (2 graus de
liberdade). As articulações que realizam extensão, flexão, adução e abdução, como a
rádio-cárpica (articulação do punho) são biaxiais. Há duas variedades de articulações
biaxiais: articulações condilar e selar.
Condilar: Nesse tipo de articulação, uma superfície articular ovóide ou condilar é
recebida em uma cavidade elíptica de modo a permitir os movimentos de flexão e
extensão, adução e abdução e circundação, ou seja, todos os movimentos articulares,
menos rotação axial. Exemplo: Articulação do pulso.
Selar: Nestas articulações as faces ósseas são reciprocamente côncavo-convexas.
Permitem os mesmos movimentos das articulações condilares. Exemplo:
Carpometacárpicas do polegar.

Articulação Triaxial
Quando uma articulação realiza movimentos em torno de três eixos (3 graus de
liberdade). As articulações que além de flexão, extensão, abdução e adução, permitem
também a rotação, são ditas triaxiais, cujos exemplos típicos são as articulações do
ombro e do quadril. Há uma variedade onde o movimento é poliaxial, chamada
articulação esferóide ou enartrose.
Enartrose (articulação esferóide): É uma forma de articulação na qual o osso distal é
capaz de movimentar-se em torno de vários eixos, que tem um centro comum.
Exemplos: articulações do quadril e ombro.

Existe ainda um outro tipo de articulação chamada Articulação Plana, que permite
apenas movimentos deslizantes. Exemplos: articulações dos corpos vertebrais e em
algumas articulações do carpo e do tarso.

101
Resumo de Anatomia Humana

Estruturas das Articulações Móveis


Ligamentos
Os ligamentos são constituídos por fibras colágenas dispostas paralelamente ou
intimamente entrelaçadas umas as outras. São maleáveis e flexíveis para permitir
perfeita liberdade de movimento, porém são muito fortes, resistentes e inelásticos (para
não ceder facilmente à ação de forças).

Cápsula Articular
É uma membrana conjuntiva que envolve as articulações sinoviais como um
manguito. Apresenta duas camadas: a membrana fibrosa (externa) e a membrana
sinovial (interna).
A membrana fibrosa (cápsula fibrosa) é mais resistente e pode estar reforçada, em
alguns pontos por feixes também fibrosos, que constituem os ligamentos capsulares,
destinados a aumentar sua resistência. Em muitas articulações sinoviais existem
ligamentos independentes da cápsula articular denominados extra-capsulares ou
acessórios e em algumas, como na articulação do joelho, aparecem também ligamentos
intra-articulares.
Ligamentos e cápsula articular têm por finalidade manter a união entre os ossos,
mas, além disso, impedem o movimento em planos indesejáveis e limitam a amplitude
dos movimentos considerados normais.
A membrana sinovial é a mais interna das camadas da cápsula articular e forma um
saco fechado denominado cavidade sinovial. É abundantemente vascularizada e
inervada sendo encarregada da produção de líquido sinovial. Discute-se que a sinóvia é
uma verdadeira secreção ou um ultra-filtrado do sangue, mas é certo que contém ácido
hialurônico que lhe confere a viscosidade necessária a sua função lubrificadora.

Discos e Meniscos
Em várias articulações sinoviais, interpostas as superfícies articulares, encontram-se
formações fibrocartilagíneas, os discos e meniscos intra-articulares, de função discutida:
serviriam à melhor adaptação das superfícies que se articulam (tornando-as
congruentes) ou seriam estruturas destinadas a receber violentas pressões, agindo
como amortecedores. Meniscos, com sua característica em forma de meia lua, são
encontrados na articulação do joelho. Exemplo de disco intra-articular encontramos nas
articulações esternoclavicular e ATM.

Bainha Sinovial dos Tendões


Facilitam o deslizamento de tendões que passam através de túneis fibrosos e ósseos
(p. ex. o retináculo dos flexores de punho).

Bolsas Sinoviais (Bursas)


São fendas no tecido conjuntivo entre os músculos, tendões, ligamentos e ossos. São
constituídas por sacos fechados de revestimento sinovial. Facilitam o deslizamento de
músculos ou de tendões sobre proeminências ósseas ou ligamentosas.

102
FELIX, Fernando Álison M. D.

SISTEMAS ESQUELÉTICO E MUSCULAR

SISTEMA ESQUELÉTICO
O sistema esquelético é composto de ossos e cartilagens. É clássico admitir o
número de 206 ossos.
Cabeça = 22 Membro Superior = 32
Crânio = 08 Cintura Escapular = 2
Face = 14 Braço = 1
Pescoço = 8 Antebraço = 2
Tórax = 37 Mão = 27
24 costelas Membro Inferior = 31
12 vértebras Cintura Pélvica = 1
1 esterno Coxa = 1
Abdômen = 7 Joelho = 1
5 vértebras lombares Perna = 2
1 sacro Pé = 26
1 cóccix Ossículos do Ouvido Médio = 3
Funções do Sistema Esquelético
o Sustentação do organismo (apoio para o corpo);
o Proteção de estruturas vitais (coração, pulmões, cérebro);
o Base mecânica para o movimento;
o Armazenamento de sais (cálcio, por exemplo);
o Hematopoiética (suprimento contínuo de células sanguíneas novas).

Divisão do Esqueleto
Esqueleto Axial: composta pelos ossos da cabeça, pescoço e do tronco;
Esqueleto Apendicular: composta pelos membros superiores e inferiores.
A união do esqueleto axial com o apendicular se faz por meio das cinturas escapular
e pélvica.

Classificação dos Ossos:


Os ossos são classificados de acordo com a sua forma em:
o Ossos longos: tem o comprimento maior que a largura e são constituídos por
um corpo e duas extremidades. Ex.: fêmur;
o Ossos curtos: são parecidos com um cubo, tendo seus comprimentos
praticamente iguais às suas larguras. Ex.: ossos do carpo;
o Ossos planos: são ossos finos e compostos por duas lâminas paralelas de
tecido ósseo compacto, com camada de osso esponjoso entre elas. Ex.:
frontal e parietal;
o Ossos alongados: são ossos longos, porém achatados e não apresentam canal
central. Ex.: costelas;

103
Resumo de Anatomia Humana

o Ossos pneumáticos: são osso ocos, com cavidades cheias de ar e revestidas


por mucosa (seios), apresentando pequeno peso em relação ao seu volume.
Ex.: esfenóide;
o Ossos irregulares: apresentam formas complexas e não podem ser agrupados
em nenhuma das categorias prévias. Ex.: vértebras;
o Ossos sesamóides: estão presentes no interior de alguns tendões em que há
considerável fricção, tensão e estresse físico, como as palmas e plantas. Ex.:
patelas.

Estrutura dos Ossos Longos


A disposição dos tecidos ósseos compacto e esponjoso em um osso longo é
responsável por sua resistência. Os ossos longos contém locais de crescimento e
remodelação, e estruturas associadas às articulações. As partes de um osso longo são as
seguintes:
o Diáfise: é a haste longa do osso. Ele é constituída principalmente de tecido
ósseo compacto, proporcionando, considerável resistência ao osso longo;
o Epífise: as extremidades alargadas de um osso longo. A epífise de um osso o
articula, ou une, a um segundo osso, em uma articulação. Cada epífise
consiste de uma fina camada de osso compacto que reveste o osso esponjoso
e recobertas por cartilagem;
o Metáfise: parte dilatada da diáfise mais próxima da epífise.

SISTEMA MUSCULAR
No corpo humano existe uma enorme variedade de músculos, dos mais variados
formatos e tamanhos, temos aproximadamente 212 músculos, sendo 112 na parte
anterior do corpo e 100 na parte posterior.
O estudo de sistema muscular é conhecido como Miologia. Os músculos dão forma
ao corpo humano e o tecido que formam os músculos é o tecido muscular, esse é
especializado na contração e assim realizando os movimentos, geralmente em resposta
a um estímulo do sistema nervoso.

Função dos Músculos


Produção dos movimentos corporais: movimentos globais do corpo, como andar e
correr.
Estabilização das Posições Corporais: a contração dos músculos esqueléticos
estabilizam as articulações e participam da manutenção das posições corporais, como a
de ficar em pé ou sentar.
Regulação do Volume dos Órgãos: a contração sustentada das faixas anelares dos
músculos lisos (esfíncteres) pode impedir a saída do conteúdo de um órgão oco.
Movimento de substâncias dentro do corpo: as contrações dos músculos lisos das
paredes vasos sangüíneos regulam a intensidade do fluxo. Os músculos lisos também
podem mover alimentos, urina e gametas do sistema reprodutivo. Os músculos
esqueléticos promovem o fluxo de linfa e o retorno do sangue para o coração.

104
FELIX, Fernando Álison M. D.

Produção de calor: quando o tecido muscular se contrai ele produz calor e grande
parte desse calor liberado pelo músculo é usado na manutenção da temperatura
corporal.

Tipos de Músculos
Músculos Estriados Esqueléticos: Contraem-se por influência da nossa vontade, ou
seja, são voluntários. O tecido muscular esquelético é chamado de estriado porque
faixas alternadas claras e escuras (estriações) podem ser vistas no microscópio óptico.
Músculos Lisos: Localizado nos vasos sanguíneos, vias aéreas e maioria dos órgãos da
cavidade abdômino-pélvica. Ação involuntária controlada pelo sistema nervoso
autônomo.
Músculo Estriado Cardíaco: Representa a arquitetura cardíaca. É um músculo
estriado, porém involuntário – AUTO RITMICIDADE.

Componentes Anatômicos dos Músculos Estriados


Ventre Muscular é a porção contrátil do músculo, constituída por fibras musculares
que se contraem. Constitui o corpo do músculo (porção carnosa).
Tendão é um elemento de tecido conjuntivo, ricos em fibras colágenas e que serve
para fixação do ventre, em ossos, no tecido subcutâneo e em cápsulas articulares.
Possuem aspecto morfológico de fitas ou de cilindros.
Aponeurose é uma estrutura formada por tecido conjuntivo. Membrana que envolve
grupos musculares. Geralmente apresenta-se em forma de lâminas ou em leques.
Bainhas Tendíneas são estruturas que formam pontes ou túneis entre as superfícies
ósseas sobre as quais deslizam os tendões. Sua função é conter o tendão, permitindo-
lhe um deslizamento fácil.
Bolsas Sinoviais são encontradas entre os músculos ou entre um músculo e um osso.
São pequenas bolsas forradas por uma membrana serosa que possibilitam o
deslizamento muscular.

105
Resumo de Anatomia Humana

MEMBROS SUPERIORES

OSSOS DOS MEMBROS SUPERIORES


Os ossos dos membros superiores podem ser divididos em quatro segmentos:
o Cintura escapular: clavícula e escápula;
o Braço: úmero;
o Antebraço: rádio e ulna;
o Mão: ossos da mão (carpo, metacarpo e falanges).

Clavícula
A clavícula forma a porção ventral da cintura escapular. É um osso longo curvado
como um “S” itálico, situado quase que horizontalmente logo acima da primeira costela.
Articula-se medialmente com o manúbrio do esterno e lateralmente com o acrômio da
escápula.
Principais acidentes ósseos:
o Extremidade esternal;
o Extremidade acromial;
o Corpo da clavícula;
o Tubérculo conóide;
o Linha trapezóide;
o Impressão do ligamento costoclavícular;
o Sulco do músculo subclávio.

Escápula
É um osso par, chato bem fino podendo ser translúcido em certos pontos. Forma a
parte dorsal da cintura escapular. A escápula articula-se com dois ossos: úmero e
clavícula.
Tem a forma triangular apresentando duas faces, três margens e três ângulos.
Face Dorsal
o Espinha da escápula – separa as fossas supra e infra-espinhal;
o Acrômio – localiza-se na extremidade da espinha;
o Fossa supraespinal – é côncava e lisa, localizada acima da espinha;
o Fossa infraespinal – é côncava e localiza-se abaixo da espinha.
Face Costal
o Fossa subescapular.
Margem Superior
o Incisura escapular – incisura semi-circular localizada na porção lateral e é
formada pela base do processo coracóide;
o Processo coracóide – processo curvo e espesso próximo ao colo da escápula.
Margem Lateral
Margem Medial
Ângulo Inferior – espesso e áspero.
Ângulo Superior – fino, liso e arredondado.

106
FELIX, Fernando Álison M. D.

Ângulo Lateral – é ampliado em um processo espesso. entra na articulação do


ombro.
o Cavidade glenóide – é uma escavação da escápula que se articula com o
úmero;
o Tubérculo supraglenoidal – localiza-se acima da cavidade glenóide;
o Tubérculo infraglenoidal – localiza-se abaixo da cavidade glenóide.

Úmero
É o maior e mais longo osso do membro superior e constitui o braço. Articula-se
superiormente com a cavidade glenóide da escápula na articulação do ombro, e
inferiormente, com o rádio (lateralmente) e com a ulna (medialmente), na articulação
do cotovelo. Apresenta duas epífises e uma diafíse.
Epífise Proximal
o Cabeça do úmero – articula-se com a cavidade glenóide da escápula;
o Tubérculo maior – situa-se lateralmente à cabeça e ao tubérculo menor;
o Tubérculo menor – projeta-se medialmente logo abaixo do colo;
o Colo anatômico – forma um ângulo obtuso com o corpo;
o Colo cirúrgico;
o Sulco intertubercular – sulco profundo que separa os dois tubérculos;
Epífise Distal
o Tróclea – semelhante a um carretel. Articula-se com a ulna;
o Capítulo – eminência lisa e arredondata. Articula-se com o rádio;
o Epicôndilo medial – localiza-se medialmente à tróclea;
o Epicôndilo lateral – pequena eminência tuberculada. Localizado lateralmente
ao capítulo;
o Fossa coronóide – pequena depressão que recebe processo coronóide da ulna
na flexão do antebraço;
o Fossa radial – pequena depressão;
o Fossa do olécrano – depressão triangular profunda que recebe o olécrano na
extensão do antebraço;
o Sulco do nervo ulnar – depressão localizada inferiormente ao epicôndilo
medial;
Diáfise
o Tuberosidade deltoídea – elevação triangular áspera para inserção do
músculo deltóide;
o Sulco do nervo radial – depressão oblíqua ampla e rasa.

Rádio
É o osso lateral do antebraço. É o mais curto dos dois ossos do antebraço. Articula-se
proximalmente com o úmero e a ulna e distalmente com a ulna e os ossos do carpo
(escafóide e semilunar). Apresenta duas epífises e uma diáfise.
Epífise Proximal
o Cabeça – é cilíndrica e articula-se com o capítulo do úmero;
o Circunferência articular da cabeça do rádio;
o Fóvea articular – articula-se com o capítulo do úmero;
o Colo do rádio – porção arredondada, lisa e estrangulada localizada abaixo da
cabeça;

107
Resumo de Anatomia Humana

o Tuberosidade radial – eminência localizada medialmente, na qual o tendão


do bíceps se insere.
Epífise Distal
o Incisura ulnar do rádio – face articular para a ulna;
o Face articular carpal – é côncava, lisa e articula-se com o osso escafóide e
semilunar;
o Processo estilóide – projeção cônica;
o Tubérculo dorsal.
Diáfise
o Margem interóssea.

Ulna
É o osso medial do antebraço. Articula-se proximalmente com o úmero e o rádio e
distalmente apenas com o rádio. É um osso longo que apresenta duas epífises e uma
diáfise.
Epífise Proximal
o Olécrano – eminência grande que forma a ponta do cotovelo
o Incisura troclear – grande depressão formada pelo olécrano e o processo
coronóide e serve para articulação com a tróclea do úmero
o Processo coronóide – projeta-se da parte anterior e proximal do corpo da
ulna
o Incisura radial da ulna – articula-se com a cabeça do rádio
o Tuberosidade ulnar
Epífise Distal
o Cabeça da ulna – eminência articular arredondada localizada lateralmente
o Processo estilóide – localizado mais medialmente e é mais saliente (não
articular);
o Circunferência articular da cabeça da ulna.
Diáfise
o Margem interóssea.

Ossos da Mão
A mão se divide em: carpo, metacarpo e falanges.
Carpo – São oito ossos distribuídos em duas fileiras: proximal e distal.
Fileira proximal:
o Escáfoide;
o Semilunar;
o Piramidal;
o Pisiforme.
Fileira distal:
o Trapézio;
o Trapezóide;
o Capitato;
o Hamato.
Metacarpo – É contituído por 5 ossos metacarpianos que são numerados no sentido
látero-medial em I, II, III, IV e V e correspondem aos dedos da mão. Considerados ossos

108
FELIX, Fernando Álison M. D.

longos, apresentam uma epífise proximal que é a base, uma diáfise (corpo) e uma epífise
distal que é a cabeça.
Dedos da Mão – Apresentam 14 falanges:
Do 2º ao 5º dedos:
o 1ª falange (Proximal);
o 2ª falange (Média);
o 3ª falange (Distal).
Polegar:
o 1ª falange (Proximal);
o 2ª falange (Distal).

ARTICULAÇÕES DOS MEMBROS SUPERIORES


Articulações do Ombro
O ombro é formado por três articulações:
o Esternoclavicular;
o Acromioclavicular;
o Glenoumeral.
Alguns autores ainda consideram outra articulação no complexo do ombro: a
articulação costoescapular, entre as costelas e a escápula, muito importante na
biomecânica fisiológica do ombro.

Articulação Esternoclavicular
Essa articulação é formada pela união da extremidade esternal da clavícula e o
manúbrio do esterno. Possui as seguintes estruturas articulares:
o Cápsula articular – circunda a articulação e varia em espessura e resistência.
o Ligamento esternoclavicular anterior – é um amplo feixe de fibras cobrindo a
face anterior da articulação.
o Ligamento esternoclavicular posterior – é um análogo feixe de fibras que
recobre a face posterior da articulação.
o Ligamento interclavicular – é um feixe achatado que une as faces superiores
das extremidades esternais das clavículas.
o Ligamento costoclavicular – é pequeno, achatado e resistente. Está fixado na
parte superior e medial da cartilagem da primeira costela e face inferior da
clavícula.
o Disco articular – é achatado e está interposto entre as superfícies articulares
do esterno e clavícula.

Articulação Acromioclavicular
É uma articulação plana entre a extremidade acromial da clavícula e a margem
medial do acrômio. É formada pelas seguintes estruturas:
o Cápsula articular – envolve toda a articulação acrômio-clavicular.
o Ligamento acromioclavicular – é constituído por fibras paralelas que
estendem-se da extremidade acromial da clavícula até o acrômio.
o Disco articular – geralmente está ausente nesta articulação.

109
Resumo de Anatomia Humana

o Ligamento coracoclavicular – une a clavícula ao processo coracóide da


escápula. É formado por dois ligamentos: ligamento trapezóide e ligamento
conóide.
o Ligamento coracoacromial – é um forte feixe triangular estendido entre o
processo coracóide e o acrômio. É um ligamento importante para
estabilização da cabeça do úmero na cavidade glenóide, pois evita a elevação
da mesma nos movimentos de abdução acima dos 90 graus.
o Ligamento transverso superior da escápula – é um fino fascículo achatado
inserido no processo coracóide e na incisura da escápula.

Figura 59: Vista anterior das estruturas articulares do ombro.

Articulação Glenoumeral
Esta é uma articulação esferóide multiaxial com três graus de liberdade. As faces
articulares são a cabeça hemisférica do úmero (convexa) e a cavidade glenóide da
escápula (côncava).
A articulação glenoumeral (ou escapuloumeral) é formada pelas seguintes
estruturas:
o Cápsula articular – envolve toda a cavidade glenóide e a cabeça do úmero.
o Ligamento coracoumeral – é um amplo feixe que fortalece a parte superior
da cápsula.
o Ligamentos glenoumerais – são robustos espessamentos da cápsula articular
sobre a parte ventral da articulação. É constituído por três ligamentos:
 ligamento glenoumeral superior;
 ligamento glenoumeral médio;
 ligamento glenoumeral inferior.
o Ligamento transverso do úmero – é uma estreita lâmina de fibras curtas e
transversais que unem o tubérculo maior e o menor, mantendo o tendão
longo do bíceps braquial no sulco intertubercular.

110
FELIX, Fernando Álison M. D.

o Lábio (labrum) glenoidal – é uma orla fibrocartilagínea inserida ao redor da


cavidade glenóide. Tem importante função na estabilização glenoumeral e
quando rompido proporciona uma instabilidade articular faciltando o
deslocamento anterior ou posterior do úmero (luxação).

Articulações do Cotovelo
A articulação do cotovelo é um gínglimo ou articulação em dobradiça. Possui três
articulações: umeroulnar, entre a tróclea do úmero e a incisura troclear da ulna,
umerorradial, entre o capítulo do úmero e a cabeça do rádio e radioulnar proximal,
entre a cabeça do rádio e a incisura radial da ulna.
As superfícies articulares são reunidas por uma cápsula que é espessada medial e
lateralmente pelos ligamentos colaterais ulnar e radial.
o Cápsula articular – circunda toda a articulação e é formada por duas partes:
anterior e posterior. A parte anterior é uma fina camada fibrosa que recobre
a face anterior da articulação. A parte posterior é fina e membranosa e
consta de fibras oblíquas e transversais.
o Ligamento colateral ulnar – é um feixe triangular espesso constituído de duas
porções: anterior e posterior, unidas por uma porção intermediária mais fina.
o Ligamento colateral radial – é um feixe fibroso triangular, menos evidente
que o ligamento colateral ulnar.
A articulação radioulnar proximal é uma juntura trocóide ou em pivô, entre a
circunferência da cabeça do rádio e o anel formado pela incisura radial da ulna e o
ligamento anular.
o Ligamento anular – é um forte feixe de fibras que envolvem a cabeça do
rádio, mantendo-a em contato com a incisura radial da ulna. Da margem
inferior do ligamento anular sai um feixe espesso de fibras que se estende
até o colo do rádio, denominado ligamento quadrado.

Figura 60: Vistas lateral e medial dos ligamentos da articulação do cotovelo.

111
Resumo de Anatomia Humana

Articulações do Punho
A articulação do punho é formada pelas articulações radioulnar distal e radiocárpica.
A articulação radioaulnar distal é uma juntura trocóide formada entre a cabeça da
ulna e a incisura ulnar da extremidade inferior do rádio. É unida pela cápsula articular e
pelo disco articular.
o Cápsula articular – é constituída de feixes de fibras inseridas nas margens da
incisura ulnar e na cabeça da ulna. Apresenta dois espessamentos
denominados ligamento radioulnar ventral e radioulnar dorsal.
o Disco articular – tem forma triangular e está colocado transversalmente sob a
cabeça da ulna, unindo firmemente as extremidades inferiores da ulna e do
rádio.
A articulação radiocárpica (sindesmose) é uma juntura condilar. É formada pela
extremidade distal do rádio e a face distal do disco articular com os ossos escafóide,
semilunar e piramidal. A articulação radiocárpica é formada pelos seguintes ligamentos:
o Ligamento radiocárpico palmar – é um largo feixe membranoso inserido na
margem anterior da extremidade distal do rádio, no seu processo estilóide e
na face palmar da extremidade distal da ulna. Suas fibras se dirigem
distalmente para inserir-se nos ossos escafóide, semilunar e piramidal.
o Ligamento radiocárpico dorsal – é menos espesso e resistente que o palmar.
Sua inserção proximal é na borda posterior da extremidade distal do rádio.
Suas fibras são dirigidas obliquamente no sentido distal e ulnar e fixam-se
nos ossos escafóide, semilunar e piramidal.
o Ligamento colateral ulnar – é um cordão arredondado inserido
proximalmente na extremidade do processo estilóide da ulna e distalmente
nos ossos piramidal e psiforme.
o Ligamento colateral radial – estende-se do ápice do processo estilóide do
rádio para o lado radial do escafóide.

Distalmente às articulações estudadas acima, encontramos ainda as articulações


intercárpicas, carpometatársicas, intermetatársicas, metacarpofalangeanas e
interfalangeanas.

MÚSCULOS DOS MEMBROS SUPERIORES


Músculos Toracoapendiculares Anteriores
Peitoral Maior
Inervação: Nervo do Peitoral Lateral e Nervo do Peitoral Medial (C5 - T1);
Ação: Adução, rotação medial, flexão e flexão horizontal do ombro.

Peitoral Menor
Inervação: Nervo do Peitoral Medial (C8 - T1);
Ação:
- Fixo no Tórax: Depressão do ombro e rotação inferior da escápula;
- Fixo na Escápula: Eleva as costelas (ação inspiratória).

112
FELIX, Fernando Álison M. D.

Subclávio
Inervação: Nervo do subclávio (C5 - C6);
Ação: Depressão da clavícula e do ombro.

Serrátil Anterior
Inervação: Nervo Torácico Longo (C5 - C7);
Ação:
- Fixo na Escápula: Ação inspiratória;
- Fixo nas Costelas: Rotação superior, abdução e depressão da escápula e propulsão
do ombro.

Músculos Toracoapendiculares Posteriores Superficiais


Trapézio
Inervação: Nervo Acessório (XI par craniano) e nervo do trapézio (C3 - C4);
Ação:
- Fixo na Coluna: Elevação do ombro, adução das escápulas, rotação superior das
escápulas e depressão de ombro;
- Fixo na Escápula:
Contração Unilateral: Inclinação homolateral e rotação contralateral da cabeça;
Contração Bilateral: Extensão da cabeça.

Latíssimo do Dorso (Grade Dorsal)


Inervação: Nervo Toracodorsal (C6 - C8);
Ação: Adução, extensão e rotação medial do braço. Depressão do ombro.

Músculos Toracoapendiculares Posteriores Profundos


Levantador da Escápula
Inervação: Nervo Dorsal da Escápula (C5);
Ação: Elevação e adução da escápula. Inclinação e rotação homolateral da coluna
cervical e extensão da cabeça.

Rombóide Maior
Inervação: Nervo Dorsal da Escápula (C5);
Ação: Adução e rotação inferior das escápulas e elevação do ombro.

Rombóide Menor
Inervação: Nervo Dorsal da Escápula (C5);
Ação: Adução e rotação inferior das escápulas e elevação do ombro.

Músculos Escapuloumerais (do ombro)


Deltóide
Inervação: Nervo Axilar (C5 e C6);
Ação: Abdução do braço, auxilia nos movimentos de flexão, extensão, rotação lateral
e medial, flexão e extensão horizontal do braço. Estabilização da articulação do ombro.

113
Resumo de Anatomia Humana

Supraespinal
Inervação: Nervo Supraescapular (C5 e C6);
Ação: Abdução do braço.

Infraespinal
Inervação: Nervo Supraescapular (C5 e C6);
Ação: Rotação lateral do braço.

Redondo Menor
Inervação: Nervo Axilar (C5 e C6);
Ação: Rotação lateral e adução do braço.

Redondo Maior
Inervação: Nervo Subescapular Inferior - Fascículo posterior do plexo braquial (C5 e
C6);
Ação: Rotação medial, adução e extensão da articulação do ombro.

Subescapular
Inervação: Nervo Subescapular Superior e Inferior - Fascículo posterior (C5 e C6);
Ação: Rotação medial e adução do braço.

<< Manguito Rotador >>


A função principal deste grupo é manter a cabeça do úmero contra a cavidade
glenóide, reforçar a cápsula articular e resistir ativamente e deslocamentos indesejáveis
da cabeça do úmero em direção anterior, posterior e superior. Todos eles, exceto o
supra-espinal, são rotadores do úmero. Fazem parte do manguito rotador os seguintes
músculos:
o Supra-espinal;
o Infra-espinal;
o Redondo menor;
o Subescapular.

<< Espaço Quadrangular e Espaço Triangular >>


Os músculos redondos maior e menor juntamente com o úmero delimitam um
espaço de formato triangular, o qual é subdividido pela cabeça longa do músculo tríceps
braquial em espaços quadrangular (mais lateral) e triangular (mais medial).
No espaço quadrangular (ou espaço axilar lateral) encontramos as seguintes
estruturas: artéria circunflexa posterior do úmero e nervo axilar.
No espaço triangular (ou espaço axilar medial) encontramos a seguinte estrutura:
artéria circunflexa da escápula.

Músculos do Braço – Região Anterior: Flexores do Antebraço


Bíceps Braquial
É o mais superficial. Tem 2 cabeças: a longa que é lateral e a curta que é medial. A
longa se origina no tubérculo supra-glenoidal, a curta se origina no processo coracóide.
Vai se inserir na tuberosidade do rádio e na fáscia do braço. Faz flexão e supinação.

114
FELIX, Fernando Álison M. D.

Inervação: Nervo Musculocutâneo (C5 e C6);


Ação: Flexão de cotovelo / ombro e supinação do antebraço.

Braquial
Mais importante flexor do antebraço. Fica em baixo do bíceps. Origina-se na parte
média do corpo do úmero e vai se fixar na tuberosidade da ulna.
Inervação: Nervo Musculocutâneo (C5 e C6);
Ação: Flexão de cotovelo.

Coracobraquial
Fica em baixo do bíceps e ao lado do braquial (medial a ele). É um pequeno músculo
que se origina no processo coracóide e se fixa no corpo do úmero. Ele abaixa o ombro.
Não tem uma importância funcional muito grande.
Inervação: Nervo Musculocutâneo (C5 e C6);
Ação: Flexão e adução do braço.

Músculos do Braço – Região Posterior: Extensores do Antebraço


Tríceps Braquial
Na região posterior o mais importante é o tríceps braquial. Tem 3 cabeças: a longa, a
lateral e a medial. Faz extensão do antebraço.
Inervação: Nervo Radial (C7 - C8;
Ação: Extensão do cotovelo.

Ancôneo
Insere-se junto com o tríceps, é bem pequeno, fica perto do olécrano, faz extensão
do antebraço também.
Inervação: Nervo Radial (C7 e C8);
Ação: Extensão do cotovelo.

Músculos do Antebraço – Região Anterior: Flexores do Carpo


1ª Camada

Pronador Redondo
Inervação: Nervo Mediano (C6 - C7);
Ação: Pronação do antebraço e auxiliar na flexão do cotovelo.

Flexor Radial do Carpo


Inervação: Nervo Mediano (C6 e C7);
Ação: Flexão do punho e abdução da mão (desvio radial).

Palmar Longo
Inervação: Nervo Mediano (C6 - C8);
Ação: Flexão do punho, tensão da aponeurose palmar e retináculo dos flexores.

Flexor Ulnar do Carpo


Inervação: Nervo Ulnar (C7 - T1);

115
Resumo de Anatomia Humana

Ação: Flexão de punho e adução da mão (desvio ulnar).

2ª Camada

Flexor Superficial dos Dedos


Inervação: Nervo Mediano (C7 e T1);
Ação: Flexão de punho e da falange proximal - 2º ao 5º dedos.

3ª Camada

Flexor Profundo dos Dedos


Inervação: Nervo Mediano (C8 - T1): 2º e 3º dedos. Nervo Ulnar (C8 - T1): 4º e 5º
dedos;
Ação: Flexão de punho, falange proximal e falange distal do 2º,3°,4° e 5º dedos.

Flexor Longo do Polegar


Inervação: Nervo Mediano (C8 e T1);
Ação: Flexão da falange distal do polegar.

4ª Camada

Pronador Quadrado
Para vê-lo, tenho que rebater o flexor profundo dos dedos.
Inervação: Nervo Mediano (C8);
Ação: Pronação.

<< Canal do Carpo >>


Trata-se de um túnel osteofibroso situado entre a região anterior do antebraço e a
palma da mão, desenvolvido atrás do retináculo dos flexores, pelo qual passam os
tendões flexores superficiais e profundos dos dedos circundados por suas bainhas
sinoviais e o nervo mediano. O feixe neurovascular ulnar (artéria e nervo ulnares) passa
ao lado do canal do carpo, situando-se na parte medial do retináculo dos flexores.

<< Fossa Cubital >>


Os limites da fossa cubital são a linha interepicondilar (base), a margem lateral do m.
pronador redondo (medialmente) e a margem medial do m. braquiorradial
(lateralmente); o pavimento é constituído pelos m. braquial e supinador e como
conteúdo tem (de medial para lateral) parte do nervo mediano, parte terminal da artéria
braquial, bem como as veias que a acompanham, o tendão de inserção do m. bíceps
braquial e parte do nervo radial; o teto é formado pela fáscia profunda desta região, que
é reforçada medialmente pela aponeurose bicipital. A aponeurose bicipital vai separar
nesta localização a artéria braquial da veia mediana do cotovelo.

Músculos do Antebraço – Região Lateral


Braquiorradial
Inervação: Nervo Radial (C5 e C6);
Ação: Flexão do cotovelo, pronação de antebraço e supinação até o ponto neutro.

116
FELIX, Fernando Álison M. D.

Extensor Radial Longo do Carpo


Inervação: Nervo Radial (C6 e C7);
Ação: Extensão do punho e abdução da mão (desvio radial).

Extensor Radial Curto do Carpo


Inervação: Nervo Radial (C7 - C8);
Ação: Extensão do punho.

Supinador
Inervação: Nervo Radial (C6 e C7);
Ação: Supinação do antebraço.

Músculos do Antebraço – Região Posterior: Extensores do Carpo


Camada Superficial

Extensor dos Dedos


Inervação: Nervo Radial (C7 - C8);
Ação: Extensão de punho e das falanges proximal, média e distal do 2º ao 5º dedos.

Extensor do 5º Dedo (Mínimo)


Inervação: Nervo Radial (C7 - C8);
Ação: Extensão do 5º dedo.

Extensor Ulnar do Carpo


Inervação: Nervo Radial (C6 - C8);
Ação: Extensão do punho e adução da mão (desvio ulnar).

Camada Profunda

Abdutor Longo do Polegar


Inervação: Nervo Radial (C7 - C8);
Ação: Abdução da mão e do polegar.

Extensor Curto do Polegar


Inervação: Nervo Radial (C7 - C8);
Ação: Extensão do polegar.

Extensor Longo do Polegar


Inervação: Nervo Radial (C7 - C8);
Ação: Extensão do polegar.

Extensor do 2º Dedo (Indicador)


Inervação: Nervo Radial (C7 - C8);
Ação: Extensão do 2º dedo.

117
Resumo de Anatomia Humana

<< Tabaqueira Anatômica >>


Formada pelos tendões dos músculos abdutor longo do polegar, extensores curto e
longo do polegar. Contém a artéria radial e os tendões dos músculos extensores radiais
curto e longo do carpo.

Músculos da Mão – Região Tenar


Abdutor Curto do Polegar
Inervação: Nervo Mediano (C8 – T1);
Ação: Abdução e flexão do polegar.

Flexor Curto do Polegar


Inervação: Nervo Mediano e Nervo radial;
Ação: Flexão da falange proximal do polegar.

Oponente do Polegar
Inervação: Nervo Mediano (C8 e T1);
Ação: Oposição do polegar (flexão + adução + pronação).

Adutor do Polegar
Inervação: Nervo Ulnar (C8 e T1);
Ação: Adução do polegar.

Músculos da Mão – Região Hipotenar


Palmar Curto
É um músculo cutâneo (localizado profundamente na derme), inserindo-se na
aponeurose palmar. Enruga a pele da palma mão.
Inervação: Nervo Ulnar (C8 e T1);
Ação: Pregas transversais na região hipotenar.

Abdutor do Dedo Mínimo


Inervação: Nervo Ulnar (C8 e T1);
Ação: Abdutor do dedo mínimo.

Flexor Curto do Dedo Mínimo


Inervação: Nervo Ulnar (C8 e T1);
Ação: Flexão da falange proximal do dedo mínimo.

Oponente do Dedo Mínimo


Inervação: Nervo Ulnar (C8 e T1);
Ação: Oposição do dedo mínimo.

118
FELIX, Fernando Álison M. D.

Músculos da Mão – Região Palmar


Lumbricais
Ficam entre os metacarpianos e são mais superficiais. O 1º e 2º são unipenados
enquanto que o 3º e o 4º são bipenados.
Inervação: Nervo Mediano (1º e 2º) e Nervo Ulnar (3º e 4º) (C8 e T1);
Ação: Flexão da falange proximal do 2º ao 5º dedos + propriocepção dos dedos.

Interósseos Palmares
São unipenados. Atuam no 2º, 4º e 5º dedos e são mais profundos que os lumbricais.
Inervação: Nervo Ulnar (C8 – T1);
Ação: Adução dos dedos (aproxima os dedos).

Interósseos Dorsais
São bipenados. Atuam do 2º ao 5º dedos.
Inervação: Nervo Ulnar (C8 – T1);
Ação: Abdução dos dedos (afasta os dedos).

VASCULARIZAÇÃO DOS MEMBROS SUPERIORES


Irrigação Arterial
A artéria subclávia (direita ou esquerda), logo após o seu início, origina a artéria
vertebral que vai auxiliar na vascularização cerebral, descendo em direção a axila recebe
o nome de artéria axilar. A artéria axilar tem início ao nível da margem externa da
primeira costela e termina ao nível da margem inferior do músculo redondo maior,
passando a ser denominada de artéria braquial. Na região do cotovelo ela emite dois
ramos terminais que são as artérias radial e ulnar que vão percorrer o antebraço. Na
mão essas duas artérias se anastomosam formando um arco palmar profundo que
origina as artérias metacarpianas palmares e as artérias digitais palmares comuns que
vão se anastomosar.

Artéria Axilar
É continuação da artéria subclávia. Estende-se da metade da face inferior da
clavícula até a margem inferior do músculo peitoral maior, a partir de onde continua
como artéria braquial. Dá ramos:
o Artéria toracoacromial;
o Artéria torácica lateral;
o Artéria subescapular (que se bifurca em toracodorsal e circunflexa da
escápula);
o Artéria torácica superior;
o Artéria circunflexa posterior do úmero;
o Artéria circunflexa anterior do úmero.

119
Resumo de Anatomia Humana

Artéria Braquial
Continuação da artéria axilar, desce verticalmente pela face ântero-medial do braço.
Emite a artéria braquial profunda. Na fossa cubital bifurca-se em artérias radial e ulnar. É
a artéria examinada quando se mede a pressão arterial.

Artéria Radial
Ramo lateral da artéria braquial, seu trajeto pode ter como ponto de referência
superficial uma linha que une o meio da fossa cubital ao canal do carpo. Acompanha o
ramo superficial do nervo radial. Entre seus ramos está a artéria recorrente radial.

Artéria Ulnar
Ramo medial da artéria braquial, adota a direção vertical pela margem medial do
antebraço até o retináculo dos flexores (pelo qual passa anteriormente). Emite dois
ramos principais: artéria interóssea comum e artéria recorrente ulnar. A artéria ulnar
acompanha o nervo ulnar.

Artéria Interóssea Comum


Constitui o ramo lateral da artéria ulnar, que chega até a margem superior da
membrana interóssea, onde se divide em artérias interósseas anterior e posterior.

Arcos Palmares Superficial e Profundo


O arco palmar superficial é formado pelo ramo palmar superficial da artéria radial e,
principalmente, pela artéria ulnar. Dele saem as artérias metacarpais palmares, e destas
saem as artérias digitais palmares comuns, que originam as artérias digitais palmares
próprias.
O arco palmar profundo é formado pelo ramo colateral da arterial ulnar e,
principalmente, pela artéria radial. Emite artérias homônimas às do arco superficial, só
que mais profundamente.

Drenagem Venosa
As veias profundas dos membros superiores seguem o mesmo trajeto das artérias
dos membros superiores.

Veia Cefálica
Tem origem na rede de vênulas existente na metade lateral do dorso da mão que, no
polegar, se unem para formá-la, dirigindo-se para o dorso do antebraço. Passa para a
face anterior e continua seu percurso ascendente do lado radial até o epicôndilo lateral.
Sobe ao longo da superfície lateral do braço (onde ocupa o sulco bicipital lateral) e, um
pouco abaixo da clavícula, no sulco deltopeitoral, aprofunda-se perfurando a fáscia
clavipeitoral e termina na veia axilar. Durante seu trajeto tem anastomose com a veia
basílica.

Veia Basílica
Origina-se da rede de vênulas existente na metade medial da região dorsal da mão.
Começa no dorso da região radiocárpica, cruza a margem medial do antebraço em seu
terço distal e situa-se na face anterior. Chega à altura do epicôndilo medial e passa a
acompanhar a face medial do braço (no sulco bicipital medial), seguida pelo nervo

120
FELIX, Fernando Álison M. D.

cutâneo medial do braço, até o meio do segmento superior, quando perfura a fáscia do
braço para desembocar na veia braquial medial.

Veia Mediana do Antebraço


A veia mediana do antebraço inicia-se com as vênulas da região palmar e sobe pela
face anterior do antebraço, paralelamente e entre as veias cefálica e basílica.
Nas proximidades da área flexora do antebraço, a veia mediana do antebraço se
bifurca, dando a veia mediana cefálica que se dirige obliquamente para cima e
lateralmente para se anastomosar com a veia cefálica, e a veia mediana basílica que
dirige obliquamente para cima e medialmente para se anastomosar com a veia basílica.

Veias Braquiais
Têm origem no cotovelo, de acordo com a forma de união das duas veias radiais e
das duas ulnares profundas, que darão origem às veias braquiais lateral e medial,
interligadas por anastomoses. Na parte superior do braço, ambas as veias podem unir-se
num único tronco: veia braquial comum.

Veia Axilar
É resultante da união das duas veias braquiais ou da união da basílica com a braquial.
Situa-se medialmente e um pouco abaixo da artéria axilar.

121
Resumo de Anatomia Humana

Figura 61: Artérias do


membro superior; Visão
panorâmica; Vista superior.

122
FELIX, Fernando Álison M. D.

INERVAÇÃO DOS MEMBROS SUPERIORES


O membro superior é inervado pelo plexo braquial situado no pescoço e na axila. O
Plexo Braquial é formado pelo entrelaçamento dos ramos ventrais dos quatro últimos
nervos cervicais (C5 à C8), com o primeiro nervo torácico (T1).
O plexo braquial tem localização lateral à coluna cervical e situa-se entre os
músculos escalenos anterior e médio, posterior e lateralmente ao músculo
esternocleidomastóideo.

Formação do Plexo Braquial


TRONCOS:
o C5 une-se a C6 formando o tronco superior;
o C7 constitui o tronco médio;
o C8 une-se a T1 para formar o tronco inferior.
FASCÍCULOS:
o Posterior: formado pelas divisões posteriores dos três troncos do plexo;
o Lateral: formado pelos ramos anteriores dos troncos superior e médio;
o Medial: formado pelo ramo anterior do tronco inferior.
NERVOS:
O fascículo posterior origina os nervos radial, axilar, subescapulares superior e
inferior, e toracodorsal.
O fascículo lateral origina o nervo musculocutâneo e a raiz lateral do nervo mediano.
O fascículo medial origina os nervos cutâneos mediais do braço e do antebraço, o
nervo ulnar e a raiz medial do nervo mediano.

Figura 62: Plexo braquial.

123
Resumo de Anatomia Humana

Ramos Colaterais do Plexo Braquial


Nervo Dorsal da Escápula
Proveniente do ramo ventral de C5, inerva o levantador da escápula e os músculos
rombóides maior e menor.

Nervo Torácico Longo


É formado pelos ramos ventrais de C5, C6 e C7 e inerva o músculo serrátil anterior.

Nervo do Músculo Subclávio


Origina-se próximo à junção dos ramos ventrais de C5 e C6, e geralmente comunica-
se com o nervo frênico e inerva o músculo subclávio.

Nervo Supraescapular
Originado do tronco superior (C5 e C6), inerva os músculos supraespinal e
infraespinal.

Nervo Peitoral Lateral


Proveniente dos ramos ventrais de C5, C6 e C7. Inerva a face profunda do músculo
peitoral maior.

Nervo Peitoral Medial


Derivado dos ramos ventrais de C8 e T1. Inerva os músculos peitorais maior e menor.

Nervo Subescapular Superior


Originado dos ramos ventrais de C5 e C6. Inerva o músculo subescapular.

Nervo Subescapular Inferior


Originado dos ramos ventrais de C6 e C7. Inerva os músculos subescapular e
redondo maior.

Nervo Toracodorsal
Originado dos ramos ventrais de C6, C7 e C8. Inerva o músculo latíssimo do dorso.

Ramos Terminais do Plexo Braquial


Nervo Radial
Nasce na axila, em contato com a margem inferior do músculo peitoral menor,
acompanha o feixe neurovascular axilar, penetra no espaço axilar inferior e chega à face
posterior do úmero aplicado contra seu corpo, percorrendo o sulco radial. Situa-se entre
a cabeça longa e a lateral do músculo tríceps braquial. Perfura de trás para frente o
septo intermuscular lateral para aparecer na face ântero-lateral do braço, terminando
um pouco acima da fossa cubital, onde se bifurca em ramos terminais: um superficial
(sensitivo) e outro profundo (motor). O ramo superficial une-se à artéria radial e desce
paralelamente à margem anterior do músculo braquiorradial, cruzando posteriormente
os músculos supinador, pronador redondo e flexor superficial dos dedos. O ramo
profundo atravessa o músculo supinador e divide-se em diversos ramos (entre eles, o

124
FELIX, Fernando Álison M. D.

nervo interósseo posterior). Inerva o tríceps braquial e os músculos da região lateral e


posterior do antebraço sendo responsável pela extensão do antebraço, da mão e dos
dedos (falange proximal), além da abdução do polegar.

Nervo Axilar
Nervo misto cuja principal característica é ser nervo motor do músculo deltóide.
Origina-se abaixo da margem inferior do músculo peitoral menor e acima da margem
inferior do músculo peitoral maior, acompanha o feixe neurovascular axilar acima do
nervo radial. Passa por baixo da articulação do ombro, em contato com a sua cápsula
articular, e chega à região posterior aplicado à margem inferior do músculo redondo
menor (espaço quadrangular). Contorna o colo cirúrgico do úmero e termina em ramos
para o músculo deltóide. Inerva os músculos deltóide e redondo menor sendo
responsável pela abdução do braço.

Nervo Musculocutâneo
Origina-se na axila atrás do músculo peitoral menor, cruza o tendão do músculo
subescapular e atravessa o músculo coracobraquial, indo situar-se na face anterior do
braço (entre os músculos braquial e bíceps braquial). Termina na parte ântero-lateral do
antebraço após a fossa cubital, como nervo cutâneo lateral do antebraço. Inerva os
músculos braquial, coracobraquial e o bíceps braquial, garantindo a flexão do antebraço
sobre o braço.

Nervo Mediano
Origina-se na axila acompanhando a artéria axilar, com a qual penetra no braço.
Desce medialmente pelo braço (entre os músculos braquial e bíceps braquial,
lateralmente à artéria braquial, mas depois fica posterior) e, chegando à fossa cubital,
vai situar-se no eixo mediano do antebraço, passando profundamente ao músculo flexor
superficial dos dedos até atravessar o canal do carpo (sob o retináculo dos flexores). Dá
origem ao nervo interósseo anterior no terço superior do antebraço (com percurso
profundo). Divide-se em ramos terminais na região palmar. Inerva os músculos da região
anterior do antebraço, exceto o músculo flexor ulnar do carpo, sendo responsável pela
pronação do antebraço e flexões da mão, dedos e polegar.

Nervo Ulnar
Origina-se na axila e acompanha a face medial do braço (atrás do septo
intermuscular medial do braço, entre os músculos braquial e bíceps braquial). Chegando
ao epicôndilo medial passa pelo sulco do nervo ulnar, indo situar-se na região anterior
do antebraço, onde acompanha o músculo flexor ulnar do carpo. Passa pela frente do
retináculo dos flexores e divide-se em dois ramos terminais. Inerva os músculos flexor
ulnar do carpo, parte do flexor profundo dos dedos e alguns músculos da mão, sendo
responsável pela flexão da mão, das falanges proximais dos dedos, pela extensão das
falanges mediais e distais e pela adução do polegar.

Nervo Cutâneo Medial do Braço


Trata-se de um nervo unicamente sensitivo. Cruza a face anterior da veia axilar,
perfura a fáscia do braço e termina na pele da face medial do braço.

125
Resumo de Anatomia Humana

Nervo Cutâneo Medial do Antebraço


Trata-se de um nervo unicamente sensitivo. Origina-se na axila, acompanha o feixe
neurovascular axilar, medialmente ao nervo ulnar. Penetra na região anterior do braço,
descendo medialmente à artéria braquial, e dirige-se à fáscia superficial do braço,
chegando ao ponto onde a veia basílica se une à veia braquial. Desce verticalmente
encostado à veia basílica terminando por bifurcação um pouco acima do cotovelo.

?
Quais os movimentos possíveis na articulação glenoumeral (no ombro), e
quais músculos que participam de cada um destes movimentos?
Flexão do braço
• M. Deltóide (porção clavicular)
• M. Peitoral maior (porção clavicular)
• M. Coracobraquial
Extensão do braço
• M. Deltóide (porção escapular)
• M. Latíssimo do dorso
o M. Redondo maior
o Porção longa do m. Tríceps braquial
Abdução do braço
• M. Deltóide (porção acromial)
o M. Supraespinal
Adução do braço
• M. Peitoral maior (porção esternocostal)
• M. Latíssimo do dorso
o M. Redondo maior
Rotação lateral do braço
• M. Infraespinal
• M. Redondo menor
Rotação medial do braço
• M. Subescapular
o M. Redondo maior
Circundação
o Combinação dos movimentos descritos acima.

?
Quais os movimentos possíveis na articulação umeroulnar/umerorradial
(no cotovelo), e quais músculos que participam de cada um destes
movimentos?
Flexão do antebraço
• M. Bíceps braquial
• M. Braquial
o M. Braquiorradial
Extensão do antebraço
• M. Tríceps braquial
o M. Ancôneo

126
FELIX, Fernando Álison M. D.

?
Quais os movimentos possíveis nas articulações radioulnar proximal e
distal, e quais músculos que participam de cada um destes movimentos?
Pronação do antebraço
• M. Pronador redondo
• M. Pronador quadrado
Supinação do antebraço
• M. Supinador
o M. Bíceps braquial

?
Quais os movimentos possíveis nas articulações radiocárpicas e cárpicas (na
mão), e quais músculos que participam de cada um destes movimentos?
Flexão da mão
o M. Flexor ulnar do carpo
o M. Palmar longo
o M. Flexor radial do carpo
Extensão da mão
o M. Extensor radial longo do carpo
o M. Extensor radial curto do carpo
o M. Extensor ulnar do carpo
Abdução da mão
o M. Flexor radial do carpo
o M. Extensor radial longo do carpo
o M. Extensor radial curto do carpo
Adução da mão
o M. Flexor ulnar do carpo
o M. Extensor ulnar do carpo

PS.: Os músculos destacados com um marcador preto indicam que eles têm maior
importância dentre os citados na realização daquele movimento.

127
Resumo de Anatomia Humana

MEMBROS INFERIORES

OSSOS DOS MEMBROS INFERIORES


O membro inferior tem função de sustentação do peso corporal, locomoção, tem a
capacidade de mover-se de um lugar para outro e manter o equilíbrio. Os membros
inferiores são conectados ao tronco pelo cíngulo do membro inferior (ossos do quadril e
sacro).
A base do esqueleto do membro inferior é formada pelos dois ossos do quadril, que
são unidos pela sínfise púbica e pelo sacro. O cíngulo do membro inferior e o sacro
juntos formam a PELVE ÓSSEA.
Os ossos dos membros inferiores podem ser divididos em quatro segmentos:
o Cintura Pélvica: Ilíaco (Osso do Quadril);
o Coxa: Fêmur e Patela;
o Perna: Tíbia e Fíbula;
o Pé: Ossos do Pé.

Osso do Quadril
O ilíaco (osso do quadril) é um osso plano, chato, irregular, par e constituído pela
fusão de três ossos:
o Ílio: 2/3 superiores;
o Ísquio: 1/3 inferior e posterior (mais resistente);
o Púbis: 1/3 inferior e anterior.
Ílio – Formado por um corpo e uma asa, onde a asa é a porção superior. Principais
acidentes ósseos:
o Espinha ilíaca póstero-superior;
o Espinha ilíaca póstero-inferior;
o Espinha ilíaca ântero-superior;
o Espinha ilíaca ântrero-inferior;
o Crista ilíaca – dividida em: lábio externo e interno e uma linha intermediária;
o Tuberosidade ilíaca;
o Face glútea ou externa;
o Linha glútea anterior;
o Linha glútea inferior;
o Linha glútea posterior;
o Linha arqueada – divide o ílio em corpo e asa;
o Eminência iliopúbica – ponto de união do ílio com o púbis;
o Fossa ilíaca;
o Face auricular.
Ísquio – Formado por um corpo e um ramo. Principais acidentes ósseos:
o Túber isquiático;
o Incisura isquiática menor;
o Espinha isquiática;
o Incisura isquiática maior;
o Corpo e ramo do ísquio¹.

128
FELIX, Fernando Álison M. D.

Púbis – Formado por um corpo e dois ramos. Principais acidentes ósseos:


o Tubérculo púbico;
o Linha pectínea;
o Ramo inferior do púbis¹;
o Ramo superior do púbis;
o Face sinfisial.

¹ Ramo isquiopúbico: união do ramo do ísquio com o ramo inferior do púbis.

Acetábulo – Grande cavidade articular constituída pela união dos três ossos do
quadril: ílio, ísquio e púbis. A cavidade do acetábulo é delimitada pela margem (ou
limbo) do acetábulo e apresenta as seguintes estruturas: face semilunar, fossa do
acetábulo e incisura do acetábulo.
Forame obturatório – Grande abertura arredondada localizada entre o ísquio e o
púbis. In vivo é tampado pela membrana obturatória.

Fêmur
O fêmur é o mais longo e pesado osso do corpo. O fêmur consiste em uma diáfise e
duas epífises. Articula-se proximalmente com o osso do quadril e distalmente com a
patela e a tíbia.
Epífise Proximal
o Cabeça do fêmur – é lisa e arredondada;
o Fôvea da cabeça do fêmur – localiza-se na cabeça do fêmur;
o Colo anatômico – liga a cabeça com o corpo;
o Trocanter maior – eminência grande, irregular e quadrilátera localizada na
borda superior do fêmur;
o Fossa troncatérica – escavação situada posteriormente no trocanter maior;
o Trocanter menor – localiza-se posteriormente na base do colo. É uma
eminência cônica que pode variar de tamanho;
o Linha intertrocantérica – se dirige do trocânter maior para o trocânter menor
na face anterior;
o Crista intertrocantérica – crista proeminente localizada na face posterior,
correndo numa curva oblíqua do topo do trocânter maior para o menor;
o Linha pectínea – pequena elevação que corre inferior e posteriormente a
partir do trocanter menor;
o Tuberosidade glútea – elevação robusta na face posterior.
Epífise Distal
o Face patelar – articula-se com a patela;
o Côndilo medial – articula-se com a tíbia medialmente;
o Condilo lateral – articula-se com a tíbia lateralmente;
o Fossa intercondilar – localiza-se entre os côndilos;
o Epicôndilo medial – proeminência áspera localizada súpero-medialmente ao
côndilo medial;
o Tubérculo adutor – pequena proeminência localizada superiormente ao
epicôndilo medial;
o Epicôndilo lateral – proeminência áspera localizada súpero-lateralmente ao
côndilo lateral.

129
Resumo de Anatomia Humana

Diáfise
o Linha áspera – localiza-se na face posterior do fêmur e é formada por um
lábio medial e um lábio lateral. Distalmente, a linha áspera se bifurca
limitando a superfície poplítea.

Patela
A patela é um osso pequeno e triangular, localizado anteriormente à articulação do
joelho. É um osso sesamóide. É dividida em: base (larga e superior) e ápice (pontiaguda
e inferior). Articula-se somente com o fêmur.
A face anterior é convexa, enquanto a posterior apresenta uma área articular lisa e
oval.

Tíbia
Exceto pelo fêmur, a tíbia é o maior osso no corpo que suporta peso. Está localizada
no lado ântero-medial da perna. Apresenta duas epífises e uma diáfise. Articula-se
proximalmente com o fêmur e a fíbula e distalmente com o tálus e a fíbula.
Epífise Proximal
o Côndilo lateral – eminência que articula com o côndilo lateral do fêmur;
o Côndilo medial – eminência que articula com o côndilo medial do fêmur;
o Área intercondilar anterior;
o Área intercondilar posterior;
o Eminência intercondilar – localiza-se entre os dois côndilos;
o Tubérculo intercondilar medial;
o Tubérculo intercondilar lateral;
o Tuberosidade da tíbia – grande elevação oblonga que se insere o ligamento
patelar;
o Face articular superior da tíbia;
o Fóvea fibular – (face articular fibular da tíbia) local da tíbia que articula com a
fíbula (lateral à tuberosidade da tíbia).
Epífise Distal
o Face articular inferior da tíbia;
o Maléolo medial – processo piramidal;
o Face articular do maléolo medial;
o Fossa para o tálus – articula-se com o tálus;
o Incisura fibular – local de articulação com a fíbula;
o Sulco maleolar.
Diáfise
o Linha do músculo sóleo;
o Margem interóssea.

Fíbula
A fina fíbula situa-se póstero-lateralmente à tíbia e serve principalmente para fixação
de músculos. Não possui função de sustentação de peso. Articula-se com a tíbia
(proximalmente e distalmente) e o tálus distalmente.

130
FELIX, Fernando Álison M. D.

Epífise Proximal
o Cabeça da fíbula – forma irregular;
o Ápice da cabeça da fíbula;
o Face articular da cabeça da fíbula – face plana que articula-se com o côndilo
lateral da tíbia;
o Colo da fíbula.
Epífise Distal
o Maléolo lateral – expanção distal da fíbula;
o Face articular do maléolo lateral;
o Fossa do maléolo lateral;
o Sulco maleolar.
Diáfise
o Margem interóssea.

Ossos do Pé
O pé se divide em: tarso, metatarso e falanges.
Tarso – São em número de 7 e estão divididos em duas fileiras: proximal e distal.
Fileira proximal:
o calcâneo (túber do calcâneo)
o tálus (tróclea)
Fileira distal:
o Navicular;
o Cubóide;
o Cuneiforme medial;
o Cuneiforme intermédio (médio);
o Cuneiforme lateral.
Metatarso – É constituído por 5 ossos metatarsianos que são numerados no sentido
medial para lateral em I, II, III, IV e V e correspondem aos dedos do pé, sendo o I
denominado hálux e o V mínimo. Considerados ossos longos. Apresentam uma epífise
proximal que é a base e uma epífise distal que é a cabeça.
Dedos do Pé – Apresentam 14 falanges:
Do 2º ao 5º dedos:
o 1ª falange (proximal);
o 2ª falange (média);
o 3ª falange (distal).
Hálux:
o 1ª falange (proximal);
o 2ª falange (distal).

ARTICULAÇÕES DOS MEMBROS INFERIORES


Articulações do Quadril
O quadril é formado por três articulações:
o Coxofemoral;
o Sínfise púbica;

131
Resumo de Anatomia Humana

o Sacroilíaca.
E ainda pode-se citar as articulações calcificadas entre os ossos do quadril.

Articulação Coxofemoral
É uma articulação sinovial do tipo esférica e triaxial, formada pela cabeça do fêmur e
a cavidade do acetábulo. Os ligamentos que formam essa articulação são:
o Cápsula articular – a cápsula articular é forte e espessa e envolve toda a
articulação coxofemoral. É mais espessa nas regiões proximal e anterior da
articulação, onde se requer maior resistência. Posteriormente e distalmente
é delgada e frouxa.
o Ligamento iliofemoral – é um feixe bastante resistente, situado
anteriormente à articulação. Está intimamente unido à cápsula e serve para
reforçá-la.
o Ligamento pubofemoral – insere-se na crista obturatória e no ramo superior
do púbis; distalmente funde-se com a cápsula e com a face profunda do feixe
vertical do ligamento iliofemoral.
o Ligamento isquiofemoral – consiste de um feixe triangular de fibras
resistentes, que nasce no ísquio distal e posteriormente ao acetábulo e
funde-se com as fibras circulares da cápsula.
o Ligamento redondo da cabeça do fêmur – é um feixe triangular, um tanto
achatado, inserindo-se no ápice da fóvea da cabeça do fêmur e na incisura da
cavidade do acetábulo. Tem pequena função como ligamento e algumas
vezes está ausente.
o Orla (lábio) acetabular – é uma orla fibrocartilagínea inserida na margem do
acetábulo, tornando assim mais profunda essa cavidade. Ao mesmo tempo
protege e nivela as desigualdades de sua superfície, formando assim um
círculo completo que circunda a cabeça do fêmur e auxilia na contenção
desta em seu lugar.
o Ligamento transverso do acetábulo – é uma parte da orla acetabular,
diferindo dessa por não ter fibras cartilagíneas entre suas fibras. Consiste em
fortes fibras achatadas que cruzam a incisura acetabular.
Os espaços restantes na fossa do acetábulo são preenchidos por tecido adiposo para
proteger os vasos sanguíneos que vascularizam a cabeça do fêmur. Tal vascularização é
feita através de ramificações das artérias circunflexas femorais lateral e medial (que
penetram na cavidade do acetábulo através de sua incisura acetabular), as quais são
ramos da artéria femoral profunda.
Os seguintes músculos protegem esta articulação:
o Ântero-lateralmente: m. tensor da fáscia lata, m. reto femoral e m. sartório;
o Ântero-medialmente: m. íliopsoas e m. pectíneo;
o Posteriormente: m. piriforme, m. gêmeo superior, m. obturador interno, m.
gêmeo inferior, m. quadrado femoral e m. glúteo máximo.

Articulações do joelho
A articulação do joelho pode ser descrita como um gínglimo ou articulação em
dobradiça (entre o fêmur e a tíbia) e plana (entre o fêmur e a patela).
Os ossos da articulação do joelho são unidos pelas seguintes estruturas:

132
FELIX, Fernando Álison M. D.

o Cápsula articular – consiste em uma membrana fibrosa, delgada mas


resistente, reforçada em quase toda sua extensão por ligamentos
intimamente aderidos a ela. Abaixo do tendão do quadríceps femoral a
cápsula é representada apenas pela membrana sinovial.
o Ligamento patelar – é a porção central do tendão do quadríceps femoral que
se continua da patela até a tuberosidade da tíbia. É um forte feixe
ligamentoso, achatado, com cerca de 8cm de comprimento. A face posterior
do ligamento patelar está separada da membrana sinovial por um grande
coxim gorduroso infrapatelar e da tíbia por uma bolsa sinovial.
o Ligamento poplíteo oblíquo – é um feixe fibroso, largo e achatado, formado
por fascículos separados uns dos outros. Forma parte do assoalho da fossa
poplítea.
o Ligamento poplíteo arqueado – forma um arco do côndilo lateral do fêmur à
face posterior da cápsula articular. Está unido ao ápice da cabeça da fíbula
por seis feixes convergentes.
o Ligamento colateral tibial – é um feixe membranáceo, largo e achatado que
se prolonga para parte posterior da articulação. Insere-se no côndilo medial
do fêmur e no côndilo medial da tíbia. Está intimamente aderido ao menisco
medial. Impede o movimento de afastamento dos côndilos mediais do fêmur
e tíbia (bocejo medial).
o Ligamento colateral fibular – é um cordão fibroso, arredondado e forte,
inserido no côndilo lateral do fêmur e na cabeça da fíbula. Não se insere no
menisco lateral. Impede o movimento de afastamento dos côndilos laterais
do fêmur e tíbia (bocejo lateral).
o Ligamento cruzado anterior (LCA) – insere-se na eminência intercondilar da
tíbia e vai se fixar na face medial do côndilo lateral do fêmur. O LCA
apresenta um suprimento sanguíneo relativamente escasso. Impede o
movimento de deslizamento anterior da tíbia ou deslizamento posterior do
fêmur (movimento de gaveta anterior), além da hipertensão do joelho.
o Ligamento cruzado posterior (LCP) – é mais robusto, porém mais curto e
menos oblíquo em sua direção quando comparado ao LCA. Insere-se na fossa
intercondilar posterior da tíbia e na extremidade posterior do menisco lateral
e dirige-se para frente e medialmente, para se fixar na parte anterior da face
medial do côndilo medial do fêmur. O LCP é estirado durante a flexão da
articulação joelho. Impede o movimento de deslizamento posterior da tíbia
ou o deslocamento anterior do fêmur (movimento de gaveta posterior).
Além dos ligamentos, o joelho possui também outra estrutura importantíssima na
sua estabilização, biomecânica e absorção de impactos: os meniscos. Os meniscos são
duas lâminas em forma de lua crescente que servem para tornar mais profundas as
superfícies das faces articulares da cabeça da tíbia que recebem os côndilos do fêmur.
Cada menisco cobre aproximadamente os dois terços periféricos da face articular
correspondente da tíbia.
o Menisco medial – é de forma quase semicircular, um pouco alongado e mais
largo posteriormente. Sua extremidade anterior fixa-se na fossa intercondilar
anterior da tíbia e a posterior na fossa intercondilar posterior da tíbia.
o Menisco lateral – é quase circular e recobre uma extensão da face articular
maior do que a recoberta pelo menisco medial. Sua extremidade anterior

133
Resumo de Anatomia Humana

fixa-se na eminência intercondilar anterior da tíbia e a posterior na eminência


intercondilar da tíbia.
o Ligamento transverso do joelho – une a margem anterior, convexa, do
menisco lateral, à extremidade anterior do menisco medial. Às vezes está
ausente.
o Ligamentos coronários – são porções da cápsula que unem a periferia dos
meniscos com a margem da cabeça da tíbia.
A vascularização desta articulação é feita por artérias inferiores, superiores, lateral e
medial do joelho, todas sendo ramificações da artéria poplítea.
Os seguintes músculos protegem esta articulação:
o Anteriormente: tendão do quadríceps femoral, retináculos lateral e medial da
patela;
o Posteriormente: m. bíceps femoral, m. semitendíneo, m. semimembranáceo
e m. gastrocnêmio.

Figura 63: Vista anterior das estruturas articulares do joelho

Distalmente à articulação do joelho e ainda nas porções proximais da fíbula e da


tíbia, encontramos outra articulação importante: a articulação tibiofibular proximal. É
uma articulação deslizante entre o côndilo lateral da tíbia e a cabeça da fíbula. É
formada por uma cápsula articular e os ligamentos anterior e posterior.
o Cápsula articular – circunda a articulação e adere ao redor das margens das
facetas articulares da tíbia e fíbula.
o Ligamento anterior – consiste de 2 ou 3 feixes chatos e largos que se dirigem
obliquamente da cabeça da fíbula para a parte anterior do côndilo lateral da
tíbia.
o Ligamento posterior – é um feixe único, largo e espesso, que se dirige
obliquamente para cima, da parte posterior da cabeça da fíbula para a parte
posterior do côndilo lateral da tíbia.

134
FELIX, Fernando Álison M. D.

Articulações do Tornozelo
Proximalmente à articulação do tornozelo, nas porções distais da fíbula e da tíbia,
encontramos uma articulação importante: a articulação tibiofibular distal (sindesmose).
É formada pela superfície áspera e convexa da face medial da extremidade distal da
fíbula e uma superfície áspera e côncava da face lateral da tíbia. Essa articulação é
formada pelos ligamentos tibiofibular anterior e posterior, transverso inferior e
interósseo.
o Ligamento tibiofibular anterior – é um feixe de fibras achatado que se
estende oblíqua, distal e lateralmente entre as bordas adjacentes da tíbia e
da fíbula, na face anterior da sindesmose.
o Ligamento tibiofibular posterior – menor do que o anterior, está disposto de
modo semelhante da face posterior da sindesmose.
o Ligamento transverso inferior – situa-se anteriormente ao ligamento
posterior, e é um feixe grosso e robusto de fibras amareladas, que se dirigem
transversalmente do maléolo lateral para a borda posterior da face articular
da tíbia.
o Ligamento interósseo – consiste de numerosos feixes fibrosos, curtos e
robustos, que passam entre a superfície rugosa contínua da tíbia e da fíbula e
constituem o principal laço de união entre os ossos.
A articulação do tornozelo propriamente dita (talocrural) é um gínglimo (dobradiça)
formado pela extremidade distal da tíbia e fíbula, mais a tróclea do tálus. Os ossos são
ligados pela cápsula articular e pelos seguintes ligamentos: deltóide, talofibular anterior,
talofibular posterior e calcaneofibular.
o Cápsula articular – recobre a articulação. A parte anterior da cápsula é uma
camada membranosa larga e fina. A parte posterior da cápsula é muito fina e
formada principalmente por fibras transversais.
o Ligamento deltóide – é um feixe triangular, robusto e achatado. Consta de
dois feixes de fibras: superficial (fibras tibionaviculares, calcaneotibiais e
talotibiais posteriores) e profundo (fibras talotibiais anteriores). Sua principal
função é estabilizar a região medial do tornozelo e impedir o movimento de
eversão.
 Fibras tibionaviculares – estão inseridas na tuberosidade do osso
navicular e posterior a este elas se unem com a margem medial do
ligamento calcaneonavicular plantar;
 Fibras fibras calcaneotibiais – descem quase perpendicularmente para
se inserir em toda a extensão do sustentáculo do tálus do calcâneo;
 Fibras talotibiais posteriores – dirigem-se lateralmente para se inserir
no lado interno do tálus e no tubérculo proeminente em sua face
posterior, medial ao sulco para o tendão do flexor longo do hálux;
 Fibras talotibiais anteriores – estão inseridas na ponta do maléolo
medial e na face medial do tálus.
o Ligamento talofibular anterior – dirige-se anterior e medialmente da margem
anterior do maléolo fibular para o tálus, anteriormente à sua faceta articular
lateral.
o Ligamento talofibular posterior – corre quase horizontalmente da depressão
na parte medial e posterior do maléolo fibular para um tubérculo

135
Resumo de Anatomia Humana

proeminente na face posterior do tálus, imediatamente lateral ao sulco para


o tendão do flexor longo do hálux.
o Ligamento calcaneofibular – é um cordão estreito e arredondado que corre
do ápice do maléolo fibular para um tubérculo na face lateral do calcâneo.
Os três ligamentos acima descritos são colateralmente referidos como ligamento
colateral lateral. Ele sustenta o aspecto lateral do tornozelo, impedindo o movimento de
inversão.
O ligamento talofibular anterior e o calcaneofibular são os mais frequentemente
lesionados nas torções em inversão do tornozelo. Isso porque com o pé em flexão
plantar, o tálus é mais instável no encaixe do tornozelo, e portanto mais dependente do
suporte ligamentar.

Distalmente às articulações estudadas acima, encontramos ainda as articulações


intertársicas, tarsometatársicas, intermetatársicas, metatarsofalangeanas e articulações
interfalangeanas.

MÚSCULOS DOS MEMBROS INFERIORES


Cada músculo possui sua fáscia de revestimento. Além destas fáscias individuais,
toda a massa muscular está envolvida por um invólucro fascial – a fáscia lata. Os
músculos do membro inferior, assim como nos membros superiores, são divididos em
quatro segmentos:
o Quadril;
o Coxa;
o Perna;
o Pé.

Músculos do Quadril – Região Glútea


Compartimento Superficial

Glúteo Máximo
Inervação: Nervo Glúteo Inferior (L5 - S2);
Ação: Extensão e rotação lateral da coxa.

Glúteo Médio
Inervação: Nervo Glúteo Superior (L4 - S1);
Ação: Abdução e rotação medial da coxa.

Glúteo Mínimo
Inervação: Nervo Glúteo Superior (L4 - S1);
Ação: Abdução e rotação medial da coxa. As fibras anteriores realizam flexão da
coxa.

Compartimento Profundo

136
FELIX, Fernando Álison M. D.

Piriforme
Inervação: Nervo do músculo piriforme (S2);
Ação: Abdução e rotação lateral da coxa.

Gêmeo Superior
Inervação: Nervo do músculo obturador interno (L5 - S2);
Ação: Rotação lateral da coxa.

Obturador Interno
Inervação: Nervo do músculo obturador interno (L5 - S2);
Ação: Rotação lateral da coxa.

Gêmeo Inferior
Inervação: Nervo do músculo obturador interno (L5 - S2);
Ação: Rotação lateral da coxa.

Quadrado Femoral
Inervação: Nervo do músculo quadrado femoral (L4 - S1);
Ação: Rotação lateral e adução da coxa.

Obturador Externo
Inervação: Nervo do músculo obturador externo (L3 - L4);
Ação: Rotação lateral da coxa.

Músculos da Coxa – Regiões Anterior e Medial


Tensor da Fáscia Lata
Inervação: Nervo Glúteo Superior (L4 - S1);
Ação: Flexão, abdução e rotação medial da coxa e estabilização do joelho na posição
estendida.

Sartório
Inervação: Nervo Femoral (L2 - L3);
Ação: Flexão, abdução e rotação lateral da coxa e auxilia na flexão e rotação medial
da perna.

Quadríceps
Constituído pelo músculo reto femoral e mm. vastos medial, lateral e intermédio.
Inervação: Nervo Femoral (L2 - L4);
Ação: Extensão da perna e o reto femoral realiza flexão da coxa. O vasto medial
realiza rotação medial e o vasto lateral, rotação lateral.

Iliopsoas
Constituído pelo músculo ilíaco e pelos músculos psoas maior e psoas menor, sendo
este último inconstante.
Inervação: Ramos musculares do plexo lombar;
Ação: Flexão da coxa.

137
Resumo de Anatomia Humana

Grácil
Inervação: Nervo Obturatório (L2 – L3);
Ação: Adução da coxa, flexão e rotação medial da perna.

Pectíneo
Inervação: Nervo Femoral (L2 - L4) e Nervo Obturatório (L2 - L4);
Ação: Flexão e adução da coxa.

Adutor Longo
Inervação: Nervo Obturatório (L2 - L4);
Ação: Adução da coxa.

Adutor Curto
Inervação: Nervo Obturatório (L2 - L4);
Ação: Adução da coxa.

Adutor Magno
Inervação: Nervo Obturatório (L2 - L4) e Nervo Isquiático (L4 à S1);
Ação: Adução e flexão da coxa (parte mais anterior) e extensão da coxa (parte mais
posterior).

Adutor Mínimo
O músculo adutor mínimo representa uma incompleta separação proximal do
músculo adutor magno.
Inervação: Nervo Obturatório (L2 - L4) e porção tibial do Nervo Isquiático (L4 à S1);
Ação: Adução da coxa.

<< Hiato Safeno >>


É uma fenda oval na fáscia lata, na porção proximal da coxa, destinada à passagem
da veia safena magna (superficial) para desembocar na veia femoral (profunda), através
da fáscia crivosa.

<< Hiato dos Adutores >>


Na porção distal do músculo adutor magno, as fibras dispõem-se em arco formando
o hiato tendíneo do m. adutor magno – hiato dos adutores. Através desta abertura
passam os vasos femorais da região anterior e medial da coxa para a região posterior,
alcançando a fossa poplítea.

<< Trígono Femoral >>


É uma região triangular delimitada: medialmente pela margem lateral do m. adutor
longo, lateralmente pela margem medial do m. sartório e superiormente pelo ligamento
inguinal (de Poupart). O assoalho deste trígono é formado pelo m. iliopsoas e m.
pectíneo. O teto é formado pela fáscia lata. Neste trígono encontramos a feixe
neurovascular femoral, formado pela veia femoral, artéria femoral e nervo femoral.
O espaço abaixo do ligamento inguinal, por onde esse feixe passa, é dividido pelo
arco iliopectíneo, em duas lacunas. Pela lacuna muscular, mais lateral, passam o m.
iliopsoas, o nervo cutâneo lateral da coxa e o nervo femoral. Pela lacuna dos vasos, mais

138
FELIX, Fernando Álison M. D.

medial, passam a artéria femoral, a veia femoral e o ramo femoral do nervo


genitofemoral.
No vértice do trígono femoral, formado pelo m. sartório e grácil, os vasos femorais
passam sob o m. sartório e penetram no canal dos adutores.

<< Bainha Femoral e Canal Femoral >>


A artéria e veia femorais estão envolvidas na sua porção mais proximal por um
invólucro fascial – a bainha femoral, que é uma extensão cônica da fáscia do m.
transverso abdominal (fáscia transversal). No seu extremo distal, a bainha femoral
funde-se com a adventícia dos vasos que envolve.
O espaço entre a veia femoral (lateral), o ligamento lacunar (medial), o ligamento
inguinal (ventral) e o ligamento pectíneo (dorsal) é preenchido por tecido conjuntivo
frouxo (o septo femoral ou de Cloquet) e eventualmente um ou dois linfonodos, e é
denominado anel femoral ou canal femoral. O conteúdo abdominal (uma alça intestinal
por exemplo) pode protundir e penetrar no canal femoral, nisto consistindo a hérnia
femoral.

<< Canal dos Adutores >>


Também conhecido como canal de Hunter, é um túnel músculo-ósteo-membranoso
localizado no terço médio da coxa que se estende do ápice do trígono femoral até o
hiato dos adutores. Por ele passam a artéria femoral, a veia femoral e o nervo safeno,
lembrando que o nervo safeno passa pelo canal, mas não passa pelo hiato e não ganha a
fossa poplítea. O canal está limitado anteriormente e lateralmente pelo m. vasto medial
e diáfise do femur, posterior e medialmente pelo m. adutor longo e magno,
superficialmente pelo m. vasto medial, sartório e pelo septo intermuscular vastoadutor.

<< Canal Obturatório >>


Representa uma lacuna na membrana obturatória localizada no forame obturado,
por onde passam os vasos obturatórios e o nervo obturatório.

Músculos da Coxa – Região Posterior: Jarretes ou Isquiotibiais


São músculos extensores da coxa e flexores da perna, pois tais músculos cruzam
posteriormente a articulação do quadril e do joelho.

Bíceps Femoral
É formado por duas porções, a porção longa é medial, maior e tem origem no tuber
isquiático. A porção curta é menor e lateral, se origina da linha áspera do fêmur.
Inervação: Nervo Isquiático (L5 - S2), exceto L5 para a cabeça longa;
Ação: Extensão da coxa, flexão e rotação lateral da perna.

Semitendíneo
É fusiforme e carnoso, recebe esse nome porque possui um tendão bastante longo.
Fica situado medialmente ao m. bíceps femoral.
Inervação: porção tibial do Nervo Isquiático (L5 – S2);
Ação: Extensão da coxa, flexão e rotação medial da perna.

139
Resumo de Anatomia Humana

Semimembranáceo
É delgado, plano e possui um tendão membranoso, daí seu nome. Está recoberto
pelo m. bíceps femoral e m. semitendíneo.
Inervação: porção tibial do Nervo Isquiático (L5 – S2);
Ação: Extensão da coxa, flexão e rotação medial da perna.

<< Fossa Poplítea >>


Localizada na face posterior do joelho, é limitada pela inserção dos músculos da coxa
e pela origem dos músculos dorsais da perna. Também pode ser chamado de losango
poplíteo ou oco poplíteo. Seu limite proximal e medial se faz pelas inserções dos
músculos semitendíneo e semimembranáceo, proximal e lateralmente pela inserção do
m. bíceps femoral, caudal e medialmente pela cabeça medial do m. gastrocnêmio,
caudal e lateralmente pela cabeça lateral do m. gastrocnêmio e m. plantar. Na fossa
poplítea encontramos o nervo tibial e o nervo fibular comum (ambos ramos do nervo
isquiático), a artéria poplítea, a veia poplítea e os linfonodos poplíteos. Essas estruturas
estão apenas recobertas por tecido adiposo, pela fáscia poplítea e pela tela subcutânea.

Fáscia da Perna
A fáscia da perna emite septos
para o interior da perna: septos
intermusculares anterior, posterior e
transverso. Juntamente com os
ossos e a membrana interóssea,
estes septos dividem a perna em
quatro compartimentos (numerados
de 1 à 4 na figura 63 – ver também 1
imagem 1295 no Sobotta Ed. 21):
o 1 – Compartimento 2
anterior;
o 2 – Compartimento 3
lateral;
o 3 – Compartimento
4
posterior profundo;
o 4 – Compartimento
posterior superficial.
Em alguns locais, principalmente
próximo do punho e do tornozelo,

espessamentos transversais da fáscia Figura 64: Compartimentos musculares da perna.


profunda estão inseridos, em ambas
as suas extremidades, às proeminências ósseas locais. Estes são os retináculos, assim
denominados porque retém os tendões profundos a eles evitando que se curvem para
fora da posição durante a atividade. Próximo ao tornozelo, encontramos os seguintes
retináculos:
o Retináculo extensor superior; o Retináculo fibular superior;
o Retináculo extensor inferior; o Retináculo fibular inferior.
o Retináculo flexor;

140
FELIX, Fernando Álison M. D.

A aponeurose plantar é uma folha de tecido conjuntivo que se estende desde o


calcanhar até os dedos, no arco da planta do pé. É importante na manutenção dos arcos
longitudinais do pé.

Músculos da Perna
Compartimento Anterior

Tibial Anterior
Inervação: Nervo Fibular Profundo (L4 - S1);
Ação: Flexão dorsal e inversão do pé.

Extensor Longo dos Dedos


Inervação: Nervo Fibular Profundo (L4 - S1);
Ação: Extensão do 2º ao 5º dedos.

Extensor Longo do Hálux


Inervação: Nervo Fibular Profundo (L4 - S1);
Ação: Extensão do hálux, flexão dorsal e inversão do pé.

Fibular Terceiro
É considerado como parte do m. extensor longo dos dedos.
Inervação: Nervo Fibular Profundo (L5 - S1);
Ação: Flexão dorsal e eversão do pé.

Compartimento Lateral

Fibular Longo
Inervação: Nervo Fibular Superficial (L4 - S1);
Ação: Flexão plantar e eversão do pé.

Fibular Curto
Inervação: Nervo Fibular Superficial (L4 - S1);
Ação: Flexão plantar e eversão do pé.

Compartimento Posterior Profundo

Poplíteo
Inervação: Nervo Tibial (L4 - S1);
Ação: Promove uma rotação lateral do fêmur sobre a tíbia e ajusta o menisco lateral.

Flexor Longo dos Dedos


Inervação: Nervo Tibial (L5 - S1);
Ação: Flexão plantar e inversão do pé, flexão do 2º ao 5º dedos.

Flexor Longo do Hálux


Inervação: Nervo Tibial (L5 - S2);
Ação: Flexão do hálux, flexão plantar e inversão do pé.

141
Resumo de Anatomia Humana

Tibial Posterior
Inervação: Nervo Tibial (L5 e S1);
Ação: Flexão plantar e inversão do pé.

Compartimento Posterior Superficial – Os três músculos desse compartimento


constituem conjuntamente o músculo tríceps sural. O músculo gastrocnêmio e o sóleo
possuem um tendão de inserção único: tendão do calcâneo (ou de Aquiles).

Gastrocnêmio
É dotado de duas porções, uma lateral e outra medial. É esse músculo que dá a
forma às panturrilhas.
Inervação: Nervo Tibial (S1 - S2);
Ação: Flexão da perna (quando a perna está livre) e flexão plantar do pé.

Sóleo
É plano e fusiforme. Está recoberto pelo m. gastrocnêmio.
Inervação: Nervo Tibial (L5 - S1);
Ação: Flexão plantar do pé.

Plantar
É muito pequeno, fica recoberto pelo m. gastrocnêmio. Ausente em algumas
pessoas.
Inervação: Nervo Tibial (L4 - S1);
Ação: Auxilia o tríceps sural.

Músculos do Pé
Região Plantar Medial

Abdutor do Hálux
É um músculo plano, triangular e bipeniforme situado na região medial da face
plantar do pé.
Inervação: Nervo Plantar Medial (L5 – S1);
Ação: Flexão e abdução do hálux.

Flexor Curto do Hálux


É curto e fusiforme, possui dois ventres bem visíveis.
Inervação: Nervo Plantar Medial (L5 – S1);
Ação: Flexão do hálux.

Adutor do Hálux
Está localizado no plano profundo, para sua visualização devemos rebater toda a loja
muscular superficial. É dotado de duas cabeças, uma oblíqua e outra transversa.
Inervação: Nervo Plantar Lateral (S2 – S3);
Ação: Adução do hálux.

142
FELIX, Fernando Álison M. D.

Região Plantar Média

Flexor Curto dos Dedos


É largo, plano e estreito. Divide-se em quatro tendões. Fica situado na parte média
da região plantar, é o músculo mais superficial desta região.
Inervação: Nervo Plantar Medial (L5 – S1);
Ação: Flexão do 2º ao 5º dedos.

Quadrado Plantar
É plano e quadrangular. Fixa-se no tendão do m. flexor longo dos dedos. Está
recoberto pelo m. flexor curto dos dedos.
Inervação: Nervo Plantar Lateral (S2 – S3);
Ação: Flexão do 2º ao 5º dedos.

Lumbricais
São quatro ao todo. Têm formato fusiforme e são bastante estreitos, por isso seu
nome. Originam-se entre os tendões do m. flexor longo dos dedos.
Inervação: Nervo Plantar Medial (2º e 3º dedos) e Plantar Lateral (4º e 5º dedos) (L5
– S3);
Ação: Flexão e propriocepção.

Interósseos Plantares
São três músculos pequenos, largos e fusiformes. Como o próprio nome já diz, estão
situados entre os ossos do metatarso, em sua face plantar.
Inervação: Nervo Plantar Lateral (S2 – S3);
Ação: Adução dos dedos.

Interósseos Dorsais
São quatro músculos bipeniformes situados entre os ossos do metatarso, em sua
região mais dorsal.
Inervação: Nervo Plantar Lateral (S2 – S3);
Ação: Flexão e adução do 2º ao 4º dedos.

Região Plantar Lateral

Abdutor do Dedo Mínimo


É um músculo cilíndrico, situado na borda externa do pé, está recoberto somente
pela aponeurose plantar. Faz contato com o m. flexor curto do dedo mínimo com sua
borda medial.
Inervação: Nervo Plantar Lateral (S2 – S3);
Ação: Abdução do 5º dedo.

Flexor Curto do Dedo Mínimo


É um músculo largo que se assemelha a um m. interósseo. Situado na porção mais
externa da região plantar.
Inervação: Nervo Plantar Medial (L5 – S1);
Ação: Flexão do 5º dedo.

143
Resumo de Anatomia Humana

Oponente do Dedo Mínimo


É um músculo muito pequeno situado na borda externa do pé. Está recoberto pelo
m. abdutor do dedo mínimo.
Inervação: Nervo Plantar Medial (L5 – S1);
Ação: Adução do 5º metatarso.

Região Dorsal

Extensor Curto dos Dedos


É delgado, largo e curto. Divide-se em três tendões para o segundo, terceiro e quarto
dedos. Está situado na face dorsal do pé, lateralmente ao m. extensor curto do hálux.
Inervação: Nervo Fibular Profundo (L5 – S1);
Ação: Extensão do 2º ao 4º dedos.

Extensor Curto do Hálux


Tem formato parecido com o m. extensor curto dos dedos. Porém é mais robusto.
Fica situado entre o m. extensor curto dos dedos e o tendão do m. extensor longo do
hálux.
Inervação: Nervo Fibular Profundo (L5 – S1);
Ação: Extensão do hálux.

VASCULARIZAÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES


Irrigação Arterial
A aorta, ainda no abdome, bifurca-se nas artérias ilíacas comuns direita e esquerda.
Cada artéria ilíaca comum, por sua vez, bifurca-se em artérias ilíacas externa e interna. A
continuação da artéria ilíaca externa, distalmente ao ligamento inguinal, recebe o nome
de artéria femoral e é a principal artéria do membro inferior.

Artéria Femoral
A artéria femoral distalmente ao ligamento inguinal emite pequenos ramos
superficiais, as artérias pudenda externa, epigástrica superficial e circunflexa superficial
do ílio.
Em uma distância variável de sua origem (um a cinco centímetros) a artéria femoral
emite seu principal ramo, a artéria femoral profunda, principal responsável pela
irrigação da região posterior da coxa. Entre a origem da artéria femoral e a origem da
artéria femoral profunda encontram-se as artérias circunflexas lateral e medial do
fêmur. A origem destas artérias tanto pode ser na artéria femoral, como uma ou ambas
podem se originar da artéria femoral profunda.
A artéria femoral emite diversos ramos musculares em seu trajeto pelo canal adutor,
penetrando, a seguir, no hiato tendíneo do músculo adutor magno. A partir daí, a artéria
femoral passa a ser chamada de artéria poplítea.

144
FELIX, Fernando Álison M. D.

Artéria Poplítea
A artéria poplítea emite a artéria tibial anterior e continua-se como tronco
tibiofibular, o qual após um curto trajeto, bifurca-se em artéria tibial posterior (medial e,
em geral, mais calibrosa) e artéria fibular (lateral e, em geral, menos calibrosa). Pode
ocorrer que o tronco tibiofibular não exista. Neste caso, a artéria poplítea trifurca-se nas
artérias tibial anterior, tibial posterior e fibular.

Artéria Tibial Anterior


A artéria tibial anterior atravessa, de posterior para anterior, a membrana interóssea
e tem seu trajeto anterior entre os músculo m. tibial anterior e extensor longo do hálux.
Ao passar pelo nível da articulação talocrural (nível este dado por uma linha imaginária
entre os pontos médios dos maléolos medial e lateral), ela muda de nome para artéria
dorsal do pé, que emite ramos para o tarso (artérias tarsais medial e lateral) e, em
seguida, forma a artéria arqueada.

Artéria Tibial Posterior


A artéria tibial posterior bifurca-se, em geral, a meia distância entre o maléolo
medial e a projeção do calcâneo, em artérias plantares medial e lateral, as quais se
anastomosam para formar o arco plantar profundo.

Artéria Fibular
A artéria fibular desce pela face fibular (lateral) da perna e termina em pequenos
ramos ao nível do tornozelo.

Drenagem Venosa
As veias profundas dos membros inferiores se originam a partir do arco venoso
plantar profundo do pé (drenagem profunda do pé) e seguem o mesmo trajeto das
artérias homônimas dos membros inferiores.
A drenagem superficial do pé é feita pelo arco venoso dorsal do pé o qual origina a
veia safena magna, medialmente, e a veia safena parva, lateralmente.

Veia Safena Magna


Origina-se na rede de vênulas da região dorsal do pé, margeando a borda medial
desta região, passa entre o maléolo medial e o tendão do músculo tibial anterior e sobe
pela face medial da perna. Passa posteriormente aos côndilos mediais da tíbia e do
fêmur, e segue seu trajeto ascendente pela região ântero-medial da coxa.
Nas proximidades da raiz da coxa ela executa uma curva para se aprofundar e
atravessa o hiato safeno, desembocando seu sangue na veia femoral.

Veia Safena Parva


Origina-se na região de vênulas na margem lateral da região dorsal do pé, passa por
trás do maléolo lateral e sobe pela linha mediana da face posterior da perna até as
proximidades da prega de flexão do joelho, onde se aprofunda, perfura a fáscia
profunda e desemboca em uma das veias poplíteas.
A veia safena parva comunica-se com a veia safena magna por intermédio de vários
ramos anastomósticos.

145
Resumo de Anatomia Humana

INERVAÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES


Plexo Lombar
Este plexo está situado na parte posterior do músculo psoas maior, anteriormente
aos processos transversos das vértebras lombares. É formado pelos ramos ventrais dos
três primeiros nervos lombares e pela maior parte do quarto nervo lombar (L1, L2, L3 e
L4) e um ramo anastomótico de T12, dando um ramo ao plexo sacral.
L1 recebe o ramo anastomótico de T12 e depois fornece três ramos que são o nervo
ìlio-hipogástrico, o nervo ílio-inguinal e a raiz superior do nervo genitofemoral.
L2 se trifurca dando a raiz inferior do nervo genitofemoral, a raiz superior do nervo
cutâneo lateral da coxa e a raiz superior do nervo femoral.
L3 concede a raiz inferior do nervo cutâneo lateral da coxa, a raiz média do nervo
femoral e a raiz superior do nervo obturatório.
L4 fornece o ramo anastomótico a L5 e em seguida se bifurca dando a raiz inferior do
nervo femoral e a raiz inferior do nervo obturatório.

Figura 65: Plexo Lombar.

Nervo Subcostal
O nervo subcostal (T12) corre abaixo da última costela ocupando o sulco costal,
paralelamente e abaixo da veia e artéria subcostais.

Nervo Ílio-hipogástrico
O nervo ílio-hipogástrrico (T12 e L1) passa lateralmente em torno da crista ilíaca
entre os músculos transverso e oblíquo interno e divide-se em ramo ilíaco (lateral) que

146
FELIX, Fernando Álison M. D.

se dirige à pele da parte lateral superior da coxa, e num ramo hipogástrico (anterior) que
desce anteriormente para a pele que recobre a sínfise.

Nervo Ilioinguinal
O nervo ilioinguinal (L1) segue um curso ligeiramente inferior ao ílio-hipogástrico,
com o qual pode se comunicar, e é distribuído à pele da parte súpero-medial da coxa e à
raiz do pênis e escroto ou monte púbico e lábio maior.

Nervo Cutâneo Femoral Lateral


O nervo cutâneo femoral lateral desce obliquamente cruzando o músculo ilíaco e
sob o ligamento inguinal para se dividir em vários ramos distribuídos à pele da parte
ântero-lateral da coxa.

Nervo Genitofemoral
O nervo genitofemoral (L1 e L2) emerge da superfície anterior do músculo psoas,
caminha obliquamente para baixo sobre a superfície deste músculo e divide-se em ramo
genital, em direção ao músculo cremáster suprindo a pele do escroto ou lábios vaginais,
e ramo femoral, para a pele da parte superior média da coxa.

Nervo Femoral
O nervo femoral ó o maior ramo do plexo lombar. Ele se origina das três divisões
posteriores desse plexo, que são derivadas de L2, L3 e L4; emerge da margem lateral do
músculo psoas, logo acima do ligamento inguinal; desce abaixo deste ligamento
entrando no trígono femoral lateral à artéria femoral, onde se divide em ramos
terminais. Os ramos motores acima do ligamento inguinal inervam os músculos sartório,
pectíneo e quadríceps femoral. Os ramos sensitivos compreendem os ramos cutâneos
anteriores da coxa para a superfície ântero-medial da coxa e o nervo safeno para a
região medial da perna e do pé.

Nervo Obturatório
O nervo obturatório origina-se do plexo lombar através das três divisões anteriores
do plexo, que são derivadas de L2, L3 e L4. Emergindo da margem medial do músculo
psoas, próximo ao rebordo pélvico, ele passa lateral aos vasos hipogástricos e ureter e
desce através do canal obturatório em direção a região medial da coxa. No canal, o
nervo obturatório divide-se em ramos anterior e posterior. Os ramos motores da divisão
posterior inervam os músculos obturatório externo e adutor magno. Os ramos motores
da divisão anterior inervam os músculos adutor longo, curto e o músculo grácil. Os
ramos sensitivos do ramo anterior do nervo fornecem inervação para a articulação do
quadril e uma pequena área de pele sobre a parte interna média da coxa.

Tronco Lombossacral
O tronco lombossacral (L4 e L5) desce para a pelve, onde entra na formação do plexo
sacral.

Plexo Sacral
Os ramos ventrais dos nervos espinais sacrais e coccígeos formam os plexos sacral e
coccígeo. Os ramos ventrais de S1, S2, S3 e S4 penetram na pelve através dos forames

147
Resumo de Anatomia Humana

sacrais anteriores, L5 penetra entre o sacro e o cóccix e os coccígeos abaixo do cóccix.


Cada ramo ventral dos nervos sacrais recebe um ramo comunicante cinzento
proveniente de um gânglio simpático correspondente. Os ramos viscerais eferentes
deixam os ramos de S2 a S4 como nervos esplâncnicos pélvicos que contêm as fibras
parassimpáticas, as quais alcançam diminutos gânglios nas paredes das vísceras pélvicas.
A organização do plexo sacral é bastante elementar e simples. O plexo sacral é
formado pelo tronco lombossacral, ramos ventrais S1 a S3 e parte de S4, com o restante
do último unindo-se ao plexo coccígeo.
O ramo anastomótico de L4 se une ao L5 constituíndo o tronco lombossacral. Em
seguida o tronco lombossacral se une com S1 e depois sucessivamente ao S2, S3 e S4.
Cada uma das cinco raízes do plexo divide-se numa divisão anterior e posterior. As
quatro divisões superiores posteriores juntam-se para formar o nervo fibular comum.
Todas as cinco divisões anteriores (L4, L5, S1, S2 e S3) reúnem-se para formar o nervo
tibial.
Esse compacto nervoso sai da pelve atravessando o forame isquiático maior. Logo
após atravessar esse forame, o plexo sacral emite seus ramos colaterais e se resolve no
ramo terminal, que é o nervo isquiático. Para os músculos da região glútea vão os nervos
glúteo superior (L4, L5 e S1) e glúteo inferior (L5, S1 e S2). Um ramo sensitivo importante
é o nervo cutâneo posterior da coxa, formado por S1, S2 e S3.
Para o períneo, temos o nervo pudendo formado a partir de S2, S3 e S4.
Do plexo sacral saem também os nervos para o músculo obturador interno e gêmeo
superior (L5, S1 e S2); para o músculo piriforme (S1 e S2); para o músculo quadríceps da
coxa e músculo gêmeo inferior (L4, L5 e S1); para os músculos levantador do ânus,
coccígeo e esfíncter externo do ânus (S4); e o nervo esplâncnico pélvico (S2, S3 e S4).

Figura 66: Plexo Sacral.

148
FELIX, Fernando Álison M. D.

Nervo Glúteo Superior


O nervo glúteo superior (L4, L5, S1) passa acima do músculo piriforme, através do
forame isquiático maior em direção às nádegas, onde inerva os músculos glúteo médio e
mínimo e o músculo tensor da fáscia lata.

Nervo Glúteo Inferior


O nervo glúteo inferior (L5, S1, S2) passa abaixo do músculo piriforme, através do
forame isquiático maior, em direção ao músculo piriforme deixa fibras de S1 e S2.
Estende-se para a região glútea lateral inferior.

Nervo Cutâneo Femoral Posterior


O nervo cutâneo femoral posterior se constitui num ramo colateral com raízes
oriundas das divisões anterior e posterior de S1, S2 e das divisões anteriores de S2 e S3.

Ramos Perineais
Os ramos perineais dirigem-se para a pele da superfície medial superior da coxa e
para a pele do escroto ou lábio maior.

Nervo Isquiático
O nervo isquiático é o maior e mais calibroso nervo do corpo. Ele consiste em dois
nervos reunidos por uma mesma bainha: o nervo fibular comum, formado pelas quatro
divisões posteriores superiores do plexo sacral (L4, L5, S1 e S2), e o nervo tibial, formado
por todas as cinco divisões anteriores (L4, L5, S1, S2 e S3). O nervo deixa a pelve através
do forame isquiático maior, frequentemente abaixo do músculo piriforme, e desce entre
o trocânter maior do fêmur e a tuberosidade isquiática ao longo da superfície posterior
da coxa para o espaço poplíteo, onde ele termina nos nervos tibial e fibular comum. Os
ramos da coxa inervam os músculos do jarrete. Os ramos do tronco tibial passam para os
músculos semitendíneo e semimembranoso, a cabeça curta do bíceps femoral, e para o
músculo adutor magno. Um ramo do tronco fibular comum inerva a cabeça curta do
músculo bíceps femoral.

Nervo Fibular Comum


Na coxa, o nervo fibular comum é um componente do nervo isquiático até a porção
superior da fossa poplítea. Aí ele inicia seu curso independente, descendo ao longo da
margem posterior do músculo bíceps femoral, cruzando diagonalmente o dorso do
joelho em direção à cabeça da fíbula, onde ele se curva para frente entre o m. fibular
longo e a fíbula dividindo-se em três ramos terminais.
Os três ramos terminais são o recorrente articular e os nervos fibulares superficial e
profundo. O nervo articular recorrente acompanha a artéria tibial anterior recorrente,
inervando a articulação tibiofibular e a do joelho e um ramo para o músculo tibial
anterior.
O nervo fibular superficial desce ao longo do septo intermuscular, entre os músculos
fibulares longo e curto. Fornece ramos motores para os músculos fibulares longo e
curto, ramos cutâneos para a porção ântero-inferior da perna e ramos cutâneos
terminais para o dorso do pé, parte do hálux e lados adjacentes do segundo ao quinto
dedos até as segundas falanges.

149
Resumo de Anatomia Humana

O nervo fibular profundo (tibial anterior) desce pelo compartimento anterior da


perna, perfura o m. extensor longo dos dedos e, em companhia da a. tibial anterior,
desce entre os mm. extensor longo dos dedos e extensor longo do hálux. Ramos
motores dirigem-se para os mm. tibial anterior, extensor longo dos dedos, extensor
longo do hálux e fibular terceiro. Os ramos articulares inervam as articulações
tibiofibulares inferior e do tornozelo. Os ramos terminais dirigem-se para a pele dos
lados adjacentes dos dois primeiros dedos e para o músculo extensor curto dos dedos e
articulação adjacente.

Nervo Tibial
O nervo tibial forma o maior componente do nervo isquiático na coxa. Ele inicia seu
curso próprio na porção superior da fossa poplítea e desce verticalmente através deste
espaço e, na face posterior da perna, desce sobre os mm. tibial posterior e flexor longo
dos dedos, acompanhado da a. tibial posterior; dirige-se para a superfície póstero-
medial do tornozelo e, ao nível do retináculo flexor, seus ramos terminais, nervos
plantares medial e lateral, continuam em direção ao pé. A porção do tronco tibial abaixo
da fossa poplítea era antigamente denominada nervo tibial posterior; aquela porção
dentro da fossa era denominada nervo poplíteo interno.
O nervo plantar medial coloca-se entre o m. abdutor do hálux e o m. flexor curto dos
dedos, sendo lateral à a. plantar medial. Envia fibras motoras para estes músculos e
flexor curto do hálux e primeiro lumbrical; e ramos sensitivos para a face medial da
planta do pé, superfície plantar dos três e meio dedos mediais.
O nervo plantar lateral (comparável ao nervo ulnar da mão e braço) situa-se entre os
mm. flexor curto dos dedos e quadrado plantar, sendo medial à a. plantar lateral. Envia
ramos motores para todos os pequenos músculos do pé, exceto para aqueles inervados
pelo nervo plantar medial; e ramos sensitivos para as porções laterais da planta do pé,
superfície plantar dos um e meio dedos laterais.

?
Quais os movimentos da coxa são possíveis na articulação do quadril, e
quais músculos que participam de cada um destes movimentos?
Flexão da coxa o M. pectíneo
• M. iliopsoas • M. adutor longo
• M. sartório • M. adutor curto
• M. reto femoral • M. adutor magno
o M. pectíneo o M. grácil
o M. tensor da fáscia lata Rotação medial da coxa
Extensão da coxa o M. glúteo médio
• M. bíceps femoral • M. glúteo mínimo
• M. semitendíneo o M. tensor da fáscia lata
• M. semimembranáceo Rotação lateral da coxa
• M. glúteo máximo o M. glúteo máximo
o M. adutor mínimo • M. obturador interno
Abdução da coxa • M. obturador externo
• M. glúteo médio • M. gêmeo superior
o M. glúteo mínimo • M. gêmeo inferior
o M piriforme • M. quadrado femoral
Adução da coxa • M. piriforme

150
FELIX, Fernando Álison M. D.

?
Quais os movimentos da perna são possíveis na articulação do joelho, e
quais músculos que participam de cada um destes movimentos?
Flexão da perna
• M. bíceps femoral
• M. semitendíneo
• M. semimembranáceo
o M. sartório
o M. grácil
o M. gastrocnêmio
Extensão da perna
• M. quadríceps femoral
Rotação medial da perna
• M. semitendíneo
• M. semimembranáceo
o M. grácil
o M. sartório
Rotação lateral da perna
• M. bíceps femoral

?
Quais os movimentos do pé são possíveis na articulação do tornozelo, e
quais músculos que participam de cada um destes movimentos?
Dorsiflexão do pé
• M. tibial anterior
• M. extensor longo dos dedos
o M. extensor longo do hálux
o M. fibular terceiro
Flexão plantar do pé
• M. tríceps sural
• M. tibial posterior
o M. fibular longo
Inversão do pé
• M. tibial anterior
• M. tibial posterior
Eversão do pé
• M. fibular longo
• M. fibular curto

PS.: Os músculos destacados com um marcador cheio preto indicam que eles têm
maior importância dentre os citados na realização daquele movimento.

151
Resumo de Anatomia Humana

CABEÇA

OSSOS DA CABEÇA
O crânio, como um todo, representa o conjunto de estruturas que constituem o
arcabouço ósseo da cabeça. Consiste, portanto, em uma série de ossos que na sua
maioria estão unidos entre si por articulações imóveis, com exceção feita apenas para a
mandíbula, que se articula com o osso temporal por articulação sinovial (móvel), a
articulação têmporo-mandibular (ATM).
O crânio está constituído de 22 ossos (28 se contarmos com os ossículos do ouvido)
e é dividido para estudo anatômico em duas porções: (1) uma ântero-inferior,
constituída por 14 ossos, denominada de viscerocrânio devido a relação que mantém
com uma série de órgãos viscerais; (2) e outra porção póstero-superior, responsável por
delimitar a cavidade craniana, a qual aloja o encéfalo e o segmento proximal dos nervos
cranianos, sendo denominada de neurocrânio devido a relação que mantém com essas
estruturas, constituído, por sua vez, pela reunião de 8 ossos.
Neurocrânio: é o conjunto de ossos que delimitam a caixa craniana que envolve o
encéfalo, daí o termo neurocrânio. Está constituído de 8 ossos: 1 frontal, 2 temporais, 1
occipital, 2 parietais, 1 esfenóide e 1 etmóide.
O neurocrânio é dividido para estudo anatômico em duas porções: uma superior,
denominada calvária e uma parte inferior, designada como base do crânio. A separação
entre essas duas porções do neurocrânio se faz através de uma linha imaginária que
circunda toda a circunferência craniana, tendo como pontos de referência a glabela,
seguindo ao longo dos arcos superciliares, contornando o processo zigomático do osso
frontal, terminando, posteriormente, em nível da protuberância occipital externa.
o A calvária é constituída pela união de 4 ossos: um anterior, o frontal; um
posterior, o occipital; e dois laterais representados pelos parietais.
o Na base do crânio, identificamos o etmóide, esfenóide, os temporais e a
parte basilar do occipital. Esta base, do ponto de vista anátomo-clínico, é
mais importante quando comparada com a calvária devido a sua íntima
relação com uma série de estruturas que estão chegando ou abandonando o
crânio a partir de seus diversos forames (ver OBS1, no final deste capítulo).
Viscerocrânio: é o conjunto de ossos que formam o esqueleto da face. Esta
denominação deve-se ao fato de esses ossos protegerem as partes iniciais dos sistemas
viscerais. Está constituído por 14 ossos: 2 zigomáticos, 2 maxilas, 2 nasais, 2 lacrimais, 1
mandíbula, 2 palatinos, 1 vômer e 2 conchas nasais inferiores.

Osso Frontal
O osso frontal é um osso largo ou chato, situado para frente e para cima e apresenta
duas porções: uma vertical, a escama, e uma horizontal, os tetos das cavidades orbitais e
nasais.
Escama
Face Externa: esta face é convexa e nela encontramos as seguintes estruturas:
o Margem supra-orbital;
o Túber frontal: 3 centímetros acima da borda supra-orbital;

152
FELIX, Fernando Álison M. D.

o Arcos superciliares: saliências que se estendem lateralmente à glabela;


o Glabela: entre os dois arcos superciliares (ponto antropométrico);
o Sutura metópica: encontrada em alguns raros casos e localiza-se logo acima
da glabela e se estende até o bregma pela linha sagital mediana. Esta sutura,
na infância, divide o osso em dois, podendo permanecer por toda a vida;
o Incisura ou forame supra-orbital: passagem de vasos e nervos supra-orbitais;
o Incisura nasal: intervalo áspero e irregular;
o Espinha nasal: localiza-se anteriormente e no centro da incisura nasal.
Face Interna:
o Crista frontal;
o Forame cego: localiza-se na terminação da crista frontal e é nele que a dura
máter se insere.
Tetos das Cavidades Orbitais e Nasais
Formam o teto da órbita, a incisura etmoidal (separa as duas lâminas orbitais) e os
óstios do seio frontal (anteriores a incisura etmoidal). Este seio torna o frontal um osso
com características de osso pneumático, oco.
O frontal articula-se com doze ossos: esfenóide, etmóide, parietais (2), nasais (2),
maxilares (2), lacrimais (2) e zigomáticos (2).

Osso Occipital
É perfurado por uma abertura grande e oval, o forame magno, através do qual a
cavidade craniana comunica-se com o canal vertebral. Apresenta duas porções:
escamosa e basilar.
a) Escamosa: lâmina curvada que se estende posteriormente ao forame occipital.
b) Basilar: anterior ao forame occipital e espessa.
Escamosa
Face Externa: posterior e convexa. Apresenta as seguintes estruturas:
o Protuberância occipital externa: localiza-se entre o ápice do osso e o forame
magno;
o Crista occipital externa;
o Linha occipital (nucal) suprema: local de inserção da gálea aponeurótica.
Localiza-se lateralmente a protuberância occipital externa;
o Linha occipital (nucal) superior: localiza-se abaixo da linha nucal suprema;
o Linha occipital (nucal) inferior: logo abaixo da linha nucal superior.
Face Interna: localiza-se anteriormente. Apresenta as seguintes estruturas:
o Eminência cruciforme: divide a face interna em quatro fossas;
o Protuberância occipital interna: ponto de intersecção das quatro divisões;
o Sulco sagital: aloja a porção posterior do seio sagital superior;
o Crista occipital interna: porção inferior da eminência cruciforme;
o Sulco do seio transverso: lateralmente à protuberância occipital interna;
o Fossas occipitais superiores (cerebrais);
o Fossas occipitais inferiores (cerebelares).
Basilar
o Forame Magno: grande abertura oval que dá passagem à medula oblonga
(tronco encefálico - bulbo) e suas membranas (meninges), líquor, nervos,
artérias, veias e ligamentos;

153
Resumo de Anatomia Humana

o Côndilos occipitais: tem forma oval e articulam com a 1ª vértebra cervical


(atlas);
o Canal do hipoglosso: pequena escavação na base do côndilo occipital que dá
saída ao nervo do hipoglosso (12º par craniano) e entrada a um ramo
meníngeo da artéria faríngea ascendente;
o Canal condilar: ao lado do forame magno (dá passagem a veias);
o Processo jugular: localizado lateralmente ao côndilo occipital.
O occipital articula-se com seis ossos: parietais (2), temporais (2), esfenóide e atlas.

Osso Esfenóide
É um osso irregular, ímpar e situa-se na base do crânio anteriormente aos temporais
e à porção basilar do osso occipital.
O osso esfenóide é dividido em: corpo (1), asas menores (2), asas maiores (2) e
processos pterigóideos (2).
Corpo
Face Superior:
o Fossa hipofisária;
o Processos clinóides médios e posteriores;
o Espinha etmoidal: articula-se com a lâmina crivosa do osso etmóide;
o Sela túrsica: aloja a hipófise;
o Clivo: apoio da porção superior da ponte.
Face Anterior:
o Crista esfenoidal: forma parte do septo do nariz;
o Seio esfenoidal: cavidades preenchidas com ar (osso pneumático) e servem
para deixar o crânio mais leve. Raramente são simétricas.
Face Inferior:
o Rostro esfenoidal: espinha triangular na linha mediana;
o Processo vaginal: de cada lado do rostro esfenoidal.
Face Lateral:
o Sulco carótido: sulco em forma de "s";
o Língula: crista óssea no ângulo entre o corpo e a asa maior.
Asas Menores
o Canal óptico: passagem do nervo óptico (2º par craniano) e artéria oftalmica;
o Processo clinóide anterior.
Asas Maiores
o Forame redondo: passagem do nervo maxilar (5º par craniano - nervo
trigêmeo);
o Forame oval: passagem do nervo mandibular (5º par craniano - nervo
trigêmeo) e artéria meníngea acessória;
o Forame espinhoso: passagem de vasos meníngeos médios e a um ramo do
nervo mandibular;
o Espinha esfenoidal;
o Face temporal;
o Face orbital.
Processos Pterigóideos
o Lâmina pterigódea medial;
o Lâmina pterigóidea lateral;

154
FELIX, Fernando Álison M. D.

o Fossa pterigóidea;
o Incisura pterigóidea: entre as duas lâminas.
Entre as Asas Menores e Maiores:
o Fissura orbitária superior ou fenda esfenoidal: passagem do nervo
oculomotor (3º par craniano), nervo troclear (4º par craniano), romo
oftálmico do nervo trigêmeo (5º par craniano) e nervo abducente (6º par
craniano).

Osso Etmóide
É um osso leve, esponjoso, irregular, ímpar e situa-se na parte anterior do crânio.
Apresenta 4 partes: 1 lâmina horizontal (crivosa), 1 lâmina perpendicular e 2 massas
laterais (labirintos).
Lâmina Horizontal (Crivosa)
o Crista galli: processo triangular na linha mediana;
o Forames olfatórios: localiza-se ao lado da crista galli e dá passagem aos
nervos olfatórios.
Lâmina Perpendicular
o Lâmina achatada que forma a parede mediana do septo nasal.
Massas Laterais (Labirinto)
o Processo uncinado;
o Concha nasal superior;
o Concha nasal média.
O osso etmóide articula-se com treze ossos: frontal (1), esfenóide (1), nasais (2),
lacrimais (2), maxilares (2), palatinos (2), conchas nasais inferiores (2) e o vômer (1).

Osso Temporal
É um osso par, muito complexo, é importante porque no seu interior encontra-se o
aparelho auditivo
Divide-se em 3 partes: escamosa, timpânica e petrosa.
Parte Escamosa
o Processo zigomático: longo arco que se projeta da parte inferior da escama;
o Fossa mandibular: articula-se com o côndilo da mandíbula.
Parte Timpânica
o Meato acústico externo.
Parte Petrosa (Pirâmide)
o Processo estilóide: espinha aguda localizada na face inferior do osso
temporal;
o Processo mastóide: projeção crônica que pode variar de tamanho e forma;
o Meato acústico interno: dá passagem ao nervo facial, acústico e
intermediário e ao ramo auditivo interno da artéria basilar;
o Forame estilomastóide: localiza-se entre o processo mastóide e estilóide;
o Canal carótico: dá passagem à artéria carótida interna e ao plexo nervoso
carótido;
o Fossa jugular: aloja o bulbo da veia jugular interna.
O osso temporal articula-se com 5 ossos: occipital, parietal, zigomático, esfenóide e
mandíbula.

155
Resumo de Anatomia Humana

Osso Parietal
O parietal forma o tecto do crânio. Osso par, chato e apresenta 2 faces, 4 margens e
4 ângulos.
Faces
o Face externa é convexa, lisa e lateral;
o Face interna é côncava e medial apresentando sulcos anteriores que
correspondem aos ramos da artéria meningea média.
Margens
o Margem superior / sagital / parietal;
o Margem anterior / frontal / coronal;
o Margem posterior / occipital / lambdóidea;
o Margem inferior / escamosa / temporal.
Ângulos
o Ângulo frontal
o Ângulo esfenoidal
o Ângulo mastóideo
o Ângulo occipital

Osso Zigomático
Forma parte da parede lateral e assoalho da órbita. É um osso par e irregular.
Apresenta as seguintes estruturas: faces malar, orbital, temporal; processos frontal,
temporal e maxilar e quatro margens.
Faces
o Face malar: convexa; possui um forame (forame zigomaticofacial) que serve
para passagem de nervo e vasos zigomaticofaciais;
o Face temporal: côncava;
o Face orbital: forma parte do soalho e parede lateral da órbita.
Processos
o Processo frontal: articula-se com o frontal
o Processo maxilar: articula-se com a maxila
o Processo temporal: articula-se com o temporal
Arco Zigomático
o Processo temporal do osso zigomático;
o Processo zigomático do osso temporal.

Osso Maxilar
É um osso plano e irregular. Forma quatro cavidades: o tecto da cavidade bucal, o
soalho e a parede lateral do nariz, o soalho da órbita e o seio maxilar, Cada osso
spresenta um corpo e quatro processos.
Corpo
o Forame infra-orbital: passagem para os vasos e nervo infra-orbitais;
o Face orbital: forma a maior parte do soalho da órbita;
o Seio maxilar: grande cavidade piramidal dentro do corpo da maxila.
Processos
o Frontal: forte lâmina que parte do limite lateral do nariz;

156
FELIX, Fernando Álison M. D.

o Zigomático: eminência triangular e áspera localizada no ângulo de separação


das faces anterior, infratemporal e orbital;
o Alveolar: cavidades profundas para recepção dos dentes;
o Palatino: horizontal e projeta-se medialmente da face nasal do osso.
A maxila articula-se com nove ossos: frontal, etmóide, nasal, zigomático, concha
nasal inferior, lacrimal, palatino, vômer e maxila do lado oposto.

Osso Nasal
Forma, com o nasal do lado oposto, o dorso do nariz.
O osso nasal articula-se com 4 ossos: frontal, etmóide, maxila e nasal do lado oposto.

Osso Lacrimal
Localiza-se na parte medial da órbita. É o menor e mais frágil osso da face.
O osso lacrimal articula-se com 4 ossos: frontal, etmóide, maxila e concha nasal
inferior.

Osso Palatino
Forma a parte posterior do palato duro, parte do soalho e parede lateral da cavidade
nasal e o soalho da órbita.
É formado por uma parte vertical e uma horizontal e apresenta 3 processos:
piramidal, orbital e esfenoidal.
Parte Horizontal
Apresenta duas faces e três margens:
o Face nasal: forma o soalho da cavidade nasal;
o Face inferior (palatina): forma parte do palato duro;
o Margem anterior: articula-se com a maxila;
o Margem posterior: serve como inserção do palato mole e úvula;
o Margem medial: articula-se com o osso palatino do lado oposto.
Parte Vertical
Apresenta duas faces e quatro margens:
o Face nasal: articula-se com a concha nasal inferior e média;
o Face maxilar: articula-se com a maxila;
o Margem anterior: é fina e irregular;
o Margem posterior: articula-se com o osso esfenóide;
o Margem superior: articula-se com o corpo do osso esfenóide;
o Margem inferior.
Processos
o Processo piramidal: articula-se com a maxila;
o Processo orbital: articula-se com a maxila, esfenóide, etmóide. Forma parte
do soalho da órbita;
o Processo esfenoidal: articula-se com o osso esfenóide.
O osso palatino articula-se com 6 ossos: esfenóide, etmóide, vômer, maxila, concha
nasal inferior e com o osso palatino do lado oposto.

Osso Vômer
É um osso ímpar. Forma as porções posteriores e inferiores do septo nasal.

157
Resumo de Anatomia Humana

O osso vômer articula-se com 6 ossos: esfenóide, etmóide, maxilares (2) e palatinos (2).

Concha Nasal Inferior


Localiza-se ao longo da parede lateral da cavidade nasal.
Apresenta duas faces e duas margens:
o Face medial: convexa;
o Face lateral: côncava;
o Margem superior: apresenta três processos: lacrimal, etmoidal e maxilar;
o Margem inferior: é livre e espessa.
A concha nasal inferior articula-se com 4 ossos: etmóide, maxila, lacrimal e palatino.

Mandíbula
É um osso ímpar que contém a arcada dentária inferior. Consiste de uma porção
horizontal, o corpo, e duas porções perpendiculares, os ramos, que se unem ao corpo
em um ângulo quase reto.
Corpo
Face Externa
o Protuberância mentoniana: eminência triangular;
o Sínfise mentoniana (ponto antropométrico): crista suave na linha mediana;
o Forame mentoniano: depressão de cada lado da sínfise. Passagem de vasos e
nervo mentoniano;
o Linha oblíqua externa.
Face Interna
o Espinha mentoniana: par de espinhas próximo da sínfise;
o Fossa digástrica: pouco abaixo das espinhas mentais;
o Fossa sublingual: acima da linha milo-hióidea;
o Fossa submandibular: abaixo da linha milo-hióidea;
o Linha milo-hióidea (oblíqua interna): ao lado da sínfise e dirige-se para trás.
Margens
o Superior ou alveolar: recebe os dezesseis dentes da arcada dentária inferior;
o Inferior.
Ramos
Face Lateral: apresenta cristas oblíquas para inserção do músculo masseter.
Face Medial: apresenta as seguintes estruturas:
 Forame mandibular: passagem de vasos e nervo alveolares inferiores;
 Sulco milo-hióideo;
 Língula da mandíbula: crista proeminente acima do sulco milo-hióideo;
Margens:
o Inferior: encontra-se o ângulo da mandíbula;
o Posterior: é recoberta pela glândula parótida;
o Anterior: continua-se com a linha oblíqua;
o Superior: possui dois processos muito importantes: processo coronóide e
processo condilar (articula-se com o disco articular da articulação
temporomandibular – ATM). Entre estes dois processos encontramos a
incisura da mandíbula.
A mandíbula articula-se com dois ossos: temporais (2).

158
FELIX, Fernando Álison M. D.

ARTICULAÇÕES DA CABEÇA
A maioria desses ossos está unida entre si por articulações fibrosas do tipo sutura, as
quais predominam principalmente na região do neurocrânio, com mais importância
ainda na região da calvária (parte superior do neurocrânio).
Na base do neurocrânio, encontraremos no ponto de fusão entre os ossos occipital,
temporais e esfenóide, não suturas, mas sim, articulações cartilagíneas do tipo
sicondroses: estas articulações presentes na parte central da base do crânio, na verdade,
representam um centro de crescimento ósseo para a base do crânio a fim de que esta
base possa acompanhar o desenvolvimento facial durante o desenvolvimento craniano
(sabendo que ao nascimento, há uma desproporção crânio-facial: o crânio apresenta
dimensões bem maiores com relação a face, porém, devido à ação constante da
musculatura mastigatória e facial, a face garante um acelerado desenvolvimento
acompanhado pela base do crânio graças a essas sicondroses).

Articulação Têmporo-Mandibular (ATM)


A articulação têmporo-mandibular (ATM) é responsável pelos movimentos da
mandíbula (fonação, mastigação).
Articulação: fossa mandibular do osso temporal + cabeça do côndilo da mandíbula.
Principais Movimentos:
o Oclusão: contato dos dentes da arcada superior com a arcada inferior.
o Protrusão: é um movimento dianteiro (para frente) como ocorre na
protrusão da mandíbula.
o Retrusão: é um movimento de retração (para trás) como ocorre na retrusão
da mandíbula.
Músculos da ATM:
o Temporal;
o Masseter;
o Pterigóideo medial;
o Pterigóideo lateral.

MÚSCULOS DA CABEÇA
Não se faz necessário se aprofundar muito nestes músculos, mas é indispensável
reconhecê-los. Os músculos da face são responsáveis pela mímica facial. A inervação
cutânea (sensitiva) da face é realizada principalmente pelo nervo trigêmeo (NC V),
enquanto a inervação motora dos músculos fasciais é realizada pelo nervo facial (NC VII).

Couro Cabeludo
Epicrânico (ou músculo occipitofrontal): O m. epicrânico é uma vasta lâmina
musculotendinosa que reveste o vértice e as faces laterais do crânio, desde o osso
occipital até a sobrancelha. É formado pelo ventre occipital e pelo ventre frontal e estes
são reunidos por uma extensa aponeurose intermediária: a gálea aponeurótica (ou
aponeurose epicrânica).
Temporal.

159
Resumo de Anatomia Humana

Pálpebras e Órbitas
Orbicular do olho: Este músculo contorna toda a circunferência da órbita. Divide-se
em três porções: palpebral, orbital e lacrimal.
Corrugador do supercílio.

Nariz
Prócero: Traciona para baixo o ângulo medial da sobrancelha e origina as rugas
transversais sobre a raiz do nariz.
Nasal (transverso do nariz).

Orelha
Auricular anterior;
Auricular superior;
Auricular posterior.

Boca
Levantador do lábio superior;
Levantador do lábio superior e asa do nariz;
Levantador do ângulo da boca;
Zigomático menor;
Zigomático maior;
Risório;
Abaixador do lábio inferior;
Abaixador do ângulo da boca;
Mentual;
Orbicular da boca;
Bucinador.

VASCULARIZAÇÃO DA FACE
A face é ricamente suprida por artérias, cujos ramos terminais anastomosam-se
livremente. A maioria das artérias da face é o ramo da artéria carótida externa. O
retorno venoso a partir da face é essencialmente superficial. A face recebe um rico
suprimento sanguíneo proveniente de dois vasos principais, as artérias facial e temporal
superficial. Estas são suplementadas por inúmeras pequenas artérias que acompanham
os nervos sensitivos da face.
A artéria facial é o maior dos três ramos que se originam da face anterior da artéria
carótida externa. Tendo-se arqueado para cima e sobre a glândula submandibular, ela
curva-se em torno da margem inferior do corpo da mandíbula, na margem do músculo
masseter. É aqui que o pulso pode ser facilmente sentido. Esta artéria, corre para cima
num curso tortuoso em direcção ao ângulo da boca e é coberta pelo platisma e pelo m.
risório. Sobe, então, profundamente aos músculos zigomáticos e ao levantador do lábio
superior e corre ao longo do nariz até ao ângulo medial do olho, onde se anastomosa
com os ramos terminais da artéria oftálmica.

160
FELIX, Fernando Álison M. D.

Esta artéria divide-se em quatro ramos distintos, sendo eles:


o Artéria submental origina-se da artéria facial, na margem inferior do corpo da
mandíbula, seguindo para a frente, ao longo da margem inferior da
mandíbula e supre a pele do mento e lábio inferior;
o Artéria labial inferior origina-se próximo do ângulo da boca, corre
medialmente no lábio inferior e anastomosa-se com a sua companheira no
lado oposto;
o Artéria labial superior origina-se próximo do ângulo da boca, corre
medialmente no lábio superior e dá ramos para o septo e para a asa do nariz;
o Artéria angular origina-se da artéria facial à medida que esta sobe, ao longo
do lado do nariz. Esta artéria supre a pele do lado e dorso do nariz;

Figura 67: Base do Crânio. Esquema dos forames e das estruturas que os atravessam.

OBSERVAÇÕES
OBS1: Sinopse dos pontos de passagem das vias vasculonervosas na base do crânio:
o Forame cego: localizado na região de transição da crista frontal com a
incisura etmoidal. Dá passagem a uma pequena veia do nariz para o seio
sagital superior.
o Lâmina cribriforme do osso etmóide: Nn. olfatórios; A. etmoidal anterior.
o Canal óptico: N. óptico; A. oftálmica (ramo da porção cerebral da A. carótida
interna).

161
Resumo de Anatomia Humana

o Fissura orbital superior: de lateral para medial, temos: V. oftálmica superior


(drena estruturas oculares para o seio cavernoso); N. lacrimal (ramo de V1);
N. frontal (ramo de V1); N. troclear; N. abducente; N. oculomotor; N.
nasociliar (ramo de V1).
o Forame redondo: N. maxilar (V2).
o Forame oval: N. mandibular (V3); plexo venoso do forame oval; artéria
meníngea acessória.
o Canal carótico: A. carótida interna; plexo simpático carótico interno (oriundo
do gânglio simpático cervical superior).
o Forame espinhoso: A. meníngea média (ramo da porção mandibular da A.
maxilar que, por sua vez, é ramo da artéria carótida externa); ramo meníngeo
do nervo mandibular.
o Forame lacerado (encoberto pela A. carótida interna): N. petroso profundo;
N. petroso maior (que segue para o hiato do N. petroso maior).
o Canal pterigóideo (canal vidiano): N. petroso maior; N. petroso profundo; N.
do canal pterigóideo.
o Hiato do canal do N. petroso menor: N. petroso menor; A. timpânica
superior.
o Hiato do canal do N. petroso maior: N. petroso maior.
o Poro acústico interno: A. e V. do labirinto; N. vestibulococlear; N. facial.
o Forame jugular: V. jugular interna; N. glossofaríngeo; N. vago; N. acessório;
Seio petroso inferior; A. meníngea posterior.
o Forame magno: V. espinhal; A. espinhal anterior e posterior; Medula
espinhal; Raiz espinhal do N. acessório (C2 – C5/6); Aa. vertebrais.
o Canal do N. hipoglosso: N. hipoglosso.
o Canal condilar: V. emissária condilar.
o Forame estilomastóideo: N. facial; A. estilomastóidea.
o Fissura petrotimpânica: A. timpânica anterior; N. corda do tímpano (ramo
que liga o N. lingual ao N. facial).
o Fissura timpanomastóidea: ramo auricular do nervo vago.

OBS2: Pontos craniométricos. O crânio apresenta importantes pontos anatômicos de


referência cirúrgica que, em conjunto, são denominados pontos craniométricos. A partir
deles, cirurgiões podem traçar planos de incisões e acessos para adentrar, de maneira
precisa, em regiões do encéfalo que foram previamente relacionadas a eles.
o Ptério (G., asa): corresponde à junção da asa maior do esfenóide, parte
escamosa do temporal, frontal e parietal; situado sobre o trajeto da divisão
anterior da artéria meníngea média. Lesões neste ponto podem causar uma
importante hemorragia extradural, separando os folhetos da dura-máter
craniana dos ossos da calvária.
o Lambda (G., a letra L): ponto na calvária correspondente à junção das suturas
lambdóidea e sagital.
o Bregma (G., parte anterior da cabeça): ponto na calvária correspondente à
junção das suturas coronal e sagital.
o Vértice (L., espiral): ponto mais superior do neurocrânio, no meio com o
crânio orientado no plano anatômico (orbitomeático ou de Frankfort).

162
FELIX, Fernando Álison M. D.

o Astério (G., estrelado): tem formato de estrela; localizado na junção de três


suturas: parietomastóidea; occipitomastóidea e lamdóidea.
o Glabela (L., liso, sem pêlos): proeminência lisa localizada na região entre os
dois arcos superciliares (ou seja, entre as duas sobrancelhas) do osso frontal,
superiormente à raiz do nariz; é mais acentuada em homens.
o Ínio (G., dorso da cabeça): ponto mais proeminente da protuberância
occipital externa.
o Násio (L., nariz): ponto de encontro das suturas frontonasal e internasal;
localizado abaixo da glabela, é um pouco mais rasa profunda que ela.

Figura 68: Ponto craniométricos.

163
Resumo de Anatomia Humana

PESCOÇO

Limites:
- superior: margem inferior da mandíbula, ângulo da mandíbula e linha nucal inferior
do osso occipital;
- inferior: manúbrio do esterno, margem superior das clavículas e a vértebra T1.

OSSOS DO PESCOÇO
Formado pelas vértebras cervicais, pelo osso hióide, pelo manúbrio do esterno e
pelas clavículas.

Vértebras Cervicais
Sete vértebras: C1 à C7. (Melhor discutido em “Dorso” neste mesmo capítulo.)

Hióide
É um osso que se situa na parte anterior do pescoço humano, acima da cartilagem
tireóide, ao nível da vértebra C3. É um osso móvel, pois não está articulado com mais
nenhum osso. É apenas suportado pelos músculos do pescoço. Suporta, por sua vez, a
base da língua. Tem a forma de uma ferradura. Os ligamentos estilóides, os quais
partem das extremidades dos processos estilóides dos ossos temporais, se ligam ao
corno menor do hióide. A membrana e os ligamentos tireo-hióideos ainda se fixam no
hióide, inferiormente.

Figura 69: Hióide; as marcações em vermelho mostram as fixações dos músculos apontados. (Vista ântero-superior)

Reconhece-se, no osso hióide, uma parte média, o corpo, de cada extremidade


lateral do corpo partem dois prolongamentos: o corno maior e o corno menor.
Vários músculos se fixam ao hióide, como mostra a Figura 69.

164
FELIX, Fernando Álison M. D.

FÁSCIAS DO PESCOÇO
As estruturas no pescoço são compartimentalizadas por camadas de fáscia cervical.

Tecido Subcutâneo Cervical e o Platisma


Tela subcutânea é constituída pelo tecido conjuntivo mais o tecido adiposo. Esta tela
situa-se entre a derme da pele e a lâmina superficial da fáscia cervical. Contém:
o M. platisma: superficial, ocupando grande parte anterior do pescoço. É
inervado pelo n. facial;
o Nn. cutâneos;
o Vasos sanguíneos superficiais;
o Linfonodos;
o Gordura.

Fáscia Cervical
A fáscia cervical é um tecido fibroso composto por três lâminas: superficial, pré-
traqueal e pré-vertebral. Forma planos de sustentação e separação de músculos,
vísceras, vasos, nervos e linfonodos, limitando a disseminação de infecções e de fluido
(sangue, pus). Facilita a deglutição e os movimentos do pescoço e da cabeça, pois reduz
o atrito entre as estruturas. As três lâminas da fáscia cervical se unem para formar a
bainha carótica.

Figura 70: Pescoço; corte transversal. As partes da fáscia cervical estão destacadas.

Lâmina Superficial da Fáscia Cervical


Circunda todo o pescoço, profundamente à pele e ao músculo platisma.
Vai desde a base do crânio até os processos espinhosos de C7.
Nos “quatro ângulos” do pescoço, bifurca-se em partes superficial e profunda para
encerrar os mm. trapézio (posteriormente) e esternocleidomastóideo (anteriormente).

165
Resumo de Anatomia Humana

Espaço supraesternal (de Burns): entre as cabeças esternais dos mm.


esternocleidomastóideos e imediatamente acima do manúbrio esternal, limitado pelas
divisões ântero-posterior da lâmina superficial. Contém:
o Extremidades inferiores das vv. jugulares anteriores;
o Arco venoso jugular;
o Gordura;
o Linfonodos profundos.

Lâmina Pré-traqueal da Fáscia Cervical


Estende-se inferiormente do hióide ao pericárdio fibroso.
Inclui: (a) parte muscular: reveste os mm. infra-hióideos; (b) parte visceral: reveste a
gl. tireóide, traquéia e esôfago.
Funde-se lateralmente com a bainha carótica.
Um espessamento forma a tróclea para o tendão intermediário do m. digástrico.

Lâmina Pré-vertebral da Fáscia Cervical


Fixa à base do crânio e ao lig. longitudinal anterior no nível da vértebra T3.
Reveste: vértebras cervicais; mm. do pescoço e cabeça; mm. escalenos; mm.
profundos do dorso.

Bainha Carótica
Revestimento fascial tubular formado pelas lâminas superficial, pré-traqueal e pré-
vertebral da fáscia cervical.
Envolve: a. carótida comum, v. jugular externa e n. vago.

Espaço Retrofaríngeo
Espaço virtual que consiste em tecido conjuntivo frouxo entre a parte visceral da
fáscia cervical e a fáscia bucofaríngea.
A fáscia alar estende-se de um lado ao outro das bainhas caróticas. Essa fáscia
subdivide o espaço retrofaríngeoem anterior e posterior.
O espaço retrofaríngeo permite o movimento de faringe, esôfago laringe e traquéia
em relação à coluna vertebral durante a deglutição.

MÚSCULOS DO PESCOÇO
Platisma
Lâmina larga e fina de músculo no tecido subcutâneo do pescoço (ântero-
lateralmente).
Inervado pelo ramo cervical do n. facial (NC VII).
Ação: tensiona a pele, deprime a mandíbula e abaixa os ângulos da boca.
A v. jugular externa e os principais nervos cutâneos do pescoço situam-se
profundamente ao platisma.

Esternocleidomastóideo (ECM)
Situado na região ântero-lateral do pescoço.

166
FELIX, Fernando Álison M. D.

Divide cada lado do pescoço em trígonos cervicais anterior e lateral (ou posterior).
É o principal flexor do pescoço. Largo e robusto, é constituído, no tramo torácico,
por duas cabeças: a esternal e a clavicular.
É inervado pelo n. acessório (NC XI).
Este músculo permite três ações diferentes: a rotação da cabeça para o lado
contrário, a inclinação lateral, e uma leve extensão da cabeça.

Trapézio
O músculo trapézio, de configuração triangular, é o mais superficial dos músculos do
dorso e do pescoço. É também um músculo do cíngulo do membro superior. Situado na
face póstero-lateral do pescoço e do tórax. Inervado pelo n. acessório (NC XI) e nervo do
trapézio (C3 - C4)
Ação: eleva, retrai e roda a escápula.

Mm. Supra-hióideos
Incluem:
o M. milo-hióideo;
o M. genio-hióideo;
o M. estilo-hióideo;
o M. digástrico.
Juntos constituem o assoalho da boca, que forma a base para a língua.
Ação conjunta: elevam o osso hióide e a laringe em relação à deglutição e produção
do tom.

Milo-hióideo
Os músculos direito e esquerdo estão unidos no plano mediano pela rafe mediana.
Inervação: Nervo Mandibular (NC V3);
Ação: elevação do osso hióide e da língua.

Genio-hióideo
Situado profundamente ao m. milo hióideo.
Inervação: Nervo Hipoglosso (NC XII);
Ação: tração anterior do osso hióide e da língua.

Estilo-hióideo
Inervação: Nervo Facial (NC VII);
Ação: elevação e retração do osso hióide

Digástrico
Possui dois ventres musculares (anterior e posterior) unidos pelo tendão
intermediário, que está preso por uma espécie de tróclea, provinda da lâmina pré-
traqueal da fáscia cervical.
Inervação: Nervo Facial (ventre posterior) e Nervo Mandibular (ventre anterior);
Ação: elevação do osso hióide e abaixamento da mandíbula (abertura da boca). O
ventre anterior traciona o osso hióide para frente e o ventre posterior para trás.

Mm. Infra-hióideos

167
Resumo de Anatomia Humana

Incluem:
o M. esterno-hióideo; plano
o M. omo-hióideo; superficial
o M. esternotireóideo; plano
o M. tireo-hióideo. profundo
Ação conjunta: deprimem o osso hióide e a laringe durante a deglutição e a fala.

Esterno-hióideo
Inervação: Ramos da Alça Cervical (N. do Hipoglosso) com fibras de C1 à C3
Ação: Baixar o osso hióideo

Omo-hióideo
Possui dois ventres musculares (superior e inferior) unidos pelo tendão intermédio.
Inervação: Ramos da Alça Cervical (N. do Hipoglosso) com fibras de C1 à C3;
Ação: Baixar o osso hióide

Esternotireóideo
Inervação: Ramos da Alça Cervical (N. do Hipoglosso) com fibras de C1 à C3;
Ação: Baixar a cartilagem tireóide.

Tireo-hióideo
Inervação: Nervo do Hipoglosso (C1 e C2);
Ação: Baixar o osso hióide.

Mm. Pré-vertebrais
Incluem:
o M. longo da cabeça;
o M. longo do pescoço;
o M. reto anterior da cabeça;
o M. reto lateral da cabeça;
o M. esplênio da cabeça;
o M. levantador da escápula;
o M. escaleno anterior;
o M. escaleno médio;
o M. escaleno posterior.

Longo da cabeça
Inervação: C1, C2 e C3;
Ação: Flexão da cabeça.

Longo do pescoço
Inervação: Ramos de C2 à C7;
Ação: Flexão do pescoço e inclinação homolateral.

Reto anterior da cabeça


Inervação: Ramo da alça cervical entre C1 e C2;
Ação: Flexão da cabeça.

168
FELIX, Fernando Álison M. D.

Reto lateral da cabeça


Inervação: Ramo da alça cervical entre o 1º e 2º nervos cervicais;
Ação: Inclinação homolateral da cabeça.

Esplênio da cabeça
Inervação: Nervos espinhais do segmento correspondente;
Ação: Extensão, inclinação e rotação homolateral da cabeça.

Levantador da escápula
Inervação: Nervo dorsal da escápula (C5);
Ação: Elevação e adução da escápula. Inclinação e rotação homolateral da coluna
cervical e extensão da cabeça.

Escaleno anterior
Inervação: Ramos dos nervos cervicais inferiores;
Ação: Elevação da primeira costela e inclinação homolateral do pescoço [1] - Ação
inspiratória.

Escaleno médio
Inervação: Ramos dos nervos cervicais inferiores;
Ação: Elevação da primeira costela e inclinação homolateral do pescoço - Ação
inspiratória [3].

Escaleno posterior
Inervação: Ramos anteriores dos 3 últimos nervos cervicais;
Ação: Elevação da segunda costela e inclinação homolateral do pescoço - Ação
inspiratória.

TRÍGONOS DO PESCOÇO
O músculo esternocleidomastóideo (ECM) divide o lado do pescoço em dois trígonos
cervicais: anterior e lateral (ou posterior).

Trígono Posterior
Limites:
o Inferior: terço intermédio da clavícula;
o Anterior: margem posterior do ECM;
o Posterior: margem anterior do m. trapézio.
O ventre inferior do m. omo-hióideo divide o trígono posterior em dois trígonos
secundários: trígono occipital e trígono supraclavicular (ou omoclavicular ou subclávio).
Teto:
o Lâmina superficial da fáscia cervical;
o Tecido subcutâneo contendo o m. platisma;
o Pele.
Assoalho – coberto pela lâmina pré-vertebral da fáscia cervical:
o M. esplênio da cabeça;

169
Resumo de Anatomia Humana

o M. levantador da escápula;
o Mm. escalenos anterior, médio e posterior.

Figura 71: Trígonos do pescoço. (Vista lateral esquerda)

Trígono Supraclavicular
Limites:
o Anterior: margem posterior do ECM;
o Posterior: margem inferior do ventre inferior do m. omo-hióideo;
o Inferior: terço intermédio da clavícula.
Conteúdo:
o 3ª parte da a. subclávia;
o Parte da v. subclávia;
o A. supra-escapular (ramo da a. subclávia);
o Linfonodo supraclaviculares.

Trígono Occipital
Limites:
o Anterior: margem posterior do ECM;
o Posterior: margem anterior do m. trapézio;
o Inferior: margem superior do ventre inferior do omo-hióideo.
Conteúdo:
o Parte da v. jugular externa;
o Ramos posteriores do plexo cervical;
o N. acessório (NC XI);
o Troncos do plexo braquial (entre os músculos escalenos anterior e médio);

170
FELIX, Fernando Álison M. D.

o A. cervical transversa (ramo da a. carótida externa);


o Linfonodos cervicais.

Figura 72: Pescoço; camada muscular dos trígonos cervicais. (Vista lateral direita)

Trígono Anterior
Limites:
o Superior: margem inferior da mandíbula e uma linha imaginária traçada d
ângulo da mandíbula até o processo mastóide do osso temporal;
o Anterior: linha mediana anterior do pescoço;
o Posterior: margem anterior do ECM.
O m. digástrico e o ventre superior do m. omo-hióideo dividem o trígono anterior em
quatro áreas triangulares menores: trígono submandibular (ou digástrico), trígono
mentual (ou submentual ou supra-hióideo), trígono carótico e trígono muscular.
Teto: o mesmo do trígono posterior.
Assoalho:
o Mm. infra-hióideos;
o M. constritor inferior da laringe;
o M. constritor médio da faringe;
o M. milo-hióideo;
o M. hioglosso;
o M. longo do pescoço.

Trígono Mentual
Limites:
o Ápice: sínfise da mandíbula;

171
Resumo de Anatomia Humana

o Inferior: corpo do osso hióide;


o Laterais: as margens mediais dos dois ventres anteriores do m. digástrico.
Esta área, portanto, é ímpar, ao contrário do que sucede com os outros trígonos.
Conteúdo:
o Linfonodos submentuais;
o Pequenas veias que confluem para formar as vv. jugulares anteriores.

Trígono Submandibular
Limites:
o Superior: margem inferior da mandíbula;
o Anterior: ventre anterior do m. digástrico;
o Posterior: ventre posterior do m. digástrico;
Conteúdo:
o Gl. submandibular;
o A. e v. facial;
o A. submentual (ramo da a. facial);
o N. para o m. milo-hióideo;
o N. hipoglosso (NC XII);
o Linfonodos submandibulares.

Trígono Carótico
Limites:
o Posterior: margem anterior do ECM;
o Superior: ventre posterior do m. digástrico;
o Anterior: ventre superior do m. omo-hióideo.
Conteúdo:
o A. carótida comum, a qual se divide em aa. carótidas interna e externa no
nível de C4;
o V. jugular interna;
o Seio carótico (barorreceptor);
o Glomo (ou corpo) carótico (quimiorreceptor para CO2);
o N. vago (NC X);
o N. hipoglosso (NC XII);
o Ramos da a. carótida externa (aa. tireóidea superior, lingual e facial);
o Pequena parte da gl. tireóide;
o Faringe;
o Laringe.

Trígono Muscular
Limites:
o Superior: ventre superior do m. omo-hióideo;
o Anterior: linha mediana anterior do pescoço;
o Posterior: margem anterior do ECM.
Conteúdo:
o Mm. infra-hióideos;
o Gl. tireóide;
o Gll. paratireóides.

172
FELIX, Fernando Álison M. D.

VASOS SANGUÍNEOS NO PESCOÇO


Artérias
Principais:
o A. subclávia;
o A. carótida externa.
A a. carótida interna tem trajeto cervical, mas não origina ramos no pescoço.

Artéria Carótida Externa


Ramos da a. carótida externa:
o A. tireóidea superior: seu principal ramo é a a. laríngea superior.
o A. lingual;
o A. facial;
o A. occipital;
o A. auricular posterior;
o A. faríngea ascendente;
o A. temporal superficial; Ramos terminais da a.
o A. maxilar. carótida externa

Artéria Subclávia
Ramos da a. subclávia:
o A. vertebral;
o A. torácica interna;
o Tronco tireocervical a. tireóidea inferior;
a. supra-escapular;
a. cervical transversa;
o Tronco costocervical a. intercostal suprema;
a. cervical profunda;
o A. escapular descendente.

Veias
Superficiais:
o V. jugular externa;
o V. jugular anterior;
o Arco venoso jugular (une as duas vv. jugulares anteriores direita e esquerda).
Profundas:
o V. jugular interna;
o V. subclávia;
o V. facial.

NERVOS NO PESCOÇO
Nervos Superficiais – Plexo Cervical
Formado pelos ramos ventrais dos nervos C1 à C4, inerva alguns músculos do
pescoço, o diafragma e áreas da pele na cabeça, pescoço e tórax.

173
Resumo de Anatomia Humana

Emergem no trígono posterior.


Ramos cutâneos do plexo cervical:
o N. occipital menor: inerva a pele da região posterior ao pavilhão da orelha;
o N. auricular magno: seu ramo anterior inerva a pele da face sobre glândula
parótida comunicando-se com o nervo facial; o ramo posterior inerva a pele
sobre o processo mastóideo e sobre o dorso do pavilhão da orelha;
o N. cervical transverso: seus ramos ascendentes sobem para a região
submandibular formando um plexo com o ramo cervical do nervo facial
abaixo do platisma; os ramos descendentes perfuram o platisma e são
distribuídos ântero-lateralmente para a pele do pescoço, até a parte inferior
do esterno;
o Nn. supraclaviculares anterior, médio e posterior: inervam a pele da região
do ombro e peito.
Há ainda o n. frênico formado pelos ramos ventrais de C3 à C5. É um nervo misto.

Nervos Cranianos
o N. vago (NC X): fornece vários ramos, entre eles: n. laríngeo superior (com os
ramos interno e externo) e n. laríngeo recorrente;
o N. glossofaríngeo (NC IX);
o N. acessório (NC XI);
o N. hipoglosso (NC XII).

Tronco Simpático Cervical


Três gânglios:
o Cervical superior;
o Cervical médio: pode estar ausente;
o Cervical inferior (ou estrelado, quando está fundido com o primeiro gânglio
torácico).
Dos seus gânglios partem ramos comunicantes cinzentos, cujas fibras são
distribuídas para certas vísceras ou formam plexos em torno de artérias (plexos
simpáticos periarteriais).

174
FELIX, Fernando Álison M. D.

CAIXA TORÁCICA

É uma caixa osteocartilagínea que contém os principais órgãos da respiração e


circulação e cobre parte dos órgãos abdominais. O tórax é separado do abdome pelo m.
diafragma.

OSSOS DO TÓRAX
A face dorsal é formado pelas doze vértebras torácicas, e a parte dorsal das doze
costelas. A face ventral é constituída pelo esterno e cartilagens costais. As faces laterais
são compostas pelas costelas e separadas umas das outras pelos onze espaços
intercostais, ocupados pelos músculos e membranas intercostais.

Vértebras Torácicas
Doze vértebras: T1 à T12. (Melhor discutido em “Dorso” neste mesmo capítulo.)

Esterno
É um osso chato, plano e ímpar, localizado medianamente na parede anterior do
tórax. É um importante osso hematopoiético.
O esterno articula-se com as clavículas e as cartilagens das sete primeiras costelas.
Apresenta 3 partes: manúbrio, corpo e processo xifóide. A face posterior do esterno
é ligeiramente côncava.
Manúbrio: se une ao corpo no ângulo esternal por meio da sínfise manubrioesternal,
a qual serve de referência para localizar o ponto mais elevado do arco aórtico e para
marcar o local de bifurcação da traquéia.
o Incisura jugular;
o Incisuras claviculares (direita e esquerda);
o 1ª incisura costal.
Corpo: possui incisuras costais para a articulação com as cartilagens costais das
costelas II à VII.
Processo xifóide: parte mais inferior, rudimentar, que se articular com o corpo
através da sínfise xifoesternal.
o Forame do processo xifóide (inconstante).

Costelas e Cartilagens Costais


As costelas são em número de 12 pares. São ossos alongados, em forma de semi-
arcos, ligando as vértebras torácicas ao esterno.
As costelas são classificadas em:
o 7 Pares Verdadeiras (costelas I à VII): articulam-se diretamente ao esterno;
o 3 Pares Falsas (costelas VIII à X): articulam-se indiretamente com o esterno,
unindo-se suas cartilagens costais umas às outras e finalmente à 7ª
cartilagem costal;
o 2 Pares Flutuantes (costelas XI e XII): são curtas e livres. Protegem o fígado e
o estômago.

175
Resumo de Anatomia Humana

Costela I
o Cabeça da costela;
o Colo da costela;
o Tubérculo da costela;
o Sulcos da veia e artéria subclávias (na face superior);
o Tubérculo escaleno: inserção do músculo escaleno anterior;
o Sulco costal: contendo duas vv. intercostais, uma a. intercostal, um n.
intercostal;
o Junção costocondral: extremidade anterior, onde a cartilagem costal está
fixa.
Costelas II à XII
o Cabeça da costela: parte da costela que se articula com a coluna vertebral
(vértebras torácicas);
o Face articular da cabeça da costela;
o Crista da cabeça da costela: eminência na face articular da cabeça;
o Colo da costela;
o Tubérculo da costela: eminência na face posterior da junção do colo com o
corpo;
o Face articular do tubérculo da costela: articula-se com o processo transverso
da vértebra torácica;
o Ângulo costal;
o Sulco costal: contendo duas vv. intercostais, uma a. intercostal, um n.
intercostal. (OBS.: abaixo da costela XII essas estruturas se chamam
subcostal, pois não estão mais num espaço intercostal, mas apenas abaixo de
uma costela.)
o Junção costocondral: extremidade anterior, onde a cartilagem costal está
fixa.

Articulações Costovertebrais
Uma costela se articula com uma vértebra torácica em dois pontos:
o Cabeça da costela com as fóveas costais superior e inferior dos corpos de
duas vértebras adjacentes;
o Tubérculo da costela com a fóvea costal transversal do processo transverso
da vértebra correspondente.
As duas articulações são sinoviais e estão envolvidas por cápsulas articulares.
Reforços externos da cápsula articular:
o Lig. radiado;
o Ligg. costotransversais.

MÚSCULOS DO TÓRAX
Músculos da Região Costal do Tórax
As lâminas musculares no tórax fecham os espaços intercostais, daí são
denominados músculos intercostais.

176
FELIX, Fernando Álison M. D.

M. Intercostal Externo
Estendem-se do tubérculo da costela à junção costocondral, formando a camada
externa.
Fibras de direção oblíqua, inferior e anterior.
Ao nível da junção costocondral, o restante do espaço intercostal é recoberto pela
membrana intercostal externa anterior, que recobre fibras do m. intercostal interno.
Ação: elevação das costelas (auxiliando a inspiração).

M. Intercostal Interno
Estendem-se da extremidade medial do espaço intercostal até o ângulo da costela,
formando a camada média.
Fibras de direção oblíqua, inferior e posterior. Ao nível dos ângulos das costelas dão
lugar à membrana intercostal interna posterior.
Ação: depressão das costelas (auxiliando a expiração).

M. Intercostal Íntimo
Trata-se da parte mais interna do m. intercostal interno. Entre esta parte e o
restante do m. intercostal interno passam os vasos e nervo intercostal.

Mm. Subcostais
Variáveis em número, situam-se internamente nas proximidades dos ângulos das
costelas.
Cada m. subcostal se origina numa costela e se fixa na segunda ou terceira costela
subjacente.

Figura 73: Músculos do tórax. Vista interna da parede anterior.

177
Resumo de Anatomia Humana

M. Transverso do Tórax (ou esternocostal)


Origina-se internamente por cintas aponeuróticas da face posterior do processo
xifóide e corpo do esterno.

Músculos da Região Ântero-lateral do Tórax


Os quatro músculos que compõem essa região são: peitoral maior, peitoral menor,
subclávio e serrátil anterior. Estes músculos já foram descritos anteriormente no estudo
dos membros superiores por tais atuarem neles. (Veja: “Músculos Toracoapendiculares
Anteriores”).

Diafragma
O diafragma apoia as vísceras torácicas e separa as cavidades torácica e abdominal.
Disposto em cúpula de concavidade inferior.
Exerce importante função na mecânica respiratória.
A hemicúpula diafragmática direita está em nível mais elevado que a hemicúpula
diafragmática esquerda em virtude da presença do fígado.
O diafragma apresenta uma parte tendínea, o centro tendíneo, e outra carnosa,
periférica que se prende:
o Posteriormente ao processo xifóide do esterno;
o Às faces internas das seis cartilagens costais inferiores;
o Aos pilares musculares, direito e esquerdo (nas vértebras L3 e L2).
Trígono esternocostal: pequeno espaço entre as partes esternal e costal que dá
passagem aos vasos epigástricos superiores e linfáticos.
Orifícios:
o hiato aórtico: entre pilares direito e esquerdo; por ele passam a aorta, ducto
torácico e v. ázigos;
o hiato esofágico: à esquerda do hiato aórtico; por ele passam o esôfago e
nervos vagos;
o forame da v. cava: na metade direita do centro tendíneo; por ele passam a v.
cava inferior, n. frênico direito e vasos linfáticos do fígado.
Inervado pelos nervos frênicos (ramos do plexo cervical).
Contração: inspiração / Relaxamento: expiração.
Soluços são contrações espasmódicas do diafragma.
Ligg. arqueados medial e lateral: espessamentos da fáscia onde o diafragma passa
sobre o m. psoas maior e m. quadrado lombar, respectivamente. Pode-se falar ainda do
lig. arqueado mediano o qual é um espessamento da fáscia que contorna o hiato
esofágico.

NERVOS DA PAREDE TORÁCICA


Nn. Intercostais
Existem 12 pares de ramos ventrais dos nervos torácicos, os quais não constituem
plexos. Quase todos os 12 estão situados entre as costelas (nervos intercostais), com o
décimo segundo situando-se abaixo da última costela (nervo subcostal). Os nervos

178
FELIX, Fernando Álison M. D.

intercostais são distribuídos para as paredes do tórax e do abdome. Os ramos


comunicantes unem os nervos intercostais posteriormente, nos espaços intercostais.
Os nervos intercostais correm pela face interna, junto à borda inferior da costela
correspondente, ocupando o sulco costal, paralelamente e abaixo da veia e artéria
intercostais.
As fibras sensitivas dispersam-se pela região lateral e anterior do tórax,
denominando-se, respectivamente, ramo cutâneo lateral e ramo cutâneo anterior.
Do 7º ao 12º ramos torácicos, anteriormente, abandonam as costelas para invadir o
abdome, inervando assim, os músculos e a cútis até um plano que medeie o umbigo e
sínfise púbica.

Figura 74: Nervo espinal torácico típico.

Nn. Frênicos
Inervam o m. diafragma.
Trajeto: Originam-se dos ramos ventrais dos nervos C3, C4 e C5; no pescoço eles são
anteriores ao m. escaleno anterior e penetram no tórax pela abertura superior do tórax;
descem entre o pericárdio e a pleura mediastinal, passando sobre (anteriormente) às
raízes dos pulmões, direito e esquerdo; ramificam-se sobre o diafragma para inervá-lo.

Nn. Vagos (NC X)


Inervam as vísceras torácicas e abdominais, além da faringe e laringe.

179
Resumo de Anatomia Humana

O n. vago direito passa anteriormente à a. subclávia direita e posteriormente à v.


cava superior; depois posteriormente à raiz do pulmão direito.
O n. vago esquerdo passa entre as aa. carótida comum e subclávia esquerdas,
posteriormente à v. braquiocefálica esquerda; depois cruza o arco aórtico e passa
posteriormente à raiz do pulmão esquerdo; ao nível do arco aórtico emite o n. laríngeo
recorrente esquerdo.
Os nervos vagos passuem fibras parassimpáticas e sensitivas e foram plexos
cardíaco, esofágico e pulmonar.

ARTÉRIAS DA PAREDE TORÁCICA


A parede torácica é suprida pelas aa. torácica interna e intercostal suprema (ambas
ramos da a. subclávia) e pelas aa. intercostais posteriores e subcostais (ramos da aorta).

Artéria Torácica Interna


Origina-se da primeira porção da a. subclávia e com trajeto descendente atravessa a
abertura superior do tórax e segue posteriormente às cartilagens costais (situando-se 1
a 2 cm lateralmente ao esterno), e termina no sexto espaço intercostal dividindo-se nos
seus dois ramos terminais, as aa. epigástrica superior e musculofrênica.
Durante seu trajeto descendente, a a. torácica interna emite ramos nos espaços
intercostais: são as aa. intercostais anteriores, que se anastomosam com as aa.
intercostais posteriores.

Artéria Intercostal Suprema


Nasce na a. subclávia e emite as duas primeiras aa. intercostais posteriores.

Artérias Intercostais Posteriores


Exceto as duas primeiras, as outras nove nascem diretamente da porção
descendente da aorta torácica.
As aa. intercostais posteriores direitas são mais longas que as esquerdas e cruzam
anteriormente a coluna vertebral.
No extremo anterior do espaço intercostal elas se anastomosam com as intercostais
anteriores (ou com a musculofrênica).

Artéria Subcostal
São duas, uma de cada lado; originam-se da aorta descendente e acompanham o n.
subcostal.
Na verdade, esta seria a última a. intercostal posterior, mas por não estar num
espaço intercostal, foi denominada subcostal (pois está sob a última costela). A mesma
regra vale para o n. subcostal.

PS.: As aa. frênicas inferiores (ramos da aorta abdominal) e musculofrênicas irrigam


o m. diafragma.

180
FELIX, Fernando Álison M. D.

VEIAS DA PAREDE TORÁCICA


o Vv. superificais;
o Vv. torácicas internas: desembocam na v. braquicefálica;
o Vv. intercostais posteriores: desembocam no sistema ázigos;
o Vv. subcostais: unem-se às lombares ascendentes para formar a v. ázigo, no
lado direito, e a v. hemiázigo, no lado esquerdo.

Sistema Ázigo
As veias do sistema de ázigo recolhem a maior parte do sangue venoso das paredes
do tórax e abdome. Do abdome o sangue venoso sobe pelas veias lombares
ascendentes; do tórax é recolhido principalmente por todas as veias intercostais
posteriores.
O sistema de ázigo forma um verdadeiro "H" por diante dos corpos vertebrais da
porção torácica da coluna vertebral. O ramo vertical direito do "H" é chamado veia
ázigos. O ramo vertical esquerdo é subdividido pelo ramo horizontal em dois segmentos,
um superior e outro inferior. O segmento inferior do ramo vertical esquerdo é
constituído pela veia hemiázigos, enquanto o segmento superior desse ramo recebe o
nome de hemiázigo acessória. O ramo horizontal é anastomótico, ligando os dois
segmentos do ramo esquerdo com o ramo vertical direito.
Constituição:
o V. ázigo: formada pela v. subcostal direita mais a v. lombar ascendente
direita. Acima da raiz do pulmão direito, a v. ázigo descreve um arco e
desemboca na v. cava superior (VCS);
o V. hemiázigo: formada pela v. subcostal esquerda mais a v. lombar
ascendente esquerda. Drena para a v. ázigo;
o V. hemiázigo acessória: drena para v. ázigo.

181
Resumo de Anatomia Humana

PAREDE ABDOMINAL

A maior parte da parede abdominal está disposta em camadas, que são as seguintes,
da superfície para a profundidade:
o Pele;
o Tela subcutânea: camada adiposa + camada membranácea;
o Músculos e seus revestimentos fasciais;
o Tecido extraperitoneal: tecido conjuntivo frouxo interposto entre o peritônio
e o revestimento fascial dos músculos;
o Peritônio.

REGIÕES DA PAREDE ABDOMINAL


A parede ântero-lateral do abdome é, habitualmente, dividida em nove regiões por
duas linhas verticais e duas linhas horizontais. Existem diversas maneiras de posicionar
as linhas de delimitação das regiões abdominais. Uma das maneiras mais utilizada na
prática médica é aquela em que as duas linhas verticais são as linhas hemiclaviculares,
que vão do ponto médio da clavícula ao ponto médio do ligamento inguinal. A mais
superior das linhas horizontais é plano subcostal, traçado tangenciando o ponto mais
inferior da borda costal. A mais inferior das linhas horizontais é o plano transtubercular,
que tangencia os tubérculos das cristas ilíacas. Nesta divisão as nove regiões da parede
do abdome são, no sentido vertical e da direita para esquerda:
o Hipocôndrio direito;
o Lombar direita (ou flanco direito);
o Inguinal direita (ou fossa ilíaca direita);
o Epigástrica;
o Umbilical;
o Hipogástrica;
o Hipocôndrio esquerdo;
o Lombar esquerda (ou flanco esquerdo);
o Inguinal esquerda (fossa ilíaca esquerda).
Neste tipo de divisão os limites da região inguinal não correspondem à realidade.
Uma modificação pode ser introduzida ampliano a área da região inguinal.
Outro modo mais simples de dividir a cavidade abdominopélvica é em quatro
quadrantes. Esse método é frequentemente utilizado para localizar uma dor ou
descrever a localização de um tumor. Os planos sagital mediano e transversal passam
através do umbigo e dividem a região abdominopélvica nos quatro quadrantes
seguintes:
o Quadrante superior direito;
o Quadrante superior esquerdo;
o Quadrante inferior direito;
o Quadrante inferior esquerdo.
Existem dificuldades em estabelecer a projeção das vísceras abdominais nas regiões
da parede ântero-lateral. Apesar disto, a divisão da parede do abdome em regiões é útil

182
FELIX, Fernando Álison M. D.

para o registro dos sinais e sintomas dos pacientes, para a anotação dos resultados
colhidos no exame físico destes pacientes e para auxiliar o direcionamento do raciocínio
clínico.

PAREDE ÂNTERO-LATERAL DO ABDOME


A pele da parede ântero-lateral do abdome é delgada, flexível e móvel. Glabra na
sua maior parte apresenta, na região do púbis, uma distribuição pilosa típica.
No terço médio da sua linha mediana está a cicatriz umbilical ou umbigo. Este,
durante a vida embrionária dá passagem ao cordão umbilical, que conecta a placenta ao
feto. Após o nascimento e com a ligadura do cordão, a cicatrização umbilical ocorre em
cerca de cinco a seis dias, o que resulta na formação de uma depressão em forma de
cúpula circunscrita por um anel cutâneo, que é o umbigo definitivo. O fundo da cúpula
está em contato quase direto com o peritônio parietal, constituindo um ponto
potencialmente fraco da parede abdominal.
A tela subcutânea apresenta-se com duas camadas, uma superficial e adiposa, outra
profunda e membranácea, as fáscias de Camper e de Scarpa, respectivamente. A
camada adiposa superificial (ou de Camper) é de espessura muito variável, na
dependência do estado nutricional do indivíduo. Na camada membranácea profunda (ou
de Scarpa) correm os principais vasos e nervos superficiais.
A proteção para os órgãos situados na cavidade abdominal depende, principalmente,
de sua musculatura ântero-lateral que, além desta função, colabora com os músculos do
dorso nos movimentos do tronco, na manutenção da posição ereta e ainda estabiliza a
pelve quando, em decúbito dorsal ou ventral, se movem os membros inferiores.
A musculatura ântero-lateral se apresenta em três grupos:
o Laterais:
 M. oblíquo externo;
 M. oblíquo interno;
 M. transverso do abdome;
o Anteriores:
 M. reto abdominal;
 M. piramidal (inconstante);
o Posteriores:
 M. psoas maior;
 M. quadrado lombar.
O m. reto do abdome é um músculo poligástrico, isto é, apresenta diversos ventres
musculares, separados por intersecções tendíneas. Estas, em número de três ou quatro,
situam-se, geralmente, acima da cicatriz umbilical.
Os três músculos laterais são contínuos anterior e medialmente como aponeuroses
fortes, que formam a bainha do m. reto, que circunda o m. reto abdominal. As
aponeuroses então se entrelaçam com as companheiras do lado oposto, formando uma
rafe mediana, a linha alba.
Entretanto, a constituição da bainha do reto varia de acordo com o nível considerado
na parede do abdome. Assim, superiormente ao umbigo a aponeurose do oblíquo
interno divide-se em dois folhetos: um anterior e o outro posterior. O folheto anterior
funde-se com a aponeurose do oblíquo externo e passa anteriormente ao reto do

183
Resumo de Anatomia Humana

abdome constituindo a lâmina anterior da bainha do reto do abdome. Já o folheto


posterior funde-se com a aponeurose do transverso do abdome e envolve o m. reto
posteriormente, constituindo a lâmina posterior da bainha do reto do abdome. (Figura
75)

Figura 75: Diagrama de uma secção transversal pela parede abdominal anterior, mostrando a bainha do reto num
nível superior ao umbigo. (Nomenclatura latina)

Inferiormente à cicatriz umbilical as aponeuroses dos três músculos da parede


ântero-lateral do abdome continuam se fundindo na margem lateral do reto, só que a
aponeurose do m. oblíquo interno não se divide mais e todas as três aponeuroses
passam anteriormente ao m. reto, constituindo a lâmina anterior da sua bainha. A
lâmina posterior da bainha fica então reduzida a uma membrana fibrosa, a fáscia
transversal, que é a parte da fáscia endoabdominal a revestir a face profunda do
músculo transverso do abdome. A região em que as três aponeuroses passam a
constituir a lâmina anterior da bainha do reto é marcada por uma linha curva, a linha
arqueada (ou arco de Douglas), nem sempre nítida, pois esta transição, comumente
abrupta, pode ser gradual. (Figura 76)

Figura 76: Diagrama de uma secção transversal pela parede abdominal anterior, mostrando a bainha do reto num
nível inferior ao umbigo. (Nomenclatura latina)

As ações combinadas destes músculos podem produzir considerável aumento na


pressão endoabdominal. Os músculos são, pois, importantes na respiração, na
defecação, na micção, no parto e no vômito.
Sobre o tronco estes músculos agem na flexão, rotação e flexão lateral. O reto do
abdome é o principal flexor do tronco, auxiliado pelos oblíquos externo e interno
quando estes se contraem juntos. O reto é particularmente importante na flexão do
tronco contra resistência, como ocorre no decúbito dorsal. A bainha do reto

184
FELIX, Fernando Álison M. D.

desempenha função semelhante à dos retináculos encontrados nos membros. Os mm.


oblíquos do abdome atuam com os músculos do dorso para produzir rotação do tronco.
Como a direção dos feixes de um oblíquo externo é continuada pelos feixes do oblíquo
interno oposto, a rotação do tronco para o lado de um oblíquo externo é auxiliada pelo
oblíquo interno oposto. Os dois oblíquos e o transverso de um lado, auxiliados pelo reto
abdominal ipsilateral, atuam com os músculos do dorso para realizar a flexão do tronco
para aquele lado.
A fáscia endoabdominal é uma lâmina conjuntiva, situada entre o plano muscular e
o tecido extraperitoneal. Conforme a região abdominal que se situa recebe nomes
diferentes, relacionados com os músculos mais próximos.
O tecido extraperitoneal é uma camada de tecido frouxo, infiltrado de tecido
adiposo, em especial posteriormente, interposto entre a fáscia endo-abdominal e o
peritônio parietal. Os principais vasos e nervos correm na espessura do tecido
extraperitoneal. A porção posterior do tecido extraperitoneal é mais ampla e contém
muitos órgãos importantes, como os rins, as glândulas supra-renais, a parte
extraperitoneal do tubo digestivo, a aorta e a v. cava inferior.

REGIÃO INGUINAL
Canal Inguinal
É uma passagem oblíqua de 3 a 5 cm de comprimento através da parte inferior da
parede abdominal. Situa-se paralelo e superior ao ligamento inguinal.
Nos homens encontra-se ocupado pelo funículo espermático e nas mulheres pelo
ligamento redondo do útero e vasos que o acompanham. Ele contém o nervo
ilioinguinal.
A foice inguinal é a porção terminal do tendão comum do m. oblíquo interno e
transverso, presente em aproximadamente 15% da população. Insere-se no púbis
através da linha pectínea e da crista púbica (Figura 77).
Aparentemente, a foice inguinal é uma curvatura do m. transverso do abdome sobre
o lig. inguinal formando o espaço que constitui o canal inguinal. A parte tendínea que
limita esse espaço é o tendão conjunto, um ponto de reparo nas cirurgias de correção de
hérnias inguinais.
O ânulo inguinal profundo (anel inguinal interno) é um orifício em forma de fenda na
fáscia transversal; o ânulo inguinal superficial (anel inguinal externo) é uma abertura
triangular de tamanho variável na aponeurose do m. oblíquo externo, constituída de um
pilar lateral e um pilar medial.
A parede anterior do canal inguinal está formada pela aponeurose do oblíquo
externo e, lateralmente, pelas fibras musculares do oblíquo interno. A parede posterior
está formada pela aponeurose do m. transverso e fáscia transversal, sendo comumente
mais aponeurótica em sua parte medial e mais fascial próxima ao ânulo profundo.
Acima, o canal está limitado pelas fibras arqueadas dos mm. oblíquo interno e
transverso abdominal. O assoalho está formado pelo ligamento inguinal e ligamento
lacunar. A parede posterior do canal inguinal é formada pelo tendão conjunto e pela
fáscia transversal.

185
Resumo de Anatomia Humana

Figura 77: Região inguinal.

Trígono Inguinal (de Hasselbach)


Descrito por Hasselbach, em 1814, é uma região triangular localizada na superfície
interna da parede anterior do abdome. Limitada inferiormente pelo ligamento inguinal,
lateralmente pela borda lateral do m. reto do abdome e medialmente pelos vasos
epigástricos inferiores. Essa é a região de maior fraqueza da fáscia transversal e por isso
vulnerável à formação de hérnias.

Figura 78: Trígono Inguinal (de Hasselbach). (Nomenclatura inglesa)

186
FELIX, Fernando Álison M. D.

PREGAS UMBILICAIS E FOSSAS VESICAIS


O peritônio parietal anterior (na parede anterior do abdome) inferiormente à cicatriz
umbilical apresenta a prega umbilical mediana, impar e as pregas umbilicais mediais e
laterais, pares. Todas elas são produzidas pela presença de estruturas no tecido
extraperitoneal:
o ligamento umbilical mediano, resultante do úraco (estrutura embrionária que
vai da bexiga ao umbigo) fibrosado, produz a prega umbilical mediana;
o as aa. umbilicais obliteradas produzem as pregas umbilicais mediais, uma de
cada lado;
o as aa. epigástricas inferiores produzem as pregas umbilicais laterais, uma de
cada lado.
Enquanto as pregas umbilicais mediana e mediais chegam ao umbigo, as laterais não
o fazem.
Entre a prega umbilical mediana e as pregas umbilicais mediais situa-se a fossa
supravesical; entre as mediais e laterais fica a fossa inguinal medial e lateralmente à
prega umbilical lateral fica a fossa umbilical lateral.

Figura 79: Esquema das pregas umbulicais e fossas inguinais.

NERVOS DA PAREDE ABDOMINAL


A inervação é feita pelos 7º ao 12º nervos intercostais que ganham o abdome
através do plano entre o m. oblíquo interno e transverso. E também pelos nervos
ilioinguinal, ílio-hipogástrico e ramo genital do nervo genitofemoral, sendo estes
encontrados na região inguinal.

187
Resumo de Anatomia Humana

VASCULARIZAÇÃO DA PAREDE ABDOMINAL


Irrigação Arterial
A parede abdominal é vascularizada pelas seis últimas artérias intercostais, quatro
artérias lombares, artérias epigástricas superiores e inferiores, e artérias circunflexas
ilíacas profundas.
A a. epigástrica superior é uma continuação direta da a. torácica interna. Corre entre
o m. reto do abdome e a lâmina posterior de sua bainha. Anastomosa-se com a a.
epigástrica inferior na região umbilical.
A a. epigástrica inferior origina-se da a. ilíaca externa, segue medial e superiormente
em direção ao m. reto do abdome, perfura a fáscia transversal e entra na bainha do reto
abaixo da linha arqueada. Anastomosa-se com a a. epigástrica superior.

Drenagem Venosa
A drenagem venosa é feita acima da cicatriz umbilical pelas veias mamarias internas
e epigástricas superiores que drenam indiretamente para veia cava superior. Abaixo da
cicatriz umbilical pelas veias epigástricas superficiais e e pudenda que drenam para a
safena e pela veia epigástrica inferior que drena para a veia ilíaca externa.

CORRELAÇÃO CLÍNICA: HÉRNIAS INGUINAIS


O canal inguinal é uma área potencialmente fraca nos homens e as hérnias
inguinais são comuns.
O canal inguinal feminino tende a ser mais estreito que o masculino, e as hérnias
menos frequentes. A principal proteção do canal inguinal é muscular. Os músculos
aumentam a pressão intra abdominal e tendem a forçar o conteúdo abdominal para o
interior do canal, ao mesmo tempo que tendem a estreitar o canal e fechar os seus
anéis.
Existem dois tipos principais de hérnias inguinais: direta e indiretas.

Hérnia Inguinal Direta (adquirida)


Causada por uma fraqueza da parede anterior do abdome. É menos comum que a
indireta (cerca de 30%). O intestino empurra o peritônio e a fáscia transversal no trígono
inguinal para entrar no canal inguinal, externamente ao processo vaginal, e sair através
do anel inguinal superficial, lateralmente ao funículo espermático; raramente entra no
escroto.

Hérnia Inguinal Indireta (congênita)


Causada por uma permeabiliade do processo vaginal. É a mais comum dentre as
hérnias inguinais (cerca de 70%). O intestino herniado entra no anel inguinal profundo
arrastando consigo o peritônio do processo vaginal persistente e os três revestimentos
fasciais do funículo espermático ou lig. redondo, atravessando todo o canal inguinal,
dentro do processo vaginal, e saindo através do anel inguinal superficial; comumente
entra no escroto ou lábio maior.

188
FELIX, Fernando Álison M. D.

DORSO

O dorso compreende a face posterior do tronco, inferior ao pescoço e superior às


nádegas. É a região do corpo na qual estão fixados a cabeça, o pescoço e os membros. O
dorso inclui: pele e tecido subcutâneo; músculos; coluna vertebral; costelas (tórax);
medula espinal e meninges; vários nervos e vasos sanguíneos.

OSSOS DO DORSO – A COLUNA VERTEBRAL


A coluna vertebral, também chamada de espinha dorsal, estende-se do crânio até a
pelve. Ela é responsável por dois quintos do peso corporal total e é composta por tecido
conjuntivo e por uma série de ossos, chamados vértebras, as quais estão sobrepostas
em forma de uma coluna, daí o termo coluna vertebral. A coluna vertebral é constituída
por 24 vértebras + sacro + cóccix e constitui, junto com a cabeça, esterno e costelas, o
esqueleto axial.
A coluna vertebral é o eixo ósseo do corpo, situada no dorso, na linha mediana,
capaz de sustentar, amortecer e transmitir o peso corporal. Além disto, supre a
flexibilidade necessária à movimentação, protege a medula espinhal e forma com as
costelas e o esterno o tórax ósseo, que funciona como um fole para os movimentos
respiratórios.

Figura 80: Coluna vertebral.

189
Resumo de Anatomia Humana

Superiormente, se articula com o osso occipital (crânio); inferiormente, articula-se


com o osso do quadril (ilíaco).
A coluna vertebral é dividida em quatro regiões: cervical, torácica, lombar e sacro-
coccígea.
São 7 vértebras cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e cerca de 4 coccígeas.

Curvaturas da Coluna Vertebral


No embrião, a coluna vertebral tem a forma de “C” com concavidade anterior e com
o desenvolvimento a curvatura muda progressivamente.
À medida que o recém-nascido adquire controle sobre seu corpo a forma da coluna
progressivamente se altera. Nas regiões torácica e sacral, a curvatura original
permanece, ou seja, com concavidade anterior e nas regiões cervical e lombar a
curvatura primitiva desaparece e, gradualmente, aparecem as curvaturas em sentido
oposto.
Assim, numa vista lateral, a coluna apresenta várias curvaturas consideradas
fisiológicas.
São elas: lordose cervical (convexa ventralmente), cifose torácica (côncava
ventralmente), lordose lombar (convexa ventralmente) e cifose pélvica (côncava
ventralmente). Quando uma destas curvaturas está aumentada, chamamos de
hipercifose (região dorsal e pélvica) ou hiperlordose (região cervical e lombar).
Numa vista anterior ou posterior, a coluna vertebral não apresenta nenhuma
curvatura. Quando ocorre alguma curvatura neste plano chamamos de escoliose.

Canal Vertebral
O canal vertebral segue as diferentes curvas da coluna vertebral. É grande e
triangular nas regiões onde a coluna possui maior mobilidade (cervical e lombar) e é
pequeno e redondo na região que não possui muita mobilidade (torácica).
O canal vertebral é formado pela junção das vértebras e serve para dar proteção à
medula espinal. Além do canal vertebral, a medula também é protegida pelas menínges,
pelo líquor e pela barreira hematoencefálica.

Funções da Coluna Vertebral


o Protege a medula espinhal e os nervos espinhais;
o Suporta o peso do corpo;
o Fornece um eixo parcialmente rígido e flexível para o corpo e um pivô para a
cabeça;
o Exerce um papel importante na postura e locomoção;
o Serve de ponto de fixação para as costelas, a cintura pélvica e os músculos do
dorso;
o Proporciona flexibilidade para o corpo, podendo fletir-se para frente, para
trás e para os lados e ainda girar sobre seu eixo maior.

Estrutura das Vértebras


As vértebras podem ser estudadas sobre três aspectos: características gerais,
regionais e individuais. Na coluna vertebral encontramos também o sacro e
inferiormente ao mesmo, localiza-se o cóccix.

190
FELIX, Fernando Álison M. D.

Características Gerais
São encontradas em quase todas as vértebras (com excessão da 1ª e da 2ª vértebras
cervicais) e servem como meio de diferenciação destas com os demais ossos do
esqueleto. Todas as vértebras apresentam 7 elementos básicos:
1. Corpo: É a maior parte da vértebra. É único e mediano e está voltado para frente é
representado por um segmento cilindro, apresentando uma face superior e outra
inferior.
2. Processo Espinhoso: É a parte do arco ósseo que se situa medialmente e
posteriormente.
3. Processo Transverso: São 2 prolongamento laterais, direito e esquerdo, que se
projetam transversalmente de cada lado do ponto de união do pedículo com a lâmina.
4. Processos Articulares: São em número de quatro, dois superiores e dois inferiores.
São saliências que se destinam à articulação das vértebras entre si.
5. Lâminas: São duas lâminas, uma direita e outra esquerda, que ligam o processo
espinhoso ao processo transverso.
6. Pedículos: São partes mais estreitadas, que ligam o processo transverso ao corpo
vertebral.
7. Forame Vertebral: Situado posteriormente ao corpo e limitado lateral e
posteriormente pelo arco ósseo.

Características Regionais
Permitem a diferenciação das vértebras pertencentes a cada região.
Vários são os elementos de diferenciação, mas será suficiente observar os processos
transversos:
Vértebras Cervicais: Possuem um corpo pequeno exceto a primeira e a segunda
vértebra. Em geral apresentam processo espinhal bífido e horizontalizado e seus
processo transversos possuem forames transversos (passagem de artérias e veias
vertebrais).
Vértebra Torácica: O processo espinhoso não é bifurcado e se apresenta
descendente e pontiagudo. As vértebras torácicas se articulam com as costelas, sendo
que as superfícies articulares dessas vértebras são chamadas fóveas e hemi-fóveas. As
fóveas podem estar localizadas no corpo vertebral, pedículo ou nos processos
transversos.
Vértebra Lombar: Os corpos vertebrais são maiores. O processo espinhal não é
bifurcado, além de estar disposto em posição horizontal. Apresenta o forame vertebral
em forma triangular e processos mamilares. Apresenta um processo transverso bem
desenvolvido chamado apêndice costiforme. Pode ser diferenciado também por não
apresentar forame no processo transverso e nem a fóvea costal.

Características Individuais
Atlas (1ª vértebra cervical – C1): A principal diferenciação desta para as outras
vértebras é de não possuir corpo. Além disso, esta vértebra apresenta outras estruturas:
o Arco Anterior - forma cerca de 1/5 do anel.
o Tubérculo Anterior.
o Fóvea Dental - articula-se com o Dente do áxis (processo odontóide)
o Arco Posterior - forma cerca de 2/5 do anel.
o Tubérculo Posterior.

191
Resumo de Anatomia Humana

o Massas Laterais - partes mais volumosas e sólidas do atlas e suportam o peso


da cabeça.
o Face Articular Superior - articula-se com os condilos do occipital.
o Face Articular Inferior - articula-se com os processos articulares superiores da
2ª vértebra cervical (Áxis).
o Processos Transversos - encontram-se os forames transversos.
Áxis (2ª vértebra cervical – C2): Apresenta um processo ósseo forte denominado
dente que localiza-se superiormente e articula-se com o arco anterior do atlas.
7ª vértebra cervical (C7): Processo espinhoso longo e proeminente (não é bífido).

Sacro
O sacro tem a forma de uma pirâmide quadrangular com a base voltada para cima e
o ápice para baixo. Articula-se superiormente com L5 e inferiormente com o cóccix.
O sacro é a fusão de cinco vértebras sacrais e apresenta 4 faces: duas laterais, uma
anterior e uma posterior.
Faces Laterais: o principal acidente das faces laterais são as faces auriculares que
servem de ponto de articulação com o osso do quadril (Ilíaco).
Face Anterior (Ilíaca): é côncava e apresenta quatro cristas transversais, que
correspondem aos discos intervertebrais. Possui quatro forames sacrais anteriores.
Face Posterior (Dorsal): é convexa e apresenta os seguintes acidentes ósseos:
o Crista sacral mediana - apresenta três ou quatro processos espinhosos.
o Crista sacral lateral - formada por tubérculos que representam os processos
transversos das vértebras sacrais.
o Crista sacral intermédia - tubérculos produzidos pela fusão dos processos
articulares.
o Forames sacrais posteriores - lateralmente à crista intermédia.
o Hiato sacral - abertura ampla formada pela separação das lâminas da quinta
vértebra sacral com a linha mediana posterior.
o Cornos sacrais - tubérculos que representam processos articulares posterior
da quinta vértebra sacral.
Base
o Promontório;
o Asas sacrais;
o Processos articulares superiores direito e esquerdo - articulam-se com a
quinta vértebra lombar.
o Canal sacral - canal vertebral do sacro.
Ápice: articula-se com o cóccix.

Cóccix
Fusão de 3 a 5 vértebras, apresenta a base voltada para cima e o ápice para baixo. O
cóccix apresenta algumas estruturas:
o Cornos coccígeos;
o Processos transversos rudimentares;
o Processos articulares rudimentares;
o Corpos.

192
FELIX, Fernando Álison M. D.

ARTICULAÇÕES DA COLUNA VERTEBRAL


Articulações entre os Corpos Vertebrais
Os corpos das vértebras unem-se por discos intervertebrais e ligamentos
longitudinais anterior e posterior.

Disco Intervertebral
Entre os corpos de duas vértebras adjacentes desde a segunda vértebra cervical até
o sacro, existem discos intervertebrais.
Constituído por um disco fibroso periférico composto por tecido fibrocartilaginoso,
chamado anel fibroso; e uma substância interna, elástica e macia, chamada núcleo
pulposo. Os discos formam fortes articulações, permitem vários movimentos da coluna
vertebral e absorvem os impactos.
Os discos intervertebrais, principais meios de união dos corpos das vértebras, estão
presentes desde a superfície inferior do corpo do áxis até a junção lombossacral.
Nas regiões torácica e lombar, os discos são numerados e denominados de acordo
com a vértebra sob a qual se encontram, por exemplo, o disco L3 é aquele que une as
vértebras L3 e L4. Na região cervical, este critério não é usado para a identificação do
disco intervertebral, pois o primeiro disco cervical une os corpos das vértebras C2 (áxis)
e C3.
Os discos inserem, acima e abaixo, nas delgadas camadas de cartilagem hialina
(placas cartilaginosas) que revestem o osso esponjoso das superfícies superior e inferior
dos corpos das vértebras e nas suas bordas superior e inferior de osso compacto.
Os discos intervertebrais são responsáveis por 25% do comprimento da coluna pré-
sacral que, aproximadamente, mede 70 cm no homem e 60 cm na mulher.

Ligamentos Longitudinais Anterior e Posterior


O ligamento longitudinal anterior é uma faixa larga e espessa de tecido conjuntivo
denso que une as faces anteriores dos corpos das vértebras e dos discos intervertebrais,
amarrando-os, desde o arco anterior do atlas até a face pélvica do sacro. Atua
reforçando o contorno anterior dos discos intervertebrais, durante o levantamento de
objetos pesados e limitando a extensão da coluna, fato que é particularmente
importante na região lombar, onde o peso do corpo tende a acentuar a curvatura
normal da região.
O ligamento longitudinal posterior é uma faixa de tecido conjuntivo denso que une
as faces posteriores dos corpos de todas vértebras e discos pré-sacrais e portanto está
localizado na parede anterior do canal vertebral e termina na face superior do canal
sacral. Ele é largo e espesso na região cervical e, gradualmente, torna-se estreito e
delgado nas regiões torácica e lombar. Nestas regiões estreita-se ao nível dos corpos das
vértebras; fixando-se em suas bordas superior e inferior, mas na porção média do corpo
une-se ao mesmo por tecido conjuntivo frouxo. Ao nível dos discos, o ligamento
expande-se bilateralmente e insere-se nos mesmos, sendo esta a parte mais fraca do
ligamento e de pouco valor para a proteção dos discos lombares. Atua limitando o
movimento de flexão da coluna.

193
Resumo de Anatomia Humana

Figura 81: Coluna vertebral e ligamentos.

Articulações entre os Arcos Vertebrais


Articulações zigoapofisárias
Os arcos vertebrais adjacentes unem-se através de articulações sinoviais, entre as
facetas das zigoapófises (ou processos articulares) denominadas articulações
zigoapofisárias e por articulações fibrosas que unem as lâminas, os processos espinhosos
e transversos adjacentes.
A forma e o plano de orientação das facetas das zigoapófises é que determinam os
tipos de movimentos entre duas vértebras.
As articulações zigoapofisárias possuem cápsulas articulares delgadas e
suficientemente frouxas para permitir uma amplitude de movimento normal nas
articulações. As cápsulas, geralmente, não contribuem para orientar ou limitar
movimentos; esta função é realizada pelos ligamentos longitudinais anterior ou
posterior, pelos ligamentos que unem as diversas partes de arcos vertebrais adjacentes,
pelos músculos e discos intervertebrais. No entanto, as cápsulas tornam-se muito tensas
em um movimento excessivo ou anormal e contribuem para limitá-lo; sendo que na
flexão máxima da coluna lombar, suportam aproximadamente 40% do peso corporal.

Articulações fibrosas
As lâminas de vértebras adjacentes são unidas internamente por fortes ligamentos
elásticos denominados ligamentos amarelos (ou flavos), que realmente são amarelos “in
vivo”, devido a sua riqueza em fibras elásticas. Os ligamentos flavos ficam tensos em
qualquer posição assumida pela coluna vertebral, sendo importante em sua
estabilização.

194
FELIX, Fernando Álison M. D.

São mais bem visualizados do interior do canal vertebral, pois estão localizados na
parede posterior do mesmo. Estendem-se lateralmente sobre as cápsulas articulares,
constituindo o limite posterior do forame intervertebral e assim protegem os nervos de
serem pinçados (ou beliscados) durante os movimentos de flexão da coluna.
As pontas dos processos espinhosos, desde a C7 até o sacro são unidas pelo
ligamento supra-espinal – tecido conjuntivo denso encorpado com orientação
longitudinal – que limita a flexão da coluna. Ele se continua superiormente como o
ligamento nucal, de formato triangular, com a base fixada na protuberância e crista
occipitais externas e o ápice na ponta do processo espinhoso de C7.
Os ligamentos interespinais são delgadas membranas de tecido conjuntivo denso
que unem os corpos dos processos espinhosos adjacentes e são contínuos com os
ligamentos amarelos e supraespinhais. Os ligamentos interespinhais são bem
desenvolvidos na região lombar, não estão sob tensão e, portanto, não limitam o
movimento de flexão.
Os ligamentos intertransversais unem lateralmente os processos transversos
vizinhos e são mais desenvolvidos na região lombar inferior e tendem a faltar,
principalmente, na região cervical.

Articulações Atlanto-Axiais
As facetas superiores dos processos articulares do áxis e as inferiores das massas
laterais do atlas formam articulações planas. O arco anterior do atlas e o ligamento
transverso do atlas formam com o dente do áxis uma articulação cilindróide. As três
articulações funcionam como uma unidade e permitem a rotação da cabeça.
Fascículos longitudinais superiores e inferiores com orientação vertical, mas muito
mais fracos, seguem do ligamento transverso até o osso occipital superiormente e até o
corpo de C2 inferiormente. Juntos, o ligamento transverso e os fascículos longitudinais
formam o ligamento cruciforme, assim denominado devido à sua semelhança com uma
cruz.
Os ligamentos alares estendem-se das laterais do dente até as margens laterais do
forame magno, fixando o crânio à vértebra C1 e evitando a rotação excessiva nas
articulações.

Articulações Atlanto-Occipitais
Ocorrem entre os côndilos occipitais e as faces superiores das massas laterais do
atlas. As duas articulações funcionam como uma unidade, elipsóide e biaxial, permitindo
assim os movimentos de flexão, extensão e flexão lateral da cabeça.
Possuem cápsulas articulares finas e frouxas e estão unidas também por membranas
atlantoccipitais anterior e posterior, que se estendem dos arcos anterior e posterior de
C1 até as margens anterior e posterior do forame magno.

Articulações Costovertebrais
A maioria das costelas se articula com a coluna vertebral em dois pontos: a
articulação costovertebral, entre a cabeça da costela e as fóveas costais superior e
inferior dos corpos de duas vértebras adjacentes e a articulação costotransversal, entre
o tubérculo da costela e a fóvea costal transversal do processo transverso da vértebra
correspondente.

195
Resumo de Anatomia Humana

Na articulação costovertebral, sinovial, envolvida pela cápsula articular, a cavidade


articular é dividida em duas, superior e inferior, pela presença de um ligamento intra-
articular, curto, situado horizontalmente, que vai da cabeça da costela para o disco
intervertebral. A cápsula articular está reforçada anteriormente, pelo ligamento radiado.
A articulação costotransversal, também sinovial, é revestida por uma cápsula
articular que é espessa, inferiormente, mas delgada nas outras porções. Os ligamentos
costotransversais próprio, lateral e superior reforçam a articulação.

Articulações Lombossacrais
As vértebras L5 e S1 articulam-se na sínfise intervertebral e nas duas articulações dos
processos articulares. Essas articulações são fortalecidas pot ligamentos iliolombares
que se irradiam dos processos transversos de L5 até os ílios.

Articulações Sacroilíacas
São articulações sinoviais simples do tipo plano e, portanto, capazes de movimentos
em várias direções, mas de amplitude muito limitada. São formadas pelas faces
auriculares do íleo e do sacro. A cavidade articular constitui apenas uma parte da
articulação entre o sacro e o íleo. Uma grande área, póstero-superior a face auricular do
íleo, entre a tuberosidade ilíaca e o sacro está ocupada pelo forte ligamento sacroilíaco
interósseo, o qual posteriormente se confunde com o ligamento sacroilíaco posterior,
um forte espessamento da cápsula articular. Anteriormente a cápsula articular também
apresenta um espessamento, o ligamento sacroilíaco anterior, que é bem menos
espesso que o dorsal. Além destes, a articulação sacroilíaca apresenta dois ligamentos a
distância: o ligamento sacrotuberal e o ligamento sacroespinhal. Este último segue da
parte lateral do sacro e cóccix até a espinha isquiática, subdividindo esse forame nos
forames isquiáticos maior e menor.

CORRELAÇÕES CLÍNICAS
Hérnia de Disco
A hérnia de disco é o extravasamento do núcleo pulposo, devido a uma fraqueza do
anel fibroso: o núcleo pulposo hernia e pode comprimir a medula espinhal ou suas raízes
nervosas. A protrusão pode ser precipitada por trauma, mas a degeneração – por
envelhecimento do disco – é um fator importante.
A compressão do disco em uma direção movimenta o núcleo pulposo em direção
oposta. Assim, a herniação pode acontecer em diversas direções (anterior, posterior,
ântero-lateral e póstero-lateral). Na curvatura cervical, a hérnia é mais frequente no
disco entre as vértebras C5 e C6. Na curvatura lombar, a maior freqüência acontece no
5º disco IV, seguido em ordem decrescente no 4º e 3º discos IV.

Espinha Bífida
A espinha bífida é um defeito de fechamento do arco vertebral: falta o processo
espinhoso e, às vezes, parte das lâminas adjacentes. Na maioria dos casos, aparece em
L5 ou no sacro. A forma benigna, chamada espinha bífida oculta, às vezes é
assintomática e o defeito ósseo é um achado radiológico. A pele relacionada ao defeito

196
FELIX, Fernando Álison M. D.

ósseo, às vezes, apresenta uma mancha avermelhada e com uma quantidade maior de
pêlos.
Nos casos graves, denominada espinha bífida cística, as meninges e o líquor se
exteriorizam e formam uma hérnia, denominada meningocele e em casos mais graves
herniam, além das meninges e do líquor, a medula espinal – é a mielomeningocele.

MÚSCULOS DO DORSO
Os músculos do dorso estão dispostos em grupos anterior e posterior. Os músculos
do grupo anterior, pré-vertebrais, incluem músculos do pescoço e da parede posterior
do abdome. Os do grupo posterior, pós-vertebrais, compreendem vários músculos
dispostos da seguinte maneira:
o Mais superficialmente estão o trapézio e o latíssimo do dorso;
o Em posição média estão o levantador da escápula, os rombóides e os
serráteis posteriores. Os dois primeiros foram descritos com o membro
superior e os últimos serão referidos logo abaixo.
o Mais profundamente situam-se os músculos do dorso propriamente dito ou
pós-vertebrais profundos, inervados pelos ramos dorsais dos nn. espinais. Eles
atuam, sobretudo, na coluna vertebral e serão objetos de descrição nos itens
seguintes.
Os músculos serráteis posteriores são dois músculos delgados, parcialmente
membranosos e de pouca significação. O serrátil póstero-superior, coberto pelo m.
rombóide, estende-se do ligamento da nuca e dos processos espinhosos de C7 e de
várias vértebras torácicas superiores até as costelas (2ª a 5ª). O músculo serrátil póstero-
inferior, coberto pelo grande dorsal, estende-se dos processos espinhosos das vértebras
torácicas inferiores para as quatro costelas inferiores.

Músculos Pós-Vertebrais Profundos (Intrínsecos do Dorso)


Os músculos pós-vertebrais situados mais profundamente constituem duas grandes
massas em relevo nos lados da coluna vertebral, facilmente palpáveis, e são conhecidos
também com o nome de músculos da goteira ventral. A massa muscular longitudinal, de
cada lado, compõe-se de três camadas de músculos pós-vertebrais.

Camada Profunda
A camada profunda é constituída por:
o Músculos interespinais, que são pobremente desenvolvidos na região
torácica ou mesmo inexistentes nesta região. Unem os processos espinhosos
das regiões cervical e lombar.
o Músculos intertransversais, os quais também só existem nas regiões cervical
e lombar. Unem os processos transversos adjacentes. Os músculos que se
originam nos processos transversos e se dirigem medial e superiormente
para se fixarem na lâmina da vértebra suprajacente são rotadores curtos; os
músculos que, tendo a mesma origem e trajeto, passam pela vértebra
suprajacente e se inserem na lâmina da segunda vértebra acima, são
rotadores longos.

197
Resumo de Anatomia Humana

o Músculos levantadores das costelas só existem na região torácica. Têm


origem nos processos transversos e prendem-se nas costelas subjacentes.
Estes músculos são pouco conhecidos e mal estudados. Isto, aliás, é verdade para a
maioria dos músculos pós-vertebrais, principalmente os profundos, e particularmente
quanto à coordenação de suas ações. Assim, presume-se que os rotadores sejam
capazes de rotação e que os levantadores elevem as costelas. De qualquer modo os
movimentos realizados por estes músculos são de pequena amplitude e talvez eles
estejam mais envolvidos com a manutenção do alinhamento de vértebras adjacentes.
Deve-se acrescentar que os músculos suboccipitais, que movem a cabeça, pertencem
também ao grupo de músculos pós-vertebrais profundos.

Camada Média
Os músculos da camada média cobrem os profundos e têm disposição bastante
complicada, com maior grau de fusão e alguns feixes saltando vários segmentos, o que
lhes valeu o nome de complexo transversoespinal. Seus componentes são:
o Músculo multífido, que é mais espesso na região lombar e termina na região
cervical. Na verdade, está constituído de muitos feixes musculares, sem
divisão clara e, por esta razão, tem sido descrito como um músculo único. Os
feixes se originam do sacro e de todos os processos transversos, dirigindo-se
cranial e medialmente para se inserirem nos lados dos processos espinhosos
de todas as vértebras, de L5 até o axis.
o Músculo semi-espinal do tórax situa-se nos dois terços craniais do segmento
torácico, estendendo-se dos processos transversos das seis vértebras
torácicas inferiores aos processos espinhosos das vértebras torácicas
superiores e cervicais inferiores.
o Músculo semi-espinal do pescoço tem a mesma disposição do semi-espinhal
do tórax, originando-se nos processos transversos das seis vértebras
torácicas superiores e se insere nos processos espinhosos da 3ª até a 5ª
vértebra cervical.
o Músculo semi-espinal da cabeça é a parte mais alta do complexo transverso-
espinhal, estendendo-se de processos transversos cervicais à parte medial da
linha nucal superior do occipital.
As ações destes músculos são bastante discutíveis. Sugere-se que tenham ação
extensora da coluna e da cabeça.

Camada Superficial
Os músculos da camada superficial são, denominados, em conjunto, eretor da
espinha ou complexo sacro-espinal. A porção mais inferior origina-se no ílio, em
vértebras lombares e em espessa aponeurose toracolombar estendida neste intervalo,
de onde ascende lateralmente até a última costela. Neste ponto a massa muscular
alonga-se em três colunas que sobem na parte posterior do tórax, onde se inserem nas
costelas e vértebras:
o A coluna mais lateral, denominada m. iliocostal, é formada pelos músculos
iliocostal lombar, iliocostal torácico e iliocostal cervical.
o A coluna intermédia, denominada m. longuíssimo é subdividida nos músculos
longuíssimo do tórax, longuíssimo do pescoço e longuíssimo da cabeça.

198
FELIX, Fernando Álison M. D.

o As divisões da coluna medial, dita m. espinal são os músculos espinal do


tórax, espinal do pescoço e espinal da cabeça.
Entre os músculos da camada superficial deve ser incluído o m. esplênio que cobre
os outros músculos pós-vertebrais nas regiões torácicas alta e cervical. Suas duas partes
são o m. esplênio do pescoço, que ascende lateralmente dos processos espinhosos
torácicos superiores aos processos transversos cervicais inferiores e o m. esplênio da
cabeça, que se estende dos processos espinhosos cervicais inferiores e ligamento nucal
ao processo mastóide do temporal.

Ações
Pouquíssimos músculos do dorso têm sido estudados diretamente. Isto é verdadeiro,
particularmente para aqueles situados mais profundamente. Algumas ações são
evidentes por si mesmas, outras foram estudadas em pacientes com paralisia, e outras,
ainda, foram determinadas pela eletromiografia. Mas isto não resolveu, até o presente
momento, todos os problemas e questões que se levantam em relação à função dos
músculos do dorso e sua coordenação. A coordenação é, aqui, de fundamental
importância, pois os músculos apresentam numerosas fusões e continuidades. Se o
movimento se limita a uma região, cabeça ou pescoço, por exemplo, os músculos
envolvidos serão apenas aqueles que agem naqueles segmentos, embora façam parte
de um complexo muscular.
De qualquer forma pode-se dizer que quanto mais longitudinal o trajeto de um
músculo tanto mais estará relacionado com a extensão ou flexão da coluna vertebral (ou
cabeça) e com a flexão lateral. O eretor da espinha é o principal extensor; é auxiliado
pelos suboccipitais, esplênios e semi-espinhais da cabeça. Quanto mais oblíquo o
decurso de um feixe muscular tanto mais relacionado ele estará com a rotação. O m.
multífido é rotador do tronco, função na qual é auxiliado pelos músculos oblíquos
externo e interno do abdome.

VASCULARIZAÇÃO DO DORSO
As vértebras são irrigadas por ramos periosteais, equatoriais e espinais, provenientes
das seguintes artérias:
o Artérias vertebrais;
o Artérias cervicais ascendentes;
o Artérias intercostais posteriores;
o Artérias subcostais e lombares;
o Artérias iliolombar e sacrais lateral e mediana.
As veias espinais formam plexos venosos ao longo da coluna vertebral dentro e fora
do canal vertebral. Esses são os plexos venosos vertebrais internos (plexos venosos
peridurais) e plexos venosos externos, respectivamente.
Esses plexos comunicam-se através dos forames intervertebrais. Esses plexos
drenam para as vv. intervertebrais, as quais, por sua vez, drenam para as vv. vertebrais e
vv. segmentares (intercostais, lombares e sacrais).

199
Resumo de Anatomia Humana

Sistema Respiratório

A
função do sistema respiratório é facultar ao organismo uma troca de gases
com o ar atmosférico, assegurando permanente concentração de oxigênio
no sangue, necessária para as reações metabólicas, e em contrapartida
servindo como via de eliminação de gases residuais, que
resultam dessas reações e que são representadas pelo gás
carbônico.
Este sistema é constituído pelos tratos (vias)
respiratórios superior e inferior. O trato respiratório
superior é formado por órgãos localizados fora da caixa
torácica: nariz externo, cavidade nasal, faringe, laringe e
parte superior da traquéia. O trato respiratório inferior
consiste em órgãos localizados na cavidade torácica: parte
inferior da traquéia, brônquios, bronquíolos, alvéolos e
pulmões. As camadas das pleura e os músculos que
formam a cavidade torácica também fazem parte do trato
respiratório inferior.
Figura 82: Órgãos do Sistema
Respiratório.

NARIZ
Possui uma parte exterior denominada nariz externo e outra interior, conhecida por
cavidade nasal.
Funções: olfação, respiração, filtração de poeira, umidificação do ar inspirado, e
recepção e eliminação de secreções dos seios paranasais e dos ductos lacrimonasais.

Nariz Externo
O dorso nariz compreende a região mediana que se estende da raiz ao ápice (ponta)
do nariz. As aberturas nasais anteriores são as narinas, que são limitadas lateralmente
pelas asas do nariz.
A pele recobre toda a superfície externa do nariz e, internamente, estende-se até o
vestíbulo do nariz, onde possui um número variável de vibrissas (pêlos rígidos que
filtram partículas de poeira do ar).
O esqueleto do nariz é formado por osso mais cartilagem. Constitui a parte óssea:
ossos nasais; processos frontais das maxilas; parte nasal do osso frontal e partes ósseas
do septo nasal. Constitui a parte cartilaginosa: dois processos laterais da cartilagem do
septo; porção superior do septo nasal; duas cartilagens alares.

200
FELIX, Fernando Álison M. D.

O septo nasal divide o nariz em duas cavidades nasais. Também é formada por osso
mais cartilagem, sendo os principais componentes: lâmina perpendicular do osso
etmóide, superiormente; vômer, póstero-inferiormente; e cartilagem septal, entre esses
ossos.

Cavidade Nasal
A cavidade nasal é a escavação que encontramos no interior do nariz, ela é
subdividida em dois compartimentos um direito e outro esquerdo. Cada compartimento
dispõe de um orifício anterior que é a narina e um posterior denominado cóano. Os
cóanos fazem a comunicação da cavidade nasal com a nasofaringe. É na cavidade nasal
que o ar torna-se condicionado, ou seja, é filtrado, umedecido e aquecido.
A cavidade nasal é totalmente revestida por mucosa, exceto na região do vestíbulo
nasal, que é revestido por pele mais vibrissas. Esta mucosa é contínua com o
revestimento de todas as câmaras com as quais as cavidades nasais se comunicam.
Os dois terços inferiores da mucosa nasal correspondem à área respiratória,
enquanto o terço superior, à área olfatória, a qual contém o órgão periférico do olfato.
Limites da cavidades nasal:
o Teto: ossos frontal, nasal, etmóide e esfenóide;
o Assoalho: processos palatinos da maxila e lâminas horizontais dos ossos
palatinos => conjunatamente são denominados palato duro;
o Parede medial: septo nasal;
o Parede lateral: conchas nasais.
Na parede lateral da cavidade nasal encontramos as conchas nasais que são divididas
em superior, média e inferior. [Raramente pode existir também uma concha nasal
suprema acima da superior.]
Sob cada concha há um recesso ou meato. Assim, a cavidade nasal é dividida em
cinco passagens:
o Recesso esfenoetmoidal, póstero-superiormente, o qual recebe a abertura do
seio esfenoidal;
o Três meatos nasais (superior, médio e inferior);
o Meato nasal comum, medialmente, onde se abre as quatro passagens
anteriores.
A concha nasal inferior é a mais longa e mais larga, sendo formada por um osso
independente de mesmo nome.
A cavidade nasal contêm várias aberturas de drenagem, pelas quais o muco dos
seios paranasais é drenado.
As células etmoidais posteriores se abrem no meato nasal superior.
O seio frontal se comunica com o meato nasal médio através do infundíbulo
etmoidal. A passagem que segue inferiormente de cada seio frontal até o infundíbulo é
o ducto frontonasal. O hiato semilunar é um sulco semicircular no qual se abre o seio
frontal.
O ducto lacrimonasal abre-se no meato nasal inferior.

Vascularização e Inervação do Nariz


O suprimento arterial das paredes medial e lateral da cavidade nasal advém de cinco
fontes distintas:
o Ramos da artéria oftálmica:

201
Resumo de Anatomia Humana

 A. etmoidal anterior;
 A. etmoidal posterior;
o Ramos da artéria maxilar:
 A. esfenopalatina;
 A. palatina maior;
o Ramo da artéria facial:
 Ramo septal da a. labial superior.

A parte anterior do septo nasal é o local de um plexo arterial anastomótico


envolvendo todas as cinco artérias que suprem o septo, conhecido por área de
Kiesselbach. Este local é frequentemente a origem de epistaxes pós-
traumáticas.

Um rico plexo venoso submucoso drena para as veias esfenopalatina, facial e


oftálmica. Essas veias drenam para o plexo pterigóideo e seio cavernoso da dura-máter.
Inervação: o septo nasal é inervado pelo nervo nasopalatino (ramo do NC V2) e
nervos etmoidais anteriores e posteriores (ramos do NC V1); a parede lateral é inervada
pelo nervo palatino maior (ramo do NC V2).

Seios Paranasais
Os seios paranasais são expansões cheias de ar e compreendem os seios maxilares,
frontal, etmoidal e o esfenoidal.

Seios Maxilares
Os seios maxilares são os maiores dos seios paranasais e estão localizados no interior
do osso maxilar, sendo normalmente segmentados por septos ósseos.
Através do óstio maxilar drena para o meato nasal médio da cavidade nasal por meio
do hiato semilunar.
Limites:
o Ápice: em direção ao osso zigomático;
o Base: parte inferior da parede lateral da cavidade nasal;
o Teto: assoalho da órbita;
o Assoalho: parte alveolar da maxilar.
Os dois primeiros dentes molares produzem elevações no assoalho do seio. Numa
extração, pode ocorrer uma comunicação da cavidade oral com este seio, ocasionando
infecções.

Seios Frontais
Os seios frontais estão localizados entre as tábuas externa e interna do osso frontal,
posteriores aos arcos superciliares e à raiz do nariz no osso frontal, e raramente são
simétricos; quase sempre o septo entre eles está desviado para um ou outro lado da
linha mediana.
Drena através de um ducto frontonasal para o infundíbulo etmoidal, que se abre
para o hiato semilunar do meato nasal médio.

Células Etmoidais
São pequenos seios no osso etmóide entre as cavidades nasais e as órbitas.

202
FELIX, Fernando Álison M. D.

O número de células é variável, podendo ser de 5 a 16 sendo a média de 7 a 9.


De cada lado estão distribuídos em três grandes grupos: anterior, médio e posterior.
As células etmoidais anteriores drenam direta ou indiretamente (através do
infundíbulo etmoidal) para o meato nasal médio.
As células etmoidais médias drenam diretamente para o meato nasal médio.
As células etmoidais posteriores drenam diretamente para o meato nasal superior.

Seios Esfenoidais
Os seios esfenoidais são de número variado, estão contidos dentro do corpo do
esfenóide, variam em forma e tamanho, e geralmente não são simétricos. Apenas
lâminas finas de osso separam os seios de várias estruturas importantes: os nervos
ópticos e o quiasma óptico, a hipófise, as aa. carótidas internas e os seios cavernosos.
Cada seio esfenoidal drena para o interior do recesso esfenoetmoidal por um óstio
geralmente localizado na parte superior de sua parede anterior.

FARINGE
A faringe é um tubo que começa nos cóanos e estende-se para baixo no pescoço.
Localiza-se verticalmente, à frente da coluna cervical, atrás das cavidades nasais, da
cavidade oral e da laringe, desde a base do crânio até a margem inferior da vértebra C6.
Continua-se embaixo com o esôfago.
Sua parede é composta de músculos esqueléticos e revestida de túnica mucosa. A
parede posterior da faringe se situa contra a lâmina pré-vertebral da fáscia cervical.
É um canal comum ao aparelho digestivo e ao aparelho respiratório. A faringe
funciona como uma passagem de ar para a laringe, e direciona, com o auxílio da
epiglote, o alimento para o esôfago.

Estratificação
1. Mucosa;
2. Muscular: camada longitudinal interna:
- m. salpigofaríngeo;
- m. palatofaríngeo;
- m. estilofaríngeo.
3. Fibrosa: fáscia faringobasilar unida pela rafe da faringe;
4. Muscular: camada circular externa:
- mm. constritores da faringe superior, médio e inferior;
5. Fascial: fáscia bucofaríngea.

“Esses músculos elevam a faringe e encurtam a faringe durante a deglutição e a


fala.”

A faringe é dividida em três regiões anatômicas: nasofaringe, orofaringe e


laringofaringe.

Nasofaringe
A porção superior da faringe, denominada parte nasal ou nasofaringe, tem as
seguintes comunicações: duas com os cóanos, duas com os óstios faríngeos das tubas

203
Resumo de Anatomia Humana

auditivas e uma com a orofaringe. A tuba auditiva se comunica com a faringe através do
ósteo faríngeo da tuba auditiva, que por sua vez conecta a parte nasal da faringe com a
cavidade média timpânica do ouvido.
O tecido linfóide é agregado em algumas regiões para formar massas denominadas
tonsilas.
A tonsila faríngea (comumente denominada adenóide quando aumentada) situa-se
na mucosa do teto e parede posterior da nasofaringe.
Prega salpingofaríngea: prega vertical de mucosa na extremidade medial do óstio
faríngeo da tuba auditiva; recobre o m. salpigofaríngeo.
Prega salpingopalatina: prega vertical de mucosa na extremidade lateral do óstio
faríngeo da tuba auditiva; recobre o m. salpingopalatino.
Toro tubário: proeminência de mucosa na extremidade superior do óstio faríngeo da
tuba auditiva.
Recesso faríngeo: projeção lateral da faringe, posteriormente ao toro tubário e à
prega salpingofaríngea.

Orofaringe
A parte intermediária da faringe, a orofaringe, situa-se atrás da cavidade oral e
estende-se do palato mole até o nível do hióide. A parte da orofaringe tem comunicação
com a boca e serve de passagem tanto para o ar como para o alimento.

Laringofaringe
A laringofaringe estende-se para baixo a partir do osso hióide, e conecta-se com o
esôfago (canal alimentar) e posteriormente com a laringe (via aérea). Como a parte oral
da faringe, a laringofaringe é uma via respiratória e também uma via digestória.

LARINGE
A laringe é um órgão curto que conecta a faringe com a traquéia. Ela é formada por 9
cartilagens e situa-se na linha mediana do pescoço, diante da quarta, quinta e sexta
vértebras cervicais.
A laringe tem três funções:
o Atua como passagem para o ar durante a respiração;
o Produz som, ou seja, a voz (por esta razão é chamada de caixa de voz);
o Impede que alimento e objetos estranhos entrem nas vias aéreas, atuando
como “esfíncter” do trato respiratório inferior.
A laringe relaciona-se anteriormente com os mm. esterno-hióideo, omo-hióideo e
tireo-hióideo, e posteriormente com a laringofaringe, início do esôfago, fáscia e
musculatura pré-vertebrais e vértebras. Ântero-lateralmente, a laringe relaciona-se com
a glândula tireóide, artéria carótida comum, veia jugular anterior e nervo vago (NC X).
A laringe é uma estrutura triangular constituída principalmente de cartilagens,
músculos e ligamentos.
Na sua superfície interna, encontramos uma fenda ântero-posterior denominada
vestíbulo da laringe, que possui duas pregas de cada lado: prega vestibular (cordas
vocais falsas) e prega vocal (cordas vocais verdadeiras).

204
FELIX, Fernando Álison M. D.

A parede da laringe é composta de nove peças de cartilagens. Três são ímpares


(cartilagem tireóidea, cricóidea e epiglótica) e três são pares (cartilagem aritenóidea,
cuneiforme e corniculada). Pode apresentar ainda a cartilagem tritícea que é
inconstante.

Cartilagem Tireóidea
A cartilagem tireóidea consiste de cartilagem hialina e forma a parede anterior e
lateral da laringe, é maior nos homens devido à influência dos hormônios durante a fase
da puberdade.
As lâminas D e E da cartilagem tireóidea se fundem anteriormente no PSM para
formar a proeminência laríngea (“pomo de Adão”). Na face externa de cada lâmina
visualiza-se a linha oblíqua que serve para fixação dos mm. esternotireóideo, tireo-
hióideo e constritor inferior da laringe. Superiormente, as lâminas divergem para formar
a incisura tireóidea superior, em forma de V. A margem posterior de cada lâmina
projeta-se superiormente como o corno superior e inferiormente como o corno inferior.
Os cornos inferiores articulam-se com a cartilagem cricóidea nas articulações
cricotireóideas (atuam mudando o comprimento das cordas vocais).

Cartilagem Cricóidea
A cartilagem cricóide localiza-se logo abaixo da cartilagem tireóide e antecede a
traquéia.
É constituída por um arco anteriormente e uma lâmina posteriormente.
A região da face externa da lâmina que se relaciona com a faringe denomina-se
crista arqueada, delimitada de cada lado pelas linhas arqueadas.

Cartilagem Epiglótica (Epiglote)


A epiglote se fixa ao osso hióide e à cartilagem tireóide. Formada por cartilagem
elástica, conferindo flexibilidade à epiglote. Situada posterior à raiz da língua e anterior
ao ádito da laringe. Sua extremidade superior é larga e livre. Sua extremidade inferior
afilada está fixa à cartilagem tireóide e denomina-se pecíolo epiglótico.

Cartilagens Aritenóideas
Forma piramidal com três lados que se articulam com as partes laterais da margem
superior da lâmina da cartilagem cricóidea, estabelecendo uma articulação do tipo
diartrose.
O ápice de cada cartilagem aritenóidea, superiormente, possui a cartilagem
corniculada e fixa-se à prega ariepiglótica. O processo vocal, anteriormente, permite a
fixação posterior do ligamento vocal. O processo muscular, lateralmente, serve como
alavanca à qual estão fixados os músculos cricoaritenóideos posterior e lateral.
As cartilagens aritenóides são as mais importantes, porque influenciam as posições e
tensões das pregas vocais (cordas vocais verdadeiras).

Cartilagens Corniculadas e Cuneiformes


Cada cartilagem corniculada fixa-se ao ápice da cartilagem aritenóide.
Cada cartilagem cuneiforme é muito pequena e localiza-se ântero-superiormente à
cartilagem corniculada correspondente, ligando cada aritenóide à epiglote.

205
Resumo de Anatomia Humana

Membrana e Ligamentos
A membrana tireo-hióidea fixa a margem superior e os cornos superiores da
cartilagem tireóidea ao osso hióide; possui um orifício, de cada lado, para passagem dos
vasos laríngeos superiores e o ramo interno do nervo laríngeo superior. A parte mediana
espessa dessa membrana é o ligamento tireo-hiódeo mediano; suas partes laterais são
os ligamentos tireo-hióideos laterais.
O ligamento cricotireóideo mediano fixa a cartilagem cricóidea à margem inferior da
cartilagem tireóidea.
O ligamento cricotraqueal fixa a cartilagem cricóidea ao primeiro anel traqueal.
Cone elástico ou membrana cricovocal – juntamente com a mucosa sobrejacente
fecham a abertura da traquéia, com exceção da rima da glote. Constituintes:
o Margem superior livre espesada: ligamentos vocais -> estendem-se da junção
das lâminas da cartilagem tireóidea anterior até o processo vocal da
cartilagem aritenóidea posteriormente;
o Extensões laterais entre as pregas vocais e a margem superior da cartilagem
cricóidea: ligamentos cricotireóideos laterais. O cone elástico funde-se
anteriormente com o ligamento cricotireóideo mediano;
o Abertura entre as pregas vocais: rima da glote.
O ligamento tireoepiglótico fixa o pecíolo epiglótico ao ângulo formado pelas
lâminas da cartilagem tireóidea, superiormente aos ligamentos vocais.
O ligamento hioepiglótico fixa a superfície anterior da epiglote ao hióide.
A membrana quadrangular é uma lâmina submucosa fina de tecido conjuntivo que
se estende entre as faces laterais das cartilagens aritenóidea e epiglótica. Sua margem
inferior livre constitui o ligamento vestibular, que é coberto frouxamente por mucosa
para formar a prega vestibular. Esta prega situa-se superior à prega vocal e estende-se
da cartilagem tireóidea até a cartilagem aritenóidea. A margem superior livre da
membrana quadrangular forma o ligamento ariepiglótico, que é coberto por mucosa
para formar a prega ariepiglótica.
O ligamento cricoaritenóideo situa-se entre a cartilagem aritenóidea e a margem
superior da lâmina da cartilagem cricóidea.
O ligamento cricofaríngeo fixa a região mediana posterior da lâmina da cartilagem
cricóidea (crista arqueada) à túnica mucosa da faringe.

Cavidade da Laringe
Estende-se do ádito da laringe, através do qual se comunica com a laringofaringe,
até o nível da margem inferior da cartilagem cricóidea; Essa cavidade é contínua com a
cavidade da traquéia. Divisões:
o Vestíbulo: entre o ádito da laringe e as pregas vestibulares;
o Ventrículo: recessos que se estendem lateralmente entre as pregas
vestibulares e vocais;
o Cavidade infraglótica: entre as pregas vocais e a margem inferior da
cartilagem cricóidea.

Glote
A glote (o aparelho vocal da laringe) compreende:

206
FELIX, Fernando Álison M. D.

o Pregas vocais, onde cada prega contém um ligamento vocal e um músculo


vocal, ambos cobertos por mucosa. As pregas vocais são responsáveis pela
produção do som;
o Rima da glote, a qual é semelhante a uma fenda durante a fonação;
o Pregas vestibulares, que consistem nos dois ligamentos vestibulares mais a
mucosa sobrejacente. Sua função é apenas protetora;
o Rima do vestíbulo, que é o espaço entre os ligamentos vestibulares.

Prega vocal
Rima da glote

Figura 83: Glote durante a inspiração e a fonação.

Músculos da Laringe
Extrínsecos
Elevadores do hióide e da laringe:
o M. digástrico;
o M. milo-hióideo;
Músculos supra-hióideos
o M. estilo-hióideo;
o M. gênio-hióideo;
o M. estilofaríngeo. (músculo da faringe)
Depressores do hióide e da laringe:
o M. esterno-hióideo; plano
o M. omo-hióideo; superficial
Músculos infra-hióideos
o M. esternotireóideo; plano
o M. tireo-hióideo. profundo

Intrínsecos
Adutores da rima da glote:
o M. cricoaritenóideo lateral; (principal)
o M. aritenóideo transverso;
o M. aritenóideo oblíquo.
Abdutor da rima da glote:
o M. cricoaritenóideo posterior.
Esfíncteres do ádito da laringe:
o Os três adutores da rima, e
o M. ariepiglótico.
Tensor da proeminência laríngea e dos ligamentos vocais:
o M. cricotireóideo.
Relaxadores dos ligamentos vocais:
o M. tireoaritenóideo (e sua parte tireoepiglótica);
o M. vocal.

207
Resumo de Anatomia Humana

Variações no Formato da Rima da Glote¹


Respiração normal (repouso): mm. laríngeos relaxados -> rima estreita (semi-aberta);
Respiração forçada: mm. abdutores contraídos -> rima bem aberta;
Fonação: mm. adutores contraídos -> rima fechada (ou quase);
Sussurro: mm. cricoaritenóideos laterais contraídos, e os mm. aritenóideos relaxados
-> rima fechada, mas a parte intercartilagínea da rima da glote permanece aberta.

¹ Veja a figura 8.31 na página 1011 de Anatomia Orientada para a Clínica, 5ª Ed


(MOORE).

Vascularização da Laringe
A irrigação arterial é feita por ramos das artérias tireóideas superior e inferior:
o A. laríngea superior: é um ramo da a. tireóidea superior, acompanha o ramo
interno do n. laríngeo superior;
o A. laríngea inferior: é um ramo da a. tireóidea inferior, acompanha o n.
laríngeo inferior.
A drenagem venosa é feita pelas veias laríngeas superior e inferior, que
acompanham as artérias laríngeas superior e inferior, respectivamente.
Os vasos linfáticos da laringe drenam para linfonodos cervicais profundos superiores
e linfonodos cervicais profundos posteriores.

Inervação da Laringe
Ramos do nervo vago (NC X):
o N. laríngeo superior ramo interno -> inervação sensitiva;
ramo externo -> inervação motora.
o N. laríngeo inferior (continuação do n. laríngeo recorrente): nervo motor
primário da laringe; a lesão deste nervo produz afonia.
O nervo laríngeo interno, o maior dos ramos terminais do nervo laríngeo superior,
perfura a membrana tireo-hióidea com a artéria laríngea superior, enviando fibras
sensitivas para a mucosa laríngea do vestíbulo da laringe e cavidade média da laringe,
incluindo a face superior das pregas vocais.
Como o n. laríngeo inferior supre todos os músculos intrínsecos da laringe, com
exceção do m. cricotireóideo (inervado pelo ramo externo do n. laríngeo superior), é o
nervo motor primário da laringe. Entretanto, também envia fibras sensitivas para a
mucosa da cavidade infraglótica.

TRAQUÉIA
A traquéia é um tubo de 10 a 12,5 cm de comprimento e 2,5 cm de diâmetro. É
continuação direta da laringe; penetra no tórax e termina inferiormente se bifurcando
nos dois brônquios principais (direito e esquerdo). Ela está localizada no mediastino
superior, situando-se medianamente e anterior ao esôfago e, apenas na sua terminação,
desvia-se ligeiramente para a direita.
O arcabouço da traquéia é constituído aproximadamente por 20 anéis cartilaginosos
incompletos posteriormente, que são denominados cartilagens traqueais.

208
FELIX, Fernando Álison M. D.

Internamente a traquéia é forrada por mucosa, onde abundam glândulas, e o


epitélio é ciliado, facilitando a expulsão de mucosidades e corpos estranhos.
A bifurcação dá-se posteriormente à aorta ascendente, e está marcada
internamente por uma crista, a carina da traquéia, a qual acentua a separação entre os
dois brônquios principais.
Lateralmente à traquéia estão as artérias carótidas comuns e os lobos da glândula
tireóide. Abaixo do istmo da tireóide estão o arco venoso jugular e as veias tireóideas
inferiores.

BRÔNQUIOS PRINCIPAIS
O brônquio principal esquerdo passa sob o arco aórtico e anteriormente à aorta
descendente, cruzando à frente do esôfago para alcançar o hilo pulmonar esquerdo.
O brônquio principal direito é mais calibroso, mais curto e mais vertical que o
brônquio principal esquerdo. Por esta razão, corpos estranhos que passam pela
traquéia, em geral, penetram no brônquio principal direito.
Nos pulmões, os brônquios ramificam-se de forma constante. Cada brônquio
principal divide-se em brônquios lobares, dois à esquerda e três à direita, cada qual
suprindo um lobo do pulmão. Cada brônquio lobar divide-se em vários brônquios
segmentares que suprem os segmentos broncopulmonares.
Árvore bronquial: conjunto dos brônquios e suas ramificações.
PS.: Anéis incompletos de cartilagem hialina constituem o arcabouço da traquéia,
enquanto placas cartilaginosas irregulares são encontradas nos brônquios principais,
lobares, segmentares e até mesmo em brônquios de pequeno calibre.

PLEURA E CAVIDADE PLEURAL


A pleura é uma membrana serosa de dupla camada que envolve e protege cada
pulmão.
A camada externa é aderida à parede da cavidade torácica e ao diafragma, e é
denominada pleura parietal (reflete-se na região do hilo pulmonar para formar a pleura
visceral). A camada interna, a pleura visceral reveste os próprios pulmões (adere-se
intimamente à superfície do pulmão e penetra nas fissuras entre os lobos).
Entre as pleuras visceral e parietal encontra-se um pequeno espaço (virtual), a
cavidade pleural, que contém pequena quantidade de líquido lubrificante, secretado
pelas túnicas. Esse líquido reduz o atrito entre as túnicas, permitindo que elas deslizem
facilmente uma sobre a outra, durante a respiração.
A pleura parietal é ligada à parede torácica pela fáscia endotorácica. [Ainda há a
fáscia frênico pleural (entre o diafragma e a pleura) e a membrana suprapleural]
As pleuras parietal e visceral se continuam ao redor da raiz do pulmão. A conexão
espessa abaixo da raiz é o ligamento pulmonar.
Os recessos costodiafragmático e costomediastinal são preenchidos pelos pulmões
durante os movimentos inspiratórios.

209
Resumo de Anatomia Humana

PULMÕES
São órgãos respiratórios contidos na cavidade pleural. Essas vísceras estão situadas
uma de cada lado, no interior do tórax, onde se dá o encontro do ar atmosférico com o
sangue circulante ocorrendo, então, as trocas gasosas (hematose). Eles estendem-se do
diafragma até um pouco acima das clavículas e estão justapostos às costelas.
O pulmão direito é mais espesso e mais largo que o esquerdo. Ele também é um
pouco mais curto, pois o diafragma é mais alto no lado direito para acomodar o fígado.
O pulmão esquerdo tem uma concavidade que é a incisura cardíaca. Assim, o volume do
pulmão esquerdo é cerca de 10% menor que o do direito.
Cada pulmão tem uma forma que lembra uma pirâmide com um ápice, uma base,
três margens e três faces.
o Ápice: Apresenta um sulco percorrido pela artéria subclávia, denominado
sulco da artéria subclávia. No corpo, o ápice do pulmão atinge o nível da
articulação esternoclavicular
o Base ou face diafragmática: Apresenta uma forma côncava, apoiando-se
sobre a face superior do diafragma. A concavidade da base do pulmão direito
é mais profunda que a do esquerdo (devido à presença do fígado).
o Margens: Os pulmões apresentam três margens: uma anterior, uma posterior
e uma inferior.
 A margem anterior é delgada e estende-se à face ventral do coração. A
margem anterior do pulmão esquerdo apresenta uma incisura produzida
pelo coração, a incisura cardíaca.
 A margem posterior é romba e projeta-se na superfície posterior da
cavidade torácica.
 A margem inferior circunda a base e apresenta duas porções: uma que é
delgada e projeta-se no recesso costofrênico, e outra que é mais
arredondada e projeta-se no mediastino.
o Faces: O pulmão apresenta três faces:
 Face costal (face lateral): é a face relativamente lisa e convexa, voltada
para a superfície interna da cavidade torácica;
 Face diafragmática (face inferior): é a face côncava que assenta sobre a
cúpula diafragmática;
 Face mediastínica (face medial): é a face que possui uma região côncava
onde se acomoda o coração. Dorsalmente encontra-se a região
denominada hilo ou raiz do pulmão.

Divisão
Os pulmões apresentam características morfológicas diferentes.
O pulmão direito apresenta-se constituído por três lobos divididos por duas fissuras.
Uma fissura oblíqua que separa lobo inferior dos lobos médio e superior e uma fissura
horizontal, que separa o lobo superior do lobo médio.
O pulmão esquerdo é dividido em um lobo superior e um lobo inferior por uma
fissura oblíqua. Anterior e inferiormente o lobo superior do pulmão esquerdo apresenta
uma estrutura que representa resquícios do desenvolvimento embrionário do lobo
médio, a língula do pulmão.

210
FELIX, Fernando Álison M. D.

Cada lobo pulmonar é subdividido em segmentos pulmonares, que constituem


unidades pulmonares completas, consideradas anatomicamente autônomas.
A unidade estrutural respiratória do pulmão consiste do bronquíolo respiratório com
seu ducto alveolar, saco alveolar e alvéolos.
Observação: Nem sempre as fissuras separam totalmente os lobos pulmonares.
Quando os lobos de um pulmão não estão completamente separados pela fissura, os
dois lobos podem se comunicar no nível alveolar, através dos poros alveolares. Logo,
mesmo a obstrução de um brônquio lobar, não impedirá que o lobo atingido se infle,
através das comunicações alveolares.
Dos brônquios lobares aos bronquíolos terminais, todos estes tubos constituem a
porção condutora do pulmão (não respiratória).
Percurso do ar inspirado no sistema respiratório:
o Cavidade nasal / oral;
o Faringe;
o Laringe;
o Traquéia;
o Brônquios principais;
o Brônquios lobares;
o Brônquios segmentares;
o Bronquíolos terminais;
o Bronquíolos respiratórios;
o Ductos alveolares;
o Sacos alveolares;
o Alvéolos >>> hematose!
Interessante: Se um segmento ou lobo pulmonar colaba por doença ou é removido
cirurgicamente o restante do pulmão se distende para ocupar o espaço deixado pelo
segmento ou lobo não funcionante ou removido.

Impressões no órgão
No pulmão esquerdo são mais visíveis as impressões da aorta e da artéria subclávia
esquerda.
No pulmão direito são mais visíveis as impressões do esôfago, da veia ázigos e da
artéria subclávia direita.

Hilo do pulmão
A região do hilo localiza-se na face mediastinal de cada pulmão sendo formado pelas
estruturas que chegam e saem dele, formando a raiz do pulmão, onde temos: os
brônquios principais, artérias pulmonares, veias pulmonares, artérias e veias bronquiais
e vasos linfáticos.
A raiz do pulmão direito encontra-se dorsalmente disposta à veia cava superior. A
raiz do pulmão esquerdo relaciona-se anteriormente com o nervo frênico.
Posteriormente relaciona-se com o nervo vago.

211
Resumo de Anatomia Humana

Figura 84: Face mediastinal do pulmão direito.

Figura 85: Face mediastinal do pulmão esquerdo.

212
FELIX, Fernando Álison M. D.

Vascularização dos pulmões


O tecido pulmonar é nutrido pelas artérias bronquiais. A maior parte do sangue
venoso retorna pelas veias pulmonares.
O sangue que deve ser oxigenado é conduzido pelas artérias pulmonares e os seus
ramos intrapulmonares, que acompanham os brônquios, até atingirem os capilares
alveolares. Daí a maior parte do sangue retorna ao coração pelas veias pulmonares.
Entretanto, as veias pulmonares não acompanham os brônquios: elas são
intersegmentares, correndo nos septos conjuntivos que existem entre os segmentos
broncopulmonares.
A drenagem linfática dos pulmões é realizada por vasos linfáticos da árvore
bronquial, que desembocam nos linfonodos broncopulmonares e subsequentemente
nos linfonodos traqueobronquiais.

Inervação dos pulmões


O nervo vago (NC X) recebe fibras do tronco simpático para juntos formarem os
plexos pulmonares (direito e esquerdo).
o Fibras parassimpáticas: inervam o músculo liso e as glândulas da árvore
bronquial, estimulando-os;
o Fibras simpáticas: inervam os vasos sanguíneos, o músculo liso e as glândulas
da árvore bronquial, inibindo-os.

Logo, drogas simpaticomiméticas podem aliviar a asma, causada por


espasmo do músculo liso nos bronquíolos e ductos alveolares.

213
Resumo de Anatomia Humana

Sistema Cardiovascular

A
função básica do sistema cardiovascular é a de levar material nutritivo e
oxigênio às células de todo o corpo. O sistema cardiovascular consiste no
sangue, no coração e nos vasos sanguíneos. Para que o sangue possa
atingir as células corporais e trocar materiais com elas, ele deve ser constantemente
propelido ao longo dos vasos sanguíneos. O coração é a bomba que promove a
circulação de sangue por cerca de 100 mil quilômetros de vasos sanguíneos.

Circulação Pulmonar e Sistêmica


Circulação Pulmonar: leva
sangue do ventrículo direito
do coração para os pulmões
e de volta ao átrio esquerdo
do coração. Ela transporta o
sangue pobre em oxigênio
para os pulmões, onde ele
libera o dióxido de carbono
(CO2) e recebe oxigênio (O2).
O sangue oxigenado, então,
retorna ao lado esquerdo do
coração para ser bombeado
para circulação sistêmica.
Circulação Sistêmica: é a
maior circulação; ela fornece
o suprimento sanguíneo para
todo o organismo. A
circulação sistêmica carrega
oxigênio e outros nutrientes
vitais para as células, e capta
dióxido de carbono e outros
resíduos das células.

Figura 86: Esquema. Circulação Pulmonar e Sistêmica.


214
FELIX, Fernando Álison M. D.

MEDIASTINO
Espaço entre os dois pulmões envolvidos pela pleura. Está
dividido por uma linha, que se estende de T4 ao ângulo
esternal, em duas porções:
o Mediastino superior;
o Mediastino inferior anterior;
médio;
posterior.
O mediastino superior contém pequena parte do esôfago,
toda a traquéia, timo e grandes vasos do coração. Figura 87: Subdivisões do
mediastino.
O mediastino anterior contém parte do timo;
O mediastino médio contém o coração, pericárdio, brônquios principais e raízes dos
pulmões.
O mediastino posterior contém a maior parte do esôfago e a aorta torácica.

CORAÇÃO E PERICÁRDIO
Sistema hidráulico fechado constituído de uma bomba, o coração, e tubos, os vasos
sanguíneos. Formam a base do sistema circulatório.

Pericárdio
É a membrana de dupla camada que reveste e protege o coração. Ele restringe o
coração à sua posição no mediastino médio, embora permita suficiente liberdade de
movimentação para contrações vigorosas e rápidas. O pericárdio consiste em duas
partes principais: pericárdio fibroso e pericárdio seroso.
O pericárdio fibroso superficial é um tecido conjuntivo irregular, denso, resistente e
inelástico. Assemelha-se a um saco, que repousa sobre o diafragma e se prende a ele.
O pericárdio seroso, mais profundo, é uma membrana mais fina e mais delicada que
forma uma dupla camada, circundando o coração. A lâmina parietal, mais externa, do
pericárdio seroso está fundida ao pericárdio fibroso. A lâmina visceral, mais interna, do
pericárdio seroso, também chamada epicárdio, adere fortemente à superfície do
coração.
O pericárdio fibroso funde-se com a adventícia dos grandes vasos da base do
coração e com o centro tendíneo do diafragma. Anteriormente ele está fixado ao
esterno pelos ligg. esternopericárdicos.
Os nn. frênicos descem entre a pleura e o contorno lateral do pericárdio fibroso.
A cavidade do pericárdio é uma cavidade virtual formada entre as lâminas parietal e
visceral do pericárdio seroso, com uma pequena quantidade de líquido apenas suficiente
para umedecer e lubrificar as lâminas.
Existem dois recessos da cavidade pericárdica:
o Seio transverso do pericárdio: posteriormente à aorta e tronco pulmonar;
o Seio oblíquo do pericárdio: posteriormente ao átrio esquerdo, entre as
aberturas das quatro veias pulmonares.

215
Resumo de Anatomia Humana

Coração
Apesar de toda a sua potência, o coração, em forma de cone, é relativamente
pequeno, aproximadamente do tamanho do punho fechado, cerca de 12 cm de
comprimento, 9 cm de largura em sua parte mais ampla e 6 cm de espessura. Sua massa
é, em média, de 250g, nas mulheres adultas, e 300g, nos homens adultos.

Posição e Relações
O coração fica apoiado sobre o diafragma, perto da
linha média da cavidade torácica, no mediastino médio, e
entre as pleuras dos pulmões. Cerca de 2/3 de massa
cardíaca ficam a esquerda da linha média do corpo. A
posição do coração, no mediastino, é mais facilmente
apreciada pelo exame de suas extremidades, superfícies e
limites.
A extremidade pontuda do coração é o ápice, dirigida
para frente, para baixo e para a esquerda. A porção mais
larga do coração, oposta ao ápice, é a base, dirigida para
trás, para cima e para a direita.
Figura 88: Posição do coração.

Configuração Externa
O coração apresenta três faces e quatro margens:
Faces:
o Face Esternocostal (anterior): formada principalmente pelo ventrículo direito.
o Face Diafragmática (inferior): formada principalmente pelo ventrículo
esquerdo e parcialmente pelo ventrículo direito; ela está relacionada
principalmente com o tendão central do diafragma.
o Face Pulmonar (esquerda): formada principalmente pelo ventrículo
esquerdo; ela ocupa a impressão cardíaca do pulmão esquerdo.
Margens:
o Margem direita: formada pelo átrio direito e estendendo-se entre as veias
cavas superior e inferior.
o Margem inferior: formada principalmente pelo ventrículo direito e,
ligeiramente, pelo ventrículo esquerdo.
o Margem esquerda: formada principalmente pelo ventrículo esquerdo e,
ligeiramente, pela aurícula esquerda.
o Margem superior: formada pelos átrios e pelas aurículas direita e esquerda
em uma vista anterior; a parte ascendente da aorta e o tronco pulmonar
emergem da margem superior, e a veia cava superior entra no seu lado
direito. Posterior à aorta e ao tronco pulmonar e anterior à veia cava
superior, a margem superior forma o limite inferior do seio transverso do
pericárdio.

Camadas da Parede Cardíaca


Epicárdio: a camada externa do coração é uma delgada lâmina de tecido seroso. O
epicárdio é contínuo, a partir da base do coração, com o revestimento interno do
pericárdio, denominado lâmina visceral do pericárdio seroso.

216
FELIX, Fernando Álison M. D.

Miocárdio: é a camada média e a mais espessa do coração. É composto de músculo


estriado cardíaco. É esse tipo de músculo que permite que o coração se contraia e,
portanto, impulsione sangue, ou o force para o interior dos vasos sanguíneos.
Endocárdio: é a camada mais interna do coração. É uma fina camada de tecido
composto por epitélio pavimentoso simples sobre uma camada de tecido conjuntivo. A
superfície lisa e brilhante permite que o sangue corra facilmente sobre ela. O endocárdio
também reveste as valvas e é contínuo com o revestimento dos vasos sanguíneos que
entram e saem do coração.

Figura 78: Corte do


pericárdio e da
parede do ventrículo
direito, mostrando
as divisões do
pericárdio e as
camadas da parede
cardíaca.

Morfologia Interna
O coração possui quatro câmaras: dois átrios (esquerdo e direito) e dois ventrículos
(esquerdo e direito). Os átrios (as câmaras superiores) recebem sangue; os ventrículos
(câmaras inferiores) bombeiam o sangue para fora do coração.
Na face anterior de cada átrio existe uma estrutura enrugada, em forma de saco,
chamada aurícula (semelhante à orelha do cão).
O átrio direito é separado do esquerdo por uma fina divisória chamada septo
interatrial; o ventrículo direito é separado do esquerdo pelo septo interventricular.
As quatro câmaras cardíacas estão situadas aproximadamente num mesmo plano
horizontal:
o O ventrículo direito é anterior ao ventrículo esquerdo;
o O ventrículo esquerdo é o mais muscular e está à esquerda (posteriormente)
do ventrículo direito;
o O átrio direito é anterior ao átrio esquerdo e está à direita do ventrículo
direito;
o O átrio direito forma a margem direita do coração.

Conexões do Coração com os Vasos da Base e a Circulação do Sangue


A v. cava superior e a v. cava inferior desembocam no átrio direito, trazendo o
sangue venoso da circulação sistêmica.
O seio coronário (veia que drena a musculatura cardíaca) abre-se no átrio direito.

217
Resumo de Anatomia Humana

Do átrio direito o sangue passa para o ventrículo direito através da valva


atrioventricular direita ou tricúspide. Impelido pela contração do ventrículo direito o
sangue é lançado no tronco pulmonar atravessando a valva pulmonar.
O tronco pulmonar situa-se à esquerda da aorta ascendente, antes de dividir-se em
aa. pulmonares, direita e esquerda. A artéria pulmonar esquerda está ligada ao arco da
aorta pelo ligamento arterioso, que é um remanescente embrionário do ducto arterioso.
A a. pulmonar direita passa sob o arco aórtico e penetra no hilo do pulmão direito. A
a. pulmonar esquerda continua seu trajeto para esquerda e penetra no pulmão
esquerdo.
O sangue oxigenado que retorna do pulmão para o coração é trazido por quatro vv.
pulmonares que desemboca no átrio esquerdo.
Do átrio esquerdo o sangue passa ao ventrículo esquerdo pela valva atrioventricular
esquerda ou bicúspide ou mitral e, impelido pela contração do ventrículo esquerdo, é
lançado na aorta através da valva aórtica. Da aorta o sangue percorre a circulação
sistêmica.

Figura 89: Esquema das câmaras cardíacas e a circulação do sangue.

Logo depois de sua emergência no ventrículo esquerdo a aorta forma o arco aórtico:
dirige-se superiormente, a seguir posteriormente e, por fim, inferiormente. Do arco
aórtico saem as seguintes artérias, em sequência: tronco braquiocefálico, a. carótida
comum esquerda e a. subclávia esquerda.
Relações da aorta:
o Aorta ascendente: à direita do tronco pulmonar;

218
FELIX, Fernando Álison M. D.

o Arco aórtico: sobre a a. pulmonar direita e o brônquio principal esquerdo;


o Aorta descente: no mediastino posterior, à frente e à esquerda dos corpos
vertebrais.
Os átrios direito e esquerdo prolongam-se anteriormente, como pequenos
apêndices em forma de orelha, as aurículas, direita e esquerda. Frequentemente a
aurícula direita mascara a emergência da aorta ascendente.
A aorta e o tronco pulmonar interrompem, anteriormente, um sulco que separa os
átrios dos ventrículos. Trata-se do sulco coronário (ou sulco atrioventricular), bem
marcado posteriormente, e no qual estão alojados o seio coronários, a a. coronária
direita e a terminação da a. coronária esquerda.

Musculatura Cardíaca e seu Suporte


Miocárdio: massa muscular entre o epicárdio e o endocárdio.
O esqueleto fibroso do coração:
o Circunda as quatro valvas cardíacas;
o Está constituído por anéis de tecido conjuntivo fibroso (anéis fibrosos) que
circundam as valvas.
A área de fusão dos anéis aórtico e atrioventricular esquerdo é o trígono fibroso.
Entre o anel atrioventricular direito e o anel aórtico está o septo membranoso e, entre
os anéis aórtico e pulmonar, o lig. do cone.
Camadas de fibras musculares:
o Interna: circulares;
o Externa: espirais.
O esqueleto fibroso separa a musculatura dos átrios da dos ventrículos.

Figura 90: Esqueleto fibroso do coração. (Vista superior - os átrios foram removidos)
O ventrículo esquerdo trabalha contra uma pressão 5x maior do que o ventrículo
direito e, portanto, sua parede é, pelo menos, 2x mais espessa que a do ventrículo
direito.

Anatomia Interna do Coração

219
Resumo de Anatomia Humana

Átrio Direito
Paredes septal e posterior lisas, mas a parede anterior é rugosa, pela presença dos
músculos pectíneos.
Os orifícios onde as veias cavas desembocam têm os nomes de óstios das veias
cavas.
Imediatamente anterior e à esquerda da abertura da v. cava inferior está o óstio do
seio coronário, através do qual chega ao átrio direito o sangue drenado do coração.
Encontramos também uma lâmina que impede que o sangue retorne do átrio para o
seio coronário, que é denominada de válvula do seio coronário.
Entre as aberturas das veias cavas, na parede septal (septo interatrial), há uma
ligeira depressão, a fossa oval, limitada pelo limbo da fossa oval.
Os pequenos orifícios presentes nas paredes atriais representam a desembocadura
das vv. cardíacas mínimas.
Anteriormente, o átrio direito apresenta uma expansão piramidal denominada
aurícula direita, que serve para amortecer o impulso do sangue ao penetrar no átrio.
O átrio direito se comunica com o ventrículo direito através da valva atrioventricular
direita (tricúspide).

Átrio Esquerdo
Aberturas das quatro vv. pulmonares. As paredes são quase que inteiramente lisas.
O átrio esquerdo também apresenta uma expansão piramidal chamada aurícula
esquerda.
O átrio esquerdo se comunica com o ventrículo esquerdo através da valva
atrioventricular esquerda (bicúspide ou mitral).

Ventrículos Direito e Esquerdo


A superfície interna de ambos os ventrículos é marcadamente irregular em virtude
da presença de projeções de feixes musculares, as trabéculas cárneas. Os mais evidentes
são os que se apresentam como pilares cônicos e são denominados músculos papilares.
Geralmente há três no ventrículo direito e dois no ventrículo esquerdo.
É dos mm. papilares que partem as cordas tendíneas para se fixarem nas margens
das cúspides das valvas atrioventriculares.
O ventrículo direito apresenta uma peculiaridade, pois prolonga-se para cima ao
longo do tronco da pulmonar formando uma espécie de cone que recebe o nome de
infundíbulo ou cone arterial.
O sangue passa do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo através do óstio
atrioventricular esquerdo onde localiza-se a valva bicúspide (mitral). Do ventrículo
esquerdo o sangue sai para a maior artéria do corpo, a aorta ascendente, passando pela
valva aórtica. Do mesmo modo, o sangue sai do átrio direito para o ventrículo direito
através da valva tricúspide, e sai do ventrículo direito para o tronco pulmonar através da
valva pulmonar.
O septo interventricular é côncavo no lado do ventrículo esquerdo e convexo no lado
do ventrículo direito. Na sua parte mais superior ele é fibroso (parte membranosa do
septo) e muscular no restante (parte muscular do septo).
No ventrículo direito a trabécula muscular elevada e curta que parte do septo
interventricular e termina na base do m. papilar anterior é denominada trabécula

220
FELIX, Fernando Álison M. D.

septomarginal, e no seu interior corre o ramo direito do feixe atrioventricular do sistema


de condução elétrica do coração.
A parede do ventrículo esquerdo é 2x mais espessa que a do ventrículo direito,
contudo o volume de sangue que ambos comportam é semelhante (aproximadamente o
mesmo).

Aparelho Valvar do Coração


As valvas mitral e tricúspide são mais complexas que a aórtica e pulmonar. Possuem
cordas tendíneas que evitam a eversão das cúspides para os átrios durante a sístole
ventricular. Isto significa que, no momento da contração ventricular, os mm. papilares
também se contraem, encurtando seu comprimento e colocando em tensão as cordas
tendíneas.
A valva tricúspide é constituída por três cúspides: anterior, posterior e septal.
A valva mitral é constituída por duas cúspides: anterior e posterior.
A valva pulmonar é constituída por três válvulas semilunares: anterior, esquerda e
direita.
A valva aórtica é constituída por três válvulas semilunares: direita, esquerda e
posterior.
O espaço que fica entre a cúspide e a parede da aorta é o seio aórtico (ou de
Valsava); no tronco pulmonar, seio pulmonar.
Quando as valvas aórtica e pulmonar estão abertas, as valvas atrioventriculares
estão fechadas: sístole ventricular. Na diástole ocorre o inverso.
O sangue presente nos seios impede a aderência das válvulas à parede do vaso. A
abertura da a. coronária direita é no seio da aorta direito; a abertura da a. coronária
esquerda é no seio da aorta esquerdo, e nenhuma artéria origina-se do seio da aorta
posterior (não-coronária).

Figura 91: Valva aórtica. (Vista superior)

Irrigação do Coração
A irrigação do coração é assegurada pelas artérias coronárias, direita e esquerda.
Elas têm este nome porque ambas percorrem o sulco coronário e são as duas originadas
da artéria aortas.

Artéria Coronária Esquerda (ACE)


A ACE é maior e mais calibrosa que a direita, e é preponderante (área de distribuição
maior). Origina-se no seio aórtico esquerdo, posteriormente ao tronco pulmonar, e
corre entre ela e a aurícula esquerda.

221
Resumo de Anatomia Humana

Ramos:
o Ramo interventricular anterior: desce para região do ápice do coração e
termina se anastomosando com o ramo interventricular posterior. Em muitas
pessoas, o ramo interventricular anterior dá origem a um ramo lateral
(diagonal), que desce sobre a face anterior do coração;
o Ramo circunflexo: se dirige posteriormente, no sulco coronário, onde se
anastomosa com a ACD. O ramo circunflexo fornece numerosos ramos atriais
e ventriculares. Destes, o mais constante é o ramo marginal esquerdo que
desce na margem esquerda do coração.
Normalmente, os ramos da ACE irrigam o átrio esquerdo com seus pequenos ramos
inominados, a maior parte do ventrículo esquerdo, parte anterior do ventrículo direito, a
maior parte do septo interventricular (geralmente seus dois terços anteriores) e em
algumas pessoas, o nó sinusal.

Artéria Coronária Direita (ACD)


Origina-se no seio aórtico direito e dirige-se para a direita no sulco coronário.
Ramos:
o Ramo do nó sinoatrial: nasce próximo à origem da a. coronária direita e supre
o nó SA;
o Ramo marginal direito: desce ao longo do ventrículo direito em direção (mas
não alcança) ao ápice do coração;
o Ramo do atrioventricular: origina-se na face posterior do coração, na cruz do
coração, e supre o nó AV;
o Ramo interventricular posterior: desce no sulco interventricular posterior em
direção ao ápice do coração: seus ramos terminais anastomosam-se com os
do ramo interventricular anterior, da ACE.
Prosseguindo seu trajeto no sulco coronário, a ACD anastomosa-se com a ACE.
Obs.: Pode ocorrer, entretanto, que estas anastomoses não sejam suficientes para
estabelecer uma circulação colateral eficiente nos casos de obstrução coronária súbita
(infarto do miocárdio).
Ramos atriais e ventriculares originam-se da ACD ao longo do seu trajeto no sulco
coronário. A artéria conal, que se destina ao cone arterial descrito na face esternocostal
do coração, “em cerca de 50% dos casos origina-se da ACD.” (Silva,MR, 2000) em outros
casos ela pode originar-se de um óstio independente junto ao seio aórtico direito.
Portanto, a ACD irriga o átrio direito, a maior parte do ventrículo direito e a parte
situada na face diafragmática do ventrículo esquerdo, parte do septo interventricular
(geralmente o terço posterior), “o nó sinusal, em cerca de 60% das pessoas e o nó
atrioventricular, em cerca de 80% dos casos.” (Moore,KL; Dalley,AF, 2007).

Drenagem do Coração
A drenagem venosa cardíaca é de grande importância, levando-se em consideração a
elevada atividade metabólica do coração. O coração, em uma frequência cardíaca média
de 70 batimentos por minuto, pode alcançar mais de 100.000 batimentos por dia e, por
isso, suas células excretam uma quantidade enorme de restos metabólicos tóxicos ao
organismo, que devem ser devolvidos à circulação sistêmica, para serem processados no
fígado e/ou eliminadas pelo sistema urinário.

222
FELIX, Fernando Álison M. D.

A drenagem do coração é feita por dois sistemas diferentes: um deles drena o


sangue diretamente para dentro das câmaras cardíacas e é composto por um pequeno
sistema de veias no interior do átrio e ventrículo direitos, denominadas veias cardíacas
mínimas (ou de Thebesius); o outro, principal, é composto por todas as veias cardíacas
que drenam diretamente para o seio coronário, que é a principal veia do coração.
O seio coronário situa-se no sulco coronário, entre o átrio esquerdo e o ventrículo
esquerdo. É curto, porém calibroso. Desemboca, geralmente inferiormente à veia cava
inferior, no átrio direito. Tributárias:
o V. cardíaca magna: acompanhando o ramo circunflexo da ACE, sobe pelo
sulco interventricular anterior e se continua como o próprio seio coronário;
o V. interventricular posterior (nome antigo: v. cardíaca média):
acompanhando o ramo interventricular posterior da ACD, sobe pelo sulco
interventricular posterior;
o V. cardíaca parva: acompanha a ACD.

Sistema de Condução do Coração


A inervação intrínseca ou sistema de condução do coração é a razão dos batimentos
contínuos do coração. É uma atividade elétrica, intrínseca e rítmica, que se origina em
uma rede de fibras musculares cardíacas especializadas, chamadas células auto-rítmicas
(marca-passo cardíaco), por serem auto-excitáveis.
A excitação cardíaca começa no nó sinoatrial (SA), situado na parede atrial direita,
inferior a abertura da veia cava superior. Propagando-se ao longo das fibras musculares
atriais, o potencial de ação atinge o nó atrioventricular (AV), situado no septo interatrial,
anterior à abertura do seio coronário. Do nó AV, o potencial de ação chega ao feixe
atrioventricular (feixe de His), que é a única conexão elétrica entre os átrios e os
ventrículos. Após ser conduzido ao longo do feixe AV, o potencial de ação entra nos
ramos direito e esquerdo, que cruzam o septo interventricular, em direção ao ápice
cardíaco. Finalmente, as miofibras condutoras (fibras de Purkinge), conduzem
rapidamente o potencial de ação, primeiro para o ápice do ventrículo e após para o
restante do miocárdio ventricular.
A contração atrial deve produzir o enchimento do ventrículo antes que a contração
ventricular se inicie.
A atividade desordenada do músculo cardíaco, denominada fibrilação, faz cessar a
circulação sanguínea.

Inervação do Coração
A inervação extrínseca deriva do sistema nervoso autônomo, isto é, simpático e
parassimpático, que constitui o plexo cardíaco.
Do simpático, o coração recebe os nervos cardíacos simpáticos, sendo três cervicais
e quatro ou cinco torácicos, todos provenientes do tronco simpático.
As fibras parassimpáticas que vão ter ao coração seguem pelo nervo vago (NC X), do
qual derivam nervos cardíacos parassimpáticos, sendo dois cervicais e um torácico.
Fisiologicamente o simpático acelera (taquicardia) e o parassimpático retarda
(bradicardia) os batimentos cardíacos.

Bulhas Cardíacas
Bulha é o som produzido durante o fechamento das valvas cardíacas.

223
Resumo de Anatomia Humana

O normal é serem audíveis apenas duas bulhas:


o 1ª bulha cardíaca: corresponde ao fechamento das valvas atrioventriculares;
o 2ª bulha cardíaca: corresponde ao fechamento das valvas aórtica e pulmonar.

Vasos da Base do Coração


Tronco e Artérias Pulmonares
O tronco pulmonar sai do ventrículo direito e situa-se à esquerda da aorta
descendente. Divide-se em artérias pulmonares, direita e esquerda.
A a. pulmonar direita é mais longa e calibrosa que a esquerda. Passa por baixo do
arco aórtico, anteriormente ao brônquio principal direito.
A a. pulmonar esquerda está ligada ao arco aórtico pelo lig. arterial (ou lig.
arterioso).

Veias Pulmonares
São quatro, penetram no átrio esquerdo.

Aorta
Origina-se do ventrículo esquerdo.
Partes: aorta ascendente, arco aórtico e aorta descendente. O arco aórtico é cruzado
anteriormente pelo n. frênico esquerdo e pelo n. vago esquerdo.
O n. laríngeo recorrente esquerdo contorna inferiormente o arco aórtico e ascende
em direção ao pescoço.
Três ramos do arco aórtico:
o Tronco braquiocefálico a. carótida comum direita;
a. subclávia direita;
o A. carótida comum esquerda;
o A. subclávia esquerda.

Veia Cava Superior e Veia Cava Inferior


A v. cava superior é formada pela união das duas vv. braquiocefálicas. Recebe a v.
ázigo e desemboca no átrio direito.
A v. cava inferior é formada pela confluência das vv. ilíacas comuns. Desemboca no
átrio direito.

224
FELIX, Fernando Álison M. D.

Sistema Digestório

O
trato digestório e os órgãos anexos
constituem o sistema digestório. O trato
digestório é um tubo oco que se estende da
cavidade bucal ao ânus, sendo também chamado de canal
alimentar ou trato gastrintestinal. As estruturas do canal
alimentar incluem: boca, faringe, esôfago, estômago,
intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus.
O trato gastrintestinal é um tubo longo e sinuoso de
10 a 12 metros de comprimento desde a extremidade
cefálica (cavidade oral) até a caudal (ânus). Na pessoa viva
é menor porque os músculos ao longo das paredes dos
órgãos do trato gastrintestinal mantêm o tônus.
Os órgãos digestórios acessórios são os dentes, a
língua, as glândulas salivares, o fígado, vesícula biliar e o
pâncreas. Os dentes auxiliam no rompimento físico do
alimento e a língua auxilia na mastigação e na deglutição.
Os outros órgãos digestórios acessórios, nunca entram em
contato direto com o alimento. Produzem ou armazenam
secreções que passam para o trato gastrintestinal e
Figura 92: Trato digestório.
auxiliam na decomposição química do alimento.

FUNÇÕES
Destina-se ao aproveitamento pelo organismo, de substâncias estranhas ditas
alimentares, que asseguram a manutenção de seus processos vitais.
Transformação mecânica e química das macromóléculas alimentares ingeridas
(proteínas, carboidratos, etc.) em moléculas de tamanhos e formas adequadas para
serem absorvidas pelo intestino.
Transporte de alimentos digeridos, água e sais minerais da luz intestinal para os
capilares sanguíneos da mucosa do intestino.
Eliminação de resíduos alimentares não digeridos e não absorvidos juntamente com
restos de células descamadas da parte do trato gastrintestinal e substâncias secretadas
na luz do intestino.
Resumidamente temos os seguintes processos:
o Mastigação: Desintegração parcial dos alimentos, processo mecânico e
químico.

225
Resumo de Anatomia Humana

o Deglutição: Condução dos alimentos através da faringe para o esôfago.


o Ingestão: Introdução do alimento no estômago.
o Digestão: Desdobramento do alimento em moléculas mais simples.
o Absorção: Processo realizado pelos intestinos.
o Defecação: Eliminação de substâncias não digeridas do trato gastro intestinal.

BOCA E CAVIDADE ORAL


A boca também referida como cavidade oral ou bucal é limitada:
o pelas bochechas (formam as paredes laterais da face e são constituídas
externamente por pele e internamente por mucosa);
o pelo palato;
o pelos músculos que constituem assoalho da boca.
A cavidade da boca é onde o alimento é ingerido e preparado para a digestão no
estômago e intestino delgado. O alimento é mastigado pelos dentes, e a saliva,
proveniente das glândulas salivares, facilita a formação de um bolo alimentar
controlável. A deglutição é iniciada voluntariamente na cavidade da boca. A fase
voluntária do processo empurra o bolo da cavidade da boca para a faringe – a parte
expandida do trato digestório – onde ocorre a fase automática da deglutição.

Divisão da Cavidade Oral


A cavidade da boca consiste em duas partes: o vestíbulo da boca e a cavidade
própria da boca.
O vestíbulo da boca é o espaço semelhante a uma fenda entre os dentes e a gengiva
e os lábios e as bochechas.
A cavidade própria da boca é o espaço entre os arcos dentais superior e inferior. É
limitada lateral e anteriormente pelos arcos alveolares maxilares e mandibulares que
alojam os dentes. O teto da cavidade da boca é formado pelo palato. Posteriormente, a
cavidade da boca se comunica com a orofaringe. Quando a boca está fechada e em
repouso, a cavidade da boca é completamente ocupada pela língua.

Limites e Constituintes Anatômicos da Boca


Parede Anterior
Lábios: superior e inferior. A abertura entre eles é a rima bucal.
o Ângulos e comissuras da boca;
o Sulcos nasolabiais;
o Sulco mentolabial;
o Filtro;
o Tubérculos labiais;
o M. orbicular da boca;
o Estratificação Cútis (pele);
Tecido celular subcutâneo;
Músculos;
Submucosa (com as gll. labiais – salivares menores);
Mucosa.

226
FELIX, Fernando Álison M. D.

o Frênulos dos lábios: se estendem da gengiva vestibular até a mucosa dos


lábios superior e inferior; o inferior é menor;
o Aa. labiais superiores e inferiores: ramos das aa. faciais;
o Vv. labiais superiores e inferiores: drenam p/ vv. faciais;
o Nn. Labiais superiores: ramos dos nn. infra-orbitais (NC V2);
o Nn. labiais inferiores: ramos dos nn. mentuais (NC V3).

Paredes Laterais
Bochechas
o Limites:
 Superior: região zigomática (sulco infrapalpebral);
 Inferior: margem inferior da mandíbula;
 Anterior: regiões oral e mentual (sulcos nasolabial + nasogeniano);
 Posterior: região parotídea (margem posterior do m. masseter).
o Arcabouço das bochechas:
 M. bucinador;
 Estratificação Cútis;
Tecido celular subcutâneo (possui fibras do m. risório,
gll. parótidas, corpo adiposo da bochecha, m.
bucinador, a. e v. facial transversa e fibras do n. facial);
Mucosa.

Teto
Palato duro processo palatino da maxila;
lâmina horizontal do palatino.
o Canal incisivo: medianamente, posterior aos dentes incisivos; os nervos e
vasos nasopalatinos o atravessam;
o Papila incisiva: proeminência mucosa sobre o canal incisivo;
o Pregas palatinas transversas: prendem o alimento conta a língua durante a
mastigação; nesse local não possui gll. palatinas;
o Forames palatinos maiores: emergem os nervos e vasos palatinos maiores;
o Forames palatinos menores: emergem os nervos e vasos palatinos menores;
o Mucoperiósteo: revestimento inferior do palado duro; contém vasos
sanguíneos, nervos e gll. palatinas, do tipo mucoso; situado entre mucosa e
periósteo.
o Rafe do palato: linha longitudinal medianamente na mucosa.
Palato mole: estende-se posteriormente na cavidade bucal como a úvula, que é uma
estrutura com forma de letra V e que está suspensa na região superior e posterior da
cavidade bucal.

Assoalho
Língua: tem por função a mastigação, o paladar, a deglutição, a articulação das
palavras e a limpeza oral. Partes:
o Raiz ou base: é o terço posterior da língua, fixa, onde se localizam as tonsilas
linguais (conjunto de nódulos linfóides);
o Corpo: é formado pelos dois terços anteriores, extremamente móvel;
o Ápice: é a extremidade anterior do corpo da língua.

227
Resumo de Anatomia Humana

A superfície dorsal (dorso) da língua é caracterizada por um sulco em forma de V, o


sulco terminal, cujo ângulo aponta para o forame cego (remanescente embriológico
não-funcional do ducto tireoglosso). Posteriormente ao sulco terminal está a raiz da
língua com as tonsilas linguais; anteriormente, temos o corpo e o ápice da língua onde
encontramos as papilas linguais:
o Papilas circunvaladas: grandes, situam-se diretamente anteriores ao sulco
terminal e são organizadas em uma fileira em V;
o Papilas folhadas: formam pregas laterais e são pouco desenvolvidas nos
humanos;
o Papilas filiformes: longas e numerosas, não possuem botões gustativos;
o Papilas fungiformes: formato de cogumelo, estão dispersas entre as papilas
filiformes.

Figura 93: Língua.

Entre a raiz da língua e a epiglote temos as pregas glosso-epiglóticas mediana e


laterais e, entre elas, as valéculas epiglóticas.
A superfície inferior da língua é coberta por uma mucosa fina e transparente. A
língua está unida ao assoalho da boca pelo frênulo da língua, no qual há, de cada lado,
uma carúncula (papila) sublingual que inclui o óstio do ducto submandibular da gl.
salivar submandibular.
Músculos extrínsecos da língua: modificam a posição da língua.
o M. genioglosso: deprime a língua;
o M. hioglosso: deprime e retrai a língua;
o M. estiloglosso: retrai e encurva as margens para cima;

228
FELIX, Fernando Álison M. D.

o M. palatoglosso: eleva a parte posterior da língua.


Músculos intrínsecos da língua: modificam a forma da língua.
o M. longitudinal superior da língua
Encurta, engrossa e retrai a língua
o M. longitudinal inferior da língua
o M. transverso da língua
Alonga e estreita, e protrai a língua.
o M. vertical da língua
Inervação da língua:
o Motora: n. hipoglosso (NC XII), exceto o m. palatoglosso que é inervado pelo
plexo faríngeo.
o Sensitiva:
 Dois terços anteriores: o n. lingual (ramo do NC V3) é responsável pela
sensibilidade geral, e n. corda do tímpano (ramo do NC VII) pela
sensibilidade gustativa; Obs.: o nervo trigêmeo chega à língua através do
ramo lingual do nervo mandibular. O nervo corda do tímpano, ramo do
facial, anastomosa-se com o nervo lingual e chega, assim, à língua.
 Terço posterior: ramo lingual do n. glossofaríngeo (NC IX) é responsável
pela sensibilidade geral e gustativa.

Dentes: são estruturas cônicas, duras, fixadas nos alvéolos da mandíbula e maxila
que são usados na mastigação e na assistência à fala.
Crianças têm 20 dentes decíduos (primários ou de leite). Adultos normalmente
possuem 32 dentes secundários.
Partes de um dente:
o Coroa;
o Colo: recoberto pela gengiva;
o Raiz: fixada ao alvéolo pelo periodonto.
Camadas de um dente:
o Esmalte e cemento: parte mais externa;
o Dentina: parte intermédia;
o Polpa: parte vascular do dente.

Glândulas Salivares
As glândulas salivares maiores são: parótida, submandibular e sublingual. Produzem
e secretam a saliva. Funções da saliva: umidifica a mucosa oral, lubrifica o alimento
durante a mastigação, inicia a digestão de amidos (por causa da enzima ptialina), serve
como “colutório” intrínseco, e tem importante papel na prevenção de cáries e bactérias.
Além das glândulas salivares principais, há pequenas glândulas salivares acessórias
dispersas sobre o palato (gll. salivares palatinas), os lábios (gll. salivares labiais), as
bochechas, as tonsilas e a língua (gll. salivares linguais).

Glândula Parótida
A maior dos três pares de gll. salivares principais. Aloja-se no espaço entre a margem
posterior do ramo da mandíbula e as margens anteriores do processo mastóide e m.
esternocleidomastóideo, sobre o m. masséter. É ântero-inferior ao meato acústico
externo também.
É envolvida por uma cápsula fascial resistente, a bainha parotídea derivada da fáscia
cervical profunda.

229
Resumo de Anatomia Humana

O ducto parotídeo segue horizontalmente a partir da margem anterior da glândula.


Na margem anterior do masséter, o ducto volta-se medialmente, perfura o m. bucinador
e o corpo adiposo da bochecha e entra na cavidade oral na papila parotídea (oposta ao
2º dente molar superior).
A glândula parotídea é perfurada pelo n. facial (NC VII), que se ramifica em seu
interior emitindo 6 ramos principais, os quais constituem o plexo intraparotídeo.
A a. e v. auricular posterior situam-se na margem posterior da glândula.
Dentro da gl. parótida, da superfície para a profundidade, encontramos: o plexo
intraparotídeo do n. facial, a v. retromandibular e a a. carótida externa.
A inflamação virótica da gl. parótida se configura clinicamente como a parotidite (ou
caxumba ou “papeira”).

Plexo Nervoso Intraparotídeo: os ramos terminais do n. facial (NC VII) originam-se


do plexo intraparotídeo, apesar do n. facial não fornecer infervação a nenhuma das
glândulas salivares. Os ramos são os seguintes:
o Temporal;
o Zigomático;
o Bucal;
o Marginal da mandíbula;
o Cervical;
o Auricular posterior.
Dica: eles podem ser facilmente lembrados ao se colocar a palma da mão sobre a
hemiface contra-lateral, onde cada dedo representa um dos ramos e seu local e a palma
da mão representa o ramo auricular posterior.

Glândula Submandibular
Situa-se ao longo do corpo da mandíbula e está constituída de um corpo e um
processo profundo que se continuam em torno da margem posterior do m. milo-
hióideo.
A gl. submandibular de cada lado é perfurada pela a. facial, e a v. facial passa sobre a
glândula.
O ducto submandibular (~ 5 cm) segue da região lateral para a região medial sendo
contornado inferiormente pelo n. lingual; abre-se por meio de um a três orifícios sobre
uma pequena papila sublingual (carúncula) ao lado do frênulo da língua.

Glândulas Sublinguais
São as menores e mais profundas gll. salivares.
Situam-se no assoalho da boca entre a mandíbula e o m. genioglosso. Muitos
pequenos ductos sublinguais (20 a 30) abrem-se no assoalho da boca ao longo das
pregas sublinguais.

Músculos da Mastigação
São eles: masséter, temporal, pterigóideo medial e pterigóideo lateral.
Todos são inervados pelo n. mandibular (NC V3).
Agem sobre a mandíbula, na articulação temporomandibular (ATM):
o M. temporal: elevação e retração da mandíbula;
o M. masséter: elevação da mandíbula;

230
FELIX, Fernando Álison M. D.

o M. pterigóideo medial: elevação e protrusão da mandíbula;


o M. pterigóideo lateral: protrusão e lateralização da mandíbula;
PS.: O m. digástrico ajuda a abrir a boca e não deve ser desprezada a ação da
gravidade neste movimento.

FARINGE
A faringe é um tubo que se estende da boca até o esôfago.
A faringe apresenta suas paredes muito espessas devido ao volume dos músculos
que a revestem externamente, por dentro, o órgão é forrado pela mucosa faríngea, um
epitélio liso, que facilita a rápida passagem do alimento.
O movimento do alimento, da boca para o estômago, é realizado pelo ato da
deglutição. A deglutição é facilitada pela saliva e muco e envolve a boca, a faringe e o
esôfago.
Limites da faringe:
o Superior: corpo do esfenóide e proção basilar do osso occipital ;
o Inferior: esôfago;
o Posterior: coluna vertebral e fáscia pré-vertebral;
o Anterior: processo pterigóideo, mandíbula, língua, osso hióide e cartilagens
tireóide e cricóide;
o Lateral: processo estilóide e seus músculos.
A faringe pode ainda ser dividida em três partes: nasal (nasofaringe), oral
(orofaringe) e laríngea (laringofaringe).

Nasofaringe
Situa-se posteriormente ao nariz e acima do palato mole e se diferencia das outras
duas partes por sua cavidade permanecer sempre aberta. Comunica-se anteriormente
com as cavidades nasais através dos cóanos. Na parede posterior encontra-se a tonsila
faríngea (adenóide em crianças).
Mais informações: ver em Sistema Respiratório.

Orofaringe
Estende-se do palato mole até a margem superior da epiglote, posteriormente à
cavidade oral. Em sua parede lateral encontra-se a tonsila palatina.
Comunica-se com a cavidade oral através do istmo das fauces.
Limites da orofaringe:
o Superior: palato mole;
o Inferior: base da língua;
o Laterais: arcos palatoglosso e palatofaríngeo;
o Anterior: istmo das fauces;
o Posterior: parede posterior da faringe.
Úvula é a porção distal do palato mole. Músculos do palato mole:
o M. tensor do véu palatino; A ação conjunta desses músculos impede o
o M. levantador do véu palatino; regurgitamento do alimento para a cavidade nasal.
o M. palatoglosso;
o M. palatofaríngeo;

231
Resumo de Anatomia Humana

o M. da úvula.
Inervação motora do palato mole: com exceção do m. tensor do véu palatino suprido
pelo n. maxilar (NC V2), todos os músculos do palato mole são supridos através do plexo
faríngeo.
Arcos palatinos:
o Arco palatoglosso: anterior, saliência do m. palatoglosso;
o Arco palatofaríngeo: posterior, saliência do m. palatofaríngeo.
As tonsilas palatinas localizam-se na fossa tonsilar (espaço entre os arcos
palatoglosso e palatofaríngeo).

A inflamação das tonsilas palatinas pode obstruir o istmo das fauces.


Frequentemente se faz necessário, nesses casos, a remoção cirúrgica das
tonsilas palatinas. Durante a tonsilectomia deve-se ter cuidado com estruturas
que passam pela fossa tonsilar: ramos tonsilares das aa. palatina ascendente e
facial, n. glossofaríngeo (NC IX) e v. tonsilar.

Laringofaringe
Situa-se posterior à laringe, estendendo-se da margem superior da epiglote à
margem inferior da cartilagem cricóidea, onde estreita-se e torna-se contínua com o
esôfago.
De cada lado do ádito da laringe encontra-se uma depressão denominada recesso
piriforme. Este recesso revestido por mucosa é separado do adito da laringe pela prega
ariepiglótica. O ramo interno do n. laríngeo superior e o n. laríngeo recorrente situam-se
profundamente à mucosa (prega do n. laríngeo superior) do recesso piriforme e são
vulneráveis à lesão, que causam perda da capacidade motora da epiglote de obstruir a
laringe durante a deglutição, levando a uma aspiração do alimento que acarreta em
morte por asfixia.

Músculos da Faringe
Duas camadas de musculatura estriada esquelética (voluntárias) na sua parede,
dispostas em uma camada circular externa e outra longitudinal interna.

Camada Circular Interna


Músculos constritores da faringe:
o M. constritor superior da faringe;
o M. constritor médio da faringe;
o M. constritor inferior da faringe.
Os constritores da faringe possuem um revestimento fascial interno forte, a fáscia
faringobasilar, e um revestimento fascial externo fino, a fáscia bucofaríngea.
A superposição dos mm. constritores da faringe deixa quatro aberturas na
musculatura para a entrada ou saída de estruturas da faringe:
o Abertura entre o crânio e o m. constritor superior:
 M. levantador do véu palatino;
 Tuba auditiva;
 A. palatina ascendente.
o Abertura entre os mm. constritores superior e médio:
 M. estilofaríngeo;

232
FELIX, Fernando Álison M. D.

 N. glossofaríngeo (NC IX);


 Lig. estilo-hióideo.
o Abertura entre os mm. constritores médio e inferior:
 Ramo interno do n. laríngeo superior;
 Vasos laríngeos superiores.
o Abertura inferior ao m. constritor inferior:
 N. laríngeo recorrente;
 A. laríngea inferior.

Camada Longitudinal Interna


o M. estilofaríngeo;
o M. palatofaríngeo;
o M. salpingofaríngeo.

“Todos esses músculos elevam a laringe e encurtam a faringe durante a deglutição e


a fala.”

Vascularização da Faringe
Irrigação Arterial
o Ramo tonsilar da a. facial;
o Aa. palatinas ascendente (ramo da a. facial) e descendente (ramo da a. facial
transversa);
o A. lingual;
o A. faríngea ascendente (ramo da a. carótida externa);
o A. tireóidea superior (ramo da a. carótida externa).

Drenagem Venosa
Veias homônimas formam um rico plexo venoso que desemboca na v. jugular
interna.

Inervação da Faringe
Motora: todos os músculos da faringe são inervados por ramos do plexo faríngeo,
com exceção do m. estilofaríngeo que é inervado pelo n. glossofaríngeo (NC IX).
Sensitiva: plexo faríngeo (NC IX + NC X).

ESÔFAGO
O esôfago é um tubo fibro-músculo-mucoso que se estende entre a faringe e o
estômago. Localiza-se posteriomente à traquéia começando imediatamente posterior à
margem inferior da cartilagem cricóidea no plano mediano (na altura de C6). Atravessa o
diafragma pelo hiato esofágico e termina na parte superior do estômago (na altura de
T11). Mede cerca de 25 centímetros de comprimento.
Consiste em músculo estriado (voluntário) em seu terço superior, músculo liso
(involuntário) em seu terço inferior e uma mistura de músculo estriado e liso no terço
intermédio.

233
Resumo de Anatomia Humana

A presença de alimento no interior do esôfago estimula a atividade peristáltica, e faz


com que o alimento mova-se para o estômago.
Ocasionalmente, o refluxo do conteúdo do estômago para o interior do esôfago
causa azia (ou pirose). A sensação de queimação é o resultado da alta acidez do
conteúdo estomacal.
O refluxo gastroesofágico se dá quando o esfíncter esofágico inferior (localizado na
parte inferior do esôfago) não se fecha adequadamente após o alimento ter entrado no
estômago.
O esôfago é dividido em 3 regiões: cervical, torácica e abdominal.
o Porção Cervical: porção que está em contato íntimo com a traquéia; o n.
laríngeo recorrente situa-se no sulco traqueoesofágico de cada lado do
esôfago;
o Porção Torácica: é a porção mais importante, passa por trás do brônquio
principal esquerdo (mediastino superior); situa-se entre o pericárdio e as
vértebras torácicas (mediastino posterior); o ducto torácico geralmente se
situa no lado esquerdo do esôfago, profundamente (medial) ao arco da aorta;
o esôfago inclina-se para a esquerda, enquanto se aproxima e atravessa o
hiato esofágico no diafragma.
o Porção Abdominal: repousa sobre o diafragma e pressiona o fígado,
formando nele a impressão esofágica; continua-se com o cárdia do
estômago; essa junção esôfago-gástrica funciona como o esfíncter inferior do
esôfago que é eficiente para evitar o refluxo do conteúdo gástrico para o
esôfago.
Estreitamentos (constrições) esofágicos:
o Cervical ou crico-faríngeo: as fibras crico-faríngeas do m. constritor inferior
da faringe atuam como um esfíncter superior do esôfago;
o Broncoaórtico: no nível em que é cruzado pelo arco aórtico e brônquio
principal esquerdo;
o Diafragmática: no nível em que cruza o diafragma através do hiato esofágico.

Vascularização do Esôfago
Irrigação arterial: aa. tireóideas inferiores (ramos das aa. subclávias).
Drenagem venosa: vv. tireóideas inferiores (que desembocam na vv. jugulares
internas).
Drenagem linfática: linfonodos paratraqueais e linfonodos cervicais profundos
inferiores.

Inervação da Esôfago
Feita pelos nn. laríngeos recorrentes e pelo plexo nervoso esofágico (nn. vagos +
fibras simpáticas do tronco simpático).

Correlações Clínicas
Fístula Traqueoesofágica (FTE)
É a anomalia congênita mais comum do esôfago. Esta associada à atresia esofágica
em 90% dos casos. As FTE resultam de anormalidades na divisão do esôfago e da
traquéia pelo septo traqueoesofágico.

234
FELIX, Fernando Álison M. D.

Hérnia de Hiato
O esôfago está fixado às margens do hiato esofágico no diafragma pelo lig.
frenicoesofágico, uma extensão da fáscia diafragmática inferior. Este ligamento permite
o movimento independente do diafragma e do esôfago durante a respiração e a
deglutição.
A hérnia de hiato é a protrusão de uma parte do estômago para o mediastino
através do hiato esofágico do diafragma. Os dois tipos principais são a hérnia de hiato
paraesofágica e hérnia de hiato por deslizamento.

Hérnia de hiato paraesofágica


Menos comum, o cárdia permanece em sua posição normal, daí geralmente não há
regurgitação do conteúdo gástrico.
Herniação de bolsa de peritônio contendo parte do fundo do estômago.
Causada pelo enfraquecimento unilateral do lig. frenicoesofágico.

Hérnia de hiato por deslizamento


Herniação da parte abdominal do esôfago, do cárdia e de partes do fundo do
estômago.
É possível alguma regurgitação do conteúdo gástrico para o esôfago já que a ação
esfincteriana é fraca.
Causada pelo enfraquecimento bilateral do lig. frenicoesofágico.

ESTÔMAGO
O estômago está situado no abdome, logo abaixo do diafragma, anteriormente ao
pâncreas, superiormente ao duodeno e a esquerda do fígado. É parcialmente coberto
pelas costelas. O estômago está localizado no quadrante superior esquerdo do abdome
(principalmente no hipocôndrio esquerdo), entre o fígado e o baço.
O estômago, em forma de J, é o segmento mais dilatado do tubo digestório, em
virtude dos alimentos permanecerem nele por algum tempo, necessita ser um
reservatório entre o esôfago e o intestino delgado.
Túnica muscular trilaminar:
o Camada longitudinal externa;
o Camada circular média;
o Camada oblíqua interna.

Partes do Estômago
O estômago é divido em 4 áreas (regiões) principais: cárdia, fundo, corpo e parte
pilórica.
O cárdia recebe a porção terminal do esôfago e circunda o óstio cárdico do
estômago, o qual funciona como controlador da passagem do alimento e evita refluxo.
O fundo, que apesar do nome, situa-se no alto, acima do ponto onde se faz a junção
do esôfago com o estômago. Esta parte está, geralmente, dilatada por ar, tornando-a
responsável pelo som timpânico na percussão desta região.
O corpo representa cerca de dois terços do volume total, situando-se entre o fundo
e o antro pilórico.

235
Resumo de Anatomia Humana

A parte pilórica é a região afunilada de saída do estômago; sua parte larga, o antro
pilórico, leva ao canal pilórico, sua parte estreita terminal.
Para impedir que o bolo alimentar passe ao intestino delgado prematuramente, o
estômago é dotado de uma poderosa válvula muscular, um esfíncter chamado piloro
(orifício de saída do estômago: óstio pilórico). O piloro é um espessamento acentuado
da lâmina circular de músculo liso.
O estômago apresenta ainda duas curvaturas: a curvatura maior (margem esquerda
do estômago - convexa) e a curvatura menor (margem direita do estômago - côncava). A
incisura angular é uma depressão na parte inferior da curvatura menor que indica a
junção do corpo à parte pilórica do estômago.

Figura 94: Estômago e órgãos adjacentes.

Interior do Estômago
Sua mucosa protege a superfície do ácido gástrico secretado pelas gll. gástricas. A
contração da mucosa forma as pregas gástricas. Durante a deglutição, é formado, entre
as pregas longitudinais da mucosa ao longo da curvatura menor, o canal gástrico.

Relações do Estômago
Omento maior: na curvatura maior do estômago, é uma dobra de peritônio.
Omento menor: na curvatura menor do estômago, são duas lâminas de peritônio
envolvendo dois ligamentos:
o Lig. hepatogástrico;
o Lig. hepatoduodenal: tríade portal (a. hepática, ducto colédoco e v. porta).

236
FELIX, Fernando Álison M. D.

Inferiormente ao fígado e diafragma. Posteriormente, relaciona-se com a bolsa


omental e o pâncreas, gl. suprarrenal esquerda e parte do rim esquerdo.
O baço está no seu lado esquerdo (curvatura maior).
Situa-se superiormente ao colo transverso do intestino grosso, num compartimento
supramesocólico.
A margem direita do esôfago é contínua com a curvatura menor do estômago;
entretanto, sua margem esquerda é separada do fundo do estômago pela incisura
cárdica.

Vascularização e Inervação do Estômago


Irrigação arterial:
o Aa. gástricas, direita e esquerda, ao longo da curvatura menor do estômago;
o Aa. gastromentais, direita e esquerda, ao longo da curvatura maior.
Drenagem venosa:
o Vv. gástricas, direita e esquerda, que drenam para v. porta;
o Vv. gastromentais, direita (drena para v. mesentérica superior) e esquerda
(drena para v. esplênica).
Inervação:
o Parassimpática: troncos vagais, anterior e posterior, que inervam o músculo
liso trilaminar do estômago e as gll. gástricas;
o Simpática: n. esplâncnico maior (proveniente de ramos espinais anteriores de
T6 a T9) que tem função vasoconstritora e antiperistáltica.

INTESTINO DELGADO
A principal parte da digestão ocorre no intestino delgado, que se estende da junção
gastroduodenal (piloro) até a junção ileocecal, que se reúne com o intestino grosso. O
intestino delgado é um órgão indispensável à vida. Os principais eventos da digestão e
absorção ocorrem no intestino delgado, portanto sua estrutura é especialmente
adaptada para essa função. Sua extensão fornece grande área de superfície para a
digestão e absorção, sendo ainda muito aumentada pelas pregas circulares, vilosidades
e microvilosidades.
O intestino delgado removido é de cerca de 7 metros de comprimento, podendo
variar entre 5 e 8 metros (o comprimento de intestino delgado e grosso em conjunto
após a morte é de 9 metros).
O intestino delgado consiste em duodeno, jejuno e íleo.

Duodeno
É a primeira porção do intestino delgado,
mais curta (25 cm) e mais larga. É a única porção
do intestino delgado que é fixa (pois é quase
inteiramente retroperitoneal). A parte pilórica do
estômago esvazia-se no duodeno, sendo a
admissão duodenal controlada pelo piloro. Não
possui mesentério (exceto nos 2 cm iniciais).
Forma um C ao redor da cabeça do pâncreas.
Figura 95: Partes do duodeno.

237
Resumo de Anatomia Humana

Inicia-se no piloro e termina da junção duodenojejunal, que assume a forma de um


ângulo agudo, a flexura duodenojejunal.
A mucosa duodenal apresenta pregas circulares de mucosa (válvulas de Kerckring),
exceto no bulbo duodenal, cuja mucosa é lisa.
Apresenta 4 partes:
o Parte superior (primeira): 5 cm;
o Parte descendente (segunda): 7 a 10 cm;
o Parte horizontal (terceira): 6 a 8 cm;
o Parte ascendente (quarta): 5 cm.

Parte Superior do Duodeno


Origina-se no piloro e estende-se até o colo da vesícula biliar. Seus primeiros 2 cm, o
bulbo ou ampola do duodeno, são móveis devido a estarem fixados por mesentério; o
restante é fixo pois é retroperitoneal.
A parte proximal tem o lig. hepatoduodenal (parte do omento menor) fixado
superiormente e o omento maior fixado inferiormente.
Relações:
o Anterior: vesícula biliar e lobo quadrado do fígado;
o Posterior: ducto colédoco, pâncreas e v. porta.

Parte Descendente do Duodeno


Curva-se ao redor da cabeça do pâncreas.
Os ductos colédoco e pancreático principal se unem para formar a ampola
hepatopancreática (ou de Vater), que se abre na parede póstero-medial da segunda
parte do duodeno, no cume de uma eminência, denominada papila maior do duodeno.
A ampola hepatopancreática regula a entrada de bile e de suco pancreático através
de um dispositivo muscular esfinctérico que circunda a ampola na sua porção final,
denominado esfíncter da ampola hepatopancreática (ou de Oddi).
O ducto pancreático acessório, quando existe, desemboca na papila duodenal
menor, situada superiormente (~ 2 cm) à papila duodenal maior.
Esta parte é totalmente retroperitoneal.
Relações:
o Anterior: colo transverso e alças do intestino delgado;
o Posterior: rim direito, ureter direito e m. psoas maior direito.

Parte Inferior ou Horizontal do Duodeno


Passa sobre a veia cava inferior e a aorta; cruzado anteriormente pelos vasos
mesentéricos superiores.
Relações:
o Anterior: vasos mesentérico superiores e alças intestinais;
o Posterior: m. psoas maior direito, veia cava inferior, aorta e ureter direito;
o Superior: cabeça e processo uncinado do pâncreas e vasos mesentéricos
superiores.

Parte Ascendente do Duodeno


Alcança a margem inferior do corpo do pâncreas e aí ela se curva anteriormente
para se unir ao jejuno na junção duodenojejunal, sustentada pela fixação do músculo

238
FELIX, Fernando Álison M. D.

suspensor do duodeno (ou ligamento de Treitz), o qual alarga o ângulo da flexura


duodenojejunal, facilitando o movimento do conteúdo intestinal.
Relações:
o Anterior: alças do jejuno;
o Posterior: m. psoas maior esquerdo e margem esquerda da aorta;
o Medial e superior: cabeça e corpo do pâncreas, respectivamente.

Jejuno e Íleo
As duas últimas porções do intestino delgado constituem um tubo longo e convoluto
formando as alças intestinais, que são extremamente móveis pois estão envolvidas por
peritônio: o mesentério.
É praticamente impossível distinguir o jejuno do íleo no ponto de transição, porém
existem algumas características peculiares a cada um.

Características Jejuno Íleo


Cor Vermelho-vivo Rosa-claro
Calibre 2-4 cm 2-3 cm
Parede Espessa e pesada Fina e leve
Vascularização Maior Menor
Gordura no mesentério Menor Maior
Pregas circulares Grandes, altas e bem Baixas e esparsas; ausentes
próximas na parte distal
Placas de Peyer (nódulos Poucas Muitas
linfóides)
Tabela 5: Características distintivas entre o jejuno e o íleo no corpo vivo. (MOORE, 2007)

Juntos, o jejuno e o íleo medem 6 a 7 metros de comprimento, sendo jejuno os dois


quintos proximais, e íleo os três quintos distais. A maior parte do jejuno situa-se no
quadrante superior esquerdo, enquanto a maior parte do íleo situa-se no quadrante
inferior direito.
O jejuno inicia-se na flexura duodenojejunal e o íleo termina na junção ileocecal.
Ambos estão fixados à parede posterior do abdome pelo mesentério. A raiz do
mesentério (~ 15 cm) estende-se obliquamente da flexura duodenojejunal à articulação
sacroilíaca direita. Vasos mesentéricos superiores e nervos autônomos correm entre as
duas lâminas do mesentério.
Nessa região se encontram muitas vilosidades intestinais, daí concluímos que esta é
a região onde mais se absorve nutrientes.
As placas de Peyer (massas de tecido linfóide) são abundantes no íleo.

Vascularização e Inervação do Intestino Delgado


Irrigação arterial:
o Aa. pancreaticoduodenais, superior (ramo da a. gastroduodenal) e inferior
(ramo da a. mesentérica inferior), suprem o duodeno;
o Aa. mesentéricas superiores (e alguns de seus ramos) suprem o jejuno e o
íleo.
Drenagem venosa:
o Vv. do duodeno, que drenam para v. porta;
o Vv. mesentéricas superiores, drenam o jejuno e o íleo para a v. esplênica.

239
Resumo de Anatomia Humana

Inervação:
o A inervação provém de plexos que acompanham as artérias que irrigam o
duodeno, o jejuno e o íleo, e recebem o mesmo nome da artéria que
acompanham. Estes derivam do plexo solar (união do plexo celíaco e plexo
mesentérico superior).

Correlação Clínica: Hérnias Paraduodenais


Existem duas ou três pregas e recessos inconstantes ao redor da junção
duodenojejunal. A prega e o recesso paraduodenal são grandes e estão à
esquerda da parte ascendente do duodeno. Se uma alça intestinal entrar nesse recesso,
pode sofrer estrangulamento.
Durante o reparo, deve-se ter cuidado com os vasos mesentéricos inferiores, que
estão relacionados à prega e ao recesso paraduodenais.

INTESTINO GROSSO
É o local de absorção da água dos resíduos indigeríveis do quimo líquido,
convertendo-o em fezes semi-sólidas que são temporariamente armazenadas até que
haja a defecação. O intestino grosso absorve a água com tanta rapidez que, em cerca de
14 horas, o material alimentar toma a consistência típica do bolo fecal.
Mede cerca de 6,5 centímetros de diâmetro e 1,5 metros de comprimento. Ele se
estende do íleo até o ânus e está fixo à parede posterior do abdome pelo mesocolo.
O intestino grosso apresenta algumas diferenças em relação ao intestino delgado: o
calibre (maior), o comprimento (menor), as tênias, os haustros e os apêndices epiplóicos.
As tênias são o resultado de um condensamento da musculatura longitudinal da
parede do intestino grosso em três faixas. Elas iniciam-se no ponto de implantação do
apêndice vermiforme, no ceco e correm ao longo de todo o cólon até a porção proximal
do reto onde deixam de existir. São três: tênias livre, omental e mesocólica.
Os haustros do cólon (saculações) são abaulamentos ampulares separados por
sulcos transversais.
Os apêndices epiplóicos (ou apêndices omentais do colo) são pequenos pingentes
amarelados constituídos por tecido conjuntivo rico em gordura. Aparecem
principalmente no colo sigmóide.
O intestino grosso é formado pelo ceco, apêndice vermiforme, colo ascendente, colo
transverso, colo descendente, colo sigmóide, reto e canal anal.

Ceco e Apêndice
Ceco é a primeira parte do intestino grosso,
inferiormente à sua junção com o íleo terminal.
O ceco está quase totalmente envolvido pelo
peritônio, dando-lhe liberdade de movimentação.
Entretando, o ceco não possui mesentério.
Frequentemente o ceco está ligado à parede lateral do
abdome por uma ou mais pregas cecais do peritônio.
A entrada do íleo terminal no ceco produz os lábios
ileocólico (superior) e ileocecal (inferior) no óstio ileal, que

240
FELIX, Fernando Álison M. D.

formam a papila ileal. As pregas encontram-se lateralmente formando o frênulo do óstio


ileal. As duas pregas ou lábios formam a válvula ileocecal, que impede/limita o refluxo
do material proveniente do intestino delgado (mecanismo esfincteriano não muito
eficiente).
No fundo do ceco, encontramos o apêndice (tradicionalmente, o apêndice
vermiforme). É um divertículo intestinal cego (6-10 cm) que contém massas de tecido
linfóide (placas de Peyer).
O apêndice origina-se na parede póstero-medial do ceco, inferiormente à junção
ileocecal.
Possui um mesentério triangular curto, o mesoapêndice, que se estende entre o
apêndice e o ceco. A posição do apêndice é variável, mas geralmente é retrocecal.
A melhor maneira de localizar o apêndice é acompanhar uma das tênias, uma vez
que ele está implantado no ceco no ponto de convergências das tênias.
O ceco e o apêndice são irrigados por ramos da a. ileocecal (proveniente da a.
mesentérica superior).
Apendicite: sinal de Murphy positivo (dor à descompressão súbita) sobre o
ponto de McBurney é patognomônico e fecha o diagnóstico de apendicite.

Figura 96: Intestino grosso.

Cólon
É dividido em quatro partes: ascendente, transverso, descendente e sigmóide.

Colo Ascendente
É a segunda parte do intestino grosso, continuação do ceco.

241
Resumo de Anatomia Humana

Estende-se desde a junção ileocecal até a flexura cólica direita (ou flexura hepática),
anteriormente ao rim direito e em contato com o lobo direito do fígado.
É coberto por peritônio anteriormente e nas suas laterais, sendo, desta forma,
praticamente imóvel (retroperitoneal).
Situado posterior ao omento maior.
Entre o contorno lateral do colo ascendente e a parede abdominal, situa-se um sulco
vertical profundo revestido por peritônio parietal, o sulco paracólico direito.

Colo Transverso
É a terceira, mais longa (~ 45 cm) e mais móvel, parte do intestino grosso. Ele cruza o
abdome a partir da flexura cólica direita até a flexura cólica esquerda (ou flexura
esplênica), onde se curva inferiormente para tornar-se colo descendente. A flexura
esquerda do colo, normalmente mais superior, é mais aguda e menos móvel do que a
flexura direita do colo.
Apresenta relações extremamente variáveis.
Uma larga prega peritoneal, o mesocolo transverso, confere ao colo transverso
extrema mobilidade. Sua parte superior está livre ou fundida com o omento maior.

Colo Descendente
Passa retroperitonealmente a partir da flexura cólica esquerda para a fossa ilíaca
esquerda, onde ele é contínuo com o colo sigmóide. O sulco paracólico esquerdo situa-
se entre o seu contorno lateral e a parede abdominal.
Passa anteriormente à margem lateral do rim esquerdo.

Colo Sigmóide
É caracterizado pela sua alça longa em forma de “S”, de comprimento variável (em
média 40 cm). O colo sigmóide une o colo descendente ao reto. A terminação das tênias
do colo, aproximadamente a 15 cm do ânus, indica a junção retossigmóide.
É bastante móvel em virtude de um mesossigmóide. Seus apêndices omentais são
longos.

Reto e Canal Anal


O reto recebe este nome por ser quase retilíneo. É a parte terminal fixa (retro e
subperitoneal) do intestino grosso. Este segmento do intestino grosso termina ao
perfurar o diafragma pélvico (músculos levantadores do ânus) passando a se chamar de
canal anal. A linha pectínea (ou pectinada) separa internamente o reto do canal anal.
A parte mais dilatada do reto, a ampola do reto, é imediatamente superior ao
diafragma pélvico.
Relações:
o Anterior - sexo feminino: alças intestinais, útero e vagina;
o Anterior - sexo masculino: alças intestinais, bexiga, gll. seminais, próstata,
ureteres e ductos deferentes;
o Posterior - ambos os sexos: aa. glúteas superior e inferior, plexo sacral, m.
piriforme e m. coccígeo.
o Laterais - ambos os sexos: tecido adiposo.
PS.: lembrar que na região do reto, o peritônio forma as escavações retovesical, no
sexo masculino, e retouterina (ou fundo-de-saco de Douglas), no feminino.

242
FELIX, Fernando Álison M. D.

O canal anal se estende do diafragma pélvico até o ânus (limite real: linha pectínea,
internamente).
Apresenta pregas cutâneas. A mucosa na parte superior é semelhante à do reto,
enquanto na parte inferior é pele (epitélio estratificado pavimentoso), pois apresentam
origens embriológicas distintas. Na junção destes dois tipos de revestimento observa-se
a base de cinco a dez pregas verticais da mucosa, as colunas anais (ou de Morgagni), que
contêm ramos terminais dos vasos retais superiores. As extremidades inferiores das
colunas reúnem-se por uma prega da mucosa em forma de pente, as válvulas anais.
Entre as bases das colunas unidas pelas válvulas estão pequenas bolsas, os seios anais,
nos quais se abrem os ductos de gll. rudimentares, que liberam um muco que ajuda na
evacuação de fezes.
O limite inferior das válvulas, semelhante a um pente, forma a linha pectínea, que
indica a junção as parte superior do canal com a parte inferior.
Apesar de bastante curto (3 cm de comprimento) é importante por apresentar
algumas formações essenciais para o funcionamento intestinal, das quais citamos os
esfíncteres anais.
O esfíncter anal interno é o mais profundo, e resulta de um espessamento de fibras
musculares lisas circulares, sendo consequentemente involuntário.
O esfíncter anal externo é constituído por fibras musculares estriadas que se
dispõem circularmente em torno do esfíncter anal interno, sendo este voluntário. Possui
partes subcutânea, superficial e profunda, contudo elas são indistinguíveis. A alça do m.
puborretal também exerce alguma atividade esfinctérica sobre o canal anal.
Ambos os esfíncteres devem relaxar antes que a defecação possa ocorrer.

Figura 97: Reto e canal anal. (Vista interna)

243
Resumo de Anatomia Humana

Funções do Intestino Grosso


o Absorção de água e de certos eletrólitos;
o Síntese de determinadas vitaminas pelas bactérias intestinais;
o Armazenagem temporária dos resíduos (fezes);
o Eliminação de resíduos do corpo (defecação).

Peristaltismo: Constipação e Diarréia


Ondas peristálticas intermitentes e bem espaçadas movem o material fecal
do ceco para o interior do colo ascendente, transverso e descendente. Á medida
que se move através do colo, a água é continuamente reabsorvida das fezes, pelas
paredes do intestino, para o interior dos capilares. As fezes que ficam no intestino
grosso por um período maior perdem o excesso de água, desenvolvendo a chamada
constipação. Ao contrário, movimentos rápidos do intestino não permitem tempo
suficiente para que ocorra a reabsorção de água, causando diarréia.

Vascularização e Inervação do Reto e Canal Anal


A irrigação do reto é dada por quatro artérias: artéria sacral mediana e artérias
retais superior, média e inferior. A primeira é um ramo direto da aorta; a segunda, ramo
da artéria mesentérica inferior; a terceira, da artéria pudenda interna e a quarta, da
pudenda externa.
A drenagem venosa é feita por veias que acompanham as artérias e recebem o
mesmo nome.
O reto e o canal anal são inervados pelos plexos retais superior e médio, e pelos
nervos pudendos através dos nervos retais inferiores.

ÓRGÃOS ANEXOS À DIGESTÃO


O aparelho digestório é considerado um tubo que recebe o líquido secretado por
diversas glândulas, a maioria situada em suas paredes como as da boca, esôfago,
estômago e intestinos.
Algumas glândulas constituem formações bem individualizadas, localizando nas
proximidades do tubo, com o qual se comunicam através de ductos, que servem para o
escoamento de seus produtos de elaboração.

Fígado
O fígado é a maior glândula do organismo, e é também a mais volumosa víscera
abdominal.
Sua localização é na região superior do abdômen, logo abaixo do diafragma,
ocupando quase todo o hipocôndrio direito e o epigástrio. Pesa aproximadamente 1,5 kg
e responde por aproximadamente 2,5% do peso do corpo adulto. É um órgão friável (por
possuir pouco tecido conjuntivo) e regenerativo. Um terço do fígado é suficiente para
manter uma função hepática normal: alta margem de segurança.
Todos os nutrientes (exceto as gorduras) absorvidas pelo trato gastrointestinal (TGI)
são inicialmente levados para o fígado pelo sistema venoso porta.

244
FELIX, Fernando Álison M. D.

O fígado armazena glicogênio e secreta bile continuamente, a qual é armazenada na


vesícula biliar.
Aparelho excretor do fígado: é formado pelos ductos hepáticos, vesícula biliar, ducto
cístico e ducto colédoco.
O fígado apresenta duas faces: diafragmática e visceral, separadas pela margem
inferior do fígado.

Face Diafragmática
A face diafragmática (ântero-superior) é convexa e lisa relacionando-se com a
cúpula diafragmática.
O fígado é dividido em lobos. A face diafragmática apresenta um lobo direito e um
lobo esquerdo, sendo o direito pelo menos duas vezes maior que o esquerdo. A divisão
dos lobos é estabelecida pelo ligamento falciforme. Na margem livre desse ligamento
encontramos um cordão fibroso resultante da obliteração da veia umbilical, conhecido
como ligamento redondo do fígado.
Os lobos hepáticos estão ligados superiormente ao diafragma pelo ligamento
coronário e ligamentos triangulares, direito e esquerdo. Os dois últimos são formados
lateralmente pela união das duas lâminas do lig. coronário. A área entre as reflexões das
lâminas anterior e posterior do lig. coronário é a área nua do fígado, destituída de
peritônio.
Os recessos subfrênicos (entre o diafragma e as partes anterior e superior da face
diafragmática do fígado) são separados em recessos direito e esquerdo pelo lig.
falciforme, que se estende entre o fígado e a parede anterior do abdome.

Figura 98: Fígado; face diafragmática.

245
Resumo de Anatomia Humana

Face Visceral
A face visceral (póstero-inferior) é irregularmente côncava pela presença de
impressões viscerais.
A face visceral é subdividida em 4 lobos (direito, esquerdo, quadrado e caudado) pela
presença de depressões em sua área central, que no conjunto se compõem formando
um "H", com 2 ramos verticais e um transversal que os une.
o A barra central horizontal é o hilo do fígado, por onde entram ou saem
estruturas vasculares (v. porta, a. hepática própria e vasos linfáticos),
nervosas (plexo nervoso hepático) e ductos hepáticos (biliares).
o A haste vertical esquerda está constituída pela fissura para o lig. redondo,
anteriormente, e pela fissura para o lig. venoso, posteriormente.
o A haste vertical direita está constituída pela fossa para a vesícula biliar,
anteriormente, e pelo sulco para a v. cava inferior, posteriormente.
A face visceral é coberta por peritônio exceto na fossa da vesícula biliar e no hilo do
fígado.
A face visceral possui ainda três grandes impressões deixadas por órgãos: impressão
gástrica, pelo estômago no lobo esquerdo; impressão cólica, pelo colo transverso do
intestino grosso; impressão renal, pelo rim direito no lobo direito. Outras três
impressões menores são: impressão duodenal, impressão pilórica e impressão esofágica.
Embora o lobo direito seja considerado por muitos anatomistas como incluindo o
lobo quadrado (inferior) e o lobo caudado (posterior), com base na morfologia interna,
os lobos quadrado e caudado pertencem mais apropriadamente ao lobo esquerdo. O
lobo caudado possui ainda um processo papilar e um processo caudado.

Figura 99: Fígado; face visceral.

246
FELIX, Fernando Álison M. D.

Subdivisão Funcional do Fígado


São 8 segmentos hepáticos divididos de acordo com os principais ramos da a.
hepática própria e da v. porta. Sua importância é apenas cirúrgica, pois possibilita aos
cirurgiões a remoção de apenas alguns segmentos com um mínimo de lesão.

Relações Anatômicas do Fígado


A face visceral do fígado está em contado com vários órgãos:
o Lobo esquerdo: com o esôfago, o estômago e omento menor;
o Lobo quadrado: com a primeira parte do duodeno;
o Lobo direito: com o rim direito e a flexura cólica direita, deles separado
apenas pelo recesso hepatorrenal.
Relações peritoneais: omento menor:
o Lig. hapatoduodenal: margem livre e espessa, encerra as estruturas que
atravessam o hilo do fígado, inclusive a tríade portal (ducto colédoco, a.
hepática prórpia e v. porta);
o Lig. hepatogástrico: lâmina delgada, estende-se entre o sulco do lig. venoso
do fígado e a curvatura menor do esômago.

Funções do Fígado
o Produz bile que auxilia na digestão e absorção das gorduras, logo, a bile é um
emulsificador de gorduras;
o Síntese de proteínas;
o Metabolismo intermediário (carboidratos, lipídios e proteínas);
o Desintoxicação (fármacos, hormônios, etc.);
o Armazenamento de ferro, cobre, vitaminas e glicogênio;
o Ativação da vitamina D;
o Forma células sanguíneas (hematopoiese) no feto.

Vascularização e Inervação do Fígado


Para descrevermos a irrigação e drenagem venosa do fígado, é importante
lembrarmo-nos das peculiaridades que este órgão possui com relação a mesma.
O sangue arterial chega até o fígado através da artéria hepática própria, proveniente
indiretamente do tronco celíaco. Essa pode penetra no pedículo hepático ou dividir-se
antes em artéria hepática direita e artéria hepática esquerda. Menos frequentemente,
além das duas últimas, podemos ter ramos para o lobo quadrado e/ou caudado.
Além da artéria hepática, também penetra no pedículo hepático, a veia porta. Esta é
proveniente da união da artéria mesentérica superior e esplênica. Esta, mesmo
contendo sangue venoso, trás para o fígado os nutrientes há pouco absorvidos nos
intestinos. Desta forma, os nutrientes podem ser rapidamente processados. Dentro do
fígado, a veia porta se ramifica dando os capilares sinusóides. Estes se reuniram
formando as veias hepáticas que drenam todo o sangue proveniente do fígado (tanto da
veia porta como da artéria hepática) para a veia cava inferior.
A drenagem linfática do fígado é feita por linfonodos celíacos que, assim, atingem a
cisterna do quilo e ducto torácico.
A inervação do fígado é feita por fibras do plexo hepático provenientes do plexo
celíaco.

247
Resumo de Anatomia Humana

Vesícula Biliar
A função digestiva do fígado é produzir a bile, uma secreção verde amarelada, para
passar para o duodeno. A bile é produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar, que
a concentra por meio da absorção de água e sais. A vesícula libera bile quando gorduras
entram no duodeno (pois as gorduras estimulam o duodeno a secretar colecistoquinina,
a qual induz a contração da vesícula biliar). A bile emulsiona a gordura e a distribui para
a parte distal do intestino para a digestão e absorção.
A vesícula biliar (7–10 cm de comprimento) situa-se na fossa da vesícula biliar na
face visceral do fígado. A relação da vesícula biliar com o duodeno é tão íntima que a
parte superior do duodeno normalmente é manchada com bile no cadáver. A vesícula
biliar possui três partes: fundo, corpo (anterior ao duodeno) e colo (superior ao duodeno
e contínuo com o ducto cístico). A face hepática da vesícula biliar fixa-se ao fígado pelo
tecido conjuntivo da cápsula fibrosa do fígado (ou de Glisson). O restante de sua
superfície é revestido por peirtônio, fixando a vesícula contra o fígado. A vesícula biliar
tem capacidade para até 50 ml de bile.
A mucosa do ducto cístico e do colo da vesícula apresenta pregas em espiral que
podem facilitar o fluxo e o refluxo da bile.

Ductos Biliares
Os ductos biliares podem ser classificados em intra-hepáticos e extra-hepáticos, mas
ambos conduzem bile do fígado para o duodeno. Os ductos e canalículos biliares intra-
hepáticos drenam para os ductos hepáticos direito e esquerdo que, ao atravessarem o
hilo, unem-se para formar o ducto hepático comum. O ducto cístico (4 cm de
comprimento) liga a vesícula biliar ao ducto hepático comum formando o ducto
colédoco (5-15 cm), que conduz a bile para o duodeno.

Figura 100: Vesícula biliar e ductos biliares.

248
FELIX, Fernando Álison M. D.

O ducto colédoco desce posterior a parte superior do duodeno e situa-se em um


sulco na face posterior da cabeça do pâncreas. No lado esquerdo da parte descendente
do duodeno, o ducto colédoco encontra e se une ao ducto pancreático principal para
formar a ampola hepatopancreática (ou de Vater). A extremindade distal desta ampola
abre-se na parte descendente do duodeno através da papila duodenal maior.

Vascularização e Inervação da Vesícula Biliar


A vesícula biliar possui sua irrigação feita pela artéria cística, ramo da artéria
hepática comum. A drenagem venosa é feita por pequenas veias que drenam
diretamente para o fígado. Os vasos linfáticos anastomosam-se com os do fígado e os do
pâncreas. A inervação é dada por fibras provenientes do plexo hepático.

Pâncreas
O pâncreas é achatado no sentido ântero-posterior, ele apresenta uma face anterior
e outra posterior, com margens superior, anterior e inferior e sua localização é posterior
ao estômago.
O pâncreas produz através de uma
o Secreção exócrina: suco pancreático (produzido pelo ácinos serosos) que
entra no duodeno através dos ductos pancreáticos. O pâncreas produz
diariamente 1200-1500 ml de suco pancreático;
o Secreção endócrina: glucagon e insulina (produzidos pelas ilhotas
pancreáticas de langerhans) que entram no sangue.
O comprimento varia de 12-15 cm e seu peso na mulher é de 15 g e no homem 16 g.

Figura 101: Pâncreas e suas relações anatômicas. Alguns órgãos foram seccionados. (Vista anterior)

249
Resumo de Anatomia Humana

Estende-se do duodeno ao baço, colado à parede abdominal posterior


(retroperitoneal, exceto a cauda).
O pâncreas divide-se em cabeça, colo, corpo e cauda.
A cabeça do pâncreas é “abraçada” pela concavidade do duodeno e
inferomedialmente aos vasos mesentéricos superiores. A cabeça do pâncreas está
apoiada posteriormente na veia cava superior, vasos renais direito e veia renal
esquerda. O ducto colédoco situa-se posterior à cabeça do pâncreas.
O colo do pâncreas está situado sobre os vasos mesentéricos superiores. A veia
mesentérica superior une-se à veia esplênica, posteriormente ao colo, para formar a
veia porta.
O corpo do pâncreas cruza a aorta e a vértebra L2, posteriormente à bolsa omental.
Relaciona-se com a aorta e a glândula suprarrenal, vasos renais e rim esquerdos.
A cauda do pâncreas situa-se anteriormente ao rim esquerdo, onde está
intimamente relacionada ao hilo esplênico e à flexura cólica esquerda. É relativamente
móvel e passa dentro do lig. esplenorrenal com os vasos esplênicos. Logo a cauda do
pâncreas não é retroperitoneal.
Os vasos esplênicos, tortuosos, correm na margem superior do corpo do pâncreas. O
mesocolo transverso fixa-se horizontalmente na margem anterior do pâncreas.

Ductos Pancreáticos
O ducto pancreático principal (ou de Virsung) começa na cauda do pâncreas e corre
em direção à sua cabeça, recebendo durante seu trajeto ductos interlobulares; na
cabeça se curva inferiormente para unir-se com o ducto colédoco e formar a ampola
hepatopancreática (ou de Vater) que se abre na papila duodenal maior.
Frequentemente (60%) a parte superior da cabeça do pâncreas é drenada por um
ducto pancreático acessório (ou de Santorini) que se abre na paila duodenal menor, um
pouco acima da desembocadura da ampola hepatopancreática.

Figura 102: Pâncreas e ductos pancreáticos.

O pâncreas tem as seguintes funções:


o Dissolver carboidrato (amilase pancreática);
o Dissolver proteínas (tripsina, quimotripsina, carboxipeptidase e elastase);
o Dissolver triglicerídeos nos adultos (lipase pancreática);
o Dissolver ácidos nucléicos (ribonuclease e desoxirribonuclease).

250
FELIX, Fernando Álison M. D.

Vascularização e Inervação do Pâncreas


A irrigação do pâncreas é feita de acordo com as porções do pâncreas. A cabeça é
irrigada pelas artérias pancreaticoduodenais superior e inferior. A primeira é um ramo
terminal da artéria gastroduodenal. A segunda é ramo da artéria mesentérica superior.
As artérias pancreaticoduodenais se dividem em dois ramos, um anterior e outro,
posterior. Os ramos anteriores se anastomosam formando a arcada anterior da cabeça
do pâncreas. Da mesma forma, os ramos posteriores também se anastomosam
formando a arcada posterior da cabeça do pâncreas. A irrigação do colo do pâncreas é
dada pela artéria dorsal do pâncreas. O corpo é irrigado pela artéria magna do pâncreas.
A cauda é irrigada pela artéria caudal do pâncreas. Os últimos três ramos são
provenientes da artéria esplênica.
A drenagem venosa é feita por veias que acompanham as artérias e recebem o
mesmo nome. A drenagem linfática é feita por linfonodos adjacentes: lienais, hepáticos,
mesentéricos e celíacos.
A inervação é dada por fibras provenientes dos plexos celíaco e mesentéricos. Estas
fibras atingem o pâncreas através das artérias. Entretanto, a resposta deste órgão a
estímulos é principalmente química.

BAÇO
O baço está situado na região do hipocôndrio esquerdo, entre o fundo do estômago
e o diafragma, onde recebe proteção das costelas IX, X e XI. Ele é mole, de consistência
muito friável, altamente vascularizado e de uma coloração púrpura escura. O tamanho e
peso do baço varia muito, no adulto tem cerca de 12 cm de comprimento, 7 cm de
largura e 3 cm de espessura. Pesando cerca de 150 g.
O baço é um órgão linfóide apesar de não filtrar linfa, ou seja, é um órgão excluído
da circulação linfática, porém interposto na circulação sanguínea e cuja drenagem
venosa passa, obrigatoriamente, pelo fígado. Possui grande quantidade de macrófagos
que, através da fagocitose, destroem micróbios, restos de tecidos, substâncias
estranhas, células do sangue em circulação já desgastadas como eritrócitos, leucócitos e
plaquetas. Dessa forma, o baço filtra o sangue. O baço também tem participação na
resposta imune, reagindo a agentes infecciosos (produz linfócitos e anticorpos).
Inclusive, é considerado por alguns cientistas, um grande nódulo linfático.
Não é um órgão vital, porém uma laceração do baço pode causar uma hemorragia
fatal.
O baço possui uma cápsula fibroelástica fina. É totalmente circundado por peritônio,
exceto no hilo esplênico. É móvel e está apoiado sobre a flexura cólica esquerda.
A face diafragmática do baço é convexa e se encaixa na concavidade do diafragma.
A margem superior apresenta chanfraduras.
A extremidade posterior é arredondada. A extremidade anterior é aguda.
Na face visceral pode-se identificar as impressões gástrica, cólica e renal,
relacionadas, respectivamente com o estômago (anteriormente), flexura cólica esquerda
(inferiormente) e rim esquerdo (medialmente).
Através do hilo do baço na face visceral entram e saem os ramos esplênicos dos
vasos esplênicos.

251
Resumo de Anatomia Humana

O baço está ligado à curvatura maior do estômago pelo lig. gastroesplênico e ao rim
esquerdo pelo lig. esplenorrenal (este último acomoda a cauda do pâncreas). Esses
ligamentos, contendo vasos esplênicos, estão fixados ao hilo do baço.
Suas principais funções são as de reserva de sangue, para o caso de uma hemorragia
intensa, destruição dos glóbulos vermelhos do sangue e preparação de uma nova
hemoglobina a partir do ferro liberado da destruição dos glóbulos vermelhos.

Figura 103: Baço.

VASCULARIZAÇÃO GERAL DAS VÍSCERAS ABDOMINAIS


Artéria Aorta – Porção Abdominal
Ao atravessar o hiato aórtico do diafragma até a altura da quarta vértebra lombar,
onde termina, a aorta é representada pela porção abdominal.
Nesta porção a aorta fornece vários ramos colaterais e dois terminais.
Ramos da aorta abdominal:
o Parietais:
 Aa. frênicas inferiores;
 Aa. lombares;
 A. sacral mediana.
o Viscerais:
 Aa. suprarrenais médias;
 Aa. renais;
 Aa. gonadais;

252
FELIX, Fernando Álison M. D.

 Tronco celíaco;
 A. mesentérica superior;
 A. mesentérica inferior.
Os ramos terminais da artéria aorta são artéria ilíaca comum direita e artéria ilíaca
comum esquerda.

Tronco Celíaco
Vaso curto e calibroso que se origina imediatamente abaixo do hiato aórtico do
diafragma, anteriormente do contorno da aorta. Dá origem às:
o A. gástrica esquerda;
o A. hepática comum;
o A. esplênica.

A. gástrica esquerda
Acompanha a curvatura menor do estômago. Fornece ramos esofágicos. Pode
originais a a. hepática esquerda. Termina anastomosando-se com a a. gástrica direita.

A. esplênica
Dirige-se para a esquerda com trajeto tortuoso ao longo da margem superior do
corpo do pâncreas. Ramos mais importantes:
o Aa. gástricas curtas;
o A. gastromental esquerda – acompanha a curvatura maior do estômago e
termina anastomosando-se com a a. gastromental direita.
o A. pancreática dorsal;
o A. pancreática magna;
o Aa. pancreáticas caudais;
o A. pancreática inferior.

A. hepática comum
Bastante variável. Divide-se em:
o A. hepática própria – ascende no lig. hepatoduodenal para o fígado onde se
divide em aa. hepáticas direita e esquerda, que penetram no fígado para
irrigá-lo; usualmente origina a a. cística para a vesícula biliar; origina a a.
gástrica direita, que corre ao longo da curvatura menor do estômago e
anastomosam-se com a a. gástrica esquerda.
o A. gastroduodenal – desce posteriormente à primeira porção do duodeno,
emite ramos duodenais, mas os principais ramos são os seguitnes:
 Aa. pancreaticoduodenais superiores: anastomosam-se com as aa.
pancreaticoduodenais inferiores que irrigam, juntas, a cabeça do
pâncreas;
 A. gastromental direita: na curvatura maior do estômago anastomosa-se
com a a. gastromental esquerda.

Artéria Mesentérica Superior


Origina-se do contorno anterior da aorta, inferiormente ao tronco celíaco. Irriga:
parte do pâncreas, todo o intestino delgado (exceto parte do duodeno), e o intestino
grosso (desde o ceco até a flexura cólica esquerda). Nasce posteriormente ao pâncreas e

253
Resumo de Anatomia Humana

desce na frente do seu processo uncinado e da terceira porção do duodeno. A seguir


entra na raiz do mesentério. Principais ramos:
o Aa. pancreaticoduodenais inferiores – anastomosam-se com as aa.
pancreaticoduodenais superiores para irrigarem a cabeça do pâncreas;
o Aa. jejunais e ileais;
o A. cólica média;
o A. cólica direita;
o A. ileocólica.

Aa. jejunais e ileais


Número variável, pois formam uma rede vascular repleta de arcadas. Nascem do
contorno esquerdo da a. mesentérica superior. Irrigam as alças intestinais (jejuno e íleo).

A. cólica média
É o ramo mais superior. Divide-se em ramos direito e esquerdo. Irriga colo
transverso.

A. cólica direita
Irriga colo ascendende.

A. ileocólica
O mais inferior dos ramos; irriga a parte terminal do íleo, o ceco (aa. cecais anterior
e posterior) e o apêndice vermiforme (a. apendicular).

Artéria Mesentérica Inferior


Origina-se no terço inferior da aorta abdominal. Emite ramos para o colo
descendente, sigmóide e parte superior do reto (até a ampola). Principais ramos:
o A. cólica esquerda;
o Aa. sigmóideas;
o A. retal superior.

Veias Abdominais
A maioria acompanha as artérias correspondentes e não há, portanto, necessidade
de descrevê-las.
A drenagem das vísceras abdominais é feita para o sistema porta do fígado, e daí
para a veia cava inferior.
A v. porta resulta da fusão das vv. mesentérica superior e esplênica, posteriormete
ao colo do pâncreas, de onde dirige-se para o fígado.
A v. esplênica recebe a v. mesentérica inferior antes de se unir à v. mesentérica
superior.
Três shunts porta-sistêmicos importantes:
vv. retais – produzem hemorróidas externas;
vv. paraumbilicais – produzem a cabeça de medusa na hipertensão portal;
vv. gástricas com esofageanas – pode produzir varizes esofágicas na hipertensão
portal.
Esses shunts ocorrem entre os vasos citados com os vasos superficiais que
comunicam a v. femoral com a v. subclávia.

254
FELIX, Fernando Álison M. D.

PERITÔNIO E CAVIDADE PERITONEAL


O peritônio é uma membrana serosa (mesotélio: epitélio pacimentoso simples) de
parede dupla que forra a parede abdominal (peritônio parietal) e dela se reflete sem
solução de continuidade sobre as vísceras para revestí-las em variável extensão
(peritônio visceral), a semelhança do que a pleura faz no tórax.
A cavidade peritoneal é um espaço virtual com espessura capilar, situado entre as
lâminas parietal e visceral do peritônio. Contém uma fina película de líquido peritoneal,
que permite o deslizamento de uma víscera sobre outra sem atrito. Sob certas
circunstâncias, a cavidade peritoneal torna-se real como nos derrames de ar ou líquido
(pneumoperitônio, ascite, hemoperitônio, derrames de bile, conteúdo gástrico ou
intestinal, etc) ou introdução artificial de ar ou líquido para fins de diagnóstico ou
tratamento. Também a abertura cirúrgica ou traumática do peritônio, após secção dos
planos parietais, ao permitir a entrada de ar, transforma a cavidade peritoneal de virtual
em real.
Em decorrência da disposição das vísceras abdominais, bem como de seu
desenvolvimento embrionário, o peritônio apresenta algumas formações próprias:
o Os mesos que são reflexões do peritônio parietal posterior, constituídos por
duas lâminas, que relacionam a parede abdominal com sua respectiva
víscera, fixando-a e ao mesmo tempo dando-lhe mobilidade. O espaço entre
as duas lâminas do meso é preenchido por tecido extraperitoneal, pelo qual
passam vasos, nervos e linfáticos em direção a víscera. Os mesos existentes
são o mesentério, para o jejuno e o íleo, o mesocolo transverso, para o colo
transverso e o mesossigmóide, para o colo sigmóide;
o Os ligamentos que são ou reflexões peritoneais de dupla lâmina que vão do
peritônio parietal anterior a uma víscera ou reflexões peritoneais entre uma
víscera e outra;
o Os omentos são reflexões peritoneais largas, amplas, que se dispõe entre
duas vísceras. Os omentos existentes são o omento menor entre o fígado e a
curvatura menor do estômago e a primeira porção do duodeno e o omento
maior que vai da curvatura maior do estômago ao colo transverso e deste se
dispõe como um “avental”, anteriormente às alças intestinais.
Estes conceitos são generalizações e como tal, admitem exceções. Assim, existem
ligamentos que se prendem à parede posterior, como o esplenorrenal e a lâmina
posterior do ligamento falciforme e ligamentos denominados de mesos, sem partirem
da parede posterior, como o mesoapêndice ou o mesossalpinge.
As vísceras abdominais são classificadas conforme sua relação ao peritônio em
peritonizadas, extraperitoneais e intraperitoneais.
As peritonizadas são aquelas quase totalmente envolvidas por peritônio visceral,
ficando sem este revestimento somente numa estreita faixa que corresponde a região
onde o meso ou ligamento se delamina para revestir a víscera, tornando-se peritônio
visceral.
As extraperitoneais são aquelas situadas externamente ao peritônio parietal, o qual
pode revestir uma ou mais faces da víscera, mas sem envolvê-la quase completamente
(neste caso ela seria peritonizada). Como a maior parte dos órgãos extraperitoneais
situa-se posteriormente ao peritônio parietal posterior é comum chamá-los de
retroperitoneais.

255
Resumo de Anatomia Humana

A única víscera intraperitoneal é o ovário, pois se situa na cavidade peritoneal. Além


disto, como a tuba uterina se abre tanto para a cavidade peritoneal quanto para o útero
e este se comunica com a vagina, a cavidade peritoneal está, por esta via, em
comunicação com o meio externo. Assim, enquanto no sexo masculino a cavidade
peritoneal é fechada, no sexo feminino é uma cavidade aberta, o que justifica o fato de
infecções dos órgãos genitais femininos alcançarem e envolverem o peritônio.

Formações Peritoneais
Mesentério: fixa o jejuno e o íleo à parede posterior do abdome. Sua raiz cruza a
parede posterior do abdome em diagonal, da junção duodenojejunal à junção íleocólica.
O omento maior é uma larga prega peritoneal que do estômago se estende como
um avental ocultando as alças do jejuno e do íleo.
O omento menor conecta a curvatura menor do estômago e a parte proximal do
duodeno ao fígado. É composto por 2 ligamentos contínuos entre si:
o Lig. hepatogástrico: porção mais delgada;
o Lig. hepatoduodenal: margem livre espessa, que dá passagem à tríade portal.
O fígado se conecta ainda à parede anterior do abdome pelo lig. falciforme.
O estômago está conectado:
o À superfície inferior do diafragma pelo lig. gastrofrênico;
o Ao colo transverso pelo lig. gastrocólico (parte do omento maior);
o Ao baço pelo lig. gastroesplênico (ou gastrolienal);
O mesocolo transverso divide a cavidade abdominal em um compartimento
supramesocólico, contendo o estômago, fígado e baço, e um compartimento
inframesocólico, contendo o intestino delgado e os colos ascendente e descendente.
O compartimento inframesocólico situa-se posteriormente ao omento maior e é
dividido em espaços inframesocólicos direito e esquerdo pelo mesentério.
Há comunicação livre entre os compartimentos supramesocólico e inframesocólico
através dos sulcos paracólicos, entre as faces laterais dos colos ascendente e
descendente e a parede póstero-lateral do abdome. Os sulcos paracólicos foram-se
quando o peritônio passa sobre os colos ascendente e descendente para revestir a
parede abdominal póstero-lateralmente.
A bolsa omental é um espaço amplo e irregular que se situa posteriormente ao
estômago e omento menor. Possui um recesso superior e outro inferior. Comunica-se
com o restante da cavidade peritoneal através do forame omental (forame epiplóico ou
de Winslow), uma abertura situada posteriormente ao lig. hepatoduodenal.

Percurso Peritoneal
Peritônio Parietal Anterior
1. O peritônio (visceral) reveste superfície inferior anterior do diafragma;
2. Reflete-se sobre o fígado (na parte superior da face diafragmática) formando a
lâmina anterior do lig. coronário;
3. Continua revestindo o restante anterior da face diafragmática do fígado com uma
prega peritoneal ligada à parede anterior do abdome: o lig. falciforme;
4. Ao chegar à margem inferior do fígado, dobra-se sobre a face visceram até a
região do hilo do fígado;

256
FELIX, Fernando Álison M. D.

5. Aí se volta inferiormente em direção à curvatura menor do estômago, formando a


lâmina anterior do omento menor;
6. Continua revestindo a face anterior do estômago até sua curvatura maior;
7. Daí uma longa e larga expansão peritoneal desce, dobra sobre si e sobe
novamente até o colo transverso: formou-se a parede externa do omento maior;
8. Continua ascendendo (cobrindo a face posterior do colo transverso) até a margem
anterior do pâncreas, formando a lâmina posterior do mesocolo transverso;
9. A partir daí, o peritônio segue inferiormente, passando anteriormente ao
duodeno, e reveste separadamente as alças intestinais, dando origem ao mesentério, o
qual tem sua raiz fixada a parede posterior do abdome até chegar ao colo sigmóide,
onde o reveste formando o mesocolo sigmóide;
10. Daí o peritônio, já na cavidade pélvica, difere de acordo com o sexo:
o ♀: peritônio desce sobre a parede anterior do reto e sobe sobre a face
posterior do útero, deixando um recesso entres estes dois órgãos, a
escavação retouterina (ou fundo-de-saco de Douglas); o peritônio segue
revestindo o restante do corpo e fundo do útero (já na face anterior) e sobe
sobre a bexiga deixando outro recesso, a escavação vesicouterina;
o ♂: peritônio desce sobre a parede anterior do reto e sobe sobre a bexiga,
deixando um recess entre eles, a escavação retovesical;
11. Da bexiga, o peritônio segue superiormente revestindo a parede anterior do
abdome (peritônio parietal anterior).

Figura 104: Revestimento peritoneal e cavidade peritoneal. (Nomenclatura inglesa)

Peritônio Parietal Posterior


1. O peritônio (visceral) reveste a superfície inferior posterior do diafragma;
2. Reflete-se sobre o fígado (na parte superior do face diafragmática) formando a
lâmina posterior da lig. coronário;
o Entre as duas lâminas desse ligamento está a área nua do fígado
(desperitonizada);
o As junções laterais das duas lâminas formam os ligg. triangulares direito e
esquerdo;

257
Resumo de Anatomia Humana

3. Continua revestindo a superfície posterior da face diafragmática;


4. Dobra-se sobre a face visceral do fígado, revestindo a superfície posterior até a
região do hilo do fígado;
5. Aí se volta inferiormente em direção à curvatura menor do estômago, formando a
lâmina posterior do omento menor;
6. Continua revestindo a face posterior do estômago até sua curvatura maior;
7. Daí uma longa e larga expansão peritoneal desce e sobe até o colo transverso,
formando a parede interna do omento maior;
8. Ascende revestindo a face anterior do colo transverso e daí até a margem anterior
do pâncreas formando a lâmina anterior do mesocolo transverso;
9. Daí ascende revestindo a superfície anterior do pâncreas;
10. Chega à parede posterior do abdome (peritônio parietal posterior).

Lembrando sempre que a partir do momento que o peritônio parietal reveste uma
víscera, passa a ser denominado peritônio visceral.

258
FELIX, Fernando Álison M. D.

Sistema Urinário

O
sistema urinário é constituído pelos órgãos uropoéticos, isto é, incumbidos
de elaborar a urina e armazená-la temporariamente até a oportunidade de
ser eliminada para o exterior. Na urina encontramos ácido úrico, ureia,
sódio, potássio, bicarbonato, etc.
Este aparelho pode ser dividido em órgãos secretores (produzem a urina) e órgãos
excretores (são encarregados de processar a drenagem da urina para fora do corpo).
Os órgãos urinários compreendem os rins (2), que produzem a urina, os ureteres (2),
que transportam a urina para a bexiga (1), onde fica retida por algum tempo, e a uretra
(1), através da qual é expelida do corpo.
Além dos rins, as estruturas restantes do sistema urinário funcionam como um
encanamento constituindo as vias do trato urinário. Essas estruturas – ureteres, bexiga e
uretra – não modificam a urina ao longo do caminho, ao contrário, elas armazenam e
conduzem a urina do rim para o meio externo.

Figura 105: Órgãos que compõem o Sistema Urinário.

259
Resumo de Anatomia Humana

RINS
Os rins são órgãos pares capsulados, em forma de grão de feijão, localizados logo
acima da cintura, entre o peritônio e a parede posterior do abdome (retroperitoneais).
Sua coloração é vermelho-parda.
Os rins estão situados de cada lado da coluna vertebral, por diante da região
superior da parede posterior do abdome, no nível das vértebras T12 a L3.
Cada rim tem cerca de 11 cm de comprimento, 5 a 7,5 cm de largura e um pouco
mais que 2,5 cm de espessura. O esquerdo é um pouco mais comprido e mais estreito
do que o direito. O peso do rim do homem adulto varia entre 125 a 170 g; na mulher
adulta, entre 115 a 155 g. O rim direito normalmente situa-se ligeiramente abaixo do
rim esquerdo devido ao grande tamanho do lobo direito do fígado.
Os rins são recobertos pelo peritônio e circundados por uma massa de gordura
(gordura perirrenal) e de tecido areolar frouxo, que se estende até os seios renais.
Os rins, as suprarrenais e a gordura que os circundam estão encerrados pela fáscia
renal. Externamente à fáscia renal está o corpo adiposo pararrenal (ou gordura
paranéfrica).
A fáscia renal e as gorduras perinéfrica e paranéfrica ajudam a manter os rins em
posição relativamente fixa.
Na face súpero-medial de cada rim encontra-se uma glândula suprarrenal
(capsulada), separada do rim por uma delgada fáscia.
Relações anatômicas:
o Superior: gll. suprarrenais e diafragma;
o Posterior: m. quadrado lombar, n. e vasos subcostais, n. ílio-hipogástrico e n.
ílio-inguinal;
o Anterior ao rim direito: fígado, duodeno e colo ascendente.
o Anterior ao rim esquerdo: estômago, baço, pâncreas, jejuno e colo
descendente.
Na margem medial côncava de cada rim encontra-se uma fenda vertical – o hilo
renal – onde a artéria renal entra e a veia e a pelve renal deixam o seio renal. No hilo, a
veia renal está anterior à artéria renal, que está anterior à pelve renal. O seio renal é
uma dilatação do hilo renal ocupado pela pelve renal, cálices, nervos, vasos sanguíneos e
linfáticos e uma variável quantidade de gordura (perinéfrica).
Cada rim apresenta faces anterior e posterior, margens medial (côncava) e lateral
(convexa), e pólos superior e inferior.

Anatomia Interna dos Rins


Em um corte frontal através do rim, são reveladas duas regiões distintas: uma área
avermelhada de textura lisa, chamada córtex renal e uma área marron-avermelhada
profunda, denominada medula renal.
A medula consiste em 8-18 estruturas cuneiformes, as pirâmides renais. A base
(extremidade mais larga) de cada pirâmide olha o córtex, e seu ápice (extremidade mais
estreita), chamado papila renal, aponta para o hilo do rim. As partes do córtex renal que
se estendem entre as pirâmides renais são chamadas colunas renais.
Juntos, o córtex e as pirâmides renais da medula renal constituem a parte funcional,
ou parênquima do rim. No parênquima estão as unidades funcionais dos rins – cerca de
1 milhão de estruturas microscópicas chamadas néfrons. A urina, formada pelos néfrons,

260
FELIX, Fernando Álison M. D.

drena para os grandes ductos coletores, que se estendem ao longo das papilas renais
das pirâmides.
Os ductos coletores drenam para estruturas chamadas cálices renais menor e maior.
Cada rim tem 8-18 cálices menores e 2-3 cálices maiores. O cálice renal menor recebe
urina dos ductos coletores de uma papila renal e a transporta até um cálice renal maior.
Do cálice renal maior, a urina drena para a grande cavidade chamada pelve renal e
depois para fora, pelo ureter, até a bexiga urinária.

Figura 106: Rim - esquema da anatomia interna.

Néfrons
O néfron é a unidade morfofuncional ou a unidade produtora de urina do rim. Cada
rim contém cerca de 1 milhão de néfrons.
A forma do néfron é peculiar, inconfundível, e admiravelmente adequada para sua
função de produzir urina. Filtra o sangue retirando o excesso de água, sais e resíduos do
metabolismo protéico, enquanto devolve nutrientes e outras substâncias químicas ao
sangue.
O néfron é formado por dois componentes principais:
o Corpúsculo Renal:
 Cápsula glomerular (de Bowman);
 Glomérulo – rede de capilares sanguíneos enovelados dentro da cápsula
glomerular.
o Túbulo Renal:
 Túbulo contorcido proximal;
 Alça do néfron (de Henle);
 Túbulo contorcido distal;

261
Resumo de Anatomia Humana

 Ducto ou túbulo coletor.

Figura 107: Néfron.

Vascularização dos Rins


As artérias renais são ramos da aorta abdominal.
Cada a. renal divide-se num ramo posterior e num ramo anterior.
O ramo posterior continua-se como a. segmentar posterior.
O ramo anterior divide-se nos seguintes ramos:
o A. segmentar superior;
o A. segmentar ântero-superior;
o A. segmentar ântero-inferior;
o A. segmentar inferior.
As aa. segmentares emitem as aa. interlobares que correm entre as pirâmides. As aa.
interlobares emitem as aa. arqueadas, que estão na junção córtico-medular. As aa.
arqueadas emitem as aa. interlobulares, que dispõem-se radialmente no córtex.
As arteríolas aferentes, ramos das aa. interlobulares, continuam-se como capilares
glomerulares dentro da cápsula glomerular, e saem desta como arteríolas eferentes.
O sistema de drenagem venoso possui nomenclatura homônima às artérias e não se
faz necessário mais comentários.

Funções dos Rins


Os rins realizam o trabalho principal do sistema urinário, com as outras partes do
sistema atuando, principalmente, como vias de passagem e áreas de armazenamento.

262
FELIX, Fernando Álison M. D.

Com a filtração do sangue e a formação da urina, os rins contribuem para a homeostasia


dos líquidos do corpo de várias maneiras. As funções dos rins incluem:
o Regulação da composição iônica do sangue;
o Manutenção da osmolaridade do sangue;
o Regulação do volume sangüíneo;
o Regulação da pressão arterial;
o Regulação do pH do sangue;
o Liberação de hormônios (renina);
o Regulação do nível de glicose no sangue;
o Excreção de resíduos e substâncias estranhas.

URETERES
São dois tubos musculares que transportam a urina dos rins para a bexiga.
Órgãos pouco calibrosos, os ureteres têm menos de 6 mm de diâmetro e 25 a 30 cm
de comprimento.
Pelve renal é a extremidade superior dilatada do ureter, localizada no interior do
rim.
Seguindo obliquamente para baixo e medialmente, o ureter percorre por diante da
parede posterior do abdome, penetrando em seguida na cavidade pélvica, abrindo-se no
óstio do ureter situado no assoalho da bexiga urinária.
Cada ureter apresenta três constrições ao longo do seu trajeto:
o Primeira: na junção do ureter com a pelve renal;
o Segunda: onde o ureter cruza a abertura superior da pelve;
o Terceira: durante sua passagem através da parede da bexiga.
Em virtude desse seu trajeto, distinguem-se duas partes do ureter: abdominal e
pélvica. Os ureteres são capazes de realizar contrações rítmicas denominadas
peristaltismo. A urina se move ao longo dos ureteres em resposta à gravidade e ao
peristaltismo.
A inervação dos rins, ureteres e gll. suprarrenais é feita pelo plexo nervoso renal, a
saber:
o Fibras simpáticas: nn. esplâncnicos abdominopélvicos;
o Fibras parassimpáticas: tronco vagal superior.

BEXIGA
A bexiga urinária funciona como um reservatório temporário para o armazenamento
da urina. Quando vazia, a bexiga está localizada inferiormente ao peritônio e
posteriormente à sínfise púbica: quando cheia, ela se eleva para a cavidade abdominal.
É um órgão muscular oco, elástico que, nos homens situa-se diretamente anterior ao
reto (separado deste pela escavação retovesical) e, nas mulheres está à frente da vagina
e abaixo do útero (separado deste pela escavação vesicouterina). Separada da sínfise
púbica pelo espaço retropúbico (ou de Retzius).
O lig. umbilical mediano se fixa ao ápice da bexiga. Quando a bexiga está cheia, sua
superfície interna fica lisa. Uma área triangular na superfície posterior da bexiga não

263
Resumo de Anatomia Humana

exibe rugas. Esta área é chamada trígono da bexiga e é sempre lisa. Este trígono é
limitado por três vértices: os pontos de entrada dos dois ureteres e o ponto de saída da
uretra. O trígono é importante clinicamente, pois as infecções tendem a persistir nessa
área. A úvula da bexiga é uma pequena elevação do trígono; geralmente é mais
proeminente em homens mais velhos.
As paredes da bexiga são formadas principalmente pelo m. detrusor da bexiga, que
forma o esfíncter interno da uretra (ao redor do óstio interno da uretra), que se contrai
involuntariamente, prevenindo o esvaziamento. Inferiormente ao músculo esfíncter
interno, envolvendo a parte superior da uretra, está o esfíncter externo, que é
controlado voluntariamente, permitindo a resistência à necessidade de urinar.
A capacidade média da bexiga urinária é de 700 – 800 ml; é menor nas mulheres
porque o útero ocupa o espaço imediatamente acima da bexiga.
Irrigação arterial da bexiga – ramos da a. ilíaca interna:
o A. vesical superior;
o A. vesical inferior.

Figura 108: Bexiga. (Corte frontal)

URETRA
A uretra é um tubo que conduz a urina da bexiga para o meio externo, sendo
revestida por mucosa que contém grande quantidade de glândulas secretoras de muco.
A uretra se abre para o exterior através do óstio externo da uretra.
A uretra é diferente entre os dois sexos.
As uretras masculinas e a femininas se diferem em seu trajeto. Na mulher, a uretra é
curta (aproximadamente 4 cm) e faz parte exclusivamente do sistema urinário. Seu óstio
externo localiza-se anteriormente à vagina e entre os lábios menores. Já no homem, a

264
FELIX, Fernando Álison M. D.

uretra faz parte dos sistemas urinário e reprodutor. Medindo cerca de 20 cm, é muito
mais longa que a uretra feminina. Quando a uretra masculina deixa a bexiga, ela passa
através da próstata e se estende ao longo do comprimento do pênis. Assim, a uretra
masculina atua com duas finalidades: conduz a urina e o esperma.

Uretra Masculina
A uretra masculina estende-se do óstio uretral interno na bexiga urinária até o óstio
uretral externo na extremidade do pênis. Apresenta dupla curvatura no estado comum
de relaxamento do pênis. É dividida em quatro porções: a intramural, a prostática, a
membranácea e a esponjosa, cujas estruturas e relações são essencialmente diferentes.
Na uretra masculina existe uma abertura diminuta em forma de fenda, o óstio do ducto
ejaculatório. (Mais informações ver em Sistema Reprodutor masculino)

Uretra Feminina
É um canal membranoso estreito estendendo-se da bexiga ao orifício externa no
vestíbulo. Está colocada dorsalmente à sínfise púbica, incluída na parede anterior da
vagina, e de direção oblíqua para baixo e para frente; é levemente curva, com a
concavidade dirigida para frente. Seu diâmetro, quando não dilatada, é de cerca de 6
mm. Seu óstio externo fica imediatamente na frente da abertura vaginal e cerca de 2,5
cm dorsalmente à glande do clitóris. Muitas e pequenas glândulas uretrais abrem-se na
uretra. As maiores destas são as glândulas parauretrais, cujos ductos desembocam
exatamente dentro do óstio uretral.

265
Resumo de Anatomia Humana

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
o NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana (3ª Ed.). Porto Alegre: Artmed,
2003.
o MOORE, Keith L.; DALLEY, Arthur F. Anatomia orientada para a clínica (5ª
Ed.). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
o GARDNER, Ernest; GRAY, Donald J.; O'RAHILLY, Ronan. Anatomia (4ª Ed.). Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.
o DÂNGELO, José G.; FATTINI, Carlo A. Anatomia humana sistêmica e
segmentar (3ª Ed.). São Paulo: Atheneu, 2007.
o GRAY, Henry. Tratado de Anatomia Humana (24ª Ed.). Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 1946.
o ROHEN, Johannes W.; YOKOCHI, Chihiro. Anatomia Humana (2ª Ed.). São
Paulo: Manole, 1989.
o SOBOTTA, Johannes. Atlas de Anatomia Humana (22ª Ed.). Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2007.
o MACHADO, Ângelo. Neuroanatomia Funcional (2ª Ed.). São Paulo: Atheneu,
2004.
o NETTO, Arlindo Ugulino. Neuroanatomia. Famene, 2010.
o www.auladeanatomia.com

266