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PETROBRAS

RECURSOS HUMANOS
SISTEMA EDUCACIONAL CORPORATIVO DA PETROBRAS
PÓS-GRADUAÇÃO EM EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS APLICADOS À INDÚSTRIA
DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL

Emmanuel Cordeiro Dias

ESTUDO E ESPECIFICAÇÃO DE FONTES ININTERRUPTAS DE


ENERGIA EM CORRENTE CONTÍNUA-
UPS CC

Rio de Janeiro
2011
EMMANUEL CORDEIRO DIAS

ESTUDO E ESPECIFICAÇÃO DE FONTES ININTERRUPTAS DE


ENERGIA EM CORRENTE CONTÍNUA-
UPS CC

Monografia apresentada ao Curso de Pós-


Graduação Lato Sensu em Equipamentos
Elétricos Aplicados à Indústria de Petróleo e Gás
Natural do Sistema Educacional Corporativo da
Petrobras, como requisito parcial para a obtenção
do grau de especialista.

Orientadores: Jaime Mourente, D. Sc.


Geraldo Bieler, Eng.

Rio de Janeiro
2011
EMMANUEL CORDEIRO DIAS

ESTUDO E ESPECIFICAÇÃO DE FONTES ININTERRUPTAS DE


ENERGIA EM CORRENTE CONTÍNUA -
UPS CC

Monografia apresentada ao Curso de


Pós-Graduação Lato Sensu em
Equipamentos Elétricos Aplicados à
Indústria de Petróleo e Gás Natural do
Sistema Educacional Corporativo da
Petrobras, como requisito parcial para
a obtenção do grau de especialista.

Aprovado em 3 de maio de 2011.

BANCA EXAMINADORA:

___________________________________________________________
Jaime Mourente Miguel, D. Sc. (Orientador) – RH/Universidade Petrobras

___________________________________________________________
Geraldo Bieler, Eng. – AB-RE/ES/TAIE

___________________________________________________________
Diógenes Dutra, M. Sc. – UO-BC/ENGP/EGMSE

___________________________________________________________
Waldir de Melo Mota Junior, M. Sc. – E&P-ENGP/IPP/EISA

___________________________________________________________
Thiago Trezza Borges, M. Sc. – MATERIAIS/OGBS/PDR

Rio de Janeiro
2011
A todos que torcem pelo meu sucesso.
A Deus pela oportunidade.
AGRADECIMENTOS

A Deus pela força fornecida nos momentos difíceis.


Aos professores do curso de formação pelo empenho sempre constante,
auxiliando através de seus ensinamentos que contribuíram para a realização desse
trabalho.
Aos novos colegas de trabalho pela amizade e aportes fornecidos.
A todos os amigos e familiares que contribuíram direta ou indiretamente na
realização desse trabalho, incentivando e torcendo por sua conclusão.
A Petrobras pelo suporte financeiro fornecido e por apostar no crescimento
profissional de seus colaboradores.
"O que eu faço é uma gota no meio de um oceano.
Mas sem ela, o oceano será menor"
(Madre Teresa de Calcutá)
RESUMO

Este trabalho apresenta um estudo sobre Fontes Ininterruptas de Energia com


tensão de saída contínua, as chamadas UPS’s CC. Serão abordados o princípio de
funcionamento, as principais partes constituintes, ensaios típicos realizados, bem
como novas funções encontradas e disponibilizadas por esse equipamento.
Os blocos de funcionamento, como etapa de retificação, etapa de correção de fator
de potência, baterias utilizadas e sensores que estão presentes em todo o sistema
também serão abordados.
O sistema UPS CC é capaz de promover a regulação da tensão de saída contínua e
controlar o fluxo de energia entre um banco de baterias e o barramento CC, além de
garantir que oscilações de potência e de tensão da alimentação alternada não
apareçam na saída.
Dessa forma, esse sistema funciona como fonte alternativa de energia, através do
banco de baterias, fornecendo energia para a carga em casos de emergência,
atuando também na correção do fator de potência de entrada e na redução de
distorções harmônicas.

PALAVRAS-CHAVE: UPS CC. Banco de baterias. Distorções harmônicas.


ABSTRACT

This work presents a study about Direct Current Uninterruptible Power Supply – DC
UPS. Will be shown the operating principle, the main electronics topologies used,
typical tests, as well as its main applications.
The functions blocks, as rectifier stage, power factor correction (PFC), batteries used
and sensors that are presents in all system also are shown.
The DC UPS system is able to promote the regulation of output voltage DC and
control the energy flow between a battery bank and DC link, besides ensures that
voltage and power oscillations of alternating supply doesn’t appear in the output.
Thus, this system functions as an alternative energy source through the battery bank,
providing power to the load in case of emergency, also active in power factor
correction and reduced the input total harmonic distortion.

KEYWORDS: DC UPS. Battery bank. Harmonic distortion.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1: UPS CC com diodos de queda na saída..................................................3


Figura 2: a) Retificador trifásico não controlado, b) retificador trifásico
controlado..................................................................................................................4
Figura 3: Retificador PWM com (a) um filtro de saída LC e (b) um grande
capacitor eletrolítico de saída. .................................................................................6
Figura 4: Topologia do conversor CA-CC com saída em fonte de corrente
operando em MLP. Fonte: Pomílio, 2009, p.9. ........................................................8
Figura 5: Forma de onda instantânea das correntes no lado CA. Fonte: Pomílio,
2009, p.24... ................................................................................................................8
Figura 6: Tensões de entrada e referência de corrente. Fonte: Pomílio, 2009,
p.5................ ...............................................................................................................9
Figura 7: Placas empastadas. Fonte: Bieler, 2011, p.6. .......................................12
Figura 8: Acumulador e placas tubulares. ............................................................12
Figura 9: Conectores e Protetores de pólos. Fonte: Bieler, 2011, p.6 ................14
Figura 10: Oscilografia de um banco de baterias ventiladas no final da vida útil.
Fonte: Ribeiro, 2010, p.3. ........................................................................................19
Figura 11: Acumulador Ni-Cd tipo bolsa. ..............................................................23
Figura 12: Curva de descarga. Fonte: Bieler, 2011, p.19 .....................................29
Figura 13: Valores de R em função do tempo. Fonte: Bieler, 2011,p.21.............30
Figura 14: Capacidade nominal para regime C10 valores de R e K. Fonte:
Bieler, 2011, p.20 e 21. ............................................................................................31
Figura 15: Perfil de descarga constante................................................................31
Figura 16: Regime de descarga C10, valores de K @Vfn=1,81 Vcc. Fonte: Bieler,
2011, p.21.... .............................................................................................................31
Figura 17: Regime de descarga aleatório com K @Vfn=1,81 Vcc. .......................32
Figura 18: Tempo de descarga em função da corrente de descarga de baterias.
Fonte: Roggia, 2010, p.10. ......................................................................................34
Figura 19: Retificador chaveado industrial. ..........................................................35
Figura 20: UPS CC com conversor CC-CC de saída. ...........................................36
Figura 21: Perfil de carga com limitação de corrente e tensão constante. ........38
Figura 22: Representação de monobloco e string de baterias. ..........................38
Figura 23: Configurações de medição de simetria de bateria.............................39
Figura 24: Sistema completo de uma UPS CC: retificadores, unidade de
controle, banco de baterias, contatores e fusíveis. .............................................42
Figura 25: Paralelismo de UPS’s, modo hot standby...........................................44
Figura 26: Mensagens com o status do equipamento. ........................................46
Figura 27: Fornecimento de corrente contínua através de várias fontes
geradoras.... .............................................................................................................48
Figura 28: Conversores CC-CC em rack de 6 e 4 posições.................................50
Figura 29: Unidade controladora de conversores CC-CC ...................................51
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Teor básico dos elementos na bateria chumbo ácida......................13


Tabela 2: Características dos acumuladores chumbo ácido e alcalino Ni-Cd27
Tabela 3: Principais recursos disponíveis.........................................................47
Tabela 4: Principais alarmes disponíveis. .........................................................47
Tabela 5: Custo médio das interrupções ...........................................................53
Tabela 6: Isolação elétrica...................................................................................57
Tabela 7: Dados Técnicos de uma UPS Trimono ..............................................57

LISTAS DE SIGLAS

CA Corrente Alternada
CAN Controller Area Network
CC Corrente Contínua
DPS Dispositivo protetor de surto
EMI Eletromagnetic interference
GPRS General packet radio service
GSM Global System for Mobile Communications
GTO Gate turn-off thyristor
IGBT Isolated gate bipolar transistor
MLP Modulado por Largura de Pulso
MTBF Mean Time Between Failures
MTTF Mean Time To Failure
PBE Plastic bonded electrode
PDA Personal digital assistants
PFC Power Factor Correction
PWM Pulse width modulation
SMS Short Message Service
SNMP Simple Network Management Protocol
THD Total Harmonic Distortion
UDQ Unidade de diodos de queda
UPS Uninterruptable Power Supply
USB Universal Serial Bus
UTI Unidade de tratamento intensivo
VLA Vented Lead Acid
VRLA Valve regulated lead-acid battery
WAP Wireless Application Protocol
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................1
2 RETIFICADOR ........................................................................................3
2.1 RETIFICADOR PWM ................................................................. 5
2.1.1 Técnicas passivas de controle do fator de potência PFC.................. 5
2.1.2 Técnicas ativas de controle do fator de potência PFC...................... 5
2.1.3 Retificador Modulado Por Largura de Pulso MLP............................ 7
2.1.4 Dimensionamento da capacidade do retificador ............................. 9
3 BATERIA...............................................................................................10
3.1 PARTES CONSTRUTIVAS DO ACUMULADOR CHUMBO ÁCIDO .........11
3.1.1 Princípio de funcionamento dos acumuladores chumbo ácidos........15
3.1.1.1 Características elétricas dos acumuladores chumbo ácidos ..........16
3.1.1.2 Efeito Coup de Fouet.........................................................18
3.1.2 Aspectos de Manutenção .........................................................19
3.2 PARTES CONSTRUTIVAS DO ACUMULADOR ALCALINO .................22
3.2.1 Princípio de funcionamento dos acumuladores alcalinos ................25
3.2.1.1 Características elétricas dos acumuladores níquel cádmio ............26
3.2.2 Cálculo do número de células e da capacidade da bateria ...............27
4 UNIDADES DE DIODOS DE QUEDA, CONVERSOR CC-CC DE SAÍDA
E TRANSFORMADOR DE ENTRADA .....................................................................34
5 CARACTERÍSTICAS DE FUNCIONAMENTO......................................37
5.1 MODO DE CARGA DAS BATERIAS..............................................37
6 NOVAS CONFIGURAÇÕES E FUNÇÕES APLICADAS A UPS’s CC 41
6.1 USO DE FONTES CHAVEADAS MODULARES................................41
6.2 USO DE CONVERSORES CC-CC ................................................49
7 PRINCIPAIS ESPECIFICAÇÕES PETROBRAS PARA UPS CC.........51
8 CONCLUSÕES .....................................................................................60
9 REFERÊNCIAS .....................................................................................62
1

1 INTRODUÇÃO

A crescente utilização de cargas não lineares, como equipamentos de


telecomunicações, controle e acionamento de motores, instrumentos de medidas,
fontes chaveadas para computadores e outros dispositivos que são acionados em
alta freqüência, tem como um de seus resultados a geração de distorções
harmônicas, reduzindo a eficiência e a confiabilidade necessária à alimentação dos
equipamentos conectados à rede elétrica.
As correntes consumidas por essas cargas não lineares possuem um elevado
conteúdo harmônico, provocando distúrbios na forma de onda da tensão para as
demais cargas conectadas ao mesmo ponto de acoplamento em comum.
Ironicamente, essas mesmas cargas não lineares, que se tornam fontes geradoras
de distorções quando conectadas a rede elétrica, são também afetadas por esses
distúrbios. Seus efeitos mais comuns são falhas de operação, interferências em
sistemas de telecomunicação, redução da eficiência e da vida útil do equipamento
[1] .
Equipamentos como os computadores dos servidores que processam os dados
do mercado financeiro, de telecomunicações, de sistemas auxiliares de substações e
radares de aeroportos, todos esses conhecidos ou denominados por cargas críticas,
têm seu desempenho prejudicado por problemas relacionados à qualidade da
energia elétrica. São cargas críticas também os equipamentos da unidade de
tratamento intensivo (UTI) dos hospitais, bancos, centrais de processamento de
dados, as unidades de controle da indústria do petróleo, dentre outros.
Além dos problemas relacionados com a qualidade de energia, observamos que
a interrupção da operação destes equipamentos tornou-se inadmissível. Com o
pensamento voltado para a questão de falha de suprimento de energia CA, as
empresas através de seus pesquisadores desenvolveram equipamentos eletrônicos
capazes de suprir, associados a uma fonte alternativa de energia independente, a
potência elétrica requerida para garantir a operação dos equipamentos essenciais,
mesmo quando houver uma falha da fonte primária de alimentação [2] .
O equipamento que promove tais benefícios é chamado de UPS - Uninterrupted
Power Supply ou Fonte Ininterrupta de Energia. Essas fontes são capazes de atuar
na solução de problemas de fator de potência, na eliminação de distorções
harmônicas para a carga a ser alimentada e também servem de fonte alternativa de
2

energia, utilizada no fornecimento em casos de emergência. O sistema UPS é,


portanto, um equipamento que faz a interface entre a rede elétrica externa, ou seja,
a concessionária de energia, com um banco de baterias e/ou gerador, e por último,
com a carga.
Além de manter a continuidade no fornecimento de energia, as UPS’s têm a
função de filtrar, regular e condicionar a energia para cargas sensíveis; isolar a carga
da fonte de potência; permitir o desligamento ordenado de equipamentos no caso de
falta de energia; conduzir o sistema durante o intervalo entre o instante de falta de
energia e o momento em que um gerador de emergência possa assumir a carga [3] .
Atualmente, a utilização de sistemas de alimentação ininterrupta para fornecer
energia para cargas críticas tem se tornado comum. Estas UPS’s estão disponíveis
em uma grande diversidade de topologias e operam desde baixas até altas
potências. Estes sistemas podem fornecer energia monofásica, bifásica ou trifásica
em diferentes freqüências (50Hz, 60Hz, 400Hz, etc.). Além disso, podem sintetizar
formas de onda de tensão senoidal, trapezoidal ou quadrada [3] .
Além das formas de energia de saída citadas acima, existe um tipo de UPS que
fornece tensão de saída contínua, que é chamada DC UPS ou UPS CC. O presente
trabalho tem seu foco no estudo da estrutura UPS CC, mostrando sua forma de
funcionamento, características, ensaios realizados, principais funções, bem como
analisar e avaliar os principais benefícios que o uso dessa estrutura pode trazer para
o funcionamento dos equipamentos a ela conectados. Deverão ser descritas as
topologias eletrônicas que fazem parte da UPS CC, como etapas de retificação,
correção de fator de potência, técnicas de controle, baterias utilizadas e sensores
que estão presentes em todo o sistema.
A figura 1 mostra o esquema simplificado de uma UPS CC. A primeira etapa é
composta de uma unidade retificadora juntamente com um filtro PFC Boost para
correção de fator de potência de entrada, a segunda, de um banco de baterias e por
último, diodos de queda para manter a tensão de saída dentro da faixa de regulação
do consumidor.
3

Figura 1:UPS CC com diodos de queda na saída.

2 RETIFICADOR

As três principais partes que compõem uma UPS CC básica são a etapa de
retificação, o banco de baterias e a unidade de diodos de queda (UDQ). Com o
advento de novas técnicas, foram acrescentadas etapas de retificação com controle
de fator de potência, visando um melhor aproveitamento da energia drenada do
sistema e redução de distorções harmônicas.
A etapa retificadora é responsável pela conversão CA-CC, transformando
corrente alternada em corrente contínua. Os retificadores podem ser classificados
segundo a sua capacidade de ajustar o valor da tensão de saída (controlados x não
controlados); de acordo com o número de fases da tensão alternada de entrada
(monofásico, trifásico, hexafásico, etc.); em função do tipo de conexão dos
elementos retificadores (meia ponte x ponte completa).
Os retificadores não-controlados são aqueles que utilizam diodos como
elementos de retificação, enquanto os controlados utilizam tiristores ou transistores.
Usualmente topologias em meia ponte não são aplicadas. A principal razão é que,
nesta conexão, a corrente média da entrada apresenta um nível médio diferente de
zero. Tal nível contínuo pode levar elementos magnéticos presentes no sistema
(indutores e transformadores) à saturação, o que é prejudicial ao sistema.
Topologias em ponte completa absorvem uma corrente média nula da rede, não
afetando, assim, tais elementos magnéticos[5] .
Os retificadores não controlados são compostos por diodos e dessa forma,
não existe a possibilidade de se controlar a tensão de saída. Já nos retificadores
semicontrolados e nos controlados, a tensão de saída pode ser variada devido ao
4

uso de tiristores ou transistores. Os circuitos retificadores controlados constituem a


principal aplicação dos tiristores em conversores estáticos[5] .
Em ambiente industrial, onde a potência das cargas se eleva a valores da
ordem de kilowatts, são utilizados retificadores trifásicos, como mostra a figura 2, o
que distribui a corrente entre as três fases, evitando desequilíbrios que ocorreriam
caso a corrente fosse fornecida por uma ou duas fases.

Figura 2:a) Retificador trifásico não controlado, b) retificador trifásico controlado.

Os retificadores apresentados são geradores de harmônicas para o sistema,


sendo gerados para o retificador de 6 pulsos, as seguintes harmônicas
características:

h=6k±1, para k=1,2... (1)

Dessa forma, a corrente de entrada apresenta uma grande distorção harmônica,


além de prejudicar o fator de potência, o que leva a problemas como:
• Limitação da máxima potência ativa absorvível da rede;
• As harmônicas de corrente exigem um sobre-dimensionamento da
instalação elétrica e dos transformadores, além de aumentar as perdas
(efeito pelicular);
• Em sistemas trifásicos com neutro, a corrente nesse condutor pode ser
muito superior a corrente em cada fase, devido à soma da componente de
terceira harmônica e seus múltiplos;
• Deformação e distorção da onda de tensão, podendo causar mau-
funcionamento de outros equipamentos conectados à mesma rede;
5

• As componentes harmônicas podem excitar ressonâncias no sistema de


potência, levando a picos de tensão e de corrente, podendo danificar
dispositivos conectados à linha.

2.1 RETIFICADOR PWM

Quando a ponte retificadora é formada por interruptores controlados, como


transistores, IGBTs ou GTOs, é possível através de técnicas de controle absorver da
rede uma corrente senoidal, enquanto se controla a tensão de saída. Os benefícios
de um alto fator de potência são conhecidos: melhor utilização de todo o sistema e
baixa interferência eletromagnética (EMI). Como resultado, o International Standard
Committee impôs a IEC-1000-3-2, que exige que as UPS’s cumpram limites
impostos de correntes harmônicas. Assim várias técnicas passivas e ativas de
correção de fator de potência têm sido propostas e largamente discutidas [6] .

2.1.1 Técnicas passivas de controle do fator de potência PFC

Neste tipo de técnica filtros passivos LC são conectados na entrada do retificador


impedindo a injeção de harmônicas do retificador para a rede de alimentação. Os
filtros passivos têm alta eficiência e baixo custo, apresentando simplicidade de uso e
robustez, garantindo confiabilidade. Contudo, o indutor e o capacitor são volumosos
e pesados, limitando sua aplicação em baixas potências. Estas técnicas são
normalmente utilizadas em conjunto com técnicas de PFC ativo, reduzindo o
conteúdo harmônico e reativo da corrente de entrada, permitindo a diminuição de
suas dimensões e peso.

2.1.2 Técnicas ativas de controle do fator de potência PFC

As técnicas ativas são classificadas em dois tipos. A primeira consiste de


retificadores PWM em modo contínuo de condução garantindo boa regulação da
tensão de saída e alto fator de potência. A segunda consiste de um circuito PFC
operando em modo de condução descontínua, forçando o retificador a drenar uma
corrente senoidal da rede de alimentação. Os retificadores PWM controlados são
6

usados em aplicações de alta potência, especialmente quando alto desempenho é


requerido.
O retificador é controlado por uma malha externa de tensão para promover
regulação da tensão de saída e uma malha interna de corrente para moldar a
corrente de entrada de acordo com uma referência senoidal. O principal problema é
que ao conduzir para obter alto fator de potência, o retificador faz com que apareça
no barramento CC ondulações substanciais de tensão em baixa freqüência [6] . Na
UPS CC é essencial que esse ripple de baixa freqüência seja reduzido, uma vez que
a impedância da bateria é muito baixa e todo ripple de corrente gerada pelo ripple de
tensão flui para a bateria. Como resultado, observa-se o aquecimento da bateria que
é muito prejudicial para sua vida útil.
Normalmente é necessário conectar um capacitor eletrolítico de alto valor ou um
filtro LC no barramento CC para redução do ripple de baixa freqüência, como
mostrado na figura 3. Contudo, o capacitor eletrolítico e o filtro não são desejáveis
devido à baixa vida útil apresentada pelo capacitor, à variação inerente dos
parâmetros do circuito com o tempo e a dificuldade em se reduzir todo o sistema.

Figura 3:Retificador PWM com (a) um filtro de saída LC e (b) um grande


capacitor eletrolítico de saída.
7

Outra forma para se reduzir o ripple de saída é utilizar uma freqüência de


chaveamento maior. Em [6] e [7] uma ponte retificadora PWM monofásica, que leva
em conta as ondulações de tensão no barramento CC é controlada por um controle
preditivo de corrente instantânea, a fim de se alcançar fator de potência unitário.
Observa-se que quando a freqüência de chaveamento é aumentada de 7,2 para 18
kHz, o fator de potência torna-se mais elevado e as ondulações de tensão no
barramento CC tornam-se menores.
Aumentar a freqüência de chaveamento implica em um aumento nas perdas por
comutação. Assim técnicas de comutação não dissipativa (soft switching) podem
aumentar significativamente a eficiência do retificador.
Podemos destacar dois tipos de perdas principais nas chaves semicondutoras. A
perda por condução, caracterizada pela perda joulica sobre a resistência de
condução típica da chave e a perda por comutação, caracterizada pela perda de
energia que ocorre durante a mudança de estado da chave utilizada.
O principio da técnica de comutação não dissipativa é eliminar as perdas por
comutação nas chaves semicondutoras, permitindo que freqüências mais elevadas
possam ser usadas.
Outros benefícios do uso da comutação não dissipativa também podem ser
observados, como a diminuição do volume e peso da estrutura pelo uso de indutores
e capacitores menores e a diminuição da geração de interferência eletromagnética
(EMI), devido aos elevados di/dt e dv/dt, inerentes ao chaveamento de estruturas
que operam em comutação dissipativa [8] .

2.1.3 Retificador Modulado Por Largura de Pulso MLP

O retificador trifásico MLP é um tipo de retificador trifásico que permite o controle


do fator de potência. O barramento CC pode se comportar como uma fonte de
tensão, quando apresenta um filtro capacitivo, dessa forma, a conexão com a rede
deve ser feita por meio de indutores colocados no lado CA. Se o barramento CC se
comportar como uma fonte de corrente (figura 4), apresentando um indutor na saída
do retificador, a interface com o lado CA deve utilizar capacitores, que permitam
acomodar valores instantaneamente diferentes entre a corrente CC e a corrente no
lado CA. É possível obter-se uma tensão CC neste circuito com o uso de um filtro
8

capacitivo. Uma vez que a tensão média sobre a indutância é nula, o valor médio da
tensão vo(t) é a própria tensão de saída [5] .

Figura 4:Topologia do conversor CA-CC com saída em fonte de corrente


operando em MLP. Fonte: Pomílio, 2009, p.9.

O princípio de funcionamento consiste em comandar adequadamente as chaves


semicondutoras de modo que a corrente média instantânea no lado CA tenha a
mesma forma de onda da tensão, além de estar em fase com a mesma.
Na entrada do retificador, supondo desprezível a ondulação da corrente pelo
indutor, as correntes instantâneas pelas fases têm forma retangular, com amplitude
dada pela corrente CC e largura determinada pela lei de modulação dos
interruptores, como ilustra a figura 5.

Figura 5:Forma de onda instantânea das correntes no lado CA. Fonte: Pomílio,
2009, p.24.
9

Simultaneamente haverá corrente apenas por duas das três fases, uma vez que
se dois interruptores de uma mesma semi ponte conduzirem haveria um curto entre
fases, tal fato pode ser observado na figura 4. Após a filtragem das componentes de
alta freqüência, a corrente de saída, apresentará apenas o valor médio com formato
senoidal, se esta tiver sido a forma do sinal de referência usado para produzir os
sinais de comando das chaves semicondutoras.
A figura 6 mostra as tensões de entrada e referências de corrente a serem
seguidas para a obtenção de fator de potência unitário. Em cada período da rede
existem 6 intervalos, que se iniciam nos cruzamentos das referências de corrente.
Cada intervalo corresponde a um modo de funcionamento distinto.

Figura 6:Tensões de entrada e referência de corrente. Fonte: Pomílio, 2009, p.5.

2.1.4 Dimensionamento da capacidade do retificador

A capacidade nominal de um carregador, em ampères, é calculada, segundo a


norma Nema, pela seguinte equação:

Ic = Icp + Irb (2)

Onde:
Ic é a capacidade do retificador
Icp é a corrente máxima de consumo permanente
Irb é a corrente de recarga máxima da bateria (0.25xC para chumbo ácido e
0.4xC para alcalinas).
10

Segundo a norma IEC, a capacidade nominal de um carregador de bateria


(retificador), em ampères, é calculada, pela equação:

K ×C
A= L+ (3)
H

Em que:
A é a corrente nominal de saída do retificador.
L é o consumo de carga permanentemente conectada aos terminais da bateria.
C é a capacidade total da bateria em Ah (Ampères-hora).
H é o tempo para recarregar a bateria.
K = Constante que para baterias alcalinas vale 1.4 e para baterias chumbo-
ácidas vale 1.25.
As capacidades nominais padronizadas (corrente de saída do retificador)
normalmente encontradas para os carregadores são: 5 A, 10 A, 15 A, 25 A, 35 A, 50
A, 75 A, 100 A, 150 A, 200 A, 400 A, 600 A, 800 A, 1000 A e 1200 A.

3 BATERIA

As baterias são dispositivos capazes de armazenar energia química e torná-la


disponível na forma de energia elétrica. A capacidade de armazenar carga em uma
bateria é expressa em ampère-hora (1 Ah = 3600 coulombs). Se a bateria fornecer
um ampère de corrente por uma hora, ela tem uma capacidade de 1 Ah em um
regime de descarga de 1h (C1). Se puder fornecer 1A por 100 horas, sua
capacidade é 100 Ah em um regime de descarga de 100h (C100).
Quanto maior a quantidade de eletrólito e maior o eletrodo da bateria, maior a
capacidade da mesma. A capacidade da bateria depende das condições de
descarga, da corrente elétrica drenada, da duração da corrente, da tensão terminal
permissível da bateria, da temperatura, entre outros. A eficiência de uma bateria
varia dependendo da taxa de descarga a qual a mesma é submetida. Ao
descarregar-se com baixas correntes, a energia da bateria é entregue mais
eficientemente do que em taxas mais elevadas de descarga, ou seja, com maiores
correntes. Tal fato é conhecido como lei de Peukert.
11

Os dois principais tipos de acumuladores utilizados são o chumbo ácido e o


alcalino. Quanto à tecnologia, podem ser abertas (VLA ou VA) ou de recombinação
reguladas à válvula (VRLA ou VRA).
No acumulador chumbo ácido ventilado os materiais ativos são o chumbo e seus
compostos, e o eletrólito é uma solução de ácido sulfúrico, que participa da reação
química na carga e descarga, com livre escape de gases e que permite a reposição
de água. O acumulador chumbo ácido de recombinação regulado à válvula se
apresenta fechado, e tem como princípio de funcionamento o ciclo de oxigênio,
apresentando o eletrólito imobilizado e dispõe de uma válvula reguladora, que
permite o escape de gases, quando a pressão interna do acumulador excede um
valor pré determinado.
No acumulador alcalino ventilado os materiais ativos são o níquel e o cádmio e o
eletrólito é uma solução alcalina não participando da reação química de carga e
descarga, com livre escape de gases, permitindo a reposição de água. Nos alcalinos
de recombinação regulados à válvula o eletrólito é fechado sob condição normal de
operação e dispõe de uma válvula reguladora, que permite o escape de gases,
quando a pressão interna do acumulador excede um valor pré determinado.

3.1 PARTES CONSTRUTIVAS DO ACUMULADOR CHUMBO ÁCIDO

As partes ativas de um acumulador chumbo ácido são projetadas com a função


de maximizar a área de contato com o eletrólito, com o objetivo de obter maior
capacidade de fornecimento de corrente. São constituídas de um suporte, de uma
grade e dos materiais ativos montados sobre as grades. A construção das placas do
acumulador está relacionada com a intensidade de descarga. A alta descarga
fornece corrente em um tempo da ordem de segundos até 15 minutos; a média
descarga, de 15 minutos a 5 horas e a baixa descarga, mais de 5 horas [10] .
Os fatores que influenciam a escolha do acumulador para alta, média ou baixa
descarga são a autonomia requerida (minutos, horas ou dias), a vida útil desejada e
as normas associadas.
As placas conforme a construção são divididas em:
• Empastado plano fauré, onde o material ativo em forma de pasta é aplicado
diretamente sobre suporte em forma de grade fundida em liga de chumbo;
12

Figura 7:Placas empastadas. Fonte: Bieler, 2011, p.6.

• Empastado celular negativo (Box), onde o material ativo é depositado dentro


de um quadro de chumbo-antimônio revestido por uma folha de chumbo
perfurada;
• Formada – Plante (1860), onde a placa positiva é fundida em chumbo puro e
oxidada formando uma película de PbO2;
• Tubulares positivas com grade de chumbo, onde os dentes da grade são
envoltos em peróxido de chumbo contidos numa capa de plástico permeável.
A grade não participa da reação química.
As tecnologias aplicadas na construção das placas são: Chumbo-Antimônio-
PbSb, Chumbo-Cálcio – PbCa, Chumbo-Estanho – PbSn e Chumbo puro - Pb. O
consumo médio de água a 25ºC em flutuação para um acumulador ventilado com
liga de Antimônio é de 0,012 ml/Ah/mês, o de baixo Antimônio é de 0,0036
ml/Ah/mês e o Chumbo-Cálcio de 0,0014 ml/Ah/mês [10] .

Figura 8:Acumulador e placas tubulares.


13

Quanto ao teor básico o componente principal é o chumbo a uma pureza de


99,985%, os demais elementos a uma pré-determinada taxa são:

Tabela 1: Teor básico dos elementos na bateria chumbo ácida


Tipo de Liga Aditivos
Antimônio médio teor 2 a 4% Sb,
Se, Te, S, Cu, As, Sn (Ag)
Antimônio baixo teor 0,5 a 1,9% Sb,
Se, Te, S, Cu, As, Sn (Ag)
Cálcio médio teor 0,6 a 0,12% Ca,
0 a 3% Sn (Al)
Cálcio baixo teor 0,02 a 0,05% Ca, 0,3 a 3% Sn, Ag 0.008-
0,012% Al
Chumbo Estanho 0,2 – 2% Sn
Chumbo Puro ------
Fonte: BIELER, 2011, p. 8.

A grade é responsável por suportar o material ativo das placas, conduzir corrente
elétrica e distribuir a corrente uniformemente na placa através do material ativo. As
ligas usualmente empregadas para grades são de chumbo-antimônio ou chumbo-
cálcio.
Os separadores permitem que as placas fiquem mais próximas, diminui a
resistência interna, reduz o volume dos elementos e aumenta a condutância
eletrolítica. Dentre os materiais utilizados, podemos citar borracha, plástico micro
poroso, lã de vidro, microfibra de vidro, etc.
O recipiente é normalmente feito de plástico transparente, facilitando a inspeção
visual. Contém os elementos e provê espaços livres, na parte superior e inferior. O
espaço inferior tem a função de conter os depósitos de sedimentação e o espaço
superior acomoda as variações de nível [10] .
Para acumuladores ventilados o material do vaso comumente utilizado é o SAN e
sua tampa é em ABS, podendo ou não a tampa ser retardante a chama. Para
acumuladores VRLA com homologação Anatel, o vaso e a tampa são
obrigatoriamente em ABS com retardante a chama.
A rolha de ventilação tem a função de proteger, condensar os vapores formados
na carga e evitar o aumento de pressão. Em acumuladores ventilados com
14

capacidade superior a 150 Ah C10 são utilizadas válvulas para proteção contra
ignição dos gases internos. Em acumuladores de recombinação, funcionam como
válvula de alívio contra sobre pressão em casos de mau funcionamento do
acumulador ou exposição a condições adversas.
Os conectores ou pólos possibilitam a ligação dos acumuladores entre si e são
feitos em cobre maleável isolado, para conexão aparafusada. Devem ser de
segurança, a prova de corrosão e possuir um inserto de liga de cobre que permite
melhor condutividade em alta intensidade de corrente e revestimento plástico para
garantir vedação[10] .
Os protetores de pólo agem no sentido de evitar que curto circuitos ocorram e
permitem a realização de medição de tensão sem necessidade de retirá-los podendo
ser facilmente removíveis se necessário.

Figura 9:Conectores e Protetores de pólos. Fonte: Bieler, 2011, p.6

O eletrólito e formado por uma solução de ácido sulfúrico e água: H2SO4 + H2O.
O mesmo apresenta as seguintes características:
• Densidade 1,210 g/cm3 +/- 0,01 @ 25ºC (baterias estacionárias)
• A faixa de variação de densidade é inversamente proporcional à razão volume
de eletrólito/capacidade:
 Volume grande = 1,210 a 1,180 g/cm3
 Volume pequeno = 1,280 a 1,100 g/cm3
A densidade do eletrólito afeta diretamente o desempenho do acumulador
chumbo-ácido, onde maiores densidades resultam em maior capacidade, melhor
característica de tensão x descarga, menor peso, tamanho e custo do acumulador,
15

maiores ações locais sobre as placas positivas, portanto maior sobrecarga, maior
deterioração dos separadores e menor vida útil.

3.1.1 Princípio de funcionamento dos acumuladores chumbo ácidos

As baterias chumbo ácidas apresentam a característica pouco usual de envolver


em ambos os eletrodos o mesmo elemento químico, o chumbo. No catodo, o dióxido
de chumbo reage com ácido sulfúrico durante o processo de descarga, produzindo
sulfato de chumbo e água:

PbO2(s) + 4H+(aq) + SO42–(aq)+ 2e– → PbSO4(s) + 2H2O(l) (4)

No anodo, chumbo reage com íons sulfato formando sulfato de chumbo:

Pb(s) + SO42–(aq) →PbSO4(s) + 2e– (5)

A reação global apresenta somente sulfato de chumbo e água como produtos:

Pb(s) + PbO2(s) + 2H2SO4(aq) →2PbSO4(s) + 2H2O(l) (6)

À medida que a bateria chumbo ácida é descarregada, o ácido sulfúrico é


consumido e água é produzida. A medida da densidade do eletrólito ao longo do
processo de descarga da bateria é usada, portanto, para avaliar seu estado de
carga. No processo de carga, o sulfato de chumbo é reconvertido a chumbo no
anodo e a dióxido de chumbo no catodo.
Esses acumuladores requerem adição periódica de água no eletrólito. Isso ocorre
porque, no processo de carga da bateria chumbo ácida, parte da água é
decomposta nos gases hidrogênio e oxigênio.
A temperatura afeta a capacidade do acumulador chumbo ácido, sendo
necessário o acondicionamento em local adequado e a aplicação de correção da
capacidade de acordo com a fórmula a seguir:
16

1
Ft = (7)
1 + λ (T − 25)

Onde:
Ft = fator de correção da capacidade com a temperatura em graus Celsius;
λ = coeficiente que varia em função do tempo de descarga sendo geralmente
aplicado o valor de 0,006 para regimes de descarga maiores de 1 h e 0,01 para
regimes igual ou menor de 1 h ou outros valores informados pelos fabricantes;
T = temperatura de operação graus Celsius.
No acumulador chumbo-ácido regulado por válvula existe a figura da avalanche
térmica, que ocorre quando uma auto descarga interna ou uma descarga severa faz
com que a temperatura do vaso aumente. Com o aumento da temperatura, a
atividade eletroquímica aumenta realimentando o processo com mais corrente. Ao
contrário do acumulador VRLA (chumbo-ácido) o acumulador alcalino de
recombinação parcial de gases (VRA) suporta altas temperaturas. Não existe a
figura de avalanche térmica, pois a temperatura influência muito pouco a atividade
eletroquímica [10] .
Como visto, as baterias chumbo ácidas funcionam à base de chumbo, um metal
pesado e tóxico e, portanto, representam sério risco ao meio ambiente. Na realidade,
a grande maioria das baterias exauridas já é recolhida pelos fabricantes nacionais
para recuperar o chumbo nelas contido, uma vez que o Brasil não dispõe de minas
deste metal e o seu preço é relativamente alto no mercado internacional. O maior
problema está no método de recuperação usado pelas empresas, já que é, quase
sempre, inadequado. O método mais usado ainda é o pirometalúrgico, em vez do
eletroidrometalúrgico, o que termina contaminando a atmosfera com óxidos de
enxofre (SOx) e com chumbo particulado [11] .

3.1.1.1 Características elétricas dos acumuladores chumbo ácidos

Abaixo seguem os valores de tensão utilizados no uso dos acumuladores


chumbo ácidos.
• Tensão nominal - Vn. Depende das propriedades físico-químicas dos
materiais ativos. Seu valor não depende da quantidade de matéria, ou
seja, do volume da bateria.
17

• Tensão de flutuação por elemento - Vfl. É a tensão necessária para


manter a carga da bateria. É ligeiramente superior ao valor nominal por
elemento e depende do projeto da bateria. Grandes valores de tensão por
elemento acarretam em redução da vida útil e valores muito baixos, não
são capazes de compensar a auto descarga dos mesmos, o que resulta
em baixo estado de carga das baterias. O valor de flutuação é, portanto,
um ponto ótimo de tensão entre o estado de carga e a vida útil da bateria.
Para acumuladores chumbo-ácidos com liga de antimônio e eletrólito a
1,21 g/cm3, seu valor varia de 2,15 a 2,20 volts e com liga de cálcio, varia
de 2,17 a 2,25 g/cm3;
• Tensão final de descarga – Vfn. É o ponto de inflexão da curva de
descarga na qual resta pouca capacidade do acumulador e pode ocorrer
destruição do elemento. A Vfn depende da dinâmica de descarga, mas
geralmente são utilizados como valores práticos 1,75 ou 1,82 Vcc para
acumuladores chumbo ácidos. Se a tensão final de descarga não for
respeitada, ou seja, se a tensão cair abaixo de 1,75 Vcc a bateria poderá
se perder devido à sulfatação cristalina.
• Tensão de equalização – Veq. Procedimento empregado em manutenção
periódica a cada 18 meses com o intuito de se igualar as tensões dos
elementos ou quando são detectadas não uniformidades de densidade,
após descargas de emergência ou a tensão em um elemento estiver
menor que 2,13 Vcc. Para acumuladores chumbo ácidos são utilizados
valores entre 2,3 Vcc e 2,45 Vcc por elemento. Este procedimento também
é utilizado quando a tensão de qualquer elemento apresentar uma
diferença superior a 0,04 Vcc da tensão média dos elementos da bateria
ou quando houver necessidade da correção do nível do eletrólito com
água destilada.
• Tensão de carga profunda - Vcp. Carga rápida feita com tensão de até
2,75 Vcc em acumuladores de chumbo e até 1,72 Vcc em alcalinos. Força
a movimentação do eletrólito e melhora as condições de superfície das
placas. Deve ser executada com supervisão de temperatura (43 ºC máx.).
Recomendada após uma descarga total do acumulador. Esse tipo de
procedimento é proibido em acumuladores regulados a válvula e
desencorajado por fabricantes atualmente.
18

A medida de parâmetros elétricos do acumulador tem sido utilizada para a


execução da manutenção preditiva, onde os procedimentos corretivos ou a eventual
substituição da bateria de acumuladores podem ser realizados a partir da avaliação
de parâmetros elétricos, e não de eventos de falha, garantindo a manutenção da
confiabilidade do sistema. A resistência ou condutância são dependentes do estado
do acumulador e refletem falhas internas, perda de contato entre os condutores
internos, capacidade de descarga, contaminações, etc. A medição de impedância se
faz com a injeção de corrente senoidal e, portanto é dependente da freqüência.
Estes dados têm sido solicitados em especificações de usuários com o objetivo
de se ter um parâmetro de acompanhamento e controle de qualidade de fabricação.
Portanto, os dados de Resistência, condutância e impedância devem ser fornecidos
na placa do acumulador e no catálogo do produto [10] .

3.1.1.2 Efeito Coup de Fouet

O efeito coup de fouet é um fenômeno apresentado por baterias chumbo ácidas o


qual ainda existe pouca literatura e informação. Os fabricantes de UPS, retificadores
e inversores não contemplam em seu projeto a compensação do efeito coup de
fouet no ramo CC.
A literatura disponível sobre o efeito coup de fouet cita o efeito com uma queda
brusca de poucos milivolts por elemento seguida de um tempo de recuperação da
ordem de segundos ou minutos. Estudos mostram que ao longo da vida útil das
baterias este efeito tende a aumentar porem se mantém com suas características
iniciais de queda e recuperação da tensão.
Outro fato interessante está ligado ao processo de formação do fenômeno coup
de fouet que a princípio ocorre nos primeiros segundos da descarga inicial do
eletrodo positivo, no qual o sulfato de chumbo está presente sob a forma de íons
Pb2+, formando uma solução supersaturada na superfície da placa até que micro
cristais de sulfato de chumbo sejam formados. Em função disto, a tensão inicial de
descarga cai 20 mV ou mais, até que suficientes micro cristais tenham sido formados
e a supersaturação desapareça, elevando a tensão ao nível especificado [12] .
Esse fenômeno é mais perceptível em regimes de alta intensidade de corrente de
descarga inicial. A literatura aponta este efeito como sendo um afundamento de
alguns milivolts por elemento com duração de vários minutos.
19

Os acumuladores chumbo ácidos abertos apresentam afundamentos mais


profundos podendo chegar a 100% e extremamente rápidos da ordem de
microssegundos. Já os acumuladores VRLA apresentam afundamentos da ordem de
10 a 50% com tempos de recuperação que podem variar de 1 a 50 milissegundos
[10] .

Figura 10:Oscilografia de um banco de baterias ventiladas no final da vida útil. Fonte:


Ribeiro, 2010, p.3.

3.1.2 Aspectos de Manutenção

Alguns fatores, de pequena importância aparente, ao longo dos anos, podem


afetar o desempenho de um sistema de banco de baterias. A leitura de tensão,
corrente de flutuação, densidade e nível do eletrólito e temperatura, permite a
obtenção de informações a respeito do estado dos elementos da bateria.
Um relatório deve ser preenchido em todas as manutenções, para registro dos
dados obtidos e interpretação desses resultados. Assim pode-se perceber se o
sistema está sofrendo algum problema através dos meses.
A periodicidade da manutenção deve ser realizada levantando alguns critérios
como:
• importância da estação;
• demanda de energia;
• quantidade de baterias;
• índice de falhas do fornecimento de energia comercial;
• idade das baterias;
• existência de Grupo Motor Gerador;
• consumo de água.
Porém o convencional adotado é a manutenção mensal.
20

Com o auxílio de um densímetro, deve-se retirar a leitura da densidade do


eletrólito de cada elemento. Os elementos possuem, na maioria das vezes, um
orifício na tampa, para introdução do densímetro. Quando a bateria não possuir este
orifício, a válvula do elemento deve ser removida para a realização da leitura.
A técnica de equalizar a densidade dos elementos, por intercambio de eletrólito é
prejudicial e não deve ser usada. Com o término das leituras dos elementos de um
banco é necessária a lavagem do densímetro, para que não haja contaminação dos
elementos de outro banco de baterias que também poderá ser mensurado.
Em baterias seladas, a leitura do eletrólito não é aplicada, pois a mesma possui
um gel pastoso. Também não é efetuada a adição de água e leitura da temperatura
interna dos elementos. Como o eletrólito não é um ácido e sim uma solução aquosa
que possui ácido sulfúrico na sua composição, o contato com a pele deve ser
evitado, e se isso ocorrer, basta lavar o local do contato. Dessa maneira sempre
deve haver água e bicarbonato de sódio (que neutraliza o efeito do ácido) próximo
aos técnicos de manutenção.
Através do processo de eletrólise (transformação da energia química em
elétrica), ocorre à diminuição da água dos elementos. Essa diminuição é dependente
do número de descargas da bateria, ocorrendo evaporação da água, sendo o
consumo de água relacionado às reações químicas. Assim o nível do eletrólito deve
ser sempre mantido entre os níveis máximo e mínimo indicados nas laterais dos
vasos dos elementos.
A adição de água deve ser feita abrindo-se a tampa da válvula e com o auxílio
de um funil e uma jarra, ambos limpos. A água a ser adicionada deve ser destilada.
Algumas estações possuem um aparelho ligado a uma torneira, que realiza a
deionização da água, deixando-a em adequadas condições para a aplicação em
baterias. A mesma deve ser livre de impurezas, inviabilizando, dessa forma, o uso
de água da torneira, uma vez que essa apresenta em sua composição flúor e demais
produtos aplicados pela distribuidora de água.
Quando a bateria está em flutuação ocorre um borbulhamento mínimo na bateria
e conseqüentemente a gaseificação deve ser imperceptível. O borbulhamento mais
acentuado na flutuação é indício de defeito ou a tensão de flutuação está acima da
especificada.
A bateria em carga de equalização apresenta um borbulhamento que se acentua
desde o início. Assim se algum elemento não borbulhar de forma semelhante aos
21

elementos restantes do banco é indicio de curto-circuito entre as placas. Se algum


dos elementos borbulhar prematuramente ou intensamente, é provável que exista
sulfatação das placas ou impurezas no eletrólito.
A leitura da temperatura dos elementos também deve ser realizada com o auxílio
de um termômetro, inserido no eletrólito em dois elementos do banco, selecionados
aleatoriamente.
Em regime de Tensão de Flutuação, ocorre uma pequena circulação de corrente
na bateria, na ordem de miliampères, dependendo da quantidade de baterias,
capacidade e idade do banco. Sua monitoração é importante, podendo ser
diagnosticado com antecedência problemas nos elementos, através da detecção do
aumento da corrente.
A leitura da tensão do banco deve ser realizada em tensão de flutuação, com
uma queda máxima permissível de 0,5 Vcc em relação à tensão do sistema de
retificadores. A leitura individualmente de todos os elementos, deve ser realizada e
anotada, para comparação com valores anteriores. A diferença de tensão entre os
elementos não deve ser maior que 0,04 Vcc da média da tensão do banco, que é
obtida através da somatória das tensões dividida pelo número de elementos.
No processo de compensação de tensão por temperatura, a tensão de flutuação
deverá variar inversamente com a variação da temperatura ambiente, havendo um
acréscimo da tensão de flutuação quando ocorre uma queda da temperatura, e
decréscimo da tensão de flutuação quando a temperatura aumenta.
Por exemplo, para uma bateria OPzV da Saturnia que tem uma relação de 0,03
V/°C, temos as seguinte equações:

Vfl = (2, 23 × no elementos ) + (0, 03 × (25 − temp _ atual )) (8)

Para temperaturas abaixo de 25°C, e:

Vfl = (2, 23 × n o elementos ) − (0, 03 × (temp _ atual − 25)) (9)

Para temperaturas acima de 25°C.


A verificação da formação de corrosão ("zinabre") nos barramentos deve ser
observada. Se este item não for tratado, pode haver a abertura do banco pela barra
22

corroída. Assim, se constada à corrosão, o banco deve passar por uma limpeza das
barras, adotando-se o seguinte procedimento:
• Um banco reserva, ou definitivo, colocado em paralelo;
• O fusível da bateria deve ser aberto;
• Cuidadosamente (para não ocorrer um curto-circuito), devem ser retiradas
todas as barras de interligação, limpando-as com uma escova de aço,
retirando toda a graxa e impurezas. A utilização de produtos químicos, como
lauril, por exemplo, pode ajudar na limpeza;
• Após todas as barras serem limpas e secas, deve-se aplicar uma camada de
graxa antioxidante nova;
• A graxa deve ser aquecida, quando deixar de ser pastosa, a barra deve ser
mergulha rapidamente, para não haver excesso e montada novamente no
sistema.
Maiores informações sobre baterias chumbo ácidas podem ser encontradas nas
normas descritas nas referências no fim do trabalho.

3.2 PARTES CONSTRUTIVAS DO ACUMULADOR ALCALINO

Os acumuladores alcalinos são os principais concorrentes dos acumuladores


chumbo ácidos. Consiste de um anodo formado por uma liga de cádmio e ferro e um
catodo de hidróxido (óxido) de níquel imerso em uma solução aquosa de hidróxido
de potássio com concentração entre 20% e 28% em massa. Os acumuladores de
níquel cádmio pertencem a um grupo de cinco sistemas diferentes que inclui os
acumuladores de Ni-Cd, Ni-MH, Ni-H2, Ni-Fe e Ni-Zn. No caso de acumuladores
níquel-cádmio, o cádmio é o eletrodo negativo e um óxido hidróxido de níquel é o
eletrodo positivo.
Os acumuladores níquel cádmio (Ni-Cd) são geralmente classificados de acordo
com seu tipo de placa (eletrodo). A construção da placa de um acumulador irá
influenciar em suas características determinando sua seleção para determinadas
aplicações. Outras melhorias podem ser alcançadas através de variações na
espessura da placa, pela seleção do separador, pela construção da célula, sistema
de ventilação, controle de recombinação de oxigênio, etc. O ponto importante aqui é
que todos os acumuladores Ni-Cd não são criados da mesma forma. O que se pode
aprender sobre um tipo de acumulador alcalino não pode ser automaticamente
23

aplicado a outro [10] . A seleção do acumulador adequado também vai depender da


profundidade de descarga e o método de cálculo empregado é encontrado na norma
IEEE1115.
As baterias Ni-Cd caracterizam-se por apresentar correntes elétricas
relativamente altas, potencial quase constante, capacidade de operar a baixas
temperaturas, capacidade de sobrecarga contínua, aceita alta taxa de carga e vida
útil longa. Entretanto, o custo de sua produção é bem maior do que o das baterias
chumbo ácidas.
As baterias alcalinas podem utilizar quatro tipos de placas, que são: placa tipo
bolsa ou pocket plate, sinterizada, de fibra e PBE.
Nas placas tipo bolsa ou pocket plate (PP) o material ativo é armazenado em
bolsas de aço, os eletrodos são separados por grades e o vaso dos elementos é de
aço ou plástico. Nesse tipo de placa, o eletrólito está livre e em excesso,
possibilitando alta capacidade de descarga. É necessário agente condutor, sendo
utilizado o grafite, que é adicionado ao material ativo para aumentar condutividade
elétrica.

Figura 11:Acumulador Ni-Cd tipo bolsa.

Na placa sinterizada ou sintered plate (SP) o material ativo é colocado sobre uma
placa de níquel puro ou uma placa de aço laminada com níquel, então o conjunto é
sinterizado a altas temperaturas. Desenvolvida como alternativa à pocket plate, esse
tipo de placa é geralmente utilizado em tração.
As placas possuem estrutura tridimensional com propriedades elásticas. O
contato é direto entre material ativo com a fibra de níquel e amplos canais de contato
24

com o eletrólito, mas sem necessidade de agente condutor adicional. Contudo a


construção colada ou fundida apresenta menor resistência e efeito memória.
Nas placas de fibra, os eletrodos são produzidos a partir de fibras de Níquel e
Cádmio e posteriormente esses materiais são sinterizados.
Nas placas PBE o precursor do material ativo, principalmente do eletrodo
negativo é misturado com um polímero, geralmente o politetrafluoretileno (PTFE), ou
mais comumente conhecido como Teflon, antes de ser produzida a pasta que será
empastada no substrato de níquel ou aço laminado com níquel.
As grades apresentam ligas em aço inox e em conseqüência, não apresentam
corrosão durante sua vida útil. Elas suportam o material ativo das placas,
distribuindo a corrente uniformemente através do material ativo.
Nos separadores das placas pocket plate são utilizadas grades separadoras de
polipropileno e em placas de fibra é utilizado o cloreto de polivinila (PVC) micro
poroso.
Os recipientes das células são fabricados em polipropileno, um plástico resistente
ao envelhecimento. Esses são selados em bloco apresentando a vantagem na
fabricação de células de grande capacidade, com recipientes de plástico com
retenção e grande robustez mecânica.
Nos conectores, o aço é utilizado na sua fabricação, sendo os terminais
niquelados e seu número escolhido em função da aplicação.
O eletrólito é formado por uma solução de hidróxido de cálcio em água
desionizada aditivada com lítio, um eletrólito cáustico, apresentando PH maior que
7,0, com uma variação de densidade de 1,18 a 1,25 g/cm3.
A densidade do eletrólito não tem influência sobre o desempenho do acumulador,
pois o eletrólito não participa da reação química e serve apenas como meio de
transporte iônico.
As baterias alcalinas são produzidas em vários tamanhos, usando-se, em geral,
chapa de aço inoxidável como material do recipiente externo. Na maioria dos casos
elas são seladas para evitar vazamento do eletrólito cáustico e quando não são
completamente seladas, dispõem de válvulas de segurança para descompressão.
25

3.2.1 Princípio de funcionamento dos acumuladores alcalinos

Durante o processo de descarga, o cádmio metálico é oxidado a hidróxido de


cádmio no anodo:

Cd(s) + 2OH–(aq) → Cd(OH)2(s) + 2e– (10)

e o hidróxido(óxido) de níquel(III) é reduzido a hidróxido de níquel(II) hidratado no


catodo:

2NiOOH(s) + 4H2O(l) + 2e– → 2Ni(OH)2.H2O(s) + 2OH–(aq) (11)

resultando na seguinte reação global:

Cd(s) + 2NiOOH(s) + 4H2O(l) → Cd(OH)2(s) + 2Ni(OH)2.H2O(s) (12)

A placa negativa é que consome o O2 gerado na placa positiva e a eficiência


cíclica destes sistemas é de, aproximadamente, 70% (para recarga em 5 horas,
devido à eletrólise da água). O tempo de recarga normal é de 5 horas.
No processo de carga da bateria existe a possibilidade da formação de carbonato
de potássio no eletrólito devido à oxidação do grafite contida nas placas positivas.
Sua taxa é maior em alta temperatura e por repetidos ciclos de descarga profunda
[10] .
A absorção de dióxido de carbono do ar devido a manipulação indevida dos
eletrólitos pode ocasionar a formação de carbonato de potássio. Assim, as células
são preenchidas na fábrica com uma camada de óleo mineral, que flutua sobre o
eletrólito e impede o contato entre o eletrólito e o dióxido de carbono atmosférico.
No processo de carga, são utilizados os métodos de tensão com limitação de
corrente, tensão constante ou corrente constante, e devem ser ajustados os valores
dos retificadores na ocasião de substituição de baterias chumbo ácidas por baterias
alcalinas Ni-Cd.
Os fatores que afetam a sua capacidade são a temperatura, quanto maior, maior
a capacidade, contudo com redução de vida útil; a taxa de descarga, o tipo de
eletrólito, a tensão, quanto maior menor o desempenho e o tipo da carga.
26

3.2.1.1 Características elétricas dos acumuladores níquel cádmio

• Tensão nominal - Durante a descarga, o potencial se mantém em um valor


muito estável, em torno de 1,2 Vcc por célula, com um perfil de descarga
mais plano que o apresentado pelas acumuladores de chumbo-ácido.
• Tensão de flutuação por elemento - Ligeiramente superior a nominal por
elemento e depende do projeto do acumulador. Varia em torno de 1,38 a
1,42 Vcc. A tensão de flutuação alta apenas ocasiona perda de água e
baixa, não compensa a auto descarga dos elementos. A tensão de
flutuação deve ser diminuída quando há o aumento da temperatura. Deve
ser ajustada na razão de [-2,3 mV/ºC], tendo como referência a
temperatura de 25 ºC.
• Tensão final de descarga - É o ponto de inflexão da curva de descarga na
qual resta pouca capacidade do acumulador. Depende da dinâmica de
descarga, mas geralmente são utilizados como valores práticos 0,95 a
1,15 Vcc para acumuladores alcalinos.
• Tensão de equalização - Esse tipo de procedimento não é utilizado para
os acumuladores alcalinos.
• Tensão de carga profunda – O valor típico utilizado é de 1,7 Vcc.
Nos acumuladores alcalinos industriais o efeito coup de fouet se apresenta com
menor intensidade do que nos acumuladores chumbo-ácidos. Os acumuladores tipo
bolsa não apresentam efeito memória. Este fenômeno se apresenta em pilhas
seladas de eletrodo positivo sinterizado (SP) e acumuladores alcalinos sinterizados.
Os acumuladores níquel cádmio apresentam o efeito de flutuação que
normalmente é confundido com o efeito memória. Aparentemente os valores de
condutância, resistência e de impedância não são indicativos do estado de vida de
um acumulador alcalino. Os dispositivos de medição ôhmica utilizados para predição
do estado de vida de um acumulador chumbo ácido ainda não foram estudados para
acumuladores níquel cádmio [10] .
As variações de valores de condutância ou resistência estão mais ligadas à
contaminação do eletrólito, apresentando resistência interna entre 0,4 e 2 mΩ a 25
o
C [10] .
27

Pelo fato de empregarem cádmio em sua composição, essas baterias são


consideradas as de maior impacto ambiental. Devido a isso e ao recente avanço
tecnológico em armazenamento de hidrogênio, há uma tendência mundial em
substituí-las pelas baterias hidreto metálico/óxido de níquel, cujas características
operacionais são muito semelhantes às de níquel cádmio. A principal diferença é
que as baterias hidreto metálico/óxido de níquel usam como material ativo do anodo
o hidrogênio absorvido na forma de hidreto metálico, em vez de cádmio. Com isso, a
reação de descarga desse eletrodo é a oxidação do hidreto metálico, regenerando o
metal, que na realidade é uma liga metálica. Estas baterias apresentam
desempenho superior ao das de níquel/cádmio, mas ainda são produzidas a um
custo um pouco superior [11] .
A tabela 1 mostra os valores das tensões típicas nos acumuladores chumbo
ácido e alcalino. Atenção especial deve ser dada aos valores citados, principalmente
aos de tensão de flutuação. Esses valores de tensão devem ser respeitados e
parametrizados na UPS CC, possibilitando uma vida útil elevada do banco de
baterias e resposta imediata em ocasiões de perda da fonte principal de energia.

Tabela 2: Características dos acumuladores chumbo ácido e alcalino Ni-Cd


Valores usuais
Tensão Sigla Chumbo ácido Alcalino
Tensão nominal Vn 2,0 1,2
Tensão de flutuação por elemento Vfl 2,16 (2,15 a 2,22) 1,4 (1,38 a 1,42)
Tensão final de descarga do Vfn 1,8 (1,75 a 1,82) 1,05 (0,95 a 1,15)
elemento
Tensão de equalização por Veq 2,35 (2,3 a 2,45) não utilizado
elemento
Tensão de carga profunda por Vcp 2,7 (2,6 a 2,75) 1,7 (1,67 na 1,72)
elemento
Fonte: BIELER, 2011, p. 15 e 44.

Maiores informações sobre baterias alcalinas podem ser encontradas nas


referências descritas no fim do trabalho.

3.2.2 Cálculo do número de células e da capacidade da bateria

A autonomia da UPS, ou seja, o tempo no qual a mesma é capaz de fornecer


energia elétrica para a carga na ausência da rede de fornecimento é definido
principalmente pela capacidade do banco de baterias empregado.
28

A determinação do banco de baterias depende dos seguintes fatores: tempo de


autonomia desejado, potência da carga alimentada, tensão do barramento de
conexão do banco de baterias e capacidade das baterias.
Seguindo os procedimentos adotados pelas normas IEEE Std 1115 (alcalinas) e
IEEE Std 485 (chumbo ácidas), podemos no exemplo abaixo, calcular o número de
células de acordo com a tensão de saída necessária.
Quando não é permitido ultrapassar a tensão máxima de determinado sistema, o
número de células deve ser limitado pela tensão da célula requerida para
carregamento satisfatório:

Vmax
n1 = (13)
V fl

Sistema com tensão mínima como fator limitante:

Vmin
n2 = (14)
V fn

Quando n1 é igual n2 temos a situação ideal, e quando n1 for diferente de n2


devemos utilizar o menor valor de n. Se utilizássemos um valor maior de n,
cairíamos numa tensão máxima ou mínima não permitida pelo equipamento a ser
alimentado. Suponhamos uma bateria de acumuladores chumbo-ácido trabalhando
com Vn = 125 Vcc, Vmax = 140 Vcc e Vmin = 105 Vcc. Com os seguintes fatores
fixados: Vfl = 2,16 Vcc, Vfn = 1,80 Vcc, Veq = 2,35 Vcc e Vcp = 2,70 Vcc, assim:

140
n1 = = 64 elementos (15)
2,16

105
n2 = = 58 elementos (16)
1,80

Assim, o número total de elementos a ser escolhido é 58, a tensão de flutuação é


Vfl=125,28 Vcc (58 x 2,16), a tensão final de descarga por elemento é Vfn=1,81 Vcc
29

(105/58), a tensão de equalização 136,30 Vcc (58 x 2,35) e a tensão de carga


profunda 156,60 Vcc (58 x 2,7). Para o acumulador níquel cádmio o mesmo
processo descrito acima é utilizado, apenas levando-se em consideração a tensão
nominal de 1,2 Vcc por elemento e os valores típicos de tensão descritos para esse
tipo de acumulador.
Com base no tipo de acumulador escolhido, fixada a tensão final de descarga do
elemento e n° de elementos, podemos calcular a capa cidade do acumulador.
Cada fabricante apresenta para uma determinada capacidade nominal as curvas
de regime de descarga. Em cada um destes regimes observa-se a queda real de
capacidade do acumulador para uma dada intensidade de corrente. Para diversos
regimes podemos escrever:

C
I = R × C ou I = (17)
K

Onde:
I é a intensidade de descarga em ampères.
C é a capacidade nominal em Ah para uma descarga de 10 horas.
1
R (ou K ) é o fator de proporcionalidade variável com o tempo de descarga.

Figura 12:Curva de descarga. Fonte: Bieler, 2011, p.19


30

Figura 13:Valores de R em função do tempo. Fonte: Bieler, 2011,p.21

Por meio destas curvas podemos calcular a capacidade nominal de um


acumulador, para tanto é necessário especificar tensão final, tempo e intensidade de
descarga.
Na figura 12 os pontos A, B, C e D foram obtidos com uma descarga a uma
corrente constante I e medido o tempo de descarga até o acumulador atingir 1,8 Vcc,
assim vários outros pontos podem ser plotados. O gráfico da figura 13 é obtido
colocando-se todos os valores de R obtidos do gráfico da figura 12 na ordenada e o
tempo na abscissa. Na figura 14 são mostradas várias curvas de R e K para várias
tensões finais de descarga. Com base nessas curvas de valores podemos
determinar a capacidade necessária do acumulador para diversos tipos de ciclos de
descargas, conforme mostrado no exemplo a seguir.
31

Figura 14:Capacidade nominal para regime C10 valores de R e K. Fonte: Bieler,


2011, p.20 e 21.

Supondo a necessidade de uma bateria para suportar uma descarga conforme a


figura 15, a uma tensão final de descarga de 1,81 Vcc.

Figura 15:Perfil de descarga constante.

Figura 16:Regime de descarga C10, valores de K @Vfn=1,81 Vcc. Fonte: Bieler,


2011, p.21.
32

Na figura 16 procuramos o valor de K para uma descarga de 1 hora, onde K=1,9


e calculamos a capacidade nominal C=1,9 x 200 e obtemos 380 Ah.
Se considerarmos a descarga como 4 descargas de 15 minutos podemos dizer
que para o 1° período a capacidade será igual a cap acidade de uma hora menos a
capacidade de 45 minutos. Para o 2° período a capac idade será igual a capacidade
de 45 minutos menos a capacidade de 30 minutos. Para o 3° período a capacidade
será igual a capacidade de 30 minutos menos a capacidade de 15 minutos e
finalmente, para o 4° período a capacidade será par a uma descarga de 15 minutos.
Assim podemos escrever:
1° período: 1,90 x 200 – 1,65 x 200 = 50
2° período: 1,65 x 200 – 1,45 x 200 = 40
3° período: 1,45 x 200 – 1,20 x 200 = 50
4° período: 1,20 x 200 = 240
A soma resulta em 380 Ah @ C10. Assim deduzimos a fórmula:

Cn = K1.I1 + K2.(I2 –I1) + K3.(I3 –I2) + K4.(I4 –I3) (18)

De um modo geral temos:

Cn = K1.I1 + K2.(I2 –I1) + … + Ki.(Ii –Ii-1) + ... + Kn.(In –In-1) (19)

No entanto existe uma restrição para a fórmula geral, quando a corrente de um


ciclo é muito maior que as demais é necessária a verificação passo a passo como
segue:

Figura 17:Regime de descarga aleatório com K @Vfn=1,81 Vcc.


33

Para o período de 4 horas, K1 = 4,6 e para 3 horas, K2 = 3,7. Assim:

Cn = 4,6.100+3,7(5-100) = 108,5 Ah @ C10 (20)

Fazendo a 1ª verificação:
Para o período de 1 hora, K1 = 1,9, resultando:

Cn = 1,9. 100 = 190,0 Ah @ C10 (21)

Neste exercício observa-se que deve ser adotado o valor da verificação, pois o
valor calculado não suporta o primeiro ciclo de descarga.
Finalizando, o valor calculado deve ser corrigido considerando os fatores a
seguir:
Temperatura - Fator = 1.050
Envelhecimento (idade) - Fator = 1.100
Fator de carga - Fator = 1.060
Fator de projeto - Fator = 1.050
Fator de correção total - Fator = 1.286
Podemos também encontrar a bateria diretamente em gráficos resumidos
disponibilizados por fabricantes. A figura 18 mostra o tempo de descarga em função
da corrente de descarga para diversas baterias do fabricante Saturnia com
capacidade variando de 1,2 Ah até 40 Ah.
Por exemplo, supondo que se deseja uma autonomia de 60 minutos, para uma
carga que consome 2000 W de potência e que o banco de baterias possui tensão de
120 Vcc (60 células do acumulador chumbo ácido de 2 volts conectados em série),
sabe-se que a corrente fornecida pelo banco de baterias nesta situação é de:

P 2000
I= = = 16, 67 A (22)
V 120

Através do gráfico, chega-se a conclusão que é necessária a utilização de


baterias de capacidade igual a 40 Ah. De posse desta capacidade, pode-se
determinar a autonomia da UPS para outros valores de carga alimentada.
34

Figura 18:Tempo de descarga em função da corrente de descarga de baterias.


Fonte: Roggia, 2010, p.10.

Por exemplo, caso uma carga que necessite de aproximadamente 9 A (1080 W


de potência) for suprida pela UPS, a sua autonomia será de 3 horas.
A bateria de acumuladores deve ser mantida corretamente carregada pelo
retificador e ser acondicionada em local adequado. Em uma ocasião de falha,
recursos adequados devem ser previstos garantindo a confiabilidade requerida pelo
sistema, garantindo a alimentação da carga.

4 UNIDADES DE DIODOS DE QUEDA, CONVERSOR CC-CC DE SAÍDA E


TRANSFORMADOR DE ENTRADA

Em muitas aplicações, o retificador deve alimentar cargas sensíveis a tensões


acima de um determinado valor. Para atender esta aplicação, a UPS CC deve
possuir um sistema de regulação da tensão de saída utilizando diodos de queda.
Este sistema de regulação, mais conhecido como Unidade de Diodos de Queda
(UDQ’s), são conjuntos de diodos em série com a carga que são colocados ou
retirados, introduzindo uma queda de tensão para manter a saída regulada abaixo
de um valor pré-determinado de tensão durante a equalização das baterias.
A UDQ é utilizada, portanto, quando o consumidor não tolera a variação da
tensão do banco de baterias entre o final de descarga e a tensão máxima de carga.
35

Podem ser utilizados um ou dois estágios de diodos, que serão inseridos ou


retirados do circuito, automaticamente, mantendo o consumidor dentro da faixa de
tensão especificada. Este sistema de regulação é consagrado na aplicação de
subestações devido a sua simplicidade e altíssima robustez e confiabilidade.
Vale a pena lembrar que os diodos tem baixa suportabilidade térmica quanto ao
curto-circuito e, dessa maneira, especial atenção deve ser dada se a capacidade
das baterias (ou dos conjuntos de baterias, caso hajam retificadores em paralelo) é
elevada. Como estimativa de primeira aproximação para ordem de grandeza da
corrente de curto-circuito de um sistema de baterias, usa-se o valor de 10 x C.
Assim, em um conjunto de baterias de 2.000 Ah a corrente de curto-circuito da
bateria seria de 20.000 A. É preciso sempre efetuar o cálculo correto da corrente de
curto-circuito. A figura 19 mostra uma UPS CC com as UDQ’s localizadas num
mesmo gabinete, juntamente com os retificadores.

Figura 19:Retificador chaveado industrial.


36

O valor de queda de tensão em cada UDQ varia de 0,7 a 0,8 Vcc por diodo. É
importante lembrar também que, como o diodo de queda não possui boa
suportabilidade ao curto-circuito, deve sempre possuir um fusível ultrarápido para
sua proteção.
Em [13] , a saída da UPS CC não utiliza diodos de queda, mas sim um conversor
CC-CC, que regula a tensão de saída. Contudo esse sistema ainda só é encontrado
em tensões de saída de 12, 24 e 48 Vcc com correntes de saída da ordem de 20 a
100 A. Esse bloco CC é essencialmente uma bateria que flutua no lado CC de saída
do retificador e é 99,99% eficiente para inicialmente cumprir com o padrão SEMI F47
[14] [15] . Ao contrário dos sistemas UPS CC convencionais, estes sistemas
distribuídos são compostos de uma "pequena usina de armazenamento de energia",
que no caso, são pequenas baterias espalhadas por todo o estabelecimento. A
figura 20 mostra um modelo de UPS CC que utiliza na última etapa um conversor
CC-CC responsável pela regulação da tensão de saída.

Figura 20:UPS CC com conversor CC-CC de saída.

O transformador de entrada deve ser dimensionado considerando-se a pior


condição de carga, temperatura, sendo necessário também o uso do fator k,
referente às harmônicas geradas pelo sistema retificador, onde maiores detalhes são
encontrados na norma IEC 61378-1. Usualmente, não se admite o uso de
autotransformadores para a adaptação da tensão de entrada em UPS’s CC. O
transformador deve possuir blindagem eletrostática aterrada e sistema de
amortecimento de modo a minimizar a transmissão de vibração.
37

5 CARACTERÍSTICAS DE FUNCIONAMENTO

A UPS CC também pode ser conhecida pelo nome de retificador digital industrial,
nobreak DC, retificador industrial trifásico, retificador carregador, retificador
chaveado industrial, dentre outros. Os retificadores que utilizam os tiristores como
chaves semicondutoras são bastante encontrados no mercado. Com uma tecnologia
confiável e consolidada, encontrados em 6 pulsos e seus múltiplos (12, 18, etc.)
garantem altas correntes de saída e aplicações em altas potências. A maioria pode
operar tanto com baterias alcalinas quanto com chumbo ácidas ventiladas ou
reguladas a válvula.

5.1 MODO DE CARGA DAS BATERIAS

Nos retificadores tiristorizados o controle da tensão e corrente de saída é feito


através do princípio de variação do ângulo de disparo dos tiristores. É utilizada uma
freqüência de chaveamento da ordem de centenas de hertz, dessa forma os filtros
para redução do ripple da tensão de saída e os filtros de entrada, visando a melhoria
do fator de potência, são muito grandes e pesados.
Durante o processo de carga da bateria existe a necessidade de se controlar
tanto a tensão, quanto a corrente que é entregue a mesma. Isso porque a corrente
que circulará na bateria (Icarga) é resultado da diferença de tensão de saída do
retificador (Vcc) pela tensão do banco (Vbat), dividida pela resistência interna do
banco (Rint), como pode ser visto:

Vcc − Vbat
Icarga = (23)
R int

Como a resistência interna é muito baixa, pequenas diferenças entre a tensão de


saída do retificador e a tensão final da bateria podem resultar em grandes correntes,
capazes de danificar o banco de baterias e o retificador. Assim a necessidade de se
seguir a perfil de carga descrito na figura 21, com corrente inicial limitada até certo
tempo, depois quando Vbat aumenta acima de um determinado valor o controle
comuta para carga com tensão constante.
38

Figura 21:Perfil de carga com limitação de corrente e tensão constante.

Para obter a característica de carga descrita acima, o sistema utiliza um bloco


somador não linear para as variáveis de erro de tensão e corrente. A cadeia externa
da realimentação opera normalmente em modo linear, ou seja, a tensão de saída é
comparada com uma tensão de referência predeterminada e o sinal de erro
resultante é linearmente amplificado de forma a controlar o ângulo de disparo dos
SCR da coluna retificadora.
Todavia, quando a corrente de saída excede um determinado valor, um circuito
somador não linear fecha a malha interna de realimentação de corrente. Desta
forma, a partir deste valor de corrente o retificador opera como gerador de corrente,
sendo a tensão de saída definida pela tensão da bateria de acumuladores [10] .

5.2 MEDIÇÃO DE SIMETRIA DE BATERIA

Normalmente, os bancos de baterias são montados conectando-se em paralelo


várias strings de baterias, cada string é formada pela conexão de monoblocos de
baterias conectadas em série (figura 22).

Figura 22:Representação de monobloco e string de baterias.


39

Medição de simetria é um método de monitoração da bateria para a detecção


automática do desequilíbrio do monobloco. O monitoramento de simetria de uma
string de bateria pode ser realizado de três diferentes métodos:
• Método de medição de monobloco - Medição de cada monobloco de
bateria.
• Método de medição de Ponto Médio - Medição do ponto médio da string
de bateria ao terminal final.
• Método de medição de Duplo Ponto Médio - Medição do ponto médio da
string de bateria a ambos os terminais finais.
O método de medição do ponto médio, para um exemplo com tensão de saída de
48 Vcc, requer dois fios simétricos por string, o método de medição de duplo ponto
médio requer 3 fios simétricos por string de bateria, enquanto que o método de
medição de monobloco necessita de 5 fios simétricos por string de bateria.

Figura 23:Configurações de medição de simetria de bateria.

As UPS’s são usualmente entregues com o método de medição por simetria


habilitado e o número de pontos de medição já pré programados. Qualquer desvio
nos ajustes de fábrica requer reconfiguração da simetria através do software do
equipamento. Alguns fabricantes disponibilizam 8 entradas de simetria de bateria,
habilitando a medição de:
• 2 strings de bateria (método de medição de monobloco)
• 4 strings de bateria (método de medição de duplo ponto médio)
• 8 strings de bateria (método de medição do ponto médio)
40

5.3 ENTRADAS DIGITAIS E SAÍDAS DE ALARMES

Algumas UPS’s disponibilizam entradas digitais em suas placas ou controladoras,


que fazem a interface dos vários dispositivos e sensores presentes em todo o
sistema. Assim contatos auxiliares de varistores, de ar condicionado, trocadores de
calor, de sensor de incêndio, sensor de porta aberta, de disjuntores e outros, podem
ser conectados à UPS CC o que permite um monitoramento em tempo real do
estado de funcionamento desses equipamentos auxiliares. A UPS também
disponibiliza uma entrada para a conexão de um sensor de temperatura que é
colocado no banco de baterias. Isso permite o controle da tensão de flutuação em
função da temperatura ambiente, no chamado modo automático de compensação. A
tensão é reduzida usualmente de 2,3 mV para cada grau de elevação de
temperatura registrado acima de 25 ºC, mas sendo possível a alteração desse valor
na UPS de acordo com as características definidas pelo fabricante de baterias.
A UPS CC também disponibiliza ao usuário saídas a relé para o monitoramento
dos alarmes, permitindo o envio de tele sinalização a um centro de gerenciamento.
O usuário pode nomear o relé responsável pelo alarme de acordo com sua
necessidade, como descrito no exemplo:
Relé 1:Falha de CA, Relé 2:Tensão alta de Bateria, Relé 3:Bateria em Descarga,
Relé 4:Fusível/Disjuntor interrompido, Relé 5: Retificador Anormal, Relé 6:
Desconexão de consumidor, Relé 7: Falha de DPS e assim sucessivamente, sendo
limitado pelo número de saídas disponibilizadas pelo fabricante.

5.4 COMANDOS, SINALIZAÇÕES E PROTEÇÕES

Os comandos manuais podem ser resumidos em: disjuntor de entrada, disjuntor


de bateria, disjuntores de saída CC, chave de manutenção e botões de teste e
reposição. Dentre os comandos automáticos, que atuam em ocasiões de falhas, são
citados: o desligamento da coluna retificadora na ocasião de avaria de algum
semicondutor, perda do disparo dos tiristores, queima de fusível, falta de CA, tensão
de saída CC alta, tensão de entrada CA anormal, sobretensão nas chaves,
sobrecarga, curto circuito na saída CC e sobre temperatura na coluna retificadora.
As sinalizações locais devem conter: retificador em serviço, em carga e com
defeito, fusível interrompido, CA anormal, tensão CC alta, tensão CC baixa, fuga à
41

terra e bateria em descarga. As sinalizações remotas principais são o sumário de


alarmes, falha à terra e bateria em descarga.
As proteções básicas encontradas são referentes aos disjuntores, fusíveis,
proteção soft start, atuando na abertura do ângulo de disparo dos tiristores,
garantindo uma característica linear de crescimento da tensão de saída quando a
UPS é ligada, limitação eletrônica de sobrecarga, desligamento da coluna
retificadora, proteção contra curto circuito e contra inversão de fases.

5.5 MODO DE FUNCIONAMENTO

Em condições normais de operação o retificador está ligado à bateria e as


cargas, sendo fornecida a ambos a tensão de flutuação. O sistema de controle da
UPS mantém a tensão de flutuação independente das condições da rede elétrica. As
baterias também atuam na filtragem da tensão de saída para os consumidores.
Na ocasião de perda da alimentação alternada, o retificador é desligado e a
bateria passa a fornecer corrente para a carga, sendo indicado no painel sinótico do
equipamento o status da bateria. A mesma fornecerá energia à carga até atingir sua
tensão final de descarga, onde as cargas são desligadas caso haja relé de
subtensão.
Se a alimentação retorna normalmente, o retificador assume a carga, passando
também a carregar a bateria segundo o processo de carga descrito anteriormente.
Usualmente, escolhe-se como limitante um valor entre 10 a 20% da capacidade da
bateria para o valor da corrente de carga.

6 NOVAS CONFIGURAÇÕES E FUNÇÕES APLICADAS A UPS’s CC

6.1 USO DE FONTES CHAVEADAS MODULARES

Com os novos avanços da tecnologia, novas configurações para as UPS’ CC são


criadas e disponibilizadas no mercado. Ao invés do uso de tiristores com grandes
capacidades, sendo toda a potência da UPS convertida apenas nesses dispositivos,
surge a possibilidade de utilização de várias fontes chaveadas em paralelo sendo
controladas por uma unidade central ou controlador, que monitora e funciona como
42

interface do sistema com o usuário local, sendo, portanto, um centro vital da planta
de potência CC.
Funcionando com base em chaves mosfet’s ou igbt’s, possibilitando o
chaveamento em alta freqüência na casa de dezenas de kHz, essas fontes permitem
o controle do fator de potência, funcionam com alto rendimento em uma grande faixa
de carga e, sobretudo, são leves e pequenas.
Os fabricantes garantem valores de MTBF superiores a 300000 (Telcordia SR-
332 Issue I method III – (a), com temperatura ambiente de 25 ºC), com faixa de
temperatura de operação de -40 até +75 °C, apresent ando um derating (redução da
capacidade) para temperaturas acima de +55 °C e lim itação de 1350 W em +75 °C,
para fontes com potência nominal de saída de 2 kW. A faixa de freqüência de
entrada varia de 45 a 66 Hz, o fator de potência superior a 0.99 em 50% de carga ou
valores superiores a este e THD menor que 5% em carga máxima e tensão de
alimentação nominal. A figura 24 ilustra o conceito das novas configurações
descritas:

Figura 24: Sistema completo de uma UPS CC: retificadores, unidade de controle,
banco de baterias, contatores e fusíveis.
43

O uso de várias fontes chaveadas agrega maior confiabilidade ao sistema, uma


vez que a queima de uma única fonte não necessariamente acarreta em um
desligamento total do equipamento, característica não encontrada em um retificador
a tiristor, onde todo o sistema será desligado na ocorrência de avaria de alguma
chave ou placa de controle.
Podemos citar também a capacidade de expansão de potência realizada de
forma rápida, segura e sem a necessidade de parada da UPS CC. As fontes podem
ser colocadas “a quente” no chamado processo hot plug, onde a fonte é diretamente
conectada ao rack de potência e imediatamente depois, a controladora reconhece o
novo retificador.
O rack de potência possui geralmente quatro posições disponíveis para as
fontes, permitindo a conexão de 8 a 12 kw, dependendo da potência de cada fonte.
Eles podem ser alimentados por fontes monofásicas ou trifásicas. Possuem na sua
parte traseira contatos de conexão rápida tanto para a parte de potência, quanto
para a de comunicação de dados entre os outros racks e a controladora, facilitando
a conexão e garantindo a segurança da operação.
Quando os retificadores são conectados no rack de potência pela primeira vez, o
controlador atribui dinamicamente ao retificador, o próximo número ID (identificação)
disponível e automaticamente aumenta o número de retificadores que se comunicam
no barramento CAN. Também, o controlador registra o número ID do retificador ou o
endereço no barramento CAN (01, 02…), juntamente com seus respectivos números
seriais. Quando um retificador previamente instalado é conectado novamente no
rack de potência, ele mantém sua identificação anterior e seu número serial, a não
ser que seja novamente atribuído outro valor através de um comando de reset.
Com isso, a divisão de corrente entre todas as fontes é feita de forma precisa,
todas as proteções e alarmes relacionados aos retificadores são enviados para a
controladora, sendo possível, portanto, o controle absoluto de todas as fontes
conectadas. São encontrados sistemas desse tipo com potência de saída na faixa
de 2 kW (uma fonte) até 192 kW (96 fontes em paralelo).
Na ocasião de conexão de retificadores tiristorizados em paralelo, se os mesmos
não possuírem comunicação entre as placas de controle e um algoritmo capaz de
executar uma perfeita divisão de corrente, apenas um deles fornecerá energia à
carga, permanecendo o outro retificador ligado, mas sem fornecer corrente, no
chamado modo hot standby.
44

A tensão de saída de uma UPS CC nunca é igual a tensão de saída de outra,


assim, ao se conectar as saídas das UDQ’s, a UPS CC que possuir maior tensão de
saída polariza inversamente os diodos de saída da outra UPS CC. Dessa forma,
somente uma delas fornecerá corrente a carga enquanto a outra permanecerá
ligada, mas não contribuindo com potência.
A figura 25 mostra o paralelismo entre dois retificadores tiristorizados sem a
possibilidade de funcionamento em paralelismo redundante (divisão de corrente). A
UPS 1 só fornecerá corrente a carga na ocasião em que a UPS 2 sofrer algum dano
ou for desligada.

Figura 25:Paralelismo de UPS’s, modo hot standby.

Durante a operação normal de um sistema elétrico, temos os seguintes eventos


que se apresentam e que podem provocar situações indesejadas para a
concessionária ou para o consumidor:
• Perda de uma fase do sistema devido ao desligamento monopolar da
rede, normalmente causado por um curto circuito na fase em questão;
• Partida de um motor de grande porte, capaz de causar uma queda de
tensão no sistema superior aos limites pré-estabelecidos como aceitáveis;
45

• Perda de uma fonte de alimentação ou de suporte de reativos, capaz de


causar uma queda de tensão superior aos limites considerados aceitáveis;
• Presença de cargas desequilibradas fazendo com que a tensão fornecida
pela rede também seja desequilibrada [16] .
Diante desses problemas, podemos citar outras vantagens dos novos sistemas
de configuração das UPS’s CC, como o funcionamento em uma grande faixa de
tensão de entrada, podendo ser encontradas fontes chaveadas com alimentação
variando de 85 a 300 Vac, com limitação linear de potência para valores de tensão
abaixo de 185 Vac. Na faixa de tensão de 185 a 275 Vac essas fontes são capazes
de entregar a sua potência nominal.
É importante observar que a alimentação de cada fonte é feita com tensão
monofásica, contudo os rack’s de potência são alimentados com tensão tanto
trifásica (com um padrão especial que encaminha as três fases e as distribui
uniformemente pelos rack’s de potência) quanto monofásica. Dessa forma, a perda
de uma fase no sistema alimentado por três fases não ocasiona a perda total do
sistema, mas sim de uma parte das fontes, permanecendo as outras fontes que não
são alimentadas pela fase perdida em perfeito funcionamento.
São oferecidas também aplicações para a operação do sistema localmente via
PC (computador) usando um software, ou remotamente via modem, Ethernet e Web.
Os módulos utilizam a porta USB ou RS-232 para fazer interface com um
computador local, SNMP ou adaptador Web. Utilizando esses recursos, o usuário
pode:
• Monitorar o equipamento através de página da web;
• Executar comandos remotos.
• Enviar e-mail de aviso de alarmes ou eventos ocorridos;
• Monitorar o equipamento utilizando dispositivos móveis com tecnologia
WAP (celulares e PDAs);
• Agente SNMP que responde requisições de gerentes SNMP para
monitoração e geração de estatísticas de funcionamento;
• Traps SNMP sinalizando alarmes ou eventos ocorridos;
• Acesso autenticado por senha.
O sistema informa on-line as grandezas elétricas e o estado dos alarmes, sendo
visualizado o painel sinótico com o estado dos disjuntores, contatoras e blocos
46

internos, permitindo a execução de comandos remotos. Isto permite que o usuário


tenha remotamente as mesmas informações que teria estando em frente ao painel
do equipamento.
O uso de um modem GPRS/GSM com um chip de celular permite que o usuário
receba o status de funcionamento da UPS CC. Através do envio de uma palavra ou
senha pré-configurada na controladora para o número do chip presente na UPS, a
mesma retorna uma mensagem com valores da tensão de entrada, tensão de saída,
temperatura da bateria, corrente de carga, corrente de bateria e outros. A figura 24
exemplifica o exposto acima:

Figura 26:Mensagens com o status do equipamento.

O sistema ainda é capaz de enviar mensagens automaticamente na ocorrência


de algum alarme, podendo ser habilitado mais de um número de celular, para o
recebimento dessas informações.
O usuário poderá configurar o sistema habilitando o envio dos alarmes principais
ou mesmo de todos os alarmes presentes na UPS CC. Essa função é de grande
valia em sistemas que operam isolados ou em áreas remotas, permitindo o
acompanhamento e monitoramento de todo o equipamento.
Essa função também permite que o sistema retorne uma mensagem de tempo
em tempo, indicando que a linha de telefone ou o modem encontram-se em perfeito
funcionamento. A mensagem pode ser enviada através da linha de telefone usando
um modem simples ou enviada como uma SMS, usando um modem GSM/GPRS. Se
47

um modem simples é utilizado, a mensagem pode ser recebida usando-se um


computador com um programa terminal.
Abaixo seguem tabelas resumidas com os principais recursos oferecidos e
alarmes que os fabricante disponibilizam nesses novos sistemas:

Tabela 3: Principais recursos disponíveis.


Recursos
Sistema Bateria Retificadores
Medição da tensão de saída Medição da corrente da bateria Disponíveis informações
sobre cada retificador:
Medição da corrente total de Medição da temperatura da Número serial, versão,
carga bateria temperatura interna
Desconexão de carga/Bateria Teste da Bateria Medição da Corrente
Individual do Retificador
Nível de ajuste de Alarmes Informação da capacidade Tensão de Entrada
(principal / secundária) restante em Ah ou % Individual do Retificador
Cálculo de alarmes Configuração dos Dados da Gerenciamento de
Bateria Eficiência
Relógio de Tempo Real com Configuração do shunt da Bateria
Bateria de Backup
Texto/Identificação de local Indicação da qualidade da Bateria
Texto de saída de Relés Carregamento da Bateria
Ajuste de nível de tensão Compensação de Queda de
Tensão no Cabo da bateria
Cálculo de dados Compensação de Temperatura
Proteção contra falha do sensor
de temperatura

Tabela 4: Principais alarmes disponíveis.

Alarmes
Sistema Bateria Retificador
Falha de CA (fases individuais) Tensão Alta da Bateria Falha do Retificador
Entradas Digitais (nomes Tensão Baixa da Bateria Falha Crítica do Retificador
programáveis) (> 1, programável)
Desconexão de Carga (tensão Temperatura alta na Bateria Capacidade do Retificador
ou tempo) com níveis programáveis
Fusível de Carga Temperatura baixa na Bateria Limite de Corrente do
Retificador
Corrente de Carga Capacidade da Bateria Proteção contra
sobretensão
Desconexão da Bateria Corrente do Retificador
Fusível da Bateria
Falha de Simetria
Indicação da qualidade da
Bateria
Corrente de descarga da
Bateria
48

Os controladores de última geração apresentam um avançado controle capaz de


suprir a carga através de uma entrada de energia provinda de várias fontes. Dessa
forma a UPS CC é capaz de funcionar com energia solar, gerador de energia e com
a concessionária. Também é preparado para energia eólica, sendo possível sua
configuração para escolha automática da melhor fonte de energia em tempo real,
sendo possível registrar a quantidade de energia produzida pelas fontes.

Figura 27: Fornecimento de corrente contínua através de várias fontes geradoras.

Sistemas que funcionam com energia de um gerador geralmente rodam a baixa


carga, o que resulta em uma baixa eficiência do gerador. Os novos controladores
utilizados nas UPS’s CC permitem, juntamente com baterias, controlar o
funcionamento cíclico do gerador, permitindo seu funcionamento em máxima
eficiência. Isto reduz em torno de 55% o consumo de combustível.
49

6.2 USO DE CONVERSORES CC-CC

Em algumas aplicações torna-se necessário se fazer a distribuição da tensão


contínua em valores superiores aos nominais das cargas uma vez que a distribuição
em baixa tensão acarretaria no uso de cabos com bitolas muito elevadas,
inviabilizando o uso desses baixos valores de tensão.
Como exemplo, podemos citar a distribuição em 125 Vcc em uma plataforma
FPSO, que possui um comprimento superior a 300 metros medidos de proa a popa.
Várias cargas são alimentadas em 24 Vcc, contudo, o uso dessa tensão para a
distribuição nesses navios seria inviável, dessa forma a distribuição em uma tensão
superior viabilizaria o projeto dos cabos. Assim, o uso de uma UPS CC de 125 Vcc
para a transmissão e de conversores CC-CC de 125 Vcc para 24 ou 48 Vcc
colocados próximos as cargas se apresenta como uma solução aplicável nesse tipo
de situação. Nesses conversores, o conceito de modularidade e rápida expansão de
potência também são encontrados, através do uso de conversores em paralelo e da
conexão hot plug-in.
Uma unidade central de monitoramento controla os conversores através de uma
rede CAN e são encontrados modelos com possibilidade de conexão de 4 módulos
em um rack de 19 polegadas, com uma potência máxima de 4,8 kW por rack e
também racks de potência com capacidade de conexão de 6 conversores, como
visto na figura 28. Possibilitam a conexão de vários racks de potência em paralelo
para expansão de potência, sendo permitido o uso de até 48 conversores.
50

Figura 28:Conversores CC-CC em rack de 6 e 4 posições.

Os conversores CC-CC apresentam uma grande faixa de tensão de entrada, com


variação de 91,7 a 300 Vcc, com desligamento para tensões de entrada inferiores a
90 Vcc e superiores a 300 Vcc. A tensão de saída pode ser ajustada em uma faixa
que vai de 42 a 62 Vcc. Se a tensão de saída estiver abaixo do valor ajustado pelo
usuário um alarme é acionado e da mesma forma que nos retificadores, uma saída à
relé indicando o ocorrido é acionada. Se a tensão de saída for superior ao valor de
ajuste operacional, o módulo se desliga automaticamente, sendo necessário o
religamento manual do mesmo.
Se a temperatura nos dissipadores se elevar a 80 ºC o conversor é desligado
automaticamente. Quando a temperatura no dissipador se reduz a 70 ºC, o
conversor automaticamente volta a funcionar. Para uma faixa de temperatura entre
70 e 80 ºC, o conversor diminui linearmente sua potência de saída e no caso de
módulos de saída com 1200 W de potência, tem seu valor reduzido linearmente de
1200 W a 200W. Na ocorrência de algum defeito no ventilador, o módulo também é
desligado automaticamente.
Na ocorrência de um curto circuito, o conversor se desliga após 5 segundos e
após 30 segundos o mesmo tenta se religar repetidamente. A temperatura de
funcionamento deve estar na faixa de – 20 a + 55 ºC, com uma aplicação máxima a
1500 metros de altitude.
O uso da unidade controladora permite que os conversores CC-CC possam ser
conectados a baterias, funcionando dessa forma, também como UPS’s CC. Assim,
são capazes de realizar as mesmas funções de uma UPS, como compensação da
tensão de saída com a temperatura, limitação de corrente de carga da bateria,
medição de simetria de bateria, dentre outras. Existe a possibilidade de se
desconectar até duas cargas independentes com menor prioridade para garantir
51

maior autonomia da bateria durante a operação de backup de algum processo


crítico. Os critérios de desconexão são selecionáveis independentes um do outro:
• Desconexão após a tensão cair abaixo de um limiar de tensão ajustável, e
ligação após ultrapassar o limite de desconexão ajustado.
• Desconexão após a expiração de um tempo ajustável após o
reconhecimento da operação do banco de baterias, com reconexão ao
término da operação da bateria.

Figura 29: Unidade controladora de conversores CC-CC

7 PRINCIPAIS ESPECIFICAÇÕES PETROBRAS PARA UPS CC

Com base na norma N-332, serão descritos alguns dos principais requisitos
necessários que devem ser atendidos para o fornecimento de sistemas ininterruptos
de energia para a Petrobras.
A UPS deverá operar em local abrigado e em área não classificada, com uma
faixa de temperatura ambiente de 0 ºC a 50 ºC. A umidade relativa do ar deverá
estar na faixa de 50 % a 95 %, sem condensação a 25 ºC a uma altitude máxima de
até 1 000 m.
A UPS não deverá conter partes energizadas sujeitas a toques acidentais, com o
nível de tensão superior àqueles determinados na norma regulamentadora NR 10,
incluindo quando aplicável capa protetora para fusíveis NH.
A disposição dos componentes, pontos de teste e réguas de bornes terminais
deve permitir o acesso para testes dos circuitos, ajustes, reparos e manutenção pela
parte frontal do retificador, sem a necessidade da remoção de qualquer módulo
adjacente, placa de circuito impresso ou outro componente. Os ajustes do retificador
devem estar acessíveis ao usuário via painel sinótico ou via software. Os mesmos
52

devem ser projetados para operar sem manutenção por um mínimo de 4 anos, e
devem ser projetados para funcionamento contínuo, considerando os ciclos de
sobrecarga admissíveis sem redução da capacidade do sistema.
Quanto à compatibilidade eletromagnética, a UPS CC deverá atender a IEC
61000-2-4 e quanto ao grau de proteção, conforme a NBR IEC 60529. Outro fato a
ser observado se refere a ventilação. Onde espaço não é problema, deve-se adotar
a ventilação natural, como medida para o aumento da confiabilidade. Por prática,
adota-se o valor de 200 A como limitante e a partir desse valor é admitido o uso de
ventilação forçada, desde que haja redundância para que seja possível a retirada de
um ventilador sem a necessidade de se desligar todo o sistema.
A pintura das chapas metálicas do equipamento deve ser do tipo eletrostático a
pó conforme mencionado na Petrobras N-2841, sendo montado em painel auto
suportado, com acesso frontal e traseiro, com chapas da estrutura com espessura
mínima de 2,7 mm, e das portas, tampas laterais e de fechamento com espessura
mínima de 1,9 mm, reforçadas se necessário.
As partes da UPS não previstas para condução de corrente deverão possuir
continuidade elétrica e serem conectadas ao barramento de terra, e através de
cordoalha de cobre flexível as portas também deverão ser conectadas para garantir
continuidade elétrica. O barramento de terra deverá ficar na parte inferior interna,
correndo por toda extensão e com conectores de compressão.
Para a instalação em unidades marítimas, algumas restrições descritas pelas
sociedades classificadoras devem ser atendidas. As placas de circuito impresso
devem suportar elevação de temperatura, possuir isolação apropriada e serem
adequadas ao ambiente de exposição. Se solicitado, o fabricante deve comprovar a
tolerância do equipamento a estes ambientes com relatórios de ensaios de
laboratório.
A exposição a agentes agressivos como enxofre, cloro e atmosfera salina devem
ser informados ao fabricante para que seja adicionada a proteção adequada, como
tropicalização, “conformal coating”, etc. Em unidade marítima do tipo flutuante, os
requisitos de inclinação previstos no IMO e “Modu Code” devem ser respeitados. As
fiações e conexões elétricas devem ter característica não propagante a chamas e
terminais de força adequados. O aspecto da segurança na intervenção é um valor
que deve ser observado desde a concepção dos projetos. Assim, o UPS deve ser
construído de modo a facilitar a manutenção e minimizar o tempo de reparo [17] .
53

O custo médio das interrupções de energia nos diversos setores é elevado,


podendo chegar a valores conforme tabela 3 [18] .

Tabela 5: Custo médio das interrupções


Duração da Seguimento Comercial (US $) Seguimento Industrial (US $)
Interrupção
1 min 379 14155
20 min 744 20551
1h 1002 33436
4h 2299 61710
8h 4188 92210
Fonte: IEEE Recommended Practice for the Design of Reliable Industrial and Commercial Power
Systems.

No setor petrolífero os prejuízos causados por uma falha no sistema elétrico


podem chegar a milhões de dólares, além de acarretar riscos às pessoas, meio
ambiente e instalações[17] .
A UPS CC deverá operar com baterias alcalinas, chumbo ácidas ventiladas ou
reguladas a válvula indistintamente. O regime de operação deverá ser acessível ao
usuário, apresentando as funções de flutuação, recarga manual e automática. A
recarga manual deve ser iniciada manualmente e encerrada automaticamente por
um tempo definido, ajustado pelo usuário, ou encerrada manualmente a qualquer
momento. A recarga automática deve ser encerrada sempre por queda de corrente
da bateria, retornando automaticamente à flutuação.
A menos que indicado o contrário na folha de dados, o retificador deve ser do tipo
estático de 6 pulsos e suportar um regime de sobrecarga de 150% por 1 minuto
seguido de 100% de carga nominal continuamente; 200% da corrente nominal por
10 segundos, seguido de 100% da carga nominal continuamente.
A regulação estática da tensão de saída deve ser de ±1 %, para variação da
corrente de saída de 5 % a 100 % da corrente nominal do retificador, com variação
simultânea de ±15 % na tensão de entrada CA, de ±5 % da freqüência, com variação
de temperatura ambiente de 0 °C e 40 °C e com a bat eria em recarga.
O retificador deve ser projetado de tal forma que o valor instantâneo da tensão de
saída não deve desviar mais que 10 % para degraus de carga de 10 % a 100 % ou
100 % para 10 %, com o tempo de regulação dinâmica menor que 100 ms. O
dispositivo limitador de corrente do retificador deve atuar tanto no regime de
flutuação quanto no regime de recarga, permitindo ajuste de 50 % a 100 % da
54

corrente nominal do retificador. O valor de ripple máximo deverá ser de 2% rms sem
bateria.
O dispositivo limitador de corrente para a bateria deve atuar tanto no regime de
flutuação quanto no regime de recarga e permitir ajuste da corrente de carga da
bateria em um valor máximo, numericamente igual a 0,25 vezes, para bateria ácida,
ou 0,4 vezes, para bateria alcalina, do valor de capacidade nominal, em Ampére-
hora (Ah) da bateria.
A tensão de saída para o consumidor deve ser mantida dentro da faixa da tensão
nominal sem a bateria, ou com a bateria em regime de flutuação ou recarga. Para
que seja mantida essa regulação deve ser prevista unidade de diodos de queda para
manter a tensão de regulação requerida, se necessário.
Quando o retificador for ligado, o mesmo deverá possuir a proteção soft start que
garanta uma subida da corrente gradativamente num tempo máximo de 3 segundos
até atingir o valor limite, sem ocorrência de transitórios mesmo com a bateria
completamente descarregada.
Também deverá possuir dispositivo que permita o ajuste das tensões de
flutuação e de recarga na faixa de ± 10 %. A tensão de flutuação da bateria deve ser
corrigida automaticamente com a temperatura ambiente.
O contator de desconexão de bateria também conhecido por LVBD (Low voltage
battery disconnect) é um dispositivo que pode proporcionar problemas de mau
contato na bateria, ocasionando problemas no processo de carga e principalmente
nas ocasiões cruciais em que a mesma é requerida, como no caso de uma falha do
sistema de energia alternada. Assim, o uso de contatores de desconexão de bateria
é desaconselhado, visando uma autonomia maior do sistema, não importando o
valor de tensão final na bateria, mas garantindo a operacionalidade da planta.
O retificador, a menos que indicado contrário na folha de dados deverá conter um
display digital alfanumérico para indicação das variáveis elétricas (tensão e
corrente), registro de falhas, exibição de alarmes e os valores de parâmetros de
ajuste de corrente de saída do retificador, corrente com zero central na saída das
baterias, tensão na saída do retificador e tensão na saída do consumidor.
As falhas diagnosticadas devem ser armazenadas em memória não volátil, num
número mínimo de 50 eventos. Os instrumentos de medição devem ser do tipo
bobina móvel para corrente contínua e ferro móvel para corrente alternada, com
precisão de 1,5% de fundo de escala, com dimensões mínimas de 96 mm x 96 mm.
55

O retificador, através de Led’s de alta luminosidade e contatos secos de um pólo


e duas posições, deve ser provido com os seguintes dispositivos de sinalização
local: bateria em descarga, bateria desconectada, bateria descarregada,
sobretensão na bateria, subtensão no consumidor, sobretensão no consumidor,
subtensão CA, sobretensão CA, retificador anormal, falta de fase, fuga CC para a
terra na saída do retificador, atuação de fusíveis ou outros dispositivos de proteção
de sobrecorrente na entrada do retificador e nos circuitos do consumidor e da bateria
e sumário de alarmes.
A entrada do retificador, as saídas para o consumidor e para a bateria devem ser
providas com proteção contra sobrecorrente com capacidade de curto-circuito
adequada. Estes dispositivos devem ser seletivos com os dispositivos de proteção
interna do retificador. O isolamento elétrico empregado em todos os componentes
deve ser não higroscópico e não inflamável.
O transformador de entrada do retificador deve ser seco com classe de isolação
máxima B, calculado com fator k = 30, conforme a IEEE C 57.110. A temperatura
interna do gabinete com o retificador operando continuamente com sobrecarga de
10 % não deve ultrapassar a 45 ºC.
Quando especificado resistor de aquecimento, a temperatura deverá ser
controlada por termostato ajustável, com valor máximo de ajuste de 60 ºC e deverá
ser fornecido junto com o retificador.
Os ensaios descritos abaixo são obrigatórios:
Ensaios de rotina:
• regime de operação do retificador
• dispositivo limitador de corrente para a bateria
• isolação elétrica
• sobrecarga
• tensão nos terminais do consumidor
• elevação de temperatura do transformador à corrente nominal
• regulação estática da tensão de saída
• dispositivo de entrada gradativa
• funcionamento dos dispositivos auxiliares
• regulação dinâmica
• correção da tensão de flutuação da bateria com a temperatura ambiente
56

• dispositivo limitador de corrente do retificador


• sensores e dispositivos de proteção e sinalização
E os ensaios de tipo são:
• capacidade nominal
• rendimento
• tensão residual alternada
Alguns ensaios descritos abaixo podem ser incluídos conforme necessidade do
projeto, com os seguintes ensaios de tipo:
O equipamento deve suportar mudanças de temperatura de acordo com o ensaio
de teste Nb mencionado na IEC 60068-2-14, com o equipamento energizado, dentro
de uma faixa de temperatura de +5 °C a +55 °C, taxa de 5 °C/min, 9 horas, 2 ciclos.
O retificador deve atender aos requisitos de compatibilidade eletromagnética
(EMC) categoria c3, conforme definido na IEC 62040-2.
O nível de ruído medido a uma distância de 1 m em qualquer posição, não deve
exceder 70 dB, em qualquer carga entre os valores zero e a nominal. O retificador
deve suportar transientes rápidos, afundamentos, e elevação de tensão de curta
duração, conforme Categoria c3 mencionada na IEC 62040-2.
Os ensaios de tipo padronizados pela IEC 60146-1-1 são os de capacidade
nominal, distorção harmônica total, faixa de ajuste da tensão de saída, rendimento,
regulação de tensão, medição de tensão residual alternada, curto-circuito na saída
do retificador.
Os ensaios de tipo devem utilizar os valores descritos no decorrer deste capítulo
para regime de operação do retificador, para sobrecarga, para regulação estática da
tensão de saída, com registro durante o teste de regulação estática das variáveis:
tensão e freqüência de entrada, corrente de entrada, potência de entrada, fator de
potência de entrada, tensão de saída, corrente de saída, potência de saída,
determinação da eficiência com retificador a plena carga e tensão residual alternada
de saída sem a bateria.
Esses ensaios também devem utilizar os valores descritos anteriormente para
regulação dinâmica, dispositivo limitador de corrente do retificador e da bateria,
tensão nos terminais do consumidor, dispositivo de entrada gradativa, correção da
tensão de flutuação da bateria, elevação de temperatura do transformador à corrente
57

nominal e devem ser verificados o funcionamento de todos os dispositivos auxiliares


(resistor de aquecimento, ventilação forçada, conectores etc.).
Quanto à isolação elétrica, devem ser aplicados os valores segundo a tabela 6:

Tabela 6: Isolação elétrica


Pontos de medição Circuitos de controle Dispositivos de Circuitos auxiliares
eletrônico < 63 V potência V1 (CA) V2 (CA)
Tensão suportável
Para terra 700 VDC 2 x V1 + 1 000 V 2 x V2 + 1 000 V
Para circuitos de ----- 2 x V1 + 1 000 V 2 x V2 + 1 000 V
controle eletrônico
Para dispositivos de 2 x V1 + 1 000 V ----- 2 x V1 + 1 000 V
potência
Para circuitos 2 x V2 + 1 000 V 2 x V1 + 1 000 V -----
auxiliares
Fonte: N-332 Petrobras.

A verificação dos dispositivos de proteção e sinalização deverão ser executados,


dentro do possível, sem submeter os componentes acima dos seus valores
nominais. Se o sistema de controle do equipamento for projetado para proteger o
conversor contra sobrecargas, deve ser verificada a funcionalidade desta proteção.
Abaixo, segue a tabela 7 com os principais valores de especificação de uma UPS
trifásica, denominada como Trimono, com faixa de potência de 5 a 25 kVA.

Tabela 7: Dados Técnicos de uma UPS Trimono


Dados técnicos Petrobras UPS Trimono
Capacidade (kVA) 5 a 25kVA
Configuração Valores Típicos
Tensão nominal (Vca) 220; 380; 440; 460; 480
Tolerância tensão (%) ± 20
Freqüência nominal (Hz) 60 / 50
Tolerância Freqüência (%) ±5
Número de fases Trifasico
Fator de potência ≥ 0,92
Distorção Harmônica tolerada (%) 20
Distorção Harmônica tensão refletida (%) 5
Distorção Harmônica corrente refletida (%) 5

Ripple de saída sem bateria 2%


Inibição do retificador Vcc alta ou curto circuito
Trafo isolador sim
Tensão nominal (Vcc) 125 - rend ≥ 93%
Tensão nominal (Vcc) 220 - rend ≥ 94%
Tensão nominal (Vcc) 384 - rend ≥ 96%
Tensão Flutuação (Vcc) sim
58

Tensão Carga (Vcc) sim


Corrente saída (Icc) UPS + autonomia bat
Limitação I Bat (Acc) sim
Compensação temperatura V Flut sim
Regulação estática 5 a 100% 1%
Tempo regulação dinâmica (ms) máx. 100 ms
Tensão nominal (Vcc) 125
Tensão nominal (Vcc) 220
Baterias

Tensão nominal (Vcc) 384


Bateria VRLA sim
Bateria ácida ventilada sim
Tempo de recarga ≤ 10 horas

Tensão entrada (Vca) Indicado no Display com opcional analógico

Corrente entrada (Ica) Indicado no Display com opcional analógico


Instrumentos

Tensão saída (Vo) Indicado no Display com opcional analógico


Corrente saída (Io) Indicado no Display com opcional analógico
Freqüência saída (Hz) Indicado no Display com opcional analógico
Corrente Retificador (Icc) Indicado no Display com opcional analógico
Tensão bateria (Vcc) Indicado no Display com opcional analógico
Corrente bateria (Icc) Indicado no Display com opcional analógico
Disjuntor entrada Vca sim
Disjuntor interligação bateria principal sim
Disjuntor interligação bateria reserva opcional
Disjuntor de saída Vo sim
Operação sem Bateria sim
Alarme sonoro sim
Ruído audível ≤ 70 dB
Partida somente com a fonte principal sim
Partida somente com bateria sim
Comunicação RS-232 sim
Comunicação RS-485 Velocidade mínima de 19,2 kbauds
Comunicação SNMP taxa mínima de 10 Mbit/s
Outros dados UPS

Comunicação Modibus Opcional


Comunicação Profibus Opcional
Auto supervisão de Hardware e Software sim
Software de configuração sim com a UPS
Configuração da UPS com equipamento sim com senha
ligado
Configuração em memória não volátil sim com senha

Ventilador redundante sim


Substituição ventilador com UPS ligado sim
Montagem placa tecnologia SMD sim
Tropicalização placas sim
By pass manual isolado sim
Operação redundante Para sistemas paralelos
Monitoração de isolamento na saída Norma Petrobras Opcional
Histórico de ocorrências com data e hora sim

Monitoração de diagnósticos de Bateria Teste de descarga automático


Trafo com blindagem eletrostática sim
59

Proteções contra surtos, ruídos, sim


sobre/subtensão, curto circuito na saída,
sobrecarga, sobretemperatura,
sobre/subfrequência, bateria em descarga,
bateria descarregada
MTBF mínimo (horas) 180.000
Normas e testes

MTTR máximo (horas) 4

EMC conforme norma IEC-62040-2 incluídos de acordo com projeto


Ruído audível norma IEC-62040-3 incluídos de acordo com projeto
Componentes Harmônicos IEC 60146-1-1 incluídos de acordo com projeto
Ensaio de impacto e vibrações incluídos de acordo com projeto
Bateria em descarga local e remoto
Alarmes indicação local e remota via

Bateria descarregada local e remoto


contato e acesso via rede

Bateria desconectada local e remoto


Fusível dc rompido local e remoto
Sobretensão na bateria local e remoto
Subtensão no consumidor local e remoto
Sobretensão no consumidor local e remoto
Subtensão ca local e remoto
Sobretensão ca local e remoto
Retificador anormal local e remoto
Falta de fase local e remoto
Fuga p/ terra c. c. local e remoto
Atuação de prot. sobrecorrente local e remoto
Fonte principal e dentro dos parâmetros sim
Sinótico

Retificador em operação sim


Vcc dentro dos parâmetros sim
Bateria em flutuação sim
Bateria em descarga sim

Os dados mostrados na tabela 7 podem ter sofrido alterações recentes e servem


como base comparativa para uma primeira observação. Os valores descritos estão
sujeitos a alterações e não representam um compromisso por parte da Petrobras,
sendo, portanto, modificados de acordo com cada tipo de projeto.
É importante ressaltar a preferência por parte dos usuários pelo uso de UPS CC
ao invés do uso de UPS CA. Esse equipamento, por possuir o inversor de saída,
apresenta por si só um componente a mais em série, e mesmo que tivesse um
MTTF igual ao do retificador, apresentaria menor disponibilidade. Entretanto, o
MTTF da UPS CA é muito menor que o MTTF da UPS CC (retificador) e, assim, a
disponibilidade diminui ainda mais. Consequentemente, a confiabilidade do nobreak
AC é menor, vindo daí a preferência pelos especialistas pela utilização da UPS CC.
60

8 CONCLUSÕES

Este trabalho apresentou um estudo geral sobre fontes ininterruptas de energia


com saída em tensão contínua. Foi visto que esses equipamentos são capazes de
filtrar, regular e condicionar a energia para as cargas alimentadas, além de permitir a
alimentação destas em ocasiões de falta da rede, através do banco de baterias,
garantindo dessa forma, um desligamento ordenado dos equipamentos a ela
conectados.
Um estudo individual das principais partes constituintes desse equipamento foi
realizado. Os retificadores, com as configurações semicontrolado, controlado e PWM
foram discutidos. Os controlados a tiristores são os mais utilizados na indústria,
apresentando grande confiabilidade e robustez. Contudo, injetam na rede um grande
contêudo harmônico e apresentam um baixo fator de potência, sendo necessário o
uso de filtros e/ou aumento no número de pulsos, para que sejam atendidas as
diretrizes da IEEE Std 519. Já os retificadores PWM podem apresentar menor
contêudo harmônico e são capazes de garantir fator de potência próximo ao unitário,
sendo necessário, contudo, o uso de chaves capazes de trabalhar em altas
frequências, como os IGBT’s.
Os dois principais tipos de acumuladores utilizados, o chumbo ácido e o alcalino,
tiveram suas características apresentadas no capítulo 3. Foram descritas a
tecnologia utilizada, as partes constituintes de cada um desses acumuladores, os
valores típicos das tensões, bem como os processos físicos e químicos de
funcionamento relacionados a estes acumuladores.
Na bateria chumbo ácida ventilada foi visto que os materiais ativos são o chumbo
e seus compostos, o eletrólito participa da reação química (solução de ácido
sulfúrico) sendo possível a reposição de água.
No acumulador alcalino ventilado os materiais ativos são o níquel e o cádmio e o
eletrólito é uma solução alcalina que não participa da reação, com livre escape de
gases, permitindo a reposição de água.
Em ocasiões em que o retificador deve alimentar cargas sensíveis a
determinados valores de tensão, o uso de diodos de queda torna-se necessário,
introduzindo uma queda de tensão para manter a tensão de saída abaixo de um
valor pré determinado durante o processo de equalização das baterias.
61

O funcionamento de todo o equipamento foi descrito, sendo apresentado o


processo de carga das baterias, os valores para os ajustes das tensões (flutuação,
equalização, etc.), as saídas a relé, responsáveis por externar os alarmes para um
centro de gerenciamento, entradas digitais, comandos, sinalizações e proteções
típicas.
A presença de novas funções e configurações para as UPS’s CC também são
parte deste trabalho, sendo apresentada a tendência modular de distribuição de
potência, utilizando várias fontes chaveadas em paralelo, facilitando a expansão do
sistema e aumentando a confiabilidade.
Esses sistemas apresentam a possibilidade de monitoramento e controle via
internet, informando on-line os valores das grandezas elétricas e permitindo o ajuste
dessas, remotamente via software proprietário. O uso do celular também pode ser
utilizado para monitoramento, através da transmissão de informações via SMS ou
chamada de dados, dos valores das grandezas elétricas, além de possibilitar o
diagnóstico de falhas.
O seu uso permite que o sistema, na presença de um problema, como
temperatura alta de bateria, sobretensão, curto circuito, ou qualquer outro tipo de
alarme ou proteção existente e que previamente foi habilitada, mande uma
mensagem para números de celulares cadastrados relatando o ocorrido.
Essa função é de grande valia para sistemas que funcionam remotamente ou que
possuem acompanhamento operacional limitado, e mesmo em sistemas que
necessariamente possuem uma boa dinâmica de acompanhamento operacional,
funcionam como sentinela, reportando o status do funcionamento e erros
operacionais para as centrais de gerenciamento.
Finalizando, foram descritos alguns dos principais requisitos a serem atendidos
para o fornecimento de sistemas ininterruptos de energia em tensão contínua para a
Petrobras, sendo o conteúdo completo encontrado na norma interna N-332.
O intuito deste trabalho foi fornecer informações básicas, mas essenciais sobre
os sistemas de alimentação em corrente contínua, possibilitando ao leitor conhecer
as partes que compõe esse equipamento, os principais valores de ajustes utilizados,
proteções e funções encontradas.
62

9 REFERÊNCIAS

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Delta Monofásica”, Dissertação de Mestrado, Maio/09, UFJF, Juiz de Fora - MG,
Brasil.
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Sistema Ininterrupto de Energia”, Dissertação de Mestrado, Jul/05, UFU,
Uberlândia - MG, Brasil.
[3] Apostila “UPS – Fontes Ininterruptas de Energia”, Leandro Roggia, SEPOC
2010, UFSM, Ago/2010, Santa Maria – RS, Brasil.
[4] Barreto, L.H.S.C., “Análise, Projeto e Desenvolvimento de Conversores para a
Concepção de uma Unidade UPS “On Line” Não Isolada”, Tese de Doutorado,
Jan/03, UFU, Uberlândia - MG, Brasil.
[5] Apostila “Eletrônica de Potência”, José Antenor Pomílio, UNICAMP, Jul/2009,
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[6] Emadi Ali, Nasiri Abdolhosein, Bekiarov Stoyan B., “Uninterruptible power
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Predictive Instantaneos-Current PWM Controlled Rectifier With AC Side
Harmonic Current Reduction”, IEEE Transactions on Industrial Electronics, 44
(3), 337–343, 1997.
[8] Dias, E.C., “Uma Nova Família de Conversores com Comutação ZCS na
Abertura e Fechamento das Chaves”, Dissertação de Mestrado, 2008, UFU,
Uberlândia - MG, Brasil.
[9] Corrêa Pinto, J. A., “Análise, Projeto e Montagem de Uma Fonte Chaveada Com
Alto Fator de Potência Utilizando Conversor Boost Entrelaçado Como Pré-
regulador e Chaveamento Suave”, Dissertação de Mestrado, Fev/97, UFU,
Uberlândia - MG, Brasil.
[10] Apostila “Sistemas de Alimentação Crítica”, Geraldo Bieler, Petrobras, 2011,
Rio de Janeiro – RJ, Brasil.
[11] Bocchi, N., Ferracin L.C., Biaggio, S.R., “Pilhas e Baterias: Funcionamento e
impacto ambiental”, Química e Sociedade, Mai/2000.
[12] Ribeiro, A.L.A., Conceição, C.A., Bieler, G., “Influência do Efeito Coup de
Fouet em UPS”, Induscon, 2010.
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[13] Munoz, A. M., De la Rosa, J.J.G., Lopez , V.P., Calvo , R.J.R., Calvo A. G.,
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[14] http://f47testing.epri.com/f47abstract.html.
[15] M. Stephens, J. Soward, D. Johnson, J. Ammenheuser, Power quality
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[16] Mourente Miguel, J. , “Condicionador de Tensão Aplicado a Sistema com
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[17] Borges, T.T., Bieler, G., Jasbinschek, P. M., Wotecoski A., Vasques, E.S.,
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[18] IEEE, February 2007, IEEE Recommended Practice for the Design of Reliable
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[19] Datasheet Flatpack2 110/2000 HE Wor, fabricante Eltek Valere.
[20] Datasheet Smartpack2 Controller, fabricante Eltek Valere.
[21] DC UPS System Guide Specification, fabricante Gutor.
[22] Datasheet retificador carregador para telecomunicações linha rct, fabricante
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[23] Datashet retificador industrial trifásico rit-mp, fabricante CP Eletrônica S.A.
[24] Mardegan, C., “Serviços Auxiliares”, O Setor Elétrico, Capítulo VI, jun/2010.
[25] NBR 6179: Chumbo refinado.
[26] NBR 6219: Chumbo.
[27] NBR NM 1871 : Materiais Metálicos – Dureza Brinell.
[28] NBR 14197: Acumulador chumbo-ácido estacionário Ventilado –
Especificação.
[29] NBR 14198: Acumulador chumbo-ácido estacionário Ventilado –
Terminologia.
[30] NBR 14199: Acumulador chumbo-ácido estacionário Ventilado – Ensaios.
[31] NBR 14204: Acumulador chumbo-ácido regulado por válvula – Especificação.
[32] NBR 14205: Acumulador chumbo-ácido regulado por válvula – Ensaios.
[33] NBR 14206: Acumulador chumbo-ácido regulado por válvula – Terminologia.
64

[34] NBR 15389: Bateria chumbo-ácida estacionária regulada por válvula –


Instalação e Montagem.
[35] NBR 15641: Bateria chumbo-ácida estacionária regulada por válvula –
Manutenção.
[36] IEC 60896-11: Stationary lead-acid batteries: part 11 – Vented types.
[37] IEC 60896-21: Stationary lead-acid batteries: part 21 – Valve regulated types
– Requirements.
[38] IEC 60896-22: Stationary lead-acid batteries: part 22 – Valve regulated types
– Methods of test.
[39] IEEE-323 : Standard for Qualifying class 1E Equipment for nuclear Power
Generating Stations.
[40] IEEE-1184 : Guide for the selection and sizing lead-acid batteries for
Uninterruptible Power Systems.
[41] IEEE-485 : Recommended pratice for sizing lead-acid batteries.
[42] IEEE-450 : Recommended pratice for maintenance, testing and replacement
of vented lead-acid Batteries.
[43] IEEE-1188: Recommended pratice for maintenance – testing and
replacement of VRLA Batteries.
[44] DIN-43530 : Elektrolyt und nachfullnasser.
[45] ISO-5271: Plastics – Determination of plastics materials for parts in devices
and appliance vertical burning test classifying materials.
[46] Anatel 385 : Acumuladores Chumbo-ácidos estacionários ventilados
[47] Anatel 394 : Acumuladores Chumbo-ácidos Regulados por Válvula.

[48] NBR 14201: Acumulador alcalino de níquel cádmio estacionário –


Especificação.
[49] NBR 14202 : Acumulador alcalino de níquel cádmio estacionário – ensaio.
[50] NBR14203: Acumulador alcalino de níquel cádmio estacionário –
terminologia.
[51] IEC60623 : Secondary cells and batteries containing alkaline or other non-
acid electrolytes. Vented nickel-cadmium prismatic rechargeable single cells
[52] IEC62259 : Secondary cells and batteries containing alkaline or other non-
acid electrolytes. Nickel-cadmium prismatic secondary single cells with partial
gas recombination.
65

[53] IEC77 : Vibration resistance


[54] IEC68229 : Shock loads
[55] IEEE1106 : Recommended Practice for Installation, Maintenance, Testing,
and Replacement of Vented Nickel-Cadmium Batteries for Stationary
Applications.
[56] IEEE1115 : Recommended Practice for Sizing Nickel-Cadmium Batteries for
Stationary Applications
[57] ISO-5271 : Plastics – Determination of plastics materials for parts in devices
and appliance vertical burning test classifying materials.
[58] ANATEL 384 : Norma para certificação e homologação de acumuladores
alcalinos de níquel-cádmio estacionários.
66

GLOSSÁRIO

SNMP (Simple Network Management Protocol) - é um protocolo de gerência


definido a nível de aplicação, é utilizado para obter informações de servidores SNMP
- agentes espalhados em uma rede baseada na pilha de protocolos TCP/IP. Os
dados são obtidos através de requisições de um gerente a um ou mais agentes
utilizando os serviços do protocolo de transporte UDP - User Datagram Protocol para
enviar e receber suas mensagens através da rede. Dentre as variáveis que podem
ser requisitadas utilizaremos as MIBs podendo fazer parte da MIB II, da experimental
ou da privada.

TRAP - usado para reportar uma notificação ou para outros eventos assíncronos
sobre o subsistema gerido. O dispositivo gerenciado que toma iniciativa da
comunicação no envio de alarmes.

IMO - Sigla em inglês que significa “Organização Marítima Internacional” que é uma
agência especializada das Nações Unidas responsável por aperfeiçoar a segurança
marítima e prevenir a poluição proveniente dos navios.

Modu Code - Sigla em inglês que significa “Código para construção e equipamentos
para unidade móvel de perfuração costeira”, trata-se de um conjunto de requisitos
que visam garantir padrões mínimos de segurança operacional compatível com as
características de plataformas de perfuração e produção.

Protocolo CAN - O CAN é um protocolo de comunicação serial síncrono. O


sincronismo entre os módulos conectados a rede é feito em relação ao início de
cada mensagem lançada ao barramento (evento que ocorre em intervalos de tempo
conhecidos e regulares). Trabalha baseado no conceito multi-mestre, onde todos os
módulos podem se tornar mestre em determinado momento e escravo em outro,
além de suas mensagens serem enviadas em regime multicast, caracterizado pelo
envio de toda e qualquer mensagem para todos os módulos existentes na rede.