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EXPEDIENTE

Universidade Federal de Goiás


Edward Madureira Brasil – Reitor
Sandramara Matias Chaves - Vice-Reitora
Jaqueline Araujo Civardi – Pró-Reitora de Graduação
Laerte Guimarães Ferreira Júnior – Pró-Reitor de Pós-Graduação
Jesiel Freitas Carvalho – Pró-Reitor de Pesquisa e Inovação
Lucilene Maria de Sousa – Pró-Reitora de Extensão e Cultura
Robson Maia Geraldine – Pró-Reitor de Administração e Finanças
Everton Wirbitzki da Silveira – Pró-Reitor de Gestão de Pessoas Maísa Miralva da Silva – Pró-Reitora de Assuntos
Estudantis

Regional Catalão
Roselma Lucchese – Diretora
Cláudio Lopes Maia – Vice-Diretor
Fernanda Ferreira Belo – Coordenadora de Graduação
José Júlio de Cerqueira Pituba – Coordenador de Pesquisa, Pós Graduação e Inovação
Neila Coelho de Sousa – Coordenadora de Extensão e Cultura
Heber Martins de Paula – Coordenador de Administração e Finanças
Emerson Gervásio de Almeida – Coordenador de Assuntos da Comunidade Universitária
Moisés Fernandes Lemos – Coordenador de Gestão com Pessoas e Desenvolvimento Institucional

Presidente da Comissão Organizadora do Evento


Fernanda Ferreira Belo

Comissão Organizadora do Evento

Cacildo Galdino Ribeiro José Júlio de Cerqueira Pituba


Carolina de Fátima Guimarães Laurita de Queiroz Bomdespacho
Cláudio Lopes Maia Lucas P. Pereira Wanderley
Dione Alvares de Moura e Silva Barichello Moisés Fernandes Lemos
Fernanda Ferreira Belo Neila Coelho de Sousa
Francisco Vieira dos Santos Régia Pires de Oliveira
Grenissa Bonvino Stafuzza Roselma Lucchese
Heber Martins de Paula Samuel Henrique França Leite
Ivânia Vera Thaís Aparecida dos Santos
Jackeline Jennifer Esteva Rezende Thierry dos Santos de Almeida
Jean Tomáz da Silva

Comitê Científico da II Mostra de Graduação (TCC e outros), V Mostra do Programa de Licenciatura -


PROLICEN, III Mostra do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID e do Programa de
Monitoria

Absolon Carvalho da Silva Júnior Débora Machado Corrêa


Anna Paula de Mendonça Barros Dênis Rezende de Jesus
Ana Paula Pinheiro Zago Domingos Lopes de Silva Júnior
Ana Paula Novais Pires Koga Elaine Rosechrer Carbonero
Antover Panazzolo Sarmento Eliane Aparecida Justino
Bruno Franceschini Fernanda Ferreira Belo
Carmem Lúcia Costa Getúlio Nascentes da Cunha
Cláudia Tavares do Amaral Henrique Senna Diniz Pinto
Cláudio José Bertazzo Ismar da Silva Costa
Cristiane Alves Jalusa Andreia Storch
Cristiano Morita Barrado Jocélia Pereira de Carvalho Oliveira
Dayse Silveira de Almeida José de Lima Soares

Anais · 5o CONPEEX - Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão · RC/UFG · 29/10 a 01/11/2019 · ISSN 2447-4134 · i
Juliana Bernardes Borges da Cunha Nayline Martins Pereira
Keila Aparecida Marques Neila Maria Mendes Borges
Lana Ferreira de Lima Odelfa Rosa
Leomar Cardoso Arruda Paulo Eduardo Gonçalves de Assis
Leonardo Vieira Fernandes Ricardo Couto Antunes da Rocha
Luípa Michele Silva Cabral Ricardo Cruvinel Dornelas
Luiz do Nascimento Carvalho Ricardo Ribeiro Moura
Márcia Helena da Silva Sheila de Carvalho P. Gonçalves
Marcio Roberto Rocha Ribeiro Tânia Maria Nunes Gonçalves
Marcos Bueno Tércio Alberto dos Santos Filho
Maria Rita de Cássia Campos Tiago Ribeiro Nunes
Mario Godinho Junior Vanessa Alves Pinhal
Mirian Souza Moreira Wellington Andrade da Silva
Moisés Fernandes Lemos

Comitê Científico da I Mostra de Residência Pedagógica

Anna Paula de Mendonça Barros


Tânia Maia Barcelos
Maria Zenaide Alves
Poliana Rodrigues Alves Duarte
Ivânia Vera

Comitê Científico da II Mostra de Trabalhos de Estágios Curriculares

Lígia Maria Maia de Souza


Carolina de Almeida Ito Brum
Nayline Martins Pereira
Nunila Ferreira de Oliveira
Fernanda Vieira Rodovalho Callegari
Natália Silva Mesquita
Ivânia Vera
Révora Silvério de Mendonça

Comitê Científico da VI Mostra de Extensão e Cultura e Alunos PROBEC/PROVEC

Cacildo Galdino Ribeiro


Jackeline Jennifer Esteva Rezende
Coordenação das Mostras Científicas do Evento

Cacildo Galdino Ribeiro


VI Mostra de Extensão e Cultura e alunos PROBEC/PROVEC

Ivânia Vera
II Mostra de Trabalhos de Estágios Curriculares

Fernanda Ferreira Belo


I Mostra de Graduação
IV Mostra do Programa de Licenciatura - PROLICEN
II Mostra do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID e do Programa de Monitoria

Anais · 5o CONPEEX - Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão · RC/UFG · 29/10 a 01/11/2019 · ISSN 2447-4134 · ii
Direção de Arte: Frederico Aldama

Editoração: André Luiz Galdino

Periodicidade: Anual
Idioma: Português
Ano de publicação (online): 2019

Universidade Federal de Goiás


Regional Catalão
Avenida Dr. Lamartine Pinto de Avelar, 1120, Setor Universitário
CEP 75704-020 - Catalão (GO)
Fone: (64) 3441-5300

Os artigos foram transcritos de acordo com os originais enviados à comissão organizadora do evento, sendo, portanto, de
inteira responsabilidade de seus autores e autoras os conceitos, a formatação, as imagens e todos os demais conteúdos
neles veiculados.

ISSN 2447-4134

A reprodução parcial ou total desta obra é permitida, desde que a fonte seja citada.

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Sumário

Mostra de Extensão e Cultura 1


2 CORPO E LUDICIDADE: VIVÊNCIAS CORPORAIS PARA IDOSOS EM INSTITUIÇÕES DE LONGA
PERMANÊNCIA
Anny Rocknelle Porto Miranda, Lidiene Policena Santos, Cristiane da Silva Santos, Mayara Sabline Santos
Pereira, Raphael Antony Silva Sampaio
6 PERCEPÇÕES DE IDOSOS QUE PARTICIPAM DO GRUPO DE CONVIVÊNCIA E O IMPACTO DESTE
NA SUA SAÚDE
Arielly Luiza Nunes Silva, Calíope Pilger, Myla Aparecida Costa Carneiro, Victor Rodrigues Gianelli Lemos
Silvano, Lana Ferreira Lima, Emilse Terezinha Naves
10 QUALIFICAÇÃO DA INTERAÇÃO PARENTAL NA PRIMEIRA INFÂNCIA - PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Francisco Magela de Oliveira Franco Filho, Augusto César Fonseca Neto, Révora Silvério Mendonça,
Gabriel Siqueira Cunha, Gabriel de Castro Ribeiro, Ana Carolina Silva Busse, Maristela Vicente de Paula,
Paula de Campos Morais
15 ORIENTAÇÃO A QUEIXA ESCOLAR À LUZ DA PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL
Beatrice Verdelho Lodovico, Janaina Cassiano Silva, Luana Rocha Brick, Ana Clara Porto Carneiro, Janine
Silva Fernandes, Luisa Guimarães Moreira, Ângela Cristina Oliveira, Yohanna Rosa Braga e Silva
18 A DANÇA CONTEMPORÂNEA E O BREAKDANCE COMO FERRAMENTAS DE PROMOÇÃO DA
SAÚDE
Bruno Martins, Jalusa Andréia Storch Díaz, Gabriel Siqueira Cunha, Phablo G.S. Santana, Calíope Pilger,
Nayline Martins
23 POR UMA UNIVERSIDADE PARA TODOS: FORTALECENDO A POLÍTICA DE COTAS ÉTNICO-
RACIAIS NA UFG/RC
Carmelice da Cunha Santos, Mônica Luiz de Lima Ribeiro, Camila da Cruz Santos de Sousa, Daniel Vitor
Nunes de Melo, Karoline Martins de Lima, Ludmila Jardim da Conceição, Matheus Vinícius Oliveira das
Neves, Ulisses Isac Dantas Fonseca
26 A IMPLANTAÇÃO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES EM SAÚDE NA ATENÇÃO
BÁSICA DO MUNICÍPIO DE CATALÃO - GO
Deisiane Serrano da Silva, Calíope Pilger, Jéssica Lopes Mota, Eduardo Viana Silva
30 O PAPEL DA LIGA ACADÊMICA DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E DO PROJETO REIKI NA UNI-
VERSIDADE NA VIDA DOS ESTUDANTES
Eduardo Viana da Silva, Calíope Pilger, Nayline Martins Pereira, Deisiane Serrano da Silva
34 BRINQUEDOTECA HOSPITALAR
Elaine Lara Ferreira, Juliana Martins Souza, Letícia José Silva, Debora Cristina Araujo, Natália Barbosa
Policeno, Rafaela Renero Santos, Joyce Daiana Rodrigues Silva, Thainá Lessa Quadros
39 PROJETO INTEGRAR – ESCOLA E MATEMÁTICA: APLICAÇÃO DE ATIVIDADES E JOGOS NO
ENSINO
Glayton Ricardo Germano Martins, Juliana Bernardes Borges da Cunha, Luis Felipe Gondim Ferreira,
Mychelle Alves de Oliveira, Rafaella de Moura Rosa, Regina Rodrigues dos Santos, Vanilton Rodrigues de
Sousa, Vinicius Nolasco Marra
44 LUDOTECA UNIVERSITÁRIA: ATENDIMENTO BRINCANTE E PAPEL DO BRINQUEDISTA
Iuri Silva Eziquiel, Maria do Carmo Morales Pinheiro
48 PROJETO DE EXTENSÃO ESPIRITUALIDADE E SAÚDE NA UFG/RC
Carla Storck, Jalusa Andréia Storch Díaz, Caroline Storck, Maycon Correa
52 CICLO DE CURSOS DE CAPACITAÇÃO EM ENGENHARIA
João Pedro Pereira Neto, Antonio Nilson Zamunér Filho
56 A INSERÇÃO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES EM UMA UNIDADE BÁSICA
DE SAÚDE DA FAMÍLIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Keteriny Daniela Borges Fernandes, Calíope Pilger, Maríllia Gomes Dias, Ana Isabela Almeida Egídio,
Jalusa Andréia Storch Díaz, Nayline Martins Pereira

Anais · 5o CONPEEX - Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão · RC/UFG · 29/10 a 01/11/2019 · ISSN 2447-4134 · v
61 AVALIAÇÃO DO CONHECIMENTO E ESCUTA TERAPÊUTICA DE PESSOAS COM DIABETES MEL-
LITUS: AÇÕES E TRAJETÓRIA NA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
Larissa Faria de Andrade, Maurício Campos, Nunila Ferreira de Oliveira, Fabrício Gonçalves Ferreira,
Maria Rita Soares Luiz, Gabriela Ferreira Mendes, Giuliana de Souza Tosta, Fernanda Palhares Vasconcelos
67 A (RE) CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTOS PROMOVIDA PELA PESQUISA ATRAVÉS DAS FEIRAS
DE CIÊNCIAS DA UFG/RC
Leonardo Oliveira Costa, Simara Maria Tavares Nunes
71 OFICINA TERAPÊUTICA DE ESCRITA COM ADOLESCENTES: A ELABORAÇÃO DE UMA TRAV-
ESSIA
Lorena Peixoto Silva, Emilse Terezinha Naves
77 AUTOEXTERMÍNIO EM CATALÃO E CIDADES CIRCUNVIZINHAS: DADOS E POSSIBILIDADES
DE MUDANÇA
Lucas Weilor Batista Leite de Paula, Maurício Campos, Guilherme Luiz Rocha
83 MÃOS À OBRA: DICIONÁRIOS NAS SALAS DE AULAS
Ludmila Marques, Cacildo Galdino Ribeiro
87 LUTAS – CULTURA CORPORAL E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS/ 2019
Maristela Vicente de Paula, Jamilson Aires da Silva, Raul Mendes da Silva, Augusto César da Fonseca Neto,
Leonardo Ribeiro da Silva, Ânella Naves Camacho Sanches
92 PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES: FERRAMENTAS DE EDUCAÇÃO E PROMOÇÃO
DA SAÚDE PARA PROFISSIONAIS E USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE
Maryana Freire Rodrigues da Cruz, Nayline Martins Pereira, Jalusa Andréia Storch Díaz, Calíope Pilger,
Pollyana Sousa Almeida, Eduardo Viana da Silva
95 DANÇO E ME LIBERTO! RELATO DE EXPERIÊNCIA NO EMPODERAMENTO DE ESTUDANTES
Heuller Ruan Cedro da Silva, João Paulo Nepomuceno dos Santos, Patrícia do Prado
101 I FÓRUM DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES DE SAÚDE: UM RELATO DE EX-
PERIÊNCIA
Pollyana Sousa Almeida, Nayline Martins Pereira, Jalusa Andréia Storch Díaz, Calíope Pilger, Eduardo
Viana da Silva
105 RELATO DE EXPERIÊNCIA CLUBE DE ASTRONOMIA PROMETHEUS
Rafael Bernardino Silva, Jalles Franco Ribeiro Cunha, Lucas Jardel Alves Silva
110 A EXPERIÊNCIA DO CURSINHO POPULAR PAULO FREIRE
Raquel Costa Guimarães Nascimento, Maria Zenaide Alves, Andréa Ferreira Souto
114 REFLEXÕES TEÓRICO-PRÁTICAS ACERCA DA PSICOLOGIA INSERIDA NA COMUNIDADE
Romildo Rodrigues Neves Junior, Fernando César Paulino-Pereira, Libna Raquel Barbosa Souza
120 JOGOS E BRINCADEIRAS COMO ESTRATÉGIA MEDIADORA DA PROMOÇÃO DA SAÚDE EM
UM GRUPO DE CONVIVÊNCIA
Victor Rodrigues Gianelli Lemos Silvano, Lana Ferreira de Lima, Naiara Pereira Caixeta de Campos, Myla
Aparecida Costa Carneiro, Arielly Luiza Nunes Silva, Emilse Terezinha Naves, Calíope Pilger
125 PERCEPÇÕES DE ACADÊMICOS SOBRE O PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PELO TRABALHO PARA
A SAÚDE – PET SAÚDE E INTERPROFISSIONALIDADE
Gabriel Siqueira Cunha, Calíope Pilger, Jalusa Andréia Storch Díaz, Nayline Martins Pereira, Eduardo
Viana da Silva, Yandra Carol da Silva
129 CLÍNICA ABERTA COM IDOSOS NA COMUNIDADE
Daise Martins Silva, Maria Paula Machado, Emilse Terezinha Naves, João Marcos Silva Barboza, Ana
Lúcia Cândido Mariano, Keteriny Daniela Borges Fernandes
133 DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DOCENTE PARA PRÁTICA DE METODOLOGIAS INOVADO-
RAS DE ENSINO
Yohanna Lawanda Bringel, Maria Paulina de Assis, Isabella Farias Batista, Giselly Stefhany Ferreira
Jardim, Juliane de Brito Araujo, Laura Gaspar Rasmussem, Luana Maraisa Barbosa Diniz

Mostra de Estágio 138

Anais · 5o CONPEEX - Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão · RC/UFG · 29/10 a 01/11/2019 · ISSN 2447-4134 · vi
139 ESTÁGIO EM ENGENHARIA CIVIL – ACOMPANHAMENTO DA CONSTRUÇÃO DA CASA DO ES-
TUDANTE UNIVERSITÁRIA
José Vitor Silva de Carvalho, Matheus Henrique Morato de Moraes, Lucas Salomão Rael de Morais, Ana
Larissa Dal Piva Argenta
145 PRÁTICAS LÚDICAS NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM GEOGRAFIA
Leonoura Katarina Santos, Giovanny Alves Barbosa, Robério Francisco de Macedo, Alex Lourenço dos
Santos, Claudio José Bertazzo
150 CARTILHA DE PLANTAS MEDICINAIS NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO NA ATENÇÃO BÁSICA
Leticia Aparecida Araújo da Paixão, Gabriel Vieira de Aguiar, Keteriny Daniela Borges Fernandes, Calíope
Pilger
154 MODELAGEM E CUBAGEM DO DEPÓSITO DE REJEITO DRENADO DE NIÓBIO
Lucas Alves Correa, Cibele Tunussi, Alexandre Martins Lourenço, Bruno Palhares Milanezi
160 RELATO DE EXPERIÊNCIA: FORMAÇÃO DE GRUPO PARA IDOSOS NO CRAS
Maria Rita Soares Luiz, Ingrid Xavier Rodrigues, Maurício Campos
165 CONCATENAÇÃO DO CONHECIMENTO TEÓRICO E PRÁTICO APLICADO EM ACOMPANHAMENTO
DE OBRA
Matheus Henrique Morato de Moraes, José Vitor Silva de Carvalho, Wanderlei Malaquias Pereira Júnior,
Múcio Bonifácio Guimarães Filho, Hewerton Renato Fleury Silva
171 O USO DE MATERIAL DIDÁTICO MANIPULÁVEL NO ENSINO DE FRAÇÕES
Muriell Francisco da Costa, Rafaella de Moura Rosa, Fernando da Costa Barbosa
175 RELATO DE EXPERIÊNCIA: ESTÁGIO EM FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE PSICOLOGIA II
Nathalia Silva Damasceno, Larissa Faria de Andrade, Karinne Régis Duarte

Mostra de Graduação 180


181 A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE EM FAMÍLIAS INTER-RACIAIS: O RACISMO COMO CAUSA
DO SOFRIMENTO PSICOSSOCIAL
Maria Vitória Ferreira, Daviane Rodrigues Ribeiro
187 A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO AMBIENTAL EM UMA EMPRESA
Fabrício Freitas, Mirian Sousa Moreira, Fernando Henrique Silva, Guilherme Otávio Tome Silva, João
Victor Alves Silva, Vitor Hugo Borges Carmo
191 A MEDIAÇÃO FAMILIAR E A PSICOLOGIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Leon Denis Martins dos Santos, Daviane Rodrigues Ribeiro, Arthur Victor Gomes da Silva Barros, Lucas
Weilor Batista de Paula, Welen Sandy Franco dos Santos, Bruno Duarte Opiopari, Hemerson da Silva Rocha
197 A SEGURANÇA DO PACIENTE INSERIDA NA GESTÃO DA QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE SAÚDE:
UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Isabela Moraes Peres Rodrigues, Nayline Martins Pereira, Françoise Mesquita
202 ADIÇÃO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL E DA MINERAÇÃO NAS CAMADAS DO PAVI-
MENTO FLEXÍVEL
Mariana de Oliveira, Paola Mundim Souza
208 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA GERENCIAL: REVISÃO TEÓRICA
Larissa Juliana Patrocínio da Silva, Laura Helena Naves, André Vasconcelos da Silva, Paulo Henrique
Santana de Oliveira, Rejane Arruda de Souza, Vanessa Gonçalves da Silva
213 ANÁLISE DE UMA HISTÓRIA DE VIDA ATRAVÉS DA PSICOLOGIA SOCIAL LATINO-AMERICANA
Keytli Cardoso Paulino, Vítor Luiz Neto, Isabela Victória Teixeira, Uilma Viuhene Soares dos Santos, Bár-
bara Lúcia Moraes
219 ANÁLISE QUANTITATIVA E SÓCIO DEMOGRÁFICA DOS HOMICÍDIOS EM CATALÃO E AD-
JACÊNCIAS
Guilherme Luiz da Rocha, Marcelo Rocha Campos
223 APLICAÇÃO DE ANÁLISE DE SENTIMENTO EM POSTAGENS DO TWITTER PARA PREVISÃO DO
RESULTADO DE ELEIÇÕES POLÍTICAS
Larissa Pereira Carneiro dos Santos, Márcio de Souza Dias

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227 BIOECONOMIA: A POSSIBILIDADE DA PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA COMO FORMA DE IM-
PLEMENTAÇÃO DE UM PARQUE INCLUSIVO NA CIDADE DE CATALÃO - GO.
Natanael Costa Teles, Emerson Gervásio de Almeida, Ânella Camacho Sanches
233 CÁLCULO DO CUSTO DIRETO EM ORÇAMENTO DE OBRAS: UM ESTUDO APLICADO
Ricardo Cruvinel Dornelas, Thais Lopes Lustosa Sousa
239 CARACTERIZAÇÃO MORFOMÉTRICA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO VERÍSSIMO, GOIÁS
José Vitor Silva de Carvalho, Antover Panazzolo Sarmento
245 CINEMATOGRAFIA DA RESISTÊNCIA: O CINEMA DE LÚCIA MURAT E A TRAJETÓRIA DAS
MULHERES QUE RESISTIRAM A DITADURA CIVIL-MILITAR
Angelina Maria Santos de Alencar, Lilian Marta Grisolio
250 CONCEITOS GEOMÉTRICOS DOS ALUNOS DAS TURMAS DO 3O ANO DO ENSINO MÉDIO DE
UMA ESCOLA PÚBLICA: DADOS E DILEMAS
Tiago Martins Pereira de Carvalho, Lucas dos Santos Passos, Geovana Magalhães de Melo, João Lucas da
Silva Ribeiro
256 CONTABILIDADE PÚBLICA: LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL COMO FERRAMENTA PARA
O CONTROLE DOS GASTOS PÚBLICOS
Kenia Nascimento, Simone Hilário da Silva Brasileiro, Andressa Carneiro Oliveira, Mirian Sousa Moreira
262 EMOÇÃO E ATRAÇÃO POR TRAGÉDIAS COMPARTILHADAS NAS REDES SOCIAIS: UMA RE-
VISÃO DE LITERATURA
Natália Oliveira de Souza, Laiane Grabielle Marques, Jackeliny Dias da Silva
268 ERRO DE MEDICAÇÃO ASSOCIADA A SOBRECARGA DE TRABALHO: UMA REVISÃO INTE-
GRATIVA
Larissa Azevedo dos Santos, Nayline Martins Pereira, Michelle Silva Campos, Bruna Magalhães Souza,
Maria Fernanda Gomes Troncha Costa, Isabela Rodrigues Peres Moraes
276 ESTUDO DA VIABILIADE DA UTILIZAÇÃO DE RESIDUOS NA PRODUÇÃO DE BLOCOS ECOLÓGI-
COS
Ânella Camacho Sanches, Ricardo Cruvinel Dornelas, Natanael Costa Teles
281 ESTUDO DAS MACRÓFITAS COMO ADUBO ORGÂNICO
Mateus Ferreira de Castro, Antover Panazzolo Sarmento, Paula Campos Perini
286 ESTUDO DO SEQUENCIAMENTO DA PRODUÇÃO APLICADO A UMA EMPRESA DO RAMO TÊX-
TIL COM AMBIENTE FLOWSHOP PARA A MINIMIZAÇÃO DO MAKESPAN
Vanessa Aparecida de Oliveira Rosa, Mariana Marçal Avelar, Rayanne Silva Dias, Thainara Danielle Bar-
bosa Marçal, Thais Nunes Diniz
291 ESTUDO NUMÉRICO DA INTERAÇÃO DINÂMICA SOLO-ESTRUTURA EM BARRAGEM DE GRAVI-
DADE
Giovanna Aparecida Alves Rosa, Davidson de Oliveira França Júnior, Rhayanne Rafaela Rodrigues Ribeiro
297 ESTUDO SOBRE EFLUENTES E RESÍDUOS REALIZADO NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
– REGIONAL CATALÃO
Ananda Gianotto Veiga, Nilson José Fernandes
303 IMPORTÂNCIA E DESAFIOS: INDICADORES DO CONTROLE VETORIAL DA DOENÇA DE CHA-
GAS NO SUDESTE GOIANO
Maria Amélia Cândida Machado, Heliana Batista Oliveira
309 INFLUÊNCIA DO ESTILO DE VIDA SOBRE AS DORES MUSCULOESQUELÉTICAS EM PROFIS-
SIONAIS DE LIMPEZA DA UFG/RC
Felipe Graciano Pena, Jalusa Andréia Storch Díaz, Bruno Martins Borges, Cristiane da Silva Santos, Neila
Maria Mendes Borges
314 LITERATURA COMO FONTE DE (R)EXISTÊNCIA: HOMOFOBIA FAMILIAR NA NARRATIVA JU-
VENIL UM MILHÃO DE FINAIS FELIZES (2018), DE VITOR MARTINS1
Yuri Pereira de Amorim, Silvana Augusta Barbosa Carrijo
319 MAQUETE TÁTIL DE FENÔNEMOS FISICOS PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL
Wellington Barboza Paula, Ana Rita Pereira, Marciel Ferreira Olimpio Silva, Mironaldo Batista Mota Filho

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323 MOBILIDADE URBANA E APLICATIVOS DE TRANSPORTE: UM OLHAR SOBRE CATALÃO/GO
Nadyne Furquim Goulart de Oliveira, Emerson Gervásio de Almeida
329 NOVO SIMPLES NACIONAL: CONTEXTO E MUDANÇAS NO ANO DE 2018
Andressa Carneiro Oliveira, Simone Hilário da Silva Brasileiro, Mirian Sousa Moreira
335 O LÚDICO NO ENSINO DE GEOGRAFIA: PRÁTICAS E VIVÊNCIAS EM CATALÃO (GO)
Leonoura Katarina Santos, Odelfa Rosa
341 PATOLOGIAS EM REVESTIMENTOS ARGAMASSADOS DE UMA EDIFICAÇÃO
Anna Luisa Alves Cordeiro e Silva, Mariana de Oliveira, Ricardo Cruvinel Dornelas
347 POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA SÍNDROME DE PATAU
Lucas Martins Mesquita, Jalusa Andréia Storch Diaz, Leandro Gomes Rodrigues, Rosana Farias Lima Pires,
Leomar Cardoso Arruda
352 PRÁTICAS EM SAÚDE: ANÁLISE DA SÉRIE UNIDADE BÁSICA SOB A PERSPECTIVA DA PSI-
COLOGIA HOSPITALAR
Gabriella de Carvalho Siqueira, Maurício Campos, Gabriella Layssa Nunes Martins, Efigenia de Fátima
Barbosa, Laura Rafaella Ramos Silva, Júlia Paz Nascimento, Fernanda Caixeta Silva
357 PREVISÃO DE DEMANDA POR MÉTODO QUANTITATIVO EM UMA EMPRESA DO RAMO ALI-
MENTÍCIO
Bruno Gonçalves Soares, Vanessa Aparecida de Oliveira Rosa, Cid Gustavo Alves da Silva Interamnense,
Elismar da Silva Neto, Jéssica Cristina Camargo
363 PROPOSTA DE IMPLEMENTAÇÃO DA PRODUÇÃO ENXUTA: UM ESTUDO DE CASO EM UMA
EMPRESA DE MANUFATURA
Vinicius Silva Lemos Bernardes, Eduarda Rezende de Moraes, Naiara Faiad Sebba Calife
369 RELATO DE EXPERIÊNCIA DA ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL PSICÓLOGO NA UNIDADE DE
PRONTO ATENDIMENTO (UPA)
Raissa Ellen Pereira da Silva, Daviane Rodrigues Ribeiro, Jordanna Leonel de Andrade
374 RELATO DE EXPERIÊNCIA: REFLEXÕES SOBRE A MORTE A PARTIR DE UMA VISITA AO CEMITÉRIO
Isabela Victória Teixeira, Maurício Campos, Gabriela Ferreira Mendes, Keytli Cardoso Paulino, Tatiane
Pinto da Silva
379 RESOLVENDO SISTEMA POLINOMIAL COM BASE DE GRÖBNER
Willian Pessoa de Abreu, Jairo Menezes e Sousa
384 SOBRE A MORTE E A VIVÊNCIA DO LUTO: ANÁLISE DE UMA VISITA AO CEMITÉRIO PELA
PSICOLOGIA HOSPITALAR
Ana Carolina Marques Ribeiro, Maurício Campos, Daniela Caldeira Belchior, Maria Vitória Ferreira
388 UM ESTUDO SOBRE CRESCIMENTO E ABERTURA DO E-COMMERCE
Guilherme Antonio Pinheiro, Mirian Sousa Moreira, Matheus José Vaz Santos, Matheus Rodrigues Neiva
392 UM ESTUDO SOBRE ENERGIA RENOVÁVEL E PLACAS FOTOVOLTAICAS
Lidia Freire da Cunha, Mirian Sousa Moreira, Beatriz Santos Silva, Frederico Dantas Soares, Robson
Caique Lucas Nunes, Anna Carolina de Melo Monteiro
396 UMA REVISÃO SOBRE OS ASPECTOS DE PROJETO DE PEÇAS PRÉ-FABRICADAS
Matheus Henrique Morato de Moraes Moraes, Wanderlei Malaquias Pereira Júnior, Geraldo Magela Gonçalves
Filho, Rafael Diman, Gustavo Gonçalves da Costa, Sylvia Regina Mesquita de Almeida
402 USO DE MONTÍCULO DE CUPIM PARA TIJOLOS DE SOLO CIMENTO E ADOBE
Larissa Beatriz Dieckow Massirer, Ricardo Cruvinel Dornelas, Benedito Jaime Melo Junior Moares
406 VIOLÊNCIA CONTRA MULHER E SEUS EFEITOS PSICOSSOCIAIS – UM RELATO DE EXPERÊN-
CIA
Kayanna Harumi Miura, Daviane Rodrigues Ribeiro, Ana Paula Dias Pires, Laura Rafaela Ramos Silva
411 A TEORIA CLÁSSICA E SUA APLICAÇÃO NO ATUAL MERCADO DE TRABALHO
Beatriz Magalhães Camargo, Mirian Sousa Moreira, Daiany Nunes Silva, Geane Muricy Sousa, Ivanna
Rosa Pereira Guimarães, Jéssica Kerolaine Pereira Machado
417 EXIGÊNCIAS LEGAIS AMBIENTAIS PARA A EXECUÇÃO DE PROJETOS EM OBRAS CIVIS
Gilberto Teixeira Soares, Emerson Gervásio Almeida

Anais · 5o CONPEEX - Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão · RC/UFG · 29/10 a 01/11/2019 · ISSN 2447-4134 · ix
423 A INFLUÊNCIA DO MARKETING NAS COMPRAS
Maria Eduarda Backes Pires, Mirian Sousa Moreira, Marla Martins Leonel, André Barra Neto, Sulamita
da Silva Lucas
427 PRÁTICAS PSICOLÓGICAS NO CENTRO DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO
SANTA CLARA (CAEE) – INTERVENÇÃO COGNITIVO COMPORTAMENTAL
Camilla Carneiro Silva Queija, Paula Almeida Andrade
431 APLICAÇÃO DE HEURÍSTICAS DE SEQUENCIMENTO DA PRODUÇÃO EM AMBIENTE FLOW
SHOP: ESTUDO DE CASO EM UMA SERRALHERIA
Júlia Thiazu Song, Vanessa Aparecida de Oliveira Rosa, Priscila Kaori Oikawa Santiago, Ronan Machado
da Silva Júnior, Tatiane de Castro Caixeta
436 PROCESSO DE GESTÃO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO: UM ESTUDO APLICADO
Marcelo Henrique de Souza Aguiar, Ricardo Cruvinel Dornelas, Vinícius Martins Boaventura, Yan de Pádua
Castro Metsavaht

Mostra do PIBID 443


444 A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO PARA A IMERSÃO DOS ALUNOS NO PROCESSO DE LETRA-
MENTO LITERÁRIO
Andressa Dias Vaz, Gabriela Assunção Santos, Vânia Rodrigues, Silvana Augusta Barbosa Carrijo
449 A IMPORTÂNCIA DO PROGAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA
(PIBID) NA FORMAÇÃO DE FUTUROS PROFESSORES
Jamilson Aires, Heliany Pereira dos Santos
453 A INSERÇÃO DE ATIVIDADES EXPERIMENTAIS NO ENSINO DE CIÊNCIAS: EXPERIMENTAÇÃO
COMO METODOLOGIA FACILITADORA DE APRENDIZAGEM EM NÍVEL FUNDAMENTAL
Patrícia Firmino de Avelar, Domingos Lopes Silva Junior, Natália Cristina Araújo Barros, Gabriel Henrique
Godinho, Lucas Matheus Cardoso Lamin, Lucas Borges Lopes, Rosana Sales dos Santos, Maria Aparecida
Rodrigues
459 A TEORIA E PRÁTICA NA FORMAÇÃO DOCENTE: VIVÊNCIAS PIBIDIANAS
Luis Paulo da Silva Dias, Jucileia da Silva Fonseca, Camila da Silva Guimarães, Thaís Regina Alves de
Resende
464 APRENDIZAGEM DA DOCÊNCIA NO ÂMBITO DO PIBID: DESENVOLVENDO A LEITURA E A
ESCRITA
Adrielly Cassia Rosa Pires, Juciléia Fonseca, Michael Douglas de Jesus Pereira Rosa, Maikon Douglas
Silva Rodrigues
468 AULAS EXPERIMENTAIS DE FÍSICA COM BAIXO CUSTO PARA INTERVENÇÃO CIENTÍFICA NA
REDE PÚBLICA DE EDUCAÇÃO
Ruan Carlo Schneider, Domingos Lopes Silva Junior, Ruan Alves Araújo, Thaís Vaz de Araújo
472 AULAS EXPERIMENTAIS DE FÍSICA PARA INTERVENÇÃO CIENTÍFICA
Gabriel Fonseca Barbosa, Domingos Lopes Silva Junior, Leidiane de França Guimarães, Vitoria de França
Guimarães
475 COMO MOTIVAR ADOLESCENTES NA PRÁTICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR SOB O OL-
HAR DE UM DISCENTE DO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO À DOCÊN-
CIA
Gabrielle dos Santos Rosa, Heliany Pereira Santos, Raquel de Almeida Santos
481 CONTRIBUIÇÃO DO PIBID GEOGRAFIA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL DA ESCOLA PROFES-
SORA ZUZU,MUNICIPIO DE CATALÃO (GO)
Genivaldo Clemente Borges, Patrícia Francisca Matos, Luciane Ferreira Santos, Edineia Santos Ribeiro
485 DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS ASSISTIVAS PARA ALUNOS COM NECESSIDADES ES-
PECIAIS
Guilherme Hiroki Tsujii, Domingos Lopes Silva Junior, Michele Cristina Silva, Jean Paulo Alves, Wellington
Barboza de Paula
489 EXPERIMENTAÇÃO PEDAGÓGICA DO PIBID EDUCAÇÃO FÍSICA:ATLETISMO NO ENSINO FUN-
DAMENTAL
Luciene da Conceicao Lima Santos, Maria do Carmo Morales Pinheiro, Isabela Cândido Vasconcelos Gomes

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496 HISTÓRIA E EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA NO ENSINO DE FÍSICA
Wellington B. Paula, Domingos L. S. Junior, Guilherme R. Tsujii, Jean Paulo Alves
500 MONITORIA DE GEOLOGIA GERAL PARA O CURSO DE ENGENHARIA DE MINAS: UM RELATO
DE EXPERIÊNCIA
Marcos Henrique Pacheco, Cibele Tunussi
504 O HUMANISMO E O ENSINO DE FÍSICA POR MEIO DA PRÁTICA EXPERIMENTAL
Lyandro Barbosa Vieira de Melo, Domingos Lopes da Silva Júnior, Keila Apolinário Vieira Costa, Thiago
Sebastião Oliveira Santos, José Felipe Santos Lauxen, Joana Carla Evangelista Cruz, Josianne Ribeiro da
Silva
508 O LÚDICO E EXPERIMENTAL NO ENSINO E APRENDIZAGEM DE FÍSICA NAS ESCOLAS PÚBLI-
CAS.
Lorraine Aguiar Gondim, Domingos Lopes Silva Junior, Vinicio Alexandre Vieira, Gustavo Dias Santos,
Vinicios Pereira Oliveira
513 O PIBID COMO FERRAMENTA DE EMANCIPAÇÃO NA FORMAÇÃO DOCENTE: IMPLICAÇÕES
PEDAGÓGICAS
Bianca Barros da Silva, Bruna Cristina Ferreira Alves, Odelfa Rosa
518 O PIBID NO PROCESSO DE TORNAR-SE PROFESSORA DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Caroline Matos Storck, Maria do Carmo Morales Pinheiro, Sara Rayane Oliveira
524 O QUE APRENDI SENDO MONITOR DA DISCIPLINA DE FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS E SÓCIO
HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO?
Romildo Rodrigues Neves Júnior, Manoel Messias Oliveira
527 PIBID NO ENSINO FUNDAMENTAL: ESTRATÉGIAS PARA O APRENDIZADO DE GEOGRAFIA
EM CATALÃO-GO
Ana Cleide Nunes Lopes, Odelfa Rosa
531 PIBID: OPORTUNIDADES QUE TRANSFORMAM VIDAS
Alef Jose Pereira, Antônio Fernandes Junior, Ianka Borges Duarte, Mirele Rosa de Aráujo
536 PRÁTICAS DE LEITURA E REESCRITA DO TEXTO LITERÁRIO: ATUAÇÃO DO PIBID
Matheus Leite, João Batista Cardoso, Ulysses Rocha Filho, Laila Lorrane Lima, Kayce Ane Santos Ribeiro
542 RECREIO ESCOLAR: O BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Matheus Oliveira Lobo, Heliany Pereira dos Santos, Guilherme Borges de Oliveira
547 RELATO DE EXPERIÊNCIA DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELO PIBID/GEOGRAFIA NE
ESCOLA ESTADUAL PROFESSORA ZUZU EM CATALÃO/GO
Gabriel Stéfano de Oliveira Marques, Patrícia Francisca de Matos, Geovanna Viana de Jesus, Jéssica
Rayanne Bernardes Martins
550 RELATO DE EXPERIÊNCIA: O PIBID COMO FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES NA EDU-
CAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
Heuller Ruan Cedro da Silva, Heliany Pereira dos Santos, Lucas Gabriel Marques
554 ROMPENDO AS FRONTEIRAS DO CONSUMISMO E DESCOBRINDO A EXISTÊNCIA HUMANA
POR MEIO DA LITERATURA
Igor D’Aguiar Siqueira De Lemos , Antônio Fernandes Júnior
557 SUSTENTABILIDADE EM MORADIAS POPULARES
Rigley Cesar Matias Gonçalves, Emerson de Almeida Gervásio, Meirilaine Silveria Rodrigues
561 PIBID E O USO DE ATIVIDADES LÚDICAS NO PROCESSO DE ENSINO NA GEOGRAFIA
Deise Silva, Odelfa Rosa, Danilo Pereira
565 LETRAMENTO LITERÁRIO E ENSINO DA CULTURA INGLESA ATRAVÉS DO HALLOWEEN
Giovana Guimarães, Silvana Carrijo, Thaís Botelho, Amanda Duarte
569 MONITORIA EM CLIMATOLOGIA DINÂMICA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Natália Souza Santos, Rafael de Ávila Rodrigues

Mostra do PROLICEN 572


573 A CONSTRUÇÃO DAS CONCEPÇÕES E ESTIGMAS DA SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA
Elane Andrade de Oliveira, Gleyce Alves Machado, Ana Flávia Vigário

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579 CONSIDERAÇÕES SOBRE A NOVA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR,O NOVO ENSINO
MÉDIO E O ENSINO DE GEOGRAFIA
Gustavo Henrique Camargo Eufrasio, Carmem Lúcia Costa
583 ENSINO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA E AFRICANA E OS IMPACTOS DA LEI 10.639/03 NOS
CURSOS DE LICENCIATURA EM LETRAS DA UFG/REGIONAL CATALÃO
Carolina Faleiros Felício, Maria Helena de Paula
589 ERA UMA VEZ O OUTRO LADO DA HISTÓRIA: ANÁLISES DO CONTO “O JUDEU NO MEIO DOS
ESPINHOS” DOS IRMÃOS GRIMM
Aline de Fátima Camargo da Silva, Fabianna Simão Bellizzi Carneiro
593 O IMAGINÁRIO UTÓPICO APLICADO À CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NAS ESCOLAS
Bruna Caroline Machado Gomes, Rogério Bianchi de Araújo
603 O LIVRO DIDÁTICO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA – INGLÊS – UMA ANÁLISE ATRAVÉZ DO SIS-
TEMA DE AVALIATIVIDADE
Welison de Camargo Vieira, Fabíola Aparecida Sartin Dutra Almeida
607 O TEMA “REVOLUÇÃO” NOS LIVROS DIDÁTICOS DE HISTÓRIA
Frederico Costa, Lilian Grisolio
613 PÁGINAS ENVELHECIDAS PELO TEMPO OU COM FRESCOR DE VIÇO NOVO? - ANÁLISE DA ES-
COLARIZAÇÃO DA LEITURA LITERÁRIA POR MANUAIS DIDÁTICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA.
Elenita Aparecida da Silva Pires, Silvana Augusta Barbosa Carrijo
618 PRODUÇÃO DE MATERIAL CARTOGRÁFICO NAS SÉRIES INICIAS DO ENSINO FUNDAMENTAL
NO MUNICÍPIO DE CATALÃO (GO)
Robério Francisco de Macedo, João Donizete Lima, Odelfa Rosa
622 APONTAMENTOS INICIAIS SOBRE A DIMENSÃO AMBIENTAL EM CURSOS DE CIÊNCIAS DA
NATUREZA DA UFG//RC
Edna Aparecida Molina, Simara Maria Tavares Nunes

Mostra de Residência Pedagógica 628


629 MUNDO DAS CORES E SENSAÇÕES: ENTENDENDO A NATUREZA DA LUZ
Brenda Ribeiro Silva, Marciel Ferreira Olimpio da Silva, Leonardo Machado Silva, Alessandro de Souza
Carneiro, Ana Paula da Graça
633 AULA CONSTRUTIVISTA NO ENSINO DE FÍSICA
Eduardo Batista Neto, Alessandro de Souza Carneiro, Clayton Pirez Vaz
637 INTRODUÇÃO AO CONHECIMENTO BÁSICO DE FÍSICA NO ENSINO FUNDAMENTAL
Elvis Victor da Silva Santos, Alessandro de Souza Carneiro, Ana Paula da Graça
640 ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO PARA ALUNOS DO ENSINO SUPLETIVO
Erivaldo Pereira Rodrigues Junior, Brendow Ferreira Vaz, Alessandro de Souza Carneiro, Clayton Pires de
Avelar Vaz
643 O ENSINO DE FÍSICA ATRAVÉS DA ESPECTROSCOPIA
Marciel Ferreira Olimpio da Silva, Christiano Landi dos Reis, Ludmilla Lourenço da Silva, Alessandro de
Souza Carneiro, Clayton Pires de Avelar Vaz
647 A IMPORTÂNCIA DO REFORÇO EM AULAS DE CIÊNCIA NAS ESCOLAS PÚBLICAS
Rafael Bernardino da Silva, Lucas Jardel Alves Silva, Alessandro de Souza Carneiro

Lista de Autores 651

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Mostra de Extensão e Cultura

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CORPO E LUDICIDADE: VIVÊNCIAS CORPORAIS PARA IDOSOS
EM INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA
Santos, Cristiane da Silva, crisfrutal@hotmail.com1
Miranda, Anny Rocknelle Porto, rocknelleporto@gmail.com1
Pereira, Mayara Sabline Santos, mayarasabline@outlook.com1
Sampaio, Raphael Antony Silva, lyidydedo@gmail.com1
Santos, Lidiene Policena, lidienedosantos@hotmail.com1
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia

Resumo: Os idosos que vivem em Instituições de Longa Permanência (ILP) têm um estilo de vida mais sedentário
do que os que vivem em seus lares, visto que não podem frequentar academias, fazer caminhadas nos locais
disponíveis na cidade, participar dos eventos organizados, dentre outros. Nesse sentido o presente projeto de
extensão teve como objetivo proporcionar vivências corporais aos idosos que residem na Fundação Espírita
Antero da Costa Carvalho na cidade de Catalão-GO. Atualmente, essa Fundação abriga 31 idosos de ambos os
sexos com diferentes faixas etárias. O projeto foi desenvolvido às quintas-feiras das 13h30min às 15h00min. As
vivências corporais foram realizadas por meio de músicas; contos; jogos e brincadeiras; danças; atividades de
coordenação motora e raciocínio (pinturas, desenhos, colagens, quebra-cabeça, blocos de montagem, dentre
outras) que resgatam a história de vida dos idosos e potencializam esses corpos por meio da expressão, da alegria,
do lúdico, do sorriso. A prática de atividade física na ILP é um momento marcado pela brincadeira, integração e
satisfação social, instantes alegres e de convivência com outras pessoas, como as alunas do curso de Educação
Física, que representa um momento em que o idoso se sentirá visitado, estimulando assim no aluno a consciência
crítica-sócio-cultural no que se refere ao idoso na sociedade. As vivências corporais realizadas nos mostram a
vivacidade e as potencialidades que fluem nesses corpos-idosos que são imobilizados e desacreditados por falta
de políticas públicas que garantam e efetivam os diretos dessas pessoas que ainda são vistas como pessoas de
assistência, de cuidados.

Palavras-chave: Corpo e Ludicidade. Instituição de Longa Permanência. Idosos.

__________________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO O envelhecimento populacional é um fenômeno


mundial e as causas para o aumento do número de
No Brasil, em termos demográficos, há um idosos estão relacionadas às menores taxas de
crescimento elevado da população idosa em relação natalidade e mortalidade, à descoberta de cura para
aos demais grupos etários (GUIMARÃES et al, várias doenças, às vacinas, à urbanização das
2016). O sonho de uma vida longa deixou de ser cidades, ao saneamento básico e à mudança de
apenas um desejo e se tornou uma realidade em comportamento em relação à saúde e principalmente
âmbito mundial de forma que “[...] em todo o ao estilo de vida (alimentação e atividade física)
mundo, nunca tantos viveram tanto tempo” (CARVALHO; BARBOSA, 2003).
(COTES, 2006, p. 52 apud SANTOS, 2008, p. 1). As alterações relacionadas ao envelhecimento
Em todos os países vem ocorrendo um processo de são devidas primariamente ao estilo de vida, então a
envelhecimento populacional. É nessa perspectiva manutenção de uma atividade física regular torna-se
que Chaimowics (2009) salienta que nos próximos fator primordial, ao longo do processo de
quarenta anos a proporção de idosos no Brasil irá envelhecimento, uma vez que, a realização de
triplicar e afirma que no ranking dos países com exercícios físicos, esportes e atividades como a
maiores populações de idosos do mundo o Brasil dança, ioga, alongamento, ginástica geral,
saltará da 16ª posição para a sétima em 2025, sendo musculação, natação, jogos recreativos e
que até o ano de 2020 a proporção de idosos passará brincadeiras lúdicas possibilitam ao idoso expressar
de 5% para 10%, a expectativa de vida chegará a os sentimentos, conhecer a movimentação e os
setenta anos para homens e 76 para mulheres e, até limites do próprio corpo, melhorar a autonomia
2050, 38 milhões de brasileiros terão mais de 65 funcional e a autoestima, ocupar o tempo em prol de
anos, o que corresponderá a 18% da população si mesmo, possibilitando que se distraia das
(GOMES; SANTOS, 2014). incertezas, angústias e dos medos. Portanto,
possibilitam não somente a prática corporal em si,

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mas também o processo de intervenção na saúde, idosos que residem nessas instituições ficam na
propiciando aos idosos momentos de lazer, diversão maioria de seu tempo livre, sem uma prática de lazer
e recordação dos momentos marcantes que ao longo ou esporte, o que nos permite afirmar, conforme
da vida foram sendo esquecidos pela ausência de Souza (1999, p.23), que “os idosos ficam a maior
estímulos e falta de interesses, chegando a promover parte do dia em ociosidade sentados ou deitados,
resultados superiores à utilização de medicamentos permanecendo introspectivos por longas horas de
em muitas situações médicas comuns como a silêncio. Parece-se que os idosos não possuem outra
pressão alta (GOMES; SANTOS, 2014). alternativa senão aguardar a morte”.
Além disso, deve-se considerar que as mudanças Anacleto (2004 apud MOURÃO; SILVA, 2010,
na capacidade física de idosos decorrentes de uma p. 331), “ao realizar uma pesquisa sobre instituições
vida ativa, por meio da prática regular de atividades de longa permanência para idosos, observou que
físicas, favorecem que os mesmos consigam realizar, alguns fatores físicos, psicológicos e sociais criavam
com maior facilidade, as atividades da vida diária - vazios, espaços que ficavam entre a perda dos
AVDs como, por exemplo, caminhar, subir escadas e amigos e familiares e o ajustamento ao novo
carregar sacolas (GOMES; SANTOS, 2014). ambiente asilar. Entre esses fatores, a perda da
Assim, se partirmos do entendimento de que o identidade, a diminuição de atividades laborativas,
processo de envelhecimento está associado à problemas de saúde e o sedentarismo contribuíam
redução da capacidade aeróbia máxima, da força para a instalação de um baixo grau de autoestima
muscular, das respostas motoras mais eficientes e da entre idosos asilados”.
capacidade funcional que leva a incapacidade para a Ser geronte em uma Instituição de Longa
realização das atividades da vida diária como Permanência é “ainda mais delicado em virtude da
carregar peso, caminhar alguns metros, etc, podemos maior tendência em viver de forma menos ativa
avaliar que os idosos são o grupo que mais se (Vieira, Aprile & Paulino, 2014). Langoni,
beneficiam com a prática da atividade física regular, Borsatto,Valmorbida e Resende (2013) alertam
favorecendo os aspectos físicos e motores como sobre o sedentarismo dos idosos institucionalizados,
maior equilíbrio pessoal, estimula os reflexos, levando-os a apresentar um condicionamento físico
proporciona agilidade, contribui para a melhora da reduzido e possibilidade de aumento de doenças em
flexibilidade, permite ainda o estabelecimento de virtude da falta de atividades físicas. Tal fato pode
relações interpessoais; a melhora no estado de ser minimizado por meio da prática de exercício
ânimo; o aumento da autoestima; melhora da físico, tendo como foco a promoção de saúde para
imagem corporal; contribui para romper situações de essa população (Teixeira et al.,2011)”
solidão e reduzir os níveis de depressão, bem como (GUIMARÃES et al, 2016, p. 445).
possibilita ao indivíduo compartilhar objetivos de Nessa perspectiva, a realidade das ILPs em
vida, opiniões, momentos de alegria com outras nosso País está mais para o assistencialismo do que
pessoas haja vista que o círculo de amizades e para garantir, efetivamente, os direitos do cidadão
relações do idoso também é ampliado (SANTOS, idoso no que se refere, por exemplo, a integração
2008). com a comunidade, bem como o acesso aos serviços
A manutenção de uma vida ativa ao longo do públicos de qualidade e a atividade físicas e de lazer.
processo de envelhecimento humano está O direito a atividade física do idoso é garantido
relacionada com uma melhor qualidade de vida a no terceiro artigo do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741
qual é influenciada pelo estilo de vida de cada pessoa de 01/12/ 2003). Esse artigo expressa que é
e um estilo de vida saudável inclui a realização de obrigação da família, da comunidade, da sociedade e
atividades físicas regulares (GOMES; SANTOS, do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta
2014). prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à
Entretanto, os dados apontam que a inatividade alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao
física é mais presente nos idosos do que em qualquer lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à
outra faixa etária e, como sabemos, tal fato pode dignidade, ao respeito e à convivência familiar e
colaborar para uma perda de independência em idade comunitária (BRASIL, 2003).
mais avançada. Entendemos ainda que os idosos que Nesse sentido o presente projeto de extensão
residem em Instituições de Longa Permanência visou proporcionar vivências corporais, bem como
(ILP) têm um estilo de vida mais sedentário do que palestras visando a melhora da qualidade de vida, o
os que vivem em seus lares, visto que não podem bem estar físico, social e emocional dos idosos que
frequentar academias, fazer caminhadas nos locais residem na Fundação Espírita Antero da Costa
disponíveis na cidade, participar dos eventos Carvalho na cidade de Catalão-GO. Mais
organizados. especificamente pretendeu-se: a) Resgatar a partir da
Se considerarmos a realidade brasileira veremos música e de contos a história de vida dos idosos; b)
que as ILPs ora não desenvolvem um programa de Prescrever, aplicar e orientar um programa de
atividade física para esses sujeitos, ora, em sua vivências corporais (alongamento, jogos,
maioria, oferecem um precário atendimento aos brincadeiras, ginástica adaptada, dança e atividades
idosos no que se refere ao desenvolvimento de de coordenação motora) conforme as necessidades e
programas de atividades ocupacionais, educacionais, interesses dos idosos; c) Promover eventos e
bem como de atividades físicas e de lazer. Assim, os palestras sobre temas relacionados à atividade física

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e terceira idade; d) Promover eventos e atividades los nos quartos em que se encontram quando
que envolvam a participação dos familiares e amigos chegamos à instituição. Todas as quintas eles nos
dos idosos. e) Estimular nos alunos a consciência recebem no portão da instituição com beijos e
crítica-sócio-cultural no que se refere ao idoso na sorrisos, falando que sentiram a nossa falta.
sociedade; f) Estimular nos alunos a produção de Atualmente a atividade que eles mais gostam é de
conhecimentos e a participação dos mesmos em colorir e percebemos por meio das atividades
eventos científicos e comunitários sobre o tema da manuais uma melhora bastante significativa na
terceira idade e atividade física. coordenação motora fina, bem como na interação
social do grupo.
2. METODOLOGIA Essas vivências resgatam a história de vida dos
idosos, colocando–os em contato com a lembrança,
A metodologia utilizada está voltada ao trabalho com a memória, com os afetos, bem como
social de caráter exploratório realizado com os proporciona viver novamente esses momentos
idosos da Fundação Espírita Antero da Costa esquecidos por falta de estímulo, potencializando
Carvalho da cidade de Catalão-GO. Atualmente, esses corpos por meio da expressão, da ludicidade,
essa Fundação abriga 31 idosos de ambos os sexos, da criatividade, da interação social entre eles e os
sendo que a maioria deles apresenta mobilidade participantes do projeto marcadas por momentos de
reduzida e/ou utiliza cadeira de rodas. alegria e de sorrisos nos rostos.
Para elaborar e orientar o programa de Ao dançar os idosos se constituem como produtores
vivenciais corporais, inicialmente foi realizado uma de cultura, pois ao realizar essa atividade expressam
análise de conjuntura da Instituição e o levantamento ritmos, marcações de uma dança realizada em
dos seguintes dados dos idosos: sexo, faixa etária, tempos antes do ingresso a ILP. Expande-se a vida,
utilização de medicamentos, patologias, pressão traz à tona as potencialidades, os desejos desses
arterial (PA), frequência cardíaca (FC), dentre outros corpos que ficam imobilizados na maior parte no
com vistas a identificar suas necessidades. tempo nessas instituições. Corpo, que respira, pulsa
Os alunos assim como os professores e se movimenta.
responsáveis a partir das vivências corporais
realizadas elaboram e entregam relatórios das 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
atividades desenvolvidas. Para tanto são realizadas
quinzenalmente reuniões de planejamento e Consideramos que os objetivos propostos foram
avaliação do projeto. alcançados com o desenvolvimento do projeto, tendo
O acompanhamento e a avaliação do projeto, no em vista que a cada dia mais idosos estão aderindo
tocante aos idosos, são realizados por meio da às vivências corporais realizadas. Além disso, no ano
frequência, fichas de avaliação física e da de 2018, por meio de um trabalho de conclusão de
participação destes nas atividades desenvolvidas curso defendido no curso de Educação Física da
(jogos, ginástica, brincadeiras, danças, caminhada, Regional Catalão, constatamos que o projeto de
etc). Também são elaborados relatórios de extensão tem cumprido seu papel tanto em relação
acompanhamento e avaliação dos idosos, por parte aos objetivos da extensão universitária junto a
da equipe executora do projeto, com vistas a comunidade externa e a formação dos discentes
produzir material para futuras análises e elaboração envolvidos quanto a proporcionar vivências
de novas atividades. As avaliações físicas dos idosos corporais aos idosos, momento de experiência de
são realizadas no início do projeto para identificar retomar as memórias e se sentirem visitados.
suas necessidades e no final do projeto com o A prática de vivências corporais no asilo é um
objetivo de acompanhar a evolução dos mesmos com momento marcado pela brincadeira, movimento,
o programa desenvolvido. memória, interação e satisfação social, instantes
As atividades de vivências corporais foram alegres e de convivência com outras pessoas
realizadas as quintas-feiras das 13h30min às abrigadas e com os alunos e professores do curso de
15h00min. Escolhemos esse horário, pois assim Educação Física; representa um momento em que o
podemos participar com eles no momento do lanche, idoso se sente visitado, visto que muitos são
bem como auxiliar as cuidadoras da instituição. abandonados por familiares e amigos, estimulando
As vivências corporais são realizadas por meio assim nos alunos a consciência crítica-sócio-cultural
de músicas; contos; jogos e brincadeiras; danças; no que se refere ao idoso na sociedade.
atividades de coordenação motora e raciocínio As atividades lúdicas “vêm contribuir de forma
(pinturas, desenhos, colagens, quebra-cabeça, blocos fundamental para a melhoria da autoestima. De
de montagem, jogos motores, dentre outras). acordo com o estudo de Jesus e Jorge (1999), podem
Procuramos também adequar essas vivências as proporcionar vários benefícios, como trabalhar as
diversas datas comemorativas: Festa Junina, Dias emoções, desenvolver a afetividade, estimular a
dos Namorados, Páscoa, Natal dentre outras. convivência, diminuir o nível de ansiedade e de
No início da realização do projeto em 2013 angústia, além de exercitar as funções psíquicas e
poucos participavam das atividades propostas, a cognitivas” (GUIMARÃES et al, 2016, p. 445).
partir de 2014 essa participação aumentou, As vivências corporais realizadas nos mostram
considerando que passamos a estimulá-los e busca- a vivacidade e as potencialidades que fluem nesses

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corpos-idosos que são imobilizados e desacreditados REFERÊNCIAS
por falta de políticas públicas que garantam e
efetivem os diretos dessas pessoas que ainda são
BRASIL. LEI No 10.741, DE 1º DE OUTUBRO
vistas como pessoas de assistência, de cuidados.
DE 2003. Estatuto do idoso. 2003. Disponível em:
Uma característica marcante dos esforços
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/
direcionados ao idoso institucionalizado “é a
L10.741.htm>. Acesso em: 10 fev. 2016.
priorização de suas enfermidades ou limitações.
Raramente são consideradas suas capacidades, CARVALHO, R. B. da; BARBOSA, R. M. dos S.
habilidades, potencialidades ou mesmo interesses, P.. O envelhecimento e a atividade Física. In:
vontades e experiência de vida. Em especial, DUARTE, Edison; LIMA, S. M. T.. Atividade
desconsiderados são seus interesses em descanso, Física para pessoas com necessidades especiais:
divertimento, prazer e desenvolvimento de experiências e intervenções pedagógicas. Rio de
habilidades que promovam forças e virtudes. Não é Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. p. 47-62.
levado em conta que, mesmo diante de limitações,
dificuldades ou enfermidades, as pessoas possam CHAIMOWICS, F. Saúde do idoso. 2. ed., Belo
experimentar entretenimento, descanso e Horizonte: NESCON UFMG, 2009. 167 p.
desenvolvimento”. (MOURA; SOUZA, 2013, p. 3) GUIMARAES, A. C. et al. Atividades grupais com
O “corpo, afastado daquilo que pode, perde sua idosos institucionalizados: exercícios físicos
capacidade revolucionária e se torna doente, perde funcionais e lúdicos em ação transdisciplinar,
sua capacidade de criar o real para aceitar a vida Pesquisas e Práticas Psicossociais, São João del-
medíocre que lhe dão” (TRINDADE, 2013, p. 2). Rei, v.1, n. p. 443-452. Jul-Dez, 2016.
Experimentar é a condição essencial para a produção
das intensidades e potencialidades dos corpos até GOMES, A. R.; SANTOS, C. S. Aspectos
então imobilizados pela rotina em cuidado e motivacionais que levam os idosos a
alimentação. O corpo antes anestesiado pela rotina participarem das atividades físicas no núcleo de
pode perceber que está vivo, acordado, que pode convivência da terceira idade “João Fayad” da
sentir, experimentar, produzir, afetar e ser afetado cidade de Catalão-go. 2014. Trabalho de
(TRINDADE, 2013). Conclusão de Curso. (Graduação em Educação
É preciso crer que os corpos-idosos conseguem Física), Curso de Educação Física da Regional
participar dessas atividades e responder Catalão/UFG, Catalão –GO. 2014.
afirmativamente ao que elas desencadeiam neles. MOURA, G. A. de.; SOUZA, l. k. de. Lazer e idoso
institucionalizado: tendências, problemas e
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS perspectivas. Licere, Belo Horizonte , v. 16 , n .2 ,
jun /2013.
A relevância deste projeto está em identificar as
necessidades dos idosos com vistas a fornecer MOURÃO, C. A.; SILVA, N. M. Influência de um
informações para serem utilizados pelos acadêmicos programa de atividades físicas recreativas na
do Curso de Educação Física a fim de elaborar autoestima de idosos institucionalizados. RBCEH,
programas de vivências corporais que venham Passo Fundo, v. 7, n. 3, p. 324-334, set./dez. 2010.
proporcionar benefícios físicos, sociais e SANTOS, C. da. S. Atividade física-recreativa
psicológicos. para idosos de instituições asilares. 2008.
Entendemos que o projeto de extensão poderá Cadastro SIEC da Regional Catalão da
contribuir sobremaneira, como elemento Universidade Federal de Goiás.
impulsionador para a formação inicial do aluno na
área da pesquisa, ensino e extensão estimulando-os SOUZA, M. C. F.. Políticas públicas de lazer
para a continuidade de seus estudos em nível de para a terceira idade: realidade ou utopia? 1999.
mestrado e doutorado. 65f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação
Além disso, permite o aluno aplicar os em Educação Física) – Universidade Federal de
conhecimentos adquiridos no curso de Educação Goiás. Campus Catalão, Catalão, 1999.
Física de forma interdisciplinar, tendo em vista que TRINDADE, R. Deleuze: corpo sem órgãos. 2013.
as atividades a serem desenvolvidas necessitam dos Disponível em:
conhecimentos das disciplinas de treinamento <https://razaoinadequada.com/2013/04/14/deleuze-
esportivo, Educação Física Especial, Jogos e corpo-sem-orgaos/>. Acesso em: 12 maio. 2016.
brincadeiras, dentre outras.

RESPONSABILIDADE AUTORAL

“Os autores são os únicos responsáveis pelo


conteúdo deste trabalho”.

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PERCEPÇÕES DE IDOSOS QUE PARTICIPAM DO GRUPO DE
CONVIVÊNCIA E O IMPACTO DESTE NA SUA SAÚDE

Pilger, Calíope, email: caliopepilger@hotmail.com


Silva, Arielly Luiza Nunes, email: ariellynunesufg@gmail.com1
Carneiro, Myla Aparecida Costa1
Silvano, Victor Rodrigues Gianelli Lemos¹
Lima, Lana Ferreira¹
Naves, Emilse Terezinha¹
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/IBIOTEC

Resumo: Um dos recursos de assistência em saúde e cuidados com a promoção e garantia da qualidade de vida
ao idoso é a implementação e consolidação de Grupos de Convivência (GC) na AB. Este trabalho é uma
pesquisa descritiva, exploratória, com abordagem qualitativa. Os participantes do estudo foram os idosos que
participam de um Projeto de Extensão vinculado à Universidade Federal de Goiás, Regional Catalão, que
intitula-se “Promoção e manutenção da saúde e prevenção de doenças para idosos na comunidade”, realizado
desde o ano 2014, e atualmente consolidado na Unidade de Estratégia de Saúde da Família (UBSF) Caic,
localizada no município desde o ano de 2016. A participação nesse projeto despertou a iniciativa da realização
de pesquisas científicas de abordagem qualitativa e quantitativa, com o objetivo de validar e promover novas
ações nesse cenário. Com este trabalho pode-se perceber a importância de analisar o processo de
envelhecimento de forma integral e singular, visto que o mesmo buscou-se perceber e valorizar as percepções
pessoais de cada idoso e promover ações para um enfrentamento melhor sobre o envelhecimento, estimulando a
interação social e o envelhecer ativo.

Palavras-chave: Idoso. Grupo de Convivência. Universidade. Envelhecimento ativo. Qualidade de vida.

1. INTRODUÇÃO Grupos de Convivência (GC) na AB. Alguns grupos


de saúde estão acessíveis à população idosa atendida
A progressiva expectativa de vida resulta na AB, vinculados ao SUS, com apoio nas Políticas
no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Públicas de Promoção da Saúde e Saúde do Idoso,
Geografia e Estatística (IBGE), em uma população cujo objetivo propõe a sociabilização entre idosos
idosa de aproximadamente 25 milhões de indivíduos que recebem orientações acerca de variados assuntos
que, em grande parte, são assistidas pelas redes de além de prevenção de complicações de doenças
saúde ligadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), crônicas associadas ao idoso (VARGAS; LARA;
principalmente na Atenção Básica (AB) (BRASIL, MELLO-CARPES, 2014).
2017). A educação em saúde na AB por meio de
Nessa perspectiva, a Organização Mundial práticas grupais têm sido vastamente utilizadas por
de Saúde (OMS) preconiza a necessidade de se profissionais da área da saúde de forma inter e
estabelecer políticas públicas de saúde voltadas para multidisciplinar como estratégia para as práticas de
essa parcela da população, por meio de ações para o saúde. E ainda possui como objetivo promover
envelhecimento ativo considerando os inúmeros novas ferramentas do cuidado em saúde por meio do
determinantes em saúde de forma a ampliar o acesso conhecimento da população, podendo agir de forma
a ações para a promoção da saúde e melhoria das pontual nas necessidades dessa, promovendo
condições de vida (ROCHA et al., 2015). qualidade de vida e prevenção de doenças (ROCHA
et al., 2015).
Um dos recursos de assistência em saúde e
cuidados com a promoção e garantia da qualidade de Esse estudo tem como objetivo analisar a
vida ao idoso é a implementação e consolidação de percepção dos idosos do grupo de convivência sobre

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sua participação e inserção no GC e os impactos sua Os resultados foram analisados segundo a
saúde. análise temática de conteúdo de Bardin (2011),
amplamente usada em pesquisas qualitativas ou
2. METODOLOGIA análises estatísticas descritivas e inferenciais para
estudos quantitativos (BARDIN, 2011).
Este trabalho é uma pesquisa descritiva, Tal análise é uma das técnicas de
exploratória, com abordagem qualitativa. tratamento de dados em pesquisas qualitativas, no
Os participantes do estudo foram os idosos qual Bardin (2011) destaca três importantes etapas:
que participam de um Projeto de Extensão pré-análise, exploração do material e tratamento dos
vinculado à Universidade Federal de Goiás, resultados, e a interpretação BARDIN (2011).
Regional Catalão, que intitula-se “Promoção e Assim, foi possível construir núcleos de sentido em
manutenção da saúde e prevenção de doenças para comum entre as entrevistas, podendo-se perceber e
idosos na comunidade”, realizado desde o ano 2014, discutir a importância das vivências do grupo em
e atualmente consolidado na Unidade de Estratégia questão e seu impacto na qualidade de vida deste.
de Saúde da Família (UBSF) Caic, localizada no Para manter o anonimato dos participantes
município desde o ano de 2016. da pesquisa, os mesmos receberam codinomes de
Tal projeto conta com a participação de pássaros: Canário, Agapornis, Pavão, Papagaio,
discentes e docentes de três cursos da Universidade Fênix, Coruja, Bem-te-vi, Calopsita, Cacatua, Beija-
supracitada, que são: Enfermagem, Educação Física flor, Periquito e Pica-pau.
e Psicologia. As reuniões, acontecem semanalmente, A coleta de dados foi realizada após
em período letivo, com o apoio da UBS envolvida e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da
da escola municipal localizadas em um mesmo Universidade Federal de Goiás- Regional Catalão,
complexo territorial. com número 3.199.161/2019.
A participação nesse projeto despertou a
iniciativa da realização de pesquisas científicas de 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
abordagem qualitativa e quantitativa, com o objetivo
de validar e promover novas ações nesse cenário. Durante as entrevistas foi perceptível que os
Outro objeto que despertou com o desenvolver do idosos sentiam-se valorizados por estarem
grupo, foi a importância de “dar voz” aos idosos participando da pesquisa e principalmente por esta
sobre o grupo, seja por meio das falas durante os ser vinculada ao projeto de extensão supracitado.
encontros ou em entrevistas nos domicílios, que Nas falas nota-se que eles se sentem ouvidos,
pode ser uma forma de valorizar a dedicação e a respeitados e inseridos positivamente no grupo de
participação dos mesmos no grupo, além de motivá- convivência.
los.
Quando se trata da pergunta 1, todos os
Assim, vinculado ao projeto, realizaram-se participantes relataram se sentir bem e felizes
entrevistas com questionários semiestruturados em inseridos no GC, isso pode ser observado quando
ambiente domiciliar e na unidade, com questões analisa-se as respostas “Nossa! Maior alegria,
relacionadas a percepção dos idosos sobre o CG e os parece que tudo é nova vida, sabe. É nova vida.
impactos destes na sua saúde. Também foi utilizado Tudo. Pra mim é a coisa mais linda que existe.
como coleta de dados, as falas dos idosos durante os Vocês, todas as meninas, todos nós que reunimos
encontros. ali...pra mim é a coisa mais maravilhosa que existe.
As falas utilizadas nesse relato são oriundas (Canário)” ; “Eu me sinto maravilhosamente bem,
de três perguntas: 1) “Como o (a) senhor (a) se sente eu gosto de estar aqui no meio de vocês, me sinto
inserido(a) no grupo de convivência? Quem é o (a) alegre (Pavão).”
senhor (a) dentro do grupo?” ; 2) “O(a) senhor(a) As atividades realizadas em grupo têm
sente que o grupo de convivência lhe ajuda? como principal objetivo a construção das relações
Como?”; 3) “O(a) senhor(a) acha que o grupo sociais, estimulando assim o desenvolvimento
melhora a sua qualidade de vida? De que forma o(a) contínuo da autonomia dos seus integrantes. Além
senhor(a) acha que isso interfere?”. disso, os grupos atuam na construção da rede de
As entrevistas foram gravadas e transcritas atenção, promovendo a participação popular e a
na íntegra, e realizadas no período de outubro de educação em saúde (FRIEDRICH et al., 2017).
2018 a dezembro de 2018.

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Já nas falas referentes à pergunta 2, Essa estratégia possibilita a construção de
observa-se que o grupo possui um caráter vínculos muito fortes, tanto de equipe e idosos,
terapêutico e que trás momentos prazerosos de quanto entre os próprios participantes. Esse vinculo
aprendizado e alegria, além de atuar reinserindo-os enriquece o aprendizado e o compartilhamento na
na sociedade e isso pode ser afirmado nas falas exploração de potencialidades, além de propiciar um
“Ajuda. Ajuda como eu te falei, eu era uma pessoa melhor enfrentamento de problemas pessoais,
muito tímida... e hoje não, hoje eu já me sinto bem, tratamento e prevenção de doenças. Portanto, é de
assim, já sei misturar com as pessoas... tá me suma importância o incentivo e valorização deste
fazendo muito bem. (Coruja). tipo de grupo social (SILVA,2018).
; “Ajuda. Ajuda espiritualmente. Ajuda
moralmente. No meu modo de viver. No meu modo
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
de aprender. Porque eu to aprendendo muito. Eu
estou aprendendo. Você já pensou, depois de certa
idade, aprendendo lindas coisas boas, né.. não é Com este trabalho pode-se perceber a
importância de analisar o processo de
bom? Pra mim é um prazer. (Canário)”
envelhecimento de forma integral e singular, visto
Schoffen e Santos (2018), também que o mesmo buscou-se perceber e valorizar as
afirmam que os grupos em saúde mobilizam as percepções pessoais de cada idoso e promover
pessoas como uma rede de apoio, incentivando a ações para um enfrentamento melhor sobre o
busca pela autonomia, autoestima, resiliência e envelhecimento, estimulando a interação social e o
atuam na redução da vulnerabilidade a partir dos envelhecer ativo.
vínculos criados e a inclusão social (SCHOFFEN;
SANTOS., 2018). Cada fala em cada entrevista reafirma o
impacto do grupo de convivência sobre a promoção
Sobre a qualidade de vida questionada na e manutenção da saúde e isto está intimamente
pergunta 3, pode-se afirmar a partir das falas que o relacionado à qualidade de vida desta população.
grupo de convivência contribui de maneira positiva Nesse sentido, é interessante que este tipo de
para a melhora da qualidade de vida dos idosos projeto seja estimulado e apoiado, uma vez que
participantes. Essa afirmação se dá ao avaliar tais essa população infelizmente é pouco assistida em
falas “Melhora sim. Muito. Ali eu aprendi a viver, relação a ações de promoção, prevenção e
sabe.... Dar valor na vida” ; “Melhora demais. No manutenção da saúde.
dia que eu venho pra cá eu chego lá em casa
aliviada, as pernas tá boa, apesar de eu andar o Além disso, é crescente a expectativa de
tanto que eu ando. Mas eu chego lá as pernas tá vida no país, sendo assim, é importante focar no
maravilhosamente bem (Pavão)” envelhecimento ativo. Ações como o grupo de
convivência são estratégias acessíveis aos
e “Melhora sim. Por isso assim..eu me sinto mais profissionais; financeiramente interessantes, pois
forte para enfrentar as tribulações da vida. Eu me não necessitam de grande investimento financeiro e
sinto mais fortalecida. Ele me faz assim..ter mais o mais importante, podem refletir na sociedade e
aceitação, mais compreensão.. pro que der e vier. no bem-estar de cada indivíduo.
(Beija-flor).”
Os determinantes para a qualidade de vida REFERÊNCIAS
e envelhecimento ativo e saudável do idoso estão
relacionados não somente a aspectos biológicos, BARDIN, L. Análise de conteúdo. São
mas também estão envolvidos com as relações Paulo: Edições 70, 2011.
interpessoais e a participação social e estes podem BRASIL, IBGE. Censo Demográfico, 2017.
ser alcançados por meio da participação em Disponível em:<www.ibge.gov.br>. Acesso em:
atividades grupais (SANTOS et al.,2015). 27 ago. 2017.
Os grupos de convivência são fortemente FRIEDRICH, T.L.; PETERMANN,X.B.; MIOLO,
vinculados ao envelhecimento saudável, qualidade S.B.; PIVETTA, H.M.F. Motivações para práticas
de vida e socialização, mas, pode-se observar coletivas na Atenção Básica: percepção de usuários
relações que ultrapassam essa ideia. O grupo e profissionais. Interface – comunicação, saúde e
proporciona ao idoso uma nova identidade social. educação. RS. 2017.
As atividades realizadas nas reuniões e o convívio
com outros indivíduos oferecem o olhar
diversificado sobre a vida e o modo de enxergar o
mundo (SILVA,2018).

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ROCHA, V.D.; VIEIRA, S.N.S.; SANTOS, A.T.;
LONGUINIERE, A.C.F.; VIEIRA, D.S.; SILVA,
J.M. Educação em saúde em um grupo de
convivência da terceira idade: experiência
vivenciada. RITEC, v. 1, n. 1, p. 173-180, 2015.
SANTOS, L.F.; OLIVEIRA, L.M.A.C.; BARBOSA,
M.A.; NUNES, D.P.; BRASIL, V.V. Qualidade de
vida de idosos que participam de grupo de promoção
da saúde. Enfermería Global. 2015.
SCHOFFEN,L.L.; SANTOS,W.L. A importância
dos grupos de convivência para os idosos como
instrumento para manutenção da saúde. Rev. Cient.
Sena Aires. 2018.
SILVA,R.D. Grupo de convivência: percepção dos
idosos em uma unidade básica de saúde. Revista
Família, Ciclos de Vida e Saúde no Contexto
Social. Universidade Federal do Triângulo
Mineiro,2018.
VARGAS, L. Da. S. De.; LARA, M. V. S. De.;
MELLO-CARPES, P. B. Influência da diabetes e a
prática de exercício físico e atividades cognitivas e
recreativas sobre a função cognitiva e emotividade
em grupos de terceira idade. Rev. Bras. Geriatr.
Gerontol., Rio de Janeiro, v. 17, n. 4, p. 867-878,
2014.

RESPONSABILIDADE AUTORAL

“O(s) autor(es) é(são) o(s) único(s) responsável(is)


pelo conteúdo deste trabalho”.

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QUALIFICAÇÃO DA INTERAÇÃO PARENTAL NA PRIMEIRA
INFÂNCIA - PRIMEIRAS IMPRESSÕES
FONSECA NETO, Augusto César, augusto.cesar.fonseca@gmail.com1
FRANCO FILHO, Francisco Magela de Oliveira, franciscofilh2019@gmail.com1
MENDONÇA, Révora Silvério1
CUNHA, Gabriel Siqueira1
RIBEIRO, Gabriel de Castro1
BUSSE, Ana Carolina Silva1
VICENTE DE PAULA, Maristela2
MORAIS, Paula de Campos3
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia /
Curso de Medicina
2
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia /
Curso de Educação Física
3
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão

Resumo: A primeira infância é um período de grande vulnerabilidade e é essencial se ter familiaridade com as
conquistas que a criança pode alcançar nesta fase e com os principais problemas que podem impactar na sua
trajetória de vida. O presente projeto tem como finalidade proporcionar, como parte da formação em saúde,
melhoria na interação entre as crianças e seus familiares, brinquedos e pares através de intervenções dos alunos
ligados ao projeto, com consequente melhoria da saúde destas populações. A metodologia utilizada será a
problematização através do arco de Maguerez com as observações e intervenções ocorrendo no Projeto Brincar
nas dependências da Associação Laços de Bem no Bairro Bela Vista em Catalão, Goiás. As primeiras impressões
dos participantes do projeto sobre as crianças foram analisadas e apontam que as crianças do projeto se sentem
independentes e proativas em relação ao uso dos espaços e recursos onde é desenvolvido o projeto.

Palavras-chave: brincadeira, infância, educação em saúde.


____________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO de conversa e palestras, promover um padrão de


interação mais qualificado da interação e função
O presente estudo trata do Projeto de Extensão parental.
denominado Intervenção para qualificação da Espera-se que os alunos da área da saúde em
interação parental na primeira infância. O projeto foi formação envolvidos no projeto possam desenvolver
criado no curso de Medicina da Universidade Federal um olhar crítico e sensível da realidade e colabore na
de Goiás/Regional Catalão/IBiotec, com vistas a sua formação como agentes promotores de saúde.
proporcionar que a formação em saúde se dê em
envolvimento com a comunidade, assim define como 2. RECONHECIMENTO DE CAMPO
objetivo central: - promover a saúde através da
melhoria na relação entre criança, o brinquedo, os O Bairro Bela Vista de Catalão/GO, surgiu
pares e os cuidadores. inicialmente, a partir da migração de famílias que
A proposta do projeto prevê, que os acadêmicos vieram de variados estados do nordeste e do note de
participantes sejam responsáveis por mediar as minas gerais para a cidade de Catalão/GO em busca
atividades lúdicas nos espaços qualificados de de melhores condições de vida e trabalho.
brincadeira que existem no Bairro Bela Vista do Sua localização delimitava o fim de um lado da
município de Catalão/GO chamado Projeto Brincar, cidade, mas atualmente encontra-se rodeado por
com o propósito de observar e registrar a relação da outros dez bairros circunvizinhos, que contam com
criança com as pessoas, objetos e lugares a fim de duas escolas de ensino fundamental (somente uma
acompanhar o surgimento e desenvolvimento das dispões de quadra poliesportiva) e duas escolas de
conquistas motoras, cognitivas e afetivas que o educação infantil, em funcionamento.
processo promove bem como o padrão de A região também conta com um posto municipal
interação que ela e sua família assume quando a de saúde, que atende a toda a região com uma única
criança está brincando, a fim de que possa, em rodas equipe de saúde da família. Anexo ao posto de saúde

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localiza-se de um espaço com equipamentos para educação ambiental e de reaproveitamento de
prática de exercícios (Programa Academia ao ar livre) materiais descartados.
que não consegue suprir a falta de praças e outro b) Brinquedoteca - A brinquedoteca é o ambiente
espaço qualificado para atividades esportivas de lazer onde são apresentados, prioritariamente para crianças
ou lúdicas. de zero à sete anos, um ambiente com brinquedos que
Este bairro e os bairros vizinhos, frequentemente se agrupam em três possibilidades principais: casinha,
são noticiados pela mídia por constantes episódios de contendo mobiliário em miniatura (cozinha,
violência, envolvendo tentativas e assassinatos, em geladeira, pia, tabua e ferro de passar roupa, berço,
que as vítimas são principalmente jovens e mulheres carrinho de bebê), representação de utensílios
(BLOG ZAP CATALÃO NOTÍCIAS, 2018); domésticos, alimentos e também as bonecas. Em
(PORTAL CATALÃO, 2019); (MATOS, 2016). outro canto da sala encontram-se as fantasias,
A precariedade da oferta de serviços públicos, acessórios (perucas, óculos, chapéus e outros). Em
junto a insuficiência de instrumentos públicos de outro lado da sala, estão dispostos jogos de mesa
intervenção no bairro, impactam muito em todos os apropriados para essa faixa etária (quebra cabeça,
aspectos da vida dos moradores, principalmente das jogo da memória, blocos e encaixes). A sala conta
crianças e adolescentes que moram na região. também com, carrinhos, pelúcias, cabanas, bolinhas,
Segundo o relato delas e dos cuidadores, problemas fazendinha, miniaturas de personagens e outros.
de aprendizado, de relacionamento com pares, de Neste ambiente as crianças exploram estes recursos
relacionamento com seus responsáveis, envolvimento espontaneamente, sob acompanhamento de adultos
com a criminalidade e outros, são alguns dos que também brincam com elas quando convidados,
prejuízos que tem relação direta, ao menos parcial, ou quando seja necessário propor/apresentar
com essa contexto. possibilidades de brincadeiras. Frequentemente, as
A realidade do bairro e da região, moveu um crianças se fantasiam na brinquedoteca com os
grupo de voluntários no ano de 2008 a criar o Projeto personagens por eles escolhidos e vão para a sala de
Brincar, que nasceu de uma parceria com o projeto de contação de histórias para ler ou ouvir as histórias que
extensão Oficinas Corporais, Jogos, Brinquedos e estão representando.
Brincadeiras, cadastrado na Universidade Federal de c) Sala de Leitura e Contação de Histórias - O
Goiás/ Regional Catalão. O Projeto Brincar tem espaço da leitura e contação de histórias, conta com
como proposta oferecer espaço qualificado e acesso livros, revistas e gibis, com fantoches, cenário para
por livre demanda de brinquedos, jogos e brincadeiras fantoches, desenhos e lápis de colorir. Os livros são
para crianças e adolescente em suposta situação de dispostos em recipientes diversos, provocando a
risco social. O projeto conta com o trabalho curiosidade dos leitores, como em cestas, caixas,
voluntário de aproximadamente 20 pessoas, que pendurados como móbile, ou como varal. As crianças
interagem com cerca de 100 crianças e adolescentes e ocupam tapetes, almofadas, pufes, para ler os livros
seus responsáveis. escolhidos ou para ouvir as histórias contadas/lidas,
Neste projeto, são oferecidas atividades em por algum monitor da sala. Outros preferem ocupar a
diferentes oficinas que atendem a manifestações da mesa para desenhar ou colorir, enquanto ouvem
cultura do brincar sem restrições de períodos ou histórias. E outras crianças, organizam-se para contar
matrículas para frequentar o projeto, sem obrigação histórias com os fantoches, lendo-as ou as
de manter frequência, e as crianças podem escolher inventando/improvisando.
que atividades farão no dia e por quanto tempo d) Sala de Jogos - Na sala de jogos as crianças e
pretendem fazer as mesmas, sendo estimuladas a adolescentes tomam contato com diferentes
retornar e convidar outras crianças para vir ao projeto, modalidades de jogos como, jogos de tabuleiro, entre
e, independente do padrão de frequência, todas que eles, xadrez, dama, War, Batalha Naval, Banco
chegam são acolhidas e apresentadas as atividades Imobiliário, futebol de botão, bem com quebra cabeça
propostas, que são as seguintes: de diferentes níveis de dificuldade. As atividades são
a) Oficina de Artes - A oficina de artes, tem como desenvolvidas em um ambiente com mesas, que são
propósito possibilitar a experimentação e o uso de ocupadas pelos participantes acompanhados por
diferentes superfícies como lousas, papéis de tipos e monitores que incentivam, orientam e mediam as
tamanhos diferentes, utilizando lápis coloridos, giz de relações que se estabelecem na dinâmica dos jogos.
cera, pincéis e tintas, bem como, outros materiais, Os jogos possibilitam experiências diversificadas de
inclusive reaproveitados (sucata), incentivando-os a competição, cooperação, raciocínio, atenção,
produzir um expressão no campo da arte. A cada ludicidade e alguns que reúnem mais de uma dessas
encontro é apresentada uma proposta de trabalho qualidades.
como de origami, decoupage, pintura em várias e) Oficinas Corporais - As oficinas corporais
superfícies, produção de objetos de decoração e envolvem jogos, brincadeiras, elementos dos
utensílios. Essa oficina, explora conceitos relativos à esportes, da ginástica e da dança. As crianças e
adolescente apropriam-se das áreas ao ar livre ou de

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uma sala específica, para desenvolver atividades adolescentes membros da comunidade que se
corporais a partir de construções mediadas por oferecem para o trabalho voluntário no projeto e,
orientadores. Procura-se agregar aos participantes acompanhados por adultos, as crianças e
independentemente de gênero e faixa etária, sendo adolescentes.
necessário articular com o grupo as condições para o A existência do projeto frequentado por uma
acesso de todos os interessados e convidados. As população que o tem como elemento de seu cotidiano,
atividades nascem de situações diversas elaboradas cria uma oportunidade de observação e intervenção
previamente ou não, sendo priorizado que o grupo que teriam impacto direto nas relações entre as
possa se organizar em torno do movimento e da crianças e relações delas com o brinquedo, a
expressão corporal, a partir de um contexto de grupo instituição e seus cuidadores.
democrático, em que cada participante traz seu
arcabouço de conhecimento e compartilha com o 3. METODOLOGIA
grupo que se apropria dele e o reelabora. Para essa
oficina são disponibilizadas materiais como bolas, A metodologia utilizada é a metodologia da
cordas, cones, bambolês, elástico e aparelho de som e problematização com o arco de Maguerez, que é um
outros. método criado pelo francês Charles Maguerez e
f) Oficina de Beleza – Nesta oficina, as crianças trazida por ele ao Brasil em 1968. A metodologia
e adolescentes são convidadas a experimentar sofreu modificações por outros estudiosos e
cuidados com as unhas, cabelos e maquiagem. influências de Paulo Freire sendo usado amplamente
Buscando uma referência estética que não conflitue no ensino superior das áreas de saúde
com sua faixa etária e que valorize o momento (BERBEL,2012). Esta metodologia permite ao aluno
específico do seu desenvolvimento. A sala ser agente de seu próprio aprendizado, e, partir da
disponibiliza, mesas, espelhos e material necessário observação da realidade sob diversos ângulos. - no
para higiene e pintura/embelezamento das unhas, bem caso, os comportamentos da criança até 6 anos -
como de maquiagem. Os participantes da sala tanto refletir sobre o problema que se apresenta, definindo
recebem os cuidados, quanto os realiza em si mesmo pontos chave e as compreensões que tem sobre ele,
ou em outros. A sala é animada com conversas para, então, em momento à parte, estudar sobre os
envolvendo questões de gênero e identidade. pontos chave que observou e fazer hipóteses para o
g) Parquinho – Nesta oficina, que ocorre numa que foi observado, retornando à realidade para aplicar
estrutura de madeira com piso de areia, que tem os conhecimentos que adquiriu neste processo, em
agregado um escorregador, escada de corda e de nova observação qualificada (VIEIRA, 2015).
madeira e um balanço de pneu, as crianças interagem As crianças são observadas nos espaços do
com as estruturas, experimentando subir, escorregar, projeto que elegem frequentar. A observação pode
equilibrar, dependurar, bem como construir ocorrer tanto a uma certa distância, quanto em
brincadeiras na área. interação com os acadêmicos na brincadeira.
h) Jardim – Nesta oficina, as crianças são Para atender ao objetivo central do projeto
convidadas a participar dos cuidados com as plantas voltado para promover a saúde através da melhoria na
dos jardins da instituição, seja varrendo e dando relação entre a criança, o brinquedo, os pares e os
destino às folhas, aprendendo a fazer pequenas podas, cuidadores, as observações serão registradas em
identificando plantas frutíferas e colhendo seus portfólio e socializadas no grupo de intervenção, para
frutos, (amoreira, limoeiro, goiabeira, jabuticabeira, avaliar através da evolução do padrão de interação da
pitangueira, mamoeiro). criança, com o brinquedo, nos meses finais de
i) Videoteca – Trata-se de um acervo de vídeos observação em comparação com os meses iniciais.
disponibilizado para empréstimo. As crianças e A observar dos padrões interacionais da criança
adolescentes com cadastro podem escolher um filme com todos os elementos integrantes de ambientes de
e permanecer com ele por uma semana, sendo ela brincar, serão avaliado através do registro de
própria responsável por cuidar e devolver o vídeo intercorrências inter pares durante a período da
escolhido. observação.
Este projeto já foi objeto de estudos e trabalhos E por fim, o projeto pretende promover o estudo
de conclusão e curso de alunos da Educação física da e intervenção sistemática com as criança e seus
UFG Regional Catalão (SANTOS, 2010); cuidadores a partir de espaços qualificados para o
(PEREIRA, 2012); (CANEDO, 2013); (BELÉM, brinquedo e a brincadeira. O que será avaliado através
2015) e (VAZ,2016) nos quais foram explorados da qualidade dos registros do portfólio, a quantidade
diferentes aspectos da infância e a relação com a e a qualidade das referências utilizadas pelos alunos
brincadeira, como a educação e a cultura e trabalho na avaliação das situações observadas, podendo assim
infantil. Os estudos realizados foram importantes para avaliar o efeito das intervenções junto aos cuidadores
nortear reflexões e rumos mais adequados para as na melhora das relações com as crianças, através do
ações propostas, colaborando para integrar

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padrão discursivo dos cuidadores quando se referem Discente 8 “As crianças possuem liberdade para
às crianças nas rodas de conversa. permanecer na atividade que mais
Na fase inicial do projeto, quando as observações lhes agrade sem que ninguém o
começaram os autores escolheram avaliar o discurso pressione a permanecer...nossa
dos participantes do projeto sobre as crianças através presença não as incomoda ou as
da análise das falas de sua primeira impressão sobre impressionava… as crianças
as crianças no projeto, pedida no primeiro momento brincavam com a gente como se
após a sua primeira observação. Os resultados obtidos fossemos parte de suas brincadeiras.”
são os que seguem.
Discente 9 “[...] curiosidade quanto quem eram
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO as pessoas novas no local [...]
capacidade de cuidado uns com os
O discurso dos participantes está apresentado no outros.”
quadro 1. Fonte: registros nos portfólios.
Quadro 1- Impressões dos discentes
Participante Impressão relatada A análise do discurso dos acadêmicos
participantes indica a percepção deles que as crianças
Discente 1 “[...] contam histórias não muito do projeto entendem aquele espaço como deles e
presentes no mundo infantil e trazem todos ali não como censores ou controladores mas
realidades que as impedem de brincar elementos disponíveis para a interação lúdica numa
e estudar sem interferências percepção de proatividade das crianças no processo:
externas.” “somos apenas parte do cenário”, “agiam
Discente 2 “[...] as crianças sentem que ...é sua normalmente”, “eram bastante independentes”,
propriedade… somos apenas uma “nossa presença não as incomoda”.
peça no cenário...ver a variedade das Alguns discentes apontaram uma percepção
idades e diversas brincadeiras me passiva das criança “chegam bastante receptivas e
deixou nostálgico sobre minha dispostas a participar das brincadeiras e atividades”,
infância.” como se elas precisassem que algo fosse proposto a
elas, diferente da percepção proativa que os demais
Discente 3 “Vi que as crianças eram bastante perceberam.
independentes e se sentiam à vontade O predomínio de relatos que apontam a postura
estando lá.” proativa e autônoma das crianças do projeto em
Discente 4 “Fiquei surpreso com o nível de relação aos recursos de brincar e brincadeira
organização ... a quantidade e presentes ali é coerente com os objetivos do projeto
qualidade dos brinquedos, não vi que prevê oferecer espaço qualificado de brinquedo e
nenhum brinquedo quebrado ou brincadeira e promover nas crianças a autonomia e
danificado, a quantidade de materiais senso de liberdade de escolha e a imagem dos
para colorir… as crianças chegam encarregados da oficina como elementos disponíveis
bastante receptivas e dispostas a para esta interação qualificada.
participar das brincadeiras e
atividades.” 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Discente 5 “Pude observar a capacidade de LF, 6 A partir do reconhecimento do campo de
anos, de contar, comunicar, obedecer intervenção e os primeiros contatos que
regras [...] estas habilidades se proporcionou, podemos avaliar a riqueza de
tornarem perceptíveis em meio a possibilidades de estudo e de prováveis modificação
brincadeiras.” da realidade individual de cada criança, pelo acesso
Discente 6 “[...] com pouco tempo de jogo, LF espontâneo que os mesmo tem através da sua inserção
deixou um pouco a timidez e começou no Projeto Brincar.
a demonstrar competitividade e A brincadeira como linguagem que intermedia as
planejamento para vencer as rodadas relações com as crianças, caracteriza-se como
de jogo.” elemento fundamental para que se possa conhecer as
crianças, sujeitos desse estudo, pois que nesse
Discente 7 “[...] elas (as crianças) agiram ambiente favorável se relacionam com os problemas
normalmente quando tiveram o e desafios da realidade dando respostas possíveis a
primeiro contato comigo.”

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elas, mas ao mesmo tempo estão suscetíveis de se vulnerabilidades na infância e adolescência e as
apropriarem de novas alternativas. políticas públicas brasileiras de intervenção, Revista
O projeto aponta para expectativas muito Paulista de Pediatria, 31(2) 258-64, 2013
favoráveis de aprendizado para formação em saúde na
MATOS, MARCLEY, Triplo homicídio nesta
construção da saúde da infância, como também é uma
madrugada em Catalão, 10/6/2016, disponível na
expectativa de colaborar para tornar a vida nessa
internet em
comunidade um pouco melhor pela promoção dos
https://diariodegoias.com.br/cidades/26799-triplo-
sujeitos em favor da saúde.
homicidio-nesta-madrugada-em-catalao consultado
dia 30/3/2016 ás 20h10min.
REFERÊNCIAS
PEREIRA, Bruna Kely da Silva; PAULA, Maristela
CONANDA, Plano Nacional pela Primeira Vicente de. A brincadeiras na vida das crianças
Infância, Brasília, 2O10 do projeto: Oficinas corporais, jogos,
brincadeiras e brinquedos com crianças em
BELÉM, Wesley Assis de Belém; PAULA, situação de risco em Catalão/GO. Trabalho de
Maristela Vicente de. O trabalho infantil: com a conclusão de curso de graduação em Educação
palavra as crianças e adolescentes do Projeto Física. Universidade Federal de Goiás/Regional
Brincar. Trabalho de conclusão de curso de Catalão, 2012.
graduação em Educação Física. Universidade
Federal de Goiás/Regional Catalão, 2015. PORTALCATALÃO, Homem é assassinado a
tiros no Bairro Castelo Branco II, em Catalão,
BERBEL, NANB, A metodologia da 14/312019 disponível na internel em
problematização com o Arco de Maguerez – uma http://portalcatalao.com.br/portal/noticias/seguranca/
reflexão teórico epistemológica, EDUEL, homem-e-assassinado-a-tiros-no-bairro-castelo-
Londrina, 2012 branco-ii-em-catalao,MjA4MDI.html consultado dia
BLOG ZAP CATALÃO NOTÍCIAS, Homem é 30/3/2019 ás 20h05min.
morto a tiros no Bairro castelo Branco, RAINE, A. O cruel quebra cabeça biossocial in
30/06/2018 disponível em: RAINE, A, A anatomia da violência – as raízes
http://www.zapcatalao.com.br/2018/06/30/homem- biológicas da criminalidade – Artmed, 2015.
e-morto-a-tiros-no-bairro-castelo-branco-em-
catalao/ consultado dia 30/3/2019 ás 20h SANTOS, Luara Faria dos; PAULA, Maristela
Vicente de. A inserção da indústria cultural no
BRASIL, Síntese de evidências parapolíticas de contexto de crianças e adolescentes em situação
saúde: promovendo o desenvolvimento na de risco. Trabalho de conclusão de curso de
primeira infância / Ministério da Saúde, Secretaria graduação em Educação Física. Universidade
de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Federal de Goiás/Regional Catalão, 2010.
Departamento de Ciência e Tecnologia. – Brasília:
VAZ, Priscila Marinho; PAULA, Maristela Vicente
Ministério da Saúde, 2016. _______, Decreto Lei de. O projeto brincar na formação cultural de
No 13.257, DE 8 DE MARÇO DE 2016 _______, crianças e adolescentes em situação de risco na
Decreto no 8.869, de 5 de outubro de 2016 cidade Catalão/GO. Trabalho de conclusão de
CANEDO, Samara Rodrigues; PAULA, Maristela curso de graduação em Educação Física.
Vicente de. A brinquedoteca em um contexto de Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão,
vulnerabilidade social. Trabalho de conclusão de 2016.
curso de graduação em Educação Física. VIEIRA, Marta Nevez Campanelli; PANNÚCIO-
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão, PINTO, Maria Paula. A metodologia da
2013. problematização como estratégia de integração
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO ensino serviço em cursos na área de saúde,
SOCIAL(CFESS), Nota Pública –Porque dizer MEDICINA (Ribeirão Preto) 48(3)241-248 2015.
não ao programa criança Feliz, Brasília 7 de
março 2017. RESPONSABILIDADE AUTORAL

FONSECA, Franciele Fagundes; SENA, Ramony “Os autores são os únicos responsáveis pelo
Kris R.; Rocky Lane A. dos; SANTOS, Orlene conteúdo deste trabalho”.
Veloso Dias; COSTA; Simone de Melo. As

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ORIENTAÇÃO A QUEIXA ESCOLAR À LUZ DA PSICOLOGIA
HISTÓRICO-CULTURAL
Silva, Janaina Cassiano, janacassiano@ufg.br1
Lodovico, Beatrice Verdelho, beverdelhol@gmail.com1
Brick, Luana Rocha1
Carneiro, Ana Clara Porto1
Fernandes, Janine Silva1
Moreira, Luisa Guimarães1
Oliveira, Ângela Cristina1
Silva, Yohanna Rosa Braga e1
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/IBIOTEC- Curso de Psicologia.

Resumo: O objetivo deste resumo é apresentar as atividades desenvolvidas entre julho de 2018 a agosto de
2019 no projeto de extensão intitulado “Orientação à queixa escolar à luz da Psicologia Histórico-Cultural”.
Trata-se de um atendimento psicológico em rede que busca uma ressignificação das dificuldades no processo
de escolarização de crianças de 7 a 12 anos. São realizados grupos com as crianças e os pais e rodas de
conversa nas escolas destas crianças. Os grupos acontecem semanalmente no Centro de Estudos Aplicados em
Psicologia-CEAPSI da Universidade Federal de Goiás/ Regional Catalão. Por entender o sujeito como um ser
social, histórico e dialético, pontua-se a importância do trabalho voltado não apenas para a criança com
dificuldades escolares, mas também com a realidade que a cerca, como a família e a escola. Destacamos que
durante os atendimentos foi possível perceber a melhora no desempenho escolar das crianças e na
compreensão dos pais sobre as condições de aprendizado delas. Além disso, com o acompanhamento nas
escolas é possível discutirmos estas dificuldades apresentadas pelas crianças no próprio espaço escolar.

Palavras-chave: Queixa escolar. Atendimento Psicológico. Criança.


________________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO O objetivo geral é problematizar a demanda da


queixa escolar no Centro de Estudos Aplicados em
Este trabalho é resultado das atividades Psicologia- CEAPSI da UFG/ Regional Catalão,
desenvolvidas no projeto de pesquisa e extensão visando realizar projetos de pesquisa e extensão que
“Orientação à Queixa Escolar à luz da Psicologia tenham como foco a criança encaminhada ao
Histórico-Cultural”. O atendimento tem como foco CEAPSI com queixa escolar decorrente dos
as crianças com queixa escolar resultante dos processos de ensino/aprendizagem nas escolas.
processos de ensino/aprendizagem nas escolas, bem
como suas relações familiares e contexto social. A ideia é formar uma rede colaborativa que
Como ponto importante deste atendimento, tenha o intuito de discutir e refletir de modo
pretendemos superar o atendimento de crianças com interdisciplinar os problemas oriundos das escolas.
queixas escolares, compreendidas na concepção de Nesse sentido, busca-se uma articulação entre os
sujeito abstrato, adoecido em si e por si, patenteado profissionais da UFG/ Regional Catalão com as
pela clínica tradicional. crianças, os pais/acompanhantes, os diretores das
escolas, os professores, entendendo a importância da
A partir do referencial teórico da Teoria compreensão do fenômeno da queixa escolar de
Histórico-Cultural, iniciamos o projeto norteados modo dialético.
pelo texto “Orientação à queixa escolar:
Considerando a dimensão social” de Souza (2006), 2. REFERENCIAL TEÓRICO
assim como outros textos que abarcavam a mesma
temática: questões acerca da queixa escolar, desde a A Psicologia é uma área do saber que tem
abordagem, realização da triagem para o projeto, passado por diversas transformações ao longo de sua
encontro com alunos e a interlocução com a escola. história. De acordo com Loureiro (1997) desde sua
Isso nos possibilitou o entendimento sobre o que regulamentação no Brasil, enquanto profissão, em
seria realizado no primeiro semestre do projeto. 1962 a Psicologia foi fortemente influenciada por
uma perspectiva de caráter clínico, voltada ao
atendimento individual. Fato este evidenciado na

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formação profissional do psicólogo, ao acentuar cotidiano contém sua vida e nela seu trabalho, suas
disciplinas como o Psicodiagnóstico, as múltiplas atividades, os vários sentidos que possui
Psicoterapias e as Técnicas de Exame Psicológico. cada situação particular” (SOUZA, 2009, p.127).
Ainda segundo o autor, ao priorizar tais disciplinas a
formação do profissional de psicologia ficou 3. METODOLOGIA
propensa ao atendimento individual e atrofiada em
diversas áreas, como as organizações e a escolar, A metodologia adotada no projeto é pautada na
campos historicamente anteriores a própria prática Psicologia Histórico-Cultural, considerando a
clínica. multiplicidade de fatores da construção da queixa
escolar e por isso atua em rede no enfrentamento da
Ao se basear nesse estilo de formação, queixa. Inicialmente, foi realizado um levantamento
Loureiro (1997) destaca que por um bom tempo a de crianças dentro da faixa etária 6-10 anos, na lista
Psicologia Escolar foi tida como uma muleta da de espera do CEAPSI, e efetuadas entrevistas de
educação e o psicólogo adentrou o espaço da escola triagem com os pais para identificar crianças com
para ocupar o lugar de psicometrista, abstendo-se de dificuldades no processo de escolarização (queixa
um posicionamento crítico que coloca em questão as escolar). As crianças identificadas com queixa
práticas positivistas instituídas pela escola. Ao escolar participam semanalmente de grupos lúdicos
assumir tal postura, o psicólogo escolar voltou-se com foco em aspectos escolares; sentido e
para uma concepção adaptacionista e psicologizante significado da escola; diminuição de timidez,
do sujeito, que remete às dificuldades de desenvolvimento de autoconfiança, auto-estima e
aprendizagem da própria criança e justifica o percepção da própria capacidade de aprendizagem.
fracasso escolar através da teoria da carência Simultaneamente, os familiares participam de rodas
cultural. Apesar disso, Souza (2009) ressalta que a de conversa com foco em orientação de como
Psicologia Escolar é tida como uma das primeiras auxiliar a criança no processo de escolarização. O
áreas a questionar esse modelo de formação baseado terceiro foco de atuação é nas escolas de algumas
no atendimento individual, que não leva em crianças atendidas pelo projeto, os estagiários
consideração os aspectos sociais e institucionais que realizam visitas às escolas, conversam com
perpassam o sujeito. funcionários, observam o comportamento das
A autora também propõe que foi através dos crianças na escola e realizam grupos com as crianças
trabalhos de Maria Helena Souza Patto, que se no contra turno com as turmas de reforço.
iniciou a discussão acerca da Psicologia centrada no
positivismo e do modelo clínico, psicoterapêutico e 4. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
reeducativo de atuação psicológica no atendimento à
queixa escolar. Ao motivar tais discussões, Patto Após realizarmos as triagens, 10 crianças
(1997) impulsionou a ruptura epistemológica com as foram selecionadas por se adequarem aos critérios
ideias adaptativas da Psicologia em prol de uma do atendimento e a partir disso organizamos dois
Psicologia Crítica, que compreenda os fenômenos do grupos, um que era realizado às segundas-feiras e o
processo de escolarização constituídos a partir das outro às terças-feiras, ambos as 20h, de frequência
dimensões institucional, pedagógica e relacional, semanal.
além de considerar a necessidade do Nas conversas em grupo com os pais foram
desenvolvimento de instrumentos psicológicos tratados os seguintes temas: Queixas, história escolar
capazes de compreender a complexidade dos e de vida das crianças, auxílio nas atividades
fenômenos educativos. escolares, funcionamento e mudanças da escola,
Deste modo, apropriar-se de uma leitura crítica como se sentem frente aos filhos, e o significado de
no que tange à queixa escolar significa acatar a um laudo médico que atesta a dificuldade de
crítica no interior da própria Psicologia, desnudando aprendizagem.
seus enfoques ideológicos e as relações de poder Nos grupos com as crianças foram trabalhadas
nela existentes. Demanda também, a redefinição das atividades de apresentação, integração, construção e
“concepções e práticas do psicólogo voltadas para consolidação de regras. Em um segundo momento
um outro compromisso: com o humano genérico, foram tratados os seguintes temas: autonomia,
como nos fala Heller, ou com o oprimido, como relacionamentos interpessoais, diferenças, trabalho
aponta Freire, ou ainda com o excluído, como em equipe e tolerância e a significação da escola;
analisa Malta Campos” (SOUZA, 2009, p. 121). Isto para isso foram desenvolvidas atividades como
é, um compromisso com o aluno, que não o objetive confecção de crachás, desenhos, colagem, jogos de
em sua vida cotidiana e seja capaz de compreendê-lo carta, dominó, mini futebol, livros ilustrados, e
no conjunto de atividades que o atravessam. Com brincadeiras interativas.
isso, “para esses sujeitos, o pequeno mundo

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Uma das escolas que foi acompanhada pelo compreender seus processos psicológicos e de
projeto recebeu 4 visitas, em duas turmas de reforço ensino/aprendizagem.
uma do segundo e outra do terceiro ano. Foram
realizadas as atividades de observação do cotidiano De modo geral as atividades propostas foram
escolar; atividades de desenho; jogos como dominó realizadas de modo satisfatório, atendendo aos
e quebra cabeça. Essas atividades foram objetivos propostos pelo projeto. Conseguimos um
desenvolvidas com o objetivo de compreender as bom envolvimento de todos os setores que
dificuldades e impasses no processo de influenciam nas condições de aprendizagem da
ensino/aprendizagem, além de observar como cada criança: escola, família e a própria criança.
criança enxerga a si mesmo e seu meio escolar. Na
outra escola acompanhada pelo projeto não 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
realizamos atividades, pois o aluno participante do
projeto estava de atestado médico. Existem diversas problemáticas que estão
inclusas no processo de escolarização e que vão para
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO além da escola. Portanto, faz-se de suma importância
o papel do psicólogo no âmbito escolar, não só
Dos atendimentos realizados na clínica que pensando no aluno, como também em todo corpo
iniciaram com 5 crianças apenas 3 crianças (e seus docente. Desse modo, foi possível desenvolvermos
familiares) se mantiveram frequentes em cada um habilidades de suma importância para a formação
dos dois grupos. De acordo com as regras do profissional. Também tivemos a oportunidade de
CEAPSI os pacientes que deixam de frequentar o vivenciar de forma crítica práticas psicológicas
atendimento são excluídos do atendimento para que voltadas para a humanização e emancipação
se abram vagas para novo pacientes. humana.

Nos grupos infantis surgiram questões de REFERÊNCIAS


gênero, uso exagerado de tecnologia, diferentes
formas de comunicação, autonomia e trabalho em LOUREIRO, M. C. S. Psicologia escolar: mera
equipe, além de um movimento de ressignificação aplicação de diferentes psicologias à educação? In:
da escola e do processo de aprendizagem, todas as PATTO, M. H. S. (org). Introdução à psicologia
crianças foram mantidas para continuar no escolar. 3.ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.
atendimento no segundo semestre de 2019. p. 449- 458.
Nos grupos de familiares foi possível notar SOUZA, M. P. R. Psicologia Escolar e Educacional
certo movimento, em que os participantes passaram em busca de novas perspectivas. Revista Semestral
a se perceberem enquanto grupo, e peças da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e
fundamentais do processo escolar dos filhos. Muitos Educacional (ABRAPEE), v. 13, n. 1, p. 179-182,
pais questionaram a postura da escola frente à jan./jun., 2009.
queixa de seus filhos, fato que oportunizou uma
maior participação dos pais dentro da escola e um SOUZA, B. de P. Orientação à queixa escolar:
fortalecimento das relações entre pais e educadores. considerando a dimensão social. Psicologia Ciência
Ponto esse de fundamental importância. e Profissão, v. 26, n.2, p. 312-319, 2006.
As estagiárias atuantes na escola perceberam PATTO, M. H. S. O sistema escolar brasileiro: notas
que as crianças têm dificuldades na leitura e escrita, sobre a visão oficial. In:______. Introdução à
confundindo algumas letras do alfabeto. Também psicologia escolar. 3.ed. São Paulo: Casa do
observaram que as crianças interagem bem como Psicólogo, 1997. p.15- 23.
grupo, se auxiliando e participando bem das
atividades propostas. Todos demonstraram interesse RESPONSABILIDADE AUTORAL
na disciplina de artes, sendo assim o trabalho lúdico
com desenhos é uma boa forma de acessá-los e “Os autores são os únicos responsáveis pelo
conteúdo deste trabalho”.

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A DANÇA CONTEMPORÂNEA E O BREAKDANCE COMO
FERRAMENTAS DE PROMOÇÃO DA SAÚDE
DÍAZ, Jalusa Andréia Storch – Professora Orientadora, jalusastorch@yahoo.com.br
MARTINS, Bruno, brunomatins80@gmail.com1
CUNHA, Gabriel Siqueira, gasicunha@gmail.com1
SANTANA, Phablo G.S., phablo.santana@outlook.com1
PILGER, Calíope, caliopepilger@hotmail.com1
MARTINS, Nayline, nailineptu@hotmail.com1
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial IBIOTEC

Resumo: A dança é considerada um componente das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde - PICS,
sendo de fácil aplicação em diferentes espaços. O objetivo geral deste trabalho foi relatar as experiências de uma
vivência sobre Dança Contemporânea e Breakdance realizada com participantes do grupo PET Saúde da
UFG/RC. A metodologia utilizada foi o Relato de Experiência centrado na observação de dez participantes, entre
eles alunos e docentes que participam do Projeto PET Saúde da Linha 2 - PICS. Foi proposta uma vivência
centrada na Dança Contemporânea e Breakdance, subdivididas em quatro momentos: a) contextualização
teórica; b) atividades de aquecimento; c) atividade principal; d) relaxamento. Os dados foram coletados mediante
observação e relato dos participantes ao final da atividade. Os resultados demonstraram que a estruturação da
vivência foi válida respeitando quatro momentos bem definidos (a, b, c, d). As observações ressaltaram
comportamentos distintos dos participantes em relação ao ritmo das músicas, variando desde a agitação até o
relaxamento corporal. Encontramos que a vivência do “espelho”, nos diferentes planos e eixos de movimento
propiciaram o sentimento de contato e socialização entre os participantes. Os relatos oriundos dos participantes
demonstraram a viabilidade de implementar a dança em diferentes contextos. Por tudo isto, este relato de
experiência reforça o compromisso do Grupo PET em implementar vivências de danças nas UBSs da cidade de
Catalão-GO, com vistas a melhoria das condições de saúde de doentes crônicos da cidade, a qual poderá ser
utilizada como recurso complementar de promoção a saúde em nosso município.

Palavras-chave: Dança, Dança Contemporânea, Breakdance, Saúde, Extensão.


__________________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO – regional Catalão (UFG/RC). A vivência das


danças no contexto das PICS foram divididas em
A dança é considerada uma das Práticas Integrativas quatro momentos: a) contextualização teórica; b)
e Complementares (PICS) instituídas no Brasil pelo aquecimento para a dança; c) atividade principal de
Ministério da Saúde, entrando na Política Nacional das dança; d) relaxamento, cuja dinâmica será
PICS como Biodança. A dança no contexto das PICS apresentada no transcurso dos resultados.
visa a reduzir o estresse e reestabelecer vínculos afetivos Partindo do exposto, o objetivo geral do
através dos movimentos corporais segundo um ritmo presente estudo foi relatar as experiências exitosas
(BRASIL, 2019). de uma vivência da Dança Contemporânea e
A dança pode ser utilizada em diferentes contextos Breakdance realizada com os participantes do
(escolas, centros de convivência, unidades básicas de grupo PET Saúde e Interprofissionalidade da
saúde, hospitais, etc...) e se desdobrar em objetivos UFG/RC, da linha 2 – Prática Integrativas e
distintos, tais como: melhorar as condições de saúde Complementares em Saúde. Secundariamente, o
física, mental, social e espiritual, promover o bem-estar intento foi observar os efeitos das atividades
e qualidade de vida, ser uma ferramenta para controle e práticas das danças e obter ao final da vivência o
prevenção de sintomas ligados a doenças crônicas não relato dos participantes acerca da experiência
transmissíveis (DCNTs). ofertada.
Considerando as diferentes possibilidades da dança,
buscamos nesse estudo abordar elementos práticos e 2. REVISÃO DE LITERATURA
teóricos com o propósito de apresentar duas
modalidades específicas da dança: a dança A dança contemporânea é considerada uma
contemporânea e o Breakdance para os participantes do Prática Integrativa e Complementar e possui
Projeto de Educação pelo Trabalho – PET Saúde e diferentes desdobramentos, tal como a Dança
Interprofissionalidade da Universidade Federal de Goiás Contemporânea e o Breakdance.

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A respeito da Dança Contemporânea entendemos pela abordagem qualitativa mediante análise
que ela é a produção artística que acontece “hoje”, ou narrativa dos fatos transcorridos no momento da
seja, apresenta uma relação singular com o próprio vivência.
tempo. A dança contemporânea surgiu no segmento da A vivência das danças Contemporânea e
dança moderna e não apresenta uma única técnica, estilo Breakdance no contexto das PICS foram divididas
ou vestimenta definida (SÃO JOSÉ, 2011). Foi criada em quatro momentos: a) contextualização teórica;
nos Estados Unidos como uma forma de rompimento b) aquecimento para a dança; c) atividade principal
com a cultura clássica. de dança; d) relaxamento pós-dança, cuja dinâmica
De outra parte, o Breakdance é um dos elementos será apresentada no transcurso dos resultados.
que compõem a cultura hip-hop e teve em seus marcos Os propósitos das vivências foram integrar a
históricos uma grande contribuição para a modificação teoria da dança ao contexto prático das PICS, bem
do meio onde foi criada, nos subúrbios de Nova Iorque como produzir os efeitos das danças relacionados
em 1970, trazendo grandes benefícios ao seu local de ao alongamento, trabalho cardiorrespiratório,
origem, tais como o respeito ao próximo, a inclusão e a relaxamento muscular e mental dos participantes
diminuição da criminalidade. da atividade. Como efeitos sociais, buscou-se a
Anos mais tarde, em 1982, essa cultura se deu no interação social e a felicidade do trabalho em
Brasil no centro São Paulo, na rua 24 de maio -coração grupo. Ao final foi realizado um feedback das
da cidade, onde foram dados os primeiros passos do atividades, por meio dos relatos pessoais sobre a
Breakdance pelos percussores da cultura no país. O reflexão e avaliação da atividade.
impacto desta dança foi tão grande que ela não se limitou
apenas no centro de São Paulo e se espalhou 4. RESULTADOS
rapidamente por todo o país, difundindo sua filosofia e
seus passos de dança. A filosofia desta dança centra-se Os resultados abaixo apresentados obedecerão
na inclusão dos praticantes que se propõem a praticá-la, a sequência das atividades das danças
fazendo a pessoa sentir-se como parte do meio, Contemporâneas e Breakdance centradas no
trabalhando não somente seu corpo, mas a mente e contexto das PICS, as quais foram aplicadas aos
espírito. participantes do Projeto PET Saúde e
De modo geral, tanto a Dança Contemporânea Interprofissionalidade.
quanto o Breakdance trazem grandes benefícios ao
praticante, trabalhando o alongamento, flexibilidade, a) Contextualização teórica sobre a Dança
força muscular e musicalidade (ritmo, tempo e Contemporânea e o Breakdance:
contratempo), coordenação motora, além da melhora da
autoestima do praticante. Inicialmente os alunos organizadores da
vivência trouxeram aos participantes uma
3. METODOLOGIA contextualização teórica sobre a história da dança,
a importância da dança, sua aplicação e propósitos,
Apresenta o delineamento metodológico do relato os locais em que essa prática pode ser
de experiência, partindo das vivências de uma atividade desenvolvida. Também reforçaram a importância
em grupo realizada para participantes do Projeto PET da dança no contexto da saúde, seus benefícios e
Saúde e Interprofissionalidade, mais especificamente na suas formas de implementação para pessoas
Linha 2 – Práticas Integrativas e Complementares em hígidas e para aquelas que apresentam alguma
Saúde e Educação Popular em Saúde, tendo como local deficiência.
o campus da UFG/RC. Como subsídio para fundamentação teórica
Participaram dessa ação dez pessoas, sendo elas das vivências em dança no contexto das PICS,
alunos do Projeto PET, docentes da UFG/RC que atuam foram utilizados referências científicas que
como coordenador e tutores do Projeto PET. As nortearam as práticas, considerando a dança para
atividades transcorreram no dia 27 de junho de 2019, diferentes populações, em diferentes
quinta feria, no horário das 18:30 as 19:30 bloco 1, sala circunstâncias.
209. Três alunos participantes do Projeto PET, oriundos Por sua vez, as vivências práticas das danças
de três cursos de saúde da UFG-RC (Educação Física, Contemporânea e Breakdance foram divididas em
Medicina e Psicologia) foram os responsáveis por três momentos: b) aquecimento para a dança; c)
organizar a vivência e implementar as atividades atividade principal de dança; d) relaxamento, cuja
práticas com os participantes. Utilizaram como dinâmica será apresentada nas linhas seguintes.
materiais um computador e uma caixa de som para
proporcionar um ambiente agradável centrado nos b) Atividades de aquecimento para a dança:
ritmos das Danças Contemporânea e Breakdance.
Os dados foram coletados mediante observação e O aquecimento tem como propósito elevar a
registros fotográficos. Os resultados foram apresentados temperatura central corporal, aumentar o

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metabolismo e vascularização capilar para preparar o
corpo para a atividade principal – neste caso a Dança No prosseguimento da atividade, passamos
Contemporânea e Breakdance. para a próxima atividade que foi utilizar músicas
Inicialmente foi realizada a ‘’dança das cadeiras’’ contemporâneas em uma dinâmica em duplas
como proposta de dança “quebra-gelo”. Após isto, foi chamada ‘’espelho’’. Essa dinâmica foi dividida
desenvolvida uma prática que introduziu o Breakdance, em quatro fases em diferentes planos de
envolvendo uma corrida leve, seguida da corrida lateral, movimento corporal: alto, médio e baixo e
corrida frontal e corrida de costas, e em momentos era ‘’livre’’.
pedido para que os alunos pulassem e gritassem a A dinâmica ‘’espelho’’ consistiu em instruir
palavra ‘’break’’. O propósito dessa atividade era um integrante da dupla a ser o condutor dos
familiarizar os participantes aos movimentos centrados movimentos e o outro integrante a ser o repetidor
nos três planos e eixos corporais: sagital, coronal e dos movimentos. Ou seja, a estratégia era que um
transverso, envolvendo movimentos de flexo-extensão, dos participantes da dupla repetisse os movimentos
abdução e adução, além de rotações de membros de seu companheiro de forma espelhada, porém,
superiores, tronco e membros inferiores. uma regra foi adicionada para a dinâmica que os
Nesta etapa inicial era visivelmente notável a alegria participantes não deveriam de forma alguma
dos alunos pois todos estavam entusiasmados e um perder o contato com as mãos do colega.
pouco cansados devido a corrida e aos saltos do Sendo assim, todos os movimentos realizados
aquecimento. Ao final do aquecimento o instrutor nos planos alto, médio, baixo e livre deveriam estar
passou alguns passos do breakdance para os alunos, com em contato permanente com as mãos de seu colega
o objetivo de ser usados no decorrer das dinâmicas, de dupla. Nesse momento, as atividades foram
conhecidos como ‘’TOP-ROCKS’’. instruídas por um dos condutores da vivência.
Quando todos os top-rocks foram repassados e os A última dinâmica do “espelho” consistia em
alunos já não tiveram mais nenhuma dúvida em sua realizar o estilo livre, em que os alunos poderiam
execução, prosseguimos para o momento da dança em transitar entres os planos alto, médio e baixo.
estilo livre. Nesta etapa, os alunos escutaram músicas de Nesse momento as duplas puderam transitar
diferentes ritmos e usaram os passos de break livremente com seus movimentos corporais pelo
anteriormente ensinados e com os que eles já trouxeram espaço, e ainda o condutor da vivência dava o
consigo durante sua vida. direcionamento sobre qual aluno deveria ser o
espelho. Nesse momento as duplas de participantes
c) Atividade principal de dança – ênfase da Dança também foram trocadas para promover maior
Contemporânea e Breakdance interação e diferenciação no contato com os
movimentos corporais na dança.
Após a preparação do corpo durante o aquecimento
e a familiarização dos movimentos nos três planos e Foto 1 – Dança com o elemento “espelho” em
eixos corporais, foram instituídas atividades mais plano alto
dinâmicas e de maior gasto energético.
Assim, o próximo passo foi instituir vivências
centradas em Danças Contemporâneas como o forró,
sertanejo, música eletrônica e música pop, alternado o
ritmo da música, além da agilidade e rapidez na
execução dos passos.
Observamos nesta etapa que todos os participantes
se movimentaram sem dificuldades nos diferentes
ritmos musicais e intuitivamente fizeram duplas e
dançaram, despertando assim o a coletividade e a
proximidade emocional que a música intrinsicamente
gerar nos corpos.
Jás nas músicas eletrônicas e na popmusic, os
participantes dançaram sozinhos, utilizando pulos e os
passos do Breakdance aprendidos no aquecimento.
Pudemos observar nesse momento que os participantes
utilizaram esses ritmos para pronunciar sorrisos,
aumentaram o humor, alterando os sentimentos
Fonte: Dados dos pesquisadores (2019)
anteriores de calmos e compassivos, por sorrisos
intensos e agitação.
Foto 2 – Dança com o elemento “espelho” em
d) Relaxamento – a dinâmica do “espelho” plano baixo

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praticantes, independente da faixa etária e da
condição de saúde.
Esse fato pontua algo importante neste relato,
uma vez que as intenções do Grupo 2 do Projeto
PET Saúde e Interprofissionalidade da UFG/RC é
de proporcionar a implementação da Dança para
pessoas com doenças crônicas atendidas Unidades
Básicas de Saúde (UBS) da cidade de Catalão/GO,
considerada como uma alternativa complementar
aos tratamentos de saúde utilizados pelos usuários
nestes espaços.
Desse modo, entendemos que a experiência
aqui descrita propiciará um modo de proporcionar
maior qualidade de atendimento, sendo uma nova
possibilidade de terapias complementares que
atenta-se também ao cuidado dos próprios
funcionários que trabalham nas UBSs, trazendo
como consequência uma melhor condição de
trabalho nestes espaços.
Fonte: Dados dos pesquisadores (2019)
A dança demonstra-se como uma prática de
autoconhecimento (COSTA, et al, 2004),
Observamos neste momento do estilo livre que os
colocando as pessoas em contato com os próprios
participantes se comportaram de modo compassivo,
corpos, alcançando memórias, sentimentos,
especialmente quando foi tocada a música “A Thousand
reflexões acerca da sua postura e personalidade.
Years” de Christina Perri, na qual era perceptível a
Aspectos pessoais externalizados pela dança
emoção e os sentimentos empregado pelos alunos.
dão vazão à expressividade dos participantes,
Ao final do relaxamento e das atividades práticas da
abrindo uma nova oportunidade a esta terapêutica
Dança, realizamos uma avaliação pautada na
já inclusa na Política Nacional de Práticas
autopercepção dos participantes acerca das modalidades
Integrativas e complementares (PNPIC) (BRASIL,
das danças apresentadas nesta vivência – Dança
2019) – reforçando a potencialidade terapêutica
Contemporânea e o Breakdance. Verificamos que os
dessa prática.
apontamentos dos participantes estiveram centrados nos
A possibilidade de se expressar o subjetivo
efeitos físicos, mentais e sociais, com ênfase para o
através da dança ainda é reforçada por Reis e
estímulo cardiorrespiratório, além do relaxamento
Ferracini (2016), que demonstraram a capacidade
corporal, alívio da tensão, do estresse e um maior
expressiva da dança, permitindo que o
contato consigo mesmos.
subconsciente se concretize na forma da dança e
Os participantes também relataram as memórias
permite uma observação mais ampla da pessoa,
trazidas em função dos ritmos musicais, o ambiente
reforçando, mais uma vez, o caráter integral desse
agitado em contraste com o calmo, além da importância
tipo de prática terapêutica.
do toque – das mãos dadas com o parceiro, resultando
Costa et al (2004) evidenciam o uso da dança
em sensações de alívio das tensões. Durante essa
com um viés de socialização, capaz de integrar a
avaliação percebeu-se o relaxamento indireto por meio
grupos, conhecer a si mesmo e a sua posição dentro
do tom e o volume da voz usada pelos participantes
do grupo, remetendo, também, a prática da daça
durante o relato final da atividade.
circular, outra prática também presente dentro da
PNPICS (BRASIL, 2019). A função da dança
5. DISCUSSÃO
também se mostrou presente na experiência e pode
se mostrar útil na integração dos funcionários da
Pelo exposto anteriormente, verificamos que a
própria unidade, podendo propiciar um ambiente
dança se destaca em sua capacidade terapêutica por se
de trabalho mais saudável e cooperativo,
tratar de um método holístico de cuidado em saúde
favorecendo, inclusive, o trabalho dos diferentes
(LIMA; SILVA; TESSER, 2014), oferecendo não
profissionais da unidade – a interprofissionalidade,
apenas um cuidado biológico, mas também, psicológico,
aspecto do trabalho em saúde que tem se mostrado
social e espiritual. Desse modo, entendemos que a dança
de extrema importância na proposta de
pode ser considerada uma ferramenta importante no
integralidade no cuidado e saúde (Costa et al,
contexto das PICS, a qual oferece um cuidado amplo e
2018).
integral a saúde, sendo potencializada devido à
A partir das experiências aqui presentes,
facilidade de aplicação, o que viabiliza sua utilização em
observa-se o potencial da dança no cuidado a
uma maior amplitude de espaços, contextos e
saúde, abarcando várias das facetas da saúde

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(aspectos biológicos, físicos, sociais, espirituais e AGRADECIMENTOS
energéticos) – estando de acordo com a base holística
dessa terapia, fato que evidencia a valia de sua utilização Agradecemos ao programa PET Saúde pela
nas unidades básicas, ambientes em que elas podem ser concessão das bolsas de estudo que subsidiaram a
usadas tanto como modo cuidar indivíduo quanto como construção do presente trabalho, aos professores
de cuidado para com os funcionários da atenção básica que em todo momento nos apoiaram e nos
que poderão, assim, estar mais bem preparados para o estimularam a construir este trabalho.
cuidado com o usuário do serviço de saúde, tanto para a
aplicação da técnica quanto para o cuidado próprio. REFERÊNCIAS

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS BRASIL, Ministério da Saúde. Práticas


Integrativas e Complementares (PICS): quais
Durante a avaliação final foi possível constatar que são e para que servem. Disponível em:
o objetivo da intervenção prática com a dança para o <http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/praticas-
grupo PET Saúde e Interprofissionalidade da UFG/RC integrativas-e-complementares>. Acessado em
foi alcançado, o qual era propiciar a vivência da Dança 22/08/2019.
Contemporânea e Breakdance para os participantes do
grupo PET, além de observar os efeitos da dança e obter LIMA, K.M.S.V.; SILVA, K.L.; TESSER, C.D.
ao final da vivência o relato dos participantes. Práticas integrativas e complementares e relação
Quanto a vivência, verificamos que foi válida a com promoção da saúde: experiência de um
estruturação das atividades em quatro etapas – serviço municipal de saúde. Interface, v.18, n.49,
contextualização teórica da dança; aquecimento; pp.261-272. 2014.
atividade principal; relaxamento. Quanto as
observações, verificamos comportamentos distintos em COSTA, A.G.M. et al. A dança como meio de
relação ao ritmo das músicas, variando desde a agitação conhecimento do corpo para promoção da saúde
para as músicas com ritmos mais intensos e a sensação dos adolescentes. DST – J Bras Doenças Sex
de relaxamento nas músicas mais lentas. Encontramos Transm, v.16, n.3, p.: 43-49, 2009.
que a vivência do “espelho”, nos diferentes planos e
eixos de movimento propiciaram o sentimento de REIS, B.M.; FERRACINI, R. Dança e Saúde
contato e socialização entre os participantes, com Mental: ações de potência. ARJ – Art Research
partilha de sentimos. Por fim, os relatos obtidos foram Journal / Revista de Pesquisa em Artes, v. 3, n.1,
positivos, visto a viabilidade a facilidade de p. 129-141, 2016.
implementar a dança em diferentes contextos, a qual
reforça o compromisso do Grupo PET em implementar SÃO JOSÉ, A.M. Dança contemporânea: um
vivências de danças nas UBSs da cidade de Catalão-GO, conceito possível? Colóquio Internacional de
tendo como alvo a melhora das condições e promoção Contemporaneidade. 2011.
da saúde a doentes crônicos da cidade, servido como um
recurso complementar aos tratamentos e reduzir os RESPONSABILIDADE AUTORAL
custos com a saúde em nosso município. “Os autores são os únicos responsáveis pelo
conteúdo deste trabalho”.

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POR UMA UNIVERSIDADE PARA TODOS: FORTALECENDO A
POLÍTICA DE COTAS ÉTNICO-RACIAIS NA UFG/RC
RIBEIRO, Mônica Luiz de Lima, monicaribeiroufg@gmail.com
SANTOS, Carmelice da Cunha, cunha.carmeliceufg@gmail.com
SOUSA, Camila da Cruz Santos de, camiladacruz.cs@gmail.com
MELO, Daniel Vitor Nunes de, melo-daniel@hotmail.com
LIMA, Karoline Martins de, karolmdl96@gmail.com
CONCEIÇÃO, Ludmila Jardim da, ludmila.jardim@outlook.com
NEVES, Matheus Vinícius Oliveira das, matheusvinicyus@hotmail.com
FONSECA, Ulisses Isac Dantas, ulissesisac@gmail.com

Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/ Unidade Acadêmica


Especial de História e Ciências Sociais

Resumo: O projeto teve o objetivo de integrar universidade e sociedade no debate acerca das políticas de cotas
raciais na UFG/RC, buscando cumprir com preceitos constitucionais em superar as desigualdades étnico-raciais,
promovendo transformação e justiça social, fortalecendo o regime democrático e ampliando o acesso de pretos,
pardos, quilombolas e indígenas no ensino superior. Durante o desenvolvimento do projeto junto com a Comissão
de heteroidentificação/RC promovemos e participamos de oficinas, conferências, rodas de conversas, além de
visitar algumas escolas públicas de ensino médio de Catalão. Os resultados alcançados foram: abertura de
diálogo com o Ministério Público da Bahia e com outras Instituições Federais de Educação Superior, como o
Instituto Federal Goiano, o Instituto Federal de Goiás, a Regional Goiás/UFG, a Universidade Federal do ABC,
Universidade Federal de Uberlândia; aproximação com a comunidade externa. Apesar de existir limitações e
desafios, as ações executadas possibilitaram experiências com grande aquisição de conhecimentos acerca das
questões étnico-raciais. A partir das atividades desenvolvidas através do projeto de extensão, vivenciamos
experiências únicas de suma importância para a formação acadêmica e pessoal.

Palavras-chave: Universidade. Políticas de Ações Afirmativas. Comissão de Heteroidentificação.


___________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO transformação e justiça social, fortalecendo o regime


democrático.
Este projeto teve como base a Lei 12.711 (Lei de Além disso, propôs, por meio de processos
Cotas), de 29 de agosto de 2012, e a necessidade de educativos, a emancipação dos sujeitos que têm o
discutir sobre esta política pública de redução de direito à entrada no ensino superior por meio das
desigualdades raciais, este teve por objetivo realizar cotas raciais.
ações de conscientização acerca da política de cotas Na UFG/RC, com a instituição e atuação das
raciais junto à comunidade institucional, local e Comissões de Verificação da Autodeclaração, hoje
regional, com o intuito de ampliar o número de Comissão de Heteroidentificação, no processo de
estudantes ingressantes na UFG por meio das vagas matrícula dos cursos de graduação no início de 2018
reservadas para pretos, pardos, quilombolas e foi possível perceber a necessidade de dialogar com
indígenas. a sociedade sobre a política de cotas raciais e sobre
A Lei de Cotas faz parte das Políticas de Ações qual parcela da sociedade realmente tem o direito a
Afirmativas, que envolvem práticas temporárias elas.
promovidas pelo Estado para garantir a reparação Nesse sentido, foi essencial a Universidade
social e econômica de grupos populacionais que têm debater com a sociedade sobre esta política pública e
sido, historicamente, excluídos dos direitos no realizar deste debate, além de fomentar a
concedidos a apenas parte da população. discussão, escutar os saberes da sociedade, para
Assim, este projeto, buscou a integração da juntos fortalecermos a efetivação do direito da
universidade com a sociedade no debate acerca das educação para todos.
políticas de cotas raciais na UFG/RC, cumprindo O objetivo geral deste projeto foi o de integrar
com os preceitos constitucionais em superar as universidade e sociedade no debate acerca das
desigualdades étnico-raciais, promovendo políticas de cotas étnico-raciais na UFG/RC,
procurando cumprir com preceitos constitucionais

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em superar as desigualdades étnico-raciais, Santana e Sant’Anna e a Assessoria da Promotoria
promovendo transformação e justiça social, de Justiça Francine Cardoso dos Santos;
fortalecendo o regime democrático e ampliando o g) roda de conversa “Racismo e Educação” com o
acesso de pretos, pardos, quilombolas e indígenas no professor e Coordenador do NEAB-UFU Guimes
ensino superior. Rodrigues Filho;
Os objetivos específicos foram: h) relato de experiência “A Experiência da Comissão
a) desenvolver ações educativas que discutam a de Verificação de Autodeclaração da UFU –
política de cotas étnico-raciais na Regional Catalão composição, desafios e perspectivas” com Régis
da UFG, ampliando o conhecimento da comunidade Rodrigues Elísio (estudante do curso de
acadêmica acerca desta política; História/UFU), Alexsandro Souza Mariano (analista
b) desenvolver ações educativas para alunos da de tecnologia da informação da PROGRAD/UFU) e
educação básica do ensino médio e da educação de Guimes Rodrigues Filho (professor e coordenador
jovens e adultos da rede pública de ensino de Catalão do NEAB-UFU);
e região, para membros de movimentos sociais, i) participação no Espaço das Profissões da Regional
membros de movimentos negros e para comunidades Catalão, com a realização de oficinas e rodas de
quilombolas e indígenas, com o intuito de discutir a conversa;
política de cotas étnico-raciais na Regional Catalão j) organização e apoio no Processo Seletivo Sisu
da UFG, ampliando o acesso de pretos, pardos, UFG 2019 e UFGInclui 2019, com a criação de um
quilombolas e indígenas no ensino superior; espaço fomativo para divulgar e ajudar a esclarecer
c) criar página virtual no sistema WEBY da UFG, a política de cotas raciais junto à comunidade
vinculada à Regional Catalão, que contenha institucional, local e regional.
conteúdo relativo à política de cotas na UFG, que k) visitas e breves debates acerca da política de cotas
divulgue ações internas e externas relacionadas à raciais nos seguintes colégios: Colégio Estadual
temática da promoção da igualdade racial e do Anice Cecílio Pedreiro; Colégio Estadual Dona Iayá;
enfrentamento ao racismo e que registre as Colégio Estadual João Netto de Campos; Instituto de
atividades deste projeto, por meio de fotografias, Educação Matilde Margon Vaz; Colégio Estadual
relatos, relatórios e outros registros. Rita Paranhos Bretas.
l) criação, manutenção e alimentação da página
2. METODOLOGIA WEBY (ppqi.catalao.ufg.br) com conteúdos
relativos à política de cotas raciais na UFG, com
Para alcançar os objetivos deste projeto, notícias que divulguem ações internas e externas
executamos o planejamento, a organização e relacionadas à temática da promoção da igualdade
realização de oficinas, palestras, conferências e racial e do enfrentamento ao racismo, com os
rodas de conversas envolvendo a comunidade registros das atividades deste projeto.
interna e externa, cujo tema abordou as questões
étnico-raciais e as políticas de cotas raciais na UFG. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nessa direção, apoiamos na organização e
participamos dos seguintes eventos junto com a Os resultados alcançados foram: abertura de
Comissão de Heteroidentificação/RC: diálogo com o Ministério Público da Bahia e com
a) roda de conversa com estudantes cotistas que outras Instituições Federais de Educação Superior,
ingressaram nos cursos de graduação no ano 2018; como o Instituto Federal Goiano, o Instituto Federal
b) conferência “Comissões de verificação da de Goiás, Regional Goiás/UFG, a Universidade
autodeclaração étnico-racial: contra as fraudes e pela Federal do ABC e a Universidade Federal de
garantia da lei de cotas” com o Prof. Dr. Acácio Uberlândia; aproximação com a comunidade
Sidinei Almeida Santos, Pró-Reitor de Assuntos externa, pois os eventos promovidos contaram com
Comunitários e Políticas Afirmativas da UFABC; a participação de professores da rede municipal e
c) oficina “Formação para comissões de verificação estadual de educação, de membros da comunidade
de autodeclaração étnico-racial” com o Prof. Dr. interessados na temática e divulgação na imprensa
Acácio Sidinei Almeida Santos; local; ampliação das discussões sobre políticas
d) roda de conversa “Educação para as relações afirmativas raciais, com alcance presencial total de
étnico-raciais” com a Profa. Tatiana Maria Moura; cerca de 700 (setecentos) pessoas da comunidade
e) conferência “Racismo Institucional e Direito”, interna e externa, e com alcance virtual, por meio da
com a Promotora de Justiça do Ministério Público do publicação da gravação de alguns eventos na rede
Estado da Bahia, Lívia Maria Santana e Sant’Anna; social Facebook, de cerca de 2000 (duas mil)
f) roda de conversa “As Comissões de Verificação pessoas; aprimoramento da compreensão acerca dos
como Instrumento de Concretização das Cotas beneficiários das políticas afirmativas raciais, que
Raciais” com a Promotora de Justiça Lívia Maria devem ter como foco as pessoas socialmente
reconhecidas como negras e que apresentem

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características fenotípicas visíveis de uma pessoa experiências únicas de suma importância para a
negra. formação acadêmica e pessoal, através das
Todo esse debate, levou a discussão sobre a atividades desenvolvidas, tais como: rodas de
necessidade da criação de um Núcleo de Estudos conversa, palestra, oficina, conferência, participação
Étnico-Raciais de Catalão, como espaço de reflexão no espaço das profissões da Regional Catalão, entre
e pensamento para embasar e fortalecer as atividades outros.
de ensino, pesquisa e extensão acerca da temática A partir do desenvolvimento deste projeto de
racial na UFG/RC; pois entende-se que deve ser extensão, abriu-se caminhos para projetos de
discutida a efetiva inclusão, permanência e iniciação científica e ampliação da discussão da
acompanhamento do público-alvo das cotas raciais, questão racial no desenvolvimento dos estágios
uma vez que o contato com a realidade dos curriculares obrigatórios supervisionados.
estudantes cotistas permitiu a percepção da difícil
realidade financeira à qual estão submetidos, sendo AGRADECIMENTOS
fundamental a criação de uma Secretaria de Inclusão,
Permanência e Acompanhamento.
A compreensão da mister criação de uma Pró- Agradecemos ao Thimóteo Pereira Cruz, que
Reitoria de Direitos Humanos e Diversidade, ou acreditou neste Projeto de extensão, dando início ao
órgão similar, na estrutura da Universidade Federal mesmo.
de Catalão, que abrigaria as Secretarias de Políticas Agradecemos todos os membros da Comissão de
Afirmativas Raciais (atual Comissão de Heteroidentificação/RC pela parceria.
Heteroidentificação), de Inclusão, Permanência e Agradecemos a Coordenação de Extensão e
Acompanhamento, de Acessibilidade (atual Núcleo Cultura/RC pela bolsa PROBEC.
de Acessibilidade), e de Direitos Humanos (atual Agradecemos à Direção/RC por fomentar
Comissão de Assédio); pois teria-se um lugar para financeiramente todos os eventos promovidos
discutir a questão jurídica das cotas raciais, sendo um durante o desenvolvimento do projeto.
espaço formativo em favor das políticas de cotas
raciais na Regional Catalão. REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012.


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e
O projeto de extensão desenvolvido nos nas instituições federais de ensino técnico de nível
proporcionou vivenciar o tripé que move a médio e dá outras providências. Diário Oficial [da
universidade pública e gratuita, a saber: ensino, República Federativa do Brasil], Brasília, 30 ago.
pesquisa e extensão. Essa extensão universitária 2012.
possibilitou o compartilhamento, com o público
interno e externo, do conhecimento adquirido por RESPONSABILIDADE AUTORAL
meio do ensino e da pesquisa desenvolvidos também
na instituição, servindo como instrumento de Os autores são os únicos responsáveis pelo conteúdo
inserção social, aproximando a academia das deste trabalho.
comunidades adjacentes. Outra função importante
que esse projeto proporcionou, que também é uma
função social da Universidade, foi de discutir e
articular políticas públicas por meio da participação
e organização de eventos.
Dessa forma, entendemos que as atividades e
objetivos deste projeto foram realizadas e alcançadas
a contento.
Contudo, ainda, não foi possível realizar
algumas atividades em sua totalidade, como visita
em todas as escolas públicas da educação básica e
em comunidades indígenas e quilombolas de Catalão
e região, devido a contratempos, sobrecarga de
atividades e disponibilidade orçamentária.
Apesar de existir limitações e desafios, as ações
executadas possibilitaram experiências com grande
aquisição de conhecimentos acerca das questões
étnico-raciais. A partir das atividades desenvolvidas
através do projeto de extensão, vivenciamos

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A IMPLANTAÇÃO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES EM SAÚDE NA ATENÇÃO BÁSICA DO
MUNICÍPIO DE CATALÃO - GO
Pilger, Calíope, cpilger@ufg.br¹
Serrano Da Silva, Deisiane, deisianeserrano@gmail.com¹
Mota, Jéssica Lopes¹
Silva, Eduardo Viana¹

¹Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia

Resumo: Como instituído pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), a
implantação das PICS é de extrema importância para a Saúde Pública e para a qualidade de vida da população,
tendo em vista, que visa o fortalecimento e a implementação das práticas no Sistema Único de Saúde e incentiva
o desenvolvimento de estratégias que visam capacitar os profissionais da Rede de saúde para atender usuários
do sistema. O objetivo do presente trabalho é descrever a experiência da implantação das PICS na Atenção Básica
do município de Catalão - GO e os desafios e dificuldades encontrados neste percurso. Esta implantação teve
início com a sensibilização de acadêmicos e profissionais da Universidade Federal de Goiás - Regional Catalão,
junto a Liga Acadêmica de PICS (LAPIC), que possibilitou abertura e desenvolvimentos de projetos de extensão,
pesquisa e outros programas como o PET - Saúde. Após este período percebe-se que é de extrema importância
que profissionais tenham conhecimento sobre as PICS e as políticas que a regem, tanto para buscar insumos que
auxiliem a implantá-las nos serviços, quanto para obterem apoio dos gestores de saúde. A coparticipação Inter
setorial também é relevante para o cumprimento da política, pois auxilia os profissionais da saúde a alcançarem
os objetivos propostos.

Palavras-chave: Práticas Integrativas e Complementares. Saúde Pública. Unidade Básica de Saúde. Sistema
Único de Saúde, Políticas de Saúde.

___________________________________________________________________________

complementares (PIC). Essa


1. INTRODUÇÃO denominação difundiu-se
desde a aprovação da Política
As Práticas Integrativas e Complementares em Nacional de Práticas
Saúde (PICS) são definidas como tratamentos de Integrativas e Complementares
saúde complementares e terapêuticos, baseados em (PNPIC), em 2006, na qual se
saberes populares e científicos. Tais práticas são incluem, em seu escopo: a
utilizadas para promoção da saúde, prevenção de medicina tradicional chinesa
agravos e tratamento de doenças crônicas não (sobretudo, a acupuntura),
transmissíveis ou cuidados paliativos (BRASIL, homeopática e antroposófica,
2019). A Organização Mundial de Saúde (OMS) as plantas medicinais
denomina como Medicinas (fitoterapia) e o termalismo
Tradicionais/Complementares e Alternativas: social (crenoterapia) (LIMA;
(LIMA; SILVA; TESSER, 2014) SILVA; TESSER, p.2, 2014).

Em 03 de maio de 2006, foi aprovado a Política


(...) o conjunto de práticas e
Nacional de Práticas Integrativas e Complementares
ações terapêuticas que não
(PNPIC), no Sistema Único de Saúde (SUS), por
estão presentes na
meio da portaria nº 971, em que carrega em suas
biomedicina. Na literatura,
diretrizes o fortalecimento e a implementação das
encontram-se diferentes
práticas no SUS, o incentivo para o desenvolvimento
denominações para as práticas
de estratégias que visam capacitar os profissionais da
terapêuticas, entretanto, no
Rede para atender usuários do sistema, divulgação
Brasil, usa-se a expressão
da oferta de atendimento, estímulo de ações Inter
práticas integrativas e
setoriais, além de fortalecer os princípios
organizacionais e doutrinários do SUS, incentivo a

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pesquisas relacionadas à temática, desenvolvimento Atenção Básica do município de Catalão - GO e os
de ações que acompanhem e avaliem a terapia desafios e dificuldades encontrados neste percurso.
ofertada, entre outros (BRASIL, 2006). Hoje no
SUS estão regulamentadas 29 práticas, reconhecidas 2. METODOLOGIA
por meio das Portarias nº 702 (Brasil; 2018) e nº 849
(Brasil; 2017), como: Acupuntura, Apiterapia, O presente trabalho trata-se de um relato de
Aromaterapia, Arteterapia, Ayurveda, Biodança, experiência sobre o processo de implantação das
Bioenergética, Constelação Familiar, Cromoterapia, PICs na Atenção Básica do município de Catalão -
Dança Circular, Geoterapia, Hipnoterapia, GO. De acordo com o Instituto Brasileiro de
Homeopatia, Imposição de Mãos, Medicina Geografia e Estatística (IBGE), o município de
Antroposófica/Antroposofia aplicada à saúde, Catalão - GO, localizado no sudeste goiano, faz parte
Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, da macrorregião Centro Sudeste e região de saúde
Ozonioterapia, Fitoterapia, Quiropraxia, Estrada de Ferro, apresenta uma população estimada
Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia (2018) de 106.618 pessoas com taxa de mortalidade
Comunitária Integrativa, Terapia de Florais, de 9.47 para 1.000 nascidos vivos e internação por
Crenoterapia e Yoga (BRASIL, 2019). diarreia de 0.7 para cada 1.000 habitantes (IBGE,
Com a instituição das PICS no âmbito do SUS, 2017). No quesito de Atenção Básica, conta com 14
novas e importantes ferramentas para o cuidar foram UBS.
agregadas à promoção da saúde, prevenção de A implantação das PICS no município de
agravos e reabilitação, estendo à população serviços Catalão teve início com a sensibilização de
terapêuticos que antes só eram disponibilizados em acadêmicos e profissionais da Universidade Federal
instituições privadas. A humanização, cuidado de Goiás - Regional Catalão, junto a Liga Acadêmica
integral e multidisciplinar também obteve melhora de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde
nesse quesito. (AZEVEDO et. al, 2019). (LAPIC). Estes, com apoio das EAB, iniciaram o
De acordo com Reis, Esteves & Greco (2018), processo de implementação das PICS, apresentando
diversos são os problemas que dificultam a vivências de práticas em primeiro momento.
implantação das PICS no SUS, como: “Os desafios Após estas vivências, ampliação do
atuais estão nos entraves relacionados a pouca conhecimento e divulgação das PICS, no ano de
formação profissional, má gestão do Sistema e 2018 o Reiki, foi inserido na Unidade Básica de
concepções enraizadas na medicina alopática, que Saúde da Família (UBSF) CAIC, este processo
permanecem e dificultam a ampliação das PICs no iniciou por meio de reuniões com a Equipe de Saúde
país (REIS; ESTEVES; GRECO, p. 361, 2018)”. da UBSF, para discutirem sobre a implantação da
Como estratégia para sanar diversos problemas PNPIC no serviço, e explicação sobre esta prática.
encontrados na Atenção Básica, incluindo a Após a sensibilização da equipe sobre a
dificuldade para implantação das PICS, foi criado importância da implantação da PNPIC e do Reiki,
em 2011 o Programa Nacional de Melhoria do iniciou-se os atendimentos aos funcionários da
Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ- UBSF, com aplicação desta técnica, por intermédio
AB), que visa incentivar a melhoria e a qualidade dos de estudantes, voluntários e capacitados, do curso de
serviços e seus gestores, além de estratégias para Enfermagem, além de participantes da LAPIC, que
qualificar, acompanhar e avaliar os serviços se disponibilizaram em participar deste processo. As
prestados pelas Equipes da Atenção Básica (EAB), sessões eram realizadas uma vez por semana, com
oferecendo gratificações condizentes com o duração de 30 a 40 minutos. Após a sensibilização
desempenho da (EAB) (LOSSO; FREITAS, 2017). dos funcionários, a médica da Unidade passou a
Em conformidade aos fatos expostos, pode ser prescrever a terapia aos idosos do grupo de
evidenciado que a implantação das PICS é de convivência da terceira idade. Em seguida as
extrema importância para a Saúde Pública e para a prescrições foram destinadas às demais faixas
qualidade de vida da população, contribuindo etárias, com foco em pacientes com depressão,
grandemente com suas terapias e tratamentos na insônia, ansiedade ou Hipertensão.
porta de entrada para o SUS, por intermédio da Também foram realizadas vivências de
Atenção Básica. Portanto, é de extrema importância automassagem, relaxamento com imagem guiada,
que profissionais e estudantes da área das Ciências dança circular e discussões sobre as plantas
da Saúde, além de terapeutas holísticos, influenciem, medicinais nos grupos de saúde da UBS.
apoiem e acompanhem este processo de
implementação das PICS no âmbito do SUS. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Diante deste contexto, surgiu o interesse em
realizar este trabalho que possui como objetivo é Após a implantação das PICS na Unidade
descrever a experiência da implantação das PICs na Básica de Saúde da Família (UBSF) CAIC, outras
Unidades do município manifestaram interesse em

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participar do processo. O segundo local a receber a ver os problemas mundiais de
implantação das PICS foi a UBSF Albino da Silva escassez de recursos,
Barbosa, onde iniciou-se o atendimento das terapias desemprego, guerras, meio-
Reiki, Auriculoterapia, Automassagem e Dança ambiente, nos quais as
Circular. organizações governamentais
O Reiki consiste em uma prática de imposição se mostram incapazes de
de mãos, terapêutica, que promove o equilíbrio sozinhas resolverem.
energético, bem-estar físico e mental por meio da Atualmente é imprescindível o
canalização da energia vital universal. A dança planejamento, a execução e a
circular, é uma prática que geralmente acontece em avaliação de uma política
grupo e em roda, inspirada em diversas culturas do públicas em termos de
mundo, com o intuito de ofertar a promoção e efetividade e eficiência nos
integração humana, a fim de gerar bem-estar físico, mecanismos de controle social,
mental, emocional e social, através dos passos que pode ser potencializado na
sincronizados entre os participantes, melodias e medida em que se
movimentos que variam entre delicados e profundos compartilham saberes,
(BRASIL, 2019). conhecimentos, técnicas e
A Auriculoterapia é descrita como uma terapia experiências de forma
que visa obter o alívio/tratamento de dores por integrada. As políticas sociais
causas adversas, físicas ou psicológicas, com a públicas necessitam atender os
estimulação de pontos específicos com sementes de pressupostos da
mostarda, objetos metálicos, magnéticos ou agulhas. intersetorialidade e da
A automassagem é uma terapia auto-realizada, pela descentralização em
própria pessoa, com a finalidade de aumentar a colaboração com a sociedade
circulação e equilíbrio de energia em um ponto para a construção de
específico ou em todo o corpo, resultando em estratégias comuns para a
benefícios ou restabelecimento para a saúde resolução dos problemas
(COFFITO, 2017). sociais que afetam a todos
No dia 6 de maio de 2019, a Liga Acadêmica de (CUSTÓDIO; SILVA, p. 14,
Práticas Integrativas e Complementares (LAPIC), 2015).
juntamente com o departamento de Enfermagem da
Universidade Federal de Goiás - Regional Catalão, Por meio da implantação das PICS na UBSF
Programa de Educação para o Trabalho em Saúde CAIC, pode ser explicitado que um dos principais
(PET Saúde) e Secretaria Municipal de Saúde, motivos de tais práticas serem pouco difundidas, se
realizaram o I Fórum de Práticas Integrativas e dá pelo desconhecimento da PNPIC e pela falta de
Complementares em Saúde: Desafios e articulação com os gestores, seja ele a nível
Potencialidades para Implantação das PICS nos municipal, estadual ou federal, além da escassez de
serviços do Município. Este evento, fruto da profissionais formados na área de atuação das PICS
implantação realizada na UBSF CAIC e do (ISCHKANIAN; PELICIONI, 2012).
movimento de inserção das PICs no município,
reuniu profissionais de diferentes UBS, além da 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
gestão municipal, com o intuito de discutir sobre a
importância das práticas no serviço, abordando os Diante do contexto, pautado em evidências
desafios e potencialidades deste processo e a científicas e políticas, pode ser evidenciado que a
parceria multidisciplinar e interprofissional entre a não implantação da PNPIC no SUS retrata uma
universidade, discentes voluntários e bolsistas, liga grande fronteira em saúde, no quesito terapêutico e
acadêmica, projetos de extensão, Secretaria biológico, pois subtrai ferramentas que fortalecem a
Municipal e serviços de saúde da comunidade. autonomia e o bem-estar do paciente e promovem
A busca de parcerias Inter setoriais é de extrema sua saúde. Portanto, é de extrema importância que os
importância na implementação de Políticas Públicas profissionais tenham conhecimento sobre as PICs e
na Sociedade Contemporânea, pois não é tão válido as políticas que a regem, tanto para buscar insumos
atribuir as dificuldades e falta de efetivação de tais que auxiliem a implantá-las no serviço, quanto para
políticas apenas aos governantes ou órgãos públicos, obterem apoio dos gestores de saúde.
como descreve Custódio e Silva (2015): Assim, o presente trabalho demonstra como se
iniciou a implantação das PICS na Atenção Básica
Atribuir toda responsabilidade do município de Catalão - GO, os desafios,
aos agentes governamentais é dificuldades e possíveis soluções para resolubilidade
uma ideia já fragilizada, basta dos problemas encontrados. A parceria entre a

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Universidade e os serviços de saúde do município GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. Métodos de
resultou também em organização e apoio da gestão pesquisa. Porto Alegre: Editora da UFRGS, p.114,
para capacitação de servidores da rede em práticas 2009.
como Reiki, Auriculoterapia, Automassagem e IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e
Massagem shantala. Logo, a coparticipação Inter Estatística. Panorama do município de Catalão -
setorial, e de outros setores da sociedade proveram GO. 2017. Disponível em:
benefícios aos usuários do SUS e comunidade. https://cidades.ibge.gov.br/brasil/go/catalao/panora
ma.
REFERÊNCIAS ISCHKANIAN, P. C.; PELICIONI, M. C. F.
DESAFIOS DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
AZEVEDO, C. et al. Práticas integrativas e COMPLEMENTARES NO SUS VISANDO A
complementares no âmbito da enfermagem: PROMOÇÃO DA SAÚDE. Rev Brasileira de
aspectos legais e panorama acadêmico-assistencial. Crescimento Desenvolvimento Humano, São
Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 23, n. 2, 2019. Paulo, v. 1, n. 22, p.233-238, dez. 2012.
Disponível em: LIMA, K. M. S. V.; SILVA, K. L.; TESSER, C. D.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext& Práticas integrativas e complementares e relação
pid=S1414- com promoção da saúde: experiência de um serviço
81452019000200226&lng=en&nrm=iso. municipal de saúde. Interface - Comunicação,
BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Saúde, Educação, v. 18, n. 49, p.261-272, 10 mar.
Ministro. Portaria nº 849, de 27 de março de 2017. 2014.
Inclui a Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança LOSSO, L. N.; FREITAS, S. F. T. Avaliação do
Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, grau da implantação das práticas integrativas e
Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, complementares na Atenção Básica em Santa
Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga à Catarina, Brasil. Saúde em Debate, v. 41, n. 3,
Política Nacional de Práticas Integrativas e p.171-187, set. 2017.
Complementares. Diário Oficial da União, REIS, B. O.; ESTEVES, L. R.; GRECO, R. M.
Brasília, DF, 27 mar. 2018. AVANÇOS E DESAFIOS PARA A
______. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. IMPLEMENTAÇÃO DAS PRÁTICAS
Portaria nº 702, de 21 de março de 2018. Altera a INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES NO
Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de BRASIL. Rev. Aps., Juíz de Fora, v. 3, n. 21,
setembro de 2017, para incluir novas práticas na p.355-364, set. 2018.
Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares - PNPIC. Diário Oficial da RESPONSABILIDADE AUTORAL
União, Brasília, DF, 21 mar. 2018, Seção 1, p. 74. “Os autores são os únicos responsáveis pelo
______. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. conteúdo deste trabalho”.
Portaria nº 971, de 03 de maio de 2006. Aprova a
Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares (PNPIC) no Sistema Único de
Saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06
mar. 2006. p. 64.
______. Práticas Integrativas e Complementares
(PICS): quais são e para que servem. Disponível
em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/praticas-
integrativas-e-complementares. Acesso em: 19 ago.
2019.
COFFITO, CONSELHO FEDERAL DE
FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL.
Ministério da Saúde amplia oferta de PICS:
arteterapia, Quiropraxia e Osteopatia são incluídas
nas Práticas Integrativas e Complementares. 2017.
Disponível em:
https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=6267.
CUSTÓDIO, A. V.; SILVA, C. R. C. A
intersetorialidade nas políticas sociais públicas.
Seminário Nacional Demandas Sociais e
Políticas Públicas na Sociedade Contemporânea,
2015.

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O PAPEL DA LIGA ACADÊMICA DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
DO PROJETO REIKI NA UNIVERSIDADE NA VIDA DOS
ESTUDANTES

Pilger, Calíope, cpilger@ufg.br1


Silva, Eduardo Viana da, eduardovianaufg@gmail.com1
Pereira, Nayline Martins¹
Serrano da Silva, Deisiane¹
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia

Resumo: No processo de graduação em uma universidade várias são as mudanças que acontecem na vida do
estudante acarretando em uma diminuição em sua qualidade de vida e surgimento de estresse e ansiedade. As
práticas Integrativas e Complementares em saúde são recursos terapêuticos importantes para a promoção da
saúde e prevenção de doenças, e podem contribuir positivamente na vida dos estudantes. Este relato de
experiência tem como objetivo relatar a experiência frente às atividades desenvolvidas pela Liga Acadêmica
de Práticas Integrativas e Complementares- LAPIC e pelo projeto Reiki na Universidade ofertado pelo curso
de enfermagem da Universidade Federal de Goiás - Regional Catalão (UFG-RC) no período de 2016-2019.
Os resultados demonstram a integração entre os indivíduos, a produção do conhecimento interdisciplinar, o
benefício por parte dos estudantes em participar dessas atividades e o fortalecimento das ações de extensão
entre universidade e comunidade.

Palavras-chave: Terapias Complementares. Universidades. Estudantes. Qualidade de Vida.

________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO Complementares – LAPIC. A qual iniciou em 2014,


e oferece atividades e vivências práticas das PICs.
Os alunos durante a graduação possuem uma As Práticas Integrativas e Complementares em
vida movimentada pela quantidade de obrigações a saúde (PICs) tema de estudo da liga supracitada e
serem cumpridas. Dessa forma estão sujeitos ao utilizada no processo de cuidar oportunizado pela
esgotamento físico e emocional, sendo que a mesma por meio de suas atividades, se fundamentam
adequação dessa rotina é particular de cada na medicina de povos antigos, como a medicina
estudante. Essas condições influenciam de forma tradicional chinesa e a medicina antroposófica
desfavorável na qualidade de vida dos alunos, sendo (BRASIL, 2006). No Brasil, essas práticas são
um gatilho para o aparecimento do estresse reconhecidas pelo Ministério da Saúde e
(BORINE; WANDERLEY; BASSITT, 2015). regulamentadas pela Política Nacional de Práticas
Uma das possibilidades de atividades que Integrativas e Complementares (PNPIC) publicada
interagem com os estudantes e proporcionam em 2006, além da Portaria N° 849, de 27 de março
ambientes de troca de conhecimentos e experiências de 2017 e da Portaria N° 702, de 21 de março de
dentro da universidade são as Ligas Acadêmicas que 2018 que acrescentam novas práticas no contexto do
abrangem ensino, extensão e pesquisa, onde são Sistema Único de Saúde (SUS).
realizadas aulas, discussões, atividades práticas, etc. Entre as PICs, mais estudadas e presentes na
(TEDESCHI et al., 2018). Estudantes que estão academia e serviços de saúde, em especial na
inseridos em atividades extracurriculares como a atenção primária, está o Reiki. Esta é uma prática
liga acadêmica, possuem melhor chance de terapêutica que visa restaurar o equilíbrio energético,
desenvolver seus conhecimentos teóricos e práticos, e se fundamenta no princípio da energia vital e da
refletindo em sua futura atuação profissional harmonização do corpo, mente e espírito de uma
(SOUZA; NOGUCHI; ALVARES, 2019). forma integrada. A realização da técnica “auxilia no
Há Ligas Acadêmicas de diversas temáticas, na estresse, depressão, ansiedade, promove o equilíbrio
UFG – Regional Catalão. Em especial o curso de da energia vital” (BRASIL, 2017).
enfermagem, possui duas ligas, dentre elas a Liga O Reiki tem seu fundamento no sistema de
Acadêmica de Práticas Integrativas e autorresponsabilidade conscientizando o indivíduo
pela sua própria saúde, e contando com a

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participação ativa do mesmo nesse processo. Essa Universidade. Os encontros são capazes de ampliar
terapia oferece ao indivíduo energia suficiente para o o conhecimento dos envolvidos, posto que são
reequilíbrio do corpo, da mente e das emoções pautados em fundamentação teórica e prática.
(SALOMÉ, 2009). Mediante a vivência prática com algumas das PICs
Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é durante as atividades, é possível conhecer melhor o
relatar a experiência frente às atividades outro e a si além, de ter um momento de
desenvolvidas pela LAPIC e pelo projeto Reiki na autocuidado.
Universidade ofertadas pelo curso de Enfermagem As PICs e a relação com o autocuidado tem a
da Universidade Federal de Goiás - Regional capacidade de promover um novo significado nas
Catalão (UFG-RC) no período de 2016-2019. pessoas perante o cuidado, estimulando a construção
de bem-estar, qualidade de vida, sociabilidade e
2. METODOLOGIA experiências compartilhadas (GOMES, 2018).
A universidade em seu papel com a sociedade,
Trata-se de um relato de experiência referente às às vezes é reduzida a campos de estágio e atividades
atividades desenvolvidas pela LAPIC via projeto assistenciais, ainda assim dispõe capacidade para
Reiki na Universidade no período de 2016-2019. modificar o meio social formando profissionais
O relato de experiência é um método científico capazes de planejar atividades que alterem
utilizado para descrever experiências profissionais, positivamente na qualidade de vida dos cidadãos.
tendo o intuito de promover o conhecimento de Dessa forma, as ações extensionistas tem o
determinada categoria profissional (LAKATOS; papel de aprimorar a atuação de estudantes e
MARCONI, 2010). docentes, no que tange a integração entre
A LAPIC originou-se por meio do interesse dos universidade e comunidade (FERNANDES et al.,
acadêmicos do curso de Enfermagem e de docentes, 2012). Dito isto, notório o mérito da extensão
no ano de 2014, a partir de uma Oficina de universitária isto posto, importância das ações da
Automassagem na Semana da Calourada. O objetivo LAPIC e do projeto Reiki na Universidade, onde
da liga é difundir o conhecimento das PICs entre os ambos favorecem essa ponte entre universidade e
estudantes, professores, profissionais da saúde, e comunidade.
para toda população, com intuito de proporcionar o A Liga é composta por estudantes e docentes de
crescimento e visibilidade de outras ferramentas do cursos e formações distintas, além dos participantes
cuidado e autocuidado. da comunidade externa. Isso resulta em atividades
As atividades da LAPIC acontecem na UFG-RC interdisciplinares e interprofissionais em razão da
de forma quinzenal e são abertas à comunidade construção conjunta do conhecimento entre pessoas
acadêmica e comunidade externa. Nos encontros são de várias áreas que se assemelham em prol da
desenvolvidas discussões teóricas, em seguida mesma finalidade (BONFIM et al., 2015), neste caso
vivências práticas. As atividades são desenvolvidas em especifico, as PICs.
pelos próprios integrantes da liga e contam com a As PICs surgem como aporte para a Promoção
participação de convidados especiais e externos de da Saúde favorecendo que o indivíduo seja
acordo com cada proposta. Além disso, a mesma encarregado pela sua própria saúde, procurando a
desenvolve trabalhos de ensino e extensão abertos à harmonia entre corpo, mente e espírito
comunidade, sendo realizados em creches, escolas, (MONTEIRO, 2012). O Reiki como uma dessas
serviços de saúde e eventos sociais. práticas promove diversos benefícios para a saúde,
O projeto Reiki na Universidade, sendo um dos de forma integral.
projetos da liga, acontece na UFG-RC desde o ano Um estudo feito por Freitag, Andrade e Badke
2016. Trata-se de um projeto de extensão com o (2015), constatou que o Reiki teve efeito positivo na
objetivo de oferecer Reiki aos estudantes, diminuição da ansiedade e na intensidade de dor.
funcionários e pessoas da comunidade externa. Os Outro estudo realizado por Kurebayashi e
horários de atendimento variam de acordo com cada colaboradores (2016), demonstrou o efeito da
semestre acadêmico. Os participantes da LAPIC associação do Reiki com a Massagem, tendo como
recebem a capacitação em algumas práticas, resultado a diminuição dos níveis de estresse e da
incluindo o Reiki, desta maneira podendo atuar de ansiedade. Um estudo mais recente feito por Freitag
forma ativa e efetiva no projeto. e colaboradores (2019), evidenciaram que o Reiki
promove melhora da melhoria na capacidade de
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO concentração e memória, além de estimular a
autorreflexão.
Identificou-se durante a experiência uma No ambiente acadêmico as transformações
integração entre estudantes, professores e físicas, mentais, sociais contribuem provavelmente
comunidade durante as atividades desenvolvidas para o comprometimento da saúde mental. Sendo
pela LAPIC, assim como no projeto Reiki na assim, os acadêmicos são considerados grupo de

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risco para desenvolver ansiedade (SILVA et al., BORINE, R. C. C.; WANDERLEY, K. S.;
2018). BASSITT, D. P. Relação entre a qualidade de vida e
Isto posto, a LAPIC e o projeto Reiki na o estresse em acadêmicos da área da saúde. Est.
Universidade são vistos como ferramentas que Inter. Psicol., v. 6, n. 1, p. 100-118, 2015.
auxiliam nesse processo, pois de acordo com relato BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do
dos participantes os projetos promovem bem-estar, Ministro. PORTARIA N° 702, DE 21 DE MARÇO
relaxamento e melhora a qualidade de vida. DE 2018. Altera a Portaria de Consolidação nº
Além das atividades práticas e vivenciais destes 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para incluir
projetos, resultaram pesquisas científicas, com novas práticas na Política Nacional de Práticas
delineamento experimental (ensaio clínico) e quase Integrativas e Complementares - PNPIC. Diário
experimental (pesquisa de intervenção) como “O Oficial da União. Brasília, 21 mar. 2018.
efeito do Reiki na ansiedade de acadêmicos de _____. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro.
enfermagem”, e “Efeito no Reiki na qualidade de PORTARIA N° 849, DE 27 DE MARÇO DE 2017.
vida e ansiedade de acadêmicos e funcionários de Inclui a Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança
uma Universidade Federal”. O que fomenta a Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia,
importância da extensão para o suscitar problemas Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki,
de pesquisa, e evidenciar os achados. Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga à
A essência da universidade está na relação Política Nacional de Práticas Integrativas e
ensino-pesquisa-extensão. Quando ocorrer a Complementares. Diário Oficial da União. Brasília,
dissociação entre essas vertentes a universidade 27 mar. 2017.
estará debilitada, posto que o ensino e a pesquisa são _____. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro.
componentes que quando atuam de forma conjunta, PORTARIA N° 971, DE 21 DE MARÇO DE 2006.
ampliam de maneira perceptível a formação do Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e
conhecimento (SLEUTJES, 1999). São poucas as Complementares (PNPIC) no Sistema Único de
universidades no Brasil direcionadas para o ensino e Saúde. Diário Oficial da União. Brasília, 03 mai.
pesquisa. Essa associação é adotada por 2006.
universidade que não tem como propósito o FERNANDES, M. C. et al. Universidade e a
atendimento às demandas do mercado e as instâncias extensão universitária: a visão dos moradores das
da sociedade. comunidades circunvizinhas. Educ. rev., v. 28, n. 4,
p. 169-194, 2012.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS FREITAG, V. L.; ANDRADE, A. B.; ROSSATO,
M. O Reiki como forma terapêutica no cuidado à
Considera-se que as PICs podem e devem estar saúde: uma revisão narrativa da literatura.
inseridas em diversos contextos, incluindo a Enfermería Global, n. 38, p. 346-356, 2015.
universidade. Por meio de ligas e projetos é possível GOMES, T. D. Autocuidado e práticas
promover uma maior integração entre a comunidade integrativas e complementares. 2018. 140p.
acadêmica e externa e proporcionar trocas de Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual de
aprendizados e vivências por meio de ações Campinas, Faculdade de Ciências Médicas,
extramuros. Dessa maneira, a Universidade cumpre Campinas, SP. Disponível em:
o seu papel de ensino, pesquisa e extensão http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/33
promovendo práticas terapêuticas e de ensino em 1779/1/Gomes_ThaisDaCunha_M.pdf. Acesso em:
saúde para toda população, tendo como atores 25/08/2019.
principais os próprios estudantes e os membros da KUREBAYASHI, L. F. S. et al. Massagem e Reiki
comunidade. para redução de estresse e ansiedade: Ensaio Clínico
Mediante as ações da LAPIC e do projeto Reiki Randomizado. Rev. Latino-Am. Enfermagem, v.
na Universidade percebe-se a importância e o quanto 24, p. 1-8, 2016.
é possível difundir ações e ferramentas de cuidado, LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos
como as PICs, na universidade. E que esta possui um de metodologia científica. 7. ed. São Paulo: Atlas,
grande papel de transformação social, quebra de 2010.
paradigmas e de produção de ciência. MONTEIRO, M. M. S. Práticas Integrativas e
Complementares no Brasil – Revisão Sistemática.
REFERÊNCIAS 2012. 36 p. Monografia (Especialização em Gestão
de Sistemas e Serviços em Saúde) - Centro de
BONFIM, D. A. et al. A interdisciplinaridade, Pesquisas Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo
construção do conhecimento de do saber ambiental. Cruz, Recife. Disponível em:
REMEA, v. 32, n. 1, p. 344-357, 2015. http://www.cpqam.fiocruz.br/bibpdf/2012monteiro-
mms.pdf.

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PEREIRA, E. M. A. A universidade da pesquisa-extensão. RAP, v. 33, n. 3, p. 100-111,
modernidade nos tempos atuais. Avaliação 1999.
(Campinas), v. 14, n. 1, p. 29-52, 2009. SOUZA, A. S.; NOGUCHI, C. S.; ALVARES, L. B.
SALOMÉ, G. M. Sentimentos vivenciados pelos Uma nova possibilidade de construção do
profissionais de enfermagem que atuam em Unidade conhecimento em psicologia. Est. Inter. Psicol., v.
Terapia Intensiva após aplicação do Reiki. Saúde 4, n. 2, p. 237-251, 2019.
Coletiva, v. 6, n. 28, p. 54-58, 2009. TEDESCHI, L, T. et al. A experiência de uma Liga
SILVA, D. R. et al. Ansiedade em universitários: Acadêmica: impacto positivo no conhecimento sobre
fatores de risco associados e intervenções - uma trauma e emergência. Rev Col Bras Cir., v. 45, n. 1,
revisão crítica da literatura. Psicologia - Saberes & p. 1-8, 2018.
Práticas, n.2, v.1, p. 1-10, 2018.
SLEUTJES, M. H. S. C. Refletindo sobre os três RESPONSABILIDADE AUTORAL
pilares de sustentação das universidades: ensino-
“Os autores são os únicos responsáveis pelo
conteúdo deste trabalho”.

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BRINQUEDOTECA HOSPITALAR
Souza, Juliana Martins, jmartins@ufg.br1
Ferreira, Elaine Lara, elainelarad@gmail.com2
Silva, Letícia José, leticia-jsilva@hotmail.com2
Araujo, Debora Cristina, Araujodebora.psicologia@gmail.com2
Policeno, Natália Barbosa, nataliabpoliceno@gmail.com2
Santos, Rafaela Renero, rafaelarenero@hotmail.com2
Silva, Joyce Daiana Rodrigues, silva_joycedaiana_r@hotmail.com2
Quadros, Thainá Lessa, tlessa63@gmail.com2

1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia,
Curso de Enfermagem
2
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia,
Curso de Psicologia

Resumo: A brinquedoteca hospitalar tem como objetivo promover o lúdico, bem como humanizar a saúde. A
instalação da brinquedoteca no hospital faz com que a criança hospitalizada seja acolhida e tenha seus
sintomas aliviados, proporcionando a elas atenção, cuidado e diversão, além de proporcionar uma
socialização entre as crianças que se encontram internadas. O ato de brincar é fundamental para o
desenvolvimento infantil, quando hospitalizadas a criança afasta de suas atividades, no entanto a instalação
da brinquedoteca hospitalar é importante para que a criança continue suas atividades motoras e cognitivas. O
lúdico permite que a criança se expresse física e psicologicamente, e afasta da criança a atenção para a dor
que lhe incomoda, e retira a tensão do ambiente e o torna mais acolhedor e alegre, no entanto, o lúdico no
hospital é um processo que ajuda majoritariamente na recuperação da saúde da criança, como também da
família, pois os mesmos se sentem mal frente ao sofrimento da criança. Sendo importante que os pais
interajam com os filhos neste momento, através dos jogos e brincadeira para retirar a aflição que sentem e
essa aproximação permite bem-estar para ambos. A brinquedoteca hospitalar possui uma variedade de
brinquedos para que seja adequado a individualidade de cada criança, assim respeitando seus limites e
escolhas, valorizando a saúde, o brincar e a cidadania. A brincadeira no ambiente hospitalar traz para a
criança o prazer para a vida, minimizando seu sofrimento e resgatando sua identidade, seu sorriso.

Palavras-chave: Infância. Criança Hospitalizada. Brinquedoteca.

________________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO as outras, que são os mediadores. A função


mediadora pode ser exercida por qualquer pessoa
A infância é uma etapa fundamental para o próxima de uma criança, de forma a auxiliar naquilo
desenvolvimento global. Ao brincar, a criança que não se desenvolve espontaneamente. Desta
aprende, expressa sua realidade, organiza, constrói forma, ocorre a internalização do que é exterior,
significados que auxilia na constituição de si. ensinando-a a compreender os valores, situações,
Piaget (1974) diz que os jogos não são apenas regras e modos de pensar. As maiores aquisições de
uma forma de desafogo ou entretenimento para uma criança são conseguidas no brinquedo,
gastar energia das crianças, mas meios que aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível
contribuem e enriquecem o desenvolvimento básico de ação real e moralidade (VYGOTSKY,
intelectual. A brincadeira seria uma ação espontânea 1989). Assim, a brincadeira, seja com um objeto, ou
que parte da vontade da criança. Neste sentido, é por não, funciona como um meio de comunicação da
intermédio do brincar que ocorre o processo de criança com o mundo e seus familiares.
assimilação do mundo, promovendo o Consequentemente, se a criança é impossibilitada do
desenvolvimento físico, cognitivo, intelectual, ato de brincar, pode entrar em um processo
afetivo, social e motor. Conversar com a boneca, regressão, o que afeta todo seu desenvolvimento e
brincar de médico, imitar bichos, se fantasiar, são sua conduta. Uma vez que a brincadeira é
brincadeiras de grande intensidade afetiva. Assim compreendida como parte essencial do
que as brincadeiras vão se aproximando mais do real desenvolvimento infantil, faz se necessário
(a partir de quatro anos), o símbolo começa a incentivá-la nas mais diferentes situações.
representar a realidade, imitando-a: a criança cria Diante disso, vê-se a relevância do brincar
histórias nas quais há grande preocupação em seguir enquanto uma das atividades essenciais para o
a sequência que ela conhece na sua realidade. desenvolvimento físico, emocional e social da
Portanto, não se trata apenas da manipulação de criança. Nesse aspecto, a utilização do lúdico no
objetos, mas também da representação mental das contexto hospitalar, como ferramenta de
crianças. enfrentamento do processo de internação, mostra-se
Freitas (1996) traz que, o conhecimento não é de grande valia. A hospitalização possui papel
construído pela pessoa sozinha, mas em parceria com importante na manutenção da saúde de crianças

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doentes, contudo, essa realidade provoca estresse e Enfermagem e Pedagogia. A equipe do projeto
sofrimento físico e emocional, que dificultam a objetiva inserir o brincar no contexto hospitalar.
adaptação a esse contexto. A internação modifica a O desenvolvimento das brincadeiras acontecem
dinâmica de vida da criança, visto que, além do em um espaço reorganizado na pediatria de um
sofrimento gerado pela doença, ela é afastada da hospital filantrópico do município que foi adaptado
família, da escola e dos seus objetos pessoais, para a realização das atividades e a interação entre as
podendo levar a perda das suas referências. Ademais, crianças. É incluso no ambiente mesas, cadeiras,
muitas crianças não conseguem verbalizar os televisão, 2 armários com brinquedos e decorações
sentimentos gerados pela internação e essa situação para deixar o espaço propício e adequado permitindo
pode criar ameaças, reais ou imaginárias, que são distrações para os pacientes.
expressas por meio de sentimentos como As atividades ocorrem de segunda a sábado no
agressividade, medo dos médicos, choro, dentre período matutino e vespertino, no horário de
outros. Frente a isso, o brincar é essencial para a 9h00min às 12h00min e 14h00min às 17h00min.Os
criança hospitalizada, uma vez que, auxilia na voluntários e bolsistas são divididos em uma escala
compreensão da internação e dos procedimentos, semanal, a fim de não comprometer outras atividades
amenizando o medo, a ansiedade e exercendo efeitos acadêmicas.
positivos sobre a recuperação do paciente (ANGELO A rotina é caracterizada por verificar no
e VIEIRA, 2010). prontuário o nome, idade, informações sobre a
Oliveira (1993) destaca que a criança doente saúde, as quais são essenciais para desenvolver
utiliza o brincar como uma forma de viver, o que brincadeiras. Antes de iniciar as atividades é
demonstra que as atividades lúdicas podem ter efeito realizada a limpeza do mobiliário, mesas e cadeiras
terapêutico, pois, é por meio das brincadeiras que a e em seguida é ofertado a cada criança a
criança expressa seus sentimentos frente a oportunidade de brincar, no leito ou no espaço da
enfermidade, tornando o brincar fundamental no brinquedoteca, respeitando seus limites e interesses,
processo de desenvolvimento emocional e utilizando brinquedos adequados para faixa etária.
psicológico que possibilita a restauração e Ao final da atividade é realizada a desinfecção dos
manutenção da saúde. O brincar para a criança brinquedos utilizados com álcool 70%. Ao finalizar
hospitalizada faz com que esta permanência se torne a atividade diária o brinquedo é recolhido e
menos hostil, demonstrando sua importância, higienizado, podendo ficar com a criança caso o
enquanto recurso que possibilita a criança o resgate brinquedo seja do armário que fica aberto e
da sua vida antes da internação além de favorecer a disponível para uso dos pacientes todo tempo de
sociabilidade e interação, melhorando a relação com internação, mas caso o brinquedo seja do armário
o profissional e com o atendimento prestado. que fica trancado, deve ser recolhido e deve manter
Castro & Almeida (2006) argumenta que o o controle dos brinquedos disponível no mesmo.
brinquedo é uma valiosa ferramenta de comunicação Como também, por fim, é registrado no caderno do
que possibilita a estimulação intelectual e o projeto o nome dos pacientes, idade, e quais
fortalecimento de laços afetivos, principalmente na brincadeiras foram desenvolvidas com cada criança,
relação entre o adulto e a criança. Dessa forma, o assim servindo como comunicação entre os
brincar é percebido como instrumento de adesão ao brinquedistas.
tratamento que por envolver diversos meios São realizadas quinzenalmente reuniões entre os
criativos, como a imaginação, propicia melhora no participantes do projeto, para discussões sobre o
ambiente hospitalar e a qualidade de vida da criança desenrolar das atividades e acontecimentos dentro
diante do tratamento influenciando de forma positiva do ambiente hospitalar, bem como, realização de
seu comportamento, desenvolvimento e reabilitação. discussões sobre temas pertinentes ao projeto e para
Desse modo, a brinquedoteca hospitalar surge como programar novas atividades para serem realizadas
espaço preparado à criança internada, tendo como nas datas comemorativas.
finalidade resgatar o brincar como elemento
essencial no processo de recuperação da criança. 2.1 Atividades Permanentes
Proporciona um ambiente mais acolhedor, seguro a
criança, preserva a saúde emocional, possibilita a
oportunidade de brincar, jogar, preparar a criança Por meio do brincar, a prática do projeto
para as situações novas e auxilia no seu intitulado “Brinquedoteca Hospitalar” efetiva a
desenvolvimento global (MELO e VALLE, 2010). garantia dos direitos humanos e a promoção dos
Visto a importância da brinquedoteca hospitalar, direitos da criança e do adolescente. O espaço
foi proposto o projeto de extensão intitulado destinado a Brinquedoteca Hospitalar objetiva a
“Brinquedoteca Hospitalar”. O objetivo deste contribuição para a prevenção e resiliência de
trabalho é descrever o funcionamento do projeto de situações. Assim, ao viabilizar a atividade lúdica, há
extensão “Brinquedoteca Hospitalar” e as atividades integração do tratamento de saúde com o sistema de
realizadas até o momento, compartilhando as garantia de direitos, possibilitando o melhor
vivências de acadêmicos da Universidade Federal de atendimento desta população.
Goiás/Regional Catalão (UFG/RC). Em prol do bem-estar e saúde das crianças e dos
integrantes do projeto, há cuidados pertinentes no
tocante à higienização no ambiente hospitalar que
2. METODOLOGIA incluem regras e práticas que visam o cuidado e a
prevenção da contaminação dos integrantes e dos
O projeto iniciou-se em 2014 e participam materiais relacionados ao processo lúdico. Portanto,
alunos da UFG - Catalão dos cursos de Psicologia, o registro das crianças/adolescentes, dos brinquedos

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usados e a higienização destes e das mesas do 2.2 Atividades Festivas
espaço com álcool etílico são atividades constantes
presentes no cotidiano da prática em questão. O projeto constitui-se enquanto um espaço lúdico
Nesse sentido, é indispensável o uso de calças e confortável diante a um ambiente que no
longas, sapatos fechados, cabelos presos, unhas imaginário infantil caracteriza-se como hostil,
curtas, nenhum acessório que possam alojar desconhecido, traumatizante e que inviabiliza a
bactérias e o uso dos aventais destinados vivência cotidiana. Assim, o brincar na
exclusivamente aos integrantes do projeto. Assim, a brinquedoteca hospitalar, possibilita à criança
manutenção e limpeza destes aventais também aceitação melhor as mudanças, criatividade e
constituem enquanto atividade permanente da representação de suas experiências com relação ao
brinquedoteca. seu adoecimento (MELO e VALLE, 2010).
Ademais, vale ressaltar que além das limpezas e Em convergência com a proposta do projeto, a
higienizações diárias dos brinquedos e instalações da realização de comemorações de datas festivas, tais
brinquedoteca (mesas e cadeiras), deve ocorrer como o natal, a páscoa, festas juninas e dia das
semanalmente a limpeza terminal, ou seja, todos os crianças, proporcionam para além do enfrentamento
brinquedos, mesmo os não utilizados no dia em de situações de adoecimento, dor, doença, a
questão, devem ser higienizados. No entanto, este é socialização, a integração e confraternização de
um fator importante a ser discutido uma vez que, crianças e adolescentes.
seja em função da quantidade de membros do Em decorrência de diversas ordens e fatores, os
projeto, por diversos fatores e circunstâncias, é discentes e docentes participantes do projeto
cabível a nem todas as semanas a limpeza terminal é “Brinquedoteca Hospitalar” realizaram apenas um
efetivada. evento festivo no ano de 2018, a semana da criança.
No que se refere à disposição e organização dos Dentre tais ocorrências, destaca-se o calendário
brinquedos pertencentes à brinquedoteca, há dois letivo do ano de 2018 da UFG/RC que compromete
armários destinados a tais: o intitulado “armário maiores transições dos envolvidos na brinquedoteca
branco” dispõe de brinquedos para uso dos usuários e impossibilita ações festivas efetivas.
do serviço de saúde sem que necessariamente Contudo, as comemorações festivas da semana
integrantes do projeto esteja em atividade; o da criança foram organizadas pelos integrantes e
“armário cinza”, no entanto, possui cadeado e os contou também com a participação das crianças não
brinquedos deste são administrados pelos hospitalizadas, filhos dos funcionários do hospital.
integrantes, a fim de organização e de não danificá- Ao compor as atividades, os colaboradores
los. procuraram integrar junto às crianças a
A catalogação e classificação dos itens do acessibilidade, a socialização e o contexto social
“armário cinza” foram alteradas de uma envolvido.
organização que prioriza as idades destinadas a cada Nesse sentido, a atividade foi dividida em grupos
brinquedo para uma organização que integra todo e matutinos e vespertinos ao longo de toda a semana,
qualquer brinquedo, já que se acredita que estes são entre os dias 01/10/2018 à 06/10/2018, devido ao
para qualquer idade, ao qual, o brinquedista irá feriado na data comemorativa, o evento foi realizado
auxiliar no momento lúdico, não se limitando o na semana anterior. Assim, o cronograma foi
brincar. composto por gincanas, oficinas de desenhos e
Os brinquedos são classificados considerando massinhas, cantinho da leitura, cine pipoca, oficina
suas peças de fácil remoção ou não e o seu manuseio de música, caça ao tesouro e cirandas, nos
de diversas maneiras possíveis. Além disso, em caracterizamos com máscaras, chapéus e pinturas
função do acesso rápido aos brinquedos e pela nos rostos.
facilidade de locomoção, a organização do “armário É cabível ressaltar que todos os materiais usados
cinza” é realizada através de caixas transparentes, foram provenientes de doações ou confeccionados
com tampas coloridas que indicam a classificação de pelos próprios responsáveis pelas atividades
cada qual. envolvidas. Além disso, os mesmos foram
Evidencia ainda, entre as atividades responsáveis pela decoração no local destinado a
desenvolvidas no projeto as reuniões periódicas com brinquedoteca e pediatria na tentativa de
os brinquedistas e coordenadoras. Os encontros têm proporcionar um espaço descontraído e divertido, na
como objetivo o acompanhamento das ações medida em que no imaginário infantil, o ambiente
realizadas, a proposta de mudanças e melhorias caso hospitalar é definido um lugar que acolhe com uma
seja necessária. O projeto desenvolve ainda, o grupo forma mais prazerosa, possibilitando a permanência
de estudo interdisciplinar sobre o brincar de forma menos angustiante longe de suas casas, brinquedos,
ativa, com a participação de todos os brinquedistas, em um momento de sofrimento e dor.
em que propôs discutir sobre temáticas em relação
aos desafios e possibilidades encontrados na 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
dinâmica da prática e no ambiente hospitalar,
buscando estratégias que compreende os objetivos No período de agosto de 2018 a julho de 2019,
da brinquedoteca hospitalar integrando a equipe foram atendidas aproximadamente 650 crianças. As
multiprofissional do hospital, criança hospitalizada e faixas etárias predominantes foram os infantes de 1 a
família. 3 anos, pré-escolares de 3 a 5 anos e escolares de 7 a
13 anos, com predominância dos diagnósticos
médicos: febre, pneumonia, infecção, fraturas,
dengue, virose. Os brinquedos mais utilizados foram

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volante musical, lego, panelinhas, desenhos e jogos REFERÊNCIAS
(de cartas, tabuleiro, memória, quebra-cabeça).
Assegurar à criança o direito de brincar nos ARAGÃO, Rita Márcia. AZEVEDO, Maria Rita Z.
hospitais é essencial. O brinquedo e a brincadeira S. O Brincar no Hospital: Análise de Estratégias e
têm um efeito terapêutico, propicia modos de superar Recursos Lúdicos Utilizados com Crianças. Scielo,
as dificuldades, conflitos emocionais, físicos e 2001. Disponível em:
sociais da criança. Ao associar esse momento lúdico <http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v18n3/03.pdf>.
com a situação ao qual está inserida da internação Acesso em: 22 de jul. de 2019.
hospitalar, a criança/adolescente terá como encontrar
formas de expressar suas fantasias, experimentar os ANGELO, T. S.; VIEIRA, M. R. R. Brinquedoteca
limites, elaborar e desenvolver estratégias de hospitalar: da teoria à prática. Arq Ciênc Saúde,
enfrentamento com relação ao sofrimento, abr/jun; 17(2), 2010, p. 84-90.
adoecimento, dor (BRITO e PERINOTTO, 2014).
Com esta finalidade, o projeto conta com BRITO, Luciana Santos; PERINOTTO, André Riani
oficinas (desenho, pintura, histórias), jogos (bola, Costa. O brincar como promoção à saúde: a
boliche, dominó, dama, quebra-cabeça, encaixar importância da brinquedoteca hospitalar no processo
peças, jogo da memória, banco mobiliário, poketapa, de recuperação de crianças hospitalizadas. Revista
liga 4, memomímico, puxa - puxa batatinha, Hospitalidade. São Paulo, v. XI, n.2, p. 291 - 315,
brinquedos musicais, como piano de animais, dez. 2014.
volante, placa de som), brincadeiras de carrinhos, kit
médico, casinha, panelinhas, bonecas, dinossauro, CASTRO, A. E. V.; ALMEIDA, A. P. Utilização do
velocipe, além de momentos com músicas e filmes brinquedo terapêutico na assistência de enfermagem
infantis. As recreações são realizadas no próprio à clientela. In: SILVA, A. P. A. et al. Instituto da
leito do paciente, no espaço da brinquedoteca ou no criança 30 anos: ações atuais na atenção
espaço exterior que contém uma praça, buscando interdisciplinar em pediatria. São Caetano do Sul:
respeitar a vontade de cada criança e suas limitações. Yendis, 2006.
A brinquedoteca no ambiente hospitalar auxilia
no tratamento da criança em adoecimento, visto que FREITAS, M. A. de. Uma análise das primeiras
“A criança hospitalizada não deixa de ser criança e análises de abordagem de ensino do professor de
precisa brincar, pois, o papel dos jogos e língua estrangeira. Campinas: 1996. 261 f.
brincadeiras é garantir o seu equilíbrio emocional e Dissertação (Mestrado em Lingüística Aplicada) –
intelectual” (SILVA; MATOS, 2009, p. 10604). Instituto de Estudos da Linguagem – UNICAMP,
Neste sentido, contribui na aceitação dos Campinas, 1996.
procedimentos realizados pela equipe de saúde,
melhora na assistência hospitalar, possibilitando um MEDEIROS, C. M. L. LACERDA, O. R. M.
acolhimento, afetividade e vínculo da SOUZA, I. V. B. LUCENA, A. L. R. MARQUES,
criança/adolescente, equipe de saúde e família. D. K.A. O Lúdico no Enfrentamento da
O brinquedo, no hospital, assume diversas funções Hospitalização: percepção da família. Facene, 2013.
que são desempenhadas entre adultos e crianças, Disponível em:
com recursos específicos para melhor aplicabilidade, <http://www.facene.com.br/wpcontent/uploads/2010
fazendo com que a criança expresse suas emoções, /11/O-1%C3%BAdico-noenfrentamento-
com significados próprios (OLIVEIRA; DIAS; dahospitaliza%C3%A7%C3%A3%o.pdf>. Acesso
ROAZZI, 2003). em: 22 de jul. de 2019.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS MELLO, Andressa R. N. RAMAZOTTI, Keila
Maria. A Importância do Brincar no Ambiente
Portanto, é indubitável a importância do Hospitalar. Semana Acadêmica, 2015. Disponível
projeto “Brinquedoteca Hospitalar”, não somente em:
por abarcar um direito da criança, mas também por <https://semanaacademica.org.br/artigo/importanciad
ampliar a concepção de hospital e, mais do que isso, o-brincar-no-ambiente-hospitalar>. Acesso em: 22
proporcionar maior conforto e bem-estar, para assim de jul. de 2019.
propiciar uma melhor estadia da criança internada.
Além disso, o brincar vem a ser essencial para o
desenvolvimento como um todo e torna a MELO, L. L.; VALLE, E. R. M. A Brinquedoteca
recuperação do paciente uma experiência mais como possibilidade para desvelar o cotidiano da
criativa, lúdica e terapêutica. criança com câncer em tratamento ambulatorial. Ver
Como supracitado, o brincar, diferentemente Esc Enferm USP, 2010; 44(2), p. 517-525.
do que se pensa comumente, não é uma atividade
desvinculada da realidade, pelo contrário, tem papel OLIVEIRA, J. A. A enfermidade sob o olhar da
crucial no contexto real e concreto da criança, criança hospitalizada. Cad. Saúde Públ., Rio de
necessitando de mediadores adultos que lhe Janeiro, 9 (3), jul/set, 1993, p. 326-332.
transmitam o “mundo” e os conhecimentos
adquiridos pela humanidade através, dentre outras OLIVEIRA, S. S. G.; DIAS, M.G.B.B.; ROAZZI, A.
ações, o brincar. O Lúdico e suas Implicações nas Estratégias de
Regulação das Emoções em Crianças Hospitalizadas.

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Psicologia: Reflexão e Crítica, n. 16(1), 2003, p. 1-
13.

PIAGET, Jean. O Direito à Educação no Mundo


Atual. In: __. Para Onde Vai a Educação? Trad.
Ivette Braga. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974.
SILVA, T. M. A; MATOS, E. L. M. Brinquedoteca
Hospitalar: Uma realidade de Humanização pa/ra
atender crianças hospitalizadas. IX Congresso
Nacional de Educação- EDUCERE III Encontro
Sul Brasileiro de Psicopedagogia, 26 a 29 de
outubro, 2009 – PUCPR, PR, p. 10602-10612.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente.


São Paulo: Martins Fontes, 1999. ____. Pensamento
e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

RESPONSABILIDADE AUTORAL
“O(s) autores são os únicos responsáveis pelo
conteúdo deste trabalho”.

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PROJETO INTEGRAR – ESCOLA E MATEMÁTICA: APLICAÇÃO DE
ATIVIDADES E JOGOS NO ENSINO

Cunha, Juliana Bernardes Borges da, julianabborges@gmail.com


Martins, Glayton Ricardo Germano, gr.martins@outlook.com1
Ferreira, Luis Felipe Gondim, luisgondim01@hotmail.com1
Oliveira, Mychelle Alves de, mychelle.alvesdeoliveira04@gmail.com1
Rosa, Rafaella de Moura, rafaella.de.moura.rosa@gmail.com1
Santos, Regina Rodrigues dos, reginards123@gmail.com1
Sousa, Vanilton Rodrigues de, vanih.2016@gmail.com1
Marra, Vinicius Nolasco, viniciusnolasco16@gmail.com1
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Matemática e
Tecnologia

Resumo: O projeto Integrar – Escola e Matemática visa desenvolver atividades e jogos, que quando aplicados,
proporcionam aos alunos do ensino básico um aprendizado mais dinâmico e divertido do conteúdo matemático,
além disso, o projeto incentiva o professor das crianças a utilizar novas metodologias de ensino. A aplicação
do projeto é dividida em duas etapas: desenvolvimento de novas atividades lúdicas e aplicação das atividades
desenvolvidas. Este trabalho mostra os resultados da aplicação do projeto no período de agosto de 2018 a julho
de 2019.

Palavras-chave: Atividades. Jogos. Matemática. Integrar.


__________________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO visitas de turmas do ensino básico de escolas da rede


pública da cidade de Catalão e região à
A matemática é vista como uma linha de MATEMATECA (laboratório de pesquisa e ensino
conhecimento complexa, e por conta disto, muitos de matemática localizado na UFG regional Catalão).
indivíduos criam uma enorme barreira que bloqueia Em cada visita, são aplicadas diversas atividades
ou dificulta o aprendizado dos conteúdos dessa (previamente desenvolvidas) que se adequam ao
disciplina. Uma alternativa para facilitar o ensino e o conteúdo programático estabelecido pelas diretrizes
aprendizado da disciplina é o uso de jogos dos Parâmetros Curriculares Nacionais. No ano de
matemáticos. (ARANÃO, 1996). 2019 o projeto atendeu crianças do 3º e 5º ano do
Dentro de uma situação de jogo, os alunos ensino fundamental.
apresentam um melhor rendimento e atitudes mais A aplicação dos jogos é feita com o intuito de
positivas frente a seus processos de aprendizagem. exemplificar em situações práticas do dia-a-dia o uso
(Borin, 1996). das operações, formulas, expressões, dentre outros
Tendo em vista que a aprendizagem por meio de tópicos de cunho matemático, mostrando assim, que
jogos é muito mais divertida e atrativa, surge a aquilo que inicialmente parecia algo distante e
necessidade da criação de um projeto para realizar abstrato, na verdade é aplicável no cotidiano das
tais atividades, assim surge o projeto Integrar - Escola crianças.
e Matemática.
Neste trabalho, será feita uma breve apresentação 3. METODOLOGIA
do projeto e serão mostrados os resultados da
aplicação do mesmo no período de agosto de 2018 a A grande maioria dos jogos utilizados no projeto
julho de 2019. são desenvolvidos pela equipe responsável. Além dos
jogos criados no projeto, também são utilizados jogos
2. PROJETO INTEGRAR - ESCOLA E comercializados e popularmente conhecidos.
MATEMÁTICA
3.1. Desenvolvimento de Novos Jogos
O projeto integrar surgiu com o intuito de
incentivar pesquisas e práticas inovadoras em no O primeiro passo para o desenvolvimento dos
ensino de matemática na educação básica, e também, jogos foi dividir os 8 graduandos responsáveis pelo
estreitar as barreiras da universidade com a projeto em duplas. A cada dupla foi designado uma
comunidade. O projeto ocorre através de um ciclo de série do ensino básico (3º ao 6º ano).

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Após a divisão dos grupos, pesquisa-se o 4.1. Jogos Desenvolvidos
conteúdo programático atual da séria designada, a
partir desse conteúdo, deve-se criar o projeto de 2 Na primeira etapa do projeto foram
jogos que atendam os tópicos estudados em sala pelas confeccionados os jogos Futebol de Operações,
crianças. Triângulo dos Nove, Coordenadas Matemáticas, Una
Após o desenvolvimento do projeto dos jogos, os Pontinhos, Pinte Obedecendo as Regras.
apresentam-se as propostas. O grupo juntamente com
a coordenadora responsável pelo projeto seleciona os 4.1.1. Futebol de Operações
melhores jogos.
Como o projeto atende em média 30 crianças por O jogo Futebol de Operações foi criado para se
visita, deve-se criar vários exemplares dos jogos para adaptar ao conteúdo visto desde as turmas do 3º ano
que todas as crianças sejam atendidas. até o conteúdo abordados nas turmas do 6º ano.
O jogo foi aplicado com 6 crianças por campo, mas a
3.2. Busca Jogos no Acervo do Projeto para quantidade de crianças pode ser ajustada de acordo
Complementar o Conteúdo Programático. com a necessidade do grupo. Para jogar, as crianças
do grupo devem ser divididas em 2 times. Cada time
Após a confecção dos jogos, afim de assume um lado do campo. O monitor responsável
complementar o conteúdo oferecido pelo projeto, pelo grupo deve montar na linha de 4 quadrados uma
selecionou-se jogos guardados nos acervos da expressão matemática baseada no grau de instrução
MATEMATECA. Os jogos selecionados nos acervos das crianças. A resolução da linha superior deve gerar
abordam assuntos que os jogos confeccionados não se uma nova expressão na linha posterior, ou seja, a
aprofundaram. resolução da equação da linha com 4 quadrados deve
gerar uma nova expressão na linha de 3 quadrados,
3.3. Agendamento de Visitas e Execução do que por sua vez, quando resolvida, gera uma nova
projeto expressão na linha de 2 quadrados. A resolução da
linha de 2 quadrados gera uma resposta final que será
No período de março a julho de 2019, marcaram- colocada no ultimo quadrado do campo,
se visitas semanais com as escolas atendidas pelo simbolizando um gol. Os times começam a realizar as
projeto. operações juntos. Vence o jogo o time que alcançar o
Nas visitas, inicialmente ocorre a recepção das número de gols estabelecido no início do jogo
crianças. Durante a recepção, a equipe responsável primeiro (no início do jogo, o monitor deve
pelo projeto é apresentada as crianças. Além disso, as estabelecer um número máximo de gols).
crianças são divididas em grupos, cada grupo recebe
um monitor. Tudo isso deve ser feito de uma forma Figura 1. Campo do jogo Futebol de Operações.
muito dinâmica, estimulando sempre a participação Dimensões: campo 62 cm x 45 cm, linhas de demarcação 1
das crianças, buscando maneiras de mantê-las focadas cm de largura contornando todo o campo, raio interno do
e interessadas nas atividades. meio de campo 4 cm, ponto central 1cm de raio, quadrados
5 cm x 3 cm. Materiais utilizados: papelão (Estrutura do
Antes de começar a jogar com as crianças, deve- campo), papel cartão (gramado) e papel sulfite branco
se aplica uma atividade com exercícios que abordem (linhas e quadrados), cola branca.
o conteúdo que será trabalho no dia, essa atividade foi
denominada como Atividade de Avaliação de
desempenho.
A aplicação dos jogos no projeto segue o seguinte
roteiro:
• Breve revisão do conteúdo abordado
pelo jogo a ser aplicado;
• Apresentação das regras do jogo;
• Execução das atividades.
O roteiro descrito acima ocorre antes da
aplicação de cada jogo.
Após a execução dos jogos, aplica-se novamente
a atividade de avaliação de desempenho.
Comparando as respostas dos exercícios resolvidos
antes e depois dos jogos, verifica-se como as crianças
reagiram as atividades do projeto.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Fonte: Autoral

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cálculo, uma criança do time adversário irá sortear
4.1.2. Triangulo dos Nove novas coordenadas com os dados, obterá dois
números e realizará o cálculo com a mesma operação
O jogo triângulo dos nove foi criado para ser que a criança do outro time calculou. Cada acerto gera
aplicado em turmas do 4º ano, mas por abordar um ponto para o time da criança que acertou. Ganha
somente raciocínio lógico e a operação de soma, o o time que completar três rodadas com mais pontos.
mesmo pode ser aplicado com crianças do 3º ao 6º Caso haja empate, novas rodadas deverão ser
ano. efetuadas até que haja um campeão.
Para jogar, inicialmente cada criança recebe um
triângulo e as fichas com números indo do 1 ao 6. O Figura 3. Coordenadas Matemáticas. Dimensões: tabuleiro
jogo consiste em dispor as fichas de um modo que a 37 cm x 51 cm, retângulos internos 5 cm x 7 cm, margens
soma de cada lado do triângulo valha 9. Caso 1 cm. Os dados utilizados no sorteio das coordenadas foram
desejado, a competição entre as crianças também pesquisados na internet.
pode ser instigada.

Figura 2. Triangulo dos Nove. Dimensões: Triângulo


equilátero verde 30 cm, triângulo equilátero amarelo 9 cm,
ficha com os números raio 2 cm. Materiais utilizados:
papel cartão nas cores correspondentes e cola branca. Os
círculos não estão fixados, são soltos, e em sua construção
foi utilizado EVA e canetinha.

Fonte: Autoral.

4.1.4. Una os Pontinhos

O Jogo Una os Pontinhos foi criado para reforçar


as operações com frações e deve ser aplicado a
crianças do 5º e 6º ano. Além de reforçar operações
com frações, o jogo também exige raciocínio lógico e
Fonte: Autoral
estratégia.
4.1.3. Coordenadas Matemáticas A proposta inicial é de que o jogo seja jogado em
duplas, mas o game pode ser adaptado para qualquer
O Jogo Coordenadas Matemáticas foi criado para numero de jogadores, desde que o número de
reforçar as operações básicas e ensinar as crianças a jogadores seja maior do que dois. Para jogar, as
crianças devem unir dois pontos com uma linha. Não
lidar com coordenadas. O jogo foi desenvolvido para
é valido unir pontos na diagonal, somente na vertical
ser trabalhado com crianças do 4º ano, mas também
pode ser trabalhado com turmas de outras séries. ou na horizontal. Os pontos unidos devem estar
Para jogar, as crianças devem ser dispostas em imediatamente posteriores, anteriores, superiores ou
times com quantidades iguais de integrantes. Após a inferiores um ao outro. O intuído do jogo é fechar
divisão dos times, uma criança (tirar par ou ímpar pra quadrados, não importa se quem fez a maioria dos
traços foi outra pessoa, a dona do quadrado é a que o
ver que time começa) deve jogar o dado que possui
letras em suas faces e posteriormente o dado com concluiu. Para identificar quem fechou o quadrado, a
números nas faces, encontrando assim uma letra inicial do nome da criança deve ser colocada
coordenada com um número. O processo deve ser dentro dele assim que ela o fechar. Dentro de cada
repetido mais uma vez pela mesma criança. Após quadrado haverá uma fração. Quando toda a ficha do
isso a criança deve efetuar a operação matemática jogo for preenchida, as crianças devem somar as
frações contidas dentro dos quadrados que ela fechou.
com o número sorteado. As operações matemáticas
seguem a seguinte ordem: adição, multiplicação, Vence o jogo a criança que obtiver a maior soma.
subtração e divisão, logo, a primeira criança do time
irá efetuar uma soma, a segunda uma multiplicação, e
assim por diante. Após a primeira criança realizar o

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Figura 4. Uma os Pontinhos. Distância entre os pontinhos
1,5 cm. Os pontinhos e as frações foram feitos em um editor 4.2. Jogos do Acervo
de texto e impressos. Para melhorar a estética do jogo,
bordas e desenhos podem ser adicionados. Após a Foram selecionados 7 jogos do acervo do projeto.
impressão, a folha com os pontinhos foi colada em papel
cartão.
Os 7 jogos selecionados são comerciais e suas regras
estão disponíveis na internet. Os jogos selecionados
foram: Jogo da Vida, Tabuada Divertida, Dominó da
Divisão, Senha, Pega-Pega Tabuada, 4 Operações,
Blocos de Encaixe.
Os jogos citados acima foram utilizados para
complementar os jogos desenvolvidos pela equipe
executora.

4.3. Visitas Recebidas

No período de março a julho de 2019 foram


recebidas 2 turmas do 3º ano e 7 turmas do 5º ano na
MATEMATECA.
Com as turmas do 3º ano não foram aplicadas as
Fonte: Autoral. atividades de avaliação de desempenho. Apesar de
não possuir nenhum dado em relação ao desempenho
4.1.5. Pinte Obedecendo as Regras das crianças, os professores deram um feedback
positivo quanto ao desempenho das crianças após a
O Jogo Pinte Obedecendo as regras, foi criado execução do projeto.
para trabalhar o raciocínio lógico das crianças do Com as turmas do 5º ano, a atividade de avaliação
terceiro ano. de desempenho foi aplicada. Foram recebidas 130
crianças, desse total, na primeira aplicação da
Figura 5. Pinte Obedecendo as Regras. Dimensões: 16 cm avaliação de desempenho 25,38% das crianças
x 16 cm. Cada quadradinho possui dimensões 2 cm x 2 cm acertaram todas as questões, 32,31% acertaram 3
e foram feitos em um editor de texto e impressos. Além da questões, 14,62% acertaram 2 questões, 15,38
folha quadriculada, utiliza-se lápis de cor. acertaram 1 questão e 12,31% não acertaram
nenhuma questão.
Após a aplicação dos jogos, 37,70% das crianças
acertaram todas as questões, 40,77% acertaram 3
questões, 15,38% acertaram 2 questões, 2,31%
acertaram somente uma questão e 3,85% não
acertaram nenhuma questão.
Além dos números expressivos, os professores
das crianças relataram melhoria no em sala de aula.

Figura 6. Gráfico dos resultados da aplicação da atividade


de avaliação de desempenho.

Fonte: Autoral. 60
Total de Crianças

A proposta é de que o jogo deve ser jogado com


40
6 crianças por folha quadriculada. Para jogar, cada
criança recebe um lápis de cor, as cores devem ser 20
diferentes. As crianças devem pintar um quadradinho
por vez. A ideia é de que após uma criança pintar um 0
quadradinho, a folha quadriculada deve ser passada 4 3 2 1 0
para outra criança, isso se repetirá até que todos
tenham pintado, finalizando assim a primeira rodada.
Quando a primeira rodada terminar, uma nova deve Número de Acertos
Antes dos Jogos Depois dos Jogos
ser iniciada, isso se repete até ocorrer o
preenchimento da folha. O objetivo do jogo é, pintar
todos os quadradinhos, sem que nenhum quadrado Fonte: Autoral.
vizinho (vertical, horizontal ou diagonal) tenha a
mesma cor, ou seja, não pode haver quadrados com a 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
mesma cor encostados um no outro.

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Após a execução do projeto, nota-se que o uso de BORIN, Júlian. Jogos e resolução de problemas:
jogos nas práticas do ensino torna o aprendizado mais uma estratégia para as aulas de matemática. 6.
dinâmico e interativo, isso faz com que as crianças ed. São Paulo: IME-USP, 1996.
absorvam melhor o conteúdo que está sendo
ARANÃO, Ivana Valéria Denófrio. A matemática
ministrado. Além disso, por meio dos jogos a criança
através de brincadeiras e jogos. Campinas, SP:
consegue associar o conteúdo com atividades do
Papirus, 1996.
cotidiano, isso mostra para a criança que o conteúdo
em questão tem importância e é aplicável. Além da
RESPONSABILIDADE AUTORAL
melhoria quanto ao aprendizado, os jogos também
causam uma melhoria comportamental nas crianças
“O(s) autor(es) é(são) o(s) único(s) responsável(is)
durante.
pelo conteúdo deste trabalho”.
REFERÊNCIAS

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LUDOTECA UNIVERSITÁRIA: ATENDIMENTO BRINCANTE E
PAPEL DO BRINQUEDISTA1
PINHEIRO, Maria do Carmo Morales; carmopin@gmail.com2
EZIQUIEL, Iuri Silva; iuriezequiel@gmail.com3
1
Este trabalho é produto do Projeto de extensão “Ludoteca Universitária: lugar-tempo de
experimentação do corpo e de produção de subjetividade a partir do brincar”, do curso de Educação
Física da UAE de Biotecnologia/Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão (UFG/RC).
2
Professora do Curso de Educação Física/UAE de Biotecnologia/UFG/RC. Coordenadora da
Ação.
3
Acadêmico do curso de Educação Física UFG/RC. Bolsista PROBEC 2018-2019/2019-2020.

Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar a Ludoteca UFG/RC e seu funcionamento, bem como relatar
algumas situações brincantes vivenciadas pelas crianças e pelo brinquedista que é atual bolsista do projeto de
extensão “Ludoteca Universitária: lugar-tempo de experimentação do corpo e produção de subjetividade a
partir do brincar”. É a partir de autores tais como Santos (2014); Pinheiro (2018) e Finco (2003), que buscamos
entender o brincar como um processo pertinente à aprendizagem e ao desenvolvimento das crianças. Com base
nisso, destacamos duas cenas brincantes que se passam em nossa ludoteca e que buscamos analisar, sobretudo,
fazendo um recorte da questão do gênero no brincar.

Palavras-chave: Ludoteca. Infância. Brincar. Experimentação. Brinquedista.


__________________________________________________________________________________

interna da UFG/RC (crianças vinculadas à


1- INTRODUÇÃO servidores e estudantes) e para a comunidade
externa (escolas, vizinhança, abrigos, centros
A Ludoteca Universitária da UFG/RC é um
especializados de atendimento, órgãos
laboratório do curso de Educação Física, em comunitários), possibilitando seu acesso à
funcionamento desde 2010, cujo início se deu com o produção lúdica contemporânea e tradicional
planejamento, preparação e captação de recursos para por meio do acervo disponibilizado pela
compor o ambiente ao qual a ação extensionista ora Ludoteca. Além disso, possibilitar o acesso
em foco, se liga. desse acervo aos estudantes de graduação da
Regional Catalão; 2. Articular ensino, pesquisa
A ação extensionista citada se intitula “Ludoteca e extensão na formação acadêmica a partir das
Universitária: lugar-tempo de experimentação do ações desenvolvidas na Ludoteca, atentando-se
corpo e de produção de subjetividade a partir do para a produção infantil como material de
brincar” e objetiva, sobretudo, possibilitar a existência investigação e de produção de conhecimentos;
de um ambiente de lazer-arte-educação no interior da 3. Tratar a Ludoteca como ambiente de
universidade, que possa ser acessado, sobretudo, por formação de professores-
crianças. educadoresbrinquedistas, sobretudo, os
estudantes da graduação, fomentando debates,
Falar em educação/formação requer falar de reflexões e investigações (PINHEIRO, 2019,
desafios, estes que estão atravessados o tempo todo p.6).
em nosso caminho. É a partir deles que buscamos a
superação e a vontade de crescer, de fazer ciência e Em sendo uma ação que busca a articulação entre
arte, transformando os ambientes universitários em ensino, extensão e pesquisa, ou seja, que privilegia a
lugares nos quais também as crianças brincantes produção de conhecimentos, buscamos, além de
possam ter contato com a cultura por meio da receber e atender as crianças para que possam brincar,
ludicidade. registrar de algum modo esses momentos, com fotos,
diários de campo e vídeos (para os quais temos um
Nessa direção, a ação extensionista aqui em foco termo de concordância dos seus responsáveis).
visa inúmeros objetivos, dentre os quais,
destacaremos três: Dito isso, enfatizamos que neste texto, visamos
apresentar algumas experimentações brincantes dos
1. Criar, na Regional Catalão, um ambiente de corpos-crianças que atendemos, e aspectos que nos
cultura e de arte-educação para a comunidade
chamaram atenção, sobretudo acerca da temática do

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gênero no brincar, quer dizer, de como meninos Enfatizamos que as fichas de cadastro das crianças
brincam livremente de papeis estereotipados de são um instrumento importante de vínculo da nossa
gênero, de modo muito espontâneo e leve. ludoteca com os responsáveis pelas crianças, pois as
informações nela contidas nos permitem avisá-los em
2- A LUDOTECA UNIVERSITÁRIA qualquer situação necessária.
UFG/RC: CONCEPÇÃO E
A sala é toda colorida e agradável, chamando
FUNCIONAMENTO
atenção de quem passa pelo corredor; está equipada
com jogos variados nos cantos de brincar: da fantasia,
Normalmente, os ambientes que agregam
piscina de bolinhas, pebolim, livros de literatura
brinquedos e a atividade do brincar – em
infantil, equipamentos eletrônicos, pelúcias e
universidades brasileiras tanto quanto em outros
bonecas, brinquedos de madeira/tradicionais, casinha
espaços sociais – são denominados Brinquedotecas.
de boneca, mecânico maluco, cozinha de madeira,
No Brasil, inclusive há uma Associação Nacional de
dentre outros. Além disso, há diversos outros
Brinquedotecas, que visa dar organicidade às mais de
materiais para uso diário dos ludotecários.
500 brinquedotecas brasileiras existentes
(KISHIMOTO, 2012), disponibilizando cursos de As crianças são o principal público-alvo do projeto
formação de brinquedistas, material bibliográfico, extensionista, mas sempre recebemos visitas de
orientações para a montagem e condução de pessoas de todas as faixas etárias, que veem a ludoteca
brinquedotecas, dentre outros serviços de apoio. como um lugar para, simplesmente, brincar. São
muitos os graduandos, de diversos cursos, que tem
Em nosso caso, optamos por usar o termo Ludoteca
frequentado assiduamente a ludoteca, acreditamos
por compreender que:
que em função de sua temporária localização no Bloco
(...) o termo Brinquedoteca remete ao objeto Didático I, onde ocorrem as aulas da instituição. Esse
brinquedo de modo estrito, e, como somos oriundos é um processo novo para nós, que vemos o potencial
da área de Educação Física, consideramos o Corpo do ambiente Ludoteca para atrair e contagiar não
como primeiro (e sempre presente) objeto apenas as crianças, mas todo o qualquer ser humano
brincante, motivo pelo qual múltiplas brincadeiras
podem acontecer sem contar, necessariamente, com
interessado em fruir lazer, arte e cultura.
a presença de um objeto externo a ele. Além disso, Para um estudante de Licenciatura em Educação
[pensamos] a ludicidade como Eixo a partir do qual Física (EF), entender o brincar como um mecanismo
os seres humanos produzem significado, sentido e,
de aprendizagem é de extrema importância, uma vez
desse modo, subjetividades. Assim, consideramos
que o termo Ludoteca soa mais amplo e responde
que autores como Pinheiro (2018); Santos (2014);
melhor à concepção que sustenta o trabalho deste Kishimoto (2012), dentre outros, destacam a questão
Laboratório, uma vez que o corpo é para nós, o do brincar como um disparador de aprendizagem.
primeiro objeto do brincar. É a partir do próprio Nesse sentido, nem sempre é necessário ensinar a
corpo que a criança começa a se desenvolver e brincar, pois os momentos brincantes são momentos
conhecer a si mesma (PINHEIRO, 2018, p. 2). de expressão singular, em que as crianças
Compreendemos a Ludoteca como um ambiente de experimentam as imagens que tem do mundo,
formação e informação tanto para os ludotecários invertendo-as, e, com isso, há aprendizagem e
(nome do responsável pelos atendimentos da crescimento, intelectual e pessoal.
ludoteca), quanto para os adultos e crianças que a São realizados atendimentos no período noturno
visitam diariamente. três vezes por semana: de segunda à quarta feira, das
O laboratório recebe diariamente crianças que 19h30 às 22h30, onde são atendidas cerca de seis
possuem vínculos com pessoas oriundas da crianças por noite, dentre os quais, meninos e
comunidade acadêmica, como servidores públicos meninas. O número de atendimentos neste semestre
e/ou estudantes universitários; mas também agenda foi menor, provavelmente, devido a mudança de local
visitas da comunidade externa, constituída por consequente da reforma do bloco D.
instituições como escolas ou outras que atendam a Nesses atendimentos, são realizadas atividades tais
infância. como: pinturas, brincadeiras (individuais e
São cadastradas crianças de 0 a 12 anos de idade acompanhadas) com pelúcias, bonecas, com e sem
que fazem da ludoteca um lugar encantador, pois nela, fantasia, dentre outras. É importante ressaltar que os
independente da idade ou classe social, podem ser o adultos que visitam a ludoteca parecem se sentir
que quiserem, assim como alude o regimento da crianças quando estão aqui, sendo livres para
ludoteca (2012) “A ludoteca caracteriza-se por ser um brincarem do que quiserem, uma vez que a ludoteca é
lugar livre de brincar”. É também a partir das um espaço do livre brincar. Ou seja, os brincantes tem
situações brincantes que as crianças começam a a total liberdade de quais objetos lúdicos pegarão para
conhecer si mesmas, desde que sejam feitas as fazer suas brincadeiras, como vão brincar com os
mediações necessárias para isso. mesmos, e os temas de suas brincadeiras, além de
decidirem se querem brincar sozinhos (unicamente

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com os brinquedos escolhidos) ou acompanhados (de ou apenas está reproduzindo algo que presenciou em
outras crianças ou pelo brinquedista). casa.
É importante ressaltar que todas as crianças e Um menino (V.) de oito anos de idade é uma das
adultos que brincam em nosso laboratório, com o crianças mais frequentes na Ludoteca nos últimos
passar dos dias passam a entender a rotina de uso dos meses. Ele é sobrinho de uma servidora terceirizada
objetos, ou seja, eles brincam e depois devolvem os que cuida da manutenção e limpeza da universidade e
objetos nos lugares. Nesse momento é sempre vai com ele nos horários em que a ludoteca
reponsabilidade do brinquedista, ou seja, da pessoa está aberta. Certa vez o menino estava brincando com
que cuida da ludoteca, orientar esse processo, de a mini cozinha infantil que faz parte do acervo da
cuidado dos materiais lúdicos e devolução dos ludoteca, e o questionamos acerca do que brincava ali
brinquedos nas estantes ou cantos de brincar, naquele canto. Sua resposta foi óbvia. “Estou
ajudando com informações sobre os locais onde cada brincando de fazer comida, estou fazendo um omelete
brinquedo deve ser devolvido. muito gostoso”. Nesse momento a criança simulava
de fato que estava fazendo um “delicioso omelete”
Portanto, é importante enfatizar a questão da
(Diário de Campo, 2019, p.2), e jogava o ovo para
liberdade da criança dentro do ambiente da ludoteca,
cima, aparava com a frigideira e, logo após, o comia.
na qual se chega e brinca do que quiser, quando quiser
e com quem quiser. Este fato nos chamou muita atenção pelo fato de
ser uma criança do gênero masculino que brincava na
É aqui que o brincar livre faz sentido, meninos
cozinha de fazer comidinha, ação que vemos
brincam de fazer comida e meninas brincam de
acontecer, normalmente, com meninas.
carrinho; fazem isso, claro, desde que se sintam à
vontade e com vontade de brincar com esses objetos Para definir o conceito de gênero citamos Finco
que já nos aparecem tão demarcados por papeis de (2003, p. 91) que apresenta o gênero como
gênero que, nesse caso, não parecem ter relevância
“construção social que uma determinada cultura
para os brincantes.
estabelece ou elege em relação a homens e mulheres”.
3- BRINCADEIRAS INFANTIS: CORPO E Enquanto estudante e pesquisador, acreditamos
GÊNERO que as brincadeiras dentro e fora dos espaços
universitários, proveniente de ações extensionistas
A ludoteca é, para o brinquedista em processo de não têm gênero, pois a ludicidade está presente em
constituição, um elemento a mais na formação todas elas. As brincadeiras são exercícios de papeis
acadêmica. As vivências práticas oferecidas pelo sociais, muitas vezes reproduzidos, mas também
laboratório requerem, para o seu bom funcionamento, questionados pelas crianças nesses momentos.
a realização de estudos, pesquisas, leituras e rodas de
Nessa direção, Finco (2003, p. 6) afirma que há
conversas que envolvam temáticas praticadas no
uma variedade de brinquedos e as diversas opções de
ambiente da ludoteca. A criança, o brinquedo, a
brincadeiras que “as crianças brincam
brincadeira e a arte de brincar nos são temas essenciais
espontaneamente com os brinquedos que escolhem
pois através dos estudos é que somos capazes de
sem constrangimentos”.
responder e levantar alguns questionamentos: Quem
brinca? Como brinca? De que se brinca? E é a partir Outra situação interessante que também marcou
destes questionamentos que nossos estudos são nossas observações em uma brincadeira, foi o fato de
realizados. um outro menino, de 11 anos, estar brincando com
uma boneca, que, ao final da brincadeira, descobrimos
As visitas à ludoteca são sempre recheadas de
juntos ser um boneco. Mas qual foi a situação
diversas brincadeiras, pois é só entrarem nesse
instigante para que descobríssemos que se tratava de
ambiente que as próprias crianças, sujeitos das ações,
uma boneca ou boneco?
pedem para brincar. Ou melhor, se dirigem aos locais
que de algum modo lhes provocam, e começam suas O brinquedo estava na prateleira e estava sem
cenas brincantes. Assim, é notório que elas sempre roupas. O menino de 11 anos pegou a boneca e andou
chegam com as brincadeiras planejadas, o que nos faz com ela para lá e para cá, questionando ao
entender que possivelmente já fazem parte de seus brinquedista qual era o nome daquele objeto. A
cotidianos, como por exemplo brincar de fazer resposta que obteve foi a de que se tratava de uma
comida, na mini cozinha de nossa ludoteca. boneca. Logo após a resposta do brinquedista, veio
outro questionamento no qual a criança perguntava o
Se observamos o próximo parágrafo deste texto,
porquê de ser uma boneca e ter o órgão genital
podemos perceber que, não na sua maioria, mas que
masculino. Nesse momento, experimentamos uma
em algumas situações as brincadeiras vem para dentro
sensação de surpresa e tensão, e ao mesmo tempo,
da ludoteca como uma forma de herança trazida de
comicidade. Perplexos diante da situação, ao mesmo
casa, pois são situações que a criança mesmo brincou
tempo em que risonhos, ao final de nosso diálogo,

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consideramos que se tratava de um boneco, e não uma KISHIMOTO, T. M. A brinquedoteca no contexto
boneca. educativo brasileiro e internacional. In:
A questão das duas brincadeiras nos leva a refletir OLIVEIRA, V.B de. Brinquedoteca: uma visão
que os dois meninos lidaram tranquilamente, na internacional. Petrópolis: Vozes, 2011.
situação lúdica, com objetos que culturalmente
PINHEIRO, Maria do C. M. Ludoteca: lugartempo
consideramos de meninas: uma boneca
de produção de subjetividade a partir do brincar.
(inicialmente) e uma cozinha, sobretudo, um fogão.
Projeto de Extensão cadastrado no SIGAA-UFG.
Ou seja, as masculinidades podem ser produzidas de
Goiânia, 2018
modo diferente, quebrando estereótipos e rótulos, de
que coisas e modos de ser de homens, precisam ser SANTOS, Thayane Luiza Fernandes dos;
rudes e grotescos, que não podem acolher atitudes de PINHEIRO, Maria do Carmo Morales. O fantástico
cuidado (com os outros, com a alimentação, com a mundo do brincar: extensão universitária em
vida). uma ludoteca. 21f. 2016. Trabalho de Conclusão de
curso, Curso de Educação Física, UAE de
Esses acontecimentos são importantes na formação
Biotecnologia, Universidade Federal de Goiás,
do brinquedista, uma vez que situações como as duas
Catalão/GO, 2016.
aqui citadas podem acontecer durante a brincação,
inclusive nas aulas de Educação Física escolar, e o REGIMENTO INTERNO DA LUDOTECA
professor precisa estar preparado para ler tais UFG/RC. Catalão/Go: Regional
acontecimentos da forma mais sensível e acolhedora Catalão/Universidade Federal de Goiás, 2012.
possível.
Observemos que nas duas situações foram RESPONSABILIDADE AUTORAL
destacadas experiências vivenciadas por duas pessoas
do sexo masculino em situações que geralmente são “O(s) autor(es) é(são) o(s) único(s) responsável(is)
vivenciadas por meninas. Portanto, podemos perceber pelo conteúdo deste trabalho”
que nas duas situações ambos se sentiram livres para
brincar, seja de boneca ou de fazer comida, ou seja,
são os adultos que determinam o que é de menino ou
menina, e Finco (2003, p. 7), traz estes relatos em seu
artigo quando diz que “são os adultos que esperam que
as meninas sejam de um jeito e os meninos de outro”.
Mas, as próprias crianças, só querem mesmo, é
brincar.
4- CONCLUSÃO
O projeto de extensão aqui apresentado e discutido
se caracteriza por ser um espaço onde através das
brincadeiras possamos adquirir conhecimentos e
desenvolvimento pessoal e intelectual a todo
momento, em cada criança, atendimento e cada
atividade proposta pela ludoteca universitária.
É justamente por entender que o projeto
proporciona tamanha riqueza que compreendemos
este brincar como elemento essencial na formação do
licenciando em Educação Física, pois o brincar fará
parte de todo processo educacional dos alunos da rede
básica de ensino, desde a educação infantil até o
ensino médio, onde pode-se trabalhar a educação
física a partir dos jogos e brincadeiras.
REFERÊNCIAS

FINCO, Daniela. Relações de gênero nas


brincadeiras de meninos e meninas na educação
infantil. Pro-Posiçães. v. 14, n. 3 (42) - set./dez.
2003

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PROJETO DE EXTENSÃO ESPIRITUALIDADE E SAÚDE NA UFG/RC
DÍAZ, Jalusa Andréia Storch – professora orientadora, jalusastorch@yahoo.com.br 1

STORCK, Carla, carlastorck2@gmail.com 1


STORCK, Caroline, cstoorck@gmail.com 1
CORREA, Maycon, samircorrea115@gmail.com1
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia-
IBIOTec

Resumo: A complexidade dos processos de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) no período
contemporâneo traz à luz novos desafios para os profissionais de saúde, de modo a integrar os conceitos
entre saúde e espiritualidade. Partindo do exposto, o objetivo deste trabalho é apresentar as ações do Projeto
Espiritualidade e Saúde no âmbito da UFG/RC e UBS, cujo foco é promover o autoconhecimento humano e
que repercuta na adoção de um estilo de vida favorável, na minimização de sinais e sintomas de DCNTs, na
promoção da saúde e no fortalecimento dos participantes. A metodologia das nossas ações serão definidas
pela pesquisa ação, rodas de conversa Catalão-GO. O projeto transcorrerá semanalmente nas dependências
da UFG/RC e nas UBSs, durante as quartas- feiras a partir das 13:30 horas. As atividades consistem no
estudo dos temas Espiritualidade, Cristianismo e Fé. Como resultados gerais, esperamos integrar os serviços
entre UFG/RC e a rede de atenção primária de saúde do município de Catalão/GO, por meio do estudo e
desenvolvimento de atividades de apoio a promoção da saúde na atenção primária e prevenção de DCNTs.
Para os acadêmicos, contribuir com a formação inicial em saúde coletiva sob a ótica da Espiritualidade e
Saúde, cujo tema é pouco tratado no currículo tradicional da UFG/RC. Para os servidores da UFG/RC e
participantes das UBSs, desejamos promover uma melhor reflexão sobre o enfrentamento do cotidiano, do
estilo de vida inadequado e das DCNTs, em que a espiritualidade poderá ser tida como um elemento
promotor do autoconhecimento e fortalecimento humano.

Palavras-chave: Espiritualidade, Saúde, Fé, Doenças crônicas não transmissíveis.


__________________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO resiliência para superar as adversidades cotidianas


aduba um terreno fértil desencadeador de transtornos
O ideal deste trabalho visa apresentar a proposta físicos, psíquicos e/ou comportamentais como dores
de desenvolvimento de um projeto de extensão para articulares e musculares, crises de ansiedade,
acadêmicos, servidores da UFG/RC e comunidade estresse, depressão e síndrome do pânico (KING,
atendida nas Unidades Básicas de Atendimento KOENIG, 2009).
(UBSs) da cidade de Catalão/GO, utilizando a Como consequência, a adoção de um estilo de
Espiritualidade, com base na crença do Cristianismo vida inadequado resulta em um “ato de escape”,
e na Fé como elementos que favoreçam o tornando a pessoa refém de uma alimentação
autoconhecimento, a promoção a saúde, a prevenção inadequada, sedentarismo, uso compulsivo do
de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) álcool, cigarro e substâncias ilícitas. Ao final, o
e fortalecimento dos seres humanos na atenção somatório de fatores intrínsecos (geneticamente
primária. determinados) e extrínsecos (originados pelo meio)
A inquietação que resultou no desenvolvimento podem eclodir no desenvolvimento das DCNTs,
deste projeto originou-se a partir das conversas dentre elas a Hipertensão Arterial Sistêmica,
informais com discentes, docentes e servidores da Diabetes Mellitus, Dislipidemias, Câncer, Doenças
UFG/RC sobre as situações difíceis da vida, em Cardiovasculares, Cerebrovasculares e Respiratórias
função dos enfrentamentos diários sofridos pela Crônicas.
demanda de estudos, trabalho e uso de tecnologias A Epidemiologia das DCNTs vêm sendo
eletrônicas, mídia eletrônica, Whatsapp, Facebook, intensamente estudada pela Organização Mundial da
Twitter, Instagran), crises de relacionamentos Saúde (OMS). As estatísticas produzidas pelo
familiares e interpessoais. relatório de 2014 demonstrou que as DCNTs foram
As mazelas psíquicas e sociais do mundo responsáveis por 16 milhões de mortes/ano no
moderno tendem a gerar sinais e sintomas mundo e 70% dos óbitos no mundo (WHO, 2014).
específicos no corpo humano, como a fadiga Mais especificamente no Brasil, os dados apontaram
coporal, dores musculoesqueléticas, cefaléias, para o ano de 2016 o aumento da Diabetes Mellitus
enxaquecas, insônia e baixa autoestima. A falta de (61,8%), Hipertensão Arterial (14,2%) e Obesidade

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(18,9% dos brasileiros são obesos) (VIGITEL, participantes sobre as boas práticas em saúde:
2016). alimentação balanceada, combate do sedentarismo,
As atuais políticas públicas de promoção a alcoolismo, tabagismo e uso de substâncias ilícitas.
saúde e prevenção de DCNTs pela OMS preconizam Assim, acreditamos que este projeto será capaz
a restrição no consumo de tabaco, álcool, dietas de ensinar os participantes a aprimorar a resiliência
pouco saudáveis, sedentarismo e a ampliação da na superação das adversidades cotidianas, além de
atenção primária à saúde, integrando-as a ações refletirem sobre a necessidade do domínio próprio e
preventivas e curativas de atenção primária a a consciência dos próprios atos em relação aos bons
indivíduos e comunidades (WHO, 2014; VIGITEL, hábitos em saúde, colaborando no combate do estilo
2016). de vida inadequado e na prevenção dos sinais e
Face ao exposto, o Projeto de Extensão sintomas ligados as DCNTs na rede de atenção
Espiritualidade e Saúde tem a finalidade de integrar primária de saúde em Catalão/GO.
os serviços de extensão da UFG/RC e a rede de De outra parte, acreditamos que o tema suscita o
atenção primária de saúde do município de Catalão, debate entre os acadêmicos e servidores da
atuando em UBSs da cidade de Catalão /GO. A UFG/RC, visando dirimir dúvidas conceituais e
equipe executora do projeto (docente responsável, atenuar os distanciamentos entre as religiões. Vemos
acadêmicos de graduação e servidores da UFG/RC, este projeto como uma ampliação das oportunidades
os quais terão a função de transferir os educacionais, na formação e qualificação do futuro
conhecimentos sobre o tema Espiritualidade, profissional, visto que disciplinas relacionadas ao
Cristianismo e fé na promoção da saúde da tema Espiritualidade e Saúde são limitadas nos
sociedade. cursos de graduação e pós-graduação da nossa
Estudar a doutrina cristã e fortalecer a crença da universidade.
fé em Jesus Cristo revela-se como uma oportunidade Diante do exposto, o objetivo deste trabalho será
de aprimorar o autoconhecimento do ser humano por de apresentar as iniciativas do Projeto
meio do desenvolvimento de uma crença – a fé, com Espiritualidade e Saúde, com intuito de discutir e
algo que não se experimenta no plano material. implementar ações centradas na Espiritualidade,
Promover a espiritualidade significa permitir que a Cristianismo e Fé, com foco numa crença capaz de
pessoa conhecer a própria essência, ensinando o desenvolver o autoconhecimento humano e que
domínio de si em relação aos pensamentos, desejos, repercuta na adoção de um estilo de vida favorável,
esperanças, atitudes, enfrentamentos, frustrações e na minimização de sinais e sintomas de DCNTs, na
valores de vida. promoção da saúde e no fortalecimento dos
Segundo Dal-Farrar e Geremia (2010) e Gross participantes.
(2013), a pessoa espiritualizada é capaz de buscar
um significado para a vida com conceitos que 2. METODOLOGIA
transcendem o tangível, desenvolvendo a crença do
sagrado, em que a conexão com algo maior que si Metodologicamente, definimos nossas
próprio terá o papel transformador da realidade intervenções como uma pesquisa-ação, em função de
existente. que a investigação será baseada numa autorreflexão
O autoconhecimento humano será o foco das empreendida pelos participantes, visando a melhora
nossas intervenções e os meios serão desenvolvidos da racionalidade do próprio “eu“ (auto-
a partir de encontros coletivos / grupos focais e conhecimento) e as práticas individuais e coletivas
trabalhos comunitários integrativos. As intervenções em saúde (melhora do estilo de vida inadequado e
serão especialmente projetadas para permitir espaços prevenção de DCNTs na comunidade) (THOMAS,
de escuta, conversa, ajuda mútua, orientação e NELSON, SILVERMAN, 2012).
cooperação sobre os enfrentamentos físicos, Utilizamos a técnica das Rodas de Conversa, a
psíquicos, emocionais e sociais vivenciados pelos qual visa a participação e a reflexão dos
participantes e comunidade, decorrentes das participantes a respeito da Espiritualidade e Saúde,
situações díficeis da vida (trabalho, estudo e oportunizando condições de diálogo, escuta e
tecnologias eletrônicas) que conduzem a um estilo circulação da palavra bem como com o uso de
de vida inadequado e ao desenvolvimento de sinais e técnicas de dinamização de grupo. Esta técnica
sintomas ligados as DCNTs. metodológica representa uma proposta de construção
Neste quesito reside o impacto social do projeto, e a reconstrução da realidade que buscaremos atingir
visto que o autoconhecimento proporcionado pela a relação da Espiritualidade no processo Saúde
espiritualidade é entendido como um agente de Doença, por meio do ato educativo reflexivo que
transformação positiva do estilo de vida. Por meio acontece tanto pela fala quanto pela escuta, além da
de palestras e orientações conduzidas por discussão e participação. Isso permite os
profissionais da saúde, trataremos das políticas participantes entrarem em contato com outros
públicas de prevenção da OMS, orientando os contextos de vida, realidades diferentes e novas

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interações, almejando oportunidades de atenção primária. O intuito é tratar da
ressignificação das temáticas que são discutidas Espiritualidade, fundamentada no Cristianismo e na
(AFONSO; ABADE, 2015). Fé, como elementos capazes de promover o
Buscaremos atingir primeiramente os autoconhecimento e fortalecimento dos seres
acadêmicos de graduação, pós-graduação e humanos.
servidores da UFG/RC. No segundo momentos as
ações extensionistas serão direcionadas aos REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
pacientes atendidos em Unidades Básicas de
Atendimento (UBS) situados na cidade de AFONSO, M. L. M.; ABADE, F. L. Para
Catalão/GO. reinventar as Rodas. Belo Horizonte: Rede de
As ações serão inicialmente desenvolvidas Cidadania Mateus Afonso Medeiros (RECIMAM),
durante as quartas-feiras, a partir das 13:30 horas na 2015.
UFG/RC. Após a capacitação da equipe executora, BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de
as atividades também serão implementadas nas Vigilância em Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.
UBSs com datas e horários a serem definidos. Política Nacional de Promoção da Saúde: PNPS:
Anexo I da Portaria de Consolidação nº 2, de 28 de
3. RESULTADOS ESPERADOS setembro de 2017, que consolida as normas sobre as
políticas nacionais de saúde do SUS/ Ministério da
Para os acadêmicos, contribuir com a formação Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria
inicial em saúde coletiva sob a ótica do tema Saúde de Atenção à Saúde. Brasília, 2018.
e Espiritualidade, promovendo vivências BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SUS das
interprofissionais e experiências de estudo, pesquisa práticas integrativas: Terapia Comunitária.
e extensão na comunidade. Além disso, se Disponível em
beneficiarão da complementação à formação http://dab.saude.gov.br/portaldab/noticias.php?conte
profissional com fundamentações teóricas sobre udo=_&cod=2408, acessado em 30 de março de
espiritualidade, a qual é pouco tratada no currículo 2019.
tradicional da UFG/RC.
Para os acadêmicos, servidores e pacientes das DALGALARRONDO, P. et al., Religião e uso de
UBSs esperamos promover a reflexão que os drogas por adolescentes. Rev Bras Psiquiatr v.26,
enfrentamento do cotidiano, do estilo de vida n.2, p.:82-90, 2004.
inadequado e das DCNTs podem ser aliviados com o DAL-FARRAR, R. A.; GEREMIA, C. Educação em
desenvolvimento da espiritualidade de cada pessoa, Saúde e Espiritualidade: Proposições Metodológicas.
empoderando-a para que seja a construtora de sua Rev Bras de Edu Médica, v.34, n.4, p.587-597,
própria história de vida. Acreditamos convictamente 2010.
que o autoconhecimento promovido pela GROSS, E. O conceito de Fé em Paul Tillich.
espiritualidade seja capaz de prevenir o estilo de Revista Eletrônica Correlatio. v.12, n. 23, jun.
vida inadequado, fazendo os participantes terem 2013.
consciência da importância de uma boa alimentação, KING, M.B., KOENIG, H. G. Conceptualising
realização de atividades físicas regulares, controle spirituality for medical research and health service
ou abandono de hábitos do tabagismo,alcoolismo e provision. BMC Health Serv, Res. 2009.
uso de substâncias ilíticas, além das tecnologias KOENIG, H. HAROLD, A. Spirituality and Health
eletrônicas especialmente nos momentos de Care. Koenig, Harold. Medicina , Religião e Saúde
descanso e lazer. - o Encontro da Ciência e da Espiritualidade,
Ao final, desejamos que o Projeto de Extensão 2012.
possibilite o resgate da espiritualidade como uma
ferramenta de enfrentamento dos comportamentos KOENIG, H. G. Espiritualidade no Cuidado com
que são discutidos como patológicos pela o Paciente. São Paulo: FE. Editora Jornallística
Organização Mundial de Saúde e que desenvolva o Ltda, 2005.
autoconhecimento e fortalecimennto humano, a LIPP, M. E. N. ISSL - Inventario de Sintomas de
promoção da saúde e a prevenção de DCNTs. Stress para Adultos. São Paulo: Pearson, 3 ed,
2005.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS MOREIRA-ALMEIDA, A.; LOTUFO NETO, F.;
KOENIG, H. Religious-ness and mental health: a
De modo geral, esperamos com este projeto review. Rev Bras de Psiquiatr, v.28, n.3, p.:242-50,
integrar os serviços entre UFG/RC e a rede de 2006.
atenção primária de saúde do município de NAHAS, M. V.; BARROS, M. V. G.;
Catalão/GO, por meio do estudo e desenvolvimento FRANCALACCI, V. O pentáculo do bem-estar -
de atividades de apoio a promoção da saúde na base conceitual para avaliação do estilo de vida

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de indivíduos ou grupos. Rev. Bras. Ativ. Fís.
Saúde, v.5, n.2, 2000.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE
(OPAS). Plano estratégico da Organização
Panamericana de Saúde 2014-2019. Disponível em
https://www.paho.org/hq/dmdocuments/2017/pahost
rategic-plan-por-2014-2019.pdf, acessado em 05
de março de 2019.
SOUZA, M. A. A influência da fé no processo
saúde-doença sob a percepção de líderes religiosos
cristãos. Dissertação de mestrado. Programa de
Pós-Graduação em Enfermagem. Universidade
Federal de Goiás (UFG), 2008, 99p.
STROPPA, A., MOREIRA-ALMEIDA, A.
Religiosidade e saúde. In: Salgado MI, Freire G,
organizadores. Saúde e espiritualidade: uma nova
visão da medicina. Belo Horizonte: Inede; 2008.
TILLICH, Paul. Dynamics of faith. New York :
Harper, 1957.
THOMAS, J. R.; NELSON, J. K.; SILVERMAN,
S. J. Métodos de pesquisa em atividade física e
saúde. Artmed: Porto Alegre, 6ª ed, 2012.
VASCONCELOS, E. M (Org.). A espiritualidade
no trabalho em saúde. São Paulo: Hucitec, 2006
VIGITEL BRASIL 2016. Hábitos dos brasileiros
impactam no crescimento da obesidade e
aumenta prevalência de diabetes e hipertensão.
Disponível em
http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/a
bril/17/Vigitel.pdf, acessado em 04 de março de
2019.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO).
Amendments to the Constitution. April, 7th; 1999.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO).
Global status report on noncommunicable
diseases 2014. Disponível em:
https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/148
114/9789241564854_eng.pdf;jsessionid=F97DA20E
81D3DF4FE952CBD7229336C9?sequence=1,
acessado em 04 de março de 2019.

RESPONSABILIDADE AUTORAL

“Os autores são os únicos responsáveis pelo


conteúdo deste trabalho”.

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CICLO DE CURSOS DE CAPACITAÇÃO EM ENGENHARIA

Zamunér Filho, Antonio Nilson, antoniozamuner@ufg.com


Pereira Neto, João Pedro, joaopedroneto39@gmail.com1
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Engenharia

Resumo: O objetivo deste trabalho é proporcionar uma ferramenta de extensão universitária que visa capacitar
a comunidade em assuntos técnicos, sendo um elo entre a Universidade e a Sociedade, promovendo a educação
continuada dos profissionais e a troca de saberes sobre os assuntos relacionados à Engenharia. O curso de
Softwares de Mineração e Geologia (DATAMINE) foi ministrado pelo Prof. Dr. Carlos Cordeiro Ribeiro e
proporcionou aos alunos conhecimentos sobre softwares aplicados em Engenharia de minas e Geologia. A
divulgação do curso foi feita via cartazes e mídias digitais, como sites e comunidades virtuais. O fôlder foi
elaborado de modo a conter as principais informações relacionadas ao curso. Com seu término, se enviou um
questionário aos participantes para que eles pudessem relatar suas experiências, bem como opiniões e questões
envolvendo todo o processo de execução do curso. Notou-se a demanda para uma nova turma. Cumpriu-se o que
havia sido proposto inicialmente pelo projeto dentro das limitações para execução do mesmo. Houve retorno
positivo por parte dos participantes e por parte da equipe executora do curso. Com os resultados obtidos pelo
questionário, pode-se aperfeiçoar todo o processo de realização e execução destes de modo a minimizar as falhas
e proporcionar uma formação complementar e diferencial, a qual se destacará, atraindo a atenção do público.

Palavras-chave: Engenharia. Extensão. Softwares de Mineração.


__________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO capacidade de criar e produzir bens influencia de


maneira direta e efetiva o mundo globalizado, seja no
A Universidade vem demonstrando um papel aspecto econômico ou socioeducacional. A inovação
essencial dentro da sociedade, sendo esse a aplicação é uma das características dos seus profissionais, com
dos conhecimentos para conseguir evoluções isso os cursos de Engenharias devem sempre estar
importantes. A pesquisa, dentro da Universidade, atentos aos novos conhecimentos e se adaptarem as
começou a ser entendida como uma busca sistemática novas tecnologias (SILVA FILHO, 2012).
e metodológica dos problemas intrínsecos aos
processos educativos e tecnológicos (TUBINO et al., Tendo em vista esses aspectos, o Ciclo de Cursos
1985). de Capacitação em Engenharia surgiu como uma
A extensão universitária, dentro desse âmbito de ferramenta de extensão universitária que visa
pesquisa, já foi apresentada em 1976 com duas capacitar a comunidade em assuntos técnicos, ou seja,
concepções: “projeção da Universidade ao meio” e ser uma conexão entre a Universidade e a Sociedade,
“formação humana do acadêmico e prestação de promovendo a educação continuada dos profissionais
serviços à comunidade”. Já em 1983 ela foi e um contato mais próximo da sociedade com os
apresentada como atitude de abertura da assuntos relacionados à Engenharia.
Universidade à comunidade (SOUZA, 2000).
2. METODOLOGIA
Na atualidade, continua sendo vista como uma
ligação entre a Universidade e a Sociedade. Porém, Após analisado e aprovado pelo corpo
suas ações têm sido pouco valorizadas dentro das responsável, foi necessário realizar a abertura de uma
instituições acadêmicas. A concepção arcaica de que conta conjunta à Fundação de Apoio à Pesquisa-UFG
os “detentores de conhecimento” (universidade) (FUNAPE) seguindo os trâmites legais, a qual teve o
ensinam e “ignorantes” (sociedade) aprendem, tem papel de armazenar o fundo arrecado pelos cursos
sido um ponto importante na contribuição de sua ofertados durante todo o período de duração do
desvalorização. Todavia, a extensão é importante, projeto de extensão. A abertura da conta possibilitou
pois contribui, de fato, como parte da formação do ao coordenador da ação acesso à página da FUNAPE
cidadão (SOUZA e CARVALHO, 2016). através de um login pessoal, para realizar tanto a
emissão de boletos quanto a verificação de
A Engenharia é um dos principais mobilizadores pagamentos deles. Sendo que esses boletos referentes
da evolução e da criação de novas tecnologias, aos valores previstos de cada curso.
contribuindo de maneira significativa no
desenvolvimento econômico das nações. A

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A divulgação do curso foi realizada por meio de  O motivo da realização do curso;
cartazes, envio do folder por e-mail às empresas, além  O meio pelo qual o aluno ficou sabendo
da utilização do aplicativo de mensagens WhatsApp sobre os cursos ofertados pelo projeto pelo;
e divulgação oral, por meio de visitas a centros  Opinião sobre o projeto "CICLO DE
acadêmicos e polos técnicos. CURSOS DE CAPACITAÇÃO EM
ENGENHARIA" se o mesmo atingiu tanto a
O fôlder, Fig. 1, foi elaborado utilizando software
comunidade acadêmica quanto a sociedade
de edição. Este contém as principais informações
não vinculada;
relacionadas ao curso como o número de vagas, a
carga horária, o valor do curso, as datas de realização,  Grau de satisfação com o curso;
o horário, a programação, a localização e os telefones  Se a carga horária foi satisfatória;
de contato.  Se as instalações foram satisfatórias;
 Qual nota a ser atribuída ao instrutor; e
Figura 1. Folder – Softwares de Mineração e Geologia  E um comentário, crítica ou até um elogio
(DATAMINE) sobre todo o processo de realização do
curso, desde a matrícula até a entrega do
certificado.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após a realização do curso e a sua conclusão foi


notável que o objetivo proposto foi alcançado. No
início houve uma grande procura, pois era um curso
muito almejado e aguardado e com a intensificação
da divulgação, o número de inscritos atingiu a
quantidade máxima de vagas, sendo que uma lista de
espera foi gerada, caso surgisse vaga ou até mesmo
Fonte: Autoria própria, (2019). para uma futura oferta do curso.

As inscrições dos alunos foram realizadas por O curso de Softwares de Mineração e Geologia
meio de um formulário de inscrição disponibilizado (DATAMINE) foi ministrado pelo Prof. Dr. Carlos
em uma plataforma online utilizando o formulário Cordeiro Ribeiro e proporcionou aos alunos uma
eletrônico Google docs, tornando mais flexível às noção de utilização de softwares voltados para
pessoas interessadas em participar do curso. Sendo engenharia e geologia, abordando os seguintes
que esse formulário solicitava informações tais como, tópicos: DATAMINE RM – Geologia; Modelamento
nome, CPF, qual categoria o candidato se encaixava, Geológico; Geoestatística; e Estimação de Teores.
aluno ou colaborador de empresa, e-mail, endereço e DATAMINE OP – Construção das cavas manual e
sua instituição de origem ou empresa que trabalha. automática; e Planejamento de curto prazo.
Após o preenchimento do formulário, um e-mail de DATAMINE UG – Desenvolvimento de Mina
confirmação da reserva da vaga era enviado ao Subterrânea; e Planejamento de curto prazo. NPV
solicitante. Scheduler – Planejamento de Mina de longo prazo;
Otimização de cavas; e Sequenciamento anual da
Para a realização do curso foi necessário reservar lavra.
o laboratório do prédio das engenharias, sendo que o
mesmo comportava a quantidade de vagas. Após a Foi obtido um retorno positivo da parte dos
reserva, houve a instalação, nos computadores, do alunos que o cursaram. Notou-se a demanda para uma
programa necessário para a execução do curso. nova turma, conforme já esperado, pois alguns alunos
que não conseguiram vaga já haviam solicitado novas
Com o término do curso houve o envio de um turmas.
questionário aos alunos para coletar informações e
opiniões sobre a execução do mesmo, pontos de Os alunos que responderam o questionário
melhoria, a opinião do aluno sobre a didática do corresponderam a aproximadamente 55% (22 alunos)
professor e também se as instalações estavam do pessoal que realizou o curso. Sendo todos
adequadas para a execução do curso, além de verificar pertencentes à comunidade acadêmica, com anseios
se o curso atendeu as expectativas do público. Esse de adquirir novos conhecimentos.
questionário consistia em nove perguntas:
O Gráfico 1 mostra como os alunos ficaram
 A qual comunidade acadêmica o aluno sabendo sobre os cursos ofertados. Podemos perceber
pertence; que mais da metade ficou sabendo por meio de

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amigos e que a divulgação do curso por meio de poucos alunos que não ficaram satisfeitos ou acharam
folder também foi representativa. regular.

Gráfico 1. Meios de divulgação do curso O Gráfico 5 traz a opinião sobre a carga horária.
Percebe-se que a maioria dos alunos (81,8%),
concorda que ela foi satisfatória.

Gráfico 5. Opinião se a carga horária foi adequada

Fonte: Autoria própria, (2019).

O Gráfico 2 mostra que alguns alunos pensam


que o projeto não abarcou toda a comunidade. Porém
Fonte: Autoria própria, (2019).
essa porcentagem foi pouca dentro do todo, mas é um
ponto a melhorar.
O Gráfico 6 mostra as opiniões sobre as
Gráfico 2. Opinião dos participantes sobre o alcance do
instalações. Alguns alunos acharam que as
projeto: “Projeto atingiu tanto a comunidade acadêmica instalações não eram adequadas, contudo a maior
quanto a sociedade não vinculada?” parte afirma que foram adequadas.

Gráfico 6. Opinião se as instalações eram adequadas

Fonte: Autoria própria, (2019).


Fonte: Autoria própria, (2019).
Os Gráficos 3 e 4 mostram o grau de satisfação
dos alunos com o curso e com o instrutor, Por fim, a pergunta aberta aos alunos, para que
respectivamente. Nestes gráficos a escala adotada eles expusessem comentários, críticas e talvez
varia entre 0 (insatisfeito) e 5 (muito satisfeito). agradecimentos, foi um ponto importante, pois deu a
oportunidade da contribuição dos participantes. As
Gráfico 3. Grau de satisfação com o curso passagens abaixo mostram as respostas obtidas:
 “A iniciativa é ótima, leva ao aluno a sair da
zona de conforto e se dedicar ainda mais,
com temas que podem engrandecer o
currículo e claro, o conhecimento. A entrega
do certificado foi demorada. ”
Fonte: Autoria própria, (2019).
 “O modo de exposição das aulas poderia ser
melhorado, bem como a didática do
Gráfico 4. Grau de satisfação com o instrutor instrutor. ”
 “Acho que a turma tinha que ser menor, para
que o instrutor pudesse dar atenção a todos
os alunos. ”

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Fonte: Autoria própria, (2019). Cumpriu-se o que havia sido proposto


inicialmente pelo projeto dentro das limitações para
Pode-se perceber que os alunos ficaram execução do mesmo. Houve um retorno positivo por
satisfeitos com o curso e com o instrutor, havendo parte dos alunos e também por parte da equipe

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executora do curso. Além disso, o curso foi executado benefícios, como adequações do laboratório, compra
de forma correta, com responsabilidade e com de materiais e equipamentos, dentre outros.
qualidade por parte do instrutor.
REFERÊNCIAS
Espera-se promover mais cursos com o projeto os
quais visarão atingir grandes resultados dentro dos SILVA FILHO, R. L. L. “Para que devem ser
objetivos propostos. Tendo como princípio formados os novos engenheiros?”. São Paulo,
fundamental, oferecer cursos relacionados à 2012. 19 p. Disponível em: <
Engenharia, pois, isso ajudará a criar um senso mais http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,artigo-
crítico em inovação, competitividade e para-que-devem-ser-formados-os-novos-
sustentabilidade dentro do mercado. engenheiros,838027>.
Com os resultados obtidos pelo questionário, SOUSA, A. L. L. A história da extensão
proporcionando um feedback do curso, pode-se universitária. 1. ed. Campinas: Ed. Alínea, 2000.
aperfeiçoar todo o processo de realização e execução 138 p.
do curso para exaurir as falhas e proporcionar um
diferencial que chamará ainda mais a atenção do SOUZA, M. M. O.; CARVALHO, G. O. Extensão
público. E, também, uma evolução contínua para que Universitária: Metodologia e experiências.
sempre possa melhorar os próximos cursos. Goiânia: Ed. PUC Goiás, 2016. 224 p.
TUBINO, M. J. G. et al. A Universidade ontem e
Uma importante ressalva foi a pouca ou quase
nula procura por outros cursos. Isso se deve ao fato hoje. São Paulo: IBRASA, 1985. 181 p.
de que o mercado está desaquecido e a sociedade
enfrenta um momento de crise econômica. RESPONSABILIDADE AUTORAL

Vale ressaltar, ainda, que parte do dinheiro “Os autores são os únicos responsáveis pelo conteúdo
arrecadado é direcionada como fundo para a Unidade deste trabalho”.
Acadêmica Especial de Engenharia, em forma de

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A INSERÇÃO DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DA
FAMÍLIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

PILGER, Calíope, cpilger@ufg.br


FERNANDES, Keteriny Daniela Borges, keteriny_daniela@hotmail.com
DIAS, Maríllia Gomes
EGÍDIO, Ana Isabela Almeida
DÍAZ, Jalusa Andréia Storch
PEREIRA, Nayline Martins
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia
2
Secretaria Municipal de Saúde - Unidade Básica de Saúde Caic

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo descrever as ações desenvolvidas pela Liga Acadêmica de
Práticas Integrativas e Complementares (LAPIC) e pelo grupo de Trabalho das Práticas Integrativas e
Complementares em Saúde- PICs do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) na
Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) CAIC, no ano de 2019. O estudo pautou-se em um relato de
experiência sobre as PICS a partir das percepções dos idealizadores das atividades de uma UBSF localizada
na cidade de Catalão/GO. Os resultados apontaram que por meio das vivências da Dança Circular, Reiki,
Florais de Bach e Automassagem, percebeu-se que os usuários sentiram-se relaxados, tranquilos, com
sensações de bem-estar, e alívio de algumas das dores e ansiedade, e ainda, notou-se o aumento do vínculo
entre os usuários e equipe de saúde da UBSF. Por tudo isto, acredita-se que a finalidade de implementação
das PICS nas UBSF reside na promoção do cuidado integral, longitudinal e não invasivo do sujeito, e de
modo mais amplo, vem contribuir no cuidado na Atenção Primária em Saúde e redução das despesas com os
tratamentos clínicos.

Palavras-chave: Dança Circular. Reiki. Florais de Bach. Automassagem. Práticas Integrativas e


Complementares.

________________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO Interprofissionalidade, por meio do Grupo de


Trabalho 2 – Práticas Integrativas e Complementares
O município de Catalão está localizado no e Educação Popular em Saúde, como ferramentas
Sudeste Goiano, possui atualmente 106.618 para estruturação de grupos de promoção de saúde.
habitantes e aproximadamente 3778 km² de área. O As atuais práticas extensionistas desenvolvidas para
município conta com 14 Unidades Básicas de Saúde a comunidade nas UBSFs de Catalão são a Dança
e sua distribuição é concretizada a partir do modelo Circular, Reiki, Florais de Bach e Automassagem.
das Redes de Atenção à Saúde, de modo que os A respeito das PICS, em 1976 a Organização
princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) sejam Mundial da Saúde (OMS), declarou que todos os
efetivados, principalmente o de Regionalização e Estados membros deveriam integrar as práticas da
Descentralização – Princípios Organizacionais do medicina alternativa nos processos de cuidado aos
SUS (IBGE, 2019). pacientes (SUÁREZ; DÍAZ; MACHADO, 2013).
A inserção das Práticas Integrativas e Então, em 2006 o governo brasileiro integrou a
Complementares (PICS) na Unidade Básica de Política Nacional de Práticas Integrativas e
Saúde da Família (UBSF) do município iniciou-se Complementares (PNPIC), de modo que as práticas
através da articulação ensino-serviço-comunidade fossem vinculadas a Saúde Pública do país. As PICs
entre o curso de Enfermagem da UFG/RC e a são aplicadas há mais de 5 mil anos por povos
Secretaria do Município de Catalão/GO. As ações orientais. E, além do bem-estar biopsicossocial que
extensionistas foram promovidas pelo curso de elas empregam, é possível reduzir gastos e a
Enfermagem inicialmente por meio da LAPIC (Liga quantidade de medicamentos prescritos aos
Acadêmica de Práticas Integrativas e pacientes (ALVES et al., 2017).
Complementares). Atualmente, estas ações também No ano de 2017, através da portaria 849, foram
estão atreladas ao Programa PET-Saúde e incluídas 14 PICs na Política Nacional de Práticas

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Integrativas e Complementares. Já em 2018, na despertar o sentimento de pertencimento e permitir o
portaria 702, de 21 de março, acrescentou-se 10 compartilhamento de experiências. Ademias é um
novas PICs (BRASIL, 2017; BRASIL, 2018). ótimo recurso para auxiliar no combate a timidez,
Partindo do exposto, o presente trabalho tem o ansiedade, depressão (OSTETTO, 2009).
propósito de descrever as ações desenvolvidas pela Para Rodrigues (2002), apud Ostetto (2009)
LAPIC e pelo grupo de Trabalho das PICs do “as pessoas que dançam podem
Programa PET-Saúde na UBSF CAIC, no ano de perceber as mudanças que ocorrem
2019. De modo específico, contextualizar a em si mesmas, não somente do
aplicação das PICs, como: Dança Circular, Reiki, corpo físico, como também ele se
Florais de Bach e Automassagem na UBSF torna mais leve, ágil, alegre, mas
supracitada. também a alma, pois, assim como
nos tornamos mais flexíveis para
2. PRÁTICAS OFERTADAS NA UBSF as articulações.”

2.1. Dança Circular 2.2. Reiki

A Dança Circular é uma Prática Integrativa que O Reiki é uma Prática Integrativa e
consiste em formar uma roda com um grupo de Complementar reconhecida pela PNPIC (BRASIL,
pessoas de mãos dadas voltadas para o centro que 2015). Utiliza-se da imposição de mãos de forma
vão fazendo movimentos ordenados, previamente consciente e não intrusa a fim de auxiliar possíveis
ensaiados, no ritmo da música. Nesse contexto, métodos convencionais no combate as dores
destaca-se que o círculo é uma das figuras mais crônicas e agudas (MARTA et al., 2010).
antigas utilizadas pelo homem, sua simbologia está Autores destacam a contribuição do Reiki nos
relacionada com a fluidez, flexibilidade e ciclo das quadros de patologias como depressão, além de
coisas (OSTETTO, 2009). estresse e ansiedade através do toque terapêutico.
A Dança Circular foi inserida inicialmente na Ademais, nota-se outros pontos positivos no
UBSF no grupo de convivência de idosos, no ano de tratamento, como: melhora da qualidade do sono e
2016, possibilitando a integração dos participantes, aumento do apetite (MARTA et al., 2010).
constituindo apoio mútuo e vivências singulares. O projeto de extensão “Reiki” na atenção básica
Posteriormente, foi levada para outros espaços como referida iniciou-se em 2018 por iniciativa da
Hiperdia, educação em saúde em sala de espera e coordenação da unidade descrita e professores da
outras atividades coletivas. Ela foi implementada nas Universidade Federal. Inicialmente, trabalhou-se
atividades, nos últimos três anos, da UBSF e após o essa temática com os profissionais de saúde da
término desta prática percebe-se como uma UBSF, por meio de palestras, rodas de conversas e
atividade que promove tranquilidade, bem-estar e a aplicação de Reiki a fim de sensibilizá-los quanto
união do grupo de usuários dos serviços que aos benefícios e para que os mesmos pudessem
recebem tratamentos clínicos no local. compartilhar a respeito com a comunidade.
Além disso, a Dança Circular é uma prática A partir dessas ações, começou-se a divulgar o
simples, em que pessoas de todas as idades podem Reiki na unidade de saúde, especialmente entre as
participar, mesmo que não tenham habilidade. A Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), que
coreografia consiste em passos simples e ensaiados convidaram os usuários das microáreas cadastradas
na hora da prática, não há plateia, por isso os para participarem. Os resultados apontados pelos
participantes não precisam ficar tímidos usuários do SUS, de acordo com a enfermeira
(OSTETTO, 2009). responsável pela UBSF, foi a melhora na saúde,
Vale salientar que a Dança Circular é uma especialmente no aumento da consciência corporal
tradição milenar, vista como sagrada em algumas para o tempo presente, relaxamento e maior
culturas. Os povos indígenas, por exemplo, a qualidade no sono, diminuição de sinais e sintomas
realizam como ritual para comemorar a chuva, o de doenças, melhora da pressão arterial e frequência
plantio, a colheita, o nascimento. Ao longo do cardíaca.
tempo, essa prática se espalhou pelo mundo, Como estratégia para fomentar o Reiki na
alcançando países como a Grécia, Albânia, cidade de Catalão, a LAPIC e o Programa de
Romênia, Iugoslávia, Bulgária, Hungria, Macedônia, Educação para o Trabalho em Saúde (PET-Saúde) –
Israel, Escócia, Irlanda, Rússia, Índia, Brasil, Países Grupo 02 que abordam as PICs – ofertaram no mês
Bálticos, Povos Celtas e da América do Sul de agosto/2019 a oitava edição do curso de
(OSTETTO, 2009). Formação em Reiki Nível I, com intuito de aumentar
Os benefícios da Dança Circular, que é o número de profissionais capacitados a aplicar essa
considerada uma meditação em movimento, são prática na comunidade. Esses resultados
promover conexão e harmonia entre o grupo, sensibilizaram posteriormente a Enfermeira e a

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Médica Geriatra dessa unidade, as quais passaram a como depressão, pressão alta, artrose, arritmia, dores
prescrever sessões de Reiki em seus planos de no corpo. Ademais, melhora também a capacidade
cuidados de acordo com a necessidade dos usuários de concentração dos usuários, visto que a
do serviço. Automassagem exige uma conexão entre mente e
corpo (BARBOSA et al., 2014).
2.3. Florais de Bach Portanto, apesar de todos os benefícios, a
Automassagem não substitui o acompanhamento
Terapia floral faz parte de um campo chamado médico, pois ela apenas complementa o tratamento
terapias vibracionais de características não de patologias e busca trazer melhoria à qualidade de
invasivas, feitas a partir de plantas silvestres, flores e vida e bem-estar do usuário (BARBOSA et al.,
árvores do campo. Tratam as desordens da 2014).
personalidade, campo emocional, e não das
condições físicas (SALLES; SILVA, 2012). Figura 01 – Vivência de automassagem na UBSF
O nome Florais de Bach advém do médico CAIC – 08/05/2019
Edward Bach, que desenvolveu essa prática em
1930, a partir do seu ideal de que as enfermidades de
determinada pessoa estavam intimamente
relacionadas ao seu próprio estilo de vida (SALLES;
SILVA, 2012).
Os mesmos profissionais que aplicam Reiki na
UBSF convidaram também, no ano de 2019, os
usuários e os funcionários para conhecerem os
Florais de Bach. As consultas de Florais despertaram
o interesse de muitas pessoas da comunidade e dessa
forma passaram a ser oferecidas com mais
frequência. Pretende-se incluir esta prática na
agenda local da unidade para que outras pessoas
possam usufruir dos benefícios.
Fonte: Arquivo pessoal dos autores.
2.4. Automassagem
3. METODOLOGIA
A Automassagem destaca-se por ser uma PIC
realizada há milhões de anos na Medicina Trata-se de um relato de experiência das
Tradicional Chinesa (MTC), que consiste em uma vivências e percepções sobre a implementação das
sequência de movimentos realizada pelo próprio PICs em uma Unidade Básica de Saúde da Família
usuário em seu corpo. Esse método visa estimular (UBSF) em um município do sudeste goiano.
pontos específicos para restabelecer o equilíbrio Participaram das vivências os profissionais,
orgânico. Além disso, é uma atividade pouco funcionários e os usuários dos serviços de saúde
complexa e fácil de aprender, o que a torna mais atendidos na UBSF CAIC, situada no município de
acessível ao uso frequente na população Catalão/GO. Os resultados foram estruturados por
(BARBOSA et al., 2014). meio das percepções feitas pelos acadêmicos,
No ano de 2019, foi ofertada uma vivência de professores e enfermeira da unidade.
Automassagem organizada pelos participantes do Os relatos das percepções foram analisados
PET-Saúde (Figura 01). Os resultados demonstraram qualitativamente por meio da narrativa analítica,
que teve uma ótima aceitação, por ser de fácil sendo possível consolidar as vivências praticadas na
aplicação, que não requer uso de materiais UBSF, uma vez que, os artigos estudados relataram
específicos e que geraram uma sensação de conforto, variados benefícios acerca do uso das PICs nos
redução da dor e da ansiedade, relaxamento e bem- diversos ciclos de vida e estados patológicos e não
estar a todos os participantes. patológicos.
Foi sugerido pelos usuários a criação de um
grupo de Automassagem semanal na unidade. Para 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
atender esta demanda está sendo estudada a
implantação de um grupo capacitado que ofereça, Atrelado a realização destas práticas e vivências
não apenas a técnica, mas também outras PICs que na comunidade, o grupo de trabalho 2 do PET-Saúde
possam ser realizadas de forma coletiva e individual. juntamente com o Núcleo de Estudos e Pesquisas em
É importante ressaltar ainda, que a prática PICs (NEPPICs) estão desenvolvendo pesquisas
regular dessa atividade atua na manutenção da para quantificar o efeito das mesmas sobre a
saúde, na prevenção e no tratamento de doenças prevenção de doenças, promoção, manutenção e

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recuperação da saúde dos usuários do serviço e dos 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
profissionais de saúde no município de Catalão/GO,
com objetivo de evidenciar cientificamente o efeitos A partir desse relato, pôde-se concluir que as
das PICs na qualidade de vida e bem-estar da PICs surgem de forma a contribuir, e não substituir,
população. a medicina convencional.
A inclusão das práticas integrativas e Com objetivo de promover um cuidado integral,
complementares na UBSF contribuiu para o longitudinal e não invasivo, as PICs contribuem para
fortalecimento da prevenção, promoção, manutenção o cuidado na Atenção Primária, esta que, por sua
e recuperação da saúde dos usuários do serviço e dos vez, não se restringe somente às Unidades Básicas
profissionais de saúde, colaborando de forma de Saúde. Entretanto, este é o ambiente em que as
humanizada para a melhor qualidade de vida dos PICs são comumente encontradas. Há poucos
mesmos, além de garantir o acesso a serviços que estudos da inserção das PICs a nível hospitalar,
anteriormente não eram ofertados pelo SUS, restritas comparado aos encontrados na Atenção Básica.
a cunho privado. Os múltiplos efeitos promovidos pela Dança
Acredita-se que essas práticas trouxeram maior Circular, Reiki, Florais de Bach e Automassagem
aproximação dos discentes e docentes da UFG/RC, encontrados na literatura e que pode-se perceber nas
dos gestores da Secretaria Municipal de Saúde, da vivências foram o relaxamento, bem-estar, alívio das
equipe multiprofissional das UBSFs com pacientes dores, redução da ansiedade.
atendidos na área de cobertura das unidades, A finalidade das PICS reside na promoção do
incrementando assim o vínculo entre os usuários e a cuidado integral, longitudinal, acolhedor e
equipe de saúde, além do aumento significativo da humanizado. E ainda, estudos trazem que as PICs
procura pelas PICs disponíveis. possam resultar em redução das despesas clínicas do
Dentre os benefícios percebidos durante a município e na redução dos custos do próprio
prática foi o relaxamento e bem-estar, alívio de paciente com medicamentos.
algumas dores e ansiedade. Dessa forma, observou- Para, além disso, recomenda-se usufruir das
se a satisfação dos usuários, com descrição de PICs também, aqueles que não apresentam nenhuma
melhora da saúde na esfera física e/ou mental. patologia, em busca de reconexão e harmonização
Além de promover descontração, troca de consigo mesmo, a fim de prevenir futuras doenças e
experiências, apoio e um ambiente acolhedor, de promover o cuidado nos variados determinantes
também possibilita que seja realizado um cuidado de biopsicossociais.
forma integral, trabalhando várias dimensões da Nesse contexto, pode-se perceber o quanto as
saúde da pessoa, pois por meio dos métodos de PICs podem ser efetivas no cuidado quando
tratamento das PICs, o olhar volta-se para o cuidado inseridas nesta unidade de saúde, onde além de
como um todo, não fragmentado e não tratando promover o cuidado de forma integral aos pacientes,
apenas das doenças e seus sintomas físicos. faz-se possível o compartilhamento dessas vivências
Percebe-se que a iniciativa entre a Universidade em conjunto, em que há uma grande participação de
e a UBSF representou uma estratégia de cuidado e idosos. Com o princípio da coletividade empregado
de sensibilização para a implementação das PICs em em algumas práticas, nota-se que os participantes se
Saúde, tendo em vista que, a partir dessa iniciativa sentem passíveis de boas risadas e isentos de
outras unidades de saúde se sentiram motivadas a estresse, medo ou vergonha.
fazer uso dessas práticas. Cabe ressaltar que devido
as atividades realizadas na UBSF, Catalão entrou na 4. REFERÊNCIAS
lista dos municípios goianos que ofertam as PICs.
ALVES, Mônica Rocha Rodrigues; JÚNIOR, José
Alves Xavier; SÁ, Romeika Barbosa Cartaxo Pires
de; BARROS, Kilma Cunha de. Práticas Integrativas
e Complementares no SUS: revisão integrativa sobre
a concretização e a integralidade do cuidado em
saúde. Rev. Cuidado é Fundamental. p. 179-182.
Rio de Janeiro, 2017.

BARBOSA, Françoise Vieira; BATISTA, Aline


Nunes; GALVÃO, Mayra Gabriela Mendes;

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BARBOSA, Eduardo Carvalho Horta; PAULO, SALLES, Léia Fortes; SILVA, Maria Júlia Paes da.
Georgiana Pontes. Automassagem sob a perspectiva Efeito das essências florais em indivíduos ansiosos.
da educação em saúde: análise e intervenção. Rev. Rev. Acta Paulista de Enfermagem, v. 25, n. 2.
APS. Escola Superior de Ciências da Saúde, 2014. São Paulo, 2012.
p. 450-458.
SUÁREZ, Saira Rivas; DÍAZ, Ariamna Valido;
BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria GM/MS n° MACHADO, Freiman Blanco. Estudio preclínico
849/2017. del efecto de las esencias florales de Bach en la
inflamación aguda. Rev. Revista Cubana de
BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria GM/MS n° Investigaciones Biomédicas, v. 32, n. 1. Ciudad de
702/2017. la Habana, 2013.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. RESPONSABILIDADE AUTORAL


Catalão. Panorama. Disponível em:
<https://cidades.ibge.gov.br/brasil/go/catalao/panora “Os autores são os únicos responsáveis pelo
ma>. Acesso em: 21/08/2019. conteúdo deste trabalho”.

MARTA, Ilda Estefani Ribeiro, et al. Efetividade do


Toque Terapêutico sobre a dor, depressão e sono em
pacientes com dor crônica: ensaio clínico. Rev.
Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 44,
n. 4. São Paulo, 2010.
.
OSTETTO, Luciana Esmeralda. Na dança e na
educação: o círculo como princípio. Rev. Educação
e Pesquisa. v. 35, n. 1. São Paulo, 2009. p. 165-176.

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AVALIAÇÃO DO CONHECIMENTO E ESCUTA TERAPÊUTICA
DE PESSOAS COM DIABETES MELLITUS: AÇÕES E
TRAJETÓRIA NA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
Campos, Maurício, mcampos1975@yahoo.com.br ¹
Oliveira, Nunila Ferreira de, nunilaferreira@gmail.com¹
Andrade, Larissa Faria de, larissa.fandrade@outlook.com¹
Ferreira, Fabrício Gonçalves, fabriciogoncalves914@gmail.com¹
Luiz, Maria Rita Soares, mariaritasoaresl@hotmail.com ¹
Mendes, Gabriela Ferreira, gabrielaferreiramendes3@gmail.com¹
Tosta, Giuliana de Souza, giulianatosta@gmail.com ¹
Vasconcelos, Fernanda Palhares, palharesfernanda@hotmail.com ¹

¹ Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de


Biotecnologia.

Resumo: O presente trabalho possui como objetivo apresentar as atividades desenvolvidas pelo projeto de
extensão “Avaliação do conhecimento e escuta terapêutica de pessoas com Diabetes Mellitus internadas nos
hospitais de Catalão-GO”, vinculado aos cursos de Enfermagem e Psicologia e ao Programa de Voluntários de
Extensão e Cultura da Universidade Federal de Goiás - Regional Catalão, ao longo do ano 2018/2019. A
ferramenta metodológica usada no projeto foi à escuta qualificada em ambientes de saúde, do nível primário e
terciário. O projeto passou por uma reestruturação dos campos de atuação, deixando os hospitais privados
devido a percepção de pouca demanda em contraposição ao setor público, o qual apresentava mais demandas.
A Unidade Básica de Saúde, como porta de entrada do sistema de saúde, oportuniza a realização de escuta
qualificada como parte das estratégias de prevenção e promoção de saúde realizadas junto à comunidade. Além
disso, escuta e acolhimento foram feitos aos pacientes que aguardavam para serem atendidos no consultório do
endocrinologista que atende usuários do Sistema Único de Saúde, visando um maior vínculo e acesso a esses
sujeitos.

Palavras-chave: Diabetes Mellitus. Escuta Terapêutica. Multidisciplinaridade. Saúde.


________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO complicações - o que justifica a importância do


trabalho desenvolvido pelo grupo com estes pacientes
A Diabetes Mellitus (DM) é uma doença que (BRASIL, 2013).
causa uma disfunção na secreção do hormônio O cuidado em saúde se dá de diversas maneiras,
insulina pelo pâncreas ou uma disfunção da ação da seja ele através da informação sobre o diagnóstico,
insulina pelo organismo, resultando numa grande hábitos alimentares e modificação da rotina familiar,
concentração plasmática de glicose, dando origem à uma vez que, não só o paciente é afetado pelo
degenerações e falência de diversos órgãos, como diagnóstico, mas a família também sente e se
olhos, rins, nervos e coração (FERREIRA et al., preocupa, por isso, é importante que tanto paciente
2011). como família estejam informados sobre as possíveis
A Diabetes é categorizada mais frequentemente complicações, restrições e mudanças do quadro
entre tipos 1 e 2. A de tipo 1 compreende cerca de clínico. Em se tratando de cuidado no contexto da
10% dos casos, acometendo jovens entre 10 – 14 anos cronicidade, pensa-se no que o sujeito faz para si, e
de idade. Nesta ocorre uma ausência na produção de como ele se relaciona com a demanda do controle da
insulina, o que leva seus pacientes a se tornarem doença, ou seja, dando ao indivíduo o poder de
insulinodependentes (BRASIL, 2013). Na DM tipo 2, escolha e discutindo os caminhos que podem ser
que compreende cerca de 90% dos casos, ocorre tomados em relação ao funcionamento do tratamento.
deficiência na produção e/ou dificuldade do Nesse sentido, a educação em saúde é importante para
organismo de agir perante o hormônio (BRASIL, que se pense em qual é a melhor maneira individual
2013). É importante destacar que pacientes com DM do sujeito lidar com a doença.
tipo 2 podem, a depender da severidade da doença ou Apesar da importância das ações de Educação em
da adesão ao tratamento recomendado, desenvolver Saúde, diversas são as dificuldades para um sujeito

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com um diagnóstico de Diabetes seguir o tratamento Tabela 1: Locais das atividades desenvolvidas pelo
de maneira plena, como a rotina de trabalho e o acesso projeto de extensão no período de 2018
à informação e medicamentos, que são oferecidos
pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Iquise et al. Hospital São Nicolau ago/2018 a dez/2018
(2017) afirma em seus estudos que é importante Hospital Nasr Faiad ago/2018 a dez/2018
pensar não só os cuidados, mas também observar a Hospital Santa Casa ago/2018 a jul/2019
cultura onde o sujeito se insere. Assim, entende-se Org. pelos autores, 2019.
mais sobre as dificuldades e empecilhos encontrados
pelos pacientes na adesão do tratamento. Tabela 2: Locais das atividades desenvolvidas pelo
Nesse sentido, a interdisciplinaridade é um projeto de extensão no período de 2019
aspecto importante quando se pensa a DM. Os
diversos profissionais que em conjunto, atendem as UBS Divano Elias mar/2019 a mai/2019
pessoas, são capazes de lidar com a condição UBS João M. de Castro mai/2019 a jul/2019
patológica de forma complementar e abordar junto Consultório
com o paciente sobre cuidados básicos, e ao mesmo mai/2019 a jul/2019
Endocrinologista
tempo cada área do conhecimento é capaz de abarcar Org. pelos autores, 2019.
noções mais específicas sobre o tratamento. Médicos,
enfermeiros, nutricionistas, educadores físicos, Nos seis locais descritos, foram desenvolvidas
assistentes sociais e psicólogos são alguns dos atividades de avaliação do conhecimento e escuta. Na
profissionais que podem trazer benefícios para o maioria das vezes, o trabalho foi feito em duplas ou
indivíduo que teve o diagnóstico. Leite et al. (2001) trios formados por estudantes de diferentes cursos. Os
demonstram que os planos de saúde que possuem casos atendidos foram relatados em supervisões
uma equipe multiprofissional acompanhando os grupais, que ocorriam semanalmente, a fim de serem
pacientes têm menor custo do que aqueles pacientes discutidos, encaminhados e gerar conhecimento para
que não seguem um tratamento, apenas quando há todos os integrantes do projeto, de forma
complicações. multidisciplinar.
Este trabalho tem como objetivo apresentar os
resultados do projeto de extensão “Avaliação do 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
conhecimento e escuta terapêutica de pessoas com
Diabetes Mellitus internadas nos hospitais de 3.1. Estruturação do projeto
Catalão-GO”, vinculado ao Programa de Voluntários
de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Entre os meses de agosto e dezembro de 2018, a
Goiás - Regional Catalão, ao longo de um ano. equipe do projeto continuou realizando as atividades
nos três hospitais do município de Catalão-GO, como
2. METODOLOGIA já vinha realizando nos anos anteriores. No entanto, a
metodologia utilizada passou de educação em saúde
A estratégia metodológica utilizada no projeto foi com uso de instrumentos de coleta de dados para
a da escuta terapêutica em contextos de saúde. A escuta qualificada e acolhimento dos pacientes,
escuta terapêutica pode ser definida como um método permanecendo a perspectiva de cuidado a pessoas
ativo de comunicação, a qual exige um ouvir atento com Diabetes Mellitus.
dos profissionais de saúde perante a fala de seus O acolhimento e a escuta qualificada podem ser
pacientes, fomentando um espaço para a expressão considerados alicerces para o cuidado integral, uma
dos seus sentimentos e queixas, bem como vez que trabalham no sentido de valorizar a fala do
propiciando uma melhor relação interpessoal paciente, demonstra interesse na compreensão de suas
(SOUZA, PEREIRA, KANTORSKI, 2003 apud demandas, reduz o sofrimento do mesmo e
MESQUITA, CARVALHO, 2014). possibilitam a valorização das necessidades de saúde
No período de agosto/2018 a julho/2019, fizeram do usuário, ajustando às ofertas de cuidado do serviço
parte do projeto de extensão dois professores doutores de saúde (SOUZA, MISHIMA, MERHY, 2018).
e dezenove estudantes dos quais 5 eram do curso de Essa metodologia exige o desenvolvimento de
Enfermagem e 14 do curso de Psicologia da habilidades do profissional, como a disposição para o
Universidade Federal de Goiás – Regional Catalão. diálogo, o estar consciente e presente ao ouvir a fala
Foram realizadas atividades em seis locais, em do outro, assim como a percepção dos aspectos não
períodos distintos, apresentados na Tab. 1 e Tab. 2. verbais expressados. Para o paciente, ser ouvido pode
gerar alívio de suas angústias e auxílio para pensar em
possibilidades de resolver seus problemas, enquanto
para os profissionais pode significar um modo de
estabelecer relacionamentos mais humanizados
(MESQUITA, CARVALHO, 2014).

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Poucos atendimentos foram realizados nos dois com DM e da população em geral como forma de
hospitais privados em 2018. Não foi encontrado um prevenção.
número significante de pacientes internados que A UBS, como porta de entrada do sistema de
possuíam a DM nesses locais, além disso, o projeto saúde, oportuniza a realização de escuta qualificada
não foi autorizado a acessar todas as alas desses como parte das ações de prevenção e promoção de
hospitais, limitando a atuação. No início do ano de saúde da comunidade. O consultório do especialista,
2019, foi decidido que o projeto deixaria as por sua vez, contempla os usuários do SUS que
instituições particulares (Hospitais Nasr Faiad e São realizam, de alguma forma, o acompanhamento da
Nicolau), com a intenção de direcionar as ações para Diabetes, e que também demandam cuidado tendo em
o público atendido no Sistema Único de Saúde (SUS), vista a difícil tarefa de mudança de estilo de vida que
tendo em vista a demanda crescente de atendimentos a DM exige.
e a possibilidade de ampliar o foco de atuação para De acordo com Costa et al. (2011), cerca de 50%
outros níveis do sistema. dos pacientes portadores de doenças crônicas como a
Segundo Resolução CONSUNI Nº 03/2018 do DM não obtém sucesso com o tratamento da doença
Ministério da Educação, um dos objetivos das ações devido às grandes mudanças necessárias no estilo de
de extensão é “promover, entre a universidade e a vida, além da rotina medicamentosa. Desta forma,
sociedade, a interação dos saberes” (BRASIL, 2008), pensar na lógica da prevenção de complicações é se
ou seja, levar para a comunidade o conhecimento atentar não apenas ao indivíduo de forma isolada, mas
produzido na Universidade, contribuindo para seu sim tomar em consideração aspectos sociais,
desenvolvimento e construindo saberes a partir dela. econômicos e sociais que o circundam (COSTA et al.,
Sendo assim, foi preciso fazer adaptações ao projeto 2011).
para que conseguisse ter mais acesso a essa
comunidade, contemplando sua dinamicidade. 3.2 Inserções nos campos e atividades
O projeto, então, se manteve apenas em âmbito desenvolvidas
público, com visitas a Santa Casa e expansão para
Unidades Básicas de Saúde (UBS). Outra proposta Nos hospitais, foram realizados acolhimentos de
também adotada foi realizar atendimentos na sala de pacientes com Diabetes Mellitus, com prevalência de
espera do médico endocrinologista (um dos internações com perfil idoso. A maioria dos pacientes
especialistas do SUS no município), pois poderíamos não estava no local devido a complicações da DM,
entrar em contato com o público alvo do projeto mais mas a quadros clínicos diversos. Em relação ao
diretamente. acompanhamento da DM, a maioria dos pacientes o
Essa nova estratégia partiu das diversas reflexões faz na UBS ou na Associação dos Diabéticos do
realizadas em supervisão sobre a necessidade de Sudeste Goiano (ADISGO), alguns frequentam
abarcar não só o setor terciário de saúde, mas incluir médicos particulares ou recebem atendimento
os demais setores. Nos hospitais, os pacientes eram domiciliar. Outros relataram não fazer nenhum tipo
encontrados em condições de fragilidade que, muitas de acompanhamento, sendo instruídos pelos
vezes dificultava o acesso dos integrantes do projeto membros do projeto a buscarem auxílio nos serviços
para falar sobre a Diabetes, uma vez que as demandas de saúde disponíveis.
de sofrimento eram em muitos casos diferentes dessa Importante destacar essa condição de pessoas
condição que é o foco do projeto. E assim o assunto, com Diabetes, internadas por complicações de saúde,
muitas vezes, foi além da doença, um fator importante não estarem vinculadas a nenhum serviço de
quando se trata de cuidado e escuta terapêutica. No assistência. Considerando que o Diabetes é uma
entanto, ainda há a necessidade de falar mais sobre a doença que requer seguimento de cuidados a
DM, já que os números da doença têm aumentado e abordagem do projeto vai além da escuta qualificada,
muitos não realizam o cuidado de forma efetiva. mas tenta também discutir com essa pessoa
Iser et al. (2015) apresentam dados significativos estratégias para que ela se vincule a algum serviço da
que contribuem para pensar a realidade sobre a Atenção Básica após a alta hospitalar (BRASIL,
Diabetes no Brasil, quando salientam que apesar da 2013). Dessa forma, a escuta é um procedimento
diminuição em anos anteriores, a doença no ano de ativo, de atenção e cuidado conforme as demandas
2011 determinou 5,3% dos falecimentos, o que que se apresentam a cada caso e deve ser executada
representa 33,7 em 100 mil habitantes. por todos os membros da equipe de saúde
Segundo pesquisas da Federação Internacional (MESQUITA; CARVALHO, 2014).
do Diabetes (IDF), até o ano de 2035 o número de De modo geral, as temáticas recorrentes nos
pessoas com Diabetes na América Central e do Sul diálogos realizados foram as dificuldades de mudar a
pode sofrer um aumento de 60% (ISER et al., 2015). alimentação e seguir as dietas recomendadas pelos
Esses dados confirmam a necessidade de investir em profissionais, baixa adesão a prática de atividades
pesquisas e ações voltadas para o cuidado da pessoa físicas, a saudade dos familiares e de estar em casa,
sensação de causar incômodo nas pessoas próximas

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devido aos cuidados exigidos para o tratamento da para sanar as dúvidas desses sujeitos. Desta forma,
doença, a morte de familiares e amigos portadores de mesmo que a educação em saúde deixou de ser o
DM e o medo da própria morte. Foi realizada, objetivo principal do projeto, ela permeia a prática da
também, escuta dos acompanhantes desses pacientes, equipe, uma vez que são percebidas essas demandas
que também apresentavam algum tipo de sofrimento durante o acolhimento dos participantes.
em relação ao ambiente hospitalar, à quebra da rotina Um dos objetivos do projeto é divulgar os
e ao adoecimento do familiar. conhecimentos construídos através da atuação na área
Quanto à atuação na UBS João Moreira de da saúde. Assim, quatro integrantes do projeto
Castro, a inserção foi pautada na autorização e apoio criaram o Jogo (Tiabetes), com objetivo de expor de
da enfermeira responsável pela unidade. A instituição forma lúdica o que foi apresentado na oficina e
funciona como ambulatório, diferente das outras UBS participaram do IV Congresso de Pesquisa, Ensino e
do município. Há uma sala destinada ao serviço de Extensão da Regional Catalão – CONPEEX,
Psicologia no local que foi disponibilizada as ministrando um minicurso (Conceitos Básicos Sobre
atividades do projeto. o Diabetes mellitus tipo 2: complicações e
Seguindo a busca de parcerias, com objetivo de orientações básicas) que tinha como atividade
localizar os serviços que atendem as pessoas com DM principal aplicar o Jogo “Tiabetes” de perguntas e
no município, o projeto foi apresentado para o respostas, além de debates sobre o tema e
endocrinologista que é referência para as demandas apresentação do projeto para a comunidade. As
do SUS, sendo estabelecida uma parceria para que ele perguntas foram baseadas no questionário DKN-A
encaminhasse à UBS João Moreira de Castro os (TORRES, HOSTALE, SCHALL, 2005), usado no
pacientes que apresentem a necessidade de início do projeto, tendo como objetivo informar e
acompanhamento e apoio frente à Diabetes. São casos averiguar a veracidade das informações que são
como: dificuldade na adesão do tratamento, relação recebidas pelos portadores de DM. Trinta pessoas
de não cuidado consigo mesmo, recém- participaram do minicurso e a maioria delas
diagnosticados ou que apresentavam dificuldades demonstrou interesse em conhecer mais sobre o tema
frente ao diagnóstico. Foi estabelecida uma escala, e, por possuir algum familiar que tenha sido
durante três dias da semana, os integrantes do projeto diagnosticado com DM.
vão até a unidade para acolher essas demandas e Esse mesmo jogo foi desenvolvido novamente
realizar busca ativa com os pacientes do próprio local. por uma integrante do projeto na UBS irmã Yolanda
Através dessa busca, foi possível entender a Vaz Mendonça. A atividade foi proposta para
realidade das pessoas que frequentam a UBS, acontecer durante o Hiperdia, que é uma atividade
conversar acerca da Diabetes: tirar dúvidas, conhecer coletiva de educação em saúde, realizada
casos diversos, falar sobre alimentação e sobre o periodicamente nos serviços da Atenção Básica em
cuidado em relação a DM, incentivar a medição do Catalão, onde há trocas de receitas, controle de taxas
índice glicêmico, orientar sobre a importância de glicêmicas e aferição de pressão dos pacientes
estar sempre atento e buscar atendimento. Histórias portadores de diabetes e hipertensão. O grupo foi
de vida permeadas pela doença, carregadas de formado pela maioria feminina idosa. O jogo
angústia e medo, foram ouvidas e acolhidas. A contribuiu para que os participantes ficassem mais
proposta é desenvolver também outras atividades, ambientados com o tema e que apresentassem suas
como a orientação da aplicação de insulina pelos dúvidas e suas vivências. Os pacientes não só
alunos da Enfermagem, além da realização de grupos trouxeram suas angústias como também aquelas que
que envolvam a vivência com DM. Como previsto, a relacionam com a patologia do outro, como um filho
atuação do projeto na UBS se caracterizou de forma ou um marido que não estavam presentes. Foi
preventiva, possibilitando reflexão e informação interessante perceber a diferença da aplicação do
sobre a doença antes que a situação se agrave. jogo: no congresso o intuito era a informação, já na
Um grupo de integrantes iniciou, também, a UBS, a prática foi para que os pacientes se sentissem
escuta e o acolhimento dos pacientes que aguardam mais confortáveis para falar sobre as suas
para serem atendidos no consultório do dificuldades.
endocrinologista, visando um maior vínculo com essa A escuta do grupo nas duas situações, em
comunidade para inseri-los na rede de saúde, realizar contextos diferentes, gerou resultados peculiares
encaminhamento para a UBS quando necessário e relacionados às demandas e características das
apresentar as atividades do projeto, buscando torná- pessoas envolvidas, mesmo utilizando-se como
lo referência no cuidado do público com Diabetes disparador a mesma estratégia - o jogo. Importante
Mellitus. Foi percebida grande demanda de mencionar a riqueza de conceder às pessoas que
informações sobre a doença e sobre o autocuidado, vivenciam situações de vulnerabilidade,
podendo ser vinculada ao pouco tempo oportunidade de ventilar emoções, compartilhar
disponibilizado para atendimento médico sentimentos e agregar acolhimento em grupo -
especializado desses pacientes, o qual é insuficiente cuidados importantes e, muitas vezes pouco

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acessados e valorizados no contexto da saúde diferentes serviços e níveis da rede de atenção à
(SOUZA, MISHIMA, MERHY, 2018). saúde.
Também houve uma tentativa de inserção na
UBS Divano Elias, com a proposta de realização de 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
grupos terapêuticos. Os integrantes do projeto
participaram do Hiperdia, que acontece mensalmente Conforme as mudanças ocorridas no decorrer do
no local, com o objetivo de fazer o levantamento dos projeto, podemos destacar como pontos positivos a
pacientes portadores de Diabetes. O jogo novamente maior abrangência da rede pública e o maior vínculo
foi desenvolvido com um grupo formado por pessoas com a comunidade. Com o foco no acolhimento e na
de ambos os sexos, majoritariamente idosos. Alguns escuta terapêutica o sujeito foi considerado como ser
integrantes falaram um pouco sobre suas vivências, biopsicosocioespiritual e não apenas como portador
enquanto outros esperavam ansiosos pela troca de de uma patologia.
receitas – ora ou outra demonstravam interesse pelo Apesar de a nova perspectiva e a nova
assunto DM, visto que a maioria ali era apenas metodologia serem consideradas satisfatórias, alguns
hipertenso. O intuito era aproveitar este momento de impasses foram encontrados, como dificuldade de
conversa para convidar os pacientes a participarem do acesso a alguns pacientes, dados incompletos e/ou
grupo terapêutico, que teria seis encontros, e visava desatualizados nos cadastros e baixa adesão da
prevenção e promoção de saúde. Uma primeira população a algumas atividades propostas. Outra
atividade foi estruturada para iniciar o grupo, no dificuldade foi realizar o trabalho de forma
entanto, nenhum paciente foi ao campo. Buscou-se, interdisciplinar – um aspecto relevante quando
então, entrar em contato com os pacientes com consideramos que essa é a proposta do projeto e não
Diabetes listados em um levantamento feito pela tem sido colocada em pratica de forma efetiva.
UBS. Mas não houve sucesso: dos números Segundo Péres et al. (2007), “o diabético vive em
disponíveis, a maioria não atendeu ou o contato busca de sentidos para sua condição, que lhe
estava errado. Sendo assim, as atividades foram permitam construir esse ser diabético”. A vivência
voltadas para os outros campos de atuação e destes sujeitos, a adesão aos tratamentos e a mudança
encerrou-se a proposta de formação de grupo do estilo de vida dependem de como o sujeito de
terapêutico nesse contexto. posiciona frente a doença crônica e dos significados
Outra proposta do projeto foi o acompanhamento que ele constrói a partir dela. (PÉRES et al., 2007).
dos pacientes atendidos nos hospitais via contato Cabe ao projeto, como ação de extensão voltada
telefônico e possível realização de grupos com esses ao público diabético, divulgar esses conhecimentos,
pacientes no Centro de Estudos Aplicados em permitir o acesso a informação adequada e
Psicologia (CEAPSI) da Universidade Federal de oportunizar o cuidado da pessoa com Diabetes. Mas
Goiás-Regional Catalão. No entanto, o acesso aos cabe ao próprio sujeito aceitar esse trabalho e esse
pacientes não foi possível pelo mesmo aspecto cuidado, a partir da sua realidade e da sua experiência
encontrado na UBS Divano Elias: os telefones do com a doença. Tendo em vista as dificuldades
registro não estavam corretos ou não eram atendidos encontradas no período do projeto, o não cuidado
na maioria das vezes. Aqueles que foram contatados ainda é um aspecto muito comum e muito relevante,
não tinham interesse em participar. que justifica a continuidade das atividades do projeto
No ano de vigência do PROVEC (agosto de 2018 na tentativa de transformar essa realidade pela via da
a junho de 2019), o projeto que já existe há mais de 3 escuta, do acolhimento, da informação e do diálogo.
anos passou por mudanças operadas por muitas
reflexões compartilhadas nos momentos de REFERÊNCIAS
supervisão, ampliando possibilidades de atuação e
aproximando-se da realidade de vida das pessoas com BRASIL. Caderno de atenção básica, nº 16, 2006.
DM. Dessa forma, destaca-se também a importância
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretária de Atenção
da escuta nos momentos de supervisão, como
à Saúde. Departamento de Atenção Básica.
estratégia de acompanhamento, avaliação e
Estratégias para o cuidado da pessoa com Doença
planejamento das ações propostas no projeto.
Crônica: diabetes mellitus. Brasília: Ministério da
Enquanto característica de projeto de extensão,
Saúde, 2013. 160 p. (Cadernos de Atenção Básica,
que segue as dinâmicas do território e ações
n36)
disponibilizadas pela rede de atenção à saúde para a
população, nesse período o grupo também teve a BRASIL. Ministério da Educação. Resolução
experiência de se ver desterritorializado no seu CONSUNI Nº 03/2008.
planejamento, com as modificações propostas,
provocando desafios, frustrações e a necessidade de COSTA, J. A. et al. Promoção de saúde e diabetes:
novas conexões, contatos, readequação de escalas e discutindo a adesão e a motivação de indivíduos
diabéticos participantes de programas de saúde.
agenda para operacionalizar o fluxo de atuação em

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RESPONSABILIDADE AUTORAL
id=S0004-27302001000500012&lng=en&nrm=iso.
Acesso em: 14 ago. 2019.
“Os autores são os únicos responsáveis pelo
conteúdo deste trabalho”.

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A (RE) CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTOS PROMOVIDA PELA
PESQUISA ATRAVÉS DAS FEIRAS DE CIÊNCIAS DA UFG/RC
NUNES, Simara Maria Tavares, simaramn@gmail.com1
COSTA, Leonardo Oliveira, leonardo.oliveirac1@gmail.com2
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Educação
2
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Química

Resumo: Neste trabalho, venho relatar minha experiência na participação da organização da 7° Feira de
Ciências da Universidade Federal de Goiás Regional Catalão. Demonstro relatos de uma pesquisa qualitativa
na modalidade narrativa na qual procurei investigar em que medida as Feiras de Ciências contribuem para a
formação e desenvolvimento de alunos e professores e até que ponto as mesmas constituem oportunidades de
socialização e interação com a comunidade. Para tanto, analiso entrevistas semi-estruturadas que desenvolvi
com os alunos participantes do evento, no caso alunos do ensino fundamental e de ensino médio, todos de
escolas públicas. Durante a realização do evento, pude perceber através dos relatos dos participantes
diferentes oportunidades formativas advindas das experiências por eles vividas / compartilhadas nas Feiras de
Ciências. Acredito que as Feiras de Ciências podem contribuir para a socialização e troca de experiências de
ensino-aprendizagem-conhecimentos com alunos e professores e também com a comunidade, possibilitando
uma ampliação da visão de mundo dos participantes, expositores e visitantes da Feira, permitindo assim a
divulgação dos resultados das pesquisas, troca de experiências como forma de validação do conhecimento.
Ainda ressalto a importância das Feiras de Ciências no papel de desenvolver a curiosidade indagadora;
privilegia a opção por conteúdos socialmente significativos; contribuem para elaboração constante de
questionamentos; proporciona (re) construção e socialização do conhecimento; permite a resolução de
problemas reais na / da comunidade; exige tomada de decisão; proporciona desenvolvimento profissional;
desenvolve a habilidade de aprender a aprender e promove (trans) formação dos sujeitos.

Palavras-chave: Feiras de Ciências. Ensino aprendizagem. Construção de conhecimento. Formação


continuada. Interdisciplinaridade.
__________________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO representarem a Ciência como um conhecimento


dinâmico, possuindo muitas vezes um caráter
As Feiras de Ciências começaram a ganhar interdisciplinar e contextualizado de acordo com a
impulso mais rapidamente depois da Segunda realidade das comunidades escolares (BRASIL,
Guerra Mundial e, em 1950, celebrou-se, na 2006).
Filadélfia (EUA), a realização da primeira Feira Para Pavão (2006), as Feiras de Ciências podem
de Ciências, que incluiu trabalhos de 13 outras ser utilizadas para repetição de experiências
Feiras de Ciências do país (NETTO, 2003). realizadas em sala de aula; montagem de
Segundo o mesmo autor (NETTO, 2003), o exposições com fins demonstrativos; como
sucesso do evento acarretou na realização de estímulo para aprofundar estudos e busca de novos
outros eventos, atraindo expositores de mais de conhecimentos; oportunidade de proximidade
200 Feiras estaduais e esse movimento culminou com a comunidade científica; espaço para
com o desenvolvimento das Feiras de Ciências em iniciação científica; desenvolvimento do espírito
âmbito internacional. criativo; discussão de problemas sociais e
No Brasil, as primeiras Feiras de Ciências integração escola-sociedade. Mas o autor ressalta
começaram a aparecer na década de 60, que acima de tudo, a Feira deve estar integrada ao
coincidindo com o surgimento dos primeiros currículo, sendo preparada desde o início do
Centros de Ciências do país e foram aos poucos período letivo para que o momento da
tornando-se parceiras e ferramentas essenciais apresentação seja o coroamento de todo um
para o crescimento mais acelerado dos mesmos. trabalho (PAVÃO, 2006).
(MANCUSO,1993). Segundo Nunes et. al. (2016), a participação dos
Desde esse momento o movimento das Feiras de alunos nas Feiras de Ciências ajudam a construir o
Ciências ganhou força no Brasil, sendo integrante conhecimento de forma efetiva e ativa, ainda
das estratégias educacionais de grande parte dos relacionando estes conhecimentos com suas relativas
Estados. Os eventos têm a característica de aplicações no cotidiano. Sendo assim, são instigados

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à construção de conhecimento de forma lúdica e Ensino Fundamental 1, Ensino Fundamental 2,
prazerosa, pois se acredita que é possível classificar Ensino Médio, Técnico e EJA). Foram 54 trabalhos
as Feiras de Ciências como uma atividade lúdica, inscritos nesta 7ª edição, distribuídos entre Educação
desde que a mesma esteja relacionada com a Infantil (4 trabalhos); Ensino Fundamental 1 (7
diversão e a liberdade de aprender por prazer. Neste trabalhos); Ensino Fundamental 2 (24 trabalhos) e
contexto, a fim de se motivar a construção do Ensino Médio (19 trabalhos), envolvendo 140 alunos
conhecimento de forma ativa, reflexiva e prazerosa, e 54 professores orientadores. Participaram do
tem-se realizado Feiras de Ciências a nível regional evento 30 escolas de Catalão e Região.
denominadas de Feiras de Ciências da Universidade No dia em que aconteceu o evento, os
Federal de Goiás / Regional Catalão (UFG/RC). expositores mostraram seus trabalhos e dialogaram
Estas acontecem desde o ano de 2012, tendo com o público entre 08:00 e 12:00 horas. No período
chegado no ano de 2018 a sua sétima edição. da tarde os alunos participaram de algumas oficinas
Sendo assim, este trabalho visa relatar a vivência e visitas guiadas como a Oficina de Rochas no
que tive durante todo o processo de organização, Laboratório de geologia, a realização de alguns
elaboração e desenvolvimento das Feiras de experimentos nos laboratórios de Química e
Ciências da UFG/R, além de analisar o papel das Microbiologia da UFG/RC, dentre outros. No final
mesmas na formação docente continuada, em busca do dia (às 17:00 horas), realizamos a cerimônia de
de adquirir um novo olhar como futuro educador. premiação e encerramento do evento, fechando com
chave de ouro com um espetáculo dos alunos do
2. METODOLOGIA Curso de Física da UFG/RC, o show do “Física no
Palco”, um espetáculo fantástico que deixou os
Durante a minha participação na organização da alunos e os demais que estavam assistindo
7ª Feira de Ciências da UFG/RC, um dos primeiros empolgados.
desafios que encontrei juntamente com a Comissão Dessa forma, neste trabalho, analisar-se-á o
Organizadora do evento foi o de incluir a mesma no impacto de minha vivência durante todo o período
planejamento anual das escolas de Educação Básica de organização e realização da 7ª Feira de Ciências
de Catalão e Região. Assim, a divulgação foi da UFG/RC e os conhecimentos adquiridos para a
realizada nas escolas inicialmente no retorno do ano minha formação pessoal e profissional na 7ª edição
letivo e, mais precisamente, foi realizada logo na das Feiras de Ciências da UFG/RC.
semana de planejamento junto aos professores,
diretores e coordenadores para posteriormente ser 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
divulgada de sala em sala para os alunos. A
divulgação foi realizada através de cartazes e Trabalhar com projetos investigativos nas
distribuição de folders e regulamentos do evento, escolas, ao meu ver muda a perspectiva de como
que foram fixados nos murais de recados das escolas funciona a dinâmica de trabalho entre professores
e entregues à direção, coordenação, professores e e alunos. O professor deixa de ser um mero
alunos da Educação Básica, ao mesmo tempo em transmissor de conhecimentos prontos e acabados
que foram expostos os objetivos da sétima edição do e o aluno deixa de ser apenas um receptor desse
evento e sua temática. conhecimento, passando a ter uma participação
Sempre busquei frisar, no momento da ativa, interessada e criativa na construção de seus
divulgação nas salas de aula, a importância que as conhecimentos. E, no educar pela pesquisa, a
Feiras possuem no processo de ensino aprendizagem busca constante pelo conhecimento e sua (re)
para alunos e professores, além de serem de extrema construção denotam o quanto ele pode ser
importância para divulgarem a ciência para a superado. Neste contexto, Galiazzi (2002) se
comunidade local. Sendo assim, estabelecemos que manifesta nos seguintes termos: “O educar pela
a participação nas Feiras de Ciências da UFG/R pesquisa, enquanto pressupõe, também alimenta a
ocorre através da inscrição e seleção de projetos em capacidade de entender-se incompleto, de que
grupo (no mínimo dois e no máximo três estudantes todo conhecimento e prática podem sempre ser
e um professor orientador), privilegiando-se assim o aperfeiçoados. As oportunidades de aprendizagem
trabalho em grupo e a troca de ideias e experiências são novos momentos para reiniciar e completar a
entre os integrantes dos grupos e entre estes e o própria formação. A partir disto o aprendiz se
professor orientador do trabalho. Os professores integra em um movimento dialético em que
responsáveis puderam orientar mais de uma equipe, continuamente pode superar-se e superar seus
num total de 10 trabalhos por escola. Os trabalhos conhecimentos e suas práticas”.
deveriam estar inseridos nas diversas áreas de Considero importante ressaltar que faz parte
conhecimento ou serem uma associação necessariamente da educação para a cidadania que
multidisciplinar entre elas, sendo divididos e o aluno consiga adquirir na escola a capacidade de
avaliados em níveis de ensino (Educação Infantil, entender e de participar social e politicamente dos

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problemas da comunidade e saiba posicionar-se Acredito que um dos caminhos possíveis na
de maneira crítica, responsável e construtiva com formação docente e desenvolvimento profissional
relação aos problemas científicos e tecnológicos como professor passam pela reflexão e
que afetam toda a sociedade. Também concordo que investigação da própria prática (SCHÖN, 1992;
deveriam ser induzidos a propor metas que podem ser IMBERNÓN, 2000). E, no caso das Feiras de
conquistadas tanto na sala de aula como fora dela, Ciências, percebi no momento das entrevistas dos
através do diálogo como forma de mediar sujeitos que ao se reportarem às Feiras,
conflitos e de tomar decisões coletivas ressaltavam experiências vivenciadas como
(MORTINER, 2004). alunos e que foram sobremaneira marcantes, quer
Ao longo deste trabalho, procurei investigar com tenham sido consideradas positivas, quer não.
o apoio de vários autores o caráter formativo das Para finalizar, vou recorrer às palavras de
Feiras de Ciências e as oportunidades de Chassot (2003), que nos convida a buscar construir
socialização e interação possibilitadas por esses novas/outras histórias: nós ajudamos a escrever a
eventos. As experiências de professores e alunos História a cada dia e por isso temos responsabilidade
participantes da 7ª edição e suas histórias sobre as com o nosso passado. Cada um de nós é
Feiras de Ciências foram (com) partilhadas continuamente convidado a reescrever uma nova
comigo, revelando perspectivas de História, buscando um novo diferencial para mudar
desenvolvimento e formação profissional, bem o cenário que estamos vivendo na educação, e,
como, a socialização de conhecimentos para a acredito que as Feiras de Ciências podem atuar
comunidade, numa perspectiva social da como uma ferramenta crucial nesse processo.
comunicação dos conhecimentos construídos.
Acredito que a principal ferramenta deste 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
processo contínuo de (re) construção do
conhecimento possa ser alicerçada na pesquisa Através da minha vivência na organização da 7ª
como prática cotidiana dentro e fora da escola, edição das Feiras de Ciências da UFG/RC concluo
possibilitando a professores e alunos maior que a pesquisa no ensino desenvolve a curiosidade
autonomia na (re) elaboração de conhecimentos indagadora, privilegia a opção por conteúdos
próprios, baseados em problemáticas locais e socialmente significativos, contribui para a
encaminhamento de resolução de problemas elaboração constante de questionamentos,
existentes na comunidade em que a escola está proporciona (re)construção e socialização do
inserida. conhecimento, permite a resolução de problemas
Cabe ao professor ser o agente transformador e reais na/da comunidade, exige tomadas de decisões;
provocador de mudanças na problemática proporciona desenvolvimento profissional;
educacional (ZANON, 2004). Para tanto, fazem - desenvolve a habilidade de aprender a aprender e
se necessárias (trans) formações do próprio promove (trans)formação dos sujeitos. Com respeito
professor, que deixe a posição “cômoda” de às Feiras de Ciências, podemos concluir que são
professor-tradicional-copiador e busque a percebidas como oportunidades de comunicação
inquirição, em lugar de grandes volumes de social das investigações realizadas e espaços de
conteúdos para memorização, com elaboração de divulgação científica às comunidades escolares e
questionamentos socialmente relevantes. não-escolares.
Também é de extrema importância ressaltar o Vale ressaltar ainda que ainda restam diversas
papel dos cursos de formação inicial e continuada lacunas a serem preenchidas. Por exemplo: A voz
nesta (trans) formação do professor. Trazendo da comunidade que deveriam visitar mais as
discussões que aproximem o professor da Feiras, o que significam esses eventos para eles?
realidade da sala de aula, com todas as Acredito que a realização de pesquisas posteriores
dificuldades e entraves do ensino público possa esclarecer tais questões. São
brasileiro, possibilitando um referencial teórico questionamentos ainda em aberto, a serem
que auxilie o questionamento, a busca por respondidos por outras pesquisas. Assim como
soluções e a tomada de decisões, adquirindo este trabalho foi inspirado em leituras de autores
competência argumentativa (MORAES, 2002). que se dedicam a Educação pela pesquisa, à
Acredito que, como professores/futuros, não formação de professores, ao processo de ensino e
podemos cobrar os nossos alunos a fazerem de aprendizagem, espero que de algum modo ele
pesquisa se nós não fazemos se não o ensinamos também sirva como ponto de partida para outras
como fazer... Muito menos cobrar que nossos investigações e novos esclarecimentos.
alunos sejam questionadores, tomem suas próprias
decisões, sejam cidadãos críticos e politizados, se AGRADECIMENTOS
assim não formos. Paulo Freire (1999), nos alerta a
ensinar a ensinar pelo exemplo próprio.

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Agradeço aqui, a minha orientadora Simara MANCUSO, R. A. Evolução do Programa de
Maria Tavares Nunes por todo o empenho em Feiras de Ciências do Rio Grande do Sul.
desenvolver este projeto. Seus ensinamentos foram Avaliação Tradicional X Avaliação
muito valiosos na minha formação como futuro Participativa. Florianópolis: Dissertação
docente. Muito obrigado! Agradeço também ao (Mestrado em Educação)- Universidade Federal
PROBEC (Programa de Bolsas de Extensão e de Santa Catarina, 1993.
Cultura) e ao CNPq (Chamada
CNPq/CAPES/MEC/MCTIC/SEPED Nº 25/2017) MORTIMER, E.F. Uma agenda para a pesquisa em
pelo auxílio financeiro concedido. educação em ciências. Revista da ABRAPEC,
2004.
REFERÊNCIAS
MORAES, R; GALIAZZI, LIMA, V. M. do R.
ANON. B. L, HAMES, C e STUMM, C.L. Pesquisa em sala de aula: fundamentos e
Interações intersubjetivas na formação para o pressupostos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002.
ensino em ciências. In: Educação em Ciências:
Produção de currículos e formação de professores. NETTO, L. F. Feira de Ciências e trabalhos
2004. escolares: técnicas, normas e sugestões. <
disponível em: acesso em 02/04/2019>.
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC).
Secretaria de Educação Básica. Programa Nacional NUNES, S. M. T., LOBATO, D. F., ADAMS, F. W.
de Apoio às Feiras de Ciências da Educação As Feiras de Ciências da UFG/RC: Construindo
Básica: Fenaceb. Brasília: MEC/SEB, 2006. Conhecimentos Interdisciplinares de Forma
Prazerosa. REDEQUIM, v.2, n.2 (ESP), Set, 2016.
CHASSOT, A. I. Alfabetização Científica:
Questões e desafios para a Educação.. 3ed. Ijuí: PAVÃO, A. C. Feiras de Ciências: Revolução
Ed. Unijuí, 2003. Pedagógica. <Disponível em:
www.espacçciencia.pe.gov.br. Acesso em
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes 03/09/2019>.
necessários à prática educativa. Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 1999. SCHÖN, D. A. La Formación de Profesionales
Reflexivos. Hacia un nuevo diseño de
GALIAZZI M.C.; MORAES, R. Educação pela laenseñanza y el aprendizaje en las profesiones.
pesquisa como modo, tempo e espaço de Barcelona: Paidós, 1992.
qualificação da formação de Professores de ciências
Ciência & Educação. V. 8, n. 2, p. 237-252, 2002. RESPONSABILIDADE AUTORAL

IMBERNÓN, F La formación y el desarrollo “Os autores são os únicos responsáveis pelo


profesional del profesorado. Hacia uma nueva conteúdo deste trabalho”.
cultura profesional Barcelona: Ed. Graó, 1994.

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OFICINA TERAPÊUTICA DE ESCRITA COM ADOLESCENTES:
A ELABORAÇÃO DE UMA TRAVESSIA
Naves, Emilse Terezinha, emilsenaves@yahoo.com.br
Silva, Lorena Peixoto, lorena_peixoto8@hotmail.com

Universidade Federal de Goiás- Regional Catalão/ Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia


(IBIOTEC)

RESUMO- Esse artigo origina-se de uma oficina terapêutica de escrita com adolescentes no Centro de
Convivência do Pequeno Aprendiz (CCPA) na cidade de Catalão-GO, cujo objetivo é possibilitar uma escuta
psicanalítica dirigida aos adolescentes da referida instituição. Ao longo do artigo destaca-se alguns conceitos
teóricos referentes a adolescência, propondo um enlace entre as experiências desenvolvidas e as construções
psicanalíticas. A oficina foi realizada durante o segundo semestre de 2018 e o primeiro semestre de 2019.

Palavras-chave: Adolescência, Oficina Terapêutica, Psicanálise.

1. INTRODUÇÃO sobre questões inerentes adolescência na


contemporaneidade, como por exemplo, a
Este trabalho origina-se do projeto de automutilação a ideação suicida e o declínio da
Extensão “Escrita da Adolescência: Oficina de metáfora paterna.
Traços e Vozes na Elaboração de uma Travessia”
da Universidade Federal de Goiás- Regional 2. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A
Catalão (UFG), onde é desenvolvida uma oficina ADOLESCÊNCIA
terapêutica de escrita com adolescentes no Centro
de Convivência do Pequeno Aprendiz (CCPA) na A adolescência de acordo com Papalia e
cidade de Catalão- GO. O CCPA é uma instituição Feldman (2013, p. 386) é “uma transição no
subsidiada pela Prefeitura Municipal e visa ofertar desenvolvimento que envolve mudanças físicas,
aos seus usuários de 9 a 22 anos a aprendizagem de cognitivas, emocionais e sociais e assume formas
ofícios como os de artesão, corte de cabelo, variadas em diferentes contextos sociais, culturais,
maquiagem e micropigmentação, dança, inglês e o e econômicos”. Não obstante, a adolescência nem
curso de auxiliar administrativo. sempre teve a conotação adquirida na atualidade.
A oficina terapêutica de escrita objetiva De acordo com Ariès (1978) a
criar um lugar de fala e escrita, no qual, os adolescência com suas características peculiares e
adolescentes possam compartilhar suas experiências únicas surge no século XX, com a modernidade e
e possibilitar a elaboração de seus conflitos e após a implantação da concepção da infância como
angústias, além de contribuir para a construção de um momento da vida distinto da idade adulta e que
laços sociais e para a constituição dos processos necessita de atenção e cuidados diferenciados. Uma
identificatórios. das condições que também favoreceram o
No período da adolescência a relação com surgimento da concepção de adolescência no século
a linguagem é de transformação e reconstrução do XX foi a necessidade de se dedicar mais tempo a
que se compreende como sendo próprio, assim, há formação profissional especializada, o que fez com
um reinventar-se constante. Desse modo, o objetivo que os jovens demorassem mais tempo para entrar
desse estudo é construir uma discussão teórico e no mercado de trabalho, ou seja, mais tempo sob a
prática, por meio, dos construtos psicanalíticos e da tutela dos pais.
experiência obtida durante a oficina terapêutica. De acordo com Papalia e Feldman (2013),
Considerando o processo da escrita, no contexto da alguns pesquisadores atribuem a intensidade
adolescência, como um processo de produção de emotiva e a instabilidade de humor no inaugurar da
um espaço que vai além do âmbito familiar e adolescência aos desenvolvimentos hormonais. Há,
possibilita um espaço próprio que viabiliza a contudo, uma diferença entre a adolescência e a
construção de uma assinatura, uma singularidade, a puberdade, a última envolve alterações físicas, visto
apropriação de algo seu, a partir da identificação que, ocorre um aumento na produção do hormônio
com os traços maternos e paternos. Além disso, a liberador de gonadotrofina (GnRH) no hipotálamo,
produção da escrita de si faz emergir discussões o que “leva a uma elevação em dois hormônios

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reprodutivos fundamentais: o hormônio luteinizante readquirida pelo Complexo de Édipo nesta ocasião
(LH) e o hormônio estimulador dos folículos e a possível vivência de sedução ou de perseguição
(FSH)” (PAPALIA; FELDMAN, 2013, p. 387). por parte dos objetos (internos) parentais
Não obstante, a adolescência se situa contribuem para que o sujeito sinta-se violentado na
principalmente no campo social e tem sua adolescência.” (SAVIETTO; CARDOSO, p.19,
singularidade constituída a partir do meio, no qual, 2006).
está inserida. Salles entende que as “condições Desse modo, a adolescência demonstra-se
históricas, políticas e culturais diferentes produzem um momento conturbado, visto que, além da
transformações não só na representação social da retomada do complexo de Édipo o adolescente deve
criança e do adolescente, mas também na sua fazer um duplo luto pelo corpo: “o de seu corpo de
interioridade” (2005, p.34). Sendo assim, a criança, quando caracteres sexuais secundários
adolescência “deve ser pensada como uma colocam-no ante a evidência de seu novo status e o
categoria que se constrói, se exercita e se reconstrói aparecimento da menstruação na menina e do
dentro de uma história e tempo específicos”. sêmen no menino, que lhe impõem o testemunho
(FROTA, 2007, p. 154). [...] do papel que terão que assumir.”
(ABERASTURY; KNOBEL, p.14, 1981). Esses
2.1. Adolescência: um olhar psicanalítico processos vividos na adolescência abalam
fortemente as bases narcísicas.
A adolescência refere-se a um campo de A concepção do Ego é formada a partir do
investigação amplo nos estudos psicanalíticos, narcisismo, Freud em Introdução ao Narcisismo
tendo em vista que não submetida aos preceitos (1914) chama atenção para esse fenômeno
biológicos da puberdade, em psicanálise “a tônica é propondo que ele é indispensável a todos os
colocada nas repercussões psíquicas geradas pela sujeitos, desse modo, o narcisismo torna-se um
chegada do sujeito a essa etapa de sua vida.” estágio comum no desenvolvimento sexual
(SAVIETTO; CARDOSO, p.17, 2006). humano. A primeira relação que estabelecemos ao
De acordo com Oliveira “na adolescência nascer é com a figura materna, pessoa que cuida e
retornam-se as questões de identidade: quem sou supre as necessidades. O bebê em seus primeiros
eu. Trata-se de um replay dos estágios iniciais do meses de vida está extremamente dependente do
desenvolvimento, dependência relativa rumo à desejo dos pais e não experiencia perdas, “esse
independência, isto é, um segundo desafio” (2009, estado paradisíaco de perfeição e completude,
p.94). Desse modo, o desamparo que a princípio entretanto, está fadado a ser interrompido sob pena
referia-se a insuficiência psicomotora do bebê, de a criança não ascender ao estatuto de sujeito.”
significa na adolescência a “insuficiência do (ARAÚJO, p.80-81, 2010).
aparelho psíquico em dar conta do excesso de Com o tempo a criança passa a
excitação pulsional.” (SAVIETTO; CARDOSO, compreender que não é o objeto de desejo da mãe,
p.24, 2006). essa ferida narcísica primária faz com que o sujeito
Não obstante, na adolescência o se esforce para reatar com essa plenitude perdida,
desamparo retorna acrescido de arrogância, tentando reconquistar o seu amor. Isso faz com que
hostilidade e a necessidade de apoio e conforto a criança entre no segundo estágio do narcisismo
social, tendo em vista que, “na fantasia “ao qual Freud denominou de narcisismo do ego ou
inconsciente, crescer é, inerentemente, um ato narcisismo secundário, porque foi retirado dos
agressivo” (WINNICOTT, 1975, p.195), o objetos a partir dos processos de identificação com
adolescente sente que “está sozinho nesta busca de as figuras parentais ou seus representantes.”
conhecer-se, nesta construção de uma subjetividade (ARAÚJO, p.81, 2010). Savietto e Cardoso
própria, nesta reinstalação do seu si-mesmo.” apontam que “as falhas narcísicas que se
(FROTA, 2006, p.60) desenvolvem a partir do início da subjetivação
Freud em Os três ensaios sobre a teoria da também vão ressurgir por ocasião da adolescência,
sexualidade (1905) aponta que “como advento da quando está em jogo a tensão entre dependência e
puberdade, introduzem-se as mudança que levarão autonomia.” (p.21, 2006).
a vida sexual infantil à sua configuração definitiva O apoio dos pais torna-se indispensável
normal. O instinto sexual, que era nesse processo de desenvolvimento conturbado da
predominantemente autoerótico, encontra agora um adolescência, tendo em vista que, é necessária a
objeto sexual.” (FREUD, 1905/2010, p.121). presença dos pais para que os filhos sejam capazes
Diante da obtenção das capacidades reprodutivas de se desvincularem deles ou não, “o suporte
ocorre na adolescência uma reedição das vivências parental é, portanto, crucial para que a transação
do complexo de Édipo, adormecido no período de narcísica seja efetivada pelo adolescente. Isto
latência devido à impotência do corpo infantil para significa que, para serem capazes de investir em
efetivar o ato sexual incestuoso. Logo, “a força novos objetos, os filhos adolescentes têm que

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abandonar seus pais como objetos de desejo.” desesperado de um gesto de nominação que não
(SAVIETTO; CARDOSO, p.21, 2006). A renúncia carrega nada em si.” (BIDAUD, 2010, p. 179)
aos desejos incestuosos propicia uma mudança Logo, as condutas adolescentes de auto-mutilação,
significativa nos referencial identificatório. Desse inscrição no corpo sem nenhum endereçamento,
modo, para que o adolescente possa realizar parece indicar uma insistência em permanecer no
investimentos objetais secundários é indispensável agir para se proteger do encontro com a divisão
que ele se desvincule do modelo parental. Essa subjetiva entre o eu e o Outro.
reorganização impõe um luto da figura protetora Devido ao luto que deve ser realizado
dos pais. quanto ao corpo infantil, o adolescente, “parece
Para Winnicott (1975, p.194) “na época do encontrar-se ameaçado no seu valor de traço, dado
crescimento adolescente, meninos e meninas que seus antigos contornos modificam-se,” (LIMA,
canhestra e desordenadamente emergem da infância 2006, p. 68). Logo, o advento da adolescência exige
e se afastam da dependência, tateando em busca do um “retorno do estádio do espelho, quer dizer um
status adulto”. Paradoxalmente a imaturidade é uma “re-jogo” de troca de olhares, [que] engaja os
parte importante da adolescência, pois “nela estão sujeitos num posicionamento (a busca de sua
contidos os aspectos mais excitantes do pensamento posição) em sua relação à sua imagem própria e a
criador, sentimentos novos e diferentes, ideias de imagem do Outro.” (BIDAUD, 2010, p. 177).
um novo viver.” (WINNICOTT, 1975, p.198). Esse Desse modo, a adolescência pressupõe uma crise na
deslocamento entre a realidade interna e externa escrita, para a construção de novos traços e de uma
e/ou a alienação e a separação do Outro são parte assinatura que “tem a ver com o reconhecimento de
fundamental na constituição da subjetividade. um sujeito que é nomeado e que pode se contar
Transitividade essa que no campo da “abordagem entre outros” (BIDAUD, 2010, p. 177).
winnicottiana, envolve o exercício da dimensão de
transicionalidade, ou seja, do encontro com objetos 3. METODOLOGIA
da cultura intermediários que possam ser
apropriados e utilizados de forma singular por cada O projeto de Extensão “Escrita da
sujeito.” (COUTINHO; ROCHA, 2007, p. 75). Adolescência: Oficina de Traços e Vozes na
Elaboração de uma Travessia” propõe como
2.2. Adolescência e escrita metodologia a realização oficinas semanalmente no
Centro de Convivência do Pequeno Aprendiz
A mãe é o primeiro objeto de amor da (CCPA) da cidade de Catalão- GO, com duração de
criança, desse modo, nos primeiros momentos de uma hora, coordenada por duas alunas do curso de
vida “o que a criança busca, como desejo de desejo, Psicologia. A oficina foi composta por dez
é poder satisfazer o desejo da mãe. (LACAN, participantes, e mesmo sendo aberto a ambos os
1958/1999, p.197). Tendo isso em vista, Lacan sexos, foi composto exclusivamente por mulheres.
(1958) introduz como ponto axial do progresso do Sua dinâmica de funcionamento consiste no
complexo de Édipo a metáfora paterna que é um acolhimento inicial e em seguida na escrita livre
significante metafórico similar à castração apontada sobre o tema que vier à mente das participantes,
por Freud (1933), ela possibilita que a criança não desse modo, posteriormente são realizadas
se fixe na relação com a mãe construindo novos reflexões e pontuações quanto ao material
laços. Portanto, a metáfora paterna “propõe o produzido.
advento do recalcamento como marca do São realizadas supervisões semanais com
aparecimento da escrita.” (LIMA, 2006, p.64). as estagiárias a partir dos relatos que elas elaboram
Desse modo, a lei do pai possibilita a após o término de cada oficina terapêutica.
identificação com um novo traço que não o materno Para os objetivos desse estudo, tendo
e a constituição da noção do Eu. Esse “traço não como base o material clínico e os relatórios obtidos
aponta para uma unidade – já que ela é imaginária – na realização das oficinas foi realizado uma
, mas para a possibilidade de contar-se um entre os pesquisa bibliográfica de autores psicanalíticos para
semelhantes, assim como de marcar sua diferença compreender a constituição da adolescência, a
pelo seu traço, que é um, e, consequentemente, escrita e as oficinas terapêuticas, visando
singular.” (LIMA, 2006, p.65). desenvolver uma análise da escrita e das falas das
Bidaud (2010) aponta que uma das participantes a fim de compreender o alcance desse
assinaturas que marcam os sujeitos na dispositivo terapêutico no cuidado com a
contemporaneidade são as inscrições sobre o adolescência.
próprio corpo. Os cortes feitos pelos adolescentes
parecem testemunhar uma “falta em significar em
relação ao Outro. Elas são a marca cicatrizada de 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
uma escrita sem endereçamento, anúncio pobre e

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4.1. A Oficina Terapêutica- Caminhos para a que, como numa bola de neve, tem cada vez mais
construção de uma travessia dificuldade de conseguir.” (ALBERTI, 2010, p.
22).
A adolescência é um “longo trabalho de Nessa tentativa de reatar a relação perdida
elaboração de escolhas e um longo trabalho de com os pais as adolescentes, algumas vezes,
elaboração da falta no Outro.” (ALBERTI, 2010, p. encontram-se em uma encruzilhada, entre seus
10). De acordo com Coutinho e Rocha “neste re- desejos e o desejo do Outro, situação geradora de
encontro com o Outro na adolescência, é consenso angústia, visto que, “quando a integridade egóica é
entre os psicanalistas que trabalham com ameaçada, o sujeito é sinalizado por meio de
adolescentes a importância do espaço de grupo sensações de angústia.” (COSTA apud SAVIETTO;
como espaço de fala, de reconhecimento e de CARDOSO, 2006, p. 20). Nesse sentido, esse
suporte para novas identificações” (2007, p.77) desencontro e, consequente distanciamento,
Logo, a oficina terapêutica torna-se “um lugar de dificulta ao adolescente encontrar os caminhos para
sustentação psíquica, do holding, base para a dar vez aos processos de desindentificação e
reedificação do ‘espaço potencial’ – área alcance de novas identificações, podendo culminar
intermediária entre a realidade interna e externa; em em atuações desastrosas para sua vida.
outras palavras, lugar das experiências ligadas aos Logo, a fala e a escrita no espaço potencial
fenômenos e objetos transicionais.” (CARVALHO, que é a oficina terapêutica torna-se um meio pelo
2015, p. 93). Assim, as oficinas terapêuticas são um qual as adolescentes encontram a possibilidade de
setting com locus privilegiado, pois promovem um expressar-se e construir caminhos de mediação
espaço confiável e não invasivo. entre o ideal do eu e o eu ideal, efeito similar ao
De acordo com Coutinho e Rocha “o ocasionado pelos objetos transicionais no bebê.
grupo promove um fechamento em torno de um Winnicott aponta que “na relação com o objeto
sintoma, de uma fantasia, alimentada pelas transicional, o bebê passa do controle onipotente
identificações horizontais entre seus integrantes, de (mágico) para o controle pela manipulação
forma que o que surge dentro do grupo se constitui (envolvendo o erotismo muscular e o prazer de
em formações do inconsciente grupal.” (2007, coordenação).” (1975, p.23). Desse modo, o objeto
p.76). Frente a isso, o psicanalista se posiciona transicional permite que a criança suporte a
como um facilitador do processo de alienação e separação da mãe e caminhe da total dependência
separação constituintes do Eu na adolescência, em direção a uma dependência parcial.
desse modo, atuando na encruzilhada entre o desejo Na adolescência, quando ressurgem
do sujeito e o desejo do Outro. questões identitárias da primeira infância esse
Tal processo de identificação e processo de separação da figura dos pais retorna
desidentificação causa a sensação de desamparo, com maior vividez se intensificando, o que faz
insuficiência e abandono, algo que é recorrente na ressurgir também a necessidade de mecanismos que
fala e na escrita das adolescentes e que aponta para auxiliem o adolescente a elaborar e suportar a falta
um desencontro entre elas e os pais, desenlace que do Outro para constituir-se como sujeitos. Frente a
ocorre porque elas não conseguem suprir seus isso, a escrita pode adquirir status de objeto
desejos e expectativas. Desse modo, encontra-se transicional, visto que, torna-se de suma
presente na escrita das adolescentes frases como: importância para a constituição da subjetividade,
“minha mãe me xinga todo dia, fala que eu não pois, além de aliviar as tensões presentes frente ao
presto e que cada dia que passa ela desgosta de encontro com a realidade ela permite que o sujeito
mim” (M.L, 14 anos). “sabe quando você faz tudo adquira o sentimento de self.
para agradar as pessoas mas não é o suficiente, Lima aponta que “do declínio vertiginoso
então, eu passei esses últimos dias tentando agradar da metáfora paterna, o adolescente, pela escrita,
a minha mãe mas ela nunca estava feliz, eu tento apela à construção de imagens para o trabalho de
parar de fazer o que eu gosto só pra agradar ela e modelagem de contornos que lhe possibilitem
nunca está bom e nunca é suficiente” (M. 14 anos) existir.” (2006, p.70) Logo, a linguagem possibilita
O desencontro entre as expectativas e uma relação com o objeto perdido, estabelecida na
desejos dos pais e os desejos dos seus filhos fazem sua ausência e, que não apenas indica sua perda,
com que por diversas vezes ocorra um mas a construção de sentido. Assim, as
distanciamento entre eles. Uma das adolescentes adolescentes, por meio, da escrita na oficina
chega a relatar: “meu pai sumiu da minha vida” (M. terapêutica podem construir significados para seus
14 anos). O efeito da desistência dos pais em afetos.
relação aos filhos é devastador, visto que, Os relatos de automutilação, ideação
“desesperado e perdido, o adolescente então inicia suicida e tentativas efetivas de suicídio também são
uma busca que pode ser uma completa catástrofe na frequentes nas oficinas. “Tem dias que eu acordo
tentativa de alcançar novamente a mão dos pais, o com muita vontade de morrer” (K, 15 anos).

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“Tentei me matar, tomei vários remédios, tudo que contemporaneidade, torna-se cada vez mais
você pensar eu tomei, eu só queria morrer em paz.” indispensável a construção de espaços que
(B. 16 anos). Macedo e Werlang apontam que a possibilitem a expressão dos sentimentos e afetos
passagem ao ato ocorre, pois, “dor, compulsão à que perpassam essa fase.
repetição e ato se confundem na busca de dar fim a
algo que atormenta o sujeito. (2007, p.102) REFERÊNCIAS
A incapacidade de atribuir sentido à
angústia na adolescência faz com que muitas vezes ABERASTURY, A; KNOBEL, M. Adolescência
não se sintam escutadas e compreendidas. K. (15 Normal: Um enfoque psicanalítico. Porto Alegre:
anos) afirma:“ninguém nunca entenderá o que passa Artmed, 1981.
na mente de uma pessoa suicida, só ela entende o ALBERTI, S. O adolescente e o Outro. Rio de
que aquela confusão está causando ali dentro, nem Janeiro: Zahar, 2010.
sempre um suicida quer acabar com sua vida [...] ARAÚJO. M. G. Considerações sobre o
queremos é acabar com tudo de uma vez." A narcisismo. Estudos de Psicanálise.Aracaju, n. 34,
passagem ao ato está relacionado a incapacidade de p. 79-82, 2010.
atribuir sentido a algo que ingressou no psiquismo ARAÚJO, C. A. S. O autismo na teoria do
(MACEDO; WERLANG, 2007). Logo, a amadurecimento de Winnicott. Natureza
desesperança, a sensação de ser incompreendida e Humana. São Paulo. v.5, p.39-58. 2003.
de abandono feito pelos responsáveis, por vezes ARIÈS, P. História social da criança e da família.
torna-se “companheira e motor de combustão para a Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
busca de fim.” (MACEDO; WERLANG, 2007, BIDAUD, E. O adolescente e sua assinatura ou a
p.102). Nesses contextos, nos quais, o ato toma o reescrita do adolescente (2010). In: Escrita e
lugar da fala a escuta psicanalítica torna-se urgente, Psicanálise II. Curitiba, Editora CRV, 2010, p.
pois, pela via da transferência atua na repetição 175-182.
possibilitando a construção de palavras que CARVALHO, A. G. Adolescentes e Facebook: do
transformem o excesso pulsional. espaço potencial e ambiente suficientemente
bom à possibilidade de brincar na rede . Estudos
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS de Psicanálise. Belo Horizonte, n. 44, p. 91–100,
2015
A partir da experiência no Centro de COSTA, T. Psicanálise com crianças. 3 ed. Rio de
Convivência do Pequeno Aprendiz (CCPA) da Janeiro: Zahar, 2010
cidade de Catalão-GO é possível constatar que as COUTINHO, L. G; ROCHA, A. P. R. Grupos de
oficinas de escrita com adolescentes favorecem a reflexão com adolescentes; elementos para uma
construção de um trabalho grupal que é igualmente escuta psicanalítica na escola. Psicologia Clínica.
subjetivo e singular, podendo “favorecer a Rio de Janeiro. vol.15, n.2, p. 71-85, 2003.
circulação de sentidos e os deslizamentos FREUD, S. Três ensaios sobre a sexualidade. In:
significantes, com alguma repercussão possível nos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade,
modos de gozo dos sujeitos que delas participam, análise fragmentária de uma histeria (“o caso
atrelados às identificações e aos “lugares” ocupados Dora”) e outros textos (1901-1905). Obras
por eles no campo da cultura.” (COUTINHO; completas, vol. 6. Tradução de Paulo César de
ROCHA, 2007, p.81) Souza. 4 ª ed. São Paulo: Companhia das Letras,
A escuta psicanalítica nesse campo deve 2010. p. 20-155.
ser crítica e transformadora, preocupando-se com FREUD, S. Introdução ao Narcisismo. In:
manejo da transferência e o uso das palavras. Introdução ao Narcisismo, ensaios de
Mediando a construção de um espaço que propicie metapsicologia e outros textos (1914-1916). Obras
a elaboração dos afetos, desejos, anseios e vontades completas, vol. 12. Tradução de Paulo César de
dos participantes viabilizando a elaboração de Souza. 4 ª ed. São Paulo: Companhia das Letras,
novas saídas, novas identificações e novas 2010. p. 11-37.
possibilidades. FROTA, A. M. M. C. Diferentes concepções da
Por fim, almeja-se com esse estudo infância e adolescência: a importância da
contribuir para as discussões quanto à realização de historicidade para sua construção. Estudos e
oficinas terapêuticas com adolescentes. Não Pesquisas em Psicologia. Rio de Janeiro, v. 1, n. 1,
obstante, apesar dos resultados positivos, essa p. 144-157. 2007
experiência é apenas um recorte da realidade de FROTA, A. M. A reinstalação do si-mesmo: uma
algumas adolescentes da cidade de Catalão-GO, o compreensão fenomenológica da adolescência à
que leva a apontar a necessidade de mais pesquisas luz da teoria do amadurecimento de Winnicott.
sobre o tema, tendo em vista que diante das Arquivos Brasileiros de Psicologia. Rio de Janeiro.
questões que envolvem adolescência e v. 58, n. 2, p.51-66. 2006.

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LIMA, M. C. P. Sobre a escrita adolescente.
Estilos da Clínica, São Paulo. v. XI, n. 20, p.58-71.
2006.
MACEDO, M. M. K. WERLANG, B, S, G.
Trauma, dor e ato: o olhar da psicanálise sobre
uma tentativa de suicídio. Ágora, Rio de Janeiro,
v. XX, n. 1. p. 89-106. 2007.
OLIVEIRA, D. M. Contribuições para o estudo
da adolescência sob a ótica de Winnicott para a
educação. 2009. Dissertação (Mestrado em
Psicologia) - Centro de Ciência da Vida, PUC-
Campinas, Campinas.
OLIVEIRA, H. M; HANKE, B. C. Adolescer na
contemporaneidade: Uma crise dentro da crise.
Ágora, Rio de Janeiro. v. XX , n. 2, p. 295-310,
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PAPALIA, D. E; FELDMAN,R. D.
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SAFATLE, V. Depois da culpabilidade: figuras do
supereu na sociedade de consumo. In: DUNKER,
C.; PRADO, L. A. (orgs.). Zizek crítico: política e
psicanálise na era do multiculturalismo. São Paulo:
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SALLES, L. M. F. Infância e adolescência na
sociedade contemporânea: alguns apontamentos.
Estudos de Psicologia. Campinas, v. 22, n.,p. 33-41,
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SAVIETTO, B. B; CARDOSO, M. R.
Adolescência: ato e atualidade. Revista mal-estar
e subjetividade. Fortaleza, v.VI, n.1, p.15-43, mar.
2006.
SILVA, B. O. G; SATO, H. T; DALPIAZ, S. C.
Trabalhando com oficinas terapêuticas em estágio
profissionalizante em saúde mental: criando o
espaço potencial.
WINNICOTT, D. W. Um homem encara a
maternidade(1982). A criança e o seu mundo.
Tradução de Álvaro Cabral. 6 ed. Rio de Janeiro:
LTC Editora, 1982. p.15-19.
WINNICOTT, D. W. Objetos Transicionais e
Fenômenos Transicionais. (1975). In: O brincar e
a realidade. Tradução de José Octávio de Aguiar
Abreu e Vanede Nobre. Rio de janeiro: Imago,
1975. p. 13-44.
WINNICOTT, D. W. Conceitos Contemporâneos
de Desenvolvimento Adolescente e suas
implicações para a Educação. (1975). In: O brincar
e a realidade. Tradução de José Octávio de Aguiar
Abreu e Vanede Nobre. Rio de janeiro: Imago,
1975. p. 187-202.

RESPONSABILIDADE AUTORAL

“Os autores são os únicos responsáveis pelo


conteúdo deste trabalho”

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AUTOEXTERMÍNIO EM CATALÃO E CIDADES CIRCUNVIZINHAS:
DADOS E POSSIBILIDADES DE MUDANÇA.
Campos, Maurício, mcampos1975@gmail.com
Rocha, Guilherme Luiz, guilherme.avep@gmail.com 1
De Paula, Lucas Weilor Batista Leite, lucasweilor@gmail.com 2

1
Centro Universitário Una SANTA CRUZ
2
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia.

Resumo: O presente estudo analisou dados sobre o autoextermínio e as tentativas de autoextermínio na cidade
de Catalão – GO e cidades vizinhas. A pesquisa está vinculada ao projeto de extensão da Universidade
Federal de Goiás – RC, do curso de psicologia na Polícia Técnico Científica (PTC), em Catalão-GO. O
objetivo da pesquisa fundamentou-se em coletar dados sociodemográficos sobre o autoextermínio e tentativas
de autoextermínio em Catalão e cidades circunvizinhas, fazendo um comparativo com pesquisas nacionais do
Ministério da Saúde, entre outros órgãos. Deste modo, revisou dados bibliográficos sobre o tema para suporte
teórico e foi feito o levantamento de dados por meio de uma análise dos documentos no banco de dados do
Instituto Médico Legal nos anos de 2016 a 2018, e análise de documentos na Secretaria de Saúde Municipal
na cidade de Catalão, no departamento do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (NVE), e comparou-se com
dados nacionais. Para coleta de dados foram realizadas visitas à PTC e NVE. Os dados obtidos mostram uma
elevada taxa nos números de autoextermínio no ano de 2016, taxa de autoextermínio superior a nacional, e
vêm acompanhando uma baixa em relação aos anos seguintes, porém, mantendo taxas acima da média
nacional, exceto no ano de 2018, que apresentou média abaixo. Os dados revelam que majoritariamente são
homens que cometem suicídio. Já as tentativas revelam que mulheres e adolescentes estão mais expostos a
comportamentos suicidas e que o meio mais comum de tentativa é por intoxicação exógena e ingestão de
produtos de limpeza doméstica.

Palavras-chave: Autoextermínio. Suicídio. Tentativa de Suicídio.

1. INTRODUÇÃO Segundo a Organização Mundial de Saúde -


OMS (2016), em 2012, aconteceram mais de 800 mil
Cloves Antonio e Amissis Amorim (2015) suicídios no mundo, representando 1,4% de todas as
ao resenhar uma obra de Botega (2015) intitulada de mortes do mundo, sendo a segunda maior causa de
“Crise Suicida: Avaliação e Manejo” discorre que morte entre jovens de 15 a 29 anos. Ainda segundo a
“Em geral, lutamos pela vida e pensamos na morte OMS, a cada suicídio existem de dez a vinte tentativas
de forma genérica e abstrata, como algo distante. ” Já de autoextermínio. Os três países que apresentam
o paciente considerado suicida “é ameaçador, fere maior taxa de suicídio no mundo são: Sri Lanka
devoções e expectativas. Ao trazer a morte para mais (35,3/100 mil hab.), Lituânia (32,7/100 mil hab.) e
perto, ele desafia subterfúgios existenciais de quem o Coréia do Sul (32,0/100 mil hab.).
atende.” Sendo assim, o autor defende a ideia de que
mecanismos de defesa do aparelho psicológico são O Brasil apresenta uma taxa de suicídios
dispostos a fim de “evitar a percepção desse drama efetivados de 5,5/100 mil habitantes, segundo o
humano e proteger-nos”, desta forma “entram os Ministério da Saúde (2015). Em números absolutos, o
preconceitos, as crenças, a repulsa automática”, além Brasil figura entre os dez países com mais suicídios
da “noção que construímos a respeito do que deve no mundo (BOTEGA, 2013). Segundo o Ministério da
permanecer fora de nossa responsabilidade Saúde (2017) entre os anos de 2011 a 2015 o Brasil
profissional”. (Botega apud Amorim, 2015, p.2). teve 55.649 mil óbitos por suicídio, sendo que, os
homens têm quatro vezes mais chances de se matarem
É importante ressaltar que, o suicídio trata- do que as mulheres (8,7/100mil hab. x 2,4/100mil
se de um comportamento, pois, o autoextermínio não hab. respectivamente). Também foi constatado que
é um ato por si, sem sinais ou gatilhos; esses são independentemente do sexo, são os idosos que
manifestos na vida do suicida em diversos momentos obtiveram as maiores taxas relativas de suicídio
e de várias formas distintas, até as tentativas e o ato (8,9/100 mil hab.), sendo que os homens,
final, depois de muito sofrimento e pedidos velados principalmente solteiros ou viúvos continuam sendo
ou não de ajuda. (Bertolote et al. 2010. p. 588). os que mais cometem suicídio nessa faixa etária

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(17,1/100mil hab.) e as mulheres idosas (3,8/100mil analisados pelos extensionistas no ano de 2019 por
hab.). meio de três visitas à Polícia Técnico Científica (PTC)
de Catalão – GO, e seis visitas à Secretaria de Saúde
No entanto, é importante ressaltar que as Municipal na cidade de Catalão, no departamento do
mulheres, tentaram substancialmente mais vezes Núcleo de Vigilância Epidemiológica (NVE). As
contra a própria vida, além de apresentarem maior visitas tiveram duração de aproximadamente três
índice em comportamentos autolesivos, fator de risco horas para que fosse possível transcrever os dados. Os
importe para o comportamento suicida. dados foram transcritos para folhas para poderem ser
analisadas posteriormente. Os dados sobre
No período de 2011 a 2016, foram autoextermínio foram extraídos da PTC e os dados
notificados no Sinan 1.173.418 casos de violências sobre tentativas de autoextermínio foram extraídos do
interpessoais ou autoprovocadas. Desse total, NVE. A partir da coleta de dados dos anos de 2016 a
176.226 (15,0%) foram relativos à prática de lesão 2018, foi possível fazer a comparação com dados
autoprovocada, sendo 116.113 65,9%) casos em nacionais. Para tanto, fez-se comparação aos dados do
mulheres e 60.098 (34,1%) casos em homens. Ministério da Saúde do ano de 2018. A presente
Considerando-se somente a ocorrência de lesão pesquisa teve por base para suporte teórico autores
autoprovocada, identificaram-se 48.204 (27,4%) referência no assunto sobre o suicídio, como Neury
casos de tentativa de suicídio, sendo 33.269 (69,0%) José Botega, reconhecido nacionalmente sobre o tema
em mulheres e 14.931 (31,0%) em homens. (Boletim da tanatologia e o suicídio.
Epidemiológico, Secretaria de Vigilância em Saúde,
Ministério da Saúde. 2017).
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Catalão e região que abrange quinze
Como falado anteriormente, Catalão atende
municípios com uma população total estimada em
uma demanda populacional total estimada em 210,435
210,435 habitantes (IBGE. 2019) apresentou uma
habitantes, abrangendo quinze municípios em sua
taxa decrescente de suicídios de 2016 a 2018. Mesmo
contagem. (IBGE. 2019) No ano de 2016, Catalão
assim, as taxas chamam a atenção, considerando a
registrou um alto índice de suicídios. Já nos anos
taxa nacional de 5,5 suicídios a cada 100 mil
seguintes, em 2017 e 2018 apresentou uma taxa
habitantes. Catalão no ano de 2016 registrou uma
decrescente de suicídios. A Polícia Técnico Científica
taxa de 11,4 suicídios a cada 100 mil habitantes. Em
de Catalão-GO, que anteriormente abrangia quinze
2017 e 2018 as taxas decresceram, mas ainda no ano
municípios, a partir de 2018 reduziu-se para onze,
de 2017, a taxa de suicídios do município estava
resultando em uma população estimada de 164,576
maior que a taxa nacional. Os dados obtidos sobre as
(IBGE, 2019).
tentativas de suicídio mostram uma taxa alta e
crescente nos anos de 2016 a 2018, com 42 tentativas
O levantamento de dados feito junto à PTC
em 2016; 85 em 2017 e 104 em 2018.
de Catalão, como mostra a figura 1, mostra que em
2016, foram registrados 24 suicídios com uma taxa de
Os dados nacionais e internacionais são
11,4/ 100 mil hab. estando acima da média nacional
relevantes para demonstrar a gravidade do problema
que foi de 5,8/ 100 mil hab. no mesmo ano (BRASIL.
e produzir discussões desestigmatizadoras a respeito
2018). Em 2017, foram 14 suicídios com uma taxa de
do tema, levando as pessoas a pensar sem
6,6/100 mil hab. Em 2018 foram 8 suicídios na região,
preconceitos, pois, o julgamento só piora a sensação
contabilizando uma taxa de 4,8/100 mil hab.
de deslocamento do suicida, potencializando seu
sofrimento e por fim o ato final. (Botega et al, 2006, Figura 1. Suicídios por ano.
p. 219).
Suicídios em Catalão
Portanto, esta pesquisa e discussão têm
relevância acadêmica e social, proporcionando uma 40
noção da realidade de Catalão e região e oferecendo
aos psicólogos, profissionais da saúde e educação e 20
autoridades municipais, dados importantes para se 0
pensar políticas públicas e iniciativas populares para
2016 2017 2018
tratar o tema.
Suicídios em Catalão
2. METODOLOGIA
Fonte: Polícia Técnico Científica de Catalão, Goiás. 2019
Os dados obtidos para esta pesquisa foram
Os dados nacionais não são divulgados

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anualmente, portanto, o último ano que possui dados Figura 4. Suicídio por meses.
oficiais é o ano de 2016. Desta forma, serão
apresentados e discutidos dados em conjunto com
gráficos para melhor dinâmica de apresentação,
referentes ao ano de 2016 (com uma taxa de 24
suicídios; representando 11,4/ 100 mil hab.).

A figura 2 mostra a relação de gênero. Foi


discutido na introdução que as mulheres possuem
taxas maiores em relação às tentativas de
autoextermínio. Já os homens possuem as taxas de
suicídio mais elevadas. Fonte: Polícia Técnico Científica de Catalão, Goiás. 2019
Figura 2. Suicídios por gênero.
Figura 5. Suicídio por cidades

Fonte: Polícia Técnico Científica de Catalão, Goiás. 2019


Fonte: Polícia Técnico Científica de Catalão, Goiás. 2019.
Dando sequência aos gráficos relacionados
ao ano de 2016, em Catalão, apresentamos na figura Outro dado importante a ser notado está na
3 a variável da idade. Meses do ano na figura 4. figura 6, cujo meio pelo qual o autoextermínio
Depois, município de residência da vítima na figura ocorreu. Segundo os dados analisados, 91,6% das
5. É possível observar uma alta taxa por idade entre mortes foram realizadas por meio da asfixia mecânica.
27 e 31 anos, com 9 suicídios, e taxas de 4 suicídios Por outro lado, as tentativas de autoextermínio foram
entre as idades de 22 a 26 anos e 42 a 46 anos. Além realizadas por meio de medicamentos.
de 2 suicídios na idade de 72 e acima. O restante,
uma taxa de 1 suicídio por idade apresentada. É Figura 6. Meio utilizado para suicídio
possível observar na figura 4, que os meses com mais
elevada taxa de suicídio foram os meses de Agosto e
Novembro, e em sequência Março e Dezembro. O
município com maior índice de suicídios foi o de
Catalão, com 9, seguido por Pires do Rio e Ipameri.
Figura 3. Suicídio por idade.

Fonte: Polícia Técnico Científica de Catalão, Goiás. 2019

Partindo para os dados obtidos sobre as


tentativas de autoextermínio, deve ser lembrado que
as fichas analisadas eram exclusivas de residentes da
cidade de Catalão. As vítimas de tentativas chegam
Fonte: Polícia Técnico Científica de Catalão, Goiás. 2019 aos hospitais e na Unidade de Pronto Atendimento
(UPA).
Segundo os dados obtidos, houve uma
crescente nas tentativas de autoextermínio entre os
anos de 2016 e 2018. No ano de 2016 foi notificado
42 tentativas de autoextermínio, o que é um número

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relativamente baixo considerando a taxa de suicídio Figura 8. Meios mais utilizados em tentativas de suicídio.
no mesmo ano e as tentativas nos anos seguintes. Os
motivos são desconhecidos, podendo ser um número
verídico ou ainda ter ocorrido uma subnotificação
dos casos. No ano de 2017, as tentativas dobraram
em relação ao ano anterior e chegaram ao número de
85 tentativas. Já no ano de 2018, o número de
tentativas chegou a 104.

Os dados mostram que são as mulheres que


mais tentam, vide figura 7. Assim, no ano de 2016,
69% das tentativas ocorreram com mulheres; em
2017, 75%, e em 2018 foram 63%. O meio mais Fonte: Núcleo de Vigilância epidemiológica de Catalão,
comum utilizado foi através de medicamentos, 2019.
raticida e agrotóxico. A faixa etária que mais fizeram
tentativas foi entre as idades de 16 e 35 anos. Os Os gráficos relacionados à idade,
meses com mais tentativas foram os meses de representados na figura 9, mostram que no ano de
outubro e dezembro. E o local das tentativas foi a sua 2016, 15 das tentativas estão na casa dos 21 aos 25
própria residência. anos; em sequência 9 e 7 tentativas nas idades de 31 a
35 e 16 aos 20 anos. Em 2017 a faixa etária com mais
Figura 7. Tentativas de suicídio por gênero. tentativas foi a dos 31 aos 35 anos com 19 tentativas.
No mesmo ano, houve um aumento na taxa de
tentativas com idades menores, de 11 a 15 anos, 16 a
20, e 21 a 25 anos, com 12, 14 e 10 tentativas
respectivamente. Já em 2018, as idades menores
também apresentou uma alta ocorrência, a maior taxa
de tentativas por faixa etária foi dos 16 aos 20 anos
com 26 tentativas e na sequência, 18 tentativas dos 26
a 30 anos; 15 tentativas dos 21 aos 25 anos e 13
tentativas dos 31 aos 35 anos. As maiores idades ou a
terceira idade, apresentou um crescente, com 1
Fonte: Núcleo de Vigilância epidemiológica de Catalão, tentativa em 2016, 6 em 2017 e 9 em 2018.
2019.
Figura 9. Tentativas de suicídio separadas por idade.
Na sequência, os gráficos sobre os meios
mais utilizados e a idade, correspondentes às figuras
8 e 9, respectivamente. Colocaremos agora o gráfico
do ano de 2018 e discutiremos os dados numéricos
dos anos anteriores. O meio mais utilizado durante a
análise dos três anos foi a intoxicação exógena, aqui
por meio de medicamentos. Em 2016, das 42
tentativas, 30 delas foram por meio de
medicamentos, representando uma porcentagem de
71,4%. No ano de 2017, 85 tentativas, das quais 61
foram por meio de medicamentos, representando
71,7%. Já em 2018, das 104 tentativas, 68 foram por
meio de medicamentos, representando 65,3%. Os
outros meios mais utilizados nas tentativas foram por
meio do uso de raticidas e agrotóxicos. Alguns outros
Fonte: Núcleo de Vigilância epidemiológica de Catalão,
meios foram menos utilizados, como os acidentes 2019.
autoprovocados, automutilação, ingestão de
domissanitários e drogas, entre outros e não O último dado que apresentaremos aqui são
informados. os meses do ano em que mais houve tentativas,
apresentados na figura 10. No ano de 2016, o mês
com mais tentativas foi em dezembro, com 12
tentativas; em seguida os meses de agosto com 7
tentativas, julho e novembro com 5 tentativas. Em

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2017 o mês com mais tentativas foi em outubro com para homens. Percebe-se também que a taxa de
15; janeiro vem logo depois com 13 tentativas e os tentativas possui um número mais elevado sobre os
meses de fevereiro, março e julho com 12 tentativas números de suicídios, mesmo que a proporção não
em cada. No ano de 2018 o mês com mais tentativas chega a ser a mesma de acordo com a OMS de 10
foi novamente o mês de outubro com 17 tentativas; tentativas para cada 1 suicídio. É possível identificar
em seguida, julho e dezembro com 11 e 10 junto à análise dos dados um perfil ou um padrão de
tentativas; janeiro, setembro e novembro com 9 quem está em algum arranjo mais propenso a sofrer as
tentativas cada. tentativas e até o ato final, o suicídio. Para o suicídio é
identificado o padrão de homens com idades de 22 a
Figura 10. Tentativas de suicídio por mês. 31 anos por meio da asfixia mecânica. Para as
tentativas, o padrão são as mulheres com idade dos 16
aos 35 anos e o meio utilizado para tanto é feito por
meio de medicamentos.

Apresentamos dados obtidos junto à análise


dos documentos internos da PTC e do NVE. Esses
dados apresentados de forma quantitativa sem uma
discussão aprofundada sobre as variáveis.

Entendemos que o suicídio não é brincadeira.


A prevenção existe e deve ser feita por profissionais
especializados. Aos que se sentem desamparados ou
com pensamentos/ideações suicidas recomendamos
que procure ajuda especializada.
Fonte: Núcleo de Vigilância epidemiológica de Catalão,
2019. AGRADECIMENTOS
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Secretaria Municipal de Saúde que abriu
as portas e deu todo apoio necessário a coleta de
Foi possível observar diante os dados que o
dados imprescindível para a realização desse trabalho.
município de Catalão, em Goiás, possui índices de
suicídio elevados em relação à média nacional. Entre
A Polícia Técnico Científica que também
os anos analisados, o ano de 2016 foi o mais elevado,
disponibilizou de forma ética e responsável os dados
acompanhando uma baixa até o ano de 2018 nas
sobre os suicídios da região.
taxas de suicídio.
A todos que em algum momento se
Percebe-se uma queda importante nos
dispuseram a colaborar com esta pesquisa.
suicídios na região, em números absolutos e
relativos. Em 2016 e 2017 com taxas de 11,4 e 6,6
REFERÊNCIAS
estando acima da média nacional que é 5, 5 a cada
100mil habitantes, e 2018 com taxa menor que a
BERTOLOTE, J. M. MELLO-SANTOS, C.
média nacional com 4,8. Em contrapartida, os
BOTEGA, N. J. Detecção do risco de suicídio nos
números das tentativas de autoextermínio cresceram
serviços de emergência psiquiátrica. Revista
em relação ao ano de 2016. Foram de 42 tentativas
Brasileira de Psiquiatria. Vol. 32. Out 2010 pg. 587-
em 2016 para 104 tentativas em 2018.
595.
Faz-se necessário uma pesquisa qualitativa
BOTEGA, N. J. WERLANG, B.S.G. CAIS, C. F.S.
para entender quais fatores foram decisivos nessa
MACEDO, M. M. K. Prevenção do comportamento
diminuição dos óbitos por autoextermínio, além do
suicida. Revista Psico. Porto Alegre-RS. Nº37 set/dez
aumento das tentativas de autoextermínio. As causas
2006. pg. 213-220
podem ser variadas.
AMORIM, C. A. A. Crise Suicida: avaliação e
Foi possível identificar dois fatores que
manejo. Psicologia Argumento. Nº33. Jan/mai 2015.
citamos na introdução desta pesquisa. A taxa de
pg. 221-223
suicídios e tentativas de suicídio por gênero, na qual,
as taxas de suicídio são mais elevadas para homens e
BRASIL, Ministério da Saúde. Manual dirigido a
mais baixas para as mulheres, enquanto as taxas de
profissionais das equipes de saúde mental.
tentativas são mais altas para mulheres e mais baixas

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Secretaria de Atenção à Saúde. Out. 2006
OPAS, Brasil. Folha Informativa – Suicídio. Setor BRASIL, Ministério da Saúde. Boletim
de Embaixadas Norte. Ago. 2018. Disponível em: Epidemiológico. Secretaria de Vigilância em Saúde.
>https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_ Vol. 48. Nº30. 2017.
content&view=article&id=5671:folha-informativa-
suicidio&Itemid=839/< RESPONSABILIDADE AUTORAL
BRASIL, Ministério da Saúde. Prevenção do Os autores Maurício Campos, Guilherme
Suicídio: sinais para saber agir. Disponível em: Luiz Rocha e Lucas Weilor Batista Leite de Paula são
>http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio< os únicos responsáveis pelo conteúdo desse trabalho.

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MÃOS À OBRA: DICIONÁRIOS NAS SALAS DE AULAS
Galdino Ribeiro, Cacildo, gal_rib@hotmail.com1
Marques, Ludmila, ludmilamarques88@gmail.com2
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Coordenação de Extensão e Cultura/Orientador
2
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Educação

Resumo: O dicionário é um expediente didático privilegiado para o ensino da língua materna, porém utilizado
de modo limitado no ensino. Tendo em vista facilitar e qualificar o trabalho com dicionários em sala de aula,
este projeto tem por objetivo contribuir com a formação dos professores das escolas da rede municipal de
Catalão e consequentemente com a ampliação do conhecimento lexical dos alunos. Enfim, configura-se como
uma ação transformadora, viabilizando a transferência de conhecimento e a ampliação de oportunidades
educacionais, facilitando o acesso à cultura e ao processo de formação e de qualificação.
Palavras-chave: Léxico. Aquisição Lexical. Dicionário. Formação de Professores.
__________________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO Há vários tipos de dicionários, entre eles:


dicionário geral que tem por finalidade contribuir
com os seus consulentes sobre explicações e
O dicionário é uma obra lexicográfica que abarca significados das palavras de uma língua; o dicionário
o léxico de uma língua. Consoante Biderman (1998, infantil ilustrado serve para facilitar a assimilação das
p.91) crianças em relação ao significado das palavras; o
dicionário histórico, segundo Coelho (2008, p.30),
“o léxico de uma língua constitui uma propõe o registro do léxico de uma língua em tempos
forma de registrar o conhecimento do anteriores; os dicionários escolares são obras curtas
universo. Ao dar nomes aos referentes, o em descrição e tamanho, tendo como objetivo ser
homem os classifica simultaneamente. companheiro diário dos alunos no ambiente escolar.
Assim, a nomeação da realidade pode ser O dicionário escolar é uma ferramenta
considerada como a etapa primeira no pedagógica, um expediente didático para ser utilizado
percurso científico do espírito humano de no ensino da língua, embora seu uso seja de modo
conhecimento do universo”. limitado nas salas de aulas. Conforme Krieger
(2004/2005, p. 102),
Deste modo, a ampliação lexical também
qualifica as pessoas conforme elas vão tendo “Apesar do reconhecimento unânime de
consciência do que o léxico reflete na cultura em que suas funções didáticas, este tipo de obra é
estão inseridas. ainda um objeto bastante desconhecido e
O léxico pode ser observado a partir do falante, mesmo pouco explorado no ensino da
cada palavra representa uma realidade ou conceito língua materna”.
sobre algo, uma classe gramatical que servem para a
construção de frases, orações e textos a serem O Ministério da Educação disponibilizou às
materializados na fala ou escrita no intuito de se escolas públicas, por meio do Programa Nacional do
manter a comunicação entre as pessoas. Segundo o Livro Didático (PNLD) quatro acervos de dicionários
PNLD (2012) escolares, que contempla um Tipo de obra destinadas
às diversas etapas de ensino, que são: (BRASIL,
“Por sua proposta lexicográfica, um 2012. p. 19)
dicionário pode ser um instrumento
bastante valioso para a aquisição de Tipo 1 — para o 1º ano do EF;
vocabulário e para o ensino e a Tipo 2 — para o período entre o 2º e o 5º
aprendizagem da leitura e da escrita; e isso, ano do EF;
para todas as áreas e para todas as horas, já Tipo 3 — para o segundo segmento do EF;
que ler e escrever, dentro e fora da escola, Tipo 4 — para o EM.
fazem parte de muitas outras atividades”.
(BRASIL, 2012. p. 18) Os diferentes tipos de conhecimentos incluídos
ou inscritos nos dicionários, podem colaborar de

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forma significativa no processo de ensino e graduação em Estudos da Linguagem, pesquisadores,
aprendizagem, especificamente no que tange o e contou com a colaboração de alunos da graduação
desenvolvimento dos métodos de letramento e dos cursos de letras e pedagogia, promovendo,
aquisição da escrita (RANGEL, 2011, p. 51). portanto, o processo educativo, cultural e científico,
Neste sentido, o projeto Mãos à obra: dicionários pois articulara o ensino, a pesquisa e a extensão de
nas salas de aulas, surgiu de um estudo feito pelo forma indissociável.
coordenador do mesmo no ano de 2013/2014 que As oficinas foram divididas em cinco etapas: 1 -
percebeu a pouca utilização do dicionário durante as Léxico como sistema inventário da língua com as
aulas nas escolas públicas de Catalão/GO, assim este professoras Vanessa Regina Duarte Xavier e Maria
projeto propôs qualificar os professores da rede Gabriela Gomes Pires; 2 – Lexicologia e suas
municipal de educação acerca do léxico, lexicologia, interfaces composição e uso dos dicionários
lexicografia, motivando-os ao uso do dicionário nas ministrados pelas professoras Mayara Aparecida
aulas, contribuindo com a sua formação para serem Ribeiro de Almeida e Gabriela Guimarães Jeronimo
capazes de elaborarem atividades e aulas que e professora Luana Duarte Silva; 3 – Lexicografia
contribuam no aprendizado lexical dos alunos. Cabe com os professores Jozimar Luciovanio Bernardo e
ao professor analisar e compreender as propostas Rayne Mesquita de Rezende; 4 – Estrutura dos
pedagógicas dos dicionários. Segundo Antunes “o dicionários e ensino com a professora Maria Helena
dicionário é reduzido a um “guia ortográfico”, a um de Paula e com o coordenador Cacildo Galdino
“tira – dúvidas” sobre a grafia de ‘s’, ‘ss’, ‘ç’, ‘sc’, Ribeiro; 5 – Ludicidade e modelos de atividades
entre outros” (ANTUNES, 2012, p138/139). Deste lúdicas para o ensino do léxico. A paráfrase como
modo, o dicionário ainda não obteve o espaço que ferramenta para o ensino do léxico: modelo de
merece como ferramenta didática no ensino da língua atividades ministrado pela professora Eliana Dias.
materna. A ferramenta de avaliação e coleta de dados
Assim, foram ministradas oficinas para os utilizada foi o questionário aberto. Aplicamos de
professores que atuam na rede municipal de 02(dois) questionários, o quais foram aprovados pelo
educação, e, posteriormente, os dados coletados por Comitê de Ética. A aplicação do questionário 01
meio de questionários, foram analisados para serem ocorreu no início do curso, para aferirmos os
publicados, podendo assim, contribuir para futuras conhecimentos dos professores acerca do ensino do
pesquisas quanto ao uso do dicionário. Este é um léxico via dicionários; a aplicação do questionário 02
projeto de extensão e pesquisa pois, o projeto de aconteceu ao final do curso para aferir os
extensão precisa ser uma forma de intervenção e de conhecimentos dos professores após as oficinas,
conteúdos elaborados o qual pretende compartilhar sendo o questionário 01 com 23 questões e o
conhecimento entre a comunidade interna e externa, questionário 02 com 21questoes, todas relacionadas
e houve troca de saberes com a comunidade externa ao dicionário.
como também a coleta de dados para análises e Todo material bibliográfico impresso utilizado
publicação de resultados. nas oficinas foi disponibilizado gratuitamente aos
professores, foram utilizadas pesquisas de: Antunes,
2. METODOLOGIA 2012, p. 142; Batista, 2011, p. 21; Biderman, 1984,
p.139; Biderman, 2006, p.35-36; Brasil, 2012;
O projeto previu a disponibilização de 70 vagas Carvalho, 2011; Haensh, 1982; Houaiss, 2009; entre
para serem preenchidas por professores da rede outras.
municipal de ensino de Catalão, do 4º e 5º anos do As atividades ministradas para os professores nas
Ensino Fundamental I, entretanto, somente 32 oficinas aconteceram no primeiro semestre do ano de
professores se inscreveram, 15 participaram das 2019, abordando os seguintes temas:
oficinas e 10 finalizaram o curso. 1 - Léxico como sistema inventário da língua com as
No período de agosto de 2018 a julho de 2019 a professoras Vanessa Regina Duarte Xavier e Maria
equipe executora do projeto se ocupou da leitura e Gabriela Gomes Pires, em que a língua é constituída
seleção de bibliografias acerca dos eixos temáticos por meio da nomeação, apresentando o texto
que seriam trabalhados em cada etapa da formação “Marcelo, marmelo, martelo, da autora Ruth Rocha”,
dos professores. a leitura é muito importante para conhecer novas
A formação dos professores foi realizada no palavras, além da interação com as outras pessoas,
formato de oficinas, realizadas nos Auditórios Profa. pois, o léxico é todo vocabulário da língua e que pode
Sirlene Duarte e Profa. Lívia Abrahão, nas datas: 16 ser observado pelos falantes.
e 23 de fevereiro; 16 e 23 de março; 13 e 27 de abril; 2 – Lexicologia e suas interfaces composição e uso
18 e 25 de maio e 08 de junho de 2019, portanto aos dos dicionários ministrados pelas professoras Mayara
sábados, das 8h às 12h. Aparecida Ribeiro de Almeida e Gabriela Guimarães
Os conteúdos foram ministrados por professores Jeronimo e professora Luana Duarte Silva,
do curso de letras, alunos do programa de pós- ministraram que a língua é um sistema em contato

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constante com o mundo, pois ela interpreta a já no questionário 02 na mesma questão a resposta já
realidade do homem, seja sua cultura ou seu modo de foi diferente: “Dicionário escolar”.
viver. O participante 05-5 no questionário 01 na
3 – Lexicografia com os professores Jozimar pergunta: Você sabe o que é lexicologia? Sua resposta
Luciovanio Bernardo e Rayne Mesquita de Rezende, foi: “Fiquei em dúvida, mas acho que se relaciona a
apresentaram tipos de obras lexicográficas, para que formação e significado das palavras”, já no
os professores pudessem conhecer e manuseá-los, questionário 02 não havia, mais dúvida, pois sua
tomando conhecimento de como é a composição de resposta foi “ Palavras de uma língua em todos os seus
um dicionário, pois, o dicionário é um auxílio para se aspectos (etimologia, formação de palavras...) está
compreender o sentido das palavras. próximo da semântica”.
4 – Estrutura dos dicionários e ensino com a O participante 07-5 no questionário 01 na
professora Maria Helena de Paula e com o questão: Você sabe o que é léxico? Sua resposta foi:
coordenador Cacildo Galdino Ribeiro, como é a “Não. Bem confuso. Kkk”. Na mesma pergunta do
estrutura, políticas, formas de uso dos dicionários questionário 02 respondeu o seguinte: “Conjunto de
escolares. palavras”.
5 – Ludicidade e modelos de atividades lúdicas para O participante 04-5 na questão: Você sabe o que
o ensino do léxico; A paráfrase como ferramenta para é verbete? Do questionário 01, apresentou a resposta:
o ensino do léxico: modelo de atividades com a “Anotação, comentário”, no questionário 02
professora Eliana Dias, da Universidade Federal de respondeu: “Texto escrito, de caráter informativo,
Uberlândia, que apresentou aos professores exemplos destinado a explicar um conceito”.
de atividades que suas alunas de mestrado Perante as analises, verifica-se que o número de
desenvolveram durante o estudo, e que obteve professores que antes não havia ouvido falar de léxico
grandes resultados. compreendia 11 questionários, e somente 01 havia
Ao final de cada oficina houve também estudado sobre o assunto nas disciplinas do curso de
atividades lúdicas para que os professores pudessem letras. Portanto, após o termino do projeto todos
complementar o aprendizado e assim colocar em obtiveram resultados positivos quanto ao estudo do
prática na sala de aula, atividades como: cruzadinhas; léxico.
quebra-cabeça; jogo da memória; criar palavras e As atividades realizadas ao final de cada oficina
definir o seu significado, como se fosse um proporcionaram momentos de interação entre os
dicionário; atividades que proporcionaram momentos participantes que perceberam o quanto o lúdico é
de interação não somente entre o grupo, mas entre os importante para ampliação lexical de seus alunos, que
profissionais também. a cada momento o léxico se amplia e está em
constante movimento, acompanhando a realidade, e
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO também, que os exercícios com palavras soltas não
ampliam o vocabulário do aluno.
As atividades do projeto possibilitaram aos Entre as atividades propostas, uma delas
professores, quanto ao papel do professor no processo propunha que os participantes fizessem duplas, cada
de ensino e aprendizado do léxico, bem como utilizar participante deveria dizer uma palavra, esta seria
o dicionário de maneira lúdica em sala de aula, nas definida pelo seu par, como fosse um dicionário. As
atividades de leituras, produção de textos e duplas revezavam as posições de perguntas e
comunicação, portanto, uma ferramenta pedagógica respostas. Em outra atividade os participantes
eficaz no aprendizado da língua, aumentando assim o puderam reconhecer a importância do dicionário
vocabulário do aluno. escolar, por meio da leitura de um texto com palavras
O número de professores inscritos nas oficinas desconhecidas, a utilização do dicionário seria um
foi de 32(trinta e dois), porém iniciamos com excelente recurso didático para o esclarecimento de
15(quinze) professores, e no decorrer do curso houve dúvidas sobre os significados das palavras.
desistência de 05(cinco) educadores. Ao analisar os Portanto, segundo Coroa (2011, p. 72)
questionários verificamos que os professores
compreenderam o estudo acerca do léxico, “Livros didáticos, dicionários e outros
lexicografia, lexicologia, e como utilizar o dicionário materiais que dão suporte às atividades
nas aulas, visto que, ao iniciar o curso alguns até didáticos-pedagógicas trazem para sala de
disseram que nunca tinham ouvido falar a respeito do aula diálogos com a história, com a
léxico. diversidade social, com instituições
Como podemos perceber nas respostas dos nacionais e com experiências pessoais”.
professores, por exemplo o participante 11-4 no
questionário 01 na pergunta: Qual tipo de dicionário Neste sentido, o dicionário utilizado em sala de
você utiliza em sala de aula? A resposta foi “Não sei”, aula possibilita ao aluno complementar as

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informações que o livro didático não oferece nas BIDERMAN, Maria Tereza Camargo. Dimensões da
atividades de leitura e produção de texto. palavra. Filologia e Linguística Portuguesa, n. 2, p.
81-118, 1998.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS BIDERMAN, Maria Teresa Camargo. O dicionário
padrão da língua. Alfa, v.28, p. 27-43, 1984.
Considerando as leituras realizadas, as oficinas BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de
oferecidas, tivemos a oportunidade de aprimorar o Educação Básica. Com direito à palavra:
nosso conhecimento sobre uma ferramenta dicionários em sala de aula / [elaboração Egon
pedagógica que é bastante eficaz na ampliação do Rangel]. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria
vocabulário dos alunos, bem como utilizá-la de de Educação Básica, 2012.
maneira lúdica em sala de aula, e, também COELHO, Braz José. Linguagem – lexicologia e
compartilhar com os colegas da escola. ensino de português. Catalão: Kaio Gráfica e Editora
Vale ressaltar que não há cursos sobre esta Ltda, 2008, p. 13-43.
temática nas graduações na Universidade Federal de COROA, Maria Luiza. Para que serve um
Goiás - Regional Catalão, assim, as oficinas dicionário? In: CARVALHO, Orlene Lúcia de
propiciaram aos participantes conhecimento acerca Sabóia; BAGNO, Marcos (org.). Dicionários
do léxico e consequentemente ampliar o escolares: políticas, formas e usos. São Paulo:
conhecimento lexical dos alunos, por meio de Parábola Editorial, 2011. p. 61-72.
atividades com uso frequente do dicionário em sala KRIEGER, Maria da Graça. Dicionários para o
de aula. ensino de língua materna: princípios e critérios de
escolha. In: Revista Língua e Literatura. 2004/2005.
AGRADECIMENTOS v.6 e 7. n. 10/11. p. 101-112.
RANGEL, Egon de Oliveira. Dicionários Escolares
Agradeço ao coordenador Cacildo Galdino e Políticas Públicas em Educação: a relevância da
Ribeiro, pela oportunidade de ter participado deste “proposta lexicográfica”. In: CARVALHO, Orlene;
projeto, pela grande contribuição em minha formação BAGNO, Marcos. (Orgs.). Dicionários Escolares:
acadêmica. políticas, formas e usos. São Paulo: Parábola
Editorial, 2011. p. 37 - 60.
REFERÊNCIAS
RESPONSABILIDADE AUTORAL
ANTUNES, Irandé. Território das palavras -
estudo do léxico em sala de aula. São Paulo: “O autor é o único responsável pelo conteúdo deste
Parábola Editorial, 2012. p. 135-150. trabalho”.

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LUTAS – CULTURA CORPORAL E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS/ 2019

Vicente de Paula, Maristela1, maristela.vicente.paula@gmail.com


Aires da Silva, Jamilson1 jamil.aires@hotmail.com
Mendes da Silva, Raul1
da Fonseca Neto, Augusto César2
Ribeiro da Silva, Leonardo3
Naves Camacho Sanches, Ânella 4
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de
Biotecnologia/Curso de Educação Física
2
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de
Biotecnologia/Curso de Medicina
3
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de História e Ciências
Sociais/Mestrado Profissional em História
4
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Engenharia/Curso
de Engenharia Civil

Resumo: O Projeto Lutas – Cultura Corporal e Práticas Pedagógicas, tem como propósito propiciar o acesso de
crianças, jovens e adultos, às diversas modalidades de Lutas que sejam possíveis de oferecer no espaço do
Laboratório de Lutas do Curso de Educação Física/ UFG-RC/IBiotec, bem como também, proporcionar um
espaço de formação e qualificação de professores para trabalhar com a temática das Lutas principalmente no
âmbito da escola formal, como conteúdo das aulas de Educação Física. Tal projeto busca divulgar os saberes que
são inerentes as Lutas, propiciando práticas pertinentes a formação humana e práticas pedagógicas do âmbito
do saber do professor de Educação Física. São oferecidas as modalidades de Lutas conforme a disponibilidade
de horários e de colaboradores para ministrar as aulas. No ano de 2019 o projeto está oferecendo as modalidade
Capoeira, Jiu Jitsu, Judô e Muay Thai.

Palavras-chave: Lutas. Cultura Corporal. Prática Pedagógica


___________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO oportunidade de formação em diferentes expressões


dos sistemas de Lutas, na perspectiva de ampliação de
O presente estudo trata do projeto de extensão e seus repertórios da cultura corporal, na busca de
cultura chamado Lutas – Cultura Corporal e Práticas favorecer sua presença na escola, colaborando com o
Pedagógicas, foi criado para atender demandas de processo de formação inicial de professores, dando
democratização do ensino das Lutas, considerando as suporte a proposta de ensino de Lutas desenvolvido
dificuldades de acesso tanto da comunidade externa na disciplina de Metodologia de Ensino e Pesquisa
quanto da comunidade interna da universidade a esses em Lutas, oferecida no 6º período do Curso de
conhecimentos e práticas, uma vez que o processo de Licenciatura em Educação Física da UFG/Regional
ensino-aprendizado ainda está muito limitado as Catalão/ IBiotec.
escolas de Lutas que são de domínio privado.
Entendendo a importância cultural, artística e 2. O DESAFIO DO ENSINO DAS LUTAS
também o papel que exerce sobre a formação humana,
o projeto abre espaço para as diversas manifestações As Lutas, são sistemas complexos de combate
de Lutas, estimulando que o maior número possível elaborados ao longo da história da humanidade por
de pessoas de todas as idades possam vivencia-las e diferentes povos e culturas, que na
se possível cultivá-las como um componente contemporaneidade foram difundidos em decorrência
importante para sua formação ao longo de sua dos avanços tecnológicos que dinamizaram as formas
trajetória de vida, aprendendo não somente seu de locomoção e os meios de comunicação de massa,
gestual, mas sobre sua origem, seus valores, sua tornando-os conhecidos popularmente, contudo,
importância para seu povo de origem e para a ainda são de pouco acesso enquanto cultura corporal
humanidade. na composição dos saberes relevantes para a
Especialmente, o projeto busca também propiciar formação humana.
aos acadêmicos do curso de Educação Física

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Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) da Noronha e Pinto (2004) sistematizam experiências
Educação Física, preveem o ensino do conteúdo de bem sucedidas do ensino do conteúdo de Capoeira na
Lutas na escola, reconhecendo seu inestimável valor escola, durante a formação de professores através da
cultural, defendendo a ocupação sistemática desse disciplina de Estágio, garantido o percurso de uma
conteúdo na aula de Educação Física e não somente temática que envolveu todo o processo histórico, a
como treinamento opcional como tradicionalmente é violência contra o povo africano escravizado no
incorporado nas escolas, principalmente particulares, Brasil, a musicalidade e a gestualidade que compõem
pois, nas escolas públicas tem se configurado a Capoeira, apresentando um caminho viável para o
simplesmente como ausente. ensino das Lutas na escola.
Antes mesmo do lançamento dos PCN, Soares et Na pesquisa realizada por Bertazzoli; Alves;
al (1992) já afirmava a cultura corporal como Amaral (2008) buscou-se a viabilidade de aplicação
conhecimento a ser tratado na escola pela disciplina de instrumentos metodológicos para o ensino da
Educação Física, que utiliza a linguagem corporal capoeira numa perspectiva crítica. Como método de
como forma de expressão e que tematiza, a ginástica, investigação utilizou-se a observação participante e
a dança, os esportes, os jogos e as lutas como os em seguida sistematizam uma metodologia de ensino
conhecimentos pertinentes a serem tratados na cujo eixo norteador foi a socialização articulada as
educação formal. ações, na perspectiva de levar à solução de
Estudos como o de Nascimento e Almeida (2007) problemas, à criação de movimentos e à reflexão
mostram as restrições e possibilidades que o conteúdo coletiva.
de Lutas vem enfrentando para ocupar o seu lugar no Cartaxo (2011) também aponta os jogos de
âmbito da cultura corporal na escola. Os autores combate como conteúdo e procedimento
apontam como principal fator limitante de seu ensino, metodológico favorável para o ensino das Luta,
a deficiência na formação dos professores de principalmente para crianças, entendendo a
Educação Física que não se sentem qualificados para necessidade de proceder tratamento pedagógico
trabalhar esse conteúdo na escola, uma vez que o adequado a melhor apropriação do conteúdo das
mesmo não pertenceu a sua formação nem anterior, Lutas nessa faixa etária, possibilitando a descoberta
nem posterior a graduação, e na licenciatura, a de fundamentos das Lutas em atividades de caráter
formação oferecida tem por vezes se mostrado eminentemente lúdicos.
insuficiente. Os autores apontam também como Nessa mesma direção Cazetto (2008),
problema enfrentado, a associação das Lutas a problematiza o processo de construção do ensino das
violência, aspecto que leva a exclusão desse lutas na escola, superando os preconceitos existentes
conteúdo, pela não compreensão da sua em torno da ideia de que motive a violência,
ressignificação na contemporaneidade e indicando um percurso de conscientização e
desconhecimento das regras de conduta que são formação básica fundamental para a cultura das lutas
inerentes as diferentes práticas de Lutas. e sua participação em sua sociedade, mais elaborada
Fonseca; Franchini; Del Vecchio (2013) e enriquecida por bens culturais.
pesquisam o conhecimento declarado pelos docentes A preocupação central de Gomes et al (2010) foi
sobre a prática de lutas nas aulas de educação física, de classificar e identificar princípios comuns no
que em maioria manifestaram que não se sentem ensino das lutas, foram aplicadas entrevistas
qualificados para o trato desse conhecimento na semiestruturadas com professores de educação física
escola, demandando políticas de formação inicial e que atuam em distintas modalidades de lutas, através
continuada que considerem a necessidade de de uma investigação qualitativa de caráter descritivo
capacitação para os professores. e analítico. Concluem que existem princípios comuns
Ueno e Sousa, (2014) ao realizar uma pesquisa de norteadores para o ensino global das lutas e apontam
cunho qualitativo que aborda as percepções de para a possibilidade do ensino de modo ampliado das
estudantes de uma escola estadual da cidade de Lutas, antes da prática especializada, permitindo o
Goiânia/GO sobre a relação agressividade e lutas desenvolvimento mais amplo e consciente do aluno.
tematizadas nas aulas de educação física, concluiu Silva (2011) em seu estudo sobre a formação de
que há uma distorção na representação das lutas e professores continuada para o trato do ensino das
uma associação com a temática violência. Conforme Lutas na escola, aponta as dificuldades que se
os resultados da pesquisa, os autores indicam a apresentam na formação inicial e indica a necessidade
necessidade do trato pedagógico, pela disciplina da construção para o ensino-aprendizado que
educação física, buscando de forma a provocar o compreendam interações gestuais no contexto da
debate qualificado em torno do tema na perspectiva experiência com a capoeira, como uma das
de superação da visão, que se constrói diante da expressões do conteúdo de Lutas na escola.
ausência desse conteúdo na escola. Carvalho, Santos e Paula (2017) realizaram um
Embora a falta de material pedagógico específico estudo sobre a produção científica (2006-2016) que
também seja apontado como um fator limitante, envolve o ensino das lutas nas aulas de educação

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física por meio dos artigos publicados em revistas de e Artes Marciais Mistas, nos seus aspectos de
grande expressão da área, tendo como objetivo fundamentação técnica, histórica, cultural e ética,
elaborar um panorama sobre a produção científica como vistas a proporcionar elementos de formação
que contemple o ensino das lutas na escola. Os para temáticas pertinentes as lutas, tanto quanto da
autores concluem que a produção científica vem vivência do gestual próprio de cada uma delas; 2)
superando uma fase de denúncia da ausência do ampliar a formação dos alunos da licenciatura sobre
conteúdo lutas e aponta estratégias e metodologias uma temática das lutas, possibilitando o exercício da
para o ensino, articulado a formação continuada e a prática pedagógica; 3) estimular vivencias voltadas
realidade escolar, o que demostra um novo momento para a saúde e qualidade de vida a partir de práticas
da produção da área sobre a temática que avança no corporais experimentadas através das lutas.
sentido de compartilhar experiências de sucesso nas Assim, o Laboratório de Lutas, através do Projeto
práticas pedagógicas no ensino da lutas na escola. de Extensão, tem possibilitado ação e reflexão
Como pode-se observar, o trabalho de Fabiani; pedagógica, bem como o exercício da estética das
Scaglia; Almeida (2016) tematiza os processos de Lutas, na sua linguagem corporal que fala da história
ensino, vivência e aprendizagem da Luta para de povos, que remonta sua cultura e valores, em parte
crianças por meio do jogo. Trata-se de uma preservados, em parte modificados pelas estruturas do
proposição fundamentada no referencial histórico- tempo e dos interesses que perpassam o processo
cultural que apresenta estratégias pedagógicas que histórico.
valorizam o jogo de faz de conta como mediador dos
processos de aprendizagem, criando um universo 3. METODOLOGIA
contextualizado para o ensino da Luta.
Como o debate acadêmico constata a participação O projeto Lutas – Cultura Corporal e Práticas
ainda inexpressiva do conteúdo das Lutas na escola, Pedagógicas é desenvolvido no Laboratório de Lutas
pode-se presumir que esse seja a causa e também a do Curso de Educação Física – UFG/RC/IBiotec.
consequência do desconhecimento da grande massa Embora em outros anos tenha sido oferecidos outras
da população brasileira acerca dos saberes e das modalidades de Lutas, no ano de 2019 o projeto está
práticas que envolvem as Lutas. Mesmo a Capoeira, disponibilizando o ensino gratuito das seguintes
considerada uma Luta originalmente brasileira, modalidade de Lutas: Jiu Jitsu, Judô, Muay Thai,
enfrentou e ainda enfrenta, preconceitos de várias Capoeira e Grapling. As modalidades são oferecidas
naturezas, envolvendo aspectos de etnia, de acordo com a disponibilidade de monitores
religiosidade e em certa medida, até mesmo voluntários que se envolvem o projeto.
diferenças de classe social. A comunidade interna e externa é convidada a se
Esses aspectos nos fazem refletir o desafio que matricular nas modalidades de Lutas oferecidas pelo
está colocado para que a população brasileira tenha projeto, de acordo com seu interesse e conformidade
acesso as Lutas, como conhecimento produzido pela com os horários disponibilizados. As modalidades
humanidade, uma vez que, por excelência, o espaço oferecem, aulas duas a três vezes por semana, com
da escola que deve proceder a maior democratização duração entre uma e duas horas cada. As aulas são
do conhecimento, ainda enfrenta muitas barreiras ministradas por acadêmicos do Curso de Educação
com relação ao ensino das Lutas e não identificamos Física e de outras cursos, contando também com
outra política pública que ofereça gratuitamente o voluntários da comunidade externa com formação
ensino das Lutas, possibilitando assim o acesso de específica em uma modalidade de Lutas, uma vez que
todos(as). existe o entendimento que no Brasil a formação de
Assim, torna-se de fundamental importância, professores de Lutas se dá pelas entidades que os
propiciar espaços de ensino-aprendizagem do representam, sejam Confederações ou Federações.
conhecimento das Lutas, propiciando, ao mesmo No caso, o Curso de Licenciatura em Educação
tempo, acesso ao arcabouço de conhecimentos Física, cabe a formação de professores para atuar em
gestuais, históricos e culturais dessas manifestações, espaços de ensino, principalmente da Educação
além de propiciar o exercício da prática pedagógica formal, no qual o conteúdo das Lutas deve ser
na formação de professores de Educação Física que garantido junto aos demais previstos.
ora podem ocupam o lugar de aprendizes, ora podem Realizamos divulgação do projeto através de
assumir a docência em formação. cartazes e panfletos. Foram divulgados em salas de
As atividades do Projeto Lutas – Cultura Corporal e aula da UFG/Regional Catalão e de escolas da rede
Práticas Pedagógicas estão sistematizadas a partir dos estadual e municipal no entorno da universidade. Os
seguintes objetivos: 1) Promover o acesso da encontros para planejamento e estudo concentraram-
comunidade interna e externa, sem restrição de idade, se principalmente em sistematizar as ações descritas
as noções básicas de lutas envolvendo modalidades e providenciar as condições necessárias as
com o Judô, o Taekwondo, o Karatê, o Muay Thai, apresentações.
Capoeira, Kickboxing, Kung Fu, Jiu Jitsu, Grapling.

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Estamos realizando levantamento das produções aos conhecimentos e práticas de Lutas, para o que se
acadêmicas que tematizam o conteúdo das lutas, espera que a médio prazo modifique sensivelmente a
nesse primeiro momento privilegiando aquelas que percepção ainda equivocada e por vezes
abordam as lutas na escola e práticas pedagógicas, preconceituosa, no senso comum, em torno da Lutas
com perspectiva de montar um pequeno banco com na comunidade local, buscando também construir
esses arquivos para o acesso e fundamentação do uma identidade em torno da prática das Lutas, sendo
projeto. ético e de comprometimento com o próprio processo
Assim, o presente projeto tem papel na de aprendizagem dessas que são manifestações
articulação da relação, ensino, pesquisa e extensão culturais com raízes milenares.
que compõe o processo de formação acadêmica de Entende-se que os desafios que se apresentam
professores de Educação Física, verticalizando os ainda são significativos para que pessoas de grupos
conhecimentos sobre as Lutas tratados na grade sociais e etários diferentes busquem o conhecimento
curricular da graduação pela disciplina Fundamentos e a prática das Lutas como uma forma de exercitação
sócio-históricos da Lutas na Educação Física, bem corporal e também de formação humana, uma vez
como propicia ambiente favorável a produção de que, a forma mais intensa de divulgação das Lutas
estudos sobre a temática. continuam sendo a mídia, que as apresenta segundo
seus interesses comercias. Contudo, a
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO obrigatoriedade do ensino das Lutas na escola, vem
provocando uma demanda cada vez mais expressiva
O processo de ensino aprendizado das Lutas da necessidade de proporcionar o ensino das Lutas na
enfrenta dificuldades em diferentes campos, se por escola e por consequência, a eminência da preparação
um aspecto ainda encontra-se envolvido em de professores para realizar sua prática pedagógica
preconceitos e problemas com relação ao domínio do sem reproduzir a modelos de ensino que se
conhecimento pelos professores de Educação Física, apresentam nos espaços não formais de educação
por outro aspecto, também lida com as questões onde se praticam as Lutas em nossa sociedade.
metodológicas de ensino de cada uma das
modalidades de Lutas que historicamente REFERÊNCIAS
construíram seus saberes em torno das formas de
ensinar e treinar os diferentes sistemas de Lutas. BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais:
Assim, apresenta-se como um grande desafio a Educação física / Secretaria de Educação
construção de processos pedagógicos que Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997.
proporcionem o aprendizado das Lutas a partir das
BERTAZZOLI, B. F.; ALVES, D. A.; AMARAL, S.
pedagogias críticas da educação, considerando o
C. F. Uma Abordagem Pedagógica para a
processo de aprender como processo ativo e
Capoeira. Movimento. Porto Alegre, v. 14, n. 02, p.
reflexivo, ao mesmo tempo que o gesto é
207-229, mai/ago. 2008.
experimentado, reconstruído e treinado na
perspectiva da compreensão de seu significado e de CARTAXO, C.A. Jogos de Combate – atividades
suas aplicações, podendo ser comparado a outras recreativas e psicomotoras. Teoria e Prática.
manifestações da cultura corporal. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.
Não se trata de reinventar as Lutas, mas de
CARVALHO, Ana Carla Dias; SANTOS, Luara
elaborar outras formas de ensinar e praticar, que
promovam um esforço reflexivo mais intenso e por Faria dos; PAULA, Maristela Vicente de. O ensino
consequência propicie uma apropriação significativa das lutas na educação física escolar - a produção
científica (2006-2016) das revistas RBCE,
e ativa de seu aprendizado.
Movimento e Pensar a Prática. Anais do XX
O projeto se encontra em momento de
CONBRACE E VII CONICE. Goiânia/GO, 2017.
levantamento de dados sobre o público que acessa
essa proposta, entendendo que seja possível CAZETTO. Fabiano Filier. Lutas e Artes Marciais
proporcionar trocas mais efetivas não somente sobre na Escola: “Das Brigas aos Jogos com regras”, de
as modalidades específicas que se esteja vinculado, Jean-Claude Olivier [Porto Alegre: Artmed, 2000].
mas também entre as demais modalidades oferecidas, Revista Motrivivência. Ano XX, Nº 31, P. 251-255
ampliando assim os saberes sobre o campo que Dez./2008.
envolve o conhecimento das Lutas.
FONSECA, J. M. C.; FRANCHINI, Emerson; D.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS VECCHIO, F. B. Conhecimento declarativo de
docentes sobre a prática de lutas, artes marciais e
modalidades esportivas de combate nas aulas de
O principal objetivo do Projeto Lutas – Cultura
Educação Física escolar em Pelotas, Rio Grande do
Corporal e Práticas Pedagógicas, vem sendo
alcançado à medida que possibilita o acesso gratuito

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Sul. Pensar a Prática, Goiânia, v. 16, n. 2, p. 320618, SILVA, P. C. da C. Capoeira nas aulas de educação
abr./jun. 2013. física: alguns apontamentos sobre processos de
ensino-aprendizado de professores. Revista
GOMES, M. S. P. et al. Ensino das lutas: dos
Brasileira de Ciências do Esporte, Florianópolis, v.
princípios condicionais aos grupos situacionais.
33, n. 4, p. 889-903, out./dez. 2011.
Movimento, Porto Alegre, v. 16, n. 02, p. 207-227,
abr/jun. 2010. SOARES C. L. et al Metodologia do Ensino de
Educação Física. São Paula, Cortez, 1992.
NASCIMENTO, Paulo Rogério Barbosa do;
ALMEIDA, Luciano de. Tematização das lutas na UENO, V. L. F.; SOUSA, M. F. de. Agressividade,
Educação Física Escolar: restrições e possibilidades. violência e judô: temas da Educação Física em uma
Revista Movimeto, Porto Alegre, v 13, n.03, p. 91- escola estadual em Goiânia. Pensar a Prática,
110. Setembro/dezembro de 2007. Goiânia, v. 17, n. 4, out./dez. 2014.
NORONHA F.D.A.; PINTO, R.N. Capoeira nas
aulas de Educação Física: uma proposta de RESPONSABILIDADE AUTORAL
intervenção. Pensar a Prática: revista da pós-
graduação em Educação Física / UFG, Faculdade de “Os autores são os únicos responsáveis pelo
Educação Física. V.7, n.2, jul./dez.2004. conteúdo deste trabalho”.

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PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES:
FERRAMENTAS DE EDUCAÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE PARA
PROFISSIONAIS E USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE
Pereira, Nayline Martins, naylinemartins@ufg.br1
Cruz, Maryana Freire Rodrigues da, mfrc250@gmail.com2
Díaz, Jalusa Andréia Storch1
Pilger, Calíope1
Almeida, Pollyana Sousa1
Silva, Eduardo Viana da1
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia
2
Unidade Básica de Saúde Albino da Silva Barbosa / Catalão – GO

Resumo: O presente trabalho objetivou descrever a experiência profissional vivenciada acerca da inserção
das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde na Unidade Básica de Saúde Albino da Silva Barbosa
localizada no município de Catalão-Goiás. O estudo pautou-se em um relato de experiência sob a ótica
profissional referente à inserção das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde na unidade básica.
Através da realização da atividade verificou-se a importância da implementação das práticas nos serviços de
saúde, por promoverem um cuidado que alcança o ser humano como um ser biopsicossocial.

Palavras-chave: Unidade básica de saúde. Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. Educação em


Saúde.

______________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO Com objetivo de promover um cuidado integral,


longitudinal e não invasivo, as PICs contribuem para
O progresso e a complexidade da medicina têm o cuidado na Atenção Primária, esta que, por sua
proporcionado grandes avanços, em compensação é vez, não se restringe somente às Unidades Básicas
possível identificar a dificuldade e a incapacidade do de Saúde. Entretanto, este é o ambiente em que as
modelo biomédico de conceder resoluções PICs são comumente encontradas.
adequadas para todas as dimensões do ser humano, e A atenção primária desenvolve o seu trabalho
outros níveis complementam determinada baseado em eixos fundamentais, sendo eles “a
enfermidade (BARROS, 2002). promoção da saúde, a prevenção de agravos, o
De modo a complementar a medicina diagnóstico, o tratamento e a manutenção da saúde”
convencional, as Práticas Integrativas e (BRASIL, 2006). Correlacionando com os objetivos
Complementares em Saúde (PICs) surgem com uma da Política Nacional de Práticas Integrativas e
perspectiva generalizada no que tange a relação Complementares (PNPIC) que estabelece a
saúde-doença e a integralidade do ser humano efetivação das PICs no Sistema Único de Saúde
(BRASIL, 2015). As PICs tem o objetivo de (SUS) principalmente na Atenção Básica, as práticas
prevenir doenças e promover a reabilitação da saúde, ofertadas e regulamentadas auxiliam na prevenção
através de processos naturais eficientes, “com ênfase de doenças, promoção da saúde e na reabilitação de
na escuta acolhedora, no desenvolvimento do agravos (BRASIL, 2006).
vínculo terapêutico e na integração do ser humano Isto posto, em um estudo recente Lima (2018)
com o meio ambiente e a sociedade” (BRASIL, empregou o uso das PICs como ferramenta para o
2006). autocuidado em Agentes Comunitários de Saúde
A respeito das PICS, em 1976 a Organização (ACS), reforçando o uso de plantas medicinais e
Mundial da Saúde (OMS), declarou que todos os ressaltando a importância da estimulação das PICs
Estados membros deveriam integrar as práticas da no Sistema Único de Saúde (SUS).
medicina alternativa nos processos de cuidado aos Com base nisso, o objetivo deste trabalho
pacientes (SUÁREZ; DÍAZ; MACHADO, 2013). descrever a experiência profissional vivenciada
acerca da inserção das Práticas Integrativas e

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Complementares em Saúde na Unidade Básica de atividades contribuiu para um melhor entendimento
Saúde Albino da Silva Barbosa localizada no dos métodos abordados pela medicina integrativa e
município de Catalão-Goiás. complementar, resultando no interesse tardio pela
vivência da prática.
2. METODOLOGIA Percebeu-se que após o segundo momento os
resultados foram satisfatórios, muitos dos
Trata-se de um relato de experiência sob a ótica trabalhadores relataram melhora nos quadros de
profissional referente à inserção das PICs em uma ansiedade e de dores musculares que os afligiam.
Unidade Básica de Saúde (UBS) localizada no Através de um relato de experiência Jesus e
município de Catalão-Goiás. colaboradores (2017), perceberam a importância da
A experiência relatada sucedeu-se em dois realização de pesquisas voltadas à saúde do
momentos com a colaboração de discentes e trabalhador e ao desenvolvimento de protocolos
docentes do grupo 2 do Programa de Educação pelo voltados à implementação das práticas nos setores de
Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) efetivo na saúde.
Universidade Federal de Goiás - Regional Catalão. Neste sentido, podemos perceber os benefícios
A atividade inicial foi realizada no mês de maio que as práticas podem proporcionar à Saúde do
de 2019 e teve como finalidade uma ação de Trabalhador, na perspectiva física e emocional. Pois
educação continuada sobre PICs, com a participação pode-se perceber que proporcionou uma melhora
de recepcionistas, auxiliar de saúde bucal, técnica de significativa no relacionamento interpessoal da
enfermagem, agentes comunitárias de saúde e equipe, posto que os encontros possibilitaram o
enfermeira que atuam nesta unidade. A condução contato entre os trabalhadores, discentes e docentes.
dessa parte introdutória foi realizada por meio de Essa relação reflete positivamente nas ações
aparelhos audiovisuais prezando uma exposição extensionistas da universidade ocasionando um
dialogada entre os envolvidos, buscando apresentar momento de troca e fortalecimento de vínculo entre
aos profissionais conceitos, técnicas, aplicações ensino e serviço.
acerca das PICs. No ano de 2006 no Brasil foi publicada a
O segundo momento foi realizado no mês de Política Nacional de Práticas Integrativas e
junho de 2019 com uma atividade prática onde Complementares no SUS que estabeleceu no âmbito
discentes, docentes e colaboradores, externos da público o acesso a outras práticas em saúde que
UFG, capacitados desenvolveram vivências envolvem processos complexos e terapêuticos
envolvendo o Reiki, a Auriculoterapia, (BRASIL, 2006). Recentemente no SUS pela
Automassagem e Dança Circular. Portaria N° 849, de 27 de março de 2017 e na
Portaria N° 702, de 21 de março de 2018 foram
incluídas novas práticas no âmbito do SUS. Esses
marcos fundamentam e regulamentam as PICs.
Existem diversos desafios para implementação
das PICs nos serviços de saúde, um deles é o
desconhecimento por parte dos profissionais
(ANDRADE et al., 2018). Fato que aconteceu na
UBS em questão. Se os trabalhadores desconhecem
essas práticas como seria possível ofertar esse
serviço para a população?. Gontijo e Nunes (2017)
Figura 1 - Vivência de automassagem na UBSF
em seu estudo demonstraram que os profissionais
Básica de Saúde Albino da Silva Barbosa / Catalão –
que possuem esse conhecimento tiveram outros
GO.
meios de aprendizado que não ocorreu pela
graduação, e consideraram importante a
Os profissionais puderam vivenciar tais práticas
implementação das PICs durante a graduação
de acordo com o seu interesse pessoal. A realização
(GONTIJO; NUNES, 2017). O que auxiliaria nesse
da Automassagem e dança circular foi feita em
problema.
grupo com todos os trabalhadores, já o Reiki e a
É nítida a necessidade e a relevância das PICs
Auriculoterapia foram desenvolvidas de forma
nos serviços de saúde. Para tanto, Carvalho e
individual considerando o princípio de cada técnica.
Nóbrega (2017) sugerem uma maior aplicação na
capacitação dos profissionais com o objetivo de
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
serem qualificados para desenvolvimento das PICs
nos serviços de saúde proporcionando um cuidado
Identificou-se durante as atividades o interesse
extra com uma visão holística.
dos profissionais pelas práticas desenvolvidas, algo
Em contrapartida, Dacal e Silva (2018)
que até então era desconhecido. O intervalo entre as
apresentam que existe uma grande procura das PICs

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por partes dos usuários dos serviços de saúde, por ______. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro.
conhecerem os efeitos físicos, mentais e emocionais PORTARIA N° 849, DE 27 DE MARÇO DE 2017.
positivos dessas práticas. Situação que aconteceu Inclui a Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança
também na UBS em questão, em razão da procura Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia,
por novas vivências pelos trabalhadores da unidade. Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki,
Deste modo, essa experiência contribuiu para a Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga à
qualificação e conhecimento dos trabalhadores dessa Política Nacional de Práticas Integrativas e
unidade. Assim consequentemente contribuindo para Complementares. Diário Oficial da União. Brasília,
a disseminação das PICs para os usuários do serviço 27 mar. 2017.
naquele território e na própria comunidade. ______. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro.
PORTARIA N° 971, DE 21 DE MARÇO DE 2006.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares (PNPIC) no Sistema Único de
Com a realização dessa proposta é possível Saúde. Diário Oficial da União. Brasília, 03 mai.
verificar a importância das PICs nos serviços de 2006.
saúde, por promoverem um cuidado que alcança o CARVALHO, J. L. S.; NÓBREGA, M. P. S; S.
ser humano como um ser biopsicossocial e também Práticas integrativas e complementares como recurso
como ferramentas de autocuidado. de saúde mental na Atenção Básica. Rev Gaúcha
É possível identificar uma fragilidade sobre a Enferm, v. 38, n. 4, p. 1-9, 2017.
temática nos serviços de saúde, em função disso é GONTIJO, M. B. A.; NUNES, M. F. Práticas
imprescindível à atuação conjunta da universidade integrativas e complementares: conhecimento e
nesses contextos, para promoção de atividades de credibilidade de profissionais do serviço público de
educação e promoção da saúde para profissionais e saúde. Trab, educ. saúde, v. 15, n.1, 2017.
toda a comunidade. JESUS, S. G. C. et al. “cuidar de quem cuida”: as
Sendo relevante também a participação do grupo pics aplicadas aos trabalhadores do contexto
2 do Programa PET saúde Interprofissionalidade, hospitalar, relato de experiência. In: Anais do I
visando a articulação ensino-serviço para CONGRESSO NACIONAL DE PICS e III
implantação das atividades de promoção da saúde, ENCONTRO NORDESTINO DE PICS, 2017,
PICs e fortalecimento das ações de saúde na atenção Natal. Anais eletrônicos... Natal: editora realize, v.
básica do município de Catalão - GO. 1, 2017. p. 1-5.
LIMA, A. M. V. Práticas integrativas e
REFERÊNCIAS complementares: utilização por agentes
comunitários de saúde no autocuidado. Rev Bras
ANDRADE, L. P. et al. Percepção dos Profissionais Enferm, v. 71, p. 2842-8, 2018.
das Unidades Básicas de Saúde sobre as Práticas SUÁREZ, S. R.; DÍAZ, A. V.; MACHADO, F. B.
Integrativas e Complementares. Rev. Mult. Psic, v. Estudio preclínico del efecto de las esencias florales
12, n. 42, p. 718-727, 2018. de Bach en la inflamación aguda. Rev. Revista
BARROS, J. A. C. Pensando o processo saúde Cubana de Investigaciones Biomédicas, n. 1, v.
doença: a que responde o modelo biomédico?. 32, P. XX-XX. Ciudad de la Habana, 2013.
Saúde e Sociedade, v. 11, n. 1, p. 67-84, 2002.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de RESPONSABILIDADE AUTORAL
Práticas Integrativas e Complementares no SUS :
atitude de ampliação de acesso. Departamento de “Os autores são os únicos responsáveis pelo
Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília : Ministério da conteúdo deste trabalho.”
Saúde, 2015.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção
à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política
Nacional de Atenção Básica. Departamento de
Atenção à Saúde. – Brasília : Ministério da Saúde,
2006.
______. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro.
PORTARIA N° 702, DE 21 DE MARÇO DE 2018.
Altera a Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de
28 de setembro de 2017, para incluir novas práticas
na Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares - PNPIC. Diário Oficial da União.
Brasília, 21 mar. 2018.

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DANÇO E ME LIBERTO! RELATO DE EXPERIÊNCIA NO
EMPODERAMENTO DE ESTUDANTES
PRADO, Patrícia do/Orientadora, patipra77@gmail.com.br
SILVA, Heuller Ruan Cedro da, heuller05@gmail.com¹
SANTOS, João Paulo Nepomuceno dos, npaaulo2015@gmail.com¹
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de
Biotecnologia/Curso de Educação Física

Resumo: relato de experiência no campo da metodologia de ensino em educação física, por meio da dança-
educação, cuja temática “empoderamento feminino” permitiu uma maior reflexão do papel da mulher na
sociedade atual. A contribuição recai na importância do tema para a transformação social a partir da reflexão
na formação de estudantes como futuros professores na área.

Palavras-chave: empoderamento feminino; dança-educação; metodologia de ensino em educação física.


___________________________________________________________________________
1. INTRODUÇÃO ser tratada pedagogicamente nos espaços de
formação escolar e sociais (clubes, associações,
Por que a mulher é destinada ao lar, sendo academias, escolas de dança, dentre outros).
que “por dentro” somos todos iguais; apenas
Neste sentido, o relato que apresentamos diz
seres humanos?
respeito ao despertar para o empoderamento
(Muniz Sodré)
feminino, a partir da nossa realidade como
estudantes universitários, pois pensamos logo em
A mulher em quase a totalidade da história
colegas que compunham nosso grupo de trabalho3
humana esteve às sombras da sociedade e num dado
frente a demanda de criação e apresentação pública
momento da história brasileira, onde o militarismo
de uma composição coreográfica na disciplina de
comandava o país (1964-1985), elas restabeleceram
Metodologia de Ensino e Pesquisa em Dança-
sua força, e assim, começaram a ganhar a
Educação II, do Curso de Educação Física
visibilidade necessária para que pesquisadores se
(UFG/RC/IBIOTEC), pois sendo uma mulher
interessassem por aquele momento e por aquela
lésbica e uma outra “fora dos padrões”, as colegas
história que estava começando (e continuando...) a
não se sentiam seguras com o desafio proposto.
ser escrita por elas1.
Ambas, com problemas de autoestima, e
Entendendo este fato histórico que foi um consequentemente, não se sentiam empoderadas ou
início da publicização dos movimentos de lutas das donas de si o suficiente para que conseguissem ser o
mulheres no Brasil, que mais tarde dariam força ao que são, e mostrar que mesmo com todas as
feminismo, pudemos traçar uma linha do tempo com diferenças, podem sim fazer o que desejam e
o momento em que as mulheres se fizeram ser acreditam para suas vidas. E assim sendo, poderiam
notadas até os dias atuais2, onde o movimento enfrentar uma composição coreográfica mais
feminista está bem forte e consolidado e com várias complexa e um público que poderia estar
vertentes aos quais buscam dar voz e vez a todas as completamente entregue a elas.
mulheres. E por isso, é importante falar sobre o
E é por meio disso que iremos elucidar neste
empoderamento feminino e mostrar do que são
trabalho alguns pontos acerca do empoderamento
capazes de fazer, de ser e de viver, partindo da
feminino em sociedade e trazer alguns
formação de professores de Educação Física, no
questionamentos acerca do que seria empoderar uma
contexto da dança-educação como prática corporal a
mulher: seria somente dar poder às mulheres?
Oferecer direitos a ela? Ou empoderar a mulher é
1 ceder à compreensão de que como ser humano, ela
http://memoriasdaditadura.org.br/cnv-e-mulheres/,
acesso em 22/08/2019. tem os mesmos direitos e modos de vida social como
2
Marcha das margaridas, é um movimento de mulheres
que acontece a cada quatro anos que visam reunir
3
demandas de políticas públicas, e a marcha mais recente Composto por cinco integrantes: Heuller Ruan Cedro da
aconteceu em 14 de Agosto de 2019. Silva (autor), Lucas Gabriel Marques; João Paulo
Nepomuceno dos Santos (autor), Maria Carolina Rosa de
Macedo, Naiara Pereira Caixeta de Campos.

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os homens? Ou será que, a partir das lutas femininas com fins pedagógicos, podendo ou não serem
em relação aos modos de vida e de uso do corpo em articulados de modo transdisciplinar, a exemplo,
sociedade, a mulher pode vir a decidir o que quer contagem de tempo rítmico associada a contagem
para si mesma? Será que a cultura vivida retrata numérica para crianças pequenas); como
possibilidades de reflexão sobre o poder feminino na aprendizagem de valores sociais (comemorações
sociedade brasileira do século XXI? De que modo a festivas de aniversário da escola; valorização da
dança como manifestação cultural pode contribuir mulher como mãe; festas cívicas, dentre outras).
para o empoderamento feminino na escola e na
Isto posto, o grupo reuniu-se e optou pela
vida?
temática do empoderamento da mulher. Mas, antes
Tais questões não se esgotam nas reflexões precisamos entender conceitualmente o que é
abaixo, mas apontam uma experiência de possível empoderamento.
superação de determinados enquadramentos sociais,
Embora a utilização crescente do
vividos pelas colegas e relatados no decorrer da
termo empowerment tenha se dado
construção do trabalho, que puderam servir de
a partir dos movimentos
posição inicial4 e de dinâmicas capazes de
emancipatórios relacionados ao
transformar esse corpo oprimido pela sociedade.
exercício de cidadania –
Sendo assim, buscamos ao dar poder às colegas,
movimento dos negros, das
suscitar a sua forte presença perante o atual papel,
mulheres, dos homossexuais,
levando em questão a imposição de paradigmas da
movimentos pelos direitos da
sociedade impostos sobre “quem somos” e “o que
pessoa deficiente – nos Estados
fazemos” em nossa cultura, assumindo e
Unidos, na segunda metade do
subvertendo papéis de mulher e de homem.
século XX, a Tradição do
Empowerment (Empowerment
1. NA METODOLOGIA DA DANÇA: ENTRE
Tradition) tem suas raízes na
RITMOS, CONCEITOS E MOVIMENTOS
Reforma Protestante, iniciada por
Durante o processo de construção da Lutero no séc. XVI, na Europa,
produção artística, fora proposto a escolha de dois num movimento de protagonismo
ritmos, onde consequentemente os dois deveriam se na luta por justiça social
complementar. Propusemos então, abrir um diálogo (HERRIGER apud BAQUERO,
acerca dos componentes do grupo, para que 2012, p.174)
pudéssemos a partir disso, elucidar a temática a ser Desta forma, conseguimos compreender que
explorada e desenvolvida. Sendo assim abrangendo- o empoderamento é algo que vem causando extrema
se a realidade de nossos componentes, pudemos mudança na vida das pessoas, bem como, em tudo o
abraçar a causa, a luta e o diálogo sobre o que toca. E por isso é importante que sua abordagem
empoderamento feminino em sociedade; trazendo esteja presente e em evidência para desenvolver que
questionamentos acerca das suas lutas, os percalços as pessoas possam agir em prol do que acreditam
encontrados para que assim possamos elucidar o que frente aos obstáculos sociais.
as mesmas passam, o que elas vivem, o que elas se
submetem diariamente em seu modo de vida social. Conceitualmente, empoderar é um verbo que
se refere ao ato de dar ou conceder poder para si
Nos estudos desenvolvidos na disciplina próprio ou para outrém. Empoderar em forma de
MEPDE II, identificamos que a dança representa um debates, vem acontecendo em vários campos, em
importante fenômeno a ser estudado em diversas várias áreas artísticas, bem como em inúmeras
linhas: como manifestação ritualística (danças produções midiáticas e centros de debates de forma
sagradas); como expressão de cada povo no mundo intensiva.
(samba no Brasil: tango na Argentina; haka, na
Austrália, dentre outros); como forma de estudo do Posto isso, percebemos que a partir do seu
movimento corporal (estudos labanianos); como sentido figurado, empoderar representa a ação de
educação (articulação de diversos e inúmeros temas atribuir domínio ou poder sobre determinada
situação, condição ou característica.
4 Também podemos entender o ato de
“Posição inicial” é um termo bastante utilizado na
empoderar a partir de uma atitude social que
metodologia de ensino na área de Educação Física
consiste na conscientização dos variados grupos
para determinar início de movimentação corporal
sociais, principalmente as minorias, sobre a
numa dada “dinâmica” solicitada no contexto da
importância do seu posicionamento e visibilidade
prática pedagógica.
como meio para lutar por seus direitos. Um dos atos
de empoderar mais conhecido é o empoderamento

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feminino, ou seja, quando há a conscientização das "viver bem"; "ao viver novo"... Ao viver
mulheres de reivindicarem socialmente por respeitando!
igualdades de direito entre os diferentes gêneros.
No processo de construção da composição
Entre alguns dos principais sinônimos de coreográfica, ao pesquisar músicas para a produção
empoderar estão: “dar poder, conceder poder, dar artística, o grupo encontrou as músicas “Triste, louca
autoridade, investir autoridade, dar autonomia, ou má”, do artista Francisco, el Hombre e a música
habilitar, desenvolver capacidades, promover, “Run the world”, da cantora Beyoncé, pois era regra
promover influência, afirmação, entre outros.”5 da construção coreográfica mesclar um ritmo
nacional com outro internacional. Deste modo, as
Destacamos que a entidade das Nações Unidas
músicas suscitaram em nós, a reflexão sobre o
para a Igualdade de Gênero e Empoderamento das
empoderamento feminino e sua forma perante o
Mulheres (ONU Mulheres), desenvolveu uma lista
atual papel da mulher, questionando paradigmas da
com 7 princípios básicos do empoderamento
sociedade sobre o que é ser mulher e o que fazemos
feminino no âmbito social e profissional:
como mulher.
- Estabelecer liderança corporativa
Segundo o dicionário Aurélio (2019),
sensível à igualdade de gênero, no
paradigma significa: Exemplo ou padrão a ser
mais alto nível.
seguido; modelo: paradigma político. Sabendo
- Tratar todas as mulheres e
disso, apontamos os paradigmas impostos às
homens de forma justa no
mulheres, padrões estes que não vieram de ontem, e
trabalho, respeitando e apoiando
sim de toda uma construção social, a qual elas estão
os direitos humanos e a não-
em uma busca incessante, para que assim deixe de
discriminação.
ser uma realidade problemática em suas vidas.
- Garantir a saúde, segurança e
bem-estar de todas as mulheres e Durante compreensão desta realidade,
homens que trabalham na passamos entender os conceitos empregados ao
empresa. papel da mulher e as suas modificações em
- Promover educação, capacitação sociedade, onde fora mostrado que as correlações
e desenvolvimento profissional homens e mulheres sempre foram exercidas a partir
para as mulheres. de sua amplitude social, sempre situada na forma
- Apoiar empreendedorismo de como Sodré (1983) nos evidencia, onde “O fato é
mulheres e promover políticas de que todo ser humano concreto, sempre se situa de
empoderamento das mulheres um modo singular” (p.01), ou seja, a mulher por
através das cadeias de suprimentos muitos anos teve uma educação diferenciada da
e marketing. educação dada ao homem.
- Promover a igualdade de gênero
O papel social construído durante séculos sobre
através de iniciativas voltadas à
as distinções de gênero, todavia propôs articular uma
comunidade e ao ativismo social.
visão social constituída, onde a mulher era
- Medir, documentar e publicar os
concebida como um indivíduo inferior, entendida
progressos da empresa na
como um sujeito menos desenvolvido, visto que
promoção da igualdade de
numa escala construída socialmente, o homem
gênero.6
detinha valores pertencentes a lealdade, a proteção
A prática do empoderamento feminino não da família, a garantia da reputação social e
deve ser apenas das mulheres, os homens também profissional. A mulher detinha valores capazes de
precisam se certificar de que haja uma ampla gerir a casa, cuidar do esposo, cuidar dos filhos, ser
igualdade entre o posicionamento e participação de recatada e ser decente. Mas o que significa ser
ambos os gêneros na sociedade e suas demais recatada e decente? É importante dizer que a
camadas. Bem como enfatizar que não vivemos por moralidade de um povo reflete seu contexto
apenas uma luta diária, mas assim, por uma busca de histórico, político e social e, diante de uma
respeito e de significâncias sempre respeitando o que sociedade de extrema opressão como foi o período
foram construídos ao longo de nossa história; como de ditaduras no mundo, cabe a questão: como a
povo e como cultura. Todos unidos e adeptos ao mulher poderia ser diferente num contexto de
ditadura política, de controle do corpo e frente a
crescente dominação e expansão religiosa daquele
5
http://www.significados.com.br/empoderamento- período, cujo objetivo maior era o controle da
feminino, acesso em: 22 08 2019. sociedade por seus mecanismos intrínsecos? Dito
isso, ao longo de nossa formação, foi possível
6
Idem, ibidem. compreendermos a (re)existência da realidade

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feminina a partir de seus múltiplos aspectos orientadora e organizado pelos estudantes sob sua
concebidos ao longo de sua história. supervisão.
Diante do desafio que nosso grupo começa a Tal produção artística possibilitou aprofundar
reconhecer a importância do tema que decidimos na reflexão acerca do papel feminino em nossa
defender, fomentamos a utilização das músicas cultura, como forma de (re)existir por meio da arte
citadas para que pudéssemos proporcionar a da dança, empoderando a mulher. Pudemos trazer
princípio, às colegas envolvidas, e depois ao questões do nosso próprio cotidiano, seja no
público, inúmeras provocações acerca do que: “A convívio com as estudantes ou do papel do feminino
dança enquanto arte do/com/pelo corpo, quer seja em nossas vidas.
em situação educacional, educativa ou pedagógica
E assim, compreender a arte como
carrega em si mesma o potencial de transformação
resistência e como possibilidade de revolucionar os
dos cenários cotidianos sociais (MARQUES, 2007
sentidos construídos pela existência. E,
apud MARQUES, 2010, p.28)
consequentemente, qual é a dança que norteia a
Mesmo com tal transformação, conseguimos caracterização do próprio grupo. Ou seja, com estas
ainda enxergar vários resquícios de uma sociedade provocações próprias, encontramos formas de
antiquada, machista e misógina. Mesmo com toda ampliar a abrangência pessoal para o cunho social,
evolução tecnológica e de tantos outros meios considerando a educação por meio da dança.
educativos, bem como a facilidade de acesso ao
Deste modo,
conhecimento, ainda assim, é possível reconhecer
limites da consciência humana em sociedades A educação dialógica, fruto e
ultrapassadas e preconceitos em relação ao poder condição para a construção de
feminino. Contudo, propusemos entender por meio relações entre seres humanos que
da expressão da dança como processo educativo que se humanizam por meio da
o nosso dever enquanto professor é estabelecer educação implica encontro,
estratégias e fortalecer a luta por meio deste encontro dialógico: temporal,
fenômeno, não apenas como uma simples dança, transcendente, conseqüente e
mas como uma sociabilidade capaz de transformar o crítico. O encontro entre a dança e
ser humano e de desconstruir os gêneros, a educação, se dialógico,
ressignificando seu papel social e possibilitando a estabelecerá relações entre essas
reflexão e possível transfiguração desta visão duas áreas de conhecimento,
machista em nossa sociedade. Trazer para/com a geradoras de no mínimo dois pólos
dança, questionamentos acerca do papel social de atuação profissional; entre dois
constituído a mulher e poder instigar, traçando-a modos de ser e estar em sociedade,
como a autora Marques (2010) evidencia: “As de conviver, de estar com, de
relações proporcionam aprofundamento, ampliação, viver, de ver, que podem
crítica e transformação do conhecimento” (2010, impregnar de sentido as ações
p.30), e assim, seríamos capazes de causar cotidianas, que podem dançar,
indagações que comprovam que a mulher está viva, educar e transformar.
resistente e presente! (MARQUES, 2010, p.36).
Deste modo, utilizamos as músicas, cujas Portanto, a ação dialógica de refletir sobre o
mensagens levavam aos espectadores a veracidade tema empoderamento feminino e levá-lo para o
do papel da mulher em sociedade. Antes de mais movimento corporal sendo expresso pela dança,
nada, buscamos abordar alguns paradigmas acerca possibilitou construir sentidos e significados para o
da evidência do que a sociedade impõe, pressupondo corpo que dança e, também para o público que
o contexto histórico opressor para levar o público à assistiu. Ou seja, ao experimentar a expressividade
reflexão de porquê “O homem te define? Sua casa te do tema criando movimentos corporais e uma
define? Sua carne te define?” (letra da música) composição coreográfica, cujas músicas foram
relevantes para nós todos, possibilitou dar
Refletindo por meio da arte da dança como
visibilidade ao ser feminino na sociedade.
coeducação do ser humano (educação para homens e
Possivelmente contribuindo para um novo olhar de
mulheres), a composição coreográfica inicial
empoderamento feminino a quem vivenciou estas
transformou-se numa produção artística que foi
apresentações de dança.
apresentada em 2018, no evento cultural III MEX –
Mostra de Expressões do Corpo – Diversidade de Ao longo dos tempos, temos observado as
Ritmos Nacionais e Internacionais: (re)existência relevantes mudanças em relação às mulheres, tendo
por meio da arte, evento idealizado pela professora em vista que elas vem crescendo em vários aspectos,
conquistando lugares que antes eram somente

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destinados ao público masculino, vem disso, entendam que estes direitos até então foram
transparecendo que são mais capazes do que se conquistados com bastante luta, e com isso elas tem
pensavam e demonstram isso categoricamente. se empoderado, pois afinal, se autoempoderar é se
Entretanto, em estudos do IBGE (2014), é possível conhecer a partir das lutas, do acesso aos saberes, do
constatar que ainda há uma discrepância entre os conhecimento.
ganhos de homens e mulheres; dados apontam que
Por fim, a dança como elemento
mulheres ganham apenas 63,4% dos ganhos
desencadeador do empoderamento feminino nesta
masculinos, ou seja, ainda há uma enorme diferença
experiência e, das pessoas em geral, que aceitarem o
entre os ganhos. Isso falando de dados de pessoas
desafio do baile da vida, desejamos que possam
que conseguiram concluir o nível superior, sem
ampliar o potencial humano diminuindo assim as
distinguir a raça.
injustiças sociais e o poder opressor que cada
De uma forma geral, o caminho sociedade vive ao longo do seu desenvolvimento
a ser percorrido em direção à histórico. E este, é o NOSSO tempo histórico da
igualdade de gênero, ou seja, dança e da transformação de sentidos e significados
em um cenário onde homens e enquanto estudantes e futuros professores!
mulheres gozem dos mesmos
direitos e oportunidades em REFERÊNCIAS
todas as dimensões aqui
analisadas, ainda é longo para BAQUERO, Rute Vivian Angelo. Empoderamento:
as mulheres e ainda mais instrumento de emancipação social? Uma discussão
tortuoso se esta for preta ou conceitual. Revista debates, 6.1, 2012, p.173.
parda e residir fora dos centros
IBGE. Estatísticas sociais de administração
urbanos das Regiões Sul e
pública e participação política. Características da
Sudeste. (IBGE, dados de
inserção das mulheres no mercado de trabalho.
2018, p.12)
Disponível em:
Ao longo destas reflexões históricas do https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/administ
período militar, de elementos que perpassam o corpo racao-publica-e-participacao-politica/19902-
que dança e destes dados relativos a que tipo de suplementos-pme3.html?edicao=17959, acesso em
sociedade somos em termos desigualdade de gênero 22 08 2019.
em geral e também no campo do trabalho, como
IBGE. Estatísticas de gênero: uma análise dos
acima demonstrado, contribuem para que nossa
resultados do censo demográfico 2010. Rio de
formação em Educação Física, possa replicar tais
Janeiro: IBGE, 2014. 162 p. (Estudos e pesquisas.
temas com nossos futuros estudantes, onde quer que
Informação demográfica e socioeconômica, n. 33).
atuemos (escola, academia, clube, empresa, dentre
Acima do título: Sistema Nacional de Informações
outros). E deste modo, possamos contribuir para que
de Gênero. Disponível em:
esta sociedade seja menos injusta em relação às
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv1
mulheres.
01551_informativo.pdf, acesso em 22 08 2019.
CONSIDERAÇÕES FINAIS KNOWELS, Beyoncé. Run the World (Girls). A
single from the album (4) 2011.
Assim sendo, pudemos notar o privilégio do
MARINHO, Paloma Abelin Saldanha,
homem sobre a mulher (seja no mundo do trabalho,
GONÇALVES, Hebe Signorini. Práticas de
na vida religiosa, no âmbito social), gerando uma
grande diferença durante a história, e a qual empoderamento feminino na América Latina,
devemos todos trabalhar arduamente para que tal Revista de Estudios Sociales [En línea], 56 | Abril
2016, Publicado el 01 abril 2016, consultado el 29
diferença seja minimizada a ponto de que a mesma
agosto 2019. Disponivel em:
deixe de reproduzir obstáculos em relação ao acesso
http://journals.openedition.org/revestudsoc/9863.
aos direitos, bem como homens e mulheres sejam
tratados com o mesmo respeito ao ser histórico, MARQUES, Isabel A. Dança-educação ou dança e
político e social. Para que assim, consigamos chegar educação? Dos contatos às relações. Algumas
a um momento da história onde todos tenham perguntas sobre dança e educação. Joinville: Nova
consciência do que podem fazer e se utilizem destes Letra, p. 23-37, 2010.
benefícios sem a necessidade de
inferiorizar/minimizar/ menosprezar pessoas por SODRÉ, Muniz. A verdade seduzida: por um
gênero, raça ou orientação sexual, afinal, conceito de cultura no Brasil. 2.ed. Rio de Janeiro:
“empoderar a mulher não é dar poder a elas e sim CODECRI, 1983.
dar direitos.” (SODRÉ, 1983, p.01). E que a partir

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STRASSACAPA, Juliana. Triste, louca ou má. http://www.significados.com.br/empoderamento-
Álbum Soltas Bruxas. In: Francisco el Hombre, feminino, acesso em: 22 08 2019.
turnê# VaiPraCuba, 2016.
RESPONSABILIDADE AUTORAL Os autores
Sites: são os únicos responsáveis pelo conteúdo deste
trabalho.
https://www.dicio.com.br/aurelio-2/, acesso em 20
08 2019.
https://memoriasdaditadura.org.br/cnv-e-mulheres/,
acesso em 22 08 2019.

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I FÓRUM DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES DE
SAÚDE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
PEREIRA, Nayline Martins, naylinemartins@ufg.br1
ALMEIDA, Pollyana Sousa, pollyanasousaalmeida@gmail.com1
DÍAZ, Jalusa Andréia Storch1
PILGER, Calíope1
SILVA, Eduardo Viana da1
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia

Resumo: Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência da estruturação do I Fórum de Práticas
Integrativas e Complementares de Saúde (PICS): Desafios e potencialidades para implementação das PICS nos
serviços de saúde do município de Catalão e descrever os resultados obtidos. Este fórum foi uma iniciativa do
Programa de Educação para o Trabalho em Saúde Interdisciplinaridade (PET-saúde), do Grupo 2, como forma
de disseminar as novas formas de cuidar da saúde e potencializá-las nos serviços de Atenção Básica (AB) de
Catalão- GO. As PICS são práticas essencialmente terapêuticas que se baseiam em uma nova forma de
aprender e cuidar da saúde, não concorrem com os tratamentos convencionais, apenas complementam e
possibilitam um olhar integrativo na saúde, visando atender as dimensões físicas, mentais, emocionais,
energéticas e espirituais do indivíduo. Mesmo com a instituição da Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares (PNPIC) em 2006, o seu processo de implantação tem sido lento. Nesse sentido, objetivou-se
com a realização do evento supracitado discutir os desafios e potencialidades da implantação das PICS e
ampliar o diálogo sobre a importância da inserção destas práticas nos serviços de saúde do município.

Palavras-chave: Terapias complementares. Promoção da Saúde. Atenção Básica. Interação.


_________________________________________________________________________________

“abordagens que buscam estimular os mecanismos


1. INTRODUÇÃO naturais de prevenção de agravos e recuperação da
saúde por meio de tecnologias eficazes e seguras”
O I Fórum de Práticas Integrativas e (BRASIL, 2006, pg. 10).
Complementares de Saúde: Desafios e A partir da criação da PNPIC no ano de 2006,
potencialidades para implementação das PICS nos as práticas foram ganhando cada vez mais espaço
serviços de saúde do município de Catalão, foi uma no Sistema Único de Saúde (SUS), totalizando 29
inciativa do Programa de Educação para o Trabalho práticas atualmente, e é reconhecida como uma
em Saúde Interdisciplinaridade (PET-saúde), do forma eficaz de economia de gastos pela
Grupo 2, como forma de disseminar as novas efetividade da promoção da saúde e prevenção de
maneiras de cuidar da saúde e potencializá-las nos doenças, melhorando os possíveis agravos e
serviços de Atenção Básica (AB) de Catalão. evitando o encaminhamento para altas
As Práticas Integrativas e Complementares de complexidades (BRASIL, 2006; BRASIL, 2017;
Saúde (PICS) são práticas essencialmente BRASIL, 2018).
terapêuticas que oferecem melhora em vários Nesse cenário de construção de uma nova
aspectos, de modo que contribuem para um cuidado cultura complementar de cuidado, evidenciam-se
mais íntegro, complementando o cuidado potencialidades e dificuldades em torno desse
tradicional. Além de proporcionar um olhar processo de implantação (SIMONI;BENEVIDES;
holístico ao indivíduo, atuando em vários níveis BARROS, 2008; HABIMORD et al., 2018). Os
como, por exemplo, o físico, mental, emocional, desafios se destacam principalmente:
energético e espiritual (BRASIL, 2006). 1) Na oferta de formação e capacitação de
As PICS são “avanços que podem ser profissionais que atuem com as PICS,
entendidos como expressão de um movimento que alcançando um número adequado destes
se identifica com novos modos de aprender e para atuarem nos serviços do SUS, visto
praticar a saúde” (JÚNIOR, 2016, p.99). Dessa que em muitos serviços a presença das
forma, o Ministério de Saúde (MS) regulamenta por práticas dependem unicamente de um
meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e profissional, ou seja, caso este deixe de
Complementares de Saúde (PNPIC), pela Portaria trabalhar neste serviço, as PICS não são
nº 971 de 03 de maio de 2006, definindo como mais oferecidas, causando um déficit

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naquele ambiente. (SIMONI; preceptores do PET-Saúde, docentes, profissionais
BENEVIDES; BARROS, 2008; TESSER; da saúde e palestrante. Ao final do evento,
SOUSA; NASCIMENTO, 2018); vivências de meditação e automassagem.
2) No acesso ao conhecimento sobre PICS e
aceitação dos usuários como práticas de 2. RESULTADOS E DISCUSSÃO
saúde (HABIMORAD et al., 2018);
3) Na capacitação de gestores e profissionais O evento teve como intuito instruir formas de
em relação à PNPIC (HABIMORAD et implementação das terapias complementares na
al., 2018). atenção básica, demonstrando experiências exitosas
das PICS no serviço de saúde de Uberlândia, além
Nessa perspectiva que o Grupo 2 - “Práticas da articulação no ensino, serviço e comunidade
Integrativas e Complementares e educação popular como ferramenta para esse processo.
em saúde como ferramentas para estruturação de Muitas iniciativas de implantação das PICS se
grupos de promoção da saúde” do PET-saúde baseiam na análise da efetivação satisfatória das
interdisciplinaridade, organizou o I Fórum das práticas nos serviços de Atenção Primária em
PICS, para discutir os desafios e potencialidades da outros municípios (SANTOS; TESSER, 2012).
implantação das PICS e ampliar o diálogo sobre a Nessa perspectiva que objetivou-se trazer a
importância da inserção destas práticas nos serviços palestrante de Uberlândia-MG, relatando sobre as
de saúde do município. Diante deste contexto, o experiências exitosas do município com relação a
objetivo deste trabalho é relatar a experiência da implantação das PICS.
estruturação do I Fórum de PICS: Desafios e O reconhecimento dos entraves para a
potencialidades para implementação das PICS nos implementação das PICS é o primeiro passo para
serviços de saúde do município de Catalão e que ocorra em si a institucionalização desse
descrever os resultados obtidos. cuidado integrativo e complementar. Dentre as
dificuldades encontradas, se resumem
1. METODOLOGIA particularmente na má qualidade de gestão, o
déficit na formação dos profissionais, além de
Este estudo trata-se de um relato de experiência concepções errôneas e enraizadas da medicina
do I Fórum de Práticas Integrativas e tradicional. Os autores, Reis; Esteves e Grecos
Complementares de Saúde: Desafios e (2018), descrevem que tais processos precisam ser
potencialidades para implementação das PICS nos desmistificados para promover a ampliação das
serviços de saúde do município de Catalão, PICS no Brasil.
realizado durante a Semana Nacional de PICS, no Uma questão relacionada à gestão e desafios de
dia 06 de maio de 2019, no Auditório Sirlene implantação das PICS, se resumem principalmente
Duarte da Universidade Federal de Goiás, Regional na falta de conhecimentos sobre essas práticas dos
Catalão. próprios gestores e a disponibilização de insumos
O evento fez parte de uma das atividades nos serviços para a realização das PICS
realizadas durante a Semana Nacional de PICS, (ISCHKANIAN; PELICIONI 2012;
como iniciativa do PET-saúde, juntamente com a HABIMORAD et al., 2018; TESSER; SOUSA;
Liga Acadêmica de Práticas Integrativas e NASCIMENTO, 2018).
Complementares (LAPIC). Estando presentes Outra questão que envolve a gestão e é
docentes do curso de enfermagem, psicologia e limitadora, são as ações das PICS relacionadas, em
educação física, profissionais externos a UFG, bem alguns municípios, como uma tendência eleitoral,
como enfermeiros da rede municipal de Catalão, política, no qual não ocorre uma aplicabilidade
contanto com preceptores do PET-saúde constante daquele serviço, quando o gestor não está
interprofissionalidade, e discentes do curso de mais em seu cargo (TESSER; SOUSA;
enfermagem, psicologia, medicina, biologia e NASCIMENTO, 2018). O que se faz necessário é
educação física. que se “construa sustentabilidade cultural,
A garantia da participação no evento ocorreu administrativa e política junto à instituição, seus
por meio de inscrições digitais e presencial, profissionais e a sociedade civil” (TESSER;
contabilizando 100 inscritos. SOUSA; NASCIMENTO, 2018, p. 3013), para ter
O evento teve início com apresentações continuidade dos serviços das práticas sem que haja
culturais por parte dos acadêmicos dos cursos de envolvimento com a duração de um determinado
enfermagem e educação física, fazendo referência à governante na gestão.
algumas práticas integrativas como a dançaterapia e A precariedade de conhecimento e formação
a musicoterapia. Logo após às apresentações, dos profissionais de saúde sobre as PICS, assim
iniciou-se a palestra com a convidada e como o conhecimento da população de tais práticas,
posteriormente teve a roda de conversa com são pontos a serem avaliados. Dessa forma, o I

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Fórum de PICS discutiu sobre as possíveis ações Integrativas e Complementares (PNPIC) no
que podem facilitar o processo de implantação Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União.
baseado na articulação no ensino, serviço e Brasília, 03 mai. 2006.
comunidade.
Com base nas necessidades de expansão da DE SIMONI, C. BENEVIDES, I., BARROS, NF.
formação das PICS entre profissionais que atuam As Práticas Integrativas e Complementares no SUS:
no SUS, a articulação do ensino e pesquisa da Realidade e desafios após dois anos de publicação
universidade desencadeia de forma estimuladora o da PNPIC. Rev Bras Saúde Família, (ed esp), p.
processo de formação e conhecimento em PICS 70-76, 2008. Disponível em:
(HABIMORAD et al., 2018). A articulação entre http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/revistas
ensino, serviço e comunidade interage entre os /revista_saude_familia18_especial.pdf. Acessado
saberes e as práticas o meio acadêmico, profissional em: 26/08/19.
e popular, reintegrando dessa maneira condições de
formulações críticas e reflexivas dos problemas FARIA, L. et al. Integração ensino-serviço-
baseados nas demandas da comunidade (FARIA et comunidade nos cenários de práticas na formação
al. 2018). interdisciplinar em Saúde: uma experiência do
Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde
CONSIDERAÇÕES FINAIS (PET-Saúde) no sul da Bahia, Brasil. Interface, v.
22, n. 67, 2018. Disponível em:
Compreende-se que o processo de implantação https://www.scielosp.org/article/icse/2018.nahead/1
das PICS é repleto de desafios para sua efetivação 0.1590/1807-57622017.0226/#. Acesso em:
em determinados ambientes. Entretanto, tais 02/09/2019.
desafios têm resolutividade e podem servir como
reestruturação dos processos de gestão dos serviços HABIMORAD, P. H. L., et al. Potencialidades e
e na formação de profissionais e acadêmicos. fragilidades de implantação da Política Nacional de
A articulação do ensino, serviço e comunidade Práticas Integrativas e Complementares. Cien
na efetivação das PICS se apresentam concretas, na Saude Colet, v. 23, n. 6, 2018. Disponível em:
maneira em que assumem a junção do http://www.cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/po
conhecimento, teorização com a prática dentro dos tencialidades-e-fragilidades-de-implantacao-da-
serviços de saúde, atuando na comunidade. Essa politica-nacional-de-praticas-integrativas-e-
estratégia permite reconhecer além da efetivação da complementares/16816?id=16816. Acessado em
implantação das práticas, promover o vínculo entre 18/08/19.
o ensino e serviço, contribuindo assim para a
Educação Permanente em Saúde. ISCHKANIAN, P. C., PELICIONI, M. C. F.
Com a realização do Fórum, pode-se incentivar Desafios das práticas integrativas e complementares
e demonstrar meios para a real inserção das PICS no SUS visando a promoção da saúde. Rev. bras.
no município de Catalão. Além de promover crescimento desenvolv. hum., v. 22, n. 2, 2012.
vínculos com a comunidade externa para que esse Disponível em:
processo de articulação entre ensino, serviço e http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0104-
comunidade possa acontecer e dar início na 12822012000200016&script=sci_arttext&tlng=pt.
efetivação das PICS no município. Acesso em 02/09/2019.

REFERÊNCIAS JÚNIOR, E. T. Práticas integrativas e


complementares em saúde uma nova eficácia para o
BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do SUS. Estud. av., v. 30, n. 86, 2016. Disponível em:
Ministro. PORTARIA N° 849, DE 27 DE MARÇO http://www.scielo.br/pdf/ea/v30n86/0103-4014-ea-
DE 2017. Inclui a Arteterapia, Ayurveda, 30-86-00099.pdf. Acessado em 19/08/19.
Biodança, Dança Circular, Meditação,
Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, REIS, B. O., ESTEVES, L. R., GRECO, R. M.
Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Avanços e desafios para a implementação das
Terapia Comunitária Integrativa e Yoga à Práticas Integrativas e Complementares no Brasil.
Política Nacional de Práticas Integrativas e Rev. APS., v. 21, n. 3, 2018.
Complementares. Diário Oficial da União.
Brasília, 27 mar. 2017. SANTOS, M. C., TESSER, C. D. Um método para
a implantação e promoção de acesso às Práticas
BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Integrativas e Complementares na Atenção
Ministro. PORTARIA N° 971, DE 21 DE MARÇO Primária à Saúde. Ciência & Saúde Coletiva, v.
DE 2006. Aprova a Política Nacional de Práticas 17, n. 11, 2012. Disponível em:

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http://www.scielo.br/pdf/csc/v17n11/v17n11a17.pd
f. Acesso em: 02/09/19.

RESPONSABILIDADE AUTORAL

“Os autores são os únicos responsáveis pelo


conteúdo deste trabalho”.

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RELATO DE EXPERIÊNCIA
CLUBE DE ASTRONOMIA PROMETHEUS

Cunha, Jalles Franco Ribeiro, jallesfranco@gmail.com


Silva, Rafael Bernardino, Rafaelpdr59@gmail.com1
Silva, Lucas Jardel Alves2
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Física
2
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Física

Resumo: Durante uma conversa entre colegas de sala, percebeu-se que o ensino de astronomia nas escolas de
ensino básico e médio da rede pública é inexistente, assim foi fundado o Clube de Astronomia Prometheus. Este
artigo apresenta um relato de experiência de alunos do curso de licenciatura em física da Universidade Federal
de Goiás - Regional Catalão, sendo participantes no Programa de Bolsas de Extensão e Cultura – PROBEC. O
relato refere-se a uma iniciativa de alunos do ensino superior para mudar o cenário de precariedade do saber
cientifico nas escolas de ensino fundamental e médio da rede pública de ensino na cidade de Catalão – GO.

Palavras-chave: Conhecimento astronômico; Prática de ensino; Divulgação científica.


__________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO pública de ensino do nosso país não oferece aos


alunos nenhuma disciplina relacionada ao assunto
Nos primórdios da civilização humana, olhar o Astronomia.
céu noturno era imprescindível tanto para o plantio e
Dados de 2016, relacionados ao Programa
colheita dos alimentos, quanto para as navegações
Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA),
que ligavam continentes atrás de novas terras e
apresentam a má colocação relativa dos estudantes
produtos. Durante anos na Grécia antiga, observar os
brasileiros nas áreas de ciência, matemática e leitura,
astros apenas por fascínio se tornou insuficiente para
posicionando o Brasil nos últimos lugares dos 70
os pensadores, era necessário entender como os
países analisados. Os dados evidenciam a
mesmos se comportavam, como os ciclos dos
dificuldade, ou até mesmo a falta de interesse, dos
planetas eram regidos e onde estávamos nesse
alunos frente a disciplinas que são as mais
imenso universo conhecido até o momento.
importantes da formação fundamental no processo
Estudiosos da astronomia como Cláudio de aprendizagem. E quais as formas de mudar esse
Ptolomeu, criador do modelo geocêntrico, tentava cenário? “Nesse contexto, o uso da tecnologia e de
entender como era o caminho do sol, da lua e dos metodologias ativas é capaz de despertar a
planetas. Séculos mais tarde, Nicolau Copérnico curiosidade do aluno, bem como incentivar uma
introduziu a teoria heliocêntrica a qual refutava as maior participação nas atividades escolares”
afirmações de Ptolomeu e colocava o sol como o (OLIVEIRA, 2019, grifo do autor).
centro do universo tendo os planetas em sua órbita.
O objetivo do presente artigo é relatar a
Cientistas viriam a realizaram contribuições para o
experiência de alunos do curso de física no
modelo e um dos mais notórios foi Galileu Galilei
desenvolvimento de a um projeto de extensão que
que no ano de 1609 apontou pela primeira vez um
visa a divulgação de conceitos astronômicos em
telescópio para a lua e vislumbrou suas crateras.
escolas da rede pública da cidade de Catalão – GO e
Estava dado início a uma nova era de descobertas
cidades vizinhas. O projeto de extensão, Clube de
astronômicas que serviriam de combustível para um
astronomia Prometheus, visou aumentar o interesse
crescimento exponencial do conhecimento
da comunidade local pela ciência e a compreensão
astronômico.
do planeta e do universo em que os mesmos vivem.
O ser humano sempre foi fascinado por
descobertas, assim está sempre em busca de 1.1. Clube de Astronomia Prometheus
entender o universo em que vive. A astronomia
(SAGAN, 1977) nos mostra que em algum lugar, O Clube de Astronomia Prometheus nasceu da
algo incrível está esperando para ser descoberto. Os iniciativa de diversos alunos de graduação do curso
alunos das escolas públicas encontram uma barreira de Física da Universidade Federal de Goiás da
enorme para saciar o seu desejo natural de Regional Catalão. O Clube conta atualmente com
compreender o cosmos e seus fenômenos pois a rede cerca de vinte membros. Os alunos, movidos por sua

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fascinação pelos mistérios do universo, elaboraram Foto 1: Telescópio
atividades de aprendizagem, com intuito de serem
por eles mesmos utilizadas, sobre o estado atual
investigação de fenômenos celestes e sobre sua
história de desenvolvimento. As atividades
incluíram construção de telescópios, reuniões para
discutir tópicos de pesquisa atuais em Astrofísica,
observação de eventos astronômicos notáveis como
chuvas de meteoros e eclipses, palestras sobre temas
específicos proferidas por pesquisadores da UFG,
etc. Após conversas com o professor Jalles F. R. da
Cunha do curso Física, a proposta de se tornar um
projeto de extensão mostrou promissora e o clube de
astronomia iniciou suas atividades de divulgação
científica e ensino. Nosso projeto visava uma
ferramenta que possibilitasse despertar a curiosidade
do público alvo e partindo dessa premissa
construímos, com poucos recursos, um telescópio Fonte: SILVA, 2018
Newtoniano1. Foi utilizado na construção materiais Foto 2: Lua registrada pelo telescópio
de baixo custo. construído
2. METODOLOGIA

A atividade foi planejada de maneira a


demonstrar que qualquer pessoa, independentemente
do nível de conhecimento e poder aquisitivo, pode
construir seu próprio instrumento de observação
astronômica.
O processo de construção do equipamento
demorou um ano. Durante o início contava-se com a
participação de seis alunos voluntários no projeto de
bolsas de extensão e cultura (PROBEC) entretanto,
no decorrer do tempo, esse número se reduziu para Fonte: SILVA, 2018
três, sendo dois voluntários e um bolsista. Os
materiais utilizados como mencionado acima, foram Para atingir um maior número de interessados
encontrados em lotes baldios e alguns tiveram que nesse projeto, a metodologia de construção,
ser comprados com o intuito de deixar o resultado materiais usados e cálculos necessários foram
final o mais próximo da perfeição possível. O que disponibilizados em formato PDF em uma rede
pode ser observado na foto 1 e 2 é o resultado de social. Contudo, apenas possuir um telescópio não é
meses de trabalho dos estudantes vinculados ao suficiente para ter acesso ao conhecimento sobre os
projeto e fica evidente que a proposta de se construir fenômenos observados, para suprir a necessidade de
um aparelho óptico de alta qualidade está ao alcance esclarecimento objetivo sobre a realidade observada
de todos. através das lentes do telescópio foi planejada e
executada uma série de aulas e palestras ministradas
para alunos das escolas da cidade e região. Em
conjunto com as aulas e palestras, uma atividade
observacional direcionada à população da cidade foi
realizada uma vez ao mês, onde moradores tiveram a
oportunidade de participar de observações
astronômicas realizadas em locais específicos da
cidade que possibilitou aos moradores dos bairros de
Catalão aprender um pouco sobre conceitos básicos
de astronomia e astrofísica.
1
O telescópio Newtoniano usa espelhos ao O conteúdo programático foi trabalhado com o
contrário de outros modelos que usam lente. Recebe auxílio do orientador com o objetivo de introduzir,
esse nome em homenagem a seu criador Isaac de forma coerente e simples, as primeiras noções
Newton. sobre astronomia. O programa das palestras e

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minicursos abrangeu em inicialmente as definições Foto 4: Palestra sobre sistema solar
do que é ciência dos conceitos de teoria científica.
Foi enfatizado o caráter operacional do método
científico e sua oposição lógica ao misticismo e a
pseudociência.
Foi realizada uma aula (01/11) sobre
Astronáutica na Escola Senai de Catalão, a aula
serviu como fonte de informação para alunos que
iriam participar de uma olimpíada de montagem e
lançamento de foguetes. Como pode-se ver na foto2
3, todos os conceitos de propulsão aeroespacial
foram abordados e ao final foi realizado uma oficina
com maquetes de foguetes espaciais.
Foto 3: Aula sobre astronáutica Fonte: SILVA, 2018
Durante as atividades do projeto, no mês de
outubro de 2018, ocorreu o IV Congresso de
Pesquisa e Extensão – CONPEEX com a temática “
Ciência para a diminuição das desigualdades”,
decidiu-se que os alunos envolvidos no projeto
deveriam apresentar um minicurso abordando
conceitos da construção do telescópio como
justificativa de ser um projeto de integração e
direcionado a aproximar a ciência da população. O
tema do evento validando o objetivo do projeto, o
minicurso intitulado “O conhecimento astronômico
ao alcance de todos” foi apresentado durante 3 horas
de evento a metodologia de construção e manuseio
Fonte: SILVA, 2018. de um telescópio Newtoniano assim como outros
A primeira apresentação do nosso projeto foi modelos de telescópios.
realizada no Colégio Estadual Adelino Antônio Dentre as várias atividades do projeto ocorreu
Gomide, localizado na cidade de Anhanguera – GO, um convite de uma aluna do curso de Física, natural
que dista cerca de 35 km da cidade de Catalão. A de Corumbaíba, para que lá fosse realizado um
escola conta com alunos de ensino médio e evento do projeto, os alunos participantes do projeto
fundamental, a palestra foi realizada em duas dirigiram-se a cidade de Corumbaíba – GO cerca de
sessões. A primeira com alunos do ensino médio e a 83 km de Catalão, para realizar uma palestra junto
segunda com alunos do ensino fundamental. A aos alunos do Colégio Simon Bolívar. O tema da
temática abordou temas como pseudociência e o palestra foi o mesmo realizado na cidade de
sistema solar, (foto 4). Ao final da apresentação os Anhanguera, contudo outras discussões pertinentes
alunos foram direcionados a um campo de futebol apareceram durante a narrativa, como dúvidas sobre
local para realizar uma observação astronômica, buracos negros e possível vida inteligente em outros
entretanto as condições meteorológicas estavam lugares do cosmos. Nota-se na foto 5 que o público
desfavoráveis para vislumbrar algum astro, assim presente foi numeroso e contando inclusive com
realizou-se no local uma atividade prática para moradores da cidade externos ao colégio.
montagem e regulagem de telescópio e luneta.
Assim como métodos de se encontrar no espaço Foto 5: Palestra no auditório da Colégio Simon
usando coordenadas astronômicas. Bolívar.

2
As imagens mostradas nesse artigo são de
domínio do escritor e as pessoas que nelas aparecem
estão de acordo com o uso e publicação das mesmas.

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Fonte: SILVA, 2019 para os integrantes do projeto a oportunidade de
aumentar seu conhecimento e praticar o discurso
Com a perspectiva de introduzir os alunos das
usado em palestras.
escolas públicas no meio astronômico, foram
realizadas visitas em todas as escolas da cidade de
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS ou
Catalão divulgando a prova da Olimpíada Brasileira
CONCLUSÕES
de Astronomia e Astronáutica (OBA) de 2019. O
intuito das visitas era o de despertar o interesse em
O conhecimento pode mudar a vida de um
participar da prova sob tutela do professor escolhido
estudante, independente do seu grau de formação. O
pela diretoria da escola. Os alunos do projeto Clube
projeto tem a intenção de mudar as estatísticas que
de Astronomia Prometheus se disponibilizaram a
demonstram o quão ruim estão os índices de
realizar treinamentos com os alunos que mostrassem
aprendizado dos alunos da rede pública do país, e
interesse, entretanto não houve um aluno sequer da
despertar a curiosidade para o desconhecido. Como
rede pública de ensino para desenvolver as
disse Albert Einstein, um dos mais importantes
atividades de treinamento para OBA. Realizou-se
físicos da história:
uma aula com os alunos da Escola Senai de catalão
sobre aspectos e o que esperar da prova, a atividade Eu acredito na
foi realizada com cerca de 15 alunos que intuição e na inspiração.
representariam a escola na olimpíada que se realizou A imaginação é mais
no dia 15/05, (sex). importante que o
conhecimento. O
Como última ação dentro do quadro vigente do
conhecimento é
projeto realizou-se uma aula sobre planetas do
limitado, enquanto a
sistema solar com alunos do ensino primário da
imaginação abraça o
Escola Aprovkids. O convite foi feito por pais dos
mundo inteiro,
alunos, a proposta se mostrou muito promissora pois
estimulando o
trabalhar ciência com crianças de faixa etária entre
progresso, dando à luz à
os 7 e 9 anos de idade como mostra a foto 6, pode
evolução. Ela é,
despertar a curiosidade nos primeiros anos de
rigorosamente falando,
aprendizagem e com isso extirpar um possível
um fator real na
desinteresse pela ciência.
pesquisa científica.
Foto 6: Alunos Aprovkids (EINSTEIN, 1900 apud
SEABRA, 2012).
A porta de entrada para o saber astronômico está
diante de todos, basta que se tenha curiosidade para
abri-la e vontade de aprender. Sabe-se que a
educação brasileira está longe de ser a melhor e a
atenção dos líderes políticos está voltada para outros
lados que os mesmos julgam mais importantes,
dessa forma a educação se torna objeto de segundo
plano para aqueles que detém o poder de fazer as
mudanças necessárias para que estudantes possam
ter acesso a uma educação de qualidade.
O projeto levou um pouco do conhecimento
astronômico adquirido por cientistas durante os anos
até as maiores descobertas feitas por incríveis
organizações que mapeiam e tentam entender a
magnitude do universo em sua essência e
complexidade. Espera-se que mais projetos como
esse possam ser desenvolvidos para que mais
Fonte: SILVA, 2019. pessoas compreendam como é fascinante nosso
planeta e percebam que “o cosmos é tudo que existe,
A pedido do orientador, iniciou-se uma reunião existiu e existirá” (SANGAN, 1980).
semanal aberta a membros do projeto e a outros
cursos para que pudesse ser realizado discussões Acredita-se que o objetivo foi alcançado com
temáticas e leitura de livro texto sobre astronomia. êxito, a partir da primeira atividade astronômica na
Essa reunião foi pensada para atrair estudantes da cidade, muitos cidadãos mostraram interesse em
universidade que possuem interesse pelo assunto e participar de outras observações com telescópios e

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lunetas. Essa interação entre as partes agrega educacao-mundial-posicao-do-brasil/. Acesso em:
conhecimento para ambas as partes, tanto para quem 22 ago. 19.
ensina e pode ter a vivência de uma pessoa que
Olimpíada brasileira de astronomia e
passa o conhecimento que possui tanto para quem
astronáutica. Disponível em:
recebe e pode perceber que a curiosidade pode abrir
http://www.oba.org.br/site/. Acesso em: 23 ago. 19.
inúmeras portas e que a universidade está mais
próxima de si, contrariando a ideia que o SANGAN, C. COSMOS. Estados Unidos da
conhecimento superior é algo inatingível. América: Random House, 1980.
SEABRA, M. Conhecimento é melhor que
REFERÊNCIAS
educação? Disponível em:
https://www.meioemensagem.com.br/home/marketi
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
ng/ponto_de_vista/2012/10/24/imaginacao-e-
TÉCNICAS. Informação e documentação –
melhor-que-conhecimento.html. Acesso em: 22 ago.
citações em documentos – apresentação: NBR
19.
10520. Rio de Janeiro, ago. 2002. 24 p.
OLIVEIRA, Diego. Ranking de educação RESPONSABILIDADE AUTORAL
mundial: entenda os dados do Brasil. Disponível
em: https://blog.lyceum.com.br/ranking-de- “O(s) autor(es) é(são) o(s) único(s)
responsável(is) pelo conteúdo deste trabalho”.

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A EXPERIÊNCIA DO CURSINHO POPULAR PAULO FREIRE

ALVES, Maria Zenaide, zenpiaui@yahoo.com.br (Orientadora)


SOUTO, Andréa Ferreira, aandreasouto@gmail.com1
NASCIMENTO, Raquel Costa Guimarães, raquelcostaguimares@gmail.com1
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão

Resumo: Este trabalho tem como objetivo apresentar e refletir sobre a experiência do Cursinho Popular "Paulo
Freire" que tem como alvo, na perspectiva da Educação Popular, contribuir com a formação de sujeitos que
pretendem ingressar nas universidades através do ENEM. Visa ainda promover atividades de iniciação à docência
aos estudantes de graduação que irão atuar como educadores populares e dos professores da Educação Básica
envolvidos no desenvolvimento da proposta. Esta atuação contribui para a formação dos discentes de graduação e
pós- graduação e permite a conexão da Universidade e a comunidade da região.

Palavras-chave: Cursinho Popular. Educação Popular. ENEM. Extensão.


__________________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO prova concorrida, classificatória e difícil que exige tanto


a revisão dos conteúdos aprendidos ao longo de toda a
O acesso à educação superior no Brasil, em trajetória escolar do aluno quanto o controle emocional
relação às instituições públicas, mesmo tendo obtido por parte daqueles que a realizam. (D’Avila & Soares,
nos últimos anos aumento na oferta de vagas, ainda é 2003).
muito aquém para atender as reais demandas da maioria
É a partir dessa interdependência dos
da população. Percebe-se que programas de promoção
vestibulares, atualmente pelo Exame Nacional do ensino
do acesso ao ensino superior para estudantes de baixa-
Médio - ENEM e o acesso à universidade que emergem
renda, como o PROUNI (Programa Universidade para
nos últimos anos no país os cursinhos populares ou
Todos), criado pela Medida Provisória nº 213/2004),
comunitários. Houve uma preocupação com os efeitos
busca preencher as vagas excedentes das universidades
da desigualdade social e por isso, buscam promover a
privadas, enquanto que a escassez de vagas públicas e
aprendizagem e a preparação para o vestibular/ENEM
gratuitas continua sendo uma realidade no sistema
apresentando baixas mensalidades ou mesmo sua
educacional brasileiro.
isenção (Bacchetto, 2003; Bonfim, 2003). Em 2017 o
A esse respeito, Carvalho (2006) explica que Diretório Acadêmico dos Curso de Catalão – DACC
embora o PROUNI possa promover certa ascensão junto a departamento de Letras, professores da UFG e
social para o grupo seleto de estudantes que conseguir da cidade, realizaram uma semana com aulas
um lugar nos bancos escolares das universidades preparatórias para estudantes que iriam realizar o Enem
privadas de qualidade, a grande maioria deve continuar naquele ano. O cursinho também busca a formação dos
à mercê de programas educacionais ineficientes e jovens para além dos conteúdos escolares, numa
precários. Com o Programa de Apoio a Planos de perspectiva da educação popular e crítica, pretende ser
Reestruturação e Expansão das Universidades Federais um espaço de formação para a vida. É um espaço de
(Reuni), o governo aumentou não apenas a oferta de formação para nossos estudantes das licenciaturas que
vagas nas universidades federais, mas também além do contato com os referenciais teóricos
promoveu a expansão física, acadêmica e pedagógica metodológicos da Educação Popular que pode
nestas instituições, e por decorrência, incentivou contribuir diretamente na construção de pesquisas no
populações em situação de vulnerabilidade campo, poderão ainda desenvolver aspectos ligados à
socioeconômica a realizar o ingresso no ensino superior didática, gestão e organização do trabalho pedagógico,
em uma instituição federal. fundamentos da educação e política educacional em um
contato direto, prático, com situações educacionais
No entanto, os alunos das camadas populares
típicas dos processos educativos.
concluintes do ensino médio ainda sonham e anseiam
pela universidade pública, o que lhes parece a melhor
opção para graduar-se e, assim, buscar uma melhor 1.2. EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
oportunidade de trabalho no mercado cada vez mais
competitivo (D’Avila, 2006). do cada vez mais A extensão universitária é uma atividade
competitivo (D’Avila, 2006). O acesso as universidades acadêmica que pressupõe integrar a comunidade
públicas ainda é predominantemente o ENEM. Uma universitária e a sociedade, através de programas,

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projetos, cursos, eventos, publicações dentre outros a comunidade externa, sem a qual o projeto de
métodos. Como função acadêmica presente na extensão não se efetiva. O Art. 8º determina que as
universidade, a extensão tem como objetivo integrar ações de extensão e cultura podem ser efetivadas
ensino-pesquisa contribuindo para prestação de “por meio de programas, projetos, cursos, eventos e
serviços junto à comunidade. A partir das demandas prestações de serviços.” (BRASIL, 2008 [sp]), e
sociais, a extensão promove o intercâmbio entre define, conforme os graus de cada caso, a
universidade e sociedade, promovendo benefícios responsabilidade de acompanhamento do trabalho
para ambos os lados (Rodrigues et.al. 2013). pode ser do coordenador da ação, da presidência da
Comissão de Interação com a Sociedade – CIS, ou
O processo que permite a troca dos diversos
da da direção da Unidade ou Órgão.
saberes populares e acadêmicos possibilita, a prática
da teoria com a realidade, proporcionando uma O capítulo III - da coordenação das ações de
maior democratização do conhecimento acadêmico e Extensão e Cultura, ordena que compete à CIS, ou
a participação da comunidade na atuação da ao órgão gestor observar se o projeto comtempla
universidade (RENEX, 2001). conteúdo técnico e/ou artístico; o período para
execução; a carga horária dos participantes; assim
A iniciativa de reestruturar o Cursinho Popular
como o público beneficiado; se existe a participação
na recém emancipada Universidade Federal de
de servidores e discentes – fator determinante para a
Catalão – UFCAT vem da urgente necessidade de
realização do mesmo; se a transferência de
contribuir político e socialmente no enfrentamento
tecnologia e conhecimentos se efetiva e qual a
das desigualdades de oportunidades de acesso à
relevância social da extensão no atendimento a
universidade pública que marca a história da
demandas da sociedade. O artigo 13º ordena que o
educação no nosso país. Só recentemente (na última
coordenador do projeto deverá ser um servidor,
década) a partir de políticas reparatórias, como as
docente ou técnico-administrativo da UFG
Cotas, o SISU e o PROUNI, houve uma ampliação
(BRASIL, 2008, [sp]).
desse quadro, e pela primeira vez na história
nacional, as universidades brasileiras passaram O Capítulo IV - do cadastro e da tramitação das
receber grupos historicamente excluídos. propostas de ações de Extensão e Cultura, trata as
ordenações processuais para inscrição de um projeto
na Pró-Reitoria de extensão e cultura. O capítulo V -
1.3. AS NORMATIVAS QUE REGULAM A
dos relatórios e avaliações das ações de Extensão e
EXTENSÃO NA UFG
Cultura, orienta, entre outras coisas, que o
coordenador do projeto deverá apresentar relatórios,
O regimento que regula as ações de extensão e
que, por sua vez, serão analisados pela CIS ou pela
cultura foi promulgado em 2008, pelo Conselho
direção da unidade.
Universitário da Universidade Federal de Goiás,
revogando a resolução anterior, que havia sido O capítulo VI - Dos recursos financeiros e
criada em 2002. Essa resolução define projeto como materiais das ações de Extensão e Cultura - trata das
“Ação processual e contínua de caráter educativo, eventuais necessidades financeiras ou de materiais
social, cultural, científico ou tecnológico, com arrecadados pelo projeto. O capítulo VII - do
objetivo específico e prazo determinado.” (BRASIL, programa de bolsas de Extensão e Cultura –
2008, [sp]). Dividido em sete capítulos, a resolução PROBEC, normatiza a possibilidade de alunos
define as normativas das ações de Extensão e regulares da UFG se inscreverem no programa de
Cultura na Universidade Federal de Goiás. Bolsas Da extensão e cultura.
O capitulo 1- Dos objetivos das ações de
2. METODOLOGIA
Extensão e Cultura - no artigo 2º que “o objetivo
geral das ações de extensão e cultura é promover,
O Cursinho Popular Paulo Freire é realizado nas
entre a universidade e a sociedade, a interação dos
dependências da Universidade, utilizando duas salas
saberes, procurando, nesse processo, socializar a
(uma para o vespertino e outra para o noturno) a
cultura e o conhecimento acadêmicos” (BRASIL,
partir do apoio do Diretório Acadêmico dos Cursos
2008, [sp]). Com base nessa prerrogativa, tendo
de Catalão (DACC), entidade estudantil, e do
como objetivos aumentar e fortalecer a relação entre
esforço despendido pela atual gestão da Regional
Universidade e sociedade, promovendo a articulação
Catalão da UFG. São divididas as áreas de acordo
entre pesquisa e ensino com as demandas sociais e
com as disciplinas do ENEM onde alunos da
culturais da população.
graduação Licenciatura e Bacharelado e ou
O capítulo 2 - Das ações de Extensão e Cultura professores lecionam os conteúdos cobrados no
reforça o caráter de interação entre as ações edital do ENEM.
científicas, culturais e educativas da Universidade e

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Deveriam ser selecionados alunos dos diversos aspectos, aliado ao preconceito e à prepotência
cursos relacionados as disciplinas a serem presente em ambientes acadêmicos podem ser
ministradas da UFG, Catalão. Através dos meios de fatores de repulsão de estudantes das camadas
divulgação impressos, tv, rádio e redes sociais populares do ambiente universitário. Portanto, ao
ocorreria a divulgação para adesão da população citar a democratização da universidade, a
interessada em assistir as aulas do projeto. Haveria preocupação deve ir além do ingresso neste
uma montagem da grade horária do cursinho, ambiente, também deve focar-se na permanência
elaboração dos temas independentes por equipe. destes jovens no ambiente universitário. E os
estudantes ainda precisam resistir uma vez que essa
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO presença pode ser incômoda para os elitistas e deve
combater às atitudes preconceituosas e a
As aulas iniciaram-se em março de 2019, discriminatórias que possam estar atreladas a esse
regularmente de segunda a sexta, das 14:00 às processo.
17h:00 e noturno das 19:00 às 22:00. O Cursinho
conseguiu atingir um público de cinquenta pessoas, 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
em dois turnos: matutino e vespertino.
A experiência com este projeto tem confirmado
O projeto obteve até o momento, a participação
que a extensão se mostra como elemento
de cerca de 60 voluntários que possuem vínculo com
fundamental para preparar profissionais não apenas
a UFG, Catalão, das áreas de Língua Portuguesa,
com a leitura e discussão de textos em sala por
Matemática, Sociologia, Filosofia, História,
alunos da universidade, mas também com a
Geografia, Biologia, Química e Física, cuja atuação
elaboração da prática voltada para a sociedade,
se desenvolve em aulas semanais organizadas em
confirmando que o verdadeiro conhecimento só é
horário previamente organizado e disponibilizado
adquirido com a execução desses dois elementos
pela Coordenação do Projeto. Em alguns cursos, são
(SILVA, 1996). Além do aspecto formativo
realizados revezamento das aulas entre os alunos da
relacionado aos conteúdos programados para a prova
instituição. Houve a participação de 2 alunos já
de Vestibular, a lista de frequência ao Cursinho
graduados, sendo um da Geografia e uma da
Popular Paulo Freire, que é assinada diariamente
Biologia. As atividades desenvolvidas no âmbito do
pelos alunos representa a consolidação de um espaço
Cursinho Popular são avaliadas coletivamente em
democrático, plural e diverso, no qual cada aluno
reuniões periódicas, nas quais toda a equipe se reúne
tem contato diário com o ambiente universitário
para avaliar atividades realizadas, considerar o
obtendo a oportunidade de participar ativamente dos
rendimento das aulas, as condições de frequência e
sentidos coletivos de acesso e uso do espaço público
permanência; nestas reuniões são também planejadas
e gratuito na formação superior brasileira.
as atividades futuras a serem implementadas no
âmbito do Projeto. A Equipe vinculada ao Projeto entende a experiência
como fundamental para a sustentação do valor
Houveram até o momento atividades extras
democrático e público da Universidade brasileira, e,
como Aulões Pré-ENEM gratuitos abertos a
ainda, considera o espaço universitário como parte
comunidade em geral através de instituições
do relevante processo formativo para a graduação da
parceiras, um simulado e Aulões de Atualidades
Instituição, em especial aos cursos de licenciatura. A
promovidos pelos alunos. É realizada uma lista de
luta pela democratização do acesso ao ensino
frequência diária nas salas.
superior abre um debate sobre o próprio sistema de
As questões acerca da igualdade do acesso ao ensino, pois sua progressiva universalização ainda
Ensino Superior foi tema de um relatório feito em contrasta com a qualidade do ensino ofertado à
2008 pela Organização para Cooperação e juventude brasileira. É preciso haver mais
Desenvolvimento Econômico (OCDE), intitulado alternativas teóricas e práticas para a construção de
Ensino Superior na a Sociedade do Conhecimento. um ambiente educacional que fomente o
Para a OCDE, a justiça social deveria sempre crescimento econômico e tecnológico do país com
prevalecer, o que implica assegurar que questões justiça social.
étnicas, de gênero e as condições socioeconômicas
não sejam obstáculos para ter acesso à educação REFERÊNCIAS
Enquanto a OCDE relata ser positiva a articulação
do Ensino Superior com o Ensino Médio, vivemos BONFIM, Talma Alzira; PINTO, José Marcelino de
um período de transformações na realidade escolar Rezende. O CAPE em nossas vidas: a visão de um
que não caminha nesse sentido. grupo de alunos, ex-alunos e colaboradores sobre
um curso pré-vestibular gratuito.
O ambiente muitas vezes elitista, distante da
realidade da maioria da população em muitos

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2003.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, tos/Plano-nacional-de-extensao-universitaria-
2003. editado.pdf > Acesso em: 06 set. 2019
D’ÁVILA, Gerusa. Tavares. (2006). O ensino RODRIGUES, Andreia Lilian.; DO AMARAL
superior como projeto profissional para “ser COSTA; C. L. N.; PRATA, M. S.; BATALHA, T.
alguém”: repercussões de um cursinho pré- B. S.; NETO, I. D. F. P. Contribuições da extensão
vestibular popular na vida dos estudantes. universitária na sociedade. Cadernos de
Dissertação de Mestrado, Programa de Pós- Graduação – Ciências Humanas e Sociais - UNIT,
Graduação em Psicologia, Universidade Federal de v.1, n.16, p.141-148, 2013.
Santa Catarina, Florianópolis, SC. (2003).
SILVA, Oberdan Dias da. O que é extensão
MINISTERIO DA EDUCAÇÃO. UNIVERSIDADE universitária?(1996). Acesso em: 08 set.2019.
FEDERAL DE GOIÁS. Resolução CONSUNI Nº
TURATO, E. R. Decidindo quais indivíduos estudar.
03/2008. Disponível em:
In: ______. Tratado da metodologia da pesquisa
https://www.proec.ufg.br/up/694/o/Resolucao_CON
clínico-qualitativa. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 351-
SUNI_2008_0003.pdf Acesso em: 06 set. 2019
368.
RENEX - Fórum de Pró-Reitores de Extensão das
Universidades Públicas Brasileiras. Plano nacional RESPONSABILIDADE AUTORAL
de extensão. Brasília: FORPROEX. 2001.
Disponível em “O(s) autor(es) é(são) o(s) único(s) responsável(is)
<https://www.ufmg.br/proex/renex/images/documen pelo conteúdo deste trabalho”.

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REFLEXÕES TEÓRICO-PRÁTICAS ACERCA DA
PSICOLOGIA INSERIDA NA COMUNIDADE
PAULINO-PEREIRA, Fernando Cesar. epifania.cps@gmail.com1
JUNIOR, Romildo Rodrigues Neves. romildoufg@hotmail.com1
SOUZA, Libna Raquel Barbosa2

Universidade Federal de Goiás/RC/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia1


Universidade Federal de Goiás/Campus Samambaia 2

Resumo: O Projeto de Extensão "Psicologia na Comunidade" é desenvolvido pelos discentes de psicologia da


Universidade Federal de Catalão e supervisionado pelo professor-orientador em reuniões que acontecem
semanalmente. O projeto consiste em atender à comunidade externa de zona periférica da cidade de Catalão-
GO com objetivo de proporcionar à comunidade saúde e bem-estar além de promover reflexões sobre aspectos
da vida cotidiana. O trabalho é realizado semanalmente por três estudantes em horário fixo, esses encontros se
dão em um salão, comumente, chamado "Casa da Sopa". Assim, o presente ensaio possui como objetivo realizar
um relato de experiência do trabalho desenvolvido na comunidade, bem como realizar a integração entre a
teoria e prática do psicólogo neste contexto. É notória a importância do psi cólogo na comunidade atend en d o a
demanda e atuando conjuntamente com os demais profissionais da equipe de saúde do bairro. Em se tratando
de uma cidade do interior de Goiás, onde a profissão do psicólogo é pouco enaltecida, faz -se necessário levar
esse saber psicológico à comunidade ratificando o trabalho profícuo que a psicologia, tem a oferecer.

Palavras-chave: PSICOLOGIA SOCIAL. PSICOLOGIA COMUNITÁRIA.

1. INTRODUÇÃO bairro da cidade de Catalão/GO, bem como


realizar a integração entre a teoria e prática do
psicólogo neste contexto.
A Psicologia por muito tempo ocupou
espaços privilegiados em relação a seus locais de Enquanto objetivos específicos:a) demonstrar
atuação, entre clínicas particulares e instituições. No por meio desse estudo o papel da Psicologia na
entanto, ultimamente o psicólogo tem se inserido comunidade; b) estreitar os laços entre Universidade e
em espaços nos quais anteriormente não existia a Comunidade; e, c) destacar a relevância da Extensão
presença deste profissional. Um desses lugares é a acadêmica; Este trabalho justifica -se
comunidade. Sendo assim, se faz necessário cientificamente, uma vez que se faz importante o
construir novos fazeres que atendam as dema n das desenvolvimento da Psicologia no que tange aos
desses novos locais de atuação. Embasando-se no estudos e práticas em contextos fora dos muros
materialismo histórico dialético, Lucília Augusta da Universidade, alcançando a população que n ã o
Reboredo (1983) apresenta uma concepção de tem acesso a tais serviços, bem como possibilitar
pesquisador, na qual deve-se atuar visando a construção de novos saberes para a área enquanto
transformação social. Assim, o pesquisador inserido ciência e profissão. Porta nto, visamos uma
nessa nova forma de fazer ciência deve ser Psicologia que esteja a serviço da comunidade,
também um “interventor da realidade social” a fim atuando e intervindo na vida cotidiana das pessoas,
de utilizar o conhecimento para transformar o para que possa, Através de sua intervenção,
mundo de forma ativa, e não apenas tentar proporcionar um espaço de fala, escuta,
explicar ou descrevê-lo. transformação e conscientização política e social d a
população. No que tange à prática dos estudantes
Consoante Reboredo (1983) é necessário
na comunidade, a mesma se deu por meio de
redefinir as práticas dos psicólogos sociais, para que
esta volte seu interesse para os estudos e ações encontros com a comunidade nas segundas-feiras à
noite, com duração de aproximadamente duas
na vida cotidiana, buscando assim novas
horas. Esses encontros acontecem na “Casa da
metodologias de intervenção, visto que é nesta
Sopa”, assim denominada por distribuir
que acontece a relação entre indivíduo e
gratuitamente à comunidade uma refeição aos
sociedade.
sábados. Atualmente, a “Casa da Sopa” funciona
Assim, esse artigo tem por como objetivos
como um bazar e está sendo o espaço para os
gerais realizar um relato de experiência do
encontros com os extensionistas do curso de
trabalho desenvolvido na comunidade em um

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Psicologia da UFG/RC. familiar, rodeado de significado que a criança irá
Nesses encontros são discutidos interiorizar o mundo que a rodeia, formando sua
assuntos/temas que dizem respeito ao cotidiano identidade e auto-imagem. A segunda forma de
dos moradores do bairro, variando de acordo com socialização se dará através das instituições, como
a demanda do grupo. Temas como política, saúde, a escola, são essas que implicarão na vida
sociedade, educação, o outro, o eu, e o bem cotidiana dos indivíduos, passando a estes a
comum da comunidade tem ganhado pauta nas funcionalidade e os modos de funcionamento da
discussões. Ouvindo cada pessoa, o grupo sociedade. (BERGER; LUCKMANN, 1999).
movimenta -se num sentido de des-construção de Lane (2012) afirma que ao realizar uma análise
saberes cristalizados, preconceitos e discriminação. do indivíduo é necessário se atentar ao grupo ao
qual ele pertence, sua classe social, bem como, a
2. REFERENCIAL TEÓRICO relação dialética entre outros aspectos. Assim, a
autora propõe quatro pontos fundamentais para
O processo de se estudar a sociedade de uma análise do indivíduo inserido num processo grupal,
forma crítica teve sua notoriedade nas décadas de de acordo com o materialismo dialético: o
1970 e 1980, segundo Lane (2012) nessas primeiro deles é considerar o fato de que o
décadas ocorreram movimentos mais amplos da homem é em sua essência alienado, se atendendo
avaliação crítica do papel social das ciências, que existem dois níveis operando: o da vivência
onde anteriormente a este movimento o subjetiva, que reproduz a ideologia do capitalismo
pesquisa dor se deparava com o paradigma da através do individualismo, e o da realidade
neutralidade científica, e cabia a ele a não objetiva que é carregada de papeis sociais já
inserção de modo profundo no seu objeto de cristalizados e amalgamados na intenção da
estudo. Com este novo modo de se ler a manutenção do status quo. O segundo ponto
sociedade, averiguou se que as práticas de ação importante a ser considerado na análise do sujeito é
se equivalia m às elaboradas nas instituições e o fato de que todo grupo só existe a partir de
consultórios. É necessário ressaltar ainda que a instituições, seja a família, a fábrica, a igreja, a
sociedade é constituída de grupos e subgrupos e é Universidade e até mesmo o próprio Estado.
por meio deles que acontece a mediação Assim, é necessário considerar o tipo de inserção
indivíduo/sociedade. do grupo em tais instituições. Em terceiro lugar é
É relevante destacar que o psicólogo social necessário considerar que a história de vida de cada
deve trazer consigo uma visão do todo, da membro é fundamental no decorrer do processo
história e da dialética, portanto visão em grupal. O quarto ponto levantado pela autora é a
paralaxe, vitando cair na cristalização sobre o que a dia lética se desenvolverá sempre ancorada
grupo, visto que ele “[...] não é mais considerado no nível das determinações concretas, pois é nessa
como algo dicotômico em relação ao indivíd uo, que ocorre o desempenho de papeis que
mais sim como condições necessárias para reproduzem relações de dominação e exclusão. É
conhecer as determinações sociais que agem sobre através das determinações concretas que se pode atuar
o indivíduo”. (LANE, 2012, p.78). Assim, o grupo é para a desconstrução de ideologias e papeis pré-
a condição para a compreensão dos determinantes determinados.
sociais que atuam sob o sujeito. É através d os Nesse sentido, o grupo social é a condição
grupos que se compreendes o papel do indivíduo para a conscientização do indivíduo, bem como, as
na sociedade, bem como sua forma de atuação no mediações institucionais que produzem relações
mundo. É a partir da vivência em grupo que o sujeit o sociais cristalizadas com objetivo de manutenção
se expressa, se representa e se constrói. das relações de produção.
Para compreender o sentido da ação grupal é Martins (2007) toma como base a concepção
necessário abarcar sua perspectiva histórica, histórica e dialética do processo grupal presente na
considerando suas determinações econômicas, obra de Lane (2012) e afirma que o conceito de
institucionais e ideológicas. Nesse sentido, “o grupo não é baseado somente em um agrupamento
próprio grupo só poderá ser conhecido enquanto de pessoas que carregam regras e metas comuns.
processo histórico, e neste sentido talvez fosse Para a autora, é necessário compreender o grupo
mais correto falarmos em processo grupal em vez como um conjunto de vínculos e relações entre
de grupo” (LANE, 2012, p. 81). pessoas “com necessidades individuais e/ou interesses
O indivíduo está intimamente ligado ao coletivos que se expressam no cotidiano da prática
grupo, é dentro destes que o processo de social”. (MARTINS, 2007, p 77). Portanto, o grupo
socialização se dá. A socialização pode ser não é tão somente definido a partir da soma de seus
entendida como primária e secundária; a primeira membros, o processo grupal envolve, além disso,
corresponde aos valores e costumes, transmitidos ao relações de poder, assim como, a identidade
indivíduo pela família, e é sob esse ponto de vista grupal.

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Sendo assim, Martins (2007) afirma que um Terror, período que o grupo passa pela tensão da
dos papeis que a psicologia social pode quebra do grupo; e por último,Institucionalização,
desenvolver é o de estudar o indivíduo mediado de período em que enfatiza a estrutura e organização.
suas relações sociais e determinado pelas relações Vale destacar que o processo não ocorre em espiral
de produção. Nesse mesmo sentido, a Psicologia crescente, isolado e de maneira única, pelo contrário,
Comunitária apresenta a possibilidade da educação e ele se deriva de momentos progressivos e
desenvolvimento da consciência social no interior regressivos. (REBOREDO, 1995).
dos mais diversos grupos. É no interior dos grupos Além disso, Paulino-Pereira (2011) postula
que os indivíduos passam a perceber problemas e ações norteadoras para se trabalhar com processo s
situações comunitárias advindos de sua própria grupais, com objetivo de compreender a
realidade social e condições de vida, assim, passam movimentação dos sujeitos, assim como do próprio
a enxergar tais problemas não como questões grupo nos campos: afetivo, valorativo e operativo.
individuais, mas ultrapassam para um nível Podemos dizer que o campo afetivo está
coletivo, e a organização social, diferente da ação associando com a qualidade das relações
individual isolada, pode propiciar a resolução de interpessoais, uma vez que, essas só existem
parte desses problemas e sanar as necessidades quando os membros do grupo reconhecem a
comuns. importância uns dos outros. Por outro lado, o
Consoantes Peters; Paulino-Pereira; Soares campo Operativo, está relacionado com as
(2007) para que ocorra a superação da serialidade habilidades desenvolvidas pelo grupo para
e da alienação, institui se a práxis do grupo, o que concretização de seus objetivos, isto é, a forma
gera um movimento de unificação das liberdades, que os sujeitos se organizam para cumprir
e, com ela, a relação de reciprocidade. Pois a determinada tarefa. Por fim, o campo Valorativo diz
lógica de ação grupal, não é possível pensar o respeito a um conjunto de valores éticos, morais e
processo grupal como algo que está totalmente religiosos, que tem como objetivo criar valores
pronto e acabado, ele é sempre um processo comuns de acordo com a necessidade do grupo, a
histórico e dialético. partir da identidade de seus membros.
Percorrendo esse caminho da inquietação, o É a partir do campo operativo em que o
movimento grupal evolui sobre a tensão de pólos grupo se movimenta e se mobiliza a fim de
contrários “[...] a dispersão e a alienação, relação atingir seus objetivos comuns, ligado a causas
do Eu e Tu e o grupo organizado que é mais concretas. Assim, o papel do psicólogo na
convivência comunitária, a relação de Nós”. comunidade é promover a conscientização do
(PETERS; PAULINO-PEREIRA; SOARES, 2007. p. grupo, para que este se movimente de forma
18). autônoma a alcançar o bem comum, integrando
Dentro dos grupos, sempre estaremos teoria e prática, promovendo assim uma reflexão
representando algum papel social. Estes são de “terapêutica -educativa”.
grande relevância, pois é por meio deles que o Além da integração teoria e prática através
indivíduo representa o seu Eu, se fazendo do processo de conscientização de grupos e
conhecido e conhecendo os outros, enquanto comunidades, a ação do psicólogo deve promover
constituinte da sociedade, e não menos que a práxis, colaborando com a organização e
produto e produtor da mesma. Sartre apresenta fortalecimento dos mesmos, através de uma atuação
uma didática de movimento de humanização que baseada no compromisso com a transformação
corre na mediação do grupo, formando práxis que social, bem como a conscientização dos sujeitos,
cria possibilidades de emancipação. conforme afirma Paulino-Pereira (2011, p. 14) “o
Dentro desse mesmo pensamento sartreano, o psicólogo social crítico deve ter como meta
filósofo aponta duas vertentes grupais no que diz contribuir para o fortalecimento de mecanismos
respeito ao indivíduo dentro do grupo. A primeira que permitam a organização e a conscientização d a s
é a passagem do homem -serial ao homem-grupal pessoas”.
e a segunda, práxis grupal, que conduzem à O trabalho do psicólogo deve estar voltado
práxis individuais formadoras dos conjuntos para a transformação social emancipatória e
humanos. Visto que a dialética apresenta uma politizada, dando voz ao sujeito, usando de base dest e
movimentação que busca conscientizar o sujeito, o empoderamento as políticas públicas que legitima
processo é pensando da seguinte maneira: a sua ação. Assim, é necessário que o psicólogo
Serialidade, período em que o sujeito está alienado inserido na comunidade contribua de forma a
a sua situação; Fusão, período em que se luta promover conscientização e transformação social.
pela liberdade; Juramento, período em que os Como já fora apontado, é por meio dos
sujeitos se vêem como “irmão de causa”; grupos que se dá o contato com a comunidade,
Organização, período em que o grupo se reuni para a além do mais os grupos estão organizados em
solução de uma problemática comum; Fraternidade- escolas, instituições, empresas, bairros, famílias, etc.

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Maria de Fátima Quintal Freitas (1996, p.194) comunidade.
afirma que “a psicologia comunitária, apoiando-se Para registro e material de análise, utilizamos
nas formulações teóricas da psicologia social, do diário de campo (DC) a fim de não perdemos pa ra
prioriza a atuação junto aos grupos, de m aneira a o tempo detalhes importantes que surgiram e se
viabilizar o advento de consciências críticas e de destacaram no campo. Consoante Araújo et al. (201 3 ,
identidades que se guiem por concepções éticas p. 54), o diário de campo tem sido muito utilizado,
solidárias”. Onde se faz relevante discutir os pois permite a “[...] apresentação, descrição e
processos psíquicos formados pelo o grupo, ou ordenação das vivências e narrativas dos sujeitos
seja, socialmente construído, havendo uma junção do estudo. O diário também é utilizado para
de aspectosbiológicos e culturais que se retratar os procedimentos de análise do material
estabelece em constante articulação. empírico, as reflexões dos pesquisadores e as
O trabalho em comunidades muitas vezes é decisões na condução da pesquisa [...]. ” Assim, por
marcado por carências materiais e financeiras, meio do DC, nós conseguimos levar de modo
nesse sentido, Scisleski, Maraschin e Tittoni detalhado, as nossas impressões bem como a
(2006) salientam que o trabalho do psicólogo prática exercida. Foi por meio dele que o professor
social, não deve se sujeitar a lógica orientador ficou a par dos acontecimentos,
assistencialista, o que não significa ignorar os apresentando medidas e propostas que iria nos
aspectos sociais que atravessam a comunidade, orientar durante as próximas ações a serem
pelo contrário, são questões que devem ser executadas no campo.
consideradas para a construção da atuação neste
contexto. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3. METODOLOGIA Através da psicologia comunitária, os


psicólogos operam entre o individual e o coletivo,
Para tanto, a pesquisa é de caráter qualitativa e por que ambas as estruturas corroboram para a
utilizará de mecanismos como a pesquisa ação como formação do comunitário, onde ocorre o processo
forma de transformação social do local de inserção, e de produção e transformação dos significados por
o diário de campo como instrumentos de registro e sentidos dos sujeitos pertencentes a este ciclo da
coleta de dados. Além da intersecção entre a sociedade. Devemos nos atentar não apenas para o
teoria e prática realizada no campo de prática. quê o sujeito apresenta no presente, mas também o
Segundo B. Miranda (2008), a pesquisa que ele já passou, para que assim possamos
qualitativa é um tipo de investigação indutivo e acompanhar a historicidade do sujeito de uma forma
descritivo, na medida em que o investigador completa, e que permite o uso de artifícios que
desenvolve conceitos, ideias e entendimentos a facilite o diálogo entre esses indivíduos que ao
partir de padrões encontrados nos dados. mesmo tempo são individuais e sociais, visando a
De acordo com Reboredo (1983), a pesquisa colaboração dos mesmos para uma reflexão q u e gere
ação orienta e norteia o pesquisador, pois permite o uma transformação das condições enquanto grupo.
contato “sujeito-sujeito”, estabelecendo como b a se As intervenções grupais aconteciam a partir de
um compromisso social com eles. Na pesquisa - técnicas grupais ou vivências. As técnicas grupais
ação o indivíduo é compreendido de forma de acordo com Reboredo (1995), contribuem de
dialética, ativo e passivo, pois provoca e sofre forma positiva no caminhar do grupo, uma vez
ações nas relações sociais. É um sujeito que age de que proporcionam um espaço lúdico e aberto para
maneira ativa na sociedade, sendo produto e produtor o diálogo e discussão. Assim, as vivências são
da mesma. levadas a fim de mediar as movimentações dos
Para a obtenção do aporte teórico e sujeitos no campo afetivo, valorativo e operativo. As
conceitual que nos dará suporte na pesquisa técnicas são utilizadas como recursos mediadores e
utilizaremos os recursos da pesquisa bibliográfica. facilitadores da qualidade de vida, assim como,
Essa técnica nos permite tomar conhecimento do das relações sociais. Ainda segundo a autora
material científico já produzido por outros supracitada, as técnicas devem ser escolhidas de
pesquisadores a respeito de um determinado tema, acordo com a intenciona lidade teórica dos
assunto ou tese/problema que possa ser pesquisa d o , coordenadores e o diagnóstico situacional do
o qual nos possibilita estabelecer um diálogo com grupo a partir do levantamento de demandas.
as diversas fontes e interpretar os dados ali Nesse sentido, as vivências grupais eram
colhidos. (LAKATOS; MARCONI, 2001). Dessa realizadas tendo em vista os seguintes momentos:
forma, nosso procedimento é recorrer a textos, 1) Quebra-gelo - a partir de recursos lúdicos e
bem como livros, capítulos, artigos científicos, técnicas grupais; Vivência - realização de uma
dissertações e teses, que tratam da psicologia técnica norteadora para discussão posterior; 3)
comunitária e da prática do psicólogo na Roda de conversa - espaço para partilha de afet o s,

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emoções e percepções diante das intervenções diante de suas ações. O trabalho era realizado de
realizadas. É a partir do terceiro momento, que se forma contínua e conjunta com a comunidade,
abre o espaço para reflexão, questionamentos e numa relação “sujeito-sujeito” (REBOREDO, 1983),
transformação da realidade. na qual a distância e objetivismo não faziam pa rt e
Portanto, no decorrer dos encontros foi da relação.
possível discutir e trabalhar questões sobre: Outro ponto de atenção, que discutimos e
autocuidado, coletividade, política, apoio mútuo, que se apresentou ser eficaz e efetivo foi
saúde, educação dentre outros. Tais temáticas desconstruir a visão comum que o grupo tinha de quê
eram discutidas a partir das demandas dos na comunidade era cada um por si, regia um
participantes diante das intervenções. Assim, cada sentimento de individualidade que aparecia
encontro possibilitava um caminho para o constantemente durante as vivências. A ordem
encontro seguinte, visto que através da escuta sistêmica é a de que cada indivíduo siga só, haja sem
ativa, eram percebidos as necessidades e a organização do grupo ou consciência da
demandas grupais. realidade que o rodeia. É mais fácil para o capital
Por meio dessa ação na comunidade, foi controlar, manipular e oprimir quando estão
possível visualizar de perto como os indivíduos lidando com indivíduos serializados, reconhecidos
passam por agruras e estão desassistidos pelas apenas por sua singularidade e alienação.
políticas públicas e ações que deveriam Assim como a comunidade se autoproduz no
resguardar os direitos fundamentais do ser movimento grupal, o psicólogo (a) também
humano, como direito à saúde, lazer e educação. constrói a si mesmo na interação com o grupo
Houve momentos no grupo que percebíamos a sujeito. A atuação em um campo diferente
necessidade de as pessoas falarem de questões daqueles já estabelecidos, proporciona a criação de
internas que resultaram numa crise de ansiedade ou novos espaços de intervenção para o profissional,
depressão, fazendo com o quê esses sintomas as trazendo a psicologia para a comunidade,
impedissem de trabalhar, vivenciar o lazer, contribuindo com suas intervenções, para a
socializar, assim, vivências grupais deram espaço e transformação e mobilização social.
momento de fala e acolhimento para lidarem com Ao fim, a relevância de nosso trabalho foi
tais dificuldades. Ademais, quando necessário, sendo explicitamente apresentada na medida em que
realizávamos encaminhamentos e orientações pa ra a os próprios moradores da comunidade se dirigia a
busca de um acompanhamento psicológico nós para narrar os benefícios e a superação dos
individual, na clínica escola de Psicologia da momentos de aflição. Conciliar todo o
Universidade, bem como nas Unidades de Saúde conhecimento adquirido no decorrer da graduação e
do município. colocá -lo em prática é algo que nós, estudantes de
Portanto, no decorrer dos encontros psicologia devemos fazer, sobretudo quando os
promovidos na comunidade a partir dos grupos, resultados começam a aparecer concretam ente
foi possível perceber a movimentação dos sujeitos diante de nós.
nos campos afetivo, valorativo e operativo. Os Entendemos o conhecimento como
participantes compartilhavam ali seus afetos, interdisciplinar, portanto, são campos que dialogam
desafetos, traziam seus valores e os integravam na em função do bem comum. A psicologia tem
ação do grupo, criando assim, estratégias de muito a contribuir nas mais diversas áreas e está
enfrentamento e resistência frente às condições em disposta a promover reflexões que integre a
que viviam. participação popular nas políticas que almejam a
Nesse sentido, além da história do grupo, emancipação da sociedade.
muitas vezes as histórias pessoais dos
participantes eram foco da discussão, sendo que os 5. CONSIDERAÇÕE S FINAIS
mesmos realizavam a intersecção com a situação
discutida naquele encontro. Nesses momentos, No início do projeto, nós encontramos
realizávamos o acolhimento e a escuta, a fim de algumas dificuldades, como a aceitação e
legitimar e reconhecer a importância da história participação da comunidade e ausência dos
de vida daquele sujeito para o grupo como um moradores nos grupos. Apesar desses fatores, não
todo. abandonamos a nossa prática, pelo contrário,
Assim, através da escuta das dificuldades e encaramos como desa fios e entraves a serem
necessidades do grupo, as intervenções eram superados. Hoje afirmamos que o nosso objetivo
realizadas a fim de promover a autoria do tem sido alcançado com êxito, pois a
mesmo, de modo que os próprios participantes comunidade faz questão de nos dar um feedback
conduziam e direcionavam o foco das discussões. acerca de como eles tem se posicionado
Cabendo a nós coordenadores o papel de apont a r mediante alguns problemas políticos que
as contradições, possibilidades e responsabilidades acontecem dentro da comunidade. Ter esse olhar

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voltado para o outro e suas relações na sociedade
foi nossa preocupação desde o início. MIRANDA, B. Método Quantitativo versus
Destarte, os objetivos iniciais da pesquisa Método Qualitativo, 2008.
foram cumpridos, uma vez que foi realizada a
integração entre a teoria e prática, através da PAULINO-PEREIRA, F. C. Psicologia Crítica:
intersecção das experiências vivenciadas, com o Integração entre teoria e prática na comunidade.
aporte teórico da Psicologia Social Goiânia, Editora da PUC-GO. 2011.
Comunitária,realizando a discussão e análise do PETERS, S; PAULINO-PEREIRA, F; SOARES, S.
fazer do psicólogo inserido na comunidade. R. Intervenção em processos grupais e a questão da
Além disso, foi evidenciado o papel da psicologia identidade de adolescentes em situação de pobreza.
inserida na comunidade, como agente de Travessias: pesquisa em Educação, Cultura e
transformação social. Através da atuação foi linguagem e Arte, v.1. 2007.
possível estabelecer uma ponte entre
Universidade e Comunidade, bem como, REBOREDO, L. A. De Eu e Tu a Nós: o grupoem
fortalecer a importância da pesquisa, ensino e movimento como espaço de transformação das
extensão universitária como forma de possibilit a r relações sociais. Ed. 2º Piracicaba. Unimep, 1995.
a comunidade local o acesso aos frutos dessa
tríade. _____. A Transformação de um bairro operário
numa comunidade: um estudo da psicologia social
do cotidiano. São Paulo, PUC, 1983. (Tese de
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ARAÚJO, L. F. S. de; DOLINA, J. V.; PETEAN, RESPONSABILIDADE AUTORAL


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LUCIETTO, G. C. Diário de pesquisa e suas conteúdo deste trabalho”.
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JOGOS E BRINCADEIRAS COMO ESTRATÉGIA MEDIADORA DA
PROMOÇÃO DA SAÚDE EM UM GRUPO DE CONVIVÊNCIA
Lima, Lana Ferreira de, e-mail: lanafl2002@gmail.com
Silvano, Victor Rodrigues Gianelli Lemos, e-mail: victor-do-lc@hotmail.com
Campos, Naiara Pereira Caixeta de¹
Carneiro, Myla Aparecida Costa¹
Silva, Arielly Luiza Nunes¹
Naves, Emilse Terezinha¹
Pilger, Calíope¹

¹Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/IBIOTEC

Resumo: O aumento no número de pessoas com mais de sessenta anos de idade é um aspecto que marca a
sociedade do século XXI tornando necessária a criação de novos espaços de convivência e participação social
para os idosos. Nos últimos anos tem crescido o número de grupos de convivência (GC) por se configurarem
como uma estratégia de cuidado que proporciona a interação, a inclusão social, o resgate da autonomia, do
viver com dignidade e da saúde de idosos. Objetiva-se com esse trabalho relatar a experiência na utilização de
jogos e brincadeiras como estratégia de educação em saúde e integração social em um GC desenvolvido por
docentes e discentes dos cursos de Enfermagem, Psicologia e Educação Física da UFG/Regional Catalão. Os
encontros do GC ocorrem semanalmente, com duração de 1h30min, contando com a participação de idosos na
faixa etária de sessenta a oitenta anos de idade. Durante os encontros são desenvolvidas atividades como
dinâmicas de grupo, jogos, brincadeiras e alongamentos. Observa-se que os participantes do GC percebem que
as atividades promovem movimentos semelhantes àqueles realizados pelo corpo durante a execução de
exercícios físicos regulares de modo que muitos passam a se sentir mais animados ao notarem que ainda são
capazes de jogar e obter êxito, tal como antes quando eram jovens, o que os leva a ter opiniões positivas acerca
das atividades desenvolvidas, visto que vivenciá-las lhes proporciona bem estar físico, social e emocional por
possibilitarem, por meio do exercício do corpo e da mente, emergir sentimentos de alegria e prazer.

Palavras-chave: Idoso. Grupo de Convivência. Jogos. Brincadeiras. Saúde.

1. INTRODUÇÃO população idosa é a que mais cresce em todo o


mundo atualmente, motivo pelo qual os idosos são
Envelhecer é um processo resultante de considerados a “nova” população (CEDENHO,
alterações no organismo humano que se manifesta 2014).
de forma variável e individual, podendo “[...] se Assim, no contexto atual “[...] envelhecer
referir a um fenômeno fisiológico, de deixou de ser característica de países desenvolvidos,
comportamento social, ou ainda cronológico, isto é, pois cerca da metade dos idosos do mundo vive em
a velhice surge com a progressão do tempo, da idade países em desenvolvimento” (MEIRELES et al.,
adulta até o fim da vida” (MEIRELES et al., 2007, 2007, p. 70). A este respeito Kalache (1987, p. 218)
p. 70). O envelhecer é um processo natural que afirma que o rápido processo de envelhecimento que
ocorre na vida do homem por meio de mudanças temos observado
multifatoriais (físicas, fisiológicas, psicológicas e
sociais). [...] não é, naturalmente, uma característica
Desse modo, pode-se dizer que a sociedade específica do Brasil, sendo compartilhado,
sempre esteve às voltas com a questão do de modo mais ou menos acentuado, por
envelhecimento humano de modo que ao longo dos diversos outros países em
desenvolvimento. Desta maneira, o
diferentes períodos da história da humanidade e nas envelhecimento populacional, que
diferentes culturas, o processo em si tornou-se caracteriza, hoje, as populações dos países
objeto de estudos e reflexões. Mais recentemente o industrializados, passará, em futuro breve,
aumento da expectativa de vida e, por conseguinte, a ser uma característica também nossa. Na
do número de pessoas com mais de sessenta anos de verdade, já hoje, a maioria das pessoas
idade são aspectos que passaram a marcar a idosas vive em países não-desenvolvidos e
sociedade do século XXI. Pode-se dizer que a dentro de poucos anos, na passagem do

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século, mais de três quartos daqueles, com aumentou de 74,1 para 74,6 anos, um considerável
mais de 60 anos, serão habitantes do acréscimo de cinco meses e onze dias; se hoje o País
Terceiro Mundo. conta com cerca de vinte milhões de idosos a
E é nesta perspectiva que Cedenho (2014) previsão é que em 2025 ultrapassemos o patamar de
salienta que um fato notório é o envelhecimento com 32 milhões de pessoas idosas (CEDENHO, 2014).
maior velocidade da população nos países menos A respeito do aumento da população idosa e
desenvolvidos e, portanto, que têm menos condições seus impactos na sociedade, Meireles et al. (2007,
do que os países desenvolvidos para construir p.70-71) destacam que o mesmo influencia no modo
infraestrutura e fazer frente a esta importante e de gestão da atenção à saúde por ocasionar o
significativa transição/transformação social. aumento da demanda por serviços de saúde e sociais,
Autores como Meireles et al. (2007) e pois as internações nessa faixa etária, bem como o
Cedenho (2014) consideram que no Brasil, nas tempo de ocupação do leito, são mais elevadas.
últimas décadas, iniciou-se um processo de inversão Portanto, torna-se necessária a adequação “[...] dos
na característica populacional haja vista o valores culturais, das políticas sociais e de saúde, de
decréscimo nas taxas de natalidade e mortalidade maneira a atender às necessidades e aos problemas
que vem ocorrendo e que tem ocasionado um decorrentes do envelhecimento populacional”.
aumento considerável da população da faixa etária Nessa linha de raciocínio, pensar o
de sessenta anos ou mais. envelhecimento no contexto atual nos demanda
Pode-se dizer, portanto, que o pensar não apenas nos dados estatísticos, mas em
envelhecimento populacional decorre de fatores novas possibilidades de vivências, conhecimentos,
como: queda da fecundidade; avanços científicos e sentimentos e de participação dos idosos na
tecnológicos; melhores condições de higiene e sociedade, pois já não cabe na atualidade pensar na
saneamento básico, que reduziram, por exemplo, as figura da pessoa idosa como alguém que fica
mortes por doenças infecto-contagiosas; diminuição somente em casa a tricotar, a cuidar dos netos e dos
relativa do contingente populacional nas faixas afazeres da casa. Isso implica em considerar que a
etárias mais jovens de zero a quatorze anos; imagem do idoso sedentário e acomodado está
ampliação da população na faixa etária de quinze a ficando no passado, tendo em vista que cada vez
59 anos; acréscimo na faixa de sessenta anos ou mais as pessoas com sessenta ou mais anos estão
mais (MEIRELES et al., 2007). Assim, conforme mais ativas e sociáveis buscando sempre mais serem
salienta Kalache (1987, p.217) participativas, ativas e produtivas na sociedade.
Os fatores determinantes do Tal aspecto torna necessária a criação de
envelhecimento, a nível da população de
um país, são, fundamentalmente, ditados
novos espaços de convivência e participação social
pelo comportamento de suas taxas de para as pessoas idosas a fim de que estas não fiquem
fertilidade e, de modo menos importante, somente restritas aos afazeres domésticos e
de suas taxas de mortalidade. Para que familiares. Diante desse fato nos últimos anos tem
uma população envelheça, é necessário, crescido o número de grupos de convivência da
primeiro, que haja uma queda da terceira idade que se configuram como uma
fertilidade; um menor ingresso de crianças estratégia de cuidado bastante estimulada em todo o
na população faz com que a proporção de Brasil por proporcionarem aos idosos a interação, a
jovens, na mesma, diminua. Se, simultânea inclusão social e o resgate da autonomia e do viver
ou posteriormente, há também uma
redução das taxas de mortalidade (fazendo
com dignidade e saúde.
com que a expectativa de vida da A respeito da constituição de grupos de
população, como um todo, torne-se maior), convivência voltados para a população idosa,
o processo de envelhecimento de tal Wichmann et al. (2013, p.823) apontam que tais
população torna-se ainda mais acentuado. grupos “[...] são uma forma de interação, inclusão
Tal processo é dinâmico, estabelece-se em social e uma maneira de resgatar a autonomia, de
etapas sucessivas e é, comumente, viver com dignidade e dentro do âmbito de ser e
conhecido como "transição epidemiológica estar saudável”. Além disso, “[...] estimulam o
ou demográfica". indivíduo a adquirir maior autonomia, melhorar sua
Meireles et al. (2007) destacam que no autoestima, qualidade de vida, senso de humor e
Brasil, até meados do século passado a promover sua inclusão social”.
probabilidade de morrerem brasileiros na idade Frente ao exposto este trabalho objetiva
produtiva era um fato bastante concreto. Entretanto, relatar a experiência na utilização de jogos e
no contexto atual a expectativa de vida vem brincadeiras como estratégia de educação em saúde
aumentando de modo que ocorreu um crescimento e integração social com idosos em um GC de idosos
de dezessete por cento da população idosa brasileira desenvolvido por docentes e discentes dos cursos de
da década de 1990 para a década de 2000 e de 2012 Enfermagem, Psicologia e Educação Física da
para 2013 a expectativa de vida do brasileiro Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão

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(UFG/RC), em uma Estratégia de Saúde da Família combinações, em que se dispõe habilidade, destreza
(ESF), da cidade de Catalão – GO. ou astúcia” a brincadeira se configura como “um
elemento lúdico e da cultura, que pode proporcionar
2. METODOLOGIA uma riqueza de sentimentos que tem a possibilidade
de traduzir-se em prazer, satisfação, alegria, vontade
A UFG/RC iniciou em 2014 o Projeto de de viver, amor próprio e autoconfiança” (Ibidem.,
Extensão “Promoção e manutenção da saúde e p.9). Nesse sentido, jogar e brincar são atividades
prevenção de doenças para idosos na comunidade”, que proporcionam prazer, equilíbrio emocional ao
de caráter multidisciplinar, pois envolve docentes e mesmo tempo em promovem o desenvolvimento
discentes dos cursos de Psicologia, Enfermagem e social e uma maior autonomia do indivíduo sobre
Educação Física, perspectivando a estruturação de seus atos e pensamentos (Ibidem.).
um GC com idosos, consolidado desde o ano de Pode-se considerar, nessa perspectiva, que a
2016 na Unidade de Estratégia de Saúde da Família atividade lúdica pode ser um dentre os vários
(UBSF) CAIC. aspectos favoráveis à melhora da qualidade de vida e
O grupo é composto por um total de quinze da saúde da pessoa idosa, podendo ser alcançada via
idosos, de ambos os sexos, havendo predominância o desenvolvimento de jogos e brincadeiras que
do sexo feminino, na faixa etária que varia de promovam situações estimulantes e instigantes que
sessenta a oitenta anos. favoreçam a diminuição das resistências ao tato, ao
Semanalmente os idosos são contatados, via contato, ao movimento e ao prazer pela vida
telefone, por uma monitora do projeto de extensão. (ANDRADE et al., 2012).
Objetiva-se com essa ação obter informações sobre Considerando que o idoso traz uma
como foi a semana e como está a saúde de cada um bagagem da infância, da vivência de sua
dos/as participantes do grupo; lembrá-los/as do dia e adolescência, da juventude e da fase adulta bem
horário da reunião do grupo; e fortalecer o vínculo como de sua experiência atual da velhice, pode-se
dos/as idosos/as com os monitores e docentes da avaliar que o mesmo possui um significado do
Universidade. Destaca-se que em média participam lúdico. Por outro lado uma nova significação
das reuniões do grupo de cinco a dez idosos. A não positiva do lúdico durante a chamada terceira idade
regularidade dos idosos às reuniões do grupo decorre pode ser uma forma agradável e dinâmica de ter um
do fato dos mesmos em algumas semanas crescimento emocional, social, e mais, uma
assumirem, no horário das reuniões, compromissos oportunidade de vivenciar os benefícios dessas
familiares, sociais, religiosos e de saúde, os quais os atividades (ANDRADE et al., 2012).
impede de manter uma frequência e participação Com vistas a promover a valorização de
regular. cada um dos idosos, a interação dos mesmos com os
Pautado na Política Nacional do Idoso, na demais membros do GC e assim contribuir para
Política do Envelhecimento Ativo e na Política estimular a participação dos mesmos na sociedade,
Nacional de Promoção da Saúde, o grupo de são desenvolvidos nas reuniões do grupo de
convivência realiza encontros semanais, com convivência jogos e brincadeiras. Para garantir o
duração de uma hora e meia (1h30min), durante os êxito das atividades a serem realizada durante os
quais são desenvolvidas as seguintes atividades: - encontros semanais do grupo de convivência estas,
aferição da Pressão Arterial Média (PAM) e exame assim como os materiais didáticos e pedagógicos,
de glicemia capilar; - Práticas Integrativas e são cuidadosamente planejados e pensados
Complementares (fitoterapia, musicoterapia, yoga, considerando as características e individualidades de
técnicas de relaxamento e respiração, cada um dos idosos, ação esta que vai ao encontro
automassagem); - rodas de conversa sobre temas do preconizado por Mota e Munari (2006) que
diversos; - oficinas de artesanato; - manutenção de destacam que o planejamento meticuloso das ações a
horta comunitária; - festas em comemoração a datas serem desenvolvidas em grupos de qualquer
festivas; - alongamentos; - danças; - ginástica; - natureza é uma forma de respeito aos membros do
dinâmicas de grupo; e, jogos e brincadeiras. mesmo.
Esse cuidado no planejamento dos jogos
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO lúdicos e recreativos decorre, ainda, da compreensão
de que ao vivenciá-las é possível experenciar a
O ser humano, desde as épocas mais interação entre as pessoas do grupo, a convivência, a
remotas, joga e brinca, o que nos permite considerar autoestima, a autonomia e a autoexpressão ao
que tal como a linguagem e a escrita, também o jogo mesmo tempo em que são fortalecidos laços
e a brincadeira sempre fizeram parte da história da afetivos, amizades e autoconfiança fazendo com que
humanidade (MATOS, 2006). Entende-se desse a participação social do idoso seja mais ativa.
modo, que enquanto o jogo “é um exercício ou Tal compreensão vai ao encontro da
passatempo recreativo sujeito a certas regras ou ponderação de Fernandes, Oliveira e Canani (2011,

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p.16448) que afirmam que ao se promover a tendem a quebrar barreiras e auxiliar no aprendizado
vivência de jogos e brincadeiras objetiva-se e na relação com o outro e a sociedade.
proporcionar entretenimento, cooperação,
socialização, alegria e prazer para ajudar a eliminar 5. REFERÊNCIAS
inibições, contudo estes devem possuir poucas
regras e dar oportunidade para o exercício da ANDRADE, T. P. et al. Projeto Conviver: Estímulo
criatividade e da cidadania dos participantes criando à Convivência entre Idosos do Catete, Ouro Preto,
assim oportunidades a dar um novo significado aos MG. Revista Brasileira de Educação Médica,
conhecimentos já adquiridos durante a vida. Londrina-PR, n. 36 (1 Supl. 1), p. 81-85, 2012.
Dessa forma, como forma de introdução das Disponível em:
atividades do GC são realizados, no primeiro <http://www.scielo.br/pdf/rbem/v36n1s1/v36n1s1a1
momento das reuniões, jogos e brincadeiras com
1.pdf>. Acesso em: 12 jun.2018.
duração máxima de quinze minutos com e sem bola
(boliche, voleibol de toalha, estafetas), bem como CEDENHO, A.C. O idoso como novo personagem
atividades ritmadas com música e movimentos da atual sociedade: o Estatuto do Idoso e as
gestuais, visando com essa ação abranger um maior diretrizes para o envelhecimento no Brasil. Revista
número de gostos pessoais. do Curso de Direito da Faculdade de
O que se observa no tocante a participação Humanidades e Direito, São Paulo, vol. 11, n. 11,
dos idosos (incluindo aqueles que se mantém
p. 9-45, 2014. Disponível em:
sentados) nos jogos lúdicos e recreativos é que os
<https://www.metodista.br/revistas/revistas-
mesmos percebem que as atividades proporcionadas
promovem movimentos semelhantes ou próximos ims/index.php/RFD/index>. Acesso em: 08
àqueles executados pelo corpo durante a execução jun.2018.
de exercícios físicos regulares de modo que muitos KALACHE, A. Envelhecimento populacional no
passam a se sentir mais animados ao perceberem que Brasil: uma realidade nova. Cadernos de Saúde
ainda são capazes de jogar e obter êxito nos jogos,
Pública, Rio de Janeiro , vol. 3, n. 3, p. 217-220,
tal como antes quando eram jovens.
set. 1987. Disponível em:
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext
&pid=S0102-
No decorrer do GC notou-se, por relatos e 311X1987000300001&lng=en&nrm=iso>. Acesso
atitudes, que os idosos têm opiniões positivas acerca em: 08 jun.2018.
do grupo e das atividades desenvolvidas,
MATOS, N. M. de. O significado do lúdico para os
visualizando-os como um espaço no qual suas vozes
idosos. 2006. 168 f. Dissertação (Mestrado em
são ouvidas e onde ocorre um processo de ensino-
aprendizagem entre os participantes, equipe da ESF Gerontologia) - Universidade Católica de Brasília,
e a Universidade. Brasília-DF. 2006. Disponível em:
Percebe-se, também, que vivenciar os jogos <https://bdtd.ucb.br:8443/jspui/handle/123456789/1
lúdicos e brincadeiras proporciona aos participantes, 226>. Acesso em: 13 jun.2018.
sejam estes sedentários ou não, bem estar físico, MEIRELES, V. C. et al. Características dos Idosos
social e emocional o que nos remete a associar tais em Área de Abrangência do Programa Saúde da
atividades com a melhoria da qualidade de vida e da Família na Região Noroeste do Paraná:
saúde daqueles que as experenciam. O que decorre
contribuições para a gestão do cuidado em
do fato de tais atividades possibilitarem, por meio do
enfermagem. Saúde e Sociedade, São Paulo, vol.16,
exercício do corpo e da mente, emergir sentimentos
de alegria e prazer nos participantes. n.1, p.69-80, jan-abr 2007. Disponível em:
Salienta-se, desse modo, os grupos de <http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v16n1/07/pdf>.
convivência, para que os jogos e atividades Acesso em: 08 jun.2018.
recreativas, sejam vivenciados pelo idoso, se MOTA, K. A. M. B.; MUNARI, D. B. Um olhar
apresentam como uma válida alternativa de
para a dinâmica do coordenador de grupos. Revista
promoção à saúde e que o elemento lúdico se
Eletrônica de Enfermagem, Goiânia, vol. 8, n. 1, p.
configura como uma estratégia mediadora da
construção e do repasse do conhecimento de modo 150-161, 2006. Disponível em:
agradável, interessante e, principalmente, <https://www.fen.ufg.br/revista/revista8_1/atualizac
significativa para os participantes. ao.htm>. Acesso em: 08 jun.2018.
Assim, as vivências no grupo de WICHMANN, F. M. A. et al. Grupos de
convivência, quando se dão em um espaço lúdico,
convivência como suporte ao idoso na melhoria da

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saúde. Revista Brasileira de Geriatria e
Gerontologia, Rio de Janeiro, vol. 16, n. 4, 821-832, RESPONSABILIDADE AUTORAL
2013. Disponível em: < “O(s) autor(es) é(são) o(s) único(s) responsável(is)
http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v16n4/1809-9823- pelo conteúdo deste trabalho”.
rbgg-16-04-00821.pdf>. Acesso em: 09 jun.2018.

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PERCEPÇÕES DE ACADÊMICOS SOBRE O PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PELO
TRABALHO PARA A SAÚDE – PET SAÚDE E INTERPROFISSIONALIDADE

Pilger, Calíope, professora orientadora, cpilger@ufg.br1


Cunha, Gabriel Siqueira, gasicunha@gmail.com1
Díaz, Jalusa Andréia Storch, jalusastorch@yahoo.com.br1
Pereira, Nayline Martins, naylinemartins@ufg.br1
Silva, Eduardo Viana da1
Silva, Yandra Carol da1
1
Universidade Federal de Goiás/Regional Catalão/Unidade Acadêmica Especial de Biotecnologia

Resumo: Este estudo trata-se de um relato de experiência acerca das atividades desenvolvidas pelo grupo de
Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICs) e Educação Popular em Saúde como ferramentas
para estruturação de grupos de Promoção de Saúde inseridos no programa PET-Saúde Interprofissionalidade
da Universidade Federal de Goiás - Regional de Catalão. O objetivo do relato é descrever a experiência
vivenciada pelos participantes do programa, de modo a avaliar os desafios e os benefícios da educação
interprofissional e da implantação das PICs e educação popular em saúde no município. Como estratégia de
trabalho houve articulação com projetos de extensão e pesquisa já existentes na universidade, como a Liga
Acadêmica de Práticas Integrativas e Complementares (LAPIC) e o Núcleo de Estudos e Pesquisa em PICs
(NEPPICS), junto com ações de extensão em Unidades Básicas de Saúde (UBS) que permitiram o contato teórico
e prático dos integrantes do grupo com as atividades e os conhecimentos específicos de cada um dos
cursos/profissões dos integrantes. A partir dessas atividades desenvolvidas dentro do programa, observou-se os
desafio do trabalho interprofissional, uma vez que envolve um conjunto de linguagens, técnicas e conhecimentos
diferentes,assim como vantagens ao agregar todos esses conhecimentos nos cuidados dos usuários, além de
evidenciar a potencialidade do uso das PICs na atenção básica.

Palavras-chave: Colaboração Intersetorial. Terapias Complementares. Universidade. Serviços de Saúde.


__________________________________________________________________________________________

1. INTRODUÇÃO usuário do serviço de saúde, a fim de proporcionar um


melhor tratamento, de forma a alcançar a
Segundo a Organização Mundial de Saúde integralidade no cuidado aos usuários (CHIC, 2010).
(OMS) a definição de saúde é “um completo bem- Assim, pautamos os ideias do grupo da Práticas
estar físico, mental e social e não apenas a ausência Integrativas e Complementares em Saúde e Educação
de doença ou enfermidade” (OMS, 2006). Entretanto, Popular em Saúde, o qual está vinculado ao Programa
é percebido que para atender as demandas atuais de de Educação pelo Trabalho para a Saúde – Programa
saúde é necessário não só uma maior integralidade PET Saúde e Interprofissionalidade, desenvolvido no
entre os serviços e a equipe de saúde como também ano de 2019 na cidade de Catalão/GO.
investir na formação e capacitação de novos O Programa de Educação pelo Trabalho para a
profissionais a fim de desenvolver habilidades de Saúde (PET-Saúde), dada à perspectiva
trabalho interprofissional e colaborativo (BARROS; interprofissional, promove a união de estudantes,
SPADACIO; COSTA, 2018). professores e trabalhadores de diversas áreas da
Neste sentido, através das Portarias GM/MS N° saúde, proporcionando uma formação técnica,
421 e N° 422, de 03 de março de 2010, o Ministério científica, tecnológica e acadêmica de qualidade,
da Saúde criou o Programa de Educação pelo fundamentada pela indissociabilidade entre ensino,
Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) para qualificação pesquisa e extensão (BRASIL, 2008).
dos profissionais em saúde e estudantes de graduação No entanto, práticas e projetos que envolvem o
da área. O PET- Saúde se fundamenta na educação ensino da interprofissionalidade na graduação em
pelo trabalho e dessa forma integra ações em saúde ainda são escassas,ou estão em processo de
serviçoensino-comunidade usando da abordagem de implantação. Nesse sentido, é imprescindível
Educação Interprofissional (EI) (BRASIL, 2010). conhecer e avaliar esses tipos de iniciativas. Desta
A Educação Interprofissional busca proporcionar maneira, objetivo deste relato é descrever a percepção
a formação de profissionais de saúde que estejam dos acadêmicos da Universidade Federal de Goiás -
preparados para as práticas colaborativas, que Regional Catalão (UFG-RC) na perspectiva do
incluem tanto melhores práticas dentro da equipe Programa PET Saúde e Interprofissionalidade.
multiprofissional quanto o relacionamento com o

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2. METODOLOGIA 2, como a existência de outros projetos existentes que
já trabalhavam com PICs na Universidade, NEPPICS
Trata-se de um relato de experiência referente à e LAPIC, e consequente parceria desses com o Grupo
percepção dos acadêmicos diante a participação no PET. Por intermédio da LAPIC o grupo 2 pôde entrar
programa PET-Saúde/Interprofissionalidade. O em contato com inúmeras práticas como o reiki,
programa foi implantado na Universidade Federal de auriculoterapia, fitoterapia/plantas medicinais,
Goiás - Regional Catalão no ano de 2019, tendo o automassagem, shantala, dançaterapia e
processo seletivo dos acadêmicos no mês fevereiro, e musicoterapia. Deste modo, os integrantes
início das atividades em março. Os cursos desenvolveram um arcabouço teórico e prático sobre
contemplados pelo programa foram Enfermagem, as PICs o que auxiliou no crescimento coletivo,
Medicina, Psicologia e Educação física. O PET- aprofundamento científico e implementação das
Saúde/ Interprofissionalidade da Regional Catalão é ações do grupo.
dividido em cinco áreas e os discentes selecionados Já se tratandodo núcleo de pesquisa (NEPPICS),
foram inseridos nos seguintes grupos: 1- Núcleo sendo o mesmo composto por membros do
Ampliado de Saúde da Família (NASF): uma PETSaúde, discentes e docentes de diversos cursos, .é
experiência piloto para intento de consolidação; 2- estruturadoem duas linhas de pesquisas: 1) As PICs,
Práticas Integrativas e Complementares e Educação espiritualidade e saúde como ferramentas de cuidado
Popular em Saúde como ferramentas para no contexto da saúde e 2)Educação Popular e PICs.
estruturação de grupos de Promoção De Saúde; 3- Ambascontam com a integração dos diferentes
HIPERDIA: Interprofissionalidade no fortalecimento saberes de cada profissão.
da atenção às pessoas com Hipertensão Arterial e Nas ações conjuntas do grupo PET, o trabalho
Diabetes Mellitus; 4- Atenção à Saúde da Mulher, da colaborativo suscitou muitos desafios, pois, por se
Criança e Adolescente; 5- Fortalecimento das Redes tratar de estudantes de cursos e períodos distintos, que
em Atenção à Saúde: foco na transição do cuidado. trabalham com técnicas e linguagens diferentes,
No grupo concernente às Práticas Integrativas e evidenciou o quão complexo é reunir conceitos e
Complementares, grupo 2, ao qual fazem parte os ideias e crenças nas diversas ações que fomenta, de
autores deste relato de experiência, as atividades