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TEXTOS EXTRAÍDOS DE LIVROS CUJA LEITURA RECOMENDO

“O mérito dos comentários abaixo é única e exclusivamente dos autores citados. Recomendo a leitura de seus livros,
uma vez que fui ricamente abençoada”.
( jkátiass )

DEPO IM ENT O DE UM JO RN ALIST A EX -


CÉTI CO
[ “Inside the mind of unchurched Harry & Mary“ (Como alcançar os que evitam Deus e a igreja), de Lee Strobell -
Tradução de Emma Anders de Sousa Lima. Ed. Vida. 1997. São Paulo. SP].

(...)
“Resolvi analisar a fé cristã. Iria separar a mitologia da realidade e verificar o que
restava. Era isso que eu fazia diariamente como jornalista. Ao receber uma informação,
investigava para ver se era verdadeira.
Porque não submeter o cristianismo ao mesmo teste?
Pág. 29 – 30 – SURPRESA DE UM CÉTICO
Para alguém que se considerava ateu, embarquei na jornada espiritual de uma maneira
incomum.
Clamei a Deus por auxílio.
Imaginei que nada tinha a perder. Se eu estivesse certo e não houvesse ninguém no
céu, eu perderia trinta segundos. Se eu estivesse enganado, e Deus estivesse me
ouvindo... bem, isso seria maravilhoso. Então, sozinho no quarto, no dia 20 de julho de
1980, orei assim:
Deus, nem mesmo acredito que você esteja aí, mas se estiver, quero achá-lo. Quero
mesmo conhecer a verdade. Por isso, se você existe, por favor se mostre a mim.
O que eu não sabia era que aquela simples oração iria me levar a uma aventura de
descobertas que acabariam revolucionando minha vida.
Com o treinamento na área jurídica que me deu o conhecimento necessário para
comprovar evidências e a experiência jornalística que me deu habilidade necessária
para esclarecer fatos, comecei a ler livros e entrevistas de especialistas. Josh McDowell,
cujos livros More Than a Carpenter (Mais que um Carpinteiro) e Evidence that
Demands a Veredict (Evidência que exige um veredito) abriram meus olhos pela
primeira vez para a possibilidade de alguém ter uma fé que pode ser também sustentada
intelectualmente.
Claro que li a Bíblia. Porém, na ocasião, não quis cogitar se era ou não a Palavra de
Deus inspirada. Considerei a Bíblia o que ela é inegavelmente: uma coletânea de
documentos antigos que registram acontecimentos históricos.
Li também sobre outras religiões, inclusive, o Livro do Mórmon, pois achava importante
comparar opções espirituais diferentes. A maioria era descartada com toda a facilidade.
No mormonismo, por exemplo, achei discrepâncias incompatíveis entre as afirmações
de Joseph Smith e as descobertas da arqueologia moderna. Mas, com o cristianismo,
quanto mais eu descobria, tanto mais eu ficava fascinado.
Era como se eu estivesse reunindo em minha mente as peças de um enorme quebra-
cabeça. Todas as vezes que confirmava uma outra evidência, ou uma pergunta era
respondida, parecia uma peça do quebra-cabeça posta no lugar. Não sabia qual seria a
figura final. Era aí que estava o mistério, mas cada fato descoberto era um passo para a
solução.

Pág. 30-31 – RESPOSTA PARA UM ATEU


De repente, imaginei que os cristãos tinham cometido um erro tático. Outras religiões
acreditam em todos os tipos de deuses invisíveis e sem forma definida, o que torna difícil
uma análise. Mas os cristãos fundamentam sua crença nos ensinamentos e milagres de
alguém que asseveram ser Jesus Cristo, uma pessoa histórica, que, dizem eles, é
Deus.
Achei que isso era um grande erro porque, se Jesus tivesse realmente vivido, Ele teria
deixado alguma evidência histórica.
Achei que tudo o que precisava fazer era averiguar a verdade histórica sobre Jesus e
que eu iria descobrir ter sido Ele um homem maravilhoso, talvez de grande moral,
excelente professor, mas de certo nada que parecesse um deus.
Comecei pela primeira pergunta que qualquer jornalista faz: “Quantas testemunhas
oculares?” Todos sabem quão convincente é a testemunha ocular para estabelecer a
veracidade de um acontecimento. E eu já vi muitos réus na prisão por causa de
testemunhos oculares.
Eu queria saber: “Quantas testemunhas encontraram essa pessoa chamada Jesus?
Quantos ouviram seus ensinamentos? Quantos viram-no fazer milagres? Quantos viram-
no depois de Ele supostamente ter voltado da morte?”.
Surpreendi-me ao descobrir que não havia somente uma testemunha, mas inúmeras, e
o Novo Testamento contém livros escritos por diversas delas. Por exemplo, Mateus,
Pedro, João e Tiago foram testemunhas oculares. O historiador Marcos registrou a
narrativa feita diretamente por Pedro. Lucas, o médico, escreveu a biografia de Jesus
com base em testemunha ocular. Paulo teve a sua vida transformada depois de ter dito
que tinha encontrado o Jesus ressurreto.
Pedro foi inflexível ao dizer que estava registrando informação correta de primeira mão:
Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de Jesus Cristo seguindo fábulas
engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua
majestade” (II Pedro 1.16)
João disse que estava escrevendo sobre aquilo que “...o que temos ouvido, o que temos
visto com os nossos próprios olhos, o que temos contemplado e as nossas mãos
apalparam” (I João1.1b).
Pág. 31-33 – TESTEMUNHO DE CONFIANÇA
Essas pessoas foram não somente testemunhas oculares, mas, conforme salientado por
McDowell, elas falavam sobre Jesus a pessoas que viveram naquela época e na
mesma região em que Jesus viveu. Isso é importante por que se os discípulos
estivessem exagerando ou inventando história, as platéias, quase sempre hostis,
saberiam e os expulsariam. Entretanto, eles falavam sobre assuntos que eram do
conhecimento geral do público.
Por exemplo, logo depois de Jesus ter sido morto, Pedro falou a uma multidão na
mesma cidade em que ocorreu a crucificação. É provável que muitos deles tivessem
presenciado a cena. Pedro começou dizendo: “Varões israelitas, atendei a estas
palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós, com milagres,
prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como
vós mesmos sabeis” (Atos 2:22—grifo do autor).
Noutras palavras: “Afinal, minha gente! Vocês mesmos sabem o que Jesus fez. Vocês
mesmos presenciaram!”. A seguir Pedro salienta que o rei Davi estava morto e
permanecia na sepultura; porém, “A este Jesus, Deus ressuscitou, do todos nós somos
testemunhas” (Atos 2:32).
A reação dos ouvintes foi muito interessante. Não disseram: “Não sabemos do que está
falando!”. Mas, tomados de pânico, queriam saber o que deveriam fazer. Naquele dia
três mil pessoas pediram perdão e muitos outros os seguiram, porque sabiam que Pedro
lhes falara a verdade (v. Atos 2:41).
Eu tive que me perguntar: “Será que o cristianismo teria tomado raízes tão rapidamente
se os discípulos falassem coisas que as multidões soubessem ser exageradas ou
falsas?”.
As peças do quebra-cabeça estavam se encaixando.
Uma evidência que os cristãos tentavam me demonstrar – e eu não acreditava – era que
os discípulos tinham certeza do que falavam, pois, dez dos onze discípulos
remanescentes sofreram mortes horríveis e não se retrataram do seu testemunho de
que Jesus, ressurreto, era o Filho de Deus. Muitos foram torturados até a morte por
crucificação.
No começo eu não achei esse argumento persuasivo. Eu podia nomear muitos malucos
ao longo da história que estavam dispostos a morrer pelas suas crenças religiosas. Mas,
os discípulos eram diferentes, conforme a afirmação de McDowell. As pessoas morrem
por suas crenças se estiverem convencidas de que são verdadeiras, mas não morrem
se souberem que as crenças são falsas.
Noutras palavras, a fé cristã depende de Jesus ter ou não ressuscitado dentre os mortos
(v. I Coríntios 15:14). Sem ressurreição não há cristianismo. Os discípulos disseram que
viram Jesus depois de Sua ressurreição. Os seus ouvintes sabiam se estavam ou não
mentindo. Não havia jeito de isso ter sido alucinação ou engano. E, se estivessem
mentindo, estariam eles prontos a se deixarem matar por algo que sabiam ser falso?
Conforme observação de Josh McDowell, ninguém em sã consciência e de bom grado
morre por causa de uma mentira.
Esse simples fato teve poderosa influência sobre mim e, mais ainda, quando vi o que
tinha acontecido aos discípulos depois da crucificação de Jesus. A história demonstra
que saíram a proclamar com ousadia que Jesus tinha vencido a sepultura. De repente,
aqueles homens covardes encheram-se de coragem, prontos a pregar até a morte que
Jesus era o Filho de Deus.
O que os transformou? A única explicação que me fez sentido foi que eles realmente
tiveram uma experiência vital com o Cristo ressurreto.

Pág. 33 – 35 - UM CÉTICO DO PRIMEIRO SÉCULO


Identifiquei-me com o discípulo Tomé porque ele era tão cético quanto eu era. Acho que
ele seria um ótimo jornalista. Tomé disse que não acreditava que Jesus tinha voltado a
viver enquanto não examinasse as feridas das suas mãos e pés.
Conforme registrado no Novo Testamento, Jesus apareceu e convidou Tomé a verificar
a evidência. Tomé viu que era verdade. Fiquei fascinado em descobrir como foi sua vida
daí por diante. Pela tradição, ele acabou proclamando, até morrer apunhalado na Índia,
que Jesus era o Filho de Deus e que tinha ressuscitado. Aquela evidência tinha sido
convincente.
Achei também importante o que Tomé disse ao verificar que Jesus tinha ressuscitado:
“Senhor meu e Deus meu” (João 20:28b).
E Jesus não disse: “Espera aí, Tomé. Não é a mim que você deve adorar, mas somente
a Deus! Lembre-se que eu sou apenas um ótimo professor e homem de boa moral”. Em
vez disso, Jesus aceitou a adoração de Tomé.
Isso me provou a falsidade da idéia de que Jesus nunca afirmou ser Ele Deus. Durante
anos, céticos tinham afirmado que Jesus nunca teve a pretenção de ser algo mais do
que homem e que Ele não gostaria de saber que as pessoas o adoravam. Mas, à
medida que lia a Bíblia, vi que Jesus afirmou muitas e muitas vezes, por meio de
palavras e atos, quem Ele realmente era.
A biografia mais antiga de Cristo descreve como o sumo sacerdote, sem rodeios,
perguntou: “És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?” (Marcos 14:61b). Jesus não foi
ambíguo. As duas primeiras palavras que saíram da Sua boca, foram: “Eu Sou” (Marcos
14:62 a).
Dr. William Albright, professor titular de renome mundial da Universidade John Hopkins e
ex-diretor da Escola Americana de Pesquisas em Jerusalém, disse que está convencido
de que os vários livros do Novo Testamento foram escritos no período de cinquenta anos
após a crucificação e, muito provavelmente, entre os vinte e quarenta anos depois da
morte de Jesus. Isso significa que o Novo Testamento esteve à disposição de
testemunhas que podiam ter contestado o seu conteúdo se fosse falso.
Mais ainda, pesquisadores estudaram o tempo que uma lenda levava para se
desenvolver no mundo antigo. Não houve tempo suficiente depois da morte de Jesus até
o registro do Novo Testamento para que uma lenda substituísse a verdade histórica.
De fato, tomei conhecimento mais tarde uma pesquisa sobre um credo da igreja primitiva
– afirmando que Jesus morreu pelos nossos pecados, ressuscitou e apareceu a muitas
testemunhas – chegaram à conclusão de que foi escrito de três a oito anos após a morte
de Cristo. Essa declaração de fé, registrada pelo apóstolo Paulo em I Coríntios 15:3-7,
tem como fundamento relatos de primeira mão e é uma confirmação muito antiga da
essência do Evangelho.
Peça por peça, o meu quebra-cabeça mental se organizava.
Pág. 35-36 – O PODER DA PROFECIA
Em seguida, voltei-me para as profecias bíblicas, um campo que eu era especialmente
cético. Durante anos eu tinha escrito muitos artigos sobre as céleres profecias feitas no
ano novo. Eu sabia muito bem quão poucas se realizavam.
Todavia, quanto mais eu analisava as profecias do Antigo Testamento, tanto mais
convencido ficava de que elas constituíam uma evidência histórica maravilhosa de que
Jesus era o Messias e Filho de Deus.
Por exemplo, Isaías 53, no Antigo Testamento, descreve de modo fantástico a
crucificação de Jesus, setecentos anos antes do acontecimento! Ao todo, há cerca de
sessenta profecias importante sobre o Messias.
Quanto mais eu estudava essas profecias, mais dificuldade encontrava para refutá-las.
O principal argumento do meu ponto de vista ateu era que Jesus tivesse manobrado
intencionalmente a sua vida de modo a cumprir as profecias, para que o julgassem o
Messias esperado há tanto tempo. Por exemplo, em Zacarias 9.9, foi predito que o
Messias entraria montado num jumento. Vou fazer este pessoal pensar que sou o
Messias porque estou ansioso para ser torturado até a morte.
Mas, esse argumento caiu por terra quando li profecias sobre acontecimentos que Jesus
jamais poderia ter forjado, tais como o lugar de seu nascimento, predito por Miquéias
setecentos anos antes, seus ancestrais, como Ele nasceu, como foi traído por uma
quantia específica de dinheiro, como o levaram à morte, como os seus ossos não foram
quebrados ( o que não aconteceu com os dois homens crucificados com Ele), como os
soldados tiraram sorte para ficar com sua roupa, e assim por diante.
(...)

Pág. 37-39 - A REALIDADE DA RESSURREIÇÃO


Dediquei também grande parte do meu tempo na análise da evidência histórica da
ressurreição de Jesus, pois é este o ponto central do cristianismo. Não fui o primeiro
cético a fazer isso. Muita gente fez o mesmo e tornou-se cristã.
Frank Morison, jornalista e advogado britânico, dispôs-se a escrever um livro para provar
que a ressurreição foi um mito. Mas, depois de estudo meticuloso dos fatos, tornou-se
cristão e afirmou que a ressurreição tem “uma profunda base histórica’. O livro que ele
escreveu mais tarde sobre a sua investigação espiritual forneceu-me uma análise
penetrante de advogado sobre as narrativas da ressurreição.
Outra perspectiva legal veio de Simon Greenleaf, brilhante professor catedrático de
Direito Penal, com especialização em Inquérito Judicial, cujo mérito é reconhecido por
ter ajudado a Faculdade de Direito de Havard a adquirir a sua excelente reputação.
Greenleaf foi o autor das melhores obras americanas escritas sobre o que constitui o
depoimento legal. Na realidade, até o Supremo Tribunal do Estados Unidos o citou. O
London Law Journal disse certa vez que Greenleaf conhecia mais sobre as leis do
depoimento do que “todos os advogados que ornamentam os tribunais da Europa”.
Greenleaf zombava da ressurreição da ressurreição até que um dia um estudante o
desafiou a verificar ele mesmo. Greenleaf aplicou metodicamente todos os testes de
depoimento e convenceu-se de que a ressurreição era um acontecimento histórico real.
O professor judeu entregou, então, a sua vida a Cristo.
Em resumo, a evidência da ressurreição é que Jesus foi crucificado e perfurado com
uma lança. Foi declarado morto por especialistas. Foi enrolado em faixas contendo 34
quilos de aromas. Foi colocado num sepulcro (conforme o relato antigo, a pedra era tão
grande que vinte homens não conseguiram movê-la). O sepulcro foi guardado por
soldados altamente disciplinados.
Mesmo assim, três dias depois o sepulcro estava vazio, e testemunhas oculares
proclamaram, até morrerem, que Jesus havia aparecido para elas
A quem interessava roubar o corpo? Os discípulos não estavam dispostos a escondê-lo,
pois seriam torturados até a morte por mentir. Os líderes judeus e romanos teriam ficado
felizes em carregar o corpo para baixo e para cima da principal rua de Jerusalém, pois
isso teria sufocado pela raiz a nova religião que, com tanto empenho, tinham tentado
esmagar.
Mas, o que aconteceu foi que num período de quarenta dias, Jesus apareceu vivo doze
vezes a mais de 515 pessoas, entre os quais céticos como Tomé e Tiago, algumas
vezes a grupos, a indivíduos, outras vezes, dentro de casa, outras fora de casa em
plena luz do dia. Falou com pessoas e até chegou a comer com elas.
Vários anos depois, quando o apóstolo Paulo mencionou ter havido testemunhas da
ressurreição, ele observou que muitos ainda estavam vivos, como se dissesse aos
céticos do primeiro século: “Confirmem com eles se não acreditam em mim” (I Coríntios
15:6).
De fato, se você se encontrasse com cada pessoa que viu Jesus ressurreto e as
interrogasse minuciosamente durante quinze minutos, sem parar um só segundo, você
iria ouvir depoimentos de primeira mão por mais de cinco dias ininterruptos.
Comparando com os julgamentos que cobri, isso seria uma avalanche de evidências.
Mais peças do quebra-cabeça colocadas no lugar.

Pág. 39-40 – ESCAVAÇÕES EM BUSCA DA VERDADE


Estudei arqueologia e descobri que ela confirma o registro bíblico. Admito que ainda há
alguns assuntos a serem resolvidos. Todavia, um iminente arqueólogo, dr. Nelson
Gleuck, disse: “Pode-se afirmar categoricamente que nenhuma descoberta arqueológica
jamais contradisse a uma referência bíblica. Grande número de descobertas
arqueológicas confirmam, em claro esboço ou em detalhe preciso, as afirmações
históricas da Bíblia”.
A história de sir William Ramsay da Universidade de Oxford, Inglaterra, um dos maiores
arqueólogos, deixou-me fascinado. Era ateu, filho de ateus. Passou vinte cinco anos em
escavações arqueológicas para provar a falsidade do livro de Atos, escrito pelo
historiador Lucas que também escreveu o Evangelho que leva seu nome.
Mas, em vez de refutar os relatos de Lucas, as descobertas de Ramsay provaram sua
autenticidade. Ele concluiu que Lucas foi um dos mais precisos historiadores do mundo.
Por causa da evidência arqueológica, Ramsay tornou-se cristão.
Então pensei: “Muito bem, é evidente que o Novo Testamento é historicamente confiável.
Mas, qual a verdade sobre Jesus fora da Bíblia?”
Surpreendi-me ao descobrir que há cerca de doze escritores não-cristãos na história
antiga que citam detalhes históricos sobre a vida de Jesus, até o fato de que Ele realizou
coisas surpreendentes, que era conhecido como pessoa virtuosa, que foi chamado o
Messsias, que foi crucificado, que o céu escureceu enquanto esteve pendurado na cruz,
que seus discípulos proclamavam que ele havia voltado da morte e o adoravam como
Deus.
Na realidade, isso é apenas uma breve visão de minha investigação espiritual, já que
mergulhei numa quantidade muito maior de detalhes do que pode ser escrita neste livro.
Nem estou sugerindo que esse trabalho tenha sido meramente acadêmico, com toda a
assepsia... para onde eu me voltasse, encontrava mais confirmação do relato bíblico da
vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Pág. 40-41 – QUEBRA-CABEÇA RESOLVIDO
Classifiquei e organizei as evidências durante um ano e nove meses, até 8 de novembro
de 1981, um Domingo, quando voltei da igreja. Estava sozinho no quarto. Concluí que
chegara a hora de um veredicto.
O cristianismo não tinha sido comprovado categoricamente. Se isso tivesse acontecido
não haveria lugar para a fé. Mas, quando pesei os fatos, concluí que a evidência
histórica confirmava as afirmações de Cristo, não permanecendo dúvida nenhuma. De
fato, para continuar ateu, eu precisaria de mais fé do que para tornar-me cristão!
Assim, depois de ter colocado a última peça do meu quebra-cabeça mental, visualizei o
quadro que tinha formado durante os quase dois anos.
Era um retrato de Jesus Cristo, o Filho de Deus.
Como Tomé, minha reação foi declarar: “Senhor meu e Deus meu!”.
A seguir fui até a cozinha, onde Leslie e Alison estavam em frente à pia. Naquela
ocasião nossa filha tinha cinco anos e, na ponta dos pés e esticando-se toda, conseguiu
alcançar a torneira da pia pela primeira vez..
Olhe, papai, olhe! – exclamou ela. – Alcancei! Alcancei!
Ótimo, filhinha – disse enquanto lhe dava um abraço. Disse à Leslie: - Sabe de uma
coisa? Sinto exatamente a mesma coisa. Tenho tentado alcançar alguém durante muito
tempo e finalmente hoje fui capaz de alcançá-lo.
Ela entendeu o que eu dizia. Com lágrima nos olhos, nós nos abraçamos.
Fiquei sabendo depois que Leslie e seus amigos tinham orado por mim quase
diariamente durante toda a jornada espiritual. Muitas vezes, as orações de Leslie tinham
se concentrado neste versículo do Antigo Testamento: “Dar-vos-ei um coração novo, e
porei dentro de vós um espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei um
coração de carne” (Ezequiel 36:26).
Agradeço a Deus. Ele foi fiel àquela promessa.
ELE EXISTE OU NÃO EX ISTE?
[“O Deus que você procura” , de Bill Hybels - Ed. Vida. 1998 - São Paulo – SP]

Você aguarda atrás de uma porta de carvalho maciço o oficial de justiça certificar-se da
presença de todos. Com um aceno de cabeça, ele abre a porta e percebe-se a
inquietação nervosa e disfarçada dos observadores assentados quando vocês entram
arrastando os pés. Correndo os olhos ao redor, você nota que os outros jurados têm um
ar de resolução estampado no rosto, e você se pergunta se o semblante que carrega
não demonstram a mesma fadiga.
O juiz espera até você e o restante dos jurados ocuparem os devidos lugares, depois
olha para o primeiro jurado.
Os senhores chegaram a um veredito? - pergunta.
Sim, Meritíssimo - responde o primeiro jurado.
Todo o tribunal tem os olhos fixos em você e nos demais jurados. Há um senso de
admiração e de reverente respeito diante do que está prestes a ocorrer. Cada um de
vocês - doze ao todo - foi escolhido a dedo pela defesa e pela acusação, sob a
orientação de empresas de consultoria de júri de alto nível. Os advogados descobriram
quais palavras evocariam quais emoções em qual jurado e, usaram esse conhecimento
para apresentar os melhores argumentos possíveis.
Você e o júri passaram os últimos dias analisando indícios e depoimentos, respondendo
também às perguntas que vocês mesmo formularam, e agora chegaram a uma decisão
que logo anunciarão a toda a sala do tribunal.
Embora a maioria dos jurados esteja bem segura quanto à decisão a que chegaram,
você se sente a pior das criaturas quando percebe que nenhum de vocês tem certeza
absoluta do veredito. Mas, lembrando-se das instruções firmes do juiz, você percebe que
não precisa sentir-se assim. Mesmo num julgamento que decretasse vida ou morte para
o réu, não há um único juiz no mundo que pudesse exigir do júri certeza absoluta. Os
que vieram antes de nós já se convenceram de que, num julgamento, imaginar que
haverá indícios e depoimentos suficientes para deixar os jurados sem nenhuma dúvida
tão ilógica quanto irrealista. A vida simplesmente não funciona assim.
A vida à mercê da probabilidade
Pense um pouco: em quase todas as dimensões da vida cotidiana, você toma decisões
mais com base na alta probabilidade do que em provas irrefutáveis. A cada dia, centenas
de milhares de pessoas embarcam num avião rumo à outra cidade. Quase todos
tomaram providências para a chegada - quem os apanharia e quando, como ao hotel,
onde ficariam - mas ninguém pode saber com certeza se, depois de deixar a pista, mais
tarde o avião pousará no destino pretendido. Mas de 99% de todos os vôos de fato
pousam no local de destino; portanto, é no mínimo natural que a maioria dos
passageiros tenha por certa uma chegada segura. Mas o terrorismo e as falhas
mecânicas, com todo o pavor que nos causam, apresentam-se com freqüência suficiente
para nos relembrar de que ninguém que embarque num avião pode ter certeza de coisa
alguma.
Salvo no campo da matemática e da lógica, a vida precisa ser negociada com base na
probabilidade. É raro termos o privilégio de tomar decisões com base em indícios ou
provas suficientes para silenciar totalmente o ceticismo.
Porque outro motivo as mãos suariam no dia do casamento? Não é possível ter certeza
absoluta de que a união recém-formada completará a longa jornada.
Você não pode ter certeza absoluta de que terá um emprego amanhã cedo - e se um
incêndio destruir a fábrica? E se uma fusão com outra empresa o forçar a sair? Você
não pode ter certeza de que a carne que está comendo naquela lanchonete realmente
não está estragada e isenta de lhe proporcionar uma boa dose de intoxicação alimentar.
Todos somos forçados a viver com um grau de incerteza, e vamo-nos acostumado a
analisar indícios, examinar as informações e tomar as decisões baseados na
probabilidade.
Foi o que ocorreu com o julgamento que gerou este livro, embora, sou forçado a admitir,
seja um julgamento muito diferente de qualquer outro. Ele fez algo que talvez deixe
alguns de vocês chocados: sentou o próprio Deus no banco dos réus. Inquiriu se Ele de
fato existia. As perguntas pairam há milênios, e esta era a hora oportuna de responder.
Mas, como em qualquer julgamento, precisa ser entendido desde o começo que não faz
sentido exigir provas absolutas. A pessoa precisa estar em condições de declarar: "Estou
convencido, a despeito de qualquer dúvida plausível, de que Deus existe. Os indícios
são fortes o suficiente, e os argumentos, lógicos o bastante para me fazer concluir com
sinceridade, fazendo uso das minhas melhores faculdades mentais, que existe um
Deus.".
Vamos rebobinar a fita e rever as provas. Você é membro do júri. Todo o céu e toda a
terra estão esperando ouvir sua resposta.
Demonstre o que diz!
O promotor é um homem sisudo, com um leve sotaque sulino, abrandado por tentar há
anos tornar sua voz agradável à platéias variadas. Sua habilidade retórica é refinada, e o
peso das perguntas que fez deixou você e o restante do júri imóveis na cadeira.
A vantagem dele? Não tem de provar nada. Tudo o que precisa fazer é semear dúvidas
suficientes, criar perguntas suficientes para que seja impossível ao advogado de defesa
responder a todas, e depois encontrar aquele jurado teimoso que simplesmente se
recusa a ceder.
"Tudo bem!" - diz ele. "Se Deus existe, expliquem-me como treze inocentes foram
mortos - dos quais um bebê - no furacão da primavera passada. Se Deus existe, como
dois recém-casados tomaram o vôo 800 da TWA para celebrar a nova vida conjunta,
mas o avião explodiu no ar e jamais chegaram ao seu destino?".
A cadência do promotor lembra um staccato e derruba as defesas de seus colegas
jurados, enquanto você permanece sentado ali, hipnotizado por aquela voz. "Se Deus
existe, como o câncer nos corrói por dentro ao mesmo tempo que a guerra e a fome nos
ameaçam por fora?".
"Como pode ser?"
Você percebe que muitos membros do júri começam a confirmar as declarações com a
cabeça. O "como pode ser?" do promotor permanece no ar como uma neblina até que
ele continua: "Se Deus existe, porque não responde à todas as preces? Se Deus existe,
como não conseguimos chegar a um acordo sobre como Ele é? Ele é a não-existência
dos budista, o Deus severo dos maometanos ou, como dizem os cristãos, o Pai amoroso
de Jesus Cristo? Como é possível sabermos quem está certo e quem está errado?".
Se Deus existe, porque há crianças que nascem para a fome, gente piedosa que é
enterrada na pobreza e gente boa assolada por incêndios e terremotos? Se Deus não
pode controlar o tempo, os elementos ou a nossa sociedade, como pode realmente ser
um deus, afinal de contas?".
Um ar de confiança e de segurança toma conta do rosto do promotor ao esquadrinhar o
semblante dos doze jurados. Ele sabe que cumpriu sua missão. Os argumentos que
apresentou arrancaram de você a esperança e a vida - e nem foi tão difícil assim. Ele
conhece a história de cada jurado. Sabe que um de vocês perdeu a mãe com o mal de
Alzheimer; outro perdeu um filho num trágico acidente de carro. Sabe que dois de vocês
perderam o emprego após onze e vinte anos de serviço, respectivamente. Sabe que um
de vocês perdeu um parente num terremoto da Califórnia. Ele manipulou os temores de
vocês como um virtuoso do violino tocaria as cordas de seu instrumento, e agora conclui
a argumentação antes que qualquer de suas dúvidas possa ser eliminada.
"Se Deus realmente existe", conclui ele, "porque menos gente acredita nEle do que
jamais acreditou? Porque demorou tanto para nos convencer de que pelo menos vive?
Porque simplesmente não se revela e dirime todas as dúvidas - de uma vez por todas?".
Ele faz uma pausa até que o olhar de cada jurado esteja fixado nele.
"Aliás", diz, baixando a voz, quase num sussurro, forçando-os a prestar atenção, "se
Deus existe" - elevando então a voz num brado - "porque não me faz cair morto agora
por argumentar contra Ele?".
Você se recosta na cadeira horrorizado, quase esperando ver um raio cair sobre o
tribunal. Mas nada acontece. O promotor faz uma pausa para que vocês recuperem o
fôlego, depois dá um passo para trás, com um sorriso sereno, convencido.
"Ainda estou aqui", diz ele, "o que prova que Deus não está". Voltando-se para a frente
do tribunal, ele acena com a cabeça para o juiz e diz: "Meritíssimo, dou por encerrada
minha argumentação.".
A defesa
A advogada de defesa, senhora de aspecto profissional, em seus quarenta e poucos
anos, com cabelos bem curtos e óculos presos ao pescoço por uma corrente, levanta-se
e se aproxima de vocês.
"A única coisa que este senhor provou", declara ela com naturalidade, é "que
precisamos de um Deus mais do que nunca. Não posso levá-los a ver Deus. Não posso
fazer com que desfile à sua frente para que possam tocá-Lo. Não posso prometer-lhes
que ouvirão à Sua voz se chamarem Seu Nome.
Mas, posso dizer-lhes que há diversas razões pelas quais podem confiar no ardor em
seu coração que já lhe diz que Deus existe. Esses argumentos talvez não impeçam a
avalancha de dúvidas, mas lhe darão um teto sob o qual podem abrigar-se.".
Ainda atônito com a conclusão explosiva do promotor, você se vê recostando no banco,
agradecendo a trégua trazida pela tranqüilidade da advogada de defesa.
"Primeiro - e não quero que a palavra os assuste - há o que os historiadores chamaram
argumento cosmológico". A palavra cosmológico origina-se de duas palavras gregas:
cosmos, que significa "mundo" e, logos, que significa "razão". Juntemos as duas e o
que temos? A razão para o mundo.
"Há diversas variantes desse argumento, mas nesta manhã vou apresentar uma com
três fundamentos lógicos diferentes. O primeiro é chamado princípio de razões
suficientes. Começamos com a hipótese inegável de que algo existe. Toque seu braço.".
A maioria dos membros do júri - até mesmo você - obedece.
"Vocês sentem algo, não sentem? Ao virem ao tribunal hoje de manhã, enquanto
caminhavam lá fora, o que viram? Árvores? Grama? O Lago Michigan? O sol, talvez?
Sei que estamos em Chicago e, que nesta época do ano podemos estar questionando
se o sol existe. Aliás, como muitos habitantes de Chicago. Tenho um adesivo no pára-
choque do meu carro que declara exatamente como me sinto a respeito do nosso
tempo: Qual foi a última vez que você verificou se o seu coração estava batendo?
Vocês riem. A advogada continua.
"Independentemente do que sintam, não podem negar que o tempo de Chicago existe.
Alguns diriam que o tempo de Chicago acontece, mas, de qualquer forma, ele está ái, e
vocês o sentem não é mesmo?".
Você acena afirmativamente a cabeça.
"A indagação cosmológica é: "porque as coisas existem?". Vamos pensar por um
momento que nada existisse. Será que o nada exigiria explicação? Procurem
acompanhar-me - prometo não os levar a um passeio além da imaginação! Mas, está
claro que o nada não exige nenhuma explicação. Entretanto, na fração de segundos em
que alguma coisa existe, nesse milésimo de segundo somos forçados a nos debater
com a questão do por quê. Por que isso existe? Por que algo em vez de nada?
"O segundo fundamento lógico - o 'princípio da dependência' - está relacionado à
necessidade que tudo tem de algo mais. As coisas, na maioria, dependem de algo que
não elas mesmas. As árvores precisam de ar, a grama precisa de água e o nosso time
de futebol, precisa de fãs - sem falar de um bom zagueiro, mas não prosseguiremos por
esse caminho.
"Nada é totalmente independente ou auto-suficiente. Por sinal, até mesmo as teorias
predominantes da cosmologia confirmam nossas observações. Para a teoria do big
bang, por exemplo, já houve um tempo em que o universo nem existia e provavelmente
não continuará existindo pra sempre.
"A segunda lei da termodinâmica nos ensina que tudo em nosso universo está num
estado gradual de entropia - desintegrando-se lentamente, perdendo gradualmente
energia e complexidade. Se duvidarem disso, farei com que nossos pesquisadores
desenterrem suas fotos de formatura do colegial e, as comparemos com outras bem
recentes. Até os senhores estão num estado gradual de entropia!
"Esses dois primeiros fundamentos lógicos - o de que tudo é dependente de outra coisa
e o de que tudo está se deteriorando - nos levam ao terceiro fundamento lógico: Se tudo
que existe é de fato dependente, quem ou qual é a explicação para todos esses objetos
e seres dependentes? Se tudo depende de alguma outra coisa, qual é a base que
sustenta o todo?".
A advogada de defesa se aproxima da bancada do júri, inclina-se para a frente e prende
o olhar de vocês.
"Formulando a pergunta ainda de outra maneira: "Se houve uma grande explosão, quem
puxou o gatilho?".
Ela caminha em direção a um suporte e retira a cobertura de um grande quadro do
universo. "Façam uma viagem imaginária comigo e ultrapassem o universo por um
segundo. Olhem tudo o que existe... imaginem todas as galáxias, as estrelas, os
planetas, tudo. Agora". - ela apanha uma caneta vermelha de ponta de feltro - "vamos
desenhar um círculo em torno de tudo e, estou falando de tudo mesmo. Não deixaremos
de fora a mais insignificante partícula subatômica. Incluiremos todos os quarks e mésons
e toda a 'substância negra' que, segundo a teoria dos cientistas, está por lá.".
Com a mão direita, a advogada desenha um círculo em torno do lado externo do quadro.
"Agora temos nesse círculo tudo o que existe no universo. Tudo dentro desse círculo
depende de alguma outra coisa para existir, e tudo dentro desse círculo está
deteriorando lentamente. Isso", diz ela, fitando o promotor "é a declaração de um fato
irrefutável.
Ora, a grande pergunta - a única que de fato importa é: O que causou a existência de
todas essas coisas dependentes em primeiro lugar? E, em segundo, o que fez com que
tudo isso começasse a se deteriorar?
A resposta a essa pergunta deve logicamente estar em apenas um dos dois lugares. A
Causa Suprema de tudo deve estar localizada dentro do círculo ou fora do círculo. Não
há outras opções. Então, qual explicação faz mais sentido?
"Sem dúvida, não é dentro do círculo. Já vimos que tudo ali é dependente. Se algo é
dependente, não é auto-suficiente; portanto, como pode ter causado tudo?
"Será que qualquer pessoa que pense um pouco não terá de concluir que a explicação
para tudo o que existe dentro do círculo se acha fora do círculo? Se algo está fora do
círculo, por definição deve ser não-dependente, não-causado, auto-suficiente, totalmente
independente. Em outras palavras, teria de ser eterno, ilimitado e todo-poderoso. E,
esses tipos de adjetivos chegam perigosamente próximos da definição clássica de
Deus.".
Protesto! - A voz do promotor retumba pelo tribunal.
É óbvio que sim.
A advogada de defesa sorri. Volta-se para o juiz. "Meritíssimo, inúmeras pessoas se
debatem com esse 'quebra-cabeça' do universo há centenas de anos. Já o estudaram,
dissecaram, debateram, e a maioria descobriu que ele tem sentido lógico, racional.
"Aliás", acrescenta ela, "tem muito mais sentido do que pensar que, só porque alguém
não o faz cair morto, não deve existir.".
Ela faz uma pausa e volta o olhar para o promotor.
Se protesta tão veementemente, porque não me dá um tapa no rosto?
Não fui criado para tratar uma senhora dessa forma - responde o promotor.
Está dizendo que isso é contra a sua natureza?
Acho que poderia dizer que sim.
Então talvez não condiga com a natureza de Deus abatê-lo caprichosamente, só porque
o senhor não crê que ele existe. O silêncio - acrescentou ela - nada prova.
"Protesto indeferido", intervém a voz monótona do juiz. Senhora, pode prosseguir com
sua argumentação.
Genes de grife
O primeiro argumento, aquele que os historiadores chamaram de argumento
cosmológico, olha o cosmo e pergunta: "Quem pôs tudo ali?". O segundo argumento,
chamado argumento teleológico, pergunta: "Por que tudo é tão ordenado e complexo?".
Permitam-me pintar um quadro disso. Se vocês fossem a Las Vegas, rolassem um dado
e conseguissem o número 1, não ficariam surpresos. Se depois vocês rolassem o dado
de novo e obtivessem um 2, nem pensariam sobre o assunto. Mas, se da próxima vez
que rolassem o dado, conseguissem um 3, talvez se perguntassem o que estaria
acontecendo. E se rolassem o dado outras vezes seguidas e obtivessem 4, 5 e depois
um 6, começariam a ficar intrigados.
"Se continuassem rolando o dado o dia todo e o dia todo o mesmo padrão continuasse a
se repetir, um - dois - três - quatro - cinco - seis, um - dois - três - quatro - cinco - seis,
vocês acabariam parando e dizendo: 'Isto não pode estar acontecendo por acaso.
Alguém tem que estar me pregando uma peça'. Vocês diriam isso porque sabem que o
acaso só pode ir até certo ponto.
"Há séculos, as pessoas olham as complexidades e as maravilhas do universo e,
simplesmente pressupõem que haja um Gênio Planejador por trás de tudo. O bom senso
diz isso às pessoas. Esse conceito tradicional continuou sendo aceito basicamente no
século XVIII - um tanto ironicamente chamado século da Razão - quando os cientista
começaram a postular que as origens da vida podiam ser explicadas por processos
casuais que duraram longos períodos.".
A advogada faz uma pausa para prender o olhar de cada um de vocês e então pergunta
"Diga-me uma coisa: qual a probabilidade de que a explosão de uma fábrica de aço
venha a criar um automóvel? E, quais são as probabilidades matemáticas de uma
colisão fortuita de gases flutuantes acabarem produzindo mesmo que apenas um único
microorganismo vivo, quanto mais um processo tão complexo quanto à fotossíntese ou
uma ação tão empolgante quanto uma águia voar?
Lembrem-se da afirmação básica do argumento teleológico: a explicação do acaso para
a complexidade, para o projeto e para a ordem deste mundo é muitíssimo, muitíssimo
improvável - tanto que chega a ser irracional. O filósofo William Paley escreveu certa
vez: 'Não pode haver projeto sem projetista. Não pode haver invenção sem inventor. Não
pode haver ordem sem escolha.'.
Até mesmo Charles Darwin, o pai do evolucionismo, compreendia isso. Em A Origem
das Espécies, ele admite: 'Supor que o olho, com tantas partes trabalhando em conjunto,
poderia ter sido formado pela seleção natural, parece - reconheço francamente -
absurdo.'.
"Bem, numa coisa estava certo. É absurdo. Param os que se interessam por números,
um cientista eminente calculou que a probabilidade de a criação aleatória de uma única
molécula de proteína ocorrer seria uma vez em dez elevada à 243.ª potência de
números de anos. Isso é dez com 243 zeros do lado - bilhões de trilhões de anos - para
uma única molécula de proteína, quanto mais qualquer outro tipo de vida.
"Quando analisamos a pura maravilha fisiológica de nossos olhos e ouvidos, nossa pele,
os sentidos do tato e do olfato, nossas capacidades emocionais e mentais - bem , é
preciso muito mais fé para ver tudo isso como resultado de uma explosão gasosa do que
crer que fomos projetados sob medida por Deus.
"É possível imaginar uma mãe olhando o rosto do seu recém-nascido e dizendo:
'Nossa, que adorável colisão de gases?'. Não nos parece que um bebê tão lindo seja um
acidente da natureza, assim como não acreditamos que a explosão de uma loja de
tecidos possa fazer surgir no ar um par de calças jeans de marca. As roupas de grife
foram projetadas por alguém, não são um acidente, e jamais acreditaríamos que possam
simplesmente acontecer. Mas os nossos genes são muito mais complexos do que um
par de calças de grife.".
Ciente de que o júri a está acompanhando de perto, a advogada de defesa apressa o
ritmo.

Quem diz?
"Há ainda um terceiro argumento", diz ela, “que, na realidade, é muito simples”. “Como
os seres humanos de todas as partes, do mundo inteiro, reconhecem um código moral
comum?"
"Pensem sobre isso. Se os seres humanos simplesmente evoluíram de gases primitivos,
se são meros germes crescidos ou recentes melhorias de hominídeos bípedes, como se
explica o fato de que em quase toda cultura do planeta as pessoas valorizam dizer a
verdade, em lugar do engano, a bondade, em lugar da violência e a lealdade em lugar
da traição? Será que gases, germes, ou genes conseguiriam, por conta própria, criar de
alguma forma um código admiravelmente coerente de valores e implantá-los na mente e
no coração de bilhões de indivíduos?"
"Espanta-me o fato de muitos dos ateus que conheço serem membros de alguma causa
humanitária ou beneficente. É de todo incoerente para um ateu crer que somos todos
uma casualidade e ainda se importar com o que acontece casualmente com os outros!
Por definição, o ateu está dizendo que não somos seres criados, feitos à imagem de
Deus, e não temos uma lei moral impressa em nosso coração. Entretanto, esse ateu
está ao mesmo tempo tentando recorrer a algum código de moral - de onde veio esse
código, afinal, e por que deveríamos acatá-lo? - a fim de deter o extermínio 'selvagem'
das baleias e despertar as pessoas para o problema do sem-teto.".
"Se todos somo uma casualidade, como vou saber que os sem-teto não são apenas
uma excrescência infeliz na escala evolucionária, o anti-social que não conseguiu muito
bem chegar lá? E, por que eu deveria me importar?"
Eu sei que Ele vive
"Estamos quase terminando" continua a advogada. "Há só mais um argumento que
gostaria de apresentar, longe de ser irrefutável por si só. Mas, quando combinado com
os outros, é muito forte. É o chamado argumento da experiência religiosa e, baseia-se
no conceito de que milhões de pessoas confiáveis já sentiram a presença de Deus,
sentiram a orientação dEle na vida e experimentaram a força dEle preparando-as para
alguma tarefa.".
"Claro que é possível uma pessoa iludida ou enganadora estar inventando coisas
quando afirma ter tido uma experiência religiosa, mas não estamos falando de uma, de
duas ou mesmo de algumas centenas de casos. Estamos falando de milhares de anos
de história em que nossos maiores e melhores pensadores - bem ajustados, não
fumantes de maconha, em todo o mundo - testificaram uma experiência verdadeira com
Deus. Líderes políticos, presidentes do supremo tribunal, cientistas, sociólogos,
economistas, bem como, honrados açougueiros, padeiros e ártifices. Todos dão
testemunho de sentir-se amados por Deus e afirmam ter recebido dEle o perdão. De
alguma forma, simplesmente, sabem que ele é verdadeiro porque já o encontraram.".
E, embora para aqueles que com nós têm um relacionamento com Deus, essas
experiências constituam tesouro precioso, a verdadeira pergunta para os senhores do
júri é: Como explicar todos esses cristãos de culturas e camadas sociais tão diferentes?
Será que centenas de milhões de cristãos no mundo todo estão alucinados? Estão
mentindo? Será que isso pode verdadeiramente ser descartado por se tratar de uma
conspiração bem organizada?".
A advogada de defesa conclui sua argumentação. "Não dou por certo que alguém crerá
na existência de Deus apenas com base no argumento religioso, mas este mesmo
argumento, considerado com os outros - 1) deve haver alguma explicação fora do
universo para a existência de todas as coisas; 2) deve haver algum projetista por trás de
um mundo arquitetado de maneira tão complexa; 3) deve haver algum autor por trás de
um código moral de coerência admirável - quer-me parecer tremendamente
persuasivo.".
Mas e você?
O Deus que você procura
A advogada de defesa apresentou a sua argumentação, e agora você tem nas mãos os
elementos que o conduzirão ao veredito. Agora que a atenção do julgamento converge
para vocês, do júri, você tem a obrigação de tomar uma decisão. A resposta pode ser
mais importante - e muito mais necessária - do que você pensa.
Você sabe... um dia terá que prestar contas do que fez com esses indícios da existência
de Deus. Terá de responder por si mesmo: "O que fez com que algo fosse criado em
lugar do nada? O que fez com que esse algo fosse ordenado? E o que fez com que esse
algo ordenado se tornasse 'alguéns' - pessoas com senso de do certo e do errado? Por
último, como milhões desses 'alguéns' dizem sentir-se amados por Deus e conversar
com Ele?".
Por sinal, gente respeitável de toda a parte já confessou ter havido uma ocasião, tarde
da noite, fitando o teto, em que Deus se fez presente e disse, não de modo audível, mas
no coração dessa gente: "Vamos lá. Pare de fugir. Pare de fingir que não precisa de
mim. Pare de me afastar como se eu não existisse. Abra seu coração para mim.
Descubra quem sou de fato e qual meu plano. Deixe que lhe mostre o que eu poderia
fazer em sua vida.".
A pergunta para você nesse exato momento é: Qual vai ser sua reação?
Se já é cristão, por favor, não se acanhe, nem deixe de anunciar com ousadia que você
caminha e conversa regularmente com um Deus que existe. Você não tem razão para
recuar quando alguém lhe desafia a fé, porque sua fé não se baseia em areia movediça
ou na mera concretização de desejos. Ela tem um fundamento sólido, um fundamento
racional e um fundamento persuasivo - lógico, mas também empírico.
Posso ter por certo, sem medo de errar, que alguns de vocês que estão lendo estas
páginas são pessoas que estão 'procurando', preocupadas o suficiente com a Verdade
para gastar tempo lendo o que aqui está escrito. Mas ainda sem condições de dizer:
"Estou convencido, a despeito de qualquer dúvida plausível". Talvez você se considere
alguém do 'lado de fora, olhando para dentro' - isto é, ainda analisando os indícios e os
depoimentos.
Tenho uma sugestão para você. Da próxima vez que Deus o visitar - e de fato o visitará -
diga simplesmente: "Deus é preciso que te faças conhecido a mim. Ajuda-me a entender
quem És. Ajuda-me a entender quem é Jesus e o que fez por mim na cruz; no momento,
isso não faz sentido para mim, mas ajuda-me a combinar tudo isso em minha mente de
modo que eu possa entender e agir, logo, logo.".
Desconfio que o Deus que eu conheço é o Deus que você procura. Não é o Deus dos
seus pesadelos. Não é o Deus da vociferação de um evangelista fanático. Não é o Deus
que espera impaciente o seu fracasso para poder executar sua sentença de ira com
entusiasmo irrefreado.
Ao contrário, é um Deus que deseja ter um relacionamento íntimo com você. É o Deus
que orquestrou cada acontecimento de sua vida para lhe dar a melhor oportunidade de
vir a conhecê-LO, para que possa experimentar a plenitude do Seu amor.
Aposto que não há uma pessoa em um milhão que entenda totalmente o quanto Deus a
ama. Uma coisa aposso afirmar com certeza: Deus se importa com você muito mais do
que você pensa.
Este é um convite para você descobrir isso. É a sua oportunidade de deixar de lado as
caricaturas, os temores, as mentiras e os conceitos errôneos que se acumularam
através dos séculos a respeito de quem Deus de fato é.
Mas, primeiro você tem algo por terminar. Como votou? Está convencido da existência
de Deus e ansioso por conhecer a esse Deus de cuja existência você agora tem
certeza? Se está, fique firme... você vai descobrir, como já descobri, que a melhor parte
de crer em Deus é descobrir o quão maravilhoso Ele é.
Mas talvez você ainda esteja se debatendo com algumas perguntas insistentes. Pode
ser até, que você ainda não creia nEle. Mas, pelo menos tem uma dívida consigo
mesmo de conhecer o verdadeiro Deus da Bíblia. Por quê? Por que creio de todo o
coração, que o Deus que eu conheço e amo é o Deus por quem de fato você procura.

A SIN GU LA RI DADE DA BÍB LI A


[“Evidence that demands a veredict” (Evidências que Exige um Veredito: Evidências Históricas da Fé Cristã), compilado por Josh
McDowell; | Tradução Márcio Redondo - 2ª ed.. – São Paulo: Editora Candeia. 1996. Neste livro, Josh McDowell fornece todas as
referências bibliográficas que utilizou].

Josh McDowell, em seu livro: “Evidência que exige um veredito (vol. I)”, enumera
algumas razões para acreditarmos na autenticidade bíblica. Apresentarei de forma
mais resumida, algumas dessas razões por ele enumeradas; São elas:
1. ÚNICA EM COERENCIA
A Bíblia foi escrita durante um período de mais de 1500 anos - durante mais de 40
gerações; por autores envolvidos nas mais diferentes atividades (reis, camponeses,
pescadores, poetas, estadistas, médico, boiadeiros, etc.); em lugares diferentes
(inclusive, continentes diferentes), sob diferentes condições (paz / guerra); sob
diferentes circunstâncias (alegria / tristeza); escrita em três idiomas diferentes: hebraico
(a língua do Antigo Testamento); aramaico ( a “língua franca” do Oriente Próximo até a
época de Alexandre, o Grande, séc. VI a. C. ; e o grego ( A língua do Novo Testamento,
de uso internacional à época de Cristo.) e, não obstante a tudo isso, há o fato dela
manter essa coerência de Gênesis à Apocalipse, não obstante tratar de centenas de
assuntos controversos – Nota-se que há uma única história que vai se revelando: “A
redenção do homem por parte de Deus”.
Geisler e Nix assim se expressam a respeito: “o paraíso perdido” de Gênesis se torna “o
Paraíso recuperado” de Apocalipse. Enquanto o acesso à árvore está fechado em
Gênesis, encontra-se aberto para todo o sempre em Apocalipse’.
F. F. Bruce comenta: “Qualquer parte do corpo humano só pode ser devidamente
entendida em função do corpo na sua totalidade. E, qualquer parte da Bíblia só pode ser
devidamente entendida em função da Bíblia como um todo”.
Conclusão acerca da coerência – uma comparação com Great Books of Wersten World
(Grandes Livros do Mundo Ocidental).
Um representante da editora dos Great Books of Wersten World veio à minha casa para
recrutar vendedores para a coleção. Ele abriu o cartaz de propaganda da coleção e
passou cinco minutos nos falando sobre a coleção Great Books of Wersten World e nós
passamos uma hora e meia falando a ele sobre o Maior dos livros.
Eu o desafiei a apanhar apenas dez dos autores, devendo todos eles ter a mesma
profissão, ser da mesma geração e do mesmo lugar, terem vivido na mesma época e
experimentado as mesmas circunstâncias, falarem a mesma língua, e analisarem um
único tema controvertido (a Bíblia fala de centenas com harmonia e concordância).
Então, indaguei: “Será que esses autores iriam concordar entre si?” Ele pensou por um
momento e então respondeu: “Não!” E mais uma vez perguntei: “E que tipo de livro você
teria?” E ele me respondeu imediatamente: “um amontoado de idéias’.
Dois dias depois, ele entregou a vida a Cristo (o que é o tema da Bíblia).
Por que tudo isso? É simples! Qualquer pessoa que esteja sinceramente procurando a
verdade iria pelo menos analisar um livro com as características singulares acima
mencionadas.
ÚNICA EM CIRCULAÇÃO – A bíblia tem sido lida por mais pessoas e publicada em
mais línguas do que qualquer outro livro. Em termos absolutos não existe qualquer outro
livro que alcance, ou que mesmo comece a se igualar, à Bíblia, em termos de circulação.
O crítico está certo: “isso não prova que a Bíblia seja a Palavra de Deus!” Mas mostra de
modo bem concreto que a Bíblia é única.
3. ÚNICA EM TRADUÇÃO – A Bíblia tem sido traduzida, retraduzida e parafraseada
mais do que qualquer outro livro existente.
4. ÚNICA EM SOBREVIVÊNCIA:
4.1. Sobrevivência através dos tempos - Ser escrita em material perecível, tendo que ser
copiada e recopiada durante centenas de anos, antes da invenção da imprensa, não
prejudicou seu estilo, exatidão ou existência. Comparada com outros escritos antigos, a
Bíblia possui mais provas em termos de manuscritos do que, juntos, possuem os dez
textos de literatura clássica com maior número de manuscritos.
4.2. Sobrevivência em meio à perseguições - Como nenhum outro livro, a Bíblia tem
suportado os ataques malévolos de seus inimigos. Muitos têm procurado queimá-la,
proibi-la e “torná-la ilegal. Em 303 A. D. o imperador Diocleciano proclamou um edito
(Cambridge History of the Bible) para impedir os cristãos de adorarem e para destruir as
suas Escrituras. Quanto a esse edito para destruir a Bíblia, a ironia da história é que
Eusébio registra o edito proclamado 25 anos depois por Constantino, o imperador que
sucedeu a Diocleciano, para que se preparassem 50 cópias das Escrituras às expensas
do Governo.
Sidney Collett em All About the Bible (Tudo Acerca da Bíblia) relata: “Voltaire, o francês
renomado e incrédulo que morreu em 1778, afirmou que, cem anos depois dele o
cristianismo estaria varrido da face da terra e teria passado à história. Mas, o que
aconteceu? Voltaire passou à história, ao passo que a circulação da Bíblia continua a
aumentar em quase todas as partes do mundo, levando bênçãos aonde quer que vá. A
respeito da presunção de Voltaire de que o cristianismo desapareceria num prazo de
cem anos, Norman L. Geisler e Nix William em “A General Introduction to the Bible”
(Introdução Geral à Bíblia) assinalam que “apenas cinqüenta anos depois de sua morte
a Sociedade Bíblica de Genebra usou a gráfica e a residência de Voltaire para imprimir
pilhas de Bíblias.”. QUE IRONIA DA HISTÓRIA!
A Bíblia é única em termos de sobrevivência. Isso não prova que a Bíblia é a Palavra de
Deus. Mas confirma que ela ocupa um lugar sem igual entre os livros. Quem quer que
esteja buscando a verdade deve refletir sobre um livro com essas características
distintas.
4.3. Sobrevivência em meio às críticas – H. L. Hastings, citado por John W. Lea, em seu
livro “The Greatest Book in the World ( O Maior Livro do Mundo), ilustrou
convincentemente a maneira toda especial como a Bíblia resistiu aos ataques de
incrédulos e céticos: “Durante dezoito séculos os incrédulos têm refutado e atacado esse
livro, e, no entanto, ele está hoje firme como uma rocha. Aumenta sua circulação, é mais
amado, apreciado e lido do que qualquer outro em qualquer outra época. Se esse livro
não fosse de Deus, os homens teriam-no destruído há muito tempo. Imperadores e
papas, reis e sacerdotes, príncipes e governantes, têm todos tentado destruí-ka, Eles
morrem e o Livro sobrevive.
Nenhum outro livro tem sido tão atacado, retalhado, vasculhado, examinado e difamado.
Que livro de filosofia, religião, psicologia ou literatura, do período clássico ou moderno,
sofreu um ataque tão maciço como a Bíblia? Um ataque marcado por tanta maldade e
ceticismo? Um ataque tão vasto e deferido por pessoas tão eruditas? Um ataque contra
cada capítulo, parágrafo e linha?
5. ÚNICA NOS ENSINOS
5.1 – Profecia: É o único volume já produzido pelo homem, ou por um grupo de homens
em que se encontra um grande corpo de profecias a respeito de nações, em particular
de Israel, de todos os povos da terra, de certas cidades e daquele que viria ser o
Messias. O mundo antigo possuía muitos e diferentes meios para determinar o futuro, o
que é conhecido como prognosticação, mas na totalidade da literatura grega e latina,
muito embora empreguem as palavras profetas e profecia, não conseguimos encontrar
qualquer profecia real e específica acerca de um grande acontecimento histórico que
deveria ocorrer no futuro distante, nem qualquer profecia acerca de um Salvador que iria
surgir no meio da raça humana.
- História: Nos livros bíblicos de I Samuel até II Crônicas encontra-se a história de Israel,
cobrindo cerca de cinco séculos. The Cambridge Ancient History (A História Antiga de
Cambridge; v. 1, p. 222) afirma: “Certamente o povo israelita manifesta uma capacidade
excepcional para a interpretação da história, e o Antigo Testamento representa a
descrição da história mais antiga que existe.
“A Tabela das Nações”, de Gênesis 10, é um relato histórico surpreendentemente exato.
De acordo com Albright, “é algo absolutamente único na literatura antiga, sem qualquer
paralelo mesmo entre os gregos... ‘A Tabela das Nações’ permanece sendo um
documento surpreendentemente exato... Revela, apesar, de toda a complexidade, uma
compreensão tão notavelmente ‘moderna’ da situação étnica e lingüística do mundo
moderno, que os estudiosos jamais deixam de ficar impressionados com o
conhecimento do autor sobre o assunto.”
5.3 - As Pessoas Descritas: A Bíblia trata com muita franqueza a respeito dos pecados
de seus personagens. Leia as biografias escritas hoje em dia e repare como elas
tendem a esconder, deixar de lado ou ignorar o lado pouco recomendável das pessoas.
Veja os maiores gênios da literatura: em sua maioria são descritos como santos. A Bíblia
não procede dessa maneira. Ela simplesmente conta a verdade. Muitos indagarão: “Por
que tinham que colocar aquele capítulo sobre Davi e Bate-Seba?” Bem, a Bíblia tem o
costume de dizer a verdade.
6. ÚNICA NA INFLUÊNCIA SOBRE A LITERATURA: O historiador Philip Schaff (The
Personal of Crist – A Pessoa de Cristo. American Tract Society , 1913) descreve
brilhantemente a singularidade da Bíblia ao apresentar a singularidade do Salvador:
“Esse Jesus de Nazaré, sem dinheiro nem armas, conquistou milhões de pessoas num
número muito maior do que Alexandre, César, Maomé e Napoleão; sem o conhecimento
e a pesquisa científica ele despejou mais luz sobre assuntos materiais e espirituais do
que todos os filósofos e cientistas reunidos; sem a eloqüência aprendida nos bancos
escolares, ele pronunciou palavras de vida como ninguém nunca antes, nem depois
foram ditas e provocou resultados que o orador e o poeta não conseguem alcançar;
sem ter escrito uma única linha, ele pôs em ação mais canetas, e forneceu temas para
sermões, discursos, livros profundos, obras de arte e música de louvor do que todo o
continente de grandes homens da antigüidade e da atualidade.”.
Kenneth Scott Latourette, que foi historiador na Universidade de Yale (nos Estados
Unidos), em seu livro “A History of Christianity” (Uma Hístória do Cristianismo), afirma:
“É prova da importância dEle, do efeito que tem causado na história e, presumivelmente,
do mistério desconcertante, provocado por Ele que nenhuma outra pessoa que viveu
neste planeta tenha sido a razão de um volume tão grande de literatura entre tão grande
número de povos e línguas e que, longe de terminar, o nível da inundação continua
subindo.”.
CONCLUSÃO ÓBVIA
O que acima foi dito não prova que a Bíblia é a Palavra de Deus, mas para mim prova
que é única. Apenas reflita no fato de que Voltaire afirmou que a Bíblia estaria
ultrapassada até 1850.

A C RE DI BI LI DAD E DA B ÍB LI A
(““Evidence that demands a veredict” (Evidências que Exige um Veredito: Evidências
Históricas da Fé Cristã)- Vol I - compilado por Josh McDowell; Tradução Márcio Redondo - 2ª
ed.. – São Paulo: Editora Candeia. 1996. Neste livro, Josh McDowell fornece todas as
referências bibliográficas que utilizou].

Existem atualmente, mais de 24.000 cópias de porções do Novo Testamento. Nenhum


outro documento da história antiga chega perto desses números e dessa confirmação.
Em comparação, a Ilíada de Homero vem em segundo lugar, com apenas 643
manuscritos que sobreviveram até hoje.
Em Introduction to New Testament Textual Criticism (Introdução à Crítica Textual do
Novo Testamento), J. Harold Greenlee, declara: “...o número de manuscritos néo-
testamentários disponíveis é surpreendentemente maior do que os de qualquer outra
obra da literatura antiga. Em terceiro lugar, os mais antigos manuscritos existentes do
Novo Testamento foram escritos numa data muito mais próxima da composição do texto
original do que no caso de qualquer outro texto da literatura antiga”.
Greenlee acrescenta que “uma vez que os estudiosos aceitam que os escritos dos
antigos clássicos são em geral fidedignos, muito embora os mais antigos manuscritos
tenham sido escritos tanto tempo depois da redação original e o número de manuscritos
remanescentes seja, em muitos casos, tão pequeno, está claro que, da mesma forma,
fica assegurada a credibilidade do texto do Novo Testamento”.

TENT AÇ ÃO : R EV ELA ÇÕ ES N O
DESE RTO
[“The Jesus i never knew” (O Jesus que eu nunca conheci), de Philip Yancey – Traduzido por Yolanda M. Krievin. Ed. Vida. 1998. São
Paulo. SP]

“Quando leio a história da tentação, ocorre-me que, na ausência de testemunhas


oculares, todos os pormenores devem ter vindo do próprio Jesus. Pelo mesmo motivo,
Jesus sentiu-se obrigado a revelar aos discípulos esse momento de luta e de fraqueza
pessoal. Creio que a tentação foi um conflito genuíno, não um papel que Jesus
representou com um resultado predeterminado. O mesmo tentador que encontrou um
ponto fatal na vulnerabilidade de Adão e de Eva dirigiu o seu golpe contra Jesus com
exatidão mortal.
Espanto-me diante de certas minúcias da tentação. Satanás pediu a Jesus que
transformasse uma pedra em pão, ofereceu-lhe todos os reinos do mundo e insistiu com
ele para que pulasse de um lugar elevado para testar a promessa de Deus de segurança
física. Que havia de errado nesses pedidos? As três tentações parecem prerrogativas de
Jesus, as qualidades próprias de um Messias. Jesus não multiplicaria pão para cinco
mil, exibição muito mais impressionante? Também derrotaria a morte e ressuscitaria para
se tornar Rei dos reis. As três tentações não parecem más em si mesmas – e no entanto
alguma coisa claramente importante aconteceu no deserto.
(...) Para Jesus a tensão maior era talvez acima de tudo manter-se firme diante da
tentação. ‘Porque simplesmente não destruir o tentador, salvando a história humana do
seu sofrimento maligno? Jesus pensava.
De sua parte, satanás ofereceu trocar o seu domínio sobre o mundo em troca da
satisfação de prevalecer contra o Filho de Deus. Embora satanás apresentasse os
testes, no final ele é que foi reprovado. Em dois testes simplesmente pediu a Jesus que
provasse quem era; no terceiro exigiu adoração, algo com que Deus jamais concordaria.
A tentação desmascarou satanás, enquanto Deus permaneceu oculto. Se você é Deus,
disse satanás, então me ofusque. Aja como Deus agiria. Jesus replicou: Apenas Deus
toma essas decisões; portanto, não faço nada sob teu comando.
Quando torno a olhar para as três tentações, vejo que satanás propôs uma melhoria
atraente. Tentou Jesus na parte boa do ser humano, sem o mal: saborear o gosto do pão
sem se sujeitar às regras fixas da fome e da agricultura, enfrentar riscos sem o perigo
real, desfrutar da fama e do poder sem a perspectiva de rejeição dolorosa – em suma:
usar uma coroa, mas não uma cruz. (A tentação a que Jesus resistiu, muitos de nós,
seus discípulos, ainda a desejamos.
(...) Em suma, satanás estava oferecendo a Jesus a oportunidade de ser o Messias
maravilhoso de quem pensamos precisar.
Desejamos tudo menos um Messias sofredor – e é o que Jesus também desejava, em
certo nível. Satanás acertou mais perto do alvo com a sugestão de Jesus se jogar de um
lugar elevado para testar a proteção de Deus. Essa tentação apareceria novamente.
Uma vez, num relampejo de ira, Jesus repreendeu Pedro fortemente. “Para trás de mim,
satanás!”, ele disse. “Não compreendes as coisas que são de Deus, e, sim, as que são
dos homens.” Pedro recuou diante da predição de Jesus de sofrimento e de morte –
“Isso de modo nenhum te acontecerá!” -, e essa reação instintivamente protetora acertou
em cheio. Nas palavras de Pedro, Jesus ouviu de novo a sedução de satanás, tentando-
o para que tomasse o caminho mais fácil.
Pregado na cruz, Jesus ouviria a última tentação repetida como um motejo. Um
criminoso zombou: “Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós!”. Os espectadores
retomaram o grito: “Desça agora da cruz, e creremos nele (...) Livre-o agora, se de fato o
ama”. Mas não houve livramento, nem milagre, nem alívio, nenhum caminho sem dor.
Para Jesus salvar os outros, bastante simples, não poderia salvar-se a si mesmo. Esse
fato ele devia conhecer quando enfrentou satanás no deserto.
(...) Satanás estava, na realidade, balançando diante de Jesus uma maneira rápida de
realizar a sua missão. Ele poderia conquistar as multidões criando alimento quando
necessário e depois assumindo o controle dos reinos do mundo, o tempo todo
protegendo-se do perigo.
(...) A bondade não pode ser imposta externamente, do alto para baixo; tem de crescer
internamente, de baixo para cima.
A tentação no deserto revela uma profunda diferença entre o poder de Deus e o poder
de satanás. Satanás tem o poder de coagir, de estontear, de forçar a obediência, de
destruir. Os seres humanos aprenderam muito desse poder, e os governos beberam
fundo desse reservatório. Com um relho, ou um cassetete, ou um AK-47, os seres
humanos podem forçar outros seres humanos a fazer quase qualquer coisa que
desejem. O poder de satanás é externo e coercivo.
O poder de Deus, em contrapartida, é interno e não é coercivo. Não se pode escravizar
o homem por meio de um milagre, e a fé necessária é gratuita, não fundamentada em
milagre”, disse o inquisidor a Jesus no romance de Dostoievski. Tal poder pode parecer
às vezes fraqueza. Em seu compromisso de transformar gentilmente de dentro para fora
e em sua inexorável dependência da escolha humana, o poder de Deus parece uma
espécie de abdicação. Como todo pai e todo amante sabe, o amor pode tornar-se
impotente se a pessoa amada prefere desprezá-lo.
‘Deus não é nazista’, disse Thomas Merton... Deus se fez fraco com um propósito: deixar
os seres humanos livremente escolherem por si sós o que fazer com ele.
Soren Kierkegaard escreveu sobre o leve toque de Deus: “A onipotência que pode
colocar a sua mão fortemente sobre o mundo pode também tornar seu toque tão leve
que a criatura recebe independência”. Às vezes, concordo, desejaria que Deus usasse
um toque mais pesado. Minha fé sofre com liberdade em demasia, com demasiadas
tentações para descrer. Às vezes desejo que Deus me esmague, para vencer minhas
dúvidas com a certeza, para me dar provas finais de sua existência e de seu interesse.
Também quero que Deus desempenhe um papel mais ativo nos negócios humanos. Se
Deus tivesse apenas estendido a mão e retirado rapidamente Saddam Hussein do trono,
quantas vidas teriam sido salvas na guerra do Golfo? Se Deus tivesse feito o mesmo
com Hitler, quantos judeus teriam sido poupados? Por que Deus tem de ‘sentar sobre
suas mãos’?
Quero também que Deus assuma um papel mais ativo na minha história pessoal. Quero
respostas rápidas e espetaculares às minhas orações, cura para minha enfermidades,
proteção e segurança para os meus queridos. Quero um Deus sem ambigüidade, um
Deus ao qual eu possa recorrer por amor de meus amigos incrédulos.
Quando tenho esses pensamentos, reconheço em mim um eco tênue, abafado, do
desafio que satanás lançou a Jesus há dois mil anos. Deus resiste a essas tentações
agora como Jesus resistiu àquelas na terra, estabelecendo um jeito mais lento, mais
gentil.
(...) Os milagres que satanás sugeriu, os sinais e as maravilhas que os fariseus exigiram,
as provas irrefutáveis pelas quais anseio – nenhum deles ofereceria tão sério obstáculo
a um Deus onipotente. Mais espantosa é a sua recusa de agir e de esmagar. A terrível
insistência de Deus na liberdade humana é tão absoluta que ele nos garantiu o poder de
viver como se ele não existisse, de cuspir na sua face, de crucificá-lo. Tudo isso Jesus
devia saber quando enfrentou a tentação no deserto, focalizando seu imenso poder na
energia da restrição.
Creio que Deus insiste em tal restrição porque nenhuma exibição pirotécnica de
onipotência vai alcançar a reação que ele deseja. Embora o poder possa forçar a
obediência, apenas o amor pode provocar a reação de amor, que é a única coisa que
Deus deseja de nós, sendo a razão de nos ter criado.
Da perspectiva de satanás, a tentação ofereceu nova vida. Os meninos de O senhor das
moscas podiam perambular pela ilha mais um pouco, aparentemente livres da
autoridade dos adultos. Mais do que isso, Deus poderia ser acusado pelo que desse
errado. Se Deus insistisse em sentar sobre suas mãos enquanto maldades como as
cruzadas e o Holocausto prosseguiam, por que não acusar o Pai, e não as crianças?
Ocorre-me que desviando-se das tentações no deserto, Jesus pôs em risco a reputação
do próprio Deus. Deus havia prometido restaurar a terra à sua perfeição um dia, mas
que dizer do tempo intermediário? O atoleiro da história humana, a brutalidade até
mesmo da história da igreja, o apocalipse por vir – tudo isso vale a restrição divina?
Falando francamente, a liberdade humana vale o preço?
Ninguém que vive no meio do processo da restauração, não no seu final, pode
responder a essa pergunta com honestidade. Tudo o que posso fazer é lembrar-me de
que Jesus, simples guerreiro combatente a enfrentar o Mal cara a cara com o poder de
destruí-lo, escolheu um caminho diferente. Para ele, preservar o livre arbítrio de uma
espécie famigeradamente falida pareceu valer o preço. A escolha pode não ter sido fácil,
pois acarretou o seu próprio sofrimento como também o de seus discípulos.
À medida que observo o restante da vida de Jesus, vejo que o padrão da restrição
estabelecido no deserto persistiu até o fim. Nunca percebi Jesus torcendo o braço de
alguém. Antes, declarava as conseqüências de uma escolha, depois jogava de volta
para a pessoa.

Jesus tinha uma visão realista de como o mundo reagiria a ele: ‘E, por se multiplicar a
iniqüidade, o amor de quase todos esfriará’.
Em suma, Jesus demonstrou um incrível respeito pela liberdade humana. Quando
satanás pediu oportunidade de testar Pedro e joeirá-lo como o trigo, mesmo então Jesus
não recusou o pedido. Sua resposta: ‘Mas roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça’.
Quando as multidões se afastaram e muitos discípulos o abandonaram, Jesus disse aos
Doze, quase com tristeza: ‘Não quereis também retirar-vos?’. Quando a sua vida se
dirigia para o destino final em Jerusalém, denunciou a Judas, mas não tentou evitar o
mal que ele ia fazer – essa, também, foi uma conseqüência da restrição”.
PERFIL: O QUE EU DEVERIA TER
PERCEBIDO?
[“The Jesus i never knew” (O Jesus que eu nunca conheci), de Philip Yancey – Traduzido por Yolanda M. Krievin. Ed. Vida. 1998. São
Paulo. SP]

Por causa do silêncio dos Evangelhos, não podemos responder com certeza à pergunta
sobre qual era a aparência de Jesus. Creio que isso é muito bom. Nossas
representações glamourizadas de Jesus falam mais a nosso respeito do que a respeito
dele... Ele não tinha nenhum brilho sobrenatural ao redor de si: João Batista admitiu que
nunca o teria reconhecido não fosse uma revelação especial..
Vou além da aparência física para considerar de que forma Jesus era como pessoa.
Como Ele teria se classificado num teste de perfil de personalidade?
A personalidade que brota dos Evangelhos difere radicalmente da imagem de Jesus com
a qual cresci, imagem que agora reconheço em alguns filmes mais antigos de Hollyhood
sobre Jesus. Nesses filmes, Jesus recita suas mensagens monotonamente e sem
emoção. Caminha pela vida como um indivíduo calmo entre um elenco de figurantes
agitados. Nada o pertuba. Distribui sabedoria em tons apáticos, comedidos. É, em suma,
um Jesus prosaico.
Em contrapartida, os evangelhos apresentam um homem com tal carisma, que o povo
ficava sentado por três dias sem intervalo, sem comer, apenas para ouvir suas palavras
instigantes. Ele parecia emocionado, impulsivamente “movido pela compaixão” ou “cheio
de piedade”. Os evangelhos revelam uma cadeia das reações emotivas de Jesus:
súbita simpatia por uma pessoa leprosa, exuberância devido ao sucesso de seus
discípulos, um rasgo de raiva diante dos legalistas frios, tristeza por causa de uma
cidade não receptiva e depois aqueles gritos horríveis de angústia no Getsêmani e na
cruz. Tinha uma paciência quase inexaurível com os indivíduos, mas não tinha paciência
nenhuma com as instituições e com a injustiça.
... Percebi que Jesus viveu um ideal de realização masculina que dezenove séculos
mais tarde ainda escapa à maioria dos homens. Três vezes, pelos menos, ele chorou na
frente dos seus discípulos. Não ocultou seus temores nem hesitou pedir ajuda: “A minha
alma está cheia de tristeza até a morte”, ele lhes disse no Getsêmani, “ficai aqui e velai
comigo”. Quantos líderes fortes de hoje se mostrariam tão vulneráveis?
Ao contrário da maior parte dos homens que conheço hoje, Jesus também gostava de
elogiar outras pessoas ... Os evangelhos mostram que Jesus rapidamente estabeleceu
intimidade com as pessoas que conhecia. Quer falando com uma mulher junto a um
poço, quer com um líder religioso no jardim, quer com um pescador no lago, chegava
imediatamente ao âmago da questão, e depois de rápidas palavras de conversação
essas pessoas revelavam a Jesus seus segredos mais íntimos. As pessoas de seu
tempo inclinavam-se a manter os rabinos e os “homens santos” a uma distância
respeitosa, mas Jesus extraía delas algo mais, uma fome tão profunda que as pessoas
se aglomeravam ao redor dele apenas para lhe tocar as roupas.
As pessoas gostavam de estar com Jesus; onde ele estava, havia alegria.
Vivendo num planeta de livre arbítrio e de rebeldia, Jesus não poucas vezes deve ter-se
sentido “pouco à vontade”. Nessas ocasiões se retirava e orava, como para respirar o ar
puro de um sistema de apoio à vida que lhe daria forças para continuar vivendo num
planeta poluído. Mas nem sempre recebia respostas formais às suas orações. Lucas
registra que Ele orou a noite inteira antes de escolher os doze – mesmo assim, o grupo
incluía um traidor. No Getsêmani orou primeiro para que o cálice do sofrimento lhe fosse
tirado, mas é claro que não foi. Essa cena no jardim mostra um homem
desesperadamente “pouco à vontade”, mas resistindo a todas as tentações de uma
libertação sobrenatural.
... Jesus sujeitou-se às leis naturais mesmo quando, até certo nível, vinham de encontro
aos seus desejos. (“Se possível, passa de mim esse cálice”) Ele viveria e morreria pelas
regras da terra.
Inicialmente, por talvez um ano, Jesus teve grande sucesso. Tantas pessoas afluíam a
Ele que às vezes tinha de fugir para um barco e afastar-se da praia. Sem dúvida foram
as curas físicas que logo o puseram em evidência.
... Por um lado, curava em reação espontânea à necessidade humana: via uma pessoa
sofrendo diante dele, sentia compaixão e a curava. Nenhuma vez se esquivou de um
pedido direto de ajuda... Em regiões em que as pessoas não tinham fé, não realizou
milagres.
Se eu procurasse uma palavra única para descrever Jesus para os de sua época, teria
escolhido a palavra rabino, ou mestre. Nos Estados Unidos atualmente não conheço
paralelo para a vida de Jesus. Certamente seu estilo tem pouco a ver com o dos
modernos evangelistas de multidões, com suas tendas e estádios, suas equipes de
reconhecimento, cartazes e campanhas de mala direta, suas apresentações realizadas
eletronicamente.
“As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem
onde reclinar a cabeça”, disse Jesus. Se vivessem nos tempos atuais, com as
dificuldades dos sem-teto, Jesus e seus discípulos talvez fossem incomodados pela
polícia e forçados a seguir em frente.
Eu me teria maravilhado diante das parábolas de Jesus, forma que se lhe tornou marca
registrada. Escritores desde então têm admirado sua habilidade na transmissão de
verdades profundas por meio dessas histórias cotidianas. Não existem criaturas
imaginárias e enredos tortuosos nas parábolas de Jesus; ele simplesmente conta a vida
ao redor dele... as parábolas também ajudavam a preservar sua mensagem.
“Jesus veio ao mundo “cheio de graça de verdade”, diz o evangelho de João, e essa
expressão resume bem a sua mensagem. Como Elton Trueblood observou, todos os
símbolos maiores que Jesus utilizou tinham uma qualidade severa, quase ofensiva: o
jugo do fardo, o cálice do sofrimento, a toalha do servo e finalmente a cruz da execução.
Era preciso “fazer as contas dos gastos”, disse Jesus, advertindo qualquer um que se
atrevesse a segui-lo.
(...) Nas palavras de Mateus, “ele ensinava como quem tem autoridade, e não como os
escribas”. Os escribas esforçavam-se para não oferecer opiniões suas, antes
fundamentavam suas observações nas Escrituras e nos comentários aprovados. Jesus
tinha muitas opiniões suas, e usava as Escrituras como comentário. “Ouvistes o que foi
dito [...] Eu, porém, vos digo...” era o seu refrão impressivo. Ele era a fonte, e enquanto
falava não fazia distinção entre suas palavras e as de Deus. Seus ouvintes entendiam a
implicação claramente, mesmo quando a rejeitavam: “Ele blasfema!”, diziam.
Destemido Jesus nunca retrocedeu num conflito. Interessante que os demônios nunca
deixaram de reconhecê-lo como o “santo de Deus” ou como o “filho do Altíssimo”; eram
os seres humanos que questionavam sua identidade.
As declarações de Jesus sobre si mesmo (eu e o Pai somos um; tenho o poder de
perdoar pecados; reconstruirei o templo em três dias) eram sem precedentes e lhe
proporcionavam constantes problemas. Realmente, seus ensinamentos eram tão
entretecidos com a sua pessoa que muitas de suas palavras não poderiam ter
sobrevivido a ele; as grandes reivindicações de morreram com ele na cruz. Os discípulos
que o seguiram como um mestre retornaram para suas antigas casas, murmurando
tristemente: “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem redimisse a Israel”. Foi preciso
a ressurreição para transformar o proclamador da verdade no proclamado.
Desprezando a popularidade, Jesus dirige a maior parte de seus comentários não às
massas mas aos sérios interessados. Constantemente os envolve num nível mais
profundo de compromisso... você não pode servir a dois senhores, ele diz. Abandone o
amor ao dinheiro e os prazeres que o mundo oferece. Negue-se a si mesmo. Sirva aos
outros. Tome a sua cruz.
Essa última frase não é uma metáfora vazia: ao longo das estradas da Palestina, os
romanos regularmente crucificavam os piores assassinos como lição objetiva aos
judeus. Que tipo de imagem essas palavras de “apelo” traziam à mente de seus
discípulos? Será que ele iria liderar uma procissão de mártires? Aparentemente sim.
Jesus repete uma frase mais do que qualquer outra: “quem achar a sua vida, perdê-la-á,
e quem perder a sua vida por minha causa, achá-la-á”.
Às vezes me perguntado se teria desejado juntar-me aos Doze. Não importa.
Diferentemente dos outros rabis, Jesus escolheu seu círculo mais íntimo de discípulos,
em vez de deixar que eles o escolhessem.
Por que Jesus investiu tanto nesses aparentes perdedores? Para responder volto-me
para a narrativa escrita de Marcos, que menciona os motivos de Jesus escolher os
Doze: “Para que estivessem com ele, e os mandasse a pregar”.
Para que estivessem com ele. Jesus nunca tentou ocultar a sua solidão e a sua
dependência das outras pessoas. Escolheu seus discípulos não como servos, mas como
amigos. Partilhou momentos de alegria e de tristeza com eles, e orou por eles em
momentos de necessidade. Eles se tornaram sua família, os substitutos da mãe, dos
irmãos e das irmãs. Desistiram de tudo por ele, como ele desistiu de tudo por eles. Ele
os amava, de maneira evidente e simples.
Para que pudesse enviá-los. Desde o seu primeiro convite aos Doze, Jesus tinha em
mente o que transpiraria um dia no Calvário. Sabia que seu tempo na terra era curto, e o
sucesso final de sua missão dependia não do que ele realizaria em uns poucos anos,
mais do que os Doze – depois onze, logo seriam milhares e, depois ainda, milhões –
fariam depois que partisse.
Estranhamente, à medida que olho para trás, para os dias de Jesus da perspectiva
presente, é a extrema simplicidade dos discípulos que me dá esperança. Jesus não
parece escolher seus seguidores com base no talento inato, ou na perfeição, ou no
potencial de excelência. Quando viveu na terra rodeou-se de pessoas comuns que não o
entendiam direito, não exerciam muito poder espiritual e às vezes se comportavam como
alunos mal-educados. Três discípulos em particular ( os irmãos Tiago e João, e Pedro),
Jesus escolheu para as repreensões mais fortes – mais dois deles se tornariam os
líderes mais notáveis dos cristãos primitivos.

JÓ : EN XER GA NDO NO ES CU RO
[“The Bible Jesus read” (A Bíblia que Jesus lia), de Philip Yancey – Trad. Valdemar Kroker – Ed. Vida. São Paulo. SP. 2000]

“Jó, concentra-se, de fato, no problema do sofrimento, mas de maneira totalmente


inesperada. O livro consegue postular brilhantemente as perguntas mais freqüentes que
fazemos, e aí muda de rumo ao propor uma forma bem diferente de enxergar o
problema. Como a maior parte do Antigo Testamento, Jó primeiro frustra ao rejeitar as
respostas simples que cremos necessárias e depois nos satisfaz de forma estranha ao
mostrar uma nova direção marcada pelo flagrante realismo e um vislumbre quase
inatingível de esperança.
(...) Os amigos de Jó insistiam em dizer que um Deus justo, amoroso e poderoso deveria
seguir certas regras na terra, principalmente recompensar os que fazem o bem e punir
os que praticam o mal. Todas as afirmações desses amigos tão falantes se reduzem
basicamente a este argumento: como Jó sofreu, deve ter pecado.
Concluí que o livro de Jó não está centralizado de forma alguma no problema do
sofrimento.
Visto como um todo, o livro de Jó é sobre fé, a história de um homem escolhido para
passar por uma experiência penosa e estarrecedora através da tribulação. Sua reação
apresenta uma mensagem que se aplica não somente a pessoas em sofrimento, mas a
toda pessoa que vive no planeta Terra.
É útil pensar no livro de Jó como uma peça de mistério, uma história policial. Nós da
platéia chegamos cedo para uma entrevista coletiva em que o diretor da peça explica
sua obra (cap. 1 e 2). Já ficamos sabendo antes do início o papel de cada um na peça e
entendemos que o drama pessoal na terra tem origem num drama cósmico no céu – a
disputa pela fé do homem Jó. Será que ele vai acreditar em Deus ou negá-LO?
Para a platéia, as questões de Jó perderam sentido, pois já sabemos as respostas. O
que ele fez de errado? Nada. Deus mesmo o chamou de ‘homem íntegro e reto, que
teme a Deus e se desvia do mal’ (2.3). Por que Jó está sofrendo? Sabemos de antemão
que não está sendo castigado. Longe disso! Ele foi escolhido como elemento principal
numa grande disputa nos céus. Jó representa o que há de melhor na espécie, e Deus o
está usando para provar a satanás que é possível um ser humano ter fé genúina e
altruísta independentemente das boas dádivas de Deus.
Ao permitir a olhadela por detrás das cortinas nos capítulos 1 e 2, o autor de Jó entrega
de bandeja todos os elementos da narrativa, a não ser um: o mistério de como Jó
reagirá.
Ele luta com os elementos imponderáveis do sofrimento com tanta intensidade que,
enquanto lemos o livro, suas perguntas se tornam nossas.
A disputa
A disputa entre satanás e Deus não é um mero exercício de trivialidades. A acusação
feita por satanás de que Jó ama a Deus só porque ‘o tens protegido de todos os lados’ é
na verdade um ataque contra o caráter Divino. Implica que Deus não é digno de ser
amado em si mesmo, que as pessoas o seguem somente porque ganham algo com isso
ou estão sendo “subornadas" para agir assim. Na concepção de satanás, Deus lembra
um político que só ganha a eleição porque manipula os resultados, ou um mafioso que
tem uma mulher interesseira e não uma esposa dedicada.
(...) A resposta de Jó, depois que todos os auxílios e apoios foram tirados, comprovará
ou refutará o desafio de satanás. Um homem rico como Jó tem muito a perder se Deus
parar de abençoá-lo. Será que continuará a confiar em Deus mesmo depois de perder
tudo?
O livro está fundamentalmente ligado à questão da integridade. Jó age como se a
integridade de Deus estivesse sendo julgada. Como um Deus amoroso pode tratá-lo de
forma tão injusta? (...) Deus, como no diz no verso de Handel, está procurando a fé que
‘não vem por temor ou busca de recompensa...’
A história de Jó desperta uma empatia em nós, seres humanos da modernidade, porque
também colocamos Deus à prova na questão do sofrimento. De forma eloqënte e
incisiva, exigimos respostas de Deus, e a forma com que Deus trata Jó é uma das
questões sobre as quais nos debatemos (...) Jó traduz em palavras algumas de nossas
queixas mais profundas. ‘Gritamos noite adentro, e não há resposta’, disse Bertrand
Russell.
O fato de termos muita empatia pelo impasse de Jó revela muito sobre a atitude que
hoje tomamos em relação a Deus.
Embora Jó nos ajude a formular as nossas questões a respeito do sofrimento injusto,
não consegue dar as respostas a muitas delas por uma razão muito simples: os
capítulos 1 e 2 mostram com clareza que, independentemente do que Jó pense, Deus
não está sendo julgado nesse livro. Jó está no banco dos réus. O livro não dá as
respostas para o problema do sofrimento – ‘Deus sabe que sofremos’ – pois o prólogo já
tratou do assunto. A questão aqui é fé: Onde está Jó? Como está reagindo?
Quanto mais estudava Jó, mas percebia que sempre tinha lido o livro da perspectiva do
capítulo 3 em diante. Estava precisando voltar e reexaminar a mensagem de Jó a partir
do primeiro capítulo. Foi ali que descobrir o trama central: o melhor homem sobre a face
da terra sofre as piores agruras, o que se torna um teste de fé no mais extremo grau.
Será que os seres humanos são de fato livres? Satanás desafiou Deus a respeito disso.
Temos, sem dúvida, a liberdade de cair – o próprio satanás, Adão e cada pessoa
comprovaram isso. Mas será que temos a liberdade e a capacidade de nos erguer, de
crer em Deus sem nenhuma razão, a não ser... bem, sem absolutamente nenhuma
razão? Será que alguém consegue crer mesmo quando Deus lhe parece como um
inimigo? Ou será que a fé é, como tudo na vida, apenas um produto do ambiente e das
circunstâncias?
Os amigos de Jó
Satanás não aparece uma única vez depois do capítulo 2 de Jó; nem precisa, pois os
amigos de Jó representam perfeitamente bem sua maneira de enxergar as coisas. Com
um golpe esplêndido de marcada ironia, a maior parte da altissonante (mas infundada)
teologia do livro vem da boca de homens piedosos e espirituais que, no final, são
arrasados por Deus com uma rajada que os faz murchar completamente.
... dizem eles, que um Deus justo trata as pessoas de forma justa. Deus recompensa os
que lhe obedecem e permanecem fiéis. Mas castiga os que pecam. Quem poderia
contrariar isso? Avançam então para a conclusão lógica de que o extremo sofrimento de
Jó denuncia algum pecado grave e não confessado. Se ao menos Jó parasse de ser tão
teimoso e se arrependesse, Deus certamente lhe perdoaria e restauraria a sua condição
anterior.
Os amigos de Jó ficam malvistos, e com razão, uma vez que no final Deus os rejeita
sumariamente.
Em suma, os amigos de Jó surgem como dogmatistas justos aos seus próprios olhos
que defendem os caminhos misteriosos de Deus. Confiantes de suas doutrinas
escorreitas e de seus argumentos sólidos, decretam condenação contra Jó. Para eles a
questão parece definida: se temos de escolher entre um homem que se diz justo e um
Deus que sabemos ser justo, que chance Jó poderia ter?

Preso nos “elementos" do drama, Jó preocupa-se exclusivamente com a questão do
sofrimento. É claro que não sabe nada sobre a disputa cósmica em torno da fé – se
tivesse acesso a essa informação privilegiada faria com que seu julgamento não fosse
justo. Por isso, sente-se traído por Deus.
(...) A justiça Divina batera de frente com a inocência de Jó. Agora nada faz sentido.
Diante das palavras de ataque dos amigos, Jó vacila, contradizendo-se e às vezes até
lhes dá razão. Ele não contra-argumentos teológicos e reconhece que o que estão
dizendo parece verdade. No caso dele, entretanto, crê profundamente que estão
errados, que ele não merece o destino que está tendo. Ele pecou, é verdade, mas não a
ponto de “merecer” esse tipo de castigo de Deus, perdendo sua família, saúde e posses
em tão pouco tempo. Próximo ao final do livro, Jó expõe uma defesa formal de sua
inocência no caso.
As falas de Jó contêm expressões profundas de dor, desespero e indignação. Quase
não contendo o sarcasmo, ele deixa transparecer protestos irados contra Deus,
chegando mesmo bem próximo da blasfêmia. As primeiras palavras que consegue pôr
para fora são: “pereça o dia em que nasci, e a noite em que se disse: foi concebido um
homem!”.
Leia uma amostra de citações desse santo “paciente”:
Até quando não apartará de mim a tua vista? Até quando não me deixarás a sós
até mesmo por um instante? (7.19).
Não são poucos os meus dias? Cessa, e deixa-me, para que por um pouco eu
tome alento, antes que me vá para o lugar de onde não voltarei, para a terra da
escuridão e da sombra da morte... (10.20,21).
Na sua ira ele me despedaça e me persegue e range os dentes contra mim; o meu
adversário aguça os olhos contra mim (16.9).
Embora eu clame: Violência! Não sou ouvido; embora grite por socorro, não há
justiça (19.7).
Clamo a ti, ó Deus, mas não me respondes, ponho-me de pé, mas para mim não
atentas. Tornas-te cruel para comigo; com a força da tua mão me atacas. [...]
Contudo, aguardando eu o bem, me sobreveio o mal; esperando eu a luz; veio a
escuridão. A agitação das minhas entranhas não cessa; os dias de aflição me
sobrevêm (30.20,21,26,27).

Parei na pág. 57