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Caleidoscópio da Educação para os Valores:

- Os contos tradicionais: seus contributos na educação de valores

OS CONTOS TRADICIONAIS: SEUS CONTRIBUTOS NA EDUCAÇÃO DE


VALORES
AUTORA: OLÍMPIA SIMÃO. ORIENTADOR: RAMIRO MARQUES
1 – DEFINIÇÃO DO PROBLEMA E DAS QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO

1.1 – Definição do problema


Seguramente, uma das tarefas mais importantes e difíceis na educação da criança,
consiste em ajudá-la a encontrar um sentido para a sua vida. As diversas abordagens sobre os
contos, para além de favorecerem a comunicação sobre gerações e culturas, fortalecem os
laços afectivos e desenvolvem competências. Por outro lado, segundo Leite e Rodrigues
(2001), apesar de toda a magia e prazer que os contos fantásticos proporcionam, estes não
deixam também de transmitir valores extremamente importantes que influenciam a formação
das crianças.
Portanto, contar e ler às crianças este tipo de histórias, pode conduzir para a formação
integral das crianças, não só em relação à construção e enriquecimento da língua materna,
como também pode contribuir para uma valorização das trocas culturais, para o sentido de
cooperação, de inter-ajuda, na medida em que a criança ao ouvir identifica-se com diversas
personagens que interagem em contextos diferentes e que têm personalidades e
comportamentos também diferentes. Os propósitos finais da educação não se podem, nem
devem confinar-se à instrução, defendemos que os educadores podem e devem estar convictos
que têm importância no crescimento completo dos seus educandos, de forma a não dar
privilégios, unicamente, à transmissão de conhecimentos, e atribuir uma relevância superior à
dimensão das atitudes e valores, porque como expõe Simas (1996),

enquanto os conhecimentos podem ser obtidos por informações de outros meios


(bibliotecas, museus, meios de comunicação social), a predisposição para procurar,
observar, pensar, reflectir e criticar é criada por excelência na escola, formando-se quer os
hábitos, quer as atitudes, utensílios indispensáveis ao processo educativo. (p. 3)

O estudo que pretendemos desenvolver será alicerçado nos contos tradicionais


maravilhosos, contos de fantasia, considerando-os não apenas como um sustentáculo do nosso
património cultural, visto que, conforme diz Patrício (1989), não é exequível “dissociar a
educação da cultura, tal como não é possível dissociar a educação na Escola da educação na
Comunidade” (p. 11), mas igualmente como detentores de mensagens e ideias indispensáveis
para o crescimento proporcionado e equilibrado das crianças.

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1.2 – Questões de investigação


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Qual o contributo dos contos tradicionais para que o espaço social


do Jardim de Infância seja promotor de desenvolvimento pessoal e
social da criança?

Objectivos Resultado

• Revisã
• Instrumento de
o da • Escolha • Metodologia
Pesquisa.
Literatu da amostra - Investigação qualitativa
- Entrevista semi-estruturada
ra

Análise de Dados
Discussão dos Dados
Conclusões

1.2.1 - Pergunta de partida


Na assunção das nossas crenças e destes pressupostos desejamos delinear a seguinte
pergunta de partida: Qual o contributo dos Contos Tradicionais para que o espaço social
do Jardim de Infância seja promotor de desenvolvimento pessoal e social da criança?

1.2.2 - Objectivos da investigação


Os objectivos que nos propomos atingir são os seguintes:
 Averiguar as funções e os benefícios dos contos tradicionais que
contribuem na formação de valores das crianças;
 Caracterizar como operacionalizam os Educadores de Infância o
desenvolvimento dos valores sociais;
 Saber se os Educadores de Infância estão conscientes dos valores que os
contos tradicionais transmitem;
 Elaborar uma proposta de projecto de formação para Educadores na área
da educação para os valores.

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O papel desempenhado pelo educador avoca, assim, uma nova relevância na dimensão
sócio-educativo. Como salientou Delors (2000), “a contribuição dos professores é fulcral para
levar os jovens não só a encarar o futuro com confiança mas a construí-lo por si mesmos de
maneira determinada e responsável” (p. 131).

1.2.3 - Justificação da relevância do estudo


Temos vindo a constatar que na vida agitada em que vivemos, ao longo da nossa
prática pedagógica, parece-nos de grande relevância a criação de um tempo e de um espaço
onde, através dos contos tradicionais, com a sua inerente fantasia, se ajude a contribuir para a
formação social e pessoal da criança. Neste sentido como defende Patrício (1993),

não há consciência axiológica, nem vida axiológica real e autêntica, sem consciência
da sua identidade. Cada homem é um ser único, pessoal e intransmissivelmente confrontado
com o problema e a realidade dos valores. Também cada cultura é uma individualidade
única, possuidora de uma atitude axiológica pessoal e intransmissível, a qual tem de
assumir, defender, desenvolver e promover. (p. 24)

Consideramos ser oportuno reaver a função dos contos tradicionais, como um meio
relevante na área da educação para os valores.
Conforme diz Soto (1995), os valores universais são admitidos por todos “Y no se les
puede negar su permanencia, nadie duda de la necesidad de: hacer el bien, practicar la justicia,
respectar la dignidad de la persona, decir la verdad, defender el derecho a la vida” (p. 542).
Como certifica Traça (1998), o conto “ como a morada, a alimentação, a indumentária,
é uma “constante”, é uma palavra (parábola) cujo fio não deve ser cortado ao passar de
geração em geração, sob a pena de pôr em perigo a coesão social e a sobrevivência do grupo”
(p. 28).
O “bem” e o “mal” são perceptíveis em todos estes contos, histórias, surgindo
geralmente em forma de determinadas personagens e suas acções. Os acontecimentos são
resumidos, os detalhes desprezados e as personagens delimitadas com nitidez; desta maneira,
a criança consegue descobrir com facilidade o significado atribuído a cada uma das palavras
que constituem as histórias. Ao “ler”, ao ouvir um conto, a criança começa um processo de
reconhecimento com o herói, não porque ele é bom, mas porque estimula a sua predilecção,
porque vive acontecimentos com que ela, enquanto criança, se identifica.
Segundo Bettelheim (1991), os contos auxiliam a criança a desvendar a sua identidade
e a sua aptidão, aconselhando igualmente que experiências são imprescindíveis para melhor

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incrementar o seu carácter, “insinuam que uma vida boa, compensadora, está ao alcance de
todos, apesar da adversidade, desde que não nos subtraiamos de enfrentar lutas árduas, sem as
quais ninguém pode conseguir verdadeira identidade” (p. 34).
Assim, a criança aprende a organizar o seu mundo social e ético, aprendendo
igualmente a colocar-se em conexão com os outros e a natureza. Não consiste em formar uma
lista de diversos valores e transmiti-los às crianças, muito menos forçá-las a realizar uma
sequência de normas, ambiciona-se que, por meio de uma reflexão intensa, a criança aprenda
a meditar individualmente. Neste sentido, Praia (1991) aconselha acções/reflexões
metodológicas, sintetiza, muito bem este pensamento quando diz que “não se trata de ensinar
os alunos como devem comportar-se, mas sim proporcionar-lhes espaços onde possam
reflectir sobre como comportar-se” (p. 53).
Nesta linha de pensamento, Moutinho (s.d.) diz que os contos tradicionais são:

histórias simples, cheias de encanto e frescura, onde o povo que somos fixou a sua
filosofia de vida, as suas normas de valor, o sentido ético com que aprecia o mundo, os
desejos e aspirações ocultos de que alimentou os seus desejos e por inteiro se retrata nos
traços ingénuos das personagens a que deu vida. (p. 174)

2 - BREVE QUADRO TEÓRICO COM REVISÃO DA LITERATURA

1ª PARTE – ENQUADRAMENTO CONCEPTUAL


CAPÍTULO 1
VALORES, CAMINHOS DA EDUCAÇÃO, QUE PERSPECTIVAS
1 - NOÇÃO DE VALORES
2 - CARACTERÍSTICAS DOS VALORES
3 - A RELEVÂNCIA DOS VALORES NA FORMAÇÃO INTEGRAL DA PESSOA
4 - EDUCAÇÃO PARA OS VALORES E SEUS MODELOS
5 - NO EXERCÍCIO DA CIDADANIA E OS VALORES FUNDAMENTAIS

CAPÍTULO 2
OS CONTOS TRADICIONAIS E A EDUCAÇÃO PARA OS VALORES
1 - OS CONTOS TRADICIONAIS: ORIGEM, TRANSMISSÃO E
PERCEPTUALIZAÇÃO

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2 - O UNIVERSO MÁGICO DO CONTO TRADICIONAL E SUAS


CARACTERÍSTICAS
3 - A RELEVÂNCIA DA FORMAÇÃO NO EXERCÍCIO DA DOCÊNCIA

3 – A AMOSTRA
• Todos os educadores são do Agrupamento de Santa Iria - Tomar – 17.
• São todos do sexo feminino.
• A idade varia entre os 41 e 50 anos.
• A maioria tem como grau académico licenciatura.
• A maioria tem mais de 20 anos de experiência profissional.
• A situação profissional da maioria é Quadro de Agrupamento.
• Ninguém frequentou Acções de Formação sobre Valores Sociais/Competências
Sociais.

3.1 - Principais resultados


Funções e Benefícios dos contos
► Razões pelas quais os contos tradicionais despertam o interesse das crianças.
● Pelo maravilhoso, o imaginário e o tipo de personagens.
► Objectivos que os educadores pretendem atingir com a leitura/contar dos contos
tradicionais.
● Promover valores, o diálogo e enriquecer o vocabulário.
► Importância da transmissão de valores.
● A formação pessoal e social, a moral e o espírito crítico.
► Relação existente entre os contos tradicionais e educar para a cidadania.
● Transmissão de valores, estratégia e transportando a sua moral para os dias de
hoje.

Os valores nos contos


► Modo como contribui para a educação para os valores.
● As vivências nas diversas actividades, a colaboração familiar e o modelo.
► Importância dos Contos Tradicionais na vivência das crianças.
● Ajudar a ultrapassar medos, anseios e desejos, os valores.
► Assiduidade.

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● Todos os dias, semanalmente.


► Importância da hora do conto.
● A iniciação à leitura e à escrita, as crianças gostam, e as rotinas.
► Actividades desenvolvidas a partir dos contos.
● A dramatização, a representação gráfica e modelagem.
► Metodologias utilizadas pelos educadores para desenvolver um conteúdo.
● Conto o conto, exploração do conto.

Consciencialização dos valores


► Preferências dos Educadores.
● Gostam de todos, sobressaindo “O Capuchinho Vermelho”.
► Razões das preferências dos Educadores.
● Pelas aprendizagens e pelo maravilhoso.
► Preferências das crianças na opinião da Educadora.
● Gostam especialmente do conto “O Capuchinho Vermelho” mas também gostam
de todos.
► Razões das preferências das crianças na opinião da Educadora.
● O maravilhoso, o suspanse e as personagens.
► Valores que os educadores pensam poder transmitir com os contos tradicionais.
● Bondade, respeito e honestidade.
► Transversalidade dos valores nas diversas culturas.
● Para a maioria dos educadores sim.
► Razões pelas quais os contos tradicionais são transversais.
● A cultura e sua indispensabilidade à vida em sociedade.
► Concordância dos valores com a sociedade actual.
● A maioria não acredita nessa concordância.
► Razões pelas quais os valores estão de acordo com a sociedade actual.
● A maioria não está de acordo porque para eles houve uma troca de valores
embora, os considerem fundamentais e devam ser preservados.
► Importância da reflexão sobre os valores dos contos tradicionais.
● O construir um projecto de vida, distinguir o bem do mal e a identificação com
determinados valores.

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4 – INSTRUMENTOS DE RECOLHA DE DADOS

Neste estudo, ponderando a natureza do seu objecto e os objectivos a alcançar,


assume-se uma metodologia de natureza qualitativa que no nosso entender é a que melhor se
adequa aos objectivos da nossa investigação. A pesquisa qualitativa possibilita analisar os
ângulos subentendidos das práticas educativas de educação para os valores em contexto de
supervisão, sendo assim, desejamos no estudo acolher dados que são principalmente de
natureza descritiva procurando o entendimento do significado que os participantes imputam às
suas experiências.
Para recolher dados socorremo-nos, da entrevista semi-estruturada, porque esta, sendo
uma técnica que permite, na opinião de Estrela (1994), “a recolha de dados de opinião que
permitem não só fornecer pistas para a caracterização do processo em estudo, como também
conhecer sob alguns aspectos, os intervenientes do processo” (p. 342). No princípio do
estudo, iremos proceder à análise do conteúdo das entrevistas, que darão origem a um resumo,
no qual serão igualmente transcritos e analisados os resultados destes e dos documentos
agrupados na pesquisa bibliográfica, com o objectivo de caracterizar e identificar o
impacto/influência dos contos tradicionais nas práticas educativas dos Educadores de
Infância. Pretende-se perceber de que modo os contos tradicionais são o veículo de
transmissão de valores numa educação promotora do desenvolvimento pessoal e social da
criança.
Desta forma, deseja-se com este estudo poder analisar nitidamente a informação
obtida e poder assegurar que os contos tradicionais captam a atenção das crianças, contêm
recados, mensagens essenciais e são um magnífico veículo de impulsionar uma educação para
os valores.
No que diz respeito ao último objectivo deste estudo elaborar uma proposta de
formação para os educadores nesta área.
Salientamos a importância da formação como contributo para o desempenho do
educador enquanto profissional, tal como Ramos e Nunes (in Sousa e Fino, 2007), para quem
ela “deve fazer-se em função das tarefas e do trabalho que tem de realizar e as suas
competências profissionais devem ser vistas em função dos fins e objectivos do ensino” (p.
246).

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CRONOGRAMA

PONTOS CRÍTICOS

- Dificuldades em assumir
possíveis mudanças
metodológicas.
- Falta de informação sobre o
papel dos contos
tradicionais no PROCESSO - Desenvolvimento de
desenvolvimento da criança
em idade Pré-Escolar. EDUCACIONAL competências sociais.
- Realização ocasional da hora
do conto.
- Metodologia utilizada muito
centrada no educador e no
manual. JARDIM  - Desenvolvimento da
- Crianças passivas na sala de INTERACÇÃO  DE
 oralidade.
aula. INFÂNCIA
- Dificuldades de
aprendizagem.

OBJECTIVO GERAL - Desenvolvimento da
DE INTERVENÇÃO expressão dramática.


UTILIZAR O POTENCIAL EDUCATIVO
E CULTURAL ADQUIRIDO PELA

CRIANÇA NO JARDIM DE INFÂNCIA,

FOMENTANDO A INSERÇÃO DA

CRIANÇA EM DIFERENTES GRUPOS

SOCIAIS, NO RESPEITO PELA

PLURALIDADE DAS CULTURAS

Trocas
Sistema de comunicação Experiências
adequado AS BRINCADEIRAS Tradições
QUE CONTAM UM
Valores
CONTO

5 – PRINCIPAIS CONCLUSÕES

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Visamos a educação para os valores num sentido amplo, tendo em conta


essencialmente uma orientação moral e ética do indivíduo como contribuição para a cidadania
activa e consciente. Ambicionamos que a criança de hoje e futuramente cidadão de direito
consiga nortear-se por valores em alusão a si próprio e aos outros, tais como a
responsabilidade, o respeito, a honestidade, o diálogo, e a solidariedade entre os outros.
Consideramos que os contos tradicionais podem edificar um valiosíssimo meio
auxiliar na educação para os valores das crianças, já que nestas curtas e maravilhosas histórias
sucedem-se figuras cujas actividades possibilitam vislumbrar valores universais, os quais
permitem ser marcados pelas crianças através do método de reconhecimento que com elas
fazem.
Permitimos, nesse caso, que as crianças se divirtam, riam, sonhem, viagem por lugares
jamais observados ou imaginados, assistam a momentos de enorme comoção e tensão,
enlacem duelos com monstros e feiticeiras e vençam, vencendo igualmente os que lhe
facultaram a vivência destes triunfos, os que colaboraram para que o seu crescimento fosse
equilibrado, os que de um modo elementar, contudo penetrante lhes desvendaram a
indispensabilidade e o contentamento de nos orientarmos por certos valores, os quais
engrandecem a nossa vida e a dos outros que connosco partilham tais vivências.
Os desafios da educação levam o educador a focalizar um caminho de permanente
busca de aperfeiçoamento e informação/formação que lhe permita responder às questões
prementes e específicas em educação, de modo a contribuir para uma escola que seja, ao
mesmo tempo, eficaz e gratificante.
Os contos, as histórias são potencializadores de valores cívicos, e desenvolvem não só
a imaginação da criança através da linguagem simbólica, como também transmitem valores
morais nas suas mensagens, os valores contidos nos contos são revelados de um modo
personificado pela simbologia mágica transmitida pelas palavras e pela descrição dos
acontecimentos existentes nas histórias.
É cada vez mais importante que as crianças se consciencializem da igualdade para
todos, realçando o ser mais enquanto pessoa, sendo mais solidário, o mais responsável, o mais
justo, o mais verdadeiro para uma felicidade harmoniosa entre os homens.
O Jardim de Infância surge como um lugar, um espaço, destacado na formação da
criança, pois é nesse espaço que as crianças passam a maior parte do seu tempo e onde existe
uma grande diversidade cultural.
Concordamos com Carvalho (1989) quando diz que:

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Se a educação é uma perspectiva na trajectória do futuro, e se a criança tem toda a


sua receptividade dentro do presente, o que temos de fazer é enriquecer esse presente, para
o qual ela está toda inteiramente voltada, a fim de que possamos abastecê-la de reservas
morais, espirituais e intelectuais. (p. 302)

No entanto, é importante como refere a autora “formar o seu espírito, educando a sua
sensibilidade e plasmando, ao mesmo tempo, o seu entendimento e o seu carácter” (p. 302).
Compete ao Jardim de Infância uma visão atenta e crítica da realidade social que
desponta diariamente, com diferentes questões e potencialidades. É também incumbência sua
reflectir os valores em que se alicerça como organização e gestão, os valores existentes no
acção educativa e na forma como ambiciona que eles encontrem sentido na vida das crianças.
É igualmente incumbência do Jardim de Infância zelar pelo ambiente humano e moral,
propiciar a interacção com o meio e com as diferentes instâncias educativas e sociais.
Por tudo isto, partilhamos da ideia de Marques (2008), “o papel dos pais na educação
do carácter dos filhos não pode ser negligenciado” (p. 80). Isto porque segundo o autor “Há
muita coisa que podem fazer e há muita coisa que devem evitar” (p. 80). No entender deste o
“que devem fazer é serem ouvintes atentos (…) dar a palavra aos filhos num processo de
comunicação nos dois sentidos (…) ser uma fonte de inspiração para os filhos” (p. 80).
É relevante que o educador promova conjunturas que possibilitem à criança pensar e
reflectir acerca do seu ideal de vida, bem como originar vivências significativas.
A educação para os valores, compreendida como um plano modelar de existência,
expande, na criança, a competência para escolher, para determinar as opções, enaltecê-las
reflexiva e criticamente, escolher a que se adapta mais ao seu intrínseco plano de vida.
Actualmente quer-se um Jardim de Infância aberto a novos contextos, aberto ao meio
e ao mundo que o rodeia, um espaço para a partilha de vivências, para a comunicação, para
um desenvolvimento que considere as competências destas crianças que despertam para a
vida.
Em relação à pergunta de partida, podemos concluir que os contos tradicionais são um
contributo para que o espaço social do Jardim de Infância promova o desenvolvimento
pessoal e social da criança. Para tal, é essencial que se verifique uma articulação entre
teoria/prática e que as crianças possuam um papel predominante na edificação do seu
conhecimento. É no meio do grupo que estas crianças aprendem a respeitar regras, a respeitar
os outros, aprendem a expressar a sua opinião, a aceitar as do outro e a saber reflectir, fazer
escolhas, crescendo quer ao nível pessoal quer social. O educador deve encontrar-se atento ao

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género de actividades que sugere ao seu grupo de crianças, emergindo a leitura/contar e a


exploração dos contos tradicionais como uma das estratégia a considerar, abrangendo assim
não só os objectivos da linguagem-consciência fonológica, mas igualmente aqueles que
possibilitam formar na totalidade as suas crianças.
Na sociedade democrática, educar para os valores representa descobrir lugares de
meditação individual e de grupo, para que o indivíduo consiga arquitectar, de um modo
ajuizado, os princípios de valor, princípios que lhe fornecerão uma sustentação para encarar a
realidade. Educar para os valores baseia-se, contudo, em desenvolver conjunturas essenciais
para que cada indivíduo desvende e produza a escolha livre entre aqueles modelos e
aspirações que levam à felicidade. A educação para os valores é um caminho e uma
aprendizagem. A educação para os valores compreende a formação de posturas, como a
inclusão, a aplicação e a valoração crítica das normas.

Não há, não,


Duas folhas iguais em toda a criação
Ou nervura a menos, ou células a mais,
Não há, de certeza, duas folhas iguais.
- António Gedeão

BIBLIOGRAFIA

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Caleidoscópio da Educação para os Valores:

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Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação – Supervisão Pedagógica


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