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ISSN 0104-4443

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[T]

Neurônios-espelho e o representacionalismo1
[I]
Mirror-neurons and representationalism
[A]
Gustavo Leal-Toledo

Doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio),


professor adjunto da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), Ouro Branco, MG -
Brasil, e-mail: lealtoledo@ufsj.edu.br

[R]
Resumo

Na década de 90 foi descoberto que neurônios específicos de áreas motoras


do cérebro eram capazes de responder quando a mesma ação que ele execu-
tava era percebida visualmente. Estes neurônios ficaram conhecidos como
neurônios-espelho, sendo a base da nossa capacidade de imitar. Tais neurô-
nios podem ser também a base da nossa compreensão, nossa capacidade
de aprender e da empatia. Eles seriam capazes de um tipo de compreensão
imediata, sem a necessidade de passar por qualquer tipo de controle central
do cérebro. Há aí indicações favoráveis para a crítica ao Teatro Cartesiano
feita por Dennett. Ao contrário do que a psicologia popular e o representa-
cionalismo nos apresentam, é possível que em determinadas áreas do cére-
bro não exista separação nenhuma entre realizar uma ação e pensar sobre

1
Este texto foi produzido a partir do capítulo 7 da minha tese de Doutorado (LEAL-TOLEDO,
2009), mas este tema lá era tratado com outro enfoque, pois buscava uma base neurológica
para a memética.

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esta ação. Esta última seria apenas a ação inibida. Pretende-se no presente
trabalho apresentar esta nova descoberta e indicar algumas de suas possíveis
consequências para a Filosofia da Mente, em especial para a noção de
representação mental.
[P]
Palavras-chave: Neurônios-espelho. Representacionalismo. Behaviorismo.
Dennett.

[B]
Abstract

In the 1990s it was discovered that specific neurons at motor areas in the
brain were capable of response when the action they could perform was
visually perceived. Those neurons became known as mirror neurons and
are believed to be the foundation of our capacity for imitation. Such neurons
may also be the basis of our understanding, our capacity to learn and our
empathy. They seem to be capable of a kind of immediate understanding
that foregoes any kind of central control on the part of the brain. This may
furnish a support for Dennett’s criticism of the Cartesian Theatre. In con-
trast to popular psychology and representationalism, it is possible that,
for some areas of the brain, no distinction exist between performing an
action and thinking about it. Isolated thought, then, would be no more
than the inhibited action. The present work intends to present that discovery
in some detail, as well as to indicate some of its possible consequences for
the Philosophy of Mind, especially for the notion of mental representation.
[K]
Keywords: Mirror neurons. Representationalism. Behaviourism. Dennett.

Introdução

Os neurônios-espelho são uma descoberta recente das neurociências


(início dos anos 90) e já são considerados como uma das grandes promes-
sas desta área, capazes de revolucionar como o cérebro é entendido, princi-
palmente no que diz respeito à nossa capacidade de compreender, imitar e
aprender. No presente trabalho serão apresentadas algumas descobertas novas
sobre o sistema espelho, bem como algumas implicações para a Filosofia da
Mente e, em especial, para a noção de representação mental. Esta noção está

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tradicionalmente ligada à noção de qualia, mas aqui esta última não será
tratada, apenas levantaremos algumas questões sobre a representação mental,
como tratada dentro da psicologia popular, nos baseando em intuições pro­
vindas da compreensão do funcionamento dos neurônios-espelho.

Neurônios-espelho

É comum acreditar, não só por causa dos estudos científicos, mas


também por causa de nossas próprias intuições a respeito do nosso funciona-
mento mental, que para a mente compreender ou imitar uma ação o cérebro
deve utilizar áreas distintas. A primeira área deve perceber tal ação, a segunda
deve ser capaz de traduzir tal ação alheia em uma ação do nosso próprio
corpo e a terceira deve ser capaz de comandar e coordenar nosso corpo para
realizar tal ação. No entanto, uma das grandes descobertas das neurociências
foi justamente que, ao contrário do que se imaginava, o cérebro não uti-
liza áreas distintas para certas percepções e funções motoras (RIZZOLATTI;
SINIGAGLIA, 2008, p. 19). Sabemos agora que áreas que eram, até recente-
mente, consideradas como exclusivamente motoras, na verdade têm um papel
fundamental na percepção e reconhecimento das ações realizadas por outros.
Desse modo, ao contrário de dividir funções, o cérebro faz tudo de uma vez
só. Surpreendentemente Darwin chega perto de prever algo semelhante a isso:

Não parece improvável que, quando pensamos muito numa determinada sen-
sação, a mesma parte do sensório, ou uma bastante próxima, seja ativada da
mesma maneira que quando realmente temos a sensação. Se isso acontecer,
as mesmas células do cérebro serão estimuladas, ainda que talvez num menor
grau, quando pensamos intensamente num gosto azedo e quando o sentimos
realmente. E em ambos os casos elas transmitirão forças nervosas para o
centro vasomotor com os mesmos resultados (DARWIN, 2000, p. 319).2

2
Existem também, mas não serão tratados aqui, os chamado “neurônios-espelho emocionais”
que estariam na base de nossa capacidade de empatia, principalmente no que diz respeito às
nossas emoções primárias como o medo, a dor, nojo e alegria. Foi descoberto, por exemplo,
que a mesma área cerebral que nos habilita a ter uma expressão facial de nojo é também
o que nos permite identificar esta expressão em outros. Deste modo, se ela é afetada não
só perdemos nossa habilidade de sentir nojo como também perdemos nossa habilidade de
reconhecer expressões faciais de nojo, mas sem perder a habilidade de reconhecer nenhuma
outra expressão (RIZZOLATTI; SINIGAGLIA, 2008, p. 181).

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A descoberta dos neurônios-espelho se deu por acaso no estudo da


área motora, conhecida como F5, em cérebros de macacos. Foi observado
que um mesmo neurônio individual disparava tanto quando uma determinada
ação era realizada, quanto quando esta mesma ação era observada por este
macaco. Tais ações, é claro, não eram quaisquer ações, mas ações evoluti-
vamente relevantes como, por exemplo, pegar algo com precisão, segurar
algo, mover os lábios para pegar algo ou para mastigar, etc. Já era conhecido
o fato de que tais áreas não diziam respeito a movimentos individuais e sim
a atos motores, ou seja, um determinado neurônio disparava não quando um
determinado movimento (como, por exemplo, pegar algo com a mão esquerda)
era executado, mas sim quando era executado um determinado ato motor
como, por exemplo, pegar algo. Não importava se este algo era pego com a
mão esquerda, direita ou mesmo com a boca, o que importava era somente a
própria ação de pegar algo.
Além disso, se exatamente este mesmo movimento físico de pegar
algo fosse realizado dentro de outra ação, como se coçar, por exemplo, tal
neurônio não disparava (RIZZOLATTI; SINIGAGLIA, 2008, p. 23). Tais
ações foram chamadas de ações intransitivas, ou seja, não envolvem um
objeto específico para o qual a ação é voltada. Tudo isso indicava, mais do que
claramente, que aquele neurônio da área motora F5 do cérebro de macacos
não dizia respeito à codificação de determinados movimentos musculares da
mão. O que ele codificava era algo de certa maneira mais abstrato: ele era
ativado sempre que algo era pego de maneira precisa, não importava como.
Um neurônio que poderia ser entendido como um “neurônio do agarrar-
com-a-mão-e-a-boca” (RIZZOLATTI; SINIGAGLIA, 2008, p. 23. Minha
tradução). Para a surpresa dos pesquisadores foi descoberto que este mesmo
neurônio, que deveria ser exclusivamente motor, também era ativado quando
o macaco observava exatamente esta mesma ação específica sendo realizada
por outros. Ele era, então, um neurônio visuomotor: a mensagem mandada
por tais neurônios era exatamente a mesma, não importava se a ação estava
sendo realizada ou observada!3 Mais impressionante ainda é o fato de que
em certas ações que produzem sons, como quebrar a casca de um amendoim

3
É claro que não é tão simples assim. Alguns neurônios são de fato bem específicos quanto
aos seus estímulos. Mas outros chamados de broadly congruent são estimulados por atos
claramente conectados, mas não idênticos, como, por exemplo, responder ao ato motor de
agarrar e ao ato visual de agarrar e segurar (RIZZOLATTI; SINIGAGLIA, 2008, p. 82).

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para comer sua noz, os neurônios-espelho podem ser ativados até mesmo só
com este som, de modo que fica ainda mais claro que para tais neurônios o
que importa é a própria ação e não o modo como ela é realizada ou percebida
(RIZZOLATTI; SINIGAGLIA, 2008, p. 103). De certa maneira este neurônio
era ativado não por um determinado ato, seja ele motor ou visual (ou mesmo
sonoro), mas sim pela compreensão do significado deste ato (RIZZOLATTI;
SINIGAGLIA, 2008, p. 50). Isto indica que a função primordial de tais
neurônios em macacos é justamente a capacidade de compreender de maneira
imediata a ação dos outros. Nas palavras de seus descobridores:

Nos seres humanos, como nos macacos, a visão dos atos realizados
pelos outros produz uma ativação imediata das áreas motoras incumbidas
da organização e execução desses atos e, através dessa ativação, é possível
decifrar o significado dos ‘eventos motores’ observados, isto é, entendê-
los em termos de movimentos centrados em objetivos. Tal entendimento
é completamente isento de qualquer mediação reflexiva, conceitual e/ou
linguística, uma vez que é baseado exclusivamente no vocabulário de
atos e no conhecimento motor do qual depende nossa capacidade de agir.
Ademais, também como ocorre com o macaco, tal entendimento não é
limitado a atos motores singulares, mas é extensível a toda uma cadeia de
atos (RIZZOLATTI; SINIGAGLIA, 2008, p. 125, nossa tradução).

Tais neurônios estariam envolvidos em uma capacidade motora de


compreensão que seria imediata, ou seja, sem a necessidade de uma análise
conceitual da ação que está sendo observada ou realizada. Simplesmente
observando uma ação, sem nenhum ato conceitual mais elaborado, um macaco
poderia, por exemplo, reconhecer que outro macaco estava pegando algo para
comer. Para Rizzolatti e Sinigaglia, esta seria a função primordial dos neurô-
nios-espelho tanto em macacos quanto em humanos. No entanto, tão interes-
santes quanto a semelhança entre o nosso cérebro e o cérebro dos macacos
são as diferenças que encontramos entre eles justamente no que diz respeito
a estas áreas.
Existem algumas diferenças fundamentais entre os neurônios-
espelho dos macacos e dos humanos, muitas são de extrema relevância para
os assuntos tratados aqui, pois mostram justamente o substrato neural que nos
dá maior poder de aprendizagem, imitação e linguagem. Tal poder superior
fica evidente com o fato de que tais neurônios ocupam maior espaço cortical
nos humanos que nos macacos (RIZZOLATTI; SINIGAGLIA, 2008, p. 124).

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Uma das diferenças fundamentais é que, ao contrário dos macacos, nos humanos
os neurônios-espelho também respondem a atos intransitivos, ou seja, movi-
mentos que não são diretamente relacionados a nenhum objeto em particular,
como, por exemplo, simplesmente mover o braço. Embora essa não pareça
ser uma diferença importante, sua conexão com a possibilidade de linguagem
é bastante clara: expressões corporais que buscam passar um significado (por
exemplo, abrir os braços para indicar que algo é grande) não são diretamente
relacionadas a nenhum objeto em particular. Isso permite ao ser humano uma
gama muito maior de atos motores que podem ser compreendidos e imitados
por meio dos neurônios-espelho.
Outra diferença importante é a capacidade de reproduzir fiel-
mente a duração no tempo de vários movimentos observados (RIZZOLATTI;
SINIGAGLIA, 2008, p. 117). Este fato permite ao cérebro não só imitar os
movimentos, mas imitá-los de maneira mais fiel, respeitando a duração de
cada movimento, assim como a sua conexão temporal. Por causa disso
podemos imitar um ato respeitando o seu aspecto temporal, ou seja, podemos
distinguir se estamos fazendo uma aula de Tai Chi Chuan ou de aeróbica. É
importante também para a nossa capacidade linguística, pois esta, ao se tornar
mais complexa, exige cada vez mais um determinado ritmo de expressão para
ser compreendida e, além disso, o próprio ritmo tem significado.4 Uma mesma
expressão pode ter significados bem diferentes de acordo com o ritmo e a
entonação em que é expressa. Tal ligação entre os neurônios-espelho e a
espantosa habilidade humana para a linguagem se tornou ainda mais evidente
quando tais neurônios foram descobertos na área de Broca, uma área notoria-
mente ligada à linguagem.
Grande parte dos neurônios-espelho diz respeito a atos relacionados
com a alimentação, como pegar comida, mastigar ou chupar. Tais movimentos
são muito semelhantes aos movimentos utilizados para a comunicação verbal.
Experimentos recentes mostram que determinados neurônios-espelho em
humanos são ativados quando se observa outro homem, ou um macaco, ou
mesmo um cachorro, mordendo um pedaço de comida dado em sua boca. No
entanto, o mesmo não se deu quando foram observados atos comunicativos,
mas sem som algum, só a imagem da boca se movendo de um homem, de
um macaco e de um cachorro. Neste caso, houve forte ativação quando o
que era visto era um humano, uma fraca ativação quando era um macaco
e pratica­mente nenhuma ativação quando era um cachorro (RIZZOLATTI;

4
Pode estar aqui a muito procurada resposta para o nosso gosto por ritmo e música.

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SINIGAGLIA, 2008, p. 136). Os movimentos necessários para morder e para


falar são muito semelhantes, mesmo assim os resultados foram díspares. Os
neurônios-espelho foram capazes de compreender a mordida do cachorro, mas
incapazes de compreender os movimentos ligados ao latido. Já na observação
de movimentos humanos, houve uma resposta eficaz a ambos os movimentos.
Tais resultados indicam claramente que certos neurônios não disparam somente
para movimentos labiais, mas são direcionados seletivamente para atos comu-
nicativos. Teríamos, então, neurônios-espelho exclusivos para a comunicação.
Essa característica reforça uma hipótese, relativa ao surgimento da
linguagem entre os humanos, que defende que esta surgiu de gestos realizados
principalmente com os braços e também de expressões faciais. Partindo desse
princípio, é bem possível que os neurônios-espelho tenham um papel funda-
mental em tal origem, ajudando a resolver uma série de questões sobre ela.
É importante notar que o próprio modo como tais neurônios funcionam já
nos dá uma excelente indicação da sua importância para a comunicação, pois
para um ato comunicativo ter sucesso deve haver uma espécie de paridade.
Isso quer dizer que só podemos dizer que algo foi devidamente comunicado
se a mensagem que foi recebida é de alguma maneira semelhante, de prefe-
rência idêntica, à mensagem que foi enviada. Sem isso podemos dizer que tal
comunicação falhou. Para que isso seja possível parece ser necessário que
uma mesma ação seja compreendida de uma forma razoavelmente idêntica em
cérebros diferentes. Fica claro, então, que a própria forma como os neurônios-
espelho funcionam facilita exatamente esse tipo de processo.
Se isso for verdade, poderemos encontrar ao menos parte da origem
da linguagem em nossa habilidade de gesticular. Mesmo depois de milênios,
a nossa capacidade de gesticular e de modificar o tom e o ritmo da voz ainda
é extremamente importante para uma comunicação efetiva.5 Há ainda uma
ligação forte entre a comunicação oral e os gestos. Algumas pesquisas e uma
série de dados clínicos indicam justamente isso. Tais pesquisas indicam uma
ligação direta entre os gestos dos braços e o movimento da boca. Participantes
que, por exemplo, eram instruídos a abrir a boca quando iam pegar um
objeto tendiam a abrir mais a boca quando um objeto era maior do que quando
era menor (RIZZOLATTI; SINIGAGLIA, 2008, p. 165). Outro exemplo é o

5
Qualquer pessoa que tenha o costume de conversar pela internet, seja por meio de chats,
e-mails, Orkut, etc., sabe como a falta de gesticulação e do tom da voz costumam originar
mal entendidos. Este problema pode ter ocasionado uma série de mudanças na grafia para dar
tonalidade emotiva em textos escritos.

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efeito facilitador que o uso de gestos tem na recuperação da linguagem de


pacientes debilitados (RIZZOLATTI; SINIGAGLIA, 2008, p. 167). Embora
as pesquisas sejam apenas iniciais, os resultados parecem promissores.
Uma última observação que aproxima os neurônios-espelho do
surgimento da linguagem pode ser tirada da neuroantropologia, ou seja, o
estudo das estruturas cerebrais de fósseis humanos. É claro que tais estudos
não são muito precisos, pois eles devem ser realizados não com cérebros,
mas com caixas cranianas fossilizadas. Mesmo assim, há indicações de que
o desenvolvimento do sistema de espelho foi justamente umas das mudanças
cerebrais relevantes para a evolução dos humanos. Nas palavras de Rizzolatti
e Sinigaglia (2008, p. 162. Minha tradução):

Análises realizadas em traços de circunvoluções cerebrais nas cavidades


de um grande número de crânios de Homo habilis de quase 2 milhões
de anos de idade mostram que as regiões frontais e têmporo-parietais
desenvolveram-se fortemente naquele estágio do processo evolutivo. Isso
sugere que a transição dos australopitecos para o Homo habilis coincidiu
com a transição para um sistema espelho mais diferenciado, o qual
forneceu o substrato neural para a formação da “cultura da imitação” que,
de acordo com Merlin Donald, chegou ao ápice com o aparecimento do
Homo erectus, que caminhou na terra entre 1,5 milhões e 300 mil anos
atrás. Também é plausível supor que os neurônios-espelho evoluíram ainda
mais durante a transição do Homo erectus para o Homo sapiens, a qual
ocorreu há 250 mil anos, e responde pela expansão tanto do repertório
motor quanto da habilidade recentemente adquirida de se comunicar
intencionalmente por meio de gestos manuais que gradualmente vão se
tornando mais articulados e que, frequentemente, eram acompanhados
por vocalizações.

As áreas correspondentes hoje à linguagem (Broca e Wernicke) se


situam na região temporal do hemisfério esquerdo, causando certa assimetria
do crânio que já começa a ser encontrada nos Homo habilis. Por esse motivo,
cerca de 2 milhões de anos atrás é também a data estimada para o início das
“pressões seletivas para uma vocalização aumentada” (MITHEN, 2002,
p. 336) que ocasionaram o surgimento do que hoje chamamos de linguagem.
Vemos, então, e provavelmente não por coincidência, o nosso principal ins-
trumento para transmitir cultura e um aumento no sistema espelho surgindo
praticamente juntos.

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Neurônios-espelho e o representacionalismo 187

O behaviorismo interno

Os neurônios-espelho estariam, então, na base da nossa linguagem,


da nossa compreensão e da nossa habilidade de adquirir cultura por meio da
imitação e outras formas de aprendizagem social. No entanto, o mais relevante
para o presente artigo é a forma inusitada de pensar sobre o funcionamento
cerebral que surge com esta teoria. Os neurônios-espelho nos mostram que
o processo envolvido na imitação é muito provavelmente bem diferente dos
processos que intuitivamente acreditamos que estão envolvidos. O cérebro
não precisa primeiro perceber, depois traduzir para o nosso corpo e por último
coordenar nossa ação. Ele parece fazer isso de uma maneira mais simples,
mais econômica. Não são necessárias áreas distintas do cérebro envolvidas
em transformações complexas. O mesmo neurônio que percebe é capaz de
fazer aquilo que percebe e vice-versa. A separação entre neurônio visual e
neurônio motor não é necessária nesse caso. Para tal neurônio perceber é fazer
e vice-versa.
Talvez o mais interessante de tudo seja a capacidade que esses neu-
rônios têm para compreender uma determinada ação. Como vimos, podemos
conceber um neurônio para “pegar algo”, não importa como este algo é pego.
Além disso, tal neurônio não é disparado com o simples movimento intran-
sitivo, que copia todos os movimentos musculares, mas não pega nada. Ao
observar algo sendo pego, o neurônio é capaz de entender este evento motor
em termos de movimentos centrados em objetivos. Sem nenhuma “mediação
reflexiva, conceitual e/ou linguística, uma vez que é baseado exclusivamente
no vocabulário de atos e no conhecimento motor do qual depende nossa
capacidade de agir” (RIZZOLATTI; SINIGAGLIA, 2008, p. 125. Minha
tradução). Compreender e fazer são muito mais próximos do que intuitiva-
mente acreditamos. Do mesmo modo, determinados neurônios associados à
fala são ativados quando vemos alguém falando, mesmo se não estivermos
ouvindo o som, mas não são ativados quando vemos alguém movimentar a
boca com outro propósito. Ou seja, tais neurônios parecem ser específicos
para a fala e não apenas para movimentos musculares. Falar e perceber
alguém falando talvez estejam também bem próximos.6
Os neurônios-espelho de certo modo imitam imediatamente o que
outra pessoa faz, imitação esta que é inibida por outra parte do cérebro, mas
que, quando a área inibitória falha, surge prontamente. É precisamente isso

6
Seria interessante aqui indagar a questão “será que um gago de nascença pensa gaguejando?”

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que acontece em pacientes que sofrem de echopraxia.7 Um provável problema


na área inibidora dos neurônios-espelho causa, nesses pacientes, uma compul-
são de imitar os atos de outros de maneira imediata e reflexiva (RIZZOLATTI;
SINIGAGLIA, 2008, p. 151). O próprio Darwin relata este fenômeno:

Que existe no homem forte tendência para a imitação, independentemente


da vontade consciente, é inquestionável. Isso se evidencia de forma
extremamente marcante em certas doenças cerebrais, principalmente na
fase inicial das degenerações inflamatórias do cérebro, e foi chamado de
‘sinal de eco’. Esses pacientes imitam, sem entender, qualquer gesto absurdo
que se faça, e qualquer palavra pronunciada perto deles, mesmo em língua
estrangeira (DARWIN, 2000, p. 331; DARWIN, 2002, p. 92).

Esta “compulsão” de imitar que o cérebro tem parece estar imediata-


mente ligada à nossa capacidade de apreender e de compreender. Tal capaci-
dade pode indicar que o que chamamos de “compreender” possa ser entendido
apenas como “fazer internamente” ou “imitar internamente”.8 É possível que
algumas das nossas funções cerebrais, parte do que normalmente gostamos
de chamar de “mente”, possam ser entendidas por meio da ativação de neurô-
nios-espelho. Historicamente fazemos uma diferença entre aquilo que o corpo
faz e aquilo que a mente faz (LEAL-TOLEDO, 2002). Andar e pensar em
andar seriam duas coisas completamente diferentes. Mas os neurônios-espelho
indicam que pode existir um novo modo de tratar este problema. Pensar em
andar pode ser muito mais parecido com andar do que a psicologia popular
admite. Talvez, para pelo menos partes do nosso cérebro, andar e pensar em
andar sejam exatamente a mesma coisa.9 É claro que não podemos deduzir
dos neurônios-espelho isto que está sendo dito aqui. Mas podemos ver que
eles trazem uma nova maneira de pensar sobre a mente e seu funcionamento.
O cérebro pode funcionar de maneira muito mais econômica e contraintuitiva
do que a psicologia popular é capaz de conceber. A diferença entre realizar um
movimento físico e pensar neste movimento pode ser apenas que no segundo
caso uma área inibitória do nosso cérebro está agindo. O cérebro pode precisar

7
Quando a repetição reflexiva é apenas da fala tal distúrbio, é chamada de echolalia.
8
O sentido de “interno” aqui é o sentido espacial. Significa apenas “dentro do crânio” e não o
sentido qualitativo que utilizamos como quando dizemos que as qualia são internas.
9
Atletas de todo o mundo já utilizam a técnica da mentalização como um exercício em que
você repete todos os movimentos mentalmente.

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Neurônios-espelho e o representacionalismo 189

de mais esforço para não fazer algo do que para fazê-lo, e antes desta área
inibitória existir a própria noção de “pensamento” pode não fazer tanto sentido.
“Pensar” talvez seja apenas uma consequência de “inibir o movimento”.
Isso vai de encontro a uma das maneiras mais comuns de compreender
o funcionamento da mente, estando desde a psicologia popular até muitos
dos experimentos científicos: a noção de Representação Mental (ou interna).
Existem diversas definições de “representação” na literatura, mas aqui
queremos trabalhar com a noção mais intuitiva e mais simples usada pela
psicologia popular. Segundo essa noção, o mundo precisa ser representado
internamente10 na mente para que possamos nos relacionar com ele. Nossa
relação com o mundo não é direta e sim mediada pela representação interna
que fazemos dele. O que nós de fato percebemos é nossa representação
interna e não o mundo externo. O mundo externo, por sua vez, serve como
base para a construção de uma representação interna, ou imagem mental. Se
há uma representação interna que não corresponde a nada no mundo temos
uma “alucinação”.
De imediato podemos perceber que esta não é uma relação das mais
econômicas: somos seres do mundo, mas não nos relacionamos com este mundo
que habitamos sem antes fazer uma representação interna dele. Dentro dessa
noção popular, antes de fazer ou falar algo temos que primeiro pensar o que
vamos fazer ou falar, mesmo que de maneira inconsciente isso tenha que ser
decidido dentro do cérebro para depois mandar o comando de execução para
as áreas moto­ras ou ser inibido pelas áreas inibidoras. As áreas motoras são,
de certa maneira, passivas e comandadas por uma área de decisão, que é autô-
noma em relação a elas.
Este tipo de representacionalismo é bastante comum, sendo frequente
em teorias dualistas, mas também facilmente encontrado em teorias mate-
rialistas. Boa parte das teorias neurocientíficas, por exemplo, admitem que o
mundo externo é de alguma maneira representado no cérebro; isso é assim até
mesmo nas teorias localizacionistas. Tal questão já foi bem tratada no clássico
de 1991, Consciousness explained, de Daniel Dennett, por meio dos conceitos
de “Teatro Cartesiano” e “Materialismo Cartesiano”. Os detalhes da teoria
de Dennett não serão repetidos aqui – em poucas palavras ele tenta mostrar
que “a mente” não tem e não precisa de nenhuma espécie de significador
central “onde tudo se une faz sentido” (LEAL-TOLEDO, 2006). Os neurônios-
espelho surgem, então, como uma das evidências mais contundentes disso.

10
Aqui sim o sentido de “interno” é o último.

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190 LEAL-TOLEDO, G.

Para que uma pessoa, ou mesmo um macaco, compreenda o ato de “pegar


algo” não parece ser preciso que esta ação seja observada passivamente
primeiro para que depois este “dado cerebral” seja levado para outra área
“onde a compreensão ocorre”. Existe uma espécie de “compreensão visuo-
motora imediata”.
Isso tudo pode parecer contraintuitivo, pois não necessita da criação
de complexas representações internas e nem centros decisórios autônomos.
A área inibidora não é um centro decisório, pois um centro decisório deve
decidir se queremos ou não fazer um determinado movimento. Só quando
ele decidir que quer fazer o movimento é que ele manda o sinal para as áreas
motoras que aguardavam passivamente. Já o centro inibitório apenas
reprime um movimento que já está em vias de ser realizado automatica­
mente. A relação é justamente a inversa: o centro decisório serve para ativar
ou não as áreas motoras; já o centro inibitório serve para inibir ou não as
áreas motoras.
Esta nova visão do funcionamento do nosso cérebro nos parece
contraintuitiva. Um dos argumentos mais contundentes do dualismo é o nosso
acesso imediato à mente, mas o cérebro não precisa funcionar da maneira
como nós intuitivamente achamos que a nossa mente funciona. Na verdade, o
oposto parece ser mais provável, ou seja, é mais provável que o cérebro fun-
cione de maneiras que para nós seriam consideradas contraintuitivas. Algumas
indicações sobre isso surgiram de dentro da psicologia.
Sabemos hoje, por meio de experimentos da Psicologia Evolutiva e
da Psicologia do Desenvolvimento, que o nosso cérebro já nasce com certas
noções intuitivas primárias. Experimentos que medem o tempo de atenção de
bebês indicam que eles já têm noções de física, matemática e biologia bastante
primitivas. Por exemplo, bebês esperam que se uma bola foi acrescentada a
outra, o resultado final serão duas bolas, e não três ou apenas uma. Esperam
também que um bloco cuja base foi retirada caia em vez de ficar parado no
ar. Vários outros experimentos semelhantes foram feitos e muitos mostram a
existência de intuições primitivas.
Essas intuições provavelmente têm origem evolutiva e, como
tudo aquilo que tem origem evolutiva, devem estar adaptadas a um ambi­
ente local ou foram em algum momento adaptadas a tal ambiente.11 No
que diz respeito à física e à matemática, o ambiente local era newtoniano e

Não entrarei aqui nas críticas de Gould contra o adaptacionismo. Essas questões foram
11

tratadas no segundo capítulo da minha tese de Doutorado.

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Neurônios-espelho e o representacionalismo 191

euclidiano. Não devemos esperar adaptações ao ambiente einsteiniano ou


quântico, por exemplo. Não é sem razão que essas duas novas fronteiras da
física nos parecem tão contraintuitivas: em velocidades próximas da luz o
tempo passa mais devagar, objetos se encurtam e sua massa aumenta; em
escalas quânticas partículas se encontram ligadas e sem estados definidos,
etc. O mesmo se dá com a biologia onde o pensamento populacional trazido
por Darwin vai contra as nossas intuições mais íntimas sobre a separação
das espécies.12
Além dessas intuições mais primitivas, nascemos também com
a capacidade para desenvolver o que ficou conhecido como “Teoria da
Mente”, em que boa parte da nossa psicologia popular deve se basear. Mas
do mesmo modo que nos casos anteriores, não há motivos para achar que a
nossa teoria da mente, por mais intuitiva que seja, esteja necessariamente
certa. Ela é apenas mais adaptativa para o ambiente onde ela surgiu e deve
ser tão certa quanto é necessário que ela seja a partir dos custos e benefícios
de tê-la. Quando ela surgiu, dificilmente era necessária uma explicação mais
aprofundada sobre o funcionamento da nossa mente. As nossas intuições
sobre o funcionamento das nossas mentes e das mentes dos outros só preci­
savam ser boas o suficiente para permitir a sobrevivência e a reprodução
diferencial. Não há motivos para que nossas explicações mais primitivas
para o funcionamento da mente sejam “a verdade sobre a mente”, não há
motivos para que as nossas intuições mais essenciais sobre o seu funcio-
namento também sejam verdadeiras. Nossas intuições não só podem estar
erradas como é provável que estejam, pois quando surgiram, as necessi­
dades eram outras.
Há ainda a questão sobre a separação entre mente e cérebro.
Sabemos desde meados do século XX que não podemos discutir sobre a mente
sem discutir sobre o cérebro. No entanto, talvez por causa das dificuldades
durante o desenvolvimento das neurociências, a profundidade desta relação
ficou obscurecida. A descoberta dos neurônios-espelho promete revolucionar
as neurociências, mas uma revolução ainda maior pode ser feita na nossa
compreensão sobre o funcionamento da nossa mente. Embora o funcionalismo
tenha separado a mente de seu substrato, só mesmo um dualismo radical
pode exigir autonomia para ambos. Se a mente é “o modo como o cérebro
funciona”, então para entender a mente é essencial que entendamos o
funcionamento do cérebro. A não ser que seja um dualista radical, você tem

12
Um dos melhores exemplos disso são as espécies-anel.

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192 LEAL-TOLEDO, G.

que assumir que ambos estão intimamente ligados. O próprio David Chalmers
(1996) deixa isso claro com as suas três leis psicofísicas (LEAL-TOLEDO,
2005). A noção de representacionalismo e o modo como ela é usada nas
neuro­ciências pelos “materialistas cartesianos” é um excelente exemplo de
como ambas as noções se confundem: busca-se no cérebro o local para aquilo
que acreditamos existir por causa das nossas intuições sobre o funcionamento
da nossa mente. Já o livro de Dennett (1991) é um exemplo de como nosso
conhecimento sobre o funcionamento do nosso cérebro pode servir de base
para redesenhar o modo como achamos que nossa mente funciona. Os neurô-
nios-espelho servem exatamente para o mesmo propósito: eles mostram que
o funcionamento do nosso cérebro exige que nossas intuições sobre as nossas
mentes sejam revistas.
Tais intuições devem, como tudo mais, ser explicadas, e só porque
estamos explicando nossas intuições não quer dizer que esta explicação deve
ser, ela mesma, intuitiva. Muito pelo contrário, o esperado é que tal explicação
não seja intuitiva, pois para explicar é necessário tratar o que está sendo expli-
cado a partir de termos que não sejam ele mesmo. Uma explicação das nossas
intuições muito provavelmente será contraintuitiva justamente porque nossas
intuições são aquilo que acreditamos que não precisa ser explicado.

Conclusão

Não há, então, motivos para acreditar que o nosso cérebro deva
necessariamente trabalhar da maneira como intuitivamente acreditamos que
ele trabalha e os neurônios-espelho surgem como evidência de que o fun-
cionamento do cérebro é bem diferente do que intuitivamente acreditamos.
O mesmo se dá com a noção de representações mentais. Por mais intuitiva
que esta noção seja isso não significa que o cérebro precisa necessariamente
criar uma imagem do mundo para poder atuar nele, e os neurônios-espelho
nos mostram que ele consegue atuar de maneira mais direta, mais imediata.
Isso não significa que o cérebro não precisa processar inputs que recebe, mas
apenas que tal processamento não precisa se dar na forma da criação de uma
representação interna do mundo exterior para que um controle central decida
o que fazer. A relação do cérebro com o mundo pode ser muito mais imediata
do que as teorias do representacionalismo nos fizeram acreditar.
Uma nova perspectiva das neurociências nos indica uma nova
pers­pectiva na filosofia da mente. A separação entre o comportamento e o

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Neurônios-espelho e o representacionalismo 193

pensamento realizada nas críticas aos behavioristas pode ser revista dentro
desta nova perspectiva. Não é o caso de se propor uma retomada do
behaviorismo, apenas de algumas intuições mais fundamentais dele, espe-
cificamente a que liga mente e comportamento. Com o desenvolvimento
das pesquisas sobre os neurônios-espelho pode-se abrir a perspectiva de
que o pensamento é uma ação inibida. Uma espécie de “behaviorismo
negativo” ou “behaviorismo invertido” surge. Ao contrário de negar a mente
ou de recusá-la dentro do processo explicativo do comportamento, como
fizeram muitos behavioristas, ela seria retomada: a mente existe, mas ela
seria uma forma de “comportamento interno” ou “comportamento que foi
inibido”. Pensar seria não fazer.

Referências

CHALMERS, D. The conscious mind. Oxford: Oxford University Press, 1996.


DARWIN, C. A expressão das emoções no homem e nos animais. São Paulo:
Companhia das Letras, 2000.
       . A origem do homem e a seleção sexual. Curitiba: Hemus, 2002.
DENNETT, D. Consciousness explained. Boston: Little, Brown and Company,
1991.
LEAL-TOLEDO, G. As críticas a filosofia dualista da mente. 2002. 41 f. Monografia
(Graduação em Filosofia) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade
do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2002.
       . O argumento dos Zumbis na filosofia da mente: são zumbis físicos
logicamente possíveis? 2005. 93 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005.
       . Dennett e Chalmers: argumentos e intuição. Trans/Form/Ação, v. 29, n. 2,
p. 123-132, 2006.
       . Controvérsias meméticas: a ciência dos memes e o darwinismo universal
em Dawkins, Dennett e Blackmore. 2009. 467 f. Tese (Doutorado Filosofia) –
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.
MITHEN, S. A pré-história da mente: em busca das origens da arte, da religião e da
ciência. São Paulo: UNESP, 2002.

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194 LEAL-TOLEDO, G.

RIZZOLATTI, G.; SINIGAGLIA, C. Mirrors in the brain: how our minds share
actions and emotions. Oxford: Oxford University Press, 2008.

Recebido: 25/03/2010
Received: 03/25/2010

Aprovado: 04/05/2010
Approved: 05/04/2010

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