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01 Canto para a Minha Morte

(Intérprete: Raul Seixas - Composição: Raul Seixas/Paulo Coelho)

“Eu sei que determinada rua que eu já passei


Não tornará a ouvir o som dos meus passos
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar”

“Com que rosto ela virá?


Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher
A mulher que me foi destinada
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?”

Vou te encontrar vestida de cetim


Pois em qualquer lugar
Esperas só por mim
E no teu beijo
Provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo
Mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar
Eu te detesto e amo
Morte, Morte, Morte que talvez
Seja o segredo desta vida

Morte, Morte, Morte que talvez


Seja o segredo desta vida

“Qual será a forma da minha morte?


Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida
Existem tantas... um acidente de carro
O coração que se recusa a bater no próximo minuto
A anestesia mal-aplicada
A vida mal vivida
A ferida mal curada
A dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido
Ou até, quem sabe,
O escorregão idiota num dia de sol
A cabeça no meio-fio”

Ó morte, tu que és tão forte


Que matas o gato, o rato e o homem
Vista-se com a tua mais bela roupa
Quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado
E que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem
Nos meus filhos
Na palavra rude que eu disse
Pra alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber
Aquela noite...”

Vou te encontrar vestida de cetim


Pois em qualquer lugar
Esperas só por mim
E no teu beijo
Provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo
Mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar
Eu te detesto e amo
Morte, Morte, Morte que talvez
Seja o segredo desta vida

Morte, Morte, Morte que talvez


Seja o segredo desta vida...

02 Meu Amigo Pedro


(Intérprete: Raul Seixas - Composição: Raul Seixas/Paulo Coelho)

Muitas vezes Pedro você fala


Sempre a se queixar da solidão
Quem te fez com ferro fez com fogo, Pedro
É pena que você não sabe não

Vai pro seu trabalho todo dia


Sem saber se é bom ou se é ruim
Quando quer chorar vai ao banheiro
Pedro, as coisas não são bem assim

Toda vez que eu sinto o paraíso


Ou me queimo torto no inferno
Eu penso em você meu pobre amigo
Que só usa sempre o mesmo terno

Pedro onde cê vai eu também vou


Pedro onde cê vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou

Tente me ensinar das tuas coisas


Que a vida é séria e a guerra é dura
Mas, se não puder, cale essa boca, Pedro
E deixa eu viver minha loucura

Lembro Pedro aqueles velhos dias


Quando os dois pensavam sobre o mundo
Hoje eu te chamo de careta
E você me chama vagabundo

Pedro onde você vai eu também vou


Pedro onde você vai eu também vou
Mas, tudo acaba onde começou

Todos os caminhos são iguais


O que leva à glória ou a perdição
Há tantos caminhos, tantas portas
Mas, somente um tem coração

E eu não tenho nada a te dizer


Mas não me critique como eu sou
Cada um de nós é um universo, Pedro
Onde você vai eu também vou

Pedro onde você vai eu também vou


Pedro onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou
É que tudo acaba onde começou...

03 Ave Maria da Rua


(Intérprete: Raul Seixas - Composição: Raul Seixas/Paulo Coelho)

No lixo dos quintais


Na mesa do café
No amor dos carnavais
Na mão, no pé, oh
Tu estás, Tu estás
No tapa e no perdão
No ódio e na oração

Teu nome é Yemanjah,


E é Virgem Maria
É Glória e é Cecília
Na noite fria... Oh!!!
Minha mãe, minha filha
Tu és qualquer mulher
Mulher em qualquer dia

Bastou o Teu olhar


“Teu olhar”
Pra me calar a voz
De onde está Você
Rogai por nós
Oh, oh...
Minha Mãe, minha Mãe
Me ensina a segurar a barra
De Te amar

Não estou cantando só


Cantamos todos nós
Mas cada um nasceu
Com a sua voz, Oh, oh
Pra dizer, pra falar
De forma diferente
O que todo mundo sente

Segure a minha mão


Quando ela fraquejar
E não deixe a solidão me
Assustar, oh...
Minha Mãe, Nossa Mãe
E mata minha fome
Nas letras do Teu nome
Oh, oh, oh...
Minha Mãe, Nossa mãe
E mata minha fome
Nas letras do Teu nome
Oh, oh, oh...
Minha Mãe, Nossa Mãe
E mata minha fome
Na glória do Teu nome.

04 Quando Você Crescer


(Intérprete: Raul Seixas - Composição: Raul Seixas/Paulo Coelho/Gay Vaquer)

O que que você quer ser quando você crescer?


Alguma coisa importante
Um cara muito brilhante
Quando você crescer

Não adianta, perguntas não valem nada


É sempre a mesma jogada
Um emprego e uma namorada
Quando você crescer

E cada vez é mais difícil de vencer


Pra quem nasceu pra perder
Pra quem não é importante...
É bem melhor
Sonhar, do que conseguir
Ficar em vez de partir
Melhor uma esposa ao invés de uma amante

Uma casinha, um carro a prestação


Saber decor a lição,
Que no
Que no bar não se cospe no chão, nego
Quando você crescer

Alguns amigos da mesma repartição


Durante o fim-de-semana
Se vai mais tarde pra cama
Quando você crescer

E no subúrbio, com flores na sua janela


Você sorri para ela
E dando um beijo lhe diz:
Felicidade
É uma casa pequenina
É amar uma menina
E não ligar pro que se diz

Belo casal que paga as contas direito


Bem comportado no leito
Mesmo que doa no peito
Sim...
Quando você crescer

E o futebol te faz pensar que no jogo


Você é muito importante
Pois o gol é o seu grande instante
Quando você crescer

Um cafezinho, mostrar o filho pra vó


Sentindo o apoio dos pais
Achando que não está só
Quando você crescer
Quando você crescer
Quando você crescer
Tudo igual
Vai ser exatamente o mesmo.

05 O Dia da Saudade
(Intérprete: Raul Seixas - Composição: Raul Seixas/Gay Vaquer)

Hoje é o dia da saudade, é!


Hoje é feriado é o dia da saudade
“Todo mundo chorando!!!”
Hoje é feriado é o dia da saudade (2x)

Hoje eu vou beber para celebrar


O aniversário de seu Gaspar
Deve ter festa em algum lugar...
“A gente nunca sabe!!!”

Hoje é feriado é o dia da saudade


“Diga lá!!! Outra vez...
Hoje é feriado é o dia da saudade
Com mais sensação de choro”

Hoje não tem aula pra garotada


Velhas de varizes na calçada,
“Solta a saudade”

Para o campeão do melhor glutão


Um pé de macarrão
Um palhaço que come lixo
Limpa a avenida para o bloco
Do chorão passar

Hoje é feriado é o dia da saudade


“Diga lá!!!”
Hoje é feriado é o dia da saudade
“Digo cá!!!”

Para o campeão do melhor glutão


Um pé de macarrão pra ele
Um palhaço que come lixo,
Limpa a avenida para o bloco do chorão passar
Hoje é feriado é o dia da saudade (6x)

“Tem Dia de Feriado pra tudo:


Tem dia de feriado da formiga de mandioca...
Do dia do tamanduá bandeira...
Tem feriado do dia de gente grande
Sair pela rua fingindo que é canguru...
Pulando que nem canguru!!!
Tem feriado do dia da caça, do dia do caçador...
Do dia de fazer 'cosca' no pé um dos 'outro'...
E também tem feriado do Dia da Saudade
Onde todo mundo chora, canta e conta coisas tristes!!!
É o Dia da Saudade!!! Hoje é feriado!!!
Todo mundo chorando...”

06 Eu Também Vou reclamar


(Intérprete: Raul Seixas - Composição: Raul Seixas/Paulo Coelho)

Mas se é que se agora


Pra fazer sucesso, pra vender disco
De protesto
Todo mundo tem que reclamar
Eu vou tirar meu pé da estrada
E vou entrar também nessa jogada
E “vamo” ver agora que é que vai “güentar”

Porque eu fui o primeiro


E já passou tanto janeiro
Mas se todos gostam eu vou voltar

Tô trancado aqui no quarto


De pijama porque tem visita estranha
Na sala
Aí, eu pego e passo a vista no jornal

Um piloto rouba um "Mig"


Gelo em Marte, diz a Viking
Mas no entanto não há galinha em
Meu quintal

Compro móveis estofados


Me aposento com saúde
Pela assistência social

Dois problemas se misturam


A verdade do Universo
E a prestação que vai vencer
Entro com a garrafa de bebida enrustida
Porque minha mulher não pode ver

Ligo o rádio e ouço um chato


Que me grita nos ouvidos
Pare o mundo que eu quero descer

Olho os livros na minha estante


Que nada dizem de importante
Servem só pra quem não sabe ler

E a empregada me bate à porta


Me explicando que tá toda torta
E já que não sabe o que vai dar pra mim comer

Falam em nuvens passageiras


Mandam ver qualquer besteira
E eu não tenho nada pra escolher

Apesar dessa voz chata e renitente


Eu não "tô" aqui pra me queixar
E nem sou apenas o cantor

Eu já passei por Elvis Presley


Imitei Mr. Bob Dylan
Eu já cansei de ver o sol se pôr

Agora eu sou apenas um


Latino-americano
Que não tem cheiro nem sabor
E as perguntas continuam
Sempre as mesmas, quem eu sou
Da onde venho
E aonde eu vou dar

E todo mundo explica tudo


Como a luz acende, como o avião pode voar

Ao meu lado um dicionário


Cheio de palavras que
Eu sei que nunca vou usar

Mas agora eu também resolvi


Dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz latino-americano
Que também sabe se lamentar

E sendo nuvem passageira


Não me leva nem à beira disso tudo
Que eu quero chegar

“E fim de papo!!!”

07 As Minas do Rei Salomão


(Intérprete: Raul Seixas - Composição: Raul Seixas/Paulo Coelho)

Entra e vem correndo para mim


Meu princípio já chegou ao fim
O que me resta agora é o seu amor

Traga a sua bola de cristal


E aquele incenso do Nepal
Que você transou num camelô
É...

E me empresta o seu colar


Que um dia eu fui buscar
Na tumba de um sábio faraó
(2x)

“Devagar...”

Veja quantos livros na estante


Don Quixote, o cavaleiro andante
Luta a vida inteira contra o rei

Joga as cartas, leia minha sorte


Tanto faz a Vida como a Morte
O pior de tudo eu já passei

Do passado eu me esqueci
No presente eu me perdi
Se chamarem, diga que eu saí
(2x)

“Yeh, yeh...
“Se chamarem, diga que eu saí”.

08 O Homem
(Intérprete: Raul Seixas - Composição: Raul Seixas/Paulo Coelho)

gNo momento
Em que eu ia partir
Eu resolvi voltar”

“Vou voltar”
Sei que não chegou a hora
De se ir embora
É melhor ficar

“Vou ficar”
Sei que tem gente cantando
Tem gente esperando
A hora de chegar

“Vou chegar”
Chego com as águas turvas
Eu fiz tantas curvas
Pra poder cantar
Esse meu canto que não presta
Que tanta gente então detesta
Mas isso é tudo que me resta
Nessa festa (2x)

“Eu...”
“Vou ferver”
Como que um vulcão em chamas
Como a tua cama
Que me faz tremer

“Vou tremer”
Como um chão de terremotos
Como amor remoto
Que eu não sei viver

“Vou viver”
Vou poder contar meus filhos
Caminhar nos trilhos
Isso é pra valer

Pois se uma estrela há de brilhar


Outra então tem que se apagar
Quero estar vivo para ver, oh...
O sol nascer!!! (3x)

“Eu...”
“Vou subir”
Pelo elevador dos fundos
Que carrega o mundo
Sem sequer sentir

“Vou sentir”
Que a minha dor no peito
Que eu escondi direito
Agora vai surgir

“Vou surgir”
Numa tempestade doida
Pra varrer as ruas
Em que eu vou seguir!!! (3x).

09 Os Números
(Intérprete: Raul Seixas - Composição: Raul Seixas/Paulo Coelho)

Meus “amigo”
Essa noite
Eu tive uma alucinação
Sonhei com um bando de número
Invadindo o meu sertão
Vi tanta coincidência
Que eu fiz essa canção
“Falar do número 1”

Falar do número 1
Não é preciso muito estudo
Só se casa uma vez
E foi um Deus que criou tudo
Uma vida só se vive
Só se usa um sobretudo

“Agora, o 12”

É só de pensar no 12
Eu então quase desisto
São doze meses do ano
Doze “Apóllos” de Cristo
Doze hora é meio-dia
Haja dito e haja visto

“Agora, o 7”

Sete dias da semana


Sete notas musicais
Sete cores no arco-íris
Das regiões divinais
E se pinta tanto o sete
Eu já não agüento mais!!!

“2”

E no dois, o homem luta


Entre coisas “diferente”:
Bem e mal, amor e guerra,
Preto e branco, bicho e gente,
Rico e pobre, claro e escuro,
Noite e dia, corpo e mente.

“Agora, o 4”

E o quatro é importante
Quatro “ponto cardeal”
Quatro “estação” do ano
Quatro “pé” tem o animal
Quatro “perna” tem a mesa
Quatro “dia” o Carnaval

“Pra encerrar!!!”
Eu falei de tanto número
Talvez esqueci algum...
Mas as “coisa” que eu disse
Não são lá muito comum
Quem souber, que conte outra
Ou que fique sem nenhum!

“Quem souber de uma história


Que me conte outra!!!
Menino, donde hoje ele chega!!!”.

10 Cantiga de Ninar
(Intérprete: Raul Seixas - Composição: Raul Seixas/Paulo Coelho)

Nada tão belo como uma criança dormindo


Nem tão profundo como dormir sem sonhar
Nem tão antigo como o sonho dos teus olhos
Nem tão distante como a hora de acordar

Dorme enquanto teu pai faz músicas


Que é a forma dele rezar
Todos os sonhos na realidade
São verdades, se eu puder cantar

Você chora quando tem fome


Mas vem logo uma mamadeira
Amanhã se você chorar
Vai chorar tua vida inteira

Fiz meu rumo por essa terra


Entre o fogo que o amor consome
Eu lutei mas perdi a guerra
Eu só posso te dar meu nome...

11 Eu Nasci há 10 Mil Anos Atrás


(Intérprete: Raul Seixas - Composição: Raul Seixas/Paulo Coelho)

gUm dia, numa rua da cidade


Eu vi um velhinho sentado na calçada
Com uma cuia de esmola e uma viola na mão
O povo parou pra ouvir, ele agradeceu as moedas
E cantou essa música, que contava uma história
Que era mais ou menos assim:”

Eu nasci há dez mil anos atrás


E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
(2x)

Eu vi Cristo ser crucificado


O amor nascer e ser assassinado
Eu vi as bruxas pegando fogo pra pagarem seus pecados,
Eu vi

Eu vi Moisés cruzar o mar vermelho


Vi Maomé cair na terra de joelhos
Eu vi Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho
Eu vi

Eu nasci
“Eu nasci”
Há dez mil anos atrás
“Eu nasci há dez mil anos”
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
(2x)

Eu vi as velas se acenderem para o Papa


Vi Babilônia ser riscada do mapa
Vi Conde Drácula sugando o sangue novo
E se escondendo atrás da capa
Eu vi

Eu vi a arca de Noé cruzar os mares


Vi Salomão cantar seus salmos pelos ares
Eu vi Zumbi fugir com os negros pra floresta
Pro quilombo dos palmares
Eu vi

Eu nasci
“Eu nasci”
Há dez mil anos atrás
“Eu nasci há dez mil anos”
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Não, não, não...
(2x)

Eu vi o sangue que corria da montanha


Quando Hitler chamou toda a Alemanha
Vi o soldado que sonhava com a amada numa cama de campanha

Eu li
Eu li os símbolos sagrados de Umbanda
Eu fui criança pra poder dançar ciranda
E, quando todos praguejavam contra o frio,
Eu fiz a cama na varanda

Eu nasci
“Eu nasci”
Há dez mil anos atrás
“Eu nasci há dez mil anos atrás”
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Não, não porque

“Eu nasci”
Há dez mil anos atrás
“Eu nasci há dez mil anos atrás”
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Não, não

Eu tava junto com os macacos na caverna


Eu bebi vinho com as mulheres na taberna
E quando a pedra despencou da ribanceira
Eu também quebrei a perna
Eu também

Eu fui testemunha do amor de Rapunzel


Eu vi a estrela de Davi brilhar no céu
E praquele que provar que eu tô mentindo
Eu tiro o meu chapéu

Eu nasci
“Eu nasci”
Há dez mil anos atrás
“Eu nasci há dez mil anos atrás”
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais.

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