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CUIDADO: TERNURA VITAL

“A pessoa vulnerável necessita cuidado regado com afetividade,


especialmente ternura,
pois deseja ser tratada com delicadeza e sensibilidade” (Roque Junges)
A ternura vital é sinônimo de cuidado essencial.
A ternura é o afeto que devotamos às pessoas e o cuidado que aplicamos às
situações existenciais. É um conhecimento que vai além da razão, pois revela-se
como intuição, vê fundo e estabelece comunhão.
Na verdade, só conhecemos bem quando nutrimos afeto e nos sentimos envolvidos com aquilo que
queremos conhecer. A ternura pode e deve conviver com o extremo empenho por uma causa: “hay que
endurecer pero sin perder la ternura jamás” (Che Guevara).

A ternura é o cuidado sem obsessão: inclui o trabalho, não como mera produção
utilitária, mas como obra
que expressa a criatividade e a auto-realização da pessoa.
A ternura emerge do próprio ato de existir no mundo com os outros
Não existimos, co-existimos, con-vivemos e co-mungamos com as
realidade mais imediatas.
Sentimos nossa ligação fundamental com a totalidade do mundo.
Esse sentimento é um modo de ser existencial que perpassa todo o
ser.
A ternura brota quando a pessoa se descentra de si mesma, sai na direção do
outro, sente o outro como
outro, participa da sua existência, deixa-se tocar pela sua história de
vida.
O outro marca o sujeito.
O enternecimento é a força própria do coração, é o desejo profundo de
compartir caminhos.
A expressão por excelência da ternura é a carícia, onde se acentua a proximidade física e o
respeito ao outro. A carícia em certas situações é a melhor forma de comunicação não-verbal.
Ela revela cuidado solícito, manifesta sensibilidade através do contato físico, expressa-se como
gesto sensível. Contudo, a carícia transcende o sensível, porque no gesto de carinho ao corpo
do outro se quer acariciar a pessoa como tal.

É o cuidado que permite a revolução da ternura ao priorizar o social sobre o


individual e ao orientar o desenvolvimento para a melhoria da qualidade de vida
dos humanos e de outros organismos vivos.
O cuidado faz o ser humano complexo, sensível, solidário, cordial e conectado
com tudo e com todos no
universo.
O cuidado imprimiu sua marca registrada em cada porção, em cada dimensão e
em cada dobra escondida
do ser humano. Sem o cuidado o humano se faria inumano.
O cuidado vive do amor primal, da ternura, da carícia, da compaixão, da
convivialidade, da medida justa
em todas as coisas. Sem o cuidado, o ser humano definha e morre.
O cuidado abre-nos caminho para viver, com mais intensidade, nossa
humanidade. E viver “humana-
mente” significa viver em vulnerabilidade.
O ser humano é finito, portanto vulnerável. Ele não se basta a si
mesmo; necessita de
relações com o seu meio, com os seus semelhantes e com o
Transcendente, dando
sentido à sua existência.
A vulnerabilidade é a condição de possibilidade do cuidado.
Se o ser humano fosse totalmente autônomo e auto-suficiente, não necessitaria
de cuidado. Como ele é quebradiço, limitado e vulnerável, precisa de cuidado.
Quem não aceita a vulnerabilidade e a inter-dependência não desenvolve
atitudes de cuidado. Quem não aceita ser cuidado, também não está dispos-
to a cuidar dos outros. Somos educados para sermos “super-homens” ou
“super-mulheres”; aprendemos a não admitir e a não aceitar o limite, a
vulnerabilidade, o fracasso... Nesse sentido, é preciso recuperar a
fragilidade como princípio de compreensão do ser humano.
Textos bíblicos: Is. 49,9-26 Os. 11

Na oração: pedir a graça de sentir a ternura e o carinho, a força e a pro-


teção, o consolo e a cura das mãos benditas de nosso Deus;
alargar o coração, para que aí a ternura de Deus possa fazer morada.