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CARACTERIZAÇÃO E DESTINO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NA QUADRA 11,

DO RESIDENCIAL BONALD FILHO UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A COLETA


SELETIVA
Maria Goretti Duarte Costa(*)
Centro de Educação /Universidade Estadual da Paraíba- Brasil

Monica Maria Pereira da Silva


Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Universidade Estadual da Paraíba- Brasil (monicaea@terra.com.br)

Valderi Duarte Leite


Centro de Ciências e Tecnologia/Universidade Estadual da Paraíba- Brasil

* Pós-Graduanda em Análise Ambiental no Ensino da Geografia/ Departamento de Educação/Universidade


Estadual da Paraíba

Endereço:
(1)
Rua Henrique Sales Monteiro, 85 – Quadra 11, Bloco 07, Apto. 404 – Santa Rosa – Campina Grande - PB -
CEP: 58.107- 150 - Brasil - Tel: (083) 335-7093 – e-mail: mgorettidc@ieg.com.br

RESUMO

A sociedade de consumo, fruto de um modelo de desenvolvimento econômico que explora os recursos


naturais de maneira insustentável vem causando sérios prejuízos ao meio ambiente. Em consequência, a
continuidade da vida na Terra se encontra ameaçada. Os problemas ambientais são vários, dentre os quais
destacamos a excessiva produção de resíduos sólidos. Em geral, estes resíduos apresentam acondicionamento
e destinos incorretos, provocando diversos impactos ambientais e sociais. Todavia, cientistas e ambientalistas
buscam incansavelmente alternativas. A coleta seletiva é apontada como uma das soluções viáveis, mas
requer a realização contínua e permanente de Educação Ambiental, porque nenhum programa de implantação
de coleta seletiva alcançará os objetivos esperados, se não for antecedido e acompanhado pelo processo de
sensibilização, o qual deve ocorrer de maneira dinâmica, criativa, participativa e prazerosa. A presente
pesquisa teve em vista caracterizar os resíduos sólidos produzidos em um condomínio e verificar a forma de
acondicionamento e o destino destes resíduos. A pesquisa foi realizada no período de março a dezembro de
2001 na Quadra 11 do Residencial Bonald Filho, em Campina Grande/PB/Brasil com oito famílias,
envolvendo um total de 36 moradores. Foram feitas visitas às famílias, encontros e palestras informativos. Em
cada andar do prédio foram colocados recipientes para a coleta dos resíduos sólidos produzidos por cada
família, durante três dias alternados (segunda, quarta e sexta). Coletados os resíduos, foram identificados e
pesados em separado. Após a coleta, procuramos sensibilizar os moradores com exposição de cartazes com os
dados da coleta, palestra, dinâmica e mostra de vídeo, propondo estratégias para a diminuição,
aproveitamento e reciclagem dos resíduos sólidos. Os dados coletados mostraram que são produzidos
diariamente 12,85Kg de resíduos sólidos na Quadra em estudo, dos quais 70% (9,03Kg) correspondem à
matéria orgânica, 9% a plásticos, 6% a papel, 2% a metais, 1% a vidros e 12% a outros materiais. O
percentual de matéria orgânica jogada fora diariamente confirma o desperdício de alimentos e a injustiça
social reinante no Brasil, uma contradição, uma vez que milhões de brasileiros vivem em profunda miséria.
No caso específico deste condomínio, a maioria das famílias pesquisada apresenta renda inferior a três
salários mínimos, no entanto, parte de sua renda termina no lixão da cidade. Os encontros de sensibilização
chamaram a atenção para a forma como eles vêem e tratam o lixo e o desperdício de alimento. Apresentamos
ainda, as conseqüências decorrentes da produção, acondicionamento e destino inadequados dos resíduos
sólidos, numa tentativa de despertar o interesse dos moradores em encontrar alternativas viáveis. Portanto,
para a implantação e implementação da coleta seletiva em condomínio é necessário a caracterização dos
resíduos sólidos e um amplo, dinâmico e contínuo processo de sensibilização e mobilização.

PALAVRAS CHAVE: resíduos sólidos, caracterização, condomínio, destino dos resíduos sólidos, coleta seletiva

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INTRODUÇÃO

Nas cidades, nas periferias urbanas e até em lugares do interior do país, percebe-se que cada vez mais
aumenta o acúmulo do lixo. Esse lixo é uma ameaça ao equilíbrio do meio ambiente e à saúde das pessoas.
Nas grandes cidades, as atividades produtivas, a construção civil, a própria sobrevivência doméstica, geram
vários tipos de lixo: detritos industriais, sobra de materiais, subprodutos dos trabalhos e da cocção alimentar.
Nas áreas mais atingidas pela construção civil, dá para notar claramente a degradação do ambiente, a perda do
húmus da terra, a superposição de camadas de material, que impedem o crescimento da flora, esterilizam os
jardins e pomares.

Os detritos orgânicos, expostos muitas vezes em lixões e a céu aberto, no seu processo natural de
decomposição, aceleram o crescimento de microorganismos, muitos deles necessários à vida vegetal, mas não
poucos nocivos à vida animal em geral e de modo especial à vida humana.

A industrialização, agressiva por sua própria natureza, é acrescida do descaso, pois na maioria das vezes se
busca apenas o lucro fácil, sem se levarem em conta os riscos para a vida e a saúde; cria subprodutos de difícil
degradação, compostos de metais pesados e altamente nocivos aos organismos vivos.

Sabe-se que o lixo tem grande possibilidade de ser reaproveitado. Detritos orgânicos, com facilidade, podem
ser encaminhados para alimentação animal: com bem pouco dispêndio. Restos de frutas, de legumes e
verduras, aparas de carnes, não somente enriquecem e contribuem para o balanceamento da alimentação
animal, como podem ser fator de grande economia para criadores. Restos de vegetais, devidamente
trabalhados, são de grande beneficio para a agricultura, contribuindo de modo total ou na maior parte para a
adubagem da terra, substituindo, com vantagem, os adubos químicos que tanto violentam o solo e ameaçam a
saúde da população.

Os detritos orgânicos, acumulados em biodigestores, liberam metano, gás barato e muito utilizável como
energia para iluminação, acionamento de motores de explosão e de combustão, fogões, etc. e ao mesmo
tempo liberam alguns macro-nutrientes, nitrogênio, fósforo e enxofre que, com equilíbrio natural e sem os
perigos dos adubos da indústria química, com grande economia, são fertilizantes para a renovação da terra
arável.

Em países desenvolvidos, a população já está acostumada a separar o lixo em recipientes diversos: detritos
orgânicos, metais limpos, metais e substâncias venenosas, vidro branco, vidro colorido, plásticos. É hábito
comum dessas populações, quando vão às compras em lojas e supermercados, escolherem produtos com
embalagens recicláveis ou de empresas comprometidas com projetos de preservação ambiental, recusando
produtos que forem apresentados em embalagens nocivas ou de difícil decomposição.

Em nossa realidade, no entanto, as gritantes desigualdades sociais levam ao espetáculo deprimente e


profundamente questionador: crianças, adultos e na maioria, idosos, catam restos de alimentos, muitas vezes
já deteriorados, nos depósitos de lixo de conjuntos residenciais, quando não nos grandes depósitos a céu
aberto, nos lixões que demonstram a ineficácia das administrações municipais, urbanas e regionais em
solucionar problemas dos mais graves.

Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivos: Observar o acondicionamento e o destino dos
resíduos sólidos produzidos no condomínio residencial; caracterizar a quantidade e o tipo de resíduos sólidos
produzidos pelas famílias do condomínio; incentivar os moradores para a implantação da coleta seletiva;
sensibilizar os moradores para as questões ambientais e propor estratégias para a diminuição, aproveitamento
e reciclagem dos resíduos sólidos do condomínio.

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METODOLOGIA

Seguindo a orientação de SANTOS FILHO & GAMBOA (1997), este trabalho refere-se a uma pesquisa
quantitativa e qualitativa, visto que “a pesquisa quantitativa busca explanar as causas das mudanças nos
fatos sociais principalmente por meio de medida objetiva e análise quantitativa”.

O presente trabalho foi realizado no Residencial Bonald Filho, na quadra 11, bloco 07, localizado no bairro de
Santa Rosa, em Campina Grande, Paraíba, Brasil, no período de maio a dezembro de 2001.

O residencial é composto de quatro quadras; das quatro, duas são compostas de oito blocos e as outras de seis
blocos, e cada bloco contém 16 apartamentos.

No bloco onde a pesquisa foi desenvolvida, moram dezesseis famílias, compondo um total de trinta e quatro
pessoas, entre adultos, jovens e crianças.

A escolha deste bloco foi feita, pela possibilidade de uma amostragem significativa e melhor
acompanhamento. Outro fator importante é que este é um dos blocos que, à simples observação, contém
maior acúmulo de lixo do residencial.

Para a caracterização dos resíduos sólidos foi adotada a metodologia proposta por SILVA & LEITE & FLOR
(2000). Inicialmente, foi realizada observação direta, objetivando identificar as formas de acondicionamento e
o destino dado aos resíduos sólidos. Em seguida, durante três semanas alternadas e um dia diferente por
semana, foram coletados todos os resíduos produzidos no bloco. A cada dia da coleta, o lixo foi pesado em
sua totalidade, depois separado de acordo a classificação, matéria orgânica, papel, plástico, metal, vidro e
outros; pesado mais uma vez, porém já selecionado.

A quantidade de lixo produzida pelas famílias foi coletada também durante três dias alternados numa quarta
semana. Foi utilizada uma amostra de 50% dos apartamentos, o que corresponde a oito famílias. Do material
coletado a maior parte foi de resíduos orgânicos.

O presente trabalho foi realizado em dois momentos. No primeiro momento, foi observado como as famílias
no dia a dia acondicionavam o lixo produzido no condomínio e onde depositavam.

Já no segundo momento, foram caracterizados os resíduos sólidos produzidos por cada família, sendo
posteriormente pesado e separado com a seguinte classificação: matéria orgânica, plástico, papel, metal, vidro
e outros.

Para se certificar do local de deposição dos resíduos produzidos pelas famílias do condomínio, foram feitas,
ainda, visitas ao lixão de Campina Grande – PB, com conversas informais, sobre os benefícios que traria para
eles, a implantação da coleta seletiva nos bairros da cidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Depois de coletados os dados, foi constatado que no bloco 07, são produzidos diariamente em média 12,85kg
de resíduos sólidos. Deste total 70% (9,03kg) corresponde à matéria orgânica, 9% (1,20kg) a plástico, 5%
(0,60kg) a papel, 2% (0,26kg) a metal, 1% (0,16kg) a vidro e 12% (1,55kg) de outros materiais. Resultando
uma produção mensal em torno de 385 kg de resíduos sólidos.

Mediante a análise dos dados, foi possível perceber que cada família do condomínio produz por dia uma
média 0,80kg contradizendo a literatura. Essa realidade é bem particular, visto que das dezesseis famílias que
moram no condomínio, apenas três permanecem o dia todo em casa, enquanto que as outras só chegam
durante o período da noite.

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A quantidade média de lixo produzida diariamente na quadra é de 102kg, dos quais 72kg(70%) são compostos
orgânicos, 9kg(9%) de plástico, 5kg(5%) de papel, 3kg(3%) de metal, 1kg(1%) de vidro e 12kg(12%) de
outros resíduos sólidos. Com essa quantidade de resíduo sólido que as famílias da quadra produzem, a quadra
contribui, mensalmente, com 3 toneladas para o lixão, das 8.400 toneladas que produz mensalmente a cidade
de Campina Grande – PB, sendo que dessas toneladas apenas 80 são de material reutilizável, as quais os
catadores retiram para comercialização.

Analisando os resultados, observou-se que a maior parte dos resíduos sólidos é de matéria orgânica. A
deposição é feita nos tambores dos blocos. Uma cena bastante comum no condomínio e que dificulta a coleta,
é a penetração de animais que rasgam as sacolas do lixo, espalhando-o por toda parte. Um outro agravante é
que nem todos os blocos do residencial têm sequer um recipiente para deposição do lixo produzido pelas
famílias. Três vezes por semana é feita a coleta pela prefeitura e, por último, os resíduos sólidos têm como
deposição final o lixão de Campina Grande. Do lixão, os catadores fazem a separação do que é possível, para
comercialização. Esses resíduos, normalmente vêm misturados com matéria orgânica, o que dificulta bastante
o reaproveitamento do mesmo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Há anos, é constatado que a humanidade vem explorando cada vez mais os recursos naturais do planeta para o
seu benefício próprio, sem se preocupar com as conseqüências. Diante desse percalço, a crise ambiental que o
planeta Terra vem passando é fruto desse sistema devastador.

A necessidade de se buscarem e criarem alternativas para os vários problemas relacionados ao Meio


Ambiente é urgente. É preciso desenvolver trabalhos que sensibilizem a sociedade, para que a mesma faça
com que os indivíduos possam ter uma consciência mais ecológica, em que se consiga viver de forma
saudável e sem tantos impactos ambientais causados pela humanidade.

Nesse contexto, o presente trabalho apresentou resultados que mostram que as famílias residentes no
condomínio ainda não têm uma consciência voltada para as questões ambientais, sendo que a maior parte dos
resíduos sólidos produzido por elas é de matéria orgânica, o que contradiz a realidade de pobreza em que
vivem, é dinheiro, vitaminas, jogadas fora. Em segundo lugar, aparece o plástico como o insumo a ser mais
utilizado pelas famílias, visto que todo tipo de compra é embalado em sacola plástica e a maioria das
embalagens dos produtos também é de plástico que, sendo separado dos outros resíduos, seria recolhido pelos
catadores, reutilizados e até mesmo reciclados, diminuindo assim, a quantidade de resíduo a ser deposto no
lixão. O papel também poderia ser reutilizado, de forma que traria lucro para os moradores. Dessa forma, a
quantidade de resíduo sólido iria diminuir, não causando tanto impacto ao Meio Ambiente.

Portanto, a implementação da coleta seletiva é alternativa para a diminuição da produção dos resíduos sólidos,
porém a comunidade deve passar por um processo de sensibilização, para ter como referência o trabalho
constante e contínuo de Educação Ambiental e esse deve iniciar nas escolas para depois atingir os demais
segmentos da sociedade.

Como a implantação da coleta seletiva e o trabalho contínuo de Educação Ambiental, a comunidade terá
possibilidade de repensar sobre o consumo dos recursos naturais, e reduzir o desperdício.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

SILVA, Mônica Maria Pereira da & LEITE, Valderi Duarte & FLOR, Aida Abrantes. Caracterização de
Resíduos Sólidos no Grupo Escolar Lafayete Cavalcante em Campina Grande – PB. In Anais VII Encontro de
Iniciação Científica; V Mostra de produção Científica da UEPB. Campina Grande, 2000.

SANTOS FILHO, José Camilo dos & GAMBOA, Silvio Sancheg. Pes quisa Educacional: quantidade –
qualidade. 2ª edição. São Paulo: Cortez, 1997.

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