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O CINEMA BRASILEIRO PÓS-RETOMADA – OS ANOS 2000

Com o desmantelamento da Embrafilme e a morte anunciada do cinema


nacional no início dos anos 1990 durante o governo Collor, os filmes brasileiros
e seus diversos públicos praticamente desapareceram. Durante a chamada
retomada do cinema brasileiro, a partir da segunda metade daquela década, as
produções nacionais que surgiram passaram a retratar mais a fundo o Brasil,
que se encontrava em franca expansão neoliberal e tecnológica, com o
advento da internet.

Filmes independentes que marcaram a retomada, como Carlota


Joaquina (1995) de Carla Camurati, Lamarca (1995) de Sérgio
Rezende, Sábado (1995) e Boleiros (1998) de Ugo Giorgetti, Terra
Estrangeira (1996) e Central do Brasil (1998) de Walter Salles, Um Céu de
Estrelas (1996) de Tata Amaral, Os Matadores (1997) e Ação Entre
Amigos (1998) de Beto Brant, Dois Córregos (1999) de Carlos Reinchenbach,
além do documentário Santo Forte (1999) de Eduardo Coutinho, refletiam a
urgência de tratar de temas que eram prementes e calavam fundo no país pós-
redemocratização, tais como os bastidores da ditadura, o exílio, a violência
urbana e o resgate da nossa própria história, sempre omitida ou mal contada.
Apesar da importância desses diretores e do sucesso de seus filmes entre uma
parcela do público, eles estavam longe de ter o grande alcance desfrutado pelo
cinema nacional em décadas anteriores, principalmente entre os anos 1950 e
1970.

Blockbusters Brasileiros 
A partir dos anos 2000, o Brasil passa a produzir seus blockbusters com a
ascensão da Globo Filmes, que estrategicamente transportou para o cinema a
estética televisiva das novelas e minisséries da Rede Globo, trazendo aos
cinemas um público ávido por ver seus ídolos da TV na tela grande. Filmes
como O Auto da Compadecida (2000) e Lisbela e o Prisioneiro (2003),
ambos dirigidos por Guel Arraes, ou Os Normais (2003) de José Alvarenga
Junior e Sexo, Amor e Traição (2004) de Jorge Fernando, tiveram grande
sucesso comercial e foram os embriões de várias comédias “globais” de apelo
fácil e pouca criatividade que viriam nos anos seguintes e se estendem até os
dias atuais. Este gênero de filme, respaldado pela TV Globo e pela Lei
Rouanet, tem o potencial de arrastar milhões de espectadores aos cinemas,
números que poucos filmes brasileiros conseguem alcançar atualmente.

Outra vertente popular do cinema brasileiro a partir do início deste século é o


chamado favela movie, que mistura ação policial, guerra ao tráfico e violência,
em produções caprichadas que tendem a espetacularizar a miséria e o
cotidiano das favelas, usando narrativa realista e tratamento estilizado da
forma. Cidade de Deus (2002) dirigido por Fernando Meirelles, fundador da
prestigiada produtora O2 Filmes, inaugurou este gênero, que caiu no gosto do
público. Outros dois filmes polêmicos dentro deste gênero, dirigidos por José
Padilha e de grande sucesso no Brasil, foram Tropa de Elite (2007) e sua
continuação Tropa de Elite 2 (2010), a maior bilheteria do cinema nacional até
hoje, com 11 milhões de espectadores, desbancando o recorde de 10.3
milhões de espectadores que assistiram à versão cinematográfica do livro de
Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), dirigida por Bruno
Barreto.

Um filme brasileiro importante lançado no começo do século, de grande


sucesso comercial e que foge da estética do blockbuster e do favela movie,
foi Carandiru (2003), dirigido pelo veterano Hector Babenco, falecido
recentemente. O filme narra a dura realidade dos presídios do país, que
culminou com o massacre de 111 presos pela polícia de São Paulo na Casa de
Detenção do Carandiru em 1992. O filme teve a façanha de levar quase 5
milhões de espectadores aos cinemas na época do seu lançamento!

Guinada 
Na busca pela renovação da linguagem e na esteira das novas tecnologias, o
cinema brasileiro felizmente vem trilhando vários caminhos alternativos,
ampliando o leque de gêneros e tentando trazer outros tipos de público aos
cinemas, de gosto mais apurado e ansioso por novas experiências. 

A verdadeira guinada do cinema nacional na primeira década dos anos 2000 se


deu com filmes de diretores autorais, que buscaram novos discursos e
narrativas dentro da linguagem cinematográfica. As obras destes diretores
refletem a perplexidade, o desconforto, o estranhamento e a insegurança que
permeiam o Brasil contemporâneo e algumas tocam fundo nas nossas feridas
sociais. 

Entre os diretores que se destacaram nos primeiros anos do século, alguns


com filmes de grande qualidade e relevância para o cinema brasileiro pós-
retomada, encontram-se: 

Alexandre Stockler – Cama de Gato (2002)


Anna Muylaert - Durval Discos (2002), É Proibido Fumar (2010)
Beto Brant - O Invasor (2002), Crime Delicado (2005) 
Breno Silveira – 2 Filhos de Francisco (2005), Era Uma Vez... (2008) 
Cao Hamburger – Castelo Rá Tim Bum, o Filme (2000), O Ano Que Meus
Pais Sairam de Férias (2006) 
Eliane Caffe – Narradores de Javé (2003), O Sol do Meio Dia (2010) 
Heitor Dhalia – Nina (2004), O Cheiro do Ralo (2006) 
Jorge Durán – Proibido Proibir (2006), Não Se Pode Viver Sem
Amor (2010) 
Jorge Furtado – Houve uma Vez Dois Verões (2002), O Homem Que
Copiava (2003), Meu Tio Matou um Cara (2004) 
Karim Ainouz - Madame Satã (2001), O Céu de Suely (2006) 
Laís Bodansky – Bicho de Sete Cabeças (2001), Chega de Saudade (2007) 
Lucia Murat - Quase Dois Irmãos (2004), Maré, Nossa História de
Amor (2007) 
Luiz Fernando Carvalho – Lavoura Arcaica (2001), A Pedra do Reino (2007 –
minissérie) 
Marcelo Masagão – 1,99 – Um Supermercado que Vende
Palavras (2003), Otávio e as Letras (2007) 
Marcos Jorge - Estômago (2007), Corpos Celestes (2010) 
Monique Gardenberg – Benjamin (2003), Ó Pai, Ó (2007) 
Philippe Barcinski – Palíndromo (2001 – curta), A Janela Aberta (2003 –
curta), A Cidade dos Homens (2005 – minissérie), Não Por Acaso (2007) 
Ricardo Elias – De Passagem (2003), Os 12 Trabalhos (2006) 
Sandra Kogut – Um Passaporte Húngaro (2001), Mutum (2007) 
Sandra Werneck – Cazuza, o Tempo Não Para (2004), Sonhos
Roubados (2009) 
Sérgio Bianchi – Cronicamente Inviável (2000), Quanto Vale ou é por
Quilo (2005) 
Sérgio Machado - Cidade Baixa (2005), Quincas Berro D’Água (2010) 
Tata Amaral – Através da Janela (2000), Antônia (2006) 
Toni Venturi – Cabra-Cega (2004), Estamos Juntos (2010)

Esses diretores hoje gozam de boa reputação entre o público que aprecia
filmes menos comerciais e mais críticos ou reflexivos. Seus filmes levam em
média de 20 a 30 mil espectadores aos cinemas, número considerado muito
bom para a indústria nacional. 

No desenvolvimento do cinema brasileiro neste século, cabe destacar o


trabalho surpreendente desenvolvido nos últimos anos pelos diretores do
chamado Polo Pernambucano de Cinema: Kleber Mendonça, Lírio Ferreira,
Marcelo Gomes, Claudio Assis, Gabriel Mascaro, Hilton Lacerda, Camilo
Cavalcante, entre outros. As obras destes cineastas, de estilo irreverente e
marcante, vêm trazendo frescor e ousadia ao cinema nacional, contribuindo
para a sua diversidade e potencial transformador. Irei abordar as obras destes
cineastas em outro artigo, a ser publicado posteriormente. 

Cinema Documental 
É preciso citar, ainda, a multiplicidade de documentários brasileiros (curtas,
médias e longas metragens) surgidos nos últimos anos, que se tornaram uma
espécie de “selo de qualidade” para o cinema nacional. Um dos maiores gênios
do cinema documental brasileiro contemporâneo (Eduardo Coutinho – 1933-
2014) é fonte de inspiração para vários documentaristas que hoje nos brindam
com filmes de excelente qualidade. 

É certo que o documentário nacional ainda está muito calcado no modo


expositivo (de cunho mais jornalístico) ou biográfico, às vezes repetitivo na
forma. Mas, a grande vitrine nacional de documentários, o festival É Tudo
Verdade, que este ano comemorou sua 21ª edição, tem revelado talentos de
todos os cantos do País e tem contribuído significativamente para dar o devido
destaque ao documentário como um gênero audiovisual importante para
aguçar o olhar crítico sobre a nossa sociedade e o Brasil. Além dos vários
documentários de Eduardo Coutinho, que praticamente lançou um filme por
ano desde 2000, nos últimos anos foram lançados alguns documentários
brasileiros de grande repercussão, entre eles: Chico, Artista
Brasileiro (2015), de Miguel Faria Jr, Homem Comum (2014), de Carlos
Nader, Sem Pena (2014), de Eugênio Puppo, Mataram Meu Irmão (2013), de
Cristiano Burlan, Raul, o Início, o Fim e o Meio (2012) de Walter
Carvalho, Uma Noite em 67 (2010), de Renato Terra/Ricardo Calil,
Loki, Arnaldo Batista (2009), de Paulo Henrique Fontenelle, Cidadão
Boilesen (2009), de Chaim Litewski, O Aborto dos Outros (2009), de Carla
Gallo, Simonal, Ninguém Sabe o Duro Que Eu Dei (2008), de Claudio
Manoel/Micael Langer, Caparaó (2006), de Flávio Frederico, Santiago (2006),
de João Moreira Salles, Estamira (2005), de Marcos Prado, Aboio (2005), de
Marília Rocha, O Prisioneiro da Grade de Ferro (2004), de Paulo
Sacramento, À Margem da Imagem (2003), de Evaldo Mocarzel, Ônibus
174 (2002), de José Padilha, entre muitos outros. A maioria destes filmes está
disponível gratuitamente na Internet.

A importância desta análise está baseada na teoria de economia política da comunicação e


cultura, que defende a necessidade de investigações econômicas dos processos produtivos nas
áreas de comunicação e cultura, desenvolvidos dentro de um conceito capitalista de
comercialização. estudo como este se faz necessário ainda para avaliar a capacidade de uma
sociedade de produzir e disseminar produtos locais que possam representá-la culturalmente.
No caso da indústria cinematográfica especificamente, essa capacidade vem sendo ameaçada
pelo domínio mundial do setor por grandes conglomerados de comunicação e mídia,
provocando a uniformização e padronização dos filmes comercializados internacionalmente.

O marco temporal do estudo será de 1995 a 2005. O ano de 1995 foi tomado como marco
inicial para a análise por dois motivos. Em primeiro lugar, porque foi a partir de 1995 que a
indústria cinematográfica brasileira começou a se recuperar da crise econômica que atingiu o
país no início dos anos 904 . No ano de 1995, por exemplo, 13 filmes nacionais foram lançados
nas salas de cinema, enquanto que, em 1994, haviam sido lançados apenas sete.

Ao entrar no século XXI, o Brasil finalizou seu processo de redemocratização, iniciado em 1989
ao realizar as primeiras eleições diretas, depois de 25 anos de ditadura9 . Fernando Collor de
Mello tomou posse como primeiro presidente brasileiro da era da redemocratização em 1990.
Dois anos depois, no entanto, foi deposto pelo Congresso Nacional10 ao ser comprovado seu
envolvimento num poderoso esquema de corrupção. Além disso, seu plano econômico,
voltado para combater a inflação que atingia a cifra de 80% ao mês, representou para o país
um dos seus piores momentos econômicos de toda a História. Para o cinema nacional, a crise
econômica do início dos anos 90 significou a extinção da Empresa Brasileira de Filmes S.A
(Embrafilme)11 e do Conselho Nacional de Cinema (Concine)12. Durante cerca de 20 anos, a
Embrafilme e o Concine formaram a base da indústria cinematográfica no país. Os anos 80,
historicamente, foram os melhores para a indústria nacional de cinema: entre 1981 e 1986, os
cinemas brasileiros contavam com, pelo menos, 75 estréias nacionais por ano13.

Em 1991, numa tentativa de compensar a extinção desses dois órgãos, o presidente Collor
criou a Lei nº 8.313, conhecida como Lei Rouanet, uma ferramenta para que empresas ou
pessoas físicas financiassem projetos culturais de um modo geral14. Nesse momento, no
entanto, as dificuldades econômicas por que passava o país15 impediram que a indústria
cinematográfica fosse beneficiada pela lei. Como conseqüência, em 1992, apenas três
produções nacionais chegaram ao circuito16.

A estabilidade econômica alcançada com o Plano Real garantiu a Fernando Henrique Cardoso,
então Ministro da Fazenda, a vitória nas eleições de 199420. A manutenção da economia e a
contenção do processo inflacionário permitiram, então, o melhor desenvolvimento da
indústria cinematográfica nacional. Tendo a Lei do Audiovisual como principal apoio, mas
utilizando também outras leis federais, estaduais e municipais21 de incentivo, o cinema
brasileiro começou a recuperar sua trajetória em 1995, ano em que 13 produções nacionais
foram exibidas nos cinemas22. recuperação da indústria cinematográfica nacional foi
denominado – por profissionais e acadêmicos do setor, pela imprensa e até pelo próprio
governo - período da retomada. Na realidade, significa a reconquista do mercado interno e do
reconhecimento internacional do cinema brasileiro a partir de 1995.

Essa nova demanda do setor cinematográfico fez com que o presidente Fernando Henrique
Cardoso, aprovasse, em 2001, a Agência Nacional de Cinema (Ancine), agência governamental
que regula o mercado de cinema no Brasil desde então23. A mesma medida24 que criou a
Ancine estabeleceu também o Fundo de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional
(Funcine)25 e a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional
(Condecine)26.

Pela definição em português, produção, em qualquer setor, é o primeiro estágio em uma série
de processos econômicos que levam bens e serviços às pessoas. Os outros estágios são
distribuição e consumo. No setor cinematográfico, produção é a realização do filme, antes de
ser distribuído às telas de cinema para ser consumido pelos espectadores. Os produtores de
cinema são os que, com base em um roteiro, transformam uma história escrita num filme,
tomando em conta cenário, figurino, atores, diretores, câmeras, tempo de rodagem, locações,
edição, efeitos especiais, som e todos os detalhes de finalização.

1995 é considerado o primeiro ano do período da retomada do cinema brasileiro34. O país já


levava um ano de vigência do Plano Real35, com a economia mais estável, e os filmes
brasileiros, produzidos com o apoio da Lei do Audiovisual (criada em 1993) e a Lei Rouanet
(criada em 1991), começavam a chegar às telas de cinema.

A partir de 1997, o que se pode notar em relação às produções nacionais estreadas nos
cinemas é a volta dos filmes dirigidos ao público infantil, sobretudo os protagonizados pelos
personagens interpretados por Xuxa Meneghel49 ou por Renato Aragão50. No período da
retomada, cinco filmes da Xuxa estão entre as 15 melhores bilheterias nacionais: Xuxa e os
Duendes (2001, 2.657.091 espectadores), Xuxa Popstar (2000, 2.394.326), Xuxa e os Duendes 2
(2002, 2.301.152), Xuxa Abracadabra (2003, 2.214.481) e Xuxa Requebra (1999, 2.074.461
espectadores). Já Renato Aragão e seu personagem, o Didi, têm três produções entre as 20 de
maior público de 1995 a 2005: Didi, o Cupido Trapalhão (2003, 1.758.579 espectadores),
Simão, o Fantasma Trapalhão (1998, 1.658.136) e O Noviço Rebelde (1997, 1.501.035)51. Este
último filme, em 1997, foi o responsável pelo salto na audiência nacional em relação ao ano
anterior, que passou de 1,07 milhão para 3,75 milhões, com market-share de 7,21%52. O filme
marcou a volta de Renato Aragão ao topo de público no Brasil53

Outros sucessos praticamente garantidos de bilheteria são os que levam a marca da Globo
Filmes61, seja como produtora ou como co-produtora. Vinte filmes da produtora, como
produção ou co-produção, estão entre os 43 que alcançaram mais de 500 mil espectadores.
Além disso, entre os filmes para o público infanto-juvenil comentados anteriormente, 11 deles
são produção ou co-produção da Globo Filmes. Por ser das Organizações Globo, que também
possui a maior rede de televisão do Brasil e detém o monopólio de audiência do setor
televisivo, os filmes da Globo Filmes têm grande repercussão nacional sobretudo por duas
razoes: o uso de atores “estrelas” das suas telenovelas de maior audiência e as campanhas de
publicidade feitas para os filmes praticamente de forma gratuita nos seus diversos programas
de auditório62.

Produtora cinematográfica do maior grupo de mídia da América Latina, as Organizações Globo,


que também possui a rede de televisão de maior audiência do Brasil. Criada em 1998,
participou da produção de mais de 70 filmes que alcançaram cerca de 70 milhões de
espectadores nas salas de cinema e formou parcerias com mais de 40 produtores
independentes. No capítulo dedicado às principais produtoras brasileiras, se comentarão suas
atividades com mais detalhes. Fonte: site oficial da Globo Filmes, www.globofilmes.com.br

Pela análise desses dados, pode-se concluir que a maioria dos filmes nacionais estreados entre
1995 e 2005 que tiveram êxito se tratam de produções voltadas para o público infantil ou
respaldadas pela abrangência da audiência conquistada pela TV Globo. Entre elas, foram umas
poucas as produções de arte, de produtores independentes, que se destacaram no que se
refere à audiência. Para que essa idéia fique mais clara, basta analisar os números do ano de
200367. Neste ano, 30 produções nacionais estrearam nas salas de cinema do país e, apesar de
que isso representasse apenas dois filmes a mais que em 2002, o público ao cinema nacional
teve um aumento de 215%, passando de 7,06 milhões em 2002 para 22,3 milhões,
convertendo 2003 no ano de maior público para o cinema nacional em todo o período da
retomada, com 21,62% de market-share68. Isso pode ser justificado apenas pelos pontos
comentados anteriormente: neste ano, coincidentemente, estão dez produções das 43 que
conseguiram mais de 500 mil em público69 e todas elas co-produções da Globo Filmes ou
filmes voltados para o público infantojuvenil70.

De todas as formas, apesar de que nem todos os filmes estreados fossem considerados
produções de êxito, é fato que a produção brasileira de cinema aumentou entre 1995 e 2005,
quando foram lançados 300 filmes nacionais nas salas de cinema de todo o país. Diante desse
cenário, a questão que se levanta a seguir é sobre o financiamento dessas produções e a
sobrevivência financeira de suas produtoras, já que a maioria dos títulos não conseguiu nem
100 mil espectadores.

Pelo detalhamento da Tabela 4, também se pode notar que, a partir de 2002, o governo
brasileiro já não incluía mais no seu orçamento direto nenhum tipo de ajuda ao setor e, a
partir de 2003, entrava em vigor o Condecine75, cujos recursos aumentaram
significativamente de 2003 para 2004, passando a ser uma fonte de financiamento importante
para a produção cinematográfica brasileira.

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