Вы находитесь на странице: 1из 88

10010100111010101001010010101 CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

10101010100111010100101011101
CURSO DE
01010011001111010100111010010
ELETRÔNICA
01010000111101010011101010010

DIGITAL

INTRODUÇÃO

Os circuitos equipados com processadores, úteis, e dividimos o trabalho em doze capítulos:


cada vez mais, estão fazendo parte do cotidiano · Sistemas de numeração
do técnico e/ou engenheiro, tanto de campo como · Álgebra de Boole e portas lógicas
de desenvolvimento. · Família TTL
Hoje, dificilmente encontramos um equipamen- · Família CMOS
to, seja ele de consumo ou de produção, que não · Funções lógicas
possua pelo menos um processador (DSP, · Flip-Flops
microprocessador, ou microcontrolador). · Funções lógicas integradas
É fato também que vários profissionais encon- · Multivibradores
tram muitas dificuldades na programação e desen- · Contadores
volvimento de projetos com esses componentes, · Decodificadores
simplesmente por terem esquecido alguns concei- · Registradores de deslocamento
tos fundamentais da eletrônica digital clássica. · Displays
A intenção desse “especial” é justamente essa,
ou seja, cobrir possíveis lacunas sobre essa Tivemos o cuidado de elaborar alguns testes,
tecnologia de modo simples e objetivo. Procuramos para que o leitor possa acompanhar melhor sua
complementar a teoria com circuitos práticos e percepção.

Newton C. Braga

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 1


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

LIÇÃO 1

ELETRÔNICA ANALÓGICA E DIGITAL


SISTEMAS DE NUMERAÇÃO

1.1- ANALÓGICO E DIGITAL modo contínuo numa escala. Os va-


lores dos sinais não precisam ser in- COMPUTADORES: os com-
Por que digital? Esta é certamen- teiros. Por exemplo, um sinal de áudio, putadores atuais são digitais em
te a primeira pergunta que qualquer que é analógico, varia suavemente sua totalidade e praticamente
leitor que está “chegando agora” e tem entre dois extremos, enquanto que um não é usado outro tipo de confi-
apenas alguma base teórica sobre sinal digital só pode variar aos saltos, guração. No entanto, nem sem-
Eletrônica faria ao encontrar o nosso observe a figura 1. pre foi assim. Nas primeiras dé-
curso. Conforme o leitor pode perceber, cadas deste século, quando os
Por este motivo, começamos jus- a diferença básica entre os dois tipos circuitos eram ainda valvulados,
tamente por explicar as diferenças de eletrônica está associada inicial- os primeiros computadores
entre as duas eletrônicas, de modo mente ao tipo de sinais com que elas eram máquinas analógicas. A
que elas fiquem bem claras. Devemos trabalham e no que elas fazem com imprecisão e algumas outras di-
lembrar que em muitos equipamen- os sinais. ficuldades técnicas que estes
tos, mesmo classificados como De uma forma resumida podemos computadores apresentavam fi-
analógicos ou digitais, encontraremos dizer que: zeram com que logo fossem
os dois tipos de circuitos. É o caso dos A Eletrônica Digital trabalha com substituídos pelos circuitos digi-
computadores, que mesmo sendo sinais que só podem assumir valores tais hoje usados.
classificados como “máquinas estrita- discretos ou inteiros.
mente digitais” podem ter em alguns A Eletrônica Analógica trabalha
pontos de seus circuitos configura- com sinais que podem ter qualquer
ções analógicas. valor entre dois limites. dos em computadores e outras má-
Uma definição encontrada nos li- quinas não processam os sinais ba-
vros especializados atribui o nome de seados em uma finalidade simples
Eletrônica Digital aos circuitos que 1.2 - LÓGICA DIGITAL determinada quando são fabricados.
operam com quantidades que só po- Os circuitos digitais dos computa-
dem ser incrementadas ou Os computadores e outros equi- dores e outros equipamentos são ca-
decrementadas em passos finitos. pamentos que usam circuitos digitais pazes de combinar os sinais toman-
Um exemplo disso é dado pelos funcionam obedecendo a um tipo de do decisões segundo um comporta-
circuitos que operam com impulsos. comportamento baseado no que se mento lógico.
Só podemos ter números inteiros de denomina Lógica. É evidente que se o leitor deseja
pulsos sendo trabalhados em qual- Diferentemente dos circuitos am- realmente entender como as coisas
quer momento em qualquer ponto do plificadores comuns que simplesmen- acontecem nos circuitos digitais, deve
circuito. Em nenhum lugar encontra- te amplificam, atenuam ou realizam partir exatamente do aprendizado do
remos “meio pulso” ou “um quarto de algum tipo de processamento simples comportamento lógico. Podemos di-
pulso”. dos sinais, os circuitos digitais usa- zer que a lógica nos permite tirar
A palavra digital também está as-
sociada a dígito (do latim digitu, dedo)
que está associado à representação
de quantidades inteiras. Não pode-
mos usar os dedos para representar
meio pulso ou um quarto de pulso.
Na Eletrônica Analógica trabalha-
mos com quantidades ou sinais que
podem ter valores que variam de Figura 1 - Os sinais digitais variam aos saltos.

2 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

conclusões ou tomar decisões a par-


tir de fatos conhecidos.
Por exemplo, a decisão de “acen-
der uma lâmpada quando está escu-
ro” é uma decisão lógica, pois a pro-
posição e a conclusão são fatos
relacionados. Figura 2 - Elementos simples de lógica são a base de funcionamento dos circuitos digitais.
Ao contrário, a decisão de “acen-
der uma lâmpada, porque está cho-
vendo” não é uma decisão lógica, pois
os fatos envolvidos não têm relação.
Evidentemente, os fatos relaciona-
dos acima são simples e servem
para exemplificar como as coisas
funcionam. dedos. Assim, tomando os dedos das
Na eletrônica dos computadores, mãos podemos contar objetos com
o que temos é a aplicação da lógica facilidade até certo ponto.
digital, ou seja, de circuitos que ope- O ponto crítico ocorre quando te-
ram tomando decisões em função de mos quantidades maiores do que 10.
coisas que acontecem no seu próprio O homem resolveu o problema pas- Figura 3 - A posição do algarismo
interior. É claro que os computadores sando a indicar também a quantida- dá seu valor relativo.
e seus circuitos digitais não podem de de mãos ou de vezes em que os
entender coisas como está escuro ou dez dedos eram usados. número e que estes pesos são po-
está chovendo e tomar decisões. Assim, quando dizemos que temos tências da base. Por exemplo, para a
Os circuitos lógicos digitais traba- 27 objetos, o 2 indica que temos “duas base 10, cada algarismo a partir da
lham com sinais elétricos. mãos cheias” ou duas dezenas mais direita tem um peso, que é uma po-
Assim, os circuitos lógicos digitais 7 objetos. O 2 tem peso 10. tência de 10 em ordem crescente, o
nada mais fazem do que receber si- Da mesma forma, quando dizemos que nos leva à unidade (dez elevado
nais com determinadas característi- que temos 237 objetos, o 2 indica que a zero), à dezena (dez elevado ao
cas e em função destes tomar deci- temos “duas dezenas de mãos chei- expoente um), à centena (dez eleva-
sões que nada mais são do que a pro- as” ou duas centenas, enquanto o 3 do ao quadrado), ao milhar (dez ele-
dução de um outro sinal elétrico. indica que temos mais 3 mãos cheias vado ao cubo) e assim por diante,
Mas, se os sinais elétricos são di- e finalmente o 7, mais 7 objetos, fi- conforme a figura 7.
gitais, ou seja, representam quantida- gura 3. Em outras palavras, a posi- Em Eletrônica Digital costumamos
des discretas e se a lógica é baseada ção dos algarismos na representação dizer que o dígito mais à direita, por
em tomada de decisões, o próximo dos números tem um peso e em nos- representar a menor potência ou ter
passo no entendimento da Eletrônica so sistema de numeração que é deci- menor peso, é o dígito ou bit* menos
Digital, é partir para o modo como mal este peso é 10, veja a figura 4. significativo ou LSB (Less Significant
as quantidades discretas são repre- O que aconteceria se tivéssemos Bit) enquanto que o mais à esquerda
sentadas e entendidas pelos circuitos um número diferente de dedos, por é o mais significativo ou MSB (Most
eletrônicos. exemplo 2 em cada mão? Significant Bit). Para a base 4, con-
Isso significaria, em primeiro lugar, forme observamos na figura 8, os dí-
que em nosso sistema de base 4 (e gitos têm potências de 4.
1.3 - SISTEMAS DE NUMERAÇÃO não base 10) só existiriam 4 algaris-
mos para representar os números: 0,
Figura 5 - Na base 4
O modo como contamos as quan- 1, 2 e 3, confira a figura 5.
são usados 4
tidades vem do fato de possuirmos 10 Para representar uma quantidade
algarismos.
maior do que 4 teríamos de usar mais
de um algarismo.
Assim, para indicar 7 objetos na
base 4, teríamos “uma mão cheia com
4” e mais 3. Isso daria 13, figura 6.
Veja então que no “13” na base 4,
o 1 tem peso 4, enquanto que o 3 tem
o seu valor normal. Figura 6 - Treze na base quatro
De uma forma generalizada, dize- equivale a sete na base 10.
mos que dependendo da base do sis-
Figura 4 - Os pesos são tema os algarismos têm “pesos” que *O bit que é o dígito binário (na base 2)
potências de 10 no sistema decimal. correspondem à sua posição no será estudado mais adiante.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 3


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

dígitos conforme sua posição no nú-


mero. Assim, vamos tomar como
exemplo o valor 1101 que em binário
representa o número 13 decimal e ver Dígito
como isso ocorre. ou bit
O primeiro dígito da direita nos in- Figura 9 - Pesos na numeração binária.
Figura 7 - Os pesos aumentam dica que temos uma vez o peso des- Decimal Binário Decimal Binário
da direita para a esquerda. te dígito ou 1. 0 0 9 1001
O zero do segundo dígito da direi- 1 1 10 1010
1.4 - NUMERAÇÃO BINÁRIA ta para a esquerda indica que não te- 2 10 11 1011
mos nada com o peso 2. 3 11 12 1100
Os circuitos eletrônicos não pos- Agora o terceiro dígito da direita 4 100 13 1101
suem dedos. para a esquerda e que tem peso 4 é 5 101 14 1110
É evidente também que não seria 1, o que indica que temos “uma vez 6 110 15 1111
muito fácil projetar circuitos capazes quatro”. 7 111 16 10000
de reconhecer 10 níveis de uma ten- Finalmente, o primeiro dígito da 8 1000 17 10001
são ou de outra grandeza elétrica sem esquerda que é 1 e está na posição
o perigo de que qualquer pequeno de peso 8, nos diz que temos “uma Para o leitor que pretende enten-
problema fizesse-os causar qualquer vez oito”. der de Eletrônica Digital aplicada aos
confusão. Somando uma vez oito, com uma computadores há momentos em que
Muito mais simples para os circui- vez quatro e uma vez um, temos o é preciso saber converter uma indi-
tos eletrônicos é trabalhar com um sis- total, justamente a quantidade que cação em binário para o decimal cor-
tema de numeração que esteja mais conhecemos em decimal como treze. respondente.
de acordo com o seu princípio de fun- Veja então, conforme indica a fi- Podemos dar como exemplo o
cionamento e isso realmente é feito. gura 9, que na numeração binária, os caso de certas placas que são usa-
Um circuito eletrônico pode ter ou dígitos vão tendo pesos da direita das no diagnóstico de computadores
não corrente, ter ou não tensão, pode para a esquerda que são potências e que possuem um conjunto de LEDs
receber ou não um pulso elétrico. de 2, ou seja, dois elevado ao expo- que acende indicando um número
Ora, os circuitos eletrônicos são ente zero que é um, dois elevado ao correspondente a um código de erros.
mais apropriados para operar com si- expoente 1 que é 2, dois ao quadra- Os LEDs apagados indicam o alga-
nais que tenham duas condições pos- do que é 4 e assim por diante. rismo 0 e os LEDs acesos, o algaris-
síveis, ou seja, que representem dois Basta lembrar que a cada vez que mo 1.
dígitos ou algarismos. nos deslocamos para a esquerda, o Vamos supor que num diagnósti-
Também podemos dizer que as peso do dígito dobra, figura 10. co a sequência de acendimento dos
regras que regem o funcionamento Como não existe um limite para os LEDs seja 1010110. É preciso saber
dos circuitos que operam com ape- valores dos pesos, isso significa que por onde começar a leitura ou seja,
nas duas condições possíveis são é posível representar qualquer quan- se o de menor peso é o da direita ou
muito mais simples. tidade em binário, por maior que seja, da esquerda.
Assim, o sistema adotado nos cir- simplesmente usando o número apro- Nas indicações dadas por instru-
cuitos eletrônicos digitais é o sistema priado de dígitos. mentos ou mesmo na representação
binário ou de base 2, onde são usa- Para 4 dígitos podemos represen- da valores binários, como por exem-
dos apenas dois dígitos, correspon- tar números até 15; para 8 dígitos po- plo na saída de um circuito, é preciso
dentes a duas condições possíveis de demos ir até 255; para 16 dígitos até saber qual dos dígitos tem maior peso
um circuito: 0 e 1. 65 535 e assim por diante. e qual tem menor peso.
Mas, como podemos representar O leitor deve lembrar-se desses Isso é feito com uma sigla adota-
qualquer quantidade usando apenas valores limites para 4, 8 e 16 dígitos da normalmente e que se refere ao
dois algarismos? de um número binário, pois eles têm dígito, no caso denominado bit.
A idéia básica é a mesma usada uma grande im-
na representação de quantidades no por tância na
sistema decimal: atribuir pesos aos Informática.
A seguir da-
mos a represen-
tação binária dos
números deci-
mais até 17 para
uma melhor ilus-
tração de como
Figura 10 - Na numeração binária os pesos
tudo funciona:
Figura 8 - Os pesos na base 4. dobram a cada digito deslocado para a esquerda.

4 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Os computadores usam muitos ti- A própria existência de um “0,” já


Figura 11 - pos de algoritmos quando fazem suas nos sugere que se trata de um núme-
Extremos de operações, se bem que a maioria não ro menor que 1 e portanto, fracionário.
um número precise ser conhecida dos leitores. Ocorre que os dígitos deste núme-
binário. Assim, para a conversão de um ro têm pesos que correspondem a
decimal para binário, como por exem- potências de 2 negativas, que nada
plo o 116, o que fazemos é uma série mais são do que frações, conforme a
de divisões sucessivas, figura 12. seguinte sequência:
Assim, conforme citado anterior- Vamos dividindo os números por
mente, para o dígito de menor peso 2 até o ponto em que chegamos a um Dígito Peso Valor
ou bit menos significativo é adotada valor menor que 2 e que portanto, não 0, x 1 = 0
a sigla LSB (Less Significant Bit) e pode mais ser dividido. 0 x 1/2 = 0
para o mais significativo é adotada a O resultado desta última divisão, 1 x 1/4 = 0,25
sigla MSB (Most Significant Bit), figu- ou seja, seu quociente é então o pri- 1 x 1/8 = 0,0625
ra 11. meiro dígito binário do número con- 0 x 1/16 = 0
O que fazemos é somar os valo- vertido. Os demais dígitos são obti- 1 x 1/32 = 0,03125
res dados pelos dígitos multiplicados dos lendo-se os restos da direita para
pelo peso de sua posição. No caso a esquerda da série de divisões Somando os valores relativos te-
do valor tomado como exemplo, que realizamos. Tudo muito simples e remos:
1010110, temos: rápido. 0,25 + 0,0625 + 0,03125 = 0,625

Dígito Peso Valor O número decimal representado é


1 x 64 = 64 portanto 0,625.
0 x 32 = 0
1 x 16 = 16 Veja que usando tantos dígitos
0 x 8 = 0 quantos sejam necessários podemos
1 x 4 = 4 representar com a precisão desejada
1 x 2 = 2 um número decimal.
0 x 1 = 0 resultado: 1110100

Somando os valores teremos: Figura 12 - Conversão de um decimal em 1.6 - FORMAS DIFERENTES DE


64 + 16 + 4 + 2 = 86 binário por divisões sucessivas. UTILIZAR O SISTEMA BINÁRIO

O valor decimal de 1010110 é 86. A utilização de circuitos eletrôni-


Assim, tudo que o leitor tem de 1.5 - BINÁRIOS MENORES QUE 1 cos com determinadas características
fazer é lembrar que a cada dígito que e a própria necessidade de adaptar o
saltamos para a esquerda seu peso Para o leitor talvez seja difícil en- sistema binário à representação de
dobra na sequência 1, 2, 4, 8, 16, 32, tender como usando quantidades que valores que sejam convertidos rapi-
64, 128, etc. só podem ser inteiras, como dado damente para o decimal e mesmo
Na prática também pode ocorrer pela definição de digital no início desta outros sistemas, levou ao apareci-
o problema inverso, transformação de lição, seja possível representar quan- mento de algumas formas diferentes
um valor expresso em decimal (base tidades menores que um, ou seja, de utilização dos binários.
10) para a base 2 ou binário. números “quebrados” ou fracionários. Estas formas são encontradas em
Para esta transformação podemos É claro que isso é possível na prá- diversos tipos de equipamentos digi-
fazer uso de algoritmo muito simples tica, pois se assim não fosse os com- tais, incluindo os computadores.
que memorizado pelo leitor pode ser putadores e as calculadoras não po-
de grande utilidade, dada sua deriam realizar qualquer operação
praticidade. com estes números e sabemos que Sistema BCD (Decimal
Para os que não sabem, algoritmo isso não é verdade. Codificado em Binário)
nada mais é do que uma sequência O que se faz é usar um artifício
de operações que seguem uma de- que consiste em empregar potências BCD é a abreviação de Binary
terminada regra e permitem realizar negativas de um número inteiro para Coded Decimal e se adapta melhor
uma operação mais complexa. Quan- representar quantidades que não são aos circuitos digitais.
do você soma os números um sobre inteiras. Permite transformar cada dígito
o outro (da mesma coluna) e passa Assim é possível usar dígitos bi- decimal de um número numa
para cima os dígitos que excedem o nários para representar quantidades representação por quatro dígitos bi-
10, fazendo o conhecido “vai um”, fracionárias sem problemas. nários (bits) independentemente
você nada mais está fazendo do que Vamos dar um exemplo tomando do valor total do número que será re-
usar um algoritmo. o número 0,01101 em binário. presentado.
SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 5
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Assim, partimos da seguinte tabela: Decimal Binário Hexadecimal


Dígito decimal BCD 0 0000 0
0 0000 1 0001 1
1 0001 2 0010 2
2 0010 3 0011 3
3 0011 4 0100 4
4 0100 5 0101 5
Figura 13 - Uso dos valores de 0000 a 1111.
5 0101 6 0110 6
6 0110 tos mudam. No Código Gray a passa- 7 0111 7
7 0111 gem do 7 para 8 muda apenas um 8 1000 8
8 1000 dígito, pois o 7 é 0100 e o 8 é 1100. 9 1001 9
9 1001 Podemos ainda citar os Códigos 10 1010 A
de Paridade de Bit e o Código de Ex- 11 1011 B
Se quisermos representar em cesso 3 (XS3) encontrados em apli- 12 1100 C
BCD o número 23,25 não o converte- cações envolvendo circuitos digitais. 13 1101 D
mos da forma convencional por divi- 14 1110 E
sões sucessivas mas sim, tomamos 15 1111 F
cada dígito e o convertemos no BCD 1.7 - SISTEMA HEXADECIMAL Observe que como não existem
equivalente, conforme segue: símbolos para os dígitos 10, 11, 12,
2 3, 2 5 Os bits dos computadores são 13, 14 e 15, foram usadas as letras
0010 0011 0010 0101 agrupados em conjuntos de 4, assim A,B,C,D,E e F.
temos os computadores de 4, 8, 16 e Como fazer as conversões: os
Veja então que para cada dígito 32 bits. Também observamos que com mesmos procedimentos que vimos
decimal sempre teremos quatro dígi- 4 bits podemos obter representações para o caso das conversões de deci-
tos binários ou bits e que os valores binárias de 16 números e não somen- mal para binário e vice-versa são vá-
1010, 1011, 1100, 1101 e 1111 não te de 10. Vimos que os 5 excedentes lidos para o caso dos hexadecimais,
existem neste código. poderiam ser usados para represen- mudando-se apenas a base.
Esta representação foi muito inte- tar operações nas calculadoras. Vamos dar exemplos:
ressante quando as calculadoras se Isso significa que a representação Como converter 4D5 em decimal:
tornaram populares, pois era possí- de valores no sistema hexadecimal ou Os pesos no caso são: 256, 16 e
vel usá-las para todas as operações de base 16 é mais compatível com a 1. (a cada dígito para a esquerda
com números comuns e os 5 códigos numeração binária ou operação biná- multiplicamos o peso do anterior por
não utilizados dos valores que não ria dos computadores. 16 para obter novo peso).
existiam foram adotados para indicar E de fato isso é feito: abrindo mui- Temos então:
as operações! (figura 13) tos programas de um computador, 4D5 = (4 x 256)+(13x16)+(1x5) = 1237
O leitor também perceberá que vemos que suas características como Observe que o “D” corresponde ao
usando representações desta forma, posições de memória ou quantidade 13. O número decimal equivalente ao
operavam os primeiros computado- de memória são feitas neste sistema. 4D5 hexadecimal ou “hex”, como é
res, apropriadamente chamados de Isso significa que o técnico preci- muitas vezes representado, é 1237.
computadores de “4 bits”. sa conhecer este sistema e mais do 4D5 (hex) = 1237 (dec)
que isso, deve saber como fazer con- A conversão inversa, ou seja, de
versões dele para o decimal e vice- decimal para hexadecimal é feita por
Outros Códigos versa, além de conversões para o sis- divisões sucessivas. Tomemos o caso
tema binário. Na tabela abaixo damos de 1256, apresentado na figura 14.
Outros códigos binários, mas não as representações dos dígitos deste Veja que basta ler o quociente fi-
tão importantes neste momento, são sistema com equivalentes decimais e nal e depois os restos das divisões
o Código Biquinário, em que cada dí- binários: sucessivas, sempre lembrando que os
gito tem um peso e são sempre usa- que excederem 10 devem ser “troca-
dos 7 bits para sua representação e dos” pelas letras equivalentes.
o Código Gray que aparece em diver-
sas versões. EXERCÍCIOS
a) Converter 645 em BCD
O Código Gray se caracteriza pelo
b) Converter 45 em binário puro
fato da passagem de qualquer núme- c) Converter 11001 (binário) em decimal
ro para o seguinte sempre ser feita d) Converter 1101 0011 1011 (BCD) em
com a mudança de um único dígito. decimal
Assim, por exemplo, quando pas- e) Conver ter 1745 (decimal) em
samos de 0111 (7 em decimal) para hexadecimal.
Figura 14 - 1367 decimal f) Converter FFF (hex) em decimal.
1000 (8 em decimal) os quatro dígi-
equivale a 557 na base 16. g) Converter F4D (hex) em decimal.

6 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

LIÇÃO 2

A ÁLGEBRA DE BOOLE

Na primeira lição do nosso curso Apesar da algebra de Boole, como rações ou decisões, como acender
aprendemos o significado das pala- foi chamada, poder resolver proble- um LED quando dois sensores são
vras Digital e Lógica empregadas na mas práticos de controle e fabricação ativados de uma determinada manei-
Eletrônica e nos computadores. Vimos de produtos, na época não havia Ele- ra ou quando uma tecla é pressiona-
que os computadores são denomina- trônica e nem as máquinas eram su- da, até girar no espaço uma imagem
dos digitais quando trabalham com ficientemente avançadas para utilizar tridimensional.
sinais discretos, ou seja, sinais que seus princípios.
não variam continuamente entre dois A álgebra de Boole veio a se tor- 2.2 - Os níveis lógicos
valores, mas que assumem determi- nar importante com o advento da Ele- Partimos então do fato de que nos
nados valores inteiros. Também vimos trônica, especificamente, da Eletrôni- circuitos digitais só encontraremos
que os computadores são máquinas ca Digital, que gerou os modernos duas condições possíveis: presença
lógicas, porque tomam decisões a computadores. ou ausência de sinal, para definir al-
partir de certos fatos, segundo regras Boole estabelece em sua teoria guns pontos importantes para o nos-
muito bem estabelecidas. Vimos que que só existem no universo duas con- so entendimento.
no caso dos circuitos digitais, como dições possíveis ou estados, para Nos circuitos digitais a presença
os usados nos computadores, a base qualquer coisa que se deseje anali- de uma tensão será indicada como 1
10 não é a mais apropriada e que sar e estes dois estados são opostos. ou HI (de HIGH ou Alto) enquanto que
estes equipamentos usam principal- Assim, uma lâmpada só pode es- a ausência de uma tensão será
mente o sistema binário e tar acesa ou apagada, uma torneira indicada por 0 ou LO (de LOW ou
hexadecimal. Aprendemos ainda só pode estar aberta ou fechada, uma baixo).
como fazer as conversões de base e fonte só pode ter ou não ter tensão O 0 ou LO será sempre uma ten-
ler os números binários e hexade- na sua saída, uma pergunta só pode são nula, ou ausência de sinal num
cimais. ter como resposta verdadeiro ou fal- ponto do circuito, mas o nível lógico 1
Nesta lição veremos de que modo so. Dizemos de maneira simples que ou HI pode variar de acordo com o
os circuitos digitais podem tomar de- na álgebra de Boole as variáveis lógi- circuito considerado (figura 1). Nos
cisões lógicas. Todas essas decisões cas só podem adquirir dois estados: PCs de mesa, a tensão usada para a
são baseadas em circuitos muito sim- alimentação de todos os circuitos ló-
ples e configurações que operam na 0 ou 1 gicos, por exemplo, é de 5 V. Assim, o
base 2 e que portanto, são fáceis de Verdadeiro ou Falso nível 1 ou HI de seus circuitos será
entender, porém muito importantes Aberto ou Fechado
para os leitores que pretendam tra- Alto ou Baixo (HI ou LO)
balhar com computadores, ou pelo Ligado ou Desligado
menos entender melhor seu princípio
de funcionamento. Na Eletrônica Digital partimos jus-
tamente do fato de que um circuito só
2.1 - A álgebra de Boole pode trabalhar com dois estados pos-
Em meados do século passado síveis, ou seja, encontraremos pre-
George Boole, um matemático inglês, sença do sinal ou a ausência do si-
desenvolveu uma teoria completa- nal, o que se adapta perfeitamente
mente diferente para a época, base- aos princípios da álgebra de Boole.
ada em uma série de postulados e Tudo que um circuito lógico digital
operações simples para resolver uma pode fazer está previsto pela álgebra Figura 1 - Nos circuitos digitais só
infinidade de problemas. de Boole. Desde as mais simples ope- encontramos um valor fixo de tensão.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 7


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

sempre uma tensão de 5 V. Nos Verdadeiro


laptops é usada uma tensão de ali- Ligado
mentação menor, da ordem de 3,2 V, Nível alto ou HI
portanto, nestes circuitos um nível 1
ou HI sempre corresponderá a uma 3.1 - Operações Lógicas Figura 3 - Podemos trabalhar com os níveis
tensão desse valor. No dia-a-dia estamos acostuma- "invertidos" numa lógica negativa.
Existem ainda circuitos digitais que dos a realizar diversos tipos de ope-
empregam componentes de tecnolo- rações lógicas, as mais comuns são tamente implementadas levando em
gia CMOS e que são alimentados ti- as que envolvem números, ou seja, conta a utilização da álgebra
picamente por tensões entre 3 e 15 V. quantidades que podem variar ou va- booleana.
Nestes casos, conforme vemos na fi- riáveis. É interessante observar que com
gura 2, um nível lógico 1 ou HI pode- Assim, podemos representar uma um pequeno número destas opera-
rá ter qualquer tensão entre 3 e 15 V, soma como: ções conseguimos chegar a uma infi-
dependendo apenas da tensão de ali- nidade de operações mais complexas,
mentação usada. Y=A+B como por exemplo, as utilizadas nos
computadores e que, repetidas em
Onde o valor que vamos encon- grande quantidade ou levadas a um
trar para Y depende dos valores atri- grau de complexidade muito grande,
buídos às letras A e B. nos fazem até acreditar que a máqui-
Dizemos que temos neste caso na seja “inteligente”!
uma função algébrica e que o valor Y Na verdade, é a associação, de
é a variável dependente, pois seu va- determinada forma das operações
Figura 2 - A tensão encontrada nos circuitos
lor dependerá justamente dos valores simples que nos leva ao comporta-
CMOS terá um valor fixo entre 3 e 15 V.
de A e B, que são as variáveis inde- mento muito complexo de muitos cir-
Na verdade, a idéia de associar a pendentes. cuitos digitais, conforme ilustra a fi-
presença de tensão ao nível 1 e a Na Eletrônica Digital, entretanto, gura 4.
ausência ao nível 0, é mera questão existem operações mais simples do Assim, como observamos na figu-
de convenção. que a soma, e que podem ser perfei- ra 5, um computador é formado por
Nada impede que adotemos um
critério inverso e projetemos os circui- Figura 4 - Circuitos que fazem
tos, pois eles funcionarão perfeita- operações simples podem ser
mente. associados para realizar
Assim, quando dizemos que ao operações complexas.
nível alto (1) associamos a presença
de tensão e ao nível baixo a ausên-
cia de tensão (0), estamos falando do
que se denomina “lógica positiva”.
Se associarmos o nível baixo ou
0 a presença de tensão e o nível alto
ou 1 a ausência de tensão, estaremos
falando de uma “lógica negativa”, con-
forme ilustra a figura 3.
Para não causar nenhum tipo de
confusão, todo o nosso curso tratará
exclusivamente da lógica positiva,
o mesmo acontecendo com os dispo-
sitivos eletrônicos tomados como
exemplos.
Portanto, em nossa lógica, é pos-
sível associar os seguintes estados de
um circuito aos valores 0 e 1:

0V
Falso
Desligado
Nível baixo ou LO

1 - 5 V (ou outra tensão positiva, Figura 5 - Poucos blocos básicos, mas reunidos em grande
conforme o circuito) quantidae podem realizar operações muito complexas.

8 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 6 - Em (a) o simbolo mais comum e em (b) o simbolo IEEE usado em muitas publicações
técnicas mais modernas dos Estados Unidos e Europa.
Figura 7 - Circuito simples para simular a
um grande número de pequenos blo- esta tabela aparece com o nome de função NÃO (NOT) ou inversor.
cos denominados portas ou funções Truth Table). A seguir apresentamos
em que temos entradas e saídas. a tabela verdade para a porta NOT Entrada: chave aberta = 0
O que irá aparecer na saída é de- ou inversora: chave fechada = 1
terminado pela função e pelo que Saída: lâmpada apagada = 0
acontece nas entradas. Em outras Entrada Saída lâmpada acesa = 1
palavras, a resposta que cada circui- 0 1
to lógico dá para uma determinada 1 0 2.5 - Função Lógica E
entrada ou entradas depende do que A função lógica E também conhe-
ele é ou de que “regra booleana” ele Os símbolos adotados para repre- cida pelo seu nome em inglês AND
segue. sentar esta função são mostrados na pode ser definida como aquela em
Isso significa que para entender figura 6. que a saída será 1 se, e somente
como o computador realiza as mais O adotado normalmente em nos- se, todas as variáveis de entrada fo-
complexas operações teremos de co- sas publicações é o mostrado em (a), rem 1.
meçar entendendo como ele faz as mas existem muitos manuais técnicos Veja que neste caso, as funções
operações mais simples com as de- e mesmo diagramas em que são lógicas E podem ter duas, três, qua-
nominadas portas e quais são elas. adotados outros e os leitores devem tro ou quantas entradas quisermos e
Por este motivo, depois de definir conhecê-los. é representada pelos símbolos mos-
estas operações lógicas, associando- Esta função pode ser simulada por trados na figura 8.
as à álgebra de Boole, vamos estudá- um circuito simples e de fácil entendi- As funções lógicas também são
las uma a uma. mento apresentado na figura 7. chamadas de “portas” ou “gates” (do
Neste circuito temos uma lâmpa- inglês) já que correspondem a circui-
2.4 - Função Lógica NÃO ou In- da que, acesa, indica o nível 1 na sa- tos que podem controlar ou deixar
versora ída e apagada, indica o nível 0. Quan- passar os sinais sob determinadas
Nos manuais também encontra- do a chave está aberta indicando que condições.
mos a indicação desta função com a a entrada é nível 0, a lâmpada está Tomando como exemplo uma por-
palavra inglesa correspondente, que acesa, indicando que a saída é nivel ta ou função E de duas entradas, es-
é NOT. 1. Por outro lado, quando a chave é crevemos a seguinte tabela verdade:
O que esta função faz é negar uma fechada, o que representa uma en-
afirmação, ou seja, como em álgebra trada 1, a lâmpada apaga, indicando Entradas Saída
booleana só existem duas respostas que a saída é zero. A B
possíveis para uma pergunta, esta Esta maneira de simular funções 0 0 0
função “inverte” a resposta, ou seja, lógicas com lâmpadas indicando a 0 1 0
a resposta é o “inverso” da pergunta. saída e chaves indicando a entrada, 1 0 0
O circuito que realiza esta operação é bastante interessante pela facilida- 1 1 1
é denominado inversor. de com que o leitor pode entender seu
Levando em conta que este circui- funcionamento. Na figura 9 apresentamos o modo
to diz sim, quando a entrada é não, Basta então lembrar que: de simular o circuito de uma porta E
ou que apresenta nível 0, quando a
entrada é 1 e vice-versa, podemos
associar a ele uma espécie de tabela
que será de grande utilidade sempre
que estudarmos qualquer tipo de cir-
cuito lógico.
Esta tabela mostra o que ocorre
com a saída da função quando colo-
camos na entrada todas as combina-
ções possíveis de níveis lógicos.
Dizemos que se trata de uma “ta-
bela verdade” (nos manuais em Inglês Figura 8 - Símbolos adotados para representar uma porta E ou AND.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 9


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 9 - Circuito simples para


simular um aporta E ou AND.

usando chaves e uma lâmpada co- Figura 10 - Símbolos para as portas OU ou OR.
mum. É preciso que S1 e S2 estejam
fechadas, para que a saída (lâmpa- Vemos que a saída estará no ní- função E que é denominada NÃO-E
da) seja ativada. vel 1 se uma das entradas estiverem ou em inglês, NAND.
Para uma porta E de três entra- no nível 1. Na figura 12 temos os símbolos
das tabela verdade será a seguinte: Um circuito simples com chaves e adotados para representar esta fun-
lâmpada para simular esta função é ção.
Entradas Saída dado na figura 11. Observe a existência de um pe-
A B C S Quando uma chave estiver fecha- queno círculo na saída da porta para
0 0 0 0 da (entrada 1) a lâmpada receberá indicar a negação.
0 0 1 0 corrente (saída 1), conforme desejar- Podemos dizer que para a função
0 1 0 0 mos. Para mais de duas variáveis po- NAND a saída estará em nível 0 se, e
0 1 1 0 demos ter portas com mais de duas somente se, todas as entradas esti-
1 0 0 0 entradas. Para o caso de uma porta verem em nível 1.
1 0 1 0 OU de três entradas teremos a se- A tabela verdade para uma porta
1 1 0 0 guinte tabela verdade: NÃO-E ou NAND de duas entradas é
1 1 1 1 a seguinte:
Entradas Saída
Para que a saída seja 1, é preciso A B C S Entradas Saída
que todas as entradas sejam 1. 0 0 0 0 A B S
Observamos que para uma porta 0 0 1 1 0 0 1
E de 2 entradas temos 4 combinações 0 1 0 1 0 1 1
possíveis para os sinais aplicados. 0 1 1 1 1 0 1
Para uma porta E de 3 entradas te- 1 0 0 1 1 1 0
mos 8 combinações possíveis para o 1 0 1 1
sinal de entrada. 1 1 0 1 Na figura 13 temos um circuito
Para uma porta de 4 entradas, te- 1 1 1 1 simples com chaves, que simula esta
remos 16 e assim por diante. função.
2.7 - Função NÃO-E
2.6 - Função lógica OU As funções E, OU e NÃO (inver-
A função OU ou ainda OR (do in- sor) são a base de toda a álgebra
glês) é definida como aquela em que booleana e todas as demais podem
a saída estará em nível alto se uma ser consideradas como derivadas
ou mais entradas estiver em nível alto. delas. Vejamos:
Esta função é representada pelos Uma primeira função importante
símbolos mostrados na figura 10. derivada das anteriores é a obtida
O símbolo adotado normalmente pela associação da função E com a Figura 11 - Circuito para simular uma
em nossas publicações é o mostrado função NÃO, ou seja, a negação da porta OU ou OR de duas entradas.
em (a).
Para uma porta OU de duas en-
tradas podemos elaborar a seguinte
tabela verdade:

Entradas Saída
A B S
0 0 0
0 1 1
1 0 1
1 1 1 Figura 12 - Símbolos para as portas NÃO-E ou NAND.

10 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 13 - Circuito que simula uma porta


Figura 14 - Símbolo usados para representar a função NOR ou NÃO-E
NAND ou NÃO-E de duas entradas.
Observe que a lâmpada só se tradas teremos saída 1 se as entra-
Veja que a lâmpada só apagará mantém acesa (nível 1) se as duas das forem 0 e 1 ou 1 e 0, mas a saída
(saída 0) quando as duas chaves es- chaves (S1 e S2) estiverem abertas será 0 se as entradas forem ambas 1
tiverem fechadas (1), curto-circuitando (nível 0). ou ambas 0, conforme a seguinte ta-
assim sua alimentação. O resistor é Da mesma forma que nas funções bela verdade:
usado para limitar a corrente da anteriores, podemos ter portas NOR
fonte. com mais de duas entradas. Para o Entradas Saída
Também neste caso podemos ter caso de três entradas teremos a se- A B S
a função NAND com mais de duas guinte tabela verdade: 0 0 0
entradas. Para o caso de 3 entradas 0 1 1
teremos a seguinte tabela verdade: Entradas Saída 1 0 1
A B C S 1 1 0
Entradas Saída 0 0 0 1
A B C S 0 0 1 0 Esta função é derivada das de-
0 0 0 1 0 1 0 0 mais, pois podemos “montá-la” usan-
0 0 1 1 0 1 1 0 do portas conhecidas (figura 17).
0 1 0 1 1 0 0 0 Assim, se bem que esta função
0 1 1 1 1 0 1 0 tenha seu próprio símbolo e possa ser
1 0 0 1 1 1 0 0 considerada um “bloco” independen-
1 0 1 1 1 1 1 0 te nos projetos, podemos sempre
1 1 0 1 implementá-la com um circuito
1 1 1 0 2.9 - Função OU-exclusivo equivalente como o ilustrado nessa
Uma função de grande importân- figura.
2.8 - Função NÃO-OU cia para o funcionamento dos circui-
Esta é a negação da função OU, tos lógicos digitais e especificamente 2.10 - Função NÃO-OU exclusi-
obtida da associação da função OU para os computadores é a denomina- vo ou coincidência
com a função NÃO ou inversor. O ter- da OU-exclusivo ou usando o termo Podemos considerar esta função
mo inglês usado para indicar esta fun- inglês, “exclusive-OR”. Esta função como o “inverso” do OU-exclusivo. Sua
ção é NOR e seus símbolos são apre- tem a propriedade de realizar a soma denominação em inglês é Exclusive
sentados na figura 14. de valores binários ou ainda encon-
Sua ação é definida da seguinte trar o que se denomina “paridade” (o
forma: a saída será 1 se, e somente que será visto futuramente).
se, todas as variáveis de entrada fo- Na figura 16 temos os símbolos
rem 0. adotados para esta função.
Uma tabela verdade para uma fun- Podemos definir sua ação da se-
ção NOR de duas entradas é mostra- guinte forma: a saída será 1 se, e so-
da a seguir: mente se, as variáveis de entrada fo-
rem diferentes. Isso significa que, para Figura 15 - Circuito usado para simular
Entradas Saída uma porta Exclusive-OR de duas en-
A B S uma porta NOR de duas entradas.
0 0 1
0 1 0
1 0 0
1 1 0

Um circuito simples usando cha-


ves e lâmpada para simular esta fun-
ção é mostrado na figura 15. Figura 16 - Símbolo para a função OU-exclusivo ou Exclusive-OR.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 11


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

porta E de duas entradas (A e B) e


saída S podemos fazer a representa-
ção:
A.B=S

b) Operação OU
Esta operação é representada
pelo sinal (+).
A operação de uma porta OU de
Figura 17 - Elaboração da função OU-exclusivo com inversores, portas AND e uma porta OR. entradas A e B e saída S pode ser
representada como:
A+B=S

c) Operação NÃO
Esta operação é indicada por uma
barra da seguinte forma:
A\ = S

Figura 18 - Símbolos da função Não-OU-Exclusive ou


Partindo destas representações,
Exclusive NOR também chamada função coincidência.
podemos enumerar as seguintes pro-
priedades das operações lógicas:
NOR e é representada pelo símbolo so conhecer as propriedades que as
mostrado na figura 18. operações apresentam. 1. Propriedade comutativa das
Observe o círculo que indica a Exatamente como no caso das operações E e OU:
negativa da função anterior, se bem operações com números decimais, as
que essa terminologia são seja apro- operações lógicas com a álgebra A.B=B.A
priada neste caso. Booleana se baseiam numa série de A+B=B+A
Esta função pode ser definida postulados e teoremas algo simples.
como a que apresenta uma saída Os principais são dados a seguir 2. Propriedade associativa das
igual a 1 se, e somente se as variá- e prová-los fica por conta dos leitores operações E e OU:
veis de entrada forem iguais. que desejarem ir além. Para enten-
Uma tabela verdade para esta fun- der, entretanto, seu significado A.(B.C) = (A.B).C
ção é a seguite: não é preciso saber como provar sua A+(B+C) = (A+B)+C
validade, mas sim memorizar seu
Entrada Saída significado. 3. Teorema da Involução:
A B S (A negação da negação é a pró-
0 0 1 pria afirmação)
0 1 0 Representações
1 0 0 A\\ = A
1 1 1 As operações E, OU e NÃO são
representadas por símbolos da se- 4. A operacão E é distributiva em
Podemos implementar esta função guinte forma: relação à operação OU:
usando outras já conhecidas, confor- a) Operação E
me a figura 19. A operação E é representada por A.(B+C) = A.B + A.C
um ponto final(.). Assim, para uma
2.11 - Propriedades das opera-
ções lógicas
As portas realizam operações com
os valores binários aplicados às suas
entradas. Assim, podemos represen-
tar estas operações por uma
simbologia apropriada, facilitando o
projeto dos circuitos e permitindo
visualizar melhor o que ocorre quan-
do associamos muitas funções.
No entanto, para saber associar as
diversas portas e com isso realizar
operações mais complexas, é preci- Figura 19 - Função coincidência (Exclusive NOR) implementada com outras portas.

12 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

5. Propriedades diversas:

A.A = A
A+A = A
A.0 = 0
A.1 = A Figura 20 - Obtendo um inversor ( Função NÃO ou NOT) a partir de uma porta NAND.
A+0 = A
A+1 = 1 saída depois de aplicá-la a uma por- saída certamente será:
A.A\= 0 ta NAND. a) 0 b) 1
A+A\= 1 c) Pode ser 0 ou 1
A+A.B = A 2.13 - Conclusão d) Estará indefinida
Os princípios em que se baseiam
6. Teoremas de De Morgan: os circuitos lógicos digitais podem 3. O circuito que realiza a opera-
parecer algo abstratos, pois usam ção lógica NÃO é denominado:
Aplicando a operação NÃO a uma muito de Matemática e isso talvez a) Porta lógica b) Inversor
operação E, o resultado obtido é igual desestimule os leitores. No entanto, c) Amplificador digital
ao da operação OU aplicada aos com- eles são apenas o começo. O esforço d) Amplificador analógico
plementos das variáveis de entrada. para entendê-los certamente será re-
____ _ _ compensado, pois estes princípios 4. Se na entrada de uma porta
A.B=A+B estão presentes em tudo que um com- NAND aplicarmos os níveis lógicos 0
putador faz. Nas próximas lições, e 1, a saída será:
Aplicando a operação NÃO a uma quando os princípios estudados co- a) 0
operação OU o resultado é igual ao meçarem a tomar uma forma mais b) 1
da operação E aplicada aos comple- concreta, aparecendo em circuitos e c) Pode ser 0 ou 1
mentos das variáveis de entrada. aplicações práticas será fácil entendê- d) Estará indefinida
los melhor.
____ _ _ Nas próximas lições, o que foi es- 5. Em qual das seguintes condi-
A+B=A.B tudado até agora ficará mais claro ções de entrada a saída de uma por-
quando encontrarmos sua aplicação ta OR será 0:
prática. a) 0,0 b) 0,1
2.12 - Fazendo tudo com portas c) 1,0 d) 1,1
NAND
As portas NÃO-E, pelas suas ca- QUESTIONÁRIO 6. Qual é o nome da função lógi-
racterísticas, podem ser usadas para ca em que obtemos uma saída 1
obter qualquer outra função que es- 1. Se associarmos à presença de quando as entradas tiverem níveis
tudamos. Esta propriedade torna es- uma tensão o nível lógico 1 e à sua lógicos diferentes, ou seja, forem 0 e
sas portas blocos universais nos pro- ausência o nível 0, teremos que tipo 1 ou 1 e 0.
jetos de circuitos digitais já que, na de lógica: a) NAND
forma de circuitos integrados, as fun- a) Digital b) Positiva b) NOR
ções NAND são fáceis de obter e ba- c) Negativa d) Booleana c) AND
ratas. d) Exclusive OR
A seguir vamos mostrar de que 2. Na entrada de uma função lógi-
modo podemos obter as funções es- ca NÃO aplicamos o nível lógico 0. A 7. Qual é a porta que pode ser
tudadas simplesmente usando portas utilizada para implementar qualquer
NAND. função lógica:
a) Inversor (NÃO)
b) AND
Inversor Figura 21 - POrta E obtida c) NAND
Para obter um inversor a partir de com duas NÀO-E (NAND). d) OR
uma porta NAND basta unir suas en-
tradas ou colocar uma das entradas Respostas da lição nº 1
no nível lógico 1, conforme figura 20. a) 0110 0100 0101
Uma porta E (AND) é obtida sim- b) 101101
plesmente agregando-se à função c) 25
NÃO-E (NAND) um inversor em cada d) Sem resposta (1101 não existe)
entrada, (figura 21). e) 131
A função OU (OR) pode ser obti- f) 131
Figura 22 - Porta OU obtida
da com o circuito mostrado na g) 334
com duas NÃO-E (NAND).
figura 22. O que se faz é inverter a
SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 13
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

LIÇÃO 3

FAMÍLIAS DE CIRCUITOS LÓGICOS DIGITAIS

Na lição anterior conhecemos os 3.1 - O transistor como chave ser usado como entrada para outra,
princípios simples da Álgebra de eletrônica conforme a figura 1.
Boole que regem o funcionamento Um transistor pode funcionar Na figura 1 damos um exemplo
dos circuitos lógicos digitais encontra- como um interruptor deixando passar interessante de como podemos obter
dos nos computadores e em muitos ou não uma corrente, conforme a apli- um inversor usando um transistor.
outros equipamentos. Vimos de que cação de uma tensão em sua entra- Aplicando o nível 1 na base do
modo umas poucas funções simples da. transistor ele conduz até o ponto de
funcionam e sua importância na ob- Assim, na simulação dos circuitos saturar, o que faz, com que a tensão
tenção de funções mais complexas. que estudamos e em que usamos no seu coletor caia a 0. Por outro lado,
Mesmo sendo um assunto um pouco chaves, é possível utilizar transistores na ausência de tensão na sua base,
abstrato, por envolver princípios ma- com uma série de vantagens. que corresponde ao nível 0 de entra-
temáticos, o leitor pode perceber que No caso das chaves, o operador da, o transistor se mantém cortado e
é possível simular o funcionamento de era responsável pela entrada do si- a tensão no seu coletor se mantém
algumas funções com circuitos eletrô- nal, pois, atuando com suas mãos alta, o que corresponde ao nível 1.
nicos relativamente simples, usando sobre a chave, deveria estabelecer o Conforme observamos na figura
chaves e lâmpadas. nível lógico de entrada, mantendo 2, outras funções podem ser conse-
Os circuitos eletrônicos modernos, esta chave aberta ou fechada confor- guidas com transistores.
entretanto, não usam chaves e lâm- me desejasse 0 ou 1. Isso significa que a elaboração de
padas, mas sim, dispositivos muito Se usarmos um transistor teremos um circuito lógico digital capaz de rea-
rápidos que podem estabelecer os uma vantagem importante: o transis- lizar operações complexas usando
níveis lógicos nas entradas das fun- tor poderá operar com a tensão ou transistores é algo que pode ser con-
ções com velocidades incríveis e isso nível lógico produzido por uma outra seguido com relativa facilidade.
lhes permite realizar milhões de ope- função e não necessariamente por
rações muito complexas a cada se- uma pessoa que acione uma chave. 3.2 - Melhorando o desempenho
gundo. Assim, as funções lógicas No entanto, usar transistores em
Nesta edição veremos que tipo de implementadas com transistores têm circuitos que correspondam a cada
circuitos são usados e como são en- a vantagem de poderem ser interliga- função de uma maneira não padroni-
contrados na prática em blocos bási- das umas nas outras, pois o sinal que zada pode trazer algumas dificulda-
cos que unidos podem levar a elabo- aparece na saída de cada uma pode des.
ração de circuitos muito complicados
como os encontrados nos computa-
dores. Figura 1 - Um inversor (função NÃO
O leitor irá começar a tomar con- ou NOT) usando um transistor.
tato com componentes práticos das
famílias usadas na montagem dos
equipamentos digitais. São estes os
componentes básicos que podem ser
encontrados em circuitos digitais,
computadores e muitos outros.

14 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Dessa forma, se bem que nos pri-


meiros tempos da Eletrônica Digital Figura 2 - Outras funções
cada função era montada com seus implementadas com
transistores, diodos e resistores na transistores.
sua plaquinha para depois serem to-
das interligadas, este procedimento
se revelou inconveniente por diversos
motivos.
O primeiro deles é a complexida-
de que o circuito adquiria se realizas-
se muitas funções.
O segundo, é a necessidade de
padronizar o modo de funcionamen-
to de cada circuito ou função. Seria
muito importante estabelecer que to-
dos os circuitos operassem com a
mesma tensão de alimentação e for- Estas séries de circuitos integra- vantagem do menor custo e obtenção
necessem sinais que os demais pu- dos formaram então as Famílias Ló- de maior velocidade de operação e
dessem reconhecer e reconhecessem gicas, a partir das quais os projetis- confiabilidade.
os sinais gerados pelos outros. tas tiveram facilidade em encontrar Diversas famílias foram criadas
O desenvolvimento da tecnologia todos os blocos para montar seus desde o advento dos circuitos integra-
dos circuitos integrados, possibilitan- equipamentos digitais. dos, recebendo uma denominação
do a colocação num único invólucro Assim, conforme a figura 3, pre- conforme a tecnologia empregada.
de diversos componentes já interliga- cisando montar um circuito que usas- As principais famílias lógicas de-
dos, veio permitir um desenvolvimen- se uma porta AND duas NOR e inver- senvolvidas foram:
to muito rápido da Eletrônica Digital. sores, o projetista teria disponíveis
Foi criada então uma série de cir- componentes compatíveis entre si · RTL ou Resistor Transistor Logic
cuitos integrados que continham contendo estas funções e de tal for- · RCTL ou Resistor Capacitor
numa única pastilha as funções lógi- ma que poderiam ser interligadas das Transistor Logic
cas digitais mais usadas e de tal ma- maneiras desejadas. · DTL ou Diode Transistor Logic
neira projetadas que todas eram com- O sucesso do advento dessas fa- · TTL ou Transistor Transistor Logic
patíveis entre si, ou seja, operavam mílias foi enorme, pois além do me- · CMOS ou Complementary Metal
com as mesmas tensões e reconhe- nor tamanho dos circuitos e menor Oxid Semiconductor
ciam os mesmos sinais. consumo de energia, havia ainda a · ECL ou Emitter Coupled Logic

Atualmente a Família TTL e a


CMOS são as mais usadas, sendo
empregadas em uma grande quanti-
dade de equipamentos digitais e tam-
bém nos computadores e periféricos.

3.3 - A família TTL


A família TTL foi originalmente
desenvolvida pela Texas Instruments,
mas hoje, muitos fabricantes de
semicondutores produzem seus com-
ponentes.
Esta família é principalmente
reconhecida pelo fato de ter duas
séries que começam pelos números
54 para os componentes de uso mili-
tar e 74 para os componentes de uso
comercial.
Assim, podemos rapidamente as-
Figura 3 - Blocos sociar qualquer componente que co-
compatíveis contendo mece pelo número “74” à família TTL.
funções lógicas Na figura 4 mostramos uma por-
(circuitos integrados). ta típica TTL. Trata-se de uma porta
NAND de duas entradas que logo
SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 15
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

chama a atenção pelo fato de usar um Figura 4 - Uma


transistor de dois emissores. porta NAND TTL.
A característica mais importante
desta família está no fato de que ela
é alimentada por uma tensão de 5 V.
Assim, para os componentes des-
ta família, o nível lógico 0 é sempre a
ausência de tensão ou 0 V, enquanto
que o nível lógico 1 é sempre uma
tensão de +5 V.
Para os níveis lógicos serem re-
conhecidos devem estar dentro de
faixas bem definidas.
Conforme verificamos na figura 5,
uma porta TTL reconhecerá como ní-
vel 0 as tensões que estiverem entre
0 e 0,8 V e como 1 os que estiverem
numa outra faixa entre 2,4 e 5 V. falamos de equipamentos digitais e 3.4 - Outras Características da
Entre essas duas faixas existe computadores em geral. Temos as Família TTL
uma região indefinida que deve ser seguintes classificações para os graus Para usar corretamente os circui-
evitada. de integração dos circuitos digitais: tos integrados TTL e mesmo saber
Há centenas de circuitos integra- como testá-los, quando apresentam
dos TTL disponíveis no mercado para SSI - Small Scale Integration ou algum problema de funcionamento, é
a realização de projetos. A maioria Integração em Pequena Escala que importante conhecer algumas de suas
deles está em invólucros DIL de 14 e corresponde a série normal dos pri- características adicionais.
16 pinos, conforme exemplos da fi- meiros TTL que contém de 1 a 12 Analisemos as principais caracte-
gura 6. portas lógicas num mesmo compo- rísticas lembrando os níveis lógicos
As funções mais simples das por- nente ou circuito integrado. de entrada e saída admitidos:
tas disponíveis numa certa quantida-
de em cada integrado usam circuitos MSI - Medium Scale Integration - Correntes de entrada:
integrados de poucos pinos. ou Integração de Média Escala em Quando uma entrada de uma fun-
No entanto, à medida que novas que temos num único circuito integra- ção lógica TTL está no nível 0, flui uma
tecnologias foram sendo desenvolvi- do de 13 a 99 portas ou funções lógi- corrente da base para o emissor do
das permitindo a integração de uma cas. transistor multiemissor da ordem de
grande quantidade de componentes, 1,6 mA, figura 7.
surgiu a possibilidade de colocar num LSI - Large Scale Integration ou Esta corrente deve ser levada em
integrado não apenas umas poucas Integração em Grande Escala que conta em qualquer projeto, pois, ela
portas e funções adicionais que se- corresponde a circuitos integrados deve ser suprida pelo circuito que ex-
rão estudadas futuramente como flip- contendo de 100 a 999 portas ou fun- citará a porta.
flops, decodificadores e outros mas, ções lógicas. Quando a entrada de uma porta
também interligá-los de diversas for- lógica TTL está no nível alto, figura 8,
mas e utilizá-los em aplicações espe- VLSI - Very Large Scale flui uma corrente no sentido oposto
cíficas. Integration ou Integração em Esca- da ordem de 40 µA.
Diversas etapas no aumento da la Muito Grande que corresponde
integração foram obtidas e receberam aos circuitos integrados com mais de
nomes que hoje são comuns quando 1000 portas ou funções lógicas.

Figura 5 - Faixas de tensão reconhecidas Figura 6 - As funções mais simples TTL Figura 7 - Corrente de entrada
como 0 e 1 (nível alto e baixo). são encontradas nestes invólucros. no nível baixo (0).

16 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Veja então que podemos obter e saídas, definimos o FAN OUT como
uma capacidade muito maior de exci- o número máximo de entradas que
tação de saída de uma porta TTL podemos ligar a uma saída TTL.
quando ela é levada ao nível 0 do que Para os componentes da família
ao nível 1. TTL normal ou Standard que estamos
Isso justifica o fato de que em estudando, o FAN OUT é 10.
muitas funções indicadoras, em que Por outro lado, também pode ocor-
ligamos um LED na saída, fazemos rer que na entrada de uma função ló-
com que ele seja aceso quando a gica TTL precisemos ligar mais de
saída vai ao nível 0 (e portanto, a cor- uma saída TTL.
rente é maior) e não ao nível 1, con- Considerando novamente que cir-
Figura 8 - Corrente de forme a figura 11. culam correntes nestas ligações e que
entrada no nível alto (1). os circuitos têm capacidades limita-
- Fan In e Fan Out das de condução, precisamos saber
Estes são termos técnicos que até que quantidade de ligações po-
Esta corrente vai circular quando especificam características de extre- demos fazer.
a tensão de entrada estiver com um ma importância quando usamos cir- Desta forma o FAN-IN indica a
valor superior a 2,0 V. cuitos integrados da família TTL. quantidade máxima de saídas que
A saída de uma porta não precisa podemos ligar a uma entrada,
- Correntes de saída estar obrigatoriamente ligada a uma figura 13.
Quando a saída de um circuito TTL entrada de outra porta. A mesma saí-
vai ao nível 0 (ou baixo), flui uma cor- da pode ser usada para excitar diver-
rente da ordem de 16 mA, conforme sas portas.
observamos no circuito equivalente da Como a entrada de cada porta pre-
figura 9. cisa de uma certa corrente e a saída
Isso significa que uma saída TTL da porta que irá excitar tem uma ca-
no nível 0 ou baixo pode drenar de pacidade limitada de fornecimento ou
uma carga uma corrente máxima de de drenar a corrente, é preciso esta-
16 mA, ou seja, pode “absorver” uma belecer um limite para a quantidade
corrente máxima desta ordem. de portas que podem ser excitadas,
Por outro lado, quando a saída de veja o exemplo da figura 12.
uma função TTL está no nível 1 ou Assim, levando em conta as cor-
alto, ela pode fornecer uma corrente rentes nos níveis 1 e 0 das entradas
máxima de 400 µA, figura 10.

Figura 12 - Há um limite para a quantidade


Figura 10 - de entradas que uma saída pode excitar.
Corrente de
Figura 9 -
saída no nível
Corrente de saída
alto (1).
no nível baixo (0).

Figura 13 - Também pode ser necessário ligar


Figura 11 - Prefere-se a configuração (b) para acionar LEDs. mais de uma saída a uma entrada.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 17


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

- Velocidade Assim, a partir da família original


Os circuitos eletrônicos possuem denominada “Standard” surgiram di-
uma velocidade limitada de operação versas subfamílias. Para diferenciar
que depende de diversos fatores. essas subfamílias, foram adicionadas
No caso específico dos circuitos ao número que identifica o componen-
TTL, temos de considerar a própria te (depois do 54 ou 74 com que todos
configuração das portas que apresen- começam), uma ou duas letras.
tam indutâncias e capacitâncias pa- Temos então a seguinte tabela de
rasitas que influem na sua velocida- subfamílias e da família TTL standard:
de de operação.
Assim, levando em conta a confi- Figura 14 - Capacitâncias parasitas que Indicação: 54/74
guração típica de uma porta, confor- influem na velocidade de resposta dos Família/Subfamília: Standard
circuitos.
me observamos no circuito da figura Característica: nenhuma
14, veremos que se for estabelecida TTL, principalmente quando trabalha-
uma transição muito rápida da tensão mos com o projeto de dispositivos Indicação: 54L/74L
de entrada, a tensão no circuito não muito rápidos. Basicamente podemos Família/Subfamília: Low Power
subirá com a mesma velocidade. adiantar para o leitor que se dois si- Característica: Baixo consumo
Este sinal terá antes de carregar nais que devam chegar ao mesmo
as capacitâncias parasitas existentes tempo a um certo ponto do circuito Indicação: 54H/74H
de modo que a tensão de entrada não o fizerem, porque um se retarda Família/Subfamília: High Speed
suba gradualmente, demorando um mais do que o outro ao passar por de- Característica: Alta velocidade
certo tempo que deve ser considera- terminadas funções, isso pode gerar Indicação: 54S/74S
do. interpretações erradas do próprio cir- Família/Subfamília: Schottky
Da mesma forma, à medida que o cuito que funcionará de modo anor- Característica: nenhuma
sinal vai passando pelas diversas eta- mal.
pas do circuito, temos de considerar Indicação: 54LS/74LS
os tempos que os componentes de- Família/Subfamília: Low Power
Os primeiros circuitos TTL
moram para comutar justamente em Schottky
que foram desenvolvidos logo
função das capacitâncias e indutân- Característica: nenhuma
se mostraram inapropriados
cias parasitas existentes.
para certas aplicações.
O resultado disso é que para os A versão standard apresenta com-
circuitos integrados TTL existe um re- ponentes com o custo mais baixo e
tardo entre o instante em que o sinal também dispõe da maior quantidade
passa do nível 0 para o 1 na entrada 3.5 - Subfamílias TTL de funções disponíveis.
e o instante em que o sinal na saída Os primeiros circuitos TTL que fo- No entanto, a versão LS se adap-
responde a este sinal, passando ram desenvolvidos logo se mostraram ta mais aos circuitos de computado-
do nível 1 para o 0 no caso de um inapropriados para certas aplicações, res, pois tem a mesma velocidade dos
inversor. quando é necessária maior velocida- components da família Standard com
Da mesma forma, existe um retar- de, ou menor consumo de energia ou muito menor consumo.
do entre o instante em que o sinal de ainda os dois fatores reunidos. Algumas características podem
entrada passa do nível 1 para o 0 e o Isso fez com que, mantendo as ser comparadas, para que os leitores
instante em que o sinal de saída pas- características originais de compati- verifiquem as diferenças existentes.
sa do nível 0 para o 1, no caso de um bilidade entre os circuitos e manten-
inversor. do as mesmas funções básicas, fos- - Velocidade
Mostramos esses dois tempos na sem criadas sub-famílias que tives- A velocidade de operação de uma
figura 15, eles são muito importan- sem uma característica adicional di- função TTL normalmente é especi-
tes nas especificações dos circuitos ferenciada. ficada pelo tempo que o sinal demo-
ra para propagar através do circuito.
Em uma linguagem mais simples, tra-
ta-se do tempo entre o instante em
que aplicamos os níveis lógicos na
entrada e o instante em que obtemos
a resposta, conforme verificamos atra-
vés da forma de onda que vimos na
figura 15.
Para os circuitos da família TTL é
comum especificar estes tempos em
nanossegundos ou bilionésimos de
Figura 15 - Como são medidos os tempos de retardo nas funções TTL.
segundo.
18 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Família/Subfamília: Schottky Esta tabela é dada a seguir:


Dissipação por Gate (mW): 20
Saída
O leitor já deve ter percebido um 74L 74 74LS 74H 74S
problema importante: quando aumen- 74L 20 40 40 50 100
tamos a velocidade, o consumo tam- 74LS 2,5 10 51 2,5 12,5
bém aumenta. O projetista deve por-
tanto, ser cuidadoso em escolher a Entrada
sub- família que una as duas caracte- 74 10 20 20 25 50
rísticas na medida certa de sua pre- 74H 2 8 4 10 10
cisão, incluindo o preço. 74S 2 8 4 10 10

Figura 16 - Uma saída standard 3.6 - Compatibilidade entre as Observamos por esta tabela que
pode excitar 10 entradas LS. subfamílias uma saída 74 (Standard) pode exci-
Assim, temos: Um ponto importante que deve ser tar convenientemente 10 entradas
levado em conta quando trabalhamos 74LS (Low Power Schottky).
Família/Subfamília: TTL Standart com a família Standard e as subfa- Na figura 16 mostramos como isso
Tempo de programação (ns): 10 mílias TTL é a possibilidade de inter- pode ser feito.
ligarmos os diversos tipos.
Família/Subfamília: Low Power Isso realmente ocorre, já que to-
Tempo de programação (ns): 33 dos os circuitos integrados da família 3.7 - Open Collector e
TTL e também das subfamílias são Totem-Pole
Família/Subfamília: Low Power alimentados com 5 V. Os circuitos comuns TTL estuda-
Schottlky Devemos observar, e com muito dos até agora e que têm a configura-
Tempo de programação (ns): 10 cuidado, que as correntes que circu- ção mostrada na figura 14 são deno-
lam nas entradas e saídas dos com- minados Totem Pole.
Família/Subfamília: High Speed ponentes das diversas subfamílias Nestes circuitos temos uma confi-
Tempo de programação (ns): 6 são completamente diferentes, logo, guração em que um ou outro transis-
quando passamos de uma para ou- tor conduz a corrente, conforme o ní-
Família/Subfamília: Schottkly tra, tentanto interligar os seus com- vel estabelecido na saída seja 0 ou 1.
Tempo de programação (ns): 3 ponentes, as regras de Fan-In e Fan- Este tipo de circuito apresenta um
Out mudam completamente. inconveniente se ligarmos duas por-
- Dissipação Na verdade, não podemos falar de tas em paralelo, conforme a figura 17.
Outro ponto importante no projeto Fan-in e Fan-out quando interligamos Se uma das portas tiver sua saída
de circuitos digitais é a potência circuitos de famílias diferentes. indo ao nível alto (1) ao mesmo tem-
consumida e portanto, dissipada na O que existe é a possibilidade de po que a outra vai ao nível baixo
forma de calor. Quando usamos uma elaborar uma tabela, a partir das ca- (0),um curto-circuito é estabelecido na
grande quantidade de funções, esta racterísticas dos componentes, em saída e pode causar sua queima.
característica se torna importante tan- que a quantidade máxima de entra- Isso significa que os circuitos in-
to para o dimensionamento da fonte das de determinada subfamília pos- tegrados TTL com esta configuração
como para o próprio projeto da placa sa ser ligada na saída de outra nunca podem ter suas saídas interli-
e do aparelho que deve ter meios de subfamília. gadas da forma indicada.
dissipar o calor gerado.
Podemos então comparar as dis- Figura 17 - Conflitos de níveis em
sipações das diversas famílias, to- saídas interligadas.
mando como base uma porta ou gate:

Família/SubFamília: Standard
Dissipação por Gate (mW): 10

Família/SubFamília: Low Power


Dissipação por Gate (mW): 1

Família/SubFamília: Low Power


Schottky
Dissipação por Gate (mW): 2

Família/SubFamília: High Speed


Dissipação por Gate (mW): 22
SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 19
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 18 - Porta NAND (não-E) com Figura 19 - O resistor "pull up" serve para
saída em coletor aberto (Open Collector). polarizar os transistores das saídas das
funções "open colletor".
desligado, circuito aberto ou terceiro
No entanto, existe uma possibili- 3.8 - Tri-State estado. Isso é conseguido através de
dade de elaborar circuitos em que as Tri-state significa terceiro estado e uma entrada de controle denomina-
saídas de portas sejam interligadas. é uma configuração que também da “habilitação” em inglês “enable”
Isso é conseguido com a configura- pode ser encontrada em alguns cir- abreviada por EN.
ção denominada Open Collector mos- cuitos integrados TTL, principalmen- Assim, quando EN está no nível
trada na figura 18. te usados em Informática. Na figura 0, no circuito da figura 20, o transis-
Os circuitos integrados TTL que 20 temos um circuito típico de uma tor não conduz e nada acontece no
possuem esta configuração são indi- porta NAND tri-state que vai servir circuito que funciona normalmente.
cados como “open collector” e quan- como exemplo. Podem existir aplica- No entanto, se EN for levada ao
do são usados, exigem a ligação de ções em que duas portas tenham nível 1, o transistor satura, levando ao
um resistor externo denominado “pull suas saídas ligadas num mesmo cir- corte, ou seja, os dois passam a se
up” normalmente de 2000 Ω ou próxi- cuito, figura 21. comportar como circuitos abertos, in-
mo disso. Uma porta está associada a um dependentemente dos sinais de en-
Como o nome em inglês diz, o primeiro circuito e a outra porta a um trada. Na saída Y teremos então um
transistor interno está com o “coletor segundo circuito. Quando um circuito estado de alta impedância.
aberto” (open collector) e para funci- envia seus sinais para a porta, o ou- Podemos então concluir que a fun-
onar precisa de um resistor de polari- tro deve ficar em espera. ção tri-state apresenta três estados
zação. Ora, se o circuito que está em es- possíveis na sua saída:
A vantagem desta configuração pera ficar no nível 0 ou no nível 1, Nível lógico 0
está na possibilidade de interligarmos estes níveis serão interpretados pela Nível lógico 1
portas diferentes num mesmo ponto, porta seguinte como informação e Alta Impedância
figura 19. isso não deve ocorrer. As funções tri-state são muito usa-
A desvantagem está na redução O que deve ocorrer é que quando das nos circuitos de computadores,
da velocidade de operação do circui- uma porta estiver enviando seus si- nos denominados barramentos de
to que se torna mais lento com a pre- nais, a outra porta deve estar numa dados ou “data bus”, onde diversos
sença do resistor, pois ele tem uma situação em que na sua saída não circuitos devem aplicar seus sinais ao
certa impedância que afeta o desem- tenhamos nem 0 e nem 1, ou seja, mesmo ponto ou devem compartilhar
penho do circuito. ela deve ficar num estado de circuito a mesma linha de transferência des-
ses dados. O circuito que está funcio-
nando deve estar habilitado e os que
não estão funcionando, para que suas
saídas não influenciem nos demais,
devem ser levados sempre ao tercei-
ro estado.
Na figura 22 temos um exemplo
de aplicação em que são usados cir-
cuitos tri-state . Uma unidade de
processamento de um computador
envia e recebe dados para/de diver-
sos periféricos usando uma única li-
nha (bus). Todos os circuitos ligados
a estas linhas devem ter saídas do tipo
Figura 20 - Uma porta NAND TTL tri-state. tri-state.
20 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 21 - Quando A estiver enviando sinais


para C, B deve estar "desativado".

QUESTIONÁRIO 5. A família TTL de alta velocida-


de tem seus componentes com a
1. Quais são as duas principais sigla:
famílias de circuitos lógicos digitais a) 74L b) 74H
obtidas na forma de circuitos integra- c) 74S d) 74LS
dos?
a) CMOS e TTL 6. Para que tipos de configuração
b) Schottky e LS de saída não podemos ligar duas por-
c) AO e Solid State tas juntas?
d) FET e Bipolar a) Todas
b) Totem pole
2. Qual é a tensão de alimentação c) Open Collector
dos circuitos integrados da família TTL d) Nenhuma delas
Standard?
a) 3 a 15 V b) 1,5 V 7. Que estado encontramos numa
c) 5 V d) 12 V saída de uma função TTL Tri-state
quando a entrada de habilitação não
3. Circuitos integrados que conte- está ativada?
nham grande quantidade de funções, a) Nível 0
mais de 1 000, usados principalmen- b) Nível 1
te nos modernos computadores são c) Nível 0 ou 1
denominados: d) Alta impedância
a) SSI b) MSI
c) LSI d) VLSI
Respostas da lição no 2
4. Um circuito integrado tem uma 1 - b)
capacidade maior de corrente na sua 2 - b)
saída quando: 3 - a)
a) No nível 1 b) No nível 0 4 - a)
c) As capacidades são iguais nos 5 - a)
dois níveis 6 - d)
d) A capacidade depende da fun- 7 - c)
ção
Figura 22 - Na troca de dados entre
diversas interfaces deve-se usar
componentes com saídas tri-state.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 21


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

LIÇÃO 4

FAMÍLIAS DE CIRCUITOS INTEGRADOS CMOS

Na lição anterior mostramos aos duas famílias correspondem pratica- cações em que é mais vantajoso usar
leitores que os circuitos integrados mente a tudo que pode ser feito em um tipo e aplicações em que o outro
digitais são organizados em famílias matéria de circuitos digitais, o seu tipo é melhor.
de modo a manter uma compatibili- conhecimento dará as bases neces- Os transistores de efeito de cam-
dade de características que permita sárias ao trabalho com este tipo de po usados nos circuitos integrados
sua interligação direta sem a neces- componente. CMOS ou MOSFETs têm a estrutura
sidade de qualquer componente adi- básica mostrada na figura 1 onde
cional. Vimos na ocasião que as fa- também aparece seu símbolo.
mílias contam com dezenas ou mes- OS CIRCUITOS Conforme podemos ver, o eletro-
mo centenas de funções que atuam INTEGRADOS CMOS do de controle é a comporta ou gate
como blocos ou tijolos a partir dos (g) onde se aplica o sinal que deve
quais podemos “construir” qualquer CMOS significa Complementary ser amplificado ou usado para
circuito eletrônico digital, por mais Metal-Oxide Semiconductor e se re- chavear o circuito. O transistor é po-
complexo que seja. Na verdade, os fere a um tipo de tecnologia que utili- larizado de modo a haver uma ten-
próprios blocos tendem a ser cada vez za transistores de efeito de campo ou são entre a fonte ou source (s) e o
mais completos, com a disponibilida- Field Effect Transistor (FET) em lugar dreno ou drain (d). Fazendo uma ana-
de de circuitos integrados que conte- dos transistores bipolares comuns logia com o transistor bipolar,
nham milhares ou mesmo dezenas de (como nos circuitos TTL) na elabora- podemos dizer que a comporta do
milhares de funções já interligadas de ção dos circuitos integrados digitais. MOSFET equivale à base do transis-
modo a exercer uma tarefa que seja Existem vantagens e desvanta- tor bipolar, enquanto que o dreno
muito utilizada. É o caso dos circuitos gens no uso de transistores de efeito equivale ao coletor e a fonte ao emis-
integrados VLSI de apoio encontrados de campo, mas os fabricantes conse- sor, figura 4.2.
nos computadores, em que milhares guem pouco a pouco eliminar as dife- Observe que entre o eletrodo de
de funções lógicas já estão interliga- renças existentes entre as duas famí- comporta, que consiste numa placa
das para exercer dezenas ou cente- lias com o desenvolvimento de de alumínio e a parte que forma o
nas de funções comuns nestes equi- tecnologias de fabricação, aumentan- substrato ou canal por onde passa a
pamentos. do ainda a sua velocidade e reduzin- corrente, não existe contato elétrico
Na lição anterior estudamos a fa- do seu consumo. De uma forma ge- e nem junção, mas sim uma finíssima
mília TTL e suas subfamílias muito ral, podemos dizer que existem apli- camada de óxido de alumínio ou óxi-
comuns na maioria dos equipamen-
tos eletrônicos, analisando as princi- Figura 1 - Um transistor CMOS
pais funções disponíveis e também de canal N (NMOS).
suas características elétricas.
No entanto, existem outras famíli-
as e uma muito utilizada é justamen-
te a que vamos estudar nesta lição: a
família CMOS. Se bem que as duas
famílias CMOS e TTL tenham carac-
terísticas diferentes, não são incom-
patíveis. Na verdade, conforme vere-
mos, elas podem ser interligadas em
Substrato
determinadas condições que o leitor
P
deve conhecer e que também serão
abordadas nesta lição. Como estas
22 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

CURSO BÁSICO DE
Assim, ELETRÔNICA
no tipo P uma tensão posi- DIGITAL
APLICAÇÕES DIGITAIS
tiva de comporta aumenta sua con-
dução, ou seja, faz com que ele satu- Da mesma forma que podemos
re e no tipo N, uma tensão negativa elaborar funções lógicas básicas
de comporta é que o leva à satura- usando transistores bipolares co-
ção. muns, também podemos fazer o mes-
Mais uma vez fazendo uma com- mo com base nos transistores de efei-
paração com os tipos bipolares, po- to de campo MOS. A tecnologia
demos dizer então que enquanto os CMOS (Complementary MOS) permi-
Figura 2 - Equivalência de funções dos transistores bipolares são típicos am- te que os dispositivos tenham carac-
eletrodos para transistores MOS e bipolares. plificadores de corrente, os FETs ou terísticas excelentes para aplicações
transistores de efeito de campo MOS digitais.
do metálico, que dá nome ao disposi- são típicos amplificadores de tensão. CMOS significa que em cada fun-
tivo (metal-oxide). Esta diferença leva o transistor de ção temos configurações em que tran-
A polaridade do material semi- efeito de campo MOS a apresentar sistores de canal N e de canal P são
condutor usado no canal, que é a par- características muito interessantes usados ao mesmo tempo, ou seja,
te do transistor por onde circula a cor- para aplicações em Eletrônica Digital usamos pares complementares, con-
rente controlada, determina seu tipo ou Analógica. forme diagrama do inversor lógico
e também a polaridade da tensão que Uma delas está no fato de que a mostrado na figura 5. Conforme ex-
a controla. impedância de entrada do circuito é plicamos no item anterior, a polarida-
Assim, encontramos na prática extremamente elevada, o que signifi- de da tensão que controla a corrente
transistores de efeito de campo tipo ca que precisamos praticamente só principal nos transistores de efeito de
MOS de canal N e transistores de efei- de tensão para controlar os dispositi- campo MOS depende justamente do
to de campo tipo MOS de canal P. vos CMOS. tipo de material usado no canal, que
Na verdade, os próprios transisto- Assim, é preciso uma potência pode ser do tipo P ou do tipo N.
res MOS podem ainda ser divididos extremamente baixa para o sinal que Assim, se levarmos em conta que
em dois tipos: enriquecimento e em- vai excitar a entrada de um circuito nos circuitos digitais temos dois níveis
pobrecimento que levam a dois tipos integrado CMOS, já que praticamen- de sinal possíveis, podemos perceber
de representação. Para nosso curso te nenhuma corrente circula por este que dependendo do nível deste sinal
é mais importante lembrar que exis- elemento. aplicado à comporta dos dois transis-
tem transistores MOS tipo P e tipo N. A outra está no fato de que, dife- tores ao mesmo tempo, quando um
Na figura 3 temos os símbolos rentemente dos transistores bipolares deles estiver polarizado no sentido de
adotados para representar os dois ti- que só começam a conduzir quando conduzir plenamente a corrente
pos de transistores. uma tensão da ordem de 0,6 V vence (saturado), o outro estará obrigatori-
Podemos dizer, de maneira geral, a barreira de potencial de sua junção amente polarizado no sentido de cor-
que estes transistores são equivalen- base-emissor, os FETs não têm esta tar esta corrente (corte).
tes aos tipos NPN e PNP bipolares. descontinuidade de características, o No circuito indicado, quando a
A corrente que circula entre a fon- que os torna muito mais lineares em entrada A estiver no nível baixo (0) o
te e o dreno pode ser controlada pela qualquer aplicação que envolva am- transistor Q2 conduz, enquanto Q1
tensão aplicada à comporta. Isso sig- plificação de sinais. permanece no corte. Isso significa que
nifica que, diferentemente dos transis- Na figura 4 temos as curvas ca- Vdd, que é a tensão de alimentação
tores bipolares em que a corrente de racterísticas de um MOSFET de ca- positiva, é colocada na saída, o que
coletor depende da corrente de base, nal N. corresponde ao nível alto ou 1.
no transistor de efeito de campo, a
corrente do dreno depende da tensão
de comporta.

Figura 3 - Símbolos dos Figura 4 - Curvas características do Figura 5 - Um inversor com


transistores MOS (de enriquecimento). transistores MOS de canal N. transistores MOS (CMOS).

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 23


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Por outro lado, quando na entra- Figura 6 - A única corrente do circuito passa
da aplicamos o nível alto, que pela carga externa.
corresponde ao Vdd (tensão de ali-
mentação), é o transistor Q1 que con-
duz e com isso o nível baixo ou 0 V é
que será colocado na saída.
Conforme sabemos, estas carac-
terísticas correspondem justamente a
função inversora.

CONSUMO E VELOCIDADE

Analisando o circuito inversor to- é uma placa de metal fixada no mate- antes de chegar a um certo ponto em
mado como base para nossas expli- rial semicondutor e isolada por meio que ele seja necessário, e a soma
cações, vemos que ele apresenta de uma camada de óxido, funciona dos atrasos não for prevista poderá
duas características importantes. como a armadura ou placa de um haver diversos problemas de funcio-
A primeira é que sempre um dos capacitor, verifique a figura 7. namento.
transistores estará cortado, qualquer Isso significa que, ao aplicarmos Veja, entretanto, que a carga de
que seja o sinal de entrada (alto ou um sinal de controle a uma função um capacitor num circuito de tempo,
baixo) logo, praticamente não circula deste tipo, a tensão não sobe imedia- como o na figura 8 até um determi-
corrente alguma entre o Vdd e o pon- tamente até o valor desejado, mas nado nível de tensão depende tam-
to de terra (0 V). A única corrente que precisa de um certo tempo necessá- bém da tensão de alimentação.
irá circular será eventualmente a de rio para carregar o “capacitor” repre- Assim, com mais tensão, a carga
um circuito externo excitado pela saí- sentado pelo eletrodo de comporta. é mais rápida e isso nos leva a uma
da, figura 6. Se bem que o eletrodo tenha dimen- característica muito importante dos
Isso significa um consumo extre- sões extremamente pequenas, se le- circuitos CMOS digitais que deve ser
mamente baixo para este par de tran- varmos em conta as impedâncias en- levada em conta em qualquer aplica-
sistores em condições normais, já que volvidas no processo de carga e tam- ção: com maior tensão de alimen-
na entrada a impedância é elevadís- bém a própria disponibilidade de cor- tação, os circuitos integrados
sima e praticamente nenhuma corren- rente dos circuitos excitadores, o tem- CMOS são mais rápidos.
te circula. Este consumo é da ordem po envolvido no processo não é des- Assim, enquanto que nos manuais
de apenas 10 nW (nW = nanowatt = prezível e um certo atraso na propa- de circuitos integrados TTL encontra-
0,000 000 001 watt). gação do sinal ocorre. mos uma velocidade máxima única de
É fácil perceber que se integrar- O atraso nada mais é do que a di- operação para cada tipo (mesmo por-
mos 1 milhão de funções destas num ferença de tempo entre o instante em que sua tensão de alimentação é fixa
circuito integrado, ele irá consumir que aplicamos o sinal na entrada e o de 5 V), nos manuais CMOS encon-
apenas 1 mW! Na prática temos fato- instante em que obtemos um sinal na tramos as velocidades associadas às
res que tornam maior este consumo, saída. tensões de alimentação (já que os cir-
como por exemplo, eventuais fugas, Nos circuitos integrados CMOS tí- cuitos integrados CMOS podem ser
a necessidade de um ou outro com- picos como os usados nas aplicações alimentados por uma ampla faixa de
ponente especial de excitação que digitais, para um inversor como o do tensões).
exija maior corrente, etc. exemplo, este atraso é da ordem de 3 Um exemplo disso pode ser obser-
Mas, ao lado das boas caracterís- nanossegundos (3 ns). vado nas características de um circui-
ticas, ele também tem seus proble- Isso pode parecer pouco nas apli- to integrado CMOS formado por seis
mas: um deles está no fato de que o cações comuns, mas se um sinal ti- inversores (hex inverter) onde temos
eletrodo de controle (comporta) que ver de passar por centenas de portas as seguintes frequências máximas de
operação:

4049 - Seis inversores


Frequência máxima de operação:
Com Vdd = 5 V - 1,66 MHz (tip)
Vdd = 10 V - 4,00 MHz (tip)
Vdd = 15 V - 5,00 MHz (tip)

Veja então que o circuito é muito


mais rápido quando o alimentamos
com uma tensão de 15 V do que quan-
Figura 7 - Os transistores MOS apresentam uma capacitância de entrada. do o alimentamos com uma tensão

24 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

dos circuitos integrados são enfiados


Figura 8 - Vx (tensão de disparo) é
e assim mantidos em curto, figura 11.
atingida antes com tensões maiores.
Os circuitos integrados CMOS de-
vem ser mantidos nestas esponjas até
o momento de serem usados, sob
pena de que algum toque acidental
com o dedo carregado de estática
provoque danos.
Outra possibilidade consiste em
transportar os circuitos integrados
CMOS em embalagens de plástico
anti-estático figura 12.
De qualquer forma, a regra geral
é: NUNCA toque com os dedos nos
de apenas 5 V. Este fato é muito im- terminais de componentes CMOS
portante, por exemplo, na elaboração sejam eles circuitos integrados ou
de um oscilador com circuito integra- transistores.
do CMOS que opere no seu limite de Num laboratório onde são
velocidade. efetuados trabalhos com circuitos in-
tegrados CMOS é importante obser-
var precauções especiais para que
SENSIBILIDADE AO MANUSEIO em nenhum ponto ocorram acúmulos
de cargas estáticas. As bancadas de
O fato de que existe uma finíssima Figura 9 - Descargas estáticas trabalhos com computadores devem
camada de óxido isolando a compor- destroem os transistores MOS. ter partes metálicas aterradas e os
ta do substrato e esta camada é ex- próprios técnicos devem usar recur-
tremamente sensível a descargas elé- é evitar de qualquer modo que apa-
sos que permitam descarregar cargas
tricas torna os dispositivos que usam reçam tensões perigosas capazes de
do seu corpo. Em empresas de tra-
transistores MOS muito delicados. causar danos entre os terminais dos
balhos com circuitos CMOS é comum
De fato, a própria carga elétrica componentes.
os técnicos usarem pulseiras metáli-
acumulada em ferramentas ou em Para os transistores MOS existe a
cas, sendo estas pulseiras ligadas a
nosso corpo quando caminhamos possibilidade de dotá-los de um pe-
um fio terra.
num tapete num dia seco ou ainda queno anel de metal que curto-circuita
Para o técnico comum é apenas
atritamos objetos em nossa roupa seus terminais, conforme figura 10,
necessário lembrar-se de que não
pode ser suficiente para danificar de e que somente é retirado depois que
deve tocar nos terminais dos compo-
modo irreversível dispositivos CMOS. o componente é soldado na placa de
nentes e com isso já haverá uma boa
Para que o leitor tenha uma idéia, circuito impresso.
garantia da integridade dos circuitos.
caminhando num carpete num dia Existem diversas formas de fazer
Um outro ponto importante é nun-
seco, seu corpo pode acumular uma transporte de circuitos integrados sem
ca deixar nenhuma entrada de um cir-
carga estática que atinge potenciais o perigo de que cargas estáticas acu-
cuito integrado CMOS desligada.
de até 10 000 V. muladas em objetos possam lhes cau-
Se você tocar numa torneira, a sar danos.
descarga de seu corpo neste percur- Uma delas consiste no uso de uma
so de terra pode lhe causar um forte esponja condutora onde os terminais
choque.
Se, da mesma forma, você tocar
num terminal de um dispositivo
CMOS, a carga do seu corpo que es-
coa por este dispositivo pode facil-
mente destruir a finíssima camada de
Figura 11 - Uma esponja condutora é usada
óxido que separa a comporta do no transporte de CIs sensíveis.
substrato e o componente estará inu-
tilizado.
Em outras palavras, os dispositi-
vos que usam transistores CMOS são
extremamente sensíveis a descargas
estáticas, figura 9. Figura 10 - Transistores MOS podem ser Figura 12 - Embalagem
Assim, a primeira preocupação no protegidos por um anel de metal que coloca anti-estática para
uso e manuseio destes componentes em curtos seus terminais. circuitos integrados.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 25


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

A sensibilidade destas entradas é Quando as duas entradas estive-


suficientemente alta para que tensões rem no nível 1, entretanto, os dois
induzidas no próprio circuito sejam transistores de canal N irão conduzir
captadas, levando os dois transisto- ao mesmo tempo, levando a saída
res a um estado intermediário entre o para o nível baixo.
corte e a saturação ou ainda fazendo Para as outras funções lógicas te-
com que entrem em oscilação na mos configurações do mesmo tipo,
frequência do sinal captado. Isso, mudando apenas a disposição e a
além de elevar o consumo do circuito quantidade de transistores usados.
integrado, pode causar instabilidades Tomando estas duas funções como
que afetem o funcionamento geral do exemplo, achamos que o leitor terá
circuito. uma idéia de como elas são feitas e
Uma regra prática consiste em le- como funcionam.
var as entradas das funções não usa-
das num integrado a níveis definidos
Figura 14 - Porta NAND CMOS.
de tensão, ou seja, ligar ao Vdd ou ESPECIFICAÇÕES
ainda ao ponto de 0 V.
A principal família de circuitos in-
tegrados CMOS é a 4000, onde to-
AS CONFIGURAÇÕES CMOS dos os componentes são designados
por números como 4001, 4011, 4017,
Na figura 13 temos a configura- 4096, etc.
ção usada para uma porta NOR de 2 Os circuitos integrados CMOS co-
entradas CMOS em que temos qua- muns funcionam com tensões de ali-
tro transistores. mentação de 3 a 15 V. Lembramos
que existem séries CMOS mais anti-
gas com o sufixo A em que a tensão
de alimentação fica na faixa de 3 a
12 V.
De qualquer forma, em caso de
dúvida sobre qualquer característica Figura 15 - Correntes de
de um circuito integrado CMOS que saída de uma função CMOS.
tenha algum sufixo que possa indicar
variações nas especificações nor- no nível baixo) uma corrente de até 1
mais, é sempre bom consultar seu mA e essa corrente sobe para 2,5 mA
manual. quando a alimentação é de 10 V.
Da mesma forma que no caso dos Estas correntes, conforme a figu-
circuitos integrados TTL, é preciso ra 4.15 são designadas por IOL e IOH
saber interpretar algumas das princi- nas folhas de especificações dos cir-
pais especificações que são: cuitos integrados CMOS.
Figura 13 - Porta NOR CMOS. a) Tensão de saída - no nível ló- c) Corrente de fuga na entrada -
gico baixo (0) a tensão de saída se se bem que a comporta esteja isola-
Observe a simplicidade dos circui-
aproxima de 0 V sendo no máximo de da do circuito dreno-fonte, com uma
tos CMOS quando comparados a fun-
0,01 V para os tipos comuns com ali- resistência que teoricamente seria
ções equivalentes TTL. Com os cir-
mentação na faixa de 5 a 10 V. No infinita, na prática pode ocorrer uma
cuitos CMOS precisamos apenas de
nível lógico alto, a tensão de saída é pequena fuga.
transistores para obter a função de-
praticamente a tensão de alimentação Esta, da ordem de 10 pA (1
sejada, enquanto que na equivalente
Vdd ou no máximo 0,01 V menor. picoampère = 0,000 000 000 001
TTL precisamos de transistores e
b) Corrente de saída - diferente- ampère) para uma alimentação de 10
muitos resistores e em alguns casos
mente dos circuitos integrados TTL V deve ser considerada quando pre-
até de diodos.
em que temos uma capacidade mai- cisamos calcular a corrente de entra-
Na figura 14 temos a configura-
or de drenar corrente na saída do que da de um circuito CMOS numa apli-
ção usada para uma porta NAND de
de fornecer, para os circuitos integra- cação mais crítica.
duas entradas CMOS onde também
dos CMOS a capacidade de drenar e d) Potência - os circuitos integra-
usamos apenas 4 transistores.
de fornecer corrente de saída é prati- dos CMOS consomem muito menos
Neste circuito, quando as entradas
camente a mesma. energia que os circuitos integrados
ou uma delas estiver no nível baixo
Assim, para uma alimentação de TTL. Para os tipos comuns a corrente
(0) um ou os dois transistores de ca-
5 V as saídas podem fornecer (quan- de alimentação Idd é normalmente da
nal P estarão em condução e a saída
do no nível alto) ou drenar (quando ordem de 1 nA tipicamente com um
ficará no nível alto.

26 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

intermediário de casamento de carac-


Figura 16 - Interfaceamento CMOS/TL.
terísticas.
Este circuito intermediário deve
manter o sinal, ou seja, deve ser sim-
plesmente um buffer não inversor,
como por exemplo, o de coletor aber-
to 7406 ou 7407 com um resistor de
pull-up externo, conforme a figura
4.17. O valor deste resistor depende-
rá da tensão de alimentação.
b) CMOS excitando uma entra-
da TTL
Neste caso, devemos considerar
que uma saída CMOS no nível baixo
pode drenar uma corrente de aproxi-
madamente 0,5 mA e no estado alto,
a mesma intensidade.
No entanto, uma entrada TTL for-
nece uma corrente de 1,6 mA no ní-
vel baixo, o que não pode ser absor-
máximo de 0,05 µA para alimentação a) A saída TTL deve excitar a en- vido pela saída CMOS. Isso significa
de 5 V, o que corresponde a uma dis- trada CMOS. que entre as duas devemos interca-
sipação de 5 nW em média para ali- Se os dois circuitos operarem com lar um buffer CMOS, como por exem-
mentação de 5 V e 10 nW para ali- uma tensão de alimentação de 5 V plo, os 4049 e 4050 que permitem a
mentação de 10 V. não há problema e a interligação pode excitação de até duas entradas TTL
e) Velocidade - os tipos comuns ser direta. a partir de uma saída CMOS.
CMOS são muito mais lentos que os Como as entradas CMOS têm
TTL, mas famílias especiais estão uma impedância muito alta (não exi-
aparecendo com velocidades cada gindo praticamente corrente alguma) FONTE DE ALIMENTAÇÃO
vez maiores e em muitos casos estas da saída TTL, não existe perigo do
se aproximam dos mais rápidos TTLs. circuito CMOS “carregar” a saída TTL. Os circuitos integrados TTL preci-
As frequências máximas, confor- No entanto, existe um problema a ser sam de uma tensão contínua na faixa
me já explicamos, dependem das ten- considerado: as entradas CMOS só de 4,5 a 5,5 V para poderem funcio-
sões de alimentação e das funções, reconhecem como nível 1 uma ten- nar e são bastante sensíveis a altera-
já que maior número de componen- são de pelo menos 3,5 V, enquanto ções que saiam desta faixa.
tes para atravessar significa um atra- que no nível alto, a tensão mínima que Já os circuitos CMOS são muito
so maior do sinal. Assim, nos manuais o TTL pode fornecer nestas condições menos sensíveis e podem operar
encontramos a especificação de ve- é de 3,3 V. numa faixa mais larga de tensões,
locidade dada tanto em termos de Isso significa que é preciso asse- conforme vimos, o que facilita bastan-
frequência quanto em termos de atra- gurar que a entrada CMOS reconhe- te o projeto das fontes e até permite
so do sinal. Para o caso do atraso do ça o nível alto TTL, o que é consegui- a alimentação direta a partir de pilhas
sinal, observamos que ele pode es- do com a adição de um resistor exter- ou baterias.
tar especificado para uma transição no de pull-up, observe a figura 4.16. Veja que o fato dos circuitos inte-
do nível alto para o nível baixo ou vice- Este resistor de 22 kΩ é ligado ao grados CMOS funcionarem perfeita-
versa e em alguns circuitos ou ten- positivo da alimentação de 5 V. mente com tensões como 3, 6 , 9 e
sões de alimentação podem ocorrer Se o circuito CMOS a ser excita- 12 V, que são facilmente obtidas de
diferenças. do por um TTL for alimentado com pilhas e bateria, os torna ideais para
tensão maior que 5 V, por exemplo aplicações em que este tipo de fonte
12 V, deve ser usado um circuito é usada.
INTERFACEANDO
Figura 17 - Interfaceando
Conforme explicamos, mesmo TTL com CMOS.
tendo uma faixa de tensões ampla e
características diferentes dos circui-
tos integrados TTL, existe a possibili-
dade de interfacear circuitos dos dois
tipos. Há duas possibilidades de
interfaceamento entre circuitos digitais
TTL e circuitos digitais CMOS.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 27


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

QUESTIONÁRIO

1. O elemento de controle do sinal


de um transistor de efeito de campo
é denominado:
a) base
b) dreno
c) comporta
d) canal

2. Qual o tipo de material que se-


para o elemento de controle de um
MOSFET do canal?
a) Uma junção PN
b) Um substrato condutor
c) Uma camada de material
isolante
d) Um terminal de cobre

3. Num inversor CMOS encontra-


mos na etapa de saída:
a) dois FETs de canal N
b) dois FETs de canal P
c) Um par de transistores bipolares
d) Um FET de canal N e outro
de canal P

4. A faixa de tensões de alimenta-


ção dos circuitos integrados CMOS
tem valores entre:
a) 4,5 e 5,5 V
b) 3 e 15 V
c) 0 e 6 V
d) 5 e 18 V

5. O perigo maior do manuseio dos


circuitos integrados CMOS se deve a:
a) descargas estáticas
b) aquecimento da pastilha
semicondutora
c) perigo de quebra dos terminais
d) contaminação radioativa

6. O que devemos fazer com as


entradas não usadas de um circuito
integrados CMOS.
a)cortá-las
b)aterrá-las
c)ligá-las a um nível lógico
apropriado
d) ligar a um resistor de 100 kΩ

Respostas da Lição nº 2:
1-b 2-b 3-a 4-a 5-a 6-d 7-c
Respostas da Lição nº3:
1-a 2-c 3-d 4-b 5-d 6-c 7-d
Respostas desta edição:
1-c 2-c 3-d 4-b 5-a 6-c

28 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

LIÇÃO 5

COMBINANDO FUNÇÕES LÓGICAS

Nas duas lições anteriores estu- Vimos, desta forma, que a tabela 0 1 1 = 3
damos as famílias lógicas CMOS e verdade para uma função AND de 1 0 0 = 4
TTL, analisando suas características duas entradas, como a representada 1 0 1 = 5
elétricas principais e a maneira como na figura 1, pode ser dada por: 1 1 0 = 6
os componentes são fabricados atra- 1 1 1 = 7
vés de alguns circuitos típicos. A B S
Nesta lição continuaremos a es- 0 0 0 O conhecimento da contagem bi-
tudar as funções lógicas, agora de 0 1 0 nária facilita bastante a elaboração de
uma forma mais completa. Analisare- 1 0 0 tabelas verdades, quando todas as
mos o que ocorre quando juntamos 1 1 1 combinações possíveis de níveis ló-
diversas funções lógicas, prevendo o gicos em 2, 3 ou 4 entradas devam
que acontece com suas saídas. Os Veja que nas colunas de entrada ser estudadas.
circuitos complexos, como os usados (A e B) para termos todas as combi- Assim, uma vez que o leitor conhe-
nos computadores, por exemplo, se nações possíveis, fazemos o equiva- ça o comportamento das principais
aproveitam das operações complica- lente à numeração binária de 0 a 3, já funções, sabendo o que ocorre na
das que muitas portas lógicas podem que: saída de cada uma quando temos
realizar em conjunto. Assim, é de fun- determinadas entradas e sabendo
damental importância para nosso es- 0 0 = 0 elaborar tabelas verdades, fica fácil
tudo saber analisar estas funções. 0 1 = 1 combinar funções e saber o que acon-
1 0 = 2 tece em suas saídas.
1 1 = 3
5.1 - As tabelas verdade 5.2 - Lógica Combinacional
Os diversos sinais de entrada apli- Para uma tabela verdade feita para Vamos partir de um exemplo sim-
cados a uma função lógica, com to- uma porta AND de 3 entradas tere- ples de lógica combinacional usando
das as suas combinações possíveis, mos: tabelas verdades para saber o que
e a saída correspondente podem ser ocorre na sua saída, com o circuito
colocados numa tabela. A B C S da figura 2.
Nas colunas de entradas coloca- 0 0 0 0 Este circuito faz uso de uma porta
mos todas as combinações possíveis 0 0 1 0 AND, um inversor e uma porta OR. O
de níveis lógicos que as entradas po- 0 1 0 0 resultado desta configuração é uma
dem assumir. Na coluna correspon- 0 1 1 0 função combinacional com três entra-
dente à saída colocamos os valores 1 0 0 0 das e uma saída.
que esta saída assume em função 1 0 1 0
dos níveis lógicos correspondentes na 1 1 0 0
entrada. 1 1 1 1

Neste caso, as combinações de


níveis lógicos na entrada correspon-
dem à numeração binária de 0 a 7 já
que:

0 0 0 = 0
Figura 1 - Funções ou porta 0 0 1 = 1 Figura 2 - Circuito combinacional
AND (E) de duas entradas. 0 1 0 = 2 simples com três entradas.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 29


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Para elaborar a tabela verdade Sabemos que a tabela verdade Resultando na seguinte tabela:
para este circuito e assim determinar- para o inversor é:
mos todas as saídas possíveis em A B C S1 S2 S
função das entradas, devemos levar A S 0 0 0 1 0 1
em conta que ele é formado por duas 0 1 0 0 1 1 0 1
etapas. 1 0 0 1 0 1 0 1
Na primeira etapa temos a porta 0 1 1 1 1 1
AND e o inversor, enquanto que na Ora, como em nosso caso A é a 1 0 0 0 0 0
segunda etapa temos a porta OR. Isso entrada do inversor e S1 é sua saída, 1 0 1 0 0 0
significa que as saídas dos circuitos podemos partir para a determinação 1 1 0 0 0 0
da primeira etapa, que chamaremos de toda a coluna S1 simplesmente in- 1 1 1 0 1 1
de S1 e S2 são a entrada da segunda vertendo os valores de A, da seguin-
etapa. te forma: Trata-se de uma função bastante
Temos então de levar em conta interessante que pode ser definida
estas saídas na elaboração da tabe- A B C S1 S2 S como “a que fornece uma saída alta
la verdade que terá no seu topo as 0 0 0 1 somente quando a entrada A estiver
seguintes variáveis: 0 0 1 1 no nível baixo, não importando as
0 1 0 1 demais entradas ou ainda quando as
A B C S1 S2 S 0 1 1 1 três entradas estiverem no nível alto”.
1 0 0 0
A,B e C são as entradas dos cir- 1 0 1 0
cuitos. S1 e S2 são pontos intermediá- 1 1 0 0 5.3 - Como Projetar Um Circuito
rios do circuito que precisam ser ana- 1 1 1 0 Combinacional
lisados para a obtenção de S, que é O problema de saber o que acon-
a saída final do circuito. Para encontrar os valores da co- tece com a saída de um circuito for-
Começamos por colocar em A, B luna S2 devemos observar que ela mado por muitas funções lógicas
e C todas as suas condições possí- corresponde à tabela verdade da fun- quando suas entradas recebem diver-
veis, ou todas as combinações de ní- ção AND onde as entradas são B e C sas combinações de sinais não é o
veis lógicos que podem ser aplicadas e a saída é S2. mais importante para o projetista de
ao circuito: equipamentos digitais. Na verdade,
B C S2 muito mais importante que este pro-
A B C S1 S2 S 0 0 0 cedimento é justamente fazer o con-
0 0 0 0 1 0 trário, ou seja, projetar um circuito
0 0 1 1 0 0 que, em função de determinados si-
0 1 0 1 1 1 nais de entrada, forneça exatamente
0 1 1 na saída o que se deseja.
1 0 0 Temos então: O projeto de um circuito que te-
1 0 1 nha uma determinada função envol-
1 1 0 A B C S1 S2 S ve um procedimento de síntese em
1 1 1 0 0 0 1 0 algumas etapas.
0 0 1 1 0 Na primeira etapa deve ser defini-
O passo seguinte é colocar os va- 0 1 0 1 0 do o problema, estabelecendo-se exa-
lores possíveis de S1, que corres- 0 1 1 1 1 tamente qual a função a ser executa-
ponde à saída do inversor. 1 0 0 0 0 da, ou seja, quais as entradas e quais
1 0 1 0 0 as saídas.
1 1 0 0 0 Numa segunda etapa, coloca-se
1 1 1 0 1 o problema numa tabela verdade ou
ainda na forma de equações lógicas.
Finalmente, levando em conta O procedimento que abordaremos
que S1 e S2 são entradas de uma por- neste curso será basicamente o da
ta OR de duas entradas cuja saída é obtenção das funções a partir das ta-
S, podemos elaborar a coluna final de belas verdade e das equações lógi-
saídas (S) cas.
Finalmente, numa terceira etapa,
S1 S2 S obtemos o circuito que exercerá as
0 0 0 funções desejadas.
0 1 1 Na terceira etapa, um ponto impor-
Figura 3 - Duas formas de se 1 0 1 tante consiste na minimização do cir-
obter a mesma função.
1 1 1 cuito, já que na maioria dos casos
30 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

pode-se implementar a mesma fun- Vamos tomar como exemplo a ta- Substituindo pelos valores encon-
ção de muitas formas diferentes como bela verdade abaixo para determinar trados teremos:
atesta o circuito simples apresentado a função lógica correspondente: __ _ _ _
na figura 3. S = A.B.C + A.B.C + A.B.C + A.B.C
Veja que podemos ter o mesmo A B C Y linha
circuito com quantidades de portas 0 0 0 0 1 Esta é então a função lógica que
diferentes, na prática devemos sem- 1 0 0 1 2 representa a tabela verdade que pro-
pre levar este fato em conta. Não é 0 1 0 1 3 pusemos como parte inicial do pro-
apenas o número de portas que de- 1 1 0 0 4 blema e para a qual devemos encon-
terminará a configuração final, mas 0 0 1 1 5 trar um circuito equivalente.
sim, seu custo e a eventual utilização 1 0 1 0 6
em outras partes do circuito. 0 1 1 0 7 Passo 2 - Implementação dos
Por exemplo, se o circuito já esti- 1 1 1 1 8 Circuitos Combinacionais
ver usando dois inversores dos seis Conforme estudamos em lições
disponíveis num circuito integrado e Indicamos a linha na última colu- anteriores, é possível usar as portas
a nossa função tiver uma solução um na de modo a facilitar as explicações NAND e NOR como blocos lógicos
pouco maior, mas que use estes in- seguintes. universais a partir dos quais podemos
versores, será interessante adotá-la Observamos que temos saídas no elaborar qualquer outra função ou
para aproveitar os inversores ociosos. nível 0 para as linhas 0, 3, 5 e 6, en- mesmo funções mais complexas.
A seguir daremos um exemplo de quanto para as linhas 1, 2, 4 e 7 te- Para exemplificar vamos analisar
como obter os circuitos a partir de mos saídas 1. uma função um pouco mais simples
uma tabela verdade. Isso quer dizer que teremos a fun- do que a obtida no passo anterior.
ção OU para as linhas cuja saída é 1 Tomemos a expressão:
a) Passo 1 - Determinação das que podem ser encaradas como ope- _ _ _
equações lógicas rações OR com tabelas que teriam 1 S=A.B.C + A.B.C
Lembramos que para as funções na saída apenas nas linhas 1, 2, 4 e Podemos tentar implementá-la
estudadas temos as seguintes repre- 7, conforme mostrado a seguir: usando portas NAND e eventualmen-
sentações: ABC Y A B C S1 A B C S2 A B C S3 A B C S4
Função E (AND) 00 0 0 00 0 0 00 0 0 00 0 0 00 0 0
00 1 1 00 0 1 00 1 0 00 1 0 00 1 0
Y=A.B 01 0 1 01 0 0 01 0 1 01 0 0 01 0 0
01 1 0 = 01 1 0 + 01 1 0 + 01 1 0 + 01 1 0
Função Não E (NAND) 10 0 1 10 0 0 10 0 0 10 0 1 10 0 0
___ 10 1 0 10 1 0 10 1 0 10 1 0 10 1 0
Y=A.B 11 0 0 11 0 0 11 0 0 11 0 0 11 0 0
11 1 1 11 1 0 11 1 0 11 1 0 11 1 1
Função OU (OR)
Isso nos permite escrever as equa- te inversores, já que a barra sobre
Y=A+B cada letra indica sua negativa, con-
ções lógicas para cada uma das qua-
tro tabelas da seguinte forma: forme estudamos.
Função Não OU (NOR) A operação (.) pode ser realizada
_ _
____ utilizando-se uma porta NAND que li-
S1 = A . B . C que
Y=A+B gada a um inversor nos fornece uma
corresponde a A=0, B=0 e C=1
_ porta AND.
Função Não (NOT) ou inversor Assim, conforme a figura 4, po-
S2 = A . B . C que
__ demos implementar A.B.C usando
corresponde a A=0, B=1 e A=0
Y=A uma porta NAND de 3 entradas e um
_ _
S3 = A . B . C que inversor.
Função ou exclusivo Veja na figura 5 como a opera-
corresponde a A=1, B=0 e C=0
(Exclusive OR) ção A.B.C pode ser implementada.
S4 = A . B . C que A soma (+) pode ser implementa-
Y=A(+)B da com uma porta OR ligada a dois
corresponde a A=1, B=1 e C=1
inversores, figura 6.
Como a saída S é a combinação
das quatro funções temos:

S = S1 + S2 + S3 + S4
Figura 4 - A função A.B.C implementada. Figura 5 - Implementação da função A.B.C

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 31


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Logo, quando temos uma expres-


são formada pela soma de produtos,
podemos usar portas NAND sem a
necessidade de inversores, bastando
apenas lembrar duas propriedades:
As combinações de entrada po-
dem ser aplicadas a portas NAND.
As saídas das portas NAND po-
Figura 6 - Obtendo a soma (+) de dem ser aplicadas à entrada de uma
duas expressão lógicas. segunda porta NAND obtendo-se na Figura 8 - Circuito final para função desejada.
saída a função desejada.
Combinando os três circuitos po- Vamos agora fazer uma tentativa
demos chegar à configuração final de implementar uma função usando
desejada, figura 7. portas NOR, o que será escolhido
Veja que a inversão da inversão quando tivermos um produto de so-
usada no circuito anterior nos leva ao mas.
circuito original. Isso significa que po- Tomemos como exemplo a função:
demos simplificar a configuração eli- _ _ _
minando as duplas inversões em sé- S = (A + B + C) . (A + B + C)
rie. Isso nos leva à configuração final As somas podem ser obtidas fa- Figura 9 - Implementando as funções
do circuito mostrada na figura 8. cilmente a partir de portas NOR com soma com portas NOR e inversores.

as saída aplicadas a um inversor. A


negação de NOR é OR. O circuito
equivalente para três entradas é mos-
trado na figura 9.
O produto das duas somas é obti-
do com dois inversores aplicando os
sinais a uma outra porta OR, ou seja,
a uma outra configuração NOR.
Como nas duas linhas de sinais
temos inversores em série, e o inver-
sor do inverso de um nível lógico é
Figura 7 - A função S=ABC+ABC de forma que ainda pode ser minimizada. ele mesmo, podemos simplificar o cir-
cuito eliminando todos os inversores.
Isso nos permite chegar à confi-
guração final que é mostrada na ..
Assim, se quisermos implementar
uma função que consiste num produ-
to de somas, basta seguir dois proce-
dimentos básicos:
Aplicar as entradas corresponden-
tes a cada soma a uma porta OR que
pode ser obtida associando-se uma
porta NOR a uma inversor.
Aplicar as saídas obtidas nas fun-
ções que devem ser multiplicadas a
Figura 10 - A implementação quase final da função. inversores que são ligados às entra-
das de uma porta OR final, também
obtida com a associação de um in-
versor a uma porta NOR.
Como os inversores em série se
anulam, eles podem ser eliminados e
o circuito implementado utilizando-se
apenas portas NOR.
É possível resolver o problema de
implementar circuitos combinacionais
reduzindo as funções a produtos de
Figura 11 - A implementação final da função.
somas ou ainda a soma de produtos,
32 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

sem nenhuma parte ociosa.

5.5 - DIAGRAMAS DE
KARNAUGH
Um processo bastante interessan-
te para representar uma tabela ver-
dade e a partir dela obter uma simpli-
ficação dos circuitos utilizados para
sua implementação é o que faz uso
Figura 13 - O mesmo circuito
dos chamados diagramas ou mapas
Figura 12 - Dois tipos diferentes de usando um único tipo de porta.
de Karnaugh.
portas são usados neste circuito.
O diagrama de Karnaugh consis- cada quadro difere do adjacente em
casos em que podemos trabalhar com te numa tabela retangular com núme- apenas um dígito.
funções NAND ou NOR. ro de quadros que corresponde a 2 Dizemos que são adjacentes os
Como as duas soluções levam aos elevado ao expoente N, onde N é o termos que estão à direita e à esquer-
mesmos resultados, num projeto prá- número de variáveis do circuito. da de cada quadro e também os que
tico é interessante analisar as confi- Cada variável lógica ocupa no grá- estão acima e abaixo. Também são
gurações obtidas para um problema fico metade da sua extensão e seu adjacentes os que estiverem na mes-
nos dois casos. Adota-se então a so- complemento ocupa a outra metade. ma fila, mas um na primeira coluna e
lução que utilizar menos circuitos ou Na figura 13 temos o modo como outro na última.
que for mais conveniente, por exem- são elaborados os diagramas de Na figura 16 temos um mapa com
plo, aproveitando portas ociosas de Karnaugh para 1, 2 e 3 variáveis, com a identificação das adjacências.
um circuito integrado já utilizado no as expressões lógicas corresponden- Assim, o que fazemos é plotar a
mesmo projeto com outras finalida- tes a cada caso. tabela verdade da função que dese-
des. Estas expressões são obtidas de jamos implementar num mapa de
uma forma muito semelhante à usa- Karnaugh com o que será possível
5.4 - SIMPLIFICANDO E da no conhecido joguinho de “bata- identificar melhor as adjacências e
MINIMIZANDO lha naval” onde a posição de cada assim fazer as simplificações.
Uma consequência da possibilida- “tiro” é dada por duas coordenadas, Para que o leitor entenda como
de de construir funções complexas a uma correspondente às linhas e ou- “funciona” o mapa de Karnaugh numa
partir de portas básicas como OR e tra às colunas. simplificação de uma função, vamos
AND (OU e E) é a otimização de um Na figura 15 mostramos, como tomar como exemplo a função que é
projeto aproveitando poucos tipos de exemplo, de que modo um diagrama dada pela seguinte tabela verdade:
circuitos integrados básicos. de Karnaugh de 4 variáveis pode ser
Assim, se tivermos uma função obtido com a inclusão dentro de cada A B S
que seja obtida utilizando-se portas quadro da expressão corresponden- 0 0 1
AND e OR como a mostrada na figu- te. No diagrama (b) da figura 14 os 0 1 1
ra 12, ela terá o inconveniente de pre- quadros foram preenchidos com os 1 0 0
cisar de dois tipos diferentes de cir- valores 0 e 1 correspondentes às en- 1 1 1
cuitos integrados. tradas. Este diagrama é chamado
Se quisermos esta função com cir- também de diagrama de Veitch. Uma Desejamos expressar esta tabela
cuitos TTL, por exemplo, aproveitare- observação importante em relação a como a soma de produtos, o que sig-
mos três das três portas de três en- esta representação por 0 e 1 é que nifica que os valores adjacentes que
tradas de um circuito 7411 e também
precisaremos aproveitar uma das qua-
tro portas OR de duas entradas de um
circuito integrado 7432.
Evidentemente, estaremos usan-
do dois circuitos integrados, desper-
diçando 1/3 de um e 3/4 do outro.
Podemos simplificar consideravel-
mente este circuito se usarmos ape-
nas portas NAND com a configuração
equivalente mostrada na figura 13.
Este circuito, que apresenta a
mesma função do anterior, usa as três
portas de um circuito integrado 7410.
Utilizamos apenas um circuito inte-
grado que é totalmente aproveitado, Figura 14 - Diagrama de Karnaugh para uma (a) duas (b) e três (c) variáveis.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 33


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

devemos procurar na tabela são os


“1”. Se fôssemos expressar esta fun-
ção como o produto de uma soma,
os valores considerados seriam os “0”
e o procedimento final seria o mes-
mo.
Construímos então o Diagrama de
Karnaugh para esta tabela conforme
a figura 17.
A partir deste diagrama nosso pró-
ximo passo consiste em tentar fazer
simplificações que possam levar a cir-
cuitos mais simples na implemen-
tação.
A idéia é agrupar os termos adja-
centes iguais, havendo para isso di-
versas possibilidades que são apre-
sentadas na figura 18.
A primeira possibilidade mostrada
em (a) nos leva a uma soma de três
produtos, cada qual obtido pela
intersecção da linha com a coluna em
Figura 15 - Diagramas de Karnaugh (a) e Veitch.
que está o “1” correspondente.
Assim, o primeiro está na coluna
que intercepta A-0 com B-0. Ora, o plicado por B sem inversões ou: casa que corresponde à intersecção
valor zero na indexação indica inver- de A-1 com B-1 vale a soma (sem in-
são, portanto, isso significa que o pri- A.B versão):
meiro fator de nosso produto será:
__ Como devemos expressar a fun- A+B
A.B ção na forma de uma soma de produ-
tos fazemos: A expressão final na forma de um
O segundo “1” a ser considerado __ _ produto de somas será então:
está na coluna A=1 e B=0, portanto, S = A.B + A.B + A.B _
temos A invertido e B sem inversão, o S = A + B.A
que nos leva ao segundo fator de nos- Para o segundo caso (b) temos
so produto: uma simplificação maior, já que agru- Da mesma forma chegamos à sim-
_ pamos os dois “1” da primeira linha plificação (b) que permite a expres-
A.B de modo que podemos adotar para são mais simples, pois conseguimos
ele: juntar três casas adjacentes.
Finalmente, o terceiro “1” a ser _ Raciocinando da mesma forma
considerado está na linha A=1 e B=1, A chegamos à expressão:
o que significa um fator com A multi- Para o outro valor “1” que está na _
S=A+B

O procedimento que vimos como


exemplo envolveu uma função sim-
ples com apenas duas variáveis de
entrada.
No entanto, o mesmo procedimen-

Figura 16 - Adjacências
no mapa de Karnaugh
para 4 variáveis. Figura 17 - A tabela verdade é
plotada no Mapa de Karnaugh.

34 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

to é válido para qualquer número de a) Mapa de Karnaugh


variáveis. Os leitores interessados em b) Diagrama de Veitch
aprofundar-se neste estudo devem c) Tabela verdade
procurar treinar os procedimentos in- d) Produto de somas
dicados, trabalhando com funções
cada vez mais complexas. 2. A tabela verdade abaixo,
corresponde à qual função:
ABS
CONCLUSÃO 001
011
O espaço disponível para nosso 101
curso não permite um aprofun- 110
damento maior neste assunto e um
certo treino se faz necessário para o a) AND (E)
domínio das técnicas envolvidas. As- b) NAND (Não-E)
sim, para os leitores interessados no c) OR (OU)
tema, sugerimos a procura de litera- d) NOR (Não-OU)
tura complementar. Mostramos os
procedimentos lógicos que permitem 3. Qualquer circuito lógico pode
trabalhar com as funções de modo a ser implementado utilizando-se que
chegar aos circuitos. funções básicas?
Assim, uma tabela verdade que a) NAND e inversores
tenha qualquer combinação de entra- b) NAND e NOR
das que nos leve a qualquer combi- c) OR e Inversores
nação de saída pode ser elaborada d) AND e Inversores
na prática com funções básicas (NOR
e NAND) e isso não exige que se “que- 4. Para implementar um circuito
bre a cabeça”. que corresponda a uma função dada
Conhecendo os procedimentos por uma soma de produtos usamos
para resumir tudo em produto de so- quais funções lógicas?
mas e soma de produtos e também o a) Portas NAND
uso dos mapas de Karnaugh para b) Inversores
simplificação, obteremos configura- c) Portas OR
ções simples que facilitam qualquer d) Não é possível fazer isso
projeto.
5. Se numa implementação lógica
precisarmos usar inversores em sé-
QUESTIONÁRIO rie, o que podemos fazer com eles?
a) Ligá-los à portas AND
1. Os valores combinados de to- b) Colocá-los em paralelo
das as entradas e a saída correspon- c) Inverter suas saídas
dente podem ser colocados numa d) Eliminá-los „
tabela denominada:

Figura 18 - Agrupamento possíveis para termos adjacentes iguais.


Respostas: 1-C, 2-B, 3-B, 4-A, 5-D
SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 35
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

LIÇÃO 6

OS ELEMENTOS BIESTÁVEIS

Na lição anterior analisamos os 6.2 - FLIP-FLOP R-S conduzindo, Q estará no nível baixo
modos segundo os quais podemos (0) e /Q estará no nível alto (1).
saber o que acontece quando combi- O Flip-Flop R-S (de Reset e Set) O processo que leva o flip-flop a
namos funções lógicas. Vimos os pro- tem sua configuração com transisto- este estado inicial pronto para funcio-
cedimentos utilizados para res mostrada na figura 1 e funciona nar é muito rápido, não demorando
implementar um circuito a partir de da seguinte maneira: mais do que alguns microssegundos.
uma tabela verdade ou ainda da ex- Quando alimentamos o circuito, Quando o flip-flop se encontra na
pressão da função lógica. No entan- dada as mínimas diferenças que po- situação indicada, com Q=0 e /Q=1,
to, as funções lógicas não consistem dem existir entre as características dizemos que ele se encontra “setado”
nos únicos blocos básicos usados nos dos dois transistores, um deles con- ou armado.
projetos de circuitos digitais. Além duzirá mais do que o outro. Supondo A mudança de estado do flip-flop
dessas funções, existem outras e um que este transistor seja Q1, há uma pode ser obtida aplicando-se um si-
grupo delas que executa funções de queda de tensão no seu coletor que nal conveniente na entrada. Como
relevante importância nos equipa- reduz em consequência a corrente usamos transistores NPN para comu-
mentos são as formadas pelos ele- que polariza a base de Q2 via R2. tar o flip-flop, temos de fazer conduzir
mentos biestáveis. Nesta lição vere- Nestas condições, a tensão do por um instante o transistor que está
mos como funcionam estes elemen- coletor de Q 2 se mantém alta, cortado, ou seja, devemos aplicar um
tos, os seus tipos e onde podem ser realimentando a base de Q1 via R3 e pulso positivo na entrada correspon-
usados. a situação final do circuito é dente.
estabelecida: Q1 satura e Q2 fica no Assim, estando o flip-flop na con-
corte. O flip-flop encontra seu estado dição indicada, se desejarmos mudar
estável inicial. o estado, aplicamos o pulso na entra-
6.1 - OS FLIP-FLOPS O flip-flop R-S tem duas saídas da SET. O transistor Q2 conduz por
representadas por Q e /Q, assim, na um instante, realimentando via R3 a
Os flip-flops são elementos de cir- condição inicial estável, com Q 1 base de Q1 que é cortado.
cuito que podem apresentar em seu
funcionamento apenas dois estados
estáveis. Não existem estados inter-
mediários entre estes dois estados.
A aplicação de um sinal de entra-
da pode mudar o dispositivo de um
estado para outro e como a qualquer
momento podemos saber qual é o
estado em que ele se encontra, é pos-
sível considerar este circuito como
uma memória capaz de armazenar
um bit.
O flip-flop é o elemento básico das
chamadas memórias estáticas.
Existem diversos tipos de flip-flops
encontrados nos circuitos digitais e
que analisaremos a partir de agora. Figura 1 - Um flip-flop R-S com transistores discretos.

36 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 2 - Flip-Flop R-S com portas NAND.

Com o corte, a tensão na base de


Q2 sobe via polarização de R2 e mes-
mo que o pulso de disparo desapare-
ça, o circuito se mantém no novo es-
tado graças à realimentação.
Sua saída Q vai ao nível (1) e a
saída /Q vai ao nível (0).
Para trocar novamente de estado
o flip-flop R-S, aplicamos um pulso
positivo na entrada RESET, levando
Q1 à saturação e Q2 ao corte, situa-
ção que se firma mesmo depois de Figura 3 - Em (f) temos uma condição não permitida com Q e Q no nível alto (S e R no nível baixo).
desaparecido o pulso graças à reali-
mentação proporcionada pelos Os flip-flops podem ser elaborados a) Flip-flop resetado
resistores. com portas lógicas e o R-S que estu- b) /S vai ao nível baixo e o flip-flop
Veja que um pulso aplicado à en- damos pode ser facilmente obtido a é setado
trada SET, o que corresponde a um partir de duas portas NAND de duas c) /S vai ao nível alto e o flip-flop
bit 1, faz com que a saída Q que es- entradas, figura 2. permanece setado
tava em 0 passe a 1, armazenando Levando em conta as tabelas ver- d) /R vai ao nível baixo e o flip-flop
este bit. O flip-flop funciona realmen- dade das portas NAND veremos que é ressetado
te como uma memória para este bit. a saída da primeira porta realimenta e) /R volta ao nível alto e o flip-
Da mesma forma como utilizamos a segunda e vice-versa, garantindo flop permanece ressetado
transistores bipolares NPN para ob- assim a manutenção dos estados ob-
ter um flip-flop, podemos também tidos quando o flip-flop comuta. Tudo isso pode ser representado
empregar outros tipos de componen- No entanto, a comutação deste por uma tabela verdade, da mesma
tes em configurações semelhantes. circuito ocorre quando as entradas forma que fazemos com as funções
Podemos, por exemplo, elaborar flip- passam do nível alto para o baixo, ou lógicas. Nesta tabela temos alguns
flops usando transistores PNP, caso seja, de 1 para 0. Esta condição é novos símbolos com os quais o leitor
em que a polaridade dos sinais de indicada pelos símbolos /R e /S na deve começar a familiarizar-se e que
disparo vai ser invertida. entradas. são amplamente usados em Eletrô-
Da mesma forma, podemos usar O leitor pode então perceber que, nica Digital, a saber:
transistores de efeito de campo, tan- quando as entradas estão ambas no
to de canal N como canal P (bipolares nível baixo, o flip-flop se mantém no a) Primeira possibilidade
ou JFETs) como também transistores estado em que foi colocado por ser Qn-1 = representa o estado da
de efeito de campo MOS com os dois ligado ou por uma comutação anteri- saída Q ANTES da aplicação dos si-
tipos de canal (N ou P). O que muda- or. nais.
rá em cada caso é o sentido de circu- Por outro lado, se as entradas fo- Qn = representa o estado da saí-
lação das correntes e as polaridades rem levadas simultaneamente ao ní- da Q DEPOIS da aplicação dos sinais.
dos sinais aplicados. vel alto, o flip-flop irá para um estado
Conforme veremos na última par- indeterminado que deve ser evitado. b) Segunda possibilidade
te desta lição, os flip-flops também Na prática, a aplicação de níveis al- Q = representa o estado da saída
podem ser feitos com válvulas e na tos (1) nas duas entradas pode des- Q ANTES da aplicação dos sinais.
realidade os primeiros que existiram truir o dispositivo. Qn+1 = representa o estado da
eram justamente montados com es- O diagrama de tempos da figura saída Q DEPOIS da aplicação dos
tes componentes. Naquela época não 3 mostra o que ocorre no funciona- sinais.
existiam transistores e nem circuitos mento de um flip-flop por etapas que Obs: em lugar de n em alguns li-
integrados. podemos analisar da seguinte forma: vros encontramos a letra t.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 37


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Os dois tipos de representação


são usados.
Nas colunas e linhas em que são
colocados os níveis lógicos 0 e 1 ,
quando aparece o termo Qn ou /Qn
significa que a saída vai para um es-
tado indeterminado.
A tabela verdade do flip-flop R-S
com portas NAND fica então:

R S Qn+1
Qn+1
0 0 1 1 Figura 4 - Um flip-flop R-S com portas NOR e sua tabela verdade.
0 1 0 1
1 0 1 0
1 1 Qn
Qn

Para obtermos um flip-flop R-S


também podemos usar portas NOR,
conforme a figura 4.
Na figura 5 temos os símbolos
adotados para representar este tipo Figura 5 - Símbolos usados para representar um flip-flop R-S.
de flip-flop.
Este circuito também é chamado Usando portas NAND podemos voltando assim ao estado inicial, o que
de R-S NOR LATCH da mesma for- inicialmente implementar um flip-flop não é desejado de forma alguma.
ma que o circuito anterior é denomi- R-S controlado por clock (Master- Um modo de contornar este
nado R-S NAND LATCH. Slave), conforme a figura 6. proble|ma consiste na utilização de
Analisemos seu funcionamento: duas etapas numa configuração mais
Partindo da situação em que a complexa, que é apresentada na fi-
6.3 - FLIP-FLOP RS COM CLOCK entrada de clock (relógio) esteja no gura 8.
E MESTRE-ESCRAVO nível baixo, as saídas Q e /Q perma- Este circuito é denominado Flip-
necerão no estado inicial em que Flop R-S Mestre-Escravo ou Flip-Flop
Estes circuitos chamados de flip- se encontravam e insensíveis a qual- R-S Master-Slave e faz uso de portas
flop R-S controlados por clock e mes- quer variação que ocorra nas entra- NAND e de um inversor, cuja finalida-
tre escravo encontram uma gama de das S e R. de é inverter o pulso de clock.
aplicações muito grande nos circuitos Quando a entrada de clock for Neste caso, quando a entrada de
digitais mais complexos, já que estes levada ao nível 1, o circuito passa a clock for ao nível 1, o flip-flop mestre
são sempre comandados por um responder aos sinais das entradas mudará de estado, mas o flip-flop es-
clock, ou seja, são circuitos lógicos R e S. cravo permanecerá insensível, man-
sincronizados. No entanto, conforme o diagrama tendo seu estado.
O uso de um circuito de controle de tempos da figura 7, este circuito Quando a entrada de clock pas-
(mestre) que determina quando o flip- tem um inconveniente. sar para o nível lógico 0, a saída do
flop (escravo) muda de estado é im- Como as saídas acompanham as flip-flop mestre será levada para o
portante para permitir que as mudan- entradas, durante o tempo em que o escravo.
ças de estado do flip-flop só ocorram clock as habilita, estas saídas podem Isso significa que o flip-flop em seu
em determinados instantes. mudar de estado mais de uma vez, todo não é sensível ao nível do sinal
de clock, ou seja, se ele é 0 ou 1, mas
sim à sua transição. As saídas Q e /Q
só vão mudar de estado no instante
em que ocorrer a transição do sinal
de clock do nível alto para o nível bai-
xo. Com esta configuração é possível
garantir que só vai ocorrer uma mu-
dança de estado na presença de um
pulso de clock.
Os flip-flops que funcionam desta
for ma são denominados “Edge
Figura 6 - Flip-flop R-S (Latch NAND) com entrada de clock. Triggered” ou “Disparados pela Bor-

38 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

da”.
Se a mudança de estado ou dis-
paro (gatilhamento) ocorre quando o
sinal de clock passa de 0 para 1, os
flip-flops são denominados “positive
edge-triggered”, enquanto que, se o
disparo ocorre quando o clock vai do
nível 1 para 0, ou seja, na queda do
nível lógico, os flip-flops são chama-
dos de “negative edge-triggered”.
Neste tipo de circuito é muito im-
portante levar em conta, num projeto
de maior velocidade, os tempos em
que todo o processo ocorre.
Assim, partindo do diagrama de
tempos da figura 9, vemos que a sa-
ída do flip-flop só completa sua mu-
dança de estado depois de um certo
tempo, do pulso de clock ter sido apli-
cado.
Dois tempos são importantes nes-
Figura 7 - Diagrama de tempos para o circuito da figura 6. te tipo de circuito.
a) tH: Hold Time ou Tempo de
Manutenção é o tempo em que a en-
trada deve permanecer ainda no cir-
cuito para que seu nível lógico seja
reconhecido pelo flip-flop.
b) tS: Setup Time ou tempo em
que a entrada do flip-flop deve per-
manecer no estado desejado antes da
transição do clock que vai provocar a
mudança de estado do circuito.
Duas entradas podem ser acres-
centadas neste circuito, verifique a fi-
gura 10, dotando-o de recursos im-
portantes para aplicações práticas.
Uma das entradas é denominada
PRESET (/PR) ou pré-ajuste e tem
Figura 8 - Flip-flop R-S Mestre-Escravo completo. por função levar imediatamente as
saídas do circuito a um estado deter-
minado (Q=1 e /Q=0), independente-
mente do que esteja acontecendo nas
demais entradas.
Sua ativação ocorre quando /PR
estiver em 0 e /CLR em 1, no caso
apresentado, pois a / sobre a identifi-
cação indica que ela está ativa no ní-
vel baixo.
A outra entrada denominada
CLEAR ou apagamento tem por fun-
ção levar as saídas aos estados Q=0
e /Q=1, independentemente do que
estiver ocorrendo nas demais entra-
das.
É importante observar que estas
duas entradas não podem ser
ativadas ao mesmo tempo, pois isso
levaria o circuito a um estado
Figura 9 - Tempos no flip-flop R-S. indeterminado que inclusive poderia

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 39


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

causar problemas aos seus compo-


nentes.
A tabela verdade para este circui-
to nos mostra três novos símbolos que
normalmente são usados em Eletrô-
nica Digital.
X representa uma condição
irrelevante qualquer que ela seja, não
haverá influência no que ocorre na
saída.
A seta para cima indica a tran-
sição do nível baixo para o nível do
sinal na entrada ou saída represen-
tadas, enquanto que a seta apon-
tando para baixo indica uma tran-
sição do nível baixo para o nível
alto do sinal correspondente.

Figura 10 - Ligação das entradas PRESET E CLEAR.


6.4 - O FLIP-FLOP
J-K MESTRE-ESCRAVO

O flip-flop J-K mestre-escravo ou


“master-slave” pode ser imple-
mentado por funções lógicas comuns,
adquirindo a configuração básica
mostrada na figura 11.
Um problema que observamos
nos flip-flops R-S é que temos uma
situação “proibida” que ocorre quan-
do as entradas R e S vão ao nível alto
ao mesmo tempo e que pode levar o
circuito a um estado indeterminado.
Esta situação acontece principalmen-
te nas aplicações em computação,
quando uma parte do sinal de saída
é usada para realimentar a entrada. Figura 11 - O flip-flop J-K Mestre-Escravo.
Nestas condições podem ocorrer as
situações de conflito com a produção passa por uma transição negativa do (CLK), o flip-flop muda de estado
de oscilações indesejadas. sinal, o flip-flop mantém sua condição (TOGGLE). Se estiver setado, ele
Esta situação pode ser contorna- original, ou seja, não muda de esta- resseta e se estiver ressetado, ele é
da com a utilização de uma nova con- do. setado.
figuração, que é justamente a do flip- Podemos elaborar a tabela verda-
flop J-K utilizada nas aplicações prá- b) J=1 e K=0 de da figura 12 para indicar o que
ticas e que analisaremos a seguir. Quando a entrada de clock (CLK) ocorre com este flip-flop.
Podemos ter quatro combinações passa por uma transição negativa, o Observe o uso das setas para in-
possíveis para os sinais aplicados nas flip-flop é “setado”. Se já estiver dicar as transições de sinal na entra-
entradas J e K, conforme observamos setado, ele permanece nesta condi- da de clock que comandam o funcio-
na tabela abaixo. ção. namento deste tipo de circuito.
J K Da mesma forma que nas outras
0 0 c) J=0 e K=1 configurações estudadas, podemos
1 0 Quando a entrada de clock (CLK) também incluir as entradas de
0 1 passa por uma transição negativa, o PRESET e CLEAR neste circuito que
1 1 flip-flop é “ressetado”. Se já estiver ficará da maneira apresentada na fi-
Analisemos cada uma das combi- nesta condição, ele permanece. gura 13.
nações: Uma tabela verdade incluindo as
d) J=1 e K=1 entradas de PRESET (PR) e CLEAR
a) J=0 e K=0 Nesta condição, ao receber uma (CLR) é mostrada na figura 14.
Quando a entrada de clock (CLK) transição negativa na entrada de clock Uma maneira melhor de analisar-

40 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

mos o funcionamento deste circuito é


através de um diagrama de tempos,
em que observamos as formas de
onda nos diversos pontos de entrada
e saída. Este diagrama de tempos
para o flip-flop J-K é mostrado na fi-
gura 15.
Analisemos alguns trechos impor-
tantes deste diagrama mostrando o
que acontece:
a) Neste instante CLR e PR estão
no nível baixo, Q e /Q estão no nível
Figura 12 - Tabela verdade para o flip-flop J-K Mestre-Escravo. alto, que é uma condição não permi-
tida.
b) Aplica-se então o sinal PR, que
indo ao nível alto, faz com que o flip-
flop seja ressetado.
c) A aplicação de um pulso na en-
trada CLR que vai ao nível alto, e a
ida de PR ao nível baixo fazem agora
com que o flip-flop seja setado.
d) CLR e PR são mantidos no ní-
vel alto a partir deste instante. Com
J=0 neste trecho e K indo ao nível alto,
o flip-flop será ressetado na próxima
transição negativa do sinal de clock.
e) Ainda com CLR e PR no nível
alto (esta condição se manterá daqui
por diante) e a saída J=0 e k=1, o flip-
flop permanecerá ressetado.
f) Com J=1 e K=0, o flip-flop é
setado na transição seguinte do pul-
so de clock.
Figura 13 - Flip-flop J-K com Preset e Clear. g) Com J=1 e K=0, não ocorrem
mudanças de estado.
h) Com J=1 e K=1 na transição
seguinte do pulso de clock, o flip-flop
muda de estado (complementa ou
“toggle”). Se estiver ressetado, como
neste caso, ele é setado.
i) Mantendo J=1 e K=1 com nova
transição do pulso de clock, o flip-flop
muda de estado outra vez, ou seja,
complementa.
Veja que quando as entradas J e
K estão no nível alto, o circuito se com-
porta como um disparador, mudando
de estado a cada transição negativa
do pulso de clock.

6.5 - O FLIP-FLOP TIPO D

Este é também um circuito de flip-


flop muito usado, cujo símbolo é mos-
trado na figura 16.
Este flip-flop possui uma única
entrada que comanda todo o circuito.
Figura 14 - Tabela verdade para o flip-flop J-K com Preset e Clear. Esta entrada é que lhe dá nome. De-

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 41


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Diagrama de tempo do flip-flop J-K.

nominada “Data” (dados), é abrevia-


da por D, daí o nome do dispositivo.
Este flip-flop opera de uma manei-
ra muito simples: no pulso de clock,
ele assume o estado da entrada, con-
forme podemos ver pela sua tabela
verdade:

D Qn+1
Figura 16 - Símbolos do flip-flop D.
0 0
1 1
de tempos mostrado na figura 18. Este comportamento significa na
Quando a entrada T deste circuito realidade a divisão da frequência de
6.6 - FLIP-FLOP TIPO T está no nível baixo, o flip-flop se man- clock por dois. Em outras palavras,
tém em seu estado anterior, mesmo este circuito se comporta como um
O nome vem de “Toggle” ou com a aplicação do pulso de clock. divisor de frequência, encontrando
complementação, seu símbolo é mos- No entanto, quando a entrada T está aplicações práticas bastante impor-
trado na figura 17. no nível alto, o flip-flop muda de esta- tantes em Eletrônica Digital.
O que este circuito faz pode ser do. Se estava setado, ele resseta e Um exemplo de aplicação é dado
entendido facilmente pelo diagrama se estava ressetado, ele seta. na figura 19 em que associamos di-

42 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 17 - Símbolos do flip-flop tipo T. Figura 18 - Diagrama de tempos do flip-flop T.

6.7 - TRANSFORMANDO
FLIP-FLOPS

Da mesma maneira como pode-


mos obter qualquer função lógica
complexa a partir de funções simples,
Figura 18 - Divisor de frequência com flip-flops tipo D. o que foi visto em lições anteriores,
também podemos “brincar” com os
versos flip-flops do tipo T em série, é muito usado, existindo até circuitos flip-flops, obtendo outros tipos a par-
de modo que passando através de integrados que possuem sequências tir de um tipo básico.
cada um, a frequência do sinal de de mais de 10 flip-flops ligados desta Assim, usando um flip-flops R-S
entrada é divida por 2. forma. ou J-K que são comuns e algumas
Usando 4 flip-flops, podemos divi- Na prática não temos os flip-flops portas lógicas, podemos obter flip-
dir a frequência por 2, 4, 8 e 16. tipo D como componentes prontos flops de outros tipos.
Este tipo de divisor de frequência para uso. Estes flip-flops podem ser Na figura 20 temos algumas con-
obtidos a partir de outros e isso será
visto no item seguinte.

Figura 20 - Transformando flip-flops.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 43


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 21 - Transformando FF tipo JK em tipo D e tipo T.

versões que podem ser feitas utilizan-


do-se flip-flops do tipo R-S.
O modo de funcionamento de
cada um pode ser facilmente enten-
dido se o leitor tentar associar as ta-
belas verdade dos flip-flops que foram
estudados nesta lição às tabelas ver-
dade das portas agregadas, conside-
rando os sinais de realimentação.
Na figura 21 temos o modo de
obter flip-flops tipo D e T a partir de
flip-flops do tipo J-K.
Veja que a simples conexão da
entrada K ao J no flip-flop do tipo J-K Figura 22 - Outras transformações de flip-flops.
o transforma em um flip-flop tipo T.
Esta possibilidade é muito interessan- do sinal que é retirado da saída com-
te, já que flip-flops J-K são disponí- plementar /Q. exigências de frequências mais bai-
veis em tecnologia TTL e CMOS e 6.8 - NOS COMPUTADORES xas, observe a figura 23.
podem ser usados em circuitos No caso dos computadores, tanto
divisores de frequência. Na verdade, Encontramos os flip-flops nos o próprio clock como a sequência de
já utilizamos esta configuração em computadores como elementos fun- flip-flops divisores podem ser obtidos
diversos projetos práticos que publi- damentais de muitos circuitos. num único circuito integrado.
camos. Finalmente, temos outras Uma aplicação é na própria divi- Um ponto importante que deve ser
duas transformações importantes de são de frequência dos clocks. Confor- levado em conta e que estudaremos
flip-flops mostradas na figura 22. me o leitor sabe, existem setores de nas lições futuras é a possibilidade de
No primeiro caso temos uma um PC que devem operar com veloci- ligar os flip-flops em conjunto com
transformação de um flip-flop tipo D dades menores que a fornecida pelo outras funções, de modo que a
em flip-flop tipo T, bastando para isso clock principal. É o caso dos bar- frequência possa ser dividida por
que a saída complementar /Q seja li- ramentos onde são ligadas as placas qualquer número e não somente por
gada à entrada D, realimentando o de expansão, os modems e as saí- potências de (2,4,8,16,32,64, etc).
circuito. das de dados paralela e serial. Outra aplicação impor tante é
A segunda transformação, que Assim, em lugar de usar um clock como célula de memória. Oito flip-
leva um flip-flop tipo D a funcionar para cada frequência desejada, o que flops ligados lado a lado podem ar-
como tipo T, exige o emprego de uma se faz é empregar um clock único e mazenar um byte inteiro. Cada flip-flop
porta AND adicional na realimentação dividir sua frequência conforme as armazena um bit. Existem diversas
memórias internas de um PC que
nada mais são do que flip-flops que
podem ser habilitados tanto para a
leitura de dados como para introdu-
ção (gravação de dados). Existem ain-
da outras funções impor tantes
implementadas a partir de flip-flops e
que serão estudadas futuramente.

6.9. OS FLIP-FLOPS ANTIGOS


Figura 23 - Obtendo diversas frequências a partir de um oscilador único.

44
SABER ELETRÔNICA Nº 302/98 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002
25
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 24 - Flip-flop com válvulas.

A configuração do flip-flop não é 3. Um flip-flop R-S “setado” apre-


nova. Na verdade, foi em 1919 que senta que níveis lógicos em suas
dois pesquisadores americanos cha- saídas:
mados Eccles e Jordan apresenta- a) Q=0 e /Q=0
ram o primeiro circuito de flip-flop b) Q=0 e /Q=1
usando válvulas, confira na figura 24. c) Q=1 e /Q=0
Por este motivo, muitos ainda cha- d) Q=1 e /Q=1
mam os flip-flops de “Básculas ou Cir-
cuitos Eccles-Jordan”. 4. Os flip-flops “negative edge-
Em 1930, os físicos já usavam triggered” mudam de estado quando:
estes circuitos ligados em série para a) O pulso clock vai do nível baixo
dividir a contagem dos pulsos de con- para o nível alto
tadores Geiger de radiação e obterem b) O pulso de clock vai do nível
valores menores mais facilmente alto para o nível baixo
totalizados nas pesquisas. c) O pulso de clock estabiliza no
Um contador binário usando uma nível baixo
lâmpada neon ligada às válvulas foi d) O pulso de clock estabiliza no
desenvolvido usando estes flip-flops nível alto
em 1940, mas foi somente depois dis-
so que os primeiros computadores 5. Para que um flip-flop J-K Mes-
digitais passaram a usar estes circui- tre escravo tenha a condição “toggle”,
tos de uma forma mais intensa, até o quais são os níveis lógicos que de-
advento do transistor e depois dos cir- vem ser colocados na entrada J e K?
cuitos integrados. a) J=0 e K=0
QUESTIONÁRIO b) J=0 e K=1
c) J=1 e K=0
1. Os elementos biestáveis de um d) J=1 e K=1
circuito:
a) Possuem apenas um estado 6. Quatro flip-flops do tipo T liga-
estável dos um após o outro (em série) rece-
b) Possuem dois estados instáveis bem uma frequência de 1 600 Hz na
c) Possuem dois estados estáveis sua entrada. Qual é a frequência ob-
d) Possuem um número tida na saída do último flip-flop? (o
indeterminado de estado estáveis sinal deve ser retangular).
a) 800 Hz
2. Usado como elemento de me- b) 400 Hz
mória, um flip-flop pode armazenar: c) 200 Hz
a) 1 bit d) 100 Hz
b) 1 byte
c) meio byte Respostas:
d) 2 bits 1-C, 2-A, 3-C, 4-B, 5-D. 6-D

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 45


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

LIÇÃO 7
OS FLIP-FLOPS E FUNÇÕES
LÓGICAS EM CIRCUITOS INTEGRADOS

Na lição anterior aprendemos Low Power Shottky (74LS) o flip-flop resseta. A frequência máxi-
como funcionam os principais tipos de - 45 MHz ma de operação destes flip-flops é de
flip-flops, verificando que, dependen- High Speed (74H) - 50 MHz 20 MHz com um consumo por circui-
do dos recursos que cada um possua, (74S) - 125 MHz to integrado da ordem de 20 mA.
podem ser empregados de diversas É importante observar que para os
formas. Também vimos as entradas flip-flops TTL é preciso alguns cuida-
que estes dispositivos podem conter dos, como por exemplo, manter sem- b) 7474 - DUPLO FLIP-FLOP
para melhorar seu desempenho em pre as entradas CLEAR e PRESET TIPO D COM PRESET E CLEAR
determinadas aplicações, como por em níveis definidos. Deixando estas
exemplo, nos computadores. Estuda- entradas abertas, podem ocorrer ins- Os flip-flops contidos no invólucro
mos ainda nas primeiras lições do tabilidades de funcionamento. DIL de 14 pinos disparam com a tran-
curso as funções lógicas usadas em O nível em que elas devem ser sição positiva do sinal de clock
diversos circuitos. Tudo isso nos leva deixadas, ou seja, sua conexão no (Positive-Edge Triggered). A pinagem
à necessidade de contarmos com Vcc ou 0 V depende da aplicação. deste circuito integrado é mostrada na
estas funções na forma de circuitos figura 3.
integrados. De fato, existem muitos A tabela verdade que apresenta o
circuitos integrados TTL e CMOS con- a) 7473 - DUPLO funcionamento dos flip-flops deste
tendo flip-flops dos tipos estudados e FLIP-FLOP J-K COM CLEAR
todas as funções lógicas (portas e in-
versores e amplificadores) e será jus- Num único invólucro de 14 pinos
tamente deles que falaremos nesta Dual in Line temos 2 flip-flops do tipo
lição. J-K com entrada de Clear. A pinagem
deste circuito integrado é mostrada na
figura 1.
6.1 - OS FLIP-FLOPS TTL Os flip-flops são sensíveis ao ní-
vel de clock (Level Triggered) com
A família de circuitos integrados entrada de Clear assíncrono. O funcio-
digitais TTL conta com uma grande namento dos flip-flops deste circuito Figura 2 - Tabela verdade que
quantidade de flip-flops usados numa integrado pode ser melhor entendido descreve o funcionamento do 7473.
infinidade de aplicações práticas. pela tabela verdade da figu-
A diferença de cada tipo de circui- ra 2.
to integrado não está apenas no tipo Nesta tabela, o símbolo
de flip-flop que contém como também com a forma de um pulso de
nos seus recursos e na sua quantida- sinal representa um pulso de
de. Também devemos observar que clock positivo aplicado à en-
um fator importante na escolha de um trada correspondente.
flip-flop para uma determinada apli- Observe que quando J e
cação é a sua velocidade. Para as di- K estão aterradas, o clock
versas famílias TTL podemos especi- não tem efeito sobre o cir-
ficar as máximas velocidades dos cuito. Na operação normal,
seus flip-flops da seguinte maneira: a entrada Clear deve ser
Standard (74) - 35 MHz mantida no nível alto. Se a
Figura 1 - 7473 - Duplo flip-flop J-K.
Low Power (74L) - 3 MHz entrada Clear for aterrada,

46 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

c) 7475 - QUATRO O tempo de propagação do sinal


LATCHES TIPO D é da ordem de 24 ns e o consumo
típico por circuito integrado é de 32
Os latches são como mA.
chaves que armazenam
uma informação digital pre-
sente em sua entrada. A d) 7476 - DOIS FLIP-FLOPS J-K
aplicação mais comum é COM PRESET E CLEAR
justamente como memória,
cada circuito integrado 7475 Os dois flip-flops deste circuito in-
pode armazenar 4 bits de tegrado têm funcionamento indepen-
Figura 3 - Duplo flip-flop D - 7474. informação. dente e disparam com nível do sinal
Na figura 5 temos a de clock (level triggered).
pinagem deste circuito integrado. O invólucro é DIL de 16 pinos, veja
Quando o circuito é habilitado, o a figura 7. O funcionamento de cada
que é conseguido levando a linha um dos flip-flops pode ser melhor ana-
“ENABLE” ao nível alto, as saídas lisado através da tabela verdade da
Q e /Q seguem a entrada D. O latch figura 8. Observe o símbolo adotado
é do tipo “transparente”, logo, se para representar um pulso de clock.
as entradas forem modificadas, as Da mesma forma que nos demais
saídas também se alterarão. circuitos integrados desta série, as
Quando a entrada “ENABLE” é entradas CLEAR E PRESET devem
levada ao nível baixo, as saídas ser mantidas em níveis lógicos defi-
não respondem aos sinais de en- nidos, para que não ocorra o funcio-
Figura 4 - Tabela verdade que trada D. namento errático do circuito.
descreve o funcionamento do 7474. Veja que o LATCH armazena a Também observamos pela tabela
informação que estava na entrada verdade que não se pode ativar as
circuito integrado é dada na figura 4. D imediatamente antes da ocorrência duas entradas de CLOCK E CLEAR
Pela tabela, concluímos que a condi- de uma transição do nível alto para o ao mesmo tempo, pois isso levaria os
ção em que as entradas Clear e nível baixo da linha de habilitação (Ní- flip-flops a uma condição não permi-
Preset estão simultaneamente ativas vel 1 para o nível 0). tida.
não deve ser usada, pois teremos O funcionamento de
uma condição não permitida para os cada flip-flop do 7475 pode
flip-flops. ser colocado na tabela ver-
A frequência máxima de operação dade da figura 6.
deste circuito integrado é de 25 MHz Este circuito integrado
e o consumo é da ordem de 17 mA. não serve para aplicações
onde se deseja mudanças
de estado a cada pulso de
clock. Dizemos que este cir-
cuito não pode ser usado
como um registrador de des-
locamento (shift-register)
que será estudado nas pró-
Figura 6 - Tabela verdade para o 7475. ximas lições. Figura 8 - Tabela verdade do 7476.

Figura 5 - 7475 - Quatro flip-flops tipo D. Figura 7 - Dois flips-flops J-K- com Preset e Clear.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 47


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 9 - 74174 - Seis flip-flops tipo D. Figura 11 - Oito flip-flops tipo D com clear.

A frequência máxima dos flip-flops existe acesso às saídas complemen-


da série stardard (comum) é de tares dos flip-flops.
35 MHz com um consumo típico de
45 mA por circuito integrado.
g) 74LS373 - LATCH OCTAL
TRANSPARENTE TIPO D
f) 74273 - OITO FLIP-FLOPS
TIPO D COM CLEAR O tipo LS é importante neste caso,
Figura 10 - Tabela verdade para já que se trata de circuito compatível
os flip-flops do 74174. Este circuito é semelhante ao an- com as portas paralelas dos compu-
terior com a diferença de que existem tadores e portanto, pode ser excitado
oito em lugar de seis flip-flops tipo D. diretamente pelos níveis lógicos exis-
Um ponto interessante que deve Cada um dos flip-flop pode operar tentes num PC.
ser observado neste circuito integra- com um bit, assim, esta configuração Uma vez que o circuito integrado
do é a pinagem diferente, já que nor- se torna ideal para aplicações em 74LS373 contém 8 latches com saí-
malmente nos circuitos desta série a computadores, pois opera com 8 bits da tri-state, ele pode ser usado para
alimentação positiva é sempre nos que correspondem a um byte. trabalhar com um byte inteiro, sem
pino 14 ou 16 e a negativa no pino 7 A pinagem do circuito integrado problemas.
ou 8, quando os invólucros são de 14 74273 é mostrada na figura 11. A pinagem deste circuito integra-
ou 16 pinos. A frequência máxima de A tabela verdade para cada flip- do é mostrada na figura 12.
operação destes flip-flops para a sé- flop é a mesma do circuito integrado Quando a entrada /OE está no ní-
rie normal é de 20 MHz e o consumo anterior apresentada na figura 10. vel alto (1), as saídas de todos os flip-
de 20 mA. A frequência máxima de operação flops vão para o estado de alta
para os circuitos integrados deste tipo impedância. Isso significa que estas
da série normal é de 30 MHz com um saídas podem ser ligadas a um
e) 74174 - SEIS FLIP-FLOPS consumo de 62 mA para cada um. barramento comum a outros circuitos
TIPO D COM CLEAR Veja que o invólucro usado é Dual integrados, sem o problema de con-
In Line de 20 pinos e que a entrada flitos que possam carregar os circui-
Este circuito integrado contém seis de CLEAR é comum a todos os inte- tos causando problemas de funciona-
flip-flops do tipo D que são dispara- grados. Também observamos que não mento, conforme já estudamos nas
dos na transição positiva do si- lições iniciais deste curso.
nal de clock . A entrada de Quando a entrada /OE
CLEAR é comum a todos os está ativada, o que é feito le-
flip-flops. O invólucro é de 16 vando-a ao nível baixo (0), o
pinos com a identificação feita estado das saídas vai depen-
74L373
segundo mostra a figura 9. der da entrada EL. Se EL es-
A tabela verdade que des- tiver no nível alto (1), o latch
creve o funcionamento de cada estará aberto “transparente”.
flip-flop deste circuito integra- O que estiver na entrada D vai
do está na figura 10. passar pelo circuito e apare-
Observe que nestes flip- cer na saída Q.
flops temos acesso a apenas Se EL estiver no nível bai-
uma das saídas, assim, as sa- xo (0), a saída Q não mais res-
ídas complementares não po- Figura 12 - 74LS373 - Oito latches transparentes. ponde ao que ocorre nas en-
dem ser usadas. tradas D. Nestas condições

48
38 SABER ELETRÔNICA
SABER ELETRÔNICA
ESPECIAL Nº
Nº8303/98
- 2002
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 13 - 74LS374 - Oito flip-flops tipo D. Figura 15 - 4013 - Dois flip-flops tipo D.

dizemos que o latch está fechado e a A frequência máxima de operação


saída Q será o conteúdo das entra- deste circuito integrado é de 50 MHz
das D que foi armazenado imediata- com um consumo típico de 27 mA.
mente antes da transição das entra-
das EL do nível alto para o nível bai-
xo. Em outras palavras, podemos di- 7.2 - OS FLIP-FLOPS CMOS
zer que os flip-flops são gatilhados na
transição negativa da entrada EL. Figura 14 - Tabela verdade Temos diversos flip-flops disponí-
Observe a condição de alta de cada flip-flop do 74LS374. veis na família CMOS que serão ana-
impedância obtida com /OE no nível lisados a seguir. Uma recomendação
alto. A frequência máxima de opera- h) 74LS374 - OITO FLIP-FLOPS importante relativa ao uso destes flip-
ção para os latches deste circuito in- TIPO D COM SAÍDAS TRI-STATE flops, assim como das demais fun-
tegrado é de 50 MHz com um consu- ções CMOS, é que as entradas não
mo de 24 mA. Temos neste circuito integrado TTL usadas, pela sua sensibilidade devi-
em invólucro DIL de 20 pinos 8 flip- da à alta impedância, nunca devem
flops do tipo D que são disparados na ser mantidas abertas.
transição positiva do sinal de clock. As Nos flip-flops CMOS, diferente-
saídas são tri-state e a pinagem é mente dos TTL, as entradas
mostrada na figura 13. assíncronas são ativadas no nível alto,
Quando a entrada /OE está no ní- o que significa que devem ser
vel alto, as saídas de todos os flip- mantidas no nível baixo para a ope-
flops vão para o estado de alta ração normal.
impedância. Veja que neste circuito
integrado também não temos acesso a) 4013 - DOIS FLIP-FLOPS TIPO
às saídas complementares dos flip- D COM PRESET E CLEAR
flops. A tabela verdade que descreve
o funcionamento de cada um dos flip- Os dois flip-flops contidos neste
Figura 16 - Tabela verdade flops é mostrada na figura 14. circuito integrado são disparados na
para os flip-flops do 4013. transição positiva do sinal de clock.

Figura 17 - 4027 - Dois flip-flops J-K. Figura 18 - Tabela verdade para os flip-flops do 4027.

SABER
SABER ELETRÔNICA
ELETRÔNICA Nº
ESPECIAL
303/98 Nº 8 - 2002 49
39
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 20 - Seis flip-flops tipo D (Registrador de


Figura 19 - 4043 - Quatro flip-flops R-S. armazenamento).

O invólucro é o DIL de 14 pinos Observe que temos acesso tanto podem ser levadas ao mesmo tempo
da figura 15. as saídas normais como complemen- ao nível alto, pois isso representa um
A tabela verdade para este circui- tares de cada um dos flip-flops e que estado não permitido.
to integrado está na figura 16. as saídas CLEAR E PRESET estão As saídas vão ao estado de alta
Pela tabela verdade vemos que as ativas no nível alto. No entanto, como impedância com a entrada EN (habi-
entradas CLEAR E PRESET são ati- nos demais flip-flops, estas saídas litação ou ENABLE) levada ao nível
vas no nível alto, mas que somente não podem ser ativadas ao mesmo baixo. Quando o nível da entrada EN
uma delas pode estar nesta condição tempo, pois levariam os flip-flops a é alto, as saídas são conectadas aos
de cada vez. Se as duas entradas uma condição não permitida. flip-flops, transferindo seus estados
PRESET e CLEAR forem colocadas Como no caso anterior, a frequên- para os circuitos externos.
no nível alto ao mesmo tempo, o flip- cia depende da tensão de alimenta- Como estes circuitos não usam
flop vai para uma condição não per- ção. Para uma tensão de alimentação clocks, eles não devem ser ligados em
mitida. de 10 V, a frequência máxima de ope- cascata para formar contadores ou
A informação presente na entra- ração é da ordem de 8 MHz. shift-registers.
da D é transferida para a saída, quan-
do as entradas assíncronas PRESET
E CLEAR estão inativas. c) 4043 - QUATRO FLIP-FLOPS d) 40174 - SEIS
É importante observar que a velo- S R-S (Lógica NOR) FLIP-FLOPS TIPO D
cidade de operação dos circuitos
CMOS depende da tensão de alimen- Este circuito integrado contém Este circuito integrado contém seis
tação, como já estudamos nas lições quatro flip-flops R-S independentes flip-flops tipo D disparados pela tran-
anteriores. com saídas tri-state. O invólucro DIL sição positiva do sinal de clock. Ape-
Nos manuais de circuitos integra- de 16 pinos é mostrado na figura 19. nas uma das saídas de cada flip-flop
dos CMOS os leitores poderão encon- Em cada um dos flip-flops, as en- é acessível externamente e o CLEAR
trar tabelas que trazem os diversos tradas SET e RESET podem normal- é comum a todos eles. O invólucro é
tempos de propagação dos sinais e mente ficar no nível baixo. Se a en- DIL de 16 pinos com a pinagem mos-
as frequências de operação em fun- trada SET for levada ao nível alto, a trada na figura 20. Todos os flip-flops
ção desta tensão de alimentação. saída irá e permanecerá no nível alto. são controlados por uma entrada co-
Podemos dizer apenas que, para uma Se a entrada RESET for levada ao mum de clock. A tabela verdade para
alimentação de 10 V, a frequência nível alto a saída irá e permanecerá os flip-flops deste circuito integrado é
máxima de clock será de 7 MHz. no nível baixo. As duas saídas não mostrada na figura 21.

b) 4027 - DUPLO FLIP-FLOP e) 40175 - QUATRO


J-K COM PRESET E CLEAR FLIP-FLOPS TIPO D

Neste circuito integrado encontra- Trata-se de um circuito integrado


mos dois flip-flops tipo J-K com en- que contém quatro flip-flops seme-
tradas de PRESET E CLEAR. O invó- lhantes ao anterior com a diferença
lucro é DIL de 16 pinos, mostrado na de que as duas saídas (normal e com-
figura 17. plementar) podem ser acessadas.
Nos flip-flops , as entradas O invólucro deste circuito integra-
PRESET e CLEAR são independen- do é apresentado na figura 22.
tes. A tabela verdade para os flip-flops Figura 21 - Tabela verdade A tabela verdade para os circuitos
é mostrada na figura 18. para os flip-flops do 40174. integrados é a mesma do 40174. Para
50 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 22 - 4M75 - Quatro flip-flops tipo D


(Registrador de armazenamento). Figura 23 - Quatro portas NAND de duas entradas.

uma alimentação de 10 V, a frequên- mostrada na figura 24 e cada unida- usadas de forma independente. A
cia máxima de clock é de 10 MHz. de exige uma corrente de 12 mA. pinagem é mostrada na figura 28.
O consumo por unidade é de apro-
ximadamente 4 mA.
7.3 - FUNÇÕES c) 7404 - Seis Inversores
LÓGICAS TTL (Hex Inverter)
g) 7432 - Quatro portas
Podemos contar com uma boa Os seis inversores deste circuito OR de duas entradas
quantidade de circuitos integrados integrado podem ser usados de for-
contendo as principais funções lógi- ma independente. A pinagem está na As portas OR deste circuito inte-
cas em tecnologia TTL. Damos a se- figura 25. grado podem ser usadas de modo in-
guir alguns dos mais importantes, já dependente e a corrente total exigida
que para obter informações sobre a é da ordem de 19 mA. A pinagem está
totalidade será interessante contar d) 7408 - Quatro Portas na figura 29.
com um manual TTL. AND de duas entradas

Este circuito integrado tem a h) 7486 - Quatro Portas


a) 7400 - Quatro Portas pinagem da figura 26 e cada unida- OR-Exclusivo
NAND de duas entradas de exige uma corrente de 16 mA.
As por tas OU-exclusivo ou
Num invólucro DIL de 14 pinos Exclusive OR deste circuito integra-
contamos com quatro portas NAND e) 7410 - Três portas do podem ser usadas de forma inde-
de duas entradas de funcionamento NAND de três entradas pendente. O consumo é de 30 mA e
independente. a pinagem está na figura 30.
Veja na figura 23 a pinagem des- Cada uma das três portas NAND
te circuito integrado. deste circuito integrado pode ser usa-
O consumo médio por circuito in- da de forma independente. A corren- 7.4 - FUNÇÕES LÓGICAS CMOS
tegrado é da ordem de 12 mA. te exigida pelo circuito é de 6 mA.
Também podemos contar com
uma boa quantidade de circuitos in-
b) 7402 - Quatro Portas f) 7420 - Duas portas tegrados CMOS contendo funções
NOR de duas entradas NAND de quatro entradas lógicas. Evidentemente, não temos
espaço para colocar todas estas fun-
Este circuito integrado em invólu- Este circuito integrado contém ções nesta lição, assim recomenda-
cro DIL de 14 pinos tem a pinagem duas portas NAND que podem ser mos ao leitor que adquira um manual

Figura 24 - Quatro portas NOR de duas entradas. Figura 25 - Seis inversores.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 51


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 26 - Quatro portas AND de duas entradas. Figura 27 - Três portas NAND de três entradas.

CMOS. Daremos a seguir algumas d) 4023 - Três portas Dependendo dos níveis lógicos
das mais usadas. NAND de três entradas aplicados nestas entradas de progra-
mação, o circuito se comporta como
As três portas NAND deste circui- funções NOR, OR, NAND ou AND
a) 4001 - Quatro Portas to integrado podem ser usadas de com 8 entradas ou ainda de forma
NOR de duas entradas maneira independente. A pinagem é combinada, realizando ao mesmo
mostrada na figura 34. tempo funções de portas OR e AND
Este circuito integrado contém cada um de 4 entradas e outras que
quatro portas NOR em invólucro DIL são mostradas na figura 37.
de 14 pinos com a pinagem mostra- e) 4025 - Três portas NOR Assim, por exemplo, se colocar-
da na figura 31. de três entradas mos todas as três entradas de pro-
O consumo por circuito integrado gramação no nível alto (Ka,Kb e Kc=
é da ordem de 10 nW. Encontramos neste circuito inte- 111), o circuito se comporta como
grado três funções NOR que podem duas portas AND de quatro entradas
ser usadas de forma independente. A ligadas a uma porta OR de duas en-
b) 4011 - Quatro portas pinagem é mostrada na figura 35. tradas.
NAND de duas entradas Veja então que esta interessante
função pode servir de “coringa” em
Em invólucro DIL de 14 pinos en- 7.5 - A FUNÇÃO TRI-STATE muitos projetos, pois consegue simu-
contramos quatro portas NOR de EXPANSÍVEL DO 4048 lar a operação de diversas combina-
duas entradas de funcionamento in- ções de outros circuitos integrados
dependente. O invólucro com a iden- O circuito integrado 4048 tem ca- CMOS.
tificação dos terminais é mostrado na racterísticas muito interessantes para Internamente, o 4048 é bastante
figura 32. projetos CMOS envolvendo funções complexo contendo 32 funções inde-
lógicas. Conforme estudamos, usan- pendentes programadas pelos níveis
do combinações apropriadas de lógicos aplicados às entradas corres-
c) 4012 - Duas portas funções simples, é possível simular pondentes.
NAND de quatro entradas qualquer outra função mais comple-
xa. É justamente isso que faz o 4048
As quatro portas NOR de duas que tem a pinagem mostrada na fi- QUESTIONÁRIO
entradas deste circuito integrado po- gura 36.
dem ser usadas de forma indepen- Este circuito possui 8 entradas, 1. Qual é o conjunto de funções
dente. A identificação dos terminais uma saída e três entradas de “progra- que o leitor provavelmente não
deste circuito integrado está na figu- mação”. encontrará na forma de um circuito
ra 33.

Figura 28 - Duas portas NAND de quatro entradas. Figura 29 - Quatro portas OR de duas entradas.

52 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 31 - 4001 - Quatro portas NOR de duas entradas.

Figura 30 - Quatro portas Exclusive-OR de duas entradas.

Figura 33 - 4012 - Duas portas NAND de quatro entradas.

integrado TTL ou CMOS?


a) Seis portas AND de 3 entradas
Figura 32 - 4011 - Quatro portas NAND de duas entradas. b) Seis inversores
c) Quatro portas AND de duas entradas
d) Quatro portas Exclusive OR

2. As quatro portas NAND de um circuito integrado TTL


7400 têm:
a) Alimentação independente
b) Quatro entradas
c) Funcionamento independente
d) Reset comum

3. Os flip-flops do circuito integrado 4027 são:


a) Do tipo R-S b) Do tipo D
c) Do tipo J-K d) Do tipo T
Figura 34 - 4023 - Três portas NAND de três entradas.

Figura 35 - 4025 - Três portas NOR de três entradas. Figura 36 - 4048 - Função expansível de 8 entradas tri-state.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 53


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

4. Um “latch” como o circuito TTL 5. Qual é a condição proibida nos d) Saídas ligadas às entradas D ou
7475 é usado para: flip-flops CMOS e TTL? Clear „
a) Contagem binária a) Entradas J e K ligadas em paralelo
b) Divisão de frequência b) Preset e Clear ao mesmo tempo
c) Operação como porta AND ativos 1-a, 2-c, 3-c, 4-d, 5-b
d) Armazenamento de informação c) Preset e Clear ao mesmo tempo Respostas:
digital desativados

Figura 37 - Funções que podem ser exercidas pelo 4048.

54 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

LIÇÃO 8
OS MULTIVIBRADORES
ASTÁVEIS E MONOESTÁVEIS

Na lição anterior aprendemos também são muito importantes em RC. Dizemos que este tipo de osci-
como funcionam os principais tipos de aplicações relacionadas com a Ele- lador é do tipo RC. Analisemos me-
flip-flops, verificando que dependen- trônica Digital. lhor como funciona a configuração
do dos recursos de cada um, eles mostrada na figura 1.
podem ser empregados de diversas Quando a alimentação é
formas. Também vimos as entradas 8.1 - MULVIBRADORES ASTÁVEIS estabelecida, um dos transistores
que estes dispositivos podem conter conduz mais do que outro e inicial-
para melhorar seu desempenho em Os circuitos digitais trabalham sin- mente podemos ter, por exemplo, Q1
determinadas aplicações, como por cronizados, em sua maioria, por sinais saturado, e Q 2 cortado. Com Q 1
exemplo, nos computadores. Vimos retangulares que precisam ser produ- saturado o capacitor C1 carrega-se via
também que os flip-flops são usados zidos por algum tipo de oscilador. O R1 de modo que a tensão no capacitor
como divisores de frequência ou cé- oscilador, que produz o sinal de sobe gradualmente até o ponto em
lulas de memória. Tudo isso nos leva “CLOCK” ou “relógio” deve ter carac- que, estando carregado, o transistor
à necessidade de contar com esta terísticas especiais e para isso podem Q2 é polarizado no sentido de condu-
função na forma de circuitos integra- ser usadas diversas configurações. zir. Quando isso ocorre, Q2 tem um
dos. De fato, existem muitos circuitos Uma das configurações mais in- dos seus terminais aterrado e descar-
integrados TTL e CMOS contendo flip- teressantes é justamente aquela que rega-se. Nestas condições Q1 vai ao
flops dos tipos estudados e será jus- parte de um circuito bastante seme- corte e Q2 satura. Agora é a vez de C2
tamente deles que falaremos nesta lhante aos flip-flops que estudamos carregar-se até que ocorra novamen-
lição. Também enfocaremos algumas na lição anterior. te uma comutação dos transistores e
configurações que em lugar de dois Este circuito recebe o nome de um novo ciclo de funcionamento.
estados estáveis possuem apenas multivibrador astável e se caracteriza As formas de onda geradas neste
um, além das configurações que não por não ter dois, nem um estado es- circuito são mostradas na figura 2,
possuem nenhum estado estável. tável. Este circuito muda constante- observando-se o ciclo de carga e des-
Estes circuitos denominados multivi- mente de estado, numa velocidade carga dos capacitores.
bradores astáveis e monoestáveis que depende dos valores dos com-
ponentes usados e que, portanto gera
um sinal retangular.
Da mesma forma que estudamos
os flip-flops partindo da configuração
básica com transistores, vamos estu-
dar o multivibrador astável.
Assim, caso tenhamos a configu-
ração mostrada na figura 1, usando
transistores, os capacitores propor-
cionam uma realimentação que leva
o circuito à oscilação.
O multivibrador astável é um cir-
cuito em que a frequência é determi-
Figura 1 - Multivibrador astável nada por um capacitor e um resistor,
usando dois transistores. ou seja, por uma constante de tempo Figura 2 - Formas de onda no circuito da
figura 1.
SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 55
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 4 - Melhorando o circuito da figura 3.

Figura 3 - Multivibrador usando


dois inversores.
O leitor pode perceber então que seguinte forma: quando o inversor F- Este resistor Rx deve ser pelo
o tempo de carga e descarga dos 2 está com a saída no nível alto, a menos 10 vezes maior que R. Valo-
capacitores e portanto, das oscilações saída de F-1 estará no nível baixo, o res da ordem de 1 MΩ são os mais
geradas por este circuito, dependem que faz com que o capacitor carregue usados na prática de modo a não afe-
tanto dos valores dos capacitores via R. Quando a tensão em C atinge tar a frequência de operação deter-
como dos resistores de base através o valor que provoca a comutação de minada pela fórmula que vimos.
dos quais ocorrem as descargas. F-2, ele troca de estado e sua saída Podemos controlar a frequência
Também podemos observar que vai ao nível baixo. Nestas condições deste tipo de oscilador colocando um
os sinais gerados são retangulares, a saída de F-1 vai ao nível alto, o resistor variável no circuito de reali-
pois ocorre uma comutação rápida capacitor é “invertido” começando sua mentação, verifique a figura 5.
dos transistores de tal forma que a carga, mas com polaridade oposta até Como o resistor variável é 10 ve-
tensão em seus coletores sobe e des- que novamente tenhamos o reconhe- zes maior do que o resistor que está
ce muito rapidamente. cimento do nível de comutação e um em série, a faixa de frequências obti-
Da mesma forma que no caso dos novo ciclo se inicie. da variará numa razão de 10 para 1.
flip-flops, podemos elaborar multivi- A frequência de operação deste Assim, se a frequência mínima for de
bradores astáveis, tanto usando vál- circuito é dada com aproximação pela 100 Hz, a máxima será de 1000 Hz.
vulas como transistores de efeito de fórmula: Veja que não é recomendável que o
campo. resistor em série seja muito peque-
Podemos também ter osciladores f = 1/(2 x 3,14 x R x C) no, menor que 10 kΩ, dadas as ca-
RC que geram sinais com boa esta- racterísticas do circuito.
bilidade com menos componentes. 3,14 é o famoso “PI” que é cons- Como o tempo de carga e descar-
Estes osciladores podem ser elabo- tante. ga do capacitor é o mesmo, o sinal
rados com funções lógicas e para isso C deve ser expresso em farads, produzido é retangular com um ciclo
temos diversas possibilidades. R em ohms para que tenhamos a ativo de 50%, ou seja, o tempo em
frequência em hertz. que ele permanece no nível alto é o
Nos circuitos integrados CMOS mesmo do nível baixo, figura 6.
7.4 - ASTÁVEIS COM costuma-se agregar nas entradas Na maioria das aplicações que
FUNÇÕES LÓGICAS diodos de proteção com a finalidade envolvem o uso de circuitos digitais
de protegê-los contra descargas es- são necessários circuitos de clock que
a) Astável usando inversores táticas. Estes diodos afetam o funcio- tenham ciclos ativos de 50%, no en-
Um primeiro tipo de oscilador RC namento dos osciladores, podendo tanto, existem aplicações especiais
ou astável pode ser elaborado com dificultar sua operação. Uma maneira em que um ciclo ativo diferente pode
base em dois inversores, utilizando a de contornar o problema causado ser necessário.
configuração mostrada na figura 3. pela presença dos diodos consiste em Para modificar o ciclo ativo, o re-
Neste circuito, R e C determinam modificar o circuito da figura 3, agre- curso mais comum consiste em ter
a frequência de operação. Resumi- gando um resistor adicional da forma percursos diferentes para as corren-
mos o princípio de funcionamento da indicada na figura 4. tes de carga e descarga do capacitor,

Figura 5 - Oscilador de 2,0 a 20 kHz usando dois inversores.

(*) Valores típicos


para inversores
CMOS
Figura 6 - Ciclo ativo de 50%.

56 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

o que pode ser conseguido com o uso


Figura 7 - Alterando o ciclo ativo. de diodos.
Assim, para o circuito que toma-
mos como exemplo é possível modi-
ficar o ciclo ativo da maneira indicada
na figura 7.
O capacitor vai carregar-se via R1
e descarregar via D2, o que significa
tempos diferentes para a saída no ní-
vel alto e baixo.
Estes tempos dependem dos
capacitores e são dados pelas fórmu-
las junto ao diagrama.
Figura 8 - Oscilador com ciclo ativo controlável. Para um ajuste do ciclo ativo po-
demos agregar um potenciômetro ou
trimpot ao circuito que vai determinar
os percursos para as correntes de
carga e descarga do capacitor, con-
forme figura 8.
A posição do cursor determina o
ciclo ativo, observando-se que na po-
sição central este ciclo será de 50%.
Observamos finalmente que inver-
sores podem ser obtidos com a liga-
ção de portas NOR com as entradas
em paralelo, confira na figura 9.
Ou ainda, a configuração indicada
pode ser elaborada com por tas
Figura 9 - Astável com portas NOR ligadas com inversores.
NAND, ficando com a disposição da
figura 10.

b) Oscilador com disparador


Uma característica não muito de-
sejada quando se pretende usar uma
função como osciladora, é o tempo de
comutação quando o nível lógico é
reconhecido na entrada.
Um tipo de função lógica impor-
Figura10 - Astável com portas NAND CMOS ligadas como inversores. tante, que possui tempos reduzidos
de comutação, é a formada por cir-
cuitos disparadores ou “triggers”,
como por exemplo, do circuito integra-
do 4093, ver na figura 11.
Estas portas possuem uma carac-
terística de histerese que é mostrada
na figura 12.
Esta característica mostra que,
quando o circuito reconhece o nível
lógico necessário à comutação, a
saída passa de um nível a outro numa
velocidade muito grande, ou seja, há
uma comutação muito rápida.
Figura 11 - Porta NAND
Por outro lado, o nível lógico de
disparadora (Schimitt trigger).
entrada que faz novamente a comu-
tação para que a saída volte ao esta-
Um tipo de função lógica importan- do anterior não ocorre com a mesma
te, que possui tempos reduzidos de tensão “de ida”.
comutação, é a formada por circui- Figura 12 - Característica de
Em outras palavras, o sinal de
histerese do 4093.
tos disparadores ou “triggers”, saída oscila do nível alto para o baixo

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 57


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

e vice-versa com tensões diferentes tes componentes determinam então


de entrada. Estas diferentes tensões o tempo de saída alto.
determinam uma faixa denominada Quando o circuito comuta e a saí-
“histerese” e que é mostrada na cur- da do disparador vai ao nível baixo, o
va da figura 12. capacitor descarrega-se via D2 e R2,
Esta característica é muito impor- sendo estes os componentes respon-
tante pois garante que o circuito co- sáveis pelo tempo baixo do sinal de
Figura 13 - Oscilador
mute com segurança, tanto “na ida” saída.
usando uma porta
como “na volta” dos sinais, e que além Também podemos controlar o ci-
disparadora do circuito
disso, possam ser usados em clo ativo deste circuito colocando um
integrado 4093.
osciladores de bom desempenho. potenciômetro ou trimpot, conforme a
Para termos um oscilador com figura 16.
uma porta NAND disparadora como A posição do cursor determina a
a do circuito integrado CMOS 4093, resistência do circuito nos percursos
precisamos de apenas dois compo- de carga e descarga do capacitor.
nentes externos na configuração mos- O 4093, na verdade, corresponde
trada na figura 13. a um grupo de circuitos denominados Figura 14 - Formas de onda
Neste circuito, o capacitor se car- “disparadores de Schmitt” que será num oscilador com o 4093.
rega através do resistor quando a sa- estudado nas próximas lições na sua
ída da porta (ligada como inversor) real função, que é a de modificar for- d) Oscilador com cristal
está no nível alto e descarrega-se mas de onda de um circuito. O cristal é um elemento importan-
quando está no nível baixo, produzin- O disparador pode transformar um te no controle de frequência de um
do um sinal com ciclo ativo de 50%. sinal de qualquer forma de onda num circuito. Os cristais oscilam em
A entrada do circuito, ligada entre sinal retangular, conforme veremos frequências determinadas pelo seu
o capacitor e o resistor, não drena mais adiante. corte. Assim, eles podem ser usados
nem fornece corrente, já que é de alta para manter a frequência fixa dentro
impedância, apenas sensoriando o c) Oscilador TTL com Inversores de estreitos limites.
nível de tensão neste ponto para fa- com saída de coletor aberto Seu uso mais comum é justamen-
zer a comutação. Um outro tipo de circuito astável, te em circuitos em que a precisão da
As formas de onda obtidas neste que pode ser usado para gerar sinais frequência seja importante, tais como
circuito são mostradas na figura 14. retangulares num equipamento digi- relógios, cronômetros e em
Da mesma forma que nos circui- tal, é o que faz uso de três dos seis
tos anteriores também podemos mo- inversores disponíveis num circuito
dificar o ciclo ativo do sinal gerados integrado 7406. Este circuito é mos-
modificando o percurso das corren- trado na figura 17.
tes de carga e descarga do capacitor, O sinal é realimentado da saída
o que pode ser conseguido através do último inversor para a entrada do
de diodos. primeiro e pelo resistor variável temos
Temos então na figura 15 um cir- o ajuste da frequência e do ponto de
cuito com ciclo ativo diferente de 50% funcionamento.
usando diodos. Este oscilador pode gerar sinais na
Neste circuito, quando a saída do faixa de 1 MHz a 10 MHz para TTLs
disparador está no nível alto, o normais e frequências mais elevadas Figura 15 - Oscilador com ciclo ativo
capacitor carrega-se via D1 e R1. Es- com TTL LS. determinado pela relação entre R1 e R2.

Figura 16 - Oscilador com


ciclo ativo controlado or P1. Figura 17 - Oscilador com inversores com saída em coletor aberto.

58 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

instrumentação. Existem diversas for- QUESTIONÁRIO


mas de obter um oscilador com cris-
tal para aplicações em circuitos digi- 1. Quantos estados estáveis têm um
tais. Um primeiro circuito que pode ser multivibrador monoestável?
dado como exemplo é apresentado na a) 1 b) 2 c) nenhum
figura 18 e faz uso de duas das qua- d) todos os estados são estáveis
tro portas NOR disponíveis num cir-
cuito integrado CMOS 4001. 2. Qual dos circuitos abaixo indicados
O cristal serve de elemento de re- não pode ser usado como astável ou
alimentação devendo haver um monoestável?
capacitor ajustável que permite vari- a) 7474 b) 555
ar a frequência levemente em torno c) 74122 d) 4011
do valor estabelecido pelas caracte-
rísticas do circuito. 3. O tempo de carga de um capacitor
Uma porta serve como elemento é diferente do tempo de descarga
ativo do circuito (amplificador), en- quando usado num astável. Podemos
quanto a outra serve de “buffer”, ou dizer que o ciclo ativo do sinal gerado
seja, isola a saída do circuito é: a) 50%
oscilador. b) maior que 50%
Os buffers são importantes em c) menor que 50%
muitas aplicações, pois impedem que d) diferente de 50%
variações ocorridas no circuito que
recebe o sinal afetem a frequência do
oscilador.
Um outro oscilador a cristal com
inversores CMOS é o da figura 19.
A saída do último inversor fornece
o sinal de realimentação do circuito
através do cristal que então determi-
na a sua frequência.
Versão equivalente com inverso-
res e circuitos integrados TTL para
osciladores controlados a cristal é
mostrada na figura 20. Figura 18 - Oscilador CMOS a cristal.

Figura 19 - Oscilador CMOS a cristal com inversores CMOS.

Figura 20 - Oscilador controlado a cristal com inversores TTL.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 59


CURSO DE ELETRÔNICA
CURSO BÁSICO DIGITAL
DE ELETRÔNICA DIGITAL

LIÇÃO 9

OS CONTADORES DIGITAIS

Na lição anterior analisamos o casos, o instante em que uma opera- números crescentes, ou seja, dos va-
princípio de funcionamento de um dos ção deve ser realizada é muito impor- lores mais baixos para os mais altos,
mais importantes blocos da Eletrôni- tante e isso implica em que os circui- como (1,2,3,4...). São também cha-
ca Digital, o flip-flop. Vimos que estes tos devam ser habilitados no instante mados pelo termo inglês de UP
blocos poderiam ter diversos tipos de em que os níveis lógicos são aplica- COUNTERS.
comportamento e que, quando reuni- dos em sua entrada. Os contadores podem ser RE-
dos, poderiam apresentar comporta- Isso significa que tais circuitos GRESSIVOS ou DECRESCENTES,
mentos interessantes como, por devem ser sincronizados por algum quando a contagem é feita dos valo-
exemplo, a capacidade de dividir tipo de sinal vindo de um circuito ex- res mais altos para os mais baixos
frequências, de armazenar informa- terno. E este circuito nada mais é do como (4,3,2,1...).O termo inglês é
ções (bits), além de outras. Nesta li- que um oscilador que produz um si- DOWN COUNTERS.
ção vamos nos dedicar justamente a nal de clock ou relógio. Se bem que possamos fazer con-
uma das funções mais importantes Os circuitos que operam com es- tadores usando funções lógicas co-
dos flip-flops que é a de fazer a con- tes sinais são denominados circuitos muns e mesmo flip-flops discretos,
tagem do número de pulsos, o que com lógica sincronizada. podemos contar na prática com cir-
corresponde em última análise a con- Para os contadores temos então cuitos integrados em lógica TTL ou
tagem de bits. A partir desta conta- diversas classificações que levam em CMOS que já possuam contadores
gem podemos usar estes circuitos conta estes e outros fatores, por completos implementados.
para a realização de operações mais exemplo:
complexas como somas, manipulação
de dados etc. 9.1 - CONTADOR ASSÍNCRONO
a) Classificação quanto
ao sincronismo: Conforme explicamos, neste tipo
9 - OS TIPOS DE CONTADORES Os contadores podem ser de contador, o sinal de clock é aplica-
ASSÍNCRONOS, quando existe o si- do apenas ao primeiro estágio, fican-
Em Eletrônica Digital devemos nal de clock aplicado apenas ao pri- do os demais sincronizados pelos
separar os circuitos lógicos sem meiro estágio. Os estágios seguintes estágios anteriores.
sincronismo daqueles que possuam utilizam como sinal de sincronismo a Na figura 1 temos a estrutura bá-
algum tipo de sincronismo externo, ou saída de cada estágio anterior. Estes sica de um contador deste tipo usan-
seja, que usam um sinal de CLOCK. contadores também são denomina- do flip-flops do tipo J-K.
Existem aplicações em que tudo dos Ripple Counters. Usamos três estágios ou três flip-
o que importa para o circuito é fazer Os contadores também podem ser flops ligados de tal forma que a saída
uma operação com determinados ní- SÍNCRONOS, quando existe um si- Q do primeiro serve de clock para o
veis lógicos aplicados à sua entrada, nal de clock único externo aplicado a segundo, e a saída Q do segundo ser-
quando eles estão presentes, não todos os estágios ao mesmo tempo. ve de clock para o terceiro.
importando quando isso ocorra. Tais Sabemos que os flip-flops ligados
circuitos não precisam de sincronismo da forma indicada funcionam como
algum e são mais simples de serem b) Classificação quanto divisores de frequência.
utilizados. ao modo de contagem Assim, o sinal de clock aplicado
No entanto, com circuitos muito Os contadores podem ser PRO- ao primeiro tem sua frequência divi-
complexos, como os utilizados em GRESSIVOS ou CRESCENTES, dida por 2.
computadores e em muitos outros quando contam numa sequência de A frequência estará dividida por 4
46 SABER ELETRÔNICA Nº 305/98
60 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002
CURSO DEDE
CURSO BÁSICO ELETRÔNICA DIGITAL
ELETRÔNICA DIGITAL
Entrada QA QB QC Valor
Fig. 1 - Um contador Binário
assíncrono. 0 1 1 1 7
1 1 1 0 6
2 1 0 1 5
3 1 0 0 4
4 0 1 1 3
5 0 1 0 2
6 0 0 1 1
7 0 0 0 0

Portanto, este contador fornece


em sua saída valores binários que
correspondem à contagem decres-
cente dos pulsos de entrada, partin-
do de 7. Trata-se de um contador de-
crescente ou DOWN COUNTER.
na saída do segundo e por 8 na saí- O circuito apresentado comuta na Como no caso anterior, se tiver-
da do terceiro. transição negativa do sinal de clock. mos mais flip-flops, podemos contar
Tudo isso pode ser visualizado Vamos supor agora que em lugar a partir de valores mais altos. Com 4
pelo diagrama de tempos mostrado de usarmos como saídas de conta- flip-flops podemos partir a contagem
na figura 2. gem as saídas Q de cada flip-flop, de 15 e com 8 flip-flops, de 255. Veja
Mas, se elaborarmos uma tabela usássemos as saídas complementa- que a quantidade máxima que pode-
verdade com os níveis lógicos obtidos res /Q, conforme a figura 4. É fácil per- mos contar com um contador deste
na saída de cada um dos flip-flops, a ceber que, partindo da situação em tipo depende da quantidade de flip-
cada pulso do clock aplicado, a partir que todos os flip-flops estejam flops usados.
do instante em que todas as saídas ressetados, a tabela verdade obtida Um problema que ocorre com este
sejam zero, teremos algo interessan- terá nas saídas os complementos da tipo de flip-flop é que cada um preci-
te a considerar: tabela anterior. Esta tabela será: sa de um certo tempo para mudar de

Entrada QC QB QA
0 0 0 0
1 0 0 1
2 0 1 0
3 0 1 1
4 1 0 0
5 1 0 1
6 1 1 0
7 1 1 1

Veja que a sequência de valores


obtidos 000, 001, 010, 011, 100, 101, Fig. 2 - Diagrama
110 e 111 corresponde justamente à de tempos para
contagem em binário dos pulsos de 0 um contador
assíncrono de 3
a 7! Em outras palavras, este circuito
estágios.
conta os pulsos de entrada e fornece
saídas que são a representação bi-
nária desta contagem.
Veja também que ele faz a conta-
gem crescente, ou seja, de 0 até 7.
Se, em lugar de três flip-flops,
usarmos quatro, no circuito mostrado
na figura 3, teremos a contagem de
0000 a 1111, ou seja, uma contagem
crescente de 0 a 15 pulsos.
Oito desses flip-flops ligados em
série podem contar até 256 pulsos e
com isso fornecer uma saída de 8 bits
ou 1 byte. Fig. 3 - Um contador assíncrono de 4 estágios.

SABER ELETRÔNICA Nº 305/98 47


SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 61
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL
CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA DIGITAL
estado. Isso significa que à medi-
da que usamos mais flip-flops em
sequência num contador, os tempos
de mudança de estado são somados
e o conjunto precisa cada vez de mais
tempo para chegar ao estado final
desejado.
Se aplicarmos um novo pulso de
clock para contagem à entrada do cir-
cuito, antes de ocorrer a mudança de
estado do conjunto, pode ocorrer um
funcionamento errático. Assim, a Fig. 4 - Um contador decrescente de 3 estágios.
frequência máxima de operação de
um contador é dada pelo tempo ne-
cessário para cada estágio mudar de
estado multiplicado pelo número de
estágios usados no contador.

9.2 - CONTAGEM PROGRAMADA

Conforme vimos, os ciclos de con-


tagem dos circuitos dados como
exemplos no item anterior são sem-
pre potências de 2, ou seja, são cir-
cuitos que contam até 2, 4, 8, 16, 32 Fig. 5 - Contador progra-
etc. O que fazer se precisarmos de mado de módulo 6.
um circuito que tenha um ciclo de con-
tagem diferente desses valores, que
não seja uma potência de 2? e portanto, a ativação da linha CLR Se quiséssemos um contador até
Devemos levar em conta dois fa- (clear) ocorre com uma única combi- 4, por exemplo, o estado em que de-
tores: nação de sinais: QA e QB no nível alto. veria ocorrer a ativação da entrada
Podemos usar a entrada CLEAR Se usarmos flip-flops que tenham CLEAR ocorreria com a quinta com-
para reiniciar a contagem, zerando- entradas CLEAR ativadas pelo nível binação de saídas, ou seja, 101, o que
a, quando chegar ao valor desejado. alto, basta usar uma porta AND de significa QC=1 e QA=1. Bastaria en-
Por exemplo, podemos reiniciar a con- duas entradas com as entradas liga- tão ligar as entradas da porta AND
tagem depois do 5 se quisermos um das nas saídas QB e QC e a saída na nessas saídas, conforme a figura 6.
contador que conte de 0 a 5, ou seja, linha comum de CLEAR de todos os Um diagrama de tempos pode
que tenha 6 estados de saída, con- flip-flops, conforme a figura 5. Se os mostrar exatamente o que ocorre com
forme a tabela verdade dada a seguir: flip-flops usados tiverem um CLEAR o contador elaborado desta maneira.
ativado no nível baixo como o 7476 Este diagrama é apresentado na fi-
Entrada QC QB QA (TTL), basta usar uma porta NAND gura 7. Observe que, quando as saí-
0 0 0 0 em lugar de AND. das chegarem ao estado 110, que
1 0 0 1
2 0 1 0
3 0 1 1
4 1 0 0
5 1 0 1
6 0 0 0
estado instável

No sexto pulso que corresponde


ao estado 110, o circuito vai a um es-
tado que ativa a entrada CLEAR e
leva todos os flip-flops a serem
ressetados.
Para este circuito a solução é sim- Fig. 6 - Contador de
ples. Veja que a situação em que de- módulo 5.
vemos ter a volta a zero da contagem

6248 SABER ELETRÔNICA


SABER ELETRÔNICA ESPECIAL NºNº
8 305/98
- 2002
CURSO DE
CURSO BÁSICO DEELETRÔNICA DIGITAL
ELETRÔNICA DIGITAL
seria a contagem do quinto pulso no
circuito da figura 6, um pulso de reset
de curta duração é produzido. Esta
curta duração é dada justamente pelo Fig. 7 -
tempo que os flip-flops demoram para Diagrama de
mudar de estado ressetando, pois tempos para o
eles “realimentam” as entradas da contador de
porta AND. módulo 5.
Nos exemplos dados fizemos a
programação da contagem usando as
entradas de CLEAR de cada flip-flop.
Uma outra maneira de projetarmos
um contador consiste em usarmos as
entradas PRESET em lugar de
CLEAR.
Para isso fazemos com que, no
momento em que for atingida a con-
tagem do valor imediatamente ante-
rior àquele em que deve ocorrer a
volta a zero, ou seja, n-1, em lugar de
termos a comutação dos flip-flops,
tenhamos a ativação das entradas de Se as entradas forem ativadas no Usando 3 estágios, podemos ter
PRESET. Desta forma, no pulso se- nível baixo (/PR), basta trocar a porta um contador UP/DOWN, conforme a
guinte de clock (n) teremos a volta a AND por uma porta NAND de quatro figura 10. Uma entrada (UP/DOWN)
zero (reset) do contador. entradas. pode ser usada para determinar o
Para um contador de 6 estados, sentido da contagem.
que depois do quinto pulso resseta, Trata-se de uma entrada seletora
teremos a seguinte tabela verdade. 9.3 - CONTADORES UP/DOWN de dados ou DATA SELECTOR, que
(PROGRESSIVOS E pode ser usada para mudar o modo
Pulsos QC QB QA REGRESSIVOS) de funcionamento dos estágios des-
0 0 0 0 te circuito.
1 0 0 1 Usando alguns artifícios, como por Funcionamento: conforme vimos
2 0 1 0 exemplo, portas apropriadas, é pos- nesta lição, se usarmos as saídas Q
3 0 1 1 sível programar um contador de modo dos flip-flops de um contador, a con-
4 1 0 0 que ele tanto conte progressivamen- tagem será crescente, mas se usar-
5 1 0 1 te como regressivamente. mos as saídas /Q, a contagem será
o PRESET é ativado
x x x x
volta a zero na transição do clock Fig. 8 - Na saída da porta AND temos um
6 0 0 0 pulso de curta duração que resseta o
7 0 0 1 contador.
8 0 1 0

Um circuito usando uma porta


NAND é mostrado na figura 9.
Veja que a detecção da condição
de produção do pulso de PRESET
deve ser reconhecida com os níveis
101 nas saídas dos estágios dos con-
tadores e com o pulso indo ao nível
alto na entrada de contagem.
Para obtermos a configuração
1111 que nos permitiria usar uma
porta AND de quatro entradas, basta
levar em conta a saída /QB em lugar
de QB. Fig. 9 - Para CLR (ativado
Assim, basta usar a porta AND e no nível baixo) usamos
ligá-la nas entradas de PRESET (PR) uma porta NAND.
dos flip-flops.

SABER
SABERELETRÔNICA
ELETRÔNICANº 305/98 Nº 8 - 2002
ESPECIAL 49 63
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL
CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Fig. 10 - Contador UP/DOWN divisor por 8.

decrescente. Assim, o que faze- assíncronos, os tempos de comuta- Assim, o primeiro flip-flop muda de
mos é colocar um circuito seletor nes- ção dos flip-flops influem no funcio- estado a cada pulso de clock. No en-
sas saídas, de tal modo que ele colo- namento final do circuito, pois eles são tanto, J do segundo flip-flop está liga-
que a saída Q de cada flip-flop na cumulativos. do à saída Q do primeiro. Isso signifi-
entrada de clock do seguinte, quan- Em outras palavras, cada estágio ca que o segundo flip-flop só mudará
do a contagem deve ser progressiva, precisa esperar o anterior completar de estado quando o primeiro flip-flop
e coloque a saída /Q na entrada do a operação antes de iniciar a sua. for ressetado, ou seja, a cada dois
seguinte, quando na contagem Usando lógica sincronizada, ou pulsos de clock.
descrescente. Três portas NAND para seja, um contador em que todos os Da mesma forma, com o uso de
cada estágio podem fazer isso a par- estágios são sincronizados por um uma porta AND, o terceiro flip-flop só
tir do sinal de comando UP/DOWN. clock único, este problema não existe vai mudar de estado quando as saí-
e podemos ter contadores muito mais das Q do primeiro e segundo flip-flop
rápidos, na verdade, contadores cuja forem ao nível 1, ou seja, a cada 4
9.4 - CONTADORES SÍNCRONOS velocidade independe do número de pulsos de clock.
etapas. Para 4 bits, utilizando 4 estágios,
Sincronizar a contagem por um Para mostrar como isso pode ser podemos usar o circuito mostrado na
clock único aplicado a todos os está- feito, vamos tomar como exemplo o figura 12.
gios não é apenas uma necessidade circuito da figura 11. Um problema que ocorre com este
dos circuitos mais complexos, princi- Este circuito utiliza flip-flops tipo J- tipo de configuração é que a partir de
palmente, os usados em Informática K ligados de uma forma denominada 3 estágios, a cada estágio que acres-
e Instrumentação. PARALLEL CARRY. centamos no contador devemos adi-
O sincronismo de todos os estági- Nesta forma de ligação, J e K do cionar uma porta AND cujo número
os pelo mesmo clock tem ainda van- primeiro flip-flop são mantidas no ní- de entradas vai aumentando.
tagens operacionais impor tantes. vel alto por meio de um resistor liga- Assim, para 4 estágios, a porta
Conforme vimos, nos contadores do ao positivo da alimentação (Vcc). deve ter três entradas, para 5 estági-
os, 4 entradas e assim por diante.
Uma maneira de não termos este
Fig. 11 - Contador síncrono problema consiste em usar uma con-
do tipo Parallel Carry figuração diferente de contador apre-
sentada na figura 13 e denominada
RIPPLE CARRY.
Neste circuito as portas usadas
sempre precisam ter apenas duas
entradas, o que é importante para a
implementação prática do contador.
No entanto, como desvantagem
deste circuito, temos uma limitação da
velocidade de operação, pois como o
sinal para os estágios vem da porta
anterior, temos de considerar seu
atraso.

6450 SABER ELETRÔNICA


SABER ELETRÔNICA Nº8305/98
ESPECIAL Nº - 2002
CURSO DEDE
CURSO BÁSICO ELETRÔNICA DIGITAL
ELETRÔNICA DIGITAL
9.5 - CONTADORES A tabela verdade para os pulsos Quando ligamos a saída QD à
SÍNCRONOS PROGRAMÁVEIS aplicados na entrada neste modo de entrada A e aplicamos o sinal de clock
funcionamento será: à entrada B, teremos o circuito funci-
Da mesma forma que no caso dos onando como um divisor de frequên-
contadores assíncronos, também é Pulso QD QC QB QA cia por 10 simétrico. Teremos na saí-
necessário, em determinadas aplica- 0 0 0 0 0 da QA um sinal quadrado (ciclo ativo
ções, fazer a contagem até valores 1 0 0 0 1 de 50%) com 1/10 da frequência do
que não sejam potências de 2. 2 0 0 1 0 clock.
A divisão ou contagem por outros 3 0 0 1 1 Este modo de funcionamento tem
valores pode ser feita com a ajuda de 4 0 1 0 0 as ligações mostradas na figura 16.
portas ligadas de modo a “sentir” 5 0 1 0 1 Finalmente, quando quisermos
quando um determinado valor é al- 6 0 1 1 0 usar o circuito como divisor por 2 ou
cançado, ressetando então todos os 7 0 1 1 1 por 5, independentes, não é preciso
flip-flops. 8 1 0 0 0 ligação externa alguma.
9 1 0 0 1 O sinal aplicado em CLK1 tem a
frequência dividida por 2 e o sinal
9.6 - CONTADORES TTL

Utilizando portas lógicas e flip-


flops podemos implementar contado-
res que contenham ou façam a divi-
são de um sinal de entrada por qual-
quer valor. No entanto, na prática,
podemos contar com muitos circuitos
integrados em tecnologia TTL que já
contenham estes circuitos completos
num único chip e até com recursos
que permitam alterar seu funciona-
mento de modo a ser obtida a conta-
gem até um determinado valor.
A seguir veremos alguns dos prin-
cipais circuitos integrados contadores
em tecnologia TTL. Fig. 12 - Contador
síncrono de 4 estágios
a) 7490 - Contador de Década do tipo Parallel Carry.
Este é um dos mais populares dos
contadores TTL e contém em seu in-
terior quatro flip-flops já interligados
de modo a funcionar como divisores
por 2 e por 5. Isso significa que esses
divisores podem ser usados para re-
sultar num contador até 2 e num con-
tador até 5, e em conjunto, num con-
tador até 10.
Na figura 14 temos a disposição
dos terminais deste circuito integra-
do.
Este circuito pode ser usado de
três formas diferentes, sempre com as
entradas R0(1), R0(2), R9(1) e R9(2)
aterradas:
Quando ligamos a entrada B à
saída QA e aplicamos o sinal de clock
à entrada A, o circuito funciona como
um contador BCD, ou seja, conta até
Fig. 13 - Contador
10, com as saídas em decimal codifi-
RIPPLE CARRY de 4
cado em binário apresentadas nos
estágios.
pinos QA, QB, QC e QD. Esta ligação
é mostrada na figura 15.

SABER
SABERELETRÔNICA
ELETRÔNICANº 305/98 Nº 8 - 2002
ESPECIAL 5165
CURSO DE ELETRÔNICA
CURSO BÁSICO DIGITAL
DE ELETRÔNICA DIGITAL
A tabela verdade para este modo
de operação será:

Entrada QD QC QB QA
0 0 0 0 0
1 0 0 0 1
2 0 0 1 0
3 0 0 1 1
4 0 1 0 0
5 0 1 0 1
6 0 1 1 0
7 0 1 1 1
8 1 0 0 0
9 1 0 0 1
10 1 0 1 0
11 1 0 1 1
Fig. 14 - 7490 - Contador de
década/divisor por 10. Na segunda forma de operação, Fig. 15 - Contador BCD com o 7490.
ligamos a saída QD à entrada A. O
aplicado no CLK2 tem a circuito funcionará como um divisor si- 4018 - Contador/Divisor Por N
frequência dividida por 5. Na opera- métrico de frequência. A frequência
ção normal as entradas R0(1) e R0(2) do sinal de clock aplicado à entrada Este circuito integrado, que será
devem ser mantidas no nível baixo. B será dividida por 12 e o sinal terá melhor analisado na próxima lição,
um ciclo ativo de 50%. pode fazer a divisão ou contagem de
b) 7492 - Contador-Divisor por 12 Na operação sem nenhuma liga- pulsos em valores até 10 programa-
Este circuito integrado contém ção externa, o sinal aplicado à entra- dos pelas ligações externas.
quatro flip-flops ligados como um da A terá sua frequência dividida por Sua pinagem é mostrada na figu-
divisor por 2 e um divisor por 6 que 2 e o sinal aplicado na entrada B terá ra 19 e seu uso será visto posterior-
podem ser usados de maneira inde- sua frequência dividida por 6. mente.
pendente.
A pinagem deste circuito integra- QUESTIONÁRIO
do TTL é mostrada na figura 17. 9.7 - CONTADORES E
O disparo dos flip-flops ocorre na DIVISORES CMOS 1. Que tipo de contador tem cada
transição do sinal de clock do nível estágio controlado pelo anterior, com
alto para o nível baixo. Para ressetar Temos ainda diversos circuitos in- o sinal de clock aplicado apenas ao
o contador para 0000, basta aplicar o tegrados em tecnologia CMOS con- primeiro estágio?
nível lógico 1 nas entradas R0. tendo contadores e divisores.
Existem três modos de operação A seguir veremos um dos mais im- a) Síncrono
para este circuito integrado: portantes. b) Assíncrono
Como contador até 12, basta ligar Na operação normal, contando até c) Ripple Counter
a saída QA à entrada B. O sinal de 10, as entradas RST e EN devem ser d) Contador de década
clock é aplicado à entrada A. mantidas no nível baixo.
Levando-se a entrada RST ao ní-
vel alto, o contador é ressetado. Se a
entrada EN for levada ao nível alto, a
contagem é paralisada.
Na figura 18 temos as formas de
onda deste contador, mostrando de
que forma em cada instante temos
sempre apenas uma saída no nível
alto.
Como em todos os circuitos
CMOS, a frequência máxima de con-
tagem depende da tensão de alimen-
tação. Para 10 V, a frequência máxi-
ma é da ordem de 5 MHz.

Fig. 17 - 7492 -
Fig. 16 - Divisor por 10 simétrico. Contador/divisor por 12.

6652 SABER ELETRÔNICA


SABER ELETRÔNICA ESPECIAL NºNº
8 305/98
- 2002
CURSO DE ELETRÔNICA
CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA DIGITAL
DIGITAL O melhor caminho para
projetos eletrônicos
WinBoard & WinDraft
ACESSE
(for Windows 3.1, NT eJÁ
95)
Este livro destina-se a todas as pes-
soas que estão envolvidas diretamente
no desenvolvimento de projetos ele-
trônicos, técnicos e engenheiros. O
livro aborda os dois módulos que
compõem o pacote de desenvolvi-
mento: WinDraft para captura de es-
quemas eletroeletrônicos e o
WinDraft para desenho do Layout da
placa com o posicionamento de com-
ponentes e roteamento, e a tecnolo-
gia de superroteadores baseados no
algorítmo "Shape-Based".
Autores: Wesley e Altino - 154 págs.
Preço R$ 32,00
Atenção: Acompanha o livro um
CD-ROM com o programa na
sua versão completa para proje-
tos de até 100 pinos.

MONTAGEM,
MANUTENÇÃO E
CONFIGURAÇÃO DE
COMPUTADORES PESSOAIS
240 Páginas
www.revistapcecia.com.br
Autor: Edson D'Avila
Este livro contém informações
Fig. 18 - Forma de onda nas saídas do 4017. detalhadas sobre montagem de com-
putadores pessoais. Destina-se aos
2. Qual é o valor máximo de con- d) Não é possível fazer isso leitores em geral que se interessam
tagem de um contador que use 4 flip- pela informática. É um ingresso para
flops? 5. Qual dos contadores/divisores o fascinante mundo do Hardware dos
a) 4 abaixo relacionados tem saídas do Computadores Pessoais. Seja um
b) 8 tipo 1-de- 10? integrador. Monte seu computador
c) 16 a) 7400 b) 7490 de forma personalizada e sob medi-
d) 10 c) 74190 d) 4017 da. As informações estão baseadas
nos melhores produtos de informá-
3. Para um contador de 4 estági- Resp.:1-b, 2-c, 3-a, 4-b, 5-d tica. Ilustrações com detalhes requís-
os, um do tipo síncrono e outro simos irão ajudar no trabalho de
assíncrono, qual é o mais rápido? montagem, configuração e manuten-
a) O contador síncrono ção. Escrito numa linguagem sim-
b) O contador assíncrono ples e objetiva, permite que o leitor
c) Ambos têm a mesma velocida-
trabalhe com computadores pesso-
ais em pouco tempo. Anos de expe-
de
riência profissional são apresentados
d) Depende do modo como são
de forma clara e objetiva.
usados Preço: R$ 36,00
PEDIDOS
4. Podemos fazer a contagem até Verifique as instruções na
solicitação de compra da última
valores que não sejam potências de página. Maiores informações
2 usando que tipos de circuitos? pelo telefone Disque e
a) Contadores comuns sozinhos Compre (011) 6942-8055.
b) Contadores comuns e funções www.editorasaber.com.br
SABER PUBLICIDADE
lógicas E PROMOÇÕES LTDA.
c) Somente funções lógicas com- Rua Jacinto José de Araújo, 315
plexas Fig. 19 - 4018 - Divisor por n programável. Tatuapé - São Paulo - SP

SABER
SABERELETRÔNICA
ELETRÔNICANºESPECIAL
305/98 Nº 8 - 2002 53 67
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

LIÇÃO 10

APLICAÇÃO PARA OS
CONTADORES DIGITAIS/DECODIFICADORES

Na lição anterior estudamos os No entanto, usando recursos sim- tos externos, ou ainda pelos dois re-
contadores e divisores de frequências ples como portas, podemos alterar cursos. A programação consiste na
que consistem em blocos digitais utili- este comportamento e assim obter interligação de determinados pinos,
zando flip-flops, elementos fundamen- a divisão por qualquer número inteiro enquanto que o uso de portas con-
tais para o projeto de circuitos. Na que seja menor que o valor n da divi- siste na ligação de funções lógicas
mesma lição vimos o funcionamento são final do módulo ou contador, determinadas entre pinos previamen-
dos contadores em detalhes, analisan- figura 2. te fixados para esta finalidade.
do os diversos tipos possíveis e algu- Na prática, temos contadores e Nesta lição veremos alguns circui-
mas alterações que podem ser feitas divisores na forma de circuitos inte- tos práticos que podem ser usados na
no seu modo de ligação e na própria grados digitais que podem ser usa- divisão de frequência, sendo, entre-
utilização, de grande importância para dos na divisão por determinados tanto, interessante definir dois termos
os projetos práticos. números fixados por elementos inter- importantes que usaremos muitas
Nesta lição continuaremos a explo- nos do circuito e também podem ser vezes na definição das características
rar o assunto, com a análise de alguns usados na divisão por qualquer outro destes circuitos.
circuitos práticos que podem ser ela- valor, quer seja por meio de progra- a) Módulo - é o valor n ou valor
borados com base nos circuitos inte- mação, quer seja pelo uso de elemen- máximo que um contador pode con-
grados TTL e CMOS que consistem
em contadores e divisores de
frequência.
Será muito importante o leitor pres-
tar bastante atenção nestes blocos
pela sua utilidade no projeto de gran-
de quantidade de circuitos digitais e
para o entendimento de circuitos equi-
valentes encontrados em computado- Figura 1 - Cada etapa de um divisor
res e outras aplicações semelhantes. com flip-flops faz a divisão por 2.

10.1 - CONTADORES/DIVISORES
POR N

Dividir uma frequência por um va-


lor qualquer (n) é um problema cuja
solução pode ser muito importante
para a implementação de um projeto
digital.
Conforme vimos na lição anterior,
a divisão natural de circuitos que usam Figura 2 - Dividindo por módulo
flip-flops é por valores que sejam de diferente de potência de 2.
potências de 2, conforme a figura 1.

68 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

tar. Por exemplo, um contador de


módulo 8 é um contador que pode Figura 3 - O módulo de um contador
contar até 8 ou dividir uma frequência depende do número de estágios usados.
por valores até 8.
Se o contador tiver um módulo fixo,
ele só pode dividir por este valor. No
entanto, se o contador tiver um
módulo variável, poderá dividir ou con-
tar valores de 2 até este valor n. Con-
forme estudamos na lição anterior, o
valor máximo até onde um contador
pode ir é dado pelo número de flip- Figura 4 - Pesos das saídas de um
flops usados, verifique a figura 3. contador. em alguns casos temos Q1, Q2,
Q4 e Q8 em lugar de QA, QB, QC e QD.
b) Peso - num contador com saí-
das nos diversos flip-flops, a saída de
cada um tem um certo “peso” na de-
terminação do valor binário obtido na
contagem.
Assim, para o circuito da figura 4,
a saída QA tem peso 1, pois ela só binário, mas sim representados de produzem um pulso por segundo
pode variar entre 0 e 1. A saída QB outra forma. (1 Hz), dividindo a frequência da rede
por outro lado, tem peso 2, pois re- No caso do 4017, a saída é (60 Hz) por 60.
presenta valores entre 0 e 2. A tercei- decodificada para 1 de 10, no sentido
ra saída (QC) tem peso 4, podendo de que apenas uma delas está no ní-
significar valores 0 ou 4 da contagem, vel alto para cada número da conta- 10.2 - CIRCUITOS PRÁTICOS
enquanto que QD tem peso 8, signifi- gem.
cando valores 0 ou 8, conforme este- d) Cascateável - A ligação em cas- Daremos a seguir uma série de
ja no nível baixo ou alto. cata ou um após outro é importante circuitos práticos de divisores usan-
Assim, conforme vimos pelas ta- quando desejamos fazer a contagem do circuitos integrados TTL e CMOS,
belas verdade dos contadores, os ní- até valores que um único circuito inte- que podem ser usados em projetos
veis destas saídas dão o valor em bi- grado não alcance. em que se deseja fazer a divisão ou
nário da quantidade de pulsos de en- Assim, dizemos que os contadores contagem em diversos módulos a
trada contados. são “cascateáveis” quando podem ser partir de 2.
c) Decodificação - alguns conta- ligados da forma indicada, mostrada
dores que estudamos, como o 4017, na figura 5. a) Divisor por 2
possuem saídas decodificadas, pois Quando ligamos contadores em Os dois circuitos mostrados na fi-
elas não correspondem a valores em cascata, o módulo final obtido passa gura 7, com base nos circuitos inte-
a ser o produto dos módulos dos con- grados TTL 74107 e 7474, que con-
tadores associados. Por exemplo, li- tém flip-flops J-K e tipo D, fazem a di-
gando um contador/divisor de módulo visão da frequência de entrada por 2.
10 em cascata com um de módulo 6, Observe que o primeiro circuito
obtemos um contador/divisor de dispara na transição negativa do si-
módulo 60, figura 6. nal de clock, enquanto o segundo dis-
Esta é uma configuração muito para na transição positiva do sinal de
usada em relógios digitais que clock.

Figura 5 - Dois contadores "cascateados" Figura 7 - Divisores/Contadores de módulo 2.


para obtenção de módulo maior. Por este
circuito o módulo é 16 x 16 = 256.

Figura 6 - Um divisor de módulo 10 em


cascata com um módulo 6 resulta
num divisor de módulo 60.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 69


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

b) Divisores por 3
Divisores por 3 com base em flip-
flops TTL e portas são mostrados a
Figura 8 - Contador/divisor de ii
seguir. O primeiro, mostrado na figu-
módulo 3 - com saída
ra 8, usa dois flip-flops do 74107 e
decodificada.
uma porta NAND 7400.
Este circuito foi estudado na lição
anterior, consistindo num contador
decodificado com saída 1-de-3.
O segundo é mostrado na figura 9
e faz uso do mesmo circuito integra-
do 74107 e duas portas NOR do 7402.
Este circuito se caracteriza por ter
uma saída simétrica, ou seja, com ci-
clo ativo de 50%.

c) Divisores por 4
Na figura 10 temos três circuitos
práticos que permitem fazer a divisão
ou contagem até 4. Todos eles se ba- Figura 9 - Contador/
seiam em circuitos integrados TTL divisor de módulo 3.
comuns, que já estudamos na lição
anterior.

d) Divisores por 5
Usando circuitos integrados TTL e
CMOS, temos diversas possibilidades
de implementar divisores de fre-
quência ou contadores de módulo 5.

Quatro destes circuitos Observe no caso do 8281, que é


são mostrados na figura 11. necessário o uso de um par de
Observe que o circuito resistores na entrada para a sua po-
7490 é usado de forma dire- larização.
ta, pois, como vimos, ele já
l
possui internamente um e) Divisores por 6
divisor por 5. Este circuito Na figura 12 damos quatro confi-
tem algumas desvantagens gurações com apenas um circuito in-
que podem ser superadas tegrado cada uma, que podem ser
com o uso de versões mais usadas para fazer a contagem de
modernas como o 74290 e módulo 6.
74293. Novamente encontramos o 4018,
O circuito com o 4018 é que apenas recebe a programação
interessante, pois este com- apropriada nas entradas L, conforme
ponente é um contador “pro- vimos no caso anterior e o 7490, que
gramado”. Basta aplicar nas é bastante versátil neste tipo de apli-
entradas de programação (L) cação. As características obtidas em
o número na forma binária cada caso são especificadas junto ao
para o qual se deseja fazer circuito correspondente.
a divisão. Observe também os tipos de si-
Por exemplo, para dividir nais usados para fazer o chaveamen-
por 5 (0101), basta levar as to de cada configuração, já que algu-
entradas L2 e L4 ao nível bai- mas disparam com a transição positi-
xo e as entradas L1 e L3 ao va do sinal de clock, enquanto outras
nível alto, pois este circuito disparam com a transição negativa do
Figura 10 - Contadores/divisores de módulo 4. é um “down counter”. sinal de clock.

70 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL
f) Divisores por 7
A divisão ou contagem em módulo
7 pode ser feita basicamente com os
mesmos circuitos que usamos para o
caso do módulo 6. Estes circuitos são
mostrados na figura 13.
Veja que neste caso, em dois de-
les, precisamos usar portas externas
para obter a divisão pelo módulo de-
sejado.
Um tipo de funcionamento interes-
sante é o usado no caso do 4018, que
conta regressivamente. Neste circui-
to ele conta a partir de 7 até 0 e quan-
do chega ao zero, salta novamente
para 7, recomeçando a contagem.
Para o 74161, temos também uma
modalidade de funcionamento bas-
tante interessante: este circuito come-
Figura11 - ça a contagem em 8 e vai até 15.
Contadores/ Quando ele chega a esta contagem,
divisores de o circuito recomeça, mas do pulso 8,
módulo 5. de modo que no fundo temos a divi-
são por 7 como desejado.
Observe também o tipo de sinal
de disparo de cada um dos tipos e as
principais características indicadas
junto a cada configuração.

g) Divisores por 8
Na figura 14 temos quatro circui-
tos de contadores/divisores de
módulo 8 usando circuitos integrados
TTL e CMOS.
Em cada bloco temos o tipo de dis-
paro do circuito.
Assim, temos três configurações
em que o disparo ocorre na transição
negativa do sinal de clock e um cir-
cuito em que esse disparo ocorre na
transição positiva.
Nas aplicações práticas, é muito
Figura 12 - importante observar qual é o tipo de
Contadores/ sinal que fará o disparo, principalmen-
divisores de te, nas que operam com lógica sin-
módulo 6. cronizada.
Para os circuitos integrados 8281
e 7493, a contagem até 8 é normal,
pois esses consistem em divisores
com este módulo. No entanto, para o
8280 é preciso fazer uma programa-
ção. Assim, ele conta de 0 até 8 e
quando chega em 8, volta novamen-
te a zero.

h) Divisores por 9
Os circuitos contadores/divisores
com módulo 9 são mostrados na fi-
gura 15.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 71


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL
Em nenhum deles é preciso usar
portas ou outros componentes exter-
nos. Observe que devemos distinguir
os simples divisores que fornecem
uma saída com a frequência dividida
por 10, dos contadores que possuem
saídas com pesos 1,2,4,8 e que po-
dem ser usados em muitas aplicações
importantes, conforme veremos nas
lições posteriores.
A contagem até 10 pode ser feita
no sentido progressivo ou regressivo
e isso é indicado em cada uma das
configurações.

j) Divisores por 11
Divisores/contadores com módulo
11 podem ser elaborados com certa
Figura 13 - facilidade usando circuitos integrados
Contadores/ comuns. Na figura 17 temos quatro
divisores de exemplos de como isso pode ser fei-
módulo 7. to, destacando-se o que faz uso do
4018, que é o único que não precisa
de nenhum componente externo.
Conforme vimos, o 4018 é contador
regressivo e basta programar sua en-
trada para que ele faça a divisão pelo
módulo desejado, o que simplifica

A solução mais simples para ob-


ter um divisor por 9 consiste em ligar
em cascata dois divisores por 3, como
os que já vimos nesta lição.
No entanto, também podemos
contar com alguns circuitos integra-
dos que podem ser programados de
modo relativamente simples para fa-
zer isso, como os apresentados na fi-
gura 15.
Observe que dois circuitos comu- Figura 14- Contadores/
tam na transição positiva do sinal e divisores de módulo 8.
dois circuitos comutam na transição
negativa.
Veja também que em duas das
configurações precisamos usar por-
tas externas para obter o módulo de-
sejado de contagem ou divisão.
Em todos os circuitos, o princípio
de operação é o já visto na lição an-
terior: detecta-se o estado de conta-
gem 9 para fazer o zeramento da con-
tagem.

i) Divisores por 10
Na figura 16 temos 5 circuitos de
divisores/contadores de módulo 10
usando integrados TTL e CMOS.

72 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Figura 16 - Contadores/divisores
Figura 15 - Contadores/divisores de módulo 9. de módulo 10.
Figura 17 - Contadores/divisores de módulo 11.

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 73


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

bastante os projetos que fazem k) Divisores por 12 que outras duas comutam na transi-
seu uso. Quatro configurações de divisores ção positiva. Observe que apenas
Para os demais, temos como des- por 12 são mostradas na figura 18. uma delas, a que faz uso do circuito
taque o que faz uso do 74161 e 8288 Duas delas comutam na transição integrado 74161, necessita de um in-
que necessitam de portas externas. negativa do sinal de clock, enquanto versor externo.

l) Divisor por 13
A divisão pelo módulo 13 pode ser
feita com os dois circuitos mostrados
na figura 19.
A mais simples é a que faz uso
do contador regressivo 4018, que tem
a programação digital para este valor
nas entradas correspondentes. A uti-
lização do 8281 tem por desvantagem
a necessidade de alguns componen-
tes externos adicionais.

m) Divisor por 14
Figura 18 - Contadores/ A divisão por 14 pode ser feita
divisores de módulo 12. pelos circuitos integrados 8281 e
74161 na configuração mostrada na
figura 20.
Veja que nos dois casos precisa-
mos usar duas funções externas para

Figura 19 - Contadores/ Figura 20 - Contadores/divisores


divisores de módulo 13. de módulo 14.

74 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002


CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

obter o módulo desejado. Um dos cir-


cuitos opera com a transição positiva Figura 21 -
do sinal de clock, enquanto o outro Contadores/
opera com a transição negativa do divisores de
sinal de clock. módulo 15.

n) Divisão por 15
A divisão/contagem até 15 pode
ser feita com os circuitos mostrados
na figura 21.
Com o uso do 4018 temos a con-
figuração mais simples, já que não
precisamos de nenhum componente
externo, mas tão somente programar
as entradas de programação para di-
vidir pelo módulo desejado. Já com o
uso do 74161 (TTL) precisamos usar
um inversor externo.
vamente simples, pois se trata de va- acessíveis, o que pode ser muito im-
Os dois circuitos operam com a
lor normal para 4 flip-flops ligados em portante nas aplicações em que se
transição positiva do sinal de clock.
cascata. Assim, conforme observa- deseja a função de contador.
Em se necessitando de uma opera-
mos na figura 22, as configurações Dois dos circuitos operam com a
ção com a transição negativa, basta
de divisores/contadores com este transição positiva do sinal de clock,
agregar um inversor na entrada.
módulo são relativamente simples. enquanto que outros dois operam com
Os quatro divisores/contadores a transição negativa do sinal de clock.
o) Divisão por 16
possuem saídas com pesos 1-2-4-8
A divisão pelo módulo 16 é relati-
QUESTIONÁRIO

1. Um contador binário tem 4 está-


gios. Seu módulo de contagem é:
a) 2
b) 4
c) 8
d) 16

2. Ligando em cascata um divisor


de frequência por 4 e um divisor por
12 obtemos um circuito capaz de divi-
dir a frequência por:
a) 8
Figura 22 - Contado-
b) 16
res/divisores de módulo d) 48
16. e) 24

3. Num contador temos saídas de


pesos 1-2-4-8. Aplicando um sinal de
160 Hz na entrada deste contador,
qual será a frequência do sinal obtido
na saída de peso 4?
a) 20 Hz
b) 40 Hz
c) 80 Hz
d) 160 Hz

Respostas:
1-d, 2-d, 3-a,
„ (digi-10)

SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 75


CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA DIGITAL
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL

LIÇÃO 11
COMO FUNCIONAM OS REGISTRADORES
DE DESLOCAMENTO (SHIFT-REGISTERS)

Na lição anterior estudamos al-


guns divisores/contadores binários
especiais capazes de fazer a divisão
por qualquer módulo fixo ou
programável. Vimos na ocasião que
cada módulo permitia ter diversas
configurações usando circuitos inte-
grados comuns. Também estudamos
divisores programáveis capazes de
dividir uma frequência ou fazer a con-
tagem em qualquer módulo, circui-
tos de grande utilidade em muitos pro-
jetos de Eletrônica Digital. Um ele-
mento de grande importância nos pro-
jetos de equipamentos digitais é o
registrador de deslocamento ou shift-
register. Os shift-registers nada mais Fig. 1 - Registradores de deslocamento com flip-flops D e J-K.
são do que o resultado da utilização
de flip-flops de uma forma especial, segundo pulso de clock e assim por
eles são o tema desta lição. diante, até aparecer na saída do final
da sequência, figura 2.
Na configuração mostrada na figu-
11.1 - O QUE É UM REGIS- ra 1 (a), cada flip-flop tipo D tem sua
TRADOR DE DESLOCAMENTO saída conectada à entrada do flip-flop
seguinte e todos eles são controlados
Um registrador de deslocamento pelo mesmo CLOCK.
ou “shift-register” , como também é Para entender como funciona este
chamado pelo termo em inglês, con- circuito, vamos partir da situação ini-
siste num conjunto de flip-flops que cial em que todos eles estejam
podem ser interligados de diversas desativados ou com suas saídas Q no
formas, como, por exemplo, as apre- nível baixo. Fig. 2 - Deslocamento dos bits
sentadas na figura 1. Inicialmente vamos aplicar à en- pelos flip-flops do registrador.
Estes circuitos podem deslocar trada de dados um nível alto (1). Con-
uma informação (bit) aplicada na en- forme podemos ver, esta entrada é saída depois de um curto intervalo de
trada de uma posição a cada pulso feita pela entrada J do primeiro flip- tempo.
de clock. Por exemplo, o bit 1 aplica- flop (FF1). Veja que este sinal é armazenado
do na entrada aparece na saída do Com a chegada do pulso de clock com o flanco positivo do sinal de clock,
primeiro flip-flop no primeiro pulso de a este flip-flop, ele muda de estado e quando então o nível alto deve estar
clock, depois desloca-se, aparecen- com isso “armazena” o pulso aplica- presente na entrada do flip-flop. O in-
do na saída do segundo flip-flop no do à entrada, o qual aparece em sua tervalo de tempo que decorre entre a

30 SABER ELETRÔNICA Nº 307/98


76 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL
CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA DIGITAL
aplicação do sinal na entrada de da- Tabela I
clock entrada FF1 FF2 FF3 FF4 Saída
dos e seu aparecimento na saída do
flip-flop é da ordem de alguns 0 1 0 0 0 0 0
nanossegundos nos integrados das 1 1 1 0 0 0 0
famílias lógicas comuns, mas é impor- 2 A 0 1 1 0 0 0
tante que em muitas aplicações mais
rápidas ele seja levado em conta. 3 0 0 1 1 0 0
No próximo pulso de clock, ocorre 4 1 0 0 1 1 0
algo interessante: a entrada do primei- 5 0 1 0 0 1 1
ro flip-flop já não tem mais o nível alto,
e portanto FF1 não muda de estado.
6 0 0 1 0 0 1
No entanto, na saída de FF1, temos 7 0 0 0 1 0 B 0
nível alto, e esta saída está ligada à 8 0 0 0 0 1 0
entrada do segundo flip-flop (FF2).
9 0 0 0 0 0 1
Isso significa que, com a chegada do
segundo pulso de clock, o nível lógi-
co da saída do primeiro se transfere
para a saída do segundo, depois é
claro, de um pequeno intervalo de
tempo, veja a tabela I.
A sequência de bits aplicados à
entrada (a) aparece na saída (b) de-
pois de certo número de clock.
Isso significa que o bit 1 aplicado Fig. 3 - Sequência de transferências dos bits conforme os pulsos de clock.
na entrada se “deslocará” mais um
pouco no circuito, passando para a Veja então que no quinto pulso de terão suas saídas levadas ao nível
saída do segundo flip-flop. clock, o primeiro pulso de clock, o pri- baixo ou 0.
É claro que, se nessa segunda meiro nível lógico, aparece na saída
passagem, tivermos aplicado um novo do último flip-flop (FF4) e se lermos a 11.2 - TIPOS DE REGISTRADO-
nível 1 na entrada do circuito, ao mes- saída dos flip-flops teremos registra- RES DE DESLOCAMENTO
mo tempo que o primeiro se transfere do os níveis aplicados na entrada:
para o segundo flip-flop, o segundo 0101. Dependendo da maneira como a
se transfere para a saída do primeiro O leitor já deve ter percebido que informação entra e como ela pode ser
flip-flop, veja a figura 3. aplicando um dado binário num shift- obtida num registrador de desloca-
Chegando agora um terceiro pul- register, depois do número apropria- mento, podemos ter diversas configu-
so de clock, teremos nova transferên- do de pulsos de clock, ele pode ar- rações que nos levam a muitos tipos
cia e o nível alto ou bit 1 se transfere mazenar este dado. de circuitos. Assim, existem circuitos
para a saída do flip-flop seguinte, ou Para retirar o dado em sequência, em que temos uma entrada serial ou
seja FF3. Em outras palavras, a cada basta continuar aplicando pulsos de duas, e também podemos ter uma ou
pulso de clock, os níveis existentes clock ao circuito, conforme a seguin- duas linhas de saída.
nas saídas dos flip-flops, sejam eles te tabela: A seguir, veremos os principais ti-
0 ou 1, se transferem para o flip-flop pos como suas denominações.
seguinte. Clock FF1 FF2 FF3 FF4 saída
Assim, supondo que apliquemos, início(4) 0 1 0 1 1 a) SISO - Serial-in/Serial-out
em sequência, na entrada de um shift- 5 0 0 1 0 0 No exemplo, os dados foram apli-
register como o indicado, os níveis 6 0 0 0 1 1 cados à entrada do registrador na for-
0101, teremos a seguinte sequência 7 0 0 0 0 0 ma de níveis lógicos um atrás do ou-
de condições de saída para os flip- tro, acompanhando o sinal de clock.
flops de um shift-register que use 4 A figura 4 mostra o que ocorre em Dizemos que este registrador opera
deles: pormenores: com a carga de dados “serial” ou em
Veja então que para armazenar
Clock Entrada FF1 FF2 FF3 FF4 um dado de 4 bits num registrador
início 0 0 0 0 0 devemos aplicar 4 pulsos de clock e
0 1 0 0 0 0 para ler em sequência, mais 4 pulsos
1 0 1 0 0 0 de clock.
2 1 0 1 0 0 Para “apagar” os dados regis-
3 0 1 0 1 0 trados num shif-register, como o indi-
4 0 0 1 0 1 cado, basta aplicar um pulso na en-
Fig. 4 - Nos registradores de deslocamento
trada CLEAR . Todos os flip-flops
a entrada e saída podem ser serial.

SABER
SABERELETRÔNICA
ELETRÔNICANº 307/98 Nº 8 - 2002
ESPECIAL 3177
CURSO DE DE
CURSO BÁSICO ELETRÔNICA DIGITAL
ELETRÔNICA DIGITAL
série. Em outras palavras, este cir- Fig. 5 - Registrador tipo SISO (Serial-IN/Serial-OUT).
cuito tem entrada serial ou serial-in.
Exatamente como ocorre com a
porta serial de um computador, os
dados são “enfileirados” e entram um
após outro e vão sendo armazenados
em flip-flops, conforme o circuito da
figura 5. c) SIPO - Serial-In/Parallel-out Existem ainda os tipos bidirecio-
Da mesma forma, como verifica- nais como o mostrado na figura 9, em
b) PISO - Parallel-in/Serial out mos na figura 7, podemos carregar os que os dados podem ser deslocados
No entanto, existe uma segunda dados em série e fazer sua leitura em nas duas direções. Este é um regis-
possibilidade de operação para os paralelo. trador do tipo SISO.
shift-registers, que é a de operar com Os registradores que operam des- Veja que o sentido de deslocamen-
a entrada de dados em paralelo e sair ta forma podem ser também denomi- to é determinado por uma entrada que
com estes mesmos dados em série. nados conversores série-paralelo ou atua sobre portas que modificam o
Dizemos que se trata de um shift- paralelo-série, conforme o modo de ponto de aplicação dos sinais em
register com entrada paralela e saída funcionamento. cada flip-flop, exatamente como es-
serial. tudamos nos contadores up e down
Na figura 6 temos um diagrama d) PIPO - Parallel-in/Parallel-out das lições anteriores.
que usa 4 flip-flops tipo D e que tem Estes são circuitos em que os da- Com a aplicação de um nível lógi-
entrada de dados paralela e saída dos são carregados ao mesmo tem- co conveniente na entrada LEFT/
serial. po e depois lidos ao mesmo tempo RIGHT, podemos determinar o senti-
Analisemos como ele funciona: pelas saídas dos flip-flops, veja a fi- do de deslocamento dos dados no
Os dados são colocados ao mes- gura 8. Os registradores de desloca- circuito.
mo tempo na entrada, pois ela opera mento podem ainda ser classificados
em paralelo. Por exemplo, se vamos quanto à direção em que os dados
armazenar o dado 0110, esses dados podem ser deslocados. 11.3 - OPERANDO
são aplicados ao mesmo tempo nas Dizemos que se trata do tipo Shift- COM BINÁRIOS
entradas correspondentes (S) dos flip- Right, quando os dados são desloca-
flops. dos para a direita e que se trata de Conforme o leitor já percebeu, os
No primeiro pulso de clock, os flip- um tipo Shift-Left, quando os dados registradores de deslocamento po-
flops “armazenam” esses dados. As- são deslocados somente para a es- dem memorizar números binários,
sim, os flip-flops que possuem nível 1 querda. recebendo-os em série ou paralelo e
em sua entrada S passam esse nível
à saída (FF2, FF3). Por outro lado, os
que possuem nível 0 na sua entrada,
mantém este nível na saída (FF1 e
FF4).
Isso significa que, após o pulso de
clock, as saídas dos flip-flops apre-
sentarão os níveis 0110. Fig. 7 - Shift-register tipo SIPO (Serial-IN/Parallel-OUT).

Fig. 6 - Um Shift-register tipo PISO (Parallel-IN/Serial-OUT).

32
78 SABER ELETRÔNICA
SABER ELETRÔNICA Nº8307/98
ESPECIAL Nº - 2002
CURSO DEDE
CURSO BÁSICO ELETRÔNICA DIGITAL
ELETRÔNICA DIGITAL
entregando-os depois em série ou
paralelo.
Nos computadores, esta configu-
ração é bastante usada tanto na con-
versão de dados de portas como nas
próprias memórias e outros circuitos
internos.
É interessante observar que na
configuração que tomamos como
exemplo, em que são usados 4 flip-
flops, os bits armazenados seguem
uma determinada ordem.
Assim, quando representamos o
número 5 (0101), cada um dos bits
tem um valor relativo, que depende
da sua posição no dado, conforme já
estudamos em lições anteriores.

bit 0 1 0 1 Fig. 8 - Shift-register tipo PIPO (Parallel-IN/Parallel-OUT).


valor 8 4 2 1
no dado 8x0 4x1 2x0 1x1 depois de 4 pulsos de clock, ele vai 7495 - SHIFT-REGISTER
total 0+ 4+ 0+ 1= 5 aparecer, na saída do último flip-flop. DE 4 BITS
MSB LSB Da mesma forma, se o shift-
register for carregado em paralelo, o (Da esquerda para a direita - en-
bit menos significativo (LSB) deve trada e saída em paralelo)
MSB significa bit mais significati- entrar no último, de modo que na lei- Este circuito integrado TTL pode
vo, ou seja, de maior peso, enquanto tura ele seja o primeiro a sair. operar de duas formas: Shift ou Load.
que LSB significa bit menos significa- Na figura 11 temos sua pinagem.
tivo ou de menor peso. Para operar no modo shift, basta
Estamos trabalhando com dados 11.4 - SHIFT-REGISTERS OU colocar a entrada Mode no nível bai-
de 4 bits, e não 8, como é comum nos REGISTRADORES DE xo. Uma transição do nível alto para o
computadores, obtendo assim o DESLOCAMENTO INTEGRADOS nível baixo na entrada de clock SRT
“byte”, para maior facilidade de enten- movimenta os dados de uma etapa
dimento. Podemos encontrar registradores para a direita.
Ligando então 4 flip-flops de modo de deslocamento nas famílias TTL ou Uma transição do nível alto para o
a obter um shitf-register, como obser- CMOs. Vamos dar alguns exemplos baixo na entrada SLT movimenta o
vamos na figura 10, entrando com os de circuitos integrados comuns que dado no sentido inverso.
dados de tal forma que o bit menos podem ser usados em projetos, ana- É interessante observar que este
significativo (LSB) seja o primeiro, lisando suas principais características. circuito usa dois clocks, um para

Fig. 9 - Shift-register bidirecional.

SABER
SABERELETRÔNICA
ELETRÔNICA Nº 307/98 Nº 8 - 2002
ESPECIAL 3379
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL
CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA DIGITAL

Fig. 10 - A ordem de
entrada é a ordem de saída.

movimentar os dados para a direi-


ta e outro para a esquerda.
No modo Load, esta entrada deve
Fig. 11 - Shift-register de 4 bits (PIPO).
ir ao nível alto, e a informação carre-
gada nas entradas LA, LB, LC e LD
entram no circuito na transição do ní- Para operação normal EN deve fi- 4014 - SHIFT-REGISTER
vel alto para o baixo da entrada de car no nível baixo e LOAD no nível ESTÁTICO DE 8 BITS
comando na entrada shift-left (SLT). alto. Nestas condições, os dados são (Entrada paralela e
A frequência máxima de operação de deslocados um estágio na transição saída em série)
um 7495 standard é de 36 MHz. Velo- positiva do sinal de clock.
cidades maiores de operação podem Quando a entrada LOAD é levada Este circuito integrado CMOS tem
ser conseguidas com os tipos LS. ao nível baixo, o conteúdo das entra- a pinagem mostrada na figura 14.
das de A até H é carregado no regis- Um controle série/paralelo contro-
trador. la a entrada e habilita as etapas indi-
74164 - SHIFT-REGISTER Fazendo EN=0 e LOAD=1 os da- viduais de cada um dos 8 estágios.
DE 8 BITS dos são deslocados uma etapa no cir- As saídas Q são disponíveis nos es-
(Entrada serial, saída paralela) cuito a cada transição positiva do si- tágios 6, 7 e 8. Todas as saídas po-
nal de clock. A última etapa do circui- dem fornecer ou drenar a mesma in-
Na figura 12 temos a pinagem des- to dispõe de um acesso para a saída tensidade de corrente.
te shift register TTL. complementar. Quando a entrada de controle pa-
Este circuito pode ser usado na Damos a seguir alguns registrado- ralelo/série está no nível baixo, os
configuração de serial-in/serial-out ou res de deslocamento da família dados são deslocados pelo circuito a
serial in/parallel-out ou seja, entrada CMOS. cada transição positiva do sinal de
e saída de dados em série, ou entra-
da de dados em série e saída em pa-
ralelo.
Na operação normal, uma das sa-
ídas seriais é mantida no nível alto e
os dados são aplicados à segunda
entrada serial. A entrada Clear é
mantida no nível alto e a cada pulso
do nível baixo para o alto do clock, os
dados movem-se de um estágio no
circuito.
O conteúdo do shift pode ser
zerado levando-se a entrada clear por
um instante ao nível baixo. Fig. 12 - Shift-register de 8 bits (SIPO).
A frequência máxima de operação
deste circuito na série Standard é de
36 MHz.

74165 - SHIFT-REGISTER
DE 8 BITS
(Entrada Paralela, saída serial)

Este circuito integrado TTL contém


um shift-register de 8 bits com entra-
da paralela e saída de dados serial.
A pinagem é mostrada na figura 13. Fig. 13 - Shift-register de 8 bits (PISO).

80 34 SABER ELETRÔNICA
SABER ELETRÔNICA Nº- 307/98
ESPECIAL Nº 8 2002
CURSO DE ELETRÔNICA DIGITAL
CURSO BÁSICO DE ELETRÔNICA DIGITAL
clock. Quando a entrada de controle
Fig. 14 - Shift-register de 8 bits (PISO).
está no nível alto, os dados são apli-
cados a cada etapa do shift-register
com a transição positiva do clock.
A frequência máxima de operação
deste tipo de circuito depende da ten-
são de alimentação. Para uma alimen-
tação de 10 V, esta frequência é da
ordem de 5 MHz, caindo para 2,5 MHz
com uma alimentação de 5 V.

4015 - DOIS SHIFT-REGISTERS


DE 4 BITS Fig. 15 - Dois Shift-registers de 4 bits (PISO).
(Entrada serial, Saída paralela)

A pinagem deste circuito forneci-


do em invólucro DIL de 16 pinos é
mostrada na figura 15.
Neste circuito integrado encontra-
mos dois shift-registers que podem
ser usados de modo independente.
Na operação normal RST deve
ser colocado no nível baixo. Levando
esta entrada ao nível alto, o circuito
resseta o shift-register corresponden-
te, levando todas suas saídas ao ní- Fig. 16 - Shift-register de 8 bits (PISO).
vel lógico 0.
Os dados são deslocados a cada
transição positiva do pulso de clock.
Para uma alimentação de 10 V, a
frequência máxima de operação é de
5 MHz, caindo para metade com ali-
mentação de 5 V.

4021 - SHIFT-REGISTER
DE 8 BITS
(Parallel in, Serial out)
2. Num shift-register do tipo SISO 4. Para obter um contador Johnson
Este circuito integrado, cuja temos que característica: que tipo de ligação fazemos num re-
pinagem é mostrada na figura 16, é gistrador de deslocamento?
semelhante ao 4014. a) A entrada e a saída são seriais
A diferença está no fato de que a a) Aterramos suas saídas comple-
carga (LOAD) pode ser feita de forma b) A entrada e a saída são paralelas mentares.
assíncrona. Isso significa que esta
entrada independe do sinal de clock. c) A entrada é serial e a saída parale- b) Ligamos a saída complemen-
la tar do último estágio à entrada do pri-
meiro.
QUESTIONÁRIO d) A entrada é paralela e a saída serial
c) Ligamos o CLEAR à entrada do
1. Para obter um registrador de primeiro estágio.
deslocamento, o que devemos fazer 3. A conversão de sinais Serial/
com um circuito divisor/contador digi- Paralela pode ser feita por qual tipo d) Ligamos o CLEAR à saída com-
tal? de shift-register? plementar do último estágio. n
a) Aterrar suas saídas comple- (Digi-11/curdi2)
mentares a) SISO
b) Inverter suas saídas normais b) SIPO 1-c, 2-a, 3-b, 4-b
c) Ligar sua saída à entrada c) PISO Respostas
d) Não utilizar o sinal de clock d) PIPO
SABER
SABER ELETRÔNICA
ELETRÔNICA Nº 307/98 Nº 8 - 2002
ESPECIAL 3581
CURSO DE DE
CURSO BÁSICO ELETRÔNICA DIGITAL
ELETRÔNICA DIGITAL

LIÇÃO 12
DECODIFICADORES E DISPLAYS

Na lição anterior estudamos os a) Decodificador de n para 2 ele-


registradores de deslocamento ou vado a n linhas
shift-registers, analisando seu princí- Temos nesta categoria circuitos
pio de funcionamento e principais que decodificam um sinal binário de
aplicações. Vimos também as n dígitos para uma saída de 2 eleva-
pinagens e características de alguns do ao expoente n. Por exemplo, para
circuitos integrados de registradores 2 dígitos ou linhas de entrada, temos
de deslocamento nas tecnologias TTL 2 x 2 linhas de saída. Para 3 linhas de
e CMOS. Nesta última lição de nosso entrada, temos 2 x 2 x 2 linhas de Fig. 1 - Um decodificador 1 para 4.
curso, analisaremos dois blocos fun- saída ou 8, e assim por diante, con-
damentais para o projeto de equipa- forme figura 1. Na figura 3 temos um circuito em
mentos digitais, pois eles são respon- Para entendermos como funciona que um contador binário é ligado a
sáveis pelo interfaceamento destes este tipo de circuito vamos pegar sua um destes decodificadores de modo
circuitos com o usuário e com outros configuração mais simples com 2 li- a fazer o acionamento sequencial de
circuitos. Falaremos dos decodi- nhas de entrada e 4 de saída, usan- lâmpadas.
ficadores e dos displays. do quatro portas NAND do 7400 e Basta ajustar a velocidade do
dois inversores do 7404, que é mos- oscilador que funciona como clock
trado na figura 2. para determinar a velocidade do cor-
12.1 - OS DECODIFICADORES Este circuito ativa apenas uma das rimento das lâmpadas, que acendem
saídas a partir das quatro combina- quando cada saída correspondente
As informações que os circuitos ções possíveis do sinal de entrada, for ativada.
digitais produzem estão na forma bi- conforme verificamos na seguinte ta-
nária ou em outras formas que nem bela verdade: b) Demultiplexador ou DEMUX
sempre podem ser visualizadas facil- A configuração lógica estudada no
mente pelo usuário, ou ainda que não Entradas Saídas item anterior pode ser usada para rea-
podem ser utilizadas pelos circuitos A B S1 S2 S3 S4 lizar uma função muito interessante
seguintes do equipamento. 0 0 0 1 1 1
Isso implica na necessidade de 0 1 1 0 1 1
termos circuitos que trabalhem uma 1 0 1 1 0 1
informação codificada de modo a 1 1 1 1 1 0
transformá-la em outra que possa ser
usada por dispositivos ou circuitos. Veja que a saída ativada vai ao
Podemos ter, por exemplo, a ne- nível baixo quando o valor binário cor-
cessidade de apresentar um valor respondente é aplicado à entrada.
numérico na forma decimal a partir de Na prática não é preciso imple-
um valor binário ou produzir um im- mentar circuitos decodificadores
pulso em determinado endereço como este a partir de portas lógicas,
numa memória a partir de uma infor- pois existem circuitos integrados que
mação binária deste endereço. já realizam estas funções. Daremos
Nas aplicações digitais encontra- exemplos no final do artigo.
mos diversos tipos de circuitos Aplicações possíveis para este cir-
decodificadores, estudaremos os prin- cuito podem ser facilmente imagina- Fig. 2 - Decodificador 1 para
cipais nesta lição. das pelos leitores. 4 ou 1 de 4 com portas TTL.

SABER ELETRÔNICA Nº 308/98 39


82 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002
CURSO DE ELETRÔNICA
CURSO BÁSICO DIGITAL
DE ELETRÔNICA DIGITAL

Fig. 4 - Um Demux em bloco.

Fig. 3 - Acionando lâmpadas sequencialmente. de uma única entrada e aplica o nível


lógico nela existente a uma saída. Em
e útil: o direcionamento de dados num A tabela verdade para este circui- outras palavras, este circuito “lê” a in-
circuito. to é dada a seguir: formação digital presente numa saí-
O bloco mostrado na figura 4 ilus- da programa e a transfere para a
tra o que dizemos. End. (AB) Dados EN S1 S2 S3 S4 saída.
O fluxo de informações (tanto X X X 0 1 1 1 1 Este circuito recebe o nome de
analógicas como digitais) aplicado a 0 0 0 1 1 1 1 1 multiplexador ou multiplexer (MUX).
uma entrada pode ser direcionado 0 1 0 1 1 1 1 1 Na figura 7 temos um exemplo de
para qualquer uma das saídas, con- 1 0 0 1 1 1 1 1 aplicação implementado com funções
forme o comando aplicado à linha de 1 1 0 1 1 1 1 1 lógicas comuns e que trabalha com 4
seleção de dados. 0 0 1 1 0 1 1 1 entradas e uma saída.
Por exemplo, se na linha de sele- 0 1 1 1 1 0 1 1 Novamente o nível lógico existen-
ção de dados ou controle for aplicado 1 0 1 1 1 1 0 1 te numa das entradas é transferido
o valor 10, os dados de entrada se- 1 1 1 1 1 1 1 0 para a saída selecionada pelos níveis
rão encaminhados para a terceira li- lógicos aplicados em A e B, quando a
nha de saída. X = não importa entrada de habilitação (EN) é levada
Na figura 5 mostramos um circui- Também é possível encontrar di- ao nível alto.
to deste tipo implementado com por- versos circuitos integrados em Podemos elaborar a seguinte ta-
tas TTL e que portanto, só funciona tecnologia CMOS ou TTL que contêm bela verdade para este circuito:
com dados digitais. estas funções, alguns operando até
Neste DEMUX os dados aplicados com sinais analógicos. EN A B S
na entrada DADOS (DATA) são enca- c) Multiplexadores ou MUX 0 X X 0
minhados para uma das saídas (S1 a Um tipo de circuito que encontra 1 0 0 E1
S3), conforme o “endereço” aplicado aplicações práticas importantes em 1 0 1 E2
nas entradas A e B. Eletrônica Digital é o que realiza a fun- 1 1 0 E3
No entanto, os dados só podem ção inversa a que vimos no item an- 1 1 1 E4
“passar” no momento em que a en- terior.
trada de habilitação EN (de enable) Este circuito, conforme observa- X = não importa
for levada ao nível alto. mos na figura 6, seleciona os sinais
Este tipo de função também pode
ser encontrada com facilidade na for-
ma de circuitos integrados TTL e
CMOS, com número de entradas que
pode variar bastante conforme a apli-
cação desejada.

Fig. 5 - Demux com portas TTL. Fig. 6 - Um mux de 4 entradas (4 para 1).

40
SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 SABER ELETRÔNICA Nº 308/98
83
CURSO DE ELETRÔNICA
CURSO BÁSICO DIGITAL
DE ELETRÔNICA DIGITAL

Fig. 9 - Acionando um display


para formar o algarismo 5.

Este tipo de circuito decodificador


Fig. 7 - Um mux com portas TTL. conta com 4 entradas, por onde entra
a informação BCD e 7 saídas que
d) Decodificador BCD para 7 de 7 segmentos de um mostrador, correspondem aos 7 segmentos de
segmentos observe a figura 8. um mostrador que irá apresentar o
Um tipo de decodificador muito Assim, se quisermos fazer surgir dígito correspondente.
usado nos projetos que envolvem Ele- o algarismo 5, bastará “acender” os A combinação de níveis lógicos
trônica Digital é o que faz a conver- segmentos a, c, d, f, g, veja a figura 9. aplicada às entradas produzirá níveis
são dos sinais BCD (Decimais Codifi- Como os sinais codificados em lógicos de saída que, aplicados aos
cados em Binário) para acionar um binário não servem para alimentar di- segmentos de um mostrador, fazem
mostrador de 7 segmentos. retamente os mostradores, é preciso aparecer o dígito correspondente.
Podemos formar qualquer algaris- contar com um circuito que faça a É preciso levar em conta que nes-
mo de 0 a 9 usando uma combinação conversão, verifique a figura 10. te tipo de circuito, os segmentos de
um mostrador podem ser ativados
quando a saída vai ao nível alto ou
quando a saída vai ao nível baixo. Isso
dependerá do tipo de display, o que
será estudado no item seguinte.

12.2 - DISPLAYS
Fig. 8 - Algarismos com 7
segmentos.
Um display é um dispositivo que
tem por finalidade apresentar uma
informação numa forma que possa ser
lida por um operador.
Podemos ter displays simples que
operam na forma digital como
sequências de LEDs, displays que
apresentam números (numéricos), e
displays que apresentam também
símbolos gráficos (letras e sinais) de-
nominados alfa-numéricos semelhan-
tes aos mostrados na figura 11.
Alguns mais sofisticados podem
até apresentar imagens de objetos ou
Fig. 10 - Como usar um decodificador BCD para 7 segmentos.
formas, como os usados em equipa-
mentos informatizados. O tipo mais
comum de display usado nos proje-
tos básicos de Eletrônica Digital é o
numérico de 7 segmentos, de que já
falamos no item anterior.
A combinação do acionamento de
7 segmentos possibilita o apareci-
Fig. 11 - Tipos de displays. mento dos algarismos de 0 a 9 e

SABER ELETRÔNICA Nº 308/98 41


84 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002
CURSO DE ELETRÔNICA
CURSO BÁSICO DIGITAL
DE ELETRÔNICA DIGITAL
também de alguns símbolos gráficos
semelhantes aos apresentados na fi-
gura 12.
O tipo mais comum usado nos pro-
jetos digitais é o mostrador de LEDs,
onde cada segmento é um diodo Fig. 12 - Símbolos gráficos em displays de 7 segmentos.
emissor de luz, sua aparência e sím-
bolo interno são mostrados na figura
13.
Os LEDs podem ser ligados de
modo a ter o anodo conectado ao
mesmo ponto, caso em que dizemos
que se trata de um display de anodo
comum, ou podem ter os catodos in-
terligados, caso em que dizemos que
se trata de um display de catodo co- Fig. 13 - Um display de LEDs de catodo comum com ponto decimal.
mum.
As correntes nos segmentos vari-
am tipicamente entre 10 e 50 mA con-
forme o tipo, o que nos leva a concluir
que o consumo máximo ocorre quan-
do o dígito 8 é projetado (todos os
segmentos acesos) e pode chegar a
400 mA por dígito. Alguns fabricantes Fig. 14 - Tipos de displays múltiplos.
podem juntar mais de um dígito num
único bloco, facilitando assim os pro- to torne-se opaco, deixando assim de A principal vantagem do mostra-
jetos, pois, na maioria dos projetos os refletir a luz. Desta forma, o fundo dor de cristal líquido (LCD) é seu con-
números apresentados são maiores branco do material deixa de ser visto, sumo, que é centenas de vezes me-
que 9, ver figura 14. aparecendo em seu lugar uma região nor do que o de um mostrador de
Outro tipo de display também uti- preta, veja a figura 15. LEDs. Para as aplicações em que o
lizado com certa frequência nos pro- As regiões formam os segmentos aparelho deve ser alimentado através
jetos é o de cristal líquido. e conforme sua combinação temos o de pilhas ou ficar permanentemente
Este display não “acende” quan- aparecimento dos dígitos. ligado, é muito vantajoso usar o mos-
do excitado. Eletrodos transparentes No entanto, é mais difícil trabalhar trador LCD.
ao serem excitados eletricamente com estes mostradores, pois eles exi-
pelo sinal do circuito fazem com que gem circuitos de excitação especiais
o líquido com que ele está em conta- que também são mais caros. 12.3 DECODIFICADORES E
CODIFICADORES TTL
E CMOS

Fig. 15 - Um display de cristal líquido. Podemos contar com


uma boa quantidade de
decodificadores, multi-
plexadores e demultiple-
xadores na forma de cir-
cuitos integrados TTL ou
CMOS. Será interessan-
te para qualquer prati-
cante de Eletrônica Digi-
tal contar com um desses
manuais.
No entanto, para faci-
litar, decreveremos al-
guns circuitos integrados
que contêm estas fun-
ções e são mais utiliza-
dos nos projetos e apli-
cações práticas.

42 SABER ELETRÔNICA Nº 308/98


SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 85
CURSO DEDE
CURSO BÁSICO ELETRÔNICA DIGITAL
ELETRÔNICA DIGITAL
a) 7442 - Decodificador BCD
para decimal
Este circuito integrado tem a
pinagem mostrada na figura 16.
Conforme a combinação de níveis
lógicos das entradas (codificadas em
BCD), apenas uma das saídas irá
para o nível lógico baixo. Todas as
demais permanecerão no nível alto.
Se os níveis lógicos aplicados às
entradas tiverem a combinação 1010
até 1111 (que correspondem de 11 a
15) nenhuma das saídas será ativa-
da. Quando ativada, cada saída pode
drenar uma corrente de 16 mA. Fig. 16 - BCD para decimal - decodificador.
O circuito integrado TTL 7445 tem
a mesma função, com a diferença de
que possui transistores na configura-
ção de coletor aberto na saída, po-
dendo com isso trabalhar com ten-
sões de até 30 V e drenar correntes
de até 80 mA. A pinagem é a mesma
do 7442.

b) 7447 - Decodificador BCD


para 7 Segmentos
Este é um circuito TTL que possui
saídas em coletor aberto capazes de
drenar correntes de até 40 mA, sen-
do portanto indicado para excitar
displays de LEDs de anodo comum. Fig. 17 - Decodificador BCD para 7 segmentos.
Na figura 17 temos a sua pinagem.
Algumas características importan- os zeros à esquerda sejam apagados c) 74150 - Seletor de dados
tes devem ser observadas neste cir- quando são usados diversos conta- 1-de-16
cuito. dores, figura 18. Este circuito integrado TTL consis-
Uma delas é o terminal Lamp Test Assim, em lugar de aparecer o te num multiplexador que possui 16
ou teste do display. Colocando esta valor 008, numa contagem aparece linhas de entrada e uma saída
saída no nível lógico baixo (em funci- apenas 8. selecionadas pelas Linhas de Sele-
onamento normal ela deve ser Observe que a saída RB0 (Ripple ção. Na figura 19 temos a pinagem
mantida no nível alto) todas as saí- Blank Output) serve para a ligação em deste circuito integrado.
das vão ao nível baixo, fazendo com série de diversos blocos contadores Para operação normal, a entrada
que todos os segmentos do display de modo a ser obtido um conjunto de habilitação (EN) deve ser mantida
acendam. Com isso é possível verifi- com vários dígitos. no nível alto até o momento em que
car se ele está em bom estado.
Outra saída importante é a RBI
(Ripple Blank Input) que faz com que

Fig. 18 - Usando a função


RBI (Ripple Blank Input). Fig. 19 - Seletor de dados 1 de 16.

SABER ELETRÔNICA Nº 308/98 43


86 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002
CURSO DE DE
CURSO BÁSICO ELETRÔNICA DIGITAL
ELETRÔNICA DIGITAL
Nestas condições os sinais a se-
rem chaveados podem variar entre -5
e +5 V, enquanto os sinais de sele-
ção podem ter nível baixo (0 V) ou
nível alto (5 V).
Tanto na operação com sinais di-
gitais como analógicos, as chaves fe-
chadas representam uma resistência
de 120 Ω e não devem ser usadas
cargas com resistências inferiores a
100 Ω. A corrente máxima chaveada
para os sinais não deve superar os
25 mA.
Semelhantes a este circuito em
Fig. 20 - Distribuidor de dados 1 para 16. características são os:
4052 - Duas chaves 1 de 4
os dados de uma determinada entra- f) 4051 - Chave 1-de-8 4053 - Três chaves 1 de 2
da devam ser levados para a saída. Este circuito integrado CMOS 4067 - Uma chave 1 de 16
Qual entrada será ativada depende do pode chavear sinais analógicos ou Este último circuito integrado pode
código aplicado à linha de seleção. O digitais e tem a pinagem mostrada na funcionar como multiplexador ou
circuito possui duas saídas. Numa figura 22. demultiplexador para sinais
delas aparece o sinal da entrada se- Para utilizar este circuito com si- analógicos e digitais de modo similar
lecionada e na outra, o sinal comple- nais digitais, a tensão de alimentação aos anteriores.
mentar. positiva pode ficar entre 5 e 12 V, en-
Circuitos semelhantes da mesma quanto que o pino 7 é aterrado. g) 4026 - Contador de Década
família são o 74151 que consiste num No entanto, para operar com sinais com Saída de 7 Segmentos
seletor 1 de 8 e o 74153 que consiste analógicos, o pino 7 deve ser Este importante circuito integrado
num seletor 1 de 4. conectado a uma fonte de -5 V (fonte CMOS tem um contador divisor por
negativa) e o pino 8 aterrado. 10 e suas saídas são decodificadas.
d) 74154 - Distribuidor de Dados
1-de-16
Este curcuito integrado contém um
DEMUX ou Demultiplexador 1 de 16
em tecnologia TTL. Sua pinagem é
mostrada na figura 20.
A entrada da habilitação (EN) deve
ser mantida no nível alto até o mo-
mento em que os dados da entrada
devam ser transferidos para a saída
selecionada.
Os circuitos integrados 74157 são
distribuidores semelhantes, mas
1-de-2 e o 74155 1-de-4.
Fig. 21 - Decodificador BCD para 1 de 10.
e) 4028 - Decodificador BCD
para Decimal
Este é um circuito integrado
CMOS com 10 saídas, onde aquela
que vai ao nível alto depende da com-
binação dos níveis de entrada. As
demais saídas permanecerão no ní-
vel baixo. A pinagem deste circuito
integrado é mostrada na figura 21.
As combinações de entrada entre
1010 e 1111 que correspondem aos
números de 11 a 15 não serão reco-
nhecidas e todas as saídas perma-
necerão no nível baixo.
Fig. 22 - Chave analógica/digital 1 de 8.

44 SABER ELETRÔNICA Nº 308/98


SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002 87
CURSO DEDE
CURSO BÁSICO ELETRÔNICA DIGITAL
ELETRÔNICA DIGITAL
QUESTIONÁRIO
Fig. 23 - Contador de década com saídas 7 segmentos.
1. Um circuito que joga o sinal de
uma entrada em uma de 4 saídas é
denominado:
a) Multiplexador 1 de 4
b) Demultiplexador 1 de 4
c) Decodificador 4 por 4
d) Decodificador BCD para 1 de 4

2. Que tipo de decodificador tem


apenas uma de 10 saídas ativadas a
A pinagem deste circuito integra- que permanece no nível alto até o partir de sinais BCD de entrada?
do é mostrada na figura 23. momento em que a contagem chega a) Decodificador 1 de 10
Na operação normal, as entradas a 0010, quando passa ao nível baixo. b) Demux 1 de 10
RST (Reset) e CLEN devem ser A entrada DISEN serve para ha- c) Contador Johnson
mantidas no nível baixo. Um nível alto bilitar o display, devendo permanecer d) Decodificador BCD para 1 de 10
aplicado em RST resseta o contador, no nível alto na operação normal.
levando o valor da saída a 0 e ao Quando esta linha vai ao nível baixo, 3. Em que tipo de display os
mesmo tempo impede a contagem. as saídas vão todas ao nível baixo. catodos de todos os LEDs dos seg-
Um nível alto aplicado em CLEN Este circuito é indicado para ope- mentos são interligados e conectados
(Habilitação do Clock ou Clock rar com displays de catodo comum e a um ponto comum?
Enable) inibe a entrada dos sinais de a corrente de saída máxima é de 1,2 a) Anodo comum
clock. O contador é gatilhado nas tran- mA para uma tensão de alimentação b) Cristal líquido ou LCD
sições positivas do sinal de clock. de 5 V, e 5 mA para 10 V. c) Catodo comum
No pino 5 é possível obter um si- A frequência máxima de operação d) Duplo
nal quadrado de 1/10 da frequência é de 5 MHz para 10 V de tensão de
de clock e no pino 14 temos um sinal alimentação e 2,5 MHz para 5 V. Resposta: 1.b 2.d 3.c

www.sabereletronica.com.br
SABER ELETRÔNICA Nº 308/98 45
88 SABER ELETRÔNICA ESPECIAL Nº 8 - 2002