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A Revolução Socialista na Rússia

Em 1852, Engels, parceiro de Marx no Manifesto Comunista,


afirmara ser impossível implementar o socialismo num país agrário. A
revolução proletária deveria ocorrer em países industrializados, com a
classe operária organizada, como a Alemanha, a Inglaterra, os Estados
Unidos ou a França.

Tempos depois, em 1881, Marx recebeu uma carta de uma jovem


russa perguntando-lhe se a Rússia agrária teria de se industrializar antes de
fazer uma revolução. Sua resposta foi curta e cautelosa. Dava a entender
que camponeses analfabetos talvez pudessem se rebelar e fazer a revolução.
No entanto, parecia não ser muito bem “o que fazer”.

O marxismo-leninismo
Que Fazer? é o título de uma obra do russo Vladimir Ilich Ulianov,
Lênin (1870-1924), escrita em 1902. O autor afirmava que o proletariado
jamais chegaria ao socialismo por si só. Era preciso guiá-los do alto, por
uma vanguarda revolucionaria, ou seja, intelectuais de esquerda que
conduziriam os trabalhadores à revolução. Esses “revolucionários
profissionais” poriam fim ao regime czarista russo imediatamente, sem
esperar o desenvolvimento do capitalismo industrial.

A Revolução de 1905
Em 1903, no Congresso de fundação do partido Operário Social-
Democrata da Rússia, Lênin obteve o apoio da maioria dos participantes,
daí seus partidários serem chamados de bolcheviques (significa maioria em
russo). Mas um grupo minoritário, os mencheviques (significa minoria em
russo), considerava que, diante do atraso da Rússia e da ausência de um
proletariado urbano organizado, a revolução só seria possível se assumisse
um caráter democrático e burguês. A revolução deveria colocar no poder a
burguesia, para garantir o desenvolvimento do capitalismo e, a partir daí, a
formação de um proletariado organizado.
Distante dessas discussões, em 1905, o czar Nicolau II envolveu a
Rússia numa catastrófica guerra contra o Japão pelo domínio da Coréia e
da Manchúria. Durante a guerra, no Domingo Sangrento, o czar, numa
prova de tirania, ordenou o massacre de uma manifestação pacifista que
pedia a saída russa do conflito enquanto cantavam: “Deus salve o czar!”.
Em protesto contra o massacre explodiram greves, assassinatos de
autoridades, revoltas em nações submetidas pelo Império Russo, rebeliões
camponesas e estudantis, que se multiplicavam por toda a parte. Estava em
curso a Revolução de 1905. A insatisfação com as condições precárias
levou à rebelião também os marinheiros do encouraçado Potemkin,
igualmente massacrados por Nicolau II. As greves paralisaram a economia
do país.

Ao final da guerra, derrotado, o czar assinou a paz nos termos


estabelecidos pelo Japão. Desmoralizado, e com o governo reduzido a mais
completa desorganização, prometeu criar uma monarquia constitucional,
com um parlamento submetido ao seu poder, a Duma. Porém, quando a
Duma começou a criticar a sua atuação, Nicolau II a dissolveu, voltando a
adotar sua antiga política autoritária.

Quem poderia imaginar que a revolução, ao contrário do que previra


Marx e Engels, que se daria justamente nos países mais avançados, como
Inglaterra, França e Alemanha, onde o modo de produção capitalista já
havia se desenvolvido plenamente ou estava já em desenvolvimento
avançado, portanto, compondo a base objetiva para a revolução; se daria
justamente em um país onde esta base objetiva ainda não estava
desenvolvida em sua plenitude? Eis um primeiro paradigma que nos traz a
experiência russa e que tanto contribui para entendermos porque o
marxismo, isto é, o marxismo revolucionário continua atual para os nossos
dias e os processos revolucionários nos países considerados do terceiro
mundo. Não que ele não esteja na ordem do dia para entender os
fenômenos por que passa os países mais desenvolvidos na América do
Norte, Europa e Ásia, mas porque o marxismo vivo, aquele que foi
traduzido pela síntese de autoria como Marxismo-Leninismo, não encontra
os elementos históricos para se aplicar na plenitude nos países imperialistas
de acordo com os paradigmas que este aportou ao movimento
revolucionário e à luta de classes internacional.
O estudo sistemático e o movimento revolucionário prático
mostraram que a Revolução Russa, não só criticou ou escarneceu as lutas
revolucionárias do século XVIII e XIX, seguindo a análise genial de Marx
no Dezoito Brumário, como mostram também, sobretudo, onde foram
capazes de superarem os limites estreitos da interpretação dogmática do
marxismo, que era efetuada pelos mencheviques russos de ontem e
continua sendo pelos mencheviques de hoje em todas as partes de mundo.
Como já mencionamos anteriormente, o primeiro dogma quebrado e
superado foi o da impossibilidade de uma revolução socialista em um país
onde as condições do modo de produção capitalista não estariam
plenamente desenvolvidas. Esta primeira contradição dividiu o movimento
revolucionário russo em dois grandes grupos, os que seguiam os
bolcheviques de Lênine e os que seguiam os notórios defensores do
marxismo dogmático, sejam quais forem as variações ou tendências que
estes assumiam: mencheviques, sociais revolucionários, trotskystas,
kaustkystas etc. Aqui está a raiz da concepção etapista como tática ou
estratégia para a revolução. Lênine e os bolcheviques defenderam as duas
etapas na revolução apenas como tática para chegar à revolução comunista.
Os mencheviques, se apoiando na interpretação mecânica do marxismo, em
especial do Manifesto Comunista, transformaram a tática – a revolução
burguesa – na estratégia, se prendendo a mesma como resultado final do
processo revolucionário iniciado com a revolução burguesa de fevereiro de
1917.

Nestes termos, a revolução russa superou a idéia equivocada na luta


de classes de que viria primeiro o econômico e depois o político, sem
entender que a ação humana é a parteira da história e em seus eventos o
político é que abre as portas para o econômico, ou no caso da revolução
socialista destrava a sociedade para se desenvolver o socialismo, mesmo de
forma ainda rudimentar e eivado das relações de produção anteriores, como
se pode ver nas Teses de Abril, desenvolvidas por Lênine e com seu
próprio testemunho, que muito do programa ainda não era socialista, mas
preso ao conteúdo da revolução democrático-burguesa, ou o que muitos
denominaram de capitalismo de estado. Como disse Lênine, o capitalismo
de estado era o ponto máximo a que poderia chegar a revolução
democrático-burguesa em termos de socialização dos meios de produção,
portanto o caminho para transição às relações de produção socialista sob a
ditadura democrática do proletariado e do campesinato. Trotsky não
entendeu isto bem, pois se mantinha como os mencheviques, preso a leitura
dogmática e mecânica do marxismo, criticando duramente Lênine em torno
desta formulação: “Ditadura Democrática do Proletariado e do
Campesinato”. Este aporte da Revolução Russa é importante para os dias
atuais, quando se analisa o processo revolucionário que vivemos na
América Latina, em especial o vivido na Venezuela e não entendemos até
que ponto o processo político pode ir abrindo portas ao processo de
transição do modo de produção para o socialismo.

A segunda contradição se dá justamente no plano da organização,


isto é, na concepção de partido que poderia levar a cabo de fato a
revolução. Como é sabido, os mencheviques e sociais revolucionários se
prendiam a duas formas de organização distintas da constituída pelos
bolcheviques. Lênine e seus camaradas defendiam uma organização de
revolucionários profissionais, mais tarde definida como organização de
quadros. Sem entrar na profundidade que este tema merece o principal aqui
é ressaltar que na polêmica entre os mencheviques e bolcheviques, o
elemento central é a concepção desenvolvida por Lênine que, se apoiando
na experiência de Marx e Engels na Revolução de 1848, na Alemanha,
extraiu as lições da necessidade do Partido Revolucionário de Quadros e o
método de sua construção, através de um agitador e organizador coletivo, o
jornal. Os mencheviques, por seu turno, viam no partido de massas a idéia
organizativa fundamental para a revolução, cujo método de construção
dava via o processo parlamentar e movimento de massas. Eles
incorporavam e tentavam reproduzir a experiência alemã, já totalmente
infiltrados pelas idéias de Bernstein e Lassale, que foram sintetizadas por
Kautsky, dando curso a transformação do marxismo revolucionário em
reformismo parlamentar e sindical, que mais tarde incorporava
definitivamente a definição tática da revolução em etapas como estratégia:
a social-democracia. Rosa de Luxemburgo, que em um primeiro momento
da polêmica, entre bolcheviques e mencheviques, após o II Congresso do
Partido Operário Social Democrata Russo, interviu defendendo os
mencheviques e o partido de massas, pagaria com a vida este seu equívoco.
Ao se retratar na prática com os bolcheviques durante o processo
insurrecional russo de 1905, sofreu o estigma que os revisionistas tinham
por Lênin, durante a bancarrota da II Internacional, tomando parte da
Esquerda de Zimmerwald, e na insurreição Berlim, liderada pelos
Spartakistas, foi assassinada, junto com Karl Liebknecht, pelo acordo entre
os sociais-democratas e os nazistas.

Em relação a esta contradição a superação que trouxe a revolução


russa foi a idéia de que a constituição de uma organização revolucionária é
resultado da luta ideológica, em termos dos princípios do marxismo
revolucionário aplicados à situação concreta da luta de classes e da
formação sócio-econômica historicamente determinada, logo exigindo a
criatividade para condensá-las em projeto estratégico, tático e organizativo
como unidade indissolúvel. Os bolcheviques desenvolveram o fenômeno da
comunicação, a base para uma estrutura revolucionária, e buscaram na
estrutura militar a organização necessária para desenvolver o combate,
tático e estratégico. Luta de idéias, organização de quadros e luta de
massas; com isto rompiam a tradição anarquista do terrorismo e a tradição
social-democrata do parlamentarismo e do sindicalismo como formas de
organização, se desviando do obreirismo e parlamentarismo em que se
consumou o Partido Operário Social Democrata Alemão. A Revolução
Russa mostrou que em um país onde o modo de produção capitalista não
está plenamente desenvolvido e que o campesinato compõe a maioria da
população, o proletariado pode exercer o papel de vanguarda através de sua
organização no processo revolucionário, desde que esta organização seja de
novo tipo, uma organização de quadros e com forte poder de ação e
comunicação. Eis porque, na formulação das teses de Abril, os
bolcheviques defendem a mudança do nome do partido de POSDR para
Partido Comunista. E assim superam também o desafiou deixado por Marx
e Engels, ao analisarem o processo de Colônia após a derrota da revolução
na Alemanha, em 1848.

Mas a revolução russa foi além, com a sua experiência surgiu a


primeira forma concreta de organização do poder na sociedade capaz de
levar às últimas conseqüências aquilo que a teoria marxista desenvolveu
como Ditadura do Proletariado. Ou seja um estado de transição do
capitalismo ao socialismo. Como Marx afirmou em uma carta a Joseph
Weydemeyer em 5 de Março de 1852:

[...] No que me diz respeito, não me cabe o mérito de ter


descoberto nem a existência das classes na sociedade moderna nem a
sua luta entre si. Muito antes de mim, historiadores burgueses tinham
exposto o desenvolvimento histórico desta luta das classes, e
economistas burgueses a anatomia econômica das mesmas. O que de
novo eu fiz, foi:

1. demonstrar que a existência das classes está apenas ligada a


determinadas fases de desenvolvimento histórico da produção;

2. que a luta das classes conduz necessariamente à ditadura do proletariado;

3. que esta mesma ditadura só constitui a transição para a superação de


todas as classes e para uma sociedade sem classes. [...]

Lênine entendeu bem esta formulação de Marx e viu na organização


desenvolvida pelos operários russos na insurreição de 1905, iniciada por
uma Greve Geral, o embrião daquilo que mais tarde veio a ser conhecido
como conselhos de operários, soldados e camponeses, os sovietes. E a
partir deste fenômeno social deu curso a uma estrutura de poder mais
ampliada e estratégica que a experiência da Comuna de Paris de 1871. O
governo dos sovietes passou para a história de um modelo criado para uma
formação sócio-econômica historicamente determinada para um modelo
universal de governo no estado de transição entre o capitalismo e o
socialismo em todo o mundo. Mas, foi além, quando da livre união dos
países que adquiram independência e soberania depois da revolução russa,
formando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, apontou o
caminho da livre união e solidariedade entre os povos, que mais tarde os
próprios países capitalistas viriam caricaturar. Lênine na abertura do VIII
Congresso do Partido Comunista Bolchevique Russo afirmou:

“apesar de agora estarmos isolados de maneira artificial de


todo mundo, não passa um só dia sem que os jornais informem do
ascenso do movimento revolucionário em todos os países. Mais
ainda: sabemos e vemos que este crescimento adota a forma
soviética. E nisso resiste a garantia de que, ao implantar o Poder
Soviético, achamos a forma internacional, universal, da ditadura do
proletariado. E estamos firmemente convencidos de que o
proletariado do mundo inteiro compreendeu o caminho dessa luta, o
caminho da criação dessa forma de poder proletário – do poder dos
operários e dos trabalhadores – e de que não há no mundo força
capaz de conter a marcha da revolução comunista mundial para a
República Soviética Mundial. “ 2

Sem dúvida, falar da Revolução Russa olhando apenas o processo de


tomada de poder, ou o momento em que simbolicamente os bolcheviques
tomam o poder, os milhões de operários e camponeses, soldados e
estudantes, mulheres, homens, jovens, avançam contra o Palácio de
Governo e o assaltam desafiando os tiros de canhões e metralhadoras,
colocando abaixo os trezentos anos de dinastia Romanov, ou o ato
espetacular que derrubou o governo provisório dos mencheviques e sociais
revolucionários e deu posse ao governo revolucionário dos bolcheviques, é
se limitar a imagem do ato magistral que elevou a humanidade a um nível
superior em seu desenvolvimento histórico. Mas, para além deste ato, é
necessário compreender que ele é apenas o resultado de um processo e o
início de um outro, e que as experiências e lições que a Revolução Russa
aporta à humanidade, também, mais que assimiladas, devem ser
compreendidas e desenvolvidas criticamente na prática. Cuba, China,
Coréia do Norte, Vietnã e tantos outros países caminham neste curso.
Outros surgiram, se desenvolveram e sucumbiram, como é o caso da
própria Revolução Russa. Contudo a humanidade atual já não é a mesma de
antes da Revolução Socialista de Outubro de 1917, o proletariado e as
massas exploradas no mundo já não lutam para chegar à primeira vez ao
poder, e por mais que se queira negar este evento magnífico humano e
revolucionário, enquanto subsistir o capitalismo e o imperialismo, ele
continuará a exercer a sua influência e sua experiência será paradigma das
novas revoluções em devir.