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Roteiro para a área curricular não disciplinar

Área de Projecto

“Não faz sentido dar aulas segundo as materiazinhas tal como vêm ordenadas nos programas,
nos manuais e, pior ainda, na mente de alguns professores. (...) Há que cruzar tudo. A
experiência com o estudo, o que se aprende aqui com o que se descobre acolá (...) porque o que
importa é que eles aprendam a compreender o que os rodeia, descubram, e desenvolvam as suas
próprias capacidades de questionar o mundo, de intervir, de saber optar e de saber decidir”
” (Inovação, vol.6, nº2, 1993)

Mangualde

Setembro de 2004

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Índice

Introdução 3

Orientações curriculares 6

Objectivos 10

Competências transversais 11

Orientações metodológicas 13

Avaliação 14

Bibliografia 15

Observações 16

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I
Introdução

Algumas das críticas mais pertinentes feitas à Área-Escola decorriam dos

constrangimentos de tempo, espaço e das condições humanas e materiais. Todos

genericamente lhe reconheceram potencialidades e que passavam por:

• proporcionar a construção da relação da escola com o meio;

• atenuar a omnipresença do carácter académico do currículo e cumprir o postulado

da L.B.S.E. em matéria de dimensão integradora das aquisições educativas;

• constituir uma oportunidade para a formação pessoal, social e cívica do aluno;

• configurar uma escola diferente com autonomia descentralizada e participada pela

comunidade local, virada para o meio;

• promover a interdisciplinaridade (esbatendo a "fronteira" entre os conteúdos) e a

adopção do trabalho de projecto, capazes de favorecer um saber autoconstruído e

multidisciplinar ;

• abraçar, em termos de aprendizagem, os problemas relevantes da vida moderna;

• desenvolver o espírito de iniciativa, criatividade e cooperação dos alunos;

• favorecer a autonomia dos alunos, ao responsabilizá-los perante a comunidade; das

escolas ao favorecer a elaboração do seu projecto educativo.

3
B

Considerou-se por isso justificado manter no currículo uma área de projecto, integrando-a

no horário dos alunos, obviando, assim, uma das críticas ao bom desenvolvimento de um

espaço curricular não disciplinar, sendo certo que o seu sucesso só será possível se se

observar uma gestão integral que defina desde já algumas metodologias e algumas

orientações curriculares. Justamente, o que se pretende, essencialmente, com este roteiro.

São fundamentais para o sucesso desta área:

• desenvolvimento de projectos de natureza multidisciplinar e, se possível,

interdisciplinar;

• integração de saberes na construção do conhecimento;

• abertura à comunidade envolvente. Aliás, há quem lhe chame "espaço de

realização de projectos escola-meio;

• incentivo ao aluno para demonstrar a sua criatividade;

• promoção de reflexões sobre as atitudes e valores;

• a adopção da metodologia de projecto como um dispositivo de mediação

pedagógica, entre outros.

Para o desenvolvimento desta área todos os professores se devem sentir envolvidos, mas a
dois ou a um (conforme o ciclo de escolaridade) será cometido o encargo de gestão mais
próxima do projecto.

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A escola deve arredar-se da posição comodista de mera distribuidora de conhecimentos
feitos e compartimentados. Deve desocultar e desenvolver a função de produtora de saber
que lhe cabe, deve organizar-se em torno do questionamento rigoroso do mundo que a
envolve, favorecendo a emergência de atitudes científicas.
A interdisciplinaridade promove a rejunção dos fragmentos disciplinares, favorecendo a
convergência e a complementaridade das diferentes áreas do conhecimento. Por exemplo,
o estudo do ambiente não pode ser reduzido aos fenómenos físicos. Têm de se interligar
com os problemas químicos, geográficos, económicos, sociais, psicológicos e tudo o mais.

A área de projecto afirma o protagonismo dos alunos no processo de aprendizagem

repudiando o conhecimento completo e acabado e abraçando a ideia de processo dinâmico

e interactivo que permite a sua reinterpretação holística. À outrance, o docente perde a

centralidade e ganha o estatuto de orientador face ao projecto ou problema/tarefa. Arreda

de si o conhecimento declarativo (saber que) e chama para si o conhecimento processo

(saber como)

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II
Orientações curriculares

1. Esta área curricular não disciplinar deve assumir na escola diversas configurações
dos pontos de vista configurativo, processual e de concretização. Significa, então,
que na mesma escola – e quiçá na mesma turma - é salutar a existência de várias
e diferentes iniciativas dependendo unicamente dos contextos (etários,
experiência académica, socioculturais), não olvidando, também, que as
potencialidades dos próprios alunos são um factor a ponderar, podendo,
eventualmente, contradizer a existência de ideias-tipo ou de categorias. Por isso,
parceria entre turmas para a qualquer realização só será producente se os contextos
forem similares.

2. Porém, em qualquer situação a área de projecto deverá ter uma finalidade expressa,
deverá resultar da criação de momentos de negociação e decisão e deverá depender
do trabalho de todos, se possível através do trabalho de grupo. Nomeadamente em
matéria de finalidades, dir-se-á que todas as actividades a desenvolver devem
possuir pelo menos uma finalidade, à qual está associada o cumprimento de
uma determinada competência, cabendo aos conteúdos disciplinares
curriculares o papel de recurso educativo para o desenvolvimento de um
determinado projecto.

3. Poderemos elencar, como exemplo, quatro categorias (retiradas do livro “Área de


Projecto – percursos com sentido”, 2001, de edições ASA):
• actividades que se interligam com a exploração de situações educativas:
clubes, oficinas, estágios...;
• actividades de construção de uma obra relacionada com o trabalho
interdisciplinar encetado: exposições, jornal escolar, correspondência;
• actividades de natureza lúdica: rádio escolar, correspondência;

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• Actividades de prestação de serviço à comunidade: campanhas, apoio a
actividades de carácter cívico.

4. Entendendo a Área de Projecto como um processo auto-estruturante da


aprendizagem cabe ao aluno o desenvolvimento de três operações:
• Tarefas de aprendizagem que conduzam o aluno a saber se vale a pena ou
não o desenvolvimento de determinada actividades;
• Tarefas relacionadas com a pesquisa para o desenvolvimento da tarefa
escolhida;
• Tarefas para obtenção de um produto ligado à actividade escolhida;

5. Esta forma precedente de encarar a aprendizagem retira ao professor a


centralidade no processo através do alargamento de recursos colocados ao dispor
do aluno, e, também, em função dos dispositivos metodológicos congruentes com
os pressupostos assinalados. Isto não significa, obviamente, a sua subalternização,
antes, sim, a reconfiguração do papel a desempenhar e que passa pelo potenciar a
relação do aluno com o saber na base daquilo que o construtivismo chama de
representações de cada aluno e que Paulo Freire, com rara felicidade, se refere,
quando diz que cada um chega à escola com um balde de experiências que deverão
ser aproveitadas. Ao professor, então, compete andaimar (vocábulo ligado
denotativamente à construção civil) o trabalho do aluno, salvaguardando os saberes
já detidos, as suas capacidades cognitivas e as estratégias de negociação sobre as
competências a atingir e as actividades a desenvolver em prol.

6. Nesta área ganha notoriedade acrescida o tipo de recursos: os inventariados pela


escola e os trazidos pelos alunos. Esta atitude configura uma mudança de
concepção de escola: da escola tradicional assente exclusivamente na tecnologia da
sala de aula para uma escola aberta ao meio potenciando “n” recursos disponíveis:
bibliotecas, laboratórios, hortas pedagógicas, ficheiros, jornais, jogos ...). Esta

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ampliação de recursos tem como consequência o protagonismo dos alunos e a
consideração de um saber escolar não restritivo.

7. A Área de Projecto tem, assim, dois propósitos:

• valorização da dimensão interdisciplinar dos saberes escolares


• utilização e contextualização do conhecimento adquirido

Deste modo, é necessário ultrapassar os condicionalismos que a escola tem,


nomeadamente, ao nível de como se aprendia e como se geria o tempo e espaços escolares
e, naturalmente, no arredar do saber atomizado, despersonalizado e sujeito a processos
estandardizados. Aproveitando uma das vantagens que consiste em juntar os saberes
declarativos (os possuídos e os adquiridos) e os saberes processuais (os que conduzem à
aquisição dos saberes). Ou seja, é importante saber como o saber é construído ou
adquirido e, igualmente, como o conhecimento é utilizado.

8. A Área de Projecto que se pretende aplicar a esta agrupamento deve assumir a


seguinte concretização: partir dos diferentes projectos existentes na turma para
depois criar um espaço de interacção com outras áreas curriculares concretizando
propostas de trabalho aí iniciadas ou delineadas ou, ao invés, através da apropriação
das diversas áreas curriculares de projectos já iniciados na área de projecto. Sempre
na óptica: da interacção dos saberes declarativo e processual, das representações
que os alunos já trazem para a escola, da sua efectiva participação, do alargamento
dos recursos educativos que não se devem confinar à tecnologia da sala de aula e do
papel de andaimar a actividade do aluno pelo professor.

9. A amplitude da sua intervenção deve futuramente ser balizada para melhor


ser operacionalizada. Nomeadamente, tendo em atenção o duplo vector
organizativo já enunciado: concretizar um sonho de uma ou várias disciplinas ou
de estas aproveitarem o saber construído na área de projecto – dispor a procura do

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conhecimento através, sempre através, de actividades do tipo: biblioteca escolar,
oficinas de expressões, oficinas experimentais, clubes, feiras, exposições, jornais,
correspondência, semanas abertas, festas, colóquios, campanhas, apoios à
comunidade (....)

10. Não havendo na Área de Projecto programas, conteúdos obrigatórios,


competências essenciais, uma tecnologia pedagógica definida para transmissão de
informação ou para apropriação pelos alunos, tal qual existe, por exemplo, na
Formação Cívica com a identificação de temáticas preferenciais ou no Estudo
Acompanhado com a definição de linhas de orientação curricular bem definidas,
nas áreas curriculares disciplinares com programas de referência, conteúdos e
competências, instrumentos de avaliação e manuais escolares, é necessário ter em
atenção a várias questões que a podem desvirtuar e a enfoques que a podem ajudar,
no contexto de dispositivos de intervenção pedagógica.

Deste modo:
• escolher um problema ou um projecto sem discorrer se daí advém alguma
aprendizagem significativa para o aluno deve merecer a nossa atenção. Por
isso, sem qualquer complexo e sem colocar em causa a forma de
intervenção do aluno, o professor deve intervir na selecção, dando opiniões,
alvitrando alternativas, promovendo negociações no espectro da enorme
margem de manobra que a área concede. De tal maneira que exista uma
solução de trabalho que granjeie para o aluno outros saberes
significativos do ponto vista escolar que inicialmente não possuía,
alargando os seus horizontes educativos.

• Arredar, assim, a concepção espontaneísta e exclusivamente


ludicidista de encarar a actividade desde a preparação até ao produto,
deixando-a evoluir ao sabor dos ventos, sob o pretexto – errado – de
liberdade de iniciativa.

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• Ser necessário o aluno saber o que pretende com a escolha efectuada
cabendo ao professor ajudá-lo a clarificar a situação, dando hipóteses de
esclarecimento que podem passar pela pesquisa, pela observação (...)

• Ser vital organizar a interacção concitando para ao desenvolvimento da


actividade as representações já detidas pelos alunos ou por outros actores,
os seus interesses, as suas necessidades, os seus recursos.

• Ser importante, no desenvolvimento das actividades, passar-se da natureza


declarativa do conhecimento (saber que) para o saber processual (saber
como), na base do figurino de actividade já referenciado: oficinas,
colóquios, campanhas, jornais, debates, clubes ...
• Ser indispensável acabar com a procura – a todo custo – de um
produto em detrimento de uma aprendizagem, justapondo, muitas das
vezes, sem qualquer interesse e objectivo, registe-se, saberes curriculares.

III

Objectivos

• Valorização da dimensão interdisciplinar dos saberes escolares


• Utilização e contextualização do conhecimento adquirido

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IV

Competências Transversais

• Desenvolver a realização de projectos que impliquem o uso de diferentes


linguagens.

• Reconhecer, confrontar e harmonizar diversas linguagens para a comunicação


de uma informação, de uma ideia, de uma intenção.

• Questionar a realidade observada

• Avaliar a adequação dos saberes e procedimentos mobilizados e proceder a


ajustamentos necessários

• Desenvolver actividades integradoras de diferentes saberes, nomeadamente


através de realização de projectos.

• Promover a identificação e a articulação dos contributos de cada área de saber,


com vista ao uso correctamente estruturado da língua portuguesa.

• Usar a língua portuguesa de forma adequada às situações de comunicação


criadas nas diversas áreas do saber, numa perspectiva de construção pessoal do
conhecimento

• Apoiar o aluno na descoberta das diversas formas de organização da sua


aprendizagem

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• Promover a realização de projectos que envolvam a resolução de problemas e a
tomada de decisões

• Exprimir dúvidas e dificuldades

• Planear e organizar as suas actividades de aprendizagem

• Confrontar diferentes métodos de trabalho para a realização da mesma tarefa

• Auto-avaliar e ajustar os métodos de trabalho à sua forma de aprender e aos


objectivos.

• Pesquisar, seleccionar, organizar e interpretar informação de forma crítica em


função das necessidades ou problemas a resolver e respectivos contextos

• Comunicar, utilizando formas diversificadas, o conhecimento resultante da


interpretação da informação

• Auto-avaliar as aprendizagens, confrontando o conhecimento produzido com os


objectivos visados e com a perspectiva de outros

• Seleccionar informação e organizar estratégias criativas face às questões


colocadas por um problema.

• Valorizar a realização de actividades intelectuais, artísticas e motoras que


envolvam esforço, persistência, iniciativa e criatividade

• Comunicar, discutir e defender descobertas e ideias próprias, dando espaços de


intervenção aos seus parceiros.

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V
Orientações metodológicas

As situações podem ser abordadas através de uma multiplicidade metodológica. Por


exemplo:

• Metodologia do projecto;
• Aprendizagem através de situações-problema que, ao serem resolvidas,
provocam uma aprendizagem significativa. Necessita que haja identificação de um
problema (em comunhão de esforços com os alunos) e se operacionalize a acção
tendente à sua resolução, através da construção de material específico de trabalho:
guiões de trabalho, fichas experimentais, fichas de leitura e de avaliação;
• Aprendizagem por descoberta que permite ao aluno aprender através da
apropriação de conceitos e da relação que se estabelecem entre si. Ou seja: são os
alunos que chegam até à sua definição. É a antítese da aprendizagem por recepção.
Distingue-se da metodologia de projecto por haver uma maior participação do
professor no desenvolvimento das actividades. Exige a construção de um plano de
trabalho que identifique, nomeadamente: o que queremos, o que vamos fazer e
como vamos fazer.

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VI
Avaliação

O projecto deve privilegiar dois momentos: a fase de diagnóstico, no início do ano lectivo,
e a fase final, fruto dos resultados obtidos.
Serão objecto de apreciação todos os trabalhos efectuados, sejam eles de que jaez
forem: monografias, relatórios, exposições, vídeos, diaporamas, peças teatrais, colóquios,
(....) e deverão ser considerados na avaliação final global do aluno
Por outro lado, ao longo do desenvolvimento do projecto prevêem-se reuniões de
trabalho contando com a participação de todos os docentes, que servirão para se
elaborarem reflexões e comentários críticos sobre o andamento das sessões, assim como
para troca de impressões com base na observação dos alunos.
No final do ano lectivo, apresentar-se-á um relatório sobre o comportamento e
rendimento geral dos alunos por turma e que constituirá mais um elemento de avaliação.
Ademais, nesse mesmo relatório, cada equipa de professores ajuizará sobre a participação
individual (impressões, críticas, dificuldades, expectativas, etc.)
Sem prejuízo do anteriormente dito, cada docente/equipa de docentes constituirá o
seu portfolio, onde incluirá os resultados das avaliações efectuadas, as planificações gizadas ,
os materiais utilizados (...).
Em sede de Conselho de Turma (2º e 3º ciclos), a discussão deve ser incrementada
quer na fase de planificação, quer na fase de implementação, quer, ainda, na fase avaliação
final. Para eventual reorientação dos trabalhos e para que se ”sinta” a sua transversalidade.
Releve-se, a terminar, que a avaliação de desempenho discente nesta área é
descritiva e qualitativa e é parte interessada na eventual retenção de um aluno

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VII
Bibliografia

Carvalhinhos, E.;Vidal, H. et al., (1990). " Área-Escola- uma perpectiva", in Noesis, nº 14

e15, 37.

Castro, L.; Ricardo,M., (1992). Gerir o Trabalho de Projecto- Um Manual Para Professores e

Formadores, Lisboa, Texto Editora.

Cosme, Ariana, et al, (2001) Área de Projecto. Porto: edições ASA (recomendadao)

Figueiredo, Ilda (1999). Educar para a cidadania, Porto, Edições Asa

I.I.E., (1992). " Um Ano de Experiência",Cadernos da Área-Escola, Lisboa ,I.I.E. /M.E..

I.I.E., (1999). " Direitos Humanos/Educação para a Cidadania”, Lisboa ,I.I.E. /M.E..

Leite, Elvira, et al., (1989). Trabalho de Projecto 1. Aprender por Projectos Centrados em Problemas ,

Porto, Edições Afrontamento.

Nogueira, Conceição, et ali, (2001) Cidadania, Porto, Edições ASA

Pombo, Olga et al., (1993). A Interdisciplinaridade- Reflexão e Experiência, Lisboa, Texto

Editora.

Reis, I. Borges, (1992 ), " Práticas de Formação e metodologia de Projecto", in Cadernos

Área-Escola 2- Um Projecto Educativo, Lisboa, M.E.,I.I.E.

Ribeiro, A. Carrilho, (1992a). Reflexões sobre a Reforma Educativa, Lisboa, Texto Editora, 3ª

edição.

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VIII

Observações Finais

Os registos das actividades desenvolvidas serão lavrados em sede de livro de


sumários da turma, a exemplo das áreas curriculares disciplinares. Haverá lugar a
dois sumários, um por cada 45 minutos (2º e 3º ciclos)

A planificação integra o projecto curricular de turma e é da responsabilidade do


docente titular de turma (1º ciclo) e do conselho de turma (2º e 3º ciclos). Deve ser
contextualizada aos alunos sua pertença.

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