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APOSTILA DE CULTURA RELI

GIOSA
(Autor da Apostila Orlando Mário Konrad)

Professores : Paulo Rodrigues da Rosa


Adalberto José Gross

NOME DO ACADÊMICO: JOSÉ VELOSO NEVES NETO


R.A. ___________________________

CURSO: CULTURA RELIGIOSA TURNO: NOTURNO


SEMESTRE: Primeiro

VERITAS VOS LIBERABIT


“Se vós permanecerdes nas minhas palavras, sois verdadeiramente meus
discípulos; e conhecereis a verdade e A VERDADE VOS LIBERTARÁ”.
Jo 8:31, 32

“EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA”. Jo 14:6


( JESUS CRISTO )
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ÍNDICE

REFLEXÃO....................................................................................................................................................03
1 - RELIGIÃO E CULTURA........................................................................................................................04
2 - O FENÔMENO RELIGIOSO.................................................................................................................05
3 - FORMAS RELIGIOSAS..........................................................................................................................06
4 - ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA
RELIGIÃO.............................................................................06
5 – CLASSIFICAÇÃO GERAL DAS RELIGIÕES....................................................................................06
6 – FINALIDADES DA RELIGIÃO.............................................................................................................07
7 – CRÍTICAS À RELIGIÃO........................................................................................................................07
8– QUEM É O HOMEM................................................................................................................................08
9 – AS RELIGIÕES NO MUNDO.................................................................................................................08
10 - CRISTIANISMO....................................................................................................................................13
11 – REFORMA PROTESTANTE...............................................................................................................18
12– AS DIVISÕES DO CRISTIANISMO....................................................................................................20
13– O ESTUDO DA ÉTICA...........................................................................................................................21
14 - LEITURAS COMPLEMENTARES......................................................................................................29
TEXTO 01 – FUNDAMENTO RELIGIOSO DA CULTURA...........................................................29
TEXTO 02 – A SOBREVIVÊNVIA DA FÉ.........................................................................................31
TEXTO 03 – DEUS COMO CASO DE AMOR...................................................................................34
TEXTO 04 – REFORMA LUTERANA...............................................................................................35
TEXTO 05 – PLANO DE SALVAÇÃO CONFORME A BÍBLIA...................................................36
TEXTO 06 – OS CRISTÃOS PERSEGUIDOS PORQUE CRISTÃOS...........................................40
TEXTO 07 – DEUSES GREGOS E
ROMANOS................................................................................43
TEXTO 08 – ALGUNS SÍMBOLOS CRISTÃOS..............................................................................45
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REFLEXÃO

“A DECISÃO DE ASSUMIR A FÉ”

“As pessoas hoje assumem a fé por decisão, e não mais por tradição”, disse o padre João Batista
Libânio, professor de Teologia em Belo Horizonte. Vivemos a época da liberdade de escolha. Aquilo que
ontem era imposto, hoje é opção! Cada um é desafiado a decidir sobre o sentido, o rumo e a razão de seu
viver.
Se de um lado somos desafiados a tomar decisões existenciais profundas, parece que a nossa
disponibilidade para a meditação e contemplação está cada vez mais escassa nesse mundo secularizado e
pragmatizado.
Numa de nossas leituras nos defrontamos com o texto elaborado pelo professor da ULBRA, Rev.
Astomiro Romais, pessoa sensível aos gritos e clamores de nosso tempo. Julgamos que as palavras do amigo
Astomiro merecem ser reproduzidas integralmente nesse espaço. Sua leitura do tempo é oportuna, perspicaz
e relevante.
Estas são as suas palavras:
“Insegurança e falta de referências talvez sejam as marcas maiores do nosso tempo de pós-
modernidade. A humanidade, através de descobertas tecnológicas, mergulhou em um oceano de signos, uma
floresta de símbolos, um universo de palavras e imagens, uma vertigem comunicacional, o império da
transparência e, paradoxalmente, o reino da opacidade. A nossa era da globalização, da comunicação e da
informação abre-se sobre o palco da descrença no futuro. Deve-se temer o futuro? Essa é a questão que mais
tem preocupado os intelectuais europeus depois de 1989, ano da deflagração das profundas mudanças nos
países do socialismo real que resultaram na liquidação da utopia marxista-leninista. Octavio Paz, Prêmio
Nobel de Literatura de 1990, declarou em entrevista recente que ‘a palavra futuro está em decadência `.
Pensadores e políticos inquietam-se com o amanhã das sociedades. A cultura mudou. As certezas
escorrem por entre os dedos. O homem deste fim de século opera com o mecanismo da opção: não está
obrigado a aderir de modo permanente a nada. Daí resulta a angústia do relativismo. Tudo é legítimo e nada
é sagrado. Tudo é possível e nada é necessário. O tempo real foi substituído por um tempo virtual. Há uma
febril busca do novo, do consumo estéril. Vive-se a sociedade da obsolência programada. O que é hoje,
amanhã está ultrapassado. Quais são, afinal, os referenciais? Objetos, ídolos, crenças, utopias, certezas e tudo
o mais perecem 30 segundos após o nascimento. Programas de rádio e televisão converteram-se em
consultórios de psicanálise para sessões coletivas de terapias vazias. Apesar do estar-junto mediado pela
tecnologia, a comunicação e a empatia diluem-se ou nunca se constróem: cada um fala para si mesmo, por si
mesmo. A realidade que construímos é um verdadeiro mosaico; a vida é construída por fragmentos que
captamos dos veículos de comunicação de massa. Onde buscar sentido, certezas, um amanhã?”
Refletindo sobre a análise do Prof. Astomiro, parece-nos que uma universidade cristã não pode se
omitir e deixar de dar a sua contribuição para que seus alunos, professores e funcionários tenham um
encontro de vida com o Deus Eterno. Nossa instituição cristã precisa e quer ser um instrumento de Deus para
que o sentido da vida seja oferecido às pessoas. As certezas das doces promessas de Deus precisam chegar
aos ouvidos das criaturas que Deus amou a ponto de enviar seu Filho - Jesus Cristo.
Podemos até estar assustados com a realidade presente e com as perspectivas de futuro, mas não
podemos fugir da missão de apontar rumos, oferecer certezas divinas e convidar pessoas a encontrarem o
sentido de suas vidas numa relação de amor e perdão com o Criador e no serviço para com o nosso próximo.
Os referenciais que a Bíblia nos propõe são valores absolutos, não descartáveis. O ser humano
precisa de uma palavra além da sua. Vozes e sons humanos não preenchem o vazio da criatura criada à
semelhança de Deus.
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Ao angustiado ser humano dessa era relativista precisa ser anunciado o consolo e conforto da
verdade absoluta e divina, a saber, que Deus é gracioso e misericordioso e convida todos os seus filhos para a
vida.
Uma instituição cristã precisa ensinar e viver a verdade de que antes de ter nós precisamos ser e
esse ser encontra a sua realização integral no seu encontro com o Criador. Cabe-nos reafirmar que confiar
em Deus é “viver a experiência do sublime”. É ter futuro! É ter certeza! É ter esperança!
Pastor Gerhard Grasel - Capelão-Geral da ULBRA
Extraído de: JORNAL DA ULBRA, Ano 2, n.º 10, pg. 02

1) RELIGIÃO E CULTURA

1. Em que áreas da vida humana a religião está presente no dia-a-dia??


2. Quais as ciências que se preocupam com o fenômeno religioso ou dele
sofrem alguma influência?

A religião se faz presente nos seguintes campos:

1. ARTES.
1.1 MÚSICA: Legião Urbana, Roberto Carlos, Maria Rita, U2, música clássica, canto gregoriano, música
gospel, padres que cantam (Zezinho, Marcelo, Fábio de Melo)
1.2 ARTES PLÁSTICAS: Michelângelo, Da Vinci, Rafael, Rubens, Rembrand, etc.
1.3 TEATRO: Nova Jerusalém: paixão de Cristo
1.4 CINEMA: Fé demais não cheira bem, Os deuses devem estar loucos, mudança de hábito, O Nome da
Rosa, Em Nome de Deus, O Pequeno Buda, Sete anos no Tibet, Código da Vinci, Anjos e Demônios,
stigmata, ghost., Dogma, Auto da compadecida etc
1.5 DANÇA: Coreografias, danças ritualísticas...
1.6 ESCULTURA: Aleijadinho, Cristo Redentor etc
2. MEIOS DE COMUNICAÇÃO
2.1. TELEVISÃO: Globo Repórter, Novelas, Programas religiosos, etc...
2.2 JORNAIS E REVISTAS: Despertar, Capricho, Cláudia, Veja, Isto é, sentinela, planeta, Eclésia,
Ultimato, Mundo Jovem, Fonte de Luz, a sentinela, Superinteressante etc.
2.3 INTERNET: Sites evangélicos, Sites católicos, Sites espíritas, budistas, todas as religiões, esoterismo,
ocultismo, misticismo, ateísmo, satanismo, gnosticismo etc.
3. LITERATURA: "Versos Satânicos", Bíblia, Mitologia grega, esoterismo,. Divina comédia, o
seminarista, Dom Casmurro, Alcorão, vedas, kojiky, tripitaka, Torá, Livro Mormon, Paulo Coelho, o Livro
das Religiões, O Grande Conflito, o Evangelho segundo o espiritismo etc.
4. POLÍTICA: Vaticano, Pastorais(sem terra, do menor,...), Golfo Pérsico, países árabes
5. TURISMO: Roma, Grécia, Israel, Egito, Aparecida do Norte, Machu Pichu...
6. ARQUITETURA: Igrejas, Templos, Mesquitas, Pirâmides, Pagodes, Sinagogas, Machu Pichu...
7. ECONOMIA: Festas comerciais(Natal, Páscoa, Navegantes,...), cédula, exploração de algumas religiões..
8. ESPORTE: Mohammed Ali, Tyson, NBA, Atletas de Cristo,. Os jogos Olímpicos...
9. ALIMENTAÇÃO: Alimentos proibidos e impuros, sexta-feira santa, oferendas e sacrifícios
10. EDUCAÇÃO: ULBRA, PUC, escolas metodistas, adventistas, presbiterianas...
11. CALENDÁRIO: calendário gregoriano (a.C. e d.C), calendário muçulmano, chinês, judaico, Domingo

A religião se interrelaciona com as seguintes ciências:

- Teologia: Deus e a religião como objeto central de estudo


- Filosofia: aborda transcendência do ser, vida após morte, ética e moral,...
- Psicologia: Freud, Jung, Vitor Frankel(influência da religião no psiquismo e
comportamento humano
- Sociologia: Relação com a vida em sociedade
- Antropologia: trabalha mitos, tabus, xamanismo, Rituais tribais...
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- História: Criacionismo x Evolucionismo, Cristo, Buda, Cruzadas, Reforma,


Inquisição, impérios...
- Fenomenologia: ocupa-se em analisar o fenômeno religioso
- Medicina: curas divinas, pajelança, poder da oração, hospitais,. Lucas – o médico
- Arqueologia: evidências para provar a veracidade da Bíblia, das religiões, crenças etc.

2) FENÔMENO RELIGIOSO

a) Definição de fenômeno religioso:

O ser humano, em todos os tempos, civilizações e culturas teve a necessidade de se relacionar com algo
ou alguém superior a ele.
Cícero: “Não há povo tão primitivo, tão bárbaro, que não admita a existência de deuses, ainda que se
engane sobre a sua natureza”.

Plutarco: “Podeis encontrar uma cidade sem muralhas, sem edifícios, sem ginásios, sem leis, sem uso de
moedas como dinheiro, sem cultura das letras. Mas um povo sem Deus, sem oração, sem juramentos, sem
ritos religiosos, tal nunca se viu”.
Jung: “Entre todos os meus pacientes, de mais de 35 anos, não há nenhum cujo problema não fosse o da
religação religiosa. A raiz da enfermidade de todos está em terem perdido o que a religião deu aos seus
crentes, em todos os tempos; e ninguém está realmente curado enquanto não tiver atingido, de novo seu
enfoque religioso”.

Constatamos através do Fenômeno Religioso que:

a) o homem é um ser religioso (não existe ateu)

b) o homem está separado de Deus

c) o homem tenta fazer algo para se religar com Deus

d) e Deus ? Fez algo para ligar sua criatura a Ele ?

b) O que é Religião ?

a) Raiz etimológica da palavra:


- do latim “religare” = religar, unir outra vez
- do latim “reeligere” = reeleger, nova escolha

b) Aspecto objetivo: conjunto de crenças, leis e ritos em um ser superior com o qual o ser humano se
relaciona.

c) Aspecto subjetivo: reconhecimento pôr parte do ser humano que ele é dependente de um ser superior
ao qual se submete através de crenças, leis e ritos.

d) Sentido vertical: indica que a religião se movimenta na direção de cima para baixo ou, de baixo para
cima.

e) Sentido horizontal: indica a direção da relação do ser humano com seu semelhante dentro de uma
vivência e experiência religiosa em sociedade ou agrupamentos de fé.
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3. FORMAS RELIGIOSAS

a) Teísmo ( téos ) = Deus é o único ser supremo, infinito, absoluto, espiritual e pessoal. É criador, Deus
revelado. Age com e nas criaturas.

b) Deísmo ( deus ) = crê num único ser supremo, espiritual e pessoal, que criou o mundo com suas leis.
Não intervém nas criaturas e nem se revela.

c) Monoteísmo ( mono - téos ) = há somente um único Deus.

d) Politeísmo = vários deuses.

e) Henoteísmo ( hen=um) = propõe a veneração de um deus , mas não nega a existência de outros.

f) Panteísmo ( pan=tudo ) = tudo é deus. Universo, natureza e deus é a mesma coisa.

g) Panenteísmo ( pan + en + téos = tudo-em-deus ) = tudo está em deus. Deus e o mundo não são
idênticos, mas o mundo é uma maneira e modo de existir de Deus, ou forma de deus manifestar-se.

h) Monismo = existe uma única realidade, que é a do mundo material. O próprio mundo se explica pôr si
mesmo.

i) Dualismo = admite a existência de duas forças superiores antagônicas: uma do bem e outra do mal.

j) Ateísmo ( a+téos = não há deus ) = se aproxima do monismo e panteísmo pois tudo explica-se pôr si
mesmo.

4. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA RELIGIÃO

a) Doutrina: código expresso de todos os valores próprios da religião, tais como: crenças, dogmas, ritos e
leis. A doutrina é a base teórica que fundamenta cada religião.

b) Ritos: são as cerimônias, ou a estrutura visível da manifestação religiosa.

c) Ética: está vinculada com a doutrina e expressa a moral, ou seja, tudo o que é aprovado ou desaprovado
pela religião no que diz respeito à vida em sociedade.

d) Comunidade: expressa a vivência religiosa em sua dimensão coletiva ou comunitária. Religião é sempre
uma experiência interpessoal.

5. CLASSIFICAÇÃO GERAL DAS RELIGIÕES

a) Religiões Primitivas:
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Se definem pelo modo como expressam o sagrado, ou seja, de uma maneira acrítica. Respondem a uma
rígida estrutura inconsciente, de alto teor mágico. Ex.: animismo, totemismo, magismo, fetichismo,
politeísmo, umbanda.

b) Religiões Sapienciais:

Se definem pela característica de acentuarem a meditação, a sabedoria, a busca pelo sentido da vida, a
oração e a contemplação. Busca, muitas vezes, uma sabedoria prática na forma de um elevado ideal ético.
Ex.: hinduísmo, budismo, confucionismo, xintoísmo, hare krsna, moonismo.

c) Religiões Proféticas ou Reveladas:

Se definem pela característica de que o Ser Superior revela a si próprio e sua mensagem ( doutrina e ética )
ao povo através de profetas. Ex.: judaísmo, cristianismo, islamismo.

d) Religiões Espiritualistas:

Podem ser definidas pela característica de que admitem a influência de inúmeras forças espirituais que
agem tanto sobre as pessoas como também sobre a natureza. Ex.: espiritismo e umbanda.

e) Religiões Místicas ou Filosofias de vida:

Se definem pela característica de não possuírem dogmas e nem ritos. Também não seguem uma rígida
estrutura institucional. São filosofias de vida que possuem em comum com a religião apenas aspectos éticos-
morais e a valorização da fraternidade entre os homens. Não gostam de ser confundidos e nem classificados
como religião. Ex.: maçonaria, yoga, seicho-no-ie, teosofia, esoterismo, rosa cruz.

6. AS FINALIDADES DA RELIGIÃO

1. Proteger o homem contra o medo da natureza, nela encontrando forças benéficas, contrapostas as
maléficas e destruidoras.
2. Dar ao homem um acesso à verdade do mundo, encontrando explicações para a origem, a forma, a vida
e a morte de todos os seres vivos.
3. Oferecer ao homem a esperança de vida após a morte, seja ela de forma qualquer.
4. Oferecer consolo aos aflitos, dando-lhes uma explicação para a dor (física ou psíquica).
5. Garantir o respeito às normas, às regras e aos valores da moralidade estabelecidos pela sociedade.

7. CRÍTICAS À RELIGIÃO

“A religião é a superestrutura do poder econômico... A religião diz que é preciso obedecer ao patrão
e ao Estado, mesmo que nos explorem. É preciso obediência e paciência; depois, no céu, Deus vai
recompensar. Por isso a religião é o ópio do povo. O progresso do socialismo acabará com a religião”
( Marx).
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“O indivíduo tem uma profunda depend6encia em relação à sociedade. Cônscio dessa dependência, o
homem começa a aderir à sociedade, fazendo dela uma divindade. O homem projeta para o além, numa
divindade, o seu sentimento de dependência da sociedade”(Durkheim).

“A religião provém do medo, da ignorância ou também do entusiasmo pela natureza. Há três estágios
na evolução humana: a) o mítico, em que os homens procuram explicar tudo com os deuses; b) o filosófico,
em que os fenômenos são explicados por conceitos metafísicos; o ,positivo, em que os fenômenos são
estudados cientificamente e explicados por meios naturais. Dessa forma, o primeiro estágio da humanidade
foi o religiosos, o segundo o filosófico e o terceiro da ciência positiva” (Comte).

“A religião provém da fantasia viva e irrefletida dos primitivos ou do apetite ilusório da felicidade completa,
ou da demasiada tensão de afetos, ou de uma perturbação nervosa, de um estado psicológico doentio da
psique humana”( Lombroso, Janet).

“A religião provém de uma neurose universal de culpa. Curando-se dessa neurose de culpa, o homem
libertar-se-á da necessidade religiosa” (Freud).

8. QUEM É O HOMEM?

É uma pergunta chave, pois toda nossa conduta em todos os níveis dependem dessa resposta.
Veremos que a visão do homem sobre si mesmo modifica-se bastante no decorrer dos tempos.
a) FILOSOFIA CLÁSSICA. Na Grécia antiga, o homem é visto através de visão
COSMOCÊNTRICA. É um conjunto de pequenas partículas (átomos) que se dispersam após a
morte. O corpo era uma prisão para a alma.

b) FISOLOFIA MODERNA/CONTEMPORÂNE. Perspectiva ANTROPOCÊNTRICA.


Descartes: “Cogito, ergo sum” (Penso, logo existo). O homem passa a ser o centro da
investigação crítica e objeto da pesquisa filosófica. O homem passa a ser o centro do Universo !
Reflexão: auto-estima / auto-conhecimento...visão positivista.

c) FILOSOFIA CRISTÃ. Perspectiva TEOCÊNTRICA.

9. AS RELIGIÕES NO MUNDO

9.1 - Animismo:
É a mais antiga forma de expressão religiosa. O termo animismo vem do latim
“anima”, que quer dizer: alma ou vida. Segundo o animismo todas as coisas materiais estão constituídas de
alma viva. No animismo se crê que há um espírito imaterial e invisível, uma espécie de um único Grande
Espírito, pai e senhor da vida e da morte, que está presente em todas as coisas. Este Ser Supremo é tão
imenso que ninguém pode entrar em contato com ele. A comunicação com ele se dá através de uma
infinidade de espíritos intermediários. O animismo se subdivide em:

9.2 - Totemismo:
É uma forma específica de animismo que cultiva o “tótem”. O “tótem” representa o símbolo
coletivo da tribo ou clã. O “tótem” pode ser um animal, uma planta ou até uma pedra que, para a tribo tem
um valor sagrado, pois, nele estão reunidos as forças anímicas de todos os espíritos dos mortos e
antepassados da clã. O “tótem” é uma espécie de catalizador que concentra todas as forças espirituais da
tribo. O “tótem” é o espírito protetor da tribo que é cultivado para transmitir ao grupo todas as forças que
necessita para a guerra, a caça e fertilidade do solo e as pessoas.

9.3 - Fetichismo:
É também uma forma específica de animismo e que se distingue do totemismo pois o
fetiche é um objeto de uso individual, ligado ao tótem, que transmite as forças anímicas do tótem para quem
usa estes objetos como amuletos protetores. O fetiche pode ser feito de dentes, ossos e outras partes de
animais totêmicos e sementes ou outros objetos feitos de plantas totêmicas que são de uso pessoal, tanto nos
rituais sagrados ou quando da guerra ou caça para proteger da influência dos maus espíritos e ajudar para o
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pleno êxito destes empreendimentos. O fetiche possui poder mágico para influir sobre os espíritos, tanto
bons como maus.

9.4. - Mitologias:
É um modo fantasiado, não científico, de explicar os fenômenos do mundo e da vida
humana atribuindo-os à influência dos deuses que, através de “fios” invisíveis, manipulam a vida dos
homens. “Mito” no grego quer dizer “fio”. As religiões mitológicas mais conhecidas foram a dos gregos e
romanos. A mitologia tinha, especialmente, uma função moralizadora, pois submetia os homens à vontade
superior dos deuses, que, eram figuras antropomórficas, isto é, tinham formas semelhantes a dos homens
bem como tinham os mesmo vícios e virtudes dos pobres mortais. Só que os deuses eram imortais.

9.5. - Hinduísmo:
a) Histórico: é a religião oficial da Índia. O Hinduismo teve três fases: 1ª - o Vedismo (1500
a.C.) - livro Vedas (= saber). A salvação se obtém pelo sacrifício; 2ª - o Bramanismo (900 a.C.) - livro
Bramanas (= manuais para sacrifícios) e Upanichades (= comunicações confidenciais). A salvação se obtém
pelo conhecimento; 3ª - Hinduismo (1º século da era cristã) - livros Puranas (= antigüidades). A salvação
está no amor.
b) Conceito de Deus: Deus é um espírito universal chamado Brahma (alma do mundo).
Além de Brahma, que é o criador, há também Vishnu, o conservador e Shiva, o destruidor. No Hinduismo há
ainda 33 milhões de outros deuses.
c) Conceito de homem: Brahma criou o primeiro homem e depois a mulher, por isso ela é
considerada inferior ao homem. O primeiro homem criado foi Manu o qual foi uma espécie de protótipo para
a criação dos demais homens e que, por sua vez, deram origem às castas sociais. Da cabeça de Manu,
Brahma criou a classe mais elevada: os sacerdotes; depois, das mãos e braços criou a classe dos reis e
guerreiros; das pernas criou a dos artesãos (negociantes e agricultores); e, por último, dos pés criou o povo
em geral. E, além destas classes sociais há também os “párias” que não pertencem a nenhuma classe, que são
os escravos. Na Constituição de 1950 foi abolido oficialmente este sistema de castas, porém, na prática, nada
mudou até hoje.
d) Principais doutrinas: 1ª - a reencarnação que tem as seguintes funções: função
social para possibilitar a mudança de casta e função espiritual para atingir a libertação da matéria e se
integrar ao Brahma; 2ª - animais sagrados: em primeiro lugar está a vaca que é o principal e mais importante
animal sagrado e aceito em toda a Índia. Ela faz parte do mais alto degrau de reencarnação.
e) Principais costumes: 1º - a cremação para libertar o mais rápido possível o espírito da
matéria; 2º - são vegetarianos: não comem carne de nenhum animal pois acreditam que neles há o espírito
reencarnado de pessoas que ali cumprem seu destino de purificação.
f) Curiosidades gerais: a cidade santa é Benares e o mais importante rio sagrado é o Ganges
onde uma vez por ano acontece o banho da purificação. A Yoga é uma técnica de meditação que ensina ao
homem como ele poderá com seu espírito, que é bom, dominar a matéria, que é má. A Yoga é a única prática
do Hinduismo permitida a um não Hindu e que é “exportada” ao mundo inteiro.

9.6 Budismo:
a) Histórico: o Budismo foi fundado por Buda que quer dizer: “iluminado”, cujo
nome era Sidhartha Gautama, no século VI a.C., no Nepal, norte da Índia, como uma dissidência do
Hinduísmo.
b) Conceito de Deus: Buda pregou o ateísmo contra Brahma por não concordar que o Ser
Superior pudesse ser tão injusto, privilegiando as classes dominantes (a minoria) e impondo sacrifícios às
classes dominadas (a maioria).
c) Conceito de homem: segundo a matéria, que é má, ele é inferior e sofredor, mas
segundo seu espírito de saber, que é bom, ele pode elevar-se e fugir da inferioridade e da dor. Com isso, o
Budismo propõe a auto-redenção do homem porque o homem não precisa da idéia de um deus para se salvar,
isto só depende dele mesmo.
d) Principal doutrina: a reencarnação. Para Buda o homem, pela reencarnação, recebe uma nova
chance para realizar sua auto-redenção, por isso volta do mesmo jeito que era. No Budismo não há
reencarnação para outras classes sociais ou até para animais, como ensinava o Hinduismo. A reencarnação
serve para o homem se purificar da matéria e, uma vez que isto foi alcançado, ele vai para o Nirvana, que é
uma espécie de “céu” dos budistas, ou seja, um mundo inteiramente espiritual, livre de qualquer sofrimento
material.
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e) Principais costumes: 1º - a prática moral Budista possui 8 mandamentos: 5


negativos - não matar, não furtar, não tomar a mulher do próximo, não mentir, não tomar bebidas alcoólicas;
e 3 positivos - resignação ao sofrimento (pela meditação), a piedade e o perdão das ofensas dos outros. 2º -
estes 8 mandamentos são para os leigos, mas os monges, além destes 8, devem cumprir também: não
ornamentar e nem perfumar o próprio corpo, evitar os leitos macios ou elevados do chão e viver em
constante pobreza. Os monges são obrigados a viver em castidade perfeita, ser obedientes em tudo.
f) Curiosidades gerais: o livro sagrado do Budismo é o Tripitaka ou Tripitake (os 3
cestos de sabedoria). Há duas divisões no Budismo: Mahayana (grande veículo) que é o Budismo popular
marcado por um grande número de crendices e, o Hinayana (pequeno veículo) que é o Budismo da elite e,
por isso, mais filosófico. Sidhartha Gautama foi príncipe filho dos reis da tribo Sakyas. Foi educado no
Hinduismo e só mais tarde rompeu com a religião Hindu por não concordar com sus ideologia
discriminatória. No Tibete houve um sincretismo entre o Budismo e as crenças animistas surgindo daí o
Lamanismo onde o Dalai-Lama, chefe máximo da teocracia tibetana é considerado como sendo uma
reencarnação do Buda.

9.7 Confucionismo:
a) Histórico: foi fundado por Kung-Fu-Tze (latinizado para Confúcio), no século VI a.C., na
China.
b) Conceito de Deus: Confúcio não faz nenhuma referência a algum Ser Superior. Nunca
disse nada, nem a favor, nem contra Deus.
c) Conceito de homem: para Confúcio o homem, acima de tudo, é um ser educável, pois o
homem é o resultado da educação que teve ou deixou de ter. O homem nasce bom e deve ser educado para
que permaneça bom; caso contrário, tornar-se-á mau. Ele fez a seguinte constatação: as prisões estavam
cheias de homens pobres e analfabetos e, a causa fundamental, segundo ele, era devido o fato que lhes
faltava a educação a fim de que pudessem ser moralmente bons e terem condições de ganhar a vida com
trabalho honesto e digno sem terem que apelar para o recurso desonesto do roubo e do crime.
d) Principais doutrinas: não há nenhuma doutrina de caráter religioso no
Confucionismo visto que Confúcio não foi homem ligado à religião, mas sim à educação, pois se destacou
como filósofo e pedagogo. Deixou, isto sim, vários ensinamentos de ordem moral que são, muitas vezes,
interpretados como se fossem de caráter religioso. São 4 as regras morais de Confúcio: 1ª - não se deve pagar
o mal com o mal; 2ª - não faças aos outros o que não queres que te façam; 3ª - faça o bem sem olhar a
quem; 4ª - deseja o justo, segue o bem, repousa no amor, age com arte. Pois, fazendo isto, estaremos
no caminho do bem. E são 5 as virtudes permanentes: 1ª - benevolência (desejar trabalhar para o bem do
povo); 2ª - retidão; 3ª - decência (comportar-se com cortesia para com as pessoas sobre as quais manda); 4ª -
sabedoria (conhecimento e compreensão); 5ª - sinceridade (sem ela o mundo não pode existir).
e) Principais costumes: não há no Confucionismo nenhum costume de ordem religiosa
visto que não é propriamente uma religião, mas filosofia de vida com forte acento numa moralidade prática.
Se há costumes estes foram anexados posteriormente pela cultura popular.
f) Curiosidades gerais: Os escritos de Confúcio foram Analectos e os 5 King (ou os
clássicos). Foi criado pela mãe visto que seu pai morrera aos 73 anos de idade quando ele tinha apenas três
anos. Confúcio gostava de filosofia, poesia e música. Ocupou o cargo de ministro de estado na área de
educação e da prevenção à criminalidade. Confúcio é o provável autor do famoso provérbio chinês: “é
preciso ensinar a pescar e não dar o peixe”. Morreu aos 74 anos de idade no ano de 478 a.C. e sua morte foi
lamentada em toda China visto ter alcançado grande notoriedade.

9.8 Taoísmo:
0a) Histórico: foi fundado por Lao-Tsé, no século VI a.C., na China.
b) Conceito de Deus: igualmente como Confúcio, Lao-Tsé, nunca fez nenhuma referência
a um Ser Superior, nem a favor ou contra.
c) Conceito de homem: para Lao-Tsé todos os homens nascem bons e, por isso, não
necessitam de nenhuma instrução. A escola, segundo ele, ensina muitas coisas más, corrompendo a moral
humana, tornando-o ganancioso.
d) Principais doutrinas: não há nenhum tipo de doutrina religiosa, mas muitos
ensinamentos de ordem moral aplicados as situações práticas da vida, como por exemplo: Lao-Tsé foi contra
a pena de morte, pois não é matando as pessoas que se acabará com o mal, mas a única maneira de
conseguirmos que as pessoas se tornem boas é tratando-as com bondade.
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e) Principais costumes: da mesma forma não há nenhum costume relacionado com alguma prática
religiosa devido o caráter filosófico dos ensinamentos do Taoísmo. O que há, é um sincretismo da filosofia
Taoísta com algumas práticas místicas da religiosidade popular chinesa, como por exemplo, a adoração ao
imperador, aos dragões, ratos e serpentes.
f) Curiosidades gerais: o livro que Lao-Tsé escreveu chama-se Tao-Teh-King (caminho
da razão e da virtude) e é o menor livro sagrado do mundo pois possui apenas 25 páginas e, acima de tudo, é
de difícil compreensão. Ele foi de origem pobre e trabalhou como funcionário público até aos 90 anos,
quando, decepcionado com a corrupção, se demitiu do emprego e abandonou o país. Antes de atravessar a
fronteira Lao-Tsé escreveu o Tao-Teh-King, deixando-o com o guarda aduaneiro como uma espécie de
testamento. Foi embora e nunca mais foi visto. Tao = caminho sublime.

9.9 Xintoismo:
a) Histórico: religião oficial do Japão. Sua origem se deu em passado muito remoto,
desconhecendo-se, por isso, seu possível fundador.
b) Conceito de Deus: a divindade principal é uma deusa: “sol”, que, inclusive, está
representada na bandeira japonesa. Também cultuam o imperador visto que, o primeiro imperador japonês,
segundo a tradição, foi Jimmu Tenno, descendente direto da deusa Sol, sendo, por isso, os imperadores
considerados imortais. Há, também, uma infinidade de outras divindades menores.
c) Conceito de homem: consideram que o povo japonês é superior aos demais porque são
descendentes de um casal de deuses, Idzanagui e Idzanami, que vieram morar no arquipélago que forma a
nação japonesa. Há três tipos de seres: os perfeitos que habitam no paraíso que são os deuses, os bons que
habitam sobre a face da terra que são os homens e os maus que habitam no interior da terra que são os
monstros. Entre os bons e os maus é que há uma luta constante, mas os homens, nesta luta, são ajudados
pelos deuses.
d) Principal doutrina: a veneração pelos “Kami” (espírito dos mortos). Os mortos adquirem
poderes sobrenaturais, uma espécie de deuses, permanecendo junto aos vivos exercendo, assim, sua
influência sobre o mundo e, por isso, devem ser tratados muito bem, para que sua influência seja benéfica.
Contudo, estes espíritos não reencarnam.
e) Principais costumes: os cemitérios são verdadeiros “paraísos”, isto é, muito bem cuidados
para que os “Kami” se sintam bem e, sobre os túmulos dos mesmos, colocam os objetos de uso pessoal que
“Kami” dava preferência quando em vida. Nas casas também são conservados os objetos de uso pessoal para
que o “Kami” visite constantemente seu antigo lar e traga sua proteção aos seus familiares.
f) Curiosidades gerais: os livros sagrados do Xintoísmo são: Kojiki (livros das coisas antigas);
Nihonji (crônicas do Japão); Yengishiki (hinos e preces). Xinto significa “caminho dos deuses”.

9.10 Judaísmo:
a) Histórico: o patriarca da nação judaica foi Abraão que, a partir de um chamamento de Deus,
sai de Ur da Caldéia e vai à Terra Prometida, a Palestina, dando, assim, início ao povo judeu. O fundador do
Judaísmo ou da religião judaica, foi Moisés, que recebeu de Deus, no Monte Sinai, na Arábia, os Dez
Mandamentos.
b) Conceito de Deus: o nome próprio de Deus é “Javé”. Possuem uma concepção trinitária
de Deus, sem, contudo, darem uma designação específica como posteriormente foi dado no Cristianismo.
Javé (ou Jeová) é o Criador, Salvador e Santificador. Javé é Todo-Poderoso e dirige a história do mundo e a
vida do seu povo escolhido rumo ao paraíso celestial. A relação do homem com Javé se dá pelo temor e pelo
cumprimento da lei (Torah).
c) Conceito de homem: o homem foi criado santo por Javé, isto é, sem pecado. Mas tornou-se
pecador por um ato de desobediência perdendo, com isso, sua perfeição original. Para ser aceito por Javé o
homem precisa cumprir a “Torah”.
d) Principais doutrinas: o perdão dos pecados a salvação só é alcançado pelo homem mediante
a vinda do Messias, o Filho de Deus, o Salvador Prometido. Enquanto sua vinda não se efetuar, o homem,
como sinal de sua confiança nas promessas de Javé, precisa cumprir a “Torah”. Haverá uma recompensa
eterna aos “justos” e, consequentemente, uma condenação eterna aos “ímpios”.
e) Principais costumes: a circuncisão que é um ritual de iniciação dos meninos na religião
e na nação judaica. Guardam o sétimo dia da semana, o sábado, como dia consagrado para o Senhor. Os
principais feriados religiosos são a Páscoa (libertação da escravidão egípcia), o Ano Novo e, o Dia do
Perdão. Os homens quando entram na Sinagoga devem cobrir a cabeça e estar com os pés descalços.
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f) Curiosidades gerais: via de regra o Judaísmo aceita como livro sagrado apenas o
Antigo Testamento. Algumas correntes mais radicais aceitam apenas os cinco livros de Moisés (o
Pentateuco) como sendo as Escrituras Sagradas. Adotam também o Talmud que é um livro que interpreta as
leis religiosas do Judaísmo. Atualmente ha quatro grandes tendências no Judaísmo: o judaísmo ortodoxo
(observância estrita da Lei de Moisés e do Talmud), o conservador (pensa em adaptação ulterior da Lei
conforme tempo e espaço), o reformado (mais liberal, considera a Lei antes como fonte de ética do que como
revelação. Considera a esperança messiânica cumprida com a emancipação judaica, o Estado de Israel), e, o
liberal (vê a essência do Judaísmo no reconhecimento do único Deus de amor e justiça, e da semelhança e
filiação de todos os homens e no cumprimento dos principais mandamentos morais. O Reino de Deus na
terra deve se realizar pelo exemplo de vida do povo de Israel). A cidade santa é Jerusalém. Não aceitaram
Jesus Cristo como Messias e, por isso, esperam sua vinda.

9.11 Islamismo:
a) Histórico: o fundador do Islamismo, segundo a onomástica árabe, chamava-se
Abulgasim Mohammad ibn Abdullah ibn Abd al-Muttalib ibn Hãshim. O nome Maomé vem de Mohammad
e significa “altamente louvado”. Nasceu em Meca, na atual Arábia Saudita, provavelmente no ano 570 d.C.
(morreu em 632 d.C.), filho de um pobre mercador da tribo Quaraych. Seus pais morreram pouco depois do
seu nascimento e ele foi educado por um avô e mais tarde por um tio. Foi, em sua juventude, pastor e guia de
caravanas de comerciantes.
Maomé diz ter tido uma visão no monte Hira, ao norte de Meca, onde lhe foi
ordenado que pregasse. Distinguem-se duas fases na atuação de Maomé: a primeira situou-se em Meca,
onde Maomé pregou, como profeta nacional, o monoteísmo e a confiança paciente em Deus. Meca é, até
hoje, a cidade santa do Islã. Os muçulmanos veneram ali o sepulcro de Maomé e a “pedra negra”, na Kaaba,
um restante da religião primitiva que os árabes cultuavam antes de Maomé. Na segunda fase, expulso de
Meca, Maomé fez de Medina o centro da sua atuação e pregou uma expansão agressiva do Islã, que
finalmente agrediria também os povos não-árabes. A meta era: adorar o Deus uno numa comunidade una. Os
povos que não têm religião superior (caracterizada por livros sagrados) devem ser submissos ao Islã. Os
outros (judeus e cristãos) devem lhe pagar imposto, quando vivem no meio muçulmano ( o Islã não
distingue, praticamente, entre sociedade civil e religiosa).
b) Conceito de Deus: para o muçulmamo o único Deus verdadeiro é Alá. Não aceitam o
conceito da Trindade. O pecador não pode aproximar-se do Deus muçulmano, tão perfeito e santo que só se
comunica com a humanidade através de uma série de anjos e profetas. Jesus é apenas um dos vários profetas
de Alá. Ele foi profeta para o seu povo, em sua época. O profeta Maomé é superior a ele. Jesus não é o Filho
de Deus, nem uma pessoa da Trindade. Ele não livrou os pecados de ninguém, embora fosse um homem sem
pecado.
c) Conceito de homem: o homem e os anjos foram criados por Alá. Feitos de luz e
destituídos de sexo, os anjos são liderados por quatro arcanjos: Jibril, Kikhail, Israfil e Izrail. Um dos anjos,
Iblis, por ter se recusado a adorar o homem recém-criado, foi expulso do paraíso e provocou o exílio de Adão
e Eva; o Islamismo, porém, desconhece o pecado original uma vez que o erro de Adão não recaiu sobre sua
descendência.
d) Principais doutrinas: o pecado e a salvação acham-se associados a dois conceitos: as obras e o
destino (kismet). O muçulmano que deseja escapar do castigo de Alá tem de realizar as obras dos “Cinco
Pilares da Fé”. São eles: recitar o Shahada (não há Deus senão Alá e Maomé é seu Profeta); recitar
diariamente as cinco orações prescritas, em árabe (Salat ou Namaz), para a qual tem de ajoelhar-se e
prostrar-se na direção de Meca; dar esmolas (Zakat), o que é diferente do dízimo, pois o muçulmano tem de
gastar apenas a quadragésima parte de sua renda em contribuições de caridade; jejuar (Saum ou Ruzehk)
durante todo o mês de ramadã, período em que o fiel deve abster-se de alimentos sólidos e líquidos desde o
nascer do sol até o pôr-do-sol, para assim expiar os pecados cometidos no ano anterior; fazer uma
peregrinação (Hajj) à Meca, a cidade santa, pelo menos uma vez durante a vida. Antigamente a “guerra
santa”(Jihad) era uma das condições impostas pela fé. Os primeiros muçulmanos criam ser obrigação sagrada
matar todos aqueles que não abraçassem a fé verdadeira. Atualmente o Islamismo é mais moderado, embora
ainda existam alguns xiitas que querem que a Jihad volte a ser exigência básica da fé islâmica.
Predestinação: o homem tem um destino traçado. Quando acontece qualquer coisa, diz o
árabe: “estava escrito”.
Escatologia: a história humana terminará com o julgamento final, que será
precedido por acontecimentos terríveis, como, por exemplo, a vinda de personagens maléficos ou propícios:
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o Mahdi, espécie de Messias; o Anti-Cristo, falso messias que aparecerá entre o Iraque e a Síria; e Cristo,
que matará o Anti-Cristo.
e) Principais costumes: peregrinações à Caaba que foi aconselhada por Maomé (pelo menos
uma vez por ano) e é uma das mais antigas tradições do povo árabe. Os muçulmanos rezam cinco vezes por
dia: ao amanhecer, ao meio-dia, durante a tarde, no crepúsculo e à noite. Ao rezar o fiel senta-se sobre os
calcanhares com as mãos estendidas na direção de Meca. A liturgia pública principal ocorre na sexta-feira ao
meio-dia, geralmente nas mesquitas. Costumam rezar também com o rosto no chão em demonstração de
submissão, respeito e adoração a Alá.
f) Curiosidades gerais: Islã em árabe significa “submissão”. Muçulmano é um termo cognato de
Islã em árabe e significa “aquele que se submete”. O Alcorão, livro sagrado do Islamismo, é um termo árabe
que significa “recitação”. O termo “surá” designa as divisões do Alcorão, que contém 114 revelações, cada
uma constituindo uma surá (capítulo). Eles aparecem em ordem de extensão: as mais breves primeiro, as
mais longas por último. O livro não é estruturado em ordem cronológica. Outro texto importante na literatura
islâmica é o Hadith, que em árabe significa “coletânea de tradições”. O termo “califa” significa líder e
designa os principais dirigentes desta fé, principalmente os sucessores imediatos de Maomé. O nome
“aiatolá” designa um mestre ou líder espiritual do Islamismo. Grande parte do milhões de muçulmanos que
há no mundo pertencem à seita Sunita. Estes praticam uma forma de Islamismo de interpretação moderada.
90% dos muçulmanos do Oriente Médio são sunitas (isto é, 90% dos muçulmanos egípcios, jordanianos,
sauditas e 98% dos líbios). O segundo maior grupo é o da seita Xiita. Estes interpretam os textos do Alcorão
de forma bem mais literal, mostrando-se mais ativos e fanáticos. 93% dos muçulmanos do Irã pertencem a
esta seita, tendo sido liderados pelo mais poderoso aiatolá xiita, Khoumeini. Ainda há a seita da Amdian,
fundada no século XIX. Nos últimos 40 anos tem sido ativa nos campi universitários dos EUA. E a seita
Sufi, o grupo místico do Islamismo. No interior da Caaba (espécie de templo pagão) existiam 360 ídolos. Era
uma espécie de panteão dos espíritos tribais dos beduínos. Maomé, quando entrou em Meca com seu
exército, destruiu todos os ídolos da Caaba, deixando apenas a grande pedra negra, que segundo a tradição
foi trazida do céu pelo arcanjo Gabriel.

10. CRISTIANISMO

CONTEXTO HISTÓRICO, POLÍTICO E RELIGIOSO NO TEMPO DE JESUS:

1 - CONTEXTO HISTÓRICO - POLÍTICO:

• Dominação Romana;
• Sistema de Governo - Lc 2:1ss

a - Nascimento de Jesus =Cesar Augusto: imperador;


Quirino: Governador da Síria;
Herodes: Governador da Judéia (Mt 2:1ss);

b - Ministério de Jesus = Tibério Cesar: 15º ano de seu reinado como imperador;
Lc 3:1,2 Pilatos: Governador da Judéia;
Herodes: Tetrarca da Galiléia;
Filipe: Tetrarca da Ituréia e Tracônitas;
Lisânias: Tetrarca de Abilene;

2 - CONTEXTO RELIGIOSO:

• Roma: Panteão dos deuses (incluindo-se o culto ao imperador) Leia a Leitura Complementar 2, pág. 33
• Judeus: Culto monoteísta;

a - SINÉDRIO: Sua origem deu-se por volta do séc. III a.C. Compunha-se de 70
membros, na maioria sacerdotes e saduceus nobres, alguns fariseus,
escribas e anciãos (chefes de tribo e família), presidida pelo Sumo-
sacerdote. O Sinédrio desapareceu com a destruição de Jerusalém
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em 70 A.D.

b - SINAGOGAS: Surgiram no tempo do cativeiro, lugares de instrução e culto. Cada


uma possuía cópias dos livros da Escritura. Em Jerusalém, no tem-
plo, havia várias.
c - OS FARISEUS: Surgiram provavelmente no 3º séc. a.C. como uma reação e um
protesto contra a tendência de muitos judeus de aceitar a cultura grega com os seus
costumes religiosos pagãos. Tinham por alvo preservar sua integridade nacional e
conformar-se rigorosamente à lei mosaica, mas acabaram transformando-se em uma
seita de formalistas, legalistas, virtuosos aos seus próprios olhos e, não poucas vezes
hipócritas.

d - OS SADUCEUS: Surgiram no tempo dos fariseus. Eram favoráveis à adoção dos costumes
gregos e tomaram o partido dos helenistas. Eram declaradamente
irreligiosos, mas até certo ponto dominavam o Sinédrio.

e - OS ESCRIBAS: Copiadores das Escrituras, surgiram durante o período do exílio. Sua função era
estudar, interpretar e copiar as Escrituras.

Todo o Antigo Testamento mostra como Deus preparou o caminho para a vinda do Messias
prometido e a propagação do EVANGELHO entre as nações.

3 - A PESSOA E OBRA DE JESUS CRISTO.

Gálatas 4:4 - “...Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher,
nascido sob a lei...”

1 - A NATIVIDADE E INFÂNCIA DE JESUS.

• Lucas 1:5 - 45; 2:1-21


• Mateus 2.1-23 (magos do oriente)
• Lucas 2:41-52 (Jesus no templo, aos 12 anos)

a) - A Anunciação a Zacarias (Lc 1:5-25) - Durante o seu sacrifício no templo, o anjo lhe anunciou que
Isabel teria um filho. Por causa de sua incredulidade, tornou-se mudo, punição que durou até o nascimento
do menino;

b) - A Anunciação a Maria - O anjo Gabriel anunciou a Maria que ela teria um filho em estado virginal,
mediante o poder miraculoso do Espírito Santo. Após a visita do anjo,
Maria visita Isabel para lhe contar o segredo.

c) - O Nascimento de João Batista - No oitavo dia, por ocasião da circuncisão, os meninos recebiam seus
nomes. Zacarias sabia que o nome de seu filho deveria ser João, conforme palavras do anjo Gabriel.
Assim, no oitavo dia, todos imaginavam que o menino receberia o nome de seu pai ou de algum parente
próximo. Quando Zacarias tomou uma placa e escreveu que o nome seria João, todos ficaram admirados e
Zacarias recupera a fala, a qual havia perdido devido a sua incredulidade.

d) - O Nascimento de Jesus
• Decreto do Imperador e viagem de Nazaré (Galiléia) a Belém (Judéia);
• Jesus nasce em humilde estrebaria;
• Visita dos pastores de ovelhas e dos magos do oriente;
• Perseguição de Herodes, rei da Judéia e a fuga para o Egito;

e) - Infância de Jesus até seu ministério


• José, Maria e Jesus habitavam em Nazaré. José era carpinteiro;
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• Aos doze anos, o menino Jesus acompanha Maria e José para Jerusalém, numa festa judaica
no templo. Ele ensina os mestres. (Lc 2:40 - 52)
• “O menino crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens”. (Lc 2.52);

2 - O MINISTÉRIO DE JESUS

• Jesus reaparece aos 30 anos de idade, no rio Jordão, para ser batizado por João Batista. Por ocasião
do batismo, estava presente o Deus triúno: o Pai, em forma de uma voz dizendo: “este é meu filho
amado em quem me comprazo”, o Filho sendo batizado e o Espírito Santo em forma de pomba.
• Após o batismo, Jesus foi para o deserto e foi tentado por Satanás (40 dias);
• Vencido o inimigo, Jesus sai em busca de seus seguidores. Inicialmente eram doze;
• Jesus passa três anos em peregrinação pela Palestina: Galiléia, Samaria e Judéia. Seu ministério
consistia em pregação e milagres;

3 - O DESFECHO

• Jesus prediz a sua prisão, morte e ressurreição;


• Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém para ser julgado e condenado;
• A traição por Judas;
• O julgamento: perante o Sinédrio e perante Pilatos;
• Crucificação - morte - sepultamento. O plano da salvação estava se cumprindo!

4 - RESSURREIÇÃO E ASCENSÃO

• Domingo da páscoa - Jesus vence a morte. A sepultura é encontrada vazia;


• Jesus aparece aos seus discípulos em diversas ocasiões, por quarenta dias ainda;
• Jesus se despede de seus amigos e sobe visivelmente aos céus (ascensão) em Betânia. (Lc 24.50).
Havia 120 testemunhas (At 1.15);
• Jesus, antes de partir, deixou uma ordem - a grande comissão: “Ide e pregai...” Mc 16.15 bem como
“Sereis minhas testemunhas...” At 1.8;
• Também deixou uma promessa: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos
séculos” Mt 28.20

5 - PENTECOSTES

• Dez dias após a ascensão de Jesus. A descida do Espírito Santo. O testemunho dos discípulos. 3000
batizados. A data marca o início da Igreja Cristã. A partir deste dia, relatado em Atos capítulo 2, os
discípulos passaram a ser apóstolos, missionários ousados, proclamando em alta voz os ensinamentos
de Cristo, cheios do poder do Espírito Santo. Destaca-se Pedro em seus discursos pós-pentecoste.
• Atuação do apóstolo Paulo: fundando igrejas.

10.1 – A EXPANSÃO DO CRISTIANISMO

A Igreja Cristã até a Reforma

A. A Igreja Primitiva

Início: 33 d.C. – Pentecostes


Final: 476 d.C. Queda Do Império Romano

Divide-se Em Três Fases Distintas:


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- Implantação: Mártires E Apolegetas


- Expansão: Avanço Missionário
- Triunfo Final: Religião Oficial (391 d.C.)

A. A Grande Comissão
- “Ide fazei discípulos de todas as nações...
- Fundação da igreja cristã: batismo e conversão de 3000 pessoas
ao cristianismo

B. Atividade Missionária
Apóstolo Paulo é o Maior Expoente
- Levou o cristianismo pela Europa e Ásia menor
- De perseguidor torna-se maior arauto
- Domem erudito e intelectual
- Autor de 13 dos 27 livros do novo testamento
- Epístola aos gálatas e romanos = salvação pela graça

C. Perseguições

D. Mártires: Cristãos que morreram pelo ideal da fé


- Apóstatas: Cristãos Que negaram sua fé e voltaram ao paganismo
- Apologetas: intelectuais, filósofos, eruditos e letrados que se tornaram defensores literários do
cristianismo.
- Atingem a elite e nobreza da sociedade greco-romana.

E. Forças Opositoras Ao Cristianismo

A) Judaísmo: não aceitava Jesus como messias


B) Politeísmo greco-romano: o culto aos deuses era gerador de grande lucro

F. Triunfo Do Cristianismo
Principais Causas:
A) Testemunho pessoal(corpo a corpo)
B) O sangue dos mártires(semente da expansão)
C) Defesa Dos Apologetas
D) Edito De Tolerância (311 d.C.) – Galério: O Estado ficava indulgente com os cristãos
E) Edito De Milão(313 d.C.) – Constantino eleva o cristianismo ao status de religião lícita
F) Teodósio (391 d.C.) Proíbe o culto pagão e adota o cristianismo como religião oficial do Império.

G. Cisma Da Igreja

Cisma: Divisão provocada por opiniões diferentes, formando-se daí grupos distintos e separados.
1054 – Divisão: Igreja Católica Apostólica Romana(Roma) e Santas Igrejas Católicas Ortodoxas Orientais.
Causas da divisão:
A) Divisão Política(Império Romano Ocidental e Oriental)
B) Aspectos Culturais (Línguas Diferentes: Latim e Grego)
C) Luta Pelo Poder(Bispo De Roma X Bispo de Constantinopla)
D) Questões Teológicas: Uso de imagens no culto e celibato clerical.

10.2 CRISTIANISMO : A IGREJA PRIMITIVA (33 - 476 d.C.) – Texto para leitura e análise

Compreende o período histórico desde o Pentecostes (33 d.C.) até a queda do Império Romano (476
d.C.). Divide-se em:
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1. Implantação, marcada por martírio e apologistas;


2. Expansão: avanço missionário através do Império e além das fronteiras;
3. Triunfo final sobre o politeísmo greco-romano, ao ser declarado o Cristianismo única religião oficial do
Império (391 d.C.).

Em Mateus 28.19 temos “A GRANDE COMISSÃO”, onde Cristo, em suas palavras de despedida a
seus discípulos os convoca a irem “fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo”. Ao mesmo tempo, lemos as palavras de Jesus em Atos 1.8: “Mas recebereis
PODER ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em
toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”. Com isso, Jesus estava prometendo enviar em breve o
Espírito Santo, para que os seus discípulos, agora transformados em APÓSTOLOS, tivessem toda a ousadia
e poder para testemunhar o que tinham visto e ouvido.
Essa promessa se cumpriu no dia do PENTECOSTES, quando desce o Espírito de Deus sobre os
seus discípulos, e eles passaram a falar em outras línguas, proclamando o evangelho aos povos que se
encontravam em Jerusalém por ocasião da festa judaica do Pentecostes. Este dia, ocorrido por volta do ano
33 d.C. marca o nascimento da Igreja Cristã em sua fase Primitiva, onde cerca de 3 mil pessoas foram
batizadas. Este Cristianismo espalha-se rapidamente pelos cinco centros: Alexandria, Roma, Jerusalém,
Antioquia e Constantinopla.

PAULO - Considerado o maior dos missionários da Igreja Cristã. Deve-se a ele não apenas a
expansão do Cristianismo pela Ásia Menor, como também pela Europa. Paulo não pertencia ao grupo dos 12
discípulos. Inicialmente era um ferrenho inimigo dos cristãos. Além de persegui-los e torturá-los, procurava
ajudar a exterminá-los. Liderou a primeira perseguição aos cristãos em Jerusalém. Sabedor de que havia
igualmente na cidade de Damasco um grupo de cristãos, partiu em busca dos mesmos, a fim de prendê-los.
Chegando próximo a Damasco, foi milagrosamente convertido ao cristianismo. Assim, de “Saulo”, o
perseguidor passa a ser Paulo, o maior proclamador e arauto do evangelho. No N.T., a partir de Atos 9,
lemos o relato da conversão de Saulo e em seguida o texto passa a relatar as suas três viagens missionárias,
levando a mensagem do evangelho através do Império.
Paulo era um homem erudito. Colocou o seu grande saber a serviço do Evangelho. Em Atenas
defendeu o Cristianismo perante os filósofos epicureus (Epicuro, 270 a.C.) e testemunhou o Evangelho
perante o mundo intelectual da época.
Segundo a tradição cristã, Paulo morreu decapitado em Roma em 67 d.C., vítima de perseguição
movida por Nero contra os cristãos. Dos 27 livros que compõem o N.T., 13 são de sua autoria . Destacam-se
as epístolas aos Romanos e aos Gálatas, que expõem a doutrina central do cristianismo: a salvação eterna do
homem pela fé em Cristo, independente dos méritos pessoais.

A Igreja Cristã Primitiva, em sua fase de expansão pelo Império Romano, enfrenta duas grandes
forças opositoras: O JUDAÍSMO e o POLITEÍSMO GRECO-ROMANO.
Apesar de o judaísmo (religião israelita) não aceitar as profecias messiânicas do A.T. como
concretizadas em Jesus Cristo, muitos dos judeus da época creram em Cristo. Muitos o rejeitaram.
Daí surge o antagonismo. O 1º mártir cristão fora Estêvão, um judeu convertido ao cristianismo. Foi
apedrejado pelos seus próprios conterrâneos.
Segue-se a primeira perseguição aos cristãos, movida pelos líderes judaicos. Até hoje o Cristianismo
e o Judaísmo são duas religiões opostas.
A segunda grande força opositora ao Cristianismo, o politeísmo greco-romano era representada pela
religião “gentílica” ou o paganismo, por haver adoração a outros deuses e deusas. O monoteísmo judeu e
cristão era a principal característica que os diferenciava dos demais povos.
Os cristãos, fiéis à grande comissão de Cristo, voltaram-se inicialmente à conversão de judeus. No
entanto, quando estes se mostraram adversos à pregação do evangelho, dirigiram suas atenções aos gentios a
fim de convertê-los a Cristo. Foi um enorme sucesso. Houve milhares de conversões. E, na medida em que
os templos romanos e pagãos se esvaziavam e o lucro dessa exploração religiosa decrescia, crescia o ódio e,
consequentemente a perseguição aos cristãos por parte do governo. Não tardou a confirmar-se a profecia do
Senhor Jesus, quando afirmou: “se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros”. Em Mateus
24.9 lemos: “então sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa do meu
nome”.
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O fato de os cristãos negarem-se a adorar à figura do imperador era julgado pelas autoridades civis como
crime de “lesa-majestade”.
A Primeira grande perseguição ocorreu sob o governo de NERO, em 64 A.D. A tradição acusa Nero
de ter incendiado Roma e, com isso, incriminado os cristãos. Assim, cresce o ódio da população contra os
mesmos. Houve milhares de mártires. Outros imperadores se destacam no decorrer desta história das
perseguições, como, p. exemplo:
SÉTIMO SEVERO (193-211 A.D.) pretendia unificar todo o império sob a única religião do “sol
invicto”.
DÉCIO (249-251) atribuiu o declínio econômico do Império ao abandono da cultura e religião
romanas. Pretendia restaurar o culto aos antigos deuses.
DIOCLECIANO (284 - 305 A.D.) Decreta alguns editos: 1) a destruição dos templos, 2) o confisco
dos livros sagrados e 3) o aprisionamento do clero. Um quarto edito obrigava os cristãos a sacrificarem aos
deuses e deusas do Império. Devido à súbita enfermidade, abdicou e GALÉRIO deu continuidade à última
grande perseguição ao cristianismo, porém mudou de estratégia: utiliza-se de torturas e mutilações, bem
como o trabalho forçado nas minas.
A igreja de Cristo estava quase arrasada. Durante estes três primeiros séculos de sua existência, fora
submetida a dez perseguições maiores e várias outras menos sangrentas. Ainda assim ela perseverava. “O
sangue dos mártires era a semente da igreja. Na primeira fase de expansão do cristianismo, a sua penetração
atingiu primeiramente as classes mais humildes da sociedade. Assim, mais ainda tornava-se motivo de
desprezo da elite intelectual. Só lentamente o cristianismo conseguiu penetrar na classe culta e perder o seu
conceito de “seita”.
Surgem os apologetas cristãos, que atingiram a parte culta da sociedade greco-romana com seus
escritos em defesa da Igreja Cristã. Galério percebera que o cristianismo era irreversível, visto que crescia de
forma espantosa, mesmo nesse contexto hostil. Teve de admitir que seria impossível extinguir o movimento.
Em 311 d.C. Galério assina um Edito de tolerância. Pela primeira vez a Igreja Cristã estava amparada por lei.
Com a morte de Galério, abre-se nova disputa pelo poder. Entre 5 candidatos, vence CONSTANTINO. Este
vem a ser o primeiro imperador romano a ser convertido a Cristo e, em 313 d.C. assina o Edito de Milão,
um decreto importante que elevava o cristianismo ao status de “religião lícita”, como as demais, já
permitidas por lei. A igreja cristã encontra plena liberdade de culto. Com a conversão de Constantino e o
decreto, a maior parte da população do império professa-se cristã.. Finalmente, em 391 d.C. o imperador
TEODÓSIO proíbe todo culto pagão politeísta e adota o Cristianismo como religião oficial do Império. Era
o triunfo da Igreja Cristã.

“Assim as igrejas eram fortalecidas na fé e aumentavam em número dia a dia”. Atos 16.5

Leia também: “Os cristãos perseguidos porque cristãos”. Texto anexo 2.

11 A REFORMA PROTESTANTE

11.1 O DESAFIO DE COMPREENDER A REFORMA

Por que aconteceu a Reforma ? Existem várias teses a este respeito:


a) Tese econômica/financeira; b) Tese política; c) Tese da renascença; d) Tese
“psiquiátrica”; e) Tese neo-ortodoxa;
f) Tese religiosa.
A questão religiosa é o centro da Reforma. Em Lutero não havia outra razão para promover a
Reforma. Primeiro em relação a ele próprio: “como posso me relacionar com Deus ?” Todo problema da
época tinha sua causa na interpretação da Bíblia. Segundo em relação a sua igreja, que havia se afastado dos
ensinamentos bíblicos.
Lutero escreve em sua obra “Apelo a Nobreza Cristã Germânica” que os romanistas se
cercaram de três muros:
1º muro: o poder espiritual está acima do temporal. O papado comanda a política.
2º muro: exceto o papa, ninguém pode interpretar as Escrituras.
3º muro: somente o papa pode convocar concílios.
19

Na história do mundo existem três elementos que podemos usar para dominar a humanidade:
a) Poder; b) Poder do dinheiro; c) Astúcia, sabedoria, esperteza
Analisando a Reforma, vemos que estes três elementos aparecem claramente. Isto começou
bem cedo.
1. PODER

Documento 1: as Decretas de Isidoro (847 d.C) e a Doação de Constantino (858 d.C)


Documento 2: Inocêncio III (1198 d.C)
Documento 3: A inquisição, tortura e supremacia política do papa

2. PODER DO DINHEIRO

O poder econômico da igreja: a Alemanha tinha 300 estados e 250 eram controlados pela
igreja. A Bíblia já dizia: “O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1º Timóteo 6.10).

3. ASTÚCIA, SABEDORIA

A igreja controlava a educação, mas controlava para seus próprios interesses. A educação na
idade média servia aos interesses da igreja.
Muitos historiadores comprovam que imperadores, príncipes eram ignorantes, não sabiam
nem ler nem escrever. Tinham ao seu lado um conselheiro eclesiástico (sábio x idiota).
Lutero visitou Roma e constatou as barbaridades que se fazia em nome e pela igreja.
Em Roma havia uma feira que vendia bispados, dioceses e sacramentos. Também vendiam
relíquias (cabelos de João Batista, dentes de São Jerônimo, a bacia de Pôncio Pilatos, espinhos da coroa de
Cristo, palhas do berço de Jesus, moedas de Judas). Tudo virou comércio.
Bispo Henrique de Liege tinha 65 filhos ilegítimos.
Os frades de São Teodardo criaram as “pernadas”.
Em 1496, o poeta italiano Folengo escreve: “E entretanto a igreja chora, dilacerada e doente,
porque quem entra no seu interior vê tanta sujeira que mais parece uma pocilga de porcos do que um
templo”.

11.2. O CONTEXTO

a) Fatores que contribuíram para a Reforma:

- Renascença
- Expansão comercial
- Situação política
- Espírito nacionalista
- Situação econômica
- A realidade dos camponeses
- Corrupção nas ordens clericais

b) Precursores da Reforma:

Decadência moral:
novas seitas que contestam dogmas
papais e sugerem uma vida de
desapego aos bens materiais:

- Valdenses (Pedro Valdo)


- Albigenses (Cidade francesa de Albi)
- John Wycliff (Inglês, prof. em Oxford)

- John Huss (Estudante tcheco - morto em


1414)
- Savonarola (Monge florentino)
20

c) Situação da Alemanha no século XV:

- não tinha um poder centralizado


- vários senhores feudais
- economia agrária
- impostos feudais e dízimo da igreja
- igreja era a proprietária de grandes
extensões de terra

d) Fatos de destaque na Reforma:

- Wittenberg - 95 teses - 31 de outubro de


1517
- Dieta de Worms (1521) - convocada pelo Imperador Carlos V para obter a retratação de Lutero e a
submissão dos príncipes alemães que queriam libertar seus domínios.
- Guerras religiosas na Alemanha - feitas por nobres empobrecidos, com pretexto
religioso, para reaverem seus bens e terras da igreja. Destacam-se as revoltas dos Nobres e dos Camponeses.
- Dieta de Espira (1529) - protesto dos príncipes: daí o nome de “protestantes”.
- Dieta de Augsburgo (1530) - Melanchton sintetizou a doutrina de Lutero: Confissão de Augsburgo.
- Liga de Esmalcalda (1531) - organizada pelos príncipes protestantes para combater o Imperador;
originou uma guerra civil que terminou com a assinatura da Paz de Augsburgo (1555); com isso, cada
príncipe pôde escolher a sua religião.

e) Expansão da Reforma:

- João Calvino iniciou a Reforma na França; fugiu para Genebra (Suíça).


- Calvinismo: doutrina resumida na “Instituição Cristã” (1536) - defende a predestinação e o culto
simplificado (sem imagens, sem sacerdotes). Além da França atingiu a Inglaterra (puritanos) e a Escócia
(presbiterianismo - fundado por João Knox)
- Na Inglaterra: teve início com Henrique VIII por motivos político-econômicos e pessoais. Daí surge, em
1533, a Igreja Anglicana. A perseguição religiosa originou emigrações para países americanos.

f) Contra-Reforma ou Reforma Católica:

- Originou-se com o Papa Paulo III, que convocou o Concílio de Trento (1545-1563) para promover
uma reforma nos costumes e preservar a Igreja Católica.
- Medidas do Concílio:
. rejeição ao protestantismo
. manutenção dos sete sacramentos
. obrigatoriedade do uso do latim na missa
. manutenção do celibato para sacerdotes
. fim da venda das indulgências
. restauração dos tribunais da Santa Inquisição
sob o nome de Santo Ofício
. reafirmação da doutrina de Boas Obras
. criação do Index Librorum Prohibitorum
. criação da Companhia de Jesus (os jesuítas),
fundada por Inácio de Loyola, em 1534
. exigência de os eclesiásticos se formarem nos seminários

12- AS DIVISÕES DO CRISTIANISMO

Cristianismo
21

Arianos (325)
Nestorianos (431)
Monofisitas (451)
Coptas
Armênios

1054 (Cisma)

Igreja Ortodoxa Igreja Católica Romana

Gregos Ortodoxos
Russos Ortodoxos Igrejas da Reforma:
Luteranos (1517)
. Sinodal (IECLB)
. Missouri (IELB)
Calvinistas (1536)
. Reformados
. Puritanos
. Presbiterianos
Anglicanos (1534)
Conformistas:
. High Church
. Low Church
. Broad Church
. Ritualistas
. Episcopalianos
Não Conformistas:
. Congregacionalistas
. Metodistas
. Exército da Salvação
. Assembléia de Deus
. Congregação Cristã
. Igreja do Evang. Quad.
. Igreja: Brasil p/ Cristo
. Adventistas
. Batistas
. Mórmons
. Testemunhas de Jeová

13. O ESTUDO DA ÉTICA

13.1. A ÉTICA SOCIAL - Definindo ética

Texto elaborado pelo autor da apostila,KONRAD, Orlando Mário, a partir do trabalho de


Dissertação de Mestrado, Ética no trabalho: o comportamento ético no ambiente de trabalho das
empresas.

Ao fazermos este estudo da ética é importante compreendermos os diversos aspectos que envolvem
este tema, que é bastante amplo. Por ser um tema amplo, traremos aqui algumas definições mais restritaspara
melhor compreensão deste estudo.
22

A preocupação com a ética é muito antiga. Começando, formalmente, com a filosofia da moral, pelos
filósofos gregos(naturalismo); passando pela Idade Média (teocentrismo); e a ética do período moderno
(antropocentrismo). As mudanças de concepção nas diferentes épocas são evidentes. Devem-se às mudanças
sociais e políticas que aconteceram nestes diferentes períodos, trazendo à tona também diferentes valores que
norteiam toda fundamentação ética.
A questão principal de todos os períodos é que sempre houve preocupação com os aspectos éticos,
mesmo tendo fundamentações diferentes.
O termo ética, segundo vem do grego ethos que, por um lado designa a morada do homem, modo de
ser, estilo de vida, caráter. Designa também um comportamento que resulta de hábito, isto é, de um repetir-se
constante dos mesmos atos num certo sentido. E a disposição habitual de agir de uma certa maneira. O ethos
é o espaço propriamente humano, construído e reconstruído incessantemente pelo homem. Nele se inscrevem
os valores e ações que vão determinando um modo próprio de ser do homem.
Junto com o termo ética faz-se necessário definir moral. Muitos autores usam os conceitos de ética e
moral como sinônimos, para significar o conjunto de valores, normas práticas que caracterizam um
determinado modo de ser do homem. Outros autores distinguem os dois termos. A palavra moral vem do
latim (mos, mores) e significa costumes. O conceito de moral é usado para identificar um determinado modo
de agir do ser humano, regido por normas e valores, por hábitos e costumes. A moral se relaciona com o
comportamento prático do homem.

A ética, por sua vez, é a reflexão sobre o comportamento moral. E uma reflexão teórica que analisa e
critica ou legitima os fundamentos e princípios que regem um determinado sistema moral.
A ética, como expressão única do pensamento correto, conduz a idéia da universalidade moral, ou
ainda, à forma ideal universal do comportamento humano, expressa em princípios válidos para todo
pensamento normal e sadio. Não há agrupamento humano que não obedeça à normas morais.
A ética estuda somente os julgamentos que dizem respeito ao que é moralmente certo ou errado, bom
ou mau, incluindo normas morais específicas e princípios morais gerais. As normas morais são padrões de
comportamento que proíbem ou sancionam cartas atitudes individuais. Os princípios morais são padrões
gerais de comportamento que são usadas para se avaliar o comportamento individual.
Qualquer sociedade organizada não pode prescindir de um conjunto de regras que normatize o
convívio de seus participantes. Tal conjunto de regras terá sua extensão determinada em função do tamanho
e da natureza da própria sociedade, assim como dos níveis de relacionamento nela existentes.

13.2. Comportamento Ético

A razão pela qual se exige uma disciplina do homem em seu grupo repousa no fato de que as
associações possuem, por suas naturezas, uma necessidade de equilíbrio de só se encontra quando a
autonomia dos seres se coordena na finalidade do todo. Em tudo parece haver uma tendência para
organizações e os seres humanos não fogem a essa vocação, dependendo de uma disciplina comportamental
e de conduta.
As diferentes sociedades e culturas instituíram conjuntos de valores éticos como padrões de conduta,
de relações intersubjetivas e interpessoais, de comportamentos sociais que pudessem garantir a integridade
física e psíquica de seus membros e a conservação do grupo social
As regras que regem a ética em qualquer sociedade, estejam elas estabelecidas tendo-se por base
uma situação qualquer e contemplam o comportamento considerado adequado dos participantes da sociedade
diante de tal situação.
Assim, pode-se afirmar que a prática de qualquer ato que desrespeite uma regra estabelecida e aceita
pela sociedade, independente de sua natureza, representa falta de ética.
Em outras palavras, pode-se afirmar que nenhuma sociedade pode abdicar de um conjunto de “regras
de convivência”, conjunto esse que induza ao respeito entre seus participantes e assegure o direito dos
mesmos. Vale ressaltar que, no caso de uma dessas regras não ser observada, certamente surgirão prejuízos,
seja para as pessoas, seja para a sociedade, empresa, etc.
As pessoas, sem exceção, são colocadas constantemente diante de situações nas quais elas têm de
decidir entre cumprir ou quebrar uma regra.
23

Como é normal na natureza humana, algumas pessoas optam em cumprir as regras, enquanto outras
optam pelo descumprimento das mêsmas.
Diariamente surgem circunstâncias que apresentam oportunidades e necessidades que exigem ação.
Estas representam problemas morais importantes para o indivíduo, contendo questões morais de honestidade,
justiça, lealdade, respeito pelos outros, ou cumprimento de compromissos.

13.3 – Fundamentação ética na atualidade

Definir qual o fundamento da ética na atualidade não é tarefa fácil. Uma vez que existem inúmeras
culturas e o aspecto cultural tem sua influência. Pegando como base a cultura ocidental a ética pode ser
definida como humanista que passa a ter acima de tudo um compromisso com a humanidade, centralizando-
se no homem e na sua afirmação. O humanismo subdivide-se em dois ramos principais: o natural e o cristão.
O primeiro usa como ponto de partida a natureza e o mundo e sua afirmação se dará com o desenvolvimento
de suas capacidades e potencialidades naturais (humanas, racionais) e sociais (políticas). O segundo usa
como base os ensinamentos de Cristo.
Há duas vertentes mais presentes são a ética de princípios (que herdamos das tradições greco-latina e
judaico-cristã) e a ética subjetivista (fruto da cultura moderna). A ética de princípios forma a base da cultura
ocidental, mesmo que haja controvérsias quanto a sua aplicação plena.
As normas morais, de uma forma geral são criação dos próprios seres humanos (visão humanista)
objetivando assegurar a sobrevivência do grupo social e de cada indivíduo. O critério mais importante na
elaboração de normas é a vida humana.

13.4 - Ética Descritiva e Ética Normativa

Costuma-se fazer uma distinção entre ética descritiva e ética normativa. A ética descritiva descreve a
forma como as pessoas agem e explica sua ação em termos de julgamentos de valor e pressuposições.
.Através dela pretende-se descobrir e descrever fenômenos sociais que dão suporte às leis, que sustentam as
crenças e os credos. Também é o objetivo da mesma descrever cronologicamente tais fenômenos, num
esforço de estabelecer, entre elas, as relações causais, tomando por base a relação antecedente – conseqüente.
A ética normativa ou prescritiva estuda a forma como as pessoas devem agir e analisa os
julgamentos de valor e pressuposições que justificam tais ações.“A ética normativa tem por objetivo
esclarecer e definir razões que nos induzam a certos comportamentos. Ela responde não só a uma vontade
individual, mas e sobretudo à vontade social. Diz respeito especificamente ao estudo de regras para o
comportamento humano, tradições, usos e costumes, mas, seu objetivo é enunciar as regras dentro das quais
o ser humano deve ou pode desenvolver-se”.
Essas regras não têm como objetivo tornar as pessoas moralmente perfeitas, mas propiciar uma
convivência pacífica entre elas, reduzindo a um nível mínimo possível os conflitos de interesses.
O estabelecimento de regras se faz necessário porque geralmente o interesse individual prevalece
sobre o coletivo.

13.4 – DIFERENTES SISTEMAS ÉTICOS

13.4.1 - A VIDA COMO DECISÃO


Baseado no livro de FORELL, George. Ética da Decisão. São Leoplodo: Editora Sinodal, 1983.

a) Liberdade humana:

O homem é livre para escolher uma vida satisfatória e para tomar qualquer decisão importante: ele pode
opinar na escolha do seu trabalho, seu cônjuge, seus amigos ou o tipo de vida que deseja.
Mas existe uma escolha que ele não pode fazer: não pode deixar de escolher.
24

Ex: barco à deriva...


Não tomar uma decisão também é uma decisão. O homem não pode escapar de sua liberdade. Ele está
condenado a ser livre.
A vida não apenas exige decisão; a vida é decisão.
Perguntas importantes:
- Para estas decisões existem princípios que o homem deve tomar ?
- Existe algum princípio com o qual se possa medir valores destas decisões, sua boa ou má qualidade ?
- O que é certo e o que é errado ?

b) Estágios pré-éticos:

Em todos os lugares onde viveram, os seres humanos estabeleceram diferenças entre o certo e o errado,
entre o bem e o mal. O homem mais primitivo, tal como o mais civilizado, julga as decisões, e as agrupa em
decisões “boas” e “más”.
Mas, existe um comportamento pré-ético:
em certos momentos é possível agir sem nenhum sentido claro do significado das decisões que tomamos.

1º estágio pré-ético: imediatista

A nossa ação é uma resposta a algum estímulo. Seguimos uma inclinação natural. Ex: choro ou riso de um
bebê - não são ações boas ou más, não são ações éticas.

2º estágio pré-ético: da tradição

As decisões visam concordar com o hábito predominante. A pergunta feita não é: esta ação é boa ou má ?
ou: esta decisão está certa ou errada ?, mas: é isto que todos fazem ?
Esta é uma decisão de baixo nível, pois não avaliamos os costumes, mas os aceitamos sem questioná-los.

c) Ética prudencial e seus tipos:

A ética prudencial avalia todas as decisões pelas conseqüências que podem ser esperadas como
resultantes. Ou seja, há uma preocupa-
ção com o resultado da ação. Os fins justificam os meios.

- ética hedonista:
O valor principal é o prazer. Uma ação é boa quando causa prazer e má quando causa dor.
A inviabilidade deste sistema ético está no fato de que o que é prazer para um, não é para o outro.

- ética naturalista:
Esta ética propões que os princípios éticos sejam encontrados na natureza. O homem é produto da
natureza, o desenvolvimento máximo do processo evolucionário. Este pro-
cesso evolutivo, que produziu todas as dife-
rentes formas de vida, nos supre dos conceitos para avaliar toda ação. Como é propósito da natureza que o
apto sobreviva, tudo o que contribui para a sobrevivência do mais apto é bom, e tudo o que dificulta sua
sobrevivência e auxilia o inabilitado a sobreviver é mau.

Esta é uma ética utilitarista, é a lei do mais forte, mais apto na natureza. Ex: o processo de seleção natural
seleciona os bons. O mais forte elimina o mais fraco.
Conseqüências para nossa vida diária:
- a rejeição de todos os esforços para proteger os fracos. Ex: doentes mentais, pessoas doen-
tes cuja recuperação traz alguma vantagem para a sociedade deve receber cuidados médi-
cos, os velhos devem ser eliminados.
- noção de evolução é aplicada à raça. Ex: ra-
ças inferiores e superiores
- economia do forte.
25

- ética relativista:
É impossível encontrar um método experi-
mental para a ética, pois cada situação é única. Cada pessoa deve estabelecer seus pró-
prios conceitos éticos e que serão verdadeiros só para ela. O homem é a medida de todas as coisas: certo é o
que eu considero certo, e er-
rado o que eu considero errado.

- ética estética:
Viva agora - esqueça o futuro - este nada vale. Tente tornar sua vida significativa apesar de ela ao final
não ter significado. Os nossos sentidos e emoções são utilizados para dar significado à vida e transformar
insignifi-
cância em beleza.

- ética de intuição:
Acreditam que todo ser humano tem um conhecimento intuitivo de certo e errado. É o senso moral
localizado na consciência.

- ética racionalista:
O conceito básico de certo e errado pode ser encontrado mediante o uso exato do ra-
ciocínio. Todos temos um senso do dever. Sabemos que existe uma diferença entre o que gostamos de fazer e
o que devemos fazer.

Esses sistemas éticos possuem uma distinção básica. Ou são formalistas ou teleológicos. Um estudo
formalista da ética enfatiza a importância da intenção. Um estudo teleológico, por sua vez, julga as ações por
seus resultados. O resultado é mais importante que o motivo. Geralmente as duas são aplicadas
simultaneamente.

13. 5 - ÉTICA CRISTÃ


Texto baseado no texto de HAAG, Nereu. O Homem e o Sagrado. Canoas: Editora da ULBRA,
1998.

1) CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS DO SER HUMANO

Como ponto de partida para o presente estudo dos problemas que envolvem a ética veremos algumas
características do ser humano em torno das quais giram e convergem as questões éticas:
1. 1. Cada ser humano é uma pessoa, isto é, um indivíduo único, diferente de qualquer outro. Cada
pessoa é um ser singular. Não há “xerox” de seres humanos. Cada um é diferente do outro e isso vem a ser
uma grande dificuldade para entender o ser humano. Nisso está o problema central de todas as questões
éticas.
1. 2. Cada ser humano é um ser racional. Além de ser uma pessoa, como racional pensa por si próprio e
maneira autônoma, por isso, não pensa segundo padrões pré-estabelecidos, mas de acordo com suas próprias
idéias.
1. 3. Cada ser humano tem uma vontade própria. Pelo fato de que o ser humano é pessoa e também ser
racional, isto faz com que ele tenha sua dimensão volitiva, isto é, há no íntimo de cada indivíduo um núcleo
exclusivamente seu que o determina a agir dessa ou daquela maneira segundo suas próprias motivações ou
interesses. O conflito dos vários interesses de cada indivíduo na sociedade é a “matéria prima” que alimenta
os problemas éticos.
1. 4. Cada ser humano tem seus próprios sentimentos. Há uma sensibilidade única e especial em cada
pessoa e isto faz com que cada um sinta as coisas de um modo próprio e único, diferente dos demais. Os
sentimentos humanos são muito complexos e variam de pessoa para pessoa. E os sentimentos tem um
influência muito grande nas decisões pessoais de cada ser humano.
1. 5. Há uma teleologia (teleos, em grego significa finalidade) em todas ações humanas, pois cada um
ao agir sempre age visando alcançar determinado fim, quer seja consciente ou inconscientemente. Mesmo
podendo estar equivocado, contudo cada ser humano pratica suas ações pensando que aquilo que está
fazendo ou, pretende fazer, é o melhor para ele próprio. Até mesmo quando uma pessoa deliberadamente faz
um mal contra alguém imagina que está fazendo um bem a si mesmo. Só que, nesse caso, tal ação entra em
26

conflito com os princípios e valores éticos. O que vale para a ética não é o que só é bom ao indivíduo, mas
tem que ser bom para todos. O pano de fundo para a ética é o que é o bem para a maioria e não o que pode
ser o bem para a minoria ou o que é bom para o indivíduo apenas.
1. 6. O ser humano é egocêntrico, ou seja, cada um tem o seu “eu”, que lhe dá as características
distintivas pessoais e próprias. Contudo o que infelizmente acontece, mas é a triste realidade, cada ser
humano a partir do seu “eu” se torna um egoísta, isto é, sempre pensa, em primeiro lugar, em si mesmo para
depois e, nem sempre isto acontece, quem sabe, pensar nos outros. Suas ações sempre estão voltadas aos seus
próprios interesses e na satisfação de suas próprias necessidades. Dificilmente o ser humano abre mão
daquilo que julga ser de seu direito pessoal não reconhecendo os direitos e as necessidades alheias. O
egoísmo é a mola propulsora de todos os problemas éticos.
1. 7. O ser humano é, também, um ser social. Não pode e nem sabe viver sozinho. Precisa de outros
para viver e conviver. Ele é um ser de pluralidades. Ao mesmo tempo em que é uma pessoa individual é,
também um ser de relações interpessoais. Daí que surgem os problemas nas relações humanas e, em
conseqüência, os problemas éticos. Os problemas éticos surgem a partir do momento em que o indivíduo não
supera seus egoísmos e vaidades em favor do bem comum, fazendo prevalecer os interesses pessoais em
detrimento dos da coletividade.
A ética tem como objetivo despertar a consciência de cada ser humano para que, cada um, possa
estabelecer um convívio estável, equilibrado e de mútua aceitação entre todos os indivíduos humanos que
fazem parte de uma sociedade a fim de que possam agir visando o bem comum respeitando os princípios
sociais e os valores espirituais vigentes.

2) O QUE É ÉTICA ?

A solução dos conflitos humanos, resultado do confronto de interesses entre as pessoas, é, muitas
vezes, resolvido pela via jurídica (direito). Mas a via jurídica usa a lei como instrumento coercitivo exterior
para determinar quais ações são aceitas como boas ou más. Contudo, a via jurídica nem sempre ajuda a
resolver os problemas mas até gera maiores insatisfações. Por isso, cada indivíduo precisa e quer saber, por
ele mesmo, quais são as ações que, de fato, são boas ou más, certas ou erradas. A isso chama-se consciência
ética, ou seja, o conhecimento mais profundo das ações que são socialmente válidas e corretas.
A ética pode ser definida como um saber íntimo e aprofundado dos princípios gerais que orientam a
conduta de todas as pessoas de um coletividade de acordo com as normas morais vigentes ou aceitas em uma
determinada sociedade com o objetivo de alcançar o bem coletivo comum.

3) DIFERENÇA ENTRE ÉTICA E DIREITO

O Direito se baseia em regras sociais positivas, ou seja, aquelas leis que estão expressas em um código
e, pelas quais o Estado zela, a fim de que sejam cumpridas por todos os cidadãos. O Direito tem uma
finalidade saneadora, isto é, se necessário, usa de punições. Nem sempre as regras jurídicas estão na
consciência das pessoas mas, mesmo assim, elas são obrigadas a cumprí-las. As normas jurídicas não exigem
adesão íntima, apenas cumprimento exterior.

Ao contrário, a Ética se baseia sobre as normas morais de cada indivíduo humano, ou seja, sobre
normas subjetivas. A Ética tem uma finalidade preventiva e espera que todos tenham consciência das normas
que orientam suas ações, pois se baseia em princípios íntimos pelos quais cada um norteia sua conduta
visando a harmonia com
os demais na interrelação social. A Ética não pune, apenas orienta. A Ética sempre envolve uma concepção
teórica com vistas ao bem comum. A Ética se ocupa com os valores sociais implícitos nas normas morais de
cada um, inseridas dentro de uma determinada cultura onde também estão inseridos os valores religiosos.

4) DIFERENÇA ENTRE ÉTICA E MORAL

A Moral diz respeito às normas e regras que determinam a ação de cada indivíduo, ou seja, seu modo
pessoal de agir na prática conforme o contexto social no qual está inserido. As normas ou regras morais são
adquiridas pelo indivíduo ao longo de sua vida através das experiências positivas ou negativas que ele vai
tendo na convivência com as pessoas, a começar pela família, escola, igreja, grupo de amigos e demais
instituições sociais.
27

Portanto, a moral sempre diz respeito às normas que cada um possui e pelas quais orienta sua conduta
prática, fazendo ou deixando de fazer aquilo que admite como regra pessoal o que, para ele, é certo ou
errado, bom ou mau.
A Ética diz respeito a avaliação teórica da moral dos indivíduos. A moral é normativa mas a ética é
avaliativa. A ética é teórica enquanto que a moral é prática. Poderia se dizer que a ética é a “ciência da
moral”. A moral faz parte da ética, isto é, oferece a “matéria prima” para a ética. Enquanto que a moral está
relacionada com o indivíduo, a ética está com a sociedade. A ética se ocupa com tudo aquilo que em
determinada sociedade é considerado como moralmente bom, por exemplo: o bem e o mal, o prazer, o útil, o
poder... A ética estuda o modo como os indivíduos se comportam moralmente na sociedade.
Portanto, a ética se ocupa com o estudo dos fins da moral de um homem no meio de um contexto
social. Ela estuda se, este homem, ao agir moralmente, agiu bem ou mal diante dos demais semelhantes
tendo como referência os valores do contexto social.

5) DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA SOCIAL E ÉTICA RELIGIOSA

A ética social se distingue da ética religiosa em três aspectos fundamentais:


1º - Os princípios: a ética social busca os princípios gerais na própria convivência humana. São os
próprios homens que determinam quais os princípios filosóficos que melhor correspondem aos anseios e
expectativas da sociedade. Estes princípios são flexíveis e se adaptam as mudanças históricas. Ao passo que
a ética religiosa busca seus princípios nos dogmas admitidos como leis corretas que regem a religião. Esses
princípios religiosos são inflexíveis não comportando mudanças históricas.
2º - Os meios: a ética social busca os meios de efetivação do bem da sociedade nas forças que regem as
mudanças sociais, ou seja, os poderes políticos, econômicos e culturais que marcam o dinamismo do meio
social. Ao passo que a ética religiosa tem nos mandamentos divinos ( o decálogo ) os meios para a realização
daquilo que é o melhor para a sociedade humana.
3º - Os fins: a finalidade última da ética social é atingir o bem comum, ou seja, aquilo que é o melhor
para toda a sociedade. Por isso, a ética social é uma ética imanente. Ao passo que a ética religiosa tem como
fim último atingir o bem maior que existe, o Bem Supremo, Deus, que para a religião, é o princípio e o fim
de toda existência do homem e do mundo. Por isso, a ética religiosa é uma ética transcendente, isso é, projeta
o homem para além deste mundo material buscando um sentido eterno à vida humana.

6) OS DOIS TIPOS DE ÉTICA RELIGIOSA

Há duas posturas éticas comumente praticadas dentro do cristianismo. Essas duas posturas podem ser
entendidas a partir do posicionamento que se tem diante da lei de Deus. A ética religiosa pode ser:
1º - Legalista: neste caso a lei de Deus é entendida como algo inflexível que deve ser cumprido em sua
plenitude. Dentro da concepção legalista não havendo o pleno cumprimento das exigências da lei, o infrator
só é redimido mediante a satisfação de seu erro através da penitência severa.
2º - Pedagógica: neste caso a lei de Deus é um método educativo que visa orientar a conduta humana
dentro de princípios corretos. Tal qual uma mãe diz ao seu filho ainda pequeno: “não brinque com faca ou
fogo” e, por isso não significa uma proibição legalista, muito pelo contrário, é uma orientação pedagógica
que tem como objetivo evitar um mal pior para quem não tem conhecimento do perigo que o cerca, assim
também, a lei de Deus, é um método pedagógico do amor de Deus para com todos os filhos que Ele ama e
quer educá-los bem para que evitem males maiores por desconhecerem os perigos morais que os cercam.
A concepção pedagógica da ética pressupõe que as pessoas estejam em consonância com essa vontade
divina pela livre aceitação de sua mensagem evangélica.

7) A RELEVÂNCIA DA ÉTICA CRISTÃ

7.1) O AMOR COMO FUNDAMENTO DA ÉTICA CRISTÃ

O fundamento da ética cristã não pode ser a lei, mas seu substituto que é o evangelho, cujo fundamento
é o amor de Deus pelo homem.
O amor é uma das características fundamentais do ser humano e que o distingue dos animais. Mas não
é nada fácil definir e conceituar o que é o amor, especialmente quando se trata de definir e conceituar o amor
como fundamento da ética.
De acordo com a língua grega há três tipos de amor:
28

1º - ÉROS: de onde se derivou o termo português “erótico”, ou o amor sexual. Essa forma de amor é
entendida pela forte atração física que existe entre duas pessoas que se “amam” (éros). Esta forma de amar
está sujeito às instabilidades emotivas das pessoas que manifestam este tipo específico de amor (éros) que
geralmente se apresenta numa forma muito egoísta e cercada de fortes paixões, e que, muitas vezes, são
incontroláveis. Por isso, este tipo de amor erótico tem-se tornado na prática uma forma bestial e desumana
onde o outro nada mais é do que um objeto de um prazer egoístico. Este tipo de “amor” (éros), sem dúvida
nenhuma, nunca poderá ser o fundamento da ética social e, muito menos, da ética cristã.
2º - FILÓS: amigo, de onde temos em português as expressões: amor filial e filantropia (caridade). O
amor do tipo “filós” é aquele que existe entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs, enfim, entre parentes e
pessoas muito chegadas, as quais respeitamos muito e pelas quais nutrimos profundo afeto, sem contudo,
desejá-las sexualmente (amor erótico). O amor “filós” indica a presença de uma intimidade afetiva ao passo
que o amor “éros” supõe a intimidade física, que são duas coisas completamente distintas. Mas mesmo
assim, o amor “filós” está sujeito ao egoísmo e vaidade humana, pois “amamos” preferencialmente aquelas
pessoas as quais mais gostamos e, quase sempre, excluimos do nosso “amor” aquelas que, por alguma razão
pessoal, não nos são simpáticas. Infelizmente, há pais que “amam” mais a um filho do que a outro. Por esse
motivo, também o amor “filós” não serve de fundamento para a ética.
3º - AGÁPE: é uma forma especial de amor. O amor “agápe” transcende aos dois tipos anteriores e
aponta para o amor divino. O amor “agápe”, portanto, está identificado como o amor de Deus. Esse tipo de
amor não se encontra tão facilmente ao nível humano a não ser que o homem esteja unido a Deus pelo
vínculo da fé e receba de Deus esse amor “agápe” para relacionar-se, através desta forma toda especial, com
seu semelhante. O amor de Deus (agápe) se caracteriza por estabelecer com as pessoas uma relação de
intimidade, que não é nem física e nem sentimental, porém, espiritual. É amar sem qualquer tipo de interesse
ou vantagem, mas amar visando unicamente o bem da pessoa amada. Por isso, o amor “agápe” é aquela
forma de amor onde o perdão está acima de tudo e somos, por isso, até capazes de aceitar aqueles que nos
causam repugnância. Essa forma de amor foi magistralmente sintetizada por Cristo, quando, na cruz,
perdoou aos que o fizeram mal ao orar a Deus dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.
Ou, como nos ensina o Evangelho: “Amem uns aos outros como eu amo vocês”.
É evidente que o amor “agápe” não é fácil de ser entendido e, muito menos ainda, fácil de ser
praticado. Mas esse é o único tipo de amor válido para a fundamentação da ética. Será, pois, sob esse prisma
do amor “agápe” que analisaremos todas as questões éticas com as quais nos ocuparemos e nos
preocuparemos daqui para frente.

7.2) A ABRANGÊNCIA DA ÉTICA CRISTÃ

Não se pode e, nem se deve, limitar a ética e sua abrangência unicamente ao indivíduo humano, como
se tudo fosse uma questão de consciência pessoal. A ética abrange as questões da consciência do indivíduo
frente à sociedade. Mas também ela não se limita a isso, pois nem sempre a vontade coletiva (senso comum)
é suficiente para determinar o que é certo ou errado. Para a ética cristã a vontade de Deus é soberana e, por
isso, é ela que determina quais ações são, de fato, boas ou más e, que, por isso, devem estar na consciência
do cristão a fim de nortear seu correto agir em todas as questões sociais. Por isso, a abrangência da ética
cristã diz respeito ao agir do cristão na sociedade tendo como fundamento a vontade de Deus expressa e
revelada na Sua Palavra, a Bíblia.
Mesmo que a ética cristã não dê a primazia ao indivíduo, contudo, não desconhece suas necessidades e
anseios pessoais como pessoa humana que é. O objetivo maior da ética cristã é satisfazer a necessidade
espiritual do homem em sua dimensão transcendental. O sentido da vida do cristão aponta para sua dimensão
eterna. Contudo a ética cristã não pode se descuidar dos princípios e valores que fundamentam a vida
presente e, que ao mesmo tempo, projetam o cristão à sua posterior vida no reino eterno de Deus. É
exatamente neste sentido que podemos entender as palavras de Cristo: “Vocês estão no mundo, mas não são
do mundo”; e, “vocês são o sal da terra e a luz do mundo”. Há um duplo sentido para a vida e,
conseqüentemente, a ética cristã abrange a ambos.

7.3) A INTERDISCIPLINARIDADE DA ÉTICA CRISTÃ

A ética, mesmo sendo entendida como uma ciência autônoma sobre a conduta do homem em
sociedade, tem seus vínculos como outros ramos do saber humano, tais como:
29

1º - Teologia: a ética cristã e a teologia cristã estão profundamente unidas. Há quem entenda que nem
possam estar separadas, a não ser para fins didáticos. A teologia cristã dá à ética cristã seus princípios, meios
e fins.
2º - Filosofia: ela, por suas características de promover constantes reflexões e questionamentos nos
campos da epistemologia (estudo sobre o conhecimento), da axiologia (estudo sobre os valores) e da
ontologia (estudo sobre o ser), fornece à ética importante contribuição para a correta fundamentação dos
problemas principais que a ela dizem respeito. A ética cristã só não aceita da filosofia que as questões éticas
sofram um reducionismo ao terreno da lei moral racional.
3º - Psicologia: ela, ao estudar os padrões que regem o comportamento íntimo do homem como:
personalidade, conduta, motivações, interesses, etc., dá à ética valiosa contribuição para poder avaliar as
plenas condições do agir moral de cada ser humano.
4º - Sociologia: ela empresta à ética consideráveis informações que ajudam a entender o
comportamento do homem dentro de suas relações interpessoais na sociedade. Pois sobre o indivíduo atuam
ideologias as mais diversas provenientes dos mais diferentes agentes que influem na formação e na tomada
de decisão por parte de cada ser humano. Tais agentes manipulam as consciências deturpando os mais
legítimos e fundamentais valores da sociedade. Um exemplo típico de tal manipulação é o que ocorre através
dos meios de comunicação de massa.

7.4) A RELEVÂNCIA DA ÉTICA CRISTÃ

Sócrates, um dos “patriarcas” da filosofia grega, a vários séculos antes de Cristo já havia questionado
mais ou menos o seguinte: “as demais ciências sem a Ciência do Bem (ética), não seriam mais prejudiciais
do que úteis ?” Todas as ciências sem uma fundamentação ética é como faca de dois gumes, isto e’, boa e útil
de um lado, mas tremendamente prejudicial por outro. É o caso da bomba atômica que de um lado atesta o
progresso do conhecimento humano mas, por outro, o seu mau uso (sem ética) põe em risco a vida de todos
os seres humanos.
A ética cristã é Cristocêntrica (Cristo no centro) e busca sua fundamentação na revelação divina e, por
isso, se distingue da ética social ou da filosofia moral que é antropocêntrica, se fundamentando na razão
humana. A ética cristã se eleva acima da razão para fugir da ética de situação ou mero consenso em que a
ética social via de regra cai. A razão humana não tem encontrado um remédio adequado para a ganância e a
vaidade humana que é geradora dos maiores crimes e corrupções contra o bem comum. Ao passo que a ética
cristã ao ensinar o arrependimento, fé, amor e humildade diante de Deus e do próximo, tenta pôr um freio no
ímpeto humano de prejudicar seu semelhante e, com isso, acreditar na possibilidade de se construir um
mundo melhor onde reine a justiça e a verdadeira paz.

7.5) A ÉTICA ATRAVÉS DOS TEXTOS BÍBLICOS

A Bíblia fornece um farto material de textos através dos quais se revela sua preocupação com a ética
humana. Podemos dividir em dois grandes grupos:
1º - Ética geral ou básica:

- Levítico 19.9-18: a importância de uma vida correta;


- Jó 31.1-40: fundamentos éticos do Antigo Testamento;
- Salmo 15.1-15: as exigências de uma religião ética;
- Isaías 1.10-17: moral é consciência e não aparência;
- Amós 5.10-27: Deus pune o mal moral;
- Miquéias 6.6-15: requisitos mínimos de uma religião;
- Mateus 22.34-40: amor - o maior dos mandamentos;
- João 15.1-17: uma vida que produz bons resultados;
- Gálatas 5.16-26: os frutos do Espírito Santo;
- Efésios 5.1-17: como um cristão deve se conduzir;
- Colossenses 3.1-14: uma vida renovada;
- Tiago 2.14-26: a relação entre a fé e as ações;
- 1ºJoão 4.7-21: a vida centrada no amor.

2º - Ética específica ou aplicada:


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- Deuteronômio 24.1-4: lei que regula o divórcio;


- Malaquias 2.11-16: casamentos mistos e divórcio;
- Mateus 16.19-34: o cristão e o materialismo;
- Mateus 19.3-12: casamento e divórcio;
- Romanos 13.1-7: o cristão e as autoridades;
- 1ºCoríntios 7.1-16: questões de família e sexo;
- Efésios 5.22-6.4: relações na vida familiar;
- Filemom: a escravatura.

LEITURAS COMPLEMENTARES

TEXTO 01 - FUNDAMENTO RELIGIOSO DA CULTURA (Texto para análise e debate)

Qual é o constitutivo supremo, a base mais profunda, a base última da cultura?


Essa é uma questão muito debatida e encontrou soluções muito divergentes. Segundo alguns autores,
em particular segundo os positivistas e os neopositivistas, o fundamento último é a ciência. Segundo outros
(os idealistas e os neo-hegelianos), o fundamento é a filosofia; segundo outros ainda (os marxistas) o
fundamento é a economia. Enfim, segundo um grupo de autores, não muito grande mas bem qualificado, que
abrange entre outros Dawson, Tillich e Toynbee, o fundamento é a religião.
Visto que a tese do fundamento religioso da cultura é a menos conhecida e que nos parece uma tese
muito original e interessante, nós concentraremos a atenção acima de tudo sobre ela.
Segundo Christopher Dawson, a religião constitui o fundamento último da cultura, a sua estrutura primária e
sustentante, a sua componente principal. A religião não é produto da cultura (e muito menos de uma cultura
primitiva com o fim de obter uma explicação ingênua, fantástica, mítica da realidade), mas faz parte da
cultura como d\seu princípio vital e essencial; de modo que os altos e baixos da cultura correspondem aos
altos e baixos da sua alma religiosa. De fato, Dawson, não exclui que a religião possa sofrer
condicionamentos culturais de várias espécies (econômica, científica, social, etc.) mas nega
peremptoriamente que isso leve à conclusão de que a religião seja um epifenômeno da cultura. “Por mais que
pra lá possa ir esse condicionamento cultural – e poderia certamente ir muito – não poderemos nunca excluir
a relação recíproca, pela qual a cultura é moldada e modificada pela religião. De fato, é óbvio que a maneira
de viver do homem corresponde à sua maneira de conceber a realidade e consequentemente também a sua
maneira de aproximar-se da religião. Mas, não obstante isso, o objeto da religião transcende essencialmente a
vida humana e a maneira de viver do homem. À frente e acima da experiência humana e da conduta social,
há o mundo da potência e do ministério divido, que é concebido seja pelos primitivos como pelos teístas
progressistas como essencialmente criativo e como último recurso de todas as possibilidades humanas. Por
conseguinte, enquanto na prática a religião de um povo é limitada e condicionada pela cultura, em teoria –
também para os mesmo primitivos – a cultura é um deliberado esforço para pôr a vida humana em relação
com a realidade divina e para subordiná-la à potência divina.
Essa tese do papel determinado e fundamental que tem a religião na formação da cultura, segundo
Dawson, é amplamente confirmada pela história. “Através da parte mais ilustre da história humana, em todos
os séculos e em qualquer período da sociedade, a religião foi a força central unificadora da cultura. Foi
guardiã da tradição, preservadora da lei moral, educadora e mestra da sabedoria... A religião é a chave da
história. Não podemos compreender as estruturas íntimas da sociedade se não conhecemos bem a sua
religião. Não podemos compreender suas conquistas culturais se não compreendemos as crenças religiosas
que estão atrás delas. Em todas as cidades, as primeiras elaborações criativas de uma cultura são devidas a
uma inspiração religiosa e dedicadas a uma finalidade religiosa. A religião estás no limiar de todas as
grandes literaturas do mundo. A filosofia é um produto e um rebento que regressa continuamente a seu pai”.
Por esse motivo, geralmente o papel criativo na formação da cultura pelos diversos povos é atribuído
a figuras míticas ou semi-divinas (heróis culturais, ancestrais divinos), que têm dado aos seus descendentes
não somente mitos sacros e religiosos, mas também as artes do viver e os princípios de organização social.
“Assim, enquanto uma cultura é essencialmente um modo organizado de vida, ele não é mais concebido
como regra construída exclusivamente pelo homem. O modo social de viver funda-se na lei religiosa da vida
e essa lei depende das potências não humanas para as quais o homem olha com esperança e temor, potências
que permanecem essencialmente misteriosas, sendo seres superiores e sobrenaturais:.
31

Uma confirmação histórica da validade da tese de Dawson forneceu Arnold Toynbee em a Study of
History,. Nessa obra, o eminente historiador inglês apresenta a religião como fenômeno fundamental e
decisivo para a existência humana. Ele reconstrói a história da humanidade como uma sucessão de
civilizações, ou seja, de culturas, cuja aparição, desenvolvimento e decadência coincide com o aparecimento,
desenvolvimento e decadência coincide com o aparecimento, desenvolvimento e decadência de uma
determinada religião.. Enquanto, porém, as culturas decaem e desaparecem, nas várias religiões que se
sucedem há uma ascensão constante da vida espiritual da humanidade. A história do mundo revela, segundo
Toynbee, quase a imagem de uma máquina que se move em direção ao alto, mas com movimentos
descontínuos antes que constantes e em forma de espiral antes que na da linha reta; o motor da máquina é
constituído pela religião, enquanto as rodas que vão ora para cima, ora para baixo representam as culturas.
“Nós nos representamos a religião como um carro triunfal cujas rodas sobre a s quais ele avança para
o céu são falimentos sempre recorrentes das culturas sobre a terra” . Depois da queda de cada cultura, com o
aparecimento de uma nova religião, a humanidade retoma o seu caminho para ir adiante e subir ainda mais
alto.
Um outro autor que sustentou vigorosamente, a tese do fundamento religioso da cultura é Paul
Tillich. Essa é, mesmo, a tese mais importante e original de todo o seu vasto e complexo pensamento. Ele
mesmo o confessou em um dos seus últimos escritos: “A maior parte dos meus escritos, inclusive os volumes
da Systematic Theology, tentam definir a modalidade da relação com o cristianismo como a cultura laica”.
Contra os pensadores leigos que sustentam que os recentes desenvolvimentos da ciência e da técnica, da
sociologia e da psicologia, da economia e da política tenham tornado não só supérflua mas até ilegítima e
impossível qualquer forma de religião, Paul Tillich com uma análise muito pontual e penetrante dos vários
sistemas científicos, políticos, sociais, filosóficos e das múltiplas produções artísticas e literárias pôs em
evidência que em cada um deles se esconde um princípio religioso: uma fé, uma busca,, uma tensão, um
interesse supremo (que ele chama “ultimate concern”, ou seja, preocupação última), pelo Absoluto. Antes,
quanto mais um sistema (filosófico, político, social, etc.) é totalitário e absolutista (pense-se no nazismo, no
comunismo, no neopositivismo) tanto mais se tornam descobertos os seus caracteres religiosos, mesmo se
eles sofrem deformações demoníacas.
Contra quem insiste sobre a absoluta incapacidade do homem com relação ao divino e contra quem
vê na religião uma criação transitória do espírito humano, Tillich define a religião como a dimensão do
profundo em todas as funções da vida espiritual do homem. Com essa definição de religião, desaparece toda
ruptura entre o domínio do sagrado e o reino do profano Segue-se disso que qualquer contraposição
maniqueísta entre religião e cultura torna-se vã na consideração, por um lado, da ineliminável presença do
divino em cada coisa e, por outro lado, da inexorável impressão cultural de cada ato humano, mesmo do mais
íntimo movimento da alma. Concluindo, segundo Tillich, “a religião como preocupação última é a substância
que confere significado à cultura e a cultura é totalidade das formas na qual o interesse fundamental da
religião se exprime. Resumindo: a religião é a substância da cultura e a cultura é a forma da religião.
A teoria do fundamento religioso da cultura continua a achar numerosos defensores atualmente, em
especial entre os estudiosos de antropologia religiosa. Lembramos, entre outros, van der Leeuw, Luckmann,
Nijk.
Para van der Leeuw, é a cultura, no fundo, nada mais do que um complexo de ritos, que derivam
diretamente da religião. “O culto, afirma esse eminente fenomenólogo da religião, foi a primeira cultura; ele
se acha na origem de cada cultura. Arte, linguagem, agricultura, etc., tudo procede do encontro do homem
com Deus. O que nós chamamos cultua ou civilização não é senão um culto secularizado.
Também segundo Luckmann, nas fases iniciais de qualquer civilização o fator determinante e
fundamental é a religião: “Nas sociedades arcaicas e também (em grau menor) nas civilizações que, por falta
de um termo mais adequado, se costuma chamar ‘tradicionais’, as representações religiosas penetram
instituições como parentesco, divisão de trabalho e regulação e exercício do por. Nessas sociedades, a ordem
sagrada dá legitimidade à conduta em toda a gama das situações sociais e confere significado a todo o curso
da existência individual. Por isso, nelas não há nada – inclusive a ecologia, a economia e os sistemas de
conhecimentos – que se possa entender inteiramente sem se referir à religião”. A divisão entre religião e
cultura (entre religião e arte, entre religião e política, etc.) aparece também nas fases mais avançadas de uma
civilização e nas sociedades altamente complexas, em que existe a especialização e, portanto, a separação
das várias atividades.
Nijk, seguindo van der Leew, está também convicto de que a cultura tenha origem no culto, no rito,
no rito religioso: “O rito é considerado como o núcleo estabilizador no qual o material caótico de potências
indiferenciadas é retomado seletivamente e estruturado para depois desdobrar-se nos modelos ordenados de
uma ordem sócio-cultual.
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MONDIM, Batista. O Homem, quem é ele? São Paulo. Edições Paulinas, 1983.

TEXTO 02 - A SOBREVIVÊNCIA DA FÉ (Texto para análise e debate)

Darwin, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud, para ficar nos nomes mais grandiosos, elaboraram
teorias para o mundo e para a natureza humana que prescindiam das explicações tradicionalmente
oferecidas pela religião. Mais do que prescindiam: competiam com elas, com todas as vantagens
oferecidas pela lógica e pela irreversível marcha da História. Os seres humanos, que desde a noite dos
tempos se perguntavam de onde viemos e para onde vamos, já podiam buscar respostas fora da esfera
divina. Viemos de um longo processo de evolução, muito mais fabuloso do que qualquer lenda bíblica
sobre um boneco de barro transformado pelo sopro daquele Senhor de Barbas Brancas e cara de poucos
amigos. E iríamos certamente para um lugar melhor, onde não existiriam crendices primitivas, nem a
vigilância castradora do Deus judaico-cristão, nem a injusta ordem social alimentada pelas hierarquias
religiosas. Num mundo onde predominassem a ciência e a razão, todas as perguntas essenciais seriam
eventualmente respondidas. Pela ordem natural das coisas, impulsos religiosos e crenças em entidades
sobrenaturais acabariam no mesmo arquivo dos tempos em que se acreditava que a Terra era plana e o Sol
girava em torno dela.

Desnecessário dizer que as coisas não aconteceram exatamente assim. A ciência progrediu, sim, e
de uma forma tão espantosa que hoje muitas vezes mais intimida o leigo do que oferece respostas
compreensíveis. Ouvir explicações cosmogônicas de um cientista é quase como tentar encetar diálogo com
um ET. O fabuloso progresso material desencadeado com o alvorecer da Era da Razão é contrabalançado
pelas mazelas sobejamente conhecidas que atormentam o mundo contemporâneo. "Acreditava-se que a
ciência resolveria todos os males e seria o instrumento para melhorar o mundo. Ela criou uma série de
aspirações e expectativas que não conseguiu satisfazer", resume Lísias Nogueira Negrão, sociólogo
estudioso da religião da Universidade de São Paulo.

A morte de Deus operada por Marx, Freud e companhia, e sua substituição pela ciência, também
não foi um espetáculo de alegre libertação. Na definição do filósofo francês Jean-Paul Sartre, o
desaparecimento de "uma das maiores idéias humanas de todos os tempos" deixou na consciência dos
homens "um buraco em forma de Deus" (Sartre foi um dos coveiros mais recentes do divino, propondo
que, mesmo que Deus existisse, seria necessário rejeitá-lo, pois a idéia dele nega a nossa liberdade). Para a
teóloga inglesa Karen Armstrong, autora de Uma História de Deus, o fim do Senhor de Barbas foi
"acompanhado de dúvida, temor e, em alguns casos, um agônico conflito". O sofrimento psíquico
provocado pela morte de Deus, somado à decepção com as promessas não cumpridas pela ciência, ajuda a
entender por que quase dois séculos de destruição sistemática dos pilares religiosos do Ocidente ainda não
produziram uma maioria generalizada de não-crentes. Ao contrário, o que se vê hoje em muitos países de
tradição cristã é uma linha divisória entre uma minoria, geralmente da elite intelectual, que seguiu adiante
com a visão laica do mundo e, do outro lado, uma maioria que se apega obstinadamente à fé e a diferentes
concepções religiosas. Em outras palavras, se Deus morreu, sua sombra se recusa a deixar o mundo.

As pesquisas sobre crença e religiosidade apontam números impressionantes, especialmente no


continente americano. Estados Unidos e Brasil têm um forte traço em comum: cerca de 90% da população
declara acreditar em Deus. Os EUA são a exceção entre os países industrializados. Na Alemanha, os que
declaram crer em um Criador caem para 53%. Na Suécia, o número de crentes é o mais baixo do mundo
desenvolvido: 36% da população. Além da esmagadora maioria que crê em Deus, os americanos também
acreditam em milagres (84%) e, mais surpreendentemente, continuam a não aceitar o darwinismo quase
200 anos depois de sua exposição ao mundo: 44% acreditam que o homem foi criado exatamente da
maneira descrita na Bíblia, há menos de 10 000 anos.
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Examinar as razões da sobrevivência da fé e da religião exige um enorme exercício de


neutralidade. Em questão de fé, quem não tem se sente implicitamente superior a quem tem. E quem tem
olha com pena, quando não com desprezo, os desprovidos dela. É possível responder com equilíbrio à
pergunta: por que a fé existe e sobrevive? Ao longo dos tempos, as explicações para o sentimento da fé, e
o seu desdobramento na forma de religião organizada, têm se dividido em duas correntes. Uma busca-as
em razões exteriores, freqüentemente de cunho utilitarista. Outra as localiza nas profundezas da natureza
humana (seja na alma, como reza a crença tradicional, seja nos genes, como alegam alguns cientistas
contemporâneos).

O bom senso mais elementar consegue alinhavar, sem muito esforço, uma pilha de motivos que
explicam a necessidade de religião e de fé. A mente humana exige explicações para o sentido da vida (e
não resiste a respostas fáceis para perguntas muito difíceis, acrescentariam os incréus), nosso coração
precisa de conforto e as sociedades não florescem sem a ordem legitimada por um mandato de inspiração
divina. A religião atenua nosso terror diante da finitude da vida, dá alguma explicação para a origem do
mundo, impõe obediência a valores morais essenciais para a convivência humana – uma necessidade
resumida magistralmente por Dostoiévski através de seu Ivan Karamazov: "Se Deus não existe, tudo é
permitido".

A outra vertente das explicações para a fé finca raízes em águas mais profundas. Entre os teólogos
modernos, seu representante mais conhecido é Rudolf Otto, autor de O Sagrado, termo que escolheu para
substituir a palavra Deus. Otto defendeu a teoria de que o sagrado existe por si só e as religiões são
respostas a essa existência. Os homens não criam nada nesse campo e as manifestações religiosas, mesmo
moldadas pelo filtro da cultura, são uma simples reação a uma dimensão que já existe. O teólogo, que
viveu na Alemanha no início do século XX, colocava essa dimensão fora, ou mais além, do humano, mas a
moda hoje entre cientistas que pretendem comprovar a existência do divino é vasculhar não os mistérios da
alma, mas os circuitos do cérebro. São todos dos Estados Unidos, um país onde quatro em cada dez
cientistas têm algum tipo de crença religiosa – com certeza um recorde da categoria. Eles dizem,
resumidamente, que existe uma área do cérebro especializada em sentimentos religiosos.

Esse novo "ramo" de pesquisa já tem até um nome: neuroteologia. Entre os mais conhecidos estão
o radiologista Andrew Newberg e o psiquiatra Eugene d'Aquili, autores do livro Why God Won't Go Away
(Por que Deus Não Desaparece). Eles partem do princípio de que as práticas místicas foram fundamentais
para a sobrevivência e a evolução de nossos ancestrais. A partir daí, dão um grande salto, afirmando ter
encontrado evidências de "um processo neurológico que evoluiu de forma a permitir aos seres humanos
transcender a existência material e se conectar com uma parte mais profunda e espiritual de nós mesmos,
percebida como uma realidade absoluta e universal". As provas do tal "cérebro religioso", afirmam, foram
constatadas através da monitoração da atividade cerebral de dois grupos: um de budistas, em processo de
meditação, e outro de freiras, durante orações fervorosas. Outros adeptos conhecidos da neuroteologia são
Carol Rausch Albright e James Ashbrook, estudiosos da religião e autores de Where God Lives in the
Human Brain (Onde Está Deus no Cérebro Humano). A tese deles é mais exótica ainda: o próprio circuito
cerebral seria uma espécie de espelho dos atributos divinos.

Cientistas sérios riem dessas teorias – alguns até notam que tanta empolgação é alimentada pelas
pilhas de doações legadas por piedosos milionários americanos para pesquisas que "comprovem" a
existência de Deus. Os proponentes da neuroteologia "misturam no mesmo saco os termos e os métodos da
ciência e da religião na tentativa de conferir a esta a autoridade daquela", escreveu o médico e pesquisador
Jerome Groopman, que é judeu praticante. "A ciência é uma disciplina que demanda medições precisas de
fenômenos para a elaboração de modelos de causa e efeito. As dimensões do que chamamos de alma, a
centelha divina na vida humana, não podem ser medidas dessa forma."

Teólogos sofisticados também desprezam essas tentativas de comprovação científica da existência


de Deus, que reduzem os anseios espirituais e o desejo de transcendência dos seres humanos a simples
mecanismos automáticos. Para eles, aliás, o Deus pessoal e histórico já foi mesmo desta para a melhor, e
isso representa um progresso. "Aqueles de nós que tiveram problemas com a religião consideraram um
alívio quando se libertaram de um Deus que lhes aterrorizou a infância", escreveu a ex-freira Karen
Armstrong. "É maravilhoso não ter de se acovardar diante de uma divindade vingativa, que nos ameaça
com a danação eterna se não seguirmos suas regras." Em lugar do Senhor de Barbas, parecido com o
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retratado por Michelangelo na Capela Sistina, que pairou durante séculos sobre as consciências ocidentais,
cultiva-se nesses círculos de crentes intelectuais um certo misticismo chique, com uma divindade rarefeita
e intelectualizada. "Esse Deus deve ser abordado por meio da imaginação e pode ser visto como uma
espécie de arte, semelhante aos outros grandes símbolos artísticos que têm expressado o mistério inefável,
a beleza e o valor da vida", diz Armstrong. Complicado? Pois nesse meio até a palavra Deus, tão carregada
de significados, já foi superada. O termo que mais se aproximaria do conceito moderno de divindade
transpessoal seria Ser-em-si.

Imagine-se um avião em plena pane com os passageiros crentes rezando: Valha-me, Ser-em-si.
Mais delicada ainda seria a situação dos não-crentes, enfrentando a possibilidade do fim apegando-se a
quê? Ao Big Bang? À Teoria das Cordas? Ao grande fluxo da vida? Quem não consegue se ver em
nenhuma dessas situações entende por que o Senhor de Barbas, o Deus Pai tradicional, ainda estará entre
nós por um bom tempo, atestando a extraordinária sobrevivência da fé nos corações humanos. Quem
consegue pode rezar simplesmente para que o piloto seja muito, muito bom.

Revista Veja. Edição 1 783 - 25 de dezembro de 2002

TEXTO 03 - DEUS COMO CASO DE AMOR ( Texto para leitura e análise)

Frei Betto

Deus está na moda. Corações e mentes são atraídos pela experiência do ministério da fé: esse Dom
que nos permite “ver” o invisível, acreditar naquilo que se espera e desfrutar o transcendente como amor.
Na fronteira entre a mordenidade e a pós-mordenidade, o racismo o racismo entrou em crise; o
consumismo sacia, para quem pode, a fome de pão, mas não a de beleza; a crise das ideologias induz as
pessoas à volta à subjetividade. Essa “gula de Deus”, na expressão de Rinbaud, sinaliza a busca de um
sentido para a existência numa sociedade carente de sentido. Sem utopias, os jovens correm o risco de
procurar o sonho nas drogas; sem esperança, muitos trocam a solidariedade pela competição e a compaixão
pela ambição; sem amor, as relações são tratadas pela lei da oferta e da procura.
Ocorre que o ser humano é vocacionado à transcendência. Somos o único ser da natureza que não se
basta. Nosso desejo não faz concessão: almeja a comunhão com o transcendente, ainda que tateando por
atalhos que iludem os sentidos e confundem a razão: posses, status, poder etc.
A crise da modernidade induz-nos a fechar os olhos para ver melhor. Pela ótica da fé, descobrimos
que a fome de Deus pode também ser saciada fora dos limites institucionais das igrejas históricas. Até
porque Deus não tem religião. Max Werber frisou as distinções entre as religiões do Ocidente e do Oriente.
As Ocidentais, como o cristianismo (que nasceu a meio caminho entre os dois hemisférios), baseiam-se na
redenção. Os seres humanos não seguiam os desígnios divinos, mas Deus em sua infinita misericórdia
enviou-nos um salvador capaz de redimir os nossos pecados. As religiões orientais centram-se no
aperfeiçoamento pessoal, na superação da dor, no equilíbrio interior.
Para o cristianismo, o ser humano não se salva sozinho mas pela ação da graça de Deus. Para as
tradições orientais, cada um é sujeito da própria salvação ou purificação, devendo retornar a este mundo até
que as sucessivas reencarnações o façam alcançar o estado de perfeição espiritual .
A modernidade causou incômodo à igreja católica ao introduzir a democracia na vida social e
deslocar o eixo teocêntrico da cultura medieval para o eixo antropocêntrico fundado na razão. A Igreja não
cedeu. Enquanto comunidade, manteve sua estrutura hierárquica, autocrática. Mas do ponto de vista do
indivíduo fê-lo centrar-se no próprio umbigo. Introduziu a meritocracia no lugar da redenção operada por
Jesus. Valorizou penitências, promessas, indulgências, como se apenas o mal ou o bem que cada um pratica
decidisse a sua perdição ou salvação.
Assim, a modernidade “cristã” acabou criando, no Ocidente, paradoxalmente, o caldo de cultura
favorável à expansão das religiões orientais. Atualmente uma busca voraz de espiritualidade, mas sem a
mediação de sacerdotes e bispos, preceitos morais e sacramentos. Essa onda esotérica põem em questão o
próprio Jesus. Sem intermediários e instituições, doutrinas e reflexão biblioteológica, os fiéis dessa crença
sem religião experimentaram uma abertura ao transcendente como se Deus não tivesse nome nem história,
revelação ou encarnação, promessa ou escatologia.
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O êxito quantitativo das propostas religiosas que suprimem as mediações entre subjetividade do fiel
e Deus explica-se pelo que elas representam enquanto alternativas às igrejas históricas. Nestas não há culpa,
comunidade, catequese ou compromisso pastoral. Deus se reduz a uma difusa e prazerosa energia que traz
alivio e alento, sem exigências de justiça e amor.
Na disputa pelo mercado da crendice a igreja católica corre o risco de ser levada pela onda e adotar o
modelo subjetivista, em que o credo é substituído pela letra de uma canção e a liturgia por movimentos
aeróbicos. Tudo se transforma numa grande efusão espiritual que embevece, alucina, desata nós do
psiquismo (daí o caráter terapêutico, as curas) e traz alegria às multidões sem que o evangelho seja
anunciado, refletido, aprofundado, assumido e vivido enquanto fermento na massa. É a religião light,
descompromissada, em que o “lá em cima” importa mais do que o Reino anunciado por Jesus e que se situa
lá na frente, onde a história alcança a civilização do amor.
Nessa virada de século e de milênio, muitos fazem com a religião o que se fez com a moda na década
passada uma mescla de crenças e ritos, como o cristão que pratica meditação transcendental e acredita em
reencarnação. Orar é aconselhável à saúde, recomendam os médicos americanos. Porque rasga as mascaras
das aparências e promove a adequação da pessoa com o seu genuíno ser. Como diz São Tomás de Aquino, ao
orar vamos ao encontro de um outro muito diferente de nós e que, no entanto, nos devolve a nossa verdadeira
identidade. Este é outro terno e eterno.
Por que orar? Para dilatar o coração e ser capaz de amar assim como Jesus amava. O contrario do
medo não é a coragem, é a fé, esta planta que, para vicejar, exige água (a oração) e sol (o transcendente).
Sem regar, a planta morre calcinada. Ao orar diexamos-nos povoar por um outro que é mais íntimo a nos do
que é mais íntimo a nos do que nós a nós mesmos.
Essa apeensão amorosa do transcendente faz desaparecer a idéia de um ser castigador e repressor. O
temor abre espaço ao amor. Deus passa a ser apreendido, como dizia o papa João Paulo I “mais como mãe
como do que como pai”.
Os místicos de todas as religiões e correntes espirituais ensinam que a oração é como a relação entre
duas pessoas que se amam: do flerte, repleto de indagações e fascínio, nasce a proximidade. O namoro é feito
de preces, pedidos e louvores. O noivado favorece a intimidade de quem se abre inteiro à presença do outro.
Vira os amados pelo avesso. As palavras já não são necessárias.
O silencio plenifica. Enfim, as núpcias, essa simbiose que levou o apóstolo Paulo a exclamar: “já não
sou eu que vivo, é Cristo que vivi em mim”. Eis a paixão inelutável, a gravidez do espirito, o vazio de si
repleto de totalidade.
A fé nos revela que o divino se derrama apaixonadamente sobre cada um de nós. Se ele deixasse de
amar, deixaria de ser Deus. A pessoa é que, na sua liberdade, se abre mais ou menos à sua presença amorosa.
A sadia experiência da fé nada tem de fuga do mundo ou do narcisismo espiritualista de quem faz da
religião mero antídoto para angustias individuais. Nela articulam-se contemplação e serviço ao próximo,
oração e vida, alegria e justiça.
Jesus, paradigma na experiência da fé, convida a todos que o encontram a fazer de Deus o seu caso de amor.
E avisa: os novos tempos não surgem na virada dos séculos ou dos milênios, mas no coração que se converte
que o próximo e o mundo são moradas divinas.

TEXTO 04 - REFORMA LUTERANA – Texto para leitura

O que foi a Reforma Luterana?

Esse fato que marcou a história, trazendo consigo transformações profundas no mundo da época, surgiu
da inquietação de um homem, chamado Martinho Lutero.
Começou a estudar Direito, conforme a vontade do pai, mas Martinho carregava consigo um grande
dilema: tinha muito medo de Deus. Na sua época lhe ensinaram que Deus era um juiz severo e punia as
pessoas pelas faltas que cometiam. Inquietava-se pensando no que poderia fazer para agradar esse Deus tão
severo e bravo e vivia atormentado porque nunca conseguira ter a certeza de que já havia feito o suficiente.
Alguns fatos acontecidos em sua vida fizeram com que mudassem o rumo de sua vida. Certa vez foi
acometido por grave doença; outra vez machucou-se gravemente com sua espada; e ainda, a morte repentina
de um amigo, o deixaram muito assustado, pensando ser um castigo de Deus, fez com que ele decidisse ir
para um mosteiro. Vendeu seus livros de Direito entrou para um mosteiro, da ordem dos agostinianos,
pensando que ali poderia resolver seus problemas com Deus.
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Na sua vida nos mosteiro passava horas e horas meditando, pensando no que poderia fazer para agradar
a Deus: flagelava-se, jejuava, dormia no frio, pensando que assim agradaria a Deus. Mas continuava o
mesmo dilema: Deus se agradou do que eu fiz? Foi suficiente? E continuava atormentado, permanecia a
dúvida.
Depois de ter lido muitas vezes, mais uma vez leu e compreendeu o que está escrito no Livro aos
Romanos, capítulo 1, versículo 17: “... O justo viverá por fé”. Compreendeu que quem justifica o ser
humano é o próprio Cristo. Cristo morreu pelos pecados do mundo todo, portanto assume nossa culpa.
Assim, quem fica livre dos pecados é o ser humano. Como a pessoa se apossa daquilo que Cristo fez?
Crendo, deixando que Cristo assuma seus pecados. No momento que ela deixa Cristo assumir seus
pecados, ela se torna “justa”, livre de qualquer culpa.
Na época a igreja tinha alguns procedimentos que estavam em completo desacordo com a verdades
bíblicas: uma delas era a venda de indulgências, que era uma espécie de “carta de crédito”, pela qual a pessoa
pagava um determinado preço e recebia o perdão dos pecados, passados, presentes e futuros. Isso trouxe um
sério problema para a igreja, pois os seus fiéis não queriam mais saber de arrependimento, viviam de
“qualquer jeito”, uma vez que já tinham pago pelo perdão dos pecados.
Contra essa prática Lutero levantou sua voz, pois afirmava que para obter o perdão dos pecados era
necessário arrependimento. Deus perdoa aquele que realmente se arrepende e confia no perdão obtido por
Jesus na cruz. Não é necessário pagar por isso. Opondo-se a essa prática escreveu 95 teses (afirmações),
condenando a venda das indulgências, no dia 31 de outubro de 1517. Esta data ficou conhecida
historicamente como o dia da Reforma Luterana.
Posteriormente foi convocado a desmentir os seus escritos. Como não o fez, foi excluído (excomungado)
da igreja. Dali para frente muitos fatos se precipitaram. Muitas pessoas, entre elas autoridades da igreja,
autoridades civis, e pessoas em geral apoiaram Lutero no seu levante contra a igreja. Mais tarde também o
grupo que protestou por não ter liberdade religiosa foi denominado “protestante”, e o grupo que estava com
Lutero foi chamado “os luteranos”.

Orlando Mário Konrad - Capelão (ULBRA) - Ji-Paraná

TEXTO 05: PLANO DE SALVAÇÃO CONFORME A BÍBLIA

Talvez algum dia alguém já lhe tenha feito a seguinte pergunta: “Se você morresse hoje
poderia afirmar com certeza de que estaria salvo, que iria para o céu ?”
A maior parte das pessoas que se deparam com esta pergunta, respondem que não tem
certeza, que não tem condições de saber se estariam salvas ou não. Mas, será que isto é verdade ?
Não temos condições de saber se temos a salvação ou não ?
A Palavra de Deus nos diz que é possível termos a certeza da salvação. Como ? De que
maneira ? Para isso é preciso darmos uma olhada no plano de salvação que a Bíblia apresenta.

A) A GRAÇA

1. A SALVAÇÃO É UM PRESENTE

Muitas pessoas acham que precisam se esforçar para obterem a salvação, que necessitam
guardar certos mandamentos e obedecer determinadas regras. Mas, segundo a Bíblia, a salvação do
ser humano é um presente totalmente grátis.

2. A SALVAÇÃO NÃO É GANHA OU COMPRADA POR OBRAS OU MERECIMENTO

A salvação não é uma conquista, nem uma recompensa. É de graça ! De certa forma
pensamos que não há nada nesta vida que seja de graça. Sempre procuramos pela etiqueta do preço.
E isso talvez seja verdade. Mas, graças a Deus, a coisa mais importante que o ser humano poderia
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ter - a salvação - é gratuita ! Naturalmente, a idéia de que temos de pagar por tudo é algo que está
enraizado em nós. Esse é o modo que parece certo a muitas as pessoas.
A Bíblia nos fala em Provérbios 14.12: “Há caminhos que parecem certos, mas podem
acabar levando para a morte”. Deus diz que seus caminhos não são os nossos caminhos. O caminho
de Deus é o caminho da graça. Ele é o Deus de toda graça.
Em Romanos 6.23 está escrito: “Porque o salário (salário é o que ganhamos, que
merecemos) do pecado (todos os seres humanos são pecadores) é a morte (morte física, espiritual e
eterna), MAS (e essa é a boa notícia) o presente de Deus é a vida eterna para quem está unido com
Cristo Jesus, nosso Senhor”.
A graça de Deus não é fantasia ou possibilidade, mas fato divinamente revelado. Movido
por seu amor pelo ser humano, Deus resolveu salvá-lo pela morte de Cristo. Por isso, a graça de
Deus é a causa motriz e a salvação por Cristo é a causa meritória de nossa salvação. O ser humano
afastado de Deus é salvo pela graça de Deus em Cristo. Como diz a Bíblia em Efésios 2.8,9: “Pois é
pela graça de Deus que vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é presente
dado por Deus. A salvação não é o resultado dos esforços de vocês mesmos, e por isso ninguém
deve se orgulhar”. Salvação por obras é impossível., pela graça é segura.
A doutrina da salvação pela graça distingue a religião cristã das demais religiões do
mundo. Todas as outras ensinam que o ser humano, visto ter desobedecido a Deus, deve tentar
agora amenizar a ira de Deus. Diferem entre si quanto ao método e aos meios de conseguir esse
resultado, mas estão de acordo quanto ao fato de que o ser humano deve alcançar sua salvação por
seus próprios esforços e obras. A Bíblia ensina que a salvação do ser humano é alcançada
exclusivamente pela graça de Deus.

B) O SER HUMANO

1. É PECADOR

Um aspecto muito importante para se entender a “salvação” é ver o que Deus diz na Bíblia
sobre o ser humano. De acordo com a Palavra de Deus, temos feito um tremendo estrago em tudo
que colocamos as mãos.
Se tivéssemos de sair deste planeta e olhá-lo objetivamente, verificaríamos a veracidade da
afirmação anterior. Nós temos guerras e combates, crimes delinqüência, assassinatos, ódio, inveja,
egoísmo. De acordo com a Bíblia, tudo isso é resultado do pecado. A própria Bíblia diz em
Romanos 3.10-12 e 23: “Não há ninguém justo, ninguém que tenha
juízo; não há ninguém que adore a Deus. Todos se desviaram do caminho certo, todos se perderam.
Não há ninguém que faça o bem, não ninguém mesmo. Pois todos pecaram e estão afastados da
presença gloriosa de Deus”.
Esse é um triste quadro. O pecado é um câncer destruidor da raça humana e não se pode
tratá-lo com êxito até se admitir francamente sua existência. Em pensamentos, palavras, ações, e
omissões todos nós estamos abaixo dos padrões que Deus nos tem dado.

2. O SER HUMANO NÃO PODE SALVAR-SE A SI MESMO

A Bíblia vai mais longe e nos ensina que além do pecado, temos outro problema: porque
somos pecadores não podemos salvar-nos a nós mesmos. Em Tito 3.4,5 lemos: “Porém, quando
Deus, o nosso Salvador, mostrou a sua bondade e o seu amor por todos, ele nos salvou, não porque
fizemos alguma coisa boa, mas por causa da sua própria misericórdia”. Muitas pessoas pensam que
se salvarão porque guardam os Dez Mandamentos, amam o próximo e ajudam pessoas menos
favorecidas. Isto é o mesmo que perguntar na escola qual é a nota que preciso para passar de ano.
Deus também nos revelou qual a nota mínima que precisamos para passarmos de ano na
escola da vida. Em Mateus 5.48 lemos: “Sejam perfeitos assim como é perfeito o Pai de vocês, que
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está no céu”. Temos de ser perfeitos ! Esta é a nota mínima. Bom, diante disso, concluímos que
ninguém terá a salvação, porque ninguém é perfeito.
Alguns pensam que sendo bons serão salvos. A verdade é que ninguém é suficientemente
bom. Segundo a Bíblia ser suficientemente bom é ser perfeito. Estamos diante de um problema:
ninguém será salvo se a perfeição é a nota mínima exigida. Lutero disse que “a mais detestável e
perigosa heresia que já infestou a mente do homem foi a idéia de que de alguma maneira ele
conseguiria se tornar suficientemente bom para viver com um Deus totalmente santo “. Jamais
poderíamos fazer uma omelete com cinco ovos bons e um estragado e servi-lo às visitas e esperar
que gostem. Da mesma maneira não podemos oferecer nossas vidas a Deus, pois, ainda que
tenhamos muitas coisas que os homens chamariam de boas, ainda assim temos muitos atos e
pensamentos estragados, de modo que não podemos esperar que eles sejam aceitáveis a Deus. Se
desejamos a salvação por nossas boas obras, tudo que temos de fazer é sermos perfeitos. O padrão
de Deus é a completa obediência a Ele, em todo o tempo, e todos nós falhamos nisso.
Mas, então deve haver um outro caminho. Qual é ele ? Para entendermos isso, temos de
deixar de lado o que Deus tem dito sobre nós, para considerarmos o que ele diz de si mesmo. Sobre
nós Ele já disse que somos imperfeitos e que não podemos fazer nada para remediar essa situação.

C) DEUS

1. É MISERICORDIOSO, PORTANTO NÃO QUER NOS PUNIR

Um dos fatos mais maravilhosos e mais difíceis de se aprender acerca de Deus é que Ele
nos ama apesar do que somos. Ele nos ama não por causa do que nós somos, mas por causa do que
ele é. A Bíblia mesmo afirma que “Deus é amor” (1 João 4.8b). E esse amor de Deus se torna ainda
mais incompreensível quando nós nos enxergamos exatamente como somos.

2. É JUSTO, PORTANTO DEVE PUNIR O ERRO

Mas, a mesma Bíblia que nos diz que Deus é amor também nos diz que esse mesmo Deus é
justo e deve punir o nosso erro. Se Deus fosse somente justiça, todos estaríamos perdidos. No
entanto, Ele é amor. Ainda que tenha que punir o nosso erro, Ele nos ama e não deseja nos punir. Se
Ele fosse somente amor, então não haveria problema, todos estariam salvos. A questão é que
qualquer relacionamento de amor que Deus tenha conosco deve estar em harmonia com sua justiça.
Os ensinamentos que Deus enfatiza sobre si mesmo são: Ele é santo e justo e por isso mesmo deve
punir o erro, mas Ele também é amor e não deseja nos punir. Isso criou um problema que Ele
resolveu em Jesus Cristo.

D. JESUS CRISTO

1. OS NOMES DO SALVADOR

“Jesus” é o nome pessoal pelo qual o Salvador era conhecido e chamado em seus dias. Este
nome foi escolhido pelo próprio Deus: “Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque
ele salvará o seu povo dos pecados deles”(Mateus 1.21). O sentido de Jesus é ajudador, salvador.
“Cristo” é o nome oficial do Salvador. Cristo, que é a palavra grega para o hebraico
“Messias”, quer dizer o Ungido. Ser ungido com óleo significava receber um ofício. Seu ofício não
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era limitado como o foi o dos antigos profetas, sacerdotes e reis, que eram apenas tipos do futuro
Messias. Cristo foi ungido para ser nosso real Profeta, Sacerdote e Rei. Chamar a Jesus de “o
Cristo” é reconhecê-lo e aceitá-lo como o Messias prometido.

2. AS NATUREZAS DE CRISTO

Cristo é verdadeiro Deus - Os judeus consideravam uma blasfêmia a declaração de Jesus de


que ele era Filho de Deus (Mateus 26.63-65). No quarto século, Ário, presbítero de Alexandria,
ensinou que Jesus era apenas semelhante a Deus, mas não coigual. A igreja rejeitou o arianismo nos
Credos Niceno e Atanasiano. Em nossos dias a divindade de Cristo é negada por muitos. Para
alguns, Cristo é um homem modelo, um grande mestre e reformador, mas não o próprio Deus. Mas
se Cristo não é o verdadeiro Deus, não é nem modelo de virtude, nem grande mestre, senão que,
conforme os judeus disseram a seu respeito, um enganador (Mateus 27.63), e sua religião uma
fraude. Não pode ser o Salvador da humanidade. A divindade de Cristo é doutrina fundamental,
pois se a negarmos tornamos impossível a fé que salva. Jesus não foi feito Deus por ocasião de seu
batismo ou em sua ressurreição, nem foi deificado posteriormente por seus seguidores, que creram
ser ele Deus, enquanto ele mesmo nunca reivindicou semelhante coisa. Desde a sua concepção
Jesus foi, ainda é, e sempre será o verdadeiro Deus.

Cristo é verdadeiro homem - O judeus jamais duvidaram que Jesus, que viveu e se
movimentou entre eles, foi um ser humano real. No entanto, mais tarde surgiu uma heresia chamada
docetismo e segundo a qual Cristo foi aparentemente humano. Alguns negaram que ele tivesse
corpo humano, alma humana ou vontade humana. Se Cristo não tomou a natureza humana inteira,
esta natureza humana inteira não está salva. O fato de que ele se tornou homem real está claramente
estabelecido na Bíblia: Jesus tem ancestrais humanos (Rm 9.5), é chamado filho de Davi (Mt 21.9),
nasceu de mãe humana, da qual recebeu uma natureza humana (Lc 1.35), tem corpo de carne,
sangue e ossos (Lc 24.39, Hb 2.14), tem alma humana (Mt 26.38), a si mesmo se chama Filho do
homem (Mt 9.6), é chamado homem (1Tm 2.5), agiu como homem, nasceu, cresceu em
conhecimento (Lc 2.7,52), tinha fome ( Mt 4.2), dormia (Mc 4.38), sofreu e morreu (Mt 20.18,19 e
Jo 19.30).

3. POR QUE O SALVADOR TEVE DE SER DEUS E HOMEM

Por que verdadeiro homem ? - Sendo que Cristo devia salvar a humanidade teve que tomar
o lugar do ser humano, tornar-se o substituto dele. A Bíblia nos diz em Hebreus 2.16-18: “É claro
que ele não veio para ajudar os anjos, mas para ajudar os descendentes de Abraão. Isso quer dizer
que foi necessário que Jesus se tornasse em tudo como os seus irmãos a fim de ser o Grande
Sacerdote deles, bondoso e fiel no seu serviço a Deus. E isso para que os pecados do povo fossem
perdoados. E agora Jesus pode ajudar os que são tentados, pois ele mesmo foi tentado e sofreu”.
Para salvar os homens foi necessário que Cristo fizesse duas coisas, ambas as quais
requeriam que ele fosse verdadeiro homem:
a) para satisfazer as exigências da santidade de Deus foi necessário que ele cumprisse a lei (Lv
19.2). O ser humano não fez isso, nem podia fazê-lo, por isso Cristo assume esse dever e encargo
(Gl 4.4, Mt 3.15, Rm 10.4).
b) para satisfazer as exigências da justiça divina foi necessário que se fizesse uma reparação
completa pelos erros do ser humano sofrendo as penas a elas devidas (Rm 6.23, Hb 9.12,22). Por
isso tinha que ser verdadeiro homem a fim de que fosse capaz de sofrer e morrer por nós.
Por que verdadeiro Deus ? - Desde que o ser humano era para ser reconciliado com Deus,
nenhum outro senão o próprio Deus podia oferecer um resgate que satisfizesse inteiramente as
exigências da santidade e justiça de Deus. Apenas Deus podia dar inteira satisfação a Deus. Por isso
qualquer reconciliação tentada por alguém que é menos do que Deus necessariamente deve
fracassar. Mas o que Cristo fez foi suficiente para salvar a toda humanidade. Em 2 Coríntios 5.18,19
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lemos: “Tudo isso é feito por Deus, que por meio de Cristo, nos transforma de inimigos em amigos
dele. Deus não leva em conta os pecados dos seres humanos e, por meio de Cristo, ele está fazendo
que eles sejam seus amigos”. O fato de que foi Deus em Cristo quem cumpriu a lei e sofreu por
nossos pecados dá valor infinito e poder salvífico à obra do Salvador.

E) A FÉ

Quem receberá o presente da salvação ? Todo mundo ? Não. A Bíblia diz que poucos
andam pelo caminho da vida e muitos andam pelo caminho da destruição. Como então podemos
receber este presente ? Unicamente pela fé, a fé salvadora. A Bíblia diz: “Pois é pela graça de Deus
que vocês são salvos por meio da fé”. A fé é a chave que abre a porta do céu.

1. O QUE A FÉ NÃO É: UM MERO ASSENTIMENTO INTELECTUAL OU FÉ


TEMPORAL

Muitos confundem a fé salvadora com duas coisas: a) é um assentimento intelectual de


certos fatos históricos. Acreditar em Deus não é fé salvadora. A Bíblia diz que até o diabo crê em
Deus(Tg 2.19). Crer em Deus, crer em um Cristo histórico, não é o que a Bíblia chama de fé
salvadora. b) é uma fé temporal. Muitos dizem que quando têm problemas de doença, problemas
financeiros, crêem em Deus e pedem a Ele para solucionar os problemas. Esta é uma fé temporal,
ligada às coisas desta vida. É a fé-doença, fé-financeira...

2. O QUE É FÉ: CONFIAR SOMENTE EM JESUS PARA A SALVAÇÃO

Isto é, depender de Cristo e do que ele fez para a minha salvação. É deixar de confiar
naquilo que eu faço para confiar naquilo que Cristo fez por mim. É deixar de confiar nas minhas
boas obras, nas minhas orações, nas minhas idas à igreja, no meu amor ao próximo. No fundo o
propósito disso é ter a salvação. É uma ação egoísta. Jamais conseguiremos merecer a salvação. A
Bíblia diz que Deus veio ao mundo, e que na pessoa de seu Filho pagou na cruz pela nossa salvação
um preço infinito. Sendo tão bondoso, Deus nos oferece a salvação como um presente. “A fé é a
mão de um mendigo que recebe um presente de um rei”.
Se tudo é de graça, por que, então, devo tentar viver uma vida de obediência a Deus ? A
razão para viver uma vida correta é a gratidão. Esse é o motivo parra viver honestamente. Não estou
tentando ganhar alguma coisa pelos meus esforços em ser bom; só estou dizendo “muito obrigado”
pelo presente da salvação que Cristo me deu. A Bíblia diz em 2 Coríntios 5.14-18: “Porque somos
dominados pelo amor que Cristo tem por nós, pois reconhecemos que um homem morreu por todos,
o que quer dizer que todos tomaram parte da sua morte. Ele morreu por todos para que os que
vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que morreu e ressuscitou para o bem deles.
Por isso, daqui em diante não vamos mais usar regras humanas quando julgarmos alguém. E, se
antes julgamos Cristo assim, agora não faremos mais isso. Quando alguém está unido com Cristo, é
uma nova pessoa; acabou-se o que é velho, e o que é novo já veio. Tudo isso é feito por Deus, que,
por meio de Cristo, nos transforma de inimigos em amigos dele”.
A Bíblia ainda relata em Romanos 1.17: “Porque o Evangelho mostra que Deus nos
aceita por meio da fé do começo ao fim. Como dizem as Escritura Sagradas: viverá aquele que, por
meio da fé, é aceito por Deus”.

TEXTO 06 - Os Cristãos perseguidos porque cristãos


O cristianismo iniciou suas atividades dentro de um contexto judaico, em uma província que vivia sob
o domínio do Império Romano.
Em Roma estava o Imperador Tibério César (14 -37 d. C) e na Palestina governava Poncio Pilatos
(25-29 d.C), como Interventor, nomeado pelo Imperador.
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Todos os anos1 os Governadores das Províncias eram obrigados a apresentar um relatório de sua ad-
ministração, devendo constar necessariamente um balanço financeiro e unia relação das penas capitais
aplicadas.
O Relatório de Pôncio Pilatos, encaminhado no ano 28 de nossa era, não existe mais, mas, soubemos
da inquietação causada no palácio de Tibério.
Tibério que, a partir de 27, estava residindo na ilha de Capri, por medo dos trovões de Roma e das
intempéries, ficou muito impressionado com as notícias aludidas sobre a morte de Jesus, do terremoto,
sentido na ocasião, da escuridão e, sobretudo, das insistentes notícias em torno de uma ressurreição.
Em torno do ano 30, Tibério César encaminha um projeto – de - lei ao Senado, tentando elevar Jesus à
categoria de Deus Oficial do Império, com direito a um altar dentro do Panteon (onde havia um altar para
todos os deuses oficiais).
Este projeto foi discutido e votado no ano 32. O Senado vetou o projeto, apresentando duas razoes: é
um deus muito recente e por tratar-se de um deus estrangeiro.
A partir deste veto do Senado, temos um fundamento jurídico para todas as futuras perseguições. Os
historiadores da época resumiam o posicionamento oficial: "non licet essere vos” isto é, "não é legítimo que
vocês existam"
Entretanto, não temos notícias de alguma perseguição de maior vulto acontecida por iniciativa do
governo de Roma. Temos só o caso do imperador Cláudio que, no ano 49, expulsou judeus e cristãos de
Roma, segundo o historiador Tácito, "pelas perturbações havidas por Causa de um certo Cristo, já morto 1 que
os cristãos diziam estar vivo".

Duas grandes perseguições - O ambiente endureceu mesmo para os cristãos só no tempo de Nero
(54-68 d.C), filho adotivo de Cláudio, que prematuramente assumiu o Império, ainda muito jovem.
Tinha. ele uma grande aspiração: construir uma nova Capital, que chamaria de Neríade (para eternizar
seu nome).
Dentro deste contexto, na noite de 20 de julho do ano 66 a cidade de Roma pegou fogo e um incêndio
de grandes proporções se espalhou por uma semana inteira. Cinco quarteirões completamente destruídos e
mais três outros muito danificados. Grande parte da população ao relento, na penúria extrema.
Nero estava em Anzio (60km de Roma). Quando regressou e viu aquela calamidade, manda então
abrir os seus celeiros e distribuir trigo e víveres de primeira necessidade.
Entretanto, o historiador Tácito observa que, nas filas do trigo, o comentário era sempre o mesmo:
"Foi Nero que incendiou a cidade". E, então, "para abolir os rumores maléficos, Nero lança a acusação
contra os cristãos" (Tácito).
A partir desta acusação, bastava comprovar que alguém fosse cristão para incriminá-lo como culpado
pelo incêndio... condenado à pena de morte! Nero, então, abre os seus jardins e, à noite, dava espetáculos à
população execução de cristãos. Muitos morreram "queimados vivos, atirados às feras ou crucificados",
conforme descrição de Eusébio de Cesaréia.
Esta perseguição deve ter durado cerca de oito meses (agosto 66 a abril 67), já que em maio Nero
viajou para a Grécia, só retornando em meados de 68.
Quando Nero volta, estava seguro de que os cristãos de Roma tivessem acabado. Surpreende-se e ao
encontrar uma comunidade muito ativa, com uma hierarquia estabelecida e uma vida cristã toda organizada.
Foi então que Nero, enfurecido faz um novo Decreto contra esta religião maléfica. cheia de novidades
proibida desde o veto do Senado (Cf. Suetônio).
Veio então uma perseguição cruel e organizada, procurando, sobretudo, atingir as lideranças da
hierarquia. Foi nesta ocasião que provavelmente a fúria se atirou contra Pedro e Paulo que devem ter sido
executados na mesma oportunidade. Segundo a tradição, Pedro crucificado de cabeça para baixo e Paulo com
a cabeça decepada. E isto deve ter acontecido poucos dias antes do suicídio de Nero, acontecido a 27 de
outubro de 68.
Foi Nero o mais duro perseguidor do primeiro século. Não se trata ainda de urna perseguição ampla
que atingisse todo o Império, mas, ao que tudo indica, só os cristãos de Roma sofreram o martírio. Tácito
fala em "ingens multitudo", isto é, uma enorme multidão, enquanto Eusébio fala em milhares de mortos.

Posicionamento novo - Em outros assuntos, os Decretos perdiam sua validade com a morte daquele
que os decretou. Entretanto, com a perseguição aos cristãos, este esquema não funcionou. As mesmas leis de
Nero continuam dando suporte jurídico para os processos instaurados contra os cristãos, no tempo de Trajano
( 97-117).
É isto que se conclui a partir de um documento preciosíssimo que nós temos, do tempo de Trajano.
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Trata-se de uma carta do jovem Governador do Ponto, Plínio, e da resposta que é conhecida como o "rescrito
de Trajano".
Está claro para aqueles homens que um cristão professo, que se nega a prestar culto aos deuses ou à
imagem do Imperador, deve ser morto com base nas Leis de Nero. Entretanto, a partir da sugestão de Plínio,
um cristão acusado que, no tribunal, apresenta o seu arrependimento e o comprova com atos, deve ser
poupado e perdoado. Trata-se da Lei do Arrependimento “, em que o inquisidor pode induzir o réu a
arrepender-se de ser cristão. E, neste caso, receber o perdão”.
Isto trouxe conseqüências terríveis para os cristãos. Muitos acusados da prática cristã, na hora do
julgamento, apresentavam a sua renúncia à fé, apostatando do cristianismo, em vista do perdão. Eram então
chamados lapsos.
Constituíram-se num dos grandes problemas do segundo e terceiro século. Em toda a parte havia
muitos lapsos.

Os certificados- No ano 250 d.C, assumiu o Imperador Décio. Encontrou o Império cm crise. OS
bárbaros estavam avançando; o funcionalismo público estava descontente e mal remunerado; falta de
dinheiro em toda parte e a pobreza aumentando sempre mais. Enquanto isso, as obras da Igreja estavam
prosperando. Em toda havia igrejas, asilos, obras caritativas e cemitérios.
Décio planeja então acabar com os cristãos e assumir todas as propriedades e superar o caos
econômico.
Consulta os deuses e percebe que as divindades estão descontentes por falta de sacrifícios. Institui
então um sacrifício expiatório para iodos os cristãos. Ao oferecer o sacrifício, a pessoa recebe um certificado.
E, num segundo momento, seriam recolhidos estes papéis e quem não o tivesse seria condenado à morte.
Seria uma forma de acabar com todos os cristãos por que os que não tivessem o certificado seriam mortos
e quem o tivesse teria renunciado à fé e já não seria mais cristão.
Este plano teria acabado com o cristianismo, no Império Romano, se já não houvesse a corrupção. De
fato, os funcionários públicos, descontentes e mal pagos, começaram a vender certificados. E, na hora de
apresentar o dito documento, todos o tinham. Até mesmo os padres e bispos tinham o seu certificado.
Na verdade, poucos mártires foram executados, no tempo de Décio.
Só em Roma, o Papa Fabiano foi morto em fevereiro do ano 250 por uma intransigente oposição ao
plano de Décio e o substituto, Papa Cornélio, só pôde ser eleito 14 meses mais tarde, em abril de 251,
quando Décio já tinha sido assassinado.

A terrível perseguição - Em 284, sobe Diocleciano, homem de grande talento e da mesma família do
Papa Caio (283-296). Em princípio, nada hostil ao cristianismo, tanto é que a esposa Valéria provavelmente
até fosse cristã.
Entretanto, Diocleciano como grande administrador, inventou uma nova forma de governo: a te-
trarquia, isto é, convidou. um de seus Generais, Maximiano, para assumir o título de Augustus no Ocidente',
assumindo ele mesmo o título de Augustus do Oriente. Além disso, deu a Maximiano um César, na pessoa
de Constâncio Cloro, que ficaria no Ocidente, escolhendo para si um César para o Oriente na pessoa de
Galério.
Dentro da Tetrarquia, Galério era devoto dos deuses e não via com bons olhos o rápido crescimento
do cristianismo que, segundo um censo da época, já contava com seis milhões de adeptos, isto é, exatamente
metade da população do Império.
Constantemente, Galério insistia na necessidade de frear o crescimento desta "religião nova e contrária
à lei", referindo-se sempre à Lei de Nero.
Já no ano de 298, Galério conseguiu acabar com os cristãos infiltrados no exército, com a simples
ordem de exigir sacrifícios especiais de gratidão, pelos quinze anos de império de Diocleciano. Ora, os
soldados e oficiais que não concordavam eram expulsos.
Entretanto a mãe de Galério insistia em exigir mais. Foi então que, em setembro de 303, a Tetrarquia
assinou o primeiro decreto de perseguição: era preciso destruir os livros e os templos dos cristãos.
Este decreto deu poucos resultados porque os funcionários públicos encarregados de recolher e
destruir os livros sagrados, em sua maioria, eram analfabetos e não conseguiam distinguir uma. Bíblia ou
missal de um rolo contendo fábulas ou receitas medicinais.
Veio então o segundo decreto: todos os Bispos, Padres, Diáconos, Leitores, Acólitos, Exorcistas e Sa-
cristãos deveriam ser presos. Eusébio diz que 45 cadeias ficaram lotadas... Não havia lugar para todos.
Foi então assinado um terceiro decreto: dos presos, quem sacrificasse seria libertado e quem se
recusasse seria levado para o exílio e condenado a trabalhos forçados.
43

Como tudo isso não fosse ainda o suficiente, foi emitido um quarto decreto: quem não sacrifica deve
ser considerado um “corpo estranho" e, por isso, réu de morte.
Segue então a mais terrível de todas as perseguições. Claro que a intensidade não era igual em toda
parte. Nos domínios de Constâncio Cloro e Maximiano havia tolerância. Mas, no Oriente, a situação foi
terrível. Piorou ainda em 305, quando Diocleciano renunciou e transformou Galério em Augustus do Oriente
e seu cunhado, Maximino Daia, foi convidado para ser seu César.
No Oriente todo, a perseguição se tornava cada dia mais cruel. Descobriram todas as formas de matar,
desde o enforcamento até a terrível prática do esquartejamento.
A perseguição continuou até o ano 311, quando a 30 de abril, Galério assinou o seguinte edito de
tolerância: "Durante quase três séculos, nós e nossos antepassados tentamos levar o nosso povo ao
verdadeiro culto de nossos deuses, impedindo-os de todas as formas a adorarem o seu Deus. Não adiantou.
Cresceram na desobediência aos nossos decretos, Por isso, em nossa misericórdia; reconhecemos o direito
que tem o Deus deles de ser adorado. Mas rezem pela nossa saúde" (tradução livre). Deveria estar muito
doente, já que veio a falecer no dia 5 de maio do mesmo ano.

Revista Mundo Jovem, no 239, nov/92, p.18 e 19.


Autor: Padre Zeno Hastenteufel

TEXTO 07 - Deuses Gregos e Romanos


A mitologia grega é bastante rica em termos de contos e explicações da origem do mundo, a tudo
atribuindo os poderes dos deuses gregos, que segundo a crença geral, moravam no Monte Olimpo.
Dizem as lendas gregas que, no princípio, havia somente o grande Caos, do qual surgiram os
Velhos Deuses, ou Titãs, dirigidos pelo deus Cronos (Tempo). Zeus era um filho de Cronos e
chefiou a rebelião da nova geração dos deuses - chamados Deuses Olímpicos - que dominaram a
Grécia em toda a sua época clássica. Os principais deuses olímpicos são:
Zeus
É o deus principal, governante do Monte Olimpo. Rei dos deuses e dos homens, era o sexto filho de
Cronos. Como seus irmãos, deveria ser comido pelo pai, mas a mãe deu uma beberagem a Cronos e
este vomitou novamente o filho; este e seus irmãos, também vomitados na mesma hora, uniram-se
contra o pai, roubaram os raios e venceram a batalha. Os raios, fabricados pelo deus Hefaistos, eram
o símbolo de Zeus.
Zeus para os gregos e Júpiter para os romanos.
Palas Atena ou Atenéia
Deusa virgem, padroeira das artes domésticas, da sabedoria e da guerra. Palas nasceu já adulta, na
ocasião em que Zeus teve uma forte dor de cabeça e mandou que Hefaistos, o deus ferreiro, lhe
desse uma machadada na fronte; daí saiu Palas Atena. Sob a proteção dessa deusa floresceu Atenas,
em sua época áurea. Dizia-se que ganhou a devoção dos atenienses quando presenteou a
humanidade com a oliveira, árvore principal da Grécia.
Palas para os gregos e Minerva para os romanos.
Apolo
Deus do sol e patrono da verdade, da música, da medicina e pai da profecia. Filho de Zeus, fundou
o oráculo de Delfos, que dava conselhos aos gregos através da Pitonisa, sacerdotiza de Apolo que
entrava em transe devido aos vapores vinndos das profundezas da terra.
Apolo para os gregos.
Ártemis
A Diana dos romanos, era a deusa-virgem da lua, irmã gêmea de Apolo, poderosa caçadora e
protetora das cidades, dos animais e das mulheres. Na Ilíada de Homero, desempenhou importante
papel na Guerra de Tróia, ao lado dos troianos.
Ártemis para os gregos e Diana para os romanos.
Afrodite
Deusa do amor e da beleza, era esposa de Hefaistos e amante de Ares, a quem deu vários filhos
(entre eles Fobos = Medo, e Demos = Terror). Afrodite era também mãe de Eros.
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Afrodite para os gregos e Vênus para os romanos.

Hera
Esposa de Zeus, protetora do casamento, das mulheres casadas, das crianças e dos lares. Era
também irmã de Zeus, uma das filhas vomitada por Cronos.
Hera para os gregos e Juno para os romanos.
Démeter
Era a deusa das colheitas, dispensadora dos cereais e dos frutos. Quando Hades, deus do inferno,
levou sua filha Perséfone como sua esposa, negou seus poderes à terra, e esta parou de produzir
alimentos; a solução de Zeus foi que Perséfone passaria um terço do ano no inferno, com seu
marido, e o restante do tempo com sua mãe, no Olimpo. Dessa forma, Démeter abrandou sua ira e
tornou a florescer nas colheitas.
Démeter para os gregos e Ceres para os romanos.
Hermes
Filho de Zeus e mensageiro dos mortais, era também protetor dos rebanhos e do gado, dos ladrões,
era guardião dos viajantes e protetor dos oradores e escritores.
Hermes para os gregos e Mercúrio para os romanos.
Poseidon
É o deus do mar e dos terremotos, foi quem deu os cavalos para os homens. Apesar disso, era
considerado um deus traiçoeiro, pois os gregos não confiavam nos caprichos do mar.
Poseidon para os gregos e Netuno para os romanos.
Dionísio
Era o deus do vinho e da fertilidade. Filho de Zeus e uma mortal, foi alvo do ciúme de Hera, que
matou sua mãe e transtornou o seu juízo. Assim, Dionísio vagueava pela terra, rodeado de sátiros e
mênades. Era o símbolo da vida dissoluta.
Dionísio para os gregos e Baco para os romanos.
Ares
O deus guerreiro por excelência. Seu símbolo era o abutre. Seus pais, Zeus e Hera, detestavam-no,
mas era protegido por Hades, pois povoava o inferno com as numerosas guerras que provocava. Sua
vida estava longe de ser exemplar - foi surpreendido em adultério com Afrodite, esposa de
Hefaistos, que os prendeu em fina rede; foi ferido por três vezes por Héracles (Hércules). Era muito
respeitado pelos gregos por sua força e temperamento agressivo.
Ares para os gregos e Marte para os romanos.
Hefaistos ou Hefesto
Deus ferreiro, do fogo e dos artífices. Filho de Zeus e Hera, foi lançado do Olimpo por sua mãe,
desgostosa por ter um filho coxo. Refugiou-se nas profundezas da terra, aprendendo com perfeição
o ofício de ferreiro. De suas forjas saíram muitas maravilhas, inclusive a primeira mulher mortal,
Pandora, que recebeu vida dos deuses. Construiu no Olimpo um magnífico palácio de bronze para si
próprio, e era estimado em Atenas. Para compensá-lo de sua feiúra, seu pai deu-lhe por esposa
Afrodite, a deusa da beleza. Era artesão dos raios de Zeus.
Hefaistos para os gregos e Vulcano para os romanos.

Além desses deuses, que junto a muitos outros pululavam no Olimpo, havia heróis (filhos de deusas
ou deuses com mortais), semideuses, faunos, sátiros e uma infinidade de entidades mitológicas que
explicavam por lendas todos os fenômenos da natureza. Entre os heróis mais populares, podemos
citar:
Io amada por Zeus, que a transformou em novilha para escondê-la da ciumenta Hera.
Deucalião e Pirra únicos sobreviventes do dilúvio que Zeus mandou ao mundo pervertido.
Héracles ou Hércules, autor dos famosos Doze Trabalhos; era filho de Zeus e da moratal Alcmena.
Édipo que matou a esfinge e casou-se com sua própria mãe.
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Perseu que matou a Medusa, uma das Górgonas, e libertou a princesa Andrômeda da serpente
marinha.
Cadmo que matou um dragão e no local fundou a cidade de Tebas.
Europa irmã de Cadmo, foi amada por Zeus que lhe apareceu sob a forma de um touro e, em suas
costas, atravessou o mar.
Jasão chefe dos Argonautas, equipe de heróis - Héracles, Orfeu, Castor e Pólux, e outros - que
navegou no navio "Argos" em busca do Velocino de Ouro.
Teseu que penetrou o labirinto de Creta e matou o Minotauro, acabando por unificar a Ática.
Atalanta mulher aventurosa que se casou com o ardiloso Hipomenes.
Belerofonte que matou o monstro Quimera e domou o cavalo alado, Pégaso.
Os heróis de Tróia Aquiles, Heitor, Ájax, Agaménon, Ulisses - autor da idéia do cavalo de Tróia - e
outros.

TEXTO 08 - ALGUNS SÍMBOLOS CRISTÃOS

Alfa e Ômega: Alfa e ômega são a primeira e a última letras do


alfabeto grego. Jesus diz que ele é o alfa e o ômega. As duas
letras expressam a natureza eterna de Cristo. (Ap 1:8) Época:
Advento e ascensão.

Agnus Dei: É uma expressão latina que significa "Cordeiro de


Deus", cujo desenho aparece em diversas formas. Quando
aparece de pé firmando uma bandeira, representa o Cristo
ressuscitado que triunfou sobre a morte. Parado de pé com uma
cruz e sangrando de um corte de um lado, representa o
sofrimento e a morte de nosso Senhor. Sentado sobre um livro
com sete selos, representa o julgamento final, quando Cristo
retornará em gloria. Este é um símbolo rico em significados. João
Batista proclamou a Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo (Jo 1.29). No Apocalipse, Jesus é mencionado
como Cordeiro (Ap. 5:11). Quando Abraão, por ordem de Deus,
foi sacrificar seu filho Isaque, Deus providenciou um carneiro
como substituto de Isaque. Este carneiro serviu como um tipo de
Cristo (Gen. 22.1-19).

Coroa de espinhos: A coroa de espinhos é um símbolo da


Paixão de Jesus. Quando é combinada com uma cruz lembra a
crucificação de Jesus. Ela também nos lembra o escárnio e a
zombaria dos soldados sobre Cristo e a irônica inscrição na cruz
como rei dos Judeus. Mt. 27.27-28 Época: Quaresma e Semana
Santa

INRI: Estas são as letras iniciais da frase latina "Iesus Nazarenus


Rex Iudaeorum" - Jesus Nazareno, Rei do Judeus, que Pilatos
ordenou colocar sobre a cruz de Jesus. Jo. 19:19-20
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Sino: O sino é o símbolo da chamada para adoração e a


proclamação do evangelho para o mundo.

Borboleta: A borboleta é um símbolo da Ressurreição. A bela


borboleta que surge da crisálida aparentemente sem vida e da
asquerosa lagarta, lembra a passagem da morte para a vida e a
nova vida em Cristo. Período: Páscoa.

Peixe: As letras iniciais da frase grega "Jesus Cristo, Filho de


Deus, Salvador" formam a palavra grega ICHTHUS, que significa
peixe. O desenho de um peixe tornou-se símbolo dos primeiros
cristãos que, em tempos de perseguição, o usavam como sinal
secreto da fé. E para um cristão saber se uma outra pessoa era
irmão na fé, desenhava um arco na areia. Se a outra pessoa era
cristã, desenhava o arco ao contrário, formando assim, o desenho
de um peixe.

Torre de igreja: A torre da igreja provavelmente tem sua


origem nas antigas torres de sinos. Ela tem como objetivo
apontar para o céu e nos convidar para o culto. Por isso,
normalmente ela tem uma cruz na ponta e um sino. A cruz, bem
no alto, sempre é um testemunho de Cristo pois é vista de muito
longe. O objetivo do sino na torre é chamar nossa atenção para
Deus e nos convidar para adoração.

Cruz Latina
É a mais comum de todas as cruzes. Ela era um instrumento de
condenação à morte nos tempos de Jesus. Ela nos lembra o
supremo sacrifício que Jesus ofereceu pelos pecados de todo
mundo. Tradicionalmente ela simboliza a crucificação, no entanto,
como é totalmente vazia, também nos lembra a ressurreição e a
esperança da vida eterna.
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