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RELATÓRIO TCS – AFR

DAYANNA DE OLIVEIRA QUINTANILHA


TURMA 210

A primeira atividade de campo do nosso grupo foi visitar a


Associação Fluminense de Reabilitação, uma instituição filantrópica
reconhecida de utilidade pública, que atua na melhoria da qualidade
de vida de crianças, adolescentes e adultos com necessidades
especificas. Foram ao todo três visitas; na primeira, conhecemos a
instituição como um todo e nas duas últimas, tivemos a oportunidade
de ficar 1h acompanhando o atendimento em cada setor.
Logo assim que chegamos, já tive a impressão de que não
seriam simples visitas, mas que eu aprenderia muito tanto com os
profissionais quanto com os pacientes. O impacto de estar em um
local com tanta gente com deficiência certamente estava presente.
Muitas das doenças que víamos ali eram novas, nem os livros as
tinham nos apresentado. Como marinheiros de primeira viagem,
tínhamos que controlar nossos olhares de surpresa, espanto,
curiosidade. Caminhamos pelos setores, conhecemos por alto cada
um deles. Eram muitos, desde a fisioterapia até a produção de
próteses e órteses. Ficou a boa notícia de que encontrávamos um
lugar que tinha como princípio a tão falada integralidade.
Minhas expectativas para a próxima visita sem dúvidas eram
altas. No segundo dia de AFR, eu estava bem mais a vontade, já
conhecia o porteiro, o local do banheiro e até mesmo o rostinho de
alguns pacientes. Nosso primeiro setor foi a fisioterapia pediátrica.
Fomos muito bem recebidos e os fisioterapeutas nos apresentaram
cada paciente explicando o que tinham e o tratamento que faziam.
Recordo-me do Fernandinho, com macrocefalia que trabalhava
deficiências na marcha, da Gabi que tinha uma síndrome muito rara
(stuargeweber) e do Luís Daniel, portador da Síndrome de Down, que
esbanjava simpatia. Uma hora completa e seguíamos para outro
setor.
No meio do caminho, havia a Yasmin, a vizinha mais fofa que eu
poderia ter. Ela também é portadora de Síndrome de Down e seus
pais são surdos. Conheço a família há cerca de dois anos e foi uma
grata surpresa encontrá-la por lá. Ela tem 3 anos e meio, é muito
alegre e brinca com todos por onde passa. Apresentei-a ao grupo de
Tcs, que se encantou, tiramos fotos juntos. Ela voltou de carro comigo
e fiquei muito feliz por ver o quanto ela desenvolveu a fala nesse
tempo de tratamento. Mas vamos ao segundo setor antes que eu
fique horas aqui falando só dessa lindona.
O segundo setor foi o ginásio, onde é feita a fisioterapia em
adultos. Lá acompanhei um paciente chamado Adriano. No primeiro
dia de visita eu já tinha ouvido falar nele, um dos fisioterapeutas até
nos mostrou fotos impressionantes de escaras de decúbito que ele
possui e que serão tratadas na AFR. Adriano é um jovem de 24 anos,
casado, pai de uma filha, que ficou tetraplégico após uma queda em
águas rasas. Depois de um ano de internação, ele está começando
seu tratamento de reabilitação. Nos poucos minutos em que estive
com ele, presenciei exercícios de fisioterapia e respiração. Esse é um
dos casos que me trouxe muitas reflexões, dentre elas, ficou uma
análise profunda do significado da palavra limitações. Diante do que
eu estava vendo, muito do que eu entendia como grandes limitações
nada significavam.
O terceiro setor visitado foi o respiratório. Lá conhecemos
alguns equipamentos utilizados nos tratamentos e pudemos
experimentar outros. Nesse setor, também encontrei uma criança
conhecida, o Patrick, que é sobrinho de um grande amigo da minha
família. Ele tem distrofia muscular. A fisioterapeuta nos mostrou o
prontuário dele. Ao ler, pude ver que o Patrick não aceita bem a
doença e os tratamentos. Lembrei-me de um dia que o tio dele
comentou comigo que ele não queria usar as calhas e que estava
difícil motivá-lo. O caso dele é muito complicado, mas certamente
está em boas mãos. Assim, encerrou-se o segundo dia de visitas.
No terceiro e último dia, começamos a visita pela Terapia
Ocupacional. Logo assim que entramos, vimos pacientes de AVC
fazendo exercícios passivos. Depois, fomos direcionados a uma sala
em que estava uma turma de idosos com comprometimentos mentais
diferentes, jogando jogo da memória. Foi um tempo de muita
descontração. Uns eram muito animados, outros ranzinzas. A
profissional responsável nos explicou que o jogo não trabalhava
simplesmente a memória, mas a socialização, a necessidade de
esperar sua vez, dentre outras habilidades. Quando nosso horário
estava terminando, ainda tivemos a chance de acompanhar a Gabi,
que conhecemos na fisioterapia, na terapia.
Seguimos para a Fonoaudiologia. Acompanhei o tratamento do
Dudu, que nasceu com má formação da calota craniana e
apresentava alguns retardos por conta disso. Ele era muito
sorridente, mas ficou bravo comigo quando tentei pegar o brinquedo.
A fonoaudióloga explicou que ele tem personalidade forte mesmo. No
tratamento dele, ela utilizava um creme para massagear e fortalecer
a musculatura bucal e uma garrafa de água para corrigir a sucção.
Acompanhei também o Fernandinho, o mesmo que conhecemos na
fisioterapia. A família estava se queixando que ele não aceitava os
alimentos na creche. A fono, então, levou biscoitos e bala para a sala.
Percebemos que o biscoito do tipo água e sal ele comia bem, mas que
a bala ele colocava na boca, cansava de mastigar e cuspia. A fono
disse que ele tinha dificuldade de mastigação provavelmente porque
foi acostumado com papinhas e não foi estimulado a mastigar.
Enfim, fomos para o Programa Reintegrar, que atende pacientes que
recebem alta do tratamento por objetivo alcançado. A equipe é Interdisciplinar e realiza
trabalhos em grupo para desenvolver e estimular a máxima independência possível, de
acordo com as condições de cada paciente, nas realizações das atividades da vida diária.
O programa surgiu porque o término do tratamento é um momento difícil para maioria
dos pacientes, já que nem sempre o resultado final é o que eles esperavam. A
coordenadora ressaltou o caso das mães de crianças com deficiência mental, que
vêem seus filhos entrarem na AFR ainda bebês e ficarem até a
adolescência, sendo lá quase que uma segunda casa para eles. Nessa
etapa, diferentemente das outras, a família pode participar das
atividades. Os pacientes e seus familiares aprendem como fazer a
manutenção das habilidades alcançadas, há atividades de
socialização e no caso das crianças e adolescentes, há
encaminhamento para uma escola. Certamente, essa é uma etapa
crucial para o tratamento.
Depois de tudo o que eu vivi na AFR, tive ainda mais certeza de
que esse período no Tcs vai ser essencial para minha formação.
Sobretudo porque em nossa vivência social criamos, mesmo que
inconscientemente, barreiras para lidar com portadores de
deficiência. Como me aproximar? O que perguntar? Será que ele vai
se sentir ofendido? São alguns questionamentos simples que ainda
permeiam meu universo. Espero, portanto, desconstruir paradigmas e
trabalhar no sentido de me colocar no lugar dessas pessoas para que,
então, eu possa atendê-las de forma integral.