Вы находитесь на странице: 1из 12

Estética da Arte Contemporânea

Impressionismo
Impressionismo foi um movimento artístico que surgiu na pintura européia do século
XIX. O nome do movimento é derivado da obra Impressão, nascer do sol (1872), de
Claude Monet.
Os autores impressionistas não mais se preocupavam com os preceitos do Realismo ou
da academia. A busca pelos elementos fundamentais de cada arte levou os pintores
impressionistas a pesquisar a produção pictórica não mais interessados em temáticas
nobres ou no retrato fiel da realidade, mas em ver o quadro como obra em si mesma. A
luz e o movimento utilizando pinceladas soltas tornam-se o principal elemento da
pintura, sendo que geralmente as telas eram pintadas ao ar livre para que o pintor
pudesse capturar melhor as variações de cores da natureza.
A emergente arte visual do impressionismo foi logo seguida por movimentos análogos
em outros meios quais ficaram conhecidos como, música impressionista e literatura
impressionista.

Orientações Gerais que caracterizam a pintura impressionista:


A pintura deve mostrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz do sol
num determinado momento, pois as cores da natureza mudam constantemente,
dependendo da incidência da luz do sol.
É também com isto uma pintura instantânea(captar o momento), recorrendo,
inclusivamente à fotografia.
As figuras não devem ter contornos nítidos pois o desenho deixa de ser o principal meio
estrutural do quadro passando a ser a mancha/cor.
As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos
causam. O preto jamais é usado em uma obra impressionista plena.
Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores
complementares. Assim um amarelo próximo a um violeta produz um efeito mais real
do que um claro-escuro muito utilizado pelos academicistas no passado.
Preferência pelos pintores em representar uma natureza morta do que um objeto
Entre os principais expoentes do Impressionismo estão Claude Monet, Edouard Manet,
Edgar Degas e Auguste Renoir . Poderemos dizer ainda que Claude Monet foi um dos
maiores artistas da pintura impressionista da época.

Orientações Gerais que caracterizam o impressionista:


Rompe completamente com o passado.
Inicia pesquisas sobre a óptica / efeitos (ilusões) ópticas.
É contra a cultura tradicional.
Pertence a um grupo individualizado.
Falam de arte, sociedade, etc: não concordam com as mesmas coisas porém discordam
do mesmo.
Vão pintar para o exterior, algo bastante mais fácil com a evolução da indústria,
nomeadamente, telas com mais formatos, tubos com as tintas, entre outras coisas.
Os efeitos ópticos descobertos pela pesquisa fotográfica, sobre a composição de cores e
a formação de imagens na retina do observador, influenciaram profundamente as
técnicas de pintura dos impressionistas.
Eles não mais misturavam as tintas na tela, a fim de obter diferentes cores, mas
utilizavam pinceladas de cores puras que colocadas uma ao lado da outra, são
misturadas pelos olhos do observador, durante o processo de formação da imagem.
Édouard Manet não se considerava um impressionista, mas foi em torno dele que se
reuniram grande parte dos artistas que viriam a ser chamados de Impressionistas. O
Impressionismo possui a característica de quebrar os laços com o passado e diversas
obras de Manet são inspiradas na tradição. Suas obras no entanto serviram de inspiração
para os novos pintores.
No início do século XX, Eliseu Visconti foi sem dúvida o artista que melhor
representou os postulados impressionistas no Brasil. Sobre o impressionismo de
Visconti, diz Flávio de Aquino: "Visconti é, para nós, o precursor da arte dos nossos
dias, o nosso mais legítimo representante de uma das mais importantes etapas da pintura
contemporânea: o impressionismo. Trouxe-o da França ainda quente das discussões,
vivo; transformou-o, ante o motivo brasileiro, perante a cor e a atmosfera luminosa do
nosso País".
Pincipais pintores impressinistas brasileiros: Eliseu Visconti, Almeida Júnior, Timótheo
da Costa, Henrique Cavaleiro e Vicente do Rego Monteiro.
pós-impressionismo foi a expressão artística utilizada para definir a pintura e,
posteriormente, a escultura no final do impressionismo, por volta de 1885, marcando
também o início do cubismo, já no início do século XX. O pós-impressionismo designa-
se por um grupo de artistas e de movimentos diversos onde se seguiram as suas
tendências para encontrar novos caminhos para a pintura. Estes, acentuaram a pintura
nos seus valores específicos – a cor e bidimensionalidade.
A maioria de seus artistas iniciou-se como impressionista, partindo daí para diversas
tendências distintas. Chamavam-se genericamente pós-impressionistas os artistas que
não mais representavam fielmente os preceitos originais do impressionismo, ainda que
não tenham se afastado muito dele ou estejam agrupados formalmente em novos grupos.
Sentindo-se limitados e insatisfeitos pelo estilo impressionista, alguns jovens artistas
queriam ir mais além, ultrapassar a Revolução de Manet. Aí se encontra a gênese do
novo movimento, que não buscava destrir os valores do grande mestre, e sim aprimorá-
los. Insurge-se contra o impressionismo devido à sua superficialidade ilusionista da
análise à realidade.
Movimentos impressionistas como o Pontilhismo ou o Divisionismo nunca são
chamados pós-impressionistas mas sim de neo-impressionistas

Expressionismo
O expressionismo foi um movimento cultural de vanguarda surgido na Alemanha nos
primórdios do século XX, que estavam mais interessados na interiorização da criação
artística do que em sua exteriorização, projetando na obra de arte uma reflexão
individual e subjetiva. Ou seja, a obra de arte é reflexo direto do mundo interior do
artista expressionista.
O expressionismo plasmou-se num grande número de campos: artes plásticas, literatura,
música, cinema, teatro, dança, fotografia, etc. A sua primeira manifestação foi no
terreno da pintura, ao mesmo tempo que o fauvismo francês, fato que tornaria ambos
movimentos artísticos nos primeiros expoentes das chamadas "vanguardas históricas".
Mais que um estilo com características próprias comuns foi um movimento
heterogêneo, uma atitude e uma forma de entender a arte que aglutinou diversos artistas
de tendências variadas e diferente formação e nível intelectual. Surgido como reação ao
impressionismo, frente ao naturalismo e o caráter positivista deste movimento de finais
do século XIX os expressionistas defendiam uma arte mais pessoal e intuitiva, onde
predominasse a visão interior do artista –a "expressão"– frente à plasmação da realidade
–a "impressão"–.
O expressionismo acostuma ser entendido como a deformação da realidade para
expressar mais subjetivamente a natureza e o ser humano, dando primazia à expressão
dos sentimentos mais que à descrição objetiva da realidade. Entendido desta forma, o
expressionismo é extrapolável a qualquer época e espaço geográfico. Assim, com
frequência qualificou-se de expressionista a obra de diversos autores como Matthias
Grünewald, Pieter Brueghel, o Velho, El Greco ou Francisco de Goya. Alguns
historiadores, para o distinguir, escrevem "expressionismo" –em minúsculas– como
termo genérico e "Expressionismo" –em maiúsculas– para o movimento alemão.[1]
O Expressionismo distingue-se do Realismo por não estar interessado na idealização da
realidade, mas em sua apreensão pelo sujeito. Guarda, porém, com o movimento
realista, semelhanças, como uma certa visão anti-"Romantismo" do mundo.
Com as suas cores violentas e a sua temática de solidão e de miséria, o expressionismo
refletiu a amargura que invadia os círculos artísticos e intelectuais da Alemanha pré-
bélica, bem como da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e do período entre-guerras
(1918-1939). Essa amargura provocou um desejo veemente de cambiar a vida, de
buscar novas dimensões à imaginação e de renovar as linguagens artísticas. O
expressionismo defendia a liberdade individual, a primazia da expressão subjetiva, o
irracionalismo, o arrebatamento e os temas proibidos –o excitante, demoníaco, sexual,
fantástico ou pervertido–. Intentou refletir uma visão subjetiva, uma deformação
emocional da realidade, através do caráter expressivo dos meios plásticos, que tomaram
uma significação metafísica, abrindo os sentidos ao mundo interior. Entendido como
uma genuína expressão da alma alemã, o seu caráter existencialista, o seu anseio
metafísico e a visão trágica do ser humano no mundo fizeram reflexo de uma concepção
existencial liberta ao mundo do espírito e à preocupação pela vida e pela morte,
concepção que acostuma qualificar-se de "nórdica" por se associar ao temperamento
que é identificado com o estereótipo dos países do norte da Europa. Fiel reflexo das
circunstâncias históricas em que se desenvolveu, o expressionismo revelou o lado
pessimista da vida, a angustia existencial do indivíduo, que na sociedade moderna,
industrializada, vê-se alienado, isolado. Assim, mediante a distorção da realidade
visavam a impactar o espectador, chegar ao seu lado mais emotivo.
O expressionismo não foi um movimento homogêneo, mas de uma grande diversidade
estilística: houve um expressionismo modernista (Munch), fauvista (Rouault), cubista e
futurista (Die Brücke), surrealista (Klee), abstrato (Kandinsky), etc. Embora o seu maior
centro de difusão fosse na Alemanha, também foi percebido em outros artistas europeus
(Modigliani, Chagall, Soutine, Permeke) e americanos (Orozco, Rivera, Siqueiros,
Portinari). Na Alemanha organizou-se nomeadamente em torno de dois grupos: Die
Brücke (fundado em 1905), e Der Blaue Reiter (fundado em 1911), embora houvesse
artistas não adscritos a nenhum grupo. Depois da Primeira Guerra Mundial apareceu a
chamada Nova Objetividade que, se bem que surgiu como recusa do individualismo
expressionista defendendo um caráter mais social da arte, a sua distorção formal e o seu
colorido intenso tornam-nos herdeiros diretos da primeira geração expressionista.
Em uma acepção mais ampla, a palavra “expressionismo” se refere a qualquer
manifestação subjetiva e psicológica da criação humana.
O expressionismo faz parte das chamadas "vanguardas históricas", ou seja, as
acontecidas desde os primórdios do século XX, no ambiente prévio à Primeira Guerra
Mundial, até o final da Segunda Guerra Mundial (1945). Esta denominação inclui, além
disso, o fauvismo, o cubismo, o futurismo, o construtivismo, o neoplasticismo, o
dadaísmo, o surrealismo, etc.
O termo "expressionismo" foi utilizado pela primeira vez pelo pintor francês Julien-
Auguste Hervé, que usou a palavra "expressionisme" para designar uma série de
quadros apresentados no Salão dos Independentes de Paris em 1901, em contraste com
o impressionismo. O termo alemão "expressionismus" foi adaptado diretamente do
francês –pois a expressão em alemão é ausdruck–, sendo empregada pela primeira vez
no catálogo da XXII Exposição da Secessão de Berlim em 1911, que incluía tanto obras
de artistas alemães quanto de franceses.
O expressionismo surgiu como reação ao impressionismo: bem como os impressionistas
plasmavam na tela uma "impressão" do mundo circundante, um simples reflexo dos
sentidos, os expressionistas visavam a refletir o seu mundo interior, uma "expressão"
dos seus próprios sentimentos. Assim, os expressionistas empregaram a linha e a cor
temperamental e emotivamente, com forte conteúdo simbólico. Esta reação frente ao
impressionismo implicou uma forte ruptura com a arte elaborada pela geração
precedente, tornando o expressionismo num sinônimo da arte moderna durante os
primeiros anos do século XX. O expressionismo implicou um novo conceito da arte,
entendida como uma forma de captar a existência, de transluzir em imagens o substrato
que subjace sob a realidade aparente, de refletir o imutável e eterno do ser humano e a
natureza. Assim, o expressionismo foi o ponto de partida de um processo de
transmutação da realidade que cristalizou no expressionismo abstrato e o informalismo.
Os expressionistas utilizavam a arte como uma forma de refletir os seus sentimentos, o
seu estado anímico, propenso pelo general à melancolia, à evocação, a um decadentismo
de corte neorromântico. Assim, a arte era uma experiência catárquica, onde se
purificavam os desafogos espirituais, a angústia vital do artista.
A aparição do expressionismo num país como a Alemanha não foi um fato aleatório,
mas é explicado pelo profundo estudo da arte durante o século XIX pelos filósofos,
artistas e teóricos alemães, do romantismo e as múltiplas contribuições para o campo da
estética de personagens como Wagner e Nietzsche, para a estética cultural e para a obra
de autores como Konrad Fiedler ("Para julgar obras de arte visual", 1876), Theodor
Lipps ("Estética", 1903-1906) e Wilhelm Worringer ("Abstração e empatia", 1908).
Esta corrente teórica deixou uma profunda marca nos artistas alemães de finais do
século XIX e princípios do XX, centrada sobretudo na necessidade de se expressar do
artista (a "innerer Drang" ou necessidade interior, princípio que assumiu posteriormente
Kandinsky), bem como a constatação de uma ruptura entre o artista e o mundo exterior,
o ambiente que o envolve, fato que o torna num ser introvertido e alienado da
sociedade. Também influiu a mudança acontecida no ambiente cultural da época, que se
afastou do gosto clássico greco-romano para admirar a arte popular, primitiva e exótica
–sobretudo da África, Oceania e Extremo Oriente–, bem como a arte medieval e a obra
de artistas como Grünewald, Brueghel e El Greco.
Depois da Primeira Guerra Mundial o expressionismo passou na Alemanha da pintura
ao cinema e ao teatro, que utilizavam o estilo expressionista nos seus decorados, mas de
jeito puramente estético, desprovido do seu significado original, da subjetividade e do
pungimento próprios dos pintores expressionistas, que se tornaram paradoxalmente em
artistas malditos. Com o advento do nazismo, o expressionismo foi considerado como
"arte degenerada" (Entartete Kunst), relacionando-o com o comunismo e tachando-o de
imoral e subversivo, ao tempo que consideraram que a sua fealdade e inferioridade
artística eram um signo da decadência da arte moderna (o decadentismo, pela sua vez,
fora um movimento artístico que teve certo desenvolvimento). Em 1937 uma exposição
foi organizada no Hofgarten de Munique com o título precisamente de Arte degenerada,
visando injuriá-lo e mostrar ao público a baixa qualidade da arte produzida na
República de Weimar. Para tal fim foram confiscadas umas 16.500 obras de diversos
museus, não apenas de artistas alemães, mas de estrangeiros como Gauguin, Van Gogh,
Munch, Matisse, Picasso, Braque, Chagall, etc. A maioria dessas obras foram vendidas
posteriormente a galeristas e marchantes, sobretudo num grande leilão celebrado em
Lucerna em 1939, embora umas 5.000 dessas obras foram diretamente destruídas em
março de 1939, supondo um notável prejuízo para a arte alemã.[14]
Após a Segunda Guerra Mundial o expressionismo desapareceu como estilo, se bem que
exercesse uma poderosa influência em muitas correntes artísticas da segunda metade de
século, como o expressionismo abstrato norte-americano (Jackson Pollock, Mark
Rothko, Willem de Kooning), o informalismo (Jean Fautrier, Jean Dubuffet), o grupo
CoBrA (Karel Appel, Asger Jorn, Corneille, Pierre Alechinsky) e o neoexpressionismo
alemão –diretamente herdeiro dos artistas de Die Brücke e Der Blaue Reiter, o qual é
patente no seu nome–, e artistas individuais como Francis Bacon, Antonio Saura,
Bernard Buffet, Nicolas de Staël, Horst Antes, etc.[15]
Embora por expressionismo fosse conhecido nomeadamente o movimento artístico
desenvolvido na Alemanha em princípios do século XX, muitos historiadores e críticos
da arte também empregam este termo mais genericamente para descrever o estilo de
grande variedade de artistas ao longo de toda a História. Entendida como a deformação
da realidade para buscar uma expressão mais emocional e subjetiva da natureza e do ser
humano, o expressionismo é pois extrapolável a qualquer época e espaço geográfico.
Assim, com frequência qualificou-se de expressionista a obra de diversos autores como
Hieronymus Bosch, Matthias Grünewald, Quentin Matsys, Pieter Brueghel, o Velho, El
Greco, Francisco de Goya, Honoré Daumier, etc.[1]
As raízes do expressionismo encontram-se em estilos como o simbolismo e o pós-
impressionismo, bem como nos Nabis e em artistas como Paul Cézanne, Paul Gauguin e
Vincent Van Gogh. Assim mesmo, têm pontos de contato com o neoimpressionismo e o
fauvismo pela sua experimentação com a cor.
Os expressionistas receberam numerosas influências: em primeiro lugar a da arte
medieval, especialmente a gótica alemã. De signo religioso e caráter transcendente, a arte
medieval punha ênfase na expressão, não nas formas: as figuras tinham pouca
corporeidade, perdendo interesse pela realidade, as proporções, a perspectiva. Por outro
lado, acentuava a expressão, sobretudo na olhada: as personagens eram simbolizas mais
que representadas. Assim, os expressionistas inspiraram-se nos principais artistas do
gótico alemão, desenvolvido através de duas escolas fundamentais: o estilo internacional
(finais do século XIV-primeira metade do XV), representado por Conrad Soest e Stefan
Lochner; e o estilo flamengo (segunda metade do século XV), desenvolvido por Konrad
Witz, Martin Schongauer e Hans Holbein, o Velho. Também se inspiraram na escultura
gótica alemã, que salientou pela sua grande expressividade, com nomes como Veit Stoss e
Tilman Riemenschneider. Outro ponto de referência foi Matthias Grünewald, pintor
tardo-medieval que, embora conhecesse as inovações do Renascimento, seguiu numa
linha pessoal, caracterizada pela intensidade emocional, uma expressiva distorção formal
e um intenso colorido incandescente, como na sua obra mestra, o Retábulo de Isenheim.
Mas a maior inspiração veio do pós-impressionismo, especialmente da obra de três
artistas: Paul Cézanne, que começou um processo de desfragmentação da realidade em
formas geométricas que terminou no cubismo, reduzindo as formas a cilindros, cones e
esferas, e dissolvendo o volume a partir dos pontos mais essenciais da composição.
Colocava a cor por camadas, imbricando umas cores com outras, sem necessidade de
linhas, trabalhando com manchas. Não utilizava a perspectiva, mas a superposição de
tons cálidos e frios davam sensação de profundeza. Em segundo lugar Paul Gauguin,
que contribuiu uma nova concepção entre o plano pictórico e a profundeza do quadro,
através de cores planas e arbitrárias, que têm um valor simbólico e decorativo, com
cenas de difícil classificação, situadas entre a realidade e um mundo onírico e mágico. A
sua estadia em Tahiti provocou que a sua obra derivasse em um certo primitivismo, com
influência da arte da Oceania, refletindo o mundo interior do artista em vez de imitar a
realidade. Finalmente, Vincent Van Gogh elaborava a sua obra segundo critérios de
exaltação anímica, caracterizando-se pela falta de perspectiva, a instabilidade dos
objetos e cores, roçando a arbitrariedade, sem imitar a realidade, mas provêm do interior
do artista. Devido à sua frágil saúde mental, as suas obras são reflexo do seu estado de
ânimo, depressivo e torturado, refletindo-se em obras de pinceladas sinuosas e cores
violentas.
Cabe sublinhar a influência de dois artistas que os expressionistas consideraram como
precedentes imediatos: o norueguês Edvard Munch, influenciado nos seus começos pelo
impressionismo e o simbolismo, pronto derivou para um estilo pessoal que seria fiel
reflexo do seu interior obsessivo e torturado, com cenas de ambiente opressivo e
enigmático –centradas no sexo, a doença e a morte–, caracterizadas pela sinuosidade da
composição e um colorido forte e arbitrário. As imagens angustiosas e desesperadas de
Munch –como em O Grito (1893), paradigma da solidão e da incomunicação– foram
um dos principais pontos de arranque do expressionismo.[19] Igual de influente foi a
obra do belga James Ensor, que recolheu a grande tradição artística do seu país –em
especial Brueghel–, com preferência por temas populares, traduzindo-o em cenas
enigmáticas e irreverentes, de caráter absurdo e burlesco, com um senso do humor ácido
e corrosivo, centrado em figuras de vagabundos, borrachos, esqueletos, máscaras e
cenas de carnaval. Assim, "A entrada de Cristo em Bruxelas" (1888) representa a
Paixão de Jesus no meio de um desfile de carnaval, obra que causou um grande
escândalo no seu momento.[20]
O Cubismo é um movimento artístico que ocorreu entre 1907 e 1914, nas artes pláticas,
tendo como principais fundadores Pablo Picasso e Georges Braque e tendo se
expandido para a literatura e a poesia pela influência de escritores como Guillaume
Apollinaire, John dos Passos e Vladimir Maiakovski. O quadro "Les demoiselles
d'Avignon", de Picasso, 1907 é conhecido como marco inicial do Cubismo. Nele ficam
evidentes as referências a máscaras africanas, que inspiraram a fase inicial do cubismo,
juntamente com a obra de Paul Cézanne.
O Cubismo tratava as formas da natureza por meio de figuras geométricas,
representando todas as partes de um objeto no mesmo plano. A representação do mundo
passava a não ter nenhum compromisso com a aparência real das coisas.
O movimento cubista evoluiu constantemente em três fases:
Fase cezannista ou cezaniana entre 1907 e 1909 -
Fase analítica ou hermética entre 1909 a 1912 - que se caracterizava pela
desestruturação da obra, pela decomposição de suas partes constitutivas;
Fase sintética (contendo a experimentação das colagens) - foi uma reação ao cubismo
analítico, que tentava tornar as figuras novamente reconhecíveis, como colando
pequenos pedaços de jornal e letras.
Desta última fase decorrem dois movimentos:
Orfismo
Secção de Ouro

Cubismo
Historicamente o Cubismo originou-se na obra de Cézanne, pois para ele a pintura
deveria tratar as formas da natureza como se fossem cones, esferas e cilindros.
Entretanto, os cubistas foram mais longe do que Cézanne. Passaram a representar os
objetos com todas as suas partes num mesmo plano. É como se eles estivessem abertos
e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao espectador. Na
verdade, essa atitude de decompor os objetos não tinha nenhum compromisso de
fidelidade com a aparência real das coisas.
O pintor cubista tenta representar os objetos em três dimensões, numa superfície plana,
sob formas geométricas, com o predomínio de linhas retas. Não representa, mas sugere
a estrutura dos corpos ou objetos. Representa-os como se movimentassem em torno
deles, vendo-os sob todos os ângulos visuais, por cima e por baixo, percebendo todos os
planos e volumes.
geometrização das formas e volumes;
renúncia à perspectiva;
o claro-escuro perde sua função;
representação do volume colorido sobre superfícies planas;
sensação de pintura escultórica;
cores austeras, do branco ao negro passando pelo cinza, por um ocre apagado ou um
castanho suave.
O cubismo se divide em duas fases:
Cubismo Analítico - (1909) caracterizado pela desestruturação da obra em todos os seus
elementos. Decompondo a obra em partes, o artista registra todos os seus elementos em
planos sucessivos e superpostos, procurando a visão total da figura, examinado-a em
todos os ângulos no mesmo instante, através da fragmentação dela. Essa fragmentação
dos seres foi tão grande, que se tornou impossível o reconhecimento de qualquer figura
nas pinturas cubistas. A cor se reduz aos tons de castanho, cinza e bege.
Cubismo Sintético - (1911) reagindo à excessiva fragmentação dos objetos e à
destruição de sua estrutura. Basicamente, essa tendência procurou tornar as figuras
novamente reconhecíveis. Também chamado de Colagem porque introduz letras,
palavras, números, pedaços de madeira, vidro, metal e até objetos inteiros nas pinturas.
Essa inovação pode ser explicada pela intenção do artistas em criar efeitos plásticos e de
ultrapassar os limites das sensações visuais que a pintura sugere, despertando também
no observador as sensações táteis.
Artistas cubistas
Pablo Picasso, Georges Braque , Juan Gris, Kazimir Malevich , Lyonel Feininger
Fernand Léger,Umberto Boccioni, Robert Delaunay, Diego Rivera, Alexandra Nechita
Tarsila do Amaral,Vicente do Rego Monteiro
O Surrealismo foi um movimento artístico e literário surgido primeiramente em Paris
dos anos 20, inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o modernismo no
período entre as duas Grandes Guerras Mundiais. Reune artistas anteriormente ligados
ao Dadaísmo ganhando dimensão internacional. Fortemente influenciado pelas teorias
psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939), mas também pelo Marxismo, o
surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na atividade criativa. Um dos seus
objetivos foi produzir uma arte que, segundo o movimento, estava sendo destruída pelo
racionalismo. O poeta e crítico André Breton (1896-1966) é o principal líder e mentor
deste movimento.
A palavra surrealismo supõe-se ter sido criada em 1917 pelo poeta Guillaume
Apollinaire(1886-1918), jovem artista ligado ao Cubismo, e autor da peça teatral As
Mamas de Tirésias (1917), considerada uma precursora do movimento.
Um dos principais manifestos do movimento é o Manifesto Surrealista de (1924). Além
de Breton seus representantes mais conhecidos são Antonin Artaud no teatro, Luis
Buñuel no cinema e Max Ernst, René Magritte e Salvador Dalí no campo das artes
plásticas.
Visão geral
As características deste estilo: uma combinação do representativo, do abstrato, do irreal
e do inconsciente. Entre muitas de suas metodologias estão a colagem e a escrita
automática. Segundo os surrealistas, a arte deve se libertar das exigências da lógica e da
razão e ir além da consciência cotidiana, buscando expressar o mundo do inconsciente e
dos sonhos. No manifesto e nos textos escritos posteriores, os surrealistas rejeitam a
chamada ditadura da razão e valores burgueses como pátria, família, religião, trabalho e
honra. Humor, sonho e a contra lógica são recursos a serem utilizados para libertar o
homem da existência utilitária. Segundo esta nova ordem, as idéias de bom gosto e
decoro devem ser subvertidas.
A escrita automática procura buscar o impulso criativo artístico através do acaso e do
fluxo de consciência despejado sobre a obra. Procura-se escrever no momento, sem
planejamento, de preferência como uma atividade coletiva que vai se completando.
Uma pessoa escreve algo num papel e outro completa, mas não de maneira lógica,
passando a outro que dá seqüência. O filme Um Cão Andaluz de Buñuel é formado por
partes de um sonho de Dali e outra parte do próprio diretor, sem necessariamente
objetivar-se uma lógica consciente e de entendimento, mas uma discurso inconsciente
que procure dialogar com outras leituras da realidade.
[editar] Trajetória
Em 1929, os surrealistas publicam um segundo manifesto e editam a revista A
Revolução Surrealista. Entre os artistas ligados ao grupo em épocas variadas estão os
seguintes escritores franceses ,o dramaturgo Antonin Artaud (1896-1948), Paul Éluard
(1895-1952), Louis Aragon (1897-1982), Jacques Prévert (1900-1977) e Benjamin Péret
(1899-1959,) que viveu no Brasil. Entre os escultores encontram-se os italianos Alberto
Giacometti (1901-1960), o pintor italiano Vito Campanella (1932), assim como os
pintores espanhóis Salvador Dali (1904-1989), Juan Miró (1893-1983) e Pablo Picasso,
o pintor belga René Magritte (1898-1967), o pintor alemão Max Ernst (1891-1976) e o
cineasta espanhol Luis Buñuel (1900-1983). Nos anos 30, o movimento
internacionaliza-se e influencia muitas outras tendências, conquistando adeptos em
países da Europa e nas Américas, tendo Breton assinado um manifesto com Leon
Trotski na tentativa de criar um movimento internacional que lutava pela total liberdade
na arte - FIARI: o Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente. No Brasil, o
surrealismo é uma das muitas influências captadas pelo modernismo.
[editar] Surrealismo na Arte
O Surrealismo destacou-se nas artes, principalmente por quadros, esculturas ou
produções literárias que procuravam expressar o inconsciente dos artistas, tentando
driblar as amarras do pensamento racional. Entre seus métodos de composição estão a
escrita automática.
Anos 30
Dalí e Magritte criaram as mais reconhecidas obras pictórias do movimento. Dalí entrou
para o grupo em 1929, e participou do rápido estabelecimento do estilo visual entre
1930 e 1935. Surrealismo como movimento visual tinha encontrado um método: expor a
verdade psicológica ao despir objetos ordinários de sua significância normal, a fim de
criar uma imagem que ia além da organização formal ordinária. Em 1932 vários
pintores Surrealistas produziram obras que foram marcos da evolução da estética do
movimento: La Voix des Airs de Magritte é um exemplo deste processo, onde são vistas
3 grandes esferas representando sinos pendurados sobre uma paisagem. Outra paisagem
Surrealista deste mesmo ano é Palais Promontoire de Tanguy, com suas formas líquidas.
Formas como estas se tornaram a marca registrada de Dali, particularmente com sua
obra A Persistência da Memória, onde relógios de bolso derretem como se fossem
líquidos.
[editar] A Segunda Guerra Mundial
A Segunda Guerra Mundial provou ser disruptiva para o Surrealismo. Os artistas
continuaram com suas obras, incluindo Magritte. Muitos membros do movimento
continuaram a se corresponder e se encontrar. Em 1960, Magritte, Duchamp, Ernst e
Man Ray encontraram-se em Paris. Apesar de Dali não se relacionar mais com Breton,
ele não abandonou seus motivos dos anos 30, incluindo referências a sua obra
Persistência do Tempo em uma obra posterior. O trabalho de Magritte se tornou mais
realista na sua representação de objetos reais, enquanto mantinha o elemento de
justaposição, como em sua obra Valores Pessoais (1951) e Império da Luz (1954).
Magritte continuou a produzir obras que entraram para o vocabulário artístico, como
Castelo nos Pireneus, que faz uma referência a Voix de 1931, na sua suspensão sobre a
paisagem. Algumas personalidades do movimento Surrealista foram expulsas e vários
destes artistas, como Roberto Mattam continuaram próximo ao Surrealismo como ele
mesmo se definiu.
O movimento Dadá (Dada) ou Dadaísmo foi uma vanguarda moderna iniciada em
Zurique, em 1916, no chamado Cabaret Voltaire, por um grupo de escritores e artistas
plásticos, dois deles desertores do serviço militar alemão e que era liderado por Tristan
Tzara, Hugo Ball e Hans Arp.
Embora a palavra dada em francês signifique cavalo de brinquedo, sua utilização marca
o non-sense ou falta de sentido que pode ter a linguagem (como na língua de um bebê).
Para reforçar esta ideia foi criado o mito de que o nome foi escolhido aleatoriamente,
abrindo-se uma página de um dicionário e inserindo-se um estilete sobre ela. Isso foi
feito para simbolizar o caráter anti-racional do movimento, claramente contrário à
Primeira Guerra Mundial. Em poucos anos, o movimento alcançou, além de Zurique, as
cidades de Barcelona, Berlim, Colônia, Hanôver, Nova York e Paris.
Principais características

1920 - o movimento Dadá, Theo van Doesburg Dadamatinée. Auric, Picabia, Ribemont-
Dessaignes, Germaine Everling, Casella y Tzara.
- oposição a qualquer tipo de equilíbrio - combinação de pessimismo irônico e
ingenuidade radical - ceticismo absoluto e improvisação. Enfatizou o ilógico e o
absurdo. Entretanto, apesar da aparente falta de sentido, o movimento protestava contra
a loucura da guerra. Assim, sua principal estratégia era mesmo denunciar e escandalizar.
A princípio, o movimento não envolveu uma estética específica, mas talvez as formas
principais da expressão dadá tenham sido o poema aleatório e o ready made. Sua
tendência extravagante e baseada no acaso serviu de base para o surgimento de
inúmeros outros movimentos artísticos do século XX, entre eles o Surrealismo, a Arte
Conceitual, a Pop Art e o Expressionismo Abstrato.
Sua proposta é que a arte ficasse solta das amarras racionalistas e fosse apenas o
resultado do automatismo psíquico, selecionando e combinando elementos por acaso.
Sendo a negação total da cultura, o Dadaísmo defende o absurdo, a incoerência, a
desordem, o caos. Politicamente , firma-se como um protesto contra uma civilização
que não conseguiria evitar a guerra.
Ready-Made significa confeccionado, pronto. Expressão criada em 1913 pelo artista
francês Marcel Duchamp para designar qualquer objeto manufaturado de consumo
popular, tratado como objeto de arte por opção do artista.
O fim do Dada como atividade de grupo ocorreu por volta de 1921.
[editar] Modelo Dadaísta
"''Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por
princípios contra manifestos (...). Eu redijo este manifesto para mostrar que é possível
fazer as ações opostas simultaneamente, numa única fresca respiração; sou contra a ação
pela contínua contradição, pela afirmação também, eu não sou nem para nem contra e
não explico por que odeio o bom-senso." Tristan Tzara
Como você pode notar pelo trecho acima, o impacto causado pelo Dadaísmo justifica-se
plenamente pela atmosfera de confusão e desafio à lógica por ele desencadeado. Tzara
opta por expressar de modo inconfundível suas opiniões acerca da arte oficial, e
também das próprias vanguardas("sou por princípio contra o manifestos, como sou
também contra princípios"). Dada vem para abolir de vez a lógica, a organização, a
postura racional, trazendo para arte um caráter de espontaneísmo e gratuidade total. A
falta de sentido, aliás presente no nome escolhido para a vanguarda. Segundo o próprio
Tzara:
"Dada não significa nada: Sabe-se pelos jornais que os negros Krou denominam a cauda
da vaca santa: Dada. O cubo é a mãe em certa região da Itália: Dada. Um cavalo de
madeira, a ama-de-leite, dupla afirmação em russo e em romeno: Dada. Sábios
jornalistas viram nela uma arte para os bebês, outros jesus chamando criancinhas do dia,
o retorno a primitivismo seco e barulhento, barulhento e monótono. Não se constrói a
sensibilidade sobre uma palavra; toda a construção converge para a perfeição que
aborrece, a idéia estagnante de um pântano dourado, relativo ao produto humano."
Tristan Tzara
O principal problema de todas as manifestações artísticas estava, segundo os dadaístas,
em almejar algo que era impossível: explicar o ser humano. Na esteira de todas as
outras afirmações retumbantes, Tzara decreta: "A obra de arte não deve ser a beleza em
si mesma, porque a beleza está morta".
No seu esforço para expressar a negação de todos os valores estéticos e artísticos
correntes, os dadaístas usaram, com freqüência, métodos deliberadamente
incompreensíveis. Nas pinturas e esculturas, por exemplo, tinham por hábito aproveitar
pedaços de materiais encontrados pelas ruas ou objetos que haviam sido jogados fora.
Foi na literatura, porém que a ilogicidade e o espontaneísmo alcançaram sua expressão
máxima. No último manifesto que divulgou, Tzara disse que o grande segredo da poesia
é que "o pensamento se faz na boca". Como uma afirmação desse tipo é evidentemente
incompreensível, ele procurou orientar melhor os seus seguidores dando uma receita
para fazer um poema dadaísta:
ready made
O ready made nomeia a principal estratégia de fazer artístico do artista Marcel
Duchamp. Essa estratégia refere-se ao uso de objetos industrializados no âmbito da arte,
desprezando noções comuns à arte histórica como estilo ou manufatura do objeto de
arte, e referindo sua produção primariamente à idéia.
Se se considera que a característica essencial do Dadaísmo é a atitude antiarte,
Duchamp será o dadaísta por excelência. De fato, por volta de 1915, quando abandona a
pintura, assume uma atitude de rompimento com o conceito de arte histórica, que
caracteriza como "retiniana", expressão que remete, por um lado, à imediatez da
imagem, e, por outro, ao modelo de visão exteriorizado que caracteriza a filosofia de
Descartes, modelo que persiste ao longo dos séculos XV, XVI e mesmo até o XIX com
a invenção da Fotografia.
De fato, é a partir da década de 1960, com os chamados neodadaistas (como
Rauschemberg) e os artistas conceituais (como Joseph Kosuth) que Duchamp e sua obra
seriam resgatados do limite do movimento dada para tornar-se uma influência sobre
toda a arte contemporânea, rivalizando assim com Picasso no papel de maior artista do
século XX.
O ready-made é uma manifestação ainda mais radical da intenção de Marcel Duchamp
de romper com a artesania da operação artística, uma vez que se trata de apropriar-se de
algo que já está feito: escolhe produtos industriais, realizados com finalidade prática e
não artística (urinol de louça, pá, roda de bicicleta), e os eleva à categoria de obra de
arte.
O ready-made se caracteriza por uma operação de sentido que faz retornar o literário ao
problema da arte, contrariando a ênfase modernista na forma do objeto artístico. O
conceito de alegoria retorna na forma de uma operação que a materializa concretamente.
E ao adotar tal operação de sentido, Duchamp termina por implicar mais que a obra de
arte; é necessário tratar de toda a constelação estética que envolve a obra e da
conjuntura de sentido que a produz, mas também a que a sustenta e sanciona.
É o caso de "Fonte", de 1917. Apresentada no Salão da Sociedade Novaiorquina de
artistas independentes, constitui-se a partir de um urinol invertido. A operação que o
caracteriza é o deslocamento de uma situação não artística para o contexto de arte. Tal
operação é marcada por sua apresentação como escultura e assinatura. À inversão física
do objeto corresponde a inversão de seu sentido, que se espelha no corpo do espectador.
Do mesmo modo, "Porta-garrafas" (1914, readymade) e "Roda de bicicleta" (1913,
readymade assistido) tiram partido de um deslocamento e manipulação do objeto para
tornar o sentido de sua aparição crítico.
Ao longo de seu trabalho, Duchamp termina por qualificar a produção de ready mades.
A expressão se refere primariamente aos objetos que não sofreram transformação
formal. Na qualidade de objetos, assim, de algum modo transformados, temos os Ready
mades ajudados, retificados, corrigidos e recíprocos, segundo o modo pelo qual sua
forma sofre interferência por parte do artista.
Como em outros casos, está implícito o típico propósito dadaísta de chocar o espectador
(o artista, o crítico, o amador de arte), choque que caracteriza a atitude das vanguardas
(que necessitam desse choque para reformular o conceito de arte) e persiste
frequentemente na arte contemporânea. Mas o ready-made também evidencia sua
constituição em uma neutralidade estética, a partir da qual a operação de sentido é
proposta : o ready made inicia numa "indiferença visual" : "...a idéia sempre vinha
primeiro, e não o exemplo visual", o que é, "...uma forma de recusar a possibilidade de
definir a arte." (em Entrevista com Pierre Cabanne)
Uma arte calcada no conceito, que se desenvolve a partir do 'encontro' (rendez-vous), ou
seja, do achado fortuito, da blague que dota o objeto de sentido de modo desinteressado,
e que, assim, fará com que a obra exista para qualquer sujeito do mesmo modo; em
relação à aesthesis, a sensação, o ready made se oferece como fato estético no qual
podemos incluir e elaborar nossas experiências, mas que independe da categoria gosto.
Não por acaso, Duchamp afirmaria mais tarde que "será arte tudo o que eu disser que é
arte" - ou seja, todo acervo artístico que nos foi legado pelo passado só é considerado
arte porque alguém assim o disse e nós nos habituamos a admiti-lo. Donde se conclui
que La Gioconda, de Da Vinci, ou O Enterro do Conde de Orgaz, de El Greco, não
seriam mais arte do que um urinol ou uma pá de lixo: todos dependem de uma
reconstituição atual de seu sentido (como funcionamento da obra), e somente nesse
funcionamento, do qual faz parte o sujeito, é que a obra se justifica como arte. Isto é,
além de nos indicar que a arte precede e prescinde a maestria formal, o readymade nos
faz ver que o objeto deixa de ser arte no momento em que deixa de propor, para si
mesmo, novas interpretações — no momento em que deixa de fazer um novo sentido.
Na literatura, notadamente na poesia, o ready-made também foi praticado. Um exemplo
concreto são diversos poemas do livro "Poesia Pau-Brasil", do poeta brasileiro Oswald
de Andrade, publicado em 1925, que simplesmente colocava textos prontos na página,
conhecidos, como trechos da carta de Pero Vaz de Caminha, causando o mesmo
estranhamento das obras de Duchamp.
Expressionismo abstrato foi um movimento artístico com origem nos Estados Unidos da
América, muito popular no pós-guerra. Ele foi o primeiro movimento especificamente
americano a atingir influência mundial e também o que colocou Nova Iorque no centro
do mundo artístico (posição previamente exercida por Paris, na França).
O movimento ganhou este nome por combinar a intensidade emocional do
expressionismo alemão com a estética antifigurativa das Escolas abstratas da Europa,
como o Futurismo, o Bauhaus e o Cubismo Sintético. O termo foi usado pela primeira
vez para designar o movimento americano em 1952 pelo crítico H. Rosenberg.
Os pintores mais conhecidos do expressionismo abstrato são Arshile Gorky, Jackson
Pollock, Philip Guston, Willem de Kooning, Clyfford Still e Wassily Kandinsky
A geração de Kooning e Pollock pareciam ter sido, entre os expressionistas abstratos, as
figuras em torno das quais a maioria dos críticos e dos artistas mais jovens se
orientavam. Eles incorporaram, o emprego de uma palheta agressiva, conjugando traços
geométricos e aleatórios da "pintura automática" um empaste pesado e grosseiro de
pigmentos sobrepostos. O modo de pintar americano rompeu com a pitura de cavalete e
elegeu como suporte a parede ou o chão que permitia que o artista uma resistência dura
para trabalhar dos quatro lados, passando a estar literalmente "na"ou dentro da pintura.
Utilizavam novos pigmentos, como o pesado empaste feito de areia, vidro moído, cinza
vulcânica e a técnica do "dripping" (gotejamento).