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Tratado Ontológico

Johanis Nihilis

TRATADO ONTOLÓGICO
Por: Johanis Nihilis

Prefácio
O que é existir? É esta questão que sempre assola a alma daqueles que são sensíveis ao
próprio destino, o destino de ser. Mas ser o quê?

Tudo está aí, presente, e nós também. Mas se tudo está aí, nos questionamos qual o
significado de tudo o que está aí. Que sentido tem isto de ser? O imperativo de nossa alma nos
diz que devemos buscar um significado para o existir, para o nosso próprio existir. Este
imperativo nos diz que há um por que e um para quê posto na existência, e de que tudo não é
um vácuo de sentido. Ele nos diz que o existir é propositado.

A partir disso, surge a concepção do Ser como a totalidade de tudo o que há. O Ser abriga em
si o sentido do existir, e ele é uma plenitude de sentido. O Ser é uma positividade, ele possui um
ímpeto que anima o existir e o empolga com um significado. Do Ser emana uma luminosidade
que põe tudo na claridade da existência. No Ser, tudo é pleno, repleto, íntegro.

Em oposição ao Ser há o nada, que não possui existência. O nada é a ausência de sentido, a
vacuidade absoluta. Como já dizia Parmênides, “o Ser é, o nada não é”. O nada não possui
existência, tudo o que há é Ser, é pleno de sentido.

É com a concepção do Ser que se pode buscar a compreensão do sentido do existir. É sua luz
que nos permite conhecer o que há. E é a metafísica a estruturação fundamental que possibilita
ao homem se direcionar ao Ser e ser algo a mais do que um mero animal.

O objetivo deste pequeno tratado é mostrar, através da ontologia, a real constituição do que
há, e, ao mesmo tempo, mostrar a falsidade das concepções do Ser e da metafísica. O Ser é uma
criação provinda da angústia humana diante do vácuo do mundo, e a metafísica é um engodo,
uma ilusão que nos faz acreditar que buscamos a compreensão de alguma significação presente
em algum lugar fora de nós. Ser e metafísica são irmãos gêmeos da mesma ilusão: a ilusão da
positividade do sentido. Num mundo sem sentido, e sem Ser, não há lugar para a metafísica.

Se o tratado é pequeno é porque tudo o que se tem para saber pode se resumir em pouco,
visto que todo o autêntico saber é simplíssimo, tudo se resumindo em que não há nada para se
saber. Com isso, posso dizer que a sabedoria é saber que não há nada para se saber. A filosofia
toda, que é uma busca pelo saber, está contida aqui, neste tratado Para além disso só há
comentários, notas de rodapé e ilusão.

O leitor que se der o trabalho de chegar até o fim, verá que o existir é uma sombra difusa, em
que não se pode perceber coisa alguma. Existir é estar na completa escuridão, sem nenhuma
orientação ou caminho. E que nossa existência é um rumar sem origem e sem destino.

Em nossa existência, somente Deus poderia nos trazer luz e salvação. Infelizmente, a
ontologia não pode dar este alento ao homem, pois a questão de Deus tem dois caminhos: a da
percepção, que é a da ontologia, e a do milagre, que só pode vir de Deus. Na percepção não

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encontramos Deus, e por isso não há Deus pela ontologia. Já o milagre requer uma iniciativa do
próprio Deus, mas sobre isto não podemos nos pronunciar. Para nós, só há a ontologia como
caminho possível, e por ela não há Deus.

Muitos poderão achar meu tratado prolixo, sintético, obscuro, ou até mesmo sem nenhuma
novidade. Ele é tudo isso, e certamente ser sem novidade é o que ele mais é. Pois, como disse
Descartes, “nada há de mais antigo do que a verdade”. O objetivo de meu tratado é apenas o de
mostrar, sem nenhuma pretensão a ser original, e me dou por satisfeito se todos que o lerem
perceberem o que ele mostra.

Gostaria de prestar minha homenagem a dois indivíduos.

O primeiro é Sênio Lutus, que tocou a todos nós com seu sublime pensamento, e, apesar de
nossas divergências, me trouxe grande inspiração, pois são com os adversários que mais nos
inspiramos.

O segundo é Deus, que é sempre ausente e que nunca pode fazer nada em prol de nada. Deus
é a expressão suprema da nulidade do mundo.

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Capítulo 1

Sobre a ontologia
§1: a ontologia não é uma ciência, ela é uma atividade de mostração, de informação.

§2: a ciência é uma atividade de explicitação, em que o modo de constituição de algo é


apossado e introjetado, sendo transfigurado em linguagem.

§3: esta transfiguração é uma simbolização, em que o símbolo é um significante que constitui
algo.

§4: a ontologia trata do mundo enquanto tal, mostrando-o em sua realidade ôntica.

§5: as ciências tratam do mundo enquanto formatado por nós, e por isso são meros ecos de nós
mesmos. Através delas explicitamos nossos modos de esquematizações do mundo. Por isso, as
ciências não tratam do mundo enquanto tal, mas sim nos dizem de sua constituição enquanto
constituído por nós.

§6: As ciências são em número ilimitado, havendo tantas quantas houver objetos por nós
moldados.

§7: a ontologia nos mostra a realidade fundamental. A ontologia é simples e assistemática.

§8: a ontologia é meramente informativa, ela informa sobre o que há e não fornece nada mais,
portanto, ela não nos explica nada e nem deduz nada. A ontologia meramente nos aponta as
coisas e nos faz perceber como elas estão constituídas.

§9: a ontologia é um apontamento, uma mostração.

§10: a ontologia não tem um conteúdo, ela não possui uma constituição positiva, ela é uma
direcionadora, algo que nos direciona para nos levar a sentir a constituição fundamental.

§11: lógos é a própria mostração.

§12: ontos é a própria realidade do que há.

§13: ontologia é: mostração do que há, do como deste há.

§14: deste modo, a ontologia se constitui, derivadamente, como uma elucidação da constituição
ôntica, e, também, como uma crítica das concepções e constructos explanativos correntes.

§15: ou seja, a ontologia é, também, uma crítica intelectual e cultural.

§16: ao mesmo tempo em que nos faz perceber a autêntica constituição do que há, ela invalida
as falsas concepções correntes e as ilusões estabelecidas.

§17: o único saber autêntico só pode vir pela ontologia, ela é a única forma de conhecimento
real. As ciências não são saberes sobre o mundo, mas sim sobre formas eidéticas do próprio
homem.

§18: como tal, a ontologia não pode ser uma forma de conhecimento esquematizada, mas sim
uma forma de saber informativa, através da qual percebemos o que há assim como é.

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§19: a ontologia delimita tudo aquilo que se tem de saber, todo o saber se constituí através dela.
Sua questão é: o que é este existir? O objetivo da questão será elucidar a constituição do existir
enquanto tal.

Capítulo 2

Sobre o existir
§20: tudo o que há existe.

§21: o haver é a totalidade de todo o existente, e o existente é tudo o que há.

§22: tudo o que há está aí presente a nós, e nós mesmos estamos aí, existindo.

§23: o existir se resume a proposição de que há algo.

§24: a questão se há ou não o existir é destituída de propósito pelo simples fato de que enunciá-
la é já estar no existir.

§25: sempre partimos do existir, porque sempre estamos existindo. O ceticismo é um engodo. O
niilismo não é ceticismo.

Capítulo 3

A essência enquanto tal


§26: a essência é a constituição fundamental de algo. A essência não fundamenta o existir de
algo, antes ela é este próprio existir.

§27: a essência não contém um conteúdo que institui a existência de algo, antes ela é a
expressão própria do como de algo, do como de sua existência.

§28: não há essência sem existência, nem existência sem essência.

§29: a essência é o próprio algo enquanto tal.

Capítulo 4

Sobre a positividade, o sentido e a plenitude


§30: a positividade é a existência enquanto constituída de um sentido.

§31: o sentido é a presença plenificadora de algo, é quando este algo se mostra como
preenchido por uma significação. A significação é aquilo que preenche algo, constituindo seu
ímpeto existencial.

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§32: portanto, a positividade é a plenitude, e a plenitude é a presença preenchida por uma


significação.

Capítulo 5

Sobre a negatividade, o sem sentido e a vacuidade


§33: a negatividade é a existência enquanto destituída de sentido.

§34: esta existência é sem sentido, ou seja, é algo não preenchido por uma significação.

§35: o sem sentido é uma presença desplenificada, nula.

§36: a negatividade é a vacuidade, e a vacuidade é a ausência de significação.

Capítulo 6

As proposições correntes
§37: tudo o que há denomina-se Ser.

§38: o Ser é a própria existência enquanto tal.

§39: o Ser possui uma presença positiva, determinada pelo que ele é.

§40: o Ser possui um sentido, ele é preenchido de um significado.

§41: por isso, o Ser é uma presença plena, dele emana uma luminosidade, que institui tudo na
claridade da existência.

§42: a presença do Ser é a presença da própria plenitude enquanto tal.

§43: a partir do Ser, pelo Ser e no Ser, tudo existe e possui sentido, significado. O Ser é doador
de plenitude, doador de significado.

§44: imerso no Ser, o homem tem dele o saber de sua essência e da essência de todo o resto que
também está imerso no Ser.

§45: a metafísica é a transcendência do homem em direção à plenitude do Ser.

§46: a metafísica é o ultrapassamento do homem de si mesmo, sua saída de si mesmo. Como tal,
a metafísica é a própria essência do homem, que se impulsiona de si rumo ao Ser.

§47: a metafísica possibilita ao homem existir como ente transcendental, capaz de transcender.

Capítulo 7

A essência do existir

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§48: as proposições acima são equivocadas, e não exprimem a essência do que há.

§49: é equivocado dar o nome de Ser ao que há.

§50: não há Ser.

§51: o existir não é uma presença plenificadora, positiva.

§52: o existir não é preenchido por uma significação.

§53: o que há, é sem um sentido que o constitua.

§54: o existir é uma vacuidade, o que há é, enquanto algo nulo, destituído de plenitude.

§55: a essência do existir é o nada.

§56: o nada é a nulidade de significado, de sentido.

§57: o existir simplesmente está aí, presente, como algo inerte, destituído de ímpeto.

§58: isto quer dizer que o existir é uma vacuidade total. Ser vacuidade quer dizer exatamente ser
nulidade, ser destituído de plenitude.

§59: o nada é a própria vacuidade.

§60: o haver está aí presente, mas ele não possui alguma significação que o preencha. Ele é
vazio, nulo de sentido. Daí ele se constituir como algo inerte, que apenas está presente, mas que
não expressa significação, que é uma absoluta vacuidade.

§61: a comparação mais correta que podemos fazer é que o existir se assemelha a uma massa
inerte, inanimada e disforme.

§62: o estar aí do existir é um estar aí desintegrativo. Tudo está em contínua desintegração.

§62: esta desintegração é a própria expressão da vacuidade do existir. Como tudo é uma
negatividade, nada pode permanecer como algo, tudo que está existindo está existindo em
desintegração.

§63: dito de modo correto, nem mesmo se pode falar de uma “desintegração”, visto que não há
nada “íntegro”, pois tudo é uma negatividade. O que há é uma contínua evanescência, existir é
existir evanescendo-se.

§64: o existir é escuridão. Não há uma luz que emane dele. Tudo o que há está imerso na
escuridão, na vacuidade do sem sentido e na desorientação do sem significado.

§65: nós mesmos não só estamos mergulhados na escuridão, como somos escuridão. Não
podemos distinguir nada, exatamente porque a escuridão é tudo.

§66: não possuímos a luz, mas possuímos o tato e a imaginação. E é tateando e imaginando que
moldamos o que há em nosso redor e, inclusive, a nós mesmos.

§67: mas é também pelo tato que se institui a ontologia, na qual percebemos o como do que há.

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§68: desvanecer é a própria constituição do existir. Existir é estar em contínua derrideração.


Nada surge ou acaba, tudo sempre se prolonga em um contínuo esfacelamento.

§69: o tempo, enquanto algo no qual se constituem as mudanças, não existe. O que se chama
tempo nada mais é do que a expressão própria da derrideração do existir. Como tudo o que há,
há em derrideração, não há uma mudança, mas sim uma abissal evanescência. A um olhar
desatento esta evanescência pode não ser bem notada, levando ao errôneo entendimento de que
há algo como o tempo em que as mudanças se prolongam, que há um antes, um agora e um
depois, quando, na realidade, tudo está em um turbilhão de nulidade disforme.

§70: a vida não possui um significado, e nem mesmo é viva.

§71: o que chamamos de vida é uma nulidade inerte que se arrasta pela disformidade do existir.

§72: assim como todo o existir, a vida é vacuidade, a vida é escuridão.

§73: o existir não possui nenhum ponto de partida e nenhuma finalidade para a qual se dirige.

§74: a essência do existir é o vácuo, a essência do existir é a nulidade de significado. Não há


nenhum sentido para se apreender no existir. Saber é saber da nulidade de tudo.

§75: tudo o que há é vacuidade, o existir é vazio.

Capítulo 8

O existir do homem
§76: o homem é nulidade, é um ente sem sentido, destituído de significação.

§77: a vida humana é um tateamento no escuro.

§78: o único saber real sobre o existir, que o homem possui, é este expresso pela ontologia e
que é descrito neste tratado.

§79: todos os outros conhecimentos são esquematizados pelo próprio homem e impostos ao
mundo.

§80: ou seja, o conhecimento científico é um eco eidético-imagético que parte do próprio


homem e que enquadra as coisas, retornando sobre a forma de objetividade.

§81: por isso, o conhecimento científico é um conhecimento que o homem tem de seus próprios
constructos.

§82: o homem sempre está no homem, e nunca em nenhum outro lugar.

§83: o homem não interage com o que está fora dele, porque não há nada fora dele. Fora dele só
há vacuidade de sentido, ele mesmo é vazio de significação, mas possui, como dito, sua
imaginação para estabelecer constructos e ilusões de sentidos.

§84: assim, é o homem quem estabelece todo o significado para si, e todo significado que ele
estabelece é um artifício e uma ilusão, pois é, essencialmente, vacuidade absoluta.

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§85: não há objetividade. A objetividade é um constructo.

§86: não há transcendência, isto porque não há a que transcender, visto que o Ser não existe.

§87: sendo assim, a metafísica não existe, pois não há nenhuma plenitude a se direcionar, e
também porque o homem nunca está fora dele mesmo.

§88: a metafísica é um engodo, fruto da ilusão de imaginar a existência do Ser.

§89: mas, sendo o existir vacuidade, não há lugar para um impulsionamento rumo a alguma
“claridade fundamental do haver”, chamada Ser, pois tudo é escuridão, e na escuridão não há
porque existir metafísica.

§90: em realidade, toda a metafísica que precisamos, e que constituímos, está em nossa própria
imaginação e em nossa própria angústia.

§91: não há valores.

§92: a justiça é a comodidade do que detêm a força, e a força é o que instituirmos como sendo
tal.

§93: a arte é o apelo do nada, a metaforização da angústia.

§94: assim como todo o resto, a essência da arte é vacuidade, sem sentido.

§95: o homem é um animal que tateia e imagina, e que, com sua imaginação, finge que não há
vacuidade. Portanto, o homem é um fingidor.

§96: o que é chamado esperança é o querer a plenitude, o buscar fugir da vacuidade, é o


aguardar pela instauração apoteótica do sentido no existir.

§97: a esperança é um engodo. Não há esperança possível.

§98: o existir é vacuidade e escuridão. Tudo jaz inerte, em absoluta nulidade de sentido. Existir
é existir enquanto algo sem significado e radicalmente disforme. Toda a existência não passa de
uma contínua derrideração nadificante, tudo o que há é absoluta nulidade. Tudo é nada e nós
somos nada, somos vazio.

§99: somente Deus pode nos salvar. Somente Ele pode nos erguer de nossa condição nula, de
nossa vacuidade absoluta, de nossa radical falta de sentido, de significado. Somente Deus,
através da intervenção miraculosa da graça, que irrompe no existir e nos eleva através da fé,
pode nos erguer deste mundo de nulidade e nos levar para além dele, para a plenitude que
somente se encontra junto a Ele. Deus é a única possibilidade de salvação para nós.

§100: não há Deus.