Вы находитесь на странице: 1из 84

A I G R E J A D E J E S U S C R I S T O D O S S A N T O S D O S Ú LT I M O S D I A S • A B R I L D E 2 0 11

Ele É a Ressurreição
e a Vida, pp. 4, 12
Um Testemunho do Filho
Onipotente de Deus, p. 16
Porque Devemos Mais do que
Podemos Pagar, p. 56
Exposição de Arte Infantil:
O Evangelho Abençoa Minha
Vida, p. 62
© SCALA/ART RESOURCE, NOVA YORK
Ecce Homo (Eis o Homem!), de Antonio Ciseri

“E, convocando Pilatos os principais dos sacerdotes, e os Mas eles clamavam em contrário, dizendo: Crucifica-o,
magistrados, e o povo, crucifica-o.
Disse-lhes: Haveis-me apresentado este homem como per- Então ele, pela terceira vez, lhes disse: Mas que mal fez este?
vertedor do povo; e eis que, examinando-o na vossa presença, Não acho nele culpa alguma de morte. Castigá-lo-ei pois, e
nenhuma culpa, das de que o acusais, acho neste homem. (…) soltá-lo-ei.
Castigá-lo-ei, pois, e soltá-lo-ei. Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse
E era-lhe necessário soltar-lhes um pela festa. crucificado. (…)
Mas toda a multidão clamou a uma, dizendo: Fora daqui Então Pilatos julgou que devia fazer o que eles pediam.
com este, e solta-nos Barrabás. (…) (…) Entregou Jesus à vontade deles” (Lucas 23:13–14, 16–18,
Falou, pois, outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus. 20–25).
A Liahona, Abril de 2011

16

MENSAGENS 28 Rebecca Swain Williams: 12 Nossa Crença: Jesus Cristo


4 Mensagem da Primeira Firme e Inamovível Expiou Nossos Pecados
Presidência: Não Está Aqui,
Janiece Lyn Johnson
Ela permaneceu fiel ao evange-
14 Falamos de Cristo:
Mas Ressuscitou Arrependamo-nos,
Presidente Thomas S. Monson
lho mesmo ao enfrentar oposi- Voltemo-nos para o
ção da própria família. Senhor e Sejamos Curados
7 Mensagem das Professoras 32 Navegar no Rumo Certo David L. Frischknecht
Visitantes: O Propósito da
Sociedade de Socorro nas Ilhas Marshall
Joshua J. Perkey
16 Clássicos do Evangelho:
O Poder Purificador do
Às vezes precisamos de ajuda Getsêmani
ARTIGOS alheia para conseguirmos Élder Bruce R. McConkie
20 Recordá-Lo Sempre chegar ao caminho estreito
38 Vozes da Igreja
Élder D. Todd Christofferson e apertado.
Três maneiras de recordar 74 Notícias da Igreja
o Salvador. SEÇÕES
79 Ideias para a Reunião
8 Coisas Pequenas e Simples Familiar
11 Servir na Igreja: “Tudo Isso 80 Até Voltarmos a Nos
Me Abençoa” Encontrar: Coroa de
NA CAPA Michael R. Morris Espinhos, Coroa de Vitória
Deixo-vos a Paz, de
Walter Rane, cortesia Larry Hiller
do Museu de História
da Igreja.

A b r i l d e 2 0 1 1 1
JOVENS ADULTOS JOVENS CRIANÇAS

46 Perguntas e Respostas
Por que minha família tem 70
problemas ainda que frequente-
mos a Igreja, façamos a reunião
familiar e procuremos viver o
evangelho? O que mais podemos
fazer?
48 Pôster: Recordá-Lo Sempre
49 Linha sobre Linha: Doutrina
e Convênios 76:22–24

42 50 As Recompensas da
Reconstrução
42 Os Convênios São Eternos Ashley Dyer 59 A Escolha de Niya
Marta Valencia Vásquez Em meio às ruínas de prédios Marcel Niyungi
Quando jovem, tomei a decisão destruídos por um terremoto, Ela tinha uma escolha a fazer
de ir ao templo um dia, embora descobri meu valor individual. quando percebeu que o balco-
não houvesse templo na Costa
52 O Poder das Escrituras nista lhe dera troco a mais.
Rica na época.
Adam C. Olson 60 Semana de Páscoa
44 Finalmente Dei Ouvidos Estes dois jovens taitianos preci- Embora comemoremos a Páscoa
Nome não divulgado sam apenas dar uma chance às em um dia, ela abrange uma
No decorrer de todo o tempo que escrituras. semana inteira de eventos liga-
passei com Madeline, o Espírito
55 Do Campo Missionário: dos à vida do Salvador.
não parava de me indicar que
eu deveria sair apenas com
A Resposta em Minha Bênção 62 Obras de Arte de Crianças
Scott Talbot do Mundo Inteiro
moças de padrões elevados.
56 O Mediador Jesus Cristo Pescadores, templos, missioná-
rios e muito mais.
Presidente Boyd K. Packer

Veja se consegue
Uma parábola sobre um credor 65 Testemunha Especial: Como
e um devedor nos ajuda a com- Posso Me Proteger das Coisas
encontrar a Liahona Ruins do Mundo?
preender a justiça, a misericór-
oculta nesta edição. Élder Richard G. Scott
dia e a Expiação.
Dica: uma linda
princesa. 66 Trazer a Primária para Casa:
Jesus Cristo é Meu Salvador
e Redentor
Ana Maria Coburn e
Cristina Franco

68 Felizes em Casa
Chad E. Phares
Um casal de irmãos no Camboja
50 conta o que os deixa felizes.
70 Para as Criancinhas
Mais na Internet
ABRIL DE 2011 VOL. 64 Nº 4
A LIAHONA 09684 059
Revista Oficial em Português de A Igreja de
Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Liahona.LDS.org
A Primeira Presidência: Thomas S. Monson,
Henry B. Eyring e Dieter F. Uchtdorf
Quórum dos Doze Apóstolos: Boyd K. Packer,
L. Tom Perry, Russell M. Nelson, Dallin H. Oaks,
PARA OS ADULTOS
M. Russell Ballard, Richard G. Scott, Robert D. Hales,
Jeffrey R. Holland, David A. Bednar, Quentin L. Cook, Leia histórias de conversão ocorridas
D. Todd Christofferson e Neil L. Andersen
nas Ilhas Marshall (página 32) e veja
Editor: Paul B. Pieper
Consultores: Stanley G. Ellis, Christoffel Golden Jr., mais fotografias em www.liahona.LDS
Yoshihiko Kikuchi
Diretor Administrativo: David L. Frischknecht
.org.
Diretor Editorial: Vincent A. Vaughn
Diretor Gráfico: Allan R. Loyborg
Gerente Editorial: R. Val Johnson
Gerentes Editoriais Assistentes: Jenifer L. Greenwood, PARA OS JOVENS
Adam C. Olson
Editor Associado: Ryan Carr Quando dois jovens taitianos decidiram
Editora Adjunta: Susan Barrett
Equipe Editorial: David A. Edwards, Matthew D. Flitton, dedicar-se ao conhecimento das escritu-
LaRene Porter Gaunt, Larry Hiller, Carrie Kasten, Jennifer
Maddy, Melissa Merrill, Michael R. Morris, Sally J. Odekirk, ras, sua vida mudou (página 52).
Joshua J. Perkey, Chad E. Phares, Jan Pinborough,
Richard M. Romney, Janet Thomas, Paul VanDenBerghe, Mais informações em
Julie Wardell
Secretária Sênior: Laurel Teuscher
www.seminary.LDS.org.
Diretor Administrativo de Arte: J. Scott Knudsen
Diretor de Arte: Scott Van Kampen
Gerente de Produção: Jane Ann Peters
PARA AS CRIANÇAS
Equipe de Diagramação e Produção: Cali R. Arroyo,
Collette Nebeker Aune, Howard G. Brown, Julie Burdett,
Thomas S. Child, Reginald J. Christensen, Kim Fenstermaker,
Kathleen Howard, Eric P. Johnsen, Denise Kirby, Scott M.
Mooy, Ginny J. Nilson
Pré-Impressão: Jeff L. Martin
Diretor de Impressão: Craig K. Sedgwick
Diretor de Distribuição: Evan Larsen
Tradução: Edson Lopes
Para assinaturas e preços fora dos Estados Unidos e do
Canadá, consulte o centro de distribuição local em seu
país ou o líder da ala ou do ramo.
Veja 23 obras de arte
Envie manuscritos e perguntas para Liahona,
Room 2420, 50 E. North Temple St., Salt Lake City, UT da exposição internacional de arte
84150-0024, USA; ou mande e-mail para:
liahona@LDSchurch.org. nas páginas 62–64 e outras em
A ­Liahona, termo do Livro de Mórmon que significa www.liahona.LDS.org.
“bússola” ou “guia”, é publicada em albanês, alemão,
armênio, bislama, búlgaro, cambojano, cebuano, chinês,
coreano, croata, dinamarquês, esloveno, espanhol,
estoniano, fijiano, finlandês, francês, grego, húngaro, EM SEU IDIOMA
holandês, indonésio, inglês, islandês, italiano, japonês,
letão, lituano, malgaxe, marshalês, mongol, norueguês, A revista A ­Liahona e outros materiais da Igreja estão disponíveis em
polonês, português, quiribati, romeno, russo, samoano,
sueco, tagalo, tailandês, taitiano, tcheco, tonganês, muitos idiomas em www.languages.LDS.org.
ucraniano, urdu e vietnamita. (A periodicidade varia de um
idioma para outro.)
© 2011 Intellectual Reserve, Inc. Todos os direitos
reservados. Impresso nos Estados Unidos da América. TÓPICOS DESTA EDIÇÃO
O texto e o material visual encontrados na revista A ­Liahona Os números representam a primeira página de cada artigo.
podem ser copiados para uso eventual, na Igreja ou no lar,
não para uso comercial. O material visual não poderá ser Adversidade, 46 Família, 46 Obras de arte, 62
copiado se houver qualquer restrição indicada nos créditos
constantes da obra. As perguntas sobre direitos autorais
Amor, 41 Fé, 32 Oração, 40
devem ser encaminhadas para Intellectual Property Office, Arrependimento, 12, História da Igreja, 8 Padrões, 44
50 E. North Temple St., Salt Lake City, UT 84150, USA;
e-mail: cor-intellectualproperty@LDSchurch.org.
14, 32, 39 Honestidade, 59 Plano de salvação, 41
For Readers in the United States and Canada:
Ativação, 32 Jesus Cristo, 4, 12, 14, Profetas, 10
April 2011 Vol. 64 No. 4. LIAHONA (USPS 311-480) Convênios, 42 16, 20, 48, 49, 56, 60, Ressurreição, 4, 16,
Portuguese (ISSN 1044-3347) is published monthly by The
Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 50 E. North
Conversão, 28, 32, 38 66, 80 49, 60
Temple St., Salt Lake City, UT 84150. USA subscription price Cura, 80 Justiça, 56 Retidão, 65
is $10.00 per year; Canada, $12.00 plus applicable taxes.
Periodicals Postage Paid at Salt Lake City, Utah. Sixty days’
Emprego, 9 Líderes da Igreja, 9 Sacramento, 20, 48
notice required for change of address. Include address Espírito Santo, 44 Misericórdia, 56 Seminário, 52
label from a recent issue; old and new addresses must be
included. Send USA and Canadian subscriptions to Salt Lake
Estudo das escrituras, Moralidade, 42, 44 Serviço, 11, 41, 50
Distribution Center at address below. Subscription help 52, 68 Natureza divina, 70, 72 Sociedade de
line: 1-800-537-5971. Credit card orders (Visa, MasterCard,
American Express) may be taken by phone. (Canada Poste
Exemplo, 32 Novo Testamento, 60 Socorro, 7
Information: Publication Agreement #40017431) Expiação, 12, 14, 16, Obra missionária, 28, Talentos, 62
POSTMASTER: Send address changes to Salt Lake 39, 66 55 Valor individual, 50
Distribution Center, Church Magazines, PO Box 26368,
Salt Lake City, UT 84126-0368.

A b r i l d e 2 0 1 1 3
MENSAGEM DA PRIMEIR A PRESIDÊNCIA

Presidente
Thomas S. Monson

Não Está Aqui,


Mas Ressuscitou
H
oje restam apenas ruínas em Mas as pregações de Jesus na Gali- Por nós o Pai Celestial deu Seu Filho.
Cafarnaum, cidade situada leia tinham sido apenas um prelúdio. Por nós nosso Irmão Mais Velho deu a
à beira de um lago, coração Desde o início, o Filho do Homem vida.
do ministério galileu do Salvador. tinha um encontro fatal marcado num No último momento o Mestre pode-
Ali Ele pregou na sinagoga, ensinou monte chamado Gólgota. ria ter retrocedido, mas não o fez.
perto do mar e curou na casa das Detido no Jardim do Getsêmani, Desceu abaixo de todas as coisas a fim
pessoas. após a Última Ceia, Jesus foi abando- de poder salvar todas as coisas: a raça
No início de Seu ministério, Jesus nado por Seus discípulos, foi cuspido, humana, a Terra e toda a vida que nela
citou um texto de Isaías: “O Espírito julgado e humilhado e cambaleou já habitou.
do Senhor Deus está sobre mim; por- sob o peso de Sua grande cruz rumo Nenhuma palavra em todo o cristia-
que o Senhor me ungiu, para pregar ao Calvário. Do triunfo passou à trai- nismo tem maior significado para mim
boas novas aos mansos; enviou-me ção, à tortura e à morte na cruz. do que as proferidas pelo anjo a Maria

NÃO ESTÁ AQUI, DE WALTER RANE, REPRODUÇÃO PROIBIDA; CRISTO E MARIA NO SEPULCRO, DE JOSEPH BRICKEY © 2004 IRI
a restaurar os contritos de coração, Citando a letra do hino “Cidade Madalena, que chorava, e à outra Maria,
a proclamar liberdade aos cativos, Santa”: ao aproximarem-se da tumba para
e a abertura de prisão aos presos” cuidar do corpo de seu Senhor: “Por
(Isaías 61:1; ver também Lucas 4:18) A cena se transformou. (…) que buscais o vivente entre os mortos?
— um pronunciamento claro do A manhã estava lúgubre e fria, Não está aqui, mas ressuscitou” (Lucas
plano divino para resgatar os filhos Enquanto a sombra da cruz 24:5–6).
de Deus. Sobre o solitário monte se erguia.1 Esse pronunciamento indicava que
acabavam de ser redimidos todos os
que já viveram e morreram, todos os
que vivem hoje e um dia morrerão e
todos os que ainda estão por nascer e
depois morrer.
Em virtude da vitória de Cristo sobre
a sepultura, todos ressuscitaremos. Essa
é a redenção da alma. Paulo escreveu:
“E há corpos celestes e corpos terres-
tres, mas uma é a glória dos celestes e
outra a dos terrestres.
Uma é a glória do sol, e outra a gló-
ria da lua, e outra a glória das estrelas;
ENSINAR USANDO ESTA
MENSAGEM

O s bons professores promovem a


união entre os alunos. À medida
que externam suas ideias e escutam
desenvolverá entre as pessoas a quem
você ensinar se você e elas prestarem
reverentemente testemunho da Expia-
com respeito umas às outras, as pessoas ção de Jesus Cristo e de Sua Ressurrei-
não só criam uma atmosfera propícia ção. Essa união pode ajudar as famílias
ao aprendizado, mas também ficam a seguirem o conselho do Presidente
mais unidas (ver Ensino, Não Há Maior Monson de tornarem-se uma “família
porque uma estrela difere Chamado , 2009, p. 63). A união se eterna”.
em glória de outra estrela.
Assim também a ressur-
reição dentre os mortos”
(I Coríntios 15:40–42).
É a glória celestial que
buscamos. É na presença
de Deus que desejamos
habitar. É uma família
eterna que queremos
integrar.
Testifico que Aquele
que livrou cada um de nós
da morte eterna é o Mestre
da verdade — porém, é
mais do que um professor.
Ele é o exemplo da vida
perfeita — mas é muito
mais do que um exemplo.
Ele é o Grande Médico
— mas é muito mais do
que um médico. Ele é
literalmente o Salvador do
mundo, o Filho de Deus,
o Príncipe da Paz, o Santo
de Israel, sim, o Senhor
ressuscitado, que decla-
rou: “Eu sou o primeiro e
o último; sou o que vive,
sou o que foi morto; eu
sou vosso advogado junto
ao Pai” (D&C 110:4).
“Do mundo é o Reden-
tor. Eu sei que vive meu
Senhor.” 2
Disso testifico. ◼
NOTAS
1. Frederick E. Weatherly,
“The Holy City” (1892).
2. “Eu Sei Que Vive Meu
Senhor”, Hinos, nº 70.

A b r i l d e 2 0 1 1 5
JOVENS

Ele Mostrou-nos o
Caminho de Volta ao Lar
“[O Salvador] veio à Terra para mostrar-nos
como viver o plano que foi criado no céu, um
plano que nos tornará felizes, se o seguirmos. Seu exemplo
mostrou-nos o caminho de volta à presença de nosso Pai
Celestial. Ninguém mais que viveu nesta Terra foi tão ‘firme
e inamovível’ (ver Mosias 5:15). Ele nunca Se desviava do
caminho certo. Concentrou-Se em cumprir a vontade do Pai e
permaneceu fiel a Sua divina missão. (…)
Vocês fazem parte desse plano maravilhoso que foi
apresentado na esfera pré-mortal. O nascimento de vocês
aqui na Terra estava sendo esperado desde que o plano foi
aceito. Seu lugar no tempo e no espaço não é um acaso. Sua
‘grande fé e suas boas obras’ (Alma 13:3) ali estabeleceram o
alicerce para o que vocês podem realizar hoje, se forem fiéis
e obedientes. Vocês (…) têm um grande trabalho a realizar.
Para cumprir sua missão divina e seguir o plano de felicidade,
também precisam ser firmes e inamovíveis.”
Elaine S. Dalton, presidente geral das Moças, “Em Todos os Momentos, em
Todas as Coisas e em Todos os Lugares”, A ­Liahona, maio de 2008, p. 116.

CRIANÇAS

Podemos Ser uma Família Eterna


O Presidente Monson ensina que, pelo poder da
Expiação do Salvador, podemos ficar juntos de novo
com nossa família após a morte. Reúna esta família
seguindo as instruções abaixo.
Instruções: Os membros da família à esquerda estão sepa-
rados uns dos outros e do Salvador por causa da morte. Faça
uma cópia desta página, que se encontra no site www.LDS.
org, imprima-a ou faça sua própria ilustração para demonstrar
como o Salvador pode nos unir. Dobre a página em cada linha
pontilhada para que as estrelas da parte de baixo da página se
toquem, escondendo as áreas escuras.
ILUSTRAÇÃO DE STEVE KROPP

6 A Liahona
M E N S AG E M DA S P R O F E S S O R A S V I S I TA N T E S

O Propósito da Estude este material em espírito de oração e, conforme


julgar conveniente, discuta-o com as irmãs que você

Sociedade de Socorro
visita. Use as perguntas para ajudar no fortaleci-
mento das irmãs e para fazer com que a Sociedade de
Socorro seja parte ativa da vida delas.
Fé • Família • Auxílio

A ssim que nossa presidência foi chamada, foi- O Que De Nossa História

N
nos dado algum material de referência sobre Posso Fazer? uma reunião da Sociedade de Socorro em
a história da Sociedade de Socorro. Estudamos o 9 de junho de 1842, o Profeta Joseph Smith
material em espírito de oração, desejosas de conhe-
1. Que inspiração
recebi para ajudar ensinou às irmãs que sua organização “não era
cer o propósito da Sociedade de Socorro e o que o minhas irmãs a apenas para aliviar o sofrimento dos pobres,
Senhor esperava que fizéssemos. Aprendemos que aumentar a fé e mas para salvar a alma das pessoas”. 1 Essa
o propósito da Sociedade de Socorro, conforme a retidão pessoal declaração sobre um propósito tanto espiritual
estabelecida pelo Senhor, é o de organizar, ensinar e fortalecer sua quanto temporal tem caracterizado a Socie-
e inspirar Suas filhas a se prepararem para as bên- família e seu lar?
dade de Socorro ao longo de sua história. Em
Que auxílio posso
çãos da vida eterna. 1906, o Presidente Joseph F. Smith (1838–1918)
prestar?
Para cumprir esse propósito da Sociedade de ensinou: “[A Sociedade de Socorro] não apenas
Socorro, o Senhor comissionou cada irmã e a orga- 2. Como usa- cuida das necessidades dos pobres, doentes
rei esta men-
nização como um todo a: e carentes, mas parte de seu dever — a parte
sagem para
1. Aumentar a fé e a retidão pessoal. fortalecer minha maior, por sinal — é cuidar do bem-estar e
2. Fortalecer a família e o lar. fé e aumentar da salvação das mães e filhas de Sião; cuidar
meu próprio com- para que nenhuma delas seja negligenciada,
3. Prestar auxílio servindo ao Senhor promisso com a
e a Seus filhos. mas que todas sejam protegidas do infortúnio,
retidão pessoal?
das calamidades, dos poderes das trevas e dos
Só podemos fazer esse trabalho à maneira do males que as ameaçam neste mundo”.2 Em
Senhor se buscarmos, recebermos e agirmos de Acesse www​
.reliefsociety​.LDS​ 2001, o Élder M. Russell Ballard, do Quórum
acordo com a revelação pessoal. Sem revelação .org para mais dos Doze Apóstolos, reiterou: “Todas as irmãs
pessoal, não podemos ter sucesso. Se dermos informações.
da Igreja que fizeram convênios com o Senhor
ouvidos à revelação pessoal, não há como fracas- têm o mandamento divino de salvar almas, de
sarmos. O profeta Néfi ensinou-nos que o Espírito liderar as mulheres do mundo, de fortalecer os
NOTAS
Santo nos mostrará “todas as coisas que [devemos] 1. Joseph Smith, lares de Sião e de edificar o reino de Deus”.3
fazer” (2 Néfi 32:5). Devemos nos permitir momen- History of the
tos serenos e silenciosos o bastante para ouvirmos Church, vol. 5,
p. 25.
a voz do Espírito. 2. Ensinamentos
Irmãs, temos um papel vital a desempenhar para dos Presidentes
da Igreja: Joseph
ajudar a edificar o reino de Deus e preparar-nos F. Smith, 1998,
para a vinda do Senhor. De fato, a obra do Senhor p. 185.
3. M. Russell
não pode ser realizada sem a ajuda de Suas filhas. Ballard, “Mulhe-
Por esse motivo, o Senhor espera que aumentemos res de Retidão”,
nossa oferta. Espera que cumpramos o propósito A ­Liahona,
dezembro de
da Sociedade de Socorro como nunca antes. 2002, p. 34.
Julie B. Beck, presidente geral da Sociedade de Socorro.

Das Escrituras
ILUSTRAÇÃO FOTOGRÁFICA: CHRISTINA SMITH

Deuteronômio 6:5–7; Lucas 10:30–37;


Tiago 1:27; 2 Néfi 25:26; Mosias 3:12–13

Para ler sobre uma mulher que foi um exemplo de fé e


retidão pessoal, ver a página 28.
Coisas Pequenas e Simples
“E de pequenas coisas provém aquilo que é grande”
(D&C 64:33).

HISTÓRIA DA IGREJA NO MUNDO


Aprender com
a Conferência

N ossos filhos já estão


crescidos e têm seu
próprio lar e família,
mas achamos um ótimo
método para aprendermos
juntos com as palavras dos
profetas. No mês seguinte
a cada conferência geral,
estudo os discursos em
www​.conference​.LDS​.org
e escolho citações que
dão direção, orientação e
consolo. Seleciono tantas
que há uma citação por
dia durante os seis meses
seguintes. (Em abril, por
exemplo, escolho uma cita-
Ilhas Marshall ção por dia para o período

E
de 1º de maio a 31 de
mbora membros da Igreja tenham visitado Missão Micronésia Guam. Em 1984, foi
outubro.) Então dou cópias
as Ilhas Marshall na Segunda Guerra Mun- criado o Distrito Majuro Ilhas Marshall. O
dessas citações a cada um
dial, a obra missionária oficial só começou número de membros da Igreja continuou
de nossos filhos.
mesmo em fevereiro de 1977. Naquele ano, o a crescer, e foi criado um segundo distrito
Como complemento a
Élder William Wardel e o Élder Steven Cooper, em 1991 no atol de Kwajalein. Em 2006, foi
nosso próprio estudo da
da Missão Havaí Honolulu, foram designa- criada a Missão Majuro Ilhas Marshall. Nos
conferência, essas cita-
dos para trabalhar na área. Com o auxílio de três anos seguintes, houve um aumento
ções do dia costumam ser
Eldred Fewkes, um membro da Igreja que significativo no número de membros ativos
um assunto de conversa
tinha se mudado para as Ilhas Marshall por devido a esforços de ativação, batismos de
entre os familiares. É uma
motivos profissionais, eles fizeram um acordo conversos e fortalecimento da liderança
experiência maravilhosa
com líderes de outra congregação para reali- local. O resultado foi a organização, em 14
examinarmos os conselhos
zar as reuniões da Igreja no prédio deles. de junho de 2009, da Estaca Majuro Ilhas
dos profetas nos meses

À ESQUERDA: FOTOGRAFIA © ISTOCK; ABAIXO, À DIREITA: FOTOGRAFIA


Naquele primeiro ano, os missionários Marshall.
que se seguem à conferên-
batizaram 27 conversos. Três anos depois, Para ler histórias de fé e conversão de
cia geral, embora vivamos GENTILMENTE CEDIDA PELA BIBLIOTECA DE HISTÓRIA DA IGREJA
as Ilhas Marshall passaram a fazer parte da membros nas Ilhas Marshall, ver a página 32.
a muitos quilômetros de
distância uns dos outros.
Christine Tippetts, Utah, EUA
A IGREJA NAS ILHAS MARSHALL
Número de Membros 4.486
Missões 1
Estacas 1
Distritos 1
Alas/Ramos 11

8 A Liahona
LEMBR AR A VIDA DE GR ANDES PESSOAS

J. Reuben Clark Jr.:


Um Homem de Dons Incomuns
iniciou uma atuação notável na área
jurídica e uma carreira brilhante no
serviço público, que culminou com sua
nomeação como embaixador dos Esta-
dos Unidos no México em 1930. Porém,
essa carreira chegou ao fim quando o A Primeira Presidência em 1945 (a
irmão Clark foi apoiado como segundo partir da esquerda): J. Reuben Clark
conselheiro do Presidente Heber J. Grant Jr., Heber J. Grant e David O. McKay.
na Primeira Presidência em 6 de abril de
1933. Embora ele fosse sumo sacerdote O Presidente Clark serviu posterior-
na época, não era Autoridade Geral. Foi mente como conselheiro dos Presidentes
ordenado apóstolo quando, em seguida, George Albert Smith e David O. McKay.
foi apoiado como primeiro conselheiro Entre suas muitas contribuições
do Presidente Grant em outubro de 1934. para a Igreja, destaca-se o exemplo de
humildade que ele demonstrou quando
O Presidente Clark (à esquerda) com
David O. McKay se tornou presidente
Lamont Toronto, presidente de missão. da Igreja. Ele chamou o Presidente Clark

J oshua Reuben Clark Jr. nasceu em


Grantsville, Utah, em 1º de setembro
de 1871. Embora ele não tivesse recebido
para ser seu segundo conselheiro. Como
o Presidente Clark vinha servindo como
primeiro conselheiro nas Primeiras
muita instrução formal nem cursado a Presidências anteriores, alguns achavam
escola secundária, sua mãe lhe dera aulas que ele tinha sido preterido, mas o Pre-
particulares, e ele adorava aprender. sidente Clark explicou: “No serviço do
Formou-se como primeiro da classe na Senhor, não importa onde servimos, mas
Universidade de Utah com um bacha- como servimos. Na Igreja de Jesus Cristo
relado em Ciências e depois se formou dos Santos Últimos Dias, as pessoas
em Direito na faculdade de Direito da assumem a posição para a qual foram
Universidade Columbia, na cidade de devidamente chamadas, algo que não se
Nova York. busca nem se recusa”.1
O irmão Clark casou-se com Luacine O Presidente Clark morreu em 6 de
Annetta Savage no Templo de Salt Lake outubro de 1961.
em 1898 e o casal teve quatro filhos.
NOTA
Com seu diploma de Direito e uma 1. J. Reuben Clark Jr., em Conference Report,
mente brilhante, J. Reuben Clark Jr. outubro de 1951, p. 154.

CURSO DE AUTOSSU-
FICIÊNCIA PROFISSIO- O s Serviços de Recursos de Emprego
SUD oferecem um curso para ajudar
pessoas que procuram trabalho, espe-
no curso tendem a achar trabalho mais
rapidamente do que sem essa ajuda.
O curso inclui assuntos como identifi-
NAL DOS SERVIÇOS ram para matricular-se na faculdade ou car metas profissionais, procurar recursos
DE RECURSOS DE começam um negócio. O curso ajuda as para atingir metas pessoais, redigir currí-
EMPREGO SUD pessoas a definirem suas metas profis- culos e ter sucesso num novo emprego.
sionais e a desenvolverem confiança Para saber o local e a data do curso,
em sua capacidade de vencer. Visa a ser consulte o bispo ou presidente de ramo
instrutivo, interativo, motivador e lúdico. ou visite www​.LDSjobs​.org e clique em
As pessoas que aplicam o que aprendem “Encontrar um Centro”.

A b r i l d e 2 0 1 1 9
C oisas P equenas e S imples
• Mórmon tinha cerca
de dez anos de idade
“LEMBRA-TE TAMBÉM DO quando Amaron o
TEU CRIADOR NOS DIAS escolheu para ser
DA TUA MOCIDADE” a próxima pessoa
(ECLESIASTES 12:1) responsável pelos
registros (as placas

A s escrituras fazem um relato do ministério dos


profetas e apóstolos. Muitos daqueles líderes
conheciam a Deus desde a juventude. A seguir,
de Néfi). Com cerca
de dezesseis anos
de idade, Mórmon
econtram-se cinco histórias das escrituras que des-
comandou os exérci-
crevem as experiências pessoais de alguns daqueles
tos nefitas (ver Mór-
futuros líderes.
mon 1:2–4; 2:1–2).

• João Batista, que foi • Davi era apenas um


chamado para pre- “moço” quando
parar o povo para a matou Golias, talvez
“vinda do Senhor”, da mesma idade que

À ESQUERDA: ILUSTRAÇÃO DE PAUL MANN; DETALHE DE SAFÃ LEVA O LIVRO A JOSIAS, DE ROBERT T. BARRETT © 1990, REPRODUÇÃO PROIBIDA; MÓRMON COMPILANDO AS
“quando tinha oito os jovens solda-
dias de idade, foi dos do exército de

PLACAS, DE TOM LOVELL © IRI; DAVI E GOLIAS, DE STEVE NETHERCOTT, REPRODUÇÃO PROIBIDA; EXEMPLOS ANTIGOS/PROMESSAS MODERNAS, DE JEFF WARD
ordenado por um Helamã (ver I Samuel
anjo de Deus para 17:49–56; Alma
esse poder” (D&C 53:22).
84:27–28).

• O rei Josias, coroado • José tinha dezessete


aos oito anos de anos quando foi ven-
idade, passou seu dido ao Egito, onde
reinado de 31 anos “o Senhor estava
ajudando os judeus com José” (ver Gêne-
a converterem-se sis 37:2, 27–28; 39:2).
ao evangelho
(ver II Reis 22).

10 A L i a h o n a
SERVIR NA IGREJA

“Tudo Isso Me
Abençoa”
Michael R. Morris
Revistas da Igreja

S
e é sábado, é bem provável dedicação há quase dez anos.
encontrarmos Elvira Guagliarello No início da semana, faz pão
em plena atividade na cozinha para consumo próprio, mas aos
de sua casa em Puerto Madryn, na sábados reserva algum tempo
costa do Golfo Nuevo da Argentina, para fazer pão “especialmente
na província meridional de Chubut. para a Igreja”, conta ela. “Digo a
Ela pesa a farinha e mede a água mim mesma: ‘Preciso fazer pão
e depois pega outros ingredientes. e preciso ir à Igreja’. Não quero
Ela não fala muito ao trabalhar, mas falhar.”
seus atos falam mais alto que suas Quando a saúde permite, ela
palavras. Afinal de contas, ela está a também vai ao templo — numa via- Elvira Guagliarello
serviço do Senhor. gem anual de ônibus de vinte horas
“Sinto-me bem por saber que estou de duração rumo ao Norte, para o Aires, quando trabalhava numa pen-
fazendo algo bom”, diz a irmã Elvira Templo de Buenos Aires Argentina. são onde eles moravam. Ao reconhe-
ao misturar os ingredientes. Ela pensa “A irmã Elvira sempre fica feliz cê-los fazendo contatos de porta em
no Salvador ao trabalhar, feliz com a ao servir de qualquer maneira pos- porta quinze anos mais tarde, depois
ideia de que o fruto de seu trabalho sível”, diz seu bispo, Jesús Santos de mudar-se para Puerto Madryn,
ajudará outros membros da Igreja a Gumiel. “Os membros da ala sabem ouviu as lições missionárias, foi
ACIMA: FOTOGRAFIA DE MICHAEL R. MORRIS

lembrarem-se Dele. que podem contar com ela. Apesar batizada e deu início a sua vida de
A irmã Elvira, de 82 anos de idade, da idade, faz fielmente o pão todos serviço na Igreja.
gosta de fazer o trabalho de profes- os sábados e vai à Igreja todos os Hoje ela vive sozinha, mas não
sora visitante, ajuda a reger na ala e domingos. Ela é um ótimo exemplo.” sente solidão. Ela tem as escrituras e
faz pão para ser usado na ordenança A irmã Elvira conheceu os mis- a família da ala e está em frequente
do sacramento — um chamado sionários de tempo integral em 1962 comunhão com o Pai Celestial por
que ela tem desempenhado com em Mar del Plata, ao sul de Buenos meio da oração. Além disso, servindo
ao próximo, ela desfruta a companhia
do Espírito, que o Senhor prometeu
APROVEITAR 1. Trabalhar no templo e ir com frequência
aos que O servem.1
AO MÁXIMO A ao templo.
TERCEIRA IDADE “Tudo isso me abençoa”, diz a irmã
2. Coletar e escrever a história da família.
Elvira com um sorriso. “A Igreja nos
O segredo de se sentir 3. Envolver-se no trabalho missionário.
põe para trabalhar, e isso me deixa
útil e vencer a solidão 4. Cultivar a união familiar.
é procurar maneiras de feliz. Sempre senti alegria ao servir ao
5. Aceitar e cumprir chamados na Igreja.
ajudar pessoas em dificuldades. O Pre- Pai Celestial.” ◼
6. Prestar serviço cristão.
sidente Ezra Taft Benson (1899–1994) NOTA
7. Manter a forma física, cuidar da saúde e 1. Ver Henry B. Eyring, “Na Força do Senhor”,
deu as seguintes sugestões de serviço A ­Liahona, maio de 2004, p. 16; ver também
permanecer ativo.
que podem ser colocadas em prática De Ezra Taft Benson, “To the Elderly in the Church”,
João 14:16–18; Doutrina e Convênios 88:3.
pelos membros idosos da Igreja: ­Ensign, novembro de 1989, pp. 4–6.
A b r i l d e 2 0 1 1 11
NOSSA CRENÇA

JESUS CRISTO
EXPIOU NOSSOS PECADOS
U
m dos motivos de estarmos Para sobrepujar essa separação, arrependam; mas se não se arrepen-
aqui na Terra é aprendermos o Pai Celestial proveu um meio para derem, terão que sofrer assim como
a obedecer aos mandamen- que Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, eu sofri” (D&C 19:16–17).
tos de Deus. Com exceção de Jesus tomasse sobre Si o fardo de nossos Como parte da Expiação, Jesus
Cristo, que levou uma vida perfeita, pecados, o que nos deu a possibi- sofreu por nossos pecados no Jardim
todos os que já viveram na Terra lidade de ser purificados espiritual- do Getsêmani e na cruz do Calvário.
pecaram (ver Romanos 3:23; I João mente e reconciliar-nos com Ele. Esse Se nos arrependermos de nossos
1:8). Pecar é quebrar conscientemente é o plano de misericórdia. pecados, podemos trazer o poder de
os mandamentos de Deus, e todos os O Salvador ensinou: “Pois eis que Sua Expiação para nossa vida.
pecados têm uma punição atrelada a eu, Deus, sofri essas coisas por todos, Jesus Cristo, que expiou voluntaria-
eles. Quando pecamos, a justiça exige para que não precisem sofrer caso se mente nossos pecados, disse:
que soframos a punição (ver Alma
42:16–22).
Em última análise, a consequência
de qualquer pecado é a separação de
Deus (ver 1 Néfi 10:21). Esse distan-
ciamento é tão grave que não pode-
mos vencê-lo por nós mesmos.

“Jesus Cristo, como Filho Unigênito


de Deus e a única pessoa que viveu
sem pecado na Terra, era o único
capaz de fazer um sacrifício expiatório
pela humanidade” (Bible Dictionary,
“Atonement”).
2. A vida eterna na presença de
A Expiação também proporciona
Deus para todas as crianças que
as seguintes bênçãos:
morrerem antes de chegar à idade
da responsabilidade, os oitos
1. A ressurreição para todos os que já anos (ver Mosias 3:16; 15:24–25;
nasceram na Terra (ver Alma 11:42–45). Morôni 8:8–12).
Ó MEU PAI, DE SIMON DEWEY; JESUS CRISTO VISITA AS AMÉRICAS, DE JOHN SCOTT © IRI; ILUSTRAÇÃO FOTO-
GRÁFICA DE BEBÊ © GETTY IMAGES; OUTRAS ILUSTRAÇÕES FOTOGRÁFICAS DE CHRISTINA SMITH

“Vinde a mim, todos os que estais


cansados e oprimidos, e eu vos
aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e
aprendei de mim, que sou manso e
humilde de coração; e encontrareis
descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu
fardo é leve” (Mateus 11:28–30). ◼

Para mais informações, ver Princípios do


Evangelho, 2009, pp. 61–68 e Sempre
Fiéis, 2004, pp. 77–83.

3. A possibilidade de alcançar paz em


momentos de provação, pois Jesus
tomou sobre Si nossas dores e enfermi-
dades (ver João 14:27; Alma 7:11–12).
4. A compensação para os justos
pelas desigualdades e injustiças
“Eis que vim ao mundo para trazer redenção ao mundo e desta vida (ver Pregar Meu Evange-
lho, 2004, p. 52).
salvar o mundo do pecado.
Portanto, todos aqueles que se arrependerem e vierem a
mim como criancinhas, eu os receberei, pois deles é o reino
de Deus. Eis que por eles dei a vida e tornei a tomá-la;
portanto, arrependei-vos e vinde a mim, ó vós, confins da
Terra, e salvai-vos” (3 Néfi 9:21–22).
A b r i l d e 2 0 1 1 13
FA L A MOS DE CRI S TO

Arrependamo-nos,
Voltemo-nos para o
Senhor e Sejamos Curados
“Eis que aquele que se arrependeu de seus pecados é perdoado
e eu, o Senhor, deles não mais me lembro” (D&C 58:42).
David L. Frischknecht
Departamento de Currículo

R
ecentemente, uma mulher boa sinceramente, temos de reconhecer
AS BÊNÇÃOS DO e fiel que conheço ficou seria- nossos pecados, sentir remorso ou tris-
ARREPENDIMENTO mente ferida num acidente de teza segundo Deus, e confessá-los ao
“Pecar é transgredir volun- carro. Entre os ferimentos, havia costelas Pai Celestial. Se nossos pecados forem
tariamente a lei divina. A e vértebras quebradas. Parte do trata- graves, também devemos confessá-los
Expiação de Jesus Cristo é mento de reabilitação exigia o uso de um ao líder do sacerdócio autorizado. Preci-
a dádiva de Deus a Seus colar ortopédico no pescoço e na coluna samos pedir perdão a Deus e fazer tudo
filhos para corrigir e sobre- para impedir que ela os movimentasse. o que pudermos para corrigir quais-
pujar as consequências do O colar parecia muito incômodo, mas quer danos causados por nossas ações.
pecado. (…) era necessário. Propiciava as condi- Arrepender-se significa passar por uma
O dom da Expiação de
ções ideais para a cura da coluna e do mudança na mente e no coração: parar
Jesus Cristo concede-nos
pescoço. de fazer coisas erradas e começar a fazer
em todos os momentos e
O arrependimento é como esse colar. coisas certas. O arrependimento faz com
em todos os lugares as bên-
çãos do arrependimento e
Quando pecamos, ferimos a alma, e que tenhamos uma atitude diferente em
do perdão.” necessitamos de tratamento divino para relação a Deus, a nós mesmos e à vida
sarar. O arrependimento cria as condi- em geral”.1
Presidente Dieter F. Uchtdorf,
Segundo Conselheiro na Primeira ções que permitem ao Salvador, pelo Quando concluímos com êxito o pro-
Presidência, “O Ponto de Retorno
Seguro”, A ­Liahona, maio de 2007,
poder da Expiação, nos curar (ver 3 Néfi cesso de arrependimento, o resultado é a
pp. 99, 101. 9:13). Mesmo que algumas partes do cura, o alívio e a felicidade. Dorothy J. R.
arrependimento sejam desagradáveis White escreveu:
— como o colar ortopédico na coluna Ainda que brotem lágrimas no
lesada — ainda assim precisamos nos exterior,
arrepender. Não deixes de purificar o interior.2
O Presidente Dieter F. Uchtdorf,
segundo conselheiro na Primeira Presi- O Senhor suplica com insistência,
dência, ensinou: “O verdadeiro arrepen- amor e persuasão que nos arrependa-
dimento faz com que voltemos a fazer mos, pois deseja curar-nos. Ele sofreu em
o que é certo. Para nos arrependermos Seu corpo e espírito para pagar o preço

14 A L i a h o n a
POR QUE O ARREPENDI-
MENTO NOS CURA?
O Élder Neil L. Andersen, do
Quórum dos Doze Apósto-
los, ajuda a responder a essa
pergunta no discurso “Arrepen-
dendo-vos (…) para que Eu Vos
Cure”, proferido numa confe-
rência geral (A ­Liahona, novem-
bro de 2009, p. 40). O profeta
Alma também nos ajuda a
compreender o arrependimento
O filho pródigo regressou humildemente à casa do pai e disse: “Pai, pequei contra e a Expiação (ver Alma 42).
o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho” (Lucas 15:21). O pai
recebeu-o em casa de braços abertos. E o Pai Celestial também nos recebe da mesma 1. O arrependimento permite-
forma quando nos arrependemos. nos ter acesso à Expiação de
Cristo e ser curados. O sofri-
de nossos pecados se nos arrepender- beber a amarga taça e recuar — mento de Cristo no Getsê-
mos. Ele explicou: Todavia, glória seja para o Pai; eu mani e no Gólgota expiou os
“Pois eis que eu, Deus, sofri essas bebi e terminei meus preparativos para pecados de todos nós. Ele tem
coisas por todos, para que não precisem os filhos dos homens. o poder e o ardente desejo de
sofrer caso se arrependam; Assim, ordeno outra vez que te arre- perdoar nossos pecados.
Mas se não se arrependerem, terão pendas” (D&C 19:16–20). 2. Quando pecamos, afastamo-
que sofrer assim como eu sofri; Arrependamo-nos agora, voltemo-nos nos de Deus. Isso faz mal a
Sofrimento que fez com que eu, para o Senhor e sejamos curados. ◼ nosso espírito.
Deus, o mais grandioso de todos, tre- 3. Quando nos arrependemos,
NOTAS
messe de dor e sangrasse por todos os 1. Dieter F. Uchtdorf, “O Ponto de Retorno voltamo-nos para Deus. Isso
poros; e sofresse, tanto no corpo como Seguro”, A ­Liahona, maio de 2007, p. 99. ajuda o remorso a diminuir.
2. Dorothy J. R. White, “Repentance”, ­Ensign,
no espírito — e desejasse não ter de julho de 1996, p. 27. O perdão também nos
“[alivia] o coração da culpa”
Quais são as bênçãos do arrependimento e do perdão? (Alma 24:10), traz “paz de
A VOLTA DO FILHO PRÓDIGO, DE JAMES TISSOT

• O Espírito Santo nos mostrará que fomos perdoados. consciência” (Mosias 4:3) e
assim nos cura.
• Deus retirará o fardo da culpa por nossos pecados.
• Desfrutaremos a influência do Espírito Santo de modo mais abundante.
Se desejar, preste a alguém
testemunho das bênçãos
Para mais informações sobre o assunto, ver Ezequiel 33:15–16; Alma 12:33–34; 36:13, que recebeu por causa do
17–20; e Boyd K. Packer, “The Brilliant Morning of Forgiveness”, ­Ensign, novembro de arrependimento.
1995, pp. 18–21.

A b r i l d e 2 0 1 1 15
C L Á SS I CO S D O E VA N G EL H O

Poder O todos os que sofrerem por Cristo e Sua pala-

Purificador
vra, todos os que forem perseguidos e afli-
gidos por causa Dele, a quem pertencemos
— todos se tornarão como seu Criador e se
sentarão com Ele em Seu trono e reinarão
com Ele para sempre em glória eterna.
Para discorrer sobre essas coisas mara-
vilhosas, usarei minhas próprias palavras,

DO GETSÊMANI embora vocês talvez venham a achar que são


as palavras das escrituras ditas por outros
apóstolos e profetas.
É verdade que elas foram proclamadas
Bruce R. McConkie nasceu em 29 de julho de antes por outras pessoas, mas agora são
1915, em Michigan, EUA. Foi apoiado para minhas, pois o Espírito Santo de Deus testi-
o Primeiro Conselho dos Setenta em 16 de ficou para mim que são verdadeiras, e agora
outubro de 1946 e ordenado apóstolo em 12 é como se o Senhor as tivesse revelado para
de outubro de 1972. Morreu em 19 de abril mim em primeira mão. Assim, ouvi Sua voz e
de 1985, em Salt Lake City, Utah. Este dis- conheço Sua palavra.
curso foi proferido na conferência geral de
6 de abril de 1985. No Jardim do Getsêmani

S
Há dois mil anos, fora dos muros de Jeru-
into, e o Espírito parece confirmar, que salém, havia um agradável jardim chamado
Élder Bruce R. a doutrina mais importante que posso Getsêmani, onde Jesus e seus amigos mais

DETALHE DE NÃO SE FAÇA A MINHA VONTADE, MAS A TUA, DE HARRY ANDERSON © PACIFIC PRESS PUBLISHING
McConkie proclamar e o testemunho mais vee- próximos costumavam retirar-se para meditar
(1915–1985)
mente que posso prestar é sobre o sacrifício e orar.
Do Quórum dos
Doze Apóstolos expiatório do Senhor Jesus Cristo. Lá, Jesus ensinava a Seus discípulos as
Sua Expiação é o evento mais sublime doutrinas do reino, e todos eles entravam em
que já ocorreu ou ocorrerá desde a aurora comunhão com Ele que é o Pai de todos nós.
da Criação até a eternidade sem fim. Eles estavam engajados em Seu ministério e
É o supremo ato de bondade e graça realizavam Sua obra.
que somente um deus poderia realizar. Por Aquele local sagrado, [assim] como o Éden
meio dele, todos os termos e condições do onde viveu Adão, como o Sinai onde Jeová
plano eterno de salvação do Pai tornaram-se deu Suas leis, como o Calvário onde o Filho
operantes. de Deus ofereceu Sua vida como resgate por
Por meio dele são levados a efeito a imor- muitos, é o local onde o Filho sem pecados
talidade e a vida eterna do homem. Por meio do Pai Eterno tomou sobre Si os pecados de
dele, todos os homens são salvos da morte, todos os homens mediante arrependimento.
do inferno, do diabo e do tormento eterno. Não sabemos, não podemos imaginar,
E por meio dele, todos os que crerem no nenhuma mente mortal é capaz de conce-
evangelho de Deus e o seguirem, todos os ber a total abrangência do que Cristo fez no
que forem fiéis e leais e vencerem o mundo, Getsêmani.

16 A L i a h o n a
A Prisão, o Julgamento e a
Tortura do Senhor
Depois disso — com o corpo
já debilitado e sem energia —
Ele ficou cara a cara com Judas
e os outros demônios de carne
e ossos, alguns do próprio
Sinédrio, e foi conduzido com
uma corda em volta do pescoço,
como um criminoso comum,
para ser julgado pelos arquicri-
minosos: no caso dos judeus,
aqueles que ocupavam o
assento de Aarão e, no caso dos
romanos, aqueles que exerciam
o poder de César.
Levaram-No a Anás, Caifás,
Pilatos, Herodes e de volta a
Pilatos. Ele foi acusado, insul-
tado e agredido. A imunda
Nenhuma saliva deles escorreu-Lhe pelo
mente mortal rosto ao mesmo tempo em que
é capaz golpes perversos enfraqueciam-
Sabemos que Ele suou gran- prostrado por terra enquanto de conce- Lhe o corpo dolorido.
des gotas de sangue de cada as dores e agonias de um fardo ber a total Com juncos, desferiram-Lhe
poro ao sorver do cálice amargo infinito O faziam tremer e que abrangên- furiosamente golpes nas costas.
que o Pai Lhe dera. Ele desejou não ter que tomar cia do que Seu rosto banhou-se de sangue
Sabemos que Ele sofreu, da taça amarga. Cristo fez no quando uma coroa de espinhos
tanto física quanto espiritual- Sabemos que um anjo saiu Getsêmani. perfurou Sua fronte trêmula.
mente, mais do que é possível das gloriosas cortes celestiais Mas acima de tudo, Ele foi
a um homem sofrer, sem que para fortalecê-Lo nessa prova- açoitado, levou 40 chibatadas
morra. ção e supomos que tenha sido menos uma, com um chicote
Sabemos que de alguma o grande Miguel, que caíra no que tinha várias pontas de couro
forma incompreensível para princípio para que o homem com ossos afiados e metais cor-
nós, Seu sofrimento satisfez as mortal existisse. tantes nas extremidades.
exigências da justiça, resgatou Se é que podemos estimar, Muitos morriam apenas com
das dores e penas do pecado as com nossa compreensão limi- os açoites, mas Ele Se ergueu
almas penitentes e pôs a miseri- tada, estimamos que essas ago- após o suplício das chibata-
córdia ao alcance de todos que nias infinitas — esse sofrimento das a fim de sofrer uma morte
crerem em Seu santo nome. incomparável — tenham durado ignominiosa na atroz cruz do
Sabemos que Ele ficou cerca de três ou quatro horas. Calvário.

A b r i l d e 2 0 1 1 17
C lássicos do E vangelho

Então Ele carregou Sua própria cruz até desfalecer Depois de cerca de 38 ou 40 horas — três dias de
sob o peso, a dor e a agonia crescente de todo aquele acordo com a forma judaica de contar o tempo — nosso
padecimento. Senhor abençoado foi até o sepulcro de Arimateia, onde
Seu corpo parcialmente embalsamado fora colocado por
Na Cruz Nicodemos e José de Arimateia.
Por fim, num monte chamado Calvário — mais uma
vez, fora das muralhas de Jerusalém — sob o olhar dos Sua Ressurreição
discípulos impotentes, que sentiam na própria pele a Então, de modo incompreensível para nós, Ele reto-
angústia mortal, os soldados romanos O deitaram na cruz. mou o corpo que ainda não se deteriorara e ergueu-Se
Com grandes malhos, pregaram cravos de ferro em na gloriosa imortalidade que O tornou como Seu Pai
Seus pés, mãos e pulsos. Ele foi verdadeiramente ferido ressuscitado.
por nossas transgressões e moído por nossas iniquidades. Assim Ele recebeu todo o poder no céu e na Terra,
Então a cruz foi erguida para que todos vissem, pasmas- alcançou a exaltação eterna, apareceu para Maria Mada-
sem, insultassem e escarnecessem. E assim fizeram, com lena e muitos outros e ascendeu ao céu, para lá sentar-Se
perversidade e malevolência, por três horas, das 9 horas ao à mão direita de Deus, o Pai Todo-Poderoso, e reinar para
meio-dia. sempre em glória eterna.
Então os céus escureceram. Trevas cobriram a terra por Sua vitória sobre a morte no terceiro dia coroou a
três horas, como aconteceu entre os nefitas. Houve uma Expiação. Mais uma vez, de modo incompreensível para
forte tempestade, como se o próprio Deus da natureza nós, os efeitos de Sua Ressurreição se aplicam a todos os
estivesse agonizando. homens, a fim de que todos se levantem da tumba.
E de fato estava, pois nas três horas em que ainda ficou Assim como Adão trouxe a morte, Cristo trouxe a vida;
pendurado, do meio-dia às 15 horas, todas as agonias infi- assim como Adão é o pai da mortalidade, Cristo é o pai da
nitas e dores inclementes do Getsêmani voltaram. imortalidade.
E, por fim, quando o martírio expiatório chegara a seu E sem ambos, a mortalidade e a imortalidade, o homem
doloroso fim — e a vitória fora conquistada e o Filho de não pode operar sua salvação e elevar-se às alturas além
Deus cumprira a vontade de Seu Pai em todas as coisas — do céu onde deuses e anjos habitam para sempre em
Ele disse então: “Está consumado” ( João 19:30) e volunta- glória eterna.
riamente entregou o espírito.
Conhecimento da Expiação
No Mundo Espiritual A Expiação de Cristo é a doutrina mais básica e funda-
Quando a paz e o consolo da morte misericordiosa O mental do evangelho, e a menos compreendida de todas
libertaram das dores e pesares da mortalidade, Ele entrou as nossas verdades reveladas.
no paraíso de Deus. Muitos de nós têm um conhecimento superficial e con-
Depois de fazer de Sua alma uma oferta pelo pecado, fiam no Senhor e em Sua bondade para que nos ajude a
estava preparado para ver Sua semente, de acordo com as vencer as provações e os perigos da vida.
promessas messiânicas. Mas caso queiramos ter fé como Enoque e Elias, pre-
Tratava-se de todos os santos profetas e santos fiéis do cisamos acreditar no que eles acreditavam, saber o que
passado; de todos os que tinham tomado sobre si o nome sabiam e viver como viviam.
Dele e que, por terem sido gerados espiritualmente por Convido-os a unirem-se a mim para adquirirmos um
Ele, tinham se tornado Seus filhos e filhas, assim como conhecimento sólido e seguro da Expiação.
acontece conosco; todos aqueles estavam reunidos no Devemos deixar de lado as filosofias dos homens
mundo espiritual, para ver Seu rosto e ouvir Sua voz. e a sapiência dos sábios e ouvir o Espírito que nos é

18 A L i a h o n a
da qual advém a morte, não
poderia haver a Expiação de
Cristo, por meio da qual vem
a vida.

Seu Sangue Expiatório


E agora, no que tange a essa
Expiação perfeita, realizada com
o derramamento do sangue de
Deus — testifico que ela ocor-
reu no Getsêmani e no Gólgota,
e no tocante a Jesus Cristo,
testifico que Ele é o Filho do
Deus vivo e foi crucificado pelos
concedido para guiar-nos a toda mulher, saírem de seu estado de Os efeitos de pecados do mundo. Ele é nosso
a verdade. glória imortal e paradisíaca para Sua Ressurrei- Senhor, nosso Deus e nosso Rei.
Precisamos examinar as escri- tornarem-se os primeiros huma- ção se aplicam Isso sei por mim mesmo, inde-
turas, aceitá-las como a mente, nos mortais da Terra. a todos os pendentemente de qualquer
vontade e voz do Senhor e o A mortalidade, que inclui a homens a fim outra pessoa.
próprio poder de Deus para a procriação e a morte, entrará no de que todos Sou uma de Suas testemu-
salvação. mundo. E por causa da trans- se levantem nhas, e um dia sentirei as mar-
Ao lermos, ponderarmos e gressão, começará um estado da tumba. cas dos cravos em Suas mãos
orarmos, receberemos na mente probatório de tribulações e e em Seus pés e molharei Seus
uma visão dos três jardins de testes. pés com minhas lágrimas.
Deus — o Jardim do Éden, o Então no Getsêmani vere- Mas nesse momento não
Jardim do Getsêmani e o Jardim mos o Filho de Deus resgatar saberei melhor do que já sei
do Sepulcro Vazio, onde Jesus o homem da morte temporal e agora que Ele é o Filho Oni-
MUSEU HISTÓRICO NACIONAL DO CASTELO DE FREDERIKSBORG, EM HILLERØD, DINAMARCA
DETALHE DE O INCRÉDULO TOMÉ, DE CARL HEINRICH BLOCH, USADO COM PERMISSÃO DO

apareceu para Maria Madalena. espiritual que nos advieram em potente de Deus, que Ele é
virtude da Queda. nosso Salvador e Redentor e
A Criação, a Queda e a E, por fim, diante do sepul- que a salvação vem por meio
Expiação cro vazio, constataremos que de Seu sangue expiatório e de
No Éden, veremos todas Cristo nosso Senhor rompeu as nenhuma outra forma.
as coisas criadas em estado correntes da morte e Se ergue Que Deus permita que todos
paradisíaco — sem morte, sem para sempre triunfante sobre a nós andemos na luz, já que
procriação, sem experiências sepultura. Deus nosso Pai está na luz, a
probatórias. Assim, a Criação é a origem fim de que, de acordo com as
Compreenderemos que tal da Queda, pela Queda veio a promessas, o sangue de Jesus
criação, hoje desconhecida para mortalidade e a morte, e por Cristo, Seu Filho, nos purifique
o homem, era a única maneira Cristo veio a imortalidade e a de todo pecado. ◼
de ensejar a Queda. vida eterna.
Subtítulos adicionados; o uso de iniciais
Então veremos Adão e Eva, Se não tivesse havido a maiúsculas, a pontuação e a ortografia
o primeiro homem e a primeira Queda de Adão, por meio foram atualizados.

A b r i l d e 2 0 1 1 19


Élder D. Todd
Christofferson
Do Quórum dos
Doze Apóstolos

RECORDÁ-LO
SEMPRE
Se recordarmos sempre o Salvador, podere-
mos fazer “alegremente todas as coisas que
estiverem a nosso alcance”, confiantes em
que Seu poder e amor por nós nos ajudará.

A
DEIXO-VOS A PAZ, DE WALTER RANE, CORTESIA DO MUSEU DE HISTÓRIA DA IGREJA; PÃO PARTIDO, DE WALTER RANE

s orações sacra- teria sentido. Com Sua


mentais confir- Expiação e Ressurrei-
mam que um ção, porém, nossa vida
dos propósitos centrais apresenta possibilidades
do sacramento, con- eternas e divinas.
forme instituído pelo Gostaria de discorrer
Senhor Jesus Cristo, sobre três aspectos do
é “recordá-lo sem- que significa “recordá-Lo
pre” (D&C 20:77, 79). Recordar o Salvador sempre”: primeiro, procurar conhecer e
inclui obviamente recordar Sua Expiação, seguir Sua vontade; segundo, reconhecer e
que é representada simbolicamente pelo aceitar nossa obrigação de prestar contas a
pão e pela água como emblemas de Seu Cristo de cada pensamento, palavra e ato; e
sofrimento e de Sua morte. Nunca devemos terceiro, viver com fé e sem medo a fim de
esquecer o que Ele fez por nós, pois sem sempre recorrermos ao Salvador em busca da
Sua Expiação e Ressurreição, a vida não ajuda de que necessitamos.

A b r i l d e 2 0 1 1 21


Todos nós pode-


mos pôr Cristo no
centro de nossa
vida e tornar-
nos um com Ele,
assim como Ele
o é com o Pai.
Podemos começar
despojando-nos
de todas as coisas
de nossa vida e
depois pondo-as
de volta em ordem
de prioridade,
com o Salvador
no centro.

CRISTO NO GETSÊMANI DE HEINRICH HOFMANN, CORTESIA DE C. HARRISON CONROY CO.


1. Procurem conhecer e seguir a vontade minha vontade, mas a vontade do Pai que me
de Cristo assim como Ele seguia a von- enviou” ( João 5:30).
tade do Pai.
Jesus alcançou união perfeita com o Pai
A bênção sacramental do pão nos pede o submetendo-Se, tanto física quanto espiritual-
compromisso de estarmos dispostos a tomar mente, à vontade do Pai. Referindo-Se ao Pai,
sobre nós o nome do Filho e “recordá-lo Jesus disse: “Faço sempre o que lhe agrada”
sempre e guardar os mandamentos que ele ( João 8:29). Como era a vontade do Pai,
[nos] deu” (D&C 20:77). Também poderíamos Jesus sujeitou-Se até à morte, “a vontade do
ler esse convênio assim: “recordá-lo sem- Filho sendo absorvida pela vontade do Pai”
pre a fim de guardar Seus mandamentos”. É (Mosias 15:7). Seu enfoque no Pai é um dos
assim que Ele sempre recordava o Pai. Como principais motivos pelos quais o ministério de
disse Ele: “Eu não posso de mim mesmo Jesus teve tanta clareza e poder.
fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; Da mesma forma, todos nós podemos pôr
e o meu juízo é justo, porque não busco a Cristo no centro de nossa vida e tornar-nos

22 A L i a h o n a


um com Ele, assim como Ele o é com o Pai meus interesses e os de meu Pai Celestial, algo
(ver João 17:20–23). Podemos começar des- que faz com que meus interesses e os do Pai
pojando-nos de todas as coisas de nossa vida Celestial não sejam exatamente iguais.
e depois pondo-as de volta em ordem de Sei que devemos sentir e compreender,
prioridade, com o Salvador no centro. Deve- na medida do possível, tanto quanto permita
mos dar a mais alta prioridade às coisas que nossa natureza decaída, com o máximo de fé
nos permitem recordá-Lo sempre — orar e e de conhecimento que conseguirmos para
estudar as escrituras com frequência, exami- conhecermos a nós mesmos, que os interes-
nar atentamente os ensinamentos apostólicos, ses do Deus a quem servimos são os nossos
preparar-nos todas as semanas para tomar interesses, e que não temos outros, nem no
o sacramento dignamente, adorar o Senhor tempo nem na eternidade”.1
aos domingos e recordar o que o Espírito e a Embora não seja fácil, podemos prosseguir
experiência nos ensinam sobre o discipulado. com firmeza e constância tendo fé no Senhor.
Outras coisas podem lhes vir à mente, as Posso atestar que, com o passar do tempo,
quais se aplicam especificamente a vocês nosso desejo e nossa capacidade de sem-
nesta fase de sua vida. Ao reservarmos tempo pre recordar e seguir o Salvador crescerão.
e recursos adequados para esses assuntos e Devemos empenhar-nos com paciência para
centralizarmos nossa vida em Cristo, podere- esse fim e orar sempre pelo discernimento e
mos começar a adicionar outras responsabi- auxílio divino de que precisamos. Néfi acon-
lidades e coisas de valor, como os estudos e selhou-nos: “Mas eis que vos digo que deveis
as responsabilidades familiares. Dessa forma, orar sempre e não desfalecer; e nada deveis
não excluiremos de nossa vida o essencial fazer para o Senhor sem antes orar ao Pai,
em troca do meramente bom, e as coisas de em nome de Cristo, para que ele consagre
menor valor terão menos prioridade ou sim- para vós a vossa ação, a fim de que a vossa
plesmente desaparecerão. ação seja para o bem-estar de vossa alma”
Reconheço que o processo de alinhar (2 Néfi 32:9).
nossa vontade com a de Jesus Cristo como Presenciei um exemplo simples desse tipo
Ele alinhou Sua vontade com a do Pai não de oração quando eu e o Élder Dallin H.
é algo fácil. O Presidente Brigham Young Oaks, do Quórum dos Doze Apóstolos,
(1801–1877) foi compreensivo ao falar de recebemos a incumbência de realizar uma
nosso desafio: entrevista por videoconferência com um casal
“Mesmo depois de tudo o que foi dito e de outro país. Pouco antes de entrarmos no
feito, depois de Ele ter conduzido esse povo estúdio, examinei novamente as informa-
por tanto tempo, não percebem que há falta ções que tínhamos reunido sobre o casal e
de confiança em nosso Deus? Conseguem senti que estava preparado para a entrevista.
observar essa tendência em si mesmos? Alguns minutos antes do horário combinado,
Podem perguntar: ‘[Irmão] Brigham, percebe vi o Élder Oaks sentado sozinho com a cabeça
isso em si mesmo?’ Sim, percebo, vejo que me baixa. Momentos depois, levantou a cabeça
falta confiança, até certo ponto, Naquele em e disse: “Estava só terminando minha oração
Quem deposito minha fé. — Por quê? Porque para me preparar para a entrevista. Precisa-
não tenho essa capacidade, devido às conse- remos do dom de discernimento”. Ele não
quências da Queda em minha vida. (…) negligenciara a preparação mais importante,
(…) Às vezes surge algo dentro de mim uma oração para consagrar nosso desempe-
que traça claramente uma linha divisória entre nho para nosso bem e a glória do Senhor.

A b r i l d e 2 0 1 1 23


Mesmo que nesta


vida consigamos
“escapar” ou
esconder nossos
erros dos outros,
ainda assim
precisaremos nos
explicar quando
chegar o dia ine-
vitável em que
seremos levados
diante de Jesus
Cristo, o Deus
da justiça pura e
perfeita.

2. Preparem-se para prestar contas a que nos apresentar perante ele em sua glória
Cristo de cada pensamento, palavra e ato. e em seu poder e em sua força, majestade
As escrituras deixam bem claro que haverá e domínio; e reconhecer, para nossa eterna
um grandioso dia de juízo em que o Senhor vergonha que todos os seus julgamentos são
Se levantará para julgar as nações (ver 3 Néfi justos; que ele é justo em todas as suas obras
27:16) e em que todo joelho se dobrará e toda e que ele é misericordioso para com os filhos
língua confessará que Ele é o Cristo (ver Roma- dos homens; e que ele tem todo o poder para
nos 14:11; Mosias 27:31; D&C 76:110). A natu- salvar cada homem que crê em seu nome e
reza individual e a extensão desse julgamento apresenta frutos dignos do arrependimento”
foram descritos por Alma no Livro de Mórmon: (Alma 12:14–15).
“Porque nossas palavras nos condenarão, Quando o Salvador definiu Seu evangelho,
sim, todas as nossas obras nos condenarão; esse julgamento era primordial. Ele disse:
A SEGUNDA VINDA, DE HARRY ANDERSON © IRI

não seremos considerados sem mancha “Eis que vos dei o meu evangelho, e este
e nossos pensamentos também nos con- é o evangelho que vos dei — que vim ao
denarão; e nesse terrível estado não nos mundo para fazer a vontade de meu Pai, por-
atreveremos a olhar para o nosso Deus; e dar- que meu Pai me enviou.
nos-íamos por felizes se pudéssemos ordenar E meu Pai enviou-me para que eu fosse
às pedras e montanhas que caíssem sobre levantado na cruz; e depois que eu fosse
nós, para esconder-nos de sua presença. levantado na cruz, pudesse atrair a mim todos
Isto, porém, não pode acontecer. Teremos os homens, a fim de que, assim como fui

24 A L i a h o n a


levantado pelos homens, assim sejam os homens levan- documentação continha um erro e com isso eu poderia
tados pelo Pai, para comparecerem perante mim a fim de receber legalmente mais dinheiro do comprador. Meu
serem julgados por suas obras, sejam elas boas ou más — corretor perguntou se eu queria ficar com aquela quan-
E por esta razão fui levantado; portanto, de acordo com tia, pois tinha esse direito. Pensei no momento em que
o poder do Pai, atrairei todos os homens a mim para que encararia o Senhor, a personificação da justiça, tentando
sejam julgados segundo suas obras” (3 Néfi 27:13–15). explicar que eu tinha o direito legal de tirar vantagem do
Ser “levantado na cruz” é, obviamente, uma maneira comprador e de seu descuido. Não consegui visualizar-me
simbólica de referir-se à Expiação de Jesus Cristo, por sendo convincente, sobretudo porque eu precisaria pedir
meio da qual Ele satisfez as exigências que a justiça pode mais misericórdia para mim ao mesmo tempo por outros
ter sobre cada um de nós. Em outras palavras, por meio de motivos. Eu sabia que seria impossível ter a consciência
Seu sofrimento e Sua morte no Getsêmani e no Gólgota, tranquila se cometesse a desonra de ficar com o dinheiro.
Ele pagou tudo o que a justiça poderia exigir de nós por Respondi ao corretor que manteríamos a transação con-
nossos pecados. Portanto, Ele Se põe no lugar da justiça e forme negociada inicialmente pelas partes. Para mim,
é a própria personificação da justiça. Assim como Deus é saber que não tenho nada do que me arrepender nessa
amor, Deus também é justiça. Nossas dívidas e obrigações transação vale muito mais do que qualquer quantia.
passaram a recair sobre Jesus Cristo. É Ele, portanto, que Em minha juventude, por negligência minha, certo dia um
tem o direito de nos julgar. de meus irmãos ficou ligeiramente machucado. Não assumi
Esse julgamento, ressalta Ele, baseia-se em nossas a tolice que cometera na época, e ninguém jamais tomou
obras. As “boas novas” especiais de Seu evangelho são conhecimento de meu papel no ocorrido. Anos depois, orei
as de que Ele oferece o dom do perdão mediante nosso para que Deus me revelasse algo em minha vida que pre-
arrependimento. Portanto, se nossas obras incluírem as cisasse ser corrigido para que eu me sentisse mais aceitável
obras de arrependimento, Ele perdoará nossos pecados e diante Dele, e aquele incidente me veio à mente. Eu até já
erros. Se rejeitarmos o dom do perdão, recusando-nos a me esquecera do ocorrido, mas o Espírito me sussurrou que
arrepender-nos, serão aplicadas as penalidades da justiça aquela era uma transgressão não resolvida que eu precisava
que Ele agora representa. Ele disse: “Pois eis que eu, Deus, confessar. Telefonei para meu irmão, desculpei-me, pedi que
sofri essas coisas por todos, para que não precisem sofrer me perdoasse, e ele o fez de modo imediato e generoso.
caso se arrependam; mas se não se arrependerem, terão Meu constrangimento e pesar teriam sido menores se eu
que sofrer assim como eu sofri” (D&C 19:16–17). tivesse me desculpado na época do acidente.
Recordá-Lo sempre significa, portanto, recordar sempre Foi interessante e significativo para mim saber que
que nada está escondido Dele. Não há nenhum aspecto de o Senhor não esquecera aquele acontecimento de um
nossa vida — sejam atos, palavras ou mesmo pensamen- passado distante, mesmo que eu tivesse esquecido. Os
tos — que possa fugir ao conhecimento do Pai e do Filho. pecados não se resolvem sozinhos ou simplesmente desa-
Nenhum ato desonesto num teste escolar, nenhum roubo parecem. Os pecados não são “varridos para debaixo do
em loja, nenhuma fantasia ou ação libidinosa e nenhuma tapete” na eternidade. Precisam ser encarados, e o mara-
mentira podem ser ignorados, relevados, escondidos ou vilhoso é que, por causa da graça expiatória do Salvador,
esquecidos. Mesmo que nesta vida consigamos “escapar” podemos lidar com eles de modo mais feliz e menos
ou esconder nossos erros dos outros, ainda assim precisa- doloroso do que se nós mesmos precisássemos satisfazer
remos nos explicar quando chegar o dia inevitável em que diretamente a justiça ofendida.
seremos levados diante de Jesus Cristo, o Deus da justiça Também devemos alentar-nos ao pensar num julga-
pura e perfeita. mento no qual nada jamais é negligenciado, pois isso
Essa realidade me incentivou em diferentes momen- também significa que nenhum gesto de obediência, bon-
tos, tanto me impelindo ao arrependimento quanto dade e nenhuma boa ação, por menores que sejam, jamais
me ajudando a nem sequer começar a pecar. Em certa serão esquecidos e nenhuma bênção correspondente
ocasião, no contexto de uma transação imobiliária, a jamais será negada.

A b r i l d e 2 0 1 1 25


Sabemos que
cada um de
nós enfrentará,
das mais diver-
sas maneiras,
desafios, decep-
ções e tristezas,
mas sabemos
também que,
no fim, graças a
nosso Advogado
divino, tudo
poderá se rever-
ter para nosso
bem (ver D&C
90:24; 98:3).

3. Não temam e recorram ao Salvador Buscai-me em cada pensamento; não duvi-


caso precisem de ajuda. deis, não temais.

ELE UNGIU OS OLHOS DO CEGO, DE WALTER RANE, CORTESIA DO MUSEU DE HISTÓRIA DA IGREJA
Nos primórdios da Restauração, Jesus Vede as feridas que me perfuraram o lado
aconselhou e consolou Joseph Smith e Oliver e também as marcas dos cravos em minhas
Cowdery, que estavam empenhados na tradu- mãos e pés; sede fiéis, guardai meus man-
ção do Livro de Mórmon e logo receberiam o damentos e herdarei o reino do céu. Amém”
sacerdócio. Joseph tinha 23 anos de idade na (D&C 6:34–37).
época, e Oliver tinha 22. Perseguições e outros Buscar o Senhor em cada pensamento é,
obstáculos eram frequentes, quando não cons- obviamente, outra maneira de dizer “recor-
tantes. Nessas condições, em abril de 1829 o dá-Lo sempre”. Se o fizermos, não precisare-
Senhor dirigiu-lhes estas palavras: mos duvidar nem temer. O Salvador lembrou
“Portanto não temais, pequeno rebanho; fazei a Joseph e Oliver, como lembra a nós, que
o bem; deixai que a Terra e o inferno se unam por meio de Sua Expiação Ele recebeu todo
contra vós, pois se estiverdes estabelecidos o poder do céu e da Terra (ver Mateus 28:18)
sobre minha rocha, eles não poderão prevalecer. e tem tanto a capacidade quanto o desejo de
Eis que eu não vos condeno; segui vossos nos proteger e de suprir nossas necessidades.
caminhos e não pequeis mais; executai com Basta sermos fiéis e poderemos confiar Nele
seriedade a obra que vos ordenei. de modo irrestrito.

26 A L i a h o n a


Antes da revelação reconfortante concedida a Joseph A determinação do Profeta de confiar no Senhor e não
e Oliver, o Profeta passou por uma experiência pun- temer o que os homens pudessem fazer se fortaleceu após
gente e dolorosa que o ensinou a recorrer ao Salvador esse ocorrido. Sua vida a partir daquele momento foi um
e a não ter medo das opiniões, pressões e ameaças dos exemplo brilhante do que significa recordar Cristo con-
homens. fiando em Seu poder e Sua misericórdia. Joseph externou
Em junho de 1828, Joseph deixou Martin Harris levar as esse entendimento durante o período difícil e atribulado
primeiras 116 páginas do manuscrito do Livro de Mórmon em que ficou preso em Liberty, Missouri, com as seguintes
de Harmony, Pensilvânia, para mostrar a familiares em palavras:
Palmyra, Nova York. Como Martin não voltou no prazo “Sabeis, irmãos, que um navio muito grande é benefi-
prometido, Joseph ficou angustiado e foi de carruagem até ciado sobremaneira por um pequeno leme, durante uma
a casa de seus pais em Manchester, Nova York. O Profeta tempestade, sendo mantido na direção do vento e das
pediu imediatamente notícias de Martin. Quando Martin ondas.
chegou, admitiu não estar mais em posse do manuscrito e Portanto, amados irmãos, façamos alegremente todas as
desconhecer seu paradeiro. coisas que estiverem a nosso alcance; e depois aguarde-
Joseph exclamou: “Oh! Meu Deus, meu Deus. (…) Está mos, com extrema segurança, para ver a salvação de Deus
tudo perdido! O que farei? Pequei. Fui eu que tentei a ira e a revelação de seu braço” (D&C 123:16–17).
de Deus pedindo o que não estava correto pedir. (…) Que Em suma, “recordá-Lo sempre” significa que não preci-
repreensão não mereço do anjo do Altíssimo?” samos viver amedrontados. Sabemos que cada um de nós
No dia seguinte, o Profeta voltou para Harmony. Ao enfrentará, das mais diversas maneiras, desafios, decep-
chegar, disse: “Comecei a humilhar-me em vigorosa oração ções e tristezas, mas sabemos também que, no fim, graças
perante o Senhor (…) para que se fosse possível eu obti- a nosso Advogado divino, tudo poderá se reverter para
vesse misericórdia de Suas mãos e fosse perdoado de tudo nosso bem (ver D&C 90:24; 98:3). Essa é a fé expressa de
o que havia feito de modo contrário à vontade Dele”.2 modo tão simples pelo Presidente Gordon B. Hinckley
Depois de repreender Joseph por temer mais os (1910–2008), que sempre dizia: “Tudo vai dar certo”.4 Se
homens do que a Deus, o Senhor lhe disse: recordarmos sempre o Salvador, poderemos “[fazer] ale-
“Eis que tu és Joseph e foste escolhido para fazer a obra gremente todas as coisas que estiverem a nosso alcance”,
do Senhor, mas por causa de transgressão, se não ficares confiantes em que Seu poder e Seu amor por nós nos
atento, cairás. ajudarão.
Lembra-te, porém, de que Deus é misericordioso; Que O recordemos sempre — “para que [possamos]
portanto arrepende-te do que fizeste contrário ao man- ter sempre [conosco] o seu Espírito” (D&C 20:77). Presto
damento que te dei e és ainda escolhido; e és chamado à testemunho do poder da Expiação de Jesus Cristo. Tes-
obra outra vez” (D&C 3:9–10). tifico a realidade do Senhor vivo e ressuscitado. Presto
“Por algum tempo, o Senhor tirou o Urim e o Tumim testemunho do amor infinito e pessoal do Pai e do
e as placas de Joseph. Mas essas coisas logo lhe foram Filho a cada um de nós, e oro para que vivamos com
devolvidas. O Profeta relembrou: ‘O anjo regozijou-se a constante lembrança desse amor em todas as suas
quando me devolveu o Urim e o Tumim, dizendo que manifestações. ◼
Deus estava satisfeito com minha fidelidade e humildade De um discurso proferido na Universidade Brigham Young–Idaho em
e que me amava por minha penitência e diligência na 27 de janeiro de 2009. Para ouvir o discurso em inglês, visite web​.byui​.edu/
​devotionalsandspeeches/​default​.aspx.
oração, nas quais eu desempenhara meu dever tão bem
NOTAS
a ponto de (…) poder voltar ao trabalho de tradução’. Ao 1. Brigham Young, “Discourse”, Deseret News, 10 de setembro de 1856,
prosseguir na grande tarefa que tinha para realizar, Joseph p. 212.
2. Ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007,
sentiu-se fortalecido pelos doces sentimentos de ter rece- pp. 75, 76.
3. Ensinamentos: Joseph Smith, p. 76.
bido o perdão do Senhor e renovou sua determinação em 4. Em Jeffrey R. Holland, “President Gordon B. Hinckley: Stalwart and
fazer a vontade Dele.” 3 Brave He Stands”, A ­Liahona, junho de 1995, edição especial, p. 6.

A b r i l d e 2 0 1 1 27


Rebecca Swain Williams:

FIRME E
INAMOVÍVEL

ILUSTRAÇÕES: RICHARD HULL


Apesar da hostilidade de sua família em relação à Igreja, mão, ela a abriu e fechou várias vezes
esse membro converso do início da Restauração permane- na frente do animal, e ele correu.3
Quando Rebecca tinha dezessete
ceu fiel e dedicada ao trabalho. anos, atravessou o Lago Ontário para

E
Janiece Lyn Johnson visitar sua irmã em Detroit. Naquela
m junho de 1834, uma jovem afastado da Igreja por algum tempo, viagem conheceu o piloto do navio,
mãe que estava ameaçada de Rebecca nunca deixou sua fé vacilar. um homem alto e de olhos casta-
ser deserdada pelo pai escreveu Infatigável e tenaz, Rebecca serve nhos chamado Frederick Granger
uma carta corajosa e emocionante de exemplo para nós hoje de como Williams. As visitas frequentes logo
falando de sua convicção sobre a podemos permanecer firmes e ina- transformaram a afeição em amor,
Restauração. Embora soubesse que movíveis diante dos maiores desafios e os dois se casaram no fim de
as chances de o pai mudar de ideia da vida, mesmo quando as pessoas 1815. O casal Willams morou
fossem pequenas, Rebecca Swain mais próximas rejeitam nossa fé e nos em vários lugares da região
Williams permaneceu firme, apesar desprezam. ocidental de Ohio, Estados
das consequências iminentes. Ela Unidos, antes de finalmente
disse ao pai, Isaac, que o Livro de Conversão à Igreja fixar residência por volta de
Mórmon e a Igreja eram verdadeiros, Nascida na Pensilvânia, EUA, em 1828 em Kirtland. O marido
exatamente como ensinara o Profeta 1798, Rebecca Swain era a caçula começou a praticar medicina
Joseph Smith, e que ela ouvira as de dez filhos.2 Quando tinha cerca e ficou bastante conhecido por
Três Testemunhas “declararem numa de nove anos, sua família mudou-se sua perícia, e Rebecca aprendeu
reunião pública que viram um Santo para Niágara, perto da fronteira dos a ajudá-lo nos procedimentos.
Anjo descer do céu e [trazer] as placas Estados Unidos com o Canadá. Eles Tiveram quatro filhos.
e [colocá-las] diante dos olhos deles”.1 estavam perto o bastante de Fort Nia- No outono de 1830, os primeiros
O testemunho de Rebecca é gara para ouvir o fogo de artilharia missionários mórmons chegaram
tocante não só pelo vigor que quando do ataque àquela base mili- a Kirtland. Rebecca ouviu-os com
demonstra, mas também por causa de tar durante a Guerra de 1812. Ainda interesse e assistiu a todas as reuniões
seu testemunho inabalável e de sua menina, Rebecca mostrou seu deste- dos missionários; até levou os filhos.
vontade inquebrantável. Apesar da mor. Certa vez, ao viajar sozinha pela Frederick participava sempre que
rejeição de seu pai e do fato de seu floresta, deparou-se com um urso no suas atividades médicas permitiam.
marido, Frederick G. Williams, ter-se caminho. Com uma sombrinha na Os dois estudaram, conversaram e

28 A L i a h o n a


aprenderam juntos, mas Frederick


não tinha tanta certeza de querer
compromisso. Rebecca, por sua vez,
estava convencida da veracidade do
evangelho.
Um biógrafo da família descreveu
posteriormente Rebecca como uma
espécie de Eva no Jardim do Éden:
ela foi a “primeira a ver a necessi-
dade” de aceitar plenamente os con-
vênios do evangelho.4 Foi batizada
em outubro de 1830.
Frederick ainda estava reticente.
Às vezes ele queria distanciar-se da
Igreja, mas no fim não conseguia,
pois sentia-se atraído por aquele
novo e sagrado livro de escrituras: o
Livro de Mórmon. Ao sentir o influxo
do Espírito, reconheceu a veracidade
do evangelho e seguiu o exemplo de
Rebecca sendo batizado.

Serviço Dedicado
A Igreja rapidamente se tornou o
ponto central da vida de Frederick e
Rebecca, e o impacto exercido sobre
sua família foi imediato. Frederick
foi ordenado élder logo depois de
seu batismo e confirmação. Já no dia
seguinte, aceitou entusiasticamente
a designação de sair dentro de algu-
mas semanas em missão com Oliver
Cowdery. A previsão inicial era uma
missão de três semanas; na verdade,
tornou-se uma viagem de dez meses
pelo Missouri. Sua longa ausência de
casa foi o primeiro de muitos perío-
dos semelhantes vividos por Rebecca.
Devido ao trabalho missionário de
Frederick e seu chamado para a
Primeira Presidência, ausentava-se
com frequência. Rebecca, como
muitas mulheres mórmons do início
da Restauração, passava longos meses
cuidando da casa e dos filhos sem a
ajuda do marido.

A b r i l d e 2 0 1 1 29


Apesar de todo aquele trabalho, com entusiasmo à família falando de do livro seria estabelecida (Éter 5:4).7
Rebecca permaneceu fiel e serviu sua conversão, de seu testemunho e Rebecca contou então que vira
de todo o coração. O Profeta Joseph da grande alegria que sentia como pessoalmente as Três Testemunhas
Smith e sua família hospedaram-se na membro da Igreja. — David Whitmer, Martin Harris e
casa da família Williams por algum Contudo, a conversão de Rebecca Oliver Cowdery — e os ouvira afir-
tempo logo que se mudaram para deixou seu pai furioso. Em sua res- mar terem visto um anjo e as placas
Kirtland. Rebecca mostrou-se leal ao posta sucinta, exigiu que ela saísse de ouro. Depois de defender o teste-
Profeta e sua família ao cuidar deles da Igreja. No entanto, Rebecca não munho e o caráter deles, instou o pai
em momentos atribulados. Certa vez, se deixou influenciar. Respondeu, a pesquisar com mais profundidade o
uma turba cercou a casa à procura conforme narrado por um historiador evangelho. Escreveu ao pai: “Porque
de Joseph. Rebecca disfarçou Joseph da família, que “estava mais firme se você e minha mãe conhecerem
emprestando-lhe seu gorro e manto. do que nunca em sua convicção da as circunstâncias desta obra como
Joseph conseguiu sair da casa e veracidade das doutrinas mórmons” conhecemos, estou convencida de
passar pela multidão até chegar a um e prestou um testemunho vigoroso.6 que acreditarão”.8
local seguro. Para sua tristeza, aquela carta não Ecoando a promessa de Morôni
Em março de 1832, Rebecca pres- surtiu os efeitos esperados. Seu pai no fim do Livro de Mórmon, Rebecca
tou um auxílio inestimável ao Profeta ameaçou deserdá-la e prometeu suplicou aos familiares que oras-
quando uma turba invadiu a fazenda cortar todo contato com ela caso não sem a Deus e pedissem que “lhes
de John Johnson em Hiram, Ohio, e abandonasse a Igreja. iluminasse a mente no caminho da
agrediu brutalmente Joseph Smith e Ainda assim, Rebecca não cedeu verdade”. E depois pretendia mandar
Sidney Rigdon. Depois de bater em e deu continuidade a seu empenho um missionário “capaz de ensinar
Sidney até deixá-lo desacordado e de partilhar o evangelho. Em 1834, o evangelho conforme deixado por
tentar despejar veneno na garganta escreveu outra carta — a única que Jesus”, a fim de ajudá-los ainda mais.9
de Joseph, a turba cobriu o Profeta de chegou intacta até nós — ao pai, No final, seu pai não quis nem tomar
piche e penas. Quando Emma Smith revelando a profundidade de sua fé e conhecimento.
viu o marido, achou que o piche a dor que sentia devido à recusa dele Até mesmo as cartas para seu
fosse sangue e desmaiou.5 Rebecca e em aceitar qualquer coisa relacionada irmão John — por quem Rebecca
Frederick passaram a noite raspando aos mórmons. tinha um afeto especial — foram
o piche do corpo ferido e ensanguen- Seu pai lera artigos de jornal que devolvidas fechadas. No envelope
tado de Joseph e cuidando dos filhos atacavam a Igreja, relacionados prin- de uma das cartas devolvidas, John
do casal Smith. O auxílio deles foi cipalmente com o Livro de Mórmon e escreveu: “Nosso pai me proíbe de ler
providencial, pois permitiu a Joseph o depoimento das Três Testemunhas, sua carta ou de escrever para você.
ter forças para pregar já na manhã e tentou dissuadir Rebecca com base Adeus e que Deus a abençoe sempre.
seguinte. naquelas reportagens. Seu irmão, John”.10
“Dói-me saber que sua mente Contudo, o esforço missionário de
Partilhar o Evangelho com está tão perturbada com o Livro Rebecca rendeu frutos com sua
Convicção de Mórmon”, escreveu ela. Citando irmã mais velha, Sarah Swain
Uma das esperanças mais acalen- passagens do Livro de Mórmon e das Clark. Sarah filiou-se à Igreja no
tadas por Rebecca era a de ver seus novas revelações de Joseph Smith, Michigan em 1832. As filhas de
familiares, em particular seu pai, Rebecca prestou testemunho do Sarah também entraram
aceitar o evangelho restaurado e rece- Livro de Mórmon. Explicou também para a Igreja e foram fiéis
ber as jubilosas bênçãos da fé. Assim que o livro profetizava sobre a esco- durante toda a vida.
como Leí, ela provara do amor de lha de três testemunhas de sua vera-
Deus e desejava reparti-lo com seus cidade. Como prova, citou o antigo Fiel até o Fim
entes queridos (ver 1 Néfi 8:12). Com profeta Éter, que afirmara que “pela Apesar do des-
isso em mente, Rebecca escreveu boca de três testemunhas” a verdade gosto e da tristeza

30 A L i a h o n a


que sentia em relação às decisões do Frederick chegaram aos ouvidos Creek. Quando o Tabernáculo de Salt
pai, Rebecca ainda o amava. Escre- do pai de Rebecca em Nova York, Lake foi concluído e os santos foram
veu: “Meu coração sofre por causa Isaac esperava que Rebecca também convidados a doar o que pudessem,
de meus parentes de sangue. (…) abandonasse sua religião. Contudo, ela ofertou um conjunto de colheres
Oro ao Pai Celestial que o console Rebecca enviou-lhe uma carta que de prata que seriam usadas para fabri-
no último dia com Seu Santo Espírito demonstrava sua fidelidade contí- car bandejas para a mesa do sacra-
e que sejam seus melhores dias. (…) nua. Depois de ler aquela resposta, mento. E, por fim, em 1860, embora
Espero que sua mente se tranqui- Isaac balançou a cabeça lentamente estivesse com a saúde debilitada,
lize no tocante a esta obra. Pode ter e disse: “Nem uma única palavra de quando o Presidente Brigham Young
certeza de que sentimos firmeza na arrependimento”.12 designou sua família para colonizar o
causa por sabermos que o Senhor Rebecca continuou firme em sua remoto Vale Cache, no norte de Utah,
está à frente dela”.11 defesa de Joseph Smith e da Igreja novamente ela mudou-se de bom
Rebecca teve que não só lidar com restaurada. E apesar dos sacrifícios grado — mais uma vez conduzindo
a descrença do pai, mas também com que resultaram do fato de escolher a seu próprio carroção.
falhas no compromisso do marido Igreja em vez de o pai, Rebecca conti- Rebecca morreu em Smithfield,
para com a fé. No decorrer de 1837 e nuou a honrá-lo. Ela valorizava o que Utah, em 25 de setembro de 1861. Per-
1838, seu marido, Frederick, na época o pai lhe ensinara e expressava seu maneceu fiel até o fim a suas crenças,
membro da Primeira Presidência, amor e sua gratidão por ele. Terminou a seu conhecimento da verdade e ao
teve vários desentendimentos com sua carta de 1834 dizendo: “Sempre que aprendera por experiência pró-
outros líderes da Igreja. Chegou até me lembrarei dos ensinamentos (…) pria. Ela permaneceu “[firme] e [inamo-
a sair da Igreja por algum tempo e que recebi de meu pai amado”.13 vível]” até o fim (Mosias 5:15). ◼
foi excomungado. Contudo, pouco Em 1839, o pai de Rebecca morreu. A ortografia e a pontuação foram atualizadas.
tempo depois, Frederick se humi- Apenas três anos depois, ela perdeu o
lhou, entrou de novo para a Igreja e marido. Apesar dessas dolorosas difi- NOTAS
1. De Rebecca Swain Williams para Isaac Fis-
morreu como membro fiel. culdades, a fé e a coragem de cher Swain, 4 de junho de 1834, Biblioteca
Não temos registros dos Rebecca não vacilaram. de História da Igreja, Salt Lake City.
2. Informações biográficas fornecidas por
sentimentos de Rebecca Quando os santos Nancy Clement Williams, Meet Dr. Frederick
nesse período, mas marcharam para Utah, Granger Williams … and His Wife Rebecca
Swain Williams: Read Their True Story in
ela não se arrependeu ela viajou com a famí- the First Introduction — after 100 Years,
de sua lealdade aos lia de seu filho Ezra e 1951; e Frederick G. Williams, “Frederick
Granger Williams of the First Presidency
santos e permaneceu conduziu sua pró- of the Church”, BYU Studies, vol. 12, n° 3,
1972, pp. 243–261.
firme. pria parelha de bois. 3. Williams, Meet Dr. Frederick Granger
Quando boatos Posteriormente assu- Williams, p. 5.
4. Williams, Meet Dr. Frederick Granger
sobre o afas- miu o comando de uma Williams, p. 55.
tamento de fazenda em Mill 5. History of the Church, vol. 1, p. 263.
6. Williams, Meet Dr. Frederick Granger
Williams, p. 63.
7. Ver também a carta de Rebecca Williams
de 4 de junho de 1834.
8. Carta de Rebecca Williams de 4 de junho
de 1834.
9. Carta de Rebecca Williams de 4 de junho
de 1834.
10. Williams, Meet Dr. Frederick Granger
Williams, p. 63.
11. Carta de Rebecca Williams de 4 de junho
de 1834.
12. Texto datilografado da carta de George
Swain de 17 de março de 1839, Biblioteca
de História da Igreja, Salt Lake City.
13. Carta de Rebecca Williams de 4 de junho
de 1834.

A b r i l d e 2 0 1 1 31


Navegar no Rumo Certo


NAS ILHAS MARSHALL
Joshua J. Perkey

N
Revistas da Igreja

o passado, os navegantes viajavam pelos oceanos ordenanças, como as ondas do oceano, podem nos guiar
guiados pela posição do sol, da lua e das estrelas. em segurança até nosso lar celestial. Contudo, para cada
À noite, voltavam o olhar para a Estrela Polar, já um de nós há outras pessoas cujo serviço e apoio contri-
que sua posição fixa representava uma âncora celestial buem para o papel do Navegador Mestre. Nas histórias a
para os marinheiros, ajudando-os a seguirem um curso seguir, três membros marshallinos contam como outras
seguro até o destino. pessoas os ajudaram a navegar em meio aos arrecifes e

FOTOGRAFIAS DE JOSHUA J. PERKEY, EXCETO QUANDO INDICADO EM


Nas Ilhas Marshall do Oceano Pacífico, os navegadores tormentas da vida e as conduziram a Cristo.
descobriram outra técnica. Lá, há padrões de ondas oceâ-

CONTRÁRIO; FOTOGRAFIA DE BARCO © GETTY IMAGES


nicas que fluem entre os atóis e as ilhas num movimento A Influência de uma Mulher Justa
regular. Um marinheiro experiente pode viajar centenas Hirobo Obeketang refestela-se no sofá e sorri. Ele e a
de quilômetros seguindo uma complexa rede de ondas — mulher, Linda, acabam de realizar a reunião familiar com
cada qual como uma rua de mão única — de uma ilha ou quatro de seus filhos e as missionárias. Também oferece-
atol até o seguinte. Quem sabe onde estão as ondas e para ram a elas um jantar com pratos à base de peixe, incluindo
onde vão pode conduzir outros viajantes em segurança a os olhos e a cauda — uma tradição em Majuro, a capital
seu destino. das Ilhas Marshall. Ao falar de sua vida, Hirobo conta
Para os membros da Igreja, Jesus Cristo é nosso exem- como é grato pela Igreja, pelo evangelho e por sua família,
plo perfeito, cuja luz verdadeira nos guia. Suas leis e principalmente pela mulher.
Ao singrarmos os mares encapelados da
vida, cada um de nós se beneficia com
a orientação de membros fiéis que nos
ajudam a regressar ao lar celestial.

Estamos no mês de
junho de 2009. Um dia
antes foi criada a Estaca
Majuro Ilhas Marshall, e
Hirobo foi chamado para servir
como primeiro secretário executivo da estaca. Hirobo, “O apoio deles foi algo grandioso para mim”, conta
conforme descrito por Arlington Tibon, o novo presi- Hirobo. “Comecei a achar que Deus talvez estivesse me
dente da estaca, é “muito firme mesmo”, um dos líderes dizendo algo.”
fiéis da ilha. Ele começou a perceber que era o empecilho para o
Mas Hirobo é o primeiro a ressaltar que até recente- batismo da esposa, embora ele fosse membro da Igreja.
mente não era bem assim. Ele afirma que, na verdade, “Ela estava cada vez mais firme. Era uma grande fonte de
firme é sua mulher — foi ela que fez a diferença em sua inspiração para mim”, lembra ele.
vida. Ele explica: “Fui batizado aos oito anos de idade, “Então parei para pensar e vi que estava no meio da
mas aos dezesseis anos fiquei menos ativo”. vida. Perguntei a mim mesmo: ‘Vou continuar a fazer o
Alguns anos depois, ele e Linda foram morar juntos,
embora não fossem casados. Linda não era membro
da Igreja. No ano 2000, pouco depois de descobrir que
Hirobo fora batizado quando criança, ela se interessou
pela Igreja e começou a receber visitas das missionárias.
“Ela estudou durante dois anos e decidiu batizar-se”,
recorda Hirobo. “Para isso, precisaríamos nos casar antes,
mas eu não tinha interesse no casamento. Eu estava con-
fuso e muito envolvido pelas tentações do mundo. Não
compreendia a importância da família e não me importava
com ninguém nem dava ouvidos a ninguém”.
Linda, mesmo sem ser batizada, criou os filhos na
Igreja. Todos os anos ela pedia Hirobo em casamento para
poder ser batizada e a cada vez a resposta era negativa.
Ao longo dos anos, duas de suas filhas se batizaram, mas que estou fazendo? Será que tenho chances de trabalhar
Hirobo não compareceu ao batismo delas. para Deus na segunda metade de minha vida?’ Comecei
Então, em 2006, o filho de nove anos do casal, Takao, a orar e pensar em voltar para a Igreja para começar a
faleceu depois de ter convulsões e febre alta. Cerca de trabalhar para Deus.”
300 membros do distrito de Majuro foram ao funeral para Hirobo começou a estudar com os missionários e a
oferecer apoio à família. reaprender a doutrina. O Presidente Nelson Bleak, da

A b r i l d e 2 0 1 1 33


determinante para Patricia e seus irmãos.


“Vi meu pai começar a mudar”, conta ela. “Eu
sabia que se o evangelho podia tocar o coração
de meu pai, poderia também tocar o meu e
mudar minha vida. Assim, decidi estudar com
as missionárias, e elas me desafiaram a estu-
dar o Livro de Mórmon e a Bíblia. Antes disso,
eu tinha brigado com meu irmão e nunca lhe
perdoara. Foi então que li nas escrituras que,
se perdoarmos aos outros, Deus nos perdoará”
(ver 3 Néfi 13:14–15).
Patricia percebeu que precisava perdoar ao
Missão Ilhas Marshall Majuro, fez amizade com ele, assim irmão a fim de começar a mudar de vida, a purificar-se e a
como outros membros, inclusive o presidente de distrito, ter paz. E assim o fez.
Arlington Tibon. Por fim, Hirobo comprometeu-se a voltar “Depois de me livrar de minhas atitudes negativas e de
e quando deu por si já estava assistindo não só à reunião me tornar uma nova pessoa que guardava os mandamen-
sacramental, mas também à Escola Dominical e à reunião tos, fiquei muito animada. Eu sabia que tinha de me bati-
do sacerdócio. Finalmente Hirobo se decidiu. zar para pertencer à Igreja verdadeira”, conta ela. “A Igreja
“Quando voltei, disse: ‘É isto mesmo. É isso que vou pôs-me no caminho certo. Afastou-me
fazer’. Essa resolução mudou totalmente minha vida.” de más influências. Ensinou-me a
Hirobo e Linda casaram-se em 30 de agosto de 2008. respeitar meus pais, a continuar
Pouco tempo depois ele recebeu o Sacerdócio Aarônico estudando e a permanecer no
e batizou a mulher. Dois meses depois, Hirobo recebeu o caminho certo.”
Sacerdócio de Melquisedeque e foi chamado como secre-
tário executivo do distrito.
Hirobo olha a mulher e sorri. “Ela mal podia acreditar
que era eu que a batizaria”, recorda ele. “Imagine só — ela
esperou oito anos, de 2000 a 2008. Ela é sensacional.”

O Exemplo de um Pai Digno


Por vezes nosso guia, como um marinheiro, trabalha
bem junto de nós, ensinando-nos o que precisamos saber
para navegarmos com êxito pela vida. Em muitos casos o
marinheiro faz isso mostrando o exemplo a ser seguido.
Foi assim com Frank, pai de Patricia Horiuchi.
Depois de conhecer os missionários, Frank começou
a convidá-los regularmente para jantar em sua casa. Em
pouco tempo começou a ouvir as lições. Mas ninguém
mais da família se interessou pela Igreja. “Quando víamos
que os missionários estavam chegando”, lembra Patricia,
“corríamos todos para bem longe — eu e meus irmãos
mais novos.”
Então Frank foi batizado em julho de 2007 pelo pre-
sidente da missão, Nelson Bleak. Foi um momento

34 A L i a h o n a
DESAFIOS UNIVERSAIS

E mbora a geografia, a cultura e a distância os separem dos demais


santos dos últimos dias, os membros da Igreja das Ilhas Marshall
explicam que enfrentam muitos dos desafios comuns a
todos os membros.
A Influência de um Homem Justo Gary Zackious (à direita), líder dos jovens adultos
Lydia Kaminaga, assim como Hirobo solteiros da estaca, diz que “as pessoas vêm até nós e
Obeketang, nasceu na Igreja, mas ficou dizem: ‘Não precisamos de um profeta hoje nem de mais
menos ativa na adolescência. No entanto, a escrituras’. Alguns membros simplesmente não leem as
história de seu retorno é tão notável quanto escrituras nem as compreendem, então quando alguém
única. lhes diz algo que enfraquece sua crença, eles se afastam
Lydia e seu marido, Kaminaga Kaminaga, do que sabem ser verdade”.
foram criados na Igreja. “Nunca tive dúvidas Para Gary, a solução é simples: “Fui desafiado pelos missionários
sobre os ensinamentos da Igreja”, afirma a orar sobre o Livro de Mórmon, a Restauração e Joseph Smith para
Kaminaga. “Sempre acreditei neles.” saber se essas coisas eram verdadeiras. Certa noite, estava orando de
joelhos. Senti o Espírito. Era um sentimento que eu nunca vivenciara
No alto, à esquerda: Hirobo Obeketang antes. Soube que as coisas que eu aprendera com os missionários eram
(que aparece com a família nas páginas verdadeiras. A leitura do Livro de Mórmon fortaleceu meu testemu-
anteriores) trabalha como gerente de nho quando eu era recém-converso”. Desde o batismo, passando pela
hotel. Abaixo: Patricia Horiuchi foi uma
missão e até hoje, Gary diz: “Meu testemunho cresce à
das líderes da primeira conferência de
medida que leio o Livro de Mórmon e estudo as escrituras
jovens adultos solteiros das Ilhas Marshall
em junho de 2009 (embaixo, à direita). e as palavras dos profetas”.
Ernest Mea (à direita), que trabalha com Gary como
tradutor da Igreja nas Ilhas Marshall, diz que muitos
jovens se deixam enredar pela imoralidade. Ele man-
tém-se no caminho estreito e apertado participando de
atividades salutares com amigos que têm padrões seme-
lhantes. “Antes de minha missão, jogávamos basquete na
capela todos os dias exceto domingo e segunda-feira”,
lembra ele.
Michael Ione (à direita), da Ala Jenrok, precisou pagar
um preço elevado para filiar-se à Igreja em 2006: foi
expulso de casa. Numa mostra de fé e convicção, foi bati-
zado mesmo assim.
Depois de apenas um ano, foi chamado para a missão — para servir
nas Ilhas Marshall. Recentemente, a família de Michael começou a
demonstrar interesse pela Igreja e a receber a visita dos missionários.


Mas a vida tomou rumos diferentes para Lydia. Quando


estava no sétimo ano, conta ela, “eu era a única mórmon
da escola e sentia-me excluída. Passei a fazer o que meus
amigos faziam. Escolhi prioridades erradas”.
Os pais de Lydia mandaram-na para Provo, Utah, EUA,
para morar com parentes, na esperança de que a influên-
cia deles inspirasse Lydia a viver o evangelho. Embora a eles: ‘Ainda há chances de ela mudar’. Quando afirmei
ela tenha aprendido coisas que lhe viriam a ser úteis na isso, o ambiente na sala mudou por completo. O pai dela
vida futuramente, na época ela não estava interessada em chorou e disse: ‘Sempre quis que ela voltasse para a Igreja.
participar da Igreja. Você pode tentar’”.
Lydia retornou definitivamente para as Ilhas Marshall A princípio Lydia não levou Kaminaga a sério. Afinal,
em janeiro de 2002, apenas um mês depois de Kaminaga ele era um ex-missionário fiel, e fazia tempo que ela não
voltar da missão no Japão. Conheceram-se pouco tempo estava ativa.
depois. Embora Lydia não estivesse vivendo os padrões “Mas ele viu algo que eu não via”, explica Lydia. Como
da Igreja, Kaminaga continuou a frequentar a casa dela ela não estava namorando ninguém, concordou em sair
fazendo crer que queria visitar o sobrinho dela, Gary com ele. “Ele me trouxe de volta. Por ser sua namorada,
Zackious.
Depois de algum tempo, Kaminaga decidiu falar com
os pais dela para pedir-lhes permissão para sair com Lydia
— em atividades salutares e respeitosas. Embora inicial-
mente eles tenham procurado dissuadi-lo,
Kaminaga conta que “por fim disse

“Tenho um forte testemunho


do arrependimento”, diz Lydia
Kaminaga, que aparece com o
marido, Kaminaga, e a filha,
Wellisa.

36 A L i a h o n a
A PRIMEIRA ESTACA DAS ILHAS MARSHALL

P or muitos anos os membros da Igreja nas Ilhas Marshall deseja-


ram ter uma estaca em seu meio. Em 14 de junho de 2009, seus
desejos foram realizados.
O Élder David S. Baxter,
tive que corrigir meus padrões. Ele aju- dos Setenta, que organi-
dou-me a recordar meus convênios batismais. zou a estaca, explica: “É
Com ele, lembrei-me de todas as coisas que extraordinário como o
me faziam muita falta, como ler as escrituras número de membros da
e participar da reunião familiar. Eu e Kami- Igreja cresceu nos últimos
naga fazíamos projetos de serviço juntos. dois anos. O desenvolvi-
Líamos o Livro de Mórmon. Íamos a serões. mento da Igreja tornou
Ele me mostrou uma maneira diferente de inevitável a criação da
viver. Ir à Igreja não se resumia a frequentar estaca lá. Mas a espera
a reunião sacramental, mas incluía também foi longa. Os membros
assistir às aulas da Escola Dominical e da tiveram de superar uma série de dificuldades”.
Sociedade de Socorro.” Arlington Tibon (acima), presidente de estaca nas Ilhas Marshall, ao
Ao conviver com Kaminaga e participar servir como presidente de distrito ensinava aos membros que, se qui-
com ele de atividades saudáveis e edifican- sessem uma estaca, teriam de trabalhar para isso. Orientava os líderes
tes, a vida de Lydia começou a mudar e seu do distrito a ensinarem os membros usando Malaquias 3 e 3 Néfi 24
testemunho cresceu. Contudo, ela ainda tinha para abordar as bênçãos do pagamento do dízimo. Os líderes também
alguns ajustes a fazer. incentivavam os
“Foi difícil voltar”, admite ela. “O arre- jovens e os adultos a
pendimento não é fácil, mas tenho um tes- estudarem o Livro de
temunho muito forte desse princípio. Em Mórmon. Chegaram
vários aspectos, nosso namoro serviu para a realizar um evento
nos conhecermos melhor e me levar de volta de sucesso em que os
para a Igreja, a fim de ver as coisas por um jovens leram o Livro
prisma diferente.” de Mórmon durante
“Fez brotar nosso relacionamento”, acres- doze horas seguidas.
centa Kaminaga. O Presidente
Lydia e Kaminaga casaram-se em 28 de Tibon também fez
novembro de 2002. Um ano depois, foram a meta de ajudar os
selados no Templo de Laie Havaí e fre- membros a compreenderem “a importância do selamento no templo”
quentaram a Universidade Brigham Young– explicando que receber “a investidura os ajuda a sobrepujar muitas
Havaí. Atualmente vivem nas Ilhas Marshall coisas, torna-os diferentes e muda a vida deles”.
com os três filhos. Lydia serve na ala como Sob a liderança do Presidente Tibon, os membros das Ilhas Marshall
professora dos jovens na Escola Dominical visitaram dois templos: em Tonga e no Havaí. Cada caravana foi pre-
e Kaminaga serve como presidente dos cedida de grandes sacrifícios. Contudo, como diz Angela Tibon, esposa
Rapazes. do Presidente Tibon, essas caravanas “exerceram um impacto profundo
Conforme testificam Hirobo, Patricia e sobre o grau de comprometimento dos membros para com o Pai Celes-
Lydia, quando exercemos paciência e per- tial e a Igreja”.
sistência e buscamos as bênçãos do Senhor, “É verdade”, confirma o Presidente Tibon, “presenciamos um
muitas coisas são possíveis. Quem segue aumento significativo da espiritualidade aqui em Majuro”.
o Salvador e dá ouvidos aos sussurros do
Espírito Santo pode, assim como o velho
marinheiro que guiava os viajantes de volta
para casa, fazer toda a diferença na vida do
próximo. ◼

A b r i l d e 2 0 1 1 37
VOZES DA IGREJA

NÃO ESTOU INTERESSADO NA IGREJA

E u não queria nenhum envolvi-


mento com a Igreja quando minha
mulher perguntou se os missionários
ensinavam meus meninos.
Certo dia, na hora da visita dos
missionários, em vez de sair de casa
Assim, quando os missionários
vinham ensinar meus filhos duas
vezes por semana, eu ia à casa de
poderiam ensinar nossos filhos. Mas decidi ficar no cômodo ao lado. meu amigo. Depois, num dia dife-
não proibi porque ela já era membro. Quando os missionários começaram rente, era minha vez.
Quando os missionários começa- a ensinar meus filhos, surpreendi-me Certo dia, quando meu amigo disse
ram a vir a nossa casa duas vezes por com o desejo de ouvir mais. Fui-me algo negativo sobre a Igreja, defen-
semana, eu ia até a casa de um vizi- aproximando cada vez mais da porta di-a. Como muitos nas Ilhas Marshall,
nho. Aquele amigo era um membro para poder ouvir melhor. Eles esta- ele não tinha muito conhecimento
fiel de outra igreja cristã. Sempre que vam ensinando meus filhos sobre da Igreja e interpretava mal algumas
conversávamos, ele queria falar da apóstolos e profetas. crenças dos santos dos últimos dias.
Bíblia. Eu dizia que não me interes- Percebi depois que queria apren- Quando ele fez mais comentários
sava pelo assunto e não queria estu- der mais. Conversei com os missio- negativos, mais uma vez defendi a
dar religião. Mas tamanha nários e decidi ouvir suas Igreja.
foi a insistência que aca- lições — em segredo. E isso se prolongou por sete
bei aceitando. Assim, por
bastante tempo estudei Q uando os
missionários
começaram a vir
Minha mulher sempre
me acompanhou, mas
meses. Então, certo dia, me dei conta
de que o Espírito Santo vinha me
a Bíblia com meu amigo ninguém mais ficou confirmando que todos os ensina-
enquanto os missionários a nossa casa duas sabendo. mentos dos missionários eram ver-
vezes por semana, dadeiros. Percebi que precisava ser
eu ia até a casa de batizado, embora meu conhecimento
um vizinho. do evangelho ainda fosse rudimentar.
Após meu batismo em 2007, senti
muita felicidade. Começamos a econo-
mizar para ir ao templo do Havaí, onde
eu, minha mulher e nossos três filhos
fomos selados em dezembro de 2008.
Ser membro da Igreja teve um
impacto enorme sobre minha vida.
Decidi pedir demissão de meu
segundo emprego, pois eu era gar-
çom em um restaurante e voltava
para casa muito tarde e com as rou-
pas cheirando a cigarro. Apesar da
perda da renda extra, o Senhor não
ILUSTRAÇÕES: BJORN THORKELSON

nos desamparou.
Sei que a Igreja é verdadeira e que
Joseph Smith é um profeta de Deus
por causa do Espírito que senti e das
bênçãos que recebi. ◼
Tanintoa Sexton, Ilhas Marshall
MEUS PÔNEIS DE PONTO CRUZ

T rabalhei num quadro de ponto


cruz com o desenho de dois
pôneis durante cerca de um ano. Eu
erros que eu cometera. O verdadeiro
arrependimento exige desejo intenso,
esforço e sofrimento, mas vale a
tinha quase acabado quando descobri pena.
que errara na cor de um dos pôneis. Ao refazer o pônei, lembrei-me de
Como se tratava de uma tonalidade que o arrependimento permite que a
possível para o couro de um cavalo, Expiação de Jesus remova a mancha
só me dei conta do erro ao ver o con- do pecado de minha vida e me ajude
traste da cor do pônei com as cores a começar de novo. Meus “pôneis do
adjacentes na tela. arrependimento” ficaram pendura-
Fiquei arrasada. Eu passara tanto dos na parede de casa: um lembrete
tempo trabalhando no quadro que discreto, mas vívido, para me ajudar a
a ideia de remover todos os pontos fazer o que é certo e a nunca desistir
da cor errada era insuportável. Com quando errar, e para me mostrar que,
lágrimas nos olhos, abri a lata de lixo por meio do arrependimento, a Expia-
e joguei o quadro fora. ção compensará a diferença. ◼
Sentei-me à mesa onde eu guar- Sandra Jennings, Novo México, EUA
dava meus materiais de costura para

E
chorar a perda do meu belo quadro
u passara
de poneizinhos e passar para outros
tanto
projetos. Mas não consegui — era
tempo no
impossível abandonar o projeto ao
quadro que
qual eu me dedicara tanto. Abri a
a ideia de
lata de lixo e retirei o pano. Achei
remover todos
um nó na parte de trás do bordado,
os pontos da
cuja cor era destoante e cortei-o com
cor errada era
cuidado. Virando o tecido, comecei a
insuportável.
retirar a linha.
Às vezes esse processo de remoção
progredia rapidamente. Outras vezes
não era tão fácil. Eu não sabia exata-
mente como desfazer o que fizera. Às
vezes era preciso cortar a linha um
ponto por vez. Meu filho comentou
que achava impressionante eu ter
tanto trabalho para corrigir um erro.
Afinal, não passava de um quadro de
ponto cruz.
Ao remover os pontos, comecei
a pensar no arrependimento e em
como fora difícil corrigir alguns dos

A b r i l d e 2 0 1 1 39
U m homem
elegante de
terno virou a
esquina. Ele
parecia mem-
MAS A CAPELA bro da Igreja e
NÃO ESTÁ AQUI fui inspirada a
abordá-lo.

D urante uma viagem ao Medi-


terrâneo, fiz questão de ir às
reuniões da Igreja sempre que
possível. Em Sevilha, na Espanha,
pedi ajuda a um recepcionista de
hotel e consultei a lista telefônica
e um mapa da cidade para tentar
localizar a capela da Igreja mais pró-
xima. Anotei o endereço e o nome
da Igreja em espanhol. Sábado à
noite orei para saber a que horas as
reuniões começavam e senti a forte
impressão de que precisava estar lá
às 10 horas.
Pouco antes de sair para a Igreja
às 9h30 no domingo, orei nova- de perplexidade. Então ele abriu o caminho para que eu chegasse à
mente para conseguir achar a capela. sua maleta e vi dois livros com capa capela. Em seguida, o bispo prestou
Seguindo meu mapa, comecei a per- de couro que pareciam escrituras. testemunho e explicou que tivera
correr um labirinto de ruas estreitas. A Mostrei-lhe o papel onde eu anotara de estacionar o carro mais longe
manhã estava linda. Passei em frente “La Iglesia de Jesucristo” [A Igreja de naquele dia, por isso chegara mais
de cafés e de um mercado de aves Jesus Cristo]. Ele sorriu e apontou tarde do que de costume. Quando
cheio de pássaros a trinar. para o caminho que eu acabara de me viu, achou que eu parecia ser
Ao chegar ao endereço anotado percorrer, e fomos a pé juntos para membro da Igreja, então parou para
não achei nada que sequer se asse- a Igreja. A capela estava situada num me ajudar. Em seguida, falou de
melhasse a uma capela. Percorri a endereço diferente, a apenas alguns membros que estão perdidos espi-
rua de cima a baixo sem conseguir minutos de distância, e sem saber de ritualmente e disse que precisamos
encontrá-la. Estava confusa e ansiosa, sua localização seria difícil avistá-la. ajudá-los a achar a Igreja.
e eram quase 10 horas. Estava numa pequena praça, atrás de Com o passar dos anos, minhas
Por fim, orei ao Pai Celestial. portões altos. lembranças dos pontos turísticos de
“Deste-me o mandamento de ir à Na capela, logo descobri que o Sevilha se desbotaram, mas nunca me
Igreja e cá estou, mas a capela não homem que me ajudara era sim- esqueci de como achei a Igreja. Tra-
está aqui.” plesmente o bispo da ala e que as ta-se para mim de um testemunho do
Naquele exato momento um reuniões começavam às 10h30. Eu grande amor que o Pai Celestial tem
homem elegante de terno virou a chegara com tempo de sobra. por nós e de que Sua mão é visível
esquina. Ele parecia membro da Na reunião de jejum e testemu- em minha vida, basta que eu procure
Igreja e fui inspirada a abordá-lo. nho, senti-me inspirada a prestar todas as coisas que “contribuem jun-
De modo um tanto confuso, dis- testemunho. Com um missionário tamente para [meu] bem” (Romanos
se-lhe que estava procurando uma traduzindo minhas palavras do inglês 8:28). ◼
igreja. Ele disse algo que não com- para o espanhol, prestei testemunho Julie Ismail, Austrália Ocidental,
preendi e fiz uma expressão facial e contei como o Senhor preparara Austrália

40 A L i a h o n a
V ozes da I greja

O SOFRIMENTO DELE ALIVIA Ele acabou por desenvolver um pro-


blema que levou sangue aos pulmões.
O NOSSO Ao amanhecer, meu pequeno
paciente passou silenciosamente para

C omo enfermeira na unidade


de terapia intensiva neonatal,
cuido de bebês doentes e às vezes
toquei suas mãozinhas e seus pezi-
nhos, troquei a fralda com carinho e
envolvi-o com um cobertor novo e
o outro lado do véu. Dos braços de sua
mãe, foi “levado de volta para aquele
Deus que [lhe] deu vida” (Alma 40:11).
muito pequenos. Certa noite, recebi macio. Fiquei a me perguntar o que Aproximei-me do Salvador e do Pai
a missão de cuidar de um menininho mais poderia fazer por meu pequeno Celestial naquela noite. Desenvolvi
nascido dezessete semanas antes do paciente. O que sua mãe faria? O que uma maior compreensão do amor do
previsto e que pesava pouco mais de o Pai Celestial desejava que eu fizesse? Senhor pela humanidade — e de Seu
meio quilo. Suas mãos eram minús- Aquele pequeno espírito precioso amor por mim. Lembrei-me, a ponto
culas, suas pernas eram do tamanho e inocente logo voltaria à presença de de me surpreender, do profundo amor
de meu dedo anelar e seu pezinho seu Pai Celestial. Será que ele estava que eu sentia por Ele. E senti vontade
era do tamanho de meu polegar. com medo? Pensei em meus próprios de ser mais bondosa, mais meiga, mais
Devido a graves problemas respirató- filhos. Quando eram pequenos e disposta a perdoar, mais compassiva
rios, os médicos achavam que ele não estavam com medo, eu cantava para — mais semelhante a Ele — um dia
passaria daquela noite. eles. “Sou um Filho de Deus” era seu de cada vez e uma batida cardíaca de
Um silêncio sereno se abate sobre hino preferido. Segurando as lágri- cada vez. ◼
a unidade inteira quando um recém- mas, cantei para o bebê. Barbara Winter, Arizona, EUA
nascido está lutando pela vida. O Como enfermeira, eu via tubos, san-
estresse aumenta para todos, sobre- gue, observava o peito do bebê
tudo para a enfermeira responsável contrair-se e relaxar, ouvia as
pelo bebê, que naquela noite era eu. batidas cardíacas e acom-
Os pais tinham passado quase o dia panhava os números nos
todo com ele, mas estavam exaustos. monitores. Como santo
A mãe voltara ao seu quarto para um dos últimos dias, via um
repouso muito necessário. espírito celestial e ficava
O quarto privativo do bebê tinha maravilhada com o
uma incubadora, monitores, um plano de salvação.
ventilador e bombas de infusão Com o passar
intravenosa, que o mantinham vivo. das horas, seu
Como seu estado era gravíssimo e estado de saúde
ele precisava de tratamento intensivo, foi piorando.
eu não tinha nenhum outro paciente

T
sob meus cuidados naquela noite. entando conter
Eu ficaria ao lado dele a noite inteira, as lágrimas,
atarefada com medicamentos, monito- cantei “Sou um
rando, fazendo tratamentos e exames. Filho de Deus”
À medida que se aproximava a para o bebê.
madrugada, tentei imaginar como
me sentiria se fosse a mãe dele. A
dor seria insuportável.
Lavei seu rostinho com cuidado,
OS CONVÊNIOS SÃO
ETERNOS
No que tange a decisões que tomei como parte de bem cedo. Incluiu não namorar antes
um convênio com o amoroso Pai Celestial, pouco da idade de dezesseis anos. E signi-
ficava viver a lei da castidade — cer-
importa o que diz o mundo. tamente algo não muito popular ou
mesmo comum entre a maioria de
meus amigos, mas algo que eu sabia

Q
Marta Valencia Vásquez estar a meu alcance, pois eu fizera
uando eu era adolescente, desde meu batismo o que era um convênio com o Senhor.
nossa presidente das Moças convênio e aguardava ansiosamente O estudo das escrituras, tanto no
deu um presente a cada a oportunidade de fazer mais convê- seminário quanto sozinha, fortaleceu
jovem: uma fotografia do templo. Ela nios com o Senhor. minha resolução de levar uma vida
nos falou sobre o cumprimento de Ninguém mais em minha família pura e casta. Lembro-me de ser parti-
convênios e sobre uma vida pura. era membro da Igreja naquela época, cularmente inspirada pela história dos
Em seguida, incentivou-nos a fazer a portanto o evangelho não era ensi- 2.000 jovens guerreiros. Como lemos
meta de ir ao templo um dia. nado em nossa casa. Ainda assim, em Alma 53:20–21, aqueles rapazes
Levei a sério os conselhos daquela decidi aprender sobre os padrões do eram “muito valorosos quanto à cora-
irmã e resolvi fazer da preparação evangelho sozinha e segui-los. Minha gem e também vigor e atividade; mas
uma prioridade. Na época não havia preparação incluiu ir ao seminário, eis que isto não era tudo — eles eram
templo na Costa Rica, mas eu sabia ainda que as aulas fossem de manhã homens fiéis em todas as ocasiões

PARA O VIGOR nos Rapazes nem nas Moças. Caso demasiadas vítimas. É preciso fé —
DOS JOVENS optem por ler algo que contenha fé real, inequívoca e irrestrita — para
ADULTOS elementos contrários aos padrões aceitar e tentar seguir os conselhos
“Tenho só uma morais da Igreja, estarão colocando proféticos, mesmo quando não os
pergunta: Vocês vão a si mesmos e sua própria sabedoria compreendemos plenamente. Essa
seguir os profetas acima dos conselhos dos profetas fé simples tem o poder de guiá-los
verdadeiros e vivos de Deus — uma atitude que seria em segurança em meio a todos os
ou não? É simples assim. O padrão de fato muito insensata. Quando desafios que vocês vierem a enfren-
da Igreja no tocante à moralidade as pessoas acham que sabem mais tar na vida.”
foi delineado claramente no folheto que Deus ou seus oráculos ou que
‘Para o Vigor da Juventude’, que os conselhos oferecidos não se Élder M. Russell Ballard, do Quórum dos Doze
Apóstolos, “When Shall These Things Be?” em
continua válido para vocês, mesmo aplicam a elas, estão ingressando Brigham Young University 1995–1996 Speeches,
que muitos agora não estejam mais numa ladeira escorregadia que já fez 1996, p. 189.

42 A L i a h o n a
JOVENS ADULTOS

Nem sempre é fácil guardar
nossos convênios. Muitas pessoas,
por exemplo, consideram a lei de
castidade ultrapassada (ou, em alguns
casos, os comportamentos religiosos
em sua totalidade). Felizmente, não
me sinto mais pressionada por quem
não partilha minhas crenças ou pela
passagem do tempo. Penso no que
senti quando jovem no momento em
que nossa líder nos incentivou a nos
prepararmos para os convênios do
templo e a vivermos de modo condi-
zente. A resolução que tomei naquela
e em todas as coisas que lhes eram época me acompanha até hoje.
confiadas. (…) Eram homens íntegros Consigo permanecer firme em
e sóbrios, pois haviam aprendido a Os convênios que fiz no minhas decisões porque não foram
guardar os mandamentos de Deus e decisões que tomei sozinha, só
batismo e no templo são tão
a andar retamente perante ele”. Eu para mim mesma. Na verdade, são
válidos hoje quanto no dia
também queria ser fiel ao que me decisões que tomei como parte de
em que os assumi.
fora confiado, inclusive meus convê- um convênio com um Pai Celestial
nios batismais. amoroso. Não importa o que diz o
Compreendi ainda melhor os mundo. Prometi ao Senhor que obe-
convênios quando fui chamada deceria a Seus mandamentos. É uma
para servir na Missão El Salvador Minha missão foi há muitos anos, questão de honra. Os convênios que
San Salvador Leste. Quando recebi mas continuo a achar forças ao guar- fiz no batismo e no templo são tão
a investidura no templo, Doutrina e dar meus convênios. De lá para cá, válidos hoje quanto no dia em que
Convênios 82:10 veio-me à mente: tive a bênção de servir durante sete os assumi. Um convênio com Deus é
“Eu, o Senhor, estou obrigado quando anos no Templo de San José Costa eterno.
fazeis o que eu digo; mas quando Rica. O período que servi como Nem sempre é fácil viver da
não o fazeis, não tendes promessa oficiante do templo me proporcionou maneira que o Senhor nos pediu,
alguma”. Ao longo da missão, pensar oportunidades regulares de recor- mas testifico que é possível. Podemos
nos convênios — o fato de fazer- dar os convênios que eu assumira. adquirir confiança e poder ao guar-
mos nossa parte e o Senhor fazer a Algo semelhante aconteceu ao servir darmos nossos convênios e podemos
ILUSTRAÇÕES: SCOTT GREER

Dele — me motivava a dar o melhor na organização das Moças, na qual ter certeza de que o Pai Celestial
de mim. Ao agir assim, eu e minhas venho tentando ensinar a importância nunca nos deixará sozinhos. Com Ele
companheiras fomos abençoadas em dos convênios, tal qual minhas líderes a nosso lado, podemos fazer todas as
nosso trabalho. me ensinaram. coisas (ver Morôni 7:33). ◼

A b r i l d e 2 0 1 1 43
FINALMENTE
DEI OUVIDOS
“Talvez aquela atividade tenha sido o
motivo pelo qual o Espírito me adver-
tira”. Mas a angústia que eu sentia
não passou.
Nome não divulgado Estávamos passando momentos

N
agradáveis naquela noite, mas volta e
a época da faculdade, fui amiga”. O Espírito repetiu a adver- meia o Espírito me dizia que o aviso
abençoado com um estágio tência, até me levar a perceber que inicial era importante. No começo,
desafiador numa cidade bem de fato poderia ser algo mais que um nada parecia preocupante, mas com o
longe de casa. Uma velha amiga reencontro de velhos amigos. Come- passar das horas, ficou cada vez mais

ILUSTRAÇÃO: JEFF WARD


morava perto e, embora não tivésse- cei a me perguntar sobre os padrões claro que, embora fôssemos de origem
mos a mesma religião, nossas dife- atuais de minha amiga e seu estilo parecida, os rumos que seguíamos
renças nunca tinham impedido que de vida. “Ela sabe que sou membro eram completamente diferentes. Nos-
fôssemos amigos socialmente. da Igreja”, racionalizei. “Ela conhece sos padrões não eram os mesmos —
Quando conheci Madeline (o bem meus padrões e não vai haver até nas pequenas coisas. Quando ela
nome foi mudado) anos antes, ambos problemas.”
trabalhávamos com outra jovem que Contudo, comecei a me interrogar
era um excelente exemplo de mem- se as “diferenças sutis” que eu notara
bro da Igreja. Lembro-me de sentir o no passado tinham feito nossos cami-
Espírito apontar diferenças sutis entre nhos divergirem mais que o espe-
as duas moças, indicando que até rado. Assim, acatei os sussurros do
mesmo pequenas escolhas podem Espírito e telefonei para minha amiga
definir os rumos tomados pela vida para desmarcar. Eu estava com muito
no futuro. Na verdade, aquelas expe- medo de ofendê-la. Como eu poderia
riências espirituais ficaram gravadas explicar impressões espirituais a uma
em minha mente por anos a fio. amiga que não compreendia a missão
Então, ao retomar contato depois do Espírito Santo?
de alguns anos, eu e Madeline com- Expliquei que não me sentia à
binamos de nos encontrar. Ao cair vontade em relação a uma das ativi-
da noite, comecei a ficar nervoso, dades que tínhamos planejado e
o que me surpreendeu. Peguei um esperava que isso constituísse
trem até a cidade dela e, à medida um motivo aceitável para
que me aproximava, uma voz em não ir ao encontro. Ela ficou
minha mente e meu coração disse: decepcionada e propôs
“Você deve sair apenas com moças de que mudássemos nossos
padrões elevados”. planos. Fiquei aliviado
“Não é um encontro romântico”, e concordei com a
pensei: “Vou apenas rever uma velha mudança, pois pensei:

44 A L i a h o n a
JOVENS ADULTOS

UM POUCO
FORA DE RUMO?
“Muitas vezes, (…)
saímos para o que
supomos ser uma
viagem emocio-
nante, para então perceber, já tarde
demais, que um erro — de cálculo —
de uns poucos graus nos colocou no
rumo de um desastre espiritual.”
Presidente Dieter F. Uchtdorf, Segundo Conse-
lheiro na Primeira Presidência, “Uma Questão de
Poucos Graus”, A ­Liahona, maio de 2008, p. 57.
pediu vinho ao garçom, expliquei que Esperei para ver que ela entrara
preferia não pagar bebidas alcoólicas. em casa e depois corri o mais rápido
Ela respeitou meu pedido e arcou que pude para chegar a tempo à
sozinha com essa parte da conta. estação de trem. Era impossível não
Minha ansiedade espiritual não pensar em José do Egito correndo da
parava de crescer com o avançar tentação (ver Gênesis 39:7–12).
da noite. Ao fim do jantar, eu estava Quando penso nos aconteci-
na ponta da cadeira, pronto para ir mentos daquela noite, sinto tanto
embora, pois sabia que o último trem medo quanto gratidão: medo do que
“Ela é uma velha amiga, da noite estava prestes a sair e eu poderia ter acontecido e gratidão
não uma namorada em morava longe demais para tomar táxi. pela companhia do Espírito Santo.
Atenta a minha preocupação, minha O Espírito falou e, embora eu tenha
potencial”, eu disse a mim amiga disse que eu poderia dormir demorado a obedecer, fico feliz por
mesmo. Então por que o na casa dela. Foi então que o Espírito finalmente tê-lo feito.
Espírito continuava a me foi ainda mais enfático, confirmando É claro que minha visão da situa-
o que eu já sabia: dormir lá estava ção naquela noite definitivamente
advertir que eu não deveria fora de cogitação. não era tão nítida quanto a do
estar lá? Ao acompanhá-la até a casa dela, Senhor. Como escreveu Isaías:
fiz um enorme esforço para demons- “Porque os meus pensamentos não
trar calma. “Tem certeza que não são os vossos pensamentos, nem os
quer ficar?” perguntou ela. Eu vossos caminhos os meus caminhos,
não tinha dúvida alguma. diz o Senhor.
Ela não foi ousada nem Porque assim como os céus são
ofensiva, mas com mais altos do que a terra, assim são
mansidão o Espírito foi os meus caminhos mais altos do que
mais claro que o som os vossos caminhos, e os meus pen-
de um trovão. Eu samentos mais altos do que os vossos
não podia perder pensamentos” (Isaías 55:8–9).
meu trem! Algumas escolhas que enfrentamos
na vida são feitas e esquecidas rapi-
damente. Já outras trazem lições que
não convém esquecer jamais. Sou
muito grato por saber que, quando
seguimos os sussurros do Espírito
Santo — e quando o fazemos sem
tardar — podemos permanecer mais
facilmente no caminho que Jesus
Cristo traçou para trilharmos. ◼

A b r i l d e 2 0 1 1 45
Perguntas e Respostas
“Por que minha família tem problemas ainda que
frequentemos a Igreja, façamos a reunião familiar e
procuremos viver o evangelho? O que mais podemos
fazer?”

A
aplicação prática do evangelho traz bênçãos, mas não
nos deixa imune a desafios. As provações fortalecem um meio para que sua família fique unida,
nossa fé impelindo-nos a buscar o auxílio do Pai fortalecida e edificada. Sei que a família foi
Celestial. A resolução de problemas com Sua ajuda ordenada por Deus.
nos ensina a tomar decisões acertadas. Jared L., 18 anos, Mindanao, Filipinas
Já discutiu essa situação com sua família? Ao conversarem, talvez
achem ideias úteis. Já oraram e jejuaram em família para achar solu- Aprenda com Seus Desafios
ções? Já estudaram as escrituras e os discursos de conferência geral? Por mais que procuremos evitar,
Talvez sua família tenha que fazer mudanças para melhorar a situa- sempre haverá desafios. Esses
ção ou talvez seja preciso apenas perseverar, esperar com paciência testes são para nos ajudar a
e confiar que o Senhor os fortalecerá durante essas provações (ver crescer. Tudo depende de como
Mosias 24:15). reagimos a esses desafios. O
Se outras pessoas tiverem causado problemas a sua família, tente segredo é aprender com eles.
perdoar-lhes e não as culpar. Embora o perdão talvez não sane o Tente observar objetivamente o que de fato
problema de imediato, trará paz a seu coração e facilitará a resolução está acontecendo com vocês. Ore acerca das
da situação. provações que você e sua família estão
O adversário está atacando as famílias porque a força delas é vivendo e tenha fé na intervenção do Senhor
fundamental para a Igreja e para a sociedade. Por isso perseverem. para ajudá-los a vencê-las. Elas podem tor-
Continuem indo à Igreja, fazendo a reunião familiar e vivendo o nar-se um ponto forte para você e, por sua
evangelho. A obediência permite-lhes sentir o Espírito Santo, e Sua vez, você pode ser uma força para os outros.
orientação é vital para achar as respostas que procuram. Viver numa Makenzie C., 18 anos, Chihuahua, México
família forte, mesmo com problemas a superar, é uma das metas mais
importantes que se pode ter. Leiam a Proclamação da Família
Os problemas surgem quer oremos ou não.
Eles não são para nos punir, mas para nos
fortalecer. Os problemas que encontramos
na vida dão aos familiares a oportunidade
Use os Guias Que Nos Foram Concedidos de trabalharem juntos. Ao passarmos por
Talvez a família só se fortaleça ao ser posta à prova. estresse, problemas financeiros ou apenas
Felizmente, não precisamos enfrentar nossos problemas tentarmos achar tempo para estar juntos, eu
sozinhos; o Pai Celestial deseja que tenhamos sucesso e meus familiares nos aproximamos uns dos
como pessoas e famílias. Para nos ajudar, Ele deixou outros e do Pai Celestial. Algo que fazemos
guias importantes, como as escrituras, um profeta vivo, em momentos difíceis é ler “A Família: Pro-
outros líderes da Igreja e o Espírito Santo. Eles podem clamação ao Mundo”. Assim, recordamos o
ajudar-nos a compreender e aplicar os princípios do evangelho que elo sagrado que nos une e a importância de
trarão alegria para nós e nossa família. Além disso, nunca se esqueça guardarmos nossos convênios.
de externar amor e gratidão a seus pais. Sei que o Senhor preparará Anna G., 15 anos, Geórgia, EUA

46 A L i a h o n a As respostas são auxílios e pontos de vista, não pronunciamentos doutrinários oficiais da Igreja.
JOVENS

Aceite a Vontade do Pai Celestial melhor possível ao frequentar a Igreja coisas se complicarem, leia as escritu-
A meu ver, uma maneira de sermos e esforçar-se para viver o evangelho, ras, ore e simplesmente converse com
testados pelo Pai Celestial são os então é preciso reconhecer que seus a família.
problemas. O que não podemos problemas têm por objetivo refiná-lo Élder Dudley, 21 anos, Missão Indonésia
esquecer é que Ele é nosso Pai e e ajudá-lo a ser uma pessoa melhor Jacarta
como tal nos ama muito e quer o no futuro. Tente também identificar
melhor para nós. Sei que só é possí- algum erro que esteja cometendo e
vel superarmos problemas por meio empenhe-se para corrigi-lo. Procure SEGUIR OS
da perseverança e da aceitação da sempre ajudar os outros e, ao fazê-lo, CONSELHOS
vontade do Pai. seus problemas parecerão menores. DOS PROFETAS
José C., 18 anos, Ancash, Peru Acima de tudo, aconselhe-se sempre “Com a ajuda do
com o Senhor. Ore a respeito de seus Senhor e de Sua dou-
Tenha Fé no Senhor problemas e peça orientação ao Pai trina, todos os efeitos
O que me ajuda Celestial. prejudiciais advin-
quando questiono Raymond A., 18 anos, Acra, Gana dos das dificuldades que as famílias
por que minha família encontram podem ser compreendidos e
tem problemas mesmo Persevere até o Fim superados. Sejam quais forem as neces-
quando fazemos tudo A família desempenha um papel sidades dos membros da família, pode-
mos fortalecê-la à medida que seguimos
a nosso alcance é a primordial no plano do Criador, então
os conselhos dados pelos profetas.
história de Jó e todas as dificuldades é natural que o adversário faça todo
A chave para fortalecermos nossa
que viveu. Lemos em Jó 19:25–26: o possível para nos impedir de viver
família é termos o Espírito de Deus
“Porque eu sei que o meu Redentor juntos numa família feliz e ancorada
presente em nosso lar.”
vive, e que por fim se levantará no evangelho. Sabemos que não
Élder Robert D. Hales, do Quórum dos Doze
sobre a terra. E depois de consu- podemos esperar que a vida seja fácil Apóstolos, “Fortalecer as Famílias: Nosso
mida a minha pele, contudo ainda ou achar que, por irmos à Igreja e Dever Sagrado”, A ­Liahona, julho de 1999,
p. 32.
em minha carne verei a Deus”. Jó realizarmos a reunião familiar, a vida
passou por alguns dos desafios mais será isenta de tentações. Quando as
difíceis e ainda assim sabia que seu
Redentor vivia! Quando conseguir-
mos pensar e viver como Jó, sei que
enxergaremos além de nossos pro-
blemas e saberemos que temos um Mande sua resposta até 15 de maio de 2011
Redentor, que nos sustém em meio
PRÓXIMA PERGUNTA para:
a essas provações. “Como manter a ­Liahona, Questions & Answers, 5/11
50 E. North Temple St., Rm. 2420
Megan B., 17 anos, Utah, EUA
raiva sob controle em Salt Lake City, UT 84150-0024, USA
Ou envie um e-mail para:
Enfrente os Problemas com momentos de grande liahona@​LDSchurch​.org
Esperança
frustração?” As respostas podem ser editadas por motivo de
espaço ou clareza.
Os problemas nos fortalecem quando
os enfrentamos corretamente. O que As seguintes informações e a permissão precisam
você precisa fazer é enfrentar os constar de seu e-mail ou de sua carta: (1) nome
completo, (2) data de nascimento, (3) ala ou
problemas com esperança e coragem. ramo, (4) estaca ou distrito, (5) sua permissão por
Pode ser que você esteja fazendo o escrito e, se for menor de dezoito anos, a permis-
são por escrito (aceita-se por e-mail) de um dos
pais ou responsável, para publicar sua resposta e
fotografia.
RECORDÁ-LO

A ÚLTIMA CEIA, DE SIMON DEWEY


SEMPRE

TODOS NÓS PROMETEMOS.


(VER LUCAS 22:19–20; D&C 20:77, 79.)
LINHA SOBRE LINHA

JOVENS

Doutrina e Convênios 76:22–24
Esses versículos proclamam um testemunho moderno de Jesus Cristo: Ele vive!

Muitos Testemunhos Ele Vive!


Muitos testemunhos foram dados “Li o testemunho daqueles
do Cristo ressuscitado antes dessa que sentiram a angústia da
revelação. Aqui vão alguns exemplos: crucificação de Cristo e a
alegria de Sua Ressurreição,
• Maria Madalena (ver João e acredito no depoimento
20:11–18) deles. Li o testemunho das pessoas do Novo
• Os apóstolos da época de Jesus Mundo que foram visitadas pelo mesmo
(ver Mateus 28:9–20; Marcos Senhor ressuscitado, e acredito nesse relato.
16:14–20; Lucas 24:36–53; João Acredito no testemunho de alguém que,
20:19–29; 21) nesta dispensação, falou com o Pai e o Filho
• Os dois discípulos a caminho de em um bosque que hoje é chamado sagrado
Emaús (ver Lucas 24:13–35) e que deu a vida, selando esse testemunho
• Estêvão (ver Atos 7:55–56) com o próprio sangue.”
• Paulo (ver Atos 9:1–6) Presidente Thomas S. Monson, “Ele Ressuscitou!”
A ­Liahona, maio de 2010, p. 87.
• Os nefitas (ver 3 Néfi 11–28)
• Morôni (ver Éter 12:39)
• Joseph Smith (ver Joseph Smith—
História 1:16–20)

Filhos e Filhas Gera-


dos para Deus
“Vocês não são seres
comuns, meus amados ami-
gos de todo o mundo. Vocês
são gloriosos e eternos. (…)
É minha oração e bênção que ao olharem
Mundos Foram e São Criados para seu reflexo consigam ver além das
“Sob a direção do Pai, Cristo era o Senhor do universo, que criou imperfeições e incertezas e reconheçam
mundos incontáveis — o nosso é apenas um deles (ver Efésios 3:9; quem realmente são: gloriosos filhos e filhas
Hebreus 1:2). do Deus Todo-Poderoso.”
Quantos planetas no universo são habitados? Não sabemos, mas Presidente Dieter F. Uchtdorf, Segundo Conse-
não estamos sós no universo! Deus não é o Deus de um único mundo!” lheiro na Primeira Presidência, “O Reflexo na
Água” (serão do Sistema Educacional da Igreja
DETALHE DE ELE RESSUSCITOU, DE DEL PARSON

Élder Neal A. Maxwell (1926–2004), do Quórum dos Doze Apóstolos, em “Testemunhas Especiais para jovens adultos, 1º de novembro de 2009);
de Cristo”, A ­Liahona, abril de 2001, p. 5. disponível em CESfiresides​.LDS​.org.

Nota do redator: Esta página não visa constituir uma explicação exaustiva do versículo selecionado
das escrituras, apenas o ponto de partida para seu estudo pessoal.

A b r i l d e 2 0 1 1 49


As RECOMPENSAS
da Reconstrução
Ao ver as ruínas do terremoto, fiquei triste. Mas, então, percebi que
Deus ama tanto os que morreram quanto os que sobreviveram.

Ashley Dyer

P
or morar em Xangai, na China, tive a oportu- desmoronado, as árvores próximas tinham caído,
nidade de ir com um grupo de estudantes à e havia ruínas por todo lado. Uma pedra enorme
província de Sichuan, no sudoeste da China, tinha rolado montanha abaixo e atingido a lateral
para ajudar a construir casas para as vítimas do de um dos prédios, fazendo o teto e as paredes
terremoto que destruiu a área há alguns anos. Tra- desabarem. Havia um sapato sem o par em frente
balhamos bastante empilhando tijolos, misturando a uma das portas.
cimento, empurrando carrinhos cheios de blocos Ao pensar nisso e no fato de tantas
e repassando tijolos para as “linhas de monta- pessoas terem morrido no desastre,
gem”. No segundo dia já estava com dor nas tive dificuldade para compreender
costas, e minhas luvas estavam cheias de buracos. como o Pai Celestial permitiu que Ashley Dyer (à direita)
Contudo, a viagem foi uma experiência inesque- isso acontecesse. Será que Ele não ajudou a reconstruir
cível para mim e fortaleceu meu testemunho do as amava? Foi então que pensei em casas para os habitantes
valor individual que eu e cada pessoa possuímos algo que tínhamos abordado na de Sichuan, na China,
— um dos valores das Moças. classe das Moças e percebi que sim, após o terremoto de
Ao trabalhar com afinco todos os dias, percebi Ele as amava. Ele conhecia e amava 2008.
que minha crença em meu próprio valor aumen- cada uma delas individualmente.
tara. Senti-me bem comigo mesma, pois estava Todos os que morreram naquele dia
agindo para melhorar as condições de vida de eram filhos de Deus. Inicialmente, ao
pessoas menos afortunadas que eu. pensar nisso fiquei ainda mais triste.
Também tivemos a oportunidade de visitar Mas depois me dei conta de que aquelas
uma escola da área. Quando chegamos, uma mul- pessoas estavam no mundo espiritual e poderiam
tidão de lindas criancinhas veio correndo até nós. um dia regressar à presença do Pai Celestial. Esse
Quando vimos todas aquelas crianças maravilho- pensamento me trouxe consolo e paz.
FOTOGRAFIA GENTILMENTE CEDIDA POR ASHLEY DYER

sas, reconheci também o valor individual delas. Sei que sou filha de Deus, com grande valor
São todas belos filhos de Deus, e senti fortemente individual. Somos todos filhos do Pai Celestial,
que Ele ama e conhece cada uma delas. que nos conhece pessoalmente. Ele nos ama com
Perto do fim de minha estada, tivemos a chance um amor que é mais forte e profundo do que
de ir a um clube, onde pretendíamos almoçar. qualquer um de nós jamais poderia imaginar. Esse
Quando lá chegamos, porém, descobrimos que entendimento arraigou-se profundamente em
tinha sido destruído pelo tremor de terra. Foi a meu coração quando trabalhei e servi as pessoas
pior destruição que eu já vira. Deu-me vontade que tinham sofrido de modo tão terrível no abalo
de chorar. O teto e as paredes dos prédios tinham sísmico de Sichuan. ◼

50 A L i a h o n a
JOVENS




O PODER DAS
ESCRITURAS

Quando dois jovens


taitianos deram uma
chance às escrituras,
sua vida mudou.

R
Adam C. Olson ooma não tinha a mínima vontade de dera atenção às escrituras designadas para

FOTOGRAFIAS DE ADAM C. OLSON, EXCETO QUANDO INDICADO EM CONTRÁRIO;


Revistas da Igreja estudar as escrituras. Vaitiare não queria serem lidas antes da aula seguinte. “Não
ir ao seminário. E ninguém os obrigava. queria lê-las”, conta ele. “As escrituras não me
Mas quando decidiram fazê-lo por iniciativa atraíam em nada.”

NO ALTO: FOTOGRAFIA © ISTOCK; FOTOGRAFIA DE FLOR © ISTOCK


própria, sua vida mudou. Ele não entendia por que os líderes da
Igreja de sua ala e estaca sempre usavam
Por que Não? as escrituras nos discursos e nas aulas. Ao
Por que um adolescente decidiria passar observar seus líderes, percebeu a desenvol-
duas horas toda noite de terça-feira estu- tura com que o presidente de estaca citava as
dando as escrituras com a mãe? Há um ano, escrituras.
Rooma Terootea, do Taiti, talvez fizesse a Assim, quando a Estaca Faaa Taiti dividiu
mesma pergunta. os alunos do seminário em equipes, para
Agora ele talvez pergunte por que um competições de conhecimento das escritu-
jovem optaria por não fazer isso. ras, em seu último ano de seminário, Rooma
Em três anos de seminário, Rooma nunca decidiu dar uma chance às escrituras.

52 A L i a h o n a


JOVENS

Foi quando começaram suas ses- conhecimento das escrituras
sões semanais de estudo das escri- ESTUDAR da estaca.
turas com a mãe. Toda terça-feira à COM Rooma reconhece nas bênçãos
noite, estudavam juntos para a com- DILIGÊNCIA. que recebeu uma lição que aprendeu
petição do seminário no dia seguinte, “Ler muito de em seu estudo. “Em Mosias 2:24 o rei
aprendendo versículos importantes e uma vez só não Benjamim ensinou que, quando esco-
até memorizando muitos deles. dá nem de longe lhemos fazer o que o Senhor pede,
Foi aí que as coisas começaram a tão bons resultados como a leitura somos abençoados imediatamente”,
mudar para Rooma. Esse estudo das e aplicação diária das escrituras a diz Rooma. Ele relata uma das maio-
escrituras fortaleceu sua relação com a nossa vida. Familiarizem-se com as res bênçãos que recebeu: “Depois de
mãe. Ele começou a ver paralelos entre lições que as escrituras ensinam. (…) estudar as escrituras este ano, sei que
o que as escrituras ensinam e o que Estudem-nas como se fossem dirigidas o Livro de Mórmon é verdadeiro”.
acontece no mundo de hoje. Ao orar a vocês, porque, na verdade, são.
a respeito do que estava aprendendo, (…) Se estudarem as escrituras Não Gosto de Receber Ordens
percebeu que provinha de Deus. com diligência, sua capacidade de No começo do ano letivo, Vaitiare
fugir das tentações e ser orientados
Isso também o ajudou a levar sua Pito nem era membro da Igreja. Como
pelo Espírito Santo em tudo o que
equipe à vitória no campeonato de foi que ela, um membro recém-con-
fizerem aumentará.”
verso que nunca tinha ido ao seminá-
Presidente Thomas S. Monson, “Dê o
Quando Rooma Terooatea (abaixo) e Melhor de Si”, A ­Liahona, maio de 2009, rio antes, ajudou sua equipe a ganhar
seus colegas do seminário viajaram para p. 67. o campeonato de conhecimento das
Moorea (à esquerda), uma cidade vizi-
nha, para testar seu conhecimento das
escrituras da Estaca Faaa Taiti?
escrituras, o resultado não era tão impor- “Eu não me preocupava por
tante — Rooma já era um vencedor. não ter muita experiência”, diz ela.


de conhecimento das escrituras que


Rooma.
No início ela não se deu ao traba-
“Aprendi muitos desses versículos lho de ler as designações das escri-
durante as lições missionárias.” turas. Mas, quando se prontificou a
Quando decidiu estudar as escritu-
ras, Vaitiare Pito, do Taiti, começou a
A maior parte da família de Vai- fazê-lo, logo reconheceu uma série de
reconhecer as bênçãos. tiare se filiara à Igreja pouco depois bênçãos.
da morte inesperada de seu pai e da “As escrituras têm sido de grande
visita dos missionários à casa deles, valia”, ressalta. “Tenho aprendido mui-
levados pelo líder da missão da ala. tas coisas com as escrituras”, entre elas,
Eles falaram sobre união familiar e a importância da oração e a certeza de
a possibilidade de as famílias serem que o Pai Celestial responde a elas.
eternas. “Isso provocou uma verda- Também aprendeu que, quando
deira transformação em nossa família”, ela se comprometia com algo, como
conta ela. ir ao seminário ou ler as escrituras,
Contudo, não mudou a atitude era mais fácil honrar o compromisso
independente da adolescente de assumido do que quando agia por
dezessete anos. “Depois de meu mera obrigação ou para atender a
batismo, todos me aconselhavam a ir expectativas alheias.
ao seminário”, lembra ela. “Não gosto Agora que o ano letivo acabou,
de receber ordens, então demorei a ir.” Vaitiare sente gratidão por ter deci-
Depois de algum tempo, decidiu dido ir ao seminário e estudar as
por si mesma participar e acabou gos- escrituras. “Sei que quando lemos as
tando. Foi designada à mesma equipe escrituras somos abençoados.” ◼

54 A L i a h o n a
DO CAMPO MISSIONÁRIO

JOVENS

A Resposta em Minha Bênção
Scott Talbot

S
ervi na Missão Texas Houston soube que o Espírito estava me Comecei a ensiná-la de um jeito
Sul entre a comunidade de instando a ensinar aquela senhora mais simples e amoroso. Imaginei
idioma espanhol. Certo dia, eu e humilde da mesma forma que ensina- meus próprios filhos sentados na sala
meu companheiro estávamos fazendo ria um filho. de estar olhando para mim, o pai,
contatos de porta em porta, na ten- enquanto lhes ensinava sobre o Pro-
tativa de achar pessoas para ensinar. PREPARAR-SE feta Joseph Smith. Foi incrível ver a
Chegamos a uma casa com um grande PARA O SERVIÇO mudança na expressão do rosto dela.
buraco no desgastado pórtico de
madeira.
Uma senhora idosa atendeu e

R apazes, eu os admoesto a
prepararem-se para servir
como missionários. Mantenham-se
Suas sobrancelhas logo se levantaram
e seus olhos começaram a brilhar. A
confusão em seu olhar transforma-
nos convidou para entrar. Não tenho limpos, puros e dignos de representar o ra-se em interesse e deslumbramento.
certeza de que ela sabia mesmo quem Senhor. Mantenham sua saúde e suas Quando contei a história da visita do
éramos e o que fazíamos, mas foi forças. Estudem as escrituras. Onde for Pai Celestial e Jesus Cristo a Joseph
muito educada. Começamos a apre- possível, participem do seminário ou do Smith, lágrimas lhe encheram os
instituto. Procurem conhecer bem o guia
sentar a primeira lição, e tudo parecia olhos e escorreram pelo rosto. A sala
missionário Pregar Meu Evangelho.”
ir bem. Pouco depois era minha vez encheu-se do Espírito, e minha frustra-
Presidente Thomas S. Monson, “Ao Voltar-
de ensinar sobre Joseph Smith e a mos a Nos Encontrar”, A ­Liahona, novembro
ção transformou-se em grande alegria.
Primeira Visão. Ao observar as expres- de 2010, p. 4. Jamais esquecerei aquela expe-
sões faciais da senhora, vi que revela- riência. Agora mal posso
vam crescente confusão. Era evidente esperar para ensinar os
que ela não estava conseguindo acom- mesmos princípios a
panhar o que tentávamos explicar-lhe. meus filhos um dia
Depois de fazer algumas pergun- e sentir de novo
tas sobre que o disséramos até o aquela grandiosa
momento e sobre o que ela estava alegria. ◼
entendendo, comecei a ficar frus-
trado, pois ela não estava assimilando
o conceito da Primeira Visão. O dia
tinha sido longo, e a última coisa
que um missionário quer é alguém
que não consegue compreender os
princípios que ele tanto deseja que as
pessoas saibam que são verdadeiros.
Na fração de segundo em que
senti minhas emoções resvalarem
rumo à raiva, um trecho de minha
bênção patriarcal me veio à mente.
Era uma parte sobre minha futura
ILUSTRAÇÃO: BRIAN CALL

família que me aconselhava a ensi-


nar a meus futuros filhos os princí-
pios do evangelho. Quando aquele
parágrafo me passou pela mente,


JOVENS

Presidente
Boyd K. Packer
Presidente do Quórum
dos Doze Apóstolos

O MEDIADOR
JESUS CRISTO
P
ermitam-me contar uma história — uma Foi só então que ele percebeu que seu Jesus Cristo,
parábola. credor não só tinha o poder de confiscar todas nosso Media-
Certa vez havia um homem que as suas posses, mas também de mandá-lo para
queria muito algo. Parecia-lhe mais importante a prisão.
dor, paga o
do que qualquer outra coisa na vida. A fim de “Não posso pagar, pois não tenho condi- preço que não
alcançar seu objetivo, contraiu uma grande ções”, confessou ele. podemos pagar
dívida. “Então”, disse o credor, “vamos confiscar
Ele fora advertido sobre o perigo de uma seus bens e mandá-lo para a cadeia. Tudo foi
para voltarmos
dívida tão vultosa e sobretudo sobre o credor feito de mútuo acordo. Você fez tudo de livre a viver com o
que lhe concedera o empréstimo. Mas para e espontânea vontade. Assinou o contrato e Pai Celestial.
ele parecia importantíssimo ter imediatamente agora ele vai ser aplicado”.
o que ele tanto queria. Ele tinha certeza de “Não seria possível aumentar o prazo ou
poder quitar a dívida depois. perdoar a dívida?” suplicou o devedor. “Não
Então assinou um contrato. Ele teria um haveria um meio de eu conservar meus bens e
prazo para saldar a dívida. Não se preocupou evitar a prisão? Você acredita em misericórdia,
muito, pois a data fixada parecia bem distante. não é mesmo? Não vai demonstrá-la?”
Ele tinha o que queria no momento e era isso O credor respondeu: “A misericórdia é sem-
que importava. pre unilateral. Serviria apenas a seus interes-
O credor estava sempre em algum lugar de ses. Se eu lhe mostrar misericórdia, não serei
sua mente, e esporadicamente ele fazia paga- pago. É justiça que exijo. Não crê na justiça?”
mentos simbólicos, achando de alguma forma “Eu acreditava na justiça quando assinei
que o dia do acerto de contas final nunca o contrato”, admitiu o devedor. “Naquele
chegaria. momento, ela estava do meu lado, pois eu
achava que me protegeria. Eu não precisava
Justiça ou Misericórdia? de misericórdia naquele momento e achava
Mas como sempre, o dia chegou e o con- que jamais necessitaria.”
trato precisava ser cumprido. A dívida não “É a justiça que exige que você cumpra o
ILUSTRAÇÃO: DAN BURR

tinha sido quitada integralmente. O credor contrato ou sofra as penalidades”, respondeu


apareceu e exigiu o pagamento total. o credor. “É a lei. Você concordou, e é assim

Para aprender mais sobre o assunto, ver Alma 42, a explicação de Alma sobre a justiça, a misericórdia e a Expiação.

A b r i l d e 2 0 1 1 57


que deve ser. A misericórdia não pode roubar E assim o credor foi reembolsado inte-
a justiça.” gralmente. Houve justiça. Nenhuma cláusula
Eis o impasse: um exigia justiça, o outro contratual foi violada. O devedor, por sua vez,
suplicava misericórdia. Nenhum dos dois recebeu misericórdia. Ambas as leis tinham
poderia prevalecer sem prejudicar o outro. sido cumpridas. Como havia um mediador, a
“Se não perdoar a dívida, não haverá mise- justiça recebera sua parte integral e a miseri-
ricórdia”, argumentou o devedor. córdia fora plenamente satisfeita.
“Se eu o fizer, não haverá justiça”, foi a
resposta. Nosso Mediador
Pela lei eterna, a Parecia impossível satisfazer ambas as leis. Cada um de nós tem uma espécie de cré-
misericórdia só Trata-se de dois ideais eternos que parecem dito espiritual, uma dívida. Um dia haverá
pode ser oferecida estar em frontal contradição. Não haveria um um acerto de contas, com saldo devedor. Por
por alguém que jeito de a justiça ser plenamente contemplada menos importância que demos agora, quando
esteja disposto e e a misericórdia também? se aproximar o dia da execução, procurare-
Há uma saída! A lei da justiça pode ser mos profundamente angustiados alguém para
capacitado a assu-
plenamente satisfeita e a misericórdia pode nos ajudar.
mir nossa dívida,
ser plenamente oferecida — mas é preciso a E pela lei eterna, a misericórdia só pode
a pagar o preço
intervenção de outra pessoa. E foi o aconte- ser oferecida por alguém que esteja disposto
e a estabelecer as ceu desta vez. e capacitado a assumir nossa dívida, a pagar
condições de nossa o preço e a estabelecer as condições de nossa
redenção. O Mediador Dele redenção.
O devedor tinha um amigo e ele veio em A menos que haja um mediador, a menos
seu socorro. Conhecia bem o devedor. Ele que haja um amigo, sentiremos todo o peso
achava que fora tolice da parte do amigo da mão da justiça. O pagamento integral
colocar-se naquela situação difícil. Contudo, relativo a cada transgressão, porém, por
ele queria ajudar porque o amava. Interpôs-se menor ou maior que seja, nos será cobrado
entre eles, encarou o credor e fez a seguinte implacavelmente.
proposta: “Quitarei a dívida se você liberar o Mas saibam disto: a verdade, a gloriosa
devedor do contrato de modo que ele con- verdade, proclama que há esse Mediador.
serve seus bens e escape da prisão”. “Porque há um só Deus, e um só Media-
Enquanto o credor avaliava a oferta, o dor entre Deus e os homens, Jesus Cristo
mediador prosseguiu: “Você exigiu justiça. homem” (I Timóteo 2:5). Por meio Dele, a
Embora ele esteja impossibilitado de pagar, eu misericórdia pode ser plenamente oferecida
o farei. Você não será prejudicado nem injusti- a cada um de nós sem ofensa à lei eterna da
çado e não poderá pedir mais nada, pois não justiça.
seria justo”. A concessão da misericórdia não será
Então o credor concordou. automática. Será por meio de convênio com
O mediador voltou-se para o devedor. Ele. As condições serão estabelecidas por Ele
“Se eu pagar sua dívida, aceita-me como seu — condições generosas, que incluem, como
credor?” requisito indispensável, o batismo por imersão
“Claro que sim!”, exclamou o devedor. para a remissão de pecados.
“Você me salvou da prisão e me mostrou Toda a humanidade pode ser protegida
misericórdia.” pela lei da justiça e todos nós podemos rece-
“Então”, disse o benfeitor, “agora a dívida é ber individualmente a bênção redentora e
comigo e eu estabelecerei as condições. Não curadora da misericórdia. ◼
vai ser fácil, mais será possível. Vou criar condi- Extraído do artigo “O Mediador”, ­Ensign, maio de 1977,
ções para isso. Não precisará ir para a cadeia”. pp. 54–56.

58 A L i a h o n a


CRIANÇ AS


S  erei honesto

A Escolha
com o Pai Celes-
tial, com as outras
pessoas e comigo

de Niya
mesmo.”
Meus Padrões do
Evangelho

Marcel Niyungi

N
Inspirado numa história verídica
iya estava brincando em Niya e informou o preço. Ela entre- Niya deu meia volta e retornou à
frente de casa quando sua gou-lhe o dinheiro. mercearia. “O senhor me deu troco
tia a chamou para entrar. “Aqui está o troco”, disse o balco- a mais”, disse ela ao comerciante,
“Niya, pode ir à mercearia comprar nista ao entregar algumas moedas. devolvendo o dinheiro.
cenoura para o jantar?” perguntou Niya agradeceu e começou o Ele pegou o dinheiro. “Você é
a tia. trajeto para casa. Ao caminhar, uma boa menina”, disse ele. Colo-
“Posso!” disse Niya com alegria. conferiu o dinheiro que o balconista cou então algumas maçãs numa
Ela gostava de fazer compras e lhe dera. “Ele me deu troco a mais”, sacola e deu a Niya. “Obrigado por
ajudar a tia. pensou. “Agora posso ficar com este ser honesta. Leve essas maçãs para
Niya pegou o dinheiro que a tia dinheiro para mim!” comer com a família.”
ILUSTRAÇÕES DE LOUISE PARKER

lhe dera e foi a pé até a loja, ficava Mas então Niya parou de andar. Niya sentiu um calor no peito
perto. “O Pai Celestial não vai ficar e muita felicidade no caminho
“Preciso comprar cenoura para o feliz comigo se eu ficar com este de casa. Sabia que o Pai Celestial
jantar”, disse Niya ao balconista. dinheiro”, pensou. “Preciso ser estava satisfeito com a escolha dela
Ele pôs cenouras na bolsa de honesta em palavras e atos.” de ser honesta. ◼


SÁBADO
1 DOMINGO
2 SEGUNDA-FEIRA
3 TERÇA-FEIRA
4
Uma festa religiosa impor- Jesus foi de Betânia para Jesus viu pessoas comprando Jesus ensinou as pessoas no
tante chamada Páscoa Jerusalém. Entrou na cidade e vendendo mercadorias no templo e num morro das
começaria dentro de seis montado num jumento, con- templo. Como Ele queria que proximidades, o Monte das
dias. Muitas pessoas estavam forme profetizado num ver- o templo fosse uma “casa de Oliveiras.
a caminho de Jerusalém sículo do Velho Testamento. oração”, mandou-os embora. Os sacerdotes começaram
para oferecer sacrifícios no As pessoas O reconheceram Em seguida, curou mancos e a tramar para matar Jesus.
templo naquele dia. Jesus foi como seu rei, gritando cegos. Os sacerdotes invejo- Um de Seus discípulos, Judas
a Betânia, uma cidadezinha “Hosana” e pondo folhas de sos ficaram com raiva Dele. Iscariotes, concordou em
perto de Jerusalém. Ficou lá palmeira diante do jumento Ver Mateus 21:12–17; Marcos denunciar Jesus aos sacerdo-
cinco noites com seus amigos para impedir que a poeira 11:15–19. tes em troca de 30 moedas
Lázaro, Maria e Marta. Maria sujasse o Salvador. Jesus visi- de prata.
ungiu os pés Dele com óleo. tou o templo e depois voltou Ver Mateus 25:31–46; 26:14–16.
Ver João 12:1–3. para Betânia.
Ver Zacarias 9:9; Mateus
21:1–11; Marcos 11:1–11.

SEMANA
DE PÁSCOA
V
ocê pode se preparar para
a Páscoa aprendendo
sobre o que aconteceu na
semana anterior à Crucificação
e Ressurreição de Jesus Cristo.
Comece oito dias antes da Páscoa
lendo os acontecimentos e os
versículos das escrituras alistados
para cada dia.

60 A L i a h o n a


CRIANÇ AS

INC., REPRODUÇÃO PROIBIDA; A VOZ DO CÉU, DE JAMES TISSOT; DETALHE DE CINCO DELAS ERAM SÁBIAS, DE WALTER RANE, CORTESIA DO MUSEU DE HISTÓRIA DA IGREJA; CRISTO NO GETSÊMANI, DE HARRY ANDERSON © IRI; DETALHE DE A CRUCIFICAÇÃO, DE HARRY ANDERSON
FOTOGRAFIA DE MATTHEW REIER; NO ALTO, A PARTIR DA ESQUERDA: JESUS VAI A BETÂNIA À NOITE, DE JAMES TISSOT; ENTRADA TRIUNFAL DE CRISTO EM JERUSALÉM, DE HARRY ANDERSON © IRI; CURA DO CEGO, DE HARRY ANDERSON, CORTESIA DE PACIFIC PRESS PUBLISHING,

© IRI; O SEPULTAMENTO DE CRISTO, DE CARL HEINRICH BLOCH, USADO COM PERMISSÃO DO MUSEU HISTÓRICO NACIONAL DO CASTELO DE FREDERIKSBORG, EM HILLERØD, DINAMARCA, REPRODUÇÃO PROIBIDA; EMBAIXO: ELE RESSUSCITOU, DE DEL PARSON

QUARTA-FEIRA
5 QUINTA-FEIRA
6 SEXTA-FEIRA
7 SÁBADO
8
As escrituras não dizem o Os discípulos de Jesus se pre- Jesus foi levado à presença O corpo de Jesus estava no
que Jesus fez nesse dia. Pode pararam para a refeição da do sumo sacerdote, Caifás. sepulcro. Uma grande pedra
ser que tenha passado o dia Páscoa. Durante a ceia, Jesus Pedro, discípulo de Jesus, tinha sido colocada em
com Seus discípulos. Você disse aos discípulos que um negou conhecê-Lo. Jesus foi frente à porta. Os sacerdo-
pode ler a parábola das dez deles O trairia. Então, para interrogado pelo governa- tes iníquos tinham pedido a
virgens, uma história que ajudá-los a lembrarem-se dor, Pilatos, e por Herodes. Pilatos que deixasse guardas
Jesus ensinou aos discípulos Dele, deu-lhes o sacramento Foi condenado a morrer na fora do túmulo para impedir
para ajudá-los a se prepara- pela primeira vez. Jesus foi cruz. Jesus foi crucificado. a entrada de pessoas.
rem para a Segunda Vinda. ao Jardim do Getsêmani para Um homem rico chamado Ver Mateus 27:57–66.
Ver Mateus 25:1–13. sofrer por nossos pecados José pôs Jesus em Seu sepul-
e orar a Deus. Surgiram cro. A mãe de Jesus, Maria,
pessoas com espadas e pren- e Maria Madalena foram
deram-No. Com medo, os visitar o sepulcro.
discípulos saíram correndo. Ver Mateus 26:57–72; 27:1–2,
Ver Mateus 26:17–29, 36–56. 27–37; Lucas 23:44–46, 50–56.

DOMINGO
DE PÁSCOA
Jesus ressuscitou! Ele levan-
tara do sepulcro. Um anjo
descera do céu e empurrara
a pedra.
Jesus pediu a Seus discípulos
que ensinassem e batizassem
pessoas e prometeu estar
sempre com eles.
Ver Mateus 28.

A b r i l d e 2 0 1 1 61
Obras de Arte de Crianças
do Mundo Inteiro
Trabalhos enviados à exposição
internacional de arte infantil sobre
o tema “O Evangelho Abençoa
Andrez
Minha Vida”. a A., 1
0 anos

V
, Brasil

eja mais obras de


arte da exposição
em edições futu-
ras na seção Nossa Página.
Há outras obras em
www​.liahona​.LDS​.org.

Dasha
K., 11
anos,
Ucrân
o ia
éxic
os, M
F., 9 an
iff
Zen

an Beth B.,
6 anos, Taiw 5
Chung-chi, anos, C
anadá
Ka
ren
ça L.,
6
ran an
os, F os,
an Bo
lív
., 5 ia
lS
anie
D
62 A L i a h o n a
CRIANÇ AS

Nathalie
S., 9 ano
s, Guatem
ala

Carolina A., 7 anos, Peru

Sara R
., 9 anos, A
rgentin
a

ile
s, Ch
, 8 ano
T.
ardo
Leon

Lee W., 9
anos, Po
eru lônia
nos, P
a B., 5 a Ali
Fatim na
S.,
8 an
os
,U
nã crâ
Viet nia
s,
ano
0
,1
n O.
o
dis A b r i l d e 2 0 1 1 63
Ad
Guen
R., 12
anos,
Filipina
s

ico
s, Méx
G., 11 ano
sa
Vanes

Lee J., 11 an
os, Taiti

ólia
ong
nos, M
8a
in O.,
gali
enejar
Erd

na
rgenti Adriana B.
nos, A , 10 anos, Equa
na F., 11 a dor
Marti
Jos
éV
., 5
or an
os,
ad Pe
Equ ru
s,
no
12a
,
G.
da
an
Am
Como posso me

CRIANÇ AS

Testemunha Especial

proteger das coisas


ruins do mundo?
Extraído de “Como Viver Bem em Meio ao Mal Crescente”, A ­Liahona,
maio de 2004, p. 100.

Busque e siga atenta-


mente a orientação pes-
O Élder Richard G.
soal que o Espírito Santo
Scott, do Quórum dos lhe conceder.
ILUSTRAÇÃO: BRYAN BEACH

Doze Apóstolos, expõe


algumas ideias sobre o
assunto.

O Pai Celestial preparou as escritu-


ras e dá orientação divina contí-
nua para nos apoiar. Essa ajuda lhe
areça permitirá viver com felicidade e
u e a vida p pe-
q nto, a paz em meio a males crescentes.
Ainda mome ferro da
ícil no
dif de
à barra rogre-
gue-se Você está p cebe.
e . er
verdad ais do que p Se continuar a pôr o Senhor
m no centro de sua mente e de
dindo
seu coração, Ele o ajudará a
ter uma vida rica e plena, a
despeito do que aconteça no
mundo a sua volta.

Você pode levar uma vida virtuosa,


produtiva e justa seguindo o plano
de proteção criado pelo Pai Celestial:
o plano de felicidade Dele.

65
T R A ZER A P R I M Á R I A PA R A C A S A Você pode usar esta lição e atividade
para aprender mais sobre o tema da
Primária deste mês.

Jesus Cristo
É Meu Salvador e Redentor
Ana Maria Coburn e Cristina Franco

“Cremos que, por meio da Expiação e tornar-nos puros e limpos como corpo e nosso espírito se unirão
de Cristo, toda a humanidade pode Jesus. para sempre.
ser salva por obediência às leis e Jesus foi crucificado e morreu, Jesus Cristo é verdadeiramente
ordenanças do Evangelho” mas depois de três dias ressuscitou. nosso Salvador e Redentor. Ele é o
(Regras de Fé 1:3). Estava vivo de novo! Devido à Res- exemplo perfeito para todos nós.

O
surreição Dele, nós também ressus- Ele nos ensinou a tratar uns aos
que você estaria disposto citaremos. Isso quer dizer que nosso outros com bondade. Ensinou-nos
a dar a alguém que você a servir uns aos outros. Ensinou-
ama muito, muito mesmo? nos como podemos nos tornar pes-
Nosso Salvador, Jesus Cristo, nos soas melhores. Não conseguiremos
ama tanto que deu a própria vida levar uma vida perfeita, como
por nós. Ele, mas podemos voltar a
O Pai Celestial sabia que, viver com Jesus e o Pai
se pecássemos e errásse- Celestial se obedecer-

À ESQUERDA: ILUSTRAÇÃO DE PAUL MANN © 1991 IRI; À DIREITA: ILUSTRAÇÃO DE BETH M. WHITTAKER
mos, não poderíamos vol- mos aos mandamentos
tar a viver com Ele. Então e dermos o melhor
Seu Filho, Jesus Cristo, de nós. Precisamos
ofereceu-Se para ser seguir Jesus Cristo
nosso Salvador. O Pai todos os dias. ◼
Celestial O escolheu
para nos salvar, pois
Ele era o único que ATIVIDADE
poderia levar uma vida Una os pontos para completar o
sem pecado. desenho de Maria na tumba vazia.
Jesus sofreu e morreu Em seguida, pinte a figura. Ao olhar o
para nos salvar da morte desenho, você pode recordar que Jesus
e de nossos pecados. Cristo é nosso Salvador e Redentor.
Esse ato de amor chama-se
Expiação. Por causa da Expia-
ção, podemos nos arrepender
de nossos pecados, ser perdoados

66 A L i a h o n a
CRIANÇ AS

79
78

77
31 32
33 76
30 75
29 74
28 34 73
27

26 72

71
2 35
1
3 70
4 69
25 36

5
6 68
7 37
67
8 66
65
9 38
10
64

11 63
12

62
13 61
60
24
14 23
22
39
41 40 59

58

57
21
56

55
42
54
15
53
52

51
16
20 49 50
17 48
44 47
18 19 43 45 46

A b r i l d e 2 0 1 1 67
Felizes em Casa
Chad E. Phares

B
Revistas da Igreja

untha e Neath são um casal de irmãos que


mora em Siem Reap, Camboja.
Quando fez oito anos, Buntha decidiu
ser batizado. Quando fizer oito anos, Neath tam-
bém vai ser batizada. “Quero receber o Espírito
Santo”, diz ela.
Buntha e Neath acham importante servir ao
próximo. Buntha quer ser missionário quando
crescer. Neath mal pode esperar o dia em que
será uma “avó missionária”, uma missionária
sênior. ◼

Buntha e Neath
passam muito
tempo juntos.
Ambos tentam ser
gentis um com o
outro e com os
FOTOGRAFIAS: CHAD E. PHARES

demais familiares.

68 A L i a h o n a


CRIANÇ AS

Turistas do mundo
inteiro vêm visitar
os edifícios antigos
da cidade deles, mas
Buntha e Neath
sentem mais felicidade
quando ficam em casa
e convivem com a
família.
Buntha e Neath têm um cantinho
especial no quintal onde gostam de se
sentar para ler as escrituras, fazer as lições
de casa e ler a ­Liahona. Eles gostam de ler
as escrituras. Tentam lê-las todos os dias.
Neath gosta de ler sobre o sonho de Leí.
Buntha gostar de ler sobre Néfi.

Neath gosta de jogar


bolinhas de gude.
Buntha gosta de jogar
futebol com qualquer
bola que aparecer.

A b r i l d e 2 0 1 1 69
PA R A A S C R I A N C I N H A S

Vestida para a Ocasião


Kaare Revill
2. Elisa voltou para seu quarto.
Colocou um capacete amarelo
de operário e pegou um mar-
telo de plástico.
Inspirado numa história
verídica

“Filhos sois do Senhor vosso Deus”


(Deuteronômio 14:1).

1. Elisa queria se vestir


para uma ocasião espe-
cial. Colocou os sapa-
tos do pai e um nariz
vermelho.

Sou uma palhaça


engraçada.

Sou uma
construtora forte.
3. Elisa martelou
o chão e depois
correu de volta
para o quarto.

70 A L i a h o n a
CRIANÇ AS

4. Elisa pôs um vestido brilhante 6. Na hora de dormir, Elisa trocou de roupa e pôs seu
roxo e prateado e saiu do quarto pijama verde predileto. Saiu do quarto e sentou-se no colo
rodopiando. da mãe.

Sou uma linda


princesa.
7.
5. Elisa gostou de
ser princesa. Ficou
usando o vestido o
resto o dia.

Sou a Elisa. Sou


ILUSTRAÇÕES DE SCOTT PECK

filha de Deus.

A b r i l d e 2 0 1 1 71
PA R A A S C R I A N C I N H A S

SOMOS TODOS
FILHOS DE DEUS

A despeito de onde moremos


ou de nossa aparência,
somos todos filhos de Deus.
Olhe as crianças nos círculos do
alto e veja se consegue localizá-
las no mapa. Faça um círculo
em volta de cada criança que
achar.

AJUDA PARA OS PAIS

F ale de algumas das características


físicas e alguns dos traços de per-
sonalidade de seu filho. O que o torna
único? Explique-lhe que o Pai Celestial
criou a todos nós para que fôssemos
diferentes, mas somos todos Seus filhos.
Ajude seu filho a identificar característi-
cas únicas de cada criança do mapa.

72 A L i a h o n a
CRIANÇ AS

ILUSTRAÇÕES DE ADAM KOFORD

A b r i l d e 2 0 1 1 73
da Igreja
Treinamento sobre o “Somente pelo Espírito saberão como aplicar
Manual Enfatiza o Trabalho o que leram no Manual”, afirmou. “… Pode lhes
parecer pouco prático esperar que tenham o fluxo
de Salvação de revelações de que precisam em seu serviço
diário. Isso não acontecerá sem fé e trabalho
Adam C. Olson árduo, mas é possível.”

D
Revistas da Igreja O Presidente Eyring prometeu que, se os
urante o treinamento mundial de liderança líderes trabalharem e orarem de modo a “com-
realizado em fevereiro de 2011, membros preender e seguir as palavras de vida” que lhes
da Primeira Presidência e do Quórum são dadas, o Senhor os ajudará a servir e a liderar
dos Doze Apóstolos instruíram os participantes muito além de sua capacidade pessoal.
quanto ao uso mais eficaz dos novos manuais. A
reunião deu continuidade ao treinamento mundial O Fundamento Doutrinário dos Manuais
de liderança de novembro de 2010, no qual os “O manual é doutrinário”, disse o Élder Oaks,
manuais foram apresentados. “e é mais curto do que o manual anterior porque
Os oradores enfatizaram como usar os manuais se abstém de ditar regras ou dar orientações sobre
de modo mais inspirado, a importância da vários assuntos. Em vez disso, traz prin-
compreensão do alicerce doutrinário dos cípios que os líderes inspirados podem
novos manuais, como aplicar o princípio aplicar (…) às circunstâncias locais”.
da adaptação aos programas da Igreja, O Élder Bednar e o Élder
como as mudanças dos manuais se aplicam Christofferson alertaram os líderes
ao cumprimento do trabalho de salvação e quanto a ‘pular’ os capítulos iniciais do
ao papel das mulheres nos conselhos. Manual 2 para inteirar-se das normas
Participaram da transmissão: o nos capítulos à frente. Os primeiros
Presidente Henry B. Eyring, Primeiro capítulos sedimentam a fundamenta-
Conselheiro na Primeira Presidência; os ção doutrinária para a compreensão e
Élderes Russell M. Nelson, Dallin H. Oaks, a aplicação dos princípios e das nor-
Richard G. Scott, Robert D. Hales, Jeffrey R. mas que se seguem.
Holland, David A. Bednar, Quentin L. “O manual se tornará um O Élder Bednar disse que, pelo
Cook, D. Todd Christofferson e Neil L. tesouro para vocês se o usa- fato de os manuais serem “baseados
Andersen, do Quórum dos Doze Apósto- em princípios, com poucas aplica-
rem para ajudar as pessoas
los; os Élderes Craig C. Christensen; ções detalhadas, a exigência quanto à
a escolher o caminho para
Bruce D. Porter e W. Craig Zwick, dos espiritualidade e à dedicação é muito
Setenta; e a presidência geral das organiza- a vida eterna. Esse é o obje- maior para cada um de nós”.
ções auxiliares. tivo dele.”
Presidente Henry B. Eyring, O Princípio da Adaptação
O Uso Mais Inspirado dos Manuais Primeiro Conselheiro na “No que se refere à doutrina, aos
Referindo-se à reunião como “a Primeira Presidência convénios e às normas estabelecidas
segunda oportunidade de descobrir como pela Primeira Presidência e os Doze,
usar o manual de modo mais eficaz”, o não nos desviamos do manual”, disse
Presidente Eyring incentivou os líderes a o Élder Nelson. “A adaptação é permi-
aumentar a própria capacidade de rece- tida em algumas atividades para aten-
ber revelação. der a circunstâncias locais.”

74 A L i a h o n a
Segundo o Élder Porter, o capítulo 17, “Unifor-
midade e Adaptação”, foi incluído para auxiliar os
líderes locais a seguir o Espírito e decidir quando
será adequado adaptar determinados programas.
O capítulo explica o que não pode ser modifi-
cado e especifica cinco condições sob as quais as

FOTOGRAFIA: CRAIG DIMOND, © IRI


adaptações podem ocorrer: situação das famílias;
limitação nos transportes e na comunicação; clas-
ses ou quóruns pequenos; número insuficiente de
líderes e condições de segurança.
“Adaptações adequadas não enfraquecem
a Igreja, mas sim, fortalecem-na”, disse o Élder
Porter em seu discurso lido pelo Élder W. Craig
Zwick, dos Setenta. Ao fazer adaptações inspira- ordenanças sagradas e fazer convénios. O aper- No trabalho
das, as lideranças locais não devem pensar que feiçoamento dos santos — inclusive a retenção, a de salvação,
se estão satisfazendo com menos do que o ideal. ativação e o ensino — é o trabalho de convidar os líderes do
“Cada unidade da Igreja tem acesso às doutrinas, as pessoas a honrar ordenanças e convénios. A sacerdócio
às ordenanças, ao poder do sacerdócio e aos dons redenção dos mortos por meio do trabalho do devem levar
do Espírito necessários para a salvação e a exalta- templo e de história da família é proporcionar a em conta as
ção dos filhos de Deus”, escreveu o Élder Porter. oportunidade de receber as ordenanças e de fazer próximas orde-
convénios por aqueles que já morreram. nanças neces-
O Trabalho de Salvação O Élder Holland disse que, em geral, as sárias para uma
As mudanças feitas em todo o Manual 2 têm mudanças no manual levam à compreensão de pessoa e pensar
por objetivo promover o trabalho de salvação. O que os líderes do quórum e das auxiliares não em como
Presidente Eyring disse: “O manual se tornará um estão no conselho da ala simplesmente para pen- ajudá-la na

tesouro para vocês se o usarem para ajudar as sar a respeito dos membros do próprio quórum preparação.

pessoas a escolher o caminho para a vida eterna. ou organização auxiliar; cada um possui parte
Esse é o objetivo dele”. da responsabilidade pelo bem-estar espiritual de
Sob o título “O Trabalho de Salvação na Ala e na todos os membros.
Estaca”, o capítulo 5 traz uma variedade de tópicos O Élder Cook ajudou a esclarecer como algu-
já abordados separadamente, como o trabalho mas das mudanças nas normas do Manual 2
missionário dos membros, a retenção de conversos, contribuem para o trabalho de salvação.
a ativação, o trabalho realizado nos templos e de Ele enfatizou a importância de o bispo e o con-
história da família e o ensino do evangelho. selho da ala passarem a atender às necessidades
“Paulo falou que nesta, a dispensação da pleni- de bem-estar, já que a reunião de bem-estar não
tude dos tempos, todas as coisas seriam congrega- existe mais. Ele explicou a ampliação do papel
das em Cristo”, disse o Élder Bednar (ver Efésios dos líderes do Sacerdócio de Melquisedeque
1:10). “Há um só trabalho.” quanto a reunir-se em conselho com os membros
Por exemplo, aquilo que alguns consideravam do quórum. E também explicou as mudanças que
anteriormente missões separadas da Igreja, hoje é permitem que os pais que ainda não são plena-
“o mesmo trabalho realizado em esferas diferen- mente dignos do templo participem na realização
tes”, disse ele. O trabalho missionário é proclamar de ordenanças e bênçãos dos membros da família
o evangelho e convidar pessoas a receber as em certas circunstâncias.

A b r i l 2 0 1 1 75
PAINÉIS DAS AUXILIARES
USAM A NOVA BIBLIOTECA DE
TREINAMENTO

D urante o treinamento mundial de liderança


de fevereiro de 2011, as presidentes gerais
das organizações auxiliares participaram de
2. Participar dos Conselhos
Uma história real dos membros do conse- “Não estamos no ramo de
negócios em que executamos
lho da ala na Guatemala, trabalhando juntos
uma série de painéis de debate que usaram para terem sucesso no convite a uma família programas ou administramos
exemplos extraídos de um novo recurso on-line para retornar à plena atividade na Igreja
uma organização”, disse o Élder
Bednar. “Isso é necessário, mas
para treinamento. proporcionou uma oportunidade para o
não suficiente. Este é o trabalho
A Biblioteca de Treinamento de Liderança Élder Christensen liderar um debate sobre o
de salvação. E quando pensa-
é uma coleção de vídeos que mostram trabalho conjunto nos conselhos com todos
mos em ordenanças e convé-
exemplos da vida real de líderes que servem os cinco presidentes das auxiliares: irmã Beck; nios, os líderes do sacerdócio
no mundo inteiro e que exemplificam os irmã Wixom; Russell T. Osguthorpe, presi- perguntariam adequadamente,
princípios encontrados no Manual 2. Filmados dente geral da Escola Dominical; Elaine S. qual é a próxima ordenança
no Brasil, na Coreia, na Guatemala e na Ingla- Dalton, presidente geral das Moças; e necessária na vida desta pessoa
terra, os vídeos estão em fase de tradução e David L. Beck, presidente geral dos Rapazes. ou desta família, e de que modo
estarão disponíveis on-line no final de 2011. O debate girou em torno de como podemos auxiliá-los em sua
Usando esses vídeos, os presidentes das o esforço combinado dos membros do preparação?”
auxiliares, sob a direção dos Élderes Robert D. conselho pode ajudar os membros da ala
Hales e Neil L. Andersen, do Quórum dos
As Mulheres no Conselho
a progredir; como os membros ativos do
O Élder Scott expressou a
Doze Apóstolos, e o Élder Craig C. conselho reduzem a carga do bispo e como
preocupação de que, em alguns
Christensen, dos Setenta, discutiram três os líderes e membros devem ouvir, compar-
locais, os líderes perdem opor-
importantes princípios contidos no Manual 2. tilhar e buscar a vontade do Senhor quanto
tunidades de incluir as mulheres
aos membros da unidade. quando se reúnem em conse-
1. Preparar-se Espiritualmente
lho. “Quando [as mulheres] são
“É impressionante como o Senhor procura 3. Ministrar às Pessoas
e espera maneiras de nos abençoar”, expli- O foco no terceiro vídeo foi um rapaz
cou Rosemary Wixom, presidente geral da na Inglaterra que se esforçava por perma- MAIS NA INTERNET
Primária, depois de assistir a um vídeo sobre necer plenamente ativo na Igreja. O painel, Acesse o site LDS.org/menu/
uma líder da Sociedade de Socorro, na Coreia dirigido pelo Élder Hales e contando com service/serving-in-the-church
do Sul, que pediu fervorosamente e recebeu a participação do irmão Osguthorpe, do para obter arquivos em áudio,
inspiração ao planejar uma reunião. irmão Beck e da irmã Dalton, identificou a vídeo e texto de ambas as
O Élder Andersen, num debate com importância de os líderes trabalharem com transmissões do treinamento
Julie B. Beck, presidente geral da Sociedade os pais, dentro dos conselhos da Igreja e mundial de liderança.
de Socorro, e com a irmã Wixom, disse: “É um com os jovens. O Manual 2 pode ser
trabalho espiritual; não podemos fazê-lo sem “Se vocês fizerem exatamente o que encontrado on-line no site
a ajuda do Senhor”. Alguns membros parti- viram aqui hoje”, concluiu o Élder Hales, LDS.org/handbook/handbook
ciparam de um painel de debate sobre como “conversar sobre essas coisas [os exemplos -2-administering-the-church. A
a preparação espiritual permite que os líderes do vídeo], debater sobre elas e levá-las nova Biblioteca de Treinamento
mantenham o foco nas pessoas, adaptem ati- ao Senhor (…) vocês serão orientados e de Liderança estará disponível
vidades, aulas e designações para atender suas dirigidos quanto a como podem ajudar, na seção Servir na Igreja, do
necessidades. “A revelação se espalhou entre fortalecer e completar o que precisam fazer site LDS.org em meados de
nós”, testificou o Élder Andersen. nos chamados que receberam”. ◼ 2011.

76 A L i a h o n a
EM NOTÍCIA

O Élder Perry Cria


FOTOGRAFIA: CRAIG DIMOND

no primeiro dia de sua chegada


a Primeira Estaca a Sogere, cuidaram de mais de
200 casos de cólera. Referin-
em Guam do-se à experiência de modo
O Élder L. Tom Perry, do geral, o Dr. Mahler disse: “Pro-
Os líderes da Igreja disseram que tanto os homens Quórum dos Doze Apóstolos, fissionalmente, foi a experiência
quanto as mulheres devem ter a mesma oportuni- visitou Guam em dezembro de mais recompensadora da minha
dade de expressar livremente suas ideias nas reu- 2010 para criar a Estaca Barrigada vida”, apesar das dificuldades e
niões de liderança. Guam, primeira estaca no territó- da extenuante carga de trabalho.
rio de Guam. Durante a visita, o Além dos médicos, a Igreja
incentivadas a participar livremente das reuniões Élder Perry, que serviu na corpo- enviou vários suprimentos, inclu-
de conselho da ala, suas ideias são sempre úteis e ração local da Marinha dos Esta- sive material médico e purifica-
inspiradoras”, afirmou. dos Unidos durante a Segunda dores de água. Os carregamentos
Os líderes podem incentivar a participação Guerra Mundial, também visitou de alimento e de sabão também
chamando as irmãs pelo nome e expressando o Museu da Guerra no Pacífico e foram enviados pela Igreja às
gratidão pelas ideias e recomendações que elas a ilha vizinha de Saipan. Há 1.971 áreas críticas no Porto Moresby e
oferecem, explicou o Élder Scott. membros da Igreja morando em outros de kits de higiene pessoal
“Uma bênção complementar que se derrama Guam. O território de Guam faz sairão do Porto Moresby e de
no lar dos líderes do sacerdócio” que seguem parte da Área Ásia Norte. Brisbane. Um casal missionário
essas diretrizes é que “esses homens podem com experiência em tratamento
tornar-se mais gratos pelo papel sagrado de sua Médicos SUD de água foi para Papua-Nova
esposa no próprio lar”, acrescentou. Guiné para coordenar os traba-
Ele ensinou a importância de buscar unani-
Combatem o lhos de ajuda.
midade entre os membros do conselho. Quando Cólera em Papua-
há esse sentimento, um líder pode identificá-lo e Nova Guiné DVD Apresenta o
pedir a votação. Nas ocasiões em que os mem- No final de 2010, alguns médi-
bros não cheguem à unanimidade, os líderes cos SUD da Austrália passaram Tema da Mutual
devem solicitar uma reunião com cada membro um período cuidando das víti- para 2011
do conselho da ala, expressar gratidão pelas mas de um surto de cólera nos Em janeiro, a Igreja começou
ideias compartilhadas, tomar uma decisão e pedir vilarejos remotos do noroeste de a distribuir o DVD Vigor da
aos membros do conselho apoio unificado nessa Papua-Nova Guiné. Juventude de 2011, Crer, Ter
decisão. O Élder Scott enfatizou a importância do Os profissionais trabalharam Esperança e Perseverar, às unida-
sigilo nas questões do conselho da ala. com centenas de pacientes, sal- des da Igreja no mundo inteiro,
vando a vida de um homem que a fim de servir de suporte para o
Resultados Esperados estava prestes a morrer ao dar tema da Mutual de 2011.
O Élder Nelson concluiu o treinamento expres- entrada no hospital e de outros O DVD é repleto de recursos
sando três expectativas: que a simplificação per- que não durariam 24 horas sem multimídia destinados a aju-
mita que o tempo e os recursos dos membros tratamento. dar os jovens a fazer do tema,
sejam utilizados com maior eficácia; que o poder As pessoas vinham em gru- Regras de Fé 1:13, a parte cen-
do sacerdócio cresça em cada portador do sacer- pos, por terra e em canoas, até tral de sua vida. Os segmentos
dócio para abençoar cada pessoa e cada família onde os médicos estavam. David mostram o presidente Thomas S.
da Igreja e que cada membro tenha um senso Williams, de Brisbane, e Anthony Monson, o presidente geral dos
maior da devoção e do discipulado. ◼ Mahler, de Cairns, disseram que Rapazes e a presidente geral das

A b r i l 2 0 1 1 77
DESTAQUES DO MUNDO

A Igreja Abre Inscrições para gravações em áudio MP3 de


o 9º Concurso Internacional cada vídeo estão disponíveis Moças e também apresentam
de Obras de Arte
nos onze idiomas do site LDS música, testemunhos de jovens,
O Museu de História da .org. Os vídeos parallax estarão entre outras coisas.
Igreja disponibilizará on-line os disponíveis em cada idioma no Muito do conteúdo consiste
formulários de inscrição para o decorrer do ano de 2011. Acesse de testemunho de jovens e
9º Concurso Internacional de os vídeos no site scripturestories experiências motivacionais.
Obras de Arte a partir de 4 de .LDS.org, em inglês, e sele- A música, as mensagens e os
abril de 2011. As inscrições para cione a opção New Testament testemunhos podem ser usados
o concurso devem ser enviadas Stories. para enriquecer as aulas, as reu-
on-line ou sob registro postal até niões e as atividades dos jovens
7 de outubro de 2011. O tema Os Rapazes em Bangalore durante o ano todo.
da competição será “Divulgai Comprometem-se com o Todo o material está disponí-
Dever para com Deus
Suas Obras Maravilhosas” (D&C vel on-line para ser baixado no
65:4). Para mais informações Mais de 30 rapazes do site youth.LDS.org.
em inglês ou para ver seleções Distrito Bangalore Índia reu- O DVD também traz a tradu-
de concursos anteriores, visite niram-se nas colinas de Kanaka- ção nos seguintes idiomas: ale-
o site LDS.org/churchhistory/ pura para aprender sobre o mão, chinês, coreano, espanhol,
museum/competition. novo programa Dever para com francês, inglês, italiano, japonês,
Deus e extrair lições espirituais português e russo. ◼
Histórias do Novo Testa- de atividades físicas desafia-
mento Agora Animadas doras. Os rapazes usaram um ADENDO À EDIÇ ÃO

A
Para dar suporte ao cur- sistema de corda e roldana para DE JAN EIRO DE 2011
rículo do Novo Testamento atravessar um lago. Participaram edição de janeiro
2011, vídeos do livro Histórias de uma corrida matutina, escala- de 2011 da revista
do Novo Testamento foram ram uma montanha e aprende- A ­Liahona fala
animadas usando um método ram a fazer rapel. A atividade foi sobre missionários não nati-
chamado parallax. Os 65 vídeos encerrada com uma reunião de vos que serviam na Costa
estão disponíveis em inglês e testemunhos. ◼ do Marfim (ver Samuel
Gould, “Na Presença de
Assista aos Anjos”, p. 50). Depois da
vídeos e ouça impressão, as circunstâncias
as histórias mudaram, e os missionários
clássicas do não nativos foram trans-
Novo Testa- feridos. A Igreja monitora
mento em muito de perto a situação
versão animada, política dos locais onde os
com lindas missionários servem e os
cores e bela remove quando julga neces-
narração, no site sário. Os missionários só
scripturestories retornam ao local quando
.LDS.org. as condições se apresentam
seguras novamente.

78 A L i a h o n a
COMENTÁRIOS IDEIAS PARA A REUNIÃO FAMILIAR

Ele Alivia Nossos Fardos Esta edição contém atividades e artigos ou fingir ser outra pes-
Adoro esta revista e todo que podem ser usados na reunião familiar. soa? Dê oportunidade
seu conteúdo. Adoro os artigos Seguem-se alguns exemplos. a cada pessoa de dizer
escritos pelas Autoridades Gerais, quem ela é. Depois de
especialmente os discursos da
“Recordá-Lo Sempre”, p. 20: ler a história, explique-
conferência. Eles nos instruem e
Considere a ideia de debater em famí- lhes que, não importa qual seja o papel
nos incentivam a seguir adiante,
apesar das provações. lia o conselho do Élder Christofferson: que desempenhamos, sempre seremos
Sou membro da Igreja há “Podemos começar despojando-nos de filhos de Deus.
26 anos e li todas as edições da todas as coisas de nossa vida e depois
revista ­Liahona. Sempre leio as as pondo de volta em ordem de prio- Momentos Felizes e Laços Eternos
revistas anteriores, e um artigo ridade, com o Salvador no centro”. Quando meus filhos eram pequenos, gos-
que me é especialmente caro Conversem sobre algumas das bênçãos tavam de brincar com jogos depois da reunião
é “As Ternas Misericórdias do mencionadas pelo Élder Christofferson familiar. Um de seus favoritos era “Trunky, o
Senhor”, do Élder David A. Bednar Elefante”, que ganhou esse nome por causa
que nos advêm quando “recordamos
(maio de 2005, p. 99). Ele me faz de uma música que nossa filha, Jocelyn, apren-
sempre o Salvador”.
lembrar com que frequência o deu na escola. Depois que todos cantávamos
Pai Celestial intervém com Suas “O Poder das Escrituras”, p. 52: juntos a música, eu era o Trunky, e tinha de
ternas misericórdias e alivia nossos Depois de ler juntos esse artigo, con- levar as crianças em minhas costas. Primeiro,
pesados fardos. vide os familiares a falar o que sen- meu filho de dois aninhos, Jorge; depois, a
Iolanda Valenti, Itália tem a respeito de estudar as escrituras filha de quatro anos, Jocelyn. Por fim, era a
e frequentar o seminário. Convide-os a vez de minha esposa, Elizabeth, subir. Com os
registrar em seu diário o próprio tes- três em minhas costas, eu os levava para um
Ensinamentos Vindos temunho quanto ao poder das escri- passeio em volta da sala de jantar. Nós nos
do Senhor divertíamos muito!
turas. Incentive as crianças a estudar e
Sou grato por receber as Anos mais tarde, ambos meus filhos, já
memorizar o conjunto de domínio das
palavras de profetas vivos todos os adultos, aguardavam seu chamado missionário.
escrituras. Durante uma reunião familiar, eles se lembra-
meses. Sei que seus ensinamentos
vêm do Senhor e que abençoarão “O Mediador Jesus Cristo”, p. 56: ram de “Trunky, o Elefante”. Cantamos juntos
minha vida, se os colocar em prá- Ao lerem juntos esse artigo, convide os a música e, depois de uma pausa de muitos
tica. A leitura das experiências dos familiares a atentar para a importância anos, virei elefante de novo. Primeiro meu filho,
santos ao redor do mundo forta- de um mediador. Pergunte-lhes o que depois minha filha e, por fim, minha esposa
lece minha fé e meu testemunho, teria acontecido se um mediador não subiram em minhas costas. Acabei me estate-
pois aprendo o que outros fazem tivesse ajudado o homem a pagar sua lando no chão, e todos caímos na gargalhada.
para superar seus desafios. A lembrança daqueles momentos faz-nos
dívida. Você pode também ler as escri-
Byron David Calderon Mosquera, Equador ter gratidão pelos profetas, que nos ensinaram
turas sobre como o Salvador é nosso
sobre a importância da reunião familiar. Apren-
Envie seus comentários e mediador e debatê-las. Talvez queira demos que, por mais simples que seja a nossa
suas sugestões para Liahona@ ler 2 Néfi 2:27–28 e Alma 42:24–25. reunião familiar, o mais importante é que pas-
LDSchurch.org. Seus comentários “Vestida para a Ocasião”, p. 70: samos momentos felizes em família, momentos
podem ser alterados por motivo de Que tal convidar os membros da famí- que fortaleceram nossos laços eternos. ◼
espaço ou de clareza. ◼ lia a colocar uma roupa bem elegante Víctor G. Chauca Rivera

A b r i l 2 0 1 1 79
AT É V O LTA R M O S A N O S E N C O N T R A R

COROA DE
ESPINHOS,
COROA DE
VITÓRIA perfumadas de louro — costumava ser
ofertada aos vencedores de competições
e batalhas. Coroas de louros adornavam
a efígie de reis e imperadores. Talvez a

CRISTO COM A COROA DE ESPINHOS, DE CARL HEINRICH BLOCH, USADO COM PERMISSÃO DO MUSEU HISTÓRICO NACIONAL DO CASTELO DE FREDERIKSBORG, EM HILLERØD, DINAMARCA, REPRODUÇÃO PROIBIDA.
Larry Hiller cruel coroa fincada na fronte do Salvador

A
Revistas da Igreja fosse verde e frondosa, em referência
gosto na Terra Santa. A nossa volta, jocosa àquela antiga honra. Trata-se de
as ruínas de Cafarnaum cintilavam mera suposição, não doutrina. Mas para
no calor da tarde. Era um local fas- mim, a cena visualizada dessa forma sus-
cinante, mas como tanto nosso guia quanto cita com maior clareza um aspecto-chave
uma cigarra nas proximidades estavam emi- da Expiação: o Salvador está ciente de
tindo sons repetitivos e prolongados, minha nossos pesares e tem o poder de nos
mente começou a divagar. curar.
Subitamente, fiquei alerta quando o guia O manto colocado sobre Ele era para
apontou para a árvore que nos dava sombra e Para mim, a zombar de um símbolo da realeza. Cobria os
disse inesperadamente: “Essa planta é conhe- ferimentos e cortes deixados pelas chibatadas
cida como ‘árvore da coroa de espinhos’”. coroa de espi- que Ele sofrera. Da mesma forma, uma coroa
Olhei para a folhagem. Onde estão os espi- nhos tornou-se frondosa de espinhos remeteria aos lauréis
nhos? Estendi o braço e, com cuidado, puxei um símbolo da de um vencedor, mas escondia a dor real que
um pequeno galho em minha direção. infligia.
Então, entre as folhas delicadas, vi os espi-
consciência que Muitos de nós levam na alma dores invisí-
nhos. Finos e verdes, perversamente agudos o Salvador tem veis. Um hino ensina que “nos recônditos da
e do tamanho de meu polegar, só podiam de nossas dores alma, dores há que não se veem” (“Sim, Eu
ser vistos a poucos metros de distância. Mas te Seguirei”, Hinos, nº 134). Mas o Salvador
ocultas — e de
qualquer pessoa que entrasse em contato com certamente as vê. Ele conhece bem as angús-
um daqueles ramos frondosos certamente Sua capacidade tias secretas. Seu ministério inteiro foi vivido
sentiria dor. de curá-las. em função da Expiação e da Ressurreição que
Pensei nas muitas imagens que vira do viriam. No entanto, as pessoas que Ele ensi-
Salvador diante de um arremedo de tribunal, nava e abençoava não tinham ciência disso.
com um manto vermelho e uma coroa de Até mesmo Seus próprios discípulos desco-
espinhos retorcidos, secos e pontiagudos. De nheciam esse fato.
repente me ocorreu que um escravo ou um O Salvador enxerga além dos “mantos” e
soldado encarregado de fazer a coroa teria das “coroas” que ocultam nossos pesares dos
preferido usar ramos verdes flexíveis como outros. Por ter sofrido “dores e aflições e ten-
os daquela árvore em frente — e não galhos tações de toda espécie”, Ele é cheio de mise-
quebradiços e secos. O mais impressionante é ricórdia e sabe nos socorrer quando depomos
que o objetivo da coroa não era só infligir dor, nossos fardos a Seus pés (ver Alma 7:11–12).
mas humilhar e zombar. Ele é o bálsamo capaz de curar até as feridas
Na antiguidade, uma coroa ou grinalda mais secretas e profundas. E a coroa que Ele
de ramos verdes — em geral de folhas ostenta é verdadeiramente a do vencedor. ◼

80 A L i a h o n a
PA L AV R A S D E C R I S TO

A Manhã da Ressurreição, de Steven Edwards

Durante Seu ministério mortal, Cristo disse a Seus anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a
discípulos que “[era] necessário que o Filho do homem pedra da porta, e sentou-se sobre ela. (…)
(…) [fosse] morto, e [ressuscitasse] ao terceiro dia” (Lucas Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não
9:22). tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi
Após a crucificação, “Maria Madalena e a outra crucificado.
Maria foram ver o sepulcro. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia
E eis que houvera um grande terremoto, porque um dito” (Mateus 28:1–2, 5–6).

R
ecordar o Salvador inclui obviamente recordar Sua Expiação,
que é representada simbolicamente pelo pão e pela água como
emblemas de Seu sofrimento e Sua morte”, escreve o Élder D. Todd
Christofferson, do Quórum dos Doze Apóstolos. “Nunca devemos esquecer
o que Ele fez por nós, pois sem Sua Expiação e Ressurreição, a vida não teria
sentido. Com Sua Expiação e Ressurreição, porém, nossa vida apresenta possi-
bilidades eternas e divinas.” Ver “Recordá-Lo Sempre”, página 20.