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ÉTICA E CONDUTA PÚBLICA

ANEEL 2010
ÉTICA GERAL E PROFISSIONAL

A ética é um dos seis ramos tradicionais da filosofia, onde ocupou papel importante,
desde o começo. A ética também faz parte essencial da fé religiosa.

DISCUSSÕES PRELIMINARES

1. Definições da Palavra

No grego, ethos = costume, disposição, hábito. No latim, mos (moris) = vontade, costume,
uso, regra.

A Ética. “A teoria da natureza do bem e como pode ser alcançado”. “A filosofia moral é a
investigação científica e uma filosofia de julgamentos morais que declaram a conduta boa,
má, certa ou errada. Isto é, o que deve ou não deve ser feito”. A definição mais simples,
mas expressiva é: A ética é a conduta ideal do indivíduo.

Perguntas principais relacionadas à ética. E um padrão (ou padrões) de o que é certo ou


errado que pode ser aplicado à raça humana inteira? O que seria a base de tal padrão?
Quais são as definições de bondade e maldade? O que é o dever? O que é o summum
bonum da existência humana e como é que isto pode ser alcançado? As considerações
éticas são mortais ou eternas?

2. O Porquê da Ética (Finalidade)

a. Uma necessidade da sociedade. O alvo da ética é a conduta ideal do homem,


baseada no desenvolvimento de sua virtude especial. Virtude = função dentro da
sociedade, para o bem do individuo e da sociedade.

b. Uma necessidade individual. Realmente, é uma questão urgente, porque tudo que
fazemos é auto e / ou heterojulgado (avaliado). Ilustração: Plantão. O problema ético é a
tenção entra o ideal e a consulta defeituosa. Segundo a definição de Aristóteles, todas as
instituições humanas, de ensino, da política, estado, etc., são ramos da ética porque
todas têm alguma coisa a ver com a atuação do homem dentro da sociedade. Sempre
parecemos melhor do que realmente somos. Ulceras, psicoses, e até a insanidade
existem por causa do problema ético.

3. Categorias Principais da Ética

a. A Ética Formal

Esta ética também se chama rigorista ou teísta. 1. Declara que existem princípios eternos,
imutáveis, divinos (ou exigências absolutas na natureza ou da lei natural). b. A aplicação
dos princípios eternos é universal. Não existe uma ética para mim, e outra para você. 3.
Eu uma ética a priori, não a posteriori. Os valores da ética são inatos, baseados num
conhecimento inato. 4. Bases. A intuição, o racionalismo, o misticismo, a
sobrenaturalidade, a justiça absoluta, a teleologia e o idealismo.

4. A Ética Relativa (da situação)

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a. A conduta ideal pode ser estabelecida somente através da experiência-humana. Ela
não é imposta por unia força exterior, não humana (se tal força existe). 2. A ética é uma
experiência ou ciência humana, não um ramo da teologia. 3. Os princípios éticos têm
aplicação aqui e agora, não antigamente e para sempre. 4. A conduta ideal (se existe tal
coisa), necessariamente varia de um indivíduo para o outro, dependendo das
circunstâncias (situações) pessoais e culturais envolvidas. 5. A ética está sempre em
estado de fluxo. Os padrões éticos, necessariamente, se modificam com o tempo e com
as exigências diversas de culturas diferentes. 6. A ética é relativa, isto é, sempre sujeita a
mudança. Não existem padrões fixos, imutáveis ou universais. O que funciona bem para
mim é bom para mim. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras
pessoas. 7. Todos os princípios éticos são posteriori. 8. Bases. O empirismo,
pragmatismo, o positivismo, o materialismo, o humanismo, a ciência.

b. A Ética dos valores

Este sistema é um meio-termo entre o apriorismo (ética formal) e o empirismo (ética


relativa). 1. Procura excluir o relativismo radical, mas ao mesmo tempo, ensina que os
valores e imperativos não são vazios, abstratos ou sem significado. Os valores éticos
devem ser comprovados na experiência humana para serem reais. 2. Os valores éticos
são constantes e duradouros, mas não eternamente fixos. 3. Eles não são sujeitos às
vicissitudes da experiência humana diária. Eles têm valor em si mesmos; são
intrinsecamente valiosos. A consciência humana sabe, intuitiva-mente (ou racionalmente)
os verdadeiros valores. Ilustrações: a lei do amor é uma constante.Todas as religiões e
filosofias honram este princípio. Até Schopenhauer, no seu pessimismo, achou um lugar
para a simpatia, outro nome do amor. Quase todos os sistemas acham que algum
conceito de justiça é necessário para qualquer função razoável de uma sociedade. 4. Os
valores tornam-se deveres que devem ser praticados como parte inerente da conduta
ideal. 5. Bases: o racionalismo, a intuição, o misticismo (para alguns estudiosos), o
empirismo (que não é considerado inerentemente contrário ao racionalismo). É aqui neste
mundo, onde venço ou sou derrotado.

OBJETO E OBJETIVO DA ÉTICA

Introdução

A convivência em sociedade conduz as pessoas a travarem entre si, diariamente, grande


número de relacionamentos. Esse quadro tem por base a necessidade de atingir
determinados objetivos, os quais podem ser de natureza individual (particular) ou coletiva
(envolvendo o conjunto inteiro da sociedade ou grande parte da mesma). Tais
relacionamentos são fortemente influenciados por aspectos ligados ao comportamento
humano que, por sua vez, recebe influência das crenças e valores que cada pessoa
carrega. É de se esperar, portanto, que conflitos surjam entre as pessoas envolvidas nos
vários tipos de relacionamentos existentes no seio de uma sociedade, visto que é normal
a perseguição, por parte delas, de objetivos antagônicos. Tome-se, por exemplo, o caso
de uma pessoa que entra em uma loja com o objetivo de adquirir um aparelho
eletrodoméstico. Certamente, na loja encontrará alguém com o objetivo de vender
eletrodomésticos. Para que ambos os objetivos — o de comprar e o de vender — sejam
concretizados, é imprescindível que um “relacionamento comercial” seja mantido entre as
partes. Note-se que, no exemplo, o relacionamento envolverá pessoas com objetivos
opostos, uma objetiva comprar, enquanto a outra deseja vender. De tal relacionamento,

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várias questões podem surgir, tais como: marca e preço do produto, condições de
pagamento, prazo de entrega etc.

Na discussão para resolver tais questões, cada lado assumirá uma posição e
comportamentos próprios, dentro daquilo que acredita ser certo e justo para a situação.
Desse modo, os objetivos individuais só serão atingidos caso ambas às pessoas, não
obstante as posições opostas, cheguem a um ponto de entendimento comum. A situação
descrita no exemplo apresenta um caráter particular e requer decisões simples de serem
tomadas, repetindo-se diariamente no seio de qualquer sociedade. Já outras questões de
caráter coletivo requerem decisões mais complexas para sua solução. O principal desafio
dessas questões, notadamente das mais complexas, é encontrar o “ponto de
entendimento”, eliminando se possível ou, no mínimo, atenuando o conflito de interesses
que envolvem as pessoas em cada situação. Para que seja possível uma convivência
pacífica no âmbito de cada sociedade, da mesma forma que entre sociedades distintas,
faz-se necessário que cada pessoa individualmente, dentro das fronteiras delimitadas por
suas crenças e valores, assuma comportamentos tais que respeitem seus semelhantes,
naquilo que é de seu direito. De outra maneira, é necessário que os próprios agentes
contribuam para que se atinja aquele ponto de entendimento.

O homem em sociedade

Desde seu nascimento e ao longo de toda a existência, o homem vive em


sociedade; daí a afirmação axiomática de que “o homem é um animal social por
natureza”. Sem dúvida, viver em sociedade é inerente à condição humana, atributo das
várias sociedades que visa assegurar a sobrevivência e, portanto, a continuidade da
própria espécie. O termo sociedade pode ser definido de várias maneiras, sempre em
função do contexto no qual ele se encontra inserido. Tome-se a seguinte definição:
integração verificada entre duas ou mais pessoas, que somam esforços para que
determinado objetivo seja alcançado.

Ressalte-se que a integração entre pessoas só se torna possível a partir do momento em


que exista um relacionamento estabelecido entre as mesmas, ou seja, viver em sociedade
significa a manutenção de relacionamentos entre os membros que a compõem. Muitos e
de diversas naturezas são os relacionamentos estabelecidos no cotidiano pelo ser
humano. Partindo-se do relacionamento primário que ocorre envolvendo pais e filhos, é
possível atingir inúmeros outros que podem ocorrer na escola, no trabalho, na religião,
saúde, lazer etc.

Cada um desses relacionamentos tem uma razão particular para existir e, naturalmente,
busca os objetivos específicos. Podemos, então, olhar cada um deles como uma
sociedade em particular como, por exemplo:

• sociedade matrimonial;

• sociedade profissional;

• sociedade religiosa;

• sociedade de lazer;

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• sociedade de saúde;

• sociedade militar etc.

A quantidade de relacionamentos existentes entre os membros de determinada


sociedade, da mesma forma que entre várias outras, toma complexa a vida em comum.
Em princípio, essa complexidade reside no fato de uma mesma pessoa fazer parte de
várias sociedades, que podem buscar atingir objetivos opostos. É de se notar que a
participação de cada pessoa em determinada sociedade tanto pode acontecer por
escolha própria (como o torcedor para um time específico de futebol), como pode advir de
um fato relacionado à natureza (como as pessoas que formam determinada família), ou
ainda por uma imposição, normalmente de caráter legal (como o grupo formado pelos
soldados das Forças Armadas no Brasil).

Deve ser lembrado, ainda, que o fato de cada tipo de sociedade deva ter um
motivo específico para existir e objetivos próprios para perseguir não significa que as
sociedades existam independentemente umas das outras. Na verdade, existe um inter-
relacionamento direto e constante entre os diversos tipos de sociedade, ou seja, os
objetivos de cada uma delas para serem atingidos, na maior parte dos casos, dependem
do relacionamento que a sociedade mantém com as demais. Tome-se, por exemplo, uma
sociedade matrimonial. Normalmente, entre seus objetivos encontramos: criar os filhos
que gerar, proporcionando-lhes segurança, educação, saúde, lazer etc. Dificilmente,
qualquer desses objetivos será alcançado sem que aquela sociedade conte com a
existência de várias outras, tais como: empresas, polícia, escolas, clínicas médicas, etc.

Todos os tipos de sociedade até aqui citados podem ser vistos como
componentes de uma sociedade mais ampla, limitada por fronteiras geográficas, tais
como bairros, vilas, cidades, estados, países. Sociedades desse tipo têm seus próprios
objetivos, entre os quais se destaca a conservação da cultura, o bem estar de seus
habitantes, a manutenção de suas fronteiras etc. Todas essas sociedades estão
relacionadas entre si de alguma forma, inclusive no que diz respeito aos países. Com
base nessa visão ampliada, todos os homens, em primeiro plano, formam uma única
sociedade, a sociedade dos habitantes terrestres. A partir daí, são derivadas todas as
demais sociedades: os dos países, dos estados, das cidades, os integrantes das
profissões, das religiões etc.

Em resumo, a despeito de sua vontade, cada homem está obrigado a conviver


com os demais, e esta convivência transcende fronteiras entre as pessoas, isto porque,
para atender a seus anseios ao longo da vida, ou seja, para alcançar seus objetivos, cada
pessoa em particular, e a sociedade na qual ela convive, está obrigada a manter
relacionamentos com as demais. De forma geral, de tal fato depende a própria
sobrevivência da raça humana.

Ética e valores

Ao nascer, cada pessoa tem seu próprio “berço”, que lhe serve como primeiras
referências na vida e sobre a vida, e é representado pelo conjunto de condições que o
cercam, entre as quais encontramos: a família à qual pertence; a classe econômica da
qual faz parte aquela família; a raça da qual faz parte, a religião a que pertence; o país
onde nasceu (incluídas as diferenças de cultura, de leis) etc. Parte dessas condições

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iniciais seja por esforço individual, seja em virtude de fatos alheios à vontade das
pessoas, pode ser modificada ao longo da existência, enquanto outra parte lhes
acompanhará ao longo de toda sua vida. O que é importante notar é que essas condições
estarão influenciando as pessoas em todos os momentos. Adicionalmente às condições
que a cercam, cada pessoa recebe, desde cedo, um conjunto de informações a respeito
da vida, informações essas que tratam de assuntos relacionados à sociedade e que
abrangem, entre tantas outras, questões ligadas à “justiça social” entre os homens.

Nota-se que nos primeiros anos, como é natural, a pessoa não têm o
discernimento suficiente para entender de maneira completa as informações que lhes são
passadas, e por isso elas apenas aceitam aquele conjunto de informações. Com o passar
do tempo, essa situação de passividade se modifica e, à medida que as pessoas
continuam a receber informações, elas aprendem a analisá-las e aceitá-las, ou não. Como
é de se esperar, o comportamento das pessoas é fortemente influenciado pelas
condições que cada uma tem a seu redor, da mesma forma que pelas informações
adicionais que recebe pela vida afora. Tal fato ocorre em virtude de a visão de vida de
cada pessoa estar totalmente dirigida por aquelas condições e informações. Afirmar que
cada pessoa tem sua visão própria da vida significa dizer que elas atribuem valores
diferenciados para fatos ou coisas. De outro modo, significa que cada um tem sua própria
reação, seu próprio comportamento diante de um mesmo fato. O fato de pessoas distintas
apresentarem comportamentos distintos, diante de situações iguais, nem sempre implica
que exista uma parte “certa” e outra “errada”. Significa tão-somente que cada parte tem
sua visão própria da vida, isto em decorrência das condições que possui e das
informações que recebe.

Vale destacar que o comportamento das pessoas não é estável, em face das
modificações sofridas nas condições que acompanham cada pessoa durante a vida. Não
é imutável, também, em virtude da capacidade que cada uma tem de analisar e entender
as informações que lhes são passadas, caso em que pode modificar seus valores e
transformar seu comportamento. Uma visão clara da diferença entre os valores das
pessoas e, em conseqüência, dos comportamentos pode ser vista naquilo que diz
respeito ao atendimento de suas necessidades no dia a dia. É próprio do ser humano, e
até mesmo imperativo a sua sobrevivência, buscar satisfazer a uma série de
necessidades, tais como: alimentar-se, vestir-se, abrigar-se das ações da natureza,
divertir-se etc. Essas necessidades, ainda que inerentes a todos os seres humanos, têm
seu atendimento diretamente atrelado às condições que os cercam em cada fase da vida.
Na escala de valores de uma família de baixa renda, o valor atribuído às necessidades
básicas, certamente, encontra-se em patamar superior ao do valor atribuído às
necessidades menos imediatas, como o lazer. Esse quadro é diferente quando a escala
de valores é de uma família de alta renda, cujas necessidades básicas já estão, a priori,
totalmente atendidas. Como é natural, quanto maior o distanciamento verificado entre as
condições de vida das pessoas, certamente maior será a diferença no que se refere ao
conjunto de informações recebido de forma individual, da mesma forma que diferentes
serão as necessidades a que cada uma busca atender de maneira mais imediata, vale
dizer, maior será o distanciamento entre seus valores.

Determinadas sociedades, por exemplo, veneram alguns tipos de animais como se


deuses fossem. Para esse tipo de sociedade, é inconcebível o sacrifício de um animal da
espécie, fato esse que não tem nenhum significado em outras sociedades. Para o
primeiro tipo de sociedade, o valor atribuído ao animal e, com certeza, é superior ao valor
atribuído pelo segundo tipo de sociedade, que enxerga aquele animal tão-somente como
um simples animal e, às vezes, como fonte alternativa de alimento. Como pode ser

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percebido, a diferença verificada entre as pessoas e, conseqüentemente, entre as
sociedades são traduzidas por pensamentos e por comportamentos distintos, como regra
geral, estando diretamente associadas aos valores que cada um atribui às coisas e aos
fatos. Essas diferenças, como é de se esperar, provocam o aparecimento de conflitos no
meio da sociedade, uma vez que colocam frente a frente pessoas que buscam atingir
diariamente vários objetivos e que enxergam a vida através de seus próprios valores.

Problemas morais e éticos

Conforme visto, o fato de as pessoas fazerem parte de uma mesma sociedade não
implica que elas sejam iguais, isto é, que pensem da mesma forma, que acreditem nas
mesmas coisas, que individualmente busquem o mesmo objetivo, que desejem atender às
mesmas necessidades etc. De modo geral, cada pessoa carrega seus próprios valores e
suas próprias crenças. É natural, portanto, que, adicionalmente à constatação de que
cada sociedade tem seus interesses próprios, cada pessoa, de modo individual, tem seus
interesses particulares.

Considerando-se que cada pessoa apresenta suas próprias crenças e seus próprios
valores, buscando alcançar seus interesses particulares, a fim de ver supridas suas
necessidades, é fácil imaginar que ela tenha, da mesma forma, sua maneira própria de
comportar-se. A perseguição de objetivos diferentes por parte de pessoas que se
comportam de maneira desigual, isto é, a busca de interesses distintos, intra e inter
sociedades, conduz ao surgimento de conflitos de interesses, algumas vezes entre
indivíduos, outras entre o indivíduo e a sociedade, o que significa que em determinados
momentos as pessoas precisam decidir qual interesse atender em primeiro plano, qual
comportamento adotar diante de determinadas situações ou, de outro modo, decidir sobre
o que é justo, o que é certo, o que é errado, o que é bom, e o que é ruim.

Tais conflitos de interesses, envolvendo questões sobre o justo, o certo, o errado, o bom,
o ruim etc., em várias situações, em face do comportamento adotado pelas pessoas,
individualmente ou pelas sociedades como um todo, podem trazer como conseqüência
prejuízos capazes de atingir tanto quem assumiu o comportamento (tomou a decisão) em
defesa de seu próprio interesse, quanto quem teve seu interesse contrariado. Tome-se,
por exemplo, um aluno que procura “colar” de seu colega ao lado, durante um exame. De
tal situação, podemos destacar dois comportamentos distintos do aluno: o primeiro, que
diz respeito ao fato de o mesmo não se ter preparado adequadamente para o exame; o
segundo, que se refere ao ato de solicitar “cola” ao colega.

O primeiro comportamento, ainda que contrariando o objetivo do professor (preparar o


aluno), traz prejuízo tão-somente para o aluno que não busca uma preparação adequada.
Já o segundo comportamento, que contraria, da mesma forma, o objetivo do professor
(avaliar o grau de preparação do aluno), pode trazer prejuízo tanto para o aluno que
solicita a “cola”, como para o aluno que passa a mesma, desde que assim o faça. Numa
visão mais ampla, o comportamento do aluno que “cola” finda por prejudicar o objetivo da
própria escola, naquilo que diz respeito à preparação de pessoas para a sociedade, de
onde podemos concluir que a própria sociedade acaba prejudicada.

Da mesma forma que no exemplo acima comentado, o cotidiano nos apresenta muitas
situações nas quais, em virtude das decisões tomadas, dos comportamentos assumidos e

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dos interesses contrariados, prejuízos individuais ou coletivos são causados. A seguir são
destacadas mais algumas dessas situações:

· Carro que avança um sinal vermelho;

· Funcionário que aceita um suborno;

· Marginal que realiza um assalto;

· Divórcio de um casal;

· Briga entre torcidas de times;

· Proibição a pessoas de determinada raça ou cor de freqüentar um local;

Como se percebe, ainda que o ser humano seja obrigado a viver em sociedade, tal
convivência nem sempre é pacífica, sendo tão, mas difícil quanto maiores forem os
conflitos de interesses nela existentes. Vale lembrar que quanto maior for a distância
existente entre as condições de vida de cada segmento da sociedade, mais complexa se
torna à solução para tais conflitos.

A questão que se coloca é: o que é direito quando o interesse de determinada pessoa


contraria o de outra, isto é, o que é certo ou errado, bom ou ruim, justo ou injusto, para
todas as pessoas? Todos esses problemas, tão presentes em qualquer sociedade, e
relacionados com o comportamento das pessoas, podem ser apontados genericamente
como problemas ligados à Ética.

Sociedade e Ética

De acordo com o que foi afirmado, as pessoas são obrigadas a conviver em


sociedade, isso a despeito das diferenças de crenças e valores que cada uma atribui às
coisas e aos fatos da vida e, da mesma forma, independentemente dos conflitos de
interesses que tais diferenças venham a causar. Considerando-se que cada pessoa não
pode viver sem as demais, torna-se necessário que seus conflitos de interesses sejam
ultrapassados e que seja estabelecido um estilo de comportamento que, mesmo não
servindo a cada uma em particular, sirva a todos enquanto sociedade.

Entender os conflitos existentes entre as pessoas, buscando suas razões, como resultado
direto de suas crenças e valores, e com base nisto estabelecer tipos de comportamento
que permitam a convivência em sociedade, é o objetivo de estudo da Ética. Da mesma
forma que, para o homem, se toma necessária a convivência em sociedade para alcançar
seus objetivos particulares, para cada sociedade é imprescindível a presença da Ética,
sem a qual fica difícil sua própria sobrevivência. Desse modo, é de se esperar que a Ética
esteja na base de toda e qualquer norma que dite comportamentos a serem seguidos. Tal
regra torna-se tão mais significativa quanto maior for o número de participantes de
determinada sociedade.

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ÉTICA PROFISSIONAL

INTENÇÃO ÉTICA

A chave para encontrar, por conta própria, o comportamento ético, na profissão fora dela,
é se aprofundar na intenção de ser ético. A intenção sincera é a melhor ferramenta para
compreender, por conta própria, o comportamento ético em cada situação.

DESCOBRINDO NOSSA INTENÇÃO

Simule situações. Por exemplo, eu posso acreditar que não roubo porque sou honesto.
Mas e se não existisse nenhum risco? Pergunte-se: “e se eu não fosse preso, roubaria?”.
Isso permite descortinar se minha intenção é “ser honesto”, “não ser preso”, ou uma
mistura das duas.

Essa é uma pergunta pouco realista. Podemos tentar outras: “e se não existissem fiscais,
eu pagaria meus impostos?”, ou “e se meu empregador nunca controlasse minha
produtividade, eu trabalharia com a mesma eficiência?”. Se tirarmos os motivos externos
(o controle do fiscal ou do empregador) sobram somente motivos próprios. Então é mais
fácil identificar qual é nossa real intenção. Para a prática da Ética profissional é
necessário ter intenção interna, própria. Não é possível essa prática imposta por um
controle externo. Da mesma forma não podemos impor a Ética profissional a ninguém.

Na verdade, quando tentamos impor um comportamento ético estamos, na verdade,


colocando mais uma barreira no caminho do outro até esse comportamento. Estamos
tornando mais difícil, para o outro, manifestar a sua vontade própria (“impor” é justamente
“fazer a minha vontade prevalecer sobre a vontade do outro”) e enfraquecendo a vontade
própria do outro. Sem vontade própria ele não poderá ser ético, assim como o potencial
criminoso, que se contém por medo da polícia, não é honesto. Os instrumentos para a
divulgação da Ética profissional são outros: o bom exemplo, o esclarecimento, a
recomendação gentil.

A INTENÇÃO ÉTICA PROFISSIONAL

Consiste em querer exercer com competência uma atividade produtiva, tornando-a útil a
outras pessoas. Se você já vivenciou, na sua profissão, um momento de máximo
aproveitamento das suas habilidades profissionais, associado à forte percepção de estar
sendo útil a alguém, então você conhece a felicidade de exercer de forma ética uma
profissão. A intenção ética profissional é querer repetir essa experiência.

A sabedoria do profissional ético consiste em fortalecer bastante essa intenção, e mantê-


la forte; então harmonizar a realização dela com os demais aspectos da vida. Esse
profissional faz seu trabalho com energia e dedicação, mas não permite que a atividade
profissional prejudique sua dedicação à convivência familiar, seus estudos, ou sua saúde.
Ele também trabalha com muita generosidade, pois quer fundamentalmente ser útil aos
demais, mas obtém do trabalho todos os recursos que necessita para manter um nível de
vida digno. Em resumo, não permite que o trabalho “invada” outras áreas de sua vida.
Mas e quando aparece, por exemplo, um problema familiar grave? Para muitas pessoas o
aspecto familiar é mais importante do que o profissional.

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É bastante razoável que apareça, nesse caso, um reflexo do problema familiar na vida
profissional, mas será administrável. O profissional poderá reduzir um pouco as horas de
trabalho, para que cada uma delas possa continuar sendo tão produtiva quanto antes.
Pode pedir férias, ou se desligar temporariamente do trabalho. Pode renegociar suas
condições de trabalho, ou até trocar de emprego ou profissão. Nada disso o tornará
menos ético profissionalmente. No entanto, se ele decidir, por exemplo, assumir
compromissos na profissão e não cumprir, provavelmente acabará por piorar ainda mais a
gravidade do problema familiar!

E o dinheiro, como a vida financeira pode invadir a vida profissional, desequilibrando a


balança? É quando trocamos o trabalho útil pelo inútil para ter mais dinheiro. Ou quando
escolhemos não usar toda nossa habilidade profissional, também para conseguir mais
dinheiro. Existem inúmeras situações, nas mais diversas atividades profissionais, que se
enquadram nessa descrição, mesmo sem serem consideradas 'antiéticas'.

Se você já passou por experiências desse tipo, sabe que não são muito agradáveis.
Ficamos frustrados, sabendo que podíamos fazer melhor e não fizemos. Repetir esse tipo
de experiência pode provocar o total desencanto com a profissão. Quem já esteve nessa
situação conhece a tristeza do exercício não-ético da profissão. Agora podemos nos
lembrar dos dois tipos de experiências, do exercício ético e do não-ético da atividade
profissional. Se soubermos como nos sentimos em cada uma delas, se temos uma
memória, nítida ou não, de cada uma, então podemos fazer uma escolha consciente.
Essa escolha, como vimos no início, não pode ser imposta. Na verdade, uma vez feita
uma escolha, os motivadores externos contrários têm bem pouca influência sobre nós.
Nessa hora podemos apenas cuidar de manter nossas boas escolhas, e desejar boas
escolhas para os demais!

Resumo

Independentemente de sua vontade, o homem passa a integrar uma sociedade desde


seu nascimento e terá seu convívio ligado ao de seus semelhantes, através dos
relacionamentos que, obrigatoriamente, manterá ao longo de toda sua existência. Como
resposta às condições que lhe são oferecidas pela sociedade, cada pessoa constrói um
conjunto de crenças e valores que serve como sustentação do comportamento que adota
ao longo da vida, na busca dos objetivos que ela persegue.

Uma vez que, cada pessoa apresenta seu próprio conjunto de crenças e valores, com
comportamento e objetivos diferenciados, surgem conflitos nos relacionamentos
existentes no seio de cada sociedade. Tendo em vista que a convivência em sociedade
precisa ser mantida, torna-se necessário que o comportamento das pessoas permaneça
dentro de um nível aceito pelo conjunto da sociedade, a despeito do rol de crenças e
valores de cada pessoa individualmente. A Ética, enquanto ramo do conhecimento, tem
por objeto o comportamento humano no interior de cada sociedade. O estudo desse
comportamento, com o fim de estabelecer os níveis aceitáveis que garantam a
convivência pacífica dentro das sociedades e entre elas, constitui o objetivo da Ética.

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CÓDIGO DE CONDUTA DA ALTA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL

Art. 1o Fica instituído o Código de Conduta da Alta Administração Federal, com as seguintes
finalidades:

I - tornar claras as regras éticas de conduta das autoridades da alta Administração Pública Federal,
para que a sociedade possa aferir a integridade e a lisura do processo decisório governamental;

II - contribuir para o aperfeiçoamento dos padrões éticos da Administração Pública Federal, a partir
do exemplo dado pelas autoridades de nível hierárquico superior;

III - preservar a imagem e a reputação do administrador público, cuja conduta esteja de acordo com
as normas éticas estabelecidas neste Código;

IV - estabelecer regras básicas sobre conflitos de interesses públicos e privados e limitações às


atividades profissionais posteriores ao exercício de cargo público;

V - minimizar a possibilidade de conflito entre o interesse privado e o dever funcional das


autoridades públicas da Administração Pública Federal;

VI - criar mecanismo de consulta, destinado a possibilitar o prévio e pronto esclarecimento de


dúvidas quanto à conduta ética do administrador.

Art. 2o As normas deste Código aplicam-se às seguintes autoridades públicas:

I - Ministros e Secretários de Estado;

II - titulares de cargos de natureza especial, secretários-executivos, secretários ou autoridades


equivalentes ocupantes de cargo do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS, nível seis;

III - presidentes e diretores de agências nacionais, autarquias, inclusive as especiais, fundações


mantidas pelo Poder Público, empresas públicas e sociedades de economia mista.

Art. 3o No exercício de suas funções, as autoridades públicas deverão pautar-se pelos padrões da
ética, sobretudo no que diz respeito à integridade, à moralidade, à clareza de posições e ao decoro,
com vistas a motivar o respeito e a confiança do público em geral.

Parágrafo único. Os padrões éticos de que trata este artigo são exigidos da autoridade pública na
relação entre suas atividades públicas e privadas, de modo a prevenir eventuais conflitos de
interesses.

Art. 4o Além da declaração de bens e rendas de que trata a Lei no 8.730, de 10 de novembro de
1993, a autoridade pública, no prazo de dez dias contados de sua posse, enviará à Comissão de
Ética Pública - CEP, criada pelo Decreto de 26 de maio de 1999, publicado no Diário Oficial da
União do dia 27 subseqüente, na forma por ela estabelecida, informações sobre sua situação
patrimonial que, real ou potencialmente, possa suscitar conflito com o interesse público, indicando o
modo pelo qual irá evitá-lo.

Art. 5o As alterações relevantes no patrimônio da autoridade pública deverão ser imediatamente


comunicadas à CEP, especialmente quando se tratar de:

I - atos de gestão patrimonial que envolvam:

a) transferência de bens a cônjuge, ascendente, descendente ou parente na linha colateral;

b) aquisição, direta ou indireta, do controle de empresa; ou


c) outras alterações significativas ou relevantes no valor ou na natureza do patrimônio;

II - atos de gestão de bens, cujo valor possa ser substancialmente alterado por decisão ou política
governamental. (Redação dada pela Exm nº 360, de 17.9.2001)

§ 1o É vedado o investimento em bens cujo valor ou cotação possa ser afetado por decisão ou
política governamental a respeito da qual a autoridade pública tenha informações privilegiadas, em
razão do cargo ou função, inclusive investimentos de renda variável ou em commodities, contratos
futuros e moedas para fim especulativo, excetuadas aplicações em modalidades de investimento
que a CEP venha a especificar. (Redação dada pela Exm nº 360, de 17.9.2001)

§ 2o Em caso de dúvida, a CEP poderá solicitar informações adicionais e esclarecimentos sobre


alterações patrimoniais a ela comunicadas pela autoridade pública ou que, por qualquer outro meio,
cheguem ao seu conhecimento. (Redação dada pela Exm nº 360, de 17.9.2001)

§ 3o A autoridade pública poderá consultar previamente a CEP a respeito de ato específico de


gestão de bens que pretenda realizar. (Parágrafo incluído pela Exm nº 360, de 17.9.2001)

§ 4o A fim de preservar o caráter sigiloso das informações pertinentes à situação patrimonial da


autoridade pública, as comunicações e consultas, após serem conferidas e respondidas, serão
acondicionadas em envelope lacrado, que somente poderá ser aberto por determinação da
Comissão. (Parágrafo incluído pela Exm nº 360, de 17.9.2001)

Art. 6o A autoridade pública que mantiver participação superior a cinco por cento do capital de
sociedade de economia mista, de instituição financeira, ou de empresa que negocie com o Poder
Público, tornará público este fato.

Art. 7o A autoridade pública não poderá receber salário ou qualquer outra remuneração de fonte
privada em desacordo com a lei, nem receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores de
particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou
honorabilidade.

Parágrafo único. É permitida a participação em seminários, congressos e eventos semelhantes,


desde que tornada pública eventual remuneração, bem como o pagamento das despesas de viagem
pelo promotor do evento, o qual não poderá ter interesse em decisão a ser tomada pela autoridade.

Art. 8o É permitido à autoridade pública o exercício não remunerado de encargo de mandatário,


desde que não implique a prática de atos de comércio ou quaisquer outros incompatíveis com o
exercício do seu cargo ou função, nos termos da lei.

Art. 9o É vedada à autoridade pública a aceitação de presentes, salvo de autoridades estrangeiras


nos casos protocolares em que houver reciprocidade.

Parágrafo único. Não se consideram presentes para os fins deste artigo os brindes que:

I - não tenham valor comercial; ou

II - distribuídos por entidades de qualquer natureza a título de cortesia, propaganda, divulgação


habitual ou por ocasião de eventos especiais ou datas comemorativas, não ultrapassem o valor de
R$ 100,00 (cem reais).

Art. 10. No relacionamento com outros órgãos e funcionários da Administração, a autoridade pública
deverá esclarecer a existência de eventual conflito de interesses, bem como comunicar qualquer
circunstância ou fato impeditivo de sua participação em decisão coletiva ou em órgão colegiado.

Art. 11. As divergências entre autoridades públicas serão resolvidas internamente, mediante
coordenação administrativa, não lhes cabendo manifestar-se publicamente sobre matéria que não
seja afeta a sua área de competência.

Art. 12. É vedado à autoridade pública opinar publicamente a respeito:

I - da honorabilidade e do desempenho funcional de outra autoridade pública federal; e

II - do mérito de questão que lhe será submetida, para decisão individual ou em órgão colegiado.

Art. 13. As propostas de trabalho ou de negócio futuro no setor privado, bem como qualquer
negociação que envolva conflito de interesses, deverão ser imediatamente informadas pela
autoridade pública à CEP, independentemente da sua aceitação ou rejeição.

Art. 14. Após deixar o cargo, a autoridade pública não poderá:

I - atuar em benefício ou em nome de pessoa física ou jurídica, inclusive sindicato ou associação de


classe, em processo ou negócio do qual tenha participado, em razão do cargo;

II - prestar consultoria a pessoa física ou jurídica, inclusive sindicato ou associação de classe,


valendo-se de informações não divulgadas publicamente a respeito de programas ou políticas do
órgão ou da entidade da Administração Pública Federal a que esteve vinculado ou com que tenha
tido relacionamento direto e relevante nos seis meses anteriores ao término do exercício de função
p ú b l i c a .

Art. 15. Na ausência de lei dispondo sobre prazo diverso, será de quatro meses, contados da
exoneração, o período de interdição para atividade incompatível com o cargo anteriormente
exercido, obrigando-se a autoridade pública a observar, neste prazo, as seguintes regras:

I - não aceitar cargo de administrador ou conselheiro, ou estabelecer vínculo profissional com


pessoa física ou jurídica com a qual tenha mantido relacionamento oficial direto e relevante nos seis
meses anteriores à exoneração;

II - não intervir, em benefício ou em nome de pessoa física ou jurídica, junto a órgão ou entidade da
Administração Pública Federal com que tenha tido relacionamento oficial direto e relevante nos seis
meses anteriores à exoneração.

Art. 16. Para facilitar o cumprimento das normas previstas neste Código, a CEP informará à
autoridade pública as obrigações decorrentes da aceitação de trabalho no setor privado após o seu
desligamento do cargo ou função.

Art. 17. A violação das normas estipuladas neste Código acarretará, conforme sua gravidade, as
seguintes providências:

I - advertência, aplicável às autoridades no exercício do cargo;

II - censura ética, aplicável às autoridades que já tiverem deixado o cargo.

Parágrafo único. As sanções previstas neste artigo serão aplicadas pela CEP, que, conforme o caso,
poderá encaminhar sugestão de demissão à autoridade hierarquicamente superior.

Art. 18. O processo de apuração de prática de ato em desrespeito ao preceituado neste Código será
instaurado pela CEP, de ofício ou em razão de denúncia fundamentada, desde que haja indícios
suficientes.

§ 1o A autoridade pública será oficiada para manifestar-se no prazo de cinco dias.

§ 2o O eventual denunciante, a própria autoridade pública, bem assim a CEP, de ofício, poderão
produzir prova documental.

§ 3o A CEP poderá promover as diligências que considerar necessárias, bem assim solicitar parecer
de especialista quando julgar imprescindível.

§ 4o Concluídas as diligências mencionadas no parágrafo anterior, a CEP oficiará a autoridade


pública para nova manifestação, no prazo de três dias.

§ 5o Se a CEP concluir pela procedência da denúncia, adotará uma das penalidades previstas no
artigo anterior, com comunicação ao denunciado e ao seu superior hierárquico.

Art. 19. A CEP, se entender necessário, poderá fazer recomendações ou sugerir ao Presidente da
República normas complementares, interpretativas e orientadoras das disposições deste Código,
bem assim responderá às consultas formuladas por autoridades públicas sobre situações
específicas.
ÉTICA NO SERVIÇO PÚLICO

Discorrer sobre o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil


do Poder Executivo Federal é o objetivo do presente artigo.

O Decreto n° 1.171, de 22 de junho de 1994, aprovou esse código.

Vamos iniciar a nossa exposição técnico-informativa falando sobre


alguns aspectos do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil
Federal. As Regras Deontológicas, presentes no Capítulo I, desse
ordenamento cita que a dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência
dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor
público federal. O inciso II traz a seguinte regra: O servidor público não
poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, não
terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o
conveniente e o inconveniente, o oportuno, mas principalmente entre o
honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e
§ 4°, da Constituição Federal.

A moralidade da Administração Pública é clareada, no inciso III do


Código Ética Funcional, quando relata que aquela não deve se limitar somente
com a distinção ente o bem e o mal. O fim almejado deve ser sempre o bem
comum. O agente público tem o dever de buscar o equilíbrio entre a legalidade
e a finalidade na tentativa de proporcionar a consolidação da moralidade do ato
administrativo praticado.

Entre os deveres do servidor público federal (inciso XIV, c) tem-se que o


mesmo deve ser probo, reto, leal e justo.

O inciso XIV, d, menciona que o agente deve ter a consciência que seu
trabalho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada
prestação dos serviços públicos.

Outro dever fundamental do servidor público é resistir a todas as


pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, interessados e outros
que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em
decorrência de ações imorais, ilegais ou aéticas e denunciá-las.

Esse código estabelece, também, algumas vedações, presentes na


Seção III, inciso XV, que devem ser observadas pelos servidores públicos
federais. Destacamos algumas condutas proibidas, quais sejam:

a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e


influências, para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem;

d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de


direito por qualquer pessoa, causando-lhe dano moral ou material;

g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda


financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de qualquer
espécie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua
missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim;

j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular;

m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de


seu serviço, em beneficio próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros;

p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a


empreendimentos de cunho duvidoso.

No Capítulo II está prevista a criação de uma Comissão de Ética,


encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional do servidor
público, no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público,
competindo-lhe conhecer concretamente de imputação ou de procedimento
susceptível de censura.

O código serve para estimular o comportamento ético do servidor


público, já que o mesmo é de livre adesão.

É de bom alvitre se mencionar que esse código não foi instituído por lei
em sentido estrito. Assim o descumprimento desse código não acarreta
nenhuma responsabilidade administrativa do agente público que violar os seus
preceitos. A penalidade prevista nele é a de censura. Por outro lado, o código
serve para estimular o comportamento ético do servidor público, já que o
mesmo é de livre adesão. Urge que se divulgue, amplamente, os deveres e as
vedações previstas através de um trabalho de cunho educativo com os agentes
públicos federais.

Aliás, como membro de órgão correcional, sempre defendi e continuarei


defendendo com energia e entusiasmo a tese da prevenção antes da punição
disciplinar. Acredito na orientação pedagógica como ferramenta indispensável
para estabelecer normas que impeçam a proliferação de procedimentos
disciplinares. Porém, mesmo sabendo que a abertura de um processo
administrativo disciplinar, que recepciona os princípios constitucionais do
contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal (due process of
law), deve trazer o sucesso da apuração efetiva dos faltosos, não vejo com
bons olhos a defesa de que o trabalho de “apagar incêndio” possibilita a
presença, a um só tempo, da ação correicional repressiva para os acusados e
preventiva para os demais servidores públicos.

Por outro lado, mesmo tendo ciência de que os servidores federais, em


sua esmagadora maioria, foram recrutados através de concurso de elevado
nível, perfeitamente conscientes, pois, das normas disciplinares estatuídas nos
artigos 116 e 117, da Lei n.º 8.112, de 11 de dezembro de 1990, ratifico o
pensamento da reciclagem constante de todos na área disciplinar.
INSATISFAÇÃO COM A CONDUTA ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO

A insatisfação com a conduta ética no serviço público é um fato que vem


sendo constantemente criticado pela sociedade brasileira. De modo geral, o
país enfrenta o descrédito da opinião pública a respeito do comportamento dos
administradores públicos e da classe política em todas as suas esferas:
municipal, estadual e federal. A partir desse cenário, é natural que a
expectativa da sociedade seja mais exigente com a conduta daqueles que
desempenham atividades no serviço e na gestão de bens públicos.

Para discorrer sobre o tema, é importante conceituar moral, moralidade


e ética. A moral pode ser entendida como o conjunto de regras consideradas
válidas, de modo absoluto, para qualquer tempo ou lugar, grupo ou pessoa
determinada, ou, ainda, como a ciência dos costumes, a qual difere de país
para país, sendo que, em nenhum lugar, permanece a mesma por muito
tempo. Portanto, observa-se que a moral é mutável, variando de acordo com o
desenvolvimento de cada sociedade. Em conseqüência, deste conceito,
surgiria outro: o da moralidade, como a qualidade do que é moral. A ética, no
entanto, representaria uma abordagem sobre as constantes morais, aquele
conjunto de valores e costumes mais ou menos permanente no tempo e
uniforme no espaço. A ética é a ciência da moral ou aquela que estuda o
comportamento dos homens na sociedade.

A falta de ética, tão criticada pela sociedade, na condução do serviço


público por administradores e políticos, generaliza a todos, colocando-os no
mesmo patamar, além de constituir-se em uma visão imediatista.

É certo que a crítica que a sociedade tem feito ao serviço público, seja
ela por causa das longas filas ou da morosidade no andamento de processos,
muitas vezes tem fundamento. Também, com referência ao gerenciamento dos
recursos financeiros, têm-se notícia, em todas as esferas de governo, de
denúncias sobre desvio de verbas públicas, envolvendo administradores
públicos e políticos em geral.
A questão deveria ser conduzida com muita seriedade, porque desfazer
a imagem negativa do padrão ético do serviço público brasileiro é tarefa das
mais difíceis.

Refletindo sobre a questão, acredita-se que um alternativa, para o


governo, poderia ser a oferta à sociedade de ações educativas de boa
qualidade, nas quais os indivíduos pudessem ter, desde o início da sua
formação, valores arraigados e trilhados na moralidade. Dessa forma, seriam
garantidos aos mesmos, comportamentos mais duradouros e interiorização de
princípios éticos.

Outros caminhos seriam a repreensão e a repressão, e nesse ponto há


de se levar em consideração as leis punitivas e os diversos códigos de ética de
categorias profissionais e de servidores públicos, os quais trazem severas
penalidades aos maus administradores.

As leis, além de normatizarem determinado assunto, trazem, em seu


conteúdo, penalidades de advertência, suspensão e reclusão do servidor
público que infringir dispositivos previstos na legislação vigente. Uma das mais
comentadas na atualidade é a Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece
normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal.

Já os códigos de ética trazem, em seu conteúdo, o conjunto de normas a


serem seguidas e as penalidades aplicáveis no caso do não cumprimento das
mesmas. Normalmente, os códigos lembram aos funcionários que estes devem
agir com dignidade, decoro, zelo e eficácia, para preservar a honra do serviço
público. Enfatizam que é dever do servidor ser cortês, atencioso, respeitoso
com os usuários do serviço público. Também, é dever do servidor ser rápido,
assíduo, leal, correto e justo, escolhendo sempre aquela opção que beneficie o
maior número de pessoas. Os códigos discorrem, ainda, sobre as obrigações,
regras, cuidados e cautelas que devem ser observadas para cumprimento do
objetivo maior que é o bem comum, prestando serviço público de qualidade à
população. Afinal, esta última é quem alimenta a máquina governamental dos
recursos financeiros necessários à prestação dos serviços públicos, através do
pagamento dos tributos previstos na legislação brasileira – ressalta-se, aqui, a
grande carga tributária imposta aos contribuintes brasileiros. Também, destaca-
se nos códigos que a função do servidor deve ser exercida com transparência,
competência, seriedade e compromisso com o bem estar da coletividade.

Os códigos não deixam dúvidas quanto às questões que envolvem


interesses particulares, as quais, jamais, devem ser priorizadas em detrimento
daquelas de interesses públicos, ainda mais se forem caracterizadas como
situações ilícitas. Dentre as proibições elencadas, tem-se o uso do cargo para
obter favores, receber presentes, prejudicar alguém através de perseguições
por qualquer que seja o motivo, a utilização de informações sigilosas em
proveito próprio e a rasura e alteração de documentos e processos. Todas elas
evocam os princípios fundamentais da administração pública: legalidade,
impessoalidade, publicidade e moralidade – este último princípio intimamente
ligado à ética no serviço público. Além desses, também se podem destacar os
princípios da igualdade e da probidade.

Criada pelo Presidente da República em maio de 2000, a Comissão de


Ética Pública entende que o aperfeiçoamento da conduta ética decorreria da
explicitação de regras claras de comportamento e do desenvolvimento de uma
estratégia específica para a sua implementação. Na formulação dessa
estratégia, a Comissão considera que é imprescindível levar em conta, como
pressuposto, que a base do funcionalismo é estruturalmente sólida, pois deriva
de valores tradicionais da classe média, onde ele é recrutado. Portanto,
qualquer iniciativa que parta do diagnóstico de que se está diante de um
problema endêmico de corrupção generalizada será inevitavelmente
equivocada, injusta e contraproducente, pois alienaria o funcionalismo do
esforço de aperfeiçoamento que a sociedade está a exigir. Afinal, não se
poderia responsabilizar nem cobrar algo de alguém que sequer teve a
oportunidade de conhecê-lo.

Do ponto de vista da Comissão de Ética Pública, a repressão, na prática,


é quase sempre ineficaz. O ideal seria a prevenção, através de identificação e
de tratamento específico, das áreas da administração pública em que
ocorressem, com maior freqüência, condutas incompatíveis com o padrão ético
almejado para o serviço público. Essa é uma tarefa complicada, que deveria
ser iniciada pelo nível mais alto da administração, aqueles que detém poder
decisório.

A Comissão defende que o administrador público deva ter Código de


Conduta de linguagem simples e acessível, evitando termos jurídicos
excessivamente técnicos, que norteie o seu comportamento enquanto
permanecer no cargo e o proteja de acusações infundadas. E vai mais longe ao
defender que, na ausência de regras claras e práticas de conduta, corre-se o
risco de inibir o cidadão honesto de aceitar cargo público de relevo. Além disso,
afirma ser necessária a criação de mecanismo ágil de formulação dessas
regras, assim como de sua difusão e fiscalização. Deveria existir uma instância
à qual os administradores públicos pudessem recorrer em caso de dúvida e de
apuração de transgressões, que seria, no caso, a Comissão de Ética Pública,
como órgão de consulta da Presidência da República.

Diante dessas reflexões, a ética deveria ser considerada como um


caminho no qual os indivíduos tivessem condições de escolha livre e, nesse
particular, é de grande importância a formação e as informações recebidas por
cada cidadão ao longo da vida.

A moralidade administrativa constitui-se, atualmente, num pressuposto


de validade de todo ato da administração pública. A moral administrativa é
imposta ao agente público para sua conduta interna, segundo as exigências da
instituição a que serve, e a finalidade de sua ação: o bem comum. O
administrador público, ao atuar, não poderia desprezar o elemento ético de sua
conduta.

A ética tem sido um dos mais trabalhados temas da atualidade, porque


se vem exigindo valores morais em todas as instâncias da sociedade, sejam
elas políticas, científicas ou econômicas.

É a preocupação da sociedade em delimitar legal e ilegal, moral e


imoral, justo e injusto. Desse conflito é que se ergue a ética, tão discutida pelos
filósofos de toda a história mundial.
ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL

A prática da ética nas organizações vem se caracterizando por

manifestações concretas, dentre as quais destacamos:

Filosofia Empresarial - clara conceituação de missão, princípios e orientações.


Comitê de Ética - grupo definidor e de controle de políticas e estratégias.
Credos - divulgação das crenças institucionais para funcionários e clientes.
Códigos - coletânea de preceitos sobre comportamentos.
Ombudsman - ouvidores ao alcance dos clientes para atenderem aos seus reclamos .
Auditorias Éticas - avaliações periódicas sobre condutas empresariais.
Linhas Diretas - circuito aberto à críticas, reclamações e sugestões.
Programas Educacionais - aproximação da empresa com seus públicos através de iniciativas
que eduquem.
Balanço Social - divulgação dos investimentos da empresa em benefício do público interno e
da comunidade.

Para que essas práticas tenham um sentido verdadeiramente ético e co-


responsabilizador é vital que se apóiem na atitude dos dirigentes. Se as
lideranças não confirmarem a lógica da atitude, a lógica formal não garante a
necessária credibilidade.

Ser ético, como atitude na gestão, significa, em essência: reconhecer


necessidades, reconhecer o desempenho funcional, propiciar participação nos
resultados, estimular o compromisso social e favorecer a educação continuada.

Ser ético no comportamento de gestor significa: dar a informação


relevante, avaliar e fornecer feedback, abrir espaço à contribuição
criativa, institucionalizar canais de comunicação, delegar, delegar e
delegar (pois além de instrumento eficaz de gestão, implica dignificação
do homem, pelo poder decisório), comemorar o sucesso e recompensar.

Tais práticas irão transformar a ambiência de trabalho numa cultura


ética, na qual se realiza a comunidade vivencial de aprendizagem, em que
todos realizam função educativa, num intercâmbio enriquecedor em que a
solidariedade torna-se valor espontâneo. Aí há equipe, pois exercita-se a
liderança integrada.
Os desafios da era tecnológica exigem essa postura de liderança: todos
são potencialmente líderes, a serem motivados ao aprendizado contínuo.

Só assim a empresa responderá com eficácia aos múltiplos


compromissos que fazem de cada empregado um agente vivo da organização.
Qualquer empregado, ao decidir, está comprometendo a empresa como um
todo. Caso não tenha consciência ética, está agravando o conceito
empresarial. E pondo a perder conquistas importantes.

A ética na era tecnológica é a estratégia para tolher males que vêm


minando as organizações, como:

Robotização social - a tecnologia condicionando o comportamento


humano.

Sociedade estressada - pela velocidade acachapante, é exigido esforço


redobrado para acompanhar as exigências de rapidez nas decisões.

Desemprego e violência - o ganho obsessivo como meta sacrifica


valores humanos e gera o comportamento violento.

Empresa infeliz - o ambiente de insegurança e injustiças induz à


competição predatória e à cultura egocêntrica.

Infelicidade social - o caos reinante, quando falta a consciência ética,


enfraquece o espírito.

Tais indicadores negativos mostram a importância vital das empresas


investirem em seu conceito público, através de manifestações concretas de
responsabilidade social.

Responsabilidade Social/ Voluntariado

A Responsabilidade Social é uma exigência básica à atitude e ao


comportamento ético, através de práticas que demonstrem que a empresa
possui uma alma, cuja preservação implica solidariedade e compromisso
social.
A imagem institucional é um bem que significa para a empresa a
aceitação pública de sua atuação e propostas. São seus ativos intangíveis, a
força que garante sua perpetuidade.

Uma das linhas de ação empresariais mais significativas, nesse sentido,


vem sendo o Voluntariado, ou seja, a disposição dos empregados em se
disponibilizarem à acões solidárias de assistência.

Vem crescendo o apoio efetivo das empresas ao engajamento de suas


equipes em projetos e obras sociais. Isso é excelente, mas requer organização
para que não se percam esforços e motivações.

Recomendamos, para tanto, a formação de Clubes de Cidadania nas


Empresas.

O Clube de Cidadania consiste em criar uma espécie de " ong interna"-


grupo que se organiza para o esforço integrado e coordenador das ações
sociais. O Clube do Cidadão, preservado em sua autonomia, deve ser
estimulado e apoiado pela empresa.

Cabe ao Clube de Cidadania:


Estabelecer estratégias e programações sociais na empresa
Promover Campanhas Motivacionais ao Voluntariado
Cadastrar as adesões, planejar ações e as escalas de atendimento
Selecionar as obras sociais
Debater idéias, buscar soluções criativas
Avaliar resultados
Treinar voluntários

O Clube de Cidadania é um esforço concentrado e uma inteligente


estratégia de criação do espírito solidário na empresa, que certamente
influenciará concretamente no trabalho empresarial, em reforço ao sentido de
equipe e a produtividade.
CONFLITOS DE INTERESSES

Existe quando à intensidade do interesse de uma pessoa por


determinado bem se opõe a intensidade do interesse de outra pessoa pelo
mesmo bem, donde a atitude de uma tendente à exclusão da outra quanto a
este.

Também podemos dizer que o conflito de interesse existe sempre que


dois ou mais indivíduos compartilham recursos escassos; ou quando há
divergência no mundo das idéias, devido às diferentes formações morais de
cada um. Existência de interesses dirigidas ao mesmo objeto, sem que os
sujeitos chegam a um consenso sobre eles.

O conflito de interesses pode ocorrer entre um profissional e uma


instituição com a qual se relaciona ou entre um profissional e outra pessoa. Em
diversas áreas, área da saúde por exemplo, os interesses de um profissional
ou de seu paciente podem não ser coincidentes, assim como entre um
professor e seu aluno, ou ainda, entre um pesquisador e o sujeito da pesquisa.
Quanto melhor for o vínculo entre os indivíduos que estão se relacionando,
maior o conhecimento de suas expectativas e valores. Esta interação pode
reduzir a possibilidade de ocorrência de um conflito de interesses.

Inúmeros exemplos de conflito de interesse podem ser citados nas áreas


de ensino, assistência e pesquisa. Uma situação bastante simples, que pode
servir de exemplo para a identificação destas possibilidades, é a internação de
pacientes em um hospital universitário. O interesse primário do paciente é ser
adequadamente atendido. Os profissionais responsáveis pelo seu atendimento,
desempenham um duplo papel: assistencial e educativo. O interesse primário
dos profissionais é atender adequadamente estes pacientes. Nesta situação
ocorre uma plena convergência dos interesses dos profissionais e pacientes. O
conflito pode surgir quando o interesse secundário dos professores e alunos,
que é o aprendizado que esta situação pode possibilitar, assume o caráter
prioritário. Uma possibilidade é a de manter o paciente internado em uma
unidade de internação, mesmo quando já tenha condições de ter alta, com a
finalidade de expor o caso para um maior número de alunos. Esta situação,
também configura um conflito de interesse entre o profissional e a instituição
hospitalar, devido o aumento de custos decorrente desta prática.

VOCABULOS

Ética: (ethos) disciplina filosófica que estuda o valor das condutas humanas, seus
motivos e finalidades. Reflexão sobre os valores e justificativas morais, aquilo que
se considera o bem. Análise da capacidade humana de escolher, ser livre e
responsável por sua conduta entre os demais. Para alguns autores, o mesmo que
moral.

Antiético: contra uma ética estabelecida ou contra a idéia (da ética) de estabelecer
o que devemos fazer ou quem queremos ser levando os outros em consideração.
Muitas vezes, o antiético tem idéias éticas próprias.

Aético: sem ética, mas não contra uma ou outra ética.

Moral: (mores) conjunto dos costumes, hábitos, valores (fins) e


procedimentos(meios) que regem as relações humanas, considerados válidos e
apreciados, individual e coletivamente. Embora possam variar entre grupos e ao
longo da história, tendem a ser considerados absolutos. Podem ser justificados pelo
costume, pela natureza, pela educação, pela sociedade, pela religião. Pode ser
considerado o mesmo que ética, com a diferença de que a ética acrescenta a
reflexão e o estudo continuado sobre aquilo que se faz ou o que se deveria fazer,
pensa sobre o bem e o mal, a felicidade, o prazer, a compaixão, a solidariedade e
outros valores.

Imoral: contra uma moral ou a idéia moral vigente. Muitas vezes, o indivíduo que
questiona uma ética dominante tem idéias morais próprias ou diferentes.

Amoral: sem moral (aquém ou além dela), mas não contra uma ou outra moral.

Deontologia: estudo dos códigos de condutas considerados válidos entre grupos e


classes (profissionais) de pessoas.

Legal: aquilo que está conforme a lei civil de um estado nacional.

Ilegal: aquilo que contraria a lei civil de um estado nacional.

Autonomia: auto (próprio ) nomos (lei humana ). Literalmente, do grego, fazer a


própria lei, seguir a lei feita por si mesmo. Na antiga Grécia, esta era a prerrogativa
dos homens livres, cidadãos, que faziam as leis da cidade onde viviam e conviviam
entre outros iguais. Autonomia é um princípio de liberdade civil, mas também
significava, como hoje em dia, aquela capacidade de responder por si mesmo,
prover-se economicamente e ser emancipado.

Heteronomia: hetero (outro) nomos (lei humana) O contrário de autonomia, o


termo significava na Antigüidade grega aquele que segue a lei feita por outro, o que
se aplicava aos homens que não eram livres, como os escravos, os prisioneiros de
guerra, as crianças menores de idade. Além de indicar um princípio de exclusão ou
submissão civil arbitrária, também se refere a uma exclusão ou submissão
econômica e moral, a incapacidade de prover-se e de responder por si mesmo. Não
emancipado.

Cidadania: (polis, civitas, cidade) A cidadania se refere às relações entre os


cidadãos, aqueles que pertencem a uma cidade, por meio dos procedimentos e leis
acordados entre eles. Da nossa herança grega e latina, traz o sentido de
pertencimento à uma comunidade organizada igualitariamente, regida pelo direito,
baseada na liberdade, participação e valorização individual de cada um em um em
uma esfera pública (não privada, como a família), mas este é um sentido que
sofreu mutações históricas. Um dos sentidos atuais da cidadania de massa, em
Estados que congregam muitas diversidades culturais é o esforço por participar e
usufruir dos direitos pensados pelos representantes de um Estado para seus
virtuais cidadãos; é vir a ser, de fato, e não apenas de direito, um cidadão. Os
valores da cidadania são políticos: igualdade, eqüidade, justiça., bem comum.

Trabalho: (ergon, tripalium, lavoro, labor, serviço) Atividade que produz riqueza
econômica e articulação social entre as pessoas, embora possa não ser remunerado
(voluntário ou escravo). Remunerado, pode não corresponder ao esforço
empreendido; assalariado, gera mais-valia para quem detém os meios de
produção. Não confundir trabalho com emprego, que é o trabalho remunerado e
reconhecido socialmente. Trabalhar significa aprender a fazer e saber fazer alguma
coisa que transforma a realidade e a própria pessoa que trabalha. Do mais simples
ao mais complexo trabalho, pelo corpo humano (mãos, braços, voz, olhos, ouvidos,
cérebro...) criamos o
mundo à nossa volta e participamos, conscientes ou não, de um movimento social
que tanto conserva e regenera quanto muda a realidade. Ainda que não se
compreenda bem o que se faz, o trabalho pode revelar o que somos capazes de
fazer, para o bem ou para o mal. Os valores do trabalho são instrumentais,
técnicos: competência, eficiência, eficácia.
LEGISLAÇÃO ÉTICA DOS SERVIDORES PUBLICOS EM GERAL

VII – código de ética (DECRETO Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994)

Aprova o Código de Ética Profissional do


Servidor Público Civil do Poder Executivo
Federal.

0 PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o


art. 84, incisos IV e VI, e ainda tendo em vista o disposto no art. 37 da
Constituição, bem como nos arts. 116 e 117 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de
1990, e nos arts. 10, 11 e 12 da Lei n° 8.429, de 2 de junho de 1992,

DECRETA:

Art. 1° Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil


do Poder Executivo Federal, que com este baixa.

Art. 2° Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e


indireta implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena
vigência do Código de Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva
Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo
efetivo ou emprego permanente.

Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética será comunicada à


Secretaria da Administração Federal da Presidência da República, com a indicação
dos respectivos membros titulares e suplentes.

Art. 3° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 22 de junho de 1994, 173° da Independência e 106° da República.

ITAMAR FRANCO

Romildo Canhim

ANEXO

Código de Ética Profissional do


Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal

CAPÍTULO I

Seção I
Das Regras Deontológicas

I – A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios


morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no
exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação
do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados
para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos.

II – O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua


conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o
injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas
principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art.
37, caput. E § 4°, da Constituição Federal.

III – A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o


bem e o mal, devendo ser acrescida da idéia de que o fim é sempre o bem comum.
O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que
poderá consolidar a moralidade do ato administrativo.

IV- A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta


ou indiretamente por todos, até por ele próprio, e por isso se exige, como
contrapartida, que a moralidade administrativa se integre no Direito, como
elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade, erigindo-se, como
conseqüência, em fator de legalidade.

V – O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve


ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão,
integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu
maior patrimônio.

VI – A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se


integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos
verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou
diminuir o seu bom conceito na vida funcional.

VII – Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou


interesse superior do Estado e da Administração Pública, a serem preservados em
processo previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de
qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando
sua omissão comprometimento ético contra o bem comum, imputável a quem a
negar.

VIII – Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou
falseá-la, ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da
Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder
corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre aniquilam até
mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação.

IX – A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço


público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga
seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da mesma
forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público,
deteriorando-o, por descuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao
equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa
vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas esperanças e seus
esforços para construí-los.

X – Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que


compete ao setor em que exerça suas funções, permitindo a formação de longas
filas, ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço, não caracteriza
apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas principalmente grave
dano moral aos usuários dos serviços públicos.

XI – 0 servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus


superiores, velando atentamente por seu cumprimento, e, assim, evitando a
conduta negligente. Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios tornam-
se, às vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no
desempenho da função pública.

XII – Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator


de desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à desordem nas
relações humanas.

XIII – 0 servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional,


respeitando seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode receber
colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento
e o engrandecimento da Nação.

Seção II
Dos Principais Deveres do Servidor Público

XIV – São deveres fundamentais do servidor público:

a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego


público de que seja titular;

b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, pondo fim


ou procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias, principalmente
diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços
pelo setor em que exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral ao
usuário;

c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu


caráter, escolhendo sempre, quando estiver diante de duas opções, a melhor e a
mais vantajosa para o bem comum;

d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial da gestão


dos bens, direitos e serviços da coletividade a seu cargo;

e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfeiçoando o processo


de comunicação e contato com o público;

f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se
materializam na adequada prestação dos serviços públicos;

g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a


capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do serviço público, sem
qualquer espécie de preconceito ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, cor,
idade, religião, cunho político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de
causar-lhes dano moral;

h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar contra


qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal;
i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes,
interessados e outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens
indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou aéticas e denunciá-las;

j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da


defesa da vida e da segurança coletiva;

l) ser assíduo e freqüente ao serviço, na certeza de que sua ausência provoca


danos ao trabalho ordenado, refletindo negativamente em todo o sistema;

m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato


contrário ao interesse público, exigindo as providências cabíveis;

n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os


métodos mais adequados à sua organização e distribuição;

o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do


exercício de suas funções, tendo por escopo a realização do bem comum;

p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da


função;

q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a


legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas funções;

r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores, as


tarefas de seu cargo ou função, tanto quanto possível, com critério, segurança e
rapidez, mantendo tudo sempre em boa ordem.

s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito;

t) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe sejam


atribuídas, abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos
usuários do serviço público e dos jurisdicionados administrativos;

u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou autoridade


com finalidade estranha ao interesse público, mesmo que observando as
formalidades legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei;

v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência


deste Código de Ética, estimulando o seu integral cumprimento.

Seção III
Das Vedações ao Servidor Público

XV – E vedado ao servidor público;

a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e


influências, para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem;

b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de


cidadãos que deles dependam;

c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou


infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão;
d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de
direito por qualquer pessoa, causando-lhe dano moral ou material;

e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu


conhecimento para atendimento do seu mister;

f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou


interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os
jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou
inferiores;

g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda


financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de qualquer
espécie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão
ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim;

h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para


providências;

i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em


serviços públicos;

j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular;

l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qualquer


documento, livro ou bem pertencente ao patrimônio público;

m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu


serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros;

n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente;

o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a


honestidade ou a dignidade da pessoa humana;

p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a


empreendimentos de cunho duvidoso.

CAPÍTULO II
DAS COMISSÕES DE ÉTICA

XVI – Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal


direta, indireta autárquica e fundacional, ou em qualquer órgão ou entidade que
exerça atribuições delegadas pelo poder público, deverá ser criada uma Comissão
de Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional do
servidor, no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público, competindo-
lhe conhecer concretamente de imputação ou de procedimento susceptível de
censura.

XVII – Cada Comissão de Ética, integrada por três servidores públicos e


respectivos suplentes, poderá instaurar, de ofício, processo sobre ato, fato ou
conduta que considerar passível de infringência a princípio ou norma ético-
profissional, podendo ainda conhecer de consultas, denúncias ou representações
formuladas contra o servidor público, a repartição ou o setor em que haja ocorrido
a falta, cuja análise e deliberação forem recomendáveis para atender ou resguardar
o exercício do cargo ou função pública, desde que formuladas por autoridade,
servidor, jurisdicionados administrativos, qualquer cidadão que se identifique ou
quaisquer entidades associativas regularmente constituídas.

XVIII – À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encarregados


da execução do quadro de carreira dos servidores, os registros sobre sua conduta
ética, para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais
procedimentos próprios da carreira do servidor público.

XIX – Os procedimentos a serem adotados pela Comissão de Ética, para a


apuração de fato ou ato que, em princípio, se apresente contrário à ética, em
conformidade com este Código, terão o rito sumário, ouvidos apenas o queixoso e o
servidor, ou apenas este, se a apuração decorrer de conhecimento de ofício,
cabendo sempre recurso ao respectivo Ministro de Estado.

XX – Dada a eventual gravidade da conduta do servidor ou sua reincidência,


poderá a Comissão de Ética encaminhar a sua decisão e respectivo expediente para
a Comissão Permanente de Processo Disciplinar do respectivo órgão, se houver, e,
cumulativamente, se for o caso, à entidade em que, por exercício profissional, o
servidor público esteja inscrito, para as providências disciplinares cabíveis. O
retardamento dos procedimentos aqui prescritos implicará comprometimento ético
da própria Comissão, cabendo à Comissão de Ética do órgão hierarquicamente
superior o seu conhecimento e providências.

XXI – As decisões da Comissão de Ética, na análise de qualquer fato ou ato


submetido à sua apreciação ou por ela levantado, serão resumidas em ementa e,
com a omissão dos nomes dos interessados, divulgadas no próprio órgão, bem
como remetidas às demais Comissões de Ética, criadas com o fito de formação da
consciência ética na prestação de serviços públicos. Uma cópia completa de todo o
expediente deverá ser remetida à Secretaria da Administração Federal da
Presidência da República.

XXII – A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de


censura e sua fundamentação constará do respectivo parecer, assinado por todos
os seus integrantes, com ciência do faltoso.

XXIII – A Comissão de Ética não poderá se eximir de fundamentar o


julgamento da falta de ética do servidor público ou do prestador de serviços
contratado, alegando a falta de previsão neste Código, cabendo-lhe recorrer à
analogia, aos costumes e aos princípios éticos e morais conhecidos em outras
profissões;

XXIV – Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por


servidor público todo aquele que, por força de lei, contrato ou de qualquer ato
jurídico, preste serviços de natureza permanente, temporária ou excepcional, ainda
que sem retribuição financeira, desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer
órgão do poder estatal, como as autarquias, as fundações públicas, as entidades
paraestatais, as empresas públicas e as sociedades de economia mista, ou em
qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado.

XXV – Em cada órgão do Poder Executivo Federal em que qualquer cidadão


houver de tomar posse ou ser investido em função pública, deverá ser prestado,
perante a respectiva Comissão de Ética, um compromisso solene de acatamento e
observância das regras estabelecidas por este Código de Ética e de todos os
princípios éticos e morais estabelecidos pela tradição e pelos bons costumes.
VIII – PERGUNTAS INTERESSANTES SOBRE O CÓDIGO DE ÉTICA

Nota: Perguntas elaboradas pelos professores Ana Míriam Wuensch, Carla


Bordignon, Ubirajara C. Carvalho e Wilton Barroso Filho para o Programa
Permanente de Capacitação e Atualização de Pessoal da UnB – CESPE – SRH.

Pergunta 1: Que relações entre cidadania, serviço público, moralidade (ética) e


legalidade podemos verificar no texto do Código de Ética do Servidor Público?
R.: Cap. I, Seção I, itens IV, V, VI, XIII.

Pergunta 2: Que conteúdos da ética (moral) são destacados como os mais


importantes no texto? Em que medida nele a ética (moral) se relaciona com o
trabalho do servidor público, a cidadania e o direito?
Cap. I, Seção I, itens I, II, III, IX, X; Seção II, itens c, f, g.

Pergunta 3: Como se relaciona o princípio hierárquico do trabalho do servidor


público com a ética (moralidade)? É possível cumprir ordens, respeitar hierarquias e
ser ético, ou seja, responsável e autônomo?
Cap. I, Seção I, item XI; Seção II, itens h, i, m, t, u.
IX – LEI Nº 8.112, DE 11 DE DEZEMBRO DE 1990 (ARTS. 116-117)

Dispõe sobre o regime jurídico dos


servidores públicos civis da União, das
autarquias e das fundações públicas
federais.

PUBLICAÇÃO CONSOLIDADA DA LEI Nº 8.112, DE 11 DE DEZEMBRO DE


1990, DETERMINADA PELO ART. 13 DA LEI Nº 9.527, DE 10 DE DEZEMBRO
DE 1997.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional


decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

(...)
Título IV
Do Regime Disciplinar
Capítulo I
Dos Deveres
Art. 116. São deveres do servidor:
I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
II - ser leal às instituições a que servir;
III - observar as normas legais e regulamentares;
IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;
V - atender com presteza:
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as
protegidas por sigilo;
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou
esclarecimento de situações de interesse pessoal;
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.
VI - levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que
tiver ciência em razão do cargo;
VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público;
VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição;
IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa;
X - ser assíduo e pontual ao serviço;
XI - tratar com urbanidade as pessoas;
XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.
Parágrafo único. A representação de que trata o inciso XII será encaminhada
pela via hierárquica e apreciada pela autoridade superior àquela contra a qual é
formulada, assegurando-se ao representando ampla defesa.

Capítulo II
Das Proibições

Art. 117. Ao servidor é proibido: (Vide Medida Provisória nº 2.225-45, de


4.9.2001)
I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do
chefe imediato;
II - retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer
documento ou objeto da repartição;
III - recusar fé a documentos públicos;
IV - opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou
execução de serviço;
V - promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei,
o desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu
subordinado;
VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação
profissional ou sindical, ou a partido político;
VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança,
cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil;
IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em
detrimento da dignidade da função pública;
X - participar de gerência ou administração de sociedade privada,
personificada ou não personificada, salvo a participação nos conselhos de
administração e fiscal de empresas ou entidades em que a União detenha, direta ou
indiretamente, participação no capital social ou em sociedade cooperativa
constituída para prestar serviços a seus membros, e exercer o comércio, exceto na
qualidade de acionista, cotista ou comanditário; (Redação dada pela Lei nº 11.094,
de 2005)
XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas,
salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes
até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro;
XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie,
em razão de suas atribuições;
XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas;
XV - proceder de forma desidiosa;
XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou
atividades particulares;
XVII - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa,
exceto em situações de emergência e transitórias;
XVIII - exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício
do cargo ou função e com o horário de trabalho;
XIX - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado. (Incluído
pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
(...)

Senado Federal, 18 de abril de 1991. 170° da Independência e 103° da República.

MAURO BENEVIDES
X – LEI Nº 8.429, DE 2 DE JUNHO DE 1992. (ARTS. 10-12).

Dispõe sobre as sanções aplicáveis aos


agentes públicos nos casos de
enriquecimento ilícito no exercício de
mandato, cargo, emprego ou função na
administração pública direta, indireta ou
fundacional e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional


decreta e eu sanciono a seguinte lei:

(...)

Seção II
Dos Atos de Improbidade Administrativa que Causam Prejuízo ao Erário

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário
qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial,
desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das
entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:

I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao


patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou
valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º
desta lei;

II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize


bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades
mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie;

III - doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado,


ainda que de fins educativos ou assistências, bens, rendas, verbas ou valores do
patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem
observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie;

IV - permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bem integrante


do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta lei, ou ainda a
prestação de serviço por parte delas, por preço inferior ao de mercado;

V - permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por


preço superior ao de mercado;

VI - realizar operação financeira sem observância das normas legais e


regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea;

VII - conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das


formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;
VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente;

IX - ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou


regulamento;

X - agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda, bem como no


que diz respeito à conservação do patrimônio público;

XI - liberar verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou


influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular;

XII - permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça


ilicitamente;

XIII - permitir que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos,


máquinas, equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade ou à
disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. 1° desta lei, bem como o
trabalho de servidor público, empregados ou terceiros contratados por essas
entidades.

XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a


prestação de serviços públicos por meio da gestão associada sem observar as
formalidades previstas na lei; (Incluído pela Lei nº 11.107, de 2005)

XV – celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia


dotação orçamentária, ou sem observar as formalidades previstas na lei. (Incluído
pela Lei nº 11.107, de 2005)

Seção III
Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam Contra os Princípios da
Administração Pública

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os


princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres
de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e
notadamente:

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele


previsto, na regra de competência;

II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;

III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições
e que deva permanecer em segredo;

IV - negar publicidade aos atos oficiais;

V - frustrar a licitude de concurso público;

VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo;

VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da


respectiva divulgação oficial, teor de medida política ou econômica capaz de afetar
o preço de mercadoria, bem ou serviço.
CAPÍTULO III
Das Penas

Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas,


previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade
sujeito às seguintes cominações:

I - na hipótese do art. 9°, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente


ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, quando houver, perda da função
pública, suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos, pagamento de multa
civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar
com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta
ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio
majoritário, pelo prazo de dez anos;

II - na hipótese do art. 10, ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou


valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância,
perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos,
pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano e proibição de
contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou
creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da
qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos;

III - na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver, perda


da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento
de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e
proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos
fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa
jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.

Parágrafo único. Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz levará em
conta a extensão do dano causado, assim como o proveito patrimonial obtido pelo
agente.

(...)

CAPÍTULO VIII
Das Disposições Finais

Art. 24. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 25. Ficam revogadas as Leis n°s 3.164, de 1° de junho de 1957, e 3.502,
de 21 de dezembro de 1958 e demais disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 2 de junho de 1992; 171° da Independência e 104° da


República.

FERNANDO COLLOR
Célio Borja
CÓDIGO DE ÉTICA DA ANEEL

AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA

PORTARIA N° 1.235, DE 13 DE ABRIL DE 2009

O DIRETOR-GERAL DA AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA - ANEEL,


no uso de suas atribuições regimentais, de acordo com deliberação da Diretoria e tendo em vista o
disposto no Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994, e nos Art. 16, inciso VII e Art. 24, inciso II, do
Regimento Interno da ANEEL, e o que consta do Processo nº 48500.001184/2002-47, resolve:

Art. 1° Aprovar Revisão do Código de Ética da Agência Nacional de Energia Elétrica –


ANEEL.

Art. 2° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

NELSON JOSÉ HÜBNER MOREIRA

Este texto não substitui o publicado no Boletim Administrativo do dia 23.06.2009, v. 12, n. 12.
CÓDIGO DE ÉTICA DA ANEEL

SUMÁRIO

1. APRESENTAÇÃO 03

2. OBJETIVO 04

3. VALORES 05

4. COMPROMISSOS
4.1. Da ANEEL 06
4.2. Dos Agentes Públicos 07
4.3. Das Lideranças 08

5. CONDUTAS 09

6. COMISSÃO DE ÉTICA 11

7. GESTÃO DA ÉTICA 13

8. DISPOSIÇÕES FINAIS 14
1. APRESENTAÇÃO

O Código de Ética da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) reúne os valores e os compromissos que
devem nortear a atuação da Agência e formar a consciência profissional de todos os agentes públicos que atuam
na Agência, e que são imperativos de sua conduta.

Para os efeitos deste Código, agente público é todo aquele legalmente investido em cargo público atuando na
ANEEL ou que, por força de lei, contrato ou qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza permanente,
temporária, excepcional ou eventual, ainda que sem retribuição financeira, a órgão ou entidade da administração
pública federal, direta e indireta.

Cabe ao agente público, nos termos deste Código: zelar pelo respeito à lei; buscar sempre o interesse público;
proceder com lealdade e boa-fé em suas relações profissionais e em todos os atos do seu ofício; garantir que os
atos expedidos pela Agência preservem os valores e a missão institucional da organização; aprimorar-se no
exercício dos princípios éticos e domínio de suas atribuições técnicas, de forma a tornarem-se merecedores da
confiança da sociedade como um todo, pela probidade pessoal e profissional.

Para cumprimento de sua missão - proporcionar condições favoráveis para que o mercado de energia elétrica se
desenvolva com equilíbrio entre os agentes e em benefício da sociedade - a ANEEL age sempre na defesa do
interesse público, fundamentada e em coerência com as políticas públicas e setoriais e no estrito cumprimento do
comando legal estabelecido, mantendo um diálogo permanente com os usuários, agentes regulados, poderes
constituídos e a sociedade, de modo que de sua postura ética originem-se atos imparciais, transparentes e
independentes, que utilizem a melhor técnica regulatória.

O Código de Ética da ANEEL busca o equilíbrio entre a legalidade e a finalidade como forma de garantir a
moralidade do ato administrativo e, quanto aos agentes públicos, estes devem observar o decoro inerente às
suas funções, lembrando que não basta ser ético, é necessário também demonstrar o comportamento ético, em
sinal de respeito à sociedade.

2. OBJETIVO

2.1. O presente Código de Ética tem por objetivo estabelecer valores e compromissos a serem adotados pelos
agentes públicos, visando a:

a. pugnar pela consolidação dos valores democráticos e o fiel cumprimento dos princípios constitucionais e da
legislação vigente;

b. valorizar a conduta ética nos atos da administração pública;

c. reforçar a importância da probidade administrativa e estimular a efetiva participação dos cidadãos nos
processos de regulação.
3. VALORES

3.1. As ações da ANEEL e a conduta de seus agentes públicos deverão estar pautadas nos seguintes valores,
em complemento aos princípios que regem a administração pública, visando ao cumprimento de sua Missão e o
atendimento ao interesse público:

3.1.1. Imparcialidade – analisar os casos que forem apresentados de forma impessoal e justa, não emitindo juízo
prévio de valor.

3.1.2. Transparência – adotar procedimentos claros e transparentes, dando ênfase à publicidade e à prestação
de contas de seus atos.

3.1.3. Coerência – agir de forma harmônica com as políticas públicas e setoriais e legislação vigente.

3.1.4. Diálogo – manter diálogo permanente com os usuários dos serviços de energia elétrica, os agentes
regulados e a sociedade, a fim de atingir o aperfeiçoamento contínuo de seus processos no exercício de suas
atribuições.

3.1.5. Equilíbrio – pautar suas ações visando a ponderar os interesses dos usuários, agentes regulados e
Governo.

3.1.6. Independência – tomar decisões com autonomia e liberdade, com base em suas competências técnicas.

3.1.7. Eficiência – buscar a excelência nos processos, tarefas e atividades, otimizando recursos de forma a obter
os resultados esperados pela sociedade.

3.1.8. Isonomia – adotar procedimentos que não diferenciem aqueles que estejam numa mesma situação e
tenham os mesmos direitos e deveres.

3.1.9. Compromisso – agir no sentido de assegurar os direitos e dos deveres dos agentes regulados e dos
usuários dos serviços de energia elétrica.

3.1.10. Cooperação – interagir com instituições na regulação do setor elétrico com vistas ao desenvolvimento
sustentável do País.

3.1.11. Responsabilidade Social – executar ações de maneira solidária na busca da melhoria da qualidade de
vida da sociedade em geral e dos usuários dos serviços de energia elétrica em particular.

4. COMPROMISSOS

4.1. São compromissos da ANEEL, de seus agentes públicos e de suas lideranças, respectivamente, sem
prejuízo daqueles estabelecidos em lei:

4.1.1. Da ANEEL

I - Promover ações de caráter educativo para a disseminação de uma cultura ética;

II - manter a Comissão de Ética com competência para supervisionar e controlar a execução dos planos de
promoção da ética na Agência;
III - manter diálogo permanente com todos os segmentos da sociedade, usuários dos serviços de energia elétrica
e agentes regulados com deferência, compreensão e ausência de pré-julgamento;

IV - manter um ambiente propício à gestão da ética;

V - zelar pela observância do Código de Ética da ANEEL em seus contratos, convênios, acordos e documentos
afins;

VI - preservar as informações que possam violar a privacidade e a imagem de seus Agentes Públicos;

VII - estabelecer política de transparência em relação aos resultados dos processos de apuração de desvio de
conduta;

VIII - dar transparência aos critérios de avaliação para progressão e promoção funcional, bem como para
participação em ações de desenvolvimento de pessoal;

IX - desenvolver e estimular ações de respeito ao meio ambiente e de combate ao desperdício nas suas mais
variadas formas;

X - estabelecer política de gestão de pessoal que considere o critério ético como fundamento de suas ações;

XI - respeitar os direitos e valores, tanto sociais, culturais, como morais da sociedade e dos agentes do setor de
energia elétrica, sem distinção de qualquer natureza;

XII - assegurar transparência e efetividade em suas relações internas e externas;

XIII - aprimorar continuamente os mecanismos de prestação de contas de seus atos à sociedade.

4.1.2. Dos Agentes Públicos

I - Agir de acordo com os valores da Organização inseridos neste Código;

II - exercer suas atividades com honestidade, dignidade e dedicação;

III - zelar pela imagem e a credibilidade da ANEEL;

IV - zelar pela sua reputação pessoal e profissional;

V - buscar a excelência no desenvolvimento de suas atividades profissionais;

VI - estabelecer e manter um relacionamento interpessoal justo e cortês na execução de suas atividades;

VII - agir com credibilidade, honradez e discrição;

VIII - não se omitir diante de irregularidades e não-conformidades no decurso dos trabalhos desenvolvidos;

IX - atuar com absoluta isenção, especialmente quando designado para servir como perito, auditor, fiscal ou
mediador;
X - zelar pela conservação do patrimônio da ANEEL;

XI - utilizar-se dos materiais e das ferramentas disponibilizadas pela Agência, tais como internet, correio
eletrônico, telefone, fax, de forma racional, sem prejuízo de suas atribuições;

XII - informar, de forma motivada, ao superior hierárquico ou à Comissão de Ética, fato de que tiver conhecimento
e que possa configurar irregularidade, omissão, abuso de poder ou infração a este Código praticado por agentes
públicos;

XIII - Compartilhar e disseminar, internamente, conhecimentos e informações de interesse da instituição;

XIV - atentar-se quanto à exatidão de informação prestada, de forma a evitar a propagação de erros ou
conclusões falsas;

XV - respeitar as normas, procedimentos e rotinas estabelecidas pela Instituição;

XVI - zelar para que não resulte, direta ou indiretamente, qualquer espécie de discriminação por motivos de
ordem étnica, religiosa, política, cultural, de gênero, orientação sexual, nacionalidade, estado civil, idade,
aparência ou classe social;

XVII - propagar os preceitos deste Código de Ética;

XVIII - abrir mão de quaisquer benefícios ou proventos quando representar a Agência em eventos e
compromissos externos;

4.1.3. Das Lideranças

4.1.3.1. São consideradas lideranças para fins deste Código: os Superintendentes ou aqueles que ocupem
cargos equivalentes, os Assessores da Diretoria e os Assessores das Superintendências.

4.1.3.2. Além dos estabelecidos no item 4.1.2., são compromissos das lideranças:

I - ser referência para o fiel cumprimento deste Código de Ética;

II - disseminar a cultura da ética na Organização;

III - fazer com que sejam cumpridas as normas e os procedimentos da Organização;

IV - observar os valores e os compromissos éticos da Organização, na gestão dos processos organizacionais sob
sua responsabilidade nas dimensões estratégica, técnica, administrativa e orçamentária e na gestão dos agentes
públicos sob sua supervisão.

5. CONDUTAS
5.1. Os compromissos e valores estabelecidos neste código não admitem quaisquer condutas que os contrariem,
em especial aquelas abaixo relacionadas:

I - assumir responsabilidade por ato que não praticou, bem como autoria dos trabalhos dos quais não participou;
II - utilizar-se da proximidade com o superior hierárquico para obter favores pessoais ou para estabelecer uma
rotina de trabalho diferenciada em relação aos demais;

III - disseminar informações que tenham conteúdo político-partidário ou difamatório de autoridades do País ou de
agentes públicos conforme definido neste Código;

IV - receber benefícios, transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares que possam gerar dúvida
sobre a sua probidade ou honorabilidade;

V - aceitar presentes, salvo de autoridades estrangeiras nos casos protocolares em que houver reciprocidade.
Não se consideram presentes para os fins deste código os brindes que sejam ofertados por entidades de
qualquer natureza a título de cortesia, propaganda, divulgação habitual ou por ocasião de eventos especiais ou
datas comemorativas, desde que não ultrapassem o valor de R$ 100,00 (cem reais);

VI - omitir a existência de eventual conflito de interesses ou de qualquer circunstância ou fato impeditivo de sua
participação em instrução de processo e em decisão da ANEEL;

VII - utilizar em suas atividades laborais brindes cujos logotipos ou logomarcas possam causar constrangimento
quando em audiências da ANEEL com particulares ou outros agentes públicos e, em especial, cujos logotipos ou
logomarcas identifiquem empresas, organizações ou terceiros que tenham interesse em decisões da Agência;

VIII - não se considerar impedido de atuar como gestor de contrato com empresa em que seja dirigente seu
cônjuge, companheiro, afins ou parentes até 3o grau;

IX - não se pautar pelos padrões da ética, sobretudo no que diz respeito à integridade, à moralidade, à clareza de
posições e ao decoro, com vistas a motivar o respeito e a confiança do público em geral;

X - resolver divergências internas sem a devida observância às regras da boa conduta e da convivência social;

XI - não tornar público o fato de ter participação superior a cinco por cento do capital de sociedade de economia
mista, de instituição financeira, ou de empresa que negocie com o Poder Público;

XII - deixar de registrar e disponibilizar os assuntos tratados com o público externo na ANEEL relacionados às
atividades da Agência;

XIII - assediar moralmente agente público por intermédio de atitudes que o fragilizem, o ridicularizem, o
inferiorizem, o menosprezem ou o impeçam de expressar-se;

XIV - omitir-se em prestar esclarecimentos sobre assuntos de sua competência em situações em que a ANEEL
seja citada;

XV - indicar seu cônjuge, companheiro, afins ou parentes até 3º grau para cargo de confiança ou para
contratação por empresas que prestem serviços à ANEEL.
6. COMISSÃO DE ÉTICA

6.1. A Comissão de Ética é responsável por implementar, acompanhar e avaliar as ações de gestão da ética, bem
como atuar na orientação aos agentes públicos, nos termos do artigo 7º do Decreto nº 6.029, de 1º de fevereiro
de 2007. Seu funcionamento tem, por princípio, a ação discreta e objetiva de modo a transmitir confiança à
Organização, tornando naturais as consultas e ágeis os seus processos.

6.2. A composição e o funcionamento da Comissão de Ética, bem como o rito processual, os procedimentos e o
apoio administrativo dela, deverão ser detalhados em Regimento Interno próprio, aprovado pela Diretoria da
Agência. Os casos omissos serão tratados mediante a analogia e invocação aos princípios da Administração
Pública.

6.3. Dos processos de apuração ética da Comissão, conforme detalhado no Regimento Interno, poderá resultar:

6.3.1. censura ética;

6.3.2. sugestão ao dirigente máximo de exoneração de ocupante de cargo ou função de confiança;

6.3.3. sugestão ao dirigente máximo de retorno do servidor ao órgão ou entidade de origem;

6.3.4. sugestão ao dirigente máximo de remessa de expediente ao setor competente para exame de eventuais
transgressões de naturezas diversas;

6.3.5. adoção de outras medidas para evitar ou sanar desvios éticos, lavrando, se for o caso, Acordo de Conduta
Pessoal e Profissional – ACPP;

6.3.6. arquivamento, quando não for comprovado o desvio ético; ou

6.3.7. remissão do processo ao órgão competente, quando configurada infração cuja apuração seja da
competência de órgão distinto.

6.4. As consultas de agentes públicos à Comissão e as respectivas respostas são consideradas reservadas, em
conformidade com o estabelecido no Regimento Interno da Comissão de Ética da ANEEL e, nos casos em que
este for omisso, com a legislação federal aplicável à matéria.

6.5. A Comissão disponibilizará, em função da experiência obtida na aplicação deste Código, esclarecimentos e
informações aos agentes públicos visando a sua correta aplicação e interpretação.

7. GESTÃO DA ÉTICA

7.1. A gestão da ética visa monitorar o ambiente ético na ANEEL, propiciando uma cultura voltada para os
valores, os compromissos e demais preceitos estabelecidos neste Código.

7.2. A gestão da ética será monitorada por meio de indicadores baseados nas informações da sociedade e dos
agentes públicos da ANEEL.

7.3. A alteração do Código, aprovada pela Diretoria da Agência, será precedida de ampla consulta e participação
dos agentes públicos.
8. DISPOSIÇÕES FINAIS
8.1. Aplicam-se aos dirigentes da Agência, além do disposto neste Código, as normas estabelecidas no Código
de Conduta da Alta Administração Federal, aprovado pelo Decreto s/nº, de 21 de agosto de 2000, conforme
Exposição de Motivos da Casa Civil da Presidência da República nº 37, de 18 de agosto de 2000.

8.2. Integram-se ao presente Código de Ética os preceitos estabelecidos no Código de Ética Profissional do
Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, aprovado pelo Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994, e
pelo Decreto nº 6.029, de 1º de fevereiro de 2007.