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UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL

PRÓ-REITORIA ACADÊMICA
PRÓ-REITORIA ADJUNTA DE PÓS-GRADUAÇÃO
COORDENADORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATU SENSU
ESPECIALIZAÇÃO EM CLÍNICA E CIRURGIA DE CÃES E GATOS

EFUSÃO CARCINOMATOSA: UMA REVISÃO

ANGELA PATRICIA MEDEIROS VEIGA

CANOAS, 2002
ANGELA PATRICIA MEDEIROS VEIGA

EFUSÃO CARCINOMATOSA: UMA REVISÃO

Monografia apresentada como


pre-requisito para título de
Especialista em Clínica e
Cirurgia de Cães e Gatos.

Orientador: Carla R. de A.
Hennemann

CANOAS
2002
EFUSÃO CARCINOMATOSA: UMA REVISÃO

ORIENTADOR

___________________________________________
Carla Rosane de Aguiar Hennemann

Monografia apresentada e aprovada em ____/____/____


Agradeço a Deus pois, sem Ele, as viagens seram mais cansativas;
as chuvas, mais fortes; os obstáculos, mais difíceis; as ausências, mais
sentidas...

A meus pais, Clovis e Iria, pela compreensão e amor.

Às minhas irmãs, em especial Vera, pelo lugar concedido para as


horas de estudo e descanso.

Ao Andre pela amizade que ficará para sempre.

Às minhas amigas Ana Maria e Vanessa, pelos risos e troca de


experiências, com a esperança de que a amizade não se apague com o
tempo.

À professora Carla Hennemann, pelo excelente trabalho de orientação


e pela compatibilidade de interesses

À professora Claudete Schimidt, da UFSM, pelas fotos cedidas.


A todos aqueles que, de uma forma ou de outra, ajudaram-me a vencer este
obstáculo.
SUMÁRIO

RESUMO.........................................................................................................1
SUMMARY......................................................................................................2
INTRODUÇÃO ................................................................................................3
DESENVOLVIMENTO ....................................................................................5
1 ETIOLOGIA E FISIOPATOGENIA ...............................................................5
2 SINAIS CLÍNICOS .......................................................................................7
3 DIAGNÓSTICO ..........................................................................................11
3.1 Diagnóstico por Imagem ......................................................................11
3.2 Patologia Clínica ..................................................................................12
3.2.1 Análise da efusão ........................................................................12
3.2.2 Hematologia, Perfil Eletroforético e Perfil Bioquímico .................21
3.3 Histopatologia ......................................................................................22
4 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL .................................................................23
5 TRATAMENTO ..........................................................................................24
6 PROGNÓSTICO ........................................................................................29
CONCLUSÃO ...............................................................................................30
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................................31
RESUMO

O carcinoma consiste em uma neoplasia maligna que pode afetar


vários órgãos, sendo que os sinais clínicos irão variar de acordo com o
órgão acometido. As neoplasias produzem efusões devido, principalmente, à
compressão de vasos linfáticos pela massa tumoral, causando, com isso,
uma obstrução. A análise citológica dos líquidos cavitários constitui-se em
uma ferramenta que concentra qualidades de rapidez, facilidade, economia e
relativa segurança para se avaliar, entre outros fatores, a existência de
neoplasias nas cavidades abdominal e torácica. Assim, com este tipo de
exame, o clínico obterá informação útil para auxiliá-lo, tanto no diagnóstico,
quanto no prognóstico e no tratamento das enfermidades que culminam com
o acúmulo de líquidos abdominais e pleurais. Uma vez que a maioria das
neoplasias produz sinais clínicos apenas quando já ocorreu uma relativa
disseminação para outros órgãos, o diagnóstico prévio produzirá efeitos
positivos no prognóstico que, na maioria das vezes é desfavorável.

Palavras-chave: carcinoma, citologia, efusão.


2

SUMMARY

Carcinoma consists on a malign neoplasia, which may affect several


organs, so that clinical features will vary with the affected one. Neoplasias
cause effusions due to linfatic vein compression by the tumoral mass, leading
to an physical obstruction. The cytological evaluation of cavity fluids is a
rapid, easy, cheap, and relatively safe tool that can be used to analyze the
existence of cancer in abdominal or thoracic cavities. Thus, the
accomplishment of this test will give the clinician abilities to obtain useful
information to handle with diagnosis, prognosis, and treatment of diseases
that cause pleural and abdominal fluid accumulation. Since most neoplasias
produce clinical features just when a relative spread has been occurred, the
early diagnosis, the better effects on animal’s prognosis, which is, most of the
times, poor.

Key-words: carcinoma, cytology, effusion.


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INTRODUÇÃO

Uma quantidade exacerbada de fluido na cavidade abdominal ou

torácica não é uma doença propriamente dita, mas mais especificamente

uma indicação de um processo patológico no sistema de produção e/ou

remoção de líquido ou um acúmulo a partir de uma fonte ectópica (COWEL

& TYLER, 1989). Tradicionalmente, os líquidos cavitários alterados foram

classificados em três categorias baseadas em suas concentrações de

proteína, contagem celular e aparência microscópica: transudatos,

transudatos modificados e exsudatos. A transudação, devido a alterações na

dinâmica dos líquidos, aumenta o volume do fluido, enquanto geralmente

dilui a concentração de proteínas e células. Em contraste, a exsudação

ocorre devido a permeabilidade vascular alterada a proteínas plasmáticas e

à resposta quimiotática de fagócitos (O’BRIEN & LUMSDEN, 1988). De

acordo com DUNCAN et al. (1994), muito pouco fluido pode ser aspirado das
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cavidades corporais de cães e gatos, a menos que haja uma efusão.

Entretanto, podemos colher líquidos cavitários de eqüinos e bovinos sem

que ocorram enfermidades nestes animais.


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DESENVOLVIMENTO

1 ETIOLOGIA E FISIOPATOGENIA

SHAW & IHLE (1999) consideram a causa da maioria dos tumores

como sendo desconhecida. De acordo com estes autores, podem estar

implicados em certos tipos de neoplasia fatores genéticos, agentes

infecciosos, exposição a carcinógenos ou radiação, traumatismos e

implantes de material estranho.

Na opinião de MEYER & HARVEY (1998), os eventos patofisiológicos

que levam à formação de transudatos puros ou modificados podem estar

relacionados a um aumento da pressão hidrostática, diminuição da pressão

oncótica ou uma alteração na integridade vascular. BAUER & WOODFIELD

(1997) afirmam, especificamente em relação à pleura, que existe um

equilíbrio precário entre as forças hidrostática e oncótica (forças de Starling).

O resultado da ação destas forças é o fluxo contínuo através do espaço

pleural. Este equilíbrio delicado pode ser interrompido por qualquer distúrbio
6

que altere a pressão oncótica, pressão capilar pulmonar ou sistêmica,

complacência linfática, permeabilidade capilar ou área da superfície efetiva.

A efusão neoplásica ocorre principalmente devido à deposição das

células tumorais nos vasos linfáticos, causando uma obstrução da linfa

(SHAW & IHLE, 1999; DUNCAN et al., 1994; MORRIS et al., 1985). BAUER

& WOODFIELD (1997) confirmam esta premissa, afirmando que, em seres

humanos, o mecanismo mais freqüentemente despertado na produção do

derrame pleural maligno é a obstrução dos nodos mediastinais principais ou,

menos freqüentemente, a obstrução do ducto torácico pode também

desempenhar importante papel. Na opinião dos pesquisadores, há

numerosos mecanismos secundários que podem produzir derrames de

diversas magnitudes: aumento da pressão oncótica, exsudação decorrente

de irrigação pleural mecânica, aumento da permeabilidade vascular em

decorrência à liberação de prostaglandinas ou complemento, atelectasia e

obstrução venosa por compressão.

Segundo MORRIS et al. (1985), a efusão pleural no eqüino está

geralmente associada a pneumonia e/ou abscessos pulmonares. Entretanto,

esta condição pode ocorrer secundariamente a neoplasias. Assim, os

autores denotam que a neoplasia deve ser considerada, em se tratando de

efusão, no eqüino.

WRIGLEY et al. (1981) afirmam que a neoplasia parece ser a causa

mais comum de efusão pleural. WRIGHT et al. (1999) examinaram 65 gatos

que apresentavam efusão peritoneal e concluíram que as neoplasias se


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constituíram na segunda causa mais comum de tais efusões. Também

descrevem que a doença neoplásica foi a mais comum com o acréscimo da

idade. Com isto os autores relatam que o diagnóstico diferencial primário

para efusão peritoneal é a doença neoplásica, em gatos idosos.

Em relação à patogenia, tumores primários podem alterar a função de

órgãos ou tecidos ou criar um efeito tumoral; lesões metastáticas ocorrem

quando as células malignas se disseminam através da circulação ou do

sistema linfático; síndromes paraneoplásicas são efeitos dos tumores que

ocorrem longe do tumor primário ou das metástases (SHAW & IHLE, 1999).

2 SINAIS CLÍNICOS

O sinal clínico mais comum associado ao derrame pleural é a dispnéia.

Dependendo da causa, alguns pacientes podem apresentar-se com tosse,

febre ou com o achado subjetivo da dor pleural (promovido pela firme

palpação dos espaços intercostais). A febre é um achado que não está

limitado a pacientes com derrames de etiologia infecciosa. Distúrbios

neoplásicos, entre outros, podem estar associados a febre episódica

(BAUER & WOODFIELD, 1997). Na opinião de BIRCHARD (1996), os sinais

clínicos típicos de efusão pleural são: taquipnéia, dispnéia, respiração

abdominal, relutância em se deitar e redução da tolerância ao exercício.

SHAW & IHLE (1999) caracterizam a síndrome paraneoplásica como

a ocorrência de anemia (por doença crônica, perda de sangue, hemólise

imunomediada ou supressão medular por quimioterápicos), caquexia (devido

à resistência à insulina, hiperlactasemia e metabolismo protéico e lipídico


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anormal), eritrocitose (pelo aumento da produção de eritropoietina, produção

de um fator que estimula a produção e liberação de eritropoietina ou

produção de eritropoietina associada à hipóxia causada pelo tumor), febre

(devido à infecção secundária ou induzida pelo tumor), hipercalcemia

(devido à osteólise local e liberação sistêmica de uma proteína relacionada

ao paratormônio), osteopatia hipertrófica (ocorre mais comumente nas

lesões pulmonares metastáticas, com causa desconhecida), hipoglicemia

(por aumento na utilização de glicose, pela produção tumoral de uma

substância semelhante à insulina ou alteração induzida pelo tumor no

metabolismo da glicose) e trombocitopenia (por diminuição na produção,

seqüestro, aumento no consumo ou aumento da destruição de plaquetas).

Os sinais clínicos do carcinoma podem variar de acordo com os órgãos

afetados. GLEEN & SOE VAN ODRUITENBORGH-OOSTERBAAN (1999)

encontraram, estudando um caso de carcinoma de células escamosas do

estômago, sinais clínicos de cólica e perda de peso, linfonodos mesentéricos

aumentados e uma massa abdominal palpável. No estudo de MCKENZIE et

al. (1997), onde o mesmo tipo de neoplasia foi avaliado em três cavalos, foi

observada perda de peso, anorexia, letargia e sinais respiratórios. Um

eqüino apresentando esta neoplasia foi avaliado por WRIGLEY et al. (1981),

encontrando-se redução do apetite, perda de peso e aumento da freqüência

respiratória.

MEMON et al.(1995) avaliou uma cabra de seis anos de idade, a qual

apresentou aumento de volume abdominal progressivo, que já perdurava um


9

mês. Foi suspeita a hipótese de se tratar de pseudociese, sendo

administrada PGF2, porém não houve regressão dos sinais clínicos nem

aparecimento de descarga vaginal, descartando-se a possibilidade de

piometra. O exame post-mortem revelou 30 litros de um líquido claro e

límpido na cavidade abdominal do animal. O pólo caudal do ovário esquerdo

apresentou uma massa indistinta, firme e acinzentada, a qual foi

caracterizada como adenocarcinoma mucinoso com metástase no peritôneo

parietal e pulmões. Com estas informações, os autores concluíram que, em

cabras adultas com distensão abdominal bilateral sem resposta à

administração de prostaglandinas, deve ser sempre considerada a distensão

como provável resultado de ascite. Na Figura 1 está demonstrado um caso

de carcinoma ovárico em um canino onde foi evidenciada através de

necropsia uma massa firme e delimitada. MORRIS et al. (1985) encontrou

edema da porção ventral do abdômen e dispnéia como sinais clínicos em um

eqüino que apresentava adenocarcinoma ovárico, concluindo que metástase

torácica de neoplasia ovárica deve ser sempre considerada, em se tratando

de efusão pleural em cavalos.


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Figura 1 – Aspecto macroscópico do ovário direito de um


canino, fêmea, SRD acometida por um carcinoma ovárico, o
qual produziu metástases nas cavidades pleural e abdominal.

SAEGUSA et al.(1994) associou a um carcinoma neuro-endócrino que

estudava em um cão de 4 meses de idade, tosse, febre alta e anorexia. Os

autores consideraram como uma característica incomum deste caso a

incidência da neoplasia em um animal tão jovem.

3 DIAGNÓSTICO

3.1 DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

Segundo MORRISON et al. (1998), a criação de imagens diagnósticas

com raios X, tomografia computadorizada, ultra-som, ressonância magnética


11

e cintigrafia vem se tornando cada vez mais sofisticada e importante para a

identificação, diagnóstico e monitoramento das respostas ao tratamento em

pacientes com tumores.

Embora haja um número limitado de modos pelos quais o pulmão, o

mediastino e a pleura podem reagir à lesão, a radiografia torácica é de valor

inestimável quando interpretada à luz de outras informações clínicas

(BAUER & WOODFIELD, 1997). O achado radiográfico de derrame pleural

em conjunto com o achado citopatológico ou histopatológico de neoplasia é

altamente sugestivo de metástase, e reflete a probabilidade de desfecho

sombrio e de tempo de sobrevida curto.

A radiologia constitui-se em um exame excelente para o diagnóstico e

localização de massas neoplásicas e metástases, porém, esta técnica é

dificultada com o acúmulo de líquido nas cavidades, o que promove um

aumento da radiopacidade naquela região. Desta forma, para que o exame

alcance a sua máxima eficácia, a drenagem da efusão deverá ser realizada

previamente à submissão do animal ao exame radiográfico. Pode ser

realizada a pneumopericardiografia, a qual consiste na injeção de CO2 ou ar

no saco pericárdico via um catéter previamente colocado, o qual delineia as

áreas do átrio esquerdo e da base do coração, onde são comuns as

alterações patológicas (NELSON & COUTO, 1994).

De acordo com MATOON & NYLAND (1995), o acúmulo de líquido em

massa na cavidade abdominal é facilmente reconhecido pela aparência de

órgãos separados por grandes espaços anecóicos. A presença de líquido


12

abdominal, especialmente em grande quantidade, melhora grandemente a

visualização dos vários órgãos abdominais.

Em relação à aparência da neoplasia, esta é bastante variável, sendo

que formas difusas da doença são difíceis de se detectar. Entretanto, o tipo

celular pode ser obtido com aspiração direcionada por ultra-som ou biopsia

central do tecido. Tem sido aceito que neoplasias metastáticas não podem

ser diferenciadas de lesões primárias, nem o tipo de tumor ser identificado a

partir de sua aparência ultrassônica. O mesmo tumor pode ter uma

variedade de aparências, e tipos diferentes histologicamente podem parecer

similares ao ultra-som (MATOON & NYLAND, 1995).

3.2 PATOLOGIA CLÍNICA

3.2.1 Análise da Efusão

A colheita do fluido é realizada através de centese abdominal ou

torácica em que, após a preparação cirúrgica da pele, a agulha acoplada à

seringa é inserida no tecido subcutâneo e leve pressão negativa é

empregada à medida que a agulha avança em ângulo (MEYER & HARVEY,

1997). COWEL & TYLER (1989) descrevem a utilização de catéter na

porção caudal do abdômen como sendo o método mais sensível de colheita

de fluido. O’BRIEN & LUMSDEN (1988) afirmam que, mais recentemente, a

colheita de fluido abdominal através deste último método ao invés do uso de

agulhas hipodérmicas tem demonstrado um aumento na eficácia diagnóstica

do procedimento. CROWE & CRANE (1976), utilizando-se de paracentese

abdominal e lavado diagnóstico para avaliar injúrias abdominais de cães e


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gatos, concluíram que o lavado demonstrou maior sensibilidade que a

utilização de catéter de diálise.

Uma amostra da efusão deve ser colhida em um tubo com EDTA para

a contagem de células nucleadas totais, determinação da concentração de

proteínas totais e exame citológico, enquanto que outra amostra é colhida

em tubo sem anticoagulante, caso seja necessária alguma análise

bioquímica do líquido (COWEL & TYLER, 1989). Na opinião de MEYER &

HARVEY (1998), após a realização do esfregaço para a contagem

diferencial de células, o restante do líquido deve ser colocado em um tubo

com EDTA para impedir qualquer coagulação potencial e o fluido utilizado

para contagem celular total e outras provas bioquímicas que possam ser

necessárias mais tarde.

A análise do fluido deve incluir avaliação macroscópica da coloração e

turbidez, contagem de células nucleadas, determinação de sólidos totais e

avaliação citológica (RASKINS & MEYER, 1996). DUNCAN et al. (1994) por

sua vez, incluem as caraterísticas avaliadas em efusões como exames

físico, químico e citológico. COUTO (1988) relata a utilização de amostras

centrifugadas para a realização do exame citológico, sendo que os melhores

resultados são alcançados com o uso de centrifugação a baixas rotações

(inferiores a 1500 rpm).

Embora o esquema tradicional separe a transudação primária da

exsudação, não inclui prontamente uma categoria para ruptura de vasos ou

vísceras ou esfoliação neoplásica (O’BRIEN & LUMSDEN, 1988). A maioria


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das neoplasias caracteriza-se como exsudato, mas ocasionalmente a

contagem celular caracteriza-se como aquela vista em transudato

modificado (RASKIN & MEYER, 1996). BIRCHARD (1996) relata que as

neoplasias pericárdicas podem causar derrame hemorrágico ao provocarem

erosão dos vasos ou tecido cardíaco, considerando que as neoplasias, em

um âmbito geral, além de derrames hemorrágicos podem causar efusões

quilosas e neoplásicas. COWEL & TYLER (1989) também utilizam essa

classificação (efusão neoplásica), sempre que são observadas células

tumorais no fluido. MORRIS et al. (1895), examinando efusões provenientes

de um eqüino acometido por um adenocarcinoma ovárico, caracterizaram

tais efusões como transudatos. WRIGLEY et al. (1981) ao examinar uma

efusão proveniente de um carcinoma de células escamosas estomacal em

um eqüino, a caracterizaram como transudato modificado. MCKENZIE et al.

(1997), por sua vez, encontraram efusões típicas de exsudatos em três

eqüinos com carcinoma de células escamosas gástrico.

Os esfregaços devem ser preparados com a maior brevidade possível

após a colheita, secas com ar rapidamente, coradas e avaliadas para

celularidade. A menos que hava alta concentração celular (por exemplo,

maior que 10.000 por μl), a amostra deve ser centrifugada a baixas rotações

por cinco a dez minutos e os esfregaços realizados a partir do sedimento

ressuspendido. Se a centrífuga não está disponível, o esfregaço direto deve

ser feito, permitindo exame da morfologia celular, o que será mais

representativo da observada de esfregaços concentrados, preparados várias


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horas ou dias mais tarde em um laboratório de referência (O’BRIEN &

LUMSDEN, 1988).

Segundo DUNCAN et al. (1994), a coloração de Papanicolau pode

ajudar na identificação de células neoplásicas, uma vez que se caracteriza

como uma coloração para núcleo. Já COWEL & TYLER (1989) indicam a

coloração de Diff-Quick (Panótico Rápido) como sendo uma das mais fáceis

de se utilizar, corando bem os elementos celulares e apresentando pouco

precipitado para serem confundidos com bactérias. COUTO (1988) indica

várias técnicas de coloração, incluindo o Panótico Rápido, Novo Azul de

Metileno, Wright e Giemsa, porém alerta para as desvantagens da coloração

com Novo Azul de Metileno, em que, uma vez que o corante core

extremamente bem o DNA celular, a maioria das células adquire uma

aparência “maligna”.

De acordo com SHAW & IHLE (1999), HARVEY & MEYER (1998),

BAUER & WOODFIELD (1997), RASKIN & MEYER (1996), COWEL &

TYLER (1989) e FENNER (1985), as células neoplásicas não são

comumente observadas. GLEEN & SLOET VAN OLDRUITENBORGH-

OOSTERBAAN (1999), ao avaliarem um pônei que apresentava um

carcinoma de células escamosas no estômago, não encontraram células

neoplásicas na análise da efusão abdominal daquele animal. Da mesma

forma ocorreu com MCKENZIE et al. (1997) quando avaliavam três eqüinos

acometidos pelo mesmo tipo de neoplasia. Já MEYER & HARVEY (1998) e

O’BRIEN & LUMSDEN (1988) relatam que ocasionalmente o exame


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microscópico de uma efusão revelará tipos celulares que não estão

normalmente presentes. Os tipos celulares neoplásicos mais comumente

associados a efusões são os do linfossarcoma e do carcinoma, devido à sua

fácil esfoliação. SHAW & IHLE (1999) concordam, afirmando que em alguns

casos, as células carcinomatosas podem escapar dos linfáticos ou se

proliferar na superfície serosa e se esfoliarem no líquido abdominal.

Conforme DUNCAN et al. (1994), os tumores que mais comumente

esfoliam-se são os carcinomas ováricos, pancreáticos e o escamoso gástrico

do eqüino. Eles também citam que uma inflamação não séptica é

normalmente vista em efusões neoplásicas. Na opinião de MORRIS et al.

(1985), estas reações inflamatórias são provenientes da necrose e ulceração

da massa tumoral ou de tecidos adjacentes, havendo presença de

neutrófilos não-degenerados e ausência de bactérias.

MEYER & HARVEY (1998) afirmam que a esfoliação de células

mesoteliais em resposta a uma irritação pode ser dramaticamente suficiente

para causar confusão com células neoplásicas carcinomatosas, não

havendo nenhum método simples para separar estes tipos celulares

confusos. Deste modo, o clínico é encorajado a encaminhar estas lâminas

ao patologista clínico para exame.

COWEL & TYLER (1989) e COUTO (1988) também orientam no

sentido de se tomar cuidado para que não haja confusão entre células

mesoteliais normais ou reativas com células neoplásicas. RASKIN & MEYER

(1996) completam a premissa, informando que as alterações reativas


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demonstradas pelas células mesoteliais podem mimetizar alterações

neoplásicas. DUNCAN et al. (1994) informam que estas alterações

(hipertrofia e hiperplasia de células mesoteliais) podem apresentar várias

das características de células carcinomatosas. O’BRIEN & LUMSDEN

(1988) descrevem as alterações reativas das células mesolteliais como

aumento da basofilia citoplasmática, anisocitose, bi ou multinucleação e

aumento de figuras mitóticas, aparecendo em agregados que

ocasionalmente incluem mais de 50 células.

Outro tipo celular que também pode ser encontrado em efusões

neoplásicas é o eosinófilo. De acordo com RASKIN & MEYER (1996), a

eosinofilia está tipicamente associada com reações de hipersensibilidade ou

alergia, parasitas ou fungos ou em associação com neoplasias,

ocasionalmente sendo visto no carcinoma pulmonar ou linfoma.

PHILLIPS & SCHAER (1988), ao avaliarem um cão de 2 meses de

idade que apresentou uma efusão pleural idiopática, encontraram no líquido

pleural 30% de eosinófilos, mas não conseguiram associar este achado com

neoplasia. FOSSUM et al. (1993) avaliaram 14 casos de efusões

eosinofílicas pleurais e peritoneais em cães e gatos, em que neoplasias

foram confirmadas em 6 animais. Os autores estavam cientes que as

efusões eosinofílicas em cães e gatos, assim como em humanos, entre

outras causas, estão associados à malignidade. Portanto, uma vez que, em

seu estudo, 43% dos animais eram acometidos por neoplasias, eles
18

recomendam aos clínicos, quando se depararem com efusões eosinofílicas,

a suspeitarem de neoplasia.

A maioria dos carcinomas é composto de células redondas ou

poligonais que tende a se agrupar, formando clusters. Seus citoplasmas

geralmente são azul-escuros, e a vacuolização é evidente na maioria dos

adenocarcinomas. No carcinoma de células escamosas, as células são, na

maioria das vezes, individualizadas, apresentam citoplasma azul-escuro e

não possuem vacúolos. Em ambas as neoplasias o núcleo é grande, com

cromatina frouxa e nucléolos evidentes (SHAW & IHLE, 1999; COUTO,

1988).

DUNCAN et al. (1994) descrevem os critérios citomorfológicos de

malignidade subdivididos em gerais, nucleares e citoplasmáticos. Dentre os

gerais estão incluídas as características de tamanho celular aumentado,

agregados celulares que sugerem origem epitelial, monomorfismo (as

células pertencem à mesma linha) e pleomorfismo (anisocitose e

poiquilocitose).Em relação aos critérios nucleares os autores identificam o

aumento da razão núcleo/citoplasma, anisocariose, multinucleação, aumento

no número de mitoses e figuras mitóticas anormais, molde nuclear ou

deformação por células adjacentes, nucléolos maiores (tamanho e forma

variadas) e espessamento da membrana nuclear. Quanto aos critérios

citoplasmáticos citados pelos autores, caracterizam-se basofilia, inclusões

citoplasmáticas, presença de material fagocitado e produtos secretórios,

como mostra a Figura 2.


19

Figura 2 – Aspecto microscópico de um esfregaço corado,


proveniente de uma efusão carcinomatosa. Observam-se
características citológicas de malignidade: vacuolização e
basofilia citoplasmáticas, alteração da razão núcleo/citoplasma
e formação de clusters (COWEL & TYLER, 1989).

RITCHEY et al. (1996), ao avaliar microscopicamente um bovino

acometido por um adenocarcinoma abomásico, encontrou vacúolos

intracitoplasmáticos incolores como um achado comum.

WRIGLEY et al. (1981) revelaram que o fluido pleural de um eqüino

com carcinoma gástrico de células escamosas consistia de células

nucleadas predominantemente neutrófilos não-degenerados, havendo

pequeno número de linfócitos, células mesoteliais, macrófagos fagocíticos

ativos e algumas células atípicas. Tais células atípicas estavam presentes

em numerosos e pequenos clusters e eram acometidas de marcada variação


20

morfológica. A razão núcleo/citoplasma apresentou-se relativamente

pequena. As células menores possuíam citoplasma basofílico e núcleo

hipercromático, enquanto que as maiores tinham citoplasma azul claro,

citoplasma pontilhado e graus variáveis de agregação de cromatina. Os

esfregaços também possuíam um agregado de eritrócitos e não foram

detectados microorganismos.

Uma égua que apresentava efusão pleural secundária a metástase de

adenocarcinoma ovárico foi estudada por MORRIS et al. (1985) onde,

citologicamente, os achados foram basicamente os mesmos descritos

acima, com a consideração de que os macrófagos encontrados continham

grânulos de hemossiderina, algumas células observadas continham

minúsculos vacúolos citoplasmáticos e o núcleo das células anormais

apresentava-se hipercromático com 2 a 4 grandes nucléolos.

3.2.2 Hematologia, Perfil Eletroforético e Perfil Bioquímico

FENNER (1989) relaciona as principais alterações hematológicas

causadas pelas neoplasias como sendo caracterizadas por anemia

(regenerativa ou não) e neutrofilia com desvio à esquerda; na opinião de

SHAW & IHLE (1999), o hemograma pode demonstrar anemia, leucocitose,

leucopenia ou hiperproteinemia

O perfil bioquímico pode revelar hipercalcemia, hipoglicemia,

trombocitopenia (NELSON & COUTO, 1994) ou hiperglobulinemia como

numa síndrome neoplásica. Outras anormalidades variam com os sistemas


21

orgânicos afetados pela neoplasia ou pela doença simultânea (SHAW &

IHLE, 1999).

No estudo de GLEEN & SLOE VAN OLDRUITENBORGH-

OOSTERBAAN (1999) de um caso de carcinoma gástrico de células

escamosas, a avaliação hematológica revelou leucocitose e um padrão

eletroforético anormal (31,8% de albumina, 18,8% de alfa-globulinas, 29%

de beta-globulinas e 20,4% de gama-globulinas). MC KENZIE et al. (1997)

encontrounessa mesma neoplasia, depleção de albumina, aumento de

gama-globulinas e fibrinogênio e leve anemia. Leucocitose, com neutrofilia,

eosinopenia e linfopenia foram os achados hematológicos do animal

avaliado por WRIGLEY et al. (1995). Em relação ao perfil eletroforético,

houve também um aumento das globulinas, com redução na albumina. Em

um eqüino que apresentava adenocarcinoma ovárico, estudado por MORRIS

et al. (1985), os achados hematológicos consistiram de neutrofilia com

desvio à esquerda e linfopenia, com a série vermelha dentro dos valores

normais de referência.

HIRSHBERGER & PUSCH (1996) avaliaram as concentrações de

fibronectina em efusões pleurais e abdominais de cães e gatos, uma vez que

consideraram um kit humano como absolutamente adequado para se

realizar a medição em animais. Para o diagnóstico de efusão pleural

maligna, a sensibilidade foi de 100% e a especificidade, 57%. Na opinião de

MADEWELL (1997), a fibronectina é uma das matrizes proteicas

extracelulares. É uma grande glicoproteína encontrada na forma insolúvel no


22

estroma do tecido conetivo e membranas basais. Também está presente no

plasma, na forma solúvel. De acordo com MORRISON (1998), a fibronectina

é uma molécula que pode se difundir do plasma ou pode ser liberada por

células tumorais para o fluido pleural. Sua mensuração no líquido pleural é

utilizada para a diferenciação entre efusões malignas e outras causas em

cães e gatos.

3.3 HISTOPATOLOGIA

O diagnóstico da neoplasia não pode ser firmado com base apenas nos

achados clínicos ou radiográficos. Uma parte do tecido sob suspeita de ser

neoplásico deve ser removida e examinada microscopicamente. Há

necessidade de biopsia, para a confirmação do diagnóstico de neoplasia. As

biopsias também proporcionam informações que ajudarão no planejamento

da terapia (MORRISON et al., 1998).

De acordo com BIRCHARD (1996), há diversos métodos de obtenção

de amostras para biopsia, sendo que o mais efetivo e também o mais

invasivo é a toracotomia/laparotomia exploratória, uma vez que oferece as

vantagens da inspeção direta do tecido enfermo, possibilidade de escolha

dos tecidos para o exame histopatológico e o potencial para a remoção

completa ou parcial das lesões e restos associados. O autor também cita a

existência de técnicas menos invasivas para a realização de coleta de

tecidos para a biopsia, tais como: aspiração com agulha fina e

toracoscopia/laparoscopia.
23

4 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

O diagnóstico diferencial de efusão carcinomatosa engloba todas as

afecções que apresentam como sinal clínico a coleção de líquido abdominal

ou torácico. São elas: peritonite/pleurite infecciosa, inflamação tecidual (de

um órgão intracavitário), peritonite biliosa, uroperitôneo, cardiopatias,

efusões quilosa/psedoquilosa, efusão hemorrágica decorrente de

traumatismo ou desordens hemostáticas (COWEL & TYLER, 1989).

Outras alterações que podem gerar confusão com efusão

carcinomatosa são doenças que cursam com aumento de volume

abdominal, como por exemplo, piometra e hiperadrenocorticismo (SHAW &

IHLE, 1999; NELSON & COUTO, 1992; FENNER, 1985).

5 TRATAMENTO

O tratamento da efusão carcinomatosa visa a remoção do líquido que,

muitas vezes, causa desconforto abdominal, respiratório e tamponamento

cardíaco, no caso de efusões pericárdicas, alem de ser efetivado o

tratamento do carcinoma, que consiste no agente causador na efusão. Este

tratamento pode ser realizado através de quimioterapia, radioterapia e

remoção cirúrgica da massa tumoral (SHAW & IHLE, 1999; BAUER &

WOODFIELD, 1997).

A terapia cirúrgica é mais comumente utilizada para tratar doença

neoplásica localizada. Se o tumor é maligno, deverá ser excisado com uma


24

margem ampla de, pelo menos, 2-3 cm da margem de tecido normal, se

possível. As complicações potenciais da cirurgia compreendem hemorragia

e alteração da função do órgão (SHAW & IHLE, 1999).

A radioterapia pode ser utilizada no tratamento de neoplasias

localizadas ou regionais, ou ainda como uma terapia paliativa em pacientes

em estágios terminais da doença. Pode ser usada em conjunto com a

cirurgia ou a quimioterapia, sendo indicada para a maioria dos carcinomas.

Os efeitos colaterais variam com o local do tumor e incluem descamação

cutânea, necrose tecidual, formação de fístulas e alopecia local permanente,

ceratoconjuntivite seca e catarata (SHAW & IHLE, 1999).

FONTELES & FILHO (1994) observaram que a maioria dos

medicamentos antineoplásicos inibem a mitose, interferem com o

metabolismo dos ácidos nucléicos ou promovem distúrbios específicos de

processos bioquímicos, como inibição de certas reações enzimáticas.

Sabe-se que o uso de agentes antineoplásicos associados a práticas

cirúrgicas pode ser benéfico, reduzindo o volume da massa tumoral e a

quantidade de células existentes aos agentes antineoplásicos (DAGLI,

1995).

Segundo DAGLI (1995), a quimioterapia deverá ser aplicada

principalmente quando o diagnóstico de neoplasia maligna for confirmado

através do exame histopatológico. É necessário também saber a que tipo de

agente o câncer é susceptível e estabelecer parâmetros para que se possa

avaliar a resposta ao tratamento. É importante que se determine, ainda,


25

através de meios semiológicos disponíveis, a extensão do tumor no

organismo animal. A evolução, ou seja, o estágio clínico da doença pode ser

determinado utilizando-se o sistema TNM (T= tumor; N= linfonodos

regionais; M= metástases). O estágio pode fornecer dados referentes ao

prognóstico, além de influenciar o tipo de tratamento a ser instituído.

A maior atenção reside no diagnóstico precoce da doença, pois quanto

mais cedo ela ocorre, maiores são as oportunidades de sucesso terapêutico.

Paralelamente, o diagnóstico orienta o tratamento e permite avaliação

periódica dos resultados obtidos (FENNER, 1985).

A terapia de suporte, incluindo dieta, hiperalimentação oral e

parenteral, transfusão e controle do equilíbrio hidro-eletrolítico prolonga a

sobrevida do paciente com carcinoma (FONTELES & FILHO, 1994).

A quimioterapia geralmente não é curativa, sendo usada tanto para

tumores sistêmicos como para metastáticos, para os que não podem ser

removidos cirurgicamente ou em associação a cirurgia, na suspeita de

micrometástases. As drogas quimioterápicas mais freqüentemente utilizadas

são: agentes alquilantes (clorambucila, cisplatina, ciclofosfamida e

melfalano), antimetabólitos (arabinosídeo citosina, 5-fluorouracilo e

metotrexato), antibióticos antineoplásicos (doxirrubicina e mitoxantrona),

alcalóides vegetais (vinblastina e vincristina) e hormônios (prednisona). Os

efeitos tóxicos causados pela quimioterapia consistem em: cardiotoxicidade,

toxicidade dermatológica, toxicidade gastro-intestinal, toxicidade


26

hematológica, hipersensibilidade, nefrotoxicidade, toxicidade pulmonar,

toxicidade urológica e renal (SHAW & IHLE, 1999; COUTO, 1988).

NELSON & COUTO (1994) fornecem alguns protocolos de tratamento

quimioterápico para ser utilizados no carcinoma de cães e gatos. Para cães,

os autores recomendam cinco protocolos: 5-fluorouracil – 150 mg/m2 IV 1

vez por semana e ciclofosfamida – 50 mg/m2 VO 4 dias por semana ou dias

alternados; protocolo CMF, o qual consiste da utilização de 5-fluorouracil –

150 mg/m2 IV 1 vez por semana, ciclofosfamida – 50 mg/m2 VO 4 dias por

semana e metotrexato – 2,5 mg/m2 2-3 vezes por semana; protocolo VAF,

sendo obtido com o emprego de Vincristina – 0,75 mg/m2 nos dias 8 e 15,

Doxorrubicina – 30 mg/m2 no 1o dia e 5-fluorouracil – 150 mg/m2 nos dias 1,

8 e 15; Cisplatina – 50-60 mg/m2 a cada 4 semanas; protocolo FAC,

utilizando-se 5-fluorouracil – 150 mg/m2 nos dias 8 e 15, Doxorrubicina – 30

mg/m2 no 1o dia, Ciclofosfamida – 100-200 mg/m2 no 1odia e Tribrissen – 7

mg/kg VO 2 vezes por dia.

Em gatos, recomendam-se três protocolos: Vincristina – 0,5 mg/m2 IV 1

vez por semana e Ciclofosfamida – 50 mg/m2 VO 4 dias por semana ou dias

alternados; Utilização do protocolo anterior mais metotrexato – 2,5 mg/m2 2-

3 vezes por semana e protocolo VAC, o qual consiste da associação das

drogas Vincristina – 0,5 mg/m2 nos dias 8, 15 e 22, Doxorrubicina – 20-30

mg/m2 no 1o dia e Ciclofosfamida – 50 mg/m2 VO 1 vez por dia nos dias 15,

16, 17 e 18 ou 200 mg/m2 no dia 15.


27

Sendo o carcinoma uma enfermidade dificilmente curável,

principalmente na presença de metástases pulmonares, em que o animal

apresenta períodos de grande angústia respiratória e dor, nas etapas

terminais da doença, a eutanásia é um artifício orientado pelo Médico

Veterinário, e mesmo requerido pelo proprietário, como um meio de acabar

com o sofrimento do animal acometido pela doença.

Há que se ter em mente que a indicação do procedimento da

eutanásia, bem como a escolha do método a ser empregado é de

responsabilidade exclusiva de um médico veterinário. A eutanásia é, sem

dúvida alguma, um dos aspectos mais tristes e desagradáveis da profissão,

porém o profissional não pode se eximir da responsabilidade do

procedimento, delegando-o a funcionários ou técnicos não capacitados

(FIGUEIREDO & ARAÚJO, 2001).

As técnicas de eutanásia devem resultar da rápida perda da

consciência, seguida por parada respiratória e, por fim, perda da função

cerebral. Paralelamente a isto, o médico veterinário deverá optar por

procedimentos que minimizem o stress e a ansiedade que ocorrem

anteriormente à perda da consciência do animal (FIGUEIREDO & ARAÚJO,

2001).

Na opinião de HATCH (1983), vários agentes eutanásicos podem ser

utilizados, dentre os quais podemos citar os barbituratos, representados pelo

pentobarbital sódico, provocam início da inconsciência suave e rápido,

ocorrendo a morte por depressão de centros bulbares respiratórios e


28

vasomotores; hidrato de Cloral, utilizado somente após pré-medicação com

um tranqüilizante; associação Barbiturato/Hidrato de Cloral/Sulfato de

Magnésio, em que a superdosagem provoca parada respiratória, cardíaca e

relaxamento muscular em rápida seqüência; solução T-61, a qual consiste

na associação de N-2-(metoxifenil)-2-etilbutil-1-hidroxi-butiramida (20%),

iodeto de 4,4’-metileno-bis-ciclo-hexil-trimetilamônio (5%) e cloridrato de

tetracaína (0,5%), utilizada em grande escala na eutanásia de pequenos

animais.

Não se pode permitir, justificando-se pela necessidade de agilização

do processo ou dificuldade de manutenção dos animais durante aindução da

morte, que sejam empregadas drogas danosas ao organismo dos animais,

assim como o uso isolado de muitas delas – que, mesmo provocando a

morte, nada têm de humanitário em sua ação. É o caso da aplicação isolada

de agentes curarizantes ou substâncias que provoquem parada cardíaca nos

animais. Tais drogas somente serão permitidas quando da prévia sedação e

inconsciência dos animais (FIGUEIREDO & ARAÚJO, 2001).

6 PROGNÓSTICO

Uma vez que o carcinoma é uma neoplasia maligna, seu prognóstico

vai de reservado a desfavorável, dependendo do órgão envolvido, tempo de

evolução, reação ao tratamento instituído e existência ou não de

metástases.
29

Muitas vezes, deparando-se com um quadro clínico bastante

avançado, o proprietário é orientado a optar pela eutanásia.


30

CONCLUSÃO

Na avaliação de efusões, tanto pleurais como peritoneais, o clínico

deve estar ciente de que as neoplasias necessitam fazer parte das suspeitas

clínicas, principalmente em se tratando de animais idosos, embora não

somente nestes.

Os carcinomas, juntamente com outros tipos de neoplasias, são as

principais neoplasias que facilmente se esfoliam, podendo ser

diagnosticados através do exame citológico do fluido proveniente das

cavidades corporais.

Esta avaliação, se realizada precocemente oferece ao clínico,

possibilidade de direcionar o diagnóstico, tratamento e ainda proporciona

informações a respeito do prognóstico do paciente.


31

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