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54 HSMManagement 85 • março-abril 2011 hsmmanagement.com.br


Gerencie
contra a
incerteza...
Esse é o caminho mais provável do sucesso nos tempos atuais
e também pode ser uma vantagem competitiva dos executivos
brasileiros, como dá a entender Timothy Flynn, chairman da firma
de consultoria e auditoria KPMG, em entrevista exclusivA

C
om as economias dos se refere a nenhuuma parceria entre mundial está numa situação melhor
Estados Unidos e da China e Estados Unidos para coman- do que há 12 ou 24 meses. Vemos for-
União Europeia lutan- dar o mundo, como em um suposto te crescimento na Ásia e em outros
do contra o crescimento G-2; Flynn vê com muito bons olhos a mercados emergentes, como o Brasil.
lento, o caminho para disseminação de poder do G-20. Para A economia de países desenvolvidos,
a retomada do cresci- o líder da KPMG, as parcerias devem como os EUA, tem se estabilizado, em-
mento mundial dependerá de países ser distribuídas. Afinal, o reequilíbrio bora com crescimento lento. Há ainda
emergentes como a China e o Brasil, na balança do poder econômico mun- várias dificuldades na Europa, como
onde os mercados de consumo e de dial, ainda que tardio, abre vastas opor- a questão da dívida na Irlanda, por
trabalho esbanjam robustez invejável. tunidades para empresas empreen- exemplo, mas o saldo é positivo.
Nesse caso, contudo, a inveja é “bran- dedoras, criativas e eficientes, confor- O crescimento já acontece e os lu-
ca”, uma vez que a maior contribuição me Flynn. cros corporativos estão aumentando.
de países em desenvolvimento é o que Em entrevista exclusiva a HSM Só temos de fazer com que esse cresci-
existe de mais saudável e desejável no Management, o chairman da KPMG mento se acelere em todas as regiões,
momento. É a opinião, ao menos, de International analisa os diferenciais tanto em países desenvolvidos como
Timothy Flynn, chairman da KPMG competitivos do Brasil e dos brasilei- em desenvolvimento. Estou otimista
International, uma das maiores firmas ros e discorre sobre os complexos de- de que isso aconteça, apesar dos de-
de consultoria, planejamento tributá- safios impostos à gestão de empresas safios a nossa frente, como o do de-
rio e auditoria empresarial do planeta, atualmente, como o das redes sociais. semprego. São 32 milhões de pessoas
e uma das “quatro grandes”, ao lado de Segundo ele, aliás, complexidade é o no mundo inteiro que perderam seu
Deloitte, Ernst & Young e PwC. elemento definidor do mundo atual. trabalho entre 2007 e 2009. São neces-
Será o crescimento parcial suficien- sários 45 milhões de novos postos por
te? Segundo Flynn, ainda falta mais Qual é sua visão atual sobre a econo-
equilíbrio nesse movimento, o que se- mia mundial? Continua mais difícil que
ria obtido com parcerias entre emer- fácil para a maioria dos países? A entrevista é de Patrícia Buneker,
gentes e desenvolvidos. Mas ele não Não há dúvida de que a economia colaboradora de HSM MANAGEMENT.

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ano para atender as pessoas que estão ela, fortalecendo o sistema finan- já mencionei, que reflita toda a inter-
entrando no mercado. ceiro, implementando forte regula- conexão que já há no planeta.
Em países desenvolvidos, em par- mentação. O G-20 está na direção certa, por-
ticular na Europa –e na Espanha, Acho que integrantes e parceiros tanto, aproximando as maiores eco-
especialmente– o desemprego entre devem entender a receita vencedora nomias do mundo e enfrentando seus
os jovens é bem elevado. É preciso e agir em conformidade com ela. É problemas prementes, como o finan-
reduzir esse desemprego com ur- tudo uma combinação de investi- ceiro, o social, o ambiental e todos os
gência. Esse é talvez nosso maior mentos em infraestrutura e outros outros que requerem atenção em meio
desafio no futuro. gastos de governo, regulação eficaz, à constante mudança.
companhias criativas e empreen- A recente reunião do G-20, em Seul,
Como o sr. citou, os países emergentes dedoras de elevado crescimento e tratou de questões críticas de longo
se tornaram os motores do crescimento uma população de renda média em prazo, como a balança comercial, as
mundial e isso é desejável. Mas é sus- expansão, ou seja, uma vasta classe moedas internacionais, a retomada
tentável? E qual o impacto desse “ree- média que tem sido o motor da eco- do crescimento econômico e como
quilíbrio” sobre a economia mundial? nomia brasileira. assegurar um ambiente regulatório
Era de esperar que os mercados emer- adequado, distanciando-se do tema
gentes realmente viessem a liderar o Mas o Brasil vai sediar esses dois even- da momentânea crise financeira para
crescimento econômico mundial em tos mundiais. Não são riscos também? se concentrar no futuro. Achei isso
algum momento no futuro. E confir- Lembro-me de assistir na TV ao anún- bastante positivo.
mamos isso aqui no Brasil. Nos últi-
mos 24 meses, houve ganho líquido de
postos de trabalho. O desemprego está “a olimpíada será uma oportunidade para
no nível mais baixo em muito tempo.
Vemos o mesmo ocorrer na China e
mostrar ainda mais do brasil ao mundo,
em outras partes do mundo classifica- sobretudo o espírito de sua gente,
das como emergentes. A chave, em to-
dos os países, é criar um crescimento empreendedor e criativo”
de longo prazo, sustentável.
Para que o impacto sobre o mundo cio de que o Brasil sediaria os Jogos É muito importante haver diálogo,
seja o melhor possível, é preciso criar Olímpicos de 2016, da celebração nas maior transparência, comunicação
um equilíbrio por meio de parcerias ruas, da bandeira [brasileira] em to- correta, e o G-20 consegue colocar na
entre os países desenvolvidos –que dos os lugares, do orgulho e da sen- mesma sala as pessoas certas para al-
têm infraestrutura e mercado finan- sação das pessoas de que o mundo cançar tal objetivo.
ceiro sólidos– e os emergentes, que reconheceu o que o Brasil se tornou:
apresentam empreendedorismo e al- uma economia muito importante –em É preciso regulamentação mais rígida?
tas taxas de crescimento econômico. breve, provavelmente, a quinta maior; O sistema financeiro mundial decep-
Com todos os países trabalhando em por enquanto, a oitava. É valioso isso. cionou e deixou na mão gente demais
conjunto, será possível criar uma eco- A Olimpíada será uma oportuni- em 2007 e 2008. A aposentadoria de
nomia mundial mais forte. dade para mostrar ainda mais do muitas pessoas foi alterada, a poupan-
Brasil ao mundo, sobretudo o espí- ça perdida, o desemprego aumentou
Qual é sua visão sobre a economia bra- rito de sua gente, empreendedor e e 32 milhões de pessoas perderam
sileira especificamente? Quais os ris- criativo. Haverá, lógico, os desafios seu trabalho, como já discutimos.
cos e oportunidades de seus integran- de logística e infraestrutura. Mas es- Quando isso acontece, é preciso rever
tes e dos potenciais parceiros? tou certo de que esses investimentos todos os aspectos dos negócios, des-
O Brasil tem sido uma grande histó- serão feitos para valer, porque tam- de a regulamentação, passando pelos
ria de sucesso e tende a continuar a bém ajudarão a economia a crescer modelos de negócio e pela interven-
sê-lo. Basta olhar o forte crescimen- e desenvolver-se. ção governamental, até coisas como
to que vocês estão tendo agora, a a formação de capital. A reforma re-
criação líquida de empregos, baixo A última reunião do G-20 o satisfez? gulatória é apenas um componente
desemprego, ambiente político está- Ou o “G-2” é que conta no final do dia? dessa análise obrigatória.
vel, a conquista para sediar a Copa O mundo precisa do G-20. Ter uma Outro componente, por exemplo,
do Mundo e os Jogos Olímpicos. Há ou duas superpotências simplesmente é a gestão de risco mais sólida nas
10 ou 15 anos, o Brasil passou por não é a resposta correta. Precisamos empresas. A adoção dos incentivos
uma crise e encontrou a saída para de um mundo mais equilibrado, como corretos, de modelos de negócio só-

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SAIBA MAIS SOBRE FLYNN


Ética e integridade são características preciosas mas aparentemente subesti-
madas no universo da auditoria e da contabilidade, pelo menos até emergirem
os escândalos que arruinaram a gigante de energia Enron. Timothy Flynn afir-
ma, contudo, que são os dois pilares de sua liderança na KPMG International,
uma rede de profissionais que congrega mais de 138 mil pessoas em 150 paí-
ses. Flynn foi nomeado chairman da KPMG International em outubro de 2007, e
antes era chairman da KPMG LLP, nos EUA. Iniciou sua carreira ali em 1979, no
escritório de Minneapolis, sua cidade natal.
Essa escolha de pilares tem a ver com valores pessoais, mas eles se justificam
também mercadologicamente. “Ética e integridade passaram a ser ativos valorizados
por potenciais talentos que as empresas desejem contratar”, diz Flynn. E a mesma
lógica prevalece na mão contrária. “As organizações que atrairão pessoas se-
rão aquelas com integridade e ética elevadas”, afirma o executivo.
Estar à frente de uma das quatro maiores firmas de auditoria e consul-
toria do mundo valeu a Flynn o respeito e o reconhecimento de seus pares.
Entre outras coisas, em 2008, ele integrou o comitê assessor criado pelo
então secretário do Tesouro norte-americano, Henry M. Paulson Jr., com
o objetivo de fazer recomendações para o aprimoramento das regras
para a prática da auditoria. Flynn é bacharel em contabilidade pela Uni-
versity of St. Thomas, do estado norte-americano de Minnesota.

lidos, de leis adequadas para impor que as organizações sejam percebidas Sem complexo de vira-lata, então...
controles e freios razoáveis, tudo isso como tendo ética elevada, dispostas esse é um termo que um escritor
é fundamental. Algumas dessas mu- a fazer a coisa certa, não importando usou para caracterizar o brasileiro
danças, de fato, devem ocorrer em quão difícil isso seja. no passado.
razão da crise, e isso, além de neces- Para isso, a comunicação é funda- Essa visão sobre a qualidade do gestor
sário, nos tornará mais fortes. mental: em épocas de incertezas, o brasileiro ganha força e vem se espa-
tempo todo as pessoas querem saber lhando pelo mundo.
Em que as companhias e seus gestores em que pé estão e o que as outras es-
precisam se concentrar para ter su- tão fazendo. Transparência é vital. As Talvez a incerteza não assuste tan-
cesso atualmente? organizações atraentes serão aquelas to os brasileiros; talvez seja nosso
Hoje há muita incerteza no mundo. com forte liderança, confiança, inte- arroz com feijão [risos]. Voltando à
As pessoas estão preocupadas so- gridade e elevada ética. comunicação, qual é sua visão sobre
bre se permanecerão empregadas e a quantidade de informações aces-
o que está acontecendo a seu redor. Como o estilo de gerenciar dos brasi- síveis hoje e a liberdade com que
Elas veem os parentes, vizinhos e leiros é visto no exterior, se é que ele é fluem? Ou: como as empresas devem
amigos perdendo o emprego, a ren- digno de atenção? lidar com as informações que “va-
da diminuída, investimentos reduzi- As empresas do Brasil ficaram con- zam” sobre elas?
dos. Então, elas querem líderes for- centradas, por muito tempo, no mer- Com aceitação e profissionalismo.
tes, com visão sólida para ajudá-las cado interno, que é bastante grande, Cada geração experimenta uma ace-
a entender para onde as empresas criando enorme mercado consumidor leração no acesso e no volume de in-
caminham, como responder à crise de classe média. formação, a exemplo do que aconte-
e onde os funcionários se encaixam Agora estão atravessando as fron- ceu com o advento de copiadoras, im-
nessa equação. teiras. À medida que passam a fazer pressoras, internet e, agora, as mídias
Em outras palavras, parte da tarefa mais aquisições no exterior, começam sociais online. Ou seja, não adianta
dos gestores implica construir con- a ser notadas; por enquanto, os brasi- lamentar o fenômeno, porque é parte
fiança nas empresas –muito dela foi leiros são percebidos, principalmente, de um processo histórico.
erodida durante a crise financeira– e como duros negociadores, homens e O importante é os gestores utiliza-
nos líderes empresariais, fazendo com mulheres de negócios capazes. rem as mídias sociais de forma apro-

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priada e entenderem que qualquer ração de consumidores, muito mais executivos. Onde quer que você es-
coisa que eles digam, seja em um pe- preocupada com a questão da susten- teja no mundo, “complexidade” é a
daço de papel ou em uma mensagem tabilidade na hora de comprar. Vejo palavra-chave –em função da própria
de texto por telefone celular, será vista isso no comportamento de minha fi- conexão maior entre os mercados in-
por outras pessoas. Assim, passam a lha, de 27 anos, e de meu filho, de 21. ternacionais.
ser fundamentais a transparência e a Eles querem saber se os produtos são Então, se reforçamos nosso foco na
ponderação no que se diz. prejudiciais à natureza, se a embala- complexidade, ajudando nossos clien-
gem é reciclável etc. tes e funcionários a entendê-la e a li-
Deveria ter sido assim sempre, aliás... Isso tudo cria oportunidades tre- dar com ela, a logomarca e o slogan
Como os líderes empresariais devem mendas para as empresas empreen- precisam refletir isso.
lidar com isso no dia a dia das empre- dedoras que vendam produtos con-
sas? Algumas proíbem o uso de mídia forme esses hábitos de consumo em De um lado, houve um grau de desin-
social durante o expediente. constante mudança. termediação da economia por conta da
Não acredito que seja possível impedir internet e, de outro, vimos mais ter-
seu uso; mídia social faz parte do mun- Como as empresas vão ajustar-se à ceirização e parcerias... Qual o papel
do hoje. Mesmo que esse uso não seja transformação? Produzirão menos e de empresas como a KPMG nesta nova
permitido dentro de uma empresa, há empregarão menos gente? cena mundial?
outros mecanismos de “vazamento” de Não creio. As empresas deverão É uma cena complexa e nosso papel
informações, como blogs. Minha tese adaptar-se a essa situação –e de é o de ajudar as empresas a lidar
é: se não se pode fugir delas, abrace-as. duas formas: com outros modelos com problemas complexos. Faze-
E garanta seu uso correto, com profis- de negócio e com novos produtos. mos isso em nossos três carros-che-
sionalismo e responsabilidade. São exemplo disso os ditos produtos fe de negócios:

• Um é a prática de auditoria, que


“o desafio mais crítico agora é A consiste em auditar demonstra-
complexidade. onde quer que você esteja no ções financeiras. Nosso papel é
muito importante para a robustez
mundo, ‘complexidade’ é a palavra-chave” da governança corporativa. E é a
maior parte do nosso negócio.
• Outro é o planejamento e a estra-
O sr. mencionou, no início de nossa verdes, mas não apenas eles: note tégia tributários, uma vez que as
conversa, o paradigma da sustentabi- a explosão do mercado de iPad, ou- empresas têm de lidar com muitas
lidade, que vem mudando o modo de tros tablets e smartphones. Haverá complexidades de tributação em
produção e o de consumo. Quais as evi- sempre consumidores em busca de casa e transfronteiras.
dências disso? produtos que melhorem a produtivi- • O terceiro é o negócio de consul-
Esse equilíbrio no mundo, com os dade e a qualidade de vida das pes- toria, em que prestamos assessoria
Estados Unidos aos poucos poupan- soas e que possam ser utilizados no em (1) regulamentação e como se
do enquanto a China e o Brasil con- trabalho e em casa. ajustar a ela, (2) desempenho e
somem mais, é uma característica de tecnologia e (3) reestruturação e
sustentabilidade, por exemplo. Agora quero falar da KPMG em si, que transações.
Nos Estados Unidos, as pessoas está mudando sua logomarca e tam-
estão gastando menos e poupando bém lançando um novo slogan –“cut- Assim, eu diria que contribuímos
mais, o que é positivo no longo prazo, ting through complexity”. “Think big” para que os mercados de capitais ope-
e, em países em desenvolvimento, a remetia a escala e este tem a ver com rem eficientemente e para que nossos
classe média, ampliada e fortalecida, escopo, ou qualidade. Mudou tanto as- clientes administrem seus negócios
passou a consumir mais, compen- sim o parâmetro? Não é um risco me- de forma também eficiente. Isso, por
sando a defasagem. xer em time que está ganhando? meio da redução da complexidade.
O que ocorre também é a mudan- Temos de mudar junto com as pes-
ça dos hábitos de consumo. Depois soas. Em conversas com nossos clien- Ou seja, se você não pode fugir da com-
da crise financeira, percebe-se uma tes, existentes e potenciais, e com nos- plexidade, abrace-a? [risos]
redução do consumismo; as pessoas sos funcionários, o desafio mais crítico É mais ou menos por aí [risos].
deram-se conta de que não precisam agora é a complexidade. Na verdade,
possuir tantas coisas como antes. Não isso foi confirmado por uma pesquisa
há dúvida de que há uma nova ge- mundial que a KPMG realizou com HSM Management

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