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A indústria de tintas no Brasil tem focado seus esforços na pesquisa e

desenvolvimento. A principal motivação é ganhar mais espaço no mercado


internacional. Motivo: o setor está de olho no exterior, com vistas a
aumentar a venda de produtos manufaturados pintados no Brasil (como é o
caso de automóveis e eletrodomésticos) que, graças à qualidade das tintas
brasileiras, têm sido procurados por mercados altamente exigentes. O setor
também quer aproveitar o aquecimento do mercado brasileiro,
principalmente nos setores imobiliário e automobilístico, devido à ascensão
da construção civil e à maior produção e venda de veículos nacionais,
respectivamente. Para isso, as dez maiores empresas do setor, tidas como
líderes em desenvolvimento tecnológico, têm investido nos últimos anos
cerca de 5% do seu faturamento em P&D. Como resultado, o Brasil é
atualmente um dos cinco maiores mercados mundiais de tinta, atrás apenas
dos Estados Unidos, China, Alemanha e Japão.

Para acompanhar a atualização tecnológica e competência técnica dos mais


avançados centros de produção do mundo, as empresas do setor no país
aceitaram o desafio de, além de acompanhar tendências internacionais e
novidades, também investir na qualidade dos produtos e sua adequação à
questão ambiental.

"No país, fabricam-se tintas destinadas às mais variadas aplicações com


tecnologia de ponta. Grandes fornecedores mundiais de matérias-primas e
insumos para tintas atuam aqui, de modo direto ou através de seus
representantes, juntamente com empresas nacionais, muitas delas
detentoras de alta tecnologia e com perfil exportador", analisa Dilson
Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de
Tintas (Abrafati).

Hoje, a cadeia produtiva de tintas no Brasil emprega diretamente 16 mil


pessoas e conta com cerca de 300 fabricantes, de grande, médio e pequeno
porte, espalhados por todo país. Os dez maiores respondem por 65% a 70%
do total das vendas. Em 2006, a comercialização atingiu 968 milhões de
litros de tinta, com um faturamento equivalente a US$ 2,05 bilhões; desse
montante, perto de 5% foi gerado pela exportação. Embora crescente, a
venda externa contabiliza pouco mais de US$ 100 milhões ao ano. "Esse
valor deverá crescer nos próximos anos, especialmente com a venda de
tintas com maior valor agregado", considera Ferreira.

O volume total vendido cresceu 2,8% em relação ao ano anterior, segundo


dados da Abrafati. O otimismo do setor se mantém para 2007: "os efeitos do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da queda de juros e a
expansão dos financiamentos imobiliários no desempenho da construção
civil animam os fabricantes de tintas destinadas a este segmento, com
expectativa de vendas superiores às do ano passado", diz Ferreira. O setor
também conta com aumento de venda das tintas automotivas, industriais e
de manutenção. A previsão de crescimento nesse setor, baseada nos
resultados dos primeiros meses de 2007, está entre 6% e 6,5%.

O grupo BASF, responsável pela marca de tinta Suvinil, comemora o


aquecimento do mercado brasileiro. "O volume de operações de crédito
imobiliário contratadas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo
(SBPE) cresceu 71% em relação ao ano passado. Tal desempenho repercutiu
positivamente na indústria de tintas, que atingiu taxas de até 25% de
crescimento, percentual digno de um país asiático", diz Osmar Caliman,
químico formulador do laboratório de tintas imobiliárias da BASF para a
América do Sul. A Suvinil, em 2006, respondeu por 39% do mercado
nacional de tintas e as tintas imobiliárias, que fazem parte do segmento de
produtos de performance, representaram 33% do faturamento da BASF na
América do Sul no ano passado. Além da Suvinil, a BASF tem as marcas
Glasurit e Novinil em tintas imobiliárias e atua também no setor de tintas
automobilísticas, para repintura automotiva e industrial com as marcas
Glasurit e Salcomix.
FOCO NO MEIO AMBIENTE

Garantir produtos e processos químicos mais seguros e ambientalmente


limpos são uma tendência em crescimento no setor de tintas nacional. Para
isso, indústrias e fornecedores têm investido em técnicas e
desenvolvimentos que permitem obter produtos com impacto ambiental
minimizado, redução do uso de energia e de água, produção mais eficiente
com geração de menos resíduos, prevenção de poluição e redução da
emissão de compostos orgânicos voláteis (VOC).

O desafio é grande. Recente estudo, coordenado pela pesquisadora Kai Loh


Uemoto, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP),
juntamente com o Programa Habitare e a Financiadora de Estudos e
Projetos (Finep), analisou o teor de VOCs nas tintas comercializadas no
mercado de São Paulo. O estudo, com apoio da Abrafati, envolveu a coleta e
análise de cerca de 30 amostras de produtos para a pintura, como tintas
látex e esmaltes sintéticos. A pesquisa, segundo aponta Kai Uemoto, mostra
que as tintas do mercado paulista contêm ingredientes que podem
prejudicar a qualidade do ar no interior de edifícios, além de causar riscos à
saúde do trabalhador nas obras durante a construção. "Apesar de indicar a
necessidade de ajustes e o investimento na conscientização de alguns
fabricantes, o estudo mostrou que todas as tintas brasileiras pesquisadas
atendem às atuais diretivas européias e algumas tintas látex, que
representam em torno de 80% das tintas imobiliárias, já atendem essas
diretivas nos níveis exigidos na Europa apenas para o ano 2010", explica o
presidente-executivo da Abrafati.

A redução do nível de VOC, no Brasil, tem dois pontos relevantes a serem


considerados. O primeiro é que ainda não há no país uma norma que
regulamente o nível aceitável de VOC, ao contrário da Europa, em que esse
número gira em torno de 250g/litro. "O segundo ponto é que o nível do VOC
para os produtos do setor decorativo é muito menor quando comparado
com os produtos de uso industrial", diz Osmar Caliman. No mercado, já
estão disponíveis algumas tintas totalmente isentas de VOCs e muitas com
teores bem baixos desses componentes.

Na tentativa de garantir produtos e processos que levem em conta a


questão ambiental e a saúde ocupacional, a Abrafati coordena o Programa
Coatings Care, que prevê a atuação responsável em tintas no Brasil. Trata-
se de uma iniciativa da IPPIC - International Paint and Printing Ink Council,
que oferece, aos fabricantes de tintas um conjunto de procedimentos e
soluções integradas para administrar os aspectos de suas atividades
relacionadas com o meio ambiente, a segurança e a saúde ocupacional.
Treze fabricantes brasileiros participam do programa. Entre eles, a BASF. Há
também o programa Sistema Global para Classificação e Rotulagem de
Produtos Químicos (GHS), que visa trazer novos parâmetros para a
condução ambientalmente responsável dos negócios da indústria de tintas.
A idéia é promover um sistema global que padronize a classificação de
produtos químicos e de sua rotulagem.

Visando essas preocupações, a BASF, que concentra no Brasil toda a sua


área de P&D para unidade de tintas imobiliárias, trouxe ao mercado o
Suvinil Esmalte Seca Rápido que, menos de um ano após seu lançamento,
conquistou o Prêmio de Inovação Tecnológica concedida pela Associação
Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). "Por ser
um sistema a base de água é mais favorável ao meio ambiente, aos
aplicadores e às pessoas que convivem com a nova pintura", explica
Caliman. A tinta traz ainda como diferenciais o tempo de secagem e o
brilho. Além da premiação, a BASF comemora o faturamento obtido com o
segmento de produtos de performance, do qual faz parte a unidade de
tintas: 19%, ou seja, 10 bilhões de euros. Em 2006, a Suvinil encerrou o ano
com um crescimento de 11% em vendas - o melhor resultado dos últimos
cinco anos. Com fábricas em São Bernardo do Campo (SP) e Jaboatão dos
Guararapes (PE), a Suvinil fabrica diversos produtos que atendem o
mercado nacional e são exportados para o Paraguai, Venezuela, Cuba,
Bolívia e alguns países africanos.

INOVAÇÕES EM COMPOSTOS E TEXTURAS

Os principais avanços relacionados às tintas permeiam os quatro principais


segmentos do setor - tinta imobiliária, automotiva, para repintura
automotiva e para indústria em geral (veja box). No caso das tintas
imobiliárias, a grande sacada é a produção de tintas à base de água, que
eliminam o uso de solventes e trazem ganhos ambientais. Há também os
sistemas tintométricos e as próprias inovações ligadas à tecnologia da cor.
O segmento apresenta ainda tintas magnetizadas, diversos tipos de
texturas e produtos para ambientes e utilizações específicas, como tintas
para telhados, azulejos, pisos, madeiras em geral, decks de piscinas e
outras.
"No aspecto ambiental, além das tintas à base de água, há a tinta em pó,
utilizada em aplicações industriais e que vem conquistando maior mercado
graças à sua evolução tecnológica e à redução de custos, que pode gerar
menos desperdícios e resíduos", explica Dilson Ferreira. No segmento de
pintura automotiva, a evolução foi marcante nos últimos anos. As máquinas
tintométricas, por exemplo, representam esse avanço: há 10 anos eram
oferecidas 400 cores no Brasil, hoje são 10 mil.
NANOPARTÍCULAS

Muitas das inovações no setor vêm das universidades e instituições públicas


de pesquisa. O grupo do pesquisador Henrique Toma, do Instituto de
Química da USP, trabalha com o desenvolvimento de pigmentos
inteligentes, usando para isso a nanotecnologia. Uma das pesquisas feitas
envolve nanopartículas de ouro. "As partículas de ouro são normalmente
usadas para fazer os revestimentos dourados em obras sacras e artísticas.
Na forma nanométrica, essas partículas adquirem colorações que vão do
vermelho ao violeta, em decorrência de fenômenos quânticos que ocorrem
com os elétrons da superfície, denominados plasmons", explica Toma.

A descoberta do grupo é que, em alguns tipos de materiais sólidos - como é


o caso das chamadas hidrotalcitas (um pó branco usado como antiácido
estomacal) -, as nanopartículas de ouro formam aglomerados quase
enfileirados, colorindo a superfície de azul. Sob ação do calor, ou de um
feixe de laser apropriado, as nanopartículas se fundem e perdem a
interação entre os plasmons. Com isso, a cor muda do azul para o vermelho,
de forma irreversível. "É possível trabalhar com esses efeitos para gerar
novas cores e propriedades, a serem incorporadas às tintas para as mais
diversas aplicações, além de produtos ópticos e diagnóstico clínico",
ressalta Toma. O pigmento, que já foi patenteado pela USP, tem a
vantagem de não oferecer risco ambiental, além de ser bonito e durável.

A nanotecnologia oferece também a possibilidade de trabalhar com


nanoaditivos, como as nanofibras, para melhorar as características físicas
das tintas, como resistência, permeabilidade, aderência e recobrimento.
Também é possível introduzir pigmentos com ação antimicrobiana, que
evitariam a formação de fungos, principalmente em ambientes úmidos, e
nanocápsulas, com princípios ativos para serem liberados no ambiente, até
mesmo para neutralizar odores.
"O trabalho com nanoestruturas pode também levar à formação de cristais
fotônicos com capacidade de mudar a cromaticidade dos materiais, gerando
revestimentos coloridos, porém sem qualquer pigmento", diz Toma. O efeito
é semelhante ao da asa da borboleta ou da pedra de opola, nos quais a cor
é de origem puramente física. Esse tipo de tecnologia, segundo ele, já é
testada em carros do futuro, no qual a cor é determinada pelas
nanoestruturas superficiais e pode dar origem a efeitos interessantes, como
a variabilidade de tonalidade com o ângulo de percepção.

TINTA INVISÍVEL

As inovações chegam até a produção de uma tinta sem cor, sem cheiro, de
secagem rápida e capaz de fluorescer em várias superfícies com a
incidência de luz ultravioleta. A descoberta da novidade aconteceu por
acaso, quando o pesquisador Cláudio Cerqueira Lopes, do Instituto de
Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estudava a
produção de uma substância sintética contra o veneno de cobra. Um dos
pesquisadores da equipe, surpreendido por uma queda de energia no
laboratório, resolveu utilizar uma lâmpada ultravioleta para procurar um
objeto. Ao dirigir seu foco para balões de vidro contendo as substâncias 3-
aril cumarinas, ele verificou que elas produziam uma elevada
luminescência. "A partir daí, passamos a trabalhar no desenvolvimento de
uma mistura de solventes - semelhante a usada em impressoras jatos de
tinta - para solubilizar a substância fluorescente para produzir uma tinta
invisível, que já foi patenteada no Brasil e no exterior", explica Lopes.
A tinta invisível não possui elementos tóxicos, é produzida com matérias-
primas nacionais e de baixo custo e pode ser aplicada em carimbos ou
pincéis. Apesar dos benefícios, como marcar objetos valiosos e dinheiro e
ajudar na investigação criminal em casos de roubo, seqüestro e extorsão, a
tinta ainda não é comercializada. A dificuldade, segundo o pesquisador, está
na distância mantida entre as universidades e as empresas. "Não houve
interesse por parte do governo e de empresas nacionais na utilização,
produção em larga escala e comercialização dessa tinta."

Apesar dessa "frustração", o pesquisador garante que, no próximo ano,


deve iniciar uma outra pesquisa para a produção de uma tinta invisível que,
ao ser colocada sob a incidência de luz ultravioleta, deverá emitir uma cor
avermelhada. Essa tinta, segundo ele, funcionaria em papéis comuns, tipo
sulfite, usados para impressão. "A tinta que temos hoje não funciona bem
em todo papel, como no sulfite."