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FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS – FTC

NÚCLEO DE ITABUNA-BA
CURSO DE ENFERMAGEM

BÁRBARA VIRGÍNIA

BIOÉTICA NA ENFERMAGEM
Comparativo entre o filme Medidas Extremas e os princípios éticos da Enfermagem

Trabalho apresentado a profª. Suzana Barreto


Leal da disciplina Bioética como método de
avaliação.

ITABUNA – BAHIA
2008
1.0 INTRODUÇÃO

As guerras sempre foram um bom meio de se conseguir cobaias para o


desenvolvimento da pesquisa científica (HABER, 1915). Todavia foram as duas
grandes guerras mundiais do século passado que propiciaram as maiores
atrocidades, justificadas em muitos casos – para o bem da ciência. O ser humano
sempre foi sujeito e objeto dessa experimentação. Paralelamente à construção
dessa área de conhecimento, o ser humano tem se deparado com questões morais
e éticas inerentes a essas relações pessoa-sujeito versus pessoa-objeto da
experimentação.
O mais antigo documento sobre aspectos éticos da experimentação em seres
humanos é, provavelmente, o livro "De Medicina" de Celso, escrito no ano 25 d.C.
Neste livro, louvava-se a vivissecção de criminosos realizada na escola médica de
Alexandria, no século III a.C., considerando não ser cruel infligir sofrimentos em
criminosos, para beneficiar multidões de pessoas inocentes. Herófilo e Erasístrato,
os dois expoentes dessa escola médica, ao usarem pessoas vivas, escravos e
criminosos, deram os primeiros passos conhecidos nos estudos anatômicos.
(TELLES, 2003). E, desde então, com a vivissecção (primeiro passo sistemático da
experimentação em seres humanos), a inocência do processo de conhecimento foi
perdida e levantam-se questões de consciência (...).
No mundo moderno atos referendados pelos governos, portanto legais, nem
sempre são legítimos e moralmente aceitos. Algumas pesquisas, financiadas e
incentivadas por governos e instituições científicas, tornam sinônimas as palavras
"experiência" e "crime". Os exemplos, infelizmente, são múltiplos em número,
lugares e épocas: prisioneiros de guerra sendo utilizados como cobaias; implantação
de células cancerosas em pacientes senis; infecção de crianças deficientes mentais
com o vírus da hepatite; não tratamento de centenas de negros americanos do norte
com sífilis; exposição de cancerosos a altas doses de radiação; perfusão de cabeças
decapitadas de fetos para o estudo de metabolismo das cetonas (CARLINI, 1987, p.
4).
Onde essa sinonímia entre experimento científico e crime mais se exteriorizou
foi na Alemanha hitlerista. Mais de 90% dos membros da profissão médica dos
níveis mais elevados estavam envolvidos com atos nos quais pessoas eram mortas
ou lesadas permanentemente, nos hospitais e universidades alemãs e nos campos
de concentração (DROBNIEWSKI, 1993).
Seguindo essa visão, o presente trabalho tem por finalidade descrever as
relações Bioéticas e deontológicas relacionadas a postura dos profissionais de
saúde, em especial enfermeiros, a partir da relação com os fatos retratados no filme
Medidas Extremas.
2.0 Síntese do Filme

O filme retrata de forma crítica, questões éticas da prática da Medicina. A


mais evidente é, sem dúvida, o uso de desabrigados numa experiência, que quase
sempre os leva à morte, sem a sua anuência. Não obstante que a descoberta de
uma forma de curar as paralisias seria uma grande descoberta para a Medicina,
mas, sobretudo para o Mundo. Todavia, e a despeito do objetivo ousado tomado
pelo Dr. Myrick, os métodos não são claramente corretos, tocando mesmo a linha do
inumano.
O mais terrível no filme, é a probabilidade de entendermos que não é difícil
atingir este desespero, por mais moralistas ou eticamente corretos que sejamos. O
próprio Dr. Luthan, quando do seu falso diagnóstico de paralisia do pescoço para
baixo, afirmou que seria capaz de “tudo” para voltar a mover-se.
No tocante ao Dr. Luthan houve também a escolha inicial dos pacientes. Até
que ponto ele foi justo na escolha do paciente para a sala de cirurgia. Escolheu o
que estava em melhores condições, pois a garantia de sobreviver era maior Mas
será que o raciocínio não deveria ser o contrário? O paciente, em piores condições,
em maior risco de vida, não deveria seguir para a sala de cirurgia, numa tentativa de
salvá-lo, e o outro ficar e ser operado na sala de urgências? E nós, quando futuros
profissionais de enfermagem, como decidir numa fração de momentos, quem
escolher? Como conseguir obter uma decisão imparcial, justa e eticamente correta?
3.0 Bioética e Deontologia em Enfermagem

Define-se ética como a ciência dos fundamentos ou princípios da ação


humana, ou seja, os critérios e teorias que regem o comportamento correto do
homem e a Bioética como a aplicação dos conceitos éticos à Biologia e à Medicina.
Historicamente a palavra Bioética foi criada pelo oncólogo Van Rensselder Potter em
1971, sugerindo o autor que deve haver uma ligação da ciência com sua aplicação,
visando à defesa dos valores humanos. O título do seu livro, Bioética: uma ponte
para o futuro define bem o alcance e a profundidade do tema para a sociedade
humana como um todo. A Bioética exige uma conjunção de várias disciplinas,
visando à correta utilização dos conhecimentos adquiridos pela ciência; ela deve unir
a Ética e a Biologia, os valores éticos e os fatos biológicos. Ela é norteada por
determinados princípios como a beneficência, a prudência, a autonomia, a justiça e
a responsabilidade. Como beneficência se entende a análise dos benefícios ou
eventuais malefícios que podem advir do conhecimento adquirido. O principio da
prudência nos indica a necessidade de uma postura cuidadosa e atenta, com o
objetivo de impedir um possível prejuízo, durante a busca do conhecimento. A
autonomia define a capacidade da pessoa governar-se a si mesmo, como indelével
qualidade humana. Por justiça se entende a necessidade de se procurar que os
benefícios alcançados pelos conhecimentos a serem adquiridos sejam distribuídos
da forma mais eqüitativa possível na sociedade.
Esses fatos se contrapostos ao enredo do filme e aos artigos 89 a 96 do
Código de Ética de Enfermagem, claramente evidenciam as divergências do que se
prega a lei em comparação com o que é praticado em muitos lugares no mundo.
Outro fato a ser colocado é o que diz o Conselho Nacional de Saúde do M.S. no
Brasil – a resolução n. 196/96 regulamenta normas de pesquisa com seres
humanos, definindo, a postura dos Comitês de Ética em Pesquisa, os direitos dos
sujeitos participes etc.
É de esperar dos atuais profissionais de enfermagem uma postura mais
humanitária quando da participação dos mesmos de pesquisas que envolvam seus
semelhantes. Postando-se não somente como reza o Código de Conduta, mais
também pondo em prática seus princípios e valores morais.
CONCLUSÕES

A presente pesquisa, que teve seu contento centrado na postura do


profissional de saúde em especial os enfermeiros, retratou de forma clara e objetiva,
uma questão de grande relevância. Nesse quesito foram discutidas questões morais,
éticas e legais conduzindo-nos a repensar a situação atual da pesquisa com seres
humanos no Brasil e no mundo, ao passo que destacou os pontos mais importantes
da história da pesquisa médica.
Vale salientar que o filme serviu de aporte na formação de opiniões e
questionamentos acerca do tema pesquisado, o qual não é em todo esgotado na
presente pesquisa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

APOSTILA DE BIOÉTICA E DEONTOLOGIA EM ENFERMAGEM. Aspectos ético-


legais na pesquisa em enfermagem.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Disponível em :<


http://www.mp.ba.gov.br/atuacao/cidadania/nudh/download/decunivdireitoshumanos.
pdf>. Acesso em 23 de Nov. 2008.

MEDIDAS EXTREMAS. Produção de Simian films. Manaus: Microservice


Tecnologia Digital da Amazônia distribuidora, 1996. 1 DVD (118 min): DVD Vídeo,
son., color. Legendado. Port.

PINTO, Luiz H. da Silva e Silva, Adriana da. Código de Ética (Deontologia) dos
Profissionais de Enfermagem. São Paulo: Atheneu. 2007.

TELLES, J.L. Bioética, Biotecnologias e Biossegurança: Desafios para o século XXI.


Rio de Janeiro: Editora Interciência, 2003.

TELLES, J.L. Bioética e Biorrisco: Abordagem Transdisciplinar, Rio de Janeiro:


Editora Interciência, 2003.