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UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA ± UNEB
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO E
CONTEMPORANEIDADE ± PPGEDUC
LINHA PROCESSO CIVILIZATÓRIO: EDUCAÇÃO, MEMÓRIA E
PLURALIDADE CULTURAL

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Resumo do Projeto de Pesquisa

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO


CÁRCERE: Identidade Racial e (Re)inserção à Sociedade:
Detentos da Penitenciária Lemos Brito (Salvador-BA)c

Salvador
2010
Educação como proposta de inclusão social para detentos e egressos do sistema
penitenciário é tema ainda pouco estudado e que exige pesquisas e reflexões,
especialmente no que se refere às alternativas de trabalho e educação para qualificar um
contingente de pessoas tão heterogêneas, tanto do ponto de vista sociocultural quanto
educacional. No atual mercado de trabalho, em que a escolarização é primordial para se
obter oportunidades, os apenados, que em sua maioria têm baixo nível educacional, na
volta à sociedade na condição de ex-detento não terão muitas possibilidades de entrarem
no competitivo mercado que exige cada vez mais qualificação técnica e educacional.
Entretanto, a política de educação para esses apenados norteará a sua volta a sociedade,
com seus direitos e deveres.

Para compreender a falta de políticas voltadas para a reinserção desses apenados a


sociedade, temos que perceber quem são esses presos, pois, a origem socio-cultural e
racial desses indivíduos na sociedade explica as ações executada pelos poderes públicos
na invisibilidade dos mesmos. O racismo no Brasil pode ser identificado quando se
realiza uma leitura comparativa, quantitativa e qualitativa, das desigualdades sociais e
das suas conseqüências na vida das populações negras e brancas. Assim, compreender a
falta de assistência a esse contingente de apenados é entender que isso decorre do
racismo, enquanto uma pratica que reproduz na consciência social coletiva um amplo
conjunto de falsas verdades e torna os resultados da própria ação comprovação dessas
verdades falseadas. (CAVALLEIRO, 2000, p. 196-197)

Podem-se entender as formas de preconceitos sofridos pelos individuas apenada de


volta a sociedade, recorrendo a Cavalleiro (2000) quando assinala que,
... os estereótipos são fios condutores para a propagação do preconceito.
Podemos dizer que eles têm a função de simplificar problemas. Evitam
pensar sobre os efeitos das condições sociais, que contribuem para o
desajustamento e exclusão de alguns, e impedem a reflexão sobre o mundo
real. Seus conteúdos são mecanismos sociais que visam manter o j  j
de um determinado segmento social.(CAVALLEIRO, 2000, p. 198)

Mas compreender o universo prisional é entender que ao chegar á prisão, o sentenciado


traz uma concepção de si mesmo formada ao longo de sua vivencia no mundo
doméstico. Neste momento, ele é totalmente despido do seu referencial, pois ao entrar
na prisão o sentenciado é desvinculado de todos os seus objetos pessoais, desde a roupa
até os documentos. E a educação neste contexto exerce um papel relevante a educação
de Jovens e Adultos como uma modalidade de ensino voltada para pessoas que não
tiveram acesso, por algum motivo, ao ensino regular na idade apropriada. A prática
educativa trabalhará esse universo e suas experiências particulares, entretanto, ao chegar
à prisão, seus direitos civis são tirados e ele veste um uniforme. Desse modo, entra pobre na
instituição, em termos materiais, e recebe alguns objetos que o colocarão acima da linha da
mera necessidade. Ele é, portanto, um objeto semi-humano, um organismo com um número.

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A questão racial tem que ser levada em conta quando se trata de uma população
carcerária, onde a maioria é composta por pessoas negras e/ou afro-brasileiras. Nesse
ponto, entram duas dimensões de discriminação: uma é ser ex-detento e a outra é ser
negro. Podemos destacar que o racismo representa a hierarquia reinventada em uma
sociedade supostamente igualitária. O racismo é um tema da agenda da modernidade,
que, apesar de tão globalizada, encontra-se marcada por ódio histórico, nomeado a partir
da raça, da etnia e da origem. Incluir o apenado de volta à sociedade compreendendo o
conflito racial velado de nossa sociedade é ponto crucial (SCHWARCZ, 2001, p, 81). A
autora demonstra ainda que ³somos racistas, mas nosso racismo é melhor, porque é
µmais brando que os outros¶, eis uma das novas versões de um mito que não pára de
crescer entre nós´ (SCHWARCZ, 2001, p. 237).

No Brasil, país de larga convivência com a escravidão, o cativeiro vigorou durante mais
de três séculos e sabe-se que a diáspora foi de tal vulto que um terço da população
africana deixou, compulsoriamente, seu continente de origem rumo às Américas e
acabou alterando cores, costumes e a própria estrutura da sociedade. Além disso, o
trabalho manual acabou ficando limitado exclusivamente aos escravizados, e a violência
se disseminou nessa sociedade das desigualdades, onde se acreditava, como dizia o
provérbio colonial, ³que os escravos eram os pés e as mãos do Brasil (SCHWARCZ,
2001, p 38-39).

Trabalhar com a diversidade, em um país marcado profundamente pela exclusão sócio-


racial como o Brasil é um grande desafio, visto que para avançar na discussão, é
importante compreender que a luta pelo reconhecimento e pelo direito à diversidade não
se opõe à luta pela superação das desigualdades sociais. Pelo contrário, ela coloca em
questão a forma desigual pela qual as diferenças vêm sendo historicamente tratadas na
sociedade, na escola e nas políticas educacionais. Essa luta alerta, ainda, para o fato de
que, ao desconhecer a diversidade, pode-se incorrer no erro de tratar as diferenças de
forma discriminatória, aumentando ainda mais a desigualdade, que se propaga via
conjugação de relações assimétricas de classe, raça, gênero, idade e orientação sexual
(GOMES, 2007, p. 31).

Os desafios postos pela diversidade na educação básica estão a exigir medidas políticas
que garantam para todos os grupos sociais, principalmente para aqueles que se
encontram histórica e socialmente excluídos, o acesso a uma educação de qualidade.
Para tal, é preciso desencadear ações articuladas entre o Estado, a comunidade, as
escolas e os diversos movimentos sociais que considerem (GOMES, 2007, p. 32). Entre
esses desafios destacamos a criação de condições políticas e pedagógicas que garantam
a implementação da Lei nº 10.639/03 (obrigatoriedade do ensino de História da África e
da Cultura Afro-brasileira na Educação Básica) e as Diretrizes Curriculares Nacionais
para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-
brasileira e Africana, as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do
Campo e as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.

As desigualdades vigentes na educação para com a população afro-brasileira e tendo


com base a idéia de Bourdieu do Capital Cultural, onde esse contingente populacional
sempre foi sub-representado e não lograram dos privilegio que o contingente branco
tiveram essa falta de representação sempre colocaram esses indivíduos à margem da
sociedade, nos subempregos, nas periferias e nas prisões. Entender o porquê que os
negros são a grande maioria nas prisões, é compreender que o Capital Cultural
adquirido por essas pessoas não tiveram e não tem o mesmo valor do Capital Cultural
dos brancos. Por que a sociedade é um espaço de conflito e concorrência entre grupos e
o habitus legitima o poder do dominante. Ressaltando Gonh (2008) onde enfatiza que,
Uma sociedade onde excluídos competem em grupos seletos e muitos
excluídos vagam e migram em diferentes áreas e espaços por que são
³sobrantes´ não há mais vagas ou lugar para eles no mercado de
trabalho. (...) Estão desterritorizados. Se pertencentes às camadas
populares, são os novos párias, os ³vagabundos pré-industriais´
perdidos na modernidade. (GONH. p, 97. 2008).

A escola deve reconhecer a existência de demandas individuais e coletivas, orientar-se


para a liberdade do sujeito pessoal, para a comunicação intelectual e para a gestão
democrática da sociedade e suas mudanças. Deve aumenta a capacidade dos indivíduos
de ser sujeitos, de compreenderem o outro na sua cultura. E a educação tem o papel de
desenvolver em todos os membros da sociedade, sem distinção, a aptidão para as
práticas culturais que a sociedade considera como nobres. E pensar na reinserção do
preso a partir da educação é fundamental, pois a educação dá aos apenados perspectivas
na sua volta a sociedade, por que a partir da sua qualificação educacional, ele terá mais
chance no mercado de trabalho. A escola como motivadora cultural, é o lugar onde os
primeiros questionamentos e aprendizados a respeito dessa cultura, tida como nobre se
desenvolve, ou seja, a escola é a ligação entre o mundo erudito e o mundo popular, é no
ambiente escolar que se afirmam identidades e se descobre o mundo fora da nossa
comunidade, do cotidiano de todas as classes.