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A elaboração da Constituição do Brasil de 1824 foi bastante conturbada.

Logo após a Proclamação da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, ocorreu


um conflito entre radicais e conservadores na Assembleia Constituinte. A Independência do
Brasil não havia se consolidado com a aclamação e coroação do Imperador, mas sim com
sua Constituição.

A Assembleia Constituinte iniciou seu trabalho em 3 de maio de 1823, quando o imperador


Dom Pedro I discursou sobre o que esperava dos legisladores.

Uma parte dos constituintes tinha orientação liberal-democrata: queriam uma monarquia
que respeitasse os direitos individuais, delimitando os poderes do Imperador.

D. Pedro I queria ter poder sobre o Legislativo através do voto, iniciando uma desavença
entre ambos os pontos de vista.

D. Pedro I mandou o Exército invadir o plenário em 12 de novembro de 1823, prendendo e


exilando diversos deputados, este episódio ficou conhecido como "A Noite da Agonia".

Feito isto, reuniu dez cidadãos de sua inteira confiança, pertencentes ao Partido Português,
entre eles João Gomes da Silveira Mendonça, os quais, após algumas discussões a portas
fechadas, redigiram a Primeira Constituição do Brasil no dia 25 de março de 1824, sendo
escrita pelo arquivista das bibliotecas reais, o sr. Luís Joaquim dos Santos Marrocos.

D. Pedro I iria repetir processo de outorga semelhante quando dois anos depois, já como D.
Pedro IV de Portugal, participou da elaboração da constituição portuguesa de 1826.

A Constituição de 1824 foi a constituição brasileira que teve uma vigência mais longa, e,
quando foi revogada com a Proclamação da República do Brasil, era a terceira constituição
mais antiga do mundo que estava em vigor. Só era mais nova que as Constituições dos
Estados Unidos, de 1787, e da Suécia, de 1809. A Constituição recebeu importantes
modificações por meio do Ato Adicional de 1834, que dentre outras alterações criou as
Assembléias Legislativas Provinciais.

Índice
[esconder]

• 1 Contexto histórico
o 1.1 Outorga da Constituição brasileira
• 2 Pontos principais
o 2.1 Classificação quanto às normas
• 3 Referências

• 4 Ligações externas
[editar] Contexto histórico
No dia 3 de março de 1823, JOSHUA COLUSSI participante da acenbléia
consttituinteAssembleia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil iniciou sua
legislatura com o intento de realizar a primeira Constituição Política do país. No mesmo
dia, D. Pedro I discursou para os deputados reunidos, deixando clara a razão de ter
afirmado durante sua coroação no final do ano anterior que a Constituição deveria ser digna
do Brasil e de si (frase esta que fora ideia de José Bonifácio e não do Imperador[1]):

Como Imperador Constitucional, e mui especialmente como Defensor Perpétuo deste


Império(nesse discurso, no original, lê-se "Sacro-Império" em vez de somente "Império",
essa versão acertada temos nos livros e comentários dos escritores chamados
"monarquistas" que foram "cassados politicamente" pelos chamados "republicanos" no
século 20, como Mário Henrique Simonsen), disse ao povo no dia 1 de dezembro do ano
próximo passado, em que fui coroado e sagrado – que com a minha espada defenderia a
Pátria, Nação e a Constituição, se fosse digna do Brasil e de mim…, uma Constituição em
que os três poderes sejam bem divididos… uma Constituição que, pondo barreiras
inacessíveis ao despotismo quer real, aristocrático, quer democrático, afugente a anarquia
e plante a árvore da liberdade a cuja sombra deve crescer a união, tranquilidade e
independência deste Império, que será o assombro do mundo novo e velho. Todas as
Constituições, que à maneira de 1791 e 1792 têm estabelecido suas bases, e se têm querido
organizar, a experiência nos tem mostrado que são totalmente teóricas e metafísicas, e por
isso inexequíveis: assim o prova a França, a Espanha e, ultimamente, Portugal. Elas não
tem feito, como deviam, a felicidade geral, mas sim, depois de uma licenciosa liberdade,
vemos que em uns países já aparecem, e em outros ainda não tarda a aparecer, o
despotismo em um, depois de ter sido exercido por muitos, sendo consequência necessária
ficarem os povos reduzidos à triste situação de presenciarem e sofrerem todos os horrores
da anarquia.[2]

D. Pedro I lembrou aos deputados em seu discurso que a Constituição deveria impedir
eventuais abusos não somente por parte do monarca, mas também por parte da classe
política e da própria população. Para tanto, seria necessário evitar implantar no país leis que
na prática seriam desrespeitadas. A Assembleia num primeiro momento se prontificou a
aceitar o pedido do Imperador,[3] mas alguns deputados se sentiram incomodados com o
discurso de D. Pedro I. Um deles, o deputado por Pernambuco Andrade de Lima,
manifestou claramente seu descontentamento, alegando que a frase do monarca fora por
demais ambígua.[1] Os deputados que se encontravam na Constituinte eram em sua grande
maioria liberais moderados, reunindo "o que havia de melhor e de mais representativo no
Brasil".[4] Foram eleitos de maneira indireta e por voto censitário e não pertenciam a
partidos, que ainda não existiam no país.[4] Havia, contudo, facções entre os mesmos, sendo
três discerníveis: os "bonifácios", que eram liderados por José Bonifácio e defendiam a
existência de uma monarquia forte, mas constitucional e centralizada, para assim evitar a
possibilidade de fragmentação do país, e pretendiam abolir o tráfico de escravos e a
escravidão, realizar uma reforma agrária e de desenvolver economicamente o país livre de
empréstimos estrangeiros.[5] Os "portugueses absolutistas", que compreendiam não apenas
lusitanos, mas também brasileiros e defendiam uma monarquia absoluta e centralizada,
além da manutenção de seus privilégios econômicos e sociais. E por último, os "liberais
federalistas", que contavam em seus quadros com portugueses e brasileiros, e que
pregavam uma monarquia meramente figurativa e descentralizada, se possível federal, em
conjunto com a manutenção da escravidão, além de combaterem com veemência os
projetos dos bonifácios.[5] Ideologicamente, o Imperador se identificava com os bonifácios
tanto em relação aos projetos sociais e econômicos, quanto em relação aos políticos, pois
não tinha interesse nem em atuar como um monarca absoluto e muito menos em servir
como "uma figura de papelão no governo".[6]

O esboço da Constituição de 1823 foi escrito por Antônio Carlos de Andrada, que sofreu
forte influência das Cartas francesa e norueguesa.[7] Em seguida foi remetido à Constituinte,
onde os deputados iniciaram os trabalhos para a realização da carta. Existiam diversas
diferenças entre o projeto de 1823 e a posterior Constituição de 1824. Na questão do
federalismo, era centralizadora, pois dividia o país em comarcas, que são divisões
meramente judiciais e não administrativas.[8] As qualificações para eleitor eram muito mais
restritivas que a Carta de 1824.[9] Definia também que seriam considerados cidadãos
Brasileiros somente os homens livres no Brasil, e não os escravos que eventualmente
viessem a serem libertados, diferentemente da Constituição de 1824.[10] Era prevista a
separação dos três poderes, sendo o Executivo delegado ao Imperador, mas a
responsabilidade por seus atos recairia sobre os ministros de Estado. A Constituinte optou
também pela inclusão do veto suspensivo por parte do Imperador (assim como a de 1824),
que poderia inclusive vetar se assim o desejasse o próprio projeto de Constituição.

Entretanto, mudanças nos rumos políticos levaram os deputados a proporem tornar o


monarca uma figura meramente simbólica, completamente subordinada à Assembleia. Este
fato, seguido pela aprovação de um projeto em 12 de junho de 1823 pelo qual as leis
criadas pelo órgão dispensariam a sanção do Monarca levou dom Pedro I a entrar em
choque com a Constituinte.[11]

Por trás da disputa entre o Imperador e a Assembleia,[12] havia outra, mais profunda e que
foi a real causa da dissolução da Constituinte. Desde o início dos trabalhos legislativos os
liberais federalistas tinham como principal intuito derrubar o ministério presidido por José
Bonifácio a qualquer custo e se vingar pelas perseguições que sofreram durante a Bonifácia
ocorrida no ano anterior. Os portugueses absolutistas, por outro lado, viram seus interesses
feridos quando José Bonifácio emitiu os decretos de 12 de novembro de 1822 e 11 de
dezembro de 1822, onde no primeiro eliminava os privilégios dos lusitanos e no segundo
sequestrava os bens, mercadorias e imóveis pertencentes aos mesmos que tivessem apoiado
Portugal durante a independência brasileira.[13] Apesar das diferenças, os portugueses e os
liberais se aliaram com o objetivo de retirar do poder o inimigo comum.[5] Os liberais e
portugueses aliciaram os:

[…]"desafetos dos Andradas, cujo valimento junto ao Imperador açulava muitas invejas e
cuja altaneira, por vezes grosseira, suscetibilizava muitos melindres e feria muitas
vaidades. Duros para com os adversários, os Andradas tinham suscitado fartura de
inimigos no prestígio conquistado pela sua superioridade intelectual e pela sua
honestidade. Os descontentes uniram-se para derrubá-los e na aliança se confundiram
moderados com exaltados".[14]
As duas facções aliadas arregimentaram os amigos íntimos do Imperador para o seu lado,
que logo trataram de envenenar a amizade do monarca com o seu grande amigo, José
Bonifácio. Vendo a maior parte da Assembleia abertamente descontente com o Ministério
Andrada e influenciado por seus amigos, que se identificavam com os interesses dos
portugueses, D. Pedro I demitiu os ministros de Estado.[15] Iniciou-se então uma guerra de
ataques entre os jornais do país, que defendiam uma ou outra facção política. A aliança
entre os liberais e portugueses foi efêmera. Logo que o Ministério Andrada foi demitido, os
dois grupos voltaram-se um contra o outro. Para o monarca qualquer relação com os
liberais seria inadmissível, pois sabia muito bem de suas intenções em transformá-lo numa
figura meramente decorativa. Os ataques contra os portugueses em geral e até mesmo
contra D. Pedro I por parte dos jornais e deputados a favor dos Andradas levou o Imperador
a se aproximar dos portugueses.

A crise tornou-se ainda mais séria quando um episódio que normalmente seria
completamente ignorado acabou por ser utilizado para fins políticos. Um boticário nascido
no Brasil, que também praticava o jornalismo, sofreu agressões físicas por parte de dois
oficiais lusitanos que erroneamente acreditavam que ele tivesse sido o autor de artigo
injurioso. Os Andradas aproveitaram a oportunidade para alegar que a agressão sofrida pelo
boticário fora na realidade um atentado contra a honra do Brasil e do povo brasileiro.[16][17]
Antônio Carlos de Andrada e Martim Francisco de Andrada foram levados sobre os ombros
de uma multidão e seguiu-se uma onda de xenofobia antilusitana que acirrou ainda mais os
ânimos. A tudo D. Pedro I assistiu da janela do Paço Imperial que se encontrava ao lado da
"Cadeia Velha", nome do local onde estava se realizando a Constituinte. O Imperador
ordenou que o Exército se preparasse para um conflito.[17] "Dom Pedro I detinha a
fidelidade da oficialidade, que se sentira agredida pelos insultos direcionados a si e ao
Imperador pelos jornais aliados aos Andradas e exigia uma punição aos mesmos. Os
deputados demonstraram apreensão e exigiram respostas sobre a razão da reunião de tropas
em São Cristóvão. O ministro do Império, Francisco Vilela Barbosa, representando o
governo, dirigiu-se a Assembleia demandando que se processassem os irmãos Andradas
pelos supostos abusos que cometeram. Os deputados reunidos debateram sobre a proposta
do governo e permaneceram em sessão durante a madrugada. Mas no dia seguinte quando
Vilela Barbosa retornou a Assembleia para dar explicações sobre a reunião das tropas,
alguns deputados gritaram exigindo que D. Pedro I fosse declarado "fora-da-lei". O
Imperador ao saber disto, antes mesmo que o ministro do Império retornasse da
Assembleia, assinou o decreto dissolvendo a Constituinte.[18] Sobre o episódio, Oliveira
Lima afirmou que:

"A madrugada da ‘noite de agonia’ não iluminou todavia martírio algum. Os deputados
que se tinham declarado prontos a cair varados pelas baionetas imperiais, voltaram
tranquilamente para suas habitações, sem que os soldados os incomodassem. Seis tão-
somente foram deportados para a França, entre eles os três Andradas".[16]

Os portugueses propuseram a D. Pedro I que enviasse os irmãos Andradas para Portugal


pois lá muito provavelmente seriam condenados à morte por suas participações na
independência brasileira. Pediram apenas o seu consentimento. "Não! Não consinto porque
é uma perfídia [deslealdade]", respondeu o monarca.[19] Apesar da apreensão de D. Pedro I
quanto a possibilidade de se tornar uma figura nula no governo do país e sua demonstração
de descontentamento, não foi a razão principal do fechamento da Constituinte. Os
deputados deveriam ter se reunido para elaborarem uma Constituição para o país e debater
seus artigos. Contudo, perderam-se em disputas pelo poder e somente para defender seus
próprios interesses levaram a capital do Império à beira da anarquia. Este não foi o fim dos
deputados, entretanto. Da Constituinte saíram 33 senadores, 28 ministros de Estado, 18
presidentes de província, 7 membros do primeiro conselho de Estado e 4 regentes do
Império.[20]

[editar] Outorga da Constituição brasileira

Não era o desejo de D. Pedro I imperar como um déspota, pois "sua ambição era ser
guardado pelo amor de seu povo e pela fidelidade das suas tropas e não impor sua
tirania".[6] O Imperador, por tal razão, encarregou o Conselho de Estado criado em 13 de
novembro de 1823 de redigir um novo projeto de Constituição que estaria finalizado em
apenas quinze dias. Era um "conselho de notáveis"[21] formado por juristas renomados,
sendo todos Brasileiros natos.[22] O grupo incluía Carneiro de Campos, principal autor da
nova Carta, além de Vilela Barbosa, Maciel da Costa, Nogueira da Gama, Carvalho e Melo,
dentre outros. O Conselho de Estado utilizou como base o projeto da Constituinte e assim
que terminou, enviou uma cópia da nova Constituição para todas as câmaras municipais.
Esperava-se que a Carta servisse como um projeto para uma nova Assembleia Constituinte.
[23]
Contudo, as câmaras municipais sugeriram ao Imperador ao invés que se adotasse
"imediatamente" o projeto como a Constituição brasileira.[23][24] Em seguida, as câmaras
municipais, compostas por vereadores eleitos pelo povo brasileiro como seus
representantes, votaram a favor por sua adoção como a Carta Magna do Brasil
independente.[23][25][26] Pouquíssimas câmaras fizeram qualquer tipo de observação a
Constituição[22] e praticamente nenhuma fez alguma reserva.[27] A primeira Constituição
brasileira foi então outorgada por D. Pedro I e solenemente jurada na Catedral do Império,
no dia 25 de março de 1824.[28]

A Carta outorgada em 1824 foi influenciada pelas Constituições francesa de 1791 e


espanhola de 1812.[27] Era um "belo documento de liberalismo do tipo francês",[29] com um
sistema representativo baseado na teoria da soberania nacional.[30] A forma de governo era a
monárquica, hereditária, constitucional e representativa, sendo o país dividido formalmente
em províncias e o poder político estava dividido em quatro, conforme a filosofia liberal das
teorias da separação dos poderes e de Benjamin Constant.[27] A Constituição era uma das
mais liberais que existiam em sua época,[31][32] até mesmo superando as europeias.[33] Fora
mais liberal, em diversos pontos,[34] e menos centralizadora que o projeto da Constituinte,[35]
revelando que os "constituintes do primeiro reinado que estavam perfeitamente atualizados
com as ideias da época".[36] Apesar da Constituição prever a possibilidade de liberdade
religiosa somente em âmbito doméstico, na prática, ela era total. Tanto os protestantes,
como judeus e seguidores de outras religiões mantiveram seus templos religiosos e a mais
completa liberdade de culto.[32] Continha uma inovação, que era o Poder Moderador, cujo
surgimento na letra da lei fora atribuída a Martim Francisco de Andrada, um grande
admirador de Benjamin Constant.[37] Este Poder serviria para "resolver impasses e
assegurar o funcionamento do governo".[32] A separação entre o Poder Executivo e
Moderador surgiu a partir da prática no sistema monárquico-parlamentarista britânico.[35]
Havia na Carta Magna "algumas das melhores possibilidades da revolução liberal que
andava pelo ocidente – as que iriam frutificar, embora imperfeitamente, no reinado de D.
Pedro II".[22] Isabel Lustosa diz que "segundo [Neill] Macaulay, ele proporcionou uma
Carta invulgar, sob a qual o Brasil salvaguardou por mais de 65 anos os direitos básicos
dos cidadãos de maneira melhor ‘do que qualquer outra nação do hemisfério ocidental,
com a possível exceção dos Estados Unidos’".[32] De acordo com João de Scantimburgo:[38]

"D. Pedro I e os seus constituintes tiveram o bom senso de escolher o melhor regime para
a nação tropical, que se emancipava na América, sem copiar os Estados Unidos já
consolidados, e as nações hispano-americanas retaliadas por tropelias sem fim, pelo
revezamento de breves períodos democráticos e ditaduras caudilhescas".

Houve uma reforma constitucional no ano de 1834 que extinguiu o conselho de estado e
deu maior autonômia às assembléias legislativas das províncias (BONAVIDES, Paulo.
História Constitucional do Brasil. 3ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.p.110 a 120)

[editar] Pontos principais


Principais características desta constituição:

• O governo era uma monarquia unitária e hereditária;


• A existência de 4 poderes: o Legislativo, o Executivo, o Judiciário e o Poder
Moderador, este acima dos demais poderes, exercido pelo Imperador;
• O Estado adotava o catolicismo como religião oficial. As outras religiões eram
permitidas com seu culto doméstico, nunca podendo construir Templos Religiosos;
• Define quem é considerado cidadão brasileiro;
• As eleições eram censitárias, abertas e indiretas;
• Submissão da Igreja ao Estado, inclusive com o direito do Imperador de conceder
cargos eclesiásticos na Igreja Católica (padroado);
• Foi uma das primeiras do mundo a incluir em seu texto (artigo 179) um rol de
direitos e garantias individuais;
• O Imperador era irresponsável (não respondia pelos seus atos judicialmente).
• Por meio do Poder Moderador o imperador nomeava os membros vitalícios do
Conselho de Estado os presidentes de província, as autoridades eclesiásticas da
Igreja oficial católica apostólica romana, o Senado vitalício. Também nomeava e
suspendia os magistrados do Poder Judiciário, assim como nomeava e destituía os
ministros do Poder Executivo.

[editar] Classificação quanto às normas

É uma Constituição escrita, semi-rígida, codificada, outorgada, dogmática e analítica.


Guarda os princípios do liberalismo, desvirtuados pelo excessivo centralismo do imperador.
Alguns artigos relevantes da constituição:[39]
• Art. 1. O Império do Brasil é a associação política de todos os brasileiros. Eles
formam uma nação livre e independente, que não admite com qualquer outra laço
algum de união e federação que se oponha à sua independência.
• Art. 3. O seu governo é monárquico, hereditário, constitucional e representativo.
• Art. 5. A Religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a religião do
Império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico, ou
particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo.
• Art. 11. Os representantes da Nação brasileira são o Imperador e a Assembleia
Geral.
• Art. 14. A Assembleia Geral compõe-se de duas câmaras: Câmara de Deputados e
Câmara de Senadores ou Senado.
• Art. 35. A Câmara dos Deputados é eletiva e temporária.
• Art. 40. O Senado é composto de membros vitalícios e será organizado por eleição
provincial.
• Art. 98. O Poder Moderador é a chave de toda a organização política e é delegada
privativamente ao Imperador, como Chefe Supremo da Nação e seu Primeiro
Representante, para que incessantemente vele sobre a manutenção da
independência, equilíbrio e harmonia dos mais Poderes políticos.
• Art. 102. O Imperador é o Chefe do Poder Executivo e o exercita pelos seus
ministros de Estado.
• Art. 137. Haverá um Conselho de Estado, composto de conselheiros vitalícios,
nomeados pelo Imperador.
No dia 12 de novembro de 1823, o imperador Dom Pedro I impôs a dissolução da
Assembleia Constituinte que iria discutir e elaborar a primeira carta magna do Brasil. Entre
outras razões, o imperador executou tal ação autoritária temendo que a nossa primeira
constituição limitasse seus poderes excessivamente. Em seu decreto oficial sobre o assunto,
o imperador estranhamente alegava que os constituintes não defendiam a autonomia e a
integridade da nação.

Após tal ato, D. Pedro I formou um Conselho de Estado composto por dez membros e
presidido por sua própria figura. Esse pequeno grupo de apoiadores do rei foi responsável
por discutir e elaborar a primeira Constituição do Brasil, outorgada no dia 25 de março de
1824. Sem qualquer tipo de participação política mais ampla ou a observância de outro
poder, o país ganhou uma carta constitucional claramente subordinada aos interesses do rei.

Visando oferecer uma aparência liberal, a Constituição de 1824 empreendeu a divisão de


poderes políticos entre Legislativo, Executivo e Judiciário. Entretanto, a mesma lei que
oficializava essas esferas de poder autônomo, também instituiu a criação do chamado Poder
Moderador. Exercido unicamente pela figura do imperador, esse poder tinha a capacidade
de desfazer e anular as decisões tomadas pelos outros poderes. Desse modo, nosso governo
combinava ambíguos traços de liberalismo e absolutismo.

O sistema eleitoral era organizado por meio de eleições indiretas, onde os eleitores de
paróquia votavam nos chamados eleitores de província. Esses, por sua vez, votavam na
escolha dos deputados e senadores. Para exercer tais direitos, o cidadão deveria pertencer
ao sexo masculino e ter mais de 25 anos de idade. Além disso, deveria comprovar uma
renda mínima de 100 mil-réis anuais para poder votar. Desse modo, percebemos que o
sistema eleitoral do império excluía grande parte da população.

Tomada por suas desigualdades, a Constituição de 1824 estava longe de cumprir qualquer
ideal de isonomia entre a população brasileira. O imperador tinha amplos poderes em suas
mãos e poderia exercê-lo segundo suas próprias demandas. Não por acaso, vemos que essa
época foi tomada por intensas discussões políticas e revoltas que iam contra essa estrutura
de poder fortemente centralizada. De fato, essa constituição só perdeu a sua vigência ao fim
do período imperial.

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