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  Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais

Departamento de Química
Corrosão 
 
 

Apostila de Corrosão: 
Formas de Corrosão, 

 Mecanismos,  

Meios Corrosivos,  

Corrosão Galvânica 

Corrosão Seletiva 
 

Professor: Jorge Ferreira da Silva Filho 

Belo Horizonte 

Edição 2009/1 

 
 
 
Corrosão 
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5. Formas de Corrosão 
 
 
Processos de corrosão: reações químicas heterogêneas ou reações eletroquímicas que 
se passam geralmente na superfície de separação entre o metal e o meio corrosivo. 
 
Reações de oxidação do metal: 
Metal: age como redutor, cedendo elétrons. 
Meio corrosivo: substância oxidante, recebe os elétrons 
 
 
Classificação 
• De  acordo  com  a  aparência  ou  forma  de  ataque  e  as  diferentes  causas  da 
corrosão e seus mecanismos.  
 
Morfologia : 
 
• Uniforme; 
• Por placas; 
• Alveolar; 
• Puntiforme ou por pite; 
• Intergranular; 
• Intragranular; 
• Filiforme; 
• Por esfoliação; 
• Grafítica; 
• Dezincificação; 
• Em torno do cordão de solda; 
• Empolamento pelo hidrogênio. 
 
Causas ou mecanismos: 
• Aeração diferencial; 
• Eletrolítica ou por corrente de fuga; 
• Galvânica; 
• Associada a solicitações mecânicas; 
• Em torno do cordão da solda; 
• Seletiva; 
• Empolamento ou Fragilização pelo hidrogênio 
 
Fatores mecânicos: 
• Sob tensão; 
• Sob fadiga; 
• Por atrito; 
• Associada a erosão; 
 
 
 

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Corrosão 
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Meio corrosivo: 
• Atmosférica; 
• Pelo solo; 
• Por microorganismos; 
• Pela água do mar; 
• Por sais fundidos. 
 
Localização:  
• Por pite; 
• Uniforme; 
• Intergranular; 
• Transgranular. 
 
 
5.1 Uniforme: 
• Ocorre em toda a extensão da superfície, 
• Causa perda uniforme da espessura 
 

 
 
5.2 Por Placas 
• Ocorre em regiões da superfície metálica, não em toda a extensão, em forma 
placas com escovações 
 

 
 
 
 

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Corrosão 
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5.3 Alveolar: 
 
Ocorre na superfície metálica. Produz sulcos ou escavações de fundo arredondado, 
com profundidade geralmente menor que o seu diâmetro. 
 

 
 
5.4 Puntiforme ou Pite: 
 
• É caracterizada por pontos ou pequenas áreas da superfície, de cavidades com 
fundo em forma angulosa, cuja profundidade geralmente maior que o diâmetro 
 
• Em inglês: Pitting corrosion. 
 
• Os pites podem ser: Arredondados, anguloso ou puntiformes. 

 
 

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Corrosão 
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Dimensão das cavidades no caso de pites: 
• Número de pites por unidade de área. 
• Diâmetro 
• Profundidade 
 
Medidas de profundidade: 
• Micrômetro; 
• Corte da seção transversal; 
• Auxílio de microscópio. 
 
Formas de Pite 

 
 
Fator de pite:  
• Pmp: pite de maior profundidade 
• Pm: valor médio dos cinco pites mais profundos 
 
P
  Fpite = mp
  PM
 
5.5 Intergranular: 
 
• Ocorre entre os grãos da rede cristalina 
• Perde suas propriedades mecânicas; 
• Pode fraturar: 
• Corrosão sob Tensão Fraturante (CTF:Stress Corrosion Cracking)   

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Corrosão 
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5.6 Intragranular: 
 
Ocorre nos grãos da rede cristalina, podendo perder suas propriedades mecânica 
e, conseqüentemente, poderá fraturar: Corrosão sob tensão fraturante. 

 
 
5.7 Filiforme: 
 
É caracterizada pela formação de filamentos finos, não profundos que se propagam 
em direções distintas: O produto de corrosão, em estado coloidal, com carga positiva. 
• Ocorre  em  superfícies  revestidas  por  tintas  ou  metal,  em  umidade  relativa 
maior  que  85%;  para  revestimentos  permeáveis  à  penetração  do  oxigênio  e 
água 

 
 
5.8 Esfoliação: 
 
• Ocorre de forma paralela à superfície; 
• Ex: chapas ou componentes extrudados; 
• Grãos alongados e achatados 
• Cria condições para que transformação de inclusões e segregações. 

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5.9 Corrosão Grafítica: 
 
• Ocorre no Ferro fundido cinzento, em temperatura ambiente 
• O ferro é convertido em produto de corrosão 
• Grafite como produto restante. 

 
 
5.10 Dezincificação 
 
• Ligas de cobre‐zinco (latões) 
• Aparecimento de regiões avermelhadas 
 

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Corrosão 
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5.11 Empolamento pelo hidrogênio 
 
• O  hidrogênio  tem  pequeno  volume  atômico,  ocorrendo  assim  a  difusão  do 
mesmo. 
• Transforma‐se hidrogênio molecular, H2; 
• Forma bolhas: empolamento. 

 
 
5.12 Em torno do cordão de solda 

 
 
5.13 Causas de ataques localizados 
 
• Relação entre áreas anódicas e catódicas; 
• Aeração diferencial; 
• Variação de pH; 
• Presença de produtos de corrosão 
 
Heterogeneidades: 
• Composição; 
• Presença de impurezas; 
• Tratamentos térmicos ou mecânicos; 
• Condições de superfície; 
• Depósitos; 
• Frestas; 
• Metais diferentes em contato. 

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Corrosão 
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Meio corrosivo: 
• Composição química; 
• Diferenças na concentração; 
• Aeração; 
• Temperatura; 
• Velocidade e pH; 
• Teor de oxigênio; 
• Sólidos suspensos; 
• Condições de imersão 
• Movimento relativo. 
 
Mecanismo: Formação de Pites 
• Íon penetrando na película, Cl‐, aumenta a condutividade da película. 
• Aumenta a condutividade iônica da película. 
• O íon adsorve na interface , baixando a energia interfacial; 
• Ocorre fraturas da película ou deslocamento. 
• Processo autocatalítico: 
 
• Na área anódica, dentro do pite, oxidação do aço, formação de Fe2+, Cr2+ e Ni+ 
  Fe ⎯ ⎯→ Fe 2+ + 2e

• O  Cl   migra  para  dentro  do  pite,  para  manter  a  compensação  de  cargas, 
aumenta a concentração de FeCl2. 
• FeCl2 sofre hidrólise, formando HCl (H+ + Cl‐) 
 
  FeCl2 + 2 H 2O → Fe(OH ) 2 + 2 H + + 2Cl −
  Fe 2+ + 2 H 2O → Fe(OH ) 2 + 2 H +
• Aumento de H+, decréscimo de pH, acelera o processo corrosivo, ataque pelo 
HCl formado: 
 
  Fe + 2 HCl → FeCl2 + H 2
  Fe + 2 H + → Fe 2+ + H 2
 
• Forma‐se FeCl2 novamente. 
• Não ocorre no pite:(redução do oxigênio) 
 
  H 2O + HO2 + 2e → 2OH −
• Ocorre: 
  2 H + + 2e → H 2
 
• Sulfetos no aço: acelera a formação de pites. 
• Quando pH decresce, no interior do pite, solubiliza inclusões como o MnS: 
 
MnS + 2 H + → Mn 2+ + H 2 S
 
• O H2S pode se dissociar em S2‐ ou HS‐, acelerando o ataque corrosivo. 
 
 

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Corrosão 
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Resistência à formação de Pite 
Elemento  Efeitos 
Carbono  Diminui 
Cromo  Aumenta 
Enxofre e selênio  Diminui 
Molibdênio  Aumenta 
Níquel  Aumenta 
Nitrogênio  Aumenta 
Silício  Diminui;  aumenta  quando  presente 
com molibdênio 
Titânio e nióbio  Diminui em FeCl3; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Corrosão 
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6. Mecanismos Básicos 
 
Estudo dos Processos Corrosivos: Variáveis 
Material Metálico: 
• Composição química; 
• Presença de impurezas; 
• Processo de obtenção; 
• Tratamentos térmicos e mecânicos; 
• Estado da superfície; 
• Forma; 
• União de materiais (solda, rebites, etc); 
• Contato com outros metais. 
 
 
Meio Corrosivo: 
• Composição química; 
• Concentração; 
• Impurezas; 
• pH; 
• Temperatura; 
• Teor de oxigênio; 
• Pressão; 
• Sólidos suspensos. 
 
 
Condições operacionais: 
• Solicitações mecânicas; 
• Movimento relativo; 
• Condições de imersão no meio (total ou parcial); 
• Meios de proteção contra a corrosão; 
• Operação contínua ou intermitente. 
 
Observações: 
• Os aços inox podem sofrer corrosão: 
• O aço AISI 304 em presença de íons cloreto e meio ácido; 
• O ácido sulfúrico concentrado: ataca primeiro o aço‐carbono, formando sulfato 
ferroso,  FeSO4,  que  fica  aderido  no  costado  no  tanque  (insolúvel  no  ácido 
concentrado) – protege contra posterior ataque.  
 
Condições operacionais: 
 
• Ácido sulfúrico diluído: (mais ionizado pela água) – mais corrosivo; 
• Formação de sulfato ferroso (não‐protetor): solúvel em ácido diluído; 
• Água com pH = 10: não é corrosiva para o aço‐carbono; 
• Em temperaturas normais – soluções concentradas de NaOH são armazenadas 
em tanques de aço carbono. 
 

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• Al,  Zn,  Sn,  Pb,:  sofrem  corrosão  em  soluções  com  pH  elevado,  formando  sais 
solúveis.  
• Cloro e Oxigênio sobre o aço inox AISI 304 e Ti: 
 
Na ausência de água: 
• Cloro seco: não ataca o aço inox AISI 304; 
• O Titânio reage rapidamente de forma exotérmica; 
• O oxigênio reage com aço inox: Cr2O3; 
• Na presença de água: 
• O cloro ataca rapidamente o aço inoxidável – forma‐se o ácido clorídrico 
 
  Cl2 + H 2O → HCl + HOCl ;
• O titânio, para ficar passivado, precisa de pequena quantidade de água, sendo 
resistente ao cloro úmido; 
 
Na presença de oxigênio, o aço inox forma a película Cr2O3, fica passivado; 
 
• O titânio para ser passivado precisa de pequenas quantidades de vapor d’água.  
• Armazenamento de cloro e da soda cáustica: 
• Na eletrólise da salmoura (30% de NaCl) – formação de Cl2, NaOH e H2; 
• NaOH – armazenado em tanques de aço carbono; 
• Cl2: é tratado com ácido sulfúrico concentrado para eliminar a água; 
• Cloro líquido sem água – comercialização em cilindros de aço‐carbono 
 
 
Estudo dos processos corrosivos: 
• Compatibilidade  entre  o  meio  corrosivo  e  o  material  (tabelas  e  taxas  de 
corrosão) 
• Condições operacionais; 
• Relatórios de inspeção de equipamentos, 
• Estabelecer o mecanismo responsável pelo processo corrosivo; 
• Proceder avaliação econômica – custos diretos e indiretos; 
• Indicar medidas de proteção: custo‐benefício. 
 
 
Mecanismo eletroquímicos: reações químicas que envolvem transferência de carga ou 
elétrons de uma interface metálica ou eletrólito. 
• Meio Corrosivo e o material: 
• Mecanismo eletroquímico: 
• Corrosão em água ou soluções aquosas; 
• Corrosão atmosférica; 
• Corrosão no solo; 
• Corrosão em sais fundidos. 
 
Mecanismo  químico:  reações  químicas  diretas  entre  o  material  metálico,  ou  não‐
metálico, e o meio corrosivo – não envolvendo geração de corrente elétrica. 

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Corrosão 
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• Exemplos: ataque de metais: Ni – por monóxido de carbono CO, ‐ formação de 
Ni(CO4) – carbonila de níquel – líquido volátil: 
 
Ni( s ) + 4CO( g ) → Ni (CO ) 4 ( l ) (50°C ,1atm)
 
 
Mecanismo químico: 
• Corrosão de material metálico, temperaturas elevadas, por gases ou vapores e 
em ausência de umidade (corrosão seca) 
• Corrosão em solventes orgânicos isentos de água; 
• Corrosão de materiais não‐metálicos 
 
Ataque de metais: 
• Fe,  Al,  Cu  –  por  cloro  em  temperaturas  elevadas  –  formação  dos  respectivos 
cloretos: 
  M + n / 2Cl2 ⎯ Δ
⎯→ MCln
 
• Ataque  de  metais  por  solventes  orgânicos:  na  ausência  de  água  –  magnésio 
reagindo  com  halogênios  de  alquila,  RX,  para  obtenção  dos  reagentes  de 
Grignard: 
 
  Mg + RX → RMgX
  Mg + C2 H 5 Br → C2 H 5 MgBr
 
• Ataque  da  borracha:por  ozônio,  oxidação  da  borracha  com  perda  da 
elasticidade – fica quebradiça. 
• Deterioração de concreto pelo sulfato: ataque da massa de concreto e não da 
armadura de aço‐carbono. 
 
Dissolução ou fratura do material deteriorado: 
• Corrosão de metais ou ligas por metais no estado líquido. 
• Ação do mercúrio: sobre o ouro, cobre e suas ligas, formando amálgamas; 
• Ação  de  sódio  fundido  sobre  o  aço:  usado  como  refrigerante  líquido  em 
reatores nucleares; 
• Mecanismo  físico:  dissolução  física  com  formação  de  liga  ou  penetração  do 
metal líquido nos contornos de grão do metal. 
 
Mecanismo Eletroquímico: 
 
• Pilha de corrosão: três etapas principais. 
• Processo anódico: passagem de íons para a solução; 
• Deslocamento  de  elétrons  e  íons:  transferência  de  elétrons  da  região 
anódica´para a catódica pelo circuito metálico e difusão de íons e cátions pelas 
solução; 
• Processo  catódico:  recepção  de  elétrons,  na  área  catódica,  pelos  íons  ou 
moléculas existentes na solução. 
• Reações anódicas e catódicas: 
 

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Corrosão 
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• Reação anódica: 
  M → M n + + ne
 
• Reações catódicas: 
 
nH + + ne → n / 2 H 2
 
• Meio ácido: redução do íon H+; 
 
n / 4O2 + n / 2 H 2O + ne → nOH −
 
• Meio não‐aerado:  
  n / 4O2 + nH + + ne → n / 2 H 2O
 
Redução do oxigênio: 
• (meio neutro ou  básico):  
• (meio ácido):  
 
Formação intermediária de peróxido de hidrogênio: 
 
• Meio neutro ou básico:  
  nH 2O + n / 2O2 + ne → n / 2 H 2O 2 + nOH −
 
  n / 2 H 2O2 + ne → nOH −
 
• Meio ácido: 
  nH + + n / 2O2 + ne → n / 2 H 2O2
 
n / 2 H 2O2 + nH + + ne → nH 2O
 
 
Redução do íon hidrogênio, H+, na área catódica: 
• Meio neutro não aerado, a reação (a+b):  
 
  H 2O ⇔ H + + OH − (a )
 
  H + + e → 1 2 H 2 (b)
  H 2O + e → 1 2 H 2 + OH − (a + b)
 
H+: da dissociação de ácidos, cuja parte iônica não tenha caráter oxidante: HCl 
• Parte aniônica com caráter oxidante: 
• Ácido nítrico, HNO3, 
• Redução do íon nitrato: 
 
  NO3− + 2 H + + 2e → NO2 + H 2O
  NO3− + 4 H + + 3e → NO + 2 H 2O
  NO3− + 8H + + 8e → NH 3 + 3H 2O
 
 
 

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Conclusões a partir dos mecanismos: 
 
• A corrosão será tanto mais intensa quanto menor o pH, teor elevado de H+; 
• Quanto maior  a concentração no meio corrosivo; 
• O2 como protetor: formação de óxido: Cr2O3, Al2O3, TiO2 
• Oxidação do cobre: 
• Oxidado o cobre permite ser atacado até pelos  ácidos não‐oxidantes, como o 
HCl diluído: 
 
  2Cu + 1 2 O2 ⎯ ⎯→ Cu 2O
  Cu 2O + 2 HCl ⎯ ⎯→ Cu 2Cl2 + H 2O
• Ou: 
 
  Cu + 1 2 O2 ⎯⎯→ CuO
  CuO + 2 HCl ⎯ ⎯→ CuCl2 + H 2O
 
Natureza Química do produto de Corrosão 
• Formado pelos íons das reações anódicas e catódicas: 
• Reações anódicas: 
  Fe ⎯ ⎯→ Fe 2 + + 2e
 
Zn ⎯ ⎯→ Zn 2 + + 2e
 
  Al ⎯ ⎯→ Al 3+ + 3e
• Produtos de corrosão: 
 
  Fe 2 + + 2OH − ⎯ ⎯→ Fe(OH ) 2
  Zn 2 + + 2OH − ⎯ ⎯→ Zn(OH ) 2
 
Al 3 + + 3OH − ⎯⎯→ Al (OH )3
 
Esses produtos insolúveis ocorrem no caso de meios neutros ou básicos; já no 
caso de meios ácidos ocorre a formação de sais solúveis, como cloretos e sulfatos, se 
os ácidos foram clorídrico e sulfúrico, respectivamente. 
Em atmosferas marinhas a corrosão é muito mais severa que me meios rurais 
devido à presença do sal que age como eletrólito. Em instalações sujeitas a condições 
atmosféricas,  observam‐se,  no  produto  de  corrosão,  sais  insolúveis  do  eletrólito 
existente  na  atmosfera.  Assim,  em  atmosferas  marinhas  é  comum  a  presença  de 
cloreto  básico  de  ferro  (III),  Fe(OH)2Cl  ou  Fe(OH)3.FeCl3,  que  é  insolúvel,  e  em 
atmosferas  industriais  se  encontra  o  sulfato  básico  de  ferro  (III),  Fe(OH)3.Fe2(SO4)3, 
também insolúvel, ou FeOHSO4. 
Considerando‐se o caso do ferro imerso em solução aquosa de cloreto de sódio 
como eletrólito, podem‐se admitir as reações: 
Anodo: 
Fe ⎯ ⎯→ Fe 2+ + 2e  
Área catódica: 
H 2O + 1 / 2O2 + 2e → 2OH −  

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Corrosão 
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Os íons metálicos, Fe2+, migram em direção ao catodo e os íons hidroxila, OH‐, 
migram  em  direção  ao  anodo,  e  numa  região  intermediária  esses  íons  se  encontram 
formando o Fe(OH)2, hidróxido de ferro (II) ou hidróxido ferroso 
Fe 2 + + 2OH − → Fe(OH ) 2  
Verifica‐se, então, que na eletroquímica o metal se oxida num lugar, o oxidante 
se reduz em outro e o produto de corrosão se forma em regiões intermediárias, não 
apresentando, portanto, características protetoras. 
O Fe(OH)2 formado sofre transformações e, de acordo com o teor de oxigênio 
presente, pode‐se ter; 
 
Em meio deficiente de oxigênio, formação de magnetita: 
3Fe(OH ) 2 → Fe3O4 + 2 H 2O + H 2
⎧verde : hidratada  
Fe2O3 : magnetita ⎨
⎩ preta : anidra
 
Em meio aerado, que é o caso mais freqüente, tem‐se a oxidação do Fe(OH)2, 
resultando o hidróxido férrico ou hidróxido de ferro (III) 
2 Fe(OH ) 2 + H 2O + 1 / 2O2 → 2 Fe(OH )3
ou  
− 2 H 2O
2 Fe(OH )3 ⎯⎯⎯→ 2 FeO.OH − Fe2O3 .H 2O
 
As  reações  explicam  as  colorações  encontradas  na  corrosão  atmosférica  do 
ferro  ou  suas  ligas,  onde  se  observa  que  o  produto  de  corrosão,  ou  ferrugem, 
apresenta na parte inferior, isto é, aquela em contato imediato com o metal, coloração 
preta,  da  magnetita,  Fe3O4,  e,  na  parte  superior,  aquela  em  contato  com  mais 
oxigênio,  apresenta  coloração  alaranjada  ou  castanho‐avermelhada  típica  do 
Fe2O3.H2O ou Fe2O3.nH2O. 
 
Quando o ferro ou aço, já com a camada de Fe2O3, sofre corrosão em presença 
de  um  filme  de  umidade  atmosférica,  pode‐se  admitir  o  mecanismo  proposto  por 
Evans nas seguintes etapas: 
 
Reação anódica: 
Fe ⎯⎯→ Fe 2+ + 2e  
Reação  catódica  (redução  de  Fe2O3  a  Fe3O4,  em  presença  de  umidade  e  com 
deficiência de oxigênio) 
4 Fe2O3 + Fe 2 + + 2e → 3Fe3O4  
Quando  a  ferrugem  seca,  ela  é  permeada  pelo  oxigênio,  havendo  reoxidação  da 
magnetita, Fe3O4, 
2 Fe3O4 + 1 / 2O2 → 3Fe2O3  
O  óxido  de  ferro,  Fe2O3,  pode‐se  apresentar  não‐hidratado,  sob  a  forma  Fe2O3, 
hematita, ou hidratado, sob as formas. 
 

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Corrosão 
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A  ferrugem  pode  ser  constituída  de  três  camadas  de  óxidos  de  ferro  hidratados,  em 
diferentes  estados  de  oxidação:  FeO,  Fe3O4  e  Fe2O3,  da  superfície  do  ferro  para  a 
atmosfera.  
 

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Corrosão 
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7. Meios Corrosivos 
 
Os meios corrosivos mais freqüentemente encontrados: 
¾ Atmosfera; 
¾ Águas naturais; 
¾ Solo  e  produtos  químicos  e,  em  menos  escala,  alimentos,  substâncias  fundidas, 
solventes orgânicos, madeira e plástico. 
 
7.1 Atmosfera 
 
Os  EUA  implementaram  programa  de  10  anos  de  pesquisa,  The  National  Acid 
Preciptation  Assessment  Program  (NAPAP),  para  aumentar  os  conhecimentos  de 
causas  e  efeitos  de  precipitação  ácida  ou  decomposição  atmosférica.  Estabeleceram 
como etapa inicial estudo envolvendo: 
o Poluentes: óxidos de enxofre, óxidos de nitrogênio, ozônio e particulados; 
o Materiais:  estátuas  e  estruturas  de  valor  cultural,  metais  e  ligas,  tintas, 
plásticos, concreto, mármore e granito; 
 
Questões a serem consideradas: 
ƒ ‐  ação  da  deposição  ácida  e  poluentes  associados  na  deterioração  dos 
materiais; 
ƒ ‐ taxa de danos nos materiais especificados; 
ƒ ‐ distribuição geográfica dos materiais suscetíveis à deterioração; 
ƒ ‐ valor econômico dos danos; 
ƒ ‐ proteção apropriada e estratégias de redução. 
 
A ação corrosiva da atmosfera depende fundamentalmente dos fatores: 
o Umidade relativa; 
o Substâncias poluentes – particulados e gases; 
o Temperatura; 
o Tempo de permanência do filme de eletrólito na superfície metálica. 
 
Além desses fatores devem ser considerados fatores climáticos, como intensidade 
e direção dos ventos, variações cíclicas de temperatura e umidade, chuvas e insolação 
(radiações ultravioleta). 
 
Corrosão  atmosférica  seca:  ocorre  em  atmosfera  isenta  de  umidade,  sem  qualquer 
presença de filme de eletrólito na superfície metálica. Tem‐se uma lenta oxidação do 
metal com formação do produto de corrosão, podendo o mecanismo ser considerado 
puramente químico: escurecimento da prata ou de cobre por formação de Ag2S e CuS, 
respectivamente  devido  à  presença  de  gás  sulfídrico,  H2S,  na  atmosfera  ou  meio 
ambiente. 
Corrosão atmosférica úmida: ocorre em atmosferas com umidade relativa menor que 
100%.  Tem‐se  um  fino  filme  de  eletrólito,  depositado  na  superfície  metálica,  e  a 
velocidade  do  processo  corrosivo  depende  da  umidade  relativa,  poluentes 
atmosféricos e higroscopicidade dos produtos de corrosão. 

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17
Corrosão 
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Corrosão  atmosférica  molhada:  a  umidade  relativa  é  perto  de  100%  e  ocorre 


condensação na superfície metálica, observando‐se que a superfície fica molhada com 
o  eletrólito,  como,  por  exemplo,  chuva  e  névoa  salina  depositadas  na  superfície 
metálica. 
 
7.1.1 Umidade Relativa 
 
Para  o  ferro:  em  umidade  relativa  próxima  a  60%  o  processo  corrosivo  é  lento,  mas 
acima de 70% ele é acelerado. 
 
A  umidade  relativa  pode  ser  expressa  pela  relação  entre  o  teor  de  vapor  d’água 
encontrado  no  are  o  teor  máximo  que  pode  existir  no  mesmo,  nas  condições 
consideradas,  ou  então  pela  relação  entre  pressão  parcial  de  vapor  d’água  no  ar  e  a 
pressão  de  vapor  d’água  saturado,  na  mesma  temperatura;  ela  é  expressa  em 
porcentagem.  
 
Umidade  crítica:  a  umidade  relativa  acima  da  qual  o  metal  começa  a  corroer‐se  de 
maneira apreciável.  
Se,  além  da  umidade,  houver  também  a  presença  de  substâncias  poluentes, 
evidentemente que a velocidade de corrosão é acelerada.  
Figuras: 7.1 2 7.2. 
 

 
 
7.1.2 Substâncias Poluentes 
 
Particulados: 
 
o Deposição de material não metálico, como sílica, SiO2, que, embora não atacando 
diretamente o material metálico, cria condições de aeração diferencial, ocorrendo 
corrosão localizada embaixo do depósito. 
o Deposição de substâncias que retêm umidade, isto é, são higroscópicas, acelerando 
o  processo  corrosivo,  pois  aumentam  o  tempo  de  permanência  da  água  na 

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18
Corrosão 
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superfície metálica, podendo‐se citar como exemplos o cloreto de cálcio e o cloreto 
de magnésio. 
o Deposição de sais que são eletrólitos fortes, como o sulfato de amônio (NH4)2SO4 
proveniente  da  reação  entre  amônia,  NH3,  e  óxidos  de  enxofre,  presentes  na 
atmosfera  e  cloreto  de  sódio,  NaCl  –  a  maior  ação  corrosiva  de  atmosferas 
marinhas deve‐se à deposição de névoa salina contendo sais como NaCl e cloreto 
de magnésio, MgCl2; 
o Deposição de material metálico – se o material metálico depositado for de natureza 
química diferente daquele da superfície em que estiver depositado, poderá ocorrer 
formação de pilhas. 
o Deposição  de  partículas  sólidas  que,  embora  inertes  para  o  material  metálico, 
podem reter sobre a superfície metálica gases corrosivos existentes na atmosfera – 
caso de partículas de carvão que, devido ao seu grande poder de adsorção, retiram 
gases  de  atmosferas  industriais,  os  quais,  com  a  umidade,  formam  substâncias 
corrosivas como, por exemplo, ácidos sulfúrico, nítrico e sulfídrico.  
 
7.2 ÁGUAS NATURAIS 
 
Contaminantes mais freqüentes:  
• Gases dissolvidos: O2, CO2, Cl, SO2, H2S. 
• Sais dissolvidos: cloretos de – Na, Fe, Mg; 
• Matéria orgânica vegetal ou animal; 
• Bactérias, algas; 
• Sólidos suspensos. 
Outros Fatores: pH, Temperatura, velocidade, ação mecânica. 
 
ÁGUAS NATURAIS ‐ TRATAMENTO 
• ÁGUA POTÁVEL: clarificação para eliminar sólidos suspensos; 
• ÁGUA  DE  RESFRIAMENTO:  cloração,  adição  de  inibidores  de  corrosão  e 
dispersantes e controle de pH; 
• ÁGUA PARA CALDEIRAS: desaeração para eliminar O2, eliminação da dureza e 
controle de pH. 
 
7.3 CORROSÃO NO SOLO 
 
Pode ocorrer em: 
• Tubulações enterradas; 
• Oleodutos; 
• Gasodutos; 
• Adutoras; 
• Minerodutos; 
• Tanques de combustíveis enterrados 
•  
7.3.1 VARIÁVEIS: 
 
Tomada de amostra ‐ Variabilidade: 
• Aeração, umidade, pH; 

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Corrosão 
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• Potencial redox, microorganismos; 
• Condições climáticas; 
• Heterogeneidade do solo; 
 
Características físico‐químicas: 
• Presença de água, sais solúveis e gases; 
• Acidez; 
• pH; 
• Resistividade elétrica; 
• Potencial redox. 
 
Condições microbiológicas: 
• Influência direta; 
• Modificação na resistência de revestimentos; 
• Origem dos meios corrosivos. 
 
Condições operacionais: 
• Condições climáticas; 
• Emprego de fertilizantes; 
• Despejos industriais; 
• Profundidade; 
• Aeração diferencial; 
• Contato bimetálico; 
• Correntes de fuga. 
 
7.3.2 PROTEÇÃO DE TUBULAÇÕES ATERRADAS: 
• Revestimentos: alcatrão de hulha‐epóxi, polietileno e fita plástica; 
• Proteção  catódica:  eletrodo  de  sacrifício  (Mg)    ou  corrente  impressa  ou 
forçada. 
• Substituição por não metálicos: PVC, concreto protegido, etc. 
• Encamisamento com concreto; 
• Colocar tubulações aéreas. 
 
7.4 PRODUTOS QUÍMICOS: 
• Cuidados na armazenagem e transporte: 
• Cloro,  líquido  ou  gasoso,  sem  água:  podem  ser  armazenados  em  cilindros  de 
aço‐carbono; 
• Alcalinos, NaOH: recipientes de aço‐carbono (Al, Zn, Pb sofrem corrosão); não 
em T e concentração elevadas. 
• Ácido fluorídrico: polietileno ou frascos de vidro revestidos com parafina. 
• HCl, HNO3, H2SO4 e seus sais: embalagens de vidro. 
 
7.5 ALIMENTOS: 
• Formação de possíveis sais metálicos tóxicos 
• Além de tóxicos, podem alterar sabor, aroma e aparência. 
• Mesmo em pequena quantidade: 
• Zn, Fe e Cu: modificam o aroma do leite; 

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Corrosão 
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• Fe: pode reagir com tanino, escurecimento de vegetais em conserva; 
• Estanho: turvação da cerveja e vinho branco; 
• Chumbo: saturnismo. 
 
Causas: 
• Adição de conservantes (ácidos orgânicos): ácido cítrico. 
• Exemplo:  Embalagens  com  folhas  de  flandres  (aço  revestido  com  Estanho, 
contém Pb na solda): 
• Reveste‐se com resina epóxi‐fenólica; usa‐se embalagem de vidro ou aço sem 
costura; 
• Indústria  de  alimentos:  usa‐se  aço  inox  –  risco  de  pite  e  corrosão  sob  tensão 
fraturante. 
 
7.6 SOLVENTES ORGÂNICOS 
• Relacionados com presença de impurezas. 
• Ação da água aquecida ou vapor: 
• Solventes clorados como clorofórmio, produzindo hidrólise, formação de HCl 
• Etanol: propriedades e presença de impurezas como água, ácido acético, etc 
 
Em relação aos parâmetros envolvidos na ação corrosiva do etanol, podem‐se 
destacar  as  propriedades  do  mesmo,  bem  como  as  impurezas  que  podem  existir  no 
álcool e, com isso, torná‐lo mais corrosivo, tais como a água, o ácido acético, aldeídos, 
alcoóis superiores, ésteres, íons metálicos e não‐metálicos, etc. (GENTIL, 2007). 
 
Considerando‐se  as  propriedades,  por  exemplo,  o  etanol  quando  aquecido  a 
300‐350°C  em  presença  de  Cobre,  Cobre‐Cromo  ou  Cromo‐Níquel,  forma  aldeído 
acético  e  hidrogênio.  Ele  também  pode  reagir  com  o  oxigênio,  a  400‐600°C,  em 
presença  de  Cobre  ou  Prata,  podendo  formar  aldeído  acético  e  ácido  acético.  Além 
disso,  assim  como  a  água,  o  etanol  pode  funcionar  como  um  ácido  ou  base 
fraquíssimos: 
 
HOH → H + + OH −
 
C2 H 5OH → H + + C2 H 5O −
 
Ou também, pode reagir com metais como K, Na, MG, Al e Zn, obtendo‐se os 
respectivos alcoolatos ou etóxidos (GENTIL, 2007): 
 
nC2 H 5OH + M → (C2 H 5O) n + M + n / 2 H 2
 
( M = K , Na, Mg , Al , Z )
 
Em relação á ação do etanol no ataque corrosivo, estudos mostraram que para 
um  tempo  relativamente  curto  de  exposição,  o  aço  inoxidável  AISI  304  e  1010  não 
sofreram corrosão após 15 dias de imersão em álcool combustível, que possuía como 
contaminantes  cloretos,  ácido  acético  e  acetato  de  etila  (OLIVEIRA,  1980).  Porém, 
verificou‐se  que  a  velocidade  de  corrosão  do  Aço  AISI  1010  em  soluções  de  álcool 
etílico,  isentas  de  oxigênio,  aumentaram  aproximadamente  de  cinco  vezes  quando  a 

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21
Corrosão 
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água  adicionada  passou  de  zero  para  15%  (OLIVEIRA  et  al.,  1980).  Também,  estudos 
mostraram  que  o  aço  AISI  1020  pode  sofrer  corrosão  em  soluções  etanólicas 
(D’ALKAINE et al., 1980).  
 
7.7 MADEIRA E PLÁSTICOS (POLÍMEROS) 
• Decomposição formando produtos corrosivos. 
• Madeira: vapores de ácido acético da hidrólise de polissacarídeos acetilados; 
• Tratamento  com  preservativos:  sais  de  cobre  –  lixiviação  dos  íons  de  cobre  – 
corrosão galvânica – Al, Zn, Aço. 
Plásticos:  vapores  corrosivos  originados  da  decomposição  térmica  (halogenados)  ou 
microbiológica; 
• PVC: 70‐80°C ou UV ‐ desprendimento de HCl(g), formação de ácido. 
• Teflon:  350°C  –  fluoreto  de  hidrogênio,  HF(g),  posterior  formação  de  ácido 
fluorídrico 
 
 
 
 

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Corrosão 
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Capítulo 8: Corrosão Galvânica 
 
Corrosão galvânica: quando dois materiais metálicos, com diferentes potenciais, estão 
em  contato  em  presença  de  um  eletrólito,  ocorre  uma  diferença  de  potencial  e 
conseqüentemente transferência de elétrons. 
  Ela  se  caracteriza  por  apresentar  corrosão  localizada  próxima  à  região  do 
acoplamento  ocasionando  profundas  perfurações  no  material  metálico  que  funciona 
como anodo. 
 
8.1 Considerações Gerais: Mecanismo 
 
‐  Tubulações  de  alumínio  em  presença  de  sais,  por  exemplo,  de  Cu2+  e  Hg2+,  sofrem 
corrosão localizada, produzindo pites. Isto ocorre porque o alumínio reduz os íons Cu2+ 
ou Hg2+ para os metais respectivos, sofrendo conseqüentemente oxidação: 
 
2 Al + 3Cu 2 + → 2 Al 3+ + 3Cu  
2 Al + 3Hg 2 + → 2 Al 3+ + 3Hg  
 
  Além  desse  ataque  inicial  o  metal  formado  se  deposita  sobre  a  superfície  de 
alumínio  e  cria  uma  série  de  micro‐pilhas  galvânicas,  nas  quais  o  alumínio  funciona 
como anodo, sofrendo corrosão acentuada. 

Figura  8.1:  Caso  1  –  inversão  de  sentido  de  fluido.  Caso  2  –  trecho  de  tubo  de  aço 
intercalado entre a tubulação de cobre e o tanque de aço. 
 
Casos envolvendo este mecanismo são observados em: 
¾ Trocadores de calor, com feixes de tubos de alumínio  
¾ Tanques de aço carbono ou de aço galvanizado.  
¾ Presença de Cu2+ na água. 
No caso de arraste de Cu2+, tem‐se a corrosão do aço devido à reação: 
Fe + Cu 2 + → Fe 2 + + Cu  
 
8.2 Proteção 
Medidas recomendadas: 
Uso de inibidores de corrosão; 
Isolamento elétrico dos materiais de potenciais diferentes; 
Aplicação de revestimentos protetores; 
Proteção catódica. 

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Corrosão 
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Capítulo 9: Corrosão Seletiva 
 
 
Corrosão  Seletiva:  deterioração  sofrida  por  algumas  ligas  que  se  realiza 
preferencialmente  em  um  dos  seus  componentes,  permanecendo  intactos  os 
restantes.  
Esta corrosão ocorre com maior freqüência no ferro fundido, nos latões (ligas 
de  cobre‐zinco)  e,  desniquelação  em  ligas  de  cobre  (70%)  e  níquel  (30%)  em 
temperaturas  acima  de  100°C  e  a  desaluminização  em  ligas  de  cobre  contendo 
alumínio (81 Cu, 11 Al, 4 Fe e 4 Ni). 
 
9.1 Corrosão Grafítica 
 
 
  A  corrosão  grafítica  é  a  corrosão  que  ocorre  no  ferro  fundido  cinzento  a 
temperaturas ambientes, na qual o ferro sofre corrosão, restando a grafita intacta.  
A grafita se comporta como catodo em relação à matriz de ferrita (α‐Fe), sendo esta 
corroída, restando carbono grafítico. 
2 Fe − C + nH 2O + 3 2 O2 → Fe2O3 .nH 2O + C  
Observa‐se  o  aspecto  característico  do  óxido  de  ferro  e  embaixo  desse  a  cor 
preta da grafite.  
O  ferro  fundido  cinzento  tem  2,7  a  4,0%  de  carbono,  sendo  a  maior  parte  no 
estado  livre,  C;  já  o  ferro  fundido  branco  tem  1,7  a  3%  de  carbono,  todo  este 
combinado sob a forma de carbeto de ferro, Fe3C, cementita.  
O  ferro  fundido  branco  por  não  apresentar  carbono  livre,  não  sofre  corrosão 
grafítica.  
Interessante  é  que,  em  alguns  casos,  neste  tipo  de  corrosão,  a  forma  e  o 
tamanho  originais  do  material  são  mantidos,  enquanto  suas  propriedades  mecânicas 
são alteradas.  
Deve‐se levar em consideração que uma tubulação que tenha sofrido este tipo 
de  corrosão,  embora  corroída,  tem  certa  resistência  para  continuar  operando  em 
pressões  e  tensões  não  muito  elevadas.  Daí  não  de  necessitar  substituir  os  tubos  de 
ferro fundido por tubos mais resistentes e caros de ferro‐liga. 
A  corrosão  grafítica  ocorre  em  tubulações  de  ferro  fundido  usadas  para 
condução de água potável. Existem antigas tubulações de ferro fundido que, embora já 
com corrosão grafítica, ainda estão sendo usadas.  
Umas  das  causas  da  corrosão  grafítica  pode  ser  a  presença  de  bactérias 
redutoras de sulfato, pois o ácido sulfídrico, H2S, só atacará a ferrita do ferro fundido. 
Esse tipo de corrosão ocorre também em bombas centrífugas tanto na carcaça quanto 
nas hélices.  
Quando ocorrer corrosão grafítica da carcaça recomenda‐se empregar hélice de 
ferro  fundido  de  liga,  principalmente  com  Ni  ou  Ni‐Cr,  porque  esses  materiais  têm 
potenciais próximos ao do ferro grafitado.  
A  proteção  contra  a  corrosão  grafítica  é  feita  por  inibidores  de  corrosão, 
revestimento  ou  proteção  catódica.  Deve‐se  impedir  seu  início,  pois,  após  iniciada,  é 
difícil de se evitar que prossiga. 
 

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24
Corrosão 
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9.2 Dezincificação 
 
 
É  um  processo  que  ocorre  principalmente  em  latões  (ligas  de  Cu‐Zn),  é 
freqüente  em  soluções  salinas  estagnadas  e  com  maior  intensidade  em  soluções 
ligeiramente ácidas. 
O zinco se oxida preferencialmente, deixando um resíduo de cobre e produtos 
de corrosão. 
A  corrosão  pode‐se  dar  em  pequenas  áreas,  sob  a  forma  de  alvéolos,  ou 
uniformemente, em maiores áreas; 
Observa‐se nas áreas dezinficadas o aparecimento de um resíduo branco ou de 
coloração avermelhada contrastando com a coloração amarelada inicial da liga. 
Os  latões  corroídos  retêm  alguma  resistência,  mas  não  apresentam  a 
ductibilidade inicial.  
Este  tipo  de  corrosão  ocorre  freqüentemente  nos  trocadores  de  calor, 
condensadores e em tubulações de latão que conduzem água do mar. 
As condições que facilitam a dezincificação, principalmente em água dor mar, 
são: 
ƒ Contato com soluções ácidas ou alcalinas; 
ƒ Temperaturas elevadas; 
ƒ Formação de películas porosas permeáveis; 
ƒ Baixa velocidade de escoamento do meio circulante. 
ƒ Os  agentes  causadores  mais  influentes  na  dezincificação  são  cloreto  e  meio 
ácido (pH<7). 
 
A dezincificação é observada em latões ou ligas de cobre cujos teores de zinco 
são elevados. 
 
Pode‐se admitir, para explicar a dezincificação, os dois processos: 
ƒ Corrosão preferencial do zinco, deixando uma estrutura de cobre porosa; 
ƒ Corrosão da liga com redeposição do cobre. 
 
Como o zinco é mais redutor que o cobre, pode‐se supor que a imersão do latão 
em  um  eletrólito  ocasiona  a  corrosão  do  zinco,  permanecendo  o  cobre  em  estado 
metálico, de acordo com as seguintes reações: 
 
Área anódica: 
Zn → Zn 2 + + 2e  
Área catódica: 
H 2O + 1 2 O2 + 2e → 2OH −  
 
 
No  segundo  caso  admite‐se  a  corrosão  da  liga  com  redeposição  de  cobre,  de 
acordo com as reações: 
 
Área anódica: 

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Cu → Cu 2 + + 2e
 
Zn → Zn 2 + + 2e
Área catódica: 
Cu 2 + + 2e → Cu
 
H 2O + 1 2 O2 + 2e → 2OH −
 
As medidas usuais de proteção contra a dezincificação são: 
 
ƒ Emprego de latões, ou ligas de cobre, com teores não elevados de zinco.  
ƒ Adição  à  liga  de  certos  elementos  como  estanho,  arsênio,  antimônio  ou 
fósforo, que agem como inibidores da dezincificação. 
ƒ Tratamento térmico adequado para evitar a formação de áreas ricas em zinco. 
 

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Corrosão 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

AST Metals Handbook. 

GENTIL, V. Corrosão, 5ª ed., Rio de Janeiro, Editora LTC, 2007. 

GNECO, C., MARIANO, R., FERNANDES, F., Tratamento de Superfície e Pintura, 2ª ed., 
Rio de Janeiro, CBCA/IBS, 2006. 

ROBERGE, P.R., Corrosion Handbook, New York, McGraw‐Hill, 2000. 

Dúvidas e correções: filhojorge@deii.cefetmg.br

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