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REPRESENTANTE COMERCIAL

ORIGEM:

A figura do representante comercial surgiu


recentemente como categoria jurídica própria, no direito moderno. A
atividade de mediação entre contratantes era tradicionalmente
desempenhada pelos corretores, ou pelos mandatários e comissários, como
auxiliares independentes do comércio. Quando as empresas tomaram maior
vulto, com a expansão dos mercados e melhores vias e meios de
comunicação, intensificou-se novo estilo de atividade mediadora, através
dos caixeiros-viajantes, comumente conhecidos, no interior do Brasil,
como cometas. Em decorrência de sua inusitada atividade, sobretudo em
nosso país, logo ocuparam eles o lugar dos mascates, comerciantes
ambulantes, que supriam diretamente os habitantes da hinterlândia.

Com o surgimento das indústrias, o comércio prosperou


e novos processos de intermediação se desenvolveram para atender à
sempre crescente expansão do mercado interno. E assim, a mediação se
impôs como atividade auxiliar e independente das empresas industriais e
atacadistas, que se valiam dela para atingir, mais funcional e
economicamente, a clientela disseminada por toda a parte. Destaca-se
agora com nitidez o perfil do representante comercial. O direito não pode
mais desconhecer a representação comercial como contrato típico, distinto
da corretagem, do mandato ou da locação de serviços.

CONCEITO:

Em virtude da nova modalidade de contrato, o de


representação comercial, a atividade se prestigia e se profissionaliza.
Criam os representantes comerciais consciência de classe. Formam os seus
sindicatos e se reúnem em congressos. o direito positivo passa a considerá-
los na legislação moderna, atendendo aos seus clamores e reinvindicações.
Julio von Gierke saúda como fato “fato glorioso” haver o Código alemão a
eles dedicado um capítulo inteiro. Vivante, no começo do século, vai
colher subsídios jurídicos nas entidades de classe e em seus congressos,
que prepararam vários projetos de legislação, “os quais tomamos em
consideração”.

Hoje, os países mais adiantados inserem no corpo de


suas leis a disciplina jurídica do contrato de representação comercial e a
regulação das atividades de seus agentes. Aliás, nosso país foi dos últimos
a legislar sobre a matéria, em 1.965, quando surgiu a Lei nº4.886, que
“regula as atividades dos representantes comerciais autônomos”,alterada
pela Lei nº 8.240, de 8 de maio de 1992.

NATUREZA JURÍDICA:

A lei brasileira conceituou a representação comercial,


no art.1º, dispondo que “exerce a representação comercial autônoma a
pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que
desempenha, em caráter não-eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a
mediação para a realização de negócios mercantis, agenciando propostas
ou pedidos, para transmiti-los aos representados, praticando ou não atos
relacionados com a execução dos negócios”.

O contrato de representação comercial é,a nosso ver,


uma representação típica. Pode tal contrato conter o mandato, mas com
este não se confunde; não é comissão mercantil; não é simples locação de
serviços, pois, nele, não se remunera o trabalho do agente, mas o resultado
útil dele decorrente.

Não é mandato, com efeito, pois este constitui, segundo


a doutrina, uma relação interna entre mandante e mandatário, sendo
projetado no mundo exterior pela representação, que com ele foi
conjugado no direito brasileiro.
A representação comercial deriva do instituto geral da
representação nos negócios jurídicos, pela qual uma pessoa age em lugar e
no interesse de outra, sem ser atingida pelo ato que pratica. O
representante comercial é,assim, um colaborador jurídico, que, através da
mediação, leva as partes a entabular e concluir negócios.

Não é, também, locação de serviços, pois, como


ensinam Planiol e outros autores, o contrato de locação de serviços
objetiva levar o locador a realizar, sob a dependência do locatário, serviços
materiais, sendo remunerado em atenção à força do trabalho despendida. O
contrato de representação comercial situa-se no plano da colaboração na
realização de negócio jurídico, acarretando remuneração de conformidade
com o seu resultado útil.

Consideramos, por isso, o contrato de representação


comercial uma criação moderna do direito, pertencente ao grupo dos
chamados contratos de mediação, destinado a auxiliar o tráfico mercantil.

NATUREZA MERCANTIL DA ATIVIDADE:

Indaga-se:é o representante comercial um comerciante,


ou sua atividade é de natureza civil?

Visto sob o perfil do comerciante, o representante


comercial gozaria de certas vantagens e regalias conferidas pelas leis
comerciais, tais como, a renovação do contrato de locação comercial para a
proteção da clientela (art.51,par.4º, da Lei nº8.245, de 18/10/1991), a
concordata etc. Teria, porém, tratamento tributário mais severo e oneroso
que a legislação fiscal, sobretudo a do imposto de renda, reservada as
empresas comerciais.

Temos sustentado que o representante comercial é


comerciante. Opomo-nos à posição doutrinária adotada por Juntas
Comerciais que negam o arquivamento de declaração de firmas
individuais, ou dos atos constitutivos de sociedades, cujo objeto
simplesmente é a representação comercial, porque as consideram de
natureza civil.
Essa corrente de opinião, aliás muito difundida, formou-
se, evidentemente, graças a um equívoco de apreciação de certos
princípios comercialistas. Sustentam seus seguidores que, não exercendo o
representante comercial a sua mercancia no próprio nome, não poderia,
portanto, ser qualificado como comerciante. Desempenharia simples
atividade de mediação não-comerciale, consequentemente, civil. A
sociedade que se formasse com esse objeto seria irretorquivelmente uma
sociedade civil, cujo registro próprio caberia ao Registro Civil e não ao
Registro do Comércio, a cargo das Juntas Comerciais.

A ênfase que essa corrente atribui à condição do


exercício em nome próprio, do ato de comércio, para caracterizar a
comercialidade, está longe de ser fundamental na teoria do direito
comercial brasileiro. O Código de 1.850 indicou os elementos
caracterizados do perfil do comerciante, no art.4º, dizendo que “ninguém é
reputado comerciante para efeito de gozar da proteção do que esse Código
liberaliza em favor do comércio, sem que se tenha matriculado em algum
dos Tribunais do Comércio do Império, e faça da mercancia profissão
habitual”.

Na doutrina tradicional do direito brasileiro, sobretudo


tomando-se como ponto alto a obra de J.X.Carvalho de Mendonça, o
exercício do comércio no próprio nome, como condição e requisito de
comercialidade, não é relevante.É a corretagem ou mediação que constitui
o ato de comércio.

TIPOS DE ATIVIDADE:

Sob o aspecto profissional, com repercussões


consideráveis no estudo jurídico da figura do representante comercial, não
podemos deixar de considerar dois tipos de exercício da representação
comercial: um tipo, mais rudimentar, no qual a atividade se apresenta
através do vendedor autônomo, sem uma organização a sustentar-lhe o
desenvolvimento; outro, no qual a atividade é realizada sob a forma
empresarial, que se assenta numa organização complexa de bens, destinada
à produção de serviços e circulação de mercadorias.
Em um e em outro caso vislumbramos no representante
comercial, seja agindo rudimentarmente ou com uma organização em seu
prol, um comerciante. Pouco importa que sua atividade repouse
preponderadamente na sua capacidade individual de trabalho, pois,
malgrado essa atividade seja também pessoal, não desclassifica, como
vimos, a comercialidade da mediação. O representante comercial
autônomo, sem uma organização, agindo em estilo artesanal, com base em
seu trabalho pessoal, seria apenas um pequeno comerciante ou pequeno
empresário, no sentido do Decreto-lei nº 486, de 1969, e de seu
Regulamento (Dec.nº64.567) (vide nº83 supra). Com muito mais forte
razão, todavia, a comercialidade se acentua na hipótese de a representação
comercial ser exercida através de uma empresa, seja individual ou coletiva,
esta sob a forma de sociedade que,assim, assumirá a feição indeclinável de
sociedade mercantil.

REMUNERAÇÃO (COMISSÃO):

A remuneração do representante comercial, cujo


pagamento é obrigação da empresa representada, chama-se comissão, e é
geralmente calculada em termos de percentagem sobre o valor do negócio
por ele agenciado. Não havendo ajuste expresso da comissão, esta será
fixada pelos usos do lugar onde se cumprir o contrato de representação,
aplicando-se por analogia o art.154 do Código Comercial. A comissão não
constitui retribuição pelo trabalho prestado, mas contraprestação resultante
da utilidade que decorre da mediação efetuada. Assim, se da mediação
nenhum resultado econômico resulta para o representado, a comissão não é
devida.

Disso decorre que o direito do representante comercial à


comissão só se efetiva, a não ser que haja cláusula contratual expressa em
outro sentido, com a conclusão do negócio agenciado, isto é, com a
realização e execução do contrato entre o representante e o terceiro, com o
pagamento do respectivo preço. Se o cliente não cumpre a obrigação do
pagamento, tornando-se insolvente, o representante comercial não tem
direito ao recebimento de sua comissão, pois não ocorreu o resultado útil,
econômico, de sua mediação.
A Lei nº 4.886,de 9 de dezembro de 1.965, modificada
pela Lei nº8.420, de 8 de maio de 1.992, dispõe o art.32 que o
representante comercial adquire o direito as comissões quando do
pagamento dos pedidos ou propostas, ou, na mensagem mais técnica da
redação original do artigo, logo que o comprador efetue o respectivo
pagamento ou o faça parceladamente. Essa é a regra geral, mas o art.27,f,
permite que o contrato estipule a retribuição e a época do pagamento,
dependente da efetiva realização dos negócios e recebimento, ou não, pelo
representado, dos valores respectivos. Essa liberdade de estipulação do
prazo de pagamento das comissões foi limitada pelo art.32,par.1º, com a
nova redação da Lei nº8.420/92, que estabelece até o dia quinze do mês
subsequente ao da liquidação da fatura, sob pena de corrigir
monetariamente o valor das comissões não pagas (art.32,par.2º).

Os vários dispositivos da lei não se ajustam


perfeitamente. Se a comissão é devida tão logo o comprador efetue o
pagamento do preço, que lhe compete, não caberia ao representante
aguardar, até o dia quinze do mês seguinte, a conta da comissão (art.32).
Mas como a atividade do representante é sucessiva, permanente, contínua,
o crédito de suas comissões antes do dia quinze do subsequente ao da
liquidação da fatura. Mas não há mais a faculdade de estabelecer prazos
maiores que o referido para o pagamento da conta de comissões.

RESCISÃO DE CONTRATO:INDENIZAÇÃO E AVISO PRÉVIO.

O contrato de representação comercial pode ser


rescindido por motivos justos, pelo representado. A legitimidade de seu
ato afasta qualquer dever de indenizar. Constituem motivos justos para a
rescisão pelo representado a desídia do representante, a prática de atos
que importem descrédito comercial daquele, a falta de cumprimento de
qualquer obrigação, a condenação efetiva por crime contra o patrimônio e
força maior (Lei nº4.886/65,art.35).

Caso porém, a rescisão se faça sem justo motivo, ou


seja denunciada pelo representado sem qualquer ato imputável ao
representante, terá este direito a uma indenização legal e aviso previo.
Além disso, pode o representante denunciar por sua vez o contrato, e
reclamar a indenização quando o representado praticar um dos atos
enumerados no art.36 da Lei: redução de esfera de atividade do
representante; a quebra, direta ou indireta, da exclusividade prevista no
contrato; a fixação abusiva de preços em relação à zona do representante,
com o exclusivo escopo de impossibilitar-lhe ação regular; o não-
pagamento de sua retribuição na época devida, além da ocorrência de força
maior. Neste último caso, não caberá indenização.

O cálculo da indenização é tarifado, tendo sido fixado


pela Lei nº8.420/92, na nova redação do art.27,j,em 1/12 do total da
retribuição auferida pelo representante comercial durante o tempo em que
exerceu a representação, independentemente de ser escrito ou não o
contrato, ou ser omisso quanto à indenização.

A lei nº 8.420/92 supriu séria omissão da redação


primitiva da Lei nº4.886, ao dispor qeo o contrato a prazo certo, se
ofendido pelo representado, ensejará uma indenização que “corresponderá
à importância equivalente a média mensal da retribuição auferida até a data
da rescisão, multiplicada pela metade dos meses resultantes do prazo
contratual”.

Ainda há mais: o representante comercial, além da


indenização, no caso de ruptura injusta do contrato, faz jus a aviso prévio.
O aviso prévio, em toda a extensão, está regulado no art.34 da Lei.

A lei determina a organização dos Conselhos nacional


ee regional, para organização da classe. Os conselhos regionais efetuam o
registro profissional do representante comercial e zelam pelo respeito à
érica, já tendo sido elaborado um “Código de ética e disciplina”,que,
quando infringido, acarreta penas impostas pelo Conselho Regional.

PERGUNTAS:

O Representante Comercial autônomo pode ser enquadrado como


microempresa?
R.: O representante comercial autônomo que exerce exclusivamente a
mediação para a realização de negócios mercantis, nos termos do art.1º da
Lei4.886/65, terá seus rendimentos tributados na pessoa física, quando
praticada por conta de terceiros. É irrelevante, para fins de imposto de
renda, a existência de registro, como firma individual, na Junta Comercial
que se enquadre nessas condições não pode apresentar declaração de
rendimentos como microempresa. Assim, os rendimentos serão tributados
na pessoa física (ADN nr.25/89). Alerte-se que, no caso de o representante
comercial executar os negócios mercantis por conta própria, adquire a
condição de comerciante, independentemente de qualquer requisito formal,
ocorrendo neste caso, para efeitos tributários, equiparação da empresa
individual a pessoa jurídica, por força do disposto ba alínea b do parágrafo
1º do art.127 do RIR/94, sendo seus rendimentos tributados nessa
condição.

O Profissional autônomo que paga a outros profissionais por serviços


realizados é considerado empresa individual?

R.: Quanto a prestação efetuada por mais de um profissional, em um


mesmo serviço, sob a responsabilidade de um só, cumpre destacar duas
hipóteses:
a- se a prestação de serviços colegiada é feita apenas eventualmente, sem
caráter de habitualidade, tal fato não caracteriza sociedade e o profissional
responsável pelo trabalho deve computar em seu rendimento bruto mensal
o valor total dos honorários recebidos.
b- se a prestação de serviços colegiada for sistemática, habitual, sempre
sob a responsabilidade do mesmo profissional, que recebe em nome
próprio o valor total pago pelo cliente e paga os serviços dos demais
profissionais, estará configurada a condição de empresa individual
equiparada a pessoa jurídica, nos termos da alínea “b” do parágrafo 1º do
art.127, do Regulamento do Imposto de Renda, por se tratar de venda,
habitual e profissionalmente, de serviços próprios e de terceiros, e não
apenas a prestação pessoal de serviços profissionais a que se refere o
parágrafo 2º do mesmo dispositivo legal.

O Profissional autônomo poderá deduzir as despesas com aquisição de


livros, jornais, revistas, roupas especiais, etc?
R.: Sim, caso o profissional exerça funções e atribuições que o obriguem a
comprar roupas especiais e publicações necessárias ao desempenho de suas
funções, desde que os gastos estejam escriturados no livro caixa.

Podem ser deduzidas despesas com aluguel, energia, água, gás, taxas,
impostos, telefone, telefone celular, condomínio, quando o imóvel
utilizado para a atividade profissional é também residência?

R.: Admite-se como dedução a quinta parte dessas despesas, quando não
se possa comprovar quais as oriundas da atividade profissional exercida.
Não são dedutíveis os dispêndios com reparos, conservação e recuperação
do imóvel quando este for de propriedade do contribuite.

Podem ser deduzidos os gastos com arrendamento mercantil (Leasing)?

R.: Não, por falta de previsão legal.

A contribuição devida ao INSS sobre a remuneração paga ao trabalhador


autônomo pode ser desscontada do RPA?

R.: Não. De acordo com a lei complementar 84, de 18/01/96, o ônus dessa
contribuição recai sobre a empresa que efetuou o pagamento, não sendo
previsto qualquer desconto no RPA.

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