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FACULDADE CRISTO REI

VINÍCIUS ALVES SCHERCH

A PENHORA ON-LINE E A POSSIBILIDADE DE DANOS MORAIS

Monografia apresentada ao Curso de Direito da


Faculdade Cristo Rei, como requisito para a
obtenção do título de bacharel.
Orientador: Prof. José Fernando Lemos Rodrigues

Cornélio Procópio

2010
VINÍCIUS ALVES SCHERCH

A PENHORA ON-LINE E A POSSIBILIDADE DANOS MORAIS

Monografia apresentada ao Curso de Direito da Faculdade Cristo Rei, como


requisito para obtenção do título de bacharel.

Orientador: Prof. José Fernando Lemos Rodrigues

BANCA EXAMINADORA
_______________________________________________
Prof. Leandro Toledo Volpato
Faculdade Cristo Rei

_______________________________________________
Prof. Coord. José Antonio Cordeiro Calvo
Faculdade Cristo Rei

Cornélio Procópio, 09 de dezembro de 2010.


A Deus, pela constante
presença em minha vida e pela
chance proporcionada de até
aqui chegar.

Aos meus pais Wilhelm e


Terezinha que me deram muito
mais do que um filho poderia
querer, além da dedicação:
uma oportunidade.

A Sandra por sempre estar do


meu lado nas horas mais
difíceis e que mais precisei.

Aos amigos que encontrei pela


caminhada acadêmica, pela
compreensão e amizades
oferecida.
AGRADECIMENTOS

Ao meu orientador, Professor José Fernando Lemos Rodrigues, pela


constante preocupação e pelos ensinamentos dignos de um mestre, que me foram
dados durante esta etapa final da graduação.

A todos os colegas de sala, que ao longo do curso trouxeram alegria com


sua presença, pelo apoio e insignes palavras que ajudaram na conclusão desta
monografia.

A todos os docentes do Curso de Direito que emprestaram seus nobres


conhecimentos e tanto se empenharam para que até aqui pudessem todos os
acadêmicos chegar.
"Estudar o direito é, assim, uma atividade difícil, que exige não só acuidade,
inteligência, preparo, mas também encantamento, intuição, espontaneidade. Para
compreendê-lo é preciso, pois, saber e amar. Só o homem que sabe, pode ter-lhe o
domínio. Mas só quem o ama é capaz de dominá-lo, rendendo-se a ele."

Tércio Sampaio Ferraz Junior1

1
Introdução ao Estudo do Direito, Editora Atlas, SP, 1991, p. 25
SCHERCH, Vinícius Alves. A penhora on-line e a possibilidade de danos morais.
2010. 63 f. Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Direito. Faculdade
Cristo Rei. Cornélio Procópio, 2010.

RESUMO

A presente monografia busca retratar os institutos da penhora on-line e dos danos


morais, demonstrando suas peculiaridades e seus aspectos polêmicos, bem como
apresentar uma possível indenização por danos morais decorrentes da
excessividade desta modalidade de penhora, utilizando para tanto, a lei civil e
processual civil, a doutrina concernente e a opinião dos magistrados. Além disso,
este trabalho traz princípios aplicáveis aos institutos comentados, ressaltando o
princípio da razoabilidade, e também um breve histórico da penhora, mostrando
sucintamente sua evolução até a penhora on-line. Esta que inicialmente surgiu na
Justiça do Trabalho, de uma busca pela tutela das verbas alimentícias dos
empregados e por sua eficiência passou a ser utilizada também na seara civil,
através da Lei nº 11.382/2006. Justifica-se a ausência de jurisprudências acerca do
tema pela falta de julgados que envolvem o assunto. Porém, através desse estudo
foi possível constatar que nem sempre a penhora on-line é o melhor meio de
satisfação do crédito do executor. Por fim, esta monografia busca demonstrar os
benefícios e os reveses da penhora on-line e também apresentar os danos morais
que poder originar-se da mesma.

Palavras-chave: Penhora on-line. Danos morais. Processo de Execução.


ABSTRACT

The present monograph search to portray the justinian codes of the distrainment on-
line and the moral damages, demonstrating to its peculiarities and its controversial
aspects, as well as presenting a possible indemnity for decurrent moral damages of
the excess of this modality of distrainment, using for in such a way, the civil law and
procedural civilian, the doctrine referring and the opinion of the magistrates.
Moreover, this work brings applicable principles to the commented justinian codes,
standing out the beginning of the reasonability, and also a historical briefing of the
distrainment, showing its evolution until the distrainment on-line. This that initially
appeared in the Justice of the Work, of a search for the guardianship of the
nourishing mounts of money of the employees and for its efficiency passed also to be
used in scope civil, through the Law nº 11.382/2006. It is justified absence of
jurisprudences concerning the subject for the lack of judged that they involve the
subject. However, through this study it was possible to evidence that nor always the
distrainment on-line is optimum half of satisfaction of the credit of the executor.
Finally, this monograph searchs to demonstrate to the benefits and the againsts of
the distrainment on-line and also to present the moral damages that to be able to
originate from the same one.

Word-key: Distrainment on-line. Moral damages. Execution proceeding.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11

2 PRINCÍPIOS NORTEADORES .............................................................................. 13

2.1 PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE ...................................................................... 14

2.2 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE ........................................................... 14

2.3 PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL ................................................... 16

2.4 PRINCÍPIO DA ELIMINAÇÃO DE RESULTADOS LESIVOS E COMPENSAÇÃO


DE PREJUÍZOS ........................................................................................................ 17

2.5 PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA ......................................... 17

2.6 PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL ...................................... 18

3 ASPECTOS GERAIS DO PROCESSO CIVIL ....................................................... 20

3.1 COMENTÁRIOS ACERCA DO PROCESSO CIVIL ............................................ 20

3.2 A EXECUÇÃO ..................................................................................................... 21

4 A PENHORA .......................................................................................................... 24

4.1 HISTÓRICO E EVOLUÇÃO ................................................................................ 24

4.2 A EXPROPRIAÇÃO ............................................................................................ 25

4.3 CONCEITO E FINALIDADE ................................................................................ 26

4.4 NATUREZA JURÍDICA........................................................................................ 28

4.5 EFEITOS ............................................................................................................. 29

4.6 PROCEDIMENTOS DA PENHORA .................................................................... 30

4.6.1 Da citação do devedor e da indicação de bens ................................................ 30


4.6.2 Do auto de penhora .......................................................................................... 31

4.6.3 Da ordem legal ................................................................................................. 32

4.6.4 Dos bens impenhoráveis .................................................................................. 33

5 PENHORA ON-LINE .............................................................................................. 35

5.1 DEFINIÇÃO ......................................................................................................... 35

5.1.1 Do emprego da terminologia “on-line” .............................................................. 36

5.2 O CONVÊNIO BACEN-JUD ................................................................................ 38

5.2.1 A agilidade ........................................................................................................ 39

5.2.2 A credibilidade .................................................................................................. 39

5.2.3 As fases do BACEN-JUD ................................................................................. 40

5.3 OS BENEFÍCIOS E REVESES DA PENHORA ON-LINE ................................... 41

6 DANOS MORAIS ................................................................................................... 45

6.1 RESPONSABILIDADE CIVIL .............................................................................. 45

6.1.1 Responsabilidade objetiva e responsabilidade subjetiva ................................. 46

6.1.2 Elementos da responsabilidade civil ................................................................ 47

6.2 ATO ILÍCITO ....................................................................................................... 48

6.2.1 O abuso de direito ............................................................................................ 48

6.3 OS DANOS MORAIS .......................................................................................... 49

6. 4 UMA VISÃO CONSTITUCIONAL ....................................................................... 51

6.5 AS PROVAS E OS DANOS MORAIS ................................................................. 53

6.6 A QUANTIFICAÇÃO DO DANO .......................................................................... 55


7 A PENHORA ON-LINE EXCESSIVA E A POSSIBILIDADE DE DANOS MORAIS
.................................................................................................................................. 57

8 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 59

9 BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................... 61
11

1 INTRODUÇÃO

A presente monografia visa demonstrar, através do estudo, dois institutos


distintos do ordenamento jurídico e a possibilidade de um entrelaçamento destes.
Sendo assim, será apresentado o instituto da penhora on-line, como também o dano
moral decorrente do mesmo, cada um com suas peculiaridades, a saber, destarte,
enquanto este se assenta nas regras de direito civil, aquele se estriba nas regras
processuais civis.
Na sociedade de hoje, muito se fala em garantias à pessoa e seus bens,
visão esta que não será deixada de lado neste estudo, que se estenderá à Magna
Carta, buscando o balizamento da penhora on-line, bem como do dano moral. Nesta
parte do estudo se levar-se-á em conta a grande importância das disposições legais
encontradas na Constituição de 1988, tais como o princípio da dignidade da pessoa
humana e o princípio do devido processo legal, além dos princípios que hoje mais
geram discussão no meio jurídico – os princípios da proporcionalidade e da
razoabilidade. Além disso, será apresentado o princípio da responsabilidade
patrimonial, que está disposto no Código de Processo Civil.
O instituto penhora on-line surgiu no ordenamento jurídico brasileiro
originando-se do BACEN-JUD, que define-se num convênio entre o Banco Central e
o Poder Judiciário, visando uma cooperação técnica-institucional na busca pela
celeridade do processo de execução, através da tecnologia moderna.
Já o instituto dano moral é colocado à disposição daquele que se encontra
ofendido, tendo como objetivo garantir o direito à inviolabilidade da intimidade,
honra, vida privada e imagem, que são assegurados, inclusive, pela Constituição de
1998. Deste modo, os direitos de que o dano moral trata são da espécie de direitos
de personalidade, sendo assim praticamente intocáveis.
Contemporaneamente, a situação de devedor é vivenciada frequentemente
pelos brasileiros, até mesmo por condições opostas à vontade destes. A economia
vem sofrendo constantes abalos, a taxa de desemprego aumenta, o custo de vida
não fica atrás, fica assim caracterizada a dificuldade das pessoas no adimplemento
de suas obrigações, a insolvência emana e já não se sabe mais se os créditos são
ou não realizáveis para o credor. E nesse diapasão, demonstra-se a mais árdua
12

tarefa do credor, que é a identificação do patrimônio do devedor, dependo disso para


a realização do crédito.
Quando, no direito brasileiro, surgiu a penhora on-line, houve uma grande
evolução dentro do processo de execução, trazendo uma celeridade que até então
nunca havia sido experimentada no Poder Judiciário. Porém quais são os aspectos
positivos e negativos dessa celeridade? Nunca se deve esquecer, ao analisar
qualquer instituto do direito que ele terá incidência na vida das pessoas, portanto, é
necessária a avaliação das duas faces das normas, sendo neste caso, as vantagens
e desvantagens para o credor e para o devedor.
Assim, o tema a ser trabalhado nesta monografia aborda aspectos
polêmicos da penhora on-line relacionando-se com o dano moral, decorrente de sua
abusividade. Para tanto, na legislação são estudados os parâmetros de atuação do
processo de execução, a possibilidade de ocorrência de abusos e as possibilidades
de reparação de eventuais danos as partes, frente a busca pela celeridade e
modernização, não deixando de lado a premissa maior, a satisfação do direito das
partes.
Assim, buscar-se-á pela mais atualizada legislação e pelos mais reiterados
pareceres jurídicos para que a produção monográfica não demonstre carência diante
de seu objeto de estudo, podendo examinar a todas as premissas necessárias á
compreensão da penhora on-line e esclarecer a todas as peculiaridades do convênio
BACEN-JUD, bem como a possibilidade do dano moral nos enredos da execução.
13

2 PRINCÍPIOS NORTEADORES

Os princípios são tidos como os alicerces do ordenamento jurídico, como o


sustentáculo das normas devido ao fato de que toda vez que se tem um conflito
normativo ou uma norma de interpretação truncada, são invocados os princípios
com o objetivo de sanar o direito e proporcionar a aplicação da justiça.
No conceito de Humberto Ávila, princípios são:

Normas imediatamente finalísticas e ainda os princípios estabelecem um


estado ideal de coisas a ser atingido em virtude do qual se deve o aplicador
verificar a adequação do comportamento a ser escolhido ou já escolhido
para resguardar tal estado de coisas. Estado de coisas pode ser definido
como uma situação qualificada por determinadas qualidades. 2

Há a preocupação de se inserir nos princípios elementos para sua melhor


compreensão e entendimento, até porque, talvez, exista uma falta de entendimento
comum entre os aplicadores do direito, especialmente quando se está sob a análise
um dispositivo normativo inovador tal como a penhora on-line.
Muito embora existam conflitos quanto à aplicação dentro dos próprios
princípios, que muitas vezes são tratados como sinônimos, a denominação deste ou
daquele não é tão importante quanto a sua aplicação, com segurança, ao caso
concreto. O que se preza, na realidade é a efetividade, mas também é fundamental,
ao aplicador do direito, saber distinguir e entender cada princípio.
Deste modo, é importante frisar que os princípios são postulados básicos e
indispensáveis ao fundamento de qualquer que seja o ramo do direito, uma vez que
além de inspirar a criação de normas, influenciam e orientam a sua aplicação,
analisando cada caso concreto.
Tendo em vista a morosidade do processo executivo, o legislador, aliando-se
às novas tecnologias, trouxe mais celeridade de forma a satisfazer as pretensões do
credor. Porém, há de se salientar que devem ser fixados parâmetros legais para
adequar a eficiência da penhora on-line ao caso concreto, garantindo o direito do
credor em receber e o do devedor em pagar.
Assim, frente às céleres medidas que são investidas de tecnologia é clara a
necessidade do Poder judiciário em se adaptar a essa realidade, garantindo
segurança jurídica às partes. Nesse sentido há a de se citar dois princípios basilares
do Direito Processual – o princípio do devido processo legal e o princípio da

2
ÁVILA, Humberto. Teoria dos princípios, 2ª ed., São Paulo: Malheiros Editores, 2003, p. 63.
14

proporcionalidade – este último ainda pode ser o denominador do dano moral


quando não observado.

2.1 PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE

A razoabilidade pode ser entendida como instrumento balizador da


interpretação e aplicação das normas. Sob esse aspecto é acertado afirmar que
quando há aplicação deste princípio, tem-se por objetivo vincular as normas ao caso
concreto a que faz referência.
Assim o que é buscado é uma relação de equivalência da medida adotada
pelo aplicador do direito e critério que a determinou.
Muitos entendem sinônimos os princípios da razoabilidade e da
proporcionalidade, contudo o que se deve observar é que enquanto este necessita
de uma relação entre o meio e fim, aquele observa se as circunstâncias fáticas se
encontram dentro da normalidade. O princípio da razoabilidade, portanto,
correlaciona a medida a ser adotada pelo aplicador do direito com a sua qualidade,
sobrepondo no dever de equidade, afastando desse modo a arbitrariedade das
decisões dos magistrados.
Sob este arrimo, tem-se ainda que os juízes em suas decisões, ainda que
interlocutórias – como é o caso da penhora on-line – devem sempre observar este
princípio para adotar a medida processual que melhor ampare o direito das partes.
Muito utilizado no âmbito dos danos morais, vez que, através dele que os
magistrados avaliam a razão do pedido que decorre do ato ilícito que deu causa ao
direito postulado pela vítima, podendo ser utilizado também para verificar a
possibilidade indenização pleiteada.

2.2 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE

O princípio da proporcionalidade é de atuação no processo estabelecendo


meios adequados de solução de conflitos, dando a este a necessária celeridade,
sem prejudicar as garantias do devido processo legal.
15

Pode ainda ser utilizado na medida do quantum a ser indenizado nas ações
de danos morais, tendo como fatores determinantes a gravidade do dano e as
condições do autor e do réu.
Oportuna a opinião, se expressa nos ensinamentos de Araujo:

O princípio da proporcionalidade é aquele que orienta o intérprete na busca


da justa medida de cada instituto jurídico. Objetiva a ponderação entre os
meios utilizados e os fins perseguidos, indicando que a interpretação deve
pautar o menor sacrifício ao cidadão ao escolher dentre os vários possíveis
3
significados da norma.

É nesse sentido que se pode inferir que a aplicação da penhora on-line ao


caso concreto deve sempre preservar os direitos do credor e do devedor, de modo a
amortecer os sacrifícios patrimoniais e pessoais deste, porém garantindo a justa
satisfação do crédito que aquele tem direito a receber.
Canotilho faz uma interpretação do referendado princípio através do
desdobramento deste em outros princípios, em síntese sob a seguinte forma:
a) Princípio de conformidade ou adequação de meios – busca um
controle de congruência da medida e seu fim;
b) Princípio da exigibilidade ou da necessidade – conserva a ideia de
que o cidadão tem direito à menor desvantagem possível, onde só
prevalece determinada regra se não fosse possível adaptar outro
meio menos oneroso.
c)Princípio da proporcionalidade em sentido estrito – “meios e fim são
colocados em equação mediante um juízo de ponderação, a fim de se
avaliar se o meio utilizado é ou não desproporcional em relação ao
fim”.4
Em síntese, o princípio da proporcionalidade pode ser entendido como uma
diretriz de ponderação. Vale dizer, dessa forma, que o princípio da proporcionalidade
traz a ideia de uma aplicação razoável da norma, de modo a adequar a norma aos
fins perseguidos. Assim, o princípio da proporcionalidade visa estabelecer um
sistema de valoração, onde, na medida que se garante um direito, se restringe outro,
prevalecendo a ideia de que o direito sobressalente é tutelado por uma norma de
conteúdo valorativo superior ao do direito restringido.

3
ARAUJO, Luiz Alberto David. Curso de direito constitucional, 11ª edição. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 89.
4
J. J. Gomes Canotilho apud Ivanoy Moreno Freitas Couto, p. 64.
16

2.3 PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL

Se faz necessário mencionar que não se podem incrementar ao processo


novas tecnologias para buscar efetividade e celeridade sem atentar-se para o
princípio do devido processo legal, que aparece como assegurador das regras legais
do processo e de direitos subjetivos ligados ao direito material.
Tratando neste momento do princípio do devido processo legal, este
aparece insculpido no art. 5º, inciso LIV, da Constituição de 1988, assim disposto;

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
(...)
LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido
processo legal;

O dispositivo legal supra, originalmente voltado para o direito processual,


transcende esse aspecto, abarcando inclusive o direito material, a esse fenômeno,
os processualistas atribuem o nome due process of law.
A respeito, afirma Nelson Nery Júnior:

Bastaria a norma constitucional haver adotado o princípio do due process of


law para que daí decorressem todas as consequências processuais que
garantiriam aos litigantes o direito a um processo e uma sentença justa. É,
por assim dizer, gênero do qual todos os demais princípios constitucionais
do processo são espécies.5

Da mesma forma, observa Ada Pellegrini Grinover:

Ainda no sistema de common law, por obra de interpretação da Suprema


Corte norte-americana, do conteúdo clássico do due process of law como
garantia do réu, passa-se à proteção mais ampla, sem distinção entre
substance e procedure. A cláusula transforma-se na garantia geral de
ordem jurídica: judicial process traduz-se por aplicação judiciária da lei e,
por extensão, por interpretação judiciária da norma. Due process of law, em
sentido amplo, representa a garantia do processo legislativo e a garantia de
a lei é razoável, justa e contida nos limites da Constituição.6

Deste modo, quando foi inserido o princípio do devido processo legal no


sistema jurídico brasileiro, a Constituição buscou garantir direitos materiais e
processuais, pois é dada proteção ao direito de ação e aos direitos patrimoniais, à
vida e a liberdade, num sentido mais amplo. Em síntese, a garantia constitucional do

5
Nelson Nery Júnior, Princípios do direito do processo civil no Constituição Federal, p.27
6
GRINOVER, Ada Pellegrini. As Garantias Constitucionais do Direito da Ação. São Paulo: Revista dos
Tribunais. 1973, p. 178-179 apud GOLDSCHMIDT, 2008, p.44
17

devido processo legal inviabiliza a violação das normas processuais e das normas
substanciais.
Nesse diapasão, é válido dizer que a Constituição impõe a observação do
sistema legal como um todo, levando-se em consideração o processo, enquanto
instrumento de jurisdição, e o direito material que é aplicado ao caso concreto.
Deste modo, toda e qualquer solução tecnológica que venha a ser
implementada visando o combate a morosidade no Poder Judiciário é proveitosa.
Contudo, a penhora on-line, quando interferir nas relações de direito processual e
material, deverá obedecer aos princípios constitucionais.

2.4 PRINCÍPIO DA ELIMINAÇÃO DE RESULTADOS LESIVOS E COMPENSAÇÃO


DE PREJUÍZOS

A respeito deste princípio, extrai-se a célebre lição que leciona o mestre


Canotilho:

É considerado líquido pela doutrina que a proteção jurídica exige a


consagração de institutos que garantam uma compensação pelos prejuízos
derivados dos actos do poder público. Além do remédio do efeito
suspensivo e da necessidade de eliminação geral dos resultados lesivos
(Folgenbeseitigung), reputa-se importante a existência de um sistema
7
jurídico-público de indenização de danos e prestações indenizatórias.

Corrobora também este princípio para limitar, de certo modo, a penhora on-
line, evitando sua excessivadade e, por consequência, inviabilizando os morais, já
que inexistindo a lesão, não há que se falar nele.

2.5 PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

Nas palavras do nobre doutor Zulmar Fachin, “a dignidade da pessoa


humana é o valor fundante do Estado brasileiro (art. 1º, inciso III) e inspirador da
atuação de todos os poderes do Estado e do agir de cada pessoa”.8
Destarte, pode-se inferir a respeito da dignidade da pessoa humana, que
esta comparece em todo texto legal, ainda que de modo implícito, pois toda norma é
regrada pela Constituição. É um valor nuclear do ordenamento jurídico.

7
CANOTILHO apud Ivanoy Moreno Freitas Couto, p. 68
8
FACHIN, 2006 p. 198.
18

O estudo da dignidade da pessoa humana é tópico fixo nos debates entre


estudiosos de todas as áreas do Direito e de outras ciências políticas e sociais, onde
é vislumbrada como um princípio estrutural, basilar de toda a construção do
ordenamento jurídico brasileiro e da sociedade. É importante afirmar que não foi
criada pelo legislador pátrio, tampouco surgiu ao final do século XX, mas é produto
oriundo da própria evolução social humana, vez que transcende pela história,
ganhando cada vez mais espaço, até pela intensidade internacional que traz em
seus preceitos.
Nas palavras de Luiz Regis Prado, a dignidade da pessoa humana “trata-se,
portanto, de um princípio de justiça substancial, de validade a priori, positivado
jurídico-constitucionalmente”.9
O que interessa retirar do princípio da dignidade da pessoa humana, que é
importante no processo de execução, compreendendo o instituto da penhora como
medida que priva o devedor de bens buscando a satisfação do credor; é que este
princípio age como balizador dos limites da penhora, proporcionando ao devedor a
possibilidade de satisfazer o crédito sem se submeter a condições que lhe retirem o
mínimo necessário para suprir suas necessidades físicas, mentais e jurídicas.
Com relação aos danos morais, este princípio revela-se ainda mais
importante, pois relaciona-se aos direitos dispostos no artigo 5º, X da Constituição,
que são afetados pela ocorrência dessa modalidade de dano. Nesse sentido, falar
em dignidade da pessoa humana, sem lembrar dos direitos individuais garantidos na
Constituição Federal, seria um lapso, haja vista a grande dependência desses
direitos com o princípio em tela.

2.6 PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL

Este princípio que tem visível influência nos ordenamentos jurídicos francês
e italiano, também está consagrado no Código de Processo Civil Brasileiro, que
assim dispõe:

Art. 591. O devedor responde para o cumprimento de suas obrigações, com


todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas
em lei.

9
PRADO, 2003 apud FACHIN, p.24
19

Humberto Theodor Júnior assevera que a obrigação, compreendido nela o


crédito, gera um “dever para o devedor e uma responsabilidade para o seu
patrimônio”.10
E sob esta ótica se define que a execução não recairá sobre a pessoa do
devedor, mas sim sobre o seu patrimônio, vez que é afastada a pessoa e
aproximado o patrimônio, que é objeto da satisfação do crédito. Assim se tem o
princípio da responsabilidade patrimonial, porém em casos excepcionais tal princípio
é transgredido pela lei, como o do devedor de alimentos e do infiel depositário, a
responsabilidade recai sobre a pessoa exercendo-se a coação física, sujeitando o
devedor à prisão civil.
É válido afirmar que a dívida, em seu curso normal, teria que se satisfazer
de maneira voluntária pelo devedor, no cumprimento da obrigação. Contudo, em
face do inadimplemento que se invoca o princípio da responsabilidade patrimonial,
que irá por meio judicial, constranger os bens do devedor através da execução
forçada.

10
Theodoro JÚNIOR, 2009 p. 177.
20

3 ASPECTOS GERAIS DO PROCESSO CIVIL

3.1 COMENTÁRIOS ACERCA DO PROCESSO CIVIL

Apresentar-se-á um breve comentário a respeito do Código de Processo


Civil, buscando uma melhor compreensão de seu conteúdo, principalmente no que
faz menção ao processo de execução, pois contém o tema de toda esta monografia
em sua sistemática.
Num estudo superficial da estrutura do Código de Processo Civil Brasileiro,
pode verificar que este seguiu a orientação doutrinária dominante, concebendo a
função jurisdicional como busca de três resultados: (i)o conhecimento, (ii) a
execução e (iii) o acautelamento. Portanto, nesse molde tem-se, sistematicamente, a
divisão do código em três livros.
Assim, Código de Processo Civil dedica o Livro I ao processo de
conhecimento, que visa a aplicação do direito ao fato concreto, ou seja, faz a
composição dos fatos trazidos a apreciação do Poder Judiciário, que fará, sob meio
da Lei, a atividade da jurisdição dizendo ao autor e ao réu quem, por direito e por
justiça, é o vencedor da lide. No processo de conhecimento o juiz, utilizando-se de
atividade essencialmente intelectiva, faz resultar da aplicação da norma jurídica
geral e abstrata aos fatos que lhe são submetidos, a regra positiva concreta
determinante.
Tem-se no Livro II do diploma legal sob análise, o processo de execução,
onde a atividade jurisdicional é diversa, pois visa fazer atuar, por meio de atos
materiais, a norma concreta. Assim, não se busca, na execução, elaborar o
comando que regulará os casos submetidos à apreciação judicial, mas fazer atuar
esse comando, pela modificação da realidade sensível. Desse modo, pode-se
afirmar que a execução tem uma extraordinária importância, já que na sua ausência,
o titular de um direito estaria privado da possibilidade de satisfazer-se sem a
colaboração do devedor. Destarte, a execução pressupõe um prévio conhecimento,
pois sem este, o direito não terá o suporte necessário para invadir, coercitivamente,
a esfera patrimonial do devedor para satisfazer o crédito, direito líquido e certo, do
credor.
No último, e não menos importante Livro III, o Código de Processo Civil
apresenta o processo cautelar que visa assegurar, até o final da controvérsia, a
21

coisa que será “prêmio” do vencedor da lide. O processo cautelar pode ser
instaurado de maneira preparatória ou incidental. Onde, a ação cautelar incidental
acontece toda vez que uma das partes consegue, no meio da lide, demonstrar que
um dos elementos que sirvam de prova indispensável ou o próprio bem são
suscetíveis de deteriorar-se pela demora da prestação jurisdicional. Na preparatória,
a apresentação das possibilidades de perigo, que corre o objeto tutelado pela
cautelar, é apresentada antes da ação principal. Apesar de vinculado ao processo
principal, o processo cautelar é autônomo, pois não visa o mérito, mas sim a
segurança de que o bem tutelado seja mantido até o final do processo principal,
podendo, assim, se extinguir assim que cesse a situação de perigo ou que assim
que se resolva o mérito, independentemente da parte que vença a ação principal.
Muito embora, esta perfeita sistemática da qual se utilizou o legislador seja
eficiente e organizada, a tendência das novas leis é a de mesclar o código buscando
dar maior efetividade ao processo. Modernamente, pode-se dizer que foi superada a
ideia de que os processos de conhecimento e de execução devem ser
absolutamente autônomos, ora é válido utilizar-se de dados colhidos no processo de
conhecimento, para dar celeridade à execução.

3.2 A EXECUÇÃO

Segundo o dicionário da Língua Portuguesa Aurélio, “executar” significa


levar a feito, realizar; tornar efetivas as prescrições de; cumprir.
De início, pelo significado extraído do dicionário, pode-se verificar que o
verbo executar guarda relações com efetividade e realização de algo, também
observa-se neste vocábulo que esta carrega consigo determinada imperatividade.
Também demonstra o mestre de Língua Portuguesa Aurélio Buarque de Holanda
Ferreira, o significado jurídico da palavra, onde executar é, in verbis: Obrigar (um
devedor) a pagar por meio de ação judicial.
A execução se processa por meio da realização de atos materiais que visam
satisfazer o direito do credor, de modo que o Estado, no processo de execução atua
como substituto, realizando uma atividade que competia ao devedor.
É interessante uma exposição histórica da execução, conforme se verificará
nas linhas abaixo.
22

Na antiguidade o devedor garantia a obrigação com sua própria pessoa,


onde muitas vezes adimplia-a através da liberdade, tornando-se escravo do credor,
cortando determinado membro de seu corpo e remetendo-o ao credor ou credores
em caso de concurso, ou ainda com a própria vida.
O procedimento da execução era previsto no direito romano. Onde previa a
possibilidade de apreensão de bens do devedor que não adimplisse voluntariamente
a obrigação. Porém, nesta época, em Roma, quando o devedor não cumprisse a
obrigação, ao credor era facultado se execução incidiria sobre os bens ou a pessoa
do devedor.
Ao tempo que era vigente a Lei das XII Tábuas, por volta de 450 a.C., a
satisfação definitiva do crédito, por via jurídica, passou a ser efetuada através de
fixação de sentença ou pela confissão em juízo, a esta execução de direito líquido e
certo denominava-se actio per manus aniectionem. Adiante será brevemente
exposto tal procedimento.
Em caso de condenado ao pagamento da dívida, ou confessando-a, ao
devedor era dado o prazo de 30 dias para pagá-la. Findo o prazo e não efetuado o
pagamento, o devedor era agarrado e levado à presença do magistrado. Se ainda
assim o devedor não adimplisse a obrigação e não apresentasse um fiador para
cumpri-la, o credor teria direito a levar este consigo, amarrado pelo pescoço e pés,
com algemas pesando até quinze libras.
Daí em diante, o devedor se tornava um prisioneiro do credor, vivendo às
suas custas, que ainda poderia, se quisesse, mantê-lo com apenas uma libra de
pão. Como se não bastasse tal desonra, se o devedor não adimplisse a dívida, no
prazo de sessenta dias ficaria preso, podendo ser conduzido em três dias de feira ao
comitium, onde este ficava obrigado a proclamar o valor da dívida.
No caso de multiplicidade de credores, estes poderiam depois de decorrido o
período acima, cortar o corpo do credor em quantas partes fosse o número de
credores, ou era facultado aos mesmos vendê-lo a um estrangeiro.
Nesta época o direito servia-se da brutalidade para satisfazer o direito do
credor, vendo isto a execução evoluiu atraindo a responsabilidade para esfera
patrimonial do devedor. Foi vedada a prisão, e surge então a pignoris capio, onde o
credor poderia apreender bens do devedor, direito oriundo da causa credendi, porém
não poderia deles dispor, mas poderia, se quisesse, consumá-los.
23

O processo de execução veio sofrendo inúmeras mudanças, por se tratar de


um instituto capaz de materializar o direito, e, depois que passou a prever a
possibilidade de apreensão dos bens do devedor que não adimplisse
voluntariamente suas obrigações, surgiu a venditio, que possibilitava a alienação de
bens em praça pública.
Atualmente, a execução que afete a dignidade e a liberdade da pessoa do
devedor é incompatível com o direito, sendo esta sempre patrimonial, salvo no caso
do depositário infiel e do devedor de alimentos.
Assim, dentro do processo executivo, o objetivo não é o de buscar a
formação de juízo veracidade em vista da pretensão do autor, tal como ocorre no
processo de conhecimento, que tem como objetivo dar certeza às partes. Assim, o
objetivo da execução é alcançado por meio de atos que visem a satisfação do direito
do credor.
Modernamente a execução dá meios ao credor de satisfazer seu crédito,
sem esquecer-se do devedor, conferindo o direito de defender-se, por meio de
embargos e até de recuperar um bem que deu em garantia, através da remissão.
Como já foi exposto, a execução só acontece a partir do instante que
obrigado não cumpre voluntariamente a obrigação. E através da intervenção do
Estado se faz execução forçada, em face da obrigação que se resolveria com o
simples adimplemento. Desta forma, a execução tem como finalidade a satisfação
do crédito do exequente, perfazendo-se através de procedimentos específicos, que
serão vistos mais à frente.
24

4 A PENHORA

4.1 HISTÓRICO E EVOLUÇÃO


“O Direito nasce dos anseios da sociedade”, e sob esta máxima pode-se
estabelecer a ideia de que tudo o quanto se tem, relativo ao Direito, advém da
evolução histórica da sociedade. Após três principais invenções, cronologicamente,
a citar o alfabeto, o papel e a imprensa, a humanidade foi começando a caminhar e,
mais do que isso, a dar grandes saltos.
Conforme os seres humanos foram se aperfeiçoando em suas tecnologias
as distâncias foram sendo diminuídas e os desafios, por sua vez, superados. Surgiu
o computador, nos anos 90, sendo considerado o melhor amigo do homem, logo a
internet aparece como ferramenta indispensável a qualquer ofício a que se pretenda
exercer, devido a sua velocidade e presteza, ocupando hoje posição de destaque
desde ao computador na bancada da oficina mecânica ao laptop na mesa do
operador da bolsa de valores.
A celeridade vivida nos dias de hoje é assustadora, e à medida que as
distâncias físicas são transpostas, também, as pessoas requerem uma menor
distância entre a petição inicial e a sentença. E assim, já trazia a Carta Magna,
desde 1988, na ciência do art. 5º, inciso LXXVIII, que a todos seriam assegurados os
meios garantidores da celeridade processual. A intenção do legislador foi simples,
não deixar que o processo se tornasse perene.
Atualmente, com as mudanças trazidas pela Lei 11.232/2005, não só a
sentença é objeto da celeridade. Onde, não se satisfazendo, obviamente, com
aquela prestação jurisdicional e querendo a real satisfação do lhe é de merecimento,
o anseio da celeridade se estende também à execução. A novidade da desta lei
traduz-se numa espécie unificação do procedimento cognitivo com o executório,
abolindo por sua vez a ação autônoma de execução de sentença, que era baseada
na velha actio iudicati do direito romano.
Sob arrimo da celeridade processual e da efetividade da execução, no ano
de 2002, o Tribunal Superior de Trabalho firmou um convênio com o Banco Central
do Brasil, nascendo deste casamento a “penhora on-line”. Instituída pelo convênio
denominado BACEN-JUD, que será apresentado num item próprio, a penhora on-
line trouxe grandes avanços na Justiça Trabalhista, a qual, por sua vez, sempre se
demonstrou pioneira quanto à informatização do processo.
25

Destarte, percebe-se que a penhora on-line, começou a ser utilizada na


Justiça Trabalhista, pois representa grande instrumento de celeridade, já que
representa-se pela famigerada penhora aliada à internet, de modo a proporcionar ao
juiz a faculdade de, através de ordens eletrônicas diretas ao BACEN, bloquear ativos
do reclamado, ora devedor, estes quanto forem necessários para satisfazer a
pretensão do reclamante, ora credor.
Apresentando-se célere e eficiente, contribuindo para os Princípios da
celeridade e proteção do trabalhador, a penhora on-line conquistou seu posto como
fiel escudeira das verbas te caráter alimentar, e com o decorrer dos anos foi se
erguendo e se adequando através do Provimento n° 1/2003, que, para evitar o
excesso de execução, foi alterado pelo Provimento n° 3/2003, ambos da
Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho.
Pela sua grande aceitação na esfera trabalhista, a penhora foi trazida para o
campo processual civil, o qual carece de inovações e adequações. Porém, ainda há
tanto em um quanto em outro, dúvidas acerca da aplicabilidade do inovador instituto,
haja vista o grande ônus diversas vezes imposto ao devedor.
É cediço que a penhora on-line veio para ficar, prova disso é que já é
utilizada quase oito anos na esfera trabalhista. Contudo ainda era necessária uma
legislação com sua previsão e sua autorização, foi quando a Lei 11.382/06 instituiu a
penhora on-line através do artigo 655-A do Código de Processo Civil.

4.2 A EXPROPRIAÇÃO
Para entender melhor a penhora, é necessário um breve esboço sobre
expropriação, haja vista sua importância dentro processo de execução, e por ser a
primeira atividade que incidirá diretamente sobre o patrimônio do devedor, como se
descreve.
Expropriar, na lição de Humberto Theodoro Junior, “é o mesmo que
desapropriar e consiste no ato de autoridade pública por meio do qual se retira da
propriedade ou posse de alguém o bem necessário ou útil a uma função
desempenhada em nome do interesse público”11.
A partir deste conceito pode-se deduzir que a expropriação, dentro do
processo executivo, ocorre através da alienação forçada do bem que se seleciona

11
THEODORO JUNIOR, 2009, p.319
26

dentre o patrimônio do devedor para satisfazer ao crédito do exequente. Tão logo a


expropriação visa a busca, dentro do patrimônio do devedor, de bens que possam
ser objeto de satisfação do credor.
Alexandre Freitas Câmara assevera que todo o numerário que será entregue
ao credor é obtido através da expropriação do patrimônio do devedor. Dizendo ainda
que “a expropriação não é o fim da execução, mas mero instrumento para que se
alcance o verdadeiro fim, que é a satisfação do crédito exequendo”12.

4.3 CONCEITO E FINALIDADE

Exaurido o tema acima, passa à dissecação da penhora, que por ser um ato
essencial dentro do processo de execução necessita de um tratamento especial,
observando-se a cada uma de suas peculiaridades separadamente, iniciando-se
pela sua conceituação.
Penhora “é o ato praticado pelo oficial de justiça, inerente ao processo de
execução, consistente na apreensão de bem ou bens do patrimônio do devedor,
para que o credor possa se pagar do crédito que contra aquele possui”13.
A penhora deriva do vocábulo pgnus, que significa punho, no seu contexto
entrega em mãos. De efeito, entregar em mãos guarda mais relação com o penhor
do que com a penhora, e nesse sentido, Guilherme Goldschmidt esclarece:

Penhora (etimologicamente, pignus = garantia, mas que não deve ser


confundida com penhor – pacto adjeto ou obrigação acessória, em virtude
da qual o devedor entrega coisa móvel sua ou de outrem, por este
autorizado, para nela ser cumprida a obrigação principal, quando não
resgatada a dívida) é ato de apreensão judicial, pelo qual se tomam bens do
devedor, a fim de que neles se cumpra o pagamento da dívida ou satisfação
14
da obrigação objeto da execução.

A penhora surge na execução forçada por quantia certa como o primeiro ato
coativo e expropriatório dos bens do devedor. O Estado se utiliza da penhora para
buscar no rol de bens do devedor o que servirá de objeto de expropriação, assim a
finalidade da penhora se define, onde terá a função de individualizar os bens
passíveis de execução.

12
CÂMARA, 2007, p. 297
13
Definição extraída do Dicionário Larousse, Editora Nova Cultural, 1999, p.705
14
GOLDSCHMIDT, Guilherme, 2008, p.58
27

Por se tratar de um instrumento utilizado pelo Estado, a penhora é vista


como um serviço público, realizado às custas de bens particulares, para consecução
da prestação jurisdicional.
A penhora define-se por um ato de busca, individualização e apreensão de
um bem específico e penhorável15 do patrimônio do devedor. Também se define por
“um ato de afetação porque sua imediata consequência, de ordem prática e jurídica,
é sujeitar os bens por ela alcançados aos fins da execução, colocando-os à
disposição do órgão jurisdicional”.16
Das palavras de Pontes de Miranda, pode-se abstrair que:

A penhora, uma das muitas medidas constritivas, é o ato específico da


intromissão do Estado na esfera jurídica do executando quando a execução
precisa de expropriação de eficácia do poder de dispor. Tudo que então se
passa, entre o juiz, oficial de justiça e devedor, é mandamental, mas a
serviço da execução. Há angularidade da relação jurídica processual.17

A penhora na configura-se num ato de transmissão de propriedade ao


credor, sendo que seu registro apenas anula a possibilidade de o devedor alienar o
bem, objeto da contrição. Deste modo, na sua consecução, a penhora gera uma
espécie de impedimento legal de se alienar para o devedor e não um direito real
para o credor. Nesta linha, não é muito ressaltar, que a penhora tira do executado o
poder de dispor do bem, mas não lhe a propriedade, gerando assim uma nova
situação jurídica ao processo de execução.
Assim, consiste no ato de apreensão judicial em que são tomados os bens
do devedor, para que nele se cumpra a dívida, ou seja, o crédito exequendo.
Encontra-se dentre as finalidades da penhora, além de expropriar os bens, a
individualização de bens sobre os quais recairá a execução.
Atendida esta finalidade de determinação do bem, objeto da contrição, outra
finalidade da penhora é a de conservá-lo e protegê-lo, buscando afastar deste as
possibilidades de que seja escondido, alienado ou deteriorado no curso da
execução.
Para Rosenberg, “a penhora alcança não apenas o bem em sim mesmo,
mas também os seus frutos e rendimentos, assim como a coisa que dele resulte em

15
Ver o art. 649 do Código de Processo Civil. Tal dispositivo legal remete-se à possibilidade e impossibilidade e
penhora de bens, que será demonstrada à diante.
16
Theodoro Junior, 2009, p.265
17
Comentários ao Código de Processo Civil, Tomo X, Forense, Rio de Janeiro, 1976, p. 160, apud Ivanoy Moreno
Freitas Couto, 2010, p.11.
28

virtude de sua transformação, bem assim as benfeitorias, acessões e pertenças do


bem penhorado”18.
Na ciência do artigo 659 do Código de processo Civil, “a penhora deverá
incidir em tantos bens quantos bastem para o pagamento do principal atualizado,
juros, custas e honorários advocatícios”.
Considerada a providência mais importante na execução, a penhora é vista
por muitos processualistas como essencial, podendo, na sua ausência, a execução
não conseguir se completar.

4.4 NATUREZA JURÍDICA

Sob uma primeira análise, a penhora é um ato no qual o Estado avança


sobre o patrimônio do devedor para determinar sobre quais bens recairá a
execução, podendo determinar-se, assim, sua natureza de ato executório. Por outro
lado, a penhora possui finalidade de resguardar o bem, o que ensejaria sua natureza
cautelar.
Nesse espeque, é necessário citar que muito já se discutiu a respeito da
natureza jurídica da penhora e isto se deve ao fato existirem posicionamentos
doutrinário antagônicos, dentre os quais se destacam três.
No primeiro, a penhora aparece como mera medida de segurança, sendo
somente um instrumento acautelatório, tal como o sequestro e o arresto. Contudo,
descarta-se esta opção tendo em vista que a medida cautelar é eventual, autônoma
e acessória, já a penhora se caracteriza num ato necessário ao processo executivo.
Por possuir a tarefa de individualizar o bem sobre o qual a execução se perfaz, a
penhora se mostra diferencial. Também é verdade que a penhora mantém o bem
seguro de possíveis perigos, porém esta segurança não se confunde com a gerada
nas providências cautelares, pois a finalidade primária da penhora é possibilitar a
satisfação do credor e tal resguardo simplesmente garante esta finalidade.
Para o segundo posicionamento a penhora se configura num ato de
natureza mista, sendo cautelar e executiva a sua natureza jurídica. Porém também
não prospera esta ideia, considerando que o efeito cautelar fica num segundo plano,
exaltando-se o seu objetivo (executório) de inaugurar a expropriação.

18
Tratado de derecho procesal civil. Trad. 5ª Ed. Alemã, v. III, §190 apud Guilehrme Goldschmidt, 2008, p. 52.
29

Enfim, o terceiro posicionamento, corrente em que a melhor doutrina


encontra respaldo, é dominante o pensamento de que a penhora é um ato executivo
que busca individualizar e resguardar o bem objeto da execução.
Assim, tem-se a natureza jurídica da penhora, considerando e sopesando
suas finalidades e peculiaridades, como um ato executório.

4.5 EFEITOS

Estudando dos efeitos da penhora, verifica-se que ocorrem em duas


principais ordens: as processuais e as materiais.
Dentre a ordem de efeitos processuais pode-se destacar o efeito de
individualizar o bem sobre o qual recairá a execução, o de gerar ao credor o direito
de preferência e de garantir o juízo da execução, assegurando sua eficácia. Quando
se menciona a preferência do credor, é necessário esclarecer que esta limita-se em
relação aos demais credores, no recebimento da prestação decorrente da alienação
do bem penhorado. É oportuno salientar também, que esta não se sobrepõe àquelas
fundadas em título legal anterior á penhora.
No que concerne a ordem de efeitos materiais da penhora, podem ser
citadas a privação da posse direta do bem, para o devedor e inutilização dos atos
referentes à disposição do bem penhorado. Na privação da posse podem ocorrer
duas situações, numa o devedor ficará sem o bem (depósito) e noutra o próprio
autor servirá de depositário, alterando-se apenas os direitos referentes à posse. Já a
inutilização não torna nulos ou anuláveis, mais ineficazes os atos que ensejam a
disposição do bem.
Ainda a respeito dos seus efeitos, Humberto Theodoro Junior diz que
irradiam-se para três direções, sendo o credor, o devedor e os terceiros19. Conforme
foi visto acima, gera preferência e segurança de que obterá a satisfação para o
credor, gera privação da posse para o devedor e também a indisponibilidade do
bem, que atinge o a este e ao terceiro que fica obstado de adquirir o bem
penhorado.

19
THEODORO JUNIOR, Curso de direito processual civil, volume II, 2009, p. 268.
30

4.6 PROCEDIMENTOS DA PENHORA

4.6.1 Da citação do devedor e da indicação de bens

Quando o devedor não efetua o pagamento a dívida voluntariamente, é


compelido pelo Estado a fazê-lo. Para tanto é utilizado o processo de execução, que
em tese visa executar um título extrajudicial ou judicial. Feita esta consideração, é
necessária a menção de que na peça inicial o credor pode indicar os bens a serem
penhorados, conforme se infere do §2° do artigo 652 do Código de Processo Civil20.
O procedimento da penhora tem seu início marcado no artigo 652 do Código
de Processo Civil, quando o executado será citado para efetuar o pagamento da
dívida, tendo para tanto o prazo de três dias. Destarte, se faz importante ressaltar
que na execução trabalhista o prazo é diferenciado, obedecendo ao disposto no
artigo 880 da Consolidação das Leis do Trabalho, sendo este de quarenta e oito
horas.
Esta citação é diferente da efetuada no processo de conhecimento, tendo
em vista que a sua finalidade não é a de discussão de fatos controversos, mas sim a
de chamar o devedor em juízo pagar seu débito. Dada a liquidez e a certeza do título
que instrui a inaugural da execução21, a este mandado não se aplicará a regra
contida no artigo 285 do Código de Processo Civil, no que diz respeito a informar ao
réu que se presumirão verdadeiros os fatos não contestados.
Humberto Theodoro Junior aponta o ensinamento de Liebman, que assim
considera:

Dada a índole não contraditória do processo de execução, a citação não é


feita, propriamente, para convocar o demandado a defender-se, pois a
prestação jurisdicional executiva não tende a qualquer julgamento de
mérito. O chamamento do devedor é especificamente para pagar,
conferindo-lhe, dessa forma, uma última oportunidade de cumprir sua
obrigação e na falta, submetê-la imediatamente à atuação dos órgãos
judiciários que procedem a execução.22

Após a citação e findo o prazo oferecido para o pagamento, verificando o


inadimplemento, o oficial de justiça procederá, de imediato, a penhora de bens bem

20
Nesta oportunidade conferida ao credor, deve ser respeitado o artigo 655 do dispositivo em tela, afim de que se
respeite a ordem de nomeação de bens.
21
Mesmo na hipótese de cumprimento de sentença, que independe de ação de execução, o credor deve requerer o
mandado executivo, em se tratando de o devedor não efetuar, espontaneamente, o pagamento do montante da
condenação. Também é devida, neste caso, a multa de 10 % sobre o valor da condenação. É o que traz a ciência
do artigo 475-J do Código de Processo Civil, com a redação conferida pela Lei nº 11.232/2005.
22
Enrico Tulio Liebman apud THEODORO JUNIOR, Curso de direito processual civil, volume II, 2009, p. 260.
31

como também intimará o executado nestes mesmos autos. O credor prevendo esta
situação poderá, na inicial, indicar os bens sobre os quais recairá a penhora, e o
oficial fará a constrição dos bens apontados.
Na ausência da nomeação de bens, o próprio oficial de justiça penhorará os
que encontrar, tantos quantos bastem para garantir a satisfação do crédito.
Só possível dar sequência no processo de execução por quantia certa
quando localizados os bens do devedor. No caso de localizados os bens, porém não
localizado o devedor, a execução prosseguirá, na ciência do artigo 653 do Código de
Processo Civil, onde o oficial de justiça tomará de arresto os bens do devedor,
necessários a satisfação do crédito exeqüendo.
Durante os dez dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça
procurará o devedor três vezes em dias diferentes, certificando o ocorrido. Neste
mesmo prazo, compete ao credor requerer a citação por edital do devedor. Após
prazo do edital, o devedor terá três dias para efetuar o pagamento, sob pena de
converter-se o arresto em penhora.

4.6.2 Do auto de penhora

A penhora se aperfeiçoa mediante a apreensão e o depósito dos bens, com


a lavratura de um só auto, redigido e assinado pelo oficial de justiça e pelo
depositário, é a ciência do artigo 664 do Código de Processo Civil. No entanto, da
interpretação do parágrafo único do mesmo artigo, pode-se deduzir que poderá
haver mais de uma penhora, como é o caso dos devedores solidários ou de
apreensão de bens em situados em locais diversos. Nesta hipótese não serão
possíveis de se concluir todas as diligências no mesmo dia, podendo então serem
lavrados autos separados e parciais.
O artigo 665 do dispositivo em tela, demonstra os requisitos essenciais do
auto de penhora:

O auto de penhora conterá:


I – a indicação do dia, mês, ano e lugar em que foi feita;
II – os nomes do credor e devedor;
III – a descrição dos bens penhorados, com os seus característicos;
IV – a nomeação do depositário dos bens.
32

Havendo a expressa anuência do credor ou em caso de difícil remoção do


bem, poderá ser o devedor nomeado para depositário. Corrobora tal medida para
evitar uma oneração injustificada do próprio executado, fazendo valer, assim, o
princípio de que a execução se fará pelo modo menos gravoso ao devedor.

4.6.3 Da ordem legal

O Código de Processo Civil expõe nos termos do artigo 655, a ordem que a
penhora deverá seguir sobre os bens do devedor.
Como primeiro item desta lista aprece o dinheiro, podendo ser em espécie
ou em depósito ou aplicação em instituição financeira. Anteriormente à Lei n°
11382/2006, os montantes depositados ou aplicados não eram citados no dispositivo
em tela, sendo somente objeto de penhora o dinheiro em espécie por uma estreita
interpretação da lei. Posteriormente, foram inseridas tais possibilidades, dando
margem à aplicação da penhora on-line, conforme será demonstrado mais a frente.
Seguindo a lista do dispositivo em exame, a ordem de penhora recairá sobre
os veículos de via terrestre, bens móveis em geral, bens imóveis, navios e
aeronaves, ações e quotas de sociedades empresárias.
Após estes bens ordinariamente citados pelo artigo 655, tem-se o percentual
do faturamento de empresa devedora, sobre este bem há a possibilidade de recair a
penhora on-line, vez que tais proventos encontram-se assentados em contas
bancárias.
Continuando a ordem, são listados pedras e metais preciosos, títulos da
dívida pública dos entes federados, com cotação em mercado, títulos e valores
mobiliários com cotação em mercado e, por fim, demais direitos.
Este último é objeto de muita discussão, haja vista a ideia do legislador, ao
citar demais direitos, tal possibilidade poderia complicar a vida do devedor. Nesse
sentido, deve-se prismar por uma interpretação sistemática da norma, observando a
todos os dispositivos do Código, que em seus termos demonstra os bens
impenhoráveis, para que não seja a execução cruel de tal forma a deixar o devedor
sem condições de subsistir.
Da ordem de bens a ser seguida pela penhora, pode-se considerar que foi
criada com duas intenções, sendo a primeira de buscar primeiro os bens fungíveis e
33

de mais fácil alienação, contribuído com o princípio da celeridade e eficiência da


execução, e a segunda de proporcionar ao devedor que não lhe sejam tirados bens
mais necessários, fazendo-se a execução do modo menos gravoso a este.

4.6.4 Dos bens impenhoráveis

Como já foi demonstrado, o objeto da penhora é o patrimônio do devedor e


nunca o de terceiros estranhos à obrigação ou à responsabilidade, exceto quando o
bem do devedor em sua posse estiver, caso em que são oferecidos embargos de
terceiro.
Há de se considerar também que não são todos os bens do devedor que são
passíveis de penhora, existindo bens que o Código de Processo Civil considera
como impenhoráveis ou inalienáveis, como se demonstra em seu art. 649:
São absolutamente impenhoráveis:
I – os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à
execução;
II – os móveis, pertences e utilidades domésticas que guarnecem a
residência do executado, salvo os de elevado valor ou que ultrapassem as
necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida;
III – os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado,
salvo se de elevado valor;
IV – os vencimentos, subsídios, soldos, salários, remunerações, proventos
de aposentadoria, pensões, pecúlios e montepios; as quantias recebidas
por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e sua
família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional
liberal, observado o disposto no § 3º deste artigo;
V – os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos
ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício de qualquer
profissão;
VI – o seguro de vida;
VII – os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas
forem penhoradas;
VIII – a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que
trabalhada pela família;
IX – os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação
compulsória em educação, saúde ou assistência social;
X – até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos, a quantia depositada em
caderneta de poupança.

Nos ditames deste artigo se limitam as possibilidades da penhora, buscando


garantir ao credor o direito de recebimento, sem deixar à margem o direito do
devedor a um mínimo necessário à sua subsistência. É de suma importância o
conhecimento do fragmento legal ora em estudo, pois a partir dele, podem ser
constados os excessos e abusos que, por ventura, restem da penhora. Nesse
diapasão, inclusive, consolidam-se argumentos relacionados à penhora on-line, que
serão estudados mais a frente.
34

A regra básica da penhora é que esta deve atingir os bens negociáveis, ou


seja, aqueles que podem normalmente ser alienados e convertidos no valor
econômico. Quantos aos seus limites, “a execução por quantia certa há de agredir o
patrimônio do devedor até apenas onde seja necessário para a satisfação do direito
do credor”.23

23
Theodoro Junior, 2009, p. 286
35

5 PENHORA ON-LINE

5.1 DEFINIÇÃO

A partir deste momento começa a se delinear o assunto principal de todo


este trabalho, a apresentação da penhora on-line em todas as suas peculiaridades
que são diversas do instituto original, sendo considerada uma das penhoras
especiais.
Conforme já dissertado acima, a penhora on-line passou a existir no mundo
jurídico em meados de 2002, com a celebração de um convênio técnico-institucional
entre o Banco Central do Brasil e o Tribunal Superior do Trabalho. Porém, somente
quatro anos após tem-se a gênese da penhora on-line como medida legal, com a Lei
11.382/2006, que devido à necessidade de adequação, reformou o Código de
Processo Civil, trazendo esta modalidade de penhora que proporciona mais
celeridade e efetividade ao processo de execução. Anteriormente prevista nas
execuções fiscais, no artigo 185-A do Código Tributário Nacional, através da Lei
Complementar nº 118, de 2005, a penhora on-line, constitui-se em ato executório
que recai sobre dinheiro em depósito ou aplicação financeira.
A penhora on-line consiste no meio pelo qual “o juiz da execução obtém, por
via eletrônica, o bloqueio junto ao Banco Central, de depósitos bancários ou de
aplicações financeiras mantidas pelo executado”24·. Tal medida é considerada uma
ordem expedida pelo juiz, sendo capaz de bloquear ativos financeiros junto às
contas bancárias do executado.
Jocelia Marcimiano da Silva faz uma importante observação em sua obra
“Da penhora on-line” ao demonstrar o que diz Álvares da Silva:

Não é um novo tipo de penhora”, conforme ensina ALVARES DA SILVA,


mas “é penhora sobre dinheiro”, que é o bem preferencial da execução
segundo o art. 659, do CPC (Redação dada pela Lei n.º 11.382, de 2006),
exatamente pelo seu ilimitado valor de troca, baseado na circulação
universal de moeda. E acrescenta que “não constitui nenhum tipo ou
modelo jurídico em si mesmo. Trata-se de uma penhora como outra
25
qualquer.

A mesma autora ainda assevera que o procedimento da penhora on-line


consiste num sistema moderno, através do qual é utilizada informatização da
pesquisa de dados capaz de proporcionar um sistema de cobranças em tempo real.
24
Theodor Junior, 2009, p. 297
25
Antônio Álvares da Silva apud Jocileia Marcimiano da Silva, Da Penhora on-line, Boletim Jurídico Ed. N° 262
36

Nesse fito, tem-se ainda, a peculiaridade do sistema, onde quem dá


cumprimento ao mandado de penhora é o próprio juiz da execução, por meio de
ofício eletrônico, e não o oficial de justiça tal como faz nas diligências da penhora
convencional.
Importante salientar que a penhora on-line faz cumprir a ordem preferencial
de penhora, descrita no artigo 655 do Código de Processo Civil, buscando o
dinheiro, ainda que em depósito ou aplicação financeira.
A penhora on-line consiste-se num aprimoramento da execução, que se alia
a tecnologia para trazer mais eficiência e celeridade ao fim por ela perseguido. Para
consolidar-se, a penhora on-line foi implementada ao Código de Processo Civil pela
Lei 11382/2006, onde descreve:

Art. 655-A. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou aplicação


financeira, o juiz, a requerimento do exequente, requisitará à autoridade
supervisora do sistema bancário, preferencialmente por meio eletrônico,
informações sobre a existência de ativos em nome do executado, podendo
no mesmo ato determinar sua indisponibilidade, até o valor indicado na
execução.

A cerca de sua natureza jurídica, a doutrina majoritária tem entendido que


pode ser considerada uma penhora como outra qualquer, destinando à penhora on-
line a natureza jurídica da penhora. É evidente que a modalidade on-line se faz por
um expediente diferenciado, contudo não deixa de consubstanciar-se em penhora.
Elevando a ideia de que não se demonstra como um novo instituto, mas apenas
uma adequação ou aperfeiçoamento da penhora às novas tecnologias.

5.1.1 Do emprego da terminologia “on-line”

Amplamente discutida no meio jurídico, a penhora on-line é alvo também


daqueles que se preocupam com o correto emprego de terminologias, buscando um
real significado das palavras para evitar ambiguidades ou qualquer forma de erro
sobre determinado assunto.
Não menos importante, esse estudo se faz necessário, não para demonstrar
as várias teorias, mas também para buscar uma que melhor se adéque. É
importante frisar, que ao longo desta monografia será utilizado o termo “penhora on-
line”, pois é o mais usual, ainda que não traga em seu sentido semântico a
empregabilidade correta como será demonstrado à frente.
37

A maior crítica ao termo em estudo é de que não se faz apropriado inserir no


direito pátrio uma palavra estrangeira. O dicionário digital Michaelis define “on-line”
como na linha, sendo na informática, o sentido empregado da seguinte forma:
“terminal ou dispositivo conectado sobre o controle de um processador central”.
Buscando uma nomenclatura que mais se adéque, diversos autores
arriscam termos adjetivos à penhora como “virtual”, “eletrônica”, “cibernética”, ou
ainda “penhora pela rede”, “penhora via internet”, “bloqueio judicial on-line”, entre
outros.
Destaca-se Gabriel da Silva Fragoso Machado que, em seu artigo,
demonstra que o termo “on-line” foi atribuído a esta modalidade de penhora devido a
seu cumprimento que se dá via internet, e não através do mandado convencional.
Ressalta ainda, em suas palavras, que diferentemente do que ocorre na penhora, a
modalidade sob análise tem um processamento diferenciado, onde ao invés do juiz
determinar ao Órgão Auxiliar de Justiça o cumprimento do mandado, o próprio juiz é
quem dá o cumprimento por seus atos.
O autor critica também, aqueles que a denominam “penhora eletrônica”, uma
vez que eletrônico é o meio que o juiz utiliza para comunicar-se com a autoridade
responsável pelas informações a respeito dos ativos financeiros do executado.
Assim, o autor elege como correto o termo “penhora em juízo”, expressando em
suas palavras:

Desta forma, sendo a penhora concretizada através do procedimento do


sistema "BACEN JUD", esta penhora será "determinada e cumprida" em
juízo, ou seja, o próprio Juiz que determinar, é o mesmo que irá cumprir
sem delegar sua determinação a qualquer órgão auxiliar, daí porque
ousarmos em chamar de "PENHORA EM JUÍZO".

Tal posição não deixa de ser precisa e evidentemente correta em seus


termos, contudo ainda não muito utilizada. Já o termo “penhora on-line”, como já foi
dito, é mais utilizado, parecendo ser mais aceito pelos juristas. Inclusive, se
demonstra o seu emprego no Provimento 5/2003 da Corregedoria Geral da Justiça
do Trabalho.
Com o surgimento da penhora on-line, o processo de execução ganhou
recursos para combater práticas vergonhosas e odiosas que ocorriam em seu
decorrer, onde empresas solventes, orientadas por advogados que conhecem as
falhas da lei, ofereciam à penhora terras inexistentes, jóias absurdamente
valorizadas e máquinas velhas. Nestas linhas configurava-se visível o desprestígio
38

da justiça, e quando do surgimento da penhora on-line os magistrados e advogados


dos credores puderam recuperar a confiança na efetividade legislação pátria.

5.2 O CONVÊNIO BACEN-JUD

Ao analisar a penhora on-line, pode se perceber que é um novo


procedimento que busca dar efetividade a execução. Aliando-se a avanços
tecnológicos, processa-se de modo a proporcionar maior agilidade e credibilidade no
cumprimento das decisões.
Para a realização da penhora é necessário um convênio em o Poder
Judiciário e o Banco Central do Brasil, o qual denomina-se BACEN-JUD.
O BACEN-JUD surgiu a cerca de nove anos num convenio de cooperação
técnico-institucional com o Superior Tribunal de Justiça e o Conselho de Justiça
Federal e em 2002 com o Superior Tribunal do Trabalho. Em princípio, o objetivo do
convênio era possibilitar a troca de informações entre os conveniados, sobre a
existência de numerários das empresas executadas, sempre limitadas ao valor
devido na execução.
Aprimorando-se nesta finalidade técnico-intitucional, o BACEN-JUD
possibilitou aos magistrados signatários, mediante a sua requisição, o fornecimento
de informações referentes a ativos financeiros de pessoas físicas através da
consulta ao Cadastro de Pessoas Físicas (CPF).
O juiz, através deste convênio, requisita à autoridade supervisora do sistema
bancário informações a respeito da existência de créditos que possam ser
penhorados. Também é oportuno ao magistrado, no momento deste pedido de
informação, pedir o bloqueio do montante a ser penhorado, tornado-o, desde logo,
indisponível.
No ato do recebimento da solicitação do juiz, o BACEN envia uma ordem por
e-mail a todas as instituições financeiras do Brasil, as quais procedem a busca e o
bloqueio do montante solicitado nas contas dos titulares.
São evidentes as características do BACEN-JUD, a agilidade e a
credibilidade, e inclusive, foram estas que atraíram o Processo do Trabalho, onde é
aplicado há mais tempo.
39

5.2.1 A agilidade
Ao acompanhar qualquer procedimento judicial, é notória a morosidade. De
fato, tudo se dá pelo próprio Poder Judiciário, extremamente burocrático. Tudo
acontece pelas normas e procedimentos judiciais que reduzem a praticamente nada
os atos dos magistrados e advogados.
Com o BACEN-JUD, a morosidade do processo executivo é mitigada, onde
antes o que era feito por meio de ofícios ao BACEN, podem agora ser cumpridos
simplesmente com ordens expedidas via internet pelo magistrado. Através deste
convênio o correio foi substituído pelos avanços tecnológicos implementados pela
intenet, e a grande vantagem disso é a possibilidade de bloqueio da conta no
mesmo dia expedição da ordem judicial.
Com efeito, o que demorava dias para ocorrer, agora se faz tudo num dia só,
trazendo assim incontáveis benefícios não só a figura do credor, mas ao processo
de execução como um todo. Não é demais mencionar que anteriormente a execução
trabalhista, que tem verbas alimentícias envolvidas, chegava a durar até seis meses.

5.2.2 A credibilidade

A demora e ineficiência do Poder Judiciário são pressupostos que há muito


tempo preocupam a sociedade. Vendo o clamor público pela mudança desta
situação, o legislador introduziu inúmeras reformas às leis e até a Constituição,
visando modernizar a Justiça, adaptando-a aos novos tempos. É incontestável
afirmar que a execução de sentenças transitadas em julgado consiste num dos
maiores problemas da Justiça, principalmente do Trabalho.
Muitas vezes o magistrado não tinha subsídios suficientes para penhorar
bens do executado, que muitas vezes valia-se de “golpes” para não cumprir suas
obrigações.
A falta de efetividade e de satisfação do crédito dominava o processo de
execução, até que com o surgimento do BACEN-JUD a imagem do Poder Judiciário
e dos próprios advogados foi resgatada. Nesse sentido, o interesse público de
efetividade da Justiça pode ser apreciado através do convênio fazendo valer aquilo
que é determinado na sentença ou no título executivo.
No artigo 600, inciso IV, está disposto que o executado intimado que não
40

apresenta ou esconde os bens sujeitos a penhora, incorre na prática de ato


atentatório a Justiça. Em que pese a penhora on-line ser realizada pelo juiz, é um
ato que acaba por evitar a aplicação do dispositivo ora citado, pois não desconsidera
a hipótese do referido, em muitos casos evitando um ônus ainda maior ao devedor.

5.2.3 As fases do BACEN-JUD


Buscando o aprimoramento deste sistema e visando atender com maior
rapidez as demandas do Poder Judiciário, o BACEN, juntamente com
representantes dos tribunais superiores e entidades de classe do Sistema Financeiro
Nacional, definiu o desenvolvimento do sistema BACEN-JUD 2.0, em substituição ao
sistema BACEN-JUD 1.0, criando novas funcionalidades requeridas pelo Poder
Judiciário.
Cabe salientar que estes sistemas não importaram na alteração das regras
processuais preexistentes, tendo o objetivo apenas de informatizar um procedimento
antes utilizado pelos magistrados por meio de Ofício em papel. Os seus usuários
são os juízes e os assessores por eles designados para auxiliá-los na operação do
sistema.
O BACEN-Jud 2.0 desenvolveu-se em duas fases, segundo informações
contidas no site do Banco Central do Brasil:
Fase 1, implementada em 2005, contemplando as funcionalidades de
bloqueio, desbloqueio, transferência de valores para conta de depósito judicial e
controle de respostas das instituições financeiras pelo magistrado. Anteriormente, as
respostas eram dadas do banco ao BACEN e só então ao Judiciário. Esta fase inova
por permitir o retorno de respostas das instituições financeiras aos magistrados pelo
próprio sistema e o respectivo controle por estas autoridades judiciárias;
Fase 2, desenvolvida a partir de 2008, pela qual o aplicativo foi dividido em
duas séries de funcionalidade: “prioritárias” e “complementares”. A série “prioritárias”
objetiva implementar novas funcionalidades e melhorias no sistema, possibilitando
maior presteza, segurança e tempestividade às ordens e requisições dos
magistrados, pelo Banco Central. Esta fase tem por fim facilitar a requisição de
dados bancários de clientes do Sistema Financeiro Nacional pelo magistrado, inserir
os bancos de investimentos e bancos múltiplos sem carteira comercial no rol das
instituições que recebem os arquivos do sistema BACEN-Jud 2.0 com as ordens
41

judiciais, fornecer cadastro atualizado de Varas/Juízos e de nomes dos


representantes das instituições financeiras e automatizar o processo de
transferências do valor bloqueado à conta de depósito judicial. A série
“complementares” passou a ser desenvolvida a partir de março de 2008 para
contemplar novas funcionalidades a serem especificadas pelo Banco Central.

5.3 OS BENEFÍCIOS E REVESES DA PENHORA ON-LINE

Destarte, incumbe mencionar que muitos prós já foram demonstrados, dos


quais podem ser destacados a celeridade, a eficiência e a legalidade. É cediço
também que a penhora on-line busca a satisfação do credor pela melhor forma indo
ao encontro do disposto na lei quanto à ordem de bens passíveis de
penhorabilidade, e nesse sentido assim escreve Marinoni, “a penhora de dinheiro é a
melhor forma de viabilizar a realização do direito de crédito, já que dispensa todo o
procedimento destinado a permitir a justa e adequada transformação de bem
penhorado – como o imóvel – em dinheiro, eliminando a demora e o custo de atos
como a avaliação e a alienação do bem a terceiro”26.
Ainda diz o autor que antes da implementação da penhora on-line, com Lei
Federal nº 11.382/2006, havia uma interpretação errada do art. 655, I do Código de
Processo Civil, onde o que se pensava era que o devedor poderia indicar apenas
dinheiro em espécie, excluindo a possibilidade de indicar aplicações financeiras em
seu nome, o que “inviabilizava a penhora de dinheiro, ou melhor, equivocadamente e
sem qualquer fundamento razoável deixava o devedor livre para indicar outro bem à
penhora. Isto não só feria o princípio do meio idôneo como dava oportunidade para o
devedor retardar a satisfação do direito do exequente”27.
É importante ressaltar também que antes do art. 475-J, trazido pela Lei Nº
11.232/2005, o devedor ao nomear bens a penhora, a fazia indicando bens de difícil
localização ou de valor insignificante, trazendo morosidade e mitigando o potencial
da execução. Com o disposto neste artigo, que dá oportunidade ao credor de
nomear bens do devedor à penhora no caso de este não efetuar o cumprimento da
sentença, a execução criou mais força e efetividade. A penhora on-line também

26
Luiz Guilherme Marinoni, Penhora on line.
27
Op. Cit.
42

trouxe consigo maior efetivação ao artigo em tela, pois possibilitou ao credor,


através do juiz que utiliza o BACEN-JUD para a nomeação e bloqueio de ativos
financeiros do devedor, a satisfação do crédito.
Após a explanação a cerca do processo de execução e da demonstração da
penhora em sentido lato, foi apresentada a modalidade on-line que em seus
meandros, é medida coercitiva que dá efetividade a execução. Já é sabido que a
penhora on-line é amplamente utilizada no âmbito do direito processual do trabalho,
garantindo de maneira eficaz a execução trabalhista. Devido aos atributos de tal
medida, que aliam o direito aos meios tecnológicos mais avançados da atualidade, a
penhora on-line proporciona grande satisfação ao crédito exequendo, sendo
utilizada até na execução tributária, ocorrendo nos mesmos moldes das execuções
civis e trabalhistas. Fato é, que a espécie on-line da penhora a cada dia se
aperfeiçoa e se consolida no meio jurídico, sendo para tanto, fundamental
apresentar neste momento as perdas que esta pode trazer para aqueles se utilizam
e que estão sob os efeitos desta ferramenta de execução.
Há quem critique a medida, consubstanciando seu posicionamento na ideia
de que a penhora on-line não respeita o princípio da menor onerosidade ao credor,
onde esta viria a prejudicá-lo, não só pelo bloqueio de seus ativos financeiros como
também pela dificuldade em seu desbloqueio. Críticas também se dão no sentido de
que a penhora seria usada indiscriminadamente pelos juízes, nesse sentido
Goldschmidt descreve a ideia de Lineu Miguel Gómes:

Não é digno de aplausos ato arbitrário que, em nome da celeridade


processual remete o empresário, sua família e seus empregados à morte
financeira, retirando-lhe o instrumento de trabalho e a condição alimentar.28

Goldschmidt ainda conclui seu posicionamento a respeito do assunto, nas


linhas seguintes:

É que, na prática, o uso indiscriminado da penhora on-line pode implicar


total travamento da atividade empresarial e inviabilizar o cumprimento de
obrigações legais, como pagamento de fornecedores, folha de salário de
seus funcionários, etc., impedindo o livre exercício da atividade econômica
da pessoa jurídica, consagrado no parágrafo único do artigo 170 da
Constituição Federal.
Não se trata, pois, de defender a morosidade no processo executivo judicial,
mas de deixar claro que o uso de novas tecnologias pode ferir princípio

28
Goldschmidt, 2008, p. 70
43

consagrados da Constituição Federal, ameaçando a segurança jurídica das


relações.29

Evidentemente, a ideia expressada pelo autor não se perfaz de uma crítica à


modalidade on-line de penhora, mas sim demonstra-se contrária ao uso
indiscriminado desta, onde não estariam sendo aplicados os princípios da
proporcionalidade e da razoabilidade. A respeito disso, também é possível se retirar
do raciocínio do autor, que quando se fala em ferir princípios da Constituição não
passa nem perto a possibilidade de inconstitucionalidade da penhora on-line, haja
vista o caso em tela versar unicamente sobre o ato do juiz.
Machado Segundo também faz seu comentário a respeito do tema
asseverando que “é preciso ter cuidado com esse dispositivo, que pode ensejar
abusos e excessos”. Traz ainda em sua obra o posicionamento de um reiterado
autor tributarista que se manifesta a respeito, sendo digno de menção:

Como registra Luciano Amaro, mesmo se o juiz informar a cada destinatário


da ordem o “total exigível” do crédito executa isso não impedirá “que cada
destinatário, na melhor das hipóteses, bloqueie bens até esse valor (o que
já multiplica o efeito do gravame). Como, para piorar, os destinatários da
comunicação judicial não necessariamente saberão o valor dos bens, isso
os levará a bloquear tudo o que houver, até que o juiz, quando estiver de
posse das relações recebidas dos vários órgão e entidades, e puder ter uma
avaliação desses bens, tenha condições de, efetivamente, determinar o
levantamento (que nessa ocasião, já não se poderá qualificar de imediato)
30
da indisponibilidade do que for excedente”.

Fica claro nestas linhas, que o autor aponta a penhora on-line como uma
medida, em potencial excessiva, considerando a multiplicidade de ordens que
podem ser expedidas a partir do momento que o juiz informa à autoridade bancária
principal sobre a penhora. Também fica marcada a passagem do autor pelas suas
palavras, quando menciona o valor dos bens, ora, o bem que a penhora atinge é
especificamente o dinheiro. Em tese, o que estaria expressando o autor nesse
momento seria uma combinação de ordens, compreendendo a penhora feita pelo
oficial de justiça e a modalidade on-line, ou ainda, como demonstra a mais recente
doutrina, o arresto on-line de veículos, que se dá por intermédio de ordem judicial ao
DETRAN. Contudo, simplesmente assevera o autor que o que estaria acontecendo é
a multiplicidade de penhoras, o que resultaria numa enorme onerosidade ao
devedor.
29
Op. Cit, p. 71
30
Direito tributário e financeiro, 2009, p. 155-156.
44
45

6 DANOS MORAIS

6.1 RESPONSABILIDADE CIVIL

Iniciando a parte desta monografia que trata dos danos morais, é


indispensável fazer uma menção à responsabilidade civil, que na seara do direito é
um dos temas mais interessantes, pois traz em seus meandros uma enredante
problemática que tem valores sociais que se perpetuam pela história da
humanidade, buscando acompanhar a evolução em todos os sentidos, sem nunca
perder seus status de segurança e garantia.
Rossi assevera que “a cada impasse criado pelo mundo moderno, surge a
questão a cerca da responsabilidade civil no âmbito contratual e extracontratual,
com as implicações inerentes ao tipo, forma, extensão, concausas, eximentes e
reparabilidades”31
Destarte, é importante salientar que neste estudo o que se busca é
demonstrar uma possibilidade de responsabilização pelo excesso decorrente da
penhora on-line. Para tanto, serão feitos apenas alguns apontamentos dentre alguns
doutrinadores pátrios acerca da responsabilidade civil, haja vista o vasto conteúdo
que o tema apresenta, das quais os autores dedicam um volume de suas obras
somente ao seu estudo.
No ordenamento jurídico pátrio, uma conduta, seja por ação ou omissão,
pode levar a responsabilização em diferentes áreas, avaliando-se o autor e as
consequências da mesma. Sendo possível a responsabilização penal,
administrativa, civil e como pode-se ver, atualmente, até política.
A responsabilidade, em sentido amplo, encerra a noção em virtude da qual
se atribui a um sujeito o dever de assumir as consequências de um evento ou de
uma ação32. Ainda exemplifica o autor que um indivíduo se responsabiliza pelo
outro, assim como o capitão do navio pela tripulação e pelo barco ou, ainda, o pai
pelos seus filhos menores de idade.
Num conceito genérico, a responsabilidade civil é uma forma de ressarcir ou
reparar o dano, decorrente de um ato praticado por um indivíduo, em desfavor a
outro, tendo o autor culpa ou não pelo ato que ocasionou a lesão.

31
ROSSI, 2009, p.1
32
Venosa, Sílvio de Salvo, 2003 p. 12
46

Partindo deste raciocínio, no campo do direito civil, há um instituto


importantíssimo para se considerar a responsabilidade civil ou o dever de indenizar,
denominado ato ilícito.
Também é válido registrar que, tratando-se de um instituto do direito civil, a
responsabilização civil visa, primordialmente, o patrimônio do indivíduo a qual é
imputada, ou seja, é cunho patrimonial o que garante ao lesado a reparação de
ordem material do dano que lhe é causado, sendo o restante (danos físicos e
morais) estimado o valor para que se possa ser cobrado na esfera patrimonial.
Por se encontrar na parte obrigacional do direito civil, seu estudo
compreende o contrato e ato ilícito como fontes de sua origem. Assim sempre que
se falar num ato ilícito ou na inexecução de uma obrigação, necessariamente se
invocará a responsabilidade civil.
A priori, o instituto da responsabilidade civil, tem por objetivo a reparação dos
danos pelo seu agente causador, que deverá buscar sempre a prudência ao agir,
gerando mais segurança para a sociedade de um modo geral.

6.1.1 Responsabilidade objetiva e responsabilidade subjetiva

No que toca tal a diferenciação, Silvio Rodrigues, desde o princípio, afirma


que não são espécies diversas de responsabilidade, e sim maneiras diferentes de se
avaliar a obrigação de reparar o dano. Estendendo-se, ainda, nas palavras do autor,
este ensina que tem-se a responsabilidade subjetiva quando se busca a culpa do
agente e a responsabilidade objetiva quando avalia-se a teoria do risco.
Portanto, ao dizer sobre a responsabilidade do agente causador do dano,
avaliando a culpa ou dolo do mesmo, para que se caracterize o dever de indenizar é
necessária sua culpa, ainda que levíssima. Verifica-se a responsabilidade subjetiva,
porque deriva-se do comportamento do agente.
Já na avaliação objetiva da responsabilidade o comportamento do agente
tem menor relevância, sendo priorizada a relação de causalidade entre o dano
experimentado pela vítima e o ato do agente, surgindo o dever de indenizar
independentemente de este agir ou não culposamente. A rigor, aplicando-se a teoria
do risco, que consiste em o indivíduo assumir que através de sua atividade pode ser
47

gerado um dano a terceiros, ficando este obrigado a repará-lo ainda que seu
comportamento e sua atividade estejam livres de culpa.

6.1.2 Elementos da responsabilidade civil

Basicamente, são necessários três elementos para se formar a teoria da


responsabilidade civil, sendo:
O ato- é um elemento da responsabilidade civil, é o princípio, pois dele
surgem o dano e nexo de causalidade. É a ação do indivíduo ou o fato gerador do
dano.
Tratando-se de ação, na responsabilidade civil subjetiva é avaliada a
conduta do indivíduo, podendo ser comissiva ou omissiva, por culpa ou risco.
O dano- considerado sinônimo de prejuízo, muitas vezes vincula-se o dano
ao prejuízo de ordem patrimonial, ou seja, a lesão dos bens e valores de um
indivíduo. Contudo, o conteúdo expresso na nomenclatura estende-se a prejuízos de
ordem não econômica, o denominado dano moral.
Toda vez que algum prejuízo é causado a um cidadão, juntamente pode ser
anexado um possível dano moral, devido a uma situação vergonhosa ou dano físico
que deixe sequelas temporárias, por exemplo. Neste caso há a possibilidade de um
dano moral, que não tem base econômica de cálculo para ser mensurado em
decisão judicial. Sendo ao juiz facultada a quantia a ser paga, considerando apenas
a gravidade do dano, a condição econômica do causador e a condição econômica
da vítima.
Portanto, ao analisar o dano, deve-se compreender que patrimônio é o
conjunto de bens materiais, direitos e valores morais que se vinculam ao indivíduo.
A relação de causalidade ou nexo causal- é o elemento chave para
responsabilidade civil, pois liga o dano ao ato que o gerou. Sua importância é
fundamental devido à possibilidade de ligação do ato ao dano que este proporciona,
sendo que quando o nexo causal não é encontrado não é possível configurar a
responsabilidade civil.
São excludentes do nexo causal o caso fortuito e força maior, o fato de
terceiro e o fato exclusivo da vítima.
48

6.2 ATO ILÍCITO


A respeito da responsabilidade civil é importante saber a conduta que gera a
obrigação de indenizar. Para tanto, vale mencionar que a responsabilidade pode ser
ocasionada por um ato ilícito, como descreve o art. 186 do Código Civil:

Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência,


violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral,
comete ato ilícito.

Como já mencionado, o ato ilícito e uma das fontes da responsabilidade civil,


e, sempre que é verificado, ocorre a violação de deveres gerais, seja tanto por uma
ação, como por uma omissão.
Contudo, da leitura do dispositivo em análise, pode-se inferir que somente a
violação do direito, por ação ou missão, não é suficiente para que se configure o
dano, nesse sentido é necessário que essa violação cause dano a outrem. Essa é a
inteligência trazida pelo artigo em comento, muito embora seja uma inovação do
Código Civil de 2002, uma vez que no revogado Código Civil de 1916 a simples
violação de um direito já autorizava a reparação civil.

6.2.1 O abuso de direito

O Código Civil de 2002 traz em seu corpo um instituto originário do direito


romano, o denominado abuso de direito, que também constitui um ato ilícito de
acordo com o art. 187:

Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede


manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela
boa-fé ou pelos bons costumes.

É mérito do Código de Defesa do Consumidor que primeiro consagrou essa


modalidade de ato ilícito quando trata em seus dispositivos das denominadas
cláusulas abusivas e também no que disciplina a oferta e veiculação de publicidade
no mercado de consumo. Desta feita, vendo a sua importância o Código Civil
também o consolidou, tratando de colocar o abuso de direito como cláusula geral,
podendo ser aplicado em toda e qualquer situação se seja regulada pelo direito.
Rossi, invocando a lição de Alvino Lima, assim descreve:

A teoria do abuso do direito, opondo-se à existência de direitos absolutos,


condensada na máxima neminem laedit, nemo male facit qui suo jure utitur,
49

teria criado a culpa no uso dos direitos, uma variedade do delito ou do


quase delito, ampliando, sobremaneira, a proteção das vítimas contra o
dano.33

Com efeito, o abuso de direito tido como ato ilícito, vem a condicionar o
exercício de qualquer prerrogativa jurídica subjetiva, impondo limites na faculdade
de agir do indivíduo, que, ao exceder seus direitos, atrairá para si os inconvenientes
aplicáveis ao ato ilícito.
Muito importante é a sua figura no âmbito desta monografia, pois ao se
perfazer uma penhora on-line em excesso, poderia estar ocorrendo a figura do
abuso de direito, vez que estaria transcendendo os limites exigíveis da execução.
Ainda que, como bem lembra Rossi ao citar Rubens Limongi França em sua obra,
“abuso de direito é um ato jurídico de objeto lícito, mas cujo exercício, levado a efeito
sem a devida regularidade, acarreta um resultado que se considera ilícito”.

6.3 OS DANOS MORAIS

Tradicionalmente, a doutrina civilista conceitua dano como toda diminuição


de bens jurídicos de um indivíduo em face de atos ilícitos praticados por terceiros.
Entenda-se por bem jurídico aquele que não é só o material (patrimônio), mas
também tudo aquilo que permeia as relações sentimentais e psíquicas do ser
humano, obtém-se o subsídio para o dano moral (extrapatrimonial).
O dano moral pode ser definido simplesmente como aquele que não gera
prejuízos patrimoniais, mas gera prejuízos à honra, a índole e ao conteúdo subjetivo
de determinado indivíduo. Assim, o que se pode ter como referência, é que o
prejuízo decorrente, em regra, traz uma situação vexatória ou vergonhosa ao
cidadão.
Nesse diapasão, toda vez que algum prejuízo é causado ao psicológico de
uma pessoa, pode ser evidenciado um possível dano moral, devido a uma situação
vergonhosa ou dano físico que deixe sequelas temporárias, casos em que não se
tem base econômica de cálculo definida para ser mensurado em decisão judicial.
Muitas vezes o dano moral também pode decorrer de um ato que atinja
diretamente ao patrimônio da pessoa, pois lhe causaria a privação excessiva de
seus bens ou acarretaria ainda uma falência à sua empresa ou sujando seu nome

33
ROSSI, 2009, p. 13
50

na praça. Nestes casos se tem uma base econômica para que se calcule o dano
moral.
Venosa define o dano moral como o prejuízo que afeta o ânimo psíquico,
moral e intelectual da vítima.34Nessa breve definição de dano moral delineada, não
restam dúvidas de que se deve levar em conta que o bem afetado não é, muitas
vezes, visualizável ou palpável, justamente por tratar-se de um gama intangível de
sentimentos e pensamentos que se conservam dentro da mente humana. Diante
deste fato, não é muito mencionar, que a atividade de cognição do tamanho do dano
e da possibilidade de reparação se revela árdua e cheia de minúcias.
Buscando uma maneira de pacificar entendimentos a cerca da
individualidade do modo de pensar de cada ser humano, a doutrina e a
jurisprudência utilizam-se da figura do homem médio35 como paradigma, não só para
calcular a dimensão do dano, mas também para avaliar se aquela ação que
provocou o dano foi suficientemente o bastante para tirá-lo do plano psíquico e
trazê-lo para o mundo jurídico.
Porém, não deve ser somente considerado o critério generalizador da
jurisprudência, devendo ser também sopesada a condição de singularidade dos
indivíduos, considerando-se não só o que sofreu o dano, mas também aquele que
tem o dever de repará-lo. Nesta tarefa, a quantificação do dano deve representar
uma verdadeira lição àquele que deu causa ao dano, para que não volte a cometer
tal ato, assim, é avaliada a condição econômica do agente e o tamanho do prejuízo
que este causara à esfera do direito moral da vítima.
Assim, o dano moral limita-se em trazer uma recompensa justa, aos olhos da
sociedade, pelo sofrimento e tristeza sentidos pela vítima, devendo eliminar aquelas
possibilidades de transformar-se o instituto num meio de vida, onde qualquer
dissabor se torna uma ação de reparação de dano moral. É o que traz o enunciado
159 do Conselho de Justiça Federal:

O dano moral, assim compreendido todo o dano extrapatrimonial, não se


caracteriza quando há mero aborrecimento inerente a prejuízo material.

34
Venosa, Sílvio de Salvo, 2003 p. 33
35
É uma figura filosoficamente criada, considerando-se, sistematicamente, os fatores sociais, econômicos,
biológicos, culturais e morais; define-se por sua postura equilibrada e amadurecida diante dos fatos que lhe
ocorrem no dia-a-dia.
51

Outro ponto que antes era controverso era o que dizia respeito à
cumulatividade do dano material com o dano moral. Também já pacificado, hoje é
cediça a ideia de que podem sim ser cumulados, haja vista tratarem de prejuízos
distintos, que mantém relação somente com o fato que os provocaram. Nesse
sentido, é o que encerra a súmula 37 do Superior Tribunal de Justiça:

São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos


do mesmo fato.

Referente à natureza das lesões passíveis da configuração de dano moral,


atualmente não restam mais dúvidas quanto à plena possibilidade de indenização de
toda e qualquer espécie de dano ocorrido, seja de natureza patrimonial ou moral.
Assim, ainda que havendo o prejuízo patrimonial ou moral não, o dano
moral poderá ser caracterizado. Relativamente ao tema desta monografia, é
necessário ressaltar a possibilidade de um dano moral decorrente de um prejuízo
patrimonial, o qual pode ser citado, como a penhora em excesso, vez que é visível a
ilicitude do ato, o nexo de causalidade e o dano.
Sérgio Gabriel, em sua obra, expressa sua opinião a respeito da
quantificação do dano:

Na falta de parâmetros objetivos para fixar o quantum, devem os Tribunais,


em atenção as suas finalidades, arbitrá-lo dentro dos princípios
mencionados, sempre considerando o gravame em relação ao todo,
respeitando elementos como: a gravidade do dano; a extensão do dano; a
reincidência do ofensor; a posição profissional e social do ofendido; a
condição financeira do ofensor; a condição financeira do ofendido.
Sua fixação não pode, assim, ultrapassar os ultrapassar os limites do bom
senso, fazendo-se a necessária justiça através da aplicação da já
36
mencionada teoria do desestímulo.

6. 4 UMA VISÃO CONSTITUCIONAL

A Constituição traz em seu bojo uma série de dispositivos que tratam de


tutelar a intimidade, a honra, a imagem e a vida privada, e nesse breve ensaio,
serão mostradas algumas das principais características destes direitos fundamentais
que trazem em seu âmago relações com os danos morais.
Deste modo é justo dissertar a respeito da Constituição de 1988, que traz no
texto de seu artigo 5°, inciso X, a segurança quanto a inviolabilidade dos direitos

36
GABRIEL, Sérgio. Dano moral e indenização, 2002, texto in JusNavigandi.
52

supra mencionados, é mister asseverar cada um destes possui características


próprias e capazes de distingui-los entre si até pela forma com que disciplinam-se no
âmbito da legislação civil e penal. Destarte, se assevera que o objeto desta
monografia não é a dissertação a respeito das peculiaridades do dano moral, mas
sim demonstrar como este poderia ser aplicado em decorrência da utilização da
penhora on-line, o que limita o texto a apresentá-lo de forma prolixa.
Tratando pois, dos direitos fundamentais, observa-se a intimidade, que se
assenta também no Código Civil como um dos direitos de personalidade, é tida
como inviolável ou indevassável. Isto porque é na intimidade que cada indivíduo
guarda seus segredos, lembranças, desejos e fraquezas que não deseja
compartilhar com terceiros ou externar para o mundo. Quando se trata da intimidade
o direito muitas vezes se utiliza de suas matérias propedêuticas, tal como a filosofia,
para afirmar que esta é compreendida como “os segredos do ser” e devido a isso,
tem o Estado, o dever proteger o universo particular de cada indivíduo e mitigar as
possibilidades de terceiros nele intervirem. Importante salientar, na lição de Silvio
Rodrigues, que o nome também integra a intimidade, desta forma, conserva-se se
inviolável e restrito ao uso somente do seu detentor.
No que diz respeito à vida privada, pode ser encontrada dentro do conteúdo
do direito à privacidade, guarda relações com a intimidade, porém é mais ampla
tendo-se em vista que compreende determinadas inviolabilidades, tais como a de
domicílio, contas bancárias, segredo profissional, sigilo de comunicações telefônicas
e correspondências (cartas e e-mails). Envolve também fenômenos da vida pessoal,
podendo se ressaltar as relações amorosas, familiares, preferências sexuais,
orientação religiosa e política e até a livre escolha de associar-se. Logo, a vida
privada pode ser considerada como o conjunto de informações, relações e até bens
necessários, restritos, particulares e reservados de cada um.
A honra pode ser definida como uma sistemática de valores que envolvem a
probidade, o respeito, a confiança e a moralidade. A doutrina ainda divide a honra
em objetiva e subjetiva, onde, brevemente, esta traduz o conjunto valores e
sentimentos próprios, que um indivíduo pensa de si próprio e aquela se
consubstancia na ideia que a sociedade tem a respeito de um determinado indivíduo
que nela está inserido.
Sarmento, invocando uma das lições Pontes de Miranda, menciona que o
conteúdo da honra consiste na dignidade pessoal, no sentimento e consciência de
53

ser digno, na estima e consideração mora dos outros37. Conceito também muito
utilizado no âmbito do direito penal, não é demais falar que os crimes de calúnia,
injúria e difamação atingem diretamente a honra.

6.5 AS PROVAS E OS DANOS MORAIS

Talvez uma das mais difíceis tarefas do aplicador do direito, a prova dos
danos morais avalia pressupostos fáticos e subjetivos. Assim seu estudo ultrapassa
os limites do plano material e atinge o campo psicológico da vítima, pois além de ser
demonstrado o fato, deve ser igualmente demonstrado o seu resultado no campo
moral da vítima.
Nesse sentido, a prova além de ser demonstrada necessita também de ser
interpretada, sendo que esta atividade interpretativa demonstra-se mais importante e
necessária já que aí se encontra o suporte para a avaliação do fato que desencadeia
a ofensa moral passível de indenização.
Bem expressa essa ideia, Marcius Porto, assim ensinando:

A prova dos danos morais tem duas unidades distintas. A primeira delas é
aquela em que se produz a demonstração do fato. A segunda envolve a
avaliação subjetiva dos danos morais. A doutrina e a jurisprudência têm
entendido como presumido o dano, em casos em do fato resulta sofrimento
ou dor à vítima. Tem-se observado também que a hipótese de presunção
“juris tantum”, admite-se prova em contrário. Em outras palavras, vem se
reconhecendo que a ofensa moral não exige prova de sua existência,
apenas do fato que lhe deu origem.38

Ainda continua o autor, dizendo que “a finalidade da prova é a formação da


convicção do juiz quanto a existência dos fatos da causa”39.
Tem-se, portanto, duas modalidades de prova, a objetiva que abarca a
demonstração da existência do fato gerador do dano moral – através de
testemunhas, documentos comprobatórios e até perícias específicas. A subjetiva,
por sua vez, avalia os meandros psicológicos da vítima que foram abalados pela
existência do fato, a fim de proporcionar ao juiz o convencimento.

37
SARMENTO, 2009, p.4
38
Porto, 2007, p.133
39
Op. Cit.
54

Assim, o que define a demonstração, ou seja, a existência dos danos morais,


é a prova objetiva, ao passo que a prova subjetiva estabelecerá o suporte
necessário à convicção do juiz.
Para Silvio Rodrigues, o convencimento do juiz é de suma importância, pois é
o que define se o fato que enseja o dano moral é capaz de atingir a vítima e quantas
quais pessoas podem ser consideradas vítimas em decorrência do mesmo fato.
Na sua lição ímpar, destaca o autor:

O argumento relativo à dificuldade de descobrir-se a existência do dano é


de menor alcance, pois trata-se de questão probatória e tanto é válida em
matéria de dano moral, quanto de dano patrimonial. O juiz terá sempre em
vista o quod plerumque accdit, o que habitualmente acontece. Será
ordinariamente difícil negar a dor que experimenta um pai que perde um
filho ou o sofrimento daquele que vê um ser querido mutilado.
Tem-se posto ênfase na dificuldade de se determinar o número e quais as
pessoas que lesadas pelo ilícito que causa dano moral. O agravo feito a
uma pessoa provocará dor não só em seus parentes, com em seus amigos,
sua noiva ou mesmo em sua namorada. Terão rodas essas pessoas direito
a indenização? Tal argumento, de grande seriedade, talvez seja ilidido pelo
poder concedido ao juiz de decidir de acordo com seu convencimento, no
exame do caso concreto, e da regra impõe moderação no fixar-se a
indenização.40

Com efeito, feitas estas considerações, como bem ressalva Marcius Porto, é
importante ressaltar que as provas podem ser apreciadas de acordo com o seu
objeto – direto, indireto, principais ou acessórios; segundo sua forma – pessoais e
reais; conforme sua função – históricas e críticas; pelo seu resultado – plenas,
completas e incompletas, verdadeiras e falsas; conforme a oportunidade de produzi-
las – judiciais e extrajudiciais, entre outras formas.
Outro aspecto bastante importante no que se referes às provas, é que em
sede de dano moral aplica-se a presunção de dano ao íntimo consciente da vítima
que o alega, ora o autor. Deste modo, o ônus de provar é invertido, cabendo ao réu
provar sua inexistência.
Evidentemente que à vítima cabe provar a existência do fato que gerou o
dano.
Assim, em se tratando da penhora on-line, o dano moral decorrente de sua
excessividade tem de ser demonstrado, através de provas documentais, por
exemplo, onde o executado demonstra que não conseguiu adimplir suas obrigações
e teve por conta disso seu nome na lista de devedores SERASA ou o caso de prova
testemunhal, na qual podem os empregados relatar ao magistrado que tiveram seus
40
RODRIGUES, 2003, P.191
55

salários atrasados por conta de uma penhora on-line excessiva das contas
bancárias da empresa, ora executada.
A prova do dano moral é de suma importância, como já foi dito, uma vez que
é necessária ao julgador não só para o seu próprio convencimento da existência do
dano e de sua capacidade de gerar efeitos negativos à moral da vítima, mas
também para a sua quantificação, conforme será demonstrado adiante.

6.6 A QUANTIFICAÇÃO DO DANO

Eis a tarefa mais difícil do julgador mensurar a dor sentida pela vítima, seu
abalos psicológicos e consequências sociais face ao dano moral. Por diversas vezes
o dano causado a uma pessoa pode tomar dimensões irreparáveis, causando-lhe
tantas perdas relativas à honra e dignidade que torna-a dependente de remédios por
um longo tempo, por esta ocasião, o indivíduo, pode ainda adquirir síndromes das
mais diversas relacionadas ao psicológico.
Em contrapartida deve ser considerada a conduta do agente que deu causa
aos abalos psicológicos da vítima, em regra é verificada uma conduta culposa, mas
não é de se descartar a hipótese daqueles que geram danos morais por puro dolo.
Para tanto, é necessário que o juiz conheça esses fatos, já que a indenização
decorrente dos danos morais precisa, além de ressarcir a vítima, impor ao causador
do dano a quantia a ser desembolsada suficiente para que não pratique mais tal ato.
Nesse propósito, utilizam-se os juízes, em regra, do arbitramento, conforme
expões Gagliano num trecho de sua obra onde menciona Miguel Realle:
Quanto ao ressarcimento dos danos morais, ensina Miguel Realle que se
trata de um “domínio em que não se pode deixar de conferir ampla
discricionariedade ao magistrado que examina os fatos em sua
41
concretude”.

Assim, ao fixar quantum da indenização, o julgador precisa ter convicção da


existência do dano e de que o valor a ser restituído vai ser suficiente para
restabelecer o prejuízo moral da vítima e para punir o indivíduo que deu causa ao
dano moral.
Referente a isso, deve o magistrado levar em conta não só as condições da
vítima, mas também as do causador dano. Tendo-se por parâmetro além dos

41
Gagliano, 2005, p. 352
56

elementos relacionados ao ato que desencadeou o dano moral, as condições sociais


e econômicas dos envolvidos.
Exemplificando, um empresário dono de várias empresas e de grande
patrimônio, que comete um ato ilícito que gera dano moral a um de seus
empregados, o qual ganha um salário mínimo, é condenado a indenizá-lo num valor
de dez salários mínimos. Talvez para o empresário, seja irrisório pagar tal quantia,
ensejando-lhe a praticar o ato novamente contra outros empregados, porém ao
empregado a indenização seria bastante para reanimar seu psicológico abalado.
Nesta esteira, o magistrado precisa ter uma apurada visão do fato concreto,
considerando as condições de vida tanto da vítima quanto do causador do dano,
para arbitrar um valor justo e capaz de indenizar a um sem esquecer de penalizar o
outro pela conduta ilícita.
Ademais, como já foi exposto, o dano moral não pode se transformar numa
maneira de enriquecimento da vítima, sendo que desta premissa parte a afirmação
de que um mero dissabor não deve ser indenizado em sede de danos morais.
Face a isso, aplica-se o princípio da proporcionalidade, onde o magistrado
também alia-se a alguns critérios objetivos para fixar um valor, acima de tudo,
equitativo entre a gravidade do dano e o valor a ser arbitrado a título de indenização.
Podem ser citados como principais critérios objetivos a extensão do dano, o grau de
culpabilidade do causador do dano, a intensidade do sofrimento da vítima e a
capacidade financeira e patrimonial do réu.
57

7 A PENHORA ON-LINE EXCESSIVA E A POSSIBILIDADE DE DANOS MORAIS

Feitas as elucidações acerca dos dois temas, passa-se a estudar a


possibilidade de aplicação conjunta dos mesmos. É cediço, que o dano moral só
possível face a um ato ilícito capaz de atingir a honra e a moral da vítima, logo, para
que seja possível a tese a ser apresentada, é necessária a configuração de algum
ato ilícito na modalidade on-line de penhora e passível da indenização moral.
No caso concreto, algum ato que atente a ferir a honra da vítima, é aquele
que venha proporcionar a este uma situação vexatória ou indigna. Assim, qualquer
das partes, tanto o exequente quanto o executado, podem sofrer danos morais.
Nesse diapasão, um ato que pode trazer um potencial dano moral ao
executado é a penhora on-line excessiva, que além de privá-lo de bens sobre os
quais não deveria recair, pode causar uma situação, ainda que momentânea, de
miserabilidade. Muitas vezes, o juiz, ao expedir a ordem de bloqueio, o faz em várias
contas do executado, em que pese a medida ser eficiente e célere, acaba onerando
em excesso a execução. É importante salientar que esta é apenas uma visão do
instituto, que assim é vislumbrado por muitos processualistas.
A respeito do bloqueio excessivo, o Juiz Flávio Henrique de Melo, em suas
insignes palavras trata do assunto:

Por certo, na hipótese em que o credor/exequente pede a Penhora


“on line” de um determinado valor líquido, indicando apenas o CPF,
sem precisar sobre qual conta deverá recair o bloqueio, ocorrerá que
será bloqueado o valor exequendo em tantas quantas forem as
contas do devedor que possuírem saldo para ser constrito o valor
ordenado.
De fato, na situação retro mencionada, poderá haver, v.g., o bloqueio
de R$ 2.000,00 (Dois mil reais) em todas as contas do
devedor/executado ativas que possuírem saldo igual ou superior a
esse valor, seja ou não proveniente de salário.
Em caso de ser o dinheiro bloqueado proveniente de salário, cabe ao
devedor/executado demonstrar e comprovar que a origem da quantia
monetária é dos vencimentos/proventos/salários/subsídios a fim de
que seja desbloqueado o valor total ou parcial correspondente, em
observância aos termos do art. 649 do CPC.
No caso em que há o número da conta específica a ser Bloqueado
“on line” essa hipótese supra identificada do excesso quanto à
constrição não existe, porém não existe como destacar a segunda
ocorrência de recair sobre o total ou parte do salário.
É exatamente nesses pontos que os críticos do instituto se baseiam
para tentar atingi-lo. As situações são passíveis de correção e
controle direto do Juiz, porquanto todas as vezes que são
protocoladas as minutas de Penhora “on line”, aguarda-se 48
(quarenta e oito) horas para se consultar a resposta no BACENJUD.
Em caso positivo, o Juiz poderá restringir, no próprio programa
eletrônico, o excesso do bloqueio. A parte correspondente ao valor
58

(exequendo) determinado é imediatamente, também, transferida para


uma conta judicial à disposição do Juízo solicitante.
Nessa ótica, não se pode mitigar ou querer inutilizar o recurso da
Penhora “on line” apenas pela situação do excesso do bloqueio, na
medida em que a própria parte exequente poderá corrigir tal
distorção, indicando o número da conta judicial a ser bloqueada.

Note-se que são claras as suas palavras, quando menciona o fato de o credor
não precisar sobre qual conta deverá recair o bloqueio. Ainda continua o nobre
magistrado, demonstrando qual deve ser a conduta do juiz, frente ao caso concreto
da excessividade da medida em questão. Ademais é importante dizer que o autor
não é contra a aplicação da medida, aliás converge-se sua opinião com o que
realmente visa a medida, ou seja, celeridade e eficiência na satisfação do crédito do
credor.
Outrossim, não é demais mencionar que a opinião aqui destacada, nada mais
é a constatação de que a excessividade da penhora on-line pode existir e que só
existe se ocorrer uma omissão do juiz na correção e no controle da aplicação da
medida.
Nesse espeque, pode até existir uma possibilidade de dano causado ao
executado, tendo em vista a omissão do Estado, quando aplica a justiça por meio de
seu agente competente para o feito. Ainda neste fito, seria possível a
responsabilidade objetiva do Estado, vez que o dano foi causado pelo seu agente.
59

8 CONCLUSÃO

Inicialmente, é essencial revelar que a escolha do corrente tema para que se


fizesse este trabalho final do curso de Direito, foi necessário mais do que dedicação
e persistência, sendo impossível sua conclusão sem tais qualidades.
Ao estudar e pesquisar o tema da presente monografia, foi possível
constatar que a penhora on-line é um instituto moderno, que trouxe grandes avanços
ao Direito como um todo, visto que dela se beneficiam inúmeros ramos, como o civil,
trabalhista e tributário. É certo também que a medida possui incontáveis detalhes,
como foi aqui demonstrado.
Oportuno se faz mencionar que a penhora on-line está em constante
evolução, pois busca a eficiência na satisfação do crédito do exequente aliando-se
aos mais modernos avanços tecnológicos presentes na sociedade. Portanto, pode-
se afirmar que é um direito vivo, ao passo que daqui há alguns anos, ou até meses,
este estudo que parece-se atual, servirá meramente de história.
A respeito do tema abordado neste trabalho de conclusão de curso, ou seja,
a penhora on-line e a possibilidade de danos morais, nada ficou muito claro, sendo o
próprio leitor desta monografia, sendo ou não operador do direito, levado a tirar a
própria conclusão. Desde já, cumpre esclarecer o que o objetivo deste trabalho final,
que será apresentado aos nobres membros da banca avaliadora, não é apresentar
uma tese, mas sim sugerir uma hipótese, tal qual foi demonstrado ao longo do texto.
Assim, nesta oportunidade, o que se buscou foi alcançado, ora foram
apresentados ambos institutos (penhora on-line e dano moral) e foi também
demonstrada uma possibilidade de união de ambos.
Sabe-se que para que haja o dano moral tem de haver o nexo de
causalidade, cumprindo esta tarefa de demonstrá-la aos operadores do direito,
diante do caso concreto.
Postas estas ideias, pode-se concluir que a penhora on-line é um dos mais
eficazes e céleres meios de satisfação do crédito da execução, pois alia-se ao que
há de mais moderno em questões de tecnologias da informática. Contudo, deve-se
colocar também, que o direito tem que acompanhar esta celeridade pois não podem
ser deixados de lado os direitos do exequente e do executado. Nesse sentido,
muitas vezes socorrem-se os aplicadores do direito dos princípios, pois percebe-se
que não há ainda uma norma que deixe bem claro o instituto.
60

Quanto aos danos morais, resta a tarefa de demonstrar sua possibilidade no


caso, verificando-se as verdadeiras condições da vítima bem como daquele que
praticou o ato que enseje o dever de indenizar.
Nessa esteira, é certo que a penhora on-line é um ato que deve ser utilizado
com prudência, pois pode trazer ao executado um ônus desnecessário, já que sua
capacidade de constrição pode ser maior que o valor do crédito devido. Até por este
motivo, muitas vezes a penhora on-line deveria ser utilizada como última medida de
expropriação dos bens do executado.
61

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