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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA

SILVIA ROSA DA COSTA CORRÊA

AVALIAÇÃO SOCIAL DO CICLO DE VIDA DE UM PRODUTO:

ESTUDO DE CASO EM UMA MICROEMPRESA DO RAMO AUTOMOTIVO

CURITIBA

2009

SILVIA ROSA DA COSTA CORREA

AVALIAÇÃO SOCIAL DO CICLO DE VIDA:

ESTUDO DE CASO EM UMA MICRO EMPRESA DO RAMO AUTOMOTIVO

Dissertação apresentada como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Orientadora: Profa. Dra. Cássia Maria Lie Ugaya

CURITIBA

2009

Dedico este trabalho

DEDICATÓRIA

A minha mãe Joana D’arc que, para mim é um exemplo de força moral e espiritual e, nesta vida, tive o privilégio de nascer como sua filha e de ter me ensinou a viver de forma honrosa e honesta perante as outras pessoas.

Memória de meu pai André Corrêa, que acreditou nos meus sonhos e me fez ser uma pessoa de bem.

Aos meus Irmãos, Silvio, Márcia, Marcos, André, Adriano e Diogo, por estarem de prontidão a me ajudar em qualquer dificuldade que apareça na minha vida.

Aos meus lindos sobrinhos Letícia e Eduardo, que acabam de chegar neste mundo, trazendo mais união e felicidade para a família e que este trabalho possa contribuir na construção de um mundo mais seguro para eles.

Aos meus amigos “Benfeitores” por me protegerem (de dia e de noite) e de intuírem os meus pensamentos no caminho do bem e da verdade de Deus, por me ajudarem a vencer mais essa provação para minha evolução moral e intelectual.

AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente, a minha orientadora Cássia Maria Lie Ugaya, por acreditar e incentivar o meu trabalho, e claro, me ajudar a definir importantes linhas conceituais neste projeto. Além da grande oportunidade que me proporcionou nesta vida, para que eu pudesse me transformar em uma pessoa melhor moralmente e intelectualmente.

Agradeço aos meus familiares por compreenderem que muitas vezes estive ausente para me dedicar à conclusão dos meus estudos. Aos meus irmãos pela dedicada atenção que me deram, me encorajando nos momentos de provações e me inspirando nas melhores escolhas da minha vida.

Aos meus amigos “Benfeitores” por estarem atentos a qualquer deslize meu e me conduzirem ao caminho do bem.

Ao

meu

amigo

Alexandre

Courtouke

por

elaborar

o

desenho

e

animação

da

apresentação e por todos os outros favores que me prestou ao longo destes anos.

As minhas Amigas “irmãs” por me ajudarem nos momentos mais difíceis do período do mestrado, como também da minha vida. Cassinha Walter, Gi Schmuck, Sandrinha Okada, Telminha Pombeiro.

Aos Professores da Banca, Sonia Ana Charchut Leszczynski, José Adolfo de Almeida Neto e Kazuo Hatakeyama, pelas correções e sugestões para a dissertação.

Aos meus colegas do Grupo da Sustentabilidade do Ciclo de Vida da UTFPR, que nas várias reuniões de grupo opinaram com sugestões para elaboração deste trabalho.

Sobretudo agradeço a Deus por ter me dado discernimento, paciência, saúde ao longo da minha vida e sobriedade durante o mestrado.

“ mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é o meu coração.”

Carlos Drummond de Andrade Poema de Sete Faces – Obra: Alguma Poesia (1930)

“Trabalhai não pela comida que perece, mas pela

comida que permanece para a vida eterna, a

qual o filho do homem vos dará”, e não

desfaleças, porque o trabalho contínuo e nobre

falará pelos teus pensamentos e palavras em

atos que te seguirão até além das fronteiras da

vida orgânica.

Pelo espírito Joana de Ângeles. (Convites da Vida - Psicografia de Divaldo Franco. Salvador,

1988.)

“O dever é a obrigação moral da criatura para consigo

mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros.

O

Fielmente

dever intimo do homem fica entregue a seu livre-arbítrio

observado, o dever do coração eleva o homem

É uma bravura da alma que enfrenta as angústias da luta, é

austero e brando, pronto a dobrar-se às mais diversas

complicações, conserva-se inflexível diante das suas tentações.

Principia

sempre, para cada um de vós, do ponto em que

ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo,

acaba no limite que não desejais ninguém transponha com

relação a vós.”

Pelo espírito Lázaro. Paris, 1863 (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Allan Kardec, 1866)

RESUMO

Atualmente, muito se comenta sobre responsabilidade social na comunidade empresarial e já estão claros os compromissos sociais que as organizações têm frente à sociedade. No entanto, percebe-se que outros aspectos sociais, além daqueles já disseminados pela responsabilidade social, são necessários para compreender a real influência que uma organização e seus produtos podem causar na vida social das pessoas. Desta forma, cresce a preocupação sobre os possíveis impactos sociais resultantes de produtos. Neste contexto, o presente estudo tem como objetivo verificar em quais processos da atividade de produção de um produto ocorrem os impactos sociais no seu ciclo de vida. Para isso, utiliza-se o método de Avaliação Social do Ciclo de Vida (ASCV), a partir da priorização das Subcategorias para os trabalhadores, fornecedores, clientes, comunidade local e para a sociedade. O referencial teórico do estudo tem como principais autores, UNEP (2009), Jorgensen et al. (2007) e Grie hammer et al. (2006). As Subcategorias estão baseados nas pesquisas publicadas por UNEP (2009) do grupo de Força Tarefa da Iniciativa do Ciclo de Vida do PNUMA e da SETAC e Grie hammer et al. (2007), a partir dos quais foram selecionados e coletados os dados para análise da pesquisa. Como resultado, na etapa de inventário, os dados foram analisados e apresentados os aspectos sociais mais significativos no ciclo de vida. Esses resultados demonstram os impactos positivos ou negativos da atividade de produção perante os interessados.

Palavras-chave: Subcategorias; Indicadores Sociais; Partes Interessadas; ASCV.

ABSTRACT

Currently, much is commented on social responsibility in the business community and the social commitments are already clear that the organizations are facing the society. However, one realizes that other social aspects, beyond those already spread by the social responsibility, are necessary to understand the real influence that an organization and its products can cause in the people's social life. In such a way, this concern grows on the possible result sot social impacts of products. In this context, the present study aims to verify in which processes of the activity of production of a products life cycle, the social impacts occur. With this purpose, the method of Social Assessment of the Life Cycle is used (ASCV) from the prioritization of the Subcategories for the employees, suppliers, customers, local community and to society. The theoretical referencial of the study has as main authors, UNEP (2009), Jorgensen et al (2007), Grie hammer et al (2006). Subcategories are based on research published by Grie hammer et al (2007) and the group of the Task Force of Initiative Life Cycle of PNUMA and SETAC, who selected and colected the data for research analysis. As a result, in the inventory stage, the data had been analysed and presented the most significant indicators in the life cycle. These results demonstrate the positive or negative impacts of the activity of production before the stakeholders.

Key words: Subcategories; Social Indicators, Social Life Cycle Assessment, Stakeholders.

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 - Etapas da ACV

20

FIGURA 2 - Sistema de Avaliação das Categorias para a Unidade de Medida

23

FIGURA 3 – Parte Interessada ASCV FIGURA 4 - Fluxograma do Produto

 

25

 

53

FIGURA 5 - Fluxograma do Produto Definitivo

 

56

LISTA DE GRÁFICOS

GRÁFICO 1 - Total de Funcionários no Ciclo de Vida do Produto

 

60

GRÁFICO 2 - Diversidade por Gênero no Ciclo de Vida do Produto GRÁFICO 3 - Diversidade por Cargo no Ciclo de Vida do Produto

 

61

 

62

GRÁFICO 4 - Nível de Escolaridade no Ciclo de Vida do Produto GRÁFICO 5 - Saúde e Segurança no Ciclo de Vida do Produto

 

63

 

63

GRÁFICO 6 - Funcionários Sindicalizados no Ciclo de Vida do Produto

 

64

GRÁFICO 7 - Reuniões Coletivas e Contratos no Ciclo de Vida do Produto GRÁFICO 8 - Tipos de Contrato no Ciclo de Vida do Produto

 

65

 

66

GRÁFICO 9 - Carga Horária no Ciclo de Vida do Produto GRÁFICO 10 - Horas Extras no Ciclo de Vida do Produto

 

67

 

68

GRÁFICO 11 - Período de Descanso no Ciclo de Vida do Produto GRÁFICO 12 - Saúde e Segurança no Ciclo de Vida do Produto

 

69

 

69

GRÁFICO 13 - Continuação do Indicador de Saúde e Segurança

 

70

GRÁFICO 14 - Descanso Semanal e Remuneração no Ciclo de Vida do Produto

 

71

GRÁFICO 15 - Percentual de Funcionários por Processo no Ciclo de Vida do Produto

91

GRÁFICO 16 - Percentual de Funcionários por Setor nas Empresas no Ciclo de Vida do Produto

92

GRÁFICO 17 - Média Geral dos Indicadores de Satisfação dos Funcionários no Ciclo de Vida do Produto

96

LISTA DE TABELAS

TABELA 1 - Massa e Horas Trabalhadas por Peça

 

55

TABELA 2 - Dados de Diversidade e Nível de Escolaridade dos Funcionários TABELA 3 - Forma de Tabulação dos Dados Quantitativos

 

58

 

59

TABELA 4 - Dados do Indicador de Trabalho Forçado para os Funcionários no Ciclo de Vida do Produto

72

TABELA 5 - Dados do Indicador de Proteção a Maternidade para as Funcionárias no Ciclo de Vida do Produto

73

TABELA 6 - Dados do Indicador de Sindicato e Associação Coletiva para os Funcionários no Ciclo de Vida do Produto

75

TABELA 7 - Dados do Indicador Diálogo entre Funcionário e a Empresa no Ciclo de Vida do Produto

76

TABELA 8 - Dados do Indicador Remuneração e Benefícios para os Funcionários no Ciclo de Vida do Produto

78

TABELA 9 - Dados do Indicador de Desenvolvimento da Capacidade para os Funcionários no Ciclo de Vida do Produto

79

TABELA 10 - Dados sobre os Fornecedores dos Indicadores de Reclamações e Diálogo e Grau que Escuta as Partes no Ciclo de Vida do Produto

81

TABELA 11 - Dados sobre os Fornecedores dos Indicadores de Respeito a contratos e Apoio a Investimentos no Ciclo de Vida do Produto

83

TABELA 12 - Dados sobre os indicadores de Informações no Rótulo, Riscos e Manutenção do Produto para a Empresa Cliente no Ciclo de Vida do Produto

85

TABELA 13 - Dada sobre a Comunidade Local na Avaliação do Ciclo de Vida do Produto

87

TABELA 14 - Dada dos Indicadores sobre a Sociedade no Ciclo de Vida do Produto

 

89

TABELA 15 - Média Geral dos Indicadores de Satisfação dos Funcionários por Empresa no Ciclo de Vida do produto

95

TABELA 16 - Média Geral dos Indicadores de Satisfação dos Fornecedores no Ciclo de Vida do Produto

TABELA 17 - Média Geral dos Indicadores de Satisfação do Cliente no Ciclo de Vida do Produto

TABELA 18 - Média Geral do Indicador de Satisfação na Comunidade Local

106

106

107

LISTA DE QUADROS

QUADRO 1 - Comparativo entre parte interessada e categoria de impacto da AACV e ASCV

26

QUADRO 2 - Tipo de Categoria de Impacto Social

 

27

QUADRO 3 - Partes Interessadas e Indicadores da UNEP/SETAC QUADRO 4 - Indicadores Sociais por Órgão

 

30

 

35

QUADRO 5 - Resumo dos Indicadores Sociais

 

36

QUADRO 6 - Indicadores Sociais Selecionados

 

40

QUADRO 7 - Dados Solicitados / Funcionários e Empresas QUADRO 8 - Dados Semi-quantitativos dos Funcionários

 

44

 

46

QUADRO 9 - Informações de Satisfação dos Funcionários

 

47

QUADRO 10 - Informações de Satisfação para Empresa Fornecedora QUADRO 11 - Informações das Perguntas para o Cliente

 

48

 

48

QUADRO 12 - Dados para Comunidade Local QUADRO 13 - Dados para Sociedade

 

49

 

49

QUADRO A.1 - Indicadores Ethos Aplicados ao Pacto Global

QUADRO A.2 - Indicadores para os Trabalhadores Grie hammer et al. (2007)

QUADRO A.3 - Indicadores Comunidade Local Grie hammer et al. (2007)

QUADRO A.4 - Indicadores para Sociedade Grie hammer et al. (2007)

QUADRO A.5 - Indicadores para Consumidor Grie hammer et al. (2007)

129

128

128

128

128

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AACV Avaliação Ambiental do Ciclo de Vida ACV Avaliação de Ciclo de Vida

AICV Avaliação de Impacto do Ciclo de Vida ASCV Avaliação Social do Ciclo de Vida CG Global Compact - Pacto Global

CIPA

CLT Consolidação das Leis do Trabalho

CNPJ

DIEESE Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos ETHOS Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social FGTS Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FT Força Tarefa GRI Global Reporting Initiative - Diretrizes para Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade

IBASE Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas ICV Inventário de Ciclo de Vida InCV Iniciativa do Ciclo de Vida INSS Instituto Nacional do Seguro Social ISO International Organization for Standardization - Organização Internacional de Padronização

Comissão Interna de Prevenção de Acidentes

Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica

LCA

Life Cycle Assessment - Avaliação de Ciclo de Vida

NBR

Norma Brasileira de Regulamentação

OIT Organização Internacional do Trabalho

ONU

Organização das Nações Unidas

PCs Personal Computer - computador de bolso PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente PROSA Product Sustainability Assessment – Avaliação da sustentabilidade do produto

SETAC Society of Environmental Toxicology and Chemistry - Sociedade do Meio Ambiente Toxicologia e Química UNEP United Nations Environment Programme UTFPR Universidade Tecnológica Federal do Paraná

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO

16

1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA

17

1.2 PROBLEMA

17

1.3 OBJETIVOS

17

1.3.1 Objetivo Geral

17

1.3.2 Objetivos específicos

18

1.4 JUSTIFICATIVA

18

1.5 ESTRUTURA DOS CAPÍTULOS

19

2

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

20

2.1 AVALIAÇÃO DO CICLO DE VIDA

20

2.2 ESTUDOS DA INICIATIVA DO CICLO DE VIDA SOBRE ASCV

21

2.2.1

Definição das Categorias de Parte Interessada, Impacto e Subcategorias

22

2.3 ESTUDOS DE CASO DE ASCV

28

2.4 INDICADORES SOCIAIS

29

2.4.1

Indicadores Sociais da Iniciativa do Ciclo de Vida (UNEP/SETAC, 2008)

29

2.4.1.1 Definição dos Indicadores Relacionados ao Trabalhador (UNEP/SETAC, 2008)

31

2.4.1.2 Definição dos Indicadores Relacionados à Comunidade Local(UNEP/SETAC, 2008) .32

2.4.1.3 Definição dos Indicadores Relacionados com a Sociedade (UNEP/SETAC, 2008)

33

2.4.1.4 Definição dos Indicadores Relacionados à Outros Atores (UNEP/SETAC, 2008)

34

2.4.1.5 Definição dos Indicador Relacionados com o Consumidor (UNEP/SETAC, 2008)

34

2.4.2

Comparação entre as Fontes

34

3

METODOLOGIA

 

37

3.1

ESCOPO

38

3.1.1 Função, Unidade Funcional e Fluxo de Referência

38

3.1.2 Fronteira do Sistema

 

39

3.1.3 Requisitos da Qualidade dos Dados

39

3.1.4 Priorização dos Indicadores Sociais para cada Parte Interessada

39

3.2

INVENTÁRIO

41

3.2.1

Elaboração do Instrumento de Coleta de Dados

42

3.2.1.1

Forma de Análise dos Dados

43

3.2.2 Questionários para Obtenção dos Dados dos Funcionários

44

3.2.3 Questionário

para

o

Fornecedor

47

3.2.4 Questionário

para

o

Cliente

48

3.2.5 Questionário para a Comunidade Local

49

3.2.6 Questionário

para

a

Sociedade

50

3.2.7 Teste Piloto dos Questionários

50

3.3 UNIVERSO E POPULAÇÃO DA PESQUISA

51

3.4 LEVANTAMENTO E COLETA DE DADOS

51

4

ESTUDO DE CASO

 

52

4.1

ESCOPO – PRODUTO

52

4.1.1 Função, Unidade Funcional e Fluxo de Referência

52

4.1.2 Sistema

do Produto

 

52

4.1.3 Requisitos e Qualidade dos Dados

57

4.2

INVENTÁRIO

57

4.2.1 Resultado dos Dados Quantitativos dos Funcionários

58

4.2.2 Resultado dos Dados Semi-quantitativos dos Funcionários

71

4.2.2.2

Resultado para o Indicador de Proteção a Maternidade

75

4.2.2.3 Resultado para o Indicador de Sindicato e Associação Coletiva

75

4.2.2.4 Resultado para o Indicador de Diálogo entre Funcionário e a Empresa

76

4.2.2.5 Resultado para o Indicador de Remuneração e Benefícios

77

4.2.2.6 Resultado para o Indicador de Desenvolvimento da Capacidade

79

4.3

RESULTADO DOS DADOS DOS FORNECEDORES

80

4.3.1 Resultado dos Indicadores de Reclamações e Diálogo e Grau que Escuta as Partes

80

4.3.2 Resultado para Indicadores de Respeito a Contratos e Apoio a Investimentos

82

4.4 RESULTADO

DOS

DADOS

DO

CLIENTE

84

4.5 RESULTADO DOS DADOS DA COMUNIDADE LOCAL

86

4.6 RESULTADO DOS DADOS DA SOCIEDADE

88

5

DISCUSSÕES

90

5.1

DISCUSSÃO DOS DADOS QUANTITATIVOS DOS FUNCIONÁRIOS

91

5.1.1

Discussão dos Resultados dos Dados Semi-quantitativo dos funcionários

94

5.1.1.1 Discussão dos Resultados de Satisfação sobre Trabalho Forçado

97

5.1.1.2 Discussão dos Resultados de Satisfação sobre Sindicato e Associação Coletiva

97

5.1.1.3 Discussão dos Resultados de Satisfação sobre Sindicato e Associação Coletiva

98

5.1.1.4 Discussão dos Resultados de Satisfação do Diálogo entre o Funcionário e Patrão

99

5.1.1.5 Discussão dos Resultados de Satisfação sobre Remuneração e Benefícios

100

5.1.1.6 Discussão dos Resultados de Satisfação sobre Desenvolvimento da Capacidade

100

5.1.2

Discussão das Médias Gerais dos dados Semi-quantitativos dos Funcionários

101

5.1.2.1 Resultado Final da Satisfação do Indicador de Trabalho Forçado

101

5.1.2.2 Resultado Final da Satisfação do Indicador de Proteção a Maternidade

102

5.1.2.3 Resultado Final da Satisfação do Indicador de Sindicato e Associação Coletiva

103

5.1.2.4 Resultado Final da Satisfação do Indicador de Desenvolvimento da Capacidade

103

5.1.2.5 Resultado Final da Satisfação do Indicador Diálogo entre Funcionários/empresa 104

5.1.2.6 Resultado Final da Satisfação do Indicador de Remuneração e Benefícios

104

5.2 Discussão das Médias Gerais dos Dados Semi-quantitativos dos Fornecedores

105

5.3 Discussão das Médias Gerais dos Dados Semi-quantitativos do Cliente

106

5.4 Discussão das Médias Gerais dos Dados Semi-quantitativos da Comunidade Local

107

5.5 Discussão dos Dados da Sociedade

108

6

CONSIDERAÇÕES FINAIS

109

6.1

CONCLUSÃO DOS DADOS QUANTITATIVOS DOS FUNCIONÁRIOS

109

6.1.2

Conclusão dos dados Semi-quantitativo dos Funcionários

110

6.2 CONCLUSÃO DOS DADOS DOS FORNECEDORES E CLIENTE

110

6.3 CONCLUSÃO DOS DADOS DA COMUNIDADE LOCAL E SOCIEDADE

111

6.4 CONCLUSÃO DOS OBJETIVOS ESPECÍFICOS ATINGIDOS

111

6.5 SUGESTÕES

PARA TRABALHOS FUTUROS

113

REFERÊNCIAS

114

APÊNDICE

118

01 Questionário Aplicado na Avaliação da Parte Interessada Trabalhador

118

02 Questionário Aplicado na Avaliação do Trabalho Aprendiz

121

03 Questionário Aplicado na Avaliação da Parte Interessada Trabalhador

122

04 Questionário Aplicado na Avaliação da Parte Interessada Fornecedor

124

05 Questionário Aplicado na Avaliação da Parte Interessada Cliente

125

06 Questionário Aplicado na Avaliação da Comunidade Local

126

07 Questionário Aplicado na Avaliação da Sociedade

127

ANEXOS

128

ANEXO A - Os Indicadores Ethos Aplicados ao Pacto Global

129

ANEXO B - PROSA Avaliação da Sustentabilidade de Produtos

130

16

1 INTRODUÇÃO

A técnica de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) tem sido utilizada para estudos dos aspectos e impactos ambientais de produtos, processos e serviços, contudo, mais recentemente, além das questões ambientais, estão sendo estudados meios para inclusão da dimensão social. Em vista disto, a Iniciativa do Ciclo de Vida (InCV/LCI) do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA/UNEP) e da Sociedade de Química e Toxicologia (SETAC) criou, em 2004, a Força Tarefa (FT) de Inclusão de Indicadores Sociais em ACV. Dentro desta FT foram discutidos diversos pontos necessários para a elaboração de Diretrizes para a realização de Avaliação Social do Ciclo de Vida (ASCV), sendo que alguns dos principais resultados consistiram na definição de uma lista (não restritiva) das principais Subcategorias de Indicadores Sociais a serem considerados no estudo e na necessidade de avaliação dos indicadores de forma qualitativa (UNEP, 2009). Além disso, a FT publicou recentemente o Guidelines for Social Life Cycle Assessment of Products (UNEP, 2009) que aborda, entre outros, uma comparação entre as metodologias de Avaliação Ambiental do Ciclo de Vida (AACV) e ASCV. Os autores também definiram os passos para realização de uma ASCV e afirmaram que nem todos os passos estão totalmente estabelecidos com diversas sugestões para pesquisas futuras. Sobretudo, na etapa de interpretação de dados e avaliação dos impactos, os autores não apresentam um método de impacto em ASCV. Desta forma, o presente estudo limitou-se em verificar o uso da metodologia somente nas etapas de Escopo e Análise de Inventário. Observa-se que o referencial teórico sobre ASCV, como o livro mencionado anteriormente, foi publicado em maio de 2009, e o presente estudo iniciou a sua pesquisa em 2007, sendo importante esclarecer essa discordância de datas, indicando que as informações foram adquiridas pela autora antes mesmo da publicação. Em virtude da orientadora desta dissertação fazer parte da FT e ser umas das autoras do livro referenciado, que pode adiantar informações sobre a metodologia de ASCV que futuramente seriam incluídas no livro. Desta forma, o presente estudo baseou-se em informações sobre as últimas descobertas de ASCV, demarcando a contemporaneidade dos assuntos aqui discutidos.

17

1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA

A proposta da dissertação foi realizar um estudo de caso no tema de Avaliação Social

no Ciclo de Vida de um produto, considerando apenas a fase de manufatura e distribuição, determinada como “Portão a Portão”. Desta forma, foi possível identificar os pontos positivos e negativos resultantes da técnica de ASCV e obter dados das atividades das empresas

envolvidas no processo de produção, considerando somente os fornecedores diretos. É uma pesquisa qualitativa com análise de dados numéricos (quantitativos) para interpretação.

1.2 PROBLEMA

As pesquisas realizadas sobre ACV apontam que no ciclo de vida de um produto não são gerados apenas impactos ambientais e econômicos, mas também sociais. Neste contexto,

o seguinte problema de pesquisa foi formulado: Como constatar os aspectos sociais

resultantes da atividade de produção de um produto em uma microempresa e as partes interessadas envolvidas?

1.3 OBJETIVOS

1.3.1 Objetivo Geral

O objetivo da pesquisa consistiu em identificar, por meio de um estudo de caso de um

produto em uma microempresa industrial da região de Curitiba-PR, em que processos

ocorrem os aspectos sociais, positivos e negativos, relacionados às partes interessadas no ciclo

de vida do produto.

18

1.3.2 Objetivos específicos

Para a pesquisa é fundamental considerar os seguintes objetivos específicos:

1. Identificar as Subcategorias e os indicadores sociais existentes e prioritários para as partes interessadas;

2. Detalhar o processo produtivo do produto;

3. Identificar as empresas envolvidas no processo;

4. Adotar critérios de corte para limite do sistema produtivo;

5. Apontar os aspectos sociais mais significativos, por meio de levantamento de dados na cadeia produtiva do produto em estudo, conforme procedimentos metodológicos.

1.4 JUSTIFICATIVA

A importância da realização do estudo consiste em verificar, na prática, as diretrizes para a ASCV proposta pela UNEP (2009). De acordo com Grie hammer et al. (2006), a ASCV tem como propósito avaliar os

impactos das atividades de produção industrial na vida social das pessoas e organizações, geralmente com o objetivo de melhorar ou em comparação a uma alternativa. Assim como na ACV ambiental, a ASCV evita transferência de impacto de uma etapa do Ciclo de Vida para outra. Ao identificar os aspectos sociais gerados pelo Ciclo de Vida do produto, por meio de uma técnica científica que envolva os atores mais próximos da cadeia produtiva. Desta forma, o estudo apresentado optou por verificar o uso da metodologia ASCV em uma microempresa industrial, mais especificamente no processo de produção de um produto.

A empresa selecionada foi escolhida em virtude da facilidade da obtenção de dados e por ser

responsável por parcela significativa do fornecimento de peças no mercado de rastreamento

de frotas de caminhões.

19

1.5 ESTRUTURA DOS CAPÍTULOS

Esta dissertação está dividida em cinco capítulos. O primeiro capítulo introduz o tema da pesquisa, com a definição do problema, objetivos e justificativa. No segundo capítulo é apresentada uma revisão bibliográfica, com a fundamentação teórica necessária para o desenvolvimento do estudo de caso. Inicia-se com uma breve descrição da metodologia ACV voltada aos aspectos ambientais (AACV). Em seguida, os aspectos sociais, são apresentados, assim como os trabalhos publicados pelo grupo da Iniciativa do Ciclo de Vida, contendo os passos para realização da ASCV em comparação às fases da AACV. No final da revisão são abordados estudos sobre o uso da ASCV e uma revisão de indicadores sociais existentes. O terceiro capítulo relata a metodologia do estudo, os passos seguidos para elaboração do estudo de caso do produto, descrevendo as etapas de definição do objetivo e do escopo e da análise de inventário na ASCV. Estes passos apontam as subcategorias e os indicadores sociais selecionados para avaliação do produto em estudo, a elaboração do instrumento de coleta de dados e os métodos utilizados para análise dos dados. No quarto capítulo é apresentado o estudo de caso, com apresentação do produto e todas as empresas envolvidas no ciclo de vida, os dados levantados pelos indicadores sociais e a análise dos dados. No quinto capítulo são apresentadas as discussões sobre os dados analisados no inventário, de forma qualitativa e apresentados os aspectos sociais mais significativos do estudo, fundamentados com o referencial teórico. O sexto capítulo apresenta as considerações finais, concluindo as discussões analisadas nesta dissertação. Os Apêndices contém os questionários aplicados para a pesquisa e por último apresentam-se nos anexos, conteúdo sobre os institutos gestores de indicadores sociais listados no quadro 4.

20

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 AVALIAÇÃO DO CICLO DE VIDA

A Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) é uma técnica que permite a avaliação dos

impactos ambientais ao longo do ciclo de vida do produto, desde a aquisição da matéria-

prima, passando pela produção, uso e disposição final (SETAC, 1991).

A norma ISO (2006) estabelece que a ACV de produtos deve incluir a definição do

objetivo e do escopo do trabalho, a análise do inventário, a avaliação de impacto e a interpretação dos resultados, como mostrado na figura 1.

a interpretação dos resultados, como mostrado na figura 1. Figura 1 - Etapas da ACV. Fonte:

Figura 1 - Etapas da ACV. Fonte: imagem norma ISO 14044:2006.

De acordo com a ISO (2006), o escopo de uma ACV inclui a fronteira do sistema e o nível de detalhamento, dependendo do objeto e do uso pretendido para o estudo. A profundidade e a abrangência da ACV podem variar consideravelmente dependendo do objetivo do estudo em particular.

21

A ISO (2006) também define cada uma das demais fases da ACV:

a fase de análise de inventário do ciclo de vida (ICV) consiste na coleta e processamento de dados de entrada e saída associados ao sistema em estudo;

a fase de avaliação de impacto do ciclo de vida (AICV) é a terceira fase da ACV, cujo objetivo é prover informações adicionais para ajudar na avaliação dos resultados do ICV, visando ao melhor entendimento de sua importância ambiental e;

a última etapa da ACV, que consiste na interpretação do ciclo de vida, na qual os resultados de um ICV e/ou de uma AICV, ou de ambos, são sumarizados e discutidos como base para conclusões, recomendações e tomada de decisão de acordo com a definição de objetivo e escopo.

É importante ressaltar, que apesar da série ISO 14040 ter surgido com a intenção de

avaliar os aspectos ambientais, menciona também a possibilidade de incluir aspectos econômicos e sociais no ciclo de vida.

2.2 ESTUDOS DA INICIATIVA DO CICLO DE VIDA SOBRE ASCV

A ASCV é uma técnica que auxilia a análise dos impactos sociais de produtos ou

serviços, positivos ou negativos, no ciclo de vida (UNEP, 2009). De acordo com os autores, um dos objetivos da ASCV é fornecer informações sobre os aspectos sociais da produção e do consumo, possibilitando uma melhora no desempenho social da organização e no bem-estar dos interessados. Desta forma, na ASCV não apenas considera a linha produtiva relevante, como também, as organizações que a envolvem. Os aspectos sociais podem afetar diretamente os interessados de forma positiva ou negativa, associados ao comportamento da empresa, processos e impacto em capital social. As diferenças entre a AACV e a ASCV são: enquanto que a AACV têm o foco unicamente centrado nos processos pelos quais o produto passa ao longo do ciclo de vida, o foco da ASCV está no impacto que a atividade da organização gera para as partes interessadas do ciclo de vida de um determinado produto. Outras diferenças entre a AACV e a ASCV apontadas pela UNEP (2009) são relacionadas às características e à coleta dos dados. Enquanto na ASCV são definidos os

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dados a partir dos indicadores sociais relacionados às subcategorias das partes interessadas e o impacto, na AACV estes dados estão relacionados ao impacto. Além disso, quanto à coleta de dados, na ASCV há necessidade de informações sobre a organização, a política do país e leis, tendo como predominância os dados qualitativos. Apesar da ISO (2006) possibilitar tanto o uso de dados quantitativos quanto de qualitativos em ACVs, na prática, a AACV tem sido utilizada com dados quantitativos. Na AACV coletam-se dados quantitativos, como a densidade da população, a massa de cada material utilizado em um produto, a quantidade de energia em um processo, entre outros. Por outro lado, na ASCV, dados qualitativos ou semi-quantitativos, como a existência de trabalho infantil é coletada. Por outro lado, os autores conseguiram manter a estrutura básica da ISO (2006) para a realização da ASCV, embora haja diferenças. Os procedimentos típicos usados para AACV transferidos para ASCV seguem a estrutura metodológica básica com os quatro passos, ou seja: meta e definição do objetivo e escopo; análise de inventário; avaliação de impacto; e interpretação. Nesta revisão, serão apresentados os passos de objetivo e escopo e análise de inventário, relatados pelos estudos UNEP (2009), Jorgensen et al. (2007), Grie hammer et al.

(2006).

2.2.1 Definição das Categorias de Parte Interessada, Impacto e Subcategorias

Na UNEP (2009) os autores afirmam que, para se executar estudos de ASCV é importante primeiro definir as partes interessadas, a partir da qual serão determinadas as categorias e as subcategorias de impactos, os indicadores de inventário e por fim, determinados quais são os dados necessários a serem coletados, conforme mostra a figura 2. A classificação por parte interessada ocorre em virtude dos impactos sociais ocorrerem de forma diferenciada para cada parte interessada, evitando que algum indicador não seja levado em consideração. UNEP (2009) propôs cinco (5) categorias de interessados:

Empregados; Comunidade local; Consumidores (somente para etapa de uso); Sociedade e Outros Atores. Para os trabalhadores, as subcategorias podem estar relacionadas á acidentes, remuneração, saúde e segurança. Na comunidade local, os impactos sociais podem ser

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relacionados aos poluentes tóxicos, abuso de direitos humanos e condições de infra-estrutura e na sociedade, relacionados à corrupção, pagamentos de impostos, entre outros.

à corrupção, pagamentos de impostos, entre outros. Figura 2 - Sistema de Avaliação das Categorias para

Figura 2 - Sistema de Avaliação das Categorias para a Unidade de Medida. Fonte: UNEP (2009) e (apud BENOIT et al., 2007).

Na figura 3, estão ilustradas as Partes Interessadas da ASCV. A Sociedade é ilustrada

pelo governo (prédio de Brasília), pela Universidade embora existam outros órgãos que a

compõe, em função da necessidade de se adequar ao espaço disponível para a ilustração. Além disso, apresenta-se a parte interessada relacionada à cadeia de valor como fornecedores, cliente e no transporte, pode-se observar os trabalhadores, como parte interessada.

A comunidade local também é parte interessada, já que pode ser influenciada

diretamente pelo processo produtivo, seja pela emissão de poluentes como na geração de

empregos, entre outros. O consumidor também aparece como parte interessada no ciclo de vida do produto em uma ASCV, tendo em vista que será afetada pelo produto, as informações relacionadas ao produto e a manutenção / assistência técnica existente durante o uso. Na figura 3, o consumidor está adquirindo o produto no shopping.

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O ícone do governo aparece em todas as partes ilustradas como empresas, pois de acordo com as normas no Estado, possuem responsabilidades de pagamento de impostos e deveres com seus funcionários. Na comunidade o ícone aparece, em função de existirem micro-empresas que prestam serviço para a fábrica e fornecedores, como restaurantes onde os funcionários almoçam, ou outros pequenos estabelecimentos no qual os funcionários compram produtos.

25

25 Figura 3 – Partes Interessadas da ASCV. Fonte: Elaborado pelo Autor, 2009.

Figura 3 – Partes Interessadas da ASCV. Fonte: Elaborado pelo Autor, 2009.

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No quadro 1, apresentam-se as partes interessadas de uma ASCV diferem de uma AACV e, conseqüentemente, as categorias de impactos e os inventários de indicadores e de base de dados são diferentes. Neste sentido, o quadro 1 apresenta um comparativo genérico sobre os aspectos social e ambiental dos dois métodos de ACV (coluna 1). Na segunda coluna estão descritas as partes interessadas do método social descrito pela UNEP (2009) e as partes interessadas do ambiental que é sugerida pela ABNT (2009). Na terceira coluna, listam-se exemplos de categorias de impacto, para o social: direitos humanos; condições de trabalho; saúde e segurança; patrimônio cultural; governança, repercussões sócio-econômicas. Já os impactos da metodologia ambiental são: acidificação; eutrofização; trocas climáticas; diminuição da camada de ozônio; escassez de recursos; aquecimento global, cancerígenos, entre outros.

Método de Avaliação do Ciclo de Vida

Categorias das Partes Interessadas

Categorias de Impacto

Social

Trabalhadores, comunidade local, sociedade, consumidores, atores da cadeia de valor. (UNEP, 2009)

Direitos humanos, condições de trabalho, saúde e segurança, patrimônio cultural, governança, repercussões sócio-econômicas.

(UNEP,2009)

Ambiental

Meio Ambiente, comunidade envolvida. (ISSO, 2006)

Acidificação, Eutrofização, Mudanças Climáticas, Diminuição da Camada de Ozônio, Escassez de Recursos, Aquecimento Global, Cancerígenos, entre outros.

Quadro 1 – Comparativo entre parte interessada e categoria de impacto da AACV e ASCV Fonte: UNEP (2009), ABNT (2009).

O quadro 2 complementa o quadro 1 e mostra um exemplo de uma possível relação entre categoria de impacto social (direitos humanos) e o ICV social. Os dados de inventário são provenientes do número de horas trabalhadas, de descanso, de intervalos durante o expediente e do número de refeições realizadas. Os indicadores de inventários são definidos por meio da carga horária, alimentação, salário e higiene. A subcategoria de impacto pode ser indicada pelo trabalho forçado, estando na parte interessada, trabalhadores. Ressalta-se que o trabalho forçado foi apresentado apenas como exemplo, sendo que esta categoria de impacto não se limita apenas a esta subcategoria.

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Categoria da

Categoria de

Subcategoria

Inventário de

Dados de inventário

parte interessada

Impacto

(relevância)

Indicadores

     

Carga horária;

Nº horas trabalhadas; Nº horas de descanso; Nº de intervalos durante o expediente; Nº refeições diárias; Desempenho de saúde e segurança. (semi-quantitativos) ( dados qualitativos)

Trabalhadores

Direitos

Trabalho forçado

Alimentação;

humanos

Salário;

 

Higiene.

Quadro 2 - Tipo de Categoria de Impacto Social Fonte: Elaborado pelo autor, 2009.

De acordo com Jorgensen et al. (2007) os indicadores podem ser classificados em quantitativos, semi-quantitativos ou qualitativos. Quando for realizada a formulação de um indicador quantitativo é suposto que o fenômeno a ser medido possa ser analisado de forma numérica, permitindo a aplicação de unidades de tempo. São exemplos destes, indicadores, o número de horas trabalhadas, número de horas de descanso e outros na coluna 5 do quadro 2. Jorgensen et al. (2007, apud BARTHEL et al., 2005) afirmam que podem ser usados dois indicadores para auxiliar a medição de categoria de impacto de saúde e segurança. Ambos são baseados em fontes estatísticas, um na incidência de feridas letais e outro nas feridas não letais, implicando em uma formulação de indicador que permite medir casos por processos. Outra opção é transformar indicadores com dados qualitativos em uma avaliação de dados semi-quantitativos, variando na escala de ótimo e péssimo, que expressa um número correspondente. Jorgensen et al. (2007, apud SPILLEMAECKERS et al., 2004) usaram indicadores para medir o desempenho de saúde e segurança, com fontes estatísticas para freqüência de acidentes incluindo indicadores de saúde, treinamento e segurança dos empregados, por meio de escala de satisfação. Desta forma, UNEP (2009) na ASCV, define como inventário a fase nos quais os dados são coletados, os sistemas são modelados e os resultados são obtidos. O inventário consiste em coletar dados, que são necessários para verificar as relações dos aspectos sociais entre as partes interessadas.

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2.3 ESTUDOS DE CASO DE ASCV

O Instituto Öko-institut e.V. localizado na Alemanha, que atua na avaliação da sustentabilidade de produtos, tem como meta identificar inovação de sistemas e opções para ação de desenvolvimento em direção da sustentabilidade. O Instituto publicou um estudo de caso realizado por Manhart e Grie hammer (2006) sobre impactos sociais na produção de agendas PCs (Personal Computer - computador de bolso), o qual registrou o impacto social para melhorar a produção da agenda e o refinamento da metodologia da ASCV do produto. O primeiro passo foi analisar a estrutura e os atores nas diferentes etapas de produção. Constatou-se que o fabricante não executava o processo de produção sozinho, terceirizando o processo para empresas contratadas, em sua grande maioria localizadas na região leste da China. Após a identificação das partes interessadas, tais como: empregados, comunidade local, sociedade e empresas, a pesquisa priorizou os indicadores sociais para cada parte interessada, sendo subdivididos e classificados com base na lista de indicadores de Grie hammer et al. (2007), apresentados nos quadros A.2 a A.5 (ver anexo).

Manhart e Grie hammer (2006) constataram que a causa responsável pelo rompimento de padrões sociais é a competição que prevalece dentro da indústria. A demanda por preços baixos e a mínima margem de lucro propiciam o surgimento de negligências nas relações sociais entre as partes. O estudo teve como objetivo a análise sistemática de impactos sociais na produção da agenda PCs, considerando os impactos de extração de recursos, transporte, negócio, consumo e tratamento de reciclagem e aprimorar a metodologia para avaliação de impactos sociais no ciclo de vida de produtos. Como resultado, destacaram-se meios para melhorias nas condições sociais dos envolvidos na produção da agenda PCs. Outro estudo foi realizado no Brasil por Critchii (2007), que apresenta um caso de incorporação de indicadores sociais na avaliação do ciclo de vida. O estudo foi feito em uma indústria metal-mecânica que tem como atividade comercial, a prestação de serviços para tratamento de superfície de peças metálicas. A pesquisa baseou-se em instituições nacionais e internacionais para selecionar os indicadores, relacionando-os diretamente à unidade de processo. Por meio de uma pesquisa de cunho quantitativo, foram levantadas informações sobre vários aspectos sociais que uma organização corporativa deve levar em consideração, como aqueles relevantes às leis trabalhistas e práticas do trabalho, relacionadas ao grau de instrução, hierarquia, gênero e raça. Como resultado, Critchii (2007) apontou os aspectos sociais gerados pelas atividades de cada setor da empresa.

29

2.4 INDICADORES SOCIAIS

Neste item serão apresentados os indicadores sociais para a metodologia ASCV. Levantados a partir de trabalhos publicados pelos institutos gestores e de pesquisas, que apresentam indicadores sociais prioritários para cada parte interessada, no final deste item é apresentada uma comparação quantitativa de todos os indicadores listados.

2.4.1 Subcategorias da Iniciativa do Ciclo de Vida (UNEP, 2008)

A Iniciativa do Ciclo de Vida apresenta uma lista de Subcategorias relacionados por parte interessada para serem aplicados na metodologia ASCV (quadro 3).

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Parte interessada

 

Subcategorias

 
 

Liberdade de Associação e Negociação Coletiva

Trabalho Infantil

Salário Justo

TRABALHADOR

Horas de Trabalho

Trabalho Forçado

 

Oportunidades Iguais/Discriminação

 

Saúde e Segurança

Benefícios Sociais/ Seguridade Social

 
 

Acesso aos recursos materiais

 

Acesso aos recursos imateriais

 

Deslocamento e Migração

 

Herança Cultural

COMUNIDADE

Condições de vida segura e saudável

 

Respeito aos direitos indígenas

 

Engajamento da comunidade

 

Emprego local

Condições de vida segura

 
 

Saúde e Segurança

Mecanismo de Feedback

 

CONSUMIDOR

Privacidade do Consumidor

 

Transparência

Responsabilidade com a vida

 
 

Comprometimento

público

com

as

questões

sustentáveis

Contribuição para o desenvolvimento econômico

SOCIEDADE

Prevenção e mitigação de conflitos armados

 

Desenvolvimento tecnológico

 

Corrupção

OUTROS

Competição limpa

ATORES*não

Promoção da responsabilidade social

 

incluindo os

Relacionamento com fornecedores

 

consumidores

Respeito aos direitos da propriedade intelectual

Quadro 3 – Partes Interessadas e Indicadores da UNEP (2009)

Para cada uma das Subcategorias no quadro 3, a Força Tarefa da UNEP/SETAC elaborou fichas que contém a definição, a relação com o desenvolvimento sustentável e a forma de monitoramento das Subcategorias relacionadas ao trabalhador, comunidade, consumidor, sociedade e outros atores.

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2.4.1.1 Definição das Subcategorias Relacionados ao Trabalhador (UNEP/SETAC, 2008)

Na Subcategoria de Benefícios Sociais e Seguro Social são verificados o fornecimento dos benefícios aos empregados pela empresa. Pode-se usar uma medida qualitativa, identificando se existe ou não as condições dentro da empresa. O Trabalho Forçado é definido como sendo aquele que exige algo de alguém sob a ameaça de qualquer penalidade. Em geral, a medida direta de Trabalho Forçado é difícil de ser identificado devido à falta de dados, podendo ser usado dados qualitativos (traduzido em semi-quantitativo). A Subcategoria de Salário justo refere-se a remuneração que é suficiente para garantir qualidade de vida como, moradia, alimentação, transporte, cuidados de saúde e recreação. No Brasil, todos os funcionários devem receber informações por escrito e de forma compreensível sobre as condições salariais. Para oportunidades iguais, é necessário ser atribuídas tarefas sem discriminação contra mulheres e trabalhadores jovens. Pode ser medido de forma qualitativa ou semi-quantitativa. Por ser também difícil de quantificação o Trabalho Infantil é avaliado por meio de medidas de prevenção que estão sendo tomadas pelas empresas. Pode ser também a existência de campanhas educativas para cuidados com as crianças. Outra forma de identificação de trabalho infantil é a avaliação da forma de contratação dos jovens, que estão definidos conforme a Organização Internacional do Trabalho (OIT). De acordo com a UNEP/SETAC (2008), as medidas podem ser qualitativas e traduzidas em semi-quantitativas. A subcategoria de Liberdade de Associação e Negociação Coletiva, consiste no direito de todos os empregados a sindicalização e realização de reuniões coletivas. Os representantes dos trabalhadores não podem ser discriminados e devem ter acesso a todos os postos de trabalho. Esta avaliação pode ser realizada de forma qualitativa ou ser traduzida em semi- quantitativo. As Horas Trabalhadas devem ser observadas às leis aplicadas no país. No Brasil, de acordo com a CLT, os empregados não podem ultrapassar 44 horas semanais de trabalho, sendo que as horas extras são voluntárias e não devem exceder 12 horas por semana. Este indicador pode ser medido por meio de dados qualitativos, quantitativos ou semi- quantitativos. UNEP/SETAC (2008, apud ANKER et al., 2002) afirmam que as horas excessivas de trabalho são uma ameaça à saúde física e mental. É uma interface do equilíbrio entre trabalho e vida familiar, e freqüentemente sinaliza um índice inadequado de salário.

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A UNEP/SETAC define a subcategoria de Discriminação e Igualdade aos empregados

pelo tratamento diferenciado por categorias de pessoas, sendo ilegal a discriminação por cor,

religião, origem nacional, gênero, idade ou por incapacidade. Para se avaliar a Discriminação

ou a Igualdade podem ser utilizadas medidas qualitativas ou semi-quantitativas. O indicador

de Saúde e Segurança é avaliado pelas medidas de prevenção adotadas pela empresa, como

um ambiente de trabalho com boa higiene e práticas de segurança. Pode ser medido por meio

de dados qualitativos ou semi-quantitativos.

2.4.1.2 Definição das subcategorias Relacionadas à Comunidade Local (UNEP/SETAC,

2008)

O grupo (FT) da UNEP/SETAC define Oportunidade Social e Econômica, pelo

monitoramento do papel da empresa em manter e melhorar as condições de vida da

comunidade local e pode ser medido por meio de dados qualitativos. Para o indicador de

Compromisso com a Comunidade, a empresa procura facilitar a participação da comunidade

nos processos de decisão, ou seja, promove o direito de interessados em consultar e participar

das tomadas de decisão da empresa, sugerindo utilizar dados qualitativos.

Acesso aos Recursos Materiais é definido como o uso de terra, água e biodiversidade

existentes em áreas ocupadas pela comunidade e respeitando os direitos de usufruir da

população local. Considera a autorização prévia da comunidade e das autoridades nacionais.

Os dados para medir este indicador podem ser qualitativos ou quantitativos. Já o indicador de

Treinamento Vocacional, mede o compromisso da empresa em relação ao treinamento

vocacional, medido por meio de dados quantitativos como: horas de instrução e número de

aprendizes em relação ao número total de empregados. O indicador pode utilizar medidas

qualitativas como a qualidade de educação e nível de educação prévia.

O grupo (FT) da UNEP/SETAC apresenta a subcategoria Corrupção, afirma que o

suborno é um termo comum usado para definir corrupção, é definido como uma oferta ou

recibo de qualquer presente, empréstimo, taxa de recompensa ou outra vantagem para ser feito

algo desonesto, ilegal ou um abuso de confiança na conduta de um negócio. O suborno ativo

refere-se à ofensa cometida pelo indivíduo que promete ou dá suborno. O suborno passivo é a

ofensa cometida pelo indivíduo que solicita ou recebe o suborno. Para corrupção o grupo de

(FT) da UNEP/SETAC comentam sobre o uso de medidas semi-qualitativas (sim, não) por

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meio da pesquisa de documentos que deve indicar se a empresa foi envolvida em escândalos de corrupção, sendo importante verificar se as informações são corretas e se os escândalos mencionados são relevantes. Na subcategoria Respeito aos Nativos e Conhecimento Cultural, o grupo de (FT) da UNEP/SETAC relatam sobre os direitos que as pessoas nativas têm em direitos humanos e liberdade fundamental, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas por meio da Declaração Universal de Direitos Humanos Internacional. Este indicador pode ser medido de forma semi-qualitativa (sim, não). Em Segurança, Cuidado e Condições de Vida Saudáveis, o grupo de (FT) da UNEP/SETAC define este indicador sobre as várias maneiras que a empresa pode influenciar

os vizinhos. Com impactos negativos da interação entre as empresas e as partes interessadas,

dois aspectos são relevantes: a conduta imprópria de segurança aos funcionários, que pode levar as condições de vida inseguras, tensas e até mesmo o surgimento de conflitos na região. E o uso irresponsável pelas empresas de substâncias tóxicas, promovendo riscos na saúde das pessoas nas proximidades da empresa, os dados podem ser qualitativos ou quantitativos.

2.4.1.3 Definição das subcategorias Relacionadas com a Sociedade (UNEP/SETAC, 2008)

Na subcategoria de Compromisso Público com a Sustentabilidade, o grupo (FT) da UNEP/SETAC define como a forma de avaliar os compromissos da empresa com a comunidade e à sociedade. Um compromisso público é uma promessa ou acordo feito por uma organização com seus clientes, empregados, acionistas, comunidade local ou sociedade.

O Desenvolvimento Tecnológico é um indicador que procura avaliar se a empresa atua em

pesquisas e desenvolvimento para tecnologias que não agridam o meio ambiente.

A subcategoria de Treinamento/Educação Vocacional procura avaliar o compromisso

da empresa em treinamento e educação. A subcategoria de Conflitos Armados é definido pelo

grupo de FT da UNEP/SETAC como uma situação tensa de uso de força violenta. Dados qualitativos devem descrever as atividades da empresa, se influenciam positivamente ou negativamente no desenvolvimento de conflitos.

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2.4.1.4 Definição das subcategorias Relacionados à Outros Atores (UNEP/SETAC, 2008)

A subcategoria de Clareza na Competição é definido pelo grupo (FT) da UNEP/SETAC como uma forma de avalia a empresa nas suas atividades competitivas, se estas são conduzidas de forma transparente e em conformidade com a legislação, prevenindo práticas de monopólio. Para Respeito aos Direitos de Propriedade Intelectual, o mesmo grupo define como uma forma de avaliar se as ações das empresas garantem os direitos autorais aos criadores de produtos, serviços e atividades intelectuais.

2.4.1.5 Definição das subcategorias Relacionadas com o Consumidor (UNEP/SETAC, 2008)

Mecanismo de Retorno do Consumidor, definido pelo grupo (FT) da UNEP/SETAC como o direito do consumidor de ouvir, relacionado às queixas dos produtos ou serviços por meio da facilidade de comunicação com o consumidor. São medidas tomadas para satisfazer as necessidades do consumidor, fornecer procedimentos transparentes e eficientes para registros de eventuais queixas.

2.4.2 Comparação entre as Fontes

Como resultado da revisão dos indicadores foi proposto o quadro 4, com o intuito de quantificar os indicadores que aparecem mais de uma vez entre os institutos. Na primeira coluna estão listados todos os indicadores pesquisados na revisão bibliográfica e os institutos gestores ou de pesquisas, representados por letra em ordem alfabética, conforme indicados em nota. Para comparação da UNEP (2009) foi considerada as subcategorias como indicadores.

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Relação de indicadores A B C D E F G Trabalho Infantil / Juventude Trabalho
Relação de indicadores
A
B
C
D
E
F
G
Trabalho Infantil / Juventude
Trabalho Forçado/ Tempo de Trabalho
Adequado/ Contrato de Trabalho
Segurança e Saúde
Proteção à Maternidade
Segurança Social
Associação Coletiva
Diversidade
Assédio
Remuneração
Benefícios
Treinamento
Demissão
Trabalho Voluntário
Nível de Educação Interna
Desenvolvimento de Carreira
Política de Marketing
Divulgação de Informações
Corrupção
Consumidor - Saúde e Segurança
Desenvolvimento Pesquisa
Propriedade Intelectual
Proteção a Privacidade
Relação Concorrência
Indicadores externos - Contribuições
Fiscais / Tributos
Serviço de Infra-estrutura
Conduta Ética
Transferência de Tecnologia
Associação Universidades
Respeito a Comunidade Local
Desenvolvimento Sustentável
Apoio a Fornecedores (contratos,
reclamações e diálogos, investimentos)
Cultura, Esporte e Lazer.
Combate a Fome
Combate a Conflitos Armados

Quadro 4 – Indicadores Sociais por Órgão

Nota: A - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE, 2005);

B - Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2007);

C - Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social (Ethos, 2007)

D - Ethos - Aplicados ao princípio do Pacto Global (Ethos, 2004);

E - Diretrizes para Elaboração dos Relatórios de Sustentabilidade (GRI, 2006).

F - Grie hammer et al. (2007)

G - Task Force on the Integration of Social Into (UNEP, 2009)

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Na comparação das fontes de indicadores sociais, foi elaborado o quadro 5 com um resumo quantitativo dos indicadores sociais publicados pelos institutos gestores, destes (OIT, ETHOS, IBASE e GRI) foram apresentados no trabalho de Critchii (2007), sendo necessário ser atualizados em virtude de novas publicações dos respectivos Institutos. Desta forma, foram atualidas as informações dos indicadores sociais por meio das novas publicações, além dos indicadores do Instituto Ethos aplicados ao Pacto Global, Grie hammer et al. (2007) (ver anexo) e do grupo de Força Tarefa da Iniciativa do Ciclo de Vida da UNEP/SETAC.

FONTES

INDICADORES

OIT

20

ETHOS

37

IBASE

13

GRI

36

ETHOS (PACTO GLOBAL)

11

Grie hammer et al. (2007)

38

UNEP/SETAC

31

Quadro 5 – Resumo dos Indicadores Sociais Fonte: Critchii (2007) e Ethos aplicados ao Pacto Global (2004), Grie hammer et al. (2007), UNEP/SETAC (2008)

Nesta comparação percebe-se que as pesquisas que apresentaram maior número de indicadores foram ETHOS, GRI, Grie hammer et al. (2007), UNEP/SETAC. É importante

ressaltar que as fontes Grie hammer et al. (2007) e UNEP/SETAC apresentam subcategorias prioritários para a metodologia da ASCV e são relacionados com cada parte interessada do ciclo de vida.

37

3 METODOLOGIA

Neste capítulo será tratado o método para o desenvolvimento do presente estudo que trata de uma pesquisa descritiva de cunho qualitativo, com dados quantitativos para análise e interpretação. De acordo com Moreira et al. (2006) a pesquisa descritiva baseia-se na premissa de que os problemas podem ser resolvidos e as práticas melhoradas por meio da observação objetiva e minuciosa, da análise e da descrição. Desta forma a descrição terá como base os dados quantitativos e semi-quantitativos a serem coletados pelo presente estudo, tabulados e analisados por meio de gráficos e fórmulas tratados por ferramenta estatística Excel, porém, a descrição e interpretação serão de forma qualitativa, relacionando os resultados com base no referencial teórico. Moreira et al. (2006) afirmam que os dados qualitativos e quantitativos podem ser usados no mesmo estudo. Apontam uma distinção entre ambos, à pesquisa qualitativa explora as características dos indivíduos e cenários, o dado pode ser verbal e coletado por observação, descrição e gravação. Já a pesquisa quantitativa, explora as características e situações com os dados numéricos e faz uso da mensuração e estatística. Como se trata de avaliar a técnica, optou-se por conduzir a pesquisa no estudo de caso simplificado, por meio da metodologia da ASCV de um produto de uma microempresa industrial do ramo automotivo, com foco no processo de produção, e exclusivamente na etapa de fabricação (portão a portão), não sendo incluídas outras etapas, tais como extração, transporte, entre outras. De acordo com Gil (2007), o estudo de caso é uma modalidade de pesquisa amplamente utilizada nas ciências sociais e consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, permitindo um amplo e detalhado conhecimento. Alguns propósitos do estudo de caso são definidos por Gil (2007) e que se enquadram e reforçam a metodologia do presente estudo. Para o primeiro propósito, Gil (2007) argumenta que o estudo de caso explora situações de vida real cujos limites não estão claramente definidos, sendo necessário preservar o caráter unitário do objeto estudado. O segundo, descreve a situação do contexto em que está sendo feita determinada investigação. Para que o estudo de caso fosse realizado, foram definidos os seguintes passos baseados na definição da metodologia ASCV, conforme descrito no capítulo anterior.

38

3.1 ESCOPO

De acordo com ISO 14044 (ABNT, 2009b), durante a fase de “Objetivo do Estudo” deve-se estabelecer a aplicação pretendida, as razões para conduzir o estudo e o público-alvo, ou seja, para quem se espera comunicar os resultados do estudo. Nesta etapa da ASCV é importante a identificação e priorização dos indicadores sociais por parte interessada, descritos como qualitativos e quantitativos para determinação do escopo deste estudo, deve-se realizar:

Definição do produto a ser estudado e identificação do processo produtivo;

Definição da função

Definição da unidade funcional

Definição do fluxo de referência;

Definição do sistema do produto, identificado com o fluxograma do processo de produção e empresas envolvidas;

Adoção de critério de corte para limite do sistema, por massa e horas trabalhadas;

Fluxograma do processo, apresentando as empresas a serem pesquisadas;

Determinação dos requisitos de qualidade dos dados;

Cobertura temporal;

Escopo geográfico;

Cobertura tecnológica;

Priorização dos Indicadores Sociais para cada parte interessada;

Seleção dos indicadores para o estudo.

3.1.1 Função, Unidade Funcional e Fluxo de Referência

Conforme a ISO 14044 (2006), a função corresponde às características de desempenho do produto, a unidade funcional define a quantificação das funções identificadas, devendo ser consistente com o objetivo e o escopo do estudo. Definida a unidade funcional, a quantidade de produto que é necessária para cumprir a função deve ser indicada. Desta forma, determina- se o fluxo de referência, sendo utilizado para calcular as entradas e saídas do sistema.

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3.1.2 Fronteira do Sistema

De acordo com a ISO 14044 (2006), a fronteira do sistema define os processos elementares a serem incluídos no sistema a ser modelado. Para o estudo de caso proposto, foi considerado que para definir o fluxograma definitivo do produto em análise foi adotado o critério de corte, por massa e horas trabalhadas. Segundo Jorgensen et al. (2007, apud BARTHEL et al., 2005) pode-se utilizar a ISO 14.044 (2006) como definição de critério de corte em ACV, substituindo as palavras “Importância Ambiental” por “Importância Social”, utilizando este critério de corte na ASCV como horas de trabalho.

3.1.3 Requisitos de Qualidade dos Dados

A descrição da qualidade dos dados é importante para compreender a confiabilidade dos resultados e interpretação do estudo. A ISO 14044 (2006) abrange os seguintes requisitos:

a cobertura temporal é idade dos dados e período mínimo de tempo durante o qual os dados deveriam ser coletados; a etapa de cobertura geográfica corresponde à área geográfica indicada para coleta de dados; a cobertura tecnológica indica a especificação da tecnologia ou conjunto de tecnologias.

3.1.4 Priorização das Subcategorias e Indicadores Sociais para cada Parte Interessada

Tendo em vista a quantidade e a diversidade de indicadores sociais existentes, conforme apresentado no item 2.4 necessário se faz priorizar os indicadores para cada parte interessada. Em virtude do limite de tempo deste estudo, houve uma redução do número de indicadores a serem analisados. Para seleção dos indicadores foi proposto o quadro 6, construído com base em Grie hammer et al. (2007) e UNEP/SETAC para classificação das partes e indicadores. Com exceção dos fornecedores, sendo identificados pelo ETHOS (2007), na UNEP/SETAC pode ser associado como Outros Atores, que propõe avaliar a conduta das empresas que estão

40

envolvidas no ciclo de vida. Na primeira coluna encontram-se as partes interessadas, tais como: Trabalhadores, Fornecedores, Cliente, Comunidade local e Sociedade. Na segunda coluna, estão os indicadores sociais selecionados, e na terceira e quarta coluna a classificação dos dados em quantitativos ou qualitativos. Para a categoria da parte interessada dos trabalhadores, foram selecionados os indicadores listados no quadro 4, repetidos de 5 e 6 vezes em cada instituto. A exceção está relacionada ao indicador de proteção à maternidade, que está sendo considerado na seleção da pesquisa por representar os direitos das mulheres, em que na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), no item de Proteção do Trabalho da Mulher, o Artigo 392 argumenta sobre os direitos das gestantes na empresa.

Parte

Indicador

Qualitativo

Quantitativo

 

Treinamento

X

X

Educação / Desenvolvimento da Capacidade

X

X

Remuneração / Benefícios

X

X

Saúde / Segurança (espaço físico)

X

X

Trabalho Infantil

X

 

Trabalhador

Trabalho Forçado (contrato/carga horária / descanso semanal)

X

X

Diálogo (funcionário/ patrão)

X

 

Associação Coletiva

X

X

Diversidade

X

X

Proteção à Maternidade

X

X

Comunicação/Informação

X

 

Alimentação e espaço físico (trabalho forçado)

X

 
 

Respeito a Contratos

X

 

Fornecedor

Grau que escuta as partes

X

 

Reclamações e Diálogos

X

 
 

Apoio e Investimentos

X

 
 

Saúde e Segurança do Consumidor (Informação no rótulo sobre riscos, prevenção à saúde por meio de manutenção)

   

Cliente

X

Comunidade

     

Local

Segurança, Cuidados e Condições de Vida Saudáveis

X

X

Sociedade

Contribuição Fiscal (Declaração da receita, INSS, FGTS)

X

 

Quadro 6 – Indicadores Sociais Selecionados Fonte: IBASE (2005); ETHOS (2007), Grie hammer et al. (2007), UNEP (2009)

Como a UNEP (2009) não detalha os indicadores para as subcategorias de Fornecedores, o presente estudo sugere os Indicadores baseados no conteúdo apresentado pelo Instituto ETHOS (2007), com o tema fornecedores, no qual é abordada a relação entre

41

fornecedores e a empresa, sendo que no questionário do Ethos, é apresentado perguntas de forma qualitativa e semi-quantitativa. Neste trabalho a parte interessada cliente faz parte da cadeia produtiva do produto, a parte cliente é uma empresa, sendo um subgrupo da Parte “Outros Atores” foi proposto a Subcategoria de “Relação Cliente e Empresa” e o Indicador de “Satisfação do Cliente” que avalia a opinião do cliente nos seguintes itens: Informações no Rótulo; Informações de Risco e Manutenção do Produto. Apresentado tanto no anexo quadro A.3 (GRIE HAMMER et al.,2007) como no quadro 3 da UNEP/SETAC. Apesar da relevância dos demais indicadores relacionados, estes não foram selecionados em virtude da necessidade de restringir o número de dados a serem coletados, para não ampliar excessivamente o conteúdo e comprometer a coleta e análise de dados. Os indicadores selecionados foram classificados como qualitativos, conforme descrição feita pela UNEP/SETAC. Na parte interessada denominada como comunidade local, utilizou-se a Subcategoria de Impacto “Condições de Vida Saudável e Segura” da UNEP (2009) sendo definido como a influência da empresa aos vizinhos e os impactos causados pela atividade industrial, entretanto, as perguntas para avaliar a satisfação da comunidade nesta subcategoria foram elaboradas pelo presente estudo. Já para a Sociedade optou analisar a parte Governo como um subgrupo da Parte Sociedade na subcategoria “Contribuição para o Desenvolvimento Econômico” no qual o Indicador é Contribuição do produto/serviço/empresa para o progresso econômico (receita, lucro, salários pagos e custos em relação à receita, etc) como sugerido pela UNEP (2009), porém as perguntas foram elaboradas e se refere a tributos das empresas perante o Estado com base no Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) análise ocorreu por meio da confirmação de documentos, tais como: Declaração da Receita Federal; Contribuição Previdenciária; Fundo de Garantia dos Funcionários.

3.2 INVENTÁRIO

De acordo com a ISO 14044 (2006), a análise de inventário do ciclo de vida envolve a coleta de dados e procedimentos de cálculos para quantificar as entradas e saídas pertinentes de um sistema de produto para cada unidade de processo.

42

Esta norma também define procedimentos de coleta de dados e cálculos, os quais os dados qualitativos e quantitativos são inclusos no inventário e devem ser coletados para cada unidade de processo que esteja incluída nas fronteiras do sistema. Nesta etapa, define-se a construção do instrumento de coleta de dados, a forma de obtenção dos dados e os critérios adotados para cálculos dos dados na análise dos resultados. Para a realização do inventário, os seguintes passos foram efetuados:

Elaboração do instrumento de coleta de dados;

Teste piloto dos questionários;

Coleta de dados dos funcionários;

Coleta de dados dos fornecedores;

Coleta de dados do consumidor;

Coleta de dados da comunidade local;

Coleta de dados da sociedade;

Definição do universo e da população da pesquisa;

Levantamento e coleta de dados;

Análise e discussões dos dados coletados.

3.2.1 Elaboração do Instrumento de Coleta de Dados

Com a priorização dos indicadores por partes interessadas, necessário se faz avaliá-las individualmente, com aplicação da ferramenta de coleta de dados em todas as partes interessadas. Desta forma foram elaborados cinco questionários. O primeiro, com informações sobre dados dos funcionários que, foi aplicado nas empresas selecionadas conforme detalhado no Capítulo 4. O segundo questionário foi dirigido aos funcionários; o terceiro abordou os indicadores para os fornecedores; o quarto para a comunidade local; o quinto e último, abordagem para a sociedade. Com isso, optou-se pelo uso do questionário com perguntas fechadas, por contribuir na melhor obtenção dos dados a serem analisados, e também, para facilitar a coleta de dados. Segundo Hair Junior (2005), a elaboração do questionário com perguntas fechadas é de maior dificuldade e exige maior tempo de elaboração, mas facilita a coleta e entrada de dados, além da análise computacional tornar-se mais fácil.

43

Em relação às questões que remetem aos dados quantitativos, foram utilizados os indicadores já apresentados como quantitativos por Grie hammer et al. (2007) e UNEP/SETAC (Quadro 6). Para os dados qualitativos, o presente estudo optou-se em construir questões semi-quantitativas. Por meio das técnicas escalares transformou-se os fatos qualitativos em uma série de dados quantitativos ou variáveis, podendo-se aplicar processos de mensuração e de análise estatística (MARCONI E LAKATOS, 2002). Na etapa de construção do questionário foram realizadas várias apresentações nos encontros periódicos do Grupo de Avaliação da Sustentabilidade do Ciclo de Vida do campus Curitiba da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em que este grupo pôde sugerir os tipos de perguntas mais adequadas a serem feitas. O grupo é coordenado pela professora Cássia Maria Lie Ugaya, sendo composto por alunos, ex-alunos de graduação e pós-graduação stricto sensu da UTFPR, relacionados à área de meio ambiente e responsabilidade social.

3.2.1.1 Forma de Análise dos Dados

As questões elaboradas por meio de dados semi-quantitativos, foram analisadas de duas formas. A primeira avaliou o indicador questionado, é presente por meio de respostas objetivas do tipo SIM/NÃO e são analisadas com o percentual numérico respondido. A outra forma de análise é descrita na metodologia ASCV. Segundo Jorgensen et al. (2007, apud SPILLEMAECKERS et al., 2004) pode-se analisar os indicadores por meio de avaliação em escala semi-quantitativa, como ótimo e péssimo, que expressam um número correspondente. Desta forma, foram elaboradas questões a serem medidas com o uso da escala Lickert. O objetivo das questões é verificar o grau de satisfação dos respondentes em relação às afirmações sobre os indicadores sociais em uma escala de 1 a 5, sendo que (1) está relacionado à muito insatisfeito, (2) insatisfeito, (3) neutro, (4) satisfeito e (5) muito satisfeito. Utilizou-se este método para os questionários aplicados aos funcionários e para medir a relação entre as empresas. Neste caso, a análise de dados ocorre pelo uso da média, que oferece o valor médio obtido da pontuação respondida em cada questão, assim como o desvio padrão, que é uma das medidas de dispersão utilizadas na preparação de dados para análise quantitativa, que

44

demonstra quão distante da média ficaram os valores observados (MALHOTRA, 2001). Importante ressaltar que foram considerados pesos iguais para todas as questões da escala.

3.2.2 Questionários para Obtenção dos Dados dos Funcionários

A obtenção de informações sobre os funcionários foram realizadas a partir de dois questionários (ver apêndice 01 e 03), um aplicado nas empresas e outro respondido pelos próprios funcionários. Desta forma, pode-se confrontar e confirmar os dados respondidos por ambas as partes. O questionário para ser respondido pelas empresas foi construído com dados quantitativos, conforme mostra o quadro 7.

Indicadores

Dados

Indicadores

Dados

 

Total de Funcionários

 

Nº sindicalizado

 

Associação

 

Total de Homens / Mulheres

 

Coletiva

Nº reuniões coletivas

Na chefia

 

Nº contratos nas reuniões

Diversidade

No administrativo

   

Nº contratado

 

Tipo de

 

Na produção

contrato

Nº terceirizado

Brancos e negros

Trabalho Forçado

Nº sem contrato

Idade

 

Período de 22 horas por semana

 

1º grau completo/incompleto

Carga

Período de 44 horas por semana

Nível de

 

horária

 

escolaridade

2º grau completo/incompleto

Horas extras por semana

3º grau cursando/ completo

 

Horário noturno

Saúde e segurança

 

Notificação de acidentes

 

Descanso

Horas de almoço

Acidente

Nº de acidentes com afastamento

diário

Horas de Intervalo

no

Nº de acidentes sem afastamento

 

Menor aprendiz

Trabalho

 

Trabalho

 

Tipo de Lesão

 

Infantil

Menor sem contrato

Nº de doenças ocupacionais

 

Carga horária

Quadro 7 - Dados Solicitados / Funcionários e Empresas Fonte: IBASE (2005), Grie hammer et al. (2007), UNEP/SETAC (2008)

No indicador de Diversidade de Gênero, as perguntas foram elaboradas avaliando-se Igualdade e Oportunidade que se encontra no quadro A.2 (GRIE HAMMER et al., 2007) e o Corpo Funcional do IBASE (2005), composto pelo número total de funcionários na empresa, de acordo com gênero por cargos de chefia, administrativo ou produção, como também o número de brancos e negros. Para a idade, foi questionado o número de homens e mulheres por faixa etária: 18 a 20 anos, 20 a 30 anos, 30 a 40 anos, 40 a 50 anos e acima de 50 anos.

45

Para o indicador Nível de Escolaridade, foi levantado junto à empresa o número de funcionários por grau de escolaridade. Já os indicadores relacionados à Saúde e Segurança foram identificados como: notificação de acidentes; pelo número de acidentes com ou sem afastamento; tipo de lesão e número de doenças ocupacionais. Essas perguntas foram elaboradas com base no indicador Segurança e Condições Saudáveis no Trabalho, do quadro A.2 (GRIE HAMMER et al., 2007). As questões referentes ao indicador de Associação Coletiva são: número de funcionários sindicalizados; total de contratos e reuniões coletivas, que teve como base a descrição feita pelo grupo da UNEP/SETAC no indicador de Liberdade de Associação e Negociações Coletivas, que trata dos direitos de todos os empregados de se sindicalizarem e realizarem reuniões coletivas. Por meio de entrevistas com professores de áreas relacionadas à responsabilidade social, foram obtidas informações para construção do indicador de Trabalho Forçado, como também foram imprescindíveis as informações dos quadros (A.2 e 3). Concluiu-se que para o trabalho forçado é importante identificar a existência de contrato com o funcionário, se a carga horária de trabalho corresponde ao que é exigido pela CLT e por fim, identificar se existe descanso no período de expediente. No Trabalho Infantil, a UNEP/SETAC propõe avaliar a forma de contratação dos jovens, conforme estão definidos na OIT. Outro meio de identificação a partir da definição da CLT no item de “Proteção do trabalho do menor”, em que é aceito o trabalho de menores na faixa etária entre 14 e 18 anos, na condição de trabalho aprendiz, com carga horária diária de 6 horas em um período de dois anos, não podendo ser prorrogado. Prevê que o menor deve ser remunerado e deve estar matriculado em uma escola. Desta forma, foram elaboradas questões sobre o número de menores na empresa, o tipo de contrato e a carga horária. O segundo questionário (ver apêndice 03) elaborado foi aplicado aos funcionários das empresas A,B,C,D e E conforme detalhado no Capítulo 4, na figura 5. Por meio dele buscou- se a confirmação sobre o nível de escolaridade, o tipo de contrato e o descanso diário dos trabalhadores (quadro 7). As questões elaboradas direcionadas ao trabalhador foram sobre: o grau de escolaridade; se é contratado/terceirizado ou não possui contrato com a empresa; o número de horas trabalhadas e horas de descanso; o número de horas de almoço e a existência de intervalo durante o expediente. Nas diversas reuniões no Grupo de Avaliação da Sustentabilidade do Ciclo de Vida da UTFPR, com a apresentação da proposta de elaboração do questionário, várias sugestões foram apontadas pelos participantes, como a de utilizar respostas objetivas do tipo SIM/NÃO

46

para determinados indicadores como saúde e segurança, remuneração e descanso semanal. Desta forma, pode-se construir o quadro 8 nos quais os indicadores estão apresentados na primeira coluna e as informações a serem perguntadas estão na segunda coluna. O primeiro indicador é Saúde e Segurança dentro da Empresa, definido pela UNEP/SETAC como as medidas de prevenção adotadas pela empresa, que proporcionam um ambiente de trabalho com boa higiene e prática de segurança, e permite ser medido por dados semi-quantitativos. Grie hammer et al. (2007) apresentam no quadro A.2 outras definições do indicador, no item de Segurança e Condições Saudáveis no Trabalho, em que avalia a estrutura do trabalho, o ruído, a fumaça, a poeira, o calor, a insuficiência de energia, as medidas básicas de organização para sustentar a segurança e saúde no trabalho, entre outros. Tendo em vista a necessidade dessas informações, elaboraram-se as perguntas relacionadas à existência de treinamento para conhecimento de riscos, às atividades de simulação em caso de acidentes, às condições favoráveis para a saúde relacionadas à estrutura física da empresa (ruído, odor, temperatura, estrutura para proteção de acidentes), ao uso de material de proteção, à existência de ginástica laboral e Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e seus representantes (quadro 8). As questões relacionadas ao indicador de Remuneração estão baseadas em Grie hammer et al. (2007) no quadro A.2, que possibilitam a verificação do salário e benefícios e o auxilio para a estabilidade do emprego. Por último, o indicador de Descanso Semanal, que possibilita identificar existência do descanso no final de semana e os intervalos no expediente que auxiliam na diminuição da fadiga. Este indicador pode ser encontrado no quadro A.2 no item de Tempo de Trabalho Adequado (GRIE HAMMER et al., 2007).

Indicador

Dados

 

Treinamento para conhecimento de riscos

Simulação de acidente

Condições favoráveis para saúde

Desconforto com ruído

Saúde e

Suportável o odor dentro da empresa

Segurança

Agradável a temperatura

A estrutura para proteção aos riscos

Uso de material para proteção

CIPA e Membros / comitê de segurança

Existe ginástica laboral

Remuneração

Benefícios garantem estabilidade

Remuneração possibilita estabilidade

Descanso

Diminui a fadiga

Semanal

O descanso diário elimina a fadiga

Quadro 8 – Dados Semi-quantitativos dos Funcionários Fonte: Grie hammer et al. (2007), UNEP/SETAC, (2008)

47

Outra forma de avaliar socialmente uma empresa é por meio da identificação na satisfação do trabalhador em exercer sua atividade, na Subcategoria da Relação Empresa e Funcionário. Para analisar o grau de satisfação, foi utilizada a escala de intensidade de 1 a 5 (Lickert), os indicadores relacionados à prática do trabalho (quadro 9), como: Trabalho Forçado (contrato, horário, descanso, alimentação e higiene); Proteção à Maternidade, medindo a relação da empresa com a funcionária gestante; Satisfação com o Sindicato e Associação Coletiva; Diálogo entre Funcionários e a Empresa; Satisfação relacionada à remuneração e benefícios; e Desenvolvimento da Capacidade (investimento em educação para os funcionários e formação profissional).

Trabalho Forçado

Sindicato e Associação Coletiva

Remuneração e benefícios

P1.1

Espaço de alimentação na empresa

P3.1

Conversa voluntária

P5.1

Remuneração

P1.2

Conteúdo das refeições

P3.2

Tempo das reuniões coletivas

P5.2

Satisfaz as suas necessidades básicas

P1.3

O

banheiro adequado

P3.3

Apoio da empresa à negociação

P5.3

Benefícios adicionais

P1.4

Material de higiene pessoal

P3.4

Resultados das reuniões coletivas

P5.4

Política de reajuste de cargos e salários

P1.5

Satisfação com a carga horária

P3.5

Atuação do Sindicato

P5.5

Valor de seus benefícios

P1.6

Período de descanso

P3.6

Ações do Sindicato

P5.6

Outros benefícios

P1.7

Cumprimento do contrato

P3.7

Diálogo do sindicato funcionário/patrão

P5.7

Bem estar para família

Proteção à maternidade

Diálogo entre funcionário e empresa

Desenvolvimento da capacidade

P2.1

Tratamento com gestantes

P4.1

Empresa / funcionários

P6.1

Investimento em treinamentos

P2.2

Tempo de dispensa

P4.2

Agilidade das respostas

P6.2

Conforto para exercer suas atividades

P2.3

Plano de saúde

P4.3

Comunicação entre os funcionários

P6.3

Investimento capacidade intelectual

P2.4

O

tempo para cuidar da criança

P4.4

Tempo para trocar informações

P6.4

Cursos que a empresa oferece

P2.5

Tratamento em emergência

P4.5

Comunicação entre os setores

P6.5

Sobre seu horário de trabalho

P2.6

Depois do tempo de licença

P4.6

A empresa escuta o funcionário

P6.6

Capacitação de suas qualidades

P2.7

Conciliar vida profissional e de mãe

P4.7

Acesso as informações/trabalho

P6.7

Tempo que tem livre

Quadro 9 – Informações de Satisfação dos Funcionários – Subcategoria Relação Empresa e Funcionário.

3.2.3 Questionário para o Fornecedor

No quadro 10 encontram-se indicadores e os dados elaborados para o questionário (ver apêndice 04) a ser respondido pelas empresas fornecedoras conforme detalhado no Capítulo 4. Para medir indicadores sociais entre os fornecedores, optou-se por apresentar o grau de satisfação do fornecedor em desenvolver o trabalho, em uma escala de 1 a 5. Esses indicadores foram baseados no estudo do ETHOS (2007) que avalia a “Seleção e parceria com fornecedores” com: critérios de seleção de fornecedores e apoio ao desenvolvimento de fornecedores; reclamações e diálogos; respeito a contratos; e o grau de escuta às partes. Da

48

mesma forma, Grie hammer et al. (2007) em sua lista de indicadores de sociedade (quadro A.4), abordam o indicador “Promover ambiente social aos fornecedores e cooperação aos parceiros”, definido como as medidas tomadas nas empresas, para criar programas sociais e padrões mínimos do ambiente entre os fornecedores, e sugere que a empresa deve evidenciar problemas sociais existentes entre as partes interessadas. Com bases nestes estudos o presente trabalho, desenvolveu as seguintes perguntas para os demais Indicadores relacionados aos Fornecedores (tabela 10).

Reclamação e diálogo

Respeito a contratos

P1.1

Entre as duas empresas

P3.1

Grau de satisfação

P1.2

Diálogo nas negociações

P3.2

Satisfação sobre pagamento

P1.3

Acessível e eficiente

P3.3

Benefícios do contrato

P1.4

Respostas das reclamações

P3.4

Cumprimento de prazos do contrato

P1.5

Qualidade da informação

P3.5

Clareza da informação

Grau que escuta as partes

Apoio e investimentos

P2.1

Escuta e respeita opiniões do fornecedor

P4.1

Apóio de forma financeira

P2.2

Negociações entre as partes

P4.2

Investimentos em máquinas

P2.3

Negociações de prazos

P4.3

Investimento em recursos humanos

P2.4

Mudanças ocorridas

P4.4

Divulga o trabalho do fornecedor

P2.5

Reuniões na empresa para o fornecedor

P4.5

Apoio que a empresa presta ao fornecedor

Quadro 10 - Informações de Satisfação para Empresa Fornecedora Fonte: elaborado pela autora baseado no ETHOS (2007)

3.2.4 Questionário para o Cliente

Para a Parte Interessada Cliente, o quadro 11 apresenta informações sobre as perguntas elaboradas, pelo presente estudo, para medir a satisfação do cliente, referente aos indicadores sobre informações no rótulo, informações de risco e manutenção do produto, baseados no indicador de “saúde e segurança do consumidor” apresentado pela UNEP (2009) (quadro 3) e Grie hammer et al. (2007) no quadro A.5. Este questionário (ver apêndice 05) será aplicado somente na empresa E conforme detalhado no Capítulo 4.

49

Informações no rótulo

Informações de risco

Manutenção do produto

P1.1

Das informações no rótulo do produto

P2.1

Possui informação de risco no produto

P3.1

Satisfação no atendimento de manutenção

P1.2

Facilidade de leitura

P2.2

Legível e de rápida interpretação

P3.2

Agilidade da troca e manutenção

P1.3

Conforme procedimentos exigidos

P2.3

Necessárias para prevenção de acidente

P3.3

Informações no manual sobre manutenção

P1.4

As cores facilitam a leitura

P2.4

Soluções em caso de acidentes

P3.4

Qualidade da informação

P1.5

Símbolos legíveis e de fácil interpretação

P2.5

Informações do manual são satisfatórias

P3.5

Qualidade do produto trocado

P1.6

As informações técnicas são suficientes

P2.6

Sobre informações de risco no manual

P3.6

Qualidade do produto consertado

P1.7

Informação de comunicação com a empresa

P2.7

Informações para contato

P3.7

Satisfação na manutenção do produto

Quadro 11 – Relação Empresa Cliente. Fonte: Grie hammer et al. (2007)

3.2.5 Questionário para a Comunidade Local

Para comunidade local utilizou-se a Subcategoria de Impacto “Condições de Vida Saudável e Segura” da UNEP (2009) e no indicador de “Segurança e Cuidados na Condição de Vida Saudável da Comunidade” apresentado Grie hammer et al. (2007) (quadro A.3), relacionado aos impactos da atividade de produção da empresa na vizinhança, como a presença de lixo ao redor do estabelecimento, o ruído e o odor gerados pelas atividades das empresas. A geração de empregos para a comunidade e a satisfação de ter a empresa como vizinha. As perguntas foram elaboradas pelo presente estudo, estão relacionadas no quadro 12 abaixo, no questionário 06 do apêndice.

Condições de Vida Saudável e Segurança

P1.1

Barulho da empresa

P1.2

Odor emitido da atividade produtiva da empresa

P1.3

Lixo da empresa no bairro

P1.4

Satisfação em ter a empresa como vizinha

P1.5

Para o comércio do bairro

P1.6

Criação de empregos na comunidade

Quadro 12 – Dados para Comunidade de local Fonte: Grie hammer et al. (2007)

50

3.2.6 Questionário para a Sociedade

Para a análise de dados com a sociedade são verificados os dados sobre: Certidão de Imposto de Renda, pagamento do INSS e FGTS (quadro 13), referente às empresas envolvidas no sistema do produto, conforme detalhado na figura 4. Para a coleta dessas informações são necessários os dados do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) das empresas, adquiridos na nota fiscal. Os dados foram confirmados via internet nos órgãos Receita Federal e Caixa Econômica Federal.

Relação com o Governo

sim

não

1 - Certidão da Receita Federal

   

2 - Contribuição Previdenciária - INSS

   

3 - Fundo de Garantia dos Funcionários - FGTS

   

Quadro 13 – Dados para o Governo Fonte: IBASE (2005)

3.2.7 Teste Piloto dos Questionários

De acordo com Labes (1998), a fase dos testes preliminares ou pré-testes é de extrema importância para avaliar, em situação real, o questionário antes de ser distribuído definitivamente para o público alvo da pesquisa, que for realizada, antes da aplicação do questionário, foi o teste preliminar com especialistas em Avaliação do Ciclo de Vida e com trabalhadores relacionados à indústria, a fim de se verificar eventuais erros e coletar sugestões quanto ao formato e conteúdo (cores utilizadas, distribuição espacial no papel, erros de ortografia, entre outros). Neste caso, foram escolhidos os participantes do Grupo de Avaliação da Sustentabilidade do Ciclo de Vida da UTFPR como também dez funcionários da empresa objeto do estudo de caso.

51

3.3 UNIVERSO E POPULAÇÃO DA PESQUISA

Após a construção dos questionários (ver apêndice) definiu-se o universo a ser pesquisado e o estabelecimento de critérios para selecionar e definir a amostra da população que será aplicado os questionários. Para a definição da população, Labes (1998) comenta que o universo a ser pesquisado precisa ser caracterizado e identificado segundo um ou mais referenciais, de forma a distingui-lo de um determinado contexto. A isto este autor chama de população, podendo ser apresentada geograficamente dispersa ou concentrada.

3.4 LEVANTAMENTO E COLETA DE DADOS

Após a atualização do questionário, segue-se para a etapa de coleta de dados, em que empresas são identificadas a partir de um fluxograma baseado no sistema de produto. Neste caso, o fluxograma utilizado é abordado no Capítulo 4. Para aplicação do questionário, o primeiro passo foi solicitar uma autorização ao responsável da empresa, com a especificação do dia e hora para visita. Um dos meios empregados para a coleta de dados foi ir pessoalmente à empresa, esperando o respondente terminar de assinalar o questionário, outro foi deixar o questionário com o funcionário e buscá-lo após o preenchimento. Na comunidade foram entrevistadas as pessoas que moram mais próximo as empresas. Para os dados de fornecedores, foi enviado por email para o responsável do setor de RH. Já para a sociedade, os dados foram obtidos por internet. Na Foi estipulado um calendário e prazos para coleta dos dados. No caso avaliado, o tempo foi de aproximadamente seis meses, do início de junho até dezembro de 2008.

52

4 ESTUDO DE CASO

Este capítulo aborda o estudo de caso sobre as etapas da Avaliação Social do Ciclo de Vida (ASCV) aplicada em um produto desenvolvido e manufaturado por uma microempresa industrial do ramo automotivo, situada na Região Metropolitana de Curitiba, no Estado do Paraná. Além das etapas, são apresentados os principais resultados da pesquisa realizada utilizando como referência alguns dos indicadores abordados nos capítulos anteriores.

4.1 ESCOPO – PRODUTO

4.1.1 Função, Unidade Funcional e Fluxo de Referência

No primeiro momento, considerando as definições e abordagens sobre a etapa de definição do Escopo (item 3.1), é necessária a descrição da função, unidade funcional e do fluxo de referência, que foram definidos respectivamente como: rastrear e bloquear o caminhão via satélite; bloquear e rastrear um caminhão no período de 20 anos; e 1 (um) produto para bloquear e rastrear 1 (um) caminhão.

4.1.2 Sistema do Produto

Para facilitar a coleta de dados, considerou-se-se apenas os fornecedores diretos. Para melhor compreensão do processo de produção do produto, apresenta-se o fluxograma na figura 4, contendo os componentes do produto e as etapas de fabricação e respectivas empresas que executam o processo.

53

53 FIGURA 4 - Fluxograma do Produto Fonte: Elaborada pela Autora

FIGURA 4 - Fluxograma do Produto Fonte: Elaborada pela Autora

54

Na figura 4, pode-se identificar os componentes que compõe o produto, tais como:

suporte, peça superior, mangueira, válvula, conexão e chicote. O suporte é um componente

construído para fixar o produto junto ao caminhão, enquanto o a peça superior encaixa a válvula e as placas elétricas. A mangueira é por onde o óleo do combustível passa. A válvula

é composta pelo componente em alumínio e uma válvula solenóide acoplada, tendo abertura

para a conexão que faz a conexão entre a válvula e a mangueira para a saída de óleo. Por último, o chicote inclui o conjunto de fios que faz conexão com a placa elétrica. A empresa (A) desenvolve o produto e elabora o projeto de fabricação, para constituição de cada componente (figura 4). Toda a fabricação é terceirizada para outras empresas, encaminhado o desenho e o pedido de fabricação aos fornecedores. Cada um dos processos é executado por empresas diferentes: fabrica o molde (ferramentaria), a fundição das peças, usinagem, corte a laser, e assim por diante. O fluxograma apresenta outras empresas identificadas por meio de componentes na figura 4, tais como: a empresa que fabrica a embalagem do produto, a gráfica que elabora a etiqueta, a empresa que fornece as porcas e parafusos e a empresa que constrói a faca para fabricação da junta, tendo a função de ligamento das peças.

Por fim, as peças retornam para a empresa (A) que realiza a montagem e todos os testes de funcionamento, para, em seguida, ser encaminhado à empresa cliente que distribui o produto e realiza a prestação de serviço. Tendo em vista que o fluxograma de processo (figura 4) identifica um grande número de processos que corresponde a empresas diferentes e que para realizar a avaliação do estudo

é necessário limitar o sistema do produto. Weidema (2005) comenta sobre a necessidade de

aplicar uma regra de corte, para a exclusão de etapas do ciclo de vida de processos em entradas ou produção. No estudo de Corrêa e Ugaya (2008) realizou-se a comparação entre o critério de corte por massa e horas trabalhadas com os dados deste estudo e com as preconizações da ISO 14044 (2006), nos quais vários critérios são utilizados para decidir quais entradas devem ser estudadas. Embora, os critérios sugeridos pela norma são: massa; energia ou relevância ambiental, para ASCV o critério sugerido pela UNEP/SETAC utiliza-se as horas trabalhadas (UNEP, 2009). Os dados de massa do produto e número de horas de trabalho encontram-se na tabela 1. Na primeira coluna, estão listados todos os processos ou empresas. As peças estão nomeadas na segunda coluna. A terceira coluna está relacionada à unidade de peças que compõe um único produto. Já a quarta coluna, faz referência a massa (gramas) por unidade de peças, no final a somatória de 1035 gramas por produto. A massa do molde de aço tem peso

55

aproximado de 15 kg. Considerou-se que cada molde permite a produção de 1000 peças. Desta forma por produto, necessita-se de 15 kg. Deste total foi retirado o percentual utilizado para cada peça (quinta coluna). Na coluna seguinte apresenta-se o tempo em minutos, necessários para fabricação de cada peça, o que totalizou 75 minutos para fabricação de um produto. Na última coluna, o percentual de horas de trabalho.

Tabela 1 - Massa e Horas Trabalhadas por Peça

de trabalho. Tabela 1 - Massa e Horas Trabalhadas por Peça Fonte: Corrêa e Ugaya (2008)

Fonte: Corrêa e Ugaya (2008)

Foram assinaladas as filas e colunas em tons de cinza (sombreados), demonstrando os

processos que estão acima de 10%, tanto de massa como horas trabalhadas. De acordo com Corrêa e Ugaya (2008) percebe-se que a diferença entre estes dois critérios é que no primeiro,

o processo de corte a laser é relevante para a coleta de dados, enquanto para as horas

trabalhadas, a produção de chicote passa a ser relevante. Em ambos os casos, contudo faz-se necessário coletar dados das empresas de fundição, usinagem e da produção de válvula. Pode-

se perceber que o critério de corte utilizado influencia na coleta de dados. Tendo em vista que a metodologia ASCV propõe o uso de horas trabalhadas para critério de corte, optou-se por utilizar na coleta de dados, deste estudo de caso somente os processos selecionados conforme a tabela 1, de horas trabalhadas.

56

Esses processos correspondem a diferentes empresas. Desta forma foram identificados os fornecedores e o consumidor, e classificados em ordem alfabética no fluxograma definitivo na figura 5.

em ordem alfabética no fluxograma definitivo na figura 5. Figura 5 - Fluxograma do Produto Definitivo

Figura 5 - Fluxograma do Produto Definitivo Fonte: Elaborado pela Autora.

A empresa (A) desenvolve o design do produto, a pedido da empresa cliente que realiza o serviço de rastreamento do caminhão pelo software. Após o desenvolvimento do projeto, os desenhos foram encaminhados para os fornecedores: empresa (B) que faz a fundição das peças; empresa (C) que usina a conexão e os componentes que saíram da fundição; a empresa (D) fabrica a válvula solenóide. Todos os componentes retornam para a empresa (A) para a montagem, onde é fabricado o chicote e acoplado das peças. Após os testes de funcionamento segue para a empresa (E) cliente, que é responsável pela distribuição do produto.

57

4.1.3 Requisitos e Qualidade dos Dados

Conforme descrito no item 3.1, os requisitos da qualidade dos dados do presente estudo de caso são, a cobertura temporal que corresponde aproximadamente seis meses de coleta de dados, de junho de 2008 até dezembro de 2008. O escopo geográfico que é localizado as empresas selecionadas e abrange o Estado do Paraná e Estado de São Paulo. A delimitação da região facilita a visualização dos locais para coleta de dados e a identificação da comunidade local ao redor das partes interessadas. A cobertura tecnológica corresponde à tecnologia utilizada nas empresas.

4.2 INVENTÁRIO

Como já mencionado, o inventário corresponde à coleta e análise dos dados. Para tanto apresenta-se neste item a etapa de Análise dos Dados que foram coletados por meio dos questionários apresentado no apêndice e desenvolvidos em todo o item 3.2. Neste estudo de caso, o universo da pesquisa é representado pelas empresas selecionadas, conforme fluxograma definitivo (figura 5). A população é concentrada, delimitada pelo número total de funcionários de cada empresa. No total foram 145 questionários respondidos envolvendo todas as partes interessadas, dos quais, 125 foram respondidos pelos funcionários das cinco empresas selecionadas (figura 5). Cinco questionários (dados dos funcionários) contendo informações quantitativas apresentados no questionário no apêndice 03 foram respondidos por funcionários responsáveis pelo setor de recursos humanos das cinco empresas. Quatro questionários, referente ao apêndice 04, foram aplicados nas empresas (B,C,D) sobre relação entre fornecedores e a empresa (A), respondidos por um funcionário do departamento financeiro ou administrativo. O questionário no apêndice 05 foi aplicado na empresa (E), sobre a relação entre a empresa cliente e a empresa (A) que desenvolve o produto, sendo respondido por um funcionário do departamento comercial. Para a comunidade foram entrevistadas dez pessoas, respondendo às informações do quadro 12 (ver questionário no apêndice 06), considerando duas pessoas vizinhas de cada

58

empresa (A,B,C,D,E). Para sociedade, o levantamento de dados foi via internet, no qual pode ser verificado no questionário apresentado no apêndice 07. Importante mencionar que somente na empresa D, que possui um total de cento e trinta (130) funcionários (gráfico 1), foram respondidos somente oitenta e cinco (85) questionários, não atingindo 100% do número de funcionários. Nas demais empresas o questionário foi aplicado com todos os funcionários.

4.2.1 Resultado dos Dados Quantitativos dos Funcionários

Os dados dos funcionários foram coletados tanto na empresa quanto com os próprios funcionários, apresentados na tabela 2 para a tabulação dos dados quantitativos.

Tabela 2 - Dados de Diversidade e Nível de Escolaridade dos Funcionários

 

Indicadores

Empresa A

Empresa B

Empresa C

Empresa D

Empresa E

 

Total de Funcionários

22

15

8

130

 

15

 

Feminino / Masculino

F

M

F

M

F

M

F

M

F

M

Diversidade

Funcionários por gênero

14

8

5

10

1

7

38

92

6

9

Chefia

2

3

1

2

1

1

2

4

0

2

Administrativo

1

4

4

2

0

0

15

20

6

7

Produção

11

1

0

6

0

6

21

68

0

0

 

Escolaridade

1º grau incompleto

0

0

0

0

0

2

0

0

0

0

Nível de

1º grau completo

0

1

0

0

0

2

0

0

0

0

2º grau incompleto

0

2

0

0

0

0

0

1

0

0

2º grau completo

5

2

3

8

1

3

25

70

1

1

 

3º grau cursando/ completo

2

3

2

2

0

0

13

21

5

8

Fonte: Elaborada pela autora, 2009.

Para o indicador de diversidade, não houve respostas para os dados sobre idade e cor da pele dos funcionários. A tabela 3, apresenta os dados quantitativos que foram respondidos por um responsável do recursos humanos da empresa, sendo que não houve resposta para os dados referentes aos indicadores de saúde e segurança acerca da doença ocupacional e tipo de lesão, por isso não se encontram na tabela 3. Destes dados, contidos na tabela 3, foram respondidos pelos funcionários somente os dados sobre o indicador de tipo de contrato, carga horária e descanso diário, como pode ser verificado no questionário no apêndice 01.

59

Tabela 3 - Forma de Tabulação dos Dados Quantitativos

INDICADORES FUNCIONÁRIOS

 

EMPRESAS - CICLO DE VIDA DO PRODUTO

Identificação das empresas

A

A

B

B

C

C

D

D

E

E

Total de funcionários

22

100%

15

100%

8

100%

130

100%

15

100%

 

Nº contratados

22

100%

15

100%

8

100%

130

100%

15

100%

Tipo de contrato

Nº terceirizados

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Nº sem contrato

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Associação

Nº sindicalizados

22

100%

15

100%

0

0%

91

70%

15

100%

 

Menor aprendiz

0

0%

0

0%

1

13%

0

0%

0

0%

Trabalho infantil

Menor sem contrato

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

 

Período de 22 horas por semana

3

14%

0

0%

0

0%

0

0%

0

0%

Período de 44 horas por semana

19

86%

15

100%

8

100%

130

100%

15

100%

Carga horária

Horário do menor

 

0

 

0

 

44

 

0

 

0

Horas extras por semana

 

0

 

1

 

0

 

3

 

2

horário noturno

 

0

 

0

 

0

 

0

 

0

Descanso diário

Almoço em minutos

 

60

 

60

 

60

 

60

 

60

Intervalo em minutos

 

20

 

10

 

15

 

20

 

15

Associação

Nº reuniões coletivas

 

0

 

0

 

0

 

2

 

1

coletiva

Nº contratos nas reuniões

 

0

 

0

 

0

 

2

 

1

Saúde e

Notificação de acidentes

 

2

 

5

 

4

 

5

 

0

segurança/

Nº de acidentes c/afastamento

 

0

 

0

 

0

 

1

 

0

acidente no

trabalho

Nº de acidentes s/afastamento

 

2

 

5

 

4

 

4

 

0

Fonte: Elaborada pela autora, 2009.

Quanto ao número total de funcionários, nota-se que a empresa (D) possui maior número de funcionários, sendo responsável por 68% dos funcionários por todo o ciclo de vida, enquanto a empresa (C) representa o menor número de empregos com 4% do total de funcionários (gráfico 1).

60

130 110 90 70 50 30 10 -10 A B C D E Total de
130
110
90
70
50
30
10
-10
A
B
C
D
E
Total de funcionários
22
15
8
130
15
Funcionários

Empresas

Gráfico 1- Total de Funcionários no Ciclo de Vida do Produto. Fonte: Elaborada pela autora, 2009.

Para análise do indicador Diversidade por Gênero, o gráfico 2 apresenta o número de mulheres e homens por empresas no ciclo de vida. Percebe-se que a empresa A possui maior número de mulheres em relação aos homens, com 64% de mulheres para 36% de homens em seu corpo funcional. Já a empresa C possui o menor percentual, 12% de mulheres para 88% de homens em seu total de funcionários. A empresa A trabalha com funcionários no setor administrativo e na produção não se utiliza processo mecânico, ao contrário da empresa C do ramo de usinagem, que não enquadra mulheres nos processos de fabricação. Conclui-se que em todo o ciclo de vida, 66% das pessoas são do sexo masculino, enquanto 34% do sexo feminino. Portanto, empregam-se mais funcionários do sexo masculino para fabricação do produto.

61

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% A B C D
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
A
B
C
D
E
MULHERES
64%
33%
12%
29%
40%
HOMENS
36%
67%
88%
71%
60%

Empresas

Gráfico 2 - Diversidade por Gênero no Ciclo de Vida do Produto. Fonte: Elaborada pela autora, 2009.

Dando continuidade a diversidade de gênero, nota-se no gráfico 3 a relação entre homens e mulheres por cargo nas empresas, separados por áreas de atuação da produção, administrativo e chefia. Na produção, as empresas B e C não possuem mulheres, tendo em vista que estas atividades de produção exigem maior força do operador. Por outro lado, a empresa E não possui setor de produção, somente presta serviço de monitoramento do caminhão, apresentando 40% de mulheres. Pode-se notar uma grande diferença encontrada na empresa A, que possui maior número de mulheres na produção, pois se trata da linha de montagem do produto e fabricação do chicote. No setor administrativo há um menor percentual de mulheres em relação aos homens, indica que os cargos com maior poder de decisão são ocupados por homens. Já na empresa C não existe o setor administrativo, não tendo sido identificado funcionários em ambos os sexos. No setor de chefia não foram identificadas mulheres na empresa E, enquanto que na empresa C a relação é proporcional, pois a única mulher é sócia da empresa. Pode-se perceber que nas empresas A, B e D sempre há mais homens que mulheres ocupando os cargos de chefia.

Ao se considerar todo o ciclo de vida e verificar o percentual de homens e mulheres entre os setores: 17% das mulheres trabalham no setor de produção, enquanto 47% são

62

homens. No setor administrativo 14% são mulheres para 17% de homens. Já para cargos de chefia o percentual é de 3 % para mulheres enquanto que 6% são compostos por homens. Percebe-se que existe um índice maior de mulheres no setor administrativo, já no setor de produção e os cargos de chefia, predominam os funcionários do sexo masculino.

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Mulheres Homens Mulheres Homens
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Mulheres
Homens
Mulheres
Homens
Mulheres
Homens
Mulheres
Homens
Mulheres
Homens
Produção
11 1
0
6
0
6
21
68
0
0
Administrativo
1 4
4
2
0
0
15
20
6
7
Chefia
2 3
1
2
1
1
2
4
0
2
Empresas
Empresa A
Empresa B
Empresa C
Empresa D
Empresa E
Funcionários

Gráfico 3 - Diversidade por Cargo no Ciclo de Vida do Produto. Fonte: Elaborada pela autora, 2009.

No gráfico 4, apresenta-se o nível de escolaridade dos funcionários em cada empresa, divididos em: 3º grau (cursando, completo ou com ensino superior), 2º grau completo ou incompleto (ensino médio), 1º grau completo ou incompleto (ensino fundamental). Foi observado o maior percentual possuindo o 2º grau completo com 66% dos funcionários, destes 33% são mulheres e 67% são homens. O número de funcionários com 3º grau (completo/cursando) corresponde a 29% dos funcionários, dos quais 39% são mulheres e 61% são homens. Em seguida, 2% dos funcionários possuem o 2º grau incompleto, 2%, 1º grau completo e com o 1º grau incompleto, 1%, todos do sexo masculino nas empresas A e C.

63

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Mulheres Homens Mulheres Homens
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Mulheres
Homens
Mulheres
Homens
Mulheres
Homens
Mulheres
Homens
Mulheres
Homens
3º grau cursando/ completo
2
3
2
2
0
0
13
21
5
8
2º grau completo
12
2
3
8
1
3
25
70
1
1
2º grau incompleto
0
2
0
0
0
0
0
1
0
0
1º grau completo
0
1
0
0
0
2
0
0
0
0
1º grau incompleto
0
0
0
0
0
2
0
0
0
0
Empresas
Empresa A
Empresa B
Empresa C
Empresa D
Empresa E
Quantidade de pessoas

Gráfico 4 - Nível de Escolaridade no Ciclo de Vida do Produto. Fonte: Elaborada pela autora, 2009.

Somente

obtiveram-se

informações

sobre

número

de

acidentes

ao

ano,

com

afastamento e sem afastamento, conforme apresentado no gráfico 5.

5 4 3 2 1 0 A B C D E Notificação de acidentes 2
5
4
3
2
1
0
A
B
C
D
E
Notificação de acidentes
2
5
4
5
0
Nº c/afastamento
0
0
0
1
0
Nº s/afastamento
2
5
4
4
0

Empresas

Gráfico 5 - Saúde e Segurança no Ciclo de Vida do Produto. Fonte: Elaborada pela autora, 2009.

64

Constatou-se que a empresa D possuiu uma pessoa afastada por motivo de acidente, e quatro casos de acidentes sem afastamento, enquanto a empresa B computou cinco acidentes sem afastamento. Em contra partida, na empresa E não foi constatada nenhuma notificação de acidentes. Observou-se que as empresas que possuem atividades com maiores riscos são: a empresa B de fundição e a empresa D de ferramentaria. Para identificação de saúde e segurança, os dados de doença ocupacional e tipo de lesão não foram respondidos pelas empresas, portanto não estão apresentados. No indicador de associação coletiva, os dados de funcionários sindicalizados encontram-se no gráfico 6, em que as empresas A, B, E possuem 100% de todos os funcionários sindicalizados. Já a empresa D apresenta 70% e a empresa C não possui nenhum funcionário associado a um sindicato.

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% A B C D
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
A
B
C
D
E
Nº sindicalizados
100%
100%
0%
70%
100%

Empresas

Gráfico 6 - Funcionários Sindicalizados no Ciclo de Vida do Produto. Fonte: Elaborada pela autora, 2009.

O gráfico 7 apresenta a identificação de reuniões coletivas entre os funcionários e o número de contratos assinados nas reuniões, sendo que somente duas empresas apresentaram reuniões, a empresa D com duas reuniões e dois contratos e a empresa E com uma reunião e um contrato, ambas no período de um ano.

65

2

     

1,5

     

1

     

0,5

         

0

         

A

B

C

D

E

Nº reuniões coletivas0 0 0 2   1

0

0

0

2

 

1

Nº contratos / reuniões0 0 0 2   1

0

0

0

2

 

1

Gráfico 7 - Reuniões Coletivas e Contratos no Ciclo de Vida do Produto. Fonte: Elaborada pela autora, 2009.

Para identificação de trabalho forçado, o gráfico 8 apresenta o tipo de contrato que as empresas empregam os funcionários.

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% A B C D
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
A
B
C
D
E
Nº contratados
100%
100%
100%
93%
100%
Nº terceirizados
0%
0%
0%
7%
0%
Nº sem contrato
0%
0%
0%
0%
0%
Funcionários

Empresas

Gráfico 8 - Tipo de Contrato no Ciclo de Vida do Produto. Fonte: Elaborada pela autora, 2009.

66

Constatou-se que todas as empresas possuem contrato de trabalho com seus funcionários e que, somente na empresa D, 7% dos empregados são contratados como terceirizados. A identificação de carga horária é apresentada no gráfico 9, sendo que o limite de horas para funcionários de empresas do ramo metalúrgico é de 44 horas semanais e 22 horas semanais para meio-período. Desta forma, os dados apontam que a empresa A possui 14% dos seus funcionários, em regime de meio período, no setor administrativo. O restante das empresas mantém seus funcionários em regime de 44 horas semanais.

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% A B C D
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
A
B
C
D
E
22 horas por semana
14%
0%
0%
0%
0%
44 horas por semana
86%
100%
100%
100%
100%

Gráfico 9 - Carga Horária no Ciclo de Vida do Produto. Fonte: Elaborada pela autora, 2009.

Para o indicador de Horas Extras foram coletados dados para a quantidade de horas extras realizadas na semana, indicado no gráfico 10. Nota-se que a empresa D realiza, em média, três horas por semana a mais que o expediente normal, a empresa E com duas horas e a empresa B com uma hora por semana. Esses dados não ultrapassam o limite estabelecido pela CLT, no artigo 59, em que não se pode ultrapassar duas horas extras por dia por trabalhador.

67

3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 A B C D E Horas extras por
3
2,5
2
1,5
1
0,5
0
A
B C
D
E
Horas extras por semana
0
1 0
3
2
Horas

Empresas

Gráfico 10 - Horas Extras no Ciclo de Vida do Produto. Fonte: Elaborada pela autora, 2009.

Para o indicador Período de Descanso, como horário de almoço e intervalo no expediente, o gráfico 11 apresenta os dados coletados. O exigido na CLT é o horário de almoço com o mínimo de uma hora por dia, podendo variar em caso de acordo coletivo.

60 50 40 30 20 10 0 A B C D E Almoço 60 60