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368 famílias correm risco de despejo no bairro da Luz

Segundo a Constituição Brasileira, Moradia é um Direito Humano. Também segundo a


constituição, os Direitos Humanos devem prevalecer sobre os Direitos da Propriedade e da
Posse – a Moradia é um Direito Humano inalienável. Na sexta-feira do dia 15 de Abril de 2011,
a Juíza Fajardo Nogueira Jacot deu prova de que a lei brasileira segue como um conjunto de
princípios, não de práticas.
Avenida Prestes Maia, 911. Um edifício com mais de 30 andares, dividido em dois
blocos, no bairro da Luz - centro de São Paulo. O edifício esteve abandonado por muitos anos;
seu proprietário, o senhor Jorge Nacle Hamuche, não paga os impostos do imóvel há mais de
27 anos. A dívida soma atualmente R$4.950.412,00.
Existem muitos imóveis em condição semelhante na cidade de São Paulo. Segundo o
IBGE, São Paulo possui cerca de 250 mil imóveis na condição de abandono. Em contraposição,
São Paulo também possui o maior movimento de luta por moradia urbana do país.
Um dos grupos que integra essa luta, o Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC),
organizou, em outubro de 2010, a ocupação de três imóveis sem função social no centro. Entre
estes estava o imóvel da Prestes Maia, 911, que hoje já abriga 368 famílias.
Nós, do Coletivo de Galochas, estamos envolvidos com esta ocupação desde dezembro
de 2010. Somos um grupo de teatro fundado no início de 2010 por estudantes de Artes
Cênicas da Universidade de São Paulo – ECA/USP. Pesquisamos a prática teatral em espaços
não-convencionais, estudamos o tecido urbano e as linhas de funcionamento das relações
humanas na cidade.
A partir dessa aproximação com a Ocupação Prestes Maia, em janeiro de 2011
aplicamos um censo aprovado em Assembléia de Moradores, momento no qual pudemos
mapear melhor a complexidade daquele universo. Tendo a grande maioria dos seus moradores
habitando as classe D e E, a não obrigatoriedade do aluguel permitiu a todos uma maior
dignidade de vida.
Também em janeiro começamos a realizar Mediações de Leitura, entrando em contato
com as muitas crianças do prédio em um contexto lúdico. Nesse mesmo mês vimos acontecer
diversos mutirões – ajudamos em alguns – que realizaram a limpeza do entre-prédios, que
ficara repleto de lixo, uma pilha com mais de 1,5m de altura. Os imóveis em abandono da
cidade de São Paulo são uma das principais causas da proliferação de mosquitos e esgotos.
Pela mão dos moradores, o edifício da Prestes Maia não é mais um criadouro de
doença. Hoje, o entre-prédios já se encontra limpo: em 26/03/2011, ocorreu naquele espaço
uma Aula Magna do curso de Ciências Sociais da PUC – SP (Pontifícia Universidade Católica). As
professoras da PUC Rita Alves e Matilde Melo deram suas aulas, e também fizeram falas
lideranças do movimento Frente de Luta por Moradia e Movimento Sem Teto do Centro.
A partir de fevereiro, começamos a realizar ensaios nos diferentes andares da
Ocupação Prestes Maia, discutindo nossas criações tendo por interlocutores os moradores,
sempre muito receptivos por aprovarem a prática artística no espaço por eles cuidado.
Também realizamos ensaios no subsolo da Ocupação. O abandono o tornara um local
insalubre, cheio de infiltrações e repleto de lixo. Membros do Movimento realizaram diversos
mutirões, de maneira que o subsolo já é um lugar em que se pode ensaiar. Os mutirões no
subsolo continuam, pois o Movimento pretende implantar um Centro Cultural ali.
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A função social da propriedade e o direito à moradia estão previstos na Constituição
brasileira e no Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU.
Segundo a Constituição Brasileira, um Proprietário deve fazer uso, usufruto ou vender o seu
imóvel – se nenhuma dessas três opções forem praticadas, o imóvel é considerado
abandonado, e o antigo Proprietário perde os Direitos sobre a Propriedade e a Posse.
Também segundo a Constituição Brasileira, o Direito de Propriedade e da Posse está
atrelado a alguns deveres, entre eles, assegurar o meio-ambiente. O prédio da Prestes Maia,
enquanto esteve abandonado, juntou lixo e se tornou local de reprodução de pragas urbanas,
insetos e ratos.
Apesar disto tudo, de famílias terem transformado um espaço antes abandonado e
criando doenças em moradia com as próprias mãos, da existência da dívida em imposto do
imóvel, apesar de a constituição prever o direito à moradia e o prevalecimento dos Direitos
Humanos sobre os Direitos da Propriedade e da Posse, o proprietário senhor Jorge Nacle
Hamuche conseguiu, na 15º Vara Civil do Forum João Mendes, a reintegração de posse do
imóvel. O advogado do movimento entrou com um agravo a decisão da juíza, mas a previsão é
que as 368 famílias sejam despejadas.
Não é a primeira vez que o prédio da Prestes Maia é ocupado. Em 2002, o imóvel
estava há mais de dez anos em abandono e o mesmo MSTC o ocupou. O prédio foi limpo de
entulho e habitado por 468 famílias. Além de servir como moradia, o prédio passou a abrigar
atividades culturais, tais como oficinas de alfabetização, trabalho com sucata, vídeo, poesia,
um cineclube e exposições. Foi montada uma biblioteca com mais de 4000 títulos. Em 2007, as
famílias que ocupavam o Prestes Maia foram despejadas por ordem judicial. Em nota, o prédio
deveria ser desapropriado pela prefeitura e destinado a algum fim social. Ao invés disso, o
local seguiu abandonado. A dívida do proprietário seguiu crescendo.
Nós, do Coletivo de Galochas, defendemos que a propriedade da Avenida Prestes
Maia, 911, seja transformada em moradia popular, como defendem as pessoas do Movimento
Sem-Teto do Centro – um projeto a médio prazo, inclusive, acaba de ser aprovado na CDHU,
dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. Apelamos para que a Prefeitura tome alguma
atitude frente a divida absurda do imóvel em imposto; é preciso que os direitos sociais dos
atuais moradores sejam defendidos.
Na quinta-feira do dia 28 de Abril de 2011 o Movimento Sem-Teto do Centro organizou
uma protesto, que contou com mais de 400 pessoas, saindo do edificio da Prestes Maia e
caminhando até o fórum João Mendes, onde um documento foi protocolado – protocolou-se
um documento também na prefeitura.
O que propusemos aqui foi o relato de um grupo de artistas que realiza suas atividades
no imóvel em questão. E é por conta deste testemunho humano que defendemos os
moradores da Avenida Prestes Maia, 911.

Coletivo de Galochas
Daniel Lopes, Diego Nunes, Felipe Bittencourt,
Gabriel Hernandes, Jessica Paes, Nina Hotimsky,
Rafael Presto, Tchello Gasparini.

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Encontros de Mediação de Leitura
3
Mutirão do Entre-Prédios
4
Aula Magna, Ciências Sociais – PUC, Entre-Prédios

5
Aula Magna, Ciências Sociais – PUC, Entre-Prédios

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Ensaio – Entrada da Ocupação
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