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A RELAÇÃO ENTRE COESÃO GRUPAL, ANSIEDADE PRÉ-COMPETITIVA E O

RESULTADO DOS JOGOS EM JOGADORES DE FUTSAL

Dr. José Augusto E. Hernandez, Dr. Rogério da Cunha Voser e Mariele de Moraes
Gomes
hernandz@portoweb.com.br
rogério.voser@ufrgs.br

GPEFF- Grupo de Pesquisa em Futebol e Futsal da ESEF/UFRGS

RESUMO
Investigou-se as relações entre coesão grupal, ansiedade pré-competitiva e
resultados dos jogos de Futsal. Uma hora e meia antes das partidas, 113 jogadores
pertencentes a 10 equipes de sete diferentes clubes responderam a dois
instrumentos. Para ter acesso à ansiedade pré-competitiva dos jogadores foi
utilizado o CSAI-2, (Competitive State Anxiety Inventory–2) de Martens e para
investigar a coesão de grupo, o GEQ (Group Environment Questionare), baseado no
modelo de coesão grupal de Carron, Brawley e Widmeyer. Os resultados foram
analisados através do pacote estatístico SPSS. Análises de variância revelaram que
as equipes vitoriosas nos jogos obtiveram maiores médias de coesão grupal em
torno da tarefa e menores médias de ansiedade cognitiva pré-competitiva. A
Correlação de Pearson confirmou a hipótese da existência de uma relação inversa
entre coesão em torno da tarefa e a ansiedade pré-competitiva dos jogadores. A
análise de regressão múltipla encontrou como preditores do resultado em jogos de
Futsal o fator atração pelo grupo tarefa, da coesão grupal, e o fator somático, da
ansiedade pré-competitiva. Em termos gerais, os resultados confirmaram as
expectivas corroborando os achados da pesquisa internacional.

Palavras chaves: Psicologia do Esporte, Coesão grupal, ansiedade pré-competitiva.

A ansiedade tem sido foco de investigação desde o início dos estudos sobre o
psiquismo do indivíduo até os dias de hoje. Podemos encontrar o termo já em Freud
(1925). Este trouxe a diferenciação entre ansiedade objetiva e ansiedade neurótica.
A primeira está relacionada ao perigo conhecido, real, proveniente de um objeto
externo. A segunda está relacionada a um perigo desconhecido, que necessita ser
descoberto, que provém de uma exigência pulsional, conforme identificado através
da análise.
Klein (1991) falou sobre a ansiedade primária, quando lembrou do medo de
aniquilamento do bebê, que, desamparado, se encontra frente aos perigos internos e
externos. Em seu trabalho ela diferenciou duas concepções de ansiedade: a
ansiedade persecutória e a depressiva. A ansiedade persecutória está relacionada
ao medo de morte. A ansiedade depressiva relaciona-se ao medo de causar dano
ao objeto amado, interno ou externo, vindos dos seus impulsos destrutivos.
Spielberger, Gorsuch e Lushene (p. 4, 1979), conceituaram a ansiedade em
dois termos: Estado de ansiedade e Traço de ansiedade. O primeiro conceito é
entendido como “um estado emocional transitório ou condição do organismo
humano que é caracterizado por sentimentos desagradáveis de tensão a apreensão
conscientemente percebidos, e por aumento na atividade do sistema nervoso
autônomo”. Acrescentam ainda que os seus escores podem variar em intensidade e
no tempo. O traço de ansiedade refere-se a uma disposição que permanece latente
até que uma situação a ative. Relaciona-se às diferenças de tendência das pessoas
em reagirem frente às situações percebidas como ameaçadoras, elevando-se a
intensidade no estado de ansiedade.
Harris e Harris (1987), expressam que o sujeito sente ansiedade toda vez que
se preocupa com sua atuação, com seu nível de rendimento, em qualquer situação.
A influência da ansiedade no rendimento depende de cada indivíduo, é específica. É
necessário que se distinga uma reação de preocupação intensa, daquela de deriva
de estar excitado e preparado para enfrentar um desafio, uma competição. Para a
ansiedade aparecer, não necessita de uma ameaça ao bem estar físico do sujeito,
mas sim, ao bem estar mental do mesmo.
Como conceito de ansiedade estes autores acima referidos, consideram uma
combinação de manifestações cognitivas e somáticas frente a uma ameaça
percebida, sendo emocional ou física. Deste conceito dividem em duas
subcategorias: a ansiedade-traço e a ansiedade circunstancial. A primeira refere-se
a predisposição do sujeito em perceber muitos estímulos como ameaçadores. A
última refere-se àquela que se manifesta em duas dimensões: intensidade e sentido,
e que surge somente numa situação específica. Ela subdivide-se em duas
dimensões adicionais: a somática ou corporal e a cognitiva ou mental.
Marquez (s/d) admite que existe muita confusão de terminologia e conceito
referente ao fenômeno da ansiedade. Esta autora define a ansiedade como um
estado especial de agitação e tensão, com reações somáticas e psíquicas
específicas, que ocorre antes de situações de insegurança e ameaça, podendo ser
situações reais ou imaginárias. A mesma traz que o conceito evoluiu desde uma
concepção na qual a ansiedade era própria da personalidade estável do indivíduo
até uma consideração atual que é formada por vários componentes: cognitivo,
fisiológico e motor, ligados a situações específicas. Desta forma traz um conceito
multidimensional da ansiedade.
As manifestações fisiológicas são o aumento das atividades eletrodérmicas do
tônus muscular-esquelético e do ritmo respiratório, bem como aumento de
movimentos cardiovasculares. Quando ocorre um alto grau de excitação, a execução
do indivíduo fica prejudicada. As manifestações cognitivas podem ser a aceleração
do pensamento ou o bloqueio do mesmo, ou seja, a formação de idéias para de
ocorrer e o indivíduo não consegue reagir corretamente frente a situação. As
manifestações emocionais podem ser tensão, nervosismo, culpa, insegurança,
temor, preocupação. Muitas vezes sente-se pânico, insegurança, medo do
desconhecido, sente-se desamparado, começa-se a rir ou a chorar. Não existe
correlação ou sincronia entre esses três tipos de manifestações (Marquez, s/d).
Segundo Balaguer (1994), muitas vezes se produz confusão ao se utilizar o
termo ansiedade tanto para referir-se a sentimentos de tensão e nervosismo que o
indivíduo apresenta ao reagir frente a algumas situações, como para referir-se à
própria reação emocional do indivíduo. Ela traz que a ansiedade pode ser explicada
a partir da teoria clássica da ativação. A ansiedade é considerada simplesmente
como um ponto contínuo a partir da ativação. Sempre que se manifesta a conduta,
o indivíduo está acompanhado de um determinado nível de ativação. Contudo, não
se pode identificar a ativação com a conduta, pois o organismo pode estar ativado
mesmo que não ocorra conducta observável. A ativação reflete o aumento ou dimi-
nuição da excitação, reação ou tendência a responder do Sistema Nervoso Central e
do Sistema Nervoso Vegetativo, possuindo mecanismos fisiológicos.
Conforme a mesma, a ansiedade é uma emoção negativa que varia conforme
sua intensidade. A ausência da ansiedade provocaria a calma, serenidade; sua
moderada elevação apareceria sob forma de sentimentos de tensão, apreensão e
nervosismo e preocupação, seu extremo superior se manifestaria através de
intensos sentimentos de medo, pensamentos catastróficos e comportamentos
desorganizados de pânico.
Guzmán, Asmar e Ferrera (1995) também defendem a idéia de que a
ansiedade deve ser dividida em dois termos: a ansiedade-estado ou pré-competitiva
e a ansiedade-traço. A primeira se caracteriza por sentimentos negativos de tensão
e apreensão, que são percebidos pela consciência e estão associados a ativação do
sistema nervoso autônomo. Estas ocorrem como reações episódicas e a curto prazo,
como um estado emocional imediato. A segunda trata-se de uma predisposição a
perceber as situações como perigosas em potencial, como um sentimento
duradouro, mais estável na vida do sujeito.
Conforme Lieber e Morris apud Moraes (1998) a ansiedade divide-se em dois
componentes: a cognitiva e a somática. A perturbação cognitiva são os
pensamentos e dúvidas a respeito da consecução da vitória. A perturbação somática
se refere à diarréias, aumento de pressão arterial, batimentos cardíacos
aumentados, tensão muscular e palidez facial. Sarason apud Moraes (1998) somou
a estes componentes anteriormente definidos de ansiedade, a autoconfiança.
Definindo-a, como a preocupação com a própria auto-avaliação e a percepção de
resultados negativos que o sujeito apresenta frente a situações de testes e exames.
Quando ansioso, em vez de concentrar-se na tarefa, o indivíduo tende a
sobrecarregar a si mesmo, tende a focar as preocupações e os sintomas físicos da
ansiedade. Pode ter limitação da percepção de focos atencional, ficando confuso
mais facilmente, sendo menos capaz de receber e processar informações
(FRISCHKNECHT, 1990).
Para o mesmo autor, com a ansiedade, o sujeito apresenta maior tendência
para observar e avaliar o nível do comportamento ,e qual o valor real que se possui.
Julga-se a si próprio compara-se com os outros. Este tipo de preocupações auto-
referenciais, impossibilitam a concentração na competição, na tarefa.
Este autor enfatiza que não é o contexto do sujeito que o torna ansioso, mas
sim a forma como o sujeito encara este contexto. A parte principal do controle de
ansiedade consiste na modificação da maneira de pensar do sujeito.
Lindegren (1965) enfatiza que o antídoto para a ansiedade é o significado, o
qual refere-se a percepção de uma relação que faz sentido, pois, para ele, a pessoa
ansiosa não se dá conta de que aquilo que a perturba é essencialmente uma
ausência de significado, ou seja, o que significa isto em relação a mim e aos meus
interesses.
Com referência a ansiedade presente nos grupos, Simon citado por Severo
(1994 ) examinou vários níveis de ansiedade em diferentes tipos de esporte,
categorizando-os ao longo de suas dimensões: individuais, coletivos, de contato e
sem contato. Os resultados desses estudos revelaram que participantes de esportes
individuais possuem maior nível de ansiedade que os de esportes coletivos.
Nenhuma diferença nos níveis de ansiedade entre participantes de esportes de
contato e os de sem contato foi encontrada. Porém, os maiores níveis de ansiedade
foram encontrados num esporte individual e de contato: a luta romana.
Moraes (1990) afirma que existe evidentemente uma relação entre ansiedade
e desempenho, e que esses parecem variar de acordo com vários outros fatores
como tipo de esporte dificuldade da tarefa, traço de personalidade do atleta,
ambiente, torcida. Este autor baseia-se numa concepção multidimensional da
ansiedade de Martens e colegas (1982) a qual afirma que a auto-confiança
correlaciona-se negativamente com a ansiedade cognitiva e somática, entendendo
que toda vez que os escores desses dois componentes da ansiedade aumentam, os
escores daquele terceiro componente: autoconfiança, diminui.
Concordando com as afirmações anteriores, Guzmán, Asmar e Ferreras (1995)
referem que certamente, nas competições desportistas, um alto nível de ansiedade é
fator interveniente no desempenho desportivo. Consideram que a sintomatologia da
ansiedade produz efeitos negativos no rendimento do desportista como a inibição de
suas habilidades motrizes finas, a diminuição da capacidade de tomadas de decisão.
Os sintomas que referem ser causados pela ansiedade são físicos e psicológicos,
sendo os psicológicos divididos em dias anteriores e momentos anteriores à
competição.
- Físicos: aceleração da pulsação por minuto, aumento a pressão sangüínea,
aumento da tensão muscular, dificuldades respiratórias, sudorese, enjôos,
náuseas, boca seca.
- Psicológicos momentos antes da competição: desconfiança, pensamentos
negativos, preocupação, irritabilidade, dificuldades em estabelecer atenção,
aumento de conflitos pessoais, diminuição da capacidade de processar a
informação.
- Psicológicos dias antes da competição: Alterações do pensamento,
diminuição do comportamento de autocontrole, cansaço, insônia, dificuldades de
relaxar, distração, preocupação, irritação.
Martens (1982) considera que existam muitas causas para o aparecimento da
ansiedade antes da competição, mas acredita que elas se reduzam a dois fatores: a
incerteza que os indivíduos possuem acerca do resultado; e a importância que o
resultado representa para os indivíduos.
No esporte a coesão e coordenação do grupo são muito importantes para a
atuação e resultado das equipes. Com o objetivo de buscar a dinâmica dessas
equipes encontram-se diversos autores que falam acerca da coesão grupal.
Cartwright e Zander (1975) trazem que um grupo coeso poderia ser
conceituado como aquele em que seus membros se reúnem a trabalhar por um
objetivo comum, no qual todos aceitam a responsabilidade pelo trabalho coletivo.
Os mesmos autores consideram como possíveis indicativos de coesão o fato de
seus membros poderem suportar dor ou frustração pelo grupo, o fato deles
defenderem o grupo de ataques e críticas externas e o fato dos componentes
aceitarem as mesmas normas de comportamento e de crença.
Estes autores revelaram, mais tarde, que essas considerações eram intuitivas,
e que para definir melhor coesão grupal teriam que levar em conta três aspectos
bem diferentes: a atração do grupo, que inclui resistência para deixá-lo; a motivação
dos membros para participar nas atividades do grupo; a coordenação dos esforços
dos participantes. Percebendo que é impossível construir um conceito que reuna
todos esses aspectos adequadamente, esses autores referem coesão grupal com o
conceito de que ela é determinada pela atração que o grupo exerce sobre seus
componentes, como a resultante das forças de atração e repulsão que membros
exercem uns sobre os outros.
Festinger et al. (1975) definiram a coesão como o campo total de forças que
atuam sobre um mesmo grupo para que permaneçam nele. A respeito deste
conceito Carron, Widmeyer, Brawley (1985), afirmam que um aspecto significante
dele é que ele focaliza no sujeito e nas forças que o atraem, o que o faz
permanecer no grupo. Outro aspecto muito representativo seria a idéia de que
coesão é um resultado de múltiplos fatores.
Tutko e Richards (1984) definem um grupo coeso como um grupo de indivíduos
que pensam, sentem e atuam como uma unidade. Esta unidade proporciona um
grupo autodisciplinado, com um funcionamento autônomo; cada membro se sente
responsável não só por seu comportamento, mas também pelos demais
participantes do grupo.
Para estes mesmos autores, para se desenvolver a coesão, faz-se necessário
considerar as seguintes idéias:
• Proporcionar que os jogadores conheçam as responsabilidades de cada
integrante do grupo.
• Fazer com que os jogadores observem e reconheçam os esforços dos
colegas que desempenham suas funções.
• Desenvolver orgulho entre as sub-unidades e reconhecer-lhes por sua
contribuição especial.
• Permitir que representantes de cada subgrupo se reunam com o treinador
regularmente.
• Proporcionar que os integrantes do grupo sintam parte do mesmo,
percebendo-se escutados pelo grupo e treinador.
• Estabelecer metas para o grupo, promovendo orgulho de todos ao atingirem
as mesmas.
• Permitir que os jogadores reconheçam seu status dentro e fora da equipe,
sempre justificando para eles a devida posição de cada um.
• Reforçar a disciplina.
Segundo Rioux e Chappuis (1979), a equipe como organização coesa, não
ocorre no início da formação do grupo de modo repentino, ela é construída pela
vontade comum de todos. Quando ocorre coesão no grupo, deixa-se pouco espaço
para atuações imprevistas dos componentes; atinge-se uma garantia máxima, na
qual o treinador técnico sabe o que se pode esperar e temer da equipe, bem como
seus conselhos serão entendidos e atendidos facilmente.
Ainda, conforme os autores comentados anteriormente, a coesão é expressa
pela maneira coletiva, unitária e permanente de sentir, de pensar e de querer. Ela
pode ser avaliada pelos critérios de unidade e estabilidade. A unidade são as ações
e reações da equipe que devem aparecer coerentes aos objetivos do grupo. A
estabilidade percebe-se na continuidade da unidade no tempo. A organização de
equipe depende de sua substância: o conjunto de talentos e atitudes; de sua
natureza: o conjunto de motivos que marcam a orientação da atividade coletiva; e
finalmente, de sua estrutura, ou seja do conjunto de disposições interiores que
determinam a forma dos processos de atuação. A coesão não ocorre naturalmente
mas através de um esforço reflexivo do grupo.
Weinberg e Gould (1996) trazem que, entre 1950 e 1970, muitas definições de
coesão de grupo foram propostas. O ponto em comum, em todas elas, era a
definição de duas dimensões básicas que as constituem: a coesão de tarefa e a
coesão social. A coesão de tarefa significa o grau em que os componentes do grupo
trabalham juntos para alcançar os mesmos objetivos. Um dos objetivos mais comuns
nas equipes é a vitória. A coesão social reflete o grau de relacionamento
interpessoal do grupo e do quanto eles desfrutam desse tipo de relacionamento para
suas vidas pessoais. A diferença entre os conceitos de coesão de tarefa e coesão
social é muito importante pois servirá para explicar a maneira como as equipes
agem para superar os conflitos do time.
Carron, Widmeyer e Brawley (p. 245, 1985) descrevem que a coesão é “um
processo dinâmico que está refletido na tendência de um grupo para a confiança e
unidade na busca de suas metas e objetivos.”
Para formular um conceito de coesão Carron, Widmeyer e Brawley (1985)
realizaram um estudo dos conceitos de coesão formulados por outros autores.
Também aplicaram seus estudos, construindo um questionário para medir coesão
grupal, o GEQ (Group Environment Questionaire). Eles experimentaram sua
aplicabilidade, tendo resultados consistentes e de conteúdo válido. Eles consideram
dois problemas que têm sido muito discutidos quando se aborda a coesão de grupo:
a necessidade de distinguir entre o indivíduo e o grupo, e a necessidade de
distinguir entre tarefa e relações sociais dos grupos e seus membros. Eles
afirmaram que Mikalachki, em 1969, foi muito importante ao realizar a distinção entre
coesão de tarefa e coesão grupal; a primeira refere-se a quando o grupo se une em
torno da tarefa para o qual foi organizado; a segundo existe quando o grupo se une
em torno de funções sociais, considerando, ainda, que esses dois componentes
devem ser considerados separadamente com vistas aos seus antecedentes e
resultados. Além disso, o modelo está dividido em duas categorias principais: as
percepções de um membro a respeito do grupo como um todo e as atrações
pessoais de um membro em relação ao grupo. Dessa forma, identifica-se quatro
conceitos: integração grupal-tarefa, integração grupal-social, atração individual pelo
grupo-tarefa, atração individual pelo grupo-social.
Carron, Widmeyer e Brawley (1985) colocam, ainda, que a integração grupal
representa a intimidade, similaridade e união dentro do grupo como um todo. A
atração individual pelo grupo representa as motivações que influenciam o indivíduo a
permanecer no grupo, ou seja, uma mistura de sentimentos individuais dos membros
a respeito do grupo, seu envolvimento com seu papel pessoal e envolvimento com
outros membros do grupo. Os quatro conceitos do modelo estão correlacionados.
Estes autores trazem ainda, que esta conceitualização tem suas limitações e
vantagens. As limitações ocorrem pelo fato de que, apesar de outros aspectos da
coesão terem sido discutidos na literatura, foram considerados somente esses
quatro conceitos, isto é, os que foram tidos como responsáveis pela grande variação
entre os grupos. Outro fato é que as percepções individuais são acessadas muito
mais do que um ponto de vista global do grupo. Ainda, porque são utilizadas
somente as percepções intragrupais, e não as extragrupais. As vantagens ocorrem
por considerarem a coesão como um conceito multifacetado, ou seja mais do que
um fator que liga os membros ao grupo; duas perspectivas principais são
consideradas a respeito da coesão do grupo tarefa e social: o pessoal (o que eu
estou fazendo?) e o grupal (o que o grupo está fazendo ?).
Segundo Carron, Widmeyer e Brawley (1985), muitos resultados equivocados
foram encontrados em função de grandes pesquisas, sobre coesão, serem
produzidas numa ampla variedade de cenários. Esses equívocos relacionam-se a
problemas de avaliação da coesão. Aparentemente, a falta da busca por medir a
coesão, por ponderá-la e por combinar todos os seus fatores, que atraem os
membros a um grupo, levou muitos pesquisadores a considerar um fator, chamado
atração pelos outros membros, como um sinônimo da soma de fatores que atraem
os membros para um grupo. Nestas pesquisas, estes pesquisadores usaram uma
ampla variedade de medições de atração interpessoal, cujos achados não podem
ser comparados. Os mesmos raramente determinaram a integridade psicométrica
das avaliações empregadas. Muito mais do que empregar métodos agrupados para
reparar as medições existentes ou planejar outros novos com problemas antigos, é
necessário ir-se à origem do problema .
Segundo Gill (1986), o conceito clássico de coesão por Festinger et al (1950),
anteriormente citado, é nebuloso, confuso e difícil de ser alcançado. Salienta que a
maioria dos estudiosos da coesão de grupo do esporte, sugerem que a atração de
grupo é uma chave para o aspecto da coesão. Considera que a definição de Carron
é mais precisa e apropriada que a de Festinger et al, pois clarifica a coesão e
fornece uma estrutura para a pesquisa, salientando que, contudo, investigadores
ainda tem um considerável atraso na interpretação da coesão.
Gill (1986) compreende que a relação positiva entre coesão e desempenho
aparece mais freqüentemente em esportes que requerem uma interação e
cooperação extensa entre jogadores, tal como times de basquete, vôlei, futsal, etc.
Porém, em esportes que requerem um desempenho independente e uma menor
interação da equipe, tal como uma equipe de boliche, natação, a coesão pode estar
negativamente (inversamente) relacionada ao desempenho. Embora, haja uma
correlação inversa, não necessariamente a coesão prejudica o desempenho nesses
grupos.
Conforme Gill (1986), a alta coesão social pode prejudicar o desempenho da
equipe, porque os membros do time podem sacrificar seus objetivos individuais para
manter padrões de amizade. Porém, se os indivíduos estiverem comprometidos em
alcançar um bom desempenho, suporte social e o encorajamento individual, que
ocorre no grupo, terão um efeito positivo no desempenho.
Gill (1986) ressalta que não se pode considerar a coesão como fator de
causalidade para o sucesso. Até mesmo porque, as pesquisas em coesão esportiva
apresentam maiores evidências de que o sucesso causa maior coesão, e poucas
indicações de que a coesão causa sucesso. E também porque as pesquisas sobre
coesão esportiva contém muitos defeitos metodológicos, contendo muitos dados
suspeitos. Entretanto, podemos sugerir que a coesão, definida e medida como
atração de grupo, está positivamente relacionada com o sucesso em times que
requerem extensa interação.
Ao escrever sobre as interações dentro da equipe, Cratty (1984) traz que nos
times, os atletas, ao se relacionarem no grupo, reagem de maneiras diferentes uns
aos outros, operando sob determinada tensão. Eles se repelem e se atraem
conforme a possibilidade de suas visões, ambições, opiniões interpessoais se
identificarem ou não. Traz também que por vezes, demasiada cooperação
intergrupal na competição diminui o desempenho do grupo.

Grupinhos amigos (quem gosta de quem) numa equipe são usados


como medida da coesão grupal, baseando-se na crença de que,
quanto mais amizades mútuas tiver um grupo, mais feliz e coeso ele
será. Porém, nem sempre a freqüência de grupos de amigos é sinal de
um desempenho melhor (Cratty, p. 78, 1984).

Para Weinberg e Gould (1996), a relação entre coesão de tarefa e rendimento


é positiva, pois em equipes de basquete da NBA (EUA) o mau relacionamento entre
os membros do grupo não interferiu no empenho dos mesmos nos jogos. Pode-se
supor, a um nível intuitivo, que quanto maior é o nível de coesão grupal, maior é seu
êxito. Contudo a relação coesão/rendimento não é tão óbvia.
Em um estudo de Carron e Prapavessis (1996), no qual os autores verificaram o
efeito da coesão na ansiedade pré-competitiva, encontrou-se que a coesão estava
relacionada às respostas de ansiedade pré-competitiva (p<004). Especificamente,
atletas com percepções mais altas de coesão de tarefa, tiveram o fator cognitivo de
ansiedade pré-competitiva mais baixa. Sendo que nenhuma relação foi encontrada
entre coesão social e a ansiedade estado competitiva.
Em seus estudos, estes autores afirmam que a ansiedade é influenciada
também pela traço de confiança competitivo, orientação de objetivo, traço de
autodesvantagem, prontidão observada e outros fatores, nível individual de
habilidade, gênero e experiência prévia. Da mesma forma que temos que valorizar
os fatores circunstanciais que influenciam a ansiedade pré-competitiva. São eles,
duração da competição, fracassos e sucessos prévios, tipo de esporte, importância
da competição esportiva, etc.
Carron e Prapavesis (1996), salientam que alguns benefícios psicológicos na
qualidade de ser membro de grupos coesos incluem o aumento da auto-estima e o
decréscimo da ansiedade, observações de aumento de aceitação e suporte de
membros de outros grupos, aumento de confiança na capacidade de grupo para
combater o impacto negativo de eventos destrutivos. Também membros de grupo
coeso prontamente repartem a responsabilidade por fracassos.
Considera-se aqui importante trazer outro estudo de Carron e Hausenblas
(1996), o qual buscou a relação entre coesão de grupo e deficiências do self (self-
handicapping). Dentre os diferentes conceitos de deficiências do self que os autores
descrevem encontra-se a ansiedade como elemento participativo e identificador do
mesmo. Neste estudo eles encontram uma relação entre coesão e deficiências do
self, na qual quanto maior a percepção de coesão grupal tiver o atleta, menor será a
taxa de deficiências do self utilizadas ou a utilizar pelo atleta.

Hipóteses
H0: Não existe relação entre a coesão grupal, ansiedade pré-competitiva e o
resultado dos jogos.
H1: Quando o grau de coesão de tarefa do grupo é alto, é baixa a ansiedade pré-
competitiva dos jogadores e resultado do jogo é positivo para a equipe.
H2: Quando o grau de coesão social dos jogadores é alto, a ansiedade pré-
competitiva dos jogadores é baixa e o resultado do jogo é positivo.

METODOLOGIA

Sujeitos
A amostra foi composta por 113 jogadores de futebol de salão pertencentes à
duas categorias diferentes: 62 pertenciam à categoria juvenil e 52 pertenciam à
adulto. Os dados foram coletados em 10 times pertencentes a sete clubes ou
equipes. Cinco times pertenciam à categoria juvenil e cinco à categoria adulto. Os
nomes das equipes ou dos clubes, com o objetivo de manter sigilo, foram trocados
por siglas.

Instrumentos
CSAI-2 (Competitive State Anxiety Inventory–2) de Martens (1990), que
serviram para medir o grau de ansiedade pré-competitiva dos jogadores. Ele é
constituído de vinte e sete itens, no qual cada conjunto de nove itens está
relacionado a um tipo de ansiedade: somática, cognitiva e de autoconfiança. Sendo
que os itens são medidos numa escala tipo Likert, limitada pelos extremos nada (1) e
completamente (4).
GEQ, (Group Environment Questionaire) de Carron, Widmeyer e Brawley
(1985). Ele possui dezoito itens. Sendo que os itens são medidos numa escala Do
tipo Likert, limitada pelos extremos descordo fortemente (1) e concordo fortemente
(5). Este instrumento acessa quatro manifestações de coesão: (a) Atração individual
pelo grupo – tarefa (ATG-T), (b) Atração Individual pelo Grupo – Social (ATG –S),
(C) Integração Grupo – Tarefa ( GI-T), e Integração grupo-Social (GI-S). O GI-T
(cinco itens: 10,12,14,16 e 18) e o GI-S (quatro itens: 11, 13 15 e 17) avaliam a
magnitude das percepções de um indivíduo no que se refere ao comprometimento
do grupo pela tarefa e ao comprometimento como unidade social. O ATG-T (quatro
itens: 2, 4, 6 e 8) e o ATG-S (cinco itens: 1, 3, 5, 7 e 9) avaliam as percepções
individuais de cada membro referentes ao envolvimento de cada um com a tarefa e
com o colegas (social) bem como seus objetivos dentro do grupo.
Foram observados e anotados todos os resultados dos jogos de acordo com o
sucesso ou fracasso (variável categórica).

Coleta de Dados:
A coleta foi realizada durante dois campeonatos de Futsal que ocorreu nesta
capital e arredores. Ela ocorreu dentro de ginásios desportivos, em dias e horas
combinadas previamente aos jogos com as equipes e suas direções, durante os três
primeiros meses deste último semestre do ano corrente. Os dois instrumentos
(CSAI-2, GEQ) foram aplicados sempre uma hora e meia antes do início das
partidas, quando os jogadores já se encontravam no local, de modo a não
interromper seus preparativos para o jogo.

Análise de Dados
Os dados coletados foram analisados através do pacote estatístico SPSS
(Statistical Package of Social Sciences for Windows). Foi utilizado a técnica
estatística Coeficiente de Correlação de Pearson para verificar a relação entre os
fatores da coesão e da ansiedade pré-competitiva. A análise de variância foi usada
para comparar os grupos de vencedores e perdedores com relação a ansiedade pré-
competitiva e a coesão grupal. Por fim, foi usada a análise de regressão múltipla
com o objetivo de identificar os melhores preditores da variável resultado do jogo.

RESULTADOS
A análise de Variância para o fator resultado (vitória ou derrota) e variável
dependente coesão grupal apresentou os seguintes resultados:
Considerando as médias de coesão geral, não foram encontradas diferenças
estatísticas significativas entre os que venceram e os que perderam (p = 0,211)
e F(1, 112) = 1583.
Considerando as médias da subescala Integração Grupo Social de coesão
grupal, não houve diferenças estatísticas significativas (p = 0,920) e F(1, 112) =
0,010 entre os que venceram e os que perderam.
Considerando as médias da subescala Integração Grupo Tarefa de coesão
grupal, não foram apuradas diferenças estatísticas significativas (p = 0,450) entre os
que obtiveram derrota e os que alcançaram a vitória F(1, 112) = 0,574.
Considerando as médias da subescala Atração Grupo Social de coesão
grupal, também não houve diferenças estatísticas significativas apuradas (p =
0,884) entre os diferentes resultados F(1, 112) = 0,021.
Considerando as médias da subescala Atração Grupo Tarefa de coesão
grupal, foram apuradas diferenças estatísticas significativas (p = 0,019) entre os
resultados F(1, 112) = 5705. Aqueles que venceram (m = 3,80) apresentaram
média estatística significativamente maior dos que perderam (m = 3,39).
A análise de Variância para o fator resultado (vitória ou derrota) e variável
dependente ansiedade pré-competitiva apresentou os seguintes resultados:
Considerando as médias de ansiedade geral, foram apuradas diferenças
estatísticas significativas entre os que venceram e os que perderam (p = 0,013) e
F(1, 112) = 6367. Aqueles que venceram (m = 1,56) apresentaram menor média
dos que perderam o jogo ( m = 1,70).
Considerando as médias da fator autoconfiança de ansiedade pré-competitiva,
não houve diferenças estatísticas significativas (p = 0,207) e F(1, 112) =
1609 entre os que venceram e os que perderam.
Considerando as médias do fator ansiedade cognitiva, não foram apuradas
diferenças estatísticas significativas (p = 0,130) entre os que obtiveram derrota e os
que alcançaram a vitória F(1, 112) = 2331.
Considerando as médias do fator ansiedade somática, houve diferença
estatística significativa (p = 0,001) entre os resultados F(1, 112) = 11103. Os que
ganharam (m = 1,51) apresentaram média estatística significativamente menor dos
que perderam (m = 1,72).
Correlação de Pearson foi conduzida para investigar a relação entre as
variáveis de coesão e as variáveis de ansiedade. Os resultados foram significativos (
p = 0,006) e (r = -0,25) para as variáveis ansiedade cognitiva e integração grupo
tarefa, apresentando uma correlação estatística significativamente inversa, ou seja,
quando uma aumentou a outra diminuiu. O mesmo ocorreu entre ansiedade
cognitiva e atração grupo tarefa, no qual (p = 0,007 e r = -0,25); ansiedade cognitiva
e atração grupo social, em que (p = 0,002 e r = -0,21); e autoconfiança e integração
grupo tarefa, no qual (p = 0,02 e r = -0,20) .
A análise de regressão múltipla foi aplicada, com o objetivo de identificar os
melhores preditores da variável resultado do jogo.

Tabela n° 1 – Análise de Regressão Múltipla – variável dependente resultado do jogo


Modelo R R² β F p
1 Ansiedade somática 0,30 0,082 0,30 (1, 112) =11.103 0,001
2 Ansiedade somática 0,36 0,118 0,29 (1, 112) = 8.570 0,000
Atração grupo tarefa. 0,20
Fonte : Própria

O melhor preditor para a variável resultado foi a variável ansiedade somática


explicando 8% de variância compartilhada. O segundo melhor modelo foi explicado
com a inclusão da variável atração grupo tarefa que contribuiu com mais 4% de
variância explicado, elevando para 12% o total de variância explicada.

DISCUSSÃO
Dirigindo-se a atenção a relação coesão-desempenho, lembra-se que para
Weinberg e Gould (1996), a relação coesão social/rendimento não é
necessariamente positiva. O mau relacionamento entre os membros do grupo pode
não interferir no empenho dos mesmos nos jogos. Estas considerações estão num
mesmo sentido dos resultados aqui obtidos. Pois não houveram diferenças
estatísticas significativas entre as médias dos dois fatores representativos de
coesão social: Integração Grupo Social e de Atração Grupo Social, comparando-se
com a vitória e derrota das equipes nos jogos. Portanto a relação coesão social e
desempenho não se apresentou significativa.
Estes resultados podem confirmar o que traz Cratty (1984) : “... nem sempre a
freqüência de grupos de amigos é sinal de um desempenho melhor” (Cratty, p. 78,
1984).
Os resultados também podem ser entendidos conforme Gill (1986), ao afirmar
que a alta coesão social (conceito de Carron, 1985) pode prejudicar o desempenho
da equipe, porque os membros do time podem sacrificar seus objetivos individuais
para manter padrões de amizade. Porém, se os indivíduos estiverem comprometidos
em alcançar um bom desempenho, suporte social e o encorajamento individual, que
ocorre no grupo, terão um efeito positivo no desempenho. A partir disso, podemos
associar que se encontrarmos uma equipe apresentando alto índice de coesão em
torno da tarefa, o aparecimento de um alto índice de coesão social poderá ter um
efeito positivo sobre o desempenho.
Quanto à coesão em torno da tarefa, surgiu diferença estatística significativa.
Aqueles que venceram apresentaram média estatística significativamente maior para
atração grupo tarefa dos que perderam. Este resultado insinua que há uma relação
entre coesão de tarefa e desempenho, pois a maior média de Atração Grupo Tarefa
relacionou-se ao resultado vitória. Considerando que o fator Atração Grupo Tarefa
significa a atração do grupo em torno da tarefa e que Futsal é um esporte que requer
extensa interação dos jogadores, afirma-se que este dado confirma a consideração
de Gill (1986), de que podemos sugerir que a coesão, definida e medida como
atração de grupo, está positivamente relacionada com o sucesso em times que
requerem extensa interação.
Este resultado também valoriza o fato de que, ao longo da história da
psicologia desportiva, diferentes autores, se preocupavam somente com o fator
atração de grupo ao conceituarem coesão de grupo no esporte: Cartwright e Zander
(1975), Festinguer et al (1950), entre outros. Podemos compreender o que traz Gill
(1986), acerca disto, salientando que a maioria dos estudiosos sugerem que a
atração de grupo é uma chave para o conceito de coesão e que muitos ainda tem
um considerável atraso na interpretação da coesão.
Remetendo-se às médias de coesão geral, não foram encontradas diferenças
estatísticas significativas entre os que venceram e os que perderam. Com isso
lembra-se das afirmações de Weinberg e Gould (1996), nas quais alegam que
pode-se supor, a um nível intuitivo, que quanto maior é o nível de coesão grupal,
maior é seu êxito. Contudo a relação coesão/rendimento não é tão óbvia. Apesar do
fator atração grupo tarefa da coesão apresentar relação com o desempenho, não
necessariamente pode-se concluir ou afirmar que a coesão apresenta relação com o
desempenho do grupo. Isso reafirma o entendimento que a coesão de grupo não se
resume a atração de grupo.
Uma Correlação de Pearson foi conduzida a determinar se existiu uma relação
entre as variáveis de coesão e as variáveis de ansiedade. Os resultados foram
significativos, apresentando uma correlação estatística significativamente inversa,
ou seja, quando uma aumentou a outra diminuiu para as seguintes variáveis.
• ansiedade cognitiva e integração grupo tarefa;
• ansiedade cognitiva e atração grupo tarefa;
• ansiedade cognitiva e atração grupo social;
• autoconfiança e integração grupo tarefa.
Desta forma, encontramos que quando a ansiedade cognitiva aumenta os
fatores integração grupo tarefa e atração grupo tarefa da coesão diminuem e vice-
versa. O que vai ao encontro do estudo de Carron e Prapavessis (1996), no qual os
autores verificaram que a coesão estava relacionada às respostas de ansiedade pré-
competitiva. Especificamente, atletas com percepções mais altas de coesão de
tarefa, tiveram o fator cognitivo de ansiedade pré-competitiva mais baixa.
Conforme os conceitos de Carron, Widmeyer e Brawley (1985) de coesão e
segundo as considerações de Balaguer (1994), podemos entender que estes
sujeitos, a medida que estiveram mais apreensivos, nervosos e preocupados,
sentindo tensão, medo, apresentando pensamentos catastróficos e comportamentos
desorganizados, obtiveram sua aproximação ao grupo, sua intimidade com os
colegas, sua atração pelos mesmos em torno dos objetivos da tarefa, diminuídos.
Conforme Balaguer (1994) a ansiedade-estado manifesta-se frente a uma
situação que é percebida pelo sujeito como extremamente ameaçadora. O que
explica os índices encontrados aqui de ansiedade. Seguindo, ela afirma que a
intensidade da ansiedade será proporcional a quantidade de ameaça que sofre o
sujeito, que ela se manterá até que a situação ameaçadora seja enfrentada ou
alterada por algum determinante externo ou interno ao sujeito. Ao colocarmos no
lugar deste determinante externo, o colega de grupo de um sujeito, nos
direcionaremos para a idéia de que relação intergrupal destes em torno da tarefa
faz-se importante na ajuda do controle da ansiedade realizada por este sujeito.
Carron e Prapavessis (1996) não encontraram nenhuma relação entre coesão
social e a ansiedade estado competitiva. Porém quanto a isso, os resultados desta
pesquisa apresentaram discordância, pois encontrou-se que quando a ansiedade
cognitiva aumentou, a atração grupo social diminuiu e vice-versa, o que sugeriu a
existência de uma relação inversa entre estas duas variáveis.
Referente à relação inversa de autoconfiança e integração grupo tarefa.
Poderíamos associar que a medida que a autoconfiança, ou seja, que as
percepções negativas do indivíduo ante jogo, a preocupação desse com a própria
avaliação, definida por Sarason (apud Moraes, 1998), aumentassem, a integração
deste sujeito no grupo em busca de resultados diminuiria. Porém, nenhuma revisão
teórica foi encontrada neste trabalho, que confirmasse ou não este resultado.
Quanto a comparação entre os resultados vitória/derrota e a variável
Ansiedade Pré-competitiva, a análise de variância apresentou que aqueles que
venceram, apresentaram menor média de ansiedade geral dos que perderam o
jogo. Podemos entender isso de acordo com Frischknecht (1990), que explica que
com a ansiedade, o sujeito apresenta maior tendência para observar e avaliar o nível
do comportamento, e qual o valor real que se possui. Julga-se a si próprio compara-
se com os outros. Este tipo de preocupações auto-referenciais, impossibilitam a
concentração na competição, na tarefa.
Ainda em relação a isso, Harris e Harris (1987), expressam que quanto mais o
indivíduo preocupa-se, mais ele sente ansiedade e maior alteração sofre em suas
atuações, ou seja, perde o controle mais facilmente. Isto dependerá do sujeito
conseguir ler suas reações frente a ansiedade, poder interpretá-las de forma que
evite sua disfunção. A ansiedade se manifestará de forma física/somática e/ou
cognitiva/ mental. Marquez (s/d) refere, também, que com alto grau de excitação, a
execução do indivíduo fica prejudicada.
Enfim, esse resultado reafirma a certeza de Guzmán, Asmar e Ferrera (1995) a
respeito desta relação ansiedade/desempenho. Consideram que alto nível de
ansiedade é fator interveniente no desempenho desportivo.
O melhor preditor para a variável resultado foi a variável ansiedade somática
explicando 8% de variância compartilhada. O segundo melhor modelo foi explicado
com a inclusão da variável atração grupo tarefa que contribuiu com mais 4% de
variância explicado, elevando para 12% o total de variância explicada.
Este resultado sugere que para prevermos um bom desempenho da equipe,
podemos contar, em oito porcento, com o cuidado à ansiedade somática dos
jogadores, realizando técnicas de relaxamento entre outros, e em mais quatro
porcento se atentarmos à coesão de tarefa da equipe realizando grupos de reflexão,
etc. Este nos remete ao trabalho que o psicólogo deve realizar de forma mais
evidente.
Não se encontrou nenhuma revisão teórica mais específica a esse respeito.
Contudo, encontrou-se que Gerson e Deshaires (1978) puderam predizer o
desempenho de mulheres no softball com as medidas de avaliação de ansiedade
estado de Martens, mostrando os esperados aumentos na tensão, quando elas
passavam dos treinos para situações competitivas.
As pesquisas entre os fatores da ansiedade e os fatores da coesão precisa ser
realizada ainda com freqüência e rigor teórico para que se possa encontrar algum
desses fatores como preditor de resultado.

CONCLUSÃO
Considerando o problema deste estudo e as hipóteses com ele definidas, pode-
se concluir que a H1, de que quanto maior o nível de coesão de tarefa do grupo,
menor seria o grau de ansiedade pré-competitiva, foi confirmada. E a H2, de que
quanto maior o nível de coesão social da equipe, menor seria a ansiedade do
mesmo, foi rejeitada.
A partir dos resultados e discussão, bem como, dos objetivos formulados para
este estudo, pode-se chegar às seguintes conclusões:
Entendeu-se que, para realizar um bom trabalho psicológico com equipes
desportivas deve-se atentar para os índices de ansiedade pré-competitiva e índices
de coesão, focalizando a percepção para manifestações somáticas, cognitivas e de
autoconfiança dos jogadores; da mesma forma que para os níveis de atração e
integração do grupo dirigida à tarefa e dirigida às relações sociais do mesmo.
Frischknecht (1990), enfatiza que a parte principal do controle de ansiedade
consiste na modificação da maneira de pensar do sujeito. E que isto está
relacionado com ansiedade cognitiva do sujeito.
Por outro lado, um psicólogo, inicialmente, pode pensar que ao aumentar a
coesão de tarefa e social de grupo, estará certamente facilitando e promovendo a
conquista do sucesso dessa equipe. Entretanto, também concluiu-se que promover a
coesão social do grupo de jogadores é uma tarefa que tem seu limite.

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