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Movimento da Escola Moderna

Índice
Introdução............................................................................................2
Objectivos Pedagógicos.......................................................................6
A escola e o MEM.................................................................................8
As funções da escola.........................................................................9
Técnicas e Instrumentos Pedagógicos...............................................11
O Conselho Cooperação Educativa é uma das características do MEM
que é transversal a todos os níveis de escolaridade, caracteriza-se como o
momento onde se analisam e discutem os assuntos registados no Diário da
Turma, onde se avalia PIT, se explicitam critérios de avaliação e se vão
clarificando as diferentes modalidades de trabalho, permitindo, assim,
ajustar as regras e projectos, previamente definidos, às necessidades que
vão surgindo. ...............................................................................................14
.......................................................................................................... 14
Introdução à Escrita...........................................................................15
O papel do adulto ...........................................................................16
Trabalho de equipa............................................................................17
Trabalho com a comunidade...........................................................18
Conclusão...........................................................................................19
De uma forma geral, o Movimento da Escola Moderna é um modelo
pedagógico que assenta numa prática democrática da gestão das
actividades, dos materiais, do tempo e do espaço e pretende, através da
acção dos educadores que dele fazem parte, proporcionar uma vivência
democrática e um desenvolvimento pessoal e social das crianças,
garantindo a sua participação na gestão da vida da sala e da escola..........19
As atitudes, os valores e as competências, sociais e éticas, que a
democracia integra, constrõem-se, enquanto alunos e professores, em
cooperação, vão experienciando e desenvolvendo a própria democracia na
escola...........................................................................................................19
O MEM opera uma pedagogia de cooperação educativa, onde alunos e
professores negoceiam actividades e projectos a desenvolver em torno dos
conteúdos programados, tendo por base os interesses e saberes dos
estudantes e o contexto cultural das comunidades. Podemos considerar que
um dos pontos importantes deste modelo pedagógico é a aprendizagem
curricular que decorre, essencialmente, através de projectos. Desenvolvem-
se valores morais e cívicos, a capacidade de iniciativa, a co-
responsabilização dos alunos pela sua aprendizagem e a aprendizagem da
democracia...................................................................................................19
Este modelo valoriza a formação contínua dos professores, que se
processa através de um modelo de autoformação cooperante. Esta

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formação organiza-se a partir de grupos de trabalho cooperativo, onde há


espaço para partilhar experiências e instrumentos de trabalho e, o mais
importante, reflecte-se sobre as práticas aplicadas.....................................19
Enquanto grupo, considerámos todo o processo de construção do
trabalho bastante enriquecedor, pois poderá ser-nos útil no nosso futuro
profissional. Para o elaborarmos foi necessário mobilizar conhecimentos
adquiridos em sala de aula, pesquisar em livros e artigos publicados sobre
este modelo. A nossa inexperiência em contexto prático dificultou,
inicialmente, a total compreensão de alguns aspectos, nomeadamente da
forma como ocorre a aplicação prática de alguns princípios........................20
Bibliografia.........................................................................................21
ANEXOS..............................................................................................22

Introdução

No âmbito da unidade curricular de Teoria e Gestão do Currículo foi-


nos proposto a elaboração de um trabalho sobre um dos três Modelos
Curriculares em Educação, para o qual o nosso grupo elegeu o Movimento
da Escola Moderna.

Com este trabalho esperamos adquirir novos saberes e também


consolidar os que aprendemos nas aulas. A possibilidade de discutirmos as
opiniões de cada membro do grupo irá enriquecer o trabalho, será valioso
também a nível pessoal, no sentido em que valorizamos o trabalho e
esforço conjunto, e a nível profissional, no sentido em que conheceremos

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melhor um dos instrumentos de trabalho disponível para uma melhor


execução da nossa futura profissão.

Ao optarmos por trabalhar o modelo Movimento da Escola Moderna,


iremos abordar a origem e fundamentos deste modelo, bem como
procuraremos centrar-nos em cinco aspectos fundamentais, são eles: as
funções da escola, o trabalho de equipa, o trabalho com as famílias, o
trabalho com a comunidade, e, por fim, o papel do adulto.

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Movimento da Escola Moderna:

Origem e influências teóricas

Nos anos 20, surgiu, em França, um novo Modelo Curricular,


impulsionado por Célestin Freinet, o qual designaram de Movimento da
Escola Moderna.

O português Viana de Lemos foi professor na Escola do Magistério


Primário de Coimbra e, na década de 20, trocou correspondência com
Célestin Freinet, e assim introduziu no país algumas das chamadas
Técnicas Freinet. Este pedagogo foi um dos grandes animadores
pedagógicos da 1ª República, sabendo criar à sua volta um vasto circuito de
comunicações, que tornou possível a divulgação das práticas mais
inovadoras da sua época.

O Movimento da Escola Moderna foi introduzido em Portugal,


abrangendo todos os níveis da educação, por António Sérgio Niza, em 1963,
mas só em 1966 se deu a associação à Federação Internacional dos
Movimentos da Escola Moderna. Foi formalizado juridicamente em 1976
(Diário da República 26/11/1976).

“A partir da sua constituição, o trabalho teórico e prático


desenvolvido em Portugal foi operando a deslocação do modelo e uma
“Pedagogia Freinet” para um modelo contextualizado teoricamente pela
reflexão dos professores...” (FORMOSINHO et al, 1998, p.125).

Decorreu da fusão de três práticas pedagógicas convergentes: a


integração educativa, a prática de integração de crianças deficientes visuais
do Centro Hellen Keller e de Curso de Aperfeiçoamento Profissional,
organizado por Rui Grácio e com o apoio do Sindicato Nacional de
Professores, entre 1963 e 1966.

Célestin Freinet idealiza este modelo pela concepção empírica da


aprendizagem, conseguida pelas tentativas e erros. Para ele, a educação
deveria proporcionar ao aluno a realização de um trabalho real. As suas
propostas de ensino estão baseadas em investigações a respeito da maneira
de pensar da criança e de como ela constrói o seu conhecimento.

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Vigotsky e Bruner também exercem uma forte influência na


construção deste modelo curricular, pois através da perspectiva socio-
construtivista da aprendizagem, defendem que esta é feita através de
interacções socioculturais, enriquecidas por adultos e pares.

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Objectivos Pedagógicos

O MEM é um modelo pedagógico que assenta numa prática


democrática de gestão das actividades, dos materiais, do tempo e do
espaço. Os seus princípios reguladores são aplicáveis a diferentes graus de
escolaridade, iniciando-se na educação pré-escolar. São eles:

• Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança, com base


em experiências de vida democrática, numa perspectiva de educação
para a cidadania;

• Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no


respeito pela pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva
consciência como membro da sociedade;

• Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e


para sucesso da aprendizagem;

• Estimular o desenvolvimento global da criança no respeito pelas suas


características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam
aprendizagens significativas e diferenciadas;

• Desenvolver a expressão e a comunicação através de linguagens


múltiplas como meios de relação, de informação, de sensibilidade
estética e de compreensão do mundo;

• Despertar a curiosidade e o pensamento crítico;

• Proporcionar à criança ocasiões de bem-estar e de segurança,


nomeadamente no âmbito da saúde individual e colectiva;

• Proceder à despistagem de inadaptações, deficiências de precocidade


e promover a melhor orientação e encaminhamento da criança;

• Incentivar a participação das famílias no processo educativo e


estabelecer relações de efectiva colaboração com a comunidade.

A gestão deste modelo curricular é apoiada por instrumentos de


pilotagem, registo e avaliação, tais como: mapa de presenças, mapa de

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actividades, mapa de tarefas, comunicações, plano semanal, lista de


projectos e o diário de parede.

Do currículo semanal faz, ainda, parte meio dia, por semana,


destinado a visitas de estudo ou outro tipo de contactos com a comunidade
envolvente.

O MEM pretende, através da acção dos educadores que dele fazem


parte, proporcionar uma vivência democrática e um desenvolvimento
pessoal e social das crianças, partindo da ideia de que são os próprios
educandos que têm a responsabilidade da construção do seu saber,
baseado na consciencialização e responsabilização social, ou seja é uma
pedagogia de ensino - aprendizagem totalmente voltada para a cooperação.

Segundo Niza (1996 cit. In Mesquita-Pires, 2007: 64), o MEM sugere


uma “…perspectiva de desenvolvimento das aprendizagens, através de uma
interacção sócio centrada, radicada ma herança sócio-cultural a redescobrir
com o apoio dos pares e dos adultos”.

Em 1974, deu-se início às publicações da revista Escola Moderna,


apresentando alguns números anuais, e que tinha como principal objectivo
o meio de comunicação e instrumento de intercâmbio de experiências entre
os sócios que apoiavam o MEM.

Foi através de encontros nacionais propostos pelos sócios do MEM,


onde era transmitido a todos os participantes as suas experiências vividas
em Contexto Educativo, e após várias reflexões, criaram linhas de actuação
do movimento.

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A escola e o MEM

Este modelo possui características que lhe conferem autenticidade, no


que diz respeito à aplicação do MEM no pré-escolar, como por exemplo, a
constituição de grupos heterogéneos, no que diz respeito às idades e à
origem sociocultural das crianças:

“(…)integrando de preferência as várias idades [é feita] para que se


possa assegurar a heterogeneidade geracional e cultural que melhor
garanta o respeito pelas diferenças individuais no exercício da interajuda e
colaboração formativa que pressupões este projecto de enriquecimento
cognitivo e sociocultural.” (Niza, 1998)

Outra das suas características principais relaciona-se com a


organização do espaço. Este integra seis áreas básicas de actividade, que
deverão estar distribuídas em redor de uma área central polivalente.
Segundo Grave-Resendes (citada por Niza), essas seis áreas são: a
biblioteca e documentação, a oficina da escrita e reprodução, o expaço de
laboratório e experiencias, o espaço de carpintaria, o espaço de actividades
plásticas e expressão artística e um espaço de jogos, brinquedos e “faz-de-
conta”.

No pré-escolar a organização do espaço e do tempo tem como


objectivo promover nas crianças a autonomia, a expressão livre, possibilitar
as experiências e intervenções no meio.

A escolha e realização das actividades por parte das crianças


pressupõem um compromisso e uma responsabilização por parte das
mesmas. Os materiais encontram-se ao seu alcance e disposição, para que
possam estar nas zonas de trabalho sozinhas, em pares ou em pequeno
grupo. Todo o espaço da sala é enriquecido com as produções das crianças
que retratam e dão sentido à vida do grupo.

De acordo com esta mesma autora, o dia decorre orientado por uma
rotina de nove momentos distintos:

• Acolhimento;

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• Planificação

• Actividades e projectos;

• Refeição da manhã;

• Comunicações;

• Almoço;

• Actividades de recreio;

• Tempo para actividades colectivas (contar histórias, balanço de


visitas de estudo, sempre com a iniciativa da criança. À sexta-
feira decorre o conselho – momento de regulação da semana e
primeiros planos para semana seguinte);

• Avaliação.

A planificação e a avaliação assumem um carácter diário, semanal e


periódico, estando a avaliação integrada directamente no processo de
desenvolvimento educativo, atribuindo-se, assim, um maior destaque “à
função de regulação formativa, muito embora a cooperação em que
radicam as práticas educativas possa assumir a dimensão de controlo dado
que implicam paritariamente as crianças nesses juízos de valor em
conselhos de balanço.”(Niza, 1998).

As funções da escola

“A actividade escolar, enquanto contrato social e educativo,


explicitar-se-á através da negociação progressiva dos processos de trabalho
que fazem evoluir a experiência pessoal para o conhecimento dos métodos
e dos conteúdos científicos e artísticos”(Niza, 1992).

A escola tem como papel principal o acto de integrar na vida das


crianças, as vivências do meio social onde a escola está inserida. A
execução de actividades conjuntas com as crianças e a comunidade, faz

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com que a escola seja um ponto de ligação entre a criança e a sociedade


que a envolve.

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Técnicas e Instrumentos Pedagógicos

“Todos estes instrumentos são facilitadores da organização


democrática e ajudam as crianças a integrar as suas próprias experiências
no grupo” (Folque, 1999)

Para que as tarefas pedagógicas se desenvolvam, tem de se recorrer


a técnicas específicas, que visam a obtenção de resultados relacionados
com os princípios gerais do MEM.

As técnicas utilizadas são: actividades de organização das aulas,


Conselho de Cooperação Educativa, Texto Livre, Iniciação à Leitura e à
Escrita, Iniciação à Investigação, Trabalho de Projecto, etc.

Em termos de materiais pedagógicos, distinguem-se duas dimensões:


os materiais utilizados como fontes de informação e os elementos que
apoiam a organização das actividades pedagógicas.

Os materiais utilizados como fontes de informação visam a


aprendizagem de conteúdos programáticos, incluem a produção e circulação
da informação, como as fichas, manuais, trabalhos dos alunos, livros,
computador, entre outros.

Os elementos de apoio à organização das actividades pedagógicas


funcionam como informantes no processo de avaliação. São denominados
de instrumentos de pilotagem, dado que permitem acompanhar, avaliar,
orientar e reorientar o processo de aprendizagem do grupo e de cada um
dos alunos. Estes instrumentos são:

- Mapa de presenças – quadro com duas entradas com os dias da


semana/mês na fila do topo e os nomes das crianças na coluna do lado
esquerdo. Todas as manhãs quando as crianças chegam à sala, marcam a
sua presença no mapa.

- Mapa actividades – tabela de duas entradas com o nome de todas as


crianças na coluna do lado esquerdo e as actividades ou áreas de trabalho

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na horizontal. Cada criança faz um círculo nas actividades planeadas e


depois de terem terminado regressam para o preencher.

- Mapa de projectos – quadro onde se regista o nome do projecto, a data


do seu início e da sua provável conclusão e os nomes das crianças
envolvidas.

- Mapa tarefas - utilizado pelas crianças, de forma a implementar a


responsabilidade, onde semanalmente e rotativamente, as crianças têm de
executar tarefas, como arrumar as ferramentas, preparar as refeições,
limpar as mesas, regar as plantas ou alimentar os animais.

- Diário de turma – composto por quatro colunas: “Não gostámos”,


“Gostámos”, “Fizemos” e “Queremos”. As primeiras três colunas permitem
ao grupo fazer uma avaliação socio-moral da semana e a quarta uma
participação no planeamento organizacional e pedagógico. No diário
registam-se as ocorrências, negativas e positivas, do grupo. No final da
semana o diário é partilhado através da leitura, faz-se uma reflexão em
grupo e, a partir desta, constroem-se, por exemplo, as regras de
convivência.

“O diário é um instrumento mediador e operador da regulação social


do grupo e do processo de negociação permanente e interactiva que uma
educação cooperada e democrática pressupõe.” (Niza)

É no diário de turma que entra o Conselho de Cooperação Educativa,


de modo a trabalhar a formação cívica. Existe uma reunião quinzenal
dirigida por um presidente e secretário, em regime de rotatividade.

No dia-a-dia da sala, existem momentos de reunião entre os adultos


e as crianças, onde se planeia e planifica o trabalho a ser realizado, onde se
dá a partilha saberes, onde ocorre a avaliação de trabalhos, tarefas e
atitudes, comunicando e partilhando, assim, as descobertas e
aprendizagens.

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Todos estes instrumentos contêm potencialidades pedagógicas que


contribuem para a aprendizagem dos alunos, especialmente no que se
refere a atitudes e comportamentos.

No primeiro ciclo apresenta-se aos alunos os programas das


diferentes áreas curriculares no inicio do ano, com o objectivo de “partilhar
com alunos as competências e as aprendizagens de forma a envolvê-los no
processo desde o primeiro momento” (Santana, 1999)

As auto e hetero avaliações periódicas dos programas e dos conceitos


abordados permitem que os alunos se consciencializem do que já dominam
e do que ainda tem de aprender, pela análise dos conteúdos menos
abordados, permitindo assim criar novo plano de conteúdos a trabalhar.

Os instrumentos de pilotagem para o 1º ciclo são:

• PIT (plano individual de trabalho) – é um registo do projecto individual de


trabalho para a semana que permite gerir o trabalho individual e a
regulação cooperada das aprendizagens ao longo da semana;

• Registo de ficheiros;

• Registo da produção de textos (método de avaliação pontual);

• Registo de leituras (avaliação mensal);

• Diário da turma.

Em relação ao 2º Ciclo, o MEM é desenvolvido nas aulas tendo como


objectivo principal o cumprimento do programa referente a cada disciplina,
que é facultado aos alunos.

Neste âmbito, o professor tem o papel de esclarecer o que é que os


alunos podem explorar e o modo como devem de realizar os trabalhos,
referentes aos temas e sub - temas que constam no programa.

Mais uma vez, para poder escolher os temas que querem abordar no
1º, 2º e 3º período, os alunos reúnem-se com o professor, de modo a que,
democraticamente, estes possam discutir sobre os diversos temas e chegar

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a um consenso geral. Os temas seleccionados para trabalhar em projectos


são divididos por, num máximo, de 3 grupos.

No 2º Ciclo, os alunos utilizam o programa da disciplina com


regularidade, uma vez que este é serve de fio condutor aos temas
abordados em aula. Concluído um tema, os alunos assinalam o que
aprenderam ou o que ainda têm dúvidas.

Os instrumentos de pilotagem para o 2º Ciclo são:

• PIT – plano individual de trabalho;

• Ficha de auto-avaliação;

• Ficha de avaliação da comunicação;

• Mapa de registo de tarefas;

• Diário de turma;

O Conselho Cooperação Educativa é uma das características do MEM que é


transversal a todos os níveis de escolaridade, caracteriza-se como o
momento onde se analisam e discutem os assuntos registados no Diário
da Turma, onde se avalia PIT, se explicitam critérios de avaliação e se
vão clarificando as diferentes modalidades de trabalho, permitindo,
assim, ajustar as regras e projectos, previamente definidos, às
necessidades que vão surgindo.

“A turma colegialmente planeia, acompanha, regula, analisa, orienta


e gere as aprendizagens. Em conselho desenvolvem-se social e moralmente
os alunos” (Niza, 1999)

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Introdução à Escrita

No modelo MEM, a escrita é uma das estratégias utilizadas no


processo metacognitivo da produção para a compreensão. É a partir do
texto individual que a criança se envolve na descoberta do código escrito,
reproduzindo-o e imprimindo-o na imprensa ou no computador. Começam
por produzir textos sem saber escrever. O facto de se escrever o nome que
identifica o que a criança produz, convida a mesma a envolver-se na sua
produção e posteriormente na sua compreensão.

O primeiro processo de escrita traduz-se em rabiscos idiossincráticos,


ou seja, o que a criança representa e que para ela significa algo, ao adulto
é, ou poderá ser, difícil de descodificar.

Contudo, com o passar do tempo, a criança começa a observar e a


identificar que, quando o seu nome está escrito, segue uma regra que todos
os adultos respeitam, a sua forma/imagem. É nesta fase que a criança
começa a imitar o adulto e, posteriormente, escreve o seu nome sem
recorrer a qualquer género de apoio visual.

Segundo Vigotsky:

“...ler e escrever devem ser coisas de que a criança


necessite...escrever deve ser relevante para a vida.”

O educador tem como função principal proporcionar um ambiente


onde a escrita tenha um papel relevante, de modo a despertar a curiosidade
e a progresiva descoberta dos seus códigos. Para além de se utilizar a
escrita na sala de aula, nos momentos de planificação, de diálogo, entre
outros, a escrita também tem a função de comunicação à distância.

Cabe ao educador desenvolver a actividade do “Jornal de Turma”,


que serve para as crianças informarem outras pessoas sobre o que acontece
na escola, o que aprenderam, o que descobriram, partilhando com a
comunidade as suas conquistas. O “Jornal de Turma” é publicado uma vez
por período e contém textos produzidos pelas crianças. Após a impressão do
mesmo, é enviado para outras turmas, outras escolas e para os pais.

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O facto de existir uma correspondência entre as turmas, transmite à


criança a importância da escrita como meio de comunicação. Através da
troca de correspondência, existe uma partilha de ideias, saberes e trabalhos
entre as crianças de turmas MEM.

O papel do adulto

O papel dos professores é o de acompanhar e observar a actividade


das crianças, apoiando o seu desenvolvimento. O modelo MEM trabalha a
sociedade e a cultura pertencente ao meio social da criança, o que permite
uma aprendizagem, por parte das crianças, feita através de interacções
socio-culturais enriquecidas pelos adultos e pares.

Uma vez que o professor tem um papel activo, deve promover uma
organização participativa, cooperação e cidadania democrática, ouvindo as
crianças e encorajando-as a utilizar a liberdade de expressão, as atitudes
críticas, a autonomia e a responsabilidade.

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Trabalho de equipa

A pedagogia do MEM dá prioridade às abordagens globais e


genéricas, às estratégias de investigação através de problemas e de
projectos e à criatividade. Enquadra-se na construção de uma estratégia
que orienta a produção de respostas válidas e pertinentes para as diversas
situações educativas e de formação.

O trabalho escolar é combinado entre o professor e os alunos num


processo de diálogo negociado em que todos os elementos do grupo podem
participar, dando as suas opiniões, utilizando, neste modo, um exercício de
democracia directa.

Uma vez que os alunos participam directamente no processo de


planificação, realização, avaliação e regulação de todo o trabalho escolar, os
conteúdos programáticos estruturam-se em planos e projectos de forma
cooperada, existindo, assim, um género de contrato entre professores e
alunos.

Para que haja qualidade pedagógica, é necessário organizar todo o


trabalho de aula, criando a possibilidade de todos e cada um dos alunos
progredirem no seu itinerário de aprendizagem, construindo e apropriando
os diversos saberes.

Contudo, para existir organização, tem de se recorrer a estratégias


de diferenciação de trabalho, que alternam tempos de trabalho colectivo do
grupo/turma com tempos de trabalho autónomo, individual ou em pequeno
grupo.

É nestes momentos que os professores apoiam de, uma forma mais


directa e individualizada, os alunos que necessitam de ajuda, promovendo a
interacção e a entreajuda entre os alunos e a recuperação de alunos que
estejam em risco.

Através de todo este processo, os professores respeitam as


diferenças individuais e estão convictos que todos podem progredir e atingir

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os objectivos estabelecidos, construindo deste modo escolas sem qualquer


género de exclusões.

“Os alunos intervêm ou interpelam o meio social e integram na aula


“actores” comunitários como fonte de saberes dos seus projectos” (Niza,
1992).

O grupo tem como principal papel o de agente provocador do


desenvolvimento intelectual, moral e cívico, com uma ligação ao quotidiano.
Uma vez que a Escola faz parte do quotidiano da criança, esta proporciona
uma aprendizagem através de desafios, baseados nos problemas dos
grupos e da comunidade.

Trabalho com a comunidade

Uma vez que a escola proporciona uma aprendizagem com um


significado social, através da troca de conhecimentos entre as crianças e a
comunidade, as actividades do jardim-de-infância têm um significado
funcional ao constituirem-se como algo que interessa e é útil para o grupo.

As crianças multiplicam as suas fontes de informação e têm


oportunidades de nela intervir, na procura e resolução de problemas.

A família e a comunidade são fontes de informação e conhecimento


ao longo da vida da criança.

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Conclusão

De uma forma geral, o Movimento da Escola Moderna é um modelo


pedagógico que assenta numa prática democrática da gestão das
actividades, dos materiais, do tempo e do espaço e pretende, através
da acção dos educadores que dele fazem parte, proporcionar uma
vivência democrática e um desenvolvimento pessoal e social das
crianças, garantindo a sua participação na gestão da vida da sala e da
escola.

As atitudes, os valores e as competências, sociais e éticas, que a


democracia integra, constrõem-se, enquanto alunos e professores, em
cooperação, vão experienciando e desenvolvendo a própria democracia
na escola.

O MEM opera uma pedagogia de cooperação educativa, onde alunos e


professores negoceiam actividades e projectos a desenvolver em torno
dos conteúdos programados, tendo por base os interesses e saberes dos
estudantes e o contexto cultural das comunidades. Podemos considerar
que um dos pontos importantes deste modelo pedagógico é a
aprendizagem curricular que decorre, essencialmente, através de
projectos. Desenvolvem-se valores morais e cívicos, a capacidade de
iniciativa, a co-responsabilização dos alunos pela sua aprendizagem e a
aprendizagem da democracia.

Este modelo valoriza a formação contínua dos professores, que se processa


através de um modelo de autoformação cooperante. Esta formação
organiza-se a partir de grupos de trabalho cooperativo, onde há espaço
para partilhar experiências e instrumentos de trabalho e, o mais
importante, reflecte-se sobre as práticas aplicadas.

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Enquanto grupo, considerámos todo o processo de construção do


trabalho bastante enriquecedor, pois poderá ser-nos útil no nosso futuro
profissional. Para o elaborarmos foi necessário mobilizar conhecimentos
adquiridos em sala de aula, pesquisar em livros e artigos publicados sobre
este modelo. A nossa inexperiência em contexto prático dificultou,
inicialmente, a total compreensão de alguns aspectos, nomeadamente da
forma como ocorre a aplicação prática de alguns princípios.

Consideramos que o adiamento da data de entrega do trabalho foi-


nos favorável, não só por termos mais tempo para o terminal e ajustar, mas
porque nos permitiu assistir a uma aula expositiva de professores que
aplicam o MEM no seu contexto educativo, conseguindo assim clarificar
algumas dúvidas que poderíamos ter.

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Movimento da Escola Moderna

Bibliografia

 http://www.movimentoescolamoderna.pt/, consultado em
22/12/2009.

 http://educacaodeinfancia.com/o-movimento-da-escola-
moderna/, consultado em 22/12/2009.

 GONZALEZ, Pedro Francisco, O Movimento da Escola Moderna,


Porto Editora (2002), ISBN: 978-972-0-34459-5.

 SERRA, Célia Maria Almeida Matos, Currículo na educação pré-


escolar e articulação com o 1º ciclo do ensino básico, Porto
Editora (Outubro de 2004), ISBN: 978-972-0-34221-8.

 Slides da aula de TGC de 17 de Dezembro de 2009

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ANEXOS

Mapa de Presenças

Imagem retirada de:


http://4.bp.blogspot.com/_tWBKJhVcKfc/SsZC60XY7FI/AAAAAAAAAFo/SmYDpHcOQ0Q/s400/
IMG_81119.jpg , a 3 de Janeiro de 2010

Mapa de actividades

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Imagem retirada de:

http://3.bp.blogspot.com/_bH22LaK8sbY/SudoBs2TMqI/AAAAAAAAAGc/M4oyMjRZRmo/s320
/DSC03728.JPG, a 3 de Janeiro de 2010

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Mapa de Tarefas

Imagem retirada de:


http://1.bp.blogspot.com/_pB8P50KzsU/SvIBM6spTJI/AAAAAAAAADg/Bym9KuikUkA/s320/P
A090019.JPG, a 3 de Janeiro de 2010

Diário de turma

Imagem retirada de:

http://6estrelinhas.blogspot.com/2009/06/movimento-da-escola-moderna-mem.html, a 3 de
Janeiro de 2010

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